Existe um setor do ainda autointitulado "campo da paz" no espectro político de Israel -- com seu equivalente também no lobby pró-Israel de outros lugares -- que, a cada agressão militar cometida pelo país, repete com macabra previsibilidade alguns tiques. Primeiro, Israel prepara a agressão enquanto eles repetem a cantilena do que o problema na Palestina Ocupada são os "extremistas dos dois lados". As forças de ocupação agem com brutalidade inominável nos primeiros dias e eles continuam dizendo que a culpa é dos invadidos.
E a matança se prolonga por semanas, ante o silencioso observar do mundo, provando categoricamente quem é que queria guerra, e aí, só aí, o filistinismo supostamente pacificista estilo Amos Oz, que acredita que o problema são os "extremistas dos dois lados", lança uma carta dizendo que "chegou a hora de um cessar-fogo".
Fazem continhas obscenas com o número de mortos palestinos: x pode, x vezes cinco talvez seja "a hora do cessar-fogo". Já perdeu completamente o norte moral, esse escritor.
Corajosa e digna foi a escritora anglo-egípcia (e grande autoridade na história da Palestina) Ahdaf Soueif que, na FLIP de 2006, logo depois que Israel havia esmigalhado o sul do Líbano com bombas, recusou-se a participar da palhaçada que se esperava que ela cumprisse, desfilando ao lado do "pacifista" Oz que havia apoiado a guerra. Ahdaf insistiu em sua privacidade e preferiu ficar conversando com gente menos famosa mas que, talvez, estivesse mais em sintonia com o que ela sentia no momento.