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terça-feira, 13 de janeiro 2009

Olmert ordenou, Rice obedeceu: Abstenção numa moção preparada por ela mesma

rice.jpg Só a tradução é do Biscoito. Quem relata é o Yahoo News:

"Ela ficou lá com a cara envergonhada. Uma resolução que ela preparou e organizou, e pela qual no fim das contas ela não votou", disse Olmert num discurso na cidade sulista de Ashkelon. O Conselho de Segurança da ONU passou uma resolução na última quinta-feira, chamando um cessar-fogo imediato no conflito de três semanas na Faixa de Gaza e uma retirada israelense de Gaza, onde centenas já foram mortos.

"Ponham o Presidente Bush no telefone", disse Olmert. "Eles disseram que ele estava no meio de um discurso na Filadélfia. Eu disse: 'não estou nem aí'. 'Quero falar com ele agora'. Ele saiu do pódio e falou comigo. Eu disse a ele que os Estados Unidos não podiam votar a favor de tal resolução. Ele imediatamente ligou para a secretária de estado e disse a ela para não votar a favor".

'Ela ficou com a cara da vergonha. Uma resolução que ela tinha preparado e rascunhado, e no final ela não votou a favor', disse Olmert num discurso na cidade sulista de Ashkelon."



  Escrito por Idelber às 04:46 | link para este post | Comentários (42)


Comentários

#1

obrigado pela cobertura exigente, lúcida, inconformada. é mesmo um prazer.
um forte abraço e força.

joao em janeiro 13, 2009 6:33 AM


#2

realpolitik é isso aí...
Idelber, outro assunto: achei q vc pegou meio pesado com a menina Malkes. Sei que o momento não é de sutilezas, pra dizer o mínimo, mas... o novo blog dela (o do link que vc botou) tem um texto que eu achei bastante corajoso e comenta de anteriores mea culpa (achaveis online). Será que não poderíamos dar o benefício da dúvida e, execrando o blog anterior, aceitar que a realidade a tenha feito mudar de opinião?

Renata L em janeiro 13, 2009 6:54 AM


#3

os comentários estão abertos ou foi descuido? :)

Radical Livre em janeiro 13, 2009 8:03 AM


#4

Acabei de ler o pavoroso artigo do Henri-Levy (para dizer o mínimo) e lembrei de outro verbete para o seu glossário: Escudo Humano.
Toda vez que eles matam milhões atirando nas cidades, dizem que os palestinos usam civis como escudos humanos.

Tiago Mesquita em janeiro 13, 2009 8:17 AM


#5

Professor Avelar, preciso lhe pedir algo: comente aqui o artigo "O POVO É RESPONSÁVEL POR SUAS ESCOLHAS", de autoria do "genial" Ali Kamel. Nesse artigo o chefão do jornalismo da Rede Globo simplesmente fala que os palestinos na Faixa de Gaza não podem reclamar dos bombardeios israelenses porque eles escolheram o Hamas como seus representantes, e já que o Hamas é uma organização terrorista cabe a eles arcarem com todo e qualquer custo advindo do apoio a "terroristas". É por isso que me ufano da imprensa brasileira...

P.S.1.: uma cópia desse artigo pode ser encontrada no blog do pitbull da Veja.

P.S.2.: depois que eu li esse artigo eu entendi porque uma pessoa como Renata Malkes faz parte dos quadros de jornalismo da Rede Globo.

Claudio Roberto Basilio em janeiro 13, 2009 8:40 AM


#6

Ce deixou aberto por engano, professor?

Já li um bocado, mas nunca entendi como pode ser tão forte o lobby sionista nos EUA. Daria um bom tópico depois que este massacre acabar.

Thiago Candido em janeiro 13, 2009 9:26 AM


#7

Gosto deste espaço, até o indiquei no meu blog...precisamos refletir sobre este silêncio cada vez mais intensamente, afinal quem comprou nossa humanidade? Porque quero a minha de volta!

Ana Laura em janeiro 13, 2009 9:39 AM


#8

Inacreditável isso. Isso me faz pensar agora.. "quem obedece quem?"

IRR em janeiro 13, 2009 9:39 AM


#9

Salve Idelber,

que bom que vc abriu comentário. Estou acompanhando essa guerra terrível pelo seu blog. Tenho lido muitas coisas sobre a palestina que eu não tinha conhecimento e me veio uma dúvida, que acredito que vc, como estudioso e interessado na questão poderá me ajudar.
É o seguinte: sempre tomei como certo que os eua apoiam israel, porque há um grande lobby sionista nos eua...porque os eua tem interesses na região, etc...coisas que são repetidas tantas vezes como verdade que a gente acaba aceitando sem questionar.
mas, agora que tenho refletido mais sobre isso, pensei:
por que os eua apoiam tanto? Por que existe esse "poderoso lobby" e por que os presidentes norte-americanos se sentem tão obrigados a apoiar essa catastrofe criada pelo governo de israel?

No mais, parabens pelo trabalho que vem realizando aqui. Trata-se de uma ação histórica. Junto com outros blogs, no brasil e no mundo, vc está fazendo História!

aiaiai em janeiro 13, 2009 10:24 AM


#10

Busch já vai tarde e, dele, não se poderia esperar nada de diferente. Minha preocupação, na verdade, é com Obama.

Idelber, você não está achando o presidente Obama um pouco mais tímido do que deveria? Eu diria mais. Covarde?

Arnaldo em janeiro 13, 2009 10:35 AM


#11

Que organizações posso dar colaboração para tentar trazer um fim aos acordos de livre comércio entre Israel e Mercosul (e outras tentativas de influência hostil a soberania dos países sulamericanos por centros imperiais) e que exija do governo maior solidariedade com o povo palestino?

Li sobre boicotes a produtos, mas não parece o bastante (ainda mais tendo em mente que o único produto da lista passível a boicote na minha lista de consumo é Coca-Cola).

ps: e é impressão minha, ou alguns sites brasileiros (blogs, mais especificamente) sobre Palestina anda caindo "de repente"?

Marcelo em janeiro 13, 2009 11:04 AM


#12

Eh isso que eu estou dizendo: existem milhares de politicos nos EUA.

Todos, do comeco ao fim, alinhados a Israel. Nao tem unzinho "nao-alinhado".

Os contra teem sua reputacao e carreira assassinadas.

Ivan Moraes em janeiro 13, 2009 11:06 AM


#13

Estou enviando o link porque estou de saco cheio do ultra-sionismo da Folha de São Paulo. Será que lá só tem judeu? Leia esse post do Nassif sobre reportagem da Folha.
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/01/13/argumentos-desproporcionais/

Bruno em janeiro 13, 2009 12:02 PM


Tiago Mesquita em janeiro 13, 2009 12:33 PM


#15

“Cada vez que fazemos algo, vocês me dizem que a América fará isso
ou aquilo... Digo a vocês uma coisa muito clara: não se preocupem
com as pressões americanas sobre Israel. Nós, o povo judeu,
controlamos a América, e os americanos o sabem.”

ARIEL SHARON, Primeiro-ministro de Israel.
Dirigindo-se a Shimon Peres, em 3 de outubro de 2001,
conforme foi relatado na Kol Yisrael Radio.

Ariel em janeiro 13, 2009 12:34 PM


#16

Sim, foi por descuido. A idéia é continuar com a caixa fechada mais uns tempos, para que eu possa continuar trabalhando na mesma velocidade.

Mas agradeço os comentários :-)

As sugestões estão todas anotadas. Sobre o lobby pró-Israel nos EUA: há um bom link colocado uns posts atrás, para um artigo acadêmico no Scielo. Vale a leitura.

Idelber em janeiro 13, 2009 1:05 PM


#17

Alguém me explica a empáfia do Olmert e do Ariel Sharon (citado acima)? Será porque judeus, sionistas ou não, comandam o setor financeiro e bancário dos Estados Unidos, mais boa parte da mídia e da indústria editorial norte-americana?

Vera Borda em janeiro 13, 2009 1:10 PM


#18

Enquanto tá aberto é só pra agradecer deveras a cobertura, e dizer que sou mais um que condena Israel (sem condenar "judeus" nem nada disso) e vibra na corrente da paz para a Palestina.

Pedrin em janeiro 13, 2009 1:15 PM


#19

Só para agradecer a cobertura lúcida.
Um abraço

Izabella em janeiro 13, 2009 1:54 PM


#20

Sei que é off topic, mas, a tal da "Rinait Malkes" apagou os arquivos, do seu antigo blog, lá no wayback.
Será "vergonha" ou falta de?

Namber Uam em janeiro 13, 2009 1:58 PM


#21

Aproveitamos o lápso para deixar público nosso apoio e gratidão ao Idelber pela seleção dos textos e análises sobre esse massacre dos palestinos. Jamais aprendemos tanto sobre essa guerra, e jamais sentimos tão perto seus horrores.

Paulo e Flavia em janeiro 13, 2009 2:10 PM


#22

Uma a uma, caem por terra as justificativas que Israel ofereceu para essa sua mais recente guerra contra Gaza.

O argumento de que seria guerra puramente de defesa, que só teria sido desencadeada depois de que o Hamás teria violado um cessar-fogo de seis meses, já foi desmentido, não só por observadores como Jimmy Carter, o ex-presidente dos EUA que ajudou a construir a trégua, mas também por especialistas de diversos institutos e think-tanks isralenses de centro-direita.

O Intelligence and Terrorism Information Center, cujo relatório de 31 de dezembro, leva o título de “Relatório de Inteligência dos seis meses de vigência do cessar-fogo” (que pode ser lido em http://www.israelforum.com/blog_article.php?aid=1884099), confirma que a trégua acertada dia 19 de junho “foi violada, apenas esporadicamente, não pelo Hamás, mas por organizações terroristas”.

E prossegue: “a escalada [da violência] e a erosão do acordo de cessar-fogo” ocorreu depois que Israel assassinou seis membros do Hamás, dia 4/11, sem qualquer provocação e, no dia seguinte, impôs um bloqueio ainda mais rígido do que o bloqueio já então vigente em toda a Faixa de Gaza.

Conforme estudo conjunto feito pela Universidade de Telavive e pela European University, esse é o padrão segundo o qual a violência do exército israelense já foi responsável pela interrupção ou violação de 79% de todos as tréguas firmadas na Região desde a II Intifada; o mesmo estudo constatou que o Hamás e outros partidos palestinenses só podem ser declarados responsáveis por 8% das violações e interrupções.

bia em janeiro 13, 2009 2:10 PM


#23

Junto me a todos que lhe parabenizam pela cobertura da violência sionista praticada contra os Palestinos.

O vídeo é sensacional, uma aula sobre as questões israelo-palestinas.
Mais uma vez parabéns e obrigado por ser um canal para que a verdade seja mostrada

João Saboia Jr em janeiro 13, 2009 2:15 PM


#24

Idelber,

Bem, eu também vou me aproveitar do seu descuido para dar meus parabéns pela cobertura que você tem feito sobre esse massacre.

Quanto aos EUA, é o teatro do absurdo; para eles que sempre riram da nossa desdita, ter um governo populista e irresponsável como esse é uma daquelas peças que a história cisma em pregar.

Hugo Albuquerque em janeiro 13, 2009 2:41 PM


#25

Idelber.
Vi um dia desses, no blog do filósofo Paulo Ghiraldelli um artigo, que considero ofensivo, a respeito de Saramago. Acho que esse cara foi bem infeliz nas colocações que fez a respeito da questão palestina.

Eis o link:

http://ghiraldelli.wordpress.com/2009/01/05/saramago-acima-do-sagrado-do-outro/

Pode ser até taxado de sionista esse senhor Ghiraldelli, não concorda? Dê uma olhada.
Abraços.

Bruno Marcondes em janeiro 13, 2009 3:11 PM


#26

Idelber, não vou me estender, apenas parabenizá-lo pela cobertura firme e corajosa.

Cláudio Freire em janeiro 13, 2009 3:11 PM


#27

Prezado Idelber:

Abaixo reproduzo uma parte um um artigo do escritor português José Saramago. É a análise mais corajosa e correta que li até o momento. O texto completo poderá ser lido aqui:
http://caderno.josesaramago.org/2009/01/08/das-pedras-de-david-aos-tanques-de-golias/ e
http://caderno.josesaramago.org/2009/01/09/das-pedras-de-david-aos-tanques-de-golias-2/

"...Em poucas palavras, é nisto que consiste, desde 1948, com ligeiras variantes meramente tácticas, a estratégia política israelita. Intoxicados pela ideia messiânica de um Grande Israel que realize finalmente os sonhos expansionistas do sionismo mais radical; contaminados pela monstruosa e enraizada “certeza” de que neste catastrófico e absurdo mundo existe um povo eleito por Deus e que, portanto, estão automaticamente justificadas e autorizadas, em nome também dos horrores do passado e dos medos de hoje, todas as acções próprias resultantes de um racismo obsessivo, psicológica e patologicamente exclusivista; educados e treinados na ideia de que quaisquer sofrimentos que tenham infligido, inflijam ou venham a infligir aos outros, e em particular aos palestinos, sempre ficarão abaixo dos que sofreram no Holocausto, os judeus arranham interminavelmente a sua própria ferida para que não deixe de sangrar, para torná-la incurável, e mostram-na ao mundo como se tratasse de uma bandeira. Israel fez suas as terríveis palavras de Jeová no Deuteronómio: “Minha é a vingança, e eu lhes darei o pago”. Israel quer que nos sintamos culpados, todos nós, directa ou indirectamente, dos horrores do Holocausto, Israel quer que renunciemos ao mais elementar juízo crítico e nos transformemos em dócil eco da sua vontade, Israel quer que reconheçamos de jure o que para eles é já um exercício de facto: a impunidade absoluta. Do ponto de vista dos judeus, Israel não poderá nunca ser submetido a julgamento, uma vez que foi torturado, gaseado e queimado em Auschwitz. Pergunto-me se esses judeus que morreram nos campos de concentração nazis, esses que foram trucidados nos pogromes, esses que apodreceram nos guetos, pergunto-me se essa imensa multidão de infelizes não sentiria vergonha pelos actos infames que os seus descendentes vêm cometendo. Pergunto-me se o facto de terem sofrido tanto não seria a melhor causa para não fazerem sofrer os outros. ..."

Novaes em janeiro 13, 2009 3:56 PM


#28

Lendo o comentário #5, do Claudio Roberto Basilio, fiquei pensando que os governantes de Israel devem estar pensando como o Ali Kamel: parece até que estão punindo o povo palestino de Gaza exatamente por terem tido a "audácia" de votar no Hamas! Afinal, em breve acontecerão eleições por lá...

Cláudio Freire em janeiro 13, 2009 4:11 PM


#29

Saramago escreveu com a dureza e a dignidade que se espera de um Prêmio Nobel nesse momento. Refutar o que ele escreveu só é possível em casos de um grau de sectarismo patológico ou de auto-ilusão incurável.

Hugo Albuquerque em janeiro 13, 2009 5:16 PM


#30

Só pra comunicar, dia 15/1, às 15h, ato pró-Palestina em BH, na praça 7!

Humberto em janeiro 13, 2009 6:42 PM


#31

Idelber,
eu me junto aos que se aproveitam do descuido da caixa aberta pra te agradecer a coragem, a dureza e a crueza das palavras, tão necessárias nesse mundo cínico, hipócrita e covarde. É aqui que eu me informo sobre essa guerra infame, e aqui que eu me abasteço de argumentos para contrapor
na discussão com amigos que só sabem o que noticia a globo. Muito obrigada.

Ana Paula Medeiros em janeiro 13, 2009 10:58 PM


#32

Idelber, a propósito do Saramago, sugestão de verbete para o seu glossário macabro da ocupação israelense: ANTI-SEMITA!!

Mas acredito fortemente que esse verbete terá algumas imbricações com terrorista...

Bruno Marcondes em janeiro 13, 2009 11:01 PM


#33

previsível, em tratando-se de quem se tratam.

gugala em janeiro 13, 2009 11:45 PM


#34

Bem, Idelber , eu não gostaria de tirar proveito de suas distrações, mas não pude me conter. Me desculpe.
É que estão muito 'engraçadas' as abordagens sobre um possível cessar-fogo.
A folha on line veio com essa, que segue, sem dúvidas, como exemplo para o 'novo paradigma' ser estabelecido, a falácia sobre as ações do Hamas serem as condicionantes para um possível cessar-fogo:
"Egito pede ao Hamas um ano de cessar-fogo em Gaza". FSP
Embora eu não duvide que o Egito - Omar Suleiman e Ahmed Aboul Gheit- tenha proposto algo diferente, podemos rápidamente concluir que: Se o Hamas parar de lanças os perigosos foguetes contra a nação invasora, o único compromisso de Israel será o de suspender o massacre da população civíl com F16, bombas de fósforo etc etc etc. Bem já é muita coisa, mas não está em pauta muitas outras coisas como a retirada do bloqueio de Israel ao povo palestino em Gaza, e a 'colonização' na Cisjordania. Por exemplo.
O cessar -fogo deveria ser coisa a ser negociada com Israel e não com o Hamas.
Ou seja, apesar do bloqueio, da invasão e do massacre, quem deve 'supender fogo' é o Hamas? Eu não entendi a lógica, se é que tem lógica.
E eu não gostei da abordagem do texto do Saramago.

fm em janeiro 13, 2009 11:45 PM


#35

Só para corrigir; faltou um 'pedaço' em meu texto.
Em 'O cessar -fogo deveria ser coisa a ser negociada com Israel e não com o Hamas.'
Faltou acrescentar um vírgula e;
'é piada'

fm em janeiro 13, 2009 11:51 PM


#36

Idelber,

Ainda não li todo seu matérial sobre Gaza e o conflito (estava na fazenda, em minas, desde ano-novo e só acessei seu sítio hoje). Queria te fazer uma indagações:

- Por que aquele tripinha de terra (a Judéia) é tão importante ao mundo? Só porque as três religiões monoteístas surgiram por lá?

- Se não é por causa das religiões, não pode ser também só por uma questão geopolítica, pois há regiões mais ricas e importantes, não?

- Por que esta desgraça não sai da mídia? Por que não vão cobrir outros massacres e desastres e ditaduras mais ferozes?

- Sobre o Boicote a Israel, eu concordo neste momento de urgência. Mas, num futuro próximo, não deveria haver por parte dos palestinos uma atitude baseada na desobediência civil, como ensinou Thoreau ou mais ainda, um Gandhi? Não é hora dos palestinos serem mais inteligentes e (não sei como) partirem para uma total e racionalíssima desobediência civil, que, imagino seria árida, mas conquistaria apoio dos próprios israelenses?
- Por fim, se o Obama terá que apoiar a ONU para as coisas funcionarem lá no Oriente Médio, ou não?

Abs.

Patriarca em janeiro 14, 2009 3:11 AM


#37

Interessante o argumento do Ali. Se os palestinos merecem o massacre porque votaram no hanmas, então deveria dizer que são mais que legítimos os mísseis do Hamas contra Israel, já que foi o governo israelense quem alimentou o crescimento do Hamas para enfraquecer a Fatah...

Sobre o que levou à eleição do Hamas, há um interessante artigo, no site do Ivan Valente, um de um simpatizante da causa palestina que não tem problemas em mostrar o atraso que significa o Hamas, que nasceu estimulado eplas potências ocidentais interesadas em combater o nacionalismo laico árabe:

http://www.ivanvalente.com.br/cn02/artigos/arts_det.asp?id=496

sleo em janeiro 14, 2009 10:24 AM


#38

de www.apostos.com/altovolta (recomendo)
14-01-09
'Querer! Querer! E lá vamos!'

O Saramago, de 1922, é da mesma geração do meu avô, de 1925. Saramago é comunista, meu avô foi comunista. As semelhanças param por aí. O Saramago é jornalista e escritor. Meu avô era advogado e, no mundo das letras, era apenas um leitor compulsivo – de Saramago, inclusive. Saramago é católico de batismo e português de cidadania, enquanto meu avô nasceu judeu e polonês. Em 2009, Saramago está vivo, meu avô está morto. Em 1935, os dois viviam: meu avô estava na França, refugiado e filho de refugiados, enquanto Saramago vestia camisa verde em Portugal, nas fileiras da Mocidade Portuguesa, uma espécie de juventude salazarista.
mocidadeportuda.gif
Símbolo da Mocidade Portuguesa; o título do post contém um verso do hino do grupo

Meu avô nunca se envergonhou de sua história, nem de ser "duplo refugiado" (sim, acabou no Brasil, corrido da França). Pelo lado dele, o Saramago deve se orgulhar de muito na vida, com motivo e justiça, mas certamente não se orgulha – e já deixou isso claro – de ter vestido a tal da camisa verde, do salazarismo-mirim, aos 13 anos. É injusto tirar qualquer inferência daí. Saramago não tinha opção, acabou empurrado e, além do mais, era só um guri. Tem todo o desconto do mundo, portanto.

Todo esse recorrido histórico-biográfico passou na minha cabeça quando li um dos textos mais recentes dele. Como alguns dos anteriores, Saramago fala de Gaza, sobre o horror. Ao contrário dos anteriores, o texto menciona não apenas “israelitas” ou “israelenses”, quase sinônimos em Portugal, mas fala explicitamente em “judeus”, pois vejamos:

... os judeus arranham interminavelmente a sua própria ferida para que não deixe de sangrar, para torná-la incurável, e mostram-na ao mundo como se tratasse de uma bandeira. Israel fez suas as terríveis palavras de Jeová no Deuteronómio: “Minha é a vingança, e eu lhes darei o pago”. Israel quer que nos sintamos culpados, todos nós, directa ou indirectamente, dos horrores do Holocausto, Israel quer que renunciemos ao mais elementar juízo crítico e nos transformemos em dócil eco da sua vontade, Israel quer que reconheçamos de jure o que para eles é já um exercício de facto: a impunidade absoluta. Do ponto de vista dos judeus, Israel não poderá nunca ser submetido a julgamento, uma vez que foi torturado, gaseado e queimado em Auschwitz.

Um texto seguinte termina da seguinte maneira, falando sobre como os israelenses “aplicam” as “lições nazistas”:

Pode mesmo dizer-se que em alguns aspectos os discípulos ultrapassaram os mestres. Quanto a nós, continuaremos a manifestar-nos.

Se meu avô estivesse vivo, eu ouviria o que ele dissesse. Devo o mesmo respeito ao Saramago. Não tenho razões para pensar em senilidade. Devo levá-lo a sério, e considerar suas reflexões como articuladas umas às outras. Vamos puxar o fio (minhas palavras):

Os judeus são cúmplices de um crime que, “em alguns aspectos”, é pior do que o do nazismo. Ao escudarem Israel de julgamento, os judeus servem de linha acessória a uma força que quer anular o resto do mundo para transformá-lo em “dócil eco de sua vontade”. Os judeus são, portanto, uma quinta coluna global, uma quinta coluna que, por analogia, é pior “em alguns aspectos” do que a quinta coluna nazista.

Ele parou por aí. Mas, se alguém subscreve na íntegra essa rationale, deve, por coerência, pensar no que fazer com essa nova quinta coluna. Os cúmplices de um plano de submissão global precisam, no mínimo, ser vigiados. E a vigilância deve ser mais intensa naqueles locais onde os tais cúmplices transmitem seu “ponto de vista”: na mídia, nos tribunais e nos governos. Olho nos judeus, portanto.

Saramago não é gagá. Não precisa de “desconto”, não de novo. Ele não é mais um menino de camisa verde.

---

“... os judeus arranham interminavelmente a sua própria ferida” – essa frase é de uma vileza aterradora. O que significa “arranhar interminavelmente” no meu caso, por exemplo? Resgatar a memória do meu bisavô (sogro do meu avô mencionado acima)? Recordar a história de que muito, mas muito antes de eu nascer, ele ficava colado no rádio para saber se algum judeu da cidade dele, na Polônia, tinha sobrevivido para trocar uma idéia?

---

André, eu me arrependo de ter dado uma “aliviada” naquele post anterior. Você tinha sua parte de razão.

lançado por david às 00:17 Judia de mim | 2 cantando e rodando

Renata L em janeiro 14, 2009 10:27 AM


#39

Professor, encontrei esse texto em Rebelion.org. Não tive tempo pra traduzir. É um teste de múltipla escolha com frases muito interessante ...


La historia de Israel en citas citables
Texto de Mitch Cohen

Examen de opción múltiple... ¿quién dijo las siguientes palabras?

1. Si yo fuera un dirigente árabe, nunca firmaría un acuerdo con Israel. Es normal, les quitamos el país. Ciertamente, dios nos lo prometió pero, ¿qué más les da eso? Nuestro dios no es su dios. Ha habido antisemitismo, hubo nazis, Hitler, Auschwitz, pero, ¿ellos tienen la culpa? Solo pueden ver una cosa: vinimos y nos robamos su país. ¿Por qué tendrían que aceptarlo?

a. George W. Bush, Presidente de Estados Unidos

b. Harry S. Truman, ex Presidente de Estados Unidos

c. Noam Chomsky, escritor y disidente estadounidense

d. David Ben Gurion, primera persona en ocupar el cargo de Primer Ministro de Israel

2. Cada vez que hacemos algo dices “Estados Unidos hará esto y aquello…” Quiero dejar algo bien claro: no te preocupes por la presión de Estados Unidos sobre Israel. Nosotros, el pueblo judío, controlamos a Estados Unidos, y los estadounidenses lo saben.

a. Ariel Sharon, ex Primer Ministro de Israel

b. Meier Kahane, fundador de la Liga de la Defensa Judía

c. Paul Wolfowitz, ex director del Banco Mundial

d. Amy Goodman, locutora de radio para Democracy Now!

3. Entre los fenómenos políticos más perturbadores de nuestros tiempos se encuentra el surgimiento del Partido de la Libertad (Herut) en el recientemente creado Estado de Israel; un partido político cuya organización, método, filosofía política y convocatoria social evocan al Partido Nazi y al Partido Fascista.

a. Bill Ayers y Bernardine Dohrn

b. V.I. Lenin y Leon Trotsky

c. Albert Einstein y Hannah Arendt

4. El poder de Hitler emanaba de la ‘Ley habilitante’, aprobada con todo rigor jurídico por el Reichstag y que permitió que el Führer y sus representantes... hicieran lo que les viniera en gana o, en jerga legal, que emitieran normativas con fuerza de ley. El Knesset (parlamento israelí) aprobó exactamente el mismo tipo de ley inmediatamente después de la conquista de 1967, otorgando así al dirigente de Israel y a sus representantes un poder comparable al de Hitler, poder que ejercieron al estilo hitleriano.

a. Gus Hall, ex Presidente del Partido Comunista de Estados Unidos

b. Dr. Israel Shahak, Presidente de la Liga Israelí para los Derechos Humanos y Civiles, superviviente del campo de concentración de Bergen-Belsen

c. Barack Obama, Presidente (electo) de Estados Unidos

d. Yassir Arafat, ex dirigente de la Organización para la Liberación Palestina

5. ¿Cómo devolver los territorios ocupados? No hay nadie a quién devolverlos.

a. Dick Cheney, Vicepresidente de Estados Unidos

b. Jay Leno, comediante

c. Golda Meir, ex Primera Ministra de Israel

RESPUESTAS (¡sin trampas!):

1-d David Ben Gurion (primera persona en fungir como Primer Ministro israelí), según cita de Nahum Goldmann en Le Paraddoxe Juif (La Paradoja Judía), pp. 121;

2-a Ariel Sharon, 3 de octubre de 2001, en conversación con Shimon Peres, según informes de Kol Yisrael Radio;

3-c Albert Einstein, Hanna Arendt y otras personalidades estadounidenses de origen judío en un texto para The New York Times como protesta a la visita de Menachem Begin a Estados Unidos, diciembre de 1948;

4-b Dr. Israel Shahak, Presidente de la Liga Israelí para los Derechos Humanos y Civiles, superviviente del campo de concentración de Bergen-Belsen, en un comentario sobre las Normas de Emergencia del ejército israelí tras la guerra de 1967, en la publicación periódica Palestine, vol. 12, diciembre de 1983;

5-c Golda Meir, a una semana de asumir el cargo como Primera Ministra de Israel, 8 de marzo de 1969.

cesar augusto em janeiro 14, 2009 12:59 PM


#40

Boa tarde, professor.

Como outros leitores do blog, estou aproveitando a sua “distração” (a abertura da caixa de comentários) para dar os parabéns e para agradecer a cobertura realizada com relação ao massacre da população palestina. Como
você mesmo cita: aqui neste cantinho da internet se faz o possível.

Acompanhando os textos postados e os inúmeros links incluídos, aprendi muito, aliás estou aprendendo. Incrível como desconhecia alguns aspectos, como por exemplo: não sabia da existência de judeus ultra-ortodoxos que
rejeitam a criação do Estado de Israel baseados em justificativas religiosas... e por aí vai.
Vou, ainda, fazer duas observações:
- não sei se você ainda lê o jornal Estadão; assino para receber somente os exemplares de sexta, sábado e domingo e segunda. Nestes dias são
publicadas colunas de pessoas que admiro e gosto de acompanhar. Sei o que este jornal representa, mas deixo pra lá os editoriais e os artigos de quem não me interessa. Bem.. no Caderno Cultura do último domingo (11-01-09) foi publicado um texto do prof. Vladimir Safatle, do Departº de Filosofia da USP, no qual ele comenta duas coletâneas organizadas por Slavoj Zizek com
textos de Mão Tsé-tung e de Robespierre. Pelo texto do prof. Vladimir parece-me que há correspondências entre seu texto sobre “terrorismo” e as análises de Zizek . Não quero me estender mais. Não sei inserir um link
para o texto, mas se você tiver um tempinho, e se for possível, dê uma olhada;
- a ação do Estado de Israel é de tamanha brutalidade que até um liberal-conservador (?) como Mario Vargas Llosa publica um artigo também no Estadão de segunda-feira, 12/01, criticando acidamente o massacre, afirmando que sempre defendeu Israel, mas ele se pergunta: “...se algum país do mundo poderia progredir e modernizar-se nas condições atrozes de
existência do povo de Gaza.” Continua: “Ninguém me contou isso (...) eu vi com meus próprios olhos.E senti asco e revolta pela miséria atroz,
indescritível, na qual estão morrendo aos poucos, sem trabalho, sem futuro, sem espaço para viver, nas covas imundas dos campos de refugiados...” e por aí vai fazendo a uma crítica bem significativa (para um conservador) e
agradecendo a postura de Gideon Levy, a quem chama de amigo.
Desculpe o longo comentário. Como um dos que aqui comentam, não tenho poder de síntese.
Forte abraço e como diz a Fal: força na subida.
Marilda Costa

Marilda S. Costa em janeiro 15, 2009 2:39 AM


#41

Idelber, o relato é ainda pior do que se pensa, pois fica claro que quem obedeceu às ordens do Olmert não foi apenas a Condoleeza, mas o próprio Bush.

O fato é que o Olmert manda no Bush.

Marcos D. em janeiro 15, 2009 11:33 AM


Novaes em janeiro 15, 2009 7:02 PM