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quarta-feira, 21 de janeiro 2009

Retrospectiva 2008

Em janeiro, os sábios do jornalismo descartavam a pré-candidatura de Obama como um breve prelúdio à coroação de Hillary. Em fevereiro, de um lado do mundo um adeus, de outro massacres que continuavam. Em março, enquanto Barack Obama se preparava para revolucionar a campanha eleitoral eletrônica e interativa, o judiciário brasileiro inventava a campanha eleitoral sem internet. Em abril, a oposição brasileira e seus aliados na imprensa batiam cabeça, enquanto só em maio, depois de meses de cobertura blogueira, o escândalo do DETRAN gaúcho estourava na grande imprensa. Em junho, claro, completamos 50 anos de existência adulta como país de verdade. Em julho, boa parte da grande imprensa brasileira se revelou bem amiga de Daniel Dantas e bem interessada em fulminar o Doutor Protógenes. Em agosto, John McCain deu um presente chamado Palin para Obama, mas os sábios do jornalismo falaram em “golpe de mestre”. Em setembro, começou a desabar o castelinho da desregulamentação do capitalismo Bush e desapareceram os profetas do livre-mercado, agora ocupados em pedir socorro financeiro do estado para seus patrões corporativos. Em outubro, a população brasileira fez de PPS, DEM e PSDB os três partidos que mais perderam votos em todo o território nacional, mesmo com a caipirice do PT mineiro e o lampejo de semi-cidadania da República Leblon. Em novembro, a noite inesquecível. Em dezembro, o jornalismo brasileiro nos proporciona dois espetáculos televisivos grotescos, com Gilmar Mendes e com o Doutor Protógenes.

Alexandre Inagaki não deixou de fazer, evidentemente, seu tradicional e imperdível balanço.



  Escrito por Idelber às 04:12 | link para este post | Comentários (85)


Comentários

#1

Por que as pessoas insistem em ver essa como uma "crise do livre mercado" e ficar cantando a vitória do estatismo?
As grandes corporações nunca foram a favor do livre mercado e sempre viveram pedindo ajuda ao Estado, seja na forma de protecionismos e aberturas seletivas, seja com monopólios, barreiras para entrada de concorrentes ou dinheiro mesmo.
Em outras palavras o capitalismo "mega-corporativo" não é nada mais que o Estado protegendo os grandes conglomerados do livre mercado e das pequenas e micro empresas.
Infelizmente, parece que o remédio prescrito para a crise é mais do mesmo.
Por que não um choque de livre mercado? Por que não dimnuir tempos e custos para criar uma empresa, para contratar funcionários, para gerar renda? E antes que comecem a chiar, ha muitas maneiras de fazer isso sem retirar direitos. Por que não promover a diversificação e desmanhce de oligopólios?

lucas em janeiro 21, 2009 8:28 AM


#2

Grande Idelber, que bom que tudo voltou ao normal... Tanto pelo fim do massacre quanto pela volta ao movimento normal do blog... Bom antes de mais nada, parabéns pela cobertura! Vc está na profissão certa, pois se fosse repórter estaria desempregado com toda certeza...
Bom, é isso... abraço e que volte a literatura, pra dar uma alcalmada nos ânimos, ou não! hehehe

Gui Losilla em janeiro 21, 2009 8:29 AM


Johnny Guitar em janeiro 21, 2009 9:07 AM


#4

Caro Idelber, já não era sem tempo poder escrever na sua caixa de comentários! Digo por sentir falta mesmo, embora entenda e apoie os motivos de sua decisão.
De todos os tópicos da tua retrospectiva, só vou discordar um pouco da tua análise sobre a "República do Leblon", sem deixar de achar graça do título sacana. Se por um lado vc falou com total acerto sobre a falácia da substituição da política pela moral, por outro pouco avaliou o horror que é a política partidária no Rio -- que está a anos-luz do mínimo aceitável de representatividade (e civilidade!) para uma cidade com seu histórico --, e o peso que isso representou para uma boa parcela do eleitorado, sem contar tb o fato de ser uma eleição para prefeito, que na atual conjuntura, não pode ser comparada à de governadores e presidente, por mais que esse fosse o ideal em se tratando de política... Quando vc aparecer por estas bandas retomaremos a conversa, quem sabe até comendo uma feijoada, hehehe!
Mas tudo isso é perfumaria diante dos últimos acontecimentos, sobre os quais não há espaço algum para fazer graça.
Grande abraço, e que este trágico início de ano passe logo, substituído pelo sopro de esperança que o Obama simboliza.

Ricardo Cabral em janeiro 21, 2009 9:11 AM


#5

Olá, Professor Idelber.

Uma singela questão: Por quais motivos o senhor escreveu que os foguetes Qassam não passam de meros "rojões"?

Outra pergunta: Por quais razões não foi possível aos leitores do "Biscoito Fino e a Massa" comentarem os posts sobre o recente conflito entre israelenses e palestinos?

Obrigado!

Marcelo Augusto

Marcelo Augusto em janeiro 21, 2009 10:08 AM


#6

Caro Marcelo Augusto:

1. Para fazer gracinha com os que chamam os Qassam de "mísseis".

2. Porque me informo sobre o assunto há 25 anos, conheço cada recoveco dos sofismas usados para defender as chacinas israelenses em "debates" sobre o tema na internet, não estava interessado em "debater" o assunto com ninguém, precisava trabalhar em alta velocidade documentando uma chacina, e porque o acontecido não foi um "conflito". Alguma outra dúvida?

Idelber em janeiro 21, 2009 10:23 AM


#7

Caríssimo Idelber, bom dia. Excelente todo o trabalho de cobertura. Como já escrevi: aprendi muito, pois além das informações e análises estampadas neste blog, você indicava, através dos links, outros blogs e sites que complementavam as notícias e análises. Obrigada.

Idelber, não resisto: embora as perguntas do Marcelo Augusto tenham sido, obviamente, dirigidas a você, atrevo-me a dizer que você foi muito educado, como sempre, como é do seu estilo (e, aliás, da maioria absoluta dos comentaristas).

Eu responderia: “precisei de todo o tempo para realizar a cobertura que me interessava, tendo por objetivo último informar meus leitores. E meus leitores sabem de minha posição quanto a questão em pauta: a ocupação da Palestina. Além disso, o blog é meu, um blog independente, estabeleço certas condições e determinadas regras, conforme as necessidades do momento. Ninguém é obrigado a visitar o blog; vem aqui quem quer. Você quer debater, discutir? Tem “trocentos” blogs tratando do mesmo assunto e com as caixas de comentários abertas. Vai lá.”

Quanto à retrospectiva de 2008: as questões centrais do ano estão lá indicadas. E sobre elas: como você viu a transferência do Dr. Paulo Lacerda para Lisboa? Pergunto porque ainda é conseqüência (com trema) do caso “Protógenes/Dantas. É possível um exílio dourado (que no final das contas representa, a meu ver, uma forma de punição, mesmo que dourada) para um homem como Lacerda, que sofreu um processo de aviltamento brutal por todos aqueles que, de uma forma ou de outra, estão associados ao Sr. Daniel Dantas? E isto em um governo tido por muitos como de esquerda?
Forte abraço
Marilda


Marilda S. Costa em janeiro 21, 2009 11:15 AM


#8

Embora vc não seja professor de história, faz parte da academia, onde não prospera o conceito de debate proibido.

Definitivamente, não pega bem para um acadêmico declarar "não estar interessado em debater o assunto com ninguém." Qualquer assunto. Vc se igualou ao José Dirceu sob o ponto de vista acadêmico. Deu um golpe no debate tal e qual o que o comissário Dirceu deu no PT-Rio, e que vc tanto critica. Transformou-se no comissário Avelar.

A não se que vc assuma claramente que tomou a decisão de publicar propaganda pró-Palestina, não há desculpa para vc ter citado acadêmicos como Finkelstein sem ressalvar que a scholarship dele é altamente controvertida no meio acadêmico americano. E o meio acadêmico americano, definitivamente, NÃO É DOMINADO PELO LOBBY JUDEU/ISRAELENSE.

É claro que a porta da rua é a serventia da casa. Uma pena. Eu gostava de frequentar isso aqui. Infelizmente, não mais. Sei que não farei falta, porque o que nós, brasileiros, gostamos mesmo é de um bom maniqueísmo, o que nunca havia encontrado aqui antes. Agora que vc se apresenta como maniqueísta, não lhe faltará freguesia.


Rogério em janeiro 21, 2009 11:55 AM


#9

50 anos de Campeão Mundial e de Bossa Nova. É muita alegria. Pra mudar de pato pra ganso, você viu o post do Sérgio Leo sobre o discurso do Obama e a relação dos EUA com a América Latina nessa nova configuração que ele se propõe.
Até o momento vejo muito pouco de novo na postura dos dirigentes democratas e ainda tenho um pouco de medo da Hillary na condução da política externa pelo seu excesso de "realismo". Lógico que não é nada que supere os anos Bush/Cheney/Rumsfeld/Rice, mas fico meio assustado com a falta de informações sobre a América do Sul e, principalmente, o Brasil. E olha que eu procurei em todos os sites do Obama e no novo da Casa Branca.
Se vocêr depois puder me dar uma luz. Abraço forte e depois dê uma visitada lá no blog que eu fiz com meu irmão.

Lauro Mesquita em janeiro 21, 2009 12:03 PM


#10

Caro Idelber

Viste o artigo do Marcelo Coelho na FSP hoje? Muito corajoso, belo artigo. Acho que ainda vai ser lembrado.


caliban em janeiro 21, 2009 12:40 PM


#11

Idelber,

Faço coro com o Ricardo Cabral e também estou feliz com a reabertura da caixa de comentários d'O Biscoito, apesar de concordar plenamente com os motivos que levaram ao fechamento temporário dela.

No que toca 2008, o que me pareceu mais chocante foi toda essa história do Dantas e o desespero com que muitos jornalistas agiram para desviar o foco da opinião pública ou até mesmo para criminalizar os envolvidos na prisão dele.

Não esquecendo, claro, o comportamento do STF que foi qualquer coisa assustadora - e este sim, totalmente ameaçador ao Estado de Direito.

No fim das contas, vimos a coroação disso tudo com a entrevista de GM e depois de Protógenes ao Roda Viva - sendo que essa novela do aparelhamento da TV Cultura segue se desenrolando como nós pudemos constatar com o Nassif sendo demitido de lá recentemente pelo glorioso Markun (como se esse último estivesse sendo manobrado por certas forças ocultas).

Lula, apesar do desempenho tacanho no que tange à Satiagraha e sua repercussão, teve um ano espetacular, colhendo os frutos de ter passado a ouvir mais os desenvolvimentistas lá por 2006 - o que deu no PAC e, por conseguinte, em dois anos de crescimento acima da média mundial, com 2008 fechando com saldo positivo de empregos, em contraste com quase todo o mundo conhecido.

Quanto ao PT, digamos, que ele teve um desempenho razoável nas eleições municipais, mas que pode ser considerado ótimo caso você leve em conta as estratégias tresloucadas que o partido traçou em muitas capitais importantes.

PSDB/PPS/DEM pagaram o preço do bom momento do Governo Lula, mas a situação foi agravada pela incapacidade dessas três agremiações em conseguirem elaborar uma crítica civilizada e adulta contra o atual governo - assim como continuam acusando uma violenta falta de criatividade propositiva.

Hugo Albuquerque em janeiro 21, 2009 2:03 PM


#12

Concordo com a sua atitude, Idelber, de ter restringido os comentários durante o período em que ocorreu mais esse massacre cometido por Israel contra os palestinos.

Tem certas coisas que não precisam mais ser debatidas, mesmo. Precisam é ser denunciadas e condenadas. E é preciso agir no sentido de impedir que continuem acontecendo.

Se tivessem feito isso com relação a Hitler, por exemplo, talvez ele nunca tivesse chegado ao poder e feito o que fez.

Marcos D. em janeiro 21, 2009 2:20 PM


#13

Idelber, confesso que sou um assíduo leitor desse blog, especialmente em virtude dos sempre constantes acontecimentos de Gaza. Todavia, os links espalhados nesta retrospectiva de 2008 me levaram aos escritos a respeito do caso Dantas, Queirós, Sanctis e Mendes - e lamento muito pelo que li. A democracia se coloca no plano da faticidade de forma procedimental: não pode o Estado declarar guerra ao indivíduo e com isso ignorar as próprias limitações de poder por ele mesmo aceitas - algo como, do ponto de vista lógico, é exatamente o alvo de suas e minhas críticas à politica externa israelense.

João Calmon em janeiro 21, 2009 2:29 PM


#14

'Por que as pessoas insistem em ver essa como uma "crise do livre mercado" e ficar cantando a vitória do estatismo?' por Lucas

Será que é pelo fato de que, desde os governos Reagan e Thatcher, as economias do, praticamente, mundo inteiro adotaram inúmeras medidas que promoveram uma substancial desregulamentação das atividades econômicas, entregaram quase todas as atividades para as mãos do mercado (através de privatizações, terceirizações, etc... o governo Bush privatizou e terceirizou até as Guerras do Iraque e do Afeganistão, vide o grande número de mercenários que participam de ambos os conflitos) e que isso foi o fator primordial que desencadeou a pior crise econômica global desde a Grande Depressão dos anos 1930? e que isso terminou até, mesmo, por quebrar o sistema financeiro norte-americano e europeu?

E será que também não é pelo fato de que todos os grandes conglomerados empresariais privados falidos estão sendo socorridos e salvos pelo mesmo Estado que, anteriormente, era visto como o único responsável por tudo de ruim que acontecia na economia e na sociedade?

Afinal, não foi o Reagan que disse que o 'Governo era o problema e não a solução'?

Aliás, que belo discurso de posse do Obama, hein, Idelber? Espero que tudo aquilo que ele falou se transforme em realidade.

Aliás, resumindo, Idelber: o Obama, com seu discurso, enterrou com tudo o que o Reagan, Thatcher e Bush pai e filho fizeram nos EUA e no Mundo nas últimas décadas e que, desgraçadamente, acabaram sendo imitados mundo afora.

Obama colocou a pá de cal que faltava sobre os cadáveres, ainda não devidamente enterrados, do Neoliberalismo e dos Neoconservadores.

Bravo, Obama!!

Marcos D. em janeiro 21, 2009 2:29 PM


#15

Idelber, acho que indiscutível a sua opção em não permitir comentários nos posts sobre a guerra na Palestina. Aqui é seu espaço, e quem o visita deve respeitar as regras do dono da casa.

Não obstante, lamento que sua decisão seja baseada na idéia de que vc se acha, conforme se depreende da resposta ao Marcelo, o dono da verdade a respeito do tema, o único que tem conhecimento de todos os meandros de questão tão complexa e, quiçá, o detentor de todas as respostas para o problema, que prejulga todo qualquer possível argumento em contrário como sofisma. Duvido que vc adote tal postura monolítica em suas aulas na universidade, pois vc ficaria sem aluno algum.

Veraldo em janeiro 21, 2009 3:35 PM


#16

Rogério, explicando pela milésima vez:

Definitivamente, não pega bem para um acadêmico declarar "não estar interessado em debater o assunto com ninguém." .

Conquiste um lugar na minha sala de aula e você não ouvirá isto. Por enquanto, isto aqui é um blog, um dos mais movimentados das redondezas, e justamente para que eu tenha tempo de discutir de forma bem fundamentada com meus alunos, não posso me dar ao luxo de bater boca sobre a Palestina com qualquer um na internet.

E você está completamente errado sobre Filkenstein. "Controvertida"? Você conhece alguém que critique Israel nos EUA que não seja "controvertido"? Se você possui uma linha que impugne a produção historiográfica de Filkenstein -- que impugne mesmo, acadêmica e factualmente -- envie e eu publico.

Do contrário, odeio dizê-lo, jamais faço isso, mas hoje vou fazer: vai estudar, Rogério.

PS: Dizer "esta questão não é simétrica e não pode ser apresentada equanimemente" não é sinônimo de dizer "sou maniqueísta". Se não entende a diferença entre as duas coisas, realmente, é melhor procurar outro blog.

Idelber em janeiro 21, 2009 4:12 PM


#17

Não vejo com os mesmos olhos do Rogerio (#8) e do Veraldo (#15) o fechamento da caixa de comentários durante a chacina em Gaza. Entendi o sentido de urgência da situação, exigindo ações, mesmo que à distância, que contribuíssem para interromper a matança. Possíveis discussões dariam-se num segundo momento, depois do fim do ataque, e até onde me lembro há propostas de debate sobre a questão Palestina agendadas para mais adiante.
Esse foi o meu entendimento, reitero.

Ricardo Cabral em janeiro 21, 2009 4:25 PM


#18

Idelber

Parabéns pela sua cobertura sobre a guerra de ocupação em Gaza.

Rodrigo

Rodrigo em janeiro 21, 2009 4:37 PM


#19

Esse é também o entendimento do blog, Ricardo. Haverá conversas aqui sobre a Palestina. Mas o momento era de urgência.

É só imaginar o blogueiro lidando com vinte Rogérios em cada caixa de comentários, ao longo da chacina. Não teria havido cobertura, simplesmente. E, não se iludam, é isso mesmo que quer muita gente que posa de "democrático" para reclamar que "não houve debate".

Idelber em janeiro 21, 2009 4:41 PM


#20

"não pode o Estado declarar guerra ao indivíduo e com isso ignorar as próprias limitações de poder por ele mesmo aceitas"

João Camon,

Também não pode indivíduo declarar guerra ao Estado e com isso ignorar as próprias limitações de poder que ele mesmo aceita; o fato é que quem agiu declarou guerra aqui a algo foi Dantas, não a Polícia Federal, o MP ou o Juíz de primeira instância; quem deu uma sentença contrariando a jurisprudência firmada pelo própria tribunal que preside não foi o Juíz De Sanctis, mas sim o Ministro Gilmar Mendes. Os únicos momento nisso tudo em que as liberdades individuais estiveram em risco foi quando Dantas esteve agindo acima de tudo e todos e quando Gilmar Mendes agiu como agiu.

Agora, traçar um paralelo entre isso e o Massacre de Gaza é o fim da picada.

Hugo Albuquerque em janeiro 21, 2009 4:43 PM


#21

Também senti falta da caixa de comentários do Biscoito. Aprendo demais com o site, mesmo participando pouco. Mas no caso Israel, é complicado abrir um debate que no final só alimenta a úlcera das pessoas. O debate vale a pena quando nos coloca pra pensar, nos faz parar pra aprender mais. De outra maneira, é só uma fonte de aborrecimentos e desmotiva as pessoas pro assunto. Acho que intenção do Idelber era se concentrar na disposição de novas fontes e de uma informação mais adequada sobre o que acontece na Palestina e nisso ele foi muito bem sucedido.
Ao inves de insistir no "Problema da palestina", mostrou as questões dos palestinos e nos informar com uma perspectiva muito mais humana e próxima dos horrores desse massacre.

Lauro Mesquita em janeiro 21, 2009 4:55 PM


#22

A única coisa que não entendo, querido Idelber, é seu hábito de falar de imprensa e jornalistas como um todo homogêneo, invariavelmente contrário aos interesses do povo. Pouco dialético, isso.

E pouco democrático, incentiva uma visão torta do papel dos jornalistas e dificulta ainda mais a vida dos que, jornalistas sérios, tentam superar as limitações da profissão para fazer um trabalho decente. Apanham de todos os lados, e quem ganha é o obscurantismo.

Essa visão limitada do que seja a imprensa leva a erros de avaliação como chamar de "sábios do jornalismo" os poucos gatos pingados que acreditaram na piada Sarah palin, em meio à maré de jornalistas ridicularizando a moça.

E, ó, os conservadores não deitaram o rei. Como indica o comentário desse lucas aí de cima, é precipitada a declaração de óbito dos fundamentalistas do livre mercado. estão aí, dando entrevista adoidado.

No mais, você está certíssimo em fechar a caixa de comentários no meio do trabalho que foi trazer informações tão relevantes sobre o massacre em gaza. Fez, aliás, um trabalho excelente. Parabéns.

(O Lauro cita meu post sobre Obama, que tem uma menção a você. Pura provocação de fã. Afinal, seu entusiasmo com o Obama é explicável pelo simbolismo da eleição do cara, mas continuo achando que você exagera nessa).

SLeo em janeiro 21, 2009 5:33 PM


#23

Mi muy querido, ressalva crítica devidamente notada, embora eu não concorde. Veja só este post: falei de "boa parte da grande imprensa brasileira" e dos "sábios do jornalismo", não da imprensa como um todo. Vira e mexe abro exceções e faço ressalvas, como fiz a favor de Eliane Cantanhêde -- de quem não gosto nem um pouco como colunista -- quando achei que ela mereceu.

Se você pegar os posts como um todo, verá rojões e foguetes -- não mísseis -- lançados contra a grande imprensa porque ela, ora, tem feito por merecer. No geral, acho que tem bem mais nuances a crítica da imprensa que apresento aqui que o elogio que você me fez no seu blog -- hahahah -- como "militante dos bons". O rótulo "militante" não me desagrada nem um pouco, claro, mas acho que minhas críticas à imprensa homogeneizam-na menos do que você homogeneizou a cobertura do Biscoito ao defini-la como "militante", especialmente se "militante" é oposto a "jornalístico", como era no contexto do seu post.

Tá vendo como essa história de "homogêneo" também pode ser virada pelo avesso?


Abração fraterno :-)

Idelber em janeiro 21, 2009 5:44 PM


#24

Já disse e reitero: A atitude do Idelber em relação ao fechamento temporário da caixa de comentários foi perfeita; não havia simplesmente o que debater dada a situação.

Mesmo quando a região está em seu estado de violência habitual já é um debate inglório, permeado pela ignorância e pela desonestidade intelectual, no entanto, quando ocorrem os picos de violência, em especial da forma como esse ocorreu, não é possível promover qualquer tipo de debate minimamente sadio sobre o tema - supondo que houvesse algo a debater em relação ao caso em tela, quando obviamente não havia. Como o Marcos D. colocou, era momento para denunciar, não para se debater.

Hugo Albuquerque em janeiro 21, 2009 5:50 PM


#25

Rogério, manter o volume de informações sobre Gaza que o Biscoito Fino manteve, debater com os freqüetadores que comentam e ainda levar uma vida normal, parece humanamente impossível.

Acho que se a caixa de comentários estivesse aberta, você teria muito menos informações sobre o massacre e o autor do blogue teria menos agilidade em oferecer os elementos que nos ofereceu. Não vejo motivo para irritação. De resto, incluiria na retrospectiva a Bienal do Fiasco e o fiasco da ideologia do curadorismo no meio de arte. Espero que as grandes exposições parem de falar sobre o seu desenho institucional e voltem sua atenção para a produção artística, que vai muito bem.

Tiago Mesquita em janeiro 21, 2009 5:50 PM


#26

Querido Sergio, de mais a mais, claro que eu sei que um montão de jornalistas ridicularizaram a Palin já de cara, entre eles você com sua mordacidade implacável.

Mas a Miriam Leitão, que é uma "sábia do jornalismo" saudou o "golpe de mestre".

Aí eu tenho o direito de tirar um sarrinho, né? ;)

No mais, faltou mesmo a Bienal na retrospectiva....

Idelber em janeiro 21, 2009 5:53 PM


#27

Por fim, quase me esqueço, um colunista da Folha quis apostar comigo que a Hillary levava. O valor era alto e eu arreguei. Devia ter apostado.

Tiago Mesquita em janeiro 21, 2009 5:54 PM


#28

Crítica encaixada, mestre Idelber, quanto a ter reduzido sem intenção a dimensão de seu trabalho à "militãncia". Para justificar meu "militante", em lugar do jornalístico teria de entrar em uma longa discussão sobre como tratar o papel de Israel nesse massacre hediondo, e estou sem fôlego para isso nem creio que v. teria disposição de aturar.

De mais a mais, sua cobertura militante foi mais jornalística que muita cobertura que a imprensa faz sobre muitos outros temas.

V. encontrará gente ruim e com análises equivocadas em todo canto: na imprensa, na academia, na inteligentsia. A insistência em atribuir à "imprensa" ou "boa parte...", ou "sábios do jornalismo" mostra que, entre os alvos de sua crítica sempre a midia como instituição tem papel privilegiado. Não vejo banqueiros, plutocratas, maus políticos tão citados quanto vejo a imprensa.

Isso me faz lembrar os empastelamentos de jornal do passado, é por isso que me incomodo. Numa sociedade madura, é saudável ter imprensa de todo tipo. Quando o debate se dá nominando pessoas e grupos, ele revela melhor quem está atuando de maneira condenável. Não é "a midia"; é fulano, beltrano, revista tal ou jornal qual.

Por isso, queridíssimo idelber, rogo que conceda algum crédito à "imprensa", e dê os nomes criticáveis, como deu ao elogiar a Cantanhede, numa mostra de que, pelo jornalismo, até pessoas com as quais não concorda podem fazer trabalho elogiável. Se a bronca é com a Míriam, bronqueie com ela, não com a "imprensa".

Não posso concordar com sua opinião de que "virou do avesso" minha queixa contra seu tratamento á imprensa. Note que não falei genericamente de "militantes" nem de "blogueiros"(que, aliás, não são termos pejorativos para mim, que me considero também merecedor dos dois adjetivos). Falei do Idelber Avelar, a quem classifiquei como militante.

E parabenizo pela militância, que, na minha torta opinião, ganhou, em muitos momentos, padrão jornalístico, e que foi indispensável para entender a catástrofe em Gaza.

S Leo em janeiro 21, 2009 6:41 PM


#29

Maravilha, Mestre Sergio, e fica hipotecado o compromisso de sempre criticar a imprensa com o máximo de nuance possível. Que fique dito para todos os leitores que em todas minhas generalizações sobre a imprensa estão sempre excluídos:

Na Folha: Elio Gaspari, Mário Magalhães, Marta Solomon, Nelson de Sá, Marcelo Coelho (cuja coluna de hoje é primorosa) e vários cronistas de futebol (Xico, Juca, Zé Geraldo, Tostão).

No Globo: hmmm, no Globo acho que ninguém. No Valor tem uns dois pelagatos que são muito bons também.

Ataco mais a Folha porque é o jornal com o qual eu me formei. Ao contrário da quase totalidade dos acadêmicos que conheço, sou leitor quase viciado de jornal. Adoro jornal (por falar nisso: dá uma olhada no excelente Daily Star de Beirute!).

Mas convenhamos, a Folha dar chamada de capa para diatribe belicista do tal JP Coutinho comparando Israel / Palestina com Brasil / Uruguai foi o cúmulo, o cúmulo, a decadência, Mestre Sergio ;)

Idelber em janeiro 21, 2009 6:57 PM


#30

Elogiei a coluna do M. Coelho e dei um link para o jornal fechado para assinantes. Aí é sacanagem. Vai aí um cópia-cola, para os sem-UOL:

Os Doutores do Pessimismo

Será chamado de ingênuo aquele que quiser algo melhor do que o mundo em que vive


NÃO É PRECISO ser um grande gênio para constatar que vivemos num mundo bárbaro.
Que o ser humano é capaz das maiores atrocidades. Que a vida é feita de competição, inveja, egoísmo e crueldade.
Ninguém precisa ter vivido num campo de prisioneiros na Sibéria nem ter sido moleque de rua no Capão Redondo para saber disso. Mas virou moda entre muitos intelectuais e jornalistas anunciar uma espécie de "visão trágica" do mundo, como se se tratasse da mais surpreendente novidade.
Com certeza, há nisso uma reação saudável contra o excesso de otimismo. Durante o século 20, grande parte da esquerda não quis ver as barbaridades cometidas por Stálin e Mao porque, em última instância, "tudo iria dar certo". Belas esperanças tornaram-se pretexto para atos de horror. Nada mais correto do que denunciar o horror.
O que me parece estranho é que, mais do que denunciar o horror, esses pensadores trágicos e jornalistas sombrios gostam de destruir as esperanças.
O reconhecimento do Mal, a crítica à violência da esquerda, a percepção de que ninguém é "bonzinho" e de que a realidade é uma coisa dura e feia vão se transformando em algo próximo do fascínio.
E, com diferentes níveis de elaboração e de cortesia pessoal, esses autores tendem a fazer do fascínio uma estratégia de choque.
Quanto mais chocarem o pensamento corrente (que considera ruim bombardear crianças e bom defender a Amazônia, por exemplo) mais ganharão em originalidade, leitura e cartas de protesto. Parece existir uma competição nas páginas dos jornais e na internet para ver quem conseguirá ser o mais "durão", o mais "realista", o mais desencantado.
Há diferenças notáveis de atitude e de opinião entre pessoas como Luiz Felipe Pondé, João Pereira Coutinho, Demétrio Magnolli ou Reinaldo Azevedo. Mas é um time e tanto, e minha experiência pessoal com a violência do ser humano, adquirida nos pátios de recreio do ginásio, é suficiente para não querer polemizar com alguns deles.
Não vou, portanto, individualizar as minhas críticas. Mas, de modo geral, os "durões" do mundo opinativo parecem correr um mesmo risco. A crítica às utopias do século 20 faz sentido, com certeza, mas termina funcionando para justificar muitos erros e abusos do presente -desde que sejam suficientemente "não-utópicos". Será chamado de ingênuo ou nostálgico todo aquele que quiser algo melhor do que o mundo em que se vive.
Nem todos os "durões" de que falo abdicam desse "melhorismo". Mas ai de quem tiver ideias um pouquinho mais à esquerda do que as deles -o que não é difícil.
Às vezes, a crítica ao stalinismo se compraz em tornar stalinista quem se afaste um milímetro das opiniões de quem a professa. Outras vezes, a crítica às velhas utopias tende a se transformar numa glorificação da realidade.
Curiosamente, então, aquilo que deveria ser ponto de partida se torna ponto de chegada. O mundo é horrível e a realidade é cruel. É um ingênuo quem quiser mudar essa situação. O horror e a crueldade fazem parte da paisagem. Melhor assim, quem sabe: nós, pelo menos, tiramos disso a satisfação de não sermos ingênuos.
Você está esperançoso com a vitória de Obama? Ouço um risinho: que otário. Mas fico feliz de nunca ter sido otário a respeito de Bush. Você se choca com as crianças mortas em Gaza? Ouço um risinho: os militares israelenses entendem mais do problema que você.
Você quer que se preservem as reservas indígenas da Amazônia? Mais um risinho: os militares brasileiros entendem mais do problema que você, que pensa ser bonzinho mas é tão malvado como todos nós.
Pois o ser humano é mau, desgraçado e infeliz, desde que foi expulso do Paraíso. Você não sabe disso?
O que sei é algumas pessoas foram expulsas do Paraíso para morar numa mansão em Beverly Hills, e outras para morar em Darfur. Todo o poder aos poderosos, toda realidade aos realistas, e todas as bombas para quem ficar no meio do caminho. Eis o resumo da atitude dos "durões". Mas quem precisa de articulistas num mundo desses? Os militares dão conta do recado.

Idelber em janeiro 21, 2009 7:09 PM


#31

Querido Idel,

o site oficial do Latuff é este aqui: http://latuff2.deviantart.com/
Lá, dá pra baixar em arquivos zipados cerca de 300 cartuns sobre a questão Palestina além das da invasão do Iraque e outras charges do cartunista.
beijinhos

Conceição Oliveira em janeiro 21, 2009 7:34 PM


#32

Valeu, Frô, nas próximas a gente linka prá lá também :-)

Idelber em janeiro 21, 2009 7:37 PM


#33

Aliás, essa charge aqui acabou de sair do forno e me foi enviada pelo próprio Latuff como tributo dele a nós. Obrigado ao cartunista genial :-)

Idelber em janeiro 21, 2009 7:39 PM


#34

Olá, Professor Idelber Avelar.

É verdade, há diferenças técnicas entre foguetes e mísseis. Eu mesmo já derrapei e confundi ambos.

Quanto ao segundo ponto que colocaste, a falta de interesse em "debater" o assunto em questão, considero que o debate em situações como essas sempre é bem vindo, sobretudo quando se trata de assunto de tamanha complexidade e etc.

Eu defendo que os palestinos possam um dia ter um Estado próprio e que se livrem de uma vez por todas dos grupos terroristas que os assolam por aquelas bandas. Igualmente defendo que o Estado de Israel exista e que consiga chegar a um acordo comum de paz com os palestinos.

Seria legal se palestinos e israelenses, um dia, pudessem dividir o mesmo Estado e que ambos tivessem representações políticas nele. Talvez, se os palestinos e israelenses concordassem em uma convivência desse tipo, ambas as sociedades iriam florescer, sobretudo em termos educacionais, pois Israel possui as melhores universidades no Oriente Médio -- não apenas isso, a infra-estrutura geral de Israel é excelente -- e são instituições desse gênero que permitem à pessoa obter progressos pessoais e profissionais.

Feliz será o dia em que um cidadão palestino tiver a geladeira tão cheia de comida quanto um cidadão israelense tem.

Agradeço as respostas aos meus questionamentos anteriores.

Marcelo Augusto em janeiro 21, 2009 8:51 PM


#35

Olá, Professor Idelber!

Relendo algumas postagens suas sobre o embate entre israelenses e palestinos, encontrei a seguinte consideração (neste post aqui):

"O mais poderoso exército do mundo está detido, ainda, pela resistência palestina."

É uma consideração interessante e que me deixou curioso. O questionamento que trago é: Não seriam os Estados Unidos da América o país que tem o exército mais poderoso do mundo? Aliás, os EUA possuem as forças armadas mais poderosas do planeta.

Obrigado.

Marcelo Augusto em janeiro 21, 2009 9:04 PM


#36

Marcelo, se ler o post, verá que não é uma "postagem" minha, mas um texto de Uri Avnery que eu traduzi. Ele se equivocou, claro (ou talvez o equívoco tenha sido da própria revista Counterpunch, sabe-se lá). Há uma diferença entre citar um texto, traduzindo-o aqui, e subscrevê-lo na totalidade. Há vários outros textos de Avnery onde ele se refere ao exército de Israel como "um dos mais poderosos do mundo" -- creia-me, ele sabe a diferença.

Idelber em janeiro 21, 2009 9:14 PM


#37

Idelber,

Parabéns pela cobertura do massacre na faixa de Gaza! Estou inteiramente de acordo com o fechamento da caixa de comentários durante o período da coberura,pelos motivos que já foram discutidos acima.Mas é muito bom poder voltar a comentar aqui.

Sobre a sua última resposta ao Sérgio Léo, acho que faltou excluir o Jânio de Freitas do que você chamou de suas "generalizações sobre a imprensa". Acho ele um dos melhores colunistas da Folha.

Bruno Pinheiro em janeiro 21, 2009 10:19 PM


#38

Oi, pessoal, interessante retrospectiva nesse blog também.

Idelber em janeiro 22, 2009 1:49 AM


#39

Há muitas fontes de informação na internet, tantas que fica difícil escolher. Acabam se destacando aqueles que oferecem um diferencial, um 'plus a mais', como diria o Merten, crítico de cinema do Estadão. Bem, Idelber, o seu site tem esse 'plus a mais' que, para mim, está nesse ar novidadeiro, de sempre trazer algo diferente, inesperado, como aquela entrevista com a garota palestina ou ainda esse último post sobre o Latuff. Simplesmente bárbaro! Parabéns!

Cláudia em janeiro 22, 2009 9:33 AM


#40

Outra coisa impressionante desse ano foi a queda de dois governadores dos Estados mais poderosos dos EUA, Nova Iorque e Illinois. A batata assou por aí, né não?

Lauro Mesquita em janeiro 22, 2009 10:45 AM


#41

Olá, Professor Idelber.

Muito obrigado pelo esclarecimento sobre a postagem que comentei anteriormente.

Sobre os rojões Qassam, encontrei um interessante vídeo que mostra os militantes nacionalista-militares do Hamas preparando um. Neste link.

Um dos militantes nacionalista-militares do Hamas afirma que o estrume/adubo (manure), utilizado para extrair o nitrato de potássio (que servirá de propelente para o rojão), tem que ser importado do território do inimigo sionista.

Interessante: O Hamas e todas as outras autoridades que já comandaram os palestinos até hoje não conseguiram reunir as condições necessárias e suficientes para que estrume/adubo (manure) seja fabricado exatamente no... território palestino. É irônico que os militantes nacionalista-militares do Hamas necessitem de Israel para fabricar algumas de suas armas. Pelo menos é isso que eu pude depreender do vídeo e do relato do militante nacionalista-militar do Hamas.

Curioso: No vídeo, um militante nacionalista-militar do Hamas utiliza açúcar na mistura do propelente do foguete Qassam. Sério, por um momento pensei que ele fosse preparar um doce ou coisa do tipo.

Após terminarem de construir o Qassam, os militantes nacionalista-militares do Hamas agradecem a Allah e, em seguida, partem para lançá-lo contra o território israelense.

Professor Idelber, o senhor classificaria isso como terrorismo no sentido estrito?

Se alguém aqui souber, por gentileza, eu gostaria de saber: Quanto custa (em dólares) para fabricar, por completo, um Qassam?

Vou chutar: U$ 200,00. Usando esse preço como referência e levando em consideração que no ano passado -- segundo o vídeo afirmou -- foram lançados 1200 Qassams, então houve um gasto total de U$ 240.000,00 apenas com Qassams. Quantos livros não poderiam ter sido comprados com esse dinheiro? Daria para encher de comida um monte de geladeiras.

Obrigado.

Marcelo Augusto

Marcelo Augusto em janeiro 22, 2009 11:09 AM


#42

Marcos D.

As políticas neo-liberais não foram de entrega de atividades ao "mercado" mas nunca ao livre mercado. Por livre mercado entendo um ambiente em que todas as pessoas dispostas e com recursos podem empreender atividades econômicas, buscando o lucro através da satisfação de necessidades alheias.

Privatizar monopólios públicos, transformado-os em oligopólios privados protegidos pelo governo não tem nada a ver com livre mercado. O que foi feito foi transformar um modelo capitalista de relativa liberdade econômica aliada a políticas de bem-estar em um mercantilismo corporativo/estatal aliado a um "se f--- aí".

E as "ajudas" do Estado às grandes corporações não é mostra do fracasso delas. Pelo contrário, é seu maior sucesso. Agora não é preciso mais lobistas tentando passar leis que beneficiam essa ou aquela empresa. O dinheiro simplesmente jorra dos cofres públicos para as corporações. E agora que a torneira foi aberta vai ser muito muito difícil fechar.

O melhor era apostar nas micro, pequenas e médias empresas, na capacidade do povo de trabalhar, nas possibilidades do indivíduo. Por que não uma política anti-crise focada nas pessoas em vez de grandes conglomerados que já são protegidos demais e já sugam recursos públicos demais?

lucas em janeiro 22, 2009 11:16 AM


#43

O artigo do M. Coelho é risível. Então aqueles que tem uma "esperança" estão automaticamente certos? Destruir esperanças é um crime bárbaro?

O que seria de nós sem os "sombrios" destruidores das esperanças utópicas de Stalin, Hitler e Mao?

lucas em janeiro 22, 2009 11:52 AM


#44

22/01/2009 - 12:28

Os cortes na Ciência
Da Folha

Verba para ciência sofre redução de 18% em 2009
Ministro diz que corte é irresponsável e que bolsistas poderão ser mandados embora

Perda de dinheiro federal é maior que o orçamento da Fapesp, agência de fomento mais rica do país; entidades científicas atacam medida

AFRA BALAZINA
EDUARDO GERAQUE
DA REPORTAGEM LOCAL

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, classificou como irresponsável o corte de 18% no orçamento da sua pasta, aprovado pelo Congresso Nacional para 2009, e admitiu que, se a situação não se reverter, “bolsistas terão de ser mandados embora”.

A peça orçamentária foi feita pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS). “O relator demonstrou falta de responsabilidade, de compromisso, com o futuro do Brasil”, afirmou Rezende à Folha ontem.

O corte de R$ 1,1 bilhão representa um valor 10% maior do que toda a receita de 2008 da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), a agência estadual de fomento à pesquisa mais rica do país, que sustenta quase toda a ciência paulista.

Apesar de dizer que existem “incertezas” sobre o futuro, o ministro afirma que tentará resolver a questão das bolsas dentro do Executivo. “Acharemos uma saída e isso [a perda do benefício] não vai ocorrer.”

O corte no orçamento recebeu críticas duras da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e da ABC (Academia Brasileira de Ciências). Os presidentes das duas instituições consideram a situação “extremamente grave” e dizem que, se os recursos forem realmente cortados, a política científica nacional ficará “desanimadora”.

ALEX em janeiro 22, 2009 12:34 PM


#45

Sabe o que é ainda mais irônico do que o material dos Qassans ser "importado" de Israel, Marcelo Augusto? Que alguém em Israel venda o material aos palestinos. Assim como é irônico que as bandeiras de Israel, queimadas por muçulmanos em protestos, também sejam "exportadas" de Israel.

Cláudia em janeiro 22, 2009 12:47 PM


#46

Idelber, não teremos um "postzinho" sobre o momentoso caso Cesare Battisti?

Clines em janeiro 22, 2009 1:15 PM


#47

Eu achei esse artigo interessante: Guerra e gás natural. O autor comenta sobre as reservas de gás natural na costa de Gaza.

Patrick em janeiro 22, 2009 1:56 PM


#48

Gostei bastante do artigo do Marcelo Coelho. Dia desses, estava conversando com um amigo meu sobre como ultimamente - e de maneira recorrente - o pessimismo tem sido usado no nosso país como forma de afirmação intelectual. É sempre a mesma coisa, articulistas de talento duvidoso fazem análises rasas - e não raro desonestas - permeadas por um cinismo pueril, querendo reivindicar o posto de supremos intérpretes da realidade. Na esteira deles, muitos vão na onda e saem do nada para chegar no lugar algum surfando em sofismas de quinta categoria. Foi muito bom ver que alguém escreveu algo a respeito.

Hugo Albuquerque em janeiro 22, 2009 2:52 PM


#49

Lauro, acho que Illinois é um estado muito importante, mas o Texas e a Califórnia são mais. A Califórnia é um dos maiores PIBs do mundo.

Tiago Mesquita em janeiro 22, 2009 3:26 PM


#50

Aliás, uma conversa boa para o começo de ano seria o acordo ortográfico. Como vocês têm se saído?

Tiago Mesquita em janeiro 22, 2009 3:40 PM


#51

Caro Idelber, verifiquei o desaparecimento do link do InternETC, da Cora Ronai, aqui ao lado, na sua lista intitulada "Visito". É mais uma sábia do jornalismo tupiniquim que você cansou?

Al Gusto em janeiro 22, 2009 3:47 PM


#52

Al Gusto, digamos que o blogroll reflete sempre o que estou lendo no momento. Se não está lá, é porque parei de ler ;)

Idelber em janeiro 22, 2009 4:56 PM


#53

Idelber,

Só faltou na retrospectiva um pouquinho do que aconteceu no futebol durante o ano.

Hugo Albuquerque em janeiro 22, 2009 5:19 PM


#54

Idelber,

Sou mais um dos que acompanham o Biscoito diariamente, embora participe pouco dos comentários, e também gostaria de parabenizá-lo pela excelente cobertura da investida israelense contra a população da Faixa de Gaza. Visitei outros blogs que também tratavam sobre o assunto, todos com as caixas de comentários abertas, e pude perceber que você tomou a decisão mais acertada.

Parabéns, também, pela cobertura da eleição de Barack Obamna. Parece que o desmonte da "doutrina Bush" vai começar por Guantánamo.

Antes de terminar queria fazer um comentário sobre o sumiço da palavra "Estado" da imprensa escrita nacional, que vem sendo substituída por "governo". Assim, ao invés de "papel do Estado" agora falam em "papel do governo"; no lugar de "Estado forte" estão usando "governo forte", no lugar de "regulamentação estatal" agora o que se escreve é "regulamentação governamental". Até onde sei Estado e governo não são a mesma coisa. Tabu?
Gostaria de saber se isso é exclusividade da imprensa brasileira.

Eduardo Prado em janeiro 22, 2009 5:40 PM


#55

Deve ter sido aquele post sobre a Palestina...
#52

Salomon em janeiro 22, 2009 6:06 PM


#56

Idelber, não se chega a ser uma decepção para você...


O presidente recém-emposssado dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu nesta quinta-feira a ofensiva israelense na faixa de Gaza e disse a sua administração estará comprometida em promover a paz para a criação de dois Estados, para israelenses e palestinos, no Oriente Médio.


"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender pois nesses últimos anos o [movimento islâmico] Hamas lançou diversos foguetes na região. Porém, os Estados Unidos estão comprometidos com a criação de dois Estados onde palestinos e israelenses poderão conviver juntos", afirmou Obama durante coletiva de imprensa onde apresentou o novo emissário para o Oriente Médio, o senador aposentado, George Mitchell, 75, que trabalhou pela paz na Irlanda do Norte.



O presidente dos EUA, Barack Obama, antes de assinar três ordens executivas que determinam o fechamento de Guantánamo
O presidente condenou os ataques de foguetes do Hamas antes da ofensiva e disse que "irá trabalhar ao lado do governo egípcio para manutenção do cessar-fogo". Obama afirmou ainda que o terrorismo contra inocentes é intolerável e que trabalhará ao lado da comunidade internacional para o envio de ajuda humanitária em Gaza.

"Nossos corações estão com os palestinos civis que precisam imediatamente de comida, água e tratamento médico básico [...]. Nós temos agora que estender a mão para oportunidade de um cessar-fogo, com a abertura da faixa de Gaza, para que todos possam conviver em um regime sob a supervisão de autoridades internacionais e palestinas", disse Obama que afirmou ainda que irá ajudar financeiramente para a reconstrução da economia da região.



Barack Obama defende Israel e promete criação de dois Estados no Oriente Médio
O presidente disse que a paz na região só será possível com a construção dos dois Estados, onde palestinos e israelenses "poderão conviver lado-a-lado com paz e segurança". "Agora chegou a hora para os estados europeus para agirem e darem suporte ao presidente [ da Autoridade Nacional Palestina] Mahmoud Abbas e [primeiro-ministro Salam] Fayad para conseguirem normalizar as relações com Israel para chegarem a um acordo de trégua", disse Obama.

O presidente sinalizou ainda que os Estados Unidos irão trabalhar para a abertura da fronteira em Gaza para o envio de ajuda humanitária aos feridos no confronto de 22 dias na região que deixou ao menos 1.300 mortos.

Obama prometeu combater o terrorismo na região e acrescentou que irá trabalhar fortemente a diplomacia na região para conseguir um cessar-fogo permanente e a paz.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u493331.shtml

Salomon em janeiro 22, 2009 6:55 PM


#57

Sobre a Cora Ronai e o blogroll, digo que é incrível e invejável essa sua capacidade para a inflexibilidade.
Talvez seja por isso que insistentemente o S.Leo peça a você que reconsidere a abrangência de suas críticas à imprensa brasileira.
Será que você está americanizado eh eh eh eh.

fm em janeiro 22, 2009 7:56 PM


#58

Quis dizer "Não sei se chega a ser uma decepção para você". Sorry.

Salomon em janeiro 22, 2009 8:15 PM


#59

Poxa, seja honesto e informe seus leitores. Escreva que Richard Falk defende a tese de que o atentado do 11 de Setembro foi armado pelos EUA! Isso você não faz porque demonstra o quão babaca ele é. Jesus!!

Royal Salute em janeiro 22, 2009 8:34 PM


#60

Não é bem isso o que ele disse sobre 09/11, não é mesmo?

Idelber em janeiro 22, 2009 9:47 PM


#61

1) "As políticas neo-liberais não foram de entrega de atividades ao "mercado" mas nunca ao livre mercado."


R - Não era isso que os governantes e defensores do neoliberalismo diziam, não. Eles falavam que faziam tudo aquilo porque acreditavam que o mercado se regularia sozinho, que a intervenção do Estado era prejudicial. Lembro que quando o Hugo Chávez nacionalizou o setor de telecomunicações, um economista neoliberal falou que a Venezuela iria voltar para a 'Idade da Pedra'. Fico imaginando o que ele deve estar pensando, agora, que os EUA nacionalizaram inúmeras empresas, incluindo o Citigroup, do qual o Governo norte-americano já se tornou o maior acionista. Os neoliberais também falavam muito de livre-comércio, de livre circulação de capitais. E inúmeras medidas neste sentido foram tomadas, sim, pelos governos neoliberais mundo afora. Reagan claramente dizia que o "Governo era o problema e não a solução". Felizmente, em seu discurso de posse, o Obama disse exatamente o contrário.

2) "Por livre mercado entendo um ambiente em que todas as pessoas dispostas e com recursos podem empreender atividades econômicas, buscando o lucro através da satisfação de necessidades alheias."

R - Isso nunca existiu, em lugar nenhum. É pura teoria. É como o Comunismo, que também nunca existiu em lugar nenhum.

3) Privatizar monopólios públicos, transformado-os em oligopólios privados protegidos pelo governo não tem nada a ver com livre mercado.

R - Não era isso, novamente, o que os neoliberais diziam. Eles sempre falaram que uma empresa privada funcionaria muito melhor do que uma estatal, que o setor privado era muito mais eficiente que o estatal. Com as privatizações, segundo os neoliberais, teríamos melhores produtos e serviços, bem como eles seriam muito mais baratos. Prometeram tudo isso e não cumpriram.

4) O que foi feito foi transformar um modelo capitalista de relativa liberdade econômica aliada a políticas de bem-estar em um mercantilismo corporativo/estatal aliado a um "se f--- aí".

R - Isso não impediu que fossem assinados inúmeros acordos de livre-comércio entre inúmeros países, nem que fossem feitas uma série de privatizações e nem impediu que a desregulamentação da economia tenha sido levada adiante ou que os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários tivessem sido fortemente reduzidos mundo afora.

Havia, por exemplo, uma série de regulamentações que limitavam a circulação de capitais entre os países e elas foram abolidas em benefício do setor financeiro privado da economia.

O modelo de Bem-Estar Social impõe, na verdade, inúmeras restrições ao funcionamento da economia de mercado. Nenhuma economia de Welfare State permite que o mercado tome conta de tudo, no que está absolutamente correto, aliás.

A História demonstrou, claramente, 2 coisas: a) que a sociedade onde o Estado toma conta de tudo não funciona; b) que a sociedade onde o setor privado toma conta de tudo também não funciona. Portanto, é preciso procurar um 'meio-termo' entre eles e é isso que o Welfare State faz.

5) "E as "ajudas" do Estado às grandes corporações não é mostra do fracasso delas. Pelo contrário, é seu maior sucesso.".

R - Então, o fato do Citigroup, do M.Lynch, do G.Sachs, da AIG, da GM e outras corporações privadas terem falido significa que eles foram bem-sucedidos? Brincou, né?

6 - "Agora não é preciso mais lobistas tentando passar leis que beneficiam essa ou aquela empresa. O dinheiro simplesmente jorra dos cofres públicos para as corporações. E agora que a torneira foi aberta vai ser muito muito difícil fechar.".

R - Não foi o que se viu ano passado, nos EUA, quando o pacote de ajuda de US$ 700 Bilhões foi, inicialmente, rejeitado pelo Congresso e foi necessário muita pressão, inclusive do próprio Obama, para aprová-lo. E agora, Obama já está querendo, sim, mudar o pacote de ajuda aprovada em 2008 e mudar o uso dos recursos do mesmo, destinando-os para investimentos públicos em infra-estrutura, educação, saúde em vez de beneficiar bancos privados falidos. Afinal, estes bancos já foram estatizados, mesmo, como é caso do Citigroup.

7) "O melhor era apostar nas micro, pequenas e médias empresas, na capacidade do povo de trabalhar, nas possibilidades do indivíduo.".

R - Mas, como seria possível fazer isso se o Estado estava de 'rabo preso' com as Grandes Corporações? Aliás, quem geralmente faz isso não são governos de Direita, mas de Esquerda moderada ou reformista. Veja que foi somente no governo Lula que o BNDES passou a emprestar para micros e pequenas empresas. Nos tempos do FHC o BNDES foi usado para financiar as privatizações que beneficiaram aos grandes grupos privados nacionais e estrangeiros.

8) "Por que não uma política anti-crise focada nas pessoas em vez de grandes conglomerados que já são protegidos demais e já sugam recursos públicos demais?".

R - Isso é o que o deveria ter sido feito, mas não foi, pela razão apontada por mim na resposta anterior.

Marcos D. em janeiro 22, 2009 9:52 PM


#62

Salomon escreveu, citando da Folha online: "O presidente recém-emposssado dos Estados Unidos, Barack Obama, defendeu nesta quinta-feira a ofensiva israelense na faixa de Gaza ". Vi e ouvi o pronunciamento ao vivo, pela CNN, e não vi nem ouvi o presidente Obama "defender a ofensiva israelense na Faixa de Gaza". Não vi nem ao menos "defender Israel", embora dissesse sim que Israel tem o "direito de defender-se". Eu não diria isso, mas Obama é que é o presidente. Mas ele também reafirmou - para possível desgosto do governo de Israel -, o apoio à solução de dois Estados independentes e em coexistência. Eu não diria isso, asi no más, mas o presidente é ele. Ouvi Obama afirmar que vai conversar com quase todo mundo, inclusive a Autoridade Palestina, mas não com o Hamás. Embora não tenha apelidado em momento algum, ainda se me recordo, o Hamás de "grupo terrorista". E falou na abertura total das fronteira de Gaza como indispensável, se bem me lembro. A coisa é mais complexa do que escreveu a Folha. Aliás, a declaração está acessível em jornais americanos. Se o sr. Salomon pretende saber o que o presidente dos EUA disse, não é bom confiar nem nos tradutores nem nos redatores da Folha. Se tiver dificuldades com o inglês, é bom procurar pelo menos um jornal em espanhol mais responsável, como El País, por exemplo, que é o que me ocorre agora.

Vera Borda em janeiro 22, 2009 11:24 PM


#63

O massacre (temporariamente, ao que tudo indica) parou, mas os registros ficam para a história. E é impossível não comparar uma barbárie com outra:

http://whatreallyhappened.com/IMAGES/GazaHolo/index.html


PS: sou mais um que fica feliz pela volta deste espaço de debates e que humildemente apóia a decisão tomada pelo 'blogueiro' (e to com o Sérgio nessa, essa classificação é boa) durante o massacre das forças sionistas à Palestina.

Thiago Candido em janeiro 22, 2009 11:29 PM


#64

Valeu pelo texto do Marcelo, Idelber, tava mesmo procurando. Faço parte dos sem-Folha.

Sobre Reinaldo e companhia limitada, é um texto definitivo. E o que se pode dizer é o que repito sempre: "é preciso proteger os fortes dos fracos". Do ranço destilado a torto e a direito, expressão da fraqueza e da vilania que não se aquieta até ver todos postos na mesma condição de desesperança e mediocridade. O ressentimento que eles carregam é quase concreto.

Leonardo Bernardes em janeiro 22, 2009 11:52 PM


#65

Eu, entre meus hobbies, gosto de andar por cidades do interior. Fico assustado com a falta da qualidade da imprensa local. Em Jundiaí tem três jornais, que não valem por meio. O Vale Paraibano de São José dos Campos e o Cruzeiro do Sul de Sorocaba parecem melhorzinhos, mas não muito. Mesmo Campinas, que é Campinas, não tem jornais minimamente bons.

E já fisguei artigos bons de sites de jornais de Billings, Montana ou de Casper, Wyoming.

Andre Kenji em janeiro 23, 2009 12:58 AM


#66

É isso que eu noto também. Comparar a imprensa escrita brasileira com a americana, realmente -- com todos os problemas desta última --, é mesmo covardia.

Mesmo Belo Horizonte não tem jornal. A terceira capital do país em importância política não tem um jornal! Há, claro, um treco lá autointitulado jornal, que é na verdade uma coleção de boletins de imprensa do Aécio, acrescidos da programação do cinema e de notas compradas por empresários de jogadores na página de esportes.

Esse é o "jornal dos mineiros".

Idelber em janeiro 23, 2009 2:30 AM


#67

sobre o "livre mercado" - tem um ótimo livro do economista coreano Ha Joon Chang (prof de Cambridge/UK) chamado "Chutando a escada" (Kicking away the ladder). Que mostra que o livre mercado é bom pra gente (3°mundo), não pra eles. Lucas, vc tem razão sobre as grandes corporações. No entanto, elas advogam sim o livre mercado prá gente, pois aí:
a. elas podem otimizar a produção fazendo cada pedaço de coisa num lugar e montando depois, sem problema de impostos alfandegários;
b. Elas podem entrar, não dar certo e sair, sem muito custo;
c. Elas podem fazer remessas de lucros prá matriz ("lá" no primeiro mundo) tb sem custos (aqui em Pindorama quem implantou isso foi Collor, FHC completou).
Ou seja, uma beleza.

Renata L em janeiro 23, 2009 7:15 AM


#68

off: meu livro ("Um defeito de cor")já tá comprado! Só falta chegar às mãos....

Renata L em janeiro 23, 2009 7:26 AM


#69

Já que você abriu para comentários, queria aproveitar e linkar post do Catatau: uma tradução de artigo do Counterpunch sobre a prisão de israelenses que protestam contra o massacre em Gaza e o servilismo da mídia do país em relação ao governo:

http://catatau.blogsome.com/2009/01/23/neve-gordon-como-vender-guerra-etica-e-violar-tambem-os-direitos-civis-dos-israelenses

Marcus em janeiro 23, 2009 9:52 AM


#70

Marcos D,

Temos visões parecidas, a diferença é que você chama de livre mercado o que os neo-liberais chamam de livre mercado. Mas o que eles pregam é um livre mercado parcial. É claro que foram quebradas diversas barreiras à circulação de capital e mercadorias. Por outro lado, as barreiras à circulação de pessoas foi mantida. Ora, qualquer instituição verdadeiramente livre, deve ser livre para as pessoas. A liberdade das coisas é mero instrumento da liberdade dos cidadãos. O livre mercado neo-liberal, embora tenha trazido sim, muitos avanços colaterais, no fim das contas é um projeto de liberdade diferenciada para poucas empresas.
A idéia de um regime que favoreça especialmente as empresas que já são grandes e poderosas está para o livre mercado assim como os regimes de Lênin e Stálin estão para a democracia. É claro que as políticas ditas neo-liberais tiveram muitos resultados positivos para a população, assim como o comunismo melhorou muito a vida de muitas pessoas. Mas um também gerou muita miséria e outro assassinou milhões e cerceou a liberdade de quase todos.

Uma verdadeira campanha pela liberdade econômica deveria ter como foco a capacidade de empreendimento e troca do indivíduo. Isso significa criar meios para que qualquer cidadão possa ser um investidor, um trabalhador, um empresário ou tudo isso ao mesmo tempo. Na minha opinião precisaríamos de três coisas:
-Desregulamentação real: diminuir a barreira para que as pessoas comuns possam abrir um negócio, o que tem pouco a ver com a desregulamentação proposta pelos neo-liberais.
-Renda cidadã e crédito cidadão.
-Garantias de direitos a todos, sejam cidadãos, imigrantes ou visitantes.

Você tem razão, a maior parte das atitudes nessa direção foram dados por políticos normalmente classificados como centro-esquerda e não pela direita. No Brasil, Lula e FHC avançaram nessas questões, principalmente o Lula, mas ainda bem menos do que eu gostaria. Não sou direitista, muito menos esquerdista.

O meu questionamento é: por que pensamos apenas em dois modelos? Um de economia dirigida em grande parte pelo Estado, outro de economia dirigida em grande parte por corporações protegidas pelo estado? Não vejo tanta diferença entre os dois, a não ser que o primeiro é menos disfarçado. A tal vitória do estatismo que seria essa crise é no máximo uma vitória do estatismo aberto e populista sobre o estatismo hipócrita e plutocrata.

Por que não permitir que indivíduos livres produzam e consumam de acordo com suas consciências e interesses, em vez de contar com grandes líderes, corporativos e governamentais que pretensamente saberiam melhor o que eu quero do que eu mesmo? Isso é o que costumava se chamar livre mercado. E para obtê-lo é preciso que o estado intervenha em algumas coisas necessariamente - e que não intervenha em outras necessariamente.

Quanto ao fracasso das empresas. Sim, elas fracassaram enquanto empresas, mas foram extremamente bem sucedidas enquanto ferramentas para arrancar dinheiro do estado. Os lobbistas continuam necessários - apenas disse que não é mais preciso se preocupar com pequenas leis para conseguir vantagens, agora já podem pedir dinheiro mesmo...

Só não dá pra transformar tudo num grande FlaXFlu entre o Coletivismo Estatal e o Coletivismo Corporativo. Será que é tão difícil acreditar que cidadãos possam não ser um bando de Homer Simpsons esperando um tirano iluminado?

lucas em janeiro 23, 2009 10:50 AM


#71

Primeiro, quero agradecer pelos posts sobre o ataque à palestina e aos links que, para mim, funcionaram como um work shop sobre o assunto. O link sobre o lobby judeu nos eua é impressionante! Muito obrigada.
Segundo, dizer que apoio completamente a decisão de fechar comentários quando o assunto é urgente. A questão pode sim ser debatida, todos ganham informação com o debate, mas no momento em que um dos lados resolve destruir o outro por motivos eleitoreiros, não dá para ficar discutindo com gente que acha que israel tem direito aiaiai
terceiro, um off topic, embalado pelo seu comentário de que BH não tem jornal: ontem, pela segunda vez nesse ano ( o ano mal começou) BH sofreu com chuvas...nada de aécio nem de seu prefeito sendo cobrados pela imprensa. Gente morrendo, gente tendo suas casas invadidas pela água, rios inundando a cidade...terceira maior cidade do país!

aiaiai em janeiro 23, 2009 11:12 AM


#72

Andre Kenji,

Os jornais do interior de São Paulo são uma tristeza mesmo; nas cidades menores, eles são só um instrumento de empresários que têm conexões com a prefeitura local para ganhar uma graninha com a publicidade oficial. Nas maiores, entra um pouco mais o fator da iniciativa privada, o que os torna muitas vezes panfletos com "notícias".

Pior que isso, quando aparece jornalistas dispostos a assumir uma linha um pouco mais investigativa, ousando denunciar algum mandatário local, ele acaba sumindo do mapa, e nem estou falando de rincões pelo Brasil, isso acontece no interior de São Paulo que é bastante desenvolvido para os padrões brasileiros - lembra-se do caso de Porto Ferreira?

O fato é que mídia impressa é um meio ultrapassado; nunca foi barato ter uma estrutura gráfica, manter uma redação e ainda ter que bancar de alguma forma a distribuição.

Só em algumas capitais, cujo desenvolvimento econômico local, em dado momento, permitiu essas empresas terem uma receita mais dependente de seus leitores - ou quem sabe de anunciantes mais civilizados - do que dos anunciantes oficiais e privados, é que houve de fato uma mídia impressa com alguma qualidade no nosso país.

Como todos na periferia do sistema, veio a Internet e queimamos etapas; a Internet na Europa e talvez nos EUA ameaça bons jornais impressos, enquanto no Brasil, ele não ameaça nada, nós não chegamos a ter jornais razoáveis na esmagadora maioria das nossas cidades!

E isso, repito, não creio que se deva a um canalhismo nato de todos os nossos jornalistas, mas simplesmente porque nunca houve, na maior parte do país, condições econômicas, sociais e até políticas para a construção de uma mídia impressa independente e de qualidade - e o mesmo vale para a TV.

É aí que entra a Internet, por ser um meio muito barato de disseminação de notícias e que tem se massificado nos últimos anos, poderemos ter a criação de uma mídia melhor e mais independente.

Hugo Albuquerque em janeiro 23, 2009 11:52 AM


#73

Acho que o Marcelo Coelho piscou primeiro...


ainda os doutores da malvadeza

Vejo dois problemas no artigo que escrevi para a Ilustrada desta quarta-feira (ver o post anterior). Foram, entretanto, voluntariamente produzidos.

O primeiro é que há óbvias diferenças entre as figuras que citei. Luiz Felipe Pondé não é Reinaldo Azevedo, e Demétrio Magnolli não é Pereira Coutinho. Meu respeito pessoal difere conforme o caso, assim como minha segurança no tipo de argumentação que defendo contra um ou outro.

Não quis, entretanto, eleger um adversário em especial numa polêmica que, a meu ver, se dirige contra uma tendência generalizada do articulismo, e que poderia incluir, por exemplo, Denis Rosenfield ou Diogo Mainardi.

O segundo problema é que, nos parágrafos finais do meu artigo, parece existir a intenção de silenciar esses meus adversários. Pensei bastante sobre isso. Eis o que escrevi.

Todo o poder aos poderosos, toda realidade aos realistas, e todas as bombas para quem ficar no meio do caminho. Eis o resumo da atitude dos "durões". Mas quem precisa de articulistas num mundo desses? Os militares dão conta do recado.

De um certo ponto de vista, é como se eu dissesse que os artigos dessa turma devessem ser banidos da face da terra. Não acho isso. O fato de serem supérfluos não os torna, para mim, indesejáveis.

Um artigo radical de Reinaldo Azevedo tem a utilidade de um norte numa bússola. No momento em que "até ele" defender a opinião X, por exemplo, a opinião pública terá um indicativo suficiente da gravidade dos fatos e da emergência de determinada situação.

Um Brasil sem Reinaldo Azevedo seria mais pobre. Infelizmente, ele acha que um Brasil sem meus artigos seria mais inteligente e menos hipócrita. Desconfio que, em situações extremas, eu o defenderia mais do que ele a mim.

Escrito por Marcelo Coelho

Jane em janeiro 23, 2009 1:40 PM


#74

O que eu discordo no ponto de vista do Marcelo Coelho é que os pontos de vista desses cabras não é feito de desilusões, mas de certezas. Sua violênci não se dirige àqueles que se apegam a promessas de futuro, mas àqueles que não se apegam às promessas deles. Em todas o lastro é o mito da "civilização ocidental".

O Pondé eu li muito pouco, masos outros fazem a figura de velhos de biblioteca, doentes de decadência e que vêm tudo se desmoronar. Em um circo onde o mastro que segura a lona é chamado de "estado democrático de direito", mas que não precisa ser muito democrático e nem muito legal, sendo o comitê dos negócios que é, tá bom.

Tiago Mesquita em janeiro 23, 2009 3:27 PM


Max Amaral em janeiro 23, 2009 4:11 PM


#76

Idelber,

A imprensa mineira, escrita e falada, é impagável em sua capacidade de produzir humor. O MG TV 2a edição, que assisto assiduamente, me alivia as tensões do dia-a-dia. No dia 02/01, por exemplo, diante da tragédia que ocorrera na virada do ano, a verdadeira tsunami provocada pelo Arrudão, a Globo Minas nos presenteia com uma longa matéria sobre a importância da... gentileza! Uma dádiva. Mas o jornalista cumpriu seu papel de nos mostrar o outro lado: "Cuidado", diz ele, "segundo especialistas, há pessoas que são gentis com segundas intenções"... Corta para o comentário da especialista, uma psicóloga chamada... Paula de Paula. Muito bom. Em seguida, outra longa matéria sobre como organizar malas para a viagem de férias, essa com direito a duas especialistas para quem dobrar um sutiã ao meio ganhou status de "realizar uma manobra". Sensacional. Tá certo. Quem quer saber da dura realidade na virada do ano?

Um abraço, parabéns e obrigado por esse puta espaço que você criou.

Fábio Cunha - BH

Fábio Cunha em janeiro 23, 2009 6:55 PM


#77

Hugo

Um exemplo que eu gosto de citar é do Idaho Statesman, que deu um show de reportagem no caso Larry Craig(Eles seguraram vários depoimentos de homens que diziam ter trsnsado ou flertado com o senador, POR MESES, até que houvesse provas maiores). O jornal é publicado em Boise, uma cidade de uns duzentos mil habitantes no meio de um estados com menor densidade habitacional dos EUA, e conseguiu produzir um jornalismo que humilhou uma Veja e uma Folha da vida.

Economicamente pode ser dificil manter um jornal numa cidade pequena, mas o que se vê é que nem metrópoles regionais e capitais conseguem manter jornais razoáveis. Os jornais de cidades como Campinas, Belo Horizonte, Porto Alegre são muito ruins, e na verdade mesmo no Rio e em SP os jornais são muito ruins. Aliás, perdem fácil não só para jornais de cafundós dos EUA como para os jornais dos nossos vizinhos da Ibero-América.

Por que Tulsa, Oklahoma, e Caracas, Venezuela, tem jornais de verdade mas em São Paulo, a maior cidade da América do Sul, é muito dificil encontrar um com padrão de qualidade mínimo?

Andre Kenji em janeiro 23, 2009 8:26 PM


#78

Peralá, André, d'accord avec tout, mas a única imprensa latinoamericana que eu reputo, em média, tão ruim éticamente como a brasileira é a venezuelana. Qual é mesmo o jornal decente de Caracas? Qual desses aqui?

Idelber em janeiro 23, 2009 8:30 PM


#79

Andre,

Aí você pega a maneira como está estruturada a economia e a sociedade de Boise no distante Idaho e a economia e a sociedade, digamos, de São Paulo capital mesmo.

Mesmo nos cafundós dos EUA há mais dinheiro, mais gente realmente alfabetizada, uma cultura maior mais liberdade de imprensa do que as grandes cidades do Brasil ou até mesmo São Paulo - e aqui não estou falando dos bairros de elite e de classe média de São Paulo ou do Rio, mas sim de desses municípios em toda a sua totalidade.

Veja você que a Folha, por exemplo, vende pouco mais de 300 mil exemplares por dia em um país de 185 milhões de habitantes - ou, na pior das hipóteses, em um munícipio de 11 milhões de habitantes.

A mídia impressa no Brasil vive de um nicho muito pequeno da sociedade e isso só é a expressão de uma faceta do atraso do capitalismo nacional; os jornais vendem pouco porque poucos realmente têm domínio da escrita, poucos tem dinheiro para comprar jornais, o que deixa mesmo os jornais dos grandes centros dependentes do anúncio de empresas e governos municipais/estaduais/federal habituados a um ambiente econômico confuso onde permeia a corrupção - tanto no setor público quanto privado.

Ao mesmo tempo, as próprias empresas jornalísticas são, não raro, feudos famialiares com ares de modernidade, com seus próprios interesses econômicos e políticos - nem sempre lá muito limpos - que dependem, por sua vez, de anunciantes com interesses econômicos e políticos não muito diferentes.

Partamos, no entanto, para a análise de uma empresa jornalística decente: Até que ponto pode se praticar jornalismo de verdade com mídia impressa na nossa sociedade sem quebrar? Quais as concessões que precisam ser feitas? Qual a possibilidade, dentro da nossa conjuntura econômica, de você denunciar um anunciante importante de seu jornal/revista numa reportagem e passar incólume financeiramente?

Enfim, eu considero que não há condições econômicas no nosso país que possibilitem a existênca de uma mídia impressa isenta, tanto pelos custos que ela implica e pela maneira como ocorre a arrecadação de receita; levando em conta a nossa conjuntura, eu penso que num futuro próximo, a Internet vai poder romper um pouco essa realidade na medida que implica em custos menores - o que permitiria uma empresa jornalística séria ficar menos dependente dos interesses estatais e mercadistas para sobreviver, o que implicaria em, através dessa nova estrutura de produção, superar o nível técnico atual (em um trabalho onde a ética é fundamental).

Hugo Albuquerque em janeiro 23, 2009 10:12 PM


#80

Idelber

Considerando o clima político da Venezuela acho o El Universal bastante equilibrado. Não vejo críticas injustas a Chávez nem um tom demasiada chavista, e o texto não é escrito em tom de retardados. Com um sujeito que é elogiado até pelo Wall Street Journal o tom da imprensa brasileira é bem mais pesado.

Mas não sou chavista, nem de longe, cumpre ressaltar.

Andre Kenji em janeiro 23, 2009 10:21 PM


#81

Hugo

Em São Paulo há mais gente com renda anual de trinta mil dólares que em Idaho, Oklahoma ou em Wyoming. E nenhum desses jornais tem lucro fácil, pelo contrário. Se você pegar a Grande São Paulo extendida(Colocando aí campinas, Sorocaba e Campinas) tem fácil uns quase que trinta milhões de pessoas. E tem o problema de países com renda per capita menor que a nossa mas uma melhor imprensa.

O problema não é econômico. É cultural. No Brasil você não só tem uma população que não lê, mas falta uma classe média que leia.

Andre Kenji em janeiro 24, 2009 5:51 PM


#82

Caro Idelber,

Não precisa postar este comentário. Aproveitei o comentário que fiz pra você como post no meu blog, pois achei que ficou legal. Como sou blogueiro neófito e bissexto, não sei se isso é má etiqueta. Se for, me diga que retiro.

Um abraço.

Fábio Cunha

Fábio em janeiro 24, 2009 7:25 PM


#83

E como essas pessoas com uma renda superior a trinta mil dólares a obtêm e que tipo de notícias elas querem ler ou precisam que sejam publicadas?

Isso tem a ver com quanto elas ganham e como elas ganham. Você sabia que Botswana tem um PIB per capta uns 50% maior que o Brasil usando o critério PPC? Mesmo sendo mais rico, a forma como essa riqueza é estruturada conta para o país ser pior que o Brasil. Não é cultural, é econômico, é como se dá as relações de produção e troca e isso impacta na política, na cultura, na religião etc.

Ainda assim, nem é bem o caso, porque se você pega os indicadores sociais de Idaho, Wyoming ou qualquer outro grotão estadunidense, ele é superior ao de São Paulo.

Reconheço que São Paulo poderia ter uma mídia melhor, mas o teto para isso é baixo. Daí, eu pergunto, qual seria a forma de tocar um jornal, fazendo jornalismo sério nesse país, sem ser quebrado ou morrer ainda no berço?

Hugo Albuquerque em janeiro 25, 2009 10:29 PM


#84

"Ainda assim, nem é bem o caso, porque se você pega os indicadores sociais de Idaho, Wyoming ou qualquer outro grotão estadunidense, ele é superior ao de São Paulo."

Os indicadores sociais de areas isoladas de São Paulo, como o triângulo que vai da Paulista à Perdizes e a Pinheiros são tão bons ou melhores. E na verdade meu ponto é que em São Paulo, uma cidade que sustenta várias franquias de luxo, *economicamente* há fatores que permitem a profusão de jornais.

Falta é gente, mesmo entre a classe média, que leia.

Andre Kenji em janeiro 27, 2009 11:21 PM


#85

Muito bom o seu blog, parabéns

Construção de Piscinas em janeiro 29, 2009 2:40 PM


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