De estatísticas que ele chama de damning ("condenatórias", "incriminatórias"), Robert Fisk, na mais monumental introdução jornalístico-historiográfica ao Oriente Médio recente, escreve, na página 429 (tradução minha):
Entre 1967 e 1982, meros 21.000 colonos tinham se mudado para a Cisjordânia e para Gaza. Em 1990, o total era 76.000. Em 2000, sete anos após os acordos de Oslo, o número estava em 383.000, incluindo-se os colonos da Jerusalém Oriental anexada. Em 17 de maio de 2001, René Kosimik, chefe da delegação da Cruz Vermelha Internacional a Israel e aos territórios palestinos, sentiu que era necessário lembrar o mundo que, sob a Convenção de Geneva, "a instalação de população do poder ocupante dentro dos territórios ocupados é considerada uma medida ilegal e qualifica como uma 'grave violação'... A política de assentamentos colonizadores como tal, na lei humanitária, é um crime de guerra". E mesmo assim, enquanto Arafat estava morrendo em 2004, e quando o muro de "segurança" de Israel roubava ainda mais terra árabe, a ocupação e o confisco sobre os palestinos continuava.
E, um pouco antes, na página 428:
Se não estavam se ocupando de contruir casas para israelenses em terra palestina, os israelenses se ocupavam de demolir casas palestinas. Entre a assinatura dos acordos de Oslo em 1993 e março de 1998, 629 casas palestinas foram destruídas por bulldozers israelenses, 535 na Cisjordânia e 94 em Jerusalém, mais de um terço sob o governo trabalhista e o resto sob o Likud. Outras 1.800 ordens de demolição esperavam execução. A indignação palestina ante essa tentativa de expulsá-los de Jerusalém por atacado -- em muitos casos porque Israel não emitia autorizações para os árabes que morassem lá -- só foi exacerbada pela decisão de um comitê ministerial israelense de recomendar a construção de mais 116.000 casas para colonizadores nos próximos vinte anos.
A Grande Guerra pela Civilização: A Conquista do Oriente Médio, de Robert Fisk, 1.111 páginas na edição original, já foi lançado em português. Os quatro primeiros capítulos da obra, em tradução, estão disponíveis em pdf na internet.