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Um blog sobre política, literatura, música e futebol basquetebol. Na rede desde outubro de 2004.



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quarta-feira, 11 de fevereiro 2009

Entrevista

Jorge Conterrâneo, André Deak e Rodrigo Savazoni me desafiaram para uma entrevista. Topei. Aí vai a transcrição.


André Deak - O seu blog é uma das melhores fontes em português sobre o que ocorre em Gaza hoje. Como se envolveu com a questão palestina?

Foi em 1982, quando Israel invadiu o Líbano. A brutalidade dos massacres sofridos por palestinos dasarmados em campos de refugiados como os de Sabra e Chatila foram o despertar inicial, simultâneo à percepção de que a imprensa e os governos ocidentais sempre tratavam a questão com luvas de pelica. Depois, li a obra de Edward Said. O contato com a cultura árabe – através de escritores como Ahdaf Soueif – veio depois. Depois ainda, veio a leitura da grande historiografia ocidental sobre a região, de Illan Pappé a Robert Fisk. O meu interesse é aguçado pela trajetória profissional: a formação do hispanista pressupõe algum estudo de Al-Andalus, período de controle árabe sobre a atual Andaluzia, onde árabes, judeus e cristãos viveram em relativa paz: um contra-exemplo cabal para os que falam de raízes "milenares"da situação de hoje.

Rodrigo Savazoni - Pelo que vi, a Faixa de Gaza é hoje uma região majoritariamente habitada por crianças e jovens (perfil demográfico da maioria das regiões pobres do planeta). É possível pedir a condenação de Israel no Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade e por infanticídio em massa?

A maioria dos especialistas em direito internacional concordam que há extenso fundamento para as acusações de crimes de guerra e de lesa-humanidade de Israel nos Territórios Ocupados da Palestina. É juridicamente possível, claro, mas não é factível politicamente, por causa da lei do mais forte.


AD - A versão dos fatos que parece prevalecer atualmente é a seguinte: O Hamas lançava foguetes diariamente em Israel, e para evitar que a população israelense continuasse vivendo sob o medo Israel precisou tomar uma atitude drástica, porque "o Hamas só entende a força bruta". Essa versão foi contada, de uma maneira ou de outra, por diversos oficiais e políticos israelenses e repetida diariamente nos jornais. O que realmente aconteceu?

O que o próprio Haaretz noticiou. A invasão foi preparada durante seis meses, a "trégua" se manteve de junho a 04 de novembro – entenda-se "trégua" como manutenção da prisão ao ar livre de Gaza sem reação nenhuma dos palestinos – e, nesse dia 04, dia da eleição americana, Israel invadiu Gaza e matou pelo menos seis palestinos, conseguindo o que queria, ou seja, que o Hamas lhe desse um pretexto para a matança. De olho num recadinho para Obama e nas suas próprias eleições, Israel bateu até que o Hamas reagisse com as precárias armas que tem. Dado o pretexto, entra o exército e realiza a chacina.

AD - Li também nos jornais que, quando houve a "retirada unilateral dos assentados israelenses", o Hamas levantou faixas dizendo que "três anos de Intifada são melhores do que dez anos de política". Ou seja: os ataques a Israel teriam se intensificado porque o Hamas entendeu que os foguetes deram resultado. Isso é verdade?

Houve retirada de Gaza num período em que os assentamentos colonizadores só aumentaram na Cisjordânia, que é onde eles sempre estiveram massivamente, diga-se em primeiro lugar. Mas quanto ao tipo de enunciado que você menciona, o Hamas está jogando o jogo político dele, de apresentar o Fatah, no melhor dos casos, como uma moderação fracassada ou, no pior, como traidores vendidos. A ocupação militar durante 40 anos deixou a situação tão desesperadora que a mensagem ecoa, mesmo entre os palestinos, que sempre foram – ao lado dos iraquianos, ironicamente – um dos povos mais seculares do mundo árabe. A questão que há que se responder não é por que o Hamas reagiu quando a trégua foi rompida por Israel, com invasão e assassinatos secretos. A questão que há que se explicar é por que o tão demonizado Hamas aceitou ficar meses sem lançar foguetes. É a prova cabal, de novo, de que Israel tem todas as cartas da negociação nas mãos.

Jorge Rocha - Eu considero o trabalho de pessoas como o cartunista Latuff – que você também faz questão de elogiar – como um exemplo de jornalismo. Até que ponto iniciativas como essa, e incluo nesse montante fontes de contraposição de opiniões da mídia massiva, podem influenciar certa – vá lá – opinião pública ?

Cumpre um papel importante, que talvez só seja mesmo possível avaliar retrospectivamente. A opinião pública pode mover-se mais. Há simpatia e um embrião de conhecimento disseminado da situação. Mas há ainda pouca compreensão do fato de que a única solução possível virá de pressão internacional e que, portanto, as campanhas de boicote e desinvestimento são muito importantes. Esse passo ainda é embrionário na América Latina e já é um pouco mais compreendido na Europa. Nos EUA, claro, ele é inimaginável. Aqui, o lobby pró-Israel – que, insisto, a longo prazo é um lobby anti-Israel – tem o controle completo de todo o horizonte do dizível na política.

RS - Do ponto de vista do ordenamento institucional internacional - essa coisa vaga a que chamamos política externa (e que nunca funciona quando necessário) - quais são as medidas cabíveis que a sociedade civil pode exigir?

Depende de qual sociedade civil você tenha em mente. A palestina já não pode exigir nada, porque todos os movimentos de resistência pacífica foram ignorados e / ou massacrados. A israelense – sua esmagadora maioria -- já não quer exigir nada nesse sentido, dominada que está pelo medo e pela chantagem do seu establishment político. As sociedades civis ocidentais, estas sim, devem se mexer. Intensificar as iniciativas de boicote, aprofundar os contatos com as precárias organizações da socidade civil palestina, colocar pressão em seus governos.

JR – Você foi um dos primeiros a repercutir a informação sobre o blog que a repórter da Globo, Renata Malkes, manteve entre 2000 e 2007, escrevendo sobre a "questão do Oriente Médio" - termo eufemista para barbaridades. O blog Cloaca News, que levantou o caso, apontava que era uma cobertura que visava "divulgação da propaganda sionista" e você concordou enfaticamente. Mantém essa posição ?

Quem nos dera que tivesse sido só um blog de propaganda sionista. Era muito mais: era um blog de celebração de Eretz Israel, de auê belicista e intenso racismo anti-árabe. Houve jornalista que tentou livrar a barra dizendo que os blogs tinham "linchado" o que a Renata Malkes havia escrito "quando tinha 20 anos", desonestamente omitindo o fato de que ela não completou vinte anos junto com Garrincha, mas outro dia. O próximo funcionário da grande mídia brasileira que reclamar comigo de "linchamento" nos blogs que apresente, por favor, transcrição de 10 a 15 entrevistas com membros do PT sobre o que foi ler jornais ou revistas e assistir à televisão em 2005 e 2006. Depois que os blogs prestam esse serviço público – mostrar que a pessoa que está entrando nas casas brasileiras pela televisão via concessão pública para cobrir uma ocupação colonial era, até três ou quatro anos atrás, autora de textos racistas entusiastas dessa mesma ocupação --, vem jornalista dizer que os blogs devem "pedir desculpas"? Pelo fato de que ela não "serviu" ao exército, como mui razoavelmente deduziu o Cloaca da festa feita por ela no blog por ter sido aceita na instituição? Fumou e não tragou, e daí? Informação errada? Informação errada é escrever "quando ela tinha 20 anos" querendo enganar o leitor. Pior de tudo foi a tentativa de convencer os outros de que os blogs erraram ao não "ir ouvi-la", como se se tratasse de querer saber da moça, apurar algo sobre ela, ao invés do que realmente importava, criticar um texto que está(va) na internet -- um direito de qualquer um. Neste caso, tratava-se de um lixo que só tinha relevância, evidentemente, porque havia sido escrito pela única pessoa com acesso a quase todos os televisores do país com "notícias" sobre a chacina. A Rede Globo de Televisão deve desculpas a seus telespectadores por mais essa monstruosa falta de transparência. Os funcionários da grande mídia precisam realizar um estágio com Olívio Dutra, por exemplo, sobre o que é ser massacrado incessantemente com palavras durante anos, ao invés de fazerem esses escândalos de dondocas "linchadas" toda vez que são criticados.

JR – Doze horas após ser escolhido como o candidato do Partido Democrata estadunidense, Barack Obama prometeu um apoio de 30 bilhões de dólares à Israel como assistência militar. Qual é o seu prognóstico a respeito da posição desta gestão e a cobertura midiática dessas, chamemos assim, aproximações táticas ?

Obama opera num ambiente político em que o lobby pró-Israel tem, nas mãos, praticamente todo o Congresso. Converse com qualquer deputado ou senador em off. Os relatos são assustadores. Para vencer a eleição, Obama teve que dar suas demonstrações de lealdade ao lobby. A suspensão da ajuda militar a Israel é uma bandeira que, neste momento, está além do limite do possível. A indicação de George Mitchell é muito boa. Dentro do espaço estreito em que uma solução é possível, Mitchell é um cara que tem condições de conseguir algum progresso. Mas com o estrago feito pelas sucessivas chacinas, a diuturna expansão dos assentamentos colonizadores, o desespero e a desilusão do lado palestino, as péssimas notícias das eleições israelenses e o barulho chantagista do lobby "pró-Israel" nos EUA, só um louco para ser otimista.

AD - Interesses comerciais dos EUA e de Israel, poder militar, sanções... Isso é o bastante para evitar que algum país se levante contra esse massacre?

Que algum país se levantasse militarmente contra Israel seria uma medida desesperada e provavelmente fracassada. A saída é a pressão internacional para que se produzam condições menos asfixiantes de negociação. Fora disso, não vejo nada. Quero dizer, vejo, mas é uma horrenda tragédia.

RS - Quantas crianças mais terão que morrer para que a imprensa planetária comece a relatar os fatos com a dimensão que eles têm?

Quando se alterarem as relações de força entre os vários grupos sociais que exercem pressão sobre essa imprensa. Quantas crianças palestinas morrerão até lá, não sei. Muitas, provavelmente.



  Escrito por Idelber às 03:31 | link para este post | Comentários (45)


Comentários

#1

Meu Caro.
Louvo tua iniciativa de descrever o sofrimento do povo palestino. Mas covenhamos, num Pais onde detem o triste e enojante ranking da quarta posição entre os mais violento,por numeros de pessoas assasinadas anualmente,onde morrem 50.000 pessoas vitimas de homicidios(numero equivalente a uma cidade de pequeno porte que é truicidada no Brasil por ano.Um estadio de futebol lotado).Temos que nos preocupar com os nossos cidadões,vitima dessa guerra social e cruel. Um verdadeiro genocidio.

uirapuru em fevereiro 11, 2009 9:50 AM


#2

Idelber,

Por que vc não apresentou este seu ponto de vista sobre a Renata Malkes aqui no Biscoito quando ela choramingou lá no Blog dela depois de ser pega com as calças na mão?

Fiquei perplexo com a superficialidade da defesa nos comentários la no tal Blog dela. Nenhum, nenhumzinho argumento. Só chororô.

Abração

Lugon de Souza em fevereiro 11, 2009 9:50 AM


#3

Esse jornalista é o Pedro Doria, não?
Ele é bom, mas essa do "20 aninhos" foi de lascar...

ademir em fevereiro 11, 2009 10:06 AM


#4

Interessante a entrevista, mas senti falta de questionamentos mais controversos, como, por exemplo, quem quebrou a trégua primeiro, se o Hamas ou Israel. As perguntas me lembraram muito a entrevista do Gilmar Dantas no Roda Viva, um bate-papo entre amigos.

J Carlos em fevereiro 11, 2009 10:32 AM


#5

Ué, o tema é Palestina e Israel e a caixa de comentários está aberta? Então, aguente você, Idelber, sem trema mesmo, porque vou falar o que estava querendo falar há muito tempo:

o jorge e o André são figuras excepcionais, ativos no tipo de jornalismo que é característico da blogosfera. Parabéns a eles pela entrevista e pela escolha do entrevistado!

Ufa, desabafei.
(-;

SLeo em fevereiro 11, 2009 11:12 AM


#6

Pelo que eu li ontem à noite, o cenário político era de uma vitória, ainda que apertada da direita israelense. No gabinete de Obama, o número de políticos democratas pró-Israel. Há quem diga que ele vai ser o primeiro presidente dos judeus.
Eu, sinceramente, não vejo muita possibilidade de avanço na criação do Estado Palestino depois do massacre deste final de ano e ainda mais com esse cenário tétrico de crise econômica.
E pra cada George Mitchell há vários Rahms Emanuels e James B Steinbergs no governo.
Na minha opinião a coisa só vai funcionar quando o mundo boicotar a economia de Israel, assim como foi feito com a África do Sul.
É o único jeito de interromper o apartheid a palestinos em seu próprio território.

Lauro Mesquita em fevereiro 11, 2009 11:23 AM


#7

Excelente entrevista, Idelber.

Bruno em fevereiro 11, 2009 11:42 AM


#8


De plano lhe informo que fui uma das pessoas que, com mínimos reparos, exultou ante o plano de Uri Avnery para a justiça e a paz que vc publicou aqui no fim de dezembro ou início de janeiro.
Por isso vejo com assombro como sua visão do conflito continua extremamente seletiva, inclusive nas suas leituras.
Parciais, em maior ou menor medida, todos somos. Contudo reiteradamente ignorar os vários contextos da disputa, está depondo contra a sua credibilidade.
Quando logo no início eu lhe mandara uma reportagem sobre o roubo de ajuda humanitário pelo Hamas, vc me disse que fontes oficiais israelenses deveriam ser evitadas, porque numa situação de guerra imperava a mentira ou a propaganda.
Semanas mais tarde, a ONU confirmava o que eu lhe havia mostrado.

Ignorando o excelente artigo de Vladimir Safatle, que vc mesmo postou, vc persiste na ineficiente prática de demonizar, o que, nos próprios dizeres de Safatle, seria recurso de quem realmente não deseja discutir a questão.
E por me surpreender que vc tenha afirmado conhecer tudo a respeito do conflito Israel x palestinos, estou postando mais uma contribuição que aprofunde o tema, a qual não abarca toda a sua entrevista, mas o tópico Sabra e Chatila.
Na chamada Guerra do Líbanos morreram cerca de 130 mil pessoas, sendo que destas, 18 mil por mãos dos israelenses.
Abaixo uma cronologia do cristão libanês J. Abou Elie sobre o quadro da Guerera do Líbano. Se não tiver preconceito em com o ponto de vista de um cristão árabe, gostaria que me respondesse se as mortes - muito mais numerosas - cometidas por árabes entre si mesmos são mais justificáveis ou legítimas do que as que Israel praticou ou pratica?

Cronologia:

A primeira de uma grande série de massacres de cristãos foi realizada no Monastério de Deir Ayach, em 3 de setembro de 1975, onde palestinos expulsos da Jordânia assassinaram três monges: Boutros Sassine, Antoine Tamini e Hanna Maksoud.

Os aldeões cristãos que viviam nas proximidades fugiram e os agressores destruíram o vilarejo. Os palestinos liderados por George Habash e Nayef Hawatmech atacaram assim mesmo a localidade de Beit Mellat e assassinaram os aldeões que caíram suas mãos.

O ano seguinte foi crítico. Em 15 de janeiro de 1976, os palestinos arrasaram Kab Elias, uma aldeia mista (cristãos e mulçumanos) no vale de Bekaa. Depois de dez dias, 16 cristãos foram executados e 23 feridos.

Os cristãos iniciaram seu êxodo a Zahlé, Beirute oriental e Jounieh. E em pelo menos mais duas cidades, Damour e Jieh, os bandos palestinos cortaram os dedos de meninos cristãos para se assegurarem de que não poderiam disparar armas. As igrejas de Damour foram profanadas e 300 habitantes foram massacrados. Não houve protestos.

Em 19 de janeiro, as aldeias de Hoche Barada foram totalmente demolidas. Outro grupo formado por palestinos, o “Exército do Líbano Árabe”, destruiu a cidade de Aintours. Três líderes do grupo receberam a missão explícita de levar a cabo massacres que submeteriam os cristãos libaneses ao Estado em formação de Arafat.

Samir Abou Zahr, liderou o massacre em Emir Bechir (onde as vítimas foram assassinadas enquanto dormiam), Mostapha Sleiman arrasou a cidade de Chaca, e Oiin Hatoum atacou os quartéis de Khyam matando mais de 30 soldados libaneses.

Os cristãos solicitaram auxílio de um mundo que permanecia silencioso.

E o vizinho do norte, que sempre havia descrito o Líbano como sua “natural zona de influência”, se deliciava em ouvir esse silêncio. As tensões étnicas estenderam-se aos drusos, que solidários com a OLP, começaram a hostilizar os cristãos. Estes pediram um cessar fogo, porém o líder druso Kemal Jumblatt não aceitou.

Com a desculpa de uma resposta a esta negativa, em 31 de maio de 1976, a Síria invadiu o Líbano utilizando a curiosa explicação de que sua presença protegeria a minoria cristã da crescente hostilidade islâmica.

Uma vez que o exército de dezenas de milhares de soldados sírios se fez forte no país, lançou-se a operação inversa da anunciada.

Nos bombardeios subseqüentes, mais de 500 civis cristãos foram assassinados.

No ano seguinte, os sírios mataram Kamel Jumblatt (16 de março de 1977) e enviaram grupos guerrilheiros para subjugar as aldeias cristãs, nas quais mais de 1000 moradores foram assassinados. Somente em Deir Dourit, devastada por completo, morreram 273 moradores.

O ano de 1978 foi o ano da apropriação Síria do país, e com o tempo passando, o Líbano independente acabava por morrer assassinado. Sami Khatib, instalado pelo governo sírio como agente de segurança, foi diretamente responsável pela detenção, tortura e desaparecimento de milhares de libaneses opostos á invasão.

Nem uma condenação, lamento ou queixa. No dia 27 de junho de 1978 um esquadrão sírio conduzido por Ali Dib arrastou 20 jovens de suas camas nas aldeias de Kaa e Rãs-Baalbeck e fuzilou-os sem julgamento e nenhuma acusação. O objetivo era o controle total de uma comunidade que não desejava o controle sírio

Nem a imprensa, nem os organismos de direitos humanos, nem nenhum país condenaram seriamente o episódio.

Em 1º de julho, a milícia privada de Riffat Assad, irmão do presidente sírio, sitiou as zonas que permaneciam livres nos subúrbios de Beirute e as fez bombardear durante cinco dias e cinco noites, com canhões e morteiros, deixando um saldo de mais de 60 civis mortos e 300 feridos.

Em agosto de 1979, os sírios e palestinos destruíram as aldeias Niha, Deir Bella, e uma no norte. Nenhuma palavra de ninguém. Os sírios e os palestinos haviam se imposto no país.

Entre 1980 e 1981 as brutalidades sírio-palestinas estenderam-se para acabar com todo o foco potencial de resistência. Em 24 de fevereiro de 1980, o diretor da revista Hawadess, Selim Laouzi, foi seqüestrado pelos sírios ao caminho do aeroporto, torturado e assassinado e seu corpo mutilado foi achado no bosque de Aramoum.


Em 23 de julho de 1980, Riad Taha, presidente da imprensa, foi assassinado em Raouché.

Em março de 1981, a cidade cristã de Zahlé foi bombardeada e a monja Marie Sophie Zoghbi assassinada enquanto tentava socorrer as vítimas.

Dois mil cristãos morreram nos bombardeios que se seguiram em Beirut do leste, debaixo do comando do palestino Ahmad Ismail. Não houve reação!

Em 4 de setembro de 1981, o embaixador francês no Líbano, Louis delamarre, foi assassinado pelos sírios.

A França apenas se lembrou de convocar Paris para consultas a seu embaixador na Síria. Nisso os franceses foram mais rigorosos que os espanhóis. Quando em março de 1989 as tropas sírias assassinaram o embaixador espanhol, Pedro Manuel de Aristegui, junto com seu sogro e cunhada, a Espanha nem sequer consultou ninguém.

Em fevereiro de 1982, a Irmandade Mulçumana desatou uma rebelião islâmica contra o regime de Damasco, na cidade Síria de Hama. Sem nenhuma vacilação, o exército de Assad isolou a cidade, começou seu bombardeio generalizado a toda a população, muçulmanos e cristão, sem discriminação.

Foram massacradas vinte a trinta mil pessoas. Não há condenações. Ninguém se comovia, ninguém protestava!

Em 24 de maio, os sírios atacaram a embaixada francesa no Líbano e assassinaram a sua secretária de assuntos comerciais, Anna Comidis e mais dez pessoas.

Em 6 de junho de 1982, Israel invadiu o Líbano desde o sul. Os aldeões receberam os tanques hebreus como libertadores. Os cinegrafistas não podiam acreditar no que filmavam quando cristãos libaneses de todas as idades saíam de suas casas para oferecer flores e alimentos aos soldados israelenses.

Não somos ingênuos: não havia amor mútuo, senão interesse em comum. A população cristã acreditou que se poria um ponto final á tirania sírio-palestina no Líbano. E Israel havia empreendido no que deu em chamar-se Operação Paz para a Galiléia em resposta á morteiros e infiltrações dos terroristas palestinos, que já tinham instalado no Líbano um poderoso exército. Num desses atentados (março de 1978) os guerrilheiros que haviam penetrado desde o Líbano, seqüestraram dentro de Israel um ônibus civil, e mantiveram como reféns 34 passageiros que no final foram assassinados.

Israel invadiu o Líbano para terminar com a agressão que desde ali se exercia, objetivo que eventualmente conseguiu por meio de expulsar Arafat e sua OLP (que encontram refúgio na Túnisia).

Em agosto de 1982, graças ao clima de menor dependência da Síria que se sentia desde a invasão israelense, o parlamento libanês elegeu presidente do país o chefe da Falange cristã, Bashir Gemayel. Para os sírios esta ousadia era um excesso, sobretudo porque se sabia que Gemayel cooperava com Israel na recuperação da independência do país do controle sírio.

Duas semanas depois, em 14 de setembro, no quartel da falange em Chrafieh, Gemayel foi assassinado por uma carga de explosivos colocada por Habid Chartouni, que pertencia desde 1977 ao partido pró-sírio comandado por Assad Hardane. Os explosivos haviam sido fornecidos pelo chefe da inteligência Síria, Ali Douba. Além do presidente, 26 pessoas morreram no ataque. Os sírios consideraram Chartouni um herói.

Os cristãos, não precisamente.

O chefe da segurança da Falange, Elie Hobeika, decidiu vingar a morte do presidente, nos acampamentos palestinos de Sabra e Chatila.

Em 16 de setembro de 1982, cem falangistas penetraram nos campos e mataram várias centenas de civis (as estimativas variam de 300 a 500 pessoas). Os israelenses, em cuja zona de segurança se achavam os acampamentos, ingressaram nos mesmos para deter o massacre quando já era tarde demais.

De todos os nomes de aldeias destruídas que incluí nesta crônica, não me cabe a menor dúvida de que os únicos que resultaram conhecidos ao leitor são os de Sabra e Chatila.E ainda que Hobeika nunca se arrependeu da matança, ainda que os falangistas viram-na sempre como um ato de aceitável vingança, nem este nem aquele jamais foram reprovados pelo mundo.

Dez anos de guerra no Líbano e o genocídio da ocupação Síria, reduziram-se na consciência da Europa, a Sabra e Chatila. A esses nomes dedicaram-se filmes cinematográficos e livros, manifestações e condenações. Somente a esse evento da guerra no Líbano, lhe dedicou Alberto Cortez, uma canção de seu repertório, e Jean Genêt em 1982, um tétrico documentário! “Quatro horas em Chatila”.

Israel e o Líbano firmaram um tratado de paz em 17 de maio de 1983. Tratado que em pouco tempo, a Síria exigiu sua unilateral anulação.

Nenhum meio de difusão voltou a mencionar jamais esse tratado, que não gozou da aprovação internacional.

As matanças entre libaneses não se detiveram.

Em setembro de 1983, mais de 100 aldeias na região de Chouf foram ‘limpas’ de cristãos por tropas drusas. Em maio de 1985, mulçumanos atacaram novamente o campo de refugiados de Chatila. De acordo com os dados oficiais das Nações Unidas, assassinaram 635 pessoas e deixaram mais de 2500 feridos.

A ONU não se reuniu para condenar. Tampouco quando em outubro de 1990 as tropas sírias mataram em oito horas mais 700 cristãos.
O mundo fez vista grossa mais uma vez.

Celia em fevereiro 11, 2009 11:48 AM


#9

Celia, você mente 3 vezes:

1. Eu jamais disse que "sei tudo" sobre o conflito, inclusive porque eu jamais chamo aquilo de conflito.

2. Eu jamais disse que fontes israelenses devem ser evitadas. Simplesmente disse que não publicaria o seu link.

3. Você acha poder julgar a seletividade das minhas leituras como se eu as tivesse listado todas.

Demonstre onde há alguma afirmação equivocada ou então pare de me mandar textos soltos cuja relação com o post não está clara.

Idelber em fevereiro 11, 2009 12:12 PM


#10

Idelber, veja o exemplo da Celia. Ele prova o que eu disse sobre o repórter da Veja que chorou a perda de apoio de Israel no mundo, ou seja, não dá pra tentar justificar as matanças israelenses sem inventar novas e tortuosas formas de jornalismo e de pensamento.

Abs.

daniel em fevereiro 11, 2009 1:11 PM


#11

Vamos lá, hoje até dá para tirar uns miuntos para responder comentários (o batente em Tulane anda brabo):

uirapuru, meu caro, este blog se ocupa da violência no Brasil; à beça, na verdade. Fuce aí (tag à esquerda: Política) e verá posts sobre violência policial, racismo, a absurda política de drogas, etc. -- todos eles elementos na violência de cada dia.

Mas você tem razão em que dou prioridade, no quadro mundial, à situação dos palestinos. Isso vem de uma mistura de fatores: 1) crença no que Balibar chamou de "universalidade" da questão palestina; 2) o fato de que há enorme propaganda e pressão sobre a mídia do outro lado, o lado das forças de ocupação; 3) o fato de que, sim, eu tenho laços afetivos com muita gente que conheci ao longo dos anos. Gente que sofreu à beça. Em sua própria casa. É uma situação única na história das ocupações coloniais.

Lugon, não falei mais da Renata Malkes porque não cabia falar dela, não tinha importância, ela tem a acesso a milhões de pessoas a mais do que eu, e também, justamente, porque eu não queria fazer nada que se pudesse ler como "linchamento".

Mas aí vão e choramingam sobre "linchamento" do mesmo jeito, mesmo eu tendo feito um post sobre o assunto, no meio de cinquenta.

Agora, então, cabia uma resposta, aproveitando a pergunta do Jorge. Ou seja, só falei agora, também, porque agora me foi perguntado o que eu achava.

Todos os testemunhos -- inclusive de fonte que prezo muito -- são de que a Renata mudou. Ao contrário de alguns brasileiros que chegam a Israel e vestem a camisa da ocupação, ela foi mudando e percebendo que ... do outro lado há seres humanos com direitos!

Parabéns, pois! É que aqui em Tulane a gente não está acostumado a dar parabéns por tão pouco, especialmente a quem já passou dos "20 anos".

Idelber em fevereiro 11, 2009 1:58 PM


#12

Lauro:

Não existe "vitória apertada" da direita israelense. Todos os três partidos mais votados são -- em qualquer definição razoável, em qualquer lugar do mundo -- partidos de direita.

Trata-se de uma eleição entre a direita e a extrema-direita. Num país em que a "esquerda" -- o Trabalhismo -- construiu proporcionalmente, sempre é bom lembrar, mais assentamentos de colonização ilegais na Cisjordânia que os governos de direita.

Idelber em fevereiro 11, 2009 2:03 PM


#13

J Carlos:

Eu concordo com a sua crítica à entrevista. Foi mesmo uma entrevista entre "cumpadis", entre quem concorda em algumas premissas básicas. Mas eu não escolhi as perguntas, o Jorge mas enviou (gostaram do "mas"?) e eu as respondi.

Eu não teria problemas de responder perguntas mais críticas ou mesmo hostis -- desde que, claro, bem feitas como foram as do pessoal.

Só não prometo rapidez. O Jorge esperou, paciente, 2 semanas.

Idelber em fevereiro 11, 2009 2:08 PM


#14

"gostaria que me respondesse se as mortes - muito mais numerosas - cometidas por árabes entre si mesmos são mais justificáveis ou legítimas do que as que Israel praticou ou pratica?"

Se me permitem, isso parece retoricazinha de chapado discutindo na cantina do lucas.

Jasão em fevereiro 11, 2009 2:22 PM


#15

Só pra deixar registrado: enquanto isso, o bobo da corte ri!

Ronau em fevereiro 11, 2009 2:49 PM


#16

Olá Idelber...

Obrigado por compartilhar sua entrevista aqui conosco.

A discussão sobre a repórter da Globo me remete a um imbróglio que me meti com uma blogueira também racista, mas mais descarada e insolente.

Estou sendo chamado de "bom moço politicamente correto" por denunciar um blog racista e ofensivo.

"O tempora, o mores..." Tudo cai em um maniqueísmo binário com o uso do rótulo "politicamente correto (PC)". E as questões de fundo são negligenciadas.

E hoje quem denuncia racista é taxado de PC. Terrível.

Força aí, moço!

Abraço,

Leonardo

PS: Se quiser entender a história a que faço referência, está em

http://aterceiramargemdosena.blogspot.com/2009/02/ainda-o-racismo-latrina-moral.html


Lelec em fevereiro 11, 2009 3:24 PM


#17

Idelber, parabéns pela entrevista. Aproveito e parabenizo o meu camarada Rodrigo por algumas das perguntas. Vamos à vaca fria. Acho que algumas opiniões, mesmo de condenação ao ataque tem sido reveladora da situação do conflito. A citação do etienne Balibar é fundamental para entendermos a universalidade do que você trata aqui.

Ontem, o Estadão publicou um artigo do Amos Oz ( http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090210/not_imp321153,0.php ) em que ele condena o ataque israelense à Palestina. Animado, o escritor também vê uma solução iminente para o conflito. Até aí tudo bem, sonhar não custa nada.

Mas vamos lá, ele disse que o massacre foi causado por radicais dos ambos os lados e que só ajudou os fanáticos israelenses e o Hamas, que, segundo Oz construiriam o infindável ciclo do ódio. No entanto, as coisas começam a ficar estranhas quando ele começa a justificar as decisões do premiê Ehud Barak como acertadas e até moderadas.

Bem segundo ele, que foi ativista do que no passado chamaram de campo da paz, de fato não dá para conviver com o Hamas. Esse grupo, que foi eleito de forma legítima precisa ser retirado do poder e do mundo dos vivos para que o acerto iminente aconteça.

É claro que ele fala em ataque desproporcional e de forças retrógradas dentro de Israel, mas não dá o nome aos bois. Diz que eles foram responsáveis pelo massacre, mas não diz que esses genocidas ocupam, de fato as cadeiras mais importantes do governo israelense.

Seria o caso de saber se existe algum grupo com chance de ocupar o poder em Israel que não pertença a esses grupos fanáicos que Oz fala. Talvez, mesmo perguntar a ele se ele não participa desses gupos.

Pois, pelo o que eu entendi, a paz virá se os palestinos abrirem mão do seu direito de escolha e aceitarem os limites que os israelenses querem dar a eles. Se for assim, essa luz no fim do túnel é trágica.

Pensando no fim do Apartheid, só foi possível reconduzir o país depois de um longo processo de distensão das animosidades. Claro que o processo não se arraigou por toda a sociedade, mas, ao menos, curou algumas feridas que impediriam qualquer retomada de uma normalidade institucional.

Uma das medidas importantes foram os tribunais do perdão, com confissões de culpa, acerto de contas e perdão. Assumia-se que o que foi feito era um crime, mesmo que não castigado. Isso entrou para a jurisprudência sul-africana e tais atrocidades estavam proibidas de acontecer.

Não parece haver confissão de culpa pelos massacres (como aconteceu na África do Sul)em Israel. Não gostaria de morar em um país controlado por um partido religioso, mas acho que Israel deve desculpas inclusive ao Hamas. Enquanto "pacifistas" como Oz forem a melhor alternativa para a região, fica difícil qualquer "acerto iminente"

Tiago Mesquita em fevereiro 11, 2009 3:28 PM


#18

Por que será que dizer que alguém e politicamente correto tornou-se uma ofensa tão grave? Aliás, em geral, um pouquinho de correção política aqui no Brasil não faria muito mal. Em geral, os que atacam o chamado PC fazem iso com um desavergonhado desrecalque racista, classista e sexista.

Tiago Mesquita em fevereiro 11, 2009 3:36 PM


#19

Parabéns pela entrevista, Idelber. Pertinente e rica em conteúdo.

César em fevereiro 11, 2009 3:52 PM


#20

Oi Idelber concordo contigo na afirmação de que "Todos os três partidos mais votados são -- em qualquer definição razoável, em qualquer lugar do mundo -- partidos de direita", o que me assustou nessa eleição foi a radicalização dos votos em direção a uma direita ainda mais radical. O tal do Yisrael Beiteinu parece que está quase do mesmo tamanho dos trabalhistas. E quando até um partido declaradamente racista ameaça o partido dos ideólogos do tal "campo da paz" é que o pessoal já atravessou o corguinho do bom senso em qualquer esfera. Nessa lógica que eu acho que a única saída é o boicote internacional a Israel. No campo das ligações entre Israel e Àfrica do sul, vale muito a pena ler essa matéria do Guardian

Lauro Mesquita em fevereiro 11, 2009 4:28 PM


#21

Por outro lado Idelber, e eu posso parecer chato, mas ando com sete pulgas atrás da orelha com a política externa do Obama em relação à Palestina. Acho que a postura do governo americano é definidora e, até agora, as respostas à violência israelense são muito amedrontadas.

Lauro Mesquita em fevereiro 11, 2009 4:32 PM


#22

Idelber, aproveito para dar os parabéns pela militância a favor dos palestinos, um povo oprimido e que merece nossa solidariedade.

Não concordo com tudo o que você diz, admito que algum exagero sempre vai haver no calor do momento, mas alguém tem que promover esse debate.

Agora, não posso deixar de me espantar com o elogio ao Latuff. Pelo que eu sei (corrija-me se estiver errado), esse cara entrou no concurso iraniano de charges sobre o holocausto. Quem faz isso? Nem que tivesse só vinte anos.

Na hora da briga nem sempre você escolhe quem luta do seu lado, mas talvez possa escolher para quem você dá medalha.

E, pra terminar, um apelo: você tem algo a dizer que amenize o desânimo causado pelo resultado da eleição em Israel?

NPTO em fevereiro 11, 2009 4:49 PM


#23

NPTO, não, infelizmente não tenho nada para dizer sobre a eleição em Israel que traga um mínimo de conforto.

Sobre a participação do Latuff nesse concurso, não tenho detalhes. Sei da militância dele, incansável, a favor dos palestinos.

Idelber em fevereiro 11, 2009 4:52 PM


#24

idelber:
gostei.
romério

romério rômulo em fevereiro 11, 2009 5:58 PM


#25

"[...]Bashir Gemayel. Para os sírios esta ousadia era um excesso, sobretudo porque se sabia que Gemayel cooperava com Israel na recuperação da independência do país do controle sírio[...]

Celia parece uma sionista misturando mentiras com....mentiras. O assassino Gemayel se transforma num patriota libanes, nao lider da famigerada Falange, e Israel, no bom mocinho do Oriente Medio querendo ajudar a "libertar" o Libano.

"[...]Em 16 de setembro de 1982, cem falangistas penetraram nos campos e mataram várias centenas de civis (as estimativas variam de 300 a 500 pessoas ) [...]"

Sugiro a Celia colocar as fontes dessas informacoes para nao ter de aceitar a pecha de mentirosa sozinha.
Assassinatos de civis por quem quer que seja sao crimes mas ao mentir tao descaradamente e dizer imbecilidades do tipo "[...]Os israelenses, em cuja zona de segurança se achavam os acampamentos, ingressaram nos mesmos para deter o massacre quando já era tarde demais[...]" acaba prestando um deservico a seus argumentos rotos ja que nao a sentido em perder tempo separando mentiras e deturpacoes para entender um posicionamento.

Em tempo: lendo os comentarios dos leitores do Haaretz de hoje, sobre a escolha para primeiro ministro entre os terroristas Netanyahu e Tzipi Livni, entende-se o posicionamento e as distorcoes de fatos pela " Celia ". Ela parece, fala e tem o aroma de uma daqueles comentaristas. Isso que o Haaretz esta mais a esquerda que o Jerusalem Post.

Paulo em fevereiro 11, 2009 6:05 PM


#26

A Celia mente tanto que, confesso, nem li o comentário dela inteiro. Obrigado por apontar as outras atrocidades, Paulo.

Idelber em fevereiro 11, 2009 6:13 PM


#27

Obrigado pela entrevista inspiradora. Animado por ela, esqtiquei a conversa lá no Guaciara
http://guaciara.wordpress.com/2009/02/11/sem-conversa/

Tiago Mesquita em fevereiro 11, 2009 6:41 PM


#28

Idel,

outra descoberta hoje (ao menos para mim), um blog português http://www.alfredo-braga.pro.br/discussoes/gandhiepalestina.html

Há seqüencias de fotografias, documentos, narrativas e não se concentra apenas na última guerra de ocupação e se não viu, não deixe de ver e divulgar o museu virtual do holocausto palestino.

beijos
Frô

Frô em fevereiro 11, 2009 10:02 PM


#29

Tiago,
Será que você poderia colar aqui a entrevista do Amós Oz para a gente ler?
Grato.

João Paulo Rodrigues em fevereiro 12, 2009 9:57 AM


#30

O trabalho de Idelber sobre o ataque israelense sobre a Faixa de Gaza (e sobre o tema de fora geral) foi soberbo, uma luz em meio a desinformação a que fomos expostos por grande parte da mídia.

Victor Barone em fevereiro 12, 2009 10:21 AM


#31

Ótima entrevista, meu caro, tanto pelo time de entrevistadores como pelo entrevistado.
abs

Leandro Fortes em fevereiro 12, 2009 2:13 PM


#32

João Paulo, segue o texto do Amòs Oz. O texto foi originalmente escrito para o Herald Tribune:

É HORA DE ROMPER O CÍCULO VICIOSO


Ehud Olmert, premiê israelense, declarou que Israel dará uma resposta “desproporcional” a qualquer novo ataque do Hamas contra seus civis. Acho que uma resposta desproporcional é uma resposta imoral. Uma punição desproporcional é uma punição imoral.

Essa desproporcionalidade fortaleceria os candidatos extremistas nas eleições israelenses e atenderia aos objetivos dos fanáticos na Faixa de Gaza e no mundo árabe.

Operações militares desproporcionais nada mais são do que vingança. E vingança nada mais é do que a satisfação de instintos primitivos básicos.

Vejo o Hamas como um bando de criminosos que, há muito tempo, direciona sua ação contra civis israelenses. Nos últimos anos, nada menos do que 10.000 foguetes foram lançados pelo grupo contra cidades e povoados dentro de Israel.

O Hamas também é um bando de criminosos porque usa civis palestinos como escudos humanos e porque, cinicamente, esconde-se atrás de mulheres e crianças.

Mas matar mais civis palestinos não vai levar a nada, já que os radicais islâmicos não se importam absolutamente com essas mortes.

Como o líder do grupo na Síria, Khaled Meshal, disse recentemente, “a atual geração de palestinos pode ser sacrificada”.

A única resposta eficaz é um ataque bem calculado, proporcional, contra os criminosos do Hamas, que tente ao máximo poupar a vida de palestinos inocentes. O Egito está intermediando um cessar-fogo e Israel tem de dar uma chance a essa mediação.

Não devemos nos esquecer que o maior revés para o Hamas seria um eventual acordo de paz entre o governo de Israel e a Autoridade Palestina do presidente Mahmud Abbas. Um acerto desse tipo entre palestinos e israelenses é possível - e talvez até mesmo iminente.

Tiago Mesquita em fevereiro 12, 2009 3:42 PM


#33

Sobre a eleição israelense, agora os trabalhistas se tornaram uma espécie de PC do B do Kadima. Os nazionalistas conseguiram mais cadeiras que eles. O Hadash (que até onde eu sei) apresenta as propostas pacifistas mesmo, só colocou três membros no parlamento. Com o Liberman como fiel da balança, as coisas devem piorar...

Tiago Mesquita em fevereiro 12, 2009 3:44 PM


#34

Excelente entrevista!

Rafael Fortes em fevereiro 12, 2009 5:43 PM


#35

Boa noite.

Nao sei se cabe aos comentarios, porém.

Sou um fa incondicional do site, acompanho pelo feed e por isso nao costumo comentar. Porém ao ler a entrevista surgiu uma curiosidade. Idelber, o que achaste do filme Valsa com Bashir, caso tenha visto. Apesar do filme ser israelense e ter uma pequena "tirada de corpo", este me pareceu de uma fidelidade consideravel, porém nao conheço o suficiente para dizer isto, que achaste?

Obrigado.

Vinicius.

PS: Desculpe pela acentuaçao, teclado num ajuda.

Vinicius em fevereiro 12, 2009 6:00 PM


#36

Obrigado Tiago. Não achei tanto espaço em tão curto artigo para suas conclusões. Ele é apenas pobre e ausente de uma visão mais acurada. Nada de mais, na minha opinião.
Mais uma vez, obrigado.

João Paulo Rodrigues em fevereiro 12, 2009 6:38 PM


#37

Ótima entrevista, Idelber - infelizmente dada sobre um tema tão espinhoso quanto esse.

Hugo Albuquerque em fevereiro 12, 2009 7:04 PM


#38

Talvez eu tenha misturado isso com as declarações recentes do Oz. Agora, eu não duvido da boa fé do escritor, como não duvido de sua desfaçatez

Tiago Mesquita em fevereiro 12, 2009 7:52 PM


#39

Gostei da entrevista, Idelber. Sempre aprendo com você.

Janaina Amado em fevereiro 12, 2009 9:39 PM


#40

Peraí. Indicar esse "Alfredo Braga" é uma queimação de filme sem tamanho. Em 90% das vezes, a palavra "antissemita" é abusada, exagerada, mas neste caso não. O sujeito é antissemita mesmo.

O cara é revisionista, crê numa conspiração judaica mundial e se vale de velhos temas como "usurários", "gananciosos", e dá pra baixo.

Quer defender a causa palestina? Manda ver, justíssimo. Mas, peraí, ficar lado a lado de um cara assim não dá.

Confira aqui se quiser:

http://www.alfredo-braga.pro.br/discussoes/fraudegananciaeusura.html
http://www.alfredo-braga.pro.br/discussoes/gananciajudia.html

david em fevereiro 13, 2009 11:36 AM


#41

E tem outra coisa. Este texto é de 1938, pré-Holocausto. Pro Braga, isso não faz diferença nenhuma, pois não houve o Holocausto. Mas para o Gandhi fazia:

link

O tom dele mudou depois da guerra.

david em fevereiro 13, 2009 11:57 AM


#42

Qualquer esforço para clarear a cortina de fumaça que impede que a verdade sobre a nakba palestina é válido. A história cobrará seu preço do estado racista e genocida de israel. A respeito dos comentários um recado amigável para o nosso querido uirapuru. O conselho de que não devemos nos meter em questões alheias à realidade nacional é no mínimo escapista, senão de um cinismo perigoso de vossa parte. e chamar de genocídio o que acontece nas favelas brasileiras, por favor...O Brasil não é uma nação ocupada por um estado espartano...A Palestina o é.
Congratulações Idelber!

rodrigo jardim em fevereiro 13, 2009 9:47 PM


#43

Oi, David, só para avisar que tomei a liberdade de embutir o link, por causa do formato da página.

Idelber em fevereiro 14, 2009 3:31 AM


#44

Tranquilo, Idelber. Agora, Rodrigo, vale tudo mesmo?

david em fevereiro 14, 2009 4:08 PM


#45

hmmmm, em defesa do Rodrigo, David, diga-se que qualquer tipo de generalização sobre "ganância judia" não é, não será nunca, algo que ajudará a "clarear a cortina de fumaça que impede [que se saiba] a verdade sobre a nakba palestina". Comentários sobre a "ganância judia" -- e também sobre as "raízes milenares do conflito" -- são, me parece, parte da cortina de fumaça.

Está óbvio, suponho, para todos os leitores do blog, que qualquer crítica a Israel que comece a falar de "ganância judia" tem o meu repúdio. Ainda quero um dia fazer um post detalhado sobre o lobby pró-Israel, porque muita gente, de longe, confunde esse termo com o estereótipo antissemita da "conspiração judia".

Nada mais longe da realidade. Na verdade, a parte mais repugnante do lobby pró-Israel nos EUA é formada por cristãos renascidos, das correntes do neoevangelismo mais delirante. Gente que diz, por exemplo, que quem não se reunir com Jesus na sua segunda volta à Terra Santa será condenado ao inferno. Ou seja, basicamente um ensinamento antissemita.

Mas o curioso é que essa galera jamais é acusada de antissemita. Por quê? Ora, porque apoiam a política colonizadora de Israel!

Tudo isso é para dizer duas coisas: 1) se alguém algum dia vir algum comentário antissemita aqui -- "judeus são isso", "judeus são aquilo" -- me avise, o comentário (se tiver passado, o que é improvável) será apagado; 2) é importante que os amigos que têm uma relação afetiva com Israel entendam a perversa dinâmica que tem adquirido a acusação de antissemitismo.

O David tem muito claro essa dinâmica, diga-se.

Idelber em fevereiro 15, 2009 7:13 PM


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