Meu Perfil
Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.
Sergio Leo faz um magnífico post perguntando-se o que foi mesmo que o Itamaraty fez de errado no insólito caso da brasileira que alegou ter sido atacada na Suíça.
A cobertura desse inacreditável desgoverno que é o reinado de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul encontra-se, como sempre, no RS Urgente.
Uri Avnery faz o balanço implacável, estilão dele, das eleições israelenses: Senhorita Tântalo, publicado pelo Amálgama em tradução de Caia Fittipaldi. Aliás, que dito fique: o trabalho do tradutor é árduo, inglório e só costuma ser lembrado quando alguém vê problemas. Caia Fittipaldi tem prestado um enorme serviço à informação em língua portuguesa com seu labor voluntário. Obrigado, Caia.
Por falar em tradução, o Miguel do Rosário está fazendo um belo trabalho de traduzir textos de Nicolás Casullo: Comecemos a discutir a direita é dos meus favoritos.
A atitude imbecil da Associated Press, de processar o Shepard Fairey, autor da arte dos cartazes de Obama que deram duas voltas na internet, revela uma paupérrima, mesquinha, interesseira e inconsistente compreensão do que deve ser o direito autoral e do que é o universalmente respeitado princípio do fair use. Alex Primo já desobedeceu.
Para se perder durante horas vendo e ouvindo shows de todos os estilos imagináveis: Fabchannel (via Lápis Raro).
Excelente artigo do New York Times sobre a arte da atualização no Facebook. Eu tenho usado minhas atualizações (sempre em inglês, que é minha língua por lá) como uma espécie de Twitter privado para pensar em voz alta com os amigos. É um gênero com suas especificidades, sem dúvida. Perfil do blogueiro, aqui. Comunidade do Biscoito no Facebook, aqui.
Por falar em Twitter, quem tem sempre publicado material de qualidade sobre o tema é a Gabriela Zago.
Quantos tópicos! Vou comentar sobre um deles: o referendo na Venezuela.
O que trago é uma entrevista da professora da Universidade Central da Venezuela (UCV), Margarita López Maya, de 02/02/2009, na Folha de São Paulo.
Uma questão a que ela respondeu.
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FOLHA - Qual é a sua posição sobre o referendo nacional de 15 de fevereiro?
LÓPEZ - Para a Venezuela, a reeleição indefinida tem precedentes nefastos. A Venezuela é um país com cultura autoritária muito vasta, e foi uma luta depor os governos autoritários nessa luta. E um dos princípios centrais foi a alternância no poder. Isso se conseguiu na Constituição de 1947 e foi ratificado de 1999. Antes disso, estávamos acostumados a generais e ditadores de turno, que mudavam a Constituição para se reelegerem. São precedentes muito negativos. Já vivemos isso de manipular a Constituição para benefício político ou pessoal.
Neste momento, as elites chavistas tentam impor um enfraquecimento do princípio de alternância num contexto em que já não existe uma competição equitativa nos processo eleitorais.
A reeleição indefinida também é contraditória com o que buscávamos, que era uma democracia participativa. Assim como é contraditória a recentralização, porque a participação é mais democracia, e não menos. E a alternância permite um fluxo no poder de ideias, de gente, de gerações, de liderança.
Penso que a professora faz uma análise muito pertinente. Sem dúvida, a legalidade democrática está do lado da vitória do "sim"; mas isso não implica que a democracia sairá favorecida. Tenho receio da centralização excessiva de Chávez, como figura máxima de um projeto de socialismo do século XXI, seja lá o que isso signifique (e as mudanças no próprio governo de Chávez precisam ser questionadas para pensarmos isso em bases sólidas).
Essa questão da reeleição da Chavez e Lula é muito interessante. Porque uma segunda reeleição é ditatorial e casuístico e a aprovação da reeleição do FH foi um grande avanço de modernidade? Eu lembro na época, a reeleição era uma conquista da modernidade. O FH aprovou a reeleição sem ter que descompatibilizar. O fato da mudança valer para ele não era mudança de regra com o jogo rolando. Só tenho uma opinião sobre isso tudo: a mídia é podre. A única coerência da mídia é defender os interesses dos poderosos. A opinião da mídia sobre didatura, baixaria, corrupção, investigação, dossies, guerra, invasão, reeleição, CPIs, precipitação em achar culpado de uma tragédia ou qq outro tema dependerá quem está de cada lado. No Collor, o editorial do Globo defendeu a baixaria. No caso da Marta foi contra. No caso da Roseana, não quis sabe como havia sido montado o dossie. A imprensa não tem problemas com muitos dossies. No caso do dossiê contra o Serra, única coisa a ser falada era o dossiê. Explorar uma tragédia ocorre quando a mídia é contra o governo (acidente da TAM). Explorar uma tragédia é desumano (acidente da Petrobras). CPI é uso eleitoral, abusivo e só servirá ao atraso do país (Arnaldo Jabour durante o governo FH). O apoio ao golpe é firme entre 1954 e 1964.
Obs.: Acho realmente o personalismo do Chavez ruim para a ditadura. Mas, como o Jefferson disse, será que a mídia não apoiaria a re-releição se o FH estivesse com 84% de aprovação e o Lula vencesse qualquer candidato da situação? A crise não seria usada para isso? http://blogjefferson.blogspot.com/
Alias recomendo esse blog é muito bom. Não confundam o Jefferson Marinho (ele é um cara que formou comigo na UFMG) com o Roberto Jefferson.
Posso está sendo um pouco injusto com jornalistas, mas minha opinião sobre a mídia é essa.
Grande Idelber. Valeu,. Está chovendo migalha de biscoito lá no Sítio. Você ainda consegue me transformar em um blogueiro famoso, que nem sua excelência.
O governo do Rio Grande do Sul assinou "Termo de Ajustamento de Conduta" com o Ministério Público Estadual para fechar três escolas itinerantes que atendiam filhos de assentados/acampados do MST. No maior periódico gaúcho, Zero Hora, a notícia vem acompanhada da opinião de um colunista que costumeiramente trata de segurança pública. O entendimento é de que as escolas doutrinam crianças para a revolução e isso afronta o Estado Democrático de Direito.
Com o procurador de Justiça Gilberto Thums à frente, o Estado irá suspender o contrato mensal de 16 mil reais com uma ONG. O valor remunerava cerca de 20 professores e merendeiras contratadas (tal montante é inferior ao salário mensal desse procurador e da própria governadora Yeda Crusius). Os gastos do Estado para oferecer transporte a esses alunos até escolas da rede pública estadual será superior ao valor que era pago à ONG.
Segue um pouco de história...
Gilberto Thums desenvolveu os termos de um voto aprovado numa Ata do MP, divulgada no ano passado, onde o objetivo final era a dissolução do MST: o movimento é um risco à democracia. À época, com a repercussão do assunto, a cúpula do MP voltou atrás nos termos dessa ata. Todavia, não custa repetir aqui os termos defendidos para o fechamento das escolas.
"O voto é pela intervenção do Ministério Público nas três escolas referidas, a fim de tomar todas as medidas necessárias à readequação à legalidade, tanto no aspecto pedagógico, quanto na estrutura de influência externa do MST, nitidamente contrárias aos princípios contidos na Constituição Federal e que embasam o Estado Democrático de Direito. Da mesma forma, sugere-se a tomada de medidas judiciais para impedir a presença de crianças e adolescentes em acampamentos, assim como em marchas, colunas ou outros deslocamentos em massa de sem-terras, tendo em vista serem ambientes notoriamente inadequados para pessoas em processo de desenvolvimento".
Desculpe-me pelo off topic. Acredito que o PSDB viva uma crise de proporções consideráveis. Acredito que se as redações não estivessem sob um ânimo editorial tão eleitoral, assim seriam noticiadas as útimas notícias sobre o partido.
Nas últimas semanas, assistimos a cassação de um goverador (Cassio da Cunha Lima, da Paraíba) e o assasinato de um ex-assessor da Yeda Crusius.
Acho que se a meteorologia da imprensa brasileira fosse um pouco melhor, uma nuvem negra seria percebida sobre os ninhos de tucanos.
É foda alguém chamar o Chavez de Porfirio Dias. O que que o Porfirio Dias fez pelo povo do México? Chavez é personalista, autoritário, mas não é um ditador. Acho que os neocons estão se transferindo dos EUA para o Brasil.
Vou repetir o que o Washigton Post disse:as novas constituições de Venezuela, Bolívia e Equador como “processos pacíficos” que se destinam a “refundar aquelas nações para corrigir injustiças históricas”.
Obama e a América Latina
De Jânio de Freitas, na Folha
Cá entre nós
Pois é, enquanto a “internacional antichavista” faz mágicas para continuar alimentando a imprensa sul-americana, vem do mundo de Barack Obama uma novidade que não parece ocasional.
E o que o Obama disse sobre o referendo vencido pelo Chavez: “totalmente coerente com o processo democrático”
com certeza o chávez é um democrata, um cara que não é nem um pouco autoritário. que respeita a lei. que trata a oposição de maneira civilizada. um doce de pessoa...
e para vcs lulistas é muito normal a palhaçada da diplomacia brasileira no caso da brasileira automuitilada na suíça, vcs são uns stalinistas modernos. aliás, tambem acharam bacana e normal a entrega dos boxeadores cubanos ao governo de fidel com envolvimento de chávez oferecendo jatinho para levá-los. um caso escabroso de um país que devolve refugiados aos seus algozes.
Tenho realmente dificuldade para entender os que criticam a atuação dos atuais governantes, principalmente, da Bolívia, Venezuela e Equador. Parece até que eles encontraram, quando chegaram ao poder, países que primavam por apresentarem políticas públicas tipo assim como de países da Escandinávia, sabe... Suécia, Noruega e que tais: nada de analfabetos, um sistema educacional de qualidade para todos; políticas de saúde primorosas, todos sendo atendidos com qualidade e eficiência; política de habitação popular, ou seja, moradias dignas para todos e por aí vai. Não preciso dizer aqui como esses governantes encontraram esses países depois de séculos de exploração por determinados segmentos sociais, que hoje evidentemente encontram-se na oposição.
Esses governantes têm fragilidades, políticas sociais que eventualmente podem ser criticadas. Sim, já sabemos... todo e qualquer governo pode e deve ser criticado, é da essência da democracia. Mas, não criticados porque finalmente as parcelas excluídas, exploradas e marginalizadas durante séculos passam a ter suas reivindicações atendidas, o que contraria, evidentemente, determinados interesses.
Como já demonstrou o Bruno (comentário nº. 11), a posição político-ideológica do atual governo dos EUA com relação à América Latina está em franco processo de transformação, quero ver como o pessoal da direita aqui por estas bandas vai continuar fundamentando suas posições de ataque à atuação dessas novas lideranças na latino-américa.
Tomásio Pinto, acho que você também não parece muito interessado em conversar com quem pensa diferente de você. Será que você está interessado mesmo em um debate democrático civilizado?
O pior em toda essa história da cobertura do plebiscito foi o editorial da Folha de S. Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1702200901.htm) que utilizou a terminologia do Geisel pra classificar a ditadura brasileira como "ditabranda". Tudo isso no esforço de desqualificar o Chavez. Não sei quais são os índices desse ditadômetro da Barão de Limeira. Mas eles me asustam cada vez mais.
O Brasil precisa urgentemente de um jornal de grande circulação de tendência centrista. Não digo nem à esquerda, pois já é pedir demais. Umzinho só, de centro, já seria melhor.
Atualmente, da grande imprensa, não sobra um.
Eu ia por exatamente esse editorial que a Folha escreveu. Ditabranda é foda.
Vcs viram o que a Folha respondeu:
Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa.
Não entendi pque afirmas sobre a yeda, que sua administração é um inacreditável desgoverno no Rio Grande do Sul. Será que estamos realmente observando um governo com dificuldades políticas ou estamos usando um viés oposicionista de extrema esquerda, em que tudo é péssimo, tudo é horrível ? As dificuldades com o MST são compartilhadas com a maioria do povo gaúcho. Ou denunciar os abusos cometidos por esse movimento, afastam qualquer possibilidade de debate ? Alguém aqui acredita que o sindicato dos professores , o CPERS, é apoiado pela maioria dos professores ? Ás vezes acho que o que criticamos na imprensa sobre as críticas gratuitas ao governo Lula, repetimos com outras administrações que não são petistas. Repetimos integralmente o que criticamos ...
Marcelo, fiz um comentário sobre isso no no meu blog, e também acho que o noticiario poderia ser menos escândalaso em todos os aspectos. agora, mesmo assim, o escândalo do Detran é muito grave. http://guaciara.wordpress.com/2009/02/20/previsao-do-tempo/
O México é um país em que a reeleição é malvista justamente porque Porfirio usou o sistema para se manter de forma indefinida no poder. Claro que as circunstâncias são diferentes(E entre os oponentes de Chavez não se vê nem sombra de Pancho Villas, Franciscos Maderos ou Zapatas, claro), mas um sujeito que consegue ficar quase que indefinidamente no poder usando o mesmo sistema, com eleições fiscalizadas internacionalmente ou não, bem, é MUITO preocupante.
Democracia não é "mob rule", ainda mais se notarmos que muitas vezes as perseguições à minorias tendem a ser apoiadas pela maioria. Desconfio que mesmo que se os negros votassem a maioria votaria a favor das Leis Jim Crow nos anos 50.
Pessoalmente, acho que isso foi a grande mácula de FHC, e me preocupo que poucos no Brasil tenham notado isso. O que Chávez fez pelo povo da Venezuela? Ele só se destaca pelo fato dos seus antecessores serem muito ruins. Poucos citam a enorme quantidade de carros importados de luxo no país, muitos de propriedade de funcionários do governo. Diaz ao menos industrializou em parte o Mexico.
Por fim, neocon, eu? Eu fui contra a Guerra ao Iraque e sou contra inclusive qualquer intervenção ocidental em Darfur. ;-)
Eu não acho que o plebiscito do Chvez seja ilegítimo e nada, mas se eu fosse venezuelano, votaria contra. O que tem de mal no chavismo construir novas lideranças?
idelber:
há um abaixo assinado na internet,encabeçado pelo mestre antônio cândido,contra a fsp da "ditabranda"
e em solidariedade aos 2 mestres agredidos.
obrigado.
romério
Há uns anos atrás eu parei de ler os jornais em papel, como experiência. Queira saber se eram necessários.
Não são. Não houve notícia importante que não chegasse pelos blogs - se você assina blogs de tendências diversas, você consegue inclusive sentir melhor o Zeitgeist que lendo todos os jornais brasileiros. Que são hoje quase como os telejornais, uma forma menor de entretenimento. No geral, reflexo dos preconceitos de seus donos e de seus principais articulistas.
Observem bem: toda a análise política, econômica, toda a crítica literária, artística, toda a relevância cultural, tudo isto está migrando há anos para a Internet, em um movimento incontrolável e maciço. Os jornais de papel não tem salvação em um mundo onde eles não podem calar (pela subtração do espaço) milhares de vozes criativas e interessantes.
(Da Folha, leio as histórias em quadrinho. Os editoriais e a seção de cartas, por favor, quem merece isto? Que eles estão virando o barco para a direita, já há algum tempo estava claro para quem quisesse ler/ver. Que os movimentos de tropas na fronteira se transformaram agora em troca de tiros, nem um pouco inesperado).
O Rafael Galvão fez um post post um tempo atras celebrando o google reader de vários blogueiros, inclusive o seu. Agora você vem e atiça ainda mais a curiosidade. Será que você divulgaria o feed de seus itens compartilhados do reader? Eu acho essa funcionalidade genial e adoraria acompanhar.
Parabéns pelo blog, eu acompanho sempre mas quase nunca comento :)