« A questão humanitária definitiva do nosso tempo ::
Pag. Principal
:: Ato Público contra a Folha de São Paulo: dia 07/03, às 10 h »
quinta-feira, 26 de fevereiro 2009
Pergunta
Eu acabo de concluir uma experiência bem divertida, sobre a qual vou fazer um post em breve. O canal ESPN me convidou para palestrar sobre a cultura do futebol e dos esportes, em geral, na América Latina, para cerca de 100 de seus jornalistas e executivos -- imagine, Mestre Sergio, eu na frente de 100 jornalistas numa semana como esta.
O relato virá em breve, porque a experiência em Hartford foi muito boa, mas hoje eu queria pedir um favor aos leitores.
Quinta-feira é meu dia de batente duro, com aulas o dia todo, e eu ando precisando -- não para as aulas -- de uma informação, se possível com urgência: alguém aí sabe qual o valor exato que a Rede Globo de Televisão paga pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro? Quanto pagou no último? Nos anteriores? Eu provavelmente acharia a informação no Google em alguns minutos, que agorinha não tenho.
Alguém confirma, se possível com fonte?
Escrito por Idelber às 12:56 | link para este post
| Comentários (62)
Ricardo Lage em fevereiro 26, 2009 1:31 PM
#2
Valeu, Ricardo, um pouco mais do que eu imaginava. Mesmo assim, muito pouco, né?
Idelber em fevereiro 26, 2009 1:40 PM
#3
http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u382872.shtml
da Folha Online
A TV Globo vai pagar R$ 400 milhões/ano pela transmissão do Campeonato Brasileiro de futebol no triênio 2009 até 2011.
--
Parece que a proposta da Record era de 1 bi, mas a Globo tinha uma cláusula de preferência, e também não era 'maior preço' o esquema.
--
O Sergio Leo iria achar muita graça desse meu comentário, já que endossa o argumento do 'post-fantasma' dele - que, na verdade, era furado no exemplo que ele deu.
marcos em fevereiro 26, 2009 1:46 PM
fserb em fevereiro 26, 2009 1:58 PM
#5
Valeu, valeu. Na verdade, a pergunta também era um pretexto para colocar um open thread, para quem quiser falar disso:
1. Que cláusula preferencial é essa que permite que se recuse uma oferta mais de 100% superior? Não entendo.
2. Como evoluem os valores pagos pelo C. Brasileiro? São compatíveis com o aumento do mercado?
3. Será calculável a perda dos clubes com o futebol-boate, que começa às 10 da noite por causa da Globo?
4. Não seria bacana colocar essas coisas em debate com mais frequência?
etc. etc.
Idelber em fevereiro 26, 2009 2:09 PM
#6
Idelber,
Parece é que é muito o valor sendo pago. Procurei rapidamente os valores para as copas de 2010 e 2014 e olha o que encontrei:
Para as transmissões em inglês nos EUA, o valor para as copas de 2010 e 2014 foi de US$ 100 milhões. Para o direito de transmissão em espanhol para os EUA e Porto Rico, nas mesmas duas copas (dentre outros direitos menores), o valor foi de US$ 325 milhões.
Mais aqui: http://www.cup2014.info/TVrights/TVrights.html
Aqui na Índia, a ESPN Star pagou meros US$ 40 milhões para transmitir a copa de 2010 no sub-continente Indiano. Tudo bem que quase ninguém assiste futebol aqui mas mesmo assim.
http://www.televisionpoint.com/news2008/newsfullstory.php?id=1214968495
Aparentemente os valores que a Globo pagou não foram divulgados.
Abraços,
Ricardo
Ricardo em fevereiro 26, 2009 2:14 PM
#7
Só para ser chato:
10 jogos por rodada x 38 rodadas: 380 jogos.
1,4 bi por 3 anos = 466 milhões por cada campeonato, o que dá mero 1, 2 milhão por jogo (fiz as contas direito?).
Agora imagina quanto valeria um espetáculo bem administrado, profissional, em que houvesse real competição pelos direitos de transmissão?
Idelber em fevereiro 26, 2009 2:36 PM
#8
Mais ainda, seria interessante pensar e discutir como se dá a distribuição desses recursos:
e.g., premia-se o índice técnico além da exposição (calculada por tamanho de torcida... aí cabe outra discussão)?
Parece-me que a resposta é: não ou, sendo sim, que o valor é irrisório. Isso não é uma forma de continuar a premiar a incompetência e a má-gestão? quer dizer, independente de um time fazer uma boa campanha (um flamengo, corinthians ou são paulo), sabe-se que vai receber a fatia gorda da bolada.
Isso ajuda ou prejudica a democratização da organização e o fortalecimento do futebol no Brasil?
Bem, vai por aí.
George D. em fevereiro 26, 2009 2:45 PM
#9
Exato, George.
Eu sei que comparar Brasil e EUA é sempre complicado, mas com as devidas ressalvas, aí vai outro número. As três redes abertas americanas que transmitem a NFL (CBS, NBC e FOX) mais o ESPN, pagam por um campeonato de futebol americano, em que 32 times jogam 16 vezes (e não 38), o valor de 21,4 bilhões de dólares.
Idelber em fevereiro 26, 2009 2:54 PM
#10
George D, as causas que fazem um clube ganhar mais que outros na divisão da bolada nada tem a ver com desempenho esportivo em si, mas com critérios de mercado, como audiência dos jogos, potencial de anunciantes etc. Não faz sentido calcular o montante em termos de desempenho. Mesmo que um São Caetano esteja ganhando tudo num determinado período, ainda assim existirá um mercado muito mais amplo de telespectadores que preferem ver os jogos do Flamengo, do São Paulo, Cruzeiro, Grêmio etc. Pelo que movimenta de mídia, o Flamengo ganha até pouco.
Idelber, pelo que sei as ofertas da Record para a compra de direitos de transmissão de futebol têm sido sistematicamente superiores às da Globo, como tentativa de "furar o monopólio". Ainda assim, a CBF vem mantendo o arranjo, na base da "parceria histórica", digamos assim. Acho que na última Copa a Record já tinha feito oferta maior, mas a FIFA não quis arriscar e preferiu seguir com a Globo.
João Marcelo em fevereiro 26, 2009 3:12 PM
#11
Pois é, João Marcelo. "Cláusula preferencial", "parceria" que na verdade obriga os clubes a embolsarem valor menor: há pouca discussão no Brasil sobre o escândalo que é isso.
Eu sempre achei que enquanto a CBF não sair do Rio de Janeiro, isso não se resolve.
Nada contra o Rio, evidentemente. Tudo contra a máfia da Rua da Alfândega.
Idelber em fevereiro 26, 2009 3:25 PM
#12
Posso estar errado (acho que vi algo sobre isso numa Carta Capital há algum tempo), mas me parece que o adiantamento dos valores de televisão, que tem mantido grande parte dos times de pior administração, é que é responsável pela tal cláusula de preferência.
gilson em fevereiro 26, 2009 3:35 PM
#13
Caro João,
Sua explicação está correta e, creio, é consabida. O que me pergunto é se essa forma é suficiente para fortalecer o próprio futebol como negócio.
Veja, não estou defendendo que o critério técnico seja o único para repartição do bolo. Mas, por exemplo e apenas especulando: por que não deixar 50% para os critérios de participação no mercado, tamanho de torcida, etc?! Os outros 50% seriam divididos entre prêmios por índice técnico e cotas fixas por participação.
O que me preocupa é que esse modelo é cada vez mais concentrador e, mesmo assim, com pouquíssimas exceções, os clubes vivem na penúria, adiantando verbas dos direitos televisivos, fechando folhas de pagamento com empréstimos das federações (salvo engano, recentemente o Flamengo recebeu repasse da CBF!).
Isso porque é o Flamengo, com um capital de imagem impressionante, com uma torcida imensa e apaixonada.
Hmmm, o seu comentário me fez pensar numa questão: sendo competente e montando um time que chegasse nas cabeças com frequência, por que o São Caetano não poderia ser premiado financeiramente e, assim, montar melhores times, chegar mais vezes, ganhar títulos, ter mais exposição e, assim, com o tempo, ter mais torcedores e simpatizantes?!
Bem, citamos o S. Caetano, mas poderíamos pensar em outros clubes de porte médio e de expressão apenas regional.
George D. em fevereiro 26, 2009 4:17 PM
#14
O problema é mais embaixo. Acontece que grande parte dos clubes possuem adiantamento das cotas de televisão. Não sei se isso influencia ou não o fechamento do contrato.
Outra coisa é saber se a proposta da Record foi concreta ou não.
Mais uma coisinha, como bem falou o Idelber é difícil comparar os EUA com o Brasil. Por exemplo NFL os times jogam bem menos vezes. O que faz a importância dos jogos aumentarem. Outra coisa é o público que assiste a esses jogos.
Trocando em miúdos um anunciante paga muito mais caro por anúnicio que um anunciante no Brasil.
Como são menos times também, há mais clássicos e aumenta a importância (e audiência). Uma coisa é pagar para transmitir Flamengo X Corinthians. Outra é Figueirense X Portuguesa.
Outra coisa é a proibição de transmissão dos jogos para a praça onde eles ocorrem. Não sei se por exemplo um jogo do Tenesse Titans quando joga no LP Field não passa nas TV's. Acho que não. Isso deve ser levado em consideração.
Esse artigo é interessante (http://www.medialifemagazine.com/news2002/sep02/sep09/5_fri/news3friday.html).
É um pouco antigo. Mas eu não sabia que a NFL é mais vista por negros americanos que a NBA...
Pablo Vilarnovo em fevereiro 26, 2009 4:20 PM
#15
Pablo, confirmando:
Todos os jogos da NFL são abertos para transmissão televisiva para o mercado local. Eu assisto aos jogos do New Orleans Saints aqui em casa. E tenho a opção simultânea de outro jogo em outro canal da TV aberta.
Idelber em fevereiro 26, 2009 4:46 PM
Pablo Vilarnovo em fevereiro 26, 2009 5:13 PM
#17
Peralá. A Record fez ou não fez uma contra-proposta concreta? A informação que eu tinha era de que havia feito.
Idelber em fevereiro 26, 2009 5:40 PM
#18
Idelber,
Esse aumento do valor pago para o Brasileirão vem em boa hora. O Brasil tem um fator que lhe dá uma incrível competitividade, que é a sua incomparável capacidade de revelar atletas, no entanto, isso é jogado no esgoto pela incapacidade administrativa do nosso futebol tanto no que toca o plano externo (CBF, Clube dos Treze) ou no interno (as administrações dos clubes propriamente ditas). Ainda assim, há o brutal fator da concorrência européia, que não é brincadeira não. Nesse sentido, isso pode nos ajudar um pouquinho.
Sobre a guerra Globo X Record, o fato é uma boa e pesada briga de bastidores; isso causou recentemente a passagem dos jogos do nacional da Record para a Bandeirantes - antes a Record transmitia os jogos numa espécie de convênio com a Globo. No que toca a bilionária proposta da Record, não dá para saber se foi só um blefe para inflacionar o preço do valor de televisionamento e jogar o ônus sobre a rival ou se simplesmente a Globo, usando da grande e acintosa influência que tem nos clubes e federações, deu um passa moleque nela - pessoalmente, acredito mais na segunda hipótese, mas tudo é possível.
Sobre a questão da distribuição do dinheiro, como lembrou bem o George D, creio que o atual sistema é falho pra caramba. Primeiro que ele se assenta em pesquisas de opinião (um tanto questionáveis, diga-se) sobre quem tem a maior torcida para distribuir a bufunfa, mas esquece uma coisa elementar, que é a audiência.
Não sei quanto ao ano passado, mas o Santos até bem pouco tempo tinha a maior audiência entre os clubes de São Paulo e, ao mesmo tempo recebia - e recebe - um valor menor que os rivais por conta de sua presumida (e provável menor torcida) - o x da questão é que as demais torcidas de São Paulo não nutrem uma grande rivalidade pelo time peixeiro, o que faz com que corintianos, palmeirenses e são-paulinos assistam jogos dele.
Ademais é injusto pagar muito menos para certas equipes, por menor que elas sejam. Isso forja previamente quem é grande e quem é pequeno. O clube é grande? Que receba cotas em faixas parecidas e faça dinheiro com público, patrocínio e produtos licenciados. A questão de focar parte da distribuição pelo mero técnico, aliás, é bem pertinente - times que foram bem no ano anterior, ganharem estímulos para o ano seguinte.
Tomemos por exemplo um time como o Náutico de Pernambuco que jogou a Série A de 2007 com gigantescos R$ 3,3 milhões e em 2008 teve cerca de R$ 5,5 milhões. Bem, é como se você colocasse, "pessoal, vocês vão entrar pra brigar pra não cair e nada mais". O fato é que o Náutico sofreu pacas, mas não caiu - ao contrário de Corinthians e depois Vasco (pertencentes ao top 5, recebedores de 25 milhões), mas ainda assim o sofrimento foi (obviamente) intenso nos dois anos.
Hugo Albuquerque em fevereiro 26, 2009 5:48 PM
#19
Parece que não:
http://www.futebolinterior.com.br/news.php?id_news=37986
Chega! Record cansou do Clube dos 13 e não quer mais Série A
São Paulo, SP, 14 (AFI) – A Rede Record de Televisão divulgou uma nota por meio de sua assessoria afirmando que não deseja mais ter os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro da Série A nos anos de 2009, 2010 e 2011.
“A Record considera que esse sistema de comercialização, divorcia-se do entendimento em relação à forma de divisão dos direitos de propriedade e sobretudo do direito de preferência que inviabiliza quaisquer emissoras em concorrer em condições de igualdade com a atual detentora, diminuindo assim a importância do papel da divulgação do esporte na sociedade”, dizia parte da nota.
Record, Clube dos 13 e Rede Globo travaram uma disputa ano passado pela transmissão do campeonato a partir de 2009. A Record chegou a oferecer mais dinheiro que a Globo, mas a segunda já tinha contrato com o Clube dos 13 e o contrato não foi rompido.
Outro motivo foi que alguns clubes estavam amarrados com a Rede Globo – pediram adiantamento nas cotas – e assim o contrato não poderia ser desfeito.
Averiguar é preciso!
A Secretaria de Direito Econômica, que é contra a exclusividade dos direitos de transmissão, deu início a parte final da investigação do governo que apura indícios de supostas práticas lesivas à concorrência por parte da Globo na compra do Brasileirão. Globo e Clube dos 13 tem dez dias para se defenderem.
=======
Como falei o problema dos adiantamentos de valores aos clubes dá nisso.
Pablo Vilarnovo em fevereiro 26, 2009 5:48 PM
#20
Parece que não:
http://www.futebolinterior.com.br/news.php?id_news=37986
Chega! Record cansou do Clube dos 13 e não quer mais Série A
São Paulo, SP, 14 (AFI) – A Rede Record de Televisão divulgou uma nota por meio de sua assessoria afirmando que não deseja mais ter os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro da Série A nos anos de 2009, 2010 e 2011.
“A Record considera que esse sistema de comercialização, divorcia-se do entendimento em relação à forma de divisão dos direitos de propriedade e sobretudo do direito de preferência que inviabiliza quaisquer emissoras em concorrer em condições de igualdade com a atual detentora, diminuindo assim a importância do papel da divulgação do esporte na sociedade”, dizia parte da nota.
Record, Clube dos 13 e Rede Globo travaram uma disputa ano passado pela transmissão do campeonato a partir de 2009. A Record chegou a oferecer mais dinheiro que a Globo, mas a segunda já tinha contrato com o Clube dos 13 e o contrato não foi rompido.
Outro motivo foi que alguns clubes estavam amarrados com a Rede Globo – pediram adiantamento nas cotas – e assim o contrato não poderia ser desfeito.
Averiguar é preciso!
A Secretaria de Direito Econômica, que é contra a exclusividade dos direitos de transmissão, deu início a parte final da investigação do governo que apura indícios de supostas práticas lesivas à concorrência por parte da Globo na compra do Brasileirão. Globo e Clube dos 13 tem dez dias para se defenderem.
=======
Como falei o problema dos adiantamentos de valores aos clubes dá nisso.
Pablo Vilarnovo em fevereiro 26, 2009 5:48 PM
#21
Alguém sabe quanto a Rede Globo cobra dos patrocinadores desses jogos?
A pergunta fez sentido para mim a partir do post #7
Hércio
Hércio em fevereiro 26, 2009 7:45 PM
#22
Esse é o número chave, Hércio. Suspeito que ele seja bem mais difícil de conseguir.
Idelber em fevereiro 26, 2009 8:02 PM
#23
Xííí. Acho difícil encontrar esse número. Até acho que deve variar muito de jogo para jogo, praça para praça...
Pablo Vilarnovo em fevereiro 26, 2009 9:01 PM
Hércio em fevereiro 26, 2009 9:31 PM
Hércio em fevereiro 26, 2009 9:34 PM
#26
Um comentário jurídico: a cláusula preferencial dá direito à Globo de, se cobrir a oferta de outra emissora, ser ela a escolhida. Também lhe dá o direito de tomar conhecimento de toda e qualquer oferta feita por outrem enquanto pendente o contrato. Além da amarra jurídica, a Globo funciona como um grande banco dos clubes: adiantando-lhes as cotas de transmissão, tem-nos todos endividados. Se decidissem encerrar o contrato, a Globo cobraria esses adiantamentos na hora. Muitos clubes, como o Botafogo, já estão em estado de insolvência (seu patrimônio é insuficiente para cobrir as dívidas), e não consegeuriam agüentar mais esse encargo...
Thiago em fevereiro 26, 2009 9:43 PM
#27
Entendi, entendi, Thiago. Obrigado. A cláusula preferencial repousa no fato de que já há uma dívida anterior.
Vejam também este link que o Daniel Lopes enviou. É um parecer da Secretaria de Direito Econômico do MJ.
Idelber em fevereiro 26, 2009 9:53 PM
#28
Caro Idelber,
Você não tem moral para criticar a Globo e os clubes de futebol brasileiros porque ainda não repudiou a ditadura cubana!!
KKKKKKKKKKK... Só pra descontrair. Você tem muita paciência, véio.
Um abraço e obrigado pelo comentário sobre meu comentário.
Fábio
Fábio Cunha em fevereiro 26, 2009 9:58 PM
Idelber em fevereiro 26, 2009 10:03 PM
#30
Porra, Idelber, cadê os comentários sobre o discurso do Jindal, que todo mundo meteu o pau? ;-) Nem o Rush Limbaugh gostou muito.
Andre Kenji em fevereiro 26, 2009 10:36 PM
#31
Eu desconfio que o problema do Brasileirão é que quem não torce para um time específico nem chega perto da TV para assistir.
Andre Kenji em fevereiro 26, 2009 10:41 PM
#32
Idelber: "A cláusula preferencial repousa no fato de que já há uma dívida anterior.". Não. A cláusula preferencial é normal em contratos, algo ordinário. Agora, a dívida referente aos adiantamentos são outros quinhentos: tem como contrapartida pressão econômica. Faz com que os clubes fechem a cara quando a Record propõe algo (sei lá como deve ser isso, devem impor dificuldades, fazer exigências impossíveis, do tipo, garantir liderança de audiência, etc). Abraço
Alexandre Nodari em fevereiro 27, 2009 1:33 AM
#33
O valor pago pela Globo é irrisório se compararmos com o que é pago, por exemplo, pelo Inglês.
O que a Record oferece é um preço que se aproxima do justo por um dos campeonatos mais disputados do mundo - não cabe discutir se é disputado pelo nivelamento por baixo - mas todo mundo sabe que na Record não se confia.
Não dá pra simplesmente esperar que a Record realmente pague tudo que promete pois suas receitas em grande parte dependem da Igreja Universal e de seu bom humor.
Mas, a questão financeira é o que menos pesa, ao meu ver e pelo que vi na Globo enquanto trabalhei lá, no setor internacional. Os problema scomeçam com a credibilidade. A Record não tem. Globo é Globo, Record é a rede das baixarias e da Universal que chora pra ser primeira e manipula dados para chegar lá.
A record não tem um jornalismo esportivo forte, somemos ao valor pago pelo futebol o que a Record teria que gastar na contratação de pessoal, material e etc.
Fora isso a Record não tem um time de comentaristas, locutores e afins. A record tem apenas ela e a fraquíssima e quase inacessível Record News. A Globo tem um império midiático contando com os SporTV e Premiere, além dos principais veículos, a NET e a Sky.
Pagar pelo futebol é fácil, a Recors até conseguiria - apesar da desconfiança e do que coloquei no começo - mas esta é só a ponta do iceberg, para usar um clichê certeiro.
A Record teria que fazer um MEGA investimento a curtíssimo prazo - contratação de pessoal que está majoritariamente na globo, compra de material, estrutura de transmissão e etc - e outro a longo prazo - manutenção de tudo isso e concorrência com o padrão inegável de qualidade da globo nas transmissões, pelo menos na maior parte das vezes.
Fora isso existe a questão, imagino, inalcansável dos vários canais do grupo Globo.
Enfim, paga-se pouco pelo futebol brasileiro mas não existe concorrência real. A Record não tem condições ou credibilidade para ameaçar de verdade.
Saudades da Band!
Raphael Garcia em fevereiro 27, 2009 3:27 AM
#34
Quanto aos adiantamentos citados, creio que a record, se realmente fez a proposta mais polpuda, poderia bancar a dívida dos clubes frente à globo
Quanto a dificuldade da record em alcançar a estrutura da globo, ela poderia ceder parte dos direitos para a própria globo ( pay-per-view, sportv, etc) ou para as espns, não é mesmo
afinal, a Record já abocanhou olimpíadas, e parece que com um esquema parecido com o que citei acima
rabbit em fevereiro 27, 2009 7:36 AM
#35
A ESPN sabe das coisas, hein? Convidou o cara certo.
Quanto aos 100 jornalistas, faça uma piada. Fale das 100 virgens...
Abraço.
Milton Ribeiro em fevereiro 27, 2009 7:43 AM
#36
O que me irrita é que eles compram os campeonatos e não transmitem os jogos em tv aberta... Sou corinthiano, mas moro em Brasília, onde a maioria dos torcedores são de times do Rio, e já tive que ver Vasco x Friburguense em vez de Corinthians x São Paulo...
Talvez um dado bom para comparação seja os pagos pela TV na Argentina, ou na Inglaterra. Talvez quanto a ESPN Brasil paga para transmitir jogos da Liga dos Campeões... Acho a NFL fora de qualquer padrão... Abraço!
Gui Losilla em fevereiro 27, 2009 8:01 AM
#37
Não fosse por minha mulher, palmeirense fanática, meu contato com o futebol seria menor ainda do que já é. Aqui de longe, no entanto, a paisagem que vejo é mais ou menos a seguinte. A Globo tem facilidades e privilégios na hora da transmissão e, em troca, renuncia a qualquer jornalismo esportivo digno do nome. Nada que seja uma crítica distante à CBF ou à Fifa entra na conversa. Nem mesmo a escalação da seleção brasileira é posta em questão, caso não haja uma crise já instalada, reconhecida enquanto tal, e com uma solução já acordada pelos manda-chuvas do futebol.
Galvão Bueno é o representante máximo do formato jornalístico que nasce desse acordo. Juca Kfouri, por sua vez, exemplifica bem o tipo de jornalismo que está definitivamente banido da Rede Globo.
O governo Lula parece ter feito um acordo claro com essa gente toda. Mexe em tudo, menos no vespeiro.
João Vergílio em fevereiro 27, 2009 8:50 AM
#38
Usando os dados estão no link que o Hércio colocou:
O campeonato inglês foi negociado, para as temporadas de 2010/11 a 2012/13 por 2,04 bilhões de euros. Ou seja, ao câmbio de hoje, uns R$ 2 bi por temporada.
No Brasil, a proposta da Record seria de R$ 1 bi por cada temporada.
Muito ou pouco?
Luiz em fevereiro 27, 2009 9:38 AM
#39
Sem querer proteger a Globo que me parece utiliza de usa força para conseguir bons contratos e fecha os olhos para situação internas dos clubes e a CBF, mas o contrato e seus valores deve ser pensado também pelo minuto e cotas publicitárias vendidos para aquele horário, comparar EUA com Brasil é no mínimo impossível um time de Basket ou futebol americano é uma máquina em termos de organização comparado com nossos de futebol (se mal gerido o próprietário perde uma fortuna como o Nets ou Pacers na Nba) e um minuto de comercial os valores lá é bem maior.
Para saber se está barato comparativamente deve-se tentar fazer a conta valor do jogo/ganhos publicitários =
O problema do contrato da globo pelo que sei é as famosas cláusulas draconianas que a Globo impõe, as razões dos clubes e federações aceitarem isso deve-se alguma contrapartida que está implícita.
Marcelo L. em fevereiro 27, 2009 10:05 AM
#40
Essa dos adiantamenos é central para entender a má vontade dos clubes com a Record. Aqui no Rio é comum Flamengo, Botafogo e Vasco anteciparem receitas com base no valor de desembolso previsto pela Globo para o ano todo. Se bem me lembro, o Flamengo já pegou toda a receita televisiva de 2009, e ainda foi ao Conselho do clube pedir autorização para um empréstimo bancário de 10 milhões (não sei como pretendem conseguir, num cenário de aperto de crédito).
Mas há uma dimensão subjetiva que o camarada que trabalhou na Globo colocou bem aí. Como tem há um bom tempo grana e monopólio esportivo, a Globo produziu uma mega estrutura jornalística para dar conta do produto que compra. A qualidade pode até ser discutível na ponta (eu acho bem discutível), afinal ninguém leva a sério um Sérgio Noronha comentando futebol, mas torna difícil a competição de outras emissoras. Mesmo assim, vale lembrar que a Bandeirantes chegou a ter uma estrutura tão grande quanto, na época do Show de Esportes. Por que outras não conseguiriam algo semelhante?
Sobre a CBF, o menor dos problemas dela é estar no Rio. Isso é um mantra repetido ao redor do Brasil, e ignora completamente que o centro do futebol hoje (dinheiro e influência) está em Sampa, e não aqui no balneário. O grande problema da CBF é seu estatuto: ela não é uma agência pública ou estatal, mas é "dona" da seleção nacional. É uma entidade privada, mas gerencia uma espécie de patrimônio coletivo nacional, e vem o maltratando de forma sistemática, com contratos bizarros que mercantilizam a equipe e nem sempre estão em sintonia com critérios técnicos. Vide alguns amistosos da seleção...
João Marcelo em fevereiro 27, 2009 10:37 AM
#41
Galera, por favor. Leiam os posts anteriores. A Record NÃO enviou proposta nenhuma. E muito menos de 1 bilhão de reais.
Pablo Vilarnovo em fevereiro 27, 2009 11:00 AM
#42
É muito bom aprender um pouco mais sobre os contratos duvidosos. Acho bom lembrar, também, que a Globo poderia pagar dez vezes mais, e isso não necessariamente melhoraria o futebol em campo, nem a situação dos clubes mal-administrados. O problema maior é a própria estrutura dos clubes. O contrato além de preferencial que a Globo tem só é imaginável por causa dessa estrutura, e acaba mantendo essa estrutura também, por causa das dívidas dos clubes.
Dá uma vantagem enorme de curto prazo para a Globo, é claro. Mas no fim, é ruim para tudo mundo--o futebol no campo vai piorando, e audiência nos estádios diminui até níveis irrisórios na maioria dos jogos, e a audiência televisiva inevitávelmente diminui também, ou pelo menos não cresce onde até deveria estar, dado a importância cultural do futebol no Brasil.
O esporte profissional nos EUA é uma fábrica de escândalos e negócios escusos--e incluo nisso o basquete e futebol americano universitários, que de amadores só tem o nome--e não apresenta um modelo para seguir. Na verdade, todos as grande ligas americanas seguem modelos diferentes em termos de contratos, patrocínio, e divisão de lucro. O futebol americano divide lucro relativamente amplamente, e como resulto, tem um fluxo enorme em termos de competitividade entre os times. No béisbol, tem muita pouca divisão de lucro, e portanto são os mesmo times nos playoffs um ano após de outro. Mas, independentemente tanto dos escândalos como das diferências na divisão de lucros, as ligas de futebol americano, basquete e beisbol souberam aumentar o tamanho do mercado.
A liga de hóquei no gelo, não--era uma vez considerada entre "as quatro grandes," mas era tão mal administrada que quase no início desta década. Agora, com perspectivas mais razoáveis, está atraindo público de novo, em escala muito menor do que futebol americano, basquete e béisbol.
O sucesso da NBA ao longo dos últimos vinte anos apresenta um contraste enorme--o público e o lucro aumentaram espantosamente.
Um fator com o futebol é que ele já tem as suas ligas geradoras de lucros espantosos, e ficam na Europa. A FIFA quer o Brasil como gerador de talento para essas ligas, não como detentor de uma liga nacional competitiva. Por isso a FIFA colabore com a corrupção e incompetência dos clubes brasileiros, e reluta contra propostas de mudanças. (Até eu sei que nem todos os clubes são iguais, e que alguns estão relativamente bem administrados. Como conheço os clubes do Rio melhor do que os outros, minha percepção é naturalmente mais cínico.) Mas o que estamos vendo é que tem uma relação íntima e escusa entre a decadência de um clube como Botafogo, a corrupção na CBF, o monopólio da Globo, é a dominação da FIFA.
Bryan em fevereiro 27, 2009 11:12 AM
#43
Pessoal, acho que todo mundo já disse tudo.
Só alguns complementos:
1 - O grande problema NÃO é a CBF e sim o clube dos 13 (que o Goiás, graças a deus, faz parte, senão estaria falido).
Alguns membros do Clube do 13 queriam fazer uma negociação mais justa, mas perceberam que a Globblels tinha os votos suficientes pra vencer.
2 - A Record não apresentou a proposta, pq os termos da negociação (injusta) permitiriam a Globo vencer de qualquer jeito.
Nos anos anteriores ela apresentou e perdeu. O que afeta a sua imagem e PRINCIPALMENTE, infla os valores para a negociação seguinte.
3 - Os grandes clubes NÃO tem certeza que vão conseguir arrecadar TANTO com a Record QTO com a Globblels. Lembrem-se dos patrocinadores na camisa. Do Esporte Espetacular. Do Fantastico. Do futebol no meio do Faustao (ok, nao literalmente. O Faustao é gente boa. A Sorte dele foi arrumar essa mamata. Afinal todo mundo tem hipoteca pra pagar, né?).
É uma duvida justa, não basta vc me garantir que me entrega um produto (audiencia) vc tem que me convencer disso. A Record não conseguiu tirar o (otimo) Cleber Machado, nem com dinheiro e Olimpiadas. Deu pra sacar?
4 - A grande questão é a tv paga e a internet. Esqueçam a tv aberta, isso é passado. A Globbels vai tomar um revez pq os Clubes (Sao Paulo e Inter não são amadores como os outros) estao se preparando pra negociar a internet separado. Ai a conta vai ficar cara. Se o modelo for "limpo" as Teles vao entrar no negocio. Ai nem se compara Globbles com Telefonica, Tim, etc.
5 - De certa forma a Timemania era o começo da solução desse problema. Uma pessima solução na minha visao, mas uma tentativa. Pois aliviaria o caixa dos times com dividas com o Governo, num primeiro momento. Depois daria uma folga no caixa deles pra chegar na epoca da negociação sem usar a antecipação de receita (que acima de tudo foi a grande jogada da Globbels). Hj nenhum time grande vive sem isso.
6 - Comparar o esporte no Brasil e nos EUA (e o Futebol na Europa) é comparar o cinema nacional (ou Bollywood) com Hollywood. Acorda povo. O capitalismo tupiniquin só funciona com a mao caridosa do Estado (dai pq nao sobra pra Saude e Educaçao). Lá fora, o financiamento é 100% privado.
Abraços,
the talk of the town em fevereiro 27, 2009 11:32 AM
Jasão em fevereiro 27, 2009 11:42 AM
#45
Aproveitando o gancho do tema do tópico, encontrei dois sites que me pareceram interessantes. Ainda estou fuçando (mesmo com pouco tempo), mas queria partilhar os links:
http://www.futebolfinance.com/
http://www.footballeconomy.com/index.htm
Não os estou endossando, apenas trago a referência, pois parece-me que apresentam muitos dados econômicos, compilações, tabelas etc. Pode ser uma fonte de informação útil.
George D. em fevereiro 27, 2009 12:18 PM
#46
Desculpem-me se insisto no tema da repartição do dinheiro amealhado nos contratos televisivos, mas me parece que aí está um dos pontos chave para fortalecer a democratização do futebol como negócio e gestão, revertendo a tendência de centralização que está deixando à míngua ou mesmo matando a diversidade de times brasileiros, muitos de expressão regional e com grandes torcidas.
Insisto no tema, mas, óbvio, há outras questões de grandeza similar, como já lembraram o Hugo Albuquerque, o João Marcelo, o Pablo e outros
Numa das matérias do Futebol Finance há um dado interessante:
"Como são repartidas as receitas na Premier League:
* 56% (£456,4 milhões) são divididos em partes iguais por todos os clubes, o que garante à partida £22,8 milhões a cada clube. (capacidade orçamental e verba para investimento)
* 22% (£179,3 milhões) são distribuídos mediante a performance das equipas na competição. (salvaguardado o mérito desportivo de cada colectividade)
* 22% (£179,3 milhões) são distribuídos consoante a audiência televisiva e do nº de jogos transmitidos na TV. (salvaguardada a grandeza dos clubes e o nº de adeptos de cada)
Estas percentagens são negociadas entre as Federações/Ligas de Futebol e os clubes, podendo diferir de liga para liga, no exemplo Francês a formula é de 50%, 30% e 20% respectivamente."
[http://www.futebolfinance.com/direitos-tv-a-receita-do-futebol]
Estou procurando os dados sobre o Brasil...
George D. em fevereiro 27, 2009 12:28 PM
#47
aproveitando o off topic já proposto: tem que ver se o Milton Hatoum realmente disse aquilo ou se foi a forma como o jornalista da folha resolveu colocar no papel...em se tratando da FSP estamos esperando de tudo, né não? kkkkkkkkkk
agora se ele acha mesmo que blogueiros são debutantes, adorei a resposta da doidivana Ivana Arruda Leite.
aiaiai em fevereiro 27, 2009 12:48 PM
#48
Pois é, George D, se a verba fosse repartida desse jeito, acho que a Série A seria muito mais interessante - ao meu pensar, o desequilíbrio que existe hoje torna o campeonato pedante e em certo aspecto previsível.
Ou eu muito me engano ou segundo a repartição atual há um G-5 formado por Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco - que receberam 21 milhões cada pelo BR-2008 - e o Santos num patamar intermediário - ganhando 18 milhões. Botafogo, Fluminense, os grandes de BH e de Porto Alegre ganharam 15 milhões. O Bahia ganharia 11,5 milhões se estivesse na Série A, mas teve a cota diminuída por não estar há alguns anos em divisões inferiores. Os demais integrantes do Clube dos Treze que jogaram a Série A ganharam 11 milhões. O resto que se vire - O Náutico ganhou ano passado a metade do piso do Clube dos Treze por não fazer parte dessa associação.
Isso gera um desequilíbrio muito grande. Levando em conta os dez últimos campeonatos, 8 deles foram vencidos pelos times do G-5 mais Santos. O Cruzeiro levou um e o Atlético-PR levou outro - um verdadeiro milagre.
Mais títulos geram mais torcedores, patrocínios de camisa mais caros e assim por diante. Claro, a questão da administração conta muito, mas com um desnível desses o campeonato já começa mais ou menos decidido - como tem sido nos últimos anos.
Esse modelo inglês é bom porque premia por audiência e por colocações - o que permite um time pequeno bem administrado crescer sustentavelmente.
Hugo Albuquerque em fevereiro 27, 2009 4:12 PM
Fernando Freitas em fevereiro 27, 2009 4:31 PM
#50
Idelber, o Paulo Henrique Amorim publicou tuas 25 perguntas ao Gilmendes e ainda não deu os créditos. Saiba mais no Blogoleone.http://blogoleone.blogspot.com/
Jean Scharlau em fevereiro 27, 2009 4:56 PM
#51
Em resposta ao argumento do que o financiamento do esporte profissional nos EUA é %100 privado, digo, nem tanto. Na realidade, todos os grandes times americanos desfrutam de enormes subsídios públicos, diretos e indiretos. Entre os diretos, temos a construção de estádios de 800 milhões de dólares, financiado só com dinheiro público, para uma punhalada de jogos anuais. Entre os indiretos, temos os abatimentos de impostos para os donos dos times, que usam e abusam do seu poder e influência para forçar municípios e estados a dar descontos enormes, benefícios não tangíveis, e pagamentos escusos.
Para ter uma idéia dessa influência, imagine se o Flamengo ameaçasse sair do Rio e se mudar para Londrina, e pensa quanto o prefeito e governador do Rio pagariam para manter Flamengo no lugar. (Seria um erro, claro, mas mesmo assim.) É o que acontece cada vez que o dono de um grande time americano ameaça procurar novo lar. E isso acontece anualmente, sem falta.
Para atrair novos times, prefeitos e governadores pagam até mais. Washington DC, que tem uma população de apenas 600,000 pessoas e que tem problemas graves de pobreza e uma base de impostos pífia, recentemente desembocou $800 mi para construir um estádio de béisbol, para o pior time das grande ligas. A dívida é pública. Os lucros do estádio, se os houver, ficam com os donos do time.
Isso não quer dizer que os donos estão garantidos a lucrar--times mal-administrados perdem muito dinheiro. Mas quer dizer que quem perde primeiro e mais são os cidadãos. E no caso do lucro, quem lucra são os donos, empresas de publicidade, teles, e os jogadores, e não os cidadãos. Para entender o esquema, recomendo muito os livros do economista de esporte Andrew Zimbalist, especialmente May the Best Team Win: Baseball Economics and Public Policy. Zimbalist prova devastadoramente que o dinheiro público perdido dando subsídios para times profissionais é uma quantidade estarrecedora.
Nem falamos do esporte universitário, que usa dinheiro público, explora jogadores, corrompe instituições acadêmicas, e gera riqueza para as teles.
Sou fã, não me leva a mal, mas é bom saber quem paga o pato.
Bryan em fevereiro 27, 2009 5:05 PM
#52
Cara,
imagino o dia que o futebol seja bem melhor administrado para que tenhamos os nossos melhores jogadores ficando no brasil, e não indo só fazer e jogar seus melhores anos na Europa.
Falo isso ainda mais por ser um cruzeirense que no começo de enteder de futebol viu o ronaldinho ir para o exterior.
Wander em fevereiro 27, 2009 5:49 PM
#53
Cara,
imagino o dia que o futebol seja bem melhor administrado para que tenhamos os nossos melhores jogadores ficando no brasil, e não indo só fazer e jogar seus melhores anos na Europa.
Falo isso ainda mais por ser um cruzeirense que no começo de enteder de futebol viu o ronaldinho ir para o exterior.
wander em fevereiro 27, 2009 5:50 PM
#54
Extraído de: http://planetaboleiros.wordpress.com/2008/09/24/globo-adquire-os-direitos-de-transmissao-do-brasileirao-de-2009-2011-por-valor-recorde/
O clube dos 13, através de seu presidente Fábio Koff, anunciou nesta quarta-feira que a Globo será a detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro em TV aberta, fechada, pay-per-view e das placas de publicidade. O contrato assinado equivale à R$ 1,4 bilhões e vale para os anos de 2009, 2010 e 2011. Este contrato significou um aumento de 60% em relação ao último assinado entre as partes.
O valor do contrato ainda pode aumentar de acordo com as vendas de pacotes pay-per-view e com o fim das negociações envolvendo os direitos de telefonia celular, Internet internacional e transmissão de TV para o exterior.
Outra novidade no contrato é a distribuição de cotas do pay-per-view de acordo com a preferência do consumidor.
Até que enfim, os clubes deixaram de ser mandados pela Globo e agora negociam os direitos de programação com a empresa que paga mais e não com a que tem mais influência ou nome. Os clubes deram um grande passo neste aspecto, que apesar de continuar a hegemonia da Globo nas transmissões do futebol brasileiro, neste novo contrato a empresa Global teve de colocar a mão no bolso para adquiri-los.
Arquivado em: Noticias
Fernando Gurgel em fevereiro 27, 2009 6:10 PM
#55
Belíssimos, ambos os comentários do Bryan, que desmistificam um pouco a idéia cor-de-rosa que se tem do esporte americano no Brasil -- em parte porque a situação no Brasil é ainda pior. O esporte universitário é todo um tema que deveríamos tratar aqui em algum momento. A situação é exatamente essa que o Bryan brevemente descreveu no seu penúltimo parágrafo. Obrigado, Bryan.
Jean, muito obrigado por aparecer lá no PHA e atribuir corretamente a autoria das perguntas. Ele publicou seu comentário mas ainda, infelizmente, mantém o post dizendo "perguntas segundo Ricardo Noblat"
(hahaha, imaginem se Noblat algum dia faria alguma daquelas perguntas a Mendes).
São bem comuns esses problemas de atribuição de autoria. É bem chato, mas já não esquento muito a cabeça com eles, não.
Idelber em fevereiro 27, 2009 7:00 PM
#56
Na verdade, acho dificil comparar o esporte americano com o futebol brasileiro porque este um monopólio em termos nacionais que NENHUM esporte americano tem. Há diferenças regionais que beneficiam certos times(NFL e Nascar no Sul), mas há uns quatro ou cinco esportes com bastante popularidade(Sem contar as ligas universitárias) que disputam espaço pela audiência e popularidade. Esportes como boxe, tênis e lutas diversas também costumam ser menos renegadas.
Mesmo se uma emissora tiver monopólio sobre a NFL ela pode ser desafiada por concorrentes por causa da NBA ou do beisebol. No Brasil, uma emissora que detém monopólio sobre os jogos de futebol detém monopólio sobre qualquer esporte de massa de fato rentável.
Andre Kenji em fevereiro 27, 2009 9:56 PM
#57
Querido: eu, que nada entendo de futebol (aleás, vc sabe, abomino e sempre acho que deveriam dar uma bola pra cada moço daqueles e mandar todo mundo pra casa), que fugi da escola e que por isso não posso falar sobre nada acadêmico, que não tenho a menor idéia de quanto a Globo pagou (mas sempre vou achar que foi mais do que valia), e que nem posso começar com política, porque toda vez que eu abro a boca dona Maliu, minha mãe - comunista dos quatro costados, torturada com direito a choque elétrico, espancamentos vários, perda de bebê, sumiços e tale e cousa (mas ainda bem que a ditadura foi bacana e camarada)- bate na minha testa e pergunta quem foi que me criou pra depois gemer que eu cubro este lar com o manto da vergonha (te contei que depois de viúva voltei pra casa dela?)e que não sirvo pra tocar nem na fímbria da sua túnica, vim só pra dizer que li o Alegorias da Derrota. Estou encantada, siderada, menos burra um tiquim (Antão e Peixoto, meus dois neuroninhos que não valem por um bifinho, também ficaram mais ligeiros). Que livro, que livro, que livro.
beijos e amor
pra vc e pra Ana
Fal
Fal em fevereiro 28, 2009 12:41 AM
#58
Só como nota. Se o Pay-per-View do Campeonato Brasileiro tiver 500 mil assinantes que pagam cerca de 500 reais por ano pelo pacote Camp. Regional+Camp. Brasileiro isso já signififica para a Globo cerca de metade do que ela desenbolsa pelo Campeonato Brasileiro.
Arthur em fevereiro 28, 2009 11:25 AM
#59
Nossa, Fal, você leu aquele livro! Puxa, é motivo de muita alegria para mim :-)))).
Se não caiu dormindo de tédio com aquilo, mô fia, você está pronta para qualquer coisa ;)
Idelber em fevereiro 28, 2009 1:28 PM
Fábio S. em fevereiro 28, 2009 10:53 PM
Fábio S. em março 1, 2009 12:57 PM
#62
Chego atrasado na conversa, pra dizer que acho muito bom que os valores pagos pela TV sejam pequenos.
Do jeito que a máfia distribui as cotas, fazendo com que uns ganhem até 5 vezes mais que outros, o que mata qualquer esperança de crescimento dos clubes menores, o melhor é que recebam pouco mesmo.
Ricardo Antunes da Costa em março 3, 2009 12:05 PM