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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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segunda-feira, 30 de março 2009

Links

Ainda no terreno jornalistas-processando-e-silenciando blogueiros, atente-se para o caso do Prof. Wladimir Ungaretti, da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cujo Ponto de vista satirizava e desmascarava a picaretagem da grande mídia, incluindo-se aí as manipulações de imagem de um jornalista apelidado de Fotonaldo. Eis que Fotonaldo, sem responder nenhuma crítica, consegue a ordem de retirada dos materiais que lhe dizem respeito do site do Prof. Wladimir, que acabou deixando o silêncio em forma de protesto enquanto recorre. Escreve sobre o caso a Ariela Boaventura. Li em primeiro lugar sobre essa lamentável decisão judicial no RS Urgente.

******

O Groselha News está de casa nova.

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Guaciara, Urbanamente e Sorriso de Medusa são blogs de velhos amigos deste espaço que passaram a fazer partes dos links aí à esquerda.

*****

O Estado de Minas dá o seu chilique (atentado??) no episódio em que a UFMG ganhou nos tribunais um direito de resposta depois suspenso pelo TRF da primeira região. Para um contraponto, leia Direito de resposta e liberdade de imprensa, de Luis Nassif.

*****

Ainda os tribunais: jogador de futebol ganha indenização de jornalista que o havia chamado de QI de alface. Onde? Em Minas Gerais, evidentemente. Time? Ex-Ipiranga, óbvio.

*****

Sobre a prisão e subsequente liberação de Eliana Tranchesi, ofereço dois links para pontos de vista bem diferentes: Leonardo Sakamoto e Ely Ery Roberto Correa (este via Jayme, que outro dia disse tudo o que penso e nunca escrevi sobre Ferreira Gullar).

*****

Todo mundo já recebeu emails-corrente propondo boicote a isso e aquilo. Só Rafael Galvão, no entanto, é capaz de tomar um deles como mote para fazer arte. Leia também, da lavra do Paraíba, Sobre livros e Pequena eulogia a um gênio da raça que desgraçou a si e ao seu mister. O Paraíba é um blogueiro preguiçoso. Tece posts com a urgência de um Caymmi diante do mar. Às vezes, larga o blog às moscas. Quando volta, reassume seu lugar de direito: um dos melhores prosadores da internet brasileira.


*****

Links em outras línguas:


Entendamos a diferença entre a grande mídia brasileira e a argentina. O Brasil não possui um veículo como o Página 12 que, faz um mês, é o único jornal latinoamericano que leio. Confira o Nuevo diccionario de la derecha criolla.

******

A Sorbonne está em pé de guerra.

*****

Confesso que tenho desenvolvido um certo prazer sádico em ler textos sobre a lenta e inapelável agonia do jornalismo em sua forma, digamos, canônica das últimas décadas. Em inglês, aí vai uma seleção. A algum deles com certeza eu cheguei via Tiago Dória.

Pesquisa do Pew Research mostra que a grande maioria dos americanos não está nem aí para a morte dos jornais regionais.

Na Slate, Jack Shafer põe os pingos nos i's: É hora de jogar fora a idéia de que jornais são essenciais para a democracia. A liberdade de imprensa é essencial para a democracia. Jornalistas que estão agonizando na grande mídia adoram confundi-la, essa liberdade, com a existência de conglomerados mídiaticos na forma que os conhecemos hoje.

No Guardian, Nick Cohen faz um alerta interessante à BBC.

Até John Nichols and Robert W. McChesney no The Nation, quem diria, no meio de uma bela análise da situação, dão essa idéia maluca de criar um imposto para sustentar jornal. Socialista convicto, peço que me incluam fora dessa.

Segurem mais uma: conglomerados de mídia vão ao Google pedir que se manipule a fórmula para que saiam melhor colocados nas buscas. É inacreditável (via Piro).

Finalmente: entrevista com Bill Moyers sobre Jornalismo e democracia.



  Escrito por Idelber às 13:11 | link para este post | Comentários (67)



domingo, 29 de março 2009

Carolina bate dois recordes no basquete americano

O basquete universitário norteamericano viveu um fim de semana digno de registro.

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Quis o destino que eu, atleticano-sofredô-sim-sinhô, tivesse a bênção de torcer para um daqueles times que você sabe que vencerá quase sempre. A combinação é simples: uma filosofia própria que já deu certo, uma tradição de vitórias acumuladas, o legado de um indíviduo histórico. Fazem o resto a facilidade que isso acarreta na hora recrutar os melhores jogadores das escolas secundárias e a lealdade ferrenha que a ética do programa constroi entre seus ex-atletas.

Nesta tarde, os Tar Heels de North Carolina bateram o recordes de vitórias no Torneio Nacional (o NCAA), chegando a 100 e superando as 99 de Kentucky. Bateram também o recorde de presenças na Final Four (18, contra as 17 de UCLA). No Torneio deste ano, passaram pela rodada de 64 sem dificuldade, como previsto. Tiveram um pequeno susto antes de passar por LSU na rodada de 32. Massacraram Gonzaga nas oitavas e hoje, contra Oklahoma – o time que tinha o jogador do ano, Blake Griffin --, venceram com facilidade.

No sábado que vem, os Heels encaram Villanova pelo direito de enfrentar o vencedor de Connecticut e Michigan State na grande decisão de segunda à noite. A Final Four deste ano acontece na devastada Detroit.



  Escrito por Idelber às 22:00 | link para este post | Comentários (8)



sexta-feira, 27 de março 2009

Jornalista Felipe Vieira foge do pau e se agarra à vara dos tribunais

Vejam vocês, para usar um termo caro à parte querelada, a dêmencia em grau inaudito:

Se jornalista não processa jornalista era o lema dos funcionários dos grandes grupos de mídia no passado, com a internet e o mínimo trabalho de ombudsman que fazem certos blogs, passamos à fase seguinte da brincadeira. Agora as dondocas da grande mídia correm aos tribunais para processar jornalistas-blogueiros independentes quando estes lhe cobram explicações as mais razoáveis sobre seu trabalho e seus vínculos.

O Sr. Felipe Vieira é âncora de um programa da Bandeirantes RS e signatário de um site “jornalístico” irrelevante com patrocínio de dinheiro público gaúcho. Processa os blogueiros do Nova Corja por um post de quase um ano atrás, dedicado na verdade a outrem (que já processou o NC e perdeu, aliás). Naquele post, o Nova Corja questionava a lógica do patrocínio, apontava a realidade de chapabranquismo no jornalismo gaúcho e dava o link ao site do Sr. Vieira, para que os leitores pudessem julgar por si próprios. No seu site de “jornalismo”, entre dezenas de manchetes, não há uma única que aluda ao atual colapso político, moral, institucional e financeiro do governo Yeda Crusius. Parece um gaúcho escrevendo na Suécia.

O Sr. Vieira, que tem site próprio patrocinado com dinheiro público, tem acesso à Bandeirantes do Rio Grande do Sul, e foi citado uma vez num blog que jamais apaga comentários e que publicaria com destaque e na íntegra a sua resposta, caso enviada, escolhe não encarar o debate e corre para os tribunais. Sobre essa desfaçatez, Marco já disse tudo.

Examinemos o contexto do processo.

Ele é primo de outro, movido por Políbio Braga contra a Nova Corja. Você conhece Políbio Braga? Eu também não, mas ele ficou mais conhecido quando processou o NC e perdeu, sendo condenado pelo Juiz a pagar os custos do litígio e os honorários.

A atual, fútil querela do Sr. Felipe Vieira pode ser lida na íntegra neste pdf. Ela contém pelo menos duas gafes. Em primeiro lugar, confundem-se e processam o Jones Rossi errado. Em segundo lugar, demonstram não saber – ou fingem não saber, dá na mesma – o que significa a palavra “relevância”. Tomam-na como injuriosa, quando ela de fato se refere a realidade mensurável e universalmente conhecida por quem usa a internet.

Como já demonstrou o Leandro Demori, ex-integrante do NC e também interpelado neste processo, “relevância” é categoria objetiva medida por ferramentas como Alexa, Technorati, Google Page Rank. Você pode discutir qual é a melhor. Inegável é o fato de que segundo qualquer uma delas, o site do Sr. Felipe Vieira é irrelevante mesmo. Para dar um exemplo, o site do Sr. Vieira, que aparece na mídia e recebe dinheiro público, tem Google Page Rank 3. Tanto o NC como o Biscoito, artesanais e independentes, têm Page Rank 5.

Através de seus representantes, o Sr. Vieira, com site próprio patrocinado com dinheiro público e acesso à Bandeirantes do Rio Grande do Sul, afirma que o post de um ano atrás do Nova Corja afetou sua “autoestima”. O Biscoito Fino e a Massa sugere que ele pare de gastar dinheiro com advogados – pressupondo que com salário de jornalista ele pague advogados tão caros – e invista na psicanálise. O Biscoito recomenda a freudiana, que não está presa à superstição ego-psicológica de que baixa autoestima se resolve através de uma aliança do analista com a parte saudável do ego.

Confio que qualquer juiz sensato verá que temos aqui uma querela fútil, pouco fundamentada, de potencial daninho à liberdade de expressão e ancorada numa leitura abusiva dos artigos referentes a injúria e difamação.

Atualização: Träsel também falou do assunto, cometendo generosidade de que fomos incapazes, que é dar o link para o Sr. Vieira. O Biscoito teria dado o link caso o Sr. Vieira tivesse discutido o assunto em seu site. Não o fez, não ganha pirulito. Penso em adotar a seguinte regra aqui: trabalha na grande mídia e processou blogueiro por crime de opinião, não ganha pirulito no Biscoito, pelo menos não no corpo do post. O leitor que ache pelo Google.



  Escrito por Idelber às 19:11 | link para este post | Comentários (48)



quinta-feira, 26 de março 2009

Basquete

Dentro de uma hora, às 20:05 de Brasília, começam as oitavas de finais do Torneio Universitário de Basquete dos EUA. Todas as zebras já foram embora. Jogam hoje Purdue x Connecticut, Xavier x Pittsburgh, Missouri x Memphis e, imperdível, às 23 h, o parrudíssimo time de Villanova enfrenta os lépidos magrinhos de Duke University, contra quem, evidentemente, vai toda a secação deste blog.

O site da CBS Sports transmite ao vivo.



  Escrito por Idelber às 20:13 | link para este post | Comentários (6)




John Hope Franklin, 1915-2009

Morreu John Hope Franklin, um dos mais importantes historiadores do mundo:

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Era apropriado que seu nome contivesse alusões à esperança e à invenção. Encarnou-as como escritor, professor e ativista. Sua obra, um vasto painel sem maquiagem dos EUA modernos, começa em 1943, com uma monografia intitulada The Free Negro in North Carolina, 1790-1860. Seguiram-se a ela uma história dos negros americanos e, entre outros livros capitais, estudos sobre os viajantes Yankees no Sul, a Reconstrução, a década de 1860 nos EUA, os grandes líderes negros do século XX, relações raciais.

Dr. Franklin foi parte do time liderado por Thurgood Marshall no caso Brown vs. Board of Education, que levou à histórica decisão de 1954 da Suprema Corte americana, pondo fim à segregação nas escolas públicas. Já em 1947, Dr. Franklin havia sido testemunha especialista no processo movido por Lyman T. Johnson contra a Universidade de Kentucky, que sepultou a segregação naquela escola. Nos anos 90, professor consagrado, foi o líder do conselho consultivo sobre raça do governo Bill Clinton.

Durante meu doutorado em Duke University (1993-96) cheguei a ver John Hope Franklin em alguns eventos. Tanto sua escrita como sua risada transmitiam a impressão de um homem que havia conquistado uma vitória tão categórica sobre a ignomínia que já não havia, em seu espiríto, nem um milímetro disponível para o ressentimento.

O Chronicle of Higher Education fez seu obituário e Duke University homenageou-o, nomeando em sua honra um Centro de Estudos Internacionais.

Requiescat in pace, dotô. Missão cumprida.



  Escrito por Idelber às 19:27 | link para este post | Comentários (9)




Darconville's Cat, de Alexander Theroux: obra-prima lançada ao deciframento futuro

1-theroux.jpg Em 1999, a partir de uma indicação casual, cheguei a um livro assombroso: Darconville's Cat (1981), do escritor americano, erudito e católico Alexander Theroux. Relatar a história deste assombro é o objetivo das linhas que seguem.

Aproximei-me com a relutância normal que suscitará um monstrengo de 700 páginas já publicado há anos e sobre o qual não há críticas ou resenhas especializadas (no Google você não encontrará nada de substância). A Modern Language Association Bibliography, uma espécie de museu bibliográfico de tudo, não registra mais que três escritos sobre ele. À medida em que eu o lia, tomado por entusiasmo febril com a extraordinária originalidade do romance, passei a consultar os professores de literatura angloamericana contemporânea que pude encontrar: Michael Bérubé, Cary Nelson, Joe Valente, ninguém jamais havia ouvido falar de Theroux ou de um livro intitulado Darconville's Cat.

Posto que acadêmicos não têm como se dedicar ao estudo de obras gigantes situadas fora de sua área, terminei a vertiginosa viagem e, convicto de que estava diante de um dos maiores experimentos lexicais já feitos com a língua inglesa desde James Joyce, comprei alguns exemplares para presentear amigos, sempre implorando pateticamente por imediata leitura. Não sem antes encher um arquivo word com palavras inventadas por Theroux e ainda não dicionarizadas, me esqueci de Darconville's Cat.

Fast forward para 2009. Sem Theroux nas minhas estantes, vejo que só restam exemplares usados na Amazon e encomendo mais um. Na semana em que decido me livrar de um hábito de duas décadas e meia – ler jornais brasileiros --, perco-me de novo nas 700 páginas de Darconville's Cat, já convicto de que esse périplo tomista-joyceano pela imaginária Quinsyburg habita meu top 15 ou 20 de romances do século XX, ombreando-se com livrinhos como Paradiso, Homem sem atributos ou Grande sertão: veredas. No minúsculo grupo que se reúne em volta de Theroux, há comparações, não totalmente despropositadas, com Cervantes e Goethe. O titular deste blog não chega a tanto, mas não há dúvidas de que esse livro subterrâneo, anacrônico, intempestivo e desconhecido é um dos maiores romances de nosso tempo.

Atônito de que tantos católicos perorem sobre a "decadência" da literatura moderna sem conhecer Theroux, e decidido a assegurar-me de que Darconville's Cat seguia enterrado no mesmo silêncio, consultei um dos maiores escritores e leitores de romance da atualidade, o amigo Ricardo Piglia. “Não”, me respondeu, jamais lera ou ouvira falar de Theroux. A resposta de Ricardo não vinha desprovida de entusiasmo: 24 horas antes, ele recordava com um interlocutor a observação de Gramsci acerca da escassez de bons romancistas católicos na literatura italiana moderna. 1-theroux2.jpg

É tarefa inglória descrever Darconville's Cat, porque o livro está escrito em todos os gêneros possíveis: poemas, dramas, ensaios, oratória, epistolário, litanias, sermões, fábulas, paródias, tratados. Sua língua não se parece com qualquer dos modelos canônicos de prosa em inglês, de Sterne a Pyncheon, embora Theroux compartilhe algo com ambos. Grosso modo, trata-se de um idioleto que evoca o que seria a sátira do século XVIII (Swift e cia.), se esta estivesse escrita com sintaxe e léxico ao mesmo tempo medievalizantes e joyceanos, ortodoxamente tomistas em sua visão de mundo e alucinatoriamente modernas em sua forma. Labirínticas e barrocas, algumas frases de Theroux são um turbilhão de invenções lexicais com raízes gregas, latinas e germânicas. Outras oferecem a reprodução paródica da fala de Quinsyburg, Virgínia, captando o povoado protestante com verve e crueldade implacáveis, jamais sequer sonhadas por um satirista ateu.

Uma espécie de Ulisses católico, então? Não exatamente, porque Darconville's Cat é também umas das mais insólitas histórias de amor dos tempos modernos, um relato arrendondado, fechadinho, um romance, no sentido que tem a palavra em inglês. Darconville, 29 anos, poliglota católico de New England, de raízes francesas e italianas, não realiza o sonho de ser padre e aceita um emprego como professor no Departamento de Inglês de um pequeno college no sul estadunidense mais retrógrado e batista, a tal Quinsyburg (imaginária, mas localizável, segundo dicas do romance, aqui). Acompanhado do gato Spellvexit, ele ali chega para concluir seu Rumpopulorum, o tratado definitivo que sintetizará toda a bibliografia acerca de seu tema – a história das comunicações entre o mundo dos anjos e arcanjos com o mundo dos mortais.

Logo depois que Darconville aterriza nesse buraco semianalfabeto, balbuceante do Sul atrasado, acontece: ele se apaixona por uma garota de primeiro período, Isabel, uma espécie de síntese da Beatriz de Dante e da Lolita de Nabokov. Darconville vive esse amor como o viveria um católico genuíno: momento de iluminação em que está em jogo, revelada pelo amor, toda a essência do universo. Limito-me a dizer que este ateu de carteirinha jamais encontrou outro personagem tão distante de si e tão verossímil no convite à identificação.

A leitora – assim como o leitor atento ao problema da representação da mulher na ficção, ainda mais por autores homens religiosos – se perguntará por Isabel. Descrita por um narrador em terceira pessoa que faz abundante uso do indireto livre (vendo o mundo pelo prisma de Darconville), Isabel é singular, radiância única, inaudita naquele mundo de ruínas. Cristalina, cada frase sua parece emanar a verdade do ser. Ao mesmo tempo, ela é rigorosamente igual aos seus arredores simplórios (mesmo que isto seja um segredo entre narrador e leitor, ao qual o personagem masculino não tem acesso). A tensão, que faz a história da arte ser inseparável da história da misoginia, chega em Darconville's Cat a uma resolução trágica, terrorífica, que seria de mau gosto antecipar numa mera resenha.

Resta o fato de que há poucos casos, na ficção, de um homem que tenha amado uma mulher como Darconville amou Isabel; e vice-versa, ainda que este “vice-versa” seja, no romance, de implementação agonicamente adiada. Raríssimas vezes na história da literatura dois personagens acedem juntos à compreensão de que queremos ser o que amamos, mesmo se o que amamos quer que sejamos, quando amamos, o que somos (pag.225). A partir daí, o que o destino lhes reserva é implacável como costuma ser a grande literatura.

Quem traduzisse Darconville's Cat ao português de forma pelo menos competente daria ao nosso léxico uma contribuição comparável ao Ulisses joyceano de Houaiss. Cynthia Feitosa e Nelson Moraes estariam entre os não muitos brasileiros em condições de produzir uma versão à altura desta obra – o que, por miopia das nossas editoras, provavelmente não acontecerá num futuro próximo.



  Escrito por Idelber às 00:56 | link para este post | Comentários (36)



quarta-feira, 25 de março 2009

Globo cospe na história do basquete nacional

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Qualquer um que saiba qualquer coisa sobre o basquetebol brasileiro sabe quem é Wlamir Marques. Gigante, lenda viva, Campeão Mundial de 1959, Campeão Mundial de 1963, Medalha de Bronze nas Olimpíadas de 1960, Medalha de Bronze nas Olímpiadas de 1964, Vice-Campeão Mundial em 1954, Vice-Campeão Mundial em 1970, Medalha de Prata no Panamericano de 1963, eleito para a Seleção do Mundo em 1963, meu Deus do céu, qual é a honraria que este homem não conquistou no basquete?

Esta semana, as Organizações Globo não perderam a oportunidade de fazer uma grosseria com Wlamir Marques, com a história do basquete brasileiro e com a inteligência de seu espectador.

Wlamir havia sido convidado para ser jurado de um concurso de enterradas num evento organizado pela Liga Nacional de Basquete. Wlamir, claro, o faz por amor ao esporte. Na situação periclitante do basquete brasileiro atual, longe das glórias que ele conquistou com Rosa Branca e Amaury Passos, longe até dos quintos lugares de Oscar e Marcel nas Olimpíadas, Wlamir aceita o convite, ora bolas.

Às vesperas do evento, Wlamir recebe um telefonema do Presidente Kouros, da LNB, relatando que o diretor de esportes da Globo havia vetado a sua presença. Meio sem graça, Kouros sugeria que Wlamir fosse substituído como jurado para atender ao pedido da Globo. Com a serenidade própria aos gigantes, Wlamir assegurou a Kouros que não havia nenhum problema.

Para substituir o Bi-Campeão Mundial na condição de jurado do concurso de enterradas, a Globo impôs o nome de .... Pedro Bial.

Sim, isso mesmo, Pedro Bial.

Com sua elegância infinita, Wlamir relata o episódio. Guilherme Tadeu, a quem agradeço pela notícia, já falou sobre o assunto. O acontecimento reforça a convicção deste blog: qualquer contribuição à desmoralização da corja dos Marinho, da corja dos Civita, da corja dos Frias, é uma contribuição a um Brasil melhor.

O Biscoito ignora se a grosseria com Wlamir foi feita porque ele tem um histórico de associação com o ESPN Brasil, ou porque ele já deu (pudesse ter dado) declarações pró-PT, ou porque a Globo achou que o rosto do seu galã BBB ficaria mais bonitinho na tela. O motivo, realmente, nos importa pouco.

PS: Ações com esta têm que se multiplicar.



  Escrito por Idelber às 04:59 | link para este post | Comentários (53)



terça-feira, 24 de março 2009

Links: Lei de democratização da mídia na Argentina

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Em meio a inegável desgaste desde o conflito com o ruralismo iniciado ano passado, o governo de Cristina Kirchner produziu um belo projeto de lei limitando os oligopólios na mídia e retirando as restrições à liberdade de expressão presentes na lei anterior, de 1980. Já o enviou ao Congresso. O projeto transforma o organismo de regulação da mídia, que segundo a lei da ditadura deve ser integrado por militares, empresários e membros dos serviços de inteligência, em conselho composto por representantes do parlamento (inclusive da segunda e terceira minorias), Executivo, trabalhadores do setor, entidades sem fins lucrativos e universidades. Limita em 35% o naco de mercado de qualquer oligopólio e em 10 o número de concessões permitidas a um único indivíduo. Enquanto a lei de 1980 obriga os veículos de mídia a denunciarem o jornalista que atente contra a "Segurança Nacional", o projeto de Cristina estabelece os tratados internacionais de direitos humanos como marco.

Mesmo assim, Clarín e Globo já deram os previsíveis chiliques sobre o governo argentino supostamente estar tentando "controlar" a mídia. A manchete do Globo falou em "investida contra a imprensa" e sua matéria chegou a mentir, cometendo a incrível gafe de se referir ao "trâmite em segredo" de um projeto debatido em blogs, botecos e sindicatos em cada canto da sociedade civil argentina, e sobre o qual o Google registra dezenas de milhares de menções.

Para ler a íntegra do excelente projeto do governo de Cristina Kirchner, baixe o pdf aqui. Em breve publico um texto mais encorpado sobre essa iniciativa, mas por enquanto aí vão alguns links:

Conseguirá Cristina fazer o que Lula não fez?, de Venício A. de Lima.
Os inimigos da mídia hegemônica, de Mário Augusto Jakobskind.
Nova legislação para a comunicação argentina, de Jonas Valente.
Todas as vozes, todas, de Emir Sader.
Los cambios que introduce el proyecto, resumão do Página 12.
Hay que cambiar esta ley de la dictadura, de Javier Lorca
Ley de medios... hay que ver si no se incendia el país”, entrevista com Juan Pablo Feinmann.

Aqui e aqui você pode ler críticas ao governo de Cristina Kirchner, algumas das quais acho pertinentes. Mas o projeto de lei sobre a mídia é de potencial democratizador sequer imaginável no Brasil de hoje, o que não quer dizer que o Congresso argentino o aprovará, claro. A batalha contra os oligopólios de mídia é sempre duríssima.

PS: No Brasil, cresceu bastante o número de entidades que apoiam a realização de uma Conferência Nacional de Comunicação, que já gera suas resistências.



  Escrito por Idelber às 04:37 | link para este post | Comentários (20)



segunda-feira, 23 de março 2009

Gilmar Mendes "sabatinado" na Folha

Servindo-me de vários links e informações contidas no blog do Mello, encaro a tarefa – sim, a estas alturas não é nem prazer nem exercício, mas pura tarefa cívica -- de circular mais uma vez algumas sugestões e perguntas que estão entaladas na garganta de muitos brasileiros que têm acompanhado as lamentáveis incursões do presidente do STF pelos holofotes midiáticos.

Como não há sentido em republicar post na íntegra, dirijo de novo a atenção dos leitores para as 25 perguntas que formulei no fim do ano passado, uma das quais (a número 8) chegou a ser feita no Programa Roda Viva. A pergunta – “O sr. tem alguma idéia do porquê das mais de 30 ações impetradas contra o seu irmão ao longo dos anos jamais terem chegado sequer à primeira instância?” -- continha, por falta de traquejo jurídico meu, uma imprecisão, ou um erro, como queiram. Faltava-lhe, no final, a expressão sequer a julgamento em primeira instância. Sabendo muito bem, suponho, o que a pergunta queria dizer, Gilmar Mendes aproveitou a imprecisão para desqualificá-la sem responder. Neste pdf é possível ler a amplamente documentada reportagem que Leandro Fortes publicou na revista Carta Capital, fonte de algumas das informações usadas nas perguntas.

Desde então, tivemos o episódio da ameaça ao jornalista acreano que fez uma pergunta legítima acerca da preferência do magistrado do STF por denunciar violências cometidas por membros do MST e silenciar sobre a infinitamente mais disseminada e poderosa violência do latifúndio armado.

Desde então tivemos o epidósio do programa da TV Câmara sobre o qual Gilmar Mendes exerceu efetiva censura, telefonando a Michel Temer e exigindo sua retirada do site da Câmara, segundo informa o jornalista – este sim, jornalista de verdade – Leandro Fortes:


25 perguntas, pois, que para mim continuam pendentes. E o Mello fez mais algumas. A sabatina acontece nesta terça, das 10h às 12h, no Teatro Folha (av. Higienópolis, 618, no shopping Pátio Higienópolis).



  Escrito por Idelber às 20:21 | link para este post | Comentários (33)



domingo, 22 de março 2009

Tortura, verdade e democracia

(aí vai o texto da minha coluna deste mês na Revista Fórum)

Os últimos oito anos em que a coalizão de ultradireita que governou os EUA assumiu a prática da tortura como política estatal só aumentaram a importância de se dirimir alguns mitos acerca do tema. Um desses mitos é a crença – disseminada amplamente entre setores da esquerda – de que a prática da tortura seria uma espécie de negação da essência da democracia, ou que a democracia seria algo como um antídoto contra a tortura, ou que esta, no fundo, negaria os valores democráticos, de racionalidade e liberdades individuais. O fato histórico concreto, no entanto, é o oposto: no momento em que “democracia”, “verdade”, “racionalidade” estavam sendo inventadas, a prática da tortura foi componente fundamental no processo em que esses ideais se faziam. Ali, na origem mesma da democracia, a tortura já era um de seus elementos chave.

Tortura e verdade (Editora Routledge, 1991, não traduzido no Brasil) é um livro revolucionário da classicista estadunidense Page DuBois sobre a prática judicial da tortura, na Grécia Antiga, em suas relações com a produção da noção filosófica clássica de verdade, assim como na construção da oposição binária entre escravo e cidadão livre. O livro parte de uma premissa: “a assim chamada alta cultura – práticas e discursos filosóficos, forenses e civis – vai de braços dados, desde o começo, a partir da antiguidade clássica, com a inflição deliberada de sofrimento humano”. DuBois passa a mapear o processo pelo qual, na pólis ateniense, o corpo do escravo é juridicamente convertido em objeto de tortura e em canal privilegiado da verdade. Por um bom tempo nos tribunais atenienses, o homem livre não podia ser torturado, mas o escravo sim. Não só era comum torturar escravos, mas se pressupunha que o escravo produziria a verdade quando torturado.

A palavra que designa “tortura” em grego, basanos, evolui de um sentido anterior de “pedra de toque que testa o ouro” para uma acepção mais ampla de “teste que define se algo é genuíno ou real”. Com o tempo, o vocábulo teria passado a significar “interrogatório através de tortura” e o próprio ato de torturar. Numa reconstrução cuidadosa, DuBois examina os contextos em que basanos aparece na épica homérica, em poetas aristocráticos como Teógnis e Píndaro, em trágicos como Sófocles e Ésquilo, na sátira de Aristófanes, na historiografia de Heródoto, nos discursos de Demóstenes e Licurgo e nas obras filosóficas de Platão e Aristóteles. É em Sófocles (aprox. 497-406 a.C.) que DuBois observa a transição do sentido de basanos de “teste” para “tortura”. A tortura não só era amplamente praticada na democracia ateniense, mas foi um componente fundamental de como a verdade viria a ser concebida e de como a diferença entre cidadão e escravo seria estabelecida.

Na democracia grega, o testemunho jurídico do escravo era tido como verdade se, e somente se, esse testemunho fosse extraído sob tortura. Na medida em que o escravo era uma valiosa propriedade, passível de ser danificada pela tortura, era a prerrogativa de seu dono oferecê-lo para o basanos. Essa prática não podia ser aplicada a cidadãos, aos homens livres. A tortura operou, então, para fixar e controlar a própria instabilidade da dicotomia entre cidadão e escravo. O pensamento grego nunca conseguiu naturalizar a separação entre homens livres e escravos, já que os livres de hoje podem converter-se nos escravos de amanhã, por exemplo através da derrota numa guerra. Esse pensamento tentou, mas foi incapaz de fundamentar biológica ou ontologicamente o fato social da escravidão, apesar dos melhores esforços de Aristóteles, que naufragam na tentativa de explicar por que os escravos são desprovidos de razão. Se há uma diferença natural entre o cidadão e o escravo, como é possível que os livres possam se tornar escravos ao serem derrotados no campo de batalha? Como justificar ontologicamente a estrutura política que permite a sistemática imposição de dor sobre certos seres humanos e não sobre outros?

O Livro III da Política, de Aristóteles, encara essa mais inglória das tarefas, definir o que, afinal de contas, é um cidadão e o que o diferenciaria do não-cidadão: “Os residentes estrangeiros [metoikoi] (...) não participam senão imperfeitamente da cidadania, e os chamamos de cidadãos só num sentido qualificado, como poderíamos aplicar o termo a crianças que são jovens demais para estar registradas ou a idosos que foram desobrigados das funções estatais”. Metoikoi é o nominativo masculino plural derivado do verbo metoikos, que significa “mudar de residência, emigrar e estabelecer-se em outro lugar”. Quanto mais Aristóteles acredita que a expressão exata é “imaterial” e que “o que queremos dizer está claro”, mais embaçada e confusa torna-se a fronteira. Quando Aristóteles termina de excluir as mulheres, as crianças, os escravos, os idosos, os residentes estrangeiros e outros não-cidadãos, resta-nos uma categoria à beira do desmoronamento. Não se trata de que pouco a pouco, depois de eliminar todos, não permaneça ninguém. Alguém sempre se qualificará como “cidadão”: o domínio dos homens adultos nascidos em Atenas, falantes de grego e donos de propriedades mostra que a ontologia pode estar capenga, mas isso não a impede de operar politicamente para favorecer os mais poderosos.

O que Aristóteles chama de “cidadão” é aquele lugar virtualmente vazio que sobra uma vez que eliminemos todos os não-cidadãos. O horror da não-cidadania é também um vazio voluptuoso que ameaça tragar todos os cidadãos, porque eles poderão ficar velhos, perder suas propriedades, ser exilados ou conhecer a derrota na guerra. Como diferenciar o cidadão do não-cidadão se o destino daqueles é juntar-se a estes quando fiquem velhos, se exilem ou percam uma guerra?

A prática da tortura na democracia grega cumpriu um papel na estabilização dessas fronteiras meio impossíveis de estabilizar, entre cidadão e não-cidadão e entre homem livre e escravo. O escravo é aquele que pode ser torturado. E por que ele é torturado? Porque da tortura [basanos], emerge a verdade [aletheia]. Ali, ao lado dos tribunais onde se torturavam os escravos, a filosofia ocidental inventava o conceito de verdade, a prática política inventava a democracia e a jurisprudência inventava o que se entenderia por justiça. Que fique estabelecido, pois, que nenhuma dessas disciplinas tem as mãos completamente limpas se formos relatar em detalhe a história da tortura no Ocidente: a própria invenção dos seus conceitos chave é parte da institucionalização da tortura na pólis grega.

A hipótese de DuBois é que o estabelecimento do corpo do escravo como corpo que pode ser torturado (e que será necessariamente verdadeiro quando submetido à tortura) foi chave na constituição mesma do conceito de aletheia, de “verdade”, para os gregos. Se recordamos A verdade e as formas jurídicas (pdf), texto de Michel Foucault apresentado pela primeira vez no Rio de Janeiro em 1973, duas concepções de verdade entraram em choque no pensamento grego. Por um lado, há a compreensão mais antiga da verdade como produto de uma luta, uma batalha, uma prova através da qual algo emerge: concepção épica. Por outro lado, há a concepção da verdade como essência enterrada e escondida, esperando para ser desvelada e trazida à luz, extraída de uma interioridade desconhecida que o conhecimento tentaria penetrar: concepção mais propriamente filosófica. Esta é a ideia sexualizada, bem masculina de verdade, que prevaleceria em última instância. Esse processo de extração da verdade mantém uma dívida com a tortura exercida sobre o corpo do escravo, já que é a sanção jurídica da tortura que confere à filosofia a metáfora que organiza o seu conceito central, a verdade.

O basanos dissolve a resistência, traz à luz, arrasta rumo à visibilidade. A metáfora que descreve a tortura replica o movimento do filósofo que arranca a verdade de sua condição velada. É n' O Sofista, de Platão, que melhor se deixa ver o laço entre, por um lado, a extorsão através da qual o filósofo traz à luz a verdade, arrancando-a do sofista, que permanece cego, inconsciente e, por outro lado, o processo característico da produção jurídica da verdade através do corpo do escravo: “A melhor maneira de obter a confissão da verdade seria submeter o próprio enunciado a um leve grau de tortura [basanistheis]”, diz Platão. Há uma analogia entre o suplício sofrido pelo escravo no tribunal e aquele imposto ao sofista. Como o escravo, o sofista somente revela a verdade sob violento interrogatório e pressão. As odiosas narrativas hipotéticas com que a administração Bush e seus lacaios na mídia racionalizavam a tortura – “imagine um terrorista com informação sobre a explosão de uma bomba nuclear, etc.”: o cúmulo da ficção – não deixam de ter, é importante sublinhar, seus antecessores mais “nobres”, nas origens mesmas da democracia e filosofia ocidentais.

É possível mapear, no pensamento grego, uma concepção antidemocrática de verdade entendida como algo que se arranca do corpo do outro. O processo descrito por Platão evoca diretamente o basanos em seu contexto legal. A metáfora platônica transforma o sofista num corpo que deve submeter-se a um sofrimento, um suplício imposto pelo logos. A lógica e a dialética são artes da tortura, nela estão implicadas e assim foram teorizadas, no momento mesmo de sua constituição e sistematização, no texto platônico. A caça ao sofista inaugura uma longa tradição de metaforização da verdade como encarceramento na filosofia ocidental, tropo que retornaria, por exemplo, na luta épica de Descartes para impor uma derrota humilhante à dúvida.

A violência através da qual emerge o conceito de verdade na Grécia traz marcas das hierarquias de gênero. O pensamento grego estabeleceu extensos vínculos entre a verdade e o escondido, o segredo, a potencialidade feminina, a interioridade tentadora encerrada no corpo humano. A mulher e o escravo são receptáculos da verdade que não têm, eles mesmos, acesso a ela como sujeitos. Sua função é fornecer o acesso ao homem livre, ao cidadão. A confecção do conceito de verdade foi contemporânea da sexualização das metáforas baseadas no ato de arrancar à luz algo dormente numa interioridade. A extração da verdade seria, então, um tropo sexualizado por excelência, que funda a compreensão que tem o Ocidente da diferença sexual. Os pólos masculino e feminino vêm a ser dialeticamente constituídos num processo violento e assimétrico, no qual o feminino é o espaço circunscrito como interioridade e penetrado pelo masculino. A tarefa viril do filósofo seria extrair a verdade de um receptáculo e trazê-la à luz num processo de extração – e assim, claramente, teoriza-a Platão, n’O Sofista.

A tortura não é, portanto, antagônica à verdade ou antídoto da democracia. Não é de uma esfera alheia ao direito. A tortura nunca foi escandalosa em democracia nenhuma (algumas delas simplesmente exportaram, “terceirizaram” sua prática para outras comarcas). A sanção jurídica da tortura no mundo ocidental nasce não só contemporaneamente a, mas também em relação de sustentação mútua com o albor de todas essas noções: verdade, democracia, justiça, direito.

A diferença entre uma visão materialista histórica e uma visão liberal da atrocidade e da tortura se remete, em grande parte, a um abismo: o liberalismo é incapaz de compreender essa história – as origens comuns da tortura e da democracia, da tortura e do direito, da tortura e da verdade –, pois afinal de contas ele próprio, liberalismo, não passa de um capítulo dessa mesma história. O materialista histórico, comprometido com o legado dos vencidos, não pode se dar ao luxo de ignorar que o estado de emergência que vivemos com os torturadores de Bush e Olmert não tem sido a exceção, mas a regra.

Ilustração: "Tortura com água". Xilogravura. Praxis Rerum Criminalium (1556), de Joost de Damhoudere.



  Escrito por Idelber às 05:56 | link para este post | Comentários (40)



sexta-feira, 20 de março 2009

Basquete: aviso aos navegantes

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É possível assistir ao vivo, no site da CBS Sports, os jogos do Torneio Universitário de Basquete dos EUA. Para os amantes do basquete, é imperdível. Já na primeira rodada, está claro que será um dos melhores dos últimos tempos.

(Obrigado à Luiza Voll e ao Fernando Serboncini pela ajuda na confirmação de que o link funciona no Brasil).

Foto: Grant Halverson.



  Escrito por Idelber às 18:42 | link para este post | Comentários (9)




Carta aberta aos jornalistas do Brasil, de Leandro Fortes

A carta aberta que reproduzo a seguir foi escrita por Leandro Fortes, da Carta Capital.

No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado “Comitê de Imprensa”, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha. Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do “Comitê de Imprensa”, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.

Nesta carta, contudo, falo somente por mim.

Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalista, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico – de áudio nunca revelado – envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista CartaCapital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.

Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.

Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.

Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?

Apelo, portanto, que as entidades de classe dos jornalistas, em todo o país, tomem uma posição clara sobre essa situação e, como primeiro movimento, cobrem da Câmara dos Deputados e da TV Câmara uma satisfação sobre esse inusitado ato de censura que fere os direitos de expressão de jornalistas e, tão grave quanto, de acesso a informação pública, por parte dos cidadãos. As eventuais disputas editoriais, acirradas aqui e ali, entre os veículos de comunicação brasileiros não pode servir de obstáculo para a exposição pública de nossa indignação conjunta contra essa atitude execrável levada a cabo dentro do Congresso Nacional, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados e da diretoria da TV Câmara que, acredito, seja formada por jornalistas.

Sem mais, faço valer aqui minha posição de total defesa do direito de informar e ser informado sem a ingerência de forças do obscurantismo político brasileiro, apoiadas por quem deveria, por dever de ofício, nos defender.


Leandro Fortes

Jornalista



  Escrito por Idelber às 12:33 | link para este post | Comentários (31)



quarta-feira, 18 de março 2009

As melhores três semanas do esporte

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Para os Tar Heels que estejam me assistindo: eu escolhi vocês ano passado – e vocês me largaram na mão. Este ano, não me façam passar vergonha na frente do país, ok? Estou contando com vocês. Ainda tenho aqueles tênis que vocês me deram.

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Como diríamos por aqui, no pressure, mas o meu time terá que carregar nas costas o fardo de que essa previsão vem de Obama. Para piorar ainda mais a situação calamitosa do Partido Republicano, Obama entra agora em sintonia total com o resto do país durante três semanas: March Madness começa amanhã. Torneio dos torneios, fábrica de zebras, profuso em arremessos de último segundo decidindo jogos, ele mobiliza a paixão esportiva nos EUA – pelo menos para a esmagadora maioria da população que “tem” uma escola de coração -- com intensidade superior à gerada pela NBA ou pela NFL.

Trata-se de um torneio de 64 times que pode ter 4 ou 5 favoritos, mas que literalmente 20 ou 25 podem vencer. Ganhe seis jogos seguidos, só isso. Obama tirou 20 minutos na Casa Branca e, com riqueza de argumentos e conhecimento do jogo, preencheu a seguinte tabela, não muito diferente da minha (que escondo para não agourar):

obamasbracket09.jpg
(daqui)

Sobre os quatro times que Obama escolheu para a Final Four:

North Carolina: o mais lendário programa de basquete dos EUA, pentacampeão nacional (1924/57/82/93/2005), tem a rotação mais ampla (jogam 9, facinho), o armador mais talentoso (Ty Lawson, que com o dedão machucado fica fora da primeira rodada) e o pivô que foi o jogador do ano em 2007, Tyler Hansborough, detentor de uma pilha de recordes da liga regional mais forte dos EUA, a ACC. Tem a camisa e o favoritismo, o que é, claro, uma tradicional faca de dois legumes.

Pittsburgh: Não tem a mesma velocidade dos Tar Heels de Carolina, nem a mesma quantidade de corpos em condições de jogar em alto nível. Mas os Panthers têm mais força física e uma defesa parruda. Num eventual encontro entre os dois, um jogo na casa dos 80, 90 pontos seria de vantagem Carolina. Segurando o jogo na casa dos 60 e poucos, 70 pontos, Pitt teria grandes chances.

Louisville: No momento, é o time que ocupa o número 1 do ranking. Foi campeão da forte liga do Big East e tem uma defesa que é uma verdadeira máquina trituradora. É muito bem treinado por Rick Pitino (que havia tido muito sucesso com os rivais de Kentucky, outro programa legendário do basquete) e tem capacidade de forçar, facinho, 25 perdas de posse de bola mesmo em adversários de qualidade. Para a final de 06 de abril, a maioria dos analistas têm escolhido Louisville e Carolina.

Memphis: O único não-cabeça-de-chave que Obama escolheu, preterindo a U. of Connecticut. Memphis tem talvez o time mais atlético do torneio e, quando estabelece seu jogo de correria e passes rápidos, encaçapa 30 pontos em 5 minutos e acaba com a brincadeira. Mas Memphis paga o preço de jogar numa liga regional fraca, a Conference USA. Há 50 jogos não perdem na liga, mas mesmo assim não foram escolhidos cabeças-de-chave. Claro que o técnico já botou isso para motivá-los. Os Tigers vêm babando de vontade de chegar à Final Four e também acho que eles passam por UConn.

As rodadas de 64 e 32 acontecem neste fim de semana. As oitavas e quartas no fim da semana que vem. No seguinte, a Final Four. Por que o ESPN não transmite essa joça completa para o Brasil? Garanto que daria mais audiência que muito jogo de futebol por aí.



  Escrito por Idelber às 16:47 | link para este post | Comentários (16)



terça-feira, 17 de março 2009

Jabá: Memórias Iluminadas

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Meu nome é Júlia Moreira de Araújo. Eu nasci em sete de março de 1929. Meu aniversário foi há poucos dia, o povo fez um festão, o povo ofereceu música pra mim.Eu sou bem antiga, tenho muita amizade, graças a Deus!

Eu nasci lá no Mato sem Pau. A gente fazia a mesma coisa, fazia polvilho. Depois eu vim pequenininha pra cá, pra fazenda de Vassouras. Tinha um casal sem filho lá, então eu vim morar com eles. Quem me criou foi o seu Nicanor de Assis Moreira e Luísa Oliveira Reis. Ah, eu fazia de tudo, Nossa Senhora! Eu ‘tava pequenininha e já mexia com curral de vaca, mexia com tocação de cavalo, fazia comida, cozinhava, fazia bolo, fazia de tudo! É, graças a Deus, sou prendada.

Eu conheci o Mané Carneireiro. Ele tinha o apelido de Mané Carneireiro,mas era mascate de pano. Ele vendia era pano. Tinha um outro carneireiro que passava e comprava carneiro. E era aquela carneirada antigamente, né? O mascate chegava, pedia apoio e pousava. E quando esse povo vinha, nós carteava em casa na parte da noite.

Eu também gostava de cantar nos pagode, mas eu não tinha quase tempo, porque eu tinha que ficar cuidando dos filho, fazendo café. Mas a gente gostava muito quando tinha baile.

Na roça nós era tudo vizinho, era tudo amigo. Depois que nós mudou pra cidade, nós já era conhecido.

Eu era cantora aqui na igreja também. Aqui nessa igrejinha. Agora tão arrumando ela de novo. Eu era cantora da irmandade Filhas de Maria, era só mulher. E tive de sair quando eu casei. As Filhas de Maria era só mulher solteira. Era roupa branca com fita azul. O Sagrado Coração de Jesus usava uma fita vermelha. A Nana do Zé da Pinta cantava na igreja também. A Nana não foi do meu tempo. Ela era muito amiga, mas era de antes.

*************

Júlia Moreira de Araújo é uma das 23 personagens da cidade de Luminárias registradas em voz própria no trabalho de história oral feito pela minha cunhada, Andressa Gonçalves, e pelo meu concunhado, Paulo Morais. Situada ao leste de Varginha, um pouco ao sul de Lavras e ao norte de Caxambu, Luminárias é daquelas profundezas de interior de que só Minas é capaz. É o lugar perfeito para um trabalho de história oral dessa natureza.

Acompanhei de longe a produção do livro, pude manuseá-lo na passagem de ano e sempre fui entusiasta do projeto. Não posso deixar de registrar, pois, a grande notícia de que o livro está disponível na internet em pdf. Vale a leitura para quem se interessa por história oral, causologia mineira, história do cotidiano e adjacências. Animal político que sou, gostei muito dos depoimentos de Nagib e Dalva Murad (pp.61-73). Feita com esmero, a transcrição das falas é fiel sem ser pitoresca.

Confiram lá, pois. No blog da Viraminas há outro livro para download, com memórias de professores tricordianos, prefaciado por minha mestra e guru-mor, Ana Lúcia Gazolla. E também a história da peregrinação por uma série de cidades mineiras.

Parabéns à Andressa e ao Paulo pelo trabalho memorioso.



  Escrito por Idelber às 21:29 | link para este post | Comentários (28)




Lula e Obama

Oferece-se esta foto à pobre direita brasileira, que tanto falou acerca da política externa “anti-americana” de Lula, Celso Amorim e barbudos do Itamaraty:

lulaobama.jpg
Foto: White House / Pete Souza / Creative Commons.

Nesse intercâmbio de olhares e sorrisos entre um Obama que não fala português e um Lula que não fala inglês, comunicam-se muito mais Brasil e EUA, trocam muito mais profundamente esses dois países tão comparáveis e tão diferentes do que jamais foi capaz FHC e seu inglês de Yázige, seja com Clinton, seja, pior ainda, com Bush.

Foi sobretudo colonizada a política externa que impuseram FHC, Lafer e cia durante o tucanato. Se não chegou aos excessos das “relações carnais” de Menem, ela sem dúvida colocava o Brasil como um CSA, no máximo um Vitória-BA ou Goiás, quando nós sabemos que o Brasil é um Grêmio ou Corinthians. Satélite dos EUA, sem tomar iniciativas Sul-Sul, o Brasil do tucanato ainda nos brindava aquele patético espetáculo: nosso presidente falando, com muitas limitações, a língua forânea de um chefe de estado estrangeiro em território nacional, sempre que o visitante era anglo-, franco- ou hispanofalante. Eu morria de vergonha daquilo triplamente: como cidadão brasileiro, como sujeito político e como professor de línguas.

A limitação colonizada da nossa direita falou em “problemas” para a política externa brasileira por Lula não saber idiomas. Como se o papel de um presidente fosse ser poliglota, e não ser presidente e representar a experiência de um povo. Como se o Brasil não tivesse uma das Chancelarias mais equipadas linguisticamente do planeta. Como se um chefe de estado russo, chinês ou sul-africano aceitasse falar outra língua que não a sua para conduzir negócio de estado.

E eis que um milênio que começou com o diálogo impossível – FHC que desprezava Bush e este que desprezava FHC – reserva, oito anos depois, para o chefe de estado brasileiro, o maior líder operário de sua história, a condição de primeiro líder de país emergente recebido na Casa Branca do primeiro presidente americano negro; na verdade, o primeiro líder a ser recebido mesmo, com visível empatia. Até mesmo segundo blogs conservadores, Lula deu o tom.

A direita brasileira tem todos os motivos para estar morta de raiva: depois de torcer contra Lula, depois de torcer contra Obama, depois de seis anos e meio de uma política externa brasileira independente, acusada por ela de ser “anti-americana”, esse encontro epocal se produz. Depois de tentar associar Lula ao chavismo (ou, mais delirante ainda, sugerir que ele é "manipulado" pelo caudilho venezuelano), ela vê os Estados Unidos da América e a República Bolivariana da Venezuela autorizarem-no a mediar possíveis gestos de reaproximação.

Como sempre, os portais da grande imprensa brasileira preferiram destacar o que o “não se conseguiu” na conversa, como se uma primeira visita fosse para “conseguir” algo. Rodada de Doha, redução das tarifas ao biocombustível brasileiro, tudo isso avançará ou não conforme a lógica que tiverem as negociações. Mas o encontro entre Lula e Obama é prova de que o Fórum Social Mundial tem razão: outro mundo é possível.

Atualização: Contrastando com a superficialidade dos portais, Sergio Leo escreveu um excelente balanço da visita.



  Escrito por Idelber às 05:23 | link para este post | Comentários (177)



domingo, 15 de março 2009

Um link

Via Gabriela Zago, chega a notícia de uma iniciativa que tem meu total apoio: o Projeto 701, que visa incentivar a criação de blogs jurídicos no Brasil.

Aos profissionais do Direito que já têm blog, fica aí a dica.

E o sinistro projeto de Eduardo Azeredo para a internet, sobre o qual já escrevi aqui, está nos assombrando por aí ainda.



  Escrito por Idelber às 15:19 | link para este post | Comentários (12)



sexta-feira, 13 de março 2009

Obama's walking the walk

No caso de que tenha passado batido pela imprensa brasileira: a indicação feita por Obama, de Shere Abbot, para Diretora Associada do meio ambiente no Gabinete de Ciência e Tecnologia da Casa Branca é dessas notícias alvissareiras, promissoras, que não podem passar sem registro. Obama's fucking walking the walk, pelo menos na maioria dos temas. Estas primeiras semanas deixam claríssima a mensagem: ciência é ciência, e fica nas mãos dos cientistas.

O que se faz com a ciência depois em termos de política pública é questão que uma sociedade democrática decidirá através dos instrumentos que já construiu. Mas deixem os cientistas pesquisarem em paz, em primeiríssimo lugar.

A diferença entre as políticas de Bush e de Obama para a ciência não se dá entre posições conservadora e liberal, de direita e de esquerda, mercadolivrista e keynesiana. Nesse sentido não há "dois lados", não sinhô. Trata-se de uma diferença entre os minimamente sanos e os completamente malucos.

Volta a ser possível fazer ciência com os temas sobre os quais os completamente malucos pontificam, baseados num livro de fábulas escrito há milênios. Já sei de cientista que se exilou no Canadá ou Europa e está planejando voltar. A extensão e profundidade da devastação deixada nestes oitos anos são aterradoras, e só estão tornando-se completamente visíveis agora -- mas o país começa a ficar respirável de novo para os cientistas.



  Escrito por Idelber às 06:43 | link para este post | Comentários (28)




Teses sobre o conto, de Ricardo Piglia

RP.jpgI

Num de seus cadernos de anotações, Tchékhov registra esta anedota: “Um homem, em Montecarlo, vai ao Cassino, ganha um milhão, volta para casa e se suicida". A forma clássica do conto está condensada no núcleo desse relato futuro e não escrito.

Contra o previsível e o convencional (jogar-perder-suicidar-se), a intriga se coloca como um paradoxo. A anedota tende a desvincular a história do jogo e a história do suicídio. Essa cisão é chave para definir o caráter duplo da forma do conto.

Primeira tese: um conto sempre conta duas histórias.

II

O conto clássico (Poe, Quiroga) narra em primeiro plano a história 1 (o relato do jogo) e constroi em segredo a história 2 (o relato do suicídio). A arte do contista consiste em saber cifrar a história 2 nos interstícios da história 1. Um relato visível esconde um relato secreto, narrado de modo elíptico e fragmentado.

O efeito de surpresa se produz quando o final da história secreta aparece na superfície.


V

O conto é um relato que encerra um relato secreto. Não se trata de um sentido oculto que depende da interpretação: o enigma não é outra coisa que a história que se conta de um modo enigmático. A estratégia do relato está posta a serviço dessa narração cifrada. Como contar uma história enquanto se está contando outra? Essa pergunta sintetiza os problemas técnicos do conto.

Segunda tese: a história secreta é a chave da forma do conto e de suas variantes.

VI

A versão moderna do conto que vem de Tchékhov, Katherine Mansfield, Sherwood Anderson e do Joyce de Dublinenses, abandona o final surpreendente e a estrutura fechada; trabalha a tensão entre as duas histórias sem resolvê-la nunca. A história secreta se conta de um modo cada vez mais elusivo. O conto clássico à la Poe contava uma história anunciando que havia outra; o conto moderno conta duas histórias como se fossem uma só.

A teoria do iceberg de Hemingway é a primeira síntese desse processo de transformação: o mais importante nunca se conta. A história secreta se constroi com o não dito, com o subententido e a alusão.


VII

[...]

O que teria feito Hemingway com a anedota de Tchékhov? Narrar com detalhes precisos a partida e o ambiente onde se realiza o jogo e a técnica que usa o jogador para apostar e o tipo de bebida que toma. Não dizer nunca que esse homem vai se suicidar, mas escrever o conto como se o leitor já o soubesse.

VIII

Kafka conta com clareza e simplicidade a história secreta, e narra sigilosamente a história visível até convertê-la em algo enigmático e escuro. Essa inversão funda o “kafkiano”.

A história do suicidio na anedota de Tchékhov seria narrada por Kafka em primeiro plano e com toda naturalidade. O terrível estaria centrado na partida, narrada de modo elíptico e ameaçador.

IX

Para Borges a história 1 é um gênero e a história 2 é sempre a mesma. Para atenuar ou dissimular a essencial monotonia dessa história secreta, Borges recorre às variantes narrativas que oferecem os gêneros. Todos os contos de Borges estão construídos com esse procedimento.

A história visível, o jogo na anedota de Tchékhov, seria contada por Borges segundo os estereótipos (levemente parodiados) de uma tradição ou um gênero. Uma partida no armazém, na planície entrerriana, contada por um velho soldado da cavalaria de Urquiza, amigo de Hilario Ascasubi. O relato do suicídio seria uma história construída com a duplicidade e a condensação da vida de um homem numa cena ou ato único que define seu destino.

X

A variante fundamental que introduziu Borges na história do conto consistiu em fazer da construção cifrada da história 2 o tema do relato.

Borges narra as manobras de alguém que constroi perversamente uma trama secreta com os materiais de uma história visível. Em A morte e a bússola, a história 2 é uma construção deliberada de Scharlach. O mesmo acontece com Acevedo Bandeira em O morto; com Nolan em Tema do traidor e do heroi; com Emma Zunz.

Borges (como Poe, como Kafka) sabia transformar em anedota os problemas da forma de narrar.


Fonte: Ricardo Piglia, Crítica y ficción (Bs.As., Siglo XX, 1993), pp. 75-79. Tradução I.Avelar. Foto: daqui.



  Escrito por Idelber às 06:08 | link para este post | Comentários (31)



quarta-feira, 11 de março 2009

Secar Parreira: Tarefa de todo amante do futebol

O Fluminense contratou o Parreira. Eu até já posei com a camisa do Tricolor das Laranjeiras e o clube tem a torcida da pessoa mais simpática da blogosfera. Mas contará a partir de hoje com a poderosa secação deste blog – e urucubaca de atleticano é a coisa mais destrutiva que existe. Torcer contra Parreira é dever de todo amante do futebol.

Sobre Parreira, que chegou a inventar na Copa um patético 6-0-4, eu mantenho tudo o que disse em 2006: trata-se de um repetidor de manuais que copia o pior do futebol italiano, gagueja em inglês e pensa que é alemão. Em quarenta anos de carreira, ganhou um Campeonato Nacional (1984) e uma Série C com o Fluminense, teve uma grande temporada com o Corinthians herdado de Oswaldo de Oliveira e nos impôs a desgraça de ganhar uma Copa do Mundo que fez mais mal que bem ao nosso futebol. Durante o resto inteiro da carreira, acumulou fracassos e arrogância. Foi um zero no São Paulo, no Galo, no Santos, no Internacional. Em 2006, dirigiu a Seleção Brasileira mais patética desde que Cruyff fez Luisão Pereira perder o rumo de casa na Alemanha.

napoleão-2.jpg
A cara da Seleção de Parreira

Parreira conseguiu entregar a um ex-Ipiranga comandado por Felipão a derrota mais grotesca que o Galo já sofreu num clássico, um 4 x 2 depois de estar vencendo por 2 x 0. No Brasileirão de 1999, o Galo de Humberto Ramos perdeu a final para um Corinthians que lhe era superior. Na Libertadores de 2000, o Galo de Parreira foi eliminado pelo Corinthians porque se recusou a jogar. *

Com outras Seleções que não a brasileira em Copas do Mundo, Parreira acumulou dois empates, sete derrotas e nenhuma vitória, seis gols a favor e vinte e quatro gols contra. Acaba de voltar da África do Sul, onde fracassou de novo (e ali há talento). Nas poucas vezes em que vence, Parreira tripudia sem elegância. Na maioria do tempo, põe a culpa pelas derrotas em outrem.

Apesar de tudo isso, Parreira – por causa de Copa de 1994 – sempre enchou o peito para falar em nome da “eficiência”, praguejar contra o estereótipo de futebol-arte que traz na cabeça e destilar ressentimento contra Telê Santana. Parreira e Zagallo não se aguentam de inveja, porque ganharam uma Copa cada um, e não são amados por ninguém. Telê perdeu duas e é amado por todos.

Coisas do futebol.

* Ver correção aqui e aqui.



  Escrito por Idelber às 09:18 | link para este post | Comentários (82)



terça-feira, 10 de março 2009

Revista Veja denuncia: Protógenes Queiroz grampeou Bush, Rumsfeld, Cheney, Idi Amin, o Papa e Deus

proto.jpgEm mais um furo de reportagem, a Revista Veja revelou que o Delegado Protógenes Queiroz grampeou o ex-presidente dos EUA, George W. Bush, o ex-vicepresidente Dick Cheney e o ex-Secretário de Estado Donald Rumsfeld durante os preparativos para a Guerra do Iraque. A revista não divulgou qualquer áudio da gravação, mas publicou a transcrição da conversa entre Cheney e Rumsfeld na qual se decidiu pela guerra. O diálogo não revela qualquer ilicitude na conduta dos antigos homens de estado americanos, mas prova a extensão da teia de espionagem construída pelo delegado brasileiro:


Rumsfeld: Talvez Saddam ainda decida renunciar às suas armas de destruição em massa e nos permita evitar a guerra e o derramamento de sangue.

Cheney: Sim, afinal de contas o mais importante é criar as condições para um planeta mais justo e pacífico.

Rumsfeld: Em todo caso, se a guerra for inevitável, já estabeleci todos os parâmetros para que as convenções humanitárias sejam respeitadas e a população civil seja resguardada.

Cheney: E eu já avisei aos executivos da Haliburton que não esperem nenhuma vantagem especial nos contratos do pós-guerra somente pelo fato de terem um acionista na vicepresidência. Estão todos avisados de que terão de disputar dentro da lei.


Procurados pela Revista Veja, Dick Cheney e Donald Rumsfeld confirmaram o conteúdo das conversas e asseguraram que a transcrição era correta.

No cemitério Ruwais, na cidade saudita de Jeddah, onde se encontra enterrado, o ex-ditador de Uganda Idi Ami Dada confirmou que suas conversas com o líder congolês Patrice Lumumba também foram grampeadas por Protógenes Queiroz e que as transcrições apresentadas pela Revista Veja são corretas. “A teia de espionagem de Protógenes arregimentou preferencialmente os membros das etnias Kakwa, Lugbara e Nubian”, afirmou Idi Amin à Veja direto de sua sepultura em Jeddah.

No Vaticano, o Papa Bento XVI confirmou à Revista Veja que Protógenes Queiroz grampeou suas conversas com Deus, nas quais o Supremo Pontífice pedia pela salvação da alma das duas células impiedosamente assassinadas pelos Drs. Olimpio Moraes e Sérgio Cabral no corpo de uma garota pernambucana de 9 anos de idade. A revista não apresentou os áudios das gravações, mas tanto o Santo Papa como Deus confirmaram que foram vítimas do grampo do Delegado Protógenes.



  Escrito por Idelber às 06:21 | link para este post | Comentários (96)



domingo, 08 de março 2009

Apoio às feministas e ao CISAM no caso da menina de 9 anos, estuprada em Alagoinha

Reconhecemos e aplaudimos a solidariedade, compromisso e eficiência que determinou o aborto legal realizado pela equipe de atenção à saúde do CISAM - Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, e em especial aos médicos Prof. Olimpio Moraes e Dr. Sérgio Cabral. Esta instituição mostrou seu compromisso com a saúde, com a vida, com a cidadania e direitos humanos da população que por ela é atendida.

A crítica contundente de setores conservadores religiosos a um trabalho tecnicamente competente e em consonância com as leis nacionais e normativas internacionais reflete uma vez mais seu arcaísmo e desumanidade.

O mundo acompanha atentamente a história desta menina pernambucana de 9 anos de idade, e seguramente apoiará a perspectiva daquelas/daqueles que defendem os direitos reprodutivos como direitos humanos.

É a íntegra do abaixo-assinado da Comissão de Cidadania e Reprodução, que merece todo o apoio. Assine lá.



Atualização: Ainda sobre o mesmo assunto, ofereço, meio horrorizado, mais este link.



  Escrito por Idelber às 17:35 | link para este post | Comentários (41)



sábado, 07 de março 2009

Em Austin

Este é só um post meia-boca para dar notícias do meu paradeiro e abrir outra caixa de comentários para quem quiser oferecer notícias da manifestação de hoje contra a Folha de São Paulo, às 10 horas da manhã, na Alameda Barão de Limeira. Parece que o Biscoito terá uma fotógrafa nesse ato público. A se confirmar. Quem tiver ido, deixe aí o testemunho.

No momento, eu me encontro aqui, ó:

austin.jpg

O Google Maps me dizia que iam ser 8 horas e 50 minutos, mas fiz New Orleans-Austin em menos de 7 horas. Foi também a estréia triunfal do meu GPS, comprado na Amazon por 150 mangos. É uma daquelas maquininhas que te fazem pensar que não há mesmo limites para a tecnologia. Uma maravilha.

Estou em Austin -- única cidade do Texas que possui qualquer interesse para mim -- a convite dessa venerável instituição, para um colóquio sobre violência que teve um primeiro dia magnífico.

Na véspera do Dia Internacional da Mullher, mais uma extraordinária profissional, que recebeu a oferta de trabalho dos sonhos, para aquele salto definidor e definitivo, terminou recusando-a porque o marido -- que não é em sua profissão nem metade do que ela é na dela -- se sentiu, digamos, meio inseguro de se mudar. É impressionante a frequência com que vejo esse filme. Jamais o vi acontecer ao revés.

E, neste domingo, reencontraremos nosso velho freguês, desta vez na disputa do título regional. Se for passar aí no Brasil, não percam.



  Escrito por Idelber às 03:35 | link para este post | Comentários (51)



quinta-feira, 05 de março 2009

A encomenda

Já fui chamado algumas vezes de anti-americano por criticar a política externa ou a ideologia dominante nos Estados Unidos. Pois bem, peço licença hoje para descer o sarrafo numa venerável instituição latino-americana: a maldita encomenda. Há poucas coisas neste planeta que eu odeie mais que a encomenda. Ela praticamente não existe entre estadunidenses, que são um povo com nível altíssimo de simancol. Mas é uma verdadeira praga entre latino-americanos.

Qualquer latino-americano que viaja muito pelo mundo ou mora fora do país já foi vítima dessa execrável instituição. Acho que ela é mais comum, inclusive, nos países hispano-americanos que no Brasil. Em algumas nações – omitamos os nomes –, a encomenda é quase uma obrigatoriedade. Se há um incauto viajando para alguma comarca onde o mentecapto desprovido de simancol tem um amigo ou mesmo um conhecido, ele se sentirá na obrigação de mandar uma encomenda.

Um sujeito que, ante um compatriota que está visitando outro país, para um congresso de quatro dias, que se reúne em tempo integral, manda uma encomenda para ser entregue a um destinatário que a vítima nem conhece, sinceramente, esse sujeito merece ter que se ajoelhar em praça pública para pedir perdão (alô, Fernando Barros e Silva, este não é um blog maoísta; isto é só uma metáfora, ok?).

Claro que não aconteceu comigo. Eu não aceito encomenda. Não levo, não trago, não compro, não vendo e digo na cara de quem for. Mas não posso me recusar a hospedar alguém só porque essa pessoa traz uma encomenda que, na certa, vai terminar explodindo no meu colo, pois ninguém tem tempo de sair caçando destinatários de encomenda no meio de um colóquio que se reúne de 9 às 18 horas. É o anfitrião que termina com a mala sem alça.

Agora imagine que o destinatário é um médico, um cabra que dorme de três a quatro horas por noite, não tem tempo nem de comer, e de repente recebe uma ligação de um desconhecido dizendo: olha, Fulano, eu sou o Beltrano, que você não conhece, mas o Mengano, que você também não conhece, deixou aqui uma encomenda da Cicrana, que lhe mandou uns docinhos nicaraguenses. Que horas você pode passar para pegar? Ao sentir a respiração do cabra do outro lado, eu só pensava com meus botões: Bicho, você tem que escolher melhor seus amigos.

É evidente que nem toda encomenda é igual. Um parente ou amigo muito íntimo, que lhe pede algo que realmente é muito mais barato nos EUA e é facilmente transportável, avisando-lhe com a antecedência necessária para que você possa fazer a compra pela internet, esse ainda vai. Mas a maioria dos encomendeiros é de outra lavra.

Eis aqui uma cena inimaginável nos EUA: uma vez, no meio de um churrasco de família, no prédio onde tenho um AP-zinho, ali na Cidade Nova, em Belo Horizonte, um desconhecido se aproxima e diz: oi, eu sei que você mora nos EUA e vem aqui todo semestre. Eu queria lhe propor um negócio. A câmera tal e qual custa X reais por aqui. Lá custa Y dólares. Se você trouxer umas 5 por semestre e a gente vender e rachar a diferença, vamos ganhar Z reais. Na cara-dura, sem nunca ter me visto na vida, o sujeito me propunha virar contrabandista. Minha resposta, que é a minha típica nessas situações, já me rendeu fama de chato, mas dela não abro mão. Seco e direto, na veia: eu não trago encomenda. Foi divertido ver a cara do sujeito, tentando registrar uma frase que não estava, para ele, no domínio do inteligível. Como não traz encomenda?

É um insulto à cordialidade latino-americana você dizer que não traz encomenda. Eu o digo deliciando-me com cada sílaba, com um sadismo de que só um atleticano é capaz.

Depois disso, o sujeito, cujo nome eu nunca soube, parou de me cumprimentar nos corredores e elevadores do prédio. Desde então, claro, eu tenho insônias e remorsos terríveis por isso, preocupadíssimo que fiquei. Imagine: eu viajo ao Brasil pelo menos três vezes por ano. Moro nos EUA há vinte. Estou completando um milhão de milhas viajadas, mais que muito piloto por aí. Se eu quisesse ganhar dinheiro com muamba, o Galo já teria contratato o Kaká, pois afinal eu sou um socialista que reparte suas benesses com os mais necessitados.

Moral da história: caríssimo leitor, nem toda encomenda é uma mala sem alça. Mas assim como naquelas fórmulas matemáticas em que a coisa tende a zero, a encomenda tende a ser uma mala sem alça. Muita, muita moderação na hora de impô-la a um coitado que, como todo bom viajante, só quer zanzar livre leve e solto por este mundo de meu Deus.




PS: De vez em quando, na blogosfera, você se depara com coisa de gênio (via Milton).

PS 2: Leiam também o Zema Ribeiro. É um momento importante da história do Maranhão, esse estado que tem os piores índices sociais do Brasil e, ao mesmo tempo, uma capital -- ah, uma capital! -- que é das cidades mais absurdamente belas do planeta. Saudades de São Luís. O Maranhão não merece isso.

PS 3: Verbeat no seu quinto aniversário. Parabéns. Este atleticano blogueiro se orgulha de ter sido o tradutor do manifesto.



  Escrito por Idelber às 01:23 | link para este post | Comentários (72)



quarta-feira, 04 de março 2009

Registro

No dia 27 de fevereiro passado, Paulo Henrique Amorim reproduziu em seu blog as 25 perguntas a Gilmar Mendes escritas por mim e publicadas aqui no Biscoito no dia 15 de dezembro de 2008. A reprodução muito me honra, mas ela foi feita sem créditos ao autor. Pior ainda, o Paulo diz que são 25 perguntas “segundo Ricardo Noblat”, o que só pode ser uma piada, posto que Noblat teve amplas oportunidades de fazer perguntas genuinamente jornalísticas durante o Roda Viva de dezembro passado e não fez nenhuma.

No mesmo dia, o PHA foi avisado pelo leitor Marcos de que aquelas perguntas tinham autor. O post continuou sem atribuição de autoria. Jean Scharlau, por duas vezes, colocou lá o link correto para a fonte onde elas foram originalmente publicadas. Mesmo assim, quase uma semana depois, o post continua dizendo que as perguntas são “segundo Ricardo Noblat”.

Como já afirmei aqui, não perco sono com copia / cola sem atribuição de autoria. Mas não deixo de registrar quando acontece comigo.

Atribuição correta de autoria é componente essencial da credibilidade de qualquer blogueiro.




PS: Já que de corrigir se trata, que fique registrado que o PHA também errou ao dizer, sobre a vitória de Obama, que “as pesquisas estavam erradas” e que “ninguém previu a vitória de goleada de Obama”. Como registram os arquivos do Biscoito e do Five Thirty-Eight, as pesquisas sérias – Rassmussen, Gallup etc. – acertaram o resultado da eleição americana na mosca. Tabulando-as, o Nate do 538 previu com exatidão o resultado final, acertando até a casa dos decimais. Quem acompanhou por aqui não teve surpresa nenhuma.



  Escrito por Idelber às 13:39 | link para este post | Comentários (57)



terça-feira, 03 de março 2009

Walter Benjamin, Sobre a história, Tese IX

klee.jpg

Pronta para o vôo está minha asa
gostosamente voltaria atrás
pois se me restasse tempo de viver
minha sorte seria escassa

(Gerhard Scholem, "Saudação do Angelus")

IX

Há um quadro de Klee chamado Angelus Novus. Apresenta-se nele um anjo que parece estar a ponto de afastar-se de algo que encara fixamente. Tem os olhos esbugalhados, aberta a boca, estendidas as asas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Ele tem o rosto virado para o passado. Naquilo que nos aparece como cadeia de acontecimentos, ele vê uma única catástrofe, que incessantemente empilha ruína sobre ruína, atirando-as a seus pés. Ele bem gostaria de demorar-se, acordar os mortos e recompor o despedaçado. Mas uma tempestade fustiga, vinda do paraíso, emaranhando-se, tão forte, em suas asas que o anjo já não pode fechá-las. Essa tempestade arrasta-o irresistivelmente para o futuro, ao qual ele dá as costas, enquanto a pilha de ruínas amontoa-se até os céus. Esta tempestade é o que chamamos progresso.




PS: Tradução minha, daqui. O testamentário "Sobre o conceito de história", último texto escrito por Walter Benjamin, está disponível na internet também em inglês. De longe, a mais bela tradução já feita é a de Pablo Oyarzún, em La dialéctica en suspenso (Santiago: Arcis-Lom, 1995). O texto completo foi publicado em português num volume traduzido por Sergio Paulo Rouanet (versão da qual já não tenho memória).



  Escrito por Idelber às 22:10 | link para este post | Comentários (27)




Agora descasque o abacaxi, Dona Kathleen

KathleenSebelius.jpg Com as últimas notícias da hecatombe econômica, está chegando a 50 milhões o número de estadunidenses sem seguro de saúde, algo que nos EUA deixa-o a uma fratura de tíbia de distância do endividamento eterno. Sofreram duros golpes nos últimos anos tanto o Medicare – o atendimento do governo para maiores de 65 anos – como o Social Security, o programa mais amplo de benefícios para idosos, desempregados e descapacitados, do qual o inesquecível George W. Bush uma vez reclamou que querem que o governo controle, como se fosse lá um tipo de programa federal. O presidente anterior chegou a declarar que não podem dizer que há gente sem cuidado médico na América, afinal é só ir na sala de emergência, num país em que uma ou duas visitas à sala de emergência sem seguro podem derrubar um orçamento familiar. Em 2007, 6,8 milhões de americanos já haviam perdido assistência médica desde a posse de Bush. Neste contexto, ter uma cabeça como a de Barack Obama preocupada com o problema já é um alívio.

Estrangulado pelo oligopólio das seguradoras – o lobby mais poderoso de Washington, segundo estudo do Center for Responsive Politics –, o sistema de saúde americano é daqueles angus de caroço sem cuja resolução o próprio futuro do país fica ameaçado. Ele não prioriza a prevenção, privilegia o capitalismo-sem-risco, especulativo das seguradoras, deixa médicos e enfermeiras na posição de pouco mais que servos-executores de suas políticas, sem muito contato individualizado com pacientes. Para completar, implica sempre um custo proibitivo para pobres e classe média. A definição clássica de um sistema quebrado.

A última tentativa dos democratas de reformá-lo aconteceu em 1993, e foi um dos fracassos mais estrepitosos do Partido. A cargo de Hillary Clinton, a estratégia era uma espécie de pacote-surpresa para o Congresso, ao qual nem mesmo os senadores democratas foram convidados a contribuir. Claro que não deu certo. Isolada, Hillary foi presa fácil para o lobby das seguradoras, que trituram-na sem dó nem piedade ao longo de 1993. Dali o projeto foi para a gaveta e nós viemos morro abaixo.

Kathleen Sebelius, governadora do Kansas, é a escolhida de Barack Obama para Health and Human Services, o equivalente do Ministério da Saúde. Tem o apoio entusiasmado deste blog. Acompanho Sebelius há anos. Ela era minha candidata a vice-presidente, até que acabei sendo convencido pela escolha mais pragmática de Joe Biden.

Católica, mas com longa história de defesa dos direitos das mulheres ao aborto, ela provoca o ódio dos grupos anti-abortistas mais delirantes, mas governa com sucesso o estado conservador do Kansas há dois mandatos. Moderada, centrista, ela tem um perfil parecido com o de Obama: conciliadora e diálogica, mas firme na defesa do que é da ordem dos princípios. Eliminou 1,1 bilhão da lambança de dívidas deixada pelos antecessores no Kansas, não aceitou contribuições de seguradoras e tem uma história de compromisso com a educação pública. Fala bonito mas firme, sem afetação. Aderiu à campanha de Obama no primeiro momento.

Não há como desarmar essa bomba-relógio sem algum grau de confronto com o lobby do capitalismo-sem-risco das seguradoras. Mas a briga tem que ser preparada em terreno favorável, e Kathleen sabe disso. A tarefa de Sebelius não é menos complicada que a de George Mitchell no Oriente Médio. Mas não sei de outra pessoa mais qualificada.


PS 1: Está de casa nova – e bonita – o Marcos Donizetti.

PS 2: Bem vindos ao blogroll, Cloaca News.



  Escrito por Idelber às 06:01 | link para este post | Comentários (20)



segunda-feira, 02 de março 2009

Ato Público contra a Folha de São Paulo: dia 07/03, às 10 h

Está crescendo bastante a mobilização para o ato público convocado para o próximo sábado, dia 07, às 10 da manhã, em frente ao comitê central da candidatura Serra prédio da Folha de São Paulo, na Alameda Barão de Limeira, 425. Trata-se de uma concentração popular em protesto contra o insulto à memória das vítimas da ditadura militar no editorial da Folha do dia 17 passado e em solidariedade com os professores Fabio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides, insultados pelo jornal.

A manifestação foi convocada pelo Eduardo Guimarães, conta com o apoio do Biscoito e já tem um selinho, feito pelo Mello:

ditabranda.gif


A lista de blogs que estão divulgando o ato público inclui o Luis Nassif, o Viomundo, a Maria Frô, o Óleo do Diabo, o Estado Anarquista e muitos outros. O blog Nas Retinas pede a colaboração dos paulistanos que por ventura tenham acesso a uma rede wifi nas imediações da Barão de Limeira. O genial Latuff já fez sua charge contra a “ditabranda”:


Vladimir%2BHerzog.jpg


Além de oferecer a modesta ajuda na divulgação do ato, eu apresento o recibo de cancelamento da minha assinatura:

uol.jpg


Todas as fontes confirmam que o impacto do episódio fez com que se batessem muitas cabeças na redação da Folha de São Paulo. Sem saber muito bem como lidar com a grande repercussão, sem ter a dignidade de se desculpar, desprovido da transparência de repensar a sua colaboração com a ditadura, o jornal embarcou numa sequência de emendas que pioraram muito um já péssimo soneto. Publicaram umas poucas linhas de Benevides e de Comparato, sem resposta injuriosa mas sem retratação. Escalaram um colunista, Fernando Barros e Silva, para “discordar” do editorial num texto cuja ênfase maior era uma bizarra comparação entre a metáfora usada por Comparato – de que o jornal deveria se desculpar ajoelhado em praça pública – e os métodos da Revolução Cultural chinesa (haja liberdades com as metáforas alheias!). O coroamento foi um post de Marcelo Coelho que afirmava que “há pelo menos 30 anos, a Folha reprova o autoritarismo”, omitindo a simples matemática de que em 1979 a Folha já tinha 15 anos de leais serviços prestados à ditadura militar.

O episódio reitera mais uma vez algo que o Biscoito vem afirmando há tempos: os funcionários da grande mídia continuam sem ter a menor idéia da grande revolta que toma conta de parte significativa do público leitor. Como a internet tem sido o principal meio de expressão dessa revolta, eles seguem colocando a culpa da febre no termômetro.

O Biscoito apóia o ato do próximo sábado e convoca os amigos paulistanos: dia 07/03, às 10 da manhã, na Alameda Barão de Limeira.



  Escrito por Idelber às 17:02 | link para este post | Comentários (116)