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quinta-feira, 05 de março 2009

A encomenda

Já fui chamado algumas vezes de anti-americano por criticar a política externa ou a ideologia dominante nos Estados Unidos. Pois bem, peço licença hoje para descer o sarrafo numa venerável instituição latino-americana: a maldita encomenda. Há poucas coisas neste planeta que eu odeie mais que a encomenda. Ela praticamente não existe entre estadunidenses, que são um povo com nível altíssimo de simancol. Mas é uma verdadeira praga entre latino-americanos.

Qualquer latino-americano que viaja muito pelo mundo ou mora fora do país já foi vítima dessa execrável instituição. Acho que ela é mais comum, inclusive, nos países hispano-americanos que no Brasil. Em algumas nações – omitamos os nomes –, a encomenda é quase uma obrigatoriedade. Se há um incauto viajando para alguma comarca onde o mentecapto desprovido de simancol tem um amigo ou mesmo um conhecido, ele se sentirá na obrigação de mandar uma encomenda.

Um sujeito que, ante um compatriota que está visitando outro país, para um congresso de quatro dias, que se reúne em tempo integral, manda uma encomenda para ser entregue a um destinatário que a vítima nem conhece, sinceramente, esse sujeito merece ter que se ajoelhar em praça pública para pedir perdão (alô, Fernando Barros e Silva, este não é um blog maoísta; isto é só uma metáfora, ok?).

Claro que não aconteceu comigo. Eu não aceito encomenda. Não levo, não trago, não compro, não vendo e digo na cara de quem for. Mas não posso me recusar a hospedar alguém só porque essa pessoa traz uma encomenda que, na certa, vai terminar explodindo no meu colo, pois ninguém tem tempo de sair caçando destinatários de encomenda no meio de um colóquio que se reúne de 9 às 18 horas. É o anfitrião que termina com a mala sem alça.

Agora imagine que o destinatário é um médico, um cabra que dorme de três a quatro horas por noite, não tem tempo nem de comer, e de repente recebe uma ligação de um desconhecido dizendo: olha, Fulano, eu sou o Beltrano, que você não conhece, mas o Mengano, que você também não conhece, deixou aqui uma encomenda da Cicrana, que lhe mandou uns docinhos nicaraguenses. Que horas você pode passar para pegar? Ao sentir a respiração do cabra do outro lado, eu só pensava com meus botões: Bicho, você tem que escolher melhor seus amigos.

É evidente que nem toda encomenda é igual. Um parente ou amigo muito íntimo, que lhe pede algo que realmente é muito mais barato nos EUA e é facilmente transportável, avisando-lhe com a antecedência necessária para que você possa fazer a compra pela internet, esse ainda vai. Mas a maioria dos encomendeiros é de outra lavra.

Eis aqui uma cena inimaginável nos EUA: uma vez, no meio de um churrasco de família, no prédio onde tenho um AP-zinho, ali na Cidade Nova, em Belo Horizonte, um desconhecido se aproxima e diz: oi, eu sei que você mora nos EUA e vem aqui todo semestre. Eu queria lhe propor um negócio. A câmera tal e qual custa X reais por aqui. Lá custa Y dólares. Se você trouxer umas 5 por semestre e a gente vender e rachar a diferença, vamos ganhar Z reais. Na cara-dura, sem nunca ter me visto na vida, o sujeito me propunha virar contrabandista. Minha resposta, que é a minha típica nessas situações, já me rendeu fama de chato, mas dela não abro mão. Seco e direto, na veia: eu não trago encomenda. Foi divertido ver a cara do sujeito, tentando registrar uma frase que não estava, para ele, no domínio do inteligível. Como não traz encomenda?

É um insulto à cordialidade latino-americana você dizer que não traz encomenda. Eu o digo deliciando-me com cada sílaba, com um sadismo de que só um atleticano é capaz.

Depois disso, o sujeito, cujo nome eu nunca soube, parou de me cumprimentar nos corredores e elevadores do prédio. Desde então, claro, eu tenho insônias e remorsos terríveis por isso, preocupadíssimo que fiquei. Imagine: eu viajo ao Brasil pelo menos três vezes por ano. Moro nos EUA há vinte. Estou completando um milhão de milhas viajadas, mais que muito piloto por aí. Se eu quisesse ganhar dinheiro com muamba, o Galo já teria contratato o Kaká, pois afinal eu sou um socialista que reparte suas benesses com os mais necessitados.

Moral da história: caríssimo leitor, nem toda encomenda é uma mala sem alça. Mas assim como naquelas fórmulas matemáticas em que a coisa tende a zero, a encomenda tende a ser uma mala sem alça. Muita, muita moderação na hora de impô-la a um coitado que, como todo bom viajante, só quer zanzar livre leve e solto por este mundo de meu Deus.




PS: De vez em quando, na blogosfera, você se depara com coisa de gênio (via Milton).

PS 2: Leiam também o Zema Ribeiro. É um momento importante da história do Maranhão, esse estado que tem os piores índices sociais do Brasil e, ao mesmo tempo, uma capital -- ah, uma capital! -- que é das cidades mais absurdamente belas do planeta. Saudades de São Luís. O Maranhão não merece isso.

PS 3: Verbeat no seu quinto aniversário. Parabéns. Este atleticano blogueiro se orgulha de ter sido o tradutor do manifesto.



  Escrito por Idelber às 01:23 | link para este post | Comentários (72)


Comentários

#1

jah eu, desisti.

como tenho minhas roupas e meus livros já bem divididos entre os dois paises, e portanto nao carrego nem roupas nem livros de um canto pro outro, minha mala vai quase vazia... entao, nem titubeio: "quer? eu trago. taqui meu endereco, manda entregar na minha casa em nova orleans, eu levo pro brasil. se a alfandega pegar ou implicar, eu dou pro fiscal e pronto. e depois vc manda alguem pegar na minha casa do rio, pq tb eu nao vou sair pela cidade levando na mao de ninguem."

o pior é quando nego quer q EU compre aqui e depois ele me paga no Brasil! "olha, calega, sinto muito, sou estudante, sou pobre, não tenho fluxo de caixa pra empatar capital de giro em coisas pros outros. nao vou comprar nada pra vc, mas compra, manda aqui pra casa, e eu trago..."

e, dependendo na pessoa, se tiver mais grana, e dependendo do que for, eu ainda tento um constrangimento: "deixa eu ver se entendi, vc vai me mandar cinco hardcover superpesados pra minha casa, pra eu levar nas costas pro brasil, só pra vc economizar os vinte dolares de frete que a amazon cobraria pra entregar esses livros em SP? faça-me o favor!"

dependendo tb dos casos, eu arranco uma carona de volta do aeroporto: "me pega no galeao e pronto"

da ultima vez, ferias de inverno, um dos destinatarios demorou quase um mes pra passar na minha casa e pegar o raio da encomenda... eu já estava quase voltando pra nova orleans e o cara ainda me ligando querendo saber onde eu estaria dia tal, hora tal, pra ele ir me encontrar... e eu: "calega... estou na cidade pouco tempo, cheio de compromissos, não sei onde vou estar, nem que horas... vc tem carro... eu trouxe seus badulaques dos estados unidos pra cá, se vc nao tem disposição pra vir até o meu bairro pegar, me avisa q eu dou pro porteiro, ele vai adorar..."

o foda nao eh nem levar o troço fisicamente de um pais pro outro.... é o cara querer q vc compre com o SEU dinheiro e ainda dê uma de motoboy e vá levar em mãos... periga dele querer q eu pague um boquete pra ele tb....

mas o meu pior caso de encomenda eu só te conto pessoalmente, pq tem coisas que não se escrevem...

hmmm... isso ficou grande, dá um post... ;)

alex castro em março 5, 2009 2:05 AM


#2

Não precisa nem sair do país.

Aconteceu no meu último natal. Moro em Porto Alegre, família em Minas (e Rio). Comentário sobre espumante antes da minha viagem, via telefone. Ligação de uma parente muito próxima, no dia seguinte:

- A Fulana estava aqui em casa ontem quando você ligou e disse que gostaria de encomendar o espumante tal.

- Ai, tudo bem, vai (já com raiva). Que coisa chata pedir para eu levar uma garrafa, coisa frágil, que pode quebrar, num dia confuso de viagem, que vai ser correria pra mim... Ela quer seco, moscatel, o quê?

- Ela quer três garrafas de moscatel e três de demi-sec.

Sim, viajei com seis garrafas. Não havia sobrado traço residual de alça no embrulho que a companhia aéra enlaçou com metros de fita adesiva. Por pouco, coisa de gramas mesmo, não estoura o limite de peso.

Jurei para mim mesmo nunca, jamais, cair numa dessa novamente. E espero poder cumprir minha promessa.

Fábio Carvalho em março 5, 2009 3:42 AM


#3

Hahahah, poxa, Idelber, que RANZINZA!
Há tempos não me divertia com um post seu, sempre tão sério.
[]s

darcio em março 5, 2009 7:44 AM


#4

Também sou do time que não traz encomendas - os parentes nem pedem mais e os amigos não se atrevem, porque já sabem que não rola. Prefiro me fingir de surda (ou, melhor dizendo, de mais surda do que já sou) a ter que brincar de carregadora da muamba alheia...

A única exceção que eu abro é para minha mãe. Primeiro porque mãe é mãe...e segundo porque ela pede coisas que eu acho em qualquer supermercado e não me pesam na mala. Do contrário, nem para ela!

Anna C. em março 5, 2009 8:09 AM


#5

Muito bom

Tiago Mesquita em março 5, 2009 8:16 AM


#6

Pode ficar tranqüilo. Não peço e também não levo. A última vez que tive a fraqueza de cair nessa, trouxe uma encomenda pesadíssima para um desconhecido em Porto Alegre. Tinha até vidros com fios de ovos... Uma beleza. Telefonei para o dito cujo, que não pareceu nada emocionado com a lembrança e muito menos com o telefonema.

Senti na hora que o cara nunca viria buscar. Passa dois dias e o cara me liga:

-- Olha, eu trabalho muito e moro longe. Coma tudo antes que estrague, deve estar bom. Não vou buscar, mas já busquei, capicci?

-- Capisco.

Não gostei muito dos doces...

Encomenda é de última.

Abraço.

Milton Ribeiro em março 5, 2009 8:23 AM


#7

Ótimo o Alex Castro! Se o boquete fosse invertido, dependendo de quem fosse... hahahaha

Milton Ribeiro em março 5, 2009 8:26 AM


#8

Achei uma graça o post.

No nosso caso aqui no Pará a encomenda é quase obrigatória, por um motivo simples: aqui tem vários tipos de comida que só tem aqui mesmo, e o único jeito de os amigos e parentes exilados no Sudeste matarem a saudade dela é alguém trazendo de avião, congelado num isopor. De outra forma seria proibitivo.

Por exemplo, açaí. Isso que vocês do sudeste chamam de açaí não é açaí de verdade, e é absurdamente caro. Por isso o paraense sempre leva uns litros de açaí-papa, do tipo que simplesmente não se encontra fora do Pará. Além de várias outras comidinhas exóticas.

Se você ver um monte de gente saindo do aeroporto com isopor, pode crer que chegou um voo de paraenses, hehehe.

Mas nesses casos é quase sempre uma encomenda "afetiva". A gente não está levando pra fazer favor a um semi-desconhecido, mas para alegrar o coração das pessoas queridas que estão fora.

Marcus em março 5, 2009 8:43 AM


#9

Dois anos atrás,fizemos amizade com a cozinheira brasileira de um restaurante do bairro, que vivia aqui com dois filhos adultos, sobrinhos, primos e uma família digna do século XIX. Um dia, a polícia descobriu que o passaporte francês dela era falso (dizia que ela tinha nascido em Bordeaux, com aquele sotacão...) e a deportaram.

Meses depois, eu ia viajar para o Brasil, ela soube pelo maldito orkut, e me pediu pra trazer "umas coisinhas" que ela tinha deixado. Detalhe, eu estava indo pra São Paulo e ela mora em Brasília. (Eu pago o correio, ela disse). O idiota topou.

Resultado, no dia seguinte vêm em casa os primos dela, trazendo uma caixa de VINTE QUILOS. QUando eu me recusei a carregar metade do que me é permitido em encomenda, ela disse "não percebi que era tão grande... pode abrir a caixa e trazer o que der?"

Abri: tinha botas cor-de-rosa, aparelho de som, dvds, cds, cachecóis, casacos de inverno, lembrancinhas da Torre Eiffel, o escambau. Nem consigo me lembrar.

O pior de tudo é que a caixa ficou meses aqui em casa. Acho que os primos estavam felizes da vida de se verem livres do trambolho!

Diego Viana em março 5, 2009 8:50 AM


#10

Idelber, senti-me totalmente contemplada com esse post. Porque, quando vc fala dos latinoamericanos que seriam piores do que a gente, veja bem... será que vc não está deixando de lado os nordestinos? Moro no Rio desde sempre, e tenho uma big família no Recife. Então... já tenho fama de chata, né... até porque eu digo assim: "tia, queijo de coalho tem na feira de São Cristóvão..." a melhor carne de sol que eu como hoje em dia é na Adega do Peixoto, na Tijuca. É claro que, nesse caso de família, o que tá em jogo são as saudades (da minha mãe e dos meus irmãos, que tb moram no Rio, no caso) e a vontade de "fazer um agrado". Bem como a boa educação pernambucana. Sobre isso, um post valeria. Não se pode recusar. Eu cometo pecado de não-pertencimento quando faço isso. Mas faço. Tenho uma prima que veio com um bolo Souza Leão (vcs sabem o que é? Todos os ingredientes tem no Rio, inclusive gente do NE que sabe fazer...), pequeno, dentro de uma caixa de pizza gigante que uma tia minha entregou a ela no último minuto, para meu pai que estava doente. Pois bem, ela trouxe, quando chegou descobriu que o bolo só ocupava o meio da caixa, e até hoje essa tia tem dúvidas sobre o fato da encomenda ter chegado a bom porto... vamos construir um movimento: "não às encomendas". Mas este seu post, acho, encobre algo mais profundo sobre os "bons costumes brasileiros": é muito mais aceito que a pessoa seja mala, entrona, inconveniente com o sorriso, do que que diga um simples não. Mesmo educado. Um dia alguém há de fazer um estudo acadêmico sobre o assunto.

Renata L em março 5, 2009 8:55 AM


#11

A qualé?! Eu só ia te pedir uma camiseta dos Saints... deixa pra lá...
huahauhauha Queria muito ter visto a cara do inliliz que te falou das câmeras...
Abraço!!

Gui Losilla em março 5, 2009 9:20 AM


#12

Mas acho que pior ainda que a ecncomenda é a consulta informal que, via de regra, acontece em festas de casamento, aniversários e até em velórios. Porque se o processo de "chineização" da indústria continuar, e o consequente barateamento e popularização de uma série de produtos, não terá mais sentido encomendar produtos de fora pela novidade e pelo preço. Já as consultas...

Cláudia em março 5, 2009 9:39 AM


#13

Bem, esta causa eu apoio com entusiasmo. Se tiver ato público, me convida.

Também detesto encomenda e já pronunciei frases parecidas com o seu bordão. Mas, como bom neoliberal, não posso deixar de registrar que a encomenda (a de quando pedem para comprar) é típica de países ainda relativamente fechados e autarquizados, com passado ou presente de substituição de importações, onde tudo é mais caro e pior

F.Arranhaponte em março 5, 2009 9:41 AM


#14

alias, vou ter que concordar com o marcus. tem coisas do pará, especialmente piracuí, que eu peço pra todo mundo trazer, e já pedi até pra ex-sogra mandar por sedex! mas é fogo, pq piracuí é dificil de encontrar até em belem, e impossivel fora do pará... alias, se alguem souber onde se compra piracuí no rio e em sp, por favor, avisem!

alex castro em março 5, 2009 9:57 AM


#15

hahahahahah:)
Acabei de acordar, dei de cara com esse post ...uma história mais divertida que a outra :)))

Izabella em março 5, 2009 10:22 AM


#16

Fiquei tanto de mau humor pelo texto (?) de meu colega historiador hoje na Folha, Marco Antônio Villa, que só pude esboçar um meio-sorriso lendo sua confissão, Idelber.
Mas será que não dá para você trazes dos Stades um pouco desse simancol? Tá faltando bastante aqui pela terrinha.

João Paulo Rodrigues em março 5, 2009 10:41 AM


#17

Pôxa, Idelber, mas justo agora que fomos formalmente apresentados e o dólar tá 2,30 e...

Pinto em março 5, 2009 10:56 AM


#18

este é um dos temas mais desagradáveis da nossa vida familiar e cotidiana....no Brasil tem disso sim e ainda vem precedido do termo "aproveita"....rssss....

daria um belo roteiro de cinema este tema

A Encomenda: O dia em que deu tudo errado em minha vida só por causa dessa porra....

Daniel Boeira em março 5, 2009 11:15 AM


#19

Acabo de ler o artigo de Villa em Viomundo do Azenha...Meeeuuuu Deeeeeuuuussss...é uma coleção de absurdos notórios para afirmar como foi boa a nossa ditadura...boa para quem cara pálida?....claro que alguns intelectuais acreditam que seletividade ideológica é sinônimo de qualidade....

Daniel Boeira em março 5, 2009 11:32 AM


#20

rapaz...

uma vez fui obrigado a rir da cara de uma pessoa que me pediu três - sim, três! - pares de tênis, segundo ela, para uso pessoal.

no final a minha risada acabou sendo pior do que o teu mantra.

abs

muta em março 5, 2009 12:06 PM


#21

Idelber, vou repetir aqui o que já disse lá para os meninso do Hipopótamo Zeno. Seguinte.

Mais uma vez confirma-se aquela famosa teoria de que mineiro é um baiano cansado, aquele tipo de gente que quer ir para São Paulo, mas acaba no meio do caminho. Só isso para explicar seu atraso em conhecer o Zeno.
Até este seu amigo aqui, com a preguiça e o desleixo tradicionais, já havia "descoberto" o glorioso Hipopótamo antes.
Como diria aquele que tem o pé na cozinha: assim não dá, assim não pode.

Franciel em março 5, 2009 12:41 PM


#22


Caro I , saio da inércia e do silêncio por culpa da minha irmã, que ali pelo post #10 saiu em defesa de sua recém-nascida campanha contra a s encomemdas. E é para discordar frontalmente de ambos. Encomenda é desses temas folclóricos que tornam o ser humano mais ...humano. Lembro das listas gigantes que eu fazia,quando criança, para o meu pai, que viajava muito( a gente morava fora tb)...eram 10, 20 itens, transformados normalmente em um ou dois, que podiam até nem estar na lista. Era o bom senso do coroa falando mais alto. E é basicamente isso, como em tantas outras coisas, aceitar ou fazer encomenda é, ou deveria ser, exercer bom senso. Lembro de um albanês que conheci recebendo um queijo da terrinha levado para Londres por uma prima. O cheiro era algo para além de qualquer coisa, mas a alegria do albanês ao abrir , e compartilhar , um pedaço da alma dele compensou. Eu mesmo adoro receber levas de queijos de coalho ou bolo de rolo, direto do Recife.Ou potes de Marmite vindos da Inglaterra. Agora, despertador do Big Ben, par de patins, instrumento musical e garrafão de bebida, não é coisa que se peça ou se aceite levar. Uma questão de bom senso. O resto, sinceramente, me parece mais mau humor do que qualquer outra coisa. E ninguém precisa ser bem humorado o tempo todo, claro.

Marcelo L em março 5, 2009 12:42 PM


#23

Boa!

Certa vez um professor me enviou um documento, com uma pequena bomba anexada e o recado: "gostaria que isso chegasse nas mãos de fulano, poderia fazer a gentileza?" Como vi apenas uma vez o tal professor, achei estranhíssimo. Não sairia muito mais barato via correio? Não envolveria outra pessoa, e além do mais, considerando deslocamento e afins, sairia mais barato MESMO. Mas contatei o destinatário, deixando bem claro: quando quiser a encomenda, busque.

De quebra, me queimei com o remetente, e o destinatário. Mas quem mandou me colocarem no meio? Os caras insistem em confundir relações de competência com relações de cunhadismo...

Catatau em março 5, 2009 12:53 PM


#24

Idelber... é óbvio que adoro seus textos acadêmicos, políticos e afins (os de futebol eu raramente gosto, pq futebol não é minha praia). Porém, sempre vibro qdo vc escreve essas postagens mais pessoais. São sempre ótimas. Sem contar que o seu humor fica bem mais apurado.

Ulisses Adirt em março 5, 2009 12:55 PM


#25

Puxa, os comentários também estão cada um mais divertido que o outro. Muito obrigado! Não é o caso de responder um por um, mas eu me deliciei mesmo lendo-os hoje de manhã.

E devo parabenizar o Marcelo pelo ânimo de defender a encomenda no meio desta catarse anti-encomenda :-)

Mas Marcus, não se encontram mesmo as frutas paraenses em São Paulo, por exemplo? Puxa, em São Paulo eu encontro até restaurante etíope...

Idelber em março 5, 2009 1:28 PM


#26

Uma vez um office-boy me abordou no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, querendo que eu trouxesse uma encomenda para uma pessoa aqui no Rio.

Antes de tentar saber que diabo de roubada era aquela, mandei um 'Nem pensar' e fui embora.

Radical Livre em março 5, 2009 2:15 PM


#27

Muito bom! rs

Lembrei de quando estava em Santa Comba (Galícia) e um açougueiro quando soube que minha irmã morava em Barcelona pediu que levássesmos um pedaço de chouriço e de jamon (presunto crú) para uns conhecidos que moravam na Catalúnia.

A cara que minha irmã e seu marido fizeram foi ótima.

Nem sei se levaram a encomenda ou a degustaram...

Da próxima vez encaminha os chatos para esse endereço: www.boxbrazil.com

Eles se especializaram nesse serviço. É bem interessante. A Cora escreveu um texto sobre isso.

Pablo Vilarnovo em março 5, 2009 2:24 PM


#28

orgulho nosso ter a tua companhia desde sempre. obrigado, professor! o/

tiagón em março 5, 2009 2:41 PM


#29

Ótimo...vou mandar um link deste post para os desavisados que vem com aquele papo: " Ah! Vai a São Paulo ? Podia dar uma passadinha na Santa Efigênia ver quanto tá a placa tal? ".O sem noção fala com uma naturalidade, que parece que ao saber que vou ao mercadinho embaixo de casa, me pede pra subir com um maço de cigarros.Idelber, te pergunto como bom mineiro que somos: Pq para Mineiro, tudo é "logo alí" ? Ah, tá indo pro Tucuruvi ? Dá uma passadinha na Santa Efigênia pra mim, é logo alí...

Dener em março 5, 2009 2:52 PM


#30

Mineiro tem uma coisa: tudo é logo ali quando o deslocamento é do outro. Eu amo de paixão a minha terra, mas mineiro é o povo mais espaçoso que existe.

Idelber em março 5, 2009 2:57 PM


#31

Bom, Idelber, vc viu que esse post dá pano pras mangas, tirando até meu irmão do seu silêncio para vir aqui defender, contra tudo e contra todos, os encomendeiros. Aproveito pra lembrar então do meu pai (já que a família se faz presente), um cara que sempre levou encomenda com toda a boa vontade do mundo, mas que era capaz de (eu vi!!!) comprar num boteco de Laranjeiras alguns molhos de couve pra levar pra casa em Roma. E ele fazia isso com tanta elegância e delicadeza que as pessoas se sentiam felizes em poder ajudar, e dar essa alegria à esposa dele (minha mãe) que ia adorar fazer couve com a feijoada lá... (aliás, se acha couve aí nos EUA? Na Europa é impossível, até onde sei).

Renata L em março 5, 2009 3:44 PM


#32

Viajo quase sempre com equipamentos de mergulho e fotográficos, que por si só já ocupam um espaço razoavelmente grande na mala. São pesados, mas necessários. O efeito colateral de carregá-los, no entanto, é q são uma excelente razão (ou desculpa, como quiser chamar) para afastar "encomendeiros". ;)


Lucia Malla em março 5, 2009 4:28 PM


#33

Numa véspera de Natal, estava eu na rodoviária esperando o ônibus pra cidade-natal, quando um conhecido me interpelou:

- tu pode levar uma encomenda pra mim?

Concordei, educadamente, pra logo me arrepender. A encomenda era um CHESTER congelado, que foi pingando e molhando tudo durante a viagem.

Ou seja: a encomenda incomoda!

Daniel em março 5, 2009 5:06 PM


#34

Eu fico me perguntando o que se passa na cabeça de uma pessoa que pede que alguém leve um chester.

Renata, aqui em New Orleans encontramos couve, sim. Couve, quiabo, banana nanina. Tudim. É uma maravilha isto aqui.

É mesmo parte do Caribe.

Idelber em março 5, 2009 5:10 PM


#35

Pior que a encomenda só a customizada.

pecus em março 5, 2009 5:46 PM


#36

Pô, tava já pra te pedir uma encomendazinha quando viesse à terrinha.

sandro em março 5, 2009 5:48 PM


#37

Há uns anos, em viagem a trabalho ao Peru, fui contatado por uma amiga de uma amiga que tinha uma amigo peruano em Brasília. O rapaz implorava por uma encomenda. A mãe dele foi ao hotel onde eu estava hospedado, em Lima, e trouxe 10 quilos de coisas. Em apenas uma sacola, havia três garrafas pets de Inca Cola, o popular refrigerante peruano que tem cor de urina. Carreguei essa tralha dentro do avião, sob protestos da companhia aérea, e arrebentei as mãos nos barbantes usados como alças nos pacotes. Desde então, nunca mais trouxe nada para ninguém, de viagem alguma.
abs

Leandro Fortes em março 5, 2009 6:43 PM


#38


Caro I, obrigado pelo reconhecimento. Mas devo dizer que sou solidário com os tantos que se queixaram dos absurdos encomendados , é fácil perder a linha nesses momentos. Mas mantenho: bom senso é fudamental, daparte de quem pede e da parte de quem é chamado a levar algo.
Por exemplo, da Lousiana, me interessaria muito em receber temperos da culinária cajun, um bom molho de pimenta , um disco de jazz de cortejo fúnebre. Coisas simples. Também receberia de bom grado alguns quilos de craw fish congelado, mas isso não é coisa que se peça. Bom senso. Um abraço

Marcelo L em março 5, 2009 6:47 PM


#39

Ildeber, refaz as contas, convida o cara pr´um novo churrasco e compra o Kaká pro galo, não seja orgulhoso!!!Além do mais, por tabela, você ajuda os americanos sairem da crise.

claudio melo em março 5, 2009 7:27 PM


#40

Famoso e popular Idelber:
Sem desmerecer à maravilha do post sobre as encomendas, vou me ater ao PS sobre a genialidade que às vezes aparece na internet.
Vamos dar nome aos bois. O autor do texto é Leonardo Silva Pinto. E seus coleguinhas lá do zeno.com.br também são muito bons. O Hipopótamo Zeno é uma das coisas mais arejadas que se vê por aí.
Será que eles me pagam por este comercial?
Um abraço, amigo.

Luiz Franz em março 5, 2009 7:58 PM


#41

Viche! já pedi, já levei e concordo com seu desabafo. Minha cara de pau, certa vez, frutificou numa sonyN1, lembra-se? Taí um dos mais guardados segredos e mais eterna gratidão. Abração.

Claudio Costa em março 5, 2009 9:48 PM


#42

Histórias muito engraçadas, as suas e a dos comentaristas. Isso de desconhecido te abordar no aeroporto ou na rodoviária pedindo pra levar encomenda não só é um transtorno como pode ser um perigo: vai que o conteúdo te faça parar na polícia!
Também gostei do texto genial, pegou na singularidade do Elio Gaspari dar recados se fazendo de médium falando pelos mortos. Será que ele vai continuar sem falar nada, nem um parágrafo que seja, pior que o ombudsman do jornal?

Te em março 6, 2009 12:00 AM


#43

Idelber, aqui em São Paulo é difícil comprar produtos da culinária da região amazônica. Já morei com um filho de paraense que morria de saudade do Tacacá de lá. Não encontramos as frutas do norte nem no mercadão, que é uma jóia. aliás, a cidade que é boa para restaurantes é fraca para comida amazônica. Olha que eu procuro. Mas tem coisa que não tem jeito. Por exemplo, a minha namorada é doida por taioba. Come até dizer chega, aqui em São Paulo iso não existe. Já percorri mercados, quitandas, feiras-livres (que aqui são excelentes) e nada.

Agora, não conheço nenhum restaurante etíope aqui. Se alguém conhecer, me avise, por favor, gosto muito da comida de lá. Aliás, de tudo daquele país. A música, teatro e até o alfabeto deles são bonitos pra dedeu.

Tiago Mesquita em março 6, 2009 12:05 AM


#44

Sinceramente eu não me importo muito com as encomendas.
Já fiz muitas entregas.
Já entreguei Livros, cds, bijuterias, tapetes, relógios, samambaia, e até couve.
Tendo a discordar, sem nenhum embasamento teórico, sobre essa ser uma mania entre hispanos americanos.
Eu já levei um berimbau da Bahia para Amsterdã por encomenda de um holandês. E o curioso é que não era amigo nem de quem me pediu para levar o berimbau, muito menos de quem o recebeu. Acabei casando com a pessoa a quem entreguei o berimbau eheheh.
Outra vez transportei um vidrinho com pó de chifre de rena (muito popular na Finlândia), da Finlândia para o Brasil. Dizem os finlandeses que a posse desse pó equivale a tomar Catuaba para as fraquezas sexuais. Nunca mais vi estes finlandeses eheheh.
Adoro essas surpresas, e tenho saído muito bem e me divertido muito.
Uma vez e outra me meto em enrascadas, mas dá para contar nos dedos as vezes que me dei mal.
De maneira geral a experiência sempre foi boa.
É claro que recusaria, igualmente, uma proposta infame como a que você recebeu para contrabandear câmeras fotográficas, mas para levar um charque para Paris, trazer um bacalhau de Portugal ou um jamóm da Espanha, podem contar comigo eheheh.

fm em março 6, 2009 12:11 AM


#45

Que privilégio o meu, hein? Encomenda dos EUA até BH, e depois pelos Correios pra Salvador ...

Bacana o post!

Beijo,

Cipy em março 6, 2009 12:18 AM


#46

A encomenda é pior do que o "prometo"...

Jair Fonseca em março 6, 2009 12:46 AM


#47

Hahaha, muito boa, Idelber! Mas, deixa eu te perguntar uma coisa. Será que da próxima vez que você for a Minas dá para me trazer uns pães de queijo? eu moro em NY, aí você manda por Fedex quando chegar nos States... ;)

Abraço,
Rapha

Raphael Neves em março 6, 2009 7:31 AM


#48

Idelber, me diverti um bocado com seu post. Sei bem o que é isso. Abaixo a encomenda! "Encomendazinha", como os amigos da onça costumam dizer, ao nos entregarem quatro quilos de qualquer coisa (coisa que, em geral, o destinatário pode encontrar onde está morando).

Janaina Amado em março 6, 2009 12:25 PM


Milton Ribeiro em março 6, 2009 2:15 PM


#50

Só encomedo pra pai/mãe/irmão. Tenho simacol :-)

LucianA em março 6, 2009 3:15 PM


#51

Caramba, quanta indignação! Faltou assunto ou trata-se apenas de um exercício literário? Forte abraço.

Arrigoni Vigano em março 6, 2009 3:30 PM


#52

Caro Idelber,

Aproveito o ensejo do seu post para lhe fazer um pedido.

De amigo. De irmão.

Aí na periferia de New Orleans tem uma velha índia Apache que faz uns ungüentos ótimos para tratar hemorróida. Minha tia-avó Genoveva (84 anos, viúva, desdentada e lazarenta, coitada) já tentou de tudo para se livrar do mal e creio que só o ungüento da índia pode ajudá-la.

Assim, certo de seu sentimento humanitário e de que você não negará um pedido de um belo-horizontino cruzeirense, peço-lhe a gentileza de procurar a velha índia e comprar uns 6 frascos do milagroso produto e levá-lo para Belo Horizonte.

Se possível, peço que entregue a encomenda à minha tia-avó, que mora lá no bairro Gorduras (ônibus vermelhão 6642F). Ela vai ficar feliz em recebê-lo e irá certamente lhe oferecer o almoço em pagamento. Provavelmente, um mocotó com caldo de nabo (sim, ela almoça isso todos os dias).

Desde já lhe agradeço.

Lelec

Lelec (Leonardo Cruz) em março 6, 2009 3:37 PM


#53

Esse Alex não tem jeito. Primeiro insinua troca de encomendas por sexo oral; depois, ao saber que tem gente de Belém na lista, implora por um piracuí paranese.
O cara só pensa naquilo.

sleo em março 6, 2009 5:42 PM


#54

hehe isso também é extremamente comum entre nordestinos, seja dentro do nordeste ou aqui em São Paulo em meio à colônia. Quase sempre que alguém vai para "lá" leva algo para alguém da região - um parente de um amigo da mesma vila, para um amigo - e, não raro, volta trazendo uma encomenda. Pelo menos o pessoal da minha região que eu conheço se sente honrado em levar uma encomenda para alguém - especialmente se for para um parente distante e desconhecido de um conterrâneo que pediu o favor -, é mais ou menos uma prova de confiança recompensada com gratidão - e eu vejo isso principalmente entre o pessoal mais velho. Eu só não levaria uma encomenda para alguém se fosse uma folga tremenda da pessoa que pediu - ou fosse algo claramente contra a lei hehe -, mas uma lembrancinha ou algo tipo, não faria muita cerimônia não.

Hugo Albuquerque em março 6, 2009 8:06 PM


#55

Idelber, restaurante etíope? Essa eu preciso saber...:)
Só tenho coragem de pedir encomenda pra minha mãe e somente compactos de vinil que não fazem volume na mala dela... Fora isso minha família tem muitos causos de encomendas fatídicas, do tipo que quase gera deportação de incautos etc. Por essas e por outras também sou super comedido nessas coisas. E para trazer de fora é no máximo uma ou outra camiseta e olhe lá.

Também queria ver a cara do vizinho espaçoso...

Leo Vidigal em março 6, 2009 10:24 PM


#56

Bom, eu devo amenizar um pouco meus posts anteriores sobre o tema. Isso porque sou sensível à "causa nordestina", e inclusive muitas vezes mandei encomendas (pequenas, portáteis) como uma justificativa para um amigo meu procurar outro amigo(a), já que caso não houvesse a desculpa da encomenda não adianta dar o telefone, e frequentemente isso gerou bons encontros. A outra coisa é quanto às encomendas de parentes do Recife: eu fico extremamente tocada de receber coisas e coisinhas de lembrança, e tem gente que sempre manda algo. Mas agora, por exemplo, estou em processo de comer um queijo de coalho enorme e maravilhoso, trazido por minha mãe e enviado por uma queridíssima tia. Queijo de coalho dos que não se encontram aqui, ou muito dificilmente. Pois bem, minha mãe trouxe um pra mim e um pra cada um dos meus irmãos (dois) e eu, saboreando meu queijo, não posso deixar de pensar no perrengue que foi carregar isso... é claro que minha mãe é nascida e criada lá, e portanto phd em encomendas. Mas por favor, queridos e queridas da minha família nordestina, trago com prazer lembrancinhas tipo roupas, coisinhas, etc, mas... meu limite é comida... ainda mais laticínio....

Renata L em março 7, 2009 9:43 AM


#57

Uma das vantagens das encomendas é que rendem posts divertidos como este, mas isso é porque sou eu que estou rindo dos apuros dos outros :-P

Como mamãe me ensinou bem, não tenho coragem de encomendar nada. E como as amizades são escolhidas a dedo, o simancol está em alta e ninguém pede nada. Isso quando fica sabendo da viagem, hehehe.

Cynthia Semíramis em março 7, 2009 12:19 PM


#58

Gostei e me diverti c/ tudo q li. Mas c/o demorei a entrar na roda, portanto, demorei p'ra chegar até aqui. Lendo cada participação. C/o tenho, 2, dos meus 3 fºs participando; Renata, contra e Marcelo a favor.Resolvi dizer algo. Realmente eu sou PHD em encomendas, sobretudo em aceitá-las. Além de nascer no Recife, fui casa 40 anos c/ um coterrâneo, q adorava receber encomendas p'ra levar de alguém p'ra algém. Os queijos q'eu trouxe da + recente volta do Recife pª o Rio, (encomenda de 1a das minhas irmãs, tinham quase 9kls. Eram 4 queijos: 1 p'ra cada fºs e o 4º, p'ra mim mesma q havia passado 36 dias em Recife, comendo queijo de coalho, todos os dias... Mas junto ao pedido, minha irmã deu uma conotação tão carinhosa q ñ consegui dizer ñ. E vejam, foi motivo de satisfação mesmo p'ra qm é contra a acitação das encomendas. E veja, tem gente q teve c/o resultado ñ só a aquisição de +1 amizade, mas casou-se c/ a receptora. Legal, né? mdf

maria de fatima pimentel lins em março 7, 2009 2:23 PM


#59

Renata L,

Certas coisas como queijo de coalho, biscoito sete capas, feijão de corda, por mais que sejam "acháveis" por aqui não se igualam nem em sonho com o que vem de lá - as lembrancinhas que seguem a via Nordeste-São Paulo (ou vice-versa) muitas vezes são mais carregadas de carga sentimental do que utilitária, no entanto, no caso do queijo de coalho do meu querido Pernambuco, creio quer há um empate entre as duas coisas ;-)

Hugo Albuquerque em março 7, 2009 5:35 PM


#60

Pessoal, acho que esta caixa entrou para a história do Biscoito como uma das mais divertidas de todos os tempos. Li todos os comentários com muito gostoe proveito. É impressionante como esses relatos pessoais animam os leitores. Tenho que fazê-los com mais frequência.

Maria de fátima, você é uma santa. Eu jamais aceitaria transportar queijos para ninguém...

Idelber em março 8, 2009 2:58 AM


#61

"Eu o digo deliciando-me com cada sílaba, com um sadismo de que só um atleticano é capaz."

rindo com cada frase aqui. tive uma aluna de inglês, certa vez, professora universitária mui ocupada e seríssima, que perdeu uma amiga de longa data por se recusar a levar uma dita encomenda para a filha da tal amiga que morava nos EUA. a minha ex-aluna acha que ficou no lucro. e eu concordo enfaticamente com ela, rs.

cris em março 8, 2009 8:51 AM


#62

Ô Idelber, apenas para que fique registrado: não sou cruzeirense, apenas evoquei o time azul porque sei que você já torceu pelo time celeste. Por causa desse seu amor antigo, você poderia se sensibilizar pelo meu pedido...

Abraço!

Lelec em março 8, 2009 10:43 AM


#63


Taí, meu caro I, o post e o debate que ele engendrou viraram com o passar dos dias algo como um vírus positivo. Uma passada por aqui já desanuviava algumas horas de trabalho chato. Isto em mente , e como vi ali em cima que vc também gostou do papo descompromissado, sugiro desde já uma nova discussão, sobre um tema não menos complexo e delicado do que o das encomendas: "Recebendo amigos de amigos ( ou de parentes) e hospedando-se na casa de amigos de amigos "( ou de parentes distantes, por exemplo) . Tem um mundo a debater por aí..
´braço

Marcelo L em março 10, 2009 2:29 AM


#64

Só agora li a sua resposta, Idelber. Desculpe a demora. Realmente, tem coisas que não se encontra no sudeste. Açaí não dá pra transportar in natura, eu acho. E não me consta que venda a polpa por aí. Eles vendem é o açaí bem ralinho, misturado com umas coisas nada-a-ver, com amendoim, granola, etc.

Marcus em março 11, 2009 8:20 PM


#65

Valeu, Marcus. Sem pressa, sempre :-)

Idelber em março 11, 2009 8:24 PM


#66

Voy a Costa Rica en mayo y todo el mundo me está pidiendo que yo les traiga cositas......para los muy amigos, lo hago, pero algunos están pidiendo chunches para los vecinos de los cuñados de sus primos.....las pedidas de encomiendas son difíciles de rechazar. Me da lástima por ofenderles a mis amigos, pero no ando en furgón.

Mac Williams em março 12, 2009 2:53 AM


#67

uahahahahahaha
Ai Idelber... tô passando mal de rir! Muito bom!
Você tem toda razão, simancol é artigo raríssimo por essas bandas... rsrsrs ;)
Bjo

Ana Letícia em março 18, 2009 11:15 PM


#68

Só achei esse post um ano depois, será que ainda posso soltar meus cachorros aqui?

Um amigo geralmente pede garrafas do freeshop, ele reserva pela internet e eu pego na volta, sempre pagou no ato do recebimento (indo buscar na minha casa), tem simancol quanto ao volume e concorda com todos os câmbios e taxas da compra, além de saber que o que é meu passa na frente na alfândega e o dele fica para o final, sujeito a imposto da Receita. Por isso tudo nunca me nego a aceitar a encomenda e até avisá-lo quando vou viajar para fazer o seu pedido. Fora ele, só trago para meus pais e olhe lá: depende do que querem, depende do peso e do tamanho, depende se estará no meu roteiro. Geralmente consigo trazer.

Já a minha esposa é o inverso: ela liga para todas as amigas, tias, primas, cunhadas pedindo a lista do que querem. E tome lista. Na nossa última viagem internacional até rolou um stress, perdemos um dia inteiro do roteiro batendo perna procurando as malditas encomendas (e teve coisa que não foi encontrada). E ainda teve outro stress na volta, porque já tínhamos combinado que eu não traria na minha mala absolutamente nada que não fosse nosso - eu carregaria as compras dela na minha mala, mas não carregaria nada comprado para terceiros. Pois bem, nem mesmo eu cedendo ao acordo (após olhares repreensivos de um policial no aeroporto) conseguimos carregar tudo direito.

Mas foi bom, pois ela já disse "encomenda nunca mais: perdi dia de turismo, carreguei trambolho e ainda reclamaram por não ter achado tudo". Já deveria ter aprendido depois que trouxemos 15 quilos de queijo coalho e bolo de rolo de Pernambuco. Acredita que não comi nenhum pedaço? Além dela ter dado de presente todos, nenhum presenteado teve a decência de nos convidar para um café da tarde com as iguarias... e pior: um conjunto de queijo/bolo foi para o pai de um colega de trabalho de um tio dela - ou seja, carreguei dois quilos nas costas para um cabra que nunca vi, nunca me agradeceu e nunca me pagou.

Bernardo em março 12, 2010 3:38 PM


#69

Uma vez um capoerista aqui de SP me pediu para trazer umas cabaças para berimbau de Salvador - "porque lá é muito barato". Obviamente não trouxe, mas durante toda a viagem essa encomenda foi tema, claro que virou piada. Inacreditável.

Daniela em outubro 6, 2010 3:22 PM


#70

Pra comecar, uma pessoa da minha familia nao-imediata ja foi deportada dos EUA por tentar entrar com sapatos de homem de numero errado na mala.

Pra segundar, minha esposa tem tanta antipatia disso que entrou em panico outro dia quando viu uma mensagem NO ORKUT mencionando a vinda dela em poucas semanas. Todo mundo pede tudo, eh incrivel. Se minha esposa pesar 95 libras eh so com camiseta molhada mesmo.

Pra terceirar, uma pessoa uma vez se recusou a levar um CHEQUE meu num envelope, pra alguem que precisava urgentemente do dinheiro.

Pra quartarar, Narrativa do Absurdo: ha quase 20 anos atraz, fui pro Br levando um monte de "encomendas" pra familia. O Nintendo estourou assim que chegou por causa da eletricidade de Brasilia, o xampu de cachorro --juro!-- era da marca errada, o scanner encomendado era preto e branco, ofereci os MEUS tenis extra, nao-usados, pros meus dois sobrinhos e ambos me disseram que queriam Nike --eu nunca tive um Nike em 31 anos de US--, uma das roupas nao servia nem a porrete, e mais varias coisas tudo nessa linha. Fiquei tao puto que dei meu melhor sweater pra um vizinho que nunca tinha visto antes mas que era muito amigo da minha mae, quando o sweater tinha sido destinado a outra pessoa.

Esse foi o fim da "encomenda" pra mim. Minha esposa tem varias historias similares.

Tem gente por quem eu faria tudo, alias, inclusive levar encomendas. Uma delas, por incrivel e comovente que pareca, acabou de oferecer pra levar as cinzas da minha irma pra minha familia no Brasil. Nos nao aceitamos, evidentemente. Por essa amiga de familia ha muito mais de 30 anos a gente moveria o mundo, mas o resto... pode esquecer. Eh sempre um problema.

Nem pra familia.

"Encomenda" de mim nao.

Abracao, Idelber.

Ivan Moraes em outubro 6, 2010 3:28 PM


#71

Hahahahaha....
Nunca viajei pra fora do Brasil e por isso agradeço por este post que vai ser muuuuito útil quando tiver a oportunidade de ir.

Patrícia Fornitani em outubro 6, 2010 6:42 PM


#72

los chilenos (de alla y de aca) dicen: llevame este paquetito...

Elena Aguila em outubro 7, 2010 1:45 AM