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domingo, 08 de março 2009

Apoio às feministas e ao CISAM no caso da menina de 9 anos, estuprada em Alagoinha

Reconhecemos e aplaudimos a solidariedade, compromisso e eficiência que determinou o aborto legal realizado pela equipe de atenção à saúde do CISAM - Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, e em especial aos médicos Prof. Olimpio Moraes e Dr. Sérgio Cabral. Esta instituição mostrou seu compromisso com a saúde, com a vida, com a cidadania e direitos humanos da população que por ela é atendida.

A crítica contundente de setores conservadores religiosos a um trabalho tecnicamente competente e em consonância com as leis nacionais e normativas internacionais reflete uma vez mais seu arcaísmo e desumanidade.

O mundo acompanha atentamente a história desta menina pernambucana de 9 anos de idade, e seguramente apoiará a perspectiva daquelas/daqueles que defendem os direitos reprodutivos como direitos humanos.

É a íntegra do abaixo-assinado da Comissão de Cidadania e Reprodução, que merece todo o apoio. Assine lá.



Atualização: Ainda sobre o mesmo assunto, ofereço, meio horrorizado, mais este link.



  Escrito por Idelber às 17:35 | link para este post | Comentários (41)


Comentários

#1

Meu apoio é irrestrito para todos aqueles que fizeram cumprir a lei e amenizar a humilhação sofrida por esta menina, mesmo diante do irresponsável, desumano e degradante posicionamento adotado pelo Bispo de Olinda.

Luiz Moura em março 8, 2009 7:15 PM


#2

Eu, ex-católico, batizado e catequizado, humanista por opção - e convicção -, fico estarrecido com uma coisa dessas. À luz do Concílio do Vaticano II era possível ser católico e ser de esquerda ao mesmo tempo, hoje, depois de Woytila e Ratzinger, nem é mais possível ser sequer católico sem optar pelo modo de vida da Idade Média - não é, portanto, um mero caso de "conservadorismo eclesiástico", mas sim uma cegueira pura, simples e, sobretudo, anticristã.

Hugo Albuquerque em março 8, 2009 7:17 PM


#3

Reconhecemos e aplaudimos? Que isso, virou Borg?

Essa equerdinha 'ativista' nao consegue nem falar individualmente mais, hahaha

Ze em março 8, 2009 7:35 PM


#4

Seu Idelber, tem uma encomenda pro sinhô la no Zeno. Mas se o sinhô não me adicionar no seu Facebook eu não entrego.

Pinto em março 8, 2009 7:57 PM


#5

Ze,

Eu até te diria que, diante do nick e do site falso que você linkou a ele, que a direitinha ativista normalmente se esconde no anonimato pela rede porque não tem coragem de assumir o que escreve pela blogosfera, mas não o farei. Isso aqui não é "direita x esquerda", mas sim "concordamos que estamos no século 21 x voltemos às trevas".

Hugo Albuquerque em março 8, 2009 8:04 PM


#6

Pois é pessoal, os conservadores se mostram é nessas horas. toda vez em que um abaixo assinado ou uma passeata acontece, eles ficam ourissadíssimos. Assim como toda vez que se pede uma mudança na lei eles falam de ataque às instituições. Fosse assim, estaríamos na escravidão.

O abaixo assinado é uma instituição democrática, onde os manifestantes se unem de forma espontânea em nome de alguma causa. Associar-se livremente é um dos fundamentos da democracia. Condenar a liberdade de associação ou achar que ela é uma forma menos legítima de ação é uma das maiores distorções operadas pelo pensamento autoritário. Pois aí a atuação política está baseada na força dos que já têm força e quem não tem, paciência. Por favor né...

Bem, falando em autoritário, aí vai outra do Jarbas, o impoluto:
http://blogentrelinhas.blogspot.com/2009/03/ultima-do-catao-de-pindorama.html

Tiago Mesquita em março 8, 2009 8:05 PM


#7

Bobeei na ortografia: ourçadíssimos

Tiago Mesquita em março 8, 2009 8:08 PM


#8

Bobeei na ortografia: ouriçadíssimos

Tiago Mesquita em março 8, 2009 8:10 PM


#9

Assinei. De minha parte respeito os católicos ou qualquer outra pessoa que seja contra o aborto. Acho que muita gente realmente crê estar defendendo a vida etc. e tal. Mas a posição hipócrita da Igreja me enerva.

João Paulo Rodrigues em março 8, 2009 8:16 PM


#10

Tem uma coisa que me questiono:

Será que a igreja realmente acredita que as pessoas tem medo da excomunhão?

Convenhamos, isso poderia funcionar na idade média, mas hoje é motivo de piada.

Fabricio Schneider em março 8, 2009 10:37 PM


#11

Fabricio Schneider,

Acredita e a o faz porque há quem a tema - se até mesmo nós, possuidores, defensores e produtores de uma cultura laica estamos discutindo isso, imagine como fica a cabeça de pessoas, mesmo progressistas, que são católicas praticantes? É um símbolismo muito forte e símbolos são tudo. Isso põe automatica e levianamente uma pressão na nuca de médicos e enfermeiros católicos - como se não bastassem as tensões naturais da profissão. Concordo que isso pode acabar afastando as pessoas do catolicismo cada vez mais, no entanto, até não o fazer gerará estragos muito pesados.

Hugo Albuquerque em março 8, 2009 11:11 PM


#12

"Acredita e o faz porque (...)", desculpem.

Hugo Albuquerque em março 8, 2009 11:14 PM


#13

Ô Idelber, não me linka um esgoto daqueles não. O cara é especialista em direito canônico, acabou com o meu fim de domingo... :\

(mais de vinte anos depois de me desligar informalmente da Igreja Católica, este tipo de coisa ainda me faz um mal danado na base do estômago, ali de onde vem a raiva. êta carga que a gente tem que levar...)

Radical Livre em março 8, 2009 11:30 PM


#14

VEJA A MENTIRA
março 08th 2009 Posted to NOTICIARIO NACIONAL
Ao povo brasileiro e aos internautas a revista Veja, edição 2103, ano 42, nº 10, datada de 11 de março de 2009, anuncia em sua capa com título ” Exclusivo - A tenebrosa máquina de Espionagem do Dr. Protógenes; Veja teve acesso ao conteúdo do computador apreendido pela Polícia Federal na casa do Delegado do famoso caso Satiagraha; Protógenes bisbilhotou clandestinamente Senadores, José Dirceu, Mangabeira Unger, FHC, José Serra, o Presidente do Supremo-até a vida amorosa da Ministra Dilma Rousseff. “ No seu conteúdo as fls. 84/91 as informações mentirosas produzidas e assinadas pelos jornalistas Expedito Filho, Alexandre Oltramari e Diego Escosteguy, que quanto ao papel da liberdade de imprensa geral e irrestrita sou plenamente favorável, desde que se apure os excessos que por ventura venham atingir a honra das pessoas e fatos ali não verdadeiramente relacionados, sobretudo quando fabricam escândalos envolvendo altas autoridades e instituições ou Poderes da República.

Não é a primeira vez que estamos diante de fatos semelhantes publicados de forma bandida e irresponsável envolvendo situação anterior que provocou o desmantelamento do Sistema Brasileiro de Inteligência - SISBIN ( Gabinete de Segurança Institucional, Agência Brasileira de Inteligência; Inteligência das três forças militares - Marinha-Exército-Aeronáutica; Inteligência da Polícia Federal, e outros ). E aqui fica uma pergunta: A quem interessou tal fato ? Hoje vivemos num clima mercantilista corrupto em que a credibiliade de um órgão de imprensa que no passado teve sua importãncia histórica, hoje lamentávelmente constitui parte dessa engenharia política e comercial sórdida disponíveis a serviço de um poder até então não identificado, mas que possivelmente ultrapassam as nossas fronteiras.

Outro fato importante e criminoso é a divulgação ( fls. 85 da revista Veja, edição 2103, ano 42, nº 10, datada de 11 de março de 2009 ) de documento sigiloso de uma investigação presidida pelo Delegado de Polícia Federal Amaro Vieira Ferreira IPL 2-4447/2008 - DELEFAZ/SR/DPF/SP, além de levar ao conhecimento público do documento, revela a identidade nominal de dois oficiais de inteligência da ABIN, o que é gravissímo, não merece ser desprezado tal fato, pois a banalização fragilizam as Instituições no tocante a segurança externa do Brasil.

É oportuno registrar que nesse mencionado Inquérito Policial sou também investigado, mas em nenhum momento fui se quer ouvido ou exibido documentos e materiais apreendidos relacionados nos autos de busca e apreensão encontrados em minha residência, a fim de dirimir qualquer dúvida a respeito.

Com esse preâmbulo reflexivo passamos agora contrapor as mentiras ali lançadas na matéria acima indicada:

” Na semana passada Veja teve acesso a integra desse material. O conteúdo é estarrecedor e prova que o delegado centralizava o trabalho de uma imensa rede de espionagem que bisbilhotou secretamente desde a vida amorosa da ministra Dilma Rouseff até a antessala do presidente Lula, no Palácio do Planalto - passando pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo governador José Serra, além de senadores e advogados. Nos documentos encontrados na residência do delegado há relatórios que levantavam suspeitas graves sobre as atividades de ministros do governo, fotos comprometedoras que foram usadas para intimidar autoridades e gravações ilegais de conversas de jornalistas - tudo produzido e guardado à margem da lei. O material clandestino - 63 fotografias, 932 arquivos de áudio, 26 arquivos de vídeo e 439 documentos em texto - foi apreendido em novembro do ano passado pela Polícia Federal e estava armazenado em um computador portátil e em um pen drive guardado no apartamento do delegado no rio de Janeiro.” ( fls. 85/86 revista Veja, edição 2103, ano 42, nº 10, datada de 11 de março de 2009 )

É importante afirmar que em minha residência no Rio de Janeiro não foi apreendido nenhum documento ou material, nem tampouco computador contendo dados da operação Satiagraha, conforme se comprova no auto de busca e apreensão na ocasião da diligência.

As diligências de busca e apreensão na minha residência em Brasília e no Hotel onde me encontrava naquela ocasião resultaram na apreensão de documentos pessoais, poucos documentos e materiais referentes a atividade de inteligência vinculados a operação Satiagraha, pois ali estavam em razão de prestar esclarecimentos pós-operação policial as autoridades competentes vinculadas ao caso ( Ministério Público Federal e a Justiça Federal ). Outro ponto relevante e significativo é que todos os documentos encontrados foram coletados no estrito cumprimento da lei e da Constituição da República.

Os dados cobertos pelo sigilo coletados com autorização judicial e de conhecimento do Ministério Público Federal, em nenhum momento incluiu ou revelou a participação da Exma. Ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, do ex-ministro José Dirceu, do Chefe de gabinete da Presidência da República Gilberto Carvalho, do Senador Heráclito Fortes, do Senador ACM Jr., do Ministro Roberto Mangabeira Unger na investigação da Satiagraha.

“… Os policiais buscavam provas de ações ilegais da equipe de Protógenes, entre as quais o áudio da interceptação cladenstina de uma conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres. A existência do grampo foi revelada a VEJA em agosto do ano passado por um agente da Abin que participou da Operação Satiagraha como encarregado da transcrição de centenas de outras conversas captadas ilegalmente. O resultado final da investigação deve ser anunciado até maio, mas, pelo que já se encontrou nos arquivos pessoais de Protógenes, não resta sombra de dúvida sobre a extensão de suas ações ilícitas, cuja ousadia sem limite chegou á antesala do presidente Lula e a seu filho Fábio Luís.( fl. 86 revista Veja, edição 2103, ano 42, nº 10, datada de 11 de março de 2009 )

Quanto a essa falsa afirmação se resume na resposta oficial da decisão da Dra. Maria de Fátima de Paula Pessoa Costa ao exarar no IPL n. 2008.3400031634-9 da 10 ª Vara Federal Seção Judiciária do Distrito Federal dando conta de que o Delegado Protógenes não é investigado específico naqueles autos de investigação que apura o possível ”grampo cladestino que envolveu os nomes do Presidente do STF Gilmar Mendes e o Senador Demosténes Torres”, publicada de forma criminosa pela Revista Veja.

Os possíveis documentos - fs. 86, 88, 89 e 90 revista Veja, edição 2103, ano 42, nº 10, datada de 11 de março de 2009 - origináriamente advindos de investigações sigilosas da Polícia Federal, não merecem o mínimo de credibilidade, tendo em vista o teor mentiroso das informações ali lançadas de formato mentecapto.

Curiosamente na mesma edição criminosa da revista VEJA fl. 22 traz um excelente texto da festejada escritora Lya Luft com o título: ” NO PARAÍSO DA TRANSGRESSÃO “. Tal matéria traduz melhor o nosso sentimento em relação as notícias falaciosas.

“… Políticos sendo acusados de corrupção é tão trivial que as exceções se vão tornando ícones, ralas esperanças nossas. Onde estão os homens honrados, os cidadãos ilustres e respeitados, que buscam o bem da pátria e do povo, independentemente de cargos, poder e vantagens ? … Nessa nossa terra, muitos cidadãos destacados, líderes, , são conhecidos como canalhas e desonestos, mas, ainda que réus confessos ou comprovados, inevitavelmente se safam. Continuam recebendo polpudos dinheiros. Depois de algum tempo na sombra, feito eminências pardas, voltam a ocupar importantes cargos de onde nos comandam… Se invadir a casa de meu vizinho, fizer seus empregados de reféns, der pauladas na sua mulher ou na sua velha mãe e escrever nas paredes com excremento humano frases ameaçadoras, imagino que eu vá para cadeia. Os bandos de pseudoagricultores ( a maioria não sabe lidar na terra ) fazem tudo isso e muito mais, e nada lhes acontece: no seu caso, bizarramente, não se aplica a lei… Eis o paraíso dos transgressores: a lei é da selva, a honradez foi para o brejo, a decência te de ser procurada como fez há séculos um filósofo grego: ao lhe indagarem por que andava pela cidade com uma lanterna acesa em dia claro declarou: ” Procuro um homem honesto “. O que devemos dizer nós ? Temos pouca liderança positiva, raríssimo abrigo e norte, referências pífias, pobre conforto e estímulo zero, quase nenhuma orientação. A juventude é quem mais sofre, pois não sabe em que direção olhar, em que empreitadas empregar sua força e sua esperança, em quem acreditar nesse tumultuo de ideais desencontradas. Vivemos feito bandos de ratos aflitos, recorrendo à droga, à bebida, ao delírio, a alienação e à indiferença, para aguentar uma realidade cada dia mais confusa: de um lado, os sensatos recomendando prudência e cautela; de outro, os irresponsáveis garantindo que não há nada de mais com a gigantesca crise atual, que não tem raízes financeiras, mas morais: a ganância, a mentira, a roubalheira, a omissão e a falta de vergonha. E a tudo isso, abafando nossa indignação, prestamos a homenagem do nosso desinteresse e fazemos a continência da nossa resignação. Meus pêsames, senhores. Espero que na hora de fechar a porta haja um homem honrado, para que se apague a luz de verdade, não com grandes palavras e reles mentiras.

Aline em março 8, 2009 11:47 PM


#15

Fabrício, acreditem ou não, o espalhafatoso anúncio do bispo, pela mídia, tem um efeito de condenação moral de um grupo de profissionais e da família da menina, que repercute na imagem negativa deles. Principalmente porque a família e a menina são pessoas humildes que residem numa pequena comunidade, onde, como se sabe, a força moral da igreja católica é muito grande. Mesmo no caso dos médicos de Recife, há um dano à imagem pública, porque a "excomunhão" é justificada como relativa a um ato criminoso. Esses seriam alguns dos efeitos "laicos", e provavelmente jurídicos, da condenação religiosa por razões morais.

Vera em março 9, 2009 1:56 AM


#16

Peguei isso no tal link:

"Cân. 11 Estão obrigados às leis meramente eclesiásticas os batizados na Igreja católica ou nela recebidos, que têm suficiente uso da razão e, se o direito não dispõe expressamente outra coisa, completaram sete anos de idade."

Bom, fui batizado, mas minha carteirinha venceu e não renovei. Nela não sou recebido, pois lá não vou. A razão costuma me faltar. Não completei 7 anos, completei 38 há quase 1 ano.

Felizmente não estou obrigado às leis eclesiásticas!

Enfim... Parece piada.

Guto em março 9, 2009 2:08 AM


#17

Se o Estado unificou o uso legítimo da força, então o direito canônico não é direito, mas apenas um conjunto de regras comportamentais de determinado segmento, sequer reconhecidas pelo direito oficial. essa afirmação, polêmica, já dá uma boa discussão.

gerson em março 9, 2009 3:08 AM


#18

Concordo com o Fabrício: a mãe da menina e a equipe médica são católicos realmente praticantes, que vão à missa todos os domingos e comungam com fé nesse sacramento? Ou são daqueles católicos só no Censo?

Te em março 9, 2009 3:08 AM


#19

Talvez a família da sinta o peso da excomunhão, mesmo assim acho difícil, convivo com católicos verdadeiramente católicos, e até eles não aceitam a atitude do bispo.

Quanto aos médicos, sinceramente, devem estar rindo até agora da excomunhão!

Fabricio Schneider em março 9, 2009 10:09 AM


#20

Por acaso existe um formulário pra pedir a excomunhão?

Afinal, eu fui batizado mas, como o Guto, "minha carteirinha já venceu"...

Marcelo em março 9, 2009 10:19 AM


#21

Se alguém achar esse formulãrio para pedir excomunhão mencionado pelo Marcelo por favor me avise, pois sou grande interessado.

Igor em março 9, 2009 11:09 AM


#22

Gerson (#17), bem lembrado, afinal o Brasil é república federativa e não católica, cristã, islâmica, etc. E essa igreja caquética e anacrônica só acrescentou mais peso e amargura no drama da menina.

Márcia W. em março 9, 2009 12:50 PM


#23

Está na hora (alás, já passou e muito) da Igreja rever seus conceitos!!!!
Senão, acabaremos todos ateus!!!! Graças a Deus!!!!

Elizabeth Lobato em março 9, 2009 12:54 PM


#24

Sempre que eu rezo antes de dormir, peço ao Nosso Senhor Jesus Cristo: "Senhor, livrai-me de seus seguidores".

Daniel Christino em março 9, 2009 1:06 PM


#25

No fundo foi ótima a declaração do tal bispo, que foi estritamente fiel aos princípios de sua igreja. Afinal, somente numa situação extrema como essa fica claro pra todo mundo o quanto a posição da igreja católica não faz nenhum sentido...

lucas em março 9, 2009 3:22 PM


#26

Idelber,
não que eu seja contra abaixo-assinados (acho que eles têm seu lugar e vez), mas abaixo-assinado contra excomunhão é simplesmente fútil (melhor seria talvez dizer inútil).
Muito mais efetivo é partir para boicotes: aos que não estão dispostos, ainda, a boicotar a fé (convertendo-se ao ateísmo), que pelo menos boicotem a instituição, indo praticar sua crença no supremo em outras igrejas...

Murilo em março 9, 2009 5:16 PM


#27

Idelber,
Desculpe o comentário fora do assunto do post, mas ha uma lista de assinaturas para aqueles que querem demonstrar apoio ao delegado Protógenes contra a campanha de desconstrução de sua imagem realizada pelo PIG.
Para aqueles que acreditam que a operação Satiagraha representou um momento favorável na construção da nação brasileira, vão lá e assinem.
Segue o link abaixo:
http://www.petitiononline.com/deleprot/petition.html

Adriano Matos em março 9, 2009 5:39 PM


#28

como disse a campanha na inglaterra, "deus não existe; aproveite o domingo"

abçs

rabbit em março 9, 2009 6:47 PM


#29

Idelber

Dá uma passada aqui, se possível. Achei o post muito bom.

http://ateaquitudobem.blogspot.com/2009/03/da-excomunhao.html

dani em março 9, 2009 6:47 PM


#30

na verdade é: "deus não existe; no domingo, durma até mais tarde!"

abçs

rabbit em março 9, 2009 6:48 PM


#31

Talvez fosse interessante ouvir do Bispo que ele fosse a favor do aborto.Mas como ele não é,arrumou ainda mais adeptos ao ateismo, e a revolta indignada da turba, que por si só já e indignada.Acima das leis brasileiras , somente o ceu azul, e pela lei a criança tem todos o direito a se submeter ao aborto.Gregorio VI , o Papa, deve se revirar na tumba quando vê tanta gente confundir as questoes humanas com as divinas e entender muito pouco da duas.
Como diria NOel,, ¨que palpite infeliz¨ embora seja coerente com toda doutrina.Esse microfone procurou, de plantão, a boca do Bispo....

Pedro em março 9, 2009 6:57 PM


#32

Só não concordo com o silêncio do conselho regional de medicina de Pernambuco. Será que eles têm rabo preso com a Igreja? Deveriam sair em defesa rapidinho da equipe médica (que aliás, inclui enfermeiras e auxiliares). Que conselho é esse que num caso com tal repercussão não se manifesta?
Ver: http://lablogatorios.com.br/eccemedicus/2009/03/09/excomungai-me-dom-jose/

Karl em março 9, 2009 8:01 PM


#33

E aquela de que o Brasil não é estado laico porque a constituição diz que "sob a proteção de Deus"? Boa, hein?

Eu tiraria isso da constituição. Ou colocaria, de Deus, dos deuses, do grande arquiteto do universo, do sol e do diabo também... e das leis da termodinâmica, sei lá.

Pedro Lobato Pinto de Moura em março 9, 2009 9:52 PM


#34

Idelber, só pra constar, tentei acessar o blog pelo firefox agora mesmo e deu um "erro de codificação de conteúdo". Com o Opera abriu perfeito. Achei estranho.

gilson em março 10, 2009 12:14 AM


#35

Gilson, eu tenho o acessado o blog sem problemas com o Firefox. Dê uma olhadinha se o problema não é aí.

Sem dúvida, Dani, a Aline matou a pau. Gostei muito do "Obrigada, Presidente" ao final. A declaração do Lula foi oportuna e corajosa.

Idelber em março 10, 2009 12:45 AM


#36

Mas não eram os muçulmanos, os fanáticos religiosos???

SLeo em março 10, 2009 1:36 AM


#37

Este texto está no Blog da Bárbara Gancia:

"A fim de enriquecer o debate sobre o caso do aborto e da excomunhão, o professor Mario Sergio Cortella se dispôs a dar o seu depoimento a este blog.

Como o leitor está cansado de saber, Cortella é filósofo, mestre e doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, professor-titular do Departamento de Teologia e Ciências da Religião da PUC e professor-convidado da Fundação Dom Cabral e do GVpec da FGV-SP.

Leia e aprenda, doce internauta:

“Cada Igreja tem o direito de ter suas prescrições e sanções; cada fiel o dever de atentar para elas; cada líder o direito de fazer cumprí-las e o dever de discernir bem quando fazê-lo. No caso o Direito Canônico (uma lei eclesiástica e, portanto, como tal, um preceito circunstancial e temporal) aponta uma possibilidade de punição, mas cabe ao executor lembrar sempre o está registrado na Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, no versículo 12 do capítulo 6: “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”, isto é, eu posso fazer qualquer coisa mas não devo fazer qualquer coisa, especialmente o inconveniente. Um princípio cristão basilar, e do qual não deve escapar nenhuma autoridade religiosa desse campo, é o da Compaixão, o sofrer com o outro ou a outra, perceber o sofrimento e acolher o que sofre para que o melhor seja feito para proteger a Vida do sofredor; afinal, está lá nos versículos 12 e 13 do capítulo 9 do Evangelho de Mateus a anotação de palavras sábias atribuídas a Jesus: “Não são os que tem saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. (…) Misericórdia é o que eu quero, e não sacrifício. Com efeito, eu não vim chamar justos, mas pecadores”. Sua Eminência exerceu um direito em nome de um dever; porém, o dever primeiro é fazer do direito uma escolha e não uma imposição inflexível, de modo a afastar a impiedade e recusar o formalismo legal que ofende o bom senso e a fraternidade sincera”."

Fabricio Schneider em março 10, 2009 10:45 AM


#38

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA
Miguezim de Princesa

I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

Renata L em março 10, 2009 3:07 PM


#39

Solicito a todos que assinem e divulguem o abaixo assinado cujo link segue abaixo:

http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/3969

O texto é o que segue:

EXCOMUNGA EU,DOM JOSÉ!

Todos nós abaixo assinados solicitamos veementemente a Dom José Cardoso Sobrinho, Arcebispo de Olinda e Recife, que declare publicamente nossa EXCOMUNHÃO IMEDIATA da Santa Igreja em razão de nosso apoio e solidariedade irrestrita com os médicos, a mãe e todos os envolvidos no aborto legal praticado em uma menina de 9 anos, estuprada e grávida com risco de morte.

Apoiamos a atitude de todos os envolvidos no caso e, se estivéssemos em seu lugar, certamente teríamos feito a mesma coisa. Amado Dom José, se o Presidente Lula é, de fato, um "católico mais ou menos" como o o classificou, imagine nós! Somos menos do que nada!

Por esta razão, imploramos:

EXCOMUNGA EU, DOM JOSÉ!

Segue abaixo a lista de todos os que gostariam de ser citados pelo Senhor como excomungados. Aguardamos ansiosamente suas próximas declarações públicas.

Luiz Sérgio Pinto em março 11, 2009 12:41 AM


#40

Existe uma lei em que acima de 60 anos não se pode responder pelos atos.É o caso do bispo de Olinda e Rcife.Ele esta nesta faixa etária.
Não se pode colocar uma vida(real)de uma criança em formação em risco por outra que ainda eria irreal. a criança foi estrupada. Concordo com a atitude tomada.
Sou católica apostolica romana e somente DEUS me tira este direito.

mere em março 12, 2009 4:41 PM


#41

CASO DA MENINA DE ALAGOINHA O lado que a imprensa deixou de ver. MENINA DE 9 ANOS ESTUPRADA E GRAVIDA DE GÊMEOS.


No dia 25 de fevereiro, nossa cidade foi tomada de surpresa por uma trágica notícia de um acontecimento que chocou o país: uma menina de nove anos de idade, tendo sofrido violência sexual por parte de seu padrasto, engravidou de dois gêmeos. Além dela, também sua irmã, de treze anos, com necessidade de cuidados especiais, foi vitima do mesmo crime. Aos olhos de muitos, o caso pareceu absurdo, como de fato assim também o entendemos, dada a gravidade e a forma como há três anos isso vinha acontecendo dentro da própria casa, onde moravam a mãe, as duas garotas e o acusado.

O Conselho Tutelar de Alagoinha, ciente do fato, tomou as devidas providências no sentido de apossar-se do caso para os devidos fins e encaminhamentos. Na sexta-feira, dia 27 de fevereiro, sob ordem judicial, levou as crianças ao IML de Caruaru-PE e depois ao IMIP (Instituto Médico Infantil de Pernambuco), de Recife a fim de serem submetidas a exames sexológicos e psicológicos. Chegando ao IMIP, em contato com a Assistente Social Karolina Rodrigues, a Conselheira Tutelar Maria José Gomes, foi convidada a assinar um termo em nome do Conselho Tutelar que autorizava o aborto. Frente à sua consciência cristã, a Conselheira negou-se diante da assistente a cometer tal ato. Foi então quando recebeu das mãos da assistente Karolina Rodrigues um pedido escrito de próprio punho da mesma que solicitava um “encaminhamento ao Conselho Tutelar de Alagoinha no sentido de mostrar-se favorável à interrupção gestatória da menina, com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e na gravidade do fato”. A Conselheira guardou o papel para ser apreciado pelos demais Conselheiros colegas em Alagoinha e darem um parecer sobre o mesmo com prazo até a segunda-feira dia 2 de março. Os cinco Conselheiros enviaram ao IMIP um parecer contrário ao aborto, assinado pelos mesmos. Uma cópia deste parecer foi entregue à assistente social Karolina Rodrigues que o recebeu na presença de mais duas psicólogas do IMIP, bem como do pai da criança e do Pe. Edson Rodrigues, Pároco da cidade de Alagoinha.

No sábado, dia 28, fui convidado a acompanhar o Conselho Tutelar até o IMIP em Recife, onde, junto à conselheira Maria José Gomes e mais dois membros de nossa Paróquia, fomos visitar a menina e sua mãe, sob pena de que se o Conselho não entregasse o parecer desfavorável até o dia dois de março, prazo determinado pela assistente social, o caso se complicaria. Chegamos ao IMIP por volta das quinze horas. Subimos ao quarto andar onde estavam a menina e sua mãe em apartamento isolado. O acesso ao apartamento era restrito, necessitando de autorização especial. Ao apartamento apenas tinham acesso membros do Conselho Tutelar, e nem tidos. Além desses, pessoas ligadas ao hospital. Assim sendo, à área reservada tiveram acesso naquela tarde as conselheiras Jeanne Oliveira, de Recife, e Maria José Gomes, de nossa cidade.

Com a proibição de acesso ao apartamento onde menina estava me encontrei com a mãe da criança ali mesmo no corredor. Profunda e visivelmente abalada com o fato, expôs para mim que tinha assinado “alguns papéis por lá”. A mãe é analfabeta e não assina sequer o nome, tendo sido chamada a pôr as suas impressões digitais nos citados documentos.

Perguntei a ela sobre o seu pensamento a respeito do aborto. Valendo-se se um sentimento materno marcado por preocupação extrema com a filha, ela me disse da sua posição desfavorável à realização do aborto. Essa palavra também foi ouvida por Robson José de Carvalho, membro de nosso Conselho Paroquial que nos acompanhou naquele dia até o hospital. Perguntei pelo estado da menina. A mãe me informou que ela estava bem e que brincava no apartamento com algumas bonecas que ganhara de pessoas lá no hospital. Mostrava-se também muito preocupada com a outra filha que estava em Alagoinha sob os cuidados de uma família. Enquanto isso, as duas conselheiras acompanhavam a menina no apartamento. Saímos, portanto do IMIP com a firme convicção de que a mãe da menina se mostrava totalmente desfavorável ao aborto dos seus netos, alegando inclusive que “ninguém tinha o direito de matar ninguém, só Deus”.

Na segunda-feira, retornamos ao hospital e a história ganhou novo rumo. Ao chegarmos, eu e mais dois conselheiros tutelares, fomos autorizados a subirmos ao quarto andar onde estava a menina. Tomamos o elevador e quando chegamos ao primeiro andar, um funcionário do IMIP interrompeu nossa subida e pediu que deixássemos o elevador e fôssemos à sala da Assistente Social em outro prédio. Chegando lá fomos recebidos por uma jovem assistente social chamada Karolina Rodrigues. Entramos em sua sala eu, Maria José Gomes e Hélio, Conselheiros de Alagoinha, Jeanne Oliveira, Conselheira de Recife e o pai da menina, o Sr. Erivaldo, que foi conosco para visitar a sua filha, com uma posição totalmente contrária à realização do aborto dos seus netos. Apresentamo-nos à Assistente e, ao saber que ali estava um padre, ela de imediato fez questão de alegar que não se tratava de uma questão religiosa e sim clínica, ainda que este padre acredite que se trata de uma questão moral.

Perguntamos sobre a situação da menina como estava. Ela nos afirmou que tudo já estava resolvido e que, com base no consentimento assinado pela mãe da criança em prol do aborto, os procedimentos médicos deveriam ser tomados pelo IMI dentro de poucos dias. Sem compreender bem do que se tratava, questionei a assistente no sentido de encontrar bases legais e fundamentos para isto. Ela, embora não sendo médica, nos apresentou um quadro clínico da criança bastante difícil, segundo ela, com base em pareceres médicos, ainda que nada tivesse sido nos apresentado por escrito.

Justificou-se com base em leis e disse que se tratava de salvar apenas uma criança, quando rebatemos a idéia alegando que se tratava de três vidas. Ela, desconsiderando totalmente a vida dos fetos, chegou a chamá-los em “embriões” e que aquilo teria que ser retirado para salvar a vida da criança. Até então ela não sabia que o pai da criança estava ali sentado ao seu lado. Quando o apresentamos, ela perguntou ao pai, o Sr. Erivaldo, se ele queria falar com ela. Ele assim aceitou. Então a assistente nos pediu que saíssemos todos de sua sala os deixassem a sós para a essa conversa. Depois de cerca de vinte e cinco minutos, saíram dois da sala para que o pai pudesse visitar a sua filha. No caminho entre a sala da assistente e o prédio onde estava o apartamento da menina, conversei com o pai e ele me afirmou que sua idéia desfavorável ao aborto agora seria diferente, porque “a moça me disse que minha filha vai morrer e, se é de ela morrer, é melhor tirar as crianças”, afirmou o pai quase que em surdina para mim, uma vez que, a partir da saída da sala, a assistente fez de tudo para que não nos aproximássemos do pai e conversássemos com ele. Ela subiu ao quarto andar sozinha com ele e pediu que eu e os Conselheiros esperássemos no térreo. Passou-se um bom tempo. Eles desceram e retornamos à sala da assistente social. O silêncio de que havia algo estranho no ar me incomodava bastante. Desta vez não tive acesso à sala. Porém, em conversa com os conselheiros e o pai, a assistente social Karolina Rodrigues, em dado momento da conversa, reclamou da Conselheira porque tinha me permitido ver a folha de papel na qual ela solicitara o parecer do Conselho Tutelar de Alagoinha favorável ao aborto e rasgou a folha na frente dos conselheiros e do pai da menina. A conversa se estendeu até o final da tarde quando, ao sair da sala, a assistente nos perguntava se tinha ainda alguma dúvida. Durante todo o tempo de permanência no IMIP não tivemos contato com nenhum médico. Tudo o que sabíamos a respeito do quadro da menina era apenas fruto de informações fornecidas pela assistente social. Despedimo-nos e voltamos para nossas casas com a promessa da assistente social de que a documentação sobre a menina dos 9 anos com o parecer médico e os encaminhamentos para o aborto seriam enviados ao Conselho Tiutelar de Alagoinha até a quarta-feira, dia 4 de março, o que até hoje no Conselho Tutelar se espera. Foram enviados apenas os documentos relativos às informações sobre a menina irmã de 14 anos, também violentada.

Aos nossos olhos, tudo estava consumado e nada mais havia a fazer, pois estava claro para nós que em pouco tempo seria iniciado o processo abortivo.

Dada a repercussão do fato, o Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, Dom José Cardoso, e o bispo de nossa Diocese de Pesqueira, Dom Francisco Biasin sentiram-se impelidos a rever o fato, dada a forma como ele se deu. Dom José Cardoso convocou, portanto, uma equipe de médicos, advogados, psicólogos, juristas e profissionais ligados ao caso para estudar a forma como tudo se seu. Nessa reunião, que se deu na terça-feira, dia 3, pela manhã, no Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, também estava presente o Sr. Antonio Figueiras, diretor do IMIP que, constatando o abuso das atitudes da assistente social frente a nós e especialmente para com o pai, ligou ao IMIP e mandou que fosse suspensa toda e qualquer iniciativa que favorecesse o aborto das crianças. E assim se fez por volta das 8 horas da manhã.

Outro encontro de grande importância na luta pela vida dos bebês aconteceu. Desta vez foi no Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, na tarde da terça-feira, dia 3. Para este, eu e mais dois Conselheiros, bem como o pai da menina fomos convidados naquela tarde. Lá no Tribunal, ficamos na sala de espera, mas o desembargador Jones Figueiredo, junto a demais magistrados presentes, se mostrou disposto a tomar as devidas e possíveis providências para que as vidas das três crianças pudessem ser salvas. Neste encontro, que se deu na Sala da Presidência do TJPE, também estava presente o pai da criança, o Sr. Erivaldo. Depois de cerca de 1 hora de reunião, deixamos o Tribunal esperançosos de que as vidas das crianças ainda pudessem ser salvas, com base na orientação dada pelo diretor do IMIP para cancelamento de toda e qualquer iniciativa pró-aborto naquele dia.

Já a caminho do Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, por volta das cinco e meia da tarde, Dom José Cardoso Sobrinho recebeu um telefonema do Diretor do IMIP no qual ele lhe comunicava que um grupo de uma entidade chamada Curumins, de mentalidade feminista pró-aborto, acompanhada de dois técnicos da Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco, teriam ido ao IMIP e convencido a mãe a assinar um pedido de transferência da criança para outro hospital, o que a mãe teria aceitado. Sem saber do fato, cheguei ao IMIP por volta das 18 horas, acompanhado dos Conselheiros Tutelares de Alagoinha para visitar a criança e a mãe. A Conselheira Maria José Gomes subiu ao quarto andar para ver a criança. Eu e o Conselheiro Hélio ficamos embaixo esperando a volta de Maria José. Ela, na recepção do quarto andar, identificou-se e a atendente, certamente ciente que a criança não estava mais na unidade, pediu que a Conselheira sentasse e aguardasse um pouco, porque naquele momento “estava havendo troca de plantão de enfermagem”. A Conselheira sentiu um clima meio estranho, visto que todos faziam questão de manter um silêncio sigiloso no ambiente. Ninguém ousava tecer um comentário sequer sobre a menina.

No andar térreo, fui informado do que a criança e sua mãe não estavam mais lá, pois teriam sido levadas a um outro hospital há pouco tempo acompanhadas de uma senhora chamada Vilma Guimarães. Nenhum funcionário sabia dizer para qual hospital a criança teria sido levada. Tentamos entrar em contato com a Sra. Vilma Guimarães, visto que nos lembramos que em uma de nossas primeiras visitas ao IMIP para ver a criança, quando do assédio de jornalistas querendo subir ao apartamento reservado exclusivamente para a menina e a sua mãe, uma balconista (enfermeira atendente) chamada Sandra afirmou meio irritada em alta voz que só seria permitida a entrada de jornalistas com a devida autorização do Sr. Antonio Figueiras ou da Sra. Vilma Guimarães, o que nos leva a crer que se trata de alguém influente na casa.

Ficamos então a nos perguntar o seguinte: lá no IMIP nos foi afirmado que a criança estava correndo “risco de morte” e que, por isso, deveria ser submetida urgentemente aos procedimentos abortivos para que a situação não se agravasse mais ainda. A pergunta é: como alguém correndo risco de morte poderia ter alta de um hospital. A credibilidade do IMIP não estaria em jogo se liberasse uma paciente que corre risco de morte? Como explicar isso? Como um quadro pode mudar tão repentinamente e a criança ter condições de ser removida a um outro hospital? O que teriam dito as militantes do grupo Curumins à mãe para que ela mudasse de opinião? Seria semelhante ao que foi feito com o pai, que depois de cerca de vinte e cinco minutos de conversa, a sós, com a Assistente Social, a portas fechadas, saiu da sala totalmente convicto de que a sua filha deveria abortar os seus netos, desfazendo sua opinião primeira favorável à vida das crianças? Por que ninguém no IMIP informou ao Conselho Tutelar para onde teria sido transferida a criança? Por que tanto silêncio e tanto mistério? Estariam, por acaso, fazendo algo errado que não pudesse ser conhecido?

De lá do IMIP voltamos ao Palácio dos Manguinhos sem saber muito que fazer, uma vez que nenhuma pista nós tínhamos de onde a menina e a sua mãe se encontravam. Convocamos órgãos de imprensa para fazer uma denúncia, frente ao apelo do pai que queria saber onde estava a sua filha naquela noite.

Na manhã da quarta-feira, dia 4 de março, já em Alagoinha, ficamos sabendo, por meio da imprensa, que a criança estava internada no CISAM, acompanhada de sua mãe. O Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (FUSAM) é um hospital especializado em gravidez de risco, localizado no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife. Lá, por volta das 9 horas da manhã, nosso sonho e luta para salvar as duas crianças se foi, baseado num ato de manipulação da consciência, extrema negligência e desrespeito à vida humana como se de nada estivéssemos falando.

Tudo isto foi relatado para que se tenha clareza quanto aos fatos como verdadeiramente eles aconteceram. Nada mais que isso houve. Porém, lamentamos profundamente que as pessoas se deixem mover por uma mentalidade formada pela mídia que está a favor de uma cultura de morte. Espero que casos como este não se repitam mais.

Ao IMIP, temos que agradecer pela acolhida da criança lá dentro e até onde pode cuidar dela. Mas por outro lado não podemos deixar de lamentar a sua negligência e indiferença ao caso quando, no momento em que, sabendo do verdadeiro quadro clínico das crianças, permitiu a saída da menina de lá, mesmo com o consentimento da mãe, parecendo ato visível de quem quer se ver livre de um problema.

Aos que se solidarizaram conosco, nossa gratidão eterna em nome dos bebês que a esta hora, diante de Deus, rezam por nós. “Vinde a mim as crianças”, disse Jesus. E é com a palavra dele mesmo que continuaremos a soltar nossa voz em defesa da vida onde quer que ela esteja ameaçada: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente” (Jo. 10,10).
Nisso cremos, nisso apostamos e por isso nos gastaremos sempre.

Acima de tudo, a Vida, dom de Deus para todos!

Eduardo em março 25, 2009 11:29 AM