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Um blog sobre política, literatura, música e futebol basquetebol. Na rede desde outubro de 2004.



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segunda-feira, 02 de março 2009

Ato Público contra a Folha de São Paulo: dia 07/03, às 10 h

Está crescendo bastante a mobilização para o ato público convocado para o próximo sábado, dia 07, às 10 da manhã, em frente ao comitê central da candidatura Serra prédio da Folha de São Paulo, na Alameda Barão de Limeira, 425. Trata-se de uma concentração popular em protesto contra o insulto à memória das vítimas da ditadura militar no editorial da Folha do dia 17 passado e em solidariedade com os professores Fabio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides, insultados pelo jornal.

A manifestação foi convocada pelo Eduardo Guimarães, conta com o apoio do Biscoito e já tem um selinho, feito pelo Mello:

ditabranda.gif


A lista de blogs que estão divulgando o ato público inclui o Luis Nassif, o Viomundo, a Maria Frô, o Óleo do Diabo, o Estado Anarquista e muitos outros. O blog Nas Retinas pede a colaboração dos paulistanos que por ventura tenham acesso a uma rede wifi nas imediações da Barão de Limeira. O genial Latuff já fez sua charge contra a “ditabranda”:


Vladimir%2BHerzog.jpg


Além de oferecer a modesta ajuda na divulgação do ato, eu apresento o recibo de cancelamento da minha assinatura:

uol.jpg


Todas as fontes confirmam que o impacto do episódio fez com que se batessem muitas cabeças na redação da Folha de São Paulo. Sem saber muito bem como lidar com a grande repercussão, sem ter a dignidade de se desculpar, desprovido da transparência de repensar a sua colaboração com a ditadura, o jornal embarcou numa sequência de emendas que pioraram muito um já péssimo soneto. Publicaram umas poucas linhas de Benevides e de Comparato, sem resposta injuriosa mas sem retratação. Escalaram um colunista, Fernando Barros e Silva, para “discordar” do editorial num texto cuja ênfase maior era uma bizarra comparação entre a metáfora usada por Comparato – de que o jornal deveria se desculpar ajoelhado em praça pública – e os métodos da Revolução Cultural chinesa (haja liberdades com as metáforas alheias!). O coroamento foi um post de Marcelo Coelho que afirmava que “há pelo menos 30 anos, a Folha reprova o autoritarismo”, omitindo a simples matemática de que em 1979 a Folha já tinha 15 anos de leais serviços prestados à ditadura militar.

O episódio reitera mais uma vez algo que o Biscoito vem afirmando há tempos: os funcionários da grande mídia continuam sem ter a menor idéia da grande revolta que toma conta de parte significativa do público leitor. Como a internet tem sido o principal meio de expressão dessa revolta, eles seguem colocando a culpa da febre no termômetro.

O Biscoito apóia o ato do próximo sábado e convoca os amigos paulistanos: dia 07/03, às 10 da manhã, na Alameda Barão de Limeira.



  Escrito por Idelber às 17:02 | link para este post | Comentários (114)


Comentários

#1

O número do edifício é 425. Valeu Idelber.

Miguel do Rosário em março 2, 2009 6:04 PM


#2

aquela correção do local do evento está de matar. vc deve ter rido quando fez aquilo, hein?

luzete em março 2, 2009 6:33 PM


#3

Quando alguém faz alguma distorção em relação ao holocausto, as pessoas logo se escandalizam -- frequentemente, com todo o direito. O que está em jogo ali é a memória de milhões de vítimas (às vezes, nem é preciso haver distorção, basta uma retratação indevida). Obviamente, sem fazer comparações, o que provoca indignação no caso da "ditabranda" é menos a distorção histórica do que o agravo à memória de gente que morreu e foi torturada no regime.

É isso que a Folha não entendeu ainda e que fica como um fio solto mesmo diante da manifestação de alguns dos seus articulistas.

Leonardo Bernardes em março 2, 2009 6:40 PM


#4

"comitê central da candidatura Serra". Isso quer dizer o quê, Idelber? Que Serra foi a favor da ditadura? Que qualquer um que cogitar votar nele é um pró-terror direitista?

Esse blog é interessante demais para essa ilação gratuita e infantil. Acaba por esculhambar e diminuir o próprio ato de protesto, que é totalmente justo. Aposto que vai até ter faixa Dilma2010...

Andrei em março 2, 2009 6:41 PM


#5

Que Serra foi a favor da ditadura? Que qualquer um que cogitar votar nele é um pró-terror direitista?

Andrei, essas ilações são suas, não são parte do post. O que post aponta é o inegável vínculo da Folha com o serrismo, que me parece já amplamente demonstrado.

O ato é apartidário, como se sabe.

Idelber em março 2, 2009 6:49 PM


#6

Parece que o editorial da Folha teve um inspirador ilustre: "o horror, o horror".

Leo Vidigal em março 2, 2009 7:11 PM


#7

Idelber, por falar em Cuba, vcs viu essa matéria do Esporte Espetacular?

http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM974527-7824-EXCLUSIVO+BOXEADOR+CUBANO+REVELA+DETALHES+DA+SUA+FUGA,00.html

A imprensa não repercutiu em nada essa história. Vocêr lembra a gritaria na época do Pan Americano?

Abs.

Lauro Mesquita em março 2, 2009 7:14 PM


#8

Vi, sim, Lauro. Mais um factóide da mídia desmentido. Teríamos que ter um emprego em tempo integral contabilizando-os para dar conta de todos...

Idelber em março 2, 2009 7:24 PM


#9

Idelber,

Estarei lá certamente, afinal, estamos falando de uma situação assustadora e extremamente grave, não pelo fato da Folha ter tomado uma posição política, mas ter tomado essa posição política - assumindo um viés e uma retórica que parece com alguma coisa dos anos 50, 60. Nesse contexto, a candidatura Serra, firmemente encampada pelo jornal toma um viés não menos temerário, junto com quem e com qual discurso estaria o pré-candidato tucano vindo para 2010?


Leonardo Bernardes,

Mais que a violência direta praticada pelos agentes do regime propriamente ditos - como a que vitimou Herzog -, havia a indireta comandada pela caudilhagem leal à ditadura e feita no mesmo sentido - como foi tão comum no nosso nordeste e o que torna os dados sobre assassinatos políticos no período certamente maiores. Ademais, acima do impacto da violência direta, não custa lembrar da violência lateral do regime, não menos nociva para o país, com o aumento da desigualdade e a criação desse modelo de país com o qual quebramos a cabeça hoje em dia, onde temos uma situação insustentável no campo ao mesmo tempo em que as cidades são nucleozinhos de prosperidade rodeadas de um mar de favelas e desesperança.

abraços

Hugo Albuquerque em março 2, 2009 7:44 PM


#10

Obrigada Idelber, pela divulgação e por ainda manter o bom humor. abraços

Conceição Oliveira em março 2, 2009 8:06 PM


#11

Está ficando interessante essa discussão. "Idelber, você viu essa matéria da TV Globo sobre os cubanos? A midia não falou disso". A TV Globo é o que? Um blogue esquerdista?

E, quanto à repercussão da midia, realmente não houve. Só mesmo nesses boletins clandestinos:
www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090302/not_imp331910,0.php

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/03/02/pugilista-diz-que-quis-voltar-para-cuba-que-lula-lhe-ofereceu-refugio-apos-os-jogos-pan-americanos-754650084.asp

veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2009/03/planalto-nega-contato-entre-lula-e.html

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=planalto-nega-contato-entre-lula-cubano&cod_post=165043

Pinochet em março 2, 2009 8:28 PM


#12

Pinochet, foi um ligeiro deslize do Lauro. Acho que o que ele quis dizer foi que, comparada ao estardalhaço feito com o factóide da "deportação", a retratação tem sido bem tímida.

Dê uma olhada no pedido de desculpas do Juca Kfouri. É um daqueles assim: me desculpo, mas você fez X, Y, Z. Quando o cara termina com as ressalvas, o pedido de desculpas já está enterrado lá no meio do parágrafo.

Idelber em março 2, 2009 8:34 PM


#13

Timidíssima, Idelber. A TV Globo acaba de dar dois minutos do Jornal Nacional para o tema, com entrevista do Tarso Genro rindo e tripudiando, porque venceu a versão verdadeira, ao que tudo indica, do governo. A repórter ainda falou que três cubanos pediram e conseguiram asilo no Brasil, os boxeadores não ficaram porque não quiseram.

Hoje, já teve uma página inteira no Estado de S. Paulo para a história dos cubanos dizendo que não foram explulsos. Dois minutos no JN da família Marinho são uma enormidade. Como diz o Lauro, será que nem assim a midia golpista vai repercutir o fato?

Pinochet em março 2, 2009 8:55 PM


#14

É aquela história. O cão já mordeu umas vinte pessoas. Já matou e mutilou. Não é só porque deu uma lambidinha na perna dum velho, numa tarde fresca de outono, que ele deixou de ser perigoso. Repare que quem entrevistou os cubanos foi a equipe do Globo Esporte... Talvez os repórteres esportistas estejam entendendo mais de politica que seus colegas especializados...

Miguel do Rosário em março 2, 2009 9:00 PM


#15

Bom, o que eu diria, Pinochet, é o seguinte: todo o estardalhaço criado acerca da "deportação" dos cubanos foi um fenômeno de mídia. Em nenhum momento, nenhum dos fatos, depoimentos, indícios, testemunhos, nada, nadica de nada, dava sustentação à tese de que se havia negado asilo aos cubanos.

Mesmo assim, convivemos meses com o factóide. Mesmo assim, gente inteligente como você só tratou o factóide como factóide no momento em que o pugilista negou que tivesse acontecido o que ele jamais havia dito que acontecera. Caramba, os fatos já estavam aí desde o começo, antes da entrevista do boxeador!

A Globo deu dois minutos no JN? Maravilha. Mas não entendo por que dar tanto parabéns à Globo por ter dito, meses depois, o que os fatos já diziam sozinhos desde o começo.

Idelber em março 2, 2009 9:03 PM


#16

E tem mais: quem assistiu à matería na primeira edição, a da manhã de domingo, notou que a intenção clara da reportagem era acentuar a pobreza e a ditadura cubana no trato do esporte.E mostrar o vidão que o tal Lara leva no paraíso de liberdade de Miami. Não tinha reparado nas chamadas anteriores, de modo que quando começou pensei: Lá vem a tal história da miséria cubana e do heroísmo dos caras que tentaram escapar do terror do regime de Fidel. Quando entrevistaram o boxeador é que saíram aquelas frases. Seja como for, ponto para a Globo que não vetou a matéria.

Vera Borda em março 2, 2009 9:21 PM


#17

O Estadão escondeu o assunto dos boxeadores num parágrafo perdido numa matéria cujo título não tocava no assunto.

A Folha e o Globo fizeram matérias mais honestas, mas nenhuma delas teve chamada de capa na homepage dos jornais.

O Jornal Nacional fez uma boa matéria, mas também não deu chamada na escalada.

Marcus em março 2, 2009 9:37 PM


#18

Fora todo o horror, me impressiona a disposição do alto-escalão da FSP em endossar a posição do jornal. Já fui colaborador do jornal e nunca endossei nada da empresa. Fazia o meu trabalho, mas não fazia pacto de fidelidade ao patrão.
Nunca vi disposição tão cega para passar cheque em branco para o patrão. Entrar no esgoto com ele. Parece que esses caras nao se envergonham?

Assim parece que o Frias Filho é um Jim Jones dos jornalões acompanhado pelo seu séquito. Eles já estão tomando veneno sem ele pedir. Não precisa adular tanto.

Tiago Mesquita em março 2, 2009 10:41 PM


#19

Uma correção: o Jornal Nacional fez na escalada uma chamada para a matéria, mas com o lead errado: "o governo brasileiro nega que o presidente tenha conversado com o cubano que desertou durante o Pan de 2007". Mesma estratégia do Estadão.

O lead correto, evidentemente, deveria ser sobre a confirmação de que ele pediu para voltar para Cuba.

Marcus em março 2, 2009 10:45 PM


#20

Definitivamente, parei com um hábito que tinha desde 1.972: ler a Folha, ainda que na entrelinhas, por causa do apurado apoio aos canalhas de 64. Agora chega!

Armando do Prado em março 2, 2009 10:58 PM


#21

A Folha tem que dar o devido crédito a Pinochet (não o comentarista) pelo termo "ditablanda".

Leo Vidigal em março 3, 2009 12:00 AM


#22

Super bem apontado, esse detalhe, pelo Marcus. Se jamais se havia dado a "notícia" de que a versão deportação estava definitivamente desmentida, a manchete teria que ser essa.

Não o fato posterior de que o governo negou ter conversado pessoalmente. Eita, Pinochet, você vai ter que voltar com mais argumentos ;)

Idelber em março 3, 2009 12:00 AM


#23

nao acredito que o marcelo coelho escreveu isso. que triste.

mary w em março 3, 2009 12:12 AM


#24

Olá, para dizer que fui ler o blog do Marcelo Coelho por causa desse episodio todo, no domingo. Li que alguem comentava sobre o video do Pinochet falando sobre a ditablanda, ele pediu o link. Eu mandei, e lembrei hoje de procurar, mas desde o dia 27 ele nao atualizou mais.

Elizabeth em março 3, 2009 12:13 AM


#25

eu acho q ele pode até discutir o apoio da folha à ditadura, se quiser. mas escrever "se não me falha a memória". sendo que o livro da moça causou. é cínico também ele dizer isso. porque ele sabe o q vem sendo discutido. nossa. tô desapontada mesmo.

mary w em março 3, 2009 12:14 AM


#26

"comitê central da candidatura Serra": aqui, o comitê central de "todos contra o PT [ou qualquer partido que cheire a esquerda]" é na Ipiranga 1075.

claudia cardoso em março 3, 2009 12:26 AM


#27

Foi demais, Mary. Blogs da Folha estão todos deslinkados. Enough is enough.

Idelber em março 3, 2009 12:33 AM


#28

O mais bizarro é a posição do ombudsman, que diz que não discute editorial porque opinião não se discute, mesmo depois de eu ter citado o caso de Jeff Jacoby e o ombudsman do Boston Globe.

Andre Kenji em março 3, 2009 12:50 AM


#29

Essa do ombudsman foi outro vexamaço, André. Quando eu falo do nível intelectual rasteiro do jornalismo, é isso que quero dizer.

Não é carteirada nem insinuação de que tem que ter "título" nem cobrança de que tem que ter lido Heidegger ou mesmo ler em outra língua que não seja inglês de Yazige.

É cobrança de que não insultem nossa inteligência com frases como opinião é tudo igual, que até meu Alê de 12 anos desconstroi com argumentos lógicos.

Mário Magalhães ter saído do cargo de ombudsman foi a facada final na Folha.

Idelber em março 3, 2009 1:01 AM


#30

Aparentemente, enquanto a Folha é comitê político de candidatura de José Serra, e isso é mais que óbvio, faltou você declarar que Emir Sader, Comparato e Benevides, juntamente com a Carta Capital, são parte do "comitê de candidatura Dilma Roussef 2010".

Utilizar o povo para manipulação política é um negócio triste mesmo...

PS: Espero que desta vez eu consiga postar este comentário, tentei há 2 dias postar no outro artigo e não consegui

Diego Cabral da Camara em março 3, 2009 2:30 AM


#31

Diego, a caixa de junk não registra qualquer tentativa sua de postar no outro artigo, que aliás tem um debate, rolando livre, com mais de 224 comentários. Não sei do que falas.

Sim, talvez a Carta Capital e Emir-Comparato-Benevides formem um comitê pró-Dilma. A diferença é que eles não declararam -- aceitemos a comparação falaciosa por um minuto -- que a URSS de Stalin ou a Coréia do Norte são "ditabrandas", e que o professor que discordar é "cínico e mentiroso".

O dia que o fizerem, combinemos um ato lá na porta da CC.

Idelber em março 3, 2009 2:47 AM


#32

Diego, li a ponderação na outra caixa (que estava lá, diga-se). Achei válida. Não tive intenção de ofender a classe dos jornalistas como um todo, e há muitos jornalistas que leem o blog e sabem disso. Mas entendo que fui duro mesmo, porque a situação é, eu acho, calamitosa quando olhamos o estado do monopólio na grande mídia e a cumplicidade da esmagadora maioria da profissão com ela.

Há professores ruins e jardineiros ruins? Sim. Não acredito que haja tantos fazendo tanto dano à sociedade civil como a tropa de cúmplices da grande mídia que o jornalismo fornece no Brasil.

Mas enfim, queria que soubesses que li o comentário e que foi muito apreciado.

Idelber em março 3, 2009 2:54 AM


#33


Querido Idelber,

Como falei no post anterior, achei absolutamente funesto e indigno o editorial da Folha. Nao so pelo desrespeito as vitimas da ditadura militar, como pela falta de destreza retorica - ao relativizar a ditadura brasileira e compara-la a democracia venezuelana.

Contudo, nao endossaria uma manifestacao coordenada por Eduardo Guimaraes. Ha inumeras angulos e posicoes dos quais devemos criticar a Folha, e nao compartilho com os do Eduardo Guimaraes. Sobretudo porque acho uma tremenda hipocrisia o dito-cujo organizar manifestacoes contra a "ditabranda" brasileira quando eu seu blogue, no dia 2 de janeiro desse ano, chama a ditadura cubana de "dulce dictadura" (http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-12-28_2009-01-03.html).

Veja, nao se trata de dizer que antes de criticar a Folha devamos falar mal de Cuba. Nao eh isso. Trata-se de pensar e questionar de que posicao vou criticar a Folha. E tenho serio motivos para duvidar que Eduardo Guimaraes faca esse protesto em nome da "democratizacao da midia", quando o mesmo considera Cuba um pais onde a livre-expressao possivel, e chega a usar termos como "ameno", "doce" para falar de um regime que certamente abafa a expressao de tantos cubanos, em tantos aspectos de suas vidas. Portanto, eh uma questao de principio e coerencia.

Do mesmo modo que para criticar o governo do PT, nao eh preciso falar mal do governo do PSDB. Mas certamente eh imperativo desconstruir algumas criticas ao PT vindas de hipocritas do PSDB e do DEM. Ao fazer isso, a gente constroi nosso proprio posicionamento critico, sem se alinhar com posicoes como a do PSDB e PFL quando falam de Lula.

Repito meu repudio a Folha. Critiquemos sim o termo nefasto da "ditabranda", mas jamais vou fazer isso em associacao com com gente que ha um mes atras estava elogiando "las dulces dictaduras".

PS- Eduardo Guimaraes eh tao apartidario como Reinado Azevedo. Eh so ler o blogue dele.

Cesar em março 3, 2009 4:01 AM


#34

Assinei o manifesto por considerar que o termo "ditabranda" envolve a ditadura brasileira numa aura de benignidade que é absolutamente imprópria. É bem provável que eu vença minha aversão pessoal a qualquer ajuntamento humano com mais de três pessoas e vá à manifestação. Mesmo assim, acho perfeitamente possível (e necessário) escalonar horrores. Nâo há comparação entre o que aconteceu no Brasil e o que aconteceu na Argentina, assim como não há comparação entre o regime de Videla e o de Pol Pot. A escala do horror é outra, e isso pode ser dito tranquilamente sem que deixemos de chamar o horror - qualquer que seja a sua dimensão - pelo seu verdadeiro nome.

João Vergílio em março 3, 2009 6:17 AM


#35

Que falta do que fazer.
A livre expressão de pensamentos é um perigo. Que me conste a expressão estava entre aspas.

E contra as invasões de propriedades privadas e assassinatos de inocentes, não vai haver manifestação?

Maria em março 3, 2009 9:33 AM


#36

Viste isso, Idelber?

http://www.youtube.com/watch?v=qsBTTH0F1_g

Um abraço,

Iagê.

Iagê em março 3, 2009 9:42 AM


#37

Pinochet, viaja não filho. A reportagem saiu no Esporte Espetacular. É a mesma coisa que dia apos dia no JN. Mesma audiencia. Mesmo publico.

Nao duvide se a reportagem ter sido uma surpressa pra cupula. Qdo viram já tava na pauta do EE e não tinha como voltar atras.

Ai bota uma chamada no JN pra passar a ideia de que "somos justos".

Fala serio.

the talk of the town em março 3, 2009 10:00 AM


#38

Agora jagunço virou inocente! E ainda tem o besta do Reinaldo Azevedo comparando 4 jagunços armados com Dorothy Stang, uma senhora de 73 anos.

Rodrigo em março 3, 2009 10:01 AM


#39

Maria

que tal você organizar essa manifestação contra a "invasão" de "propriedade privada"?
é um direito seu inalienável

liberdade de expressão é liberdade de discussão

rabbit em março 3, 2009 10:11 AM


#40

Idelber,

Também faço coro aos críticos do "ditabranda". Mas como o Cesar, não dá pra se alinhar com movimento organizado por quem critica a ditabranda brasileira da Folha e morre de amores pela "dulce dictadura" de Cuba. Eduardo Guimarães organizando movimento apartidário? TÁ.

abs.
Rodrigo

Rodrigo em março 3, 2009 10:44 AM


#41

Eu adoro esse pessoal que usa Cuba como desculpa para continuar mantendo miséria e tortura aqui no Brasil.

Rodrigo em março 3, 2009 11:12 AM


#42

Voltando à ditabranda..
Passo a olhar a 'Folha' com outros olhos..

Mas uma coisa não entendo: porque o jornal favoreceria a Ditadura Militar agora que a máscara já caiu e o período é visto pelo país como o mostro que realmente foi?
Seria como um alemão, hoje, defendendo o nazismo!

André H. em março 3, 2009 11:16 AM


#43

Puxa, há muito tempo que eu não tinha tanta vontade de ir a sampa...mas não vou mesmo assim. Torço aqui de longe por uma manifestação histórica que faça a imprensa acordar para o fato de que não está mais sozinha - está sendo bem avaliada e fiscalizada por uma internet cada vez mais forte!

Agora, aproveitando que eu estou de bom humor, a melhor repercussão do caso para mim foi o Hugo Chavez usando a expressão da folha "cinico e mentiroso" para xingar o obama...não é que o grande líder bolivariano lê a mardita FSP????kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

aiaiai em março 3, 2009 11:24 AM


#44

Eu acho que você deveria "relinkar" o blog do Nelson de Sá, Toda Mídia, que apesar de estar na Folha faz uma crítica cirúrgica (desprovida de adjetivos, apenas mostrando os fatos) sobre os problemas da imprensa.

Hoje ele apontou o problema que eu citei ontem, da escalada do Jornal Nacional:

Editado por Luiz Fernando Lima, diretor de Esportes, só o "Esporte Espetacular" de domingo noticiou que "Erislandy Lara desfaz o mistério" em "entrevista exclusiva" sobre a saída dos boxeadores cubanos do Brasil. Nas palavras do próprio Lara:

- Nós quisemos voltar para Cuba. Não foi pelo governo brasileiro nem por ninguém.

Editado por Ali Kamel, diretor-executivo de Jornalismo da mesma Globo, o "Jornal Nacional" de segunda evitou a notícia e respondeu já na escalada com "O governo nega que o presidente tenha conversado com o cubano que desertou". Abrindo a reportagem:

- Foi a resposta à versão apresentada pelo boxeador em uma entrevista exibida no "Esporte Espetacular".

Marcus em março 3, 2009 12:10 PM


#45

Desocupados do Brasil, não deixem de comparecer!

Elzo em março 3, 2009 12:42 PM


#46

Idelber,

Tudo bem, o Emir Sader nunca usou o termo ditabranda, mas que já abrandou pro lado do Stalin...
Resgato um texto do Demetrio Magnoli para as discussões.

"O segundo pilar da narrativa é a tese de que a ditadura de Stalin salvou a humanidade do nazismo. Essa proposição aparece, sob forma "sofisticada", na apresentação à nova edição da biografia clássica de Trótski escrita por Isaac Deutscher. O texto, de Emir Sader, explica que a URSS conseguiu "desenvolver-se suficientemente para poder assestar o golpe decisivo na espinha dorsal do exército de Hitler e assim mudar a história do século 20", e conclui que "o preço a pagar pelo desenvolvimento compulsivo imposto por Stalin, no entanto, foi o da ruptura com a democracia e os espaços de debate". Ou seja: o totalitarismo mais sanguinário do século (a "ruptura com os espaços de debate", na versão ultra-stalinista do autor) propiciou um "desenvolvimento compulsivo" que redundou na vitória contra Hitler."

Vejam, de novo não estou querendo dizer que a indignação contra a Folha não seja legítima. Mas não é curioso que os intelectuais adorados pela esquerda sempre aliviem para outras ditaduras e isso não gera um décimo da gritaria?

Outro dia uma das referências morais da esquerda, o arquiteto Oscar Niemeyer, disse na mesma Folha sobre Stalin que "Tudo que foi dito sobre ele foi uma invenção do mundo capitalista."

E numa de suas entrevistas esse "patrimônio moral" vai mais longe: "Stalin era fantástico. A Alemanha acabou por fazer dele uma imagem de que era um monstro, um bandido."

Tudo isso na mesma Folha de S. Paulo. E não teve protesto na porta, não teve moção de repúdio, não teve abaixo assinado, ninguém da esquerda se escandalizou.

Honestamente... não é muito esquisito, pra não dizer trágico!?

Luiz Vianna em março 3, 2009 1:06 PM


#47

Luiz Vianna

O espaço está aberto, nesse e em outros blogs, para você organizar qualquer manifestação ou abaixo assinado em relação ao assunto que você quiser.
Do mesmo modo, a maioria dos comentaristas deste blog apóia a manifestação do dia 7 e está ajudando na sua divulgação e organização.

abçs

rabbit em março 3, 2009 1:32 PM


#48

Continua o Luiz Vianna na sua cruzada kantiana pelo Universal moral, agora acompanhado pelo Professor Magnoli... Stalin EFETIVAMENTE salvou o mundo de Hitler, por mais que não houvesse pretendido desempenhar este papel, e isto é um FATO; a Revolução Cubana retirou a América Latina da sua posição subordinada na História do Mundo, e isto é outro fato. A "branda" Ditadura militar de 1964 teve como seu maior legado a imbecilização do país, e isto é mais um fato. Para quem quer o bem e o mal sem mistura, isso é um problema, sem dúvida; mas aí, eu lembraria o seguinte: a Democracia Liberal, em quem os luizes viannas vem o Imperativo Categórico, serviu de trampolim para o fascismo, o nazismo e o franquismo; a ditadura brasileira foi implantada, em parte, por um golpe parlamentar (a Presidência tendo sido declarada "vaga" pelo Congresso). E só os liberais é que podem ser contraditórios nas suas práticas?

Carlos em março 3, 2009 2:07 PM


#49

No lugar de "os luizes viannas vem", leia-se "os luizes viannas veem".

Carlos em março 3, 2009 2:08 PM


#50

E francamente, Luiz Vianna: Stalin está mortinho da silva há mais de cinqüenta anos, que tipo de protesto você desejaria que a Esquerda fizesse contra ele? Bronca na sessão espírita?

Carlos em março 3, 2009 2:11 PM


#51

Stalin está morto e a ditadura já acabou, pela sua lógica.

Não precisa protesto não, Carlos. Só uma resposta já vai bem. Me diga: E você? O que acha do Stalin?

Luiz Vianna em março 3, 2009 2:21 PM


#52

Peraê, o post sobre o protesto contra a Folha agora está sendo transformado em um debate sobre Stalin?

Hugo Albuquerque em março 3, 2009 2:50 PM


#53

Spin doctors em ação...

Rodrigo em março 3, 2009 2:59 PM


#54

Cesar, querido, acho que desta vez vemos a coisa de ângulos bem, bem diferentes. Não me importa muito que o Eduardo seja ou não seja "partidário" (ele não o é, no sentido de "falar de dentro de" um partido, mas em todo caso não é esse o tema).

A manifestação é, sim, apartidária porque foi amplo o espectro de gente que se indignou com o editorial e com a posterior injúria aos professores. Se você, professor, não se soma à solidariedade numa hora destas, meu cumpadi, sob o pretexto tosco de que a pessoa que sugeriu a manifestação não é equidistante entre e PT e PSDB e portanto, supostamente, o ato não poderia ser apartidário, ora, ora, você termina se omitindo num momento importante.

O leque de quem se indignou com a Folha tende à esquerda, mas não é "partidário". Quem quer transformar isso em suposta briga PT x PSDB está tapando o sol com a peneira para fugir do tema.

Mais ou menos como ficar discutindo os méritos ou crimes de Stalin enquanto dois professores brasileiros foram injuriados de graça por um jornal brasileiro, por declarações sobre a ditadura brasileira.

Não fico passando julgamento em colega blogueiro no momento em que a questão em pauta é uma manifestação justa.

É o que acho. Abração.

Idelber em março 3, 2009 3:07 PM


#55

Só um comentário sobre a questão do "comitê central da candidatura Serra".

O problema (inclusive jornalístico) não é a "Folha" ser o comitê central do Serra.

O problema é a "Folha" fingir para seus leitores que não é o comitê central do Serra. É vender campanha eleitoral e ideológica como neutralidade e imparcialidade.

Ou, falando na linguagem mais objetiva que existe, é vender gato por lebre. Filé miau por filé mignon.

Daí para diante, tentar vender ditadura por ditabranda não é muito mais que consequência - ato falho de quando a estratégia política e mercadológica de sempre já não está mais fazendo efeito (aliás, não é de hoje, já faz uns bons anos).

Isso me faz lembrar muito as gravadoras de discos, que só conseguiram perceber o avanço de piratas, downloads, novos ideários etc. quando um abismo pavoroso já estava cavado sob seus pés.

Pedro Alexandre Sanches em março 3, 2009 3:11 PM


#56

Salve, exato exatíssimo, querido Pedro. É só um tiquinho de transparência que se pede.

Sempre uma alegria suas passagens por aqui. Ontem mesmo estava lendo seu blog. Abração.

Idelber em março 3, 2009 3:18 PM


#57

IMHO, é grotesco o cara que chamou a ditadura cubana de "doce" convocar uma manifestação de protesto porque a Folha chamou a ditadura brasileira de "branda". É muita cara de pau. Escrevi sobre isso lá no meu blog

F.Arranhaponte em março 3, 2009 3:21 PM


#58

Sobre o fato dos professores Comparato e Benevides nunca terem criticado o regime Castrista,EUGÊNIO BUCCI,no Observatório de Imprensa,diz o seguinte:

"Também não é verdade que Fábio Comparato tenha se calado sobre as brutalidades cometidas pelos regimes de esquerda.Não é verdade. Tenho notícias de que ele e Maria Victória,entre outros,já em 1989,assinaram um documento que foi entregue a Fidel Castro condenando os fuzilamentos de militares cubanos por suposto envolvimento com o narcotráfico. eles também se manifestaram contra a política do regime chinês em relação ao Tibet".(...)

Ary em março 3, 2009 4:45 PM


#59

Os jornais diários só têm utilidade para meu cachorro, afinal, onde ele vai "aliviar" os seus rejeitos orgânicos, se não numa Folha qualquer de jornal, neste Estadão nosso, cravado no Globo terrestre?
Como diria o finado Raulzito: "Eu não preciso ler jornais, mentir sózinho eu sou capaz..."

Namber Uam em março 3, 2009 5:11 PM


#60

Quanto ao Stalin acho que tudo seria diferente se em vez de bigodão ele usasse barba. Outra coisa: georgiano? Parecia oriundo de um estado yankee. Sei não...

Armando em março 3, 2009 5:56 PM


#61

Caro Idelber,

Só para esclarecer algumas coisas que talvez tenham ficado confusas no meu primeiro comentário.

Não critico o movimento articulado por Eduardo Guimarães porque ele não tem uma posição apartidária, mas simplesmente porque a posição dele hipócrita.

Aliás, como você, Idelber, já fez várias vezes ao qualificar suas posições aqui nesse blogue: criticou o governo Lula, mas sem o fazer nos termos de um José Agripino. Criticou a cagada da campanha de Marta ao sugerir o homossexualismo de Kassab, sem entra no oba-oba pseudo-moralista da grande imprensa (machista em relação a Marta). Criticou Cuba e sua violência contra os homossexuais sem validar os reacionários exilados na Flórida. O inimigo de meu inimigo não é necessariamente meu amigo.

Posso criticar a Folha por usar um termo funesto, mas não farei de mãos dadas com alguém que chama Cuba de "la dulce dictadura". É preciso qualificar a crítica sempre.

Um grande abraço e bom final de inverno para vocë!(Aqui não para de nevar)

Cesar em março 3, 2009 6:04 PM


#62

bom final de inverno para você!

Obrigado, Cesar, mas ... que final de inverno? Aqui em New Orleans um sol maravilhoso, de 20 graus centígrados, rebate bonito nas águas do Mississippi. Já estamos na primavera há tempos :-)

Como eu amo esta minha cidade :-) Ainda por cima fica pertinho de Cuba!

Boa sorte aí com a neve, o gelo e o granizo. Só faltam dois meses.

(Desejo boa sorte com solidariedade e sem ironia nenhuma. Você sabe que conheço o drama)

Idelber em março 3, 2009 6:14 PM


#63

Essa história de tentar desmoralizar Eduardo Guimarães porque ele fez um post falando em Dulce Ditadura, referindo-se à Cuba, é uma falácia. É a mesma ordem de idéias da resposta agressiva da Folha, que xingou os professores porque eles, supostamente, não teriam condenado a ditadura cubana. Eduardo Guimarães não usou um jornal com tiragem de 300 mil exemplares para xingar dois grandes professores de cínicos e mentirosos. Nem tentou eufemizar a ditadura brasileira. Nem, o que é pior, compará-la aos governos democráticos da Venezuela e Bolívia. Cuba, vocês não esquecem de Cuba, héin? Agora os brasileiros, antes de tirarem título de eleitor e se tornarem cidadãos votantes, deveriam assinar uma declaração sobre o que pensam de Cuba? E somente o que condenarem Cuba seriam considerados "dignos" de confiança e poderiam organizar manifestações? O que eu sempre me pergunto é o seguinte? Porque Cuba é uma ditadura? Teria a ver com o golpe de Fulgêncio Batista? E depois que Fidel tomou o poder, porque continou sendo uma ditadura? Teria a ver com o fato de que todos os países latino-americanos, todos, estavam assistindo a seus governos, democraticamente eleitos, caírem sob golpes militares da direita? Alguém quer me fazer crer que, se os cubanos elegessem um governante de esquerda, não haveria golpe militar e Cuba não seria mais uma ditadura de direita no continente?

Miguel do Rosário em março 3, 2009 6:36 PM


#64

Caro brother, como vai?

escrevo para dizer que não só tenho acompanhado suas discussões como estou utilizando seu blog para o curso de Comunicação Social da UNIVERSIDADE DE SÃO JOÃO DEL REI, onde sou professor agora. Quando estiver no Brasil, queremos muito trazê-lo aqui para dividir sua vasta experiência conosco. E a Folha ainda merece muito mais...
um abraço fraterno para você e Ana,
agora em casa temos Hanna e Nina (50 dias)

paulinho (witch!!!)

paulinho em março 3, 2009 7:13 PM


#65

Salve, Paulinho, São João del Rey acaba de entrar, automática, no itinerário deste ano. Pode contar comigo, está marcado para quando quiser entre maio-agosto. Boas vindas e boas vindas para a Nina, abração fraterno e beijão na Débora e família. Parabéns, dotô, é um baita lugar para se dar aulas. Tá marcada a visita.

Idelber em março 3, 2009 7:19 PM


#66

Obrigado, Miguel. É bom que você deixe claro mesmo que há um double-standard em relação a Cuba e que quem reclamar que se dane. Isso ajuda muito a compreender a consistência do seu espírito democrático.

E é bom saber também que agora a suprema medida da correção ou não de um argumento é o tamanho do público que teve acesso ao argumento (a Folha erra ao "eufemizar" a ditadura brasileira porque tem 300 mil leitores; o Eduardo Guimarães não erra ao eufemizar a ditadura cubana porque tem muito menos leitores). E eu que perdi tanto tempo na minha vida matutando sobre tantas questões, sem saber que havia um método tão simples de aferir a verdade

F.Arranhaponte em março 3, 2009 7:47 PM


#67

Arranhaponte, não há assunto que mais se preste a intermináveis exercícios sofísticos do que aqueles tematizadas na ditadura cubana. Creio que eu, você e mais a torcida do Flamengo, poderíamos, dulcemente, permanecer nesta caixa, por dias a fio, discorrendo sobre brandas, duras e demais ditas, cubanas ou não.

Miguel do Rosário em março 3, 2009 8:02 PM


#68

Vamos contextualizar as coisas. Se bem me lembro
"Dulce ditadura"foi uma expressão que o Eduardo Guimarães usou para titular um artigo que escreveu,onde tecia considerações sobre o blog de uma cubana que estaria fazendo um grande sucesso, segundo a imprensa norteamericana e espanhola.
Realmente as historinhas que a moça relatava no seu blog e nas entrevistas que concedeu à grande imprensa mundial sobre sua primorosa educação na Ilha,sobre o fato de que um dia resolveu partir para a Suiça sem que o feroz regime nada questionasse e lá viveu por alguns anos, até que resolveu retornar com o filho e o companheiro( também blogueiro de oposição)para a maledetta Ilha,já que ali seu filho teria educação e assistência de saúde de qualidade e gratuitas e ela pode continuar alegre e feliz com seu internacionalmente famoso blog ácido e crítico contra aquela Ilha sem MacDonalds e Coca Cola.Uma verdadeira desgraça.
Ora,nesse contexto e não tendo a moça falado em ter sido molestada,inquerida, presa e outros que tais típicos das ditaduras, em nenhuma oportunidade, pode-se facilmente compreender que no direito de uso da fina ironia, Eduardo Guimarães utilizou a expressão que ora comentamos, ou seja, dulce ditadura.
Agora,aqui nós tivemos entre !964 e 1985 uma DITADURA com todas as características,claramente presentes.E é melhor que cuidemos de resgatar a memória dos fatos daquela época até mesmo para que não se repitam.
O Eduardo Guimarães está demonstrando coragem,honradez e patriotismo ao assumir a convocação dessa Manifestação.
Maria lucia de Andrade Pinto

Maria Lucia de Andrade Pinto em março 3, 2009 8:13 PM


#69

Maria Lucia, eu quero organizar um partido para disputar o poder em Cuba. Cê sabe como é que eu faço?

F.Arranhaponte em março 3, 2009 8:37 PM


#70

Maria Lucia, se for para contextualizar as coisas, a FSP também relativizou a sua "ditabranda" numa comparação com outros regimes ditatorias. Ela estava certa? Não, da mesma maneira que o Eduardo Guimarães.

Adhemar Santos em março 3, 2009 9:00 PM


#71

Não tenho procuração para defender Eduardo Guimarães, a quem não conheço pessoalmente. Mas a tentativa, que se repete ao longo dos posts, de condená-lo (e à manifestação por ele promovida) devido ao fato de ele utilizar o poético adjetivo "dulce" para referir-se a Cuba repete, em menor escala, uma das piores vicissitudes do "affair ditabranda": a tentativa de impor um código de conduta ao debate, marcado pela obrigatoriedade de se compensar referências a ditaduras de direita com menções às de esquerda.

Como sou um livre-pensador que não se deixa reprimir pelas convencionalidades do politicamente correto e não vê contradição alguma em simpatizar com o regime cubano e deplorar a ditadura brasileira, pretendo estar na manifestação. Isso é, se conseguir acordar tão cedo num sábado (por que não marcaram essa manifestação para a tarde???).

Bernardo Meditsch em março 3, 2009 10:49 PM


#72

Vou meter a colher na massa desse biscoito...

Quanto a STANLIN é muito simples: era uma DITADURA do proletariado, sim.

Com os bônus e os ônus de uma DITADURA do proletariado. Quem estudou história conhece os ônus e os bônus. Quem lê a Veja e a Folha, mal conhece os ônus, e mesmo assim de forma deturpada.

Quanto a Cuba, ninguém está impedido de protestar contra a Cuba em local público, em frente de onde quer que queira. Se quiseram até trazer cubanos anti-castristas de Miami, fretar vôos charters ou cruzeiros marítimos de Miami e trazer gusanos para protestar, não há nada que proíba e nada tem a ver com o protesto em frente a Folha contra a DITADURA BRASILEIRA.

Neo-tupi em março 4, 2009 12:25 AM


#73

F.Arranhaponte:

Se o seu desejo é o exercício do poder executivo em Cuba,imagino que vc. quer ser o Presidente do Conselho de Estado,cargo hoje ocupado por Raul Castro.
Caro Arranhaponte,para isso vc. teria que, em primeiro lugar,ter nascido em Cuba. A seguir,quando atigisse a idade necessária teria que desenvolver uma longa trajetória política junto ao povo cubano. Desde ser indicado por sua comunidade para os cargos legislativos,e desses cargos obter a mesma indicação para postos superiores,até chegar a ser eleito para o Parlamento Nacional,quando então estaria apto a ser indicado por seus pares para o comando do país.
Como vc. sabe Cuba tem um regime parlamentarista e o Partido Comunista Cubano não participa do processo eleitoral como partido. Os seus membros só serão candidatos se forem indicados pelas suas comunidades ou associações e entidades de classe.Portanto parece que não chega a ser um bom negócio tentar fazer um partido em Cuba.
----------------

Adhemar Santos:

O Eduardo não relativizou nada em seu artigo intitulado Dulce Dictadura,publicado em 02/01/2009. É só ir lá no blog dele e constatar.Ele usou o que em nossa língua portuguesa é chamado uma figura de linguagem, no caso,a ironia.
A Folha não usou de nenhuma figura de linguagem. Parafraseando Pinochet(ver no You Tube a gravação da fala desse bom homem,condenado por genocídio em seu próprio país)fez a defesa da ditadura brasileira e do seu (dela FSP) próprio passado de colaboracionismo com a repressão policial-militar (DOI-CODI,Oban).
Do ponto de vista de quem apoiou a ditadura e colaborou diretamente com a repressão, a FSP foi e está sendo coerente com ela mesma.
Nós brasileiros que testemunhamos, vivemos e sofremos naquela longa noite de chumbo que durou na verdade de 1964 até a eleição do Collor, apenas por querermos que a Constituição fosse respeitada e as leis cumpridas,também estamos sendo coerentes conosco mesmos. E se naquela época era válido gritar abaixo a ditadura, hoje infelizmente torna-se uma obrigação moral e patriótica novamente bradar ABAIXO A DITADURA.
Para evitarmos futuros desastres semelhantes.
Venha conosco à Manifestação!
Cordialmente,
Maria Lucia de Andrade Pinto

Maria Lucia de Andrade Pinto em março 4, 2009 12:55 AM


#74

Maria Lucia

Do blog do Eduardo:

"De fato, não se pode dizer que Cuba é uma democracia plena. O leque de opções eleitorais à disposição dos cubanos não lhes permite eleger outro governo para o país. Contudo, se formos analisar outras ditaduras pelo mundo afora, verificaremos que a cubana, se é que se pode chamá-la assim, é bem amena. Sobretudo no que diz respeito à qualidade de vida do povo e à liberdade de expressão, desde sempre as maiores vítimas das ditaduras."

Meio difícil você afirmar que ele não relativizou a "dulce dictadura" cubana. Ele usou ironia, no final do post dele, mas tão somente lá no final, depois de "abrandar" a ditadura cubana.

E quanto a "ditabranda" da FSP, esta também relativizou, no caso a ditadura brasileira, e por isso deve ser criticada.

Adhemar Santos em março 4, 2009 1:16 AM


#75

Prezado Adhemar,

O texto é do blog do Eduardo ou do blog do titio esgoto?

Parece-me que muitos que aqui postaram adotaram o mesmo argumento falacioso do titio.

Antonio em março 4, 2009 2:21 AM


#76

Prezado Adhemar
Como acompanho o blog do Eduardo quase que desde o início não vejo como tachá-lo, a partir do trabalho que realiza,como excelente blogueiro e pessoa que é, de amigo de ditaduras de qualquer tipo. Essa é a minha sincera opinião. E no meu entender se a gente lê o artigo dele "Dulce Dictadura" depreende que o sentido do artigo como um todo é exatamente que ele não aprova ditaduras mas que também não deixa de perceber as hipocrisias envolvidas nessas demonizações dos processos políticos de alguns países e a santificação dos mesmos processos de outros países, de acordo com a ideologia, interesses,etc. de cada um de nós ou dos formadores de nossas opiniões.
Já a FSP tenho a minha opinião formada sobre o seu passado e o seu presente.Acho que são coerentes.Apoiaram a ditadura,apoiaram e apoiam o neoliberalismo e parece que ainda não perceberam que rodou mundo,rodou pião e nada será como dantes,após essa gigantesca crise econômica estrutural que apenas está se iniciando nesse mundo velho sem porteira.
Há um novo mundo a construir.Ninguém sabe como será.Mas sabemos pelo menos o que não queremos que faça parte desse novo mundo que vai surgir dos escombros: prepotências, violências, imposições ideológicas,desrespeito à Constituição e às leis do país,mídias que mentem e desinformam,fome, miséria e todos os tipos de injustiça social.
Foi um prazer conhecê-lo Adhemar, e agradeço a sua atenção.
Maria Lucia

Maria Lucia de Andrade Pinto em março 4, 2009 4:11 AM


#77

"(...) uma das piores vicissitudes do "affair ditabranda": a tentativa de impor um código de conduta ao debate, marcado pela obrigatoriedade de se compensar referências a ditaduras de direita com menções às de esquerda."

Bernardo, acertou na mosca.

Os 'paladinos da Justiça', 'defensores da democracia e dos direitos humanos', ao impor uma moralidade e/ou opinião (no caso, declarar-se 'inimigo de todas as ditaduras') como pré-requisito ao debate, destilam arrogância e (ironicamente) autoritarismo.

Na Malásia, se não me engano, quem tem algum parente comunista tem uma marca na carteira de identidade. É isso que querem? Que para discutir política seja necessário um 'atestado de repúdio ao regime cubano'? Assim pensa a Folha de São Paulo...

Luis Henrique em março 4, 2009 4:47 AM


#78

Qual a diferença entre ditadura e ditabranda? Na primeira é costume estruprar as presas na frente dos filhos, na segunda os filhos ganham um pirulito depois da sessão de estupro.

André em março 4, 2009 7:08 AM


#79

Numa cidade de quase 15 milhões, quantas pessoas os organizadores esperam na "grande" manifestação?
Já que acham que todos os grandes jornais são um pouco conservadores,deixam entrar em sua redação algumas "ervas daninhas" pessimistas, não estaria na hora dos grandes blogueiros, que gostam de ditaduras doces, lançarem o jornal politicamente correto, com profundidade filosófica, tendo como santo padroeiro o Grande Timoneiro da Revolução Socialista Caribenha?
Até onde pude observar no meu cotidiano, as pessoas nem leram o artigo. Elas estão mais preocupadas com o trabalho, porque tem que pagar
uma das mais altas taxas de impostos do mundo.

Maria em março 4, 2009 8:36 AM


#80

Antonio


É do blog do Eduardo. Vá em http://edu.guim.blog.uol.com.br/ e leia o segundo post, de cima para baixo, intitulado Dulce "Dictadura". Repare que o termo ditadura está entre aspas.

Adhemar Santos em março 4, 2009 11:21 AM


Adhemar Santos em março 4, 2009 11:22 AM


#82

Maria Lucia

Eu também acompanho o blog do Eduardo já faz algum tempo. Ele realmente não compactua com ditaduras, exceto aparentemente com a cubana. O post dele em questão foi redigido a partir de um post do Nassif sobre a blogueira cubana Yoani Sánchez. Ele aproveita o fato da blogueira (que vive em Cuba) e comentaristas postarem críticas no seu blog como "prova" de que há liberdade de expressão. Por exemplo, ele diz:

"O que surpreende são os milhares – sim, milhares – de comentários de leitores que chegam a chamar o regime de “assassino”, no insulto mais brando, revelando uma liberdade de expressão em Cuba impensável numa ditadura como a que se abateu sobre o Brasil.
Ora, onde está essa ditadura feroz que permite que a insultem abertamente?"

É claro que ele, no caso, não levou em conta que a Yoani tem que ir para um hotel, por exemplo, disfarçada de turista, para poder postar, já que o acesso à Internet não é livre na ilha. Por outro lado, é claro que o regime ditatorial cubano não é tão repressor atualmente como era alguns anos, mas isso não o torna menos ditatorial. Afinal de contas, o regime ditatorial brasileiro também teve períodos em que havia um certo grau de liberdade de expressão, por exemplo antes do AI-5 e no período da distensão.

Ainda hoje mesmo, no post intitulado "Libres del paredón", ele se sai com essa:

"Há muito tempo que venho tentando levantar discussões sobre o regime cubano. Em nenhum debate franco, no qual todos os lados possam se manifestar, será possível provar que o regime cubano é o que dizem, por piores que tenham sido as execuções no período imediatamente posterior à tomada de Havana por Fidel Castro. "

Para mim, está claro que ele relativiza sobre o regime de Cuba. No entanto, concordo com você que o impacto de uma "relativização" por parte da FSP tem um alcance bem maior e mais grave de que um simples blogueiro. No entanto, não deixa de ser no mínimo incoerente uma pessoa utilizar dos mesmos métodos da FSP quando comenta sobre a ditadura de Cuba.

Adhemar Santos em março 4, 2009 11:54 AM


#83

Todo o erro deste debate está exatamente no uso de absolutos morais aremessados para lá e para cá num vácuo histórico. A ditadura brasileira, por mais "branda" que possa ter sido em determinados momentos da sua história, jamais deixou de ser um regime comprometido com a desigualdade, com o latifúndio, com o patronato e com a imbecilização do povo brasileiro; a ditadura revolucionária cubana, por mais dura que possa haver sido, sempre esteve ligada a abertura de espaços de participação política (se bem que sobre questões administrativas e burocráticas)e cultural da população cubana, e por isso o papel histórico de uma é negativo e o da outra positivo. Querer eqiparar as duas é continuar insistindo em imbecilizar, é querer julgar eventos políticos com os critérios de julgamento de um reality show....

Carlos em março 4, 2009 12:39 PM


#84

Fica cada vez mais claro. Há gente que simultaneamente se enfurece com a tentativa de qualificar a ditadura de brasileira de branda e se acha no direito de considerar a ditadura cubana branda. Simples: temos que considerar a ditadura brasileira dura e a cubana branda.

Após a cagada inicial da Folha de chamar a ditadura brasileira de branda e depois xingar dois intelectuais que protestaram (e o Idelber tem razão - cabe aos que defendem a atitude da Folha achar os textos em que os dois defendem a ditadura cubana, e não aos dois provarem que algum dia atacaram a ditadura cubana), seria muito fácil para a nossa esquerda protestar, e dizer que a questão cubana não tinha nada a ver com o caso. Uma atitude perfeitamente defensável, com a qual eu concordo, diga-se de passagem.

Mas eis que, inesperadamente, foram pululando apoiadores da causa contra a Folha que resolveram dar um passo adiante: não só a Folha cagou ao chamar a ditadura brasileira de branda e ao xingar dois intelectuais que protestaram, como também é decente e razoável sim considerar que a ditadura cubana é branda. Isto quase me faria dizer que a Folha acertou em retrospecto, mas eu mantenho a minha posição inicial de que ela errou.

Bem, resumindo, quem acha a ditadura cubana branda não tem moral para ficar indignado com quem acha a ditadura brasileira branda. Não há critério - seja número de mortos, de presos, restrições à liberdade de opinião e de disputar o poder político, liberdades civis em geral - em que Cuba possa ser considerada mais branda que o Brasil de 64-85. E olha que estou sendo extremamente contido ao colocar esse meu ponto

F.Arranhaponte em março 4, 2009 12:43 PM


#85

O que eu percebo é que os defensores da ditadura brasileira, eles mesmos, não tem mais nada de POSITIVO a dizer sobre ela. Na década de 1970, gente assim falava de Itaipu, Transamazônica, FGTS, PIS/PASEP e Funrural (cf. o samba-enredo da Beija Flor em 1975, acho); hoje, quando estas coisas mostraram suas insuficiências, restou dizer que a ditadura direitista NÃO foi tão ruim quanto as de Esquerda...

Carlos em março 4, 2009 12:45 PM


#86

Para mim, a parte mais divertida desse debate todo foi o leitor da Torre de Marfim que jurou que a família do Herzog vai se "ofender" com a charge do Latuff.

Recomendo a ele que procure por aí o contato da Dona Clarice e dê uma conferida. Não é difícil. É melhor que dizer bobagem sem ir atrás dos fatos.

Não há nada mais ridículo que alguém que se ofende vicariamente, por uma representação pictórica de uma atrocidade que aconteceu a outrem. Depois dizem que é a esquerda que não tem bom humor.

Sobre Cuba, na boa, eu vou fazer o seguinte: na próxima recauchutagem do template do blog, vou incluir uma caixa de comentários permanente, talvez ali abaixo do link do Technorati, para quem quiser discutir Cuba para sempre. Será o cantinho eterno de Cuba, com discussão livre total. Empilhemos 2.785 comentários por lá. Não tenho o menor interesse em cercear o assunto, mas é um saco que ele vire o foco no meio de uma discussão de um ato contra um jornal brasileiro, que insultou cidadãos brasileiros, por causa de declarações sobre a ditadura brasileira, imbróglio no qual a menção a Cuba já era um diversionismo do jornal para desviar o assunto.

Idelber em março 4, 2009 1:06 PM


#87

Idelber, meu caro, nesse caso eu acho que quem cubanizou o debate, pelo menos em parte, foram os teus leitores que resolveram não só criticar a cagada da Folha mas também embarcar no debate espúrio (naquele momento) proposto pela Folha, de comparar a ditadura brasileira e a cubana. Como eu disse, seria perfeitamente adequado manter a posição de que Cuba não tinha nada a ver com aquele debate, mas nossos cubanófilos não resistiram e resolveram defender a ditadura cubana. Caíram, de certa forma, na armadilha da Folha.

Mas que pesadelo, discutir Cuba para sempre? Se é para ser permanente, faça sobre música cubana, ou literatura cubana, ou sobre a arte de fazer mojitos

F.Arranhaponte em março 4, 2009 1:27 PM


#88

Pô, Arranhaponte, a arte de fazer mojitos seria ótimo mesmo!

Enfim, acho a discussão importante, a crítica dura necessária, mais do que necessária, na verdade, mas a manifestação me soou oportunista e meio sem sentido, de uma visibilidade quase nula, principalmente se compararmos com as leituras que foram feitas em diversos.

E mesmo que tivesse muita visibilidade, mesmo assim seria um tanto sem sentido. Incomoda, ademais, esse aspecto que o Arranhaponte levantou: cairam na armadilha!

George D. em março 4, 2009 3:09 PM


#89

Certa maneira concordo com os dois (Idelber e Arranhaponte). Idelber acerta quando diz que o debate deva ser tratado em relação à ditadura brasileira.

Mas ao meu ver o Arranhaponte também acerta. O fato é que o organizador da marcha, protesto ou qualquer coisa afirmou em seu Blog que a ditadura cubana era uma ditadura doce.

Isso ao meu ver acaba com qualquer capacidade moral que aquele sujeito tem para falar da Folha. Uma pessoa não pode possuir essa dualidade moral. Não como uma coisa como ditdura.

Pablo Vilarnovo em março 4, 2009 3:49 PM


#90

Idelber,

Sou um leitor convicto de blogs, como o seu, o do Nassif. Mas acho que vcs exageram quando dizem
"a menor idéia da grande revolta que toma conta de parte significativa do público leitor."? O Nassif tb acha que os blogs são um fenomeno político muito importante. Tb acho importante. Em 2006, não tinha como procurar fontes alternativas. Os únicos blogs que eu conhecia eram do RA e do Noblat (esses blogueiros dispensam apresentações). Mas, acho que quem lê blog é uma pequena minoria e mais uma minoria que já está razoavelmente decidida em relação a própria posição política. Os leitores do Reinaldo Azevedo erraram quando acharam que os posts dele ajudavam em alguma coisa a eleição do Alckmin ou ao fato dos comentários lá serem tão raivosos quanto o do Lula. Aquela opinião representa a minoria de 15% que não aprova o Lula. Mas, por outro lado, não somos representativos dos 61% que votou no Lula. Tenho a impressão que os blogs influenciam menos as pessoas. Claro tem outros efeitos muito importantes, por algum limite à manipulação da mídia e fazer com que a esquerda saia da defensiva que esteve em 2006. Queria estar errado, mas quantas pessoas, por exemplo, leem o seu blog?

Bruno em março 4, 2009 3:51 PM


#91

Obviamente, o que eu disse não era uma crítica a vc e sim ao fato de nós leitores de blog sermos uma minoria pequena.

Bruno em março 4, 2009 3:52 PM


#92

Eu entendi, Bruno.

Respondendo sua pergunta: por aqui, são 4 a 5 mil leitores diários. É pouquíssimo, é evidente. Mas a questão não é só numérica. Trata-se de um público especializado (aqui no Biscoito pouquíssimos são para-quedistas do Google: menos de 15% -- esta é a estatística da qual mais me orgulho) que repercute depois em outros lugares da internet.

Concordo com você. É importante não superestimar a força dos blogs. Mas há uma puta revolta contra a imprensa, sim, que vai muito além dos blogs. E os blogs têm conseguido alguma repercussão.

Limitada, mas importante.

Idelber em março 4, 2009 3:58 PM


#93

Por outro lado o episódio mostrou como será difícil qualquer discussão sobre a ditadura brasileira e sobre a condenação de torturadores, se quem quiser debater não estiver muito bem preparado. Foi diversionismo sim, mas aparentemente conseguiu o que pretendia. E não deveria.

Cláudia em março 4, 2009 5:11 PM


#94

Caros, quando eu escrevi aqui que a repercussão da imprensa foi bem maior no caso dos cubanos, quis dizer em relação à gritaria que foi quando se acusava Tarso Genro de ter mandado eles pro paredón.
E quando falo isso, digo que as manchetes são sempre cat6egóricas em acusar a esquerda e cuidadosas em tratar da direita. O último caso foi o famoso "Sem provas, PSOL acusa tucanos de corrupção no RS" (20/02/2009 - no "pé" da primeira página da "Folha").

Se fosse acusação dos petistas da Bahia, não tenha dúvida que a manchete seria bem categórica. Daí na hora de pedir desculpas eles enchem de poréns por que o sujeito falou (será que falou mesmo? será que falou aquilo mesmo?) uma coisa diferente ao repórter do Estadão.

Como bem lembrou o Pinochet ali em cima, a Globo passa longe da imprensa alternativa. O tal boxer pode ser bem louco tb, mas o que importa é o seguinte:

- Por que a direita merece todas as condescêndencias e toda pessoa de esquerda deve ser tratada como simpatizante de regimes autoritários (como o de Cuba)?

Eu não tenho simpatia alguma pelo Fidel ou pelo Raúl. Acho que o preconceito deles com os homossexuais já é suficiente pra minha antipatia. Nem por isso, concordo com um jornal que use um termo franquista pra se justificar .

Assim como tenho raiva de quem justifica políticas econômicas que foram testadas durante o período mais sangrento do Chile. Quem justifica as ações de Milton Friedman e companhia, devem saber que eles também tinham as mãos sujas de sangue de uma ditadura nada branda.

E quem chama a ditadura brasileira de ditabranda só justifica o seu passado na Oban. Tô na campanha contra esse jornal e já estou falando pra todo mundo cancelar a assinatura dessa joça.

Lauro Mesquita em março 4, 2009 5:48 PM


#95

E reforço o que o Idelber disse: por que tanto reclama do autoritarismo castrista, um jornal que considera a ditadura brasileira branda?

Lauro Mesquita em março 4, 2009 5:53 PM


#96

O Gabeira nessas horas não abre o bico né? Nem vai aos Frias perguntar: o que é isso companheiro?

Lauro Mesquita em março 4, 2009 6:05 PM


#97

Boa lembrança, Lauro. O Gabeira está lá, caladinho.

Idelber em março 4, 2009 6:08 PM


#98

E vocês esperavam alguma outra coisa do Gabeira - o homem que disse a uma ativista da Zona Oeste do Rio, dominada pelas milícias, que socialismo é ruim porque "prende pessoas"? É a indigência mental do debate político brasileiro: gente como esses direitistas, que fala em "dualidade moral" da Esquerda, só prova que não sabe NADA de Kant, de Hegel, de marxismo...E o que é pior, são como na frase infantil: não sabem, não querem saber e tem raiva de quem sabe... E pensar que Kant, quando falou no Imperativo Categórico, queria falar (entre outras coisas) do entusiasmo que a Revolução Francesa lhe inspirava...

Carlos em março 4, 2009 7:10 PM


#99

O Gabeira só, coitado(como tucano sofre nesta caixa de comentário, que cosa)?

E o Clovis Rossi, o Janio de Freitas, o Carlos Heitor Cony e o resto da turma? Bem, se eles já falaram contra a ditabranda (não ando lendo a Folha) retiro o comentário e dou a mão à palmatória

F.Arranhaponte em março 4, 2009 7:17 PM


#100

Aliás, a Maria Benevides e o Fabio Comparato podem, ao longo de toda uma vida intelectual, optar por não condenar Cuba (eu acho que alguém até achou uma crítica do Comparato a Cuba, mas o que importa é que esta tese foi defendida aqui).

Mas o Gabeira não pode em menos de duas semanas (desde que a polêmica começou) não condenar a Folha pelo episódio ditabranda, sem que seja espinafrado aqui. É isso?

Estou cada vez mais maravilhado com a imparcialidade desta indignação

F.Arranhaponte em março 4, 2009 7:34 PM


#101

É simples, Arranhaponte:

1. Gabeira foi torturado pela ditadura brasileira, e Fabio e Benevides, que eu saiba, nunca foram torturados pela cubana.

2. Gabeira é funcionário da Folha de São Paulo e, até que apareçam as caixas de uísque inventadas pela Veja, Fabio e Benevides nunca foram funcionários de Cuba.

Não é muito difícil. É só olhar aquela coisinha chamada contexto.

Idelber em março 4, 2009 8:02 PM


#102

Errata: onde eu escrevi "funcionário" leia-se, claro, "colunista".

Idelber em março 4, 2009 8:04 PM


#103

Bem, o contexto que eu olho é que a Folha tem dezenas de articulistas, não me consta que todos tenham se manifestado,aliás, acho que só um ou dois se manifestaram, e eis que não mais que de repente, o debate, além de cubanizado, está gabeirizado. E aliás, já tinha sido serrificado lá no comecinho

F. Arranhaponte em março 4, 2009 9:20 PM


#104

O Cony, por exemplo, deve em tese (há tese para tudo) ter sido suficientemente perseguido pela ditadura para justificar sua polpula pensão. Já se manifestou?

Mas prometo que agora vou parar de encher o saco. Fui acometido de um ataque de bloguite aguda nestes últimos dias

F. Arranhaponte em março 4, 2009 9:23 PM


#105

Tenho que aumentar a dose da medicação. O Ferreira Gullar já se manifestou?

F. Arranhaponte em março 4, 2009 9:31 PM


#106

Eu como um dos "diversionistas" de primeira hora nem preciso dizer que fiquei satisfeito com o rumo que o debate tomou.
Pra mim discutir contradições é importante. Mais: é vital para o amadurecimento do debate político no Brasil. Há que se desapegar das antigas ilusões.
Já que o Arranhaponte abriu mão do termo, então pego pra mim a idéia de acerto em retrospectiva. Chegamos ao ponto de que o líder do protesto à "ditabranda" praticamente inventa a "ditadoce". Bizarro, pra dizer o mínimo.
Em retrospectiva, é praticamente um "como queríamos demonstrar".

Luiz Vianna em março 5, 2009 12:28 AM


#107

Idelber

sugiro, após a realização da manifestação de sábado, a abertura, ou acontinuação, de uma discussão focada na caracterização das ditaduras (ou não, segundo vários comentaristas aqui) brasileira e cubana.
a motivação para isto é o artigo do Marco Antonio Villa na FSP hoje.

Ele cria um conceito histórico político: o regime militar, que não seria uma ditadura, pois, por exemplo, aumentou vagas nas universidades, ao contrário das ditaduras do cone sul, que fecharam universidades.

O curioso, é que o regime cubano se encaixa na definição dele de não ditadura.

O assunto é mais complexo que isso, apenas esboço uma provocação.

Enquanto isso, todo apoio ao ato de sábado!!!

rabbit em março 5, 2009 8:53 AM


#108

É bom saber que existem compatriotas com consciência política do nosso próprio país... que estudam nossa história, ao invés de tentar desviar o assunto para outros países... é por isso que o Brasil é conhecido como um povo de memória... seletiva!

Fernando Romano em março 5, 2009 11:35 AM


#109

Caros Arranhaponte e rabbit, coloco o Gabeira na jogada por que ele é a voz da ética e da moralidade no Congresso Nacional e quando se trata da discussão ética nos veículos de comunicação, ele é quase omisso. E entre os deputados "indignados", ele é o caso mais flagrante por que fez sua carreira política com seu histórico no combate à ditadura.

Lauro Mesquita em março 5, 2009 3:47 PM


#110

Corrrijo, Gabeira pretende ser a voz da ética e da moral. Preferencialmente em frente às câmeras.

Lauro Mesquita em março 5, 2009 4:37 PM


#111

Já disse algumas vezes, mas repito para ficar bem claro

"DITABRANDA É O @#$%¢¬£"

João Sérgio em março 6, 2009 1:36 PM


#112

O Bruno está subestimando o alcance de alguns blogs. Se ele se fia pela quantidade de comentários está errado: eu leio o blog mais de 3x por semana e neste ano de 2009 este é meu primeiro comentário.

Jairo Fernando em março 6, 2009 10:19 PM


#113

Excrevi carta para a Folha reclamando do infeliz artigo "relativista" do Villa, mas claro que não foi publicada. Apontei o que o rabbit também viu, no comentário #107.

"O articulista Marco Antonio Villa (Tendências/Debates, 05/03) cumpre o triste papel de defender a ditadura brasileira através de sofismas, omissões malandras e outros truques discursivos. Sem se referir uma única vez a torturas, assassinatos e prisões ilegais (e é em relação a isso que a expressão "ditabranda" é monstruosa), dedica-se a enumerar os avanços econômicos e sociais do período. Se escrevesse sobre Cuba com o mesmo "estilo", seria considerado cínico e mentiroso?"

O cara, que tinha 14 anos em 1970, se intitula historiador...

Daniel Brazil em março 7, 2009 5:59 PM


#114

Minha pequena contribuição (atrasada) ao protesto:
http://www.youtube.com/watch?v=uZPeQpMhGxE
---------

[]s,

Roberto Takata

Roberto Takata em março 11, 2009 6:03 AM


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