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quinta-feira, 26 de março 2009
John Hope Franklin, 1915-2009
Morreu John Hope Franklin, um dos mais importantes historiadores do mundo:

Era apropriado que seu nome contivesse alusões à esperança e à invenção. Encarnou-as como escritor, professor e ativista. Sua obra, um vasto painel sem maquiagem dos EUA modernos, começa em 1943, com uma monografia intitulada The Free Negro in North Carolina, 1790-1860. Seguiram-se a ela uma história dos negros americanos e, entre outros livros capitais, estudos sobre os viajantes Yankees no Sul, a Reconstrução, a década de 1860 nos EUA, os grandes líderes negros do século XX, relações raciais.
Dr. Franklin foi parte do time liderado por Thurgood Marshall no caso Brown vs. Board of Education, que levou à histórica decisão de 1954 da Suprema Corte americana, pondo fim à segregação nas escolas públicas. Já em 1947, Dr. Franklin havia sido testemunha especialista no processo movido por Lyman T. Johnson contra a Universidade de Kentucky, que sepultou a segregação naquela escola. Nos anos 90, professor consagrado, foi o líder do conselho consultivo sobre raça do governo Bill Clinton.
Durante meu doutorado em Duke University (1993-96) cheguei a ver John Hope Franklin em alguns eventos. Tanto sua escrita como sua risada transmitiam a impressão de um homem que havia conquistado uma vitória tão categórica sobre a ignomínia que já não havia, em seu espiríto, nem um milímetro disponível para o ressentimento.
O Chronicle of Higher Education fez seu obituário e Duke University homenageou-o, nomeando em sua honra um Centro de Estudos Internacionais.
Requiescat in pace, dotô. Missão cumprida.
Escrito por Idelber às 19:27 | link para este post
| Comentários (9)
#1
baita ignorância a minha - nunca havia ouvido falar.
mas parece que é daqueles que vale o ditado do Brecht...
Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis
Radical Livre em março 26, 2009 7:55 PM
#2
Se as Ilustradas ou Cadernos B da vida tiverem dado algo, favor avisem ao blog :-)
Idelber em março 26, 2009 8:23 PM
#3
Idelber, posso estar enganado, mas Ilustradas e Cadernos B andam mais preocupados com a Britney Spears. Também deixei de ler jornais.
Jair Fonseca em março 27, 2009 12:36 AM
#4
Obrigada por falar dele, também não conhecia
Flavia em março 27, 2009 1:17 PM
#5
Nada no globo. Nem na ilustrada nem nos obituários (ha, talvez amanhã no prosa e verso?)
Radical Livre em março 27, 2009 3:53 PM
#6
onde se lê ilustrada, leia-se Segundo Caderno.
Radical Livre em março 27, 2009 3:54 PM
#7
No Brasil não conhecemos os historiadores norte-americanos nem a história dos EUA. Conhecemos a história européia e os historiadores franceses. Quando muito sobra um pouquinho para um italiano (Ginsburg) e uns ingleses irredutíveis (toda a New Left).
Somos uns ignorantes, mesmo no meio acadêmico (me incluo nessa).
Agora, o que mais impressiona é: quando conseguiremos ter doutores negros, assumindo papel tão relevante quanto o Sr Franklin já assumia em 1943?
E tem gente que acha que aqui não existe racismo...
André Egg em março 27, 2009 4:30 PM
#8
É verdade, quantos além do professor Milton Santos e de Abdias do Nascimento?
Anrafel em março 27, 2009 5:16 PM
#9
Discordo totalmente das observações dos companheiros comentaristas.
No Brasil já tivemos negros do mesmo naipe ou até mais importantes e bem mais antigos: Machado de Assis, Lima Barreto, José do Patrocínio etc.
O racismo no Brasil realmente é fichinha comparado àquele dos Estados Unidos
Patriarca da Paciência em março 29, 2009 12:14 PM