Meu Perfil
Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



Email:
idelberavelar arroba gmail ponto com

No Twitter No Facebook No Formspring No GoogleReader RSS/Assine o Feed do Blog

O autor
Curriculum Vitae
 Página pessoal em Tulane


Histórico
 maio 2011
 março 2011
 fevereiro 2011
 janeiro 2011
 dezembro 2010
 novembro 2010
 outubro 2010
 setembro 2010
 agosto 2010
 agosto 2009
 julho 2009
 junho 2009
 maio 2009
 abril 2009
 março 2009
 fevereiro 2009
 janeiro 2009
 dezembro 2008
 novembro 2008
 outubro 2008
 setembro 2008
 agosto 2008
 julho 2008
 junho 2008
 maio 2008
 abril 2008
 março 2008
 fevereiro 2008
 janeiro 2008
 dezembro 2007
 novembro 2007
 outubro 2007
 setembro 2007
 agosto 2007
 julho 2007
 junho 2007
 maio 2007
 abril 2007
 março 2007
 fevereiro 2007
 janeiro 2007
 novembro 2006
 outubro 2006
 setembro 2006
 agosto 2006
 julho 2006
 junho 2006
 maio 2006
 abril 2006
 março 2006
 janeiro 2006
 dezembro 2005
 novembro 2005
 outubro 2005
 setembro 2005
 agosto 2005
 julho 2005
 junho 2005
 maio 2005
 abril 2005
 março 2005
 fevereiro 2005
 janeiro 2005
 dezembro 2004
 novembro 2004
 outubro 2004


Assuntos
 A eleição de Dilma
 A eleição de Obama
 Clube de leituras
 Direito e Justiça
 Fenomenologia da Fumaça
 Filosofia
 Futebol e redondezas
 Gênero
 Literatura
 Metablogagem
 Música
 New Orleans
 Palestina Ocupada
 Polí­tica
 Primeira Pessoa



Indispensáveis
 Agência Carta Maior
 Ágora com dazibao no meio
 Amálgama
 Amiano Marcelino
 Os amigos do Presidente Lula
 Animot
 Ao mirante, Nelson! (in memoriam)
 Ao mirante, Nelson! Reloaded
 Blog do Favre
 Blog do Planalto
 Blog do Rovai
 Blog do Sakamoto
 Blogueiras feministas
 Brasília, eu vi
 Cloaca News
 Consenso, só no paredão
 Cynthia Semíramis
 Desculpe a Nossa Falha
 Descurvo
 Diálogico
 Dilma na Rede
 Diário gauche
 ¡Drops da Fal!
 Escreva, Lola, escreva
 Futebol política e cachaça
 Guaciara
 Histórias brasileiras
 Impedimento
/  O Ingovernável
 Já matei por menos
 João Villaverde
 Liberal libertário libertino
 Uma Malla pelo mundo
 Marjorie Rodrigues
 Mary W
 Milton Ribeiro
 Mundo-Abrigo
 NaMaria News
 Na prática a teoria é outra
 Opera Mundi
 O palco e o mundo
 Palestina do espetáculo triunfante
 Pedro Alexandre Sanches
 O pensador selvagem
 Pensar enlouquece
 Politika etc.
 Quem o machismo matou hoje?
 Rafael Galvão
 Recordar repetir elaborar
 Rede Brasil Atual
 Rede Castor Photo
 Revista Fórum
 RS urgente
 Sergio Leo
 Sexismo na política
 Sociologia do Absurdo
 Sul 21
 Tiago Dória
 Tijolaço
 Todos os fogos o fogo
 Túlio Vianna
 Urbanamente
 Wikileaks: Natalia Viana



Visito também
 Abobrinhas psicodélicas
 Ademonista
 Alcinéa Cavalcante
 Além do jogo
 Alessandra Alves
 Alfarrábio
 Alguém testou
 Altino Machado
 Amante profissional
 Ambiente e Percepção
 Arlesophia
 Arnobio Rocha
 Bala perdida
 Balípodo
 Biajoni!
 Bicho Preguiça
 Bidê Brasil
 Blah Blah Blah
 Blog do Alon
 Blog do Juarez
 Blog do Juca
 Blog do Miro
 Blog da Kika Castro
 Blog do Marcio Tavares
 Blog do Mello
 Blog dos Perrusi
 Blog do Protógenes
 Blog do Tsavkko, Angry Brazilian
 Blogafora
 blowg
 Borboletas nos olhos
 Boteco do Edu
 Botequim do Bruno
 Branco Leone
 Bratislava
 Brontossauros em meu jardim
 A bundacanalha
 Cabaret da Juju
 O caderno de Patrick
 Café velho
 Caldos de tipos
 Cão uivador
 Caquis caídos
 O carapuceiro
 Carla Rodrigues
 Carnet de notes
 Carreira solo
 Carta da Itália
 Casa da tolerância
 Casa de paragens
 Catarro Verde
 Catatau
 Cinema e outras artes
 Cintaliga
 Com fé e limão
 Conejillo de Indias
 Contemporânea
 Contra Capa
 Controvérsia
 Controvérsias econômicas
 Conversa de bar
 Cria Minha
 Cris Dias
 Cyn City
 Dançar a vidao
 Daniel Aurélio
 Daniel Lopes
 de-grau
 De olho no fato
 De primeira
 Déborah Rajão
 Desimpensável/b>
 Diário de Bordo
 Diario de trabajo
 Didascália e ..
 Diplomacia bossa nova
 Direito e internet
 Direitos fundamentais
 Disparada
 Dispersões, delírios e divagações
 Dissidência
 Dito assim parece à toa
 Doidivana
 Dossiê Alex Primo
 Um drible nas certezas
 Duas Fridas
 É bom pra quem gosta
 eblog
 Ecologia Digital
 Educar para o mundo
 Efemérides baianas
 O escrevinhador
 Escrúpulos Precários
 Escudinhos
 Estado anarquista
 Eu sei que vivo em louca utopia
 Eu sou a graúna
 Eugenia in the meadow
 Fabricio Carpinejar
 Faca de fogo
 Faça sua parte
 Favoritos
 Ferréz
 Fiapo de jaca
 Foi feito pra isso
 Fósforo
 A flor da pele
 Fogo nas entranhas
 Fotógrafos brasileiros
 Frankamente
 Fundo do poço
 Gabinete dentário
 Galo é amor
'  Garota coca-cola
 O gato pré-cambriano
 Geografias suburbanas
 Groselha news
 Googalayon
 Guerrilheiro do entardecer
 Hargentina
 Hedonismos
 Hipopótamo Zeno
 História em projetos
 Homem do plano
 Horas de confusão
 Idéias mutantes
 Impostor
 Incautos do ontem
 O incrível exército Blogoleone
 Inquietudine
 Inside
 Interney
 Ius communicatio
 jAGauDArTE
 Jean Scharlau
 Jornalismo B
 Kit básico da mulher moderna
 Lady Rasta
 Lembrança eterna de uma mente sem brilho
 A Lenda
 Limpinho e cheiroso
 Limpo no lance
 Língua de Fel
 Linkillo
 Lixomania
 Luz de Luma
 Mac's daily miscellany
 O malfazejo
 Malvados
 Mar de mármore
 Mara Pastor
 Márcia Bechara
 Marconi Leal
 Maria Frô
 Marmota
 Mineiras, uai!
 Modos de fazer mundos
 Mox in the sky with diamonds
 Mundo de K
 Na Transversal do Tempo
 Nación apache
 Nalu
 Nei Lopes
 Neosaldina Chick
 Nóvoa em folha
 Nunca disse que faria sentido
 Onde anda Su?
 Ontem e hoje
 Ou Barbárie
 Outras levezas
 Overmundo
 Pálido ponto branco
 Panóptico
 Para ler sem olhar
 Parede de meia
 Paulodaluzmoreira
 Pecus Bilis
 A pequena Matrioska
 Peneira do rato
 Pictura Pixel
 O pífano e o escaninho
 Pirão sem dono
 políticAética
 Política & políticas
 Política Justiça
 Politicando
 Ponto e contraponto
 Ponto media
 Por um punhado de pixels
 Porão abaixo
 Porco-espinho e as uvas
 Posthegemony
 Prás cabeças
 Professor Hariovaldo
 Prosa caótica
 Quadrado dos Loucos
 Quarentena
 Que cazzo
 Quelque chose
 Quintarola
 Quitanda
 Radioescuta Hi-Fi
 A Realidade, Maria, é Louca
 O Reduto
 Reinventando o Presente
 Reinventando Santa Maria
 Retrato do artista quando tolo
 Roda de ciência
 Samurai no Outono
 Sardas
 Sérgio Telles
 Serbão
 Sergio Amadeu
 Sérgio blog 2.3
 Sete Faces
 Sexismo e Misoginia
 Silenzio, no hay banda
 Síndrome de Estocolmo
 O sinistro
 Sob(re) a pálpebra da página
 Somos andando
 A Sopa no exílio
 Sorriso de medusa
 Sovaco de cobra
 Sub rosa v.2
 SublimeSucubuS
 Superfície reflexiva
 Tá pensando que é bagunça
 Talqualmente
 Taxitramas
 Terapia Zero
 A terceira margem do Sena
 Tiago Pereira
 TupiWire
 Tom Zé
 Tordesilhas
 Torre de marfim
 Trabalho sujo
 Um túnel no fim da luz
 Ultimas de Babel
 Um que toque
 Vanessa Lampert
 Vê de vegano
 Viajando nas palavras
 La vieja bruja
 Viomundo
 Viraminas
 Virunduns
 Vistos e escritos
 Viva mulher
 A volta dos que não foram
 Zema Ribeiro







selinho_idelba.jpg


Movable Type 3.36
« Carolina bate dois recordes no basquete americano :: Pag. Principal :: Eurípides Alcântara e Revista Veja derrotados nos tribunais »

segunda-feira, 30 de março 2009

Links

Ainda no terreno jornalistas-processando-e-silenciando blogueiros, atente-se para o caso do Prof. Wladimir Ungaretti, da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cujo Ponto de vista satirizava e desmascarava a picaretagem da grande mídia, incluindo-se aí as manipulações de imagem de um jornalista apelidado de Fotonaldo. Eis que Fotonaldo, sem responder nenhuma crítica, consegue a ordem de retirada dos materiais que lhe dizem respeito do site do Prof. Wladimir, que acabou deixando o silêncio em forma de protesto enquanto recorre. Escreve sobre o caso a Ariela Boaventura. Li em primeiro lugar sobre essa lamentável decisão judicial no RS Urgente.

******

O Groselha News está de casa nova.

*****

Guaciara, Urbanamente e Sorriso de Medusa são blogs de velhos amigos deste espaço que passaram a fazer partes dos links aí à esquerda.

*****

O Estado de Minas dá o seu chilique (atentado??) no episódio em que a UFMG ganhou nos tribunais um direito de resposta depois suspenso pelo TRF da primeira região. Para um contraponto, leia Direito de resposta e liberdade de imprensa, de Luis Nassif.

*****

Ainda os tribunais: jogador de futebol ganha indenização de jornalista que o havia chamado de QI de alface. Onde? Em Minas Gerais, evidentemente. Time? Ex-Ipiranga, óbvio.

*****

Sobre a prisão e subsequente liberação de Eliana Tranchesi, ofereço dois links para pontos de vista bem diferentes: Leonardo Sakamoto e Ely Ery Roberto Correa (este via Jayme, que outro dia disse tudo o que penso e nunca escrevi sobre Ferreira Gullar).

*****

Todo mundo já recebeu emails-corrente propondo boicote a isso e aquilo. Só Rafael Galvão, no entanto, é capaz de tomar um deles como mote para fazer arte. Leia também, da lavra do Paraíba, Sobre livros e Pequena eulogia a um gênio da raça que desgraçou a si e ao seu mister. O Paraíba é um blogueiro preguiçoso. Tece posts com a urgência de um Caymmi diante do mar. Às vezes, larga o blog às moscas. Quando volta, reassume seu lugar de direito: um dos melhores prosadores da internet brasileira.


*****

Links em outras línguas:


Entendamos a diferença entre a grande mídia brasileira e a argentina. O Brasil não possui um veículo como o Página 12 que, faz um mês, é o único jornal latinoamericano que leio. Confira o Nuevo diccionario de la derecha criolla.

******

A Sorbonne está em pé de guerra.

*****

Confesso que tenho desenvolvido um certo prazer sádico em ler textos sobre a lenta e inapelável agonia do jornalismo em sua forma, digamos, canônica das últimas décadas. Em inglês, aí vai uma seleção. A algum deles com certeza eu cheguei via Tiago Dória.

Pesquisa do Pew Research mostra que a grande maioria dos americanos não está nem aí para a morte dos jornais regionais.

Na Slate, Jack Shafer põe os pingos nos i's: É hora de jogar fora a idéia de que jornais são essenciais para a democracia. A liberdade de imprensa é essencial para a democracia. Jornalistas que estão agonizando na grande mídia adoram confundi-la, essa liberdade, com a existência de conglomerados mídiaticos na forma que os conhecemos hoje.

No Guardian, Nick Cohen faz um alerta interessante à BBC.

Até John Nichols and Robert W. McChesney no The Nation, quem diria, no meio de uma bela análise da situação, dão essa idéia maluca de criar um imposto para sustentar jornal. Socialista convicto, peço que me incluam fora dessa.

Segurem mais uma: conglomerados de mídia vão ao Google pedir que se manipule a fórmula para que saiam melhor colocados nas buscas. É inacreditável (via Piro).

Finalmente: entrevista com Bill Moyers sobre Jornalismo e democracia.



  Escrito por Idelber às 13:11 | link para este post | Comentários (67)


Comentários

#1

você não concorda com a indenização pelo qi de alface? eu acho mais do que cabível.

mary w em março 30, 2009 2:17 PM


#2

Ah, claro, claro, não se trata de discordar. É que a história é hilária demais :-)

Idelber em março 30, 2009 2:19 PM


#3

Eu só fico imaginando o papelão que o detentor do QI de alface faria se, ao invés de indenização, pedisse direito de resposta.

Mas parece que o tal do Lélio extrapolou realmente.

Radical Livre em março 30, 2009 3:08 PM


#4

Agora, dado o nível rasteiro do jornalismo esportivo em Minas, imagine o que não faria um polemista talentoso com o direito de resposta a uma acusação de QI de alface.

Idelber em março 30, 2009 3:27 PM


#5

hehehe. já falei no post anterior: Nelson Rodrigues estaria se divertindo muito hoje em dia.

---

Seguindo nos links. o argumento do segundo link em relação à prisão de Eliane Tranchesi é que é um absurdo dar uma sentença dessas enquanto tem tanta gente acusada de corrupção solta por aí.

Resumindo, enquanto não prenderem todos os bandidos, é melhor deixar todo mundo solto.

ai, cansaço.

Radical Livre em março 30, 2009 3:39 PM


#6

Idelber, sobre o caso Daslu:

Houve uma grita muito grande na imprensa sobre o suposto exagero da condenação, com pessoas comparando o crime de sonegação com a gravidade de um homicídio, sequestro, tráfico ou outros crimes menos cotados.

Ocorre que a aplicação da pena se dá sobre cada fato provado (óbvio que não sobre cada peça de roupa, mas sobre cada lote de roupas cujo valor foi adulterado para baixo para pagar menos impostos). Foram provados inúmeros procedimentos dessa espécie, o que explica um somatório de pena alto no final.

Quanto à prisão antes da condenação, veja quanto mal fez o STF ao recentemente conferir caráter absoluto à presunção de inocência, o que não é feito em inúmeros sistemas jurídicos do dito primeiro mundo.

Todos os presos foram soltos com base nesse julgamento recente do STF. Ocorre que a prisão dos envolvidos não decorreu simplesmente do fato da condenação, mas sim teve caráter cautelar, preventivo. Isso porque foi provado que a Daslu continuou a praticar crimes de sonegação mesmo depois da primeira prisão deles, mesmo depois de iniciado o processo criminal!!! Ora, se isso não é motivo para prisão preventiva, de modo a impedir que eles continuem a delinquir, eu não sei o que é...

É incrível como causa uma certa comoção enquadrar os "brancos de olhos azuis" (para ficar em uma expressão em voga) como organização criminosa, teve gente que até argumentou que os impostos são muito altos (fato), como a justificar a sonegação de centenas de milhões de roupas de grifes caríssimas para que a elite brasileira não se sinta tão fora do mundo que elas acham que merecem viver, e não aqui nesse país em que um ex-metalúrgico é o Presidente.

Reconheço que, se fosse de meu conhecimento, talvez não prendesse apenas a própria Eliana por causa da saúde precária, mas os demais, por conta da reiteração de sua conduta criminosa, não há porque manter soltos.

Escrevi sem ler os links que você deu, se achar de falar algo mais depois eu complemento.

Abraço

Paulo SPS em março 30, 2009 3:49 PM


#7

É isso, Paulo, parece que estamos assistindo mesmo ao enterro da instituição da prisão preventiva quando o crime é de colarinho branco. É uma generalização brutal, mas não está muito longe da realidade.

Idelber em março 30, 2009 4:06 PM


#8

Não sei se já foi indicado aqui, mas acho que vale a pena dar uma olhadinha neste site mantido por estudantes de jornalismo da UFRGS, cuja proposta é a de "melhorar um pouco que seja o jornalismo praticado no Brasil". Fieis ao que propõem não deixaram de destacar o caso Bernardi x Ungaretti.

http://jornalismob.wordpress.com/

Cláudia em março 30, 2009 4:41 PM


#9

Free Law Kin Chon!!

João Paulo Rodrigues em março 30, 2009 5:41 PM


#10

Idelber, ser linkada por você é mais do que eu mereço. Estamos começando devagar, espero engrenar em breve.

Vou dar uma olhada nos outros links que vc sugere. Esse caso da Eliana Tranchesi é um sobre o qual me interessa ler, porque o que eu estou ouvindo sobre o assunto é eivado de tanto preconceito para um lado ou para outro que não dá pra considerar.

Você chegou a ler o comentário da Cantanhêde sobre os "brancos de olhos azuis"?

Ana Paula Medeiros em março 30, 2009 5:59 PM


#11

Li, Ana Paula. Achei fraco, como costumam ser os textos dela...

Idelber em março 30, 2009 6:02 PM


#12

Idelber, muito obrigado pela propaganda
abração

Tiago Mesquita em março 30, 2009 6:11 PM


#13

De nada, Thiago.

Vocês viram isso aqui? Está virando piada mesmo.

Idelber em março 30, 2009 6:14 PM


#14

Eu vi. Demência infinita.

Fábio Carvalho em março 30, 2009 6:32 PM


#15

Sorbonee em pé-de-guerra?

Chamem o FHC uai!!!!!!

Fabricio Schneider em março 30, 2009 6:47 PM


#16

Idelber, li os dois textos sobre a prisão da Dona da Daslu.

Então, Eliane Tranchesi tem cãncer. E daí?
Não estou querendo ser cruel, mas um fato não está relacionado a outro. Se quiser ter seus pecados perdoados, a Eliane pode procurar um padre ou aquilo que o valha, e não estou sendo irônico. É elementar que a justiça pode e deve considerar o estado de saúde do condenado para fins de cumprimento da pena. Daí a imputar-lhe uma pena suave diante de crimes graves vai distância. Daqui a pouco os advogados irão solicitar a absolvição alegando ter ela apenas mais 1 ano de vida. É triste terminar a vida assim, mas não é papel da justiça roteirizar finais felizes para os condenados. Citar os casos em que a justiça falha gravemente, como fez o Jayme, para embasar uma crítica à efetiva condenação de uma criminosa é adotar uma postura esquizofrênica. Cobre-se da justiça que cumpra o seu papel naqueles e não que o descumpra neste. Cobre-se dos juizes responsáveis pelos primeiros a devida seriedade, a celeridade, o julgamento dos acusados e não que o juiz responsável pelo último seja leniente, tolerante com o crime. Serei só eu a considerar absurdo esse tipo de argumento?

Uma nota pessoal: meu sogro morreu de câncer em 2000. Ele não teve direito a fazer ressecção do tumor (e tentar lutar pela sobrevivência) por um motivo singelo: não tinha plano de saúde e o exame de ressonância pelo SUS demoraria meses. Quem poderá dizer que a Sra. Eliana Tranchesi nada tem a ver com isso?

Justiça.

Cajueiro em março 30, 2009 9:27 PM


#17

Amigos,

Toda vez que leio comentários como o que Jayme Serva fez no blog dele eu me entristeço um pouco. Sei muito bem das mazelas do Poder Judiciário no Brasil. Além daquelas publicadas, há outras tantas que sequer chegam aos jornais.

O que me decepciona, porém, é o pouco reconhecimento que a sociedade, incluídos mesmo aqueles com mais acesso à informação, tem pelo papel dedicado de uma maioria de magistrados que luta todos os dias com condições de trabalho totalmente inadequadas (isso ocorre mais na Justiça Estadual, não é comum na Justiça Federal), com uma imensa carga de trabalho ("privilégio" de todos) e com o próprio peso emocional que advém do processo decisório (tomar decisões que interferem dramaticamente na vida dos outros não é fácil).

Minha crítica não é dirigida especificamente ao Jayme, até porque o mais correto talvez fosse fazê-la em seu blog. Muita gente pensa como ele, infelizmente.

Agora, prezado Jayme, como associar a juíza que proferiu a sentença da Daslu com o caso Pimenta Neves? Nem na mesma justiça os processos correm, um caso é federal e o outro estadual!! Como presumir que a "inexpressiva" juíza buscava apenas o seu momento de glória? Você conhece seu perfil profissional, sabe se ela é uma espécie de Marco Aurélio Mello de saias?

Acho que as pessoas, principalmente aquelas de maior cultura, deviam pesquisar, pensar antes de emitir determinadas opiniões. Ou então não, mas acatando o risco de serem injustas ou de apenas falarem bobagens.

A propósito, a lei não é criada apenas para assaltantes de banco não, ela se aplica a qualquer grupo que se enquadre como organização criminosa. Se essas pessoas são ricas, finas, viajam para a Europa, ótimo para elas; mas se agem como criminosas, o erro não é da lei, tampouco da interpretação dela. É sim de quem acha que ser empreendedor é criar empresa fantasma, importar mercadoria falsificando documentos, sonegando impostos, lavando a origem ilícita desses recursos.

Como muita gente acha que cadeia pesada é só para traficante e afins, vamos pensar no seguinte exemplo: se provam que eu trouxe, em momentos diferentes cada um, quatro carregamentos de droga do exterior, a pena é uma só? É óbvio que não, eu seria punido por cada fato típico provado, cada um deles é um tráfico de entorpecentes que deve ser apenado isoladamente, e ao final somado para se chegar à pena total.

O que aconteceu com essa pena de 94 anos foi isso. Ela representa apenas o somatório final da condenação por uma série de crimes repetidos.

Será que não ocorreu isso a ninguém antes de criticar a pena? Agora, se fosse possível condenar por apenas uma sonegação por processo, o Ministério Público teria de abrir um processo para cada fato, o que obviamente não é razoável. Ou então ela poderia delinquir pelo resto da vida, pois já teria esgotado sua "cota" de condenação criminal por essas suas práticas comerciais heterodoxas.

Paulo SPS em março 30, 2009 10:38 PM


#18

Caros Paulo e Cajueiro: argumentadíssimo. Hoje eu tenho pouco a dizer aqui sobre isso porque não li a sentença e acompanhei pouco o assunto. Alguns efeitos, além de mais, me resultam difíceis de julgar estando fora do país. Mas sim, o primeiro que pensei ao ver as reclamações sobre os 94 anos de pena foi isso: ora, mas não se trata de múltiplas ocorrências de múltiplos crimes?

Mas, reitero, parei aí porque não me informei o suficiente. Sobre a Satiagraha sim -- e ela se encaminha para esse final decepcionante, mesmo tendo, em outros aspectos, mudado o país. Mas acerca deste assunto da E.T. eu realmente não sei.

Abraços.

Idelber em março 30, 2009 11:15 PM


#19

Hmmm.. Discordo. Os jornais que estão sangrando são os ligados a conglomerados menores de midia, como o McClatchy e a Scripps(Que dão uma certa liberdade a seus periódicos). Há alguns jornais nessa situação(Minneapolis Star-Tribune) que nem ligados a grandes grupos o são. Se o Idaho Statesman não tivesse a proteção de um grupo como o McClatchy e fosse ligado a interesses locais eles teriam corrido atrás de Larry Craig? Um senador num estado como Idaho?

E essa sangria não significa o fim dos jornais regionais, mas pode significar a permissão para que grupos possuam redes de TV e jornais num mesmo mercado. Também pode significar mais mercado para os jornais de Rupert Murdoch, que pode tranquilamente manter o New York Post no prejuízo.

No mais, sinto muito, mas quando comparo o Brasil, aonde mídia regional é inexistente, e comparo com os EUA, dá para sentir a diferença. E outro perigo maior é que cada vez mais as pessoas só querem escutar o que QUEREM escutar quando o assunto é notícia.

Andre Kenji em março 30, 2009 11:15 PM


#20

Paulo,

Ainda existe um agravante, que fez com o crime se enquadrasse em algumas excessões da lei. Por exemplo o fato de reincidência durante o processo (algo que embute a crença dela na própria inimputabilidade). Fora isso, é apenas o fato singelo de nossa elite ainda não estar preparada psicologicamente para ver ricos sendo presos ou algemados. Quando a comparação com os homicídios e outros crimes, caso ela seja passível, eu pergunto quantos homicídios poderiam ser evitados, e homicídas recuperados, com o dinheiro sonegado por ela? Gilmares, Dantas, e Elianes, entre muitos, são o berço de muitos homicídios....

Sem justiça nunca haverá paz...

Thomas em março 31, 2009 12:53 AM


#21

O que incomoda é toda essa roupagem técnica que dão pra um assunto que na verdade nada tem de técnico. Crime de colarinho branco é um pilar da elite brasileira. E os 94 anos em primeira instância são um exagero porque claramente é uma sentença que pretende mostrar o quando o brasil mudou, usando a mulher como bode expiatório. Tem tudo a ver com o caso Pimenta Neves porque se trata de Justiça. De definir o que uma sociedade (no caso a nossa) considera ou nao intoleravel. Da mesma maneira que explicam tecnicamente os 94 anos, explicam tecnicamente porque Pimenta Neves nao foi punido. E o mais grave é q essa sentença é uma anedota. Ela nao será mantida e todos sabemos disso. E depois será explicado, tecnicamente, porque nao foi mantida. O problema nao é a puniçao de todos os corruptos. Ninguem é contra isso. O problema é q a gente observa uma total falta de critério e coerencia nas penas. Na Justiça federal ou estadual. Não importa. A pena será tao modificada no final do processo que todo esse blábláblá explicativo de multiplos crimes em multiplas plataformas se torna meramente blablabla. Ninguem sabe como uma pena é definida no Brasil. Isso que salta aos olhos da populaçao. Se eu atirar em vc agora, nao sabemos. Quanta cana eu vou puxar e SE vou puxar. Mais ou menos isso. Fica muito conveniente aplaudir a pena quando concordamos com a puniçao.

mary w em março 31, 2009 1:24 AM


#22

Cláudia
Muito obrigado pela referência ao Jornalismo B.
Ficamos contentes com a valorização desse pouco que conseguimos fazer em busca de um debate maior sobre o jornalismo brasileiro.
Um abraço

Alexandre Haubrich em março 31, 2009 4:21 AM


#23

Sobre a história do processo ganho pelo Wagner, jogador do Cruzeiro, acho que o jogador estava coberto de razão. A imprensa esportiva mineira é provinciana mesmo, jornalistas tentam a todo momento criar crises artificiais para vender jornais ou alavancar a audiência. Isso foi apenas um exemplo. O Adilson acabou de fazer uma entrevista-desabafo no blog do Cosme Rimoli, que é um reflexo da perseguição absurda que ele sofreu no ano passado e também neste ano. O processo que corria na justiça era sempre citado em boca pequena como um dos fatores que levara a essa má-vontade de uma certa rádio de grande audiência entre os fãs de futebol contra ele. Para mim o técnico tem razão no seu desabafo, mas agora os ânimos da imprensa vão se redobrar na sua busca por factóides que sempre tumultuam o ambiente de um clube.

Leo Vidigal em março 31, 2009 9:30 AM


#24

Paulo SPS,
Além do que voce corretamente expôs acima, há indícios de contravenções mais fortes, pelo que li no Nassif, no sábado passado. Os produtos importados, que entram pelo Porto de Paranaguá, alimentam também o esquema do Law Kim Chong. Além disso, um grupo de búlgaros foi preso por enviar cocaína ao Leste Europeu, também através do Porto de Paranaguá, e junto com eles estava o advogado Otávio Ramos, que é também advogado do Diretor Financeiro da Daslu. Não sei se algo está provado, mas parece que há indícios fortes. Voce sabe alguma coisa sobre isso, Idelber?

Cláudio Freire em março 31, 2009 9:38 AM


#25

Idelber,
pô, não acho que o Gullar seja endeusado. Radioehad é endeusado, rsrs. E o cara escreveu coisas muito boas, como "Poema Sujo" e alguns poemas no "Dentro da Noite Veloz".

João Marcelo em março 31, 2009 11:35 AM


#26


Prezada Mary W,


Pelo que pude entender, a sua crítica é contra o Judiciário em geral e sua conhecida e antiga crise de efetividade. Quanto a isso, poderia escrever longamente, e muito provavelmente você concordaria com a maior parte de minhas ácidas críticas e se surpreenderia com o conhecimento de algumas coisas que nem imagina, boas e ruins.

Todavia, da forma como o Jayme e você colocaram seu ponto de vista, fica parecendo que o trabalho da juíza, independentemente de a decisão ser reformada depois, não foi feito com seriedade. Basta pensar que a sonegação apontada chegou a 1 BILHÃO de reais para imaginar quantas condutas criminosas foram apuradas. Some a pena de cada uma delas e você verá que o resultado não foi exagerado. O que ocorreu foi um trabalho bem feito da Polícia Federal, Ministério Público, cabendo à juíza apenas julgar todos os fatos provados e passíveis de apenação.

Quem quer fazer o seu trabalho direito não tem culpa se depois o processo vai sendo enrolado, enrolado, muitas vezes com a complacência dos Tribunais onde se encontram, e acabam prescrevendo os crimes. Como a prescrição é contada isoladamente para cada crime, pode acontecer de alguns no futuro serem retirados da pena. Pode acontecer também de um ou outro fato ser entendido como não cometimento de crime. Mas se o processo for julgado DEFINITIVAMENTE em tempo hábil, não tenha dúvida de que a pena será bastante alta.

Abraço e desculpe mais essa dose de blábláblá

Paulo SPS em março 31, 2009 11:36 AM


#27

Mari,

Achei seu comentário interessante, mas permita-me discordar de alguns pontos. Acho que o aspecto técnico faz parte do debate, mesmo para não-advogados como eu, já que pode dar indícios de seriedade ou não do processo, como diz o Paulo. Claro que o tecnificismo pode ser utilizado de qualquer forma, mas sem dúvida ele estará fundamentado em princípios mais ou menos relevantes. Apesar desse debate técnico só existir para os crimes de colarinho branco, ele permite àqueles que acreditam que Pimentas, Elianes e Dantas devam pagar pelos seus crimes se defender dos que acham que ela é bode espiatório. Qual a razão de se discutir se são 94 ou 120 anos se ela não fica mais de 30 na cadeia, já que a lei não permite? É colocala como bode expiatório. Isso ela não é. Ela é criminosa que se julga inimputável. Quanto à afirmação de mostrar que o país está mudado, não me parece bem isso. Ainda temos Dantas e Gilmares. O que sinto é que existe, dentro dos poderes, uma geração chegando e querendo ser séria. E dentro desse processo existe disputa. Entre instâncias maiores e menores, entre juízes que se vendem e os que não se vendem. E quando essa disputa ocorre, temos que tomar partido....

Thomas em março 31, 2009 12:15 PM


#28

Idelber,

Gostaria de sugerir a você o seguinte link:

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/03/31/sai-a-primeira-sentenca/

Tentei passar isso no Gravataí Merengue, mas ele me parece tendencioso quando o assunto é VEJA e Nassif ... e tendencioso para o lado ERRADO.

JP em março 31, 2009 12:49 PM


#29

Queria ouvir sua opinião sobre os fatos que motivaram o pedido de direito de resposta da UFMG. Mas, para tanto, gostaria que vc lesse as reportagens do ESTADO DE MINAS para avaliar se o direito de resposta era justificável. Sobretudo pq, até onde sei, a UFMG negou-se a apresentar justificativas ao Jornal.

Ricardo em março 31, 2009 2:39 PM


#30

Idelber,

Vc se referiu acima sobre "o nível rasteiro do jornalismo esportivo em Minas" e em pleno 25 de março perdemos um dos ícones da crônica esportiva: Jairo Anatólio morreu aos 81 anos. Os grandes cronistas estão afastados e os microfones estão entregues a uma geração que só fala abobrinha. Depois reclamam das respostas do Leão às perguntas idiotas. Aliás, depois que a Internete se consolidou, parei de ouvir rádio, ler jornal e assistir tv.

Lincoln em março 31, 2009 2:47 PM


#31

JP

sobre o link e o assunto dele, como disse lá no Pedro Dória, repito aqui a constatação da qualidade teórica e conceitual dos juízes de primeira instância.
o texto vai ao encontro do cara citado pelo Idelber de que liberdade de imprensa e jornais são coisas bem diferentes
ao contràrio dos "jornalistas", os juízes reconhecem que os jornais e seus financiadores são jogadores de um mesmo time

também me repetindo, acho que só nos resta esperar o roteiro conhecido: que as instâncias superiores revertam a decisão, dêem esporro no juiz e protestem pelos ataques injustifcados à revista Veja

ricardo

eu estou procurando formar um quadro melhor da questão UFMGxEstado de Minas.
mas desde logo, acho que a opção pelo direito de resposta em espaço proporcional ao das reportagens é um caminho bacana a seguir, ainda que só consiga ser obtido pela via judicial.
o direito de resposta oferecido pela imprensa é sempre manipulado e mal intencionado, qualquer um que já passou por essa experiência sabe disso.
liberdade de imprensa não é via de mão única.

abçs

rabbit em março 31, 2009 3:07 PM


Tiago Mesquita em março 31, 2009 4:42 PM


#33

Fora do tópico, mas relacionado à liberdade de informação:

A TV CAMARA NÃO VAI TRANSMITIR EM REDE O DEPOIMENTO DO PROTOGENES, SÓ PELA INTERNET

já liguei, enviei e-mail, e as respostas dos assessores dos deputados Marcelo Itagiba e Nelson Pelegrino foram esquisitas, evasivas.
O mesmo com a secretaria da CPI

Aquele que poderia ser o programa do ano não vai chegar ao público?!?

Não sei da Globo News, etc..

abçs

rabbit em março 31, 2009 4:43 PM


#34

Radical Livre em março 30, 2009 3:39 PM, percebe-se que você não leu o texto como deveria.

Se bem notar, há um parágrafo ao final, onde deixo claro que não discuto a culpabilidade e a pena da ré. Causa-me espécie o caráter político da sentença, quando o Judiciário devia, isto sim, também lembrar do princípio de equidade e olhar para os casos de corrupção dos poderes, de forma a desqualificar este protecionismo que representa a imunidade parlamentar.

Meu direcionamento foi diverso. Não defendo pena menor para Miss Daslu. Defendo julgamento honesto e igual para todos. Ou você pensa que eu ficaria triste com exatos tempos de cadeia para os "mensaleiros", para as "sanguessugas", "os anões do orçamento", "os fabricadores de dossiês"?

Ery Roberto em março 31, 2009 8:57 PM


#35

Mary W.

Algumas de suas críticas são justas, porém estão direcionadas ao Poder errado. Não é o juiz quem define ao seu bel prazer o tamanho da pena. Ele segue o que determina o código penal (de 1940, diga-se). A juiza não inventou os 94 anos. Somou a quantidade de crimes cometidos pelos réus e pelos quais foram condenados. Estranho seria a juíza ignorar alguns crimes sob o argumento de que a pena soaria anedótica. O Pimenta Neves, sob esse raciocínio, poderia matar todas as suas namoradas com a garantia de que seria condenado (se o fosse) apenas pelo primeiro homicídio.


Por falar em anedota, Eliane Tranchesi não está sendo usada como bode expiatório. Além dela, outras 6 pessoas também foram condenadas e presas. Ela não está pagando o pato por alguém que lhe é superior. Ela comandava uma quadrilha. Aplaudir sua prisão não é uma questão de conveniência. Eliane foi acusada, julgada, teve direito a ampla defesa, como todos os podres de rico neste país. Foi condenada e presa. Recebeu habeas corpus. O jogo continua.

É de se aplaudir, nesse caso, o fato de que o poder econômico não dobrou uma juíza, sim. A magistrada certamente teria vida muito mais fácil se aliviasse para o lado de criminosos de colarinho branco e echarpe prateada. Não seria chamada de justiceira, não atrairia a ira da imprensa e da OAB, não seria acusada de querer aparecer, nem culpada por todas as mazelas da justiça no país. De quebra, poderia até ganhar um trocado.

Agora, o que acontecer nas próximas instâncias está fora do seu controle. Irá depender do caráter de outros juízes.


Cajueiro em março 31, 2009 9:01 PM


#36

Olá, Idelber, acabo chegando meio tarde ao debate, semana cheia. Gostaria de me desculpar com o Cajueiro, o Paulo e os demais que tiveram o saco de visitar o Dito Assim e percorrer aquelas mal traçadas, por ter feito uma comparação talvez indevida, num tempo só, entre o caso Pimenta Neves e o caso Daslu. Não pelo caráter burocrático-processual, Paulo, que ele é de somenos importância nessa história toda. Mas sim por misturar alhos e bugalhos. O que reafirmo aqui é que houve uma opção pelo espetáculo, e não pelo restabelecimento (?) da Justiça. Primeiro, porque se fosse apenas somar penas relacionadas a um tipo de crime para se estabelecer a punição final, a IBM faria melhores juizes do qeu o Largo de São Francisco. A razoabilidade de uma sentença vai milhas além da aritmética. Depois, porque usar uma figura jurídica como a de "formação de grupo criminoso" (não me lembro se o nome é exatamente esse), instituída sob medida para ladrões de bancos nos anos 90, para manter a empresária em cana, uma vez que nada mais justificaria uma prisão preventiva, denota a intenção da laboriosa magistrada. Acho que com isso respondo também à justificada colocação do Cajueiro (pela precariedade de meu texto apressado): em nenhum momento quis comparar os atos dos diferentes juizes (e infelizmente não tenho dúvida de que soou assim, Cajueiro), mas quis dizer, e reafirmo, que o Judiciário brasileiro anda tendendo a preferir criar exemplos a partir de sentenças midiáticas, a resolver mazelas que fariam o conjunto da Justiça mais eficiente e, com o perdão da tautologia, justo. Sentenças-exemplo são instrumento de momentos históricos como os de Hitler, Saddam, Stálin, Mussolini, além do Visconde de Barbacena, é claro. Daí a minha desconfiança imensa do regozijo com que foi recebida a pena da perua. Há, no fundo, uma ponta do sadismo coletivo dos linchamentos. Abração, meu caro!

Jayme em abril 1, 2009 12:34 AM


#37

Em tempo: ¡"ejpetacular" el Nuevo diccionario de la derecha criolla!

jayme em abril 1, 2009 12:57 AM


#38

Um ensaio sobre o depoimento de Protógenes.
http://www.atibaianews.com.br/ver_not.php?id=3659&ed=Entrevistas&cat=Not%C3%ADcias
É tudo que imaginávamos e muito mais!!!!!!

Elizabeth Lobato em abril 1, 2009 1:38 AM


#39

Outro link interesante sobre o delegado Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da PF.

http://www.apcf.org.br/%c3%81reaAberta/P%c3%a1ginaClippingAPCF/tabid/332/ctl/Details/mid/610/ItemID/3071/Default.aspx

Elizabeth Lobato em abril 1, 2009 1:46 AM


#40

mas se tivermos que esperar "caráter" de juízes, a coisa complica demais. exaltar características pessoais da juíza q deu a sentença é reafirmar que o judiciario, o poder, nao tem criterio nenhum. e fica dependendo do "caráter" de quem julga. tratar um juiz como se ele fosse um individuo e nao representante de um poder? ué.

mary w em abril 1, 2009 2:09 AM


#41

Nada a ver o comentário da Mary W.

Eliana Tranchesi, assim como Pimenta Neves, Daniel Dantas, Pitta, o Juiz Nicolau e Maluf, entre tantos, fazem parte de um grupo de criminosos, digamos, supra sexuais. E até o momento, de certa forma, eles todos estão livres.
Com as exceções de Pitta, Pimentas Neves e Daniel Dantas, ela ficou menos tempo detida que os ex-jornalista, o ex-juiz e o ex-governador. Portanto, afirmar que ela é algum tipo de bode expiatório é de certa forma uma defesa intransigente, para não dizer inconsequente e maluca de uma ideia.
Considerar essa prisão , mesmo com o tecnicismo das prisões e liberações, da qual a dona da Daslu também foi beneficiada e 'liberada' assim com todos os outros, como um ação política de caracter declaradamente sexual é um delírio excludente.
A Tranchesi não é um bode expiatório. Se fosse, realmente, estaria presa, assim com Pimenta Neves deveria estar. E como não está, assim como os outros criminosos citados, a classe em que em que ela se inseri é a dos impunes.
A prisão e liberação da moça esta inserida nas mesmas condições aos da prisão e liberação dos criminosos que citei.
A teoria do bode expiatório é uma alucinação.

fm em abril 1, 2009 3:11 AM


#42

Prezados Jayme, Ely, Paulo, Mary, Cajueiro, Cláudia, Alexandre (obrigado pela visita!) e todos os que têm participado do papo: me desculpo por uma omissão ainda mais descarada que a normal, fruto de uma semana bem dura, com a preparação de uma defesa de tese de Ph.D. para hoje (mais um orientando meu virou dotô nesta terça, é uma alegria muito grande e uma ocasião muito especial) e uma de Mestrado para a próxima sexta.

O único que tenho a acrescentar diz respeito ao comentário da amiga Mary, porque há algo que ali que me é muito caro. Como já disse todo mundo, mary, é óbvio que você expressa a frustração dominante, inclusive escolhendo para nomeá-la os termos nos quais ela é mais frequentemente nomeada -- o que é o problema, para mim, e acho que valeria a pena que fosse um problema para você também, como socióloga.

Acho que o que me perturbou no seu comentário -- e também no seu post sobre o assunto -- é que ele parece pressupor que o Judiciário tem uma voz única. Muito mais que o Executivo ou o Legislativo (e muito mais que o "quarto poder"), o Judiciário é hoje no Brasil um poder cindido.

Seria simplificação dizer que só temos dois lados nitidamente definidos e muito mais simplificação ainda supor que a razão está sempre de um lado só. Mas há, sem dúvida, uma cisão se desenhando, na qual é claro para mim que eu estou num daqueles dois lados, o da jovem magistratura de primeira instância que, com todos os problemas, vem tentando fazer da lei algo class- and race-blind, algo genuinamente aplicável aos ricos. E aí sentar e dizer "ah, tudo vai acontecer assim e assado porque o Judiciário é assim e assado" é replicar a atitude de quem diz, antes das eleições, "político é tudo igual". É uma posição cômoda, atribui ao Judiciário uma unicidade de voz que ele não tem, e fundamenta uma recusa a perceber uma luta política real que está se dando, e na qual vale a pena intervir.

Sempre com a ressalva de que não opino sobre o caso E.T. porque não me informei o suficiente, creio ser essa a questão que não pode passar batida.

Viram, por exemplo, a sentença (pdf) de hoje que dá ganho de causa a Nassif na ação que lhe movia a Veja (que cretinamente lhe demandava por indenização de R$ 100.000,00)? O Juiz diz o óbvio: que a acusação não procede e o trabalho jornalístico de Nassif está documentado por fatos e análises de textos. É um primor de sentença.

No entanto, se você me der um laptop com internet e word, três horas e um maço de cigarros, eu faço uma demolição da sintaxe, do léxico, da prosódia e das referências citadas na sentença. Uma demolição "falsa" e "irrelevante", claro, mas de todas formas verossímil o suficiente para ter, se replicada por mídia de alcance, impacto bem daninho, real, no jogo político em que vivemos hoje no Judiciário.

A mesmíssima coisa que a Folha fez com a sentença de Protógenes poderia ser feita com a corretíssima, impecável, e importante sentença dada hoje pelo Juiz Carlos Henrique Abrão, da 42a Vara Cível do Foro Central de São Paulo, a quem o blog agradece e parabeniza.

É só mais um exemplo contra-factual da cretinice que se fez com o Dr. Protógenes no Brasil. Abraços.

Idelber em abril 1, 2009 3:23 AM


#43

Idelber,

Queria ouvir sua opinião sobre os fatos que motivaram o pedido de direito de resposta da UFMG. Mas, para tanto, gostaria que vc lesse as reportagens do ESTADO DE MINAS para avaliar se o direito de resposta era justificável. Sobretudo pq, até onde sei, a UFMG, em regra, negou-se a apresentar justificativas ao Jornal.

Ricardo em abril 1, 2009 10:34 AM


#44

Oi Idelber, valeu pelos links sempre interessantes. Sobre a sorbonne e toda a situação de greve aqui na França, não é mesmo brincadeira. Aqui em Strasbourg estamos em greve ativa ha cerca de 9 semanas; sem aulas dentro de inumeras faculdades, muitos professores estão fazendo a "université hors les murs". A organização estudantil da université de Strasbourg estah centralizanda na minha faculdade (sc. sociales). A tensão entre os estudantes e corpo docente em relação ao ministério do ensino nacional soh aumenta. Pra quem se interessa sobre o tema, mais um link:

http://www.strasbourgenlutte.com/

E o clima na cidade estah cada vez "melhor" com a chegada da OTAN. Tenho neste momento uns 6 helicopteros passando em cima do meu prédio, mais uma porrada de policiais por todos (mesmo!!!) os lados. A retorno da França à OTAN e a situação da educação nacional estão particularmente deixando os franceses com a sensação mista, creio eu, de profunda restrição à educação (que jah começou a acontecer em algumas cidades com a 'reforma' de determinados cursos) e liberdade vigiada. Pode parecer bobagem, mas é muito interessante (e angustiante) ver a reação de todo um povo que aprendeu (e sabe praticar) que a sua liberdade de expressão é prioridade...
Um grande abraço!

Ananda em abril 1, 2009 1:51 PM


#45

Um abraço, obrigado pelo link, Ananda. Sigo aqui acompanhando de longe, na medida das minhas possibilidades.

Idelber em abril 1, 2009 7:16 PM


#46

Mary e Jayme, obrigado pelas respostas.

Mary, os juízes são órgãos singulares do Poder Judiciário. Em teoria, cada juiz julga de acordo com sua consciência, nos limites da lei. Não é possível cobrar unicidade de pensamento e ação de todos os juízes, até porque o direito é matéria sensível a inúmeros níveis de interpretação. Para que a justiça possa, veja bem, "aparentar" unidade de ação, seriam, antes de tudo, necessárias leis mais corretas, do ponto de vista técnico e de finalidade - leis com fronteiras de interpretação mais definidos. As leis no Brasil tem limites esgarçados. Não é por outro motivo que os Pimenta Neves estão livres. Há inúmeros dispositivos legais que possibilitam ao réu levar com a barriga e postergar sua pena e até o simples julgamento ad eternum. Esse é o verdadeiro blá, blá, blá das leis - nos quais os advogados (não os juízes) são mestres - e acho que aí é que reside sua crítica. Há juízes que acatam interpretações elásticas da lei, favorendo os réus e, não raro, subvertendo a própria noção de justiça. Outros impõem limites mais rígidos às artimanhas dos advogados, de parte à parte. Vai da cabeça de cada um. Mas é a lei, não os juízes, que fornece as brechas para que a justiça, afinal, não seja alcançada. E são os legisladores que, nos mais das vezes, legislam em causa própria e dos seus financiadores, que têm interesses nessa confusão legal.

Jayme, sua preocupação não é irrelevante. Mas discordo de você pelo mesmo motivo pelo qual discordo da Mary: um juiz deve agir de acordo com o que tem em mãos no melhor interesse da justiça propriamente dita, naquele caso concreto; não pode esperar pelas reformas estruturais necessárias a que o conjunto do Poder funcione a contento, o que está fora de suas possibilidades e, ademais, faz parte do complexo jogo político-ideológico próprio do desenvolvimento da democracia. A discussão a respeito dos direitos individuais, agora requentada pelo Min. Gilmar Mendes, é velha e foi resolvida, nos países com maior tradição democrática, pela constatação óbvia de que não existe igualdade perante a lei entre indivíduos que se encontram em situação econômica diametralmente oposta. Isto é, a democracia, para ser qualificada, deve ser, também, uma democracia econômica. Ora, o que assistimos é o poder econômico subjugar o interesse coletivo dentro e fora da lei, no público, no privado. A Justiça, assim como o Executivo e o Legislativo, também é sensível ao seu poder de influência. Acho, por isso, que é admirável quando há resistência da parte de um juiz a tamanha influência e um réu rico seja efetivamente (desde que dentro da lei, claro, tendo tido acesso à ampla defesa) condenado pelos seus crimes, não pelo fato de ser rico, mas por tê-los cometido. A isso chama-se justiça, não linchamento. A moça está tendo possibilidade de defesa, muito mais que qualquer um nós teríamos. Seu crime não é ser rica, mas ter enriquecido ilicitamente e às custas do bem-estar da sociedade. E, ao contrário de você, acredito que uma das funções da justiça é dar exemplo para a sociedade, sim. Até porque um criminoso impune É um exemplo.

Um abraço aos dois.

Idelber, não tinha parado de fumar?

Cajueiro em abril 1, 2009 8:44 PM


#47

Parei várias vezes, Cajueiro :-)

Idelber em abril 1, 2009 8:47 PM


#48


Cajueiro,

Achei extremamente pertinentes suas observações, além de me darem um alento quanto àquele sentimento de incompreensão a que me referi em manifestação anterior nesse mesmo post.

Penso que o juiz deve fazer o seu trabalho independentemente do aplauso/crítica da sociedade, tendo como norte apenas a sua consciência (ainda que procure manter o espírito aberto, pois obviamente estou longe de deter o monopólio da razão).

Mas como ser humano que sou, não deixo de me aborrecer ou ficar triste quando sinto tamanha incompreensão sobre todo o contexto que envolve o nosso trabalho.

Obrigado, muito obrigado.

Paulo

Paulo SPS em abril 1, 2009 10:53 PM


#49

Idelber,

Acho que você foi muito feliz ao apontar as contradições atuais de nosso Judiciário, mostrando para as várias pessoas que compartilham da posição de Mary W e Jayme para quem eles devem dirigir sua revolta pela falência de nosso sistema judicial.

Para você também um muito obrigado.

Paulo

Paulo SPS em abril 1, 2009 11:01 PM


#50

Protógenes, para mim, está em stand by até que se resolva o quanto ele xeretou (ou não) a vida sexual da Dilma Roussef.

Mas é verdade isso que vc falou e eu nao tinha atentado. Que meu discurso sobre o judiciário é muito isso mesmo de "politico nao presta". É uma posiçao burra sim.

Mas a sua é um pouco ingênua. Você diz que vê um movimento entre os juízes de primeira instância. E eu vejo um desejo da sua parte que exista um movimento. Forças progressistas se erguendo e coisas assim. Não tá rolando isso no Brasil. Não há essa intenção transformadora. E mesmo que esteja cindido o poder judiciário, ele tem uma lógica interna. E a expressão que temos dessa lógica é que juízes de primeira instância dão a sentença espalhafatosa justamente porque sabem que ela será reformada. Eu não acho que haja unicidade de pensamento, mas acredito na força da estrutura que, no caso, é extremamente viciada.

mary w em abril 2, 2009 1:44 AM


#51

Protógenes, para mim, está em stand by até que se resolva o quanto ele xeretou (ou não) a vida sexual da Dilma Roussef.

Ai, não, desculpe, agora eu vou perder a elegância. Você realmente acha que Protógenes bisbilhotou a vida sexual de Dilma? Baseada em quê? Na Veja? Você também acreditou na reportagem do "boimate"? Ou nas caixas de uísque cheias de dólares para o PT? Ou no grampo a Gilmar e Demóstenes?

Qual é o indício, prova, evidência de que Protógenes tenha feito isso a não ser a palavra de uma revista completamente desmoralizada, cheia de relações com um banqueiro bandido já condenado pela justiça? Para colocar alguém em stand by com você, basta um caluniador consumado atirar uma calúnia sem provas?

O movimento democratizador vindo dos juízes de primeira instância existe, sim. Está claríssimo, para quem quiser ver. Se você não está vendo, puxa, comece a guglagem. "AJUFE" é uma boa palavra chave para começar. A sentença em favor de Nassif é o mais recente exemplo. "Dá tudo na mesma, eles só fazem isso porque sabem que não dá em nada", me desculpe, é indigno de uma socióloga.

Idelber em abril 2, 2009 1:57 AM


#52

Poxa Idelber,

Fui dormir injuriado com esse comentário da Mary W, mas não respondi porque o travesseiro é bom conselheiro.

Achei incrível ela dizer que concordava que o discurso generalista dela era uma postura burra, para no final ela cometer essa pérola: "E a expressão que temos dessa lógica é que juízes de primeira instância dão a sentença espalhafatosa justamente porque sabem que ela será reformada"

Mais generalista impossível.

De fato, existem juízes de todo tipo. Há aqueles que fazem isso mesmo, mas são a ampla minoria. Nessa minoria também há corruptos, carreiristas bajuladores e até sociopatas incapazes de uma conduta moral reta caso isso contrarie seus interesses pessoais (esses então obviamente são a minoria da minoria).

Mas a grande maioria, até por ter prestado concurso público e não dever a ninguém seu ingresso na magistratura, tem enorme orgulho do que faz, sabe de sua responsabilidade, de seu dever de ser imparcial e isento.

Quem me lê pode me achar às vezes talvez um juiz justiceiro. Gostaria de citar um caso: um dos processos criminais mais rumorosos que peguei, com empresários muito ricos, não teve a denúncia recebida por mim (o que é um vexame jurídico para quem a escreveu) porque o Procurador da República (aliás, um sujeito muito novo e imaturo)deixou de juntar documentos que provassem que, naquele período específico, os empresários eram responsáveis pela empresa. Tudo indicava que sim, acredito que eram mesmo, mas não aceitei submetê-los a um processo criminal até que o Ministério Público fizesse o seu trabalho direito.

Repugna à minha consciência condenar alguém, por mais rico, poderoso e eventualmente safado que eu o considere, sem que haja provas concretas de um crime. A grande maioria dos juízes também age assim porque são pessoas NORMAIS, embora diferentes nas suas vivências pessoais, culturais, religiosas, etc...

Nunca, repito, NUNCA, vi um colega meu se gabando de ter feito uma decisão só pra sacanear alguém importante, sabendo que o TRF reformaria. Nem em conversa de bar, depois de várias cervejas ou algumas doses de whisky. Se alguém já fez não confessa porque sabe que isso é uma vergonha, então generalizar essa postura como se fosse corriqueira é lamentável. A gente sabe, inclusive, que se exagerar na pena a tendência de a decisão ser reformada é maior, e ninguém gosta de ver sua decisão reformada.

Obviamente que não posso assegurar que isso nunca acontece, mas no caso da Eliana Tranchesi, por exemplo, a juíza, na lista interna da AJUFE, demonstrou clara preocupação em justificar para os colegas a sua decisão, tanto do tamanho da pena quanto da prisão preventiva. Não estou defendendo-a de forma corporativa. Aliás, sobre o caso do Estado de Minas, sintomaticamente, não escrevi uma palavra.

Quanto à cisão do Judiciário, há um enorme descontentamento na magistratura federal de 1º grau com Gilmar Mendes e o próprio STF. Prova disso é que a AJUFE recentemente soltou uma nota em que, para quem sabe ler, chamou Gilmar de leviano, irresponsável, desrespeitoso e veículo costumeiro de maledicências.

Vocês acham isso normal, pouco?

É lógico que os juízes, principalmente através da AJUFE, têm reivindicações e interesses próprios da carreira, como a criação de novas varas ou reajuste que não há desde 2007. Mas isso não se confunde, e muito menos invalida a disputa surda pela defesa de nossas prerrogativas de independência (que existem no interesse da democracia e estão sendo vilipendiadas nesse exata momento) e na nossa postura de fazer a lei ser aplicada com verdadeira igualdade.

A senhora Eliana Tranchesi foi presa não como bode expiatório. E sim porque cometeu crimes. E sua prisão teve publicidade não porque ela é mulher. Mas sim porque ela sempre foi uma figura midiática, fazendo disso inclusive um instrumento para a divulgação de seu negócio.

Que eu saiba, Daniel Dantas foi preso antes e houve enorme estardalhaço. Então, esse feminismo raso sinceramente não me pega.

Outra coisa, essa questão da Dilma e do Protógenes tem tudo para ser mentira. E com um propósito muito específico: estão tentando fazer com ela o que fizeram com Marta Suplicy, instilando na população um preconceito sexista, como se a vida amorosa dela tivesse alguma relação com sua condição de candidata a Presidente. É nesse contexto, para mim, que se insere mais essa baixeza da Veja. Aguardem, mais virá adiante nessa linha.

Paulo SPS em abril 2, 2009 9:45 AM


#53

"Qual é o indício, prova, evidência de que Protógenes tenha feito isso a não ser a palavra de uma revista completamente desmoralizada, cheia de relações com um banqueiro bandido já condenado pela justiça? Para colocar alguém em stand by com você, basta um caluniador consumado atirar uma calúnia sem provas?"


Sei não.....mas o Protógenes já se saiu com essa, em carta ao Obama:


"Infelizmente, não é apenas o judiciário que está no payroll do banqueiro-bandido Daniel Dantas. O próprio presidente da república, o Lula, acaba de colocar los amigos para assumir controle do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) com um decreto no dia 19 de fevereiro de 2009, visando obstruir processos relativos à soberania da nação – aliás, uma jogada não muito distante do Patriot Act do presidente G.W. Bush que custou aos EUA um atraso que o senhor pode mensurar melhor do que ninguém."

J Carlos em abril 2, 2009 3:44 PM


#54

Paulo,

A sociologia trabalha com a noção de categoria para lidar com situações ocupacionais. Isso envolve tanto a unidade social quanto a estrutura cognitiva do grupo. Daí que juízes podem e devem ser pensados como uma categoria. Posso estar enganada, mas acredito que a crença na autonomia faz parte da estrutura cognitiva dessa categoria. Geralmente os juízes evocam liberdade de pensamento e consciência e isso mostra que tais acepções são fundamentais na percepção que tem de si mesmos. E da função que ocupam. Não acho que os juízes estejam enganados quanto a isso. Mas tenho certeza que é papel da sociologia apontar esses elementos como parte de uma construção que acaba por fazer sentido dentro da lógica do campo jurídico. Campo este que não pode ser retalhado de acordo com a consciência dos juízes. E aí instala-se um paradoxo mesmo. Porque quando os juízes afirmam estar agindo de acordo com a sua consciência, estão, na verdade, agindo como categoria. E um nó se estabelece. Esse nó, eu não sei como desatar. Mas imagino que possa haver algumas transformações na categoria. O Idelber diz que a unidade social dos juízes está ameaçada (no "bom" sentido). Eu duvido. Mas se estiver, a partir de então, eu imagino, uma nova estrutura cognitiva posso estar se construindo.

Eu digo isso porque provavelmente o excesso de informalidade não tenha deixado meu comentário suficientemente claro. Só importa sabermos da consciência e do caráter da juíza que condenou Eliana Tranchesi se o interesse for biográfico. Caso contrário é uma atitude que está na estrutura e é dentro da estrutura que se dá a análise.

Daí eu continuo com Bourdieu, se comecei com ele, vou usá-lo até o final. Ele nos ensina que o campo jurídico se assemelha ao sistema mítico-ritual no sentido em que suas visões e ações consagram a ordem estabelecida. Uma vez consagrada a ordem, há uma percepção, na população, de que a verdade foi re/estabelecida. Já que a ordem sempre se perde (ou mesmo não existe) e é necessário simulá-la de vez em quando. O campo jurídico brasileiro (aí generalizando mesmo) não causa mais essa percepção. Assemelha-se mais a um ritual esvaziado de sentido para o cidadão comum. Claro que durante muito tempo (e ainda) esse cidadão é levado a acreditar que o sentido existe, mas lhe escapa. O problema não estando no Judiciário, mas na ignorância do próprio cidadão. Daí a grita geral contra o juridiquês, que você conhece melhor do que eu e tem melhores condições de analisar.

Então a CONDENAÇÃO da Tranchesi. Não falo da prisão. Porque esse expediente, dentro da minha interpretação, também perdeu o significado. A condenação da Tranchesi, nesse contexto específico de inúmeras investigações de corrupção, me parece ter um sentido simbólico amplo. Que envolve todo o campo jurídico. A pergunta por que Eliane Tranchesi foi condenada é a única possível. A pergunta por que Daniel Dantas não foi, é inútil. E a resposta, ela foi presa porque sonegou imposto e é contrabandista, não me parece boa. Antes, eu vejo mesmo que ela é um bode expiatório do campo jurídico. Que simula consagrar a ordem através dela. A suposta neutralidade dessa sentença me lembra demais que a ordem é masculina e por isso dispensaria qualquer justificação. E é Bourdieu quem nos fala mesmo sobre isso. Quanto mais masculino é o universo, menos sexualizado ele se parece. Salvando os dedos, a juíza entrega a Tranchesi e nos lembra que além da impunidade para aqueles que cometem crimes contra as mulheres, há o reestabelecimento da ordem para as mulheres que cometem crimes. Nesse caso, não da ordem institucional. Mas da ordem masculina. Não consigo olhar para esse caso sem pensar nessas coisas. E pode ser feminismo raso. Mas a juíza é mulher. E a condenada é mulher. Sacrifício duplo em nome da ordem masculina.

Se há um movimento da categoria, saiba que eu fico mais do satisfeita. Mas mesmo que haja, não muda, para mim, o fato de que há um forte componente sexista nessa condenação específica.

Desculpa a resposta tão longa. E por outras coisas também.

mary w em abril 2, 2009 3:51 PM


#55

Mary, brilhante, e eu tenho muito que dizer aqui, mas antes que nada há que se corrigir algo:

A pergunta por que Eliane Tranchesi foi condenada é a única possível. A pergunta por que Daniel Dantas não foi, é inútil.

Daniel Dantas foi condenado, sim. Exatamente como Eliane Tranchesi. Recebeu Habeas Corpus, claro. Exatamente como Eliane Tranchesi, aliás. Até agora não vi a diferença. Se é para introduzir a categoria de gênero, você teria que explicar por que a esmagadora maioria das prisões feitas pela PF são de homens -- inclusive, algumas delas, como a de Dantas, até com mais estardalhaço e repercussão que a de Tranchesi.

Idelber em abril 2, 2009 5:04 PM


#56

é mesmo. ele foi condenado a 10 anos. pensei mesmo q nao tivesse sido. pensei MESMO.

a esmagadora maioria das prisoes é de homens porque a maioria dos crimes é cometido por homens. mas claro. georgina e tranchesi lideram em anos e quantia a ser devolvida.

mary w em abril 2, 2009 5:43 PM


#57

Acho curioso que na hora de justificar a maioria das prisões de homens, recorramos ao fato (correto) de que a maioria dos crimes são cometidos por homens. Perfeito. Trabalhamos no nível do real. Mas na hora de falar da prisão de E.T., saímos do nível real (os crimes realmente cometidos por ela) para o terreno do simbólico (a história do bode expiatório). A análise passa do real para o simbólico e do simbólico para o real segundo a conveniência da tese?

Veja o exemplo: você se esqueceu que Dantas tinha sido condenado. Convinha à tese. Por que você se esqueceu que Dantas havia sido condenado e não se esqueceu que Tranchesi foi condenada? É só pelo fato de que uma é mais recente que o outro ou será um recurso àquele estrategema que sempre ensinamos aos alunos não fazerem, ignorar a contra-evidência para uma tese que não parece ter sustentação na realidade?

Você não precisa me convencer de que existe sexismo em todos os cantos do planeta. Mas nas prisões da Polícia Federal? Está faltando sustentação nos fatos, sinceramente.

Idelber em abril 2, 2009 5:58 PM


#58

eu deveria ter imaginado q era uma pegadinha essa pergunta. pq era muito facil.

talvez eu tenha me esquecido da condenaçao do Dantas pq 10 anos nao berram. 94 anos berram.

e nao tenho a chave do portal real/simbolico nao. nao vejo essa contradiçao q vc aponta. nesse caso especifico, as chaves da dominaçao masculina só sao percebidas pq o crime é masculino (no real e no simbólico, é inclusive nomeado como colarinho branco etc.).

mary w em abril 2, 2009 6:55 PM


#59

Mary, Georgina não lidera esse ranking de anos de prisão. Foi condenada a 4 anos, tendo fraudado o INSS em R$130 milhões. O ex-juiz Nicolau, a título de exemplo, foi condenado a 26 anos pela fraude de 196 milhões. E.T. (sacanagem, Idelber) não foi condenada sozinha a 94 anos. Seu irmão teve a mesma sentença. Os demais acusados, todos homens, pegaram 56, 25, 14 e 11 anos de prisão. A pena inicial, solicitada pelo MP em 2005, era de, no máximo, 21 anos. De lá pra cá, foi provado, no entendimento da juíza, a partir de novas acusações do MP, que a quadrilha manteve as práticas criminosas que, naturalmente, contabilizaram para a sentença final. Não consigo ver sexismo na decisão.

Sobre a quantia a ser devolvida, é simples: tem que devolver TUDO. O problema é achar essa dinheirama. Agora, responda: se sobrarem R$5 milhões escondidos numa conta insondável num paraíso fiscal qualquer, já não terá valido a pena para a fraudadora do INSS passar 4 anos na cadeia?

Cajueiro em abril 2, 2009 6:58 PM


#60

cajueiro. a georgina lidera quantia a ser devolvida.


fica parecendo que eu quero q a eliana tranchesi seja absolvida porque é mulher. eu nao quero isso. nao defendo isso. nao acredito nisso. só ficou exposta, pra mim, uma fragilidade. dentre tantas q existem etc.

mary w em abril 2, 2009 7:06 PM


#61


Mary W,

Obrigado pela explanação longa e interessante.

Agora, acho que sua análise começa a se afastar da realidade no exato momento em que você enxerga um sentido sexista na condenação específica de ET (sensacional achado do Idelber).

Então, o que fiquei chateado, e penso que você percebeu agora, é com um aparente menosprezo ao trabalho de centenas de pessoas sérias, honestas, que não fazem de seu trabalho um circo para o deleite da turba, nem para o sacrifício da figura feminina, mas que tentam apenas, dentro de suas limitações de toda ordem, fazer prevalecer o ideal de justiça.

De todo modo, um abraço e tenha certeza de que não estou mais chateado depois dessa sua resposta.

Paulo SPS em abril 2, 2009 8:45 PM


#62

Paulo, obrigado pelo agradecimento :)

Acredito, sinceramente, que o problema desta discussão é de foco. Basta buscarmos e acharemos falhas em todas as argumentações de lado a lado. Se quisermos, constataremos os erros da justiça, contradições da juíza, defeitos do sistema, incoerências da democracia. Podemos expandir essas discussões até o ponto em que debateremos o conflito entre as civilizações ou a extinção dos dinossauros. Para mim, no entanto, a questão crucial é: porque a Justiça - com todos os defeitos que possui - somente agora, quando condena poderosos (não apenas ricos) foi colocada na berlinda e os juízes que os condenaram são empurrados para as cordas? E, uma questão menor, mas não menos importante: se não podemos aplaudir a pessoa do juiz que, ao nossos olhos, cumpre seu dever para com a sociedade, porque devemos admitir que seja questionado em nível pessoal e tenha sua reputação posta em dúvida? Isso tudo, eclipsando-se os acusados que, "presto", são transformados em coelhinhos simpáticos e levados de volta aos bastidores?

Por mais críticas que eu tenha à Justiça, não me permito contribuir para essa cortina de fumaça que se cria com verdades que tem "o dom de iludir". Nesse caso, escolho um lado.

Um abraço.

Cajueiro em abril 2, 2009 8:58 PM


#63

'Quanto mais masculino é o universo, menos sexualizado ele se parece. Salvando os dedos, a juíza entrega a Tranchesi e nos lembra que além da impunidade para aqueles que cometem crimes contra as mulheres, há o reestabelecimento da ordem para as mulheres que cometem crimes'.
Primeiro, acho a ideia de que esse 'restabelecimento' é excludente, é equivocada.
O andarilho Laerte Patrocínio Orpinelli, somadas todas as penas, foi condenado a cem anos de prisão. Onze traficantes, todos homens, presos na operação 'Sapicuá' da polícia federal em Cáceres, foram condenados, também, a cem anos de prisão.
Me desculpe idelber , mas os dois casos citados não prescindem de links.
Mas seria bastante interessante que a Mary W apresentasse uma solução, juridicamente honesta e diferente, para o caso da E.T.
Por outro lado, por que as ideias de Bourdieu, enquanto homem, não se estabelece para ela como uma dominação de gênero?

fm em abril 3, 2009 3:51 AM


#64

Mary, só uma coisa: não era pegadinha, palavra de honra. No mais, obrigadíssimo: o comentário #54 é um primor. Concordo com você acerca do esvaziamento simbólico do ritual no caso do Poder Judiciário. A questão é que há um monte de gente lá lutando contra esse esvaziamento. Para mim, é muito importante apoiá-los. O que está em jogo é grande demais.

Idelber em abril 3, 2009 7:15 AM


#65

Cajueiro,

Como disse antes, você e o Idelber foram ao cerne da questão, penso que ficou claro a quem interessa esse discurso que iguala todo o Judiciário na responsabilidade por suas mazelas e aponta o dedo acusador para quem apenas está tentando fazer a sua parte de forma séria, correta.

Abraço.

Paulo SPS em abril 3, 2009 11:11 AM


#66

fm. pq nao acho q bourdieu é homem.

mary w em abril 3, 2009 3:56 PM


#67

Forza Ungaretti !

arlei em abril 14, 2009 12:49 PM