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segunda-feira, 27 de abril 2009
Como os leitores são tratados pelos semanários brasileiros
Duas comunicações recentes de leitores brasileiros com grandes semanários do país mostram como é grave a crise de credibilidade da imprensa. A primeira aconteceu com Paulo Morais, meu concunhado, que compartilhou com o blog uma inacreditável correspondência que manteve com o responsável pela coluna "Filtro", na Revista Época. A segunda aconteceu entre membros da comunidade científica brasileira e a Revista Veja.
No dia 21 de julho passado, a coluna Filtro, da Época, trouxe observações sobre a Seleção Brasileira de futebol sob o título “as análises e opiniões que interessam para entender o Brasil e o mundo”. Como as tais opiniões e análises eram todas estrangeiras, o Paulo escreveu o seguinte email:
Prezado editor,
Até tento, mas não consigo entender os critérios de filtragem de opinião da coluna "O Filtro", da seção Primeiro Plano. Esta semana (edição de 21 de julho) traz opiniões da New Yorker, The Economist, Newsweek e Time. É essa mesmo a opinião que interessa para nós brasileiros entendermos o Brasil? Faz sentido uma página de revista brasileira dizer que traz "as opiniões e análises que importam para entender o Brasil" e nos mostrar a opinião e as análises que os norte-americanos fazem de nós? O que leva uma revista das mais importantes da imprensa brasileira reproduzir fielmente o discurso estrangeiro, eleveando-a gratuitamente à condição de "opinião que interessa"?
O pior não é isso. A coluna desta semana traz a questão da seleção brasileira ocupada por jogadores que atuam no exterior. Precisa dessa notícia sair na Time para ela ser considerada uma "análise que interessa para entender o Brasil e o Mundo"? Desde pelo menos uns 10 anos a debandada de jogadores tem sido generalizada, mas só quando o assunto ganha destaque na mídia dos Estados Unidos, ela interessa para o Brasil. Será que é isso mesmo?
A Time diz que "O Brasil quer sua seleção de volta". E eu, mero brasileiro, digo: "Quero nossa imprensa de volta".
Sobre a seção "Mente Aberta", nem vou comentar. Já deixei de ler, pois já não há nada de brasileiro por ali.
Atenciosamente,
Paulo Morais
Luminárias (MG) – Brasil
No dia seguinte, o Paulo recebe por engano um email do editor da coluna, Juliano Machado, dirigido a outrem. A missiva dizia o seguinte:
André, tudo bem?
Recebi o e-mail abaixo sobre o Filtro. Quero responder ao leitor, mas não sei se devo abrir o jog sobre como escolhemos as notas da seção. O cara tem certa razão quando questiona a linha-fina de apresentação ("As opiniões e análises que importam para entender o Brasil e o mundo").
Abraço,
Juliano
Logo em seguida, o Paulo recebe outro email, de novo do editor da coluna, agora dando-se conta do que tinha feito e tentando consertar:
Caro Paulo,
Desculpe pelo estranho e-mail enviado anteriormente. Imagino que o senhor tenha estranhado a história do "abrir o jogo" sobre a forma como são escolhidas as notas do Filtro, mas quero desfazer qualquer eventual impressão de que exista algo "encomendado" para citar este ou aquele veículo. A grande questão do Filtro (e que talvez, de fato, não fique clara naquela frase de apresentação "as opiniões e análises que importam...") é mostrar o que os grandes veículos da mídia internacional estão falando sobre o Brasil. Ou seja, o que está sendo falado sobre o Brasil nos grandes centros mundiais, além de algumas análises da geopolítica internacional. Portanto, sempre vai haver referências aos veículos americanos e britânicos, certamente os que mais repercutem na política e economia globais.
De fato, nossa frase de apresentação da seção não está de acordo com o propósito do Filtro, e até o editor-executivo da revista está sugerindo que o texto seja reescrito. Dessa forma, o objetivo do Filtro ficaria mais claro. Portanto, é bem provável que, na próxima edição, isso já seja feito.
Obrigado pela sua pertinente observação.
Um abraço,
Juliano Machado
Paulo, evidentemente, nem havia pensado em nenhuma mutreta escondida que descobrir. Ele simplesmente fizera a observação de que não é muito apropriado ter um filtro de imprensa estrangeira com o subtítulo “as opiniões e análises que interessam para entender o Brasil”. O email enviado pelo jornalista para um colega seu sugere que há algo na escolha do material da coluna sobre o qual ele não poderia “abrir o jogo”. O que será? Terá o jornalista alguma explicação? Não seria legal que, agora que a trapalhada foi revelada publicamente, ele abra o jogo? Porque essa emenda aí ficou bem pior que o soneto.
***************************************************
O outro caso explícito de combinação entre arrogância e ignorância, tremendo despreparo e total descaso com o leitor aconteceu na matéria sobre genética publicada pela Revista Veja na semana retrasada. O Ricardo Vêncio, do Laboratório de Processamento de Informação Biológica da USP Ribeirão, escreveu o seguinte email para a revista:
Caros da Veja,
Apesar do texto da reportagem sobre Genética da última edição estar muito bom, incluindo até conceitos da emergente Biologia Sistêmica, a figura que mostra a sequência: "célula - DNA - gene" induz o leitor a erros conceituais graves:
1) A interação entre as duas fitas da hélice de DNA está ilustrada como algumas bolinhas em seqüencia, dando a impressão que são átomos, partículas ou coisa que o valha. Essas ligações são chamadas "pontes de hidrogênio" e, na verdade, são atrações entre átomos que estão nas duas fitas. Uma linha tracejada ou algo do tipo seria uma ilustração adequada enquanto que bolinhas induzindo o leitor a imaginar uma cordinha ou corrente ou algo assim, definitivamente não. Uma boa ilustração pode ser encontrada, por exemplo, aqui.
2) A figura induz o leitor a imaginar que os genes estão nas "pontes de hidrogênio", o que está completamente errado. Uma ilustração melhor pode ser encontrada, por exemplo, aqui.
Acho importante que uma errata seja publicada na próxima edição, uma vez que não são errinhos sem importância, mas sim falhas conceituais graves, principalmente se lembrarmos que esta edição foi publicada logo depois daquele sobre Vestibulares.
Obrigado.

O DNA da Veja
O email apontava dois erros na reportagem, sendo um deles bastante grave. Caramba, até eu sei que genes são feitos de pedaços de DNA e não de pontes de hidrogênio! Resposta da Revista Veja? Caiam de costas:
Prezado Ricardo Z. N. Vêncio,
Agradecemos as observações sobre a reportagem "Um gene, várias doenças" (22 de abril de 2009 - página 98). Consultamos os jornalistas responsáveis pela reportagem. Eles nos forneceram os seguintes esclarecimentos: "Por não ser uma revista científica, VEJA pode sim representar os genes como bolinhas. Cometeríamos erro se tivéssemos trocado os genes pelo DNA ou coisas do gênero. As imagens publicadas foram obtidas em bancos de imagens e estão identificadas da mesma forma como aparecem em VEJA."
Atenciosamente,
Redação/Revista VEJA (www.veja.com.br) .
Vejam a petulância da resposta. Tudo ali tem a cara da revista: a exibição de ignorância, a justificativa furada para o erro mais crasso, o tom desqualificador a uma correção polida que havia chegado de um especialista, a inacreditável afirmativa de que como “não é uma revista científica”, Veja pode traficar informação equivocada, a incapacidade até mesmo de reconhecer qual era a crítica, que evidentemente não era às bolinhas em si.
Para completar o vexame, um leitor descobriu um parágrafo inteiro plagiado do Wall Street Journal na mesma reportagem. Avisada por ele da fonte do texto, a reportagem respondeu de novo com arrogância e mentiu, referindo a informação a um pesquisador da Pensilvânia. O leitor contactou o pesquisador americano e desmascarou a farsa. Como se vê, não são só grampos que a Veja inventa.
Esse descaso e prepotência semianalfabeta sempre foram marcas registradas da grande imprensa brasileira. A diferença é que agora isso vem às claras com cada vez mais frequência, para um público cada vez mais amplo. Acelerar a decadência, a putrefação, a inevitável morte desse lixo é tarefa ineludível. Se você ainda tem algum amigo ou parente que assina, mãos à obra.
Escrito por Idelber às 06:23 | link para este post
| Comentários (72)
#1
Eu havia comentado com minha filha esse "erro crasso" de colocar a representação dos genes entre as fitas de DNA e não como um fragmento do mesmo.
Quanto à campanha: minha assinatura venceu e não foi renovada. Menos um.
Roberson em abril 27, 2009 8:56 AM
#2
Tipicos casos de jornalismo sem o menor comprometimento com a sociedade.
viviane magalhães em abril 27, 2009 9:37 AM
#3
Nossa. Achei os dois casos gravíssimos, tô chocada! (E, por outro lado, fico feliz e orgulhosa pelo trabalho que os blogs andam fazendo - com este seu sempre em destaque.) Bjo.
Juliana Sampaio em abril 27, 2009 10:08 AM
#4
Hoje é um dia bom pra falar de futebol em BH !!!!!
Marcelo em abril 27, 2009 10:27 AM
#5
Como estudante de Comunicação Social, achei bem legal o post. Porém, acredito que seria interessante reproduzir as imagens dos e-mail's (print-screen) para que não fiquem parecendo os grampos sem áudio do Gilmar Mendes.
Gabriel em abril 27, 2009 10:48 AM
#6
Idelber, segunda-feira inspiradíssima, essa, não? Não sei você, mas me sinto cada vez mais numa trincheira.
abs
Leandro Fortes em abril 27, 2009 10:56 AM
#7
Caro Idelber,
Pior é que os moribundos ficam nos assediando kkkkk
relatei aqui, há algum tempo, que a veja passou a me mandar revistas gratuitamente só porque eu sou assinante da piaui.
Bom, como eu não me rendi - mesmo diante de tão 'maravilhoso brinde' (seis semanas de veja inteiramente gratis) agora eles me mandaram outro e-mail, com o título:
"Tudo sobre tecnologia com a credibilidade de VEJA para você."
você pode então imaginar o tanto que gargalhei ao ler seu post de hoje...os caras ainda se vendem como se fossem sinônimo de "credibilidade" kkkkkkk
o resto do e-mail é hilário também...em respeito a você e seus leitores não vou reproduzir tudo, mas diz basicamente que eu posso acessar "livremente" todo o conteúdo cientifico de veja kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk isso é que é contradição em termos, como se vê kkkkkkkkkkkkkkkkk
aiaiai em abril 27, 2009 11:49 AM
#8
cara, a revista ser direitista e tal, beleza, cada um tem sua posicao politica... o q impressiona é a total incapacidade de aceitar criticas ponderadas, respeitosas, bem escritas e bem fundamentadas
alex castro em abril 27, 2009 12:21 PM
#9
alias, eu sempre gostei de escrever, sempre quis escrever pra viver, todo mundo sempre dizia pra eu fazer jornalismo.... e fiz historia, entre outras coisas, por causa de coisas como essa... acho que se vc é um jovem idealista que gosta de escrever, o pior lugar para se estar é na redacao de algum jornal ou revista....
alex castro em abril 27, 2009 12:23 PM
#10
Eu sempre insisto nisso, o que mais me incomoda é o trabalho porco das redações. Vejo como as áreas com que eu tenho mais intimidade são mal reportadas nos grandes veículos de comunicação. Não tem apuração e, pelo jeito, a menor vergonha para praticar o gilete press. Na minha opinião, é isso que permite a ideologização vagabunda das revistas semanais.
Tiago Mesquita em abril 27, 2009 12:30 PM
#11
Isso aí seria um escândalo em qualquer ambiente normal. Aqui no Brasil, provavelmente vai ser dimnuído pela imprensa corporativista e preguiçosa.
Lauro Mesquita em abril 27, 2009 12:42 PM
#12
Belo "post", Idelber!
Raphael Neves em abril 27, 2009 12:55 PM
#13
Interessante o e-mail do pesquisador Mark D. Shriver ao leitor Walrus, que supostamente desmascarou a Veja. Começa assim:
Oi Edgar,
Depois tem a explicação em inglês, e depois termina assim:
Um abraço, Mark
Estranho o pesquisador ter começado e terminado o e-mail com palavras em português, não?
Twilight em abril 27, 2009 1:32 PM
#14
Eu não leio mais a Veja nem em sala de espera de médico (cruzes, muito menos) ou salão de beleza. Acho a postura arrogante e ignorante da resposta ainda pior que o erro na reportagem, que já é crasso o suficiente.
Ana Paula Medeiros em abril 27, 2009 1:45 PM
#15
Aff não sei qual deserviço aos leitores é maior, inventar grampo de juiz, ou se dizer uma revista de informação, que se diz no direito de passar a informação que ela quer?
João Vicente em abril 27, 2009 2:12 PM
#16
Mas a Veja precisava se dar tanto trabalho? Bastaria responder assim:
"Desde que as vendas não sejam afetadas pouco importa."
E trincheira nada, Leandro Fortes. Como bem disse o Idelber, hoje há muito mais condições de se confrontar as informações, portanto, pode ir para a frente sem medo que quem tem que ir para a trincheira são eles.
Cláudia em abril 27, 2009 2:13 PM
#17
Lá vai outra, menos grave, mas também sinal de ignorância: no Estadão de sábado saiu a tradução de uma matéria do Washington Post sobre brinquedos controláveis por ondas cerebrais, cujo lançamento estaria previsto ainda para este ano; algo que está sendo visto como mais uma realização espetacular da ciência. Bem, lá no meio da matéria, fiquei sabendo que a base para fabricação de tais brinquedos são as pesquisas da equipe de Miguel Nicolelis na Universidade de Duke; não sou nacionalista, mas custava alguém notar e "lembrar" que se trata de um cientista brasileiro?
Abraço,
Carlos Magno
Carlos Magno em abril 27, 2009 2:23 PM
#18
Ontem entendi pq não se fala mais sobre ludopédio por aqui.
Acabou o ludus e sobraram varios pédios foradaforma.
abraços de condolências.
googala em abril 27, 2009 2:27 PM
#19
Como sou da área, acho que vale a pena comentar algumas barbaridades no e-mail-resposta cometido pela redação de veja:
Por não ser uma revista científica, VEJA pode sim representar os genes como bolinhas.
Não, não pode. E não pode porque a informação está errada. Representar os genes como bolinhas significa informar errado. Vai na mesma linha da tia do primário que, pra simplificar pros molequinhos, ensinava que a fotossíntese é quando a planta respira ao contrário...
Cometeríamos erro se tivéssemos trocado os genes pelo DNA ou coisas do gênero.
Pra começar: que coisas do gênero? E como assim "trocado os genes pelo DNA? Esse idiotas não sabem sequer que os genes são feitos de DNA? Como permitem que pessoas nesse nível de incompetência escrevam um artigo científico?
As imagens publicadas foram obtidas em bancos de imagens e estão identificadas da mesma forma como aparecem em VEJA.
Ridículo! A maioria desses bancos de imagens são leigos e trazem uma séria de ilustrações mal feitas e com equívocos.
Parabéns pelo post, Idelber.
Darwinista em abril 27, 2009 2:33 PM
#20
"Estranho o pesquisador ter começado e terminado o e-mail com palavras em português, não?"
Não, não é nada estranho. Estou cansada de trocar e-mails com acadêmicos americanos com algumas palavrinhas em português-brasileiro, é gentileza.
Vera Pereira em abril 27, 2009 2:41 PM
#21
"Estou cansada de trocar e-mails com acadêmicos americanos com algumas palavrinhas em português-brasileiro, é gentileza. "
Mesmo quando o e-mail é para um total estranho?
Twilight em abril 27, 2009 3:07 PM
#22
Bom, eu tive um papo com a Veja quando dos 250 anos do nascimento de Mozart, em 2006:
1. Veja publicou numa enorme reportagem que Mozart tinha escrito 46 sinfonias.
2. Eu respondi que a numeração das Sinfonias de Mozart ia até 41, mas que eram 40 sinfonias, pois a 37 fora um erro de Köchel. Descobriu-se depois que era de Michael Haydn (irmão de Franz Joseph Haydn). Não há Sinfonia Nº 37 de Mozart.
Mas nunca deveria ter-lhes escrito porque na semana seguinte...
3. Veja, com ares de superioridade, publicou uma resposta NA REVISTA dizendo que o leitor Milton Ribeiro tinha feito uma correção, porém que ele também estava enganado, enganadíssimo. Eram 51 Sinfonias.
Bom, um monte de gente me ligou rindo... da Veja. Então, um amigo interpretou corretamente o novo erro da revista: eles tinham somado às 40 Sinfonias as 11 Sinfonias Concertantes... Só um idiota diria que as Sinfonias Concertantes eram Sinfonias!
4. Escrevi novamente para Veja e desta vez a resposta veio por e-mail. Em palavras apenas MEDIANAMENTE EDUCADAS, sugeriam que eu deveria parar com aquela bobagem.
OK, tal contagem correta das Sinfonias de Mozart não mudará o mundo, até porque este sabe que são 40, mas que qualidade de informação!
Abraço, Idelber!
Milton Ribeiro em abril 27, 2009 3:08 PM
#23
(((Googala, é só o Idelber chamar o povo para bater um dnazinho, oras))))
Márcia W. em abril 27, 2009 3:12 PM
#24
Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data. (Luis Fernando Veríssimo)
Né não ?
Victor Guerreiro em abril 27, 2009 3:18 PM
#25
Cuidado Victor, na revista Veja nem a data é correta.
Orlando Varêda
Orlando Varêda em abril 27, 2009 3:39 PM
#26
Ah, tá. Quer dizer que a culpa é do "banco de imagens"
panoptico em abril 27, 2009 4:09 PM
#27
O mais inacreditável é que os caras dizem "tiramos de um banco de dados", não citam qual é, e acham que isso resolve! É igual o menino que diz: professora, vi na internet!
Idelber em abril 27, 2009 4:13 PM
#28
Como já cantava Raul Seixas em "Cowboy Fora-da-Lei": Eu não preciso ler jornais/mentir sozinho eu sou capaz/não quero ir de encontro ao azar". A combinação entre parcialidade, incompetência e arrogância só pode gerar o que nós temos - pobres de nós - hoje, no Brasil: uma imprensa de péssima qualidade e que ainda se arvora como uma espécie de quarto poder (um poder moderador sem moderação?!) da nação.
Abraços e parabéns pelo post
Argonauta em abril 27, 2009 4:35 PM
#29
Hahaha! É verdade, Orlando, nem a data da revista aquela é a correta. :P
E a capa desta semana, vocês viram? Além do mau gosto de estampar uma urna eletrônica dentro de uma descarga, a chamada da capa é de um lugar-comum a toda prova.
Mas eu vim aqui pra falar de outra coisa: o seu Google Reader é público? Tem como divulgar o link? Tô meio viciada naquilo, hahaha
Ah, e pelo que entendi desta vez há planos de vir ao Rio, né? Vamos combinar nosso chopinho. :-)
Bjs
Monix em abril 27, 2009 4:39 PM
#30
A revista que criou o Boimate, uma espécie de tomate cruzado com proteína animal que teria as propriedades nutritivas do vegetal e do animal (hahahahaha) pode publicar o que quiser. Quem a lê já sabe que ali a verdade é apenas um detalhe ocasional.
graciliano em abril 27, 2009 5:15 PM
#31
Não acho que isto seja problema exclusivo da veja. Nos tempos da internet à pedra, quando não havia blogs e nem caixas de comentários, dei-me ao trabalho de escrever duas vezes (via email) para colunistas do nominimo apontando alguns erros e contradições em artigos publicados.
Depois de uma gentileza aqui e ali, a resposta foi a mesma: "sabe como é, a gente faz este artigo assim meio às pressas e não dá tempo de checar tudo e etc."
Eu concordo com o SLeo quando ele diz que imprensa é necessária e cumpre papéis que blogs da internet não têm condição de cumprir, mas de vez em quando os jornalistas dão uns tiros no pé.
Radical Livre em abril 27, 2009 5:31 PM
#32
A crise da mídia parece se agravar cada vez mais. Será que todos sederam conta da gravidade do uso da "ficha inventada" da Dilma, na FSP? Não é algo passível de ser redimido num "Erramos", pois erro implica desconhecimento e boa intenção. Não é, evidentemente, esse o caso 1uando se utiliza um spam de grupos de direita. Aí houve má-fé. É caso de Procom.
Mauricio Caleiro em abril 27, 2009 5:34 PM
#33
Off-topic, Idelber: legal ver você no Pandorama.
E o assunto deste post já deu origem a um debate lá.
Luiz em abril 27, 2009 5:40 PM
#34
Sim, Monix, está marcado nosso chopinho na Maravilhosa Inigualável entre 10 e 15 de junho. Estarei nas imediações da PUC.
Sim, meu Google Reader é público. A estas alturas sobraram poucas coisas na minha vida que não são públicas, hohoho.
Legal, Luiz, o próximo post são as boas vindas ao Pandorama :-)
Agora, na boa, será que ninguém ficou matutando sobre esse caso da Época? Não seria legal mandar mais um email fuçando a matéria?
Idelber em abril 27, 2009 5:43 PM
#35
Essas da Veja e da Época deveriam entrar para os cases antológicos nas escolas de jornalismo... vou tentar contribuir para isso enviando o link desse post a todos os professores de jornalismo que conheço.
Sobre o futebol em BH, há um quê de déjà vu... mas não vamos "Tripodiar" :)
Leo Vidigal em abril 27, 2009 5:56 PM
#36
Ah, detalhe! Depois dessa correspondência com o Paulo, o subtítulo da coluna da Época foi mudado.
Sem créditos ao leitor, evidentemente.
Idelber em abril 27, 2009 6:00 PM
#37
Ai, Idelber, esse seu post (é assim que se chama mesmo?)foi citado há pouco pelo Azenha.
Vai longe.
Jair Fonseca em abril 27, 2009 6:27 PM
#38
Ai, não, que o assunto não é o nosso galo forte vingador.
É "Aí, Idelber".
Jair Fonseca em abril 27, 2009 6:29 PM
#39
Oi, Idelber. Sou jornalista aqui em Minas. Às vezes vem aquele pensamento, meio nostálgico, meio romântico, lamentando a possível morte dos jornais impressos. Seu post, porém, é mais um a mostrar que, mais importante do que lamúrias, talvez seja o momento de nos perguntar sobre o que os tais jornais (e eu trabalho num deles) estão fazendo para não morrer ou, ao menos, para prorrogar o momento final. Infelizmente, a resposta a essa pergunta não é muito boa. Mas não é boa para quem? Jornais impressos agonizam cada vez mais. E o jornalismo? Para mim, há tempos não se via em situação tão interessante, graças sobretudo a blogs como o seu. Infelizmente - ou felizmente, sei lá -, a continuar as práticas como as descritas no post, poucos chorarão no enterro da imprensa escrita. É por isso que não compreendo o discurso - e a prática - de vários coleguinhas meus, quase desesperados na tentativa de salvar os jornalões de um epílogo que, no fim das contas, eles mesmos (os jornais) estão antecipando. Depois da internet, a "salvação" dos jornais talvez só viesse com mais pluralismo, credibilidade, isenção... Talvez, pois acho que nem assim. Ao menos, contudo, o momento inevitável seria prorrogado. Não é que vemos, como vc sabe bem.
PS 1: sorry pelo tamanho do comentário...
PS 2: sorry pela brincadeirinha, mas é inevitável: seu blog dá de 5 a 0 na média por aí. Cinco a zero, viu Idelber? Rs rs rs. Abs
Heberth Xavier em abril 27, 2009 6:47 PM
May em abril 27, 2009 8:20 PM
#41
Idelber,
Diante de um "Desculpe pelo estranho e-mail enviado anteriormente", eu até diria que seria cômico se não fosse trágico, mas, infeliz ou felizmente, é cômico mesmo. Enfim, o negócio virou pastelão, só resta rir.
Hugo Albuquerque em abril 27, 2009 8:35 PM
#42
Idelber, voltei. Agora à noite, com a família reunida (e eu tenho dois filhos no Ensino Médio, um deles vai prestar vestibular esse ano), lembrei do post e resolvi chamar a turma pra dar uma olhada. Além de gargalhadas e caras estupefatas, surgiram os seguintes comentários:
1 - sobre o equívoco do título da seçcão na Época: "mas se eles queriam dizer isso (referindo-se à explicação dada pelo editor), por que não disseram"?
2 - sobre a reportagem da Veja e a resposta da revista: "se não é revista científica, não escreva artigos científicos, oras"; "se a dúvida é sobre conteúdo científico, não tem que consultar jornalista, tem que consultar um especialista no assunto"; "banco de imagens? Hahahaha, os caras googlaram o negócio e puseram a primeira m. que apareceu, sem conferir nada!".
Isso são comentários, na lata, de dois meninos de 14 e 16 anos. Sobre o erro em si, de chamar as pontes de hidrogênio de genes, eles só assoviaram e disseram: "cruzes!".
Agora, off-topic, posso me convidar pra esse choppinho carioca?
Ana Paula Medeiros em abril 27, 2009 10:36 PM
#43
Duro é ter filhos estudando em colégios públicos
no grande estadão(S.P) e saber que a Secretaria de educação,adora ter publicações Abril como fonte de estudo,sem falar nas tais cartilhas.
Moniquinha em abril 27, 2009 11:10 PM
#44
Em várias escolas públicas do Brasil, professora(e)s e a garotada tem como material de pesquisa essa porcaria em suas minguadas bibliotecas.
E acho que baixou o Mussum em quem fez a a tal confusão entre hidrogênio e genes: deu hidrogenes!
Jair Fonseca em abril 27, 2009 11:22 PM
#45
De uma revista que é dirigida pelo mesmo jornalista que perpetrou a "barriga" do boimate, em 1983, não se poderia esperar outra coisa.
Luiz Alberto Pandini em abril 27, 2009 11:30 PM
#46
Primeiro o Lula depois o Idelber, resolveram seguir o conselho do Raul:"Eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz". Acho que farão uma "Legião Urbana"...
Mano Liso em abril 27, 2009 11:35 PM
#47
A Folha também me respondeu de forma meio seca quando apontei que meltdown era tradução para colapso, não para derretimento. Derretimento de mercados é uma tradução estúpida.
Andre Kenji em abril 27, 2009 11:40 PM
#48
Assinei a Veja por muito tempo. Faz 10 anos que não leio uma página sequer. A história mostra que a Revista perdeu a credibilidade.
rodrigo em abril 27, 2009 11:41 PM
Leo Vidigal em abril 27, 2009 11:49 PM
Leo Vidigal em abril 28, 2009 12:15 AM
#51
Ao companheiro Gabriel, que pediu o print-screen dos e-mails... Posso até providenciar, se acharem que é mesmo necessário. E tenho também a página escaneada das revistas de 21 e 28 de julho de 2008, quando a revista alterou o subtítulo da coluna O Filtro, por causa do e-mail.
Em tempo, não conhecia a história do boimate! Até então a barrigada mais famosa que conhecia era a do Estado de Minas com o corpo do Ulisses Guimarães. Mas essa superou de longe!
Aquele abraço a todos.
Paulo Morais em abril 28, 2009 12:36 AM
#52
Ana Paula, você está intimada a aparecer no chopinho carioca, é claro :-) Obrigado por trazer a família para ler. É um gesto muito bacana, obrigado.
Idelber em abril 28, 2009 12:59 AM
#53
Mas Paulo, meu velho, em que país você andava que ainda não conhecia o boimate? Já é um ser tão arraigado na psique nacional como o boitatá ou o curupira :-) Abração, beijo na Andressa e obrigado por compartilhar os emails.
Leo, superlinks para um importante tema, gracias :-)
Idelber em abril 28, 2009 1:02 AM
#54
Heberth, você foi na mosca: não há o que chorar. Uma boa parte da categoria hoje definida como "jornalistas" vão sobreviver -- de outras formas, em outros meios, fazendo jornalismo em outras condições.
Jair, sim o Azenha tem destacado alguns textos daqui, pelo que sou muito grato. Vamos marcar a cerveja belzontina para logo, em meados de maio. Abração.
Idelber em abril 28, 2009 1:07 AM
#55
Mandei um e-mail para a redação de Veja com o conteúdo desse post. Acuso recebimento de expedita resposta, assinada pelo editor de Esportes. Reproduzo a seguir:
"O genoma de um atleticano quando exposto a uma realidade cruzeirense pode mudar ao longo da vida. Veja apurou junto a três especialistas da Tulane University depoimentos cabeludos sobre a conduta de Idelber Avelar. Eles sugerem que o autor do post seja portador de um tipo de DNA que se aterroriza nos domingos azuis. Milhares de galos belorizontinos apresentaram os mesmos sintomas nesta segunda-feira, 27. Pelo menos cinco foram vítimas fatais. Embora ainda seja cedo para comprovar cientificamente a relação dessas evidências, está correta a publicação, não só pela revista não ter caráter científico, mas também porque os especialistas sustentam ser igualmente impossível confirmar que a alegada hipótese é falsa. C.q.d".
Fábio Carvalho em abril 28, 2009 1:29 AM
#56
Valeu, Argonauta e Mauricio, acabei de assinar os respectivos feeds :-)
Idelber em abril 28, 2009 1:44 AM
#57
Essa resposta da Veja é uma das coisas mais bizarras que eu já vi. Seria a mesma coisa de uma revista especializada em, sei lá, reumatologia publicar um texto sobre política dizendo "Roberto Campos, o grande marxista...", e quando um cientista político, ou alguém com mais de 3 neurônios, apontasse o erro, o reponsável respondesse: "Eu peguei essa informação num site aí.Acho que ela está certa,mas mesmo que não esteja, é melhor dizer que ele é marxista do que um poeta romântico ou coisa do gênero. Esse detalhe pouco importa. Afinal, essa revista é especializada em reumatologia, ora bolas!"
Bruno Pinheiro em abril 28, 2009 3:07 AM
#58
Só posso dizer que o post é espetacular. Exemplos são sempre contundentes, embora, no caso da Veja, não sejam necessarios mais exemplos de nada.
EP em abril 28, 2009 3:23 AM
#59
Caro Idelber
Os casos aqui apresentados falam por si mesmos. Mas, nada disso me causa espanto. Em nosso país é notória a falta de educação e cultura!
Se tivéssemos mais educação os autores das matérias seriam mais cuidadosos na confecção e, posteriormente, na resposta aos leitores. Há entre alguns de nós (brasileiros com um pouquinho de conhecimento) uma certa arrogância. E é bom ressaltar que tratar mal o leitor (que compra o exemplar da revista), não é atitude das mais inteligente.
A questão de nos vermos através da lente dos estrangeiros é uma questão típica de países americanos. O continente mais jovem quer o carimbo dos mais antigos. Este mesmo movimento leva a uma hierarquia entre os nossos países americanos em que a república do Norte é o grande irmão.
Eu lembraria um momento recente em que nós aqui no Brasil jogamos confetes sobre nós mesmos, baseados na opinião externa. Foi quando se anunciou: "Brasil conquista grau de investimento"! Aquele questionável momento foi intensamente comemorado urbi et orbi. A opinião monolítica e ufanista, como só em nosso país ela se apresenta, não deixava espaço para nenhuma argumentação paralela (quanto mais contrária).
Fizemos, como é o nosso feitio, um carnaval em torno de um episódio que na verdade era uma bolha. Mas quem naquele período em que a propaganda e a imprensa (a Mídia) poderia levantar uma só ressalva ao "título" alcançado? No seu círculo de amizade ou no botequim da esquina quem ousasse questionar a S&P seria solapado.
Mas aquelas boas semanas de regozijo em que o Mundo nos reconhecia pelo "investment grade" acabaram. E naquela época vivemos um momento em que pareceu aos brasileiros que ouvir a opinião externa (aí incluída a Mídia global) era bom! Saudações.
Paulo Z em abril 28, 2009 9:05 AM
#60
Cara, a Veja é muito ruim. Crise de credibilidade? Só se for pra elite. Nego está lá preocupado em gerar conteúdo relevante pra um país analfabeto funcional? Pro povão serve qualquer coisa. Por falta de termo apropriado: a Veja me dá nojo.
Laercio em abril 28, 2009 3:46 PM
#61
Olha, eu comentei lá no Carlos Hotta sobre a história do "banco de imagens" - citei até um caso que aconteceu comigo. Sei q tem muito erro em banco de imagens, mas tenho quase 100% de certeza de que o erro foi um "jump" de alguém dentro da Veja, na redação. Pelo q o Carlos mostrou, a imagem original era da Mayana Zatz, q é das maiores especialistas em genética no Brasil, não cometeria tal erro.
O q só comprova o despreparo absurdo com q o tema foi lidado dentro do prédio da Abril.
Lucia Malla em abril 28, 2009 5:04 PM
#62
legal isso de denunciar a veja. Aos 15 anos 993)percebi como era uma revista de manipulação absurda. foi numa reportagwem sobre monopolio da petrobras. o maniqueismo era tao gritante.
obs: na epoca eu era tucano porcausda do meu pai
Bruno em abril 28, 2009 5:50 PM
#63
Pessoal,
Lá no Terra Magazine tem uma matéria sobre a gripe suína que afirma que o vírus passa do animal para o ser humano. Tudo o que tenho lido diz o contrário. É erro de apuração ou nova informação?
Disseminar essa informação vai ajudar ainda mais a aprofundar a crise que o setor de carne suína vai passar.
Escrevi para o canal de contato deles, vamos ver o que eles me respondem.
Mariana em abril 28, 2009 7:17 PM
#64
boa noite
ainda sobre a imprensa e Daniel Dantas
parece que o Danile Dantas abancou a viagem de repórteres até sua fazenda ocupada pelos sem-terra, deu casa e comida para a produção de reportagens desfavoráveis à ocupação
as reportagens sairam, na Globo, nos jornais do Pará
só que em depoimento na polícia, um repo´rter do Liberal, grupo ligado à globo, desmente tudo e afirma que os repórteres forma "bancados" pelo "banqueiro"
imprensa livre é isso aí
o link é : hiroshibogea.blogspot.com ;
ver "o depoimento de Edinaldo"
a repercussão ainda é pequena, vamos aguardar desdobramentos e confirmações...
abçs
rabbit em abril 28, 2009 7:30 PM
#65
Ah
e o delegado Ricardo Saad confirmou a investigação do Protógenes e indiciou todo mundo do Opportunity
foi destaque na imprensa?
abçs
rabbit em abril 28, 2009 7:32 PM
#66
Não conheço muito sobre a imprensa brasileira ainda para fazer análises muito profundas. Mas acho que a Veja tem milhares de defeitos assim como outras revistas também os têm. Julgar como "lixo" uma revista inteira, uma equipe inteira, como algo ruim não acho legal, uma vez que um meio de comunicação "ruim" ou "bom" é relativo por opiniões.
Maria em abril 29, 2009 7:05 PM
#67
Sugestão de manchete:
Plágio, erros e arrogância no DNA de Veja
Que o conteúdo da revisa tem tanto vínculo com a verdade/realidade quanto as histórias de Lewis Carroll e Julio Verne, muitos já sabem há bastante tempo. Dessa vez, foram além da prática usual de botar chifre em cabeça de Stedile ou inventar grampos para defender Daniel Dantas.
É sempre bom conhecer e ver desmascaradas novas pilantragens da mais vendida do Brasil.
Rafael Fortes em abril 29, 2009 9:18 PM
#68
Idelber, sei que virou um uso comum a palavra semianalfabeto, mas você poderia usar mais corretamente semiafalbetizado. Vejamos o que diz o Aurélio, que, reconheço, não é totalmenhte confiável, no verbete analfaneto:[Do gr. analphábetos, 'aquele que não conhece nem o alfa nem o beta', pelo lat. analphabetu.]
Adj.
1. Que não conhece o alfabeto.
2. Que não sabe ler e escrever
Logicamente, se aprendeu o alfa e o beta, ao menos, ele é semiafalbetizado.
Wellington Nascimento em abril 30, 2009 2:58 PM
#69
Grande idelber, mais um gol de placa!
Daniel Brazil em abril 30, 2009 11:13 PM
#70
Wellington, sugestão lida e anotada. Alfabetização capenga, atrofiada e titubeante também poderia ser, né?
Brincadeiras à parte, seu comentário faz total sentido. É incrível como certos vocábulos se naturalizam. Esse foi um deles. Abraços.
Idelber em maio 1, 2009 4:37 AM
#71
Legal o comentário do semianalfabeto e semialfabetizado. Parece até a história do copo meio cheio ou meio vazio. Realmente são vocábulos que se naturalizam. Um abraço a todos.
Paulo Morais em maio 1, 2009 7:26 AM
#72
A respeito da Veja, só uma coisa me surpreende: a quantidade de pessoas que a assina. Imcompreensível tanta gente com acesso à informação gastar seu dinheirinho nesse lixo.
Paulo Werneck em julho 15, 2009 10:11 PM
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