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segunda-feira, 06 de abril 2009

Folha inicia campanha difamatória contra Dilma

A carta abaixo, escrita pelo jornalista Antonio Roberto Espinosa, professor de Política Internacional e doutorando em Ciência Política na USP, fala eloquentemente por si só. Ela já foi reproduzida por RS Urgente, Marjorie Rodrigues, Luis Nassif e Cloaca News.

Prezados senhores, chocado com a matéria publicada na edição de hoje (domingo, 5), páginas A8 a A10 deste jornal, a partir da chamada de capa “Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Neto”, e da repercussão da mesma nos blogs de vários de seus articulistas e no jornal Agora, do mesmo grupo, solicito a publicação desta carta na íntegra, sem edições ou cortes, na edição de amanhã, segunda-feira, 6 de abril, no “Painel do Leitor” (ou em espaço equivalente e com chamada de capa), para o restabelecimento da verdade, e sem prejuízo de outras medidas que vier a tomar. Esclareço preliminarmente que:

1) Não conheço pessoalmente a repórter Fernanda Odilla, pois fui entrevistado por ela somente por telefone. A propósito, estranho que um jornal do porte da Folha publique matérias dessa relevância com base somente em “investigações” telefônicas;

2) Nossa primeira conversa durou cerca de 3 horas e espero que tenha sido gravada. Desafio o jornal a publicar a entrevista na íntegra, para que o leitor a compare com o conteúdo da matéria editada. Esclareço que concedi a entrevista porque defendo a transparência e a clareza histórica, inclusive com a abertura dos arquivos da ditadura. Já concedi dezenas de entrevistas semelhantes a historiadores, jornalistas, estudantes e simples curiosos, e estou sempre disponível a todos os interessados;

3) Quem informou à Folha que o Superior Tribunal Militar (STM) guarda um precioso arquivo dos tempos da ditadura fui eu. A repórter, porém, não conseguiu acessar o arquivo, recorrendo novamente a mim, para que lhe fornecesse autorização pessoal por escrito, para investigar fatos relativos à minha participação na luta armada, não da ministra Dilma Rousseff. Posteriormente, por e-mail, fui novamente procurado pela repórter, que me enviou o croquis do trajeto para o sítio Gramadão, em Jundiaí, supostamente apreendido no aparelho em que eu residia, no bairro do Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro. Ela indagou se eu reconhecia o desenho como parte do levantamento para o seqüestro do então ministro da Fazenda Delfim Neto.

Na oportunidade disse-lhe que era a primeira vez que via o croquis e, como jornalista que também sou, lhe sugeri que mostrasse o desenho ao próprio Delfim (co-signatário do Ato Institucional número 5, principal quadro civil do governo ditatorial e cúmplice das ilegalidades, assassinatos e torturas).Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um não-fato de 40 anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim) num factóide do presente (iniciando uma forma sórdida de anticampanha contra a Ministra). A direção do jornal (ou a sua repórter, pouco importa) tomou como provas conclusivas somente o suposto croquis e a distorção grosseria de uma longa entrevista que concedi sobre a história da VAR-Palmares. Ou seja, praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profissão que também exerço há mais de 35 anos, entre os quais por dois meses na Última Hora, sob a direção de Samuel Wayner (demitido que fui pela intolerância do falecido Octávio Frias a pessoas com um passado político de lutas democráticas). A respeito da natureza tendenciosa da edição da referida matéria faço questão de esclarecer:

1) A VAR-Palmares não era o “grupo da Dilma”, mas uma organização política de resistência à infame ditadura que se alastrava sobre nosso país, que só era branda para os que se beneficiavam dela. Em virtude de sua defesa da democracia, da igualdade social e do socialismo, teve dezenas de seus militantes covardemente assassinados nos porões do regime, como Chael Charles Shreier, Yara Iavelberg, Carlos Roberto Zanirato, João Domingues da Silva, Fernando Ruivo e Carlos Alberto Soares de Freitas. O mais importante, hoje, não é saber se a estratégia e as táticas da organização estavam corretas ou não, mas que ela integrava a ampla resistência contra um regime ilegítimo, instaurado pela força bruta de um golpe militar;

2) Dilma Rousseff era militante da VAR-Palmares, sim, como é de conhecimento público, mas sempre teve uma militância somente política, ou seja, jamais participou de ações ou do planejamento de ações militares. O responsável nacional pelo setor militar da organização naquele período era eu, Antonio Roberto Espinosa. E assumo a responsabilidade moral e política por nossas iniciativas, denunciando como sórdidas as insinuações contra Dilma;

3) Dilma sequer teria como conhecer a idéia da ação, a menos que fosse informada por mim, o que, se ocorreu, foi para o conjunto do Comando Nacional e em termos rápidos e vagos. Isto porque a VAR-Palmares era uma organização clandestina e se preocupava com a segurança de seus quadros e planos, sem contar que “informação política” é algo completamente distinto de “informação factual”. Jamais eu diria a qualquer pessoa, mesmo do comando nacional, algo tão ingênuo, inútil e contraproducente como “vamos seqüestrar o Delfim, você concorda?”. O que disse à repórter é que informei politicamente ao nacional, que ficava no Rio de Janeiro, que o Regional de São Paulo estava fazendo um levantamento de um quadro importante do governo, talvez para seqüestro e resgate de companheiros então em precárias condições de saúde e em risco de morte pelas torturados sofridas.

A esse propósito, convém lembrar que o próprio companheiro Carlos Marighela, comandante nacional da ALN, não ficou sabendo do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Por que, então, a Dilma deveria ser informada da ação contra o Delfim? É perfeitamente compreensível que ela não tivesse essa informação e totalmente crível que o próprio Carlos Araújo, seu então companheiro, diga hoje não se lembrar de nada;

4) A Folha, que errou a grafia de meu nome e uma de minhas ocupações atuais (não sou “doutorando em Relações Internacionais”, mas em Ciência Política), também informou na capa que havia um plano detalhado e que “a ação chegou a ter data e local definidos”. Se foi assim, qual era o local definido, o dia e a hora? Desafio que os editores mostrem a gravação em que eu teria informado isso à repórter;

5) Uma coisa elementar para quem viveu a época: qualquer plano de ação envolvia aspectos técnicos (ou seja, mais de caráter militar) e políticos. O levantamento (que é efetivamente o que estava sendo feito, não nego) seria apenas o começo do começo. Essa parte poderia ficar pronta em mais duas ou três semanas. Reiterando: o Comando Regional de São Paulo ainda não sabia com certeza sequer a freqüência e regularidade das visitas de Delfim a seu amigo no sítio. Depois disso seria preciso fazer o plano militar, ou seja, como a ação poderia ocorrer tecnicamente: planejamento logístico, armas, locais de esconderijo etc.

Somente após o plano militar seria elaborado o plano político, a parte mais complicada e delicada de uma operação dessa natureza, que envolveria a estratégia de negociações, a definição das exigências para troca, a lista de companheiros a serem libertados, o manifesto ou declaração pública à nação etc. O comando nacional só participaria do planejamento , portanto, mais tarde, na sua fase política. Até pode ser que, no momento oportuno, viesse a delegar essa função a seus quadros mais experientes, possivelmente eu, o Carlos Araújo ou o Carlos Alberto, dificilmente a Dilma ou Mariano José da Silva, o Loiola, que haviam acabado de ser eleitos para a direção; no caso dela, sequer tinha vivência militar;

6) Chocou-me, portanto, a seleção arbitrária e edição de má-fé da entrevista, pois, em alguns dias e sem recursos sequer para uma entrevista pessoal – apelando para telefonemas e e-mails, e dependendo das orientações de um jornalista mais experiente, no caso o próprio entrevistado -, a repórter chegou a conclusões mais peremptórias do que a própria polícia da ditadura, amparada em torturas e num absurdo poder discricionário. Prova disso é que nenhum de nós foi incriminado por isso na época pelos oficiais militares e delegados dos famigerados Doi-Codi e Deops e eu não fui denunciado por qualquer um dos três promotores militares das auditorias onde respondi a processos, a Primeira e a Segunda auditorias de Guerra, de São Paulo, e a Segunda Auditoria da Marinha, do Rio de Janeiro.



  Escrito por Idelber às 17:27 | link para este post | Comentários (90)


Comentários

#1

Será que o poço onde a Folha caiu não tem fundo mesmo? O que será que virá depois? Se não temos um Chávez no poder, pelo menos tempo um jornal que não faria vergonha em Caracas...

Hugo Albuquerque em abril 6, 2009 6:01 PM


#2

nossa. eu tinha ficado com uma impressao tao ruim do cara. me pareceu que ele estava mesmo querendo aparecer. uma coisa nesse nivel. (e a entrevista da dilma foi tao legal. ela é algo pra tratar desse assunto). mas o caso. inacreditavel a folha ter coragem de fazer isso. uma desonestidade dessa. atualmente, tudo q sai na folha, a gente tem q esperar pra comentar. pq sempre aparece o citado dizendo outra coisa.

mary w em abril 6, 2009 6:17 PM


#3

Idelber deveria ler jornais brasileiros. (Olha lá o que eu fiz no post do amigo SLeo... Vai ficar puto!)

O pior é que vim aqui depois... Li no RS Urgente.

Abraço.

Milton Ribeiro em abril 6, 2009 6:32 PM


#4

Idelber,

Parece que a carta do jornalista Antonio Roberto Espinosa não foi publicada na Folha de hoje. Pelo menos eu não encontrei no Painel do Leitor, nem em outro caderno do jornal.

Hugo,

A Folha partiu de um jornalismo investigativo de oposição para um jornalismo que distorce informações _ e entrevistas _ e inventa fatos. Se este poço tiver fundo, o jornal vai se estatelar quando chegar nele.

Eduardo Prado em abril 6, 2009 6:44 PM


#5

A matéria da Folha é abominável e me motivou a publicar um post em meu blog (acessível ao clicar em meu nome) assim que a li. Agora, é simplemente inacreditável que um ex-ativista político, jornalista, professor de Política Internacional e doutorando em Ciência Política possa ser tão ingênuo no trato com um veículo da "grande imprensa" com o histórico de colaboracionismo com a ditadura e de aversão ao governo Lula como Espinosa o foi com a Folha de São Paulo. Assinar um termo autorizando a repórter a investigar arquivos do STM acreditando que ela se limitaria à sua pessoa, num momento de pré-eleição presidencial, e supor que a longa entrevista que concedeu não seria editada com as piores intenções possíveis são indícios ou de má-fé ou de uma ingenuidade à toda prova.

Mauricio Caleiro em abril 6, 2009 6:49 PM


#6

Eduardo,

Pois é, pode tardar, mas uma hora ela acaba se estatelando. O Pior de tudo, é que nesse exato momento a Folha parece ter virado A oposição em pessoa.

Mauricio,

Ou é desonestidade mesmo ou tem gente precisando estudar um pouquinho mais a própria matéria que leciona lá pelos lados do Butantã.

Hugo Albuquerque em abril 6, 2009 7:10 PM


#7

Bem, execrável a atitude da Folha e tudo o mais. Agora, "em virtude da sua defesa da democracia", falando da Var-Palmares, fala sério. Combater uma ditadura não significa ser democrata, se o que se quer é implantar outra ditadura. Ao que me consta, a VAR-Palmares era uma organização marxista revolucionária com o objetivo de implantar o socialismo via ditadura do proletariado. Bem, me fritem vivo se falei besteira.
Pô, e nem precisa disso, o cara tem um caso no qual todo mundo vai dar razão a ele, mesmo que a VAR-Palmares não tenha defendido democracia coisa nenhuma. Por que mentir sobre o passado?

F. Arranhaponte em abril 6, 2009 7:40 PM


#8

O jovem ingenuo fala por telefone por mais de 3 horas e depois vem a publico dar declaracoes reclamando da Folha e sua jornalista e exigindo espaco?
Estes dias, foi publicado em varios blogs - lembro com certeza do vi o mundo - artigo de jornalista comentando que todos conhecem a Folha e mesmo assim, nao resistem nem param de dar entrevistas a eles.
Depois posam de vitimas inocentes e uteis.
Burros vaidosos !

Paulo em abril 6, 2009 7:42 PM


#9

Sabemos que isso é só o começo.
Tudo para eleger Serra presidente. Só queria saber o que o Serra ofereceu para a imprensa para ela lutar tato por ele. O Grupo Abril a gente sabe que recebe milhões do governo do Estado. Mas, a Folha, o Globo, Noblat, o que ganham com isso? São apenas promessas de rendimentos futuros?

Bruno em abril 6, 2009 8:19 PM


#10

"Dilma Rousseff era militante da VAR-Palmares, sim, como é de conhecimento público, mas sempre teve uma militância somente política, ou seja, jamais participou de ações ou do planejamento de ações militares"

Deixa eu ver se entendi bem. A Dilma aderiu e fazia parte do VAR-Palmares, que para quem não sabe é a Vanguarda ARMADA Revolucionária Palmares....e teve somente uma militância política?!?!? Ahhhh... quem esse Sr. Antonio Espinosa está querendo enganar? No mínimo se ela entrou e participou de tal grupo, ela concordava com os métodos dele, ou seja, em outras palavras, foi CÚMPLICE.

Twilight em abril 6, 2009 8:23 PM


#11

Twighlit,

Independente de fazer parte de uma organização ARMADA, durante a ditadura, que era exatamente a situação da maioria das organizações de esquerda no período, certas ou erradas,o tratamento dado a isto, na Folha, foi chocante, no nível de tentar desmoralizar um passado de luta e, creio, na entrevista, a Dilma deu uma lição de de tolerância à reporter. Ou, sei lá, pau mandado da redação..

Inclusive explicando a diferença entre ditadura e ditabranda. Pfuuuui!

Alba em abril 6, 2009 9:06 PM


#12

Prezado Antonio Espinosa:
O Sr é um jornalista tarimbado. Acredito no que o Sr falou na sua carta aberta. Porém, digo, caístes numa armadilha. Ninguém em sã consciência, neste momento, "pós-ditabranda", pode confiar num jornal como a Folha. Que está claramente a serviço. Puseram uma jornalista 'mequetréfe' para entrevistá-lo. Ela tomou o seu tempo e ainda deturpou, por ordens do Jornal, tudo o que o Sr falou. Mesmo eles tendo gravado a entrevista, de nada adiantaria. Se gravaram, nestas alturas do campeonato já editaram. O desmacaramento do jornal só seria possível se o Sr também tivesse gravado.

ALEX em abril 6, 2009 9:22 PM


#13

Não esmoreça Idelber, continue não comprando essas porcarias de jornal.

gilson em abril 6, 2009 10:13 PM


#14

Deixeeu entender: a Folhainform ue o grupo ao qua Dilm pertencia planejou sequestrar o Defim, e que não o fez porque a turma foi presa primeiro. E entrevista a Dilma, que, como o jonal publica, com destaque, nega premptoriamente participação na coisa.

O Espinosa confirma que havia o planejamento, e que era o grupo ao qual Dilma pertencia, embora ela não participasse desse tipo de ação.

Gostem ou não os inimigos ou partidários de Dilma, tudo que for relativo ao passado de uma futura candidata à presidencia da República é notícia. E ela foi ouvida, está lá, na íntegra, o que disse. E, ao contrário do que supõe Espinosa, me pareceu sair bem do episódio, uma entrevista humana, respeitosa.

Mas tem gente que acha que sabe o que o povo deve ou não saber. No regime stalinista, esse tipo de gente apagava da foto os camaradas caídos em desgraça. Hoje, classifica de golpista qualquer notícia incômoda.

A crítica ao uso do telefone para a conversa (3 horas!!) é ridicula. E é claro que a repórter dependeu dele para acessar os arquivos; é exigência legal.

Querido Milton, impossível ficar puto com qualquer comentário seu ao meu blogue. Mas não vi nenhum lá!!!

S Leo em abril 6, 2009 11:20 PM


#15

Putz, que idiotice a minha, era a história do Espinosa! Perdão Milton; adorei ficar sabendo!!!

SLeo em abril 6, 2009 11:22 PM


#16

Inda mais envolvendo o Delfim, segundo Espinosa "co-signatário do Ato Institucional número 5, principal quadro civil do governo ditatorial e cúmplice das ilegalidades, assassinatos e torturas)", hoje um dos maiores aliados do governo e um dos principais conselheiros do presidente Lula em matéria de economia.

SLeo em abril 6, 2009 11:33 PM


#17

Aliás, devo confessar o seguinte. O "execrável" que eu usei lá em cima foi totalmente leviano, meio reação de rebanho, porque não li com atenção tudo da carta e a tal matéria (e posso estar sendo injusto com a jornalista). Então, retiro o execrável. Teria que analisar mais detidamente o caso. Mas a análise aí do SLeo, que é bom nisso, já é uma indicação de tempestade em copo d'água, se entendi o que ele quis dizer

F. Arranhaponte em abril 7, 2009 12:14 AM


#18

A Folha saiu do armario finalmente. Deixou de fazer o jornalismo simulado de pluralidade. Enganou bastante tempo e agora se despe e corre atrás dos verdadeiros seus interesses. Acho melhor que seja assim, e que diminua continuamente o número de leitores. Vamos ver até onde aguentam.

Ricardo Queiroz Pinheiro em abril 7, 2009 12:18 AM


#19

E, ao contrário do que eu falei, nem todo mundo está dando razão ao Espinosa (é o que dá - eu só queria comentar a tal "defesa da democracia" do VAR-Palmares, deveria ter me atido a isso - O Witt tem razão mais uma vez)

F. Arranhaponte em abril 7, 2009 12:18 AM


#20

Concordo com o Sérgio Leo. Bom, se eu entendi, a VAR estava mesmo planejando o sequestro, ainda que os planos nao estivessem muito adiantados.

Acho plausível que a Dilma não soubesse, dada a estrutura das células. Mas todos já sabíamos que Dilma fazia luta armada contra a ditadura, e que Delfim Netto apoiava a ditadura que torturou Dilma. Não acho tão surpreendente que a VAR tenha pensado em sequestrar o Delfim.

E, aliás, acho ótimo que a Dilma seja a candidata do Lula, e que também ouça o que o Delfim tem a dizer.

Enfim, dessa vez, pelo menos, não acho que a Folha tenha feito nada de muito impressionante, não. E a entrevista da Dilma foi maravilhosa. Eu, pelo menos, saí com uma impressão excelente dela. E a Folha teve que engolir a resposta dela sobre a ditabranda.

Até entendo que o autor da carta tenha ficado com medo de ter prejudicado sua antiga companheira de armas, mas não acho que tenha motivo para tanto.

NPTO em abril 7, 2009 12:37 AM


#21

Mais alguém percorreu todos os comentários tentando achar quem era o Witt de que falou o Arranhaponte? Certo, certo, entendi agora, mandou bem.

NPTO em abril 7, 2009 12:51 AM


#22

Bem, obrigado, NPTO, e eu acabei lendo agora a tal entrevista da Dilma e me chamou a atenção a resposta dela quando perguntada se se arrependia de alguma coisa dos anos da clandestinidade. Ela disse que não, que mudou métodos mas "não mudou de lado". Bem, se ela não mudou de lado, então foi o Delfim que mudou de lado.

E eu deixo a pertunta para a blogosfera:
O Delfim mudou de lado?

F. Arranhaponte em abril 7, 2009 1:00 AM


#23

O Cloaca News está dando o troco com uma história deliciosa:
SERRA NOMEIA ASSALTANTE PARA CASA CIVIL DE SP
Vamos ver ser a Folha vai "investigar".
O link é este:
http://cloacanews.blogspot.com/2009/04/serra-nomeia-assaltante-para-casa-civil.html

Bíu em abril 7, 2009 2:00 AM


#24

Eu acho uma porcaria um jornal basear uma matéria em entrevistas telefônicas.
Pior ainda quando quem foi entrevistado desafia quem publica a relatar toda a conversa.
Quando acontece, o viés é posto em cheque.
O fato da Dilma ter 'saido bem' ou não, é irrelevante.
Mas é estranho, talvez nem tanto, que um orgão de imprensa do tamanho da FSP publique matérias aliviando a ditadura (ditabranda), e em seguida publique essas matérias de 'interesse público' sobre o passado da Dilma.
Mas estranho mesmo é que exista quem defenda essas ações em nome de uma classe.
Acho que o que Folha está fazendo vai exatamente de encontro ao pensamento citado do S Leo; O de que existe 'gente que acha que sabe o que o povo deve ou não saber .'
E faz bem lembrar que para 'ficar bem na foto', a Folha, se cala sobre seu passado de apoio à ditadura.
E há também os que defendem a democracia, e reconhecem Var-Palmares, uma ditadura do proletáriado, como real ameaça as liberdades. Como se na época estivesse-mos entre a cruz e a espada. Numa correlação de forças.
É cruel e assintoso que uma reação desproporcionalmente inferior a agressão que foi a ditadura, seja colocada no mesmo nível da reação.

fm em abril 7, 2009 2:01 AM


#25

Ops, o final ficou (ainda mais) confuso.
O 'da reação.' foi a mais

fm em abril 7, 2009 2:14 AM


#26

Tinha escrito um comentário mais longo, mas acabei fechando a janela acidentalmente. Vou resumir o argumento: concordo com o S Leo de que a Dilma se saiu bem na entrevista, mas... "o meio é a mensagem". Na chamada de capa, está "Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Netto" (os dois nomes estão grafados), ainda que só Espinosa confirme o plano. Além disso, a própria entrevista deve ser lida sob o pano de fundo da construção midiática da figura Dilma - autoritária, arrogante, etc. Daí que a repórter não se vexou em deixar todos os "Minha filha", "querida", que, diante de toda a pré-concepção construída (e a própria reportagem reforça isso ao pintar, com o depoimento dos repressores, a Dilma como ótima manejadora de armas, cérebro do grupo, controladora do dinheiro, etc) sobre a Dilma, fazem estas expressões soarem hierárquicas. Mesmo as duas respostas que mais gostei, esse elemento de superioridade, de ordem, fica implícito (1- "esse seu jornal não pode chamar a ditadura de ditabranda, viu? Não pode, não. Você não sabe o que é a quantidade de secreção que sai de um ser humano quando ele apanha e é torturado. Porque essa quantidade de líquidos que nós temos, o sangue, a urina e as fezes aparecem na sua forma mais humana. Não dá para chamar isso de ditabranda, não."; 2- "Minha querida, pelo amor de Deus. A vida é um pouquinho mais complicada que isso", quando inquirida sobre o fato de um dos ex-repressores estar em dúvida quanto a votar nela). Políticos são especialmente chegados em expressões do gênero e, de fato, há um elemento de arrogância implícito neles (neste caso a Dilma estava correta em usá-la contra um jornal que fez o que fez no famigerado editorial), mas elas geralmente são cortadas na edição. Por isso, mesmo a publicação da entrevista em página inteira - inclusive com a mencionada crítica ao jornal - não me cheira bem. Abraço

Alexandre Nodari em abril 7, 2009 2:41 AM


#27

Sérgio Leo,

Houve esquentamento no título da Folha de São Paulo, que vinculou o nome da ministra no título da notícia do sequestro que não aconteceu?

"Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Neto" é o que se lê no alto da primeira página, ao lado da manchete. A chamada informa que a ação chegou a ter data e local definidos. Espinosa contesta tal assertiva e desafia o jornal a provar o contrário. Tem informação falsa na matéria?

Nas internas, além do repeteco do "Grupo de Dilma planejava sequestrar Delfim", lemos um outro título onde a atual ministra é elogiada pelos militares como "cérebro do grupo". Isso reforça, na sua avaliação como jornalista, a sugestão de que Dilma Roussef planejou e/ou sabia do sequestro?

Tudo o que diz respeito à vida política da ministra é, sim, do interesse público, sem dúvida. Mas é fato questionável uma pessoa que foi submetida a sessões de tortura (uma vítima) aparecer em título, quarenta anos depois, vinculada a um sequestro (um crime) que não aconteceu. Você acha incorreto a formulação dessas questões que se pretendem críticas?

Olha só:

"Por duas vezes, Fernanda Odilla formula pergunta que a ditadura não fez". Esse é um título que inventei agora. Tem conteúdo verdadeiro (e verificável na entrevista publicada). O fato de não conter informação falsa torna esse título correto?

***

A Folha errou:

"O sobrenome de Antonio Roberto Espinosa, ex-colega da hoje ministra Dilma Rousseff na guerrilha, foi grafado incorretamente como "Spinoza" no texto "Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto" (dia 7 de abril).

Fábio Carvalho em abril 7, 2009 5:37 AM


#28

Sergio Leo
muito boa sua ponderação, mas a necessidade de conhecermos tudo sobre os candidatos parece seletiva, não?

que reportagem a FSP fez sobre o passado do Serra com chamada de capa?
alguma vez chamou a Ação Popular de "grupo do Serra"?
alguma vez chamou o MR-8 de grupo do Gabeira?

alguma vez repercutiu a notícia de que Kassab criou uma secretaria para seu suposto amante?

O pior é isso, a FSP tem capacidade para dar ares de bom jornalismo a uma estratégia política; se não ouvisse o "outro lado" ficaria difícil descaracterizar a intenção.

Agora, não é jornalística a resposta do Espinosa?
Não é democrática a publicação de sua carta?
Por que a Folha não o faz, até para ampliar o debate, que, queiramos ou não, inclui as empresas jornalísticas no centro do jogo político.

abçs

rabbit em abril 7, 2009 9:55 AM


#29

rabbit,

Eu acho que a Folha tem que publicar a carta. Mas cabem algumas observações:

1) A respeito do MR-8 como "grupo do Gabeira": nenhum dos sobreviventes da luta armada carregou por tanto tempo a pecha de terrorista quanto o Gabeira. Na última eleição, em que boa parte da direita votou em Gabeira, era comum ouvir gente resignada dizendo, "vou votar no sequestrador, fazer o que?"

2) Se entendi bem, a única coisa factualmente errada cometida pela Folha foi o "com dia e hora marcada" (e o nome do cara). Não acho que comprometa o teor geral da coisa.

3)Não há provas de que o cara era amante do Kassab (ou que a secretaria tenha sido criada só por isso).

Alexandre,

Eu achei que, acompanhada da matéria, a entrevista com os "minha filha" da Dilma transmitiu uma imagem bem diferente, por exemplo, da que se construiu para a Marta.A arrogância da Marta (em quem votaria, se votasse em SP)ficou associada à imagem de menina mimada, a imagem da Dilma é algo mais "Dama de Ferro" (alguém ainda vai criar "Dilma de Ferro"), dura na queda, o que pode bem dar certo junto ao eleitorado.

E, mesmo levando em conta essa diferença, o trecho da entrevista em que ela fala da carta de amor do outro guerrilheiro acrescentou outra dimensão à imagem dela.

NPTO em abril 7, 2009 11:08 AM


#30

Este rapaz é de uma ingenuidade de dar dó! Esperava o quê da Folha de São Paulo?

Robeto em abril 7, 2009 11:08 AM


#31

A entrevista da Dilma é ótima, inclusive pelos "Minha filha" e tal. Todos que já viram uma entrevista dela sabem do tom martasupliciano da ministra. É um problema que ela terá que melhorar. Dito isso, o que me chamou a atenção foi o sabão que ela passou na Folha pelo Ditabranda. Confesso que meio que abstraí o resto.
O Espinosa parece estar certo nos exageros que a matéria infere (de especulação sobre um possível sequestro para planejamento finalizado do mesmo), mas acho que a entrevista é favorável à Dilma: uma vítima, uma pessoa que quando jovem pagou um preço alto pelos ideais, uma pessoa íntegra, decidida etc. e tal.
Ou seja, no final, ficou 1x1.

João Paulo Rodrigues em abril 7, 2009 11:16 AM


#32

NPTO, João Rodrigues: só para constar, eu adorei a entrevista dela, tanto é que assim que li, correi pro meu blog, colocar lá o trecho em que ela associa a ditadura às secreções, não vi resposta melhor ao ditabranda. Também adoro a Marta. O problema é que a gente já é vacinado às construções midiáticas. Ainda acho que no contexto da imagem da "Dilma de Ferro" (ótimo epíteto) - e mesmo no tocante à carta de amor: "você acha que tanto 'te' seria coisa de mineiro'? - a entrevista não lhe favorece diante do público. Só isso. Abraços

Alexandre Nodari em abril 7, 2009 12:43 PM


#33

Arranha´ponte, a VAR Palmares juntou dois grupos a beira da extinção no período mais violento de luta política da ditadura militar: A VPR e a Polop. Os dois grupos eram muito diferentes e ueriam coisas diferentes. A Polop se via dividida entre a luta constitucional e a luta armada, mas a luta armada ganhou força na medida em que o regime endurecia. Os grupos só existiam na medida em que existia a ditadura, tanto que nenhum resistiu o fim do regime. Acho anacrônico julgá-los pelo o que existe hoje. Na época o Brasil não tinha a menor chance de se transformar em um sistema de tipo soviético ou chinês. Portanto, é muito ilusório pensar que esse pessoal instalaria uma ditadura do proletariado em nossas bandas
abraço
tiago

Tiago Mesquita em abril 7, 2009 1:48 PM


#34

"(...) Dilma Rousseff era militante da VAR-Palmares, sim, como é de conhecimento público, mas sempre teve uma militância somente política, ou seja, jamais participou de ações ou do planejamento de ações militares "

Olha, não é isso que fontes ligadas a VAR-Palmares disseram à revista Piauí desse mês.

Maurício em abril 7, 2009 2:08 PM


#35

Sergio Léo

valeu, acho que nossos pontos de vista, algo diferentes, estão claros

só me permito comentar algo a respeito do Gabeira, que eu adoro.

fiz a campanha dele em 86
campanha maravilhosa, bonita, com excelente participação do Lula
naquele momento, a imprensa jamais deixou de lembrar seu passado "guerrilheiro"
ano passado, não vi essa mesma postura da imprensa
por que será?

abçs

e parabéns pelo blog e pelos comentários


rabbit em abril 7, 2009 2:25 PM


#36

Ainda não li a caixa de comentários.

Só queria dizer que não faz muita diferença isso tudo. Delfim vai apoiar a Dilma se ela sair candidata.

E acho que o eleitor está mais preocupado com a possibilidade de continuar recebendo salário no fim do mês do que sobre um hipotético seqüestro de 40 anos atrás.

No fim das contas, se começam a decer o pau na Dilma tão cedo, é bom sinal. Falem bem ou falem mal, falem de mim. E quando chegar o dia da eleição já vai ser tudo assunto velho e caduco.

André Egg em abril 7, 2009 3:11 PM


#37

Delfim ou Dilma, quem mudou? Caro leitor, quem não muda com a mudança das circunstâncias, esclerosa, já morreu e não sabia. Quem sabe se ambos mudaram, porque são pessoas inteligentes, não é?
Sobre esse tipo de coerência, prefiro citar:

"Toda coerência é, no mínimo, suspeita."
Nelson Rodrigues

"A coerência é o último refúgio dos sem imaginação"
Oscar Wilde

Vera Pereira em abril 7, 2009 3:26 PM


#38

Ou ainda, Vera Pereira:

"Quando as coisas mudam, eu mudo minha opinião. O que você faz?"

John M. Keynes.

caliban em abril 7, 2009 4:21 PM


#39

Rabbit, obrigado peloseu comentário gentil, mas suas perguntas e o post do Cloaca mostram argumentos típicos de quem até acha válido usar golpes sujos, desde que contra o adversário. Falou-se muito do passado de Serra como estudante da Une, li matérias na Folha sobre como escapou do Chile de Pinochet. Não faz sentido requentar história já sabida agora. Se a Folha tivesse feito isso, os que acusam o jornal teriam razão. Mas eles tinham uma notícia sensacional. NOva.

POuco se sabe sobre o passado de guerrilheira da ministra, uma das matérias, publicada se não me engano, no Estadão, era uma entrevista dela contando a brutalidade da tortura da ditanadabranda. Humanizava ela, Dilma saía-se benm, como se saiu nessa.

A matéria da Folha, agora, não é uma nota para dizer: olha, a Dilma era terrorista! É uma reportagem de uma jornalista que descobriu graças à boca grande do seu Estanislau, que a organização à qual pertencia a ministra planejou o sequestro do delfim e só não o fez porque a turma foi presa antes. seria um fato histórico se tivessem conseguido. Não o conseguiram, mas iam tentar. É um fato jornalístico.

Agora, o seu Estanislau deve ter levado uma chamada federal (com duplo sentido, por favor), um esporro daqueles, e, agora, tenta se recompor com dona Dilma. Pensou que estavam interessados no inflado ego dele, e ele era fonte para matéria sobre a Dilma. Tolinho.

Rabitt, você me pergunta se a carta do Estanislau não é jornalística e se não acho que a Folha deveria publicá-la. Acho. Nesse tipo de coisa, a rotina é encaminhar a carta ao repórter contestado, e publicá-la com comentário da redação; isso pode estar acontecendo.

Se eu tivesse algum prestígio no jornal, recomendaria a publicação. Mas suspeito que o estanislau mandou a missiva primeiro para os amigos da esquerda, e só mais tarde ao jornal. Vamos ver.

SLeo em abril 7, 2009 4:40 PM


#40

ou esculhambando um pouco, com Mestre Raul:

"Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante
do que ter aquela velho opinião formada sobre tudo"

Radical Livre em abril 7, 2009 4:40 PM


#41

Valeu, Tiago.

Vera, eu estava só querendo confundir (tipo Chacrinha) com esta história da Dilma dizer que "não mudou de lado". Soa para mim como se ela quisesse dizer que outros, talvez os adversários dela, teriam mudado de lado. Mas eu acho curiosa esta história do lado, quando a gente vê que o Delfim hoje está ao lado dela. Mas vamos deixar esse papo de lado.

F. Arranhaponte em abril 7, 2009 4:43 PM


#42

A "suspeita" do Sergio, de que o Prof. Espinosa mandou a missiva aos "amigos de esquerda" antes de enviá-la à Folha, está incorreta. O jornal foi o primeiro a receber a carta.

Não sei se a distorção no nome dele é proposital ou não, mas se o for, acho a brincadeira de mau gosto.

Opinião pessoal, claro.

Idelber em abril 7, 2009 4:49 PM


#43

Idelber: acho que nem é caso de entrar no mérito da questão - se mandou ao jornal primeiro ou não. Grandes coisa, tanto faz. O que interessa, na argumentação do Sérgio Leo (a argumentação PFL, vamos dar nomes aos bois) é que a suspeita, que ele nutre, de que há sempre algo por trás quando se trata do governo ou do PT - "Agora, o seu Estanislau deve ter levado uma chamada federal (com duplo sentido, por favor), um esporro daqueles, e, agora, tenta se recompor com dona Dilma" - falta na avaliação da reportagem. Que possa ter havido esporro, concordo, não sou ingênuo. E, por isso mesmo, não acho que a reportagem (que no fim das contas não diz nada de substancial) tenha algo a ver com interesse nacional, a não ser que se entenda por interesse nacional a eleição de Serra.

Alexandre Nodari em abril 7, 2009 5:35 PM


#44

Não foi gracinha, Idelber, foi correria, mesmo, peço desculpas; ainda bem que não sou a fernanda Odila, ne conheço o sujeito. Deixei claro que era suspeita, e não estou aqui para defender jornal. Escrevi minha suspeita por não ter ouvido nenhum zunzunzun de redação, como às vezes ocorre nesses casos. Retiro o que disse, nesse ponto.

O caro Alexandre Nodari que me perdoe, mas não falei em interessa nacional, falei em interesse jornalístico. Não considero o Jorge Luis Borges interesse nacional, mas acho importante que os jornais publiquem matérias sobre fatos inéditos de sua vida e obra. Não acho que BBB seja de interesse nacional, mas reconheço que, no público leitor de jornais há quem se interesse por essa bobagem (e concordo com quem disser que os jornais abusam do noticiário sobre essa imbecilidade).

O senhor Nodari intui opiniões que não tenho, numa velha tática que vi ser muito praticada nos debates da política estudantil, de atribuir ao adversário na discussão opiniões rídiculas, para combatê-las (as opiniões inventadas, não o adversário) aparentando sagacidade. Os tempos são outros, Nodari, cresça, por favor.

"Há sempre algo por trás quando se trata do governo ou do PT" não é opinião minha, é delírio seu. Como jornalista acho que há sempre algo por trás, pela frente e pelos lados, em qualquer partido, governo ou fenômeno, e cabe às pessoas inteligentes não se deixarem levar pelas aparências imediatas.

A única suspeita séria que nutro é que houve uma matéria justificável sob o ponto de vista jornalístico, com alguns erros menores que não afetam a susbtãncia da notícia, e que, por suas imagindas consequências sobre a candidatura de Dilma, um monte de gente ligou o fato à história infeliz da "ditabranda" e criou uma teoria conspiratória. Aliás, muito interessante a frase da Dilma, reproduzida no blog do Nodari, extraída da Folha.
É, da Folha.

Mas isso é suspeita, podem me provar o cotnrário, com argumentos que não sejam sofismas de militância, quem sabe.

SLeo em abril 7, 2009 5:58 PM


#45

A chamada completamente sensacionalista, acerca de um evento acontecido há quase quatro décadas, com informação falsa, dando destaque de topo de página para um sequestro que não aconteceu e em cujo planejamento, segundo a própria fonte, Dilma não participou.

Aí você dá de cara com a manchete "Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim" e ainda tem que aturar um sujeito dizendo que a indignação dos leitores é fruto de "teoria conspiratória". Os funcionários da grande mídia já não conseguem diferenciar o que dizem da matéria dentro da qual se afundam.

Vai ver as relações Frias-Serra também são invenções de teorias conspiratórias, né? Acho que tem mais gente precisando crescer por aí.

Idelber em abril 7, 2009 6:13 PM


#46

Como é, Idelber? Não aconteceu o planejamento do sequestro do delfim pelo grupo político ao qual Dilma pertencia?

A matéria conta tudo isso: que Dilma não participou (nem participaria, porque era de outro setor da orgsnização, o que arranjava dinheiro para os grupos operativos).

Lamento se v. acha que pode prejudicar a candidata Dilma. mas não dá para dizer que não é notícia. Notícia inconveniente, mas notícia. Das que causam sensação. Daí, sensacionalista.

O fato aconteceu há quatro décadas, o conhecimento sobre ele foi só na semana passada. Sem querer comparar as coisas, mas para enfatizar o absurdo desse seu argumento, a tortura também aconteceu há quatro décadas e nem por isso voc~e acha que devam ser ignorados documentos que possam comprovar a participação, nela, de figuras com atuação política atual.

sleo em abril 7, 2009 6:22 PM


#47

Aliás, desculpe, a matéria conta que diziam que ela cuidava do dinheiro, mas perguntam a ela e ela esclarece que não.
Assim como perguntam a ela, e publicam a resposta sobre "ditabranda". Não passa pela cabeça dos adeptos da teoria da conspiração que a Folha, se é tudo o que dizem, poderia simplesmente ter cortado o trecho em que leva um pito da ministra.

sleo em abril 7, 2009 6:30 PM


#48

SLeo: "Como jornalista acho que há sempre algo por trás, pela frente e pelos lados, em qualquer partido, governo ou fenômeno" - menos em jornais, jornalistas e no interesse jornalístico, pelo jeito. Você que se orgulha de ser jornalista, deveria conhecer a lição básica: o interesse jornalístico não é uma coisa que existe por aí, neutra, e é captada pelos veículos de comunicação. Ele é uma construção. Em uma sociedade onde a mediação é essencial, a mediação termina por se separar de sua função e adquire vida autônoma (interesse jornalístico pode, e muitas vezes é, ser simplesmente o interesse do dono do jornal, para usar uma simplificação grosseira). Você está tão enfiado dentro disso (ah, eu não ouvi fofocas dos 'colegas' - v. chamaria Roberto Marinho de colega?, como ele fazia com seus subordinados, de modo a esconder a relação de trabalho que havia -, por isso a carta não deve ter chegado ao jornal antes) que beira o ridículo: sim, reproduzi um trecho que foi PUBLICADO na FSP, mas quem proferiu o trecho cara pálida? O Frias? ou a Dilma? Quer dizer que sem a existência da Folha, a Dilma não pensaria assim? Ela não poderia ter dito isso num comício, numa conversa, no bar, num jogo de futebol, no telefone? Pra v., parece valer a máxima de Debord sobre a sociedade do espetáculo: "o que é bom aparece, o que aparece é bom" - esta é a essência do que v. chama, usando um eufemismo, de "interesse jornalístico".

P.S.: Desculpa se ter te chamado de PFL te magoou, mas PFL não nomeia só uma posição política, mas um modo de pensar (o petucanismo nomeia outro) - por ex: qualificar de estalinista uma postura crítica à mídia (por que não de macartista?).

Alexandre Nodari em abril 7, 2009 6:40 PM


#49

Não aconteceu o planejamento do sequestro do delfim pelo grupo político ao qual Dilma pertencia?

Bom, pelo jeito não me expliquei direito. A questão não é se "aconteceu o planejamento" ou não. A questão é o tratamento dado pelo jornal, a manchete, o destaque a esse fato, o interesse em colocar isso em chamada de topo de página, a nítida intenção de difamar a candidata.

E comparar isso com a prática de tortura realmente existente, vai me desculpar, já estoura os medidores de má fé disponíveis por aqui.

Idelber em abril 7, 2009 6:53 PM


#50

Como eu falei no blog do Sérgio, o que mais me incomoda não é a nem o esforço eleitoral dos proprietários dos orgãos de comunicação, mas a baixíssima qualidade do trabalho. Acho que essa matéria, por exemplo, merecia uma apurada mais cuidadosa. Talvez fosse o caso de cotejar o depoimento do Espinosa com outro ex-guerrilheiro, ou então tentar ir nas lacunas das histórias. Quem já viveu situações traumáticas sabe que nessas horas as coisas ficam muito confusas. Por fim, fiquei curioso para ouvir o áudio dessa entrevista, mas acho que nunca escutarei, como o tal grampo do gilmar.

Tiago Mesquita em abril 7, 2009 6:57 PM


#51

caríssima rapaziada,

Eu prometo assinar a folha de s. paulo assim que a jornalista apresentar as fitas com a gravação das conversas com o entrevistado. Em casos como este, quando o repórter tem certeza da repercussão que a "notícia" terá, certamente as conversas são gravadas. E não vale dizer que por telefone é difícil gravar...hoje em dia é mais fácil por telefone do que ao vivo.

Alias, como os nobres jornalistas aqui comentadores sabem, editor que é editor não manda publicar uma bomba sobre a provável próxima presidente do brasil sem ter comprovação. pelo menos um e-mailzinho...

Agora, só mais uma coisinha: Eu devo ser lerda mesmo...o que o sleo quis insinuar ao chamar o professor espinosa de Estanislau??? Me ajudem, meus dois neurônios ficaram atolados nessa equação...

aiaiai em abril 7, 2009 7:00 PM


#52

Idelber,

A manchete da FSP diz que grupo de Dilma planejou o seguestro do Delfim. Não há desmentido sobre o planejamento. O que existe é enorme polêmica sobre as intenções do jornal ao publicar tal matéria.

Acho que o debate e a crítica ao jornal no caso é completamente desproporcional, como o é o ataque àqueles que manifestaram opinião contrária à da maioria que lê o seu blog.

Na minha opinião a matéria é de interesse jornalístico e me interessa saber se o grupo da Dilma participou ou não do planejamento do tal sequestro.

Considerando as virtudes alardeadas da Ministra de grande líder e organizadora, não me parece plausível que ela desconhecesse o tal plano.

Agora, se ela sabia do plano, isso é prejudicial a ela? A verdade é prejudicial? A Ministra já afirmou perante o Senado que se orgulha de ter mentido à Ditadura. Posso concluir que ela sempre mentirá quando isso estiver a serviço dos interesses que ela defende e que julga nobre. Se vc pensa assim também, muito bem.

Eu, por exemplo, acho que os fins não justificam os meios e certos princípios éticos não devem ser ultrapassados a pretexto de se atingir nobres resultados. O meio ilícito ou anti-ético pode comprometer o resultado.

É lamantável, também, acusar alguém de PFL a pretexto de desqualificá-lo. Já li vários posts do Sergio Leo defendendo com unhas e dentes políticas do Presidente Lula. E nunca vi ninguém suspeitar que ele está a serviço do governo de plantão. Agora qdo o jornalista assume posição que não se alinha com o atual governo é colocada em dúvida sua independência. Isso porque trabalha no jornal Valor Econômico, que, salvo engano, é parte do grupo folha em associação com a globo.

Por favor, um pouco de imparcialidade na análise é necessária. Não agrida assim o caráter das pessoas.


Eduardo Trajano em abril 7, 2009 7:06 PM


#53

Tiago: o pior é que o terceiro guerrilheiro entrevistado diz não se lembrar. Dois dos três que supostamente sabiam do plano, dizem não saber. E ainda assim, tem a chamada na capa, assertiva: "Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Netto" (os nomes grafados). O trabalho não é só ruim (ainda que seja também).

Alexandre Nodari em abril 7, 2009 7:10 PM


#54

Eduardo:

As pessoas que têm opinião diferente da maioria que lê o blog se expressam aqui com mais liberdade do que a que jamais foi oferecida em qualquer Painel de Leitor da Folha àqueles cujas declarações ao jornal foram distorcidas ou manipuladas. Este é um blog de debate. Quem entra aqui sabe disso. Expresse-se como quiser, e aguente o tranco, é a única pauta que eu me proponho impor aqui, respeitados os limites da civilidade.

Já no blog do Sergio Leo, por exemplo, há comentários chamando todos vocês, que leem este blog, de seguidores de pastor evangélico. É um tipo de ofensa coletiva que eu, por exemplo, não permitiria aqui.

Quem qualificou o Sergio como PFL não fui eu, então por favor dirija a sua bronca à pessoa correta. O Alexandre não se limitou ao rótulo. Ele ofereceu argumentos. Que, me parece, não foram respondidos a contento.

Quanto ao trecho Considerando as virtudes alardeadas da Ministra de grande líder e organizadora, não me parece plausível que ela desconhecesse o tal plano, sinto dizer que ele demonstra completa ignorância sobre como funcionavam as organizações clandestinas de esquerda sob a ditadura. A regra é que as ações armadas fossem realizadas com a ciência do menor número possível de pessoas, inclusive da direção nacional. Por motivos que são, suponho, óbvios.

Abraços.

Idelber em abril 7, 2009 7:17 PM


#55

Eduardo: eu não sabia que chamar alguém de PFL agride o caráter dela. Risos. Eu nem sabia que o S Leo trabalha no Valor, como também não leio o blog dele. Em todo caso, v. tá errado: "Não há desmentido sobre o planejamento." Há sim. Só o Espinosa confirma o planejamento. Os outros dois integrantes da guerrilha entrevistados, não. "as virtudes alardeadas da Ministra de grande líder e organizadora, não me parece plausível que ela desconhecesse o tal plano" - v. não pode construir o passado desse jeito (Porque o Pelé é milionário, ele deveria acompanhar o noticiário econômico quando era jogador de futebol).

"A Ministra já afirmou perante o Senado que se orgulha de ter mentido à Ditadura. Posso concluir que ela sempre mentirá quando isso estiver a serviço dos interesses que ela defende e que julga nobre.(...)Eu, por exemplo, acho que os fins não justificam os meios e certos princípios éticos não devem ser ultrapassados a pretexto de se atingir nobres resultados."

Na boa: isso é PFL também (já disse que não é uma opção partidária, mas um modo de pensar). Mentir sendo torturado é anti-ético?!?!?!?! Sob tortura, não há ética possível. Você não percebe a infantilidade do que tá dizendo? "Eu não minto, nunca menti", porque é isso que v. tá dizendo.

Bem, por mim chega. Idelber, não vou ficar mais ocupando o espaço aqui discutindo nesse nível.

Alexandre Nodari em abril 7, 2009 7:20 PM


#56

Eu disse que não estava comparando, idelber, apontar má fé é, sim má vontade. Só ressaltei o absurdo do argumento de que uma coisa não deve ser notícia porque aconteceu há 40 anos.

É notícia, se não era conhecida e é interessante (e é, tanto que provoca ese burburinho todo com a revelação, que incomdoa, e é logo ligada a uma teoria sobre supostas intenções da Folha).

Partiu de uma apuração sobre o passado guerrilheiro da ministra? Sim. É a atuação política mais conhecida dela, qu depois fez carreir técnica, até lançar-se de novo na política strictu sensu, como candidata à Presidência.

A notícia, publicada sob o selo "história", é de que o grupo a que pertencia Dilma planejou o sequestro de Delfim. A chamada de capa diz que Dilma nega permptoriamente. E tem, aparentemente, uma incorreção, a de que o plano já tinha hora e local. Mas se isso não é notícia interessante (para qualquer jornal, para o editor, para a esquerda, para a direita, para o idleber), rasgo meu diploma.

SLeo em abril 7, 2009 7:29 PM


#57

Como eu não me aguento, me permito pelo menos mais um comentário. Idelber menciona "a completa ignorância sobre como funcionavam as organizações clandestinas de esquerda sob a ditadura" e acho que, com isso, chega no nó da questão. A matéria é eleitoreira porque é totalmente descontextualizada - vivemos sob a égide da Anistia (não só da Lei, mas da incapacidade de compreender a ditadura e a sua oposição). Não há como compreender a (des)importância do plano de seqüestrar Delfim se não soubermos os inúmeros outros planos pra seqüestrar outros políticos, o histórico dos demais movimentos de guerrilha, o perfil de seus integrantes (e de seus alvos), etc etc - há casos de movimentos "armados" de organização tão burocratizada e planejada que nunca pegaram em armas de fato (caso de um parente meu). Em resumo: enquanto não engatarmos um esforço de memória coletiva (que não é a intenção da Folha), devemos desconfiar de certas lembranças pontuais.

Alexandre Nodari em abril 7, 2009 7:30 PM


#58

Rasgue.

Victor da Rosa em abril 7, 2009 7:31 PM


#59

Ai, pessoal, fica o aviso:

caso ocorra novamente um regime ditatorial no brasil e a gente precise fazer uma ação clandestina para combatê-lo, não chamem o eduardo trajano...o cara vai logo abrindo a boca e contando a verdade...acho que nem precisa torturar o pobre, ele vai logo delatando.

Sem brincadeira, querido Eduardo...vc acha mesmo feio a pessoa mentir para um torturador? pensa bem nisso... acho que vc vai conseguir chegar à palavra "delator". Faz um esforço.

aiaiai em abril 7, 2009 7:32 PM


#60

O Sérgio Leo é um ótimo repórter, não rasgue o seu diploma.
Acho o comentário do Alexandre Nodari irretocável. Quem já viveu situações traumáticas sabe que as coisa ficam muito confusas. A dimensão de quem estava entocado, a conviver só com clandestinos, tende a dar uma dimensão maior que as coisas tinham. Acho que valia a pena a repórter ter checado essa história melhor. Para dizer o mínimo.

Tiago Mesquita em abril 7, 2009 7:36 PM


#61

Um ponto que não foi comentado, mas a mim parece relevante.
Se a chamada foi: "Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Neto", há uma abiguidade aí muito ruim pra um jornal, que deve primar pela precisão.
Se quisesse insistir na tese de que eles planejaram um sequestro, deveriam dizer:
"grupo de Dilma planejou sequestar Delfim Neto".
A diferença é sutil, mas é relevante. "Sequestrar", no infinitivo, indica ação a ser realizada.
"Sequestro" indica algo realizado.
Alguém que não tenha bons conhecimentos de história e que só tenha lido a chamada - por exemplo na banca de jornal-, pode pensar que houve o sequestro e que o grupo de Dilma que planejou.

Não sei se viajei, mas parece que há uma ambiguidade desnecessária aí.
abraços
Manoel

Manoel Galdino em abril 7, 2009 7:43 PM


#62

Muito interessante o seu ponto, Manoel. Havia passado despercebido pelo povo daqui, mas eu também acho muito relevante.
Eu mesma, que me considero um tanto inteirada da história brasileira, na hora que vi a manchete pensei: nossa! mas o delfim foi sequestrado!???
Depois me esqueci do lance, tinha mais a fazer do que pensar na manchete da folha (não leio jornais há mais de 10 anos, com muito orgulho).

Taí, outra questão para os nossos jornalistas comentadores: manchete tem que ser correta, ou se for para ser sensacionalista vale qq coisa?
Se vale qq coisa, qual é a diferença entre a folha e o carioca Meia Hora?

aiaiai em abril 7, 2009 8:01 PM


#63

Gente, o grupo dos Frias e do Serra, a FSP, tem o direito de escolher o assunto, a manchete, o momento, o que quiser para suas reportagens!

Nós temos o direito de querer, ou de sonhar, que o grupo dos Frias e do Serra, faça reportagens sobre o seu passado, dos Frias e do Serra, já que o jornalismo seria imparcial.

Nós temos o direito de em diversos fóruns, como esse aqui, de enxergar o que quisermos nas "reportagens" do grupo dos frias e do serra.

O debate está aberto, e hoje o grupo dos frias e do serra, o grupo dos marinhos, o grupo dos mesquitas e outros, terão que aprender a conviver com isso, com o fato de que cada vez mais serão considerados como grupelhos, como feudos de interesses, como talvez o sejam os blogs também.

Vale tudo, e quem convencer a maioria a cada momento vai dormir feliz ou vai ganhar uma eleição, dependendo do que estiver em jogo.

Uma opinião do Sergio Leo, por mais que discorde dela, tem uma credibilidade que o grupo dos frias e do serra não tem mais, se é que já teve.

Proponho que a partir de hoje nos refiramos à FSP como o grupo dos frias e do serra.
Temos esse direito, e já que o assunto está em foco, iniciemos uma guerrilha midiatica.

abçs

rabbit em abril 7, 2009 8:04 PM


#64

Neste caso, vale a pena mentir?

Victor da Rosa em abril 7, 2009 8:05 PM


#65

Victor, acho que você não entendeu (risos, muitos risos) não é mentira é, segundo S.Leo, aparentemente uma incorreção.

Flávia em abril 7, 2009 8:08 PM


#66

Não sei por quê, sempre acho que nessas discussões perde-se o foco da questão e parte-se para os acessórios.

S. Léo: é claro que é notícia. O ponto, no entanto, é o tratamento da notícia. Quando a Marta, durante a campanha, veiculou aquele anúncio sobre o Kassab perguntando "É casado? Tem filhos?", é evidente que ela queria dizer "Ele é gay, vocês sabiam?". O mundo dela veio abaixo. E foi bem feito (apesar de toda a hipocrisia da coisa). A questão é que, sob determinado ponto de vista, saber se Kassab é casado e se tem filhos é relevante. Porém, isso foi um estratagema para questionar a sexualidade do candidato e esperar os louros do preconceito da sociedade. Na minha opinião, a manchete da folha usa o mesmo método para criar uma imagem da Dilma. Dizer "Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Neto" é o mesmo que dizer "Dilma é sequestradora". Ok, se você fizer uma análise da frase, poderá dizer que "Grupo de Dilma" quer dizer "Grupo do qual Dilma fazia parte" e não "Grupo pertencente a Dilma". É irrelevante. O que você diz e o que quer dizer podem ser paradoxais, mas podem servir ao mesmo propósito. Não dá pra achar que a manchete é inocente. Na boa.

Cajueiro em abril 7, 2009 8:40 PM


#67

Oh Flávia esqueci o itálico!

Victor da Rosa em abril 7, 2009 8:48 PM


#68

"Quando a Marta, durante a campanha, veiculou aquele anúncio sobre o Kassab perguntando "É casado? Tem filhos?", é evidente que ela queria dizer "Ele é gay, vocês sabiam?""

BS. Larry Craig e Jim McGreevey(Provavelmente os maiores escândalos envolvendo políticos gays dos EUA) eram casados.

Andre Kenji em abril 7, 2009 11:23 PM


#69

Fui daqui para o site do Sérgio Leo e encontrei isto:

"Ah, eu gosto do Idelber -do site dele- mas é muito exagerado, à esquerda. O cara é ótimo escritor, mas muito apaixonado, torce para partidos políticos como se fossem times de futebol. Se bem que esta comparação para muita gente é exata: tratam-se de torcidas organizadas, os partidos políticos..."

Este é um comentário de um K. no blog do Sérgio Leo.
Perfeito. É o que eu acho há muito tempo.

O futebol alfabetiza todos no Brasil.
Assim todos têm uma relação com partidos, movimentos políticos &c. como se fossem times. Tratam política como garotos de 8 anos discutindo quem é melhor: Zico ou Roberto, Rivelino ou Ademir...Cada amarelo que seu Ídolo recebe é uma demonstração da Conspiração Inimiga; e cada vez que seu Ídolo não é convocado ele está sendo Sabotado.

E da mesma forma que, quando os torcedores radicais (Eurico, Mustafá et. al.) assumem os clubes, estes tendem ao fracasso ou à selvageria, também quando o Estado é ocupado por gente assim o resultado é o simples extermínio do "time" adversário. E eles ainda se acham Maduros nas posições políticas deles.

O que irrita os petistas não é a "mídia de direita", mas antes publicarem notícias que POSSAM fazer o Santo Povo se afastar do PT ou de um candidato. Como nunca campeonato em que o dirigente vê um pênalti marcado contra seu time e diz que as cartas estão marcadas, o petista se irrita com tudo que manche sua escalada ao poder.
http://gremioacimadetudo.blogspot.com/2009_03_29_archive.html#6984967990639864716

Quando um treinador reclama da arbitragem ele não quer uma Boa Arbitragem; ele quer tão-só o favorecimento dele. Para comprovar isso basta ler blogs e sites de direita e verão que, para eles, a Veja e a Folha são de esquerda porque defendem o aborto, pesquisas com células-tronco &c.

Idelber não fica perturbado com o jornalismo. Ele não está nem aí para o jornalismo. Ele quer mesmo é que falem bem do PT. Tudo contra o PT e seus líderes é mentira; tudo contra quem não é do PT é verdade. Da mesma forma, o Galo nunca foi beneficiado, ele é sempre roubado...Um mundo de sonhos enfim, um Olavo da esquerda.

Tão-só isso.
Abraços generalizados.

Falstaff em abril 7, 2009 11:49 PM


#70

Fiz um post lá no Torre sobre o causo - a favor do SLeo e da Folha

F. Arranhaponte em abril 8, 2009 12:14 AM


#71

Flastaff. acho a sua avaliação bem fraquinha e me preocupo com o jornalismo. No caso da matéria sobre a Dilma, ele foi muito mal feito. Sei das pressões de tempo e da chefia para que as matérias saiam logo, também sei do acúmulo de funções que os jornalistas têm hoje na redação, mas checar um pouquinho não faz mal a ninguém. Achei a matéria mal feita, os títulos horríveis e a abordagem questionável.

Tiraram uma manchete da cartola. Nem discuto o interesse eleitoral, mas acho ruim. Sensacionalismo para vender mais jornal.Me lembra a manchete que noticiou a revolta do Sérgio Ricardo no festival da canção: VIOLADA EM Público (por conta da quebra de um violão).

Tiago Mesquita em abril 8, 2009 12:26 AM


#72

Uma nota: a Folha não deu o assunto Dilma em manchete. Foi um box no alto de página. Isso faz alguma diferença, embroa não seja o mais importante.

Caríssimo Idelber, só agora vi seu comentário sobre a avaliação rasteira feita na caixa de comentários do meu blogue a respeito dos comentaristas do seu (caramba, me atrapalhei nessa). Não concordo com o comentário, mas não apago esse tipo de opinião. Já apaguei, sim, comentários que partiam para o ataque pessoal, com acusações pesadas. Mas esse é bobo, superficial. Guardo meu poder de polícia para ataques carregados, que não dão possibilidde de defesa ao acusado.

Acho sim que há um comportamnto de torcida em muitos momentos, não só no seu blogue, como em todos, é um vício da discussão política no Brasil. Não concordo com o fastaff que sua análise seja do nível de torcida de futebol. Acho, sim, que v. é um apaixonado, e penso que esa paixão, que é desejável, faz a briga ser, às vezes, fora do tom. mas respeito.

Gosto da discussão quando ela parte para análises mais sofisticadas, mais elaboradas, menos rasteiras. Argumentos sóldios, bem defendidos.

E, em minha defesa, só tenho a dizer, com ponderação e tranquilidade: pensamento PFL é a PQP!!!!!!!

SLeo em abril 8, 2009 1:47 AM


#73

Fala Idelber, td bem?

Conheço a repórter Fernanda Odilla, também é mineira de Belo Horizonte e foi repórter do Estado de Minas no meu tempo. Sem querer defendê-la, digo que é uma repórter séria e competente.

Na minha humilde opinião, o que aconteceu é realmente que os editores "esquentaram" a matéria - termo comum nas redações dos jornais. Sem dúvida alguma colocaram a Dilma no centro da tal tentativa de sequestro.

A gente via esse tipo de comportamento dos editores em diversos momentos no jornal, sempre foi uma atitude lamentável. Mas, apesar de tudo, corriqueiras. Os repórteres, sobretudo os da ralé do jornal, como eu, sempre condenávamos esse tipo de coisa. Mas acontecia, e muito.

Acho ainda que isto é resultado direto da forma superficial como todo e qualquer assunto é tratado pela imprensa. O jornalismo se preocupa, de uma forma geral, muito mais em preencher suas páginas de textos chamativos e fisgar o leitor pela manchete do que fazer um levantamento fiel e preciso sobre os assuntos que cobrem.

A culpa disso tudo vem do modelo comercial de jornalismo, que obrigam os jornais a se dedicarem à notícia que vende, àquela notícia que não discute nada a fundo, que evita o debate. A notícia emburrecedora.

O resultado disso é um círculo vicioso ferrenho, que leva toda a grande imprensa a se viciar numa auto-referência que só agora vem sendo quebrada com a difusão de informações que a rede nos permite. Até pouco tempo atrás, para um veículo de comunicação, só era notícia o que saía no outro.

Agora esse ciclo pode ser quebrado. Isso incomoda aos próprios jornalistas. Tome-se como exemplo este debate que está sendo travado aqui. Que, aliás, nunca existiria se não fossem as possibilidades que a rede vem nos propiciando. Façamos, então, mais uso dela.

Um abraço.

Paulo Morais em abril 8, 2009 2:07 AM


#74

Salve, Professor.Não fique muito bravo.

Isto aqui está bom demais. Expressa o objetivo do blog, como você afirma em um comentário anterior: este é um blog de debate. Li o post durante o dia; em razão de uma informação, cliquei no blog do SLeo. Lá estava o comentário sobre nós, comentaristas deste seu blog, afirmando que somos um séqüito ou súditos, não lembro. Sorri, pois então agora sou vista como seguidora de um guru, provavelmente. Lá está que você (Idelber) escreve com paixão. Pois é, eu gosto de pessoas que são apaixonadas nas coisas que fazem e também quando expressam opiniões. Talvez por essa razão bato o ponto aqui, sempre que o tempo permite. Estava sem tempo, durante o dia de postar o comentário, que aqui vai.
Sobre jornais e revistas:
1. – não entendo: é possível ter um entendimento da imprensa escrita, falada, televisionada como imparcial? Objetiva? Neutra? Não acredito que a maioria que aqui comenta pense que é possível existir uma imprensa desse tipo. No meu entendimento, não é. A não ser que todos que assim pensam sejam positivistas. Aí é possível. A grande questão das ciências humanas e do jornalismo: é impossível a neutralidade, a imparcialidade, a objetividade. Sempre tomamos posição, mesmo quando pensamos que não. Agora na imprensa tradicional (jornais, revistas, televisão, rádio), desde o momento de pautar as matérias a imparcialidade dançou.. E por aí vai... a escolha das fotos, a diagramação (esta então é incrível, a colocação das matérias, a disposição das manchetes, a localização das fotos, e quais fotos entram e quais, não. Vejam bem, não estou defendendo que a imprensa tradicional mente, engane, trabalhe com factóides (estou lembrando o grampo que a Veja noticiou, grampo que ninguém sabe, ninguém viu. aí não é uma questão de parcialidade, é outra coisa.) Estou afirmando que a imprensa sempre tomou e toma posições. Pesquisem os anos 1950/54, governo Getúlio. Leiam os artigos do Lacerda. Quando Jânio Quadros candidatou-se e depois quando eleito. Dêem uma olhada no período anterior ao golpe de l964. Basta lembrar os editoriais do Correio da Manhã . E a imprensa de outros países é diferente? Vamos lembrar o famoso artigo de Zola “Eu acuso”. Não foi assim... toda a imprensa tomando partido?
2. – A Veja eu não leio há muito tempo, desde quando ela publicou uma matéria sobre a questão do racismo, que era um absurdo, precisei de muito debate em sala de aula para provar que toda a matéria estava impregnada de preconceito. Infelizmente, não encontro em minhas anotações a data desta reportagem. Fica aqui, só a minha palavra. Muito antes dessa onda toda com essa denominação ridícula de PIG. Golpe sem a participação do grande capital internacional e nacional? Que eu saiba o governo Lula soube fazer o que é tradicional na política brasileira: a “conciliação das elites”. Não vamos esquecer que com a taxa Selic nas alturas, o capital financeiro ganhou milhões (bilhões?). O agronegócio também vendeu horrores, principalmente exportou muito, não é verdade? Todo mundo batendo palmas porque continuamos a vender produtos primários, matérias primas, com nenhum valor agregado. Continuamos como grandes exportadores de cana-de-açucar, algodão, soja, etc., como sempre. O capital industrial e o comercial com o aumento da classe C e os ganhos em outras camadas sociais, também não tiveram do que se queixar, durante muito tempo. Agora estamos no meio da “marolinha”, portanto, a situação é outra.
Golpe sem o apoio de vastas camadas da população? Ah, não me façam rir. E também tem a questão: quantas pessoas lêem jornais? A televisão tem uma influência brutal, mas jornais? Tem penetração em uma camada mínima da população. Quem é professor, professora, pergunte em sala de aula quantos alunos lêem jornais. E estou falando em sala de aula de cursos superiores. A imprensa, no caso aqui tratado, a Folha de S.Paulo especificamente, pode ter seu interesse na eleição do Serra, apoiar o PSDB/DEM, mas golpe? A imprensa, e particularmente alguns de seus órgãos, pode ter interesse específico na eleição deste ou daquele, mas no sentido mais geral, não podemos esquecer faz parte, sim, das classes dominantes/dirigentes, ou, como agora parece ser moda, das “elites”. (Não sei porque deixou de ser usada a conceituação da teoria das classes sociais e passou-se a usar a teoria elite/massa). Bem, com relação a imprensa pertencer (os donos dos meios de comunicação) à dita elite é bom reler o livro Elite do Poder de W. Mills. Um clássico.
3. - Eu continuo a ler tanto a Folha, quanto o Estadão. Primeiro, porque é um vício. Décadas lendo os jornais; e além do mais sou compulsiva. Mas, fundamentalmente, não tenho um entendimento tão negativo sobre os ditos jornais. Não espero imparcialidade. Editoriais comumente não leio. Mas em compensação a Folha tem um Jânio de Freitas, tem um Contardo Calligaris, o Paulo B. Nogueira, entre outros. Não passo sem a leitura. No Estadão tem um Washington Novaes, tem o Marcelo Rubens Paiva. E tem também reportagens que não encontro nos blogs. Não assisto televisão há pelo menos dois anos, portanto, não participo de conversas nas quais o assunto são programas televisivos. Não assisto, não posso comentar. Não tenho nos blogs informações que tenho na imprensa tradicional. Em compensação os blogs permitem outra leitura; permitem o debate que a imprensa tradicional não possibilita.
Bem é isso. aguardo tomates e ovos podres. Mas sem muita força, por favor.
Abraço. Marilda.
PS. - SLeo...achei ótimo seu PQP!
Idelber... com paixão, mas não tanta.

Marilda S. Costa em abril 8, 2009 3:22 AM


#75

Eu gostaria de reafirmar que todas as informações acerca do passado político da atual ministra e provável candidata do PT à Presidência da República são, sim, do interesse público. Todas: as desabonadoras e incômodas inclusive. Se não ficou claro em meu primeiro comentário, eu não acho correto atacar a repórter Fernanda Odilla, que conseguiu uma informação exclusiva, como responsável pelo conjunto da obra da Folha no dia 5 de abril. Não acho correto MESMO. Só quis salientar que um título que inventei e que não contém informação falsa pode ser manobrado para reforçar um ponto de vista - do qual eu não comungo.

Dito isso, enumero algumas discordâncias com digno comentador da caixa. Sérgio Leo diz: "Uma nota: a Folha não deu o assunto Dilma em manchete. Foi um box no alto de página. Isso faz alguma diferença, embora não seja o mais importante".

Ora, discordo um montão. Não é "alguma diferença". Faz muita diferença. Não se trata hierarquia de informação como mera opinião, teoria conspiratória, suposta militância pró-Dilma, ou anti-Serra. Tampouco como "alguma diferença".

Na primeira página, "Dilma" está em caracteres negritados no título. Ao lado da manchete, a chamada - com informação falsa, a se levar a sério o desafio de Espinosa, mas a Folha só corrigiu seu nome no dia 7 - está impressa sobre retícula bordô (retícula é a cor de fundo de uma chamada ou box). Quando bate naquela primeira página, qualquer olho será arrastado para a chamada acima da dobra.

O conjunto de títulos da edição de domingo não é favorável à Dilma. Até aí, nenhum problema (parodiando o ombudsman, ficaria melhor se também se debruçasse sobre o estado e a cidade de São Paulo; São Paulo dá nome do jornal). O problema, a meu juízo, é que a vítima de tortura não está em nenhum título, nem na própria entrevista. Não está nem na linha de apoio ao título. As secreções que saem de gente quando apanha da ditadura estão lá no meio da entrevista.

Isso não é natural para mim. A ditadura não está incomodada nos títulos, nem na chamada de primeira página. Quem se destaca no conjunto de títulos daquela edição é o cérebro do grupo que planejou um crime hediondo. Isso está bastante claro para mim.

O leitor que não dispõe de informação técnica pode até achar que estou catando pelo em ovo. Não estou. O debate entre Ali Kamel e Mário Sérgio Conti sobre a cobertura do Jornal Nacional, da TV Globo, no comício das Diretas Já, dimensiona a importância da hierarquia de informações, as chamadas lidas pelo apresentador e o texto do repórter. Não existe informação falsa na matéria da Globo. O apresentou não mentiu, o repórter não inventou. Mas não dá para defender o conjunto da obra, como tentou fazer Ali Kamel. Obviamente, a culpa daquela edição do JN não é do repórter Ernesto Paglia.

Fábio Carvalho em abril 8, 2009 4:40 AM


#76

Fabio

bom dia

só mudaria o seu primeiro parágrafo em uma coisinha:

Eu gostaria de reafirmar que todas as informações acerca do passado político da atual ministra e provável candidata do PT à Presidência da República são, sim, do interesse público.

ficaria assim

Eu gostaria de reafirmar que todas as informações acerca do passado político DE TODOS OS CANDIDATOS à Presidência da República são, sim, do interesse público.

E, acho que em uma outra ocasião, para não perdermos o foco desse post, gostaria de conversar sobre o delicado tema do passado não político dos candidatos

abçs

rabbit em abril 8, 2009 10:47 AM


#77

Fábio: clap, clap, clap!

aiaiai em abril 8, 2009 10:48 AM


#78

Outra coisa, posso estar enganado, mas não enxergo qualquer oposição Idelber e Seguidores X Sergio Leo e seguidores, por mais que uns e outros pareçam querer isso.
Diferenças há, graças a deus!

abçs

rabbit em abril 8, 2009 10:50 AM


#79

Sleo,

"Uma nota: a Folha não deu o assunto Dilma em manchete. Foi um box no alto de página. Isso faz alguma diferença, embroa não seja o mais importante."

Vc só esqueceu de dizer que foi um box, no alto da PRIMEIRA PÁGINA...Em letras garrafais. Um leigo poderia falar isso, mas vc, um cara que a gente admira por uma carreira jornalística tão elogiada sempre...Imagino que tenha algum conhecimento de diagramação, né não?


aiaiai em abril 8, 2009 11:01 AM


#80

Minha avaliação sobre a reportagem é bem diferente da de vocês. Eu acho que o saldo da reportagem foi bom para a Dilma.

Não superestimem a capacidade do jornal para "frame" o assunto. O jornal tem suas posições - o que é legítimo - mas precisa vender, manter uma reputação, etc., e há um mínimo de debate público (como se vê aqui) para evitar exageros muito grotescos. Há conflitos internos dentro do jornal. E o objeto da reportagem também tem margem de manobra. Somando todos esses vetores, acho que Dilma saiu ganhando.

O cara que não vota em Dilma de jeito nenhum porque ela era guerrilheira é, desde o início, um eleitor inconquistável. O Reinaldo Azevedo deve ter ficado chocado com a reportagem, mas, falando francamente, isso é até bom para a Dilma. Todo time quer que o adversário tenha um zagueiro como o RA. Deixem que a natureza marca.

A reportagem deve ter eletrizado a base: a Dilma tem um perfil bastante tecnocrático, e tem gente que sempre votou na esquerda que preferiria um cara como o Ciro, por exemplo, que normalmente transmite mais paixão. Mas da entrevista da Folha o que se tira é uma Dilma apaixonada o suficiente para morrer pelo que acreditava (o que ela é, mesmo). Visto que não acredita mais nas besteiras em que acreditava, mas mantém sua personalidade,isso parece uma qualidade. Não defendo que ela faça campanha como guerrilheira, mas, nesse momento, pode ter sido bom chamar atenção para esse aspecto de sua personalidade.

E, finalmente, há a maioria das pessoas, para quem o passado de guerrilheiro é só mais um fator a ser levado em conta na decisão de votar ou não em Dilma. Cedo ou tarde, quem não sabe, saberia que Dilma era guerrilheira. Se a grande narrativa sobre o passado de Dilma for essa de domingo, eu acho ótimo: ela mudou de opinião, mas era extremamente corajosa, e admirada mesmo pelos torturadores. Era uma jovem apaixonada por um de seus companheiros de armas. E é uma dona firme que dá esporro em grande jornal.

Não é que a Folha tenha tentado beneficiar (e nem estou tão convencido de que tenha tentado prejudicar) a Dilma: como de hábito, todo mundo foi pro jogo, alguém jogou melhor e ganhou.

NPTO em abril 8, 2009 11:53 AM


#81

O problema da matéria é o que ela queria implicar. Lendo somente a manchete, a pessoa pode facilmente chegar à seguinte conclusão (copiada e colada de um post da nariz gelado):

"VAR-Palmares, sob o comando de Dilma, planejava seqüestrar Delfim Neto"

Isto está escrito la no blog da Nariz (tá bom, não é exatamente uma fonte imparcial, ela assumidamente tem lado).

Me sinto meio oprimido vendo comentários de tanta gente que leio e admiro, como o Sergio Leo, Arranhaponte, NPTO, Kenji, mas, convenhamos, apesar da manchete estar factualmente correta, ela foi escrita de má-fé, tentando gerar impressões falsas.

Seria como, baseado nestes comentários, chamasse o Sergio Leo de "Grande e Ferrenho defensor da FSP". Factualmente é verdade neste caso, mas gera incríveis distorções em quem lê.

O que acha, sr. Grande e Ferrenho Defensor da FSP?

Andre Carvalho em abril 8, 2009 4:08 PM


#82

Não sei não, acho q o prof. Espinosa se empolgou com os holofotes da DitaFolha e sifu. Aí foi tentar consertar a m... e sifu de novo.
A m... já esta feita.

Robin em abril 8, 2009 7:06 PM


#83

André Kenji:

"BS. Larry Craig e Jim McGreevey(Provavelmente os maiores escândalos envolvendo políticos gays dos EUA) eram casados."

Por essas e outras que eu acrescentei "apesar de toda a hipocrisia da coisa". O que quis dizer é que me pareceu evidente a tática de se usar um estereótipo (homem acima dos 40, solteiro e nunca visto com mulher - o Aécio, p.ex., tem fama de "pegador") para melar o jogo.

Cajueiro em abril 8, 2009 11:01 PM


#84

Estou certo, sim, Tiago Mesquita. e a prova é o novo post do Idelber sobre o Consultor Jurídico, onde ele descobre MAIS UMA CONSPIRAÇÃO.

"Um garoto com razoáveis aulas de interpretação de texto em nível de segundo grau não teria muitas dificuldades para desmontar a farsa armada pelo site Consultor Jurídico, de conhecidas ligações com Gilmar Mendes, a partir dos rascunhos (pdf) arrancados do computador do Delegado Protógenes Queiroz durante a recente ofensiva contra ele."

Claro que um garoto de segundo grau a desmontaria.
Só que Idelber NÃO ESTÁ no segundo grau; ele está com 8 anos e briga com torcedores do Cruzeiro, dizendo que o Galo é o maior.

E a conspiração é agora mais sofisticada ainda, pois MISTURA os nomes de MESTRES do jornalismo com JORNALISTAS GOLPISTAS. (Onde é que vão parar com essas conspirações, santo Marx!?)
Claro, TUDO ruim para o PT é uma grande conspiração. E toda expulsão ou pênalti marcado contra meu time é uma conspiração contra meu time.
Repito: a mentalidade de arquibancada alfabetiza a política brasileira. É um pensamento de fanáticos totalitários.
E para o Idelber tudo é um grande Flamengo e Atl. Mineiro de 81 pela Libertadores. O pensamento dele não vai além disso. É curto.

Visitar o Biscoito Fino é como visitar os sites de torcedores: são sempre roubados, há sempre uma conspiração...Quase choro. Mas geralmente rio.

Falstaff em abril 9, 2009 6:18 AM


#85

Ah, mas que vício irresistível tem sido para você esse Fla x Flu escrito por um menino de 8 anos, não é, Falstaff?

A julgar pela quantidade de acessos seus, realmente está difícil se libertar, não é? A vontade de continuar vindo é mais forte que você, não é mesmo?

Idelber em abril 9, 2009 6:56 AM


#86

Falstaff, se julga o seu interlocutor dessa forma fica difícil de conversar. Mas a julgar pela ópera, sua natureza é zombeteira

Tiago Mesquita em abril 9, 2009 12:22 PM


#87

Ué, respondeu ao Anônimo, Idelber?
Isso não se faz!
Uma pessoa sem nome não pode falar nada de bom.

Você geralmente só responde aos meus comentários quando eu invento um nome qualquer, tipo nome normal e tudo mais; e.g., quando Enzo di Trevi pediu que você fizesse um post sobre os comentários de Gil M. sobre Carl Schmitt, lembra? Aliás, só eu ainda espero o post?
Provavelmente.

===

Eu julguei mal alguém?
Só o Idelber, Tiago, e não você.

Mas não tem problema julgar mal o Idelber, afinal eu nem esperava que ele respondesse, porque ele não responde aos "anônimos".
E não respondia ninguém também quando bombardeou o blog com posts sobre a Palestina. Claro, como nos períodos de crise os ditadores fecham os jornais, Idelber nos momentos de guerra fecha os comentários. Para que ser contrariado quando achamos que um lado é puro e o outro é sujo?

E pois é, toda vez que coloco este nome todos falam da ópera. Na verdade eu nunca vi a ópera. O motivo é o bardo; mas tudo bem, afinal a ópera foi baseada no Falstaff orginal, penso eu.

Abraços.

Falstaff em abril 10, 2009 1:36 AM


#88

O Verdi fez uma porção de óperas inspiradas no Shakespeare. O curioso do Falstaff do Verdi é que ele tem um papel diferente do que tem nas peças. Na ópera ele é protagonista. Não sei quem escreveu o libreto. Se você quiser eu olho depois.

Tiago Mesquita em abril 12, 2009 12:56 AM


#89

Mais uma etapa no enrola enrola da fsp...agora eles dizem que a entrevista foi toda gravada, eles tem as gravações e que estas comprovam o teor da matéria. Dai o ombudsman da própria FSP disse: legal, dá então para vcs publicarem?
resposta da redação: não, não dá...kkkkkkk
mais uma piada da gravação que houve mas ninguem pode ouvir kkkkkkkkk

aiaiai em abril 12, 2009 6:57 PM


#90

Não precisa, Tiago.
Mas sei que o WH Auden, nas aulas que ele dava sobre Shakespeare, só executava a ópera quando ia falar sobre Merry Wives.
Segundo ele, a única coisa boa que se tira da Merry Wives é a ópera do Verdi.
Abraço.

Falstaff em abril 13, 2009 12:18 AM


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