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sexta-feira, 24 de abril 2009

O empresário Gilmar Mendes, por Leandro Fortes

É importante apoiar, reproduzir e circular o trabalho daqueles que estão fazendo genuíno jornalismo investigativo no Brasil. Eles são tão poucos! O post de hoje é um pequeno reconhecimento do trabalho de um deles, Leandro Fortes. Quebra-se hoje, pois, a regra tácita deste blog, de não reproduzir textos alheios na íntegra. Mas é que esta reportagem de Leandro Fortes, publicada originalmente em Carta Capital, 05/10/2008, merece ser lida de novo. Aí vai, completa. (daqui)


CARTA CAPITAL - 05/10/2008

"Quem quiser ficar rico, não vá ser juiz"

João Batista de Arruda Sampaio, desembargador e jurista (1902-1987)


Por Leandro Fortes

Colaboraram Filipe Coutinho e Phydia de Atahyde

Desde que veio à tona a história do suposto grampo de uma conversa com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, galvanizou os anseios de uma parte da sociedade que enxerga nos ministros de tribunais superiores a chance de controlar o poder negado nas urnas em eleições recentes. Como "vítima" de uma interceptação ilegal até agora não comprovada, Mendes acabou alçado à condição de paladino do Estado de Direito, dos valores republicanos e, por que não, da moralidade pública.

O episódio exacerbou uma tendência crescente do STF, a de interferir além dos limites de sua atribuição na vida dos demais poderes. Coube a Mendes chegar ao extremo, quando chamou "às falas" o presidente da República por conta da mal-ajambrada denúncia do tal grampo. O Congresso, a Polícia Federal, os juízes de primeira instância, o Ministério Público, ninguém escapa da fúria fiscalizadora do magistrado que ocupa o principal cargo do Poder Judiciário no Brasil.

Quem tem a pretensão e o pendor para "varão de Plutarco", presume-se, segue à risca na vida particular os padrões morais que prega aos concidadãos. Não parece ser este o caso de Mendes. A começar pela sua participação no controle acionário do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). Há de cara um conflito ético, ainda que as regras da magistratura não sejam claras o suficiente sobre a permissão de juízes possuírem negócios. Criado em 1998, o IDP organiza palestras, seminários e treinamento de pessoal, além de oferecer cursos superiores de graduação e pós-graduação. Entre 2000 e 2008, faturou cerca de 2,4 milhões de reais em contratos com órgãos ligados ao governo federal, todos firmados sem licitação. No quadro de professores contratados pelo instituto figuram ministros de Estado e dos tribunais superiores, e advogados renomados, vários deles defendendo clientes com ações que tramitam no STF presidido por Mendes.

A Lei Orgânica da Magistratura deixa dúvidas sobre os limites da atuação de juízes além dos tribunais. O parágrafo 2º do artigo 36 diz ser vedado exercer cargo de direção ou técnico de sociedade civil, caso do IDP, mas nada diz sobre possuir ações ou cotas do empreendimento. Magistrados mais antigos sempre interpretaram que a lei só permite ao juiz dar aulas remuneradas, nada mais. A visão tem mudado. Estudiosos do Direito como David Teixeira de Azevedo, professor da Universidade de São Paulo, e Dalmo Dallari, professor aposentado da USP, afirmam que não há nada na legislação que proíba expressamente a participação societária em empresas privadas. "É preciso ver, porém, se o juiz se valeu de sua condição para obter qualquer tipo de benefício."

O que se pode dizer do IDP é que gravitam ao seu redor nomes de peso da República. O corpo docente é formado por 87 professores, entre eles dois ministros do governo Lula, Nelson Jobim (Defesa) e Jorge Hage (Controladoria-Geral da União). Eventualmente dão palestra no instituto, José Antônio Toffoli, advogado-geral da União, e Mangabeira Unger, do Planejamento Estratégico. Unger, por exemplo, esteve lá na quinta-feira 2, na abertura do 11º Congresso Brasiliense de Direito Constitucional.

Vários dos colegas de tribunal também são docentes do instituto: Carlos Alberto Direito, Carlos Ayres Britto, Carmem Lúcia Rocha, Eros Grau e Marco Aurélio Mello. Há ainda diversos titulares do Superior Tribunal de Justiça.

O presidente do STF tem dois sócios na escola. Um deles é o procurador regional da República Paulo Gustavo Gonet Branco, o outro, o advogado lnocêncio Mártires Coelho, último procurador-geral da República da ditadura, nomeado pelo general-presidente João Baptista Figueiredo, em junho de 1981. De acordo com a junta Comercial do DF, cada sócio desembolsou 402 mil reais, num total de 1, 2 milhão de reais, para fundar o IDP.

O investimento parece ter dado frutos. O IDP mantém, por exemplo, contrato com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualmente presidido por Carlos Ayres Britto, que substituiu na função Marco Aurélio Mello. Já o faturamento em contratos com a União cresceu após Mendes ter sido nomeado ministro do Supremo. De 2003 para cá, o valor somou 1, 6 milhão de reais, segundo dados disponíveis no site Contas Abertas (www. contasabertas. com. br). O mês de setembro foi particularmente pródigo: 350 mil reais em convênios. Todos, repita-se, firmados sem licitação.

No Portal da Transparência da CGU. mantido pelo governo federal, há dados interessantes sobre os contratos do instituto. Dentro das guias de pagamento do portal, aparece um acordo com a Receita Federal até para trabalho aduaneiro.

Têm sido comuns também contratos com a Força Aérea Brasileira. Tanto interesse da FAB nas consultorias do instituto do ministro Gilmar Mendes tem uma razão de ser. O diretor geral do IDP é um experiente coronel da reserva da Aeronáutica, Luiz Fernandes de Oliveira, segundo ele mesmo, com carta-branca dos sócios para fazer tudo, "menos fechar o IDP". Aviador por formação, com cursos de administração pública na Fundação Getúlio Vargas e de Ciências Políticas Militares, no Exército, o coronel Fernandes é um velho conhecido do brigadeiro Juniti Salto, com quem trabalhou na FAB. Bem articulado, o diretor-geral fechou bons contratos para o IDP, e não somente na Aeronáutica.

Os valores recebidos da União pelo IDP, em 2008, devem-se, sobretudo, a três contratos firmados com o Senado Federal, o STJ e a Receita Federal. Do Senado, o instituto do ministro Mendes recebeu 125 mil reais, para ministrar um curso de Direito Constitucional para "consultores e demais servidores" da Casa. No STJ, o curso é de Direito Tributário, voltado para servidores lotados em gabinetes de ministros, ao custo de 88, 2 mil reais. E, finalmente, da Receita Federal o IDP recebeu 117, 9 mil reais para também aplicar um curso de Direito Tributário a funcionários do órgão.

Pelo Portal da Transparência é possível saber que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional contratou o IDP para gerir o programa de "Recuperação de Créditos e Defesa da Fazenda Nacional", por 11 mil reais. O interessante é que, entre os professores do IDP, há três procuradores da Fazenda Nacional: Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, José Levi Mello do Amaral Júnior e Rodrigo Pereira de Mello.

Há mais. Em 2006, a Receita Federal pagou 16 mil reais ao IDP na rubrica "Administração do Programa" e "Arrecadação Tributária e Aduaneira" do Aeroporto de Brasília. Segundo a assessoria do órgão, a Receita pagou curso de pós-graduação em Direito Tributário a servidores. Na mesma linha, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) do MEC pagou 58 mil reais ao IDP para "Controle e Inspeção da Arrecadação do Salário-educação e sua Regular Aplicação" dentro do programa de Gestão da Política de Educação.

Os cursos oferecidos pelo IDP também foram contratados pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF), que pagou 690 mil reais para oferecer a 92 procuradores do DF pós-graduação em Direito Público, entre março de 2006 e junho de 2007. Assim como nos outros contratos, a licitação foi considerada "inexigível". No período em que Jobim presidiu o STF, entre 2005 e 2006, o tribunal gastou quase 50 mil reais em cursos e eventos oferecidos pelo instituto de Mendes, tudo sem licitação, na modalidade "inexigível", ou seja, a partir do pressuposto de não haver outra entidade capaz de prestar serviços semelhantes. De fato, ao congregar quase uma centena de advogados, ministros, promotores, juízes, auditores, procuradores e auditores no corpo docente do IDP, Gilmar Mendes praticamente anulou a possibilidade de surgirem outras instituições capazes de prestar os mesmos serviços em Brasília.

Em 2006, reportagem do jornal O Globo denunciou uma das relações estranhas do IDP com o STF. Então presidente interino do Supremo (a titular, Ellen Gracie Northfleet, estava de licença médica), a única saída de Mendes foi transformar em "bolsa de estudos" um empenho de 3, 6 mil reais referente a um curso de mestrado em Ações Constitucionais ministrado pelo IDP a três funcionários do Supremo. Ao se justificar, o ministro alegou não ter havido irregularidade porque cabia aos servidores escolher o curso e a escola onde pretendiam fazer as especializações. Só se esqueceu de dizer que, como o IDP tem o monopólio desses cursos em Brasília, o instituto não só foi o escolhido como, claro, caiu na modalidade "inexigível" de licitação.

Ainda assim, as poucas tentativas de impedir o presidente do STF de usar de influência para conseguir contratos no governo, até hoje, foram em vão. A primeira delas ocorreu em abril de 2002, pouco antes de ele ser nomeado ao STF, quando o Ministério Público Federal instaurou uma ação de improbidade administrativa justamente por Mendes ter contratado o IDP para dar cursos no órgão do qual era o principal dirigente, a Advocacia-Geral da União. No STF, onde o caso foi parar, a ministra Ellen Gracie (indicada por Jobim, referendada por FHC) decidiu pelo arquivamento da ação. O Supremo nem sequer analisou um recurso do procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, contra a decisão.

A sede do IDP é um amplo prédio de quatro andares, onde, segundo o site do instituto, há 22 salas de aula "amplas e confortáveis", uma biblioteca informatizada (não é verdade), um foyer para realização de eventos acadêmicos, um auditório com capacidade para 240 espectadores (ainda em construção) e estacionamentos interno e externo (neste caso, trata-se das ruas ao redor da escola). Na fachada do edifício há uma placa na qual se lê: "Empreendimento financiado com recursos do Fundo Constitucional do Centro Oeste FCO". Trata-se de dinheiro gerenciado pelo Banco do Brasil, a partir de um contrato fechado durante um churrasco na laje do IDP, em 2006, quando o prédio ainda não estava pronto.

Antes, um pouco de história. O IDP começou a funcionar, em 1998, na casa do ex-procurador-geral Inocêncio Coelho, no Lago Sul, uma área de casarões em Brasília. As aulas ocorriam em uma só sala, mas, com o aumento da procura pelos alunos, os três sócios acharam por bem procurar outro lugar. Em 2004, encontraram um terreno de 2, 5 mil metros quadrados na Quadra 607 da avenida L2 Sul, ao preço de 2, 2 milhões de reais.

Para viabilizar a compra, o grupo recorreu, então, ao Programa de Promoção do Desenvolvimento Econômico Integrado e Sustentável (Pró-DF II), criado pelo ex-governador Joaquim Roriz (PMDB). O Pró-DF II tem corno objetivo gerar emprego e renda a partir de benefícios fiscais dados aos empresários, principalmente os de pequeno porte. Para isso, o governo do Distrito Federal diminui impostos e dá descontos de até 80% no valor do terreno a ser utilizado pelo empresário. O subsecretário do programa, Engels Rego, não sabe explicar como o IDP foi enquadrado na rubrica de "setor produtivo".

De acordo com o subsecretário, pelos parâmetros atuais, definidos no governo Arruda, o IDP não teria recebido um terreno na L2 Sul, área central do Plano Piloto de Brasília, onde praticamente não há mais espaços disponíveis. "A política da secretaria nessa gestão é incentivar o setor produtivo nas regiões administrativas, para desafogar o Plano Piloto e desenvolver as outras áreas da cidade", afirma.

Autor de uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra o Pró-DF II, por não concordar com a política de composição do conselho deliberativo do programa, o presidente da Federação das Micro e Pequenas Empresas do Distrito Federal (Fempe-DF), Sebastião Gabriel de Oliveira, conta jamais ter visto um micro e pequeno empresário local conseguir terreno no Plano Piloto, como o do prédio do IDP. "As micro e pequenas empresas nunca tiveram esse privilégio, a gente não tem cacife para isso", garante.

Os trés sócios do IDP assinaram o contrato com o Pró-DF II em 1° de setembro de 2004, quando Mendes já estava no STF. Os donos do instituto conseguiram enquadrar o negócio nos parâmetros do programa do governo distrital e obtiveram, ao fim do processo, o maior desconto possível, de 80%. Assim, o terreno, cujo preço original era de 2, 2 milhões de reais, foi financiado, em cinco anos, por 440 mil reais - o preço de um apartamento de quatro quartos, no mesmo bairro.

A boa estrela, digamos, do IDP não parou de brilhar por aí. Em fevereiro de 2005, quando se iniciaram as obras no terreno da L2 Sul, o caixa do instituto, segundo o diretor-geral Luiz Fernandes, dispunha de 3 milhões de reais. O dinheiro, diz ele, não era suficiente para levantar o prédio totalmente, razão pela qual Fernandes teve de correr atrás de um empréstimo, inicialmente, sem sucesso. Quando o primeiro piso do edifício ficou pronto, organizou-se a chamada "festa da cumeeira", com o tal churrasco assado sobre a laje pioneira. Um dos convidados, conta Luiz Fernandes, era um gerente do Banco do Brasil que, entre uma picanha e outra, quis saber de Inocêncio Coelho a razão de não haver nenhuma placa do banco na frente da obra. "Não tem placa porque não tem financiamento algum", disse o sócio do IDP. Foi quando o gerente os aconselhou a procurar o Fundo Constitucional do Centro Oeste (FCO), gerido pelo Banco do Brasil e, normalmente, destinado a projetos muito diferentes dos propostos pelo instituto.

No primeiro balanço trimestral de 2008, o FCO liberou mais de 450 milhões de reais. Pouco mais de 190 milhões (40%) foram destinados a micro e pequenas empresas. As companhias de médio porte receberam 32%, ou 150 milhões de reais. A prioridade de investimento do fundo é, porém, o meio rural, que recebeu 278 milhões de reais (60%). O setor de comércio e serviços aparece apenas em terceiro lugar, com desembolso de 62 milhões de reais, ou 13% do fundo. Mesmo assim, e sem se encaixar exatamente no perfil, o IDP apresentou-se como "pequena empresa" do setor de serviços para solicitar o financiamento.

A política do FCO visa, preferencialmente, atividades comprometidas com a utilização intensiva de matérias-primas e mão-de-obra locais, sobretudo na produção de alimentos básicos. A análise dos pedidos de empréstimos leva em conta a preservação do meio ambiente e busca incentivar a criação de novos pólos de desenvolvimento capazes de reduzir as diferenças econômicas e sociais entre as regiões.

Ainda assim, graças ao churrasco da laje, o IDP conseguiu arrancar do fundo, com prazo de pagamento de dez anos, um financiamento de 3 milhões de reais, com base na rubrica "instalação, ampliação e modernização de estabelecimentos de ensino e de prática de esportes". Como garantia para o empréstimo, diz Fernandes, os sócios ofereceram patrimônios pessoais. Mendes colocou à disposição do Banco do Brasil uma fazenda em Mato Grosso. Inocêncio Flores e Paulo Gonet, as casas onde moram, no Lago Sul de Brasília. Nenhum dos três atendeu aos pedidos de entrevi sta de Carta Capital. A assessoria de imprensa do presidente do STF deu, em particular, uma desculpa que até agora causa perplexidade. Segundo a assessoria, Mendes não costuma conceder entrevistas.

A escola tem 22 funcionários, segundo informação do diretor-geral. Os 87 professores anunciados no site não são contratados formalmente, mas profissionais requisitados para cursos específicos, para cursos específicos, pagos pelo sistema de Recebimento de Pagamento Autônomo (RPA). O corpo docente recebe, em média, 6 mil reais por mês, a depender do status acadêmico ou de poder de cada um.

Antes de ser inaugurado, em setembro de 2007, o prédio do IDP sofreu um embargo de seis meses da Secretaria de Desenvolvimento e Turismo (SDET) do Distrito Federal, comandada pelo maior empreiteiro da cidade, o vice-governador Paulo Octávio.

Os fiscais da secretaria descobriram que a obra tinha avançado três metros além da altura máxima permitida pelo gabarito de ocupação da capital. Fernandes garante ter resolvido o assunto burocraticamente, sem interferência política.

Mendes, pelas limitações da Lei Orgânica da Magistratura, não ocupa cargo executivo no IDP, mas costuma fazer retiradas em dinheiro. Na última, pagou 20 mil reais. No STF, seu salário é de 24, 5 mil reais por mês. Além disso, de acordo com Fernandes, o IDP tem restituído aos sócios, em parcelas mensais, 125 mil reais que cada um foi obrigado a desembolsar, no ano passado, para completar o dinheiro da obra do prédio.

O diretor-geral admite ter suspendido as pretensões de contratos com o STF, em 2006, quando veio a público a ligação de Mendes com o instituto. Isso não o impediu, porém, de fechar contratos com o STJ, de onde são oriundos sete professores do IDP. Nem no Senado Federal, onde a influência do presidente do STF ajudou a consultoria jurídica da Casa a escolher, sem licitação, o instituto em detrimento das propostas de três universidades, entre elas a Brasília (UnB), onde muitos dos magistrados contratados pelo IDP também dão aula.

Há outros conflitos de interesses evidentes. O sistema de busca de processos no site do STF mostra que 35 professores do IDP, entre advogados, promotores e procuradores, têm ações em tramitação no Supremo. Ou seja, atuam como parte interessada em processos no tribunal atualmente dirigido por seu empregador.

O nome de um dos sócios de Mendes no instituto, Inocêncio Coelho, aparece 14 vezes na consulta ao site do tribunal.

Por Leandro Fortes.



  Escrito por Idelber às 07:07 | link para este post | Comentários (15)


Comentários

#1

Idelber, você não imagina o quanto me honra ser reproduzido no seu blog. Muito obrigado.

Leandro Fortes em abril 24, 2009 11:45 AM


#2

O incrível disso tudo é que há dez meses, desde que li esta belíssima Reportagem, estou esperando uma repercussão qualquer no restante da grande imprensa. Até agora, nada.

quem sabe agora, tendo-se furado um primeiro bloqueio (e visto que o galo canta alto mas não é de briga propriamente dito), alguém se encoraja.

Radical Livre em abril 24, 2009 11:58 AM


#3

Nada como revelar os interesses privados que regem o que deveria ser público.
É o saco sem fundo da ganância e da falta de honradez de quem quer se dar bem, não a qualquer preço, mas por muito dinheiro.
Isso, em nome da justiça!
"A maldade não tem fim", canta Paulinho da Viola.
Parabéns a Fortes pela reportagem.

Jair Fonseca em abril 24, 2009 12:07 PM


Johnny em abril 24, 2009 12:22 PM


#5

Idelber.

O Gilmar Dantas está bagunçando a República inteira por sua cumplicidade com Daniel Dantas.

Olha o vídeo que o PHA acaba de postar. A assessora do Gilmar Dantas (será uma "jagunça"?) Dalide, na CPI do Grampo, com cracha do STF mandando SMS para o Itagiba e para o Gilmar para apertar o Protógenes.

Esse é o Presidente da Suprema Corte do Brasil????

http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=9575

José Roberto Tourinho em abril 24, 2009 1:45 PM


#6

Classista...Esta a fixação de Gilmar, a palvra mágica que ele encontrou para atacar aqueles que dele discordam. Todo voto que seja contra a vontade de Daniel Dantas é classificado por ele (Gilmar) de classista. Ao dizer isso Gilmar está chamando o ministro de ideólogo, esquerdista, etc, o que ele fez ao referir-se a Barbosa, o qual reagiu à altura dos insultos que recebeu daquele que deveria ter compostura e não teve.

Há alguém no STF mais classista que Gilmar Mendes? É só ver as decisões que ele tomou ultimamente, tais como proibição de algemas para quem "não oferece perigo à sociedade", direito de liberdade para o criminoso do colarinho branco até que seja esgotado o último recurso, monitoramento dos juizes de segunda instância. Todas estas propostas de Gilmar só beneficiam os ricos, portanto chega a ser risível ele xingar alguém de "classista", como fez com Barbosa.

jose carlos lima em abril 24, 2009 2:53 PM


#7

Leandro, eu é que me alegro muito de ter um espaço que, de forma mínima, faz alguma diferença na disseminação do trabalho de quem realmente trabalha.

Achei a capa da Carta Capital para a semana que vem histórica. Uma daquelas de se guardar para citar no futuro, mesmo.

jose carlos, na mosca. Você disse algo muito importante. É sempre bom ficar atento para o léxico, para as escolhas de vocabulário dos que se dedicar a distorcer a realidade para fins escusos. O jogo do presidente do STF com o termo "classista" é um caso visível, como você nota.

José Roberto: não pude ver o vídeo, não está entrando aqui o blog do PHA.

Radical, é inacreditável o bloqueio de silêncio da grande mídia sobre este tema.

Jair, meu caro, vem por aí um post sobre música com você em mente, sobre este festival para o qual estou me deslocando agora. Abraços.

Idelber em abril 24, 2009 4:20 PM


#8

Idelber,

Mais espantoso ainda, na minha opinião, é o silêncio em torno da muito bem feita reportagem sobre a acusão de tortura ao Diretor Geral da Polícia Federal.

O fato é gravíssimo, e só o ato de ele ter se envolvido na apuração de um caso para o qual não é competente (de maneira clara, inegável, não há sequer como tergiversar sobre o tema) e sobre o qual tinha interesse pessoal (envolvia a avó de sua esposa, se bem me lembro), já seria suficiente para ele ser duramente questionado pela imprensa.

Quer exemplo mais acabado de estado policialesco? Gilmar Mendes não disse palavra a respeito, seria interessante ouvi-lo, já que tanto critica a Polícia Federal.

Esse caso deixa claro o cerceamento do debate, ele sequer foi repercutido, ainda que da maneira mais leve possível.

Daí que é totalmente razoável questionar se isso não ocorreu porque esse delegado está a impor sanções a Protógenes, e tem a chave para impor facilidades ou dificuldades ao inquérito da Satiagraha nas partes que ainda não viraram processos criminais.

Abraço.

Paulo SPS em abril 24, 2009 5:00 PM


#9

Caro Paulo, como você e outros vêm documentando aqui, fomos levados a essa bizarra inversão da realidade: reportagens documentadas como as de Leandro Fortes acerca dos negócios de Gilmar em Brasília e Mato Grosso (ou dos gravíssimos indícios contra o atual diretor da PF no caso da doméstica) são recebidas com esse pacto de silêncio -- e às vezes com processo judicial, como o que move o presidente do STF contra Leandro.

Por outro lado, factóides inventados a partir de gritaria pseudojornalística pouco fundamentada da Veja sobre um grampo sem áudio levam ao exílio de um brasileiro de currículo honrado, como o Dr. Paulo Lacerda.

É o mundo de cabeça abaixo mesmo. Qualquer um que queira abordar esse assunto com os tradicionais "não há que se cair no Fla x Flu" ou "em nenhum lado há santo" está simplesmente sofismando para não ver a realidade, seja por ingenuidade útil, seja por má fé.

Abraços.

Idelber em abril 24, 2009 5:33 PM


#10

Sem diminuir a importância da investigação nem a relevância dos fatos levantados, me preocupa um trecho logo no início do texto.

"anseios de uma parte da sociedade que enxerga nos ministros de tribunais superiores a chance de controlar o poder negado nas urnas em eleições recentes"

Não é nem a arrogância (que ele tem), nem a corrupção (apenas suposta, mas provável) de Gilmar Mendes que incomoda realmente, mas o fato de que ele não se contenta em abaixar a cabeça ao Executivo. O trecho acima deixa claro que o autor parte do princípio de que o apoio majoritário da população é suficiente legitimação e de que os outros poderes tem mais é que sair do caminho.

Não defendo Gilmar Mendes como cidadão privado (que não conheço), nem em sua atuação como ministro. Se ele pratica atos ilicitos tem mais é que ir pra cadeia. Mas isso é apenas um pretexto para o artigo, para o ódio contra GM, para a explosão de Barbosa.

"A voz das ruas..." disse ele. É o mesmo raciocínio torto de quem pensa "se o povo Venezuelano quer Chavez para sempre, por que não permitir Chavez para sempre?"

Não sou adepto do em-cima-do-murismo, mas não tenho a obrigação de escolher entre lados que não me representam.

Ninguém tem a obrigação de escolher entre o autoritarismo de poucos ou autoritarismo das multidões. Entre a voz dos telefonemas furtivos e os gritos de fúria dos linchadores. Entre um banqueiro do dinheiro alheio e um delegado que passa seu horário de expediente posando de herói pelo país a fora.

lucas em abril 24, 2009 7:45 PM


#11

muito bem lembrada esta matéria do Leandro Fortes.
aliás, CC, só tem craque.

mas, a gente está lavando um cadinho a alma com a repercussão, a favor do ministro Joaquim Barbosa. Mais do que merecido o reconhecimento pela sua coragem (sim, no meio do chefe dos jagunços é preciso coragem prá dizer a verdade).

eu também copio e colo coisas que gosto... muitas do seu site...

luzete em abril 24, 2009 7:54 PM


#12

Lucas, me perdoe, mas seu texto me confundiu. O que, exatamente, você critica? Me pareceu que o autor quis dizer que Gilmar aje como porta-voz da oposição (dos que tiveram o poder negado pelas urnas). A mesma oposição que não consegue obter êxito pela via democrática, isto é, através da ação legislativa, encontrou num membro do judiciário - que, por dever de ofício, deveria ter atuação discreta e apartidária - caixa de ressonância para suas queixas (não julgo se legítimas ou não). A oposição não perdeu o seu espaço. Apenas não vem tendo sucesso no exercício da crítica na busca (legítima) do poder. O ministro Gilmar Mendes tem sido o cavalo de Tróia de uma oposição que não tem coragem de assumir seus valores, arriscando-se a perder votos por fazer oposição a um presidente bem avaliado.

Não é caso de baixar a cabeça para o executivo, mas, ao contrário, de não levantar o nariz para os demais poderes. Um exercício prático: imaginemos que Gilmar Mendes resolvesse "chamar às falas" não o presidente Lula, que é vaselina, mas um hipotético presidente Ciro Gomes. Aí veríamos verdadeiramente o que é crise institucional.

Cajueiro em abril 24, 2009 9:03 PM


#13

Idelber,

Olha essa foto de hoje em Brasília. A coisa, para o Gilmar Dantas, está HORRÍVEL!

http://noticias.uol.com.br/album/090424_album.jhtm?abrefoto=28

José Roberto Tourinho em abril 24, 2009 10:17 PM


#14

valeu a reprodução,idelber.
romério

romério rômulo em abril 27, 2009 1:49 AM


#15

Jovens, as relações viscerais com o poder vem desde o tempo do descobrimento (vide carta de Pero Vaz de Caminha). Aqui temos o agravante de haver conflito de interesses, coisa proibida ao extremo pelos mesmos magistrados do STJ e do STF em seus julgamentos de nós, pobres mortais. Cabe a pergunta: Sed quis custodiet ipsos custodes? - ou, em bom português, Quem guarda os guardiães? - perguntava Juvenal no texto de "A República", de Platão. O problema é antigo, pelo que vemos. A solução de Platão era a de que os guardiães proteger-se-iam deles mesmos. O que não deixava clara a situação de nós outros. Assim, a solução de Platão continuava: "Nós devemos contar a eles uma 'mentirinha carinhosa'". Nos tempos de hoje, com o avanço da internet é cada vez mais difícil mentir sem ser descoberto. E agora, senhor ministro? Até quando esses privilégios deverão perdurar? Lembrem-se do Juiz Lalau do TRT-SP...

I.F.Neto em fevereiro 11, 2011 9:18 AM