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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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sábado, 30 de maio 2009

Um blog aos sábados: Ao Mirante, Nelson!

Para benefício das levas de leitores novos que vão chegando, o Biscoito inicia uma série: "um blog aos sábados". É uma homenagem a blogs que já fizeram história na internet, uma espécie de modesta contribuição à memória blogueira.

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Nelson Moraes talvez seja o único blogueiro brasileiro a ter inventado um gênero. O que você lê em Ao Mirante, Nelson! não é microconto, não é poema em prosa, não é fait divers. É um gênero próprio, burilado ali, algo para o qual ainda não há nome e que poderíamos chamar de post elevado à condição de arte.

No final de 2004, logo depois de abrir o Biscoito, ainda sem saber onde aterrizara, saturado de ler porcarias – ou uns poucos blogs bem escritos que, no entanto, não me diziam muito --, já meio rendido à tese de que tudo na blogosfera era ruim, eu cheguei a um post. Foi, ao mesmo tempo, lição de humildade e fonte de gargalhadas que insistiam em se repetir cada vez que eu revisitava o texto. Eu nunca havia visto aquilo: um diálogo de meia página que combinava uma erudição assombrosa com um domínio perfeito de todos os tiques da linguagem tecnológica daquele momento. Trata-se daquele que eu ainda considero o post mais perfeito já produzido em lusitana língua: Se os diálogos de Platão fossem pelo MSN. Se você nunca leu, siga o link e fique por lá. Volte aqui só no domingo.

A obra de Nelson Moraes – sim, de uma obra se trata – tem essa característica, a de agarrar um momento da tecnologia, da política ou do cotidiano, extrair-lhe a essência mais hilária e, ao mesmo tempo, confrontar-nos com o seu vazio. No caso da tecnologia, o mais recente exemplo é o emblemático Jornal x Blog x Twitter: a série, que diz mais que todas as nossas verborrágicas discussões sobre o futuro das mídias. Os próprios blogs são temas constantes, como nesta paródia aos comentaristas ou nesta sátira à republicação de posts. Não custa lembrar, Nelson é o responsável pela tese de que não existe ex-blogueiro.


aomirante-2.jpg



Ninguém se lembra o que realmente foi roubado do MASP em 2007, mas para muitos de nós, aquele desimportante acontecimento jamais será esquecido. Foi, afinal de contas, quando Nelson escreveu Ladrões arrombam o MASP e se recusam a furtar inúmeras obras de arte. A criminalização da bebida para motoristas já vai caindo no olvido, como sói acontecer com as leis brasileiras, mas duvido que eu me esqueça de Lei seca ameaça piadas de bêbado. “Leem” e “voo” já me saem naturalmente sem acento (e eu não conheço tema de discussão mais chato que a Reforma Ortográfica). Mas muito depois que tenhamos nos esquecido que “heroi” "heroico"* um dia teve acento, lá estará um clássico: Após o acordo ortográfico, entra em vigor agora o acordo aritmético.

Nelson possui uma tremenda erudição literária, cinematográfica, musical e filosófica. No entanto, ao contrário de certo humor pseudoaristocrático que floresceu durante algum tempo em comarcas mais direitosas da blogosfera, a erudição de Nelson não exclui, mas inclui o leitor, mesmo aquele que não domine todo o intertexto do post. Eu, que possuo cultura cinematográfica tão vazia que nela não cabe mais nada, não deixei de gargalhar com Post Noir.

Uma vez vislumbrei uma antologia de posts de Nelson Moraes ilustrada por André Dahmer. Bem promovida, venderia mais que boa parte do catálogo de qualquer editora, mesmo que não se apagasse nada da internet. Talvez, algum dia, apareça um editor lúcido o suficiente para fazê-lo.

Vida longa e infinitas Bohemias para o Almirante.



PS: Fique à vontade você também, leitor, para compartilhar links aos seus momentos favoritos da obra de Nelson -- um link de cada vez, para que você não corra o risco de ir parar na caixa de junk.



  Escrito por Idelber às 04:11 | link para este post | Comentários (49)



sexta-feira, 29 de maio 2009

Links

El Rey Tiagón disse ontem algo muito bacana: o melhor remédio contra a ignorância é lincar. 'Bora lincar, Tiagón.

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Para o acompanhamento de um tema em que o Biscoito ficou devendo nos últimos meses, e de outro sobre o qual sei muito pouco, tenho recomendação a fazer: Palestina no Tsavkko e País Basco no Tsavkko.

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Também tem se feito presente na cobertura da Palestina, com um texto muito bem cuidado e ampla documentação, o blog Estado Anarquista.

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É um privilégio ser amigo da premiada cientista brasileira Lucia Malla. Esta semana, ela deu duas verdadeiras aulas: com vocês, Indústria Farmacêutica 1 e Indústria Farmacêutica 2.

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O Biscoito se orgulha de ter tido um papel no surgimento de alguns blogs. Há quatro deles que me são especiais. Visito, cada vez com mais gosto e proveito, Descurvo, Guaciara, Urbanamente e Consenso, só no Paredão. O Hugo é hoje uma das poucas comarcas onde me animo a ler algo sobre futebol, eu que virei um velho chato, rabugento, nostálgico e ressentido em questões ludopédicas. Tiago e Lauro Mesquita passam do cinema à política, da música à crônica com a mesma desenvoltura. O blog da Ana Paula ficou absurdamente lindo -- e o texto tem aquele esmero que convida à leitura mesmo quando o tema não é de meu interesse imediato (como é o caso com a pedagogia). Dispensam quaisquer comentários as agudas inteligência e erudição de Alexandre Nodari, sempre mobilizando de forma rigorosa um vasto leque de referências e produzindo uma leitura do Brasil que vai no avesso do avesso do senso comum.

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O Cloaca News continua atazanando os poderosos e revirando a latrina que é o oligopólio de mídia do Sul.

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A partir de uma conversa que pipocou no Biscoito, a Aline do Até aqui tudo bem escreveu sobre a estratégia discursiva da luta pró-direito ao aborto. Logo depois, a Lu do É bom para quem gosta escreveu também.

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Quem completou o terceiro aniversário foi o Futebol, Política e Cachaça. Parabéns e vida longa.

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Luis Nassif esteve em Belo Horizonte e finalmente pudemos nos conhecer. Nassif falou para um auditório abarrotado na UFMG, numa histórica discussão de mais de três horas que também incluiu o brilhante advogado Luciano Ferraz e o Prof. Venício Lima. Infelizmente, Nassif retornou a Sampa sem reservar a noite para o chopinho.

*****

No 15° aniversário da já legendária estreia de Chico Science e Nação Zumbi, Pedro Alexandre Sanches destrincha os caranguejos com cérebro e a parabólica enterrada na lama. Sinto saudades do meu breve mergulho na cena musical de Recife, cidade que ainda considero o mais criativo laboratório de ideias pop do Brasil.

*****
Se você veio a Belo Horizonte e nunca foi ao Pedacinhos do Céu, desculpe-me, mas você perdeu o mais importante. Ontem à noite, mais uma memorável sessão musical sob a batuta de Mestre Ausier Vinicius. Sem dúvida, é uma das três mais antológicas casas de choro de Pindorama.

*****

Ainda na música, a notícia de destaque da semana é o primeiro disco solo de Andreas Kisser, guitarrista de vastos recursos que vão do blues ao metal ao clássico. Dias 04 e 05 de junho tem lançamento em Sampa, aí no SESC Pompeia.

*****

Não sei se repararam, mas a blogosfera de esquerda passa por um momento bom. Consolidam-se de uma série de blogs além daqueles já mais manjados. Tem tido destaque no meu Google Reader o de Altamiro Borges. Veja também a categórica desmontagem lógica (antes que política) de um editorial do Estadão no blog de João Villaverde.

*****

Não avisem ao Sergio Leo, mas já temos o primeiro cadáver de jornalão no país. Requiescat in pace, Gazeta Mercantil.

*****

Imperdível é o relatório sobre o estado da blogosfera hispânica, no clássico Bitácoras. "Playboy" e "fotografia" são as duas palavras mais recorrentes nas buscas que levam a blogs em castelhana língua.

*****

Não custa lembrar que Wladimir Ungaretti ainda está sob censura. Censura mesmo, proibição de falar, não o choramingo do troll ocasional ou dos barões da grande mídia quando são contrariados.

*****

É inacreditável, mas oferecendo em troca o direito (bem limitado) a uma prática à qual cada vez menos leitores recorrem -- o xerox --, e da qual eles sempre usufruiram paralegalmente de qualquer forma, o lobby dos direitos autorais arrancou mais de 3 milhões anuais da Universidade de Buenos Aires que, sem consultar seus excelentes especialistas, assinou um acordo idiota.

*****

"Inacreditável" e "direitos autorais" são expressões que frequentemente vão juntas, mas isso eu nunca havia visto: *a RIAA quer pedir pena de morte para garotos que compartilharam arquivos musicais em Oklahoma* (via Twitter do Túlio). O desespero vai aumentando, na medida em que a RIAA passou a bater em retirada antes do julgamento sempre que aparecem os nomes de advogados que já a derrotaram categoricamente nos tribunais.

****
Independente de sua posição sobre a lei antifumo de Serra, o fato de que um governo estadual estimule o vigilantismo é criminoso. Não há o que dizer depois que Cynthia Feitosa já disse tudo.

*****

Na blogosfera gaúcha, uma conversa urgente sobre a situação inaceitável dos presídios.

*****

Dois sites que merecem o seu apoio, leitor: a União Nacional dos Ateus e a Luta contra a Homofobia.

*****

Sobre a bela indicação feita por Obama, de Sonia Sotomayor para a Suprema Corte, leia o sempre certeiro petardo do Rude Pundit. O Pandagon mandou igualmente bem.

****

Amanhã, a primeira homenagem de sábado a um blog fundamental.


*****

*Sensacional sátira que, dado o estado atual da perseguição às trocas de arquivos, pegou o blogueiro na boa mesmo. Correção feita às 11:12 de Brasília.

Atualização: Uma breve observação sobre o hoax acerca da RIAA. Às 03:05, eu caí na sátira do More Digitaler. Às 09:50, o leitor Murilo me advertiu do hoax. Às 11:12, eu fiz a correção, rasurando a frase, mas mantendo-a lá para que você, leitor, visse que eu cometi o erro. E não é que fazendo uma busca em português eu vejo que o portal UOL caiu no mesmo hoax no dia 21/05, ou seja, oito dias atrás, e não corrigiu até hoje? Tudo isso sem indicar, claro, qual era a fonte da "notícia".



  Escrito por Idelber às 04:05 | link para este post | Comentários (46)



quinta-feira, 28 de maio 2009

Aqueles Dois, de Caio Fernando Abreu

caiofabreu.jpgEsta é uma reunião do Clube de Leituras do Biscoito, que já discutiu obras de Ariano Suassuna, Jorge Luis Borges, Jorge Amado, Martín Kohan e Guimarães Rosa. O Clube tem uma única regra: é proibido pedir desculpas por não ser especialista ou doutor em literatura. A ideia é ter uma conversa tranquila, leve, solta. O meu post nunca é uma análise exaustiva da obra. É só um pontapé inicial. Comente o que quiser sobre o texto, respondendo ou não ao post (não quero ser pretensioso ao ponto de achar que derrubei o site Releituras com meu link, mas o fato é que ele não está abrindo; se ainda não leu o conto, leia-o no cache do Google).



Como é comum na grande literatura, Aqueles Dois, de Caio Fernando Abreu, pode ser reduzido a um argumento banal. Dois homens, Raul e Saul, vêm de relações frustradas com mulheres. Eles conseguem empregos numa mesma repartição. São discretos e chamam a atenção por sua beleza e elegância. Têm em comum a paixão pelo cinema, que pouco a pouco os aproxima. Tudo acontece lentamente, apesar da brevidade do conto. O narrador nos diz que “durou tempo” o longo prólogo composto de cumprimentos casuais e trocas de cigarros. Um dia, Saul relata que chegara atrasado por culpa de um filme. Tratava-se de The Children's Hour, que narra a história do inferno vivido por duas mulheres acusadas de serem lésbicas. Como sempre na grande literatura, o intertexto não é casual.

A amizade vai se consolidando. Começam a desejar que os fins de semana passem rapidamente. Ficam juntos nas festas. Compartilham boleros. Por fim, trocam telefones. O conto é breve, mas a lentidão com que se arrasta tudo é enlouquecedora. Quando é que esses dois vão trepar, meu Deus do céu? Morre a mãe de Raul – sempre, sempre a mãe -- e Saul perde as estribeiras. Na única vez em que dormem juntos, limitam-se a olhar a brasa dos cigarros que acende o outro. No dia em que chegam juntos à repartição, as mulheres já não os cumprimentam. Este elemento é chave para o conto: não acontece nada sexual entre eles

Quando voltam das férias, os dois são chamados pelo chefe. Um anônimo lhe havia enviado cartas com termos como "relação anormal e ostensiva", "desavergonhada aberração", "comportamento doentio". São despedidos. Enquanto eles entram num táxi, o narrador nos diz que "ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram".

Ao contrário de boa parte da literatura norteamericana considerada “gay”, a ficção de Caio não narra a saída do armário ou a marcha militante na luta contra o preconceito. Não há nada retumbante e heroico. Fundamental, nesse conto, é o fato de que não sabemos se são gays ou não. Na realidade, é impossível saber, não importa. Eles mesmos não sabem. Une-os um afeto que ainda não tem nome. Sutil, a literatura de Caio trabalha nessas zonas de indeterminação.

O escritor argentino Ricardo Piglia defende a tese de que um conto sempre narra duas histórias. As diferenças entre as várias vertentes da narrativa moderna dependeriam das diversas possibilidades de se relacionar a história 1 com a história 2. Aqui temos a história do afeto homoerótico entre Raul e Saul e a história do pânico homofóbico dos colegas. Qual é a grande originalidade de Caio? Dissociar completamente a história 2 da história 1. Em outras palavras: não é a existência de “dois gays” no ambiente de trabalho o que desata o pânico homofóbico. Talvez, inclusive, a presença de dois gays assumidos não provocasse tal terremoto. O que enlouquece a estrutura heteronormativa é que não se sabe qual é mesmo a relação entre os dois. A ironia adicional do conto, claro, é que os dois tampouco sabem qual é a natureza do afeto que os une. Estão descobrindo. Mas o pânico homofóbico não permite que a descoberta se realize na repartição. Terão realizá-la em outro lugar.

Hipótese de leitura, então: o mais assustador para a estrutura social que administra a sexualidade heteronormativa não é a existência de gays e lésbicas, com práticas não sancionadas pelo modelo dominante. Isso também, claro. Mas o que realmente sacode as estruturas é a crise da linha divisória supostamente clara que separaria hetero- e homoerotismo. O que enlouquece a repartição é que eles não são capazes de catalogá-los.

Gosto muito, muito mesmo das frases finais do conto. Convido-os a que reflitam sobre elas. Tudo nesse relato é significativo: os títulos das canções que compartilham, o nome do gato sabiá*, o filme que os une, os nomes dos personagens. Convido-os a interpretar esses elementos. Convido-os também, claro, a discordar de minha interpretação ou a oferecer outras possíveis -- ou simplesmente dizer qual foi a sensação de ler o conto. Não há melhor homenagem a um grande autor que a proliferação de leituras diferentes e contraditórias.

Viva Caio.


*Crédito a quem corrigiu o meu inexplicável erro de transformar sabiá em gato: Milton Ribeiro.



  Escrito por Idelber às 07:05 | link para este post | Comentários (192)



quarta-feira, 27 de maio 2009

“Não reeleja ninguém” é uma campanha burra e alienada

Acho que não uso a palavra “alienação” desde minha época de militância trotskista. Mas não há outro termo para definir essa irresponsável campanha disseminada na internet por Daniela Thomas e Marcelo Tas. É a alienação e o conformismo em sua típica versão Morumbi-Leblon: quero mudar tudo o que está aí, desde que eu não tenha que me dar ao trabalho de procurar informação ou tirar as pantufas. "Não reeleja ninguém" significa: Tire todos os 513 deputados de lá e coloque outros 513 que exercerão seus mandatos sem serem incomodados. Assim você poderá passar mais quatro anos vociferando indignação vazia e repetindo a cantilena de que todos os políticos são corruptos, enquanto fura mais uma filinha, sonega mais um imposto e joga mais uma embalagem de Doritos pela janela do seu Toyota Camry.

Fiz uma busca no Google. Há 6.650 ocorrências da sandice. A única coisa coerente que encontrei foi o texto de Marcelo Soares, Saiba por que a campanha “Não reeleja ninguém” é de uma burrice atroz. O resto é bateção de lata sem qualquer raciocínio que vá além do quero acabar com todos esses políticos que estão aí.

Um jornalista esportivo adere à campanha. Logo depois, demonstra ter mais de dois neurônios lançando a pergunta: se não reelegermos ninguém, vamos eleger quem? Não consegue encontrar uma resposta para a pergunta que ele próprio formulou, mas mesmo assim mantém o selinho da campanha. É o retrato da pobreza política da nossa classe média.

Um profissional da área de Direito adere à campanha. Tampouco demonstra convicção, mas afirma que isso compensaria a decisão do STF que permitiu a candidatura de políticos com “ficha-suja”. O que se está chamando “ficha-suja” aqui não é a existência de sentenças condenatórias transitadas em julgado. É a existência de um processo em trâmite. Era só o que nos faltava: proibir a candidatura de quem está sendo processado. Se você quisesse eliminar a candidatura de alguém, bastaria inventar um motivo e processar o sujeito. Até que você perdesse o processo, a candidatura estaria impugnada. Como é possível que um profissional do Direito seja incapaz de fazer esse raciocínio? j%F4.jpg

Como afirmei no Twitter, a campanha “Não reeleja ninguém” é típica de quem não se lembra em quem votou. Minha Deputada Federal, Jô Moraes (PC do B), não está revolucionando a Câmara, mas está honrando seu mandato. Recebo semanalmente um informativo detalhado. Ela trabalha agora na emenda à Constituição 438/01, que expropria terras onde houver trabalho escravo. O escritório político de Jô em Belo Horizonte fica ali no Santo Agostinho, na Rua Araguari, 1685/05. Está em funcionamento permanente. Nunca deixo de ser atendido pela sua assessora de imprensa, Graça Gomes. Qual desses indignados sabe o que anda fazendo o seu Deputado? Qual desses indignados lembra-se sequer em quem votou?

Que tal, indignados, lançar a campanha "Não reeleja nenhum membro da bancada ruralista"? Que tal "Não reeleja donos de concessões de rádio e televisão"? Que tal, Daniela Thomas, uma campanha "Não reeleja membros da bancada evangélica", esse grupo em guerra permanente contra a saúde das mulheres? Ah, isso dá muito trabalho, né? Tem que pesquisar, ir atrás, essas coisas. É mais fácil vociferar contra tudo o que está aí.

A campanha “Não reeleja ninguém” ganhou bastante ímpeto com o colapso do gabeirismo. Despolitizado até a medula, o gabeirismo só tinha o discurso da “ética” -- entre aspas e em minúscula, claro, porque não há nada ali que tenha muito que ver com esse ramo da Filosofia. Com a história das passagens aéreas, o que mais se encontra nas caixas de comentários do “Não reeleja ninguém” é gabeirista desiludido. Não lhes ocorre pensar que o problema não é Gabeira, nem Zé Dirceu, nem Delúbio, e sim um modelo de compreensão da política que a reduz completamente à cantilena moralizante.

Sim, é evidente que há muita coisa que se moralizar no Congresso. Discutir qual é a reforma política que nos possibilitaria ter partidos fortes e representativos, reduzindo assim o fisiologismo e as negociatas, são outros quinhentos. Para essa discussão, não contemos com as Danielas Thomas e Marcelos Tas. Eles não estão interessados nisso. Essa discussão dá muito trabalho e nela ninguém pode posar de vestal da pureza.





PS: Justamente no dia em que eu havia decidido passar uma semana sem pegar no pé da imprensa, a Folha comete essa barriga escandalosa, logo desmascarada pelo Ministério Público. O Hermenauta, claro, aproveitou para tripudiar uma pobre coitada.

PS 2: Amanhã, reúne-se o Clube de Leituras, com um papo sobre Caio Fernando Abreu.

PS 3: No sábado, eu vou iniciar outra série aqui no Biscoito: “Um blog aos sábados”. É uma série de homenagens a blogs que considero fundamentais. Será uma forma de introduzir os novos leitores aos clássicos da blogosfera. Quem será o(a) primeiro(a) homenageado(a)? Descubra no sábado.



  Escrito por Idelber às 06:00 | link para este post | Comentários (121)



terça-feira, 26 de maio 2009

Clube de Leituras: Um papo sobre Caio Fernando Abreu

caiofabreu.jpgGostaria de convidar os leitores do blog para, dentro de 36 horas, iniciar mais uma edição do Clube de Leituras. Desta vez vamos fazê-lo sem grandes preparações, porque não será um romance e sim um brevíssimo conto. Eu me arriscaria a dizer que se trata do meu conto favorito em toda a literatura brasileira contemporânea, entendendo-se “contemporânea”, digamos, como o pós-Guimarães Rosa. Há nesse conto uma perfeição, um esmero, um certo equilíbrio entre o dito e o não dito.

Escrito pelo gaúcho Caio Fernando Abreu e publicado no livro Morangos mofados (Brasiliense, 1982), o relato Aqueles Dois está no centro do projeto de pesquisa que começo a desenvolver sobre a masculinidade na prosa de ficção. Eu gostaria de testar aqui algumas hipóteses de leitura e receber críticas e sugestões. Os interlocutores, evidentemente, serão creditados quando eu publicar o livro.

O plano seria, então, o seguinte: vocês leem essa maravilha. Na madrugada de quarta para quinta, eu publico uma breve reflexão sobre o relato de Caio e passamos o dia conversando. Assim, aproveitamos e nos desintoxicamos um pouco da política – o que não quer dizer que o conto de Caio não seja também político. Do que há por aí sobre Caio na internet, eu gosto muito desse depoimento (notem a participação dele no Roda Viva).

Fiquem à vontade para usar esta caixa de comentários e compartilhar outros links acerca do escritor gaúcho ou as primeiras impressões que tiveram lendo o texto. Mais não digo, para não influenciar sua leitura. Na quinta-feira conversamos.

Quem se anima?



  Escrito por Idelber às 14:18 | link para este post | Comentários (50)



segunda-feira, 25 de maio 2009

Nem me falem em salvar o jornalismo

cartoon-1.jpg24 horas não passam sem que chegue notícia de alguma iniciativa dos oligopólios da mídia, do lobby pró-copyright e de associações como a RIAA no sentido de engessar a revolução desencadeada pela internet. É, meus leitores, a coisa anda feia. Um dos sofismas com os quais se travestem essas iniciativas é o de “salvar o jornalismo”, como se este, em seu sentido amplo, não pudesse sobreviver sem os ditos oligopólios.

Na semana passada, o Washington Post mobilizou dois advogados para iniciar um lobby por leis cuja aprovação representaria um pesadelo na internet. Se conheço a dinâmica desses movimentos, essas “ideias” não tardarão em chegar ao Brasil. Por isso, não avisem o Tio Civita nem o Tio Marinho sobre este post. Mas preparemo-nos. Depois não adianta chorar.

O texto escrito pelos advogados do Post chega a um ponto jurídico a que eu jamais vi nenhum lobby de mídia chegar. Ele já foi desmontado pelo Buzz Machine, mas eu quero acrescentar aqui meus dois centavos para o contexto brasileiro. Vejamos o que propõem esses dois senhores. Para benefício dos que não leem inglês, eu traduzo:

Os produtos (e lucros) do Google teriam uma cara diferente se, por exemplo, a lei dissesse que ele deve obter permissões de copyright para copiar e indexar as páginas da internet. Ao invés disso, os motores de busca exigem que os donos do copyright “optem por sair” da sua rede, e até agora o seu poder de mercado tem permitido que eles escapem ilesos. cartoon-1.jpg

Imaginem um mundo em que o Google tivesse que pedir permissão, sob a lei de copyright, para indexar as páginas da internet. Acredito serem desnecessárias maiores considerações. Seria melhor fechar a net e voltar à época em que datilografávamos cartas e lambíamos envelopes para levá-los aos correios.

Uma das coisas que ensina o mais perfeito jogo de baralho inventado pela espécie humana – o truco – é que você não blefa quando não tem condições de blefar. Se já blefou cinco vezes, perdeu todas elas e agora saiu com dois valetes e uma dama, não truque, porque ouvirá um “seis!” gigantesco na orelha. Evidentemente, essa proposta é um blefe. Caso ela prospere, eu faria o seguinte, se fosse executivo do Google. Convocaria uma conferência de imprensa e diria: aqueles grupos de mídia que acreditem que a indexação do Google é uma violação da lei de copyright, por favor se manifestem e nós retiraremos todas as referências a eles no motor de busca. Nem o mais demente funcionário do Washington Post sustentaria o blefe.

As sandices propostas pelos advogados do Post não param aí. A camisa-de-força jurídica vai além. Eles propõem:

1. Federalização da doutrina do “hot news”. Isso significaria que, durante um certo período em que a notícia está "quente", você não poderia sequer repetir seu conteúdo (atenção: o conteúdo, não o texto em si), já que os capangas do Washington Post acham que isso é pilhagem. Felizmente, disso já estamos protegidos no Brasil. O que é mais irônico é que a verdadeira pilhagem é feita pela fábrica de linguiça dos oligopólios de mídia, que sistematicamente tomam textos de jornais locais e os reproduzem sem dar crédito nem link aos jornalistas responsáveis por eles.

2. Usar a política fiscal para “promover a imprensa”. Sem comentários. Se essa sandice chega por aqui, veríamos o seu, o meu, o nosso dinheirinho sendo usado para salvar da insolvência e da irrelevância os oligopólios dos Marinho e dos Civita – não que isso já não esteja sendo feito, é claro.

3. Criar isenções nas leis anti-truste para os grupos de mídia, já que, segundo os advogados do Post, a “insolvência da mídia é hoje uma ameaça maior que a sua concentração”. Sobre isso, teríamos que retrucar: ameaça para quem, cara-pálida? Quem está se sentindo ameaçado? Será que a população realmente está preocupada com o desespero dos grandes oligopólios de mídia?

Por isso, a proposta do Biscoito é radical: acelerar a putrefação da mídia. Multiplicar as fontes de jornalismo independente. Disseminar a linkania. Apostar na circulação de informações na internet. E, sobretudo, ficar atento, porque eles estão desesperados e vão recorrer a qualquer coisa.


PS: Bem a propósito, o Biscoito reuniu numa só página seus 4 anos de posts de conteúdo jurídico. STF, TSE, plágio, copyright, censura a blogs, aborto, maconha, está tudo aqui: Direito e Justiça.

PS 2: Na PUC-SP, hoje, às 19 horas, acontece um interessante debate sobre jornalismo e mídia.

PS 3: As charges que ilustram o post foram colhidas lá no Dialógico.

PS 4: Guiado por um super especialista, comecei a estudar Direito Penal. Uma série de batalhas chave acontecerão nesse terreno nos próximos anos.



  Escrito por Idelber às 15:27 | link para este post | Comentários (88)



sexta-feira, 22 de maio 2009

Ato Público em BH contra o AI-5 Digital

Os leitores belo-horizontinos estão absolutamente intimados a comparecer ao ato público organizado pelo Sindicato dos Jornalistas contra o AI-5 Digital, o projeto de lei que censura e criminaliza o uso da internet para satisfazer o lobby bancário, usando a desculpa esfarrapada da pedofilia. Como já sabem até os pombos da Praça da Liberdade, o projeto é de autoria do tucano Eduardo Azeredo, esse senador que envergonha Minas Gerais.

Faço o anúncio com bastante antecedência: o ato acontece no dia 01 de junho, às 19:30 h, no Teatro Cidade (Rua da Bahia, 1341). Haverá um debate com as presenças minha e do sociólogo Sérgio Amadeu, ativista do Software Livre e professor da Cásper Líbero. Marquem os calendários, por favor. É nossa liberdade internética que está em jogo. Aí vai o cartaz:


AI_5_FINAL-2.jpg
(imagem em tamanho original, para divulgação, aqui)


Já protestamos e gritamos muito contra esse projeto. Agora é hora de conhecer os argumentos definitivos para combatê-lo. Túlio Vianna, Professor de Direito Penal e advogado com atuação na área de Direito Informático, conterrâneo que me honra com sua amizade, desmontou e esmigalhou a sandice de Azeredo ponto por ponto. Não há nada que acrescentar ao texto de Túlio. Leiam com atenção e reflitam sobre o tremendo estrago que esse projeto pode fazer em nossas vidas. Observem os interesses que o movem. Atentem para a absurda desproporcionalidade das penas. Notem como o projeto praticamente inviabiliza as redes wi-fi. Vejam como ele traz a semente de um pesadelo orwelliano, o fim de nossa privacidade na internet.

Conto com todos os leitores belo-horizontinos. Sérgio Amadeu tem sido um incansável defensor da nossa liberdade na rede e merece uma bela recepção aqui nas Alterosas. 'Bora todo mundo lá pra Rua da Bahia. Dia 01 de junho, 7 e meia da noite.



  Escrito por Idelber às 04:10 | link para este post | Comentários (57)



quinta-feira, 21 de maio 2009

Sobre um recente recrudescimento da misoginia e da homofobia

A misoginia e a homofobia campearam soltas na mídia brasileira nas duas últimas semanas. 17 de maio, dia internacional de luta contra a homofobia, foi escolhido pela Zero Hora para a publicação de um lixo inominável escrito por Paulo Sant'Ana, que confunde com travestis com homossexuais, mistura identidade de gênero com orientação sexual (estranhamente rebatizada de “tendência” sexual), usa termos chulos como os “sapatões” e destila preconceito, homofobia, misoginia, ignorância e desinformação em doses cavalares. Não há o que comentar nesse texto. É só seguir o link e horrorizar-se. Como não leio a Zero Hora, ignoro se o jornal já se desculpou pelo festival de insultos. Aposto que não (cheguei lá via @carolinamaia, a quem agradeço).

Antes disso, houve a famigerada entrevista de Maria Mariana à Época, na qual a ex-celebridade promove seu novo livro, Confissões de mãe, dizendo coisas como: 1) amamentar é para a mãe que merece; 2) Deus quer o homem no leme; 3) se a mulher parir naturalmente, será uma mãe melhor; 4) apanhar cueca suja que o marido deixa no chão é um aprendizado de paciência e dedicação. Tudo é coroado com uma pérola de tremenda irresponsabilidade: Há mulheres que passam nove meses no shopping, comprando roupinhas, aí depois marcam a cesárea e pronto. Acabou o processo. Aí sabe o que acontece? Elas têm depressão pós-parto.

Não sobrou nada que desconstruir no festival de sandices de Maria Mariana, já que uma série de blogueiras escreveram respostas incisivas: Marjorie Rodrigues, Lu Monte, Lola Aronovich, Groselha News, Cam Seslaf, Cynthia Semíramis e várias outras. Na Cynthia, você encontrará uma lista (quase) completa dos posts. Quais são, então, meus dois centavos com este texto? Uma singela pergunta: Por quê? Por que a Folha dedica espaço a um livro recheado de sandice misógina escrito por uma atriz decadente? Por que a Revista Época apresenta como “polêmicas” declarações que evidentemente não são da ordem da polêmica, mas da ordem da falsidade?

Para ser honesto, eu não sabia quem era Maria Mariana. Pelo que vi depois, era minha mesmo a lacuna. Em minha cultura televisiva, falta tanta coisa que não cabe mais nada. Lembro-me vagamente, sim, de algo chamado “Confissões de adolescente”. Ao ver a foto da atriz, algum flash de memória surgiu. Mas foi só isso.

Seria natural se, digamos, Ana Maria Braga lançasse um livro e os veículos de mídia corressem para fazer a cobertura. Trata-se de alguém que, bem ou mal, está em evidência. É notícia. Mas uma figura que há mais de uma década não aparece em lugar nenhum? Por que ela é notícia? Quão irresponsável deve ser um veículo de mídia para etiquetar de “polêmicas” declarações como as de Maria Mariana sobre depressão pós-parto? Polêmico seria dizer que Veja é um veículo jornalístico ou que José Roberto Wright é um homem honesto. O que ela diz sobre depressão pós-parto é, pura e simplesmente, fal-so. É como dizer que a Terra tem a forma de uma pizza ou que Belo Horizonte é a capital de Rondônia. Apresentar isso como “polêmico” é desinformar, mentir. Entendamos que há coisas da ordem da opinião e coisas da ordem do fato. Brincar com essa diferença num tema como a depressão pós-parto é criminoso. Não há outra palavra.

Estamos entrando num período em que a misonigia será peça chave do jogo político. Claro que, no sentido mais amplo da palavra “política”, ela sempre o foi. Mas hoje, num momento em que as possibilidades de proteger e ampliar as (limitadas) conquistas sociais dos últimos seis anos serão, até segunda ordem, representadas pela candidatura de Dilma Rousseff à presidência, a coisa adquire uma dimensão suplementar.

Pesquisa recentemente realizada pela Fundação Perseu Abramo mostra que a situação do preconceito ainda é grave. Como sabe qualquer sociólogo que tenha refletido um pouco sobre a linguagem (sim, eu sei, eles são poucos), as pesquisas que medem preconceito, por definição, apresentam um quadro menos ruim que o real. É axiomático que preconceito é algo que nem todo mundo assume, muito menos numa entrevista.

Desde que cheguei ao Brasil, vi quatro “reportagens” sobre Dilma na televisão. Todas começavam com menções a elementos politicamente irrelevantes como o cabelo, a plástica e o vestido. Homens também se vestem, fazem plástica e mudam o cabelo. Mas é Dilma, não Serra, quem tem que aturar a cantilena infinita sobre sua aparência. E olha que, no quesito aparência, Serra é um prato cheio.

Marjorie convocava, outro dia, um sexism watch para acompanhar as menções a Dilma na mídia. Pelo jeito, terá que ser trabalho coletivo. Nenhum(a) blogueiro(a) sozinho(a) conseguirá dar conta, mesmo blogando tem tempo integral.

Claro que o destaque completamente desproporcional dado pelos Marinho e pelos Frias a um livro irrelevante, escrito por uma atriz decadente, convocando uma volta obrigatória das mulheres à domesticidade, não tem nada a ver com o fato de que o projeto popular de esquerda, odiado por esses grupos de mídia, está sendo representado hoje pela candidatura de uma mulher. Não tem nada a ver. Imaginem.


PS: O melhor blog jornalístico do Sul está de casa nova. Vida longa ao RS Urgente.

PS 2: Também de casa nova, e também no OPS, está o Até aqui tudo bem, um dos meus blogs favoritos no momento.


Atualização: Antes que o mal-entendido se dissemine, cabe esclarecer: o post não afirma que Maria Mariana foi usada contra Dilma. O post afirma que o episódio Maria Mariana ganha relevância extra num contexto em que Dilma é candidata. O post não afirma que Marinhos e Frias se reuniram para dar destaque desproporcional a um livro cheio de sandices escrito por um atriz decadente como forma de prejudicar Dilma. O post afirma que o destaque desproporcional a um livro cheio de sandices escrito por um atriz decadente reforça uma misoginia já presente na sociedade brasileira e contra a qual a candidata de esquerda se enfrenta diariamente.



  Escrito por Idelber às 10:33 | link para este post | Comentários (151)



terça-feira, 19 de maio 2009

Ajuda às vítimas das enchentes no Nordeste

Recebi, do blog Silenzio, No Hay Banda, um pedido que estou atendendo com este post. A situação é gravíssima no Nordeste brasileiro. As enchentes já atingiram 300 municípios em 11 estados. São pelo menos 184 mil desabrigados. Que tal tirar alguns minutos do seu tempo e doar dinheiro ou víveres aos compatriotas que estão sofrendo?

Ana está na Bahia, participando de debates sobre Um defeito de cor. Ela me disse que a situação em Salvador também é crítica. Parece que, faz alguns dias, até o Dique do Tororó transbordou. Deslizamentos de terra e desmoronamentos são comuns. Vamos dar uma força?

Aqui vai a lista de contas bancárias às quais você pode fazer doações:

Estado da Bahia

Banco do Nordeste
Titular: BNB Solidário
CNPJ: 01.437.408/0001-98
Agência: Salvador - Centro (046)
Conta Corrente: 11.496-9

Estado de Sergipe
Banco do Nordeste
Titular: BNB Solidário
CNPJ: 01.437.408/0001-98
Agência: Aracaju - Centro (005)
Conta Corrente: 12.880-0

Estado de Pernambuco
Banco do Nordeste
Titular: BNB Solidário
CNPJ: 01.437.408/0001-98
Agência: Recife Centro (044)
Conta Corrente 17.900-7

Estado do Rio Grande do Norte
Banco do Nordeste
Titular: BNB Solidário
CNPJ: 01.437.408/0001-98
Agência: Natal Centro (035)
Conta Corrente: 15.004-0

Estado do Piauí
Banco do Nordeste
Titular: BNB Solidário
CNPJ: 01.437.408/0001-98
Agência: Teresina - Centro (056)
Conta Corrente: 18.611-5

Estado do Maranhão
Banco do Nordeste
Titular: BNB Solidário
CNPJ: 01.437.408/0001-98
Agência: São Luis - Centro (059)
Conta Corrente: 27.093-5

Estado do Ceará – Campanha Força Solidária
Banco do Nordeste
Titular: Ajuda Humanitária Cruz Vermelha – Filial Fortaleza
CNPJ: 07.315.986/0001-38
Agência: 016
Conta: 29.393-8


Se não quiser ou puder doar dinheiro, você pode contribuir com alimentos e roupas. A lista completa de entidades que estão recebendo esse tipo de doação está lá no Silenzio, No Hay Banda. Para ver como é grave a situação no Ceará, visite o Liberdade Digital. No Twitter, a tag é #enchentesnordeste.

Se você tem os números de outras contas bancárias, para estados cujas informações eu não consegui compilar, fique à vontade para divulgá-los aqui. Se você mora no Nordeste e quer dar um depoimento acerca de como andam as coisas, sinta-se em casa. Se tiver qualquer outra sugestão sobre o que podemos fazer, por favor avise.



  Escrito por Idelber às 06:36 | link para este post | Comentários (30)



segunda-feira, 18 de maio 2009

A CPI da Petrobras e o tiro no pé dos tucanos

bessinha09876.jpg Cena 1. Belo Horizonte, 17 de maio de 2009, churrasco de classe média. Surge o tema Petrobras. As diatribes se repetem com tremenda virulência: E essa roubalheira na Petrobras?, e esse cabide de empregos da Petrobras?, e por que a gasolina não é mais barata? Um dos presentes aproveita uma brecha e lança a pergunta: pessoal, qual era o valor de mercado da Petrobras em 2002 e qual é o valor dela hoje? Silêncio sepulcral. Não tinham sequer um número para chutar. Sentindo que havia encaixado um jab, o visitante incômodo lança mais uma pergunta: pessoal, como se chama mesmo o presidente da Petrobras? Outro silêncio desconfortável de uns 20 segundos. Com duas simples perguntas, desnudava-se a ignorância da República Morumbi-Leblon-Belvedere, eterna repetidora dos factoides Globo-Veja. O visitante incômodo decide não tripudiar e deixa que o silêncio faça seu trabalho.

Cena 2. Belo Horizonte, 15 de maio de 2009. Algumas horas antes da aprovação da CPI da Petrobras, o humilde zelador de um prédio ajuda um professor universitário expatriado a recarregar a bateria de seu Escort, parado há meses. Conversa vai, conversa vem, o zelador dispara: Professor, esses caras aí que estão implicando com a Petrobras não são os mesmos que queriam vender ela uns tempos atrás? Confirmando, ao ouvir essa pergunta, que o poder de manipulação da mídia brasileira é cada vez menor, o dono do Escort retruca: Sim, seu Damasceno, são os mesmos filhos da puta que queriam vendê-la.

Em janeiro de 2003, na transição de FHC para Lula, o valor de mercado da Petrobras era 15 bilhões de dólares. José Eduardo Dutra assumiu então a presidência, deixando a empresa em junho de 2005 com um valor de mercado de 54 bilhões. Em 2006, já sob a presidência de Sergio Gabrielli, o valor da Petrobras era 70 bilhões. Em novembro de 2007, a Petrobras valia 222 bilhões de dólares.

Em 2006, o Brasil alcançou a autossuficiência em petróleo e a Petrobras bateu o recorde latinoamericano de lucros. Em 2007, realiza-se no Brasil a maior descoberta petrolífera do planeta nos últimos 30 anos. Em 2008, a Petrobras já era a terceira mais lucrativa da América. Em 07 de maio de 2009, 8 dias antes dos tucanos aprovarem sua CPI, a Petrobras havia saltado do octogésimo-terceiro para o quarto lugar entre as empresas mais respeitadas do mundo. tucano_brax.jpg

Os tucanos não conseguiram privatizar a Petrobras, mas conseguiram quebrar o monopólio estatal, com a famigerada lei 9.478/97. Os que têm idade suficiente para se lembrar de 1995 recordarão a intensa campanha de difamação de que a estatal foi vítima, incluindo-se, claro, a indefectível “reportagem” da Veja, com 10 páginas de calúnias que não respeitaram sequer o direito de resposta, mesmo como matéria paga. Em 1999, FHC substituiu seis diretores da Petrobras no Conselho de Administração por seis conselheiros do setor privado, em mais uma tentativa de preparar o terreno para a privatização. Além de quebrar o monopólio estatal, a gestão tucana vendeu 36% das ações da Petrobras na Bolsa de Nova York por menos de 10% do seu valor real. Fixou a participação da União na produção de petróleo entre 10% e 40%, enquanto os países exportadores têm a média de 84% de participação. As informações contidas neste parágrafo estão disponíveis na leitura que o Biscoito mais enfaticamente recomenda sobre o assunto, a entrevista do presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Fernando Siqueira, concedida em janeiro, na qual ele já previa o rumo dessa campanha entreguista.

Não gosto de fazer previsões em política, mas acho que o PSDB acaba de dar o maior tiro no pé da sua curta história. A Petrobras ocupa, no imaginário do povo brasileiro, um lugar incomparável ao de qualquer outra estatal, mesmo o Banco do Brasil. Temos orgulho dela. Fizemos, faz muito pouco tempo -- 50 anos, em história, não é nada --, uma campanha gigantesca para defender nosso petróleo. O PSDB, de olho nas eleições – e o papel de um partido político é ficar de olho nas eleições, não há nada de errado nisso –, acaba de criar as condições para ser definitivamente associado ao entreguismo. Nessa marcha, a expressão social democracia na sigla tucana soará tão irônica como o novo nome escolhido pelas oligarquias pefelês para sua agremiação. A pergunta do Seu Damasceno, feita enquanto ele me ajudava com a bateria do carro, me encheu de esperanças e energias. A política vale a pena. É o nosso patrimônio que está em jogo.



PS 1: Um blogueiro que muito admiro, Alon Feuerwerker, sugere, em seu mais recente post, que CPIs são instrumentos de luta política, que pouco têm a ver com motivos reais. Corretíssimo. Alon também sugere que, estivessem invertidos os papeis, o PT assinaria o requerimento de CPI. Talvez. Mas o fato inconteste é que há um conjunto de forças políticas que trabalharam e trabalham pela privatização do patrimônio público. E há um outro conjunto que, com todos os problemas, têm mantido e ampliado esse patrimônio. Confio que essa importantíssima diferença não passará despercebida à sagaz inteligência de Alon, que assina um blog cujo lema é um ponto de vista democrático, nacional e de esquerda.

PS 2: O blogueiro Eduardo Guimarães, do Movimento dos Sem Mídia, está articulando um protesto em frente à sede do PSDB em São Paulo. Esse protesto terá a colaboração e o apoio d' O Biscoito Fino e a Massa.

PS 3: As charges vêm, respectivamente, daqui e daqui.



  Escrito por Idelber às 05:43 | link para este post | Comentários (139)



sexta-feira, 15 de maio 2009

Três anos de uma matança e a falência de uma política de segurança

PCC.gifConsidero a discussão sobre as políticas de segurança pública das mais difíceis de serem feitas de forma racional e minimamente ponderada. Nela tende a predominar, na base da gritaria, a exigência de mais repressão e encarceramento, como se essas fossem as soluções para um problema que tem raízes muito mais antigas e profundas. Por isso, foi com relutância que aceitei o convite de Mestre Inagaki para escrever algo sobre o terceiro aniversário dos assassinatos perpetrados pelo PCC contra policiais e agentes penitenciários em São Paulo, a virtual paralisia da cidade na segunda-feira que se seguiu ao Dia das Mães e as posteriores execuções de “suspeitos,” realizadas pelas forças policiais de São Paulo.

Em seu livro A Prisão, o advogado criminalista Luís Francisco Carvalho Filho escreve:

As prisões brasileiras são insalubres, corrompidas, superlotadas, esquecidas. A maioria de seus habitantes não exerce o direito de defesa. Milhares de condenados cumprem penas em locais impróprios.

O Relatório da caravana da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados por diversos presídios do país, divulgado em setembro de 2000, aponta um quadro "fora da lei", trágico e vergonhoso, que invariavelmente atinge gente pobre, jovem e semi-alfabetizada.

No Ceará, presos se alimentavam com as mãos, e a comida, "estragada", era distribuída em sacos plásticos --sacos plásticos que, em Pernambuco, serviam para que detentos isolados pudessem defecar.

No Rio de Janeiro, em Bangu I, penitenciária de segurança máxima, verificou-se que não havia oportunidade de trabalho e de estudo porque trabalho e estudo ameaçavam a segurança.

No Paraná, os deputados se defrontaram com um preso recolhido em cela de isolamento (utilizada para punição disciplinar) havia sete anos, período que passou sem ter recebido visitas nem tomado banho de sol.

No Rio Grande do Sul, na Penitenciária do Jacuí, com 1.241 detentos, apesar de progressos, havia a assistência jurídica de um único procurador do estado e, em dias de visita, o "desnudamento" dos familiares dos presos, com "flexões e arregaçamento da vagina e do ânus".

Há uma mistura estrategicamente inconcebível de pessoas perigosas e não-perigosas. Há tuberculosos, aidéticos e esquizofrênicos sem atendimento. O cheiro e o ar que dominam as carceragens do Brasil são indescritíveis, e não se imagina que nelas é possível viver.

Quem ler os trabalhos resultantes das incursões de Percival de Souza (nos anos 70) e Drauzio Varella (nos anos 90), cada um a seu modo, à Casa de Detenção de São Paulo, no Carandiru, o maior presídio do país, verá que, durante décadas, milhares e milhares de homens foram remetidos para um mundo assustador, onde nada é capaz de lembrar propósitos de reabilitação.


Os ataques se iniciaram no dia 12 de maio de 2006, sexta-feira. No dia 14, domingo, o Portal Terra noticiava 52 mortes durante o fim de semana e publicava uma declaração do governador Cláudio Lembo de que a “situação está controlada”. Depois da declaração do governador, outros 441 homicídios ainda ocorreriam, totalizando 493. Entre os civis mortos por forças policiais, 63% dos casos trazidos à atenção da Ouvidoria de Policia foram arquivados, incluindo-se dezenas com suspeita de execução sumária. No caso das mortes de policiais, nenhuma investigação foi arquivada.

Uma reportagem feita no ano passado por Marcelo Godoy mostra que os crimes do PCC tinham raízes mais antigas. Em belo trabalho investigativo, Marcelo Soares compilou os abastecimentos de automóveis e saques em dinheiro feitos pelas forças policiais naqueles dias. Pelo menos uma testemunha presenciou uma vítima civil implorar por sua vida e ser executado por policiais. Em seu blog, o policial Roger Franchini afirma: Em pleno dia de visita no das mães, mais de 500 presos se rebelaram e tomaram as próprias genitoras e crianças como reféns. Era óbvio que não iriam fazer nada contra elas. E por saberem que sabíamos disso, tomaram como refém também um carcereiro. Se não fosse por ele, teríamos entrado na cadeia e distribuído chumbo e cassetetada em todos.

No entanto, o balanço publicado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo lista os mortos em duas categorias: policiais militares, civis e guardas, por um lado, e "criminosos", por outro, em implícita afirmação de que nenhum civil inocente foi assassinado pela polícia -- apesar de que a grande maioria das investigações acerca de mortes de civis foram arquivadas e que um levantamento inicial constatou pelo menos 89 assassinatos com característica de execução (sem chance de defesa para a vítima). Na época, o escritor Ferréz denunciou que a lei marcial para pobres inocentes foi decretada. Tendo sofrido uma série de ameaças em seu blog, Ferréz fez outro post insistindo que não ia se calar.

O blog de outro policial, o Flit Paralisante, traz uma série de denúncias contra a política de segurança em São Paulo. Em 2009, ainda não ocorreram ataques do PCC, o que, para uma especialista, só indica que o controle deles sobre as prisões é absoluto. No Twitter, há uma verdadeira enxurrada de recordações dos eventos de 2006. Os ataques do PCC chegarão às telas do cinema.

A população carcerária no Brasil vem crescendo ano a ano. Em 1995, eram 148.760 presos: 95,4 para cada grupo de 100 mil habitantes. Em 1997, eram 170.602 presos, com taxa de encarceramento de 108,6 por 100 mil. Em abril de 2001, já havia 223.220 presos no país: 142,1 detentos para cada 100 mil habitantes. De longe, a maior concentração estava em São Paulo, com 94.737 presos e proporção de 277,7 presos para cada 100 mil habitantes. Há extensa documentação no site do Ministério da Justiça.

Atualização: A lista completa de blogs que estão participando desta conversa virtual já está publicada lá no Pensar Enlouquece.



  Escrito por Idelber às 06:13 | link para este post | Comentários (123)



quinta-feira, 14 de maio 2009

Choques culturais

Cheguei ao Brasil. Serão cem dias em solo pátrio: quase três meses na minha base belohorizontina, uma semana no Rio de Janeiro e outra no Mato Grosso do Sul. Na chegada, gosto de renovar alguns rituais vinculados ao treinamento dos ouvidos e do olhar expatriados. Há tempos me fascina o efeito que o cruzamento de fronteiras produz nos sujeitos. Sobre isso, escrevi um texto para a Revista Germina, onde eu tentava mapear algumas características bem próprias do expatriado brasileiro. Ao contrário dos mexicanos, por exemplo, que contemplam com credulidade absoluta com os símbolos pátrios, os brasileiros não temos uma data nacional – não há coisa mais insignificante para nós que o 7 de setembro --, nem heróis vitoriosos, nem revoluções, nem guerras de independência. Talvez nosso mais importante ritual de comunhão nacional seja a conversa e a piada acerca de quão esculhambado é o Brasil.

Até o momento, evidentemente, em que uma agência de notícias estrangeira decida fazer uma matéria sobre a violência no Rio ou em São Paulo. Aí saltamos como leões na defesa da honra pátria. Algumas das coisas mais violentas que já li na internet foram reações de brasileiros a algum filme, desenho animado ou série televisiva estrangeira que retratava algum aspecto da realidade brasileira de forma menos lisonjeira que gostaríamos.

A dinâmica psíquica do expatriamento é complexa, e mais ainda, acredito, no nosso caso, dado o considerável poder imaginário da chamada identidade brasileira. No texto da Germina, eu mencionava dois tipos de expatriados: por um lado, o brasileiro nostálgico, que odeia e despreza o país de adoção; por outro, o brasileiro “adaptado”, que não perde uma oportunidade para perorar sobre os horrores do Brasil. Às vezes, o mesmo sujeito oscila, num intervalo de alguns minutos, entre esses dois polos, na maioria dos casos sem perceber a contradição. Já vi um brasileiro tendo crise de choro nos EUA, pelo motivo (imaginário) de que o Bom Bril que lá gorjeia não gorjeia como aqui. Juro que presenciei essa cena.

Durante anos, o meu grande choque cultural ao chegar no Brasil eram os chuveiros. Não sei se era culpa dos chuveiros nacionais ou – mais provável – dos chuveiros aos quais eu tinha acesso. O fato é que a cada banho, eu tinha a sensação de um pinga-pinga insuportável, que me enchia de nostalgia pelas poderosas duchas americanas. Hoje tenho dois ótimos chuveiros aqui em BH e me livrei desse terrível trauma.

Os amigos que gostam de sorvete e iogurte dizem que os de fabricação brasileira não se comparam aos americanos. Não sei; laticínios não são minha praia. Nos EUA, você tem acesso a uma coleção superior de cervejas, tanto europeias como de microcervejarias gringas. No entanto, a cerveja brasileira de boteco, a de todos os dias – digamos, uma Bohemia – é muito superior às Budweisers e Miller Lites da vida. A carne brasileira é tão superior à americana como as estradas americanas são melhores que as brasileiras. E por aí vai.

Hoje, assisto a tudo isso com irônica, borgiana distância. Não sou imune aos efeitos do expatriamento, claro. Ao chegar, preciso ir ao um rodízio de churrasco. Devo sempre renovar minha adoração por Porto Alegre. Preciso comer pelo menos uma coxinha com Guaraná, mesmo sendo a Coca-Cola o meu refrigerante de todo dia e a coxinha algo perfeitamente encontrável nos EUA hoje em dia. Expatriado é assim.

Ainda me causa espanto, é verdade, a estranha mutação genética que acontece com os brasileiros, e particularmente com os belo-horizontinos, quando se convertem em motoristas de um automóvel. Gente hospitaleira, sorridente e generosa se transforma num exército viking assassino, sedento de sangue. Não consigo entender por que as pessoas dirigem como dirigem aqui. Não entendo, simplesmente. Acho que já desisti de entender. Se querem continuar se matando, se ferindo e se insultando no trânsito, paciência.

Fique à vontade, leitor, para iluminar essa dúvida metafísica que tenho, refletir um pouco sobre fronteiras e expatriamento, ou compartilhar histórias de choques culturais, mesmo as que envolvem diferentes regiões do Brasil. Esses relatos são sempre divertidos e me interessam muito.



  Escrito por Idelber às 04:02 | link para este post | Comentários (97)



segunda-feira, 11 de maio 2009

A crítica ao Fla x Flu como uma cortina de fumaça do nosso tempo

flu.jpgUm espectro ronda a blogosfera política brasileira: o espectro do Fla x Flu. Ubíqua, a reclamação acerca do “Fla x Flu entre petistas e tucanos” consome boa parte dos bytes que se gastam sobre política. A julgar por alguns comentários ou posts, tudo na internet brasileira replicaria esse binarismo supostamente simétrico entre petistas e tucanos. Essa premissa é quase sempre complementada por uma “sensata” voz que aparece apresentando-se a si própria como instância que paira sobre as “torcidas organizadas”. Jornalistas adoram fazer isso: a clássica demagogia da isenção.

Mas há algo de novo no reino da Dinamarca. A reclamação ou crítica do chamado Fla x Flu se repetiu tanto que se transformou na doxa do nosso tempo, talvez em sua principal cortina de fumaça. Ela binariza e empobrece a realidade justo ao martelar a reclamação de que a realidade está atravessada por um binarismo simples. A queixa cria o que chamamos win-win situation. Quem vai discordar de alguém que está criticando o radicalismo, a binarização e a simplificação do Fla x Flu? Ao mesmo tempo, esse clichê permite ao seu enunciador omitir-se dos antagonismos políticos do seu tempo. Afinal de contas, ele não entra em “torcidas organizadas”.

Quando ouço a teoria do Fla x Flu entre petistas e tucanos nos blogs, eu, que escrevo sobre política brasileira na internet há cinco anos, não sei bem a quais blogs as pessoas se referem. Porque, para começo de conversa, eu não conheço uma blogosfera tucana. Sim, sei que está aí o pessoal do TucanUSP, por exemplo, que muito me honra com seu link (e vejam que não estou entre os “Eles”! Alon e Carta Maior, sim; eu estou no blogroll "neutro": obrigado, pessoal). Haverá outros blogs como o TucanUSP. Mas eles não são, convenhamos – e concordariam com isso –, blogs que estejam pautando o debate político na Internet. São boas, jovens iniciativas.

Há o blog da Veja, serrista até a medula. Mas muito antes de fazer um blog tucano, o Reinaldo Azevedo faz um blog antipetista. Se todo o PSDB contraísse gripe e desaparecesse amanhã, o blog de Azevedo continuaria idêntico. É só jogar as tags “PT” e “PSDB” numa nuvem e confirmar o óbvio. Excluindo-se Azevedo, então, que é realmente mais antipetista que tucano, qual é o blog importante de política que se declare simpático a ou alinhado com os tucanos? Não me lembro de nenhum. Conheço muitos blogs de direita: fiscal, ou religiosa, ou sionista, ou de segurança etc. Nenhum deles, que eu me lembre, se declara mesmo tucano. foto52.jpg

Tese I: mesmo que fosse verdade que a blogosfera política é um Fla x Flu, este não seria entre petistas e tucanos. Não há qualquer simetria aqui. Se Fla x Flu houvesse, “petistas” e “antipetistas” ou “lulistas” e antilulistas” seriam descrições muito mais próximas à realidade.

Isso não quer dizer que a visão tucana de Brasil esteja ausente da blogosfera. Eu acho que ela é, inclusive, a visão dominante na internet. Onde, então? Ora, em todos os grandes portais, que mantêm com essas duas forças políticas relações nem um pouco comparáveis. Não concebo que alguém estude com um mínimo de atenção as referências da RBS a Olívio Dutra e a Yeda Crusius, ou as da Folha de São Paulo a Marta Suplicy e José Serra, e conclua que há simetria nesses tratamentos. Não digo que eles conspirem com o PSDB (embora às vezes seja isso mesmo). Digo que, ainda que fosse verdadeira essa hipótese de que a blogosfera política é um Fla x Flu entre a visão petista e a visão tucana de Brasil, não encontraríamos esta última a não ser nos Noblats e nos Josias da vida. Justamente os blogs supostamente neutros e objetivos.

Tese II: a visão tucana de política expressa-se justamente nos blogs onde se reclama do Fla x Flu entre tucanos e petistas. Não há nada mais tucano que reclamar do Fla x Flu de “torcidas organizadas” e do “radicalismo” dos “dois lados”. A crítica ao binarismo é feita do ponto de vista de um dos termos do próprio binarismo. A crítica ao binarismo nunca é neutra em relação aos termos que compõem o dito cujo.

Não há surpresa aqui, aliás. A filosofia, nas últimas décadas, vem demonstrando que oposições binárias funcionam assim mesmo. A Gramatologia, de Derrida, que não seria despropositada escolha para o lugar de livro de filosofia mais importante da segunda metade do século XX, ensina muitas coisas, mas duas de especial relevância para este post. Coloco-as em forma de teses minhas porque minha é a escolha de palavras (as teses não se encontram dessa forma, nem com esses vocábulos, em Derrida, mas estão baseadas nele):

Tese III: um antagonismo político nunca é simétrico. O acontecer dos dois termos do binarismo jamais é simultâneo. Um “Fla x Flu” político nunca é o encontro entre duas caras-metade num terreno supostamente neutro, como imaginam 99% dos nossos jornalistas.

Isso é assim porque:

Tese IV: desde que o mundo é mundo (ou pelo menos desde que a linguagem é linguagem, ou que o Ocidente é Ocidente), não existe binarismo em que não esteja embutida também uma hierarquia, uma violência, uma exclusão. Isso se aplica a qualquer dicotomia que você queira tomar: essência / aparência, masculino / feminino, alma/ corpo, voz / escrita etc.

Em todas elas, a lógica não é simétrica, e sim suplementar: como naquela clássica fábula judaica sobre o nascimento do masculino e do feminino, um termo aparece depois do outro. Esse “depois”, no entanto, é escorregadio, porque o que é mais próprio do termo dominante, o primeiro, é estar faltoso em relação ao suplemento que está para chegar, estar esperando-o, por assim dizer. Ao ser suplementado, ele torna-se o que é: Eva confere a Adão, retrospectivamente, sua identidade.

Mas e o lado de Eva, do feminino, do termo subordinado no binarismo? Assim como o dominante, o termo subordinado tampouco é tranquilo, unívoco, idêntico a si mesmo. Ele também é atravessado pela temporalidade suplementar: "feminino", na dicotomia masculino / feminino, não é só o nome de um dos termos do binarismo. É também o nome de algo que teve que ser excluído para que o binarismo se constituísse enquanto tal. No caso do feminismo, essa hipótese foi desenvolvida em dois livros monumentais de Luce Irigaray.

Em outras palavras? A dicotomia masculino / feminino, ela mesma, é narrada com linguagem masculina, é uma construção masculina. Não se constitui esse binarismo sem que o feminino se transforme em nome de algo que não cabe no binarismo enquanto tal.

Qual a consequência de toda essa digressão filosófica para a nossa discussão política aqui? Ela não terá escapado ao leitor mais atento: se você realmente acha que o problema da blogosfera política é o Fla x Flu entre petistas e tucanos, se você vê a si mesmo pairando sobre duas "torcidas organizadas", se você de verdade acredita que Carta Capital e Veja são bolachas simétricas, se você realmente acha tudo isso, talvez seja boa ideia encontrar uma linguagem mais neutra para descrever a realidade -- porque essa é uma narrativa na qual os "petistas" ou "lulistas" reconhecem o DNA da visão tucana de Brasil. Ao descrever a realidade assim, você está tomando partido por um dos lados, não percebe?

Em todo caso, isso é de pouca monta. A sugestão política e moral que eu faria de verdade é: se você vê o Fla x Flu como o grande problema, por que não levantar a bunda da cadeira do choramingo e fundar um Vasco da Gama?



  Escrito por Idelber às 06:29 | link para este post | Comentários (114)



domingo, 10 de maio 2009

Links

Todos os links oferecidos neste post já foram devidamente tuitados:

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Finalmente, saiu em português o Livro de Dave, do Will Self. A dica é a da Myriam Kazue.

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Papa Bento XVI vai à Jordânia pontificar sobre a "manipulação política da religião". É o prêmio óleo de peroba da semana.

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Nas priscas eras de 2005, Milton Ribeiro recebeu Tiagón Casagrande e fez uma bela entrevista. Foi como conheci os dois. Tiagón me fez a gentileza de encontrá-la nos arquivos da internet, pois o Sr. Milton não migrou os posts antigos da Verbeat para O Pensador Selvagem.

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O subgênero blogueiro inventado pelo Alexandre Nodari, o "Frases Feitas", recebeu ontem mais um belo acréscimo: Essa palavra, o racismo.

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Por falar nele, Henning Markell é um autor que escreve romances policias justamente para tematizar o racismo: Veja a entrevista na Revista Ñ.

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No Amálgama, notícias sobre a última etapa de uma canonização: Ratos de Porão, a legendária banda punk paulistana, chega ao cinema.

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Troféu Óleo de Peroba, II: Citibank recebe $45 bilhões de dinheiro público no socorro aos bancos, e agora está gastando grana para sabotar o plano de empréstimos estudantis de Obama. Arquive, no Twitter, sob #caradepau.

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A filha de Sarah Palin, adolescente mãe, vira garota-propaganda da abstinência (via Piro, que cunhou o termo lapidar: a berlusconização do mundo).

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Num espaço de dez dias, o Estadão publicou três violentos ataques ao IPEA: um editorial, uma "reportagem" e uma coluna. Todas os três textos repetiam sem provas que os estudos do IPEA são "políticos" e não "técnicos". Ao receber um breve texto com o contraditório, o vetusto jornal paulistano recusou-se a publicá-lo.

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Ôxe, e eu não sabia que a China já é o maior comprador de produtos brasileiros. Mundo que muda. Things fall apart / the centre cannot hold, diria o poeta.

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Bom domingo, mui especialmente para as mães.


Atualização: Aí vai um ótimo exemplo de conversa em rede: o leitor Vinicius veio aqui ao blog me pediu um levantamento de valores comparativos entre fraudes no Bolsa Família e nos programas assistenciais americanos. Eu indiquei o Hermenauta. Vinicius foi lá e recebeu uma resposta que traz dados interessantes.



  Escrito por Idelber às 06:48 | link para este post | Comentários (15)



sábado, 09 de maio 2009

RS Urgente só no Blogspot

Aí vai um aviso para quem não tem Twitter (hoho): o RS Urgente, indispensável fonte de notícias, análises e debates sobre a política do Rio Grande do Sul, está operando só neste endereço do blogspot. O dominío rsurgente.net, apesar de ter sido pago pelo Marco até 2010, está fora do ar desde ontem pela manhã. Ainda não sabemos o que aconteceu.

Não houve perda de conteúdo. Todos os arquivos estão lá no blogspot, voltando a 2008. Os arquivos de 2005 a 2008, que detalham em minúcias o que a Revista Veja descobriu agora, estão na velha casa do blog.


PS: Pedro Alexandre Sanches escreveu um belo texto sobre a Faculdade Zumbi dos Palmares e o Tietê.



  Escrito por Idelber às 16:13 | link para este post | Comentários (8)




Mais uma reportagem de Leandro Fortes desvenda entranhas do Brasil

A reportagem de CartaCapital demonstrou que o delegado Corrêa comandou uma operação ilegal para interrogar a empregada Ivone da Cruz, em 2001, e depois forjou uma versão para justificar o fato de ter atropelado a competência da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Ouvido pela sindicância interna da PF, em 2005, o delegado civil Fernando Rosa Pontes, responsável pela investigação do assalto à casa da avó da mulher de Corrêa, negou ter solicitado ajuda do colega da PF – justamente a viga mestra da defesa do diretor-geral. Em 29 de janeiro passado, o corregedor-geral da PF, Valdinho Caetano, nomeado por Corrêa pouco mais de um mês antes, arquivou o processo.

[...]


A Câmara dos Deputados perdeu, ainda, a chance de esclarecer a razão de, na tarde de 18 de setembro de 2008, o deputado José Edmar (PR-DF), com as narinas tapadas por chumaços de algodão, ter invadido uma sessão da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) do Congresso Nacional. Na ocasião, o parlamentar virou-se para o presidente da comissão, senador Heráclito Fortes (DEM-PI) e anunciou: “Luiz Fernando é um torturador”. Ao lado do deputado, sentado à mesa de autoridades, o diretor-geral da Polícia Federal não sabia onde meter as mãos. “E reafirmo, e tenho como provar”, reforçou Edmar.

A história completa está em mais esse magnífico trabalho investigativo de Leandro Fortes.



  Escrito por Idelber às 06:11 | link para este post | Comentários (16)



sexta-feira, 08 de maio 2009

Marcha da maconha sábado, liberada em BH. É na Pça da Estação

Depois de que em outras capitais brasileiras triunfasse a insanidade, a insensatez de se proibir uma marcha pacífica em favor da mudança de uma minúscula letrinha da lei, em Belo Horizonte a história foi diferente e o TJMG já autorizou a marcha da maconha

que acontece a partir das 15 horas, na Praça da Estação, neste sábado .

Parabéns aos organizadores por chamá-la para esse espaço, o melhor para se iniciar uma manifestação popular em Belo Horizonte. Sempre foi essa a crença deste blog. Como sempre foi minha convicção que a maconha deve ser total e completamente descriminalizada.

Sim, Sergio Leo, os jornalões já noticiaram, mas eu li antes no Twitter do Túlio Vianna, podendo por isso lhes oferecer o link ao pdf com o habeas corpus impetrado em favor do direito à marcha.

Vitória da sensatez, pois.


Atualização: Leio no Twitter do Túlio que o MP impetrou um Mandado kamikaze de madrugada, mas foi derrotado de novo. A marcha acontece. Ainda sobre o tema, que tem história por aqui, veja a discussão dessa decisão judicial de 2008.

Atualização II: Já depois da marcha realizada, vale a pena ler as reflexões do Túlio Vianna.



  Escrito por Idelber às 21:30 | link para este post | Comentários (34)




Ato Público contra o AI-5 Digital

Muitos blogs estão hoje "congelados" Brasil afora, em protesto contra o projeto de policiamento da internet. Procurado pelo Arlesophia no Twitter, eu disse que não podia congelar nada aqui hoje, mas que com prazer divulgaria o cartaz do protesto do dia 14 em Sampa:

ato-contraai5digital.png


Há uma vasta documentação contra o AI-5 digital no blog do Sergio Amadeu, que tem se destacado na luta contra esse nefasto projeto.



  Escrito por Idelber às 04:43 | link para este post | Comentários (16)




Um adeus a Eve Kosofsky Sedgwick

eve.jpg A epistemologia do armário não é um tema datado nem um regime superado de conhecimento. Embora os eventos de junho de 1969, e posteriores, tenham revigorado em muitas pessoas o sentimento de potência, magnetismo e promessa da autorevelação gay, o reino do segredo revelado foi escassamente afetado por Stonewall. De certa maneira, deu-se exatamente o oposto. Para as antenas finas da atenção pública, o frescor de cada drama de revelação gay (especialmente involuntária) parece algo ainda mais acentuado em surpresa e prazer, ao invés de envelhecido, pela atmosfera cada vez mais intensa das articulações públicas do (e sobre o) amor que é famoso por não ousar dizer seu nome.


Mesmo num nível individual, até entre as pessoas mais assumidamente gays há pouquíssimas que não estejam no armário com alguém que seja pessoal, econômica ou institucionalmente importante para elas. Além disso, a elasticidade mortífera da presunção heterossexista significa que, como Wendy em Peter Pan, as pessoas encontram novos muros que surgem à volta delas até quando cochilam. Cada encontro com uma nova turma de estudantes, para não falar de um novo chefe, assistente social, gerente de banco, senhorio, médico, constrói novos armários cujas leis características de ótica e física exigem, pelo menos da parte de pessoas gays, novos levantamentos, novos cálculos, novos esquemas e demandas de sigilo ou exposição. Mesmo uma pessoa gay assumida lida diariamente com interlocutores que ela não sabe se sabem ou não. É igualmente difícil adivinhar, no caso de cada interlocutor, se, sabendo, considerariam a informação importante. No nível mais básico, tampouco é inexplicável que alguém que queira um emprego, a guarda dos filhos ou direitos de visita, proteção contra violência, contra “terapia”, contra estereótipos distorcidos, contra o escrutínio insultuoso, contra a interpretação forçada de seu produto corporal, possa escolher deliberadamente entre ficar ou voltar para o armário em algum ou em todos os segmentos de sua vida. O armário gay não é uma característica apenas das vidas de pessoas gays. Mas, para muitas delas, ainda é a característica fundamental da vida social, e há poucas pessoas gays, por mais corajosas e sinceras que sejam de hábito, por mais afortunadas pelo apoio de suas comunidades imediatas, em cujas vidas o armário não seja ainda uma presença formadora.
eve-2.jpg

A Epistemologia do Armário (1990) foi um livro que inventou uma linguagem, encontrou a metáfora perfeita, fundou um campo de estudos e representou muito para todos os gays e lésbicas da academia americana nas áreas de humanas. Foi, sem dúvida, a grande obra da pensadora americana Eve Sedgwick, que nos deixa aos 58 anos, vítima de câncer de mama.

O trecho que cito vem de uma versão bem resumida do livro, traduzida por Plínio Dentzien e publicada em Cadernos de Pagu. Está disponível na internet, mas só em pdf.

Antes da Epistemologia, Sedgwick havia escrito um livro notável, desses que revolucionam a forma como todo um campo de textos é lido. Entre homens: Literatura inglesa e desejo homossocial masculino (1985) nos leva num passeio por séculos de literatura inglesa a partir de Shakespeare. "Homossocial", no título do livro, não quer dizer homossexual ou mesmo homoerótico -- designa, sim, toda a interação entre homens, na medida em que se manifeste um desejo, de ali estar. A leitura que faz Eve do romanção burguês é brilhante: mostra como as personagens femininas com frequência funcionam como peças, metáforas, códigos, moedas das relações homossociais entre homens. A análise, cuidadosa, feita com minúcia, resolve juntos dois problemas nada fáceis para a crítica: 1) o que fazem mesmo as personagens femininas no romanção do século XIX? e 2) qual é mesmo a natureza da economia que organiza as muitas interações que ali têm lugar entre os homens?

Aquela que talvez tenha sido a grande pensadora lésbica do nosso tempo nas ciências humanas é co-fundadora dos estudos da masculinidade na literatura em sua forma atual. Esse fato, que eu considero de uma beleza danada, não é um paradoxo. É só ler Eve para ver que faz todo o sentido.

Eve escreveu outros livros. Lecionou em Duke University, inclusive entre 1993 e 1996, quando eu era doutorando por lá. Por absurdo excesso de opções, acabei nunca fazendo um curso com ela. Mas tenho memória nítida do olhar brilhante com que seus alunos e alunas a acompanhavam, especialmente gays e lésbicas, que tinham ali uma linda história de sucesso na qual se inspirar. Não são poucos colegas gays e lésbicas da minha geração que confirmam que jamais estariam onde estão hoje se não tivesse sido pelo pioneirismo de Eve Sedgwick.

Com as inevitáveis simplificações, o New York Times fez um obituário. Há outro em português , com trechos da Epistemologia (dica da Mary no Twitter). A primeira fotografia é de David Shankbone, daqui. A segunda, daqui.

Por motivo de força maior, este post se atrasou bastante. Eve nos deixou no dia 12 de abril. Requiescat in pace e que se sintam homenageados gays e lésbicas que frequentam a bodega.



  Escrito por Idelber às 03:24 | link para este post | Comentários (15)



quinta-feira, 07 de maio 2009

O fora Gilmar

Não deixa de ser curioso constatar o clima de Baile da Ilha Fiscal que cercou, literalmente, a impressionante manifestação popular levada à cabo na noite de hoje, 6 de maio de 2009, na Praça dos Três Poderes, em frente ao Supremo Tribunal Federal, aqui em Brasília. Logo cedo, o ministro Gilmar Mendes, alvo dos manifestantes, mandou colocar cercas em todo o perímetro do STF com a inacreditável desculpa de que seria preciso preservar o ambiente para um evento noturno, a apresentação de um anuário jurídico publicado pelo jornalista Márcio Chaer, do site Consultor Jurídico. Chaer e Mendes são amigos, mais que amigos, fraternos aliados empenhados em uma simbiose ideológica travestida de relação jornalística. Difícil é definir quem é a fonte de quem.

Continue lendo o testemunho jornalístico de Leandro Fortes.


06_MHG_pais_velas_stf.jpg


Hugo Albuquerque tem fotos do protesto em São Paulo. Há vídeos de Brasília aqui e acolá. Nassif também registrou. No Twitter, a tag é #foragilmar.

O ato de Brasília foi um marco importante. Parece que, na Av. Paulista, o grito se fez ouvir, mas numa manifestação pouco numerosa. Na Praça Afonso Arinos, ainda não sei o que aconteceu, já que o Estado de Minas se limitou a reproduzir uma matéria da Agência Brasil sobre o ato no DF, nada dizendo sobre o de BH, realizado a 15 quadras de sua sede.

Que tal avaliar onde andamos com este tema?


PS: A foto é daqui, de Marcello Casal Jr. A partir de hoje, o Biscoito, além de dar o link à fonte de onde tirou a foto, fará sempre o possível para dar o crédito citando o nome do fotógrafo também. O Pictura Pixel tem sido uma aula para mim nesse sentido. Creditar o fotógrafo sempre que possível.



  Escrito por Idelber às 10:19 | link para este post | Comentários (52)




Esclarecimento aos leitores sobre meu desligamento do Pandorama

Eu comuniquei ao Pedro Doria e ao Pax o meu desligamento do coletivo Pandorama. O desligamento foi como a entrada: conversado entre amigos. Explicar aos leitores deste blog, aos velhos e aos novos, as razões da decisão é o objetivo destas linhas.

Eu não tomei a decisão sozinho. Ao ter a dúvida, chamei duas leitoras e quatro leitores antigos do blog. Debatemos por email e, mesmo eu tendo entrado na conversa achando que ia ficar, terminamos o papo unânimes na opinião de que permanecer no Pandorama não seria de interesse deste blog.

O plano inicial com o qual eu aceitei superar minha ojeriza à ideia de pôr propaganda aqui foi, para citar o convite do Pedro, “um coletivo onde blogarão Antonio Cícero, você, Villas Bôas Corrêa, Alice Ruiz, um coletivo plural”. O Cícero não começou mesmo e parece que não vai começar a blogar, além dos seus (sempre instigantes) textos semanais da Folha. O Villas continua escrevendo em seu blog sem muito envolvimento com o coletivo.

Depois do meu post sobre a visita de Ahmadinejad, fui surpreendido com um post do Pedro que aludia à “polêmica entre Idelber Avelar e Lula Borges” -- o que me causou muita surpresa, porque jamais li nem ouvi falar de ninguém com esse nome. Portanto, não poderia estar polemizando com ele. Quando recebi a notícia dessa “polêmica”, fui conhecer. Não me pareceu que valia a pena terminar de ler nenhum dos parágrafos iniciais dos dois textos que vi.

Aí, lendo o quem somos que foi colocado pelo Pedro no portal, percebi que a ideia era ter uma sorte de ringue com um representante da “esquerda” e outro da “direita”, ante os quais o Pedro exerceria sua voz moderadora. Não acho que seja uma ideia ruim fazer isso, necessariamente. Mas nesse caso era um debate em que os lugares estavam definidos e o meu intelecutor parecia ter sido escolhido de antemão – acontecendo de ser alguém de quem jamais se ouviu falar na blogosfera brasileira.

Pareceu-me (e a esses seis leitores conselheiros também) que tentar encaixar nesse marco do Pandorama a infinitude de debates que já acontecem por aqui há quatro anos e meio traria mais perdas que ganhos. Não critico o Pedro pela forma como conduziu nada nem acho que tenha havido qualquer coisa que não um mal entendido. Esse mal entendido – da ordem daquilo que Oswald, inspirador deste blog, chamava de contribuição milionária de todos os erros – me permitiu ver também que vale a pena seguir o instinto da minha ojeriza à propaganda aqui, neste espaço. Não como regra para ninguém, mas como opção minha.

Nada disso prejudica a longa amizade que já tenho com o Pedro. A passagem pelo Pandorama serviu para solidificar a amizade – ainda só internética – com o Pax, que foi um gentleman. Desejo, de verdade, sucesso ao Pandorama, porque tudo que o Pedro e o Pax conquistarem com seu trabalho será merecido. Pedro e Pax continuam no meu blogroll normalmente.

Cabe um esclarecimento final. Apareceu, na caixa de comentários sobre o Ahmadinejad -- aquela, com 203 comentários publicados, 3 apagados (por ofensas) e ainda assim acusada de não acolher pontos de vista discordantes --, a teoria de que o Pandorama havia trazido trolls. Essa teoria em nenhum momento foi base da nossa decisão. Ela nem mesmo se confirmou, inclusive. Se você é leitor novo, chegado do Pandorama, ou de onde seja, bem vindo. Os motivos da saída são os explicados nos parágrafos acima, não essa teoria, que circulou livremente por aqui, como circula qualquer uma que não esteja recheada de ofensas.

Suponho não ser necessário enfatizar que o Biscoito não está, com isso, abandonando nenhum debate. Sempre que eu vir, no Pandorama ou em qualquer canto da blogosfera, algo que eu queira debater, farei o que sempre faço, linkar e discutir. Sempre que outros blogs virem aqui algo digno de ser debatido, será uma honra receber o link e a interlocução, ou o comentário aqui na caixa. Enfim, a possibilidade de debate não desaparece de forma nenhuma.

Desejo muita sorte ao coletivo, mas o opção é pela carreira solo mesmo.


PS: Saindo de uma coisa, entrando em outra: Durou 14 meses minha promessa de não aderir ao Twitter.



  Escrito por Idelber às 07:10 | link para este post | Comentários (142)



quarta-feira, 06 de maio 2009

Diário Mothern da Gravidez

Depois do blog, do primeiro livro, da histórica comunidade do LV, dos blogs-cria e da bem sucedida série de televisão, chegou a mais recente produção Mothern. Com vocês, senhoras e senhores:

mthern.jpg


O Diário Mothern da Gravidez. Como qualquer produto mothern, é muito recomendado para homens também. Parabéns, Ju Sampaio e Laura Guimarães. Ser amigos de vocês é mesmo um orgulho.



  Escrito por Idelber às 12:24 | link para este post | Comentários (7)




Pelo menos 30 civis mortos em bombardeio americano no Afeganistão

Foram 30 civis mortos com certeza, com algumas fontes falando até em 100.

A administração Obama começa a escorregar no pântano do Afeganistão. Ainda por cima, descobrem isso aqui.



  Escrito por Idelber às 11:49 | link para este post | Comentários (17)




Ato público contra Gilmar Mendes: BH, Sampa, Brasília

GilmarDantas.jpg


(imagem enviada pelo meu irmão Charley. Valeu. Ela está também publicada aqui)



  Escrito por Idelber às 08:39 | link para este post | Comentários (27)



terça-feira, 05 de maio 2009

Acelerar a putrefação da mídia e a desmoralização de Gilmar Mendes: tarefas para uma verdadeira extrema-esquerda

psol50.jpgO PSOL, o PSTU e o PCO deveriam parar de brigar, abandonar o sofisma -- desmentido pela história brasileira recente -- de que PT e PSDB são duas faces do mesmo projeto político e agir como verdadeiros partidos leninistas. Eu sou dos que acham que o leninismo está longe de ter esgotado sua significação histórica. Mas não a vejo na teoria do partido de vanguarda nem na teoria da ditadura do proletariado. O que constitui um leninista é a análise da circunstância concreta, sempre em busca do ponto universalizante, da âncora que pode sintetizar toda a luta política. Não há leninismo sem a pergunta: o que fazer?

O que fazer, na extrema-esquerda, hoje no Brasil? O PSOL, que dos três é o único que não se reivindica leninista (embora haja leninistas por lá), deve pensar se quer mesmo fazer da moral, do udenismo de esquerda, o eixo de seu discurso. A escolha pode ter tido sua lógica em 2005, como aglutinação para a extrema-esquerda no momento de maior desgaste do governo Lula. Hoje, é um tiro no pé, além de despolitizadora e inadequada. A redução da política à moral já se anunciara na campanha de Heloísa Helena, em 2006, das mais despolitizadas que a esquerda já fez. No Brasil pós-Satiagraha, o PSOL extrapola, do louvável apoio ao Delegado Protógenes Queiroz, uma leitura da realidade que faria Trótski revirar-se no túmulo, inimigo que era ele de toda confusão entre lei e justiça ou entre moral e política. Confio que o leitor não pense que eu sugira desatenção ao problema da corrupção. Simplesmente estou afirmando que o discurso moral anti-corrupção não pode ser eixo de uma política de extrema-esquerda genuína.pstu.jpg

No site do PSTU, a principal manchete é “Os trabalhadores não pagarão pela crise”. É difícil reconciliar a manchete com a própria interpretação que faz o PSTU do Brasil. Pois se o governo Lula é o agente neoliberal que a extrema-esquerda denuncia, a chamada correta deveria ser “Trabalhadores pagarão pela crise”. A manchete incorre numa contradição performativa, uma comum confusão entre o ser e o dever ser que frequentemente acomete a extrema-esquerda quando ela perde contato com a realidade. Se fosse verdadeiro para o PSTU dizer “os trabalhadores não pagarão”, ou seja, se fosse factível a hipótese de que um movimento operário liderado pela Conlutas conseguisse, dentro da “ordem neoliberal” de Lula, que os trabalhadores deixassem de pagar pela crise, ora ora, seria a própria existência dessa ordem que estaria em dúvida. Ela não está, como o próprio PSTU reconhece. Achar que dentro da ordem capitalista os trabalhadores “não vão pagar” por algo é de um reformismo inaceitável num partido que se quer revolucionário. De novo, Lênin revira no túmulo. A confusão entre o que é e o que deveria ser não é causa, claro, mas sintoma de uma extrema-esquerda que não sabe formular seu papel no presente.

Mas passemos ao momento propositivo. O que fazer? Para a esquerda, o eixo definidor, o ponto-âncora do corpo político é a putrefação da grande mídia no bojo da Satiagraha, a partir da qual se desatou a jagunçagem de Gilmar Mendes e a desmoralização do Poder Judiciário. Nesse feixe de contradições um leninista identificaria a questão universalizante, ou seja, aquela tensão do corpo social que tem o potencial de desatar o antagonismo constitutivo, central. Quem é de esquerda no Brasil hoje e não está refletindo sobre esse imbróglio não está pensando nada.

pco.gifComo trabalham com o sofisma de que PT e PSDB são irmãos gêmeos, os partidos de extrema-esquerda não compreendem por que raios se forma de maneira tão furiosa a articulação Gilmar Mendes-Revista Veja e seus capangas. Perdem a oportunidade de contribuir ao esforço definidor da intervenção de esquerda hoje (e dentro do qual eles poderiam até ganhar espaço em relação ao PT): acelerar a destruição da moribunda credibilidade nos grupos de mídia; promover a guerra de guerrilha incessante contra sua imagem, moral e capacidade de esconder a fábrica de linguiça; exibir e ridicularizar cada erro, mentira, notícia distorcida; revelar e expor minuciosa e diariamente sua história de colaboração com a ditadura; acossar seus patrocinadores com o boicote; bombardear seus ombudsmen com críticas; ajudar a disseminar os blogs que os desconstroem; trabalhar diuturnamente nas campanhas de cancelamento de assinaturas; não respirar enquanto as corjas Civita, Marinho, Frias e cia. tenham sofrido uma derrota categórica.

No bojo dessa práxis, quem sabe não se acumulam forças suficientes para um movimento nacional pelo impeachment de Gilmar Mendes? Quem aposta que um movimento popular não pode encurralar um Senado?

Isso é mais leninista e revolucionário que fazer um sitezinho dizendo que as comemorações do 1° de maio serão “independentes e classistas” e que o Bolsa Família é “migalha dada pela burguesia”. Os partidos de extrema-esquerda brasileiros precisam ler com atenção seus Lênin e Trótski: a interpretação revolucionária da realidade começa com a identificação da sua contradição constitutiva.



  Escrito por Idelber às 05:20 | link para este post | Comentários (130)



segunda-feira, 04 de maio 2009

A histeria da direita com a visita de Ahmadinejad

Mahmoud-Ahmadinejad303.jpg A julgar pelos gritinhos da República Morumbi-Leblon, pareceria que o Brasil nunca recebeu a visita do chefe de um estado autoritário. A julgar pelos videozinhos, você imaginaria que somente líderes de democracias tolerantes e liberais têm permissão de visitar o Brasil. É curioso que pessoas que não deram um pio acerca do inominável massacre israelense em Gaza venham agora posar de defensores dos direitos das mulheres iranianas. Não me consta, aliás, que alguém nessa turma tenha dito nada quando o Brasil recebeu a visita de Bush, responsável por uma guerra baseada em mentiras, pela adoção da tortura como política de estado, pelo campo de concentração de Guantánamo, pela morte de centenas de milhares de iraquianos.

Quando você vir alguém dessa turminha dizendo que Ahmadinejad propõe a exterminação dos judeus, faça algo muito simples: peça o link. Pergunte qual é a fonte. Pergunte quem traduziu o texto do persa. Porque o líder iraniano jamais disse isso. O que ele disse foi: "o regime que ocupa Jerusalém (een rezhim-e ishghalgar-e qods) deve ser apagado da página do tempo (bayad az safheh-ye ruzgar mahv shavad)." A tradução é de um dos maiores especialistas em Oriente Médio da contemporaneidade, Juan Cole, confirmada por dois outros tradutores do persa. Leia a entrevista de Ahmadinejad e confira você mesmo. Sobrando um tempinho, assista ao vídeo da palestra de Ahmadinejad em Columbia University, cujo presidente o recebeu com uma grosseria que até hoje envergonha a nós, acadêmicos americanos.

Suponho não ser necessário esclarecer que eu acho muita coisa no discurso de Ahmadinejad absolutamente repugnante, especialmente as declarações sobre o homossexualismo. Não defendo o que ele diz. Mas há que se corrigir as mentiras. A calúnia de que Ahmadinejad ameaçou “varrer Israel do mapa” -- e, a partir daí, a afirmativa mais delirante ainda de que ele propõe a exterminação de judeus – tem uma longa história, que se remonta a uma tradução manipulada do New York Times. É, meu chapa, quando se trata de Oriente Médio e do lobby pró-ocupação israelense, até as traduções devem ser minuciosamente revisadas.

Não custa lembrar, claro, que o Irã não invadiu país nenhum. O Irã não tem uma história de agressão contra seus vizinhos. Na guerra Irã-Iraque, o agredido foi ele, na época em que o depois demonizado Saddam Hussein era amiguinho de Donald Rumsfeld. Sim, é evidente que a situação dos direitos humanos no Irã é grave. Ela é quase tão grave como a situação na Arábia Saudita, país onde sequer existem eleições nacionais, mas cuja monarquia visita e faz polpudos negócios no Ocidente sem que se ouça um pio dos nossos preocupadíssimos democratas da República Morumbi-Leblon.

Qual é o país do Oriente Médio que ocupa ilegalmente terras de outrem há mais de quarenta anos, com uma história de sistemática agressão contra seus vizinhos e de desrespeito às resoluções das Nações Unidas? Qual é o país do Oriente Médio que infiltra espiões até mesmo no território de seu maior aliado? Não é o Irã.

Aceito debater o Irã com qualquer membro da República Morumbi-Leblon que me ofereça um ou dois parágrafos articulados acerca de como era mesmo maravilhosa a situação no país persa entre 1954 e 1979. Afinal de contas, a julgar pelos horrorizados chiliques, você imaginaria que antes da Revolução Islâmica as coisas andavam muito bem por lá. Na verdade, a única vez em que o Irã esteve perto de chegar a um regime aberto e tolerante foi um pouco antes de 1954, quando a Frente Nacional de Mohammed Mossadeq nacionalizou a indústria do petróleo. Mossadeq foi logo depois removido por um golpe de estado preparado pela CIA, naquilo que Robert Fisk, em sua obra monumental, chamou de primeira operação americana desse tipo durante a Guerra Fria (pag. 99). Com sua implacável verve britânica, Fisk acrescenta: pelo menos nós nunca afirmamos que Mossadeq tinha armas de destruição em massa.

O golpe de 1954 inaugura um período caracterizado por Fisk como de “monarquia absoluta” do Xá, controlada pela sua temida polícia política que, ao custo de assassinatos, tortura e supressão da oposição, garantiu a estabilidade necessária para que se exportassem 24 bilhões de barris de petróleo nos 25 anos que se seguiriam. A Revolução Islâmica canalizou a revolta da população iraniana, num momento em que muita gente ainda sonhava com a possibilidade de uma esquerda nacionalista e secular no mundo árabe. Essa foi uma opção que existiu durante algum tempo, com Nasser e cia., mas que sucumbiu ante os golpes de estado e as invasões americanas, assim como as sistemáticas agressões israelenses – com o apoio dos mesmos direitecas que agora acusam os críticos do sionismo e do imperialismo de serem cúmplices do bicho-papão islâmico.

Eu me pergunto se esses direitecas que histericamente gritam que Ahmadinejad quer “aniquilar” Israel sabem que o presidente do Irã sequer é o comandante-em-chefe das Forças Armadas do país. Quem tiver curiosidade arqueológica, que consulte a grande imprensa americana entre, digamos, 1998 e 2002. Naquele período, em que o reformista moderado Mohammad Khatami dava declarações de aproximação aos EUA e ao Ocidente, esses gestos eram descartados com o argumento de que o presidente do Irã não tem poder real – o mesmo fato do qual agora eles convenientemente se esquecem, para que possam apresentar Ahmadinejad como comedor de criancinhas.

Etiquetar Ahmadinejad como “ditador do Irã” é ridículo. Ele foi eleito. É verdade que sua vitória foi conquistada com os mesmos métodos de George Bush. Mas se quiserem entender o clima que possibilitou sua eleição, há que se estudar um pouco a enorme frustração dos setores jovens iranianos com Khatami, que tentou e tentou se aproximar do Ocidente, sendo sistematicamente rechaçado.

A tarefa da esquerda é dupla. Desmascarar a mentirada e a hipocrisia da República Morumbi-Leblon e do lobby pró-Israel ao mesmo tempo em que oferece solidariedade aos setores da sociedade civil que estão lutando no Irã – e também na Arábia Saudita! – contra regimes que são, sim, bastante opressivos. Há que se fazer um coisa sem perder de vista a outra. Mas a iniciativa de querer expulsar Ahmadinejad do Brasil, vinda de gente que recebeu Bush sem dar um pio, tem um só nome: hipocrisia.

Portanto, sem prejuízo nenhum ao meu apoio aos que, no Irã, lutam por uma democracia real, não posso deixar de retrucar: Bem vindo, Ahmadinejad. Tome sua cachacinha com Lula (sim, sim, sei que é proibido...), visite algumas das maravilhas desse que é um dos mais belos países do globo e não ligue para a meia dúzia que protesta. Estão em vergonhosa minoria. Já não sabem em que se agarrar. Na última eleição, o candidato deles não conseguiu sequer repetir no segundo turno a votação que havia tido no primeiro. É compreensível que estejam tão histéricos.

Atualização: Artigo publicado também na Agência Carta Maior.



  Escrito por Idelber às 11:56 | link para este post | Comentários (210)



domingo, 03 de maio 2009

Leandro Fortes de volta

Leandro Fortes, da Carta Capital, um dos jornalistas que mais vêm honrando a profissão no Brasil, fazendo reportagens genuinamente investigativas, sem medo de desagradar aos poderosos, nos deu um presente este fim de semana. Leandro retomou seu blog Brasília, eu vi. Diz Leandro: "Acho que temos que reforçar essa rede de jornalistas independentes e honestos. Pode, no fim das contas, ser tudo que nos resta."

Vida longa.

Já no terreno da comédia pastelão, tivemos outra sensacional notícia: Soninha Francine descobriu que José Serra é de esquerda. Agora sim, fiquei tranquilo.

(O último link é dica do leitor Mauricio. Valeu).



  Escrito por Idelber às 15:43 | link para este post | Comentários (42)



sábado, 02 de maio 2009

Cem anos de Ataulfo Alves!

Ataulfo Alves completaria hoje cem anos. Filho de sanfoneiro e repentista, nasceu na Zona da Mata em 02 de maio de 1909. Emblematicamente, foi o primeiro negro a entrar no clube chique da sua Miraí natal, numa homenagem feita já nos anos 60, duas décadas depois de sua consolidação como grande compositor do samba. Espero que a elite pensante do interior de Minas aproveite a data para refletir um pouco sobre sua história. Não é nem necessário dizer que, quando a homenagem foi feita, Ataulfo já era o filho mais famoso da história de Miraí.

Não há muito o que dizer sobre seu centenário depois do post magnífico de Laura Macedo. Não deixem de ler. Há também uma breve biografia no mpbnet. O que acrescento aqui são meus dois centavos.


Uma das únicas aparições de Ataulfo na televisão:


A genialidade musical de Ataulfo é uma das pontes que une o samba amaxixado dos anos 20 ao que se convencionou chamar de samba “sincopado” ou “samba do Estácio” nos anos 30. Ele foi um dos primeiros a estabelecer um verdadeiro paradigma na cultura brasileira: a migração de mineiros ao Rio, onde eles invariavelmente se convertem em figuras nacionais. Aconteceu com Drummond, Ary Barroso, João Bosco, Milton Nascimento, Fernando Sabino, Clara Nunes, Hélio Pellegrino e muitos outros (eu já disse isso aqui: Minas-Rio e Nordeste-São Paulo são os dois fluxos migratórios sem os quais você não entende a cultura popular brasileira do século XX).


Com seu inconfundível arranjo de cordas, os Novos Baianos revisitam "Na cadência do samba":


Apesar de sintetizar a essência do samba carioca de seu tempo, Ataulfo manteria algo “mineiro” em sua música. Um jeitim, uma certa nostalgia e, inclusive, arrisco eu, uma certa forma de harmonizar.


A atleticana eterna, a maior de todas, fez uma releitura bluesy de "Na cadência do samba":


Pouca gente sabe disso, mas Ataulfo é componente fundamental da pré-história das escolas de samba. Foi diretor de harmonia do “Fale Quem Quiser”, em 1928, logo depois de chegar ao Rio. O “Fale Quem Quiser” foi um importante bloco ali no Rio Comprido.


A bonita voz de Ataulpho Alves Jr., cantando o pai:


A lista de clássicos é longa: Almirante gravou “Sexta-feira”. Logo depois, Carmen Miranda emplacou “Tempo perdido”. Em seguida, Floriano Belham gravou o primeiro sucesso de Ataulfo, “Saudade do meu barracão”. As mui famosas viriam depois. Ele foi co-campeão dos carnavais de 1940 e 1941, com “Oh, seu Oscar” e “O Bonde de São Januário”. Daí em diante, foi uma sucessão caýmmica de clássicos: “Ai, que saudades da Amélia” (com Mário Lago), “Mulata assanhada”, “Na cadência do samba”. Seu último grande sucesso foi “Laranja madura”.


Conexão alvi-negra New Orleans-Minas: Louis, JK e Ataulfo:

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Há uma diferença importante a se estabelecer entre Ataulfo e outros negros de seu tempo que venceram o preconceito e as enormes barreiras. Ataulfo não era como Pixinguinha, que se impunha pela alucinante formação erudita. Era diferente de Zé Ketti, o negro militante e rebelde. Ataulfo era um mineiro conciliador. Embarcou na cooptação do regime Vargas, fazendo os bem-comportados versos O bonde São Januário / leva mais um operário / sou eu que vou trabalhar.

Discordo daqueles que querem relativizar o machismo de uma canção como “Ai que saudades da Amélia”. Honrar a memória de um artista não é cegar-se para aquilo que, na sua produção, merece críticas. Ataulfo não é diminuído por ter sido o cantor do operário obediente em “O Bonde São Januário” e do machista nostálgico das Amélias. Era um homem negro negociando uma posição incrivelmente complexa na cultura de seu tempo.

Ataulfo foi chave para a virada decisiva na carreira de Clara Imortal:

A minha canção favorita de Ataulfo sempre foi “Leva meu samba”. Com o perdão da cacofonia, há ali uma levada absolutamente única e genial, que traz as conquistas rítmicas do samba do Estácio a um crescendo que, pelo menos para mim, é absolutamente contagiante. Das regravações de Ataulfo, não há como não destacar o imperdível disco de Itamar Assumpção, que é uma genuína releitura da obra do mineiro.

A cidade de Miraí está em festa até o dia 03. Já foram inaugurados o memorial e o site do centenário. Você que, como este blogueiro, já passou dos trinta, não deixe de aplicar Ataulfo aos seus filhos ou parentes mais jovens. O fim de semana é de Ataulfo no Biscoito. Fique à vontade para compartilhar links e vídeos.



  Escrito por Idelber às 18:46 | link para este post | Comentários (37)



sexta-feira, 01 de maio 2009

Despencam as vendas de Folha, Globo e Estadão

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Saíram os números do primeiro trimestre e há muito que comemorar. As organizações criminosas conhecidas pelo eufemismo “grande mídia” tiveram, em termos relativos, o seu pior trimestre da história. A Folha, jornal brasileiro de maior circulação, cai paulatinamente a cada primeiro trimestre desde 2000. No começo daquele ano, vendia uma média de 429.476 exemplares diários. Veio despencando ano após ano até o recorde negativo do primeiro trimestre de 2009, no qual somente 298.352 incautos contribuíram, em média diária, com a organização criminosa.

A bandidagem liderada pela famiglia Marinho não teve melhor sorte. O Globo tinha média diária de 334.098 exemplares diários vendidos no começo de 2000. Fechou o primeiro trimestre de 2009 vendendo 260.869 exemplares por dia. No mesmo período, o Estadão caiu de 391.023 para 217.414 exemplares diários vendidos. Em menos de uma década, a Folha perdeu mais de trinta por cento dos seus leitores. Também despencaram o Diário de São Paulo, o Correio Braziliense e O Dia. Incrivelmente, a Zero Hora teve ligeira subida. A organização criminosa pertencente ao grupo RBS vendeu 184.893 exemplares em média no primeiro semestre de 2009. É um número menor que os 186.471 vendidos diariamente no começo de 2000, mas é ligeiramente superior ao mesmo período em todos os outros anos desta década.

Sem dúvida, a crise da mídia impressa é mundial. Mas os donos dos grandes jornais brasileiros, assim como seus funcionários, deveriam refletir sobre se isso explica, por si só, esses números. Baseadas nos números do Instituto Verificador de Circulação (IVC), a notícia saiu no site meio&mensagem, que é fechado para não-assinantes. Foi repercutida pelo Portal Vermelho, onde há mais números. Para a Folha Online, a queda dos lucros do Yahoo é notícia, a do New York Times também, mas a queda do seu próprio jornal não foi noticiada. A Folha usa os números do IVC quando lhe convém.

Num contexto como este, em que a grande mídia continua sofrendo derrotas nos tribunais, se o leitorado brasileiro de esquerda souber organizar uma massiva campanha de boicote e pressão aos anunciantes das organizações criminosas, elas cairão igual fruta podre. Não haverá Gilmar Mendes nem negociatas sem licitação com José Serra que salve.

Seria interessante fazer um levantamento minucioso das finanças das organizações criminosas, observar quais anunciantes mais contribuem e começar o bombardeio. O boicote a anunciantes é uma arma que, pelo menos nos EUA, a direita tem usado com muito mais habilidade que a esquerda. É uma iniciativa que tem pouca tradição no Brasil. É hora de começar a usá-la.

PS: Não deixe de ler Corrupção de mão única, de Alexandre Nodari.



  Escrito por Idelber às 16:35 | link para este post | Comentários (64)