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segunda-feira, 18 de maio 2009
A CPI da Petrobras e o tiro no pé dos tucanos
Cena 1. Belo Horizonte, 17 de maio de 2009, churrasco de classe média. Surge o tema Petrobras. As diatribes se repetem com tremenda virulência: E essa roubalheira na Petrobras?, e esse cabide de empregos da Petrobras?, e por que a gasolina não é mais barata? Um dos presentes aproveita uma brecha e lança a pergunta: pessoal, qual era o valor de mercado da Petrobras em 2002 e qual é o valor dela hoje? Silêncio sepulcral. Não tinham sequer um número para chutar. Sentindo que havia encaixado um jab, o visitante incômodo lança mais uma pergunta: pessoal, como se chama mesmo o presidente da Petrobras? Outro silêncio desconfortável de uns 20 segundos. Com duas simples perguntas, desnudava-se a ignorância da República Morumbi-Leblon-Belvedere, eterna repetidora dos factoides Globo-Veja. O visitante incômodo decide não tripudiar e deixa que o silêncio faça seu trabalho.
Cena 2. Belo Horizonte, 15 de maio de 2009. Algumas horas antes da aprovação da CPI da Petrobras, o humilde zelador de um prédio ajuda um professor universitário expatriado a recarregar a bateria de seu Escort, parado há meses. Conversa vai, conversa vem, o zelador dispara: Professor, esses caras aí que estão implicando com a Petrobras não são os mesmos que queriam vender ela uns tempos atrás? Confirmando, ao ouvir essa pergunta, que o poder de manipulação da mídia brasileira é cada vez menor, o dono do Escort retruca: Sim, seu Damasceno, são os mesmos filhos da puta que queriam vendê-la.
Em janeiro de 2003, na transição de FHC para Lula, o valor de mercado da Petrobras era 15 bilhões de dólares. José Eduardo Dutra assumiu então a presidência, deixando a empresa em junho de 2005 com um valor de mercado de 54 bilhões. Em 2006, já sob a presidência de Sergio Gabrielli, o valor da Petrobras era 70 bilhões. Em novembro de 2007, a Petrobras valia 222 bilhões de dólares.
Em 2006, o Brasil alcançou a autossuficiência em petróleo e a Petrobras bateu o recorde latinoamericano de lucros. Em 2007, realiza-se no Brasil a maior descoberta petrolífera do planeta nos últimos 30 anos. Em 2008, a Petrobras já era a terceira mais lucrativa da América. Em 07 de maio de 2009, 8 dias antes dos tucanos aprovarem sua CPI, a Petrobras havia saltado do octogésimo-terceiro para o quarto lugar entre as empresas mais respeitadas do mundo. 
Os tucanos não conseguiram privatizar a Petrobras, mas conseguiram quebrar o monopólio estatal, com a famigerada lei 9.478/97. Os que têm idade suficiente para se lembrar de 1995 recordarão a intensa campanha de difamação de que a estatal foi vítima, incluindo-se, claro, a indefectível “reportagem” da Veja, com 10 páginas de calúnias que não respeitaram sequer o direito de resposta, mesmo como matéria paga. Em 1999, FHC substituiu seis diretores da Petrobras no Conselho de Administração por seis conselheiros do setor privado, em mais uma tentativa de preparar o terreno para a privatização. Além de quebrar o monopólio estatal, a gestão tucana vendeu 36% das ações da Petrobras na Bolsa de Nova York por menos de 10% do seu valor real. Fixou a participação da União na produção de petróleo entre 10% e 40%, enquanto os países exportadores têm a média de 84% de participação. As informações contidas neste parágrafo estão disponíveis na leitura que o Biscoito mais enfaticamente recomenda sobre o assunto, a entrevista do presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Fernando Siqueira, concedida em janeiro, na qual ele já previa o rumo dessa campanha entreguista.
Não gosto de fazer previsões em política, mas acho que o PSDB acaba de dar o maior tiro no pé da sua curta história. A Petrobras ocupa, no imaginário do povo brasileiro, um lugar incomparável ao de qualquer outra estatal, mesmo o Banco do Brasil. Temos orgulho dela. Fizemos, faz muito pouco tempo -- 50 anos, em história, não é nada --, uma campanha gigantesca para defender nosso petróleo. O PSDB, de olho nas eleições – e o papel de um partido político é ficar de olho nas eleições, não há nada de errado nisso –, acaba de criar as condições para ser definitivamente associado ao entreguismo. Nessa marcha, a expressão social democracia na sigla tucana soará tão irônica como o novo nome escolhido pelas oligarquias pefelês para sua agremiação. A pergunta do Seu Damasceno, feita enquanto ele me ajudava com a bateria do carro, me encheu de esperanças e energias. A política vale a pena. É o nosso patrimônio que está em jogo.
PS 1: Um blogueiro que muito admiro, Alon Feuerwerker, sugere, em seu mais recente post, que CPIs são instrumentos de luta política, que pouco têm a ver com motivos reais. Corretíssimo. Alon também sugere que, estivessem invertidos os papeis, o PT assinaria o requerimento de CPI. Talvez. Mas o fato inconteste é que há um conjunto de forças políticas que trabalharam e trabalham pela privatização do patrimônio público. E há um outro conjunto que, com todos os problemas, têm mantido e ampliado esse patrimônio. Confio que essa importantíssima diferença não passará despercebida à sagaz inteligência de Alon, que assina um blog cujo lema é um ponto de vista democrático, nacional e de esquerda.
PS 2: O blogueiro Eduardo Guimarães, do Movimento dos Sem Mídia, está articulando um protesto em frente à sede do PSDB em São Paulo. Esse protesto terá a colaboração e o apoio d' O Biscoito Fino e a Massa.
PS 3: As charges vêm, respectivamente, daqui e daqui.
Escrito por Idelber às 05:43 | link para este post
| Comentários (139)
#1
"Em janeiro de 2003, na transição de FHC para Lula, o valor de mercado da Petrobras era 15 bilhões de dólares. José Eduardo Dutra assumiu então a presidência, deixando a empresa em junho de 2005 com um valor de mercado de 54 bilhões. Em 2006, já sob a presidência de Sergio Gabrielli, o valor da Petrobras era 70 bilhões. Em novembro de 2007, a Petrobras valia 222 bilhões de dólares."
Quem acompanha meus posts, principalmente no blog do Nassif, sabe que eu sou o primeiro a criticar o esquema Globo-VEJA-PSDB.
Mas, se a Petrobras aumentou seu valor de mercado, não foi por nenhuma decisão feita a partir de 2003.
A abertura do mercado e do capital na Bolsa de NY foram os fatores que permitiram a valorizacão. E vocês devem lembrar que isso aconteceu na época do fiasco da mudanca de nome, para Petrobrax.
Não sejamos cínicos, precisamos ser honestos, e dar crédito a quem merece.
foo em maio 18, 2009 7:26 AM
#2
E o aumento dos preços do petróleo teve o seu papel, claro. Mas no ritmo em que vinha a coisa nos anos 90, não estaríamos aqui, não. Acho que os links apresentados sustentam isso de sobra.
Idelber em maio 18, 2009 7:42 AM
#3
Morei na Itália durante um ano. Impossível imaginar clima político mais propício a todo tipo de radicalismos. Uma coisa, no entanto, me parece absolutamente inimaginável: um parlamentar de qualquer partido propondo sob qualquer pretexto uma ação que pejudicasse uma indústria italiana no cenário internacional. Minha impressão é que um político que fizesse isso estaria liquidado.
João Vergílio em maio 18, 2009 9:03 AM
#4
O exemplo que o PSDB está dando é de pessoas que não tem preocupação MENHUMA com o país, consequentemente, assim como o dep. Sérgio Moraes do "estou me lixando..." merecem não serem eleitos, reeleitos, contratados como síndicos e outras "cositas". BASTA. Vamos em frente, deixando para lá esta turma de inconsequentes.
'
Dora Freitas em maio 18, 2009 9:17 AM
#5
Grande post, Idelber. Parabéns!
Tenho dúvidas, entretanto, a respeito da existência de jurisprudência que ateste a boa-fé da manobra fiscal realizada pela direção da Petrobras, que foi o mote de toda essa celeuma. Existe tal jurisprudência? O que dizem os tributaristas e a Receita Federal?
Segundo: Até que ponto é correto afirmar que esse movimento do PSDB/DEM está alinhado com intenção de privatizar da Petrobras? Porque li que estava pra ser enviada ao congresso proposta de modificação da lei que regulamenta a exploração do petróleo, preparando caminho exploração do pré-sal.
Pra mim, o mais importante é assegurar, o mais rápido possível, o desejo expresso na fala do presidente Lula de destinar parte do lucro com a exploração de petróleo no pré-sal pra educação.
Porque mesmo o preço da gasolina não cai, hem?
Adriano Matos em maio 18, 2009 9:59 AM
#6
Excelente texto, muito informativo. Imagino que deve haver mais gente pensando como o seu zelador que a parcela de classe média que acredita em tudo que a Veja fala. Vai ficar cada vez mais difícil pro PSDB jurar que não, não vai privatizar a Petrobrás caso volte ao poder. Muita gente se lembra daquele espetáculo degradante que foi o Alckmin na campanha de 2006 vestindo a camiseta da Petrobrás pra combater os "boatos" de que haveria nova privataria com sua vitória.
E por falar em boatos, estou ansiosa pra saber o que vc acha da notícia de que foi fechado um acordo para o Aécio sair vice do Serra.
Lola em maio 18, 2009 10:04 AM
#7
Me parece que o PSDB protagoniza duas extremas agressões à sociedade: no poder, aqui no Rio Grande do Sul, corrupção desenfreada e sem a mínina pretensão de parar ou diminuir; fora do poder, com a desvairada pretensão de a ele retornar, agride as coisas boas, bem sucedidas, diferentes de outrora. Com qual propósito? Trazer prejuízo ao país! É um verdadeiro desserviço à nação. E o pior: em ambos casos essa turminha não está sozinha. Vira e mexe lá está o PMDB. Este calvário deve ser visto com uma boa oportunidade para que os Damascenos se multipliquem.
Laércio Malfatti em maio 18, 2009 10:06 AM
#8
Idelber,
Só hoje percebi que você riscou a palavra "futebol" do seu perfil aqui no blog. Não faça isso, por favor. Grandes posts seus no "Biscoito" foram sobre futebol e especialmente sobre o Galo. Além do mais, vitória aos 46 minutos do segundo tempo com penalidade duvidosa pode ser um sinal de mudança de ventos (o ludopédio nos permite ter estes pensamentos mágicos..rs)
Mariano em maio 18, 2009 10:27 AM
#9
Idelber, a PETROBRAS incomoda pelo sucesso em tornar o BRASIL autosuficiente em petroleo, e aos que sonham em privatizar a PETROBRAS vide caso da industria do petroleo na ARGENTINA abs.
Joao albuquerque em maio 18, 2009 10:44 AM
#10
Há muita mistificação num assunto que teria o mesmo desfecho caso o PT fosse hoje o PT. Estaria errado? Não. Estaria cumprindo seu papel de oposição que, dentre outras prerrogativas, está a fiscalização do Executivo, seus órgãos e empresas. Ao que ficou patente, ao vivo, na sexta-feira, o DEM (oposição) até ajudou o Governo no caso da CPI. No sábado, quando da leitura do requerimento, havia um único Senador do PT em plenário. Não dá para entender como, depois de quase oito anos, ainda coloca-se a culpa em todos, menos na ausência da base governista. Deveria, então, haver um plenário cheio de governistas na sexta-feira e no sábado. Aliás, a Petrobras, empresa aberta de economia mista, tem, dentre seu rol de acionistas, trabalhadores que utilizam o FGTS para compra de suas ações. Assim, é do seu interesse saber da situação da empresa. Não há nada de ruim nisso. A não ser que a transparência necessária, sempre cobrada, não seja tão boa quanto era tão alardeada não faz muito tempo. Se uma empresa aberta tem de prestar informações aos órgão reguladores do mercado (no País e no exterior), a seu corpo de acionistas (a União e investidores nacionais e do exterior), por que não pode fazer o mesmo para uma prerrogativa constitucional do Legislativo? A Democracia pressupõe a existência de oposição. É o que está ocorrendo hoje.
Dawran Numida em maio 18, 2009 10:50 AM
#11
caro idelber,
primeiro, bem vindo à terrinha.
segundo, parabéns pelo post sobre a nossa petrobrás, empresa orgulho dos brasileiros.
os entreguistas do psdb-dem-pps não perdem por esperar. 2010 se aproxima.
abçs
carlos anselmo-eng° -fort-ceará em maio 18, 2009 10:54 AM
#12
Idelber: "Alon também sugere que, estivessem invertidos os papeis, o PT assinaria o requerimento de CPI. Talvez."
Talvez ?!?
Poxa Idelber, olha o seu Flu (ou Fla) falando mais alto do q razão - q se pode construir a partir da observação empírica do jogo político dos últimos 15 anos.
frank em maio 18, 2009 11:24 AM
#13
A verdade é que dava pra Petrobras ser ainda maior. Eu sou de Macaé-RJ e tenho vários amigos que trabalham na empresa, inclusive em cargos executivos. O aparelhamento da Petrobras sempre foi um problema, e piorou consideravelmente no governo do PT.
Eu conheço um funcionário da Petrobras que diz que com um mínimo de seriedade a petrobras seria duas vezes maior do que é hoje.
Lucas em maio 18, 2009 11:28 AM
#14
Belíssimo post. Deixa fazer a cpi, a petrobras sobreviverá e muito bem. Já o entreguismo do ex-areana (DEM) e do PSDB ficará cada vez mais ressaltado.
Só mais uma coisinha, para o comentarista n. 5 (adriano):
eu te explico porque o preço da gasolina não caiu este ano, se você me explicar porque a gasolina não subiu quando o petrole bateu em US$ 150 no ano passado. Ou você não se lembra?
aiaiai em maio 18, 2009 11:46 AM
#15
A parte mais sinistra do episódio, envolvendo a figura nefasta do ministro Lobão e de seu aliado no Congresso, o senador José Sarney, não está sendo abordada.
É inadmissível que parlamentares brasileiros ajam de modo a prejudicar a principal empresa brasileira exatamente no momento em que ela se prepara para uma disputa internacional envolvendo as recentes descobertas na bacia de Santos. Se eles têm motivos "políticos" para fazer isso, para mim podem enfiar esses motivos pela goela, ou onde bem entenderem. Eu, como eleitor, reprovo. Se houve alguma irregularidade, há canais administrativos e jurídicos para tratar da questão. Não tem sentido arrastar a empresa para a lama dos noticiários, das fofocas e dos escândalos.
João Vergílio em maio 18, 2009 11:51 AM
#16
puxa, como eu estava esperando por este post!
[apesar de entender o uso da expressão leblon/morumbi/belvedere, eita, não gosto... acho muito reducionista, sobretudo quando escrito por quem nunca se contenta com reducionismos de quaisquer espécies...]
Débora Vieira em maio 18, 2009 12:08 PM
#17
Minha explicação para o preço da gasolina não ter subido quando os movimentos especulativos elevaram para US$150 o valor do barril de petróleo ano passado É QUE o Brasil somos auto-suficientes na produção dessa commoditie. Não temos, então, que ficar ao sabor da maré para taxar um bem que temos em abundância e dominamos o processo de exploração.
Agora, aiaiaai, qual sua explicação para o preço da gasolina subir esse ano?
Adriano Matos em maio 18, 2009 12:10 PM
#18
O preço da gasolina não subiu... está igual. A explicação é simples, o que não sobe não desce! Nós não precisamos acompanhar o preço do barril e não estamos acompanhando. Mantivemos o preço na média, tanto quando o insumo ficou mais caro quanto agora, quando está mais barato.
aiaiai em maio 18, 2009 12:24 PM
#19
Aqui em Manaus subiu...
Adriano Matos em maio 18, 2009 12:39 PM
#20
Meu maior problema com esta CPI - e pode ser paranóia minha - é de achar que, na verdade, tudo isso é pretexto para avançar sobre os dados geológicos da Petrobrás - patrimônio duramente pesquisado durante os últimos quarenta anos...
mas deve ser paranóia...
Radical Livre em maio 18, 2009 12:41 PM
#21
Bom dia, pessoal.
Lola, obrigado. Tentando responder sua pergunta acerca da notícia sobre a chapa tucana, teríamos que trabalhar, como sempre com a grande mídia brasileira, com duas hipóteses: 1) de que a notícia é verdadeira; 2) de que a notícia é falsa. O Paulo Henrique Amorim, que erra muito, mas que já acertou sozinho muitas vezes, jura que é notícia plantada pelo Serra. Hoje, eu tenho a Folha de São Paulo em conta só um pouco mais alta que a de uma organização criminosa, mas sobre o Kennedy Alencar, autor da notícia, eu ainda não vi nada desabonador. Aqui em Minas, quase todo mundo trabalha com a hipótese de que a notícia é plantada. Esse arranjo não interessa em nada a Aécio.
Sendo verdadeira a notícia, é uma chapa fortíssima, claro. Mas também é um coqueiro muito alto, e o tombo seria fatal. Um candidato derrotado a vice-presidente dificilmente se recuperaria para disputar a presidência depois. Aécio, que é cara jovem e Senador eleito na hora que quiser, faria isso? Sei não...
Idelber em maio 18, 2009 12:58 PM
#22
O preço da gasolina, o preço da gasolina...
Isto não está sequer em questão, aqui. Quem pode afirmar que o preço não atende, no fundo, às pressões da proporção privada dos interesses por trás da Petrobrás?
O que está em discussão, aqui, é o jogo político da oposição, que, claro!, tem direito à prestar sua opinião e defendê-la, mas não mediante subterfúgios canalhas, tais como entregar "via Sedex" (para usar o exemplo de outra estatal), e de avião, um Vice-presidente do Senado afinado com o discurso peessedebista e romper com o acordo entre as lideranças.
O que os senadores Arthur Virgílio (que poderia ainda estar ciceroneando Dante no Inferno e de lá jamais sair), Sérgio Guerra e Tasso Jereissati (o dono do avião) fizeram foi apunhalar a democracia pelas costas! A democracia não se resume às suas instituições e aos regulamentos parlamentar; ela é, também e principalmente, o respeito ao entendimento entre homens e mulheres.
O PSDB, naquelas fatídicas sessões de quinta e sexta-feira, colocou-se na posição que ele sempre usufruiu, no Brasil: de minoria... Mas a de minoria que manda e esmaga a maioria...
Antonio Barros em maio 18, 2009 12:59 PM
#23
rodrigo,
Alterações regionais de preço não são feitas pela petrobrás e sim pelos revendedores locais. Este ano, a petrobrás só aumentou o preço do querosene de aviação, os outros combustíveis estão estáveis e com tendência de queda.
aiaiai em maio 18, 2009 1:18 PM
#24
Radical, o fato de que você seja paranoico não quer dizer que não exista gente perseguindo-o. Procure, por exemplo, saber quem é Adriano Pires e por que ele tem ido tanto ao Senado. Depois pergunte pelas relações dele com a Shell. Paranoia nada, meu chapa.... É uma empresa de 222 bilhões.
Débora, eu sei que tem gente que se sente ligeiramente incomodada com a expressão República Morumbi-Leblon. Este incômodo é calculado. Ele é parte do efeito que quero produzir. Além do que, a expressão já circulou tanto que, enfim, já é parte da paisagem. E tem gente que mora no Leblon e gosta.
Frank, na boa, essa história do Fla x Flu eu já desconstruí em minúcias e não ouvi nenhum argumento bom em contrário. O "talvez" aí não é o mais importante. O importante são as frases que se seguem. Quem sucateou a Petrobras e quem multiplicou o seu valor? Não vem com a simetria-zinha não, porque não tem....
Mariano, meu caro, eu preciso de tempo para me recuperar de tanta desgraceira e voltar a escrever sobre futebol. Mas não é só a desilusão. Morando no exterior, tendo optado por não ter satélite em casa, fico limitado a falar do passado. Cheguei ao Brasil agora e já assisti a quatro jogos. Todos horríveis. Não adianta, Mariano, eu virei um velho chato, ressentido, amargo e nostálgico quando o tema é futebol.
Dawran, eu coloco, sim, parte da culpa na base governista. A questão não é a fiscalização. Esta já estava acontecendo. A questão é essa que o João Vergílio levantou. A CPI não tem nada a ver com fiscalizar. Tem a ver com construir palanques. Tudo bem, todas as forças políticas o fazem. Mas com a Petrobras, neste momento da crise mundial, com a Petrobras emplacando a posição de quarta empresa mais respeitada do mundo? Não há precedentes. Na verdade, essa seria uma longa discussão porque, que eu saiba, eu sou o único blogueiro que escreve sobre política e que é radicalmente unicameralista. Eu sempre fui a favor da extinção do Senado. Não há razão para a existência daquilo, a não ser manter um aparelho respiratório para as oligarquias regionais brasileiras.
Abraços a todos e minhas desculpas aos leitores que ficaram sem resposta. Volto mais tarde.
Idelber em maio 18, 2009 1:18 PM
#25
Idelber, eis-me aqui de volta. Acho, com toda a sinceridade, que o professor expatriado, provavelmente em tremenda boa-fé, desinformou o humilde zelador, para usarmos um termo ameno. Acompanho a história econômica do Brasil há 20 anos e não tenho conhecimento de que jamais tenha havido um projeto oficial de qualquer governo, tucano inclusive, de privatizar a Petrobras. Bem, se um financista de Nova York que segundo a imprensa foi cotado para diretor do Banco Central (mas não foi chamado) alguma vez publicou um relatório em que ele pessoalmente defendia a privatização da Petrobrás, não dá para considerar que o governo tucano queria privatizar a Petrobrás.
Mas nessa aqui vou entrar pianinho. Vai ver que houve mesmo algum tipo de iniciativa oficial ou documento secreto que veio a público que indicassem que em algum momento do governo tucano se cogitou a sério a privatização da Petrobrás. Se de fato houve, eu pediria para você perguntar praquele professor expatriado (acho que não vai dar muito trabalho) onde estão tal documento ou as informações sobre a tal iniciativa oficial, de tal forma que eu possa preencher essa lacuna do meu conhecimento sobre a história econômica recente do Brasil.
E, antes que digam que eu quebrei a cara, eu a sério admito que pode haver alguma coisa que se passou sem que eu soubesse. Em outras palavras, vai ver você me apresenta mesmo a prova de que os tucanos quiseram privatizar a Petrobrás .
Aliás, lendo a entrevista linkada, do Fernando Siqueira, vejo que ele escreveu que o Gros "com a saída de Reichstul, assumiu a presidência da empresa e, em discurso em Houston (EUA), logo após a posse, declarou que a Petrobrás passaria de empresa estatal para empresa privada de capital internacional. Nós barramos esse seu intento. Mas outro grande estrago foi feito."
Seria interessante resgatar esse discurso tintim por tintim. Eu jamais soube que o Gros tivesse a intenção de privatizar a Petrobrás, o que significa ceder o controle da empresa (50% + 1 da ações ordinárias) ao setor privado. O que me parece que ele quis dizer no tal discurso (isto é, o que me lembro de ser a diretriz do governo sobre a Petrobrás naquela época) é que a empresa pulverizaria no mercado internacional, com de fato fez, parcelas do capital preferencial ou ordinário (nem sei se foram os dois) que não significassem a perda do controle.
Acho mais provável que ele tenha dito, portanto, que a Petrobrás deixaria de ser uma estatal tradicional, vinculada aos interesses do governo, mesmo quando estes vão contra os dos acionistas, e funcionaria como uma empresa privada no sentido de maximizar o valor dos acionistas, inclusive os internacionais para quem ele estava vendendo o peixe. Tudo isso sem deixar de ser controlada pelo governo brasileiro.
Veja bem, eu não estou entrando numa discussão aqui sobre quem administrou melhor a Petrobrás, tucanos ou petistas. Eu só gostaria que o professor, que disse ao zelador que os tucanos queriam privatizar a Petrobrás, apresentasse as provas de que isso é verdade. E se ele apresentar, e elas de fato forem provas, eu vou reconhecer que o professor não desinformou, mas sim informou, o zelador, vou pedir muito obrigado e vou cuidar da minha vida
F. Arranhaponte em maio 18, 2009 1:20 PM
#26
Idelber,
Concordo que o CPI tem fins eleitorais, e que vai fracassar nesse aspecto, e que por cima não vai conseguir esclarecer nada significante sobre a operação da Petrobras.
Mas discordo com a análise do crescimento da Petrobas nos últimos quatorze anos, e também sobre a suposta vontade do PSDB de privatizar completamente a Petrobras.
Se a Petrobras cresceu fantásticamente em valor nos últimos seis anos, não é possível, ou mais do que possível, que esse crescimento se deve em parte a abertura e privatização parcial feito nos anos 1990? Vender ações na bolsa da NY trouxe investimento em um momento pivotal na historia recente de energia. Sim, se o governo tivesse tido a capacidade de investir isso sozinho, talvez teria tido um resultado parecido. Mas o contexto foi outro, e isso não foi feitio do PSDB.
Também não entendo como o FHC conseguiu vender 36% das ações da Petrobras na Bolsa de NY por menos do que 10% do seu valor. Sei que os eventos recentes demonstram claramente que o livre mercado não produz competição honesto e eficiente sem regulação. Sei que um IPO pode ser manipulado para produzir ganhadores pre-escolhidos. Sei que em alguns casos, os potenciais consórcios compradores viáveis são poucos, e as perspectivas para competição aberta, aumentando o valor das ações, são poucas. Mas pelo que eu lembro da venda das ações da Petrobras, isso não foi o caso--houve participação ampla. Como foi que FHC conseguiu fraudar esse leilão aberto, com participação ampla?
Sobre a alegação de Fernando Siqueira de que a crise financeira mundial é "triplamente oportuna para os EUA," só posso rir. Vou contar para todos os meus vizinhos recentemente demitidos. Essa é boa. É verdade, existem perspectivas alfa e beta sobre todas as situações--absolutas e relativas. Relativamente, com certeza na Islândia está pior. Mas quem sugere que os EUA exacerbou a crise financeira para tirar vantagem dela não está prestando atenção a situação econômica doméstica nos EUA. (Sei que esse argumento é dele, e não teu, mas não pude resistir uma observação sobre ele.)
Finalmente, porque o PSDB iria querer privatizar completamente a Petrobras agora? Porque, como Siqueira alega, "não gosta do Brasil?" Não acho isso um argumento suficiente. A Petrobras é o maior prêmio do poder Executivo. Se o PSDB conseguir esse poder de novo, não vai largar esse osso tão cedo.
Bryan em maio 18, 2009 2:30 PM
#27
Cena 1. Protesto na porta do PSDB, em São Paulo. Um protestante, com camisa do PT, pergunta a outro, q carrega uma faixa "Dilma Presidente": "contra o que estamos protestando?". O outro responde: "ah sei lá, mas é contra o PSDB, então vale. Dilma, Dilma!!"
Para se mostrar o valor das generalizações burras...
Rodrigo Leme em maio 18, 2009 2:33 PM
#28
A PETOBRÁIS é uma empresa de publicidade que trabalha em campanhas eleitorais, financiamento de filmes idiotas da Globo Filmes e, eventualmente, na extração de petróleo.
A Petobráis fazia parte de um grupo de estatais jurássicas junto com a Telessauro, Eletrossauro entre outras. Dom Fernando Henrique Cardoso (Rei-Eleito Da Ditadura Demócrática Do Brasil entre 1994-2002) acabou com varias dessas empresas que funcionavam como buraco negro para o dinheiro do contribuinte. Dom Fernando na verdade fez uma rifa para se livrar delas. E até emprestou dinheiro do próprio bolso para que alguém as comprasse.
Mas, a Petobráis sobreviveu. E junto com a PDVSA forma a UEAC (União das Estatais por uma américa Comunista) financiando Dom Luíz Inácio Lula da Silva (Rei-Eleito Da Ditadura Demócrática Do Brasil entre 2003-2099) e Dom Hugo Chávez (Dono Rei-Imposto Da Ditadura Demócrática Da Venezuela entre 2002-ad infinitum) que trabalha para manter o reinado dessas duas criaturas.
Fala Serio em maio 18, 2009 2:43 PM
#29
Fernando Henrique Cardoso o príncipe dos babacas, fez um gasoduto até a Bolívia para usar o gás dos bolivianos em nossas termoelétricas e siderúrgicas porque Bolivianos peidam muito. Mas Evo Morales prometera em sua campanha nacionalizar as estatais e o gás natural, e quando o corno chegou ao poder ele cumpriu sua promessa. Lula estava bêbado no sofá, por isso não percebeu o que estava acontecendo.E Evo Morales teve a coragem de dizer que os contratos de gás estavam sendo injustos, só porque a Petrobrás pagava 0,0001R$ a cada kilômetro cúbico de gás, além de meio pão dormido. E bem na época da eleição Evo Morales e a Petrobrás começaram a brigar, Gabrielli inclusive disse que o hijo-de-puta do Morales não teria “cojones” pra encampar as refinarias, mas o filho da puta foi lá e fez, aí a Petrobrás ameaçou cortar os investimentos da Bolívia e blá blá blá.
Mas o foda é que Hugo Cháves e a PDVSA querem tomar o lugar da Petobráis, e o Presidente Lula já deu ordens para o Comando Vermelho, o PCC, os Milicianos do Rio e o Capitão Nascimento se prepararem para uma eventual guerra, e finalmente tomar toda a Bolívia e de quebra pegar o Uruguay e o Paraguay, já que os brasileiros são donos de metade das fazendas de lá mesmo!
Fala Serio em maio 18, 2009 2:44 PM
#30
Não sou tucano defecando no patrimônio bravio, mas fico profundamente deprimido quando vejo um bocado de gente boa defendendo esse combustível fóssil tão poluente e demodé...
Eu quero fusão a frio, baby!
cfagundes em maio 18, 2009 2:45 PM
#31
Idelber,
Em primeiro lugar, benvindo à terrinha. Mas comentando o seu post (e te parabenizando por ele): é inquestionável que as CPI's são instrumentos que podem e devem ser utilizados pelo legislativo - e em especial pela oposição - para, dentre outras coisas, fiscalizar os atos do executivo e/ou de empresas estatais e órgãos do governo. Só que em relação a CPI da Petrobrás é importante pontuar algumas coisas: 1-a Petrobrás como empresa de capital aberto que é, submete-se semestralmente à auditorias realizadas por empresas independentes, além de ter a fiscalização do próprio TCU; 2- muitas questões que serão alvo das investigações da tal CPI já são objetos de análise da Receita Federal. Logo, fica claro que a CPI só visa a atender aos interesses eleitoreiros do PSDB, que com o respaldo de boa parte da mídia, está sempre a procura de algo para sangrar o governo Lula. Mas, concordo com você, este tiro parece que vai sair pela culatra: para boa parte dos brasileiros, mexer com a Petrobrás significa um crime de lesa-pátria. Os próprios tucanos já sentiram isto na pele quando, no segundo turno das últimas eleições presidenciais, o comando de campanha do Presidente Lula utilizou habilmente a tradição privatista do PSDB para levantar a possibilidade de que em um governo Alckmin a Petrobrás poderia ser privatizada. As pesquisas de opinião, na época, mostraram que tal fato teve um impacto decisivo no voto de muitos eleitores.
Abraços.
Argonauta em maio 18, 2009 2:45 PM
#32
Bryan, meu caro, claro que a atual crise mundial foi triplamente oportuna para os EUA é uma frase muito ruim. Mas olhando os pontos 1, 2 e 3 elencados logo depois dela, vê-se que o Fernando Siqueira estava pensando num aspecto dessa crise, a queda dos preços do petróleo. E isso, sim, foi muito oportuno para os EUA, país que 1) importa petróleo em quantidades gigantescas; 2) vive às turras com Chávez, líder antiamericano que lhe vende petróleo e cujo poder de influência é diretamente proporcional ao preço dessa mercadoria; 3) está num imbróglio danado no Oriente Médio, com aliados pouco confiáveis e muitos inimigos.
Ou seja, poucas coisas são tão importantes para os EUA como o preço do petróleo. Não acho que o F. Siqueira esteja sugerindo que os EUA exacerbaram a crise para tirar proveito dela. Acho que está tentando insistir na tecla de que o preço do petróleo é ponto chave de qualquer política sua.
Quanto à privatização, ou o porquê do tucanato abrir mão de um prêmio como a Petrobras, há que se recordar que um partido político pode muito bem representar interesses contraditórios com o interesse imediato de funcionários ou quadros que o compõem. Há interesses privatistas fortíssimos que se articulam via PSDB (e não só nele, evidentemente). A Vale também era um "grande prêmio do Poder Executivo" e foi vendida no governo FHC.
Abração.
Idelber em maio 18, 2009 2:52 PM
#33
"Alon também sugere que, estivessem invertidos os papeis, o PT assinaria o requerimento de CPI. Talvez."
tutá louco é mestre idelber? "TALVEZ"????
e quando foi q o PT deixou de fazer patifaria qdo era da oposição? o PT estava na linha de frente de toda e qualquer movimentação q pudesse servir de trampolim para subir ao poder e destruir reputações alheias.
fico impressionado como é q um professor universitário se rebaixa a tanto para tentar reescrever a história com objetivos pra lá de escusos. q papelão!!
jonas brothers bolivarianos em maio 18, 2009 3:07 PM
#34
Além das nomeações de lobistas do setor privado para o conselho de administração da Petrobras, além da quebra do monopólio estatal sobre a exploração, o projeto tucano de privatizar a Petrobras está documentado até mesmo em declarações públicas de Francisco Gros, presidente da estatal sob o tucanato.
Quem quiser um discurso feito para estrangeiros em que Gros deixa escapar um "embora a Petrobras ainda seja uma empresa estatal", é só consultar este pdf.
Mas é claro que, ante a montanha de evidências de que estava na agenda no tucanato a privatização da Petrobras, só restará a alguém argumentar que digo isso porque estou "no Fla x Flu". As intuições de seu Damasceno continuam certas.
Idelber em maio 18, 2009 3:07 PM
#35
Bom,
Acho que ficou claro que os tucanos queriam mesmo privatizar a petrobras quando estavam no poder. Agora, o mais interessante é ver que eles ainda querem. O FHC, pelo menos, que é presidente de honra do partido ainda quer. Em 2006, no meio da campanha eleitoral queimou o filme do alkimim dizendo que era a favor da privatizaçaõ da petrobras. Procura ai, arranha, que vc acha!
aiaiai em maio 18, 2009 3:30 PM
#36
Assim como quem não quer nada, compramos o passe do RS Urgente...
Abraço.
(Te mete!)
Milton Ribeiro em maio 18, 2009 3:43 PM
#37
Ontem tive uma discussão imensa com o maridão sobre essa chapa tucana, Serra-Aécio. Ele também acha um péssimo negócio pro Aécio. Não sei se a notícia é verdadeira ou não, mas se for, vc (e o maridão) estão partindo do pressuposto que ser senador é melhor e dá mais visibilidade que ser vice-presidente. Eu não acho. O Aécio só concorre a presidente ano que vem se trocar de partido ou se o Serra bater as botas. Sei que já é clichê, mas Aécio é jovem, pode esperar até 2014. Ele ser candidato a vice numa candidatura que, de acordo com as pesquisas, tem 40% dos votos (claro que muita coisa vai mudar até o ano que vem, e não há a menor chance do PSDB ganhar no primeiro turno, como algumas pessoas acham/desejam), pode tornar o seu nome conhecido nacionalmente. E ele precisa disso. Além do mais, não vejo prejuízo nenhum pra ele se o Serra perder com ele como vice, porque o vice não é cobrado. Ou alguém se lembra quem foi o vice do Alckmin?
A única coisa que não bate, pra mim, é que se houver essa chapa "pura", o DEM e/ou o PMDB vão aceitar fazer alianças sem nem poder nomear o vice?
Ai, que legal descobrir um blog de esquerda pra falar de política! Quero falar mais de política (partidária) no meu humilde bloguinho.
Lola em maio 18, 2009 3:51 PM
#38
"O PT também assinaria requerimento de CPI. Talvez."
Como se isso desse em alguma coisa.
Alguém consegue lembrar de UMA CPI de oposição nos anos FH? Tirando as CPIs que não foram, como CPI das privatizações, CPI das teles, CPI da compra de votos... NUNCA se investigou absolutamente NADA durante o governo tucano. Nada.
Uma plataforma AFUNDOU e não se investigou nada.
Áudio do ministro das telecomunicações combinando como manipular o processo de privatização das companhias telefônicas APARECEU (diferente do grampo do Gilmar), foi publicado por todo mundo e não se investigou nada.
Um presidente do Banco Central foi preso em pleno depoimento e o que aconteceu? Absolutamente nada.
E querem falar de patifaria do PT? Francamente. Devagar com o vocabulário, por favor.
É preciso MUITA paciência pra ler um treco desses.
PSDB é o partido do ABAFA. Meu DEUS, uma cratera abriu no metrô de São Paulo e não deu em NADA. Nada, nada, nada.
Mas eles querem investigar todo mundo.
Patifes são eles.
Bruno Santos em maio 18, 2009 3:53 PM
#39
"Gostaria de esclarecer que não advogo a privatização da Petrobrás, até porque a legislação brasileira a proíbe. Defendi, em Houston, a transformação da Petrobrás numa empresa moderna, transparente e competitiva, a exemplo de suas concorrentes privadas. Não conheço a empresa Baker Oil Tools nem conversei com nenhum representante da mesma."
Francisco R. Gros, presidente da Petrobrás, Rio de Janeiro, RJ
Bem, vai aí uma carta do Francisco Gros à Época, da edição de 20/05/2002, respondendo provavelmente à matéria que citava a tal Baker Oil Tools.
Agora vejamos a declaração do Gros que "prova" que o governo de Fernando Henrique queria privatizar a Petrobrás:
"Petrobras has already passed the transition stage from being an oil monopoly company to competing on an equal basis with 2 other oil companies, although we are still state controlled."
Agora pensem nas seguintes frases:
"Eu tenho feito diversas viagens a trabalho, que fazem com que eu passe uma boa parte do ano fora do Brasil, embora eu ainda more no Rio."
Isto quer dizer que vou me mudar do Rio?
"Eu comecei a tomar vinho, embora ainda prefira cerveja."
Quer dizer que em breve vou preferir cerveja?
Esse "ainda" solto numa frase que, com muitíssima boa vontade pro lado de vocês, eu poderia chamar de ambivalente, é tudo o que vocês têm a mostrar como prova dos planos secretos dos tucanos de privatizar a Petrobrás?
É esse o revólver fumegante? Mesmo com o Gros negando sem ambivalência nenhuma que não havia nenhum plano de privatização numa carta à imprensa, pública, inclusive citando que a lei brasileira a proíbe.
É de doer. Eu não consigo entender porque eu ainda perco meu tempo
F. Arranhaponte em maio 18, 2009 3:59 PM
#40
Professor, você é muito bom !!!!! Chega a ser patética a comparação: a esquerda com críticos culturais do seu calibre, a direita com o Diogo Mainardi. Desculpe-me, não quis ofendê-lo. Parabéns.
Reynaldo Carvalho em maio 18, 2009 4:04 PM
#41
E que rato raquítico a montanha de evidências pariu, meu Deus do Céu. Dá até pena do bichinho.
Ai ai ai, procure você, que provavelmente adora fazer isso. E você tem o meu apoio: citar opinião solta de ex-presidente como programa de governo é um recurso plenamente válido em Fla-flu ou Grenal. Vai em frente
F. Arranhaponte em maio 18, 2009 4:15 PM
#42
Grandes esclarecimentos. O exemplo do zelador especulando, à sua maneira, sobre os propósitos da oposição, é animador. Artigos como este precisam ser bastante disseminados.
Fernando Soares Campos em maio 18, 2009 4:15 PM
#43
Arranhaponte, você não viu ou fingiu que não viu essa declaração aqui:
"continuando sua metamorfose de uma estatal para uma companhia de petróleo e gás completamente privatizada".
Ela está no link.
Você não ficou sabendo ou fingiu não ter ficado sabendo que a declaração que você cita foi dada depois que um escarceu danado, nacional, já havia eclodido por causa das declarações pró-privatização?
Aqui, aqui , aqui e aqui um pouco mais sobre o método Arranhaponte de leitura do texto alheio.
Idelber em maio 18, 2009 4:20 PM
#44
Bom, como não sei fazer diferente, aí vai um recorta e cola com o FHC e seus "atos falhos" sobre a Petrobrás. Mando a matéria inteira (Folha on line de 2006) para ninguém falar que recortei e colei o que me interessava.
Abraços.
FHC defende privatizações e diz que não é contra venda da Petrobras
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da Folha Online
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta terça-feira os resultados dos processos de privatização realizados durante o seu governo e afirmou não ser contra a privatização da Petrobras.
O líder tucano afirmou que é demagogia do PT afirmar que um eventual governo de Geraldo Alckmin venderia o controle da empresa. FHC afirmou que "ninguém vai privatizar" a gigante estatal do petróleo, mas em seguida deixou escapar a frase "não sou contra a privatização da Petrobras".
"A Petrobras tem que ser outra coisa. Uma empresa pública, e não o que está sendo, usada para fins políticos. O Banco do Brasil tem de ser uma empresa pública, não para ser usado no Valerioduto. Você tem aí empresas que devem ser do governo, mas não devem ser usadas por um partido. E empresas que não têm sentido estarem no governo, que devem ser privatizadas", disse o ex-presidente em entrevista à "Rádio CBN".
FHC se corrigiu depois e divulgou nota informando que foi mal interpretado e que é contra a pritvatização da Petrobras.
FHC toca em um ponto sensível para a candidatura de Geraldo Alckmin. Desde o início da campanha neste segundo turno, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, tem explorado o fato dos governos tucanos terem sido responsáveis pela venda de patrimônio público, tanto da União quanto nos Estados.
Alckmin tem se esforçado para mostrar que não pretende realizar nenhuma privatização em um possível governo. No entanto, para FHC, o debate acerca das privatizações é arcaico, porque o que foi feito funcionou e não haveria contexto para novos processos.
"Agora, está havendo uma discussão arcaica: se deve haver privatização ou não. É claro que já houve privatização, taí, funcionou. Em outros setores, não pode haver privatização. Isso depende de circunstâncias", comentou.
FHC afirmou que se os bancos estaduais não tivessem sido privatizados, o país estaria envolvido "na inflação e na corrupção". Em seguida, citou o caso da telefonia, que, segundo ele, só expandiu o atendimento porque foi privatizada, e da Companhia Vale do Rio Doce.
De acordo com o ex-presidente, a crítica ao valor de venda da Vale deveria ser desconsiderada, porque ninguém à época queria comprar a companhia. "[A Vale] multiplicou o seu valor por dez, não porque ele valesse dez na época. Ninguém queria comprar, foi uma dificuldade alguém comprar", disse.
Lula
Fernando Henrique voltou a se dizer decepcionado com o presidente Lula. O sociólogo e ex-presidente classificou como "uma perda histórica" uma liderança "que nasceu contra tudo que havia de podre no sindicalismo, se transformar num político qualquer".
"Ele está assassinando o símbolo que ele representa pela incapacidade de entender seu momento de grandeza na história", avaliou FHC. "Não era só de ganhar a eleição. Você pode ganhar eleição de qualquer maneira, mas ganhar eleição se igualando ao que há de mais atrasado na política brasileira?"
henrique rodrigues em maio 18, 2009 4:32 PM
#45
Lola, bacana termos feito o contato. Eu acompanho o seu blog há tempos. É que apesar de rodar a baiana por aqui, eu sou meio tímido para comentar :-)
Então. O ponto que não bate para você é exatamente o nó da questão. Os tucanos têm receio do PMDB debandar para o lado de Dilma. Mas também têm medo de que, se não satisfazem Aécio, é este quem pode migrar para o PMDB e sair candidato. Bicho pega, bicho come. Para o PT a coisa também não é fácil com o PMDB. Há estados, como o Rio Grande do Sul, onde essa aliança é dificílima, por razões históricas.
Quanto a ser vice-presidente ou Senador, acredite, Aécio sabe muito bem que, sendo vice de um sujeito autoritário e centralizador como o Serra, ele não representaria o Brasil nem na posse do presidente de Botsuana. Vice não serve para nada (sim, o Itamar serviu, mas é a exceção que confirma a regra). É exatamente pelo fato que você aponta -- ninguém se lembra quem foi o vice de Alckmin -- é que isso não seria de interesse do Aécio, a não ser, claro, que entrasse na costura do acordo alguma garantia para ele.
Mas Aécio não confia em Serra e nós, mineiros, não costumamos levar essa palavra, "garantia", muito a sério, não. A se conferir :-)
Idelber em maio 18, 2009 4:37 PM
#46
Eu vi o link Idelber, mas infelizmente ele prova tanto quanto o seu "yet". Isto foi publicado numa revista, não confirmado pelo Gros, além do contexto em que se fala de "privado" poder perfeitamente querer dizer funcionando como uma empresa privada, isto é, como a Petrobrás, que ainda (graças a Deus) se guia pelo interesse do acionista na maior parte das vezes, e não como as ineficentes e desastrosas PDVSA e Pemex.
Se uma frase solta numa entrevista, não confirmada pelo autor, é a "prova" de que o governo FHC queria privatizar a Petrobrás, ok, eu me rendo ao método Idelber de interpretação da realidade.
E, aliás, eu convido o leitor a apreciar em mais detalhes o método Idelber. Infelizmente, eu não vou, nem saberia como, fazer os linkinhos que ele fez sobre o método Arranhaponte.
Mas o método Arranhaponte, como vocês podem ver, é o de um sujeito que discute francamente, que recua quando acha retrospectivamente que subiu o tom injustamente, que reconhece alguma razão no oponente quando a vê.
O método Idelber é bem mais simples: confrontado, por exemplo, com o fato de que há dados do SUS, e não do governo de São Paulo, que mostram que a enorme queda dos homicídios no Estado de fato ocorreu, ele ignora solenemente o que foi escrito, mas continua a lançar nuvens de suspeita sobre o fato em si.
Ou, depois de em diversos longos comentários na caixa de comentários do seu próprio blog, eu ter falado exaustivamente sobre minhas posições sobre crime e segurança, ele me cobra que eu coloque minhas posições neste debate. Tremenda leitura.
Mas é isso, meu caro Idelber. Sem rancores. Uma coisa eu tenho de reconhecer: o seu blog é o mais sofisticado blog de propaganda partidária da blogosfera brasileira. Só acho que você não precisa fazer concessões como aquele tucaninho fazendo cocô: os "amigos do presidente Lula" vão te curtir mesmo que você mantenha o bom gosto
F. Arranhaponte em maio 18, 2009 4:43 PM
#47
Onde eu disse entrevista, leia-se palestra
F. Arranhaponte em maio 18, 2009 4:46 PM
#48
Idelber,
É isso mesmo. Há quem reclame de como se deu a vitória de Lula em 2002 e dos rumos que o PT tomou por conta disso. Claro, o PT errou bastante mesmo nesse período e hoje, certamente, não é um partido melhor do que era há sete anos atrás. No entanto, a pergunta que não quer calar é: E se Serra tivesse vencido em 2002? Ou Alckimin em 2006? Qual era o plano brilhante que eles tinham? Meu velho, o tombo teria sido feio em Pindorama.
O instituto da CPI é um fracasso e essa, em particular, já nasceu morta depois do showzinho de Arthur Virgílio no Senado - onde rolou até guerrinha com os demos.
Sobre a relação entre os nomes dos partidos e suas ideologias, o Brasil lembra bastante Portugal: Aqui, assim como lá, existe partidos de extrema-esquerda que gritam pra caramba, mas não são revolucionário coisa nenhuma (PSOL's da vida por aqui, PCP e Blocos de Esquerda da vida por lá); os partidos que deveria ser socialistas são, na verdade, social-democratas bem comportadinhos (PT aqui e PS lá); os partidos que são social-democratas no nome, na verdade, não o são em hipóteses alguma (PSDB neolibé por aqui e PSD 'liberal-social' por lá); partidos que se dizem de centro e vivem montando chapa com os social-democratas d'antanho são, na verdade, direitistas envergonhados com tiques fascistas (DEM por aqui e CDS-PP por lá).
Quanto ao post do Alon, respeito bastante ele, mas em muitos momentos ele cai naquela falácia de nivelar o PT com o PSDB no jogo político. O PT dos anos 90 assinaria a CPI? Provavelmente, mas como forma de bater no PSDB, não para saciar seus intentos privatistas.
Serra e Aécio? Acho difícil os dois convivendo na mesma chapa. Seria uma chapa eleitoralmente forte, mas de difícil viabilidade política caso vingasse nas urnas.
Hugo Albuquerque em maio 18, 2009 4:57 PM
#49
Ao comentario #1:
certamente que não dá pra creditar todo esse crescimento de patrimonio a uma "gestão sensacional" sob o governo de A ou B.
O que acontece é que depois de todo o sucateamento físico, financeiro e até moral sofrido nos anos 80 e inicio dos 90, as estatais (todas) estavam no fundo do poço. após a privatização, a globalização, tecnologia, etc. fizeram seu papel, e o valor de mercado destas empresas (Vale, CSN, etc) e seu respectivo poder internacional cresceram muito.
Em outras palavras, talvez em alguma outra dimensão paralela, exista hoje uma empresa chamada Petrobrax, que vale 222 bilhões no mercado e é controlada pelo Opportunity.
foram privatizadas,
z.e.h. em maio 18, 2009 4:58 PM
#50
Arranhaponte, meu queridão: não era yet. Era still. Ao contrário do "ainda", em português, que pode ter sentido temporal mas também tem sentido de conjunção concessiva, o "still", em inglês, é usado praticamente só no sentido temporal. Faz diferença.
Este não é um blog de propaganda partidária, Arranha. É um blog de esquerda, independente e aberto ao debate. Se não o fosse, um cara inteligente como você não estaria aqui. Estou pouco me lixando se os Amigos do Lula gostam de mim. O Nassif, que tem um blog de peso 50 vezes maior que os Amigos do Lula, pode testemunhar como me posiciono quando acho que os companheiros de embarcação foram injustos com alguém. Por isso, não implique com meu tucaninho fazendo cocô. É uma charge bonitinha.
Mas tudo isso é de pouca monta. Acho curioso você, que sempre que eu levanto dúvidas sobre alguma matéria da imprensa, vem me acusar de teoria conspiratória, agora venha dizer, "ah, saiu numa revista"!
Sobre a caixa anterior: eu reconheci, meu cabra, que a taxa de homicídio caiu. Reconheci umas duas ou três vezes. Está lá. O que eu disse é que seria mais produtivo encaminhar o debate para a questão das soluções, e você não apresentava nenhuma (o que, claro, não é demérito: ninguém tem solução fácil para isso). Mas você martelava e martelava só o argumento meu lateral, tangencial, de que havia fortes indícios de manipulação. E há mesmo. Cada hora aparece mais um colando outra evidência lá. O Frank já colou outra.
Sobre as privatizações: eu não entendo por que os tucanos não defendem o programa deles. Porra, que defendam o raio das privatizações! Privatizaram meio mundo, deram mil indícios de interesse em privatizar a Petro, e aí a gente aponta esse interesse e vem alguém como você, que nem tucano é, dizer que "não há provas". Ah, tenha a santa paciência!
Mas falemos do seguinte: estarei no Rio entre 09 e 15 de junho. Tomamos um chope? Nacional, evidentemente :-)
Idelber em maio 18, 2009 5:09 PM
#51
Puxa, agora os comentários do Hugo, do henrique e do z.e.h. me suscitaram mil outras coisas.
Mas tenho que ir. Tenho que terminar esse livro. A editora já ligou de novo. Debate away.
Fechei o Firefox. Pronto. Fui.
Idelber em maio 18, 2009 5:13 PM
#52
Ildeber,
O PT realmente assinaria um pedido de CPI se fosse o contrário.
Com a diferença que ela seria abafada, juntamente com as investigações em andamento do MPF, da PF e devidamente engavetadas pelo engavetador de plantão.
Para essa CPI restou apenas a luta pelo poder, mera e simplesmente. E que se dane as investigações, até porque sabem que elas não trarão a celeuma que desejam.
Assinaria sim, mas a partir de um outro referencial, certamente.
Uma sutil diferença, não?
Espero que não se permita que façam com a Petrobrás o que foi feito com a Vale, empresas de energia, telefonia e bancos estatais: sucateamento, mobilização negativa da opinião pública e venda a preço de banana.
Mas é assim, quando o flu está por baixo, qualquer análise vira fla x flu, estando por cima vale-tudo! Já reparou?
Lucia em maio 18, 2009 5:20 PM
#53
Caro arranha, vc pirou de vez!
Seu primeiro exemplo:
"Eu tenho feito diversas viagens a trabalho, que fazem com que eu passe uma boa parte do ano fora do Brasil, embora eu ainda more no Rio."
Isto quer dizer que vou me mudar do Rio?
Sim, que vc vai mudar ou pelo menos que você TEM ESSA INTENÇÃO. Se não tivesse, ao menos planos de deixar a cidade maravilhosa, escreveria algo como:
"tenho feito diversas viagens blábláblá, mas moro no rio."
Agora, o segundo exemplo, vc nem leu depois de escrever, né:
"Eu comecei a tomar vinho, embora ainda prefira cerveja."
Quer dizer que em breve vou preferir cerveja?
NÃO, DE NOVO. Mas agora quer dizer que vc, em breve, poderá preferir vinho. Deve estar só acostumando o paladar.
Assim como os tucanos no poder foram acostumando o paladar da Petrobras para se tornar uma empresa privada. Começaram mudando leis, abrindo o mercado e depois colocaram como presidente o Francisco Gros, que sempre foi do setor financeiro e que tinha acabado de ajudar a concretizar, como presidente do BNDES, a onda de privataria do FHC.
Repare que na carta resposta à Revista Época ele diz que não disse, até porque ele não poderia dizer - era, como ainda é, ilegal promover a privatização da petrobras. Mas, ele não disse que não gostaria!
Pra finalizar, só posso te dizer uma coisa: se vc vê isso como fla-flu, eu te vejo na segunda divisão.
aiaiai em maio 18, 2009 5:20 PM
#54
ok, still, não muda muito, mas não vamos embarcar agora numa discussão semântica, não? :-)
O problema é que de fato nunca se cogitou em privatizar a Petrobrás. Eu convivi perifericamente bastante com a ekipeconômica tucana, estava por dentro das fofocas, do disse-me-disse, e jamais ouvi falar disso. Se você me dissesse que os tucanos cogitaram fazer uma reforma da Previdência privatizante no estilo chileno, também não seria verdade, mas digamos que na cogitação da cogitação da cogitação algum membro da equipe tenha dito para um sub para dizer para um sub para dizer para um sub que ele poderia dar uma estudada no assunto. Voltando, eu diria que a privatização da Previdência como projeto oculto tucano, embora não tenha existido, ainda seria algo mais próximo da realidade do que a privatização da Petrobrás.
Mas enfim, história é história. Deixa pra lá. De qualquer forma, ser a favor da privatização não significa ser a favor de qualquer privatização. Aliás, se é a favor de privatização disso e daquilo, ao menos é assim que eu vejo o assunto. Veja os chilenos, os mais "neoliberais" da turma, que privatizaram até (de certa forma) a Previdência, e não privatizaram a Codelco, a Petrobrás deles.
Então, eu não acho que tucano nenhum tem de defender a privatização da Petrobrás, assim como não acho que seja obrigação de um petista defender a reestatização de todas as empresas que foram privatizadas.
E, claro, sim, tomemos o chopp! Quem sabe se bem bêbados a gente esbarre sem querer na tal common ground. :-)
Vamos marcar, abração
F. Arranhaponte em maio 18, 2009 5:20 PM
#55
É evidente que o PSDB foi "privatista". O PT já foi "estatista". Mas isso não significa que o Lula vá estatizar nada, nem que o PSDB queira ainda privatizar a Petrobrás, ou como a ausência de evidências substanciais deixa claro, tenha tido algum dia planos nesse sentido. Acho que se deu com eles simplesmente o que se deu sob Pinochet, que privatizou até a previdência, mas deixou nas mãos do Estado as estatais do cobre: uma mistura de não interesse mesmo e avaliação de que nem sua base apoiaria tal projeto. Que FHC e outros tenham conversado em algum momento sobre a possibilidade é algo bem plausível tendo em mente o diagnóstico que fizeram na época. Mas é também provável que tenha desistido no mesmo momento, haja visto nunca ter prosperado sequer um planejamento muito embrionário neste sentido. Uma frase só não faz verão.
João Paulo Rodrigues em maio 18, 2009 5:23 PM
#56
E, é claro, ai-ai-ai topou entrar entrar na discussão semântica em nome da causa. Me perdoa ai-ai-ai, mas confesso que não vou ler, pelo menos não agora, os seus argumento semânticos (e fique tranquilo, o "método Arranhaponte" não será usado: tampouco haverá tréplica).
Guarde a sua energia que ainda tem muita campanha pela frente. O jogo só acaba em outubro ou novembro do ano que vem.
Abração
F. Arranhaponte em maio 18, 2009 5:24 PM
#57
Escrito ao mesmo tempo, só aqui na cancha "neutra" do Idelber para eu concordar com o Arranhaponte.
João Paulo Rodrigues em maio 18, 2009 5:27 PM
#58
Reconheço que "há interesses privatistas fortíssimos que se articulam via PSDB (e não só nele, evidentemente)." Há interesses fortíssimos a favor de uma ampla redistribuição de terra que se articulam via PT, mas a política de reforma agrária no governo Lula não mudou radicalmente a política de reforma agrária tucana--aumentou a taxa de distribuição, mas não radicalmente. Há interesses fortíssimos anti-abortos que se articulam via o partido republicano americano, mas depois de oito anos de governo GW Bush as taxas de aborto continuam onde estavam no governo Clinton. Porque, mesmo fortes, esses interesses não são dominantes nem no partido onde se articulam, e cedem antes de outras diretrizes políticas.
Claro, tem tucanos e aliados que gostariam de privatizar a Petrobras totalmente. A privatização seria um resultado possível de um governo tucano, mas não acho isso muito provável, porque as forças políticas, econômicas e--como você indicou--culturais contra total privatização são, a meu ver, bem mais poderosas no contexto atual.
Visto a situação econômica mundial no momento, acho muito pouco provável que isso vai mudar nos próximos cinco anos (quer dizer, até a próxima oportunidade para uma mudança executiva). Muito pelo contrário--a onda de privatização dos anos 90 recuou. Já estamos em outra época.
Sobre a Vale, ela não era um prêmio do poder executivo do jeito que ela estava funcionando em 1995--a sua produção na época era pífia em comparação com o seu potencial--isso está fortemente constatado pelo aumento de produção e valor pos-privatização. Agora, eu sei que há pessoas que argumentam que o FHC intencionalmente minou a Vale justamente para poder vender ela mais barata para estrangeiros, mas acho isso uma teoria para lá de duvidosa. A produção da Vale não caiu bruscamente no governo FHC. Quem estava minando a Vale nos governos Itamar, Collor e Sarney? Acho a verdadeira explicação mais óbvia--era uma empresa estatal mal-administrada, desesperadamente precisando capital e, sim--horror de neo-liberalismo--flexibilidade.
A privatização não é necessariamente solução para nada, existem casos de privatização corruptíssimos e fadados ao fracasso, e outros melhores. Essas questões são importantes para avaliar a onda de privatização dos anos 90. Mas essa onda já passou.
De novo, quero ressaltar que concordo que a CPI é um jogo de cena política, e uma tática burra. Mas não acho que é uma charada para um programa privatista.
Bryan em maio 18, 2009 5:33 PM
#59
Vocês ficam deixando esses comentários excelentes aqui porque são parte de uma conspiração tucana que não quer me deixar terminar meu livro.
Pensam que eu não sei?
Idelber em maio 18, 2009 5:40 PM
#60
Ok, um último comentário. Agora eu vou embora mesmo. Lola, parece que a chave da aliança PT-PMDB para 2010 não é o Rio Grande do Sul, como eu imaginava. É Minas Gerais.
Idelber em maio 18, 2009 5:47 PM
Aline em maio 18, 2009 5:51 PM
#62
Arranha,
porque diabos você acha que o PSDB, durante seu governo, tentou mudar o nome da petrobrás para PETROBRAX? porque ficava bonitinho ou porque era mais palatável para venda?
e você sabe quanto tempo este nome durou? menos de dois dias - a grita foi tão grande ante a evidência da intenção privatista que recuaram os beques para não levar de goleada.
e isto tudo apenas com minha cambaleante e canabalizada memória... Se você exigir, eu busco evidências...
Radical Livre em maio 18, 2009 6:03 PM
#63
Ahhhhhh... bem que eu sabia que o Framengo era do lado tucano da parada, com aquele logo grande em sua camiseta: LUBRAX.
João Paulo Rodrigues em maio 18, 2009 6:08 PM
#64
hei JPR,
uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Radical Livre em maio 18, 2009 6:20 PM
#65
Nénão! Desde que o Framengo vendeu o Zico que aquele time se alinha aos vende-pátria!
O Botafogo, em compensação, jamais vendeu seus crques no auge da sua valorização! Jamais!
João Paulo Rodrigues em maio 18, 2009 6:31 PM
#66
Quer dizer, mudança de nome = intenção secreta de privatizar. Acho que nem o Protógenes apresentaria uma "prova" dessas, Radical.
Aliás, essa tentativa de mudar o nome foi das coisas mais patéticas e ridículas a que jamais assisti. Vocês têm razão num ponto: os tucanos são uns bostas. O único erro de vocês é achar que o PT é muito melhor merda. Abs
Por favor, minha gente: esse "nem o Protógenes" foi só provocação gratuita. NÃO vou discutir os méritos do Protógenes porque NÃO acompanhei o assunto porque acho um PUTA SACO e NÃO tenho a menor idéia :-)
F. Arranhaponte em maio 18, 2009 6:37 PM
Adriano Matos em maio 18, 2009 6:47 PM
#68
Arranha e JPR,
Tá bom, foi fraca - até talvez comparável a uma protogenia. Mas qual teria sido então a intenção da mudança de nome?
eu não consigo pensar em mais nenhuma... (mas deve ser por falta de imaginação).
Radical Livre em maio 18, 2009 7:01 PM
#69
Sobre a mudança de nome, eu estava por lá (Petrobras) em 2001, e o q se falava era q havia um plano de privatização q passaria antes pela mudança de nome p/ PETROBRAX. O objetivo seria desassociar a empresa do nome do país, com vistas à aumentar as chances de penetração na América do Sul - sobretudo no mercado argentino. A suposição implícita é a de q os portenhos torceriam o nariz p/ uma multi brazuca q assinasse com "Brasil" no nome.
Teorias da conspiração, teorias da conspiração....a PETROBRAS está lá na Argentina, e, ao q me consta, sem problemas dessa natureza.
frank em maio 18, 2009 7:24 PM
#70
O que eu sei é que foi exatamente esta questão da Argentina o motivo alegado. Bem, como eu já disse, eu não acredito que jamais houve qualquer plano de privatizar a Petrobrás, o que não impede que zum-zum-zuns sobre o assunto pudessem correr lá dentro, espalhados até por gente que era contra o plano que havia, este sim, de transformar a Petrobrás numa corporação que funcionasse como uma empresa privada, isto é, colocando a remuneração do acionista acima de todas as coisas. É aquela coisa de criar um risco falso para combater um risco (para quem era contra) verdadeiro.
É certo que toda a atuação do Gros era sempre nesse sentido, esse é o perfil dele. No BNDES, ele queria que o banco funcionasse como um banco de investimentos (desses que quebraram mesmo), ou algo do tipo (precisaria pesquisar para refrescar a memória), mas, enfim, como algo que seria o que seria o BNDES se fosse privado.
Essa linha de dar uma "governança" (ok, vomitem e voltem) de estilo privado para as estatais que não foram e nem seriam privatizadas era claramente a agenda tucana. O Lula mais ou menos manteve, mas fazendo algo mais matizado, com as estatais tentando se equilibrar entre eficiência/remuneração ao acionista e algum papel de industoras de políticas públicas. Este último aspecto parece ter se reforçado ultimamente, sem, contudo, representar uma reversão total da filosofia de governança (já voltaram?) dos tucanos
F. Arranhaponte em maio 18, 2009 7:38 PM
#71
Texto totalmente excelente!!!!
Marci em maio 18, 2009 7:49 PM
#72
Arranhaponte
Sinto em usar um argumento de autoridade, mas eu moro em SP. Não só com Serra os homicidios aumentaram
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u559036.shtml
como a polícia de SP nunca foi essa coisa toda. E fico assustado com Serra porque todo policial, militar ou civil, fala com tanta raiva do governo que parece petista. A polícia, céus.
E sim, acho bagunçado as estatais de capitais mistos. Eu pessoalmente passava as agências do Banco do Brasil de locais que não tem a Caixa Econômica, transformava essa última num banco de função social mesmo e vendia o BB.
E Petrobras, sim, acho ela ineficiente para dedéu. Ela é eficiente em aspectos como a exploração de petróleo em águas profundas, mas desconsiderando impostos(Que deveriam ser maiores neste item, para custear infraestrutura viária) a gasolina é cara demais. Não seria demais fracionar ao menos a empresa.
Por fim, estatais deste porte são problemáticas justamente pelo seu tamanho. Podem ser politizadas(err, tipo, a conta de publicidade), e lembrem-se, o PT não vai ficar eternamente no poder.
Andre Kenji em maio 18, 2009 7:56 PM
#73
Aliás, não foi o Gros o home da Petrobrax, mas o Reichstul. O projeto era o mesmo
F. Arranhaponte em maio 18, 2009 8:05 PM
#74
Arranha,
Você é viciado, meu? Renda-se já! Os vende-pátria já o fizeram. Não faça como no Álamo...
João Paulo Rodrigues em maio 18, 2009 8:05 PM
#75
Daqui a pouco a medicação faz efeito eu sossego
F. Arranhaponte em maio 18, 2009 8:08 PM
#76
Só queria saber uma coisa da oposição: porque da CPI? Segundo o Mercadante, 5000 empresas agiram da mesma forma. Vocês topariam então, ao inves de CPI da Petrobras fazer uma CPI da Sonegação?
Bruno em maio 18, 2009 8:11 PM
#77
Olá, Idelber, eu não moro no Leblon não. Moro no centro do Rio, mas conheço bem o Leblon. A expressão República do Leblon é ótima. É claro que não é nada estatístico ou científico. É uma expressão artística, e por isso muito mais exata. Abraço.
Miguel do Rosário em maio 18, 2009 8:40 PM
#78
Arranha, com relação ao BNDES, o Mendonção (ainda muito respeitado dentro do Bco, independente de matiz ideológica) falou recentemente à imprensa (não sei dizer onde) sobre sua posição contrária (ele diz q, de fato, impediu) à transformação do BNDES em um banco de investimentos privado (ou algo nessa linha, talvez uma SEM) - q foi uma bandeira do Gros.
Sobre essa coisa de governança, q era, de fato, a receita tucana p/ as empresas não privatizadas, as dificuldades p/ sua implantação foram, obviamente, enormes. A PETROBRAS deu, sem dúvida, um salto de "mentalidade" e assumiu a condição de Global NOC. Esse movimento começa com a quebra do monopólio e a mudança de mentalidade na casa, promovida - com seus erros e acertos - pelos tucanos. Sob Lula, a empresa assumiu o papel keynesiano de investir pesado na expansão de capacidade e competitividade. A internacionalização tb acentuou-se. Foi um movimento, em linhas gerais, acertado e bem-sucedido. Mas há uma clara percepção na casa de q a gestão petista é bem mais "politizada" – as chamadas “indicações políticas”, antes restritas a diretorias e as gerências-chave, sob Lula, desceram 2 ou 3 níveis na hierarquia. O sentimento é de q: (1) sim, há um monte de pessoas q estão lá somente por causa do bonezinho vermelho, mas, sob Lula, (2) a empresa prestigia o empregado, concede aumentos e (3) pisa o pé no acelerador do investimento (que significa oportunidades de crescimento de carreira no Brasil e fora). O pessoal (independente da ideologia) aceita o ônus e acha q o saldo é positivo. São Lula (ou quem ele indicar) até debaixo d’água. E não lhes tiro a razão.
Frank em maio 18, 2009 10:25 PM
#79
Arranha,
Não te conheço, mas duvido qe vc é ou pelo menos não era a favor da privatização da Petrobras. Probabilisticaente, é quase impossível alguém de direita-liberal não ter sdo a favor da privatização da Petrobras. Muitos na época defendiam entrega-la de graça, pois produzir petroleo nã era papel do Estado.
Se não era para queimar o filme da Petrobras, aquele tanto de acidentes da época do genro do FHC, então era incopetencia mesmo dos tucanos? "Durante a gestão Reichstul, a Petrobrás teve 62 acidentes sérios em dois anos, contra uma série histórica de menos de um acidente grave por ano de 1975 a 1998." Para quem viveu os anos 90 pode até acreditar que a intenção do governo FH não era privatizar a Petrobras. Mas, para que viveu, claro que sabiamos que queria entrega-la. Porque nã oprivatizou, então? Porque no fim do governo o FH não tinha apoio popular pra uma medida tão impopular. Gastaram 8 meses e 700 mil reais para fazer aquela patetada de petrobrax. Não durou dois dias. Imagine a privatização?
Alias, aquilo ali era governança?
Bruno em maio 18, 2009 10:53 PM
#80
"Gastaram 8 meses e 700 mil reais para fazer aquela patetada de petrobrax."
Bruno, não leve a mal, mas poderia desenvolver melhor isso?
Ao q me consta, essa história é tida como dossiê Cayman.
Frank em maio 18, 2009 11:05 PM
#81
Para mim é obvio que o PSDB não gosta da Petrobras. Alias, porque aquele escarceu com o financiamento da Caixa, num momento que qualquer empresa estava precisando de crédito. Por exemplo, me lembro muito bem que na epoca da Eletropaulo deu calote no BNDES, porque a AES remeteu como lucro todo o caixa da empresa para os EUA ninguém falou nada, inclusive do absurdo emprestimo realizado pelo Mendonção que permitia isso e diferente de tudo que é feito no BNDES, pois não exigia colateral. E difcil nã acreditar que iso não foi corrupção. A alucinação neoliberal no Brasil foi tamanha que as privatizações foram feitas demodo absurdo, prejudicando muito o país, e, mesmo assim são defendidas. O dominio ideologico era maluco. Eu me lembro muito bem: prometiam que a privatização daria eficiência e redução de custo para o consumidor. e mais dinheiro para o Estado investir em saúde e educação. Na area de energia, hoje estamos com um dos custos mais altos do mundo, apesar da energia ser movida a água. A elevação dos preços foi bem maior do que a variação o dólar, dos custos das empresas, da inflação. É só olhar atabela de preços administrados do BC. A eficiênca teve o nome de apagão. Mas, era tão bom entregar, que entregaram a Vale quase de graça e ainda financiado a juros camaradas. Nem falo que a privatização foi de todo ruim. Por exemplo, pergunte pro Dantas, se ele não é bilionário hoje por causa da bendita privatização. Sobre os maiores investimetos em saúde e educação, o Estado vendeu o que podia, deixou de investir e o resultado foi: ter meno liberdade para gastos e investimentos sociais por causa do superavit primario e a dívida pública que passou e 28% do PIB para 55% em 2002. Em um país que estava acabando com a indexação, a privatização permitiu a volta da inflação. Resultado: o Brasl supervaloriza a moeda, tornando-nos menos competitivos, e temos dificuldade em reduzir a inflação. Aí, agora, a Aneel, acaba de reajustar a energia em mas de 10% para diversas localidades. O brasileiro não é ideologicamente contra as privatizações. As pesquisas em 1994 diziam que ele era majoritariamente a favor. O brasileiro se tornou majoritriamente contra, porque as promessas não foram cumpridas. Apesar da mídia martelar as vantagens da privatização. Só a alucinação pro-privatista permitiria fazer privatizações tã mal-feitas, como as que foram feitas. Duvido que na Inglaterra de Thatcher as privatizações foram tão corruptas, tão danosas aos consumidores e aos cofres públicos como as brasileiras. É ótimo mesmo essa CPI trazer a tona a discussão da privatização.
Bruno em maio 18, 2009 11:15 PM
#82
Idelber Avelar,
Dou razão a Frank em #12 ao mencionar o Alon e criticar a dúvida sua sobre a possibilidade de o PT assinar o requerimento da CPI. Transcrevendo a referência dele ao Alon e em seguida o argumento dele crítico à sua dúvida e bastante pertinente tem-se:
"Idelber: "Alon também sugere que, estivessem invertidos os papeis, o PT assinaria o requerimento de CPI. Talvez."
Talvez ?!?
Poxa Idelber, olha o seu Flu (ou Fla) falando mais alto do q razão - q se pode construir a partir da observação empírica do jogo político dos últimos 15 anos."
Veja bem, Numa situação invertida, o PT estaria na oposição, o PSDB seria governo e a Petrobras daria prejuízo, a participação dela no mercado diminuiria e praticamente ela não faria intervenções no domínio econômico para assegurar uma melhor distribuição espacial de riqueza. Penso que numa situação invertida assim, você não duvidaria que o PT estaria assinando o requerimento da CPI.
Talvez para você o PT só não assinaria se você também acreditasse naquela minha Teoria Conspiratória da História que eu apresentei no comentário #106 enviado para seu texto “A crítica ao Fla x Flu como uma cortina de fumaça do nosso tempo” de 11 de maio 2009.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 18/05/2009
Clever Mendes de Oliveira em maio 18, 2009 11:34 PM
#83
Excelente postagem, acrescento que se, infelizmente, os siameses PSDB-DEM vencerem as eleições vindouras, o próximo monopólio a ser quebrado será o de minerais radioativos, que teve uma leve flexibilização com a EC nº 49/2006
wagner em maio 18, 2009 11:57 PM
#84
Idelber, vai dar uma passadinha por SP????
abç
Serbão em maio 19, 2009 12:16 AM
#85
Oi Idelber
O que eu achei mais curioso nessa CPI é que ela veio no bojo de uma suposta crise ou dúvida quanto à viabilidade da candidatura da Dilma. Porque dentro da empresa, sobretudo no setor de gás e energia, que é um dos mais promissores, ela é bastante presente. Também eu estou convicta de que é política a força motriz da onda de reportagens e suspeitas que culminou nessa CPI espalhafatosa.
No mais, as diferenças entre gestões tucanas e petistas apontam para além de questões técnicas. A Petrobrás chegou a trabalhar com menos da metade do número de funcionários com que conta hoje. E se aguentou as pontas, há mérito dos funcionários que lá estavam e que mantém com a empresa uma relação muito mais do que profissional. É como você disse, as pessoas gostam da Petrobrás. Em Natal, eu ouvi de um taxista que a Petrobrás era a mãe da cidade. Porque há uma política de interação e auxílio socias nas cidades que acomodam suas instalações, por exemplo. O crescimento do capital, a valoração da empresa veio acompanhada de políticas sociais e ambientais que nunca estiveram no horizonte de FHC, e que hoje influenciam a boa imagem que a empresa tem - nacional e internacionalmente.
A intenção privatista tucana nunca aparece escancarada e documentada, pelo contrário. É mais sorrateira e cínica, pois surge como solução quase inevitável pra uma crise. FHC tentou fazer crer a todos que as empresas estatais davam prejuízo à união e que eram um modelo a ser superado. No caso da Petrobrás, o esgotamento que havia era causado sobretudo por falta de pessoal, de investimento, etc. Pergunte a algum funcionário da Petrobrás que tenha pelo menos 10 anos de empresa o que ele acha de uma nova presidência tucana. Ele corre.
abraço
(o outro comentário está incompleto, vc apaga, Idelber, por favor?)
aline em maio 19, 2009 1:47 AM
#86
Aos que dizem que o PT assinaria a CPI eu pergunto: qual é o motivo dessa CPI? o fato da Petrobras ter se utilizado de uma MP para pagar menos impostos, como milhares de otrs empresas fizeram? Não há justifiatva para essa CPI, a não ser tenta destruir a imagem da Petrobras, coisa que o PT não tentou. Engraçado, vamos imaginar que a Petrobras tivesse optado pela alternativa de pagar mais impostos, a oposição chiaria do mesmo jeito: nesse caso, ela estaria defendendo os acionistas majoritários, que estariam sendo roubados para dar caixa pra o governo.
Bruno em maio 19, 2009 1:48 AM
#87
Frank,
Que históri éditacomo dossie cayman? da Petrobrax? Se não sabe foi proposto oficialmente a marca Petrobrax. Você acredita que qum criou essa marca não cobrou nada? Não entendi sua dúvida.
Bruno em maio 19, 2009 1:53 AM
#88
Aline, muito bem lembrado esse contexto aí, das relações da Dilma com o setor de energia. Parece que os tucanos começaram mesmo a ter medo da própria CPI que criaram. Quem estava escalado para o Roda Viva de hoje era o Prêmio Nobel de Economia, Robert Mundell. O Senador Álvaro Dias entrou de última hora. Vai ver é concidência :-)
Idelber em maio 19, 2009 1:56 AM
João Arruda em maio 19, 2009 2:14 AM
#90
Olá, repasso o primeiro vídeo de repúdio aos tucanos e a favor da Petrobrás.
.
Mostra umas boas verdades do que está por trás da CPI da “PetroBrax”.
O povo brasileiro não pode se calar diante de uma minoria que coloca seus interesses políticos-eleitorais sobre os interesses do povo.
.
O Petróleo é nosso, não do PSDB.
http://www.youtube.com/watch?v=CS2nOT2LVHA
Rafael oliveira em maio 19, 2009 6:36 AM
#91
Idelber, lembro que o vice de Alckmin foi o Senador José Jorge (PFL/PE). De FHC foi Marco Maciel, PFL/PE. O vice de Lula é o empresário da Coteminas, José Alencar. Desculpe-me pela brincadeira, mas, reconheço que o mais difícil é lembrar de suplentes de Senadores e Deputados. Lembro-lhe que, nas discussões sobre a definição do marco regulatório do pré-sal, há a defesa da criação de uma estatal pura. Se a Petrobras é um patrimônio, uma das maiores empresas do mundo na área e muito evoluída em tecnologia, por que criar uma estatal pura no momento em que as grandes descobertas são realizadas por ela? Outra lembrança é que os recursos naturais são da União, que é a detentora das ações com direito a voto da Petrobras. Quanto à privatização, lembro ainda que a União detém golden share, tipo de ação especial que lhe dá poderes especiais. Algo está estranho nessa questão privatização x estatização. O Presidente viaja levando comitivas de empresários privados, divulga a capacidade do País em receber investimentos estrangeiros, inaugura empreendimentos privados, o agronegócio evolui tocado por empresas privadas, há um Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social com grande quantidade de empresários privados. Por que, então, a privatização continua a ser demonizada?
Dawran Numida em maio 19, 2009 9:25 AM
#92
Que post ridiculo, professor expatriado...
A Petrobras somente encontrou o pre-sal gracas as mudancas introduzidas pelo governo FHC que permitiram que ela se associasse a empresas estrangeiras e quebrou o monopolio.
Sem FHC, sem quebra do monopolio, nao haveria nenhum pre-sal.
Tambem, poxa vida, voce eh um professor da Tulane, deveria ser mais esperto do que citar besteira de sindicalista da Petrobras. Por exemplo, deveria saber que eh absolutamente ridiculo dizer que a Petrobras foi vendida por 1/10 do valor. Repetir uma balela dessa faz voce parecer um idiota, o que creio que voce nao deve ser.
Pior ainda eh ficar citando a valorizacao da Petrobras, que eh principalmente devido ao fato do preco do petroleo ter subido tanto.
John Bastos em maio 19, 2009 10:18 AM
#93
Quem já morou em cidades governadas pelo PSDB conhece esse roteiro manjado. Primeiro sucateam a empresa, depois difamam, depois vendem. A intenção de vender nunca é anunciada antes da difamação. Esse roteiro tem a função de convencer a opinião pública da necessidade da venda, mas o efeito indireto mais importante é a desvalorização da empresa favorecendo os compradores. É evidente que HOJE a privatização da Petrobras parece uma coisa irreal, mas se a Vale não tivesse sido sucateada e vendida na hora certa HOJE seria difícil de se fazer. Acho complicado ficar discutindo a intenção de se fazer algo que não foi feito, mas o histórico tucano permite concluir pela intenção de privatização da Petrobras.
André em maio 19, 2009 10:28 AM
#94
"Por que, então, a privatização continua a ser demonizada? "
Pergunta pertinente.
Eh porque a demonizacao da privatizacao eh um pega-trouxa para motivar a base petista. Assim como foi a promessa de renegociar a divida externa antes de 2002.
O PT tem um problema bem eleitoral bem serio em 2010: Dilma periga ser a candidata mais a direita no campo eleitoral, sofrendo ataques do Serra e dos nanicos do PSOL pela esquerda. Entao, eh necessario que todos os porta-vozes pagos e nao-pagos do petismo criem uma ficcao que Jose Serra eh de direita, quando na realidade, em materias de politica economica, ele estah a esquerda do governo petista de Meirelles, Mantega e Luciano Coutinho.
John Bastos em maio 19, 2009 10:48 AM
#95
"muito bem lembrado esse contexto aí, das relações da Dilma com o setor de energia. Parece que os tucanos começaram mesmo a ter medo da própria CPI que criaram. "
Hahaha, palhacada professor!
Quem esta com medo da CPI sao os petistas e temem EXATAMENTE pelo contexto da Dilma estar envolvida no setor. Nao tente virar o mundo de ponta cabeca, respeite a inteligencia dos seus leitores.
John Bastos em maio 19, 2009 10:50 AM
#96
O que o seu admirado Alon esqueceu de dizer é que se houvesse possibilidade de criar uma cpi na epoca do FHC para analisar a Petrobras, haveria motivos reias para a investigaçao, pois como o que vc citou em seu post, era mais que necessario que isto fosse feito na epoca. O PT foi um cao de guarda que tentou impedir o arrastao de nosso patrimonio publico. O PSDB é do grupo que pratica arrastao. Uma singela diferença, né nao?
Ricardo Pereira em maio 19, 2009 10:58 AM
#97
A privatização não é demonizada. A forma de se fazer a privatização é que é demonizada. Vender barato (considero barato o preço real após o sucateamento e a camapanha difamatória, afinal a primeira coisa que fazemos ao vender um carro é lavar e dar uma "catada" nos defeitos) e sem uma regulamentação apropriada para setores sensíveis e naturalmente monopolísticos. Isso é ruim, e é isso que os tucanso têm feito.
André em maio 19, 2009 11:12 AM
#98
A Ceterp, pertencente à Prefeitura de Ribeirão Preto, governada pelo PT à época, foi privatizada; Ministro da Fazenda do PT deu continuidade à privatização de Bancos Estaduais; com apoio do Governo do PT, a Oi comprou a Brasil Telecom. Assim, prevalece ainda a pergunta sobre os motivos da demonização da privatização. Se valem os discursos de que o Brasil é um País moderno, capaz de desenvolver-se com a participação de capital privado (nacional e externo)e estatal, confiável para o capital externo, com marcos regulatórios sólidos e respeitados, capaz de gerar a emergência de grandes contingentes da população para extratos superiores de renda, apresenta-se um tanto confusa tal contrariedade com a privatização.
Dawran Numida em maio 19, 2009 12:50 PM
#99
Bruno, eu não sei o qto de veracidade há nessa história da PETROBRAX. Realmente, pelo q eu conversei com algumas pessoas da Petro, fiquei com a impressão de ser algo como (1) uma invencionice p/ animar o eleitorado anti-PSDB, com o "olho" em 2002 ou (2) alguma idéia embrionária q tenha vazado.
Veja, eu acho crível q houvesse pessoas no PSDB q advogassem a idéia de privatizar a PETRO. Só não me convenci ainda de q isso de fato tenha ocorrido (desenvolvimento da idéia, com apresentação de proposta), ainda q plausível.
frank em maio 19, 2009 1:11 PM
#100
Sugiro ao leitor Frank que comece se informando sobre o processo de enfraquecimento da Petrobras no governo FHC (exatamente de 1996 a 2000/2001) lendo a entrevista do engenheiro Fernando Siqueira, presidente da Associação de Engenheiros da Petrobras, em janeiro deste ano no site http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm?alterarHomeAtual=1. E depois continue pesquisado no Google o processo de modificação do nome da empresa para Petrobrax (Google, Petrobrax 1997), ou ainda, leia no Google - digitando Petrobrás + Plataforma 36 - toda a história da sequencia de acidentes que nos últimos anos deixaram de ocorrer. É esclarecedor.
Vera B. Pereira em maio 19, 2009 2:23 PM
#101
Para além da guerra de versões sobre a privatização da Petrobras, vale a pena verificar a edição de janeiro da revista Piauí, que traz uma grande reportagem, assinada por Consuelo Dieguez, sobre o pré-sal. Além de trazer perspectivas e o imenso esforço que será necessário para a exploração do pré-sal, há ali um interessante relato sobre o episódio da Petrobrax.
A Petrobras já explora petróleo a quase dois mil metros de profundidade, o recorde mundial. Para chegar ao pré-sal, que está a mais de cinco mil metros (e abaixo de uma grossa camada de sal), terá que desenvolver novos equipamentos, o que demandará altas somas de recursos financeiros e um imenso desafio tecnológico. A pesquisa para saber se era petróleo mesmo petróleo que havia lá embaixo significou um ALTO RISCO para a companhia.
O trecho que selecionei desta reportagem começa com uma declaração de Guilherme Estrella. Geólogo com carreira na Petrobras, ele se aposentou em 1994, quando ocupava a superintedência geral do Centro de Pesquisa, um cargo importante. Depois disso, Estrella se filiou ao PT, em 2001, disputando a eleição do diretório municipal de Nova Friburgo (contra as forças majoritárias do partido). Em 2003, ele foi convidado a voltar para a Petrobrás para ser diretor de Exploração e Produção. Sua indicação, portanto, está inserida nas críticas de "aparelhamento" da estatal pelo PT. Ao trecho:
"Quando cheguei aqui de volta, não encontrei uma empresa de petróleo", ele lembrou. "A Petrobras tinha se transformado em uma instituição financeira. Uma empresa de petróleo tem que correr riscos, tem que ser agressiva na exploração, tem que investir muito e desenvolver tecnologia e conhecimento geológico. Banqueiro não quer correr risco." Seu discurso foi ficando mais inflamado: "Quiseram mudar a cultura da companhia e transformá-la numa empresa exclusivamente comercial. Quiseram trocar seu nome para Petrobrax, mas o povo brasileiro não aceitou. Do Oiapoque ao Chuí se levantaram as mais diferentes vozes, da esquerda à direita, e destruíram aquela iniciativa imbecil de apagar o nome Brasil da maior empresa brasileira, nascida de nossas entranhas."
Estrella apontou para um mapa em que estão demarcadas as áreas hoje em exploração e, mais calmo, continuou: "Veja como as orientações para a exploração de petróleo nos governos Fernando Henrique e Lula são completamente diferentes. Nós vínhamos reduzindo drasticamente a aquisição de blocos. Se não tivéssemos revertido essa tendência, chegaríamos ao final de 2009 praticamente sem áreas para explorar."
Para comprovar sua tese, apresentou números que sabia de cor: "Em 1999, a Petrobras adquiriu 24,3 mil quilômetros quadrados de área para explorar. Em 2002, o número caiu para 14 mil. Em 2003, no governo Lula, subiu para 21 mil e, em 2005, foram 40 mil quilômetros quadrados de novas áreas." Os investimentos em exploração, segundo ele, também aumentaram. Entre 1994 e 2002, a companhia investiu uma média anual de 536 milhões de dólares. De 2003 a 2006, a média saltou para 1,1 bilhão de dólares.
O geólogo José Coutinho, antecessor de Estrella no cargo, justificou a estratégia da Petrobras no governo Fernando Henrique em Infra-estrutura de Energia e Transporte, livro organizado por José Luiz Alquéres. Nele, Coutinho, funcionário de carreira, sustenta que a estatal teve que se adaptar ao fim do monopólio do petróleo. Segundo ele, a Petrobras estava fragmentada em várias ilhas, num imenso arquipélago: "Cada ilha não compartilhava uma visão comum sobre o seu futuro no novo ambiente competitivo. Fez-se, então, um plano estratégico que reestruturou o sistema de governança corporativa e de gestão empresarial."
A visão de que a Petrobras deveria ser uma empresa como qualquer outra - cujo objetivo é dar lucros a custos menores - é questionada por Estrella. No seu entendimento, hoje as empresas de petróleo estão separadas em dois grandes grupos: as NOCs, a sigla em inglês para as companhias nacionais, e as INOCs, as internacionais. As NOCs são, entre outras, a mexicana Pemex, a venezuelana PDVSA e a saudita Saudi Aramco. Entre as INOCs estão a Shell, a Esso e a Chevron. "Ainda que joguemos o mesmo jogo, somos bichos diferentes", disse Estrella. "As NOCs não podem estar preocupadas apenas em dar ganhos aos acionistas, devem também estar comprometidas com o desenvolvimento do país."
A íntegra da reportagem vale a pena. O link é http://www.revistapiaui.com.br/edicao_28/artigo_861/Petroleo_encalacrado_no_pre_sal.aspx
Fábio Carvalho em maio 19, 2009 2:30 PM
#102
José Serra dá livro com palavrão para crianças de nove anos
19 de Maio de 2009 - Folha
Palavrões, textos com conotação sexual e preconceituosa e muitas frases de duplo sentido. Esse é o conteúdo de um dos livros enviados às escolas pela Secretaria de Educação doEstado de S.Paulo para servir de apoio para alunos da 3ª série do ensino fundamental, com idade média de nove anos. Os livro fazem parte do programa Ler e Escrever, criado pelo governador Joé Serra
O livro é "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol". Organizado por Orlando Pedroso, abordam temas relacionados a futebol -e usam também conotação sexual. A editora Via Lettera afirma que a obra é voltada a adultos e adolescentes e foi comprado pelo governo José Serra (PSDB) para uso na rede Estadual de ensino. Mas a obra causou indignação entre os educadores. A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo distribuiu a escolas um livro com conteúdo sexual e palavrões, para ser usado como material de apoio por alunos da terceira série do ensino fundamental (faixa etária de nove anos).
Em uma das 11 histórias em quadrinhos, há a ilustração de um jogador enfiando o dedo no ânus de outro, dando a entender que ele é homossexual. Também há desenhos de homens segurando seus órgãos genitais e de mulheres praticamente nuas na praia.
O conteúdo sexual é reforçado pelos diálogos. Um personagem diz: "Eu vi as coxa das mina do Tchan" (sic). O outro responde: "Eu chupava elas todinha".
Frases de duplo sentido, como "Pra visitar sua mãe tem que pagar entrada?", permeiam parte das histórias.
Em Santo André (Grande SP), professores reclamaram para a Diretoria de Ensino. Houve também críticas de professores da zona leste e norte de São Paulo. No ABC, foi emitida uma circular pedindo o recolhimento do livro. O comunicado chegou na última quinta. "Não dá para mostrar isso nem para alunos do ensino médio", disse uma coordenadora que reteve o material.
Perplexidade
Especialistas se mostraram perplexos com a indicação do livro para um programa de incentivo à alfabetização. "Uma coisa é ouvir o palavrão na rua. Outra é a escola endossar o palavrão. Oferecer um livro desse é dar a chancela de que isso é certo", critica Vitor Paro, professor titular da Faculdade de Educação da USP. Para ele, a criança de nove anos não tem personalidade formada para essas informações. "É pornografia."
Já a coordenadora do curso de psicopedagogia da PUC (Pontifícia Universidade Católica), Neide Noffs, aponta o apelo sexual vulgar e expressões contra a cidadania e valores que a escola deveria reforçar como principais problemas. "Não acredito que um educador tenha aprovado a compra desse material.
Hyrla Tucci, professora de história da educação da PUC, afirmou estar chocada. "Se eu estou assustada, imagine os pais quando virem o que era para ser lido por seus filhos.
O gerente de marketing da editora Via Lettera (responsável pelo livro), Roberto Gobatto, afirmou que apenas atendeu ao pedido de compra do governador José Serra (no valor de cerca de R$ 35 mil).Aqui na Folha tem um rsumo dessa história, mas o conteúdo total é par assinante aqui
É para os adultos, afirma ilustrador
Segundo o ilustrador Orlando Pedroso, que organizou o livro, a obra foi concebida para o público adulto. A intenção, segundo ele, era reunir histórias em quadrinhos de diferentes cartunistas para ser lançado antes da Copa do Mundo de 2002.
Pedroso ficou sabendo que a secretaria adquiriu um lote da obra, mas não sabia para qual série. "Acho que tem algumas histórias um pouco pesadas.
Governador José Serra usou obra com 2 Paraguais
Esse é o segundo erro grave em material didático da rede estadual neste ano. Em março, alunos da 6ª série do ensino fundamental receberam livros em que aparecia duas vezes o Paraguai no mapa da América do Sul. Além disso, o Paraguai e o Uruguai estavam invertidos. Em março, a secretaria assumiu pelo menos 18 erros nas apostilas distribuídas para os ensinos fundamental o médio. Para o professor Vitor Paro, esses erros refletem falta de estrutura. "Precisamos de gente que entenda de educação."
19/05/2009 - 08h37
SP distribui a escolas livro com palavrões
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da Folha Online
Livros contendo expressões como "chupa rola", "cu" e "chupava ela todinha" foram distribuídos pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo como material de apoio a alunos da terceira série do ensino fundamental (faixa etária de nove anos), segundo reportagem publicada na edição desta terça-feira (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal) assinada pelo jornalista Fábio Takahashi.
O texto informa que o governo José Serra (PSDB) reconheceu o erro na distribuição dos 1.216 exemplares e determinou o recolhimento das obras.
O livro contém 11 histórias em quadrinhos produzidas por Caco Galhardo --também quadrinista da Folha. Uma das histórias mais criticadas por especialistas traz uma caricatura de um programa de mesa-redonda de futebol na TV.
Enquanto o comentarista faz perguntas sobre sexo, jogadores e treinadores respondem com clichês de programas esportivos, como "o atleta tem de se adaptar a qualquer posição".
De novo
Esta não é a primeira vez que o setor de educação do governo Serra se equivoca em relação aos livros distribuídos a alunos.
Em março deste ano, a pasta de Educação foi duramente criticada por professores da rede estadual por causa de erros em 500 mil livros didáticos distribuídos.
Um livro didático de geografia, usado por alunos da 6ª série do ensino fundamental nas escolas públicas, mostrava o Paraguai duas vezes em um mapa da América do Sul e exclui o Equador. O problema aparece tanto nos livros destinados aos estudantes quanto nas publicações destinadas aos professores.
À época, a secretaria creditou o problema a editora que o produziu e informou que determinou a troca das publicações com erros.
Outro lado
Em nota, o governo admitiu o erro ao distribuir a publicação e diz que o montante de 1.216 exemplares compõem apenas 0,067% dos 1,79 milhão de exemplares distribuídos aos alunos da rede.
A secretaria informou ainda que a obra é só uma entre as 818 escolhidas.
Arte/Folha de S.Paulo
ALEX em maio 19, 2009 3:33 PM
#103
Quer dizer que o PT não rouba? Não pratica nem acoberta corrupção?
Que vergonha, seu Idelber.
Michael em maio 19, 2009 5:44 PM
#104
Professor, como sempre aprendo muito com a leitura deste blog, para ser sincera, às vezes mais com os textos dos comentaristas, que em sua grande maioria é de se excelente qualidade, agregando informações ao tema em pauta.
Estou aqui só para dizer que, conforme a minha visão, na “arena” política não há vestais. Ou, como dizem de forma mais clara: “na zona não há virgens”. O jogo é pesado, principalmente quando envolve interesses gigantescos de todos os envolvidos: interesses dos grandes grupos econômicos (é põe grande nisso), dos partidos que, bem ou mal, representam os interesses político-eleitorais dos que estão na arena, interesses de nós aqui na planície.
A leitura dos comentários (além do conhecimento que eventualmente já tenhamos dos interesses em jogo) acaba mostrando, a meu ver, que não há uma determinação absoluta: aqui estão os privatistas e ali os que defendem as estatais, as empresas públicas e que tais. Pela história do psdb + dem + pmdb (quando lhe convém) temos posições e ações efetivas pela privatização, e os comentaristas aqui do boteco deixaram isso claro. Mas, o PT está longe de ser o partido da social-democracia (que não foi assumida por aquele que leva o conceito no nome) como muitos entendem. Como seu deu mesmo o processo das telefônicas agora no governo do PT e aliados? A política econômica que vem sendo adotada, favoreceu quem mesmo?
Os proprietários e gestores dos negócios privados do nosso país estão muito felizes e contentes com as políticas públicas adotadas pelo atual governo. Não há governo que se sustente quando eles ficam muito enfurecidos. O Presidente Lula, é, sem dúvida, dotado de virtú, conforme nos ensinou Maquiavel. Até agora, pelo menos, suas ações são guiadas por um entendimento e interpretação virtuosa da conjuntura e seu desempenho está embasado nesse entendimento.. Dissimulação e simulação. Perfeito.
E não tem nada de ironia no escrito acima, é o meu entendimento, na visão de política de Maquiavel, Lula é brilhante. Não é á toa que tem mais de 80% de aceitação.
As CPIs sempre foram (e continuarão a ser) usadas politicamente. Mas querem o quê? O combate das Cpis se trava no centro mesmo da arena política por excelência que é o Parlamento. Quem está na oposição vai fazer uso desse instrumento sempre que possível e necessário para seus interesses. Agora, também não dá para se ficar discutindo a partir de hipóteses de atuação: “ se... isto .... e aquilo”.
Só que a Petrobras é um símbolo fortíssimo para todos nós. A oposição tocou em vespeiro. A velha história: um dos mais importantes símbolos que nos fazem ter orgulho da pátria amada, porque para todos nós, no imaginário que foi criado, a “Petrobras é nossa”, ou seja, de todos nós, e aí, não dá para aceitar que ela entre na disputa, na qual estão em jogo o que para muitos são interesses menores.
Faz parte do jogo os ataques e as defesas dos contendores na arena. Luta política é isto, como pode ser também o enfrentamento dos marcos institucionais de uma sociedade. Mas o jogo que está sendo jogado agora está ocorrendo nos limites institucionais, portanto faz todo o sentido as posições do dono deste boteco operar intelectualmente de forma sofisticadíssima na defesa do governo ... direito seu, ainda mais tendo em vista que a casa é dele; mas, a casa é democrática e, dessa forma, podemos ter a compreensão dos que são oposição a este governo e têm, evidentemente, uma leitura diferente do contexto histórico. e jogam na arena seus argumentos.
Que fique claro: não voto no psdb, nem morta. Na reeleição de Lula, anulei meu voto. Sinto-me emparedada: não vejo opção nem à esquerda; e muito, menos à direta.
Abraço
Marilda
PS.: sobre a distribuição do material escolar pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo ( governo Serra): quando a gente acha que chegou ao fundo do poço, sempre tem mais poço para afundar.
Marilda S. Costa em maio 19, 2009 6:03 PM
#105
Hilária a disposição de alguns comentaristas ao defender a tese de que o governo FHC não pensava em privatizar a Petrobrás, mesmo com todas as evidências apresentadas. Essa discussão parte de uma premissa óbvia e bem documentada: tucanos já se posicionaram e/ou agiram em defesa da privatização da Petrobrás. Brigar contra as evidências pode ser sinal de esquizofrenia.
sidneig em maio 19, 2009 6:11 PM
#106
Minha impressão é que a privatização da Petrobrás não obedeceria a uma lógica muito diferente daquela que presidiu a privatização da Vale do Rio Doce. Nâo se tratava mais de entregar à iniciativa privada empresas absolutamente ineficientes (o caso das companhias telefônicas é exemplar), ou que não tinham nenhum papel estratégico. A Vale era muito eficiente, e tinha um papel estratégico bem claro. Foi privatizada porque se acreditava que, pelo simples fato de ser privada, seria mais eficiente, daria mais lucros, geraria mais divisas para o país, pagaria mais impostos e todos seriam felizes para sempre. As premissas para a privatização da Petrobrás, portanto, estavam todas sobre a mesa. Não se tirou a conclusão porque não se quis. E isso quer dizer: havia correntes dentro do bloco governistas que, de fato, não queriam privatizar a Petrobrás (por várias razões - pragmáticas, econômicas, ideológicas, contextuais, etc.), e essas correntes foram vitoriosas.
João Vergílio em maio 19, 2009 6:43 PM
#107
Que bom então!
Ficou claro que ninguém quer privatizar a Petrobrás!
abçs
rabbit em maio 19, 2009 7:59 PM
#108
Um pouco mais complicado, talvez, rabbit. Para mim, pelo menos, é bastante claro que
(i) havia gente que queria privatizar empresas perfeitamente "saudáveis" e estratégicas, como a Vale do Rio Doce e a Petrobrás;
(ii) essas pessoas foram vitoriosas no caso da Vale do Rio Doce, mas não no caso da Petrobrás.
É difícil associar motivos determinados a personagens determinados. Fernando Henrique afirmou, à época, que achava a Petrobrás "estratégica". Havia também o argumento do preço. Não haveria como reunir investidores privados com cacife suficiente para pagar o preço. E havia o preço político a ser pago. Há um sentimento de orgulho pela Petrobrás que é muito menor do que deveria ser, mas em todo caso é maior que o existente por uma empresa como a Vale do Rio Doce, que não está tão gravada no imaginário brasileiro (apesar de sua enorme importância).
É difícil dizer quais destes motivos pesaram mais ou menos. Creio que a resposta varia de personagem para personagem. A resultante, em todo caso, foi claríssima. Venceu a corrente que era contrária à privatização da Petrobrás.
João Vergílio em maio 19, 2009 8:32 PM
#109
Mais uma vez o nervosismo do tresloucado senador amazonense, Artur Virgílio, juntamente com os comparsas Tasso Jereissaati e Álvaro Dias, rompeu a raia da irresponsabilidade e da truculência. A oposição faz parte do jogo democrático, mas tem que ser exercida com serenidade e com responsabilidade e não com gestos de loucura e de insensatez, de leviandade e ódio. Com clareza e não nas caladas da noite. A quem interessa a CPI da Petrobrás? Comentário enviado por Neville Paz.
NEVILLE PAZ em maio 19, 2009 10:26 PM
#110
Breves divagações sobre os interesses políticos da CPI da Petrobras estão em meu blog. Ao debate.
Tiago Pereira em maio 20, 2009 10:31 AM
#111
Um aspecto interessante é o que preceitua o Art. 219 da Constituição Federal: "O mercado interno integra o patrimônio nacional e será incentivado de modo a viabilizar o desenvolvimento cultural e sócio-econômico, o bem-estar da população e autonomia tecnológica do País, nos termos de lei federal".
Dawran Numida em maio 20, 2009 10:57 AM
#112
Está bem interessante o breve post do Tiago.
Idelber em maio 20, 2009 10:59 AM
#113
Entrevista à revista Exame, em 2006, do grão-tucano Mendonça de Barros, ex-ministro de FHC e ex-presidente do BNDES, quanto esta instituição financeira ficou marcada como Banco da Privatização:
Exame - O que o senhor acha que deveria ser privatizado?
Mendonça - Há muita coisa ainda, como os serviços portuários, as estradas de rodagem, o setor elétrico, a Petrobras.
Exame - A privatização da Petrobras seria extremamente polêmica, não?
Mendonça - Sem dúvida. Ainda não tenho opinião formada sobre o assunto, mas se eu estivesse no próximo governo, trabalharia forte na privatização da Petrobras. Esse não é um projeto simples. Tem de ser muito bem estudado, muito bem planejado. Mas acho que deveríamos quebrar esse monopólio que hoje não se justifica. Privatizar ou não é uma questão que tem de ser avaliada de maneira objetiva, não ideológica. Não tenho nada contra a empresa pública, mas quando a empresa pública não tem mais razão de existir, ela precisa ser extinta, e o negócio, vendido para a iniciativa privada.
sidneig em maio 20, 2009 11:35 AM
#114
Ainda não tenho opinião formada sobre o assunto, mas se eu estivesse no próximo governo, trabalharia forte na privatização da Petrobras.
Será que eu sou o único a achar que essa frase não faz o menor sentido, já que a segunda oração desmente a primeira? Pode ser culpa da revista, claro. Mas como está escrita, ela não faz o menor sentido!
Idelber em maio 20, 2009 12:50 PM
#115
A frase tem uma contradição interna e também entra em contradição com outra frase que segue: "Privatizar ou não é uma questão que tem de ser avaliada de maneira objetiva, não ideológica."
Ora, se ele não tem opinião formada de onde vêm a tal disposição para trabalhar forte na privatização se não da ideologia?
Cláudia em maio 20, 2009 1:13 PM
#116
SERRA FECHA PARCERIA COM RITA CADILLAC
Blog Viomundo - 20 de maio de 2009 às 12:03
Ela vai ajudar a produzir livros didáticos em São Paulo.
Veja a capa do primeiro livro no blog Quanto Tempo Dura?
Para quem não entendeu, a piada é a propósito da notícia abaixo:
19/05/2009 - 08h37
SP distribui a escolas livro com palavrões
da Folha Online
Livros contendo expressões como "chupa rola", "cu" e "chupava ela todinha" foram distribuídos pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo como material de apoio a alunos da terceira série do ensino fundamental (faixa etária de nove anos). [...]
De novo
Esta não é a primeira vez que o setor de educação do governo Serra se equivoca em relação aos livros distribuídos a alunos.
Em março deste ano, a pasta de Educação foi duramente criticada por professores da rede estadual por causa de erros em 500 mil livros didáticos distribuídos.
Um livro didático de geografia, usado por alunos da 6ª série do ensino fundamental nas escolas públicas, mostrava o Paraguai duas vezes em um mapa da América do Sul e exclui o Equador. O problema aparece tanto nos livros destinados aos estudantes quanto nas publicações destinadas aos professores.
À época, a secretaria creditou o problema a editora que o produziu e informou que determinou a troca das publicações com erros.
Outro lado
Em nota, o governo admitiu o erro ao distribuir a publicação e diz que o montante de 1.216 exemplares compõem apenas 0,067% dos 1,79 milhão de exemplares distribuídos aos alunos da rede. A secretaria informou ainda que a obra é só uma entre as 818 escolhidas.
Vejam que bela imagem: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/serra-fecha-parceria-com-rita-cadillac/
ALEX em maio 20, 2009 1:35 PM
#117
O Alexandre Frota deveria processar essa turma. Concorrência desleal, pô...
Ou, então, vai ver que é técnica pedagógica. Poderiam fazer um acordo com os alunos. Durante a aula, a gente só fala de sacanagem. Mas, lá no pátio, vocês ficam fazendo análise sintática.
E pensar que, no meu tempo, a gente tinha que dizer uma "senha" pro dono da banca vender revistinha do Zéfiro. Agora, a secretaria da educação é que distribui.
A professora explica tudo? Tira as dúvidas?
O trabalho final eles vão colar de onde? Do PornTube?
Afora isso tudo, um comentário.
Há uma disputa clara a respeito do modo de se conduzir a reforma do ensino no Estado de São Paulo. Apeoesp de um lado, Serra do outro. A discussão de fundo não tem nada a ver com palavrões, nem com o mapa da América do Sul. Tem a ver com a postura da Apeoesp, que não aceita de maneira alguma a introdução de mecanismos de avaliação e gestão escolar por resultados. Minha opinião, falando de maneira muito clara: um discursozinho tosco, do qual graças a Deus o governo Lula já começou a se descolar. Tem que ter avaliação, sim. E o resultado das avaliações tem que redundar em ganhos diferenciados e, em último caso, demissões por incompetência.
O livro não foi adotado por nenhuma escola. Foi feita uma compra para as bibliotecas da rede pública, só isso. Um ou dois exemplares para cada unidade. Mesmo assim, foi um erro. Crasso.
João Vergílio em maio 20, 2009 2:14 PM
#118
Belissímo texto.Todos aqui que opinam são da esquerda?
Então vamos as ruas e lutar pelo pouco que nos resta desse pais.
Vivo na España, e aqui se valoriza o pouco que eles têm,digo isso pela crise que ronda o mundo.Existe também muito monópolio aqui,acha vista a quebra de uns desses monópolio, á da GESA ENDESA,TELEFONICA,entre outras.
"ESTOU ME LIXANDO PELO PLI-PLI..."
Grato.
Márcio em maio 20, 2009 4:26 PM
#119
"Ceis viram" na Folha de ontem o livro que o Serra escolheu para distribuir para as crianças da escola pública no Estado de São Paulo?
É um livro bastante didático sobre a qualidade da Gestão Serra na Educação.
Luis Orlando em maio 20, 2009 6:56 PM
#120
João,
O debate sobre a questão da educação pública paulista também tem um pouquinho a ver com o fato de boa parte dos professores da rede estadual serem "temporários" e o fato dos salários terem sido reduzidos a pó, o que está quase inviabilizando a profissão por essas terras.
Não é uma questão que surgiu hoje. Isso é parte da longa contenda que se arrasta desde os tempos de Fleury, quando a intelligentsia bandeirante resolveu cortar gastos justamente na educação - o que se agravou, sem embargo, com o autoritarismo serrista nos dias que se seguem, passando, claro por todos os governos Demo-tucanos nos últimos anos 14 anos. Nesse contexto, os livrinhos curiosos que foram comprados são fichinha.
Sobre o estabelecimento de critérios de metas para os professores, creio que trata-se de algo bem curioso. Sou completamente a favor, desde que o mesmo seja aplicado para os burocratas da Secretária de Educação e para os políticos do estado. Se só valer para os professores, vira uma panacéia hipócrita.
Hugo Albuquerque em maio 20, 2009 7:14 PM
#121
Hugo,
Ninguém é contra aumento de gastos com educação. Pelo contrário. É onde eu acho que deveríamos encostar as nossas fichas.
Nada é panacéia, Hugo. Estamos querendo avançar, e para isso é preciso fazer várias coisas. Avaliar é uma delas.
Salário nem é o maior problema hoje. Condições de trabalho vêm antes - instalações, segurança, bibliotecas.
A Apeoesp faz o papel dela: é uma associação sindical, que defende os interesses imediatos dos seus associados. Seria surpreendente se não fizesse isso. Política educacional é outra coisa. Envolve professores, mas também envolve alunos e a sociedade como um todo.
João Vergílio em maio 20, 2009 8:54 PM
H.ROMEU PINTO em maio 20, 2009 9:19 PM
#123
Tô contigo João Vergílio!
(só espero que isso não comprometa tuas posições :-))
F. Arranhaponte em maio 20, 2009 9:28 PM
#124
João,
Permita-me discordar novamente, mas na educação pública paulista, muita coisa já é uma panacéia e tudo pode virar se converter numa única caso uma avaliação que não envolver todos os profissionais envolvidos no funcionamento das escolas seja posta em prática - seria como criar um plano de avaliação dos médicos da rede pública isentando os burocratas da saúde que, não raro, surrupiam verbas ou, simplesmente, trabalham de forma muito pouco competente.
A estruturação de melhores condições de trabalho é sim essencial, mas não funcionará caso não haja uma revalorização salarial e a criação de planos de carreira - porque aí vai continuar faltando o essencial nessa brincadeira toda: As condições para os bons profissionais desenvolverem todas as suas potencialidades assim como as condições para a volta dos bons profissionais que deixaram a profissão.
Numa situação de desagregação e pobreza como é comum a boa parte do Estado, a sociedade e, principalmente, os alunos não estão condição de fazerem muita coisa; quem tem o poder de mudar essa realidade, nesse exato momento, é o governo do estado, mas por desinteresse e incompetência, as coisas permanecem em queda livre - e com os professores sendo apontados como as grandes causas de tudo.
Hugo Albuquerque em maio 20, 2009 11:21 PM
#125
A Petrobrás é nossa, PSDB!
Fábio em maio 21, 2009 12:14 PM
#126
O caso dos livros distribuídos foi um erro. Apontar os erros é salutar, pois, força às devidas correções. Porém tentar induzir que foi intencional e parte da política educacional do Governo de São Paulo é, desculpem-me, mas tal argumentação é uma deslavada mentira, argumento que beira o ridículo de tão faccioso. O Governo Federal continua a utilizar a DRU (Desvinculação das Receitas da União) e contingenciamentos de recursos orçamentários destinados à Educação, Saúde, Ciência e Tecnologia, Saneamento Básico. Sem querer levantar erros de outros para livrar-se de críticas quanto aos próprios, por que não pegar no pé do Governo Federal para que aumente e aplique, nas citadas áreas, 100% do que a elas é destinado no Orçamento, somado ainda ao que pode captar de recursos externos? Ou será que espera-se perto de uma década depois para utilizar os recursos advindos da promessa pré-sal?
Dawran Numida em maio 21, 2009 12:15 PM
#127
Dawran Numida #126,
Concordo com você. E penso até mais. Se fossem livros indicados pelo MEC, a direita estaria acusando o governo federal de pornagráfico e muitos dos que acusam o José Serra poderiam passar a defender o governo dizendo que são livros de acordo com uma pedagogia mais moderna (E podiam até estar certos) necessária para repassar informações de natureza sexual para os alunos nessa faixa de idade. Em minha opinião a chamada que Luis Carlos Azenha fez para esta matéria não ficou a altura dele.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 21/05/2009
Clever Mendes de Oliveira em maio 21, 2009 2:41 PM
#128
John Bastos #94,
Será tão preocupante assim para a esquerda ter uma disputa em que o candidato dela é o que está mais a direita?
Compare com 1989, quando Fernando Collor ganhou e havia a possibilidade de ser o Maluf ou o Afif, não se possui agora uma situação de tranqüilidade para a esquerda saber que a candidata dela é a mais à direita? Tudo não parece mais próximo do que eu disse lá no comentário #106 enviado para o post "A crítica ao Fla x Flu como uma cortina de fumaça do nosso tempo" de 11/05/2009, ou seja, essa preocupação que você disse ser do PT na verdade não seria a preocupação da direita?
Clever Mendes de Oliveira
BH, 21/05/2009
Clever Mendes de Oliveira em maio 21, 2009 3:01 PM
#129
Não dá pra ser sério com vcs, então vamos lá...
Eu beijei a mulher do vizinho, minha mulher perguntou porque. Eu disse: se ele beija, eu tbem posso beijar..
Qunado vcs vão para de colocar as culpas do lula no FHC.
Me envergonha um artifício de lógica usada de forma tão tacanha por quem entende da matéria.
Porque não investigar as duas gestoes? Para o bem do contribuinte brasileiro?
pedro pereira em maio 22, 2009 1:27 AM
#130
Olá, Prof. Idelber!
Os demotucanos têm dado tiros no próprio pé com uma certa regularidade.
Mas essa CPI da Petrobrás está me parecendo um tiro de bazuca nos dois pés. Estão colando neles mesmos, em definitivo, a pecha de entreguistas.
PS.: que bom que minha charge está sendo útil. Ela é um pouco agressiva, mas acho bem adequada ao momento.
Quem quiser pode utilizar à vontade em sites, adesivos, etc.
Roberto Locatelli em maio 22, 2009 11:40 AM
#131
A primeira sensação para maioria dos brasileiros, incluído o presidente Lula, é não mexer com a melhor empresa do país. Se houve alguma irregularidade, não tem importância, temos que fazer a vista grossa. O mundo não tem que saber de nada.
Mas infelizmente nos bastidores desta empresa tem acontecido um fato triste que as pessoas não sabem:
Nesta época de globalização os funcionários de empresas multinacionais como a Petrobras têm que saber falar pelo menos uma segunda língua. Na cidade de Rio de Janeiro encontra-se a sede desta empresa com milhares de pessoas. Isso impulsionou, durante anos, a abertura de várias escolas de idiomas, criando muitos postos de trabalho.
Agora a direção do Sr. Sérgio Gabrielli impôs uma nova lei, decidiram trabalhar apenas com alguns poucos cursos escolhidos arbitrariamente por eles.
Num país democrático, e principalmente numa empresa do estado, os funcionários têm que ter o direito de escolher com quem gostariam de estudar.
Eu peço aos Senhores senadores da CPI que investiguem qual foi o verdadeiro motivo desta decisão, o método escolhido na seleção dos cursos e o número exato de brasileiros que vão ficar sem trabalho.
Atenciosamente,
João Pedro da Silva
João Pedro da Silva em maio 22, 2009 1:42 PM
#132
Alguém sabe me explicar como se dão os leilões de Petroléo? Quem passa as informações para ANP? Quem decide qual bacia/poço será leiloado e com base em que? Na minha opinião essa CPI foi sim um tiro no pé, e não só pelas eleições do ano que vem. Já há algum tempo movimentos sociais, principalmente sindicados de Petroleiros, estão tentando levantar o debate sobre o marco regulatório do Petróleo junto a sociedade. Agora com a CPI vejo pela primeira vez esse assunto ganhar mais destaque nas grandes mídias. O que era para "queimar" o filme da Petrobras por interesses internacionais nas bacias do Pré-Sal foi um tiro que pode ajudar a aquecer o povo brasileiro em defesa da Petrobras.
Cibele Vieira em maio 22, 2009 2:48 PM
#133
Para linkar com o comentário # 101, com trecho de reportagem publicada na revista Piauí de janeiro deste ano, reproduzo duas notas publicadas hoje, dia 22 de maio, na coluna Painel da Folha de São Paulo:
"Ecumênico - Não é apenas o PMDB que arquiteta a substituição de Guilherme Estrella por Paulo Roberto da Costa na diretoria de Exploração da Petrobras. Adotado inicialmente pelo PP, o atual diretor de Abastecimento tem hoje uma rede de relacionamentos que vai do PT ao DEM.
Timing - A substituição na "diretoria que fura poço", como dizia Severino Cavalcanti, agradaria até mesmo à ministra Dilma Rousseff, mas não acontecerá agora por dois motivos. O primeiro é a inconveniência de fazer a troca em meio a uma CPI da Petrobras. O segundo é a participação de Estrella no processo do pré-sal, que lhe deu sobrevida."
Fábio Carvalho em maio 22, 2009 4:54 PM
#134
Tô chegando atrasado, mas a APEOESP por si só não tem poder para impedir mecanismos de avaliação. Na verdade, o que ocorre é que é tremendamente dificil estabelecer tais mecanismos.
E a questão do mapa e dos livros é que transparece falta de cuidado na elaboração desses materiais, que fica claro em outros pontos.
Andre Kenji em maio 23, 2009 2:25 AM
#135
Para linkar aos comentários # 101 e 133, trecho de declaração da ministra Dilma Roussef hoje (23) na Folha...
"A ministra fez ainda uma veemente defesa do petista Guilherme Estrella, diretor de Exploração e Produção da Petrobras, um dos postos mais cobiçados. "Não há até agora por parte do governo [nenhum sinal de mudança], nem haverá, acredito. Não tem sinal de alguém ter nos pedido isso."
Dilma se referiu a Estrella como "um dos melhores diretores da Petrobras". "É um homem íntegro, é um técnico competentíssimo, é um geólogo de primeira, é o responsável por essa determinação e pelo pré-sal e é um homem que a gente tem de honrar pelo tempo de trabalho. Meu apoio ao diretor Estrella é irrestrito. O meu [apoio] pessoal", destacou.
Dilma tentou afastar especulações de que o cargo é alvo da barganha do PMDB, em troca do apoio ao governo na CPI da Petrobras. Questionada sobre as frequentes contrapartidas exigidas pelo partido, ela resumiu: "Isso é parte da história".
Fábio Carvalho em maio 23, 2009 5:51 AM
#136
Crônica de uma morte anunciada.
Sou professora de inglês. Trabalho num curso de línguas no Rio de Janeiro. O nosso chefe acaba de nos informar que NO FINAL DE JULHO vai fechar a empresa. O principal cliente do curso, a empresa Petrobras, decidiu não trabalhar mais com nosso curso.
Tenho duas filhas: Mônica de 3 anos e Clara de 5.
Justamente neste tempo de crise vou ficar desempregada. Por que eu? Por que justo nossa empresa?
Maria do Carmo Pires
Maria do Carmo em maio 25, 2009 4:42 PM
Cleber em maio 26, 2009 8:11 PM
#138
A pessoa corajosa só enfrenta o perigo quando é necessário. Não o procura, mas é capaz de enfrentá-lo. À pessoa covarde falta-lhe confiança, tem medo de tudo. O corajoso enfrenta o perigo com firmeza porque aprecia a honra e rejeita aquilo que é vergonhoso. O soldado que recusa a fuga, perante um inimigo superior em número, quando está em jogo a defesa da sua cidade, é o exemplo de coragem ao mais alto nível.
ARISTÓTELES (filósofo grego _ 384 a.C. - 322 a.C.).
Os senadores que pediram a CPI da Petrobras são muito corajosos. Eles não dão ouvidos à fraqueza e a pusilanimidade dos omissos.
Nós somos um grupo de professores no Rio de Janeiro, trabalhamos em vários cursos de línguas. Há muitos anos que nossas escolas prestam serviços terceirizados para a Petrobras. Agora o Sr. Sergio Gabrielli decidiu acabar arbitrariamente com muitos dos cursos. Mas não para reduzir custos, não. Vai continuar a mesma quantidade de alunos, porém nas escolas escolhidas por ele.
Ou ele subestima a capacidade intelectual de seus funcionários e pensa que tem que escolher (como às crianças) por eles ou tem recebido propina dessas mega franquias de idiomas que ele elegeu.
Muitos de nossos impostos foram usados no início da Petrobras, quando ela era pequena. Agora ela, empresa que nós ajudamos com nosso dinheiro, se volta contra de nós.
Pedimos a proteção de nossos soldados do senado. É a nossa última chance.
Lucas Caio
Lucas Caio em maio 27, 2009 8:18 PM
#139
NA GUERRA CONTRA A PETROBRAS DE
QUAL LADO ESTÁ O GOVERNO?
Wladmir Coelho*
Mestre em Direito, Historiador e Conselheiro da Fundação Brasileira de Direito Econômico
A CPI da PETROBRAS gerou um efeito colateral interessante: Iniciou-se um debate a respeito da empresa e sua importância para a economia brasileira. Assim observamos a bancada do governo acusando a oposição de entreguista e esta – para não ficar ainda mais exposta – através do deputado Otávio Leite (PSDB) apresenta um projeto de lei proibindo a privatização da empresa.
Tudo muito patriótico e criando uma atmosfera artificial de disputa entre governo e oposição pelo título de defensores das riquezas nacionais lembrando – o atual PSDB - o gesto da antiga UDN de assumir a defesa do monopólio estatal quando este não apresentava-se – estrategicamente - de forma clara no projeto do preside Getúlio Vargas.
O curioso desta disputa, entre governo e oposição, é perceber o seu caráter demagógico, eleitoreiro e entreguista quando o ministro Lobão – que nome! – em recente viagem à Inglaterra anuncia a entrega – para breve – dos blocos do pré-sal aos oligopólios intermediado por uma empresa que muitos tratam por PETROSAL cuja função seria administrar as autorizações para exploração em uma vasta área de Santos a Santa Catarina.
O governo – aqui no Brasil – ainda não conseguiu coragem suficiente para assumir diante do povo que a criação desta empresa seria o fim da Petrobras e busca, através de declarações demagógicas, criar uma atmosfera de favorecimento para a empresa nacional insinuando a concessão de alguns blocos para esta como forma de proteção dos interesses brasileiros. Fica assim a imagem de um nacionalista que tudo faz em defesa de seu povo.
Recentemente o governo revelou – na prática - sua postura patriótica ao determinar – através da lei 11909 – que em nenhuma hipótese a CONCESSÃO ou AUTORIZAÇÃO para transporte e armazenamento de gás seria considerada uma prestação de serviço público. Assim, seguindo a pista oferecida através da lei 11909, a atitude do governo através da PETROSAL seria continuar administrando o bem natural petróleo e entregando aos oligopólios o bem econômico em troca de taxas ou impostos apurados de acordo com a produção. Na realidade o governo defende a implantação do contrato de risco compartilhado.
Este modelo de contrato defendido pelo governo para o pré-sal não é novidade e foi utilizado no ápice do chamado neoliberalismo na Venezuela, Bolívia, Equador e apresentou como resultado o enfraquecimento das empresas estatais de petróleo e empobrecimento destes países.
O presidente Lula, em diversas oportunidades, anunciou a utilização do poder econômico do petróleo como fórmula para melhorar as condições de vida dos brasileiros, declara-se um defensor da PETROBRAS, mas chefia um governo cuja prática não combina com o discurso.
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Pedro de Souza em junho 18, 2009 9:57 AM
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