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segunda-feira, 04 de maio 2009

A histeria da direita com a visita de Ahmadinejad

Mahmoud-Ahmadinejad303.jpg A julgar pelos gritinhos da República Morumbi-Leblon, pareceria que o Brasil nunca recebeu a visita do chefe de um estado autoritário. A julgar pelos videozinhos, você imaginaria que somente líderes de democracias tolerantes e liberais têm permissão de visitar o Brasil. É curioso que pessoas que não deram um pio acerca do inominável massacre israelense em Gaza venham agora posar de defensores dos direitos das mulheres iranianas. Não me consta, aliás, que alguém nessa turma tenha dito nada quando o Brasil recebeu a visita de Bush, responsável por uma guerra baseada em mentiras, pela adoção da tortura como política de estado, pelo campo de concentração de Guantánamo, pela morte de centenas de milhares de iraquianos.

Quando você vir alguém dessa turminha dizendo que Ahmadinejad propõe a exterminação dos judeus, faça algo muito simples: peça o link. Pergunte qual é a fonte. Pergunte quem traduziu o texto do persa. Porque o líder iraniano jamais disse isso. O que ele disse foi: "o regime que ocupa Jerusalém (een rezhim-e ishghalgar-e qods) deve ser apagado da página do tempo (bayad az safheh-ye ruzgar mahv shavad)." A tradução é de um dos maiores especialistas em Oriente Médio da contemporaneidade, Juan Cole, confirmada por dois outros tradutores do persa. Leia a entrevista de Ahmadinejad e confira você mesmo. Sobrando um tempinho, assista ao vídeo da palestra de Ahmadinejad em Columbia University, cujo presidente o recebeu com uma grosseria que até hoje envergonha a nós, acadêmicos americanos.

Suponho não ser necessário esclarecer que eu acho muita coisa no discurso de Ahmadinejad absolutamente repugnante, especialmente as declarações sobre o homossexualismo. Não defendo o que ele diz. Mas há que se corrigir as mentiras. A calúnia de que Ahmadinejad ameaçou “varrer Israel do mapa” -- e, a partir daí, a afirmativa mais delirante ainda de que ele propõe a exterminação de judeus – tem uma longa história, que se remonta a uma tradução manipulada do New York Times. É, meu chapa, quando se trata de Oriente Médio e do lobby pró-ocupação israelense, até as traduções devem ser minuciosamente revisadas.

Não custa lembrar, claro, que o Irã não invadiu país nenhum. O Irã não tem uma história de agressão contra seus vizinhos. Na guerra Irã-Iraque, o agredido foi ele, na época em que o depois demonizado Saddam Hussein era amiguinho de Donald Rumsfeld. Sim, é evidente que a situação dos direitos humanos no Irã é grave. Ela é quase tão grave como a situação na Arábia Saudita, país onde sequer existem eleições nacionais, mas cuja monarquia visita e faz polpudos negócios no Ocidente sem que se ouça um pio dos nossos preocupadíssimos democratas da República Morumbi-Leblon.

Qual é o país do Oriente Médio que ocupa ilegalmente terras de outrem há mais de quarenta anos, com uma história de sistemática agressão contra seus vizinhos e de desrespeito às resoluções das Nações Unidas? Qual é o país do Oriente Médio que infiltra espiões até mesmo no território de seu maior aliado? Não é o Irã.

Aceito debater o Irã com qualquer membro da República Morumbi-Leblon que me ofereça um ou dois parágrafos articulados acerca de como era mesmo maravilhosa a situação no país persa entre 1954 e 1979. Afinal de contas, a julgar pelos horrorizados chiliques, você imaginaria que antes da Revolução Islâmica as coisas andavam muito bem por lá. Na verdade, a única vez em que o Irã esteve perto de chegar a um regime aberto e tolerante foi um pouco antes de 1954, quando a Frente Nacional de Mohammed Mossadeq nacionalizou a indústria do petróleo. Mossadeq foi logo depois removido por um golpe de estado preparado pela CIA, naquilo que Robert Fisk, em sua obra monumental, chamou de primeira operação americana desse tipo durante a Guerra Fria (pag. 99). Com sua implacável verve britânica, Fisk acrescenta: pelo menos nós nunca afirmamos que Mossadeq tinha armas de destruição em massa.

O golpe de 1954 inaugura um período caracterizado por Fisk como de “monarquia absoluta” do Xá, controlada pela sua temida polícia política que, ao custo de assassinatos, tortura e supressão da oposição, garantiu a estabilidade necessária para que se exportassem 24 bilhões de barris de petróleo nos 25 anos que se seguiriam. A Revolução Islâmica canalizou a revolta da população iraniana, num momento em que muita gente ainda sonhava com a possibilidade de uma esquerda nacionalista e secular no mundo árabe. Essa foi uma opção que existiu durante algum tempo, com Nasser e cia., mas que sucumbiu ante os golpes de estado e as invasões americanas, assim como as sistemáticas agressões israelenses – com o apoio dos mesmos direitecas que agora acusam os críticos do sionismo e do imperialismo de serem cúmplices do bicho-papão islâmico.

Eu me pergunto se esses direitecas que histericamente gritam que Ahmadinejad quer “aniquilar” Israel sabem que o presidente do Irã sequer é o comandante-em-chefe das Forças Armadas do país. Quem tiver curiosidade arqueológica, que consulte a grande imprensa americana entre, digamos, 1998 e 2002. Naquele período, em que o reformista moderado Mohammad Khatami dava declarações de aproximação aos EUA e ao Ocidente, esses gestos eram descartados com o argumento de que o presidente do Irã não tem poder real – o mesmo fato do qual agora eles convenientemente se esquecem, para que possam apresentar Ahmadinejad como comedor de criancinhas.

Etiquetar Ahmadinejad como “ditador do Irã” é ridículo. Ele foi eleito. É verdade que sua vitória foi conquistada com os mesmos métodos de George Bush. Mas se quiserem entender o clima que possibilitou sua eleição, há que se estudar um pouco a enorme frustração dos setores jovens iranianos com Khatami, que tentou e tentou se aproximar do Ocidente, sendo sistematicamente rechaçado.

A tarefa da esquerda é dupla. Desmascarar a mentirada e a hipocrisia da República Morumbi-Leblon e do lobby pró-Israel ao mesmo tempo em que oferece solidariedade aos setores da sociedade civil que estão lutando no Irã – e também na Arábia Saudita! – contra regimes que são, sim, bastante opressivos. Há que se fazer um coisa sem perder de vista a outra. Mas a iniciativa de querer expulsar Ahmadinejad do Brasil, vinda de gente que recebeu Bush sem dar um pio, tem um só nome: hipocrisia.

Portanto, sem prejuízo nenhum ao meu apoio aos que, no Irã, lutam por uma democracia real, não posso deixar de retrucar: Bem vindo, Ahmadinejad. Tome sua cachacinha com Lula (sim, sim, sei que é proibido...), visite algumas das maravilhas desse que é um dos mais belos países do globo e não ligue para a meia dúzia que protesta. Estão em vergonhosa minoria. Já não sabem em que se agarrar. Na última eleição, o candidato deles não conseguiu sequer repetir no segundo turno a votação que havia tido no primeiro. É compreensível que estejam tão histéricos.

Atualização: Artigo publicado também na Agência Carta Maior.



  Escrito por Idelber às 11:56 | link para este post | Comentários (210)


Comentários

#1

Lindo Lindo lindo!!!!!!!
Parabens Idelber!
Pingos nos is!!!!!!

H.ROMEU PINTO! em maio 4, 2009 12:42 PM


#2

como sempre, indo ao fundo do poço pra nos lembrar de história tão recente - esquecida por mtos - que
reforçam o q postei em um blog e só não fui expulsa
pq resisti. q venha mesmo ahmadinejad e que o "povo"
da zona sul (rs) vá às ruas esbravejar.
a fala de hilary aponta para um "novo olhar" dos eua
para os países da américa-latina, como urgente. uma
consequência, apenas no discurso, contra a visita de
ahmadinejad? acredito que não. abrs

dolores em maio 4, 2009 12:48 PM


#3

eu morro de preguiça desse presidente iraniano. acho desnecessariamente encrenqueiro.

o que me irrita é esse uso da tal da "situação da mulher". como se a luta de todos fossem pela libertação feminina. é tao oportunista isso.

mary w em maio 4, 2009 12:52 PM


#4

Repito aqui o que comentei no blogue do Lula (do Pandorama): não dá para ficar evocando valores morais e democráticos contra interesses comerciais quando esses mesmos valores são digitados em máquinas made in china (comercialmente mais interessantes, não?). Pois é essa moralidade seletiva (contra o Irã, contra Cuba, nunca contra a China) que não passa de hipocrisia.
Abraços,
Henrique.

henrique rodrigues em maio 4, 2009 12:55 PM


#5

muito bom esse comentário. colocou a discussão em ordem.

Jorge em maio 4, 2009 1:01 PM


mary w em maio 4, 2009 1:03 PM


#7

Essa é a questão, Mary: essa turminha só se lembra da situação das mulheres quando lhes convém. Você precisava ver o que foi a mídia nos EUA em 2001 /2002. Parecia que o exército americano estava numa missão feminista no Afeganistão.

Hipocrisia pura, claro.

Idelber em maio 4, 2009 1:03 PM


#8

Ele é tão gente boa que eu sugiro que enviemos as ONGs feministas e os grupos GLBT para o Irã, a fim de aproveitarem toda a hospitalidade e democracia daquele país de presente luminoso e futuro evidentemente pacífico. Sugiro mandar todos os blogueiros para Cuba, a fim de fazer cursos de "como blogar com liberdade em Cuba", e os partidos de esquerda para a China, para aprender como protestar democraticamente contra o Governo, em praça pública. É claro, tudo o que dizem é mentira, é perseguição da direita. Ah, e tem a Coréia do Norte! Peço que o dono deste blog passe uma temporada por lá, enviando notícias atualizadas sobre o Governo e seu funcionamento, com farto material fotográfico. Sugiro ainda que coloquem uma foto de Stálin neste blog, para prestar homenagem perpétua devida ao assassino de milhões de soviéticos, destruidor da liberdade, ditador e líder comunista eterno, o grande inspirador da maioria dos países citados acima.

Malu em maio 4, 2009 1:46 PM


#9

Repugnante é seu texto. Apenas as declarações dele sobre homossexuais já são um sintoma de toda estupidez do Presidente do Irã. Isso é a defesa de um asqueroso pelo fato de ele ser inimigo dos EUA (ou da Direita "Morumbi-Leblon"). Todo esse contorcionismo sem condenar as declarações e atitudes do Irã contra gays e mulheres, isso sim, é hipocrisia e cegueira ideológica. Por mais que Israel seja repugnante, nada justifica esse presidente delinquente.

Renato em maio 4, 2009 1:49 PM


#10

Malu, você bateu o recorde. Em geral, só me mandam para Cuba depois do trigésimo comentário.

Idelber em maio 4, 2009 1:49 PM


#11

Trecho do comentário do Renato:

Todo esse contorcionismo sem condenar as declarações e atitudes do Irã contra gays e mulheres...

Trecho do meu texto:

eu acho muita coisa no discurso de Ahmadinejad absolutamente repugnante, especialmente as declarações sobre o homossexualismo

Assim debatem certos "leitores": com fantasmas que lhe impedem ver o que o interlocutor está realmente dizendo.

Idelber em maio 4, 2009 1:53 PM


#12

Assino embaixo, Idelber.

Adriano Matos em maio 4, 2009 2:01 PM


#13

Você não condenou nada, Idelber... O que você escreveu foi um "data venia", no máximo.

Renato em maio 4, 2009 2:02 PM


#14

Revisionismo do holocausto também é só uma coisinha de nada, o cara é gente fina. Aposto que gosta até do Pelé, mais do que do Maradona.

Buck em maio 4, 2009 2:06 PM


#15

Eu sinto muito se "repugnante", no seu dicionário, não é uma condenação.

Eu certamente vi condenação ao meu texto no momento em que ele foi caracterizado como repugnante, sem qualquer argumento acerca dos fatos históricos concretos nele apresentados.

Idelber em maio 4, 2009 2:07 PM


#16

E o mais importante, se um dia visitou oficialmente alguma figura moralmente condenável, então nada mais justo de não se reclamar mais nada da moral de ninguém que for fazer outra visita oficial. O que inclui revisionistas do holocausto, de outra forma estariamos sendo preconceituosos, discriminatórios contra os nazistas. Se chama tu quoque essa lógica bonita.

Buck em maio 4, 2009 2:10 PM


#17

É imprescindível compreender a conjuntura política. A turminha não muda seu modo de agir há bastante tempo: colocar antolhos no povo e mostra-lhe o caminho que conduz ao que ela quer. A contestação precisa de fatos.
Parabéns pelo artigo.

Laércio Malfatti em maio 4, 2009 2:19 PM


#18

Novo membro da "República direiteca Morumbi-Leblon": Luiz Fernando Veríssimo:

"REPÚDIO
É compreensível o repúdio da comunidade judaica à visita do presidente do Irã, Ahmadinejad, ao Brasil. Ahmadinejad prega a aniquilação de Israel. Com o histórico empenho da nossa diplomacia em ajudar a apagar o fogo no Oriente Médio não se entende que seja recebido com honras oficiais o mais notório incendiário da região."

E ainda por cima o LFV escreve para as organizações criminosas Globo e Estadão

F. Arranhaponte em maio 4, 2009 2:26 PM


#19

Confesso que a citação me surpreende, Arranhaponte.

Idelber em maio 4, 2009 2:34 PM


#20

Camarada, suas concessões morais são um tanto estranhas. Por mais que se reconheçam legítimas algumas pretensões do Irã, incluindo os desmandos de Israel e dos EUA; não se justifica seu "Bem vindo, Ahmadinejad", mesmo sendo uma conotação alegórica. Seu artigo não leva em conta a proporcionalidade do que merece condenação ao Irã. É um texto infeliz e que contrasta com a qualidade de seus escritos. No que diz respeito ao homossexualismo, de fato, você não condenou nada, embora o uso da palavra "repugnante". Mais fez foi uma concessão ao regime, haja vista o seu "Bem vindo". Um abraço.

JPaulo em maio 4, 2009 2:34 PM


#21

LFV é um literato, não é político, historiador nem cientista social. E infelizmente ele padece deste defeito da ignorância política, que é achar que considerações morais genéricas substituem a análise concreta das situações concretas. Pessoalmente, acho o seguinte: quem decide o destino do Irã é o povo iraniano, por mais que isso possa irritar quem quer articular a derrubada sangrenta de um governo nacionalista para colocar no seu lugar um ditador fantoche do seu agrado.

Carlos em maio 4, 2009 2:41 PM


#22

Ah, esqueci de dizer: esse relativismo me assusta.

JPaulo em maio 4, 2009 2:41 PM


#23

Essa de defender um canalha apontando os defeitos de outros é péssima.

Nem é preciso entrar na questão de quem é pior...

Vocês reclamaram da gritaria da Folha por conta da resposta da ditabranda. Reclamaram da perguntinha "e Cuba?".

Agora fazem exatamente o mesmo. Pra alguém criticar o assassino de gays deve antes responder à pergunta "e Bush?" ou "e israel?".

Quem nunca fez manifestação contra Bush não tem o direito de fazer manifestação contra ninguém mais?

Isso só deixa mais claro o quanto pra vocês os argumentos não valem absolutamente nada. Certo é o que está do seu lado, errado é o que está contra. O mesmo argumento é mentiroso quando usado pela direito, mas perfeitamente legítimo quando usado por vocês.

É triste ver gente inteligente, culta e honesta passando por cima de suas qualidades pra apoiar uma ideologia estúpida, ignorante e hipócrita.


lucas em maio 4, 2009 2:44 PM


#24

A república de Ipanema agradece e congratula pelas verdades publicadas aqui pelo cidadão da república de Minas-Tulane, ainda que não concorde em dar as boas vindas ao Ahmadim só pra contrariar a republica do Morumbi-Leblon, porque o Ahmadim é um boçal afetado e no Morumbi-Leblon se fazem croquetes e sandubas de mortadela de qualidade.
Este cidadão de Ipanema vai vaiar o Ahmadinejad como vaiou o cidadão Bush. E se chinela houver, chinela voará em sua testa larga e franzida.
Abraço.

cfagundes em maio 4, 2009 2:52 PM


#25

Que aula, Idelber. Obrigado pela postagem!

Cesar S. em maio 4, 2009 2:53 PM


#26

Idelber,

Como você vê, aquele a quem você diz "bem-vindo" não apenas faz declarações homofóbicas. O Irã mata e mutila gays.

Sinto muito mas "seja bem-vindo, embora eu ache repugnante suas declarações sobre gays" não é condenação.

Ou será que você toparia boas vindas para alguém que digamos, mutilasse e matasse intelectuais de esquerda, mas "resistisse ao imperialismo americano"? Você só diria algo como "apesar dessas declarações repugnantes"?

lucas em maio 4, 2009 2:53 PM


#27

Esse iraniano é o tal que afirma não ter existido o holocausto. Você se apegou à tradução de uma frase, mas o buraco é mais embaixo. Não podemos validar o antisemitismo da mesma maneira que nao podemos validar a opressão israelense sobre os palestinos. Me parece simples assim.

sidneig em maio 4, 2009 3:00 PM


#28

sidneig: me ofereça o link da fonte onde ele disse não ter existido o Holocausto.

Idelber em maio 4, 2009 3:02 PM


#29

Quando demonstramos cabalmente, em janeiro, que a correspondente da Globo no Oriente Médio manteve um odiento e preconceituoso blog anti-árabe, fomos tachados até de "anti-semitas" por alguns comentaristas de má-fé. Não nos surpreende, neste caso, que eles estejam agora tentando impingir-lhe a mesma pecha por aqui, caro Idelber.

Cloaca News em maio 4, 2009 3:05 PM


#30

Vocês reclamaram da gritaria da Folha por conta da resposta da ditabranda. Reclamaram da perguntinha "e Cuba?".

Agora fazem exatamente o mesmo. Pra alguém criticar o assassino de gays deve antes responder à pergunta "e Bush?" ou "e israel?".

Vamos desenhar para ver se você entende, Lucas.

Atacar Benevides e Comparato porque eles criticaram a ditadura brasileira sem ter, supostamente, jamais criticado Cuba é hipócrita porque Benevides e Comparato são intelectuais brasileiros, que moram no Brasil e jamais tiveram qualquer relação profissional nem moradia em Cuba.

Isso é diferente de questionar os direitecas que, no Brasil, receberam Bush sem protestos e agora, também no Brasil, dão esses chiliques com Ahmadinejad.

Percebeu que no segundo parágrafo há uma simetria ausente no primeiro? Quer que desenhe mais claro que isso?

Idelber em maio 4, 2009 3:12 PM


#31

Segundo o Globo Online, parece que ele cancelou a visita. O Itamaraty ainda não recebeu confirmação.

Radical Livre em maio 4, 2009 3:12 PM


#32

lucas

acho que você levantou um ponto muito interessante
estou pensando, quero pensar muito sobre isso
acho que o idelber quis ser irônico, vamos ver

abçs

rabbit em maio 4, 2009 3:14 PM


#33

Realmente é difícil levar a sério "reclamações" e "preocupações" fabricadas desse tipo (melhor, uso de itens como bola de futebol política para marcar pontos ao ser tão facilmente manipulado, usar crimes e opressão como cartas de pokemon em nome do grande Don Corleone que quer você cuspindo no pequeno traficante) da direita. Ainda mais quando o ponto de origem de tais "preocupações" vem de grupos que quer mulheres, judeus, negros, árabes, mexicanos e homossexuais "fiquem no seu devido lugar", voltem aos anos 50 onde nem sequer existiam - mulheres não podem ter escolha sobre o próprio corpo, devia ficar em casa, não ter igualdade salarial, não ter licença-maternidade extendida, gays não deviam casar ou adotar filhos, deviam ser menos flamboyant, ser menos aparecidos (que tal tirar todos os livros com temas gay da lista da Amazon, apenas deixar "como curar homossexualidade").

É difícil levar a sério quando o anunciante quer ser cada vez mais como a figura que demoniza, e apenas utiliza os excessos de centímetros de repugnância do demonizado para vilanificá-lo em nome do joguinho ideológico (tão ridiculamente fabricado) enquanto se auto-congratula que apenas reprime os gays ao invés de matá-los como aquele Outro homem horrível.

É como quando a direita se apropria de críticas válidas que você concorda contra Lula. Se concorda, mas se sabe bem quais os fins e para quem serve tais críticas. O pior é ver o quão miseravelmente longe da realidade é tudo isso, o quão fabricado, o quão fácil é apertar botões e sintetizar figuras pro "2 minutes hate".

Matias em maio 4, 2009 3:16 PM


#34

Idelber,

Eu moro no brasil, nunca fiz nenhuma manifestação contra a visita de ninguém. Nem da direita nem da esquerda. Então, pelo seu raciocínio, se eu me sentir ofendido pela visita de qualquer líder ao Brasil, estarei sendo hipócrita!

Você protestou contra todos os líderes do mau que vieram aqui? hein? hein? Por que se deixou escapar um, então não pode falar nada!

Pouco importa quem está protestando, ou que já se protestou ou deixou de protestar, o repúdio à visita de um assassino é perfeitamente válido.

E não importa o quanto você já criticou os boçais do mundo, os assassinos e ditadores imperialistas. Absolutamente nada disso justifica sua posição em relação Ahmadinejad.

Sinceramente, você jogou moral e inteligência no lixo, só pra atacar uma oposição que não vale a pena, e pra defender uma ideologia que também não vale.

lucas em maio 4, 2009 3:27 PM


#35

Idelber,

A Wikipédia parece cobrir bem a questão do holocausto: http://en.wikipedia.org/wiki/Mahmoud_Ahmadinejad#Allegations_of_Holocaust_denial_and_anti-Semitism. Tanto lá, como você bem colocou cá, a questão passa pelas interpretações ideológicas do que ele diz.

Gostei do seu texto. Os argumentos são lúcidos e concordo com eles. Só acho que você errou a mão ao minimizar os protestos e dizer que o presidente é bem vindo. Não repudio sua vinda mas acho que a tarefa da esquerda é tripla: além das duas que você citou, incluiria sim os protestos. Os protestos contra o regime e contra muito do que defende este sujeito. Apenas oferecer solidariedade não me parece suficiente.

Ricardo Lage em maio 4, 2009 3:28 PM


#36

Perfeito, Ricardo, mas eu acrescentaria uma coisa: em matérias que involvem o estado de Israel, a Wikipedia não costuma ser boa fonte. O lobby é pesado por lá, embora mesmo o link que você deixou demonstre cabalmente quão falsa é a acusação de que ele "nega o Holocausto."

Idelber em maio 4, 2009 3:33 PM


#37

Os comentaristas também estão convidados a especular sobre os motivos do cancelamento da visita, pressupondo-se que a notícia do Globo está correta (obrigado pelo link, Radical).

Idelber em maio 4, 2009 3:45 PM


#38

Aquele bofe cagou nas calças quando soube que cobririamos ele de purpurina, blush e batons....hihihi....viva o arcoiris.

Borboleta em maio 4, 2009 3:51 PM


#39

Idelber,

Parece que a visita ainda está de pé.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u560279.shtml

Eduardo Prado em maio 4, 2009 3:58 PM


#40

Não sei não, mas acho que essa entrada do Biscoito pro Pandorama não vai dar certo...

Sempre tive uma certa preguiça daquele copy/paste do RA que acontece nos comentários do PD.

Infelizmente, pelos últimos posts, vai haver uma invasão de direitobas por aqui...

Marcelo P. em maio 4, 2009 4:06 PM


#41

Será que vieram do Pandorama mesmo? Teríamos que observar mais uns posts para saber. Este, em particular, eu sabia que ia incomodar muita gente mesmo. Estava conscientíssimo disso.

Mas você tem toda razão, Marcelo, que eu devo ficar atento. Não tenho o menor interesse em multiplicar o número de comentários se a qualidade despencar. O que sempre caracterizou o Biscoito foi a qualidade da caixa de comentários. Se ela cair por causa do fluxo que vem do Pandorama, pulo fora no ato. Valeu. Sua observação é muito importante e vou ficar atento.

Idelber em maio 4, 2009 4:12 PM


#42

Concordo na essência, Idelber.

E digo mais, há um fenômeno muito curioso ao redor dessas figuras "inimigas" do Ocidente: são logo enquadrados como malucos, insanos ou qualquer categoria que extirpe inteiramente a possibilidade de que uma parcela de suas falas sejam, por assim dizer, verdade.

Então, quando o Ahmadinejad acusa Israel de cometer crimes de guerra contra a Palestina, é porque ele é maluco; e por isso, obviamente sua fala não encontra respaldo real, mas somente bases imaginárias. O que não é exatamente o que a história nos mostra.

E mais, há um raciocínio lógico falho:

a. Ahmadinejad deseja eliminar Israel (vamos supor que isso seja verdade, a título de exemplificação)

b. O Irã possui projeto nuclear;

c. Logo, o Irã deseja construir uma bomba atômica;

d. Israel terá sua existência colocada em risco;

e. O mundo deve proteger Israel e por isso atacar o Irã.

Isso sim é perverso, essa subversão lógica.

João Calmon em maio 4, 2009 4:14 PM


#43

Exato, João Calmon. É a lógica da demonização, que pode ser vista em alguns comentários acima. A ladainha é martelada, repetida, até que vire verdade.

Ahmadinejad quer aniquilar Israel. Você pede uma fonte que confirme e eles são incapazes de dar.

Ahmadinejad nega o Holocausto. Você pede uma fonte e eles são incapazes de dar.

No entanto, você abre os jornais e está lá: "Ahmadinejad, o presidente iraniano que nega o Holocausto e quer aniquilar Israel", dito assim, como se fosse verdade incontestável e provada.

Idelber em maio 4, 2009 4:25 PM


#44

Pois me parece que receber Ahmadinejad agora, às vésperas das eleições presidenciais no Irã que podem trazer de volta os reformistas ao poder, me parece temerário. Concordo com os argumentos do Idelber, mas me parece tratar-se de um claro gesto eleitoral, no sentido de amenizar a sua imagem linha-dura ao visitar um país muito mais tolerante e de crescente importância no cenário mundial.
O governo reformista de Mohammed Khatami, que durou de 1997 a 2005, falhou em promover uma abertura do Irã para o mundo, muito por causa da sabotagem interna e da pressão americana. A oportunidade aberta com a eleição de Barack Obama e as eleições de 12 de junho no Irã pode ser a última oportunidade de reintegrar o país à comunidade internacional.

O governo brasileiro pode fortalecer Ahmadinejad ao recebê-lo e dar a ele um raro momento para se expressar fora de seu país, o que pode contribuir para mantê-lo no poder e enterrar de vez a possibilidade de mudanças no Irã. Por outro lado pode ser uma boa ocasião para protestar contra a homofobia de seu governo e outras coisas comprovadamente ditas por ele, não essas frases manipuladas pela imprensa.

Khatami desistiu da corrida presidencial para não dividir os votos reformistas e agora apóia a candidatura de Hossein Mousavi, o principal adversário de Ahmadinejad nas eleições de junho.

Leo Vidigal em maio 4, 2009 4:35 PM


#45


Cara, eu também pensava exatamente, até ver isso aqui:

http://www.debka.com/headline.php?hid=6056

É impressionante, muita coisa acontecendo debaixo dos panos - cientistas russos viajando pelo Brasil verificando depósitos naturais de Urânio, cujo principal cliente dessa parceria será o Irã - não esperava por essa sinceramente.

Marcelo em maio 4, 2009 4:38 PM


#46

Enviei uma versão anterior, na correta a última frase do segundo parágrafo é:

A oportunidade aberta com a eleição de Barack Obama e as eleições de 12 de junho no Irã pode ser a última chance de reintegrar o país à comunidade internacional.

Leo Vidigal em maio 4, 2009 4:39 PM


#47

Ah, e sobre Cuba...

RECUERDOS DE CUBA
À luz dos 50 anos de Revolução - Frei Betto

Leo Vidigal em maio 4, 2009 4:41 PM


#48

Quem optou por ser scholar nos States não tem o que falar sobre quem mora nessa suposta "República Morumbi-Leblon"(que sofisticação para cassar a cidadania braileira de alguém, hein?).

Quando você optar por morar aqui e dar aulas numa universidade pública brasileira(sem ser professor convidado), aí me darei ao trabalho de escrever mais do que denunciar o seu esforço e propaganda na tentativa de cassação moral da cidadania de brasileiros que discordam de você num assunto ou outro.

Clara em maio 4, 2009 4:42 PM


#49

Ah, esqueci de dizer: Cristiano, adorei a gozação com a República Minas-Tulane :-) Muito boa.

Cristiano e Borboleta ganham o prêmio do bom humor até agora.

Idelber em maio 4, 2009 4:43 PM


#50

Clara, não é necessário usar email falso nem dizer que estou caçando a cidadania de alguém. De jeito nenhum.

É só uma forma de me referir a uma visão de Brasil que se restringe, sim, a uma classe social bem minoritária e bem específica. É uma metonímia, não uma cassação de cidadania. Adoro tanto o Morumbi como o Leblon, diga-se de passagem.

Idelber em maio 4, 2009 4:46 PM


#51

Eu citei o Veríssimo apenas para mostrar como é descabido este encaixe de uma questão complexa como a vinda do Ahmadinejad na couraça da disputa PT-Tucanos, como você fez. O Ahmadinejad de fato não vai se preocupar muito com a micro-minoria que vai protestar, mesmo porque a maioria não está nem tomando conhecimento de protestos contra visitas de Chefe de Governo, seja Bush, seja Ahmadinejad, seja o tirano de Siracusa. Mas parece que a cada dia que passa um número cada vez maior das coisas que existem entre o Céu e a Terra vai sendo incluído por este blog nas engrenagens do conflito cósmico entre PT e tucanos. Quem estaria histérico?

F.Arranhaponte em maio 4, 2009 4:55 PM


#52

Idelber,
Em 21/04/2009 a folha publicou uma matéria ( http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2104200901.htm) sobre Ahmadinejad.
Esta matéria , na qual a FSP acusa o presidende do Irã de tumultuar a conferência da ONU, está baseada na seguinte tradução para o português de um trecho do discurso de Ahmadinejad:
'...Sorridente, Ahmadinejad não pareceu se abalar, e logo exibia a sua conhecida retórica contra Israel e de negação do Holocausto. "Após a Segunda Guerra, eles recorreram à agressão militar para deixar uma nação inteira sem lar, sob o pretexto dos sofrimentos judeus e da ambígua e dúbia questão do Holocausto", disse.'
Agora veja a mesma passagem do discurso do presidente traduzida para o inglês: "Following World War II, they resorted to military aggression to make an entire nation homeless under the pretext of Jewish suffering and they sent migrants from Europe, the United States and other parts of the world in order to establish a totally racist government in occupied Palestine. And, in fact, in compensation for the dire consequences of racism in Europe, they helped bring to power the most cruel and repressive racist regime in Palestine.)
O link em inglês é este:
http://www.presstv.ir/detail.aspx?id=92046
Mas também pode ser visto no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=g1ZI_uPNM7w

fm em maio 4, 2009 5:00 PM


#53

Mas onde é que você viu PT-PSDB no meu texto, Arranha? Eu falei da direita que, no caso do barulho mais estridente feito neste caso, não está no PSDB, mas nos grupos do lobby pró-Israel. Não é a mesma coisa. Quem enfiou PT-PSDB no meio foi você, não eu.

Idelber em maio 4, 2009 5:00 PM


#54

Sempre usei esse email em todos os blogs que frequento e nunca ninguém reclamou em anos. Os blogueiros com quem debato tem o meu email, e o usam.

Metonímias podem ser bastante poderosas, e linguistas sabem melhor que ninguém fazer bom uso delas. Já não se pode dizer o mesmo do conteúdo do que eles realmente pensam, igual a qualquer pessoa, com preconceitos e tudo o mais.

Clara em maio 4, 2009 5:11 PM


#55

Eu vi no "na última eleição, o candidato deles não conseguiu sequer repetir no segundo turno a votação que havia tido no primeiro. É compreensível que estejam tão histéricos" (ok, você pode ter se referido à direita que votou nos tucanos, não aos bicudos em si - mas certamente este não é um tema que decide votos no Brasil). Mas pelo que estou sentindo aqui, os protestos estão vindo muito mais da comunidade judaica do que propriamente deste ou daquele agrupamento político. É claro que tem a turma do RA, que com certeza vai ficar estridente, mas que estridente sempre fica com qualquer causa reinaldina - quem vai se dar ao trabalho de fato de se organizar para protestar, eu suspeito, será a comunidade judaica (e não inteira, é óbvio). Mas, enfim, é só a impressão que estou pescando aqui. Posso estar errado

F. Arranhaponte em maio 4, 2009 5:15 PM


#56

Idelber,

Ajudando o F.Arranhaponte, mesmo sem saber se ele quer.

"Na última eleição, o candidato deles não conseguiu sequer repetir no segundo turno a votação que havia tido no primeiro."

Você meteu PT/PSDB, ninguém mais.

lucas em maio 4, 2009 5:16 PM


#57

Pois é, Clara, sinto muito se você viu preconceito no uso do termo "República Morumbi-Leblon". Eu costumo reservar o termo "preconceito" para opiniões e atitudes não baseadas na realidade -- e acredito que a realidade dos últimos anos no Brasil já deu amplas evidências e demonstrações de qual tem sido a postura do setor social que eu designo com essa metonímia.

Só posso lamentar se alguém se ofende mas, confesso, não me importo em absoluto.

Idelber em maio 4, 2009 5:19 PM


#58

Se você não se importa em absoluto, evidentemente você não lamenta. Essa tua frase não tem qualquer sentido.

Mas de todo o modo, meu comentário aqui visa denunciar a sua violenta agressão para quem ainda está no estágio de poder se importar ou lamentar.

Clara em maio 4, 2009 5:34 PM


#59

Ah, entendi onde viram PT-PSDB. Mas aqui é o princípio da assimetria: a direita que se descabela com Ahmadinejad votou em Alckmin (pelo menos no segundo turno). Nem todo mundo que votou em Alckmin -- nem de longe -- é parte da direita que está se descabelando.

Ou seja: botei os participantes do protesto no eleitorado de Alckmin, sim. Não responsabilizei nem associei o PSDB a protesto nenhum.

Se é que alguém ainda está disposto a prestar atenção em distinções assim a estas alturas do campeonato.

Idelber em maio 4, 2009 5:34 PM


#60

Nossa, Clara, que violentíssima a minha agressão, hein?

Desenhando: não lamento ter ofendido pessoas como você, que estreiam na caixa de comentários desqualificando o que digo com base no meu endereço. Lamento que exista gente que, ao invés de discutir o conteúdo do afirmado, se agarre a duas palavras para acusar um preconceito cuja localização ainda não demonstrou. Não me importo em absoluto de que se sintam ofendidas. Só isso.

O dia em que alguém do setor social e das posições políticas que eu designo com essa metonímia der a uma voz discordante o espaço de debate e a atenção de resposta que estou lhe dando aqui, eu retiro a expressão.

Idelber em maio 4, 2009 5:45 PM


#61

Não posso deixar de parabenizar pela coragem em defender a visita de Ahmadinejad. A controvérsia é sempre boa quando vem acompanhada de claros e bem fundamentados argumentos.

O que não consigo entender é uma coisa: A meu ver, os países não são autônomos? A nação, que engloba povo, território e governo não é autosuficiente em suas leis, governo e cultura?
Então por que tanto choro e tanta vela por causa de costumes profundamente arraizados na sociedade islâmica? Acho uma cretinice querer meter o bedelho no país dos outros. O presidente iraniano representa a sua sociedade e sua visão de mundo própria. Para a p... que p... os que não concordam. (desculpa Idelber, é que não aguentei tanta hipocrisia!)

Ninguém é obrigado a gostar de Ahmadinejad, eu mesmo não gosto. Mas seu país, sua rica história, sua importância, não podem nem devem ser subestimadas emerecem ser respeitados. A cultura persa/islâmica com todas as nuances que têm na atual Pérsia merecem o respeito que lhes é devida.

Se suas práticas não vão de acordo com o que nós, ocidentais, pensamos, paciência. Também já pensamos, em alguma época de nossa história, o mesmo que pensa Ahmadinejad sobre homossexuais ou mesmo sobre nossos inimigos. Por que censurá-lo? Só porque ele é diferente? Só porque, para mim, ele é um escroto F.D.P.? Por que não igualmente censurar os regimes da China ou mesmo as atrocidades cometidas pelos ianques em Guantánamo na mesma proporção com que censuramos Ahmadinejad?

Hipocrisia me parece uma palavra pouco enfática para resumir essa feladaputagem. (Putz, desculpa de novo Idelba).

Essa visita vai trazer negócios? Vai possibilitar um diálogo com o Irã? Vai possibilitar com que o nosso chefe de estado exprima a nossa opinião acerca dos atos que criticamos no regime iraniano? Se sim: bem vindo Ahmadinejad!

P.S.: Vcs viram que lindo o Itamaraty versando acerca dos protestos...? Lula forever!!!

Em tempo: Sou protestante (e de esquerda)! Digo isso só para ficar claro que não sou só um ateu de esquerda... rsrsrsrs

Abs.

Edk em maio 4, 2009 5:51 PM


#62

Belo comentário, Edk. Eu não vi o comentário do Itamaraty, não. Tem um link aí?

Idelber em maio 4, 2009 5:53 PM


#63

Sua desqualificação foi na base do endereço, com o agravante da metonímia-sim, agravante.

E como disse desde o primeiro comentário, discutirei outras questões quando você for professor de universidade pública brasileira.

Ou será que endereços só tem importância quando é você que escreve sobre os outros?

De minha parte, o que tinha a dizer foi dito.

Clara em maio 4, 2009 5:57 PM


#64

Mas, Clara, não é de um endereço que o Idelber está falando (assim, tão strictu sensu), mas de um eixo ideológico sustentado pelas as classes econômicas altas - que habitualmente moram nas regiões nobres de São Paulo e Rio. Metonímia é apenas uma figura de linguagem, não uma estratégia argumentativa.

Tipo, vc realmente não entendeu isso? Ou é má vontade mesmo?


(desculpa aí, Idelber, meter o bedelho assim, sem mais nem menos)

aline em maio 4, 2009 6:03 PM


#65

Fosse um representante da monarquia saudita a visitar o Brasil, duvido que a turma da 'República Morumbi-Leblon' (muito boa, Idelber) levantaria o nariz a expressar sua indignação de plástico.

Luis Henrique em maio 4, 2009 6:04 PM


#66

Entendo que a pertinência de seu texto diz respeito a uma atitude de relações exteriores do Brasil. Li em muitos lugares que era um absurdo o Brasil receber o presidente do Irã, que ele é a "encarnação de Hitler", que isto desagrada os EUA e bla, bla, bla...

O debate em relação a esta visita vem gerando reações extremadas, tanto da direita raivosa quanto da esquerda cega. Mas, queridos, atentem! Esta é uma visita de caráter institucional, com certeza, mas com substância primordialmente comercial, para aumentar os laços entre dois países emergentes no cenário internacional, não pelos mesmos motivos, mas relevantes igualmente. Se juntarmos somente a população, para começo de conversa, temos quase duzentos milhões aqui e mais setenta milhões no Irã.

Devemos protestar contra o desleixo aos direitos humanos no Irã? Sim, quem quiser que proteste. Se o premiê israelense vir ao Brasil, cabem protestos? Claro, o Biscoito não deixa mentir na excelente cobertura do bombardeio em Gaza ano passado. Protestaremos também.

Só acho que a Política exterior do Brasil passa por cima de tudo isso. Sei que o Brasil procura estabelecer-se como um ator preponderante no cenário global, mas uma série de fatores não nos coloca no centro de decisões, até por uma questão geográfica (é só analisar o Mapa-Mundi e ver o quanto estamos longe dos lugares que "realmente interessam" hoje).

Por isso, o que nos resta é ir atrás dos interesses do Brasil, e acredito que acertadamente é o que o Itamaraty faz em sua diretriz. Pragmatismo sempre foi o eixo de atuação de nossa política externa, e o governo poderá marcar posição quando Ahmadinejad estiver aqui.

Não que ele seja bem-vindo, mas é o presidente de uma nação soberana, e deve ser recebido como tal.

Raphael em maio 4, 2009 6:05 PM


#67

Idelber,

Post providencial e preciso. A questão iraniana é uma das mais relevantes da história recente do Oriente Médio. É muito curioso - e trágico - como se deu o fenômeno de fermentação do fundamentalismo islâmico sob a égide do regime do Xá.

De um lado, havia um regime opressor que esmagou o debate político público e empurrou toda uma geração para as mesquitas, do outro, um clero que historicamente sempre teve uma importância central na vida daquele país e se enfurecia com a 'ocidentalização' pelo qual ele passava. Da convergência desses dois fatores surgiu esse regime bizarro.

É por conta disso que eu tenho dificuldades de encarar a instituição do regime islâmico no Irã como uma "Revolução", no fim das contas, ele só procurou reestabelecer o status quo do Irã pré-ocidentalização.

Mais bizarro do que o regime instituído, no entanto, foi como os EUA usaram o Iraque de Saddam para derrubar o regime local - mas por conta de suas poucas virtudes, não pelos seus muitos defeitos - e mais tarde como esnobaram Khatami e sua proposta reformista.

Esse último movimento no tabuleiro foi particularmente preocupante porque prova que não interessa para alguém um moderado ou alguém dialogável, nesse sentido, Ahmadinejad se tornaria um peão nesse jogo, uma forma de criar uma situação para um provável nova aventura na região.

Aquilo que os tem irritado profundamente, porém, é a maneira como o atual mandatário iraniano tem fortalecido militarmente e estrategicamente o seu país e como tem sabido usar Moscou nesse jogada - não pense que toda essa evolução na produção de mísseis, satélites ou energia nuclear seja fruto de geração espontânea. Aliás, muito da atuação surpreendente do Hezbollah na última - e sangrenta - Guerra do Líbano tem a ver com isso.

Por outro lado, o Brasil não tem, nem pode ter nada a ver com isso. Somos uma nação soberana cujos líderes tem mais do que o direito, o dever de defender nossos interesses pelo mundo. Mesmo para fazer algum tipo de crítica à teocracia iraniana é necessário dialogar com seus líderes. Não recebê-lo por aqui além de não mudar nada no panorama do Oriente Médio é comprar a briga alheia - que nem ao menos está sendo travada pelos motivos certos.

Hugo Albuquerque em maio 4, 2009 6:07 PM


#68

Sua desqualificação foi na base do endereço, com o agravante da metonímia-sim, agravante . . . Ou será que endereços só tem importância quando é você que escreve sobre os outros?

Não desqualifiquei uma pessoa específica com base em seu endereço. Associei metonimicamente uma posição política a um endereço, sabendo muito bem que nem todo mundo desse endereço se encaixa nela -- somente uma vasta maioria. O dia em que você me vir dizendo só discutirei com fulano a questão das favelas quando ele deixar de morar no Leblon e for morar na favela, aí sim, reconhecerei sua comparação como válida. Esse tipo de argumento é esdrúxulo.

E como disse desde o primeiro comentário, discutirei outras questões quando você for professor de universidade pública brasileira.

Há inúmeras universidades brasileiras nas quais eu me orgulharia de trabalhar. Mas, considerando a "pequena" quantidade de interlocutores de "minúscula" qualidade que já tenho e o meu "enorme" desejo de ter interlocutores como você todo dia, digamos que ainda vai demorar um pouco.

De minha parte, o que tinha a dizer foi dito.

Obrigado pela extrema gentileza, delicadeza e riqueza de argumentos. Me deixaram comovido mesmo.

Idelber em maio 4, 2009 6:09 PM


#69

"Se SUAS práticas não vão de acordo com o que nós, ocidentais, pensamos, paciência."

Ô EDK, os homossexuais perseguidos no Irã estão incluídos entre os que determinam as práticas culturais do país? Será que eles apóiam a perseguição a si mesmos em nome dos valores culturais e das tradições do Irã? Eu queria ver se, em relação a um país ocidental, você usaria este coletivo "os iranianos", com "suas" práticas, sem distinguir lá dentro quem ferra e quem é ferrado.

Aliás, discurso mais perversamente "orientalizante" do que esse está difícil de arrumar.

E isto não tem nada a ver com a questão diplomática de se o Brasil deve ou não receber o Ahmadinejad

F. Arranhaponte em maio 4, 2009 6:21 PM


#70

Ah, droga, 'chover no molhado' meu comentário anterior, postei antes de ler o parágrafo que menciona a Arábia Saudita...

Mas enfim, é triste ver que qualquer assunto que aborde o Oriente é um 'imã' para absolutistas morais... assino embaixo do Edk: quem somos nós para julgar o diferente assim, gratuitamente? Isso é transformar a realidade num faroeste do John Ford.

Luis Henrique em maio 4, 2009 6:26 PM


#71

Mas Arranha, qual seria -- eu gosto pra caralho de debater com você, já notou né? -- a sua atitude se, suponhamos, você fosse presidente e o Irã solicitasse uma visita? Você, um liberal pragmático, diria "só te recebo quando vocês pararem de ferrar os homossexuais" ou "olha, não gosto do que vocês fazem com os homossexuais, mas sentemos-nos aqui para falar de negócios"? Minha pergunta não é retórica nem irônica. É genuína.

Aline, mas é claro que não há que se pedir desculpas. Viu que escrevemos simultaneamente quase a mesma coisa?

Hugo, como sempre, um show o seu comentário. Ponderado e acrescentando um rico leque de questões que eu não havia tocado.

Idelber em maio 4, 2009 6:26 PM


#72

Arranha, se você não se reconhece no rótulo "liberal pragmático", grite. Não quis te etiquetar.

Idelber em maio 4, 2009 6:31 PM


#73

Idelber,

Você agora está querendo fugir da raia com esse papo de "se você fosse presidente o que você faria?"

Mas em seu post, você não simplesmente defendeu que Lula deveria receber o assassino por uma questão diplomática. E veja, NINGUÉM te colocou na posição de ter que decidir recebê-lo ou não. Nem no Brasil você mora. Mas fez questão de dizer "seja bem-vindo, e não ligue para os perdedores que protestam".

Eu até poderia entender um presidente receber um assassino por questões meramente de vaselinismo diplomático - embora não seja o caso.
Eu posso entender as pessoas que ficam revoltadas com a recepção de um assassino em nosso país.
Mas não dá pra entender um cara que não é presidente fazer questão de dizer "SEJA BEM-VINDO" a um canalha internacionalmente reconhecido, assassino etc etc etc, apenas para espezinhar um certo grupo específico dentro da oposição.

lucas em maio 4, 2009 6:42 PM


#74

Fugir da raia? Releia esta caixa, Lucas, e me diga se minha postura aqui é de fugir da raia. Fugir da raia é ser rebatido com argumentos(#30) e mudar de assunto sem apresentar outros ou reconhecer que os seus não se sustentaram.

Estou esticando o debate com uma pessoa que discorda de mim em quase tudo e com a qual tenho genuíno prazer de debater. O que, obviamente, não é o seu caso.

Idelber em maio 4, 2009 6:46 PM


#75

Caro Idelber, compartilho com você a repulsa ao que Israel fez em Gaza. Foi sua excelente cobertura do massacre que me fez assinar o RSS deste blog, diga-se de passagem. Como você, também ridicularizo aqueles que, de uma hora para outra, tornam-se grandes defensores dos direitos humanos (até que se pergunte o que eles acham do Carandiru e do muro da Rocinha, claro). Aproveito inclusive, sem nenhuma ironia, para agradecê-lo por informar que Ahmadinejad nem negou o Holocausto e nem quis varrer Israel do mapa. Confesso que desconhecia essa. A direita aqui do Brasil costuma repetir tanto estas (e outras) mentiras, que elas acabam virando verdade. Muito bom vendo alguém desmentindo isso tudo.

Mas nada disso, ao meu ver, justifica dar boas vindas a um presidente (eleito ou não) de um país teocrático que realiza perseguição política e religiosa.

Por menos que eu goste de Bush, dá pra imaginar o caos que seria se o Brasil recusasse sua visita. Não seria muito inteligente comprar briga com um vizinho tão poderoso. Mas seria bem prudente que o Brasil continuasse neutro nessas questões do Oriente Médio.

Para finalizar, por mais incômodo que seja para mim defender a república Morumbi-Leblon, não lembro de nenhum deles referir ao regime do Xá como algo "maravilhoso". Ou perdi alguma coisa?

Obrigado

Alan em maio 4, 2009 6:51 PM


#76

"Essa é a questão, Mary: essa turminha só se lembra da situação das mulheres quando lhes convém. Você precisava ver o que foi a mídia nos EUA em 2001 /2002. Parecia que o exército americano estava numa missão feminista no Afeganistão.

Hipocrisia pura, claro. "

Substitua mulheres por homossexuais e Afeganistão por Irã e o pensamento continua valendo. Hipocrisia. O único motivo pelo qual se discute Irã e Ahmadinejad hoje é o medo de Israel de ser atacado, ou seja, trata-se tão somente da eficientíssima hasbará mais uma vez em ação. Não que eu despreze o temor dos israelenses, ao contrário. Se vivesse em Israel estaria muito atenta a qualquer movimento do Irã. Mas, sinceramente, não acredito que os aiatolás possam cometer uma burrice dessas, isto é, a de jogar uma bomba em Israel. Pois, por mais fundamentalistas que sejam, o raciocínio deles não deve estar prejudicado a ponto de lhes impedir de ver que à destruição de Israel se seguirá imediatamente a do Irã. Não acho que eles arriscariam tanto. A bomba é para evitar ataques e nada além disso. De qualquer forma acho que Obama deveria acelerar as conversações com o Irã para que a situação se clarifique e para que se possa exigir o que quer que seja do Irã. Definitivamente, esse negócio de ficar fazendo exigências de quem está de fora da festa não está com nada. Somente a partir do momento em que de fato formarmos uma comunidade mundial é que teremos legitimidade para exigir o que quer que seja uns dos outros.

P.S 1. Seria interessante que aqueles que falam sobre perseguições homossexuais no Irã trouxessem links que comprovassem o que dizem. Assisti um documentário iraniano chamado Tedium na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo que mostra um cenário um pouquinho diferente do que propaga o senso comum. Seria legal saber mais a respeito.

P.S. 2 Obrigada pela força no último post com o tal de Jonas, Idelber.

Cláudia em maio 4, 2009 6:58 PM


#77

"Obrigado pela extrema gentileza, delicadeza e riqueza de argumentos. Me deixaram comovido mesmo."

Infelizmente não posso escrever o mesmo, nem ironicamente(só para desenhar e você entender que sei perceber perfeitamente ironias, metáforas e metonímias, mesmo não sendo professora de nada em nenhum lugar).

A "República Morumbi-Leblon" foi, repito, um modo de cassar perante a sua "tchurma" a cidadania de brasileiros que discordam de você. Pessoas que querem um Brasil melhor, pessoas que querem que seus impostos sejam revertidos para as necessidades reais de todos os cidadãos do país em que residimos, com muito orgulho.

Metonínmia? "Tá". Não vou repetir Ciro Gomes, apenas vou dizer:"conta outra, rapaz!"

Clara em maio 4, 2009 6:59 PM


#78

Idelber, mesmo que fosse etiquetagem, eu não esquentaria - aliás, acho que nossa definição ideológica é o que os outros acham que somos (um teoria meio provocativa sobre a qual qualquer dia faço um post).

Quanto à visita, não sou um especialista em Relações Internacionais e não me sinto em condições de avaliar. Em princípio, acho que relações entre Estados não podem se pautar, por questões pragmáticas, por cobranças morais relativas à política interna, a não ser em casos muito brabos. Quanto à oportunidade de ter o Ahmadinejad (eu ainda estou na base do copy e paste para o nome do sujeito) agora, acho que isso é uma pergunta para o SLeo.

O meu comentário sobre o comentário do Edk, como eu próprio chamei atenção, não se liga à questão de receber o Ahmadinejad ou não. Acho que não precisa dizer que "ah, os orientais são assim mesmo, lá eles perseguem homossexuais, faz parte da cultura deles" para defender a visita do Ahmadinejad, para quem acha que deve defender.

Aliás, quem vai lá protestar, ainda que oficialmente o protesto seja contra o Ahmadinejad
e o governo Lula por recebê-lo, está querendo mesmo é criar constrangimento, mal-estar - eu vejo mais como uma forma de pressão contra o que se faz lá dentro do Irã, que adequadamente parte mais dos cidadãos do país que ele visita do que do governo que o recebe. Pelo menos me parece ser o caso em episódios como, por exemplo, o líder chinês ter de encarar manifestações de protesto em Londres, o que jamais jamais aconteceria na China.

E é óbvio que, pelo critério de qualquer coisa escrota que aconteça dentro do país, o Lula não poderia receber 2/3 dos chefes de Governo. Aliás, o Lula talvez não pudesse receber o próprio Lula (um país que tortura presos comuns em delegacias!!! Horror dos horrores!).

Acho compreensível que os protestos se dirijam a chefes de Estados cujas escrotidões estejam particularmente na pauta internacional do momento - Bush, Bibi, Ahmadinejad. Sei lá, se o chefão do Butão aparecer por aqui, e alguém descobrir que ele faz coisas horríveis no Butão, eu não vou ficar indignado porque ninguém foi protestar

F. Arranhaponte em maio 4, 2009 7:00 PM


#79

Caro Alan: não, provavelmente nenhum membro da República Morumbi-Leblon tenha dito que o regime do Xá era maravilhoso. O que eu disse foi: Aceito debater o Irã com qualquer membro da República Morumbi-Leblon que me ofereça um ou dois parágrafos articulados acerca de como era mesmo maravilhosa a situação no país persa entre 1954 e 1979. A julgar pelos horrorizados chiliques, você imaginaria que antes da Revolução Islâmica as coisas andavam muito bem por lá.

Sobre a neutralidade, eu discordo de você. Acho que o Brasil deve manter os canais abertos, o que é diferente de ser neutro. Recusar-se a receber o presidente do Irã (não sei se é isso que você sugere, mas foi o que eu inferi) seria fechar portas.

Idelber em maio 4, 2009 7:01 PM


#80

Caro Idelber, há vários links a respeito de como o iraninano trata a questão do holocausto, questionando o fato.
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,2149241,00.html
mais um aqui http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/middle_east/4529198.stm
espero ter colaborado.

sidneig em maio 4, 2009 7:01 PM


#81

A "República Morumbi-Leblon" foi, repito, um modo de cassar perante a sua "tchurma" a cidadania de brasileiros que discordam de você

Só faltou você demonstrar onde está isso no meu texto, Clara. E, na sequência, demonstrar, se puder, qual é a comparabilidade entre a minha metonímia e a sua desqualificação da minha pessoa em específico, com base no meu endereço. Essa comparabilidade está desmontada no comentário #68.

Idelber em maio 4, 2009 7:07 PM


#82

Perfeito, Arranha.

Cláudia, não há nada que agradecer. Eu é que lhe agradeço a participação sempre inteligente.

Idelber em maio 4, 2009 7:08 PM


#83

Querido idelber,

Fiz a mesma colocação dia destes no twitter respondendo ao povo que vai no ato contra a visita do presidente iraniano, perguntei se eles tinham participado de algumas das diversas manifestações que ocorreram no país em repúdio à ocupação genocida do Estado sionista de Israel. Depois mandei alguns links sobre a morte da pintora iraniana de 23 anos na calada da noite durante a reunião de Revisão da Conferência de Durban, afirmando que Ahmadinejad deveria ser repudiado por isso, não pelo fato dos sionistas daqui estarem em povorosa.
Abraços

Frô em maio 4, 2009 7:13 PM


#84

Acho que ninguém aqui defende o Ahmadinejad; ninguém considera o cara um sujeito bacana e humanista; mais até, acho que todo mundo aqui o considera um completo imbecil, racista e belicoso.

O que se critica é a hipocrisia que transforma os mesmos traços ora em defeito, ora em virtude, dos Estados internacionais.


João Calmon em maio 4, 2009 7:19 PM


#85

O Obama quer falar com o cara. O Lula também pode. Acho que sim. Ou, melhor, entendo assim.

Não quero dizer mais nada que isso.

Não aceito, e tenho esse direito, o que Ahmadinejad diz sobre varrer Israel do mapa. Aí me "incluo fora". Com fervor. Over and out.

Pax em maio 4, 2009 7:20 PM


#86

Idelber, sou sua fã. Mas, dessa vez, você pisou na bola... Tudo bem a crítica à hipocrisia da grande mídia, à dualidade de valores dela. Mas daí a, de certo modo, atenuar as atrocidades que se dão no Irã vai uma grande distância. E o enforcamento de Delara Darabi, é uma bobagem?

Anarquista Lúcida em maio 4, 2009 7:21 PM


#87

Anarquista, você disse:

Mas daí a, de certo modo, atenuar as atrocidades que se dão no Irã vai uma grande distância.

No meu texto eu disse:

é evidente que a situação dos direitos humanos no Irã é grave.

Onde foi que atenuei? Dei um contexto histórico, sim, mas onde foi que atenuei o que acontece hoje?

Idelber em maio 4, 2009 7:24 PM


#88

Idelber: também me assustei com alguns comentários aqui n'O Biscoito - antes era só um jonas brothers, agora são duzentos. Acho que a tese do Pandorama faz sentido, lá tem os leitores do reaça Lula Borges - é por isso que até hoje não entendi sua decisão de integrar o coletivo: gente como Lula Borges (e seus leitores mais ainda) não promove o debate, o interdita. Cadê os links/fonte que v. pediu pros que tão te contestando? Abração

Alexandre Nodari em maio 4, 2009 7:28 PM


#89

Será que essa galera veio mesmo do Pandorama?

Idelber em maio 4, 2009 7:29 PM


#90

Idelber,

Julgando pelos nicks e pela natureza dos comentários, parece que sim.

Hugo Albuquerque em maio 4, 2009 7:34 PM


#91

V. não tem métodos de verificar? Mas dá uma olhada nisso, são os mesmos argumentos dos comentaristas daqui: "duas patas ruim...". Outro dia ele tava ridicularizando a entrada da FARC na política partidária, "Partido do Terror", ele se perguntava...

Alexandre Nodari em maio 4, 2009 7:34 PM


#92

Faço a pergunta porque o blog que você citou evidentemente não é lido por muita gente. É só ir lá e constatar.

O que vocês sugerem? Será que não está valendo a pena? A grana dos anúncios para mim não tem a menor importância.

Idelber em maio 4, 2009 7:37 PM


#93

Pode ser que ainda seja muito cedo para dizer, mas a julgar pela experiência de outros blogs que gostam de manter seus trolls de estimação - e que estão contaminando O Biscoito com eles -, isso pode diminuir ou até mesmo acabar com a possibilidade de debate por aqui - como acontece lá.

Hugo Albuquerque em maio 4, 2009 7:40 PM


#94

E isso seria fatal, porque a qualidade da caixa é a marca do Biscoito. Se a qualidade degringolar, o blog perde aquilo que lhe é mais distintivo.

Vou dar uma semana, pedir ao Fabio que me ajude na identificação do tráfego e tomo uma decisão.

Idelber em maio 4, 2009 7:42 PM


#95

Isso é verdade (o blog do Lula é pouco lido). Mas esse é outro motivo pelo qual sou contra a sua entrada: v. dá Ibope prum cara desses, teus posts aparecem no site do Pandorama do lado dos dele, como se o Friburguense tivesse o mesmo valor que o Flamengo. E ideologicamente falando, não gosto dessas reuniões de gente da extrema direita com gente de esquerda sensata (ou vice-versa) - geralmente só servem pra produzir um meta-discurso de democracia, onde essa não existe, de fato.

Agora quanto a origem dos comentários, não tem como v. ver pelo sitemeter?

Alexandre Nodari em maio 4, 2009 7:44 PM


#96

Já mandei esta parte (inicial) de um artigo do Professor Osvaldo Coggiola, da USP, ao blog do Pedro Dória, e acho que ela diz tudo:

El Holocausto, Irán y Europa

¿Quién puede desmentir a Ahmadinejad?

Dijo: "Después de la II Guerra Mundial, recurrieron a la agresión militar para convertir en desposeídos a una nación entera con el pretexto del sufrimiento de los judíos... Y enviaron a emigrantes desde Europa, Estados Unidos y otras partes del mundo para establecer un gobierno totalmente racista en la Palestina ocupada. Y, de hecho, en compensación por las espantosas consecuencias del racismo en Europa, ayudaron a otorgar poder al régimen más cruel, represivo y racista en Palestina". Los delegados europeos vaciaron la sala según habían acordado que harían si se calificaba a Israel de "Estado racista". Estos hundidores de pateras, perseguidores de gitanos, asesinos de brasileños en Londres, asesinos de jóvenes árabes en las barriadas de París, todos ellos expertos en pogromos y en esclavismo, no sólo mostraban su lealtad de principios con el Estado sionista, también se estaban curando en salud por sus propias prácticas. ¿Quién podría desmentir las solitarias imputaciones de Ahmadinejad?

Carlos em maio 4, 2009 7:44 PM


#97

Desculpe, Idelber, mas dar as boas vindas a esse sujeito é sim atenuar os horrores que acontecem no Irã em relação a mulheres e homossexuais. Eu nem sou contra o Lula receber o cara, isso é pragmatismo diplomático e comercial. Mas dar boas vindas?!!! E acho justíssimo que pessoas do povo brasileiro -- até do Morumbi-Leblon, se bem que de preferência gente mais sincera -- se manifestem contra um tirano sanguinário que nos visita, seja Bush ou esse presidente do Irã.

Outra coisa que acho estranha é o comportamento de alguns aqui (você nao se colocou claramente a esse respeito) que, diante de pessoas que te contestam, vao logo aventando a hipótese de que se trate de trolls de Internet, que devem ter vindo do tal Pandorama, etc. Esclareço que freqüento este blog há bastante tempo, embora nao poste muito frequentemente, e nunca estive no outro. Em geral gosto muito das suas postagens. Agora, dessa vez acho que, para criticar a grande mídia e sua hipocrisia, você defendeu o indefensável.

Anarquista Lúcida em maio 4, 2009 7:49 PM


#98

Much ado about nothing - parece que a visita foi cancelada mesmo

F. Arranhaponte em maio 4, 2009 8:01 PM


#99

Desculpe, Idelber, mas dar as boas vindas a esse sujeito é sim atenuar os horrores que acontecem no Irã em relação a mulheres e homossexuais. Eu nem sou contra o Lula receber o cara, isso é pragmatismo diplomático e comercial. Mas dar boas vindas?!!!

Pois é, Anarquista, aí discordamos. Na minha casa aprendi: ou você recebe alguém dando as boas vindas ou não recebe. Receber para fazer grosseria não pode. Dê uma olhada depois na grosseria que o presidente de Columbia University fez com ele. Columbia paga o preço até hoje. Chamar alguém à sua casa e não dar as boas vindas? Não concebo isso.

Outra coisa que acho estranha é o comportamento de alguns aqui (você nao se colocou claramente a esse respeito) que, diante de pessoas que te contestam, vao logo aventando a hipótese de que se trate de trolls de Internet, que devem ter vindo do tal Pandorama, etc. Esclareço que freqüento este blog há bastante tempo.

Mas ninguém a confundiria com esses trolls, Anarquista. Você é velha de casa e eu sei. O que há aqui é uma genuína preocupação de que o blog perca sua marca mais distintiva, que é a qualidade da caixa. Não é a questão de que apareceu gente contestando. Sempre houve contestação aqui. A questão é a qualidade dos comentários. É uma preocupação legítima, me parece.

Idelber em maio 4, 2009 8:03 PM


#100

Ou talvez adiada - recomecemos quando uma nova data for marcada :-)

F. Arranhaponte em maio 4, 2009 8:04 PM


#101

Impressionante como o homem evolui lentamente.Há 20.000 anos atrás os neandertais foram dizimados pelos cro-magnons (nós) após 10.000 anos de combates.
E continuamos querendo resolver tudo da mesma maneira hoje. Porquê?
Porque o homem é burro mesmo.
Todos que criticam o Estado iraniano e seus representantes, criticam um efeito.
É, o Abineja (sei la escrever este nome) é um efeito.
E todos estes histéricos que gritasm contra isto ou aquilo, normalmente criticam um efeito. Não tem discernimento de ver a causa e trabalhar em cima dela. Porque tratar a febre com analgésico não cura a doença.
Então os cro-magnons atuais só vem o efeito, e ao tentar curar o efeito (naturalmente matando tudo e todos) aumentam mais ainda a doença.
neste caso a revolta iraniana ao USA.
A causa da revolta iraniana aos USA ja foi falada aí em cima.
Resultado dos interesses das empresas americanas principalmente a Halliburton do Chenney e da Carlyle dos Bush.
Tanto na tentativa de tornar o Irã submisso, por intermédio do Cha Reza Par Lehvi como depois de tentar tornar o Iraque ou o Irã fracos para poder entrar no mais fraco, o que fizeram no Iraque agora.
E os cro-magnomzinhos que não conseguem ver um palmo a frente do nariz continuam querendo resolver como sempre o negócio na porrada, como o Bush mesmo disse, que ia jogar umas bombinhas atômicas nas cabeças dos iranianos.
E os cro-magnonzinhos da vez querem que o Abidneja? seja bonzinho.
Mesmo que ele falasse que queria destruir Israel, USA, Inglaterra e todos os aliados dos USA, quem pode dizer que ele como cro-magnom, não tem lá suas razões?
Para começar a criticar os outros vamos dar uma olhada no nosso próprio rabo.
Talvem agente a partir daí possamos ganhar a graduação de sapiens.


Fred = Jesus era Comunista em maio 4, 2009 8:04 PM

Fred = Jesus era Comunista em maio 4, 2009 8:11 PM


HenriC em maio 4, 2009 8:13 PM


#103

Idelber, concordo com seu texto e sei que sua crítica é direcionada a aqueles que posam de defensores dos direitos humanos e das liberdades fundamentais quando lhes convém, sempre achando justificativas quando as "democracias" atacam ou fazem ameaças a regimes não-alinhados. Mas para mim, Ahmadinejad, Netanyahu, o presidente chinês, a família real saudita, ex-integrantes da administração Bush, entre outros com histórico de violação dos direitos humanos, deveriam ser proibidos de entrar no país. Aliás acho que seria uma boa idéia para um projeto de lei.

Alexandre em maio 4, 2009 8:13 PM


#104

Excelente texto, ainda que eu não concorde com tudo que foi dito. No geral, coloca vários pingos em "is" importantes.

A discussão nos comentários, mais uma vez, é muito boa também (particularmente interessantes as teorias sobre a origem de certos comentários e comentaristas).

Aproveito para contribuir para a discussão com a tradução de um artigo do Jonathan Cook que fiz um tempo atrás (no final do texto tem o atalho pro original em inglês), em que ele mostra o quanto a propaganda do lobby sionista nos EUA e em Israel e a política externa de ambos os países têm contribuído decisivamente para tornar pior a vida dos judeus que vivem - há milênios, diga-se - no Irã. Fico a pensar que esse "efeito colateral" do lobby é mais do que proposital, tendo como objetivo último forçar a expulsão ou fuga dos judeus iranianos para a (pretensa) mãe-Israel. Um trecho:

"Mais importante que o bem-estar das famílias judaicas iranianas, parece, é o valor dos judeus iranianos como uma peça de propaganda na batalha de Israel para persuadir o mundo de que a coexistência com o mundo muçulmano é impossível. Para aqueles que desejam maquinar um choque de civilizações, o legado judaico de 3.000 anos no Irã não é algo a ser estimado, mas apenas mais um obstáculo à guerra."

http://rafaelfortes.wordpress.com/2007/09/25/israel-e-seu-problema-judaico-em-teera-artigo-traduzido

Rafael Fortes em maio 4, 2009 8:15 PM


#105

Anarquista: a "acusação" não se referia a você. A questão não é discordar, eu mesmo já discordei de forma veemente (e mesmo raivosa) aqui do Idelber num post sobre Dantas e uma jornalista da FSP. O problema são os "argumentos" de alguns - do gênero "professor brasileiro que dá aula nos EUA não pode dar pitaco" - e, além disso, o silêncio deles quando o Idelber pede que dêem fontes/links para provar o que estão dizendo. O problema não é a discordância, é a grosseria: se quem discorda está aberto ao debate ou se só tem frase feita e quer ridicularizar.

Alexandre Nodari em maio 4, 2009 8:15 PM


#106

Concluindo: no meio do bate-boca que se formou, com o Idelber tendo de explicar o que queria dizer com "República Leblon-Morumbi", comentários ponderados, como este do Raphael, passaram batidos.

Alexandre Nodari em maio 4, 2009 8:20 PM


#107

Também não me referi a você, Anarquista e faço minhas as palavras - e as preocupações - do Alexandre e do Idelber e ainda acrescento: Justamente para o debate poder correr, incluso aí críticas duras ao blogger, é necessário que seja mantido certo grau de civilidade na caixa de comentários - como você manteve e como alguns pessoas claramente não o fizeram, simplesmente vindo aqui bater boca.

Hugo Albuquerque em maio 4, 2009 8:27 PM


#108

"algumas pessoas", desculpem.

Hugo Albuquerque em maio 4, 2009 8:28 PM


#109

Carissimos, nao vamos exagerar e discriminar os comentaristas entre o antes e depois do portal Pandorama, isso é irrelevante. Relevante é a qualidade dos comentários, que a meu ver não caiu.
Esclareco que sou judeu mas apoio a causa palestina. Por outro lado, não dá para ignorar o perigo que representa alguém (Ahmadinejad) que chega com posicoes revisionistas da história em relacao ao holocausto, por exemplo. Apresentei alguns links em que isso fica demonstrado. Idelber solicitou as fontes e eu indiquei algumas após rápida pesquisa.
A opressão perpetrada por Israel ao povo Palestino me lembra a pessoa que sofreu sevicias e maus tratos quando crianca e repete o comportamento em outros, após algum tempo. É doentio. Mas não justifica o revisionismo que distorce a História para atender seus interesses.

sidneig em maio 4, 2009 8:53 PM


#110

Fred, o comentário que você cita foi apagado. Era um amontoado de ofensas.

Se alguém não reconhece meu direito de escrever sobre o Brasil, não terá seu direito de escrever aqui reconhecido. Acho justo.

Idelber em maio 4, 2009 8:55 PM


#111

Ainda bem que ele não vem mais!

Ana em maio 4, 2009 9:06 PM


#112

Pessoalmente sou contra apagar qualquer comentário.

Acho que mesmo o pau comendo todos podem aprender alguma coisa, sei lá de que modo, mas acho que com o tempo as verdades aparecem. Evolução.

Fred = Jesus era Comunista em maio 4, 2009 9:06 PM


#113

Do blog do Wálter Fanganiello Maierovitch:

A tarde de hoje começou com desencontros sobre eventual adiamento da visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, à América Latina, incluído o Brasil.

O certo é que, diante da boa imagem internacional de Lula, um adiamento seria ótimo. Ahmadinejad é cheio de arestas. E o seu governo é tirânico.

...

A viagem faz parte do programa eleitoral de Ahmadinejad. No seu país, ele vende a imagem de grande líder planetário.

Com isso, procura tirar o foco da crise econômica interna, com queda do preço do petróleo e aumento do desemprego e da carestia (corrigido).

Ahmadinejad concorrerá à re-eleição em pleito designado para o próximo mês de junho. Seu opositor é o moderado Mir Hossein Mousavi.

Desde o início deste ano de 2009, a tirania teocrática iraniana executou 141 condenados à pena capital.

No corredor da morte aguardam 150 presos condenados à morte. Dentre eles, estão pessoas condenados por crimes de opinião, político, homossexualismo e adultério.

Só para recordar, no dia 1 de maio, conforme informações e comentários inseridos neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, ocorreu o enforcamento da jovem pintora Delara Darabi, de 23 anos: o Irã não aderiu à moratória sobre a pena de morte aprovada em Assembléia Geral das Nações Unidas.

A responsabilidade criminal para as mulheres começa aos 9 anos de idade. Ou seja, aos 9 anos uma criança pode ser enforcada: Delara Drabi tinha 17 anos quando consumado o homicídio a ela atribuído.

Para os homens, a imputabilidade criminal tem início aos 15 anos.

Em outras palavras, iranianos do sexo masculino só podem ser processados se contarem com 15 anos. Portanto, só as do sexo feminino podem ser enforcados tendo menos de 15 anos e mais de 9 anos de idade.

Qual seria a razão para esse tratamento desigual entre os portadores de sexos diferentes?

A resposta é simples e já denunciada uma infinidade de vezes nos foros internacionais sobre proteção aos direitos humanos e aos direitos civis.

É que aos 9 anos a mulher pode, pelo pai, ser dada em casamento. Com pouca idade é fácil a anuência a um matrimônio sob coação. A propósito, são eles denominados de matrimônios coatos. E o risco de processo criminal faz a criança anuir.

O Irã subscreveu e aderiu à Convenção da ONU para os Direitos da Infância.

O artigo 49 dessa supracitada Convenção proíbe a aplicação de pena capital aos menores de idade. E a adesão iraniana foi tranquila, pois pela sharia xiita (norma islâmica). Tranquila dada o conceito que têm sobre menoridade: mulheres com menos de 9 anos e homens menores de 15 não são condenados à morte.

Ahmadinejad mantém uma polícia de defesa dos costumes que persegue os jovens e os coloca em prisões, sem direito de defesa. Por exemplo, são presos os que se reúnem clandestinamente em festas, ouvem música moderna ou consomem bebida alcoólica vendida no câmbio negro. Pior, os pais ficam sob suspeita de educarem incorretamente os filhos. Em caso de reincidência dos filhos, são sancionados.

No ano de 2007, uma jovem, que promoveu uma festa com dez amigos e restou denunciada por condômino vizinho, preferiu se atirar pela janela e morrer a enfrentar a polícia de Ahmadinejad. Seus pais tinham viajado e retornaram para o enterro da filha.

Como regra, os processos criminais são julgados por juízes que realizaram a investigação. O juiz é, ao mesmo tempo, o acusador e o julgador. A propósito, adotam, muitas vezes, processo igual ao da Inquisição católica.

Na segunda semana de abril, ocorreu a condenação por espionagem da jornalista Roxana Saberi, de 31 anos. Ela é filha de um iraniano que, –em 1979 e quando da revolução islâmica e do rompimento com os EUA, fugiu e se instalou no estado de Dakota do Norte: Roxana, em 1998, elegeu-se miss Dakota e fez curso de jornalismo: sua mãe é a japonesa Akiko Saberi.

Roxana, –condenado a 8 anos de prisão e com apelo apresentado–, está presa há pouco mais de três meses no cárcere de Evin, na periferia de Teerã. Nesse cárcere, estão recolhidos os chamados presos políticos.

Com dupla cidadania e munida de passaporte iraniano, Roxana chegou a Teerã em 2002 para trabalhar, devidamente autorizada pelas autoridades do país. Atuou como correspondente da agência Feature Story News.

O ministério da Cultura e da Guia Islâmica cassou a autorização em 2006. Roxana, então, começou a escrever um livro e a fazer algumas matérias, sem conteúdo político, para vender às agências internacionais.

A sua prisão deveu-se ao fato de ter sido flagrada na posse de uma garrafa de vinho.

Em 8 de abril, sempre em 2009, a acusação foi mudada para espionagem. Interessava fazer de Roxana uma arma a ser utilizada politicamente contra o governo dos EUA.

No momento, Roxana está em greve de fome.

Para o seu pai não se trata de greve de fome, mas de depressão a impedir que se alimente. Por evidente, o pai, que é iraniano, bem sabe o que seria uma admissão de uma resistência da filha.

Pano Rápido. Como se percebe, a bagagem recolhida por Ahmadinejad neste 2009 já está repleta de desumanidades.

Na bagagem do tirano Ahmadinejad estaria, também, o caso de Zahra Kazemi, uma repóter fotográfica canadense que estava a trabalho no Irã.

Zahra foi presa no cárcere de Evin (o mesmo que Roxana). No mês de março morreu misteriosamente.

NRA em maio 4, 2009 9:13 PM


#114

Maierovitch: "(...) a resposta é simples": ele é malvado.

Luis Henrique em maio 4, 2009 9:21 PM


#115

Enquanto isso na favela do Pavãozinho lUIZINHO, DE 6 ANOS, tomava cachaça para ir a escola porque não tinha o que comer.

Luizas, Marias, e muitas outras morriam nos hospitais porque não tinham mádico para atende-las.
Alfonsos, Eduardos e outros também.

Mazelas todos tem.

1.500.000 pessoas mortas entre Irã e Iraque, as custas do patrocínio, USA / URSS.

O mundo é uma merda.

Vamos olhar para o nosso rabo e partir para o papo.

O que o Obama quer fazer.

Grande cara. Ele e o Lula. Pelas palavras dele.

Fred = Jesus era Comunista em maio 4, 2009 9:26 PM


#116

Ana

Beijão na careca

Fred = Jesus era Comunista em maio 4, 2009 9:37 PM


#117

Bem, continuo achando essa visita inoportuna, pela mesma razão que li agora no repost daqui do Meierovitch:

"A viagem faz parte do programa eleitoral de Ahmadinejad. No seu país, ele vende a imagem de grande líder planetário.

Com isso, procura tirar o foco da crise econômica interna, com queda do preço do petróleo e aumento do desemprego e da carestia (corrigido).

Ahmadinejad concorrerá à re-eleição em pleito designado para o próximo mês de junho. Seu opositor é o moderado Mir Hossein Mousavi."

Então Idelber, continuo contra o governo Lula dar palanque para ele e se a direita esperneia por razões outras, isso me é indiferente.

Agora, você tem uma paciência de Jó com certos comentaristas, essa história de que somente professores de universidades públicas terem o direito de opinar...

Como professor de universidade pública, chego a ficar com vergonha que usem esse tipo de argumento desqualificador. Coisa de direita mesmo.

Leo Vidigal em maio 4, 2009 9:48 PM


#118

Arranha:
Oooooooooooopa! Eu não disse e nem insinuei que:
"ah, os orientais são assim mesmo, lá eles perseguem homossexuais, faz parte da cultura deles".

Quis dizer que o homem representa uma certa "cultura dominante" e não que eles são assim mesmo. E lhe pergunto: o pensamento dominante em relação aos homossexuais é qual, no Irã?

Eu estava defendendo a visita pela via diplomática apenas e "tentanto" (parcamente) desqualificar os chiliques dos hipócritas contrários à visita (mostrando a hipocrisia deles), entendido?

Adicionei uma pitada de multiculturalismo de botequim para apimentar o negócio (pq eu tava puto) e pq como moro na fronteira com 2 países acho esse negócio de cultura/religião/moral/costumes fantástico. Além de ter uma queda sabedoria islâmica, blz.

Abs.

Edk em maio 4, 2009 9:52 PM


#119

Caraca! O negócio esquentou mesmo. Moderação e tudo! Mas se for pra ouvir bobagem, tá certo Idelba.

talvez o #40 esteja fatalmente correto professor....

Abs.

Edk em maio 4, 2009 9:55 PM


#120

Já que fui eu o primeiro a pôr lenha na fogueira da República Morumbi-Leblon do Idelber, devo dizer que estava só de gozação e que entendo perfeitamente o que ele quis dizer, e concordo. Imagino que não seja preciso alto grau de sagacidade para reconhecer a existência da tal república.
Quanto à preocupação com os comentários de baixa qualidade, acho besteira. Eu pelo menos sempre vim aqui atrás dos textos, não dos comentários, embora sejam na maioria muito pertinentes mesmo. E contiuarão sendo, facilitados pelas asneiras de outros comentários até, que com certeza cairão no vazio como em qualquer outro blog.

cfagundes em maio 4, 2009 9:56 PM


#121

Tem razão, Fred: nossa maior dificuldade é reconhecer a humanidade do adversário.

Acontece que 'nós' (ocidentais) temos muito mais semelhanças com 'eles' (orientais) do que diferenças. A ignorância e a brutalidade estão entre elas: é muita a diferença entre um garoto brasileiro esmagado pela botina do BOPE e uma mulher iraniana condenada à morte por adultério? Só a letra da lei, um pedaço de papel, uma etapa de burocratização.

Esse tom de 'superioridade moral' me deixa fulo da vida...

Luis Henrique em maio 4, 2009 10:02 PM


#122

gente entendendo o que é o sionismo:
O mal o dominou?
Sei lá!
Só digo isso:
Cuidado!

H.ROMEU PINTO! em maio 4, 2009 10:09 PM


#123

ESSE IDELBER É O CARA, FALOU TUDO

renato em maio 4, 2009 10:41 PM


#124

Ótimo lembrete sobre os protestos seletivos

Por qui as eleições iranianas vieram à tona no Festival Internacional de Documentários por conta do filme "Cartas ao Presidente", de Petr Lom.

Se não viu, fica o toque

Abraço!

panoptico em maio 4, 2009 11:02 PM


#125

Idelber, teus argumentos estão perfeitos e muito elucidativos. Duvido que alguém tenha feito melhor artigo opinativo sobre a visita do presidente do Irã.

Quanto à caixa de comentários, parece-me que a tendência é a coisa desandar para a predominância dessa histeria burra da direita localizada no eixo Morumbi-Leblon. Espere o próximo texto para ver se a coisa se confirma.

Admiro a sua disposição para defender com gente visivelmente má intencionada, como a tal de Clara, o tal de Lucas e outros tantos. Não perca o seu tempo. Lembre-se da mensagem contida na cena final do Edukators: "Há pessoas que nunca mudam".

Abração!

Bruno Ribeiro em maio 4, 2009 11:08 PM


#126

Achei que o sujeito que tem acessoa internet fosse menos alienado do que o sujeito que fica de frente a uma telvisão. Me enganei. A visita do Presidente do Irã ao Brasil é um exemplo disso. Nunca vi tanta mentiora, tanto cinismo ser propagado contra alguém sem prova alguma. Quem manda na mídia , na opinião dessa juventude alienada é mesmo um grupelho da mossad. Aquele grupo que tortura negros na africa do sul, que matou 3 milhões de palestinos no século XX e mantém crianças de até 10 anos nas prisões israelenses. Mas esses fatos não saem na mídia. Em compensação mentiras, absursos como assasinatos de homosexuais pelo povo iraniano são propagados por ricos israelenses no Brasil e o sujeito dvivulga isso como se fosse verdade. Nunca vi tanto inocente útil junto. Senso crítico e noção de história passaram longe dassa gente que envia essas mensagens. Viva o povo iraniano.

antonio carlos em maio 4, 2009 11:35 PM


#127

Há no pandorama vários blogs de direita ou centro-direita (mas com leitores de direita). O mais provável é que seus leitores passem a frequentar o biscoito. além do mais, de onde teria vindo assim tão inesperadamente? A direita respeitosa e honesta intelectualmente é bem vinda ao debate na minha opinião. Fundamentalistas e polemistas não ajudam em nada.

Jorge em maio 4, 2009 11:36 PM


#128

Herr Professor, na boa: abandonar o Pandorama é dar munição à turminha que considera seu blog um gulag. Alegar que a leva de comentários ofensivos vindos de lá denigre a sua caixa é não querer arcar com a contraparte do debate aberto. Pelo fato do Pandorama representar uma vitrine até então inédita, é natural que um novo perfil de leitores (e, vá lá, comentaristas) possa se infiltrar. É do jogo - tudo com o tempo muda (ainda mais na instância internética, needless to say), inclusive o perfil de quem lê e comenta. Você tem ferramentas de moderação; utilize-as se for o caso. Mas será uma boa idéia dar força à falácia de que aqui só tem acolhida o pensamento que monoliticamente bate com o seu?

Bom, foi só palpite.

Forte abraço.

Nelson Moraes em maio 4, 2009 11:46 PM


#129

Pediram link, pediram link...
Ninguem vai comentar os postados em #102?

Andrei P em maio 4, 2009 11:46 PM


#130

A pluralidade também existe emtre os judeus.

Apesar dos judeus cro-magnons democraticamente dizerem até que nem são judeus, como Noam Chomsky e os Neturei Karta.

Existe um grupo de judeus ultra ortodoxos que rejeita todas as formas de sionismo (volta á terra prometida) e se opõe ao Estado judeu, Israel.

Se denominam NETUREI KARTA (www.nkusa.org).

Os Neturei Karta crêem que as diásporas são resultado dos pecados do povo judeu e qualquer tentativa de construir um Estado judeu é uma violação da vontade de Deus.

Ele assumem também o holocausto, como uma punição divina.

O sionismo, a criação do Estado judeu é uma afronta à Deus.

Defendem que os judeus devem permanecer no exílio até que o Estado judaico seja trazido por Deus e não pelo homem e isto aconteceria na chegada do Messias.

Eles condenam a invasão de Gaza, apóiam os palestinos e o presidente do Irã.

Fred = Jesus era Comunista em maio 4, 2009 11:59 PM


#131

Idelbar,

pela primeira vez caminho por estes textos: hipnotizadores, apesar de uns poucos escorregões.

No bate bola gostaria de deixar uma parca lembraça: "tempos atrás o Brasil reconhecia China como economia de mercado, tiroteio e metralhadoras dos "donos da palavra" à atitude do governo brasileiro. Tempos passam, crises chegam, e a China sustenta as exportações brasileiras."

Diplomaciar-se e receber o líder iraniano não significa concordar com tua forma de governo, assim foi com Bush, assim foi com Sarkozi, assim será com outros.

Ademais, nos textos o martírio Palestino entrou no debate, juntamente com o genocídio provocado pelos israelenses e que mundo ocidental teima em não querer ver e recriminar.

Bitencourt

Bitencourt em maio 5, 2009 12:00 AM


#132

Almirante, comentário lido com muita atenção. Acho o argumento Alegar que a leva de comentários ofensivos vindos de lá denigre a sua caixa é não querer arcar com a contraparte do debate aberto meio falacioso: uma coisa é o debate aberto, outra coisa é o debate universal, que supostamente incluiria todo mundo. O debate aqui sempre foi aberto, você sabe disso. Mas o xingamento e a ofensa têm uma dinâmica, eu acho: paulatinamente, os leitores que realmente importam desaparecem. Aconteceu com o Pedro Doria, cuja caixa de comentários não é nem sombra do que era -- e o Pedro é meu amigo e eu já disse isso a ele pessoalmente. Marcus Pessoa, Hugo Albuquerque, todo esse pessoal comentava por lá. Não comenta mais. Não tenho o menor interesse em ouvir só quem pensa como eu, mas também não tenho interesse em ouvir todo mundo que tenha um computador diante de si se o preço a pagar for perder a comunidade que já estava constituída aqui. Se alguém quiser achar que é para formar um gulag, paciência. Eu sei que os leitores que de verdade me importam, como você, saberiam que se trata de outra coisa: a preservação de um espaço respirável de debate, onde haja um mínimo de qualidade na argumentação. A moderação de comentários é um saco, porque além de me forçar a ficar voltando ao computador toda hora, faz com que a conversa perca a dinâmica. É um dilema mesmo. Abração.

Idelber em maio 5, 2009 12:05 AM


#133

Nessa discussao eu concordo muito com o Alan. Esses direitistas sempre apregoam contra os direitos humanos, idolatraram o capitao nascimento. Grandse parte dsesse povo tem horror a gays, mas usam esses argumentos para atacar o Irã. Mas de fato eles nem percebem que só estão contra o Irã, porque os EUA são contra.
Mas a defesa do governo atual do irã tb e complicada. tem figuras bem mais progressistas.Como as coisas não são simples o progressismo moral está associado a uma americanização, políticas econômicas ortodoxas e um certo elitismo.

Bruno em maio 5, 2009 12:07 AM


#134

A moderação é anti democrática.

Ao ter meus comentários sujeitos a moderação e continuar a comentar, é apoiar a censura.

Ela mesma, importante barreira na luz do conhecimento.

Como já fui expulso do prestigiado blog do prestigiado jornalista Pedro Doria, por falar mentiras, me resta agora a não mais comentar aqui também.

Fred = Jesus era Comunista em maio 5, 2009 12:10 AM


#135

1-) Tem na internet a entrevista completa com Ahmadinejad por George Stephanopoulos para a ABC News. Ele parece mais um surfista querendo fazer papocabeça que um louco sanguinário. Quem quiser falar sobre o assunto *deveria* ver.

2-) Quem quiser falar sobre o assunto deveria notar que Ahmadinejad não é tirano: ele foi eleito e tem poder limitado. O Supremo Lider, Ali Kamenei que de fato comanda o país.

Andre Kenji em maio 5, 2009 12:45 AM


#136

"A moderação é anti democrática."

Existe uma coisa chamada "propriedade privada", não existe?

Andre Kenji em maio 5, 2009 12:50 AM


#137

"Sim, é evidente que a situação dos direitos humanos no Irã é grave. Ela é quase tão grave como a situação na Arábia Saudita, país onde sequer existem eleições nacionais, "

Nope. Na Arábia Saudita é muito pior. Aliás, pior que lá talvez só na Coréia do Norte ou no Afeganistão.

Andre Kenji em maio 5, 2009 12:52 AM


#138

Nelson,

Se você me permite dar um pitaco na sua conversa com o Idelber, lá atrás, no comentário # 67, eu discordei de alguns pontos que estavam no post, o Alexandre, pelo lado dele, também não me pareceu demonstrar uma linha de pensamento que bate "monoliticamente" com a do dono d'O Biscoito - seja hoje, no post sobre o Irã, ou em outros dias.

Enfim, o que me parece estar em jogo nesse exato momento não é o fato de que aqui há uma linha de pensamento única que deve ser seguida, mas sim que aqui existe uma linha ética que deve ser observada para que o debate possa seguir.

Por isso, tanto o Idelber quanto muitos leitores demonstraram um descontentamento com o fato de como alguns comentaristas, estranhos a essa comunidade, romperam com a civilidade habitual da caixa de comentários que é tão prezada por todos aqui.

Se alguém que não é o dono, ou comentarista, desse blog surgir com argumentos que o apontem como um "gulag" pelo simples fato de seu dono procurar manter um mínimo ético em sua caixa de comentários, por certo, o fará baseado na imagem que tem de si mesmo frente ao espelho.

Hugo Albuquerque em maio 5, 2009 12:57 AM


#139

HenriC, eu li os links que você mandou, mesmo não tendo sido eu quem pediu. Obrigada por mandá-los.

Pena que os outros comentaristas não tenham se dado ao trabalho de lê-los, nem de lhe agradecer.

Srta.T em maio 5, 2009 1:10 AM


#140

Eu sugiro que ponhamos os pingos nos "i"s e deixemos de hipocrisia. Não é democrático alguém, como a Clara, vir aqui e ficar insultando o Idelber, desmerecendo os argumentos dele porque ele mora fora. E não é censura apagar comentários ofensivos dela. Anti-democrático é ela fazer uso do episódio, como tá fazendo, como se tivesse defendendo a democracia. Ninguém tem de aturar isso não. O Idelber é um dos caras mais tolerantes que já vi; sempre vi por aqui comentários que considero reacionários (e às vezes são mais numerosos do que os que o apoiam). O que mudou hoje - talvez por causa do tema polêmico, talvez por causa do Pandorama, provavelmente pelos dois - não foi isso, foi a quantidade de pessoas sem educação mesmo.

Alexandre Nodari em maio 5, 2009 1:21 AM


#141

Caros, como o André Kenji escreveu, de fato, Ahmadinejad foi eleito, mas em eleições completamente comprometidas pela impugnação de candidatos contrários à política fundamentalista dos aiatolás iranianos.
Desde a eleição dos conservadores a vida no Irã se tornou um inferno. Sei que o governo Khatami também não era nenhuma maravilha, mas nele pelo menos havia espaço para a dissidência e o debate.
Depois de Ahmadinejad, grandes artistas iranianos tiveram que se exilar para trabalhar. Mohsen Makhmlbaf e sua filha Samira se exilaram em Cabul depois das seguidas tentativas de assassinato da diretora.
O grande Abbas Kiarostami encontra grandes dificuldades de exibir seus filmes.
A vida desses que provavelmente foram os grandes realizadores de cinema dos anos 90 ficou interrompida, mesmo que eles continuem filmando. Eu acho que é parecida com o que aconteceu em 68 no Brasil, quando a cultura ficou interrompida.
Assim como em Israel, é um governo que sufoca e assassina qualquer possibilidade de dissenso.
Acho que a eleição de Ahmadinejad foi um retrocesso mesmo no Irã e o endurecimento da revolução islâmica, principalmente depois da guerra do Iraque, acabou com qualquer possibilidade de uma sociedade mais democrática e com um diálogo mais aberto no Irã.
Na Arábia Saudita, essa possbilidade nem existe no momento. Mas no Irã existem sólidos grupos de apoio a essa possível democracia e por isso acho que a esquerda tem obrigação de denunciar não só os crimes contra a humanidade, mas o militarismo e o conservadorismo cego que criminaliza qualquer possibilidade de mudança ou dissidência ao regime e aos interesses dos Aiatolás.

Lauro Mesquita em maio 5, 2009 1:31 AM


#142

O Fred não deve ter idéia da quantidade de 'trolls' que pululam na internet... é tanta boca-suja que Deus-me-livre! Sem contar que liberdade absoluta não existe, seja em propriedade pública ou privada.

Luis Henrique em maio 5, 2009 1:32 AM


#143

Ainda na comparação Irã e Arábia, acho que o autoritarismo árabe não possibilitaria o nascimento de uma geração contestadora e livre como a do cinema no Irã, mas o que me assusta no governo conservador e direitista de Ahmadinejad é que ele tem ajudado a deixar um país que ainda tem uma massa crítica tão rica em um local sufocante e impossível como a Arábia Saudita.

Lauro Mesquita em maio 5, 2009 1:39 AM


#144

Tudo que tenho a apresentar ao debate são discordâncias e mais discordâncias. Pela ordem:

1 - Idelber, penso que você escorregou e fez farofa pra não assumir o que vai claramente no seu post. Não adianta dizer que condena isso, condena aquilo e meter em itálico um bem-vindo ao canalha. O que você acabou de fazer? Abrir as portas da sua casa com um sorriso a um cara que discrimina homossexuais, no mínimo. Depois respondeu à Anarquista que se o país vai receber que seja com boas-vindas. Ora, o país é que vai receber, você não precisava se curvar ao canalha. Comeu bola feio, a meu ver.

2 - Pediram, pediram e pediram links e aí quando os links aparecem ninguém fala nada. Um aí até fica batendo no mantra que os links não vem. A miopia mental está virando cegueira?

3 - Esta é pois a qualidade da caixa de comentários? O diferencial então é que ninguém pensa diferente. Basta discordar mais forte que já é migrante da direita raivosa.

4 - Morumbi-Leblon. A metonímia é fraca. No Leblon todo mundo é de esquerda moderada. Ali todo mundo vai condenar Israel sempre, fazer marcha a favor da maconha, votar no Gabeira e falar mal do Bush. Digo com conhecimento de causa. Não tem nada a ver com o público do Morumbi.

5 - Idelber, você deve estar numa semana tensa porque seu time tomou de 6 a 1 nas duas finais. Aliás, uma última provocação. Por que diabos o Atlético é considerado time grande? O último título nacional foi o primeiro, e lá se vão quase 40 anos. Libertadores o galo mal sabe o que é. Ganha um monte de campeonato regional, mas até aí só tem dois times. Até Guarani, Coritiba e Bahia ganharam títulos nacionais depois do Atlético. Sobrou o que pra ser chamado de grande? Torcida? Pode ser, mas a massa não forma uma verdade necessariamente. Se formos só por resultado o Atlético não pertence à elite do futebol brasileiro, óbvio.

Thiago Neto em maio 5, 2009 1:46 AM


#145

Escancaradamente desnecessário esclarecer que eu, em momento algum, endosso ou endossaria a argumentação de que no Biscoito só são aceitos comentários "monoliticamente concordantes" com o autor do blog e que, last but not least, o Idelber teria montado aqui um gulag. Eu apenas registrei que esses são enunciados clássicos dos detratores deste blog, que se veriam (equivocadamente) endossados com a saída dele do Pandorama. Period.

Nelson Moraes em maio 5, 2009 1:50 AM


#146

Eu li o texto da BBC e agradeço a indicação de leitura. Ele cita, além do presidente do Irã, um porta-voz dos EUA, um de Israel, um ministro alemão e, lá último parágrafo (e só lá), o correspondente da BBC em Teerã.

Mesmo que a frase do Ahmadinejad tenha sido realmente aquela (cabe considerar: quem ouviu a fala em Persa na cidade do interior? Quem traduziu para o inglês? Quem escolheu as fontes ouvidas na matéria? Outras fontes foram ouvidas?), me parece claramente um episódio de "interpretar da pior forma possível" o dito. Aliás, eu queria a fala inteira, porque tacaram Holocausto no subtítulo da matéria, mas a palavra não aparece nas frases entre aspas.

Parece até aqui no Rio, em que os críticos dizem que o governo pratica uma "política de extermínio" e na edição da mídia gorda sai assim: "Fulano critica política de confronto".

Me parece relativamente simples discernir que:

a) dizer que foi criada uma mitologia em torno de algo é diferente de

b) dizer que algo não existiu.

A prática não é nova ou rara.

É, na verdade, bem parecida com o que um certo jornalismo faz com certos presidentes de certo continente mais ao sul, especialmente quando as declarações destas autoridades desagradam - ou, pior ainda, desafiam - a linha-mestra ditada pelos países centrais do capitalismo. No caso brasileiro, estamos falando de um jornalismo que, embora feito aqui, se pauta a partir dos parâmetros da Casa Branca. Não falo apenas de posições políticas, mas também da escolha sobre o que é e o que não é notícia.

Em tempo (e antes que alguém grite): não estou, de forma alguma, comparando o jornalismo da BBC com essa coisa feita pela mídia gorda brasileira. As diferenças - inclusive de origem, modelo e financiamento - entre a BBC e a mídia gorda brasileira são colossais. Só para início de conversa, embora ele não assine a matéria e só seja citado no último parágrafo, há um correspondente da BBC em Teerã.

Rafael Fortes em maio 5, 2009 1:54 AM


#147

Thiago: um monte de gente falou dos links. A razão pela qual eu não os comentei é que elas são matérias com declarações inseridas no corpo do texto, não exatamente transcrições de entrevistas. E nesse caso em particular, isso faz muita diferença, porque há, sim, muita manipulação -- ajudada pelo fato de que Ahmadinejad já disse coisas repugnantes sobre o Holocausto.

Algumas das coisas que ele diz sobre o tema me parecem razoáveis, como 1) questionar porque os palestinos devem pagar pelo sofrimento dos judeus nas mãos dos nazistas; 2) afirmar que há uma indústria de manipulação da memória do Holocausto para legitimar a ocupação israelense.

Evidentemente, quando ele vem com a história de que "ah, temos que ver se foram 6 milhões mesmo", isso sim, é repugnante.

Mas voltemos lá atrás. O pedido de link veio do comentário #28, em resposta ao #27, que dizia que Esse iraniano é o tal que afirma não ter existido o holocausto.

Nem mesmo os links apresentados incluem qualquer declaração de que o Holocausto não tenha existido. Não foi apresentado ainda, portanto, nenhum link que sustente a afirmativa feita no comentário #27.

O que não quer dizer, insisto, que ele não diga coisas repugnantes sobre o Holocausto, como a que exemplifiquei no meu terceiro parágrafo. Diz, sim.

Mas, que eu saiba, ele nunca negou a existência do dito cujo, que é o que foi afirmado no comentário #27.

Isso.

Idelber em maio 5, 2009 2:15 AM


#148

Mais uma coisinha: subscrevo tudo o que o Rafael disse no # 147.

Idelber em maio 5, 2009 2:17 AM


#149


Oi Idelber,

Caramba! O Biscoito Fino virou consumo das massas mesmo! Ta sendo mais consumido que anti-viral em vespera de hecatombe suina! Eh o que posso constatar pelo numero de comentarios!

Acabo de ler que a China - superando os EUA - eh o maior parceiro comercial do Brasil.

Sugiro que RA, o baranato da Fiespe, junto com os viscondes do agro-negocio e a intelligentsia neocon facam um protesto por mantermos relacoes com uma ditadura maoista! O que me diz? Vamos romper relacao com os chineses!

Um abracao e espero te ver no LASA.

PS- Alguem aqui nos States ja disse que vc era parecido fisicamente com o Ahmadinejad? Toda vez que eu deixo a barba crescer, alguem me diz que eu pareco com o presidente do Ira. Talvez esse seja o motivo de eu ter sido parado pela TSA no Aeroporto, na ultima vez que viajei para o Brasil.

Cesar em maio 5, 2009 2:35 AM


#150

Lauro Mesquita

Errr....


Eeerr...


1-) Ahmadinejad não manda em quase nada no Irã. Quem manda são os aitolás.

2-) Alguém já te disse que os iranianos são persas, não árabes? ;-)

Andre Kenji em maio 5, 2009 2:41 AM


#151

Sinceramente, as vezes o Idelber se excede. Compartilho de muitas de suas opiniões, mas as reações que tenho ao ler são variadas. No caso do "Bem vindo, Ahmadinejad" a reação foi mais negativa que positiva. Receber Ahmanidejad nós devemos, já gostar é outra história. A vinculação que há nos argumentos entre contestação da "República do Morumbi-Leblon" é clara. Se esse é o principal motivo, prefiro receber o Fidel (aliás, o receberia com gosto e curiosidade). Preocupante também foi o post aparecer sem que Idelber soubesse (assim pareceu nos comentários) que Ahmanidejad recebeu os principais revisionistas do Holocausto em 2006 em Teerã. A palestra de Robert Faurisson (principal revisionista francês) pode ser encontrada aqui: "http://www.australiafreepress.org/articles/Faurisson_Iran_Conference.htm". Se não estou enganado, há um video no Google videos da conferência. Em um dos comentários, ele dá a entender que determinado comentário ao post deveria se ater (ou preferivelmente deveria) aos "fatos históricos concretos", fatos, estes, que o presidente do Irã afirma que há "dois lados". Aceitar Ahmadinejad é aceitar um homem que relativiza fatos históricos comprovados. Para mim é também aceitar a relativização de direita, de que nazismo e stalinismo (comunismo, socialismo, etc) são a mesma coisa. As bandeiras do presidente do Irã não são de esquerda, e isso já é o suficiente para que eu o tolere, mas não o receba de braços abertos e sorriso no rosto.

Carolus em maio 5, 2009 2:44 AM


#152

Escuta aqui, ô Idelber: "apagado das páginas do tempo" significa o que, exatamente? Não me parece lá muito diferente de "varrer o país do mapa".

Na boa, cara, sei que a esquerda sempre gostou de ditadores (Stalin, Mao, etc.), mas não é por isso que TODO ditadorzinho de meia tijela deve ser apoiado, certo?

Abraços,

Mister X. em maio 5, 2009 3:16 AM


#153

Idelber, meu caro

Lá estou eu no Pandorama tentando colocar panos quentes... mas que tolinha eu sou não? Logo hoje que eu tinha escrito sobre o contraditório citando vc e o Lula Borges.
Concordo com a Anarquista e discordo de quem acha que o nível baixou com os novos comentaristas.
Esse seu post foi mesmo difícil de digerir, mas eu entendi o que vc quis dizer. Como sou gay e passo por situações difíceis aqui no Brasil por causa dessa minha opção, me pegou meio de surpresa essa sua construção de idéias. Meu coração doeu, tenho que admitir.
Mas enfim, tô começando a achar que blog é que nem futebol e política, não se discute.
Abs
mari

Mari em maio 5, 2009 3:39 AM


#154

A visita de Amilksheikjihad ao Brasil foi cancelada. O Idelber deve estar triste. Pode parecer inacreditável, mas o nosso velho conhecido até há pouco estava desejando-lhe bem-vindas ao Brasil e, em total desrespeito aos costumes islâmicos (o horror, o horror!) ainda convidou-o a tomar umas cachacinhas e dançar com as mulatas.

Mas falando sério: juro que não consigo entender essa gente.

Quer dizer, sei que a esquerda gosta de ditadores (Stalin, Mao, Fidel, Saddam, _______ preencha a lacuna como quiser, etc.). Mas daí a ver-se na obrigação de celebrar todo e qualquer ditadorzinho de meia-tigela, que nem exatamente de esquerda é?

Será que o Idelber sabe que o regime iraniano matou ou prendeu centenas de comunistas?

Mister X. em maio 5, 2009 3:54 AM


#155

Sempre que entro na internet viajo pela blogosfera , devo dizer que passo desde de reajabrasil até cloacanews , enfim leio de tudo um pouco , esse blog é sem sombra de dúvida o mais neutro de todos (sobretudo pelos comentários).
Sobre o que eu li desde o post até o #149 , o que posso dizer é que em um país onde o que se aprende na escola é eurocentrista , que não se reconhece os indios-canibais , que não se reconhece os afro-americanos enfim não que reconhece boa parte de sua história , pouco ou quase nada pode falar de qualquer outra nação.

Daniel Pinto em maio 5, 2009 4:43 AM


#156

Bem --

Se me permitem defender o Pandorama =)

(E obrigado, Almirante!)

Convidei o Idelber porque o considero uma voz importante. E convidei o Lula Borges, a quem fui apresentado por intermédio de um amigo, pelo mesmo motivo. O Lula está começando a pegar traquejo com blogs – mas é um cara muito inteligente, antenado, e está certamente do outro lado do flanco ideológico.

O Idelber é outra história – tem as manhas e conhece as armadilhas. Leio seu blog há muitos anos. Desconfio que estou entre seus primeiríssimos leitores. Sempre foi uma leitura instigante até quando discordei completamente.

Acredito em debate. E o conceito por trás do Pandorama é exatamente este: abrir o debate. Nem sempre é fácil. Se o Idelber decidir deixar o coletivo, a perda será minha, certamente. Não sei onde vou encontrar na rede uma voz como a dele para representar a esquerda.

Agora, o coletivo por certo vai trazer – não de imediato, mas com o tempo – novos leitores, leitores diferentes. Alguns vão concordar, outros não. A visibilidade será ampliada. Eu gostaria, como editor, de apresentar o Idelber a um novo público. Acho que ele faz pensar, é seu maior mérito. Acredito que idéias têm impacto e que debates melhoram quem participa deles.

Vou além... a Internet terá impacto concreto e cada vez maior na política brasileira. No futuro, impacto tão relevante quanto o da imprensa tradicional. O objetivo do Pandorama é fazer parte desta conversa. Temos um time bom que se posiciona ideologicamente de formas diferentes. É esse conjunto que dá chances ao bom combate.

Pedro Doria em maio 5, 2009 4:44 AM


#157

As traduções são questionáveis. E, em alguns casos, forçadas mesmo. Agora, me desculpem, pedir para alguém que perdeu família no holocausto para aceitar de braços abertos o sujeito é demais. Suponhamos que ele não tenha dito nada do que atribuíram a ele. É tudo mentira ou má vontade com um chefe de governo, OK. Mesmo assim, resta o fato de que ele ciceroneou um evento negacionista.

david em maio 5, 2009 8:24 AM


#158

Tenho orgulho de intelectuais como o professor Idelber, vou tentar reproduzir o texto para outras pessoas aqui em Maringá e tentar desfazer alguns equívocos, abraços

João Vicente em maio 5, 2009 9:51 AM


#159

Sou leitor recente (dois anos) e comento pouco (só comento quando discordo do post). O aumento do movimento faz cair a qualidade média dos comentários e torna mais penosa a tarefa de garimpar aqueles que importam. Não acho um preço bom a se pagar para que o Idelber seja apresentado a um novo público. Assim como eu encontrei o Biscoito (Ui!!) quem estiver atrás de análises baseadas em fatos e não em frases-feitas também vai encontrar.

André em maio 5, 2009 10:31 AM


#160

Carissimos, em relação aos comentários #147 e #148, minha frase "Esse iraniano é o tal que afirma não ter existido o holocausto" foi infeliz, mas não invalida o que quis dizer mais adiante sobre revisionismo histórico. Não sou suficientemente conhecedor de Ahmadinejad
nem tive suficiente tempo de pesquisar,ou aprender persa para ler fontes de primeira mão...rs...Ao menos procurei informações em uma imprensa mais honesta que a nossa, sem esconder minha condição de judeu (pró Estado Palestino, é bom que se diga) para não falsear o debate, assim como não gosto que falseiem a história. Agradeço ao Rafael, concordo com você também, e ao menos consegui arrancar do Idelber que Ahmadinejad diz coisas abomináveis sobre o Holocausto. Especificamente quanto à visita do chefe de estado iraniano, nada a reclamar, considero normal, e respeito democraticamente aqueles que se sintam ofendidos com a visita e que tem seu legítimo direito de protestar. Só acho exagero dizer a ele "bem-vindo", eu não diria isso nem a ele nem ao primeiro-ministro de Israel.

sidneig em maio 5, 2009 10:52 AM


#161

Olá,

Antes de mais, penso como Idelber no tocante à mobilização contra Ahmadinejad. Na minha leitura, percebi que esse é o alvo do texto. Até que ponto estes protestantes contra o presidente do Irã estão interessados, de fato, no tema dos direitos humanos? Por que Ahmadinejad, e não Bush? É uma das perguntas a serem feitas.

O sentido da crítica, aqui, é o desvelamento de uma orientação ideológica que fica camuflada nessa "militância de ocasião". Uma "militância" construída, em grande parte, pela imagem midiática de Ahmadinejad (e, na outra parte, pelos valores conservadores de quem considera, hoje, o Islã um inimigo irrevogável de todos os "ocidentais").

Essa imagem midiática apresenta o presidente iraniano apenas pelos seus defeitos, e despotencializa o que há de coerente e válido em seus discursos. Essa distorção deve ser combatida pela esquerda, sem dúvida.

Por outro lado, o comentário #152, de Carolus, chamou a minha atenção.

De fato, se a turma do Morumbi-Leblon deve ser cobrada por um engajamento mais coerente, isso deve ocorrer ressaltando-se a importância de criticar não apenas a Ahmadinejad, mas também a Israel; afinal, o desrespeito aos direitos humanos também é uma tônica da agressão histórica contra o povo palestino.

No entanto, cobrar essa coerência do pessoal do Morumbi-Leblon não implica, necessariamente, desejar as melhores boas-vindas ao Ahmadinejad (e nisso, partilho o incômodo de Carolus e outros). Em seu texto, Idelber dialoga com o presidente, sugerindo que ele não se incomode com os que protestam. A despeito de se tratar de um artifício persuasivo de Idelber, eu não acho que Ahmadinejad não deva se incomodar. Deve se incomodar, sim.

As minhas boas-vindas a ele, como cidadão brasileiro, seriam apenas uma formalidade diplomática. Mas jamais eu pediria que ele ignorasse as críticas necessárias, ainda que elas venham de um grupo que não reconhece as suas próprias contradições ao levantar bandeiras mais universais do que os seus interesses particulares. Nesse ponto, especificamente, discordo de você, Idelber.

Ainda nesse sentido, o comentário #152 deixa ver, também, que o tipo de política autoritária praticada por Ahmadinejad possui as suas arestas. Ainda que ele não tenha negado o holocausto (e acho muito legítimo exigir que a mídia não coloque em sua boca palavras que não foram ditas), parece razoável acreditar que o seu governo é intolerante o suficiente para apoiar, fora dos holofotes da mídia, qualquer tipo de procedimento anti-humanista que nenhuma esquerda lúcida apoiaria, mesmo como resposta às piores truculências de Israel. Revisar a História do Holocausto, por exemplo.

Em todo caso, a meu ver, a dificuldade é alcançar clareza em relação ao lugar de Ahmadinejad na política contemporânea. O que se torna tão mais problemático quanto mais reconhecemos, em suas práticas e discursos, os conflitos ideológicos que caracterizam direitas e esquerdas possíveis, nas lutas culturais de hoje.

Rodrigo Cássio em maio 5, 2009 10:59 AM


#162

Interessante que, se nas manchetes dos jornais no Brasil e no mundo o número de manifestantes citado é sempre 2.000 - abaixo delas os textos o desmentem e sempre se lê - “cerca de 200 pessoas” ou “cerca de 300 pessoas” - nunca mais que isso. A Confederação Israelita do Brasil chegou a encaminhar uma carta ao presidente Lula, dizendo que “o governo iraniano viola os direitos humanos dos cidadãos daquele país” - mesmo que o país condenado recentemente pela violação de direitos humanos em Gaza tenha sido Israel. Israel que, no seu protesto promovido pela Juventude Judaica Organizada, se justificou, dizendo não ter nada contra o Islã, mas sim contra o presidente do Irã e afirmou que “a visita de Ajmadnejad ao Brasil representa um verdadeiro atentado à democracia brasileira”.
Sim, graças a Deus, nosso país é muito democrárico e convive bem com toda sorte de protestos, inclusive este, de 2 mil pessoas (digo, de “cerca de” duzentas ou “cerca de” trezentas pessoas) promovido pelos judeus no Brasil, devidamente apoiados por grupos evangélicos e movimentos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros, conforme li.

Mas devo confessar que me desagradou profundamente que os judeus e seus colegas tenham erguido cartazes sugerindo a Ahmadinejad ir para o México, suposto epicentro da “pandemia” da gripe suína - uma atitude que eu entendi ser podre e estúpidamente grosseira e preconceituosa.

Vera L. Silva em maio 5, 2009 11:04 AM


#163

#8: “Pesquisem, e depois voltem aqui.”

#10: “Pois é, eu tinha esquecido porque tinha parado de freqüentar este antro.”

Pérolas de um denso pensamento democrático de direita.

PS: o referido democrata teve seus comentários publicados no Idelber (#153 e #155).

João Paulo Rodrigues em maio 5, 2009 11:11 AM


#164

Idelber,
Apague meu comentário acima, fazfavoire. Era para ser postado no PD.
Abraço de sofredor.

João Paulo Rodrigues em maio 5, 2009 11:11 AM


#165

Diretamente da imprensa oficial iraniana, via Google - ja que a pagina oficial foi removida do servidor:

http://74.125.95.132/search?q=cache:iaTjX5VMujEJ:www.iribnews.ir/Full_en.asp%3Fnews_id%3D204682%26n%3D35+site:www.iribnews.ir+%22wiped+off+the+map%22&cd=2&hl=en&ct=clnk&gl=us&lr=lang_en|lang_iw|lang_pt&client=firefox-a

"At an international conference held in Tehran in late October, Iranian President Mahmoud Ahmadinejad called for Israel to be "wiped off the map." The conference was titled `world without Zionism'."

A traducao e' da imprensa oficial iraniana, orgao oficial do governo do Ira. E agora?

O'Rly. em maio 5, 2009 11:46 AM


#166

Sr. Idelber;
Obrigado pelo texto, pois acabei aumentando meus conhecimentos sobre a verdadeira declaração do Presidente do Irã.
Quanto ao conteúdo geral, também estou de acordo, e acredito que não faltarão esforços no sentido de arrebanhar as minorias, para protestar contra a visita, mesmo porque, isto sempre foi muito bem manipulado.
Só espero que nossos congressistas (os que não foram financiados), também se manifestem, e não deixem que pautem àquela Casa!
Aos internautas, sugiro: pesquisem, pesquisem muito e ficarão surpreso como eu.
Só assim saberão o que há por trás de tudo isto, e as pressões ao longo da história humana.
E para finalizar: "Para saber quem domina o mundo, você deve saber qual grupo não se pode criticar". Autor Kevin Alfred Strom.

Wendel Anastácio em maio 5, 2009 1:03 PM


#167

Idelber,

Faz algum tempo acompanho seu blog e costumo gostar um bocado dos seus posts, têm me ajudado inclusive a repensar minhas posições políticas. Dessa vez, porém, acredito que você está errado. Defender que o presidente iraniano nunca negou o Holocausto me lembra o embaralhamento mental dos posts do Reinaldo Azevedo. Segue o link da entrevista do Ahmadinejad para a revista Spiegel da Alemanha há três anos atrás:
http://wissen.spiegel.de/wissen/dokument/66/62/dokument.html?titel=%22We+Are+Determined%22&id=47092666&top=SPIEGEL&suchbegriff=ahmadinejad+interview&quellen=%2BBX%2CWIKI%2C%2BSP%2C%2BMM%2CALME%2CSTAT%2C%2BMEDIA&qcrubrik=artikel



“SPIEGEL:
Are you still saying that the Holocaust is just "a myth?"


Ahmadinejad:
I will only accept something as truth if I am actually convinced of it.


SPIEGEL:
Even though no Western scholars harbor any doubt about the Holocaust?


Ahmadinejad:
But there are two opinions on this in Europe. One group of scholars or persons, most of them politically motivated, say the Holocaust occurred. Then there is the group of scholars who represent the opposite position and have therefore been imprisoned for the most part. Hence, an impartial group has to come together to investigate and to render an opinion on this very important subject, because the clarification of this issue will contribute to the solution of global problems. Under the pretext of the Holocaust, a very strong polarization has taken place in the world and fronts have been formed. It would therefore be very good if an international and impartial group looked into the matter in order to clarify it once and for all. Normally, governments promote and support the work of researchers on historical events and do not put them in prison. “



A edição da revista deu a ele de presente um DVD sobre os campos de concentração, mas ele, em nova entrevista realizada mês passado, não quis nem confirmar que viu o filme: http://wissen.spiegel.de/wissen/dokument/98/68/dokument.html?titel=%27We+Are+Neither+Obstinate+nor+Gullible%27&id=65018689&top=SPIEGEL&suchbegriff=ahmadinejad&quellen=%2BBX%2CWIKI%2C%2BSP%2C%2BMM%2CALME%2CSTAT%2C%2BMEDIA&qcrubrik=artikel


De qualquer modo, valeu a oportunidade para discussão e boa sorte com o blog!


Obrigado,

Henrique

Henrique em maio 5, 2009 1:17 PM


#168

Parabéns, Rodrigo Cássio, matou a pau. Disse tudo o que eu gostaria de ter dito (não tenho sua capacidade de articulação). Esse é um diferencial no blog do Idelber e de um bom número de comentaristas, aqui há inteligência fervilhando. Denunciar a militância de ocasião e a manipulação dos meios de comunicação é legítimo, já dar boas vindas para Ahmadinejad achei um exagero. Nesse sentido, faço um paralelo com o mais recente post do Idelber, dialogando com a extrema esquerda...certas associações eu particularmente rejeito, por melhores que sejam as intenções.

sidneig em maio 5, 2009 1:19 PM


#169

Caro André Kenji, não vi onde eu escrevi que os iranianos são árabes. Sei bastante que são persas. Se dei a entender isso foi escrita mal feita minha ou leitura mal feita sua. Quando me referia ao "autoritarismo árabe" falava da Arábia Saudita mesmo. Achei que isso estava bem claro uma vez que comparava os dois países.

Quanto ao Ahmadinejad e os Aiatolás, eu acho que o gruipo dos aiatolás ganhou ainda mais poder no Irã edepois que o Kathami deixou o poder. Podia ser um lpíder fraco, mas fazia um contraponto do que era a vontade democrática no país e o que era o regime autoritário de Kamenei e companhia. E sei esses Err, errsss que parece coisa de segunda série né meu caro. Você é bem melhor que isso.

Lauro Mesquita em maio 5, 2009 1:56 PM


#170

Mesmo entre israelenses, Ury Avnery, por exemplo, há quem considere que Israel usa sua política externa como forma de tergiversar e assim evitar ao máximo possível a discussão sobre a questão palestina. A importância dada ao programa nuclear do Irã pelo governo de Israel cabe direitinho nesse desenho. Seria bom que essa desistência de Ahmadinejad em visitar o Brasil tivesse alguma coisa a ver com uma disposição do Irã de evitar oferecer graciosamente a Israel motivos para continuar adiando sine die a discussão sobre a criação do Estado Palestino (sequer mencionada até hoje por Netanyahu, o que mostra que o assunto definitivamente não está na sua pauta). Seria bom também que os humanistas mui piedosos que escrevem aqui neste blog não se esqueçam disso antes de ficar repercutindo discurso alheio, discurso cujas motivações não tem absolutamente nada de humanista.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u560675.shtml

Cláudia em maio 5, 2009 2:17 PM


#171

Concordo com o ohmydinnerjacket, o regime sionista devia mesmo ser varrido do mapa.

Marola em maio 5, 2009 3:11 PM


#172

Concordo plenamente. Aliás, não é surpresa essa histeria. O que mais incomoda é o apoio da imprensa à gritaria. Abraços.

Marcelo Costa em maio 5, 2009 3:31 PM


#173

Idelber, como é mesmo o lema da nossa terra: "Libertas quae sera tamen"? Só discordo do Morumbi/Leblon. Devia ser Morumbi/Jardim Pernambuco, aquele gueto milionário encroado no final da Lagoa/Barra.
Só pra lembrar: na Cúpula América Latina-Países Árabes em maio de 2005 olha só quem compareceu: Arábia Saudita, Argélia, Catar, Egito, Iraque, Kuaite, Marrocos, Omã, Palestina e Sudão. Todos democratas de carteirinha, né?
Parabéns pelo post.

sbb em maio 5, 2009 4:28 PM


#174

JPR,

é como eu tinha dito lá no PD.

'que falta de saudades de você eu senti nestes meses' ;-))

Radical Livre em maio 5, 2009 4:39 PM


#175

– Se com cada país com que discordamos não pudermos aceitar visitante, não vamos receber ninguém – reage o chanceler Celso Amorim, depois de Israel protestar contra a visita.

Aqui,Ahmadinejad bem humorado:

“Se vocês (europeus) queimaram os judeus, porque não lhes dão um pedaço da Europa, dos Estados Unidos, do Canadá ou do Alasca?”

Andre' BH em maio 5, 2009 4:45 PM


#176


E sobre o link apresentado no comentário 166, ninguém vai falar nada?

Thiago Neto em maio 5, 2009 5:20 PM


#177

Muito bom o debate, faço as palavras do Pedro Dória (cometário #157) as minhas.

Izabella em maio 5, 2009 5:24 PM


#178

Radical,
Não te achei no PD. Fica aqui o meu abraço.

João Paulo Rodrigues em maio 5, 2009 6:15 PM


#179

O Sérgio Leo, escreveu muito bem sobre o tema:

"O governo costuma ser acusado de fazer uma "política externa ideológica"; como se ideologia, por si só, fosse um equívoco na condução do governo. Mas, em casos como o do Irã, a crítica ao governop é fundamentada em ideologia, o que indica que o crime do Itamaraty não é ser ideológico, mas apoiar certa ideologia, contrária a outras ideologias, que não se explicitam _ e se escondem, em casos como o do Ahmadinejad, sob a capa de defesa de princípios éticos"

Lauro Mesquita em maio 5, 2009 6:23 PM


#180

palpite de almirante deve sempre ser ouvido.
Foi foda ler tudo, mas com o tempo a coisa acalma. ou não. ahaha
Mas que tá bom tá.
Sobre a não vinda dele, soube de fonte de água limpa que ele desistiu de vir para o Brasil pq soube que tem muito judeu enfurecido na capital federal, Buenos Aires.
abçs

googala em maio 5, 2009 7:42 PM


#181

Só eu li o comentário #166? Acho estranho ninguém comentá-lo.

Srta.T em maio 5, 2009 7:54 PM


#182

Gente, que tal se nós, ao invés de cobrarmos dos outros que comentem um comentário #X numa caixa que já está no #181, comentássemos nós mesmos o que queremos comentar o sobre o dito cujo?

Acho que seria mais produtivo para o encaminhamento da conversa.

googala :-))) Você é mestre de uma arte que, suspeito eu, ainda não tem nome. Você que invente. Minha versão é: boutade-genial-eletrônico-instantâneo-paronomásica.

Você que brinque com essas palavras aí e me diga o nome disso que só você faz. Abração.

Idelber em maio 5, 2009 8:32 PM


#183

sua visão é torta, dizer q não se pode cenusrar um pq não censuraram outro é como dizer: ah eu posso matar ou roubar pq outro tb matou e deixaram...
vc não se preocupa com gays ou mulheres. se não sabe eles vão para a forca. quem realmente se preocupa deixa a briga direitaxesquerda para outros momentos e não dá boas vindas a esse senhor

Fabio em maio 5, 2009 8:48 PM


#184

Não Fabio, não é bem isso. É isso aqui ó.

Idelber em maio 5, 2009 8:51 PM


#185

O pior de tudo é que quem protesta contra a (cancelada) visita do baixinho encrenqueiro na verdade não está nem aí pros gravíssimos problemas de direitos humanos no Irã: os judeus protestam, obviamente, porque o cara é inimigo declarado do Estado de Israel – os termos com que ele declarou essa inimizade, e se ela é merecida, podem ser discutidos, mas a inimizade é um fato. Aí essa conversinha de direitos humanos serve para colocar mais gente no bonde, como por exemplo todos esses que adoram falar mal do governo Lula e aproveitam a chance para dizer que ele está, sei lá, apoiando o governo terrorista do Irã e precisa ser deposto.

Ou seja, ali tem gente preocupada com Israel e com o governo Lula.

Preocupado mesmo com todas as atrocidades do Irã (que não começaram com este ilustre ex-futuro visitante), não tem nenhum ali.

daniel em maio 5, 2009 9:14 PM


#186

Daniel, lapidar. Se algum dos trolls que dizem que o Biscoito censura discordâncias quiserem contestar o Daniel com argumentos, sou todo ouvidos. Retirei a moderação de comentários instalada (em regime extraordinário) ontem às 22:00 de Brasília.

Idelber em maio 5, 2009 9:18 PM


#187

idelber:
o mais interessante é que essa turma defende o
diálogo eua-irã.até a d. leitão,creio.
romério

romério rômulo em maio 5, 2009 10:11 PM


#188

Precisamos compreender que o Iran é lídimo herdeiro da Pérsia (cf. as Lettres Persannes ou o roteiro Ciro da Pérsia e Alexandre da Macedônia), i.e., de uma das três maiores civilizações asiáticas que sobreviveram, desde milênios atrás. Quando se pertence a uma Civilização, sucessora de um útimo estágio da Cultura - daí, em alemão, língua de origem bárbara, Kultur tomar o sentido civilizatório - não se tem como aceitar besteiras alheias. Uma visita ao Brasil cercada de protestos que desandariam em baderneira contestação é, para um Chefe de Estado eleito democraticamente, algo a evitar-se, sobretudo na iminência de novo sufrágio presidencial. Conheço o Chefe da Missão diplomática da República Islmica em Brasília, um diplomata nem um pouco bobalhão, que sem dúvida pôs Téheran de sobreaviso.
As outras "razões-motivações" do cancelamento são de natureza diplomática, e estas vão do confidencial ao secreto. A diplomacia age na sombra e na surdina, não é quantificável nem exposta, em nome dos interesses nacionais de cada país, chamados pelos franceses de "raisons d'Etat". Há uma fase em que ela não se desvenda em parlamentos ou via-órgãos mediáticos. Por mais que isso incomode um democrata radical, ela tem de obedecer certos parâmetros, até que surjam resultados. Estes é que têm de ser apreciados pelo público, não seus procedimentos internos. A diplomacia brasileira do Presidente Lula é ecumênica e universalista, já que o Brasil não mantém alianças, logo dispensa aliados.
No caso do Iran, mantemos muito boas relações com a República fundada pelo aiatolá Khomeïni, e é do nosso interesse que elas assim se mantenham.

Marcio Luiz Hipólito em maio 5, 2009 10:42 PM


#189

Tá, eu digo porque cobro posicionamento sobre o comentário 166, mas achei que fosse mais do que óbvio. Um dos pontos centrais do post é que o Ahma-sei-lá-o-que na verdade nunca quis varrer Israel do mapa nem negou o holocausto. Bom, eu acho que não é só o leblon (que é de esquerda, insisto) e o morumbi e a grande mídia brasileira que acham isso. Boa parte do mundo censura o sujeito por isso. Aí o Idelber o recebe com um bem vindo em negrito e desafia que os que fazem a a acusação mostrem os links. Passa o tempo e chegamos num acordo que o iraniano usou de poesia, dizendo que Israel deveria ser apagado das páginas do tempo, que não negou mas questiona o holocausto, que discrimina homossexuais. Bem, penso que só isso tornaria vergonhoso um bem-vindo de braços abertos. Mas eis que no tal comentário 166 aparece um link de fonte iraniana, com tradução deles mesmos e não contestada, que diz que o cara falou em varrer do mapa mesmo.
Não é evidente que isso é uma resposta a todos que pediram e pediram links? Candidamente agora todo mundo tira o corpo fora. Esse comentário foi fundamental para o debate e agora o Idelber e os que foram no embalo fingem que não viram!?
Repito então meu comentário, agora justificado, e peço que se posicionem diante do link do 166.

Thiago Neto em maio 5, 2009 10:56 PM


#190

Parabéns pelo texto, Idelber. E fica a pergunta: será que a mídia esgoto de nosso país também teve chilique quando FHC quis condecorar FUJIMORI com a Ordem do Cruzeiro do Sul, a comenda mais importante da nação????

Maurício em maio 6, 2009 12:18 AM


#191

Parabéns pelo texto, pela coragem.
Note que a partir de agora muitos tentarão desqualificar você, sua dignidade e sua humanidade.Desqualificarão suas fontes. Contestar seu texto, com argumentos, ninguém vai. Note também que o Pedro Doria não corrigiu a falsa informação sobre convite a KKK para participar de Conferência no Irã. E não é que o Leblon-Morumbi tem poder mesmo. Conseguiram boicotar o homem.

Preta em maio 6, 2009 1:22 AM


#192

Aquecido negócio. Abladurias, abladurias e falta de ler corretamente. Como se afetam os nós nas gargantas dos mal educados não idelber? gente sem tolerância educação e sem saber que compram gato por lebre.
seja bem vindo idelber avelar.

Cristiano Moreira em maio 6, 2009 1:25 AM


#193

Idelber, moro em BC, Canada. Nao sei se vc sabe mas Canada e' um refugio de iranianos.

Minha noiva e' persa - a conheci aqui - e ouco as historias mais interessantes sobre a guerra Ira x Iraque, a opressao as mulheres (ela chegou a ser presa por suspeitarem que ela tinha usado maquilagem). Seus relatos sempre foram uma micro visao do Ira. Seu post me ajuda a ter a visao macro.

Para registro, seus pais - que tambem moram aqui no Canada - dizem que seus melhores dias no Ira foram no periodo monarquico.


hamilton em maio 6, 2009 1:32 AM


#194

"Podia ser um lpíder fraco, mas fazia um contraponto do que era a vontade democrática no país e o que era o regime autoritário de Kamenei e companhia."

Você não entendeu. Todo presidente iraniano no atual mapa de poder *vai* ser um líder fraco. Khatami na prática também não conseguiu muita coisa. O que eu critico é que todo mundo critica Ahmadinejad como se ele deitasse e rolasse no país. Chegaram a chamar cara de "tirano"(!).

E sua citação sobre democracia e árabes é problemática porque até cinquenta anos os países de fato democráticos eram raros e mesmo hoje democracia de verdade é dificil. Quase todos os países que adotam o sistema enfrentam problemas nesse quesito: há as distorções regionais que minam os sistemas de países como Brasil e Estados Unidos, há a bagunça que é o sistema italiano e a dificuldade de países iluminados como o Canadá e a maior parte da Europa de lidar com formas extremas de liberdade de expressão(Exemplo, na ESpanha chegou-se a apreender uma revista de humor que supostamente ironizaria o rei).

No mais, obviamente, a Arábia Saudita é uma coisa, o mundo árabe outra. A Líbia, Líbano, Síria, Jordânia são todos países com sistemas políticos e culturas diferentes.

Andre Kenji em maio 6, 2009 1:35 AM


#195

Acho que você foi extremamente arrogante com Lucas.O que que há? não aceita argumentos contrários aos seus? quer ganhar a discussão no "tapetão"? como assim "desenhar" para ver se tal pessoa entende? quem você pensa que é para isso, o dono da verdade?
Para começo de conversa ,meu caro, você não pode generalizar sobre um segmento social, como você disse em República Morumbi-Leblon, pois o que existe são pessoas organizadas politicamente ou não, isto é, se tal segmento se organiza politicamente( o movimento Cansei, não é uma organização política, pois não se desdobra em ações maiores, como a criação de um partido,diretrizes de uma resistência, um manifesto etc. e nem é organizado, apenas uma forma de protesto pífio e sem eira nem beira).Você não pode generalizar , dizendo que todos de um segmento social agem de tal maneira.Outra coisa, vamos ao fator histórico, para quebrar seus argumentos: a política do Rio de Janeiro, hoje é inexpressiva, insignificante, tanto a nível interno quanto nacional.Estamos em crise no que tange ideologia e essa crise se iniciou no momento em que a capital da República foi transferida para Brasília.O Rio, a partir daí ficou bastante enfraquecido, em termos de política partidária e ideologica.O que temos hoje são saqueadores do erário público, nada difere Fernando Gabeira do Eduardo Paes.Nenhum deles tem projeto de cidade e isso se reflete na postura dos cidadãos,que não tem qualquer pensamento ou opinião sobre política, ao contrário dos paulistanos que votam maciçamente no PSDB, por questões ideológicas e por conservadorismo.O carioca,hoje, vai as urnas para cumprir tabela, não faz fé no processo eleitoral.Você quer estender e colocar os moradores do Morumbi e do Leblon num mesmo saco de gatos, num mesmo balaio, sem se ater sobre as diferenças culturais e de pensamento sobre os dois grupos, que agem distintamente.Entram aí, história política indo da ditadura até os tempos atuais, indicadores sócio econômicos, cultura regional ( que é BEM diferente em SP E RJ, acredite), sociologia e até psicologia.Os moradores do Leblon e do Morumbi são conservadores, mais as semelhanças param por aí.
Entender as nuances de cada grupo são importantes para fazer análises sóbrias, imparciais, que possam ser úteis para se tirar conclusões.Generalizar não leva a nada.Polêmica por polêmica é ridículo.Quer que eu desenhe?

socrates em maio 6, 2009 2:10 AM


#196

O texto de Idelber e muitos dos comentários lidos, me recordam agudamente o estilo de discussões travadas no período da Guerra Fria, uma espécie de revival tardio daquela polaridade que permeava toda a política e que se perdeu na queda do Muro.
A solenidade de sua frase (não vou reproduzi-la ipsis litteris, apenas o sentido) 'a causa palestina é a questão humanitária definitiva de nosso tempo', não é apenas retórica retumbante, mas cálculo ou tática de uma esquerda que se prepara para a 'prorrogação' (usando a linguagem futebolística).

A realidade mostra que em 60 anos de existência os judeus de Israel mataram cerca de 60 mil palestinos e cerca de 22 mil judeus foram mortos, enquanto que nestes ultimos 60 anos, as mortes provocadas por confrontos intestinos entre os próprios árabes, entre os muçulmanos entre si ou pelas potências colonialialistas na região, se elevam à dezena seguida de seis casas (em estimativa baixíssima, diga-se de passagem).

Escuto muito por aí frases como 'causa espécie que um povo que passou por extensas e incontáveis jornadas persecutórias tenha se transformado em algoz tão cruel quanto foram os seus próprios'.
Sim, causa espécie. E se causa tanta espécie, algo não bate. Ou com o referido povo, ou com a consistência da afirmação.
Basta examinar com seriedade a destituição de poder territorial e político do povo judeu ao longo dos séculos, para compreender que com semelhante background, a probabilidade psicológica e política dos judeus escorregarem airosamente para a transformação que lhes é atribuída, é pequena. Ou então esta longa destituição é a própria explicação.
A não ser...
A não ser que algum acidente de percurso decisivo ou impactante tenha modificado um comportamento centenário, - senão, milenar.

Perpassados pela memória dessa jornada, a probabilidade de lutarem encarniçada e incansavelmente para manter um país seu, me parece a explicação razoável para entender as crueldades (sic) que lhes são imputadas. E a resposta de Israel é a de um país que, desde a segunda ou terceira onda migratória sionista, lidou com a hostilidade do entorno.

Povos oferecem respostas políticas ou militares mais ou menos aceitáveis - ou acertadas - às suas circunstâncias. Quem ou o quê teria tornado aqueles judeus vitimosos numa considerável potencia militar?

Quem sabe este não teria sido o seu turning point?

Freud dizia que a razão fala em voz baixa, não tão retumbante como a do Avelar. E a razão fala em voz tão baixa que é difícil encontrar estudos que se ocupem da lógica subjacente à satanização do estado judeu, como acontece aqui e em incontáveis outros blogs.
Explico porque:
entre antissionismo e antissemitismo há vários pontos comuns. Basta comparar os textos publicados nos jornais da Alemanha entre 1930 até o final da Guerra, e sua repercussão na opinião pública, com o teor da avalanche de notícias, manifestações e outras formas de partidarismo que tem por alvo Israel, principalmente a partir dos anos 80.
Tudo se passa como se o antissionismo assumisse progressivamente o mesmo caráter emocional que sempre caracterizou o antissemitismo, criando um ‘zeitgeist’ em que qualquer explicação afigura-se desnecessária e a ilegitimidade do estado judeu torna-se tão flagrante como a ilegitimidade do judeu para a teologia católica medieval e para o ideário do 3º Reich. As típicas figuras do judeu traidor, do judeu capitalista, explorador da força de trabalho e do judeu comunista (expropriador da propriedade privada), são tão semelhantes à do judeu ladrão de terras palestinas, que a mera coincidência torna-se pouco provável.

Este último estereótipo, o do judeu sionista, expropriador dos palestinos, expansionista e promotor de limpeza étnica tem, além da compreensível assinatura islâmica, nitidamente a da esquerda pós-colapso da União Soviética.

Quem queira entender os aspectos centrais do conflito do Oriente Médio, não pode deixar de perguntar como a esquerda ética e iluminista se alinhou progressivamente com a posição de algumas ditaduras mais retrógradas do planeta.

Assim como o antissemitismo nada tem de casual ou espontâneo, decorrendo de fatores relacionados a mudanças na estrutura do poder em sociedades que passam por momentos de crise e transição, o antissionismo tampouco é aleatório. A satanização cumpre uma função de extrema importância para a esquerda: a de salvaguardar a cidadela ideológica profundamente abalada pelo fracasso econômico, político e ético do socialismo real.
Assim Israel está cumprindo o papel simbólico e vicário na luta contra o capitalismo, cujo representante maior seria os Estados Unidos. Mas como as relações econômicas internacionais estão profundamente imbricadas, impossível descartar com a rapidez desejada o capitalismo ou lutar diretamente contra seu país central. Mais estratégico dirigir seus ataques a um pequeno estado (sete milhôes de habitantes com 300 milhões de inimigos na volta), apoiado pelo grande satã, mesmo que ao custo dos parâmetros éticos que a esquerda apregoa.

Ademais, leve-se em conta de que uma grande causa internacional contribui fortemente para promover a união interna, devolver convicções perdidas, e, sobretudo, manter a marca do humanismo socialista (que outra vez não se confirma, ao tornar irrelevantes a sujeição dos povos muçulmanos a ditaduras castrenses ou religiosas, ou mesmo a de sua população feminina).
Então, ao engajar-se consciente ou inconscientemente na atual campanha antissionista (que está a merecer esta designação por ganhar vistas de campanha publicitária), Idelber e correligionários objetivam preservar, e se possível, ampliar a “faixa de mercado” perdida com o colapso da URSS.

Idelber e compagnons de route na midia e na academia, parecem assumir papel análogo ao daqueles publicistas do III Reich. Viabilizam desta forma, uma saída de gênio para a crise da esquerda.

Pena.
Perde a clareza intelectual, ganha o marketing.

Cecilia em maio 6, 2009 6:11 AM


#197

Acho bom que se proteste contra as políticas do Ahmadinejad ao Brasil, como de resto, qualquer protesto. Agora, é de uma pobreza política e estratégica do tamanho de um bonde imaginar que o corte de relações com o país ajudaria alguma coisa os iranaianos.
O isolamento que, sobretudo, os Estados Unidos impuseram ao Irã impediram uma oportunidade excelente ao país. O Irã tinha tudo para ser mais tolerante aberto e lacizado. O regime que incorporou os toturadores do regime do xá e perseguiu a esquerda poderia ter encontrado o caminho que muitos dos habitantes daquele país procuram. Não vejo com nem um pouco de simpatia o governo do Ahamadinejad, ele é uma direitona braba, mas que dece cir deve

Tiago Mesquita em maio 6, 2009 9:00 AM


#198

"Este último estereótipo, o do judeu sionista, expropriador dos palestinos, expansionista e promotor de limpeza étnica tem, além da compreensível assinatura islâmica, nitidamente a da esquerda pós-colapso da União Soviética." (Cecília 6:11)

Como diz a música:

Essa história contada assim por cima
A verdade não rima
A verdade não rima
A verdade não rima...

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/palestina-a-venda/

Cláudia em maio 6, 2009 10:28 AM


#199

Idelber, na boa, já tá ficando chato.

Você passou o post e parte dos comentários bradando pelo link que demonstra as declarações do iraniano. Aí ele aparece no comentário 166 e você finge que não viu? Silencia? Pô, de você que é uma referência se espera responsabilidade na análise. Eu acho que o iraniano é esse canalha, sim, e boa parte do mundo também, não só morumbanos e leblonsenses. Mas concedo que seu post me deixou em dúvida, posso estar errado. Será que ele não disse mesmo? Aí vem o link e você simplesmente congela o assunto? Pega mal...

Thiago Neto em maio 6, 2009 12:05 PM


#200

Não "silenciei". #166 reitera algo sobre a posição dele que, seguindo o link da entrevista que eu mesmo já havia colocado no post, já era visível:

(David Pujadas) The fact that Iran's position is disconcerting, one of the reasons is that Your Excellency's statements are to a large extent threatening. For instance, your assertion that Israel should be wiped from the map of the world, all these things have created some concern which has been reflected in the nuclear case too.

(Ahmadinezhad) . . . Let me ask you this question: where is the Union of Soviet Socialist Republics now? Was it not wiped off (the map)? How was it wiped off? We have a totally humanitarian solution for Palestine. We have said that all the Palestinians should take part in a free referendum so as to end the 60 year old war. The outcome is clear from now. It is because of the same outcome that America and Britain are refusing to yield. .

Me parece que: 1) ele usa uma retórica de acabar com o estado de Israel, entendendo "acabar com o estado" não como um genocídio de ninguém que esteja lá, mas como fim do estado mesmo, no sentido em que a URSS teve um fim; só que ele imagina um plebiscito; 2) evidente que ele usa uma retórica antagônica a Israel com fins populistas em seu país, onde Israel é detestado (como em todo o Oriente Médio, aliás).

É a minha posição sobre Israel? Não. Sou pela luta para que Israel saia dos territórios ocupados e a solução biestatal se estabeleça. Penso que o presidente do Irã falou em matar os judeus que estão lá? Penso que não. Mais importante, ele tem condição de matar algum? Está claro que não, a não ser que vire uma coisa que não é (chefe das Forças Armadas) e esteja disposto a ver seu próprio país aniquilado na retaliação.

É um cara que contribui à paz na região? Não. É um genocida? Ninguém me apresentou prova de que sim até agora.

Imaginei que tudo isso estivesse claro, mas numa caixa com 200 comentários, é normal que não esteja.

Idelber em maio 6, 2009 12:16 PM


#201

Ótimo texto. Ao escrever também sobre o assunto recebi um comentário acalorado de um defensor da "causa" judaica.

seria interessante você ler também.

abraços.

Ítalo de Paula em maio 6, 2009 1:11 PM


#202

quer dizer que discordar deste proto ditador é ser de direita ? Pô, pensei que discordar fosse permitido!!! Ou sera que para discordar tem que ser pela cartilha da esquerda, nao basta discordar pelo humanismo que vive em cada um de nós independente da coloraçao partidaria ?

john em maio 6, 2009 5:09 PM


#203

"Assim Israel está cumprindo o papel simbólico e vicário na luta contra o capitalismo, cujo representante maior seria os Estados Unidos."

Israel não tem nada de capitalista. É um país que depende de ajuda externa para sobreviver e que se vale de ajuda financeira para manter seus habitantes.

O papel simbólico que Israel tem é o da potência colonialista, o que fica claro tanto entre seus defensores quanto nos seus oponentes.

Andre Kenji em maio 6, 2009 11:29 PM


#204

Idelber,
sempre passo em silêncio por aqui. Concordo com quase todos os seus posicionamentos, pois como morador de Contagem, atleticano e ex-petista vejo que tem muita sobriedade ao tratar de todos os assuntos.
Acho que toda a sua atuação, desde o post até os comentários, foi perfeita.

Ps.: seu blog foi assunto na sala de aula da pós.

Rodrigo Gomes Freitas em maio 7, 2009 1:02 PM


#205

Foi longe a coisa, hein, Rodrigo? Obrigado pela leitura.

Idelber em maio 9, 2009 1:20 PM


#206

Foi longe a coisa, hein, Rodrigo? Obrigado pela leitura.

Idelber em maio 9, 2009 1:25 PM


#207

Não deu outra:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/05/090517_lulareits_ir.shtml

Onde está a 'indignação' da república Morumbi-Leblon agora?

Luis Henrique em maio 17, 2009 11:43 AM


#208

"Israel não tem nada de capitalista."

Eis um comentário de quem não tem ideia do que seja o capitalismo.

Carlos C. em maio 23, 2009 3:57 PM


#209

Concordo,com o blogueiro o Irã não invadiu país
nenhum não espulsou ninguém e nem ocupa ilegalmen
te território alheio,25000 judeus vivem no Irã li
vremente exercendo o seu trabalho,sem nenhum tipo
de ameaça,porque Israel não sai dos territórios
ocupados,pare de subjucar e humilhar o sofrido po
vo palestino quer quer também uma pátria soberana.
quanto ao homossessualismo também sou contra, vai
contra as leis divinas,Deus fez o homem para amar
mulher e vice-verso,o resto é safadeza é falta de
moral.

casoares em maio 23, 2009 8:05 PM


#210

Realmente a histéria foi grande! O lobby judaico, através de seu aparato-midiático-sionista ficou estrebuchando por conta desta visita, mas sabemos muito bem que a questão, não é ser contra gays, ou qualquer minoria. A questão é pura e simplesmente sua negação quanto ao holocausto, nos moldes em que está posto! Porque o assunto é tabu? Porque tem que se aceitar somente uma única versão? É dogma? Como disse Norman Finkelstein: Que espécie de verdade é esta que se espanta à luz da discussão pública e ainda por cima, é imposta em vários países pelo códico Penal?"
Esta pergunta deve ser investigada!
Mas uma vez posta em questão estas e outras perguntas, o que seria das vultuosas indenizações recebidas por conta do acontecido e super dimensionado?
Com a palavra, os historiadores sérios!

wendel em novembro 24, 2009 1:46 PM