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terça-feira, 05 de maio 2009

Acelerar a putrefação da mídia e a desmoralização de Gilmar Mendes: tarefas para uma verdadeira extrema-esquerda

psol50.jpgO PSOL, o PSTU e o PCO deveriam parar de brigar, abandonar o sofisma -- desmentido pela história brasileira recente -- de que PT e PSDB são duas faces do mesmo projeto político e agir como verdadeiros partidos leninistas. Eu sou dos que acham que o leninismo está longe de ter esgotado sua significação histórica. Mas não a vejo na teoria do partido de vanguarda nem na teoria da ditadura do proletariado. O que constitui um leninista é a análise da circunstância concreta, sempre em busca do ponto universalizante, da âncora que pode sintetizar toda a luta política. Não há leninismo sem a pergunta: o que fazer?

O que fazer, na extrema-esquerda, hoje no Brasil? O PSOL, que dos três é o único que não se reivindica leninista (embora haja leninistas por lá), deve pensar se quer mesmo fazer da moral, do udenismo de esquerda, o eixo de seu discurso. A escolha pode ter tido sua lógica em 2005, como aglutinação para a extrema-esquerda no momento de maior desgaste do governo Lula. Hoje, é um tiro no pé, além de despolitizadora e inadequada. A redução da política à moral já se anunciara na campanha de Heloísa Helena, em 2006, das mais despolitizadas que a esquerda já fez. No Brasil pós-Satiagraha, o PSOL extrapola, do louvável apoio ao Delegado Protógenes Queiroz, uma leitura da realidade que faria Trótski revirar-se no túmulo, inimigo que era ele de toda confusão entre lei e justiça ou entre moral e política. Confio que o leitor não pense que eu sugira desatenção ao problema da corrupção. Simplesmente estou afirmando que o discurso moral anti-corrupção não pode ser eixo de uma política de extrema-esquerda genuína.pstu.jpg

No site do PSTU, a principal manchete é “Os trabalhadores não pagarão pela crise”. É difícil reconciliar a manchete com a própria interpretação que faz o PSTU do Brasil. Pois se o governo Lula é o agente neoliberal que a extrema-esquerda denuncia, a chamada correta deveria ser “Trabalhadores pagarão pela crise”. A manchete incorre numa contradição performativa, uma comum confusão entre o ser e o dever ser que frequentemente acomete a extrema-esquerda quando ela perde contato com a realidade. Se fosse verdadeiro para o PSTU dizer “os trabalhadores não pagarão”, ou seja, se fosse factível a hipótese de que um movimento operário liderado pela Conlutas conseguisse, dentro da “ordem neoliberal” de Lula, que os trabalhadores deixassem de pagar pela crise, ora ora, seria a própria existência dessa ordem que estaria em dúvida. Ela não está, como o próprio PSTU reconhece. Achar que dentro da ordem capitalista os trabalhadores “não vão pagar” por algo é de um reformismo inaceitável num partido que se quer revolucionário. De novo, Lênin revira no túmulo. A confusão entre o que é e o que deveria ser não é causa, claro, mas sintoma de uma extrema-esquerda que não sabe formular seu papel no presente.

Mas passemos ao momento propositivo. O que fazer? Para a esquerda, o eixo definidor, o ponto-âncora do corpo político é a putrefação da grande mídia no bojo da Satiagraha, a partir da qual se desatou a jagunçagem de Gilmar Mendes e a desmoralização do Poder Judiciário. Nesse feixe de contradições um leninista identificaria a questão universalizante, ou seja, aquela tensão do corpo social que tem o potencial de desatar o antagonismo constitutivo, central. Quem é de esquerda no Brasil hoje e não está refletindo sobre esse imbróglio não está pensando nada.

pco.gifComo trabalham com o sofisma de que PT e PSDB são irmãos gêmeos, os partidos de extrema-esquerda não compreendem por que raios se forma de maneira tão furiosa a articulação Gilmar Mendes-Revista Veja e seus capangas. Perdem a oportunidade de contribuir ao esforço definidor da intervenção de esquerda hoje (e dentro do qual eles poderiam até ganhar espaço em relação ao PT): acelerar a destruição da moribunda credibilidade nos grupos de mídia; promover a guerra de guerrilha incessante contra sua imagem, moral e capacidade de esconder a fábrica de linguiça; exibir e ridicularizar cada erro, mentira, notícia distorcida; revelar e expor minuciosa e diariamente sua história de colaboração com a ditadura; acossar seus patrocinadores com o boicote; bombardear seus ombudsmen com críticas; ajudar a disseminar os blogs que os desconstroem; trabalhar diuturnamente nas campanhas de cancelamento de assinaturas; não respirar enquanto as corjas Civita, Marinho, Frias e cia. tenham sofrido uma derrota categórica.

No bojo dessa práxis, quem sabe não se acumulam forças suficientes para um movimento nacional pelo impeachment de Gilmar Mendes? Quem aposta que um movimento popular não pode encurralar um Senado?

Isso é mais leninista e revolucionário que fazer um sitezinho dizendo que as comemorações do 1° de maio serão “independentes e classistas” e que o Bolsa Família é “migalha dada pela burguesia”. Os partidos de extrema-esquerda brasileiros precisam ler com atenção seus Lênin e Trótski: a interpretação revolucionária da realidade começa com a identificação da sua contradição constitutiva.



  Escrito por Idelber às 05:20 | link para este post | Comentários (130)


Comentários

#1

Se a idéia é melhorá-la, torná-la mais democrática e plural, whatever, eu diria que a imprensa careceria de críticos melhores. Porque não ajuda em nada criticar a pessoa certa pela razão errada.

Fábio Carvalho em maio 5, 2009 6:15 AM


#2

Caramba! Matou a pau!
Todo dia me pergunto por que não há partidos e organizações da esquerda - os trotskistas, por exemplo - nos blogs, sites e portais independentes?
Eduardo Guimarães se esgoela todos os dias para combater as redes Goebbels, jornalecões e almanaques da Abril. E você não vê um Cristo dessas organizações a participar do combate, que já começa a dar bons frutos.
Veja-se por exemplo o Daniel Lex Luthor Dantas: ele não aparecia na mídia, pois é assim que ele gosta: roubar escondido, tendo a garantia de que a mídia golpista não mencionará seu nome. Ele estava tão feliz nas sombras, igualzinho ao Lex Luthor dos quadrinhos do Super-Homem.
Mas a blogosfera é implacável: desentocou o sujeito, iluminou-o com holofotes virtuais e colocou um guizo em seu pescoço. O pobre homem não tem mais sossego, assim como seu assistente, Coroné Gilmar Dantas.
Sem a blogosfera não haveria a repercussão que a operação Satyagraha teve.
Cadê a extrema-esquerda nesses eventos que mudarão para sempre a história do Brasil?

Roberto Locatelli em maio 5, 2009 8:30 AM


#3

Excepcionalmente, vou abusar do espaço concedido pelo Idelber para um post um pouco mais longo. O assunto assim exige.

A operação Satiagraha marcou um momento único na história do Brasil contemporâneo. Tivesse sido um acidente psicológico, na vida de uma pessoa, ela corresponderia a uma explosão súbita, em plena luz do dia, de todo o núcleo de conteúdos reprimidos que explicam os comportamentos e tendências desse indivíduo. Na vida da nação, representou aquele momento em que todas as estruturas de dominação - as econômicas, as políticas e as simbólicas - tiveram que se mostrar exatamente como são, despidas de qualquer véu ideológico. Aquilo que era apenas teórico, "espiritual", por assim dizer, se fez carne.

O que foi o episódio Satiagraha? Um banqueiro, Daniel Dantas, é submetido à investigação de um delegado, à denúncia de um promotor e finalmente ao processo e sentença condenatória de um juiz, sem que os mecanismos de corrupção normalmente acionados nessas circunstâncias tenham conseguido surtir o efeito desejado. Até aí, teríamos apenas um episódio raríssimo, mas relativamente localizado e plenamente digerível pelo sistema - a submissão de um banqueiro riquíssimo aos rigores de uma lei que claramente não foi feita para que todos sejam tratados em igualdade de condições. Outros banqueiros já haviam sido processados e condenados no Brasil, sem que as cúpulas dos três poderes da República tivessem juntado forças para inocentá-los. Nessas altas esferas, ninguém age por solidariedade para com o companheiro ferido. Quem leva o tiro sabe que só pode contar com as próprias forças para se levantar e procurar um abrigo seguro. Não espera que façam por ele aquilo que todos à sua volta sabem perfeitamente que ele não faria por ninguém.

O que Daniel Dantas tinha, então, de tão especial, de tão diferente? Não tanto o volume dos recursos, mas o modo como ele conseguiu reuni-los, e os grupos políticos a que ele se associou. Daniel Dantas conseguiu construir seu império com base numa relação promíscua com o poder central durante o governo FHC, principalmente durante o episódio da privatização do sistema telefônico. Ao mesmo tempo, num processo que permanece ainda menos conhecido que o primeiro, começou a ocupar a posição central no esquema de financiamento de campanhas de pefelistas e tucanos. À época em que a operação Satiagraha foi deflagrada, era possivelmente a principal fonte de captação de recursos para a campanha presidencial de José Serra. Tudo indica que continua a sê-lo até hoje. Ao mesmo tempo, numa medida que é também difícil de se avaliar, passou a manter contatos intensos com setores do próprio PT, seguindo à risca o receituário tradicional do financiamento privado da política no Brasil: por via das dúvidas, dê para todo mundo.

As regras políticas brasileiras obrigam qualquer partido que esteja disputando seriamente o poder central a conviver diuturnamente com a ilegalidade. O problema não é só o tal caixa-dois. É também (e, na minha opinião, principalmente) o caixa-um. Um empresário só contribui com dinheiro para a campanha de um político se espera benefícios futuros, envolvendo, nos casos mais tradicionais, concorrências fraudulentas e superfaturamento de obras e, nos casos menos comentados, indicações para a mesa de operações do Banco Central, e coisas do gênero. No mínimo, esse empresário deve ter medo de incorrer na ira dos governantes caso não contribua com sua quota. Caixa-um, enfim, é corrupção futura. Paga-se agora, esperando um retorno criminoso meses mais tarde. Já o caixa-dois é falcatrua passada. O Fulano sente a necessidade de lavar dinheiro sujo, e vê na política uma excelente chance para fazer isso. Paga agora, e recolhe depois o dinheiro limpinho, com juros e correção monetária. Todo esse ciclo envolve crimes dos tipos mais variados, cometidos ora pelos políticos financiados, ora pelos agentes financiadores. Juntam-se todos para a consecução daquilo que, aos olhos do bando, deve aparecer como uma variante do "bem comum". Lucro eu, lucra você, lucramos nós, e o resto que se rale.

Até aí, morreu o Neves. Quando Daniel Dantas foi preso, todos poderiam dar de ombros, não fosse por um detalhe. Daniel Dantas tinha provas. Tinha registro de cada etapa desse lado obscuro da vida nacional, com data, local, número da conta na Suíça e tudo mais. Nâo era um PC Farias, que poderia ser calado com um tiro passional. Seus computadores falariam por ele, se necessário.

Foi aí que teve início o maior esquema de acobertamento da história do Brasil contemporâneo, envolvendo os interessados diretos e também toda uma franja importantíssima de aliados ocasionais movidos pelos mais diversos interesses. Na imprensa, muitos foram simplesmente comprados. Um número não desprezível de jornalistas, porém, agiu e age por uma espécie sem dúvida interessante de "idealismo". Têm horror ao governo Lula, e sabem que a prisão de Dantas não seria apenas a prisão de um banqueiro. Seria a derrota definitiva de um projeto de poder que hoje tem como centro a candidatura de José Serra. Como bem disse o ex-presidente Fernando Henrique, a operação Satiagraha é uma guerra pelo controle do Estado brasileiro. FHC só não explicou como, nem por quê. É por isso: se Daniel Dantas for para o ralo, leva junto o projeto de poder da direita brasileira.

A esquerda precisa ter a mesma clareza demonstrada pelo ex-presidente na análise desse episódio. O Brasil todo está ali.

João Vergílio em maio 5, 2009 8:45 AM


#4

Karl Marx defendia a revolução do proletariado contra a burguesia, a tomada do poder e a construção de uma sociedade socialista.

Lenin afirmou que a revolução pode ser possível em países atrasados e agrícolas, através da união dos trabalhadores da cidade e do campo e através da teoria da vanguarda do partido comunista.

Fred = Jesus era comunista diz - O socialismo é uma evolução social, ele só pode vir quando o homem tiver a capacidade de dividir o que consegue - ou seja = Amar o próximo como a si mesmo - máxima da comunidade comunista implantada por Jesus e que deveria ser da Igreja Apostólica Romana, mas que ela nem sabe o que é isso.

Outra maneira de implantar o socialismo é tentativa cro-magnom.

A capacidade cognitiva social do homem tem que ser formada ainda.

E o capitalismo só quer a propriedade privada. Ele não diz que as pessoas, ou governos, tem que sair por aí matando pessoas em qualquer escala, como Bush fez no Iraque ou que o Maluf faz por ter superfatuirado centenas de obras, para ter a propriedade privada.

Isso é deficiência cognitiva social humana.

Fred = Jesus era Comunista em maio 5, 2009 9:24 AM


#5

Eu acrescentaria às ações anti-mídia criminosa: mostrar à população como os pequenos jornais dos grupos de extrema-esquerda são modelos de jornalismo objetivo, de alta credibilidade, em comparação com o PIG. O capital de credibilidade jornalística adquirido pela extrema esquerda nos 91 anos desde 1917 não pode nem deve ser desperdiçado nesta luta.

Mas, Idelber, estarei sentindo um certo cansaço seu na cruzada anti-mídia nesta tentativa de terceirizar a tarefa para o bando de malucos que no fundo não tem nada mais útil a fazer (e cujas tendências obsessivas podem ser muito instrumentais?)?

F. Arranhaponte em maio 5, 2009 9:41 AM


#6

Em relação a retirada dos comentários putrefatos me passa pela memória, não sei porque, a interpelação dos sacerdotes judeus a Jesus.

Voce anda por aqui no meio deles, prostitutas, ladrões, tudo o que a Lei condena.

E Jesus disse: Eu vim aqui por eles.

Se esse blog, não veio aqui por eles, dos putrefatos comentários, pra que serve esse blog?

Simples sala de reunião metida a besta, para troca de idéias de snobs?

Fred = Jesus era Comunista em maio 5, 2009 9:42 AM


#7

Ahhh, eu achava que iria encontrar um post sobre o grande tema atual: o que leva os alvi-negros a serem estes parteiros do nosso sofrimento. Ainda mais quando Roth vira técnico do Galo...

João Paulo Rodrigues em maio 5, 2009 9:50 AM


#8

Idelbar,

gosto do seu blog e ele está sempre cá no meu Reader. Contigo vejo que a internet anda sendo bem aproveitada, pois no mais das vezes estamos de acordo. Mas acho extremamente contraditório apontar a despolitização do PSOL, que descamba para a moral pura e simples, e louvar seu apoio ao delegado Protógenes Queiroz. A figura do justiceiro é, pois, a panaceia - moralista - duma direita que se arvora no sistema penal como a solução mágica para todas as contradições do capitalismo. Não é. Não é numa cruzada contra um demônio pinçado entre os senhores do establishment - no caso o Daniel Dantas - que podemos ter qualquer tipo de esperança. Aliás, é incrível e para mim insuportável que a esquerda, que sempre denunciou as funções não declaradas do sistema penal (a função de controle social dos indesejados, da classe trabalhadora ou forçadamente ociosa), agora passe a se utilizar dos mesmos mecanismos para as suas políticas, legitimando o que desde sua base é nefasto e cruel. Pois se a esquerda hoje em dia quer fazer uma criminalização em massa do colarinho branco, da homofobia, dos crimes ambientais, dentre outras criminalizações que visam a proteção de bens supraindividuais, não poderá reclamar daquele mesmo sistema que age de maneira seletiva sobre o estereótipo do bandido. Essa seletividade não é contingencial, é próprio do sistema penal, e qualquer sucesso da esquerda nesses seus desígnios criminalizante servirá apenas para que o sistema penal volte com uma carga excessiva de violência contra os seus clientes típicos, os favelados, agora pretensamente legitimado porque em tese é igualitário e também persegue os ricos. Um Maluf e um Dantas legitimarão milhares de Zés-Ninguém. E nisso, por incrível que pareça, estou mais com o Mendes que com o Barbosa, pois aquele andou criticando o Estado policialesco - que é realmente policialesco para muita gente, diga-se - enquanto o Barbosa quer se tornar uma nova cara no Supremo, um justiceiro a quem basta ouvir o povo. Ouvir o povo não é ouvir a opinião pública, mas a opinião publicada - outra contradição no seu texto, que ataca o monopólio midiático - e lemba muito o código penal da Alemanha nazista, para quem era crime "ofender o sentimento do povo alemão"... Nisso, o juiz De Sanctis é outra palhaçada, pois até cita Carl Schmidt, o constitucionalista daquela Alemanha. Claro, também acho o Mendes uma figura lamentável quando fala do MST, por exemplo.

No mais, concordo com o resgate do leninismo!

Abraço!

Felipe em maio 5, 2009 9:55 AM


#9

Tá inspirado, hein Idelber? Pô, ótimo !

Cesar S. em maio 5, 2009 10:08 AM


#10

Idelber,
estou longe de acreditar que PT e PSDB sejam a mesma coisa, mas me parece claro que ambos nasceram embebidos numa certa matriz cultural comum. São partidos paulistas, que se apoiaram socialmente em setores tidos como modernos no capitalismo brasileiro (operários do ABC, emrpesários etc.). Ambos também rejeitavam a história brasileira, lida pela chave do "populismo", e atacavam a forte presença do Estado nas relações de classe no Brasil ("A CLT é o AI-5 dos trabalhadores", remember?). Ou seja, o norte de seus programas era uma espécie de modernização que implicava a ruptura com a Era Vargas. A diferença foi o aggionarmento que o PT fez ao longo dos anos 1990, aproximando-se de setores oriundos da matriz trabalhista e incorporando algo da linguagem e da agenda desses setores. Hoje, de fato, ocupam posições distintas, mas continuo achando que uma dualidade resumida entre PT e PSDB é insuficiente para dar conta da imaginação política necessária.
Sobre a extrema-esquerda, acho que você forçou um pouco na crítica ao PSTU. É claro que "os trabalhadores não pagarão pela crise" é uma palavra de ordem que aponta o sentido para uma agenda, e não uma ingênua confusão entre ser e dever ser. É uma forma justamente de localizar o tema principal na rua e no mundo e imprimir uma leitura que organize agendas práticas, tais como impedir demissões, lutar por salários e por taxações a setores financeiros. É simples. E eu estou looooonge do PSTU, rsrsrs. Não creio que a grande mídia seja, hoje, o tema que mobiliza corações e mentes do mundo popular brasileiro.

João Marcelo em maio 5, 2009 11:26 AM


#11

Idelber, antes de mais, deixo aqui meus efusivos elogios ao blog e à qualidade dos seus textos.

Sobre a ideia que desempenha importante papel nesse post, sintetizada no seguinte trecho:

"O PSOL, o PSTU e o PCO deveriam parar de brigar, abandonar o sofisma -- desmentido pela história brasileira recente -- de que PT e PSDB são duas faces do mesmo projeto político"

Faço a pergunta apenas porque já vi aqui referências ao nome do Chico de Oliveira. Você discorda tão frontalmente da avaliação que ele faz do governo Lula e das relações deste com a burguesia nacional?

Para os curiosos, as avaliações estão expressas em dois artigos interessantíssimos:

"Lula in the Labyrinth", publicado na New Left Review e disponível no site da revista (http://www.newleftreview.org/?page=article&view=2642) e "O ornitorrinco", publicado pela Boitempo junto com "Crítica à razão dualista" (2003).

Abraços.

Paulo em maio 5, 2009 11:47 AM


#12

Esperar coerência dessa gente é ilusão. Para mim PSTU e PFL são a mesma coisa, Psol e PSDB idem. Eles jogam contra o Brasil, e Lênin tratou deles em “o esquerdismo doença infantil do comunismo” .
No começo 2004 fui a um ato público que não tinha nada a ver com o governo federal, era algo como, apoio ao MST sei lá. Subiu o palanque um tipo desse, e começou a sentar o pau no governo, só me lembro da sensação que tive, parecia que eu estava ouvindo, um cara do PFL com uma camiseta vermelha.


Luiz Lozer em maio 5, 2009 11:52 AM


#13

Qual é o seu número e partido??
rsrsrsrs.
Onde eu assino??

Abs.

Edk em maio 5, 2009 11:55 AM


#14

Dois dias seguidos com dois textos assim não é mole, não.

Há uma dificuldade colossal, olímpica, monstruosa para colocar a democratização da comunicação como pauta relevante da esquerda. Um exemplo: Chico Alencar (PSOL) foi o único candidato a prefeito do Rio em 2008 que concedeu uma entrevista coletiva só para blogues, mídia democrática etc. Mas, pelo que me disseram, foi um parto para se conseguir convencer pessoas dentro do partido da importância daquele espaço de duas horinhas. Eu mesmo acho que o Chico, por exemplo, bate bem pouco nesse tema da democratização da comunicação. E concordo com os equívocos de eleger a moralidade como bandeira. Quando se discute apenas ética, deixa-se de discutir política.

Fiquei com a mesma impressão que o João Marcelo quanto a uma forçação de barra na crítica à manchete do PSTU.

Agora, para quem considera que partidos como PT, PCdoB, PDT e PSB, uma vez no poder, continuam defendendo e colocando em prática, hoje, projetos de esquerda para o Brasil (ou seja, são significativamente diferentes de partidos da ordem como PSDB), cabe a pergunta: o que fizeram, no governo federal, para afinar a mídia gorda e democratizar a comunicação? Nada ou quase nada.

Na verdade, contribuem para alimentá-la e fortalecê-la com polpudas fatias de orçamento público. Por que as concessões que venceram em 5/10/2007 foram renovadas "automaticamente", sem escrutínio e discussão pública (e, pior, sem análise das programações à luz dos artigos 220 a 224 da Constituição Federal)? Que papel estratégico e prático desempenha uma figura como Hélio Costa na pasta das Comunicações (além de abrir a vaga dele de senador para um dos maiores tubarões do ensino superior privado no país)? Por que não se mexeu até hoje na Lei Rouanet? Por que pagam pelo horário eleitoral gratuito? Por que se gasta com propaganda? Por que não há editais de apoio à diversidade de meios de comunicação? Por que não são investigados os parlamentares que detém concessões públicas de rádio e televisão, algo proibido pela Constituição? Por que não se fez como Roberto Requião, que zerou o gasto de dinheiro público com publicidade para engordar a mídia insaciável?

Aqui no Rio, o governo do estado (do qual PT e PSB fazem parte), aquele que pratica política de extermínio contra a população pobre, é farto e sistemático anunciante do Futebol 2009 da TV Globo, das rádios AM com maior audiência (Globo e Tupi, ambas com jornalismos e projetos extremamente reacionários) etc.

Rafael Fortes em maio 5, 2009 12:20 PM


#15

Idelber,

Não é verdade que não haja luta pela democratização da mídia dentro da esquerda (PT é centro, no máximo).
Houve protestos na renovação da concessão da globo, há discussões permanentes sobre democratização da mídia, desde rádios comunitárias, até a questão do espectro aberto e TV digital, e terminando na questão da inclusão digital. Sem falar no apoio e participação em mídias alternativas, desde o CMI até o Brasil de fato.


É verdade que às vezes essas lutas não ecoam dentro dos partidos políticos que você listou. Mas está lá em algumas correntes. Por exemplo, no Enlace, corrente do Psol. Dá uma olhada no site lá...
http://www.enlace.org.br/

Acontece que são partidos pequenos, com muitos ex-petistas e que acabam colocando mais peso nas questões do PT do que deveriam. É até natural, do ponto de vista da pessoa humana...

abraços
Manoel

Manoel Galdino em maio 5, 2009 12:35 PM


#16

Só pra mostrar o que falei anteriormente,
mando link de texto do Bensaid, publicado no site od Enlace, que fala de Lenin e, entre outras coisas, diz o mesmo que vocÊ diz aqui:

"É por isso que o partido tem por tarefa especialmente ficar à escuta, decifrar no campo político a maneira frequentemente inesperada pela qual se manifestam estas contradições (uma luta estudantil, o caso Dreyfus, a questão eleitoral, um incidente internacional)."

http://www.enlace.org.br/teoria/lenin-ou-a-politica-do-tempo-partido-daniel-bensaid/

Manoel Galdino em maio 5, 2009 12:41 PM


#17

Concordo integralmente com o Felipe, logo acima, e venho afirmando isso há tempos aqui e em outros blogs sobre a interpretação que vocês têm feito do caso Dantas e adjacências. A esquerda não pode cair na armadilha de relegitimar o sistema penal, que, como bem apontou o Felipe sem referência direta, já foi destrinchado pela Criminologia Crítica dos anos 70 na sua seletividade e funções ocultas. Toda arbitrariedade que cair sobre a cabeça de Dantas vai cair em proporção 1/10000 sobre os subcidadãos que são a verdadeira clientela do sistema penal. É um tremenda armadilha a que está caindo a esquerda.
Se puder indicar algo para vocês, recomendo darem uma olhada em textos da Maria Lucia Karam, criminóloga carioca, e no argentino Eugenio Raúl Zaffaroni, o maior penalista da América Latina e, na minha opinião, do mundo. Legitimar o sistema punitivo seduzidos pela penalização do "colarinho branco" é algo completamente contraditório com a tarefa emancipatória que se propõe a esquerda. O sistema penal é uma máquina de morte e extermínio. Fazer campos para ricos não vai mudar nada.

Moysés Neto em maio 5, 2009 12:50 PM


#18

Como certa pessoa escreveu sobre a alegoria da derrota, o Brasil e a América Latina fizeram a travessia do "Estado" para o "Mercado".
Nessa passagem, a mídia sempre foi uma participante ativa. Tanto que achou que seria um global trader nos 1990. No esteira do embuste chamado Plano Real, a imprensa brasileira tomou empréstimos em dólar.
Todas as empresas jornalísticas foram para o vinagre com as crises de 1999 e 2002. Restou vender pedaços de controle acionário para estrangeiros e arrivistas nacionais: Rede Globo-NET para Carlos Slim, UOL-Folha para Portugal Telecom, JB para Tanure, Abril para sul-africanos que patrocinaram o apartheid, RBS para Armínio Fraga, Estadão para os bancos credores (Unibanco). Não sobrou nada entre os grandes.
A crise da mídia vem de mais longe e não se dá pelo surgimento de blogs e tal. É crise de base material, financeira, ligada a um projeto de mercado que faliu em 1997 e hoje virou piada. Mas a mídia segue acreditando.
O que essa turma da mídia faz é tentar resgatar o projeto do mercado, do Plano Real, cujo braço jurídico chama-se Gilmar Mendes.
Gilmar Mendes foi responsável por dar a base de interpretação jurídica às privatizações e às aberturas de mercado dos anos FHC. Lá está no STF para garantir aquelas medidas tomadas de 1994 a 2002. É o mercado.
Mídia e Gilmar são cavalos de batalha de um projeto, o projeto do mercado, que é louvado por pensantes como FHC e Vargas Llosa.
Ou seja, o inimigo a ser batido é projeto de mercado.

enio em maio 5, 2009 12:54 PM


#19

Enganam-se aqueles que acreditam na unanimidade e na verdade única. O bom de ler seus posts, caríssimo Idelber, é a clareza com que vc expressa suas idéias, é a "cara-a-tapa" que vc oferece, é o pensamento e escrita articulados, além, é lógico, da comunhão de muitas idéias. É preciso ter a vivência que vc teve - e tem - para atinar com a complexidade e as contradições da política. Parabéns.

Cláudio Costa em maio 5, 2009 12:58 PM


#20

vale a pena ver o post sobre a república morumbi leblon no rafael galvão...é de morrer de rir....uma foto vale mais que mil palavras.

http://www.rafael.galvao.org/

Luís em maio 5, 2009 1:21 PM


#21

F. Arranhaponte #5,

O grande problema é que os tais "pequenos jornais dos grupos de extrema-esquerda" não "são modelos de jornalismo objetivo, de alta credibilidade" em comparação com nada. Eles distorcem e falsificam mais do que qualquer Folha ou Estadão. No fundo, esta "guerrilha" a qual o blogueiro se refere, não me parece outra coisa se não intolerância e autoritarismo, a mais completa incapacidade de lidar com a diferença e a pluralidade. Eu diria mais até. A idéia desta "guerrilha" é criar uma espécie de limbo onde a opinião do Zé vale o mesmo que a de um veículo centenário, lido (e portanto submetido ao escrutínio) por milhares de pessoas. É neste momento que a mentira constante e a imprecisão eventual e relativa viram a mesma coisa.

rodolfo em maio 5, 2009 1:33 PM


#22

Pô, João Vergílio, que tristinha a direita nacional, não? Jogou todos os ovos na cesta de um único bandido? Com tantos outros aí à solta?

Quer dizer, com o DD atrás das grades, não vai haver um único mísero empresário safado e corrupto disposto a financiar a campanha demoníaca do Serra (aquele do chifrinho lá nos Amigos do Presidente Lula) à presidência? O esquema de financiamento reconhecidamente puro, honesto e inatacável do PT vai prevalecer assim de forma tão arrasadora e fatal sobre a máfia das sombras que garante a bufunfa pro PSDB praticar o mal?

Bem, se for verdade, uma direita assim tão na penúria já era para ter sido eliminada há muito tempo. Vou cobrar uma indenização de vocês de esquerda por todo o tempo em que eu indevidamente NÃO vivi no paraíso socialista.

F. Arranhaponte em maio 5, 2009 1:35 PM


#23

Mas, Idelber, estarei sentindo certo ânimo seu na cruzada antimídia nesta tentativa de agregar à tarefa esse bando de idealistas, já o que, no fundo, nada seria mais útil ao que fazem (e cujas tendências obsessivas podem ser muito construtivas?)?

Paulo Cunha em maio 5, 2009 1:55 PM


#24

Excelente o post. Ele abre as portas para um debate necessário e infelizmente pouco presente na blogosfera, ou mesmo fora dela. Não é nova a escorregada do esquerdismo pequeno-burguês. Lênin dedicou um livreto para combatê-los quando surgiram e começaram a fazer seu estrago. Não inventou nada novo, apenas deu uma aula magistral de marxismo, e isso tem quase um século. Infelizmente a boa lição não bastou. No Brasil, um bom exemplo da longevidade destas idéias: algumas das tendências que hoje não fazem distinção entre PT e PSDB diziam coisas assemelhadas para a oposição à ditadura militar. A única tática ficava na palavra de ordem: “Greve geral derruba general”. Toda a luta que envolvia setores da sociedade que não vestiam um macacão sujo era vista por eles com desconfiança. Cada degrau possível de conquista era desprezado. A tática era uma linha reta. Para seus críticos, diziam arrogantes: “Quanto pior, melhor”. Alguém precisa botar essa gente na sala de aula. Sugiro começar pelo tema “luta de classes”. O conceito anterior e desenvolvido por Marx e Engels, demonstra que esta luta independe da vontade da vanguarda. Ela é travada em vários campos, cenários. No Brasil, está também fortemente presente na luta contra a concentração da mídia, na luta pela democratização do judiciário, na disputa pelo poder do estado. O que fazem é olhar para o outro lado, talvez ainda procurando um macacão sujo, desdenhando de todos, ainda a imaginar que quanto pior melhor.

Jurandir Paulo em maio 5, 2009 2:05 PM


#25

Idelber: a sua proposta é em linhas gerais correta e mostra que você pegou bem um dos sentidos do leninismo, que é o de articular a luta particular do proletariado com uma luta geral pela emancipação humana, como se vê abaixo:

"A questão que se coloca é: em que, portanto, deve consistir a educação política? Podemos nos limitar a difundir a idéia de que a classe operária é hostil à autocracia? Naturalmente, não. Não é suficiente esclarecer os operários sobre sua opressão política (como não o seria esclarecê-los sobre a oposição de seus interesses em relação aos de seus patrões). É necessário fazer a agitação a propósito de cada manifestação concreta desta opressão (como fizemos em relação às manifestações concretas da opressão econômica). Ora, como esta opressão se exerce sobre as mais diversas classes da sociedade, manifesta-se nos mais diversos aspectos da vida e da atividade profissional, civil, privada, familiar, religiosa, científica etc. etc., não se torna evidente que [se não nos envolvermos também nestas esferas] não realizaremos nossa tarefa, que é desenvolver a consciência política dos operários?" (O Que fazer?, Cap.III).

Qualquer demanda concreta pode, portanto, servir de base à educação política das massas; o problema està em articular estas demandas à uma ideologia definida, e aí é que não sei se - mesmo superadas as divergências sectárias entre PSTU e PCO - o PSOL aceitaria "marchar separado, golpear junto". Para o que o PSOL quer, basta a exaltação conjuntural de um delegado e de um ministro do STF politiqueiros; o PSTU e o PCO teriam de fazer demandas mais gerais, sobre a "liberdade de imprensa" da burguesia, a verdadeira finalidade do STF, com seus jurisconsultos vitalícios e inamovíveis, e daí por diante. Mas seja como fôr, vc. está apontando na direção (geral) certa.

Carlos em maio 5, 2009 2:08 PM


#26

João Vergílio,
Permita-me um comentário sobre uma parte de seu texto, que achei muito bom?
"Como bem disse o ex-presidente Fernando Henrique, a operação Satiagraha é uma guerra pelo controle do Estado brasileiro. FHC só não explicou como, nem por quê. É por isso: se Daniel Dantas for para o ralo, leva junto o projeto de poder da direita brasileira."
Se Daniel Dantas for para o ralo ele não leva somente o projeto de poder da direita brasileira. José Dirceu é o que? Ora, Daniel Dantas se aliou a uma parte do PT para se fortalecer na guerra contra Gushiken, que passou a mandar nos fundos de pensão desde a vitória de Lula. E isso acabou com a festa de Dantas.
Essas entranhas serão reveladas se ele realmente cair. E aí, não é questão de direita ou esquerda. Os esquemas são os mesmos para todos. É isso que será exposto. Cai todo mundo meu caro. A grana que José Dirceu (e seu grupo) conseguiu juntar para financiar campanha não vai pra Serra, vai pra Dilma ou qualquer candidatura que ajude a um segundo turno.
Quanto ao Serra, também deve estar juntando muita grana, seja através da Prefeitura, seja através do Governo.
Por isso, sob o ponto de vista dos meios, são todos iguais e saem todos prejudicados com a queda do banqueiro.
Obrigada, gosto sempre dos seus comentários.

Mari em maio 5, 2009 2:08 PM


#27

Idelber,
os atos realizados até agora contra Gilmar Mendes ou foram organizados pelo PSol ou por setores simpáticos ao MST (na maioria das vezes, ambos, como o da sabatina da FSP).

O mandato do deputado Ivan Valente entrou há pouco com um representação no Ministério Público de São Paulo contra a parceria (ao que tudo indica, ilegal) entre o governo Serra e a Editora Abril na compra de revistas.

Aliás, a candidatura do mesmo Ivan Valente a prefeito no ano passado dedicou boa parte do seu pequenino tempo de tevê para esclarecer a população sobre como a Rede Globo mentia quando justificava o formato excludente do seu debate entre prefeituráveis.

Acredito que o PSol esteja fazendo o bom combate nessa linha que você sugere.

Mas o problema é outro. A crise econômica deflagrada nos Estados Unidos abre um novo cenário para a esquerda (brasileira e mundial) e é preciso que as mais diferentes e divergentes forças sociais que lutam pela superação deste atual modelo (econômico, político e social) preparem-se para intervir significativamente neste processo. No dia 30 de março houve em São Paulo um ato unificado como não se via há muitos anos. Acho que o caminho para universalizar pautas e reivindicações está aí.

Não será fácil reverter a pulverização da esquerda ocorrida após a ascensão do PT ao governo federal. Penso que cabe a esses partidos que você cita, antes de tudo, tentar sair do gueto. E isso não se faz apenas cavando trincheiras contra esses grandes grupos midiáticos, mas principalmente esforçando-se na organização popular que apresente uma saída para esta crise pelo ponto de vista "dos de baixo", como dizia Florestan Fernandes.

Ao contrário do que você coloca, acho que deve-se combinar ações e lutas. Mas entre os que têm seus empregos e diretos ameaçados e a classe média que sustenta esses veículos de comunicação (especialmente os jornais e as revistas) demarca-se uma prioridade, na minha opinião, óbvia.

Abraço,
João

João Carlos Ribeiro Jr. em maio 5, 2009 3:19 PM


#28

Mas aí vai minha dúvida. Você está apontando caminhos estratégicos, bandeiras a serem utilizadas, o "o quê fazer".

Minha dúvida em relação à extrema-esquerda hoje é em relação a seus objetivos. O que queremos? qual sociedade queremos construir? com o fracasso das experiências comunistas na Europa, qual o caminho a seguir? cadê a autocrítica em relação ao passado e cadê a direção a ser perseguida no futuro?

acho que o problema da esquerda hoje não é "o que fazer", porque ainda temos muito luta justa pela frente. Para mim, o maior problema é "aonde queremos chegar".

por exemplo (Pobre exemplo, por favor), não faz mais sentido, no início do século XXI, falar em revolução feita pelo proletariado - não só porque o proletariado se aburguesou como também porque eles não são a parcela mais numerosa da classe trabalhadora - e com a mecanização e robotização das linhas de produção, serão cada vez menos.

Para onde vamos?

Radical Livre em maio 5, 2009 3:43 PM


#29

Arranhaponte,

Creio que não é 'terceirizar' a luta contra o instrumento de poder caracterizada como 'grande mídia', mas sim buscar novos aliados... ou estou errado, Idelber?

Aliás, "a interpretação revolucionária da realidade começa com a identificação da sua contradição constitutiva" é, para mim, uma boa definição do 'marxismo humanista' tão necessário nessa era pós-URSS, pós-11 de setembro, 'pós-tudo'. Pois humanismo não significa algo necessariamente 'flores', afinal, o bicho-homem é um ser contraditório... humanismo é reconhecer as próprias limitações, tem pouco a ver com a moral e... opa, tô divagando!

Abraços

Luis Henrique em maio 5, 2009 3:48 PM


#30

Brilhante!!! Historicamente, a esquerda sempre se divide e a direita, na hora "H", se reúne. Uma pergunta que poderia ser feita é o porquê da existência do PCO, PSTU e PSOL. São meros "spin-offs" do PT. Os dois primeiros oriundos de facções mais à esquerda do partido, atropelados pelo trator da Articulação. E o PSOL, oriundo do vedetismo de certos ex-petistas, que queriam espaço na mídia e se lambuzaram na época do dito "mensalão" (HH, Babá e Chico Alencar conseguiram seus 15 min. de fama e foram descartados pela mérdia, como o Sr. Gabeira algum dia será.).

Johnny em maio 5, 2009 4:12 PM


#31

A esquerda e seu grande drama: a agenda.

Cláudia em maio 5, 2009 4:48 PM


#32

Vamos tirar o GILMAR DANTAS do STF!

http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=10009

Aline em maio 5, 2009 4:50 PM


#33

Idelber, ainda na semana passada, aqui em Macaé-RJ, o professor Emir Sader fez uma análise bastante parecida sobre o PSol. Percebo que está afinado com ele.

Guilherme Póvoas em maio 5, 2009 4:59 PM


#34

Idelber, meio off-topic, mas sobre essa questão da mídia, vale ressaltar o trabalho do site Donos da Mídia (http://www.donosdamidia.com.br/), que tem tentado mapear os donos e diretores de todos os grupos e meios de comunicação do Brasil.

Ótima fonte de pesquisa.

Marcelo P. em maio 5, 2009 5:20 PM


#35

E a tal reforma agrária , que quando distribui terras nem se importa em dar apoio e ensinar as novas formas de plantio da terra , e pior não fiscaliza os diretores da mst e por aí vai , é incrivel o numero de terra arrendada que agora serve de extração para grandes serralheiras .
Enfim o PT é podre .

Daniel Pinto em maio 5, 2009 5:26 PM


#36

"O que essa turma da mídia faz é tentar resgatar o projeto do mercado, do Plano Real, cujo braço jurídico chama-se Gilmar Mendes."

Caramba, graaaaaaande Enio! Eu sempre digo que as suas interpretações tem um quê de arte que falta às dos demais companheiros

F. Arranhaponte em maio 5, 2009 5:30 PM


#37

Estratégia para acelerar a putrefação da mídia


A mídia depende basicamente de:


1) Leitores

2) Anunciantes


Estes são os dois pilares da mídia tradicional.


Para reduzir o número de leitores, precisamos promover a imprensa alternativa -- particularmente a blogosfera.


Como fazer isso? Enviando notícias da blogosfera para nossos amigos. Especialmente aquelas que apontam as mazelas da mídia.


Também é possível colaborar fazendo referências cruzadas entre diversos blogs. A união dos blogs, em rede, torna-os mais fortes.


Finalmente, precisamos atacar a segunda fonte de recursos da mídia, que são os anunciantes.


Eu já fiz isso uma vez, com uma edição da VEJA:


http://capitao-obvio.blogspot.com/2009/01/quem-patrocina-corrupo.html


Precisamos fazer isso com mais frequência. A cada semana. E cada vez que for publicada uma nova lista, uma nova corrente de referências cruzadas, que manchará a imagem dos anunciantes.


Partindo do princípio que os anunciantes são inocentes, eles devem ser alertados para o fato de que patrocinam indiretamente a mentira e a corrupção.


Se eles não forem inocentes, se tiverem interesses escusos em patrocinar este jogo sujo, devem sofrer as consequências.

Capitão Óbvio em maio 5, 2009 5:58 PM


#38

Acabei de publicar um post no meu blog, desenvolvendo uma estratégia para acelerar a putrefação da mídia tradicional.

Capitão Óbvio em maio 5, 2009 6:23 PM


#39

Marcelo P.: puxa, off-topic de jeito nenhum. Na mosca e bem no tema do post, esse link. Eu havia visto esse site "Donos da Mídia" uma vez mas, como soi acontecer na internet, eu o tinha perdido de vista. É muito bom mesmo.

OK, vou pegar um café e vou responder alguns comentários. Já volto.

Idelber em maio 5, 2009 6:25 PM


#40

Mas, Idelber, estarei sentindo um certo cansaço seu na cruzada anti-mídia nesta tentativa de terceirizar a tarefa para o bando de malucos que no fundo não tem nada mais útil a fazer (e cujas tendências obsessivas podem ser muito instrumentais?)?

Caramba, Arranhaponte, eu saio do maior barraco da história do Biscoito, escrevo um post de 1.000 palavras e você me diz que estou cansado? Não, de jeito nenhum. Não quero terceirizar. Quero que a extrema-esquerda se dê conta de qual é a contradição central no Brasil hoje. É isso que o Luiz Henrique disse: eu quero mais aliados. Não acho que o PSOL possa ser caracterizado de "maluco". Há, sim, ligeiro grau de maluquice no PSTU e no PCO. Mas é do jogo. Eu toparia ter alguns aliados malucos nessa história. Sem problemas :-)

Isso denota ânimo, não desânimo, como o Paulo Cunha falou.

Aliás, Arranha, voltando ao tema da caixa anterior, em que você apontava que eu misturava PT-PSDB na questão do Oriente Médio, não deixa de ser instrutiva a fotografia que o Rafael Galvão publicou hoje. Pelo jeito, tem mais gente metendo PT-PSDB no meio desse imbróglio.

Idelber em maio 5, 2009 6:39 PM


#41

João Marcelo: acho corretíssimo (quase) tudo o que você disse sobre PT e PSDB. Mas eu tenho uma discordância: a visão de que ambos são partidos "paulistas" é um meme que se repete com certa frequência e que, acho, não atenta suficientemente para a história do PT em outros lugares. Claro que a matriz central é o ABC. Mas limitando-me a dois estados, MG e RS, contesto essa tese. Se você der uma olhada na história do RS, verá que já em 1978, 79, há uma imensa agitação pró-PT no cordão industrial. Mesma coisa em Betim. Não dá para estudar a história do movimento operário nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte e Porto Alegre e continuar dizendo que o PT é um partido "paulista". Creio que essa visão é muito forte no Rio de Janeiro mas ela denota, ela mesma, uma percepção cariocopaulistocêntrica (sim, hoje estou abusando) da história brasileira.

O PSDB é outra história, claro, porque não nasceu como o PT, de um movimento social, mas a partir de uma dissidência de parlamentares e governadores do PMDB. Abração.

Idelber em maio 5, 2009 6:58 PM


#42

Ok, acho que sou eu que estou ficando cansado. Entrego os pontos. Só não vão me mandar para o paredón quando da vitória final das forças revolucionárias - tenho duas filhas para criar (tá certo, apelei feio, mas é muito de gozação, juro):-)

F. Arranhaponte em maio 5, 2009 7:05 PM


#43

Arranha, quando os bolcheviques tomarmos o poder, eu lhe garanto que você não vai para o paredão. Você será o meu comissário especial para o diálogo com as forças contra-revolucionárias.

Desta vez nós vamos fazer as coisas direitinho, você vai ver :-)

Idelber em maio 5, 2009 7:10 PM


#44

Vou cobrar, hein?

F. Arranhaponte em maio 5, 2009 7:17 PM


#45

Eu fico estupefato em ouvir falar em Lenin, Marx, Trotsky, etc. que embarcaram numa teoria furada, e que transformaram a URSS num açougue humano, onde os corpos ficavam no frigorífico siberiano, ou jogados em valas comuns nos países vizinhos e mesmo na URSS.
São caras que com uma teoria avançadíssima não conseguiram estabelecer as equações do fenômeno e mesmo assim a aplicaram, causando a morte de milhões.
Quiseram instituir um Estado para chimpanzés, que mesmo á morte de milhões não deu certo por motivos óbvios:
Os chimpanzés não tem evolução suficiente.

Vivemos no AMWAY.

O anunciante faz a propaganda na mídia que vende.
Mesmo que seja uma porcaria social, mesmo que use o jornalismo não para reportar, mas para formar opinião em seu proveito.

É o AMWAY. Ele é assim. Paranóico no lucro.

O Brasil tem dois problemas. Um é a Justiça, que não existe. Está contaminada pelo sistema´.

O outro são 100.000.000 de miseráveis.

O primeiro é a causa da corrupção. Havendo Justiça não há corrupção. E ela é a meu ver a parte que devemos focar porque pressionando o Congresso e a própria Justiça com milhões de e-mails mensalmente, todo mês, cobrando justiça para os casos de corrupção, tenho certeza que melhoraremos neste ponto. É fácil de fazer´porém demorado.

As pessoas são mais fáceis de pressionar, principalmente se precisam de votos.

Difícil, muito difícil lutar contra o sistema.

É mais fácil lutar contra pessoas.

Fred - Jesus era comunista em maio 5, 2009 7:33 PM


#46

Arranhaponte,

O que eu disse não é que Daniel Dantas seja o último biscoito do pacote. Desse ponto de vista, ele poderia ser descartado sem problema nenhum. O projeto de eleição do Serra não iria para o ralo por falta de dinheiro, mas por excesso de informações. Todo o problema era (e continua sendo) não abrir a caixa de Pandora dos arquivos de Daniel Dantas. Ou você tem alguma dúvida de que dentro deles está descrito em detalhes o funcionamento completo de boa parte do caixa 2 do PSDB e do DEM? Esse é o ponto.

Mari,

Você tem toda a razão sobre o PT. Basta uma visita ao blog do José Dirceu para comprovar isso. Foi um dos que pediram a cabeça do delegado Protógenes com maior ênfase.

João Vergílio em maio 5, 2009 7:38 PM


#47

Insisto na necessidade de financiarmos nossas reportagens
Começando pequeno, mas crescendo aos poucos!

abçs

rabbit em maio 5, 2009 7:46 PM


#48

Mas não do PT, Vergílio? Não eram as telefônicas do DD que teoricamente abasteciam a agência do Valério? Eu com certeza acompanho muito menos esse assunto que você, mas, pelo que me lembro, o roteiro básico do mensalão, na versão dantocêntrica, era DD-Valério-Dirceu. Se eu estiver enganado, me diga

F. Arranhaponte em maio 5, 2009 8:21 PM


#49

Depois vou escrever mais, pero:

À meia-dúzia de trolls que andam dizendo que o Biscoito Fino e a Massa "censura" comentários discordantes, está lançado nesta caixa o desafio para que entrem no debate armado aqui, entre as inteligências cintilantes de Arranhaponte e João Vergílio e mostrem que querem discutir algo relevante. Desativei a moderação de comentários instalada ontem às 22:00 de Brasília.

Idelber em maio 5, 2009 8:27 PM


#50

Parabéns.

Fred - Jesus era comunista em maio 5, 2009 8:30 PM


#51

Mas acho extremamente contraditório apontar a despolitização do PSOL, que descamba para a moral pura e simples, e louvar seu apoio ao delegado Protógenes Queiroz

Obrigado pelo belíssimo comentário, Felipe. Respondo só ao trecho destacado. Meu raciocínio é o seguinte: 1) Protógenes cumpriu uma função belíssima -- inclusive-viu-seu-Arranhaponte-que-às-vezes-me-acusa-de-binarizar-PT-PSDB- -- ao desvendar o mecanismo criminoso sobre o qual vem se apoiando parte do capitalismo brasileiro e que chegou a contaminar -- contaminar mesmo, uso a metáfora biológica conscientemente -- o maior e mais interessante partido de esquerda já construído no Brasil, quiçá na América Latina; 2) no contexto de hoje apoiá-lo é fundamental, por mais que ele seja messiânico, tenha cometido um ou outro deslize formal etc. ; 3) centrar nisso aí uma plataforma política nacional é bobagem, é coisa que para a esquerda é burrice mesmo.

Enfim, sintetizado rapidamente, é assim que vejo o que chamo de "udenismo de esquerda". Abs.

Idelber em maio 5, 2009 8:48 PM


#52

uauauaua

Izabella em maio 5, 2009 8:51 PM


#53

clap, clap, clap ... Muito bom!

Izabella em maio 5, 2009 8:54 PM


#54

"Como trabalham com o sofisma de que PT e PSDB são irmãos gêmeos, os partidos de extrema-esquerda não compreendem por que raios se forma de maneira tão furiosa a articulação Gilmar Mendes-Revista Veja e seus capangas".

Idelber, concordo que e PT e PSDB não são a mesma coisa (embora não representem uma dicotomia como "liberais X conservadores" nos EUA), mas se há algum episódio em que PT e PSDB se parecem e estão envolvidos até o pescoço e nesse imbróglio Dantas-Gilmar-Satiagraha.

Até o mundo mineral sabe que o mensalão foi irrigado pelo Dantas. No episódio Satiagraha, o governo Lula desmobilizou a operação do Protógenes, retirando da investgiação não só o delegado, mais outros dois de sua equipe. O mesmo governo faz tudo para dificultar a vida do delegado, e da investigação. Depois posa de estadista no Pacto Republicano, abraçado a Gilmar. Na famosa carta a Obama, Protógenes diz que Lula está no payroll de Dantas. Talvez não seja verdade, mas essa sequência de fatos não é nada auspiciosa.

Quanto a VEJA, bem, se eu fosse jornalista do PIG e quisesse incomodar mesmo o Lula, eu iria investigar essa relação dele com a Andrade Guitierrez. O presidente muda uma lei pra criar a BrOi e fazer da AG a sócia majoritária da maior empresa de telefone fixa do Brasil. Depois, o presidente ressuscita uma licitação da AG, com reajuste bilionário, para construção da Usina nuclear em Angra dos Reis, depois de mais de 20 anos que a construção foi parada. E, claro, a AG foi a principal financiadora de campanha do presidente e deu dinheiro para o filho do presidente montar sua empresa. Eu estaria muito a fim de escrever sobre isso se fosse do PIG. Encher o saco do governo. Mas o PIG não está nem aí para essa sequência de fatos. Prefere escrever sobre cota de passagens de avião, e o "uso politico da doença de Dilma".

Se há eventos em que PT e PSDB se parecem é nessa promiscuidade com agentes corruptores do capitalismo brasileiro. Nisso, os partidos de extrema-esquerda estão certos. Se é para pedir impeachment de Gilmar, vamos pedir impeachment de mais uma ruma de gente também, pois fazem parte de um sistema completamente corrompido na sua totalidade. Abração

Cesar em maio 5, 2009 9:19 PM


#55

É impressão minha ou as armas de muita gente aqui são apontadas prioritariamente para a mídia gorda impressa: jornais (de tiragens historicamente ridículas no Brasil) e revistas?

Até entendo que estes podem perder parte de seus leitores para blogues, informação alternativa, independente etc. Aliás, alternativas já existem, exceção feita a um jornal diário de esquerda ou de centro e circulação nacional, coisa que não existe.

Mas, gente, e rádio? E televisão? E o Jornal Nacional? E o Fantástico com a reportagem mentirosa sobre os capangas do Pará atirando nos sem-terra? Alguém acredita que a Rede Globo de televisão e seu jornalismo (sic) estão sofrendo uma crise de credibilidade?

Ao que me parece, essa história existe desde, pelo menos, a edição do debate de 1989. Apesar desse prognóstico, a emissora sobrevive olimpicamente, reinando com grande audiência, recebendo polpudos recursos públicos e apoio político de todos os presidentes do Brasil (não obstante sua posição em relação aos governos dos mesmos).

Da maneira como o debate é colocado, me parece haver um grande exagero em relação ao poder dos blogues. Tudo bem, se fôssemos todos pessimistas em relação e este poder, não perderíamos nosso tempo aqui... ; )

Sou contra as iniciativas? Óbvio que não. Toda e qualquer proposta para tirar umas lascas da mídia gorda pode e deve ser apoiada e divulgada. Se no momento o possível é atingir certos veículos, mostrar sua má qualidade, suas mentiras, sua falta de compromisso com a democracia e os direitos, é claro que sou favorável a tudo isso.

Agora, superdimensionar o tamanho dos impressos e dos blogues como sua contrapartida me parece um equívoco tremendo. Me desculpem, mas no Brasil que eu conheço a maioria das pessoas não lê jornais diários no ônibus, no metrô e no trem. Muito menos passa horas na frente do computador ou cultiva o hábito de buscar informação alternativa. O acesso à informação no Brasil não se constituiu historicamente a partir da imprensa de massa no século XIX (a qual, aliás, nunca existiu por aqui). Nem houve alfabetização em massa até hoje - iniciativa que governos progressistas da América Latina promoveram em anos recentes, ao passo que por aqui prefere-se usar dinheiro público para solucionar a falta de professores e de salários decentes para os mesmos usando os recursos para pagar pelas fitas VHS e DVDs da Fundação Roberto Marinho e do Instituto Ayrton Senna.

Mas as pessoas comentam, sistematicamente, o que ouvem no rádio e vêem na televisão. Se interessam por praticamente qualquer coisa que esteja na telinha ou nas ondas do rádio - de onde eu concluo que se a programação fosse outra, elas discutiriam outros assuntos. A-m-a-m o Big Brother. Quem fala às pessoas, quem chega a elas, quem tem o papel principal na formação de corações e mentes, no Brasil, são as emissoras de rádio e televisão.

E essas, diferentemente dos impressos, são concessões públicas. Ou seja, existe um instrumental muito maior para lutar para retomar os canas e mudar as emissoras do que em relação aos impressos (além do boicote, há a Constituição, a lei que regula as concessões, por exemplo).

Abraço!

Rafael Fortes em maio 5, 2009 10:04 PM


#56

Se é para pedir impeachment de Gilmar, vamos
pedir impeachment de mais uma ruma de gente também, pois fazem parte de um sistema completamente corrompido na sua totalidade
.

Mas Cesar queridíssimo (a cerveja no Rio está confirmada), você acha -- de pontos de vista tanto moral como político -- realmente idênticas as necessidades de exigir o impeachment de Gilmar Mendes e, digamos, o de João Paulo Cunha, que ficou com dívida de campanha, foi no Delúbio, e recebeu um cheque de 50.000 do esquemão e -- inocência das inocências -- pediu a mulher para descontar?

Realmente você acha que a necessidade política é idêntica nos dois casos?

Esse é o cerne, o crux da diferença que eu e você temos na leitura da realidade brasileira. Abração.

Idelber em maio 5, 2009 10:05 PM


#57


Arranhaponte,

Do PT também, sem dúvida. Embora em ponto menor, por uma questão genética. Dantas foi inventado pela equipe econômica de FHC.

P.S.: Só para prevenir mal-entendidos: ou Dilma me mostra que a era Malan-Meirelles chegou ao fim, ou meu voto é do Serra. O cheque especial do PT passou do limite faz tempo.

Não tem nada de partidário aí, enfim.

João Vergílio em maio 5, 2009 10:19 PM


#58


Sabem pelo que o movimento estudantil está lutando na USP neste momento?

Pelo "espaço dos estudantes" - um salão no prédio da reitoria - e contra os programas de ensino à distância em geral. Porque mexem com o mercado de trabalho, sacou, meu?

Enquanto isso, um Universo inteiro está coberto de moscas na mesma praça pública em que os intestinos do Brasil vieram tomar um banho de sol.

Para que mesmo vocês querem aquele maldito salão? Prá jogar um bilharzinho, como lá na FFLCH? Babacas!

Posso lhes dizer uma coisa? Vocês MERECEM a época em que Papai do Céu os trouxe ao mundo. Vocês não são o oposto da Folha de São Paulo. São um acompanhamento perfeito para o prato principal.

João Vergílio em maio 5, 2009 10:28 PM


#59

Arranhaponte (hoje eu estou a fim de armar barraco no meu próprio blog): quando tiver um tempinho, demonstre pra nós que o grau e a gravidade dos comprometimentos de PT e de PSDB com o esquema criminoso de evasão de divisas, de privatização do Judiciário, de corrupção generalizada e nacional das campanhas, é idêntico, ou igualmente grave, ou igualmente contaminado até a medula.

Sim, eu sei que Greenhalgh, como bem demonstrou a Carta Capital, não a Veja, no último número, foi sugado pelo esquema. Falo de comprometimento generalizado e nacional de um partido.

Esse desafio vai tanto para o Arranhaponte, meu interlocutor à direita do centro, como ao Cesar, meu amigo e interlocutor à esquerda da centro-esquerda.

Idelber em maio 5, 2009 10:28 PM


#60

Idelber, sinto, mas nesta eu vou te decepcionar. Eu não tenho capacidade nem tempo para fazer uma pesquisa desse tipo. Mas fica a questão

F. Arranhaponte em maio 5, 2009 10:33 PM


#61

JV, a história da extrema-esquerda com o movimento estudantil -- a forma como aquela usa este para mascarar sua própria falta de pensamento estratégico -- é todo um tema. Como dizem os gringos, don't even get me started. Acho que seria possível escrever um tratado de política sobre isso.

Idelber em maio 5, 2009 10:33 PM


#62

Sai do pt em 2005,e uma das pergunta que me fizeram foi;vai para qual partido?
Respondi que iria para o partido disposto a ir panfletar porta de fabricas e organizar os operários,sabe o que sobrou;nenhum,nada!!!
Já não considero o pt um partido ideológico.Passou da hora dos partidos de esquerda dar o salto de qualidade ideológica que o pt não está conseguindo e nem está disposto a dar,ainda é tempo.

francisco em maio 5, 2009 10:38 PM


#63

francisco, eu saí do PT em 2004 (eu moro nos EUA desde 1990, mas sempre me considerei parte do partido desde 1981-2, inclusive depois de sair do Brasil, porque sempre passo de 4 a 5 meses por ano em BH e continuei, naquela época, filiado e contribuindo). A crônica da minha saída virou post. Não compartilho totalmente sua conclusão mas também fui petista -- de 1982 a 2004.

Idelber em maio 5, 2009 10:43 PM


#64

O que o João Vergílio trouxe a lembrança é exato. Não se discute. Apesar de que também tenho certeza que o DD é uma águia e que tem no bico o PT.

Bem, tudo bem.

Tudo provado e comprovado. O que vai acontecer?

A não ser que a lama chegue em enxurrada no STF o que vai acontecer?

De 200 casos de colarinho branco me parece que 20 foram condenados, sem falar na estratégia do decurso de prazo, como no caso do Maluf.

20 casos. Quer dizer, 180 casos foram instruídos de maneira que o STF considerou os envolvidos inocentes. Que raio de promotores e juízes das instâncias inferiores foram estes?

Isto mostra a cara de pau do STF.

O que adianta tudo isso no caso DD se quem vai votar é o GM e seus apoiadores.

O que adianta este tempo perdido por nós ao nos deliciarmos com as safadezas destes ladrões do povo.

As baterias estão voltadas para o alvo errado.

Fred - Jesus era comunista em maio 5, 2009 10:50 PM


#65

idelber:
me desculpe por fugir diretamente do assunto,mas há um texto do azenha que precisa ser lido e recomendado:"paulo henrique,mino e nassif venceram
-com a ajuda dos internautas"
romério

romério rômulo em maio 5, 2009 11:11 PM


#66

Minha leitura é diferente. Nao vejo o PSOL dando suporte "incondicional" á Portógenes, mas sim tentando cooptá-lo, já q é qestao de tempo seu afastamento da PF enquanto delegado e sua politizacao-partidarizacao como consequencia de seus p´rórpios atos e imaturidades, bem como de todo a "magnitude" q a mídia podre lhe dá: ao tentar vende-lo como 1 delegado louco e irresponsável, ela o expoe o torna elegível, por qlqr partido, em qlqr canto do Brasil.

Aí está o pulo do gato do PSOL, atraí-lo e, nao dando certo, usá-lo como bandeira de palanqe, já q HH - hiena histérica - mais causou estragos q lucros ao partido.

Essa mesma falsa aura de moralidade, engoliu o partido, embarcou na onda udenista de tacar o PT e a Lula, como forma de se impor no cenário político nacional.

Se nao for isso, foda-se!
Se for tmbm, q se foda!

Inté,
Murilo

Johnny vai á guerra ??? em maio 5, 2009 11:13 PM


#67

Idelber,

Que fôlego, hein? Dois posts consecutivos desse naipe não são brincadeira não. Aqui, o debate não é menos importante do que no caso persa, mas nos é mais caro porque nos afeta de maneira mais direta.

Em primeiro lugar, temos uma situação extremamente tensa no quadro político-partidário. Temos quatro grandes agremiações - PMDB, PT, PSDB e DEM -, mas só duas delas tem alguma possibilidade técnica de assumir a Presidência da República: PT e PSDB.

De um lado, não tenho como negar um certo desalento com o PT, o partido perdeu muito do capital político, muito de sua inserção na sociedade - e nos movimentos sociais - nos últimos tempos, mas não me parece haver outro partido capaz de lhe fazer frente, pelo menos não se a ideia for o desenvolvimento econômico e conquista da democracia material.

O PSDB é um não-partido. Um grupo que sequer segue a ideologia que lhe nomeia e sua penetração na sociedade é quase zero. É um partido da classe-média altíssima e dos ricos assim como dos oligarcas do interior de São Paulo. Sua força política se dá, justamente, por ter se convertido no partido do establishment, o que lhe dá poder financeiro e, mais importante: Poder midiático.

O PMDB, por sua vez, é uma aberração que só existe por conta de sua sistema eleitoral maluco e o DEM é uma excrescência reacionária.

Daí caímos na questão central do seu post. Os partidos que ocupam a chamada extrema-esquerda. Antes de mais nada, o PCO é carta fora do baralho, não é um partido sério, pratica tão somente uma forma de socialismo reacionário, sectário e profundamente débil. Temos apenas o PSTU e o PSOL que, ao menos, existem.

Sobre os dois, creio que a leitura conjuntural que ambos fazem é verdadeiramente ruim. Pôr PT e PSDB no mesmo balaio é ridículo. As análises de política econômica também são muito rasas; tudo que se move e faz sombra é automaticamente "neoliberal".

A diferença, claro, é que o PSTU é centralizado e o PSOL não. O PSTU é uma unidadezinha, ainda que eleitoralmente seja um nada - hoje seu maior capital político é o sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos controlado pela 'sua' central sindical, a Conlutas, fora isso, zero. As ordens vem de cima para baixo de uma maneira bem clara - e dura. Pior do que isso, é que esse 'cima' não consegue fazer uma análise conjuntural que preste.

O PSOL, por sua vez, é um emaranhado de correntes muitas vezes antagônicas e não tem uma cara nem uma unidade. Tenho muitos amigos que são membros seus, mas hoje, bem menos do que há três anos atrás, eu tenho alguma esperança quanto ao seu futuro.

Por fim, para não me alongar ainda mais, temos a questão do leninismo. No post que eu fiz sobre o Primeiro de Maio lá n'O Descurvo a abordei de passagem. Penso que tanto Lenin quanto os movimentos leninistas ao longo do século 20º responderam muito bem ao chto delat?, isto é, ao "que fazer", mas não souberam responder o "e depois?", por isso, creio que não podemos jogar o bebê junto com a água do banho, mas não é o caso de pensarmos que o leninismo, por si só, possa mudar panorama nacional em algum grau.

Mais do que isso, PSOL, PSTU e PCO precisariam progredir muito para estarem a altura do trabalho que uma renovação teórica que a esquerda revolucionária necessita.

Hugo Albuquerque em maio 5, 2009 11:17 PM


#68

Johnny, não acho que nossa leitura seja diferente. Não há nada no meu texto que seja contraditório com o seu primeiro parágrafo -- concordo com ele.

Já o segundo para mim é problemático. Eu jamais chamaria Heloisa de "hiena histérica". Na minha opinião, é um quadro importante da história política do Brasil que sucumbiu ao udenismo de esquerda e que infelizmente traiu as mulheres ao contribuir aqui e acolá com uma lamentável cruzada contra o direito ao aborto.

Idelber em maio 5, 2009 11:17 PM


#69

João,

Perdoe-me, mas eu discordo no que toca o posicionamento do ME em relação ao ensino à distância. Quem se preocupa com mercado de trabalho sequer faz parte do Movimento e muito menos "teme" quem se forma "via telecurso 2000 universitário" por razões óbvias. Eis aí o problema do ensino à distância: Ele tira o caráter político do ensino superior em detrimento de uma mera preparação meramente técnica ao mesmo tempo em que nem faz isso direito. Sobre brigar por espaços, dependendo da conjuntura faz sim sentido, ainda que não seja prioritário. Concordo que muitas bandeiras do Movimento são mesmo bem questionáveis, porém, nesse caso, creio que eles estão fazendo a coisa certa.

Hugo Albuquerque em maio 5, 2009 11:25 PM


#70

Manoel, confesso que só conhecia o Enlace por ouvir falar, e não conhecia o site da tendência. Tenho inúmeros interlocutores no PSOL, mas essa tendência em particular eu não conhecia. Estou lendo os links que você enviou, obrigado.

Mas mantenho minha crítica às concessões feitas pelo PSOL ao que chamo de "udenismo de esquerda". Forte abraço.

Idelber em maio 5, 2009 11:30 PM


#71


Acho meio vazio falar de extrema-esquerda no Brasil ... ou mesmo em qualquer lugar do mundo. A esquerda, uns mais outros menos, tem se voltado para uma políticas de resultados: ganhos reais de salário, benefícios sociais, reforma agrária, educação de qualidade para todos, defesa das empresas estatais, etc. Acho que pouquíssimas pessoas defendem hoje uma "ditadura do proletariado", aliás não conheço ninguém. Acontece o mesmo com a "extrema direita" - são simplesmente uns poucos alienados brincando de nazistas.

Fred-Jusus era comunista,
meu caro Fred Schmidt, foi uma satisfação reencontrá-lo. Grande abraço.

Patriarca da Paciência em maio 6, 2009 12:48 AM


#72

Puxa, nada como um dia depois do outro (rs rs). Tanto desaprovei o post de ontem como amei o de hoje. Inclusive eu jamais pensaria que alguém conseguisse me fazer ver algo de bom no leninismo (embora o seu leninismo seja fruto de um RECORTE que deixa de fora as características mais marcante, e piores dele...). Mas a questao de saber ver um ponto concreto de centralização de lutas que toque em aspectos estruturais da conjuntura, assino embaixo.

Acho que o Felipe (#8), o Moysés (#17) e o Arranhaponte (no #22)nao estao vendo o essencial do seu ponto. Nao se trata de colocar colarinhos brancos na cadeia (embora isso seja importante, para pelo menos ameaçar um pouco os mafiosos que querem se assenhorar do Estado), ou de Protógenes ser justiceiro ou nao, mas de tentar desmontar esse esquema de poder que tomou o Estado e impede que qualquer Governo possa efetivamente fazer algo pela população, por nao ser eleito nem conseguir governar sem entrar na rede. Nesse ponto o comentário 3, do Joao Vergílio, com o acréscimo das observações da Mari e do Ênio tocam no ponto.

Além disso há um aspecto que anda me preocupando essencialmente. Até pouco tempo atrás, eu nao acreditava em possibilidade de golpe, porque nao haveria cenário de apoio dos EUA para isso. Mas agora, depois do uso dos tribunais eleitorais para anular eleições e criar jurisprudência nessa solução inventiva de pôr o segundo colocado no lugar do governo deposto, estou vendo a possibilidade disso ser feito em 2010, e aí nao seria um "golpe" clássico, para efeito exterior: seria uma questao legal interna do país... E Gilmar Mendes e a Grande Mídia sao absolutamente essenciais para esse projeto, donde se tornar duplamente necessária essa luta contra eles.

Anarquista Lúcida em maio 6, 2009 1:22 AM


#73

Idelber, eu tenho lido seu blog muito eventualmente desde as últimas eleições, mas vejo que você não mudou nada: continua escrevendo muito direitinho, afinal você é o "professor", mas o conteúdo em geral não resiste a uma análise mais apurada.

Este artigo é um bom exemplo. Me lembra aquelas críticas de filmes na quais o autor julga o filme pelo que ele acha que deveria ser, não pelo que o filme se propôs. Sempre é ruim, é claro. Quer dizer que você discorda da linha dos partidecos de esquerda e diz o que eles deveriam fazer para serem "leninistas"? Por acaso, é exatamente o que você vem fazendo no seu blog, detonar a "grande imprensa". Ou seja, você quer que eles trabalhem para você. Por que você pelo menos não se dá ao trabalho de se filiar a um deles e trabalhar para conduzi-lo ao "caminho certo"? A sua "alma petista" o impede?

Olha, a sua última experiência de palpitar sobre os caminhos que deveria ser trilhados pela "esquerda" foi absolutamente desastroso. Lembra-se que você praticamente exigiu que os "partidos de esquerda" retirassem seus candidatos para apoiar o Jandirão? Pois esta obteve uma votação melancólica, esse tipo de apoio teria sido um suicídio. Mas ela sobreviveu: conseguiu uma secretaria no governo do Paes, que, aliás, está me surpreendendo positivamente. Aposto que a você também, mas você nunca o apoiou pelos méritos que ele pudesse ter, mas pelo simple fato de ser o candidato da "base aliada". Um belo exemplo da "disciplina leninista"...

Eu também acho que esta "grande imprensa" é um lixo - aliás, parabéns pela tradução direta do persa que prova que o cara jamais disse que destruiria Israel - mas a sua campanha que, é claro, jamais terá sucesso, me parece algo associado aos projetos do "governo Lula" para o controle da informação. Hoje, a "TV Pública", amanhã, por que não a versão tupiniquim do "Granma"? Não tenho a menor perspectiva que você admita isto, mas aposto que você escreveria nele com imenso prazer!

Para brindá-lo e ao seu público fiel, um artigo publicado na "Folha " da última segunda-feira. É, esta "grande imprensa" é podre mesmo. É tudo mentira deslavada, não é mesmo?

FERNANDO DE BARROS E SILVA

O Novo Estado de Lula

SÃO PAULO - Para um governo que se empenha em misturar pão e circo, as comemorações do 1º de Maio cumpriram a sua parte: entre shows e sorteios, sobraram palavras de elogio ao Estado nos eventos das centrais sindicais. Justo.
Em 2008, elas receberam só de imposto sindical quase R$ 150 milhões livres de qualquer fiscalização (10% do que foi descontado de forma compulsória do trabalhador) -uma inovação do lulo-getulismo.

Foi-se o tempo em que a CUT brigava para libertar o sindicalismo da tutela estatal e a Força pregava contra ideologização da pauta trabalhista pelo PT. Hoje estão unidas e satisfeitas sob o mesmo guarda-chuva, usufruindo o peleguismo de resultados. Reclamar do quê?

Quem aproveitou para reclamar no 1º de Maio foi Lula, mas da "hipocrisia" dos que se levantam contra o descalabro do Legislativo. E por que decidiu comprar essa briga, desqualificando a justa indignação do público? Defesa da democracia?
Antes fosse. Lula ouviu um apelo dos amigos José Sarney e Michel Temer, segundo quem a pressão popular por compostura está deixando muita gente insatisfeita no Congresso e isso cria riscos para o Planalto. Afinal, quem quer uma CPI da Petrobras, por exemplo?

Uma mão suja a outra, por assim dizer. Os eventos do 1º de Maio nos dão um retrato polaroid do lulismo.

Não se trata só de cooptação e aliciamento. Este é o governo do arrastão. De Sarney a Paulinho, do Congresso aos sindicatos, dos usineiros ("heróis nacionais") ao MST, dos banqueiros à massa miserável do Bolsa Família, dos empreiteiros (que ressuscitaram) às ONGs que beliscam as bordas do Estado -todos parecem participar da nova comunhão nacional, uma espécie de "CarnaLula" que prescinde de regras claras e tripudia da moral.

Pai dos pobres, mãe dos ricos. Só por preguiça mental ou má-fé alguém ainda chama isso de esquerda. Reinvenção do patrimonialismo com ganhos sociais, esse arremedo do getulismo tem data de vencimento e alto custo institucional. Quem é que vai pagar a conta?


Luiz Candido em maio 6, 2009 1:38 AM


#74

Olha, a sua última experiência de palpitar sobre os caminhos que deveria ser trilhados pela "esquerda" foi absolutamente desastroso. Lembra-se que você praticamente exigiu que os "partidos de esquerda" retirassem seus candidatos para apoiar o Jandirão? Pois esta obteve uma votação melancólica, esse tipo de apoio teria sido um suicídio. Mas ela sobreviveu: conseguiu uma secretaria no governo do Paes, que, aliás, está me surpreendendo positivamente.

Mas Luiz Candido, qual era mesmo a alternativa a uma frente de esquerda em torno da Jandira na última eleição do Rio? O Gabeira? Se ela virou secretária na administração Paes -- um cara que detesto -- e está fazendo algo bom, uai,você tá é me dando razão retrospectivamente, não tirando. Até que você me apresente uma alternativa melhor, eu não me arrependo do apoio à Jandira, não.

Sei que ela teve votação baixa -- é daquelas dialéticas de uma eleição. Perdeu muito voto na Z. Oeste e Norte porque o eleitorado desanimou da possibilidade dela chegar no segundo turno. Há leitores do blog que acham que foi por incompetência da própria campanha da Jandira. Morando em New Orleans, sobre isso não posso opinar. Mas ninguém nunca me convenceu, na base do argumento, de que o apoio a ela não era a opção correta ali. Abraço.

Idelber em maio 6, 2009 1:47 AM


#75


Hugo,

Na minha percepção, o movimento estudantil optou por se transformar numa espécie de cópia deslocada do movimento sindical. Alunos são tratados enquanto uma espécie de "classe", ou pelo menos de "categoria social" com interesses específicos definidos por oposição a interesses de "classes dominantes". Dentro da universidade, eles se oporiam à classe dos "professores" e dos "gestores", cuja figura máxima seria um demoníaco "reitor". Fora da universidade, eles se opõem aos chefes do executivo e aos ministros e secretários de educação.

Ouça o discurso nos carros de som. O que se diz ali? Os "estudantes" teriam sido expulsos de seu "espaço" pela "Reitoria", e seria necessário, agora, retomá-lo. Dentro de minha unidade, o discurso era exatamente o mesmo em relação a um "espaço" enorme no térreo. O tal espaço está abandonado às moscas e a cinco ou seis gatos pingados que ficam jogando bilhar o dia todo numa mesinha perdida no meio daquele "espaço" todo. Três sofás quebrados, com a espuma aparecendo, completam a mobília do ambiente.

No caso do ensino à distância, o caso é o mesmo. Nâo estou dizendo que os membros do ME ajam por interesse. Estou dizendo que os líderes agem, novamente, como se fossem líderes sindicais. Procuram uma bandeira que interessaria aos "estudantes" entendidos enquanto "classe" ou "categoria". O ensino à distância emprega menos professores e "massifica" aquilo que, nesse universo paralelo criado pelo ME, corresponderia a uma espécie de "relação de trabalho": a relação entre professor e aluno.

O assunto é complexo. Estou engajado na elaboração de um programa de reciclagem de professores das redes estaduais do Brasil todo. Se der certo, Hugo, professores do interior do Piauí poderão ter acesso a um tipo de conteúdo que dificilmente seria possível transmitir, nessa escala, no curto prazo. Universidade à distância é um assunto polêmico. Experiências como a Open University me fazem pensar que talvez seja possível caminhar nesse sentido, caso estejamos conscientes, desde o início, que não se poderá conseguir ali o mesmo grau de excelência das melhores universidades. O ensino à distância poderia cumprir o papel desempenhado pelas universidades de menor qualidade? Na minha modesta opinião, poderia, sim. E cumpriria bem melhor. Mas, como eu disse, é um assunto complexo, que não pode ser abordado assim, em poucas linhas.

Meu ponto, porém, é outro. O problema não é apenas que o ME, com essa encenação boba da luta de classes dentro do contexto estudantil, compra as bandeiras erradas. O problema é que ele se DESPOLITIZA. Eu olho aquela gritaria toda por causa de um maldito salão, e me pergunto se aqueles estudantes vivem em Marte. Eles deveriam estar puxando greve de estudantes em apoio ao juiz Fausto de Sanctis, e não ficar falando de "ensino à distância". Deveriam pelo menos trazer o debate para dentro da Universidade, onde reina um silêncio ensurdecedor a respeito do "mundo externo".

Meu ponto é simples. Suponhamos que eles estejam certos quanto ao mérito (acho que não estão). Estariam erradíssimos quanto ao foco e quanto à relevância. É preciso voltar os olhos PARA A SOCIEDADE. Tirar o foco do próprio umbigo. Olhar para o Brasil, e não para os "estudantes". Quando fizerem isso, aí, sim, os estudantes passarão a ser atores sociais importantes. Por enquanto, eles optaram por não ser coisa nenhuma.

João Vergílio em maio 6, 2009 6:33 AM


#76

Sou partidario de enterrar Lenin,nao fede mais esta desmanchando-se.pariu Stalin,O partido único, a ditadura do proletariado....e outras merdas mais , foi o responsavel direto por tudo que veio depois.Sou Mais revolucao mexicana,anterior e com a nossa cara.
A chamada esquerda nanica ou chata que vive de irrealidade.Crticam o Lula sem entender que ele representa o melhor que conseguimos gerar depois de anos de luta ,exilio e sufrimentos por parte do povo brasileiro.Lembro que na decada de 80 o PCdo B,apoiava a Albania,o país mais atrasado da Europa governado por um psicopata,enquanto as pracas de Atenas, na Grecia ,multidoes de albaneses buscavam trabalho por comida.

O PSTU,representa á esquerda sem referencia geografica,com execao da prefeitura de POA na gestao do Raul Ponte,homen que admiro e que tenho grande respeito. Trotysk escrevia bem,criava cactus , comeu á Frida Karlo e gostava dos surrealistas, até ai vai as minhas simpatias por ele.
O P-Sol é a revolta contra á figura paterna misturada com a moral da madre Teresa de Calcutá e Virgulino Lampiao.
A outra sigla nunca vi falar mas nao gosto.

Finalizando,Esquerda Americana! Assim mesmo , al grande ,vamos apoiar o Lula e o Obana, á politica é a arte de unir forcas.

PS. Arranponte ,vc que corre da raia quando a discusao se torna séria ,faca o copywriter deste texto,pois ao que parece é a unica coisa que vc sabe fazer ,além de viver na sua torre de marfin com seu amiguinho
Meu amigo biscoito fino,continuo achando o teu blog o melhor que aconteceu na esquerda brasileira ,Um Blog que sonha uma America grande ,multiracial,progresista, e espero que sem commandantes e com á famosa e esquecida democracia
participativa.
um abraco Marconi

Marconi em maio 6, 2009 6:43 AM


#77


P.S.: Sabe qual é o símbolo dessa geração toda? O fone de ouvido. O jingle: "Cada um no seu quadrado".

João Vergílio em maio 6, 2009 6:49 AM


#78

Deixa disto, Idelber: 'Isso é mais leninista e revolucionário que fazer um sitezinho dizendo que as comemorações do 1° de maio serão “independentes e classistas” e que o Bolsa Família é “migalha dada pela burguesia”.'

Melhor dizer logo:
"Wo die politische Aktivität beginnt, hört die politische Romantik auf", ou que esse povo (PSOL, PSTU, PCO) de sitezinho faz (ou não faz) como "der Romantiker will nichts tun als erleben und sein Erlebnis stimmungsvoll umschreiben".

Assim diria -- e disse, em Politische Romantik -- Carl Schmitt, sujeito que ainda será tema de um texto seu, correto?
Só para lembrar.

Abração.

Falstaff em maio 6, 2009 6:51 AM


#79

O PSTU,representa á esquerda sem referencia geografica,com execao da prefeitura de POA na gestao do Raul Ponte,homen que admiro e que tenho grande respeito. Trotysk escrevia bem,criava cactus , comeu á Frida Karlo e gostava dos surrealistas, até ai vai as minhas simpatias por ele.
O P-Sol é a revolta contra á figura paterna misturada com a moral da madre Teresa de Calcutá e Virgulino Lampiao.
A outra sigla nunca vi falar mas nao gosto
.


Genial, Marconi. Morri de rir com essa :-) Aproveito só para esclarecer: Raul Pont -- homem que também admiro muito -- nunca foi do PSTU. Sempre esteve, e está, firme no PT.

Está lembrado, Falstaff. Mas o texto prometido não era sobre Schmitt, e sim sobre a manipulação gilmariana de Schmitt. Confere?

Abraço.

Idelber em maio 6, 2009 8:55 AM


#80

Idelber, o texto propõe a discussão de um tema leninista clássico, a diferença entre estratégia e tática. aliás, é o que o Lênin tem de Maquiavel e o que me parece mais atual nele, assim como o Trotsky menchevique, do "Nossas Tarefas políticas". Pensando dessa forma, acredito que o PSoL seja um partido sem estraégia, sem algo a conquistar. Eles se apóiam em uma tática que tem algo de eleitoreira, conquistar eleitores "indignados", "decepcionados". O PSTU, nesse sentido, teria um propósito estratégico mais evidente, embora delire na tática (aliás, a estratégia também não parece resolver o problema de ninguém).
Por fim, acho que essa discussão de fato faz falta. O debate nos blogs está ficando muito besta, muito em torno de princípios. Falam muito pouco de políticas públics e dos problemas do país. Acho isso um equívoco e uma trela danada que temos dado a esses comentaristas-kitsch gurus de internet que têm por aí.
Por fim, O Chico de Oliveira, reformista de carteirinha, pediu as contas do PSoL durante a campanha da Heloíse Helena com o Cesinha. Notou que a coisa não ia bem por lá.
A última opinião que ele emitiu sobre política nacional está aqui:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15467

Tiago Mesquita em maio 6, 2009 9:41 AM


#81

Acredito que o que o Chico diz aqui é de uma lucidez danada. Ele também fala da necessidade de uma coordenação estratégica diante de uma crise. E apoia saídas táticas mesmo no seu ex-partido, o PT. O curioso é que ele não é leninista. Foi o grande interlocutor marxista do Celso Furtado e sempre apoiou políticas parlamentares e institucionais.

Eu vou tomar pancada de todo mundo, mas acho que o Palocci também cumpriu esse papel e o fez bem.

Tiago Mesquita em maio 6, 2009 9:45 AM


#82

E o Serra ele conhece bem.

Tiago Mesquita em maio 6, 2009 9:47 AM


#83

Nisso eu discordo. Não é obrigação exclusiva da extrema-esquerda "acelerar a putrefação da mídia conservadora", nem destituir o xerife Gilmar Mendes. Tem mais a ver com a sociedade organizada, e sobre isso, os blogues também vêm desempenhando um ótimo papel.

Carlos Medeiros em maio 6, 2009 10:49 AM


#84

Claro, claro, Carlos, não acho que discordemos. Eu não disse que é tarefa só da extrema-esquerda. Disse que ela tem que se ligar e se juntar a esse esforço que, você viu muito bem, a sociedade civil (dentro dela os blogs) vem puxando. Um abração.

Idelber em maio 6, 2009 11:13 AM


#85

Perfeito.

Prestes em maio 6, 2009 11:15 AM


#86

Olha o que a esquerda da soninha em aprontado:
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/serra-e-kassab-demolem-os-ceus/

Tiago Mesquita em maio 6, 2009 11:18 AM


#87

Querido Idelber.

Na verdade as raizes trotsquista do Raul,que eu revindicava eram da epóca do glorioso POC,Partido que contou com a presenca,entre poucos , do professor Marco Aurelio Garcia,bombeiro histórico que sempre é chamado para apagar o incendio no PT, do Antonio Risério,este brasileiro maravilhoso,com o qual tive a honra de pular um muro,no século passado,depois de enchermos a cara nun boteco de Salvador.
Esta era a herenca que me refiria.

marconi em maio 6, 2009 11:20 AM


#88

Eu também acho Idelber.
Será que estes partido não percebem que suas estratágias estão colocando lenha na fogeira / azeitona na empada do PSDB e do Arena=PDS=PFL=DEMo?

Go Oliveria em maio 6, 2009 11:32 AM


#89

Ah, entendi agora, marconi. Genial a história, aliás:-) Fraterno abraço.

Idelber em maio 6, 2009 11:33 AM


#90

...Ademais, os partidos xiitas mencionados no artigo dão vivas e hurras à mídia sabuja pelos serviços prestados à nação e a eles, quando fazem oposição ao o governo "neoliberal" do PT. Eles, na realidade, estão do mesmo lado da trincheira.

Carlos Medeiros em maio 6, 2009 12:02 PM


#91

Professor,
Dois momentos seus nesta caixa me chamaram atenção e embora não se dirigissem a mim, gostaria de pariticipar:

"...quando tiver um tempinho, demonstre pra nós que o grau e a gravidade dos comprometimentos de PT e de PSDB com o esquema criminoso de evasão de divisas, de privatização do Judiciário, de corrupção generalizada e nacional das campanhas, é idêntico, ou igualmente grave, ou igualmente contaminado até a medula..."
____________________________

", digamos, o de João Paulo Cunha, que ficou com dívida de campanha, foi no Delúbio, e recebeu um cheque de 50.000 do esquemão e -- inocência das inocências -- pediu a mulher para descontar?"


1) Pelo DNA do PSDB (li vc falando sobre a genética do partido), ele já teria nascido contaminado e o PT teria sido contaminado depois, no exercício do poder? Entendi direito?
O PT não teria um grande gene sindical? As negociatas, conluios, comissões junto a fornecedores, etc não são práticas que nasceram na praxis dos sindicatos há décadas?
Será que o "homus capitalista" seria mesmo tão diferente do "homus sindicalista" ? Você não acha que a luta pelo poder, em essência, já nasce contaminada pelos meios que justificam os fins, não importa a origem social a que pertence?

2) A participação de petistas nos conselhos dos fundos de pensão, mesmo quando não governavam o país, não seria uma prova de envolvimento até a medula? Os oito anos de FHC/Dantas/Serra/Ricardo Sérgio/Sergio Motta, etc realmente diferem tanto assim dos quase oito anos de Lula/Dirceu/Gushiken/BrOi (Gutierrez e Jereissati)/Palocci? A luta fratricida de grupos petistas me parece tão ou mais sangrenta do que a luta entre os grupos da privatização tucana. Muito do que se atribui a ataques de grupos tucanos-pefelês a petistas vem de dentro do próprio partido e quem convive de perto sabe disso.

3) João Paulo Cunha foi inocente ou simplesmente raciocinou como todos os políticos, que até a mudança radical ocorrida com a fratura exposta do mensalão (seja o esquema PSDB/Azeredo/Valério, seja o esquema Dantas/Valério/PT), acreditava sempre que "isso jamais aconteceria com eles" ?

O escândalo do mensalão serviu para banalizar a corrupção e o jeitinho brasileiro, como se a indignação do "brasileiro médio" tivesse sido anestesiada com a constatação da falta de punição. Por outro lado, serviu para que muitos políticos começassem a ter mais cuidado em seus esquemas. Tanto pelo Mensalão, que a PF nunca investigou formalmente, como pelas inúmeras operações da gestão Paulo Lacerda/Bastos, que tiveram o mérito de ampliar as áreas de investigação da instituição, mesmo que nos bastidores saibamos de algumas origens políticas/empresariais de algumas delas.

Por fim:

Seria a sofisticação do esquema de um comparado ao amadorismo de outro a prova do grau de contaminação? (Uma boa tese, mas será que era tão amador assim ? E você acredita mesmo que erá só "dívida de campanha", você teve contato com o "êxtase do poder" que era vivido naquela época pelos integrantes do governo? )

Um partido é contaminado ou contribui para a contaminação do sistema?

Obrigada,
Mari

Mari em maio 6, 2009 2:20 PM


#92

Mari, meio na pressa:

Pelo DNA do PSDB (li vc falando sobre a genética do partido), ele já teria nascido contaminado e o PT teria sido contaminado depois, no exercício do poder? Entendi direito?

Não. Eu não disse isso. Eu só disse que eles têm histórias bem distintas, a principal diferença sendo esta, da origem de um num movimento social, do outro numa dissidência parlamentar. Era só uma crítica à tese dos "irmãos siameses paulistas". "Contaminação" seria outra história.

João Paulo Cunha foi inocente ou simplesmente raciocinou como todos os políticos, que até a mudança radical ocorrida com a fratura exposta do mensalão (seja o esquema PSDB/Azeredo/Valério, seja o esquema Dantas/Valério/PT), acreditava sempre que "isso jamais aconteceria com eles" ?

No caso dos cinquenta mangos, eu acho que nem uma coisa nem outra. Ele cometeu um erro, grave. Um crime eleitoral, se você quiser. Isso o iguala a todos os políticos? Bem, eu jamais analizo nada dizendo todos os políticos, todos os jornalistas etc. Como raciocinam "todos" os políticos? Essa pergunta não faz muito sentido para mim.

A participação de petistas nos conselhos dos fundos de pensão, mesmo quando não governavam o país, não seria uma prova de envolvimento até a medula? Os oito anos de FHC/Dantas/Serra/Ricardo Sérgio/Sergio Motta, etc realmente diferem tanto assim dos quase oito anos de Lula/Dirceu/Gushiken/BrOi (Gutierrez e Jereissati)/Palocci?

Aqui sim, temos pano para longuíssima manga. Eu acho que sim, diferem em algumas coisas importantes, como argumentei outras vezes. Muita gente aqui acha que não -- concordando com o que você, suponho, pensa também. Há argumentos fortes para defender essa posição, eu reconheço isso.

Over and out porque estou na correria, mas podemos voltar ao tema, aqui, ou em outro post. Abração, Mari.

Idelber em maio 6, 2009 2:51 PM


#93

Perfeito . Arrasador. O caminho é esse. Através da realidade construir a luta. A mídia sangra e tem dado matéria prima suficiente para ser bombardeada.
A credibilidade dos grandes meios de comunicação sofre corrosão acentuada. O desabamento parece inevitável. Esse deve ser o nosso trabalho diário. Na mídia e na oposição se reunem os inimigos da evoluçaõ e do aprofundamento do processo democrático.

Ricardo Oliveira em maio 6, 2009 2:56 PM


#94

Olha, conhecendo o PSTU, eles devem achar os blogs um instrumento de dominação capitalista e um método racista-sexista-homofóbico-classista.

PT e PSDB se assemelham pela política econômica (da cúpula) financista. São iguais, mas diferentes. Iguais num plano, diferentes no outro. Sempre que discutirmos estas questões, temos de frisar o plano a que nos referimos. Lula é bem diferente de FHC. O discurso tucano (ou melhor, a postura tucana) é bem mais elitista que o do PT. O governo Lula redistribui renda (pode ser que menos do que esperávamos); o governo FHC faliu o país (a privataria é o capítulo mais nefasto da história recente do país, e o mensalão não chega nem ao dedão do pé dela). Mas ambos se estruturam no desmonte da herança político-cultural de Vargas operado pela ditadura (e, em especial, por Golbery). Isso tem lá seus aspectos bons, como v., Idelber, escreveu no seu texto sobre o PT e o populismo. Por outro, vejo que não é só o populismo de Vargas que é negado, mas os aspectos positivos da sua herança, em especial, a capacidade de imaginar (em termos mais pé-no-chão, de elaborar um projeto de nação e não se limitar ao gerencialismo, à gestão de crises, à amenizar os efeitos de um modelo). Em todo caso, é patético quando a direita tenta comparar o populismo de Lula ao de Vargas (aliás, no contexto do populismo, seria interessante que se lesse Ernesto Laclau: não há política sem populismo, o populismo é a força discursiva que aglutina interesses divergentes).

Quanto ao PSOL, não vejo razão para tanto ódio do PT, depois de tanta história juntos (aliás, é nele que se encontram os únicos interlocutores do partido, como o Suplicy). Mas duvido que saia do palanque moralizador. Para dar outro sintoma: Ivan Valente participa de uma comissão contra a baixaria na TV, que mais parece uma versão repaginada das antigas cartas das senhoras de família ao Ministro da Justiça e aos órgãos de censura. A comissão acabou com o programa do João Kleber, que foi pra Portugal. Tudo bem que era preconceituoso o programa e que não vá fazer falta nenhuma, mas o embate com a mídia não pode se dar no plano moral (até porque isso abre caminho para um controle cada vez mais intolerante), nem mesmo só no plano do conteúdo. É preciso atacar a organização econômico-estrutural dos meios de comunicação privados, como fizeram os Kirchner, com o apoio do Carta Aberta, e, por outro lado, investir na criação de novos (a propósito disso, PHA sempre insistiu que o governo Lula deveria fazer melhor uso da internet, que a mídia impede que o governo se comunique de forma adequada com a população, problema que até uma publicação gringa - me falta o nome agora - percebeu e que Franklin Martins, empossado ministro pra resolvê-lo, não conseguiu; tampouco a TV pública). Não é controlando o conteúdo alheio que se vai modificar a mídia; é preciso combater as suas forças, com contra-forças.

Por fim, o PCO. Já conheci alguns militantes no FSM, e eles odeiam ao PSTU como este odeia ao PT.

Abraço

Alexandre Nodari em maio 6, 2009 2:58 PM


#95

Idelber, thanks.

Substitua "todos" por "alguns" políticos! :)
Eu entendi que vc estava falando da origem de cada partido. Eu quis pontuar que a luta pelo poder os iguala, independentemente do berço.

Mas queria saber sua opinião sobre o "homus capitalista" x "homus sindicalista", já que talvez tenha a ver com este tema aonde vc viu que há pano pra manga.

Me irrita um pouco esse lance de ver o PT como vítima do sistema (não estou dizendo que vc disse isso) . Assim como me irrita uma pretensa superioridade na "visão capitalista tucana" sobre a realidade, pelo fato da experiência socialista não ter dado certo, como se o capitalismo não estivesse, neste exato momento, ruindo.
abs

Mari em maio 6, 2009 3:22 PM


#96

Prezado Idelvar, alertado por um colega jornalista, que me chamou a atenção para pontos em comum entre o seu e o meu comentário, que fiz no meu blog recém-lançado www.porescrito.com.br, sugiro-lhe que o acesse e confira a matéria "Bem-vindo, Ahmadinejad!", postado no último domingo. Abraços, gostei muito do seu site e espero que de hoje em diante possamos esporadicamente nos comunicar. Luís Augusto.

Luís Augusto Gomes em maio 6, 2009 4:01 PM


#97

Mas duvido que saia do palanque moralizador. Para dar outro sintoma: Ivan Valente participa de uma comissão contra a baixaria na TV, que mais parece uma versão repaginada das antigas cartas das
senhoras de família ao Ministro da Justiça e aos órgãos de censura
.

Caramba, Alexandre, eu não sabia dessa. E sempre tive o Valente em alta conta. O discurso do Babá, por exemplo, nunca me convenceu. Mas o Valente -- apesar daquela estapafúrdia decisão (coletiva, eu sei, mas apoiada por ele) de chamar voto nulo num embate entre Marta e Kassab --, era um cara por quem eu sempre tive apreço. Péssima notícia, essa aí. Vou procurar links sobre essa comissão.

Perfeito, Luís, seja bem vindo.

Não há de quê, Mari, continuemos com esse tema, porque ele me interessa muito.

Idelber em maio 6, 2009 4:06 PM


#98

Idelber,

Apesar de elogiar a sagacidade de sua crítica em relação a esquerda brasileira, não posso deixar de fazer algumas observaçõe sobre o modo como você apreende as coisas, ou a realidade. Na verdade, gostaria de lhe colocar algumas perguntas.

Creio que tentar localizar a "contradição constitutiva" da realidade é um reducionismo. Porque razão a realidade, que é tão complexa que muitos a julgam realmente inapreensível, deveria comportar apenas Uma Contradição Constitutiva Principal? Porque não são muitas e múltiplas estas contradições? E se são múltiplas as contradições, como ter certeza do critério que nos dirá qual é A Principal Contradição Constitutiva? E, mais ainda, porque haveria de ser logo uma contradição o elemento fundamental da realidade? Ou, colocando de maneira diversa, será que um aparato cognitivo inteiramente devotado à busca por contradições não fica cego em relação aos processos através dos quais as coisas se complementam, ao invés de se oporem?

Um abraço,

ACT

Antonio em maio 6, 2009 4:19 PM


#99

Ops, escrita rápida dá nisso -- erros de português.

Leia-se: "Por que razão a realidade, que é complexa a ponto de muitos a julgarem realmente inapreensível, deveria comportar apenas Uma Contradição Constitutiva Principal?

Abs,

ACT

Antonio em maio 6, 2009 4:22 PM


#100

Bah, Idelber, assim v. me deixa na dúvida. Será que o Ivan Valente não faz/fez parte? A campanha se chama(va) "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania" e foi criada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara, salvo engano; tenho certeza que tem(ve) integrantes do PSOL (tinha o Orlando Fantazzini, mas acho que esse saiu do partido). Googlemos e descubramos. Abraço

Alexandre Nodari em maio 6, 2009 4:41 PM


#101

João,

Não sou contrário a cursos de reciclagem ou congêneres, mas cursos de ensino superior, eu não concordo de jeito nenhum. O tema, você tem razão, é bastante complexo.

Universidade é, sobretudo, um núcleo de pensamento político avançado. Estamos perdendo isso por conta do pensamento altamente nocivo parido nos anos 90 que resultou na abertura do setor para empresas privadas. Isso gerou uma reação em cadeia que reflete até mesmo nas universidades públicas e nas universidades privadas sérias. A questão da reorganização do espaço para a concretização dessa política de ensino é, portanto, fundamental.

Olhe para algum campus da Uninove ou da Unip, aquilo ali expressa espacialmente o que elas ideologicamente são: Prédios assépticos, catacralizados, cheios de lojinhas dentro - mais parecem shoppings - e com nenhuma espaço para Centros Acadêmicos ou para o debate intelectual. Por que isso? Porque elas não passam de meros laboratórios para o ensino de técnicas a serem reproduzidas e nada mais.

De certa maneira, querem fazer o mesmo com as universidades públicas e para tanto, precisam alterar a disposição dos espaços e disciplinar as relações que se dão em seu interior para atender seus anseios ideológicos. Se isso ronda as públicas, as boas universidades privadas já estão refletindo isso mais acentuadamente por questões de mercado; as relações que se dão em seu espaço interior já passam a ser disciplinadas para se adequar à mesma ideologia que buscam inserir também na produção acadêmica e na administração financeira propriamente dita.

Peguemos a PUC-SP como exemplo; lá existe hoje a proibição de panfletar, controle ostensivo das ações dos estudantes em seu interior por meio do uso de uma empresa de segurança terceirizada, não raro, truculenta - sim, isso acontece na PUC hoje em dia, enquanto na época da ditadura a Universidade se orgulhava de ter uma Guarda Comunitária, hoje, ela tem isso. Isso não é à toa, muito pelo contrário, se adequa ao projeto de desdemocratização acadêmica e mercadificação administrativa que se dá sob as barbas da Igreja, coisa impensável nos tempos de Dom Paulo.
Nesse sentido, brigar por um espaço "besta", mais do que sua importância em si é a simbolismo que o gesto envolve: É, no fim das contas, uma expressão clara de que não se concorda com esse tipo de política. Claro, não faltarão bravateiros no Movimento Estudantil que vão tentar se usar das circunstâncias para se promover, mas não é porque as pessoas erradas defendem a coisa certa pelos motivos errados que se deve abdicar da luta.

Eis aí que entra a questão do ensino à distância. Isso aliena os estudantes do próprio espaço universitário e elimina qualquer possibilidade de debate político. Formarão meros técnicos e serão, ainda por cima, maus técnicos. Se até mesmo para se ensinar a reproduzir técnicas à distância já é praticamente impossível, imagine tentar formar um historiador ou um advogado sem ele ter tido convívio acadêmico, sem ter debatido ideias, enfim, eu vejo isso com preocupação.

Hugo Albuquerque em maio 6, 2009 4:44 PM


#102

Antonio, interessante a crítica -- lhe digo o que tenho em mente, meio que na correria.

1) Não, não acho que a realidade (aqui entendida como realidade política, a realidade da pólis no Brasil) tenha que ter sempre apenas uma contradição constitutiva. Você tem toda a razão: na maior parte do tempo (para figuras como Laclau, e nisso eu o sigo, e parece que você concorda também), essa pólis terá um leque de contradições coexistindo.

2) Mas na luta política há momentos em que acontecem pulos do gato, e que uma determinada contradição sintetiza, torna visível, resume as outras. Estas não desaparecem, mas começam a se expressar através daquela contradição que virou, momentaneamente, o ponto-âncora.

3) No Brasil pós-Satiagraha, o eixo putrefação da mídia-jagunçagem de Gilmar "resume" (as palavras aqui são bem inadequadas, daria para escolher outras melhores com tempo) é, na minha opinião, o lugar de um potencial -- e positivo -- pulo do gato.

Teria muito mais, mas seu comentário me suscitou isso de cara como explicitação de como eu vejo a coisa. Abração.

Idelber em maio 6, 2009 6:30 PM


#103

Rapaz. Sua filosofia deixa Sócrates atrás.Bom proveito.

Bourbon Assuruá em maio 6, 2009 7:46 PM


#104

O que aquele senhor queria dizer com "Esquerdismo, doença infantil do comunismo" ?

Marco Vitis em maio 6, 2009 10:53 PM


#105

Por que você não se informa antes de falar besteira? O Governo Lula não é de Esquerda, é de Direita! O único partido realmente leninista do Brasil é o PCB, que sempre denunciou a política econômica assassina e reacionária de Lula, Palocci, Meirelles e Dilma. É muito fácil apoiar os pelegos da CUT, os oligarcas apoiadores de Lula-como eram apoiadores de FHC- e os mensaleiros tucano-petistas e ser contra a independência sindical e a luta de classes ganhando em dólar nos EUA. É fácil ser contra defesa da moralidade no uso do dinheiro público quando não se vive mais no Brasil e não se sente as consequências do entreguismo tucano-petista. É facílimo apoiar o Bolsa-Migalha quando não se corre o risco d eperder o emprego e viver dele. Trabalhador não quer esmola, trabalhador quer Emprego, Saúde e Educação! Ah, mas realmente, apoiar a guangue dos Lulas, Malufs e Sarneys, defender a farra das passagens-como fez Lula- e dizer que o Povo não tem nada que reclamar do SUS-como disse lula- é o auge do leninismo... em Tulane, talvez!

http://upassos.wordpress.com/2006/09/25/lula-o-eruditchio/

Ricardo de Sousa em maio 6, 2009 11:27 PM


#106

Puxa, como fui me esquecer do PCB! Está prometida a inclusão no próximo post sobre extrema-esquerda.

Idelber em maio 6, 2009 11:29 PM


#107

Sei lá, mas o maluquinho do PCB-onde será que eles aprendem a enfileirar tantos clichês e a esquecer o senso de proporções?-até que tem um ponto: o PCB tem quase tantos filiados quanto o PCO e o PSTU juntos. E em poder eleitoral estão todos mais ou menos no traço, então...

Mário em maio 7, 2009 12:05 AM


#108

E note-se, Mário, a delicadeza da primeira frase :-)

Idelber em maio 7, 2009 12:30 AM


#109

Dê um desconto: o pobre coração revolucionário dele devia estar abalado pela omissão do PCB do rol das organizações leninistas. Ele reagiu do único jeito que conhece: com o equivalente internético dos Grandes Expurgos. Melhor "corrigir" o post antes que ele use a Sibéria como ameaça.
Agora, grosserias, falta de bom senso, pobreza de argumentos e bílis (muita bílis) do sujeito à parte, o PCB provalvemente mereceria citação por seu papel histórico e ter mais filiados que os outros dois leninistas, o PSTU e o PCO. A despeito do que pensa o troglodita do Partidão, não é a maior injustiça do Mundo não ter citado, mas ter citado não teria feito mal. No entanto, que o sujeito parece doido de pedra, parece.

Mário em maio 7, 2009 12:49 AM


#110

Obrigado :-) Verdade, foi reduzida, né? Eu achei que seria maior em Sampa que Brasília. Errei. Esperemos a Pça Afonso Arinos agora.

Idelber em maio 7, 2009 1:08 AM


#111

É, Idelber, você continua em sua velha forma. Responde apenas o que lhe interessa, pinçando as partes convenientes. É um direito seu, é claro, mas tal prática muito empobrece os debates.

Por exemplo, no meu comentário, o #73, você deixa de lado o essencial, a crítica à sua pretensão que os partidecos "de esquerda" deveriam fazer o que você acha certo, e aborda o acessório, a lembrança da sua péssima avaliação do que os partidos "de esquerda" deveriam ter feito nas últimas eleições do Rio.

Nada pessoal, eu sei, este é seu modo de agir. Por exemplo, o excelente comentário do Rafael Fortes, o #55, chamando a atenção que a derrocada da "grande imprensa" teria pouco impacto na maioria da população, pois esta se (des)informa no rádio e TV, não mereceu qualquer resposta sua. Já sei, já sei, você não tem obrigação de responder a todo mundo...

Só para fechar, gostaria de dizer que não lhe dou razão "retrospectivamente" coisíssima nenhuma. Um secretário de governo - qualquer um - tem que estar alinhado com o chefe do executivo que o nomeou, ou seja, a atuação da Jandira tem que seguir a linha do Paes, não o que ela faria se fosse a prefeita. Eu acho inaceitável que um concorrente a cargo executivo faça parte do gabinete do ex-adversário que o derrotou. Não é pirraça, picuínha, dor-de-cotovelo ou algo assim, é questão de coerência: se a proposta do outro era tão boa, por que não retirou sua candidatura e o apoiou? Se este faz um bom governo, que seja apoiado por meio do legislativo, por exemplo. A Jandira é apenas mais uma que simplesmente não concebe mais viver fora de um cargo público, qualquer que seja, venha de onde vier, um caso absolutamente comum no desgraçado Brasil de hoje.

Mas todo esse papo é besteira, não é mesmo? É "fazer do discurso moral anti-corrupção o eixo de da política" ou qualquer outra expressão cuidadosamente lapidada pelo "professor" para desqualificar qualquer perspectiva de moralidade na gestão do "presidente Lula". Desde que este se enroscou com Sarney, ACM, Newton Cardoso Jader Barbalho, Quercia etc. etc, o pior do coronelismo e banditismo político do Brasil, não há mesmo lugar para um mínimo de vergonha na cara.

(Moralista pequeno burguês! Udenista hipócrita! Eu nem ligo...)

Luiz Candido em maio 7, 2009 1:27 AM


#112

"Está lembrado, Falstaff. Mas o texto prometido não era sobre Schmitt, e sim sobre a manipulação gilmariana de Schmitt. Confere?"

Sim, claro.
Já procurei muito no google a citação que o Gil fez do Schmitt e não a encontrei.

Falstaff em maio 7, 2009 12:58 PM


#113

Uma boa noite. Nunca comentei nesse site, mas me deparei com essa matéria que me trouxe um certo estranhamento. Simples sacar Lenin da cartola e sair distribuindo críticas a bel prazer e sem apontar o que fazer na direção de uma nova práxis. O impasse que se deu nesses agrupamentos ou(me perdoem a palavra)ou partidos de esquerda, que compunham parte da história do PT, nasceu da própria condução do governo ptista, alijando a oposição à direção nacional do partido. Seria estranho que uma militância identificada com bandeiras sociais deixasse de protestar frente à permanência da política de superávit primário e reformas contra a aposentadoria de setores populares e médios, sem cortar na carne da burocracia e nababos dos três poderes. Reduzir a existência do Psol e seus propósitos de refundar uma frente democrática de esquerda com suas estratégias erradas é simplismo injustificável para quem folheia os fundamentos de esquerda citados. Sem dúvida, o Psol responde por uma sequência de erros, desde o sacrifício da legislatura da HH, acreditando que poderia obter um bom resultado nas urnas, através do descontentamento de setores médios e sem ter uma base sólida nos movimentos sociais, como o PT com a CUT, e uma ênfase num moralismo, que também expressa muito mais uma preocupação desses setores sociais. Mas esse repúdios ao saque dos cofres públicos não pode ser algo que envergonhe qualquer partido de esquerda, inclusive o dono do blog estampa acima uma manifestação contra o Gilmar Mendes, mas deveria estar situada numa plataforma mais ampla de discussão sobre a possibilidade de sobrevivência dessa mesma esquerda fora de um grande partido. Ora, nas páginas de Marx ou nas de Lenin, os comunistas são a vanguarda , mas só possuem capacidade de um partido revolucionário no momento que a ação se torna madura. A militância dentro de um grande partido social-democrata era condição de amadurecer a luta para isso. Desconfio que nesses novos tempos essas lições devam ser repensadas, mas se o Psol não se tornou uma partido de massas, talvez seja um momento de abrir o debate sobre as direções a serem tomadas, como fez Francisco de Oliveira, recentemente, sonhando com um ptismo reformado e apostando na direção que o segundo mandato tem percorrido, a do desenvolvimentismo nacional. Pois bem, deixo aqui registrada meu espanto frente ao pouco com as iniciativas e problemas que levaram a criação do PSOl e o esforço em manter a crítica de esquerda viva, como continuam a insistir intelectuais que souberam honrar com a luta do povo brasileiro, como Cid Benjamim, o Chico de Oliveira, o Plínio Arruda, Milton Temer, Lenadro Konder entre outros. Uma metralhadora de simplismo com um problema realmente profundo.

Astrogildo Pereira em maio 7, 2009 11:09 PM


#114

peraí. onde vc tá para colocar o psol na extrema esquerda?
a candidata deles na última eleição, a liderança de maior expressão nacional, vive repetindo que aprendeu a ser socialista lendo a bíblia. isso mesmo, não foi no manifesto.
só no brasil que socialista cristão é apresentado como comunista.
vinte anos de ditadura militar levou o centro da política tanto para direita, que liberais clássicos como sobral pinto e paulo brossard ou um democratata cristão como franco montoro se parecessem como de esquerda.
não é a toa que a nova udn se rebatizou como partido da social democracia, para caracterizar seu adversário pt, outro partido de imensa base no socialismo cristão, como comunista. quase deu certo. eles insistem nas mesmas táticas e discursos da guerra fria contra o pt. isso cola em setores da classe média, mas no povão perdeu efeito. cada dia que passa a dobradinha lula/pt encarna para o povão o espírito do velho ptb.

sven em maio 8, 2009 6:18 AM


#115

peraí. onde vc tá para colocar o psol na extrema esquerda?
a candidata deles na última eleição, a liderança de maior expressão nacional, vive repetindo que aprendeu a ser socialista lendo a bíblia. isso mesmo, não foi no manifesto.
só no brasil que socialista cristão é apresentado como comunista.
vinte anos de ditadura militar levou o centro da política tanto para direita, que liberais clássicos como sobral pinto e paulo brossard ou um democratata cristão como franco montoro se parecessem como de esquerda.
não é a toa que a nova udn se rebatizou como partido da social democracia, para caracterizar seu adversário pt, outro partido de imensa base no socialismo cristão, como comunista. quase deu certo. eles insistem nas mesmas táticas e discursos da guerra fria contra o pt. isso cola em setores da classe média, mas no povão perdeu efeito. cada dia que passa a dobradinha lula/pt encarna para o povão o espírito do velho ptb.

sven em maio 8, 2009 6:19 AM


#116

Nesses últimos dias, vira e mexe, dou um pulinho aqui nesse post para ver como vão as coisas. E, fora qualquer comida de bola minha, e mesmo se houver ainda seremos marginais, o que me espanta é que ninguém da (extrema) esquerda parou para escrever algumas linhas como Pois é Idelber, apesar das diferenças precisamos nos achar alguma forma de contribuirmos em conjunto.

Muitos se indignaram e se sentiram atacados, e revidaram mostrando desde o simplismo dos argumentos até o uso indevido de certa adjetivação, ou a falta de substantivação.

Posso pôr um milhão de senão ao texto do Idelber, mas creio que o núcleo do que ele queria dizer não gira nessas questões semânticas.

Paulo Cunha em maio 8, 2009 12:44 PM


#117

É a sensação que tenho também, Paulo. Leia-se, por exemplo, o (bom e muito articulado) comentário do Astrogildo. Ele diz:

Mas esse repúdios ao saque dos cofres públicos não pode ser algo que envergonhe qualquer partido de esquerda, inclusive o dono do blog estampa acima uma manifestação contra o Gilmar Mendes, mas deveria estar situada numa plataforma mais ampla de discussão sobre a possibilidade de sobrevivência dessa mesma esquerda fora de um grande partido.

O que é, com outras palavras, o que eu disse: nada contra os protestos anticorrupção, mas se é fato que protestar contra isso não 'envergonha' um partido de esquerda, o próprio comentarista reconhece que também é fato que isso não é suficiente para sustentar uma política de extrema-esquerda.

Antes, ele havia dito:

O impasse que se deu nesses agrupamentos ou(me perdoem a palavra)ou partidos de esquerda, que compunham parte da história do PT, nasceu da própria condução do governo ptista, alijando a oposição à direção nacional do partido.

Correto, mas colocar a responsabilidade pelos impasses de hoje na direção nacional de um partido ao qual você já não pertence há seis anos, como é o caso da turma do PSOL, fica um pouco feio. Claro que os dilemas vêm do contexto em que eles foram expulsos ou escolheram sair, dependendo do caso. O fato de que até agora esses dilemas não tenham sido superados é responsabilidade dele próprio, PSOL. Talvez essa impossibilidade de superação tenha a ver com os erros que o próprio comentarista reconhece.

deixo aqui registrada meu espanto frente ao pouco com as iniciativas e problemas que levaram a criação do PSOl e o esforço em manter a crítica de esquerda viva,

Jamais fiz pouco do PSOL e dos problemas que levaram à sua criação. Inclusive acho que, pelos rumos mais pragmáticos do governo Lula, um partido à esquerda do PT seria inevitável. E é bom que ele exista. Eu simplesmente disse que o PSOL, ao contrário do PT, não nasceu com um movimento social detrás de si. O que é fato histórico. E que depois, apesar de ter muita gente boa, como o comentarista cita, enveredou por um caminho udenista que pode ser fundamento para uma política de esquerda.

Ou seja, para resumir, li um comentário muito bem escrito, com compreensível indignação do autor por ter seu partido criticado. Mas não vi contraargumentação real ao texto, como demonstrado aqui nesta resposta.

Idelber em maio 8, 2009 4:43 PM


#118

lenin!! como referencia, para lutar politicamente por um lugar ao sol? voce so pode estar de brincadeira. Uma pergunta qual é a fatia do eleitorado que se quer conquistar? ate por que esta fatia esta incorporada ao PT e sabendo que é de mais ou menos de 35% com quanto ficaria a extrema esquerda?

john em maio 8, 2009 5:05 PM


#119

Prezado Idelber,
Acho que quando a gente se dispõe a defender uma posição no espectro de esquerda é preciso não ser tão simplificador com os erros cometidos em estratégias. A minha indignação não é com a citação do meu partido, mesmo porque não sou filiado a ele, mas com a forma de tratamento do tema. Continuo achando que vc. confunde estratégia política de se manter visível na mídia (esse udenismo que é ressaltado por vc.) com as bandeiras do PSOL, de reunir uma frente de esquerda contra o continuísmo de políticas atreladas ao governo neoliberal anterior. Pode estar errando na estratégia,e nem sei qual seria outra melhor no momento, mas acho que o maior problema é a dificuldade de reconhecer a derrota nas urnas. Isso é exatamente reconhecer as conquistas sociais e a guinada desenvolvimentista do segundo mandato. Evidente que se trata de um erro do PSOL a identificação simplória do atual governo com o tucanado privatizante e do estado mínimo contra o estado do bem-estar social, que nem conquistamos para todos. Eu me inclino sempre a respeitar os companheiros de luta, ainda que equivocados.
Escrevi com alguns erros, que não quis corrigir por preguiça. Lembrava o Cezinha Benjamin, que se esforçou para criar um fórum de esquerda, coisa que não aconteceu. Pois é, a realidade e o controle da mídia muitas vezes é implacável com as boas iniciativas que não vingam ou só apresentam pequenas brechas que devem ser exploradas. Vai demorar muito para um novo debate sobre que esquerda construir além do pragmatismo que todo governo impõe. Quem sabe se até 2010 se encontre um caminho de diálogo entre as forças de esquerda para que não venhamos a sucumbir ao tucanato outra vez?

Astrogildo Pereira em maio 8, 2009 7:01 PM


#120

Caro Astrogildo, compartihamos as mesmas preocupações então, sem dúvida. Acho que a única diferença que resta mesmo é aqui:

Continuo achando que vc. confunde estratégia política de se manter visível na mídia (esse udenismo que é ressaltado por vc.) com as bandeiras do PSOL, de reunir uma frente de esquerda contra o continuísmo de políticas atreladas ao governo neoliberal anterior.

Eu certamente contemplo a possibilidade de estar errado nessa, mas o que eu vejo é que a estratégia propriamente dita (reunião da frente contra políticas neoliberais) já foi engolida pelo que eu chamaria de tática, essa de se manter visível na mídia às custas do udenismo. Você acha que eu subestimo a diferença entre o essencial e o tático nos planos do PSOL. Eu já acho que o PSOL perdeu o vislumbre do que seria aquele essencial (o estratégico, o longo prazo) nos meandros dessas picuinhas do udenismo que vão, sim, corroendo o jeito que o partido pensa, vão corroendo a própria linguagem do bichinho. Chamar voto nulo numa escolha entre Marta e Kassab é o o cúmulo do fim. Para dar só um exemplo. Mas 2010 vem aí e que se arranje melhor o quadro para todos nós. Uma presidência Serra seria um treco terrorífico, na minha opinião.

Abraços,

Idelber em maio 8, 2009 8:32 PM


#121

Prezado Idelber,
VExma. deve levar em consideração que a Marta é um tribufu, uma escolha para o fracasso. Duro apoiar aquela água oxigenada toda sem sair descorado. Acho que vai levar um tempo até o pessoal notar que é preciso apoiar ou lutar dentro do partidão reformista social-democrático que é o PT (um grande avanço na América LAtina), para levá-lo à esquerda, como na Europa. Agora seitas políticas e religiosas sempre tiveram seus fiéis, mas no plano nacional com os fracassos aos cargos eletivos, restarão poucos candidatos a guru.
Um abraço e não me chame de doriano ou de fluxo poluído daquele maroto do Doria, posador de bom-mocismo judáico. Até agora não entendi seus medos mais recônditos contra o Pangarema. Coragem para enfrentar os direitões, camarada!

Astrogildo Surfando na Jaca em maio 8, 2009 9:12 PM


#122

O Idelber estudou,mas não aprendeu a diferenciar um "comunista de um samovar". Fica perdendo tempo, com os acólitos que o rodeiam, "eguando miudo",com teorias e ideologias sepultadas.

João Alcântara de Meireles em maio 10, 2009 3:00 PM


#123

Duro ler essas bestialidades como a acima. O que seria uma ideologia sepultada? O neoliberalismo? Ou por acaso temos um sistema social perfeito no capitalismo, que condena milhões de pessoas diariamente à morte, por fome e miséria? Tem gente que se acostuma à pocilga.

surfando na jaca em maio 11, 2009 11:14 AM


#124

O energúmeno que se esconde com o pseudônimo de "surfando na jaca", deve ter lido a Revolução dos Bichos, e só apreendido do texto como usar de maneira inadequada dois substantivos-bestialidades, pocilga. Reitero o que disse sobre a utilidade do Blog, e a pletora de néscios que fingem colaborar, batendo ponto com delírios ideológicos.

João Alcântara de Meireles em maio 11, 2009 9:41 PM


#125

Idelber: sobre a campanha contra baixaria na TV, vale ler este post do TucanUSP.

Alexandre Nodari em maio 12, 2009 1:26 AM


#126

Vossa jumentícia, João A. de Meireles não tem nada melhor para escrever? Cada comentarista rocambolesco que existe por aqui... Um árcade, um Bilac de cuecas, um Laet de ceroulas... Nenhum conteúdo aproveitável... Triste...

surfando na jaca em maio 12, 2009 2:16 AM


#127

Queria lembrar um mea culpa feito por um militante do PCB sobre o golpe de 64:

Em 62 o partido fez uma Conferência de Organização, da qual saíram dois documentos. Um de organização, que era profundamente na linha de 58, aprofundando mais a questão democrática, das alianças... e o documento político de 62 apontava para o lado contrário, dizia que o governo Jango era de conciliação, e que o certo portanto no nosso caso era o combate à política de conciliação do João Goulart. Então isso do ponto de vista político terminou redundando no Golpe de 1964. Chegou defendendo o João Goulart de um lado, na prática, mas do ponto de vista teórico a gente estava com a convicção de que aquele governo era um governo de conciliação. A gente chegou até ao absurdo de considerar o Plano Trienal, elaborado pelo Celso Furtado na época, um plano conservador. Fruto da política de conciliação que o governo fazia com a grande burguesia. E os teóricos por coincidência dessa visão eram grande parte da Executiva Nacional do partido, que depois, na crise do pós-64, explicitaram suas posições mais à esquerda, que eram o Mário Alves, o [Carlos] Mariguella, o Jacob Gorender e outros. E tinha o grupo minoritário que era o Giocondo Dias, o Armênio Guedes, o chamado “grupo baiano”, dos nordestinos, que eram mais pela abertura. Com essa complicação chegou o momento em que o próprio [Luiz Carlos] Prestes que era o fiador dessa política nossa, de vez em quando ‘vinha lá e vinha cá’. Numa hora ele dizia que o governo Goulart era de esquerda, na outra dizia que tinha que dar combate à política de conciliação do Goulart. [...] no dia do golpe a gente já havia sofrido uma derrota política, o governo já estava praticamente isolado, em relação à esquerda estava totalmente isolado em função dessa fragmentação da esquerda. A esquerda aguçou a questão da conciliação do João Goulart, e partiu para achar que o Governo Goulart era a mesma coisa que qualquer outro governo. Não entendeu o que representava o Governo Goulart. Isso é uma coisa traumática para nós porque... eu sei que o movimento radical de esquerda não criou o golpe, mas ajudou, deu pretexto para que a direita criasse os elementos psicológicos, da chamada guerra psicológica, para isolar o Governo Goulart da classe média [3].

Gilvan Cavalcanti Melo, depoimento cedido ao autor em 30 de julho de 2003, no Rio de Janeiro (RJ).

http://www.artnet.com.br/gramsci/arquiv356.htm

Alexandre Porto em maio 12, 2009 7:19 PM


#128

O indigente surfa na jaca-dura- visando os bagos e a parte interior do seu talo? Qual a razão da fixação em jumentos, cuecas,ceroulas e rocamboles? Alem de uma renovação teórica mais compatível, recomendo uma boa terapia analítica- de preferência freudiana-para facilitar à saida do armário.

PS. Decline dos porcos, pois as suas ferramentas têm formato de parafuso.Já é suficiente ser torturado com teoria rançosa que presume alimento e consequente indigestão.

João Alcântara de Meireles em maio 12, 2009 8:15 PM


#129

Bom depoimento.
Sr. João cabeça de vento,
numa leitura freudiana podemos reparar uma transferência de seus desejos para minha pessoa. Então, assuma sua boiolice sem medo de ser feliz.

surfando na jaca em maio 12, 2009 9:00 PM


#130

Tendo você "entendido" a prescrição, e já sutilmente, colocando-se como oferenda, dou como "comprida" a minha missão. Saio do seu reino-animal-e lhe ré-comendo o vegetal:Tomate crú.
Em tempo: Jaca é mole ou jaca é dura?

João Alcântara de Meireles em maio 12, 2009 11:01 PM