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terça-feira, 26 de maio 2009
Clube de Leituras: Um papo sobre Caio Fernando Abreu
Gostaria de convidar os leitores do blog para, dentro de 36 horas, iniciar mais uma edição do Clube de Leituras. Desta vez vamos fazê-lo sem grandes preparações, porque não será um romance e sim um brevíssimo conto. Eu me arriscaria a dizer que se trata do meu conto favorito em toda a literatura brasileira contemporânea, entendendo-se “contemporânea”, digamos, como o pós-Guimarães Rosa. Há nesse conto uma perfeição, um esmero, um certo equilíbrio entre o dito e o não dito.
Escrito pelo gaúcho Caio Fernando Abreu e publicado no livro Morangos mofados (Brasiliense, 1982), o relato Aqueles Dois está no centro do projeto de pesquisa que começo a desenvolver sobre a masculinidade na prosa de ficção. Eu gostaria de testar aqui algumas hipóteses de leitura e receber críticas e sugestões. Os interlocutores, evidentemente, serão creditados quando eu publicar o livro.
O plano seria, então, o seguinte: vocês leem essa maravilha. Na madrugada de quarta para quinta, eu publico uma breve reflexão sobre o relato de Caio e passamos o dia conversando. Assim, aproveitamos e nos desintoxicamos um pouco da política – o que não quer dizer que o conto de Caio não seja também político. Do que há por aí sobre Caio na internet, eu gosto muito desse depoimento (notem a participação dele no Roda Viva).
Fiquem à vontade para usar esta caixa de comentários e compartilhar outros links acerca do escritor gaúcho ou as primeiras impressões que tiveram lendo o texto. Mais não digo, para não influenciar sua leitura. Na quinta-feira conversamos.
Quem se anima?
Escrito por Idelber às 14:18 | link para este post
| Comentários (50)
#1
Infelizmente não terei tempo.
Mas aproveito para indicar "Para uma avenca partindo", belíssimo conto do livro O Ovo Apunhalado.
Faço votos que seja um bom bate-papo.
Monsores em maio 26, 2009 2:36 PM
Thiago Candido em maio 26, 2009 2:50 PM
Cláudio luiz em maio 26, 2009 2:50 PM
#4
Idelber, meu caro: eu adoro este conto e será um prazer trocar leituras. Até lá,
Victor da Rosa em maio 26, 2009 2:50 PM
#5
Eu li "Morangos Mofados" na faculdade, mais ou menos quando foi lançado (sou velho aos 44 anos). vou tentar reler este conto até amanhã e tentar participar da leitura.
obrigado pela lembrança. veio um cheiro de juventude...
Radical Livre em maio 26, 2009 3:03 PM
#6
caio fernando é leitura de todos os dias... vou tentar ao máximo achar tempo pra participar.
:)
anny em maio 26, 2009 3:40 PM
#7
Esse conto, Idelber, é a "Missa do Galo" em versão pós-moderna!
Cesar em maio 26, 2009 4:22 PM
#8
Opa, na quinta-feira eu vou querer saber como é isso :-)
Idelber em maio 26, 2009 4:28 PM
#9
Vou participar professor. Adoro o Caio Fernando e Morangos Mofados foi meu livro de cabeceira na faculdade.Inté
Izabella em maio 26, 2009 5:13 PM
#10
Convite tentador e irrecusável.
Myriam Kazue em maio 26, 2009 5:15 PM
Fernando Leme em maio 26, 2009 5:59 PM
#12
Idelber, nunca li Caio Fernando Abreu, mas tentarei participar porque o espaço é democrático.
Abraço.
João Carlos Ribeiro Jr. em maio 26, 2009 6:03 PM
#13
Seria bem legal, mas entro em estado de boicote ao Clube de Leituras. Me preparei com esmero ao prometido sobre o Pappé, gastei os tubos com a Amazon lendo sobre a história do conflit... ooopa, sobre as guerras em Israel e Palestina ocupada e nada!
João Paulo Rodrigues em maio 26, 2009 6:05 PM
#14
Estou justamente lengo um livro de coletânea de contos do Caio Fernando Abreu (que aliás eu adoro!).
O conto Aqueles Dois eu estava lendo justamente quando vi no blog a proposta de conversa sobre.
Não sei fazer análises, etc. Mas me comprometo a participar. Venho, leio e se tiver alguma contribuição, ficarei muito feliz em compartilhar.
Adorei a idéia.
Abç
Mariê em maio 26, 2009 6:34 PM
#15
Ah, eu quero participar! Quando comecei a ler o post e você fez menção ao conto, logo pensei: Será que é aquele conto que eu adoro? É!!!
Que bom retornar aqui depois de longa viagem, e encontrar esta vitalidade.
Janaina Amado em maio 26, 2009 7:02 PM
#16
Idelber,
Acho que lhe devo agradecer de ante-mão esse Clube de Leituras sobre meu novo objeto de estudo (sob a orientação de seu conhecido Jaime Ginzburg). Apesar de os Morangos mofados não estarem selecionados para o corpus principal da minha pesquisa (voltada para a produção de Caio F. pós-64 e pré-Abertura), não posso deixar de dar meus dois centavos para esse Clube, já que o conto em questão é também político.
Como sugestão de link sobre a obra dele, indico o trabalho de minha colega Valéria de Freitas Pereira, sobre o conto Morte segunda , aqui: http://w3.ufsm.br/grpesqla/revista/dossie/art_18.php
Convido também, a quem puder, à Mostra Caio F.: http://www.casaraodobelvedere.com.br/mostracaiof.html
Por fim, adorei a concepção de literatura contemporânea pela expressão "pós-Guimarães Rosa". A minha dissertação de mestrado foi uma comparação entre ele e Rubem Fonseca na tentativa de explicar até que ponto não dá mais para Diadorim , ou não. Sua defesa foi um parto prematuro, como não poderia deixar de ser nessa época de prazos exíguos, mas ela se encontra disponível aqui, a quem interessar possa: http://en.scientificcommons.org/roberto_c%C3%ADrio_nogueira
Por ora é isso.
Abraços e até quinta.
Beto em maio 26, 2009 8:25 PM
#17
Eu talvez possa, Idelber. Conheci o Caio. Ele era um habitué do bar Van Gogh, na esquina da João Pessoa com República. Acho que conversei com ele duas ou três vezes. para mim, era um cara tranquilo que adorava os Stones... Não muito mais do que isso.
O cineata Sergio Amon fez um filme bastante ruim de "Aqueles Dois", mas, é claro, valeu pela divulgação a Caio.
Abraço.
Milton Ribeiro em maio 26, 2009 8:49 PM
#18
Livro em mãos.
Agora é reler este conto e tentar participar deste clube de leituras...
Stive Ferreira em maio 26, 2009 8:54 PM
#19
olá, idelber. quero te dizer que o conto me emocionou muito. não sei se terei condições de fazer reflexões 'publicáveis' sobre ele [estou naquela fase 'vai-ou-racha' de terminar tese], mas prometo que vou acompanhar a discussão. voltarei ao mundo dos vivos - ops! - dos leitores quando terminar de escrever meu trabalho. a impressão que eu tenho é que doutorado emburrece e empurra a gente pra bem longe daquilo que realmente interessa. mas é só uma impressão, rs. obrigada por recomendar essa leitura. eu não conhecia o conto e ele foi um oásis de delicadeza nesse meu dia. fez toda a diferença. é isso. abraço!
cris em maio 26, 2009 9:21 PM
#20
Pô, Idelber, justo quando estarei mais ocupado! Não vai dar tempo.
Caio Fernando foi um grão-mestre do conto brasileiro.
Jair Fonseca em maio 26, 2009 9:22 PM
#21
Oi, Idelber.
Eu li aqui o conto. Não sei por quê, mas tô meio inibida em comentar. Então falo das sensações - parece paradoxal sentir menos inibição em falar das minhas sensações, mas acho que elas comprometem menos porque, por mais bestas que possam ser, não tentam entender o que não entendem.
Mas é o seguinte: fazendo de conta que o que se lê tem um som - se bem que eu acho que tudo o que se lê tem um som -, o que eu li me soou quase silencioso e ao mesmo tempo muito nítido. Como uma voz baixinha que a gente se surpreende por perceber com tamanha nitidez e força. Aliás, como será a leitura de quem é surdo? Cada um com os sentidos dos seus sentidos, né?
Esse silêncio sonoro da leitura foi fazendo meu coração disparar à medida que o conto caminhava (ou que eu caminhava por ele). Mas nem era aquela batida de tambor, ruidosa, nada disso. Era aquela batida forte e surda que certos estímulos causam em nosso psiquismo e que se transferem pra nosso músculo cardíaco, esse ritmista das nossas emoções.
Eu nunca tinha lido nada do Caio Fernando Abreu. Lembro apenas de ter visto, no programa chato do chato do Jô Soares, uma entrevista dele. Não me lembro de nada do que foi dito. Lembro só da sensação forte que me ficou, do quanto fiquei impressionada pela figura dele e do nome "Morangos Mofados".
Após ler "Aqueles Dois", fui perguntar a Mr. Google o que ele sabia sobre Caio Fernando Abreu. E aí achei de novo Ana Cristina César, que eu também nunca li, mas que foi uma figura a respeito da qual eu li já faz um tempo (não sei como cheguei a ela na época) e que também me impressionou muito. Eu sou de me impressionar com figuras e demorar séculos para ler, ver, ouvir suas obras. Coisas da minha cabeça.
Reencontrando a Ana Cristina César, voltei a um texto que já havia lido e que acho que foi escrito por uma figura que foi minha professora de Psicanálise II quando eu ainda achava que levava jeito pra dona de divã, e não para usuária dessa peça de mobiliário.
É claro que não tenho referências para entender sequer metade do texto, mas me ficou, senão um entendimento completo, uma ideiazinha a respeito do artigo, e uma sensaçãozona após a leitura. Sei lá se lhe interessa e é um link que me veio na base do "uma coisa puxa outra". Mas olha ele aí: http://www.cbp.org.br/rev2915.htm
Quando você propôs discussões a respeito de contos da Lispector, palpitei bastante aqui. Isso faz séculos - quaisquer cinco anos são séculos na internet, né? - e eu falei pelos cotovelos. Desta vez acho que vou me limitar a este comentário das minhas sensações, e vou ficar como expectadora - já na expectativa - das idéias que virão na discussão do lindo "Aqueles Dois".
Abraços,
Mônica em maio 26, 2009 9:44 PM
#22
Oi, pessoal! Ficamos combinados então :-)
Mariê, Janaína: apaguei as duplicações. Não se preocupem, às vezes acontece isso mesmo.
JPR, meu querido, não boicote o Clube só porque eu enrolei com o Pappe. O dinheiro que você gastou com aquele livro não foi em vão. O debate sobre A limpeza étnica da Palestina vai acontecer, eu lhe prometo. Pode demorar, mas vai acontecer. O problema é que saí da última cobertura exaurido. Houve outros problemas, mas voltaremos a esse assunto.
Jair, o Sr. está intimado a participar, seu Jair. Encontre tempo aí.
Milton, se você conheceu Caio pessoalmente, ora, também está intimado.
Beto, obrigadíssimo pelos links :-) Até quinta.
Cris, que lindo comentário! Eu havia perdido o seu rastro depois que você fechou o outro blog, o "Eu profundo". Que bacana que Caio me fez reencontrá-la. E que boa notícia a de que o conto foi um momento bonito do seu dia.
O clube tem uma única regrinha: não vale ficar inibido, desculpando-se por não ser especialista, por não ser doutor em literatura, ou coisas do tipo. A ideia é ler e conversar, todo mundo em pé de igualdade, cada um com sua leitura -- relaxado, livre, leve e solto.
Até quinta, pois.
Idelber em maio 26, 2009 10:05 PM
#23
Delícia de idéia!!!!
Nâo conhecia esta "aba" do blog.
Idelber, quando der, ponha um conto de "Tutaméia" na lista. Seria um privilégio.
João Vergílio em maio 26, 2009 10:11 PM
#24
Eu não fui citada e nem sei se tenho parte no seu comentário, Idelber, mas o: "O clube tem uma única regrinha: não vale ficar inibido, desculpando-se por não ser especialista, por não ser doutor em literatura, ou coisas do tipo. A ideia é ler e conversar, todo mundo em pé de igualdade, cada um com sua leitura -- relaxado, livre, leve e solto."
Bom, o caso é que fiquei relaxada, livre, leve e solta quando comentei. Se for o caso, comento. Se não for, fico na minha, só lendo. E já vai ser bom.
E nem tô me desculpando. Tô apenas falando da sensação de hoje. Talvez no dia do falatório minha sensação seja outra. E aí eu solto os cotovelos. Mas sei lá. Só no dia pra saber.
Mônica em maio 26, 2009 10:23 PM
#25
Professor Idelber,
Já li o conto e achei bem interessante. Em um momento em que se faz necessário um debate mais aprofundado sobre o tema, é muito importante a divulgação.
Vai ser a primeira vez que participo do Clube da Leitura...
Quinta feira estarei por aqui.
Leo.
Leo Lagden em maio 26, 2009 10:29 PM
#26
Oi, Mônica, eu não a citei porque a sua maravilha de comentário entrou enquanto eu estava escrevendo o meu. E a Sra. faça o favor de escrever mais na quinta! Bons tempos, aqueles da Clarice, hein?
João Vergílio, seguindo o link do Clube de Leituras você encontra toda a história. É uma iniciativa antiga, que andou dormente nos últimos tempos porque as pautas políticas acabaram se impondo.
Stive, Myriam, Fernando, Izabella, Victor, todo mundo: nos vemos na quinta.
Idelber em maio 26, 2009 10:31 PM
#27
Olá. Excelente proposta. Pena que o Caio Fernando Abreu tenha ficado meio estigmatizado como um "autor gay". Tudo é surpreendente em sua escrita.
Lembro que existe um curta baseado no conto.
Capitu traiu ou não traiu Bentinho? Aqueles dois tiveram ou não um relacionamento? Há muito mais nas entrelinhas do que o próprio texto escrito.
Com certeza, há algo - muito - de autobiográfico nesse conto.
http://www.youtube.com/watch?v=naNJ3_PswVw
Alberto em maio 26, 2009 10:52 PM
#28
conhece a adaptação feita pela Luna Lunera, de BH?
primorosa, primorosa...
teve gente próxima do Caio que disse que era uma das poucas adaptações que ele seguramente gostaria de ter visto.
A princípio sou suspeita pra falar, já que sou agregada da cia. Mas no fim das contas não sou nada suspeita, porque de fato é um trabalho de grande sensibilidade e cuidado/pesquisa estética!
tomara q vc tenha oportunidade de assistir, porque a cia estará em cartaz no Rio em breve =)
Débora Vieira em maio 26, 2009 10:54 PM
Débora Vieira em maio 26, 2009 10:57 PM
#30
prometo que será o último post sobre a peça, rs...
é que acabo de ver q estará em cartaz em julho, 30 e 31, no teatro Alterosa, BH.
Débora Vieira em maio 26, 2009 11:02 PM
#31
Débora, obrigado por essa riquíssima coleção de links. Eu havia ouvido falar da adaptação -- terei lido no seu próprio blog? -- mas não, nunca pude ver. Estarei em BH no final de julho. Irei ao Teatro Alterosa vê-la com certeza. Já segui todos os links. Que adaptação mais elogiada!
Leo, Alberto, bem vindos ao Clube. Até quinta.
Idelber em maio 26, 2009 11:40 PM
#32
Uia, eu não sabia do basfond com a Rachel de Queiroz. Alguém na caixa sabe dizer mais alguma coisa do episódio?
Fábio Carvalho em maio 27, 2009 12:04 AM
#33
oba, que bom q vc poderá assistir!
No começo de julho apresentaremos 'Cortiços' (http://didascaliae.blogspot.com/2009/01/cortios.html) no Siana, em BH, e depois no Rio de Janeiro, no Festival de Teatro de Língua Portuguesa, o Festlip.
Está desde já convidadíssimo =)
Débora Vieira em maio 27, 2009 12:22 AM
#34
Ia comentar o mesmo que a Débora Vieira. Primorosa a adaptação da Luna Lunera. Já assisti duas vezes.
Felipe em maio 27, 2009 1:06 AM
#35
Caramba, como eu aprendo com vocês. Valeu, Felipe. Datas e local anotados, Débora :-)
Fábio, com minha biblioteca ao alcance das mãos, eu certamente poderia descobrir algo sobre o entrevero. Mas como estou em BH, e não em New Orleans, vou ficar devendo ...
Idelber em maio 27, 2009 1:12 AM
#36
Pois é, Idelber. Quando você falou que não viessem com inibições, minhas inibições me disseram: "isso é com você, dona Mônica". Não sei qual será meu estado de espírito na quinta no quesito "botar os bofes pra fora". Mas sei que estarei aqui lendo o que dirão sobre o conto que fez meu coração ser percussionista do que minha cabeça sentiu ao ler o conto.
No caso da Lispector, que aconteceu milênios internéticos atrás, sei lá o que me deu, mas botei meu falador pra funcionar. Melhor dizendo, botei meu escrevedor pra funcionar. No link que lhe mandei no meu primeiro comentário, há o seguinte trecho: "Não sem razão, a ensaísta americana Susan Sontag (22) costumava dizer que só descobria o que pensava quando escrevia."
Eu sempre achei que penso melhor por escrito, guardadas as proporções que me diferem de uma Susan Sontag. Sorte minha ter lembrado que a citação se refere a ela, pois o artigo da psicanalista é grande e eu teria preguiça de procurar quem disse que pensa melhor por escrito, assim como eu.
Aproveitando a caixinha de comentários pra fugir um pouco do assunto, o Guto me contou que o Rubem Fonseca agora será publicado pela Editora Agir. Tenho aqui o "A vida como ela é", do Nelson Rodrigues, editado pela tal Agir. Trata-se de um tijolão metido a besta, cheio de firulas gráficas e de erros de pontuação.
Do pouco que eu li do Nelson Rodrigues, "A vida como ela é" não é o que mais me agrada. Deixando isso de lado, e não sei se é saia-justa criticar uma editora aqui, achei diversos erros de pontuação no livro.
As outras coisas que li do Nelson Rodrigues, quase tudo pela Companhia das Letras, primava pela pontuação, uma das coisas que acho mais lindas no português, embora não domine a pontuação como gostaria.
Pelas leituras anteriores, pensei: esse Nelson Rodrigues sabe mesmo pontuar um texto. No "A vida como ela é" da Agir, cansei de grifar os erros básicos de separação de sujeito do predicado, entre outras "pérolas" da má pontuação.
Fiquei intrigada: seria o Nelson Rodrigues um mestre da pontuação que foi castigado pela "Agir" ou seria ele um péssimo pontuador que foi louvado por um grande revisor apaixonado por pontuação que por acaso estava lá na Companhia das Letras?
Fiquei intrigada e continuo incomodada com isso.
Mônica em maio 27, 2009 1:51 AM
#37
Então, eu havia tentado ler o Morangos Mofados ano passado, mas acabei desistindo pelo quinto conto, acho - simplesmente não é o tipo de coisa que eu gosto de ler e "literatura brasileira pós-guimarães" não é exatamente uma área de interesse minha.
Surpreendentemente, gostei do conto - nem de longe tanto quanto você, mas é um conto inspirado, afinal. No aguardo da análise.
Igor em maio 27, 2009 2:00 AM
#38
Idelber e Fábio,
O entrevero com a Rachel de Queiróz também me deixou surpreso, algo assustado, perplexo e curiosíssimo. Vamos atrás disso, não vamos?
Idelber,
Tô divulgando o Clube entre meus orientadores e colegas. Tomara que nos encontremos todos aqui.
Fábio,
Fiquei louco aqui na rede atrás dessa tal coxinha da Pipita. Entendi porque nunca tinha ouvido falar nela quando li em sua dissertação sobre o assunto: "A Pipita é programa para quem tem algum sobrando." Boa parte do tempo que morei em JF eu tinha muitos faltando e nada sobrando... Mas acho que já tenho um programa pra junho ou julho, quando for pra lá matar as saudades...
Ah, também nunca ouvi falar da pizza grega do Futrica. Mas o arroz carreteiro acompanhado de um feijão tropeiro na Bodega do Mineiro (na época em que era lá no São Pedro, do lado de casa)... nossa, quanta saudade...
Beto em maio 27, 2009 2:53 AM
#39
Valeu, Igor, aguardamos sua participação.
Beto, obrigado por divulgar. Toda divulgação é bem vinda, ainda mais entre gente que entende do riscado. Quanto ao arranca-rabo com Rachel de Queiroz, é muito fácil. Eu lhe digo onde há material: Caio Fernando Abreu - inventário de um escritor irremediável, de Jeanne Callegari (Editora Seoman, 2008). A Jeanne fala disso. Eu tenho esse livro, mas está lá em New Orleans... Comprar de novo um livro que já tenho, só para checar esse detalhe, aí não dá...
Abraços :-)
Idelber em maio 27, 2009 3:16 AM
#40
Pois é, eu achei essa referência no Google ao digitar "caio fernando abreu rachel de queiroz". Tem uma resenha sobre a biografia feita pela Jeanne Callegari bem interessante no blog overmundo, do Alexandre Souza.
http://www.overmundo.com.br/banco/primeira-biografia-de-caio-fernando-abreu-uma-analise.
Mas a resenha não acrescenta nada nesse episódio em especial. Fiquei aventando a hipótese de a Rachel de Queiroz ter apoiado a ditadura (parece que era meio aparentada do Castello Branco). Mas também fiquei pensando se não foi pela história de militância comunista, que ela também teve. O que mais poderia ser?
Fábio Carvalho em maio 27, 2009 4:19 AM
#41
Fábio, com certeza o motivo não era a militância comunista das priscas eras de Rachel. Caio era heterodoxo, mas não era anticomunista. Foi o apoio à ditadura e o alinhamento de Rachel com o conservadorismo mesmo. Haverá mais detalhes, que o livro de Jeanne talvez esclareça. Até que apareça alguém que tenha o livro ficaremos na dúvida...
Idelber em maio 27, 2009 4:23 AM
#42
Beto,
A Pipita fica na galeria Tenente Belfort Arantes, do lado direito de quem vai no sentido Halfeld-São João. Vi no Google que é o número 28. Uma coxinha com catupiry deve custar uns cinco pila, o que é preço de playboy, convenhamos, mas é um sonho.
O Futrica é na galeria (João Pedro) Hallack, do lado direito de quem vai no sentido Marechal-Mister Moore. Achei no Google o telefone 3232-6438, então deve existir ainda. A pizza "grega" é assada ao contrário, isto é, a mussarela fica embaixo. O preço é pop.
Tem ali pertinho também o melhor cigarrete da cidade. Porque cigarrete é uma invenção juizforana (eu acho, aqui em Porto Alegre isso não existe). Recomendo o do Tutty Sucos, na galeria do Marechal Center, lado direito de quem segue no sentido Marechal-Mister Moore.
Boa viagem!
Fábio Carvalho em maio 27, 2009 4:35 AM
Nádia Lapa em maio 27, 2009 2:22 PM
#44
A referência à Brasília é bem clara... gostei muito do conto, nunca tinha lido nada dele... engraçado que vi uma reportagem sobre ele essa semana, mas não lembro onde foi...
Bem legal o conto, tem muita coisa, ainda mais se for sobre a figura masculina... bem legal, vou ver se amanhã consigo escrever algo aqui!
Num dos constos do site que vc colocou o Caio cita o Dalton Trevisan, po já vi muitos elogios, mas o que eu li achei uma porcaria... dei azar de ler algo ruim ou não entendi??
ps: Leu o novo do Chico Buarque?? To achando muito bom, mas Budapeste ainda supera...
abraço!
Gui Losilla em maio 27, 2009 2:25 PM
#45
estou lendo esse livro.
vou adorar participar...
o twitter me revelou você!
maravilha!!!
Mariana em maio 27, 2009 3:57 PM
#46
Idelber,
Valeu pela dica do livro. Vou atrás a$$im que puder...
Fábio,
Valeu pelas indicações gastronômicas em JF. Vou até anotar na agenda.
Uma curiosidade: você fez o percurso que eu pretendo, JF x PoA. São Paulo seja talvez uma longa e prazerosa escala...
E voltando à vaca fria, quando desembarcar de novo em PoA, meus rituais serão: o rodízio do CTG 35, uma torrada gigante em alguma padaria do centro, um peixe frito se tiver rolando uma feira do lado do Mercado Municipal e uma escolha a dedo de erva mate lá dentro.
Abraços e tudo bom.
Beto em maio 27, 2009 3:58 PM
#47
O texto de Caio me foi apresentado por um grande amigo,à epoca noivo de minha irmã,(noivado longo) ele me deu Morangos Mofados de presente, ficavamos longas tardes saboreando aqueles morangos, este conto em especial nos trazia uma angústia contida uma cumplicidade.
Tudo nos parecia muito obvio ao nosso redor,previsível, mas naquelas tardes sentiamos o cheiro de liberdade e ousadia lendo Caio Fernando, de lá pra cá a vida me separou do meu amigo, mas nunca dos livros...
Ah! tem de um conto de Machado de Assis com essa mesma temática está na coletânia os cem melhores contos...não lembro o nome agora mas é lindo
Isabel Ribeiro em maio 27, 2009 7:52 PM
#48
Que susto. Eu pensei que eles iam se separar e cada um ia pegar um taxi diferente. Tô curiosa pra ouvir o que vc tem a dizer. Nao consegui fazer link direto com a masculinidade. Me chamou atençao a falaçao mesmo. Que eles falam e falam e nem conseguem ver filme q começam a falar. E aí uma coisa de self mesmo. E eles tem praticamente o mesmo nome. Também gosto desse clima "na senzala, uma flor" e de coisas delicadas q florescem em ambientes inóspitos. As possibilidades do sujeito. É otimista esse conto. Vou ler mais umas vezes antes do seu post.
mary w em maio 27, 2009 9:05 PM
#49
Saudades do Caio F.Abreu. Teve um tempo que eu ia nas palestras dele, noite de autógrafos e tudo. Mas teve um dia, chegamos eu e amigo numa sessão de cinema, adiantado e fomos tomar algo num bar. Mas antes, passei numa livraria e comprei livro dele. Acho que Os dragões não conhecem o paraíso´. E naquele bar, acho que o Ritz, ele tava lá né. E meu amigo, vai lá, pedir dedicatória. Putz, vou não vou. E fui. As amigas dele, disseram pra ele que estava ficando famoso rs. E ele escreveu. De repente no Ritz, comemorando meu aniversário, que os seus dragoes encontrem o paraíso. All we need is love. Caio. Assim, lindo demais ele.
Você já leu Pequenas Epifanias dele. Acho que já li e tenho todos os livros dele. Saudades, saudades
abs e valeu, aqueles dois, reli com gosto.
madoka em maio 28, 2009 12:26 AM
#50
Pra falar a verdade, Idelbe, li CAio Fern. Abreu na faculdade e achei que ele variava de assuntos particulares que não conseguiam alcançar um patamar que transformasse aquilo em algo interessante para alguém estranho, a figuras literárias usadas à exaustão e de maneira a ficarem óbvias e, atyé por isso, opacas.
Ricardo R. em junho 12, 2009 2:03 AM
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