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sexta-feira, 08 de maio 2009

Marcha da maconha sábado, liberada em BH. É na Pça da Estação

Depois de que em outras capitais brasileiras triunfasse a insanidade, a insensatez de se proibir uma marcha pacífica em favor da mudança de uma minúscula letrinha da lei, em Belo Horizonte a história foi diferente e o TJMG já autorizou a marcha da maconha

que acontece a partir das 15 horas, na Praça da Estação, neste sábado .

Parabéns aos organizadores por chamá-la para esse espaço, o melhor para se iniciar uma manifestação popular em Belo Horizonte. Sempre foi essa a crença deste blog. Como sempre foi minha convicção que a maconha deve ser total e completamente descriminalizada.

Sim, Sergio Leo, os jornalões já noticiaram, mas eu li antes no Twitter do Túlio Vianna, podendo por isso lhes oferecer o link ao pdf com o habeas corpus impetrado em favor do direito à marcha.

Vitória da sensatez, pois.


Atualização: Leio no Twitter do Túlio que o MP impetrou um Mandado kamikaze de madrugada, mas foi derrotado de novo. A marcha acontece. Ainda sobre o tema, que tem história por aqui, veja a discussão dessa decisão judicial de 2008.

Atualização II: Já depois da marcha realizada, vale a pena ler as reflexões do Túlio Vianna.



  Escrito por Idelber às 21:30 | link para este post | Comentários (34)


Comentários

#1

Aqui em Porto Alegre perdemos. O enfoque repressivista prevaleceu. Mesmo assim, a macha antiproibicionista ocorrerá e já há uma equipe de advogados (vários meus amigos) de plantão para eventuais prisões amanhã. Os amigos que estiveram na reunião com a Brigada Militar contaram que pareciam estar vivenciando uma cena do ótimo "Z", do Costa-Gavras.
Vários desses advogados são blogueiros:
http://anticarcere.zip.net/
http://tunelnofimdaluz.blogspot.com/
http://sopademoscas.blogspot.com
http://onaolugar.blogspot.com

Moysés Neto em maio 8, 2009 10:29 PM


#2

É inacreditável como criminalizarão a Marcha da Maconha em várias cidades. É elementar que numa Democracia as pessoas possuem o direito de se manifestar pela mudança de leis.

Não gosto do Tipo Penal da Apologia ao Crime - ele é nocivo para a liberdade de expressão e não está ali à toa. É provável que à luz da Constituição vigente, ele devesse ser reinterpretado, no entanto, aqui nem é o caso.

Enquadrar as marchas da maconha pelo país como apologia ao crime é de doer nas vistas. Nem mesmo o nosso direito positivo, mesmo com todas as suas limitações e incongruências, seria capaz de proibir isso daí. Fazer "apologia ao crime", de acordo com o Direito vigente, seria alguém aparecer dizendo "trafiquem e mandem a lei pros diabos!", exigir a legalização disso, nem em sonho.

Outro exemplo possível é o dos grupos que pleiteiam a pena de morte, em outras palavras, a legalização do homicídio. Fazer isso, por mais que se discorde, é perfeitamente legal. Agora, chegar em púbico defendendo que as pessoas façam justiça com as próprias mãos, não.

Aliás, hoje, no Brasil, nem mesmo se você defender em público o uso da maconha, você pode ser enquadrado por apologia ao crime - pelo simples motivo de que o consumo pessoal não é mais crime, mas sim contravenção penal e não existe o tipo penal da "apologia à contravenção".

A completa descriminalização do uso de maconha não é tão difícil quanto parece: Basta o Ministério da Saúde baixar uma portaria dando à maconha, por exemplo, o mesmo status do álcool para a história acaba por aí.

Hugo Albuquerque em maio 8, 2009 11:52 PM


#3

Idelber, está fora de tópico, mas é importante: Protógenes foi indiciado! Veja a matéria abaixo, do Site do Azenha:

Protógenes denunciado por vazar
Atualizado em 08 de maio de 2009 às 21:31 | Publicado em 08 de maio de 2009 às 21:29

08/05/2009 - 20h18


Procuradoria denuncia Protógenes Queiroz por violação de sigilo e fraude processual

da Folha Online

Atualizado às 21h02.

O MPF (Ministério Público Federal) ofereceu para a 7ª Vara Federal de São Paulo denúncia contra o delegado Protógenes Queiroz pelos crimes de violação de sigilo funcional e fraude processual. Protógenes chefiou a primeira fase da Operação Satiagraha --que apura supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Ele foi afastado das investigações e é alvo de inquérito da PF que investiga desvios cometidos à frente da operação.

Para os procuradores da República, Protógenes cometeu violação de sigilo funcional ao convidar um produtor de TV Globo para gravar a tentativa de assessores de Dantas --Humberto Braz e Hugo Chicaroni-- de subornar um delegado da PF para excluir o nome do banqueiro das investigações da Satiagraha. A tentativa de suborno foi gravada em 19 de junho de 2008, em um restaurante de São Paulo.

A assessoria de Protógenes informou que ele não vai comentar a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal.

Por meio de nota, a TV Globo diz que não vai comentar o caso "em respeito ao sigilo da fonte, que é um princípio assegurado pela Constituição. "Como a TV Globo disse desde o primeiro dia, a credibilidade do jornalismo da Globo faz com que ela tenha fontes na sociedade civil em geral e em todas as esferas do setor público. Não foi diferente na cobertura da Operação Satiagraha", diz a nota.

O crime de fraude processual, segundo a Procuradoria, foi cometido com a edição do vídeo da tentativa de suborno para excluir das imagens os jornalistas. Para a Procuradoria, a alteração foi feita para não revelar que o vídeo não foi feito pela PF.

Os procuradores da República Fábio Elizeu Gaspar, Roberto Antonio Dassié Diana, Ana Carolina Previtalli e Cristiane Bacha Canzian Casagrande, que assinaram a denúncia, entenderam que os jornalistas que fizeram as imagens não cometeram nenhum crime.

Abin

A Procuradoria concluiu que não houve crime na participação da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Operação Satiagraha, que apura supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.

Para os procuradores, a participação da Abin é prevista na lei do Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência).

Anarquista Lúcida em maio 9, 2009 1:44 AM


#4

Off topic (mas vale a pena):


Veja São paulo: Por que vamos mal no Enem

Um caminhão de desculpinhas esfarrapadas pra explicar "o inexplicável": como pode "a locomotiva" não estar a frente?

Difícil aceitar a quantidade de colégios públicos no top - destaque pros de aplicação das federais. O orgulho ferido da abertura auto-laudatória e auto-indulgente é gritante.

Vale destacar esse trecho emblemático: "'Mensalidade é um indicador de qualidade', diz o professor Arthur Fonseca Filho, do Conselho Estadual de Educação."

Detalhe pra 1º do plural que permeia a construção textual e a essência da matéria. Nunca tinha lido a "Vejinha", não sabia que vestiam camisa desse jeito. Mesmo nos esgotos onde vivem as Folhas e os Estadões, o patriotismo morumbi-leblonense é mais sutil.

gabriel_ em maio 9, 2009 4:32 AM


#5

Excelente notícia!
Sou contra o uso de drogas.
Sou contra a repressão ao uso de drogas.

Roberto Locatelli em maio 9, 2009 5:53 AM


#6

Olá!

Quem fuma maconha ajuda a colocar munição na arma do traficante, bem como a financiar o tráfico. Depois, quando um desses (ou qualquer outro indivíduo) maconheiros leva um tiro de bala perdida bem no meio da cabeça, vêm fazer passeatas pela paz -- como isso acontece em certas capitais (Rio de Janeiro, principalmente).

Marcelo Augusto em maio 9, 2009 11:29 AM


#7

Esse assunto é da maior gravidade. Depois da miséria, e aliado congenitamente a ela, o tráfico é o maior problema do Brasil contemporâneo. Só não é tratado assim, por enquanto, porque o tiroteio ainda está mais ou menos circunscrito à favela, que, como é do conhecimento geral, não passa de uma extensão do reino platônico das idéias nos trópicos, já que lá não vivem seres humanos, mas apenas números. Nâo fosse pelo fato de vomitar criancinhas de vez em quando para os sinais, esses números causariam tanta emoção a todos nós, hoje, quanto a taboada do oito.

Todos já devem ter percebido pelo que luto: por uma nova esquerda. Pois uma das tarefas cruciais que deve estar na pauta de qualquer esquerda que se preze no Brasil de hoje é a formulação de uma política de segurança pública de curto e curtíssimo prazo, que não se resuma à idiotice de ficar repetindo que, quando a situação econômica melhorar, esses problemas se resolvem. Ninguém sabe quando é que a situação econômica irá melhorar a ponto de esses problemas poderem se resolver. Enquanto isso, o Brasil tem que continuar vivendo, e buscando as melhores soluções disponíveis para os seus problemas. E segurança pública certamente é um baita de um problema. É sempre bom lembrar que zonas "liberadas", onde o Estado não entra, não é algo normal, nem muito menos aceitável. Para quem está lá dentro, pode se traduzir num verdadeiro inferno, bastando para isso que o tráfico local passe a ser dominado por um bando no interior do qual você tem um desafeto. A esquerda tem que saber o que fazer com os níveis estratosféricos de violência que encontramos nos morros cariocas. E essa política, na minha opinião, passa necessariamente pela descriminalização das drogas.

De todas. Nem todas seriam vendidas em tabacarias, ou no supermercado, mas todas estariam, sim, acessíveis em postos médicos e policiais, a exemplo do que se faz em determinados países europeus. Todas. Morreria gente de overdose? Morreria muita gente de overdose. Um problema de saúde pública que só mesmo a maior campanha midiática da segunda metade do século XX pôde nos fazer pensar que seria remotamente comparável a essa guerra civil que invadiu o nosso cotidiano.

A esquerda tem que elaborar a crítica minuciosa da política antidrogas norteamericana. Estima-se, hoje, que o giro anual do tráfico esteja por volta de 1 trilhão de dólares. Uma das paradas obrigatórias dessa grana rodopiante são os paraísos fiscais, controlados em sua maioria pelos países desenvolvidos. Seria interessante termos projeções a respeito daquilo que aconteceria caso esse dinheiro parasse de girar de repente. É impossível que a retirada desse montante todo de circulação não tivesse consequências.

Não adianta nada lutarmos pela liberação da maconha apenas. O problema não é tanto o nosso direito de fumar maconha, ou deixar de fumá-la. O problema, eu repito, é o tráfico, e o novo tipo de violência que ele gera nos países periféricos. Hoje em dia, o item nobre do cardápio dos traficantes são as drogas sintéticas, cada vez mais consumidas nas baladas de classe média. A premissa geral da descriminalização ampla, geral e irrestrita traz consigo o problema de saber que tratamento dar a cada uma das drogas "liberadas". A esquerda precisa ter um plano detalhado, e não apenas uma bandeira genérica. Temos que começar a pensar nisso.

P.S.: Cadê os estudantes, Hugo? A bola quicando na área, e eles hipnotizados por aquelas bobagens. Temos que lavar os olhos, meu velho!

João Vergílio em maio 9, 2009 12:08 PM


#8

Marcelo, a relação com o crime só acontece porque a droga é proibida. Não fosse, o usuário teria outras alternativas

Tiago Mesquita em maio 9, 2009 12:10 PM


#9

João,

Mais do que fazer um críta à política americana anti-drogas, temos de tentar entender qual a razão da produção de papoula no Afeganistão ocupado aumentou exponencialmente e o motivo deles gastarem tanto dinheiro com o Plano Colômbia e a produção de coca não diminuir.

Qualquer plano de liberação de todas as drogas exigiria uma complexa e articulada ação do Estado. Atualmente, não vejo o PT como um elemento tocar isso daí adiante, apesar de achar que é um espaço de luta - ainda - possível.

Sobre os estudantes, João, eu, pelo menos, sei que estou aqui e em quantos lugares eu posso. Você tem razão quanto fala que o Movimento Estudantil devia estar engajado nessa luta e em tantas outras, na verdade, o ponto central da nossa divergência sobre o ME é que eu não considero a luta pelos espaços dentro da Universidade e contra os cursos à distância exatamente como "bobagem".

abraço ;-)

Hugo Albuquerque em maio 9, 2009 1:00 PM


#10

Não estava a par desses movimentos pró-liberação da maconha e fiquei surpresa de saber que ainda há quem os classifique como apologia ao crime. Haja conservadorismo, fala sério!
Também acho, como o João Vergílio, que a liberação deveria se estender a todas as drogas - se cigarro é assunto público que dirá o crack?
Só não entendo muito bem esse negócio de "nova esquerda", viu, João? Como se a esquerda fosse algo monolítico com agenda pronta, inviolável e inexorável, uma imagem que, na minha opinião, corresponde muito mais à direita do que à esquerda. Aliás, o "problema" normalmente associado à esquerda é exatamente o de se perder em discussões mil e não privilegiar a ação. Se a idéia é fazer a crítica da esquerda, creio que deveria ser algo nesse sentido.

Cláudia em maio 9, 2009 1:18 PM


#11

Hugo,

Essa coisa do tráfico de opiáceos no Afeganistão ocupado, é mesmo um capítulo à parte. Mas o pano de fundo é o mesmo. Crie um negócio criminoso e milionário num ambiente miserável, e o resultado é esse que vemos nas favelas do Rio de Janeiro.

Ou montamos um plano para liberar tudo, ou a situação continuará exatamente no ponto em que está hoje.

abs

João Vergílio em maio 9, 2009 1:22 PM


#12


Cláudia,

Deixe a coisa ir para o campo da pedagogia, por exemplo, e as diferenças ficarão evidentes. São os dois grandes nós na esquerda, em geral, hoje em dia, apesar das enormes diferenças entre um grupo e outro: segurança pública e educação.

No campo da segurança pública, a esquerda tem que ter um programa efetivo de combate à criminalidade que não se resuma a repetir que, quando chegarmos ao paraíso, tudo irá se resolver. Não existe mais paraíso. Acabou. Sumiu do horizonte. O que vamos fazer (se fizermos alguma coisa) é administrar o capitalismo distribuindo renda. Como está fazendo o Lula. O resto é blefe. É só desejo, sem nenhum plano de vôo - e fazer política é traçar planos de vôo, é lutar pelo próximo passo. A história não tem ponto de fuga: quando assumimos isso com toda a radicalidade, não é possível mais ter sonhos de arquiteto. O que não significa que não possamos ter sonho nenhum. Modificar radicalmente a situação na segurança pública brasileira é um sonho importantíssimo.

Educação é outro nó. O nível de mistificação, neste campo, é simplesmente assombroso. Mas isso é outra história.

abs

João Vergílio em maio 9, 2009 1:36 PM


#13

João, eu concordo com você quanto à prioridade da segurança pública.

Só que a primeira medida é abandonar a expressão "combate à criminalidade", que vem da direita (com raízes históricas bem delimitadas - lá do final do século XIX - desembocando no nazismo e fascismo, além de ter "ressuscitado" o conservadorismo na década de 80).

Moysés Neto em maio 9, 2009 4:27 PM


#14

Moysés Neto,

É exatamente a partir desse ponto que a gente vai começar a discordar, e discordar muito. Para mim, a expressão "combate à criminalidade" tem que ser RESGATADA. Tem que combater a criminalidade, sim. E com VIOLÊNCIA. Mas vamos esperar que venha uma oportunidade mais frontal para debater o tema, ou o vai haver uma inflexão muito brusca no tema proposto.

O mote, em todo caso, é o seguinte:

Quem não se dispõe a fazer um uso legítimo da violência não tem como pretender tomar nas mãos as rédeas do Estado.

Ou, na versão SM (rs...):

A esquerda tem que fazer as pazes com o chicote.

abs

João Vergílio em maio 9, 2009 5:00 PM


#15

Bom, nesse caso discordamos frontalmente e não vejo nada de "novo" nessa esquerda.

Ao contrário, a "esquerda" sempre adorou o chicote ou o fuzil.

Moysés Neto em maio 9, 2009 7:03 PM


#16

Olá Idelber, que bacana essa movimentação. Aqui em Toronto também aconteceu a marcha, na semana passada, dia 2, e foi bem-sucedida apesar da chuva.
Sobre a legalização, é interessante o editorial da Economist a respeito, que se posiciona a favor, tendo em consideração a clara ineficiência no dito 'combate às drogas' (http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=13237193). Não deixa de ser uma posição forte, com a qual concordo quase integralmente (tenho ressalvas somente em relação à ênfase da legalização como 'second-best' option, o que significa que se a proibição fosse efetiva tudo estaria bem).
Abraço!

Douglas em maio 9, 2009 8:13 PM


#17

E aqui nos EUA, Douglas, a novidade é que pela primeira vez o apoio à legalização da maconha chegou à maioria absoluta.

Idelber em maio 9, 2009 8:30 PM


#18

A marcha em BH foi pequena, umas 50 pessoas. Aqui vai a matéria d'O Tempo, via Twitter do Túlio Vianna. .

Idelber em maio 9, 2009 8:51 PM


#19

Passei de carro pela Afonso Pena durante o cortejo. Era pequeno mas fazia barulho. A polícia militar acompanhava de carro e à cavalo. Lembrei-me de um comentário que li há uns dias atrás em um blog, talvez até mesmo aqui, do qual muito ri. Era mais ou menos assim:
Em minha cidade marcaram a marcha da maconha para o mesmo local e horário da marcha com Cristo. Como bons brasileiros e para evitar disputas e desentendimentos inúteis, juntaram-se todos na Marcha da maconha com Cristo.
Foi um barato!

josaphat em maio 10, 2009 12:38 AM


#20


Concordo com o comentário do Douglas. Não se trata apenas de defender a descriminalização como "second best option". A proibição das drogas é, em si mesma, uma ofensa àquele que é talvez o mais básico de todos os princípios que organizam a democracia contemporânea: o princípio da tolerância. A modernidade nos condenou à tolerância, à convivência forçada com aquele que é diferente de nós - que tem uma outra religião, outros costumes, outra orientação sexual, e assim por diante. Este princípio pode eventualmente estar consagrado em lei, mas ele é, num sentido importante, "anterior" às leis votadas por nossos representantes num sistema democrático, já que ele está inscrito no sistema de relações sociais no interior do qual surgem as concepções modernas de "representação" e de "democracia". Uma boa tradução desse princípio de tolerância é o célebre dito segundo o qual os limites de minha liberdade são dados pela liberdade do outro. Negativamente, ele poderia ser enunciado assim: o Estado não tem o direito de impedir o exercício de minha liberdade enquanto esse exercício não estiver interferindo no exercício da liberdade alheia. Se não estou incomodando ninguém, tenho o direito de ser deixado em paz. Ou, ainda: o Estado tem a missão exclusiva de regular relações, e não de ditar comportamentos.

Os principais argumentos favoráveis à criminalização, na minha opinião, são insustentáveis. Para não monopolizar o espaço, citarei dois deles.

1. As drogas criariam um problema de saúde pública cujos custos recairiam sobre o conjunto dos contribuintes. Até certo ponto, isto é verdade. É discutível, entretanto, que os custos com saúde pública possam ser utilizados no contexto deste tipo de argumentação. Eles legitimariam, por exemplo, a criminalização da gordura e da gasolina, mais até do que a das drogas ilícitas.

2. O uso de drogas não pode ser considerado como um exercício legítimo da liberdade individual de escolha, já que o vício é um elemento destruidor dessa mesma liberdade. Quem escolhe fumar crack estaria involuntariamente escolhendo abdicar de sua futura liberdade de escolha. O argumento, se valesse, valeria apenas para drogas como o crack e os tranqüilizantes, jamais para a maconha ou o LSD, que não viciam. Há dois erros aí, a meu ver. Nâo se pode dizer que a escolha seja involuntária por desinformação. As pessoas sabem perfeitamente que crack vicia, e optam por correr o risco. Além disso, abdicar de minha liberdade de escolha não é algo que traga qualquer prejuízo automático à liberdade que os outros têm de escolher.

Finalmente, as condições em que normalmente essa "escolha" é feita (imaginem neste ponto fotos da cracolândia aqui em São Paulo) incorporam uma violação completa e absoluta de tudo aquilo que fornece o solo sobre o qual a liberdade humana pode se exercer. Achar que moleques de rua fazem "escolhas" no mesmo sentido em que nós fazemos é considerá-los seres humanos normais, condição que a sociedade condenou-os a perder. A brutalidade do capitalismo, nesses casos, é tão extrema, que destrói completamente traços essenciais da própria condição humana. Ninguém ali está "escolhendo perder a liberdade futura de escolha", pois não faz sentido para eles falar em "futuro" no mesmo sentido em que nós falamos. Eles estão imersos no horror do presente de um modo e numa medida que nós, seres humanos normais, simplesmente não poderíamos imaginar. Utilizar o caso desses meninos de rua num argumento em favor da criminalização das drogas é completamente absurdo.

João Vergílio em maio 10, 2009 5:51 AM


#21

TÔ fora das drogas, mas sou socialista!

HRP MAN! em maio 10, 2009 10:54 AM


#22

João

bons comentários, hein?

e as marchas? (esse nome é ruim, não?)

parece que lá no Rio foi um sucesso, e aqui em BH, mais ou menos

eu concordo muito com a análise do idelber sobre a cabeça política dos cariocas

sou de lá, e hoje quando converso com meus amigos sobre política o que rola é perplexidade: eles não entendem o que consideram uma permanência minha em idéias ultrapassadas, eu não entendo o que considero uma oção moralista e conservadora com aparência de modernidade
eles não entendem a minha despreocupação com as fofocas relativas aos políticos, o meu desprezo a comentaristas como lúcia hipólito, miriam leitão; eu não entendo o prazer com as fofocas inúteis, a aceitação e utilização dos motes levantados pela imprensa

mas, em questões comportamentais, eu acho que eles estão mais ligados

tenho certeza que as pessoas que fizeram da marcha carioca um sucesso são exatamente essas que votaram no Gabeira, por exemplo

nesse caso, eu sou só elogios a eles

é um paradoxo?

abçs

rabbit em maio 10, 2009 12:47 PM


#23

e gostei do Minc participar, mantendo coerência com suas idéias de sempre

rabbit em maio 10, 2009 12:48 PM


#24


Pois é, rabbit. O Rio tem essa alquimia política diferente. O que é triste e paradoxal é verificar o quanto o resultado é pobre. É uma cidade com um povo maravilhoso afundada na corrupção e no descaso. Dá pena de ver.

É a cidade em que eu gostaria de viver, se pudesse. Nada a ver com o recorte das montanhas que decora a mais linda baía de todo o mundo. (A de Napoli, onde morei, perde de dez mil a zero, mais ou menos.) Tem mais a ver com essa coisa de você estar num ponto de ônibus e as pessoas começarem a puxar papo - coisa inimaginável aqui em São Paulo. Com o ritmo cadenciado da vida nas calçadas, indiferente aos ônibus assassinos voando pela pista.

João Vergílio em maio 10, 2009 1:51 PM


#25

João,

Acho que a sua afirmação de que LSD e maconha não viciam, não tem fundamento médico/psicológico.
Acredito que, se a quantidade de consumidores de maconha fosse igual a de consumidores de álcool, você não diria isso.

Estou longe de ser um repressor e "careta" no que diz respeito as drogas, mas sou totalmente contra a "legalização" da maconha, no Brasil, nas condições atuais. Seria favorável, apenas, se fosse mundial.

Eu já fui a Holanda e presenciei o que chamei de turismo "adiccted". Por um acaso, estive por lá no feriado da Páscoa e Amsterdã ficou INFESTADA de jovens atrás de drogas (maconha, cogumelo, etc). Ressalto que drogas como heroína são proibidas por lá. Adoslescentes desmaiados pelas ruas, chapadas. Vi 2 meninas apagadas dentro de um Mc Donalds. Sem contar o comércio das drogas ilegais, livre pelas ruas.

Se o nosso país já tem sérios problemas para controlar o turismo sexual, por exemplo, imaginem o que não iria acontecer com a "legalização" da maconha?

Fabio em maio 10, 2009 7:55 PM


#26

Fábio,

Maconha não vicia. A própria Organização Mundial da Saúde reconheceu isso com todas as letras não faz muito tempo. É exatamente por isso que a literatura antidrogas forjou o termo "dependência psicológica", para opô-la à dependência química causada por drogas como o cigarro, o álcool e o crack. Dependência psicológica, até o chocolate causa. Viciar, no sentido em que a heroína e o cigarro viciam, a maconha definitivamente NÃO vicia.

Heroína, sim, vicia. E acaba com a vida da pessoa. Foi isso que você provavelmente viu em Amsterdã. É um problema de saúde pública mais ou menos sério. No Brasil, ocuparia algo como o décimo lugar na lista das prioridades. Acidentes de moto viriam muito antes. Alcoolismo também.

Este, porém, não é o ponto. Ainda que fosse o problema de saúde pública número um, não se compararia aos problemas que o TRÁFICO causa. Há uma guerra civil nas grandes cidades brasileiras motivada diretamente por uma política antidrogas gestada nos EUA, e não aqui. O tráfico cria um negócio ilegal e milionário num ambiente marcado pela mais extrema miséria. Tem dúvidas de que o resultado seja explosivo?

São mais de 50 anos de política antidrogas. Deu certo, Fábio?

A Lei Seca deveria voltar? Tente levar o seu argumento até o fim, neste ponto, e veja como você tem que interrompê-lo no meio do caminho.

Caminhe pelo centro de São Paulo depois da meia-noite. Você verá dezenas de pessoas prostradas pelo uso de crack. E verá centenas de pessoas prostradas pelo uso do álcool. Repetindo a pergunta: a Lei Seca deveria voltar?

Até hoje os EUA têm que conviver com máfias que se formaram a partir dessa estratégia estúpida de criminalizar a droga, ao invés de combater o abuso com PROPAGANDA MASSIVA.

Em tempo. Maconha faz mal, sim. Fumei diariamente dos dezesseis aos vinte e dois anos. No meu caso, ligou um botãozinho paranóico que me atormenta até hoje. Além disso, ferrou com a minha memória. Agora, viciar, não vicia. Quando quis parar, parei, e pronto.

João Vergílio em maio 10, 2009 8:44 PM


#27

O relatório da OMS diz que o uso massivo de maconha faz MENOS MAL do que o uso massivo de cigarro e álcool. Menos mal não quer dizer que não vicia.

Eu vejo pessoas prostradas na rua, por bebida, de dia e de noite. Com drogas, apenas na surdina da noite.

Infelizmente, o Brasil não tem condições de controlar esse tipo de venda, assim como não tem como controlar a venda de bebidas e cigarros a menores. Não existe "política antidrogas" no Brasil, apenas uma lei, que não é respeitada, nem foi por você :)

Além disso, não ficaria feliz em ver propagandas de "conheça o Brasil" com bundas e folhas de maconha ao lado.
Que fiquem apenas as bundas...

Fabio em maio 10, 2009 9:58 PM


#28

Excelente! A próxima marcha será a favor do quê?da pedofilia? Do latrocínio?

Incrível como confundem liberdade com libertinagem no Brasil. Em uma época onde se faz um movimento para diminuir a ação de drogas legais como cigarro e álcool, tem vagabundo que quer engrossar o rol com maconha.

Maior prova de q a maconha afeta o raciocínio não há.

Rodrigo Leme em maio 11, 2009 12:08 PM


#29

Bem, nada a comentar sobre a marcha da maconha, fazer uma passeata p/ defender um posto de vista é uma dos exercicios mais democraticos que existem. Mas gostaria de comentar sobre a ideia da liberação de todas as drogas.

Meu problema com esse movimento por liberação é que muita gente aponta a descriminalização como a forma de se acabar com o trafico difinitivamente.

Eu particularmente discordo.

Muitos dizem que basta fazer um controle da venda, restringindo a pessoas maiores de idade, aumentando o preço, ou limitando a quantia que cada pessoa pode comprar.

Mas todas essas opções parecem se esquecer que estamos falando do vicio. Se uma pessoa viciada não conseguir comprar a droga seja pelo valor, seja por sua baixa idade nos postos oficiais, vai simplismente procurar alguma outra via p/ conseguir o produto, logo o trafico ainda tem espaço p/ continuar.

Eu tb contesto essa ideia de que o usuario só causa violencia a si mesmo. Quando trabalhava com a assistente social da minha cidade, eu vi inumeros casos de pessoas que desesperadas por mais uma dose agrediam e roubavam as proprias familias, ou aceitavam prestar "favores" aos traficantes ou se entregavam a prostituição.

Isso não pode ser minemizado. É preciso ter uma ideia clara de que muitas vidas se perdem por causa das drogas,e não de quem as usa. Nesse caso a liberdade dos usarios esta sim atingindo a liberdade alheia.

Anderson em maio 11, 2009 4:16 PM


#30


Tenho a impressão que a Internet nos obriga a conviver com comentários como esse do Rodrigo Leme. Não contêm um fiapo de exercício racional. São mero extravazamentos de emoções não trabalhadas. Coisas de quem estava de passagem, e resolveu deixar um vestígio qualquer - como um passarinho, que pousa num muro, faz cocô, solta dois ou três piados e vai-se embora despreocupado.

Vai-se dizer o quê? "Xô, passarinho cagão!"? Seria ridículo. Não adianta responder, e a rigor não há nada que responder. É parte da paisagem. Só isso. Basta olhar para outro lado.

João Vergílio em maio 12, 2009 1:34 PM


#31

Hehe, eu senti a mesma coisa que o João.

pedrinho em maio 13, 2009 2:24 PM


#32

Realmente tem que liberar, as pessoas tem que ter acesso sim a tudo, cada um sabe sua responsabilidade com a sociedade, veja o álcool... Poucos lucraram muito na época da lei seca, hoje estamos com este mesmo problema só que agora com à maconha, olha aí a questão, sou contra o tráfico, pessoas de mal caráter, conhecidos como mulas, influenciando a juventude com seus estilos de vida empunhando armas de grosso calibre, gerando medo no meio que vive, este tipo de comportamento tem que ser banido, isto sim sou contra, o tráfico, que trás a violência ! Colocam armas na mão de pessoas de má índole sem vínculo com o governo trabalhando para um pequeno grupo de mercenários criminosos , com a liberação da maconha para o usuário, permitindo plantar para seu próprio consumo é legal e beneficente a sociedade , pois irá diminuir o poder dos organizadores do pontos de tráfico, assim com esta medida as bocas de fumo, assim conhecida, perderão uma grande parcela de poder, pois o consumidor não irá mais ser obrigado a obter a maconha neste pontos sujos e criminosos , enfraquecendo o crime de distribuição, e de arrecadamento de dinheiro , com isto perderão recursos para adquirirem armas e os pontos de drogas ficaram cada vez mais ralos e enfraquecidos para a policia entrar com estratégias de eliminação de facções criminosas, é estas organizações que esta enfraquecendo a política dos bons costumes, injetando dinheiro em políticos corruptos e engenhando o medo, o terror em todos os níveis da camada social do pobre até o rico ! Sou a favor, sim, e o ministro do Meio Ambiente está de parabéns! Espero que a sociedade acorde para este movimento principalmente o Rio de Janeiro, que sofre tanto com o tráfico nos periféricos da Cidade!

Júlio César em maio 27, 2009 3:53 PM


#33

fika aí na proibiçao da maconha por enquanto que todo mundo morre!!!!

jhack em maio 28, 2009 6:01 PM


#34

AUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU , n morri seus baitolas
essa macho ai é das brabas
to doidão

Michael Jackson em agosto 8, 2009 11:30 AM