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quinta-feira, 07 de maio 2009
O fora Gilmar
Não deixa de ser curioso constatar o clima de Baile da Ilha Fiscal que cercou, literalmente, a impressionante manifestação popular levada à cabo na noite de hoje, 6 de maio de 2009, na Praça dos Três Poderes, em frente ao Supremo Tribunal Federal, aqui em Brasília. Logo cedo, o ministro Gilmar Mendes, alvo dos manifestantes, mandou colocar cercas em todo o perímetro do STF com a inacreditável desculpa de que seria preciso preservar o ambiente para um evento noturno, a apresentação de um anuário jurídico publicado pelo jornalista Márcio Chaer, do site Consultor Jurídico. Chaer e Mendes são amigos, mais que amigos, fraternos aliados empenhados em uma simbiose ideológica travestida de relação jornalística. Difícil é definir quem é a fonte de quem.
Continue lendo o testemunho jornalístico de Leandro Fortes.

Hugo Albuquerque tem fotos do protesto em São Paulo. Há vídeos de Brasília aqui e acolá. Nassif também registrou. No Twitter, a tag é #foragilmar.
O ato de Brasília foi um marco importante. Parece que, na Av. Paulista, o grito se fez ouvir, mas numa manifestação pouco numerosa. Na Praça Afonso Arinos, ainda não sei o que aconteceu, já que o Estado de Minas se limitou a reproduzir uma matéria da Agência Brasil sobre o ato no DF, nada dizendo sobre o de BH, realizado a 15 quadras de sua sede.
Que tal avaliar onde andamos com este tema?
PS: A foto é daqui, de Marcello Casal Jr. A partir de hoje, o Biscoito, além de dar o link à fonte de onde tirou a foto, fará sempre o possível para dar o crédito citando o nome do fotógrafo também. O Pictura Pixel tem sido uma aula para mim nesse sentido. Creditar o fotógrafo sempre que possível.
Escrito por Idelber às 10:19 | link para este post
| Comentários (52)
#1
Idelber, estive na av. Paulista e fiquei decepcionado, havia apenas um punhado de pessoas. Fiquei decepcionado e fui embora pouco depois. Gostaria de saber por que os movimentos sociais não deram suporte ao evento. Hoje, porém, vejo que em Brasília a manifestação foi incrível. É um ótimo começo.
sidneig em maio 7, 2009 11:28 AM
#2
"Ô Gilmar Dantas, assim já é demais / Saia às ruas e não volte nunca mais”.
Não é possível continuarmos tolerando os desmandos de gente que ignora a ética e a própria dignidade das pessoas, esta última fundamento da CF.
Armando do Prado em maio 7, 2009 11:33 AM
#3
Confirmam-me @andlima e outros conterrâneos via Twitter que o ato em BH foi o pior dos três -- quase ninguém.
Falta de organização, mas também essa péssima escolha de local: há tempos digo que para se começar, em BH, é a Pça da Estação. De lá que caminhe até onde for, mas começar lá.
A Afonso Arinos é histórica, mas hoje em dia não é o lugar para se começar. Inclusive a presença da Faculdade de Direito lá ajuda a intimidar, ao contrário de anos passados, onde ela servia para aglutinar.
Idelber em maio 7, 2009 11:44 AM
#4
estive na Paulista ontem. Foram cerca de 25 pessoas. A maioria trocou os emails para formar um coletivo e incrementar os próximos atos de protesto.
Jorge em maio 7, 2009 11:56 AM
#5
Parece que em São Paulo foi uma fração de gente que lê blogs mesmo.
Talvez em Brasília também.
Idelber em maio 7, 2009 11:57 AM
Idelber em maio 7, 2009 12:01 PM
enio em maio 7, 2009 12:20 PM
#8
Obrigado pela complementada, enio. Esse era o link que deveria estar no post, mas .. enfim, foi no G1 que vi. Vou tentar ficar mais ligado com isso também -- mais atenção à fonte primária em caso de fotos.
Idelber em maio 7, 2009 12:24 PM
#9
Muito bom o estudante de direito que estava de máscara para não se contaminar pelos porcos que estavam lá dentro.
Agora, só 5 mil velas? Deveriam ter dispensado o carro de som (eu sei que uma coisa não exclui a outra, mas carro de som tá meio desgastado) e se concentrado em acender pelo menos o triplo de velas, talvez formar com elas a expressão "Saia as ruas". Seria simbolicamente muito mais forte a meu ver. Em todo caso, foi muito bonita e forte a manifestação (pelo que li e vi circulando na internet).
Alexandre Nodari em maio 7, 2009 12:50 PM
#10
Na questão da avaliação de onde andamos com o tema, eu diria pra esquecer o impeachment do Gilmar, simplesmente não vai acontecer.
Alexandre Nodari em maio 7, 2009 12:53 PM
#11
SIMPLESMENTE VERGONHOSO !!!!
REPASSANDO
A GRAXA NA CÂMARA
"Os sapatos dos nossos parlamentares devem brilhar mais que as 'barrigas inchadas e verminadas' das nossas crianças famintas...
Acredite se quiser...
'O presidente da Câmara Federal', o 'triste' Deputado Arlindo Chinaglia ( PT - SP) , quer todos os parlamentares, assessores e funcionários da casa de sapatos reluzentes.
Acaba de abrir uma licitação para contratar serviços de engraxataria no prédio, num total de R$ 3.135 milhões por 12 meses, o que dá R$ 261 mil por mês ou ainda, R$ 8,700 mil por dia.
O valor diário equivale à alimentação de 174 famílias num mês, pelas normas do falido FOME ZERO! ' A CUSTOS DA INICIATIVA PRIVADA, SÃO MAIS DE 3.500 PARES DE SAPATOS ENGRAXADOS DIARIAMENTE.
PODE???
É pessoal, os palhaços somos nós...
Temos que pagar o projeto FOME ZERO e com os sapatos desengraxados, ou pior, sujos com toda essa lama, na qual se mistura os dirigentes desta pobre nação.
Por favor, repassar esse e-mail já é fazer alguma coisa."
Maria da Gloria Bessa Haberbeck - OAB 3515
Indignação Geral em maio 7, 2009 1:32 PM
#12
caro idelber,
essa moça do comentário #11 tá replicando um post que roda de vez em quando na internet. é do tempo que o chinaglia era presidente da câmara federal.
o texto deve ter sido criado nas hostes originárias do "cansei" paulista. hoje representado pela república morumbi-leblon.
abçs
carlos anselmo em maio 7, 2009 2:00 PM
#13
Acompanhe os escândalos!
01. Verba indenizatória
02. Castelogate
03. Agaciel Maia e sua mansão
04. Horas extras nas férias
05. Chico Alencar (PSOL-RJ) contrata correligionário
06. Diretor do Senado usava apartamento funcional para família
07. Sarney utiliza seguranças do Senado no Maranhão
08. Nepotismo terceirizado
09. Tião Viana empresta celular à filha
10. Diretores no Senado
11. Assessora de Roseana Sarney era diretora
12. Sogra fantasma
13. Filha de FHC trabalha de casa para senador
14. Diretora de comunicação em campanha
15. Deputado e sua doméstica - 1
16. Deputado e sua doméstica - 2
17. Deputado e sua doméstica - 3
18. Loucos por jatinhos
19. Gráfica imprime material de campanha
20. Funcionários de senador prestam serviço a vice-governador
21. Ministro usa serviço de secretária paga pelo Senado
22. Terceirização irregular no Senado
23. Deputado pagou viagens para Carnatal
24. Ministros-deputados usam passagens da Câmara
25. Deputados fazem viagens internacionais pagas pela Câmara
26. Câmara e Senado perdoam todos os delitos da "farra aérea", fingem cortar gastos e ensaiam reduzir passagens para familiares
27. Viúva de senador recebe sobra de passagens em dinheiro
28. Ministros do Supremo Tribunal Federal entram na cota de passagens da Câmara
29. Senador Gerson Camata acusado de uso de caixa dois
30. Protógenes voou com passagens do PSOL
31. Membros do Conselho de Ética usaram passagens para ir ao exterior
32. Fernando Gabeira deu passagens para família ir ao exterior
33. Michel Temer, presidente da Câmara, também usou passagens para "familiares e terceiros"
34. Ministro do TCU Augusto Nardes voa na cota do deputado Otávio Germano (PP-RS)
35. Câmara pagou 42 passagens para ex-diretor do Senado e família
36.Senado paga motorista de ministro Hélio Costa (Comunicações) em BH
37. Ciro Gomes reage à reportagem sobre passagens com xingamentos
38. Gabinetes da Câmara negociam bilhetes de deputados com agências
39. Senadores têm seguro saúde vitalício para a família
40. Senador usou assessor do Senado para compras particulares
41. Ex-diretor de RH do Senado usava empresas de fachada
42. Deputado usa cota aérea com time de futebol
43. Deputados "clonam" prestação de contas
44. Deputado pagou com verba indenizatória advogado que atuou em sua defesa no TSE
45. 117 ex-deputados tiveram passagens aéreas pagas pela Câmara
46. Magno Malta passou quatro dias em Dubai com dinheiro do Senado
47. Senadores usaram cota para voos ao exterior
48. Senadores usaram passagens para assessores, envolvidos em escândalos e namorada
49. Senadores vivos 'ganham' ruas e avenidas em reduto eleitoral
Funcionário preso do Senado recebeu salário por 5 anos
O colunista do UOL em Brasília, Fernando Rodrigues, mostra os principais casos de desvio de conduta dentro da Câmara e do Senado neste ano de 2009.
http://noticias.uol.com.br/escandalos-congresso/
Indignação Pontual em maio 7, 2009 2:01 PM
Indignação Pontual em maio 7, 2009 2:03 PM
#15
Eu estive ontem na Praça Afonso Arinos em BH. Mas para minha decepção não vi manifestação alguma. Voltei com o grito enlatado na garganta: "FOOOOORA GILMARRRRRRR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Falta uma organização melhor. Na próxima estarei movamente, mas espero que desta vez melhor organizada.
Ricardo em maio 7, 2009 2:12 PM
Aline em maio 7, 2009 2:17 PM
#17
Prezado Carlos Anselmo,
A república "morumbi-leblon" não militante, tem o Direito de se manisfestar! (se pessoas como voce incentivassem esse tipo de comportamento talvez o seu "basta" seria também ouvido)
Lembrar que nas revoluções o povo é sempre "massa de manobra."
Os 3 cabeças da revolução francesa foram guilhotinados. N Russa, o Trotsky, Lenin, etc. permitiram que o Stalin consolidasse a pior ditadura jamais existente no planeta.
Parabéns total a pessoas como a Maria da Gloria Bessa Haberbeck - OAB 3515
Indignação Geral em maio 7, 2009 2:24 PM
#18
Também estive na Afonso Arinos e não havia ninguém, cheguei um pouco atrasado, mas acho que a coisa tem de ser mais bem mobilizada e o movimento tem de ir atrás dos movimentos sociais.
Lauro Mesquita em maio 7, 2009 2:25 PM
#19
Caro Idelber: sou um leitor novato de seu blog - cheguei aqui através do Alexandre N e fiquei, em parte, devido a seus posts sobre futebol (não posts recentes, porque parece que não há, mas outros que encontrei no arquivo; há um sobre Parreira, por exemplo, que acho incrível). De modo que fiquei esperando novos posts sobre futebol, é claro, ainda estou, ou estava, e então você pode imaginar o meu desânimo ao encontrar, hoje de manhã, esta maldita rasura na descrição de seu blog! Gostaria de ser um leitor histórico para pedir as devidas explicações, mas infelizmente não sou e, neste caso, deixo aqui apenas minha mais singela manifestação de desgosto. Com um abraço,
Victor da Rosa em maio 7, 2009 3:02 PM
#20
Eu não sei, mas especulo que essa rasura tenha nome e sobrenome viu Victor. Começa com Clube e termina com Mineiro. O meio eu não posso te falar.
Lauro Mesquita em maio 7, 2009 3:32 PM
#21
e viva a ditadura q a esquerda cururu quer implantar no Brasil. é ridículo.
jonas brothers bolivarianos em maio 7, 2009 3:55 PM
#22
Ricardo, eu também passei lá na Afonso Arinos às 19h e não vi ninguém, a não ser um pessoal no ponto de ônibus e um casal namorando em um banco. Realmente faltou uma organização melhor - e mais corajosa; afinal, eles tinham que se fazer ver, para que pessoas como eu e você, além de outras que estivessem apenas passando por ali pudessem aderir.
Marcelo P. em maio 7, 2009 4:34 PM
#23
Também estive na pça afonso arinos
já somos quatro, dá para começar algo
como podemos trocar e-mails e pensar na próxima?
abraços
rabbit em maio 7, 2009 4:37 PM
#24
Caro Ideber, por que o assunto "futebol" foi riscado do seu blog? rs
Essa má fase do Atlético Mineiro não devia impedir que falemos do esporte. Ora bolas.
Um abraço
Rodrigo Cássio em maio 7, 2009 4:55 PM
#25
Victor: puxa, bem vindo! Obrigado pela observação sobre o texto acerca do Parreira. O que acontece com o futebol é o seguinte: durante tempos, eu tive um satélite da Globo aqui em New Orleans, que me permitia ver os jogos e comentar.
Com a ruindade do futebol, o desastre do Galo e o preço do satélite, resolvi que não valia a pena. Acho que conheço bastante do futebol dos anos 60, 70, 80. Mas não dá para ficar só falando daquela época. E eu não tenho como ver os jogos de hoje (pelo menos nos 7 meses anuais que passo nos EUA).
Tudo isso, aliado à hecatombe pela qual passa o Galo, me tirou um pouco o ânimo de escrever sobre futebol. Mas quem sabe, num futuro próximo? Tenho uns posts sobre basquete vindo por aí. Abração.
Idelber em maio 7, 2009 5:03 PM
#26
Caro Victor da Rosa,
"Se a corrupção é endêmica, o antibiótico deve ser ministrado diariamente!"
Faça sua parte e denuncie falcatruas.
Lembro ter lido que os jornalistas responsáveis pela investigação do WATERGATE, (Jornal Washington Post), além de contarem com uma fonte dentro do governo, seguiam em suas investigações o caminho percorrido pelo dinheiro. Este caminho faz a ligação entre as partes interessadas na ilicitude. Identificar os beneficiários nos contratos é um bom começo. O resto é besteira!
O problema maior é a nociva lei do Gerson: "Leve vantagem vc também." Aceitar esta mentalidade destrói qualquer sociedade que se queira construir. A crise atual é de credibilidade.
Indignação em maio 7, 2009 6:08 PM
Vera B. Pereira em maio 7, 2009 7:57 PM
#28
Caro Idelber,
engraçada essa vida e essa rede. Eu puxei a foto do Globo que adora não creditar os fotógrafos, como se não fosse lei. E lá não tinha crédito, mais uma vez. Depois passei aqui e vi que vc puxou do G1 e lá sim tinha crédito. Fiz um adendo no Pictura contando essa historieta.
Gracias pelo enlace.
Como se vê, sou eu quem aprende por aqui.
Gde ab.
Claudio Versiani em maio 7, 2009 8:45 PM
#29
O.T.
Idelber, aqui tá uma gritaria sobre a "corrupção no Bolsa-Família" (0,78% de benefícios indevidos!). Você, daí dos EUA, tem como levantar dados sobre benefícios fraudados no welfare ou outro programa assistencial, para efeito de comparação?
Vinicius Duarte em maio 7, 2009 8:59 PM
#30
Vinicius, quem é capaz de fazer essas coisas com meia dúzia de cliques é o Hermenauta, que é da área de economia. Tente com ele lá.
Idelber em maio 7, 2009 9:01 PM
#31
Idelber,
O que aconteceu em São Paulo foi fruto sim de uma falha de comunicação entre os movimentos sociais - e também por uma divulgação meio em cima da hora, dava para ter gastado mais um tempinho puxando a manifestação. Ainda assim, acho que foi positivo pelo simples fato de ter acontecido. É tudo questão de nos organizarmos melhor daqui em diante, mas o importante é que o primeiro passo foi dado.
Hugo Albuquerque em maio 7, 2009 9:17 PM
#32
E, claro, as fotos que vieram de Brasília são belíssimas. Também registre-se os casos de truculência policial ocorridos em São Paulo: Os meus amigos que estiveram lá me contaram que foram abordados pela polícia de maneira bem ríspida, os soldados, inclusive, exigiram os documentos deles. Lamentável. Também reflete bastante o que poderá ser uma eventual administração Serra - enquanto a extrema-esquerda fica nivelando o PT ao PSDB, ela deveria abrir o olho para coisas como essas.
Hugo Albuquerque em maio 7, 2009 9:23 PM
#33
Muito bem lembrado, Hugo. A truculência da personalidade, das instituições, das escolhas de José Serra fica clara, repetidamente, uma e outra vez. Enquanto isso a Soninha nos diz que ele é um chapa legal de esquerda e a turma do PSTU vem com a história PT=PSDB, quando serão eles os que levarão bordoada no lombo em qualquer manifestação-zinha num eventual governo Serra. É como eu vejo a coisa. Abração fraterno.
Idelber em maio 7, 2009 9:30 PM
Panóptico em maio 7, 2009 9:31 PM
#35
Paralelos:
Um resumo dos acontecimentos europeus à época do nosso Herói Tiradentes...
Leitura Sugerida,
-----------
A situação da França antes da revolução.
A economia
A situação econômica da França era crítica. A maioria da renda vinha da agricultura, onde as técnicas eram atrasadas em relação ao consumo do país. Dos 26 milhões de habitantes, 20 milhões viviam no campo em condições de vida extremamente precárias. Uma parte dos camponeses estava ainda sob o regime de servidão.
Um comerciante, para transportar suas mercadorias de um lado para outro do país, teria que passar pelas barreiras alfandegárias das propriedades feudais, pagando altíssimos impostos, o que impedia os comerciantes de venderem livremente suas mercadorias.
Para piorar a situação, parece que ate a natureza ajudou a revolução: entre os anos de 1784 a 1785 houve inundações e secas alienadamente, fazendo com que os preços dos produtos ora subissem, não dando condições para que os pobres comprassem, ora descessem, levando alguns pequenos proprietários à falência.
A situação da indústria francesa não era melhor, pois parte dela ainda estava sob o sistema rural e domestico, e as corporações (grêmios) impediam o desenvolvimento de novas técnicas. Como se não bastasse, o governo francês assinou o seguinte tratado com o governo inglês: os franceses venderiam vinhos para os ingleses, e estes venderiam panos para os franceses, sem pagar impostos, o que levou as manufaturas francesas a não suportarem a concorrência dos tecidos ingleses, entrando numa grave crise.
A revolução estourou: as jornadas
O Rei abre a sessão dos Estados Gerais fazendo um discurso de advertência contra as pretensões políticas: "Estamos aqui para tratar de problemas financeiros e não para tratar de política".
No dia 9 de julho de 1789, reúne-se uma Assembléia Nacional Constituinte, incumbida de elaborar uma Constituição para a França. Isso significava que o Rei deixaria de ser o senhor absoluto do reino.
A burguesia francesa, por sua vez, apelou para o povo. No dia 14 de julho de 1789, toda a população parisiense avança, num movimento nunca visto, para a Bastilha, a prisão política da época, onde o responsável pela prisão foi preso e enforcado.
O momento agora e dos camponeses, que percebem a fraqueza da nobreza e invadem os castelos, executando famílias inteiras de nobres numa espécie de vingança, de uma raiva acumulada durante séculos. Avançam sobre a propriedade feudal e exigem reformas. A burguesia, na Assembléia, temerosa de que as exigências chegassem também às suas propriedades, propõe que se extingam os direitos feudais como única saída para conter o furor revolucionário dos camponeses. A 4 de agosto de 1789, extingue-se aquilo que por muitos séculos significou a opressão sobre os camponeses.
A burguesia, preocupada em estabelecer as bases teóricas de sua revolução, fez aprovar, no dia 26 de agosto do mesmo ano, um documento que se tornou mundialmente famoso: A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
O processo revolucionário
Os setores populares estavam descontentes, porque continuavam ainda sob o despotismo, não o da monarquia absoluta mas o despotismo dos homens do dinheiro, setores tradicionais da nobreza e do clero conspiravam, com a anuência do Rei, para tentar restaurar o antigo regime.
2ª fase - Assembléia Legislativa
A Assembléia Legislativa francesa exigiu da Áustria e da Prússia um compromisso de não invasão e, como não foi atendida pelas monarquias absolutas, declarou guerra a 20 de abril de 1792.
Luís XVI exultava, pois esperava que os exércitos franceses fossem derrotados para que ele pudesse voltar ao poder como Rei absoluto; dessa forma, o Rei e a Rainha, a famosa Maria Antonieta, entram em contato com os inimigos, passando-lhes segredos de guerra.
A atuação dos exércitos franceses foi um fracasso no campo de batalha.
Na Assembléia, Robespierre denuncia a traição do Rei e dos generais ligados a ele, que também estavam interessados na derrota da França Revolucionaria. Num discurso aos jacobinos, Robespierre dizia:
"Não! Eu não me fio nos generais e, fazendo exceções honrosas, digo que quase todos têm saudades da velha ordem, dos favores de que dispõe a Corte. Só confio no povo, unicamente o povo."
Nas ruas de Paris e das grandes cidades, os sans culottes (maneira como os pobres das cidades se identificavam) se agitavam pedindo a prisão dos responsáveis pelas derrotas da França diante dos exércitos austríacos e prussianos.
A fase do terror - a ditadura dos jacobinos
No dia 13 de julho de 1793, o ídolo popular Marat é assassinado por uma mulher membro do partido girondino. A partir daí a população exige a radicalização da revolução. Inicia-se o terror: todos os elementos suspeitos de ligações com os girondinos e com a aristocracia contra-revolucionária são massacrados ou executados nas guilhotinas, depois de julgamentos populares.
Reformas imediatas são feitas: a principal foi a redistribuição da propriedade, surgindo condições para o aparecimento de três milhões de pequenas propriedades na França. As reformas atingem até mesmo o calendário oficial, que adquire características marcadas e anticlericais e passa a basear-se nos fenômenos da natureza. Por exemplo, o mês do calor (julho, na Europa) transforma-se no mês do Termidor; dezembro, o mês das neves (inverno), transforma-se no Nevoso.
Robespierre tenta, com alguma habilidade inicial, manter-se no centro para governar. Aos poucos começa a atacar seus aliados da esquerda: foram presos e executados elementos como Hebert e Jacques Roux. Com a liqüidação dos elementos de extrema esquerda, Robespierre não pode contar com um apoio seguro dos sans culottes. Quer, a todo custo manter-se no meio da esquerda, incorruptivelmente. Golpeia depois seus companheiros que tinham uma posição mais próxima da direita moderada; como exemplo, temos a execução de Danton.
Robespierre, durante a ditadura dos jacobinos, consegue uma série de êxitos: liqüida a contra-revolução da Vendeia e obtém várias vitórias contra os inimigos externos da revolução (entre esses inimigos, contava-se não só a Prússia e a Áustria, mas também a poderosa Inglaterra); acelera os processos do segundo terror, que executa, na guilhotina, vários contra-revolucionários.
Mas o problema persistia. Robespierre tomava algumas medidas que, ao povo, pareciam anti-populares, e outras, que desagradavam a burguesia (como, por exemplo, o fato de não haver liberdade de comércio). Conspirava-se. A alta burguesia financeira, que na sua posição oportunista dentro do partido da planície, conseguiu sobreviver ao período do terror, conspirava contra o governo jacobino. Robespierre apela para os sans culottes, a fim de salvar seu governo. Mas onde estavam os lideres que podiam mobilizá-los? Todos executados. O governo jacobino estava só.
A reação termidoriana: o golpe do 9 do Termidor
Aos poucos, o partido da planície vai dominando a situação, e uma das primeiras medidas foi executar Robespierre e todos os seus adeptos, sem ao menos julgá-los. A guilhotina funcionou sem parar: todos os elementos que poderiam exercer alguma liderança junto ao povo eram sumariamente executados. Jovens de famílias ricas organizavam-se em bandos para perseguir todos aqueles que eram considerados suspeitos de atividades revolucionarias.
Que estava fazendo esse movimento anti-popular ? "Financistas, banqueiros, municionadores, agiotas contidos antes pelo Terror voltaram à preeminência, enquanto os nobres, os grandes burgueses e também os emigrados retomavam a tradição mundana do Velho Regime. E Começou a formar-se, assim, a burguesia nova pela fusão das antigas classes dirigentes e dos homens enriquecidos na especulação (...) e nos fornecimentos de guerra. "
O novo governo apressa-se em tomar uma série de medidas para salvaguardar seus interesses: restaura a escravidão nas colônias (havia sido abolida anteriormente), acaba com a Lei do Máximo, que regulava os preços das mercadorias,(agora, poder-se-ía vender as mercadorias a preços os mais altos possíveis), e proíbe que se cante nas ruas a Marselhesa, o hino da revolução.
O governo de Napoleão Bonaparte (1799-1814)
Entretanto não se pode negar que Napoleão Bonaparte destruiu o legado da Revolução jacobina, inspirada no sonho da igualdade, liberdade e fraternidade. Pela sua tirania foi acusado por seus opositores de ter sido o principal responsável pela "experiência abortada da França".
"Bonaparte praticou uma traição parricida, pervertendo os poderes que lhe haviam sido confiados na qualidade de magistrado republicano, para chagar à subversão da república e à instituição de um despotismo militar em seu benefício e no de sua família. Se ele houvesse exercido seus poderes honestamente para estabelecer e fortalecer um governo livre em seu país, a França gozaria agora da liberdade e do repouso, e, tendo seu exemplo atuado diretamente, cada nação da Europa se beneficiaria de um regime sobre o qual a vontade do povo exerceria um certo controle. Seu egoísmo atroz bloqueou o progresso salutar dos príncipes e o inundou de rios de sangue que ainda não se esgotaram. E há ainda muito a acrescentar à considerável soma de devastação e de miséria por que foi responsável..."
http://bibariqueveralui.sites.uol.com.br/revfrancesa.html
Leitor da Historia em maio 7, 2009 9:39 PM
#36
Gente, no mesmo site que organizou a manifestação de ontem há modelos para adesivos de carros. E noutro site (infelizmente estou sem o link aqui, mas se chama "Operação Satiagraha, quem nao deve nao teme", deve ser fácil de achar no Google) há camisetas e bottons para vender, sendo que eles passam os modelos dos desenhos das camisetas se alguém quiser fazer as próprias camisetas. O que quero dizer é que, com isso, cada saída de um de nós à rua, com camiseta ou botton, e adesivo no carro, vira uma pequena manifestação. Que tal começarmos a dar visibilidade a isso?
Anarquista Lúcida em maio 8, 2009 3:00 AM
#37
Colegas de BH
eu tb estive lá na praça... e também não vi ninguém!
segurei a vela (apagada) um pouco e nada...
será que a gente pode estabelecer contatos, talvez autorizar o idelber a nos enviar nossos e-mails para a gente organizar algo melhor, a partir dessa meia dúzia daqui?
abçs
rabbit em maio 8, 2009 12:25 PM
Aline em maio 8, 2009 1:06 PM
#39
desculpem a repetição do comentário, foi um probleminha já resolvido pelo idelber
abçs
rabbit em maio 8, 2009 1:28 PM
#40
O Leitor de História fez uma síntese interessante sobre a revolução francesa, apesar de que, em minha opinião, a revolução ainda é por demais recente e mal entendida e impossível de ser sintetizada sem se incorrer em parcialidades. Agora, seria interessante que o Leitor esclarecesse para nós onde está o paralelismo com a situação brasileira hoje. Quem seria Lula? Robespierre? Napoleão? Luis XVI? Nenhum deles. O Brasil de hoje tem uma república legítima, livre e, sem ditadura, temos um governo identificado e eleito pelo proletariado. A imprensa, que atacava o antigo regime - Marat, Hèbert, Mirabeau - hoje, no Brasil, ataca a República. A corte, que conspirava contra a nação, essa sim, convertida hoje em industriais, banqueiros especuladores e latifundiários anti-nacionalistas ainda conspira. A burguesia (a corte convertida) a que o Leitor se refere, e que aspirava ao poder, já o desfrutou e, de crise em crise, não oferece mais projeto algum ao mundo. O mesmo vale para o Brasil. Achei interessante a ideia de se fazer um paralelo entre os dois contextos, mesmo porque tenho visto nas caixas de comentários dos principais blogs de esquerda, palavras de ordem a favor do uso da violência pelo povo, como última forma deste se posicionar e se defender dos desmandos de personalidades que, no exercício do cargo público, trabalham descaradamente pelo privado. E não qualquer privado, mas aquele onde a gente diariamente se alivia. Eu mesmo, às vezes, em momentos de indignação, perco um pouco a cabeça e me faço agressivo e furioso com as elites morunleblônicas e PIGs que assolam o país. Mas sei que a melhor arma, a mais eficiente, ainda é o voto. É isso.
josaphat em maio 8, 2009 2:11 PM
#41
Não sabemos se ainda há algum interesse na questão sobre a autoria de "A GRAXA NA CÂMARA", que circula na internet. (Iniciativa louvável)
Maria da Gloria Bessa Haberbeck - OAB 3515, é o pseudônimo da advogada que assinou o artigo de protesto acima.
Inexiste no Brasil advogada com este nome e registro OAB.
O Cadastro Nacional dos Advogados (CNA) é mantido pelo Conselho Federal da OAB, que exerce a função de fiel repositório do cadastro de todos os advogados do Brasil.
Sua pesquisa pelo número de inscrição 3515 encontrou 9 resultados.
NOME / TIPO / INSCRIÇÃO / UNIDADE FEDERATIVA
1 ADELSON MARCELINO CORREIA DA SILVA ADVOGADO 3515 AL
2 ARNI LOPES RIBEIRO ADVOGADO 3515 GO
3 CÉLIA DE FÁTIMA GONÇALVES HONÓRIO ADVOGADO 3515 PI
4 DANIEL BEÇA PICCININI ADVOGADO 3515 AM
5 EDUARDO HORSCHUTZ GUIMARÃES ADVOGADO 3515 MT
6 FABIANO HORA DE BARROS SILVA ADVOGADO 3515 SE
7 GERALDO PEREIRA DE ARAÚJO ADVOGADO 3515 RN
8 MARIA ANALIA JOSE PEREIRA ADVOGADO 3515 DF
9 THAYANE MONTEIRO MILANI ADVOGADO 3515 RO
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(Repetir iniciativas deste tipo)
Tito em maio 8, 2009 9:10 PM
#42
Prezado Josaphat,
Inicialmente devemos reconhecer que: "O Brasil de hoje tem uma república legítima, livre e, sem ditadura"
O Lula é considerado o "pai do povo" e "a mãe dos banqueiros"
Portanto, não existe este paralelo: "...necessidade de restabelecer as condições de se ganhar dinheiro de uma forma segura..."
A crise é de credibilidade, corrupção generalisada no trato com a coisa pública. Superfaturamento de Obras. Concorrências fraudulentas ou lesivas ao patrimônio. Descaso com a Saúde Pública, etc.
O financiamento das campanhas por empresários parece ser a origem do mal. Mais tarde Os ovos das serpentes serão depositados em "ninhos seguros" ou sejm as nomeações-chaves.
O perigo é a instabilidade causada pela legítima insatisfação popular com tantos escândalos conduzirem novamente o país ao regime de exceção.
Quem não gostaria de poder acordar um dia e saber que os corruptos foram varridos da face da terra...A internet é a melhor arma!
Sempre que um povo se vê sem saída, apoia um savador da pátria! Getúlio? Collor?
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Veja a "fria" em que os franceses se envolveram.
O salvador da pátria...
18 de Brumário - o golpe em nome da burguesia
A situação era extremamente grave. A burguesia, em geral, apavorada com a instabilidade, esquecia seus ideais de liberdade, pregados alguns anos antes, e pensava num governo forte, numa ditadura, se fosse preciso, para restaurar a lei e a ordem, para restabelecer as condições de se ganhar dinheiro de uma forma segura. Todos sabiam que a única pessoa que poderia exercer um governo desse tipo deveria ser um elemento de prestigio popular e ao mesmo tempo forte o suficiente para manter com mão de ferro a estabilidade exigida pela burguesia. Nesse momento, quem reunia essas condições era o jovem general que tantas glórias já havia trazido para a França (e outras mais ainda estavam por ser conseguidas): Napoleão Bonaparte.
O governo de Napoleão Bonaparte (1799-1814)
Foi a partir do golpe do 18 Brumário, 9 de novembro de 1799, que Napoleão Bonaparte assumiu o governo francês. sua chegada ao poder significou a solução para os distúrbios de um governo anterior que oscilava entre a ameaça terrorista e a ameaça monarquista.
As reformas administrativas implementadas na período napoleônico foram um dos aspectos de maior durabilidade do governo. Medidas que foram implantadas naquele momento permanecem até os dias de hoje na administração francesa. O remanejamento administrativo centralizou o governo sob a égide de Paris. No aspecto político tudo levava a crer que na verdade a sociedade francesa estaria diante de uma autocracia mal disfarçada.
O Código Civil fixado em 1804 foi responsável pela fixação dos tragos da moderna sociedade francesa e também servil de exemplo para diversos Estados europeus que nele se inspiraram, adotando-lhe seus princípios e reproduzindo-lhe as disposições.
Como estadista Napoleão ratificou a redistribuição de terras levada a efeito pela Revolução permitindo inclusive que o camponês médio continuasse a ser um lavrador independente reformou o sistema tributário fundando o Banco Francês com o objetivo de exercer maior controle nos negócios fiscais. As obras publicas, drenagem dos pântanos, construção de pontes e redes de estradas e canais, foram realizadas sobretudo com objetivos militares bem como para conquistar o apoio da burguesia.
A educação mereceu atenção especial por parte do imperador que instalou escolas publicas elementares em cada aldeia ou cidade francesa e fundou um escola normal em Paris para preparação dos professores.
"Não bloqueou o progresso mas inundou a europa de rios de sangue."
Leitor da História em maio 8, 2009 10:03 PM
#43
Idelber, me perdoe a insistência e o longo comentário, mas acho o tema interessante, atual e importante.
Novamente me parece que o amigo Leitor, na tentativa de provar alguma coisa - ainda não identifiquei o quê - recorre ao expediente das afirmações sem a devida argumentação que as comprove.
Como "O Lula é considerado o pai do povo e mãe dos banqueiros" ? Considerado por quem? Por mim é que não é. Os banqueiros sempre ganharam dinheiro fácil e de forma segura no Brasil; não houve necessidade de se restabelecer nada. A afirmação, me perdoe, é leviana e parece coisa do PIG; eu tive meu próprio pai.
Collor e Getúlio salvadores da pátria? Por que? Salvar de quem? Você considera que o povo vê o Lula como salvador da pátria também? Acho que o povo tem consciência que quem salva a pátria é ele mesmo, o povo. Lula não salvou a pátria pelo simples motivo de ela não precisar ser salva. FHC, apesar de seus muitos erros, foi eleito democraticamente.
Além do mais, onde está a ausência de saída? Em figuras como Gilmar Mendes? Este apenas defende os interesses da corte deposta e que conspira e a quem serve. Não faz o seu papel republicano porque nossa República ainda engatinha. Não veio à Pindorama Pero Borges, nosso primeiro magistrado, com uma recente condenação por desvio de recursos em obras públicas lá em Elvas, sua distante terra natal? Nós mudaremos isto também. E nem precisará de “impeachements”. GM, como Pero Borges, terá o seu lugar na história. E ele não foi eleito diretamente pelo povo. Taí uma coisa, a meu ver, a se pensar.
Se, como você diz, “A crise é de credibilidade, corrupção generalisada no trato com a coisa pública. Superfaturamento de Obras. Concorrências fraudulentas ou lesivas ao patrimônio. Descaso com a Saúde Pública, etc.”, então estamos em crise desde Tomé de Sousa, que trouxe os impostos e o condenado (e perdoado pelo Rei) Borges as leis à nem ainda impúbere Pindorama.
E, onde está o perigo de “a instabilidade causada pela legítima insatisfação popular com tantos escândalos conduzirem novamente o país ao regime de exceção.”? Apesar de a minha condição de professor ter melhorado muito pouco no governo Lula (ainda assim houve uma melhora), não posso me esquecer de que não sou uma ilha (há milhões de ex-miseráveis) e não é o Gilmar Dantas que nos fará sair às ruas com cabeças espetadas em chuços... essa época já passou. E evocando Michelet, que dá a palavra a um popular dos idos da Revolução: “Estivemos todos no 10 de Agosto, e nenhum no 2 de Setembro”. O povo é essencialmente bom.
Você é daqueles que pensam como o PHA e que acham que Lula é o presidente que tem medo? Medo todo mundo que tem “c” tem, amigo, como diz o dito popular...e que Idelber me perdoe a expressão chula, ainda que disfarçada entre aspas.
Mas...quando foi que Paris não centralizou o poder em França, se foi na batalha de Lutécia que Julio César conquistou a Gália; não é o que diz a história?
E por falar em batalha e em ditadores, o último golpe, que eu me lembre, foi há 44 anos; onde estão os rios de sangue agora?
Os franceses não entraram numa fria. É verdade que houve muito morticínio e que o poder, em parte, apenas mudou de mãos. A história, desnecessariamente como querem os meus alunos adolescentes das camadas populares, tem sido escrita com suor e sangue. Eles, os jovens, apesar da aparente agressividade, em sua absoluta maioria, resolvem as coisas com o bom diálogo. Oxalá que, com a pequena ajuda de meus pares e amigos, possam vir a escrever o mundo.
Mas é verdade, também, que uma parte deste poder a que me referi, hoje, está em minhas mãos, no voto de um simples professor. Eu não sou uma ilha e este meu voto soma; eu o devo à Revolução e aos já distantes atenienses reunidos em sua ágora. Então, um simples didáskalos, ainda que liberto, não votava. Não houve uma avanço? Os materialistas não acreditam em evolução. Mas não é difícil perceber que houve uma melhora, é?
Pouco importa que tudo isso ainda esteja imperfeito. O que importa é o trabalho que ainda precisa que se faça.
E sem rios de sangue.
josaphat em maio 9, 2009 2:35 PM
#44
Josaphat: estou de acordo contigo. Eu faria a ressalva de que a violência popular, quando irrompe, e de quando em vez ela de fato irrompe, irrompe espontaneamente. A violência que é chamada, e pedida, é sempre golpista (vide 64): o erro da esquerda, muitas vezes, é pedir a violência popular à toa, e receber em troca, como contra-força, a violência das elites (64 tem um pouco disso, mas não tanto como dizem). Abraço
Alexandre Nodari em maio 9, 2009 9:05 PM
#45
Olá Alexandre! Legal que você voltou a blogar. Vou fazer-te uma visita. Abraço.
josaphat em maio 10, 2009 1:03 AM
#46
Pergunto se as dependencias do STF podem ser utilizadas para um evento particular como o do site do amigo do Gilmar
rabbit em maio 10, 2009 3:24 PM
#47
Caro Idelber Avelar,
Ontem à noite encaminhei vários posts que foram interpretados como “invasivos” de acordo ao software moderador e sumariamente apagados. Reconheço que não era necessária tal quantidade de denúncias sobre a situação precária da nossa Saúde Púbica. Apesar disso, a coletânea de denúncias é verdadeira! Sendo constituída de acontecimentos lamentáveis na rede pública de atendimento à nossa sofrida população.
No entendimento geral, os políticos são responsáveis por estas calamidades. Inúmeras vidas ceifadas poderiam ser poupadas, os que agonizam nos corredores poderiam receber atendimento dignificante e humanitário. Nesses momentos todos nutrem alguma revolta e total perplexidade. Não havendo qualquer contextualização da sigla PIG – “Partido da Imprensa Golpista”, conforme aludido aqui por outro pensador ao defender seu posicionamento politicamente correto.
Considerando a transparência verificada em seu blog, e sua clareza de propósito, peço-lhe selecionar algumas das denúncias por mim selecionadas quando pretendia ilustrar por que a manifestação sobre o juiz Gilmar Mendes é de menor importância relativa que uma manifestação para punir severamente os que flagelam a população. Sendo então justificada a lembrança da “Tomada da Bastilha.”, mesmo que simbólica! Para que passem a se “lixar” com a opinião pública. Sem que haja necessidade de eleger
“Caçadores de Marajás” ou em associação livre: “Vassourinhas.” E não pretendia provar coisa alguma! O Getúlio foi o líder populista que incorporou o culto à sua personalidade, e simbolizou a figura do “pai da pátria.”
Óbvio que somente os comprovadamente culpados devem ser execrados. Outra questão é quem possui competência para julgar um ato de corrupção? Nunca poderia ser investigação através de uma “CPI”, ato organizado pelos próprios políticos. Isto é tarefa para a Polícia Federal. Se a justiça condená-los, deveriam devolver aos cofres públicos “As trinta Moedas de Prata”, que representam o fruto de seus atos criminosos.
O tema acima é atualíssimo e inadiável.
Respeitosas Saudações.
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EM TEMPO DE EPIDEMIAS...
Aos interessados na história das políticas públicas de saúde no Brasil, este artigo é muito interessante.
Resumo:
Obrigados a enfrentar uma grave crise epidêmica desencadeada ao longo de quase toda a segunda metade do século XIX, os habitantes de Belém assistem, a partir daquele momento, a uma intensa mobilização social em prol da preservação da saúde pública, que há muito deixara de ser objeto de interesse do Governo Provincial e que agora se via ameaçada pela fúria da febre amarela, da cólera e da varíola, que vinham desordenadamente fazendo suas vítimas pela cidade. Diante disso, esta dissertação procura analisar alguns mecanismos empregados para conter o aumento dos casos das doenças na Capital da Província do Pará, destacando as estratégias sanitárias propostas pelos facultativos ligados à ciência médica, levadas a cabo, muitas vezes sem resultado, pelo poder público, mas que interferiram e modificaram significativamente as práticas de assistência aos enfermos mais necessitados, que geralmente eram socorridos em nome da caridade no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. A falta de conhecimento sobre a etiologia das moléstias trouxe à tona ainda um acirrado conflito ideológico entre os médicos, que divergiam quanto aos possíveis fatores que motivaram as epidemias e o tipo de terapêutica a ser aplicada aos doentes, ao mesmo tempo em que o perigo da contaminação aguçou também a “compaixão” e a “caridade” de todos que se viram direta ou indiretamente ameaçados por aqueles males.
O texto que ora apresentamos, está dividido então em dois capítulos. O primeiro, procura discutir as diversas formas de socorro que caracterizaram os cuidados com a saúde pública em Belém durante os anos de recorrência daquelas epidemias, enfatizando
principalmente as medidas estabelecidas pelo governo provincial e sustentadas pelas teorias médicas em voga na época, além dos artifícios da “caridade” levados a cabo pelos irmãos de Misericórdia ante a árdua tarefa de bem assistir aos doentes. Quanto ao segundo, este pretende mostrar como a preocupação com a salubridade, que procurou promover uma higienização dos espaços, das instituições e dos costumes, atribuiu um novo significado ao auxílio prestado pelo Hospital de Caridade, tentando transformá-lo de espaço de recolhimento a instrumento terapêutico. Com o crescimento da cidade, os hospitais passam a figurar entre as instituições, que embora indispensáveis ao desenvolvimento urbano, precisavam, segundo os médicos, serem também saneados, para evitar que favorecessem a propagação de enfermidades que grassavam epidemicamente, aterrorizando a população.
MAGDA NAZARÉ PEREIRA DA COSTA, 2006
CARIDADE E SAÚDE PÚBLICA EM TEMPO DE EPIDEMIAS
(BELÉM 1850-1890)
http://www3.ufpa.br/pphist/images/dissertacoes/2006_Magda_Nazare.pdf
Contexto em maio 10, 2009 8:16 PM
#48
Agora sim. Um copy/paste, mesmo que longo e offtopic, tudo bem. Oito copy / paste, com quilométricos textos, totalmente fora de assunto, ainda por cima anônimo e com email falso como o seu, serão apagados sempre.
Questão de bom senso. Aceito sempre trechos de texto, até copy / paste de textos inteiros, e certamente links offtopic.
Mas uma pilha de oito enormes copy/paste, aí não. Porque ao fazer isso você simplesmente soterra as pessoas que vinham conversando aqui. O seu "direito de expressão" detona o de todos os demais.
Idelber em maio 10, 2009 8:23 PM
#49
Minha digitação alterou equivocadamente este parágrafo: Leia-se, (Saúde Pública)
Ontem à noite encaminhei vários posts que foram interpretados como “invasivos” de acordo ao software moderador e sumariamente apagados. Reconheço que não era necessária tal quantidade de denúncias sobre a situação precária da nossa Saúde Pública. Apesar disso, a coletânea de denúncias é verdadeira! Sendo constituída de acontecimentos lamentáveis na rede pública de atendimento à nossa sofrida população.
Contexto em maio 10, 2009 8:24 PM
Débora Vieira em maio 13, 2009 12:05 AM
#51
Campanha solitária de suspender definitivamente os mandatos de TODOS atuais congressistas, mesmo aqueles "considerados honestos."
O leitor Bob Bruza lembra a grande resposta do deputado Paulo Maluf ao repórter do CQC que lhe perguntou se já havia roubado alguma coisa:
“Não necessariamente”.
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Hugo Werneck disse:
11/05/2009 às 8:53
Desculpem mas a resposta do senhor Maluf, está compatível com o seu caratér, (ou falta de). Trata-se, sem dúvida de um daqueles energúmenos que estão se lixando para a opinião pública. O que ainda não perceberam é que ele, diferentemente de outros idiotas, tão maléficos quanto ele, como Genoino, Chinaglia que fazem “biquinho” quando vêem a turma do CQC., entrega-se à galhofa e transforma assuntos sérios, com o roubo do dinheiro público em piada.
O que o pessoal da Bandeirante, intencionalmente ou não, está fazendo e manter o canalha na mídia, o que não deixa de “ajudar aos mal informados a darem os seus votinhos à ele, sempre com a velha máxima do rouba mas faz. E o pilantra ainda agride a nossa inteligência, quando diz não ter e nunca ter tido uma conta bancária no exterior, mesmo quando submetido a provas irrefutáveis, vide o caso de sua detenção em Paris. Agora, que fique claro, esse cretino não é pior que os edmares castelo, fernandos gabeiras, eduardos suplicys, josés sarneys, michel temeres, jaderes barbalhos, severinos cavalcantes e outras tralhas que estão depositadas na lixeira do Congresso Nacional ou de outros órgãos públicos. E o que devemos fazer? Continuo com a minha campanha solitária de suspender definitivamente os mandatos de TODOS atuais congressistas, mesmo aqueles "suspeitos de serem honestos." Depois, faremos novas eleições com pessoas comprovadamente honestas e competentes, sem deixar de montar um esquema de fiscalização do comportamento desses novos homens públicos, se possível sem parentesco com os mafiosos que andam por aí. O ideal é que uma evolução tecnológica promovesse a reprodução humana em chocadeiras, assim não teríamos que agüentar a parentada sempre ávida em usufruir o escasso dinheiro público.
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/tag/cqc/
Wolf Jr. em maio 14, 2009 5:03 AM
#52
Gilmar reagirá
Surpreendentes em diversos aspectos, as necessárias manifestações contra Gilmar Mendes podem ajudar a criar um monstrengo involuntário. O presidente do STF, por temperamento, histórico e particularidades de ofício, é mandatário perigoso, cujo potencial nefasto só e descobre quando nada há a fazer.
Mendes não tem mesmo por que se preocupar com a opinião pública: ficará no cargo até abril de 2010, independente de (ou ainda mais por causa das) pressões por sua renúncia. Dez ou onze meses de atividade equivalem a uma parcela da história jurídica brasileira, prevendo decisões finais e soberanas sobre temas que vão dos crimes da ditadura à concessão de asilos políticos, passando pela descriminalização da maconha e outros.
Eis o teor da vingança que esfria em seu prato de maldades. Valorizado como está pelo apego corporativista dos pares, ele pode influenciar decisões futuras para agredir os interesses que, já admitiu, sabe reconhecer perfeitamente nos adversários. As canetadas retrógradas receberão os apupos costumeiros, mas permanecerão, como prova do poder e da vaidade do legislador-sem-mandato que manda no pedaço.
Empurrado às cordas, Mendes torna-se fera indomável e, admitamos desde já, invencível. Os protestos ganhariam pertinência se passassem a envolver os movimentos progressistas do próprio Judiciário (especialmente nas segundas instâncias), fechando um cerco de verdadeiros constrangimentos ao redor do ministro.
Guilherme Scalzilli em maio 21, 2009 7:52 PM
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