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quinta-feira, 21 de maio 2009

Sobre um recente recrudescimento da misoginia e da homofobia

A misoginia e a homofobia campearam soltas na mídia brasileira nas duas últimas semanas. 17 de maio, dia internacional de luta contra a homofobia, foi escolhido pela Zero Hora para a publicação de um lixo inominável escrito por Paulo Sant'Ana, que confunde com travestis com homossexuais, mistura identidade de gênero com orientação sexual (estranhamente rebatizada de “tendência” sexual), usa termos chulos como os “sapatões” e destila preconceito, homofobia, misoginia, ignorância e desinformação em doses cavalares. Não há o que comentar nesse texto. É só seguir o link e horrorizar-se. Como não leio a Zero Hora, ignoro se o jornal já se desculpou pelo festival de insultos. Aposto que não (cheguei lá via @carolinamaia, a quem agradeço).

Antes disso, houve a famigerada entrevista de Maria Mariana à Época, na qual a ex-celebridade promove seu novo livro, Confissões de mãe, dizendo coisas como: 1) amamentar é para a mãe que merece; 2) Deus quer o homem no leme; 3) se a mulher parir naturalmente, será uma mãe melhor; 4) apanhar cueca suja que o marido deixa no chão é um aprendizado de paciência e dedicação. Tudo é coroado com uma pérola de tremenda irresponsabilidade: Há mulheres que passam nove meses no shopping, comprando roupinhas, aí depois marcam a cesárea e pronto. Acabou o processo. Aí sabe o que acontece? Elas têm depressão pós-parto.

Não sobrou nada que desconstruir no festival de sandices de Maria Mariana, já que uma série de blogueiras escreveram respostas incisivas: Marjorie Rodrigues, Lu Monte, Lola Aronovich, Groselha News, Cam Seslaf, Cynthia Semíramis e várias outras. Na Cynthia, você encontrará uma lista (quase) completa dos posts. Quais são, então, meus dois centavos com este texto? Uma singela pergunta: Por quê? Por que a Folha dedica espaço a um livro recheado de sandice misógina escrito por uma atriz decadente? Por que a Revista Época apresenta como “polêmicas” declarações que evidentemente não são da ordem da polêmica, mas da ordem da falsidade?

Para ser honesto, eu não sabia quem era Maria Mariana. Pelo que vi depois, era minha mesmo a lacuna. Em minha cultura televisiva, falta tanta coisa que não cabe mais nada. Lembro-me vagamente, sim, de algo chamado “Confissões de adolescente”. Ao ver a foto da atriz, algum flash de memória surgiu. Mas foi só isso.

Seria natural se, digamos, Ana Maria Braga lançasse um livro e os veículos de mídia corressem para fazer a cobertura. Trata-se de alguém que, bem ou mal, está em evidência. É notícia. Mas uma figura que há mais de uma década não aparece em lugar nenhum? Por que ela é notícia? Quão irresponsável deve ser um veículo de mídia para etiquetar de “polêmicas” declarações como as de Maria Mariana sobre depressão pós-parto? Polêmico seria dizer que Veja é um veículo jornalístico ou que José Roberto Wright é um homem honesto. O que ela diz sobre depressão pós-parto é, pura e simplesmente, fal-so. É como dizer que a Terra tem a forma de uma pizza ou que Belo Horizonte é a capital de Rondônia. Apresentar isso como “polêmico” é desinformar, mentir. Entendamos que há coisas da ordem da opinião e coisas da ordem do fato. Brincar com essa diferença num tema como a depressão pós-parto é criminoso. Não há outra palavra.

Estamos entrando num período em que a misonigia será peça chave do jogo político. Claro que, no sentido mais amplo da palavra “política”, ela sempre o foi. Mas hoje, num momento em que as possibilidades de proteger e ampliar as (limitadas) conquistas sociais dos últimos seis anos serão, até segunda ordem, representadas pela candidatura de Dilma Rousseff à presidência, a coisa adquire uma dimensão suplementar.

Pesquisa recentemente realizada pela Fundação Perseu Abramo mostra que a situação do preconceito ainda é grave. Como sabe qualquer sociólogo que tenha refletido um pouco sobre a linguagem (sim, eu sei, eles são poucos), as pesquisas que medem preconceito, por definição, apresentam um quadro menos ruim que o real. É axiomático que preconceito é algo que nem todo mundo assume, muito menos numa entrevista.

Desde que cheguei ao Brasil, vi quatro “reportagens” sobre Dilma na televisão. Todas começavam com menções a elementos politicamente irrelevantes como o cabelo, a plástica e o vestido. Homens também se vestem, fazem plástica e mudam o cabelo. Mas é Dilma, não Serra, quem tem que aturar a cantilena infinita sobre sua aparência. E olha que, no quesito aparência, Serra é um prato cheio.

Marjorie convocava, outro dia, um sexism watch para acompanhar as menções a Dilma na mídia. Pelo jeito, terá que ser trabalho coletivo. Nenhum(a) blogueiro(a) sozinho(a) conseguirá dar conta, mesmo blogando tem tempo integral.

Claro que o destaque completamente desproporcional dado pelos Marinho e pelos Frias a um livro irrelevante, escrito por uma atriz decadente, convocando uma volta obrigatória das mulheres à domesticidade, não tem nada a ver com o fato de que o projeto popular de esquerda, odiado por esses grupos de mídia, está sendo representado hoje pela candidatura de uma mulher. Não tem nada a ver. Imaginem.


PS: O melhor blog jornalístico do Sul está de casa nova. Vida longa ao RS Urgente.

PS 2: Também de casa nova, e também no OPS, está o Até aqui tudo bem, um dos meus blogs favoritos no momento.


Atualização: Antes que o mal-entendido se dissemine, cabe esclarecer: o post não afirma que Maria Mariana foi usada contra Dilma. O post afirma que o episódio Maria Mariana ganha relevância extra num contexto em que Dilma é candidata. O post não afirma que Marinhos e Frias se reuniram para dar destaque desproporcional a um livro cheio de sandices escrito por um atriz decadente como forma de prejudicar Dilma. O post afirma que o destaque desproporcional a um livro cheio de sandices escrito por um atriz decadente reforça uma misoginia já presente na sociedade brasileira e contra a qual a candidata de esquerda se enfrenta diariamente.



  Escrito por Idelber às 10:33 | link para este post | Comentários (151)


Comentários

#1

diz-se, nas internas, que os Sirotsky finalmente perderam a paciência com Sant'ana. publicamente nada foi feito (ou nada com algum alcance). caso tu não saibas, Sant'ana é uma espécie de eminência parda da RBS. ninguém o contradiz ou limita; escreve o que quiser, no tom que desejar. inclusive, é a única pessoa com autorização para fumar na redação de ZH ou nos estúdios da RBS.

será que vão finalmente lhe botar freio?

(sensação completa de apocalipse zumbi, chegar num post teu ainda sem comentários ;))

tiagón em maio 21, 2009 11:49 AM


#2

caro idelber,

por gentileza, dê uma visitada no sítio do veterano jornalista villas-boas correia - www.vbcorreia.com.br, e faça um esforço para ler seus três últimos posts.

um dos considerados maiores jornalistas desse país de meu deus vai lhe aprontar uma grande surpresa. quase cai de costas!

abçs

carlos anselmo-eng° -fort-ceará em maio 21, 2009 11:49 AM


#3

ah: com tua licença, vou passar a usar a frase "Em minha cultura televisiva, falta tanta coisa que não cabe mais nada." genial :D

tiagón em maio 21, 2009 11:50 AM


#4

Gostei muito de seu texto, Idelber. Gostaria só de fazer uma observação: qualquer reportagem sobre a aparência do Serra seria politicamente incorreta. Grande abraço,

Victor da Rosa em maio 21, 2009 11:54 AM


#5

Idelber, andei lendo os posts sobre a Maria Mariana (aquela do "o primeiro sutien a gente nunca esquece")e li igualmente a entrevista: horrorizei. A "culpa" que tenta impigir às mulheres + afirmações falsas e outras sandices tiveram o devido repúdio. É preciso saber ver para além dos textos, claro, como vc bem salienta: ideologia e política escondidas sob a capa de 'interesse cultural'.

Cláudio Costa em maio 21, 2009 11:54 AM


#6


Pronto. Já temos a mulher neocon. Falta agora o cachorrinho neocon. Papagaio neocon tem de monste.

Aguardem o próximo título: "No tanque com Maria Mariana".

Nada a ver com os livros da Danusa - deliciosos. (Se alguém disser que não, eu brigo, está bem?)

A menina está tentando fazer marola para vender muito e viajar prá Miami nas férias de dezembro. Só isso.

(Eu só queria saber por que as pessoas gostam tanto de Miami. Monguaguá dá de dez.)

João Vergílio em maio 21, 2009 11:55 AM


#7

Desta vez você foi rápido no gatilho,tiagón. Quanto à frase, crédito a quem de direito: ela é inspirada numa frase do genial Macedonio Fernández, que uma vez disse algo assim: na reunião faltou tanta gente que não cabia mais ninguém.

Macedonio é gênio, puro gênio.

Não, eu não tinha nem idéia de quem era Paulo Sant'Ana. Na minha cultura zerohorística....

Idelber em maio 21, 2009 11:58 AM


#8

Falta-lhes assunto, Idelber. Há muito que não têm conta do verdadeiro jornalismo, que deve ser imparcial. Será que tal coisa existe? Também não têm, em seus cadernos, reflexões honestas sobre quaisquer áreas do conhecimento e que, outrora, eram matérias relevantes nos jornais, tais como resenhas sobre filosofia e literatura por exemplo. É tudo muito chato! Então vão destilando os seus venenos, pois que a aranha vive do que tece. E que gente venenosa! São de fazer inveja às arainhas.

josaphat em maio 21, 2009 11:59 AM


#9

Esse Paulo Sant'Ana não pode estar escrevendo isso a sério.
O texto não faz sentido.
Onde que arrumam um maluco desse para escrever?

Bruno Stern em maio 21, 2009 12:06 PM


#10

Bruno, "retuitando" (desculpem, é que eu me apaixonei por esse verbo) a sua pergunta:

Alguém aí poderia nos dizer algo sobre quem é esse Paulo Sant'Ana?

Idelber em maio 21, 2009 12:08 PM


#11

Idelber, como eu sei que você já não lê mais a Folha, vou copiar aqui um artigo de hoje desse jornalão paulista que mostra bem qual será outro flanco pelo qual Dilma será atacada, além do flanco sexista que você bem notou no seu post.

PLÍNIO FRAGA

Dilma e o estresse pós-traumático

RIO DE JANEIRO - Na véspera da posse do presidente eleito Tancredo Neves -que havia sido internado às pressas num hospital de Brasília-, seu neto e então secretário particular disse aos jornalistas: "O diagnóstico é divertículo de Meckel (uma bolsa que se forma no intestino). O presidente passa bem. A cirurgia foi um êxito, e o Brasil pode respirar aliviado. O presidente Tancredo Neves deve tomar posse amanhã na Presidência", afirmou Aécio Neves, 25 anos completados naquela semana de março de 1985.

Tancredo Neves não tinha um divertículo de Meckel, não passava bem, sua cirurgia não fora um êxito e ele não tomou posse no dia seguinte. Aécio mentira, assim como mentiriam os médicos e assessores de Tancredo pelos próximos 37 dias, até a morte em 21 de abril, em razão de infecção generalizada.

Uma mentira puxa outra, e versões cada vez mais fantásticas começaram a correr pelo país: Tancredo havia sido envenenado pelos militares; Tancredo sofrera um atentado quando dava entrevista para Glória Maria, tendo a Globo escondido as imagens do tiro.

Aécio pode hoje alegar que "razões de Estado" obrigaram-no a mentir. Com o diagnóstico de câncer, a saúde política da pré-candidata Dilma Rousseff dependerá do "estado da razão do eleitorado".

A ministra assumiu publicamente a doença, já admitiu que perdeu os cabelos com a quimioterapia, tenta dar transparência ao seu caso. Mas sua internação às pressas, após um voo emergencial em direção a São Paulo, deixa algo além da certeza de que, 24 anos depois, o melhor hospital de Brasília continua a ser o aeroporto.

Dilma terá de convencer o eleitor de que tem um plano para o país. E que tem saúde para executar esse plano -ao menos para 70 milhões de eleitores (55% do total) com idade para ter vivido o drama da doença de Tancredo. Um raro caso político de estresse pós-traumático.

Bruno Pinheiro em maio 21, 2009 12:10 PM


#12

Olha Idelber, eu fiquei ensaiando um tempão uma mensagem pra lhe escrever e que demonstrasse o que significa pra mim ser linkada aqui e com uma indicação dessas. Fato é que primeiro eu fico eufórica sorridente mesmo, depois fico tímida, e no balancê do corpo e com o pezinho fazendo círculos no chão, é melhor dizer de uma vez: puxa, significa tanto pra mim, obrigada. E eu adoro seu blog, admiro você deveras.
É isso. Um beijo.

aline em maio 21, 2009 12:17 PM


#13

Aline, eu sei o que é isso porque esse post seu sobre o garoto com a pipa é daquelas coisas tão lindas, mas tão lindas, que eu fiquei dizendo "tenho que comentar", mas não achava as palavras. Dá vontade de ir lá e dizer simplesmente:

:-))))))

Idelber em maio 21, 2009 12:19 PM


#14

Paulo Sant'Ana? É bem aquilo que o tiagon falou. Foi tombado pelo patrimônio histórico.

Faz e fala o que quer e ainda deve ter o maior salário da RBS.

Já ouvi a história de que, em seu leito de morte, o patriarca Sirotsky pediu aos herdeiros "façam o que quiserem com a RBS, mas não demitam o Sant'Ana". É mole?

cavalca em maio 21, 2009 12:27 PM


#15

relembrando fatos, já houve uma campanha com camisetas com os dizeres "Eu odeio Maria Mariana", isso na época em que ela era "aborrescente". Depois de adulta falar tanta bobagem, é realmente inacreditável!Adorei o texto.

naomi em maio 21, 2009 1:14 PM


#16

Do texto da Zero Hora, não dá para passar das primeiras linhas.
Das declarações da Maria Mariana só se pode ter raiva. Apesar disso, acho que dá para entender as matérias. A Época e a Folha simplesmente perceberam que o livro (editado por uma editora média) vai gerar reação (assim espero, aliás), inclusive porque vai virar peça teatral. Ainda mais que a garota virou roteirista da Record (a mesma emissora do PHA, Azenha etc.). Assim, nada demais nas matérias. Na Folha, há inclusive uma coluna (Folhateen, 04 de maio de 2009) descendo a lenha na infame "escritora":

02 NEURÔNIO

>> Jô Hallack >>Nina Lemos >> Raq Affonso

02neuronio@uol.com.br

http://02neuronio.blog.uol.com.br/

Confissões assombrosas

QUEM TEM MAIS de 30 anos se lembra de um livro chamado "Confissões de Adolescente", que depois virou uma peça de teatro famosa nos anos 90. Foi escrito em cima do diário de Maria Mariana, que na época tinha 19 anos. Sempre achamos tudo o que ela escreveu ruim e, como temos a mesma idade, ficamos com vergonha alheia e não entendemos como a nossa geração escolheu uma menina tão chatinha como ídolo.
Passados quase 20 anos, a autora resolveu lançar outro livro, "Confissões de Mãe", no qual conta toda sua experiência de mãe de quatro filhos (!). Agora, além de vergonha alheia, ficamos com raiva. Pois a autora nos brinda com pérolas tão reacionárias que fariam nossas bisavós corar. E a gente fica imaginando como as pessoas se tornam tão caretas, mesmo tendo sido tão "modernas" em algum momento da vida.
Maria Mariana fala que a maternidade, com o casamento, são a única forma de obter uma felicidade verdadeira. Quem escolhe ser solteiro e não ter filhos tem medo e está fugindo. A autora também teoriza que só algumas mulheres têm parto normal porque merecem. E que o movimento feminista, ao contrário de benefícios, trouxe malefícios à sociedade, porque as mulheres sofrem pressão para serem ativas no mercado de trabalho e acabam tendo valores masculinos.
Não sabemos se o tempo em que Maria Mariana morou em Macaé para cuidar de seus quatro rebentos afetou seu cérebro. Ou se ela se filiou ao TFP. Mas sabemos quanto mal uma mulher falar besteiras assim faz para a humanidade. Afinal, sabemos que nem todo mundo que se casa e tem filhos é feliz; que a cesariana é um avanço da medicina que ajuda mulheres com problemas a terem seus filhos; e que ser ativa no mercado de trabalho -graças ao movimento feminista- é muito bom.
Então, você, que se acha moderno e a frente do seu tempo, muito cuidado! Porque, por alguma razão obscura, você pode se transformar num ser reacionário assim, depois de alguns anos! E ainda sair por aí alardeando besteira.

Momento de histeria

Às vezes é melhor guardar suas confissões pra você mesma!

João Paulo Rodrigues em maio 21, 2009 1:18 PM


#17

esse Sant'Ana tem blogue, e o texto que ele botou no ZH também
está postado lá. com caixa de comentários e tudo.

Bruno ( ) em maio 21, 2009 1:29 PM


#18

"Olá Paulo! Não me parece estar em questão a orientação sexual, mas sim a sexualidade. Lésbicas e gays sentem-se, respectivamente, mulheres e homens. Travestis e transexuais, neste caso, sentem-se mulheres. Portanto, estão pleiteando conviver num espaço que corresponda a sua orientação sexual." Hahahahaha, a ignorância se extende à caixa de comentários.

Bruno ( ) em maio 21, 2009 1:31 PM


#19

Ah, Idelber, c'mon

que o livro da Mari Mari é um lixo não discuto. Mas ver nisso uma estratégia contra Dilma e seu projeto popular de esquerda já é delírio.

O livro é pauta sim, que jornalista não iria atrás da história de uma adolescente rebelde que hoje virou Amélia? A "atriz decadente" voltou, esse é o ponto. Hoje é roteirista da Record. Gostemos ou não o Confissões de Adolescente marcou época, com livro, peça, programa na TV Cultura. É uma história boa, e a editora do livro explorou isso, que a adolescente agora faz a Confissões de Mãe, e o papo agora é bem outro.

Além do que, na própria folha, como postou o João Paulo, tem artigo descendo a lenha na Mari Mari.

Acho que você anda paranóico demais, Idelber. Na boa, você não quer ler jornal brasileiro, escolha sua. O problema é que você começa a analisar desproporção na mídia, quer definir qual espaço correto para isso ou aquilo... mas como você pode falar em proporção se simplesmente você não acompanha? repito: não te acuso de nada, quem diz que não lê folha nem jornal brasileiro é você. E no entanto, analisa. Não lê, mas se sente apto a analisar. Analise por fonte secundária. Isso é metodologia científica?

Thiago Rodrigues em maio 21, 2009 1:32 PM


#20

Para mim, a única motivação por trás da publicação da entrevista de Maria Mariana é financeira. Sei que estou me repetindo mas, principalmente depois de ler um comentário como o do Cavalca, não vejo melhor explicação. Pois à ideologia liberal também falta tanta idéia que não cabe mais nenhuma (além daquela que recomenda buscar o dinheiro em primeiro, em segundo, em terceiro.... em enésimo lugar). E, pelas reações apontadas pelo Idelber, o objetivo parece ter sido em parte atingido - criou-se uma polêmica, não sei de que proporções mas uma polêmica, enfim. E polêmica vende.

Cláudia em maio 21, 2009 1:32 PM


#21

Concordo com a Cláudia. É o que volta e meia jornais fazem. Até quando o papo é acadêmico. Quando lancei meu livro (momento jabá) sobre literatura e política na ABL do início do século XX, perguntavam a todo o tempo sobre a ABL HOJE, querendo que eu desse alguma declaração bombástica, obviamente. Outra feita a Folha destacou uma divergência já de algum tempo entre historiadores sobre a questão do Antigo Sistema Colonial e das redes de produção e comércio internas à colônia como uma luta entre a escola paulista e a carioca. Não acho que seja parte de um master plan anti-Dilma.

João Paulo Rodrigues em maio 21, 2009 1:39 PM


#22

Eu vejo a cena diante dos meus olhos: o João Roberto Marinho e o Otavio Frias Filho convocando os diretores de redação dos respectivos veículos às suas salas de paredes apaineladas em mogno e repletas de móveis de jacarandá (ou vice-versa), e conclamando aos berros:

- Quero já uma matéria com a Maria Mariana! Com grande destaque! Vamos provar que mulher só serve para pilotar fogão e tanque! Não vamos poupar armas na luta contra a Dilma!

O Olavo de Carvalho começou assim :-)

F. Arranhaponte em maio 21, 2009 1:39 PM


#23

Olá Idelber, tudo bem?

Também escrevi sobre as bobagens de Maria Mariana, meu blog está linkado na lista da Cynthia. E tenho acompanhado o blog da "mãezona", comentado lá e, claro, sendo devidamente hostilizada. Hoje inclusive ela pegou um trecho de um dos meus comentários, junto com o de outra menina que criticou o livro dela, pra usar em uma "crônica". Aliás, peço licença pra usar aspas toda vez que me referir a algo que ela "escreve", já que o negócio é tão ruim no conteúdo quanto na forma.
O que me assusta é o total desconhecimento do feminismo e do que ele defende entre a maioria da população. Eu própria não sou lá nenhuma grande conhecedora do assunto, mas há coisas tão simples, lógicas mesmo, que esse pessoal faz de conta que não leu. Porque não dá pra dizer que não entendeu, até meus gatos entendem (juro, eles até acenam com a cabecinha). E desse desconhecimento, é um passo pra misoginia. E aí fica a pergunta: o que será que funcionaria melhor: explicar o que de fato é o feminismo, ou repudiar os comportamentos misóginos? Ás vezes me parece que a misoginia é o sintoma, e enquanto as pessoas não entenderem de verdade que o feminismo não prega a superioridade do sexo feminino em detrimento do masculino, ela vai continuar acontecendo, e poucas pessoas serão as que continuarão percebendo.

Srta.T em maio 21, 2009 1:45 PM


#24

"O Olavo de Carvalho começou assim"

hahahahaha, essa foi precisa.

Thiago Rodrigues em maio 21, 2009 1:51 PM


#25

Thiago e Arranhaponte:

Eu não disse que Frias e Marinho se reuniram para usar Maria Mariana contra Dilma. Eu disse que, num contexto em que Dilma é candidata, destaque desproporcional a um livro que quer mandar as mulheres de volta para o fogão produz certos efeitos, reforça a misoginia que está aí produzindo efeitos políticos.

Se quiserem achar que é a mesma coisa, tudo bem. Mas não ponham palavras na minha boca.

Idelber em maio 21, 2009 1:59 PM


#26

O festival de sandices da tal "escritora" é tal que na entrevista à Época (que só dá para ler aos pulos, tal o embrulho estomacal que aquilo gera) ela critica o feminismo após condenar o consumismo e a compulsão moderna ao trabalho... como se o feminismo tivesse proposto isso, e não o compartilhamento igualitário das atividades de criação, denunciado fartamente a exploração do trabalho feminino pelo capitalismo (a estante da minha mãe tá recheada de livros assim) que leva as mulheres a abortarem não por escolha (entre outras coisas), mas por falta de escolha, a não terem, por isso, tempo JUSTAMENTE para educarem seus filhos (conjuntamente com os pais) etc. e tal. Ainda guardo com carinho os livros ilustrados para crianças das editoras feministas que falavam de uma vida com mais lazer e conviência familiar.
Enfim...

João Paulo Rodrigues em maio 21, 2009 2:01 PM


#27

Entretanto, a prevalência do interesse financeiro no caso em questão não significa a inexistência de misoginia em outros casos, por exemplo, aquele protagonizado pelo Josias de Souza e a foto em que Dilma e Marta aparecem juntas. Se aquilo não é misoginia, não sei o que é.

Cláudia em maio 21, 2009 2:08 PM


#28

Pronto. Está lá a atualização. Suponho que clara. Se não estiver claro o que eu quis dizer, favor avisar.

Idelber em maio 21, 2009 2:11 PM


#29

Lembro de Maria Mariana como referência de minha irmã, minhas primas e minhas colegas de colégio que liam o Confissões de Adolescente, assistiam ao seriado na TV e encontravam ali uma voz que falasse a elas. Eu mesmo me surpreendi ao ler a entrevista na Época, mostrando a "amelização" daquela garota até certo ponto tão libertária para tantas jovens.

Acredito que o destaque ao livro, neste caso específico, foi dado mais por conta da polêmica, por conta do que ela significou e do que hoje defende. Não iria tão longe em associar a uma manobra ideológica com objetivo de prejudicar a candidatura de uma mulher pelo partido do Governo, mesmo sabendo que jogos de todo o tipo tomarão campo, ano que vem, quando das eleições. E ladeando a má condição de saúde e o passado de revolucionária da ministra, referências a uma condição subalterna e inferior da mulher podem, sim, entrar nos discursos.

Tampouco credito isso a uma nova agenda. Acho que a misoginia e a tentativa de associar candidatas de esquerda a imagens de incompetência, fraqueza e submissão já são bastante recorrentes nos discursos. Lembro, inclusive, de certa nota no passado que usava, como aposto, ao falar sobre Marta Suplicy, o termo "mulher do argentino que manda em São Paulo". Isso no mesmo veículo que criticou a interferência (absurda, reconheça-se) da campanha de Marta na vida pessoal do outro candidato.

Gabriel Ramalho em maio 21, 2009 2:25 PM


#30

Idelber, você disse:

"Claro que o destaque completamente desproporcional dado pelos Marinho e pelos Frias a um livro irrelevante, escrito por uma atriz decadente, convocando uma volta obrigatória das mulheres à domesticidade, não tem nada a ver com o fato de que o projeto popular de esquerda, odiado por esses grupos de mídia, está sendo representado hoje pela candidatura de uma mulher. Não tem nada a ver. Imaginem."

É claro que a imagem criada pelo Arranhaponte é uma sátira, uma caricatura. Frias e Marinhos evidentemente não se reuniram. Mas pelo seu parágrafo se desprende claramente que o jornal e a revista sabiam do efeito que Mari Mari ia causar e usaram isso contra o projeto popular de esquerda. Por isso eu comentei, e sustento, da sua paranóia, e por isso a ironia da reunião secreta é válida. O único efeito causado que vi até agora é essa loucura das esquerdas de achar que uma mãe de quatro rebentos está os perseguindo.
Mas volto a um ponto: como você pode falar em desproporção se você não sabe a receita? Você não lê Folha e Época, como pode analisar proporcionalmente o que acontece? Você pode dizer com certeza, mesmo sem ter lido, que não houve matérias críticas à essa postura da Mari Mari? Repito: você está ao mesmo tempo se colocando como analista da mídia enquanto se orgulha de não acompanhá-la. Suas fontes são sempre secundárias. Se um aluno seu chega com uma pesquisa sem consultar as fontes primárias é um problema, não?

Thiago Rodrigues em maio 21, 2009 2:27 PM


#31

Idelber, li agora sua atualização. Mais uma vez, uma palavra apenas: "Bravo!"

Gabriel Ramalho em maio 21, 2009 2:30 PM


#32

Thiago: vamos esclarecer as coisas. Eu não analisei nada por "fonte secundária". Eu critiquei uma entrevista que li na íntegra. Ela está linkada e citada no meu texto. Como eu cheguei à entrevista, tendo eu lido a dita cuja na íntegra, é irrelevante. Esse é o ponto 1.

"Espaço desproporcional" refere-se a número de laudas e à própria existência da entrevista. Suponho que não seja necessário consumir o lixo inteiro para ter a opinião de que isso aqui é um espaço desproporcional. Esse é o ponto 2.

Você diz: que jornalista não iria atrás da história de uma adolescente rebelde que hoje virou Amélia? Sendo a adolescente rebelde alguém que fez algum sucesso há quinze anos e que há mais de uma década não aparece em lugar nenhum, eu acho, sim, oportunista e desproporcional o destaque.

Claro que o JPR e a Cláudia têm razão ao dizer que o interesse era econômico, fundamentado na "polêmica". O interesse era esse mesmo. Agora, negar que essa sandice produz outros efeitos, incluindo-se aí efeitos políticos, me parece ingênuo.

Sobre eu ler ou não ler os "jornais", Thiago, esclareço: não leio mesmo. Mas assino todos os feeds da Folha Online (Ilustrada, Brasil, Economia, Mundo, etc.), do G1 e do Estadão. Sei que não é exatamente a mesma coisa do que sai nos jornais, mas há uma enorme área de interseção, especialmente na Folha Online, que reproduz boa parte do que sai no jornal em papel. É isso.

Idelber em maio 21, 2009 2:33 PM


#33

Mas pelo seu parágrafo se desprende claramente que o jornal e a revista sabiam do efeito que Mari Mari ia causar e usaram isso contra o projeto popular de esquerda.

Thiago, você transformou a locução verbal tem a ver nos verbos sabiam e usaram.

Se algum aluno meu chegasse com uma interpretação de texto como essa, aí sim, eu perguntaria em que raio de fonte secundária ele se baseou.

Idelber em maio 21, 2009 2:38 PM


#34

Ah, bom. Então veio aí a Confissões de Idelber que diz que assina G1 e Folha online. Então você continua dando sua cota para a mídia golpista do mal. Só pra saber.

Sobre desproporção, então vamos analisar objetivamente a desproporção na Folha. Foram duas matérias: a do anúncio do livro tem 3400 toques. A coluna da O2 Neurônio tem 2000. A matéria do anúncio do livro, embora fale em polêmica quando podia falar claramente em mentira, concordamos nisso - ainda assim como pode se ler tende mais à neutralidade do que ao apoio ao modo Amélia de ser da escritora. Já a coluna da O2 é um escracho só, acaba com a anta da Mari Mari. Vai ficar longo, mas vou ter que colar os dois textos abaixo.
Pergunta: um texto mais para o neutro de 3400 toques, outro de 2000 toques francamente desfavorável. Me parece até proporcional, ou mesmo que a Folha foi mais desfavorável à Mari Mari. Isso é estar contra o projeto popular de esquerda e agora feminino? Objetivamente?

Aí vão as matérias da Folha sobre o livro:

Confissões assombrosas
QUEM TEM MAIS de 30 anos se lembra de um livro chamado "Confissões de Adoles-cente", que depois virou uma peça de teatro famosa nos anos 90. Foi escrito em cima do diário de Maria Mariana, que na época tinha 19 anos. Sempre achamos tudo o que ela escreveu ruim e, como temos a mesma idade, ficamos com vergonha alheia e não enten-demos como a nossa geração escolheu uma menina tão chatinha como ídolo.
Passados quase 20 anos, a autora resolveu lançar outro livro, "Confissões de Mãe", no qual conta toda sua experiência de mãe de quatro filhos (!). Agora, além de vergonha alheia, ficamos com raiva. Pois a autora nos brinda com pérolas tão reacionárias que fariam nossas bisavós corar. E a gente fica imaginando como as pessoas se tornam tão caretas, mesmo tendo sido tão "modernas" em algum momento da vida.
Maria Mariana fala que a maternidade, com o casamento, são a única forma de obter uma felicidade verdadeira. Quem escolhe ser solteiro e não ter filhos tem medo e está fugindo. A autora também teoriza que só algumas mulheres têm parto normal porque merecem. E que o movimento feminista, ao contrário de benefícios, trouxe malefícios à sociedade, porque as mulheres sofrem pressão para serem ativas no mercado de trabalho e acabam tendo valores masculinos.
Não sabemos se o tempo em que Maria Mariana morou em Macaé para cuidar de seus quatro rebentos afetou seu cérebro. Ou se ela se filiou ao TFP. Mas sabemos quanto mal uma mulher falar besteiras assim faz para a humanidade. Afinal, sabemos que nem todo mundo que se casa e tem filhos é feliz; que a cesariana é um avanço da medicina que ajuda mulheres com problemas a terem seus filhos; e que ser ativa no mercado de traba-lho -graças ao movimento feminista- é muito bom.
Então, você, que se acha moderno e a frente do seu tempo, muito cuidado! Porque, por alguma razão obscura, você pode se transformar num ser reacionário assim, depois de alguns anos! E ainda sair por aí alardeando besteira.

Momento de histeria

Às vezes é melhor guardar suas confissões pra você mesma!

Maria Mariana polemiza com mães
Atriz de "Confissões de Adolescente" abandonou TV por dez anos e lança livro para contar experiência de criar 4 filhos

Obra diz que dificuldade para amamentar surge em quem não dá "valor a seu lu-gar de mãe" e parto normal é só para quem "merece"

LAURA MATTOS
DA REPORTAGEM LOCAL
O dramaturgo e cineasta Domingos Oliveira, 72, famoso nome da contracultura e da defesa de casamentos abertos, nunca entendeu bem a opção "conservadora" de sua única filha.
Nacionalmente conhecida aos 19 anos pela autoria da peça "Confissões de Adolescente" -que ficou em cartaz por dez anos, virou livro com 200 mil exemplares vendidos e série de TV dirigida por Daniel Filho-, Maria Mariana decidiu se casar, trocar o Rio por uma cidade pequena, ter quatro filhos e abandonar a carreira por dez anos para se dedicar à família. "Toda vez que eu engravidava, ele me chamava para uma conversa séria e per-guntava: "Filha, o que você está fazendo da sua vida?'", conta a escritora e atriz.
Aos 36, agora que sua filha mais velha tem 9 anos, Maria Mariana está de volta. Ela lança o livro "Confissões de Mãe" (ed. Agir Equilíbrio, 96 págs., R$ 29,90), uma reedi-ção de "Confissões de Adolescente" (ed. Agir, 128 págs., R$ 29,90), que será remonta-do no teatro até o final do ano, e foi contratada como roteirista da Record.
Em "Confissões de Mãe", expõe opiniões polêmicas, de forma contundente, a respeito da maternidade, que, aliada ao casamento -o tradicional e não aquele do qual seu pai foi adepto-, são a única forma de obter uma felicidade verdadeira, em sua opinião. Quem escolhe ser solteiro e não ter filhos, acredita, "está fugindo por medo".
"Tenho uma visão contraditória à do meu pai sobre a família. Esse discurso existencia-lista dele, que até hoje fala de relacionamentos abertos, tem a ver com sua época, com seu resgate. Eu acredito que só pela família é possível se encontrar."
Nas suas novas "Confissões", Maria Mariana confessa muito mais: diz acreditar que só tem filho por parto normal as mulheres que "merecem" e que eventuais dificuldades para amamentar o bebê surgem para quem não estão dando "o devido valor a seu lugar de mãe".
"Eu sei que o assunto é polêmico, e minha editora até me perguntou se estou preparada para ser crucificada. Mas é o que eu penso", fala ela, que fez cesariana na primeira filha e parto normal nos outros três.
A autora, cujas convicções ela diz estarem ligadas também ao fato de ser adepta do espi-ritismo, afirma esperar que "as mulheres não se sintam julgadas". ""Confissões de Ado-lescente" surgiu a partir do meu diário, com minhas impressões. Já "Confissões de Mãe" foi muito pensado, escrito durante anos. Tentei falar da maternidade sem me colocar como dona da verdade nem agredir mães que pensem diferente."
Mas admite que quis "colocar o dedo em algumas feridas, até porque muitas mulheres têm pouca consciência da importância de ser mãe". "A partir do movimento feminista, sofremos uma pressão para ser ativa no mercado de trabalho, ter valores masculinos. E a realidade da maternidade é outra, é querer vivenciar essa experiência."
Maria Mariana é casada com um cardiologista e homeopata de 52 anos. Ela o conheceu em um curso de meditação há dez anos, quando estava "na geladeira" da Globo, após trabalhar como roteirista da "Malhação". Um mês depois, estava grávida. "Não foi sem querer. Precisava ser mãe. Quando compreendi a grandeza da maternidade, decidi parar de trabalhar."
Depois de Clara, 9, foi "uma barriga atrás da outra": Laura, 7, Gabriel, 5, e Isabel, 2. Eram tantos afazeres que só sobrava tempo para a profissão de mãe. "Esse livro é uma prova de que não perdi tempo nenhum. Ao contrário, ganhei maturidade, autoestima e volto para o trabalho com uma nova energia."


Thiago Rodrigues em maio 21, 2009 2:46 PM


#35

Caro Idelber,
talvez não esteja tão claro e acho que você nem precisa disso.
Posso estar errado.
A meu ver, você relaciona dois sentidos aparentemente desconjuntados e os aproxima tentando evidenciar aí uma formação que está por baixo. Nem importa o que "a Folha" pensa sobre o assunto, se o jornalista de fato é "tucano" - eterno retorno do mesmo - mas importa, acho, a condição de possibilidade em que a entrevista se insere.
Penso que a inflexão de seu texto não é nem a discussão sobre misoginia e nem a discussão sobre eleições - seriam bem feitas se estivessem separadas - mas justamente o modo como você as relaciona.
O neurótico, eu acho, é aquele que repete a própria neurose sem saber. Você, no caso, é o psicanalista da história. Ou seja, abre sentidos possíveis para um enunciado transparente, límpido, como é todo enunciado que justifica o "gancho" jornalístico.
(antes que me corrijam: o Thiago disse paranóico, mas ele quis dizer neurótico mesmo).
Isso nos permite concluir provavelmente que todo jornalismo comum é neurótico e precisa de psicanálise.
Outro abraço,

Victor da Rosa em maio 21, 2009 2:47 PM


#36

Ah, e sobre interpretação de texto.

Você diz que os textos do livro "tem a ver" com um contexto etc e tal. Mas no seu post você diz que o contexto desproporcional dado pelos "Marinho e pelos Frias". Ora, tem um sujeito na história, no caso dois. Dois sujeitos que sabem que tem a ver o livro contra um projeto popular feminino e de esquerda. Dois sujeitos que sabendo disso dão destaque proporcional ao livro. Ora, meu caro, não dá pra desprender daí que pelo seu post o Marinho e o Frias "usaram" o livro contra o projeto popular? Onde está o erro de interpretação? Eles sabiam que tem a ver e publicaram desproporcionalmente, tudo segundo o seu post. Portanto... usaram, não?

Thiago Rodrigues em maio 21, 2009 2:50 PM


#37

Oi,

os blogs que vc citou já fazem parte da minha leitura diária (assim como o seu, claro) pq integram as "bandeiras" que levanto: contra a homofobia, a misoginia, o preconceito racial, etc.

É sim, mais que necessário alertar para essas questões todas. É necessário sim estar atento a essa tentativa de naturalizar o que já não é natural.

E desmascarar as "falazinhas com ares de verdade" de alguém que, pelo jeito, não tem nada de relevante a dizer sobre o assunto.

abç

Mariê em maio 21, 2009 2:52 PM


#38

Srta. T, seu comentário toca num ponto chave: combater a misoginia ou esclarecer sobre o feminismo? Bom, o ideal seria fazer as duas coisas simultaneamente. Mas é duro, eu sei.

Uma das raízes da coisa, eu acho, é que existe essa ideia falsa -- disseminada amplamente mesmo -- de que o feminismo é "contra" a mulher que escolhe a domesticidade para cuidar dos filhos, por exemplo, quando a questão é, evidentemente, que o feminismo defende a construção de uma ordem social em que as mulheres tenham a possibilidade de fazer a escolha sem serem forçadas por maridos, pais, irmãos etc.

Não deveria ser muito difícil de entender, não é? Mas o fato é que a confusão se dissemina. Na luta pró-direito ao aborto, por exemplo, eu insisto sempre que não usemos a expressão "pró-aborto" (que é usada às vezes simplesmente por conveniência). Isso aí é fatal. Tem gente que acha que o feminismo é "pró-aborto". Ora, não existe ninguém "pró-aborto". Isso não faz o menor sentido. O aborto, apesar de ser uma operação relativamente simples, é, na grande maioria dos casos, uma escolha dura, difícil para a mulher.

Escolha. Temos que insistir nessa palavra. É assim que eu vejo a coisa.

Idelber em maio 21, 2009 2:57 PM


#39

Acho que nos EUA, inclusive, o termo é pro-choice, não é isso Idelber?

João Paulo Rodrigues em maio 21, 2009 3:00 PM


#40

Onde está o erro de interpretação?

No fato de que eu disse "tem a ver" -- correlação contextual -- e você insiste em dizer "sabiam" e "usaram" -- correlação causal. Não adianta ficar dando voltas, Thiago. Eu esclareci o que quis dizer com uma atualização que me parece bem cristalina. Se quiser continuar colocando palavras na minha boca, fique à vontade. O leitor que julgue por si.

Idelber em maio 21, 2009 3:01 PM


#41

Atriz decadente? Mas ela nem chegou a ascender como atriz!!! rssrsrs... Escreveu um livrinho meia boca e agora acabou de escrever outro. So tem tanto espaço na mídia porque é filha do Domingos de Oliveira, diretor de teatro e cinema consagrado no meio artístico.
Falando sério, acho que pelo fato de ser filha de quem é, e por conta de uma tendência atual entre as atrizes de se dedicarem mais intensamente aos filhos, o livro de MM teria alguma entrada e divulgação entre as principais revistas, o problema foi a forma como a entrevista foi divulgada. Em menhum momento a revista comenta, nem coloca uma manchete criticando ou, pelo menos, questionando as afirmações de MM. Soou como se ela a "voz sã", entre uma multidão de mulheres que aldaciosamente querem um lugar na sociedade além daqueles que "naturalmente" lhes cabem - os de progenitora e dona de casa. Em outros tempos ela seria espinafrada, mas nos tempos conservadores em que estamos vivendo, em ano pré-eleitoral, em que a candidata da esquerda é uma mulher, não fico surpreza com a utilização política das afirmações daquela ameba.

Viviane em maio 21, 2009 3:02 PM


#42


É preciso que nós, homens, comecemos também a discutir questões que dizem respeito especificamente a nós. Não existe, é claro, o preconceito contra homens da mesma forma e na mesma medida que existiu e ainda continua existindo, de forma cada vez mais residual, o preconceito contra mulheres. Mas há, sim, questões que podemos e devemos levantar. A principal delas diz respeito à resistência que juízes e juízas continuam demonstrando na hora de decidir com quem ficam os filhos. Há uma idéia altamente preconceituosa disseminada na sociedade (e também nos tribunais) segundo a qual a mãe está mais apta a educar os filhos do que o homem. As leis podem dizer o que for. A resistência se dá muito mais no nível dos hábitos arraigados e que precisam ser combatidos.

Outra injustiça que deve ser corrigida é a diferença no tempo de aposentadoria. Morremos antes (vitimados principalmente pelo stress associado ao trabalho), e nos aposentamos depois. O argumento da "dupla jornada de trabalho", muito usado nesse contexto, é simplesmente tosco. Como sei que muitas pessoas usarão essa verdadeira princesa de todas as falácias, já adianto os contra-argumentos básicos que devem ser enfrentados nesse caso:

(i) Mulher nenhuma tem porque aceitar esse tipo de divisão sexual do trabalho dentro de casa. Mulher que aceita esse tipo de "trato" com o marido é trouxa, e nada mais. Está no poder das mulheres evitar esse tipo de exploração, e não há porque tratá-las como se fossem incapazes de se defender.

(ii) Ao dizer que a aposentadoria antecipada é uma compensação pela "dupla jornada", a lei sacramenta a prática. Se a dupla jornada está "paga" pela aposentadoria antecipada, os homens deveriam sentir-se no direito de exigir roupa lavada e comidinha no prato? É isso? Se não é, por favor, ao invés de esbravejar e mostrar os dentes, mostrem o erro do argumento, está bem? Telecatch tem hora. Aqui, a gente usa o cérebro, e não o fígado.

Que venham os enxames... :=))

João Vergílio em maio 21, 2009 3:04 PM


#43

Eu sei que essa não é a discussão, mas eu particularmente não ligo de ser identificada como pró-aborto. Prefiro, claro, o pró-choice ou pró-escolha porque é disso que se trata, de escolha (eu amo essa palavra). Mas ela tbm dá espaço pra críticas metalinguisticas e reviravoltas argumentativas complicadas. Então o pró-aborto, por exemplo, serve pra dizer que eu não tenho intenção de usar a linguagem eufemista como base pra argumentação.

aline em maio 21, 2009 3:05 PM


#44

Exato, JPR. Embora as forças anti-escolha (que mui espertamente se designam a si próprias com o termo pro-life) insistam em nos caracterizar como pro-abortion.

A luta política se joga ali, na linguagem.

Idelber em maio 21, 2009 3:05 PM


#45

"...negar que essa sandice produz outros efeitos, incluindo-se aí efeitos políticos, me parece ingênuo."
Apenas agora li, ou melhor, vi a matéria e também estou de acordo com você, Idelber. Se a matéria pode até ser desinteressada, a manchete dificilmente o é e uma manchete deste naipe - "Deus quer o homem no leme" - realmente aponta para outro lugar que não somente o da guerra dos sexos.
Também não é demais lembrar que o interesse financeiro de forma alguma se desvincula da política.

Cláudia em maio 21, 2009 3:06 PM


#46

Foi exatamente isso o que quis dizer, Cláudia. Thanks, for oferecer mais um exemplo, tirado da manchete, além de tudo!

Idelber em maio 21, 2009 3:08 PM


#47

Mas Aline, como é que o termo "pró-escolha" dá espaço para críticas metalinguisticas e reviravoltas argumentativas complicadas? Elabora aí pra gente.

Pro-aborto é foda, Aline. Num país como o Brasil, se nos identificarmos assim, não vamos vencer nunca. Há mais gente por aí que concorda comigo nisso?

Idelber em maio 21, 2009 3:11 PM


#48

E apesar de achar não ter concordado com o que meu quase xará escreveu sobre crime e ética, assino embaixo do comentário dele no #42. Eu tenho tripla jornada!

João Paulo Rodrigues em maio 21, 2009 3:16 PM


#49

Agora, vou discordar de outra coisa: o lead (é assim que fala?) todo é "Maria Mariana: Deus quer o homem no leme" seguido de "A escritora carioca que foi ícone da juventude nos anos 90 volta a polemizar com Confissões de Mãe". Acho que fica claro que a revista quer jogar para a entrevistada um declaração "polêmica" que, aliás, tende mais a chocar as leitoras de Época (a maioria deve trabalhar e ralhar com os maridos pelas cuecas sujas) do que a lisonjeá-las.

João Paulo Rodrigues em maio 21, 2009 3:20 PM


#50

Ahhh, mas peraí. Acho que perdemos algo: a "escritora carioca" acha que "Deus quer o homem no Leme". E não em Grumari, Prainha ou Recreio, que são longe pacas da Zona Sul.

João Paulo Rodrigues em maio 21, 2009 3:22 PM


#51

É o velho risco: pai caretão, filho doidaço; pai doidão, filhoa(a) caretaço(a).

É por isso que eu tento ser meio normalzinho com as minhas. :-)

Agora, falando sério, eu, mesmo agnóstico, nunca tive a impressão de ser particularmente anti-clerical. Mas não é que uma vez eu flagrei as minhas cantando uma musiquinha religiosa (que a então babá ensinou), e elas se calaram. Eu pedi que prosseguissem. E aí uma delas se saiu com uma frase do tipo "não, porque você não gosta de Deus" ou coisa muito parecida.

Me abalou um pouco, confesso, porque sempre pensei em mim mesmo como um sujeito radicalmente anti-doutrinador e, nunca que eu me lembrasse, tinha falado qualquer coisa mais explicitamente anti-religiosa para elas (acho que fiz alguns alertas a elas contra a doutrinação evangélica da babá, e olha só até onde elas levaram a coisa)


F. Arranhaponte em maio 21, 2009 3:24 PM


#52

Pois é Idelber, é também o que eu acredito: tem que se "combater" nas duas frentes. Eu acho tanta graça em ver como as pessoas se assustam com a palavra "feminismo"... não têm e nem buscam nenhum conhecimento sobre o significado. Assim fica complicado argumentar.

Também acho a expressão "pró-aborto" péssima, prefiro "pró-escolha". E outra idéia ERRADA e que tem sido bastante difundida é de que as feministas vêem o aborto como método contraceptivo. Passam a idéia de que queremos fazer do aborto o mesmo que tomar pílula. Poxa, aborto é a última opção. É uma intervenção cirúrgica, invasiva, precedida de uma decisão dificílima. Aí os "pró-vida" misturam tudo no mesmo saco e pronto: está armado o circo.

Até o José Antônio Toffoli, que é a favor da descriminalização do aborto, fez uma confusão daquelas em entrevista que deu pra Veja. Vou colar aqui um trechinho, depois ponho o link pra entrevista inteira:

"Essa é uma opinião pessoal ou é a visão do governo sobre o assunto?
A minha opinião é muito semelhante à dos ministros José Gomes Temporão (Saúde) e Dilma Rousseff (Casa Civil). Nós consideramos que o aborto tem de ser visto como uma questão de saúde pública, não como um problema criminal. Isso é muito diferente da visão da Secretaria da Mulher, que aceita o aborto como uma forma de contracepção. Pragmaticamente, a descriminalização é a melhor forma de reduzir o número de abortos."
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_467907.shtml?func=1&pag=1&fnt=9pt

Srta.T em maio 21, 2009 3:25 PM


#53

A base da argumentação dos contrários ao aborto é de que estamos cerceando direitos do feto, dentre os quais o direito à vida é o maior deles. E daí vem sua força de convencimento, porque ser pro-vida coloca a gente na ponta anti-vida ou pro-morte e, como vc disse, é foda. Então há quem argumente que os pro-choice usam de eufemismo, porque a rigor o "bebe" também teria direito à escolha, se "sobrevivesse" e se desenvolvesse. Todas essas manobras pra humanizar, individualizar e subjetivar o feto acabam sendo irresistíveis às pessoas que são neutras ou menos fervorosas no debate anti-aborto. E se recusam a aceitar que o feto seja abortado porque sua vida não está acima da da mãe - sublinhando que não necessariamente a mãe corre risco de morte, mas que pode abortar porque não quer ser mãe e ponto. Essa inversão de prioridades choca, porque quebra totalmente o ideal materno que nós temos.

Então eu prefiro que se use a palavra aborto e acabe de vez o tabu em torno da palavra, pra que se discutam conceitos e que se diga em bom tom que sim, a mãe é priorizada em relação ao feto: ela escolhe, ela pode colocar a vida dela (em todos os sentidos) em primeiro lugar.
Mais ou menos isso, não sei se ficou claro.

aline em maio 21, 2009 3:28 PM


#54

A Maria Mariana quer ter destaque, viu que daria espaçoo escrever contra as bandeiras "progressistas", caso não der certo aparecerá um revival dizendo que ela foi patrulhada pela esquerda.

Sobre os grandes de comunicação pinçarem ou apoiarem idéias como essa, nada de espantoso, afinal o negócio deles é jogar goela abaixo a mamata do "método de ensino", um negócio que FSP, Organizações Globo, RBS, Abril etc estão muito interessadas, e o grupo de resistência a isso mesmo do professorado e sociedade em geral são pessoas que não comungam das idéias da Sra Maria Mariana.

Na verdade, a comunhão de propaganda de idéias retrogradas no Brasil tem mais razões no saque do dinheiro público do que propriamente o jeito de ver o mundo.

Marcelo L. em maio 21, 2009 3:29 PM


#55

Caracas, Srta. T, o Toffoli associou a Secretaria da Mulher ao aborto entendido como contracepção????!!!!!

Putz grila, ainda temos léguas que andar nessa questão. Quando um cara como Toffoli diz uma coisa dessas, dá vontade de sentar à margem do Rio... (como se chama o rio do Paulo Coelho mesmo?), desandar a chorar e começar tudo de novo. Valeu o link, Srta. T.

Uma das questões chave é que mais homens têm que entrar nessa discussão. Quer ver outra confusão? Nós, pró-escolha, defendemos que o aborto individual deve ser uma decisão da mulher -- em consulta com quem ela queira consultar. Daí, muita gente pensa que os homens não têm nada a ver com o tema aborto como política pública. Confusão compreensível, mas que tem que ser combatida.

Idelber em maio 21, 2009 3:37 PM


#56

...o "bebê" teria direito à ESCOLHAS, no plural, de modo genérico.

aline em maio 21, 2009 3:38 PM


#57


Sobre o aborto:

1. A questão não é ser a favor ou contra o aborto, mas sim a criminalização do aborto. Mulheres que abortam devem ir para a cadeia ou não?
2. Posta nesses termos, a questão tem duas respostas irrecusáveis para dois casos extremos. (i) Com a provável exceção daqueles que mentem para argumentar, ninguém seria favorável a mandar para a cadeia uma mulher que usou a pílula do dia seguinte. (ii) Com as prováveis exceções mencionadas acima, ninguém seria favorável a não mandar para a cadeia alguém que estoura os miolos de uma criança segundos antes de cortar o cordão umbilical.
3. Essas duas respostas irrecusáveis permitem contruir um argumento muito simple para demonstrar que todos nós somos a favor da criminalização após um determinado ponto, e que somos todos contra a criminalização antes de um determinado ponto.
4. O problema é simplesmente determinar que ponto é esse. Quem, como eu, é favorável a uma descriminalização que abra para a mulher um espaço de decisão sobre seu futuro, tende a considerar um critério razoável o surgimento das estruturas neuronais responsáveis pela sensação de dor. Acontece por volta dos quatro meses.
5. Três meses é um ponto razoável.

P.S.: Os argumentadores desonestos a que me referi no item (2) podem ser enfrentados com uma variante simples do mesmo argumento.
Se alguém me diz que é favorável à criminalização em qualquer caso (inclusive nos mais extremos, como o da pílula do dia seguinte), perguntamos se a pena deveria ser a mesma que receberia uma mãe que mata seu filho logo após o parto, antes de cortar o cordão umbilical. Se o oponente responde que sim, fica excluído do espaço da argumentação razoável. (Nâo conseguiria, por exemplo, usar esse argumento num contexto público.) Se o oponente responde que não, ele viola o princípio básico sobre o qual construiu toda a sua argumentação - o valor absoluto da vida. Estará dando "mais" valor a um feto com 9 meses do que a um feto com 24 horas de vida.
Nâo conheço nenhum bom desenvolvimento para se opor a esta linha de argumentação.

João Vergílio em maio 21, 2009 3:38 PM


#58

Arranhaponte: adorei esse depoimento. É, meu chapa, quando o tema é religião, a coisa é braba. Por isso, me sentei com os meus muito cedo -- eles têm, hoje, 12 (o Alexandre) e quase 10 (a Laura) -- e disse a eles: olhem, eu sou ateu, por isso, isso e isso. Mas tento não ofender quem acredita, porque sei que, para quem têm crenças religiosas, é um tema delicado. Mas não vou me calar quando a Igreja disser isso ou aquilo sobre a vida aqui na Terra. A maioria da família acredita em Deus. Vocês escutem tudo, leiam tudo, e escolham tranquilos. Pra mim dá na mesma. O meu amor por vocês é incondicional.

Mas ainda é muito cedo para saber se deu certo ("dar certo" aqui entendido como tranquilidade e paz na cabeça deles, seja lá com qual escolha for).

Idelber em maio 21, 2009 3:45 PM


#59

Caro Idelber,
Acho que a publicação da entrevista e as resenhas do livro cheio de sandices não reforçam a misoginia, pelo contrário. É bem possível que 99% dos leitores achem que a Maria Mariana se tornou uma babaca completa. O outro 1% deve ser formado por fãs do Reinaldo Azevedo, que não só concordam com o que ela disse como acreditam que as matérias foram publicadas apenas para ridicularizar alguém que preza a família.
Acho que ela sai com uma imagem desfavorável mesmo no caso da matéria da Folha que o Thiago diz ser neutra. Já no título da entrevista à Época, fica claro que "Deus quer um homem no leme" é uma opinião da Maria Mariana. Pode ser que eu esteja enganado, mas ser filha de Domingos Oliveira e ter escrito Confissões de adolescente não são credenciais suficientes para que ela consiga reforçar a misoginia no país. Discutir se o livro merece tanto destaque é uma coisa; dizer que "o episódio Maria Mariana ganha relevância extra num contexto em que Dilma é candidata" me parece um enorme exagero
Um abraço,
Marcos

Marcos Matamoros em maio 21, 2009 3:47 PM


#60

Viviane e Mariê: é exatamente isso que vocês disseram. Eu não acho que deveriam ter "editorializado" a reportagem, no sentido de dizer o que eu e todas as blogueiras citadas acima disseram ("isso é uma sandice"). Mas no caso das afirmações acerca da depressão pós-parto, por exemplo, apresentar a coisa simplesmente como "polêmica" não dá. Você não pode entrevistar alguém que diz que brócolis causa câncer e botar uma chamada tipo "vejam que declaração polêmica!". Puxa, estratégia para vender revista tem que ter limite.

Idelber em maio 21, 2009 3:52 PM


#61

Sobre Paulo Sant'Ana,

É um colunista regular de Zero Hora, tem textos no jornal que também são reproduzidos em seu blog. Eventualmente, participa como comentador nos telejornais da RBS. É gremista, delegado aposentado da Polícia Civil e fuma muito.

Ele publicou, em fevereiro deste ano, uma carta-desabafo da governadora Yeda Crusius. Supostamente, essa carta foi tornada pública sem o consentimento da remetente, isto é, Paulo Sant'Ana teria cometido uma inconfidência. Ninguém acreditou muito nessa parte, isto é, quase todos acreditamos que era uma estratégia de fazer a governadora passar como vítima das circunstâncias.

Vai o link da carta:

http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt§ion=Blogs&post=151585&blog=220&coldir=1&topo=3951.dwt

Paulo Sant'Ana também foi nominalmente citado, em 2008, por uma paródia de "A Queda" feita pelos blogueiros d'A Nova Corja. No filme, Yeda é Hitler e culpa seus auxiliares pela crise política - que teve início com a divulgação de uma conversa gravada pelo vice-governador, Paulo Feijó, com o ex-chefe da Casa Civil, Cézar Busatto. A governadora está indignada e, no último trecho de filme, (4 minutos e 38 segundos) diz o que pretende fazer:

"Agora eu vou ter de dar a bunda por Paulo Sant'Ana. De novo".

Para ver a íntegra do filme, http://www.youtube.com/watch?gl=BR&hl=pt&v=TPpEFi1lGAA

No mais, uma correção ao Cláudio Costa: Maria Mariana não é a atriz que fez o comercial do primeiro sutiã. Esta é a Patrícia Lucchesi, que também foi mãe adolescente e está sumida.

Fábio Carvalho em maio 21, 2009 3:57 PM


#62

Marcos, caríssimo, será mesmo? Puxa, eu adoraria poder concordar com você. Não temos como saber quem tem razão, claro, mas eu acredito que há um discurso de retorno das mulheres à domesticidade que vem fazendo algum estrago.

Digamos, para deixar clara qual é nossa discordância: eu acho que o seu 99% exagera bem mais que o meu o episódio Maria Mariana ganha relevância extra num contexto em que Dilma é candidata.

Mas aí é agree to disagree. Não temos como saber. Saudades do nosso chopinho :-)

Idelber em maio 21, 2009 4:01 PM


#63

Idelber, é "Rio Piedra" o nome do curso d'água onde Paulo Coelho sentou e chorou.

Fábio Carvalho em maio 21, 2009 4:02 PM


#64

Obrigado, Fábio.

Gostei do detalhe "é gremista". Ligeiro veneno escorrendo...

Idelber em maio 21, 2009 4:05 PM


#65

Ok, o leitor que julgue por si mesmo, mas acho que não sou eu que estou dando voltas.
No seu texto consta:

1 - o destaque desproporcional à Mari Mari reforça uma misoginia já presente contra a qual Dilma luta contra;

2 - Marinhos e Frias foram os autores desse destaque proporcional;

3 - Logo, Marinho e Frias estão publicando destaques sobre a Mari Mari que reforçam uma misoginia já presente contra a qual Dilma luta contra.

É muito diferente dizer como está no item 3 do que mais simples: Marinhos e Frias estão usando Mari Mari contra Dilma e o que ela representa? Ou Marinho e Frias estão fazendo isso sem querer? Suponho que não era isso que você quis dizer.

Você que parece não muito convicto de suas ideias e está escorregando pra fora delas.

Outra coisa importante: nos posts da ditabranda não tinha rolado um papo de que os intelectuais repudiavam a Folha e os Frias por desrespeitarem as vítimas da ditadura, e que por isso iriam parar de ler? Você assumir que lê a Folha online não é confissão de traição à causa?

Thiago Rodrigues em maio 21, 2009 4:06 PM


#66

Idelber,

Sobre o fato de tal "polêmica" estar sendo utilizada pelos veículos de comunicação para colocar sob suspeita a candidatura da Dilma: todas as "notícias" veiculadas pelos jornalões sobre a ministra retratam sua vida pessoal e o "drama" de sua doença. Jamais criticam sua atividade profissional diretamente. Quando o fazem, é para atacar a "propaganda fora de época". É um jogo meio subliminar... Primeiro falam da plástica. Depois, do cabelo. Em seguida, veio o linfoma e as suspeitas sobre a sua recuperação... Aproveitar a tal Maria não sei das quantas, q defende uma posição debilóide e retrógada acerca da mulher é só mais um passo.

Mas posso estar enganado. Digo isso pois a nossa sociedade, embora majoritariamente comandada por mulheres, ainda é muito machista. Vou citar três exemplos: Os dois primeiros, referem-se a comerciais de televisão. O primeiro, da volkswagen, exibe uma conversa entre dois engenheiros alemães radicados no Brasil. Um deles fala que "nós somos muito rigorrosas", um erro muito comum para estrangeiros que falam línguas nas quais as palavras não tem gênero. O outro engenheiro tira sarro: "Vc é rigorrosa, eu sou rigorroso". Talvez a propaganda não chegue a ser homofóbica, mas eu achei de mau gosto...

A segunda é de lascar. A propaganda das havaianas com o Marcos Palmeira. Estão, numa roda de samba, Marcos Palmeira (tocando havaianas, sabe-se lá como ou pq...) e seus amigos, qdo entra em cena uma mulher, fora dos padrões de beleza globais (ela é baixa, gordinha, se veste mal e usa óculos...) reclamando que o mundo passa por uma crise global e, enquanto isso, todos eles estão ali, cantando, sem se importar com nada. O ator fala: é, que tristeza... e então os amigos em coro completam.. por favor vá embora, no ritmo da música de Beth Carvalho... Bom, querem dizer o que? Que política é uma ocupação chata, como aquela mulher, e que todAs aquelas que se ocupam disso são chatas, mal-amadas e feias. De doer...

A última é sobre a polêmica envolvendo o "cantor" norte-americano Cris Brown e a tb cantora Rihanna. Como todos devem saber, ele a espancou, eles se separaram, depois voltaram e parece que agora estão separados novamente (desculpem a imprecisão, mas os dados me são passados por meus alunos, e eu não estou com saco para pesquisar isso. Além do que, não é o fato em si que importa...) O que realmente importa é o fato de vários meninos e meninas defenderem o canalha, sob a alegação de que a tal cantora teria merecido a surra... Um pensamento tremendamente machista!

Dito tudo isso, temos que:
O Brasil ainda é tremendamente machista. E homofóbico.
Maria Mariana é uma imbecil. Se ela quer virar uma Amélia e o marido dela gosta disso, bom pra eles. Mas não venha a público prestar um desserviço às causas feministas que por tantos anos vem pretendendo CORRIGIR distorções SOCIALMENTE CONSTRUÍDAS.
A mídia pró-Serra se utilizará de quaisquer artifícios para tentar fragilizar a candidatura Dilma.

Eu, particularmente, detesto amélias. São chatas e histéricas. Só pensam nas atividades domésticas e em seu pequeno mundo familiar. São conservadoras e geralmente votam no Maluf (hahaha, não resisti...). Mulheres inteligentes e independentes são, de longe, muito mais interessantes...

Abraços!

David Neto em maio 21, 2009 4:08 PM


#67

Mas Aline, aí, com o perdão do trocadilho de mau gosto, jogamos o bebê fora com a água do banho. Porque não se pode falar num feto como sujeito de uma escolha. Aí, a discussão deve ser sobre outro par de termos: feto é feto, bebê é bebê. Quando vierem com a cantilena de que o bebê deve ter escolha, ora, basta retrucar com os dados científicos que fazem de um feto de quatro, cinco semanas (ou mesmo três meses) como algo qualitativa, essencialmente diferente de um bebê.

O meu argumento é puramente estratégico, Aline: se entramos nessa discussão como os "pró-aborto" estamos ferrados. "Pró-escolha" não é um eufemismo. É o nome mesmo da nossa posição. Sei lá, eu gostaria de ouvir mais gente sobre isso.

Idelber em maio 21, 2009 4:10 PM


#68

Imagine que ontem eu, flamenguista, também cogitei em dar a bunda para o Paulo Sant'Ana, depois de fazer uma aliança oportunística com todos os gremistas que torciam contra os colorados...

Fábio Carvalho em maio 21, 2009 4:15 PM


#69

Idelber,

Não sei se por preguiça ou má fé, a matéria da Época ignora que Maria Mariana escreveu outro livro, nos anos 1990, em co-autoria com um músico (pelo menos esse era o crédito do cara) chamado Eduardo Gali. Chamava-se "Cara Metade" e era um apanhado de textos publicados na revista Capricho, um primor de primarismo e deslumbramento típico da casta das menininhas ricas, brancas e de olhos azuis da elite nacional. Era um prelúdio dessa entrevista da Época, de conceitos semelhantes, da princesa fadada a um final feliz, os dois bem velhinhos e sapecas, no mundo encantado das celebridades nascidas em berço de ouro. Na bibliografia apontada por Época, o livro sumiu. Os dois eram casados, se separaram, e ela foi fazer um retiro espiritual e conheceu o atual marido, de quem recolhe as cuecas sujas em meio em clima de aprendizado permanente. Isso não é um fenômeno isolado, mas serve, perfeitamente, para demonstrar o grau de deslocamento da realidade em que vivem os ícones da cultura televisa no Brasil, movidos, por pistolões, do nada à lista de mais vendidos, apesar de trilharem um caminho traçado, literalmente, no vácuo cultural. A forma ultrajante com que a atriz (?) e escritora (??) se refere à maternidade, à amamentação e ao universo feminino em geral daria, sim, uma ótima entrevista, fosse publicada dentro do único viés jornalístico possível: o do ridículo e do patético, e não o da polêmica. Uma dondoca que vive às expensas do marido e apregoa o servilismo doméstico e pessoal como virtude fundamental da mulher não é polêmica, mas um retrato da tristeza. No tratamento reverencial dado a ela e a todas as subcelebridades brasileiras que lançam livros de narrativas primárias e subideológicas está a origem de nossas mazelas culturais. Pense nos muitos autores e autoras brasileiros, com talento de verdade, que não conseguem emplacar uma notinha de rodapé para fazer propaganda de suas obras de verdade. Aí vem Maria Mariana, a produzir leite materno e a catar cuecas sujas do maridão celestial, pronta a discursar, encastelada numa casa de jardim verdejante. Ainda assim, emplaca dúzias de entrevistas para falar de aberrações científicas (cesariana provoca depressão pós-parto!!!) e insanidades conceituais (o homem segura o leme, a mulher fica a ver navios). Você tem alguma dúvida de que ela caminha para ser a nossa Sarah Palin?

Forte abraço.

Leandro Fortes em maio 21, 2009 4:17 PM


#70

Idelber,

sobre a questão de ser pro-escolhar ou pro-aborto, complementando o que disse a Aline:

o que me incomoda no termo pro-escolha é justamente essa questão de que os pro-vida vão argumentar "e a escolha do feto?" e vão querer ser as vozes do que não tem voz. Viu o perigo?
A necessidade de se proteger o que não tem voz grita na consciência das pessoas e convence.
Então que, por ora, continuo com o pro-aborto mesmo.

abç

Mariê em maio 21, 2009 4:21 PM


#71

Em tempo: eu não rejeito nem desgosto da expressão pro-escolha. Eu a prefiro, aliás, e sei que é esse o nosso nome. Só não vejo problema em dizerem que eu sou pro-aborto, isso não diminui minha fala nem a validade do que eu defendo. Diferente de pro-vida, que soa pejorativo quanto a nós.
E, em determinadas circunstâncias, dizer-se pro-aborto causa um impacto talvez necessário.

aline em maio 21, 2009 4:29 PM


#72

Magnífico, Leandro. Eu não sabia dessa história anterior da Maria Mariana. Você resumiu muito melhor que eu a questão do destaque desproporcional.

Cara, eu tenho um orgulho danado de você gostar deste blog. Abraço fraterno.

Idelber em maio 21, 2009 4:41 PM


#73

Olá, já comentei muito sobre a MM em outros lugares e tb concordo com este post.
Sobre o pró-aborto, sempre me vem em mente nestas discussões, de que pelo termo "pró-aborto", além do já citado por vc, de fazer parecer isso como algo mais naturtal do mundo, outro possível equívoco, bem chulo, mas existente é o de que a legalização do aborto não irá fazer ninguém abortar a força.
Parece idiota este argumento, mas tenho a impressão de que o termo pró-aborto sugere uma sensação de aborto em massa para os contras.
Daí a respostas dos contras, quando questionados se alguém que ele conhece fizesse aborto vc gostaria que essa pessoa fosse criminalizada ser sempre "acho que não".
Pois quando pensam na criminalização do aborto não são todos necessariamente a favor de alguém ir p prisão. O que no entanto é contraditório, pois a ilegalidade do aborto sugere uma pena para tal ato.
Daí concluo que há uma confusão neste debate, para muitos dos que são contra.
POr isso acho importante enfatizar a questão da escolha sim.
No entanto, compreendo o termo "pró-aborto" como um discurso prático.
Resta saber duas coisas 1) Se ele é o termo ideal para descriminalização do aborto (no sentido de que condiz com o que se quer) 2) se é um termo eficaz (estratégico) para uma campanha de conscientização.

É isso Idelber, conheci o teu blog através do da Lola estes dias e gostei bastante.
Abraços!


Má em maio 21, 2009 4:45 PM


#74

Poxa, parei pra escrever meu comentário e quase perco o bonde. Já estão falando de aborto... Mas o que quero mesmo é discordar do João Vergílio, mesmo sabendo o quão difícil será convencê-lo de alguma coisa...
Bom, o fato de uma mulher se sujeitar a fazer uma jornada dupla de trabalho nada tem a ver com o fato da mesma ser trouxa. Tem a ver com a educação que teve, tanto em casa quanto na escola, que sempre associou as mulheres ao cuidado e, portanto, à casa e aos filhos, enquanto os homens seriam responsáveis pelo sustento e pela vida política, portanto, ficariam na rua, fora de casa. Não bastasse isso, os homens são, geralmente, mais fortes que as mulheres, e por mais improvável que isso possa parecer para qualquer pessoa civilizada, muitos ainda continuam usufruindo dessa condição para, entre outras coisas, não lavar louça ou recolher suas cuecas do chão, ou ainda para manter relações sexuais não consentidas... É incrível, mas é verdade... Em segundo lugar, não é porque a aposentadoria pela dupla jornada está paga que o homem deverá exigir seus "direitos". Isso é ridículo. Seria o mesmo que afirmar que, uma vez que os negros tem cotas nas universidades, podemos discriminá-los sem preocupação alguma e não precisamos investir nas escolas públicas nem reduzir a desigualdade social... É uma medida compensatória, não um salvo-conduto...

Quanto ao aborto:

Já que hj venho para discordar, não acho que os homens precisem discutir MAIS a questão, Idelber. Prefiro a frase do ministro Temporão: "Tem um viés machista nessa discussão. As mulheres têm que falar, ser ouvidas, e não apenas os homens. As mulheres na maioria das vezes se vêem sozinhas num momento como esse. Infelizmente, os homens não engravidam. Se engravidassem, essa questão já estaria resolvida há muito tempo".

talvez as mulheres devessem ser mais e mais ouvidas...

Abraços!

David Neto em maio 21, 2009 4:49 PM


#75

Olha, se os jornais e revistas dão destaque à MM, isso pode ser apenas jabaculê da editora promovendo o livro. E polêmicas vendem livros. Vide o livro em quadrinhos (Dez na área, um na banheira e ninguém no gol) que a Sec. de Educação de SP distribuiu pras escolas sem ver que tinha linguagem imprópria para crianças, que passou a ser procurado nas livrarias.

Pelo que eu li da entrevista da Época, acho que foi um simples caso de "a grama do vizinho é mais verde": ela foi criada por um pai porralouca, aparentemente sem mãe, cercada pelos amigos intelectuais do pai (o que pressupõe uma educação "moderninha"). Mas sentiu falta de uma educação "careta", de uma estrutura familiar convencional pai/mãe/filhos se reunindo nas refeições e preferiu essa "caretice". O estranho seria uma pessoa ir de um extremo a outro na vida, mas isso é mais comum do que parece.

Te em maio 21, 2009 4:53 PM


#76

Vejam só. O meu amigo Marcos deixou aqui um comentário otimista, dizendo que basicamente o efeito seria que a Maria Mariana é quem ficaria mal na fita com 99% dos leitores. Eu disse a ele que adoraria concordar, mas que não estamos lá ainda. O link que vou deixar aqui não prova que estou certo nem nada, mas é uma ilustração: vejam que coisa inominável (obrigado ao Gabriel Ramalho, via Twitter).

Idelber em maio 21, 2009 4:54 PM


#77

De tudo que eu li da entrevista da Maria Mariana, a única coisa que me pareceu grave (isto é, mais do que opiniões que todo mundo tem direito a ter, por mais idiotas que nos pareçam) foi o trecho em que ela diz que depressão pós-parto pode ser causada por comprar roupinhas em shopping e fazer cesariana. Isto é desinformação médica, e é grave: seria equivalente a dizer que aids pega em apertos de mão.

Um repórter de alto nível deveria talvez emendar com uma pergunta do tipo: "Você tem noção de que acabou de falar um absurdo do ponto de vista científico, e que a literatura médica indica que depressão pós-parto é um distúrbio grave, possivelmente de fundamento orgânico, e que em alguns casos pode levar ao suicídio? (alguma coisa do tipo; eu não pesquisei agora para escrever, mas, pelo que me lembro, é mais ou menos por aí).

Mesmo que o repórter não tenha essa informação na hora, mencionar uma potencial barbaridade sobre uma questão médica numa matéria, mesmo que na boca de uma entrevistada, deveria valer uma conferida na redação e uma volta à entrevistada com mais uma pergunta que marcasse claramente o absurdo.

Bem, nem vou comentar sobre se acho que isso está ligado à política partidária

F. Arranhaponte em maio 21, 2009 5:09 PM


#78

OLha Idelber, esse link é mesmo de arrepiar... o pior é que a pergunta é pura armação...

Achei um outro link, não menos pior, que tb exemplifica isso: http://mamiferas.blogspot.com/2009/04/deus-salve-estas-mamiferas.html

Abraços

David Neto em maio 21, 2009 5:13 PM


#79

Exato, Arranhaponte. Foi só isso que eu cobrei. Deixar aquilo lá sem o contraditório que o corrija é muito irresponsável. E eu concordo que essa parte não tem nada a ver com política partidária.

Aqui vai um link que me pareceu razoável, para leigos, sobre depressão pós-parto (via Marjorie).

Idelber em maio 21, 2009 5:14 PM


#80

Maria Mariana é filha do Domingos de Oliveira, o que já explica grande parte de sua cretinice. (Aliás, outro dia fui "forçado" a ver um "documentário" sobre o Domingos e quase caí em depressão com tanta asneira falada em tom de genialidade...) A história de Confissões de Adolescente é muito simples: ela queria entrar no circuito da família, anotou algumas das platitudes que o pai enuncia como se fosse uma espécie de Sócrates da Zona Sul, e pediu (a quem? A ele mesmo...) um teatro para se apresentar. É evidente que ele deu um teatrinho simplezinho... nada menos que o Laura Alvim. O Confissões de Adolescente que passava na TV era retrabalhado por caminhões de roteiristas...

Diego Viana em maio 21, 2009 5:19 PM


#81

Bem, eu também acho que nada ali tem a ver com política partidária, mas vamos concordar em discordar na contagem regressiva para o chopp :-)

Abraço

F. Arranhaponte em maio 21, 2009 5:22 PM


#82

pô, professor, esse blogue que vc lincou no comentário 76 é humorístico.

Thiago Candido em maio 21, 2009 5:25 PM


#83

o termo pró-aborto sugere uma sensação de aborto em massa para os contras. Daí a respostas dos contras, quando questionados se alguém que ele conhece fizesse aborto vc gostaria que essa pessoa fosse criminalizada ser sempre "acho que não".

Exatíssimo, . É uma discussão que, bem encaminhada, de uma forma inteligente, dá pra vencer, até mesmo num país como o Brasil, tradicionalmente muito católico e cada vez mais evangélico. Há amplos setores das forças políticas à direita do centro (por exemplo, meus amigos Arranhaponte e Marcos) que são nossos aliados nessa questão.

Mas tem que encaminhar a discussão direitinho. "Pró-aborto", num país como o Brasil, eu acho um tiro no pé. A experiência americana tem que ser estudada. Ela é pouco estudada no Brasil. Há uma vasta história lá que é muito ilustrativa.

Idelber em maio 21, 2009 5:33 PM


#84

Para me fazer entender melhor sobre a questão pró-aborto x pró-escolha:

Primeiro que escolha, pra mim, dá uma sensação de possibilidades. Escolher entre coisas meio que parecidas. Talvez seja mais uma questão de decisão que de escolha.

E, ainda, acontece que as pessoas não podem evitar a idéia de que o feto é uma “pessoa em potencial” e que o obstáculo a que ela venha a ser pessoa é o ato do aborto (o que não é de todo falso). O que os pró-vida querem é impedir que se impeça esse feto de se tornar essa pessoa que teria, então, escolha. Por isso apelam por ser a voz desse feto.

Quando se fala em pró-aborto, entendo que se está deixando claro que a primazia é da mulher que, em última análise é quem deve decidir se quer ou não continuar uma gravidez. Sem que ninguém “de fora” tenha o direito de intrometer-se nessa sua decisão. Afasta-se a questão da escolha, porque aí, sempre entram os que querem ser a “voz” do que não tem essa escolha. Acho que é isso que enfraquece o termo.

Abraçs

Mariê em maio 21, 2009 5:43 PM


#85

Oi, Idelber. Delurking aqui, depois de muito tempo como leitora, para agradecer a menção ao post e para oferecer outra hipótese (não sei se algum comentarista a aventou antes de mim).
Não vejo o destaque dado à MM como parte de um pré-jogo que virá com a candidatura da Dilma (virá não, já veio, vide o episódio da peruca). Em primeiro lugar, era polemicazinha fácil para vender jornal e revista. Em segundo lugar, mas mais importante, eu acho que isso tudo repercute as longas e infames mommy wars travadas na cultura americana. Eu já acompanhava o assunto bastante antes de engravidar, por interesses óbvios, e depois do nascimento da minha filha fiquei de olho mais atento ao que se publica e se discute na sua terra de adoção sobre mães que trabalham, mães que ficam em casa e quais são as piores vilãs da história.
Para mim, a grande pensadora Mariana se encaixa nesse mundo (há um viés religioso bem perceptível nela também). Em resumo, a coisa me parece bem mais importação de polêmica cultural que agitação prematura de saco de maldades políticas. That would be a bit of a stretch, na minha opinião.

Cam Seslaf em maio 21, 2009 6:09 PM


#86

Idelber, há algum tempo circula um e-mail com frases supostamente retiradas de publicações dirigidas a mulheres nas décadas de 1940 e 1950. Veja alguns exemplos:

"- Se o seu marido fuma, não arrume briga pelo simples fato de cair cinzas no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa."
(Jornal das Moças , 1957)

"- A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, nada de incomodá-lo com serviços domésticos...." (Jornal das Moças ,1959)

"- Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu." (Revista Querida,1954)

A Maria Mariana deve ter lido esse e-mail (quem sabe as coleções completas das revistas...) e levou tudo a sério. Aí escreveu o livro.

Luiz Alberto Pandini em maio 21, 2009 6:12 PM


#87

Idelber,

Em relação à infeliz matéria da Zero Hora, realmente chega a um ponto tão ridículo a tentativa de 'dar uma demão' de lógica nas discriminações as mais diversas que, sinceramente, dá vontade de ignorá-la, na esperança de que tais visões não encontrem aceitação por serem simplesmente absurdas. Mas sabe-se que, da mesma forma que criam coisas fantásticas, os humanos são capazes das maiores atrocidades.

Ainda a respeito da matéria, sinto nela, assim como em outras diversas situações (formais ou informais), como a questão da identidade de gênero é um tabu ainda maior que o da orientação sexual (em especial, claramente, nos casos de homens biológicos com identificação de gênero feminina). Quem nunca escutou aquela antiga 'Ah, lésbica tudo bem, o problema são aquelas sapatões...', ou tratou de travestis como fossem cidadãos, quando o sejam, de segunda classe? Situações anedóticas, claro, mas sequer é necessário grande esforço de pesquisa para poder afirmar que a situação socioeconômica daqueles com identidades de gênero "alternativas" (sem qualquer conotação negativa) é terrivelmente pior que, por exemplo, dos homossexuais (sem, claro, culpar a estes por isso).

Agora, sobre a matéria mais comentada aqui, a do livro de Maria Mariana (obviamente também tive de ver a foto para me lembrar vagamente dela), não tenho muito a acrescentar, senão minha esperança de que um dia esse tipo de 'opinião' seja tão absurda quanto a seguinte 'matéria' das antigas (imagino que muitos já a tenham lido antes): http://www.snopes.com/language/document/goodwife.asp .

Para fechar, um pitaco sobre a questão pró-aborto vs. pró-escolha. Embora até ache que a Aline (#53) tenha razão ao dizer que o termo 'escolha' leve a um questionamento sobre que 'escolha' é mais importante (a do feto ou a da mãe) -- de onde derivaria o argumento de que a sociedade deve intervir em nome do que não tem voz --, creio que o termo 'aborto' tem maiores possibilidades de ser mal interpretado, no sentido de que se é a favor do aborto em si, quando na verdade a luta é pela liberdade e pela legalidade da escolha (peço desculpas por qualquer equívoco, já que meu conhecimento não é lá 'grandes coisa').

Viviane em maio 21, 2009 6:23 PM


#88

Hi, Cam, thanks for delurking :-)

Como dito aí acima, sem dúvida, eu não quis sugerir uma conspiração calculada para produzir efeitos contra a Dilma. O objetivo me parece mesmo esse: produzir polêmica e vender revista / livro -- reforçando, no processo, nossa velha conhecida ordem patriarcal. Mas acho que há um efeito ao qual há que se estar atento. Clichês patriarcais serão parte importante desta campanha eleitoral. Já estão sendo. Uma entrevista como essa, com a manchete "Deus quer o homem no leme", num dos maiores semanários brasileiros, produz lá seus efeitos colaterais na política também. É isso que sugiro.

Obrigado e volte sempre :-)

Idelber em maio 21, 2009 6:26 PM


#89

Pois então Idelber, essa declaração me chocou pra caramba, e eu acho que não teve a repercussão que deveria. É preciso urgentemente que se dissocie o feminismo dessa idéia absurda de aborto como método contraceptivo.

Sobre os links postados (Igreja Internacional, Mamíferas): posso falar um palavrão aqui?

Ah, um texto que achei interessante sobre a repercussão do livro da Maria Mariana: http://www.interney.net/blogs/gravataimerengue/2009/05/12/maria_mariana_tuiteiras_nervosinhas_e_ou

Realmente me parece um tanto contraditório criticar a autora e fazer "vista grossa" às bobagens escritas na Bíblia.

Aliás, quando eu tinha 13 anos (faz tempo), meus avós completaram Bodas de Ouro, e eu teria que ler uma passagem bíblica na missa de comemoração. Justamente aquela que o cara da Igreja Internacional cita. Eu dei um chilique, disse que não leria de jeito nenhum, e minha mãe falava pra eu "fazer de conta" que não era comigo. Enfim, não li. Fui salva por um tio (que já foi dessa pra melhor, coitado) que topou pagar o mico no meu lugar.

Srta.T em maio 21, 2009 6:36 PM


#90

David Neto,

Obrigado por seus comentários. Nosso objetivo não é absolutamente convencermos um ao outro de coisa nenhuma - embora isso possa eventualmente acontecer. A finalidade de um debate como este é refinar o jogo argumentativo que se desenvolve em torno de determinados problemas, e seu comentário é certamente um passo nesse sentido. Espero que o meu também possa ser.

Algumas considerações:

1. Ninguém duvida que o comportamento submisso de muitas mulheres seja resultado de um processo educacional vinculado a um certo sistema de valores. É absurdo, porém, pensarmos que antecipando aposentadorias estaremos contribuindo para corrigir este sistema.

2. Nós, homens, morremos cinco anos antes das mulheres, em virtude principalmente do stress causado pelo mundo do trabalho. É completamente falso que mulheres trabalhem mais do que homens, mesmo se considerarmos os casos de mulheres que, além de trabalhar fora, fazem todo o serviço doméstico. Se o quantum de trabalho não for calculado apenas em termos de horas trabalhadas, mas também em termos de desgaste provocado, homens parecem trabalhar muito mais que as mulheres em nossa sociedade.

3. Os mesmos ambiente cultural que transforma muitas mulheres em "trouxas", que aceitam passivamente uma divisão do trabalho que não lhes favorece, também transformam muitos homens em "trouxas". Os shoppings estão cheios de madames sorridentes que nunca souberam o que é um dia de trabalho, e que podem pagar outras mulheres para fazer o serviço doméstico pesado. Enquanto elas se divertem, os maridos, "trouxas" consumados, estão se matando para lhes proporcionar aquelas tardes aprazíveis de consumo.

4. A situação que descrevi acima é excepcional, se levarmos em conta a população em geral. Mostra, porém, o quanto um homem também pode ser vitimado por divisões injustas do trabalho induzidas por um certo modelo de vida familiar.

5. As mulheres têm sua própria agenda de reivindicações, e a têm conduzido excepcionalmente bem. Nós é que não temos a nossa "agenda identitária". Veja a nossa situação, aqui, neste momento. Eu, um homem, tendo que falar a um outro homem aquilo que deveria ser absolutamente óbvio para nós dois: que o mundo do trabalho é muito mais exigente em relação aos homens, do que em relação às mulheres; que uma mulher que perde o emprego sofre um golpe localizado, enquanto um homem desempregado perde sua própria identidade, e se transforma numa sombra ambulante, desprovido de qualquer vestígio de amor próprio. Alcoolismo masculino tem tudo a ver com isto.

6. Mulher que se deixa explorar pelo marido é trouxa, sim, e deve ser tratada enquanto tal. Maridos que pagam todas as contas da princesa também. Paga o cartão de crédito agora, e vai pagar pensão alimentícia daqui a pouco. Trouxa de carteirinha. É vítima da educação que teve? É, sim. Mas nem por isso acho que ele deve se aposentar antes. Deve é servir de exemplo, para que outros não façam papel de bobo como ele. O mesmo vale para as mulheres que se submetem aos maridos.

7. Marido que bate em mulher é outra coisa completamente diferente. Isso não se resolve com aposetandorias diferenciadas. Resolve-se mandando o distinto para a cadeia.

João Vergílio em maio 21, 2009 7:33 PM


#91

Vixe, quanta coisa pra comentar, o post está maravilhoso... eu discuto muito em aula sobre a importância de não se deixar aberrações como essa da depressão pós-parto (que eu já ouvi de médicos e psicólogos!) saírem na mídia sem uma crítica. Mas os alunos são unânimes em afirmar que isso seria interferir e tomar posição na entrevista, que o empregador não deixaria publicar, que isso criaria problemas com a "celebridade" que falou a besteira. Continuo achando que a geração mais nova quer é fazer jornalismo de aspas e depois fingir que não tem responsabilidade com os desdobramentos do caso...

Já que o assunto foi pro aborto, eu uso o termo "escolha", friso que nenhuma mulher acha que é uma decisão fácil, simples ou indolor, e destaco que é a mulher que tem de decidir. Feto não tem vez, ainda não nasceu. Não vamos desqualificar uma mulher, colocando-a como inferior a um não-nascido, né?

Pra terminar o testamento/comentário, uma aluna quase me matou do coração ao mostrar um trabalho de uma disciplina da Laura: ela estava divulgando o relançamento dos classicos feministas 'O Segundo Sexo', 'Mística Feminina' e 'Backlash'. Era de mentirinha, infelizmente, mas seria ótimo se esses livros fossem relançados (atualmente, só em sebos ou edição digitalizada). Eu mandaria um exemplar da Mística pra Maria Mariana, e um do Backlash pra todo mundo que não entendeu seu post ;-)

Cynthia Semíramis em maio 21, 2009 7:40 PM


#92

Idelba,

tenho uma dúvida: os jornais americanos (a grande imprensa) são ruins como os nossos, ou isso é sintoma só daqui? Pergunto pq mesmo tendo acesso, n'ao tenho tempo de ler os americanos...

Abs.

Ed em maio 21, 2009 7:41 PM


#93

Ed, a imprensa americana também passa por uma crise de credibilidade e o New York Times, por exemplo, já viu dias melhores. Mas ruins como os jornais brasileiros? Acho difícil.

Idelber em maio 21, 2009 8:31 PM


#94

Opa. Vou ter de romper minha timidez por aqui, Antes de tudo, obrigada pelos link, Idelber. E, nossa, se o "sexism watch" sobre a Dilma fosse coletivo, ia ser ótimo. Espero que alguém se anime a fazer isso além de mim. É triste ter certeza de que vai rolar muita, mas muita misoginia e diferença de tratamento na imprensa ao longo da campanha. Gostaria de estar enganada, mas já está começando, infelizmente.

E, gente, quem é esse Paulo Sant'Ana? Alguém me explica quem é o homem e por que ele não perde o emprego nem por decreto?

Marjorie em maio 21, 2009 9:27 PM


#95

E uma coisa que prestei atenção agora: a manchete é "Deus quer o homem no leme". Caramba, se não há intenção política aí eu juro que viro um coelho!!!

viviane em maio 21, 2009 9:33 PM


#96

Idelber

Nossa, que barbaridade. Nem vou me alongar comentando as bizarrices que essa ex-quase-famosa disse, mas isso me lembrou de uma conversa que eu tive com uns amigos meus ontem: Como algumas parcelas de grupos oprimidos assumem o discurso do operessor e, paradoxalmente, ganham espaço na mídia com isso.

Isso me lembra um rapaz que integrava uma organização do movimento negro e aparecia no JN todas as vezes que eles iam falar de cotas 'raciais' em universidades. Qual o motivo? Ele era contrário às cotas. No fundo, o JN usava a fala dele como um argumento de autoridade que no fundo dava num "ele é negro, sabe do que fala, você é só um branco bundão que se acha progressista e fica defendendo cotas".

É nesse sentido que o argumento da moçoila é utilizado: Veja só, ela é mulher, tem autoridade para falar isso.

A ideia é se servir de representantes dos oprimidos para defender posições anacrônicas sem parecer opressor. No entanto, é um sofisma elementar: Essas pessoas falam, unicamente, por elas, não pelos negros ou pelas mulheres em sua totalidade, afinal, se alguém os elegeu foi a mídia, ela e tão somente ela.

Hugo Albuquerque em maio 21, 2009 10:05 PM


#97

Puxa, Marjorie, que legal que você rompeu a timidez também (ontem eu rompi a minha lá na Lola, falávamos exatamente disso). É uma honra tê-la aqui.

Seria legal montar algo no WordPress, coletivo, em que um montão de gente tivesse a senha e fôssemos colocando tudo o que aparece, não é? Garanto que assunto não iria faltar. Se mais gente se animar, eu topo :-)

Idelber em maio 21, 2009 10:08 PM


#98

Atendo-me apenas à questão pró-aborto ou pró-escolha, opto por uma "terceira via": "pró direito ao aborto", ou alguma variação sobre o tema. Certo, 4 palavras alongam demais e diminuem um pouco o impacto. Mas por outro lado, se a primeira alternativa é um tiro no pé como vc diz, Idelber, por outro, a palavra escolha, mesmo com o auxílio do pró, dispersa a questão, distrai.

Se nos EUA a expressão pro-choice tem consistência e diz a que veio, tenho para mim que sua versão em português ainda soa fraca, não defende a causa a contento. Penso que palavra aborto, por mais que sua carga se mostre negativa, ainda não deve ser excluída.

Ricardo Cabral em maio 21, 2009 10:30 PM


#99

Gosto da maneira com que a Mariê #84 e o Ricardo #98 expuseram a coisa do pro-aborto e do pro-escolha.
E eu acho que nesse caso não há muito como dar um tiro no pé, considerando que este é um país conservador em que mais de 80% é contra o aborto. Acho que não dá pra desconvencer os quase 20% favoráveis. Além disso, mesmo que a expressão pro-aborto cause uma impressão xyz, que é desfavorável, o debate não se faz de impressões. Elas devem ser justamente desconstruídas, analisadas, elaboradas em argumentos pra haver opinião e debate, efetivamente. Se a mera menção ao nome do procedimento que interrompe uma gravidez basta para espantar os interlocutores, então já não haveria mesmo muito diálogo.

Não vou ficar me estendendo muito (mais :), mas acho que acabo fazendo um post sobre isso.

aline em maio 21, 2009 10:58 PM


#100

Só para rebater na tecla da questão política, e discordar de que haverá uma instrumentalização muito bem dirigida contra Dilma (que haverá gente expressando preconceito contra ela, não tenho dúvidas), é preciso lembrar que foi ela mesmo quem procurou dar uma "repaginada" bem ao estilo madame, procurando o figurino palatável, feminino, tailleurzinho bem cortado, cabelo delicado, sombrancelhas bem definidas e finas, e sem óculos de intelectual rude.

João Paulo Rodrigues em maio 21, 2009 11:08 PM


#101

Tem jeito não, pelo jeito tem muita gente que acha que mulher erra sempre, quando faz o que se espera dela e quando faz o que NÃO se espera dela. Isso cansa, viu?

Já que falaram da repaginada da Dilma, seria interessante lembrar que Lula e Kassab também se submeteram à repaginada pré-eleitoral. O Lula sisudo em mangas de camisa deu lugar ao Lulinha paz-e-amor sorridente de terno, e o Kassab fez até regime, veja só! (Lembrando que tudo isto foi feito num contexto de marketing político e projeto de poder, claro.)

Mas voltando à vaca fria: o post não está falando de causa-e-efeito, mas de um, digamos, "climão" (zeitgeist?) em que a entrevista da Maria Mariana e os ataques à Dilma se inserem de modo tão óbvio e "natural" quanto encontrar pedaços de banana num bolo de banana, e que justamente por isso a gente nem repara.

Silvana em maio 22, 2009 12:47 AM


#102

Noves dentro as barbaridades que defendem, Sant'Ana e Mariana ainda escrevem mal demais, hem...

Jair Fonseca em maio 22, 2009 12:50 AM


#103

A opinião de Maria Mariana não representa nada., E o fato de ela ter respaldo nessas mídias representa tudo.

fm em maio 22, 2009 3:23 AM


#104

isso tudo, idelber, sem falar nessa sandice aqui, que tivemos que engolir recentemente, que li no excelente blog da gaúcha denise ritta:

http://4.bp.blogspot.com/_8VYsZWKfsak/ShHb_pjiqII/AAAAAAAACK0/oYmBLQYPHWc/s1600-h/preconceito_genero_deslavado_rolling_stone_br.JPG


márcia em maio 22, 2009 3:28 AM


#105

Exatíssimo, Silvana, eu ia responder o que você disse: incontáveis outros políticos homens mudaram de visual sem que isso se transformasse em pauta obsessiva da mídia. Puxa, é daquelas coisas que me parecem pra lá de óbvias.

Cynthia, por sorte, acho que receberiam o "Backlash" pouquíssimos leitores daqui :-)

Hugo, na mosca. Nunca se viu um negro na televisão durante tanto tempo como aquele senhor, daquele inventado "Movimento negro socialista", que aparecia para desancar as cotas.

Márcia, estou horrorizado com esse texto. Anotem o nome do energúmeno: José Flávio Júnior. Escreve na Rolling Stone.

(Márcia, modesta, não pôs o link ao seu blog. Ela é Márcia Bechara, escritora de mão cheia e autora de um livro de que gosto muito: Casa das feras).

Idelber em maio 22, 2009 3:51 AM


#106

Oi Idelber,

Ainda há muita misoginia e homofobia incrustadas na blogosfera e na mídia. Mas nunca vi ninguém mais homofóbico, ignorante e hidrófobo que esse cara aqui:

http://juliosevero.blogspot.com/2009/05/movimentos-fascistas-europeus-sao.html

Esse textinho aí é só uma amostra. Tem muuuuuuuuuuito mais de onde veio, é só fuçar no blog dele.

Tome um engov e leia-o.

Abraço

Lelec em maio 22, 2009 4:24 AM


#107


Dilma Roussef foi escolhida por Lula, a meu ver, por três motivos.

Primeiro, porque encarna um novo PT - o PT que passou pela experiência real do poder, que conhece a máquina do estado e suas limitações, que tem projetos, e não sonhos vagos, e tem uma consciência aguda do preço a se pago por cada um deles.

Em segundo lugar, porque encarna aquela que é a palavra-chave da continuidade do projeto de poder que Lula pretende encarnar: desenvolvimento sustentado.

Em terceiro lugar, porque é mulher. A virada do século tem sido especialmente generosa com candidatos saídos de camadas sociais que atravessaram o século XX lutando contra o preconceito. Dilma não está sendo escolhida apesar de ser mulher, mas também em função disso. É interessante, de um ponto de vista eleitoral.

Se alguém da oposição resolver fazer comentários sexistas nesse contexto, estará sendo um energúmeno completo, e será visto assim por todos os seus pares. Não estará ajudando, mas atrapalhando. O espírito de nossa época favorece muito mais quem exibe um discurso tolerante (mesmo que hipócrita).

João Vergílio em maio 22, 2009 6:57 AM


#108

Acho que o comentarista está sendo injusto em chamar Maria Mariana de atriz decadente, ao que me consta ela abandonou expontãneamente a vida artística de forma a poder melhor cuidar dos filhos. Se a carreira dela teria tomado um rumo descendente, não se tem como saber.

Marola em maio 22, 2009 7:37 AM


#109

Não tenho problema nenhum na Dilma mudar ou não o visual. Não é isso que determinará meu voto. Particularmente, do ponto de vista estético, prefiro a autenticidade – Dilma estava mais natural antes. Mas essa não é a questão: a questão é o incentivo à misoginia e ao preconceito em relação ao gênero feminino – tópico do post. Dilma ter feito o que fez é uma evidente tentativa de se tornar mais feminina seguindo certo figurino que diz que políticos homens podem ser feios e desajeitados (vide Serra); mulheres não. Dilma tentou mudar um pouco a imagem de durona, o que não casaria bem com um perfil eleitorável para o cargo de presidente. Ela deu um passo na direção da feminilidade aceitável segundo certos cânones. Que isso seja utilizado como crítica pode representar que talvez esse preconceito esteja mais arraigado como medo do que como realidade entre o eleitorado. Talvez se Dilma permanecesse como era sua penetração no eleitorado continuasse uma trajetória dependente de outros fatores, não interferindo em sua campanha. Acho que o Vergílio está na trilha certa. Há misoginia e preconceito, mas acho que não serão a tônica. É capaz que dê errado para quem a mobilizar. Ao fim e ao cabo, a própria repaginada da Dilma pode gerar só isso: comentários sem peso eleitoral.
Quando Lula começou a mudar seu visual e mesmo ainda na campanha de 2002 isso era sim um assunto comentado – e bastante. Ou todos já esqueceram do Pétrus de 1500 reais tomado logo após o debate com o Serra na Globo? Parecia um escândalo – e deu em nada. Ainda assim o Lulinha paz e amor certamente lhe valeu muitos votos. Mas também é preciso lembrar que o medo arraigado contra Lula era absurdamente mais elevado do que qualquer preconceito que exista contra Dilma (até porque ela é uma desconhecida se a compararmos com o presidente e sua história). Havia o preconceito de classe, medo da radicalização e medo da inexperiência. De tudo isso Dilma está (ainda bem) livre.

João Paulo Rodrigues em maio 22, 2009 9:56 AM


#110

postaço, pra variar... e caixa de comentários à altura. Acho que fez bem sair do último "condom".
abç

googala em maio 22, 2009 11:18 AM


#111

João Paulo Rodrigues

Nem sempre o que se persegue é o embelezamento, às vezes é tão somente a "naturalização", ou melhor, a adaptação aos padrões estéticos que a sociedade coloca. Um exemplo interessante e recente é o de Susan Boyle, a cantora consagrada no programa de calouros mas que teve que rapidamente operar mudanças em seu visual para que pudesse ser ouvida. Penso que o caso da Dilma, guardando as proporções, seja exatamente o mesmo.

Cláudia em maio 22, 2009 11:28 AM


#112

Mas que só foi consagrada por estar "desnaturalizada". Talvez Dilma deva seguir este caminho. "Há cânceres que vem para o bem". ahaha

googala em maio 22, 2009 12:04 PM


#113

"O que ela diz sobre depressão pós-parto é, pura e simplesmente, fal-so. "

Qual a fonte desta sua afirmação?

Por que a despeito da bossalidade da entrevista da marina mariana, o parto normal provoca sim uma cascata de hormônios que ajundam sim na prevenção da depressão pós parto, bem como a amamentação.

São fatos científicos bastante documentados, não desabonam nenhuma mulher para vida ou feminismo, pelo contrário.Sua ideoligização do evento fisiológico (parto)embora real, é um deserviço, um engano de análise e informação eu diria.Acho que mereceria um estudo mais aprofundado seu e um texto mais responsável.
Fora isso, com certeza concordo que a homofobia desavergonhada destes novos tempos de ideologia rasteira corre solta na mídia.

alexandre a. moreira em maio 22, 2009 12:41 PM


#114

Hum, Idelber, posso? Depressão é um tema que me pega.
Alexandre A. Moreira, apenas uma correção básica no seu comentário: não é o "parto normal" que provoca uma "cascata de hormônios", é o término da gestação. Qualquer parto, vaginal, cesáreo ou pelas narinas (e até mesmo o abortamento, especialmente quando tardio) desencadeia a mesma "cascata". O organismo da mãe parou de gestar, Elvis deixou o prédio e o corpo começa o retorno ao seu estado basal.
As causas da depressão não são inteiramente compreendidas ainda, aí incluída aquela que se segue ao parto. E o processo, sabidamente, não é apenas hormonal.

E por falar em aborto, concordo inteiramente com você, Idelber. "Pró-aborto" é tiro no pé.
Bom, delurking com força agora. :-)

Cam Seslaf em maio 22, 2009 1:18 PM


#115

E sem esquecer que ela também falou que fazer comprinhas em shopping está ligado à depressão pós-parto. Mesmo que haja algum estudo científico ligando parto natural/cesárea com probabilidades de ter depressão pós-parto (ignoro completamente o assunto), o tom dela foi nitidamente moral: a futura mãe que tem determinados comportamentos durante a gravidez, que ela considera censuráveis, teria mais probabilidade de ter depressão pós-parto. Bem, se alguém também trouxer alguma pesquisa científica que mostre essa relação, dou a mão à palmatória. Mas acho muito improvável que exista

F. Arranhaponte em maio 22, 2009 2:14 PM


#116

Manga com leite tb dá depressão pósparto. No bebê.

googala em maio 22, 2009 2:30 PM


#117

Delurk away, cara Cam.

Olha, Alexandre, eu sou da área de Letras. Como qualquer acadêmico com um mínimo de responsabilidade, evito fazer afirmações categóricas sobre áreas que não domino. Nessas, quando afirmo algo, em geral é porque fiz o dever de casa. O que MM afirma sobre depressão pós-parto é falso, sim senhor. É a literatura médica quem diz. Não sou da área mas não sou bobo. O que a literatura especializada mostra é que a depressão pós-parto pode ter uma série de raízes, mas nenhuma delas inclui o Shopping Center. Mesmo que exista alguma pesquisa que mostre que o parto vaginal pode reduzir a possibilidade de depressão pós-parto -- ninguém me mostrou tal pesquisa até hoje, e se o Sr. não quiser passar vergonha depois de fazer afirmação tão categórica, é melhor trazer uma --, as frases aí depois marcam a cesárea e pronto. Acabou o processo. Aí sabe o que acontece? Elas têm depressão pós-parto continuariam sendo falsas.

Aqui, meu chapa, não basta falar grosso, não. Tem que estar pronto para fundamentar. A galera aqui sabe debater.

Idelber em maio 22, 2009 2:56 PM


#118

googala, não há dúvidas que sair daquele condomínio foi a melhor coisa que fizemos. Imagine se poderíamos estar levando esta discussão com aqueles trolls malucos insultando e xingando. Creditemos a inteligência visionária de Alexandre Nodari, que enxergou mais longe e percebeu em que fria eu estava me metendo.

Ricardo, caríssimo, a sua sugestão -- pró-direito ao aborto -- me parece ótima. Esclareço que meu problema não é com a palavra "aborto". Ora bolas, é o nome da cirurgia. Meu problema é com a expressão "pró-aborto" que, além de ser um tiro no pé politicamente, é meio enganosa, posto que ninguém é "pró-aborto" assim, sem mais nem menos. Sua sugestão me parece muito boa. Essa discussão é urgente.

Idelber em maio 22, 2009 3:12 PM


#119

Idelber,

como homem gay, confesso que não me horrorizei com o texto de Paulo Sant'Ana, de quem nunca tinha ouvido falar. Não me horrorizei porque, antes de começar a leitura, imaginava de antemão o que estaria escrito. O mesmo velho lixo de sempre, previsível e cansativo. (Sant'Ana confunde gênero, orientação sexual e identidade sexual, sim. Mas não é sempre assim? Essa confusão não é uma conseqüência da ignorância, mas um resultado planejado, apto a produzir efeitos perversos no imaginário do leitor.) Revoltante também, claro, mais uma peça do imenso dispositivo da homofobia, que se movimenta com tranqüilidade pela sociedade brasileira, onde racismo é crime, mas homofobia é exercício pleno do direito à liberdade de expressão. A entrevista de Maria Mariana à revista Época, ao contrário, conseguiu me surpreender. Seu discurso é tão arcaico e repisado quanto o discurso homofóbico de Sant'Ana. Ditas por uma mulher jovem aquelas palavras adquirem, contudo, uma ressonância mais perturbadora, ou melhor, perigosa, porque, como você mesmo assinalou, "quem fala é uma mulher (jovem), logo, ela sabe o que está falando". (É preciso ressaltar também a circunstância de que Mariana é uma mulher jovem, pois sua juventude é um fator que reforça a autoridade do seu discurso, conferindo-lhe um caráter de coisa inusita.)

Nos dois casos, o absurdo e a gravidade, como você bem observou, estão não tanto, ou não apenas, no conteúdo dos discursos de Sant'Ana e de Mariana, mas no fato de que veículos de ampla circulação cedam espaço para essas demonstrações de arcaísmo e de barbárie. E no caso de Mariana, resta ainda o fato de que seu comentário sobre depressão pós-parto não foi contraditado pelo entrevistador. (Tenho transtorno bipolar moderado. Fiquei me perguntando o que Maria Mariana teria a dizer a respeito da minha doença. Provavelmente que eu sou responsável por ela, que eu deveria me conscientizar e mudar meus valores e meu estilo de vida.)

Os casos de Sant'Ana e de Mariana me lembraram uma reportagem que vi no Jornal da Globo, na noite de 27 de fevereiro de 2009. Incompreensível que a declaração abjeta feita por Luiz Antônio Vale Moura [http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM974079-7823-PORTABILIDADE+VALE+EM+TODO+O+PAIS+A+PARTIR+DE+SEGUNDA,00.html] (a partir de 1m42s), coordenador do Grupo de Implantação da Portabilidade (GIP) da Anatel, não tenha causado nenhuma reação. Neste caso também o revoltante é justamente que o jornal tenha levado ao ar esse comentário, como se a analogia utilizada para ressaltar a importância da portabilidade fosse correta e adequada, e não uma estupidez evidente e uma violência encoberta.

Se temos muitos motivos justificados para consternação e apreensão, existem também pequenos acontecimentos que renovam nossas esperanças, não? Meu novo herói se chama Ethan McNamee, um garotinho norte-americano de 9 anos:

"Nine-year-old organizes gay rights rally" [http://www.advocate.com/news_detail_ektid84561.asp],

"Nine-year-old boy organises gay marriage rally" [http://www.pinknews.co.uk/news/articles/2005-12508.html],

uma reportagem televisiva sobre Ethan: http://www.youtube.com/watch?v=mQ_ZMrA3OSw

Ethan em ação: www.youtube.com/watch?v=rKB4sOdy-PI e http://www.youtube.com/watch?v=DLN-JYiDVC0

Em relação à sua pergunta sobre a terminologia a ser adotada pelos que defendem o direito da mulher ao aborto, eu considero o termo pró-escolha mais apropriado. Primeiro porque, com efeito, o termo pró-aborto evoca de imediato, no imaginário da maioria das pessoas, representações de conotações muito negativas, suscitando sentimentos contrários intensos. Quando a discussão sobre o aborto se tornar ampla e envolvente, os debates – goste-se ou não –, não se restringirão ao plano da reflexão intelectual, serão travados também no plano das sensibilidades e dos valores sociais. Pró-escolha, ao invés de pró-aborto, pode significar, no mínimo – mas esse mínimo vale muito –, a possibilidade de que um discurso que antes não alcançaria uma pessoa – a qual recuaria, recusando-se ao diálogo pela mera enunciação do termo pró-aborto –, agora consiga alcançá-la. O segundo motivo para eu preferir pró-escolha decorre do fato de que esse termo, ao contrário do outro, afirma a condição da mulher como sujeito de direitos e obrigações, detentora do direito inalienável de fazer suas escolhas e de determinar sua vida.

Até mais.

Fabiano em maio 22, 2009 4:33 PM


#120

Valeu Idelber, arrisco a dizer que você é o Reinaldo Lima dos blogs!

A Maria Mariana só apareceu nas páginas da Época naquela semana. É o que Andy Warhol vaticinou: no futuro, todos nós teremos/compraremos nossos 15 minutos de fama...
O duro mesmo, é aguentar as idiotices escritas pela "colunista" Ruth de Aquino, na última folha da revista. Chega a constranger os alunos de redação da 5ª série do ensino fundamental!!!

Arley Coqueiro em maio 22, 2009 5:39 PM


#121

Fabiano (119),

apareça mais! adorei o seu comentário.

aiaiai em maio 22, 2009 6:30 PM


#122

Eu acabei de bater papo por email com o Fabiano, a quem agradeci pelo maravilhoso comentário e por essa indicação incrível do garoto Ethan. O vídeo do YouTube me arrancou lágrimas. Tuitei, claro.

Idelber em maio 22, 2009 6:41 PM


#123

Pô, Idelber... concordo contigo sobre a relevância descabida dada pela Falha e pela Época ao assunto e, pelo histórico que todos já conhecemos, visando 2010, a coisa só tende a ficar pior. Mas acho que a histeria em cima do que a tal Mariana falou e/ou escreveu também foi totalmente desproporcional.
Pra começar era tudo opinião dela, ou seja, nada que deva ser levado a sério. Ela não estava diagnosticando todos os motivos que levam a depressão pós-parto, não disse que todas as mulheres com problemas para amamentar, deixam de fazê-lo por razões estéticas, e por fim não disse que mulher tem mais é que recolher cueca suja do marido e que lugar de mulher é no fogão (ou seja lá o absurdo sexista que mais lhe ofenda)... Fez sim uma generalização estúpida, mas ela não se proclama autora de alta literatura, escritora de artigos científicos. Escreve bobagem mesmo, pra quem quiser gostar de bobagem (assim como era o tal do Confissões de Adolescente, que ficava falando de crisesinhas de garotas enfrentando a puberdade).
Tem centenas de livros, revistas, jornais e blogs com coisas mil vezes piores publicadas, mas que ninguém se dá ao trabalho de ficar comentando, xingando os autores. As pessoas precisam colocar as coisas em perspectiva, e não malhar uma coitada que defende (mal) o papel que escolheu para si na vida...
PS: Se ela escolheu parar de atuar, não pode ser chamada de atriz decadente, ex-atriz, escritora medíocre, talvez, mas atriz decadente, acho que não...

Thiago em maio 22, 2009 7:08 PM


#124

João Vergílio,

Primeiramente, o lance de convecê-lo era apenas uma brincadeira. Essa não era, e nem é, minha intenção.

Vamos ao que vc elencou...

1) Não é apenas o comportamento submisso, mas todo um sistema de valores voltado ao cuidado, à casa, à família. Antecipar aposentadorias não corrige nada. Repara. Só isso. O que corrige é educação, empoderamento das mulheres, políticas públicas, etc...

2) Que os homens morrem antes, é verdade. Que o problema é causado pelo stress do trabalho, não sei não. Como vc chegou a essa conclusão? E dizer que os homens trabalham mais do que as mulheres é um absurdo. Podem até trabalhar mais fora de casa. dentro de casa, trabalham MUITO menos. Veja o link... http://aprendiz.uol.com.br/content/nespuledru.mmp ou ainda esse outro: http://www.vidadeequilibrista.com.br/home/numeros_noticia.php?id_not=103

3) Realmente, dondocas não trabalham. No item 4 vc resolve meu problema: elas são poucas, muito poucas.

4) Obviamente, o homem tb sofre com esse sistema patriarcal e machista. "Homem não chora!" "Homem não pode dizer não a uma garota se ela quiser transar com ele!" "Homem não leva desaforo pra casa" e por aí vai. Os homens que bancam dondocas não estão sofrendo, estão?

5) João, nós não temos "agenda identitária" pq a agenda mundial sempre foi masculina. Agora é que as coisas estão mudando. Como vimos pelos depoimentos e links deste post, mudando bem lentamente, não? O mundo do trabalho é mais exigente com o homem? Como, se o homem ganha mais, ocupa melhores postos e está mais empregado que as mulheres? Basta uma rápida consulta ao Google: http://www.google.com.br/search?q=quanto+ganham%2C+em+m%C3%A9dia%2C+homens+e+mulheres%3F&ie=utf-8&oe=utf-8&aq=t&rls=org.mozilla:pt-BR:official&client=firefox-a

6 e 7) Não são trouxas João. E muitas lutam contra isso. A violência física e mental deve ser realmente punida com cadeia. Mas, veja você, que a Lei que garante que o sujeito vá para a cadeia em caso de agressão à mulher, no Brasil, é de....Agosto de 2006. Pra se ter uma idéia, até então dificilmente alguém ia preso por isso. Imagine, então, a dificuldade de muitas "trouxas" em se negarem a "ser exploradas"...

Espero ter contribuído para o debate.

Abraços!

David Neto em maio 22, 2009 7:13 PM


#125

João Vergílio,

Primeiramente, o lance de convecê-lo era apenas uma brincadeira. Essa não era nem é minha intenção.

Vamos ao que vc elencou...

1) Não é apenas o comportamento submisso, mas todo um sistema de valores voltado ao cuidado, à casa, à família. Antecipar aposentadorias não corrige nada. Repara. Só isso. O que corrige é educação, empoderamento das mulheres, políticas públicas, etc...

2) Que os homens morrem antes, é verdade. Que o problema é causado pelo stress do trabalho, não sei não. Como vc chegou a essa conclusão? E dizer que os homens trabalham mais do que as mulheres é um absurdo. Podem até trabalhar mais fora de casa. dentro de casa, trabalham MUITO menos. Veja o link... http://aprendiz.uol.com.br/content/nespuledru.mmp ou ainda esse outro: http://www.vidadeequilibrista.com.br/home/numeros_noticia.php?id_not=103

3) Realmente, dondocas não trabalham. No item 4 vc resolve meu problema: elas são poucas, muito poucas. Mesmo assim, outras 3 ou 4 trabalham em seu lugar. CUIDANDO de seus filhos e de sua casa.

4) Obviamente o homem tb sofre com esse sistema patriarcal e machista. "Homem não chora!" "Homem não pode dizer não a uma garota se ela quiser transar com ele!" "Homem não leva desaforo pra casa" e por aí vai. Os homens que bancam dondocas não estão sofrendo, estão?

5) João, nós não temos "agenda identitária" pq a agenda mundial sempre foi masculina. Agora é que as coisas estão mudando. Como vimos pelos depoimentos e links deste post, mudando bem lentamente, não? O mundo do trabalho é mais exigente com o homem? Como, se o homem ganha mais, ocupa melhores postos e está mais empregado que as mulheres? Basta uma rápida consulta ao Google: http://www.google.com.br/search?q=quanto+ganham%2C+em+m%C3%A9dia%2C+homens+e+mulheres%3F&ie=utf-8&oe=utf-8&aq=t&rls=org.mozilla:pt-BR:official&client=firefox-a

6 e 7) Não são trouxas João. E muitas lutam contra isso. A violência física e mental deve ser realmente punida com cadeia. Mas, veja você, que a Lei que garante que o sujeito vá para a cadeia em caso de agressão à mulher, no Brasil, é de....Agosto de 2006. Pra se ter uma idéia, até então dificilmente alguém ia preso por isso. Imagine, então, a dificuldade de muitas "trouxas" em se negarem a "ser exploradas"...

Espero ter contribuído para o debate.

Abraços!

David Neto em maio 22, 2009 7:14 PM


#126


Sempre contribui, e bem, David. Dispensável dizer que é um prazer argumentar com você. Nossos pontos de vista estão aí, sobre a mesa.

Insisto: nossa agenda identitária ainda está para ser feita. Por nós, do nosso ponto de vista, da mesma forma como elas foram, aos poucos, construindo o discurso delas.

Não me baseio em nenhuma pesquisa científica para dizer que homens provavelmente morrem antes das mulheres em função do gigantesco peso que o mundo do trabalho põe sobre nossas costas. Se houver dados científicos em contrário, render-me-ei (aiiii...) às evidências, é claro. Enquanto isso, continuarei dando crédito à percepção daquilo que foi responsável pelo envelhecimento precoce e pelos problemas cardíacos de muitos amigos meus. (Eu tenho o imenso privilégio de trabalhar em algo que me dá prazer genuíno. Se não recebesse para dar aula, aceitaria de bom grado pagar para fazer isso.)

A grande luta, nesta virada de século, para a esquerda é esta: o fim do "piloto automático" argumentativo que herdamos. Tudo tem que ser repensado. Até mesmo a masculinidade. E não é fazendo uma nota de rodapé ao discurso feminista, pegando carona na percepção que elas têm a nosso respeito que faremos isso.

João Vergílio em maio 22, 2009 8:22 PM


#127

Idelber,

Poderia me explicar a confusão entre gênero, orientação sexual e identidade sexual??

Exemplo de dúvida: Travesti não é "espécie" do "gênero" homossexual??

Abs.

O Patriarca Contemporâneo em maio 23, 2009 10:20 AM


#128

Obrigado, aiaiai! Eu estou sempre n'O Biscoito, só não costumo dar as caras, mas vou tentar participar mais.

Abraços!

Fabiano em maio 23, 2009 11:44 AM


#129

Essas declarações da Maria Mariana são incrivelmente infelizes porque têm o dom de queimar o filme dos pontos de vista que ela está, supostamente, defendendo. Amamentação e parto normal são procedimentos muito importantes que têm péssimos índices no Brasil, ao ponto de serem problemas de saúde pública. A relação cesáreas / partos normais no Brasil – 80% de cesáreas prá 20% de partos normais – é exatamente a oposta do que recomenda a OMS. Cesáreas, quando feitas desnecessariamente, apresentam mais riscos para a mãe e o bebê do que o parto normal. Que, aliás, não se chama "normal" à toa. E muitos problemas de amamentação se devem mais a falta de informação da mãe do que efetivamente um problema físico – a mãe TEM leite, mas por não saber como amamentar direito, o leite acaba sumindo. Evidentemente, ao contrario do que diz a jovem Amelia, isso não é culpa da mãe. Médicos são péssimos em passar informções decentes para a gestante, tanto em relação a gestação e parto quanto a amamentação. O resultado é que, sem informações decentes, a mulher não tem condições de ESCOLHER o que é melhor para ela – que tipo de parto, que forma de amamentação. etc. e fica na mão do médico em uma atitude passiva justamente na situação em que ela tem mais condições de estar no controle: a maternidade.

Aí a Maria Mariana fala as bobagens dela e em resposta aparece, como em um dos links do texto do Idelber, gente defendendo cesáreas ou, como em um dos comentários acima, gente ridicularizado grupos de mães que apoiam a amamentação. Esses grupos, apesar do papo insuportavelmente hippie de alguns, são de enorme ajuda para mães com dificuldades no aleitamento.

Parto normal e aleitamento não têm nada a ver com a postura subalterna que a Maria Mariana apresenta na entrevista, muito pelo contrário. São questões de escolha e opção que, na verdade, a Maria Mariana não teve. Ela fez três cesáreas e um parto normal. Por três vezes, deixou um médico decidir o que era melhor para ela (quando ele na verdade decide o que é melhor para ele) e na última gestação teve parto normal por falta de opção, já que é extretamente perigoso a mulher se submeter a mais que três cesáreas. Ou seja, com essa postura subalterna dela, abriu mão de seu poder de escolha na condução de suas gestações e agora quer dar liçõezinhas de moral para outras mães, queimando o filme de quem defende parto normal e aleitamento materno (e olha que a OMS e o Ministério da Saúde estão entre esses defensores).

Quanto a essa questão pró-aborto ou pró-escolha, são duas coisas distintas, né? A pessa pode ser pró-escolha e anti-aborto, não são a mesma coisa.

daniel em maio 23, 2009 12:56 PM


#130

Patriarca, o Glossário de Termos de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros, elaborado pela ONG Pró-Conceito de Gays e Lésbicas pode ser útil:
http://mixbrasil.uol.com.br/pride/midia/manual.shl

Ana em maio 23, 2009 1:11 PM


#131

Obrigado, Ana :-)))

Patriarca, não é muito complicado. O link deixado pela Ana explica tudo mas, no caso específico do texto do Sant'Ana, era uma questão de grosseria óbvia. Um homem gay não é "feminino" por ser gay. Uma lésbica não é "masculina" por ser lésbica. Os termos "homossexual ativo" e "homossexual passivo" são rótulos que reduzem, etiquetam e compartimentalizam práticas sexuais que, na vida real, são muito mais diversas e plurais.

Nem hetero-, nem bi-, nem homo-, nem transsexuais são "ativos" ou "passivos" assim, como se estas fossem duas caixinhas separadas. Aliás, associar a penetração a "ativo" e o ser penetrado(a) a "passivo" é uma grande bobagem. Em geral, "ativo" e "passivo" não são formas legais de definir a sexualidade das pessoas.

Idelber em maio 23, 2009 1:33 PM


#132

Vou discordar do Idelber: há sim no presente caso duas caixinhas. Numa delas, a dos cérebros ativos, estão os comentaristas e o autor deste post. Na outra, a dos cérebros passivos, está o tal articulista da Zero Hora.

João Paulo Rodrigues em maio 23, 2009 2:41 PM


#133

Ana,

Valeu pelo link. Assim que retornar ao meu computador -pois vou tomar uns chopps- irei ler o manual!

Lembrei que o Ziraldo publicou um também, mas acho que não é o caso :))

Idelber, agradeço a resposta também!

Entendi então (e concordo) que ao se taxar de "ativo" e "passivo" uma relação homoerótica, se reduz uma relação humana complexa que envolve vários "papéis" e outras dimensões.

Porém criar muitas definições para homossexual, não dá no mesmo??

O Patrirca Contemporâneo em maio 23, 2009 3:19 PM


#134

Idelber, manifestações declaradas ou sutis de misoginia sempre estiveram e estão presentes seja na mídia ou no comportamento diário das pessoas. Na imprensa, esse depoimento da escritora monga (sorry, não sou politicamente correta)serviu para abrir polêmica, o que conseguiu. Isso não é de espantar, apenas um sinal da ascensão generalizada do neoconservadorismo em nossos tempos, óbvio. Mas não vejo tanto como uma conexão direta com a Dilma, algo que possa afetá-la politicamente. Acho uma forçada de mão aí, até porque as mulheres fortes envolvidas com política costumam levar a pecha de "damas de ferro", quer dizer, costumam ser comparadas com homens pelo próprio pensamento conservador como uma forma de elogio, quando interessa. A misoginia, antes de ser instrumento político, é um sentimento arraigado e rançoso, seja da direita ou da esquerda. E certamente Dilma não precisará que a paternalizemos, bastará, quando chegar a hora, que prove a sua competência aos eleitores para comandar os rumos do país. Não creio que a mídia conservadora vá conseguir convencer o leitor mais desavisado de que o lugar da Dilma é no fogão e trocando fraldas. Ela simplesmente não tem physique du rôle. O que não implica que não devamos sempre denunciar atitudes misóginas e homofóbicas, claro. Não sei se me explico bem, mas acho que é isso aí.
beijão

maira parula em maio 23, 2009 4:01 PM


#135

Patriarca, depois de ler o manual você vai ver que não existem várias definições para homossexual. O problema é a confusão entre gênero (e o grande limitador de aceitarmos apenas dois gêneros), identidade e orientação sexual. Entendido isto, tudo fica muito mais simples.

Ana em maio 23, 2009 6:34 PM


#136

Idelber, se eu te disser que o Sant'anna é "referência" aqui no RS, pode ficar com pena da gente.

Prestes em maio 24, 2009 1:07 AM


#137

Idelber,

Realmente este livro da Mariana é muita estupidez no mesmo saco. Mas, é somente mais uma purpurina do mercado... efeito para clarear a leitura de madames que deixam seus filhotes aos cuidados de babesiters. Entretanto, esse burrilismo repetitivo da imprensa enoja. Assim como, o gancho de sua análise para a Dilma também é interessante,visto que além dos vestidos, o que agora se valoriza muito na nossa ministra é a peruca, e esta está carregada de diversos questionamentos (piolhos) sobre seu estado de saúde. Existem emails circulando na internet que questionam a possível candidatura dela por conta do linfoma. Como se um portador de cancer estivesse condenado a não fazer mais nada...

Sem medo de ser feliz again!

Flavio Corrêa de Mello em maio 25, 2009 1:04 AM


#138

Ai, céus. É tão difícil entrar nesta discussão a esta altura do campeonato (136 comentários depois tudo muda). Primeiro, já que a Lu Monte não veio aqui te agradecer, cheguei eu. Me senti exatamente como a aline, cujo blog não conhecia e acabei de assinar :D
Misoginia, Ildeber, está aí, à solta, pronta pra pular em nossos colos, tomar conta do ar. Eu ainda estou para entender como é que uma mulher dá conta de escrever algo contra si. Falta de auto-senso? Tem defeito, não pode ser...
Sobre a questão do aborto, sim, é preciso ter uma atitude urgente. Afinal, ano que vem o governo Lula acaba e o Temporão sai de cena. Melhor aliado que ele não há.

lucia freitas em maio 25, 2009 3:34 AM


#139

Idelber,
o comentário de Santana ser gremista refere-se ao fato de ele representar esta torcida num programa esportivo e ficar de diatribes com um outro colorado. Os dois a dizer idiotices.
O Santana é inteligente, mas não tem cultura nem caráter. Ele sabe dirigir-se ao povo e fala "a linguagem do taxista" (não entendam como preconceito). Sua fala faz tanto sucesso quanto as expressões chulas do Lula.
Por outro lado, ele possui diversos artigos elogiosos à Dilma e a carta da Yeda deveu-se a um ataque anterior a ela. Mas é melhpor não ler nenhum...
Aliás, falando em misoginia, ela está já em moda no RS a bastante tempo. No segundo turno da eleição passada, a Yeda foi atacada (no interior) pelo PT com críticas ao seu gênero e origem paulista. (O Reinaldo e o Olavo devem ter reclamado, suponho, hehe). O mundo da voltas...
Ainda, ela também comentou os ataques recebidos como misóginos, certa feita.
Se a oposição quiser mesmo atacar a Dilma deveria divulgar os discursos da bancada do PT na CPI da Propina do Governo Collares contra a honestidade de sua Secretária de Obras.

Ricardo

Branco em maio 25, 2009 3:11 PM


#140

Já que neste blog e outros afins tanto se fala (e com razão) das manipulações midiáticas, recomenda-se um pouco mais de cautela antes de atacar a escritora. A moça se defende em seu blog afirmando que suas frases foram descontextualizadas e até mesmo alteradas, acusando a revista de sensacionalismo. Nesse sentido, ela foi usada, talvez para corroborar a visão editoral do veículo em questão, e ai entra a interessante ligação com a questão eleitoral que o blogueiro fez.

http://confissoes10anosdepois.blogspot.com/2009/05/clareando-minha-intencao-mal_18.html

Júlio em maio 25, 2009 4:47 PM


#141

A, só pra completar, ela também diz em seu post que o conteúdo do livro não tem nada a ver com as frases soltas da matéria da época.

Júlio em maio 25, 2009 4:50 PM


#142

Caro Júlio, só para constar: eu fui, sim, ao blog dela e vi, sim, o argumento de que a Revista Época havia distorcido o que ela disse. Não dei destaque a esse argumento porque, francamente, lendo os textos do blog, não encontrei nada muito diferente do que está na entrevista. No blog, onde ela fala sem mediação de ninguém, o conteúdo não é muito diferente do que está na entrevista. Ela tergiversa e dá voltas, dizendo que "não quer ditar regras para ninguém", quando está nítido que quer, sim. Tenho muito respeito pelo contraditório. Procurei e procurei um no blog dela. Não achei.

daniel, maira, lucia, Prestes, Flavio, obrigado pelos comentários e por contribuir ainda mais a este debate.

Idelber em maio 25, 2009 5:07 PM


#143

Só para completar: sigam, por favor, o link deixado pelo Júlio. É a mesma coisa que ela diz na revista!

Idelber em maio 25, 2009 5:10 PM


#144

Não li todos os comentários, pq quando li o pedido do Idelber para explicar quem é Paulo Sant'Ana, "corri" para comentar.

Bem, de acordo com o blog dele, esse é Paulo Sant'Ana:

Perfil:
Francisco Paulo Sant'Ana nasceu em Porto Alegre, em 15 de junho de 1939. Como já disse o crítico e professor Sergius Gonzaga, sua coluna diária e seus comentários no rádio e na TV "tratam de temas que traduzem uma percepção pessoal e brilhante dos costumes sociais, afetivos e eróticos."

Concordo totalmente com o que o Cavalca falou sobre ele também láááá em cima.

O problema do Sant'Ana é não ter percebido que seu tempo já passou. Quando mais jovem, ele foi um dos grandes reporteres do RS. Mas de uns 5, 6 anos pra cá, ele entrou em um estado de senilidade e não fala mais nada com nada.

Eu costumo dizer para as pessoas que o Paulo Sant'Ana escreve bem, sabe usar as palavras. O problema são as idéias que ele espressa com elas. Sempre demostrando muita ignorância sobre o assunto. Apesar de que, ignorâcia sobre o assunto, parece ser usada nos critérios de seleção da RBS. Quanto menos você entender sobre o que vai falar, melhor...

Gregório em maio 26, 2009 6:45 PM


#145

Olá, sou eu Maria Mariana. A entrevista da revista Época não retratou a verdade do meu pensamento. Venham me conhecer melhor, antes de comentar! confissoes10anosdepois.blogspot.com

Maria Mariana em junho 1, 2009 2:14 PM


#146

Cara Maria Mariana: muito prazer, obrigado pela visita e seja bem vinda. Eu li o seu blog antes de comentar, como afirmei no comentário #142. Não encontrei nenhum contraditório convincente que desmentisse o teor do que está na entrevista. Dizer que não era sua "intenção" sugerir X ou Y é uma coisa. Demonstrar como e onde suas declarações foram distorcidas é outra. Um abraço.

Idelber em junho 1, 2009 2:20 PM


#147

No meu blog explico sim, como e onde a revista Época distorceu meu pensamento. Por que ninguém faz comentário em cima de frases do meu livro? Seria melhor!

Maria Mariana em junho 2, 2009 3:40 PM


#148

No meu blog explico sim, como e onde a revista Época distorceu meu pensamento. Por que ninguém faz comentário em cima de frases do meu livro? Seria melhor!

Maria Mariana em junho 2, 2009 3:40 PM


#149

No meu blog explico sim, como e onde a revista Época distorceu meu pensamento. Por que ninguém faz comentário em cima de frases do meu livro? Seria melhor!

Maria Mariana em junho 2, 2009 3:41 PM


#150

A repetição foi um erro, ok? Estou em missão de paz!

Maria Mariana em junho 2, 2009 3:42 PM


#151

Idelber,
Concordo com todos os termos do seu texto. E, também, com o comentário sobre a "colunista" Ruth Aquino.
Passarei a visitar seu blog, que acabo de encontrar.
O sexismo e a misoginia proclamados por uma mulher, sobretudo jovem, além de apavorar, revoltam. Uma mulher que se opõe à dignidade humana das mulheres faz algo tão odioso quanto o cidadão que trai seu próprio país.

simone andrea em junho 8, 2009 12:04 AM