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quinta-feira, 11 de junho 2009
A esquerda e a luta contra a homofobia
Eis a minha coluna deste mês na Revista Fórum, que chega em breve às bancas.
Nos Estados Unidos, a luta pelo casamento gay passa por um momento contraditório. Ela acumula vitórias nos lugares mais inesperados, como Iowa, e uma derrota catastrófica no habitat natural do movimento, a Califórnia. Não é ideal a posição conciliadora de Barack Obama, que defende as uniões civis -- que possibilitariam conquistas fundamentais, como os direitos de plano de saúde conjunto e de herança --, enquanto reserva o termo “casamento” para as uniões heterossexuais. Mas, pelo menos, Obama dá um passo adiante em relação à tradicional hipocrisia do Partido Democrata, que sempre contou com os votos de gays e lésbicas para, logo depois, rifá-los no jogo político.
Qualquer conhecedor da história da esquerda sabe como tem sido longo e acidentado o caminho de reconhecimento da luta gay/lésbica. Na esquerda tradicional, dos Partidos Comunistas, o completo descaso vinha, muitas vezes, recheado de homofobia explícita. Isso mudou, claro, e hoje uma Deputada como Jô Moraes, do PC do B de Minas, é uma das vozes mais incisivas na luta contra a homofobia. O PT, que sempre foi mais atento que a esquerda tradicional para as questões relacionadas à mulher e ao negro, demorou certo tempo em realmente acolher a luta antihomofóbica. Resta ainda um longo caminho que percorrer.
O crescente sucesso da parada gay de São Paulo e as iniciativas pioneiras de Marta Suplicy são capítulos dessa história, mas ela foi construída com uma luta que custou o sangue de muitos anônimos. O jornal O Lampião surge em 1978, em condições dificílimas. Em 1979, constitui-se em São Paulo o primeiro grupo de homossexuais organizados politicamente, o Somos. Seguem-se o Somos/RJ, Atobá e Triângulo Rosa no Rio, Grupo Gay da Bahia, Dialogay de Sergipe, Um Outro Olhar de São Paulo, Grupo Dignidade de Curitiba, Grupo Gay do Amazonas, Grupo Lésbico da Bahia, Nuances de Porto Alegre e Grupo Arco-Íris do Rio, entre outros (as informações são do GLS Planet). Somente em 1985 o Conselho Federal de Medicina decide desconsiderar o artigo 302 da Classificação Internacional de Doenças, onde constava a homossexualidade. Pelo menos nisso, o Brasil se antecipou. Só em 1990 a Organização Mundial da Saúde decide eliminar a homossexualidade da lista de doenças. A data da decisão histórica, 17 de maio, passaria a ser o Dia Internacional de Combate à Homofobia.

Em sua esmagadora maioria, os heterossexuais – mesmo aqueles engajados na luta pela justiça social -- ainda não refletiram o suficiente sobre os efeitos devastadores da homofobia. Não se trata somente dos sutis gestos de discriminação cotidiana e das piadinhas homofóbicas, reproduzidas diariamente nas interações sociais e na programação da mídia. Trata-se de direitos básicos, como o de adoção, herança, plano de saúde e constituição de união matrimonial reconhecida pela lei. Trata-se do direito à imagem e à honra. Muitas vezes, trata-se simplesmente do direito de andar de mãos dadas com seu amor pelas ruas sem correr o risco de ser espancado.
Os homicídios homofóbicos no Brasil aumentaram 55% em 2008. Foram 190 no ano passado, contra 122 em 2007. Estes são os números oficiais, compilados pelo Grupo Gay da Bahia com base nos boletins de ocorrência. Imaginem quais serão os números reais. Nesse horror quase medieval, há mortes com requintes de crueldade, a pedradas, por exemplo. Recentemente, o odioso projeto de lei 4508/2008, do Deputado Olavo Calheiros (PMDB/AL), que visa proibir a adoção de crianças por homossexuais, começou a tramitar como se não fosse a excrescência inconstitucional que é. O projeto cospe no artigo 226, § 4º, da Constituição Federal, mas o Congresso o examina como se fosse a mais razoável das leis.
Ideias absolutamente inconstitucionais, como a que proíbe homossexuais de lecionar em escolas primárias, são discutidas com argumentos “ponderados” até por gente de esquerda. Está categórica, sociologicamente provado que, em potencial, um padre é uma ameaça sexual muito mais grave a uma criança que um(a) professor(a) gay ou lésbica. Mas reproduz-se mesmo em comarcas progressistas o estranho estereótipo que associa, contra todas as evidências, a homossexualidade à pedofilia. A bizarra noção de que gays e lésbicas são máquinas sexuais incontroláveis, prontas para disparar a qualquer momento, tem ainda profunda inserção no chamado inconsciente coletivo.
É urgente o apoio maciço e incondicional da esquerda ao Projeto de Lei da Câmara 122/2006, que criminaliza a homofobia e pune a discriminação e a agressão contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transsexuais. O projeto se encontra, no momento, em trâmite no Senado. A leitura do projeto e o contato com os Senadores podem ser feitos através do site NãoHomofobia. Atualmente, não há nenhuma proteção específica ante a agressão e a discriminação homofóbicas, comparável à que temos contra o racismo.
A Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT é formada por 211 deputados federais e 18 senadores. Dos grandes partidos, o PT ainda é, de longe, o que se sai melhor na foto. De seus 11 senadores, 9 são membros. Mas ainda é pouco. Não há razão aceitável para que Tião Viana (PT-AC) e Marina Silva (PT-AC) não se juntem à Frente. Se, em vista de suas crenças religiosas, a Senadora Marina Silva tem “problemas de consciência” para se juntar a essa causa, que ela os resolva no âmbito privado. Na esfera pública, ela tem a obrigação de defender o programa do PT. Chega de conferir aos progressistas religiosos esse estranho privilégio, o de omitir-se (ou, pior, adotar uma postura reacionária) nas questões fundamentais do nosso tempo, sempre que estas entrem em choque com a leitura que lhes inculcaram de um livro apócrifo de fábulas judaicas.
Sempre defendi que a melhor forma de se imbuir do espírito de luta pela justiça social é ouvir as vítimas com atenção. Quer entender o racismo? Abandone as fáceis, imaginárias simetrias entre negros e brancos e escute as histórias de vida narradas por aqueles. O apelo do post é muito simples: procure seu amigo gay ou sua amiga lésbica e pergunte, indague muito. Não pressuponha que sabe o que eles vivem. Escute com atenção. Você se surpreenderá.
PS: Reúno-me esta noite, na Cobal do Humaitá, com amigos blogueiros cariocas. Devo chegar lá por volta das 21:00. Está confirmado, pois, o chope.
Escrito por Idelber às 03:18 | link para este post
| Comentários (115)
#1
Será um completo retrocesso aos direitos humanos no país se esse projeto de Lei for aprovado. Por que terem tais direitos negados? São cidadãos de direitos e deveres. São seres humanos.
Luciana em junho 11, 2009 4:10 AM
#2
Idelber,
Ufa! Enfim um post acima de qualquer coisa. Olavo Calheiros não existe. Marina Silva precisa acordar pra jesus, hehehehe.
Muito obrigada pela força.
bjs
Mari em junho 11, 2009 5:02 AM
#3
Lembro-me da Cássia Eller.
Se estivesse viva, seria uma das primeiras a lutar pela inclusão e direito de igualdade pelo Chicão http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u20252.shtml, sua ex-companheira e pelo coletivo.
Li uma matéria, de 2004, sobre inclusão na revista Mix Brasil http://mixbrasil.uol.com.br/bsh/ os direitos devem ser garantidos.
Estranhamente, comportamentos como na Califórnia, um dos estados que mais se destacaram pelo avanço na cultura hippie etc, se libertaram tanto nos anos 60, agora se castram. Hoje o Estado é governado por um artista que tem a característica nos seus personagens, machos e bélicos.
Apresentar esta postura, nesta era, é contrastante. Em relação ao Obama como em outros países ganha votos com promessas a tal grupo, mas depois despreza as reivindicações do eleitor. Por causa dos conservadores ou opositores o medo de liberar totalmente.
No Brasil existe ainda muito preconceito (egoísmo + ignorância = conservadorismo), apesar dos avanços científicos e dos direitos humanos, a hipocrisia é outro agravante, pois a liberdade para a corrupção, libertinagem das novelas televisivas, estelionato não tem punição, violência na tv no horário vespertino,uma liberdade destrutiva. Agora, para pessoas que buscam a felicidade sem prejudicar alguém, perder o direito de viver da forma como decidiram, porque toda esta mediocridade?
Garanto que se uma pedagoga, psicóloga questionar uma criança, que vive com um casal homossexual, o que pensa e analisar como ela julga o mundo, ou até mais tarde, se afeta seu comportamento, não há problema. Um dos fatores essenciais é a necessidade do diálogo, ou seja, esclarecimento das coisas, sem medo.
Se existe tanta preocupação o que falta, para estes ditadores, conservadores, é a visão sobre a forma da condução da educação desta sociedade, que ainda sofre com a ditadura, principalmente com a condição de “democracia da informação”, no imperialismo da mídia pra obtenção de seus interesses pessoais, não validam os direitos de igualdade e sociedade.
A ditadura disfarçada na nossa sociedade, a imposição de regras é justamente para limitar aquele que deixou de pensar, porque foi proibido, disperso ou manipulado, já sofreu uma censura, e é imposta outra, censura atrás de censura.
O pensamento e comportamento retrógrado ainda persistem, pois vemos o resultado sempre nas urnas.
Gostaria que o Brasil deixasse de ser província.
A orientação sexual, é um assunto bastante interessante, desenvolvi atividades em sala de aula com alunos do ensino fundamental e ensino médio. O diálogo e o esclarecimento são tão enriquecedores.
Veja esta http://www.prsp.mpf.gov.br/prdc/area-de-atuacao/dsexuaisreprod/Brasil%20sem%20Homofobia.pdf
Gostaria que as pessoas que fossem participar da parada Gay dia 14.06, pensassem
em discussão, diálogo. Parem um pouco o som, a dança e discutam para os participantes sobre idéias relevantes deste tipo. Um momento como este, coisa que os alunos, professores e manifestantes não conseguem unir, pois é uma multidão que bate recorde, é oportuna esta intervenção e falar da constituição, dos direitos legais contra a discriminação sexual.
O preconceito precisa ser trocado pelo diálogo e esclarecimento.
Márcia em junho 11, 2009 6:16 AM
#4
Idelber, desculpe-me, mas vou discordar de você. Primeiro, você diz: "Está categórica, sociologicamente provado que, em potencial, um padre é uma ameaça sexual muito mais grave a uma criança que um(a) professor(a) gay ou lésbica." Nem católico sou, mas essa sua afirmativa carece de comprovação, além de ser, também, extremamente preconceituosa e ofensiva. A afirmação de que todo padre tem potencial capacidade de fazer mal a uma criança é a mesma cantilena homofóbica, só que em outro tom. E, em segundo lugar, discordo do PL 122/06. A Constituição Federal afirma que todos somos iguais perante a Lei. Ora, o PL 122/06 vai acabar gerando um novo modelo de cidadão perante a Lei. Por que só os homossexuais podem ser contemplados com uma Lei protetora específica, e outras minorias não? E por que a simples discordância desse tema é sempre tachada de "homofobia"? Idelber, entendo que os gays e lésbicas possuem os mesmos direitos e deveres que eu, pelo simples fato de serem cidadãos brasileiros. Ainda que eu não concorde com o homossexualismo, tenho que entender que há pessoas que preferem essa maneira de ser, e que não posso interferir. Mas entendo, da mesma maneira, que devo ser também respeitado em minha discordância pacífica de idéias. Digo isso porque nem sempre sou respeitado por ser cristão, evangélico, pastor protestante. É duro ver que muitos daqueles que alardeiam tolerância só o são para os que compartilham as mesmas idéias, sendo intolerantes com aqueles que discordam.
Ufa! Post grande, e eu preferiria falar do Atlético ou do calor daqui de Rondônia, mas preferi me posicionar sobre o tema.
Grande abraço!
Rodrigo Lima em junho 11, 2009 6:19 AM
#5
Importante demais esse assunto.
E acho que a galera que você chamou de "progressistas religiosos" tem mesmo que ser colocada na roda. Aliás, todo mundo tem.
Em situações desse tipo não existe omissão. Não existe "estar de fora". Ser omisso é ser contra. Se a situação em que se encontram os homossexuais não agride diretamente a sua visão de mundo (a ponto de você fazer algo a respeito), bem, então há algo de muito torto na sua visão de mundo.
Discordo radicalmente do Rodrigo Lima. A afirmação que um padre é uma ameaça em potencial maior do que um professor gay é bem razoável: há muito mais homossexuais no mundo do que padres e muito mais casos de padres atacando crianças do que homossexuais. Simples assim.
Também achei bem engraçado a afirmação dele sobre "todos somos iguais perante a lei", porque ela parece bastante com o argumento dos que são contra ações afirmativas para combater o racismo. É a resposta típica da maioria dominante. Por que há uma parada do orgulho gay e nao do orgulho hetero? Por que há delegacias da mulher e não do homem? Porque infelizmente precisa!
Quanto a ser "respeitado", bem, acho que você tem o direito de falar o que pensa. Mas pra eu respeitar a sua idéia você precisa apresentar uma idéia respeitável. Por exemplo, respeito o que você falou sobre não poder interferir na maneira de ser dos outros. Acredito tanto nisso, que acho que qualquer conjunto de idéias que tente atacar liberdades individuais não deve ser respeitado. É por isso que você as vezes não é respeitado por ser cristão.
Pra terminar, o fato de você preferir falar do clima é, na boa irmão, ridículo. A gente não tá aqui falando essas coisas porque queremos "arejar" as nossas opiniões. A gente não tá sem assunto, percebe? A gente fala disso porque é um assunto sério pra caralho. Porque tem gente sofrendo com isso, porque tem gente morrendo em hospital sem direito a visita do parceiro de 20, 30 anos. Porque tem gente sendo preterida no emprego. É por isso que nessas horas eu estou, e aposto que o Idelber também, cagando pro Atlético ou pro clima em Rondônia.
fserb em junho 11, 2009 7:33 AM
#6
De tanto ler este blog aqui, creio que já deu para aprender que não se deve comparar - ou falar de "confronto" - coisas como maiorias esmagadoras (cristãos, por exemplo) e minorias ainda em início (histórico) de luta, como os homossexuais. Dê um desconto, Idelber, chegar a esse nível de consciência é dolorido. Eu mesmo confesso que me dói, como cristão católico que sou, ser rotulado e colocado numa vala comum onde estão os nazi-fascistas, os senhores de engenho escravistas, os machistas renhidos, os preconceituosos e hipócritas de toda espécie. Meu instinto me manda dizer: - pô, pera aí, isso é uma generalização. Nem todo católico é homofóbico, nem todo padre é pedófilo, nem todo cristão é irracional e não há passagem da Biblia que eu conheça onde Cristo mande apedrejar esse ou aquele porque ele é leproso, cobrador de impostos, prostituta ou o que seja.
Contudo, se eu deixasse meu fígado prevalecer nessas horas, eu não seria quem sou.
Belo texto e bela luta, professor.
MarcosVP em junho 11, 2009 8:38 AM
#7
Caro Professor,Bom Dia! Sou Presidente do SINDETIPOL/MG - Sindicato dos Detetives[AGENTES]de Polícia Civil do Estado de Minas Gerais,sou Petista,e Diretor da Executiva Nacional da Confederação dos Trabalhadores Policiais Civis do Brasil/COBRAPOL/BR,estivera em Belo Horizonte,no Teatro da Cidade,na luta contra o AI-5 Digital,mas o Presidente da Associação dos Jornalistas do Serviço Público´- AJOSP, Cláudio Vilaça me passou informes do encontro.Estamos na Luta contra esta proposta indecente e elitista,autoritária do Ladrão Senador Mineiro Azeredo,vide reportagem na revista Carta Capital www.cartacapital.com.br,tem uma bela reportagem sobre o assunto.Para Contato: XX31 30249213 Até Saudações Petistas e Humanas!
David rodrigues da silva em junho 11, 2009 9:22 AM
#8
Considero este assunto da maior importância. A disciminação contra gays e lésbicas ainda é imensa no Brasil, e somente um conjunto de ações combinadas pode ir aos poucos restringindo o preconceito. Moro atualmente em Alagoas, o Estado do deputado Olavo Calheiros, aquele que deseja proibir legalmente a adoção de crianças por homossexuais, e, com isso, provocar terrível retrocesso, já que alguns juízes estão aprovando esse tipo de adoção. Em Alagoas (como em outros Estados), o número de homossexuais assassinados é muito alto: eles são mortos pelo simples fato de serem homossexuais, isto é, seu "crime" é simplesmente o de ser eles mesmos, o de se mostrar como são. Diante de situações como esta, de alto risco, a aprovação da lei 122/2006 é necessária e urgente. Tô nesta briga.
Idelber, concordo com vc. de que a melhor forma de conhecer o preconceito é conversar com as vítimas: alguém poderia me indicar bons sites/leituras que contenham depoimentos de homossexuais?
Janaina Amado em junho 11, 2009 9:29 AM
fserb em junho 11, 2009 9:37 AM
#10
Pelamordedeus [b]Rodrigo Lima[/b], ninguém '[b]PREFERE[/b] essa maneira de ser'. Só isso já demonstra a sua incompreensão sobre a homossexualidade. O resto do seu comentário demonstra má vontade mesmo. [b]fserb[/b] já respondeu e muito bem.
carol de assis em junho 11, 2009 9:41 AM
#11
Caro professor,Bom Dia! Sabia que o Presidente LULA,pela primeira vez na história do País,convocou uma Conferência Nacional pra discutir,e a posteriori implementar e aperfeiçoar políticas públicas para os Gays? Inclusive se fez presente e defendeu os direitos dos Gays? Durante um mes o PIG - Partido da Imprensa Golpista,isto é,A Tv Globo,os jornais :Folha de São Paulo,O Estado de São Paulo,O Globo,e assemelhados,sem contar a Igreja Católica,espinafrou o nosso Presidente por mais de 30 dias ininterruptamente até CANSAR.O PT é o partido mais avançado em termos de defesa dos Gays.O Dep.DurvalÂngelo do PT em Minas,é Presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa em Minas,sempre foi duro com a Polícia em relação as Minorias fone do gabinete do Dep.xx 31-21087245,como militante do PT e cidadão Cósmico,sempre defendi as causas Gays,no Sindicato,no PT,em qualquer lugar.O LULA é o primeiro governante Mundial,a convocar,participar,e defender os Gays ao vivo e em Cores,sem medo de ser Feliz,tem ímplementado políticas Públicas de inclusão aos Gays. A maioria dos Gays se consultado sobre as políticas Públicas do Governo LULA para beneficiá-los,tenho certeza,que eles aprovam. Até.Saudações Petistas e Humanas.Sou Mineiro,moro em Belo Horizonte/MG
David rodrigues da silva em junho 11, 2009 10:15 AM
#12
Caro Professor,Bom Dia! Comprarei a revista Forum neste final de semana,sempre vejo o site.No início da revista comprei os primeiros números,é uma revista comprometida em defesa do Brasil que não tem Voz,de repente posso até ser assinante! Atualmente,sou assinante apenas da Revista Semanal CARTA CAPITAL, www.cartacapital.com.br, é uma revista de Esquerada Política, muito boa.A título de sugestão: www.petrobrasfatosedados.wordpress.com, www.viomundo.com.br, www.paulohenriqueamorim.com.br, wwww.amigosdopresidentelula.blogspot.com, www.pt.org.br, www.vermelho.org.br. Prometo não importuná-lo jamais,que os povos da Terra sejam felizes.
David rodrigues da silva em junho 11, 2009 10:44 AM
#13
Eu ia dizer o mesmo que a carol de assis. Ninguém "escolhe" ou "prefere" ser gay. As pessoas SÃO, ponto.
Respeito o direito do Rodrigo, por exemplo, se sentir desconfortável com o homossexualismo alheio, respeito o direito dele e quem mais for de ter crenças religiosas que dizem que o homossexualismo é um comportamento desviante aos olhos de Deus. Não entendo, não compartilho dessa idéia, mas respeito. DESDE QUE, fique bem claro, seja uma questão que não implique em NENHUMA discriminação aos direitos de cidadãos dessas pessoas.
Se todas as pessoas tivessem um amigo querido ou um parente gay/lésbica, com quem pudessem conversar sempre, sair pra beber um chopp, trocar confidências, veriam que simplesmente não há diferenças essenciais. O desejo de amor e de felicidade, os namoros, as decepções amorosas, a excitação diante de uma nova paixão, os sonhos e planos, as alegrias e as dificuldades da vida conjugal, são todos iguais, são todos humanos.
Acho que há coisas mais graves, mais importantes e mais necessárias de avaliar na hora de conceder a adoção de uma criança, por exemplo, do que a orientação sexual do casal. E não vou nem falar de herança, plano de saúde, casamento etc. Pra mim isso é tão, mas tão básico, que não tem nem discussão (tem, eu sei, e o caminho é longo, mas o que eu quis dizer... ah, vocês entenderam).
Ana Paula em junho 11, 2009 11:54 AM
#14
fserb, quis apenas fechar o texto de modo ameno. Guarde suas pedras para outra ocasião.
Rodrigo Lima em junho 11, 2009 11:56 AM
#15
Ana Paula e Carol de Assis, me desculpem, mas o homossexualismo sempre foi apregoado como "opção". Esse sempre foi o discurso que ouvi, vindo da boca dos próprios gays. Por que mudar de uma hora para outra?
Rodrigo Lima em junho 11, 2009 12:01 PM
#16
Grande, Idelber.
Contra a adoção tem sempre o argumento ridículo que a orientação sexual dos pais ou mães irá influenciar os filhos. Como se nós gays fossemos todos filhos de chocadeira.
Rodrigo, que hora Deus (vou escrever em maiúsculas em respeito a sua religiosidade) lhe perguntou ou deu a opção de escolher se queria ser hetero?
Direitos iguais. Pensemos em um gay numa esquina, com o livro do Trevisan na mão, falando dos pastores metade do que vocês falam sobre os gays. E veremos os direitos iguais. E poderia ser o uso apenas dos adjetivos mais leves que vocês costumam usar.
E não que eu seja contra vocês seguirem a vossa doutrina. Por mim, dentro das igrejas vocês podem falar o que quiserem e exigir que os membros da igreja sigam a regras. Mas só e exclusivamente para as pessoas que optam (nesse caso temos opção) ser da igreja. Agora, da porta pra fora, na questão legal, temos que considerar que as pessoas são plurais mesmo. Confundir Estado com Igreja sabemos onde isso para – a história está cheias de exemplos e nem todos louváveis.
Cláudio Luiz em junho 11, 2009 12:36 PM
#17
Rodrigo, eu entendo as dificuldades de entendimento trazidas pela sua opção cristã, mas tente localizar o exato momento em que você escolheu ser heterossexual. Caso consiga essa façanha, pense se havia outra opção à disposição que o deixasse igualmente feliz e o mantivesse fiel aos seus sentimentos mais básicos.
Ótimo post, Idelber: gracias!
Cleber em junho 11, 2009 12:38 PM
#18
Caro Rodrigo Lima,
A expressão "opção sexual" é no mínimo estranha. Não me lembro de um dia ter marcado um X para escolher entre para ser hetero, homo, bi ou qualquer outra "opção". Ou ainda de ficar na dúvida e deixar para completar o formulário outra hora. Acho que temos que parar com essa expressão e com outras que são no mínimo imprecisas. Mudamos as palavras se mudamos a nossa compreensão das coisas.
Luiz Goulart em junho 11, 2009 12:44 PM
#19
Rodrigo, não é de uma hora pra outra. É o amadurecimento de um entendimento que não se dá sem dor, pelas próprias circunstâncias de preconceito e discriminação que existem. Eu acho (vou falar pelo que escuto dos meus amigos gays, não tenho experiência de militância nem sou porta-voz de nada, ok?) que houve um momento em que era necessário, talvez se afirmar como opção. Se eu estiver falando bobagem, por favor, alguém com mais conhecimento de causa, me esclareça. Sim, eu também já ouvi muito essa expressão "opção sexual". Não sei se quem a cunhou foram os gays/lésbicas, ou a própria sociedade na tentativa de lidar com um fenômeno com que não consegue lidar. E eu nem vou entrar nesse mérito.
Mas de algum tempo pra cá, eu tenho visto e acatado como muito razoável, essa nova maneira de se posicionar. Não é uma opção, na medida em que uma opção pressupõe um leque de alternativas, em que você elege uma delas voluntaria e conscientemente, da mesma maneira que poderia ter escolhido outra.
E não é isso que acontece. Ninguém acorda um dia e diz "acho que agora eu serei gay", ou "resolvi que não sou mais gay" da mesma forma que vai no guarda-roupa e diz "acho que hoje vou usar essa camisa". É muito mais complexo, é uma construção de identidade. As pessoas escolhem comportamentos, isso sim, é possível. Mas identidade, aquilo que te constitui, que te estrutura, isso não é opção.
Ana Paula em junho 11, 2009 12:45 PM
#20
Claudio Luiz, você disse bem, e concordo plenamente com você: direitos iguais. Em nenhum momento eu me opus ao direitos dos gays seguirem sua consciência. Só quero que meu direito de me manifestar - na igreja ou fora dela - também seja respeitado, levado em consideração. Não peço que concordem comigo em tudo o que eu falar, assim como não concordo com tudo o que você disse. Mas, nem por isso, vou lhe apedrejar.
Quanto à minha fé cristã, pode parecer discurso oco (concordo que a religiosidade de hoje tem causado traumas), mas eu procuro, ainda que de modo imperfeito, seguir o que Jesus afirmava, que é não julgar ou prejulgar as pessoas. Quem sou eu para condenar você? Apenas disse que, para mim, não é algo que eu seguiria.
Quanto ao gay na esquina com o livro do Trevisan, você sabe tão bem quanto eu que o movimento gay tem forte amparo na mídia, seja ela "oficial" ou alternativa, como os blogs. Portanto, esse gay hipotético não precisaria gritar nas esquinas, ele já tem a simpatia da mídia.
Forte abraço, fica na paz!
Rodrigo Lima em junho 11, 2009 12:49 PM
#21
Idelber, sobre o seu PS:
A Cobal é grandinha, tem vários bares ali. Vc já tem idéia/sugestão de onde nos encontramos?
Ana Paula em junho 11, 2009 1:22 PM
#22
Idelber,
já num post anterior vc havia mencionado sobre a posição da Senadora Marina Silva e seus "problemas de consciência" em se juntar à Frente. Confesso que fiquei um pouco abalada com a informação e fiquei procurando no google algum lugar em que aparecesse com mais detalhes a justificativa dela para não aderir à Frente. Não encontrei nada. Não duvido da informação, apenas queria saber mais. Pois, como a considero uma pessoa absolutamente respeitável, gostaria muito de saber que razões ela pode alegar, do que se trata finalmente esses "problemas de consciência" e qual a abrangência deles... Onde vc viu ela se justificar dessa maneira? É algo acessável?
Lulli em junho 11, 2009 1:22 PM
#23
Idelber, sobre o seu PS:
A Cobal é grandinha, tem vários bares ali. Vc já tem idéia/sugestão de onde nos encontramos?
Ana Paula em junho 11, 2009 1:22 PM
#24
Que tal o "Espírito do Chopp"? É assim que se chama, né?
Lulli, já já te respondo.
Idelber em junho 11, 2009 1:26 PM
#25
Lulli: eu também procurei alguma coisa no Google, quando escrevi o artigo, e não encontrei. Os fatos são que a Senadora não se juntou à Frente e, quando questionada dentro do PT, alegou questões de consciência. Não tenho nada por escrito, mas a informação é conhecida de quem segue a vida interna do PT. Infelizmente, mais que meu testemunho eu não tenho :-(
Idelber em junho 11, 2009 1:28 PM
#26
Idelber, sobre o seu PS:
A Cobal é grandinha, tem vários bares ali. Vc já tem idéia/sugestão de onde nos encontramos?
Ana Paula em junho 11, 2009 1:28 PM
#27
Vixe, professor, o meu comentário apareceu triplicado. Apague as repetições, por favor.
O Espírito do Chopp tá ótimo.
Ana Paula em junho 11, 2009 1:29 PM
#28
Oi, Idelber! Por coincidência, hoje publiquei um post parecido ao seu. É uma resposta a uma carta homofóbica que recebi de um leitor (do jornal, não do blog) no domingo. É triste que tanta gente continue com essa mentalidade tacanha. E a enorme maioria dessa gente é de direita.
Lola em junho 11, 2009 1:32 PM
#29
En Iowa casamento gay foi "aprovado" pela Suprema Corte do país(Assim como na Califórnia). Na Califórnia perdeu um plebiscito por uma porcentagem pequena de votos.
O fato de Iowa não permitir referendos apartir de petições ajuda também. E tirando Iowa, todos os estados que aprovaram o casamento, de uma forma ou outra, ficam na Nova Inglaterra.
Não que Iowa, um estado que votou em Michael Dukakis em 1988 seja parâmetro de estado conservador.
Andre Kenji em junho 11, 2009 1:51 PM
#30
Rodrigo, vc é inocente bastante para acreditar que um gay numa esquina usando os mesmos adjetivos que os evangélicos usam para se referirem aos gays para falar dos pastores evangélicos será ouvido sem problema? Terá apoio da mídia? Jura?
A mesma mídia que vc diz que apóia está cheia de piadinhas “inocentes”, usa sempre a terminologia homossexualismo para deixar claro que um dia foi considerado doença e por aí vai.
Radicais há em todas as áreas, claro. Agora, os comentários de evangélicos que já li em alguns sites e blogs gays demonstram que este espírito cristão e respeito aos direitos que vc diz ter, está muito longe (muito) de ser a da maioria da sua comunidade.
Cláudio Luiz em junho 11, 2009 1:53 PM
Daniel em junho 11, 2009 1:56 PM
#32
Idelber,
sou contra a homofobia E sou contra sua criminalização. Uma coisa não exclui a outra e explico o por quê. É no mínimo estranho a esquerda assumir uma arma típica de controle social empunhada há anos pela direita. Nada mais revela que uma administrativização da política (e do direito penal), que vem a reboque da lengalenga pós-queda do Muro de Berlin que prega o fim da história e o fim das ideologias. A esquerda tem que lutar pelo fim da homofobia, mas nunca pela criminalização de uma forma de ser e sentir, por mais perversa que seja. Isso porque, sabemos, essa forma de ser e sentir não é responsabilidade exclusivamente individual; é, pois, herança - digamos em termos bem simplórios - cultural. E direito penal, ao contrário, o prof. Túlio pode explicar melhor do que eu, só trabalha com culpa individual: há uma irredutível incompatibilidade aí. Por outro lado, se o que se quer é evitar homicídios e lesões motivados pela homofobia, já temos os tipos penais de homicídio (inclusive qualificado pelo motivo torpe, em que a homofobia sem dúvida se encaixa) e de lesões corporais. Não é preciso uma nova lei nesse sentido. Aliás, obviamente que os 190 homicídios são execráveis, mas se incluem num universo muito maior de homicídios no Brasil. Assim, não há por que tratar estes especificamente como mais graves: seria dizer que os demais assassinados não tem a mesma dignidade.
Não creio que política contra a homofobia tenha de ser uma política de ressentimento. Nada há na criminalização que denote ação afirmativa. Há outras frentes bem mais saudáveis e eficazes. Está mais do que na hora de o povo parar de achar que criminalização é nossa panaceia.
Abraço!
Felipe Vicari de Carli em junho 11, 2009 2:00 PM
#33
para além de posições titubeantes de indivíduos da esquerda, seria interessante explicitar pessoas e/ou grupos que se posicional contrarios aos direitos dos homosexuais.
Tiago Pereira em junho 11, 2009 2:00 PM
#34
E tem mais uma coisa. Tem que acabar com essa história de que, todas vezes que apontamos a misoginia, a homofobia, os estupros de crianças, a luta anticiência, os séculos de lambança obscurantista, sempre aparecer alguém para dizer "ah, tem que respeitar minha religião".
Tem que respeitar religião coisa nenhuma. Idéias não foram feitas para serem "respeitadas". Idéias foram feitas para serem debatidas, questionadas, copiadas, circuladas, disseminadas, combatidas e defendidas, parodiadas e criticadas.
Seres humanos merecem respeito. Pregação contra o que seres humanos são, por sua própria essência e identidade (gênero, raça, orientação sexual) não pode ser confundida com sátira antirreligiosa. A maioria dos carolas adora confundir sátira antirreligiosa com ataque misógino ou homofóbico. Não entendem que sua superstição é, essa sim, uma opção.
Idelber em junho 11, 2009 2:05 PM
#35
Felipe, seu ponderadíssimo e inteligente comentário entrou enquanto entrava o meu. Estou na correria, saindo para o congresso da LASA, mas me cobre uma resposta, nesta mesma caixa. O que você coloca é importante. Discordo, mas demoraria muito para articular o porquê. Voltarei ao tema. Abraços!
Idelber em junho 11, 2009 2:12 PM
#36
Olá Idelber!!
Nossa adorei o teu comentário #33, e concordo com o post, totalmente.
O que vc escreveu aí em cima (#33) é uma coisa que presenciei bastante e vc explicou de maneira perfeita!
Geralmente quando queremos debater algo, algumas pessoas acabam por justificar seus preconceitos, ou mesmo a falta de argumento com a máxima "ter q respeitar" a religião, ou até mesmo certas posições políticas.
E acredito, que (acho q no meu caso e de muitos quando queremos debater)se estamos dispostos a debater está subentendido que respeitamos a crença alheia no sentido individual, e o que queremos debater são justamente as idéias, que podem estar ou não por detrás destas posições ou discursos religiosos né ;)
Essa retórica me parece mais um falso desvio para morrer a discussão mesmo...
Tenho a impressão , as vezes, que o suposto multiculturalismo e a sua aceitação, por efeito contrário acaba caindo num "vc tem que aceitar o que penso tb" , infelizmente.
Acho que um relativismo pós-moderno caiu no discurso de idéias até exploradoras e preconcituosas, e advogam sua "liberdade de pensamento" para justificar tais fascismos..
Uma vez, a irmã do meu namorado me disse de sua amiga (francesa e q era racista) "Eu tenho que aceitar o q ue ela sente também"....triste né..
Outro exemplo, de uma professora q estagiei (sociologia), de quando surgiram comentários neonazis na classe, me disse que queria que eu levasse meu namorado judeu e q queria até ver se não pderíamos fazer um "debate" com um careca para discutir "os pontos de vistas" , acredita?
Desculpe se fugi do assunto Idelber, mas me incomoda muito essas retóricas que vc apontou, e vejo muito disso em qualquer debate ultimamente....
(ah,,me intriga tb o fato da visibilidade dos gays aumentarem e a violência tb aumentar como vc descreveu, pois já tinha reparado nisso. Principalmente dos travestis, q as estatísticas tb devem atrapalhar muito.)
Abraços, e desculpe se ficou longo e confuso..
Má em junho 11, 2009 2:43 PM
#37
Cláudio Luiz, já passei da idade em que podia ser ingênuo. Sei bem o tempo em que vivo. Vou discordar mais uma vez de você: o movimento gay tem, sim, grande amparo na mídia. TV, cinema, novelas, etc., sempre apresentam algum psersonagem gay para "marcar presença". O gay hipotético a quem me referi, portanto, pode deixar a pregação nas esquinas, um método anacrônico (obviamente sei que você estava falando de modo metafórico) para abarcar novas mídias de propagação de idéias. Quanto às piadinhas sem graça, é o mesmo método que a mídia usa, mal comparando, com o Serra: bate um pouquinho ali, morde um pouquinho ali, mas é para se mostrar "independente". Sei que a comparação é horrorosa, mas foi a que me surgiu no momento.
E concordo com você que há radicais há em todas as áreas. E peço a Deus eu que não seja, ou me torne, um deles. Também já li comentários de gays que enxovalham sem dó nem piedade os evangélicos, de modo gratuito. Sei que há hipócritas no meio em que vivo - e isso não é "privilégio" meu. Mas, no presente momento, sou eu, Rodrigo, que debato idéias com você, e não os hipócritas. Se meu respeito à diferença não é uma marca de minha comunidade (algo a ser debatido em outro momento), não vem ao caso agora. O que importa é que, mesmo que discordemos um do outro, possamos manter o bom nível.
Rodrigo Lima em junho 11, 2009 2:43 PM
#38
Concordo enfaticamente com quase todo o que você escreveu.
Os único ponto de discordância diz respeito à censura implícita às piadas sobre gays, já que, ao contrário do que a patrulha do politicamente correto ao modo norteamericano apregoa, o humor deve ser preservado como território livre da expressão popular. Há milhares de piadas sobre portugueses, loiras, machões, judeus, americanos e nenhuma dessas "categorias" é diminuída por isso. É plenamente possível conciliar a defesa aguerrida dos direitos gays/lésbicas e a saudável capacidade de rir da "categoria".
Devido ao feriado, não fui ao Rio hoje, como faço todas as quintas. Pena, pois gostaria muito de conhecê-lo pessoalmente e tomar um choppp com a galera. Divirtam-se!
Mauricio Caleiro em junho 11, 2009 2:48 PM
#39
Idelber, como disse no meu primeiro post, é fácil ser tolerante com aqueles que concordam conosco, e infelizmente você demonstrou isso, ao escrever "tem que respeitar religião coisa nenhuma". Se a conversa partir para esse viés, nada impede que eu xingue de modo virulento o seu trotskismo, não é verdade? Vim aqui para, exatamente, debater idéias, apresentar argumentos. Como disse, não espero que concordem comigo, mas espero ser respeitado em meu direito de expôr minhas idéias, sem ser tachado de "obscurantista" ou "supersticioso". "Pluralismo" é exatamente isso. Ah, outra coisa: o respeito ao ser humano não deve incluir, também, sua opção de fé (ou não-fé)?
Fica na paz.
Rodrigo Lima em junho 11, 2009 2:49 PM
#40
Rodrigo ok sua opinião,agora colocar questões como futebol e clima em cima de direitos humanos,por favor,vc tem noção de como isso foi pesado?!um homossexual foi morto aqui em minha cidade semana passada,de uma forma macabra...foi violentado, envolveram o corpo dele em arame farpado e o estrangularam,segundo alguns peritos possivelmente ele foi torturado antes de ser morto...quando marina silva se omite,ela está omitindo TODAS AS MORTES ocorridas no mundo em mais de séculos de perseguição aos homossexuais,e n me venha dizer essa história de consciência religiosa, que isso jamais justificaria o ato de n defender a VIDA,DIGNIDADE,RESPEITO de outros cidadãos!se esse país precisa de uma lei para coibir a homofobia,é pq a situação já passou de todos os limites,e esse crime,cometido em pleno século 21,só demonstra que a homofobia ainda é pesada e tem q ser combatida.
luan oliveira em junho 11, 2009 3:24 PM
#41
"O apelo do post é muito simples: procure seu amigo gay ou sua amiga lésbica e pergunte, indague muito. Não pressuponha que sabe o que eles vivem. Escute com atenção. Você se surpreenderá."
Se me perguntassem, eu alertaria antes: Don't get me started! Seriously..
harry em junho 11, 2009 3:36 PM
#42
Quanto ao apelo do post, eu não posso realizá-lo por um motivo simples: minha amiga gay mais próxima, minha priminha não está mais aqui, vítima da espiral de preconceito que a levou das drogas à morte prematura com 17 anos....
Aqui no Acre (de maioria, infelizmente, muito preconceituosa) os senadores dificilmente são questionados por estas posturas. E mesmo que fossem poderiam simplesmente afirmar (no caso de Tião, por exemplo)que está seguindo seu eleitorado!!!
Concordo contigo. Sou "superticiosamente" religioso e discordo da posição da ministra em que votei e que tanto admiro. Direitos são negados sim àqueles que tem uma orientação sexual diferente da maioria. Acredito que medidas afirmativas (mas, não punitivas) devem ser pleiteadas e apoio todas as que pleiteim direitos civis e sociais.
O fato de eu discordar de práticas íntimas de alguém não interfere na minha forma de avaliar a situação. Isso os ministros têm que entender...
COmo vc disse, seres humanos merecem respeito independente se são amarelos, roxos, gostam de sorvete, gostam de meninos e/ou meninas e, principalmente, pelo o que eles pensam (sátiras religiosas incluídas no balaio rsrs).
Eu moro num estado onde a esquerda é tão ou mais reacionária que a direita. Não dá para explicar em poucas palavras, mas, pode ter certeza que amobos os senadores são aplaudidíssimos NESTAS posições, infelizmente....
Abs.
Edk em junho 11, 2009 4:38 PM
#43
Idelber,
A proibição do casamento entre homossexuais é de uma tosquice inacreditável; ela não resiste à mínima interpretação sistemática de um ordenamento jurídico razoavelmente moderno - como o nosso, por exemplo.
Se eu não tenho uma fé lá muito grande em relação a esse dogma - não raro, embuste - liberal do constitucionalismo, isso se deve por contradições como essas; como conciliar o fato de existir uma Lei Maior que proclama direitos individuais - dentre eles a igualdade - ao mesmo tempo em que, dentro do mesmo ordenamento, existam diplomas legais que sigam direção contrária?
É impossível ser contrário aos direitos dos homossexuais - dentre eles o matrimônio - sem fazer uso de argumentos não-jurídicos - pseudo-morais, religiosos ou politiqueiros - e, por conseguinte, atentar contra os próprios direitos individuais; padres e pastores têm todo o direito de orientarem seus fiéis e exigirem o direito de fazê-lo, mas não podem impôr seu ponto de vista em relação aos homossexuais, ateus ou a qualquer outro segmento da sociedade - porque se a recíproca fosse verdadeira, eles não aceitariam, logo isso já constitui em algo anti-ético.
Quando escrevo isso, me vem à mente a proibição da parada do orgulho gay em Moscou ocorrida recentemente. Sabe quem puxou o movimento para tanto? A própria Igreja Ortodoxa Russa. Sabe o que eles alegaram? Que não a Igreja não tem nada contra os homossexuais, desde que a prática homossexual não seja pública (!!!). Ora e se alguém baixasse uma lei dizendo que a prática da ortodoxia de agora ficasse restrita às catacumbas? Mas são eles que vivem demonizando o regime soviético que os perseguiu?
Com isso não defendo o regime soviético que também perseguiu os homossexuais - e não foi pouco -, mas até que ponto alguém da Igreja Ortodoxa tem moral para ataca-lo se os as práticas são as mesmas?
A Igreja Romana também vende a rodo discursos com um sofisma muito parecido. A velha tese da tolerância seletiva.
Honestamente, penso que a chave para os direitos dos homossexuais está no reconhecimento dos próprios valores que essas Cartas já consagram, é uma questão de se fazer pressões políticas para que as Supremas Cortes e Tribunais Constitucionais reconheçam isso; plebiscitos e coisas do genêro são inteiramente demagógicos para decidirem sobre direitos indisponíveis.
Hugo Albuquerque em junho 11, 2009 5:08 PM
#44
Querido Rodrigo Lima,
O PLC 122/06 é um projeto de lei constitucional que somente "1º Altera a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, definindo os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero", ficando o texto constitucional como "Define os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero (NR)". Não sei se deu pra perceber mas discriminação ou preconceito de RAÇA, COR, ETNIA, RELIGIÃO E PROCEDÊNCIA NACIONAL já estavam previstos na Constituição Federal de 1988. Não seriam estas minorias?
Gabriel Prates em junho 11, 2009 5:35 PM
#45
Talvez nem todo cristão seja homofóbico, mas, que tem uma tendência a ser, ah, tem sim. Vide a história.
Ronau em junho 11, 2009 5:37 PM
Gabriel Prates em junho 11, 2009 5:37 PM
#47
Gabriel Prates,
Não seria projeto de lei complementar?
Hugo Albuquerque em junho 11, 2009 5:40 PM
#48
Idelber,
E, claro, concordo plenamente quanto a sua crítica em relação à Marina Silva e Tião Viana; ninguém está pedindo que eles virem homossexuais, mas que velem pelos direitos e liberdades individuais de uma minoria - seria como se eu, alegando motivo de consciência - seja lá o que isso signifique - me omitisse em relação a perseguições sofridas por liberais só porque eu não sou liberal e não concordo com o pensamento liberal; não seria o liberalismo que está em jogo, mas o direito das pessoas se expressarem livremente, o que é comum a todos.
Enfim, é aquela cegueira que ainda acomete a humanidade em relação a distinguir o que é interesse público de privado - e entender que opiniões e posições individuais não podem ser postas acima dos direitos de outrem. Em se tratando de representantes parlamentares, é inteiramente lamentável.
Hugo Albuquerque em junho 11, 2009 5:47 PM
#49
Rodrigo, Rodrigo...
Leia denovo o comentário do Idelber sobre não respeitar idéias. É a coisa mais importante escrita aqui hoje (não é porque é comentário do dono não, esse sujeito Idelber é inteligente pacas).
Você pergunta "o respeito ao ser humano não deve incluir, também, sua opção de fé (ou não-fé)?". A resposta está lá, claríssima. Não! Não deve! Idéia, pensamento, fé, achismo, convicção todas essas coisas não são gente. Gente merece respeito, idéias não. Idéias você copia, constrói, destrói, critica, elogia, entende. Nunca respeita. Respeito é pra pessoas.
Você acha que deve ser respeitado o seu direito de expôr suas idéias sem ser tachado de obscurantista ou supersticioso. Pois eu não acho. Você tem todo o direito de expressar a sua opinião aqui. E eu tenho o mesmo direito que você de dizer que as suas idéias são obscurantistas, supersticiosas, atrasadas, medievais, homofóbicas. Entendeu? As suas idéias não tem direitos, elas não tem "um lugar garantido sob o Sol". Você tem.
fserb em junho 11, 2009 6:11 PM
#50
Sacanagem, não consegui enforcar o feriado e só chego no Rio no sábado. Bom chope aí pra vocês!
NPTO em junho 11, 2009 6:32 PM
Conceição Oliveira em junho 11, 2009 6:40 PM
#52
Ah, fserb, entendi. Então, se eu considerar as suas idéias também tacanhas, obtusas, grosseiras, retrógradas e fruto de um câncer chamado de "politicamente correto", estou no meu direito também? Também posso considerar seu pensamento limitado ao me tachar meu pensamento de "obscurantista", por se basear em preconceitos e idéias distorcidas? Que ótimo! Vamos curtir nosso lugar garantido ao sol juntos.
Rodrigo Lima em junho 11, 2009 6:42 PM
Mauricio Caleiro em junho 11, 2009 8:08 PM
#54
idelber:
só pra explicitar aqui o meu apoio ao movimento gay.
romério
romério rômulo em junho 11, 2009 8:14 PM
#55
Clap clap clap...
No mais "livro apócrifo de lendas judaicas" é de longe a melhor definição que já tive conhecimento da bíblia. Peço licença para usar daqui por diante.
aiaiai em junho 11, 2009 9:08 PM
#56
Clap clap clap...
No mais "livro apócrifo de lendas judaicas" é de longe a melhor definição que já tive conhecimento da bíblia. Peço licença para usar daqui por diante.
aiaiai em junho 11, 2009 9:08 PM
#57
Esse ponto é crucial:
"e, em vista de suas crenças religiosas, a Senadora Marina Silva tem “problemas de consciência” para se juntar a essa causa, que ela os resolva no âmbito privado. Na esfera pública, ela tem a obrigação de defender o programa do PT."
Não só nesta mas em todas as questões no país.
ME lembro do caso do Aborto, deputados e senadores se colocam contra por posição religiosa, ora,s mas o Brasil é laico! A opinião privada, religiosa, do parlamentar não tem qualquer sentido quando a discussão e´técnica e envolve o interesse nacional.
Essa questão das crenças pessoais e da política é muito importante, extremamente relevante em um país dominado por coronéis, por ideologias retrógradas e um certo fanatismo religioso.
A defesa dos direitos dos homossexuais não passa pelo foro privado do 'meu Deus não gosta" e sim da cidadania, do direito, da saúde e etc...
Pena que nossos parlamentares (e quando digo "nossos" não fico só no Brasil) costumam fazero que querem, o bem pra si e não para o país, o mundo.
Raphael Tsavkko Garcia em junho 11, 2009 9:33 PM
#58
Olá. Muito bom esse teu texto, mesmo com o deslise da expressão "opção sexual", pois que na verdade trata-se de orientação sexual. Quem em sã conciência escolheria ser homossexual em um país preconceituoso e homofóbico como o Brasil.
Ah sobre o tema relacionado com a religião, como historiador posso afirmar que não nenhuma "prova" histórica reconhecida pela comunidade de historiadores no mundo que comprove a existência de Jesus, então tua afirmação sobre a bíblia está certa, pois não se sabe realmente quem foram seus autores e nem se suas histórias têm algo de verdade (eu pessoalmente acho difícil) - trata-se de um conjunto estranho de mitologias assim como tantos outros livros misticos espalhados por aí, que expressam o que o Homem já foi e não mais o que é. Seguir as "leis" da bíblia seria comparável a voltar ao Código Hamurabi, ou as trevas.
Agora eu simplesmente não entendo por que alguns ditos heterossexuais se incomodam tanto com o o PLC 122/2006,será medo de ver abertamente afeto entre pessoas do mesmo sexo e passar vontade? Se respeitam tanto todos e todo mundo por que gastam o tempo deles de de todos se opondo ao direito das pessoas homoafetivas? Para mim isso parece a boa e velha transferência freudiana... rs.
Augusto em junho 11, 2009 9:34 PM
#59
Penso que há certas coisas em que a lei tem de amparar independente da opinião individual ou coletiva.
Se nós temos casais homossexuais convivendo maritalmente, a lei tem de amparar os mesmos independente da opinião de A ou B. Senão se viola o artigo 5º da Constituição, que diz que todos são iguais perante a lei.
O problema é que fazem muita "marola", como se diz aqui no Rio, para pouca coisa. Se está acontecendo na sociedade, a lei tem de amparar.
Também acho que a religião tem de ter bom senso quanto à questão. É apenas a orientação sexual de cada um, não uma questão teológica de vida ou morte.
Pedro Migão em junho 11, 2009 9:47 PM
#60
Concordo totalmente com a afirmação do Idelber de que nas discussões políticas sobre homossexualidade não há obrigação nenhuma de se respeitar religiões. Repito, discussões políticas, porque temas como criminalização da homofobia e casamento entre pessoas do mesmo gênero são temas políticos, temas que estão sendo e que devem ser discutidos no âmbito da política. Conseqüentemente, quem se propõe a discutir politicamente um tema, não importa qual tema, deve ter maturidade política e entender e aceitar o fato real de que a República Federativa do Brasil é um Estado laico, secular, temporal. Reitero: se você quer participar de um debate político sobre um tema que lhe interessa, então, antes de tudo, aceite as regras do jogo, cara-pálida, entenda e aceite de uma vez por todas que a porra do Estado brasileiro é um Estado laico, secular, temporal, caralho! Se não gostou, então não participe do jogo. Aliás, você não é obrigado a participar e ninguém pode te obrigar a participar. É inadmissível, ou melhor, deveria ser inadmissível que pessoas ou grupos sequer propusessem a discussão política de um tema para tentar impor seus valores religiosos a toda à sociedade. E antes que um cretino qualquer afirme que lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais tentam fazer exatamente o mesmo, impor seus valores a toda à sociedade, mediante propostas como a criminalização da homofobia e o casamento entre pessoas do mesmo gênero, eis a resposta antecipada: ainda que a afirmação fosse verossímil, restaria o fato de que, no caso, não se estaria tentando impor valores religiosos a ninguém. Todavia, a afirmação é falsa, falsa porque ninguém será obrigado a casar com uma pessoa do mesmo gênero e nenhuma instituição religiosa será obrigada a celebrar matrimônios homossexuais; falsa porque o Estado tem como um de seus objetivos fundamentais “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”, portanto, ao combater a homofobia o Estado está cumprindo uma determinação constitucional. Contra os que invocam os direitos de “livre manifestação do pensamento” “liberdade de consciência e de crença” e “livre exercício dos cultos religiosos”, restam as reiteradas interpretações do STF de que os direitos individuais e coletivos não podem ser utilizados como um escudo para a proteção de condutas ilícitas.
Ao fim e ao cabo é evidente, por mais que se tente às vezes disfarçar, que são sempre valores religiosos que estão em movimento quando se negam direitos e proteções a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Quem quiser apresentar argumentos contra o casamento homossexual, contra a adoção por LGBTTs, contra a criminalização da homofobia que venha e participe da discussão política, mas venha sabendo que não poderá utilizar argumentos com fundamentação religiosa, porque não há lugar para nenhuma religião no espaço da política. Não gostou? Então se candidate, eleja-se para a Câmara federal ou para o Senado e tente modificar a Constituição, ou tente promover uma revolução religiosa para outorgar uma nova constituição, ou mude-se para outro país, ou crie uma comunidade de homofóbicos e vá viver em algum lugar ermo, afastado do contato com LGBTTs.
Fabiano em junho 11, 2009 9:51 PM
#61
Janaina,
uma sugestão de leitura que não sei se se enquadra no seu pedido mas que é livro excelente: "Reflexões sobre a questão gay", de Didier Eribon, publicado pela Companhia de Freud.
Abraços.
PS: Fui seu aluno, anos atrás.
Fabiano em junho 11, 2009 9:59 PM
#62
Ai, errar é humano, persistir no erro é burrice! Escrever duas vezes "a toda à sociedade", com crase onde não deveria haver é demais!
Fabiano em junho 11, 2009 10:05 PM
#63
Acho inacreditável que tenha muita gente que diga: sou contra o homossexualismo, mas não sou preconceituoso. Aliás "sou contra o homossexualismo" já é uma pérola.
Idelber,
achei que vc tocao em um (o) ponto fundamental do preconceito contra homossexuais, em especial masculinos: "A bizarra noção de que gays e lésbicas são máquinas sexuais incontroláveis, prontas para disparar a qualquer momento, tem ainda profunda inserção no chamado inconsciente coletivo."
É isso. Perfeito.
Uma coisa me incomodou na sua leitura do conto do Caio Fernando Abreu. Na época quis fazer um comentário sobre isso e sobre minha leitura do conto. Ficou longo, e confuso. Fiquei de editar depois, passou o momento, deixei pra á - esse é roteiro habitual de comentários que nunca envio para blogues.
Vc disse, então, que uma das chaves do conto era o fato de nada sexual ter se passado entre eles - es especial naquela noite. Parágrafos depois, vc escreveu algo como "não não sabemos se eles não são gays; nem eles sabem".
Perdão. Para mim eles não são Capitu. Eu sei sim. Eles são gays, ou, ao menos, bissexuais que mantêm um com outro uma relação homoafetiva. Se treparam ou não, se vão vir a trepar ou não, não muda nada - pode ser, quanto muito, índice do preconceto arraigado neles mesmos.
Se um homem e uma mulher desenvolvessem a relação que o conto descreve, nem eu, nem vc, nem nenhum integrante da torcida do Flamengo pensaria duas vezes em tratar a relação por romântica. Platônica, reprimida, casta ou pura. Classifique-a como quiser, mas romântica.
Será que não há um tico de precnceito, inconsciente (coletivo) em hesitar em ter por romântica uma relação homossexual por ela carecer de sexo?
Abração.
Murilo em junho 11, 2009 10:19 PM
#64
Olá. Pra começo de conversa, adorei também, como alguém comentou, a expressão "livro apócrifo de fábulas judaicas." :)
Durante um tempo, fiz parte de um grupo de discussão de lésbicas, o Uva na Vulva (acho esse nome muito bonito). Há um site, o http://www.uvanavulva.com.br/.
A gente fazia reuniões ótimas, inclusive pelo MSN, e tive grandes amigas ali. Digo "tive" porque, como tenho uma orientação emocional de "ostra", acabei me afastando. Faço questão de dizer que é uma ORIENTAÇÃO, pois não escolhi ser ostra na vida. Eu preferia ser mais gregária.
No meu caso, vejo ser "ostra" como algo negativo, não porque a sociedade diz que é ruim ser assim, mas porque sofro sendo assim.
Já sofri por ser de um tipo que a sociedade fala que é esquisito, mas disso já me curei. Fiquei muito mais leve depois que aprendi a cagar e andar para o preconceito diante do meu jeito de ser. E digo isso para fazer o contraponto com a orientação sexual. Ser "ostra" me incomoda, mas é algo que tem a ver comigo. Se incomoda os outros, problema dos outros. Ser heterossexual não me incomoda. Então, por que deveria uma pessoa homossexual ter a obrigação de se incomodar com isso?
É algo que é da pessoa, mas não é ruim como é, pra mim, ser uma auto-ostracista. E nem isso pode ser tido como necessariamente ruim. Aposto que há pessoas "modelo ostra" que vivem muito bem dessa forma.
Aliás, interessante. Falei em "ostra" e só agora minha cabeça brincou de associar ostra a ostracismo.
Eu sou "ostra" porque sou (ou estou, sei lá). Se um dia conseguir sair disso aí, saio com prazer. Mas não quero que ninguém me diga que devo mudar. Apenas eu sei dizer se isso me faz mal ou bem.
Quanto a ser heterossexual, isso nunca me fez mal e, se fosse homossexual, também acho que não me faria mal. Mal me faria a agressão alheia diante do meu jeito de ser, como já me fez mal um certo preconceito que sofri quando mais jovem por ser "ostra".
E, tendo sofrido isso, me identifiquei com quem sofre preconceito por sua orientação sexual, pois hoje convivo muito melhor com meu "ser ostra", já que estou mais forte para lidar com o preconceito.
Se quero mudar (não digo com isso que os homossexuais devam querer mudar; estou falando especificamente do meu jeito fechadão), é problema meu, mas não venham dizer como devo ser e se devo querer mudar. Enxergar isso me ajudou muito e hoje sou até uma ostra mais aberta, mais feliz.
Voltando ao fato de não achar que ser homossexual é algo negativo, junto isso à idéia da ostra e acho que condenar as pessoas que gostam de pessoas do seu próprio gênero é condená-las ao ostracismo e eu, OSTRA que sou e que não escolhi ser assim, acho muito injusto que alguém seja condenado à posição de OSTRA (no caso do ostracismo) sem o ser, só porque é homem que gosta de homem ou mulher que gosta de mulher ou que tenha qualquer outro tipo de afetividade possível. E eu acho bonito haver vários tipos de afetividade na vida.
O patológico, para mim, é o preconceito diante da orientação sexual. E o pior é que se trata de patologia alheia que causa o "phatos" sofrimento em quem não tem nada a ver com a história. Por isso sou pelo combate à homofobia, e aos preconceitos em geral. É claro que tenho os meus, mas acho que são doenças nossas que jogamos pra cima dos outros. E eu quero é saúde.
Acho forte e assustadora a capacidade que a homofobia tem de causar patologias em quem nasceu saudável mas homossexual. Falo em patologias físicas (as agressões físicas) e em patologias emocionais.
Se me incomodo em ser "ostra", o incômodo é meu. Quando meu incômodo era associado ao preconceito alheio, o tal preconceito era problema dos outros, e não meu. Como já disse, fiquei mais saudável ao perceber isso.
Mas, assim como sou "ostra", sou heterossexual. Ser "ostra" eu prefiro considerar como "estar ostra", algo que não escolhi mas que foi fruto de sei lá que condições que me fizeram assim e que podem ser resolvidas. Mas ser heterossexual é algo que faz parte do que sou de um modo não patológico, assim como ser homossexual, bissexual ou o que quer que seja.
Por isso, sou pela defesa da diversidade sexual, afetiva, emocional, racial, de gênero e qualquer outra que seja. Já sofri preconceito e sei, aqui dentro, que o preconceito é uma das maiores patologias sociais que existem.
Mônica em junho 12, 2009 2:06 AM
#65
Sou uma ostra que fala demais por escrito, apesar de ser caladona na hora de usar a voz e a presença física. Fica até parecendo que tô contando lorota quando digo que sou pouco gregária, mas eu sou mesmo.
Meu comentário anterior ficou imenso, mas queria falar mais. Vejam só uma ostra deixando de ser ostra por conta de um certo meio de expressão. E isso é muito bom. Santa tecnologia!
E, bom... fiquei com vontade de falar da questão religiosa também. Eu me digo atéia diante de toda e qualquer construção humana que exista para explicar a tal EXISTÊNCIA. E me digo agnóstica diante da tal EXISTÊNCIA. Considero que nós somos, confrontados com esse negócio de universo, de infinito, de existir, de criação, de tudo, de nada e coisa e tal, parecidos com um cachorro sentado diante de um computador. Não sacamos bulhufas do que é, de fato, O FATO, e sei lá se temos neurônios que possam entender isso um dia.
Alguns cachorros latem com som católico, outros com som muçulmano, e eu sou uma cadela calada e espantada diante desse computador que é o mundo e que é minha presença no mundo.
Chamando os latidos de "mitos de criação", confesso que acho alguns latidos muito belos, muito sonoros.
Há mitos, lendas ou seja lá o que sejam essas coisas que mostram que o cão que somos nós neste mundo cão conseguiu produzir imensas belezas ao olhar para o computador que não entende, mas tentou entender, e a criação da tentativa do entendimento da criação já gerou sonoridades que acho lindas. Outras não. São latidos agressivos, coisa de cão raivoso.
E é isso que eu mais aprecio na existência. A capacidade humana para a criação, a questão estética da vida. Eu já estava prestes a comentar aqui, hoje bem mais cedo, que esse negócio de religião não é escolha.
Mas conversei com o Guto, pensei na vida, e vi que meu jeito de ver o mundo, por mais que eu não consiga mudar com facilidade, é fruto de um tanto de debates que meus neurônios Tico e Teco travaram ao longo da minha vida, de um tanto de coisa que eles pensaram, leram, buscaram, sentiram e conversaram.
Foi fruto de uma ação, de uma busca minha. É claro que eu não conseguiria, aqui e agora, me fazer evangélica. Católica eu nasci por herança familiar e fui deixando de ser. Mas foi uma construção mental.
Por isso concordo quando o Idelber diferencia a orientação sexual da questão religiosa. Se eu tivesse nascido lésbica, ou se descobrisse isso em certo momento da minha vida, seria algo alheio a elaborações mentais, pois faz parte da sexualidade, do afeto, dessas coisas meio sem palavras.
Mas minha construção de atéia-agnóstica veio a partir da linguagem. Tico e Teco conversaram muito para que eu fosse como sou. Mas eles nunca conversaram a respeito de eu ser heterossexual. Eu sou, e pronto. Então a coisa é diferente mesmo. E eu, portanto, concordo com o que diz o Idelber.
Mônica em junho 12, 2009 2:25 AM
#66
"Se, em vista de suas crenças religiosas, a Senadora Marina Silva tem “problemas de consciência” para se juntar a essa causa, que ela os resolva no âmbito privado. Na esfera pública, ela tem a obrigação de defender o programa do PT."
Como eu gosto dos totalitários. Pelo menos eles não escondem que detestam oposição.
Maravilha! Chega dessa bobagem de consciência individual, a coisa é pública, é a massa esmagando qualquer oposição ao que "nós pensamos". Lindo. Imagino o Idelber no poder. Revolução Cultural, Goebbels e Pol Pot é troco. Para o bem de quem pensa diferente de você, é bom você nunca ter sido competente o suficiente para ser convidado. Abraço.
Falstaff em junho 12, 2009 3:53 AM
#67
Muita bom o post e muita boa a discussão derivada dele, além de esclarecedora em diversos pontos.
Pra mim o ponto mais crucial foi a posição de que "idéias não devem ser respeitadas". Acho que é por causa da predominância dessa atitude que o mundo está ainda tão atrasado ideológica e intelectualmente, na mesma proporção dos avanços tecnológicos, mesmo depois de tantas guerras e atrocidades que a Humaninade já passou. Chega de respeitar idéias, as pessoas precisam usar mais a Racionalidade (e menos o racionalismo)e colocar suas considerações em jogo, pra que as idéias avancem. Como disse Saramago, se pelo menos a Razão nos fosse tão útil quanto o instinto é útil para os animais, talvez a gente pudesse caminhar em outras e melhores direções.
Abraços.
PS.: Gosto particularmente dos comentários da Ana Paula.
Claudia Souza em junho 12, 2009 5:56 AM
#68
Falstaff: ninguém é obrigado a ser membro do PT. Se resolveu ser membro, ora, não pode se recusar a apoiar o PLC 122. Simples assim. Está na carta de fundação do partido. O que isso tem a ver com totalitarismo? Ora, que bobagem! Não estou obrigando ninguém a pensar como eu.
Mas se alguém se comprometeu com um programa, ora, se comprometeu com um programa.
Idelber em junho 12, 2009 5:56 AM
#69
Claudia: a Ana Paula é o fino do fino. Acabei de conhecê-la pessoalmente, numa cervejada memorável, aqui no Rio. Ela é o máximo.
Idelber em junho 12, 2009 5:58 AM
#70
Aliás, estava agora mesmo lendo o blog dela e realmente é o fino do fino :-))
Claudia Souza em junho 12, 2009 6:03 AM
#71
Má (comentário 35): você nem fugiu do assunto e nem escreveu nada longo e confuso. O seu relato é maravilhoso e ajuda a explicar a irredutibilidade dessa diferença. Pregação racista, misógina ou homofóbica (inaceitável) versus sátira ou crítica antirreligiosa (não só aceitável como extremamente saudável para a humanidade).
Idelber em junho 12, 2009 10:11 AM
#72
Idelber, sobre o tema, nada a acrescentar. Não bastasse o ótimo post, os comentaristas daqui também são biscoito fino, disseram com propriedade o que eu não conseguiria articular tão bem. Então restou falar do encontro de ontem, muito, muito bom. O pouco que conversamos só fez aumentar a minha admiração por você e pela Ana, além de dar ainda mais vontade de prosear sobre os mais variados temas, América Latina à frente, futebol em último lugar (pois nesse tema sou mesmo uma negação...).
Grande abraço, mais um beijo na Ana e já já mando o meu telefone por email.
Ricardo Cabral em junho 12, 2009 10:12 AM
#73
Declaro:
1 - meu apoio incondicional à luta contra a homofobia.
2 - meu desgosto por não estar no Rio ontem à noite para tomar um chope com meu amigo Idelber Avelar e a turma. Juro, uma pena, tô aqui mordido e pensando em dar um pulo em BH pra obrigar um reparo nesse item.
Abraços, meu caro.
Pax em junho 12, 2009 10:16 AM
#74
Caro Idelber,
Hm. Devagar com o andor que o santo é de isopor.
O PT é um partido com inúmeros defeitos. Mas não o de impor um pensamento único. Aliás, acho que é o único que admite, estatutariamente, as tendências. E as tendências não são apenas articulações em torno do "poder" do partido, mas também correntes políticas diferentes. Há um limite, que é o projeto do partido como um todo: a Convergência Socialista foi expulsa por ter um projeto próprio desvinculado.
Talvez vc não lembre das brigas entre Marta Suplicy e Hélio Bicudo. Foi feia. Mas existiu e existe no PT também uma corrente mais cristã. Cathy Coltai, também com uma agenda mais libertária (incluindo a descriminalização da maconha), sofreu críticas pesadas de setores mais conservadores do partido.
A adesão ao programa não obriga ninguém a ter uma participação ativa em relação a alguns pontos controversos. É diferente de um voto contrário. Aí sim, pode caber ou não um questionamento ético.
Gosto muito da Marina, e abomino esse lado evangélico dela, que já fez ela dizer besteira sobre criacionismo e não tomar posição contra a homofobia. Mas obrigar alguém a tomar uma posição vai muito longe.
Abraços
Mario Abramo
Mario Abramo em junho 12, 2009 10:19 AM
João Carlos em junho 12, 2009 10:30 AM
#76
Idelber,
meu problema com o PL não é o tema em si - o combate à homofobia - mas à idéia de criminizalição. Parece-me contraditório com outra bandeira fundamental da esquerda no mundo atual, que é a despenalização e a crítica ao encarceramento. Quer dizer, num momento em que se luta contra o encarceramento como estratégia cotidiana, não vejo porque toda nossa luta política tem que desaguar na penalização de comportamentos nocivos. Não seria melhor lutar pela garantia de direitos civis, proteção no emprego e a abertura da instituição casamento a todos ?
Joao Marcelo em junho 12, 2009 12:12 PM
#77
Caro Idelber, outro aspecto interessante dos homofóbicos que se amparam na religião é que normalmente eles reclamam que ela (a religião) não goza desse tipo de proteção, "por que então os homossexuais haveriam de ter esse direito?" Ledo engano, discriminação religiosa também é combatida no Brasil. Basta lembrar dois casos emblemáticos: o julgamento no STF do habeas corpus de Siegfried Ellwanger e a ação civil pública movida pelo MPF/SP contra a Rede Record por discriminação das religões afro.
Patrick em junho 12, 2009 1:23 PM
#78
Mario Abramo,
Pelo que eu entendi do post - e concordo com o Idelber -, em nenhum momento houve defesa do pensamento único, mas sim de um princípio mínimo republicano. O que está em jogo aqui não é se Marina Silva ou Tião Viana devem ou não devem desfilar na Parada do Orgulho Gay, mas sim que eles devem sim defender o direito das pessoas serem...o que elas são.
Admitam alguns segmentos cristãos ou não, mas o princípio que lhes permite ser cristãos sem ninguém lhes torrar a paciência, é o mesmo que permite qualquer outro segmento social o ser - inclusive os gays.
Portanto, se omitir em relação a isso, é assumir uma posição republicana seletiva - em suma, a velha questão dos brasileiros confundirem o público com o privado. Certamente a Convergência Socialista foi expulsa do PT por motivos bem menos graves...
Hugo Albuquerque em junho 12, 2009 1:45 PM
#79
Hugo:
Você passou na minha frente e disse o que eu ia comentar com perfeição.
Mas acrescento, tomando como empréstimo mui do que já foi dito aqui.
Se entrou no PT e o tema faz parte de suas bandeiras históricas, tem que respeitar. é bandeira do partido desde a fundação ntão como você entra e se coloca contra um das bandeiras mais relevantes e importantes?
claro que é sempre possível argumentar que o PT já jogou no lixo boa parte das bandeiras, especialmente quando expulsou o que hoje é o PSOL, mas ainda assim imagino que esta bandeira em particular não tenha sido violentada com o tempo.
O segundo ponto, que também é muito pertinente é o Estado laico. Religião pessoal não interessa ao Estado, não pode ter relação com o voto, com o país. Você é católico, evangélico e acha que homossexual é abominação? Parabéns pra você mas o Estado não reconhece só o católico ou só o evangélico, reconhece o direito de TODOS e isso deve ser respeitado, e a Marina Silva, por exemplo, está desrespeitando este princípio, além dos princípios do PT.
Não respeitar os homossexuais e não lhes permitir direitos porque a igreja ou sua religião não gosta deles é o mesmo que proibir aos muçulmanos, aos Ba'hai e Budistas acesso à qualquer benefício social porque sua religião os acha hereges e afins, é sectarismo tolo e perigoso.
Eu não consigo entender a dificuldade dos religiosos e afins de permitir que os homossexuais tenham direitos iguais, sejam cidadãos plenos com os mesmos direitos que todos temos e eles deveriam sem dúvida ter... Não é compreensível esta vontade de proibir acesso e proibir direitos, no que a vida dos outros atrapalha a sua? No que os "outros" terem os mesmos direitos te rebaixa ou te ofende?
É simplesmente absurdo!
Raphael Tsavkko Garcia em junho 12, 2009 3:40 PM
Douglas em junho 12, 2009 4:05 PM
Murilo em junho 12, 2009 4:08 PM
#82
Essa é para o Professor Idelber: consegui - e coloquei lá no meu blog - uma foto que indica que já há resultado em um concurso para professor de História da UFF.
O detalhe é que o concurso não aconteceu ainda...
Link no meu nome.
Pedro Migão em junho 12, 2009 4:14 PM
Douglas em junho 12, 2009 4:15 PM
#84
Essa é para o Professor Idelber: consegui - e coloquei lá no meu blog - uma foto que indica que já há resultado em um concurso para professor de História da UFF.
O detalhe é que o concurso não aconteceu ainda...
Link no meu nome.
Pedro Migão em junho 12, 2009 4:17 PM
#85
Eu estou achando muito estranhas essas afirmações e insinuações de que a Marina Silva não defende o programa do PT, que o “lado evangélico abominável” dela faz com que ela não tome posições contra a homofobia (#73), que ela não defende o direito das pessoas serem o que elas são (#77), que ela desrespeita o princípio do direito de todos (#78), que ela se omite sobre todas as mortes ocorridas no mundo em mais de séculos de perseguição aos homossexuais (#39)... Tudo porque ela não aderiu à Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT por supostos “problemas de consciência” que “dizem” (pois, ainda que seja uma informação conhecida de quem segue a vida interna do PT, nesses termos, isso é quase da ordem do mito, né?) ter ela alegado para se justificar. Oras, em primeiro lugar, ela não votou contra esse projeto de lei. Em segundo lugar, acho que faria bem saber melhor quais seriam de fato as razões dela para não aderir à Frente, antes de crucificá-la desse modo. É possível que seja sim por razões religiosas, mas não necessariamente. Pode ser, por exemplo, por razões já citadas por alguns nessa caixa de comentários (e ainda pouco discutidas aqui): uma posição contra a criminalização da homofobia. E se ela realmente tiver “problemas de consciência” sobre isso, não duvido a priori que ela saiba perfeitamente distinguir o que disso caberia a um âmbito privado e a um âmbito público. Podem dizer que estou sendo demasiado generosa com ela. Mas ela não merece? Uma pessoa que em sua vida pública sempre defendeu tão corajosamente os direitos de tantas minorias, que deve ter sofrido na pele todos os preconceitos do mundo. Ela não merece ser ouvida sobre a sua não-adesão a uma frente parlamentar contra a homofobia antes de ser acusada de não estar sendo suficientemente atenta a todas as barbaridades que resultam dela?
Lulli em junho 12, 2009 5:12 PM
#86
E mais... Alguém acha que todo evangélico ou católico ou pertencente a qualquer forma de religião adere a ela sempre plena e cegamente? Seria bom também conversar com essas pessoas e saber delas que tipo de conflitos elas vivem entre o que pregam suas igrejas e o que elas experimentam do mundo com relação a todos os tipos de preconceitos e discriminações com os quais o dogma da igreja às vezes parece não se solidarizar.
Lulli em junho 12, 2009 5:27 PM
#87
Caros Hugo, Raphael e Lulli,
Em primeirissimo lugar, gostaria de dizer que não considero, e nem de longe passou essa idéia por mim, que o Idelber seria um adepto do "pensamento único". Ao contrário, frequento e (algumas vezes) comento seu blog exatamente por que acredito no oposto.
Em segundo lugar, não vou (apesar das cócegas nos dedos) entrar em uma discussão a respeito do PT aqui. Apenas posso assegurar que, como fundador do partido, não lembro de ter jogado nenhuma bandeira fora. Não nego que outras correntes, posições e elementos do PT não o tenham feito. Mas isto é conversa para outro momento.
No caso em questão, apenas o que eu apontei foi que não existe, neste caso específico, um alinhamento automático, configurado no que seria uma adesão obrigatória a um ponto não fechado de pauta. Caso a Marina tivesse se declarado a favor de uma postura homofóbica, sim, ela estaria infringindo o programa do partido. Mas se, religiosamente, é possível pecar por omissão, política e legalmente a questão é outra. Um deputado que declarou-se contra o aborto de fetos anencefálicos está sendo devidamente questionado em uma comissão de ética. Será facultado, evidentemente, total e integral direito à defesa. Espero,sinceramente, que seja desligado do partido. Mas ele agiu, não se omitiu.
Integrar ou não uma frente suprapartidária faz parte do perfil político de um parlamentar. Depende também da relação que tem com seus eleitores. Não existe, pelo menos em nenhum estatuto de partido que conheço, uma obrigatoriedade de nenhum membro de partido para apoiar ou não.
Eu posso sim achar abominável que a Marina não participe. É meu direito. Mas não que ela tenha, por fidelidade ao partido, que participar. É, também, direito dela.
Abraços
Mario Abramo
Mario Abramo em junho 12, 2009 10:15 PM
#88
Nossa, Douglas. Essa ostra aí sou eu? Obrigada. :)
Mônica em junho 12, 2009 11:23 PM
#89
Mario Abramo,
De fato, não é possível pecar legal ou politicamente por omissão - nem por ação, aliás, não é possível pecar legal ou politicamente de jeito algum. Agora, cometer uma infração legal ou política por omissão, já é coisa perfeitamente possível - assim como cometer um desvio ético por omissão.
O ponto que eu levantei é que o princípio que garante os direitos individuais é geral, não há uma norma específica que garanta os direitos individuais dos cristãos ou dos gays, ela é a mesma. Defender seletivamente os direitos individuais, convenhamos, é uma faca de dois gumes.
Aliás, longe de mim pedir ou dar a entender que Marina Silva teria de ser expulsa do PT, mas o que eu não posso deixar de registrar é que qualquer parlamentar, ainda mais da maior legenda de esquerda do país, não deve simplesmente se calar em relação a algo que transcende questões morais ou culturais, mas sim está lá na base de tudo, como princípio mínimo ético da coisa pública.
Marina Silva pode pensar o que quiser sobre os gays, mas não integrar uma frente em proteção a uma minoria oprimida é abrir um flanco para que alguém, invocando a mesma seletividade, se omita em protegê-la caso, algum dia, esteja em posição inversa - como já esteve, o que torna isso mais estranho.
abraços
Hugo Albuquerque em junho 12, 2009 11:46 PM
#90
João Marcelo: Estive com o Paulinho Fontes hoje e ele lhe mandou um abraço. Concordo com você que o encarceramento não é panacéia para resolver os problemas sociais. Mas daí não se segue que algumas práticas de preconceito e exclusão, claramente inconstitucionais, não devam ser tipificadas. Ora, como lutar pela "garantia de direitos civis e proteção no emprego" sem que a letra da lei diga que você não pode negar um emprego a alguém por razões de orientação sexual, sob pena de punição? Não vejo como. A discriminação é prática cotidiana no Brasil -- ela tem que ser punida. Isso não nos impede de atuar em outras frentes (educação, conscientização etc.), mas a criminalização da homofobia me parece um passo indispensável. Forte abraço.
Idelber em junho 13, 2009 8:51 AM
#91
Mario Abramo:
Sua posição está elegantissimamente argumentada. Sim, eu me lembro bem da briga entre Bicudo e Marta Suplicy. Sim, acredito que a não participação na Frente de Cidadania LGBT não é de gravidade comparável a uma atitude ativa de violação de princípios partidários, como no caso do deputado citado por você. Para lhe oferecer ainda mais munição, registro que o excelente blog NPTO acaba de publicar dois posts inspirados por este meu, um deles concordando comigo e o outro discordando de mim, este último desenvolvendo em mais detalhes o argumento que você colocou aqui.
O Hugo explicou melhor do que eu conseguiria o que quero dizer. Não se trata de pedir a cabeça da Senadora Marina ou de qualificar sua (falta de) posição como "abominável", palavra que não usei. Trata-se de registrar um fato inconteste: os religiosos petistas se omitem nesta questão. Direito deles? Talvez. Assim como acredito ser direito meu, como eleitor de longa data do partido (e dele militante ao longo da década de 80) de apontar esse fato e continuar pentelhando, dizendo: ora, não dá para se omitir para sempre.
Forte abraço.
Idelber em junho 13, 2009 9:06 AM
#92
Caro Idelber,
Quem falou "abominável" pela primeira vez fui eu. Confesso que demorei alguns minutos até escrever isso, achei que era forte demais, mas na verdade é como me sinto: considero abominável misturar conceitos religiosos e políticos num Estado laico. E tenho pentelhado "Deus e todo mundo" por causa disso.
Mas esta é uma postura pessoal, não partidária. Lembra como era o movimento sindical antes de 80? Talvez, se naquele momento fossem apresentado este PL para o Lula, ele teria torcido o nariz. E o talvez aí é bem retórico. Muita coisa mudou, para o bem e para o mal.
O ponto que eu queria levantar é que nem todo mundo tem (ou terá) essa compreensão da defesa contra todo tipo de discriminação. Conheço ativista de movimentos negros que não querem nem ouvir falar de índios. Conheço ecologistas que são contra cotas, tanto raciais quanto sociais, nas universidades. E conheço gente que ainda acredita em resolver todos os problemas sociais para depois resolver os problemas das minorias, que eles acreditam, ingenuamente, que desaparecerão quando a revolução vier afinal. São incoerentes, sem dúvida.
Mas coerência não é um traço muito comum na humanidade.
Abraços
Mario Abramo em junho 13, 2009 11:10 AM
#93
Tá bom Mario... Nesses termos que vc disse agora está bem melhor. Considerar abominável misturar conceitos religiosos e políticos num Estado laico não é a mesma coisa que dizer (como vc havia dito) que abomina o lado evangélico da Marina Silva.
Lulli em junho 13, 2009 5:52 PM
#94
Lulli,
Psé. Talvez a blogosfera seja um espaço onde as intentio auctoris, operis et lectoris dialoguem entre si... se eu estivesse mais bêbado, tentaria desenvolver mais isso.
Abraços
Mario Abramo em junho 13, 2009 7:55 PM
#95
Poxa, será que o Lula não podia encarar essa questão de uma maneira mais prioritária, chamando pra si essa briga?
É inadmissível um governo de esquerda deixar passar essa oportunidade. 8 anos terão se passado. Mesmo em se falando de legislativo, é claro que o empenho poderia ser maior por parte do executivo.
_______________________________________
Bancada evangélica emperra projetos de gays no Congresso
Grupos LGBT dizem que reivindicações do movimento foram "rifadas'; para senador Marcelo Crivella, deve-se "preservar o livre exercício do culto religioso"
ANA FLOR
DA REPORTAGEM LOCAL
A recente tramitação no Congresso do projeto que criou o Ministério da Pesca escondeu uma batalha em que a Frente Parlamentar Evangélica se saiu vitoriosa -e rendeu críticas ao governo por parte de grupos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT).
O descontentamento não se referia ao novo ministério. O texto também tratava das atribuições da Secretaria Especial de Direitos Humanos e descrevia, entre os grupos atendidos, a população LGBT. Previa ainda a criação de um Conselho LGBT no governo.
Depois do debate na Câmara, o texto final excluiu o termo LGBT -citava apenas "minorias". O Conselho LGBT também não foi aprovado.
A mudança foi comemorada por congressistas ligados a igrejas evangélicas. Para grupos LGBT, o governo "rifou" reivindicações do movimento para aprovar o restante do projeto -além do Ministério da Pesca, tratava da área ambiental e criava cargos em comissão.
Segundo Míriam Martinho, da Rede Um Outro Olhar, o texto aprovado mantém os movimentos, que lutam por visibilidade, invisíveis. "Será uma comissão enrustida [o Conselho contra Discriminação]", disse.
O estilista Carlos Tufvesson, integrante do Conselho dos Direitos LGBT do Rio de Janeiro, diz que o governo não tem interesse em priorizar a luta LGBT. "O governo, na sua atividade legislativa, não apoia os pleitos LGBT. Entram milhões de barganhas nas negociações."
Já Luiz Mott, fundador do grupo Gay da Bahia, afirma que é um governo de "boas intenções e poucas ações".
O responsável pelas políticas LGBT na Secretaria de Direitos Humanos, Eduardo Santarelo, reconhece que as expressões relativas ao grupo foram retiradas por pressão dos evangélicos. "Qualquer menção no projeto de lei que tivesse a questão LGBT e o combate à homofobia, eles cortaram. Teve-se que negociar para aprovar o projeto como um todo", disse ele.
Homofobia
Encarada como a maior vitória LGBT no Congresso, a proposta que criminaliza a homofobia poderá se transformar em um novo revés para esses movimentos. Aprovado na Câmara por um "descuido" da bancada evangélica, o texto precisa passar pelo Senado sem emendas.
Caso contrário, volta à Câmara, onde vai "dormir em berço esplêndido", como disse aos colegas a relatora do tema, senadora Fátima Cleide (PT-RO). Depois de mais de um ano de negociação, ela já fala em fazer substitutivos ao texto para tornar viável sua aprovação.
Uma das principais objeções dos senadores ligados a igrejas é o artigo que pune discriminação a manifestações públicas de afeto. Outro ponto polêmico é a interpretação de que pastores não poderão mais condenar a homossexualidade em programas de rádio e televisão.
O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) afirma que é a favor dos direitos de homossexuais, mas é preciso "preservar o livre exercício do culto religioso".
Nos grupos LGBT, há quem defenda a votação sem modificações. Outros preferem mudanças no texto que garantam aprovação. "É melhor que ele [o projeto] seja votado e rejeitado. Vai ter de haver o custo político de rejeitar", diz Tufvesson.
O presidente da Associação Brasileira LGBT, Toni Reis, defende diplomacia e mobilização. "Precisamos ter mais força dentro do Congresso", diz.
Mari em junho 13, 2009 8:35 PM
#96
"Chega de conferir aos progressistas religiosos esse estranho privilégio, o de omitir-se (ou, pior, adotar uma postura reacionária) nas questões fundamentais do nosso tempo, sempre que estas entrem em choque com a leitura que lhes inculcaram de um livro apócrifo de fábulas judaicas".
na ânsia de tornar legítima nossa luta pelos direitos dos homossexuais, vc não precisa ferir o direito dos religiosos, meu caro. quer dizer então que a confissão religiosa é coisa só para a "vida privada"?
o religioso deve entrar no armário enquanto nós saímos? ele não pode assumir suas crenças porque vc, idelber, está convencido de que a bíblia não passa de fábulas? já provaram que é mentira ou que é verdade?
calma, idelber. respeite as crenças da marina silva e desta marina aqui que lhe escreve e adora seu blog. e nada de mandar a religião para os cafundós da vida particular.
marina em junho 13, 2009 9:53 PM
#97
Marina: não faça tanta confusão. Defendo o seu direito de pregar publicamente, de que os templos existam na esfera pública, de que tenham direito de comprar tempo na televisão, de que expressem suas crenças em total liberdade -- embora sem isenção de impostos.
Qual é exatamente o "direito" dos religiosos que está sendo infringido aqui? O direito de pregar ódio contra homossexuais? Ou quem sabe o direito de negar-lhes um emprego? Mais atenção aos usos da palavra "direito, por favor. Forte abraço.
Idelber em junho 13, 2009 10:01 PM
#98
deixei mal-explicado o que quis dizer com "direitos" dos religiosos. sei que os abusos que já foram cometidos em nome dos direitos da religião são horrendos e incontáveis historicamente.
o direito de marina silva abster-se de seguir um ponto do programa do partido, por exemplo, não deveria ser recriminado. em outro exemplo, não poderia alguém defender o programa de cotas opondo-se ao próprio partido? teria que ser expulso do partido? a opinião pessoal deve ser levada em conta, senão vira um politburo indefensável.
acontece também que nem sempre se tempo ou disposição para distinguir religiosos que vivem honesta e respeitavelmente e que não saem por aí de megafone em punho pregando ódio e demissão a quem quer que seja de religiosos que tentam impingir seu estilo de vida aos outros por meio da pedrada, do míssil e do funk gospel. os primeiros são minoria? ora, blogs esclarecidos como este e alguns do seu bloroll também são minoria. jô moraes é minoria (aliás, digna minoria).
não existe prerrogativa bíblica que defenda o ódio. não existe prerrogativa constitucional que cale a liberdade de expressão e de crenças. atrás do equilíbrio, aqui vamos nós.
abs, caríssimo
marina em junho 14, 2009 10:47 AM
#99
Cara Marina, melhorou bastante a explicação, mas ainda vejo várias confusões:
1) não poderia alguém defender o programa de cotas opondo-se ao próprio partido?
A comparação aqui não se sustenta porque não existe, que eu saiba, nenhum partido cuja carta de princípios inclua rejeição das cotas. A defesa da cidadania LGBT é componente de inúmeras resoluções do PT.
2) teria que ser expulso do partido?
Ninguém falou em expulsar Marina Silva. Estou só cobrando coerência.
3) a opinião pessoal deve ser levada em conta, senão vira um politburo indefensável.
Um politburo é um corpo que decide algo de forma autoritária. O PT decidiu, em inúmeros congressos e encontros, com representantes eleitos democraticamente, que a cidadania LGBT é parte do programa do partido. Nós vivemos reclamando que no Brasil as siglas partidárias são vazias, que não há um programa coerente etc. Quando setores de um partido cobram, de um outro setor, coerência com o programa escolhido democraticamente, sempre tem alguém para dizer que isso é politburo ou autoritarismo. Ora, ou queremos partidos ou não queremos. E não se inventou outra forma de fazer democracia a não ser com partidos.
4) acontece também que nem sempre se tempo ou disposição para distinguir religiosos que vivem honesta e respeitavelmente e que não saem por aí de megafone em punho pregando ódio e demissão a quem quer que seja de religiosos que tentam impingir seu estilo de vida aos outros por meio da pedrada, do míssil e do funk gospel. os primeiros são minoria? ora, blogs esclarecidos como este e alguns do seu bloroll também são minoria.
Essa distinção entre religiosos tolerantes e intolerantes é importante. Mas, se os que pregam ódio são maioria ou minoria, isso é irrelevante para o que estamos tratando aqui: criminalizar a disseminação de ódio contra gays. Se essa criminalização atingiria a maioria dos religiosos ou só uma minoria é questão que, sinceramente, é tangencial. Que há incontáveis exemplos de pastores de várias religiões disseminando ódio e discriminação nas suas pregações me parece matéria óbvia. Os exemplos são legião. E isso não pode. Está escrito na lei que não pode. Trata-se aqui simplesmente de estender isso às maiores vítimas do discurso do ódio produzido em tantos templos, os homossexuais.
5) não existe prerrogativa bíblica que defenda o ódio. Isso, sinceramente, eu prefiro que vocês decidam entre si. Meu interesse na Bíblia é puramente literário. Espero sinceramente que a sua leitura predomine, mas você terá que encontrar boas explicações para, por exemplo, Levítico, 20 e Ezequiel, 23, entre incontáveis outros exemplos. Mas isso, insisto, me interessa pouco. Vocês que resolvam entre si.
6) não existe prerrogativa constitucional que cale a liberdade de expressão e de crenças
Ninguém quer calar liberdade de crença. A prerrogativa constitucional da liberdade de expressão não inclui liberdade de pregar homofobia, da mesma forma como não inclui a liberdade de pregar racismo.
Ainda acho sua compreensão do que é "direito" um pouco confusa, Marina. Abraço forte, sempre aberto ao debate.
Idelber em junho 14, 2009 1:29 PM
#100
No fundo, no fundo, cara Marina, creio que a questão é a seguinte: você tem que decidir, para você mesma, se você acha que outdoors como esses devem ser legais. Eu acho que não.
Idelber em junho 14, 2009 8:24 PM
#101
esse negócio de homofobia é coisa de viado!
Robson em junho 14, 2009 9:33 PM
#102
Idelber: Esse #99 foi um daqueles fatais - até lembrou aquele do jornalistas em pânico :-))
Hugo Albuquerque em junho 14, 2009 10:47 PM
#103
Parabéns, Idelber!
Você expressou, de forma super bem articulada, o que há muito tempo tem que ser dito e repetido incansavelmente, e que muita gente precisa ler.
A pressão que sentimos é tamanha que, como você bem expôs, sentimos às vezes medo até de cometer um gesto simples como andar de mãos dadas com a pessoa querida.
Isso definitivamente TEM QUE mudar!!!
Marcos Malvezzi Leal em junho 15, 2009 11:26 AM
#104
Idelber,
Só li este post hoje, por conta do feriado. Que ótima discussão! Mas confesso que cheguei ao último comentário lido com uma dúvida imensa. Acho que preciso de ajuda para elucidá-la.
Não consigo mesmo entender como uma pessoa que aceita a ideia de um Estado laico e entende o que isso quer dizer, e que até se candidata a exercer cargo público nesse Estado possa, em paralelo, aceitar crenças e dogmas religiosos.
Para mim, o mais simples conceito do Estado laico, assim que passa a exisitir, anula as crenças religiosas. É um conceito que está num ponto diferente, que supera o outro (não necessariamente uma superação no sentido de avanço, embora eu ache pessoalmente que, nesse caso, sim, seja um puta avanço).
O fato é que não dá para botar tudo num delicioso "mix de folhas verdes", como anda na moda chamar a salada nos restaurantes moderninhos, e se deliciar com os sabores de ambos. Me soa tal como ocidental que diz que virou budista...
Será que estou sendo radical e que não consigo compreender a vastidão das possibilidades humanas?
No mais, que pena ainda ser necessário argumentar que homens, mulheres, homossexuais, heterossexuais, trassexuais e quem mais vier por aí precisam ser respeitados em igual maneira e ter os mesmos direitos assegurados. Enquanto isso for necessário, que sigam as argumentações em favor do Ser Humano, que é a real medida dessa discussão. Como mãe, espero que meus filhos possam ver um cenário melhor...
Somos 5 em junho 16, 2009 2:11 AM
#105
Nossa, Idelber, se eu já te admirava, com este artigo, passei a ser sua fã. Voce e seus comentaristas, simplesmente fecharam esta questão. De forma racional, lógica e constitucional.Parabéns!
Quase não há o que ser dito, ou escrito. Tudo parece redundância. Mas, vou fazer um pequeno comentário, para aqueles que pregam "liberdade de expressão" em suas crenças.
Engraçado isto de cercear a liberdade de expressão dos crentes. É o cúmulo do egoísmo. Pois só vale pra eles.
Se uma organização qualquer colocar um outdoor, mais ou menos assim: "ACORDEM, A BÍBLIA É UMA FARSA MONTADA. SUA ORIGEM VEM DOS SUMÉRIOS, AS LEIS DE DEUS SÃO LEIS DE HAMURABI. A BÍBLIA FOI ADULTERADA E FALSIFICADA", etc; o que aconteceria????
Bom, provavelmente, esta organização seria perseguida pelos mesmos que pedem "liberdade de expressão". Ou seja, liberdade pra eles, não para os outros.
E, que tal um movimento para que as IGREJAS PAGUEM IMPOSTOS, e deixem de fazer os seus donos multimilionários???????? Também, seria taxado de perseguição, e atentado contra a crença alheia, não é??
Pois bem. Na caminhada para Cristo (ou algo parecido) os evangélicos gritavam (parece que este Deus deles é um tanto surdo) palavras de ordem, como: "Não ao homossexualismo. Não à ditadura gay.", e coisas do tipo. Quase a passeata inteira. Ridículo, pra dizer o mínimo.
Mas, se fosse só isto, tudo bem. O pior é eles dizerem pra não deixar as crianças perto de pessoas "assim", impedir professores gays de dar aulas, promover tacitamente a DISCRIMINAÇÃO, o que fere, de cara sua própria religião, já que seu "mestre" (ou deus, como queira), pregava exatamente ao contrário. Não há uma única menção no NT que mostre Jesus orientando seus apóstolos a perseguir ninguem. Ele pede que os deixe seguir sua própria vida.
Ou seja, eles contradizem a religião que dizem seguir, porque nem sequer conseguem ler a bíblia, só fazem o que seus pastores mandam. Moral: seguem a leis dos homens, e não a lei do seu próprio deus.
Pra finalizar a história: liberdade de expressão e de crenças jamais poderia ser argumento pra violência verbal, moral e física contra os homossexuais.
Do contrário, esta tal liberdade pode ser usada, também, para os nazistas(é uma ideologia bem parecida, já que Hitler era cristão, e a própria ICAR ajudou sua ascenção), por que não???
Se os evangélicos e, também os católicos, podem chamar os homossexuais de aberrações, por acreditarem em suas ideologias; por que os nazistas não podem disseminar suas idéias contra os judeus, os negros, e toda raça "imperfeita"???
Seria muito bom, que os "cristãos" pensassem sobre isto. Na bíblia deles, o deus deles, colocam os "coxos e os imperfeitos" longe do convívio com os "perfeitos". Aliás, o deus deles só aceitava "sacrifícios" de animais perfeitos. Era bem nazista este deus, não??
Fora que, durante séculos a ICAR tratou os judeus, da mesma forma que os nazistas. Hitler só terminou o serviço, que a própria religião católica começou.
Então, vamos dar liberdade para os nazistas, e sua raça pura, ariana; e, também, para os evangélicos e católicos (através de seu porta voz, o papa), pregarem contra os homossexuais. Aí a sociedade será perfeita, não é??
Vou usar minha liberdade de expressão agora, pra resumir o que penso: o que falta para os crentas é estudo e cultura, principalmente, sobre sua própria religião!
Abraços alquimistas!
Odete em junho 16, 2009 3:52 PM
#106
Olá!
É hilário e, ao mesmo tempo, triste o que Idelber Avelar faz: Por um lado ele defende um tratamento mais cívico para os homossexuais -- atitude nobre quando o assunto é o tratamento mais cívico e civilizado das pessoas. No entanto, por outro lado, Idelber Avelar dá as boas vindas a um presidente de uma autocracia que trata brutalmente os homossexuais, sem dizer que ainda o convida a (como é mesmo, Idelber..?) tomar uma cachacinha.
Eita...
Até!
Marcelo Augusto em junho 16, 2009 8:13 PM
#107
Parabéns pelo texto.
Roberto Gonçale em junho 17, 2009 4:18 PM
#108
Eu realmente adoraria que a Marina (#98) tivesse voltado para nos dizer qual sua posição sobre os outdoors que eu linkei. Acho que teria ajudado a esclarecer -- talvez para ela própria -- a confusão que fundamenta alguns dos pontos de vista que ela expôs.
Idelber em junho 18, 2009 1:49 AM
#109
Caro Augusto (#58): obrigado pelo elogio. Mas ... eu não usei a expressão "opção sexual" no texto! Sempre uso "orientação sexual". Talvez você tenha visto o termo "opção" no comentário de uma leitora. Desculpe a demora em responder, mas eu não havia visto sua objeção. Abraços.
Idelber em junho 18, 2009 1:57 AM
#110
idelber, querido
sua resposta foi muito pertinente e inteligente, o que no seu caso é um pleonasmo.
vi o outdoor abjeto da tal "organização cristã". sou veementemente contra tal atitude.
Cristo (do qual há tantos professos seguidores) nunca esfregou na cara das pessoas aquilo que considerava errado, a não são ser na de líderes corrompidos. pelo contrário, como no caso da prostituta prestes a ser apedrejada, ele apontou sutilmente a hipocrisia e os "pecados" dos acusadores.
muito cristão, meu caro, e a quem escreveu o comentário #105, sente vergonha numa hora dessa de ser cristão. não por causa do cristianismo e seus princípios de amor e justiça. mas por causa da onda evangélica que assola o país e porque é com o termo evangélico que se referem aos pentecostais e protestantes, pondo tudo no mesmo saco de pancadas.
vergonha pelos Hernandes, pelos Macedos, pelos RR Soares (esses são apenas os mais conhecidos), pelas propagandas que descaradamente pregam o "milagre" mas querem apenas o dinheiro, por aproveitarem-se boa-fé de muitos para auferir ganhos milionários.
a questão do seu post era outra e séria também. desculpe a tergiversação. a tal onda evangélica confunde a visão do cristianismo verdadeiro. mas vejo organizações protestantes tradicionais, com muito mais respaldo histórico e acadêmico, não enxovalharem o evangelho simples de Cristo.
posso não ter práticas homossexuais, mas devo respeitar a pessoa homossexual, ser humano como eu.
marina em junho 18, 2009 11:00 PM
#111
Marina, você é uma finura, uma elegância. Que você tenha vida longa, feliz e esteja sempre rodeada pelo amor dos seus. E que possamos todos, independente de crença ou orientação sexual, construir um mundo menos violento -- mesmo que, para isso, aqueles que, como eu, tentam chamar a atenção para a discriminação tenhamos que usar uma retórica mais exaltada de vez em quando. Porque a situação que vivemos é grave, como demonstram os ataques a bomba e o assassinato que se seguiram à última parada gay em São Paulo. Um abraço afetuoso.
Idelber em junho 18, 2009 11:24 PM
#112
claro que "casamento" não deve se restringir a heterossexualidade.
ele deve ser extinto TAMBEM NELA!
se "uniao civil entre pessoas do mesmo sexo" passar a existir no Brasil, eu e a maioria dos meus convivas e amigos naõ seremos contemplados com nenhum ganho civil.
por que? Porque pra nós (e aí vai uma gama de viados, bissexuais e heteros convictos e por escolha livre) a idéia de haver uniao civil a partir da escolha sexual é aberrante.
Eu quero o direito de constituir familia SEM LAÇOS GENITAIS! Com quem quero "casar" é um grandissimo amigo que me deu dois belos sobrinhos. Nao pretendo jamais transar com ele, nem vice versa (e o fato de preferir mulheres aqui nem entra em jogo - é uma circunstancia irrelevante no caso). "Uniao civil" nao contempla isso. PACS, francês, contempla.
Se Obama tiver a coragem e a sagacidade de Miterrand, será histórico. Miterrand não retirou o termo "casamento", mas o casamento na França só vale porque tem valor identico ao Pacto Civil, e não o contrario. Jogada de mestre! - típica do "ultimo dos estadistas".
E mais: quero poder contrair pacto civil, com valor de unidade familiar, com mais de uma pessoa. Se formos morar o resto da vida sob o mesmo teto eu e mais dois amigos, alias um de cada sexo, porque isso é menos familia do que um "casal de homens"?! So porque nao ha relacao sexual?!
Lucas Jerzy Portela em junho 20, 2009 2:47 PM
jose carlos lima em junho 22, 2009 1:21 PM
#114
Olá Idelber,
Gostei do seu artigo.
Apenas gostaria de saber se essa colocação sobre a Senadora Marina e toda a polêmica que sucedeu aqui no site têm como base alguma fala, declaração pública da senadora ou se apenas estamos inferindo o posicionamento a partir da "filiação" religiosa da senadora petista.
Com abraço,
Oswaldo.
Oswaldo em junho 29, 2009 6:42 PM
João Carlos em agosto 5, 2009 2:08 PM
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