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quinta-feira, 25 de junho 2009
A violência em Benjamin e Derrida
No espírito de ir disponibilizando minha produção acadêmica aqui no blog, aí vai mais um pdf: O pensamento da violência em Walter Benjamin e Jacques Derrida.
O texto pode ter interesse para a comunidade do Direito que frequenta o Biscoito, já que o ensaio de Benjamin ali tratado -- Para a crítica da violência (1921) -- parte de uma crítica tanto do direito positivo como do jusnaturalismo. A obra de Derrida em questão é o já clássico Força de lei (1988).
Este ensaio meu já está publicado em português, no livro Desconstrução e Contextos Nacionais, da Editora 7 Letras. Já apareceu também em inglês e em espanhol. Sai na França este ano.
Agora, a versão em língua portuguesa passa a estar licenciada em Creative Commons: uso e circulação livres.
Escrito por Idelber às 04:20 | link para este post
| Comentários (32)
#1
Caro Idelber onde consigo comprar o livro físico que tem esse texto seu?
Pode responder pelo mail ou pelo Blog, obrigado.
João Carlos em junho 25, 2009 9:47 AM
#2
Caro João, guglando o título do livro ontem à noite cheguei à Livraria Cultura e à Travessa. O livro está em catálogo, é fácil de conseguir. Abraços.
Idelber em junho 25, 2009 9:48 AM
#3
Caro Idelber, ajude uma alma inculta: para alguém que nunca leu Derrida, qual obra você recomenda como a primeira a ser lida?
Marcelo em junho 25, 2009 10:27 AM
#4
Idelber, o incansável! O texto é ótimo. Abraço
Alexandre Nodari em junho 25, 2009 11:20 AM
#5
Agradeço imensamente o texto!
Será muito útil, pois desde que Kelsen esgotou o direito positivo, nunca vi algo que criticasse o direito positivo sem recorrer ao jusnaturalismo de algum modo (vide Rawls), e vice-versa.
(Mea culpa: Não que eu tenha freneticamente pesquisado sobre isso...)
Será que, com o desenvolvimento da assinatura digital, vai haver autógrafo pela internet? :^D
Não duvido de que, logo logo, alguém vá querer fazer um coquetel de lançamento por teleconferência.
He will be Bach em junho 25, 2009 11:29 AM
#6
Alexandre, He will be Bach: Gracias.
Marcelo: É um pouco difícil responder sua pergunta sem saber algo sobre você. Derrida toca várias disciplinas e a porta de entrada pode variar segundo a sua origem. Se você vem da filosofia, eu diria A escrita e a diferença ou Disseminação; se você vem da antropologia, com certeza a Gramatologia; se você vem do Direito, Força de lei; se você vem da literatura, Gramatologia ou Disseminação. Enfim... No fundo, cada porta, em Derrida, abre sempre mil outras.
Idelber em junho 25, 2009 1:59 PM
#7
Puxa, Marcelo, obrigado por ter perguntado! Eu estava com isso mesmo na cabeça.
Idelber, isso explica muita coisa: venho do direito e tenho uma forte queda por literatura e filosofia; fui tentar começar justamente com Gramatologia. Nossa, deu até náusea... Não passei da décima página. E ainda tive de ficar ouvindo de uma amiga (antropóloga...) que o livro "não é tão difícil".
He will be Bach em junho 25, 2009 2:10 PM
#8
Prezado Idelber:
Parabéns pelo trabalho e obrigado por disponibilizar aqui, para todos nós, essa tua reflexão.
Tenho o "Força de Lei" e não estava satisfeito com o segundo texto.
Alguma outra indicação derridiana para quem é da área jurídica?
Cordialmente.
Professor em junho 25, 2009 3:25 PM
#9
Prezado Idelber,
Obrigado pelo belo texto. Comovente ler o seu esforço em mandar o texto para apreciação do próprio Derrida.E mais comovente ainda é criticar um grande mestre com os métodos críticos ensinados pelo mesmo. Desconstruir Derrida. Criticar Derrida, usando Derrida. Essa é a grande homenagem que se pode dar a um intelectual.
Infelizmente, no contexto cordial brasileiro, esse tipo de procedimento crítico não seria bem visto. Não consigo ver alguém fazer tal gesto em relação a Candido e a Schwarz - por mais que tenhamos uma profunda admiração ideológica e intelectual pelas suas obras - sem ser considerado "inimigo" dos mesmos.
Cesar em junho 25, 2009 4:03 PM
#10
É admirável sua preocupação com dois aspéctos fundamentais para o exercício da profissão de jornalista: a presunção de inocência e a busca do contraditório. Parabéns!
Marco Aurélio Mello em junho 25, 2009 5:09 PM
#11
querido Idelber,
pode ser que eu organize uma resposta ao seu ensaio e se eu o fizer, apelarei a sua paciência para lê-lo. No mais aguardo aquele ensaio sobre violência que muito brilhantemente apresentou no IFCS, para que nós da ciência política possamos traduzir para o português. No mais, não deixe de voltar ao Rio para ver os vanguardistas russos.
Um forte abraço,
Cesar Kiraly
Cesar Kiraly em junho 25, 2009 5:46 PM
Johnny em junho 25, 2009 6:15 PM
#13
Obrigado, Idelber. Venho da comunicação. Já que o Gramatologia e o Disseminação foram citados 2 vezes, vou neles... Já encomendei o primeiro, o segundo estou procurando em português.
Marcelo em junho 25, 2009 6:38 PM
#14
Idelber
É curioso como Derrida não tratou de Schmitt com o mesmo apreço com que fez com Heidegger. Enquanto essa leitura "com óculos heideggerianos" vai lidar muito mais do DESVIO que ameaça o direito repetido, mas é também promessa À disseminação, na leitura de Agamben, a qual considera Schmitt com seriedade, o que fica evidente é que um direito imposto, institucional, repetido somente se mantém pela sua própria suspensão, ainda que não se possa estabelecer maniqueísmos.
Aqui é curioso pensar sobre a crise. Em vez de se falar em crise no direito para se encaixar no esquema desvio-promessa, Schmitt permite ver a crise e principalmente a representação da crise como algo fundante, mas sem qualquer valor ontológico pois permanece um recurso de criar lugares imaginários ou idéias, ao passo que Benjamin pensava uma política em sua própria possibilidade, no profano portanto. Achei muito interessante em seu texto que, além de tratar dessa questão do amor ao desvio, você demonstra que justamente aí Derrida tenha escorregado ao alegorizar Benjamin com o nazismo ou a crise do parlamento, e trair aquilo que não se representa e não se esgota, tão caro a Benjamin. Ainda que ele fale que PAra uma crítica da violência é um texto de fantasmas, pois trata de esquecidos, parece que em sua argumentação Derrida não faz jus a isso que ele reconhece.
Sobre o direito, digo que nos textos jurídicos não foi somente nessa época que houve recursos como o de Schmitt quando da crítica ao parlamento. E até mesmo o direito teorizado escancara isso. A escola da exegese no século XIX dizia que o direito estava em crise e propôs um modelo. A escola histórica falava em crise da codificação. Schmitt na crise do parlamento. O direito atuante na década de 60 procurava superar a crise do direito positivista, idem os neoconstitucionalistas e garantistas. Hoje se fala em crise de referência na sociedade da informação. Em vez de se conclui que com este panorama que o direito é uma crise em um gesto fatalista ou acreditar nas vantagens da crise (como o fazem Derrida, o pensamento complexo ou os New Age), pode-se investigar o artifício com que ele se perpetua e, para tanto, Benjamin é seguramente uma influência de peso, ainda que tenha sido esquecida na academia.
Grande texto o seu
Leonardo D'Avila de Oliveira em junho 25, 2009 8:17 PM
#15
Obrigado Idelber, ótimo motivo para um leitor do Wittgenstein e do Adorno aprender o que é desconstrução. Muito obrigado
Tiago Mesquita em junho 26, 2009 12:11 AM
#16
Idelber, eu li o farmácia de Platão e gostei muito do que entendi, mas queria saber o que você acha do livro dele sobre o Marx
Tiago Mesquita em junho 26, 2009 12:13 AM
#17
Eis que Michael Jackson fez sua passagem. Trajetória com vários pontos de contato com o nosso Garrincha, até na idade de falecimento.
Pedro Migão em junho 26, 2009 12:18 AM
#18
Queridos, aqui vai um alô afetuoso, com a confirmação de que os comentários foram lidos e que serão respondidos em breve. Voltem a esta caixa dentro de uns 2 ou 3 dias, pois logo que houver terminado a intensa programação aqui no Mato Grosso do Sul eu quero responder com calma, inclusive as perguntas. Um abraço.
Idelber em junho 26, 2009 1:53 AM
#19
Caro Professor: Ao longo dos anos 80, Derrida trabalha com os conceitos de lei e de justiça -- mais exatamente, com a irredutibilidade desta àquela. "Justiça", para Derrida, seria o nome de um horizonte indesconstruível, ao contrário da lei (do Direito) que seria um sistema de restituições por definição desconstruível. Para quem vem da área jurídica, eu recomendaria basicamente tudo o que ele escreveu na década de 80. Aqui vão alguns links a obras que já estão na internet, em espanhol: Justiça e perdão e O direito à filosofia. Lembro também que Força de lei também está disponível em espanhol. Um abraço. Pouco a pouco irei respondendo os outros comentários.
Idelber em junho 26, 2009 5:54 AM
#20
Li uma versão parcial do texto de Benjamin e achei suas observações exatas, Idelber. Pena que Derrida não pode ler seu artigo. Tenho certeza que daria uma discussão muito rica. Só uma pequena observação. Quando ele fala em temática obsessiva entendi que não estava referindo exclusivamente a obra de Benjamin mas o fato de pelo menos três autores terem se debruçado sobre a questão da hostilidade à demcoracia parlamentar.
Cláudia em junho 26, 2009 11:13 AM
#21
No Prosa Online, de O Globo," Um apelo aos críticos literários universitários
Se eu pudesse fazer um pedido aos membros da minha profissão, professores universitários de literatura, eu pediria que por um ano, dois, três ou cinco deixássemos de lado as leituras. Por leitura, quero dizer a aplicação de um vocabulário analítico - o de Marx, Freud, Foucault, Derrida, ou de quem seja - para descrever e (geralmente) julgar uma obra literária. Eu gostaria que declarássemos uma moratória de leituras. Déssemos uma folga a elas.
Ainda que não se aplique a tudo que se faz nos departamentos de Letras hoje, o artigo de Mark Edmundson no "The Australian" aponta com lucidez as limitações de uma certa crítica universitária muito difundida, na qual o contato do crítico com a obra literária se resume a anotar um 'OK' ou 'Não OK' conforme o texto se adapte ou não a um repertório teórico prévio. Infelizmente, suspeito que o apelo não terá muita repercussão".
Professor Idelber, gostaria de sua opinião sobre o texto:http://www.theaustralian.news.com.au/story/0,25197,25645499-5001986,00.html
Reynaldo Carvalho em junho 26, 2009 11:27 AM
#22
Idelber:
Obrigado pelas indicações.
Você leu as críticas ao Derrida e cia feita pelos Glucksmann em "Maio de 68 explicado a Nicolas Sarkozy"?
Um abraço.
Professor em junho 27, 2009 5:40 PM
#23
Oi, Professor, não, não vi. Se tiver algum link ou referência, pode mandar. Um abraço.
Idelber em junho 27, 2009 6:07 PM
Professor em junho 27, 2009 6:57 PM
#25
Idelber,
Valeu pelo PDF, já está devidamente baixado e espalhado.
O debate sobre a Violência é sempre bastante curioso, principalmente pelo fato de que, normalmente, as pessoas atribuem conteúdos semânticos diferentes ao termo. É mais ou menos como debater sobre o Estado.
Achei interessante no texto essa análise da tensão que há entre meios e fins e como juspositivistas e jusnaturalistas a enxergam.
Hugo Albuquerque em junho 28, 2009 1:54 PM
#26
Idelber,
totalmente off-topic, mas sabendo que este é um blog interessado em basquete, pergunto:
tens acompanhado o basquete brasileiro?
Gostou do campeonato Novo Basquete Brasil?
aiaiai em junho 28, 2009 2:09 PM
Bruno em junho 28, 2009 5:45 PM
#28
Caro "ai ai ai", não posso deixar de expressar o meu contentamento com o bicampeonato brasileiro de basquete conquistado pleo meu Flamengo.
Pedro Migão em junho 28, 2009 11:02 PM
#29
Pessoalmente, não acho que a filosofia tenha algo a oferecer ao direito. A diferença entre juspositivistas e jusnaturalistas é totalmente contingente, histórica, prática. Não é fruto de querelas filosóficas, mas de querelas reais, complexas. As diferentes correntes filosóficas do direito convivem todo o tempo juntas. Em alguns períodos uma se sobrepõe às demais em decorrência de uma disputa de poder que é vencida. Os esforços filosóficos não conseguem senão dar um aspecto de intelectualidade que só ajuda o direito a se legitimar mais ainda, afastando o foco da sua dinâmica real e lhe dando esse ar de superioridade racional que ele não tem; a opção por juspositivismo e jusnaturalismo, e neopositivismo, agora, não passa de dinâmicas políticas concretas. O primeiro jusnaturalismo surge como naturalização dos princípios burgueses; o juspositivismo em resposta às teorias anti-estatista (o Estado era a construção dos demais países europeus) dos nazi-fascistas, construindo um "império da lei" baseada, na pirâmide kelseniana, numa espécie de contrato social do direito (norma fundamental pressuposta); o neopositivismo surge após a II Guerra, com o alemão e judeu Radbruch como bode expiatório de uma figura anglo-saxã (vide Hart) do direito (common law) pela qual o direito "deve ser justo", ou seja, a lei pode ser mitigada em prol do algo "justo" - exatamente o que os nazi-fascistas pregavam para mitigar o Estado legalista. Enfim, o ocidente democrático se utiliza do mesmo aparato nazi-fascista, alegando que foi o juspositivismo a dar legitimidade ao direito nazi-fascista. Uma dinâmica que não é fruto de uma racional-democracia das idéias ou da diferença entre elas, mas se serve dessa abordagem filosófica para torná-la "transcendente", ultra-racional.
Neto em junho 29, 2009 1:17 AM
#30
Leonardo, eu havia planejado para esta noite uma resposta mais detalhada ao seu belo comentário, mas fui pego de surpresa pelo golpe em Honduras. Terei que adiá-lo um pouco mais. Mas quero deixar meu agradecimento.
E também a você, Neto: seu comentário me suscitou uma reflexão que eu vou demorar um pouco mais para articular -- mas ela está em curso. Abraços a todos.
Idelber em junho 29, 2009 5:38 AM
#31
Pô, Migão, menos ! Michael jackson e Garrincha?!
Pelamordedeus !!!
Tá legal , tiveram ambos vidas trágicas,como de resto tantos outris artistas geniais ou medíocres.
A 'semelhança' acaba aí ...
Gente como garrincha nunca vai ter dessa mídia baba ovo a atenção que merece. Vai estarsempre fora de pauta como fora da ordem sempre foi sua vida, sua índole seu futebol. Fora da lei dos medíocres, um tresmalhado da manada.
Tem nada não, no coração curtido dos botafoguenses sua grandeza gauche permanece intacta e a luz de sua estrela cada vez mais forte
helio jesuino em junho 29, 2009 12:20 PM
#32
Idelber, aproveite para preencher este buraco midiático e cobrir, como só você sabe ou pode fazer, o golpe em Honduras. O que mais me preocupa nele é o motivo, porque pode ser generalizado a quase senão todos os demais países latrino-americanos: a discussão sobre reeleição indeterminada, presente no Brasil, Argentina, Venezuela e Colômbia, pelo menos. Disso ainda é possível uma operação de abstração, e transformar a "discussão sobre a forma jurídico-política do Estado" em objeto de golpes e ditaduras. Talvez não fosse pela presença de Obama, teríamos uma onda de ditaduras por aqui. Pela primeira vez dou razão a você pelo elogio a Obama, que tanto critiquei (aqui mesmo, inclusive) na época da eleição. Parabéns e aguardo, quando possível, sua resposta ao meu comentário. Grande abraço.
Neto em julho 1, 2009 11:25 PM