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terça-feira, 30 de junho 2009

Honduras: Um golpe singular

Isso é “primeira vez como tragédia, segunda como farsa” e enésima como patético-grotesco para Marx nenhum botar defeito: não me lembro, em toda a história da América Latina, de um governo golpista que, na sua 36° hora, já havia sido condenado por OEA e ONU, ainda não fora reconhecido por nenhum país e mesmo assim continuasse no poder. Desta vez não se cumpriu o script mais frequente, de reconhecimento pelo menos por parte dos EUA. Faz mais de um dia e meio que os golpistas de Honduras, a ponta de baionetas, arrancaram de casa o presidente constitucional Manuel Zelaya para enfiá-lo num avião rumo à Costa Rica. Neste período, a Organização das Nações Unidas, a Organização dos Estados Americanos, a União Européia, os EUA, o Itamaraty e o Sistema de Integração Centro-Americana já condenaram o golpe e afirmaram inequivocamente que Zelaya é o presidente legítimo.

Mas ao longo do dia o gorilismo golpista hondurenho continuava prendendo jornalistas, invadindo rádios, confiscando passaportes, promovendo um verdadeiro blecaute midiático e distribuindo porrada em Tegucigalpa e no interior. Apesar do isolamento, dos protestos populares e dos batalhões do exército que o desobedecem, o governo golpista continua lá. Amanhã, o presidente constitucional, Manuel Zelaya, faz discurso na ONU. Sua volta ao país está anunciada para quinta-feira. Ancorado em enorme apoio internacional. Zelaya mandou recado de que é pra galera voltar aos quartéis.

Os países da Alba, da América Central, o México e o Chile já retiraram suas representações diplomáticas de Honduras. O Itamaraty também reteve no Brasil o seu embaixador. Entre as inauditas singularidades do golpe hondurenho, algumas merecem nota. Ele levou um presidente americano em exercício a dizer, em referência a golpes latino-americanos: The US has not always stood as it should with some of these fledgling democracies, coisa rara se não inédita. Levou Calderón, do México, a sentar-se com Chávez e falar a mesma língua do venezuelano. Expôs a venalidade da grande mídia a tal ponto que o jornalão colaborava com o golpismo enquanto seu perfil fake traduzia com mais fidelidade o espírito das ruas e da resistência ao golpe.

Honduras tem o PIB per capita mais baixo da América Central. É menos de um terço do costa-riquenho. 70% dos hondurenhos vivem na pobreza:

cuadroindicadores.jpg(fonte)

Há material fotográfico no El País e em coleções pessoais. Veja as imagens dos assustados soldados vigiando o Congresso

honduras-congreso.jpg


e, segundo o fotógrafo, de populares recordando-lhes que eles vêm do povo:

honduras-pueblo.jpg


Diga-se o que quiser de Hugo Chávez, mas não houve veículo de mídia mais importante neste processo que a TeleSur. Sua valente jornalista Adriana Sívori transmitiu ao mundo, por celular, a voz de prisão dada a ela e o protesto digno que ela enfiou na cara do general. Já não tinham como sequestrá-la: foi um daqueles momentos históricos em que a tecnologia e a coragem podem ter se juntado para salvar uma vida, quiçá mais de uma. Tem valido a pena também seguir a 100Noticias. A Rádio Es lo de menos tem sido heroica. No Twitter, as tags são #Honduras e #crisishn. Na grande mídia brasileira, a cobertura é um desastre – não vale a pena comentá-la.

PS 1: Será que o blogueiro Ricardo Noblat já foi avisado de que, na "carta de renúncia" falsificada de Zelaya, que ele "noticiou" (citando como fonte .... o ex-blog do César Maia!), os golpistas se esqueceram até mesmo de atualizar a data para que ela ficasse correta?




PS 2: Confirmado, finalmente, para o dia 01 de julho, às 18 horas, no Auditório da Associação Brasileira de Imprensa, o Ato Público carioca contra o AI-5 Digital de Azeredo.



  Escrito por Idelber às 04:56 | link para este post | Comentários (73)


Comentários

#1

Parabéns e obrigada pela cobertura Idelber.

Izabella em junho 30, 2009 7:13 AM


#2

Desde ontem à tarde (provavelmente após as declarações contundentes de Obama - afinal, eles sabem quem é o "patrão", ou talvez por causa do cerceamento da mídia hondurenha - a Globonews mudou de posição, passou a condenar o golpe e o G1 agora chama o fato por seu devido nome: "golpe de Estado". O jornal O Globo de hoje (dia 30) não sei, porque não compro. Falta comunicar ao blogueiro Noblat.

Vera Pereira em junho 30, 2009 7:25 AM


#3

Ótima cobertura, a sua. Pelo jeito há chances reais desse golpe ser revertido, certo? Eu estava pessimista quanto a isso , mas agora começo a me animar com a possibilidade.

A cobertura pela mídia nativa é um crime. E ainda há quem a defenda... Sei que você não quer falar dela - eu, tampouco - mas seia interessante que algumas pessoas o fizessem, para ficar registrada a sucessão de absurdos e a parcialidade dominante.


Quanto ao Rio, sei não, mas acho que o auditório da ABI vai FICAR pequeno. Estarei lá!

Mauricio Caleiro em junho 30, 2009 7:30 AM


#4

Sobre G1 e Noblat eu tuitei, respectivamente, isso e isso.

Idelber em junho 30, 2009 7:35 AM


#5

Caro Idelber, seu twitter é um dos melhores pontos de informação sobre o golpe na internet brasileira.

Patrick em junho 30, 2009 8:24 AM


#6

Com um blog desse, quem precisa da imprensa nacional? Parabéns pela "cobertura"...

Sergio Azevedo em junho 30, 2009 8:39 AM


#7

Você deveria ler o que escreveu Mary Anastasia O’Grady no Wall Street Jounal para ver se aprende alguma coisa:
coalizão liderada por Hugo Chávez sofreu ontem um revés, quando os militares hondurenhos despacharam seu presidente por violar a Constituição do país. Parece que o presidente Zelaya calculou mal quando tentou seguir o exemplo de seu bom amigo Chávez e reformar a Constituição hondurenha segundo o seu gosto.

Mas Honduras ainda não está livre da armação venezuelana. Ontem, país estava sendo pressionado a reconduzir ao poder o autoritário sr. Zelaya por tipos como Fidel Castro, Daniel Ortega, Hillary Clinton e, claro, o próprio Chávez. A OEA, que ignorou os abusos do sr. Zelaya, também quer sua volta ao poder. Se os patriotas hondurenhos conseguirem resistir, será um milagre.

Que o sr. Zelaya agiu como se estivesse acima da lei, não há duvida.
(…)
[os chavistas] querem esconder o fato de que os militares agiram segundo a ordem do tribunal para defender a lei e a Constituição e as decisões tomadas pelo próprio Congresso com esse mesmo propósito.
(…)
A reação da OEA não é supreendente. Emilio Cádernas, ex-embaixador da Argentina na ONU, disse-me no sábado que ele estava preocupado com o fato de que “a OEA, sob o comando de José Miguel Insulza (…), parece acreditar que só golpes militares podem afrontar a democracia. A verdade é que a democracia pode ser solapada por dentro, como provam a Venezuela, o Equador, a Nicarágua e, agora, Honduras.”

Pedro em junho 30, 2009 9:22 AM


#8

Caro Idelber,

Seus links são essenciais. Parabéns e obrigado pela cobertura.

Rodrigo Cássio em junho 30, 2009 9:57 AM


#9

Excelente texto. Deixe-nos informados. Eu já desisti de acompanhar a mídia brasileira sobre o assunto.

Maíra K em junho 30, 2009 10:05 AM


#10

"...parece acreditar que só golpes militares podem afrontar a democracia."

Ou seja, na pior das hipóteses, o golpe em Honduras também foi uma afronta à democracia. Two wrongs don't make a right. Do they?

He will be Bach em junho 30, 2009 10:14 AM


#11

1a página do Estado: "Obama lidera ação contra golpe".

"Lidera"? Os EUA não ficaram esperando para ver a reação da AL sobre o golpe para ver como reagiriam (apesar de algumas maquiagens inéditas da adm Obama, e algumas inéditas reações potencialmente concretas q não é apenas maquiagem mas reconhecimento que se conquista mais com sorriso do que com o punho, ainda mais em uma época que não dá mais para gerenciar sementes deixadas por admins passadas que saem do controle)? O general que liderou o golpe não foi treinado na Escola das Américas? O USAID não deu por volta de 20 milhões na última década para os militares e setores golpistas "de direito e constitucionalistas" (que criaram e perpetuaram desde a era Reagan)? Segundo Gollinger, os EUA tinham informação sobre o golpe "mas não puderam fazer nada" (mesma falatória de um ano depois do golpe contra Chavez até descobrirem ligações e apoios mais concretos).

Me pareceu (mas óbvio, sei quase nada) que foi golpe falho em vários sentidos (a raposa deixada pelos EUA no galinheiro não ficou em sincronia com os mestres e agiu fora de hora demais, cooperação golpista não foi possível devido a atos excessivamente escancarados, países do Sul agiram em cooperação demasiada para poder fazer algo que os contrariasse sem queimar demais o filme, tentativa de recuperar o golpe falho em Obama-super-democrata não está dando muito certo etc).

Carlos em junho 30, 2009 10:24 AM


#12

E mais Idelber,

o http://www.borev.net/ é uma excelente (e ocasionalmente hilária) fonte de leituras sobre visões mais, ahm, "internacionais" das notícias da América Latina (como a do Wall Street Journal que o rapaz aí em cima cita como se fosse evangelho de gente séria -- vou te falar, é só ser em inglês que se derretem todo. Ainda mais com "Wall Street" no título, ui it gives me the vapors! "Miami Herald", oh god i just caaame).

Carlos em junho 30, 2009 10:31 AM


#13

Idelber, uma das conseqüências mais trágicaas da miséria hondurenha é a explosão das chamadas mara truchas, as gangues que vieram de Los angeles e se espalharam pela Guatemala, Honduras e El Salvador. Juntando essas notícias do crime ao golpe fiquei com duas dúvidas. A primeira é como será que estão as periferias hondurenhas diante do golpe. Talvez a sensação de terra de ninguém esteja imperando como nunca.
Além disso, como soube que uma das razões do ódio autoritário ao governo de Zelaya parece ser o seu veto à pena de morte. Com esse golpe, será que os usurpadores podem reverter essa situação? Acredito que a aprovaão da pena de morte pode conflagrar uma situação ainda mais caótica na região.

Queria entender melhor os vínculos das "Maras"e "Pandillas"(mais um produto de exportação norteamericano)com o resto da sociedade hondurenha.

Tiago Mesquita em junho 30, 2009 10:36 AM


#14

Preguntas, asó no más:
1. Algum especialista em direito constitucional poderia, por favor, comentar o artigo 239 da Constituição Hondurenha e o fato de que lá se considera como cláusula pétra até mesmo propor uma mudança no princípio de que uma pessoa só pode ser presidente uma vez? Acho um absurdo, mas, sei lá, vai que isso é legítimo.
2. Sei lá dos demais veículos, mas a Folha tá chamando de golpe. O editorial, por exemplo, exige a volta do presidente e elogia o Itamaraty.
3. Há confirmação independente da rebelião dentro do exército?

João Paulo Rodrigues em junho 30, 2009 11:01 AM


#15

é Idelber,

Enquanto isso, o tio Rei continua vociferando estupidez e truculência, a favor dos golpistas. O cara surtou. Ainda bem que existem blogs como o seu. Abraço.

Lelec em junho 30, 2009 11:23 AM


#16

Engraçado que quando o FHC quis um segundo mandato a direita brasileira não ficou tão indignada, né mesmo?

aiaiai em junho 30, 2009 11:33 AM


#17

Excelentes textos e atalhos sobre o golpe, Idelber. Parabéns e obrigado pelas informações!

Aproveitando o ensejo, olha só o título do comentário de uma colunista onipresente nas Organizações Globo (aquela que, uns meses atrás, foi consultar um "especialista" para saber o que o Brasil deveria fazer diante da crise e escolheu... hum... ...o Armínio Fraga!):

"Disputa pelo poder em Honduras não tem mocinho"

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2009/06/29/disputa-pelo-poder-em-honduras-nao-tem-mocinho-200010.asp

No que diz respeito à mídia gorda, me limito a olhar as manchetes nas bancas para saber quais as mentiras e a pauta do dia - e, muitas vezes, a dose já é suficiente para me causar náuseas.

Rafael Fortes em junho 30, 2009 11:39 AM


#18

cara, a miriam leitão enlouqueceu...
hoje de manhã ela reclamava dos cortes nos impostos...isso mesmo, ela agora acha que o governo tá cortando muito imposto e abrindo muito crédito kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
nessa coluna indicada pelo rafael, ela diz tanta besteira que é até difícil ler...por exemplo:
"na Argentina tivemos eleições", como assim "tivemos"? a miriam leitão é argentina e está na argentina, ou ela reina no mundo todo mesmo? kkkk

Mas, no final do artigo, ela fica tão "bacana"...:

"Quando se olha para o lado, é possível ver que o Brasil trilha um caminho mais saudável, apesar dos nossos dificeis problemas políticos. Aqui a idéia do terceiro mandato foi sepultada por um deputado da base do governo e pela declaração do presidente Lula de que nao se brinca com a democracia."

claro, mais uma mandato para o lula seria inconstitucional, anti-democrático, etc...
mas, será que ela reclamou da forma como o FHC pagou ao congresso para ter o segundo mandato????
Ele poderia ter feito um plebiscito, mas achou mais "democrático" comprar o congresso.

aiaiai em junho 30, 2009 11:50 AM


#19

Embora esteja preocupado com o golpe, tenho esperanças que o repúdio internacional a ele não deixe vingar.

O que me preocupa mais são os desdobramentos do golpe e no Brasil em específico. Nunca vi tamanho relativismo em relação a o que é ou não um golpe de estado e isso me assusta. O relativismo e os argumentos da direita indgnida com perda de poder e prestígio se recrudescem cada vez mais. Basta ver o que foi dito sobre a USP e agora sobre o golpe. São textos que beiram o facismo e plenamente ideológicos.

Sobre isso recomendo o etxto do Edu Guimarães em seu blog.

Parabéns pela cobertura Idelber! Sem diploma de jornalismo, melhor que qualquer matéria que li!

Daniel Nascimento em junho 30, 2009 12:21 PM


#20

Parece que é mais um desses momentos na américa latina em que a democracia morre por falta de quem a defenda de verdade.

A "esquerda" mantém a pretensão estúpida de criar uma democracia mais democrática passando por cima da pouca democracia que já existe.

A "direita" segue com a estratégia mais estúpida ainda de manter a pouca democracia existente diminuindo seu alcance - isto é, democracia só pra quem concorda.

Na verdade nenhuma das duas vertentes quer a democracia de verdade, o estado de direito, ambas o vêem apenas como instrumento para conquista do poder, e um instrumento fraco, facilmente substituível por outro, assim que possível.

O Presidente deposto não é flor que se cheire. Estava sim tentando subverter o sistema para fazer a sua "revolução". Assim como Chavez.

Mas achar que o exército sequestrar e exilar alguém, qualquer pessoa, é defender a democracia requer ou uma incrompeensão total do conceito ou algum tipo de alucinação. Uma vez tendo sequestrado o presidente, quem estará a salvo? Não há quem controle uma coisa dessas.

Os opositores de Zelaya perderam a oportunidade de realizar um impeachment legal, com todo o processo, e assim fortalecer sua democracia.

Agora, com escolhas estúpidas de todos os lados, eles vão ter que esperar quantos anos (e quantos presos, torturados, mortos) pra voltar de novo à estaca zero da democracia?

Só torço que o Brasil esteja realmente um pouco mais maduro que isso...

lucas em junho 30, 2009 12:37 PM


#21

Idelber,

Em um primeiro momento, é inacreditável como esses golpistas ainda estão no poder.

Isso que aconteceu - e está acontecendo - expõe feridas que costumamos fingir que já estão cicatrizadas, apesar de Honduras ser um país pequeno, o que aconteceu lá é como se fosse uma ponta de baioneta em cima delas assim como nos joga na cara o Atemporal Golpe Militar, o pesadelo constante dos democratas latino-americanos.

É como se fundo houvesse um art. 48 do Weimar secreto a nos rondar e a nos dizer o quanto a metafísica do constitucionalismo liberal é falaciosa e que, no fundo, a segurança que ela nos traz não passa de um fantasma ao meio dia.

É um momento chave, o fracasso desse movimento golpista é fundamental para a consolidação dessa guinada progressista de todo continente americano e a nova organização decorrente dela. É altamente improvável que algo diferente aconteça; seja de Moscou até Washington ou da Cidade do México até Caracas há reprovação ao Golpe, mas nunca se sabe.

P.S.: Grande acontecimento sem barrigada do Noblat não é grande acontecimento. E, sim, a Revolução será tuitada.

Hugo Albuquerque em junho 30, 2009 12:43 PM


#22

Pois é.

Continuemos achando que estamos longe disso tudo. Você tem todos os seus direitos. Até o momento em que decida fazer uso deles (ou quando possam ter algum efeito). Assim que funciona em toda parte do mundo. "Direitos" são apenas medalhinhas fantasmas subjugadas por traços de dominação econômica, os que se alugam em coerção e a classe que troca escravos assalariados entre si - esses não são direitos, são apenas privilégios, sobras que se pode ter com a condição que tais 2 ou 3 privilégios sirvam para aumentar exponencialmente os mil privilégios da elite. Apenas temos tais direitos formais justamente porque não os usamos, porque simplesmente concordamos com tudo (mobilizados 24-7 em consensos fabricados em filas rígidas espelhando as ruas e a arquitetura) ou porque nada está aberto a interferência popular. É a liberdade neoliberal, do nobre-abolicionista: te liberto aos confins do oceano cheio de tubarões, com vários furos sangrando - "estás livre".

"you're just free to be hit."

Joel em junho 30, 2009 1:10 PM


#23

lucas - O que você escreveu é a inteira verdade (foi o único até agora). Perderam a oportunidade de fazer o certo. Não sei se irão demorar muito afinal as eleições estão marcadas para novembro e até agora ninguém disse que estão canceladas.

No mais foi a primeira tentativa de um país de combater o chavismo, mesmo de maneira atabalhoada, por isso entendo o nervosismo de alguns aqui.

Até porque enquanto Zelaya fazia das suas ninguém dava a menor pelota.

Pablo Vilarnovo em junho 30, 2009 1:50 PM


#24

lucas,

É uma verdadeira pérola escrever algo como "A 'esquerda' mantém a pretensão estúpida de criar uma democracia mais democrática passando por cima da pouca democracia que já existe.'; se você mesmo reconhece que a democracia existente em Honduras é insuficiente e qualifica que aprofunda-la é uma estupidez, logo eu poderia concluir que você não é um democrata. Entregar a rapadura logo assim de cara é duro.

Pablo,

Convenhamos que "mesmo de maneira atabalhoada" é um belo eufemismo para mesmo de maneira golpista.

Hugo Albuquerque em junho 30, 2009 2:57 PM


#25

Hugo - Como sei que sua definição de golpe muda de acordo com o golpista nem vou me dar o trabalho.

Pablo Vilarnovo em junho 30, 2009 3:02 PM


#26

Parece que a data da "carta de renúncia" é da tentativa de golpe da semana passada: Vermelho: Movimentos sociais de Honduras abortaram o golpe

Hudson Lacerda em junho 30, 2009 3:07 PM


#27

HA,

Que tal você aprender a ler antes de criticar alguém, hein?. Eu disse que é imbecil buscar mais democracia "passando por cima da democracia que já existe". Se a expressão "passando por cima" não é muito clara, deixa eu explicar:
passando por cima quer dizer "destruindo a democracia que já existe", "desrespeitando a democracia que já existe", "passando por cima da democracia que já existe, como um trator passa por cima de alguma coisa, esmagando tudo, deixando inutilizável"

eu não disse que aprofundar a democracia é uma estupidez. eu disse que pretender criar uma democracia através de métodos não democráticos é uma estupidez. pretender que destruir o pouco de democracia que existe possa significar de alguma forma aprofundar a democracia.

deu pra entender?

lucas em junho 30, 2009 3:16 PM


#28

HA,

Que tal você aprender a ler antes de criticar alguém, hein?. Eu disse que é imbecil buscar mais democracia "passando por cima da democracia que já existe". Se a expressão "passando por cima" não é muito clara, deixa eu explicar:
passando por cima quer dizer "destruindo a democracia que já existe", "desrespeitando a democracia que já existe", "passando por cima da democracia que já existe, como um trator passa por cima de alguma coisa, esmagando tudo, deixando inutilizável"

eu não disse que aprofundar a democracia é uma estupidez. eu disse que pretender criar uma democracia através de métodos não democráticos é uma estupidez. pretender que destruir o pouco de democracia que existe possa significar de alguma forma aprofundar a democracia.

deu pra entender?

lucas em junho 30, 2009 3:17 PM


#29

Honduras: a futilidade do golpe
por Atilio A. Boron [*]
A história repete-se e, muito provavelmente, conclui-se da mesma maneira. O golpe de estado nas Honduras é uma re-edição do que se perpetrou em Abril de 2002 na Venezuela e daquele que foi abortado na Bolívia no ano passado, após a fulminante reacção de vários governos da região. Um presidente violentamente sequestrado durante a madrugada por militares encapuzados, seguindo ao pé da letra o que indica o Manual de Operações da CIA e a Escola das América para os esquadrões da morte; uma carta de renúncia apócrifa que foi divulgada a fim de enganar e desmobilizar a população — e que foi de imediato retransmitida para todo o mundo pela CNN sem confirmar previamente a veracidade da notícia; a reacção do povo que, consciente da manobra, sai às ruas para deter os tanques e os veículos do Exército com as mãos limpas e exigir o retorno de Zelaya à presidência; o corte da energia eléctrica para impedir o funcionamento da rádio e da televisão e semear a confusão e o desânimo. Tal como na Venezuela, mal encarceraram Hugo Chávez os golpistas instalaram um novo presidente: Pedro Francisco Carmona, rebaptizado pela criatividade popular como "o efémero". Quem desempenha o seu papel nas Honduras é o presidente do Congresso unicameral desse país, Roberto Micheletti, que neste domingo juro como mandatário provisório e só um milagre o impediria de correr a mesma sorte que o seu antecessor venezuelano.

O que aconteceu nas Honduras põe em evidência a resistência que provoca nas estruturas tradicionais de poder qualquer tentativa de aprofundar a vida democrática. Bastou que o presidente Zelaya decidisse convocar uma consulta popular – apoiada com a assinatura de mais de 400 mil cidadãos – sobre uma futura convocatória a uma Assembleia Constitucional para que os diferentes dispositivos institucionais do estado se mobilizassem para impedi-lo, desmentindo desse modo o seu suposto carácter democrático: o Congresso ordenou a destituição do presidente e uma sentença do Tribunal Supremo validou o golpe de estado. Foi nada menos que este tribunal quem emitiu a ordem de sequestro e expulsão do país do presidente Zelaya , perfilhando como fez ao longo de toda a semana a conduta sediciosa das Forças Armadas.

Zelaya não renunciou nem solicitou asilo político na Cosa Rica. Foi sequestrado e expatriado, e o povo saiu às ruas para defender o seu governo. As declarações que conseguem sair de Honduras são claríssimas nesse sentido, especialmente a do líder mundial da Via Campesina, Rafael Alegría. Os governos da região repudiaram o golpismo e no mesmo sentido manifestou-se Barack Obama ao dizer que Zelaya "é o único presidente de Honduras que reconheço e quero deixar isso muito claro". A OEA exprimiu-se nos mesmos termos e na Argentina a presidenta Cristina Fernández declarou que "vamos promover uma reunião da Unasur, ainda que Honduras não faça parte desse organismo, e vamos exigir à OEA o respeito da institucionalidade e a reposião de Zelaya, além de garantias para a sua vida, sua integridade física e da sua família, porque isso é fundamental, porque é um acto de respeito à democracia e a todos os cidadãos".

A brutalidade de toda a operação tem a marca indelével da CIA e da School of Americas: desde o sequestro do presidente, enviado em pijama para a Costa Rica, e o insólito sequestro e as pancadas dadas em três embaixadores de países amigos: Nicarágua, Cuba e Venezuela, que se haviam aproximado da residência da ministra das Relações Exteriores de Honduras, Patrícia Rodas, para exprimir-lhe a solidariedade dos seus países, passando pela ostentatória exibição de força feita pelos militares nas principais cidades do país com a intenção clara de aterrorizar a população. Na ultima hora da tarde impuseram o toque de recolher e existe uma censura estrita da imprensa, apesar do que não se sabe de declaração alguma da Sociedade Interamericana de Prensa (sempre tão atenta perante a situação dos media na Venezuela, Bolívia e Equador) a condenar este atentado contra a liberdade de imprensa.

Cabe recordar que as forças armadas das Honduras foram completamente reestruturadas e "re-educadas" durante os anos oitenta, quando o embaixador dos EUA nas Honduras era nada menos que John Negroponte, cuja carreira "diplomática" conduziu-o a destinos tão distintos como Vietname, Honduras, México, Iraque, para posteriormente encarregar-se do super-organismo de inteligência do seu país chamado Conselho Nacional de Inteligência. A partir de Tegucigalpa monitorou pessoalmente as operações terroristas realizadas contra o governo sandinista e promoveu a criação do esquadrão da morte mais conhecido como o Batalhão 316, que sequestrou, torturou e assassinou centenas de pessoas dentro de Honduras enquanto nos seus relatórios para Washington negava que houvesse violações dos direitos humanos nesse país. Certa vez o senador estado-unidense John Kerry demonstrou que o Departamento de Estado havia pago 800 mil dólares a quatro companhias de aviões de carga pertencentes a grandes narcos colombianos para transportassem armas para os grupos que Negroponte organizava e apoiava nas Honduras. Estes pilotos testemunharam sob juramento, confirmando as declarações de Kerry. A própria imprensa estado-unidense informou que Negroponte esteve ligado ao tráfico de armas e de drogas entre 1981 e 1985 com o objectivo de armar os esquadrões da morte, mas nada interrompeu a sua carreira. Essas forças armadas são as que hoje depuseram Zelaya. Mas a correlação de forças no plano interno e internacional é tão desfavorável que a derrota dos golpistas é só questão de (muito pouco) tempo.


28/Junho/2009

[*] Director do Programa Latino-americano de Educação a Distancia em Ciências Sociais (PLED), Buenos Aires, Argentina

O original encontra-se em http://www.atilioboron.com

Otto em junho 30, 2009 3:19 PM


#30

O que me preocupa é se isso atiçar as vivandeiras nacionais...

Pedro Migão em junho 30, 2009 3:33 PM


#31

Exato, Hudson. Planejaram o golpe para quinta-feira, adiaram, e se esqueceram de ajustar a data na carta fraudulenta.

Idelber em junho 30, 2009 3:33 PM


#32

Pablo,

Relaxa, eu fiz um elogio a sua capacidade literária, a ideia de um Atabalhoamento de Estado só poderia ser concebida por alguém dotado de um talento ficcional singular.

lucas,

Não, não entendi. Então, essa destruição, desrespeito e esmagamento viria por meio do referendo popular e democrático que Zelaya planejava? Intrigante.

Hugo Albuquerque em junho 30, 2009 3:42 PM


#33

HA,

"É uma verdadeira pérola escrever algo como "A 'esquerda' mantém a pretensão estúpida de criar uma democracia mais democrática passando por cima da pouca democracia que já existe.'; se você mesmo reconhece que a democracia existente em Honduras é insuficiente e qualifica que aprofunda-la é uma estupidez, logo eu poderia concluir que você não é um democrata. Entregar a rapadura logo assim de cara é duro."

"Não, não entendi. Então, essa destruição, desrespeito e esmagamento viria por meio do referendo popular e democrático que Zelaya planejava? Intrigante."

Mesmo que você entenda que o referendo é democrático - que não é, consulte qualquer livro de direito constitucional - sua primeira fala não faz sentido. Não é possível concluir da minha frase que eu "sou contra a democracia". Mesmo que você ache que no final das contas eu não sou democrático, esse sua opinião não pode ser decorrente da "rapadura" que eu não entreguei naquela frase. Como já expliquei antes, a unica coisa que disse nessa frase foi que "buscar o aprofundamento da democracia por meios não democráticos é estúpido", coisa com a qual você aparentemente concorda, partindo da sua segunda fala, citada acima.

Só posso supor, então, que ou você não leu mesmo o que eu escrevi, mas não quis dar o braço a torcer, ou não tem a menor capacidade de compreender nada do que está sendo discutido.

Assim, vou simplesmente parar de responder a suas insanidades. Quando você começar a usar um minimo de lógica nos insultos e vou me dar ao trabalho de me sentir ofendido.

lucas em junho 30, 2009 3:54 PM


#34

Sempre é legal quando o Pablo aparece, pena que ele não vem muito.

Pablo, como assim "primeira tentativa de um país de combater o chavismo"? Na Venezuela (que é um país) a oposição tá tentando combater o chavismo desde que o chavismo nasceu – até mesmo com um golpe muito parecido com este de agora em Honduras. Como a oposição venezuelana é muito estúpida, ainda não obteve muito resultado. A vida do Evo Morales, na Bolívia (outro país), também não anda fácil, muitas tentativas por lá também.

Como o presidente deposto é, supostamente, "de esquerda", fica essa tendência do pessoal de considerar um GOLPE DE ESTADO como algo brando, já que "Zelaya fazia das suas".

Cara, GOLPE DE ESTADO não pode, mesmo se o presidente estiver "fazendo das suas". Simplesmente não pode! Como você quer amenizar um GOLPE DE ESTADO?

Daniel em junho 30, 2009 4:07 PM


#35

Deixo a pergunta no ar:

Quando o Executivo não respeita determinações realizadas pelo Legislativo e pelo Judiciário não é Golpe?

Eleito por eleito o legislativo também foi. Ou eleições só são boas quando quem vence é nosso candidato? Isso sem contar que no caso hondurenho Zelaya não era o queridinho da esquerda chavista como é agora. Ou seja, quem elegeu Zelaya não elegeu um filhote de Chavez.

Ou a definição de golpe varia de acordo com o freguês?

Pablo Vilarnovo em junho 30, 2009 4:09 PM


#36

Daniel - Legal você ter respondido. Faço o seguinte contraponto: até mesmo na Venezuela os referendos de Chavez foram aprovados pelo Congresso. E aqui não faço o menor juizo de valor se o Congresso tinha maioria chavista ou não. Até porque só tem maioria chavista por culpa da oposição.

Mas mesmo assim, os referendos tiveram aprovação do Congresso venezuelano.

Com que autoridade Zelaya tinha para passar por cima do congresso hondurenho e realizar um referendo? A autoridade do voto? Como disse o congresso também foi eleito.

Novamente faço a pergunta: quando Zelaya desobedeceu o Congresso e a Suprema Corte (inclusive querendo a participação dos militares que se recusaram a obedecer uma ordem ilegal) não se caracteriza como golpe?

Onde fica a divisão entre poderes?

Pablo Vilarnovo em junho 30, 2009 4:20 PM


#37

Sempre venho aqui e nunca comento.Hoje,preciso te agradecer pela melhor cobertura desse golpe,aqui no país.Lúcida e emocionante ao mesmo tempo!Obrigada.

Fátima em junho 30, 2009 4:37 PM


#38

Ótimo post, Idelber. Ótima cobertura.
Agora, conte-me. Como está o Irã?

Obrigado

Monsores em junho 30, 2009 4:45 PM


#39

Estou acompanhando o Irã, Monsores, e pretendo escrever. Mas na minha temporalidade baiana, tudo bem? Eu lhe adianto que minha simpatia está inequivocamente do lado dos que protestam. Mas escrevo sobre as coisas quando acho que tenho algo a dizer diferente do que está aí. Por enquanto recomendo a contraposição entre Robert Fisk e Juan Cole, para quem lê inglês. Obrigado.

Idelber em junho 30, 2009 4:56 PM


#40

Ok, Idelber. Obrigado pela dica.
Espero ansiosamente.

Monsores em junho 30, 2009 4:59 PM


#41

Pablo,

já te respondi lá no NPTO, mas vou repetir aqui.

O Zelaya pode ter feito a merda que você aponta, pelo que li realmente tentou atropelar alguma lei lá de Honduras. Porém, Golpe é Golpe, Facismo é Facismo e ficar aqui defendendo um absurdo deste é de phoder.

Além do que, se o legislativo e o judiciário estão no golpe (como está mais do que claro, você não concorda?), em quem ele poderia se socorrer?

Rapaz, a sua antipatia pelo Chavez te cega...

Radical Livre em junho 30, 2009 5:03 PM


#42

Radical Livre - A mesma coisa que respondi lá no Celso coloco aqui.

O problema é que você diminui o que Zelaya fez de "atropelar algumas leis".

Ora isso É golpe. Quando um governante atropela leis É golpe contra o estado de direito.
Parece que você só iria chamar de Golpe se Zelaya tivesse conseguido o apoio do exército. Como não conseguiu não é golpe, é apenas "atropelar algumas leis".

Pablo Vilarnovo em junho 30, 2009 5:14 PM


#43

Se passar o AI-5 digital do Azeredo, o Radical Livre e o Pablo podem ser processados por "copiar dispositivo de informação sem autorização do legítimo dono" (que é, claro, o NPTO, já que os comentários foram postados no blog dele).

Acham que tô brincando, né? Tô não. É só ler aquele mostrengo de lei.

Idelber em junho 30, 2009 5:32 PM


#44

Idelber - Mesmo se o comentário for meu? Caramba que coisa ridícula...

P.S.: Mas para ser justo tem que colocar a co-autoria do Mercadante aí... o mostro tem a paternidade dele também....

Pablo Vilarnovo em junho 30, 2009 5:37 PM


#45

O pior é a gente ler por ai um monte de gente apoiando essa coisa grotesca. Não sou a regina, mas eu tenho medo!

Júlio em junho 30, 2009 6:02 PM


#46

"Novamente faço a pergunta: quando Zelaya desobedeceu o Congresso e a Suprema Corte (inclusive querendo a participação dos militares que se recusaram a obedecer uma ordem ilegal) não se caracteriza como golpe?"

Mas e daí, Pablo? Isso justifica o golpe militar? Não era melhor tentarem um processo de impeachment?

Daniel em junho 30, 2009 6:05 PM


#47

Pablo: seja exato. A versão que circula, de que Mercadante é autor de "10 artigos", que você mesmo já papagaiou aqui, omite o fato de que esses 10 artigos foram apresentados a um projeto anterior, o PLS 76/2000, arquivado e subsumido sob o atual. Mercadante é culpado de ter dado declarações a favor do AI-5 Digital de Azeredo. Não de ser seu coautor. O autor é Azeredo e ele é o cara que faz lobby e viaja o Brasil para defendê-lo. A bancada do PT na Câmara já fechou questão contra o substitutivo atual. Agora vai lá e descobre pra gente quantas defecções teremos na bancada tucana e deixe de sofismar para atribuir ao PT a responsabilidade por um projeto de Azeredo, já condenado pelo Ministro da Justiça e pelo Presidente.

Meus verbos no imperativo são brincadeirinha, claro, com o Pablo, porque tenho liberdade com ele :-)

Idelber em junho 30, 2009 6:10 PM


#48

Daniel - Com certeza. Fizeram uma grande M. Com o sequestro de Zelaya lhe deram uma legitimidade que ele não possuia e a bem da verdade não possui nem mesmo entre o povo hondurenho.

Pablo Vilarnovo em junho 30, 2009 6:10 PM


#49

Acho que o projeto de lei do Azeredo vem de um pensamento do tipo "não sei direito o que é, na dúvida a gente proíbe", que infelizmente não é tão raro, vide as atitudes do tribunal eleitoral sobre propaganda na internet.

lucas em junho 30, 2009 6:10 PM


#50

legitimidade que ele não possuia e a bem da verdade não possui nem mesmo entre o povo hondurenho.

Pablo, se você tem elementos -- fontes -- para chutar qual é ou era a popularidade de Zelaya em Honduras, apresente pra gente. Os últimos números que temos são a vitória dele na eleição, contra uma mídia claramente alinhada com o outro lado e contra um Tribunal Eleitoral hostil (que não é, lembremos, uma "Suprema Corte", para aludir a outra barrigada do Noblat -- foram umas quatro durante este golpe).

Sem fontes, seu chute é só isso, um chute.

Idelber em junho 30, 2009 6:16 PM


#51

Aliás, mesmo que ele não tivesse a popularidade -- e ele a tem, me parece, não em níveis lulísticos, óbvio, mas a tem --, a legitimidade ele ainda teria de qualquer forma, posto que esta não se reduz à popularidade e se vincula, claro, ao exercício do mandato de presidente que lhe conferiu o povo até 27 de janeiro de 2010. O resto é papo furado.

O plebiscito não era para mudar nada, não tinha resultado vinculante e era direito dele fazer. Chamar isso de "golpe", comparando com o sequestro de um presidente a baionetas às 5 da matina, sinceramente, é piada de mau gosto.

Idelber em junho 30, 2009 6:21 PM


#52

Idelber - Pelo que eu sabia Mercadante era o relator do projeto. Juro que não sabia que havia outro. Qual é o número.

Claro que tem seu mala!! :)

Pablo Vilarnovo em junho 30, 2009 6:22 PM


#53

Tá certo, lucas. Dependendo do que se defina por sanidade, eu fico com a minha insanidade mesmo ;-)

Hugo Albuquerque em junho 30, 2009 6:29 PM


#54

Rapaz!

então eu não poderia fazer comentários cruzados entre blogs? Nem citar comentário de minha própria autoria?
Ainda mais com esta de usar pseudônimos...

Neste rítmo, vou acabar indo na ABI na próxima quinta...

Radical Livre em junho 30, 2009 6:33 PM


#55

Pablo, é uma tramitação que começa aqui ou, se você quiser mesmo voltar lá atrás, aqui. Ambos PLs já mortos, claro, e subsumidos no atual. Vou deixar você descobrir o resto no horrendo site do Senado para aprender a falar sem saber :-)

(Nota aos outros leitores: brincadeirinha minha com o Pablo).

Fazendo bem o dever de casa, eu até te dou de presente o link para a vergonhosa entrevista do Mercadante a favor do AI-5. O Mercadante não pode ser relator do atual substitutivo, pois este se encontra na Câmara. O relator é o Sanguinetti (PSDB). Calma com a obsessão anti-PT. Calma com a obsessão anti-Chávez.

Idelber em junho 30, 2009 6:36 PM


#56

Radical: não é bem que você não poderia, claro. É que a geringonça está redigida de tal forma que, na mão do juiz errado, sei lá...

Idelber em junho 30, 2009 6:38 PM


#57

Vosso pedido é uma ordem:

http://www.americaeconomia.com/note.aspx?Note=252052

Zelaya é "só" o mais mal avaliado presidente da América do Sul.

E francamente, quando Zelaya ganhou as eleições ele era o candidato das zelites e ganhou apertado.

======

Golpe não foi fazer o referendo, foi não ter cumprido uma determinação da justiça. Poxa Idelber, em uma democracia nós não podemos escolher as leis que devemos seguir ou não. Há ritos legais para se fazer isso. Não importa se era vinculante ou não.

Agora vamos aos fatos: não haveria gente do tribunal eleitoral. Não haveria nenhuma fiscalização de partido nenhum pois todos foram contra o referendo.

Quem iria tomar conta das urnas eram partidários de Zelaya e observadores venezuelanos e guatemaltecos...

Pablo Vilarnovo em junho 30, 2009 6:39 PM


#58

Duas fantásticas fotos de Esteban Felix aqui:

http://bitaites.org/instantaneo/janelas-para-o-mundo-10

Drex em junho 30, 2009 6:42 PM


#59

Ah e detalhe, sou um anti-chavez da mesma maneira que era um anti-bush.

Pablo Vilarnovo em junho 30, 2009 6:43 PM


#60

Boa, muito boa, Pablo. Mas reitero: popularidade não é legitimidade. Eu concordo que ele foi burro de tentar fazer a consulta (não referendo) na marra. Lula, por exemplo, não o teria feito (e por isso mata nossa direita de raiva).

Daí a legitimar um golpe é um salto gigante.

Idelber em junho 30, 2009 6:45 PM


#61

Foi impressionante assistir às duas manifestações (tela repartida) pela 100Noticias. As TVs de Honduras convocaram uma delas, ignoraram a outra, organizada boca-a-boca.

Idelber em junho 30, 2009 6:46 PM


#62

Duas fantásticas fotos de Esteban Felix aqui:

http://bitaites.org/instantaneo/janelas-para-o-mundo-10

Drex em junho 30, 2009 6:47 PM


#63

Idelber - Por isso concordei com o Daniel. Usaram um elefante para esmagar uma formiga.

Esse site 100noticias.com está fora do ar?? É de Honduras?

Pablo Vilarnovo em junho 30, 2009 7:00 PM


#64

A 100 Notícias é nicaraguense, está no ar:

http://www.ustream.tv/channel/100-Noticias

Idelber em junho 30, 2009 7:05 PM


#65

Repito aqui o que escrevi no Pedro Dória: Zelaya estava descumprindo determinaçoes judiciais, estava sim desrespeitando as vias legais de interpretação da Constituição, estava procurando um confronto, mas não estava dando um golpe. Não existe golpe feito por uma votação lateral ilegal, não vinculante e na qual, parece que alguns esquecem isso, ele poderia inclusive perder. Seria como dar um golpe avisando hora e local e ainda disponibilizando um efetivo militar para o adversário.
Em vista, aliás, de sua baixa popularidade, é mais do que um chute acreditar que perderia a tal consulta.
Golpe não é afrontar leis ou desrespeitar as instituições. É se imiscuir no seu funcionamento de forma física e direta, destituir quem de direito responde por elas e, com isso, alterar toda a vida de um país, que é que está no rescaldo da ação militar de ontem, em que direitos civis e políticos da população (de livre expressão, de protesto, de livre circulação) foram cassados.

João Paulo Rodrigues em junho 30, 2009 7:20 PM


#66

Se existe algum problema, que abram um processo regular de impeachment como já fizeram com Gonzalo Sánchez de Lozada na Bolívia e com o Collor no Brasil. É mais lento? É.Mas se mantem dentro das regras institucionais. Me assusta a simpatia brasileira por quarteladas, duras da tropa de choque. Aquele pensamento autoritário, pensado entre nós por gente do calibre do Florestan Fernandes, Sérgio Buarque, Fernando Henrique Cardoso e Raymundo Faoro, teima em ficar na cabeça dos brasileiros.

Tiago Mesquita em junho 30, 2009 7:38 PM


#67

Tem pesquisa do Ibarometro que diz que ele está com a mais baixa popularidade da América Latina. É só bater no google e olhar a mais atualizada (deste ano ou ano passsado).
Mas, é claro que issõ não ha razão para golpe. FH na depois da crise de 99 chegou a ter popularidade ainda mais baixa.

Bruno em junho 30, 2009 8:51 PM


#68

O Pablo precisa ser mais cuidadoso quando manuseia essa "Consulta Mitofsky".

Para começo, a Miofsky não faz "consultas".
Somente compila dados disponíveis nos vários paises, feitos com metodologias distintas, as apresenta num Ranking.
No caso mostrado no link, os dados do Brasil são copiados do Data Folha de Novembro/08, os dos EUA são do Real Clear Politics de Fevereiro/09 e o de Honduras é do Gallup/La Prensa de Outubro/08.

Considerando a disparidade das datas das consultas mais as diferenças de metodologia é de se concluir que o Ranking pouco vale.

Mas vamos ao que interessa.
Existe "enquesta" mais recente, de Fevereiro/09, produzida pelo mesmo Gallup/La Prensa mostrando uma rápida recuperação nos índices de aprovação do Zelaya.
Um salto de 15 pontos positivos no saldo entre Aprovação e Desaprovação.
Saiu de -11 em Outubro para +4 em Fevereiro.

Aqui a matéria do La Prensa:
(http://www.laprensahn.com/Apertura/Ediciones/2009/02/17/Noticias/Mel-recibe-15-puntos-de-aumento-positivo)

E aqui o gráfico:
(http://www.laprensahn.com/Ediciones/2009/02/17/Multimedia/Mel-recibe-15-puntos-de-aumento-positivo-Mel-recibe-15-puntos-de-aumento-positivo)

daSilvaEdison em junho 30, 2009 10:22 PM


#69

O Pablo precisa ser mais cuidadoso quando manuseia essa "Consulta Mitofsky".

Para começo, a Miofsky não faz "consultas".
Somente compila dados disponíveis nos vários paises, feitos com metodologias distintas, as apresenta num Ranking.
No caso mostrado no link, os dados do Brasil são copiados do Data Folha de Novembro/08, os dos EUA são do Real Clear Politics de Fevereiro/09 e o de Honduras é do Gallup/La Prensa de Outubro/08.

Considerando a disparidade das datas das consultas mais as diferenças de metodologia é de se concluir que o Ranking pouco vale.

Mas vamos ao que interessa.
Existe "enquesta" mais recente, de Fevereiro/09, produzida pelo mesmo Gallup/La Prensa mostrando uma rápida recuperação nos índices de aprovação do Zelaya.
Um salto de 15 pontos positivos no saldo entre Aprovação e Desaprovação.
Saiu de -11 em Outubro para +4 em Fevereiro.

Aqui a matéria do La Prensa:
(http://www.laprensahn.com/Apertura/Ediciones/2009/02/17/Noticias/Mel-recibe-15-puntos-de-aumento-positivo)

E aqui o gráfico:
(http://www.laprensahn.com/Ediciones/2009/02/17/Multimedia/Mel-recibe-15-puntos-de-aumento-positivo-Mel-recibe-15-puntos-de-aumento-positivo)

daSilvaEdison em junho 30, 2009 10:26 PM


#70

Levar o Cesar Maia em conta para passar "notícia" é temerário, lastimável, é muita má vontade e má intenção...

Ao menos o Cávez ha pouco afirmou que as Nações Unidas deverão entrar em Honduras caso a situação não se resolva....

Raphael Tsavkko Garcia em junho 30, 2009 11:19 PM


#71

Onde está o descumprimento da Constituição nesta pergunta:

“¿Está usted de acuerdo que en las elecciones generales de noviembre de 2009 se instale una cuarta urna para decidir sobre la convocatoria a una Asamblea Nacional Constituyente que apruebe una nueva Constitución política?”

“Você está de acordo que, nas eleições gerais de novembro de 2009, haja uma quarta urna para decidir sobre a convocatória de uma Assembleia Nacional Constituinte que aprove uma nova Constituição política?”

Patrick em julho 1, 2009 12:05 AM


#72

Patrick:

Não é óbvio? Descumpre a parte que afirma que a elite manda. Ponto final.

Mas... não tem isso na constituição? Ops, então...

Vai ver é só a prática, o costume... A regra não-escrita!

Raphael Tsavkko Garcia em julho 1, 2009 12:22 AM


#73

A ditatura branca começou com FFHHCC, sofreu mutação com o CCCCCHHHHHAAAAAVVVVVEEEEESSSSS e tinha que parar no Zelaya, se não teríamos o LLLUUULLLAAA.
Prefiro a Dilma.

trainsppotting em julho 28, 2009 8:54 PM


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