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terça-feira, 16 de junho 2009
LASA deve desculpas e explicações
A Latin American Studies Association deve um pedido de desculpas à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. É provável que o conteúdo deste post não tenha interesse para a maioria dos leitores do blog e o dito aqui seria mais eficientemente expresso numa carta à direção da LASA. Opto pelo post, ao invés da carta, por dois motivos. Em primeiro lugar, porque não tenho a menor esperança de que a LASA reforme seus hábitos neocoloniais e, para ser honesto, interessa-me muito pouco o que pensa sua direção. Em segundo lugar, talvez valha a pena divulgar algo sobre os bastidores e as caixas-pretas das associações profissionais acadêmicas.
Qual o motivo da indignação? Cheguei ao Campus da Gávea na quinta-feira e vi algo que nunca havia visto em vinte anos de vida profissional e participações em congressos acadêmicos de todo tipo. A LASA havia contratado uma firma de segurança, com dezenas de meganhas engravatados, para policiar as portas das salas de aula e impedir a entrada de não-inscritos. A grande maioria dos não-inscritos que poderiam ter interesse em assistir o congresso eram, claro, pessoas daqui do Rio de Janeiro, especialmente alunos da PUC, que estava hospedando o congresso da LASA sem receber, para isso, nem um centavo.
Agora vejam a falta de noção: como é possível que uma associação gringa de estudos latino-americanos traga seu congresso para o Brasil e enfie dentro de um campus universitário uma legião de meganhas de uma firma de segurança privada sem perceber a significação simbólica disso num país como este? O que eles imaginavam? Que a favela ia descer em peso e ameaçar o congresso? Não há nada mais alheio à América Latina do que as associações gringas de estudos latino-americanos. Não aprendem. Não adianta.
Os pobres meganhas, engravatados, zanzavam como zumbis, sem ter muita ideia de onde se encontravam e de qual era a sua função, a não ser policiar os crachás pendurados nos cangotes dos congressistas. Força de segurança na porta de sala de aula. Foi vergonhoso, embaraçoso, constrangedor. Como é possível que uma associação gringa, num congresso realizado no Brasil e intitulado “Repensando as desigualdades”, possa fazer algo assim ser se dar conta da ironia implícita? Qual é realmente o grande prejuízo em deixar que as pessoas da comunidade entrem numa sala de aula e escutem uma palestra? Será que a LASA não percebe que está na contramão da história? Será que não percebe que a informação quer ser livre?
O caso passou a me interessar e acabei dando uma pesquisada. Vamos aos números.
A inscrição para o congresso da LASA custava US $240,00 para não-membros. Pelo câmbio de hoje, isso dá R$ 468,00. Se algum gringo sem noção da LASA estiver me lendo, saiba que isso representa, no Brasil, mais de um salário mínimo mensal. A LASA hospedou seu congresso, com milhares de associados, no campus da PUC-RJ sem pagar-lhe um centavo. Pagou as horas extra dos funcionários da PUC que trabalharam no congresso, mais nada. É verdade que a LASA oferece bolsas de viagem para alguns associados latino-americanos, mas esses gastos são amplamente cobertos por um fundo que advém de doações. Não seria decente que uma associação gringa multimilionária contribuísse em algo com o considerável aumento de custos operacionais que tem uma universidade brasileira que hospeda um congresso desse gigantismo?
Os pobres meganhas zumbis, policiais do crachá alheio, recebiam R$ 50 por um dia inteiro de trabalho, sem vale-transporte. O rapaz com o qual conversei vinha de Bangu. Deixo, para leitores que conhecem melhor que eu o sistema de transporte carioca, o cálculo de quanto esse rapaz gastou na viagem de ida e volta de Bangu para a Gávea. Limito-me a informar que a LASA calcula suas taxas em dólar e que, nos EUA, o salário mínimo é US$ 6,55 por hora. É só fazer as contas da exploração.
Fontes da Pontifícia Universidade Católica me confirmaram que:
1) Não receberam qualquer tipo de material que lhes permitisse divulgar o congresso entre a comunidade.
2) Os professores foram surpreendidos, na quarta-feira, quando a universidade ainda estava em aulas, por uma enorme força de segurança uniformizada. Estatelados, imaginaram que se tratava de uma blitz policial. Era, claro, o aparato de segurança da LASA. Bicho, é insultante demais.
3) Incontáveis propostas de mesa apresentadas por docentes da PUC foram rejeitadas. Aliás, os critérios de aprovação de mesas nesse tipo de congresso são outra caixa-preta. Não falo por interesse próprio, já que recebo muito mais convites do que sou capaz de atender. A própria LASA me convidou para organizar uma mesa neste congresso (convite que, suponho, depois deste post, terá sido o último; reitero que pra mim dá na mesma).
4) Evidentemente, todos os gastos de viagem e hospedagem – com a exceção das bolsas mencionadas, cobertas pelo fundo citado – correm por conta dos congressistas ou de suas instituições. Ora, se a LASA não pagou um centavo à PUC, se as bolsas de viagem oferecidas são cobertas por um fundo especial, se os pobres e inúteis meganhas receberam 50 mangos por dia, onde vão os 240 dólares de cada um dos milhares de congressistas? Algum dos associados que me leem tem ideia dessa caixa-preta? Não venham me falar de custos de publicação dos anais. Estamos na era da publicação barata.
A questão talvez interesse aos leitores do blog, no final das contas, por analogia com as associações profissionais brasileiras. Alguém tem realmente ideia de como funcionam, por exemplo, as finanças da OAB?
Para além da questão financeira, a LASA deve um pedido de desculpas à comunidade universitária brasileira. Não se enfia uma força especial de segurança no interior de um campus quando você está sendo hospedado. Não é possível que alguém estude a América Latina e não saiba o que isso significa. É muita falta de noção.
PS: Meu agradecimento à Pontifícia Universidade Católica pela hospitalidade.
PS 2: Obrigado, Rio de Janeiro. Obrigado. Vir aqui é renovar a alma e a alegria de viver.
PS 3: Minha palestra de daqui a pouco, no IFCS, é aberta ao público. A UFRJ não é a LASA.
Escrito por Idelber às 09:40 | link para este post
| Comentários (56)
#1
Gente, isso é embaraçoso para a instituição, é ultrajante e ridículo. Será que eles ao menos perceberam a terrível ironia? O que gente assim pode ter a dizer sobre desigualdade? Isso não anula o conteudo das palestras deles?
Abraços Idelber
Rebeca em junho 16, 2009 10:01 AM
#2
"A UFRJ não é a LASA."
Amém.
Alex Castro em junho 16, 2009 10:03 AM
#3
Idelber, isso é uma tendência já em vários congressos no Brasil, tirando os seguranças, é claro. Na ANPOCS, realizada anualmente em Caxambu, há um controle feito pela própria comissão organizadora na porta de cada sala. Não me recordo da ANPUH, mas na SBS (Sociedade Brasileira de Sociologia) isso acontece também. Há uns 7 ou 8 anos era bem mais solto. Eu acho estranho paca.
João Marcelo em junho 16, 2009 10:33 AM
#4
Hehehe. Congresso com firewall. Eu desconfiava.
Daniel Christino em junho 16, 2009 10:54 AM
#5
Não é brinquedo, hein.
Quanto ao Cristovão (do comentário do post anterior), é sem dúvida um grande romancista, que vem construindo há tempo, com seriedade e sem estrelismos, uma obra sólida. Curitiba já não é a terra do haicai e do conto!
E a obra do Miguel Sanches Neto, outro quase-curitibano, você tem acompanhado?
Otto em junho 16, 2009 11:19 AM
#6
Sim, Idelber, anula!Isso é um acinte!
abraços
Ôtima Alves em junho 16, 2009 11:28 AM
#7
Contratar segurança particular para policiar congresso no Rio é de uma deselegância e falta de sensibilidade constrangedora, concordo completamente. (Como a sua estimada colega Martha Huggins mostra muito bem, a história das firmas de segurança particular no Rio é de uma truculência impressionante.) Não esperava mais, e por isso--entre outras razões--não fui.
E se a Lasa realmente não divulgou o congresso bem na PUC e nas outras universidades locais, então bobeou, mesmo--geralmente, o comité organizador desses mega-congressos divulga amplamente, e oferece crachás para estudantes locais em troca de algum pequeno serviço voluntário. Seria realmente estranho se a Lasa não fez isso.
Agora, que estão tentando barrar a comunidade local, não vou a tanto--esses meganhas do crachá dos outros já são comuns nos mega-congressos internacionais, e estão aí para impedir a entrada dos ex-sócios que deixaram a anos de pagar a taxa anual, muito menos de registrar para o congresso, mas ainda frequentam os congressos. Geralmente, os organizadores botam os seguranças só na porta das funções onde vai rolar uma comidinha gratuita ou um livro em desconto, e com isso já dão conta do recado.
Mas eu também já vi isso acontecer no Rio, em um congresso totalmente local--era um congresso sobre o Rio, principalmente de alunos de graduação das várias universidades da cidade, na antiga Casa de Estudantes, na Avenida Ruy Barbosa, em 2006. Tinha segurança particular na porta, que não me deixou entrar no prédio, porque o meu nome não constava da lista, e vi a mesma coisa acontecer com vários outros pretendentes. (Agora, esse prédio tem uma história muito interessante de invasões e ocupações que talvez justifique um pouco de cuidado extra, mas deu no mesmo--os alunos locais não-registrados não puderam entrar.)
Agora, o mais importante é procurar evitar que a Brasa faz a mesma coisa no congresso lá na Brasília em julho 2010. Imagino que não seria o caso, já que o último congresso da Brasa, lá na sua casa, foi de uma organização maravilhosa. Mas vou falar com os colegas de qualquer forma.
abraço,
Bryan em junho 16, 2009 11:37 AM
#8
Daqui a pouco vai ter hostess, medindo você de alto a baixo para ver se você se encaixa no evento, ou se não está bem trajado e, portanto, não merece frequentar tal ambiente.
Como diria o Gérson: é brincadeira!
João Paulo Rodrigues em junho 16, 2009 11:53 AM
#9
Olha, eu invejo a ANPOCS por uma série de coisas, mas se eles também adotam essa prática discriminatória, anti-científica e anti-acadêmica, jamais irei num encontro seu.
Eu não sou do tipo que grita contra privatizações e acha que todo almoço é de graça. Mas isso que o Idelber traz é grave, gravíssimo. A ANPUH tem um quinquilhão de defeitos, mas ao menos não esse.
A não ser num evento fechado, feito por e para um grupo pequeno que pretende debater muito aprofundadamente temas e problemas mais específicos, um encontro como a LASA perde grande parte de seu significado se impede acesso de pessoas a seus eventos. Depois, não dá para vir reclamar que a academia se encastelou numa torre de marfim. Não dá.
As pessoas devem pagar se vão apresentar trabalho (o que representa custos para a organização) e os ouvintes também CASO QUEIRAM CERTIFICADOS. Outra forma de arcar como os custos é cobrar de livreiros e editores para colocarem suas bancas e fazer acordo com hotéis e agências para diminuir gastos. O caminho conhecido, enfim.
Blindar um evento científico do grande público vai na contramão de tudo o que o conhecimento e a ciência representam. Vai contra a Universidade, mesmo que ela cobre mensalidades. Numa universidade qualquer pessoa pode ouvir uma palestra ou mesmo seguir um curso, assim como ter acesso a sua biblioteca. O que ela não vai ter, caso não seja aluno regular, é o diploma, ou nem mesmo o certificado de que seguiu tal ou tal disciplina. O mesmo vale para congressos, um microcosmo desta missão educacional e dos princípios do debate de idéias público que está na base mesmo da ciência e do conhecimento. É inadmissível que se impeça o público mais amplo de aprender e de entrar em contato com o mundo das idéias e da ciência.
João Paulo Rodrigues em junho 16, 2009 12:09 PM
#10
Utilizo com alguma regularidade a biblioteca da PUC. Também já estive em um evento, desta vez fechado e administrativo, e a recepção foi maravilhosa. Fico também com vergonha por eles.
João Paulo Rodrigues em junho 16, 2009 12:11 PM
#11
Fui até o Rio esse congresso, passei uma manhã inteira numa inexplicável fila de credenciamento (sendo afinal atendido por um rapaz grosseiro que não falava português, nem sequer espanhol - o que já é simbólico do tipo de colonialismo imposto pela instituição), participei da mesa para a qual estava inscrito e não voltei mais. O Rio oferece programas mais interessantes que a antipatia de uma associação cretina dessas.
Anderson em junho 16, 2009 12:22 PM
#12
Pescado da página de abertura do site da LASA:
"A missão da LASA é promover o debate intelectual, a pesquisa e o ensino sobre a América Latina e Caribe e seus povos em todas as Américas, promover os interesses do seu quadro diversificado de sócios e incentivar a participação cívica por meio do aumento de uma rede de relacionamentos e debate público."
Esse pessoal deve estar de brincadeira...
João Paulo Rodrigues em junho 16, 2009 12:31 PM
#13
Basta bater o olho nesse artigo pra ver o que ninguem esta falando:
Ta com cara de sessao de recrutamento.
Ivan Moraes em junho 16, 2009 12:32 PM
#14
Puxa vida, tudo isto logo na PUC-RJ, que tem uma belíssima tradição de pluralismo e de democracia? Como graduado da PUC (Eng. Mec.), isto muito me entristece...
Johnny em junho 16, 2009 12:49 PM
#15
Prezado Idelber,
Concordo inteiramente com seu post, que bem poderia se transformar num abaixo-assinado a ser entregue ao LASA. Eu assinaria tranquilamente.
Infelizmente, isso vem se tornando pratica comum em congressos. No Lasa de 2006, em San Juan, tambem havia segurancas controlando a entrada e saida das pessoas com crachas.
No Brasa em 2000, acontecido em Recife, eu fui barrado no baile, pois nao tinha cracha. Eu era aluno da UFPE e pensava que podia me beneficiar daquela congresso. Repito: isso foi em 2000, num congresso do Brasa.
Em 2007 num congresso tambem no Recife, da Associacao Brasileira de Sociologos, ocorrida no Recife, eu tambem fui barrado pois nao havia pagado para assistir as palestras como "nao-panelista". Detalhe: o congresso da ABS utilizou as salas da UFPE, uma universidade publica e cobrou para as pessoas entrarem numa universidade publica!!! Cade a PM para garantir meu direito de ir e vir num universidade publica? So aparecem quando grevistas estao protestando?
Enfim, concordo contigo e compartilho a sua indignacao! Seria interessante rolar um abaixo-assinado mesmo.
Abracao,
PS- Foi uma pena nao ter te encontrado no Rio.
Cesar em junho 16, 2009 1:08 PM
#16
Idelber,
Excelente post. Serve de alerta para "nosotros" que participaremos do Encontro conjunto da ABRI (Associação Brasileira de Relações Internacionais)com a ISA (International Studies Association), que acontecerá no próximo mês, na mesma PUC. A LASA mantém as velhas práticas dos "bons tempos" da "missão civilizadora" dos povos do norte.
João Marcelo,
A ANPUH (nem a regional do RJ e nem a nacional), ainda bem, não tem esta prática e o acesso às salas onde ocorrem os Simpósios Temáticos é livre para qualquer pessoa. Por sinal, no mês que vem, em Fortaleza, estará ocorrendo o XXV Simpósio Nacional de História/Encontro Nacional da ANPUH e os simpósios temáticos estão excelentes. E o melhor: não precisa de crachá para entrar...
Abraços a todos.
Abobrinhas Psicodelicas em junho 16, 2009 1:09 PM
#17
Ta com cara de sessao de recrutamento. (2)
A propósito, opost que escrevi semana passada dando conta de possível maracutaia em concurso da UFF gerou um outro post, agora com denúncias na UFRRJ.
Gostaria que o Professor Idelber e demais blogueiros dessem a sua opinião. Não trabalho na universidade diretamente - apesar de ter interface por estar na área de Educação da petrobras - e queria saber as opiniões.
Link sobre o meu nome.
Pedro Migão em junho 16, 2009 1:11 PM
#18
...bem que eu te falei...
Renata L em junho 16, 2009 1:41 PM
#19
Não que eu ache isso razoável, mas pela cara da página já imaginei que ia rolar uma verificação de crachá na porta - e já vi isso acontecer outras vezes.
Renata L em junho 16, 2009 1:59 PM
#20
Síndrome de vira lata ou mero "aproveitamento" por parte da LASA da boa-vontade alheia?
Vergonhoso. Segurança privada dentro de uma universidade para privar os alunos de comparecerem a uma palestra.... Simplesmente um absurod mas não devia muito dos aparatos de segurança e policiamento que estamos vendo nas universidades brasileiras.
E movimento como um todo é lamentável.
Raphael Garcia em junho 16, 2009 2:38 PM
#21
Que absurdo. E a PUC-Rio teve que aceitar tudo isso sem reclamar?
Será que eles pensaram que estavam "visados" por que o evento era de uma associação americana? Pois alguns americanos pensam que se não forem a alguns países cercados por um aparato de segurança podem ser sequestrados ou sofrer um atentado (se bem que guardas a R$50 por dia não são garantia de proteção contra esse tipo de ameaça). A chegada da segurança na véspera não foi pra vasculhar o campus?
Vi coisa parecida com um grupo de bibliotecários americanos que veio dar palestras no Rio tempos atrás, com o patrocínio do consulado americano. Estranhei que as palestras aconteceram no auditório da Justiça Federal, um lugar minúsculo. Mas depois me dei conta que deve ter sido por causa da segurança do prédio, que tem detetor de metais na entrada e identificação obrigatória de quem entra.
Te em junho 16, 2009 2:57 PM
#22
Você ficou indignado porque a LASA investiu em segurança? Ou sua indignação é pela LASA ter contratado "pobres meganhas engravatados que zanzavam feito zumbis"?
Talvez esses meganhas sejam mesmo tão pobres que nem consigam disfarçar isso com suas gravatas.
E pior: ainda ousam estar na LASA e fiscalizar o crachá dos participantes!!
Tânia Pinc em junho 16, 2009 2:58 PM
#23
Es increible lo que paso en ese congreso. No había ni siquiera un vaso de agua para los que sesionábamos. No hubo recepción, no hubo feria de libros académicos, los recibos tenían la cifra pagada en dolares pero con el signo R$, no había un registro unificado de inscriptos, con lo que si uno quería saber si alguien había llegado o no tenía que preguntar en todas las terminales. Realmente bochornoso. Mucho más aún sabiendo que la PUC no recibió nada por hospedar el congreso. Esto es muy doloroso por los participantes que pagaron el viaje y la participación de su bolsillo. Realmente da mucha rabia. Lo que compensó con creces todo eso fue la maravillosa ciudad de Rio, la amabilidad de los voluntarios de la PUC y el encuentro con los colegas de Brasil.
Julio em junho 16, 2009 4:05 PM
#24
Alo Idelber, fui à sua palestra. cheguei bem atrasado, lá pelo final. Mas ainda pude lhe fazer uma pergunta, a respeito de um post seu sobre Agamben em que critica Antonio Negri. Achei bacana sua resposta e muito lúcida a sua crítica, o que me fez até largar esse paradigma.
Engraçado como é que esse modo de agir politicamente está caindo em desuso. O próprio Lobão, que vinha por esse caminho, em uma entrevista que ele dá, logo quando decide voltar às gravadoras, critica essa postura, alegando que é "franciscanismo de araque", que isso é algo que não deve ser incentivado.
A entrevista está aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=fqeag24nHNw
Penso que foi uma entrega mesmo às gravadoras, mas faz pensar sobre caminhos políticos a serem tomados.
Abraços!
Bruno Marcondes em junho 16, 2009 4:20 PM
#25
ixi...eu fui, assisti, não paguei nada, mas achei estranho aqueles moços ali. No fim, achei muito ruim, mesas no horario do almoço foram muito prejudicadas, o certificado entregue é uma vergonha de horroroso, o tempo disponibilizado pras mesas foi ridiculo e a PUC não deu conta de tanta gente. Enfim...ainda bem que não paguei.
ah! talvez a grana tenha ido pra pagar a palestra de FH rs,rs
Ceça em junho 16, 2009 4:49 PM
#26
No Idelber, vergonhoso mesmo. E como disseram, de uma deselegância atroz.
Agora, sobre o agradecimento à cidade, tenho a dizer que nós cariocas é que agradecemos você e a Ana trazendo a alma pra passear por aqui. E o que seria de nós sem os mineiros, não é mesmo? Isso é caso antigo...;-D
Helê em junho 16, 2009 5:09 PM
#27
Horrível mesmo, Idelber. Fui com mais dois amigos assistir a sua mesa na quinta e foi super desagradável entrar lá. Depois desse momento nem tentei voltar outros dias. Uma amiga que trabalhou no congresso disse que até havia um passe para estudantes por 10 reais, mas nem tenho certeza da informação e, caso proceda, nada foi divulgado (no site constava o preço extorsivo de 145 dólares).
E realmente, ANPOCS e SBS vão pelo mesmo caminho, como disse o João Marcelo do comentário #3
Parabéns pela palestra no IFCS, foi ótima! Infelizmente momentos como aquele andam raros por lá.
Andre B. em junho 16, 2009 5:38 PM
#28
Idelber, vou fazer um leve contraponto. Nada que desmereça ou desconstrua teu post absolutamente correto, mas só pra constar. Depois, somarei mais críticas.
Nem todos pagaram 240 dólares de inscrição. Aos estudantes que participaram do evento, como eu, havia um generoso desconto e a maioria dos participantes eram sócios, portanto também pagaram mais barato.
Isso não significa, obviamente, que fosse exigido pagamento para participar como ouvinte ou que necessitassem leões de chácara nas portas. Na verdade, as sessões estavam absolutamente vazias, tanto as que assisti como a que apresentei. Havia, portanto, estrutura para receber muito mais ouvintes que seriam bem vindos.
Ao mesmo tempo, as áreas coletivas, onde os participantes almoçavam, lanchavam, se encontravam, descansavam (...) eram muito concentradas em dois prédios e viviam lotadas. Isso sem contar a absurda fila de inscrição, na qual passei uma hora e 15 minutos apenas para retirar um crachá e o programa do evento.
Foi realmente, além de bastante absurdo, um pouco decepcionante. Considerando-se a multidão de acadêmicos ali presentes, muito pouco se construiu no evento.
PS: Se um dia te sobrar tempo, dinheiro e boa vontade pra explorar o deplorável mundinho dos eventos acadêmicos, visite a Anpocs. É um feudo controlado por um bando de intelectuais aposentados que se reúnem pro chá de comadres anual, onde só os abençoados são bem vindos e aos outros dificulta-se sobremaneira a chegada, a começar pela intocável sede do evento (Caxambu, ai pelas tuas terras). Classe A!
Marcos em junho 16, 2009 6:01 PM
#29
Idelber,
A história em si é particular, mas ela levanta alguns pontos interessantes sobre a nossa época - há três que eu achei particularmente interessantes:
1. A falta de conhecimento do que é a América Latina por parte de uma instituição que, ironicamente, se chama Associação de Estudos Latino-Americanos - o que é muito esclarecedor em relação aos motivos do porquê as políticas gringas para a AL são essa tosqueira sem tamanho desde sempre.
2. A paranóia americana que, ao contrário do que se pensa, não teve origem no 11 de Setembro, mas sim foi apenas catalisada por ele, posto que ela decorre da grande influência puritana - a mania de caçar bruxas - na formação daquele país.
3.A lógica da privatização da segurança; Os pobres meganhas zumbis, policiais do crachá alheio foi sensacional. Isso daí, diga-se de passagem, é um fenômeno mundial. Cá em Terra de Vera Cruz não é muito diferente. Pode não ter a ver com a questão, na PUC do Rio até ocorreu o contrário, mas a PUC de São Paulo hoje se vê às voltas com uma segurança contratada por uma firma de segurança que fica, entre outras coisas, espionando as atividades do movimento estudantil - é sério - na mesma situação ignominiosa do ponto de vista laboral. Isso também ecoa aquela questão da privatização do espaço que se vê, por exemplo, nessa esquema de condomínios fechados.
Hugo Albuquerque em junho 16, 2009 6:47 PM
#30
já fui expulso por seguranças do erecs (encontro regional dos ESTUDANTES DE CIÊNCIAS SOCIAIS) realizado na urca (Universidade Regional Do Cariri - Ceará), eles colocaram seguranças para expulsar alunos da faculdade,os impedindo de circularem e permanecerem nas suas dependências.
eu (luan olivera) e um colega meu (Orlando Pereira) fomos expulsos (30 de abril) a tarde da urca, com direito a quase toda a comissão organizadora e 2 seguranças para nos intimidar e nos colocar p'ra fora. fomos seguidos pelos seguranças (um particular do encontro) até sairmos da urca. para entrar, circular e permanecer na urca tinha que ter pagar 30,00. segundo eles amparado por uma portaria (questiono a legalidade de uma portaria que proíbe a entrada e circulação de pessoas numa universidade pública e ainda nos tratando como bandidos perigosos). segundo eles ainda, para garantir a segurança dos estudantes alojados, mas esses já estavam separados por barreiras criadas pela organização do encontro e os seguranças contratados por eles poderiam fazer a segurança só dessa área e essa vigilância toda poderia ser feita apenas no período da noite.
estranho que eles não percebam soluções tão elementares não?
me envergonho que universitários, de ciências sociais (pasmem!!!!), tenham atitudes tão policialescas, me senti na era bush.
sem argumentos a tal portaria virou palavra mágica na boca de todos os membros da organização, ou tendo insistido nas críticas contra eles usavam argumentos poeris como se não tivessem tomado esse medida tão absurda, teriam que selecionar quem entraria ou não na urca, método do tipo "quem é suspeito", como fiz questão de lembrar a eles no momento.
lamentável e triste esse fato, infelizmente vivido por mim e meu amigo orlando pereira, que já fez parte do CA de letras por 2 gestões e do DCE dessa univerdade e acreditem, teve "também sou teu povo", filme que o roteiro e a direção é dele, na programação cultural do evento.lamentável.
luan oliveira em junho 16, 2009 7:20 PM
#31
idelber, estou verdadeiramente chocada. estive lá na PUC quinta-feira para assistir a mesa da qual o alex participava e notei que de fato havia alguns engravatados, mas nem de longe imaginei que o objetivo fosse esse aí que você mencionou. isso é realmente uma falta de respeito à comunidade acadêmica da PUC. não sei se isso é tendência em congressos internacionais, mas não lembro de ter visto tçl coisa nos últimos de que participei. gostei do que alguém disse aí em cima, que daqui a pouco os congressos terão uma 'hostess' para ver se você está vestido adequadamente, de modo a não 'poluir' o ambiente. assino embaixo dese post. abraço!
cris em junho 16, 2009 8:03 PM
#32
Ah, desculpe. A palestra a que me refiro é a da UFRJ. Que deve ter sido muito melhor que o que rolou na PUC, por sinal.
Bruno Marcondes em junho 16, 2009 8:12 PM
#33
Que bobagem. Os congressos acadêmicos em geral são tão chatos, que duvido muito que algum favelado, perdão, "excluído", se interessasse. Bem, talvez se tivesse comida e bebida grátis em algum coquetel.... Acho que isso justificaria o aparato de segurança. :-P
Mr X em junho 16, 2009 11:12 PM
#34
ainda bem que não me meti a ir :(
kelly em junho 17, 2009 12:42 AM
#35
Boa noite, mestre Idelber,
ou muito me engano ou há uma nuvem de consrvadorismo se espraiando? E não estou me referindo ao conservadorismo na arena política no sentido estrito, mas sim no conservadorismo sócio-cultural (cuja autonomia da arena política é relativa, como sabemos).
Vigiar... vigiar...vigiar... punir... punir...
corpos dóceis... e quando chega à univesidade, à academia, o círculo está se fechando.
E não precisamos ir longe, e só dar uma olhada em seus últimos posts.
Beijo
Marilda
Marilda S. Costa em junho 17, 2009 1:10 AM
#36
a maioria dos participantes eram sócios, portanto também pagaram mais barato.
Verdade verdadeira, Marcos. Os sócios pagaram US $ 180,00. O que acontece é que um sócio da LASA paga -- se tiver um salário, digamos, médio para padrões universitários americanos, de 70.000 dólares por ano -- uma contribuição anual de ... 95 dólares! Benefícios de ser membro? Além da taxa mais baixa de inscrição, você recebe a LARR, uma revista que ninguém lê. Ou seja, os custos para os sócios são, no fundo, até maiores...
Interessante o que vocês dizem aí sobre a ANPOCS. Eu nunca participei. É bacana ter ideia sobre como funciona a coisa.
Otto, tenho o Miguel Sanches Neto mais ou menos no meu radar, mas ainda não li. Obrigado pela recomendação.
Eu linkei este post no Facebook e nunca tive tantas reações a uma atualização. Parece que não fui o único a me incomodar com o jeito em que a coisa foi feita.
Idelber em junho 17, 2009 2:01 AM
#37
Tânia (#22), discordâncias são sempre bem-vindas. E, lecionando literatura há décadas, acho que tenho alguma noção acerca de como um mesmo texto pode ser interpretado de diferentes formas. Mas sinceramente, acho que é necessária muita má fé para ler esse post e achar que o meu incômodo é com o fato dos seguranças serem pobres. Suponhamos que existisse um mundo em que pessoas ricas trabalhassem como seguranças. Você acha realmente que o meu incômodo com o acontecido seria menor? Não, ninguém pode ser tão burro ao ponto de achar que meu desconforto vinha do fato dos seguranças serem pobres. Sua leitura foi de má fé mesmo.
Idelber em junho 17, 2009 2:15 AM
#38
Caro Avelar: Apresentei paper no mesmo congresso e faço minhas as suas críticas. O que é estranho aí é que a LASA, que até o Governo G.W. Bush fazia seus congressos quase sempre nos EUA (e sempre na América do Norte) e que tinha decidido expandir sua geografia para protestar contra restrições em concessão de vistos a participantes (cubanos com visto especial principalmente) e contra a DOMA (houve uma decisão de não sediar o congresso em cidades dos EUA onde vigisse uma proibição ao casamento gay), acabasse por fazer um congresso no Rio de forma tão solipsista. Alguns comentadores falaram aqui da ANPOCS, mas esta, com todos os seus defeitos, sempre teve a virtude de conseguir publicizar o seu congresso anual, tanto é que a Folha e o Globo sempre mandam um repórter setorista acompanhá-lo, enquanto que o Congresso da LASA, que tinha todas as possibilidades de conseguir uma publicidade igual, para a imprensa brasileira simplesmente não aconteceu.
Carlos em junho 17, 2009 11:56 AM
#39
Idelber, não tenho a menor vontade mais de participar desses gigantescos e "profisssionais" (no mau sentido) eventos acadêmicos, cada vez mais gigantescos e sem graça.
Pena.
Pelo menos na atual conjuntura, eventos menores, no bom sentido, são mais interessantes.
Jair Fonseca em junho 17, 2009 12:11 PM
#40
No fundo a saída é essa mesmo, Jair. Veja a questão bem lembrada pelo Carlos: uma das únicas serventias de um congresso da LASA seria o impacto do evento da esfera pública. Mas não houve nenhuma, claro, porque decidiram que o local do evento era uma tabula rasa. Cada vez me convenço mais de que as reuniões menores são a saída.
Julio, me alegro de que por lo menos lo hayas pasado rico en Río. Esto es lo que importa. Volvé siempre, más allá de los megacongresos gringos.
Bruno, obrigado pela pergunta e pela presença lá no IFCS. Foi uma bela experiência para mim. Abraços.
Idelber em junho 17, 2009 12:17 PM
#41
O meu medo é que o ganho intelectual e acadêmico que os participantes ganham em eventos menores não compense a perda de visibilidade e de algum impacto na esfera pública que a escala menor geralmente implica.
João Paulo Rodrigues em junho 17, 2009 1:14 PM
#42
Queria mto ter ido, mas qdo vi o preço da inscrição, desisti. Ainda bem! Como ex-aluna da PUC, não me lembro de polícia particular circulando pelo campus. Os seguranças são funcionários da própria universidade/comunidade.
sonia em junho 17, 2009 7:03 PM
#43
Idelber,
Dado que sou formado em direito e meio que trabalho na área, tenho e tive contatos com advogados às mancheias - e jamais conheci um único que conhecesse como funcionam as finanças da OAB. Do mesmo jeito, nunca conheci algum que estivesse satisfeito em pagar 650 reais por ano de anuidade - ou 700, se parcelar em 12 vezes.
Os benefícios são ridículos. No máximo, um cafezinho de graça na CAASP (Caixa dos Advogados), ou um super desconto que varia de 10% a 20% nos livros que estiverem disponíveis . Nenhuma grande coisa - a algumas quadras de lá, há uma livraria jurídica que oferece um desconto parecido, além de que dá para negociar um desconto legal em livros de filosofia (comprei meu "Nietzsche", de Heidegger, lá). Só não tem cafezinho.
Aaaaah, deve ser isso que inflou o preço! A LASA estava oferecendo cafezinho para o pessoal?
He will be Bach em junho 18, 2009 2:26 PM
#44
He will be Bach: não tinha cafezinho, a não ser nas cantinas da PUC. Não tinha nem água para os palestrantes -- apesar da extrema boa vontade dos estudantes voluntários da PUC que, com muita gentileza, tentavam resolver o problema quando alguém pedia. Quem já deu uma palestra na vida sabe como é importante um copinho de água. Não tinha.
Obrigado pela informação sobre a OAB! Bate com o que eu imaginava. Abraços.
Idelber em junho 18, 2009 2:32 PM
#45
Querido Idelber: Gracias por este post. Estoy completamente de acuerdo con lo que dices. Lamentablemente no pude verte en LASA. Experimenté lo mismo que tú, y la misma indignación, sobre todo si pensamos que el lema de este año en el congreso era "Rethinking Inequalities"...parece que la manera en que LASA repensó las desigualdades latinoamericanas es contratando a esos guardianes nefastos (vi gente controlando también la entrada en el LASA de Montreal). Yo tengo amigos en Rio que querían ir a las conferencias pero no pudieron porque había que pagar 50 dólares (¡!). En fin, no aprenden estos tipos. Saludos y que sigas disfrutando de Brasil.
Marcelo Pellegrini em junho 18, 2009 4:05 PM
#46
Querido Marcelo, qué alegría verte por acá. Tanto por las reacciones aquí en el blog como en Facebook, creo haber expresado lo que sintieron muchos. Probablemente nos habríamos visto si mi disgusto con el congreso no hubiera sido tan grande. Me limité a presentar mis dos comunicaciones y me fui. Lamento que esto les haya pasado en mi país, pero no dejen de volver. Un abrazo fuerte.
Idelber em junho 18, 2009 4:11 PM
#47
Seguiremos yendo, Idelber. Desde hace ya tiempo soy fiel lector de tu blog, sólo que no había dejado comentarios. Abrazos de nuevo.
Marcelo Pellegrini em junho 18, 2009 4:18 PM
#48
Está claro que esta atitude da LASA é absurda, mas por que não há nenhum comentário sobre a PUC. Se a universidade hospedou o evento e nada recebeu por isso, por que ela não colocou regras? Na universidade onde trabalho, uma pequena universidade comunitária no interior do Rio Grande do Sul, a UNISC, quem quiser utilizar o campus (e hospedamos ou sediamos diversos eventos acadêmicos ou de associações profissionais)pode fazê-lo, muitas vezes sem nenhum pagamento, mas precisa enquadrar-se nas normas da universidade. E uma dessas normas é justamente a proibição de meganhas de qualquer tipo. quem faz a vigilância do campus são servidores da instituição e o acesso a eventos acadêmicos e científicos é sempre aberto a todos. Cobranças podem ser feitas, claro, mas para ter direito a material, certificado, essas coisas. Enfim, a PUCRJ não tem nada a dizer sobre isso?
Abraço
Caco
PS: tenho frequentado seu blog há uns poucos mese. Acho-o muito bom, tem sido um de meus alimentos intelectuais. Gosto muito. Mesmo.
Caco Baptista em junho 19, 2009 2:09 AM
#49
Caro Caco, muitíssimo obrigado. Tomei a liberdade de corrigir o link ao seu blog, para que os leitores possam chegar lá. Havia faltado uma letra. Quanto à sua indagação, sim, acho que ela é pertinente. A minha sensação é que a PUC foi surpreendida pela presença desse aparato de segurança. Sublinho que é uma sensação, ou seja, não tenho certeza. Em definitivo, os professores da PUC foram surpreendidos. A iniciativa foi da LASA, isso é ponto pacífico. Mas para se ter a história completa, haveria que se saber se a reitoria estava ciente, você tem razão. Eu realmente não sei. Um abraço.
Idelber em junho 19, 2009 2:14 AM
#50
Paz e bem!
Um diferencial entre a LASA e a OAB
é que a última presta contas
ao TCU (Tribunal de Contas da União).
Eugenio Hansen, OFS em junho 22, 2009 12:12 AM
#51
It's amazing to me that an organization dedicated to studying Latin America would not see the negative image that security guards keeping out the unregistered would conjure. It reminds me of the banana bosses' compounds, or the American military bases in Panama. O sinto muito.
¡Qué vergüenza!
Mac Williams em junho 22, 2009 5:46 AM
#52
Querido Idelber:
Te agradezco que hayas escrito esto, así los que estamos en esto nos sentimos un poco mejor.
Fuimos a LASA con algunas amigas de Rutgers, y tuvimos una sensación parecida a lo que relatas. Sobre todo al conocer a otras estudiantes de la PUC, gente muy interesante que no fue a la conferencia principalmente por lo caro que era, una pena realmente. Además de lo desorganizado y de lo que comentas de esos guardias en todas partes.
Gracias por el post,
Macarena Urzúa.
Macarena em junho 23, 2009 4:11 PM
#53
Idelber, creio ser um pouco tardio meu comentário, e você já falou sobre ironia. Mas aqui vai:
Você escreve que "Os pobres meganhas zumbis, policiais do crachá alheio, recebiam R$ 50 por um dia inteiro de trabalho, sem vale-transporte. O rapaz com o qual conversei vinha de Bangu. Deixo, para leitores que conhecem melhor que eu o sistema de transporte carioca, o cálculo de quanto esse rapaz gastou na viagem de ida e volta de Bangu para a Gávea. Limito-me a informar que a LASA calcula suas taxas em dólar e que, nos EUA, o salário mínimo é US$ 6,55 por hora. É só fazer as contas da exploração."
Falando em exploração e ironia, o título do congresso é “Repensando as desigualdades”. Mas aqui pagaram só cinqüentinha para os seguranças.
Ou o tema é enganador? Estão repensando as desigualdades para descobrir como perpetuá-las e aumentá-las? Talvez isso explique o pagamento pelo dia de trabalho dos seguranças.
Um abraço,
Marcos Torres.
Marcos Torres em junho 24, 2009 3:02 PM
#54
Pobres, meganhas, zumbis....
estamos falando de igualdade e respeito, quando trabalhadores são insultados por palavras medíocres, onde está nosso direito de reivindicar, quando espomos a imagem de pessoas, sem se quer saber seus motivos?
A LASA pode até merecer comentários, mas que sejam dirigidos as pessoas certas!!!
angela em julho 17, 2009 12:58 AM
#55
E para quem participou ou realmente pensou em reivindicar, deve ter notado que na sessão do Roberto da MAtta, o tema foi discutido diretamente com o diretor do LASA.
angela em julho 17, 2009 1:05 AM
#56
Angela:
1. Eu venho de família pobre e "pobre" é o termo que usam os pobres para referirem-se a si mesmos. "Gente humilde", por exemplo, é eufemismo usado por classe média. Não há insulto nenhum no termo.
2. "Meganha" é a função que eles estavam servindo lá. O insulto é a realidade à qual eles foram submetidos, não a denúncia dessa realidade.
3. "zanzando como zumbis", com a notável aliteração e tudo, foi o termo usado por um dos rapazes para descrever a completa inutilidade dos movimentos deles por lá. Não há qualquer insulto a eles no meu post -- e eles sabem disso.
4. Na sessão do Roberto da Matta, a LASA cometeu a suprema deselegância de cobrar 240 dólares de um pesquisador brasileiro convidado para ser o palestrante magistral (keynote speaker) do evento, coisa ironizada pelo próprio Roberto e jamais vista por mim em 20 anos de vida acadêmica.
5. A discussão sobre o assunto que houve lá dentro não me interessa porque ela estava fechada aos que não tinham crachá. Que importância ou legitimidade tem a discussão sobre uma exclusão se a comunidade que a debate foi constituída por essa mesma exclusão?
6. "As pessoas certas" a quem dirigir os comentários são, para mim, os meus leitores. Uma carta à direção da LASA não me interessa em absoluto.
Idelber em setembro 9, 2009 6:44 AM