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sexta-feira, 05 de junho 2009

Leticia Wierzchowski: A Casa das Sete Leticias, por Marcelo Backes

Como se sabe, este é um blog assinado por um mineiro gaúcho. Assim sendo, eu não poderia – mesmo que já não tivesse uma longa história em defesa da liberdade de expressão – ficar alheio ao processo que move Leticia Wierzchowski contra Milton Ribeiro, solicitando R$ 1.003,50 por “danos à imagem”* por causa dessa resenha escrita por Milton. Entendendo que não pode haver dano maior à imagem de Wierzchowski que a aparição da sua "obra", rompo hoje a tradição de não publicar textos alheios na íntegra para reproduzir a resenha dessa mesma "obra" escrita por Marcelo Backes. A resenha foi publicada na edição de fevereiro da revista Aplauso. Ela não está disponível na internet e é reproduzida em primeira mão pelo Biscoito – evidentemente, com a autorização do autor.

O texto que segue, portanto, é de autoria de Marcelo Backes.


A CASA DAS SETE LETICIAS

O mote de A casa das sete mulheres de Leticia Wierzchowski é grandioso. O prólogo — sem título — já dá feição de filme épico ao romance. Sete mulheres à espera de notícias, cartas e visitas de seus homens em guerra, recolhidas no isolamento de uma estância... Isso dá pra manga! O resultado obtido por Leticia é miserável.

Minha primeira desilusão foi de caráter formal. Pensei que a autora contaria a vida dos homens e suas guerras através das angústias, tristezas e alegrias das mulheres. No princípio até parece que vai ser assim, mas logo a estratégia é jogada às favas e o narrador pula de galho em galho, sem pouso certo, adentrando inclusive a guerra e o mundo dos homens.

O narrador é obsoletíssimo e vive no século XIX não apenas histórica, mas também literariamente. É uma das sete Leticias do romance. Quer dizer, o que ele narra não difere nem um pouco — nem sintática, nem conteudística, nem formal, nem lingüisticamente — daquilo que a autora pensa, daquilo que Manuela anota em seu diário, daquilo que Bento Gonçalves proclama em seus diálogos, daquilo que os guerreiros escrevem em suas cartas, daquilo que D. Antônia matuta consigo mesma. Em meados do século XIX, Manuela é capaz de escrever: “Joaquim, vindo do Rio”. Ora, com isso a personagem — elevada à categoria de narradora em seus “Cadernos” — renega sua origem hinterlândica, provinciana e antiga e assume a voz citadina, cosmopolita e atual da autora. “Vindo do Rio” é o que Leticia diria hoje, ao conversar com suas amigas. E esse é apenas um dos muitos exemplos!

Os deslizes gramaticais e semânticos do romance são incontáveis. As pessoas não são afeitas às cidades como ensina a norma, mas sim “afeita(s) das cidades”; e “guanxuma” é substantivo masculino. Não faltam escorregadelas sintáticas. Entre elas um sem-número de inversões inestéticas: “Cumprimentando com muita afeição Caetana” ou “Caetana chorou, segurando pela mão Leão”. E lugares-comuns, o primeiro deles já na terceira linha da primeira página: “cortando a noite fresca e estrelada como uma faca que penetra na carne tenra e macia de um animalzinho indefeso”. Uma listinha bem resumida dos que vêm a seguir: “Tinha umas mãos delicadas de segurar cristais”; “olhos azuis como o céu que brilhava lá fora”; “um negro atarracado e com cara de poucos amigos, mas que tinha um coração de manteiga”; “a terra estalando na madeira produziu um baque surdo e seco”. O último descreve o ruído da terra sobre um caixão — pela enésima vez na literatura universal de baixa estirpe. Às vezes a ruindade das metáforas é apenas piegas: “Um pássaro piou lá fora, um canto morno como um alento ou uma xícara de chá”.

Além disso há tempos verbais carnavalizados (“Como acontece sempre, Caetana leu-a na sala”), incongruências narrativas (na página 219 se diz que as arcas com o enxoval de Perpétua partiram para a Estância do Salso; na página 279 o enxoval está de volta à Estância da Barra para satisfazer a loucura de Rosário, que desfila vestida de noiva pela noite afora) e pleonasmos sem fim (“variada miscelânea de gentes”); um deles revela a ignorância espanhola de Leticia: “sotaque de acento estranho”. Falando em espanhóis e que tais, a língua não cansa de trazer problemas à autora. A certa altura, o uruguaio Steban se queixa: “no tiengo cova, no tiengo nadie”. Tiengo? Mas o que é isso? Portunhol levado às últimas conseqüências?

A ordem do mundo amoroso de Leticia é prá lá de panglossiana. Manuela se apaixona por Garibaldi dois anos antes de vê-lo, e Garibaldi se apaixona — entre as sete mulheres, sete letícias com acento; eu construiria meu harém na Estância da Barra — exatamente por Manuela. E Bilbao se apaixona por Mariana, que se apaixonara por ele. Tudo dá certo no mundo amoroso leticiano. Se Perpétua finca os olhos em Inácio, nenhuma das outras o faz. E Inácio tem olhos apenas para Perpétua, ignorando a gostosura das outras. Ah tá, e se o moço é casado, sua esposa flaquita por certo vai morrer em pouco. E de fato morre... Um miasma universal parece regular o mundo; um fluido mesmeriano infalível orienta o afeto das pessoas.

Em determinada passagem, Leticia revela todo o raquitismo épico de seu mundo: “e aquela guerra toda, tudo aquilo, era apenas para que ambos se encontrassem e vivessem o que lhes estava destinado”. Não, minha cara autora! O amor açucarado de Manuela e Garibaldi é que é o mote para tu falares da guerra em teu romance. Quando o mundo da alta literatura aceita frases do tipo “A vida de cada um vinha escrita como as páginas de um caderno, como as páginas do diário que ela mesma traçava todas as noites” ditas a sério, não surpreende mais o fato de Paulo Coelho alcançar a Academia.

Leticia borboleteia pelas páginas da história mas, assim como a libélula — que chamamos de molha-o-cu no meu interior missioneiro —, apenas toca a superfície das águas passadas, sem jamais mergulhar nelas. O mundo física e metafisicamente fashion da autora opõe cicatrizes e façanhas: “Terá vitórias e façanhas para contar aos filhos, ou cicatrizes?” Se cicatrizes são provas de façanha e vitória no mundo pampeano, no mundo fashion de Leticia — ai, ai, ai — cicatriz é feio... E quando Leticia tenta fugir ao fashion, é uma jericada atrás da outra. Sua fantasia é tanta que ela inventa os primeiros “alazães negros” do pampa. Ora, alazão já tem a cor no nome: é um “cavalo que tem a pelagem cor de canela, amarelo-avermelhada”, segundo o Aurélio. É pouco? Pois Leticia inventa também o “zaino negro” e o “alazão branco”. Só falta mesmo é o “baio lilás”!

O vocabulário do romance é agauderiado artificialmente. Só nas primeiras páginas é uma porção incontável de “decertos”, “muis” e “arreglados” maculando a sintaxe citadina da obra. O manejo do “mui”, aliás, trai mais uma vez o caráter incipiente — e insipiente — do livro. A certa altura está escrito: “tratava-se de um posto de mui importância”. Ora, mui é advérbio usado apenas antes de adjetivo ou de advérbio terminado em mente, por vezes ante um verbo, jamais antes de um substantivo. Foi descuido, é? Logo um personagem volta a escrever: “mui trapaças nos fez”. Pobre Leticia! O vício dos “decertos” faz com que a uruguaia Caetana — pro meu gosto a mais gata entre as beldades do harém — proclame um “de cierto” em resposta confirmativa, quando deveria dizer “sí, por cierto”, como qualquer uruguaio — ou argentino — faria. Essa é imbatível? Não! De repente, sem mais nem menos, D. Ana parece descender de colonos alemães e diz: “Quando os homens voltarem, faremos uma baile”.

E eu que comecei falando em expectativas! Às vezes o romantismo descabelado de Leticia se torna bonzinho, vá lá: “Hay una floresta dentro dos vossos olhos, Manuela. E io sono perdido in questa floresta”. A metáfora de boa qualidade também existe, ainda que rara: “Mas a guerra estendia-se por sobre o tempo como uma colcha antiga”.

Em A casa das sete mulheres todo mundo é vidente. O sobrenatural é vulgarizado, normalizado, cotidianizado. O realismo mágico latino-americano é desvirtuado à metafísica de empregada. O que era mítico em Simões Lopes Neto se torna místico em Leticia. Os sonhos — tanto os de Borges quanto os de Freud — são desqualificados à condição de delírio visionário estúpido. Nem vou falar dos deslizes históricos da obra, mas A casa das sete mulheres é um exemplo raquítico do que há de pior na vertente mais prolífica — em termos quantitativos, pelo menos — da literatura gaúcha: o romance histórico.


*Atualização do editor do blog: Lendo o processo com a assessoria jurídica do Biscoito, vejo que R$1.033,70. é um valor para efeitos de custas da burocracia, determinação de competência do juízo e cálculo de honorários de advogado. O pedido é que o juiz arbitre o valor dos "danos morais". Fica aí a correção.



  Escrito por Idelber às 04:25 | link para este post | Comentários (63)


Comentários

#1

Ainda bem que até antes de ontem eu nem conhecia essa "autora".
É claro que todo mundo tem direito de querer ser escritor, e de ficar feliz quando dá a sorte de conseguir publicar um livro. Agora, querer que todo mundo aplauda e entrar na justiça contra os críticos é de matar!
Eu queria só entender porque ela não entrou na justiça também contra o Marcelo Backes. Será que o blog do Milton "rende" mais danos morais do que a revista Aplauso?

aiaiai em junho 5, 2009 6:40 AM


#2

Gostei do "agauderiado artificialmente".

Mas afinal qual é a chave do sucesso deste romance?

Paulo Z em junho 5, 2009 8:50 AM


#3

A desesperada necessidade de aplauso e/ou o pavor à crítica que pareça desfavorável são expressões de algo já patente num personagem muito conhecido: é o deus bíblico do primeiro testamento, aquele que exige adoração e promete punição aos desobedientes e não afiliados. Será um auto-endeusamento a exigência do aplauso? A tanto eu não chegaria. Mas por trás das grades do bercinho, vejo a imagem de uma criança que atira brinquedos a quem não lhe dá carinho, vejo uma criança perversa fazendo beicinho.

rildo polycarpo em junho 5, 2009 8:54 AM


#4

Idelber.

Lendo os trabalhos e livros publicados pelo professor, crítico, ensaísta e romancista Backes, descobri que o texto que publicas é de fevereiro de 2003. No mínimo curioso.

Abraço.

Milton Ribeiro em junho 5, 2009 9:11 AM


#5

Caro Idelber

Como o nosso país é o país do consenso e de opiniões consensuais, a posição do crítico é quase sempre mal vista, mal interpretada.

O crítico não é uma pessoa querida pela nossa sociedade.

A vaia existe no Brasil mas se trata de uma prática diluída na multidão e não tem cara própria. Quase ninguém assume a vaia.

Uma das funções do aplauso em nosso país é 'calar os críticos'. Vida que segue.

Paulo Z em junho 5, 2009 9:26 AM


#6

Isso aí já foi adaptado pela Globo. Mas o pessoal assistia mesmo era para ver a Alessandra Negrini pelada...

Rodrigo Lima em junho 5, 2009 11:02 AM


#7

Idelber,

queria aproveitar esse espaço para deixar uma pequena nota hoje, que é dia mundial do meio ambiente. Ontem foi aprovada pelo Senado a medida provisória 458 que legaliza a ocupação de terras na Amazônia. Para muitos, se não for vetada pelo presidente, a medida tem brechas que podem beneficiar aqueles que se apropriaram de terras na Amazônia de forma irregular e estimular a grilagem. Oxalá isso não aconteça, mas a "questão ambiental" tem sofrido muito nesses últimos tempos do governo Lula...

Lulli em junho 5, 2009 11:08 AM


#8

Deixem de ser miseráveis! Vale os 1003,50 cobrados. Diversão de graça é o que querem, é? Na-na-ni-na!

Pinto em junho 5, 2009 11:53 AM


#9

hoje a galera quer resolver qualquer diferença com processo, é um saco. este processo é um blefe sem tamanho. oswald, coitado, não poderia ter aproveitado sua herança tão bem como aproveitou. aliás, como se esta leticia (sem acento) tivesse algo pra defender. o que diz este processo? poderia ser divulgado, não? morro de curiosidade. é um ready-made. eu queria levar um processo assim. vou escrever um post falando mal da leticia (sem acento). vou dizer que ela é mocréia. promessa caracteriza ofensa? no meu tempo pelo menos a gente saia no braço mesmo.

Victor da Rosa em junho 5, 2009 12:15 PM


#10

Texto por texto, sou mais a Bruna Surfistinha.

cezar em junho 5, 2009 12:16 PM


#11

idelber, gostaria de dar uma sugestão para o clube de leitura: trabalhar com um texto só. há uma coisa prática nisso: você anuncia a coisa na quarta, temos que ler pra quinta (tranquilo, geralmente é pequeno) no meio de outros afazeres, então dois textos já assusta, rs. e outra coisa: dois contos, neste caso, acaba fechando mais as leituras. é claro que nada disso é tão direto, necessário, mas foram coisas que considerei. abração!

Victor da Rosa em junho 5, 2009 12:22 PM


#12

parabéns ao milton a ao marcelo por terem conseguido ler um trambolhão desses. são dois grandes heróis. eu teria parado já no coração de manteiga.

abraço!

theo alves em junho 5, 2009 12:31 PM


#13

"Isso aí já foi adaptado pela Globo. Mas o pessoal assistia mesmo era para ver a Alessandra Negrini pelada..."

Fizeste confusão, Rodrigo. A Alessandra Negrini ficava pelada n'A Muralha. O que valia na série da Leticia era a Mariana Ximenes.

Hefestus em junho 5, 2009 12:41 PM


#14

Tá vendo? Dá pra fazer uma crítica pesada sem fazer ofensas pessoais nem gracinhas machistas. Coisa que o Milton Ribeiro não conseguiu fazer.

Alessandra em junho 5, 2009 12:44 PM


#15

É a primeira vez que eu escuto o nome dessa autora. Por que diaboas ela processa o resenhista? Pelo jeito, ele até pegou leve

Tiago Mesquita em junho 5, 2009 12:50 PM


#16

O Milton Ribeiro que me desculpe, mas essa ação contra ele está sendo muito útil para mim: já corri ao site da Livraria Cultura atrás dos livros do Marcelo Backes.

Lázaro em junho 5, 2009 12:53 PM


#17

eu acho, alessandra, que escritores/escritoras que estão neste lugar da mídia devem aprender a lidar com isso com senso de humor, pelo menos. todo mundo diz que o carpinejar é feio e ele não liga, por exemplo. aliás, muito pelo contrário. galera aí se diz escritor, faz auto-retrato no donna do zero hora mas não quer ser motivo de piada, como é isso? a piada é um gênero (político) como qualquer outro. agora uma coisa é alguém que se propõe a fazer uma "crítica séria" do livro e outra coisa é alguém que se propõe a fazer piada. uma coisa não tem nada a ver com a outra e principalmente não se anulam. eu procuro fazer as duas coisas. escrevo "crítica séria" no jornal e escrevo bobagens no blog. sinceramente, se fosse escrever sobre a leticia (sem acento, sempre) faria um post.

Victor da Rosa em junho 5, 2009 12:54 PM


#18

Idelber, atitude bacana a sua, de publicar essa exclente resenha, muito mais pesada do que a do milton, logo, o processo em questão fica não apenas desqualificado, mas ridículo.
Só lamento que essa senhora venha obtendo uma divulgação em blogs maravilhosos que ela definitivamente não merece.
um abraço,
clara lopez

clara lopez em junho 5, 2009 1:09 PM


#19

"Metafísfica de empregada"?
Preconceituoso, não?
E "Molha-o-cu" não é desnecessário? Acrescenta o que?
E outra, não li o livro, e ele deve ser ruim mesmo. Mas não custa ser mais polido na crítica.
às vezes acham que para criticar tem que ser agresssivo. Mas não é necessário.

Manoel Galdino em junho 5, 2009 1:40 PM


#20

Nunca li nada da Letícia -- paseei os olhos por alguns dos capítulos da série que a Globo fez, mas foi só.

Mas a Letícia não é a única escritora meia-boca que não lida bem com críticas negativas. Sei bem o que é isso. Ano passado, escrevi uma resenha sobre um livro do Paulo Coelho e, uma semana depois, uma assessora dele começou a mandar e-mails para os meus chefes (nunca mandou nenhum para mim, heh).

O mais engraçado é que, embora ela considerasse a matéria ofensiva e dissesse (com um tiquinho de razão) que uma agência de notícias não poderia publicar nunca um texto com tamanha carga opinativa, ela nunca disse com todas as letras que iria processar. Só ficou reclamando, durante duas longas semanas, até a coisa chegar nos chefes gringos da Reuters. A impressão que eu tive é que a assessora estava exercendo pressão para me ver demitida. Críticos renomados já massacraram muito mais o PC e tudo bem -- mas como eu não sou ninguém, uma reles estagiária, a mulher tentou cortar minha cabeça.

Não fui demitida, mas levei tantas comidas dos meus chefes que ficou mesmo difícil trabalhar naquele mês.

Ah, a resenha é essa: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,paulo-coelho-cai-em-armadilha-ao-criticar-famosos-em-novo-livro,216325,0.htm

bjo!

Marjorie em junho 5, 2009 2:00 PM


#21

Um texto crítico de verdade, como a muito tempo não lia. é daqueles textos que você lê com um sorriso na cara e mostra que a literatura brasileira ainda sofre com autores que seguem o paradigma Paulo Coelho.
Mas ainda percebemos o destrato com a prestação jurisidcional. Se todo mundo for ajuizar uma ação só por causa de uma crítica é melhor acabar de vez com qualquer tipo de comentário sobre o que quer que seja.

João Carlos em junho 5, 2009 2:25 PM


#22

O lívro de dona letícia (sem acento e letra minúscula) é um lixo! Romance histórico de quinta categoria que nem mesmo merece ser chamado romance, muito menos histórico.
Alguém aí falou que o romance histórico gaúcho é uma merda! Não é. Merda é o livro da letícia (sem acento e com minúscula). O Romance histórico do Érico é bom. Muito bom. Então não fiquem dizedo bobagens generalizadoras que pega muito mal, suas bestas...
O livreco de dona letícia (sem acento e letra minúscula) é uma redação ginasiana de uma má aluna em redação e que não sabe história. E aí, sua mula? Não gostou? Me processa, pois és uma dessas murrinhas que não entendem que livros tem vida independente e podem encantar leitores ou irritá-los. Estão no mundo para ser asplaudidos ou vaiados. Se não quer assumir o risco, não publique nada... Aliás, seria ótimo que dona letícia (sem acento e letra minúscula)não publicasse nada, pois sua "literatura" só inspira a vaia... Fosse o Milton saia na porrada com ela!

Olegário, o maniqueista em junho 5, 2009 2:26 PM


#23

Interessante, Olegário. Neste caso, ela teria um motivo real e lógico para me processar. Mas, sabe?, infelizmente não é meu estilo.

Milton Ribeiro em junho 5, 2009 2:37 PM


#24

Morro e não vejo tudo.

Daniel em junho 5, 2009 2:38 PM


#25

Estarrecedor o seu depoimento, Marjorie. Li sua resenha e, na boa, se um autor rico e poderoso for começar a dar facadas por trás por causa de objeções tão brandas a um livro tão patentemente ruim, é melhor fecharmos a crítica literária no Brasil. Acabou, ninguém mais escreve sobre textos dos outros. E, como textos sempre têm intertextos, no limite ninguém escreve mais nada.

Com todas as minhas críticas aos EUA, nessas horas acho Gringolândia o máximo. Qualquer juiz americano olharia esse processo da Leticia W. contra o Milton e daria uma gargalhada. O mais provável é que ela levasse uma multa por demanda frívola (brincando com as palavras "fine" ou "fined" e "frivolous lawsuit" no Google dá pra achar um monte de exemplos). Os precedentes em favor da liberdade de expressão por lá são fortes demais. Pra haver condenação por crime de opinião, tem que ser ofensa braba e reiterada -- o que, evidentemente, não é o caso aqui. Afe!

Beijos!

Idelber em junho 5, 2009 2:39 PM


#26

Gente, que esperar de um processo onde o digníssimo representante da "desacentuada" evoca a Lei de Imprensa já revogada?

Outra coisa: Sílvio Venosa vê o dano moral como o prejuízo que afeta, além do ânimo psíquico e moral, o intelectual da vítima. Seria o caso da Sra. Letícia? Parece que a depender da crítica este diagnóstico está bem longe.

Fosse o Milton deixaria de ter preocupações.

Ery Roberto em junho 5, 2009 3:14 PM


#27

Olha, tchê, acento por acento, e julgando-se a acentuação dos nomes próprios em português pela lógica irônica e parentética do blogueiro Milton(sem acento), o nome dele, Milton (sem acento), deveria tê-lo (paroxítona terminada em "n", como "próton", "nêutron"...). Se os pais da "Leticia" registraram o nome dela sem o acento, não cabe a ela assinar "Letícia" (com acento). Vai ver que quiseram preservar a origem latina do nome (que, como sabemos, é "Laetitia") pelo menos no quesito da não-acentuação; da mesma forma, se os pais do sr. Milton (sem acento) registram-no sem o sinal diacrítico, seja para preservar a origem inglesa do nome, seja por descuido próprio ou por inépcia do tabelião, devemos respeitar a grafia adotada, que é, para o bem ou para o mal, Milton (sem acento). Abraço, Vinicius (sem acento).

Vinicius em junho 5, 2009 3:34 PM


#28

Lembrando que a blogosfera brasileira tem longa tradição de paroxítonos que deveriam ser acentuados e não são: Milton Ribeiro, Lucia Malla, Nelson Moraes, Flavio Prada, além do atleticano que assina o Biscoito, cujo nome se pronuncia Idelber, que saiu, por culpa de cartório do interior, sem acento mesmo.

Idelber em junho 5, 2009 3:40 PM


#29

Hefestus, é verdade, me desculpe! Só sei que, em matéria de "adaptação" global, sempre sobra uma mulher pelada (às vezes duas, três...) pro pessoal ficar babando.

Rodrigo Lima em junho 5, 2009 4:32 PM


#30

Rapaz, um tópico que sempre gera discusão aqui em Pouso Alegre é se o nome do atleticano que assina o Biscoito é Idelbér ou Idélber...

gilson em junho 5, 2009 4:42 PM


#31

Bom, Gilson, agora acabou a discussão, vocês vão ter que inventar outra ... hehe.

Pessoal: Por motivos que têm unicamente a ver com a luta pela liberdade de expressão -- ou seja, com esse insano processo judicial --, eu fui ler o livro da Wierzchowski. Algumas horas e dois Engovs depois, parei na página 30. Não consigo mais. Milton, vou ficar lhe devendo uma resenha dessa "obra". É de um primarismo, de uma ruindade, de uma tosqueira, de uma total falta de semancol com os clichês, que simplesmente não consigo seguir lendo. O Marcelo Backes é um herói.

Na boa, uma pessoa que escreve cortando a noite fresca e estrelada como uma faca que penetra na carne tenra e macia de um animalzinho indefeso deveria ter vergonha de processar alguém por uma crítica.

Alô, minha querida amiga Luciana Villas-Boas, como é que a Editora Record publica uma coisa dessas?

Idelber em junho 5, 2009 4:54 PM


#32

Idelber, acho que essa crítica foi publicada não em fevereiro deste ano, mas de alguns anos atrás, tipo 2001 ou algo assim. Uma reportagem justamente sobre os equívocos históricos da "Casa das Sete Mulheres" acompanhava a crítica.

Interessante que a publicação da reportagem e da crítica suscitou um chilique na autora, que telefonou irada para a redação e prometeu nunca mais dar entrevistas à Aplauso. Não sei se manteve a promessa.

Anônimo covarde em junho 5, 2009 5:00 PM


#33

Olha, eu juro pelo Jesú Bambino de Chico Buarque que se um dia eu ler uma crítica dessa a alguma coisa que eu escrevi, eu desisto na hora e voulto a vender pastel na rodoviária...:-)

MarcosVP em junho 5, 2009 5:11 PM


#34

"Cortando a noite fresca e estrelada como uma faca que penetra na carne tenra e macia de um animalzinho indefeso" é foda - não é nem mais o caso de não ser ruim o suficiente para ficar bom, mas sim de ser ruim demais para ficar bom porque é ruim

F. Arranhaponte em junho 5, 2009 5:21 PM


#35

a mina vai de balzac a rubem fonseca em um pulo. tem seus méritos.

Victor da Rosa em junho 5, 2009 5:26 PM


#36

que loucura, eu quis dizer bilac, naturalmente.

Victor da Rosa em junho 5, 2009 5:30 PM


#37

se a moda pega, PAULO COELHO ficaria ainda mais MILIONÁRIO!
:>/
(não vai dar em nada, essa letícia é burra, além de tudo)

Biajoni em junho 5, 2009 5:40 PM


#38

Vou colocar aqui um comentário que fiz no RSUrgente, no post do marco sobre o malfadado processo (não sou escriba nem causídico, mas de vez em quando uso uns palavrório difícil):

"Eta Rio Grande véio de guerra! Não nega sua veia autoritária! Tá virando moda processar o Deus e o Diabo. Essa é mais uma que se junta ao processo do F…. (não pode dizer, né?) contra o Ungaretti: no RS o exercício da crítica é crime. É o que dá a Globo catapultar gente que não tem estofo.
Só a yeda que não processa os seus detratores do PSOL…"

Então, o que estou querendo rressaltarsão dois pontos:
1) a veia autoritária dos gaúchos, que é indisfarçável; e
2) que para mim ete processo se circunscreve no mesmo mote do processo do preposto da RBS contra o Ungaretti: o cerceamento da liberdade de expressão, a criminalização da crítica (que nem a criminalização dos movimentos sociais) e o medo dos blogues (que estão começando a fazer estrago na grande mídia).
Paulo Augusto

Paulo Augusto em junho 5, 2009 5:43 PM


#39

Valeu Idelber,
quando li do processo lá no milton ribeiro, fiquei procurando esta crítica da aplausos pela internet inteira e não consegui vê-la.

sobre o assunto, hoje em dia ter opinião está dando processo.

Radical Livre em junho 5, 2009 6:50 PM


#40

Idelber, sendo 100% franco contigo: EU JÁ SABIA.

Vou te contar como este livro veio parar em minha casa: o ex-Cônsul da Itália em Porto Alegre, deu-o de presente para a Claudia. Ela odiou, mas achou educado ler, pois o Cônsul podia voltar ao assunto, etc. 511 páginas para ele nunca fazer comentário nenhum! Neste ínterim, fizemos uma viagem e eu levei um número insuficiente de livros. Estávamos num hotel-fazenda e eu naquela abstinência. Resultado: enquanto a Claudia e a Bárbara cavalgavam baios cor-de-rosa, comecei a ler. Juro, me diverti com a ruindade da coisa.

E fui processado.

Da próxima vez, levo a biblioteca inteira junto!

Abraço!

Milton Ribeiro em junho 5, 2009 7:01 PM


#41

Senhoras e senhores,
por favor, demos logo um pé no assento da Leticia (sem acento) e voltemos ao que interessa: cultura!

Ramiro Conceição em junho 5, 2009 7:05 PM


#42

Concordo com Manoel Galdino que "metafísica de empregada" e "molha-o-cu" são desnecessários. Acrescentaria também o “insipiente”, embora tenha que admitir: o trocadilho ficou excelente.

Paulo Chiva em junho 5, 2009 11:03 PM


#43

Olha, a denúncia é grave e merece seriedade: a Globo está falindo. Pagou dois real pra ter os direitos do livro da moça e ela agora tá pedindo R$ 1.003,50 a Milton Ribeiro pra inteirar a passagem. Acho que não custa ajudar. Eu tenho R$ 3,79, mas falando com uns amigos consigo mais uns R$ 6,54, R$ 6,55, por aí. Que ela passe o número da conta e a gente faz o depósito. Não é porque a pessoa escreve mal e não tem noção de humor que merece morrer de fome. Onde fica o humanismo? Humanismo, não o cruel humanitismo, que já preconizava: "Aos vencedores, os alazões brancos." Ou eram pretos, já não me lembro... Solidariedade! Leticia, estamos aqui.

Marconi Leal em junho 6, 2009 10:58 AM


#44

Só para conferir: existirá alguma carne tenra que não seja macia? Ou vice-versa?

Idelber em junho 6, 2009 11:17 AM


#45

Caro Idelber!
Uma vez que sou um exilado, um recluso em meu próprio trabalho, só hoje tive tempo de dar uma olhada no teu sítio, e vi a proporção da pendenga. Depois, também, de uma série incontável de e-mails recebidos. Parabéns, és um cara de fato lido.
Minha crítica é o produto de um autor de menos de 30 anos, à época, que não renega - de forma nenhuma - o que escreveu, pois sabe, e sabia, que tudo é o produto histórico de um indivíduo, de uma época e de uma circunstância, mais ou menos importante.
Admito, também, o propósito talvez ingenuamente iluminista da crítica.
Eu só li o livro de Leticia Wierzchowski e fiz a matéria por, digamos, uma necessidade interior. Talvez não tenhas visto, mas no Rio Grande do Sul, e mesmo no Brasil inteiro, a moça foi tratada como revelação, como grande autora, e "A casa das sete mulheres" como uma obra-prima. Luiz Antonio de Assis Brasil chegou a chamar a moça de Balzac de saias, se não me engano. E eu, que parara na segunda página à primeira tentativa de ler o romance, vendo que o troço era fraco demais para ocupar meu tempo, achei que tinha de levantar a voz pra dizer: "só um pouquinho, mas o que é isso?" Afinal de contas, se os razoáveis se calam, a burrice - que sabe gritar bem alto - impera. Daí, também, os impropérios algo furibundos e sarcásticos da razão em minha crítica; inclusive apontados por teus leitores...
Sobre teu questionamento à minha também querida amiga Luciana Villas Boas, eu digo o seguinte: um editor publica os livros que quiser e achar conveniente; a crítica é que tem de fazer seu papel - e normalmente não faz, sobretudo no âmbito "oficial".
Grande abraço e muito obrigado.
Marcelo

Marcelo Backes em junho 6, 2009 11:36 AM


#46

olha, pelo teor do texto...essa moça é o Ed Wood da literatura brasileira.
acho que vou comprar pra me divertir...

Serbão em junho 6, 2009 7:23 PM


#47

Eu acho que o $ arrecadado com a vaquinha proposta aí em cima deveria ser investido num livro eletrônico para acompanhar o Milton nas férias.

Márcia W. em junho 6, 2009 8:45 PM


#48

Que diferença dela pro Cristóvão Tezza. "Não me adotem, não sou um escritor de confiança" vai entrar para a antologia das melhores frases de escritores. Se fosse ela talvez esperneasse nos jornais e na Justiça por recolherem seu livro das escolas.

Te em junho 6, 2009 9:20 PM


#49

Argh...eu já imaginava que esse livro era ruim, mas não tanto.

Hugo Albuquerque em junho 6, 2009 10:03 PM


#50

Eu não li a Leticia (apesar de bem recomendada por pessoas em cujo gosto confio). Mas torço para que ela ganhe a causa, e que a indenização seja até maior que a pedida.

Por pior que fosse o livro, o crítico não pode ofender a autora. Critique a obra, esse é o seu trabalho.

Isso não tem nada a ver com liberdade de expressão. ninguém quer proibir o crítico de dizer o que pensa. Mas cada um tem que assumir as consequências do que diz.

garanto que nenhum de vocês que esão espinafrando a Leticia gostaria de ser chamado de, sei lá, "cu arrombado' no meio de uma crítica. Ou que chamassem sua mãe, sua mulher, sua filha, de quatro-xoxotas.

Marcos em junho 7, 2009 11:39 PM


#51

O que se espera de um crítico literário é que critique a obra e não o autor(a). Independente das gafes, do portunhol, das redundâncias e da qualidade (ou falta de) do livro da Leticia, vocês apelaram. Não entendi tanto nervoso com a obra dela. Não gostou, critica, ponto. Não precisa esculaxar a autora e fazer piadinhas.

paula em junho 8, 2009 5:34 PM


#52

Ninguém ficou nervoso com a obra dela. A irritação é com uma autora que publica um livro, vira minisérie da Globo, e chama advogados quando recebe uma crítica de três parágrafos num blog. Se não quer ouvir críticas, escreva só para o círculo de amigos e puxa-sacos.

E, sinto informar, piadinhas com o autor são parte da crítica literária desde Platão, que adorava tirar sarro da cara dos sofistas. Quem quer ditar o que "se espera" da crítica literária dizendo o contrário não tem a menor ideia da história da disciplina.

Idelber em junho 8, 2009 5:47 PM


#53

Não me interessa o que Platão fazia. Interessa quais são os nossos códigos sociais atuais. Por eles, uma ofensa deve ser punida.

Marcos em junho 9, 2009 12:00 AM


#54

Não vi nenhuma ofensa no post do Milton. Na verdade, é isso que eu critico no Brasil: esse ambiente legal que alguns defendem impedem que biografias e livros de teor mais crítico sejam publicadas aqui.

Por exemplo, algo como a biografia que Robert Caro fez de Robert Moses, o que ajudou a criar um bom debate sobre o urbanismo em Nova York nunca seria publicado aqui.

Andre Kenji em junho 9, 2009 2:07 AM


#55

Nunca li nada da Letícia... Mas independente da qualidade da sua produção, e claro, independente do processo que ela está movendo contra o Milton, uma coisa não posso deixar de dizer:
O trocadilho feito por ele foi de muito mal gosto!
Lamentável!

Vanessa em junho 9, 2009 8:22 PM


#56

Vou deixar o meu recadinho pois esse assunto é de utilidade pública e esse blog aceita criticas e não é somente um espaço para os puxa-sacos.

O trocadilho foi de um misoginismo indefensável, injustificável. Até porque a sonoridade do sobrenome nada tem a ver com Xoxota, a nao ser na cabeça do processado.

Além disso eu nao vi critica nenhuma naquele post. O espanhol dela ? O alazao negro (?) que existe inclusive no dicionário gaúcho ? Ou foi porque ela apareceu numa notinha na Istoegente ? O processado venderia um haras de alazões tigrados pra aparecer numa nota de rodapé da Istoégente.

* * *

Aproveito pra dizer que o documentário do Simonal é muito bom. Tem cenas memoraveis, ele cantando com a Sarah Vaughan por exemplo. O carisma dele no palco é digno de James Brown.

Se ele fosse branco e morasse no Leblon e viesse de alguma familia classe média alta carioca (como aquela turma insuportavel do Pasquim) não teria entrado pro ostracismo. O Simonal foi o protótipo do "negro metido". Errou com certeza, mas negro quando erra nunca tem uma segunda chance.

Ana em junho 10, 2009 2:18 AM


#57

vierschoschoten
- vier = 4 em alemão
- schoschoten = acho que não significa nada em língua nenhuma.

creio que leticia(sem acento) deva perder a causa e pagar as custas, como princípio pedagógico do processo por ter movido o aparelho judiciário por uma questão banal. ainda: se a autora é ruim e badalada, pode e deve ser esculachada sem perdão e sem códigos sociais pelo milton ou por quem estiver a fim de fazê-lo!

chico sofia em junho 10, 2009 1:37 PM


#58

mesmo com tantos erros é a mais brilhante escritora que já vi.

Priscila Kipper em julho 6, 2009 4:48 PM


#59

Primeiramente,com certeza a pessoa que escreveu o texto não leu o livro, e nem ao menos procurou saber o levantamento histórico feito pela autora para escrever o mesmo,se lesse veria que a linguagem usada é intencional e apropriada à época que ocorreu a trama,apontaria muitíssimas outras coisas que o autor desse texto escreveu,sem fundamentos é claro,mas isso levaria muito tempo,só quero deixar claro que crítica nem sempre precisa ser positiva,mas deve ser respeitosa.Portanto leia o livro e entenda sua essência para depois criticar.

mary em março 30, 2010 1:35 AM


#60

hohoho, mary, você quer nos fazer crer que o Marcelo não leu o livro da Leticia? Sério mesmo? Qual é a incorreção histórica no que escreveu o Marcelo? Qual das muitas incorreções do livro da Leticia foi mal apontada por ele? Você leu o post que está criticando?

Qual é a "essência" do livro que não foi captada? Quando tiver tempo, poderia nos iluminar?

Vixe.

Idelber em março 30, 2010 10:03 PM


#61

GENTE,

EU LI O ROMANCE E FIZ UM TRABALHO MONOGRÁFICO, COMPARANDO-O COM A OBRA A SIBILA, DE AGUSTINA BESSA-LUÍS.CREIO QUE, LINGUISTICAMENTE, HÁ INCONGRUÊNCIAS SIM.PORÉM, SE OBSERVADO A VISÃO DA MULHER SOBRE OS ACONTECIMENTOS HISTÓRICOS, SOBRE A REPRESENTAÇÃO DA CASA, DAS TRADIÇÕES E DA FAMÍLIA ACHO QUE DÁ PARA TIRAR ALGO DE RELEVANTE.SE BEM QUE A OBRA DA PORTUGUESA AGUSTINA BESSA-LUÍS É EXEMPLAR E NÃO DEIXA A DESEJAR.UMA COISA QUE DISCORDO É O TÍTULO;NÃO SERIA A CASA DAS SETE MULHERES, MAS A CASA DE VÁRIAS,UMA VEZ QUE AS NEGRAS SÃO INÚMERAS E CONTINUAM A DESAPARECER, SOMENTE SERVINDO DE EMPREGADAS.
SERÁ QUE NADA SE APROVEITARIA NA OBRA?

TAISE em junho 13, 2010 7:44 AM


#62

Critica a obra, jamais a pessoa!!!
Já incomodei bastante a pessoa do seu Milton pela ofensa a um dos sobrenomes mais queridos da comunidade polonesa de Porto Alegre. A coisa mais engraçada de tudo foi ver o distinto crítico pedindo penico num blog de uma feminista (acho que mineira, sei lá), devido a relevância e repercussão do "processo". E, por outro lado, creio que foi muito bom culturalmente para o blogueiro, pois aprendeu a escrever direitinho o sobrenome de Jan Wierzchowski, soldado voluntário da Divisão Blindada Polonesa, organizada na Escócia, participante do desembarque da Normandia, que combateu e foi ferido em campanha(qualquer dúvida, a Sociedade Polônia possui os documentos). Queria ver ele fazer essa brincadeirinha na frente do velho Jan... Mas, pela internet e, contra uma mulher, parece ser mais fácil para alguma espécie de homem...
Por fim, e não menos importante, a Sociedade Polônia organiza todo ano, perto de seu aniversário uma Feira do Livro, onde se promove essencialmente a literatura polonesa,os livros dos descendentes ou obras e pesquisas que tenham como tema a Polônia. É bem bacana. A Polônia tem 5 Nobel de Literatura e não deixa de ser uma atrante curiosidade cultural. Bem, todo ano escolhe-se um homenageado, geralmente uma figura de relevância para a comunidade. Neste ano o homenageado será o seu Jan Wierzchowski, pela liderança nos mandatos exercidos como presidente da Sociedade Polônia e a preservação do patrimônio cultural que ela possuí. Apareçam!

Pedro Czarnina em outubro 14, 2010 12:33 AM


#63

Essa crítica toda tem um nome aqui na minha terra: dor de cotovelo. Cresçam e apareçam!

Luciane em março 21, 2011 6:56 PM