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segunda-feira, 08 de junho 2009

O blog da Petrobras e o desespero da mídia

petrobras.jpg


Não há dúvidas: o blog da Petrobras é a grande novidade da semana. A ideia em si é bastante banal. Uma empresa faz uso de uma plataforma gratuita de publicação online – o Wordpress – para abrir um blog e se comunicar diretamente com o público. Não há nessa ideia, tomada isoladamente, nada que justifique maior festa ou grandes reações de repúdio. Mas chegou a tal ponto a revolta com a manipulação da mídia brasileira e sua visível campanha de ataques à Petrobras que a inauguração do blog tem sido tratada, pela grande maioria, como uma verdadeira revolução e, por uma minoria ligada à mídia, como uma espécie de trapaça, de alteração das regras do jogo. Se a Petrobras agora publica a íntegra das perguntas que recebe, junto com suas respostas, os jornalões vão fazer o quê? Como vão esconder a fábrica de linguiças? Neste contexto, o Animot está corretíssimo: o blog da Petrobras é um marco.

O desespero da organização criminosa do jornal Folha de São Paulo levou à invenção de uma sensacional jabuticaba, a fonte que deve sigilo ao entrevistador, a pergunta jornalística em off. É a cara-de-pau e a cretinice dos oligopólios de mídia elevadas à última potência. As instituições enxovalhadas pela sua manipulação lhes devem, além do mais, sigilo sobre quais foram as perguntas feitas. Já não basta acusá-las de “censoras” quando elas se insurgem contra a mentirada. Elas devem, agora, aceitar falar só pelas paráfrases criminosamente mentirosas dos jornalões. Ou pelo menos silenciar até que estas tenham aparecido. Os jornalões querem ter o monopólio das perguntas e das respostas.

Com uma “matéria” intitulada Petrobras vaza em blog informações obtidas por jornalistas, a Folha afirma que a Petrobras criou um blog para vazar informações obtidas por jornalistas que investigam indícios de irregularidades nos negócios da estatal. Evidentemente, o uso do verbo “vazar” é incorreto e manipulador. “Vazamento” pressupõe informação protegida e sigilosa, além de sugerir ilegalidade. É óbvio que não há nada ilegal no que fez a Petrobras. Ela simplesmente revelou quais eram as perguntas feitas e apresentou as suas respostas. Isso, no Brasil de hoje, é motivo de compreensível júbilo para a maioria e desespero agônico para os últimos defensores que montam guarda às portas da moribunda fábrica de linguiças.

Em menos de 48 horas no Twitter, o @blogpetrobras já se aproximava da terceira centena de seguidores e acumulava milhares de citações. O blog já recebeu mais de 65.000 visitas desde que o contador foi instalado. O desmascaramento dos jornalões vai acontecendo com notável rapidez: a barrigada da Folha, as mentiras d'O Globo sobre a mamona, a sequência de mentiras da Folha sobre a “contratação” do MBC.

Apesar de que há vários comentários críticos e questionadores publicados no blog da Petrobras (exemplos aqui, ali e acolá), é verdade que a maioria saúda o blog e lhe oferece apoio. Esse fato foi suficiente para que Reinaldinho Azevedo acusasse a estatal de estar “censurando comentários”. É a cara-de-pau elevada à enésima potência. A acusação vem de um blog em que comentários críticos a seu autor, ainda que polidos e respeitosos, só são aprovados por descuido (sendo depois imediatamente limados). Não lhe ocorre a hipótese óbvia: nós estamos em esmagadora maioria.

Indícios?

O valente Sergio Leo defendeu a jabuticaba da fonte que deve sigilo ao entrevistador. Segundo ele, isso se deve a um "pacto" que garantiria ao jornalista o seu furo. O engraçado é que o post do Sergio foi publicado justo no dia em que o próprio ombudsman da Folha reconheceu que não há nada mais velho que o jornal de hoje. Depois de 50 comentários, Sergio só havia recebido o apoio de um único leitor. O blog A Nova Corja nos proporcionou a piada da semana, ao caracterizar o blog da Petrobras como um “acosso a jornalistas”. Os jornalismo brasileiro anda tão combalido que a mera criação de um blog é suficiente para acossá-lo. Depois de 30 comentários, a tese defendida pelo autor não havia recebido o apoio de ninguém. É o samba do vazamento doido.


PS: A iniciativa da Petrobras tem um precedente. Não sei se ele foi fonte de inspiração para a estatal, mas vale lembrar que, durante o recente achicalhe promovido pela organização criminosa pelo jornal O Estado de Minas contra a Universidade Federal de Minas Gerais, a instituição pediu direito de resposta várias vezes, inclusive enviando o seu Procurador pessoalmente ao jornal. Esse direito foi sempre negado. A UFMG passou a responder pela própria internet até que, num acesso de extraordinária cara-de-pau, o Estado de Minas foi pedir direito de resposta no site da universidade! Veja a desmontagem da mentirada: 1, 2, 3, 4, 5.

PS 2: Devo continuar acompanhando de perto o blog da Petrobras. Para atualizações mais instantâneas, siga-me lá no Twitter.

PS 3: Também publiquei este texto no blog coletivo Trezentos.



  Escrito por Idelber às 07:23 | link para este post | Comentários (190)


Comentários

#1

Idelber, há muito, muito tempo eu não me empolgava tanto com uma coisa. Obviamente, não resisti e também cometi um texto:

http://www.interney.net/blogs/lll/2009/06/08/a_petrobras_entendeu_a_internet/

alex castro em junho 8, 2009 9:17 AM


#2

Oixi, pelo menos Venezuelanos tem a Venezolana de Televisión e Bolivianos tem Cambio (e direitos a pontos de vistas que só podem ser expressos pela ajuda do estado em monopólios privados inimigos a tais pontos de vistas, como os de sindicalistas, ativistas etc).

Francamente, a estagnação do governo Lula trouxe isso a sua porta já que não oferece competição a tais meios e perpetua tal falta de espaço democrático (da mesma forma que a falta de oposição legítima ao governo -- oposição que não seja bancada por fat cats contra o interesse do povo através do poder da mídia, FIESP, parlamentos virtuais de capital etc etc -- contribui para um eterno governo de centro-direita já que a ameaça da direita sempre está lá, ficando nesse jogo de good cop bad cop).

Pelo menos na Venezuela o mínimo vislumbre de abertura de competição sobre as pautas e seus perímetros permitidos (as "perguntas e as respostas") com a VTV fizeram os meios privados perderem a cuca de vez, que irá eventualmente cavar a própria cova (se o dindin norte-americano e de capital internacional achar que não está mais dando certo como investimento de controle de pauta com suas Fox News latinas - ou se tal investimento ficar demais escancarado como está atualmente sendo e virem que é necessário retomar a confiança dos consumidores) e eventualmente abrir espaço para meios anti-chavistas menos insanos e mentirosos (que estaria à direita de Chavez e à esquerda de Chavez), já que o único lugar permitido para tal é na VTV. E assim vemos a forma que monopólios eventualmente quebram a si mesmos. Lento, mas vem.

Carlos em junho 8, 2009 9:22 AM


#3

Infelizmente não tenho acessso a diversos dos links, incluindo o da própria Petrobrás. Mas dentre estes o que mais me deixou curiosa foi o da defesa de Sergio Leo ao sigilo. Na minha concepção não há absolutamente nada que possa impedir a empresa de divulgar informações dadas à imprensa em seu blog, exceto um suposto acordo de cavalheiros com a imprensa que, nos dias atuais, me parece impossível.

Cláudia em junho 8, 2009 9:54 AM


#4

É por essas e outras que o AI5 da Internet ainda vai dar muito trabalho, com o argumento da pirataria e outros "crimes" vão fazer de tudo pra frear as ações da "comunidade digital".

Maína em junho 8, 2009 10:23 AM


#5

Completamente off-topic, mas interessante:

"Em entrevista publicada na TV Estadão, compositor acusa músico que teria entregue pessoas aos militares

da Redação

São Paulo - O compositor Paulo Vanzolini acusou em entrevista ao crítico Luiz Carlos Merten e ao diretor Ricardo Dias que o músico Wilson Simonal "se gabava de ser dedo-duro" da ditadura. "Ele era o maior dedo duro mesmo. Não só era como se gabava de ser. "Na frente de muitos amigos dizia 'eu entreguei muita gente boa'. Vanzolini critica o documentário "Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei", lançado recentemente.

"Essa recuperação que estão fazendo do Simonal é falsa. Ele era dedo-duro mesmo", completou.

Assista à entrevista de Paulo Vanzolini - http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowVideos.action?destaque.idGuidSelect=6CB65F30454C4C138DCB8BF.

(retirado do Rodrigo Vianna)

É a palavra do Vanzolini, grande sambista e professor emérito da USP versus a do Nelsinho Motta, do "seu" Casseta e de outros protegidos da Globo...

Johnny em junho 8, 2009 10:58 AM


#6

A internet não tem dono, não tem chefe, não tem polícia. É anárquica por natureza. O projeto do senador Azeredo, a seu próprio modo, põe o dedo na ferida, e denuncia a hipocrisia latente na defesa que normalmente se faz da "liberdade de imprensa" em determinados círculos de direita. O que gente como o senador Azeredo pretende é que haja liberdade para cinco ou seis pessoas decidirem o que deve ser veiculado ou não, que opiniões merecem destaque, que opiniões merecem lugares secundários, e que opiniões devem ser simplesmente varridas do mapa, como se não existissem. Liberdade de imprensa, na boca de pessoas como o senador Azeredo, quer dizer apenas a liberdade que os donos das empresas de comunicação possuem de controlar o fluxo de informações dentro de um país. A internet arrebentou esse mecanismo de dominação simbólica, ao custo, é bem verdade, de uma enorme pulverização das informações, da criação de guetos políticos incomunicáveis, e da perda da noção de relevância. Mas ela não é a sopa. Ela é o caldeirão. A sopa está sendo gestada aos poucos, num processo de acomodação que deverá levar alguns anos, mas que é sem dúvida a experiência democrática mais radical e fascinante que o homem já conheceu.

O blog da Petrobrás é um bom exemplo disso. A reação da grande imprensa foi simplesmente patética. Acusaram o blog de estar "violando o sigilo de correspondência". Ameaçaram-no indiretamente, portanto, de um processo por perdas e danos. É ridículo. De um ponto de vista jurídico, pelo que me dizem os amigos juristas, absolutamente insustentável. Mas, de um ponto de vista sociológico, é um sintoma precioso para quem queira estudar, no futuro, a completa desorientação da grande imprensa no meio do processo de transformação pelo qual passamos hoje. Basicamente, o que a decisão de publicar a íntegra das perguntas e respostas ameaça é simplesemente o poder de manipular a entrevista, selecionando marotamente aquilo que interessa à linha política adotada pelo jornal. Sem o menor pejo, com toda a cara dura que Deus lhes deu, os jornais vieram a público protestar contra a perda desse "direito à desonestidade" que acreditam possuir. Durou pouco. Ficaram cobertos de ridículo, pois esse é o tipo de "privilégio" que se pode até desfrutar, mas cujo desfrute não deve em hipótese alguma ser confessado, assim, publicamente.

Nâo tem jeito. A internet veio para ficar. O capitalismo vai ter que engolir essa pílula amarga. Nâo sei se fará bem a ele. Certamente, já está fazendo bem a todos nós.

João Vergílio em junho 8, 2009 11:06 AM


#7

Saudaçoes atleticanas.
Entrei no site do PD para ver sua opiniao sobre o blog da Petrobras. Sinto um ligeiro travo corporativista no discurso do PD, o mesmo que percebo no Sergio Leo. Eles, jornalistas e livre-pensadores, estao preocupados com a perda de poder que isto significa. Para nós, leitores, a internet, the free blog nation, vai quebrar os axiomas que tornam a comunicaçao de massas algo tao restrito, contribuindo para a estrutura engessada da nossa politica e pela falta de esperança do povo, que nao consegue vislumbrar outros horizontes.
Estou contigo nesta cruzada pela liberdade na internet para que sempre possamos difundir nossas ideias contra a corrente da midia. Abaixo o projeto Azeredo!

Ricardo Pereira em junho 8, 2009 11:35 AM


#8

Meu querido, para defender sua opinião não precisa mentir, nem usar sofisma como o que inicia seu post.

Nenhum jornalista criticou a publicação, na íntegra, das perguntas,. O que se criticou foi a publicação das perguntas ANTES de que os jornais pudessem publicar as respostas.

Não parece para sua visão maniqueísta da midia, mas é uma diferença essencial. Não há medo da divulgação das perguntas. O que há é irritação porque os repórteres fazem uma apuração, obtém informações e, quando procuram a Petrobras para que ela dê sua versão dos fatos, ela vai e divulga as informações do jornal, antes que ele publique, para a concorrência.

Se a Petrobras quer dar sua versão e denunciar a má fé da imprensa, porque não publica as perguntas depois de publicada a matéria? Que diferença isso faria, de verdade?

Isso é amadorismo. Mas falo disso só para não deixar passar em branco. Você acha que somos, os jornalistas, criminosos e canalhas essenciais mesmo. Acho que deveria defender, não o blogue da Petrobras, mas o encarceramento dos bandidos que estamos nos jornais. Quem sabe, quando chegares ao governo...
A discussão é longa, já travamos parte desse debate lá no Sítio.

sleo em junho 8, 2009 11:36 AM


#9

tem um comentario meu q deve ter ficado preso no spam porque tinha um link

alex castro em junho 8, 2009 11:38 AM


#10

Você manipula a informação e dirige as respostas dos seus leitores, ao pintar como uma disputa entre Internet e Imprensa o que é, na vvrdade, uma discussão sobre prática jornalistica. Ninguém falou contra o blogue. Criticaram outra coisa.

E manipula de novo, ao torcer meu argumento, como se eu defendesse que a Petrobras deve resguardar o interesse do furo, do brilho do repórter.

Eu falei da importância do furo apenas para explicar o destaque que ele tem para o jornal. E eu disse que, ao transformar em entrevista coletiva o que era uma consulta privada, a Petrobras quebra a confiança e atinge o efeito contrário ao da desejada transparência.

Não é jabuticaba não, idelber, precisa conversar mais com jornalistas dos outros países, sem distorcer a questão, claro. Pergunte se eles acham normal que, ao consultar uma autoridade sobre um assunto qualquer, essa autoridade saia espalhando a quatro ventos a pauta do repórter, antes que ele possa publicá-la.

O problema é que você parte de um pré-conceito, e aí não dá mesmo para discutir. Nos chama, aos jornalistas, de criminosos. Então, qualquer ação de jornalista só pode ter intuito criminoso. Eu acho que, quando um jornalista sério procura uma emrpsa, está dando chance a ela de se explicar; e não vejo mal em que, após ou simultaneamente à minha matéria, ela d~e, num blogue ou num out-door, sua versão dos fatos.

Mas se sei que o esforço de apuração de uma matéria exclusiva vai ser jogado na rua caso eu consulte a empresa sobre sua versão dos fatos, vou ter resistência a procurá-la antes de publicar minha matéria. Há esse embate nas redações, e a Petrobras, com esse amadorismo, só atrapalha a vida dos repórteres, como eu e milhares, que são capazes, sim, de derrubar uma matéria se recebem uma resposta convincente da fonte. Ou que dão à resposta o mesmod estaque da acusação,.

Não acho que seja obrigação da Petrobras defender o furo (epa) de ninguém. Digo que é uma coisa estúpida vazar a pauta do repórter que a procura. E ninguém, em nhum lugar, reclamou da existência do blogue da Petrobras, que já estava por aí há tempos. Isso não é verdade. Tente ver as coisas com menos ódio no coração.

sleo em junho 8, 2009 11:48 AM


#11

Idelber,

Concordo plenamente com seu diagnóstico de que a mídia no nosso país já passou da hora de cair de podre. Como você disse alhures, bons jornalistas como o PD e o SLeo não ficarão desempregados, então não deveriam se preocupar com a decadência iminente do império (de pés de barro) dos Frias, Marinhos, Mesquitas e sua "curriola".

Mesmo assim, acho que você pegou pesado no termo "organizações criminosas". Isso num boteco é uma coisa, escrito num blog, é outra.

Tecnicamente, integrar "organização criminosa" ainda não é crime (vai ser se o PLS 150/2006 for aprovado - http://legis.senado.gov.br/mate-pdf/8236.pdf ), mas como já existe lei a respeito (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9034.htm), alguém poderia acusá-lo de calúnia.


Ricardo Horta em junho 8, 2009 12:00 PM


#12

SELEÇÃO DE POETAS PARA A COLEÇÃO LITERATURA CLANDESTINA – 2009
Estamos selecionado um novo grupo de autores para o lançamento de uma trilogia com poemas, contos e crônicas. E o primeiro volume – com poemas – já está sendo organizado. Vamos unir forças e através da ARTE mostrar que o nosso país ainda tem solução (*tem alguém aí que ainda acredita?), pois nós não fazemos ARTE para adestrar macacos! A LITERATURA precisa de um sistema mais organizado, precisamos de Políticas Públicas que prezem pela formação de leitores e ter uma visão mais profissional, porque fazer um livro não é um processo banal. Então, erguei-vos, caros poetas!

Para mais informações CLIQUE AQUI:
http://literaturaclandestina.blogspot.com/2009/06/colecao-literatura-clandestina-2009.html

Elenilson em junho 8, 2009 12:13 PM


#13

sleo

Como, neste caso específico, estou defendendo a mesma posição do Idelber, gostaria de lhe fazer uma pergunta. Antes, porém, é essencial elogiar sua disposição ao debate, e sua coragem de vir aqui, num ambiente hostil, defender suas posições. Dito isto, a pergunta.

Qual é o inconveniente que você vê na divulgação das perguntas e respostas da entrevista antes de ela ser publicada? Seria simplesmente o fato de que a publicação, no blog, "mata" a reportagem, "estragando" o furo? Ou há algo mais importante do que isso envolvido em sua crítica?

Abraço,

João Vergílio em junho 8, 2009 12:26 PM


#14

cara,

a resposta da petrobras foi na veia. O último item então, tá delicioso - se vocês querem dar opinião, deem, mas avisem ao leitor que é OPINIÃO, não fato.
peço licença para reproduzir esse item, já que acho muito esclarecedor:

"Por fim, cabe ressaltar que o objetivo do blog é essencialmente dar transparência aos processos da Petrobras e não prejudicar o levantamento de fatos e dados de jornalistas. Ao contrário, a divulgação prévia poderá propiciar aos veículos, inclusive, que justifiquem mais tecnicamente suas legitimas posições editoriais. Quaisquer que sejam elas, desde que explicitamente opiniões, serão sempre legitimas no entendimento da Petrobras."

aiaiai em junho 8, 2009 12:30 PM


#15

Perfeito. Bravo por desmascarar os bandidos do papel. Sendo chato, agora é cara de pau, sem nada.

Armando em junho 8, 2009 12:43 PM


#16

SLeo,


Eu também queria entender a sua posição. Por que não publicar uma pergunta antes do jornal a publicar?


Como eu enxergo a questão: eu imagino que se as perguntas em questão são parte de uma investigação, a investigação não vai se resumir a essas perguntas, senão o jornalismo seria simplesmente a republicação de press-releases (Chomsky já diz isso, mas eu preferia acreditar que é diferente em pelo menos alguns casos).


O problema é um jornal saber o que o outro está investigando? Por que é problema? Ainda mais quando é uma investigação sobre um gigante como é a Petrobrás, que todos os jornais *deviam* mesmo estar investigando (afinal de contas, quanto mais poder, mais responsabilidade, e poder assim tem que ser fiscalizado inclusive pela imprensa). Acho que a única dificuldade real imposta pela publicação é um contraponto preemptivo ao viés que vai ser dado posteriormente pela linha editorial (pró ou contra a posição da empresa). Bons jornalistas não deviam se intimidar com isso, até por que um blog empresarial é como um escritório do Relações Públicas, tem que ser enxergado com muita desconfiança. E enfrentar isso de frente ao invés de choramingar a "injustiça" é o que poderia contrapor a idéia de que os jornais de hoje precisam ser enxergados com uma desconfiança ainda maior (porque se dizem isentos quando não o são).

Rodrigo em junho 8, 2009 12:59 PM


#17

Falsificaram o blog criado pela petrobras para esclarecer as matérias recentementes divulgadas na mídia sobre a empresa.

Este é o link do blog verdadeiro:

http://petrobrasfatosedados.wordpress.com


E este é o link falso:

http://petrobrasdadosefatos.wordpress.com


Vejam vocês mesmos que os endereços são muito parecidos e os layaouts das páginas, idem. Mas não se deixem enganar!

Favor divulgar amplamente este fato para alertar os internautas.

Adriano em junho 8, 2009 1:03 PM


#18

Idelber, você não acha que as perguntas e as respostas não deveriam ser disponibilizadas quando as matérias fossem publicadas? Sabe-se que furos hoje em dia, principalmente por causa da internet, são raros, mas existem. Acho que respeitado esse quesito o blog ficaria livre de qualquer crítica que não as desonestas.

Tylon Maués em junho 8, 2009 1:13 PM


#19

Idelber,

Para não deixar passar em branco a coincidência, a fúria da Globo contra a Petrobrás veio após a estatal deixar de desperdiçar dinheiro com o time de futebol dela.
Saudaçoes Atleticanas,
Lincoln.

Lincoln Pinheiro Costa em junho 8, 2009 1:21 PM


#20

O blog da Petrobras representa uma estratégia perfeitamente previsível na arena jornalística e política atual. Seria ridículo condenar a empresa por ter um blog, e não vejo grande problema na prática do blog de divulgar perguntas feitas por jornalistas assim que estão feitas, mesmo que seja antes do que o jornal pode divulgar o artigo feito em cima dessas perguntas. É outra característica previsível da comunicação atual. Mas também não vou bater palmas por um blog que existe só para apresentar todo o spin de uma mega-empressa, estatal ou não.
Não imagino que um blog de Merck vai me dar informações confiáveis sobre as relações do setor farmaceútico com o governo, e não vou imaginar que o blog da Petrobras vai fornecer a informação mais importante sobre o papel político dessa empresa. Especificamente, alegar que o blog da Petrobras está revelando barrigas e desmascarando mentiras é uma leitura muita generosa.
Não vejo "barriga" da Folha na nota do Painel sobre a trinca de diretores escalado para defender contra a CPI. A nota do painel alega que Wilson Santarosa é diretor, e o blog da Petrobras "corrige" e informa que ele é gerente-executivo, e não diretor. Isso é barriga? A nota do Painel informa que Santarosa e mais dois foram escalados para defender contra a CPI, e o blog alega que tudo que eles estão fazendo está dentro da prática normal da empresa. Mas, claro! Isso não desmente que, no momento, eles estão dedicados a defender a empresa contra a CPI. Não vejo nada escandalosa nisso.
O único detalhe questionável na nota é a alegação que Santarosa reune um arsenal de dados sobre desafetos. Claro, a FSP não deve alegar isso sem apresentar dados. Mas dizer que isso é "barriga" só porque a Petrobras insiste que Santarosa é um cara muito legal, e que não faria isso, é botar muita fé na Petrobras para o meu gosto, e pensaria a mesma coisa sobre qualquer empresa em situação parecida.
Também não vejo "uma sequencia de mentiras" na reportagem da FSP sobre o contrato/convênio, chama ele o que você quiser, com o MBC. Em primeiro lugar, esse post da Petrobras não oferece o link para a matéria da FSP--quer dizer, não cumpre o comportamento básico do blogosfera. É uma atitude que Idelber condena em outros blogs. O blog da Petrobras bota só uma imagem pequena do primeiro parágrafo da matéria da FSP. Quem quer ler a matéria mesma, tem que procurar em outro lugar. (Aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u577524.shtml)
Francamente, não vejo rigorsamente nada no post da Petrobras que desmente essa matéria. MBC é uma ONG, sim: toda OSCIP forçosamente é ONG também, e a sigla ONG não é insulto nem elógio. Petrobras "esclarece" que o acordo é um convênio, e não um contrato. Qual é a diferença, em termo práticos? Petrobras passa 15 mi para o MBC, sem licitação, de qualquer forma. Petrobras "esclarece" que outras grandes empresas fazem a mesma coisa. E daí? Onde a FSP alega que só Petrobras faz isso? Em lugar nenhum. Petrobras "esclarece" que quem tem assento no MBC e a própria Petrobras, e não Sérgio Gabrielli. E quem tem assento nas Nações Unidas é o Brasil, e não Maria Luiza Ribeiro Viotti, mas quem assiste as reuniões é ela. Pelo que eu vi, não há nenhuma mentira, e nem exagero, na matéria da FSP.

Bryan em junho 8, 2009 1:31 PM


#21

João e Rodrigo, se o dono deste biscoito me desculpa, remeto vocês ao meu Sítio, já que foi dele que o Idelber tirou essa interpretação com a qual não concordo. verbeatblogs.org/sergioleo . Mas peço que o leiam de mente aberta, para só depois criticarem, ou levantarem dúvidas.

Esse comentário aí do Bryan mostra a confusão alimentada pela maenira como alguns estão divulgando a coisa. Nennum jornal, repito, nenhum jornalista criticou o fato de a Petrobras fazer um blogue.

O que está em questão é a divulgação, antes de publicadas, das informações colhidas pelos repórteres e comunicadas à Petrobras para que ela dê sua versão do fato. Como diz o Pedro Dória, isso é incompetência de assessoria de imprensa.

E não ajuda nem na transparência nem na defesa da Petrobras, só desencoraja repórteres sérios de consultarem a empresa, melhor fonte para contestar as acusações contra ela própria. O Idelber, sempre leal ainda que considere meu trabalho criminoso, deu o link para meus argumentos, que está lá no Sítio.

SLeo em junho 8, 2009 1:48 PM


#22

O argumentos estão, claro. Nisso que dá interromper a escria para fazer outra coisa.

sleo em junho 8, 2009 1:52 PM


#23

“Não é jabuticaba não, idelber, precisa conversar mais com jornalistas dos outros países, sem distorcer a questão, claro. Pergunte se eles acham normal que, ao consultar uma autoridade sobre um assunto qualquer, essa autoridade saia espalhando a quatro ventos a pauta do repórter, antes que ele possa publicá-la.” (sleo)


Só não esqueça, Idelber, de contextualizar. Quando conversar com estes jornalistas estrangeiros, apresente um rápido histórico, faça um apanhado das recentes manobras golpistas do PIG, leve uma Veja, uma Folha pra exemplificar.
Se não tiver tempo, peça para o jornalista estrangeiro supor que a autoridade em questão é uma pessoa inteligente que, ainda que não tenha provas, tem boas razões para duvidar da boa fé do repórter.

Rodrigo em junho 8, 2009 2:05 PM


#24

Sim, Sérgio, li o post no teu site, entendo perfeitamente a sua posição e concordo parcialmente--não alimento nenhuma confusão enquanto isso. Concordo que a tática da Petrobras de divulgar as perguntas imediatamente não vai ajudar muito em termos de transparência, e que tem um custo jornalístico, que precisa ser considerado na avaliação de supostos benefícios.
Não acho que é uma tática que vai frutíferar, talvem nem dentro do blog da Petrobras. O meu ponto, nesse aspecto, foi que, dado as condições atuais de comunicação, é inevitável que de vez em quando grandes empresas e poderes políticos vão aproveitar dessa tática, sim. Então, para mim, não adianta reclamar muito da tática em si: é mais importante avaliar as alegações que a Petrobras está fazendo. E é justamente aí que encontro problemas maiores no blog da Petrobras.

Bryan em junho 8, 2009 2:09 PM


#25

Para um exemplo do valor jornalístico do blog da Petrobras, leia a matéria que o Cândido Grzybowski, Diretor do iBase, fez elogiando a empresa, postado agora no blog dela:

http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/2009/06/07/interesses-localizados/

Petrobras é um dos financiadores do iBase (como se vê aqui: http://www.ibase.br/modules.php?name=Conteudo&pid=44) mas nem Grzybowski nem os editores do blog mencionam isso.

Para a surpresa geral, Grzybowski acha a Petrobras o máximo, especialmente no aspecto do investimento social atravês de parceiros iluminados.

É um exemplo excelente do circuíto fechado de notícia manipulada. Petrobras financia iBase, o Diretor do iBase escreve uma matéria puxando o saco da Petrobras, e Petrobras bota a matéria no blog dela, sem indicar nenhuma relação financeira. Isso é transparência?

Detalhe: acho iBase uma ONG importante, e não uso a sigla ONG como insulto, não. Mas não acho que o Diretor do iBase pode opinar livremente, sem viês, sobre os seus financiadores.

Bryan em junho 8, 2009 2:54 PM


#26

Sergio,

Posso até concordar com a crítica que vc faz. Mas, na verdade tomei uma raiva de jornalista da grande imprensa impressionante que pouco me importa se era prejudica-los. Realmente, acho vc um cara honesto. Por isso, estou dialogando com vc. Mas, reflita porque uma parte significativa dos brasileiros que gostam de política estão tão avessos à grande imprensa. Vcs dizem que isso é coisa de petista que não podem ser contrariados porque é da natureza da imprensa ser oposicionista. Será que vcs acreditam que o tratamento que deram a Marta é o mesmo que deram pro Serra e Alckmin e as pessoas que dizem o contrário são malucas? Que o tratamento ao Lula é o mesmo que ao FH? Será que acredita que a grande imprensa não é anti-nacionalista, com exceção da parte de esporte, o que para mim nao importa? Será que vc acha que somos cínicos, eu e outras pessoas que conheço, quando dissemos que somos críticos ao Lula? Reconheço que as generalizações são complicadas e entendo que vc se sinta ofendido porque generalizações o acabam incluindo.


Idelber, acho que esse post do Azenha resume o que eu penso sobre o Mitos que a imprensa brasileira não é contra a Petrobras e ssobre o Mito que não é oposicionista.
http://www.viomundo.com.br/opiniao/e-coincidencia/

Bruno em junho 8, 2009 3:02 PM


#27

Caro Sérgio Leo, dificuldades em investigações devem ser superadas (credo! que lugar comum). A novidade da fonte de informação ser agora autora de um blogue dificulta muito a vida do reporter, é certo, sobretudo quando a fonte dá publicidade a uma reportagem ainda em curso. Mas isso deveria exigir, penso, novas e criativas respostas dos jornais e dos jornalistas diante de algo até então inesperado. Acho que esse procedimento da Petrobrás veio para ficar. A questão é: o que fazer diante disso? Regulamentar o "trânsito" das informações, criando mais e mais leis, como se tudo fosse resolvido com normas e regulamentos? Ou reinventar os procedimentos e as estratégias de averiguação? Sei lá! O que fica, para mim, é uma coisa só: jornais não são mais o "meio" exclusivo de transmissão das informações, os papéis estão se misturando. Bom, não sou jornalista. Mas como leitor de jornais e blogues, creio que analisar toda essa novidade exige que se pense o lugar da produção e da circulação das notícias de um novo ponto de vista, atento ao fato de que os antigos papéis, outrora bem delimitados, estão cada vez mais misturados.
Abraços,
Henrique Rodrigues.

henrique rodrigues em junho 8, 2009 3:56 PM


#28

A cobertura da Folha está abaixo da crítica mesmo. O que aconteceu em relação à MBC foi um vexame. Hoje, no Painel do Leitor, a jornalista tentou explicar e não conseguiu. Para a MBC, nem resposta deu. Enfim. Uó. Mas. Entretanto. Porém. Naonde que um blog INSTITUCIONAL tem credibilidade? Quando que a Petrobras tem legitimidade para dar a última palavra em relação às acusações? O blog da Petrobras é um blog de uma empresa. Nada mais. O tratamento que a esquerda brasileira está dando a ele é surreal. É puxa-saco. É acrítico. Vaca de presépio. E etc e etc. Não é marco de nada. Não significa coisa alguma. Sem livre pensador, o mundo não anda. Não vejo mais blogs de esquerda. Vejo tropa de choque.
(e a pergunta em off e blá. as coisas nao sao só as coisas, né professor? tá na cara q a petrobras está querendo constranger os jornalistas. há sempre algum outro significado e não imagino alguém q saiba mais disso que vc. entao. essa fenomenologia toda é fogo de artificio. frases de efeito e só. há uma tentativa se esvaziar as investigaçoes sim)

mary w em junho 8, 2009 3:58 PM


#29

Gente, eu não sei nem o que falar... me parece que o Sergio Leo foi claríssimo.

Não estou preocupado com meu emprego. Nem um pouco. E quero mais que a internet seja maior e maior, me permitindo produzir jornalismo por conta própria, sem precisar de emprego em um grande veículo.

Mas é o que o SLeo disse: se vc trabalha duro para conseguir uma informação e precisa checar ela com a empresa, precisa confiar que a empresa respeitará seu trabalho. Vale pro Pedro Doria do Estadão, vale pro Pedro Doria do blog. Se ao receber suas perguntas a empresa as torna imediatamente públicas, o que a maioria dos jornalistas fará é pensar duas vezes antes de perguntar. A Petrobras está piorando a vida dos jornalistas que jogam limpo, não dos incompetentes e dos com má intenção.

Pedro Doria em junho 8, 2009 3:58 PM


#30

Vou respondendo aos poucos (bem, basicamente vou responder ao Bryan e ao Sergio, que foram os que apresentaram contra-argumentos ao post).

Bryan: Em primeiro lugar, esse post da Petrobras não oferece o link para a matéria da FSP--quer dizer, não cumpre o comportamento básico do blogosfera. É uma atitude que Idelber condena em outros blogs.

Querido Bryan, quem não entendeu como funciona a internet é a Folha. De que adianta oferecer o link a um espaço que é exclusivo de assinantes? Eu também oferecia, com o tal parênteses que diz "link para assinantes". Mas parei. Não ofereço link a blog fechado, não ofereço link a conteúdo que é exclusivo de assinantes. Simples assim.

Idelber em junho 8, 2009 4:05 PM


#31

"o que a maioria dos jornalistas fará é pensar duas vezes antes de perguntar". Na boa, isso em bom português se chama chantagem. A internet muda o formato do jornalismo, mas se a única saída que os jornalistas encontram é o segredo, torna-se visível que todo o blá-blá-blá de informação e instrumento da democracia é balela - e, por isso, tchauzinho, os jornalões vão morrer mesmo. O segredo é a arma número 1 do autoritarismo.

Alexandre Nodari em junho 8, 2009 4:10 PM


#32

A grande mídia se apavora! Começaram a sentir o poder da mídia alternativa, dos blogs e agora, com a chegada de um peso-pesado como a Petrobrás, começam a ter realmente muito medo do que - nós - podemos fazer!

OS jornalões não dão espaço à críticas, à reais correções, afinal, a correção não é de uma mera notícia, mas de toda uma linha editorial marcada pela manipulação de informação, sonegação de fatos e etc. Através do Blog a petrobrás e qualquer um que queira expor seu lado, terá um espaço garantido, amplo e livre.

É uma verdadeira revolução!

Imagino que este blog seja um marco, sem brincadeira, um marco na história dos blogs, uma grande empresa, com bilhões para investir no que quiser, resolveu aderir À uma ferramenta grátis, simples e que vem crescendo assustadoramente (no bom sentido).

É o momento certo de buscar mais e mais visibilidade, união e proatividade (o Eduardo Guimarães fez um posto mais ou menos sobre isso uns dias atrás).

Quanto à questão de "vazar" as perguntas dos jornais e etc, bem, me parece choro de quem nunca jogou limpo e agora reclama uma "honra", uma "ética" que nunca tiveram...

Raphael Garcia em junho 8, 2009 4:14 PM


#33

sim, tá certo. a idéia é boa. mas o q falar dos desvios de $$, do superfaturamento, da grana bruta dada de mão beijada para as Ongs comapanheiras? a população brasileira deveria era se mobilizar para que a petrobrás se livrasse dos aparelhados, desde aqueles q estavam lá nos tempos de getúlio até os da era Lulla.

ricardo sales em junho 8, 2009 4:20 PM


#34

Trocando em miúdos: o que os jornalistas temem pode até não ser o seu emprego, mas o seu papel de mediador da esfera (opinião) pública. Quando essa posição de intermediação é ceifada, o jornalismo perde seu poder tradicional.

Alexandre Nodari em junho 8, 2009 4:26 PM


#35

Aqui em Floripa diriam:
- É um "femômeno"!

Mas, não sei, causou tanto alarde que ao acessar o blog quase me decepcionei.

Priscila em junho 8, 2009 4:28 PM


#36

off: acabei de ler "um defeito de cor". Grande livro (em todos os sentidos). Acho que fiquei um pouquinho mais sabida...

Renata L em junho 8, 2009 4:36 PM


#37

O Pedro Dória e o Sérgio Leo se esqueceram que no Brasil, quando a mídia gorda não consegue confirmar uma acusação a pauta não cai. Simplesmente sai um "a veracidade da acusação não pode ser comprovada, assim como sua falsidade". No "Estado Policial" do "teste de hipóteses" temos agora as "perguntas em off".

André em junho 8, 2009 4:41 PM


#38

Sergio:

Na boa, está virando covardia. Eu tenho por pauta ética não bater em gente muito menor que eu. Por isso bato em você e no Pedro Doria aqui no Biscoito. É gente com blog importante, com acesso à mídia, gente que tem como se defender. Não tomo um bloguinho de extrema-direita, com 10 leitores diários, para bater.

Só que neste caso em particular vocês estão perdidos num mar de argumentos aos quais não conseguem responder, e a avalanche de celebração do direito de resposta da Petrobras -- que é diferente de achar que o blog Petrobras tem a verdade absoluta, viu Mary? -- é tal que vai criando um cenário de espancamento que não me agrada nem um pouco. Bato e bato duro, mas não gosto de espancamento. Há uma diferença. O inglês tem uma expressão maravilhosa para definir isso: to gang up on. As pessoas, fartas da mentirada dos jornais, estão ganging up on you. Eu só posso celebrar a coragem de vocês. Fazer o quê?

No seu blog, Sergio, eu tomei o cuidado de, imediatamente, rasurar a palavra "fingir" e substituí-la pela palavra "acreditar", justamente para não pressupor má fé do interlocutor. E você abre seu comentário aqui me acusando de mentir? Cadê a mentira, cara? Estou mentindo porque a imprensa diz que o errado não é a Petrobras ter um blog, mas o fato de "vazar" perguntas? Conta outra, né? A imprensa está puta porque perdeu o monópolio sobre o que circula como notícia. Quem não vê isso é burro, cego, mal intencionado ou idiota útil. Deixo pra você a escolha.

Aí você diz: E manipula de novo, ao torcer meu argumento, como se eu defendesse que a Petrobras deve resguardar o interesse do furo, do brilho do repórter. Eu falei da importância do furo apenas para explicar o destaque que ele tem para o jornal.

Dizer que "Falei disso apenas para servir como exemplo disso ou daquilo" e depois reclamar quando o interlocutor demonstra o furo do seu exemplo ignora o básico do básico: um exemplo nunca é só um exemplo (a explicação desse axioma está em Derrida, o maior pensador da segunda metade do século XX, inacreditavelmente ignorado por todos os jornalistas da grande mídia que conheço). Ora, foi você quem pôs o exemplo na mesa. Se ele não serve, ponha outro. Esse está furado. Não é responsabilidade da Petrobras, nem da população leitora, resguardar furo de Globo ou Folha. Mesmo que fosse: Nós agora temos furo contido em questionário enviado por email? Na era da internet? Pelamordedeus, Sergio!

Depois você diz: E eu disse que, ao transformar em entrevista coletiva o que era uma consulta privada, a Petrobras quebra a confiança e atinge o efeito contrário ao da desejada transparência.

E eu disse que essa confiança já foi pro saco há muito tempo e apresentei amplos argumentos sobre o porquê. E a esses argumentos você não tem resposta. A reação dos internautas confirma isso. Não existe Comitê Central, não existe Diretório Nacional do PT orientando ninguém. O que existe é uma vasta comunidade de internautas reagindo à história de mentirada da mídia.

O "pacto de confiança" do qual você fala, Sergio, não existe. Morreu. Genug. Ça suffit. Enough. Basta ya. Esse pacto de confiança é uma miragem que só existe na cabeça de alguns jornalistas. Acordem. É isso.

Idelber em junho 8, 2009 4:44 PM


#39

Resumindo o argumento do Sergio Leo, o ponto principal parece ser o de que a Petrobras deveria primeiro esperar a matéria ser publicada, para *depois* divulgar as perguntas e respostas. Nesse caso, segue o argumento, não haveria impedimentos éticos.

Aos defensores da atitude do blog da Petrobras pergunto: Que mal haveria em fazer exatamente isso -- esperar para publicar no dia seguinte? Atrapalharia em algo a estratégia de transparência da empresa?

Ao críticos, pergunto: Mas, então, por que a Petrobras deveria se preocupar em facilitar de qualquer forma a vida de órgãos que a estão claramente perseguindo?

Esse parece ser o cerne da questão.

Marx em junho 8, 2009 5:09 PM


#40

O adjetivo mais usado pela direita para qualificar a atitude da Petrobrás é "canalha". Isso diz mais sobre as intenções do críticos do blog (ou do timing dos posts como quer o Sérgio Leo e o Pedro Dória) do que todas as explicações do Idelber.

André em junho 8, 2009 5:11 PM


#41

“Mas é o que o SLeo disse: se vc trabalha duro para conseguir uma informação e precisa checar ela com a empresa, precisa confiar que a empresa respeitará seu trabalho. Vale pro Pedro Doria do Estadão, vale pro Pedro Doria do blog. Se ao receber suas perguntas a empresa as torna imediatamente públicas, o que a maioria dos jornalistas fará é pensar duas vezes antes de perguntar. A Petrobras está piorando a vida dos jornalistas que jogam limpo, não dos incompetentes e dos com má intenção.” (Pedro Dória)

1) Por que tratar da questão como estivesse em causa apenas uma relação entre O JORNALISTA e a empresa? O jornalista não é funcionário de uma EMPRESA que tem lá seus interesses? Jornalistas bem intencionados não são editados?

2) Sim, todo mundo já entendeu que O JORNALISTA “precisa confiar que a empresa respeitará seu trabalho”. Mas para que O JORNALISTA possa ter o que precisa, o jornalista e a EMPRESA jornalística para a qual trabalha não “precisa” demonstrar o mesmo respeito?

3) É evidente que a iniciativa de criação do blog da Petrobrás piora a vida dos jornalistas mal intencionados que jogam sujo. Eles não podem mais omitir e distorcer as entrevistas. Além disto, a menos que sejam também muito burros, os jornalistas mal intencionados que jogam sujo sabem que a eficácia das suas armações depende de um mínimo verniz de imparcialidade e, para isto, precisam fingir “ouvir o outro lado”.

4) Até acredito que a Petrobrás está dificultando a vida dos jornalistas competentes bem intencionados que jogam limpo. Isto é lamentável. Mas estes jornalistas competentes bem intencionados que jogam limpo, justamente por serem competentes, bem intencionados e jogarem limpo, não podem ficar se fazendo de salame. A esta altura do campeonato, já entenderam que a conta pelas dificuldades que enfrentam não deve ser encaminhada à Petrobrás, mas ao esgoto no qual militam os seus pares mal intencionados que jogam sujo.

Rodrigo Guedes em junho 8, 2009 5:12 PM


Raphael Garcia em junho 8, 2009 5:13 PM


#43

Aos defensores da atitude do blog da Petrobras pergunto: Que mal haveria em fazer exatamente isso -- esperar para publicar no dia seguinte?

Porque a mídia brasileira tem um histórico de distorcer, mentir, inventar fatos, manipular, insultar, difamar, caluniar, injuriar, tentar fraudar urnas, esconder o maior acidente aéreo do país para exibir fotos ilegalmente obtidas com objetivo eleitoral, reproduzir como verdade ficha policial falsa enviada como spam, linchar com acusações inventadas, tudo isso na primeira página e em manchete, para depois publicar -- quando o fazem -- a correção num cantinho de página, quando o dano já está feito.

É isso.

Idelber em junho 8, 2009 5:15 PM


#44

Sérgio, não acho que o seu ponto não precise ser pensado, mas diante da tecnologia recente, talvez as condições de trabalho do repórter mudem mesmo. Acho que o site da empresa, de qualquer forma, mesmo que em um médio prazo, vai melhorar a qualidade do trabalho jornalístico. as equipes de reportagem começaram, inclusive, a trabalhar com a idéia de trabalharem às claras.

Tiago Mesquita em junho 8, 2009 5:18 PM


#45

Prezado Idelber,

Perfeito o post, perfeitas as suas contraposições aos argumentos do Sérgio Léo e do Pedro Dória. Como escreveu o Bob Dylan em "Subterranean Homesick Blues": "You don't need a weatherman to know which way the wind blows". O vento está mudando de direção e a grande imprensa está desesperada, pois, recorrendo novamente ao velho Mr. Zimmerman, "the times they are a-changin'".

Abraços

Abobrinhas Psicodélicas em junho 8, 2009 5:19 PM


#46

Só para lembrar um caso recente. Quando a Folha publicou uma entrevista com aquele tal de Espinosa para acusar a Dilma de terrorismo, criou-se um bate boca entre entrevistado e entrevistador sobre o que foi dito na entrevista. A Folha tinha a conversa gravada, acusava o entrevistado de mentiroso mas não mostrava a entrevista. Por fim, mesmo com cobranças do ombudsman, deu o caso por encerrado. Se o entrevistado tivesse gravado a entrevista e mostrado num blog, antes da entrevista ter sido publicada, aquela capa criminosa da Folha teria sido feita? Com a palavra o Sérgio Leo e o Pedro Dória.

André em junho 8, 2009 5:33 PM


#47

Quero registrar e agradecer o fato de que o Alex Primo, professor da UFRGS e grande pesquisador de novas mídias, acabou de tuitar este post. Passamos uma semana maravilhosa aqui em BH com os gaúchos Alex Primo e Gabriela Zago, e o paulista Sérgio Amadeu. Estou ligadíssimo no trabalho dessa galera, que realmente sabe o que está acontecendo com o jornalismo na era da internet.

Alex, Gabi, Sérgio: BH ficou mais rica com vossa visita. Voltem sempre.

Idelber em junho 8, 2009 5:40 PM


#48

Será que o SLeo e o Dória foram tão incisivos com a companhia de Metrô do Serra quando abriu aquela cratera? Ou só vale estrilar quando a realidade incomoda ao eixo Higienópolis/Leblon/Mangabeiras?

Johnny em junho 8, 2009 5:40 PM


#49

e quando o PT estava na oposição e usava a mídia, INCLUSIVE A PRÓPRIA VEJA, para divulgar as corrupções de sarney, collor e fhc? o PT era golpista?

ricardo sales em junho 8, 2009 5:45 PM


#50

E pensar que o frisson sobre vazamento, pacto de off e que tais começou quando Nassif chiou por causa de uma coluna do Mainardi, na qual se teria quebrado o código de ética na relação jornalista-fonte.
Os tempos mudam.

João Paulo Rodrigues em junho 8, 2009 5:53 PM


#51

só para corrigir um erro:
no comentário de número 44, onde se lê começaram deve se ler começarão

Tiago Mesquita em junho 8, 2009 5:56 PM


#52

Idelber,

Todas as pessoas de visão percebem que cada vez mais o poder de difundir informações está ligado com o poder - político e econômico. O capitalismo contemporâneo criou e alimentou a Internet dada a sua necessidade de difusão/recepção de informação em alta velocidade com largo alcance.

Ao mesmo tempo em que isso acontece, este meio permite, por sua natureza, alguma possibilidade de democratização - talvez acidental, talvez não, mas certamente um marco que se opõe à natureza hermética do jornal, do rádio e da TV.

Nesse sentido, o poder econômico, primeiramente situado na produção agrícola, depois na indústria e por fim no sistema financeiro está em vias de se transformar: A relação entre informação e poder se torna cada vez mais imediata, no lugar de um capitalismo financeiro, poderemos ter um capitalismo informacional ou, quem sabe, algo novo e ainda não completamente desenhado no horizonte.

Conseguir ou assegurar poder hoje passa pelo crivo de assumir o controle de pontos estratégicos na difusão de informação. Daniel Dantas, nosso velho conhecido, tentou fazer isso recentemente - no entanto, da maneira que lhe é bem peculiar.

O que a Petrobrás fez é um nada, ela não tentou controlar empresas de telecomunicações ou cabos de Internet, simplesmente montou um blog. O que há de tão chocante nisso? De repente algo tão simples - e incrivelmente dentro da lei - acaba sendo um marco mesmo.

A empresa usou de um mecanismo até rústico para se aproximar dos seus clientes e sócios - que de certa maneira somos todos nós, cidadãos brasileiros - e assim assumir a dianteira na difusão de informações; em apertada síntese, a direção da Petrobrás fez com que a empresa deixasse de ser agente passivo para ser agente ativo na difusão das informações sobre si mesma.

Isso é um tiro no pé da fábrica de factóides que estava sendo montada em torno dela - no ano pré-eleitoral mais eleitoral que eu vi na minha vida.

No fim das contas, essa tese que o Pedro Doria e o SLeo estão levantando não faz sentido sob qualquer ótica possível ou imaginável. A Petrobrás não pode divulgar informações secretas - o que seria, por óbvio, ilegal -, mas para fazer comunicação institucional ela, definitivamente, não precisa esperar por meio de comunicação algum - se a história do se "vazar vazou" vale para o caso DD aqui, imagine aqui onde que nem há vazamento.

Quando jornais e jornalistas começam a esperar que a realidade se adapte às suas necessidades, significa que as coisas estão em fase terminal.

Hugo Albuquerque em junho 8, 2009 6:00 PM


#53

Oi, Idelber e todos
(semi OFF TOPIC, nao totalmente) Vejam o comentário abaixo, enviado por um leitor do Fora de Pauta do Nassif:

Enviado por: Paulo Maurício Machado

Primeiro a Suécia, depois a Europa e, finalmente, o Mundo. A profecia começa a se cumprir:

O Partido Pirata sueco, ecoando um coro de eleitores que desejam mais conteúdo livre na Internet, ganhou uma cadeira no parlamento europeu, mostraram os primeiros resultados no domingo, segundo a Reuters.

Foram 7,1 por cento dos votos na Suécia no total de votos de toda a Europa, o suficiente para ganhar um primeiro assento. O partido quer a desregulamentação dos direitos autorais, abolindo o sistema de patentes e reduzindo a vigilância na Internet.

Anarquista Lúcida em junho 8, 2009 6:00 PM


#54

corrigindo:

"se a história do se "vazar vazou" vale para o caso DD aqui, imagine aqui onde que nem há vazamento." = "se a história do se "vazar vazou" vale para o caso DD, imagine aqui, onde nem há vazamento"

Hugo Albuquerque em junho 8, 2009 6:03 PM


#55

Hugo: off-topic - sobre esta mudança para um capitalismo informacional, sugiro a leitura (caso v. não conheça ainda) do Extinção do Paulo Arantes, onde ele aborda o "capitalismo de acesso", que englobaria o que v. chama de "capitalismo informacional". É um baita livro. Abraço

Alexandre Nodari em junho 8, 2009 6:09 PM


#56

Quem acha que a Petrobrás está vazando informação sigilosa o que achou quando a PF/Justiça vazou o "conteúdo" do pen-drive do Protógenes? Ou quando o delegado Bruno vazou as fotos do dinheiro dos aloprados?
Quem acha que deve existir off na relação entre empresa pública e imprensa, o que achou da quebra de off do Mainardi, citado acima?
Jornalistas honestos qualificam a atitude da Petrobrás de canalhice ou usam o termo vazamento?
Me acordem quando as teorias do Sérgio Leo e do Pedro Dória puderem ser aplicadas no mundo real.

André em junho 8, 2009 6:09 PM


#57

Não quero reforçar o efeito de espancamento, mas a frase do Hugo é por demais lapidar para não ser destacada de novo:

Quando jornais e jornalistas começam a esperar que a realidade se adapte às suas necessidades, significa que as coisas estão em fase terminal.

Anarquista: lá no Twitter do Túlio Vianna há uma montanha de informação sobre o Partido Pirata.

Idelber em junho 8, 2009 6:22 PM


#58

O notável crescimento da Petrobras, bem como a supremacia nas tecnologias de exploração em águas profundas e em biocombustíveis, está incomodando as "Sete Irmãs". Os PRs das grandes plantam notícias danosas à concorrência via jornalistas de agenda neoliberal. A Petrobras só está utilizando meios lícitos para contra-atacar. Como dizia o Rockefeller, "the best business in the world is a well-managed oil company and that the second best business in the world is a badly managed oil company".

Johnny em junho 8, 2009 6:24 PM


#59

O que o Pedro Dória e o Sérgio Leo não perceberam em sua cegueira corporativista é que o blog da Petrobrás expões a mídia mas expõe a empresa também. Suas respostas também estão lá, para serem linkadas e questionadas. É preciso muita coragem e e vislumbrar uma excelente relação custo/benefício para tomar uma atitude dessas. O que só é possível devido ao nível da imprensa nacional. Enxergar apenas sacanagem e canalhice nessa atitude corajosa é, no mínimo, ingenuidade.

André em junho 8, 2009 6:25 PM


#60

Coincidentemente, as matérias da Folha estão saindo - pelo menos no portal online - bastante distorcidas em relação àquilo que as perguntas e respostas mostravam. E a isso a Petrobras responde com um texto, articulado e reiterando as informações anteriormente dadas, e isso sim eu considero direito de resposta. A publicação das perguntas e das respostas eu realmente não acho que seja nada de problemático porque o que elas trazem são dados públicos, acessíveis a qualquer pessoa que queira pesquisar. Eu não considero a publicação das respostas pela Petrobrás antes da matéria pelo jornal o exercício do direito de resposta, eu considero isso como um movimento de resguardo, de cartas na mesa. Que, inclusive, não está impedindo os jornais de publicarem os artigos com as expressões e distorções a que tem direito.

Também considero o blog da Petrobrás um marco. Não do pensamento livre ou da transparência absoluta, mas isso os grandes jornais também não são. Considero um marco no envolvimento entre uma instituição que é pública (e isso faz diferença, não é a Telefonica ou a Vale) e o público, os leitores, os eleitores. E eu acho no mínimo curioso uma estatal deter (de longe) mais credibilidade do que um jornal privado. Sinal de que as coisas aqui estão confusas. E que sobretudo a mídia deve refletir sobre isso, sobre sua própria função e alcance, e não as pessoas insistirem no formato jornalístico para dar uma impressão de seriedade ou lucidez à coisa toda. De uma hora pra outra a Petrobrás é alvo de trocentas matérias maliciosas, de investigação e insistentes sugestões de que usa mal o dinheiro público. Não consigo não achar escancarada a motivação político-partidária disso tudo. E então desconfio, desconfio e desconfio dos jornais, antes mesmo de desconfiar da empresa.

É inteligente e moderno a instituição se apresentar assim, em blog e em twitter, usando ferramentas simples pra fazer variar um pouco as fontes de informação. Variar e não limitar.

aline em junho 8, 2009 6:45 PM


#61

continuando um Off-Topic:

Mas Alexandre Nodari, na resenha ao livro do Paulo Arantes, ele arenga:

"Cortante, irônico, ágil e provocador, os textos descortinam, sem meias palavras ou concessões, as mistificações de intelectuais que justificam a barbárie e as ilusões conciliadoras de alguns grupos de esquerda. A falência do governo Lula – sobre o qual “dizer que acabou não deixa de ser um exagero piedoso, pois supõe que em algum momento ele tenha começado” – é, para Arantes, uma entre várias extinções: das idéias, das opções, da política, da vida. "

ah, vamos lá, este livro é bom mesmo? com este pré-conceito sobre o governo Lula (não é maravilhoso, mas também não é esta porcaria toda) dá para levá-lo a sério?

Ainda que a crítica a seguir mostre que pode haver um bom debate a partir de sua leitura:

"“Deu no que deu. O mediador providencial nomeado conciliador universal de todos os antagonismos de uma nação dilacerada quando muito armou um jogo de cena entre tese e antítese: enumerando a esmo, agronegócio e reforma agrária, Monsanto e movimento ambientalista, Microsoft e software livre, gesticulação diplomática Sul-Sul e tropas no Haiti a mando do Império etc. A síntese não veio e não virá”, analisa o filósofo. "

Não é mais um a favor da radicalização à esquerda do governo - o que na minha humilde avaliação, o teria inviabilizado ainda nos seis primeiros meses?

Radical Livre em junho 8, 2009 7:00 PM


#62

E eu acho no mínimo curioso uma estatal deter (de longe) mais credibilidade do que um jornal privado.

Pensem nessa frase da Aline. Não é incrível?

Idelber em junho 8, 2009 7:02 PM


#63


Me arrependi logo após publicar a palavra mentira, idelber. Até porque é uma grosseria imperdoável, quando você, generoso, me chama de valente e tal. Peço desculpas.

Mas ao mesmo tempo, lembro que você faz uma campanha sistemática de linchamento dos jornalistas, que se diferenciam das outras profissões no país pelo fato de que seus erros e abusos são públicos, visíveis, imediatamente verificados, não como os de outras categorias onde também há desvios ideológicos, distorções da verdade, abusos, como a dos acadêmicos, por exemplo. Diz que eu e várias pessoas que estimo fazem parte de uma “organização criminosa”. Isso é pior que mentiroso, caríssimo. E não é verdade.

Não sou cego, sou míope; nem mal intencionado, vivo no inferno das boas intenções; e às vezes me acho apenas um culpado inútil, de inocente e útil tenho muito pouco.

Eu e o Dória damos argumentos racionais. Mostramos que esse tipo de atitude amadora e incompetente da assessoria, antecipando no blogue o processo de apuração de uma matéria, contraria os interesses da própria petrobras, porque (e isso não é chantagem) ninguém, em lugar nenhum do mundo, vai abrir uma apuração com um interlocutor infantil e despreparado. A Petrorbas deixará de saber antecipadamente as denuncias contra ela, que serão checadas em outras fontes, porque a emrpsa não se comporta com seriedade. E quem perde somos nós, que vemos incomodados a empresa ser usada como refém numa chantagem da oposição conra o governo.

sleo em junho 8, 2009 7:10 PM


#64

Mas aí vem você e várias pessoas inteligentes com alguma espécie de dissonancia cognitiva, e insistem em misturar essa questão com a mitológica batalha da Internet contra os jornais impressos. Desculpe, velhinho, são coisas diferentes; by the way, boa parte dos blogueiros que comenta aqui e em outras paragens está hospedada no Uol ou no Terra, ou em outras empresas jornalísticas _quando não em multis, como o Google, que me censurou so porque publiqu os peitos a Luana Povani.

Também creio que a Internet mudará a forma de fazer jornalismo, mas tenho pena dessa utopia ingênua que vê os blogues pessoais invadindo o Palácio de Inverno da midia gorda como andam dizendo.

Mas, como eu disse, e você e vários comentaristas confirmam, a época é de linchar jornalista, que merecem apanhar pelos erros que cometeram (vilanias, em vez de erros, preferiria você). Como amigo que sou, peço só que me avisem quando a massa revolucionária chegar perto de Brasília, para tentar me por a salvo com minha mulher e cúmplice, em algum paraíso fiscal.

E tem gente que vê nas respostas da Petrobras o suprassumo da transparência... religião eu não discuto.

sleo em junho 8, 2009 7:17 PM


#65

A Associação Nacional (dos Proprietários) de Jornais acaba de nos dar mais uma prova de que o blog da Petrobras bateu no fígado dessa gente. O último parágrafo, acusando a Petrobras de pretender "tutelar a opinião pública" ganha fácil o troféu Óleo de Peroba 2009.

Publicado no Blog do Noblat
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

====================

ANJ acusa a Petrobras de tentar intimidar a imprensa.

Nota oficial que acaba de ser divulgada pela Associação Nacional dos Jornais:

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifesta seu repúdio pela atitude antiética e esquiva com que a Petrobras vem tratando os questionamentos que lhe são dirigidos pelos jornais brasileiros, em particular por O Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, que nas últimas semanas publicaram reportagens sobre evidências de irregularidades e de favorecimento político em contratos assinados pela estatal e suas controladas.

Numa canhestra tentativa de intimidar jornais e jornalistas, a empresa criou um blog no qual divulga as perguntas enviadas à sua assessoria de imprensa pelos jornalistas antes mesmo de publicadas as matérias às quais se referem, numa inaceitável quebra da confidencialidade que deve orientar a relação entre jornalistas e suas fontes.

Como se não bastasse essa prática contrária aos princípios universais de liberdade de imprensa, os e-mails de resposta da assessoria incluem ameaças de processo no caso de suas informações não receberem um “tratamento adequado”.

Tal advertência intimidatória, mais que um desrespeito aos profissionais de imprensa, configura uma violação do direito da sociedade a ser livremente informada, pois evidencia uma política de comunicação que visa a tutelar a opinião pública, negando-se ao democrático escrutínio de seus atos.

Júlio César Mesquita, vice-presidente da ANJ e responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão

André Borges Lopes em junho 8, 2009 7:24 PM


#66

Sergio Leo:

"Mas ao mesmo tempo, lembro que você faz uma campanha sistemática de linchamento dos jornalistas, que se diferenciam das outras profissões no país pelo fato de que seus erros e abusos são públicos, visíveis, imediatamente verificados, não como os de outras categorias onde também há desvios ideológicos, distorções da verdade, abusos, como a dos acadêmicos, por exemplo."

Longe de mim querer linchá-lo, Sergio, gosto muito do seu blog. Mas talvez agora você sinta como se sente um funcionário público no Brasil. Bem-vindo ao clube!

caliban em junho 8, 2009 7:29 PM


#67

sleo,

Linchar jornalista não, mas sim denunciar interesses escusos do patrão deste profissional mal-remunerado, intimidado e sempre no fio da navalha da demissão (exceto as Miriam Porcões da vida, mas aí são outros quinhentos...).

Johnny em junho 8, 2009 7:31 PM


#68

com relação ao evento no Sindicato dos Jornalistas em BH, a prof. Geane Alzamora deixou a desejar ...

Marcus Vinicius em junho 8, 2009 7:33 PM


#69

Qualé SLeo, fazer papel de vítima coitada de alguma turba pseudo-revolucionária ferrenha fascistóide cheira ao grau de desonestidade semelhante ao de pessoas de extremo privilégio se fazendo "atacadas" pela "polícia do politicamente correto" (ainda mais quando tal "turba" é tão ridiculamente sem poder, desorganizada, e extremamente frustrada por tal falta de representação democrática - vide tamanha hostilidade e desconfiança). Não creio que ninguém ache que os blogs e a internet servirá como utopia (peloamor, não serve de nenhuma competição - a não ser que acredite em histórias miraculosas de Davi e Golias e outras), mas que apenas é um círculo tosco que faz parte dos buracos (e os ilumina, as vezes por eficiência e as vezes por se mostrar tão tosco quanto a "oficial") que o poder anda criando atirando no próprio pé em ser tão hostil e desvinculado com o interesse deles.

Francamente, fico feliz que tais canais (mesmo que míseros) estejam surgindo para fazer algo construtivo com tamanha frustração, ao invés de serem desviados para caminhos fundamentalistas conspiratórios, de extrema direita, religiosa, racista ou fascista etc (como vemos nos EUA e na Europa).

Alberto em junho 8, 2009 7:34 PM


#70

Sergio, meu queridón:

Acrescentar argumentos a essa avalanche só vai reforçar a sua sensação de que estou liderando uma turba bolchevique-internética no seu linchamento. Portanto, este comentário se limita a:

1) dizer que os argumentos estão aí e não foram respondidos;

2) registrar que recebi e aceitei o seu pedido de desculpas pelo uso da palavra "mentira";

3) reiterar, meu velho, que você é peitudo pra caralho. Encarar este debate, de peito aberto, mantendo o blog com caixa aberta, é louvável. Conte comigo para liderar a "turba bolchevique-internética" em sua defesa sempre que alguém disser que gente como você e gente como Reinaldinho Azevedo são comparáveis. Por mais que você ache que eu não faço essas distinções, eu faço, sim.

Parabéns, bicho. Eu gosto de gente que encara a bagaceira de peito aberto.

Idelber em junho 8, 2009 7:46 PM


#71

Idelber, me assusta essa visão maniqueísta da imprensa. Sério, espero esse tipo de comportamento infantil de um esquerdista tapado, que não quer abrir os olhos. Mas de vc? Um cara tão culto... juro, assusta.

Por mais que você ache a imprensa má, boba e feia, você realmente acha a Petrobras transparente?? Você acha que um blog já é o suficiente para considerarmos a Petrobras transparente??? Nem os técnicos do TCU têm acesso à caixa preta da empresa. Uma empresa que tem 1.150 pessoas no departamento de comunicação não pode ser séria. Veja quanto representa a Petrobras no PIB brasileiro e pense quanta gente não tá mamando nas tetas da Petrobras!

Sabe quantas páginas a Petrobras e outras estatais colocaram na Carta Capital?? Sabe quanto a Carta Maior recebe do governo?? A esquerda brasileira é igual a direita: patética.

Pedro em junho 8, 2009 8:14 PM


#72

Pedro, não nos deixe ansiosos, nos dê a resposta.
Quantas páginas a Petrobras e outras estatais colocaram na Carta Capital? Quanto custaram? É condizente com a tiragem da revista? Quanto a Carta Maior recebe do governo? É proporcional ao que outros veículos recebem? Não fique apenas na insinuação, estrunche essa imprensa chapa branca.

André em junho 8, 2009 8:26 PM


#73

Off-topic: Radical Livre, também não concordo com tudo o que o livro diz, aliás, até acho meio fora do lugar quando ele desce a miudezas sobre o governo Lula (tem uma parte do livro só de entrevistas - a meu ver, elas poderiam ter ficado de fora), porque o forte é a leitura que ele faz do capitalismo atual como um todo (e, por isso, entendo o plano em que ele faz as críticas ao PT: da perspectiva do capitalismo atual, o governo Lula não representa uma mudança de fato). Mas vale a pena ler; há páginas brilhantes ali sobre o capitalismo de acesso, sobre a Volta redonda do capitalismo (que parece retornar aos moldes coloniais), sobre a idéia norte-americana de "fronteira", sobre a extinção da inteligência e da imaginação. Pode-se não concordar com o que o Paulo Arantes diz, mas ele está longe de ser um cabeça quadrada estilo PSTU ou mesmo PSOL (aliás, é interessante notar o histórico do Arantes: ele era ligado ao grupo do Gianotti, ou seja, ele pendia mais pro tucanato que pro PT; num momento seguinte ele se aproxima deste para logo se afastar). Podemos combinar de ler em conjunto, caso haja mais interessados, e debater em algum blog - ofereço o meu.

Alexandre Nodari em junho 8, 2009 8:26 PM


#74

Ah, como me esqueci dessa? Os jornalistas não entendem nada de revolução do proletariado mesmo - jamais a primeira medida seria o paredão; a primeira medida seria a expropriação e imediata estatização da Coca-cola. Tsc, tsc.

Alexandre Nodari em junho 8, 2009 8:29 PM


#75

Excelente ideia, Alexandre. O seu blog seria o espaço ideal. Paulo Arantes é uma figura que -- apesar das incontáveis restrições que tenho -- ainda me interessa muito.

Pedro, reforço o desafio do André: traga números, comparativos, por exemplo, com os anúncios que a Veja também recebe. Aí a gente conversa.

Idelber em junho 8, 2009 8:29 PM


#76

Rodrigo Guedes, se a Petrobras publicasse a posteriori as mesmas informações, o jornalista sujo se dana e o limpo, não.

Publicando antes, publicando um trabalho ainda incompleto de investigação, ela passa ao jornalista limpo o recado de que é melhor não ouvi-la e, ao sujo, dá uma desculpa boa pacas para não fazê-lo.

Pedro Doria em junho 8, 2009 8:40 PM


#77

A Petrobras esta arrebentando o restinho de credibilidade da grande imprensa! Parabens a Petrobras!

Alberto Bilac de Freitas em junho 8, 2009 8:51 PM


#78

>>> E eu acho no mínimo curioso uma estatal deter
>>> (de longe) mais credibilidade do que um
>>> jornal privado.

>>>Pensem nessa frase da Aline. Não é incrível?

É incrível apenas se considerarmos como "Estado"/ "Estatal" (palavras atualmente pejorativas depois de tanta propaganda corporativa livremercadista e caricaturas orwellianas toscas) apenas aquilo que Estados privados entitulam como estatal (ou seja, os espaços públicos com potencial de 1% de resposta a vontade pública, e que se mostrou potencialmente influenciável a conquistas de setores vulneráveis, ao contrário do privado que é de 0% e não presta nenhuma contas). Os iluministas e liberais clássicos (tão citados por neoliberais para se fazerem legítimos) não eram apenas anti-Estado, eles tinham suas razões para o serem (como diz Chomsky, deve-se apenas idolatrar Adam Smith, jamais lê-lo, senão pensará que Smith é algum esquerdopata anti-capitalista. Deve-se apenas pegar pequenos sound-bites que pareçam superficialmente serem apenas anti-estatais, de uma época que corporações e instituições neofeudais pós-industrial de escravidão assalariada nem existiam). E suas razões para o serem valem tanto para o Estados Privatizados e suas instituições autoritárias quanto valiam para o monstro que argumentavam contra na época (afinal, o indivíduo comum tem seu destino muito mais encoleirado por autoridades externas coercivas em seu ramo "privado" stalinista-soft em uma semana do que do "Estado" em um ano inteiro - e ele apenas chama de "Estado" aquilo que o maior Estado permite definir como tal, da mesma forma que o imperador é chamado de imperador e o pirata de pirata, igualmente com terrorismo e contra-terrorismo).

Lembre-se, o que não for do setor consumista/privativo (onde sua única ferramenta de interação com o mundo é como consumidor, espaço público e conflito de interesses de classes é inexistente e decisões ficam fora de suas mãos, já que "nem existem", para irem para instituições "privadas") é um elefante provincial brega-nordestinóide mafioso corrupto e terrível (então se tem constante demagogias moralistas contra corrupção e outros mini-sintomas ao invés de análises de problemas sistêmicos e estruturais).

(imaginando uma história hipotética) É como se vivessemos na Alemanha pós-Guerra e apenas nos focássemos na palavra "nazista" (e talvez suas cores, só) como a coisa ruim e quando surge um partido com todas as características do partido nazista (e em outros fatores pior) nós não o denunciamos porque ele se entitula de outro nome (e já que é mais poderoso, e define as pautas, falando constantemente contra os "nazistas", ninguém o confronta).

Por que uma pequena classe de elites que trocam entre si escravos-assalariados alugados de um estoque de descartáveis que mendigam para enriquecê-los ao "deixá-los" usar suas propriedades privativas (melhor que escravos, já que propriedade precisa-se cuidar e investir, alugados não - esses apenas lutam entre si pelo pior do prato fazendo preços descerem) gostaria desse espaço que se mostrou influenciável às lutas desses servos (mesmo sendo tal espaço originalmente, e constantemente, de tal elite - "governo é a sombra do setor empresarial projetada sobre a sociedade")? Tal espaço deveria apenas se dedicar a eles, você plebe deve odiá-lo e querer enxugá-lo para "nos deixar em paz" (para nos dar liberdade, liberdade que se traduz de forma diferente para cada classe, a liberdade neoliberal pro patrão poder ter escravos e ser deixado em paz). A jaula do Estado (e é sim uma jaula, horrorosa e mafiosa) deve ser odiada, sem perceber o por que tal ódio é incentivado pelos 100 tigres do lado de fora que te guardou lá para começo de conversa (nem pense em expandir a jaula para conquistar espaço de luta, desencana da chave, nem pense a respeito e nos deixe com ela e nos livraremos da jaula -- ok blz, faremos uso dela quando nos for conveniente, mas não se preocupe).

Mas continuemos jogando o jogo de quem apodreceu conceitos de Orwell em caricaturas para propaganda que serve a si mesmo (buuh! "Estatal!" Booh! "Big Gummint! Islamofascist franco-socialists feminazis! Buh!"... e fantasias denunciadoras de trabalhadores em filas autoritárias em uniformes idênticos - não, não brancos em ternos, cubículos e ruas, mas sim macacões 'soviéticos': definimos servidão com nossas definições de feio e pobre"). Por acaso "1984" tinha um Orwell fictício onde sua obra era usada para servir à ordem ao fazer sua obra em uma caricatura dos inimigos preferidos do estado enquanto se auto-congratulam por serem tão livres e diferentes dos cartuns odiados?

anarcocapitalista (ou Anarco-Fascista ou anarco-monarquista, já que se pode por 'anarco' em frente d em junho 8, 2009 8:52 PM


#79

Idelber,

A Petrobras acaba de responder, em tempo real, nota da ANJ. A Associaçào dizia que a assessoria de imprensa da estatal estava ameaçando os jornalistas com "processo". Intimidando-os. Tratava-se, veja só, daquela mensagem padrão corporativa destinada a segurança da informação e que consta no rodapé dos correios da Petrobras há anos destinada principalmente as normas de uso para seus funcionários. É a ANJ. Quem corrigirá esta distorção? Nem o blog. Amanhã vira verdade que a Petrobras respondia e ainda ameaçava.

Maria Clara em junho 8, 2009 8:54 PM


#80

Alexandre, deixe eu dar um pitaco? Na verdade uma perguntinha ingênua talvez. Se a primeira medida é a comunização do bem, do patrimônio, a segunda seria o paredão? Ou, é possível descartar o paredão?
Ou, de acordo com o jornalista citado 'in off', quem deve teme? Ou, numa revolução, todo mundo teme, o paredão é para todos? Afinal, quem é que está com o dedo no gatilho? Adorei quando o assunto chegou na "massa revolucionária perto de Brasília"!

josaphat em junho 8, 2009 9:04 PM


#81

Trabalho em jornal e sei como se dá a "editorialização" da notícia. Temos assinatura de uma determinada agência de notícias, que solta a primeira versão de uma matéria no início da tarde. Aparentemente purinha, se atendo aos fatos, uma beleza! Lá pelas 18h, chega uma versão "atualizada", já com o carimbo de algum editor intermediário. Mas a que vai pra prensa do jornalão mesmo é uma terceira, devidamente contaminada com todo o viés dado pela "linha editorial" da empresa que publica o jornal.
É assim, mesmo que jurem de pé junto que não seja. São empresas privadas, que invariavelmente acabam colocando seus interesses na frente do "jornalismo imparcial" (esse ente abstrato e quase mitológico). Afinal, o poder da imprensa é tentador demais.
Pena que agora exista a internet para amainá-lo, não é mesmo?

Brilhante, e legítima, a iniciativa da Petrobras!

Germano Leite em junho 8, 2009 9:07 PM


#82

O ministério da defesa também publicou uma nota de resposta à Época. Alguém leu a matéria e o comunicado?
http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?mostra=3147

Tiago Mesquita em junho 8, 2009 9:08 PM


#83

Idelber, dá licença para o momento retrô? :-) E mais ou menos off-topic, porque queria falar apenas sobre uma parte desta questão que há muito me interessa, a guerra blog x mídia.

Acho muito interessante tudo isto que está acontecendo entre a internet e a mídia tradicional. Eu adoro blogs, e afirmo com toda certeza que, sem ter tido um, o finado Udigrudi (2001-2004), eu jamais teria começado a escrever. Eu trabalhava com Publicidade e, naquela época, as formas de fazê-la me pareciam cada vez menos conectadas com o mercado. Fui para a internet buscar uma maneira de integrar essa ferramenta ao meu trabalho, e acabou acontecendo o contrário.

Discordo de quem diz que a mídia de massa foi pega de surpresa pela revolução acontecendo nos blogs. Não foi. No século passado já estávamos conversando sobre isto, sobre as novas formas de se produzir e divulgar cultura e informação. Éramos tratados como adolescentes e/ou sem-ter-o-que-fazer, merecendo, na maioria das vezes, matérias em cadernos como Folhateen e afins. Era um verdadeiro trabalho de catequização, e sabíamos da necessidade de aproveitar cada espaço para popularizar os blogs. Acho que nem era necessário, pois a coisa teve força para se auto-popularizar. A gente comemorava cada adesão de peso, numa época em que era impensável um blog da Petrobras, por exemplo. Mas as conversas estavam acontecendo, as ideias sendo semeadas, e esta revolução através dos blogs às vezes parecendo possível, às vezes utópica. Por isto gosto de ver o que está acontecendo.

Para quem não acompanhou desde o início, queria deixar dois links que foram extremamente importantes para aquele começo de conversa e a realidade de hoje:

1 - All your bases are belong to us- frase traduzida erradamente do japonês para o inglês em um game chamado Zero Wing. Virou vídeo em Flash e bandeira de quem acreditava na tomada do poder via descentralização da base de informação.

2 - Manifesto Cluetrain- a tradução para o português está péssima, mas as 96 teses do Manifesto foram inspiradas nas 95 teses de Martinho Lutero. Acho isto significativo porque o que ele queria inicialmente era conversar com os teólogos, que não deram a menor bola. Surgiu então a Reforma Protestante. Durante muito tempo os leitores tentaram conversar com a mídia, que também nunca deu a menor bola...

Para quem quiser saber um pouco mais sobre o "All your base are belong to us", e o "Manifesto Cluetrain", e outras coisinhas mais, indico os arquivos do blog do Hernani Dimantas, o Marketing Hacker, que era principalmente onde estas conversações se originavam ou para onde convergiam. Muita coisa pode estar datada, ou mesmo contaminada por um certo deslumbramento com a então novíssima ferramenta, mas não deixa de ser interessante.

Ana em junho 8, 2009 9:20 PM


#84

Alexandre,

Valeu pela dica, seria um debate bem legal mesmo.

Hugo Albuquerque em junho 8, 2009 9:41 PM


#85

Idelber e André, é só perguntar lá no blog. Garanto que se fizéssemos uma regrinha de 3 inocente veríamos muitos veículos com audiência muito pequena abocanhando uma bela fatia da grana. Já a revista com mais leitores não foi alvo de tamanha generosidade do governo.

Mas vcs não me responderam: vcs realmente acham que a Petrobras é transparente??? Por causa de um simples blog??

Idelber, pq diabos não investigar a Petrobras??? Sério, me dê um único motivo pra isso! Tá todo mundo com medo de respingar na Dilma, e vcs sabem disso. É uma manobra da direita para desestabilizar a esquerda??? dane-se, eu quero mais é que investigue! Pq tem muito pilantra roubando lá na Petrobras... e boa parte dos meus impostos vai pra lá.

Dane-se direita, dane-se esquerda, eu quero que esses fdps parem de mamar nas tetas da maior empresa do Brasil.

Pedro em junho 8, 2009 9:51 PM


#86

Aproveitando o off-topic: a ideia do Alexandre é excelente, até porque o livro do Paulo Arantes é muito bom e, mais que isso, amplamente aberto a toda sorte de discussões.
Apoio o debate sobre o livro lá no Consenso, só no paredão!.
Abraços

João Villaverde em junho 8, 2009 9:53 PM


#87

Gente, daqui a pouco o Gabrielli na tortura da roda. Será que, para os que dormem cedo como eu, vale a pena?

http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/2009/06/08/ao-vivo-assista-e-participe-da-entrevista-do-presidente-gabrielli-no-roda-viva/

josaphat em junho 8, 2009 10:01 PM


#88

Pedro, a mídia tem o conhecido talento de jogar lama falsa que nunca se prova mas fica na memória com repercussões, como CPIs privadas para banqueiros e revistas etc (e no máximo, fazem uma pequena correção enquanto a denúncia se faz bem alta e memorável).

Um bom argumento: http://www.viomundo.com.br/opiniao/e-coincidencia/

>>>Já a revista com mais leitores não foi
>>>alvo de tamanha generosidade do governo.

Sim, esse é o propósito. Garantir espaço para meios e pontos de vistas que não sobreviveriam em espaços hostis a eles por não serem papagaios de patrões e anunciantes. Isso é um tanto óbvio, não?

Carlos em junho 8, 2009 10:03 PM


#89

Já rolou o Roda Viva e o Gabrielli deu um baile. Assisti pela internet e a cobertura no Twitter foi ótima.

Idelber em junho 8, 2009 10:03 PM


#90

Prezado, parabéns pela iniciativa de repercutir o blog criado pela maior empresa do Brasil.

Em meu humilde blog (link anxo) coloquei um link para lá também.

sds

Pedro Migão em junho 8, 2009 10:10 PM


#91

Pedro, quer saber se a Petrobrás é transparente? É só perguntar lá no blog.

André em junho 8, 2009 10:10 PM


#92

Não é que eu não me dei conta da transmissão aqui na net!
E ainda me perguntando se valia ficar acordado até tarde. Boiei.
Será que vão editar para passar na tv?

josaphat em junho 8, 2009 10:14 PM


#93

Estou acompanhando essa história toda pelo Twitter e via blogs, etc. To me divertindo, rs.

Avelar, de onde vc tira as informações sobre o acesso ao blog da Petrobrás? Fiquei curiosa.

Aliás, achei hilária a nota da ANJ, rs.

Manu em junho 8, 2009 10:16 PM


#94

Manu, o blog da Petrobras tem um contador :-)

Idelber em junho 8, 2009 10:19 PM


#95

oi Idelber, como vai?

Sou leitor eventual do blog, mas fiel, há bastante tempo e vou comentar pela primeira vez, acho.

As perguntas que foram publicadas pelo blog da Petrobrás prejudicam a Folha e o Globo e o jornal, sim, mas prejudicam o jornalista, qualquer um deles, o bom e o ruim, o do lado certo e o do errado, esquerda, direita, centro,preto, branco, sambista, favelado, cristão e o muito pelo contrário.

A Petrobrás poderia publicar depois as perguntas e ela pode, sim, ser questionada, a despeito da CPI eleitoreira feita pela rídicula oposição brasileira. Rídicula no sentido de ser preconceituosa, nobrelesca, escravagista, antidemocrática e até criminosa em vários momentos.

Ainda que eu esteja enganado, acho que as pessoas que tem essa visão --as perguntas não deveriam ter sido publicadas-- e os jornalistas comuns, como eu, tem o direito de manifesta-la, sem serem apontadas como qualquer coisa além de terem o real sentimento de que ninguém pode divukgar as perguntas feitas antes da reportagem, principalmente se a reportagem não demorou dois ou três dias para sair.

Aliás, não vi ninguém falar sobre isso --foi meia-hora depois ou cinco dias depois que as respostas foram publicadas? Para mim, faz diferença.

A outra coisa é muito mais delicada: duvido que a Petrobrás e o Nassif publiquem um comentário que pergunte, por exemplo, qual o valor pago pela Petrobrás para ter um banner no site http://www.projetobr.com.br/web/guest/home ?

Aliás, com todo respeito, acho que nem vocÊ nem a maioria dos leitores do Nassif sabem disso.


Abraços e força no excelente blog!

gustavo em junho 8, 2009 10:25 PM


#96

Professor Idelber, acabei metendo meu bedelho na discussão. Nada pessoal.

http://pseudoplatitudes.wordpress.com/2009/06/08/dois-blogueiros-uma-estatal-e-a-velha-midia/

A propósito, já que quinta estaras pelo Rio, vai rolar um chopinho em algum canto?

Um abraço
Sou seu fã

Lucas em junho 8, 2009 10:34 PM


#97

Está hilária a explicação da Petrobrás à ANJ sobre o que é sigilo de fonte e porque ele não se aplica às perguntas recebidas pela Petrobrás. É uma explicação bem pormenorizada, igual a que um professor de curso de jornalismo deve dar para os bixos.

André em junho 8, 2009 10:46 PM


#98

Ética no dos outros é refresco mesmo.
Longe de mim defender os jornais. Longe de mim também defender a Petrobrás, a não ser da privatização.
Mas o ponto não é difícil de entender: o seu orientador não gosta do seu comportamento ou das conclusões que você está tirando e resolve publicar os esboços de sua tese de doutorado sem revisões e sem lhe consultar num blog, para discussão pública.
É. É isso o que a assessoria de comunicação institucional da Petrobras está fazendo.

Helena em junho 8, 2009 10:51 PM


#99

Idelber e amigos,

Em primeiro lugar, gostaria de manifestar minha admiração pelo trabalho do Sérgio Leo, uma das pessoas valiosas que o seu Biscoito me apresentou. Acho ele muito corajoso e correto quando vem defender a sua profissão e aceita um debate aberto aqui em campo hostil.

Entendi o argumento dele e, me colocando em seu lugar, consegui imaginar o quanto ele deve ficar puto com a possível perda de um furo e com os ataques contra a grande mídia em geral, pois, queira ou não, dela ele faz parte e dentro dela tenta construir algo digno e competente. E o faz bem.

Agora, em linhas gerais, não concordo com os argumentos dele, e sobre isso gostaria de fazer duas observações.

A primeira, é o fato de que a publicação a posteriori das perguntas não tem o mesmo efeito do que a publicação antecipada. Se a manchete vem em letras garrafais em primeira página, como bem disse o Idelber, depois fica muito mais difícil correr atrás do prejuízo. A publicação antecipada inibe esse procedimento de distorcer dados, embora não o impeça totalmente. Realmente há um prejuízo ao jornalismo honesto, mas a empresa está defendendo a sua imagem, e nessa ponderação de valores não consigo deixar de achar legítima sua atitude.

A outra observação diz respeito ao suposto incentivo a que jornalistas honestos não procurem a Petrobrás, de modo a proteger a sua pauta, e sobre a desculpa que estaria sendo dada de bandeja aos jornalistas de má-fé.

Ora, não sou professor de jornalismo e nem pretendo sê-lo, mas mesmo com esse incontornável óbice por parte da atitude da Petrobrás, me parece óbvio, incontestável, que qualquer reportagem, para merecer a qualificação de minimamente séria, deverá manter o procedimento de ouvir a Petrobrás antes da sua publicação. Do contrário, estaremos aceitando como legítimo publicar reportagens com acusações pesadas, graves, sem que a outra parte seja ouvida? Isso é correto? O que o departamento jurídico de uma grande empresa como a FSP pensa disso, dada a possibilidade de direito de resposta e de indenização por dano moral porque a jornal assumidamente não quis ouvir o lado contrário antes de publicar a sua matéria?

Sinceramente, duvido que essa prática da Petrobrás, por mais que irrite jornalistas corretos como Sérgio Leo e deixe irados os picaretas/desonestos de plantão, possa ter como resultado a legitimação de um procedimento jornalístico desse tipo.

Abraço a todos, em especial ao Idelber.

Do sumido

Paulo SPS em junho 8, 2009 10:57 PM


#100

Chegamos a um outro nível de piração! Comparação entre, por um lado, entrevistas realizadas entre um jornal de 300.000 exemplares diários e uma das maiores empresas do mundo e, por outro lado, o processo de aprendizado de um aluno que está, pela primeira vez, sendo acompanhado por um orientador na escrita de uma tese!

Gente, os sofismas estão começando a degringolar. Menas.

Idelber em junho 8, 2009 10:57 PM


#101

Paulo, seu sumidão! Como sempre, ponderado, preciso, e levando em conta todos os pontos de vista. É um prazer hospedá-lo aqui nesta humilde bodega.

Idelber em junho 8, 2009 10:59 PM


#102

Helena, seu exemplo não está completo. Faltou dizer que o orientador só fez isso porque o orientado estava acusando-o publicamente de não orientá-lo e não ajudar na elaboração da tese, o que daria margem à demissão do orientador.

André em junho 8, 2009 11:00 PM


#103

Esse papinho de que o blogueiro X ou a revista Y têm patrocinio da Petrobras e portanto não merecem crédito já encheu o saco. Isso quer dizer o quê? Que se a Veja tivesse um patrocinio gordo da Petrobrás também falaria bem do governo (considerando que as revistas e blogueiros citados só falem "bem" do governo)? É isso? O direcionamento ideológico de uma publicação depende exclusivamente do tamanho do patrocínio da Petrobrás? Que besteira.

A Petrobras patrocina praticamente todos os filmes e festivais de cinema do Brasil. Se o que pregam para revistas e blogs fosse verdade, todos os filmes nacionais seriam loas ao governo Lula, e todos os festivais cinematográficos serviriam apenas para exibição de propaganda estatal.

Já quando um Bruno Barreto da vida coloca uma cena de dois minutos da Luana Piovani elogiando a Pirelli no filme dele, o pessoal que reclama dos blogs "pagos" fica quieto, e só se manifesta quando alguém sugere modificar a Lei Rouanet para as empresas não tomarem conta da produção cienmatografica nacional em prol de seus departamentos de marketing.

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Achei interessante a iniciativa do blog da Petrobras. Sinceramente, não consigo enxergar os problemas que o Sergio Léo e o Dória colocaram – e não estou aqui para o espancamento, curto muito o trabalho e os blogs dos dois! Evidentemente, não sou jornalista, e não sei como é o processo de produção de uma matéria e como o procedimento do blog da Petrobras estaria atrapalhando esse processo. Parece-me que esse blog é apenas um dos tantos empecilhos que os jornalistas têm que encarar ao fazer uma matéria, e não tem sentido reclamar tanto, mas sim ir atrás de como continuar fazendo um bom trabalho em uma nova realidade onde as empresas têm essa possibilidade de divulgar as perguntas e respostas sem a intervenção editorial do veículo de imprensa.

Se todas as empresas resolverem adotar essa prática, os jornalistas vão fazer o quê? Não perguntar mais nada para ninguém, nunca mais?

daniel em junho 8, 2009 11:04 PM


#104

Complementando -- não contradizendo -- o que disse o Daniel, lembremos que a Petrobras anuncia, sim, nas páginas da Veja.

Idelber em junho 8, 2009 11:07 PM


#105

Agora, peço licença prá dizer que, embora tenha curtido muito este post, as rasuras organização criminosa realmente passaram do ponto. Não atingem quem deveriam atingir – os conglomerados de mídia e seus manda-chuvas – e ofendem quem poderia estar apoiando a causa: jornalistas que trabalham nestes veículos de comunicação e estão muito, muito longe de serem criminosos. É uma generalização grotesca e um tiro no pé.

daniel em junho 8, 2009 11:12 PM


#106

Idelber,

eu e camila agora morremos de rir. Porque essa tal Helena fez essa mesma analogia alucinada no meu blog, a gente leu junto aqui e ficamos impressionados como não existe nem o mais tênue paralelo entre as duas situações pretensamente análogas.

Estava pensando se iria responder com escárnio ou grosseria, até que cheguei aqui e vi que ela falou a mesma coisa nos seus comentários, e já gritei pra Camila:

"graças a deus, a louca falou a mesma insanidade nos comentários do Idelber, ele mesmo vai demolir/destruir/achincalhar/etc* e eu não vou precisar falar nada, vou só assistir."

Dito e feito, claro.

A gente ganha pouco mas se diverte.

(*ficamos discutindo que verbo colocar aqui. demolir, na verdade, nem se aplica, pois só se demole algo que existe e fica minimamente de pé, etc.)

alex castro em junho 8, 2009 11:18 PM


#107

Ó, não é a coisa mais bacana do mundo publicar antes as perguntas de um jornal antes do próprio fazê-lo. Depois da matéria impressa não vejo problema.

De resto, assim como seu, o blog do RA é privado e a Petrobrás é uma empresa estatal. Um se mantém com o dinheiro próprio e a outra com o NOSSO dinheiro. A diferença é completa, não sei como você pode comparar.

Cassio em junho 8, 2009 11:19 PM


#108

André, eu trabalho na companhia. A Petrobras vem sendo extremamente transparente com o seu público interno, desde o início.

Diga-se de passagem, uma das minhas tarefas é cuidar de contratações (basicamente de serviços, no meu caso) e me espanta o desconhecimento da grande imprensa sobre o tema.

P.S. - Sou leitor antigo, mas nunca havia comentado. Convido, se não for demais, a uma visita ao meu blog - link no meu nome.

Pedro Migão em junho 8, 2009 11:22 PM


#109

teste... teste... estou sendo censurado! ;)

teste testando em junho 8, 2009 11:22 PM


#110

idelber, se seus blog continuar censurando meus comentários, eu vou concluir que a tese da helena está certíssima e que, a qualquer momento, vou encontrar o prospectus da minha tese publicado no Luso-Brazilian Review!!

o pobre orientando censurado em junho 8, 2009 11:24 PM


#111

Alex, seu pirado, explica que seu primeiro comentário ficou preso na caixa de junk porque continha link, senão daqui a pouco aparece um maluco dizendo que eu censuro comentários :-)

Idelber em junho 8, 2009 11:26 PM


#112

Cássio, a Petrobras não depende de um centavo de dinheiro público, ao contrário, é a maior pagadora líquida de impostos do país.

Pedro Migão em junho 8, 2009 11:28 PM


#113

sim sim. for the record aos loucos e alucinados, o sistema de comentarios bloqueou alguns comentarios meus e, pra testar, fiz um comentario sem o meu nome, endereco e url.... :)

o pobre orientando censurado, vulgo Alex Castro em junho 8, 2009 11:29 PM


#114

mas o meu comentario anterior, comentando a analogia ensandecida da tal da helena, continua sumido.

idelber, vê aí o que foi que eu fiz pra ofender o sistema de comentários. eu sei como são essas coisas. o sistema de comentarios do interney blogs, por exemplo, proibe uma serie de palavras... se o comentario de alguem contiver essas palavras, não é publicado MESMO e eu nem tenho como liberar manualmente....

o pobre orientando censurado, vulgo Alex Castro em junho 8, 2009 11:31 PM


#115

Pedro Migão, não afirmei que a Petrobras não é transparente. Estava apenas tirando onda com o Pedro, que chegou cheio de marra e depois mandou que eu fosse atrás de informações para corroborar as ilações dele.

André em junho 8, 2009 11:36 PM


#116

Liberado, Alex. Ele agora é o comentário #106. Tinha mesmo ficado preso na caixa de junk que, em definitivo, implicou com você. Quando acontecer isso, mande um email que eu libero na hora.

Idelber em junho 8, 2009 11:38 PM


#117

Só pra encerrar por aqui o off-topic do Extinção, fiz um post no meu blog pra ver se marcamos a discussão do livro.

Josaphat: ainda não há consenso no Partido sobre o dia 2 da Revolução. Só está confirmado mesmo a substituição da água pela Coca-cola nos bebedouros e fontes públicas.

Alexandre Nodari em junho 8, 2009 11:46 PM


#118

Eu acho inacreditável que jornalistas aparentemente honestos, ciosos de sua profissão, digam que a Petrobrás age de má-fé ou cerceia a liberdade do "furo", como se fôssemos Adão e Eva no Jardim do Éden, antes da maçã fatídica. A montanha de denúncias que não se sustentam até para quem não é da Petrobrás, que abarrotou os jornais, tevês, rádios, nos últimos 10 dias mais ou menos, com segundos de atenção às respostas do Gabrielli, ou a tal matéria paga caríssima no Globo semana passada,provam que a companhia tem toda razão de agir como está agindo. A solução para o Sérgio Leo e Pedro Dória seria publicar no blog depois da matéria sair a público? Isto é, depois do estrago feito, do escândalo repercutido no JN, no Jornal da Band, na CBN, no Jô, na Veja, etc., etc., e daí chegar à mídia estrangeira? É isso? A resposta do blog pintando como chororô de perdedor? E quem dá importância a chororô, a desmentido que provavelmente geraria desmentidos da mídia e novos desmentidos da companhia? É isso que eles querem? Muita inocência de uns, chororô de jornalistas que desta vez perderam. A lógica do blog é justamente impedir que o escândalo medre. Barrar a distorção antes que ele se faça. Simples assim.

Vera Borda em junho 8, 2009 11:47 PM


#119

Um leitor do meu blog comentou assim:

"Não há nada de ilegal, mas não é ético e abre um fosso entre a empresa e a imprensa."

Mas eu não sou da Petrobras, não sou da imprensa. Sou cidadão, leitor e eleitor. Qual é o problema de haver um fosso entre a imprensa e a Petrobras? Pq isso é mau?

Pelo contrário, eu acho que é do interesse da sociedade de modo geral que exista esse fosso. Prefiro uma imprensa que desconfie da Petrobras e uma Petrobras que desconfie da imprensa, com um enorme fosso entre eles, do que a existência de acordos tácitos e compromissos implícitos, de um enorme conchavo entre amigos, que, no fim da história, só vai servir pra favorecer os interesses tanto da imprensa quanto da Petrobras em detrimento do público e da sociedade.

Repare que não há maniqueísmo no que estou falando. Não presumo que a Petrobras é moralmente superior à imprensa. Essa é outra questão.

Então, deixa eu lançar a pergunta. Digamos que toda essa situação cave um enorme fosso entre a Petrobras e a Imprensa, ou, de hoje em diante, entre pautas e veículo de modo geral, promovendo uma enorme desconfiança entre eles, fazendo com os jornalistas tenham que pensar duas vezes antes de fazer suas perguntas.

Do ponto de vista da sociedade, por que isso é ruim?

alex castro em junho 8, 2009 11:53 PM


#120

Meus queridos,

Senti falta do óbvio, nesta longa discussão. Eis o óbvio:

A INFORMAÇÃO É PÚBLICA

Aliás, isso o pessoal da Petrobrás sabe muito bem, e é o fundamento do que fazem no blog. Eles escrevem:

"Com efeito, a relação entre a Petrobras e os veículos de comunicação que a interpelam é essencialmente pública. Neste contexto não há espaço para informação sigilosa, como o verbo 'vazar' utilizado no título pressupõe. Tanto as respostas da Petrobras são públicas quanto as perguntas dos repórteres também o são, ou deveriam ser."

O que importa é isso. Se algumas mídias, como o mimeógrafo e outras, precisam de uma volta inteira da Terra para publicar o que é público e pode ser imediatamente publicado por vias mais diretas e baratas, o que diabos temos a ver com isso?

Claro, isso pode perturbar a relação entre quem dá ao público o que lhe pertence e certos intermediários. Isso ocorre em qualquer negócio que tinha um atravessador, e o mesmo torna-se dispensável. Mas o público fica satisfeito ao receber o quanto antes o que lhe pertence, de modo que a coisa vale a pena.

É claro, também, que o público merece mais do que a informação que lhe pertence por direito. Ele merece análise inteligente, e a mesma aparece com mais destaque quando o público dispõe do máximo de informações, pois daí o público pode avaliar com mais cuidado e acerto o que é inteligente, e o que não é.

Enfim, o blog da Petrobrás é um marco. Vai incomodar atravessadores de informações, mas aqueles que usam os miolos surfarão nessa onda muito bem. Como boa parte dos melhores portadores de miolos trabalham em jornais e revistas, creio que esses se sairão bem, assim que deixá-los pensar e nutrir o público com idéias e conhecimento.

Cesar S. em junho 9, 2009 12:03 AM


#121

Show de bola. Babau. Força dos argumentos e da maioria imperando, em todos os espaços onde a matéria foi discutida com liberdade, inclusive no blog fake que imita o blog da Petrobras (onde, reconheça-se, os comentários não são censurados e, portanto, há uma proporção de 95% a 5% em defesa do blog Petrobras).

Jornalistas: reinventem-se, acordem ou o fim está próximo. Não adianta ficar choramingando, resmungando ai, assim não conseguimos trabalhar!, com esse mimimi patético.

Boa noite pra vocês, eu vou ler Plotino.

Idelber em junho 9, 2009 12:05 AM


#122

Caro amigo, concordo com você em alguns pontos, mas discordo na maioria. Acho uma ótima ideia a Petrobrás ter seu próprio canal de comunicaçao com a sociedade e, inclusive, usar isso para corrigir equivocos publicados na imprensa como fez com O Globo. No entanto, discordo totalmente quanto ao fato de a empresa publicar no blog as entrevistas antes que o próprio jornal solicitante. O mercado jornalístico tem tanta concorrência quanto qualquer outro e, muitas vezes, uma pergunta melhor formulada ou mais ousada de um repórter pode render uma informaçao que vai enriquecer a matéria ante o jornal concorrente. É essa destreza que faz com que os leitores prefiram o jornal x ao y. Ao publicar antes no blog, a Petrobrás intervém negativamente na meritocracia da imprensa, pois qualquer um poderá "pegar" as informaçoes buscadas por um só repórter sem ter trabalho nenhum. Além disso, fere todo o respeito mútuo que deve ser mantido entre jornalista e empresa/fonte. Nao sei como o gerente de comunicaçao da petrobrás aceitou ou sugeriu essa estratégia. Sobre o conceito de "off", nem entrarei no mérito, pois, ao menos pra mim, você girou em 180º o que é um "off" e deixou a explicaçao totalmente de ponta cabeça. Logicamente que os protagonistas dessa "peleia" (Folha, Estadao e Globo) tem seus pecados, mas isso nao dá a razao à Petrobrás de agir com esse desrespeito aos jornalistas. Ilegal nao é mesmo, mas é, no mínimo, deselegante!

Rafael em junho 9, 2009 12:06 AM


#123

Se um jornal descobre algo antes do outro, é um furo. Se a petrobrás sai na frente, é crime?

Me surpreendi com a nota da ANJ com acusações à petrobrás, honestamente, falta do que fazer.

Concordo com o Alex Castro, não é possível presumir que a "petrobrás é moralmente superior à imprensa" mas é possível presumir que a imprensa ficará apavorada com alguém a peitando diretamente.

Este blog e vários outros peitam, dão a cara ao tapa mas por trás temos só um homem (ou uma mulher ou até um grupo) de pessoas comuns, que tem poder de mobilização mas só.

Agora estamos falando de uma das maiores empresas do país! Que além de um blog ainda tem uma força absurda por trás que respinga ainda no governo do Brasil.

De fato, é algo que a imprensa tem todo o direito de temer e sem dúvida vai fazer de tudo para derrubar, para atacar, usando os argumentos de sempre, as armas de sempre, que devem ser desmontadas.

Se uma pergunta foi feita à Petrobrás, porque esta deveria ser "sigilosa"? O que obriga o sigilo? Aliás, pior ainda, porque o medo da imprensa desse suposto vazamento?

Falamos tanto na mídia precisando se modernizar, nos jornalões precisando entrar realmente na era da internet e vemos o contrário, o medo estampado, a "grita" contra publicação de perguntas em blogs, de respostas em blogs. Oras, se sequer a Petrobrás tem espaço garantido na ridícula seção de "cartas"!

Mas, consideremos por um instante que seja anti-etico a publicação prévia de perguntas, ok, mas o que tem demais então o Blog? Engraçado como a questão tomou proporções gigantescas, uma reclamação por uma supsota atitude ilegal/anti-ética e etc acabou virando um protesto ensandecido contra o direito da Petrobrás fazer um blog, ter uma ferramenta alternativa de divulgação. A grande mídia teme realmente atitudes supostamente anti-éticas (nas quais ela é mestre) ou teme realmente o fim ou diminuição da propaganda da empresa, da qual os jornaões vivem?

Raphael Garcia em junho 9, 2009 12:14 AM


#124

Fui no Magazine Luiza esse fim de semana e os vendedores estão p. da vida com os sites de venda pela internet. Fazer o quê? É o progresso.

André em junho 9, 2009 12:15 AM


#125

Idelber,

Vi na página do Pedro Dória, o artigo indicado pelo Sérgio Leo. Dali me chamou a atenção esse trecho:

"Se o único objetivo da Petrobras fosse realmente transparência, era muito simples resolver: publica perguntas e respostas logo após os jornais levarem ao ar suas informações exclusivas.

O pior que uma empresa de assessoria de imprensa pode fazer para seus clientes é perder a relação de confiança com repórteres e editores. Essa confiança, afinal, é o que a sustenta. Lição básica que quem é do ramo conhece. Se pode fazer algum sentido a curto prazo – os suspeitos de sempre vão elogiar, afinal – a médio e longo prazo, tem gente arruinando a própria reputação.

Mas esta é uma questão acessória."

Não sei... Acho que essa não é uma questão acessória. Na verdade, essa me parece ser a questão central.

Será que a perda da relação de confiança é algo que deva ser (ou seja) de interesse apenas da empresa de assessoria de imprensa? Os repórteres e editores não terão, também, necessidade dessa relação de confiança?

Acontece que essa relação de confiança tem sido rotineiramente minada quando repórteres e editores violam a regra básica de publicar os fatos e publicam a malversação dos fatos. Ou quando, pelo menos, deixam passar essa imagem. Sendo certo, em qualquer hipótese, que o blog da Petrobrás e a aprovação que vem obtendo são prova de que, para muitos, essa confiança já se perdeu.

A relação entre o entrevistador e o entrevistado não é mais - deixou de ser há muito tempo - marcada pela confiança. Ela é resultado da desconfiança e do exercício de um poder por parte do jornalista, que aparenta conceder ao entrevistado o direito de ser ouvido sobre acusações que vão ser publicadas contra ele.

Esse poder nasce de diferentes fontes. Às vezes, como no caso da Petrobrás, da obrigação que tem o Poder Público de garantir transparência e informações verazes e confiáveis; outras, da ameaça que paira sobre o entrevistado: a matéria será publicada de qualquer modo, portanto, é melhor que o seja com sua defesa. Que o tom da matéria transforme o inocente em um culpado que nem mesmo a absolvição judicial permitirá reconhecer, não tem importância nenhuma para quem se vale desse poder.

Pois bem, se alguém se vale contra mim, de um poder que me reduz e submete será realmente que se possa exigir de mim que, quando tente me defender, deva fazê-lo de acordo com um código que insinua que defender-me rompe a relação de confiança que devo ter com meu opressor?

Porque, sim, o repórter ou o editor se vale desse poder e oprime. Se respondo, sujeito-me a ter minhas respostas manipuladas e ser lançado à condição de culpado, garantido apenas o direito de espernear e sair desdizendo a acusação já lançada ao solo fértil da credibilidade pública. Se não respondo, ganho também a condição de culpado garantida pela publicação da nota esclarecedora de que, procurado, neguei-me a responder ou não fui encontrado, o que já me dá a característica de evasivo e temeroso.

A relação entre entrevistador e entrevistado não é uma relação de confiança. Pode até vir a ser, em muito determinadas circunstâncias. É, em geral, uma relação de poder. E é essa relação de poder que está em jogo, na verdade, quando se diz que ao entrevistado está garantido o direito de divulgar, depois que o faça o jornalista, as perguntas e as respostas.

O direito de defesa, de legítima defesa, não exige de mim que aguarde que o primeiro golpe seja desferido por meu agressor. A ameaça de uma violência não exige de mim que, para me defender aguarde a agressão se efetivar. E nesse sentido  a publicação das perguntas e respostas como o faz o blog da Petrobrás tem absoluta propriedade porque garante ao repórter a obtenção das informações, ao tempo em que dificulta seu desvirtuamento. Tira do jornalista, é verdade, a totalidade do poder, que passa a ser dividido com o entrevistado.

Pode-se dizer que esse "poder do entrevistado" seria, na verdade, a divulgação de informações obtidas pelo jornalista. Longe disso. Afinal se a publicação das perguntas se presta a divulgar informações que foram obtidas anteriormente pelos jornalistas isso implica afirmar que o jornalista não teve a competência para formular as perguntas de modo a não vazar o que já obteve.

Haverá vezes, também, em que o jornalista julgue interessante dar a conhecer ao entrevistado alguma informação, para que seja comentada. Mas é nesse caso que se poderá falar com propriedade de uma relação de confiança, já que anteriormente deverá o jornalista avaliar o grau dela que possa ter em relação ao entrevistado e com ele esse compromisso de sigilo da pergunta. O entrevistado poderá, mesmo nesse caso, divulgar antecipadamente o conteúdo da pergunta e as respostas, violando o pacto? Claro! Mas também Diogo Mainardi se gaba de estabelecer com o entrevistado o compromisso de preservação da fonte já decidido a violá-lo.

Ao retirar do jornalista parte de seu poder de oprimir o entrevistado, o blog da Petrobrás não nega a necessidade dessa relação de confiança, mas traz a novidade de permitir uma repactuação geral do que podem vir a ser esses vínculos entre entrevistados e entrevistadores, entre jornalistas e assessorias de imprensa. Mais do que colocar em risco a credibilidade dos jornais e dos jornalistas, portanto, o blog aponta caminhos para a retomada dessa credibilidade já perdida.

Aton Fon em junho 9, 2009 12:21 AM


#126

SLeo,
Meu respeito por vc vir aqui dar a cara a tapa. Mas veja bem, cara, vcs estão apanhando no próprio blog.
O que me admira é vc, um cara tarimbado, fingir que não vê o que está em jogo, o que levou a Petrobrás a "quebrar o pacto".
"Pactos" são feitos, no mínimo, entre duas partes. Se um rompe, o outro não é obrigado a cumprir. A empresa não revela as perguntas e a imprensa faz uso isento das informações.
Sendo assim, o que fez o Globo, deturpando a reportagem e obrigando a Petrobrás a comprar espaço para publicar seu direito de resposta não foi a verdadeira quebra do "pacto"?
E o que vc chama de jornalismo responsável? A entrevista do professor que que teve seus "argumentos distorcidos" para uma "acusação" à Dilma e que teve direito de resposta negado pela Folha?
A série contra a UFMG que teve os "argumentos" do reitor "distorcidos" e direito de resposta negado pelo Estado de Minas?
O Idelber foi no ponto: o que era para ser uma um assunto banal, virou um marco na história da imprensa brasileira. A saturação é tal com o comportamento da mídia que a Petrobrás virou o Joaquim Barbosa da Web.
Por fim, então, fica a sugestão: Saia às ruas Sérgio Leo!

Antônio César em junho 9, 2009 12:24 AM


#127

Prezado Avelar
belo artigo, por isso tomei a liberdade de copiá-lo no meu blog http://blogdeumsem-mdia.blogspot.com
sds carlos dória

carlos augusto a. dória em junho 9, 2009 12:41 AM


#128

“Rodrigo Guedes, se a Petrobras publicasse a posteriori as mesmas informações, o jornalista sujo se dana e o limpo, não.”
Pedro Doria, eu até entendo o que tu queres dizer. Mas volto ao mesmo ponto: o que justifica esta iniciativa da Petrobrás não é a tese de que OS JORNALISTAS são sujos. Mas a constatação de que certas EMPRESAS JORNALÍSTICAS, que operam um esquema sujo em conjunto, como partidos de oposição, elegeram a Petrobrás como alvo. Isto faz uma enorme diferença: enquanto o blog estiver publicando a posteriori todas as informações que permitirão a revelação de uma farsa, a próxima armação, bem amarradinha, já estará na capa. Ou não faz diferença?
Eu também estou convencido de que há algo de errado com a publicação prévia. Mas me parece absurdo ficar pensando na questão em abstrato e ignorar a situação concreta. Hobbes: se há um pacto de confiança, ele deve ser obedecido por agentes racionais que o reconhecem como mutuamente vantajoso. Quem desobedece está errado. Se não há, não há dever de obediência. Quem, na ausência da condição de reciprocidade, obedece as regras de um pacto que já foi para o espaço, abrindo mão do seu direito à autodefesa, é irracional, não passa de um babaca suicida.

A publicação prévia dificulta a vida dos jornalistas? A vida na selva é fácil pra quem?

Rodrigo Guedes em junho 9, 2009 1:02 AM


#129

Aliás, se me permite, tentei colocar minhas idéias sobre a questão em meu blog, tentando tirar algo da discussão entre você, o Dória e o Leo. Seria demais para postar aqui!=)

http://tsavkko.blogspot.com/2009/06/petrobras-o-fim-da-midia.html

Raphael Tsavkko Garcia em junho 9, 2009 1:02 AM


#130

Caro Idelber,
Eu tava achando o clima aqui meio persecutório pros jornalistas. E isso me doía um pouco, pq venho de uma família que trabalhou (e trabalha) bastante nisso.
Mas depois do que o Aton Fon escreveu eu calo minha boca pra comer feijão e farinha. Uma das coisa que meu pai me ensinou foi entender que quando alguém fala tudo o q vc queria dizer, vc pode ficar quietinho no canto.
[]s
Mario Abramo

Mario Abramo em junho 9, 2009 1:14 AM


#131

Caro Mario: é uma honra ter um Abramo aqui. Alegro-me muito de que o comentário do Aton Fon tenha expressado o que você pensa -- é o que eu penso também, embora meus cacoetes retóricos sejam mais, digamos, incendiários.

Eu sei que a época é braba para vocês. Mas noto que, da revolta que explodiu quando a tampa do caldeirão foi levantada, nenhum jornalista parecia ter notícia. Cabe a nós todos encarar este contexto novo de forma a aprofundar a democracia. O que me parece patente é que os jornalistas que, individualmente, não refletirem mesmo sobre os vícios produzidos pela concentração do poder de mídia no Brasil serão atropelados pela história. É só uma constatação.

De novo, obrigado. Reitero: é uma honra receber a visita de um Abramo.

Idelber em junho 9, 2009 1:23 AM


#132

Porque é tão bonito entre os jornalistas brasileiros ser tão entreguistas? Achei uma vergonha o comportamento dos jornalistas no Roda Viva, criticando a defesa do aumento do recebimento do governo brasileiro no pré-sal e o desenvolvimento da de uma indústria brasileira de plataformas. Queria que a "opinião pública" brasileira tivesse 10% do nacionalismo americano. Nacionalismo aqui é considerado careta, antiquado e algo digno de vergonha.

Bruno em junho 9, 2009 1:24 AM


#133

Fica parecendo que somente o "furo" interessa ao jornalista. É tudo pra hoje, pra ontem, chegar na frente. E não tem mais análise, pensar, pensar, associar coisas, refletir, buscar outras informações, entrevistar de novo, estudar o assunto, e depois de tudo isso, publicar a conclusão. Não vejo mais jornalistas especializados em assuntos. Ah, os jornais de hoje não tem tempo a perder em matérias de fôlego, trabalhos de uma semana, quinze dias. Os jornalistas têm de mostrar serviço rapidamente. Rapidez é para os blogs, para a Internet. Com esses novos instrumentos não dá para jornalismo apressado competir. Não sou jornalista, já fui. Posso estar dizendo bobagem, mas acho que uma boa matéria de fôlego, bem pensada, vale o investimento em comprar o jornal. Ou a revista.

Vera em junho 9, 2009 1:27 AM


#134

vera,

quando as declarações e releases da Petrobras (ou de qualquer outra empresa) estiverem abertas e disponiveis na internet, aí sim é que o bom jornalismo vai fazer diferença. Nesse momento, os leitores vão procurar a imprensa não para saber o que a Petrobras tem a dizer (pra isso, existe o blog da Petrobras), mas para ler uma analise inteligente, articulada, profunda, opinativa, informativa. Se a moda pega, quem vai sumir vão ser os jornalistas repassadores de releases e quem vai prosperar vão ser os jornalistas que sabem ir além das declarações das fontes e fazer verdadeiras matérias de peso.

alex castro em junho 9, 2009 1:31 AM


#135

Em vez de escrever um comentário sobre o caso, vou deixar aqui um link para as minhas observações:

http://trasel.com.br/blog/?p=166

Acho importante não confundir os textos no blog da Petrobras com a verdade sobre o caso, em contraposição ao que é publicado na mídia. É mais um campo de luta pela opinião pública, que por acaso tem o mérito de permitir ao cidadão verificar se os jornalistas estão fazendo bem o seu trabalho.

Träsel em junho 9, 2009 1:57 AM


#136

Não sou um apreciador de ditados, porque tendem à simplificação, à generalização, quando não à obviedade e à idiotização. Contudo, aprendi que em certas situações, determinados ditados funcionam à perfeição. Neste caso, como resistir ao seguinte comentário e ao ditado que se segue: jornalistas, não todos, e grandes veículos de mídia, por que estão tão preocupados, tão apreensivos, tão temerosos? Afinal, "quem não deve, não teme", não é mesmo?

Ao fim, parece-me que tudo o que resta a ser dito à maioria dos jornalistas e à grande mídia é: sorry, periferia! Periferia, sim, porque vocês estão se tornando, ou já se tornaram, a periferia – aquilo que está afastado, distante, do centro – das novas formas de comunicação.

Fabiano em junho 9, 2009 2:19 AM


#137

Ok... Não existe sigilo de perguntas. Não é ilegal nem antiético publicá-las (P. Doria). Então qual o problema? “Só pode dar publicidade depois de apanhar.” Ahh, bom!

Olha, se a pauta é boa, não é a sua publicação antecipada que irá destruí-la. Se é só reprodução de informação oficial, muito provavelmente não é tão boa assim. A não ser que se queira fazer assessoria de imprensa, né não? Acho que esse tipo de informação compõe a estrutura da notícia, encorpa a boa pauta e não rende o furo. A boa pauta aprofunda uma questão ou a vê sob um ponto-de-vista interessante, peculiar. O furo vem do porão, das entranhas, do suor. Tem que correr atrás. Cadê o Garganta, pô? Esse não sacaneia jornalista.

“Mas tá errado porque a Petrobras não seguiu um código jornalístico” (não difundido até então, diga-se de passagem). E porque teria que segui-lo? A Petrobras produz petróleo, não informação, faz negócios, não filantropia. Nada mais natural que defenda seus interesses. Já se encontra na arena do adversário e ainda tem que lutar com as regras urdidas por ele? E que pacto é esse? O cara entra com o pau e você entra com o cu? (mil desculpas). Pacto bom é de amizade. De não-agressão, vá lá.

A Petrobras tem site e poderia muito bem usá-lo pra publicar os desmentidos, informações e tal. Poderia continuar implorando direito de resposta, oferecendo sua versão por meio dos porta-vozes e apenas isso. Mas criou um blog, criou um fato. Subverteu a relação com a imprensa, outro fato. Porque deveria ficar sempre na defensiva? Nego tá puto porque se mostrou os ingredientes do bolo. Se vierem com uma salsicha não vai colar. Ou faz um esforço pro bolo ficar gostoso com o que se tem ou procura farinha em outro lugar.

Pode até parecer que defendo incondicionalmente a Petrobras. Não é isso. Defendo o direito de defesa, usando meios legítimos, o que considero ser o caso.

Discordo, infelizmente, do Pedro Doria e do Sergio Leo, dois jornalistas que moram no meu favoritos. Os borrchevique estão chegando, mas vocês, e muitos outros, serão poupados.

Abraço e desculpem as patacoadas. É apenas a minha opinião.

xand em junho 9, 2009 2:22 AM


#138

E o Jornal da Globo se dedicou a atacar o blog da Petrobras. É a primeira vez que vejo isso. Um telejornal do maior grupo de mídia da América do Sul atacando um blog.

Depois não entendem por que quase ninguém acredita mais neles.

Idelber em junho 9, 2009 2:23 AM


#139

Caro Idelber,
Bão, não sou jornalista. No limite, sou apenas um jóquei de terminal (ou desentortador de bit, escovador de SIMM, ou qq coisa parecida: apenas uma área cinza do conhecimento conhecida como profissonal de TI).
Sequer me considero um "Abramo" típico. Mas partilho um pouco da enkhikhlos paideia dessa turma.
Vivi alguns episódios. Daí respeitar os Fons. Daí ser tb um pouco carbonário.
Nesse caso, a honra é muito mais minha de vc destacar e responder um pequeno pitaco.
[]s
Mario Abramo

Mario Abramo em junho 9, 2009 2:41 AM


#140

O comentário 6, do João Vergílio, é fenomenal. Simples, de uma precisão cortante.
Parabéns, João. Parabéns, Idelber.
É um dos grande momentos da internet brasileira.

Alberto em junho 9, 2009 2:43 AM


#141

Se os três jornais, Estadão, Folha e Globo, deixassem de circular amanhã, creio que não fariam nenhuma falta ao Brasil. Em minha opinião, o país respiraria aliviado. Surgiriam outros jornais, sem historico com a ditabranda, mais analíticos, mais moderados e prudentes em suas opiniões, com repórteres mais especializados, com colunistas mais interessantes. Agora, se a Petrobrás desaparecesse do mapa, teríamos um país devastado. É um fato que o Brasil depende da Petrobrás, para ter energia fóssil, energia verde, para refinar, para investir em cinema. A Petrobrás é uma empresa em ascenção, enquanto essa imprensa que está aí (não confundir com a instituição imprensa; falamos de uma imprensa historicamente comprometida com valores não democráticos, uma imprensa arrogante). Se a imprensa é tão moderna, dinâmica, porque se sente tão afetada por um blog? A imprensa não tem seus blogs? O Noblat não divulga notícias inteiras na madrugada, antes dos jornais circularem? Andei lendo comentários em diversos blogs, aqui, no Dória, no blog da Petrobrás, e realmente é impressionante o massivo apoio à iniciativa da estatal. E são comentários sensatos, consistentes, sólidos. E mesmo os insensatos são tão engraçados, tão autênticos, que não lhes desvalorizo por serem menos politicamente corretos. Democracia é isso, é a voz do povo. O sufrágio é apenas uma forma de apurar a vontade do povo. A internet é outra forma de identificar esse desejo de onde deriva todo poder em uma república. Não, Dória, não dependeremos do blog da Petrobrás para termos informações da Petrobrás. Teremos blogs especializados para fazer isso - e garanto que seremos bem melhor informados do que ler matérias capengas na grande imprensa.

Miguel do Rosário em junho 9, 2009 2:51 AM


#142

Ah, Idelber, o JN atacou o blog da Petrobrás, mas o presidente da ABI, Maurício Azedo (um cara que já rendeu boas manchetes com suas declarações antigovernistas), seguramente os decepcinou ao afirmar que a Petrobrás tem todo o direito de divulgar o que lhe aprouver, enfatizando que se trata de uma empresa de grande importância para o país e que, por isso, deve mesmo estabelecer uma relação transparente com todos os brasileiros, inclusive e principalmente com aqueles que não podem ou não querem comprar o Globo.

Miguel do Rosário em junho 9, 2009 2:56 AM


#143

Caramba!
mandei meu comentário e depois li o do Aton Fon.
Disse tudo o que eu gostaria de ter dito. E mais. E muito melhor!
Parabéns!

xand em junho 9, 2009 3:07 AM


#144

O assunto é sério, mas está muito engraçado ler o chilique da FSP, O Globo, Estadão, ANJ e alguns jornalistas blogueiros.
:-)

claudia cardoso em junho 9, 2009 3:14 AM


#145

A queda da lei de imprensa levou consigo a proteção ao sigilo da fonte enquanto lei, para além de acordo tácito.

Fico aqui imaginando se, na votação de uma futura lei de imprensa, o caso "blog da Petrobrás" não fará o poderoso lobby dos grandes veículos se mexer em prol da regulamentação do tal "sigilo do jornalista"?

Gabriel Figueiredo em junho 9, 2009 3:21 AM


#146

O Nassif acaba de postar (+) uma acusação contra o Gravataí Merengue. Vale a pena espiar.

Fui ao blog do indigitado (Imprensa Marrom) e o homem está botando os pés pelas mãos:

"Por favor, peço ENCARECIDAMENTE QUE SEJA DITO A TODOS QUAL FOI O MEU JOGO SUJO. Sério, é o mínimo que mereço. Se sou acusado de algo, ao menos diga QUAL A ACUSAÇÃO....
Fiz um blog? Qual blog? Vamos debater o conteúdo do blog? Eu topo".

Ele topa discutir o conteúdo de um blog que não fez! Ré ré ré...

Emílio em junho 9, 2009 3:57 AM


#147

nota que eu publiquei no meu twitter de hoje:

sinistro, o jornal O Globo de hoje (terça-feira 9 de junho) é inteiramente voltado para atacar o blog da Petrobrás, na capa, editoral e matérias. sentiram no figado.

Miguel do Rosário em junho 9, 2009 8:43 AM


#148

Placar do jogo: Petrobras 4 x 0 mídia dos filhinhos herdeiros do cidadão Kane.

Sérgio Lamarca em junho 9, 2009 8:50 AM


#149

Por mais simples que seja, o blog da Petrobras é um marco. Pela primeira vez um grande personagem (no caso, um gigante) utilizou-se da blogosfera para rebater uma campanha difamatória da mídia.


Eu digo "blogosfera", e não "blog", porque o blog não seria nada sem a repercussão.


Aqui estão os meus comentários, em meu próprio blog (que iniciei por influência do Biscoito Fino e a Massa, blog do Nassif, e tantos outros):


http://capitao-obvio.blogspot.com/2009/06/imprensa-nao-gostou-do-blog-da.html

Capitão Óbvio em junho 9, 2009 9:38 AM


#150

Bom dia a todos.

Coloquei um texto no meu blog comentando a grande ironia que é, neste caso, ver a imprensa defendendo a censura:

http://pedromigao.blogspot.com

André, me desculpe, achei que o Pedro em questão era eu.

Pedro Migão em junho 9, 2009 9:50 AM


#151

Essa história toda foi um marco também para a blogosfera, que estava se deixando levar pela sarjeta da massificação.

Foi o uso mais temido pela imprensa que se poderia fazer da ferramenta, o que obviamente explica porque anos atrás o mesmo grupo que hoje combate o blog da petrobrás comparou blogueiros a macacos. Eles sabiam no que ia dar e tentaram combater.

Ninguém dá ponto sem nó.

Dragus em junho 9, 2009 10:26 AM


#152

Prezado Gabriel, a proteção ao sigilo da fonte continua válida, independentemente da revogação da Lei de Imprensa. E passa muito bem, obrigada. Está inscrita no art. 5º, inciso XIV, da Constituição da República: "é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional". A propósito, a leitura atenta - e a desatenta também - da primeira parte desse inciso - "é assegurado a todos o acesso à informação" - demonstra indubitavelmente que o direito irrestrito à informação - salvo em casos excepcionalíssimos, no intuito de proteção a direitos ameaçados - confere à Petrobrás plena liberdade para proceder como está procedendo.

Fabiano em junho 9, 2009 10:51 AM


#153

Acho que o argumento da cortesia entre assessoria de imprensa e imprensa é ruim, pois:

1 - A informação é pública (fato)
2 - Por muito tempo, se fazia a cortesia de dar a informação que é de todos apenas para a imprensa (fato)
3 - Agora não se faz mais isso (fato recentíssimo)
4 - E daí? Bem, e daí que aos jornalistas, resta agradecer pela cortesia passada, mas não cabe queixa sobre a situação atual. Simples assim.

Cesar S. em junho 9, 2009 10:55 AM


#154

Não entendo porque investigar uma empresa pública com uma prerrogativa do Congresso é "atacar" a Empresa. O PT junto com alguns procuradores que desapareceram era mestre nisso. Pimenta nos olhos dos outros é refresco, né?

Calvin em junho 9, 2009 11:47 AM


#155

Adeus Farsa de São Paulo, o gLOBO, bEstalhão e bEstaminas, inVeja e outros menos votados.
A FAB também publicou um desmentido no seu blog, acho que foi de matéria da F.S.P., só que não consigo acessar, será que tiraram a matéria?

João Aguiar em junho 9, 2009 11:52 AM


#156

O argumento dos jornalistas contra o blog é que ele publica uma informação exclusiva antes de ela virar reportagem, durante a fase de apuração. Assim, a Petrobras 'fura' um jornal ao tornar acessível à concorrência esta informação exclusiva. Agora, a parte que eu não entendo: por que a concorrência não apura esta informação no momento em que ela se torna pública? Não funciona assim com um monte de assuntos: uma revista dá uma notícia e os jornais repercutem? E se essa informação exclusiva é uma denúncia contra a Petrobras, isso quer dizer que a empresa está impedindo a imprensa de trabalhar divulgando para todos -- não só repórteres de veículos concorrentes mas todo mundo que tem acesso à internet -- indícios de irregularides cometidos e sua versão sobre eles? A pauta não passaria a ser o desmonte desta versão, então?

Saladino em junho 9, 2009 12:26 PM


Raphael Garcia em junho 9, 2009 12:42 PM


#158

idelber:
sou leitor compulsivo do blog da petrobrás.ótimo.
romério

romério rômulo em junho 9, 2009 12:54 PM


#159

Idelber,

Vi a tentativa de inquisição ontem no Roda Viva. O que é curioso são as generalizações apresentadas e desmentidas facilmente como a dos 1.050 jornalistas.

Todos falam sobre aparelhamento da Petrobras. Sou funcionário público do município de SP, e posso afirmar que sempre idependente do governo (partido) em exercício. Afinal, todos os partidos precisam pagar seus favores eleitorais de alguma forma. É comum ao governo do PT criar e lotar de pequenos cargos em comissão diversas áreas do governo. A sua base eleitoral é o "povão", como dizem.

O PSDB remove esses cargos e cria 4 de altíssimo escalão para empregar seus aliados industriais e intelectuais ao mesmo custo das centenas de cargos extintos.

O PP (do Malufão) não dá novos cargos a ninguém, os repassando aos funcionários de carreira, mas terceiriza tudo que pode (e não pode) e contrata empreiteiras a preços absurdos.

Em suma, cada uma aparelha os órgãos públicos como lhes convém.

Marcello Rocha em junho 9, 2009 2:53 PM


#160

Caros,

Gostei bastante do texto do Marcelo Träsel, cujo link está no #135. No calor do confronto, há um risco de tomar o site da Petrobrás como fonte absolutamente segura, quando, no fundo, trata-se de um veículo institucional.

Formalmente, não haveria aí qualquer avanço na comunicação social. O avanço, como afirma o Träsel, é essa multiplicidade de fontes disponíveis ao público. Fontes que devem ser bem entendidas, e lidas criticamente, como sempre.

Mas o meu comentário, na verdade, vem motivado pelo seguinte: por mais que eu concorde com o Sérgio Leo, quando ele defende que o jornalismo não pode ser rechaçado como um todo, posto que há bons profissionais (sou jornalista, e concordo com ele), é difícil não aceder à indignação do Idelber, depois de ler um texto como esse da Folha On Line:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/kennedyalencar/ult511u578733.shtml

Abraços.

Rodrigo Cássio em junho 9, 2009 3:36 PM


#161

Pacíficos e ordeiramente (demais pro meu gosto) temos engolido por décadas a grande mídia oficial.
Mas agora... tcharan! O mundo girou e formas mais democráticas de informação e (pânico!) discussão surgem.
E cada vez menos pessoas engolem quietinhas.
Vão buscar legislações que as protejam, vão buscar argumentos que as justifiquem. Claro que vão. Mas sei não...
Acho que o mundo vai continuar a girar.
Parabéns pelo texto.

Lili em junho 9, 2009 4:09 PM


#162

Texto muito bom, excelente, parabéns. Só alguns jornalistas do a folha, veja, globo, etc, não persebem que eles e suas arrogãncias de se darem o título de formadores de opinão já eram. Perderam o monopólio, não podem mais inventar, mentir.

E a rede está se estendendo velozmente, por exemplo, não conhecia esse blog que foi citado pelo Jornalista Leandro Fortes("J" com maiúsculo, tanto é que estar sendo preocessado por gilmar mendes, mas nada grave, o "ministro" perderá mais uma, só que não se manca). Antes reclamam do dinheiro público que não mais chega com na era de FHC. Agora perderam de vez. Jornal imprenso só aos domingos para se lê classificados, e olhe lá.

Dalvo em junho 9, 2009 4:27 PM


#163

Ildeber
Além do blog da Petrobrás ,o da FAB foi uma agradável surpresa.Está lá a cobertura do vôo 447 e os serviços da FAB por este país.
http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php

Nana em junho 9, 2009 5:04 PM


#164

O mais incrível (isso que é corporativismo) é que o texto do Kenedy Alencar (#160) é idêntico aos discursos do Sérgio Leo e do Pedro Doria. Dói, mas estes dois estão perdendo agora muitos leitores e terão que se contentar com os salários do PIG apenas, no futuro próximo.

Orlando em junho 9, 2009 5:51 PM


#165

Olá Idelber e leitores,

O que está acontecendo atualmente é a possibilidade de discussão de práticas que se tornaram corriqueiras no meio jornalístico não pelo mérito que existe nelas, mas sim pela possibilidade que contêm de gerarem fatos escandalosos, que provocam notícias sensacionalistas e fazem o jornal vender feito água.

Quantas vezes, quando era repórter na redação do jornal, nós, jornalistas, discutíamos formas de lançar "pegadinhas" aos entrevistados para que eles falassem precisamente aquilo que queríamos ouvir. Assim, contactávamos as assessorias de imprensa para lançar perguntas cujas respostas, imaginávamos, fossem preencher lacunas no discurso que já tínhamos prontos dentro da redação.

Obviamente que dentro da redação a gente não usava esses termos (pegadinhas, etc.), pois tínhamos uma sutileza na forma de falar e agir, como se fôssemos mesmo os portadores das informações objetivas e imparciais. É assim que a máquina de vender jornal da mídia gorda age para, na surdina e na sutileza, engalobar o leitor e manipulá-lo. A atitude da Petrobras quebrou essa lógica e fez o feitiço virar contra o feiticeiro.

Caro Sérgio Léo, me desculpe, mas sua defesa da ética jornalística é ridícula. Existe um jogo entre os políticos e a grande imprensa de plantar notícias. O que um jornalista pergunta a uma empresa é uma informação de interesse público, assim como as fitas de gravações de grampo que a mídia adora explorar antes do término da investigação a que diz respeito.

Um grande abraço a todos.

Paulo Morais em junho 9, 2009 6:52 PM


#166

Aliás, Paulo, o Sergio Leo acusa a Petrobras de desespero, mas escreve 5 posts em menos de 24 horas, ritmo que jamais adotou em seu blog. Os post têm uma sintaxe e uma prosódia que, se indicam qualquer coisa, é justamente .... desespero! Qualquer pessoa que tenha feito um mínimo de análise linguística na vida, olhando os textos do blog Petrobras e os textos do Sergio Leo, não terá dúvidas sobre quem está desesperado.

Sergio, meu queridón! Relaxa. Dá um passinho pra trás. Fica uns dois dias sem escrever. Respira fundo. Leva a Marta pra jantar. Depois dá uma olhada em tudo com distância. Está começando a ficar feio.

Idelber em junho 9, 2009 7:04 PM


#167

Idelber,
Já viu o texto do Leandro Fortes?
Pra mim, melhor repórter da atualidade.
Show de bola. Sem comentários.

xand em junho 9, 2009 7:43 PM


#168

Vi. Eu estava me preparando para tuitar a frase: "Leandro Fortes, que é jornalista de verdade, não tem medo do blog da Petrobras".

Mas aí começaram a chover bombas na USP e a prioridade mudou.

Idelber em junho 9, 2009 7:46 PM


#169

Sobre o texto do mercenário Kennedy Alencar eu só posso copiar o que coloquei em meu blog:

"Para além da discussão entre o Idelber, o Dória e o Leo, vale à pena rir um pouco do desespero da grande mídia.

Primeiro, o desespero da Folha, que resolveu usar todas as suas armas e atacar até com colunistas, o que, no caso em tela, funcionam como mercenários contratados para atirar.

Vejam o exemplo do Kennedy Alencar, da Folha online aqui e tirem suas conclusões.

Vejamos alguns trechos:

"Apesar de ser usada politicamente pelos governos de plantão, a Petrobras é um caso de sucesso empresarial."

Leia-se: O PT é ruim, usa a Petrobrás para seus interesses.

"Por isso mesmo, é incompreensível a decisão da empresa de criar um blog para jogar na rede mundial de computadores questionamentos e observações de jornalistas antes que as reportagens sejam publicadas. Numa empresa privada, o gênio responsável seria demitido."Leia-se: Vamos privatizar a Petrobrás! E o Tucanato quase tem um orgasmo!

"A decisão da Petrobras é antiética e burra. Simples assim."

Até o Dória já afirmou não existir nada de antiético na criação do blog e na divulgação das perguntas. Mas não se entendem mesmo! Claro, não quero colocar o Dória ao lado do PIG mas neste ponto ambos estão contra a Petrobrás e seu blog. Aliás, voltnado ao Alencar, simples assim, quem não tem argumento termina suas frases usando afirmações jogadas, chama de burro e ponto final.

"Quando um jornalista procura a empresa antes de publicar a reportagem, dá a ela a chance de corrigir erros, precisar informações e até de matar uma pauta que não para em pé. "

E também procura distorcer as respostas, omitir o que não interessa à linha editorial golpista da mídia... Serve para manipular, inventar, distorcer... Lembram-se do caso da ficha criminal falsa da Dilma, na mesma Folha do digníssimo Alencar?

"A imprensa erra? Erra. A imprensa está cheio de estúpidos? Está. Há parcialidade em alguns veículos? Inegável. "

Parabéns, disse o óbvio! Que tal ainda afirmar que seu próprio veículo é parcial? Aliás, vejam só ainda a piada da imparcialidade na mídia....

"No entanto, a imprensa brasileira vem melhorando o padrão de seus procedimentos. A decisão da Petrobras quebra uma relação de confiança, digamos assim, necessária à liberdade de imprensa e ao direito de a empresa expor o contraditório. "


A piada pronta do dia (mais uma, a Telefónica saiu na frente junto com a ANATEL)!

Ditabranda, ficha falsa de Dilma... A Imprensa vem melhorando? Em que? Onde? Só eu não vejo essa "melhora"?

Vamos aos argumentos deste trecho:

1. Quebra de confiança.
Que confiança? Depois de ser atacada e vilipendiada a Petrobrás abre um blog para poder se defender dos ataques da imprensa e esta mesma imprensa fala em confiança?

2. Liberdade de imprensa.
Oras, não é o que a Petrobrás faz? Usou sua liberdade para criar um blog e a liberdade de imprensa apra publicar sua visão dos acontecimentos e se defender dos ataques.

3. Direito de a empresa expor o contraditório.
Bem, se é um direito então a empresa pode abrir mão. E, para além disso, a empresa preferiu desmascarar o PIG diretamente. Qual o problema nisso?

"Jornalistas serão desestimulados a procurar a Petrobras e a abrir o sigilo de suas informações."

Tadinhos!!! Dá uma pena!

Mais: algumas informações não precisariam, necessariamente, ser checadas com a empresa. Se o jornalista tem segurança de sua informação, pode e deve publicá-la. Se errar, arcará com o ônus. Mas a boa prática jornalista recomenda ouvir o outro lado. Em casos de suspeita de corrupção, é obrigatório oferecer o direito de defesa. Mas essa oferta poderá ser feita de forma limitada a fim de a preservar informações do jornalista.

Reparem bem no " algumas informações não precisariam, necessariamente, ser checadas com a empresa", na liberdade para a manipulação, achismo e deturpação!

E, quem arcará com o ônus? O jornalista, como o Otavinho que diz Ditabranda a torto e a direita e nad aacontece além de uma mea culpa do Ombudsman? FAça-me o favor, é hipocrisia demais junta! Este colunista deve ter sido MUITO bem pago para conseguir escrever tanta abobrinha ao mesmo tempo!

"A imprensa e a empresa perdem, mas quem perde mais? Sem dúvida, o público. "

É mesmo? Porque? Por não precisar mais confiar cegamente na imprensa golpista e poder ter outra fonte d einformação? Será que quem vai sofrer não é o PIG que perde seu monopólio da verdade?

"É pura cascata falar em transparência. Transparência haveria se a Petrobras esperasse a publicação das reportagens. Se a empresa se sentisse injustiçada, poderia expor os bastidores da troca de informações com a imprensa. "

Mais engraçado ainda.... A Petrobrás divulgar seu lado não é transparência.... O que seria então? E, se injustiçada a empresa esperaria a boa vontade da Imprensa fazer uma notinha num canto de página se desculpando (se muito)? Ou fingir que não fez nada, como na maioria dos casos?

"Por último, há controvérsia sobre a ilegalidade da decisão da Petrobras. As opiniões de especialistas, até o momento, tendem majoritariamente a dizer que é absolutamente legal. Pode ser, mas é absolutamente antiética e burra. Demonstra intolerância a críticas e incompetência empresarial. "

Via o argumentação sem argumento! Intolerância a críticas? Me explica onde, caro Alencar! Tem um meio próprio de responder às críticas é intolerância em que lugar do mundo?

No mais, apenas blablablás e inutilidades. Lamentável o nível da imprensa brasileira."

Raphael Tsavkko Garcia em junho 9, 2009 8:42 PM


#170

Entendo a preocupação do jornalista Sérgio Leo, porém discordo. De fato a ditadura midiática está ruindo. Os jornalistas tem apenas três opções: podem aceitar contrariados, satisfeitos ou indiferentes…Todavia os bons jornalistas sobreviverão.

Será mais difícil a vida do jornalista apurador. Ele terá que distribuir umas pistas falsas para confundir o jornalista morcego…O pior é que dizem que o bicho tem um radar muito poderoso. Será muito interessante. Para cada bom jornalista apurando haverá um bando de morcegos chupando…Mas fazer o que? É a vida. Quem sabe, trabalha e apura. Quem não sabe, morcega e chupa…

Todavia, a possível falta de ética dos profissionais da informação não é uma justificativa válida para impedir a transparência e a comunicação direta entre as empresas e o seu público alvo. Numa reportagem sobre a Petrobrás, por exemplo, eu, enquanto leitor e pequeno acionista, posso entender que o jornalista talvez não esteja com 100% de razão e queira conhecer o outro lado da moeda. Indo ao blog da Petrobrás, eu ficarei conhecendo o ponto de vista oficial da empresa, os bastidores da reportagem, as perguntas que foram feitas, etc. e terei condições de formular um juízo mais crítico, já que não estarei comendo o “prato feito” servido pelo jornalista.

Zé da Silva Brasileiro em junho 9, 2009 9:55 PM


#171

Desculpe voltar ao assunto.

É que embora ache muito importante a decisão da Petrobrás de criar o blog e de publicar imediatamente as perguntas que forem formuladas por jornalistas e respostas dadas pela empresa, como essa é uma relação de poder, essa decisão tende a não dar em nada se não for seguida pela sociedade.

Explico. Como foi apontado com precisão pelo Sérgio Leo, a atitude da Petrobrás vai certamente sofrer retaliação por parte da imprensa. Essa reação pode ser, como também foi indicado, no sentido de não serem mais formuladas perguntas à empresa, para com isso manter a possibilidade de seguir fazendo as acusações - ainda que desassistida de fatos - deixando à Petrobrás o ônus de responder depois a elas, fazendo retornar tudo a como dantes no quartel d'Abrantes. Isso certamente vai abrir uma discussão sobre a prática ou o dever de ouvir o outro lado. Mas é uma questão que ficará para depois.

Não creio que se possa dizer disso que o jornalista que venha a ter esse comportamento o faça por má-fé. Penso que os Otavinhos, Kamel e Eurípedes estão tão viciados e vinculados aos traficantes de acusações que não possam mais abrir mão da pílula. Mas admito que haja mesmo jornalistas que temam perder o "furo" e que somente por isso prefiram excluir a Petrobrás do rol das fontes. Afinal, é da natureza do poder o fato de que quem o tem dele não abre mão. Se a arma vale para submeter o oponente, seria necessário que quem a detivesse decidisse desarmar-se, mas, nesse caso lhe viria o temor de ficar à mercê de seu adversário.

Em suma, a Petrobrás vai ficar sozinha ante o poder de fogo dos jornalões e de seus retransmissores. Isso não significa que a iniciativa do blog não tenha a importância histórica que está sendo apontada. Significa apenas que essa atitude pode ficar marcada na história como a vez em que se tentou enfrentar o poder de censura da informação pelos que a monopolizam, ou como o momento em que a sociedade percebeu que a vida podia mudar e a mudou.

A importância de Martinho Lutero teria tido sido outra se não fosse Gutenberg. Seu gesto pretendia levar o conhecimento da Escritura ao vulgo, mas a Escritura somente se vulgarizou (no bom sentido) com a imprensa. Do mesmo modo, é necessário - e a internet fornece os meios para isso - que toda a sociedade passe a atuar do mesmo modo que a Petrobrás, que cada um passe a ter a mesma atitude de divulgar as perguntas e respostas que lhe forem formuladas por aqueles que vierem à cata de informação. Isso garantirá a todos o acesso à informação, e aos maus intencionados garantirá o constrangimento à veracidade da notícia.

O problema é que não é possível a todos terem blogs como o da Petrobrás, ao menos com a audiência que este conseguiu, nem é possível a quem vai em busca de informação pesquisar todos os sítios e blogs que a tornem disponível.

O Observatório da Imprensa já desempenhou, no passado, um papel de mecanismo de defesa ante o poder das empresas de informação. Esse papel se estiolou.

O jornalista Luiz Nassif criou um espaço de direito de resposta, no qual todos podem pleitear a publicação de correção das desinformações publicadas. Mas esse espaço ainda padece da síndrome ante-Petrobrás de publica somente as respostas, que nem sempre atingem quem leu as matérias desinformativas.

Talvez fosse necessário - possível certamente é! - o surgimento de um espaço social para a publicação por todas as fontes, das entrevistas concedidas. Uma espécie de Serasa em que qualquer um poderia dispor e buscar a informação. O deputado poderia postar ele próprio a entrevista que concedeu à rede Globo para que ela não a desvirtuasse. O empresário poderia publicar o teor da entrevista dada em que demonstrou não estar em dívida com o fisco, impedindo a Folha de acusá-lo de sonegador. O dirigente sem-terra poderia apresentar o teor da entrevista dada sobre as escolas nos acampamentos, impedindo que o Estadão publicasse apenas a visão do promotor de justiça que criminaliza o movimento social.

É claro que um tal espaço não significaria que as respostas divulgadas fossem verdadeiras. Afinal, entrevistados, como jornalistas, também mentem. Mas suas mentiras poderiam ser confrontadas pelos jornalistas com dados obtidos alhures.

E todos, mentirosos ou verazes, ficariam com o ônus de provar a má-fé alheia, mas a salvo do poder alheio.

Aton Fon em junho 9, 2009 11:12 PM


#172

Estamos diante de um momento histórico. atentem."Não precisamos mais de intermediários", na grande mídia,na industria cultural,na educação, na medicina- e o que mais me interessa: na religião! Não tem volta, o fogo da Era de Aquarius pegou! Adeus mundo velho, adeus propriedade, adeus hierarquia, adeus organização centrada, adeus Era de Peixes.

Joaquim Porã em junho 10, 2009 12:13 AM


#173

Falou tudo, Joaquim. Adeus propriedade intelectual! O que está em jogo é uma revolução na forma como nos informamos. Como disse o Zé da Silva ali antes, agora temos a nossa disposição um contraditório que nos permite formular uma reflexão mais crítica sobre o que está sendo veiculado.

Eu acho que, na prática, esse episódio vem concretizando uma situação inédita nas grandes coberturas jornalísticas. É que a imprensa está tendo de discutir os próprios métodos, algo que nunca seria possível não fosse o fato de uma gigante ter aderido à onda dos blogs da forma como fez a Petrobras. Por isso está esse alvoroço todo, quase 200 comentários aqui, uns 1.200 no texto do Kennedy Alencar. Finalmente o jornalismo virou notícia, e acabou aquela lógica que a gente ouvia nas redações dos jornais: "jornalista só é notícia quando mata ou quando morre".

Vejamos, por exemplo, o texto do Kennedy:

"A imprensa erra? Erra. A imprensa está cheio de estúpidos? Está. Há parcialidade em alguns veículos? Inegável."

Vemos esse tipo de opinião, sobre falta de ética, todo dia nos jornais quando o tema é política, por exemplo. Mas nunca vemos a imprensa refletir os próprios critérios e métodos. Qualquer tentativa de discussão aberta sobre os métodos jornalísticos é duramente criticada pela mídia gorda, que alega "desrespeito à liberdade de imprensa", vide projeto de criação do Conselho Federal de Jornalismo.

A assessoria de imprensa da Petrobras usou de uma ferramenta inteligentíssima para provocar o debate sobre esses métodos de apuração jornalística. Não tivesse feito isso, o tema jamais estaria em discussão. E o fato de ser uma gigante de altíssima credibilidade deu um âmbito global para a coisa. Ao contrário do que disse o Kennedy Alencar, não tem nada de burrice no que fez a Petrobras. Ela conseguiu usar a imprensa para fazer o que a imprensa adora fazer quando alguém a ataca: desvirtuar a notícia e colocar o acusador no lugar do réu.

Mesmo os grandes blogs independentes não teriam a credibilidade que a Petrobras tem para provocar tal questionamento. A situação é, realmente, um marco na contestação dos métodos midiáticos de apuração jornalística.

Um abraço a todos.

Paulo Morais em junho 10, 2009 1:13 AM


#174

Idelber escreveu:
"
"E eu acho no mínimo curioso uma estatal deter (de longe) mais credibilidade do que um jornal privado.

Pensem nessa frase da Aline. Não é incrível? "

Credibilidade não é a palavra adequada aqui. Eu sei q já postaram uns disclaimers aí, mas esse comportamento pró-blog da PETROBRAS (q se depreende desse comment) é de uma ingenuidade tremenda. Conheço a empresa, fiz diversos trabalhos por lá. Não difere em nada de outras empresas grandes, q jogam o jogo feio e pesado das grandes - plantar notícias, municiar jornalistas simpáticos c/ notas, direcionar investimentos/compras p/ agradar a amigos, etc.

Meus caros amigos, não se dêem ao trabalho de ler o blog da "PEROBA" - eu já posso adiantar o q esperar:
- vcs nunca lerão a confirmação de qq "denúncia"
- vcs nunca lerão a assunção de qq "erro"
- vcs lerão, em 100% das vezes, platitudes, respotas pró-forma, comentários insípidos e inofensivos, do tipo “de acordo com sistema compras SAP, a licitação blá-blá número XXXX foi feita sob a modalidade dispensa por se tratar de serviço que requer notória especialização”.

Admito q possa pegar aqui e acolá um jornalista ou outro com as calças arriadas. E talvez seja bom por isso. Mas, não avança 1 mísero centímetro no q alguns chamam de “transparência da empresa” – tá mais pra press release.

Frank em junho 10, 2009 1:21 AM


#175

É fácil compreender por que a mídia oposicionista reagiu tão veementemente contra o novo blog da Petrobrás: o sucesso da iniciativa transformou-a num dos muitos símbolos de resistência à contaminação política do noticiário que cobre os governos Lula. E representa uma ruptura na pusilanimidade que marcou a comunicação dos órgãos federais nos últimos anos, inserindo-a num fenômeno virtual de mobilização que já evidencia cotidianamente o divórcio entre a grande imprensa e tal “opinião pública”.
Os argumentos críticos são pequenininhos de constranger. Então quer dizer que os veículos detêm exclusividade sobre informações colhidas junto a funcionários de uma estatal? Ou esta é que não deveria divulgar suas próprias versões de matérias que a atingem e que são convenientemente editadas para atender a interesses inconfessos (com correções eventuais, mínimas, em espaços secretos)?
Mesmo as (poucas) reações negativas ponderadas passam ao largo da questão pontual e enveredam por discussões amplas acerca da identidade ou do futuro da imprensa brasileira – convenhamos, barulho demais por causa de um instrumento simples e corriqueiro de comunicação institucional. O episódio não tem nada a ver com liberdade de informação, sigilo de fonte, “furo”, assessorias e os cambau. A Petrobrás tem tanto “direito” de publicar seus esclarecimentos que a simples menção a ele já soa boba e algo despótica – ou a validade dos preceitos democráticos depende de quem os utiliza?
A reação midiática é corporativa, quando não puramente partidária; ainda outra vez, tenta-se vilanizar a administração federal às vésperas de eleições majoritárias nacionais. A invenção de bodes expiatórios constitui apenas a face risível e supérflua dessa crise de credibilidade que os grandes veículos nacionais fingem ignorar.

Guilherme Scalzilli em junho 10, 2009 2:14 AM


#176

To rindo atôa. a assessoria de comunicação da Petribrás foi na alma das organizações criminosas da grande imprensa

paulo - belo horizonte em junho 10, 2009 6:59 AM


#177

Quem é pior, a imprensa ou as empresas?
Parece que a Petrobras comecou a capitular da ideia.

descanjicado em junho 10, 2009 12:41 PM


#178

Outro episódio, mais que lamentável, foi a veiculação de reportagem com dossiê falso da candidata Dilma, e a informação incorreta de um certo plano de sequestro do então ministro Delfim Neto, infinitamente desmentida e desmontada na blogosfera, mas com uma vergonhosa atitude da mesma Folha de São Paulo.

É de se imaginar o resultado de alguma eventual pesquisa (confiável e isenta) acerca da opinião sobre a confiabilidade da imprensa amarela. Quedas recorrentes do número de assinantes, promoções tresloucadas para promoção de assinaturas, esse movimento ainda está só no começo, e está indo rapidamente ladeira abaixo.

A vergonhosa e parcial cobertura da Satiagraha, evidentemente também provocou, da parte dos leitores, um estarrecimento sobre os reais valores defendidos por grande parte da imprensa.
As coisas se conectam, e cada vez mais está se esgotando a capacidade de "criação de crises" e fritura de ministros, tão visível na década passada.
Por cima de tudo e de todos, a popularidade do presidente segue inabalável, cada vez maior nas classes média e alta, e independente das recorrentes críticas e ácidos (mas vazios) argumentos dos colunistas.
Até agora, isto foi minimizado pelo argumento que "o Lula é um caso a parte", mas até que ponto já se extinguiu a capacidade da imprensa de guiar a chamada Opinião Pública?

Livio em junho 10, 2009 2:21 PM


#179

Idelber,
Sou defensor da atitude da Petrobrás e também acho a mídia venal e pardidária, etc, etc...
Mas postei este link http://www.novacorja.org/?p=5248 e este aqui http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/06/090609_petrobras_argentina_mc_cq.shtml (contido no primeiro) e após ficar algum tempo publicado, foi cortado.
Não acho o fato em si grave, mas a tal transparência da petrobrás vai falhar uma hora ou outra...

André Lucato em junho 10, 2009 7:31 PM


#180

Há tempo não me sinto tão animada e esperançosa por melhores dias. Acho que o blog da Petrobras acaba de lavar a mídia direto para os restos mortais da prática jornalística. É a melhor notícia do século. Parabéns para nós todos!!!

nona fernandes em junho 10, 2009 8:11 PM


#181

Assim, do jeito que falam é como se a Petrobrás fosse muito idônea nas suas ações. Que é mais do que certo ela publicar o que quiser no blog dela, isso é! Agora, realmente tomar aquilo como verdadeiro é muita ingenuidade da nossa parte. Que empresa que vai publicar qualquer coisa que seja, que não seja a favor dela?

Se a gente tem que ter o pé atrás com o que lê nos jornais, tem que fazer o mesmo com as notícias que as empresas publicam!

Eu não poria a mão no fogo por nenhuma das duas partes, pq QUEIMA com toda certeza. NINGUÉM é santo nesse jogo...

Marcos em junho 11, 2009 5:59 AM


#182

Vamos divulgar pessoal. Ainda temos pela frente a luta contra o AI-5 Digital. Vamos para as ruas.

tonioc em junho 13, 2009 10:20 AM


#183

Vamos divulgar pessoal. Ainda temos pela frente a luta contra o AI-5 Digital. Vamos para as ruas.

tonico em junho 13, 2009 10:20 AM


#184

Mais um seguidor. A petrobrás marca o fim de uma era e o início de outra.

Roberto em junho 16, 2009 2:31 AM


#185

Gostaria de receber detalhes sobre o acordo da Petrobras com a China, já que circula na internet, artigos dos tucanos dizendo que o mesmo é lesivo ao Brasil. Segue abaixo, artigo em ingles sobre o que estou dizendo. Acredito no Governo Lula, mas é necessário uma resposta:

GEOPOLITICAL DIARY: A 'DRAGON-JAGUAR' ALLIANCE?

Chinese President Hu Jintao and Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva oversaw the signing of 13 strategic cooperation accords during a Brazilian delegation's visit to Beijing, which ended Wednesday. Among the key deals were a $10 billion loan from China to Brazil´s state-owned Petroleo Brasileiro SA (Petrobras); the deal calls for Petrobras to deliver up to 200,000 barrels of crude oil per day for the next decade to China. Also discussed was the possibility of conducting bilateral trade in the two countries' domestic currencies instead of in U.S. dollars.

The visit, and particularly the economic deals, provides new evidence for the thesis that China and Brazil are on a path toward a close alliance that one day might blossom into a counterweight to U.S. hegemony. Among the many serious adherents to this thesis is U.S. Secretary of State Hillary Clinton, who at the beginning of May equated China's dealings in Latin America to those of Iran: She said she was disturbed by Beijing's moves to strengthen economic and political connections on the continent.

Before declaring the definitive beginnings of a "Dragon-Jaguar" alliance and delving into its implications for the United States, however, it is useful to explore the geopolitical impediments to such a partnership.
Alliances, in particular the long-term strategic kind, are at least nominally underpinned by four general
factors: common political heritage, feasibility of economic cooperation, common military aims and common enemy or threat. In terms of political heritage, China and Brazil share only a very tenuous link to the Portuguese imperial expansion -- a link that defines Brazil on many levels but whose legacy for China does not extend beyond the gambling paradise of Macao.

In terms of military aims and military threats, the two countries could not be further apart. China is a land power looking to expand its naval capabilities so that it can project power into the contentious and volatile South China Sea, where it competes with Malaysia, the Philippines, Taiwan and Vietnam. Furthermore, Beijing's main concerns are the nearby marine trade routes that it does not control due to U.S. naval dominance, such as the Taiwan Strait and the Strait of Malacca.

By contrast, Brazil's immediate security imperative is to control its own territory -- including the largely secure southern border with its only real regional rival, Argentina, as well as the wild Amazon rain forest.
This makes Brazil's strategic objectives inherently inward-looking and land-based, and it means Brazil has very little to contribute at this point to China's quest to secure ocean transport. In the long term, Brazil is certainly interested in developing its own naval capacity, and it sees its position in the South Atlantic as a potential strategic lever in the realm of ocean control. However, Brazil has turned to France, not China, for aid in developing much of its naval capacity, and it has a great deal of room to grow before it becomes a global player in this arena.

Economic cooperation does constitute a strong link between China and Brazil, and it is clear that trade between them is growing rapidly. Here again, however, China and Brazil are separated by great distance. Commodity exports to China will have to wait for the Panama canal expansion (projected to be completed in 2014) before they can begin in earnest, but even with an expanded Panama Canal, the trade routes between China and Brazil will be three times longer than current routes linking China and the Middle East -- not an economically discountable distance. Militarily speaking, because they have to go through the Panama Canal and across the breadth of the Pacific Ocean, trade links between China and Brazil will be just as vulnerable to U.S. naval interdiction as China´s links to Middle Eastern energy producers.

What today might seem to be an obvious marriage of Brazil's commodity exports and China's insatiable appetite for energy and minerals may not last forever. For one thing, Brazil is neither a developing nation nor a Middle Eastern economy based on commodity exports; it is an industrializing country with a diversified economy and no plans to become the Nigeria of Latin America. Its recent spate of oil discoveries notwithstanding, Brazil still has designs on becoming a major industrial power and a financial center for Latin America. With a population of 200 million and a multitrillion-dollar economy that ranks in the world's top 10, Brazil's rise as an industrial power means its commodity-exporting days are numbered: Ultimately, it aims to satisfy its own growing energy and industrial demand. If such an economic path seems farfetched, one has only to look at Chinese energy needs of 30 years ago and imagine what Brazil might look like in 2040.

As Brazil industrializes, it will become a direct trade rival for China, particularly since the U.S. consumer market will be the destination for the bulk of manufactured products from both states. The United States is China's main export market (when accounting for secondary trade flows that include the entire Chinese supply chain), a key variable for China's export-driven economy. Beijing will be extremely wary of anything that overtly threatens that trade relationship. China and Brazil are already global competitors in medium-haul regional airplane production; the geography of both countries requires a robust regional airplane industry to facilitate internal transportation. They eventually will be pitted against each other in offshore oil exploration, and it is not implausible that they will compete in other industries as well.

Both China and Brazil therefore are more interested in getting the most out of the United States as a market than in forming a "Dragon-Jaguar" economic partnership that would underpin an aggressive political posture toward Washington. This also means that - much as during the Cold War, when Washington broke apart the Sino-Soviet relationship -- a Brazil-China alliance will be one that United States could fracture by giving one side concessions over the other.

For China in particular, the cost-benefit analysis of meddling in the U.S.
hemisphere discounts an alliance
with Brazil. There are simply too many ways for the United States to counter China in its own neighborhood -- especially by tightening the screws on its sea lanes -- for Beijing to risk irking the Americans. Brazil, on the other hand, has very little to gain from making China -- a limited naval power on the other side of the planet with which it does not even share an ocean -- its main security partner. The United States would surround Brazil with regional rivals and thereby thwart Brazilian power projection in Latin America, with Beijing too far away to help.

By forming a partnership with China, Brazil would create a military threat for itself that previously did not exist, rather than increase security through an alliance.

Copyright 2009 Stratfor.

Luiz Alberto Silva em junho 17, 2009 11:57 AM


#186

Transcrevi a matéria em meu blog, cujo endereço é http://petroleonosso.blogspot.com/

Agradeceria se me enviasse um e-mail em que eu possa retransmitir um mentiroso e-mail que circula na rede sobre o balanço da Petrobras e sobre o conselheiro Gen.Albuquerque, a fim de que V.S. pudesse desmascarar o autor do mesmo ou me indicar quem possa fazê-lo.

Edson Nogueira Paim em junho 20, 2009 7:15 PM


#187

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/06/23/a-arte-da-edicao-apud-globo/

O editor admite ser contra o blog da Petrobras, por não permitir(ou dificultar) a liberdade de manipulação daimprensa.

Bruno em junho 23, 2009 12:12 PM


#188

Essa foi uma grande jogada da petrobras, afinal agora esses jornalões não podem mais mentir ou ocultar parte das respostas dadas pela estatal e acho que os brasileiros de verdade também se sentiram um pouco petrobras.

Herminio em novembro 4, 2009 9:10 PM


#189

Recebido por email. Vale a pena ler...
Vamos nos unir!

O que irá mudar?
Combustível e outros derivados do petróleo mais barato. Sim, remédios e cosméticos, produtos de limpeza e muitos outros derivados do petróleo até 55% mais baratos (principalmente combustível); incluindo alimentos. Leia, publique e divulgue a todos e junte-se a nós. É um ato simples que promove mudanças...

http://www.docstoc.com/docs/38985054/Petrobras
http://www.scribd.com/doc/31463714/Petrobras
http://cjoint.com/data/frhaXNbRFJ.htm

Este último é mais fácil pra baixar.

Abraço,

amigo em maio 17, 2010 3:26 AM


#190

Corrige os links aí do blog da Petrobrás.

Estão todos dando Erro 404.

Luís em janeiro 3, 2011 2:37 PM