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quarta-feira, 10 de junho 2009

Serra não pode ser presidente: Notas sobre a barbárie na USP

Tentei dormir. Era necessário, já que embarco às seis da matina rumo ao Rio. O fato é que não consegui. Afetam-me bastante as imagens, vídeos, sons de estudantes sendo espancados dentro de um campus universitário. Cresci com essas imagens, me formei dentro delas, acredito saber algo sobre a dinâmica que elas desatam. A violência policial é horrível em qualquer circunstância, evidente. Mas quando ela ocorre dentro de um campus universitário, é toda uma história de décadas de luta – bastante dura – por autonomia e liberdade de pensamento que está sendo negada, revirada, desrespeitada. Perguntem a Alon Feuerwerker acerca de suas memórias da reconstrução da UNE em 1979.

O Sr. José Serra não tem autoridade moral para ser Presidente da República Federativa do Brasil. Haja mãos e pés para contar os exemplos de truculência, autoritarismo e vocação ditatorial. Esse senhor simplesmente não sabe conversar com a sociedade civil. Recusou-se, mais uma vez, a entrar em diálogo.

hariovaldo-1.jpg

Critique-se o quanto se queira o movimento estudantil. Eu sou um dos seus críticos, diga-se. Fui presidente de DA, de DCE, fui de comissão organizadora de ENEL, participei de vários congressos da UNE. Há, no movimento estudantil, uma clara tendência à radicalização, fruto da idade de seus membros, da situação peculiar de ainda não estarem inseridos – na maioria dos casos – no mercado de trabalho, da condição de relativa liberdade em que transitam. Não concordo com várias das reivindicações históricas do movimento. Não acho, por exemplo, que estudante tenha que dar pitaco ter voto em política curricular. Se o sujeito está adquirindo um bem cujo conteúdo, por definição, ele não conhece, nada mais natural que não seja ele quem o defina. Tampouco acho que as eleições para reitor devam representar paritariamente os três setores. Um estudante fica quatro ou cinco anos no campus. Seu voto não pode ter o mesmo peso que o de quem lá trabalha permanentemente e tem responsabilidade direta sobre os rumos da instituição. Eu poderia continuar listando outros exemplos de bandeiras já levantadas pelos estudantes com as quais não estou de acordo.

Portanto, quem quiser criticar o movimento estudantil, que fique à vontade. Isso não me ofende nem um pouco. É inegável que há um desgaste das formas de luta do movimento universitário. Paralisar um Banco do Brasil ou uma Fiat é uma coisa. Paralisar uma universidade não afeta ninguém de imediato, a não ser a própria comunidade universitária. É uma simples questão de quem produz valor de troca imediato. O movimento estudantil foi chave na luta contra a ditadura, passou por longo adormecimento, renasceu brevemente com os caras-pintadas anti-Collor e voltou à irrelevância. Quanto menos massivo ele é, maior a possibilidade de que lideranças pouco representativas o sequestrem. Aumentam as chances de táticas reprováveis. Mas essas coisas se resolvem com diálogo. No momento em que entra a Polícia, tudo volta à estaca zero. Na verdade, volta a um número negativo, pois o trauma e a revolta não são bons pontos de partida para se negociar nada.

hariovaldo-2.jpg


O que me causa indignação é, de novo, que se criem falsas simetrias onde elas não existem (eu falo muito de falsas simetrias, por exemplo, na questão palestina). Os erros, excessos ou táticas reprováveis do movimento universitário são uma coisa. O envio do batalhão de choque da Polícia Militar, o espancamento de estudantes e o uso dos cassetetes e das bombas de gás lacrimogêneo são crimes, são acontecimentos de dimensão completamente distinta. São responsabilidade direta da Polícia subordinada ao governador. Ele tem obrigação de responder por ela. São atrocidades perpetradas pelo poder público. Você não pode comparar isso com a possível imaturidade ou o excesso cometido pelo movimento estudantil.


hariovaldo-3.jpg


Sim, o pedido de reintegração de posse é de responsabilidade da Reitoria e a anuência a esse pedido é prerrogativa do Judiciário. Segundo todos os relatos que ouço, a Reitora Sueli Vilela é um desastre completo. Se alguém tem um contra-testemunho, por favor, se manifeste – quero ouvir. Mas tudo o que escutei até hoje é desabonador. Combine-se isso com um governador de tendências ditatoriais e você tem os ingredientes para a triste situação que vive hoje a (ainda) mais prestigiosa universidade da América do Sul. Como explicou muito bem Túlio Vianna, mandar tropa de choque ao campus só pode gerar desastres.


hariovaldo-4.jpg


Que a comunidade universitária da USP – instituição na qual já tive a honra de palestrar, em total liberdade, sem ninguém armado por perto – possa se recuperar do trauma. Que o movimento estudantil reflita sobre seus rumos. E, acima de tudo, que esse truculento e ditatorial Sr. que governa São Paulo não tenha a chance de governar o Brasil. Nada vai melhorar com ele no leme.

PS: As fotos vêm da magnífica postagem do Professor Hariovaldo: Debelado foco guerrilheiro na USP.

PS 2: Marjorie Rodrigues informa que haverá manifestação hoje, ao meio-dia, saindo da Reitoria em direção à Avenida Paulista.



  Escrito por Idelber às 04:34 | link para este post | Comentários (189)


Comentários

#1

Puxa, você traduziu muito do que sinto com esse post, e me ajudou a entender o porquê de eu - que não tenho nem nunca tive ligação nenhuma com a USP - também ter ficado tão perturbado e não ter conseguido dormir: porque, como você, passei anos de minha vida (e os continuo passando) em ambientes universitários, e os concebia à prova da violência desenfreada que se viu hoje em SP.

Que a reitora e o governador demonstrem um mínimo de bom senso, recuem e, além de não interferir na passeata de logo mais, comecem a dialogar ao invés de mandar os cães de guerra.

Mauricio Caleiro em junho 10, 2009 5:20 AM


#2

Idelber, creio que a situação deve ser observada com outros olhos. Tivemos, além da ocupação da USP em 2007, a da Unifesp e Unicamp. Lá fora na New School e na Sorbonne. No caso da Sorbonne, um posicionamento claro contra Sarkozy, na New School problemas com a burocracia universitária. Na Usp temos os dois.

Um à parte bem longo. Não fossem os alunos da USP e em especial os da FFLCH, os projetos de privatização da universidade através de fundações intentadas pelo ex-reitor Marcovitvh teriam sido aprovadas. Nessa ocasião os alunos deitaram no chão para os carros com os integrantes do Cobnselho Universitário não passarem. À época da greve estudantil de 2002, presenciei a pró-reitora de graduação Sonia Penin (se não estou enganado) propor à FFLCH a construção de salas maiores com microfones, mas que a contratação de professores seria inviável segundo ela. Presenciei Hélio da Cruz, professor da FEA, argumentar que a FFLCH não tinha direito a mais professores porque a ela cabia a maior parcela de aposentados. Eis a burocracia universitária. A FFLCH correspondia, à época, a quase um terço da USP, quase uma Unicamp de fato, e a proporção de professores por aluno era de 1/56 no curso de História. O mesmo prédio de História que serviu de refúgio hoje foi "inundado" por problemas no telhado em 2007, quando a calha não suportou o volume da chuva e as águas invadiram as salas em pleno horário de aula, situação que presenciei também. E desde que eu entrei na USP como aluno de graduação em 2001, não se passou um ano sem que a reitoria fosse reformada. Isso sem mencionar a criação da USP Leste imposta pelo governador Alckmin, a qual, dizem, foi aprovada antes mesmo de passar pelo Conselho Universitário.

As manifestações na USP não são apenas lances de um movimento estudantil radicalizado, mas também efeito da própria ingerência que habita na universidade já faz algum tempo.

carolus em junho 10, 2009 5:27 AM


#3

Não poderia deixar passar em branco a nota da reitoria:

"A Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) lamenta o confronto ocorrido entre a Polícia Militar e os manifestantes, no dia de hoje (09/06), na Cidade Universitária “Armando de Salles Oliveira”.

A presença da Polícia no campus é decorrente do processo de reintegração de posse, impetrado para a desobstrução da entrada de oito edifícios da Universidade, de forma a garantir o direito de greve, dentro dos preceitos legais, e o direito de ir e vir dos servidores. Durante todo o dia de hoje, a Corporação Policial fazia o acompanhamento preventivo para o cumprimento da determinação judicial, de forma pacífica, como vinha fazendo nos últimos dias. Ressalte-se que a solicitação da reintegração de posse é resultado de deliberação do Conselho Universitário, datada de 2008, diante de ações que impeçam o acesso de servidores a seus locais de trabalho.

A Reitoria lastima que a ação isolada de um grupo radical de manifestantes tenha provocado o confronto, inclusive com a depredação do patrimônio público, resultando em cenas inadmissíveis dentro do ambiente universitário, no qual o diálogo deve ser sempre privilegiado."

Em suma: para eles a culpa é toda dos manifestantes. Ridículo.

Vinícius em junho 10, 2009 5:33 AM


#4

Nada pode justificar o uso de uma tropa de choque para "preservar a ordem pública" por conta de uma greve - correta ou não, festiva ou não, radical ou não. E com a velha ladainha de que o choque foi chamado porque os manifestantes, de mãos dadas, cercaram policiais e tinham uma "atitude hostil" (viram a nota da PM, aliás, que fala em democracia e tudo mais?).

No post do Túlio Viana, ele dá argumentos muito bons sobre isso. Mesmo ser ler a decisão judicial, motivada pelo pedido da reitora, duvideodó que o magistrado tenha determinado o uso do choque. Foi uma ação burra e truculenta da PM.

Fábio Carvalho em junho 10, 2009 5:42 AM


#5

Eles também só esquecem de mencionar que das últimas nove reuniões do Conselho Universitário (Co), cinco foram realizadas em área militar (IPEN), sob forte esquema de segurança. Some-se a isso, que tais reuniões foram marcadas por graves problemas na convocação da representação discente e de servidores, além de violações a normas regimentais, principalmente no tocante ao procedimento das votações.

simmel em junho 10, 2009 5:52 AM


#6

Nota da PM - Íntegra [colchetes por minha conta]

A Polícia Militar do Estado de São Paulo vem a público para esclarecer as ações desenvolvidas na Universidade de São Paulo. Na segunda-feira, dia 1.º de junho, em cumprimento a determinação judicial, a Força Tática da Polícia Militar entrou na Universidade para garantir o cumprimento da lei e a preservação da ordem.

Tal ordem proveniente do Poder Judiciário foi decorrente de uma manifestação ilegal, ocorrida em data anterior, em que houve depredação do patrimônio público e atentado à liberdade de trabalho daqueles que não queriam aderir à greve.

Sem entrar no mérito das reivindicações dos funcionários e alunos da Universidade, é certo que a Constituição Federal Brasileira prevê como direito fundamental a manifestação e a greve – e a Polícia Militar respeita e defende estes direitos. Contudo, há limites, na própria Lei, quanto à atuação indiscriminada e violenta de manifestantes. Crimes como dano, depredação, atentado à liberdade de trabalho [Eu não compreendo esses registros como crimes violentos], entre outras violações não podem ocorrer sob o pretexto de pleitear algo, por mais justo que seja. Num estado democrático de direito, a liberdade de uma pessoa termina quando começa a do próximo.

É imprescindível esclarecer que a ação da Polícia Militar não está sendo, em momento algum, violenta como querem afirmar alguns integrantes do SINTUSP. A Instituição Polícia Militar respeita a causa do Sindicato, mas repudia afirmações de que é um “retrocesso autoritário” a entrada da Polícia no Campus.

Como certamente sabem os sindicalistas, alunos e principalmente professores da Universidade de São Paulo, um dos critérios de aferição da qualidade de uma democracia é, justamente, o primado da lei (rule of law). Como podem afirmar ser um retrocesso autoritário a ação de uma instituição que justamente está garantindo o cumprimento de determinações judiciais e a liberdade de trabalho, sendo esta, inclusive, uma outra garantia fundamental do cidadão?

A atuação da Polícia Militar, desenvolvida de maneira técnica e profissional, objetiva sempre garantir a segurança [!}, a tranquilidade [!!] e a salubridade [!!!] das pessoas envolvidas no movimento, incluindo os próprios manifestantes [!!!!].

É importante que a sociedade reflita sobre quem está violando os direitos democráticos [Jesus amado]. Ao afirmar que a Polícia Militar não deve entrar na Cidade Universitária, algumas pessoas estão justamente se portando da maneira que repudiam: com autoritarismo e prepotência! No estado democrático de direito nenhum tipo de discriminação é aceitável, o que não deve ser diferente ao se tratar de uma instituição pública.

Desse modo, a Polícia Militar mais uma vez garante o primado da lei, sendo certo que não há necessidade de nenhum tipo de intervenção se não houver cometimento de infração. Assim, pessoas de bem devem ter a Polícia ao seu lado, como garantidora de seus próprios direitos.

Nesta data, a Polícia Militar acompanhava as manifestações, objetivando garantir a ordem pública, no momento em que uma guarnição foi cercada por manifestantes, os quais, de mãos dadas [o que denota formação de quadrilha, decerto], isolaram policiais militares ao centro, de forma ameaçadora e hostil [mas, de fato, nenhum PM foi sequer arranhado naquele momento]. Houve a necessidade de intervenção da tropa, com a utilização de equipamentos não letais e técnicas específicas para restauração da ordem. Neste momento, a PM continua na Cidade Universitária e por lá permanecerá até que a situação volte à normalidade.

É importante esclarecer que a comunidade uspiana é formada por 94.400 pessoas, das quais 80.300 são alunos, 5.500 são professores e 8.600 são funcionários. A atuação de um pequeno grupo que não coaduna com o interesse da maioria, de maneira desordeira e antidemocrática, atenta contra a liberdade de trabalho e depõe contra a finalidade social da Universidade de São Paulo.

Fábio Carvalho em junho 10, 2009 5:54 AM


#7

O governador José Serra postou em seu perfil do Twitter, de madrugada [perdeu o sono, como nós?]:

"Trabalho hoje ouvindo Esses Moços, de Lupicínio, com Gal Costa. Boa noite. http://migre.me/20pv"

Pra quem não conhece, coloco abaixo a letra da canção 'Esses moços':

Esses moços,pobres moços
Ah!Se soubessem o que eu sei
Não amavam,não passavam
Aquilo que já passei
Por meus olhos,por meus sonhos
Por meu sangue,tudo enfim
É que eu peço
A esses moços
que acreditem em mim
Se eles julgam que há um lindo futuro
Só o amor nesta vida conduz
Saibam que deixam o céu por ser escuro
E vão ao inferno à procura de luz
Eu também tive nos meus belos dias
Essa mania e muito me custou
Pois só as mágoas que eu trago no peito
E estas rugas que o amor me deixou

Como diz sempre a minha mãe, pra bom entendedor, meia palavra basta.

O Serra poderia ter nos poupado de sua ironia, que ele deve julgar genial mas que é, na realidade, muito cruel.

Myriam Kazue em junho 10, 2009 6:01 AM


#8

Pelo visto, não passei a noite em claro sozinho, atualizando a Folha de Macondo com notícias sobre esse horror. Mas vou tentar dormir um pouco para ver se consigo ir na passeata mais tarde.
Abraços a todos,

Beto em junho 10, 2009 6:16 AM


#9

As pessoas que se dizem democráticas, de que há um "estado de direito", de que é preciso defender o direito individual de cada um para estudar, de que são a maioria da universidade, etc... são qualquer coisa, mas nunca podem se dizer democráticos.
Vários deles devem morar em condomínios, e devem receber convocatórias para assembléias que tem a seguinte msg, "o não comparecimento à reunião implica anuência dos ausentes às decisões da assembléia."
A MESMA COISA ACONTECE QDO SE TEM UMA ASSEMBLÈIA DE ESTUDANTES, PROFESSORES, FUNCIONÁRIOS. Se tem a tal da minoria radical, cade um pouco dessa maioria esmagadora para barrar as greves, os piquetes(sim, eles são decididos em assembléia) e qq outro tipo de manifestação? Por isso, meus caros amigos alienados e anti-democráticos, a culpa dessa invasão da PM é de vcs também! Onde estavam qdo estudantes tresloucados decidiam as piores loucuras? Onde estavam as pessoas que iriam colocar bom senso na Assembléia? E o pior de tudo, transgridem uma decisão deliberada de forma democrática sob a alegação de que tem direitos! Oras, o seu direito, mais que isso o dever, é o de exercer e fortalecer a democracia. E já sei o que os direitistas vão responder, vão ficar no blablablah de assembléias longas dominadas por grupos partidários, a esses digo, vá a uma assembléia e aprenda como funciona primeiro, vc vai ver como é fácil, se vc tem maioria mesmo, fazer as decisões fluirem rapidamente, e acabar com a tal da influenza desses grupos partidários. Na verdade são esses direitistas que nao sabem ser democráticos, não sabem exercer a democracia. Aí pergunto, por que será? Será que eles tem mesmo a maioria? Esse discursinho de estado de direito é só fachada para um comportamento totalmente anti-democrático.

Voltando à analogia do condomínio, é a mesma coisa que numa reunião decidissem impedir o uso de salão de festas por todos os condôminos, e alguns indivíduos chamassem a polícia porque seria direito legítimo deles usarem aquele salão...

Kane em junho 10, 2009 6:25 AM


#10

FATO 1. A maioria absoluta dos alunos da USP é CONTRA essa palhaçada toda. A representatividade dessa turma é tão pequena que tiveram que arregimentar claque em outras instituições.

FATO 2. Muitas faculdades estão em prova. Nenhum aluno de verdade quer confusão agora. Muito menos depredar o patrimônio da instituição ou restringir direitos de outrem.

FATO 3. È claríssima a motivação eleitoral dessa minuscula quadrilha. Seus líderes são conhecidos, seus "estudantes", objetos de desprezo.

FATO 4. A presença da PM foi solicitada pela reitoria, através de uma ordem judicial.

FATO 5. Provocaram e ameaçaram os policiais até a consumação do fato. Quem cerca meia duzia de PMs aos gritos e os chama de filhos da puta a dez centimetros de distância está pedindo para apanhar. Apanharam pouco.

Idelber, é vergonhoso ver alguem como você se prestando a esse papelzinho. Detesto o Serra, mas usar o nome da instituição, que já é vitima de um joguinho sem vergonha armado por um grupelho radical que não tem a menor intenção de defender os estudandes ou o ensino, para atingir seu nêmesis, Serrinha, é nojento.

Respeite a USP!

Lucas em junho 10, 2009 6:38 AM


#11

Kane, como eu disse, os alunos de verdade estão estudando (como eu, nesse exato momento). Ninguem quer perder semestre para fazer papel de palhaço na turminha do Brandão. Porque eles não estão lutando por nós, e sim por seu projetinho político. A única função dessa palhaçada toda é conseguir eco na mídia. Todo mundo sabe disso.

Lucas em junho 10, 2009 6:45 AM


#12

Pois é, tão estudando, são maioria... cade?? Já vi sim a maioria dos estudantes da Ed. Física acabar com a greve, na ECA, na Letras, nas Sociais. E apesar de maioria da esquerda estudantil espumar de raiva qdo isso acontece, não compartilho da mesma opinião, pois é legítimo e normal perder numa assembléia.

É assustador ver que estão utilizando o mesmo argumento na ditadura militar para desqualificar as assembléias(pouco representativo, a maioria quer estudar, etc...)
Insisto, exerçam a democracia vão às assembléias votarem CONTRA Greve, CONTRA piquetes. Se vcs são mesmo a maioria absoluta, apareçam! Aí vcs terão o direito de dizer que uma minoria está contrariando a maioria. Por enquanto o direito de representar a maioria está com os grevistas.

É um absurdo você reclamar por um direito individual contra o direito coletivo. Cada estudante é parte da comunidade dos estudantes da USP, as decisões tomadas por essa comunidade precisam ser seguidas, ou isso não é uma democracia? O absurdo não é os estudantes impedirem alguns indivíduos de terem aulas, é esses caras que tem aulas impedir o direito de greve dos manifestantes.

Kane em junho 10, 2009 7:57 AM


#13

Menas, Idelber, menas...

Você está fazendo com o Serra o que a VEJA faz com o Lula.

Quando os grevistas passam dos limites, atrapalhando toda a comunidade que quer trabalhar e estudar, a reitoria tem mesmo que tomar uma atitude. E a atitude, ao meu ver, foi correta.

À Polícia não cabe discutir -- ela apenas cumpre a decisão judicial.

Capitão Óbvio em junho 10, 2009 8:04 AM


#14

Então e cadê a maioria? São silenciosos ao que lhes prejudica ou coniventes com o lado que sair ganhando?

Olhe só:
1 - Um grupo resolve "furar" a greve
2 - Isso enfraquece o movimento diretamente, já que as direções vêem que o não tem lá muita necessidade de negociar porque um grupo (em teoria grande) continua a trabalhar
3 - Caso a sociedade repudie a ação dos grevistas, os "furões" saem ilesos
4 - Caso os grevistas ganhem algo, os furões saem no lucro sem dar a cara a tapa.

É prático e patético. Então maiorias silenciosas, manifestem-se ANTES do ir à greve. Quantos alunos não foram embora (ou não deram a mínima ou simplesmente não querem se envolver) quando disseram que haveria assembléia?

Lucas: Deixa eu adivinhar, tu leu isso na mídia não?

Marcello Rocha em junho 10, 2009 9:20 AM


#15

Vejam quão pacífica era a manifestação minutos antes do ocorrido.

http://www.youtube.com/watch?v=zYnvT4nqK3M

Lamentável!

NRA em junho 10, 2009 9:23 AM


#16

Lamentável mesmo, aqui na Unb temos uma história "rica" nesse sentido, lembro do documentário Barra 68, que recomendo muito ...
Mas também temos a invasão da reitoria que derrubou o reitor que comprou lixeiras de 900 reais... e nem aqui, onde só tem coronel no poder (Roriz, Arruda, Paulo Otavio, Luis Estevão) eles tiveram coragem de fazer isso que o Serra fez!
Lembro do primeiro ministro da Espanha que perdeu uma eleição por causa de SMS, que desmentia suas declarações sobre um ataque terrorista, sonho que o Serra vai cair do mesmo jeito, talvez com esses blogs seja possível!
Abraço!

Gui Losilla em junho 10, 2009 9:28 AM


#17

Uau,NRA, quanta violência! Estou chocado. Nota-se nitidamente um novo tipo de truculência, tão insidiosa e ardilosa que suas vítimas sequer são fisicamente atingidas...

João Paulo Rodrigues em junho 10, 2009 9:34 AM


#18

Belo post.

Permita-me, porém, uma pequena divergência. Não vejo problema nenhum em se consultar os alunos no caso de reformas curriculares. Claro que a opinião não deve e nem pode ter o memso peso, mas não vejo problema.

No mais, assino embaixo.

Pedro Migão em junho 10, 2009 9:39 AM


#19

Eh hipocrisia pura.

O Idelber fica histerico quando a policia vem recompor a ordem na USP, duvido que ele tenha suado uma gota quando ocorreu o massacre do Complexo do Alemao.

Dou todo meu apoio ao governador Serra, a reitoria da USP e aos estudantes daquela instituicao: A USP eh importante demais para ser sequestrada por um movimento estudantil que nao representa ninguem.

Se a claque do Claudionor bloquear a entrada da sala de aula 100 vezes e 100 vezes a PM entrar na USP para reinstaurar a ordem democratica, 100 vezes vou bater palma e ter orgulho de ser paulista e ex-uspiano.

JB

John Bastos em junho 10, 2009 9:43 AM


#20

"Nada pode justificar o uso de uma tropa de choque para "preservar a ordem pública" por conta de uma greve - correta ou não, festiva ou não, radical ou não. "

Como?!? Que absurdo! Se eu quero estudar e tem uma cambada de vagabundo bloqueando o predio de minha faculdade eh meu direito democratico chamar a PM para garantir minha liberdade.

John Bastos em junho 10, 2009 9:45 AM


#21

"É um absurdo você reclamar por um direito individual contra o direito coletivo. "

Canalha totalitario. Lixo humano. Ratazana. Trapo. Vagabundo.

JOhn Bastos em junho 10, 2009 9:48 AM


#22

"Uau,NRA, quanta violência! Estou chocado. Nota-se nitidamente um novo tipo de truculência, tão insidiosa e ardilosa que suas vítimas sequer são fisicamente atingidas..."

É, João Paulo....vamos ver quando você estiver encostado na parede, sem ter para onde ir, cercado por mais de 100 manifestantes gritando contra você e se aproximando cada vez mais.......vamos ver se nessa ocasião você verá uma atitude pacífica....

NRA em junho 10, 2009 10:09 AM


#23

Essa aí é pra todos os direitistas responderem, se a ação da polícia é tão legítima quanto pregam, por que é que NENHUM deles estava com o crachá de identificação na hora da repressão? http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448656.shtml

E valeu John Bastos, vc mostra que consegue manter uma discussão em alto nível, esperava bons argumentos sobre a questão da ditadura da maioria, para rebater minhas idéias e crenças. Mas pelo visto sua argumentação aí foi mais brilhante ainda, fico sem palavras pra te responder.

Kane em junho 10, 2009 10:10 AM


#24

A maioria dos comentários, parte a partir das consequências.
Este episódio inequivocamente resultou em DESASTRE. Mas de que outra maneira termina um confronto entre uma força repressora e outra força reinvindicatória (e repleta de "radicais" e "aloprados").
Mas a partir do confronto, a força extrapolou e MUITO, atingindo por exemplo, pessoas que nada haviam de "agitadores".
Também fui estudante da USP, sempre me opus aos "radicais de centro acadêmico", mas é inaceitável ver professores sendo agredidos, seja por alunos, ou por policiais.
Pior, fica a nítida impressão de uma linha de ação baseado em confronto, e na força, ao invés de qualquer espaço de negociação. Em relação a consequencias desastrosas (e nem levando em conta as particularidades), é impossível não lembrar o PAU entre polícia civil e militar. E do confronto em Paraisópolis. Quem vai ser o próximo a apanhar?
Responsabilidade de agitadores? Da reitoria? De incompetência de um pelotão que supostamente, atuaria com força em último caso e apenas o necessário?

Livio em junho 10, 2009 10:12 AM


#25

"eh meu direito democratico chamar a PM para garantir minha liberdade"

Liberdade não significa "foder liberdade dos outros". Xispa, e não tenta fingir de libertário ao cutucar coletivistas de palha (enquanto nem consegue falar pelo pau uniformizado na boca e teclando mal com uma mão enquanto soca para fascistas). Xô. Existe comunidade do Orkut para você ficar em roda de punheta (vai lá em "liberdade=tirania", "sindicalistas=arruaceiros", "democracia=facismo", "Amamos a PM", "favelado bom é favelado morto" ou "negros: liberdade demais?" ou qualquer coisa que o valha).

Carlos em junho 10, 2009 10:14 AM


#26

"Insisto, exerçam a democracia vão às assembléias votarem CONTRA Greve, CONTRA piquetes. "

Isso eh ridiculo. Ao nao comparecer as assembleias a maioria silenciosa estah votando contra a existencia da assembleia.

Voce pode nao se dar conta disso, Kane, mas a vasta maioria dos estudantes da USP e de outras universidades brasileiras esta interessada em estudar para poder participar produtivamente da sociedade. Direito de greve... Bah! A sociedade toda paga para os alunos da USP estudarem de graca, eh um privilegio e tanto. Aluno da USP nao tem direito de sair da sala de aula e fazer passeata.

John Bastos em junho 10, 2009 10:19 AM


#27

Sei que corro o risco de ser confundido com pessoas que pensam a sociedade brasileira de um modo que me parece inaceitavelmente elitista e conservador. O fato, porém, é que não dá mais para ser condescendente com o tipo de ativismo que alguns estudantes e funcionários introduziram no campus da universidade de São Paulo.

Assembléia não tem legitimidade para determinar piquete, Kane, nem para determinar invasão de um prédio público. Assembléia acontecem detro de uma sociedade com normas anteriores de convivência. Ela não pode se sobrepor a essas normas.

Quando o movimento estudantil escolhe a via da ruptura institucional, dá o primeiro passo para que aconteçam barbaridades como as que presenciamos ontem. Nâo acho que a ação da reitora tenha sido oportuna, mas não vou fugir da raia. Seria hipócrita da minha parte. Talvez ela pudesse ter contornado o problema sem recorrer à força. Talvez. O fato, porém, é que ações completamente inadmissíveis dentro da ordem democrática, como piquetes e invasões acabam desencadeando esse tipo de consequência mais cedo ou mais tarde.

Quem não quer aderir à greve TEM TODO O DIREITO DE FAZÊ-LO, Kane, tenha ou não ido à assembléia, tenha ou não bons motivos para fazer isso. É direito do cara não aderir, e você não tem nada que se interpor fisicamente para impedir a entrada dele em classe. Se vocês deliberarm isso em assembléia, tanto pior. Repito: assembléias não são instituidoras da sociabilidade. As regras do convívio civilizado têm que ser respeitadas por vocês.

Há outro discurso na praça, Kane. E nem por um momento pense que é um discurso de direita. Comigo, isso não cola. Não cheguei ontem nessa luta. Lutaremos juntos contra esse discurso absurdamente elitista dos tucanos, que consideram que um programa como o Bolsa Família é "bacalhau do Chacrinha", nas palavras do ex-presidente Fernando Henrique. Lutaremos juntos contra essa infâmia que aconteceu na favela Paraisópolis, com a PM torturando pais de família na frente da mulher, dos filhos e de toda a vizinhança. Mas eu não transijo com a ordem institucional. Piquetes e invasões são mecanismos violentos. Inadmissíveis. Se a polícia é uma resposta violenta demais, então vamos discutir respostas institucionais mais brandas. Mas achar que vocês podem votar pela realização de piquetes em assembléias estudantis é não ter o menor senso do que seja tolerância.

João Vergílio em junho 10, 2009 10:21 AM


#28

Esses paulistas e paulistanos têm que reaprender a votar.

Roberto Locatelli em junho 10, 2009 10:23 AM


#29

John Bastos,

Novamente, discordo. Quem não comparece à assembléia não está votando nem a favor nem contra coisa nenhuma. Nâo está comparecendo à assembléia, só isso. Porque não quer, porque acha que assembléias são instrumentos de manipulação ideológica, porque estava com dor de cabeça, porque achou que iria perder no voto, porque perdeu o ônibus, porque encontrou o amor da sua vida no caminho e resolveu fugir com ele(a) para o Nepal. Sei lá.

Cada categoria tem o direito de decidir o quorum mais adequado às suas decisões (e arcar, depois, com as consequências de decisões pouco razoáveis). O que não se pode admitir é o princípio de que assembléias podem decidir qualquer coisa. Nâo podem. Devem satisfações, sim, às instituições democráticas e aos padrões civilizados de convivência.

João Vergílio em junho 10, 2009 10:26 AM


#30

Sou aluno da Poli e ontem acompanhei os acontecimentos da manifestação, um amigo meu foi acertado por um bomba, policia jogando pimenta na cara de estudante, uma grande palhaçada.

Na minha opinião esse circo só cresceu tanto por causa da nossa adora reitora, a Suely Loca, que não tem a mínima nossação política nem estrutura ética/moral para administrar uma faculdade do porte da USP.

Estou acomapanhando os acontecimentos no meu blog de modo a ser imparcial para deixar os leitores darem suas opiniões, passem por lá e digam o que pensam.

Não conhecia o Blog Biscoito, meus parabéns.

Wendell Sacramoni em junho 10, 2009 10:28 AM


#31

Idelber,

Post brilhante e providencial. Também tenho uma série de críticas em relação ao movimento estudantil - do qual, aliás, faço parte.

Algumas vezes, ele padece de um radicalismo pueril de um lado, de algum partidarismo por de outro, mas mesmo que se possa criticar vários aspectos da forma de luta escolhida, as reivindicações, em geral, são justas.

No caso em tela, as reivindicações são justíssimas. A gestão Vilela, diga-se de passagem, é mesmo um desastre: Em seu cerne se encontra uma ótica privatista, autoritária e elitista de ensino superior.

Do outro lado, temos um Serra, uma figura autoritária, truculenta e incompetente que tenta assumir a máscara do líder durão, do autocrata que põe as coisas no lugar, o cara que dá o soco na mesa e arromba portas. É um feitiche político perigoso.

Isso tudo, claro, nesse momento assustador em que se tenta recontar a História, onde encontramos ditabrandas em editoriais e documentários que denunciam a opressão feita pelos oprimidos contra dedo-duros - ou simpatizantes - da ditadura.

Vejo com preocupação a desarticulação dos movimentos sociais, em grande parte, por conta de algumas atitudes do PT e do eterno - e cretino - racha da esquerda. É nessa zona cinzenta em que as coisas acontecem e os vermes proliferam.

Mais do que uma cena da problemática universitária, temos um ponto de convergência: O político autoritário que pode nos jogar de vez contra o rochedo; a mídia corporativa que fala em pancadaria no lugar de espancamento ou em confronto em vez de massacre; um movimento por detrás dos panos para fazer retroceder os poucos avanços que tivemos com a nossa democracia formal, enfim...

O que tivemos ontem foi apenas um espasmo. Isso não veio do nada. Já é um quadro que se desenrola há muito tempo, um problema que vai se avolumando até dar no que deu.

Aliás, como disse no primeiro comentário lá no primeiro post sobre o assunto, não é um problema que toca apenas a USP no cenário universitário; a PUC-SP, outro grande centro de pensamento político e de resistência ao autoritarismo, está sendo descaracterizada por uma burocracia acadêmica imoral e pela própria Igreja. Estão tentando fazer um adestramento in vitro e coordenado nas universidades paulistanas.

Ninguém me engana: Quando universidades começam a ser invadidas e os estudantes calados, o que temos é um sinal que as coisas vão mudar, mas não para melhor, lembrem-se de Carl Schimitt: A Crise é o momento em que o soberano se revela e decide sobre a exceção e, não raro, tal exceção pode se tornar regra pela força normativa dos fatos.

Não fechemos os nossos olhos. Há todo um projeto incutido nisso. As cenas que vimos ontem não chegam sequer a ser a ponta do iceberg.

Hugo Albuquerque em junho 10, 2009 10:30 AM


#32

Idelber, acabei de ve O Globo impresso de hoje. Como manchete principal, a recessão em que o país se encontra. Mais abaixo, bem pequeno, ocupando 1/6 do espaço dessa matéria principal, o seguinte título: "Enquanto isso, na universidade...". Ok, O Globo é do Rio, mas caramba...é assustadora a imparcialidade em relação às notícias. Não se trata de linha editorial, de opinião, é atribuir ou não a importância devida a um assunto.
Abraço
Renata

Renata em junho 10, 2009 10:32 AM


#33

PS: enquanto isso...o blog da petrobrás é um atentado á democracia. Socorro.

Renata em junho 10, 2009 10:33 AM


#34

NRA:
Sua insinuação não me comove porque é baseada em duas mentiras:
1. Os estudantes não se “aproximam”. Eles estão parados. Perto. Mas parados. Não há lei que diga que pessoas não possam ficar perto de policiais dizendo “Fora!” Ao contrário, a lei GARANTE a integridade física destes manifestantes.
2. Os policiais não se mexem, portanto não há prova que tenham sido impedidos de ir a nenhum lugar. Aliás, a ação era para garantir a ordem, certo? Ora, cabia a ele, portanto ficar apenas esperando que algo anormal e ilegal ocorresse. Portanto, sequer havia ali motivo para eles saírem dali, o que explica porque o vídeo mostra os dois grupos imóveis, sem nenhum problema ocorrendo.

João Paulo Rodrigues em junho 10, 2009 10:52 AM


#35

John bastos, veio trollar no blog errado. Volta pro viomundo, onde todo mundo sabe o quão "embasadas" e "coerentes" são suas ideias. aqui alguém pode achar que você está falando sério

João Sérgio em junho 10, 2009 11:03 AM


#36

Idelber,
Ontem, sem acessar a internet, assisti a telejornal. Fiquei muito apreensiva. Primeiro: a questão do fim da lei da imprensa e a defesa da auto regulamentação, feita pelos barões da mídia, com apoio do supremo ministro e de membros do legislativo. Lembrei, de pronto, do projeto do Azeredo contra a internet. Depois: o caso da USP que, na visão "global", foi confronto entre baderneiros e a polícia. Delineou-se em minha mente um quadro assustador. Preparam uma retomada do poder do tipo arrasa quarteirão. O Brasil de volta ao passado. E com o mundo dito "civilizado" (Europa) marchando para a direita. Assim, como diz a canção, "não dá para ser feliz".

Maria em junho 10, 2009 11:08 AM


#37

Caríssimo Idelber,

Engraçado mesmo é o esforço dos jornais para tratar como "confronto", ou seja, o encontro de duas forças, uma sessão pública de espancamento de manifestantes desarmados. Esse eufemismo, cretino na intenção e perverso nas consequências, é o mesmo expediente utilizado para qualificar de "rebeldes" e "insurgentes" os iraquianos e afegãos que formam grupos de resistência contra os soldados invasores dos Estados Unidos, estes chamados, quase carinhosamente, de "tropas de ocupação". Os acontecimentos na USP refletem, antes de tudo, a incapacidade de José Serra se movimentar politicamente dentro de conflitos sociais. Mas é definitivo como circunstância derradeira para se entender a morte moral e política desse grupo político liderado pelo PSDB, no qual co-existem, com status de linha auxiliar, o DEM e o PPS.

No mais, parabéns pela rapidez da análise e pelo brilhantismo do texto, aliás, sua marca registrada na blogosfera.

Forte abraço.

Leandro Fortes em junho 10, 2009 11:09 AM


#38

Caro Idelber, me permita um pequeno "jabá", por favor ?

Sei que há assuntos mais palpitantes, mas lá no meu espacinho escrevi um post sobre alimentos orgânicos, algo que muita gente fala e pouca gente conhece.

Pedro Migão em junho 10, 2009 11:11 AM


#39

Idelber,
Apesar de convencido de que a ação policial ontem foi desproporcional e afrontosa, de que, apesar de tudo o que foi dito sobre os erros do movimento grevista, um limite grave foi atingido de tal forma que mesmo quem não concorda com o movimento sindical deve repudiar a ação militar, ainda não consigo fazer essa transferência de responsabilidade para o Serra. Como bem lembrou alguém na outra caixa de comentários, a PM também reprimiu manifestantes no Fundão (Rio). Eu também ressaltaria a ação imbecil e desastrada da PM mineira que, ano passado, invadiu a UFMG para prender gente que assistia um documentário sobre descriminalização das drogas, com helicóptero e tudo. Não creio que havia mão do Cabral, nem do Aécio nas ações específicas de parte do corpo policial.
O que me parece é que a velha e boa truculência e despreparo da tropa e, sobretudo, dos comandantes é a quem se deve culpar. Poderia-se argumentar na base de um “ah, e então quem os chama para uma ação, como é que fica?”. Eu acredito que demonstra mais falta de interesse do que uma ação deliberada, haja visto que em 2007 a Tropa de Choque ficou de fora, já que a reitoria não a chamou, e quando, dias atrás, ela entrou no campus para se postar em frente à Reitoria, nenhuma pancadaria ocorreu.
A negociação ora em curso, ou ora atravancada, não passa pelo governo do estado, pelo que entendi do noticiário e pelo que me lembro do estatuto das estaduais paulistas. Há muito mais autonomia por lá do que nas Federais, por exemplo. A reitora, que peca pela ausência e alheamento, tem muito mais parte nisso. Sigo com o Vergílio de que antes de entrar no assunto corrida presidencial, deve-se entender o que ocorre dentro da USP, restabelecer padrões civilizados de convivência e divergência e encontrar uma saída negociada, pressionando a Reitoria a sair de seu misto de abulia e incompetência, assim como marginalizar os manifestantes adeptos de práticas insuportáveis no ambiente universitário.
É claro que mudo de idéia se surgir algo que ligue uma ordem direta do Serra para o desencadeamento da repressão desmesurada.
Um abraço.

PS: sei que o momento pede que este assunto fique em pauta, mas acho que você deveria dar uma olhada no que está ocorrendo no Peru, outro verdadeiro horror. Os vídeos no youtube fazem o caso Boliviano parecer assunto de crianças.

João Paulo Rodrigues em junho 10, 2009 11:11 AM


#40

John Bastos: o seu direito de discordar do post, até mesmo com linguagem dura, é sagrado. O seu direito de discordar de outros comentaristas, com argumentação, mesmo usando de retórica exaltada e pesada, é sagrado também.

Mas, na minha casa, ninguém chama outros comentaristas de "lixo humano", "vagabundo", "trapo" e "ratazana". Esse tipo de linguagem não é tolerado aqui, especialmente quando dirigido a outro comentarista.

Ofensas a mim são tratadas caso a caso, e a maioria passa. Ofensas desse nível a outros comentaristas implicam suspensão do privilégio de comentar aqui.

Então, até que você se acalme um pouquinho, o seu privilégio -- não direito -- de escrever aqui está suspenso.

Idelber em junho 10, 2009 11:16 AM


#41

Idelber,

Da mesma maneira que você, fiquei extremamente perturbado com as imagens da invasão da USP: afinal, passo a maior parte de meus dias dentro dos muros de uma universidade e, como você e vários outros que aqui deixaram comentários, já vi cenas similares em outros tempos de triste memória. Ontem, quis escrever um post mais longo no "Abobrinhas" fazendo uma reflexão sobre a questão, mas a indignação era tanta que o excesso de coisas a dizer acabou travando a escrita. Fiz só um breve comentário e reproduzi um trechinho de uma entrevista da Prof. Olgária Matos à Carta Maior, em 2007, quando a USP passou por uma situação bem similar à atual. Peço a sua licença para também transcrever aqui este trecho, que é absolutamente inquestionável. Ao ser perguntada sobre o significado simbólico da presença da PM no Campus e sobre se aquilo se tratava somente de autoritarismo, a professora disse:

"Não é autoritarismo, é pior. Porque quando há autoritarismo, ele previne muitas vezes o uso da força policial, porque já faz (implicitamente) o papel de polícia. Não é que os policiais sejam maus. Mas o que significa a presença da polícia armada dentro de um campus, sendo que as nossas únicas armas são os livros e o pensamento? É muito grave, porque se ocorrer isso, serão armas desiguais, e o recinto universitário é um lugar que fica distante do conflito armado urbano. Enviar a Polícia Militar neste caso é como tentar intimidar um movimento civil, intelectual e político dos estudantes. Seria responder a isso com a força bruta, então é totalmente absurdo".

Abraços e boa estada aqui no Rio.

Abobrinhas Psicodélicas em junho 10, 2009 11:26 AM


#42

Eu escrevi umas bobagens sobre pq temer o sr. jose serra:

http://pseudoplatitudes.wordpress.com/2009/06/10/eu-tenho-medo-do-serra/

Lucas em junho 10, 2009 11:34 AM


#43

Serra parece querer, cada vez mais, se legitimar perante a turma da "ordem e do progresso". Na falta de criatividade, é o discurso que sobrou para a oposição. Não vejo nada de improvisado nesse senhor. Aos poucos, ele vai mobilizando sua tropa de choque de eleitores ou apoiadores (da imprensa, do empresariado, dos estudantes e professores etc etc etc) que entendem o político como preservação da ordem, como garantia - no máximo - das liberdades individuais. O problema é que, para tal, sempre se justifica a mobilização de todas as formas de coerção para garantir - no máximo - a liberdade de ir e vir dos indivíduos. Não é acaso se, no Brasil, nossos liberais têm forte tendência autoritária, quase sempre justificando a violência e a barbárie para garantir a suposta ordem democrática (ordem democrática: que cada um fique no seu lugar, pois nossos pedagogos da prosperidade estariam decidindo o que é o melhor para o país).

henrique rodrigues em junho 10, 2009 11:35 AM


#44

Ah, e quem quiser saber oq anda pensando o movimento estudantil hoje, aproveita esse feriadão acá no rio e aparece lá:
http://www.congressodeestudantes.org.br/

sds

Lucas em junho 10, 2009 11:37 AM


#45


Como ex-aluno da USP (mais particularmente da ECA), gostaria de passar meu ponto de vista.

Quando estive lá, entre 2002 e 2005, tivemos apenas 1 greve de grande repercussão (em 2004, se não me falha a memória).

Eu, junto com outros alunos da ECA, liderei um movimento, apoiado amplamente pela maioria dos alunos, A FAVOR DA VOLTA DAS AULAS (tínhamos as assinaturas de mais de 80% dos alunos).

Fomos sumariamente ignorados, pela minoria do DCE, e pela maioria dos professores (que em geral entram em greve sob qualquer motivo, e NÃO REPÕEM AS AULAS).

Tive que ouvir groselhas do tipo "A greve é boa pq com ela se levanta a discussão sobre a USP",ou "quem não apoia a greve está no seu direito de não ser politizado".

O grupo que comanda o DCE e outras representações estudantis é tão truculento quanto o Serra e a polícia. Marcam assembleias em horários surreais, impedindo a participação de qualquer pessoa com uma agenda normal (acreditem, alguns de nós precisam trabalhar), e ignoram ou ridicularizam manifestações de opiniões contrárias.

Sou contra qualquer tipo de violência, e não estava lá pra saber quem atirou a primeira pedra, mas tenho certeza que o grupo de manifestantes não é tão polido e cortês quanto se pinta (vide a destruição na reitoria de tempos atrás).

Finalizando, acredito fortemente que não havia naquela manifestação grupo menos democrático que o dos manifestantes.

A democracia deveria ser a representação da vontade da maioria. O que vejo no DCE é a DITADURA DO PROLETARIADO, com a diferença que nem proletariados estes são, visto que parecem ter muito tempo livre pra articular um movimento ILEGÍTIMO, enquanto alguns precisam perder tempo com o próprio sustento.

Ah, segue o art. 224 do Código Eleitoral Brasileiro.

Será que as instituições estudantis topariam aplicar essa regra nos pleitos que organizam?

"Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do País nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias".


Lucas Couto em junho 10, 2009 11:46 AM


#46

Cara...

O único comentário a ser feito é que o José Serra é um desequilibrado.

Como você solta uma tropa de choque armada e treinada em cima de um bando de estudantes fazendo protesto pacífico?

Quanto Tempo Dura? em junho 10, 2009 11:49 AM


#47

manifesto apoio aos estudantes e repúdio a cúpula da universidade e da polícia, bem como do governo estadual.

Tiago Pereira em junho 10, 2009 12:14 PM


#48

manifesto apoio aos estudantes e repúdio a cúpula da universidade e da polícia, bem como do governo estadual.

Tiago Pereira em junho 10, 2009 12:15 PM


#49

Idelber, estou chocado.
eu deveria estar na FFLCH ontem, acabei não indo pois sabia q seria impossível dar a aula da qual sou monitor.
sou um crítico do movimento estudantil e essa greve me parecia sem nenhuma razão de ser... poderia me alongar em críticas aqui, mas não vou fazê-lo, pois depois das cenas q vejo publicadas aqui, já não faz sentido.
putaquepariu, esse governador é um verdadeiro animal!
nada justifica uma reação como essa da parte da PM. nada.
que tristeza!

dra em junho 10, 2009 12:25 PM


#50

É, parece que as opiniões estão divididas por aqui.

Agora, é de se espantar, mesmo, a facilidade com que a USP entra em greve e promove "ocupações". Praticamente todo ano tem greve na USP!! Acho que já incluíram no calendário. E, como bem disse um comentarista, os professores não repõem as aulas perdidas. Fazem, quando muito, um "eu finjo que estou repondo e você finge que está vindo".

A greve é um mecanismo de exceção. É atitude extrema. Quando utilizada a torto e a direito, além de perder a força como movimento reivindicatório, vai angariando a antipatia da população pela causa. Se aqui no Biscoito, blog de um cara reconhecidamente de esquerda, frequentado, evidentemente, por pessoas de ideário parecido com o do autor, encontra-se tal quantidade de comentários contra a greve, imagina o que pensa o resto do povo.

Essas greves da USP já torraram o saco. O meu e, pelo visto, de uma porrada de professores e alunos de lá.

Vinicius Duarte em junho 10, 2009 12:31 PM


#51

Excelente o post. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Se quisermos discutir o ME, o façamos depois disso. Ele já está radicalizado e insiste nesse tipo de ação (piquetes, invasões, geralmente decididos em assembléias esvaziadas) já há algum tempo - o componente diferente da equação é a forma da repressão. Nesse sentido, entra o elemento contingente (o vampiro Serra), mas também o estrutural como o apontado pelo Hugo, que sempre nos brinda com um post dentro do post: a revisão histórica da ditadura e a substituição de significantes que permitem uma revisão, em tempo real, também do presente (até porque não há revisão do passado que não seja ao mesmo tempo uma leitura do presente).

Alexandre Nodari em junho 10, 2009 12:32 PM


#52

é importante que sejam feitos alguns vídeos curtos para serem disponibilizados no youtube e orkut, falando sobre as reivindicações, as ações autoritárias da polícia, a posição inadmissível de SErra etc.

daniel valença em junho 10, 2009 12:40 PM


#53

Idelber,
já há algum tempo que sou leitora assídua do teu blog e algumas poucas vezes deixei comentários, todos eles out of topic. Para não perder o costume, quero deixar mais um (um pouco sem saber o quanto a intrusão desses assuntos que fogem ao post são bem-vindos ou não). Mas dessa vez acho que nem é tão out. Apenas queria divulgar um fato ainda mais estarrecedor do que estes últimos acontecimentos na USP, mas que envolve o uso totalmente desproporcional da violência policial contra manifestantes indefesos. Recebi alguns e-mails de antropólogos que trabalham na Amazônia Peruana denunciando um terrível massacre de indígenas. Segundo esses relatos, na madrugada do dia 5 de Junho, na cidade de Bagua, as forças policiais do Peru atacaram um grupo de lideranças indígenas desarmadas que estavam conduzindo uma protesta pacífica contra as mudanças anticonstitucionais da lei agenciadas pelo governo do pais. Nesse vídeo veiculado no youtube, dá pra se ter idéia da atrocidade que parece ter ocorrido: http://www.youtube.com/watch?v=rG7rHB1nnOw.

Lulli em junho 10, 2009 1:04 PM


#54

Lulli, os comentários off-topic bem educados como o seu sempre são bem-vindos. Não há nenhum problema.

Sim, estou acompanhando a situação no Peru. Bem de perto, inclusive. Não escrevi sobre ela ainda por absoluta falta de tempo e excesso de pauta. Mas é gravíssimo o que está acontecendo lá.

Idelber em junho 10, 2009 1:14 PM


#55

Em Florianópolis foram organizadas algumas manifestações do Passe Livre. Nas primeiras manifestações, a prefeita era Ângela Amin, esposa do Amin, ex-Arena - não precisa dizer mais nada - e por incrível que pareça ela negociou até o último momento, negociação que acabou na diminuição do preço das tarifas. Nas segundas manifestações, o prefeito era Dário Berger; depois de dizer que ninguém "mijará em sua cidade" (sic), o prefeito não só convocou a PM como também o exército para fazer plantão full time no Centro. Os policiais simplesmente chegavam atirando. Acho que nem todos conhecem o resultado, mas nesta ocasião a Manifestação chegou a 5 ou 6 mil pessoas espalhadas pela cidade, o que vale para imaginar o tamanho do problema. Fiquei pensando nesta situação como exemplo de um político que, com todos os defeitos, ainda se propõe a conversar; e outro, de um partido democrata, que fez o que fez. Aliás, Dário se reelegeu.

Victor da Rosa em junho 10, 2009 1:16 PM


#56

Nossa, esse blog é realmente emocionante, porque o texto-base para comentários gera uma série de outros temas, e a discussão parece não ter fim (já está na hora de eu ter um blog!!)

Mas enfim...essa questão é muito pertinente, pois vem de encontro com minha vivência como estudante universitário, e como filho de policiais civis.

Quando estudante da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), de 2001 a 2005, passei por três grandes greves, sendo que a última não me afetou porque estava me formando, e por aqui os professores têm o hábito de dar aula em greve para os alunos que estão nas últimas fases. A questão "greve de alunos" não existia até está última greve que citei.

Nesta mesma última greve, os estudantes invadiram a Reitoria e foram morar por ali, dormindo e comendo no lugar. Cabe ressaltar que tudo foi feito de forma pacífica, e que em nenhum momento houve quaisquer intervenções de qualquer força pública, até porque a UFSC é uma instituição federal, e a PM, em tese, não poderia entrar ali.

Esta mini-ilustração só é uma base para a minha argumentação...Vejamos:

1. A greve é um instrumento legítimo de luta e de reivindicação dos trabalhadores para que se atinjam melhores condições de trabalho e melhores salários. Em empresas privadas, muitas vezes ela é o único recurso para que se alcance alguma coisa. Todavia, a greve no funcionalismo público - ou pior - na Universidade Pública, muitas vezes se mostra insipiente, pois os alunos SEMPRE saem prejudicados e os professores e funcionários RARAMENTE conseguem atingir seus objetivos. A recuperação de aulas é terrível, nós fingimos que aprendemos alguma coisa, e os professores fingem que ensinam.

É importante destacar que por aqui a greve também é manipulada por uma minoria radical, altamente partidarizada, ainda mais minoria depois que o Lula assumiu o governo (nunca vou esquecer o dia em 2002 - Lula presidente eleito -que um professor meu falou que "não iria fazer greve nos próximos quatro anos, pelo menos"). Os alunos, principalmente, comportam-se como massa de manobra, adorando o momento "ficar sem aula".

Quero dizer isso para ilustrar que a greve na Universidade pode ter um aspecto reivindicatório, mas acaba vindo contaminada por resquícios de politicagem, por questões tão longe da realidade acadêmica, como a "destruição do capitalismo" e a "luta de classes", até porque é a ELITE que estuda em Universidades públicas, e desafio qualquer pessoa a me dizer o contrário. A maioria das pessoas que eu conhecia da universidade tinha carro, se não era seu papai emprestava para ir para aula...e quem ia de busão também não era nenhum pobretão. Por isso, fico um pouco intrigado quando vejo estudantes fazendo caída de "oprimidos sociais" nestas manifestações, pois como diz um amigo meu, não passam de "hippies credicard".

Enfim, a manifestação é válida, mas sem inocentes. O movimento estudantil permanece na Guerra Fria, está na hora de chegar ao século XXI.

2. A ida da PM ao campus da USP se deu para cumprir uma determinação judicial, até porque a greve não é compulsória...Se tem gente que quer ter aula na USP, e estes são maioria, estes tem que ter seu direito assegurado.

Todavia, a truculência da PM não é exclusividade do Estado de São Paulo, e passa por uma questão muito mais profunda que "polícia no campus". Nosso país, como um todo, passa por um problema grave de segurança pública, e este problema tem nas instituições Policiais Militares um de seus calcanhares de Aquiles. Por mais bem-intencionados que estejam os membros destas ditas instituições, a PM é um anacronismo que persiste no Brasil, pois é uma polícia puramente ostensiva, sem preparo, com um grau altíssimo de discricionariedade, isto é, nas mãos de policiais mal-pagos e incultos está o cumprimento da lei.

Com todo o histórico de tosquidão da PM, os estudantes não iam ficar quietos esperando o cassetete bombar em suas cabeças...não faz sentido! Existe violência por ambas as partes, mas como você disse, Idelber, o paralelismo aqui não existe, são estudantes de um lado e uma força pública do outro, provocação de um lado e bombas de outro. Não concordo quando um diz aqui que se o policial for xingado de filho-da-puta ele deve revidar...NÃO! Os policiais devem estar preparados para lidar com todo o tipo de manifestação. O problema é que temos uma polícia despreparada, a mercê dos poderosos de plantão, sendo que para eles não interessa uma polícia eficiente e cumpridora da lei (quando falo isso é que a polícia, para cumprir a lei, não precisa ser tosca), e sim uma polícia violenta para que os fascistóides babem de alegria com a agressão "aos vagabundos".

Acredito que o governador Serra não tem a ver diretamente com a ida da PM ao campus, até porque estes estavam lá para cumprir uma determinação judicial, mas ele também se serve dela para se eximir de maiores responsabilidades, como uma negociação com os grevistas. A questão da partidarização entra aqui de novo, pois assim como o comando de Greve preferiria ver o Serra queimando vivo, a recíproca é verdadeira.

Para voltar um pouquinho, é bom destacar que os professores universitários das instituições federais não receberam um aumentozinho sequer na época de FHC, e já recebem 20% por agora com o Lula, se não me engano...Isto é pra destacar que, apesar da radicalização e partidarização das greves nas instituições de ensino, existe uma diferença de abordagem do assunto entre um e outro...

Não sei se me alonguei muito, ou se ficou confuso...tenho que almoçar e a tarde vai ser corrida...Mas deixo aqui o meu relato, e convido você, Idelber, para vir tomar um choppinho aqui na minha linda Ilha da Magia...Perto da AP do Nodari tem um Chopp muito bom...Daí já convidamos ele para uma boa confraternização...Um abraço e parabéns pelo blog.

Raphael em junho 10, 2009 1:20 PM


#57

Só lembrando do episódio do ano passado na UFMG... a polícia entrou, cercou um prédio, rolou até helicóptero. O quê tava rolando? Alguns estudantes estavam assistindo o filme sobre a Maconha produzido pela revista Superinteressante! Que subversivo!
Depois do evento que deixou dois estudantes machucados (que queriam sair do prédio e foram impedidos pela polícia, reagiram e foram agredidos) houve uma grande manifestação na reitoria. Os reitores fecharam as portas e o pessoal que estava manifestando (estudantes, como eu, e alguns professores e funcionários e aquela "gente esquisita do movimento") ficou no invade não invade a reitoria, e eu fiquei ali batendo papo, provocando os seguranças parados diante das vidraças que isolam o hall da reitoria, dando uma de jornalista. "Que dureza, hein? Que jeito de ganhar a vida. E se a gente invadir, cês vão bater na gente?" E ele dizia, "eu só tô afim que isso acabe antes do horário de almoço". E: "Tenho ordens". Por fim achamos uma janela, entramos, virou festa, tivemos uma audiência (horas depois) e a reitora pediu desculpas, que também acha um absurdo, foi tudo um mal entendido que será esclarecido daqui a uns dias, então tá gente, brigada, tchau.
Eu escrevi essa crônica toda só para dizer: imagina se a gente estivesse fazendo algo realmente sério?

pedro em junho 10, 2009 1:21 PM


#58

Concordo que é estranho o aprendiz querer definir o que o mestre vai ensinar, mas tem hora que a universidade é tão conservadora que cabe os estudante exigirem mudanças curriculares, não? E as vezes eles podem conseguir apoio de autoridades comptetentes, como professores ou outros pensadores de fora da instituição, em que se apoiar para defender suas ideias (de mudança de currículo). Comentário de estudante que dá pitaco no currículo. Afinal, eu estudo licenciatura, uai. Minha matéria é o próprio ensino e o currículo.

pedro em junho 10, 2009 1:24 PM


#59

às 7 tem assembléia. Segue o último comunicado do CAF:
Prezados colegas,

Muitos devem ter acompanhado os fatos recentes pelos jornais, revistas, televisão, etc, mas segue um breve relato dos fatos gravíssimos que ocorreram hoje na cidade universitária.

Houve uma manifestação dos estudantes (programada e divulgada desde a semana passada) em frente ao portão um da USP com o intuito de divulgar o asco por grande parte da comunidade uspiana diante da presença de dezenas de policiais militares da força tática no campus que tem tentado impedir a greve dos funcionários, docentes e estudantes. Entre outras coisas, o ato distribuiu flores como forma de se manifestar à favor do diálogo e contra a força bruta. Por volta das cinco horas, a manifestação se dissolveu, mas diante a continuação do agito por parte de alguns estudantes, a polícia militar começou a jogar bombas de efeito moral e balas de borracha nos estudantes. Coisa como essa não se via há muito tempo. Então, os estudantes começaram a recuar e foram perseguidos até a FFLCH, com muitos tiros e bombas. Lá, uma bomba foi jogada dentro do prédio de história.

Não podemos nos calar diante destes fatos gravíssimos. O movimento está ganhando força e precisamos da colaboração de todos neste momento grave da história recente de nossa faculdade. Hoje, após os fatos, uma assembleia extraodinária dos estudantes da USP decidiu por fazer um ato em frente à reitoria amanhã às 14 horas e seguir até a Avenida Paulista, para expressar para a sociedade o choque diante da violência inédita (isto é, inédita desde a democratização do País provavelmente).

Assim, convocamos todos para participarem da paralisação na filosofia nesta quarta-feira e incorporar o ato. Lembramos que, por volta das 19 horas, haverá assembleia de curso para refletirmos sobre este acontecimentos escandalosos.

Por fim, a gestão do Centro Acadêmico pede que todos tenhamos muita calma neste momento, pois acreditamos no diálogo e não podemos, então, responder a violência com violência.

Atenciosamente,
Diretoria do CAF.

http://guaciara.wordpress.com/2009/06/09/a-usp-e-a-pm/

Tiago Mesquitra em junho 10, 2009 1:25 PM


#60

Excelente texto.
Exclente também a lembrança de um dos comentaristas de linka-lo com o post do Blog da Petrobrás. Quantos pesos e quantas medidas existem quando se levanta essa bandeira tão frágil da democracia?

Nenhum tema político, nenhum embate justifica a ação de militares dentro de uma universidade.

Respeitosamente linkei seu texto para que meus sete leitores também o vejam. ESpero que não haja problema.

Grande abraço pra ti
e total solidariedade com os estudantes e funcionários da USP.


Lili em junho 10, 2009 1:32 PM


#61

Agora, a história das administrações do PSDB de São Paulo estão se tornando bastante previsíveis. Retiram os direitos sociais, criminalizam os movimentos sociais, a ponto de uma liderança sindical já estar em cana e dois estudantews são tratados como foragidos.

Tiago Mesquita em junho 10, 2009 1:37 PM


Diego em junho 10, 2009 1:40 PM


#63

Perfeitas as sus colocações, inclusive os reparos ao movimento estudantil. Mas a assimetria é realmente notável - revela um uso desmetido da autoridade e da força, por parte do governador.
Não é admissível que a administração não encontre um caminho de diálogo. Fico imaginando um Serra presidente da República (xô!) num evento como o atrito que tivemos com a Bolívia, exacerbado pela mídia golpista: achoq ue ele mandaria tropas para Cochabamba, no mínimo!
Serra não mostra equilíbrio em qualquer ameaça de conflito - ele tenta esmagar os divergentes, pela força. Sua incompetência é generalizada (Saúde, Educação, Segurança Pública, Transportes - digam-me o que funciona medianamente em São Paulo?). Mas o pior é este autoritarismo, esta incapacidade de dialogar com a sociedade. Aos jornalistas, compra; aos funcionários humilha; aos estudantes, dá porrete! É assim que imaginou um dia governar o Brasil?

graciliano em junho 10, 2009 1:54 PM


#64

Repassando
-----Mensagem original-----
Enviada em: terça-feira, 9 de junho de 2009 22:42
Para: d-uspleste@listas.usp.br
Assunto: [d-uspleste] [Urgente e importante: tropa de choque na USP]

Caros colegas,
Encaminho, abaixo, relato que escrevi para lista de doutores que recebe os relatos do Conselho Universitário
Pablo

Prezados colegas,

Eu nunca utilizei essa lista para outro propósito que não informes sobre o que acontece no Co (transmitindo as pautas antes da reunião e depois enviando relatos). Essa lista esteve desativada desde a última reunião do Co porque o servidor na qual ela estava instalada teve problemas e, com a greve, não podia ser reparado. Dada a urgência dos atuais acontecimentos, consegui resgatar os emails e criar uma lista emergencial em outro servidor. O que os senhores lerão abaixo é um relato em primeira pessoa de um docente que vivenciou os atos de violência que aconteram poucas horas atrás na cidade universitária (e que seguem, no momento em que lhes escrevo – acabo de escutar a explosão de uma bomba). Peço perdão pelo uso desta lista para esse propósito, mas tenho certeza que os senhores perceberão a gravidade do caso.

Hoje, as associações de funcionários, estudantes e professores haviam deliberado por uma manifestação em frente à reitoria. A manifestação, que eu presenciei, foi completamente pacífica. Depois, as organizações de funcionários e estudantes saíram em passeata para o portão 1 para repudiar a presença da polícia do campus. Embora a Adusp não tivesse aderido a essa manifestação, eu, individualmente, a acompanhei para presenciar os fatos que, a essa altura, já se anunciavam. Os estudantes e funcionários chegaram ao portão 1 e ficaram cara a cara com os policiais militares, na altura da avenida Alvarenga. Houve as palavras de ordem usuais dos sindicatos contra a presença da polícia e xingamentos mais ou menos espontâneos por parte dos manifestantes.

Estimo cerca de 1200 pessoas nesta manifestação. Nesta altura, saí da manifestação, porque se iniciava assembléia dos docentes da USP que seria realizada no prédio da História/ Geografia. No decorrer da assembléia, chegaram relatos que a tropa de choque havia agredido os estudantes e funcionários e que se iniciava um tumulto de grandes proporções. A assembléia foi suspensa e saímos para o estacionamento e descemos as escadas que dão para a avenida Luciano Gualberto para ver o que estava acontecendo. Quando chegamos na altura do gramado, havia uma multidão de centenas de pessoas, a maioria estudantes correndo e a tropa de choque avançando e lançando bombas de concusão (falsamente chamadas de “efeito moral” porque soltam estilhaços e machucam bastante) e de gás lacrimogêneo. A multidão subiu correndo até o prédio da História/ Geografia, onde a assembléia havia sido interrompida e começou a chover bombas no estacionamento e entrada do prédio (mais ou menos em frente à lanchonete e entrada das rampas).

Sentimos um cheiro forte de gás lacrimogêneo e dezenas de nossos colegas começaram a passar mal devido aos efeitos do gás – lembro da professora Graziela, do professor Thomás, do professor Alessandro Soares, do professor Cogiolla, do professor Jorge Machado e da professora Lizete todos com os olhos inchados e vermelhos e tontos pelo efeito do gás. A multidão de cerca de 400 ou 500 pessoas ficou acuada neste edifício cercada pela polícia e 4 helicópteros. O clima era de pânico. Durante cerca de uma hora, pelo menos, se ouviu a explosão de bombas e o cheiro de gás invadia o prédio. Depois de uma tensão que parecia infinita, recebemos notícia que um pequeno grupo havia conseguido conversar com o chefe da tropa e persuadido de recuar. Neste momento, também, os estudantes no meio de um grande tumulto haviam conseguido fazer uma pequena assembléia de umas 200 pessoas (todas as outras dispersas e em pânico) e deliberado descer até o gramado (para fazer uma assembléia mais organizada). Neste momento, recebi notícia que meu colega Thomás Haddad havia descido até a reitoria para pedir bom senso ao chefe da tropa e foi recebido com gás de pimenta e passava muito mal. Ele estava na sede da Adusp se recuperando.

Durante a espera infinita no pátio da História, os relatos de agressões se multiplicavam. Escutei que a diretoria do Sintusp foi presa de maneira completamente arbitrária e vi vários estudantes que haviam sido espancados ou se machucado com as bombas de concusão (inclusive meu colega, professor Jorge Machado). Escutei relato de pelo menos três professores que tentaram mediar o conflito e foram agredidos. Na sede da Adusp, soube, por meio do relato de uma professora da TO que chegou cedo ao hospital que pelo menos dois estudantes e um funcionário haviam sido feridos. Dois colegas subiram lá agora há pouco (por volta das 7 e meia) e tiveram a entrada barrada – os seguranças não deixavam ninguém entrar e nenhum funcionário podia dar qualquer informação. Uma outra delegação de professores foi ao 93o DP para ver quantas pessoas haviam sido presas. A informação incompleta que recebo até agora é que dois funcionários do Sintusp foram presos – mas escutei relatos de primeira pessoa de que haveria mais presos.

A situação, agora, é de aparente tranquilidade. Há uma assembléia de professores que se reuniu novamente na História e estou indo para lá. A situação é gravíssima. Hoje me envergonho da nossa universidade ser dirigida por uma reitora que, alertada dos riscos (eu mesmo a alertei em reunião na última sexta-feira), autorizou que essa barbárie acontecesse num campus universitário. Estou cercado de colegas que estão chocados com a omissão da reitora. Na minha opinião, se a comunidade acadêmica não se mobilizar diante desses fatos gravíssimos, que atentam contra o diálogo, o bom senso e a liberdade de pensamento e ação, não sei mais.

Por favor, se acharem necessário, reenviem esse relato a quem julgarem que é conveniente.

Cordialmente,

Prof. Dr. Pablo Ortellado

Escola de Artes, Ciências e Humanidades

Universidade de São Paulo

Mario Abramo em junho 10, 2009 1:55 PM


#65

Impressiona a inabilidade de um político que se diz tão experimentado. Fosse ele minimamente democrático e preparado, teria colocado essa greve, fácil de ser resolvida, no bolso. Mas não, não sabe negociar. Não sabe governar, se cerca de incompetentes por todos os lado. O que faz, metye a pancada. Serra é o exemplo acabado de vanetão, que quando confrontado com algum argumento mais espinhoso desce o sarrafo. Ele foi tão incompetente que conseguiu ofuscar aquela que seja talvez a sua melhor realização no campo da saúde: uma clínica para tratar apenas de problemas de travestis e transgêneros.
Off topic, alguém tem a cópia da lei da identidade escolar para transexuais em BH°é de autoria do ex-prefeito Célio, dizem que é um primor

Tiago Mesquita em junho 10, 2009 1:58 PM


#66

Uai... Não sei o porquê, mas o link que deixei acima com o vídeo no youtube sobre o massacre dos indígenas no Peru estava levando a outra página. Segue um link corrigido http://www.youtube.com/watch?v=rG7rHB1nnOw
E mais outro com algumas entrevistas e outras informações sobre o que tem acontecido por lá: http://www.democracynow.org/2009/6/8/peruvian_police_accused_of_massacring_indigenous
As imagens são impressionantes.

Lulli em junho 10, 2009 2:04 PM


#67

Pedro (#17): Sua divergência foi na veia. Você tem toda a razão. Há que se consultar os estudantes sobre política curricular -- e eu o faço sempre.

Por isso, a partir do seu comentário, eu rasurei o que estava lá -- "dar pitaco" -- e substituí pelo que eu realmente queria dizer -- "ter voto" em matéria curricular. Isso eu acho que eles não devem ter.

Agora, sim, acho que concordamos. Muito obrigado, sua correção foi muito atinada.

Idelber em junho 10, 2009 2:13 PM


#68

Outra coisa que me irrita profundamente, além de todas as clarezas já apontadas, é como a polícia e o governador são FALSOS tratando da justificativa para a invasão. Eu vi vários jornais na banca, e cada um deles dá uma justificativa diferente. Tudo muito falso.

Olha esse comentário:
_________________

"Gente, tava indo pra Usp, ouvindo a radio Bandeirantes, era mais ou menos umas 18h00 e quando o repórter perguntou pro tal do Longo da PM pq eles entraram em confronto o cara disse: 'Porque os estudantes fizeram alguns policiais reféns e tivemos que resgatá-los', ai o repórter, incrédulo, repetiu tudo que ele disse (querendo dizer, 'cara, vc tá ouvindo o que vc tá falando?')"

daqui: http://breviario.org/perambulagens/2009/06/10/greve-na-usp-confronto-entre-estudantes-e-policia-militar/#comments
___________________

O Longo a quem ele se refere é o coronel responsável pela operação, Cláudio Longo. Cara de pau. Muito cara de pau.

pablo em junho 10, 2009 2:50 PM


#69

Outra coisa que me irrita profundamente, além de todas as clarezas já apontadas, é como a polícia e o governador são FALSOS tratando da justificativa para a invasão. Eu vi vários jornais na banca, e cada um deles dá uma justificativa diferente. Tudo muito falso.

Olha esse comentário:
_________________

"Gente, tava indo pra Usp, ouvindo a radio Bandeirantes, era mais ou menos umas 18h00 e quando o repórter perguntou pro tal do Longo da PM pq eles entraram em confronto o cara disse: 'Porque os estudantes fizeram alguns policiais reféns e tivemos que resgatá-los', ai o repórter, incrédulo, repetiu tudo que ele disse (querendo dizer, 'cara, vc tá ouvindo o que vc tá falando?')"

daqui: http://breviario.org/perambulagens/2009/06/10/greve-na-usp-confronto-entre-estudantes-e-policia-militar/#comments
___________________

O Longo a quem ele se refere é o coronel responsável pela operação, Cláudio Longo. Cara de pau. Muito cara de pau.

pablo em junho 10, 2009 2:51 PM


#70

Caro Idelber

Porque não há pessoas adultas, de sangue frio, em ambos os lados, que discutam no campo das idéias e das argumentações, como deve ser numa universidade, as possibilidades de acordo entre as partes? O que a polícia tem com isso? Os estudantes tem que se entender entre si, assim como os líderes sindicais dentro da universidade.
Esse confronto que me parece sem sentido, se serve para alguma coisa, serve para mostrar como age o governador , quiçá (deus nos livre) futuro presidente, diante de uma situação como essas.

Não consigo acreditar que isso aconteça tantas vezes em nosso país, mesmo após tanto tempo de ditadura. Sou baiana, estudei na federal e participei de momentos como esse de confronto entre policiais e estudantes universitários(!)e sempre acreditei que nosso coronelismo nos colocava atrás do resto do país. A imprensa baiana, hoje confusa e perdida, nunca foi capaz de ir contra o tal "painho".
Quando mudei para o sudeste, achei que esse tipo de coisa não aconteceria em capitais como São Paulo e Belo Horizonte (onde vivo hoje). Eu não poderia estar mais errada, enquanto Serra manda policiais "controlar" estudantes, seu comparsa Aécio controla com punhos de aço (!) toda a mídia mineira, de forma descarada que chega a ser patética.
Abraços
Rebeca

Rebeca em junho 10, 2009 3:42 PM


#71

Pra evitar repetir tanta coisa que já foi dita aqui, apenas assinalo que minha opinião coincide com a do João Vergílio, mas eu quero pôr uma ênfase bem grande no meu repúdio à atitude desastrada do Serra e da reitora na condução desse episódio. O movimento pode ser radical e ter cometido excessos graves (eu ouvi algumas histórias bem cabeludas de amigas que trabalham dentro da USP), mas eu não tenho a menor dúvida de que há outras formas de lidar com isso. E nenhuma delas passa pela truculência policial dentro da universidade.

Isto posto, eu quero dizer que li um relato muito bacana sobre uma situação semelhante e potencialmente violenta, ocorrida no campus da UFSCar, lá no blog da Mary W.

E desde ontem, estou me informando apenas por blogs e relatos de amigos que trabalham na USP. Aqui no Rio, os jornais impressos (e suas versões on line) estão dando uma notinha a respeito, sempre por esse viés do confronto entre baderneiros e policiais restauradores da ordem, e na televisão eu não vi nada. Nem ontem, no Jornal das 10, da GloboNews, nem no Jornal Hoje, na hora do almoço. Vergonhoso.

Ana Paula em junho 10, 2009 3:46 PM


#72

Deus me livre esse homem para presidente!

Ele conseguiu deixar as Polícias Civil e Militar e o Ensino Paulista em frangalhos!

É preconceituoso, autoritário, negligente!

Sobre esse fato, eu acho lamentável toda essa truculência! Sou a favor do diálogo, da manifestação pacífica, sem provocações!

Mas em 2007, quando houve a invasão da reitoria da USP, eu vi estudantes provocando a polícia, estudantes batendo nos capacetes dos policiais que estavam em cima das motos e eles não poderem fazer NADA! Aí quando um policial reage, vêm os Direitos Humanos reclamar! Tem esse lado da moeda também.

Posso estar errada, mas acho que se os policiais fizeram aquilo, é porque estavam cumprindo ordens, do ditador Serra.

Como disse um amigo meu: a vida acadêmica é curta. Quando se formar e tiver um pouco de sorte, vai estar no mercado para ralar muito e pagar imposto pra manter os bonitinhos que se acham donos da razão, com posições míopes!

E como disse o colunista Nassif. A universidade tem obrigação de prestar contas ao contribuinte e à comunidade, de modo geral.

Kiara em junho 10, 2009 3:50 PM


#73

Juro que esse vai ser o último comentário que coloco neste post sobre esse episódio sangrento que aconteceu no Peru na última semana. Mas é de causar arrepios de indignação ver as imagens dos corpos carbonizados, dos homens armados de pedras e paus contra os policiais em seus aparatos bélicos, das mulheres indígenas fazendo discursos plenos de dor e desespero pela morte dos parentes (como nos vídeos que linkei acima) e, depois, assistir à propaganda veiculada pelo governo peruano sobre o acontecido (tal como está no link http://www.youtube.com/watch?v=JDVgw4pbHEk ). Houve sim mortes entre os policiais, também terríveis, mas é impressionante a cara de pau do governo peruano na manipulação das informações. Guardadas as devidas proporções talvez haja alguma analogia com o assunto deste post.

Lulli em junho 10, 2009 3:54 PM


#74

eu também tendo a concordar com muito do que o João Vergílio diz, mas também acho que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa: nada justifica a boçalidade policial, seja essa boçalidade responsabilidade do Serra (eu acho que não) ou de outras pessoas

agora, o Serra deve se manifestar a respeito, para que possamos avaliar sua posição com mais propriedade

se ele permanecer calado, passarei a concordar com os que atribuem responsabilidade a ele nesse caso

de qualquer modo, vamos insistir no outro assunto, para que precisamos da mídia empresarial?

estou acompanhando esse assunto da USP apenas por blogs , assim como a situação no Peru, assuntos a que a mídia não parece dar qualquer importância

se fosse uma universidade iraniana, aí sim: manchete e repetição do assunto o dia inteiro

se fossem indios brasileiros, o Lula tava crucificado

além disso, foi apenas pela rede que soube da morte da Koko Taylor, uma ótima cantora de blues americana

abçs

rabbit em junho 10, 2009 3:59 PM


#75

Acho que há outras ocorrências que parecem traçar um certo perfil do (des)preparo da PM em atuações contra manisfestações e que deveriam ser lembradas;
Em 2008, depois de uma briga entre duas adolecentes da Escola Estadual Amadeu Amaral a força policial foi acionada e 40 homens da PM armados de cassetes espancaram, lançaram bombas de gás e spray de pimenta contra garotos de 7 a 14 anos. O 'confronto' deixou vários garotos feridos. Alguns alunos foram trancados em suas salas onde eram jogados bombas de gás pimenta, como no 'confronto', no antigo Carandirú, em que os presos eram trancados em suas selas e igualmente bombardeados com gás e rajadas de fusís.
Mais recentemente, neste ano, houve 'confronto' entre a PM e os alunos da 8º série do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Antônio Firmino de Proença que e teve como motivação a 'invasão' do colégio por dois garotos, um de 14 anos e outro de 16 que pularam o muro da escola com a intenção de usar um dos computadores com acesso à internet. Pegos em 'flagrante' se esconderam no banheiro e se recusaram a sair. O diretor da escola chamou a polícia que lançou gás de pimenta dentro do banheiro na intenção que os alunos evacuassem o recinto.
Após a ação na USP a polícia declarou que 'A atuação da Polícia Militar, desenvolvida de maneira técnica e profissional, objetiva sempre garantir a segurança, a tranquilidade e a salubridade das pessoas envolvidas no movimento, incluindo os próprios manifestantes."
Com se pode ver existe um padrão de técnica e profissionalismo que PM paulista vem seguindo à risca. Uma norma.
Se no caso da USP a agressão da PM fosse um fato isolado seria até aceitável a desculpa de erro da polícia. Mas quando a ação se torna um padrão , como é o caso, a culpa é do estado, cujo governador é José Serra, e de uma visão equivocada de política de segurança onde a PM não sabe distinguir entre manifestação social e combate ao crime.
Apartir deste ano as escolas estaduais ganharão um aparelho repressivo imenso. Serão câmeras, catracas e grades além da presença de policiais dentro das escolas, ou seja repressão.

fm em junho 10, 2009 4:05 PM


#76

Lulli:

Venho acompanhando com preocupação a situação no Peru, especialmente porque tenho uma amiga Peruana que está envolvida com os protestos. No meu blog coloquei o seguinte post (parte dele):

"Uma amiga minha Peruana esteve nas manifestações indígenas - felizmente não sofreu nada e está bem - e mandou essa msg pelo Facebook:

“Por la solidaridad con los fallecidos (indígenas y policías), por el cese a la violencia, por un gobierno que sea capaz de reconocer y responsabilizarse por sus grandes y fatales acciones e inacciones, por el respeto a los derechos de todos y de los menos favorecidos, por la selva: Este jueves 11 de junio, gran marcha para decir Basta!!”

E uma outra sobre a situação:

” la situación aquí es extrema… hay muchos fallecidos policías e indígenas, lo peor es que la muerte de estos segundos se relativiza o no se informa… la gente llama pidiendo ayuda y respeto a sus derechos, mientrsa que la normatividad que desencadenó todo esto sigue vigente… estamos ahora tratando que las cosas no se agraven aún más… espero que la ciudadanía actúe para contrarrestar en algo esta situación, y que el gobierno haga una salida pacífica de una vez por todas…”"

Esses slides mostram um pouco da situação de violência extrema: http://www.slideshare.net/Pampadeloslibres/masacre-de-campesinos-en-per?type=presentation

No mais, relacionado ao texto do post do Idelber:

Violência policial contra movimento estudantil é um absurdo em QUALQUER situação. Eu também já fui de Diretório Acadêmico em Recife, fui militante do PSTU e do PT por lá e já participei de dezenas de greves e manifestações e é impressionante como a polícia quer e pede pra ser provocada.

Eles esperam qualquer coisa para avançar e espancar quem puderem, ficam xingando os estudantes, ameaçando e criando um clima péssimo À espera da pancadaria.

Ha alguns anos o centro de Recife virou campo de batalha quando a polícia resolveu espancar milhares de estudantes que protestavam pelo PAsse Livre. Eu consegui escapar mas amigos meus foram presos, tiveram o braço quebrado, passaram horas algemados, no chão, sendo chutados e humilhados... Tudo porque um grupo de 5 ou 6 punks apedrejaram um ônibus com a direção toda do ME pedindo para parar e avisando À polícia que desaprovava a atitude...

Alguns dia depois o Comandante da PM foi exonerado, a OAB nos deu respaldo e marchamos, mais de 6 mil pelas ruas, numa das maiores manifestações em Recife desde o Regime Militar...

Polícia é igual À marginalidade. Os PM's são totalmente despreparados, os comandantes só querem brigar e manter uma pseudo-ordem onde todos aceitam suas ordens sem reclamar... E, claro, a culpa de tudo isso aqui é do Serra, que manda na PM, que se recusa a negociar.

Raphael Garcia em junho 10, 2009 4:06 PM


#77

Idelber, deixa eu me apresentar porque eu fui muito mal educado: eu sou economista, trabalho na Petrobras, mas depois de quatro anos na área de postos fui trabalhar na Universidade Corporativa da empresa.

Embora não trabalhe diretamente com currículos - trabalho com gestão - vejo o que é feito aqui e é assim que procede.

Penso pessoalmente que os alunos até podem ter voto - ou não - desde que com um peso bem menor. Não é uma questão que seja um "cavalo de batalha" para mim.

Fico contente em ver que colaborei modestamente.

abs

Pedro Migão em junho 10, 2009 4:19 PM


#78

Idelber, encontrei o áudio da Rádio Bandeirantes.

aqui: http://www.radiobandeirantes.com.br/notas.asp?ID=148802 , aos 15 minutos e 30:

"um grupo pegou os policiais que tavam aqui dentro, de motocicleta, e fizeram reféns. começaram a agredir os policiais e a tropa teve que ir em socorro"

(as palavras do tal comandante, pouco depois de começar o ataque.)

e tem gente que acredita que a polícia é confiável.

pablo em junho 10, 2009 4:19 PM


#79

A questão é entre ser e dever/ser, mas de um jeito bem mais rasteiro que o filosófico: a polícia deveria ser confiável. Por isso, os mais apressados e/ou conformados acham que é...

Basta ver os vídeos para constatar que as manifestações da PM a respeito do ocorrido são uma afronta à inteligência.

Vinícius em junho 10, 2009 4:23 PM


#80

Mais um depoimento, com links, vídeos feitos por estudantes da USP e etc, de quem esteve lá:

http://tsavkko.blogspot.com/2009/06/usp-invadida-brutalidade-policial-2.html

"Olá,


Peço que percam o tempo de vocês vendo cada uma dessas coisas.
Eu estava lá, mas não me machuquei. Já o Bruno está com um pequeno hematoma na perna, estilhaço de uma granada de borracha, que eles insistem em chamar de bomba de efeito MORAL.
Recolhemos estilhaços da granada, vou fotografá-los e mando em seguida.


Não consegui tirar fotos na hora do confronto (tirei muitas antes e algumas depois; em breve estarão todas aqui: http://www.picasa.google.com.br/uspsitiada), porque evidentemente estava assustada e tentando me proteger.


Outras pessoas, porém, fotografaram; para ver, cliquem nesses dois links abaixo.
http://midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448626.shtml
http://midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448641.shtml


Abaixo, há dois vídeos da Globo. O que os apresentadores dizem é criminoso, pra sustentar sua posição contrária a nós e favorável à polícia, eles mentem mesmo, dão informações factuais erradas (explico pra vocês depois). Mas mesmo assim, VALE VER, porque tem imagens aéreas.

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1055012-7823-PROTESTO+NA+USP+PROFESSORES+ESTUDANTES+E+FUNCIONARIOS+ENFRENTAM+POLICIA,00.html


http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1055244-7823-SEGURANCA+E+REFORCADA+DA+USP,00.html


Aqui, um vídeo feito por algum estudante, mostra bem a coisa toda.
http://www.youtube.com/watch?v=SF71x_cMWy0


Aqui, um vídeo feito DE DENTRO DO PRÉDIO DA FACULDADE DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA. Vejam que eles jogaram as bombas na entrada do prédio e o gás lacrimogênio entrou; muitas pessoas passaram mal. Inalei bastante gás nessa hora (e em outras também), mas estou bem. Nessa hora também, nossos professores estavam com a gente; alguns desceram pra tentar conversar com os policiais, que jogaram granadas nos pés deles; uma funcionária que também tentou recebeu spray de pimenta no rosto.


http://www.youtube.com/watch?v=deUf8An9Q1o


A Folha de S.Paulo fez a cobertura mais decente que li até agora -- um fotógrafo deles fotografou um estudante apanhando com cassetete e também ele levou porrada:


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1006200901.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1006200902.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1006200903.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1006200904.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1006200905.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1006200906.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1006200907.htm


POR FAVOR ENCAMINHEM PRA SUAS LISTAS DE E-MAIL.
O que fizeram ontem na USP é inadmissível, trataram quem luta pela universidade pública como criminosos. Estamos todos desolados, mas os fascistas NÃO PASSARÃO!

Beijos,
--
Daniela Alarcon!"


Raphael Garcia em junho 10, 2009 4:26 PM


#81

Idelber, nao use esse lamentavel episohdio apra fazer politica anti-Serra. O que acontece na USP nao depende do governador,critique a reitora se quiser.
Dois, a acao da PM eh extremamente lamentahvel, mas quem acompanhou isso desde 2007 saber que ERA isso que o Sintusp queria. Em 2007 o batalhao manteve o contrle, dessa vez nao resistiram as provocacoes. politicamente foi um grande ganho para o Sintusp como vc estah a explorar na sua campanha anti-Serra (Nota, tambem nao gosto nada do Serra, mas nao jsutifica distocer os fatos).

Eh ruim a Pm entrar no campus. Sim, mas quando a USP se volta contra ela prohpria eh responsabildiade do reitor zelar pela seguranca e acesso publico ao campus. O sintusp a Adusp e os alunos podem e devem se manisfestar a vontade, mas impedir com truculencia o acesso aos predios e ameacar a integridade fisica dos mesmos nao dpoes er adimissivel como moeda de negociacao. Eu digo QUALQUER reitor teria que tomar essa atitude, sejad e esquerda, direita, centro, ateu, crente, anarquista, Comunista, o que fosse. O lamentahvel eh quea PM nao resistiu as provocacoes e agora a turma do Brandao tem seus martires como tanto queriam.

Ricardo Leao em junho 10, 2009 4:27 PM


#82

Idelber, postei mais um depoimento aqui mas o filtro pegou pq tinha muitos links, quando der, pode liberar?

grande abraço!

Raphael Garcia em junho 10, 2009 4:29 PM


#83

Lendo os comentahrios tenho qeu parabenizar o raphael (#55) pela clareza de opinioes. Achoq eu como universitario que sofreu pra burero com greves nas Federais (como eu sofri na UFMG) e filho de policial ele consegue des-demonizar a situacao.
Soh uma resalva. O Governador de Sao Paulo seja ele quem for NAO negocia salario com o docentes e funcionarios da USP, Unicanp e UNESP. Isso eh fato e se deve a autonomia das estaduais paulistas. Quem negocia eh a CRUESP, que eh o forumd os reitores das 3 Universidades, com o forum das 6 que representa as organizacoes sindicais dessas Universidades. O Serra nem quer saber o que ocorre na USP, nao eh mais responsabilidade dele ou de nehum governador.

Ricardo Leao em junho 10, 2009 4:37 PM


#84

O Serra bem que tentou acabar com a autonomia universitaria logo que foi eleito governador, né? Agora ele deve estar super aliviado por não ter conseguido e ter essa desculpinha da autonomia para se eximir deste episódio lamentável.

Daniel em junho 10, 2009 4:44 PM


#85

Caro Ricardo Leão,
Desde ontem, quando eu vi na televisão polícia na USP estou meio em choque. Mais ou menos como naquela noite de 1977 quando comecei a ouvir os relatos da invasão da PUC-SP. Só que naquele tempo tinha um demente na Secretaria de Segurança. Parece que não mudou nada.
Eximir o Serra de sua responsabilidade? Como, nas palavras de outro blogueiro, se até o mundo mineral sabia que a Suely era candidata dele? Só se for para partilhar com os professores que votaram nela.
Como, se é notório e sabido que a PM é totalmente incapaz para controlar manifestações de massa sem violência? Tá certo, pode repartir a culpa com o Álvaro Dias, que jogou cavalaria contra professores.
Como, se anos e anos de deteroriação de salários e dos serviços públicos e a incapacidade de diálogo com movimentos de massa são marca registrada desse partido do sr Serra? Ok, pode dividir a culpa com o FHC e o Paulo Renato.
Tá certo. Não precisa ser anti-Serra. Basta ser anti-PSDB.
Abraços

Mario Abramo em junho 10, 2009 5:31 PM


#86

O serra quis limitar a autonomia Universitahria no primeiro dia do mandato. Os reitores e a comunidade se manifestaram imediatamente de maneira contundente e o governador desistiu disso logo, antes da invasao do estudantes e da greve de 2007. (na hora da publicacao dos decretos do Serra eu entrariad e greve e sairia a rua imediatamente, Me surpreendeu que a ADUSP soh foi fazer greve em Maio na data-base, depois qeu tudo estava resolvido e na onda doa invasao estudantil. Idem para a sintusp. Ou sej, o que importa mesmo eh o capital nao a autonomia Universitaria).

Eh revoltante e lamentahvel ver violencia no campus. seja ela policial OU de quem quer que seja. A Universidade eh local de debate nao de porrada. Mas eh hipocrisia quere que o campups Universitahrios eja um local onde a policia nunca entrasse. ela eh um orgaod e seguranca publica. O que estah acontecendo eh que o moviemnto sindical e estudantil estah ultrapassando o limite que se deve ter nessas situacoes. No momento em que se impede o acesso ao campus ou aos predios publicos e no momento que se ocupa esses predios e alem do impedimento ao trabalho se danifica o patrimomio,nao hah motivo que justifique isso. Qualquer negociacal racional nao pdoe envolver esse tipo de moeda sob a pena de a Universidade parar por qualquer pretexto, jah que invasoes e ocupacoes viraram objetos de pressao legitimos. ha-se de concordar que isso nao eh compativel com um regime democratico muito menos com o ambiente Universitahrio, especialmente em temposd e Democracie (gostem ou nao o Serra foi eleito, como o Lula foi).
eh ingenuidade exigir que um reitor nao ussasse das forcas publicas de seguranca para garantir a posse dos predios publicos depois de intensas necociacoes como foi em 2007. Esse ano como se repetiu o que ocorreu 2 anos atras a reitoria foi mais apressada. O fato eh que o desfecho infelzizmente era previsivel e nao eh culpa exclusiva da reitora mas das pessoas que extrapolaram os limites da manifestacao democratica para usar da intimidacao e do achaque, como se ve todo ano que tem greve e se temta entrar no campus (piquete pedagio, filas enormes, quando nao fecham simplesmente os portoes e agora as invasoes e ocupacoes)e que SABIAM o que ia acontecer e QUERIAM esse desfecho.
Quem foi mais prejudicado? Todos. A reitora que vai ser marcada por esse fato lamentaval, o movimetno sindical que soh vai radicalizar, todfa a comunidade Universitahria que todo Maio vai sofer os trnastornos dessa luta politica (sem resultado pratico para a maioria da comunidade) e a USP principalmente, que vai se tornando refem de uma luta politica praticada por uma minoria.
eh essa a Universidade que queremos? Uma Universidade que atos de guerrilha sao o modus operandi das negociacoes salarias?

Ricardo Leao em junho 10, 2009 5:50 PM


#87

Pois para mim estah claro que a Sintusp tem muito mais responsabilidade nisso do que o Serra que nem quer saber onde fica a USP ma. eles forcaram a barra, else queriam isso, agora tems seus martires. Eles ganharam, a Suely estah desmoralizada.

Para mim a Sintusp revelou bem a sua agenda destrutiva quando por um motivo injustufucavel boicotou e inviabilizou o congresso da USP ano passado, uma conquista de toda a comunidade para discutir o futuro da USP e um novo estatuto.

Ricardo Leao em junho 10, 2009 5:57 PM


#88

Para quem nao se lembra, em 2007 os estudantes e funcionaros que ocupavam a reitoria cantavam pedindo a presenca da PM. Eles queriam guerra e infelizmente guerra eles tiveram. Para o jubilo de alguns.

Ricardo Leao em junho 10, 2009 6:02 PM


#89

"eh ingenuidade exigir que um reitor nao ussasse das forcas publicas de seguranca para garantir a posse dos predios publicos depois de intensas necociacoes como foi em 2007."

Não entendi o raciocínio. Pois se a posse dos prédios públicos só foi conseguida depois de intensas negociações, como você próprio diz, Ricardo, qual a lógica de se dar dez passos para trás e em lugar de continuar negociando, apelar para a força? Bem, para mim, a única lógica por trás de tamanho absurdo é o fato de o interlocutor ser fraco demais e precisar importar a força que lhe falta, no caso, a da polícia. A ingenuidade estaria onde então, em não se ter previsto a covardia da reitora?

Cláudia em junho 10, 2009 6:25 PM


#90

parabéns ao governador José Serra pela coragem. este é um movimento claramente articulado por pilantras da política sindical. e daqui por diante os sindicalistas ligados ao governo federal e a Lula vão fazer de tudo, de TUDO MESMO (atenção!!) pra bagunçar e tumultuar e já escolheram São Paulo como base do seu projeto de inviabilizar uma provável derrota do PT e aliados em 2010. serão capazes de TUDO, até mesmo apelar pro terrorismo ou bagunçar a tal ponto que haja um problema institucional. por que estes sindicalistas não se dirigem pra Brasília e lá pressionar o Ministério da Educação??????? fazer piquetes lá, invadir o Ministério e exigir do Ministro suas solicitações??? agora q é lamentável ver uma pessoa do nível do senhor Idelber Avelar se prestar a um serviço desse tão baixo, é sim. triste sua posição professor. se a esquerda vai perder em 2010, por favor seja civilizado, aceite a derrota e ponha sua viola no saco.

nilson barreto em junho 10, 2009 6:34 PM


#91

Pq a reintegracao de posse me 2007 soh foi obtida depois de mais de um mes e com danos fisicos ao predios. Dessa vez ela jah chamou a PM, o que ela hesitou em fazer em 2007.
O que eh claro para mim e muitos eh que a Suely nao tem habilidade nessas situacoes. Em 2007 ela hesitou ao maximo em pedir a reintegracao de posse. De certa forma o Sintusp achou que esse ano ela seria tolerante novamente e abusou de novo e dessa vez ela jah chamou a PM e radicalizou.
Nao hah vencedores nisso, soh um perdedor a USP.

Ricardo Leao em junho 10, 2009 7:04 PM


#92

Inacreditável a quantidade de gente defendendo a pancadaria da PM nos estudantes. Como bem disse um filósofo aí acima, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Nada justifica cassetetes, bombas e gas lacrimogeneo, spray de pimenta. Mas algo explica: o hábito de usar violência pra resolver os problemas, não perdido depois do fim da ditadura.

Renata L em junho 10, 2009 7:10 PM


#93

A ingenuidade seria achar que se fosse um reitor X eleito " democraticamente" e amigo dos alunos e funcionarios e ideologicamente ligado aos sindicatos ele nao agisse de forma semelhante se colocado na mesma situacao (e talvez muitos aqui o aplaudissem, pois teriam identificaco ideologica com ele e nao com os manifestantes).
O ponto que quero chegar eh esse. Se forcou uma situacao limite para se obter um ganho politico de um pequeno grupo de servidores e docentes. Se o reitor fosse de " esquerda" e o grupo que invadisse a adminstracao e impedisse os alunos e docentes e funcionarios de entrar nos predios fossem de " direita" e o reitor chamasse a policia, como a maioria aqui se manisfestaria? Ou o filtro ideologico aqui eh grande?

Ricardo Leao em junho 10, 2009 7:11 PM


#94

Isso tá uma palhaçada do cacete. Pelos relatos dos meus colegas, a polícia (sem identificação, com o devido aval/ordem do Serra pra bater) partiu pra agressão sem que houvesse qualquer violência por parte dos estudantes; espancou gente rendida; foi pra cima de pessoas que sequer sabiam o que estava acontecendo e que passavam por ali por acaso; atingiu professores com balas de borracha; perseguiu e encurralou os manifestantes no prédio da História e encheu o lugar de bombas de gás (o que pode ser visto no Youtube). É difícil acreditar que o Serra já tenha sido presidente da UNE. Aliás, é difícil acreditar em tamanha estupidez e intransigência.

Mateus Roman Pamboukian em junho 10, 2009 7:16 PM


#95

Idelber, vc acha correta, dentro de um campus, a prisão de alguém que chamou os policiais de filhos da puta? Se não houve intimidação por parte dos alunos, o q é um grupo de pessoas cercando policiais gritando a plenos pulmões para que eles saiam (e olha q não estou agora falando em xingamentos).

A polícia ali está cumprindo uma decisão judicial. Não está ali por causa do Serra. Ou o Serra é tão mal que tb manda no judiciário? E vamos lá, se algum policial agrediu uma estudante e deu início à confusão (o que acho perfeitamente possível), vc realmente acha que tal agressão é fruto de uma tática do Serra ou do descontrole de um policial??

Essa greve é de sindicalistas e de estudantes profissionais, que estão lá há mais de uma década. Eles claramente impedem e dificultam, isso quando não impedem, o trabalho e estudo de quem não está nem aí para greve. Ou como vc entende um caminhão de som passando pelo campus enquanto alunos que não aderiram à greve fazem prova???

Pedro em junho 10, 2009 7:32 PM


#96

Ateção: a USP, na opinião do blogueiro e de vários comentaristas, deve ser uma terra sem lei. Tudo é permitido, desde espancar alunos e professores q não querem greve e querem estudar / trabalhar, pode ocupar prédio público e parar TODA uma instituição de ensino, podem depredar este patrimônio, e - melhor de tudo - podem fazer isso sem nem mesmo representarem a maioria simples dos alunos e professores que fazem a USP.

Pq podem fazer isso? Pq a polícia não pode entrar na USP. Não, é facismo. Democracia é invasão, é depredação, é violência contra quem tem vergonha na cara e vai pra universidade estudar e trabalhar, não fazer serviço sujo de partido político.

Facista é achar q 5% podem interferir nas vidas de 95%. facista é impedir o direito de ir e vir, fechando vias, prédios e afins. Facista é não ser nem mais aluno da universidade e ainda ocupar o domritório, por ser um agitador político profissional.

Facista é se fazer de coitado quando a polícia cumpre seu dever, que é o de resguardar os direitos da MAIORIA de uma MINORIA que se pretende dona dos destinos alheios.

Que a polícia entre no campus sempre que os FACISTAS DE ESQUERDA (e fique claro: nem todo esquerdista é facista) ameaçarem a ordem do campus.

Rodrigo Leme em junho 10, 2009 7:47 PM


#97

Ateção: a USP, na opinião do blogueiro e de vários comentaristas, deve ser uma terra sem lei. Tudo é permitido, desde espancar alunos e professores q não querem greve e querem estudar / trabalhar, pode ocupar prédio público e parar TODA uma instituição de ensino, podem depredar este patrimônio, e - melhor de tudo - podem fazer isso sem nem mesmo representarem a maioria simples dos alunos e professores que fazem a USP.

Pq podem fazer isso? Pq a polícia não pode entrar na USP. Não, é facismo. Democracia é invasão, é depredação, é violência contra quem tem vergonha na cara e vai pra universidade estudar e trabalhar, não fazer serviço sujo de partido político.

Facista é achar q 5% podem interferir nas vidas de 95%. facista é impedir o direito de ir e vir, fechando vias, prédios e afins. Facista é não ser nem mais aluno da universidade e ainda ocupar o domritório, por ser um agitador político profissional.

Facista é se fazer de coitado quando a polícia cumpre seu dever, que é o de resguardar os direitos da MAIORIA de uma MINORIA que se pretende dona dos destinos alheios.

Que a polícia entre no campus sempre que os FACISTAS DE ESQUERDA (e fique claro: nem todo esquerdista é facista) ameaçarem a ordem do campus. Quem pretende proibir a polícia de entrar em qualquer lugar pra cumprir seu dever é bandido ou cúmplice.

Rodrigo Leme em junho 10, 2009 7:48 PM


#98

Seu Nilson, quem faz de tudo pra ganhar a próxima eleição é a turma do Serra, já que não consegue acabar com a popularidade de Lula, nem sabotar seu governo bem-sucedido.
Quanto a ir a Brasília, pra quê? A USP é estadual, sabia? Nós, professores federais, estamos satisfeitos com o governo Lula, que concedeu reajustes salariais, criou plano de carreira e abriu muitos concursos, devido à ampliação de vagas, depois de dois desgovernos lastimáveis de FHC e sua turma. Essa mesma de Serra, como sabes, que, desse jeito, não ganha eleição nem pra síndico, a não ser em edifício da alta classe média de direita.

Jair Fonseca em junho 10, 2009 7:55 PM


#99

Ricardo
O reitor não é exatamente eleito democraticamente. São escolhidos três nomes e desses três um é escolhido pelo governador. Suely foi escolhida por Geraldo Alckmin.
Outra coisa, sobre esses danos físicos ao prédio da reitoria. Você viu in loco ou leu a respeito?

Cláudia em junho 10, 2009 8:01 PM


#100

E o mais significativo nessa celeuma toda é que Serra começou sua carreira política no movimento estudantil, de esquerda. Isso soa muito irônico, quanto ao governador de SP (e tantos outros vira-folhas) e quanto ao próprio movimento estudantil.
Cuidado, meninos e meninas. Duplamente, cuidado!
A trajetória política de figuras da classe média tem dessas coisas.

Jair Fonseca em junho 10, 2009 8:04 PM


#101

Rodrigo

Você está sabendo, não está, que a greve dos alunos e professores começou DEPOIS da entrada da PM no campus? Ou seja: que antes da entrada, não havia imedimento algum da parte de ninguém para dar aulas ou assistir aulas?

Maria Clara em junho 10, 2009 8:04 PM


#102

São escolhidos três nomes pelo Conselho Universitário...

Cláudia em junho 10, 2009 8:07 PM


#103

Algumas pessoas acham que a violência policial se justifica dada a atitude belicosa dos manifestantes. Como o Idelber e diversos outros, tenho restrições ao movimento estudantil e imagino que não foi um protesto 100% pacífico.

Entretanto, sinto dizer que o procedimento da polícia foi inaceitável e típica de instituições que ainda não entenderam direito o conceito de "civilização". Vou compartilhar com vocês uma cena que eu mesmo presenciei, no metrô de Paris.

Quem já foi a Paris deve ter notado que o policiamento ostensivo é feito principalmente por uns indivíduos bastante grandes e fortes. Decididamente eles impõem respeito. Por outro lado, o Metrô de Paris, apesar de muito eficiente, é (ou era) bastante sujo e frequentado por vendedores ambulantes.

Estava eu passando por um corredor, quando vi um vendedor imigrante (que devia ser ilegal) berrando com uma dupla de policiais. Berrando, gesticulando e botando o dedo na cara dos gendarmes. A bronca era com eles, nítidamente.

E qual era a atitude dos policiais? Pelos padrões de muitos comentaristas, certamente a atitude correta seria partir pra cima do homem e enfiar o cassetete. Ele estava pedindo, não estava? Desrespeito total à autoridade.

Pasmem. Eles estavam absolutamente imóveis, ** de braços cruzados **, simplesmente olhando para cara do imigrante. Passivos. Provavelmente esperando o cara cansar de berrar.

Isso, senhores, é uma polícia civilizada que sabe agir de acordo com as circunstâncias.

Eles sabiam que o cara não os ameaçava. Não tinha armas nem físico para isso.

O que a PM fez ontem foi inaceitável, independente de qualquer coisa que tenha sido dita pelos manifestantes.

Mauricio em junho 10, 2009 8:10 PM


#104

caro Jajá Fonseca

reitero meus parabéns ao governador José Serra. e tenho medo do que vcs da esquerda sindical podem ser capazes de fazer com a derrota de Dilma/Lula em 2010. se perderem vão apelar pro terrorismo? matar inocentes? vão fazer oposição de braços dados com Sarney, Renan Calheiros, Edson Lobão? já era, Jajá. 2010 é depois de amanhã e se vcs perderem???????

nilson barreto em junho 10, 2009 8:11 PM


#105

Olá, Idelber
Primeiro, gostaria de dizer que admiro muito seu sitio e as idéias nele postadas por vc, mas tenho que discordar de algumas coisas que vc acabou de dizer sobre o movimento estudantil.

Parietariedade em eleição de reitor representa dar voz a sociedade, e não à gestão estadual vigente (principalmente se a educação superior gratuita fosse um Direito de todos os cidadãos, e não privilégio dos aprovados no vestibular) o que significa que todas as pessoas decidem quem dirige a universidade pública que é patrimônio de todos nós, e não só dos que nela trabalham.

Depois, é bem verdade que os nossos instrumentos de manifestação e reivindicação, como a greve, estão desgastados e mesmo as agremiaçoes diversas e sindicatos também estão; há mesmo muito discurso e jogos partidários (diferente de interesses Políticos de verdade)que interferem nas reivindicações mais legítimas; concordo nisso. Mas considerar nossa atuação como "paixão juvenil" e que o confronto com a polícia é covarde porque significa super-estimar essas paixões é ser paternalista; a presença e o ataque da polícia é truculento simplesmente porque parte da força, e não do diálogo. O fato de sermos jovens não nos faz menos pensantes, senão, poderíamos dizer que a reitora Suely e o Governador Serra têm razão porque têm um curriculo mais longo que o nosso; seria tornar tecnocrática uma discussão que é política.

E por fim, aqueles que compreendem os rumos que o governo estadual pretende dar a educação pública superior (porque a fundamental e média já estão sucateadas de vez faz tempo) e se organizam como se vê nesse momento de greve não o fazem por não compreenderem a lógica do "mercado de trabalho" ou por não estarem inseridos nele, mas porque, como eu disse antes, compreendem os rumos que o atual governo pretende dar (não só)para a educação superior pública; venho de escola fundamental e média públicas, a maioria dos meus conhecidos na USP também tem mesma origem que a minha (apesar de ouvir que lá só estudam "filhinhos de papai")e todos nós trabalhamos para nos sustentar. Ou seja, a maioria de nós trabalha e, mesmo assim, temos consciencia do que acontece à nossa volta; ganhar dinheiro para se manter é contra isso? Só para aqueles alienados e egoístas que estão mais preocupados com o próprio desempenho no empreguinho e com as compras no shopping. Ou para aqueles que conseguem passar num concurso público chamado FUVEST e estudam às custas do dinheiro público e do Direito à educação superior gratuita que a população brasileira inteira tem (mas que é transformada em privilégio de alguns "melhores") mas que preferem se preocupar com a provinha de fim de semestre, para não prejudicar o próprio currículo e seus interesses individuais.

Desculpe se passei da conta. Estou realmente atribulada por tudo isso que está acontecendo no campus.
Abraço
Natália

natália em junho 10, 2009 8:47 PM


#106

Uma pequena recordação: no ano passado, estudantes da UnB, organizados pelo Diretório Central dos Estudantes - DCE, promoveram a ocupação do prédio da reitoria, como estratégia para pressionar o reitor Timothy Mulholland a pedir exoneração do cargo. A justiça federal acatou um pedido de reintegração de posse do edifício e determinou a saída dos estudantes. Os estudantes não saíram, mas a tropa de choque da Polícia Militar não foi enviada ao campus para retirá-los à força do edifício. Ao final de cada dia que passava sem que a ordem judicial fosse cumprida, o DCE era multado. Os estudantes só abandonaram o edifício após o reitor ter se exonerado. O que foi feito do montante, de valor astronômico, de multas sucessivas não sei. Mas sei que o que aconteceu na UnB é um exemplo cabal de que a situação na USP poderia – e deveria – ter sido conduzida de outra forma.

Fabiano

PS: Neste caso, o mais bizarro, para mim, é ver certo auto-declarado defensor intransigente da democracia afirmar que a tropa de choque da PM em ação no campus é a democracia fardada. Bem, talvez ele esteja certo e eu seja realmente muito, muito ignorante por ter pensado que a atividade democrática significava o exercício da conversação, da discussão, da persuasão, jamais o uso da intimidação, da força e da violência como instrumentos para (con)vencer o adversário.

Fabiano em junho 10, 2009 9:09 PM


#107

Informe;
a passeata não aconteceu. Choveu demais

-Funcionários ameaçados por telefonema de serem transferidos pro raio que o parta, unidades do leste...

-Funcionária vai conversar na reitoria e apanha da guarda da USP (foi isso que eu ouvi aqui)

-Os estudantes, professores e funcionários levaram flores e apanharam, levaram gas, alguns se machucaram.

- a assembléias na usp votam atividades pra semana que vem. Atividades sairão no 2009uspgreve.livejournal.com

- alunos falam em participar da parada gay

-vídeos no youtube/uspemgreve

-estamos todos passados com os acontecimentos.

-

Flavia em junho 10, 2009 9:22 PM


#108

Independentemente da opinião CONTRA ou a FAVOR da greve, o fato é lamentável, vergonhoso, digno de uma ditadura, e não de uma democracia.

Prender sindicalista e espancar estudantes só é normal em regimes repressores e ditaduras, quem acha isso normal está beirando o fascismo!

Eu já fui contra greve em vários momentos de minha graduação, mas nunca apoiaria uma atitude fascista como essa. Mandar a polícia para ocupar e reprimir é mandar o recado: "não existe liberdade nem garantia nenhuma de Direitos Humanos no país".

Augusto em junho 10, 2009 9:24 PM


#109

Se esse país fosse sério isso era motivo para renúncia do governador Serra (PSDB), que ao enviar a PM ao Campus da USP atentou contra as liberdades democráticas, como não é, vai ficar tudo por isso mesmo ou vão achar um bode espiatório da PM.

Augusto em junho 10, 2009 9:26 PM


#110

pessoal, calma com o andor que o santo é de barro. coisa de 3 anos o presidente Lula estava fazendo uma visita a uma cidade do interior de SP e grupos de estudantes universitários de uma unidade federal da região foram protestar pedindo melhorias em alguns cursos e acabaram espancados pela claque de Lula formada por sindicalistas e sem terra aos gritos de "burgueses", "elitistas fdp". quer dizer: qdo os estudantes protestam contra Lula e recebe PORRADA, eles são burgueses traidores q querem derrubar o governo do povo. qdo estudantes protestam contra Serra e recebe porrada, eles são heróis q lutam pela revolução.

quanta hipocrisia !!

nilson barreto em junho 10, 2009 10:04 PM


#111

COVARDIA:

http://www.youtube.com/watch?v=umPd5Sz9tjQ

Idelber,

Gostaria que fosse divulgado amplamente esse vídeo feito por alunos ontem, durante o que os jornalões chamam de 'confronto', e que está divulgado no blog do DCE Ocupado (http://dceocupado.blogspot.com/).

Fica óbvio que mais uma vez a grande mídia utiliza seu poder pra dar a sua versão dos fatos. Chamar isso de "CONFRONTO" é uma enorme PIADA!!

Anderson Fonseca em junho 10, 2009 10:16 PM


#112

Opa, vamos divulgar esse também, então:

http://www.youtube.com/watch?v=zYnvT4nqK3M

E esse aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=5Mai4S36a4g

E aproveito pra perguntar: quando a PM da Bahia, sob o comando de Jacques Wagner, desceu o cacete em estudantes que protestavam contra o aumento da passagem de ônibus (janeiro de 2007), a culpa era do governador baiano em exercício, dos estudantes, da PM, do PT, do PSDB, do Lula ou do Serra?

Srta.T em junho 10, 2009 10:31 PM


#113

Oi Idelba!

Mesmo duvidando de que você me leia (já são cento e muitos comentários), vou dar meu pitaco por aqui.

Acho que o NPTO pegou bem o ponto: o choque é tropa de... CHOQUE.
Eles não chegam para avaliar se os estudantes estão desarmados, se são assustadores, se estão lançando molotovs - eles estão lá para dar porrada, e, justamente, só chegaram lá porque os estudantes *já jogaram* molotov na PM. Em suma, quando o choque entra, não tem avaliação de reação desproporcional: é porrada mesmo.

A zica é alguém decidir mandar o choque gratuitamente. Aí, PQP, é exagero GRITANTE e acontece o que aconteceu. Resta saber quem foi: ordem secreta do governador? Ordem do comandante da PM? Do secretário de segurança?
De qualquer modo, penso que o Serra teve uma responsabilidade no mínimo indireta. Afinal, se em sua administração deixa-se passar um uso desenfreado da Tropa de Choque, ele peca, e muito feio, por omissão.

Vi esse vídeo que mostra os estudantes cercando os PMs. De fato, eles estavam imóveis, mas, hã, bem, muuuuito perto. Digamos, uma Guerra Fria. Mas em certa altura, aparece *um cara transitando no curto vão entre uns e outros*. Podia ser só um mané, mas foi burro pra cacete - se eu estivesse na pele do PM e visse gente andando por aquele "zona neutra tácita", eu partia para cima.

Só que se eu fosse PM, eu partiria para cima só até espantar os estudantes - com alguns tiros para o alto eles já correm. Sair atrás dando porrada em quem está fugindo não é confronto - é espancamento; ainda mais porque os policiais cercados *não* eram do Choque. Gás de pimenta? Bombas de concussão?? Em gente já fugindo Que diabo é isso?

De qualquer modo, tem um aspecto importante: se tem ordem de reintegração de posse, não tem jeito, a turma tem de sair. E o oficial de justiça pode, sim, chamar a polícia para cumprir esta ordem. Sob esta óptica, temos que, por um lado, fica totalmente justificada a presença da polícia no campus; mas, por outro, mesmo assim sair dando tiro é demais.

O que eu queria saber, e não estou conseguindo porque as informações estão enviesadas (para um ou outro lado), é se TEVE esta ordem judicial. Tudo indica que sim. Isto levanta alguns pontos:
1) Se a reitora se recusa a negociar e parte direto para o Judiciário, incompetência dela. Ir para o Judiciário é o primeiro passo para mandar a polícia para cima - ou seja, zica da grande.
2) Se a reitora é tão incompetente assim, o governador também o é - cabe a ele prever que deixar a coisa degringolar é pior, e, assim, intervir, dando um "chega para lá" na reitora e, pelo menos, acalmando os ânimos.
3) Se o Judiciário concedeu a ordem, então ele lavou as mãos - ou seja, abriu espaço para a interveção policial: zica gigantesca, de novo. O juiz provavelmente foi cego às conseqüências de sua decisão; ou, pior, anteviu-as, mas concedeu mesmo assim. Neste caso, temos uma estranha inversão de postura do Judiciário: combativo durante a ditadura, pelego durante a democracia.
O caso, guardadas as proporções, é análogo ao dos operários que se amarraram com explosivos numa fábrica durante uma greve. Os patrões mandaram o caso para o Judiciário (isto é, se recusaram a pegar a batata quente). Assim como, neste caso, a decisão fiel à lei implicaria a destruição dos operários (e, oh céus, muito pior, também da fábrica), a decisão de reintegração implicou, embora mais dilatadamente, o espancamento.

Essa situação toda é muito delicada. Também não sei o que os grevistas fizeram. Por exemplo, eu já fiquei preso *dentro* da faculdade porque um grupo de manifestantes bloqueou *inclusive a saída* das pessoas. Felizmente eles se tocaram da burrada (afinal, isto é um belo tiro no pé) e liberaram em menos de meia hora. Mas esse tiro no pé levou a uma gangrena: foi o pretexto perfeito para o diretor chamar a PM. Mesmo que ele tenha feito isso umas 3 horas depois.
Mas tristemente, parece que os grevistas estavam bem calminhos.

He will be Bach em junho 10, 2009 10:43 PM


#114

Me deu uma angústia profunda ver meus semelhantes apanhando desse jeito, arbitrariamente. Mas o que mais me irrita é a vilanização de quem sofre a pancada: são os mesmo 'baderneiros, arruaceiros, vagabundos, comedores de criancinhas' de sempre. Tudo em nome do 'direito de trabalhar' - esse é o único direito que vale quando o valor maior de nossa sociedade é o do 'sucesso' profissional.

Concordo plenamente com a Natália. Aliás, o que mais me deixa frustrado é quando essa vilanização parte de vozes de nossa própria geração, legitimando a ação da polícia. Em 2007, presenciei alguns colegas de engenharia querendo a cabeça do pessoal do IFCH!

Luis Henrique em junho 10, 2009 10:48 PM


#115

Olha, há vários pontos aí. O primeiro é que o grande problema é de que a polícia militar não faz muito sentido. Militar é uma coisa, polícia é outra, e a PM empresta muita coisa do Exército(Como uma hierarquia rigida e cega) que não deveria. Para falar a verdade nesse aspecto acho que e o único que Serra conseguiu progredir depois de Alckmin, que realmente foi lamentável.

Só que não acho que uma manifestação política, por mais equivocada que seja, deveria ser lidada desta forma. E em tempo: a universidade deveria ter bem mais acessos, o que dificultaria esse tipo de ação.

E o pior, que essa ação a la Kent State dá bem mais legitimidade aos grevistas que deveria. E olha que eu acho greve de aluno algo bizarro.

Andre Kenji em junho 10, 2009 10:50 PM


#116

Nada, absolutamente nada nesse episódio justifica a utilização da tropa de choque contra estudantes universitários.

Mesmo que - num exercício de imaginação - eles tenham provocado, gritado, cercado, chamado de FDP, bloqueado a entrada de prédios, atirado pedras contra janelas, nada justifica a violência empregada pelos policiais contra cidadãos desarmados. Há métodos civilizados de se lidar com manifestações do tipo, utilizados em muitos dos países que - como o Brasil - se pretendem desenvolvidos.

Mauricio Caleiro em junho 11, 2009 12:40 AM


#117

É de se admirar que um governador que tem como um dos pilares de sua posição política o fato de ter sido um dos líderes do movimento estudantil em um momento crucial da vida política brasileira, quando a juventude se batia contra as forças repressivas que sufocavam a livre manifestação, recorrer às mesmas forças repressivas contra funcionários, estudantes e professores. Tal imagem não fica nada a dever à invasão da UNB em 1968.

Maria Andréia em junho 11, 2009 1:00 AM


#118

mauricio:

então o mesmo vale para os bate paus de Lula, não é? pq estudantes universitários do interior de SP tomaram muita porrada da claque de Lula. sindicalista e sem terra usando paus, foices e alguns até ameaçando com arma de fogo. a justificativa deve ser para todos, certo?

nilson barreto em junho 11, 2009 1:01 AM


#119

Estamos presos dos dois lados.
De um, o governo tecnocrata e elitista do PSDB e de outro, o populismo do PT.
Serra bate, e Fernando Haddad termina de destruir com a educação brasileira.

Não há esquerda nesse país.

O panorama estará muito complicado em 2010. E a Copa não servirá nada para amenizar.

Como alguns grandes de nossa cultura já disseram, "viver é muito perigoso".

Abraços, Idelber. Não poderei vê-lo no Rio de Janeiro. A PUC é muito longe de Nova Iguaçu e estou evitando viagens longas e cansativas. Estou descansando após ser apedrejado por quatro práticas de ensino de uma vez.

Bruno Marcondes em junho 11, 2009 1:13 AM


#120

Nilson Barreto, os manifestantes não foram espancados - se é que o foram - pela Polícia Federal, não é mesmo?

Pois então, isso faz toda a diferença, na sua tentativa de comparar o caso com a truculência policial na USP.

Seres humanos (como alguns animais) têm o estranho hábito de se digladiarem fisicamente quando discordam de algo. Quando claques políticas divergentes se encontram, essa anomalia comportamental é ainda mais observável.

Algo completamente diferente é uma força policial estadual, que está legalmente subordinada ao governador, atirar com balas de borracha, espancar e jogar bombas de gás lacrimogêneo e de concusão contra estudantes desarmados.

Mauricio Caleiro em junho 11, 2009 1:18 AM


#121

Bom Mauricio, então o mesmo vale pro que aconteceu na Bahia em 2007? A culpa foi do Jacques Wagner, certo?

Srta.T em junho 11, 2009 1:43 AM


#122

Vinícius reproduzi seu post no Maria Frô, mas não encontrei assinatura, só descobri por aqui que seu nome tava linkado ao breviário.

Idelber, Latuff fez 5 boas charges sobre os acontecimentos de ontem, a da Reitora está ótima, como sempre, podem copiar e espalhar por aí.
abraços

Conceição Oliveira em junho 11, 2009 2:05 AM


#123

E não é que o Copom baixou os juros ? Coloquei lá no meu humilde espacinho algumas notas explicativas sobre o assunto.

Pedro Migão em junho 11, 2009 2:47 AM


#124

Srta T,

Em primeiro lugar, o ocorrido na USP não se trata de mais um dos ping-pongs "PSDB versus PT" que tanto animam setores da blogosfera, mas de um fato real e comprovado de violência desnecessária produzida por forças do estado.

Em segundo lugar, como a srta. pode constatar se tiver a curiosidade de consultar meu blog, não sou petista e não me furto a criticar o partido e a Presidência de Lula se este for o caso. Muito pelo contrário.

Em terceiro lugar - e mais importante -, no caso da truculência na USP há vários vídeos sobre o ocorrido, TODOS demonstrando de forma indiscutível que a violência foi gratuita e partiu das forças policiais. Além disso, há depoimentos coincidentes e corroboráveis a respeito do ocorrido.

Se a srta. disponibilizar material videográfico e testemonial semelhante - e, como no caso paulista, de autenticidade verificável -, que ateste que na Bahia ocorreu ato de violência desnecessária patrocinado pelas forças do estado terei o máximo prazer em culpabilizar Jaques Wagner e o PT.

Mas, como no caso da truculência na USP, é preciso apresentar material autêntico que comprove o ocorrido. Ajudaria na impressão de autenticidade se começasse assinando os comentários com seu verdadeiro nome - como eu faço - e não com um nick genérico à medida dos chats da vida.

Mauricio Caleiro em junho 11, 2009 2:58 AM


#125

O comentário #103 me leva a uma reflexão. Que política é essa que manda a Tropa de Choque (!!) e gera um confronto de proporções grandiosas para resgatar 3 policiais que se por um lado estavam cercados, por outro o estavam por militantes desarmados e que não tinham sequer encostado neles. Falem o que quiserem do incidente. Por cima de tudo (governador autoritário, movimento estudantil autista, reitoria pouco hábil) há uma polícia muito, mas muito incompentente!

Arthur em junho 11, 2009 3:05 AM


#126

Mauricio:

não tergiverse porque NÃO foi a Policia Federal q baixou a porrada nos universitários do interior paulista que protestavam por melhorias no ensino superior numa visita de Lula à região, não !! foram os bate-paus SINDICALISTAS e SEM TERRAS. e qual é mesmo a diferença entre a truculência de uma PM constituída legalmente e grupos PARAMILITARES que atuam ao arrepio da lei?

sinceramente, merda por merda, mil vezes a PM pois, assim, termos certeza de quem se trata.

nilson barreto em junho 11, 2009 3:11 AM


#127

Nilson,

Gosto não se discute

Mauricio Caleiro em junho 11, 2009 3:15 AM


Bruno Marcondes em junho 11, 2009 3:36 AM


#129

He will be Bach, não duvide da minha leitura, meu velho. Claro que responder a todo mundo é impossível, mas leio tudo com atenção e carinho, sim.

Sobre sua pergunta. Sim, a reitoria fez o pedido. Sim, uma juíza deferiu esse pedido. Mas não acredito que a ordem judicial mencionasse nada, por exemplo, acerca de Tropa de Choque. Não tive acesso à íntegra da ordem de reintegração de posse, mas a forma em que se deu a execução é de responsabilidade, claro, do Poder Executivo estadual. É muito raro -- assessoria jurídica, me corrija se eu estiver errado -- que as ordens de reintegração de posse entrem nessas minúcias de como será a execução.

Idelber em junho 11, 2009 3:38 AM


#130

Mauricio, não foi a você, especificamente, que quis atingir quando chamei a atenção para essa questão partidária, e sim àqueles que dão nó na argumentação para culpar o governo pela atuação policial no cumprimento de ordem judicial (aliás, se a atuação da polícia específica para este caso estiver regulamentada em decreto expedido durante o governo Serra, aí sim, tal ligação tem fundamento. Eu não encontrei nada, alguém encontrou?). No entanto, é sobre o que versa este post: a tropa de choque foi chamada por ordem (direta ou indireta?) do governador em exercício. Desculpe se soou ofensivo, agi assim porque vi que você estava participando ativamente da discussão.

Realmente, não visitei seu blog. Apenas propus um exercício de raciocínio lógico: se Serra é culpado pela truculência na resposta aos manifestantes de SP, quem seria o culpado no caso que usei como exemplo? Meu intuito era provar quão leviana e infundada é a relação que se faz entre partido em exercício e atuação policial.

Postei dois links com vídeos mostrando cenas de manifestações da greve. Vi outros mais. Li depoimentos em blogs e no orkut, alguns favoráveis, outros desfavoráveis à atuação da PM. Levei em conta minha própria experiência em greve: 8 meses sem aula em uma universidade estadual. A polícia não interferiu, e o governo na época era do PFL, partido no qual nunca votei e nem pretendo votar. Manifestantes fizeram piquetes para impedir a entrada das pessoas na faculdade. Alguns que conseguiram entrar (eu inclusa) foram expulsos da sala de aula. Um aluno teve que dar 8 pontos no rosto. Motivo? Ele segurava uma das portas, para impedir a entrada dos grevistas, quando uma paulada estilhaçou uma parte de vidro e um caco o feriu. Fui às assembléias, mas qualquer tentativa de manifestação ou questionamento contra os grevistas era interrompido com vaias, e ficava impossível falar. Só desisti porque fui expulsa do DCE pelos grevistas.

Sobre o caso da Bahia, há o mesmo tipo de material do caso paulista: reportagens, depoimentos e alguns parcos vídeos, que não linkei por considerar de má qualidade. Se isso servir como link, lá vai: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/01/371425.shtml

No caso da USP, temos material autêntico que comprova a truculência policial E a truculência por parte dos manifestantes. Como ficamos?

Ah, sinto muito, mas não vou assinar com meu nome verdadeiro. Motivos: sou advogada, trabalho em empresa conhecida no cenário nacional e não acho conveniente me expor dessa forma, além de já ter sido vítima de terríveis trollagens, principalmente na época em que era parte do DCE da minha universidade. Uma migalha: clonaram meu perfil do orkut, adicionaram meu telefone e endereço e me identificaram como garota de programa. Depois dessa, me dou ao luxo de seguir anônima. Entretanto, meu perfil no Blogger é público e tem meu e-mail: entre em contato se quiser. Mas desqualificar meus argumentos por não saber se sou Taísa ou Tatiana... bom, um pouco demais, não é?

Srta.T em junho 11, 2009 4:56 AM


#131

Mauricio, não foi a você, especificamente, que quis atingir quando chamei a atenção para essa questão partidária, e sim àqueles que dão nó na argumentação para culpar o governo pela atuação policial no cumprimento de ordem judicial (aliás, se a atuação da polícia específica para este caso estiver regulamentada em decreto expedido durante o governo Serra, aí sim, tal ligação tem fundamento. Eu não encontrei nada, alguém encontrou?). No entanto, é sobre o que versa este post: a tropa de choque foi chamada por ordem (direta ou indireta?) do governador em exercício. Desculpe se soou ofensivo, agi assim porque vi que você estava participando ativamente da discussão.

Realmente, não visitei seu blog. Apenas propus um exercício de raciocínio lógico: se Serra é culpado pela truculência na resposta aos manifestantes de SP, quem seria o culpado no caso que usei como exemplo? Meu intuito era provar quão leviana e infundada é a relação que se faz entre partido em exercício e atuação policial.

Postei dois links com vídeos mostrando cenas de manifestações da greve. Vi outros mais. Li depoimentos em blogs e no orkut, alguns favoráveis, outros desfavoráveis à atuação da PM. Levei em conta minha própria experiência em greve: 8 meses sem aula em uma universidade estadual. A polícia não interferiu, e o governo na época era do PFL, partido no qual nunca votei e nem pretendo votar. Manifestantes fizeram piquetes para impedir a entrada das pessoas na faculdade. Alguns que conseguiram entrar (eu inclusa) foram expulsos da sala de aula. Um aluno teve que dar 8 pontos no rosto. Motivo? Ele segurava uma das portas, para impedir a entrada dos grevistas, quando uma paulada estilhaçou uma parte de vidro e um caco o feriu. Fui às assembléias, mas qualquer tentativa de manifestação ou questionamento contra os grevistas era interrompido com vaias, e ficava impossível falar. Só desisti porque fui expulsa do DCE pelos grevistas.

Sobre o caso da Bahia, há o mesmo tipo de material do caso paulista: reportagens, depoimentos e alguns parcos vídeos, que não linkei por considerar de má qualidade. Se isso servir como link, lá vai: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/01/371425.shtml

No caso da USP, temos material autêntico que comprova a truculência policial E a truculência por parte dos manifestantes. Como ficamos?

Ah, sinto muito, mas não vou assinar com meu nome verdadeiro. Motivos: sou advogada, trabalho em empresa conhecida no cenário nacional e não acho conveniente me expor dessa forma, além de já ter sido vítima de terríveis trollagens, principalmente na época em que era parte do DCE da minha universidade. Uma migalha: clonaram meu perfil do orkut, adicionaram meu telefone e endereço e me identificaram como garota de programa. Depois dessa, me dou ao luxo de seguir anônima. Entretanto, meu perfil no Blogger é público e tem meu e-mail: entre em contato se quiser. Mas desqualificar meus argumentos por não saber se sou Taísa ou Tatiana... bom, um pouco demais, não é?

Srta.T em junho 11, 2009 5:00 AM


#132

(Idelber, peço que desconsidere a postagem dobrada: deu um pau no Google Chrome, eu não sou gaga).

Srta.T em junho 11, 2009 5:02 AM


#133

Estudante deve preocupar com estudo, não com ideologias de esquerda que só servem para causar o caos e atrapalhar com o andamento da universidade.

O Serra está de parabéns colocando a polícia lá.

Heraldv em junho 11, 2009 11:54 AM


#134

Claudia, a lista triplice eh proforma. No mais se o governador fosse do PT muita gente iria concordar com a lista triplcie. Esse eh o filtro ideologico que critico.

In loco nao pude conferir pois sou docente da USP de RP, mas li sim a lista de danos da ocupacao de 2007.

Reinterando nao apoio a atitude da PM, mas como disse outr aqui a tropa de choque nao estah lah para brincadeira. Meu ponto eh que isso nao eh culpa do reitor ou do governador mas da SINTUSP que vem radicalizando o movimento hah muito tempo com o apoio de uma fracao dos docentes e estudantes e forcaram a barra. Eh fahcil criticar quando se estah de fora, mas queria ver vcs na mesma posicao da reitora, tendo que " dialogar" com gente avessa ao dialogo (lembrando a SINTUSP boicotou o congresso da USP ano passado) e afeita a violencia (que eles chamam de acoes ' politicas").
Minha critica eh que na minha percepcao o movimetno sindical Universitario (da USP) vive um eterno 1968 e nao estah preparado para uma situacao democratica e para a autonomia Universitaria onde a adminstracao dos recursos eh responsabilidade de toda a comunidade. O reitor nao eh um empresario ganancioso, mas um docente que vai deixar o poder em alguns anos (nao quero santificar nenum reitor).

finalizando gostaria que vcs se imaginasse tbm no lugar de um soldado da PM, sendo constantemente ofendido por meninos pequeno burgueses e funcionarios que certamente ganham mais do que um soldado da PM e tem uma series de beneficios que eles nao tem. nao estou justificando o despreparo dos PMs, mas soh lembrando que eles sao tbm trabalhadores e seres humanos com suas frustracoes e fraquezas e tem um trabalho estressante e mal pago...

Ricardo Leao em junho 11, 2009 1:32 PM


#135

Já está no meu Twitter mas, se alguém tinha qualquer dúvida sobre a responsabilidade direta do José Serra, acho que esta reportagem investigativa as dirime.

Idelber em junho 11, 2009 1:37 PM


#136

Votem no Serra para Presidente que a Ditadura Militar irá voltar com tudo. A política do Serra para com os movimentos sociais é a política PSDB:

Pancadas
Socos
Duques
Bordoadas

Marcos D. em junho 11, 2009 2:07 PM


#137

Excelente entrevista com professora da FFLCH
Os protestos na USP foram promovidos por pequenos grupos da universidade, diz a professora Maria Herminia Tavares de Almeida, do Departamento de Ciência Política da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Para ela, não há problema estrutural na universidade.


FOLHA - Como a sra. analisa a situação na USP?
MARIA HERMINIA TAVARES DE ALMEIDA - As coisas não começaram ontem [anteontem, dia do confronto]. Começou com um pequeno grupo de funcionários grevistas, que, ao começar a campanha salarial, já quis ocupar a reitoria. Depois, uma parcela minoritária de alunos, de alguns departamentos, decidiu impedir a entrada dos demais. Como você garante que os alunos que querem ter aula possam ter aula, que os funcionários que querem trabalhar possam trabalhar? Em um Estado de Direito, quem garante a liberdade de acesso e a defesa do patrimônio público é a força policial. Além disso, na televisão, parece que os manifestantes foram atacados sem razão. Mas eles provocaram. O grave é existirem grupos dentro da universidade que apostam em confrontos como esse. Houve uma aposta na radicalização.

FOLHA - Quais são esse setores?
MARIA HERMINIA - A liderança do sindicato dos funcionários [Sintusp] e uma ala do movimento estudantil.

FOLHA - A reitora precisava ter pedido a presença policial?
MARIA HERMINIA - Ela não chamou a polícia, pediu reintegração de posse à Justiça. A reitora estava no seu dever. A reitoria existe para, entre outras coisas, garantir o funcionamento da universidade. Talvez tenha faltado explicar melhor o que estava fazendo.

FOLHA - Como a sra. avalia as reivindicações dos grevistas?
MARIA HERMINIA - Conflito salarial tem em qualquer lugar. Os salários na USP não são excepcionalmente altos, todos sabem. O problema é começar uma negociação sobre salário invadindo o prédio da direção da universidade.

FOLHA - A reitora deveria renunciar?
MARIA HERMINIA - Isso me parece uma reivindicação despropositada. Ela foi eleita, tem mandato até o final do ano.

FOLHA - O confronto expõe um problema estrutural na USP?
MARIA HERMINIA - É ação de uma minoria. A USP funcionava normalmente. Mas grupos reduzidos podem fazer problemas grandes.

NRA em junho 11, 2009 2:20 PM


#138

Acho que as pessoas estão confundindo um pouco as coisas - nenhuma relação em justificar a ação da tropa de choque da polícia militar do Estado de São Paulo, colocando na discussão política partidária PT ou PSDB. O que realmente importa é que a ação não se justifica em nunhuma hipótese: os manifestantes estavam desarmados e exerciam um direito democrático de manifestação - não importa se minoritário ou majoritário, se justificável em termos políticos ou não, mas justificável enquanto expressão democrática e livre.
Agora o ato do EXECUTIVO DO ESTADO é sem dúvida fascista em mandar uma TROPA DE CHOQUE para espancar e prender estudantes e sindicalistas. Esse ato deveria ser investigado e o EXECUTIVO, responsabilisado, infelizmente como a sociedade brasileira ainda não sabe o que é democracia de verdade, nada vai acontecer, como a mídia brasileira é um monopólio conservador, tudo será justificado, e a coisa vai ficar por isso mesmo.
O que foi desrespeitado não foi somente as garantias constitucionais brasileiras, o que por si só já é um fato grave, mas a convenção internacional de Direitos Humanos, e esse desrespeito não tem partido político, mas tem nome, é fácil de achar, basta procurar.

Augusto em junho 11, 2009 2:48 PM


#139

Quanto mais nossos amigos fascistas tentam justificar a ação da polícia na USP, mais fica clara a total inadequação de usar a TROPA DE CHOQUE no protesto de ontem

-"O movimento é minoritário e não representa a maioria da comunidade da USP": ou seja, era pouca gente. Não havia necessidade da Tropa de Choque. Agora viraram martirs e o que era um movimento pequeno e de pouca representatividade cresceu e ganhou apoio.

-"O movimento é incompetente e truculento, e usa táticas pouco éticas para inflar suas manifestações". Isso não é motivo prá ninguém apanhar. Não havia necessidade da Tropa de Choque.

-"A ação da PM era necessária para garantir a integridade do patrimonio publico". Garantir a integridade lançando bombas?

-"A ação da PM visava garantir que as pessoas conseguissem entrar para trabalhar e estudar". As pessoas continaram sem conseguir entrar porque os prédios estavam sendo bombardeados.

-"Os estudantes estavam gritando e pegando cones". Faça-me o favor.

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Daniel em junho 11, 2009 3:01 PM


#140

Reportagem investigativa baseada nas declarações de uma professora que, assim como eu, prefere não se identificar. Bom, se eu não tenho credibilidade no que disse, por que ela haveria de ter? E os verbos utilizados no pretérito imperfeito também não me convencem.

Mas e a questão do Jacques Wagner? Não havia reitoria envolvida, já que o quebra-quebra aconteceu nas ruas. De quem é a culpa pela truculência policial, neste caso?

Srta.T em junho 11, 2009 3:30 PM


#141

É, o Serra tem parte nisso. Mas uma matéria só da a mídia-golpista-em-vias-de-putrefação não deveria ser o suficiente. É preciso mais explicações. Entre outras coisas, deve-se continuar exigindo isso, sobretudo da reitora-avestruz.

João Paulo Rodrigues em junho 11, 2009 3:31 PM


#142

Srta.T, qualquer governador que use de truculencia policial pra cima de manifestantes deve ser responsabilizado. Pronto. Podemos avançar o assunto agora?

daniel em junho 11, 2009 3:45 PM


#143

Claro, Daniel. Mas surge outra pergunta: qual o envolvimento do Executivo na atuação policial para o cumprimento de ordem que advém do Judiciário? A polícia é um instrumento do Estado, atendendo assim a todos os Poderes, e arbitrariedade acontece quando um poder interfere na esfera de outro. Se houvesse ordem direta do governador para a presença da tropa de choque, seria arbitrariedade. O mesmo aconteceria se houvesse essa ordem, do mesmo governador, para a retirada de forças policias de um local onde estão por ordem judicial. Procedimentos derivados de Decretos - desenvolvidos e aprovados durante este ou outro governo - ou de regulamentos internos da polícia são outros quinhentos: são elaborados e votados, não são o reflexo da vontade de uma pessoa ou partido somente. Logo, me parece partidarismo do pior tipo querer relacionar o cumprimento de uma ordem judicial (é, repetição) com a atuação do Executivo. E eu estudei Tripartição de Poderes e Princípio dos Freios e Contrapesos em obras de Dalmo Dallari.

O método legítimo do qual o sindicato deveria ter se utilizado para pedir a retirada da polícia do campus seria uma contestação judicial à ação de reintegração de posse proposta pela reitora. Isso foi feito?

Ah, outro exemplo de arbitrariedade que acabei de lembrar: exigir a retirada de processos administrativos instalados para apurar responsabilidade por crimes contra o patrimônio público. Novamente, o método legítimo seria defesa dentro do processo, e não utilizá-lo como "pauta de reivindicação". Acredito que "quem não deve, não teme".

Srta.T em junho 11, 2009 5:28 PM


#144

Daniel exatamente, qualquer governante truculendo, seja de qual partido for, de esquerda ou de direita, deve, em uma sociedade democrática, ser responsabilisado por enviar tropas de choque contra movimentos sociais, pessoas ou qualquer cidadão... Se estivessemos na França isso seria motivo para uma greve geral no país... mas aqui...?

Você exigir o direito de opinião, e greve nesse país é coisa de "vagabundo" ou comunista.

Augusto em junho 11, 2009 5:38 PM


#145

Estudante é pra estudar. Pensei que nunca mais veria esse filme.

Ronau em junho 11, 2009 5:43 PM


#146

Nossa incrível. Eu também acho que estudante tem que estudar, tanto que acabei minha graduação em 4 anos, e trabalhando, mas o fato de ter que estudar não tira o direito de se manifestar e não dá o direito de ser brutalmente agredido e espancado... quem defende isso não defende a greve ou é contra a greve, defende o fascismo !

Augusto em junho 11, 2009 5:48 PM


#147

Eu sei q vc é mineiro, mas se nao for o Serra o candidato, sera o Aecio. Seu conterraneo.


Mas o que pensa o Aecio? Direita? Esquerda? Ta ligado à Globo? Controlou a midia de Minas? Nao vai fazer o mesmo qdo for presidente.


Essa ofensiva contra o Serra, faz crescer o medo de uma disputa entre Aecia e Dilma. O Serra é o melhor pra perder...

fscosta em junho 11, 2009 6:56 PM


#148

Srta T, sobre teu comentário #112. Onde é que o primeiro vídeo demonstra truculência por parte dos estudantes? Em qualquer manifestação, se vai palavras de ordem mesmo.

Quanto a eles estarem encurralados diante do tapume, há uma conversa de que eles mesmos andaram para trás. Eu ouvi isso de várias pessoas. No entanto, como não estava lá, não posso falar nada.

Agora, o fato (que está no vídeo 09.06.2009) é que foi feito um cordão de isolamento oara os PMS saírem. O vpídeo mostra os PMS saindo numa boa de frente do tapume. E os alunos aplaudindo.

Eu tb já fui contra várias greves. Já fiquei puta da vida por conta de piquetes intransigentes, etc. Mas achar que houve algum tipo de paridade no que aconteceu terça-feira é esticar demais as coisas. Estudante desarmado, gritando NÃO tem o mesmo poder que um policial com bombas de gás e balas de borracha. Sorry.

Ora, o mínimo que o pessoal da tropa de choque tem de saber enfrentar é gente gritando com eles.

Marjorie em junho 11, 2009 7:12 PM


#149

* se vai gritar

Marjorie em junho 11, 2009 7:12 PM


Augusto em junho 11, 2009 7:33 PM


#151

Fato marcante na Barbárie é a cobertura da mídia... A Folha hoje publica artigo da reitora da USP, que tem que ser expulsa da universidade para nunca mais pôs os pés, mas nada do "outro lado". Os vídeos feitos pela mídia são todos tendenciosos... Os estudantes "provocam" a PM com flores e o conflito é inevitável, e outras barbaridades...

Eu - infelizmente - acabei colocando no Datena durante a invasão, procurando algum canal com melhores imagens e as pérolas são incríveis:

"Na Band, doloroso, tinha que ser o semi-analfabeto do Datena: "O ensino brasileiro é uma droga mas deve-se reivindicar de forma democrática porque tem gente que quer estudar".

"Não pode fazer greve, bloqueio porque tem gente que precisa estudar"

"Universidade é pra estudar, não é pra ter essa zorra. O governador ano passado foi condescendente demais pra tomar uma atitude. Chega uma hora em que o Estado tem que tomar um atitude. Quer estudar vai pra uma mesa de negociação"

"O que eu tenho a ver com o que estudante fez na França em 68?"

"porque não vão negociar ao invés de partir pro confronto? Este não é o momento de protestar, estamos numa crise, tem que negociar."

"Isso é baderna, ficar brigando com polícia"

É realmente um escroque!

Protesto não é democracia?

E quem disse que não tentaram negociar? Quem disse que os estudantes/professores/funcionários são ouvidos? Quem disse que o Governador faz alguma coisa?

Só mesmo no Brasil que uma imprensa safada, conservadora e golpista pode existir!"

Está em meu blog, para quem interessar...

No mais, dia 16 teremos um Ato no Anfiteatro da Geografia, Às 10 da manhã e provavelmente outros atos e manifestações virão.

http://tsavkko.blogspot.com/2009/06/usp-invadida-varias.html

Aliás, vale uma visita ao Blog da Maria Frô para ver os cartuns do Latuff sobre a invasão: mariafro.wordpress.com

Raphael Tsavkko Garcia em junho 11, 2009 9:39 PM


#152

Ué Marjorie, se eles não estavam diante do tapume antes de serem encurralados e foram andando pra trás até chegarem lá, pode ser que seja devido a terem visto uma multidão se aproximando e, por conta disso, recuaram. Se fosse a intenção da polícia encerrar o protesto com violência, pra que recuariam? Poderiam ter chamado os reforços imediatamente quando a multidão se formou e começou a avançar.

O vídeo que você citou está editado. Vê-se a multidão avançando, depois corta para os policiais encurralados e saindo, depois corta para após os reforços chegarem. Muita coisa se perdeu aí. Não dá pra saber o que começou o tumulto, quem agrediu quem primeiro. Além do mais, depois do incidente da greve anterior, na qual não houve intervenção policial e a reitoria foi ocupada, depredada e saqueada pelos manifestantes, esperava-se mesmo, com a vigência de uma ação para proteger a posse do edifício, que a polícia não fizesse nada? Se não fizessem, estariam descumprindo uma determinação judicial. Como eu disse antes: o meio adequado para se pedir a retirada da polícia, nesse caso, era o judicial. Não com piquetes ou palavras de ordem.

E por fim, acho engraçado os manifestantes reivindicarem seus direitos desrespeitando o direito de ir e vir de quem quer entrar na faculdade. Aliás, mais um motivo para os policiais estarem lá: para garantir que quem optasse por não aderir a greve pudesse assistir suas aulas em paz.

Srta.T em junho 11, 2009 9:47 PM


#153

Quem conhece a USP, sabe que além do portão existem outros 3 portões e nesses dias até com boa vontade passa-se pelo instituto butantã. Como a praça da frente da portaria 1 é um lugar sem grama (está em reformas) parece que a própria CET fechou o transito, ou seja, quem atrapalhou o direito de ir e vir foi a CET...
Dá para notar que defende a barbárie dessa política de segurança que entrega uma menina para um cativeiro que ela já tinha fugido com o intuito de negociar e que abandona áreas inteiras na periferia ao crime organizado, acredita que a ordem é impedir o direito de greve.
Fatos como esse na USP de policiais agredirem uma outra menina que queria entregar uma flor, nem no Chile do Pinochet...que como governo paulista dizia em todas manifestações que estava caçando terroristas, principalmente os que vinham de outros países...Quem diria Serra de hoje apoiou com o mesmo discurso de Pinochet...
A pergunta quem apoia é Pinochet estava certo e Serra errado antes...duro né.

Marcelo L. em junho 11, 2009 10:48 PM


#154

Graças a deus ainda existe, fora deste de outros blogs da facção facista da esquerda, vida inteligente:

http://stoa.usp.br/calsaverini/weblog/51832.html

E digam se não é caso de políicia. Tropa de choque não pode, um bando de vagabundos que fungem estudar podem tocar terror. Cadê o critério Idelber?

Campus não é lugar de policia? Quem disse? Onde houver crmininoso, ela tem que estar. Justamente pra proteger desses capachos, pelegos e jagunços políticos que não têm respeito nenhum ao próximo, às leis e ao estado de direito.

Rodrigo Leme em junho 11, 2009 11:44 PM


#155

"É ação de uma minoria. A USP funcionava normalmente. Mas grupos reduzidos podem fazer problemas grandes."

Frase seminal e importantíssima. Meia dúzia com má intenção pode causar grande confusão. Mas a importância desta frase serve pra mostrar o pensamento sujo dessa gente, que não chega a ser nem um a minoria simples nem se a USP tiver 200 alunos e quer, com truculência, violência e cancalhice, mandar no resto.

Acho bom que apareçam estas declarações, e q se comece a descobrir de onde vem o cabresto dessa gente.

Eu não quero saber de miolo mole que se deixa levar por pelego safado, eu quero saber quem tá puxando as cordinhas. Sinto que o rastro das cordas da marionete leva até a eleição do ano que vem.

Rodrigo Leme em junho 11, 2009 11:50 PM


#156

Nunca concordei com suas opiniões sobre futebol, mas concordo com você no resto. Quanto à USP, o governador José Serra e a reitora nunca estão abertos à conversação. Participei da greve e invasão da reitoria de 2007 e ficava revoltado quando via o queridinho da grande inprensa paulista falar na tv que só queria conversar com os alunos e depois ter de ouvir diversos "nãos" quando tentávamos conversar com a reitora. Este ano está igualzinho, ela diz que quer conversar, mas sempre manda seu vice "Franco Maria Lajolo" para conversar com estudantes. Desta vez o que me pareceu é que a reitora tentou coibir a manifestação logo de cara com a polícia e o tiro saiu pela culatra.

Ricardo R. em junho 12, 2009 12:19 AM


#157

Idelbe, para saber se a polícia é confíavel ou não veja o episódio da morte do torcedor corintiano no jogo Corinthians e Vasco. Segundo a polícia um ônibus de corintianos tentou armar um cilada para 50 ônbus de vascainos. Depois de mais ou menos começa a chegar na grande mídia a verdade (ou pelo menos uma explicação mais aceitável). A Rocam (grupo de moto da PM) parou o ônibus da torcida corintiana para uma revista bem no lugar em que passariam os ônibus vascainos (quanta burrice e despreparo). O impressionante é que a polícia até agora não se desmentiu e as pessoas ainda aceitam isso. Você como atleticano ( assim como eu como corintiano) já deve ter sofrido ou visto como a polícia trata bem as torcidas, né?! E tem gente que prefere acreditar na Pm. AHHHH, minha ex-professora de Literatura Portuguesa foi atingida por uma bomba de efeito moral (aquela bomba que, apesar de ser de efeito moral às vezes decepa dedo e cega torcedor). (Não defendo torcidas organizadas, mas também não acredito na PM).

Ricardo R. em junho 12, 2009 1:40 AM


#158

Srta T -- Péra aí, pera aí... A reitoria foi depredada e saqueada pelos estudantes? Por onde vc ficou sabendo isso? Pela imprensa, suponho.

Porque o que mais tinha durante a ocupação era a preocupação em não quebrar e não mexer em nada, de modo a diminuir ao máximo o prejuízo da reitoria. Havia inclusive uma comissão de alunos responsável por isso. E outra responsável pela limpeza. Vc entrava na reitoria ocupada e via alunos limpando, varrendo. Eu estive no prédio da ocupação, eu vi. Acho que eu nunca tive tanta certeza da manipulação da imprensa quanto nessa época. Porque eu lia o jornal todo dia e via mentira atrás de mentira. E o tamanho do prejuízo da reitoria foi uma das coisas mais descaradas que a imprensa já fabricou.

Outro detalhe que vc parece se esquecer é que a ação truculenta da polícia na terça-feira NADA TEM A VER com a reintegração de posse. Porque, segundo a reitoria abertamente diz, a PM foi chamada ao campo para impedir piquetes de FUNCIONÁRIOS. O que ocorreu na terça era uma manifestação como outra qualquer. Era apenas a livre manifestação de opinião de gente contrária (alunos, funcionários e alguns professores) ao pedido da reitora, que IGNOROU a greve de funcionários durante um mês e NÃO QUIS NEGOCIAR, preferindo chamar a PM para desarticular a greve.

Afinal, embora digam que a intenção é permitir que quem não quer fazer greve possa trabalhar, a gente percebe que o efeito real acaba sendo outro: muita gente que gostaria de fazer greve se sente acuado a não entrar em greve, porque os nomes dos grevistas estão sendo bem marcados.

Então, sorry, mas não, os policiais NÃO ESTÃO cumprindo uma determinação judicial ao reprimir o protesto. Porque a determinação judicial não era reprimir violentamente manifestações. A determinação judicial era impedir piquetes de funcionários no prédio da reitoria.

Vc pode argumentar que a ordem judicial valia para o caso do bloqueio da portaria, que seria equiparado a um piquete. Bem, é só ver as imagens para notar que a primeira bomba foi jogada quando os alunos já estavam dentro da universidade, na frente do paço das artes. Outra coisa que não se justifica: depois das primeiras bombas, todo mundo saiu correndo. Pronto: já foi dispersada a multidão. Por que continuar seguindo a multidão desarticulada até o prédio da história? Por que jogar bombas na praça do relógio, onde só tinha gente se refugiando ou gente que nem sabia o que estava acontecendo?

Outra coisa que vc demonstra desconhecer é que NINGUÉM estava sendo impedido de ter aulas. A greve, até semana passada, era de funcionários somente. Na semana passada, quando a PM foi chamada para o campus, os alunos de alguns cursos entraram em greve. Mas a gente sabe que, se os professores não entrarem em greve também, fica muito difícil para os alunos levarem a greve a cabo. Afinal, o estudante não vai arriscar perder o semestre.

Eu faço 9 matérias esse semestre, na ECA e na FFLCH. Não deixei de ter aulas em NENHUMA DELAS. E NINGUÉM veio fazer piquete nas minhas aulas ou em nenhuma sala de aula que eu tenha visto ou ouvido falar. NINGUÉM ESTAVA SENDO IMPEDIDO DE TER AULA NENHUMA. Estavam acontecendo aulas inclusive no momento da manifestação.

Outro ponto importante: a manifestação de terça não era uma manifestação a favor de greve. Era uma manifestação contra a presença da PM no campus.

Mais um detalhe: apenas a portaria 1 foi fechada. Eu entrei e saí da USP durante o bloqueio na terça, tranquilamente. Os ônibus dão uma pequena volta (cinco minutos a mais) e entram ou saem pelas outras duas portarias. Simples assim. O bloqueio tb foi feito no MEIO DA TARDE, quando é menor o fluxo de gente entrando e saindo da cidade universitária. Se a intenção fosse mesmo foder com a vida de todo mundo, eles fariam isso às 7 da noite, que é quando começam as aulas do período noturno e muita gente usa a cidade universitária para cortar caminho na hora do rush.

Concordo contigo que o pedido de saída da PM tb deve ser feito pelo meio judicial. Eu não sei informar se isso foi feito. No entanto, mesmo que isso estivesse sendo feito, nada impede que as pessoas MANIFESTEM LIVREMENTE A OPINIÃO DE QUE A PM NÃO DEVE ESTAR NO CAMPUS. Isso é liberdade de opinião. Não há nada criminoso em passeatas e palavras de ordem.

Sobre os policias encurralados: Não importa como eles se encurralaram. O que importa é que não podem ter sido encurralados à força, dado que os alunos estão desarmados e eles, armados. Ou seja: é completamente inverossímil pensar isso. E o mais importante: OS PRÓPRIOS ALUNOS FIZERAM UM CORDÃO DE ISOLAMENTO PARA OS POLICIAIS ENCURRALADOS SAÍREM, como eu ouvi de várias pessoas que estavam presentes ali -- e tb pode ser visto no vídeo. Então, pronto, está resolvido o problema! Eles foram pacificamente desencurralados. Isso justifica atirar bombas contra os alunos?

Por fim, só vou reforçar uma coisa, que é o que um moço aí em cima já disse: a multidão pode gritar o que quiser. Palavra de ordem não é violência equiparável à do policial. O mínimo que um cara da tropa de choque deve saber fazer é lidar com gente gritando na cara dele. Porque o trabalho dele é esse. A pessoa pode gritar o quanto quiser, enquanto ela está desarmada e não está tentando atacá-lo fisicamente, ela não oferece real ameaça ao policial. Portanto, ele não deve atacá-la. Simples assim.

Marjorie em junho 12, 2009 3:37 AM


#159

Disse isso mais de uma vez, e repito aqui, nesse espaço:
Quem é leninista não é a favor da democracia. Marx já alertava, em seu tempo, para o comunismo de inveja, e tanto Lenin quanto Stalin viam o ódio como motor da revolução.

Abomino certas manifestações que se dizem democráticas. Não apoio a repressão, mas esses movimentos possuem muito menos a aprovação de minha parte.

E não me julguem alienado. Como já perguntou brilhantemente Adorno: Como fazemos a crítica da ideologia se estamos imersos nela?

Abraços a todos.

Bruno Marcondes em junho 12, 2009 5:49 AM


#160

Bom, escapando de generalizações e partidarismos.

Realmente, na USP, é histórica a radicalização dos movimentos grevistas, especialmente de funcionários, e muito cansativa, pois a tempos deixou de ter objetivos claros e negociáveis.
Realmente, a minoria barulhenta sempre tomou para si, a determinação da decisão de direito de greve e a pauta reivindicatória, por vezes, beirando o ridículo.
Muito até por parte da "omissão" e desarticulação, da dita maioria silenciosa, já que a mobilização dos "barulhentos" conta com o cansativo partidarismo.

A novidade é a radicalização da administração.

Que a polícia anda, e muito, despreparada, isso é fato.
Quantas e quantas vezes houveram pelotões que se comportavam de maneira exemplar, simplesmente permanecendo impávidos frente à compreensíveis provocações?
Faltam líderes? Falta treinamento? Falta salário?

Isoladamente, este episódio não seria diretamente comprometedor para o Governador.

Porém, quando analisamos e lembramos do que aconteceu durante a greve da Policia Civil, Paraisopolis, é nesse ponto que a analise do Idelber é contundente.

Sim, a alguns anos, houveram agressões injustificáveis (durante piquetes e greves) contra o Governador Mario Covas. É dessa época o argumento que não passariam de "petistas".
Mas a pessoa que ocupa o cargo eleito de governador, não governa para os seus eleitores, mas sim para todos os habitantes do seu estado, até mesmo para seus opositores.
E abrir espaço para negociação jamais diminuiria sua envergadura como líder, muito pelo contrário.

Livio em junho 12, 2009 8:33 AM


#161

brilhante ironização da mídia pelo prof hariovaldo e turma de vermelhos mauvados contra os caubóis do bem da malrboro-serrista-mídia

http://hariprado.wordpress.com/2009/06/09/

Debelado o Foco Guerrilheiro na USP

Flavia em junho 12, 2009 10:16 AM


#162

Uma pergunta para os ideólogos da não-ideologia: será mesmo que é possível fugir para uma Torre de Marfim e fazer a 'crítica da ideologia fora dela'? É o paradoxo de se alienar conscientemente da sociedade para tentar compreendê-la.

Tem muita 'indignação' que só serve para massagear o próprio ego. Afinal, 'todo mundo é democrata' hoje em dia. Parece que se gabam de ter sido 'vacinados' contra o autoritarismo e a violência (como se isso fosse possível), e assim poder apontar o dedo acusador e moralista em cima dos outros.

Enfim:

'(...) quando manifestantes e tropas de choque estão frente a frente, o conflito acaba sempre ocorrendo. E a imprensa burguesa acaba sempre culpando os "baderneiros" e fechando os olhos à bestialidade dos fardados.

E o pior é que nem uns, nem outros são os verdadeiros culpados. A responsabilidade é de quem arma o tabuleiro dessa forma.'

http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/06/senhor-cidadao-que-vida-amarga.html

Luis Henrique em junho 12, 2009 12:40 PM


#163

Para aqueles que aprovam a ação da polícia:

http://2.bp.blogspot.com/_UL5gef6g4hI/SjGP3zbnV2I/AAAAAAAADPU/T2QUW_hJOSk/s1600-h/usp_rea%C3%A7as.bmp

É rir para não chorar!

Luis Henrique em junho 12, 2009 1:07 PM


#164

"Sinto que o rastro das cordas da marionete leva até a eleição do ano que vem."

Talvez você tenha matado a charada, Rodrigo Leme, só acho que você irá se surpreender quando ver que quem está puxando a cordinha não é quem você imagina.

Cláudia em junho 12, 2009 1:23 PM


#165

"Sinto que o rastro das cordas da marionete leva até a eleição do ano que vem."

Talvez você tenha matado a charada, Rodrigo Leme, só acho que você irá se surpreender quando ver que quem está puxando a cordinha não é quem você imagina.

Cláudia em junho 12, 2009 1:23 PM


#166

"Sinto que o rastro das cordas da marionete leva até a eleição do ano que vem."

Talvez você tenha matado a charada, Rodrigo Leme, só acho que você irá se surpreender quando ver que quem está puxando a cordinha não é quem você imagina.

Cláudia em junho 12, 2009 1:23 PM


#167

Desculpe pela repetição, saiu uma mensagem de erro aqui e achei que não havia ido.

Cláudia em junho 12, 2009 1:35 PM


#168

Olha que belo exemplo de gente democrática e aberta ao diálogo: http://stoa.usp.br/calsaverini/weblog/51832.html

Ah, o próprio Dallari, em entrevista à Folha, se colocou contrário à "manifestação pacífica" de terça-feira. O único link que tenho pro texto, já que não sou assinante da Uol, é pro blog do Reinaldo Azevedo, que acho melhor não colocar aqui. Pode dar urticária em alguém (fora que vai me render a pecha de "direitista reacionária" pelo resto da minha vida virtual). E é bem óbvia a posição FAVORÁVEL à manifestação da repórter Laura Capriglione, apesar dela ser da Organização Criminosa Folha de S. Paulo.

Marjorie, realmente eu não estive lá na reitoria em 2007 e não vi o que aconteceu. Mas também aposto que você não tem o inventário dos bens que haviam antes da invasão e depois dela. Varrer a calçada, ok, soube que isso aconteceu. Mas usar como argumento que a imprensa toda é "mentirosa" (porque, convenhamos, não foi só o jornal X ou Y que falou sobre esse vandalismo), desculpa, é no mínimo, pueril.

Sobre quando foi jogada a primeira bomba: primeiro, óbvio que quem jogou a primeira bomba foi a polícia, já que só eles tinham bombas. Segundo: quando isso ocorreu não dá pra saber com certeza, ainda mais quando a fonte da informação é um vídeo EDITADO pelos próprios manifestantes.

Você disse quem ninguém foi impedido de ter aula. E eu leio agora uma notícia sobre uma aluna de história que chamou a polícia para poder entrar na sala de aula. Fora o link que indiquei no começo desse comentário, que mostra quão gentilmente os alunos de alemão foram conduzidos para fora da sala de aula pelos manifestantes.

Sobre os policiais encurralados: acho desnecessário dizer que eles não eram da Tropa de Choque, como é facilmente constatado pela forma como estavam fardados. Mas vale dizer que eram meia-dúzia contra uma múltidão. "Ah, estavam armados". Olha, só em filme do Rambo que um homem armado mata duzentos desarmados: eles estavam claramente em desvantagem ali. Ou então, para não serem encurralados, eles deveriam atirar contra os estudantes? Novamente, o fato deles terem recuado ratifica que não era a intenção da polícia utilizar da violência.

Não duvido que existiram casos isolados de policiais agressores, como também não duvido de casos de manifestantes agressores (li em algum lugar sobre 6 policiais feridos contra 1 estudante ferido, mas não sei se a fonte é confiável, já que é de um aluno não-grevista); logo, culpar só a polícia ou, pior ainda, o governo do Estado sobre o acontecido é dar nó nos fatos, da pior forma possível. Mas enfim, Dallari colocou isso de forma brilhante, como eu não seria capaz nem em mil anos. Quem quiser ler a opinião dele sabe onde encontrar.

Srta.T em junho 12, 2009 1:54 PM


Augusto em junho 12, 2009 2:30 PM


#170

Um dos comentários a esse vídeo é bem interessante, vale a pena prestar atenção:

"No final do vídeo ele fala " A não violência " - E o que aqueles "alunos" estão fazendo dos 2:35 aos 2:40?? Tanto que abaixam a camera na hora, estranho não? Rosas não eram."

Srta.T em junho 12, 2009 3:02 PM


#171

Adendo: e também todo mundo é 'contra a violência'. Gostaria de ver na carteirinha de vacinação a tríplice 'gente de bem', que protege o indivíduo do autoritarismo, da violência e da inversão de valores (quais valores?).

Luis Henrique em junho 12, 2009 3:40 PM


#172

Prezado Idelber,
como o sr mesmo disse,
"Sim, o pedido de reintegração de posse é de responsabilidade da Reitoria e a anuência a esse pedido é prerrogativa do Judiciário."

Então, qual a relação do governador Serra com isso? Nada! O governador não é juiz de direito. Se a USP entrou com medida judicial para reintegração de possee a justiça deu OK, o executivo nada deve fazer a não ser respeitar o poder Judiciário. Se o governador interviesse, seria um desrespeito, não?

Lembro duas coisas: a prevalência do executivo não é bom para a democracia, vide o exemplo da ditadura venezuelana. O velho Barão de Monstesquieu discute isso. E tem a definição de democracia moderna de Norberto Bobbio, que "é a defesa das regras do jogo".

A depredação do prédio público certamente não está nas regras do jogo. Imagine-se no lugar da reitora. Tendo a reitoria invadida duas vezes já: uma em 2007 e outra em 2009, prestes a invadir a terceira, o que vc faz? Fica de braços cruzados ou pede proteção ao patrimônio público? A reitora fez a segunda opção.

A polícia esteve ali para impedir a depredação do bem público, custeados por eu, vc, todos nós.

Enfim, mas ainda não entendi pq o coitado do Serra entrou nesse texto. Acho q juntaram alhos e bugalhos por aqui. Estou errado?

Abs e saudações democráticas.

Lucas (TucanUSP) em junho 12, 2009 4:17 PM


#173

Lucas: Ninguém juntou alhos e bugalhos. Juntar alhos e bugalhos é não entender que a ordem de reintegração é só isso: ordem de reintegração de posse.

Os cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo e espancamentos são decisão executiva, de responsabilidade do poder estadual, ao qual está submetida a PM. Essas coisas não são parte da ordem judicial. Capice?

Abraços democráticos.

Idelber em junho 12, 2009 4:36 PM


#174

Se a polícia estava certa em descer o porrete nos perigosíssimos baderneiros, então por quê está todo mundo tão preocupado em demonstrar que o Serra não tem nada a ver com a ação da polícia?

Daniel em junho 12, 2009 4:41 PM


#175

Tais enfrentamentos servem para quê? Para resolução de problemas na Universidade? Não parecem. Aprofundar a participação da Universidade no planejamento do futuro? Também não. Para criar uma sensação de terra arrasada, onde nada medra de útil? Afinal, os outros da vez, os culpados de sempre, estão sempre à mão. Barricadas com material público, destinados para equipar bens públicos, concebidos para promover bem público meritório, a Educação. E a esta fica reservada a redenção com a tão cantada riqueza futura das reservas petrolíferas das camadas pré-sal. Alvíssaras. Seremos ricos e educados daqui a uns 30 anos ou mais. Perfeito. Podemos todos dormir em paz.

Dawran Numida em junho 12, 2009 4:42 PM


#176

É tão triste ver essa gente nova e ao que parece tão inteligente defendendo o arbitrio!
Moços....muita gente apanhou e sofreu para a USP estar aonde está.
Não foi com moçinhos com ideias do Mackenzie que se formou o "mundo USP"!
Foi com vontade e coregem de fazer o novo e o moderno e o libertário que se forjou o ambiente Usp!
Quem são esses patricinho/pseudo burguesinhos/classe médias defendendo o arbitrio , o "não direito de greve?
Acordem primatinhas facistóides!
Nem Erasmo Dias fez vilania assim!
Envergonhem-se fariseus pervertidos!
ABRAÇOS ao corajoso IDELBER!

H.ROMEU PINTO em junho 12, 2009 4:55 PM


#177

Srta T -- Eu nunca chamei a Folha de criminosa. Eu acho que a Laura Capiglione é uma das poucas jornalistas que fazem um bom trabalho. Quarta-feira, eu a vi no meio dos estudantes, circulando, conversando com eles. Já os outros jornalistas que estavam ali só viam tudo à distância. Não falavam com ninguém, mas ficavam lá anotando coisas e fazendo informes ao vivo para a TV.

Repare que no vídeo 09.06.2009, os fotojornalistas todos estão ATRÁS dos policiais. Vão junto com eles. E tem uma ceninha em que a Laura aparece junto com os estudantes. Preciso ver qual é o minuto certinho, mas tem uma parte em que aparece uma única jornalista do lado dos estudantes: é ela. Eu acho isso tão emblemático, sabe? Eu me pergunto que porra de jornalismo é esse, que só vai atrás da polícia. É assim em quase toda a cobertura de segurança pública. Tem um livro muito legal chamado "Mídia e violência", da Silvia Ramos. É uma pesquisa bastante extensa sobre como os jornalistas atuam nesse tipo de cobertura. E ele mostra justamente isso. Que as coisas funcionam nesse esquema: onde a vaca vai, o boi vai atrás. Tem jornalista que tem uma relação pra lá de promíscua com delegado, na qual uma mão lava a outra. Por exemplo: Você já reparou que, em toda operação bombástica da PF, o Tralli tá junto? E é sempre o primeiro a conseguir documentos exclusivos da polícia (como no caso Isabella, por exemplo)? Por que será?

Não sei se vc pôde acompanhar a cobertura ao vivo na televisão, mas tb só se falava com os policiais. Ninguém falou com um manifestante sequer. E era tão fácil. Eles estavam ali.

No entanto, a cobertura é enviesada, sim. Mesmo com a Laura Capiglione. Um amigo meu me disse que o texto dela no jornal de quarta deve ter sido todo retalhado. Porque, ao conversar com os estudantes na terça, ela descreveu que a reportagem seria de um jeito, e saiu de outro. Um jeito que não é a cara dela.
O viés a gente vê na escolha das palavras, como "grevista" em vez de manifestante (nem todo manifestante era grevista, dado que a maioria esmagadora dos cursos não estava em greve na terça-feira), "confronto" ou "com livro, grevista entra em choque com PM". Não é risível essa forçada de barra? Desde quando se entra em choque com alguém de cassetete usando um livro? É aí que tá o viés, nos detalhes. Se você pegar o lide da matéria principal da Folha de quarta-feira, ele é uma partáfrase da nota oficial despachada pela reitoria, que tb pode ser encontrada na internet. Nenhuma menção ao outro lado no lide. Por quê? É aí que o jornal escolhe o seu lado.

E, não, eu não tenho um inventário do que foi perdido. Mas você não concorda que dizer que a reitoria foi "depredada e saqueada", nos mesmos termos que usou a imprensa, sem ter estado lá para conferir (e sem ter o inventário tb), é meio ingênuo da sua parte?

Ao reproduzir as palavras da imprensa, você está assinando embaixo do discurso deles, como se fosse absolutamente confiável, só isso. Eu não chamo a imprensa de mentirosa per se -- afinal, hello, eu escolhi jornalismo como profissão. Só que eu não vou sair por aí repetindo as informações dadas por um jornal quando ele está claramente escolhendo termos que visam aumentar a dimensão das coisas.

A minha fonte sobre quando caiu a primeira bomba não é o vídeo. Eu conversei com os meus colegas que estavam lá. Eu ouvi isso das pessoas. Só estou dizendo que VOCÊ, que talvez não tenha acesso às pessoas que estavam lá, pode conferir isso no vídeo. Detalhe: qual a mensagem inicial do vídeo? "Não estamos apresentando ninguém nem os fatos, toda representação é falha". Oi: eles já reconhecem que o vídeo é um recorte. Porque todo vídeo é um recorte. Todo vídeo tem edição. Se vc for reclamar do que vê em qualquer documentário ou reportagem só porque há edição, então não leve em consideração reportagem ou documentário nenhum. Inclusive os impressos, porque eles tb passam por um processo de edição. O engraçado é que vc diminui a importância disso no impresso.

No mais, acho que você está torcendo argumentos ao insistir em desconsiderar o fato de que eles foram desencurralados. Vc fica insistindo no fato de que eles estavam encurralados. Insiste no antes. Mas o depois é que os próprios alunos os deixaram sair depois. Então acabou-se o problema. Se vc acha que pé justificável jogar bombas por conta daquilo, então, realmente, você já internalizou uma visão truculenta das coisas. Da violência como algo válido naquela situação. Bom, diante disso, eu realmente não posso fazer nada.

quem disse que houve 6 policiais feridos para um estudante ferido foi o Estadão. E essa é outra mentira deslavada, porque todo mundo viu mais de um aluno sendo espancado. A informação do Estadão se baseia no fato de que há um estudante hospitalizado no HU. Ou seja: para saber o número de policiais machucados, provavelmente falaram com os policiais. Para saber o número de alunos, só pegaram o hospitalizado. Não consultaram mais nada até porque, como eu já disse acima, a maioria dos jornalistas não se dá ao trabalho de falar com os estudantes. Não se dá ao trabalho de fazer jornalismo. Se vc comparar o Estadão com a Folha do mesmo, os números já são outros. A Folha coloca 5 estudantes feridos, se não me engano. Cada jornal coloca um número diferente.

Marjorie em junho 12, 2009 5:12 PM


#178

*com a Folha do mesmo dia

Marjorie em junho 12, 2009 5:15 PM


#179

Marjorie, na Folha falam apenas em um estudante ferido, sem nenhuma menção ao número de policiais. Sobre o estado lastimável da reitoria após a invasão de 2007, não foi apenas nos jornais que li, mas em outros blogs, de estudantes e sobre política.

Olha, não foi a você que me referi quando falei na Folha ser uma "Organização criminosa", sei que você estuda jornalismo e que nunca disse isso. Foi ao próprio autor do blog, que usou essa terminologia em outro post, coisa que achei grosseira e leviana - pra dizer o mínimo.

Então, não estou escolhendo um lado, embora possa parecer o contrário. A questão é: os grevistas não são assim tão ingênuos e bonzinhos, não atacaram só com flores e cadernos. Pedras e pedaços de pau também ferem. Barricadas com mesas e carteiras da universidade são depredação do patrimônio público. Policiais também são gente de carne e osso, que se ferem, se ofendem e se sentem ameaçados. Nunca neguei que pode ter havido um exagero no uso da força pelos policiais; mas acredito que, assim como no caso dos manifestantes, isso aconteceu em fatos isolados, um policial que perdeu a peciência com um manifestante, um moleque que atirou uma pedra ao invés de uma flor. O que não aceito é culpar o governo vigente pelo acontecido, tentar criar uma visão maniqueísta dos partidos, quando sabemos que o lado "do bem" também já deu pisadas do tipo (vide caso Jacques Wagner, ou - melhor ainda - do rapaz entregue à facção rival de uma favela no Rio pelo Exército, cujo comandante máximo é o Presidente). Ninguém que cortar a própria carne?

Eu não estou desconsiderando o cordão de isolamento que aparece no vídeo. Mas, veja só: os policiais em questão não são da tropa de choque, e há uma ordem judicial a ser cumprida pela PM. Tiraram os policiais ilesos, ok: mas a ordem ainda precisa ser mantida. Eles não conseguiram fazê-lo, então chama-se a tropa de choque.

A mensagem inicial do vídeo eu nem considerei: já foi colocada com o intuito de invalidar futuros questionamentos sobre o mostrado. E se os jornais começarem a colocar frases prévias antes dos textos pedindo a desconsideração factual do que vier escrito em seguida? "Qualquer semelhança com a realidade será mera coincidência". Pára, nem leio mais jornal então, vou só ler meus gibis. Se levarmos em conta a frase abertura do vídeo, o correto é desconsiderá-lo por inteiro, e não só a cena do cordão de isolamento - que, volto a dizer, não desconsiderei.

Não duvido do que seus colegas disseram, mas veja, é um dos lados da moeda. Meu namorado estudou Filosofia na USP e me disse como algumas coisas funcionam por lá. Vi blogs e comunidades, vídeos e mensagens de estudantes dizendo outras coisas sobre o ocorrido. E tem o que eu conheço, por experiência própria, de greve, de truculência policial, de ordem jurídica, de Estado de Direito. Há muitos pontos falhos nessa tentativa de responsabilizar o Serra e a polícia sobre o ocorrido, como se os manifestantes fossem santos. É isso que questiono.

Daniel, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Vejamos: o Serra não é responsável pela reação policial pois a presença da PM no campus se dá devido a ordem judicial, e o Poder Judiciário é independente do Poder Executivo. Isso é um ponto.

Segunda parte: não disse que a polícia fez certo em agir assim ou assado, porque não sei de fato o que ocorreu. O que é fato, indiscutível: se há um ordem judicial de proteção da posse, do patrimônio, ela DEVE ser cumprida. Isso é garantido pela Constituição Federal. Se vão utilizar quatro policiais ou toda a tropa de chique para fazê-lo, isso depende da ameaça que é iminente.

Agora deu pra entender?

Srta.T em junho 12, 2009 6:05 PM


#180

Em resposta a alguns comentários que creio serem endereçados a mim, respondo:

ideólogo, em primeiro lugar, não é aquele que faz uma espécie de "apologia do capitalismo", seja ela implícita ou explícita, quando teoriza, faz arte, manifestações culturais, seja o que for. Esse tipo de pensamento foi responsável pela execução de grande parte dos artistas e intelectuais de vanguarda na ex-URSS, que, na visão de intelectuais como, por exemplo, Georg Lukács, ao aderirem a uma perspectiva superficial dos conflitos sociais, ou seja, não se utilizarem da forma do romance burguês, estavam concordando com o capitalismo que, segundo ele, estava superado pelo regime soviético (Narrar ou Descrever). Ou seja, não se pode desperdiçar o trabalho de homens como Gilberto Freyre, Martin Heidegger, Ludwig Von Mises, entre outros, por causa de supostas afiliações com o dito capitalismo.
Ideólogo, na minha acepção, é aquele que distorce ideologicamente um fato ou uma teoria, para com que aquilo caiba em sua visão de mundo, prática política, enfim, sem que se acabe chegando ao problema de que se quer tratar. Não afirmei, de forma alguma, um mundo sem ideologias, muito pelo contrário. Afirmei, simplesmente, que jamais chegaremos a um mundo sem ideologias. Em outras palavras, não sairemos do que Karl Marx conceituou como modo de produção capitalista. Ainda está muito cedo para isso.
Não afirmo coisas comprometidas com serrismo, lulismo, ou coisa parecida. Só quero expressar minha opinião.
Então, nada de julgamentos precipitados nem de afirmações de que sou ideólogo ou alguma coisa. Esqueçam da Marilena Chauí (essa sim a verdadeira ideóloga, porque distorceu com um conceito torto de luta de classes o que aconteceu com o PT no mensalão) e vão ler coisas mais inteligentes e produtivas.
E essa charge do Latuff não está com nada. Se fossem agredidos os estudantes e os trabalhadores que optaram por trabalhar e não participar da manifestação, por essa charge, creio que ele seria tão culpado quanto tentam imputar ao Serra a agressão da polícia, no seu caso, a agressão dos manifestantes.

Bruno Marcondes em junho 12, 2009 6:57 PM


#181

Srta T -- bom, eu não sei quais fontes você consultou, mas, pela minha experiência, eu não vi a reitoria em estado lastimável. Eu não acho que "lastimável" seja uma palavra adequada. Considerando-se a quantidade de alunos que passaram por ali, a reitoria foi entregue num estado muito bom. Agora, é claro que, para ocupá-la, tiveram de forçar o portão. É claro que houve prejuízos, pois isso era inevitável. Mas vc há de concordar que, se o objetivo fosse sair quebrando tudo deliberadamente, 3 mil alunos seriam capazes de estraçalhar a reitoria inteira. E não foi o que aconteceu. Tanto que a reforminha depois foi super rápida.

Sobre as pedras: faz um teste. Vai no meio de uma muvuca e atira uma pedra contra um policial, de longe. Vê se você consegue acertar. Depois me conta.

Outra coisa é que as pedras foram atiradas DEPOIS das bombas, na hora da confusão. Durante a manifestação, ninguém jogou pedras em ninguém. Só flores. Então, sim, não foram usadas spo flores e cadernos, mas há um intervalo aí.

Desculpa, mas parece mesmo que você sente muito mais dó do coitadinho do policial que também se machuca apesar de ter cacetete, escudos, balas de borracha e bombas de efeito "moral" (heh) do que dos alunos com livros, flores e pedras. Ora, o artefato dos dois não têm comparação. Já disse isso em outro comentário, mas você está querendo equparar duas forças que não são comparáveis. Está querendo ver horizontalidade onde não há.

Eu não acho que os manifestantes sejam santos. Só acho que a polícia não deve conduzir suas ações de forma desastrada, abusando da força que tem. Repito: se vc acha que o uso das bombas foi legítimo para dispersar a multidão, por que eles continuaram depois que a multidão já havia sido dispersa? Por que atiraram bombas na praça do relógio? Por que agrediram professores que tentaram negociar com eles? Por que prenderam um aluno que nada tinha a ver com a manifestação? É dessa truculência que eu estou falando.

...Na verdade, a polícia nem devia estar no campus para começo de conversa. Se essa reitora tivesse o mínimo de traquejo, saberia que chamar a polícia só acirraria os ânimos e daria em merda. Não é mais fácil dialogar do que chamar a polícia? Isso demonstra a sua incompetência e a ilegitimidade da sua autoridade. Se ela se importasse mesmo com os alunos que querem estudar, não teria ignorado a greve dos funcionários durante UM MÊS. Faz um mês que estamos sem bibliotecas. A reitora só quer garantir que os alunos estudem, really?

A grande indicação da incompetência da Suely é que, trazendo a PM para o campus, ela conseguiu articular os professores e os alunos, que não estavam em greve. Estavam super dispersos. E agora todas as categorias se juntaram para pedir a sua saída do cargo. Olha só o tamanho da cagada que ela fez.

Marjorie em junho 12, 2009 10:25 PM


#182

'Se fossem agredidos os estudantes e os trabalhadores que optaram por trabalhar e não participar da manifestação.'

Bruno, COMO a polícia iria agredi-los ao invés dos manifestantes? Não faz o menor sentido!

Luis Henrique em junho 12, 2009 11:26 PM


#183

http://www.adusp.org.br/noticias/Informativo/285/inf28501.html

Pedidos constantes na declaração da Assembléia dos docentes da USP:

“Os professores da Universidade de São Paulo, reunidos em Assembléia no dia 10 de junho de 2009, em face dos graves acontecimentos envolvendo a ação violenta da Polícia Militar no campus Butantã, vêm a público exigir:

- a renúncia imediata da professora Suely Vilela como reitora da Universidade de São Paulo;
- a retirada imediata da Polícia Militar do campus;
- que a nova administração adote uma medida firme para impedir que as chefias e direções assediem moralmente os funcionários que exercem o direito de greve, de modo a criar condições objetivas para que os funcionários possam suspender os piquetes;
que se inicie também imediatamente um processo estatuinte democrático.
São Paulo, 10 de junho de 2.009.

Adusp-S.Sind.
Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo

Luma em junho 13, 2009 6:59 PM


#184

http://www.adusp.org.br/noticias/Informativo/285/inf28501.html

Pedidos constantes na declaração da última assembléia dos docentes da USP:

“Os professores da Universidade de São Paulo, reunidos em Assembléia no dia 10 de junho de 2009, em face dos graves acontecimentos envolvendo a ação violenta da Polícia Militar no campus Butantã, vêm a público exigir:

a renúncia imediata da professora Suely Vilela como reitora da Universidade de São Paulo;
a retirada imediata da Polícia Militar do campus;
que a nova administração adote uma medida firme para impedir que as chefias e direções assediem moralmente os funcionários que exercem o direito de greve, de modo a criar condições objetivas para que os funcionários possam suspender os piquetes;
que se inicie também imediatamente um processo estatuinte democrático.
São Paulo, 10 de junho de 2.009.

Adusp-S.Sind.
Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo

l em junho 13, 2009 7:10 PM


#185

http://www.adusp.org.br/noticias/Informativo/285/inf28501.html

Pedidos constantes na declaração da última assembléia dos docentes da USP:

“Os professores da Universidade de São Paulo, reunidos em Assembléia no dia 10 de junho de 2009, em face dos graves acontecimentos envolvendo a ação violenta da Polícia Militar no campus Butantã, vêm a público exigir:

a renúncia imediata da professora Suely Vilela como reitora da Universidade de São Paulo;
a retirada imediata da Polícia Militar do campus;
que a nova administração adote uma medida firme para impedir que as chefias e direções assediem moralmente os funcionários que exercem o direito de greve, de modo a criar condições objetivas para que os funcionários possam suspender os piquetes;
que se inicie também imediatamente um processo estatuinte democrático.
São Paulo, 10 de junho de 2.009.

Adusp-S.Sind.
Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo

luma em junho 13, 2009 7:33 PM


#186

A pergunta ainda continua sem resposta: tais enfrentamentos servem para quê? Até agora nenhum argumento sobre a produção científica, a qualidade dos cursos de graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado. Em suma, nada sobre a razão de ser da Universidade. Nem nada sobre a Educação e em que a Universidade colabora para sua melhoria e aprofundamento desta melhoria. Atribuir truculência deliberada do governo do Estado contra estudantes só pode encontrar eco num ambiente onde se esmera na radicalização para a criação de mistificações e messianismos. Num País que aprofunda a Democracia, tais coisas apenas prenunciam o atraso perigosamente.

Dawran Numida em junho 14, 2009 2:31 PM


#187

Sim, concordo que os alunos podiam ter demolido a reitoria em 2007, se quisessem. Ainda bem que não o fizeram, não é? Mas veja só: para a ação de reintegração de posse ter sido deferida judicialmente (acho mais que se trata de um interdito proibitório, mas isso são outros quinhentos) deve ter havido a comprovação de algum dano. O juiz não defere esse pedido sem provas; logo, algum dano houve. A monta eu não sei exatamente, mas deve ter sido o suficiente para não quererem que acontecesse novamente (aliás, há ação contra o DCE e o Sintusp no valor de 345,1 mil pelos danos da invasão de 2007). Não creio que foi uma “gentileza” dos invasores terem danificado o prédio menos do que poderiam.
Sobre as pedras: eu nunca fiz, mas minha mãe fez, nas passeatas contra a ditadura. Ela disse que errava, mas um tio meu acertou e machucou um cara numa dessas. Claro, os policiais podem muito mais, mas pedrada também é lesão. Mas e se o policial tivesse pego a pedra e jogado em um manifestante, tudo bem? Enfim, atirar pedra contra policial... não recomendo. Precisa mesmo?
Se te parece mesmo que estou com mais dó dos policiais, ou me fiz entender mal, ou você me entendeu mal. Pena eu sinto de qualquer um que se prejudicou injustamente nessa história. Quando disse que os policiais também são de carne e osso, foi pra mostrar um contraponto, que podem existir vítimas nos dois lados em um lance violento desses. O Dallari bem falou: “A história está cheia de exemplos em que a polícia acaba se excedendo. Mas houve situações de um grupo de manifestantes cercando a polícia. É fácil de imaginar o temor dos policiais de serem agredidos, humilhados. Isso acabou precipitando ações violentas da polícia, também condenáveis.”
Olha, a polícia tinha que estar lá sim. Cumprindo uma ordem judicial, porque entendeu-se que a presença dela era necessária para tanto. Se não estão de acordo disso, que se manifestem judicialmente, culpem a juíza, não o governador. Não a reitora. Se a polícia agiu de forma desastrada ou truculenta, deve ser responsabilizada.
Mas concordo que foi uma baita cagada, que o tiro saiu pela culatra. O que eu não concordo é com esse discurso de vitimização. Que, aliás, é bem conveniente. Pra quem tá errado.

Srta.T em junho 15, 2009 3:00 AM


#188

Caros alunos e alunas:

Desde de maio, quando a Reitoria foi invadida por grevistas, a violência instalou-se em nossa universidade. Na semana passada, estudantes foram agredidos por estudantes, algo incompatível com os valores universitários. Nesta semana, tudo parece indicar que a violência arrefeceu. É importante que asassim continue e que possamos terminar o semestre letivo em paz.

Por esta razão, tomo a liberdade de recomendar aos estudantes do IRI que se abstenham de participar de manifestações públicas no campus -- contrárias ou favoráveis à greve-- de forma a evitar novos confrontos que nos envergonham e mancham a imagem pública da USP.

Conto com a colaboração de todos e agradeço por antecipação os esforços de cada um para evitar que a violência prevaleça sobre o discussão serena, racional e respeitosa das divergências de opinião.

Cordialmente,

Maria Hermínia Tavares de Almeida
Diretora em exercício
Instituto de Relações Internacionais
Universidade de São Paulo

____________

diretora de relações internacionais da USP mandou isso pra todos os alunos. lamentável.

Ming em junho 25, 2009 1:23 AM


#189

Esse site é uma merda!

Maysa em setembro 30, 2010 10:52 AM