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quarta-feira, 17 de junho 2009

Sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalista

Atualização às 2:59 do 18/06: Como já é sabido por toda a torcida do Corinthians, o Supremo Tribunal Federal derrubou, por 8 votos a 1, a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. No momento em que escrevo, estamos no comentário #95 e a discussão anda muito boa. Como o assunto é importante para muita gente e é raríssimo que aconteça um debate no qual eu não tenha posição clara e definida, deixo este post em destaque mais um dia, inclusive porque quero ouvir mais. Apareceram vários outros links na caixa de comentários, além dos já oferecidos no corpo do post. Esse texto de Ivana Bentes celebra a decisão do STF. Esse outro, de Leandro Fortes, a lamenta. Leonardo Sakamoto acha positiva a decisão do STF mas critica a argumentação de Gilmar Mendes que a fundamentou.

Eu teria um texto bem incendiário para oferecer sobre este tema, mas acabo de chegar a Belo Horizonte, cansado pacas, e decidi fazer o que fazemos aqui de vez em quando. Eu ofereço os links e vocês conversam. O que achei de interessante por aí sobre a discussão que acontece hoje no Supremo Tribunal Federal, acerca da obrigatoriedade do diploma para jornalistas, vai abaixo:

Virando a folha, de Sergio Leo.
Sobre o diploma para jornalistas, do Rafael Galvão.
Ainda o diploma para jornalistas, também do Paraíba.
Diploma em tempos de crise do jornalismo?, do Jorge Rocha.
Pela exigência do diploma de jornalista para blogueiros brasileiros, do André Forastieri.
Sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, de Túlio Vianna.
Uma decisão histórica sobre o diploma, de Elias Machado.
Jornalista, só com diploma, por Sérgio Murillo de Andrade.
Diploma é resquício da ditadura, de Laerte Braga.

E por falar em jornalista, o maior de todos, Leandro Fortes, está de casa nova.



  Escrito por Idelber às 03:00 | link para este post | Comentários (220)


Comentários

#1

Por falar em diploma, Idelber, o Fábio Pannunzio, da Band, tem o dele. Mas, parece que não ajudou muito. Ele andou dizendo horrores do Azenha e do Cloaca News, por causa do Heraldo Pereira. Veja o que o Cloaca respondeu:

http://cloacanews.blogspot.com/2009/06/reporter-tucano-de-tv-bandalha-toma-as.html

Dolores Saavedra em junho 17, 2009 5:04 AM


#2

Por falar em diploma, Idelber, o Fábio Pannunzio, da Band, tem o dele. Mas, parece que não ajudou muito. Ele andou dizendo horrores do Azenha e do Cloaca News, por causa do Heraldo Pereira. Veja o que o Cloaca respondeu:

http://cloacanews.blogspot.com/2009/06/reporter-tucano-de-tv-bandalha-toma-as.html

Dolores Saavedra em junho 17, 2009 5:05 AM


#3

Descobri seu blog hoje, virei a noite lendo seus posts! Poucas vezes me empolguei tanto com algo na internet! Já está adicionado aos meus favoritos, claro!

Parabéns!

Zé Knust em junho 17, 2009 5:26 AM


#4

outro post interessante sobre o assunto:
http://odiluvio.blogspot.com/2009/06/putas-foder.html

arlei arnt em junho 17, 2009 9:34 AM


#5

Tenho dúvidas quanto a utilidade da exigência de diploma em qualquer profissão. Com relação ao diploma de jornalismo, tenho certeza de que é uma péssima idéia exigi-lo por lei.

Não tenho absolutamente nada contra as faculdades de comunicação. Muito pelo contrário acho elas importantíssimas. Se eu tivesse alguns milhões e estivesse pensando em usá-los para criar uma empresa de mídia, a primeira providência seria contratar só gente formada nas melhores escolas de jornalismo. Mas achar algo bom e achar que algo deve ser obrigatório são coisas bem diferentes. Certamente qualquer pessoa acha que uma ferrari é um carro melhor que um fusca. Mas achar que por isso as pessoas devem ser proibidas de fabricar e comprar fuscas seria um absurdo completo.

Mesmo sem considerar os casos reais (embora excepcionais) de grandes jornalistas sem diploma, a lei ainda assim é um absurdo. Limita de uma forma absurda o direito de comunicação das pessoas.

Conheço uma cidade do interior de Minas em que a população anseia por um jornal há anos. Algumas das pessoas mais cultas da cidade - professores primários, enfermeiras, bancários, nenhum com diploma superior de nada - se dispuseram a trabalhar como repórteres voluntários. Mas para publicar o jornal, seria necessário cobrar por cada exemplar, para custear a impressão. Resultado - não podem ter o jornal - a lei proíbe pois os reporteres devem ter curso superior e registro de jornalistas. A solução encontrada foi pagar uns cem reais por mês para um jornalista da capital que assina a redação e todas e reportagens do jornal.
Veja bem, não é uma questão de qualidade. O jornal simplesmente nunca vai ter circulação suficiente para bancar 1200 reais por mês de salário de um jornalista recém-formado. E nenhum jornal que possa pagar isso terá o mínimo interesse em publicar notícias sobre aquela cidade. Pelo menos eles tinham os 100 reais por mês para comprar a assinatura de um jornalista diplomado, mas tenho certeza que há muitos projetos de jornais pelo interior sem a mesma disponibilidade de recursos.

As leis que tentam "garantir a qualidade" do serviço prestado em geral fazem isso - proíbem o cidadão de andar feliz com seu Fusca. Para quem tem dinheiro para pagar uma Ferrari não faz diferença, mas para o resto todo...

Tenho certeza de que um jornal feito por professores e bancários é melhor que jornal nenhum.

lucas em junho 17, 2009 10:06 AM


#6

A defesa do fim do diploma é um revide das empresas de comunicação à greve dos jornalistas de 1979 em São Paulo, quando os jornais quase deixaram de circular. Nada tem a ver com o "fim do jornalismo" e tais coisas proporcionadas pelos novos meios. Desde então, as empresas atacam essa exigência.
Por último, com o fim do diploma, não haverá um Idelber Avelar ou um Caetano Veloso produzindo diariamente notícias. Isso é uma ilusão de quem defende o fim do diploma. Eles vão contribuir para jornais, como sempres fizeram, mas não vão surgir Idelberes ou Caetanos nas redações de jornais, TVs, agências de notícias.

enio em junho 17, 2009 10:19 AM


#7

Caro Enio,
Não entendi nada. Por favor, elabore um pouco mais.
Como a defesa do fim do diploma é revide à uma greve de 30 anos atrás? E o que tem o fim do diploma a ver com a blogosfera?
Peço encarecidamente que me esclareça o que o derrière tem a ver com as pantalonas.
Abraços meditabundos.
Mario Abramo

Mario Abramo em junho 17, 2009 10:48 AM


#8

Alo Idelber, estive na sua palestra da UFRJ, e lhe fiz até uma pergunta sobre Negri.
Abração.

Bruno Marcondes em junho 17, 2009 11:00 AM


#9

Eu vi o Leandro Fortes defender a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, en passant, no texto Petrobrax para iniciantes.

Patrick em junho 17, 2009 11:26 AM


#10

Obrigado pelo link, caro idelber. É divertido ver v. alinhado com a direção dos grandes jornais em alguma questão. Eles são, hoje, o principal defensor do fim de exigência de formação específica para exercício da profissão de jornalista.

As pessoas confundem escrever em jornal com ser jornalista. escrever, qualquer um pode, tendo acesso às chefias dos jornais. Há quase tantas páginas de opinião quanto editoriais hoje em dia, abertas a médicos, acadêmicos, cientistas políticos, teatrólogos, o diabo.

Infelizmente, já travei essa discussão icnontáveis vezes para saber que ela é perdida. Até porque todo mundo, no fundo, gostaria de ser jornalista, tem uma visão romântica do que faria com o poder dos jornais, escrever em grandes jornais, ter o público de uma Folha de S. Paulo. E se despera em ver esses jornalistazinhos ocupando seu lugar com material que consideram de terceira...

Não defendo emprego, colocação, corporativismo. Defendo a exigência de formação específica, discussão sobre o fazer jornalísticos em um ambiente acadêmico; aproveitar a insatisfação que há, hoje, com a má formação dos jornalistas e a má qualidade dos jornais, para forçar mudanças nas Universidades e dar uma formação decente, que se refletiria na melhoria de qualidade. Acabar com as escolas de comunicação ou abrir as portas para qualquer um que os patrões queiram contratar não fará essa melhoria.

Como argumentam alguns, hoje já se faz isso, já se contorna a exigência de formação específica, mas é mais difícil, dá trabalho ás emrpesas e as fraguiliza em relação aos sindicatos. O que se quer é abrir as porteiras.

tem um pouco mais sobre isso aqui: http://tinyurl.com/msjgz3

sleo em junho 17, 2009 11:42 AM


#11

Uma boa parte dos "erros" cometidos pela imprensa não são obra dos jornalistas que fizeram a cobertura, e sim dos responsáveis pelas manchetes. Quantas vezes o título de uma reportagem não reflete o conteúdo da mesma? Quem trabalha com jornalismo sabe muito bem que uma parte dos leitores lê apenas os títulos e a lide (é isso?) das reportagens. Manipulações nestas são muito eficientes, pois atingem o objetivo de deturpar a verdade e ainda fornecem um álibi para os jornais. Mesmo jornalistas sérios (como o Sérgio Leo) defendem que a maioria dos jornalistas é bem intencionada, tenta acertar e tem apoio do dono do jornal, mas não levam em conta a desigualdade de poder que tem essa maioria e a minoria que não está muito bem intencionada. O jornalismo brasileiro inventou o teste de hipóteses e o erramos do tipo "não pudemos comprovar o erro nem o não-erro". E, com exceção de alguns poucos jornalistas marginalizados, não houve uma gritaria de protestos contra essas práticas. Corporativismo? PIG?

André em junho 17, 2009 11:48 AM


#12

É divertido ver v. alinhado com a direção dos grandes jornais em alguma questão.

Uai, eu me alinhei com alguém e não percebi? Que eu saiba eu só ofereci links a um monte de textos, dos dois lados...

Idelber em junho 17, 2009 11:50 AM


#13

Sérgio Leo: v. diz, citando o Nilson Lage, que, aliás, é professor da universidade onde estudo, que "o jornalista não é um especialista em generalidades, é um especialista em discursos, em linguagem, que usa esse conhecimento para produzir relatos sobre a realidade". Bonito. Mas estou pra conhecer um jornalista (exceto minha cunhada, que ainda não se formou) que tenha lido e entendido Derrida, Foucault, Roland Barthes ou mesmo Eni Orlandi. "Especialista em discursos" sem entender essas figuras, é o mesmo que especialista em generalidades (pra não ser radical, me contentaria que nos cursos de jornalismo fossem obrigatórios pelo menos os livros do Habermas - que não tenho em alta conta - sobre esfera pública e opinião pública; seria um começo, mas seria pedir demais).

Alexandre Nodari em junho 17, 2009 11:56 AM


#14

Ah, e quanto à questão sindical: por que o jornalista não formado não poderia pertencer ao sindicato? Uma coisa é uma coisa, outra coisa...

Alexandre Nodari em junho 17, 2009 11:58 AM


#15

(complementando pois dei enviar antes da hora) Seria bom que os jornalistas tivessem uma formação que levasse a uma redução desses "erros" cometidos. Mas não acredito que o diploma de jornalismo seja a solução. Como sou consumidor de notícias e não produtor delas, o que eu quero é poder confiar naquilo que leio nos jornais. Portanto, não tenho a menor idéia se o diploma de jornalismo pode melhorar os processos internos nas redações. O que me interessa é o produto final.

André em junho 17, 2009 11:59 AM


#16

Adoramos comentar sobre o PIG hoje, no melhor estilo Profº. Hariovaldo:

http://guerrilheirosvirtuais.blogspot.com/2009/06/baixou-sao-serapiao-nos-guerrilheiros.html

Sds
Suzana & Saroba

Luiz Antonio Franke Settineri - SAROBA em junho 17, 2009 12:24 PM


#17

Toda a discussão é permeada pela conepção errônea de que o que é bom deve ser obrigatório e de que defender que algo não deve ser obrigatório equivale a dizer que algo não é bom - ou pior, de que não deve existir. Alhos com bugalhos.

Os argumentos dos que apoiam a exigência do diploma, praticamente todos se limitam a fazer uma defesa de como as universidade são importantes na formação de um jornalista e como seria desastroso acabar com elas etc.
Que eu saiba, ninguém está propondo proibir a existência de escolas de jornalismo.

Um exemplo de outra área: não existe exigência de diploma para trabalhar com informática, uma atividade altamente especializada. No entanto não vejo empresas de desenvolvimento de software contratando sistematicamente formandos de jornalismo para especificar sistemas. A maior parte dos recém-formados contratados são formados em, surpresa, informática! Quando muito são formados em engenharia eletrônica. E as faculdades de informática continuam a se multiplicar pelo país, mesmo sem qualquer exigência legal de diploma para a atividade.

Portanto não vejo nenhum motivo para que o fim da obrigatoriedade dos diplomas de jornalismo decrete o fim da academia. Na verdade acho que a única coisa que mudará nos grandes jornais vai ser que os profissionais não vão mais precisar pagar taxas para o conselho. Talvez um ou outro formado em publicidade entre em um jornal.

A mudança realmente grande ocorreria em jornais pequenos, de tiragens mínimas, e em empresas que tentem fazer algum tipo de experiência com mídia, sem seguir os modelos tradicionais.

Mas é dificil convencer alguém que acha que sua opinião sobre o que é um produto melhor deve ser imposta pela lei... Aliás, é quase impossível argumentar sobre a liberação de qualquer coisa com gente que pensa que só existem duas situações possíveis: é obrigatório ou é proibido.

Mas eu sou um caso perdido. Acho que nem medicina ou engenharia (e principalmente direito) deveriam exigir diploma. É o tipo de coisa da qual as pessoas riem sem nem parar pra pensar a respeito...

lucas em junho 17, 2009 12:25 PM


#18

Idelber,

off topic, mas acho importante divulgar:

aconteceu ontem, das 19 às 21 hs, conforme divulgado neste espaço e no twitter, o 1º encontro para discussão de diretrizes para a realização de uma edição do Mega-Não ao AI-5 Digital do senador azeredo em Brasília.

ao final do encontro, a definição dos seguintes pontos:

1 - o evento se será organizado por 4 grupos de trabalho: Jurídico, Comunicação, Operacional e Financeiro;
2 - nenhum destes grupos de trabalho poderá ser conduzido por apenas uma pessoa;
3 - o primeiro trabalho a ser feito será o de contato com representantes dos movimentos populares, estudantis e culturais, entidades participantes das outras duas edições do Mega-Nâo (em BH e SP), bem como com os organizadores destas;
4 - a edição do Mega-Não em Brasília será na rua, na Praça dos Três Poderes, em frente ao Congresso Nacional;
5 - a edição do Mega-Não em Brasília será realizada em agosto próximo, em data a ser definida coletivamente;
6 - o próximo encontro para discussão de diretrizes e planejamento do Mega-Não em Brasília será terça-feira, dia 23.06.2009, das 19 às 21 hs, em local que será informado apenas por imeio aos interessados em participar.
contato: djpirata@gmail.com

http://ciberativismo.ning.com/profiles/blogs/meganao-em-brasilia-primeiro

Mariê em junho 17, 2009 12:34 PM


#19

Sergio, eu ando preocupado com você, meu queridón. Saem da sua pena umas coisas que são inacreditáveis.

1) Até porque todo mundo, no fundo, gostaria de ser jornalista. Eu desconheço a existência de cursos de leitura da mente alheia nas Faculdades de Jornalismo. O que eu, por mim, posso dizer é o seguinte: preferiria ser limpador de bunda de lutador de sumô que ser jornalista. Nenhum demérito à sua profissão. É só uma questão de preferência.

2) o jornalista não é um especialista em generalidades, é um especialista em discursos, em linguagem. Com todo o respeito, é das maiores bobagens que já li em um bom tempo. Não conheço um único jornalista brasileiro empregado na grande mídia que domine sequer os rudimentos das teorias da linguagem produzidas nos últimos, digamos, 50 anos. Não existe "especialista em discursos, em linguagem", que não domine, por exemplo, a obra de Derrida. Seria como um especialista em teoria da relatividade que nunca tivesse ouvido falar de Einstein. Uma contradição em termos.

Repito: não tenho galo nessa briga, mas com argumentos como esses, você entrega o jogo pro outro lado.

Idelber em junho 17, 2009 12:35 PM


#20

As razões pelas quais sou contra a obrigatoriedade de diploma:
- a principal, emprírica: trabalhei (sem diploma de jornalismo) em redação de jornal grande, e já fui assessor de imprensa; conheço, pois, uma pá de jornalistas, cuja qualidade não mantém nenhuma relação com a posse de diploma (conheci bons e ruins em proporções parecidas tanto no grupo dos diplomados como nos não diplomados);
- Rafael Galvão aponta bem uma velha incoerência no discurso dos pró-diploma: não ser formado em jornalismo não significa não ser formado em nada;
- o Forasta diz o óbvio: com a internet, a discussão se tornou mais irrelevante ainda;
- o SLeo fale que só a universidade oferece espaço para uma discussão crítica da imprensa. Não concordo, mas assumamos que isso é verdade. O jornalismo não existe em um universo ético e moral independente (muito embora alguns jornalistas gostariam de acreditar que assim o é). A meu ver, as discussões críticas que qualquer bom curso universitário provocam vão ajudar a formar um profissional equipado para desempenhar criticamente qualquer atividade, inclusive o jornalismo;
- De mais a mais, qual dos seguintes focas teria mais condições para avaliar criticamente a cobertura que ser jornal faz, por exemplo, da condução da politica macro-econômica: alguém que teve quatro anos de aula de teoria da comunicação e rádio e TV, ou um sujeito com graduação e PhD em econoimia?
- Após 40 anos as faculdades de jornalismo continuam a ser muito ruins. Se o fim da obrigatoriedade derdar cabo da maioria delas (no que não acredito), acho que se tratará do caso de uma ausência que preenche uma lacuna.
-

Murilo em junho 17, 2009 12:51 PM


#21

Faltaram os dois últimos itens:
- Não gosto muito daquela velha frase sobre jabuticaba, mas se a ideia de obrigatoriedade fosse assim tão boa, não deveria ter um monte de países com imprensa (e universidades) melhores que as brasileiras pensando em adotá-la?
- Pode ser infantilidade minha, mas tenho uns vários pés atrás com qualquer lei que tenha a ver com imprensa, posse de meios de comunicação e liberdade de expressão escritas e promulgadas em tempo de ditadura.

Murilo em junho 17, 2009 12:58 PM


#22

Essa de "todo mundo quer ser jornalista" não faz o menor sentido.
Eu particularmente não me sinto inclinado ao jornalismo. Na verdade não conheço ninguém que gostaria de ser jornalista e não é. Pelo contrário, conheço vários jornalistas que gostariam de ser qualquer outra coisa.

lucas em junho 17, 2009 1:09 PM


#23

Recentemente participei de discussões sobre o malfadadoprojeto de lei que exige diploma para exercício da profissão de informática.

A SBC (Sociedade Brasileira de Computação) é contra este projeto e propôs um outro projeto que impede que sejam feitas restrições nos casos em que a sociedade tem a ganhar com a não exigência do diploma.

Leiam em (http://homepages.dcc.ufmg.br/~bigonha/Sbc/pl1561-justifica.html) a JUSTIFICAÇÃO DO PROJETO DE LEI DA SBC (PL 1561/2003).

Não seria o caso de se propor um projeto parecido, partindo dos jornalistas que não concordam com a exigência do diploma?

Haroldo Ribeiro Gomes em junho 17, 2009 1:10 PM


#24

Sou a favor da não obrigatoriedade do diploma, lembrando do artigo 5o da Contituição:

IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

Além disso, fica meio claro, trata-se de uma questão que envolve a liberdade de expressão. Todos temos direito de expressarnos de forma escrita ou não. É simplesmente ridículo falar que alguém precisa ser jornalista para escrever um jornal ou panfleto.

Como jornalista formado posso dizer, o curso de jornalismo é absoleto, fraco, e não garante um bom nível para os seus formados. Em minha opinião deveria ser um curso técnico de pós-graduação, optativo. Vejam o nível do jornalismo brasileiro, na maioria dos casos é muito ruim, pouco análitico, pouco crítico, que copia mal um modelo falido norte-americano - o diploma não garante absolutamente nada, nem qualidade. Geralmente os formados saem da faculdade amestrados para o mercado, e fazem um jornalismo de baixa qualidade (exemplo jornalismo cultural no Brasil é uma piada)...

Augusto em junho 17, 2009 1:12 PM


#25

1) Só um pouco de História: em 1979, os jornalistas de São Paulo fizeram um greve de arrasar quarteirão. Os donos de jornais (reunidos na sigla ANJ) e tal nunca perdoaram aquela paralisação. Um pouco dela está contada no livro "Regra do jogo", de Cláudio Abramo (Cia das letras). Desde então, os patrões focaram o alvo na história do diploma, como uma forma de desarticular os sindicatos. Mas nem foi preciso: os sindicatos foram sendo desarticulados ao longo dos últimos 30 anos pela flexibilização do trabalho, globalização, novas tecnologias.
2) Aos defensores do fim do diploma, basta lembrar que Lucia Hippólito é cientista política, Ali Kamel é sociólogo, Reinaldo Azevedo é formado em letras, Otavio Frias Filho é advogado. Está bom ou vai um pouco mais?
3) Como próprio Idelber falou acima, os jornais jamais teriam uma pessoa como ele produzindo notícias no dia a dia. Portanto, é ilusório e risível achar que grandes cabeças estariam nas redações com o fim do diploma. Quem conhece Bourdieu, sabe bem como se forma algo chamado "habitus". E o jornalismo tem o seu "habitus", com ou sem diploma.

enio em junho 17, 2009 1:21 PM


#26

Idelber, jornalista conhecendo Derrida? Não precisava castigar. É mais fácil achar o boitatá ou o saci pererê numa esquina.

enio em junho 17, 2009 1:26 PM


#27

Enio: Como o fim do diploma, hoje, desarticularia os sindicatos? O cara, sendo torneiro mecânico, ainda que sem a formação do SENAC, pode ser do Sindicato dos Metalúrgicos. O jornalista, mesmo não sendo formado em jornalismo, pode ser do Sindicato dos Jornalistas. Tudo bem que é uma bandeira dos patrões, mas não dá de reduzir a isso.

Não acredito que os jornais melhorarão com o fim da exigência do diploma. Só não faz o menor sentido. (Como o exame da OAB não faz também - quando fui pra Argentina e dizia que era Bacharel em Direito, um amigo que fiz lá e que fora jornalista no Brasil, tinha que ficar explicando que no Brasil quem se forma em Direito não é advogado) O que diabos se aprende nos cursos de jornalismo que é tão essencial? É essa a pergunta. Descobri que até se lê alguns capítulos do Habermas, pelo menos no curso da federal daqui. E se o "habitus" se forma de qualquer modo, então pra que o diploma? Muitas vezes, a universidade mais deforma que forma - e eu sou um defensor árduo das universidades. Quando ela se torna requisito (verificação formal) pra mercado de trabalho (em lugar da competência), aí fudeu (hoje em dia todo mundo faz pós-graduação, - mesmo sem ter um problema que a instigue pra pesquisar; o curso de pós em Literatura onde sou doutorando tem quase tantos alunos quanto a graduação, isto é, mais de uma centena; que diabos de mestres e doutores se formam assim?).

Alexandre Nodari em junho 17, 2009 1:38 PM


#28

Penso que a imprensa, pelo menos a grande imprensa, possui um problema ainda maior: a preferência pelo proselitismo em detrimento do fato, da informação.

Pedro Migão em junho 17, 2009 1:48 PM


#29

haroldo,

achei excelente a argumentação do projeto de lei. e acho que se enquadra perfeitamente ao jornalismo.

lucas em junho 17, 2009 2:02 PM


#30

Enio,
creio que é igualmente ilusório achar que grandes (e independentes) cabeça vão parar nas redações por conta da orbigatoriedade de diploma.
E como disse o Nodari, o que impede a sindicalização de jornalistas sem diploma?
Alguns dos sindicatos mais atuantes ao longo da história brasileira pertecem a categorias pouco regulamentadas: metalúrgicos, bancários, químicos...

Murilo em junho 17, 2009 2:11 PM


#31

enio,

Quem quer proibir alguma coisa (o livre exercício por qualquer um da profissão de jornalista) é que precisa provar que essa proibição é desejável. Não Quem é a favor de liberar não tem que provar que isso melhorará alguma coisa.

Se pra sociedade tanto faz exigir ou não o diploma, pra que gastar recursos gerindo essa exigência?

Se não existe nenhuma vantagem social em obrigar a fazer ou deixar de fazer, a lei não deveria existir.

lucas em junho 17, 2009 2:14 PM


#32

Olá Idelber e amigos,

Esse post eu não poderia deixar de comentar. Confesso que, apesar do assunto estar na pauta do dia, ainda não tenho opinião 100% formada. Mas acho que é importante ponderar sobre alguns tópicos:

- a exigência do diploma não é uma excrecência e ponto final. Ela tem uma certa lógica. A desregulamentação total da profissão de jornalista é um prato cheio para a grande mídia, pois relaxa um dos poucos mecanismos de controle de qualidade que temos hoje em dia. Se ele funciona ou não, é outra história. A questão é que no jornalismo não há qualquer ferramenta eficiente para que o cidadão comum possa recorrer no caso de ser alvo dos ataques da mídia. O caso de uma escola-base, por exemplo, fica anos rodando na justiça. Qualquer iniciativa de criar mecanismos regulatórios, como o projeto do Conselho Federal de Jornalismo, por exemplo, é motivo de chilique da mídia gorda, que apela para o ridículo argumento do ataque à liberdade de imprensa.

- Por outro lado, nos dias de hoje, com as rápidas transformações que estão acontecendo no campo da comunicação, jornalista que ficar preso à função tradicional de repórter está dando um tiro no próprio pé. Com o acesso à informação cada vez mais facilitado, o jornalista tem que ser muito mais um gestor de informação, um agregador de informação, do que um "porta-voz da vida real". Até porque está ficando cada vez mais comprovado que os jornalões passam longe da vida real.

- nisso, muitas faculdades de jornalismo, sobretudo aquelas de balcão, prestam um imenso desserviço à classe, vendendo o sonho enlatado de que o modelo de jornalista é o repórter-peão da grande mídia. O jornalista de hoje tem imensas possibilidades de empreendedorismo, de se impor frente ao mercado restrito e restritivo da grande imprensa. Mas, para isso, ele precisa mostrar seu valor diante de um mercado desregulado, que é o das novas mídias, que impõe novos desafios e novas formas de pensar a comunicação.

É isso. Grande abraço a todos.

Paulo Morais em junho 17, 2009 2:16 PM


#33

Sou contra a exigência, certeza de que eventualmente servirá de pretexto para liberarem informações apenas para jornalistas credenciados. É burocratizar o acesso à informação.

cfagundes em junho 17, 2009 2:31 PM


#34

Idelber, o Túlio Vianna foi direto ao xis da questão, ao definir de forma precisa por que algumas profissões devem ser regulamentadas enquanto outras não precisam de regulamentação: "a obrigatoriedade do diploma de Direito (assim como o de médico, dentista, psicólogo) não existe para proteger os interesses da categoria, mas para proteger o usuário destes serviços de ser atendido por um rábula ou um curandeiro". A discussão sobre a obrigatoriedade de bacharelado em jornalismo para o exercício da atividade jornalística poderia ser um impulso para discutirmos uma tradição viciosa da nossa sociedade, a de regulamentação sem critério de atividades profissionais. Não é apenas no caso da profissão de jornalismo que não deveria haver exigência de formação específica para o exercício da atividade. Recentemente, o Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro impetrou uma ação na justiça federal com o objetivo de assegurar que o atual concurso para a Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado do Rio de Janeiro reserve para bacharéis em administração as vagas para o cargo de especialista em políticas públicas e gestão governamental, planejamento e orçamento. O fundamento da ação é uma lei da década de 1960, que regulamenta a profissão de administrador. O cargo de gestor público, que foi desenhado para ser aberto a pessoas de qualquer área de formação, nem sequer existia nos anos 60! E o pior: como comentou uma amiga minha, imaginemos o que aconteceria se apenas administradores fossem responsáveis pela elaboração de políticas públicas e pela gestão governamental em áreas como educação, saúde e segurança pública... Atualmente, tramita no Congresso um projeto de lei para a regulamentação da profissão de DJ! Quando contei isso para essa mesma amiga, ela achou que eu estava de brincadeira. Eu respondi que não conseguiria ser tão criativo.

Sou bacharel em história e estou convencido de que para exercer a atividade de historiador não é preciso ter formação específica. Aliás, o exercício dessa profissão não é regulamentado e espero que continue assim. (Não obstante, não conheço nenhum jornalista que tenha conseguido escrever um livro de história ao menos razoável.) O que eu defendo é uma desregulamentação geral das atividades profissionais, mantendo-se regulamentadas somente aquelas cujo exercício possa provocar algum prejuízo ou dano ao seu usuário. Esse sistema de regulamentação de profissões serve para proteger interesses corporativistas, estabelecer reservas de mercado e proteger profissionais incompetentes.

Fabiano em junho 17, 2009 2:31 PM


#35

Fabiano,

Realmente, a regulamentação visa a atender aos interesses da sociedade, e não do profissional ou empresário.

Concordo na maior parte do que você disse. Apenas acho que mesmo nas profissões que podem expor o cidadão a riscos (como engenharia, medicina e direito) a exigência de diploma é ineficiente e acaba não protegendo nada e limitando a liberdade de escolha. Essas categorias profissionais são apenas as que são regulamentadas há mais tempo, e por isso parece "natural" que assim sejam.

Sempre se pode argumentar "mas você iria num médico que não fosse formado?". A minha resposta é "jamais. mas se eu já não tenho nenhuma vontade de me tratar num médico que não seja formado por que precisa existir uma lei me proibindo de fazer isso?". Por outro lado, por que proibir alguém que conscientemente deseja fazer um tratamento alternativo não reconhecido pela comunidade médica?

O único caso em que parece fazer algum sentido a exigência é para os médicos de emergência, já o paciente não tem a possibilidade de escolha, mas, enfim, isso já é outra discussão...

lucas em junho 17, 2009 2:45 PM


#36

A propósito, sou engenheiro e sou contra a exigência de diploma para exercício da engenharia.

lucas em junho 17, 2009 2:46 PM


#37

Basta de ler sandices escritas por jornalistas sobre tecnologia, medicina, automobolismo, música, literatura, etc! Eu, que estou na área científica, fico p... da vida com as seções de ciência dos jornais/semanários, que nada mais são que colagens (pessimamente traduzidas e interpretadas) de coisas da Nature, Science, Scientific American, etc.
E mais: o Veríssimo, o Castelinho, Nélson Rodrigues, Villas e outros não são/eram bacharéis em Jornalismo. Vale mais um jornalista com diploma da Escracho de Sá???

Johnny em junho 17, 2009 3:08 PM


#38

O Túlio Vianna deixou um link à TV Justiça, no Twitter, dizendo que dá para assistir online à sessão do STF. Tentei por aqui, mas não rolou.

Idelber em junho 17, 2009 3:11 PM


#39

lucas,

Tanto faz um projeto assinado por um não-engenheiro ou por um "engenheiro" destas fábricas de diplomas por aí...

Johnny em junho 17, 2009 3:11 PM


#40

Com diploma, sem diploma... Desde quando isso vai mudar alguma coisa para os leitores? Esse tipo de reserva de mercado é, se não inutil, no mínimo estúpida, uma vez que escreve quem quer mas só lê quem gosta. Tá aí uma gigantesca blogosfera pra provar... Mas com quantos "Idelber(s)" se faz um jornal??

Rebeca em junho 17, 2009 3:12 PM


#41

Se eu, que sou engenheiro, resolvesse abrir um jornal com sérias restrições orçamentárias eu teria que contratar ao menos um jornalista? Eu não poderia escrever no meu próprio jornal?

André em junho 17, 2009 3:20 PM


#42

Professor,
deixe de preguiça. Descanse um pouco e trate de escrever seu texto incendiário sobre este tema. Eu preciso ler esse texto!
Abçs
Andrea

Andrea em junho 17, 2009 3:21 PM


#43

Repetindo: a briga pelo fim do diploma começou para desarticular os sindicatos de jornalistas que eram fortes na virada dos anos 1970 para os 1980. Isso foi a disputa que detonou o caso em questão no STF.
Sabe-se lá por que os procuradores entram com essa ação.
Os sindicatos de jornalistas não conseguem hoje proibir que as empresas privadas contratem quem bem entendem para trabalhar em jornais, TVs. A FSP que o diga. Como tudo no Brasil, a lei é flexível, a aplicação varia de caso a caso. Coisa para inglês ver.
PS: a comparação com o torneiro mecânico não vale, porque essa profissão não existe mais nas indústrias.

enio em junho 17, 2009 4:06 PM


#44

Acrescento mais um elemento à discussão:
quando se diz que a exigência de diploma é sim uma forma de reserva de mercado ou de corporativismo, não devemos pensar apenas na grande mídia.
Qualquer empresa que decida criar um boletim ou uma revista para diviulgação corporativa, terá de contar com pelo menos um "jornalista responsável", que, em muitos casos, nem escreve a maior parte do material que constará das publicação, apenas aluga seu nome e registro profissional para que a coisa fique conforme à lei.
Para sair do mundo empresarial, imagine,por exemplo, que uma ONG resolva criar um jornalzinho escrito por membros de uma comunidade carente. Terá, também, de arrumar um jornalista de aluguel.
Em nenhum desses casos me parece crível que a sociedade esteja mais bem servida pela obrigatoriedade de diploma.

Murilo em junho 17, 2009 4:44 PM


#45

Seria bom que os defensores da obrigatoriedade do diploma dessem um exemplo prático onde a posse do diploma teria evitado um erro jornalística.

André em junho 17, 2009 5:11 PM


#46

Não tem nada a ver com o post, mas o Nassif destruiu a mídia gorda e sua cobertura dos escândalos do senado. (Obs: aprecio o Sarney tanto quanto uma pedra no rim).

André em junho 17, 2009 5:33 PM


#47

Este tipo de exigência tem que partir do mercado, isto é, das empresas jornalísticas. São elas - e, num último estágio, seu público - que deveriam definir se os profissionais responsáveis pela cobertura e texto de notícias são ou não jornalistas formados.

Eu por mim, não faço a menor questão. Quero informação de qualidade, seja de onde ela tiver vindo - com diploma ou sem diploma.

Se as empresas - e o público leitor - acharem que há necessidade de jornalistas formados para dar conta do recado, elas só contratarão jornalistas formados.

É a mesma coisa em relação à informática, minha profissão. Até há pouco tempo, gente sem diploma avançava na profissão sem qualquer impedimento - de uns anos para cá, certos aspectos na formação dos profissionais passou a dar vantagem para os formados - o mercado atualmente dificilmente daria chance para um profissional como eu, com 25 anos de estrada e nenhum diploma superior.

Enfim, esta deveria ser uma não-discussão.

Radical Livre em junho 17, 2009 5:51 PM


#48

Cara, me formei em jornalismo na PUC de SP há 10 anos. Fiz faculdade de jornalismo pq 1) eu me senti na obrigação de fazer faculdade e 2) jornalismo era o que mais me interessava mesmo. Tive aulas excelentes, li muitos livros interessantes sobre comunicação, mas tive aulas péssimas e li muita besteira também. Exerci a profissão por um tempo, mudei de país, consegui um emprego de que gosto muito em uma empresa que não me teria contratado se eu não tivesse diploma (embora o trabalho nada tenha a ver com o que está escrito no meu diploma).
Sou contra a obrigatoriedade do diploma de jornalismo e vejo com alegria o poder de informação sendo arrancado dos jornalões e da Veja para blogs, Twitters e afins. Eu que era fanzineira não consigo sentir outra coisa além de alívio vendo o papel os blogs, hoje.
Enfim, eu me lembro de que "na minha época" era proibido por lei estágio de jornalismo em redação. Ainda existe isso?

Viviana em junho 17, 2009 5:59 PM


#49

Idelber,
Meio assim como um fora de pauta do Nassif, mas é que eu gostaria muito que você desse uma olhada neste blog - http://nopassodoroteiro.blogspot.com/ - tenho certeza de que vai gostar.
Abraço admirativo.

Fernando Guimaraes em junho 17, 2009 6:23 PM


#50

essa obrigatoriedade não faz o menor sentido. nem se o cara passar a vida toda tentando encontrar um. não acha.

Daniel em junho 17, 2009 6:47 PM


#51

Antes de mais nada devo dizer que sou totalmente a favor do fim do diploma para jornalistas.

Minha humilde contribuição:

http://tsavkko.blogspot.com/2009/03/jornalismo-e-o-diploma.html

Raphael Tsavkko Garcia em junho 17, 2009 7:42 PM


enio em junho 17, 2009 7:47 PM


Raphael Tsavkko Garcia em junho 17, 2009 8:07 PM


#54

Não tenho opinião formada sobre o assunto, mas acho que sempre que eu, como colaborador de jornal e revista, fui trabalhar com jornalista, o serviço foi mais fácil. Acho que deva continuar a existir um tipo de formação que capacite os profissionais a trabalhar melhor os órgãos de imprensa, isso inclui apuração e levantamento de dados. Mas, enquanto a editorialização dos jornais tiver o tamanho que tem, acho difícil avançar na reportagem.

Tiago Mesquita em junho 17, 2009 8:18 PM


#55

Ouvindo a votação no STF, fiquei sabendo que qualquer pessoa pode ser jornalista, já que a profissão não exige qualquer conhecimento específico, de ordem alguma. Por outro lado, como pensar é livre, e expressar ideias é absolutamente livre, supõe-se que toda pessoa que trabalha numa redação de jornal ou revista expressa pensamentos e ideias, próprios e livres, mesmo que seja para telefonar ao Serviço de Meteorologia para saber qual a previsão do tempo para amanhã. E mais, diz o min. Celso de Mello que qualquer pessoa tem todo o direito de publicar o que bem quiser e pensar, desde que arranje quem o publique. Fiquei sabendo que, como o exercício da ocupação de jornalista não exige conhecimento específico algum qualquer pessoa pode exercer a ocupação com educação fundamental, educação média ou se lhe aprouver cursar uma Faculdade, no último caso, se não tiver nada mais interessante para fazer na vida. Aliás, a levar a sério o que diz o ministro Celso de Melo, o Legislativo não pode determinar qualquer obrigação de condições para o exercício de qualquer ocupação. Salvo como acrescentou o min Peluso se houver necessidade de conhecer verdades científicas: medicina, engenharia, etc. exemplos que ele deu. Portanto, economistas, sociólogos, historiadores vão ter de provar ao STF que suas disciplinas são "científicas". Como se científico fosse uma palavra sem ambiguidades. Asi no más. O único voto contrário foi o do costumeiro Marco Aurélio de Mello. É isso aí. Fico imaginando que efeitos terá esse julgamento sobre as carreiras jornalísticas, as questões salariais, sindicais, etc. A vida anda.

Vera em junho 17, 2009 8:18 PM


#56

Ouvindo a votação no STF, fiquei sabendo que qualquer pessoa pode ser jornalista, já que a profissão não exige qualquer conhecimento específico, de ordem alguma. Por outro lado, como pensar é livre, e expressar ideias é absolutamente livre, supõe-se que toda pessoa que trabalha numa redação de jornal ou revista expressa pensamentos e ideias, próprios e livres, mesmo que seja para telefonar ao Serviço de Meteorologia para saber qual a previsão do tempo para amanhã. E mais, diz o min. Celso de Mello que qualquer pessoa tem todo o direito de publicar o que bem quiser e pensar, desde que arranje quem o publique. Fiquei sabendo que, como o exercício da ocupação de jornalista não exige conhecimento específico algum qualquer pessoa pode exercer a ocupação com educação fundamental, educação média ou se lhe aprouver cursar uma Faculdade, no último caso, se não tiver nada mais interessante para fazer na vida. Aliás, a levar a sério o que diz o ministro Celso de Melo, o Legislativo não pode determinar qualquer obrigação de condições para o exercício de qualquer ocupação. Salvo como acrescentou o min Peluso se houver necessidade de conhecer verdades científicas: medicina, engenharia, etc. exemplos que ele deu. Portanto, economistas, sociólogos, historiadores vão ter de provar ao STF que suas disciplinas são "científicas". Como se científico fosse uma palavra sem ambiguidades. Asi no más. O único voto contrário foi o do costumeiro Marco Aurélio de Mello. É isso aí. Fico imaginando que efeitos terá esse julgamento sobre as carreiras jornalísticas, as questões salariais, sindicais, etc. A vida anda.

Vera em junho 17, 2009 8:18 PM


#57

Ouvindo a votação no STF, fiquei sabendo que qualquer pessoa pode ser jornalista, já que a profissão não exige qualquer conhecimento específico, de ordem alguma. Por outro lado, como pensar é livre, e expressar ideias é absolutamente livre, supõe-se que toda pessoa que trabalha numa redação de jornal ou revista expressa pensamentos e ideias, próprios e livres, mesmo que seja para telefonar ao Serviço de Meteorologia para saber qual a previsão do tempo para amanhã. E mais, diz o min. Celso de Mello que qualquer pessoa tem todo o direito de publicar o que bem quiser e pensar, desde que arranje quem o publique. Fiquei sabendo que, como o exercício da ocupação de jornalista não exige conhecimento específico algum qualquer pessoa pode exercer a ocupação com educação fundamental, educação média ou se lhe aprouver cursar uma Faculdade, no último caso, se não tiver nada mais interessante para fazer na vida. Aliás, a levar a sério o que diz o ministro Celso de Melo, o Legislativo não pode determinar qualquer obrigação de condições para o exercício de qualquer ocupação. Salvo como acrescentou o min Peluso se houver necessidade de conhecer verdades científicas: medicina, engenharia, etc. exemplos que ele deu. Portanto, economistas, sociólogos, historiadores vão ter de provar ao STF que suas disciplinas são "científicas". Como se científico fosse uma palavra sem ambiguidades. Asi no más. O único voto contrário foi o do costumeiro Marco Aurélio de Mello. É isso aí. Fico imaginando que efeitos terá esse julgamento sobre as carreiras jornalísticas, as questões salariais, sindicais, etc. A vida anda.

Vera em junho 17, 2009 8:19 PM


#58

Não tenho opinião formada sobre o assunto, mas acho que sempre que eu, como colaborador de jornal e revista, fui trabalhar com jornalista, o serviço foi mais fácil. Não sou jornalista, não tenho a menor vontade de ser e tenho a maior preguiça de Acho que deva continuar a existir um tipo de formação que capacite os profissionais a trabalhar melhor os órgãorepórteres que só lêm livros de jornalistas. No entanto, esses serviços de imprensa são bem executados pelos jornalistas. Isso inclui apuração e levantamento de dados. A figura que mais me interessa no jornalista não é a de um generalista e nem um pensador, mas a de um investigador curioso. Enquanto a editorialização dos jornais tiver o tamanho que tem, acho difícil que os repórteres cumpram a sua função com tranquilidade.

Tiago Mesquita em junho 17, 2009 8:22 PM


#59

Idelber, o blog travou na hora de enviar, de modo que o comentário saiu repetido.

Aliás, acrescendo que a expressão "verdade científica" foi ouvida assim uma meia dúzia de veses. Fico pasma!

Vera em junho 17, 2009 8:31 PM


#60

Pelas mãos do Gilmar, herói da liberdade de expressão,está aí o fim da exigência de formação específica para exercício do jornalismo.

Quem cita "liberdade de expressão", ou usa os exemplos de Nélson Rodrigues, Veríssimo e outros da mesma dimensão está misturandoa s coisas. Eles são ou eram cronistas, fazem mais literatura que jornalismo (isso não é juízo de valor, é categorização). Não está na exig~encia de formação específica a ameaça à liberdade de expressão nos jornais; qualquer um _ aceito pelas chefias _ pode escrever o que quiser em colunas de opinião nos jornais. Fazer reportagem, produzir notícia é outra coisa, e não está ligada à expressão individual do jornalista.

Consigo ver o idelber como editorialista, como colunista, mas duvido que ele próprio quisesse enfrentar o dia a dia de uma redação, com horário de fechamento, lead e sublead. O pessoal confunde jornalismo com os jornais do século XIX, que, eles sim, eram feitos por gente que se dedicava a expressar sua opinião pessoal e sua visão particular sobre os fatos.


V´rios jornalistas fizeram livros de história que foram mais bem sucedidos que os de historiadores: o mais recente foi o Laurentino Gomes; um outro foi o Eduardo Bueno. Reavivaram o interesse do público por assuntos que muitos historiadores não siouberam explorar com charme. Jà um historiador, Heródoto Barbeiro, desempenha muito bem _ melhor que a maioria dos jornalisats de lá _ as funções de âncora e entrevistador na CBN.

A zanga do especialista com as "sndices" de jornais às vezes têm mesmo a ver com a incompetência dos jornalistas, mas, muitas vezes, é a raiva por ver os assuntos muito complexos tratados numa linguagem mais frouxa, menos afeita aos jargões da especialidade, necessária para a vulgarização do saber científico, para fazer chegar a informação aos leigos. Há uma perdad de qualiade na informação, sim, mas compensda pela maior quntidade de pessoas a que ela chega, ente que não entende a fala obscura dos experts.


Deixar para o emrcado a escolha é um argumento que parece lógico, e que vai levar à escolha, pelas empresas, não dos mais bem preparados, mas dos mais dóceis. É uma pena que aqueles que criticam os jornais e jornalistas não tenham aproveitado a discussão para exigir uma melhor formação, uma melhor adequação das escolas para a formação dos profissionais.

Antes, quem definia quem era jornalista era a formação universitária. Agora, serão os patrões nos jornais. Espetacular evolução.

Para quem acha que os blogues substituirão os jornais (confirmando minha tese de que, no fundo, gostariam de estar no lugar dos jornalistas como provedor de ifnormação primária) é uma beleza. Para quem acha que é necessária uma estrutura emrpesarial para dar conta dos desafios de produção de um noticiário diversificado e abrangente, a discussão só começou. E a sociedade não ganhou nada com a decisão divulgada com rpazer inaudito pelo Gilmar Mendes.

sleo em junho 17, 2009 8:32 PM


#61

Só discordo de uma coisa, Sleo: Quem decide quem é jornalista não é mais o diploma, mas tampouco os patrões. Jornalista será aquele com capacidade e vontade.

Raphael Tsavkko Garcia em junho 17, 2009 8:39 PM


#62

Não são os patrões???

enio em junho 17, 2009 8:42 PM


#63

Como se hoje quem escolhesse não fossem os patrões... MAs estes só podem escolher entre quem tem diploma!

Raphael Tsavkko Garcia em junho 17, 2009 8:47 PM


#64

Discutir sobre a obrigatoriedade ou não de diploma em jornal impresso é a mesma coisa que querer discutir sobre padrão VHS ou Betamax hoje.

Andre Kenji em junho 17, 2009 8:54 PM


#65

"2) Aos defensores do fim do diploma, basta lembrar que Lucia Hippólito é cientista política, Ali Kamel é sociólogo, Reinaldo Azevedo é formado em letras, Otavio Frias Filho é advogado. Está bom ou vai um pouco mais?"

Robert Fisk é sociologo, Bob Woodward formado em ciências políticas.

Andre Kenji em junho 17, 2009 8:55 PM


#66

É isso aí: vamos retornar aos tempos Betamax de relações de trabalho. A família Frias deve estar estourando campanhe!

enio em junho 17, 2009 9:09 PM


#67

Coitada da família Marinho, não tinha opção de escolha na hora de contratar jornalistas! Só aqueles com diploma! Ah, pobrezinhos...

enio em junho 17, 2009 9:11 PM


#68

Coitada da família Marinho, não tinha opção de escolha na hora de contratar jornalistas! Só aqueles com diploma! Ah, pobrezinhos...

enio em junho 17, 2009 9:12 PM


#69

Idelber, comecei a fazer um comentário aqui, mas ficou grande e virou post. Então vá lá: http://verbeat.org/blogs/razbliuto/2009/06/dia-do-jornalista-com-diploma-com-atraso.html

Daniel em junho 17, 2009 9:23 PM


#70

SLeo,

antes, quem definia quem trabalhava em jornal era o patrão. escolhia quem quiser. Alguns dos maiores jornalistas brasileiros de todos os tempos surgiram desta forma - ou porque tinha bom texto, ou porque era bom na apuração e contava com um bom redator, ou até porque caía de para-quedas.
depois, quem definia quem trabalhava em jornal era o patrão. escolhia apenas entre os formados em faculdade de jornalismo. Alguns dos maiores jornalistas brasileiros de todos os tempos surgiram desta forma.

Porém, de uns tempos para cá, as redações estão cada vez mais dóceis, num processo que não é o fim da obrigatoriedade do diploma que vai abrir a porteira já escancarada.

E olha, eu não sou contra as faculdades de jornalismo nem contra os jornais - como eu disse antes, o que eu quero é informação de qualidade e durante muito tempo de minha vida esta informação vinha dos jornais. Torço para que continuem existindo órgãos de imprensa de qualidade - tem uma coisa aí pela qualidade e amplitude de cobertura que você não conseguiria reunir com facilidade só contando com blogs e outras novidades da internet.

um abraço.

Radical Livre em junho 17, 2009 9:31 PM


#71

Idelber,

Eu acompanho a colocação do André Kenji no comentário 64 no que toca os jornais e a exigência de diploma.

Honestamente, não acho que essa Revolução trazida pela Internet vá eliminar a necessidade de existir alguém com uma formação específica na área de comunicação, muito pelo contrário, mas esse profissional deverá ter uma formação muito diferente da que tem hoje um "jornalista".

É necessário uma formação intelectual mais consistente com especial atenção para alguns campos como a Filosofia, a Semiótica, a Teoria da Comunicação além, claro, de alguns ramos das humanidades que lhe não serão dispensáveis como a Sociologia, a Economia, o Direito...

Em suma, é necessário que se supere essa mentalidade jornalística e se pense a questão pela perspectiva da comunicação social, afinal precisaremos muito da figura do comunicador, mas se as faculdades continuarem se prestando a formar técnicos em um meio de comunicação obsoleto, é melhor que pessoas das mais diversas áreas ocupem essa função mesmo.

Hugo Albuquerque em junho 17, 2009 9:35 PM


#72

Eu nunca entendi direito essa polêmica. Não acho que tenha sentido questionar a obrigatoriedade do diploma especificamente para jornalismo sem questionar a obrigatoriedade do diploma em geral. Se não precisa pros jornalistas, por que precisaria para o resto?

Daniel em junho 17, 2009 9:44 PM


#73

O PHA Arremata!

http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=12516

Aliás, continuando a discussão, tento, tento, mas nãoconsigo compreender o que traz de diferencial um diploma de jornalismo.

Concordo, ele te dá conhecimentos técnicos, mas para isso você precisa de um curso técnico e não de um bacharelado! Não precisa de 4 anos, uns 3 meses - citando o PHA - está de bom tamanho.

Se todos forem reclamar, em suas respectivas áreas, de diploma então ninguém mais vai falar ou fazer absolutamente nada. ficamos num impasse, para escrever é preciso ser jornalista, mas para falar de assuntos internacionais, política externa e etc precisa ser formado em Relações Internacionais, que tal?

Porque o que eu vejo de barbaridades e comentários ridículos e pesquisa mal feita por vários jornalistas que tentam falar de questões internacionais não está no gibi. Então vou defender a minha profissão e exigir que para falar disso e se exija diploma!

Claro, é uma brincadeira mas essa discussão está próxima disso.

Não nego que seria interessante um curso técnico para se exercer certas áreas do jornalismo, num jornal e etc mas, faça-me o favor, pra fazer pesquisa na wikipedia e passar informação furada sobre diversos assuntos - em especial os internacionais - qualquer um consegue, não precisa de diploma.

Agora quero ver acomodação, duvido! Vai ser uma correria de jornalista querendo se especializar pra garantir sua vaga.

Raphael Tsavkko Garcia em junho 17, 2009 9:47 PM


#74

Concordo com o Sérgio Léo, só sou mais crítico por que os intelectuais vão ser os blogueiros a lá reinaldinho.


Marcelo L. em junho 17, 2009 9:51 PM


#75

Caro Idelber

O round do diploma para jornalistas passou. Veremos qual será o próximo!

P.S. Viva o presidente Sarney, o cidadão brasileiro que não pode ser julgado!

Paulo Z em junho 17, 2009 9:55 PM


#76

Vou lhes dar uma idéia: que tal montar um curso de blogueiro na faculdade, e só deixar ter um blog quem tiver o diploma?

Celio Penteado em junho 17, 2009 10:32 PM


#77

Olha, a questão é mais profunda que isso pelo mero fato do formato do jornalismo como a gente conhece está sendo totalmente revisto. Das três grandes revistas semanais dos EUA, uma, a US News & World Report existe agora apenas de forma online e como uma edição mensal, a Newsweek passou por uma mudança radical, tanto em preço quanto em conteúdo e formato e a Time se decide por um novo formato.

E pela internet você tem um modelo com menos dinheiro e mais esparso - na verdade, a revolução dos blogs foi justamente de permitir que pessoas com formação distinta de jornalismo, como professores acadêmicos, mantivessem sua rede de informação.

E pode-se debater se o Terra contrata ou não jornalistas, mas dentro do modelo digital qualquer forma de se manter a exigência do diploma por força de lei é muito mais dificil, ainda mais se a internet brasileira conseguir fugir da camisa de força que são os grandes portais.

Andre Kenji em junho 17, 2009 10:47 PM


#78

queria saber no que precisa ser formado um jornalista para falar esse monte de abobrinhas que despejam por aí.

Bruno Marcondes em junho 17, 2009 10:49 PM


#79

SLeo, vc escreveu "Deixar para o emrcado a escolha é um argumento que parece lógico, e que vai levar à escolha, pelas empresas, não dos mais bem preparados, mas dos mais dóceis."
Duas questões:
- Quer dizer que hoje não é assim?
- Passar por faculdade de jornalismo torna o sujeito menos dócil que estudar filosofia, ciência política, física quântica ou direito?
"Antes, quem definia quem era jornalista era a formação universitária. Agora, serão os patrões nos jornais. Espetacular evolução."
- Ora, então pq em lugar de brigar por obrigatoriedade de diploma de jornalista, não brigar pela obrigatoriedade de diploma universitário, qualquer dipoma universitário?

Esteban em junho 17, 2009 10:55 PM


#80

Acabei de colocar no meu Twitter:

Curioso o pânico dos jornalistas com o fim do diploma obrigatório. Vivem dizendo que temos imprensa livre e agora têm medo do mercado!

Idelber em junho 17, 2009 11:37 PM


#81

Portanto, economistas, sociólogos, historiadores vão ter de provar ao STF que suas disciplinas são "científicas".

Mas Vera, eles não terão que provar nada porque no momento não há nenhuma obrigatoriedade de diploma -- que eu saiba -- para o exercício do magistério, por exemplo, nessas profissões. Ou para o exercício de assessoria econômica. Não entendo a analogia. O que era singular era a exigência do diploma do jornalismo.

Idelber em junho 17, 2009 11:49 PM


Fernando Leme em junho 18, 2009 12:04 AM


#83

dúvida leiga: o que significa efetivamente, nos termos da lei, o "exercício da profissão" ou da "atividade" de jornalismo? escrever em blog é fazer jornalismo?

como fica a história do "jornalista responsável" por publicações, boletins e jornais de sindicatos, empresas, clubes, etc? essa figura deixa de existir?

pergunto tudo isto pelo seguinte: não vejo sentido algum em exigir o diploma para o exercício profissional. Eu estudo arquitetura e também não acho necessário o diploma para ser arquiteto (embora acredite que seja necessário um "exame de ordem"). Caso a figura do "jornalista responsável" por publicação continue a existir, não seria o caso de se pensar em exame de ordem aberto a qualquer interessado?

gaf em junho 18, 2009 12:05 AM


#84

Olha, como diz minha santíssima esposa - jornalista com diploma -, no dia em que um jornalista for preso, processado e incriminado (assim como o jornal) por conseqüências nefastas de uma matéria escrita na vida de outrem, esse diploma vai valer o mesmo que o diploma de um médico ou de um engenheiro. Até lá, é papel de limpar bunda.

Aliás, eu, como publicitário, penso também que os cursos de comunicação não servem para - com o perdão da má palavra - merda nenhuma. Se fossem uma especialidade de letras (Letras Instrumentais, por exemplo) com uma boa carga de ciências humanas, resultariam em profissionais bem melhores. Aliás, nem precisa entrar num curso de comunicação, mesmo nos melhores (eu estudei na UFRJ/ECO e a Thania na PUC), para saber que tipo de bordel são eles. Com meus respeitos, claro, pelos pobres incautos que acharam que estes cursos seriam mais que somente putaria, chope e tiração de onda.

Abs.
VP

MarcosVP em junho 18, 2009 1:30 AM


#85

O primeiro aspecto que me intriga é o argumento de que o jornalismo impede a liberdade de expressão. Em que circunstância exigir diploma para o exercício da PROFISSÃO jornalística quebra com princípios de liberdade?
Expresse-se como quiser, não conheço ninguém que foi impedido de publicar alguma coisa por não ser jornalista.
Argumentam também que o diploma garante o monopólio do exercício da profissão, mas em que profissão não é assim? E dizer que a sociedade não se beneficia disso é, no mínimo, controverso. Faço jornalismo e mesmo sempre tive esse "dom" de escrever, que permeia a disccusão da obrigatoriedade do diploma como um ponto a favor da obolição deste. Entretanto, durante o curso me deparei com inúmeras situações onde o estudo, as aulas e o próprio curso me forneceram informações e conhecimentos quase indispensáveis para a prática do jornalismo profissional. Para citar alguns já mencionados do texto de Elias Machado: diversidade de conteúdos, rigor na apuração, objetividade no tratamento das fontes, e aplicação de normas éticas. Além disso, acredito que a obrigatoriedade do diploma forneceu ao jornalismo e jornalistas um maior respeito do público, dignidade e legitimidade para a profissão, maior estudo por parte dos profissionais, maior capacitação e melhores salários. Tememos agora a volta do jornalismo marcado por "escritores de gaveta", sem nenhuma instrução ou estudo. Como um "qualquerpessoapodefazer". Lamentável...

Júlia Abrão em junho 18, 2009 1:59 AM


#86

É curioso, porque os jornalistas estão tão apavorados?

Pessoalmente acho que o fim dos diplomas via levar inerentemente a uma melhora na qualidade do jornalismo como um todo, mas isso vai ser sentido pelos leitores, os jornalistas por outro lado, vão penar no começo.

Não vai ter mais o cara que escrevia em moda sendo emprestado pra Política Internacional, o cara vai ter que SABER do que fala ou seu emprego vai pra quem é da área e não necessariamente do jornalismo.

Por outro lado eu gostaria de ver cursos técnicos de curta duração na área do jornalismo sendo abertos... Quem entrar nesse filão vai ter um bom retorno porque imagino que muita gente que sempre quis agora vai atrás dessa área.

Mas, no fim, todos ganham, o jornalista que vai correr atrás de aperfeiçoamento, o leitor que terá mais qualidade e segurança na informação que recebe e até mesmo o mercado, vejam só, com a oferta de profissionais diversos para as mais diversas áreas.

Raphael Tsavkko Garcia em junho 18, 2009 2:06 AM


#87

Como não há necessidade de provar diploma de sociólogo para exercer a profissão de professor de Sociologia? Tem não só de ter diploma de graduação como de Doutorado agora. Sempre tive de provar isso. Mandar currículo, comprovante, etc. E sociólgo, por exemplo, não trabalha apenas como professor; também é pesquisador, e sempre tive de provar. Não entendi. Estava me referindo à alegação do GM e do Celso de Mello de que jornalista não tem conhecimento específico algum, alguma coisa assim como astrólogo, e, aliás, diziam eles, só precisa de curso superior quem vai atuar em profissões "técnicas", que necessitem do conhecimento de "verdades científicas". Como não entendi o que eles chamam de "científico", e como os argumentos deles me pareceram coisa dos anos 60 em que ciência eram somente as "hard sciences", fiquei pensando, a estender o raciocínio, que as áreas de humanas tb. seriam "intelectuais", coisa que pra eles é sinônimo de dom, escrever bem e ter intuição. Retórica fofa. Foi essa a analogia que fiz. Sinceramente, eu se (ainda) fosse repórter, me sentiria ofendida por me dizerem que minha profissão não tem especificidade alguma. Qualquer mocinha de 15 anos com curso fundamental completo pode se meter a entrevistar presidente de empresa estatal, escrever sobre a CPI da Petrobrás, fazer perguntas insolentes a presidente da República, etc. O que, aliás, me parece ser isso mesmo que acontece. Tem horas que eu fico aqui em casa constrangida de assistir a perguntas tão imbecis de mocinhas e rapazinhos com aquela arrogância de "somos os críticos da política". Já fui professora de Escola de Comunicação, e sei muito bem que é isso que passa na cabeça de pós-adolescentes desde o segundo semestre da Faculdade. Imagina sem a Faculdade? Vão aprender técnicas de "entrevista" no cursinho da Editora Abril. Se você tiver a oportunidade, veja o vídeo da sessão de hoje do STF.

Vera em junho 18, 2009 2:11 AM


#88

Tem não só de ter diploma de graduação como de Doutorado agora.

Não, Vera, peralá. São duas coisas diferentes. Nada impede que alguém com um doutorado em Sociologia lecione Sociologia da Literatura numa Faculdade de Letras. Absolutamente. Ocorre com muito pouca frequência, é evidente, porque os conhecimentos são muito específicos. Mas isso não é matéria regida por lei. É opção da escola. A escola pode abrir um concurso dizendo que quer um Doutor em Literatura, claro. Da mesma forma como os jornais continuam livres para abrir concursos exigindo que só formados em jornalismo se candidatem.

Não estou defendendo uma coisa ou outra. Só estou dizendo que a comparação não se aplica. Se uma escola te exigiu diploma numa disciplina específica, foi escolha da escola. Abração.

Idelber em junho 18, 2009 2:21 AM


#89

Idelber,

também discordo da Vera, mas a afirmação de que inexiste obrigatoriedade de diploma para o exercício do magistério de história ou sociologia está equivocada. No caso dos ensinos fundamental e médio, um candidato que tenha prestado concurso público para o cargo de professor de sociologia terá que apresentar, no momento da posse, o diploma de licenciatura nessa área de formação, do contrário, não será empossado. Suponhamos que eu, que sou bacharel em história, seja aprovado, em primeiro lugar, em um concurso para o cargo de professor de língua portuguesa e literatura, nos ensinos fundamental e médio: não tomarei posse, porque não tenho um diploma de licenciatura em letras para apresentar. O mais importante não é o conhecimento demonstrado e comprovado de fato, mas o suposto conhecimento conferido por um pedaço de papel. Todavia, o próprio funcionamento da máquina demonstra como os critérios são desarrazoados. Na educação pública, quando há carência de professores em uma matéria, professores de outras áreas são mobilizados para ministrar aulas da matéria para a qual não há docentes em número suficiente. Nos concursos para seleção de professores por tempo determinado, é permitida a contratação de profissionais que não tenham diploma de licenciatura, o que não é admitido nos casos de concurso para provimento de cargo efetivo. Eu sempre me pergunto o que se aprende de tão essencial e indispensável nas matérias de pedagogia, necessárias não apenas para a obtenção de um título de licenciatura, mas também para o direito de se exercer os magistérios fundamental e médio. (Na verdade, eu sei o que se aprende: abraçar árvores. Sim, abraçar árvores! Nunca me esqueci de um amigo retornando enfurecido da Faculdade de Educação da UnB, onde havia assistido a uma aula em que a professora mandara os alunos saírem da sala para abraçar árvores...)

Na educação privada dos níveis fundamental e médio, em decorrência talvez de uma fiscalização ineficaz, encontram-se professores lecionando matérias nas quais não foram formados e professores que nem sequer possuem título de licenciatura. A rede privada de ensino é mais sensata do que a rede pública, compreende que mais importante do que um pedaço de papel é o conhecimento e o saber-fazer. Eis é um dos motivos pelos quais a educação privada se tornou tão superior à educação pública no Brasil.

No caso do ensino superior, uma tendência vem se disseminando nos últimos anos: a solicitação de que o candidato a um cargo de professor tenha realizado toda a sua formação em uma única área. Por exemplo, editais de concursos para professor de departamentos de direito que exigem que o candidato ao cargo tenha graduação, mestrado e doutorado em direito. Interdisciplinaridade ou transdisciplinaridade terminam sendo palavras compridas e vazias, discurso pronto para impressionar os tolos.

Para concluir, um comentário ao que a Vera disse, reiterando o que escrevi antes: não tenho nenhum receio de que pessoas com outras formações se dediquem à escrita ou ao ensino de história, porque o resultado possível é o enriquecimento da disciplina. Pessoas despreparadas passariam a praticar história? Ora, historiadores despreparados existem aos montes, com doutorado e pós-doutorado. Se algum historiador tentasse provar em juízo a cientificidade da história para tentar assegurar a obrigatoriedade de diploma na área para o exercício da atividade historiográfica, eu me não me dignaria nem sequer a bocejar de tédio. No máximo, sentiria pena do imbecil, que tentaria provar aquilo que não pode ser provado. Desde o século 19, historiadores vêm tentando provar a cientificidade da história. Algumas pessoas se deixaram convencer por esse conto da carochinha, evidentemente. Eu prefiro me filiar a Paul Veyne, que afirma que a história não possui um objeto e não possui um método, não sendo, portanto, uma ciência, mas tão-somente uma narrativa verídica.

Fabiano.

PS: Tenho aversão a Gilmar Mendes, mas reconheço, com má vontade, que sua comparação do ofício de jornalista com o ofício de cozinheiro foi sensacional!

Fabiano em junho 18, 2009 2:21 AM


#90

OK, a partir do esclarecimento do Fabiano, que fique emendada a ambiguidade do meu comentário #81: quando eu disse "magistério", eu estava pensando no magistério em ensino superior, como visto no meu #88, que entrou enquanto o Fabiano escrevia o #89. No ensino fundamental e médio, existe a obrigatoridade da formação em disciplina específica, como muito bem explicado pelo Fabiano.

Idelber em junho 18, 2009 2:26 AM


#91

Tenho lido por aí que Faculdade de Jornalismo não serve para nada, porque o cara sai de lá e não sabe nada. Então o melhor seria fazer um cursinho de 3 meses sobre coisas muito objetivas. É claro que faculdade nenhuma ensina a exercer uma ocupação, um ofício. Nenhum: nem medicina, nem advocacia, nem odontologia, nem administração, economia ou contabilidade. A Universidade não é um lugar só para aprender uma ocupação a ser exercida num mercado de trabalho; Universidade é para aprender a pensar, a ter uma visão geral dos temas e questões de uma certa área de conhecimento humano, a saber onde ler, onde procurar informações, onde descobrir ideias e refutar ideias, abrir a cabeça e enxergar o mundo, coisa que até o segundo grau não dá, porque o rapaz ou a moça estavam sendo adestrados apenas. A Universidade real não é assim? Claro que não. O problema é lutar para que seja. E eu acho que principalmente para essas ocupações que exigem amplitude de horizontes, conhecimentos gerais, a vivência de uma Universidade é ainda mais importante. Conviver com outras áreas, aprender que há outras possibilidades de construir uma vida de trabalho neste mundo. Se a turma agora só pensa em arranjar um emprego pelo facilitário é uma pena. Um desperdício de juventude e energia. Jornalista que se forma em tres meses em cursinho técnico é mico amestrado, não sabe nada do mundo, da política, da economia, da sociedade, do Brasil, do mundo. E vai deitar falação em papel impresso ou na tevê como se tivesse algo a declarar. Não sei se o currículo das Faculdade de Comunicação Social é adequado ou não. Pode até não ser, mas substituir um currículo enxuto por cursinho na Veja, pelo amor de Deus!

Vera em junho 18, 2009 2:32 AM


#92

Trabalhei durante 30 anos como professora de Sociologia em nível superior (várias Sociologias específicas, inclusive Sociologia da Arte), no Rio e em São Paulo, e no Chile, em universidades públicas e privadas, e sempre tive de demonstrar meu currículo. E nunca tirei licenciatura. A lei me permite ensinar em nível superior sem Licenciatura (que só é exigida para ensino médio) desde que tenha alguma especialização profissional. No caso tenho duas: Sociologia e Ciência Política, primas-irmãs.

Vera em junho 18, 2009 2:39 AM


#93

Vera, como que m falou do curso de 3 meses pra jornalismo fui eu, deixa eu esclarecer.

Não estou falando em pôr fim à vivência universitária nem nada, longe de mim, acho que me expressei mal. O que eu falo é que seria interessante uma especialização em jornalismo, cursos técnicos e etc.

Não digo que é pra sair do ensino médio, fazer 3 meses de curso e pronto, não, não é por aí. O que falo é o que ouço de muitos jornalistas e estudantes de jornalismo, que 4 anos para o curso é um abuso, não tem sentido e que tudo poderia ser dado em um curso técnico.

A vivência universitária e etc não está em questão, e quanto À ela, concordo com você, é importantíssima mas, cá entre nós, levando em conta Ali Kamel e gente do tipo, não vejo onde qualquer vivência universitária tenha feito ou fará diferença.

Raphael Tsavkko Garcia em junho 18, 2009 2:53 AM


#94

"Curioso o pânico dos jornalistas com o fim do diploma obrigatório. Vivem dizendo que temos imprensa livre e agora têm medo do mercado!"

Discordo completamente, Idelber. Não vejo essa relação que você tuitou. Eu sou mais do time que costumo sublinhar a liberdade de empresa quando falo em liberdade de imprensa. E sempre tive reserva (em alguns casos, medo até) a esse negócio em que o mercado dá as regras e é soberano.

No leque de jornalistas que já se manifestaram contra o diploma estão Alberto Dines, Maurício Tuffani, Mino Carta, além de praticamente todos os parônimos do Reinaldo Azevedo. Esse conjunto não necessariamente é fanático ou foi seduzido pelo Deus mercado.

Entre os contrários, temos Luciano Martins Costa, Marcelo Träsel, Sérgio Leo, Leandro Fortes e praticamente todo o mercado associado às fábricas de diplomas de jornalistas. Esse conjunto não necessariamente tem o mesmo juízo dos sindicalistas da categoria.

O Sérgio Leo está certo quando diz que antes havia, ao menos, um critério para termos um jornalista: a formação universitária. Agora temos só o arbítrio do patrão. Baita evolução.

Talvez tenhamos a evolução das fábricas de diplomas universitários para cursos de repórter em três semanas. Ou até em um técnico razoável do Senai, mais voltado para a indústria da informação. Quem sabe um bom técnico do Senac, focado no comércio de informações?

Respeito um monte a tua opinião e a de tantos outros que manifestam-se contariamente à obrigatoriedade do diploma universitário. Mas vejo pouca preocupação com um realidade: estamos falando de um trabalhador empregado em locais em que você rasura como "organização criminosa". É ingenuidade não protegê-lo com mais recursos (intelectuais e financeiros). Eu penso que o interesse da sociedade foi derrotado.

Fábio Carvalho em junho 18, 2009 3:38 AM


#95

Caro Fábio, eu esclareço que tenho me limitado comentar as reações, mais que tomar partido no interior da polêmica em si. Não pude deixar de notar a ironia de que vários dos que defendem o ponto de vista de que existe uma imprensa brasileira plural -- como o Sergio Leo -- agora lamentam o fim de uma obrigatoriedade imposta pelo Estado sobre, ora ora, a "imprensa livre". Parece-me uma contradição. Afinal de contas, cada veículo da "imprensa livre" pode continuar exigindo diploma se quiser.

Por outro lado, não concordo, de jeito nenhum, com quem acha que a queda da obrigatoriedade vá democratizar grande coisa. Esse é meu dilema nesta discussão: diploma ou não diploma, acho que a imprensa brasileira, sem uma quebra real de seus oligopólios, vai continuar a mesma %#@$.

Mas estou gostando muito do papo, porque é raríssimo que exista uma polêmica sobre algum fato social na qual eu não tenha posição clara e definida. Já que esta é uma delas, optei, inclusive, por não fazer post hoje à noite e deixar que o barco siga por aqui. Como subsídio, ofereço mais um link, agora de um texto escrito posteriormente à decisão do STF: Os Pré-Cogs estão chegando, de Ivana Bentes.

Idelber em junho 18, 2009 3:58 AM


#96

Gracias pelo link da Ivana Bentes, Idelber. Sobre o comentário do Fabiano, meus dois centavos.

Eu dei aula de inglês e de português na Escola Estadual Belmiro Braga para alunos da 7ª e 8ª séries do ensino fundamental e para 1º e 2º ano do ensino médio. Tinha 19, 20 anos. Lá pelos idos de 92, 93. É a única escola de uma cidadela próxima a Juiz de Fora.

Era estudante de comunicação à época. Sem habilitação, portanto. Posso dizer que gostei bastante da experiência. Tanto que mais tarde até virei professor voluntário de redação num "pré-vestibular" informal promovido por uma paróquia carente.

Na escola pública, aconteceu assim. Como havia começado as aulas com carência de gente habilitada para diversas disciplinas da escola pública, inclusive português e matemática, eu era "autorizado" a educar adolescentes e adultos jovens.

Eu me esforcei para não ser péssimo: preparava aulas com cuidado, aprendi-a-ensinar-ensinando, corrigi muitas redações em que eu escrevia mais que o aluno. Tenho a percepção de que eu até me saí melhor que professores com diploma que lecionavam na mesma escola.

Mas é óbvio que o fato de eu ser aceito para dar aula dimensiona a qualidade da escola pública brasileira. Também revela a importância dada ao professor pelos gestores que sempre se elegem prometendo priorizar a educação. A exigência de diploma para dar aulas no ensino fundamental e médio é boa, embora eu considere importante que a escola esteja aberta à colaboração de educadores que tenham talento (e não necessariamente um diploma).

Fábio Carvalho em junho 18, 2009 4:15 AM


#97

Eu sabia que isso iria acontecer em algum momento. Estava convencido que o Supremo Tribunal Federal decidiria pelo fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. A decisão saiu nesta noite e foi decidida por 8 votos a 1. O voto discordante foi do ministro Marco Aurélio de Mello. Joaquim Barbosa e Carlos Alberto Menezes Direito não estavam presentes no julgamento da ação.

O fim da exigência do diploma, desde já, pode ser considerado um atraso para o país. Sou professor de jornalismo – ou era! – e fui para o meio acadêmico exatamente com a intenção de ajudar os foquinhas a terem uma visão crítica da nossa imprensa. Não é que sou contra a imprensa. Pelo contrário. Sou o maior defensor da liberdade de imprensa. Mas gosto de alertar a todos que jornais não publicam tudo o que acontece. Apenas aquilo que consideram pertinente ou relevante. Aliás, gosto sempre de lembrar que não existe um espaço menos democrático do que um jornal. Ali, prevalece a voz do dono da empresa, não dos repórteres.


Estou convencido hoje que o curso de jornalismo é necessário para a formação dos futuros profissionais. Nem sempre pensei assim. Houve uma época que acreditava que para exercer a profissão bastava escrever bem. Claro que caí na real. Não consigo deixar de ver que, a partir de hoje, o exercício do jornalismo estará entregue às mãos do patronato – dos grandes nem é o maior problema -, das forças mais atrasadas que controlam a mídia no interior do país e nas cidades fora dos grandes centros urbanos.

Aponto isso para não falar da máxima “focas doutrinados pelo patrão”, esses cursinhos dos jornalões aos quais Leandro Fortes se refere como “fábrica de criar monstrinhos”. O mais estapafúrdio de tudo, na minha modesta avaliação, foi a declaração de voto do ministro Gilmar Mendes, ao comparar jornalistas a cozinheiros e costureiros: “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”.

Disse mais, o presidente do STF: “O Poder Público não pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no âmbito da culinária. Disso ninguém tem dúvida, o que não afasta a possibilidade do exercício abusivo e antiético dessa profissão, com riscos eventualmente até à saúde e à vida dos consumidores”. Uma coisa é certa: a imprensa brasileira vive hoje muito mais de “cozidões” do que de reportagens. Que o diga o ministro Gilmar Mendes.

A idéia de que qualquer um pode produzir jornalismo é de uma estupidez tremenda. E mais. Nenhum jornal deixou de contratar colaboradores, nos últimos 40 anos, para atuar como articulistas ou especialistas em assunto. A tentativa aqui dos jornalões e do ministro Gilmar Mendes é tentar impor um nivelamento geral, por baixo, enquadrando os que se opõem a esse discurso maroto da defesa da liberdade de expressão. Buscam homogeneizar as condutas dos repórteres independentes.

A deixa foi dada pelo próprio presidente do STF, ao dizer que cabe às empresas de comunicação determinar os critérios de contratação. “Nada impede que elas peçam o diploma em curso superior de jornalismo”, disse. Até hoje, o que impedia eram os sindicatos de jornalistas. Agora, nem isso. Qualquer pau mandado pode escrever. Ou melhor, o dono do jornal pode usa o nome do foca da vez para publicar ataques aos adversários. Sem lei de imprensa, os jornais deixam de ser responsabilizados diretamente, cabendo aos repórteres assumir as responsabilidades cíveis e criminais. O que vai ter de repórter-laranja daqui para frente…

Gilmar usou ainda de outros argumentos frouxos para reforçar sua posição: “A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia. Nesse sentido, por não implicar tais riscos, não poderia exigir um diploma para exercer a profissão. Não há razão para se acreditar que a exigência do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exercício abusivo da profissão”.

É mesmo? Que o diga a ministra Dilma Rousseff, apontada pela Folha como integrante daquela facção de esquerda que queria sequestrar Delfim Netto nos anos 70…

Será que foi por isso que o presidente do STF mandou tirar do ar o programa “Comitê de Imprensa”, exibido pela TV Câmara, em que Jaílton Carvalho (O Globo) e Leandro Fortes (CartaCapital) comentavam a cobertura do noticiário sobre a Operação Satiagraha da Polícia Federal?

Olímpio Cruz Neto em junho 18, 2009 8:17 AM


#98

Bem-vindos à selva do livre mercado, jornalistas. Os publicitários os saúdam.
Sou publicitário formado, e acho que demorou pra cair essa obrigatoriedade.

Se diploma valesse não teríamos nem Guanaes nem Mendonça nem Zaragoza nem Olivetto nem Francis nem Kfouri nem Forastieri nem...vá lá... Mainardi. Quem é competente, se estabelece.

Espero que outras profissões, como designer, turismologos, telecom, informatica, etc. agora também parem de querer criar pelegos e vão trabalhar.

A pergunta que fica é: qual a diferença entre um blogueiro e um jornalista?

Rui Fontoura em junho 18, 2009 9:36 AM


#99

Bem-vindos à selva do livre mercado, jornalistas. Os publicitários os saúdam.
Sou publicitário formado, e acho que demorou pra cair essa obrigatoriedade.

Se diploma valesse não teríamos nem Guanaes nem Mendonça nem Zaragoza nem Olivetto nem Francis nem Kfouri nem Forastieri nem...vá lá... Mainardi. Quem é competente, se estabelece.

Espero que outras profissões, como designer, turismologos, telecom, informatica, etc. agora também parem de querer criar pelegos e vão trabalhar.

A pergunta que fica é: qual a diferença entre um blogueiro e um jornalista?

Rui Fontoura em junho 18, 2009 9:37 AM


#100

Aquela mocinha inexperiente que publicou a ficha falsa da Dilma Roussef tinha diploma de jornalismo? O "erramos" que dizia que a Folha não conseguiu determinar a veracidade nem a falsidade da ficha falsa foi escrito por um profissional com diploma? Aquele repórter da Veja que escreveu a matéria com as contas secretas do Lula no exterior tinha diploma de jornalismo? Acredito que na faculdade se ensine técnicas e a ética para ser um bom profissional, mas quando esse profissional vai para a mídia gorda ele tem que se submeter à polítia interna da empresa. Posso até concordar com a exigência do diploma, mas não porque isso garanta a qualidade da imprensa.
Quando o SLeo disse que o diploma garante profissionais menos dóceis ele estava com sono ou está querendo tomar o lugar do José Simão na Folha?

André em junho 18, 2009 9:43 AM


#101

Como também era esperado, o texto da Ivana Bentes mostra o ponto de convergência das ideias de Hardt/Negri como o neoliberalismo. Flexibilização e demais. Isso, um texto de Paulo Arantes já alfinetava na época do lançamento de Império no Brasil.
É onde aflora uma defesa de um mercado desregulado, que libera pretensamente o capitalismo cognitivo baseado em novas mídias. Só mesmo desconhecendo o funcionamento do mercado de trabalho para chegar a tais ideias.
O que vai resultar dessa decisão do STF é a precarização do mercado de trabalho de jornalista, já devidamente precário desde os anos 1980, quando as empresa começam sua reengenharias, downsizing. É radicalização do neoliberalismo.
As queixas contra a grande mídia se voltam para o elo mais fraco do campo jornalístico e fortelecem os mais fortes que são os donos de empresas. Os efeitos dessa decisão do STF sobre a mídia regional serão catastróficos. Pois não se trata apenas de FSP e Abril.
O diploma civilizava e colocava um pouco de ordem na selvageria chamada midia regional. Agora é faroeste, misturado a snuff films.

enio em junho 18, 2009 9:46 AM


#102

A expressão "lei de imprensa" só aparece no comentário 97 desta boa discussão aqui no blog. Na minha opinião o fim da lei de imprensa e o fim da obrigatoriedade do diploma se inscrevem no mesmo contexto de favorecimento à grande imprensa, e não por acaso ocorreram na Era Gilmar.

Não tem nada a ver com liberdade de imprensa e expressão, não tem nada a ver com os novos tempos de midialivrismo na internet.

Tem a ver basicamente com acatar dois pleitos da Associação Nacional de Jornais: o fim da "indústria do dano moral" e a flexibilização das relações de trabalho nas grandes redações.

Creio que mais prováveis são conseqüências como ataque a direitos trabalhistas nas redações e consolidação do compadrio nos pequenos veículos do interior, como alertou o Leandro Fortes no seu blog.

É claro que a FENAJ e boa parte dos sindicatos de jornalistas fizeram uma defesa muito pouco inteligente da regulamentação profissional, defendendo coisas com a exigência de diploma em rádios comunitárias e, vejam só, em BLOGS.

Por fim: apesar de concordar que estamos vivendo um outro tempo e que a exigência de diploma talvez não se adequasse a esse tempo, a decisão do STF tem que ser encarada muito mais como uma derrota.

Cassol em junho 18, 2009 12:12 PM


#103

O Luís Nassif também tem um comentário que me parece correto. Ele escreveu o que eu não soube escrever, evidentemente.

Vera em junho 18, 2009 12:16 PM


#104

OOOOOPAAA!!!

"o jornalista não é um especialista em generalidades, é um especialista em discursos, em linguagem"

Quem é especialista em Linguagem é Linguista!!!!
Se você realmente acha que pra ser jornalista há de se ser especialista nissso.

Abro AQUI um convite a todos: ABAIXO ASSINADO PARA A OBRIGATORIEDADE DO DIPLOMA DE LETRAS OU LINGUISTICA PARA O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO DE JORNALISTA!!!

Gente, abre o olho. Só escrever bem realmente não basta ao jornalista, ele tem que ter senso crítico e ética para saber apurar. Mas se ensina ética e senso crítico em universidade?? Não!
Jornalismo é profissão de cunho intelectual, é coisa de talento. No entanto, como (supostamente) o jornalista deve sempre dizer a verdade, há de se regulametarizar a profissão, o que não tem NADA a ver com diploma obrigatório

FERNANDA em junho 18, 2009 1:08 PM


#105

Bem, comentarei o texto da Ivana que é um dos poucos que consigo ler - também sou vítima de uma legislação derivada dos excessos do mercado e que impede a livre comunicação, a tal SOX.

Em seu texto Ivana Bentes defendeu a democratização das relações de trabalho de um jeito meio torto.

Ela diz:

"Outros cursos, extremamente bem sucedidos e disputados no campo da Comunicação (como Publicidade) não tem exigência de diploma para exercer a profissão e são um sucesso com enorme demanda."

Depois diz:

"É hora das associações, federações, sindicatos mudarem o discurso do século XIX e entrarem no século XXI buscando uma nova forma de SEGURIDADE PARA OS PRECÁRIOS, OS NÃO DIPLOMADOS, OS MIDIALIVRISTAS, o fim do diploma aponta para essas novas lutas."

Ou seja, ela quer conciliar a enorme demanda, mais conhecida por mercado, a um suporte de seguridade oferecido por associações, federações e sindicatos, esperando que essa relação se dê em bases mais democráticas que as oferecidas atualmente pelas corporações. Não sei quanto tempo levaria para que essa estrutura proposta por Bentes - igualmente baseada no poder econômico já que dependente da "enorme demanda" - passasse a operar exatamente como uma corporação. Talvez uma revisada na história da URSS possa dar uma luz nesse sentido. De qualquer forma não é o que importa já que essa não é a solução para o problema por ela colocado. Ahn...vou parar por aqui, deixando uma pergunta. Você despreza mesmo a Teoria da Ação Comunicativa de Habermas, Idelber?

Cláudia em junho 18, 2009 1:26 PM


#106

os argumentos expostos aqui me fazem esperar que caia, em seguida, a obrigatoriedade do diploma de direito para tornar-se juiz. afinal, se Gilmar Mendes é juiz do supremo, qualquer um pode ser, não? essa obrigatoriedade apenas atravanca a liberdade de quem não tem diploma de direito... mas infelizmente tudo indica que essa é uma etapa do anarquismo à qual somente o jornalismo e outras profissões menos "sérias" chegarão de forma tão rápida.

há pelo menos dez anos eu ouvi pela primeira vez a defesa de que teria que cair a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. na época, despertou muito mais críticas do que adesões, e uma forte curiosidade a respeito de quais seriam os interesses mais profundos atendidos pela medida. hoje em dia vejo que a coisa mudou significativamente. enquanto isso, a revisão da lei de imprensa, que poderia de fato ter melhorado as coisas, foi sistematicamente esquecida e/ou combatida. diante desse quadro, creio que em mais dez anos, a "ditabranda" passa também.

desânimo de discutir com quem compara jornalismo a publicidade (sobretudo quando se trata de mercado), jornalismo a culinária, com quem acha que jornalismo é apenas escrever e em seguida esperneia porque jornalista "não conhece Derrida"... afinal, qual é a premissa: considera-se a profissão simplória em sua natureza ou se acredita que ela é complexa mas os profissionais são mal formados? há discussões muito diferentes para cada um desses pressupostos. de fato, o país está infestado de maus profissionais (até porque para conseguir um trabalho em jornal não é preciso ter boa formação; é preciso ter estômago), logo vamos acabar com o jornalismo? os médicos e advogados também não andam grandes coisas...

com o fim do diploma, morre qualquer esperança de se ver um jornalismo mais consistente no brasil. de agora em diante, é oficial: só se tem assessor de imprensa, publicitário das letras.

o que eu realmente gostaria de saber é: quem é essa pessoa misteriosa que está impedida de trabalhar como jornalista por não ter diploma? a quem, exatamente, estamos salvando dessa "burocracia incômoda"?

mf em junho 18, 2009 1:39 PM


#107

Cláudia, sua crítica à Ivana ia por um caminho muito bom, estava me ganhando, mas eu fiquei com gosto de "quero mais". Você elaborou pouco. Pode escrever mais, a página estica!

Quanto à sua pergunta: acho que "desprezar" seria um pouco forte, embora eu possa até já ter usado esse termo para me referir à teoria em questão. Mas, sim, é daquelas coisas que leio e acho de uma ingenuidade assombrosa. Há momentos em que chego a, honestamente, me perguntar se é ingenuidade ou se é má fé.

Mas não entendi a relação entre a Ação Comunicativa do Habermas e a crítica à Ivana. Quero dizer, suspeito saber por onde passa o vínculo, mas você não o explicitou... Abraços!

Idelber em junho 18, 2009 1:40 PM


#108

Amigo, você está pegando pesado com os jornalistas. Aquela do lutador de sumô foi um golpe duro.
Beijos,
Fefê

Fefê em junho 18, 2009 2:02 PM


#109

Agora você me colocou numa fria, Idelber...rs. Brincadeira. Não estiquei mais porque eu enrosquei mesmo, mas vou continuar pensando. Se chegar a algum que valha a pena colocarei aqui.

Cláudia em junho 18, 2009 2:07 PM


#110

"... a algum ponto que valha a pena..."

Cláudia em junho 18, 2009 2:08 PM


#111

Querida amiga Fefê, é verdade que sim. Mas convenhamos, alguém com a minha história escutar, de um amigo que a conhece, a afirmação de que no fundo todo mundo gostaria de ser jornalista, é dose pra leão, né? Às vezes uma hipérbole resolve. Você sabe que a intenção não era ofender :-) Um beijão.

Idelber em junho 18, 2009 2:09 PM


#112

Mais uma pergunta, Idelber, para me ajudar. Ingênua ou não enquanto proposta, o que nós fazemos aqui, ao debater em um blog, não corresponderia em parte ao conceito proposto por Habermas?

Cláudia em junho 18, 2009 2:20 PM


#113

De jeito nenhum, Cláudia. Ou seja, até pode ser algo que se aproxime do que Habermas tem em mente, mas os pressupostos que nos pautam aqui são antagônicos aos da teoria dele. Veja só:

1) Habermas jamais discute os complicadíssimos pressupostos que organizariam um diálogo universal como o que ele quer. Eu não tenho a menor ilusão de um diálogo universal. As regras do jogo, aqui, não são definidas "democraticamente" em assembléia. São definidas pelo dono do blog. Quem não gostar, que escreva seu próprio blog. Para dar um exemplo recente: se a teoria de Habermas fosse uma descrição correta da realidade, eu poderia ter ficado no Pandorama sem prejuízo para este nosso diálogo. Alguém tem dúvidas de que, com a turma que vinha de lá, esta caixa já teria degenerado num bate-boca com xingamentos que impediria completamente esta conversa minha contigo, a contraargumentação da Vera, do Fábio, do Enio? I rest my case.

2) Habermas trabalha com o horizonte do consenso universal. Ora, não tenho nenhuma ilusão sobre isso. Não trabalho com o consenso como horizonte. Não acredito que ele vá acontecer, nem acredito que ele seja desejável. Argumento minha posição, claro, e às vezes até convenço alguém. Outras vezes, alguém me convence de seu ponto de vista. Mas são acontecimentos contingentes do debate, não um horizonte fixo com o qual se deva trabalhar.

Tudo isso para não entrar nas filigranas da teoria em si. Se entrarmos nelas, aí realmente dá para ter dúvidas se é ingenuidade ou má fé. Um abraço!

Idelber em junho 18, 2009 2:37 PM


#114

O Nassif também levantou algumas novas questões, Idelber, que merecem uma reflexão para enriquecer este debate:

(...)"Há um enorme mercado que se abre com o fim da obrigatoriedade do diploma - beneficiando especialmente os com-diploma. Daqui para frente, cada vez mais as empresas e associações serão produtoras de informação, acabando com essa intermediação espúria da mídia. Hoje em dia há assessorias com mais jornalistas que as redações. Preparam releases, enviam para o jornal, o editor passa para um repórter dar uma guaribada e publicar como se fosse matéria própria.

Esse jogo vai acabar. Cada vez mais empresas e associações precisarão de jornalistas profissionais para produzirem notícias que serão veiculadas sem intermediação na Internet.

Veja bem, no modelo convencional as redações prescindem de jornalistas formados. Elas têm seu próprio método de trabalho, no qual os jornalistas acabam se enquadrando. No novo modelo, as empresas necessitarão de jornalistas com formação - ou quem tenha passado por redações ou quem tenha se formado em faculdades que ensinem efetivamente o novo, como estruturar as informações das empresas, como identificar aquelas de interesse do público, como utilizar as novas mídias e etc."

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/06/18/o-diploma-e-as-faculdades-de-jornalismo/#more-31146

Paulo Maurício Machado em junho 18, 2009 3:07 PM


#115

Por falar em Gilmar Mendes e que tais, vocês não acham que urge uma reforma no Judiciário ? Escrevi alg lá bo meu blog sobre o assunto.

Pedro Migão em junho 18, 2009 3:52 PM


#116

A aposta da Ivana Bentes é altíssima. Como ela é sempre excelente, até nos erros da avaliação dá para tirar algo.
Texto de Habermas: www.lainsignia.org/2006/septiembre/cul_003.htm

enio em junho 18, 2009 4:11 PM


Hélio Sassen Paz em junho 18, 2009 4:15 PM


#118

Obrigada, Idelber, pela resposta. Seus pontos estão corretos mas quando pensei em Habermas foquei na idéia da uotpia do debate público sem fronteiras. Sim, este é um blog comandado por você, que é quem dá a pauta e também as regras, mas não deixa de ser um criador de opiniões. Não preciso exatamente me manifestar aqui para participar - posso "passivamente" ler, ser provocada e refletir e a mudança ocorrerá de qualquer forma. Como isso se liga ao texto da Ivana. Se minha leitura está correta e a preocupação dela é realmente a democratização das relações de trabalho, com vistas à democratização de fato da sociedade, isto é, à participação política mais efetiva possível, penso que há uma inversão nesse raciocínio ao pretender que a democracia aconteça de cima para baixo. Porque ao colocar que uma lei impedia as centenas e milhares de jovens de fazer jornalismo é isso que ela está afirmando, assim como é isso que ela está afirmando ao dizer que a corporação é o que impede a democratização das relações de trabalho. Embora seja indiscutível que dentro de uma corporação não exista democracia, não estou plenamente segura de que de sua mera destruição surgiria a a democracia como a Vênus saindo do mar. Depois de quase dois séculos de supremacia da cultura do consumo não se destroi um ídolo assim impunemente, há que se ter respaldo e é aqui que deposito minhas esperanças na ação comunicativa como possibilitadora de formação de massa crítica.
Vou parar sabendo que de novo não fui até o fim do raciocínio. É que sinto que a costura das ideias se fragilizaria daqui para frente.

Cláudia em junho 18, 2009 4:26 PM


#119

Idelber. Já conversamos por email. Sou leitura sua, admiro seu trabalho, sua postura e acho que seu post é pertinente por colocar várias visões.
Não sei se é o caso, mas fui até o terceiro ano de Ciências Sociais na PUC-SP e larguei o primeiro ano de jornalismo (isso foi há quase 30 anos). Em meados dos anos 80, já na redação de um jornal diário, como redatora, me vi na condição de voltar à faculdade para obter um diploma. O fiz. Recomecei do zero. Foi em jornalismo.
A favor do diploma? Contra? Muito pelo contrário? Acho que é necessário refletir também o lobby dos favoráveis ao diploma, os que fazem parte da indústria do diploma, leia-se os proprietários de faculdades de esquina que defendem com unhas e dentes a manutenção do diploma. Leia-se Maluf e companhia limitada, com suas Fiams/FMUs ou o bicheiro proprietário da Uniban, cujo nome me escapa. Claro que a discussão merece ir mais a fundo, mas, por ora, isso me fez vir até aqui postar um comentário.
Abraços de zeros e uns e boas férias no Brasil.
Lembro que sou colaboradora da Pictura Pixel, do Claudio Versiani e Gilberto Tadday.

Mari-Jô Zilveti
http://nomadismocelular.wordpress.com

Mari-Jô Zilveti em junho 18, 2009 4:38 PM


#120

Vamos falar a verdade, quem lê jornal impresso Brasil? Uma minoria insignificante, além disso o jornalismo brasileiro impresso, no geral, é muito ruim - não há análise nem crítica, em geral há uma concentração das mesmas idéias - qual a direrença, por exemplo entre Folha e Estadão - ambos seguem a cartilha liberal conservadora. Agora qual a pretenção se de "informar" por meio do jornalismo impresso com televisão, internet e rádio? A coisa seria seguir o modelo francês e fazer um jornalismo mais analítico, crítico, talvez desse certo... ms da forma que está o futuro dessa área é desaparecer...

Eu sou formado em jornalismo, mas me considero bacharel em Comunicação social, já que as técnicas de jornalismo "americano" são relativamente simples. O que mais me interessou na época que fui fazer o curso foi a parte de Teoria da Comunicação, mas me digam que da área da comunicação leva esta matéria seriamente? Muitos poucos.

Posso dizer também que minha verdadeira formação superior foi somente quando fiz depois história na USP, antes eu não passava de um técnico em comunicação social, relativamente iludido com as potencialidades da comunicação social. Acredita que meu trabalho podia mudar em algo a situação social do país... pobre ilusão!

Agora pouco me importa se essa bandeira do fim da obrigatoriedade do diploma é também dos patrões... vejam só, até o hoje havia a obrigatoriedade e há um geral mediocridade na imprensa... o diploma não garante nada. Além disso essa obrigatoriedade é elitismo e resquício da ditadura. Trata-se de ser contra ou a favor da liberdade de expressão. Todos, mesmo os que escrevem errado têm que ter direito de expressão, não importa. Ao meu ver a questão é polemica por puro corporativismo.

Augusto em junho 18, 2009 5:06 PM


#121

Informação de qualidade e o jornalismo brasileiro
Por Gustavo Barreto, da Redação Consciência.Net, em 18/06/2009

Na última quarta (17), o Supremo Tribunal Federal brasileiro decidiu pelo fim da exigência do diploma para o exercício do jornalismo. A decisão foi oriunda de um recurso extraordinário, interposto pelo Ministério Público Federal e pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo.
Como o tema é polêmico e tem gerado muitos pontos de vista, cabe passar rapidamente pelos argumentos que fundamentaram a decisão. Não se trata de um argumento de autoridade, apenas uma informação preliminar – visto que a polêmica foi gerada a partir dos fundamentos da Constituição Federal. Se o leitor já estiver a par da discussão, pule esta parte.
São citados na CF os artigos 5, 102 e 220, nos trechos já separados abaixo:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
III – julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida:
a) contrariar dispositivo desta Constituição;
Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º – Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
A exigência de diploma do curso superior de jornalismo para exercício da profissão, como muitos profissionais sabem, data do regime militar e está prevista no art. 4º, inciso V, do Decreto-Lei n° 972/1969 (leia aqui).
O MPF cita ainda violação ao art. 13 da Convenção Americana de Direitos Humanos, ratificada pelo Brasil em 1992. Reproduzo abaixo o artigo (orignal aqui, em PDF).
Artigo 13º – Liberdade de pensamento e de expressão.
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito compreende a liberdade de buscar, receber e difundir informações e idéias de toda natureza, sem consideração de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer outro processo de sua escolha.
2. O exercício do direito previsto no inciso precedente não pode estar sujeito a censura prévia, mas a responsabilidades ulteriores, que devem ser expressamente fixadas pela lei e ser necessárias para assegurar:
a) o respeito aos direitos ou à reputação das demais pessoas; ou
b) a proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde ou da moral públicas.
3. Não se pode restringir o direito de expressão por vias ou meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa, de freqüências radioelétricas ou de equipamentos e aparelhos usados na difusão de informação, nem por quaisquer outros meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de idéias e opiniões.
4. A lei pode submeter os espetáculos públicos a censura prévia, com o objetivo exclusivo de regular o acesso a eles, para proteção moral da infância e da adolescência, sem prejuízo do disposto no inciso 2.
5. A lei deve proibir toda a propaganda a favor da guerra, bem como toda apologia ao ódio nacional, racial ou religioso que constitua incitação à discriminação, à hostilidade, ao crime ou à violência.
O voto final pode ser acessado aqui.
Dado esse cenário, é saudável retomar a discussão, sem esquecer que claramente os fundamentos não são baseados em abstrações dos juristas no alto de seus cargos, e sim em uma ampla discussão pública, em que múltiplas partes estiveram envolvidas durante décadas.
Se o foco, pra começo de conversa, for o diploma em si, acho a discussão inútil. Nunca me posicionei e continuo a não me posicionar, porque para mim pouco muda. O campo da comunicação já está totalmente aberto. Blogs, revistas, redes de comunicação. O mundo mudou. Gostaria de ver uma pesquisa indicando que muda alguma coisa a partir desta decisão. Duvido, mas me interesso na pesquisa.
Nenhum dos nossos nobres jornalistas conhece gente do campo profissional da Administração fazendo coluna em revista semanal? Ou médico em programa televisão? Todos sabemos que nas redações ninguém pede diploma. Se houvesse de fato fiscalização do Ministério do Trabalho, a grande imprensa parava. TV Globo, JB, O Globo, Estadão, FSP, todos os meios paravam, com raras exceções. Todos sabem disso.
A pessoa é chamada porque efetivamente faz jornalismo, porque sabe fazer jornalismo. O meio de comunicação que não souber fazer jornalismo rapidamente perderá, em tempos de internet, a credibilidade – o bem maior do jornalismo. E a Folha de S. Paulo, diga-se de passagem, tem se esforçado – vide o spam sobre a Dilma que virou manchete. E não só a Folha. A prática, aliás, se repete e virou a vergonha nacional de uma classe, em tempos de vigilância virtual. Honestamente, que acha que o jornalismo brasileiro é o locus da ética pública precisa se informar. Nenhum jornalista ou comunicador da grande imprensa acredita nisso. Existem bons jornalistas apesar do jornalismo que se faz.
É uma saída confortável dizer que essa decisão piora o quadro. A internet expôs uma crise que não é de hoje. Essa crise, na minha opinião, se chama crise de representatividade. Há muito tempo a imprensa de grande alcance não é mais representativa, no sentido que Negri dá (por exemplo). São vozes que abandonaram suas tentativas sempre frustradas de influenciar na pauta, sem nunca serem ouvidas, e não querem mais ficar restritas à seção de “cartas”.
O jornalismo brasileiro não entendeu, por exemplo, que a seção de cartas foi extinta com o advento da internet. O leitor que tem dois reais pra comprar um jornal tem dinheiro pra pagar horário na lan house. E prefere a lan house. Entre muitas outras questões. E, por isso, o jornalismo deixou de ser, pouco a pouco, locus principal do debate. Migramos (todos) para a rede – social e tecnológica. E o jornalista perdeu sua centralidade (mas não sua importância, óbvio, apenas a centralidade).
Eu questiono: as pessoas pararam de ler jornal por causa da decisão do STF? Não, eles estavam parando, antes, e parando cada vez mais, e continuam parando. Baixou a escolaridade? Não. Aumentou. Mudaram, isso sim, os hábitos. Dar um tiro no pé é não entender que o mundo mudou..
E pra quem acha que está mal a “classe”, eu tenho interface profissional com médicos e advogados, por dever de ofício e estudo. Ambos (a “classe”) estão ameaçados. Tentando se defender como podem, mas extremamente ameaçados.
No caso dos médicos, em alguns casos se fecham em suas sociedades, tentando processar por todos os lados quem os ameaça: médicos estrangeiros, práticas orientais. Tudo é alvo, porque a profissão anda mal das pernas. Mas eles foram mais inteligentes: melhoraram primeiro o ensino, para depois pensar no “mercado”. Fortaleceram a associação de educação médica, se organizaram para reivindicar a qualificação rigorosa dos cursos em todo o país. A FENAJ também tentou, mas abandonou equivocadamente sua preocupação central com o ensino (leia aqui) pra priorizar a bandeira do “jornalista por formação”, que não centra a questão principal: qual formação?
No corpo editorial de três revistas que eu participo, há historiadores, sociólogos, educadores, assistentes sociais… e jornalistas. Eu mesmo tento convencer amigos há anos que sou radialista, sem sucesso. Curiosamente, a diversidade das informações é maior nestes meios independentes, porque não se fala só em política e polícia. Qual a proposta que temos, por exemplo, para que o ensino nas faculdades brasileiras não forme os jornalistas que conduzirão o repeteco monotemático da pauta da grande imprensa? Ou acreditamos que o que existe essa imprensa representa, de fato, toda a diversidade do nosso país e do mundo?
O ministro Franklin Martins colocou recentemente uma visão redonda, na minha opinião: o aquário está “se achando”. Pior para o jornalismo e para os jornalistas – principalmente aqueles que juram de pés juntos questionar o aquário, mas estão cada vez mais como peixes fora d’água dentro de um modelo de jornalismo falido.
Leio atentamente o debate que atualmente explode na internet, sobre o tema. E percebo que tudo foge da questão corporativa. São os problemas do jornalismo capitalista (quem tem “donos”), a falta de ética de alguns editores, o exemplo valoroso de grandes jornalistas não-formados, a conceituação ampliada da questão da informação (que nunca terá dono). Enfim, um mundo de coisas. No fim das contas, pensa só, uma das consequências da decisão do STF é, na verdade, um grande benefício: a mobilização – agitação, reorganização, reconfiguração, fortalecimento – dos jornalistas, que agora vão procurar novas formas de se organizar. E podem se unir de modo mais inteligente.
O que não é razoável é entrar num debate em que jornalistas que fazem o jogo da grande imprensa, com todo o esquema da pauta pronta, dizem, agora, que são os porcos capitalistas que determinaram a votação, em favor do Capital. Tô fora.
E olha que eu acho útil a imagem do Capital – que deve ter recebido essa notícia como alguém que comemora ao ter ganho 100 reais na raspadinha da lotérica. Nada demais. Nada de novo.

Augusto em junho 18, 2009 5:25 PM


#122

A verdade que alguém crítico, com uma solida formação histórica e política não se presta a trabalhar para os mercenários da grande inprensa brasileira... Quem acha que os "focas" podem ser críticos da inprensa está derrapando em um idealismo midiático...

Quem trabalha para Folha, Estadão e porcarias parecidas, assim como a televisão, simplesmente não é crítico, por que não pode ser na prática - se for - não dura na "Empresa" monopolista... ser crítico e ser jornalista é simplesmente oposto. Ou se é um ou outro!

Os que estão a anos fazendo o jogo dos monópolios, da comunicação empresarial e do capital, agora vêm posar de últimos defensores do interesse "social" na comunicação, ora, por favor... isso não dá para engolir.

Augusto em junho 18, 2009 5:39 PM


#123

Acho que a queda da obrigatoriedade do diploma de jornalismo mostrou que os ministros não sacam nada do que é nossa profissão e que a fraqueza dos cursos de jornalismo e do movimento sindical ajudou com que esses mesmos ministros transformassem nosso emprego em uma profissão desregulamentada. Não sou a favor nem contra a obrigatoriedade do diploma. Defendo uma regulamentação. Apesar de acreditar ser necessária uma profissionalização. Jornalismo não é só pegar um assunto e falar sobre. Por outro lado, vejo com o otimismo a decisão do STF. Ficou mais do que evidente (se é que havia alguma dúvida ainda) de que o jornalismo brasileiro está em crise.
Escrevi mais sobre isso no meu blog: http://maispraopaquepraoba.wordpress.com/2009/06/18/o-diploma-morreu-viva-o-jornalismo/

Márcio Leijoto em junho 18, 2009 5:55 PM


#124

Ora, se a obrigatoriedade do diploma de jornalismo garante alguma coisa - ética ou responsabilidade social - os dois únicos países que exigem tal critério seriam detentores do melhor jornalismo do Mundo? Quais eram eles? Brasil e Venezuela...

Justamente dois países que têm mídias elitistas com históricas ligações com golpistas e setores ultraconservadores da sociedade.

Augusto em junho 18, 2009 6:12 PM


#125


A regulamentação do exercício de algumas profissões é decorrente da necessidade de se proteger alguns valores considerados essenciais, notadamente a vida e o patrimônio (muito embora o nosso ranço cartorial tenha produzido absurdos, como, por exemplo, a regulamentação da profissão de Arquivista - sim, para trabalhar num arquivo você ter que ter formação acadêmica).

Ninguém discorda da necessidade da regulamentação de determinadas profissões. É necessário mesmo que alguns valores sejam protegidos contra os danos que poderiam ser causados por charlatães sem preparo e sem escrúpulos. E daí vai a minha pergunta: a honra do indivíduo não é um valor a ser protegido? Uma profissão cujo exercício irresponsável pode afetar a honra de alguém não merece ter seu exercício fiscalizado? Não deve haver um código de ética rigoroso cujo desrespeito leve ao banimento do infrator?

Bem ou mal, existe essa fiscalização por parte dos Conselhos de diversas corporações profissionais (advogados, médicos, dentistas, engenheiros e outras). Cada uma possui seu código de ética específico, cuja violação pode levar até à exclusão do infrator (quanto aos advogados, conheço vários casos).

E no jornalismo? Seguidamente nos deparamos com matérias sem contraditório, tendenciosas, irresponsáveis, com prejuízos irreversíveis para a honra de cidadãos. A quem se queixar? Ao Judiciário, apenas. Que no máximo imporá uma pena pecuniária irrisória, pois na área criminal um bom advogado e a prescrição se encarregarão de garantir a impunidade. Mas o profissional irresponsável, inescrupuloso, o charlatão, em suma, continuará por aí cometendo suas barbaridades.

Sim, há a questão da liberdade de imprensa. Mas nenhuma liberdade é absoluta. Liberdade de informar não inclui a liberdade de mal informar. A desregulamentação da profissão de jornalista tem como argumento básico essa "liberdade de imprensa" sempre invocada pelos proprietários dos grandes meios de comunicação quando seus interesses são contrariados. Regulamentar o exercício da profissão de jornalista, aos moldes das outras acima citadas, consistiria, em última análise, em limitar o poder desses barões da mídia, principalmente porque tal fiscalização se daria através dos próprios jornalistas, invertendo o jogo de poder das redações.

Portanto, a questão do diploma é acessória. Fundamental seria a regulamentação profissional, cuja possibilidade foi sepultada pelo STF.

Navegador em junho 18, 2009 6:19 PM


#126

A possibilidade de uma nova regulamentação foi ou não foi sepultada pelo STF?

Márcio Leijoto em junho 18, 2009 6:33 PM


#127

Ora, quer dizer que o arquivista não precisa de regulamentação e jornalismo sim?

Navegador, explique-me o julgamento diferente... por acaso o trabalho em arquivos não é importante? O arquivista é justamente o profissional que guarda os documentos históricos de uma sociedade, documentos estes que guardam a memória de uma sociedade...

Agora o jornalismo diplomado quarda a a honra das pessoas??? A regulamentação garantiu isso? Quando e onde? O caso da Escola Base que o diga.... O jornalismo brasileiros guarda a honra somente de capitalistas e oligopólios - da plutocracia... somente deles.

De que país você está falando? Do Brasil?

Augusto em junho 18, 2009 6:34 PM


#128

Márcio, a regulamentação nos marcos de uma obrigatoriedade de diploma está sepultada. Era o Supremo. A única possíbilidade de recurso era o embargo de declaração, que não mudaria a decisão dos juízes.

Idelber em junho 18, 2009 6:38 PM


#129

A única possibilidade agora é o congresso aprovar uma lei regulamentando essa matéria específica. Se isso ocorrer, o Supremo ainda poderá ser chamado a se manifestar caso haja uma Ação Direta de Inconstitucionalidade.
Mas é pouco provável que o congresso se mexa para tal.

Abs

Pedro Rangel em junho 18, 2009 6:45 PM


enio em junho 18, 2009 6:57 PM


#131

DIPLOMA PARA OS PESCADORES
(DE ÁGUAS TURVAS)

Para fazer um pouco de demagogia com os jornalistas, um dia, os militares no poder baixaram autoritariamente, num pacote de atos ditatoriais, a regulamentação da profissão de jornalista. Deram a todos os jornalistas em exercício o status de profissionais de nível universitário, e obrigaram quem quisesse ser jornalista, a partir de então, a fazer uma faculdade. O jovem tem de passar dos 18 aos 22 anos num curso superior, para só depois ir ao mercado de trabalho ver se consegue ser jornalista. Dureza. Mesmo porque, sendo poucas as vagas e muitos os cursos, a disputa é braba. E a maioria dos cursos, como tem público certo – os que vão atrás do diploma -, não se preocupa em ensinar coisa alguma.
Digamos que, por qualquer razão, de repente os políticos (graças ao bom Deus e à repulsa da nação, hoje os poderosos não são os militares) resolvessem agradar os pescadores, e transformassem a pesca numa atividade de nível universitário. Quem pescou até agora ganharia o registro de pescador profissional, mas os próximos teriam de cursar a Faculdade de Pescaria. Rapidamente, nossas trocentas universidades criariam seus cursos de pesca. Não teriam, certamente, maior dificuldade em cumprir a carga horária e o curriculum mínimo a ser estabelecido pelo Conselho Nacional de Educação. Um ciclo básico de dois anos, introdutório, teórico, no Centro de Ciências Agrárias, de um ano e meio a dois anos, ensinaria Filosofia da Pesca, História da Pesca e Histórias de Pescadores, Sociologia da Pesca, Direitos do Mar, Geografia da Plataforma Continental, Meteorologia, Língua Portuguesa com especial atenção para o Vocabulário Específico da Pesca etc. etc.. Do terceiro para o quarto ano, teríamos matérias mais especializadas e vibrantes, nas quais os alunos poderiam ver filmes sobre pesca, realizar seminários a respeito e estudariam equipamentos de pesca, visitariam lojas de produtos de pesca, enfim, uma parte mais prática, e ainda teriam a chance de, no Laboratório de Pesca da Universidade, utilizar um caniço com uma isca de plástico, num tanque com peixes também de plástico – um estágio supervisionado, de 30 horas, que seria o ponto culminante do curso. Sem esquecer do indefectível TCC, Trabalho de Conclusão de Curso, no qual discorreriam sobre, por exemplo, O Velho e o Mar, ou A Expedição Kon Tiki, a série Tubarão. Alunos mais aplicados entrevistariam um ou dois pescadores do Pântano do Sul. Haveria uma bela festa de formatura, a vovó orgulhosíssima com mais um neto doutor. O resultado não é difícil de prever. Bons pescadores, por não terem diploma, seriam impedidos de pescar – um Sindicato e uma Federação atentos, filiados na maioria desempregados mas com diplomas na mão, se encarregariam de defender o interesse do público consumidor de peixe e a qualidade da atividade pesqueira, afastando do mercado esses arrivistas que ousam saber fisgar um peixe sem ter feito a Faculdade. Quem gosta de frutos do mar teria dificuldade para encontrar um peixe de qualidade no mercado – se aparecesse algum. Só os donos de Universidades particulares é que não teriam do que se queixar. Continuariam recebendo bons cardumes de alunos, que despejariam no mercado, bem embrulhadinhos. Em papel de jornal.

Ruy Fernando Barboza em junho 18, 2009 7:22 PM


#132

Vamos abrir uma cerva ?

Tá lá no link... risos

Pedro Migão em junho 18, 2009 7:46 PM


#133

sergio, eu te amo, mas dizer q todo mundo quer ser jornalista é dose, viu?

Alex Castro em junho 18, 2009 7:51 PM


#134

Lucas #35,
por acaso voce ja foi à algum jornalista?
Voce vai a medico porque precisa, mas precisa também ir ao jornalista?
Comparar medico com jornalista é quase o mesmo que comparar jornalista com puta. Para alguns não tem comparação, já para outros...

Fera em junho 18, 2009 8:11 PM


#135

LEI DE IMPRENSA

Laerte Teixeira da Costa

Pergunta que se impõe: revogada a Lei de Imprensa, precisa o Brasil de novo instrumento regulador? O debate está posto e há opiniões diversas, algumas conflitantes entre si. Vejamos alguns pontos.

A primeira preocupação se refere ao vácuo legal, vez que o Código Penal, velho e desatualizado, é omisso em vários aspectos dos crimes de imprensa. O próprio presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, levantou o problema. Outros analistas dizem que a imprensa deve ser inteiramente livre e que não cabe restrição ao seu papel, preenchendo um espaço institucional para o uso racional do pensamento.

A imprensa é tida como um dos órgãos de defesa da sociedade, até chamada de 4º Poder, mas entre aqueles que acham que as pendências podem ser decididas pelos Códigos Penal e Civil e os que defendem a regulamentação do direito de resposta, há grande distância.

Sabe-se que o que serve ao bem, pode perfeitamente servir ao mal. Além disso, há outras ponderações vinculadas a temas como preconceito, racismo, indução de violência e guerra. Coibir abusos de toda instituição é dever da Lei e ela deve existir em Estados Democráticos de Direito.

Revogar a Lei de Imprensa por ser um instrumento autoritário e concebido em plena ditadura, parece consenso. Permanecer sem um diploma legal específico é uma dúvida, especialmente pelo gigantismo das empresas de comunicação. Hoje, são grandes conglomerados.

Os novos grupos multimídia (internet, televisão, jornais e revistas) se transformaram em poderosos meios de influência, convencimento e propaganda. “A desigualdade de armas entre a mídia e o indivíduo é patente”, falou Gilmar Mendes, para quem o direito de resposta, previsto constitucionalmente, representa um mínimo de igualdade entre as partes.

Essa questão preocupa intelectuais de todo o mundo. Universidades se debruçam sobre o assunto na ânsia de encontrar formas de enquadrar eticamente os meios de comunicação. Os instrumentos de auto-regulamentação não funcionam no interesse das sociedades.

Como dispor de regras disciplinares para que esses monstros da comunicação moderna estejam confinados em limites de civilidade, ordem e justiça? Como estabelecer penalidades pecuniárias sem comprometer o desempenho ou a saúde financeira do veículo?

Questões como a da Escola Base de São Paulo e outras menos rumorosas estão sem resposta. Com ou sem lei, com códigos ou sem códigos, o poder dos meios tem sido onipotente e imprudente. Sofrem todos, inclusive os pequenos jornais, rádios e revistas do interior.

Não há democracia sem imprensa livre. Estamos de acordo. Mas, a imprensa moderna precisa saber que está sujeita não só ao direito de resposta como às penalidades por abusos cometidos. Como não há mais Lei, vamos depender da interpretação de juízes e tribunais.

Essa tendência (de tudo se resolver nos tribunais) consolida-se pela ausência, morosidade e desprestígio do Poder Legislativo. O ideal é que exista Lei e que a Justiça julgue com base nela. Assim funcionam os poderes da República.

publicado no jornal Diário da Região de São José do Rio Preto, em 28/05/2009.

Augusto em junho 18, 2009 8:16 PM


#136

"O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, disse hoje que a Suprema Corte pode ter que se manifestar sobre a exigência do diploma para o exercício de outras profissões além da de jornalista. Mendes afirmou que a Constituição é clara ao estabelecer que o Estado só pode regular atividades profissionais que exijam saber científico." E o que é "saber científico"? Se há controvérsias, não se preocupe: o STF sabe e resolve.

Vera em junho 18, 2009 8:21 PM


#137

Pode até existir polêmica sobre o que é saber científico, porém todos sabemos que jornalismo não é ciência, é prática de técnicas aplicadas. Talvez seja uma boa idéia escutar nossos filósofos especialista em teoria do conhecimento e filosofia da ciência para tal buscar respostas...

Augusto em junho 18, 2009 8:25 PM


#138

Como estudante quase diplomado em Jornalismo pela Uerj, acho essa, realmente, uma discussão complicada.

O argumento do ministro Gilmar Mendes de que todos, independente de formação acadêmica, merecem acesso à imprensa é incontestável. Além disso, a liberdade de imprensa é inquestionável.

No entanto, acredito que há funções dentro de um veículo jornalístico que necessitam, sim, de conhecimentos específicos, como a de repórter e editor. Necessitando de conhecimentos específicos, acho, por bem, que eles sejam adquiridos em um curso superior - para o bem da própria imprensa e, consequentemente, da sociedade.

Logo, não vejo problema que jornais tenham em seu corpo editorial analistas, consultores e críticos das mais diversas áreas de conhecimento e formação. Pelo contrário, acho isso extremamente positivo para um jornalismo mais crítico. Mas que estes desenvolvam atividades que não ultrapassem os limites do seu próprio metier - excluo assim as funções de reportagem e edição como a gente conhece. No entanto, esquece-se que isso já acontece em TODOS os jornais. São exemplos de não-diplomados-em-jornalismo que escrevem sempre nos jornais: Boris Fausto, Veríssimo além de toda aquela galera que é trabalha em jornal desde sempre sem serem formados em jornalismo, como Gaspari, Mario Sergio Conti, Mírian Leitão e Ancelmo Gois. Alberto Dines argumenta justamente isso no 3º parágrafo de seu artigo http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=542DAC005 .

Além disso, é triste notar que a queda da lei servirá certamente - observando a reação extremamente positiva da ANJ e da Abert - para a precarização da mão de obra nas redações. Aposto meus dois olhos - com base em experiências que tive antes mesmo da queda da lei - que os donos de veículos não irão contratar especialistas em determinadas áreas para enriquecer o seu conteúdo editorial (note que esses profissionais recebem salários, em seus nichos de mercado, - um engenheiro, por exemplo - absurdamente superiores aos dos jornalistas). O que os patrões farão será efetivar seus estagiários - na maioria das vezes com a exigência de que estudem jornalismo, para que não haja perda de tempo ou gastos com workshops sobre as funções - com salários irrisórios. Prejudicando assim a imprensa como um todo e, logo, a própria sociedade.

Portanto, devido às condições pouco sólidas em que o jornalismo é exercido no Brasil, acho que o fim da obrigatoriedade do diploma contribui em grande parte para o enfraquecimento do jornalismo e para o fortalecimento das contas bancárias dos patrões. Porém, é interessante pensar até que ponto a imprensa - com a precarização que eu predigo - permanecerá erguida o bastante para atrair leitores e, consequentemente, anunciantes.
É preciso entender que, a necessidade de possuir formação superior de jornalista não é uma vitória da categoria - visto que foi imposta por regime autoritário - mas, sim - e a arbitrariedade da medida ditatorial não anula isso - um avanço para a imprensa de um país que até a década de 60 era feita de forma quase diletante.

Rennan Setti em junho 18, 2009 8:30 PM


#139

Rennan,

Desculpe-me falar isso, mas não se iluda com a imprensa "oficial" brasileira - se você quer ser um profissional crítico abandone e ilusão de poder trabalhar em um veículo de mídia oficial - com salário e "direitos garantidos". A midía oficial - e a grande inprensa brasilerias estão em plena crise econômica e de legitimidade - não será neste espaço que encontrará a possibilidade de atuar socialmente.

Falo isso por experiência própria. Já cheguei ao cúmulo de escutar de um editor de uma revista de grande circulação no país que eu tinha que botar na cabeça que escrevia para gente estúpida. É esse tipo de ética que o diploma garante.

Além disso, fica evidente em teu textos os motivos corporativistas de sua posição. Ora manter uma lei de imprensa esculpida na Ditadura para garantir o emprego de meia dúzia de gatos pingados em detrimento da liberdade de espressão seria no mínimo falta de compromisso com o interesse social de todos os brasileiros?

Alguém aqui, dos que defendem a nanutenção do diploma pode, me explicar em quê este garante a qualidade? Vocês sinceramente acham que o jornalismo feito até hoje no Brasil é de qualidade?

Para mim essa exigência somente agrada aos donos das fabricas de diplomas de fundo de quintal.

Augusto em junho 18, 2009 8:51 PM


#140

expressão*

Augusto em junho 18, 2009 8:56 PM


#141

Talvez os cursos de Comunicação social possam agora tem um melhor direcionamento, talvez um ou - máximo - dois anos de curso específico e o resto um direcionamento para a área de maior interesse dos alunos. Isso seria mais viável em grandes universidades, claro, mas seria bom já inicialmente por evitar que uniesquinas possam participar, todos ganham.

Eu sou de longa data admirador do modelo dos EUA, onde você tem um major e um minor, você se forma em Jornalismo como Major mas no minor em política internacional, ou seja, você pode mais que qualquer um exercer a profissão de jornalista com conhecimento específico na área de Pol. Int, o que é um "plus a mais" como dizem alguns amigos meus!=)

É uma coisa que o coordenador de RI da PUCSP queria implantar, 2 anos, no máximo 2 anos e meio de curso obrigatório e o resto de optativas, em várias áreas e em outros cursos, você faz sua formação secundária, você se especializa já na graduação.

O jornalismo pode caminhar para isso, e podem tentar algo até mesmo dentro da área de comunicação, com uma formação em jornalismo e em multimeios, em Rádio e TV e etc combinado...

Raphael Tsavkko Garcia em junho 18, 2009 9:16 PM


#142

É a segunda vez que discordamos em um ponto, Fábio. Vai ser sempre assim?

;)

Fabiano em junho 18, 2009 9:19 PM


#143

Gostei muito do texto da Ivana Bentes.

E tem um outro aqui, mas a respeito da greve na USP, de um educador que respeito muito:

http://ghiraldelli.wordpress.com/

Bruno Marcondes em junho 18, 2009 9:34 PM


#144

acho que o post de Mary W sobre o assunto foi simplesmente o melhor de todos

http://www.interney.net/blogs/lll/2009/06/18/sobre_a_obrigatoriedade_do_diploma_para_/

Alex Castro em junho 18, 2009 9:41 PM


#145

Diploma de Jornalismo: só Mary W. conseguiu me fazer parar e pensar.

Alex Castro em junho 18, 2009 9:42 PM


#146

Já cheguei ao cúmulo de escutar de um editor de uma revista de grande circulação no país que eu tinha que botar na cabeça que escrevia para gente estúpida. É esse tipo de ética que o diploma garante.

Eu estava me segurando pra não entrar nessa discussão, mas essa foi demais. Você acha mesmo, Augusto, que seu editor pensa assim pq tem diploma de jornalista? Não será pq ele tem um patrão que pensa assim e é obrigado a entregar esse "produto", ou é melhor virar cozinheiro (ou ir limpar a bunda de lutador de sumô)? Ou por anos de frustrações?

Em tempo: eu nunca apoiei obrigatoriedade de diploma de jornalismo pra exercer a profissão. Mas ao contrário do min. GM, tenho certeza de que algum diploma tem de ter, embora não necessariamente o conferido por uma faculdade de comunicação. O que tb não quer dizer muita coisa pq a edução nesse país é lamentável, ou na sua opinião só os jornalistas têm deficiências de formação?

simone capozzi em junho 18, 2009 9:51 PM


#147

Eu acho que sim que a formação dos jornalistas é pior que de muitas outras áreas, até pq a profissão está em crise aguda.

Por exemplo, na maior universidade do país, a USP, o curso recebe milhões de críticas dos alunos (sucateado, faltam professores etc), enquanto outros cursos de humanidades na mesma universidade: história, geográfia, filosofia, letras, ciências sociais os cursos são exemplares, reconhecidos inclusive internacionalmente.

Eu não quis dizer que a falta de ética era pelo editor possuir o diploma, mas apenas que este não era garantia de ética. Pessoalmente sou bastante cético quanto a possibilidade de se fazer algum jornalismo ético na grande imprensa brasileira.

Augusto em junho 18, 2009 10:27 PM


#148

curti os pontos da Ivana:
http://www.trezentos.blog.br/?p=1839

kelly em junho 18, 2009 11:31 PM


#149

"é esse o tipo de ética que o diploma garante"

tá bem claro aí, não dá pra voltar atrás. o que irrita é você e várias outras pessoas aqui e em outros blogs estão com esse papo sem pé nem cabeça. As pessoas confundem o jornalista que é empregado do jornal, vive a realidade dessa indústria e, goste ou não, te de encarar. Quem manda na pauta, quem dá a diretriz é o dono do jornal. e é muito fácil dizer: seja ético, larga seu emprego. vai limpar a bunda do lutador de sumô.

Eu não falo por mim. eu tô na mídia segmentada, as coisas são muito diferentes. Mas eu entendo a realidade e sugiro a vocês que leiam um pouco de boa literatura pra entender o que é a vida.

Tem coisas piores: os caras não foram jurar que cigarro não vicia? não tem cientista que jura que aquecimento global não é provocado pela ação humana? ou até que não existe? Tem gente que fabrica armas. tem gente que queima floreta pra plantar soja pra alimetar gado pra vender carne barata e tem governo de esquerda que vai lá e assina embaixo.

O que eu quero dizer é: as coisas são muito mais complicadas do que parece.

mas é verdade, o ensino no brasil é muito bom, eu que estou errada. Por isso os índices de aprovação nos exames da OAB são tão bons, por exemplo. Inclusve os da própria Sanfran. Eu não sei muito da fflch, conheço melhor as condições da FAU e sei que deixam bastante a desejar... a começar pela biblioteca.

Se falarmo do ensino fundamental, então... nossa, ma-ra-vi-lha!

simone capozzi em junho 18, 2009 11:41 PM


#150

Olá Idelber. Aqui é mais um jornalista e belorizontino.
Venho acompanhando a discussão e já postei no meu blog idéias minhas e do Rafael Galvão. Concordo com o fim da obrigatoriedade do diploma. Acho que pode ser uma sacudida na moçada.
Daqui pra frente, já que pregam que todo mundo vai poder exercer a profissão, vai ser jornalista quem tiver muita certeza do que está fazendo.
Vamos acompanhar.
Cláudio
P.S. PARABÉNS PELO BLOG. TB ACOMPANHO FAZ TEMPO.
DEPOIS VISITE O MEU.

Claudio Henrique Vieira em junho 18, 2009 11:59 PM


#151

Caro Idelber,

Quase nunca venho aqui, apesar de tê-lo nos favoritos do meu veículo de c omunicação, pois comungo de praticamente todos as opiniões suas.

Como é um caso excepecional e polêmico, venho lhe dizer o seguinte. O fim do diploma de jornalista só veio só vem beneficiar a nós, que éramos considerados blogueiros e deixamos de ser considerados como tal.

Podemos, num caso judicial, nos equiparar a jornalistas. Isso tem reflexos mil. Pense.

Renan Bastos Nunes em junho 19, 2009 12:08 AM


#152

"Habermas jamais discute os complicadíssimos pressupostos que organizariam um diálogo universal como o que ele quer."

Idelber, no Facticidade e validade ele praticamente só faz isso. Apesar do que existe de inocente mesmo no Habermas, a pergunta da possibilidade de formulação de uma medida universal depois do fim da filosofia do sujeito me parece muito forte. Não sou da claque do pensador, mas acho que ele, como o Honneth, fizeram mais bem do que mal à discussão.

Tiago Mesquita em junho 19, 2009 12:13 AM


#153

Pessoa, sei que é off topic, mas preciso da ajuda de vocês.

Coloquei no meu blog algumas imagens de 1968 garimpadas no Youtube, mas não sei se a descrição que eu faço dos fatos está correta. Alguém podria verificar para mim, por favor ?

Infelizmente, eu não era nascido em 1968 - sou de 74.

Link no meu nome. Obrigado.

Pedro Migão em junho 19, 2009 12:28 AM


#154

Fabiano,

Não necessariamente discordamos dessa vez. Talvez seja o caso de alterar a disposição de exigências. De modo a assegurar qualidade à escola pública, passaria a ser exigida a verificação de habilidade para além da prova escrita quando, do concurso, não houver certificação de diploma. Outra hipótese (mais simples para a logística do recrutamento) é fazer prova de título, premiando o saber formal específico no concurso público.

A boa escola privada, quando não exige diploma, decerto elege outra forma de verificação ao selecionar um professor: notoriedade, por exemplo. Não é costume atirar qualquer um dentro da sala de aula para educar a elite e alguns filhos da classe média.

O fato de o ano letivo iniciar aulas com carência de professores revela que os sucessivos governos são incapazes de prover recursos humanos necessários à escola pública. Todo ano falta (muito, muito além do razoável) professor. É uma vergonha. Aí se recruta qualquer um para educar os filhos dos pobres e remediados. Quando se recruta qualquer um (como eu fui recrutado, sem NENHUMA verificação de habilidade), a escola pública põe em risco a qualidade do ensino. Atira qualquer coisa dentro da sala de aula.

Fábio Carvalho em junho 19, 2009 12:38 AM


#155

Prezados:

Talvez não devesse entrar nessa discussão, por não ser jornalista. Mas estudei numa faculdade de comunicação, tive e tenho muitos colegas jornalistas, e até sou confundido com eles.
Estudei Cinema na USP. Concluí o curso direitinho, em 4 anos. Nunca fui buscar o diploma, não me serve pra nada. Sou contra o diploma para cineasta...
Sempre achei absurda a quantidade de "colegas" do curso de jornalismo que não participavam sequer do jornalzinho do Centro Acadêmico. Também achava um absurdo o curso de jrnalismo não ter aulas de português. E não têm até hoje, em muitos lugares! Vi muito aluno de jornalismo escrever gato com jota e sapato com cê, pra você ver!
Por último, vi de perto que o monte de generalidades que é ensinado nas faculdades de jornalismo (sociologia, psicologia, antropologia, filosofia, todas "da comunicação") não torna o aluno melhor que um sociólogo, psi, etc., de verdade. A regra é se tornar um generalista raso.
Como os mais argutos já perceberam, não defendo o curso "superior" de jornalismo. No meu jornal "ideal", um médico escreveria sobre medicina, um urbanista sobre questões urbanas, um cientista político sobre política, um músico sobre música, um economista sobre a Bolsa de Valores, um profissional de turismo falando de viagens, um engenheiro sobre o Airbus da Air France. Mas teriam de escrever bem. Como?
O curso de jornalismo deveria ser oferecido como extensão acadêmica, com no máximo dois semestres, onde o sujeito aprenderia algumas técnicas básicas de redação, editoração e pesquisa. E com um exame rigoroso de português para ingresso, pois para escrever num meio de comunicação deve dominar o idioma.
Simples. E complicado, devido ao corporativismo dos "colegas". Na área da comunicação onde atuo com mais frequência (televisão), muitos jornalistas ficariam indignados se lhes fosse exigido o diploma de "rádio e TV" ou "audiovisual". Felizmente, é uma área menos conservadora.

Daniel Brazil em junho 19, 2009 12:41 AM


#156

Renan e Claudio: blogs já devidamente incorporados ao radar. Abraços.

Tiago: é verdade que em Facticidade e validade ele tenta. Mas, caramba, acho que foi ali que parei de levá-lo a sério de vez. É assombroso alguém dizer, na lata, que facticidade e validade estavam simplesmente misturadas e confundidas nas sociedades pré-modernas. Aquele texto não resiste a cinco minutos de análise de alguém que tenha passado realmente por qualquer vertente do pensamento pós-heideggeriano. É muito anacrônico tomar dois conceitos eminentemente modernos ('facticidade', que ele toma de Heidegger, e 'validade', que ele toma da filosofia da ciência) e dizer: "ah, nas sociedades pré-modernas os dois conceitos se confundiam".

Até um jornalista brasileiro daria conta de desconstruir isso. Reitero: respeito Habermas, admiro sua militância pró-democracia e acho seu primeiro livro, A tranformação estrutural da esfera pública, um tratado indispensável para qualquer ramo das ciências humanas. Mas a história posterior, da Ação Comunicativa, é de lascar. Abração!

Idelber em junho 19, 2009 12:44 AM


#157

Idelber, ainda pensando neste assunto, ao invés de estudar, ocorreu-me algo a respeito das seguintes palavras que você escreveu:


"Não pude deixar de notar a ironia de que vários dos que defendem o ponto de vista de que existe uma imprensa brasileira plural – como o Sergio Leo – agora lamentam o fim de uma obrigatoriedade imposta pelo Estado sobre, ora ora, a ‘imprensa livre.'"


Falou-se de poder nesta caixa de comentários, sobretudo do poder dos grandes veículos de mídia. Todavia, há outras formas de poder, para além do poder econômico, como sabemos. Pois bem, a posição dos que defendem a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício do ofício não seria, ainda que muitos dentre eles não percebam, um esforço último pela manutenção de um capital simbólico? A prática de regulamentação de profissões não estabelece uma clivagem entre os ofícios regulamentados – com seus conselhos regionais e federais, suas carteiras de identificação profissionais – e os não-regulamentados, entre aqueles que, de um lado, devido à regulamentação, são considerados sérios, relevantes, e, portanto, prestigiados, e, de outro, os não-complexos, abertos a qualquer um, os vulgares? O fim da obrigatoriedade não representaria justamente a perda de um capital simbólico, que garantia, ao menos na letra da lei, que o jornalismo fosse uma atividade distinta, reservada a um grupo de iniciados que passaram pelo ritual de uma formação específica? Para muitos jornalistas – como ficou implícito e, às vezes, explícito em vários textos nesta caixa de comentários e em textos de outros lugares –, com a decisão do STF o jornalismo não cessa de ser um ofício nobre, reservado a poucos merecedores, tornando-se uma atividade profissional vulgar, aberta a qualquer um, a qualquer bárbaro desprovido de um saber e de uma ética especial que somente poderiam ser aprendidos nos cursos de jornalismo?

Fabiano.

Fabiano em junho 19, 2009 2:34 AM


#158

Eu quis provocar desta vez, Fábio. O suposto ponto de discórdia foi a ambiguïdade desta afirmação sua: "A exigência de diploma para dar aulas no ensino fundamental e médio é boa". Concordo, desde que não precise ser necessariamente um diploma em licenciatura, porque a realidade cotidiana, bem como a sua própria experiência, demonstra que uma pessoa que é apenas um bacharel pode ser um professor tão bom quanto um licenciado, se não melhor.

Fabiano.

Fabiano em junho 19, 2009 2:40 AM


#159

a posição dos que defendem a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício do ofício não seria, ainda que muitos dentre eles não percebam, um esforço último pela manutenção de um capital simbólico?

Estou totalmente de acordo contigo, Fabiano. Acho que teu uso do conceito de Bourdieu aqui é perfeito. Trata-se, visivelmente, de defesa de um capital simbólico -- não há, claro, nada de errado nisso. Mas esse gesto autodefensivo acontece num momento de grande desmoralização da imprensa, de perda acentuada de seu capital simbólico. A indignação ante a comparação com os cozinheiros foi bem reveladora. Muitos dos que se revoltaram com ela não se deram conta da ironia implícita: do ponto de vista da grande maioria da sociedade, cozinheiros são ... bem mais importantes que jornalistas! Há um momento interessante na elaboração do conceito de capital simbólico, em que Bourdieu diz algo assim como "o esforço na defesa do capital simbólico é diretamente proporcional ao seu anacronismo" (é algo por aí, estou citando de cabeça).

Por outro lado, tenho minhas discordâncias com a euforia que se vê em algumas celebrações do fim do diploma obrigatório: a de que as novas mídias vão adquirir esse capital, que os novos geeks vão tomar o lugar dos bolorentos jornalistas diplomados etc. Não vejo isso. Mas, em todo caso, a virulência de algumas defesas é, sim, indício de um capital simbólico em crise. Abraços.

Idelber em junho 19, 2009 2:47 AM


#160

Idelber, eu sou contra o diploma por razões pessoais, porque sou jornalista há mais de dez anos, e nunca tive diploma. Fiz vestibular pra universidade pública e na hora de me formar me deram um diploma de... Relações Públicas. Até ontem era clandestino. Uma vez fui ao Sindicato aqui do Rio e só faltou eles dizerem que eu deveria parar de trabalhar e ingressar na indigência.

Miguel do Rosário em junho 19, 2009 3:12 AM


#161

Essa discussão está sendo muito esclarecedora pra construção da minha opinião a respeito, por isso agradeço a todos que comentaram, contra ou a favor, e sobretudo aos que trouxeram outros links. Neste momento, embora também fique com a mesma pulga atrás da orelha da Mary W. (link no comentário #144), estou achando que a queda da obrigatoriedade do diploma não deixa de ser um avanço. Me parece mais democrático que os sujeitos busquem seus próprios recursos de formação, mesmo aqueles não-acadêmicos, e mais útil para os leitores que as histórias desses sujeitos sejam diversas. Embora continue acreditando que não exigir diploma não significa que a profissão não deva ser regulamentada (e muito menos que não deva ser valorizada) e que que cursar uma Universidade pode acrescentar muito à profissão de jornalista (mesmo os cursos no Brasil estando longe de excelência).
Abraços.

Claudia Souza em junho 19, 2009 6:41 AM


#162

Eu ficaria muito preocupado quando minha opinião fosse igual à de Gilmar Mendes ou de entidades patronais...

José Antonio Meira da Rocha em junho 19, 2009 10:42 AM


#163

O diploma pode até ser um capital simbólico mas desconfio que a responsabilidade pela sua transformação em totem cabe mais a seus detratores que a seus defensores.

Cláudia em junho 19, 2009 11:08 AM


#164

Ai, José Antônio. A Folha já não exigia diploma há anos. O Globo contrata a peso de ouro colunistas e editorialistas sem diploma e a peso de banana diplomados para ralar sem limite de horas.
A respeito da "posição de Gilmar Mendes", reconte os votos do Supremo.

kelly em junho 19, 2009 11:10 AM


#165

Ei, José Antônio, como eu disse minha opinião sobre esse assunto nasceu aqui nesse blog, depois de ter (inclusive muito prazerosamente) lido quase tudo que foi dito/linkado aqui. Eu nem estava pensando nisso, nem sou tão preparada pra discutir esse assunto como a maioria de vocês, porque minha praia é outra. Mas você acha mesmo que devo me preocupar com a "posição de Gilmar Mendes" e das entidades patronais? Eu tô aqui tranquila e serena achando minha opinião bonitinha e até embasadinha, apesár de muito simplória, mas é minha mesmo, não é filiada a nada que termine em "ista" ou "al", assim... Eu fui lendo, pensando e ela apareceu como quem não quer nada. Cabeça de leitor, de curioso, sabe como é. É grave? Me indique outras fontes? Não tô fechada na questão não. Obrigada.

Claudia Souza em junho 19, 2009 11:29 AM


#166

Caro Idelber,

Toda essa discussão sobre a exigência ou não do diploma de jornalismo exige uma reflexão profunda sobre o que é jornalismo.
Penso que algo se perdeu ao longo do desenvolvimento do jornalismo como atividade profissional e a realidade atual nos coloca a necessidade de discuti-la de forma essencial. Originalmente, um jornal era um meio de divulgação de idéias, através da qual seu autor informava algo a seus receptores ao mesmo tempo em que dava a sua interpretação pessoal e convidava aqueles que concordassem a agir politicamente com base naquela mensagem. Para Tocqueville, por exemplo, os jornais funcionavam como associações á distância, através da qual os indivíduos de ponto de vista semelhante poderiam compartilhar informações e planeja sua atividade político-social.
Com o processo de profissionalização do jornalismo, a idéia original foi sendo substituída por um ideal técnico da informação. Como em outras atividades, o jornalista passou a ser visto como um profissional neutro que deve dominar uma técnica para que cumpra sua função social de informar com neutralidade e imparcialidade. Esse modelo dominou boa parte do século XX e justificou a criação dos cursos universitários de jornalismo.
Contudo, como você vem sempre chamando a atenção aqui, esse modelo tradicional de jornailismo está em crise. Está em crise desde que muitos jornalistas americanos lembraram da conexão entre jornalismo e literatura. E está em crise principalmente agora, quando qualquer um pode escrever o que quiser, informar o que quiser, promover o que quiser, com custo próximo de zero. Hoje, os blogs remetem àquela antiga idéia do publicista que, movido pelo desejo de comunicar alguma coisa e lançando mão de sua liberdade de expressão, divulga algo á disposição de todos. Hoje, pelo menos quem não é muito ingênuo ou cínico, não se acredita mais na informação neutra. Alguns ainda acham que esse deve ser um ideal a ser perseguido, mesmo que seja impossível na prática. Mas, na minha opinião, esses, que ainda justificam a necessidade de uma técnica jornalística, estão na contramão.

Jornalismo, para mim, é o simples exercício de liberdade de expressão de idéias, cuja possibilidade agora é cada vez mais democrática, prescindindo das grandes estruturas fornecidas pelas empresas. Ainda falta muito para que a maior parte dos habitantes do planeta tenham acesso a esse novo espacço público virtual, que hoje é o espaço do embate político na esfera pública, que hoje é o espaço do jornalismo em sua essência. Escrevamos tudo o que quisermos e estaremos exercendo a atividade de jornalista. O que é bom, o que é de qualidade, o que é sério, será julgado dentro desse espaço público.

O jornalismo é uma atividade política. Política no sentido em que entende Hannah Arendt, da ação sem frutos, sem uma finalidade fora dela mesma. Assim, o fim do jornalismo não é informar adequadamente a população. O jornalismo é um fim em si mesmo. Todos o seremos em alguma medida pelo mero exercício da comunicação de idéias.

Sou formado em jornalismo, mas não exerço a profissão no sentido profissional (desculpe a redundância). Sempre fui absolutamente contrário à exigibilidade do diploma e crítico do curso universitário de jornalismo tal como ele é. O curso é uma verdadeira colcha de retalhos onde os alunos têm até algum acesso a uma cultura geral que não aprofundam, pois quando entram no mercado descobrem que tudo que farão prescinde daquele conhecimento adquirido. Quem é que precisa saber semiótica, conhecer a obra de Habermmas ou de Derrida para escrever no Extra, no Globo ou no Dia?
Ou melhor, será que se todos os jornalistas dominassem esses autores, os Extra, O Globo e O Dia seriam possíveis? Não
O mercado exige a mediocridade dos profissionais e os cursos estão se adequando a essas exigências, perdendo qualidade e diminuindo o rigor. Os cursos ainda se estruturam na perpectiva de que o jornalista deve ser alguém a ser absorvido pelo mercado, atravé do qual exercerá sua técnica da informação. Aí, o conteúdo teórico e crítico fica em segundo plano.
Acho que os cursos devem continuar existindo. Mas se não passarem por uma reforma que reflita criticamente o pepel do jornalista e suas transformações, ficarão ultrapassados ou servirão à mediocridade.

Logo, penso que não obrigatoriedade do diploma é uma vitória para aqueles que pensam que o jornalismo é muito mais que uma atividade profissional dotada de um discurso técnico.

Desculpe o comentário grande

Abs

Pedro Rangel

Pedro Rangel em junho 19, 2009 11:38 AM


#167

Bom, cara irritada Simone eu somente quis explicar minha posição, já que voc~e não entendeu o que eu quis dizer. Agora eu, particularmente, não acho ético trabalhar como jornalista para a grande imprensa (acho que é um trabalho sujo) já que essa faz tanto mal ao país. Jornais como Folha, Estadão os canais de televisão somente desinformam as pessoas, participam de um esquema de manipulação e monópolio na comunicação que considero sujo, nojento mesmo. É por isso que eu hoje me nego a trabalhar para essas pessoas, mesmo ficando apertado, sem dinheiro muitas vezes, da mesma forma como não trabalharia nunca para Indústria de armas nem de carros, pois contrariam meus princípios e minha ética. Agora cada um é livre para conformar sua ética da forma que bem entender. Eu pessoalmente acho sujo e anti-ético trabalhar com jornalismo carta-branca dos grandes monópolios, assessorias de imprensa (que por sinal para mim nem é jornalismo) e em atividades parecidas... agora cada um faz o que bem entende de sua própria vida. Eu prefiro passar aperto em muitos meses (vivo de fazer traduções), porém me sentir limpo e não trabalhar para essa gente que me dá nojo.

Augusto em junho 19, 2009 11:41 AM


#168

Creio que o maior problema não é o fim da obrigação do diploma de jornalismo, mas a exigência de qualquer diploma. Pelo que entendi, para exercer a profissão passa a ser exigido o nivel médio, o que certamente resultará em queda de salários e de qualidade.

andreluiz em junho 19, 2009 11:41 AM


#169

Pedro Rangel,

Assino embaixo de seu comentário. Concordo com ele, muito bom.

Basta estudar um pouco semiótica, Adorno, Marcuse, Derrida, Bordieau para entender que a mídia e o jornalismo atual (o da grande mídia) pode e deve ser criticados como uma atividade que não é neutra, mas profundamente política, e que em seu ofício já pode ser configurada como tomada de posição social e política.

Augusto em junho 19, 2009 11:48 AM


#170

Também adorei o comentário do Pedro Rangel. Minha recém-formada (e não diplomada) opinião agradece mais uma vez.

Claudia Souza em junho 19, 2009 12:01 PM


#171

Estamo de acordo então, Idelber. Concordo totalmente com seu último parágrafo.

Abraços!

Fabiano em junho 19, 2009 12:15 PM


#172

O relator deveria ter dito por que ele não concorda com o diploma para jornalista, mas o diplominha para alunos oriundos do bacharelado em direito de "cursinhos" como o que ele é dono, agora serão obrigatórios para quem quiser ingressar na magistratura.
Ou seja, quem quiser ser juiz mesmo que passe em Universidade Pública em algum momento terá que custear seu curso, a menos que crie-se bolsas do governo para esses cursinhos...
Sinceramente foi ouvido o mercado nos dois casos e escolhido um dos campos, e em nenhum pensou na sociedade.

Marcelo L. em junho 19, 2009 1:22 PM


#173

Car@s, algo que ninguém comentou por aqui (pelo menos que eu tenha visto): alguém sabe de outro país em que seja exigido diploma de jornalista para trabalhar nisso? Todas as vezes que falei disso em terras gringas acharam muito estranha essa idéia...

Renata L em junho 19, 2009 1:26 PM


#174

Em 2006, publiquei, a quatro mãos, um artigo analisando a discussão em torno do diploma travada entre 2001 e 2003 no Observatório da Imprensa, por conta das primeiras liminares/decisões suspendendo e reiterando a exigência do diploma universitário específico.

http://revcom.portcom.intercom.org.br/index.php/cs_um/article/view/4761/4475 (em pdf)

Quem tiver paciência ou interesse de ler perceberá que o debate é tão confuso (e rico) que um mesmo argumento/dado muitas vezes é utilizado tanto para defender quanto para atacar a obrigatoriedade do diploma específico.

Reproduzo abaixo parte da nota 30 do texto, que traz uma curiosidade que talvez interesse a alguns aqui:

"Sintomaticamente, o texto do decreto-lei 972
disponível no sítio da entidade [FENAJ] exclui o parágrafo introdutório da lei, no qual se lê:

'Os Ministros da Marinha de Guerra, do Exército e da Aeronáutica Militar, usando das atribuições que lhes confere o artigo 3.º do Ato Institucional n. 16, de 14 de outubro de 1969, combinado com o § 1.º do artigo 2.º do Ato Institucional n. 5, de 13 de dezembro de 1968,
decretam: [...]'.

Quem chama a atenção para a edição realizada
pela FENAJ são Maurício Tuffani, em comentário publicado no Centro de Mídia Independente e Ewaldo Oliveira, em texto no Observatório da Imprensa."

Rafael Fortes em junho 19, 2009 1:29 PM


#175

caro idelber, você acha mesmo mesmo que o min. GM estava fazendo uma fina ironia? será que ele tem capacidade pra isso? pelo menos de minha parte a indignação não foi pq cozinheiros seriam mais importantes que jornalistas (provalvente o são) mas pq para o ministro basta ser alfabetizado (talvez) para ser jornalista. Penso que mesmo vocês deviam se revoltar com essa afirmação, posto que defendem que jornalistas devem ser intelectuais e eruditos.

simone.capozzi em junho 19, 2009 1:48 PM


#176

Idelber, não sei nada de pós-heideggerianos. Já li o Heidegger mas confesso que não entendo. No entanto, tendo a concordar com a crítica de que a idéia de moderno e pré-moderno, por conta do que ela tem de típica, parece muito simplificadora no Habermas, como de resto na filosofia (inclusive o Heidegger, que vê na razão figurativa uma espécie de decadência dos valores tradicionais, dos laços tradicionais).
Talvez seja o Marx (do capital), o Adorno (da Dialética Negativa) e o Wittgenstein (das Investigações filosóficas) que tenham se saído melo dessa confusão. Um através da idéia de produção e o outro com a crítica às definições taxativas e ao sentido atômico dos conceitos.

Os historiadores e cientistas sociais que lidam com o binomio tradição-moderno descem a lenha no Habermas (penso aqui no Gunder-Frank, Arrighi, Brenner, Alencastro etc). Agora, também acho que ele é rifado com muita facilidade hoje em dia, acho que isso pode ser apressado. A reflexão que ele traz do Husserl, da divisão entre o sistema e o mundo da vida, ainda é muito rica enquanto tema sociológico. Aliás, a idéia de validade também vem do Husserl.

O Habermas aproveita um amálgama que o Danto fez no Connections to the world entre a idéia da doação de sentido do Husserl e a idéia de regra do Wittgenstein e tira conseqüências sociológicas importantes.

Um dia um amigo, estudioso do Habermas, me disse que ele pode vir a ser nos anos que vêm uma curiosidade do século XX (talvez o canto do cisne de certo tipo de kantismo), acho que ele pode estar certo, mas tras muitas questões da vida do século XXI. Como a eternidade é esquecimento mesmo, acho que ainda vale muito a pena lê-lo (mesmo que eu discorde totalmente). Só a quantidade de coisa que eu conheci pelo Habermas...

Tiago Mesquita em junho 19, 2009 2:30 PM


#177

Oi, Tiago, "pós-heideggerianos" foi uma forma desnecessariamente complicada. Eu só me referia a todos os pensadores que passaram por Heidegger e derivaram na direção de outra coisa (Derrida, Foucault, e, voltando mais no tempo, Merleau-Ponty, o próprio Sartre, que fez uma adaptação monstruosa de conceitos heideggerianos etc.). O ponto era só que Habermas me parece -- apesar de mais contemporâneo -- lógica e conceitualmente "anterior" a todos eles, dando volta em questões que nessas correntes parecem já resolvidas.

Mas reiteremos que, inclusive para sacar as limitações das concepções liberais de linguagem, Habermas é leitura necessária. Aliás, eu jamais recomendo que não se leia um pensador, por mais que eu explicite que já tenho opinião formada sobre ele. Mas concordo com você: essa explicitação pode acabar criando, em gente que não o leu, a sensação de que devem rifá-lo sem ler. Aí não, aí não dá. Abração!

Idelber em junho 19, 2009 2:56 PM


#178

outra: esse argumento de que diploma dá qualidade ao que quer que seja (não precisamos nos restringir ao jornalismo) é inacreditável e me faz pensar em que sociedade mesmo é que vivem essas pessoas... o que a gente vê, cada vez mais, é gente que se esfalfa pra pagar uma faculdade, qualquer faculdade, pra ter um diploma. Sem nenhuma qualidade.

Renata L em junho 19, 2009 2:58 PM


#179

O pior é o mesmo relator tirar uma exigência em uma profissão e colocar em outra, sendo que na outra ele é dono de quem vai emitir o diplominha.

Marcelo L. em junho 19, 2009 3:12 PM


#180

Idelber, me desculpe pela insistência, mas não consigo entender o que você diz. Pensando nos autores que eu conheço, como Foucault, Sartre e Merleau-Ponty, não consigo ver anterioridade e nem posterioridade. Aliás, acho que a crítica do Habermas ao Foucault no Discurso filosófico da modernidade bem razoável. Do ponto de vista lógico, o Foucault parece mais idealista, mais próximo de um fundacionismo lógico.
No que o Habermas estaria defasado?

Tiago Mesquita em junho 19, 2009 3:56 PM


#181

ATÉ "ELE" TEM DÚVIDA!

Até ontem, o edital, a ser lançado nos próximos dias, exigia o diploma de jornalista. Agora, porém, a Comissão de Concursos da corte já estuda a necessidade de modificar os pré-requisitos que serão cobrados para preencher as vagas na Secretaria de Comunicação do órgão. O salário é de R$ 6.651,52.

O próprio presidente do STF, Gilmar Mendes, não esclareceu o caso: "Não está excluída a possibilidade de que seja exigido diploma de jornalista ou de outra profissão. O STF tem que examinar".

(Folha Online)

ALEX em junho 19, 2009 4:06 PM


#182

Tiago, não há nada que se desculpar! Mas vou ficar te devendo uma resposta decente, porque estou na correria. Mas envio alguns sinais de fumaça.

Com "questões resolvidas nesses outros pensadores" eu quis dizer que: se você olhar tudo o que veio depois de Nietzsche, está estraçalhada a ideia de que a linguagem é um veículo neutro, cuja função se limitasse à comunicação. É Nietzsche mostrando que o poder da moral passa pela crença na gramática, é Heidegger pensando a linguagem como morada do ser, da atençãode Wittgenstein e de Derrida à linguagem nem se fala etc.

Aí chegamos ao Habermas e o que encontramos? A ideia de uma linguagem neutra cuja função é comunicativa. Claro que "neutro" é um termo carregado, que ele não usa. Mas a ideia de uma neutralidade implícita, da linguagem como tabula rasa, está lá. É isso que quis dizer. Habermas, nesse sentido, é pré-nietzscheano.

Puxa, você acha a crítica de Habermas aos "pós-modernos" n' O discurso filosófico da modernidade convincente? Ah, não, essa teríamos que resolver com cerveja. Aquilo não resiste à análise. Pronto, agora fui. Abração.

Idelber em junho 19, 2009 4:10 PM


#183

ATÉ "ELE" TEM DÚVIDA!

Até ontem, o edital, a ser lançado nos próximos dias, exigia o diploma de jornalista. Agora, porém, a Comissão de Concursos da corte já estuda a necessidade de modificar os pré-requisitos que serão cobrados para preencher as vagas na Secretaria de Comunicação do órgão. O salário é de R$ 6.651,52.

O próprio presidente do STF, Gilmar Mendes, não esclareceu o caso: "Não está excluída a possibilidade de que seja exigido diploma de jornalista ou de outra profissão. O STF tem que examinar".

(Folha Online)

ALEX em junho 19, 2009 4:26 PM


#184

Idelber e Blogueiros.. Vcs já viram isso? Tá no Blog do Vianna...
Mas podem entrar direto no atalho abaixo

OBAMA&FOLHA: Na mosca. Demais!

http://www.youtube.com/watch?v=4mvp0x2oznw

ALEX em junho 19, 2009 4:38 PM


#185

Idelber, adoro o Biscoito Fino. Sou assessor de imprensa de uma grande empresa na região de Campinas e Jundiaí. Afirmo categoricamente que lido diariamente com mercenários diplomados, jornalistas que me ligam descaradamente para afirmar: me dá um dinheiro aí, senão não publico seu release (de utilidade pública, diga-se de passagem). O que acontecerá com esta liberação?

Douglas em junho 19, 2009 5:14 PM


#186

neste blog aqui
http://escrevinhamentos.blogspot.com/2009/06/caiu-exigencia-do-diploma-viva-o.html

além de uma lista longa de países que não exigem diploma (compare-se o jornalismo deles com o nosso), tem uma frase essencial: "Agora, os nossos cursos superiores de Jornalismo terão que ser o que eles são nestes países: um diferencial na formação de profissionais e não uma fábrica de diplomas, como ocorre hoje (com honrosas exceções)". Isso pode ser dito pra tantos outros cursos, tantos outros diplomas. Quando o diploma deixa de ser essencial é que se abre algum espaço pra cuidar de conteúdo, acho. E (mais uma vez) não estou falando só de jornalismo não. Enquanto se vive na ilusão de que o diploma vai dar emprego a alguém, não há pressão para a melhoria de qualidade do ensino. Muita gente vai lá só pra ter o diploma mesmo. Viva o final disso. Pelo menos para o jornalismo.

Renata L em junho 19, 2009 5:34 PM


#187

Prezados, boa noite
respondam rapidinho: quem foi contra a criação Conselho Federal de Jornalismo?

Respondo rapidinho e já aviso, podem vociferar:
Os mesmos que foram a favor da derrubada.

Excessões? pouquissimas.

obs: estou falando da classe, é claro.

ALEX em junho 19, 2009 7:48 PM


#188

Um dos argumentos a favor da exigência do diploma para jornalistas é que funções específicas, como a de repórter ou editor, exigiria conhecimentos específicos que só se obtém pela faculdade de jornalismo -- conhecimentos que deveriam ser obrigatórios para jornais e revistas.

Coloco um exemplo de como as coisas podem ser de outro jeito.

Nos EUA, não é obrigatório ter nada para investir ou investir o dinheiro dos outros. Nem diploma, nem conhecimento.

Mas é um campo onde sem se conhecer nada é inevitável fazer bobagens (é algo muito difícil). Sendo assim, existe um instituto chamado CFA Institute que oferece um certificado de qualificação (CFA - Chartered Financial Analyst) àqueles que cumprem uma prova. (coisa privada, sem fins lucrativos, sem envolvimento do governo -- para quem conhece, é como um TOEFL ou um PMI)

Essa prova não envolve um curso prévio. A pessoa estuda como quiser. Há todo um material de auto-estudo e as pessoas normalmente seguem esse caminho -- estudam sozinhas. É uma prova bastante difícil e normalmente se demora um ou dois anos para se passar por todas as fases.

O mercado reconhece o CFA como válido e dá preferência em contratações a essas pessoas. Mas ninguém é obrigado a nada.

E para tirar o CFA, nem se exige diploma. O diploma serve, mas 4 anos de experiência na área também bastam.

Fato sendo: Quem tira o CFA realmente sabe o conteúdo das coisas.

Rafael M em junho 19, 2009 7:54 PM


#189

Outra coisa. O Ênio tem razão pessoal. Essa briga completaria meio século. Era um desafio do patronato. Dos capitães do segmento da comunicação. São poderosos demais. Gente que já derrubou presidente e que já tirou candidato da parada. Na minha opinião desarticularam o que restava da classe. Aliás, uma categoria desunida da porra!

ALEX em junho 19, 2009 8:05 PM


#190

Caro Idelber.Tenho diploma e experiência. O que temo não é a derrubada do diploma. É a incerteza.É desarticulação total de uma classe. E acho que dificilmente deixará de acontecer.

Aliás, professor, se o chefe do Supremo que votou a favor, tem dúvida sobre o tema:

FOLHA: O STF não sabe o que vai fazer com o edital de concursos. Aí vem o Gilmar Mendes e diz: "Não está excluída a possibilidade de que seja exigido diploma de jornalista ou de outra profissão. O STF tem que examinar".

Como explicar isso?
O trapalhão não deveria ter vacilado e dito:
"não, agora qq pessoa pode fazer o exame"

Examinar o quê?

ALEX em junho 19, 2009 8:22 PM


#191

Pessoal, sou jornalista. Com diploma e experiência, graças a Deus. A realidade é que jornalista, há tempo, não apura mais porra nenhuma. Jornalista raramente discute pauta no boteco como antes. Um bando de doidos, com celular no ouvido e pressionados para entregar a matéria até às 6. Jornalista faz frila para o jornal ou revista, mas não é convidado pelo "editorzão" para ir na redação tomar um café, pra se conhecer.
Fiquei espantado um dia deste quando um amigo me falou que frilava para um jornalzão há varios meses e não conhecia pessoalmente a jornalista (a editora) que o pautava. Disse-me ele que até tentou. Mas foi "desconvidado". Tudo por email.
Bom, pq fiquei aqui falando tudo isso?

Jornalista não apura pq o patrão, via os editorzões com cargo de confiança, não querem. É isso! Pra que apurar uma notícia? Então, a profissão está indo pro brejo faz tempo.
Aí vem vcs aqui falar do discurso filósofico do Foucault, de Habermmas, de Derrida.

Putz!vcs acham que o editorzão-de-confiança quer gente inteligente na redação? Querem tarefeiros. E que não reclame. É isso. Os mais antigos, que não fazem parte da cúpula estão se aposentando, frilando, indo para assessorias, empresas. Conheço um que acabou de abrir um café.

alex em junho 19, 2009 9:06 PM


#192

Caramba. Falei demais. É pq este espaço é gostoso e democrático. Acabei de entregar minha matéria. Tô indo pro boteco tomar uma ceva. A conversa vai rolar legal hoje. Pessoal de cabeça quente. rs
abraços para todos e bom final de semana.

*Professor Idelber. Vc instigou a turma. Daqui a pouco chega nos 200 bate-boca. Agora a gente quer saber o que vai rolar no seu post.abraços

alex em junho 19, 2009 9:14 PM


#193

Você conhece Richard Rorty, Idelber, e a relação que ele tem com Habermas?

Entrando na discussão a respeito de Habermas, penso que ele não seja tão antiquado assim como foi escrito nessa página.

Bruno Marcondes em junho 19, 2009 9:54 PM


#194

Da Folha online:

"O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, afirmou nesta sexta-feira que não há mais sentido exigir o registro de jornalista depois que a Suprema Corte acabou com a obrigatoriedade do diploma."

Ou seja, não é necessário sequer a emissão do registro pelo Ministério do Trabalho. E, segundo o ministro, outros diplomas devem cair depois que o STF derrubou o, digamos assim, "entulho autoritário" da ditadura. Cozinheiro que quiser ser jornalista? Pode, uai.

Outra, também da Folhaonline. O STF vai abrir concurso para contratar 14 jornalistas, mas ainda não sabe se vai manter a exigência do diploma. Esses jornalistas serão assessores de imprensa, isto é, vão trabalhar em uma área que se vale dos recursos do jornalismo, mas, em verdade, é distinta. Bem distinta.

Eu afirmo: se o STF contratar jornalistas para sua assessoria que não têm diploma específico na área, ressalvada a hipótese da sorte, dificilmente irá recrutar o profissional mais indicado ao cargo.

Fábio Carvalho em junho 19, 2009 10:40 PM


#195

Idelber, achei interessante e certeira a abordagem do amigo Pedro Rangel acima, segundo a qual a grande questão em jogo é discutir a função social do jornalismo, o papel dessa atividade numa sociedade que se queira democrática.

Não é esse o ponto? Como falar em jornalismo, ética, se todos nós aqui debatemos e admitimos como certa a posse dos meios de comunicação por grandes grupos que produzem a informação de acordo com seus interesses, ou seja, como um instrumento político disfarçado de objetividade factual? No fim das contas os jornalistas contratados por essas empresas não precisam mandar, às vezes, a ética às favas, para proteger seu próprio emprego? No fim das contas, é Capital versus ética?

Deveríamos admitir que todo e qualquer jornalismo, mesmo o das grandes corporações de mídia, é, sempre, uma espécie de inserção, de movimento de peças no tabuleiro político (se correto ou não, não importa, por enquanto) ou deveríamos tentar positivar, no ordenamento jurídico, algo que se aproxime do que se poderia considerar 'informação minimamente objetiva'?

Em síntese, qual é o papel do jornalismo numa sociedade democrática, a seu ver?

Não sei se é possível que o professor ou algum amigo me dê uma resposta simples por aqui, mas ficaria agradecido em receber alguma indicação de leitura sobre o tema. Não tenho formação em nenhuma área, apenas iniciados os cursos de Engenharia e de Direito, ambos trancados.

Grande abraço!

Thiago Cunha em junho 19, 2009 11:10 PM


#196

Idelber,

Então tá. Não é preciso diploma. Prá nada.

Aí fica como a maravilhosa política de inclusão social da esquerda?

É de mentirinha e eu acreditei?

1) prá quê ProUni, então?

2) e a luta pelas cotas raciais/sociais para entrar na universidade pública?

3) aliás, universidade prá quê e para quem e quando?

Tudo de mentirinha, assim, só prá a direita ver e eu (que faço parte do populacho) acreditar?

Então prá que vou preferir a Dilma ao Serra?

A proposta inclusiva via educação é um engodo? E eu acreditei??????????

Fala sério, vocês deveriam olhar num diâmetro maior que o próprio quadril.

O movimento contra cotas (de direita né?) acaba de ganhar argumentos de bandeja, bem aqui neste blog...(de esquerda né)?

Falam super bonito, citam este e aquele pensador, mas onde está a coerência com a política pública que vcs apóiam? (ainda tem acento?) Ou não apóiam?

Depois vêm aqueles posts sobre a existência de direita / esquerda. Tá tudo mis-tu-ra-do.

A direita tá adorando isso tanto quanto vcs. A direita fez isso, derrubou a obrigatoriedade. O Gilmar Mendes é o quê? Comunista desde criancinha? Quem botou ele lá? O Lula por acaso?

Sei não, muita coisa faltando ser analisada, e vcs do clubinho no samba de uma nota só. Por que eu mesma não analiso? Por que eu não sei analisar, não li Derrida, nem Bordieu, nem fiz faculdade de jornalismo, nem de letras.

Sou só uma pessoa, veja só, uma reles cidadã querendo informação boa, conteúdo bom, procurando formar uma opinião.

Aí encontro este blog aqui, que se propõe a ser democrático. E o espaço aqui não é assim tão democrático não, vcs massacram quem pensa diferente, ou não é intelectual, dr isso, pós dr aquilo, quem não leu este ou aquele livro/autor, quem não escreve de um jeito assim ou assado.

É de um elitismo medonho, de um esnobismo de dar medo, e de um panelismo maior ainda.

Opressivo, opressor até não poder mais. Estou me sentindo a própria Regina Duarte. Eu queria muito poder participar. Mas eu tenho medo de vocês.

E tenho mais medo ainda de pensar que são espaços como este que vão substituir os jornais tradicionais e o jornalismo tradicional.

Porque vcs conseguem construir espaços ainda mais elitistas que os jornais, e portanto mais inacessíveis.

Supondo-se que a verdade esteja aqui, com vcs. Quantas pessoas vcs acham que vos entenderiam?

Ou vc acha que nós do populacho vamos conseguir participar ou entender um trem como este?

Idelber, vc acha mesmo que vc vai conseguir suportar conviver conosco, o populacho, aqui neste espaço tão elitizado?

Certamente que não, e vc pode ficar bem aliviado, esta foi a primeira e a última participação minha.

Vou comprar minha Folha de São Paulo, que pelo menos tem um ombudsman que defende meus interesses por lá. Cordiais Saudações.


Priscilla em junho 20, 2009 12:14 AM


#197

Priscilla, uau! Que comentário!

Sou eu quem deve ter alguma deficiência cognitiva porque:

1) não vi nenhum "massacre" acontecendo aqui, inclusive porque o blogueiro não tinha nem posição firmada sobre o assunto;

2) não vi ninguém discriminando nem atacando quem não havia lido o pensador tal ou qual. Eu, simplesmente, me dei o direito de, na minha casa, bater um breve papo sobre alguns pensadores com um leitor que se interessava por eles -- e aí você, na minha casa, vem gritar comigo porque isso supostamente faz do espaço algo menos democrático? Você, que eu nem sei quem é, que nunca havia aparecido aqui antes? Qualé a sua?

3) não vi e não consigo entender o que a obrigatoriedade do diploma tem a ver com o ProUni, com a política de inclusão racial e social das cotas, ou com Dilma / Serra. Se você quiser elaborar sobre essa relação, fique à vontade.

E aí, num espaço de 195 comentários em alto astral, dentro do assunto, com várias ideias diferentes rolando, vários pontos de vista, você entra chutando a porta e nos acusando de panelinha e elitismo? Ora, quem é você e com que direito você faz isso? Me diga, em que veículo da imprensa você chegaria assim, teria seu comentário publicado imediatamente, sem moderação, e ainda leria uma resposta detalhada do editor?

Se você tem medo ainda de pensar que são espaços como este que vão substituir os jornais tradicionais e o jornalismo tradicional, me desculpe, Priscilla, procure um psicanalista e resolva seu medo com ele, porque eu não tenho nada a ver com isso. Se você tem medo de nós, o problema está realmente com você, não conosco. A sua comparação com Regina Duarte não poderia ter sido mais perfeita.

Aí encontro este blog aqui, que se propõe a ser democrático. Mentira sua. Este blog jamais se propôs a ser "um espaço democrático". Há 1200 posts escritos nele. Eu lhe desafio a encontrar um onde eu diga que o proponho como um "espaço democrático". Não existe. Este é um espaço pessoal, editado. Eu jamais prometi democracia aqui. Aqui escreve quem eu permito, na hora que eu permito. Se você imaginou outra coisa, tirou da sua cartola.

Quantas pessoas vcs acham que vos entenderiam? Eu lhe digo sem nenhum problema, Priscilla. Comecei do nada, sem patrocínio, sem link em portal, sem chamada em capa de revista. Hoje são 300.000 acessos mensais. Pessoas que vêm todos os dias e voltam. Porque gostam. Mas "quantas pessoas vão entender" é matéria que me importa muito pouco. Gosto, sim, de saber que o leitorado aumenta a cada dia, mas nunca me pautei por isso. Sempre escrevi o que quis, na hora que quis, abordando temas sobre os quais acho que tenho algo a dizer. Se os números sobem, ou descem, são contingências acerca das quais me preocupo muito pouco. Não pretendo ser candidato a nada.

vc pode ficar bem aliviado, esta foi a primeira e a última participação minha.

Fique aliviada você, porque jornalistas desesperados não me incomodam, me divertem. Já confessei aqui o meu gozo sádico com vosso desespero. E, acredite, há uma regrinha em blog: o leitor que está realizando sua última participação não a anuncia. Quem anuncia que é a última, em geral volta. Nesta caixa mesma há um exemplo de uma pessoa que chegou chutando a porta como você, prometeu nunca mais voltar, e agora está aqui aprendendo a respeitar os interlocutores. Quem sabe não acontece com você também?

Idelber, vc acha mesmo que vc vai conseguir suportar conviver conosco, o populacho, aqui neste espaço tão elitizado?

Eu convivo diariamente com uma legião de gente aqui e me sinto, verdade verdadeira, Priscilla, ótimo. Na realidade, nunca me senti tão bem. Passo pelo melhor momento da minha vida. Parece que é você que não anda suportando, não este espaço ao qual você acaba de chegar, mas a si própria. E isto, definitivamente, não é culpa d'O Biscoito Fino e a Massa.

Entenda: a sua agonia e o seu desespero não têm nada a ver com este blog. Cabe a você descobrir de onde eles vêm.

Idelber em junho 20, 2009 2:07 AM


#198

Em meu desespero em desabafar a p...frustração que estou sentindo por ver meu diploma ir direto para o lixo, entrei no google, procurei algum fórum sobre esse assunto e cai neste blog, que fez com que eu me sentisse pior ainda.
É quase unânime a opinião de que qualquer um pode ser jornalista, como determinou o Supremo. Afinal, o jornalista não é especialista em nada, segundo os gênios deste blog. E quem falou que jornalista precisa saber de história, ler todos os pensadores, saber de economia? jornalista precisa saber fazer uma boa reportagem, tirar as informações corretas, redigir um bom texto, torná-lo atrativo, ter responsabilidade e ética. Mas há ainda um fator essencial, básico, que qualquer profissional, ou melhor, qualquer cidadão, precisa ter: respeito pela profissão do próximo. E o que eu vi nesse blog foi um tremendo desrespeito para com os profissionais de jornalismo. Lamentável. Acompanho a opinião da Priscilla.

Adriana em junho 20, 2009 2:18 AM


#199

Mas Priscilla / Adriana: assim você acaba dando razão a quem diz que qualquer um pode ser jornalista. Como é possível que, sendo jornalista, até hoje, em 2009, você não saiba que existe uma coisa chamada IP, que identifica a origem do comentário, e que qualquer blogueiro é capaz de identificar uma pessoa que está tentando se passar por duas?

Uma das regrinhas desta não democracia que temos aqui no Biscoito é que, apesar de que o uso do pseudônimo é livre, de que até mesmo o uso do email falso não incomoda, a tentativa de se passar por duas pessoas diferentes implica o bloqueio do IP. Simples regrinha básica de respeito à inteligência do próximo.

Idelber em junho 20, 2009 2:32 AM


#200

Ela tá bem exaltada, hein!?

Mas não parece ser jornalista, não.

Thiago Cunha em junho 20, 2009 2:55 AM


#201

As Academias e Universidades são instituições antigas. Eram depositárias do conhecimento universal e quem as frequentava estava em busca de sabedoria e convivência com "mestres sábios". Não havia hora marcada para sair e muito menos diploma, havia referências: "foi aluno de Platão"... ou, "estudou em Salamanca"...
Para entrar não bastava querer, era preciso ser aceito, porque a Academia não só repassava ciência ou saberes: produzia-os. E a produção do saber é compromisso de vida inteira.

O diploma, como condição para o exercício de um trabalho ou serviço, é ardil recente na História. Shakespeare nos fala de Portia atuando como advogada, não creio que ela tenha feito Faculdade de Direito. Desempenhava um ofício quem tinha condições de fazê-lo.

O diploma é, obviamente, uma reserva de mercado. Defendida pelos que têm tempo e recursos para bancar o prazo em que se consegue o milagroso canudo.
Depois dos 18 anos, poucas são as atividades para as quais os livros e um bom estágio não preparem. Porque depois dos 18 anos (prazo meio aleatório que fixa a entrada na vida adulta), muito mais do que a educação formal, passa a valer a auto-educação: 50 alunos, formados na mesma turma, não terão o mesmo desempenho profissional. Uns, desistirão. Outros, permanecerão estagnados. Poucos avançarão em busca de mais conhecimento. No entanto, o diploma é o mesmo. Logo, o diploma não é garantia de excelência, é um certificado que perpetua direitos de "casta".

Tanto isto é verdade que, da segunda metade do século XX para cá, não bastou apenas o bacharelado: tornou-se quase obrigatório o mestrado, o doutorado e, recentemente, o pós-doc. Ou seja, a cenoura está cada vez mais distante de quem corre atrás. Só tem fôlego para correr muito tempo quem tem uma estrutura (familiar ou estatal) para bancar a maratona. O diploma universitário e seus penduricalhos como medida de bom desempenho são uma reivindicação da classe que pretende manter seus privilégios. Alguém ouviu falar que Ruy Barbosa tinha mestrado?

Os anos de Internet mudaram o padrão conservador, voltamos ao início. O novo, quase sempre, é o arcaico repaginado.
Na Rede, podemos nos informar sobre quase tudo e não perguntamos o grau acadêmico de quem fala conosco: o nosso bom senso elege aquilo em que devemos acreditar e cruzar com outras informações. Exatamente o que acontecia, tempos atrás, quando se lia um livro. E não foi neste processo de cotejamento que adquirimos nossa cultura, através da História?

Hoje, no nosso país, caiu o diploma para Jornalismo. Outros cairão,ao longo do século XXI. É bom que isto aconteça. O foco, para a formação intelectual dos nossos jovens, se distanciará da faixa universitária e se concentrará no Segundo Grau. Não precisamos de uma Universidade aberta para produzir conhecimento básico. Precisamos de bons cursos de Primeiro e Segundo graus, que habilitem para o trabalho e a pesquisa individual.

A Universidade ficará para os buscadores, como sempre foi, de um conhecimento que está além do que o mercado pode remunerar: o saber universal.

Um abraço, Idelber, e desculpe o desabafo da velha senhora cuja formação universitária foi, precisamente, o primeiro curso de Jornalismo da PUC/RJ.

Maria Helena Nóvoa em junho 20, 2009 5:41 AM


#202

Idelber,

Sinceramente apesar de não ser formado na mesma área que elas me sinto frustrado, acredito até que pelo baixo nível da argumentação dos ministros e suas posições fico para que o diploma de bacharel de direito para fazer o concurso de Ordem.

O do Gilmar Mendes só pegando a comparação com cozinheiro, ele esqueceu ou nem leu o livro que ele traduziu do Peter Haberle, que legitima os jornalistas (a mídia, intelectuais também) como participantes do processo de interpretação da Constituição, como agora qualquer um pode ser...bem a teoria do Peter Haberle e o direito achado na rua tem mais pontos em comuns.

A do Eros Grau que acredita que Direito é arte, então, como é necessário o diploma.

Letras também tem das suas, posso fazer uma pós na área, mas a maioria dos editais vetará se não tiver graduação.

Até o argumento que pessoas mais bem preparadas passaram, não é isso que se vê no vestibular da USP, as notas de corte de jornalista são muito maiores.

A pouco no afã de aumentar a rentabilidade de seu cursinho, Gilmar Mendes na qualidade de presidente do CNJ inventou que agora para ser Juiz é necessário fazer um tempo em cursinhos para preparar para prova com o argumento que é sempre "bom ter mais estudo de excelência e diplomas provam isso".

E pela primeira pergunta que teve que foi o concurso para assessoria de comunicação seria necessário o diploma, ele não sabia.

A lógica do resultado do STF foi apenas agradar a grande mídia e mais um modo de impor um projeto ideológico com a demissão e rebaixamento dos salários que virá.

Marcelo L. em junho 20, 2009 11:10 AM


#203

Errata
Sinceramente apesar de não ser formado na mesma área que elas me sinto frustrado, acredito até que pelo baixo nível da argumentação dos ministros e suas posições fico que o diploma de bacharel de direito não é necessário para fazer o concurso de Ordem.

Marcelo L. em junho 20, 2009 11:15 AM


#204

Sempre que alguém vem tratar um blog como espaço plural eu lembro do meu finado avô, o seu Marcos. Quando um genro dele começou a tomar muitas liberdades na casa dele, diante de um América e Atlético, ele repreendeu e pediu para que o sujeito largasse de ser inconveniente e piasse baixo. Todo mundo estranhou, não existia homem mais afável e brincalhão que aquele, mas o atleticano resolveu ficar muito folgado.
Ainda insolente, rebateu meu vô: "Pôxa seu Marcos, agora nós vivemos em uma democracia..."
Nem acabou de ouvir, meu avô disse: "Democracia da porta para fora, aqui é uma Americanocracia, se falr mal do coelho é melhor nem falar"

É dureza ter que tomar esculacho na sua própria casa. Sobre a conversa de antes:
Hoje eu tenho muito mais facilidade com esse pessoal que foi agrupado sob o rótulo de pós-estruturalista. Por muitos anos achei tudo muito estilizado e obscuro. Difícil de entender. Sempre gostei muito do Barthes e o Foucault sempre me pareceu inteligente(embora forçasse muito a barra quando fala de pintura). Mas continuo a achar o Lévi-Strauss e o Barthes melhor que todos eles. Mas talvez seja uma facilidade maior que eu tenho com ciências humanas. Sei lá...
Só sei que quando o Ranciére e outros discípulos do Althusser resolvem falar sobre arte contemporânea a coisa não costuma ser muito boa. Mas é só um juízo de quem não conhece nada desse povo.
PS - Sobre a intransparência da linguagem, conheço melhor o Marx. Acho que o forte dele é a obra da maturidade (nos Grundrisse e no Capital), quando ele abandona a noção de ideologia, pela a de fraseologia (atrelada à idéia de produção como produção da sociedade, dos homens que fazem a história mas não sabem como).

Tiago Mesquita em junho 20, 2009 3:13 PM


#205

Priscila/Adriana, ningupém falou nome feio para intimidar ninguém. O papo aqui é camarada

Tiago Mesquita em junho 20, 2009 3:16 PM


#206

Pulei pra cá do # 187 porque o Alex levanta uma lebre que tem passado despercebida em meio a tantos Habermas e Derridas.

Pessoalmente, não acho que o diploma (leia-se o curso universitário) faça de alguém "jornalista". O que é, em essência, um "jornalista"? Um intermediário entre o fato e o não-espectador, alguém que relata o acontecido para ciência do não presente. Em uma palavra: o repórter (repórter mesmo, não a cabecinha bonita posando prá câmera de microfone em punho que em TV passou a ser chamada de tal).

E ser repórter é *ofício*, que se aprende na prática, "ralando" na Geral, encarando pauta indigesta, aturando Chefe de Reportagem "sargentão", ora passando rasteira em ora dando "cola" a (ou pegando "cola" com) os "coleguinhas" e mais um monte de etcs.

Não, nunca passei por tais agruras. Não pertenço à laboriosa classe dos jornalistas, com ou sem aspas.

Tergiversei, digressionei (tá vendo como não sou do ramo?), e este post virou um gigantesco "nariz de cera". O essencial que eu queria dizer vai ficar pro seguinte.

Mas vamos cyranodebergeracar mais um pouco. Um, o bom repórter pode, e na lide, não confundir com "lead", aprende a, ir além do mero relato: contextualiza (ui!), corre atrás do contraditório (UI!!!), esses trem. Dois, claro que tem que "saber escrever" - para poder relatar (antigamente, no tempo em que os "focas" tinham que peregrinar atrás da calandra, "repórter" e "redator" eram funções distintas, mas o "downsizing" acabou com essas frescuras e outras como revisores e copidesuqes e transformou todo mundo em "repórter de texto final"). Mas não pode fugir do fato, não pode deliberadamente omitir ou apresentar como factual o que não o é. E não lhe cabe *opinar*. (Donde requisitos para o exercício da profissão de jornalismo e "liberdade de opinião" não têm chongas a ver, de resto o que mais tem na GMC, Grande Mídia Corporativa, é "opinião", leia-se pitaco, eu pitaqueio, tu pitaqueias, eles pitaqueiam, pitaqueemos todos ou restaure-se a sanidade).

Três, o curso universitário em tese pode e deve passar - academicamente, claro - os instrumentos técnicos para o exercício do ofício, e de lambuja complementar com mais uma (in)formação básico-generalista, de português passando pelas ditas "humanas" até matemática (e estatística), esta(s) última(s) coisa(s) a que jornalistas são sabida e reconhecidamente avessos. Ah, sim, um tantim de, vá lá, "ética", mal não faz, uma epistemologiazinha devidamente diluída tampouco. E, ao mesmo tempo, deixar bem claro, olha, crianças, lá fora é lei da selva.

Não "faz" um jornalista. Mas ajuda. E suprimir a passagem necessária por tal ritual de iniciação beneficia, os pares do Ministro Gilmar Dan - ops, Mendes invocariam o "cui bono", a quem?

Carlos Martins em junho 20, 2009 6:46 PM


#207

Querida Maria Helena, que alegria vê-la por aqui. Eu concordo totalmente com você. A obrigatoriedade do diploma tinha, sim, uma nítida característica de reserva de mercado. É bem interessante que você tenha pego a coisa pelo lado da diferença de classe, porque apareceu, do outro lado, um contra-argumento: o de que a obrigatoriedade caiu justamente no momento em que as classes populares começaram a aceder ao diploma. Não me convence, necessariamente, mas se você quiser ver o contraponto, ei-lo aqui.

Idelber em junho 20, 2009 7:06 PM


#208

Seguinte do anterior. Como dizia o Leon no Whisper de maio de 90, "got to look at all the pieces, got to take it all apart".

A derrubada da exigência do diploma é apenas mais um passo num longo processo. No qual, como bem observou o Alex, uma constante tem sido a posição ativa, e bota ativa nisso, do patronato e de suas entidades, ANJ e ABERT.

Primeiro foi a violentíssima campanha contra a proposta de criação de um Conselho Profissional de Jornalismo. Que - e essa é outra constante - foi torpedeada como sendo um atentado à "liberdade de imprensa" (de empresa?), um cerceamento à "liberdade de opinião", é a volta da censura, vai ter um fiscal de opinião em cima de cada redator, é o aparelhamento, só vai ser permitido publicar o que for a favor do Governo e outras patranhas.

Bull. Pertenço (o verbo é horrível, herança das guildas, mas enfim) a um Conselho profissional há mais de quarent'anos. Aos longo dos quais jamais fui autarquicamente censurado sesse no que sesse, e sempre pude expressar minha "opinião" tão de público quanto me aprouvesse. (Curiosamente, não ocorreu em momento algum à GMC "pautar" entrevistas com médicos, engenheiros, arquitetos, economistas, engenheiros, fisioterapeutas, enfermeiros, contabilistas ou o escambau e perguntar se já tinham alguma vez tido sua "liberdade de opinião" tolida pelo respectivo Conselho.) Assim também o Conselho em questão repetidamente baixou a cacete no Governo da hora com fé, esperança, caridade, flora, fauna e primavera.

Mas defendeu intransigentemente os direitos dos profissionais, nos termos da devida regulamentação, quando infringidos por empregadores: sem essa de não *istas posarem como se.

E era essa perspectiva que apavorava o patronato: o fim da farra empregatícia e trabalhista, dos "bagrinhos", das "jornadas estendidas" - e de coisas piores. Será que, houvera um Conselho atuante, o Tanajura teria conseguido impunemente obrigar os sobreviventes no JB a pedirem demissão, virarem PJ e assinar contratos de "prestação de serviços eventuais", sem direitos trabalhistas mas com expediente e plantão? Jamais saberemos.

Vocês talvez se lembrem. Foi uma grita só, de "Erro do Escrivão" Pereira a "Tuacato Forever" Rossi às mais diversas múmias e a incontáveis "colunistas". E conseguiram, tal a tonitroância uníssona, atordoar até jornalistas dignos do título e impor a agenda patronal.

Trucidada a grande abantesma (um código de ética que obrigaria a GMC, votado e fiscalizado pela ralé? onde se viu tal absurdo?), restavam os "entulhos". Seguiu-se a derrubada da Lei de Imprensa - na íntegra -, o que deixou o patronato livre, leve e solto, e bem assim seus "paus mandados", podendo insinuar, distorcer, injuriar, caluniar e difamar à vontade, sem sequer deverem direito de resposta que dirá correrem o risco de reparação material às vítimas ou - horrores! - punição criminal.

O "liberou geral", todo mundo e mais a Tia Petúnia se quiser, e se o patrão assinar a carteira, vira "jornalista", foi apenas, repito, mais uma vitória dos barões. E talvez (talvez?) não tenha sido a última. Não me surpreenderia se a etapa seguinte fosse a corolária e inevitável desregulamentação "tout court" da profissão.

É nesse contexto, do cada vez mais amplo controle da informação de massa por meia dúzia de "famiglie" e por seus patrocinadores, que a coisa tem que ser vista, e não em estratoféricas discussões acadêmicas.

Carlos Martins em junho 20, 2009 7:46 PM


#209

Acho que na faculdade de jornalismo o aluno pode aprender os meandros de funcionamento da profissão além de entrar em contato com o seu meio profissional. Só isso é muito bom. Por essas razões, as faculdades continuaram importantes. Como são importantes os cursos de publicidade, administração de empresas, editoração e turismo, por exemplo. São cursos que capacitam profissionalmente e que ensinam o processo de trabalho em determinado nicho.

Tiago Mesquita em junho 20, 2009 9:43 PM


#210

Acho que na faculdade de jornalismo o aluno pode aprender os meandros de funcionamento da profissão, além de entrar em contato com o seu meio profissional. Só isso é muito bom.
Por essas razões, as faculdades continuarão importantes. Como são importantes os cursos de publicidade, administração de empresas, editoração e turismo, por exemplo. São cursos que capacitam profissionalmente e que ensinam o processo de trabalho em determinado nicho.

Tiago Mesquita em junho 20, 2009 9:44 PM


#211

1º a decisão do STF em nada vai alterar a situação atual dos jornalistas, pois ela referenda decisão liminar da primeira instância da justiça federal de uns oito (?) anos atrás. O chororô dos que reclamam que é o fim da profissão e proferizam o caos não procede.

2º os cursos de comunicação social geralmente têm dois anos de básico e outros dois em que o aluno opta por se especializar em jornalismo ou publicidade. Nunca houve exigência de diploma pra atuar como publicitário, entretanto, a procura pelo curso é das maiores. Aliás, a publicidade brasileira é reconhecida como das melhores do mundo. O mesmo não se pode dizer a respeito do jornalismo.

3º Em princípio sou contra a exigência de diploma pra atuar em qualquer área (medicina, engenharia e, principalmente, direito). Ninguém que vá fazer um túnel de metrô, um viaduto ou arranha-céu vai querer prescindir dos cálculos de um engenheiro, mas o peão que resolve fazer um puxadinho no barraco ou casa de cohab fica sujeito a ser multado por não dispor de projeto técnico assinado por um profissional caro. Além disso, muito antes de existir cursos de engenharia teve gente que construiu pirâmides e outros colossos. O conhecimento e a técnica não são restritos à academia. Na área médica, as faculdades e conselhos devem fazer uma lista com os profissionais recomendados e apresentar à sociedade. Se o cara fizer cagada, o conselho deve agir com rigor ao ponto de tirar o cara da lista dos recomendados. Hoje em dia, os CRMs só punem alguém quando acontece uma grita imensa, caso contrário são corporativistas e passam a mão na cabeça de péssimos profissionais. Eles estão protegidos pelo diploma e têm a lei a seu favor pra meter na cadeia por charlatanismo qualquer Zé Arigó que surgir na praça fazendo ações milagreiras. As vítimas de erros médicos que se fodam. Se desregulamentar, as faculdades e conselhos terão que ser co-responsáveis pelos profissionais que estão no mercado. Quanto aos advogados, ora, não existe um exame da oab? Se eu fizer o exame e passar pq não posso atuar? No que que difere para a sociedade se o cara é rábula ou bacharel? Que risco tem num que noutro não?
Na esteira do excesso de regulamentação profissional vieram absurdos como ordem dos músicos, dos artistas etc., tudo cobrando taxa disso ou daquilo pro cara ter uma carteirinha e direito a trabalhar.
A desregulamentação contribui para melhorar a formação acadêmica, pois ninguém terá interesse em pagar por anos a fio para essas fabriquetas de canudos para ter o direito de exercer uma profissão. Um monte de cursos rebas de jornalismo vai ter que fechar, mas o mercado continuará em busca dos bons. Desculpe aí se fui prolixo, o coments ficou longo mesmo...

Bob em junho 21, 2009 1:14 AM


#212

A caída da obrigação do diploma é, ao meu ver, apenas o começo do fim dos jornalões. A mídia de Tv também terá de mudar sob o impacto da comunicação via internet, e de sua possível popularização....

Eu particularmente vou comemorar quando porcarias da mídia impressa brasileira (jornais e revistas semanais para semi-intelectuais) falirem de vez... mal posso esperar!

Com eles vai junto a velha e "boa" arrogância de quem se acha capaz de pautar a sociedade sobre o que deve ser discutido e debatido, do que é importante socialmente ou não. Cairá a arrogância de quem se acha "único" na "reportagem" dos fatos do mundo, e todos agora podêm ser reconecidos como capazes de reportar, informar, discutir...

Com o fim da profissão reservada morrerá também a comunicação social tal conhecemos nesse país, e talvez a modificação seja para melhor, com o fim da mediocridade imposta por uma reserva de mercado criada pelas canetadas da ditadura.

Augusto em junho 21, 2009 1:54 AM


#213

Prezado Idelber,
sobre o leitor voltar pq gosta, não tenha tanta ceteza assim. Eu posso ser uma exceção, mas tenho o hábito de ler coisas pra ficar irritada. Por exemplo, sempre que me deparo com um exemplar de Veja vou logo ler seus brilhantes (estou sendo sarcástica) colunistas. Só pra ficar com raiva. Não participo de debates com eles nem escrevo pra revista pq, até eu abrir o computador, já me esqueci deles. Com o seu blog é diferente. Passo grande parte do tempo na frente da máquina e o sr. Idelber está bem aqui, disponível.
Faço isso pq acho mais importante ler aquilo de que se discorda do aquilo que se apoia. Dá uma visão mais abrangente da estupidez do mundo. Depois que graça tem só ler o que se gosta?
Abraços

simone capozzi em junho 21, 2009 3:57 PM


#214

Pra quem tem acesso à Folha, recomendo o artigo do (não-diplomado) Janio de Freitas no Frião de hoje.

Carlos Martins em junho 21, 2009 11:32 PM


#215

Pessoal. Discussão boa hein! Mas vamos colocar em pauta outros ingredientes. Aqui vai 1:

Quem detonou com a idéia de se ter um Conselho Federal de Jornalistas? Muitos... muitos parlamentares do DEM e do PSDB. E, claro, mais gente da pesada. Me lembro da polêmica sendo discutida pelo "Jô e sua Meninas". E se o Conselho tivesse sido discutido e aprovado?

Diria para vcs que os capitães da ind. da comunicação (Marinhos, Frias, Mesquitas, Civitas, Sirotsky .. entre outros) talvez não se empenhassem tanto com o diploma...Vcs concordam?

alex em junho 22, 2009 3:58 PM


#216

DIPLOMAS: A QUEM PREJUDICA

Do Fórum do Portal Luís Nassif - 21/06/09

Fim da obrigatoriedade desses jornais, revistas…
* Publicado por Ricardo Queiroz Pinheiro

O anuncio do fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista traz discussões bem interessantes à ordem do dia. A quem prejudica? A grande imprensa (jornalões, revistões, etc) atravessa um momento de trevas e nítida apelação pela sobrevivência.

Jornal e revista (na maioria) não seduz pela informação e credibilidade e sim, por engodos e orquestrações diversas. Tudo por grana e defesa de interesses privados.

E não venham com o lenga lenga de que sendo instituições privadas, os veículos têm que visar primeiro o lucro. Informação é algo que incide diretamente na vida das pessoas, nas tomadas de decisão do coletivo, logo, o caráter público deve ser colocado prioritariamente.

E são Eles (maiusculo mesmo), justamente os grandes interessados em acabar com a obrigação do diploma para jornalistas. Dá pra defender em coro acrítico o que esses caras defendem? Em tese sim, na prática, nunca.

O problema é que o único jeito de garantir a liberdade da informação é fugindo do controle dos grandes grupos do mass media. As matérias dos jornais estão cada vez mais parecidas com os editoriais, e isso nunca cheirou bem. Pluralidade? Onde?

O que nos resta? Refundar o jornalismo ou os veículos? Já foi sobejamente escrito, pisado e repisado das possibilidades que a web, principalmente no que ela tem de colaborativo, no seu potencial de produzir conhecimento, interação e difusão de idéias, da potencialidade de blogs, twiters, etc.

Será que os próprios jornalistas (alguns já sacaram) olharão isso com outros olhos, sem preconceito e corporativismos?

O caminho do jornalismo esta em aberto, sem diploma ou com diploma, quem se aprimorar para escrever e se colocar nessa função profissionalmente continuará escrevendo, ou não?

Claro o emprego, a renumeração, a profissionalização é muito importante, mas os veículos tradicionais irão se sustentar com esse formato ultrapassado? Pesadelo? É só olhar a indústria fonográfica, realidade.

Penso que esse ato do STF pode trazer uma discussão verdadeira sobre a relevância e o papel do mundo da informação e da sua produção no país. Ou vamos ficar no contra ou a favor e a discussão e os caminhos não sairão do raso.

Gilmar Mendes não teve motivos bonitinhos para defender efusivamente através do voto, o fim dos diplomas. Tomara tenha sido mais um tiro no pé. Veremos.

alex em junho 22, 2009 4:50 PM


#217

Simone Capozzi:

sobre o leitor voltar pq gosta, não tenha tanta ceteza assim. Eu posso ser uma exceção, mas tenho o hábito de ler coisas pra ficar irritada. Por exemplo, sempre que me deparo com um exemplar de Veja vou logo ler seus brilhantes (estou sendo sarcástica) colunistas. Só pra ficar com raiva.

E não é que o Nelson Rodrigues tinha mesmo razão?

Rafael em junho 23, 2009 11:41 AM


#218

Idelber,

Para acrescentar à sua lista de textos sobre o assunto, eis um bom texto de um autor que entende do assunto:

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4376&boletim_id=565&componente_id=9667

Ricardo Horta em junho 24, 2009 5:28 PM


#219

Idelber,

Para acrescentar à sua lista, eis um bom texto de um autor que entende do assunto:

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4376&boletim_id=565&componente_id=9667

Ricardo Horta em junho 24, 2009 5:28 PM


#220

Pessoal, na minha sincera opinião esta lei não surtirá muito efeito no mercado de trabalho. As redações e empresas jornalísticas continuarão a contratar novos profissionais diplomados e com experiência. Apesar de eu concordar com a não obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão, devemos ser realistas: uma empresa jornalística na hora da contratação de um novo profissional não optará por pessoas de nível médio, que de uma hora para a outra resolveram virar repórteres e editores pelo fato de terem um blog, zine ou coisa do tipo. Eles continuarão contratando pessoas formadas e com experiência. Esta lei para mim só beneficiará aqueles profissionais mais velhos que já estão no mercado a 30, 40 anos e não possuem diploma. Muitas redações exigem, além de experiência, que o profissional tenha no mínimo uma pós-graduação para trabalhar como repórter, ou seja, os que tem apenas o nível superior em jornalismo estão desqualificados para trabalhar nas principais empresas de comunicação do país, o que dirá então dos que tem apenas nível médio? Estarão completamente excluídos (falo na contratação de profissionais jovens, que estão iniciando sua carreira na profissão). Até os médicos, advogados, engenheiros e economistas que possuem colunas em jornais já estão nessa a muito, muito tempo. Não é interessante para uma redação, por exemplo, oferecer uma coluna sobre economia para um economista recém-formado. Da mesma forma que não é interessante para a mesma redação contratar um profissional jovem que tenha apenas o segundo grau completo para fazer matérias e entrevistas. Que a prática da liberdade de expressão e da escrita possa ser realizada por qualquer pessoa intelectualmente provida, independente de diploma ou não, é algo indiscutível. Agora o duro é explicar isso para as empresas de comunicação.

Tiago em julho 9, 2009 12:53 AM


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