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sexta-feira, 12 de junho 2009

Túlio Vianna revela ordem ilegal de prisão na USP


Desaba o último resto de migalha de farrapo de argumento de quem tentava eximir José Serra da responsabilidade sobre a barbárie na USP. Do blog de Túlio Vianna:

“Existe uma ordem pra prender alguns líderes que estão incitando esta greve. A juíza expediu uma ordem de reintegração de posse e liberdade de ir e vir. Eles não estão acatando.”

Como assim ordem de prisão?

A ordem de reintegração de posse tem natureza civil e, portanto, jamais ordenaria a prisão de quem quer que seja. A juíza cível, aliás, é incompetente para ordenar prisões, salvo no caso de pensão alimentícia.

Então havia duas ordens: uma da juíza (de reintegração de posse) e outra de prisão. O comandante não deixa claro quem deu a ordem de prisão e a repórter lamentavelmente perde a oportunidade de fazer a pergunta-chave: de quem foi a ordem de prisão, comandante?

Como até o momento ninguém noticiou a existência de uma ordem de prisão por parte de um juiz criminal e não há nada na lei que a justificaria, somos obrigados a concluir que esta ordem partiu dos superiores hierárquicos do comandante.

Leia a íntegra no blog de Túlio Vianna e comente lá e / ou aqui, porque quando o pseudoargumento quebra na praia, é bonito, é bonito.



  Escrito por Idelber às 16:43 | link para este post | Comentários (107)


Comentários

#1

Prezado Idelber,

O que o comandante revela é que a Polícia pretendia prender grevistas em flagrante por crime de desobediência (art. 330 do Código Penal).
Lamentável!

Eduardo

Eduardo Trajano em junho 12, 2009 5:15 PM


#2

Esse tom Dorival Caymmi aí no final ficou 10!
Vou lá no Túlio ler a íntegra.

Cláudia em junho 12, 2009 5:22 PM


#3

Acho que o Gravata já está tentando arranjar um carguinho num possível governo Serra.

Está lá no Tulio Viana tentando defender a polícia.

Só falta ele dizer que foram vítimas dos manifestantes...

André Egg em junho 12, 2009 5:24 PM


#4

Vi que o Gravataí já comentou o que eu estava prestes a comentar, no próprio blog do Túlio Vianna. Colo aqui:

12 Jun 2009 at 15:59
Qualquer “do povo” pode decretar prisão em flagrante delito. O juiz civil, no uso de suas atribuições, pode prender o depositário infiel – e não apenas o cônjuge que não paga pensão alimentícia.

Fora isso, o artigo 330 do Código Penal versa sobre o crime de “Desobediência”. Há um artigo interessantíssimo:

http://www.conjur.com.br/2004-out-15/desobediencia_ordem_judicial_punida_prisao

Nele, o autor – advogado – explica claramente que o não cumprimento da ordem acarreta em prisão automática por flagrante delito.

O juiz da vara cível expede uma ordem; a parte não cumpre; a força policial tem poderes bastantes para prender, sim (crime de “desobediência” – o artigo é bem ilustrativo quanto a isso).

Cito trecho: “É natural que os juízes cíveis cujas ordens são sumariamente desobedecidas não conduzam os processos criminais dali decorrentes por serem absolutamente incompetentes em razão da matéria. Porém, é de rigor e amplamente legal a possibilidade de que esses mesmos juízes venham a decretar a prisão dos desobedientes quando em flagrante delito, pelo mencionado crime previsto no artigo 330 do Código Penal.”

A “ordem” que eles seguiam é a da Lei. A repórter talvez não tenha perguntado porque se trata de situação auto-explicativa.

Abs"

Acho que basta, não?

Srta.T em junho 12, 2009 5:26 PM


#5

Esclarecendo: não estou atrás de cargo em governo nenhum, pois sou muito bem-empregada (obrigada) na iniciativa privada. E sou advogada, então tenho um conhecimento ligeiramente superior de como funcionam as instituições públicas do que os leigos. Estudei cinco... opa, quatro anos - graças a uma greve - para tanto.

Há algum outro advogado acompanhando a questão que ache o contrário?

Srta.T em junho 12, 2009 5:34 PM


#6

Não basta não, Srta. T. Eis aqui o que falta.

Resposta de Túlio Vianna:

"Gravatai,

Como você bem sabe, não existe ordem de prisão em flagrante delito.

O comandante falou expressamente que tinha uma ordem de prisão. Ele não disse que iria prender os líderes, pois estes encontravam-se em flagrante delito. Aliás, como você também bem deve saber, greve não é crime, então não havia flagrante delito, pois não havia delito.

Dizer que “A “ordem” que eles seguiam é a da Lei.” é muita vontade de livrar a cara do governador José Serra.

Ordem judicial é ordem judicial. Lei é lei. E o comandante falou em ordem judicial."

E a declaração do comandante.

“Existe uma ordem pra prender alguns líderes que estão incitando esta greve. A juíza expediu uma ordem de reintegração de posse e liberdade de ir e vir. Eles não estão acatando.”

Cláudia em junho 12, 2009 5:34 PM


#7

Para a Srta T e outros advogados, uma dúvida: dos tempos de jornal, sempre soube que PM (ou um civil) é condutor de prisão, não quem prende. Quem prende é Polícia Civil, não?
Certo ou errado? Porque mandar bala de borracha e bomba de gás lacrimogêneo é tudo, menos "conduzir à prisão". Pelos vídeos que assiti, em momento algum a PM fez movimento de "conduzir à prisão". O choque chegou de escudo e viseira e mandou bala & bomba. Alguém deu alguma voz de prisão a alguém?
Tô falando besteira? Me corrijam, plizi. Sério.

Nesse meio tempo, vou ler o texto do Túlio.

Suzana em junho 12, 2009 5:40 PM


#8

Que bom que a Srta T vem nos ensinar do alto de sua sabedoria.

Talvez ela não saiba que quem estudou cinco anos aqui é a mesma coisa que semi-analfabeto. Pergunta quantos anos estudaram os leitores aqui do blog...

A questão é: porque entrar com a polícia no campus, batendo em professore e estudante? Nem os milicos fizeram isso.

Qualquer justificativa para isso é contorcionismo...

André Egg em junho 12, 2009 5:41 PM


#9

André,

A Srta T postou sua opinião como advogada, sem ofender ninguém. A "sabedoria" dela advém da prática como advogada. É por isso que ela chama outro advogado a expressar opinião.
Não custa nada respeitá-la.

Suzana em junho 12, 2009 5:47 PM


#10

O mais engraçado de tudo é que a própria mídia, o próprio PIG desmonta toda a peça arquitetada pelo Serra... É o verdadeiro fogo amigo!

É o mesmo caso da Crise Global, basta deixar os safados sozinhos que eles mesmo se implodem. Deixaram os capitalistas dominarem e implodiram a si mesmos em uma crise típicamente interna e auto-inflingida.

O mesmo agora com a mídia e o Serra, basta deixar esses crápulas sozinhos que eles mesmos se atropelam!

Serra precisa ser denunciado e todos precisam saber quem está por trás da invasão e da brutalidade da polícia na USP!

Raphael Tsavkko Garcia em junho 12, 2009 6:05 PM


#11

A Srta.T, em seu primeiro post, reproduz o comentário do Gravataí Merengue - um dos muitos blogueiros que, sob o discurso da isenção e da neutralidade, sempre encontram argumentos para concordar com posturas ou teses defendidas pelo PSDB e congêneres - e logo a seguir, em seu novo post, identifica-se como advogada e, portanto, detentora de um "saber jurídico" maior. Bem, saber jurídico por saber jurídico, não custa lembrar à Srta. T que o Túlio Vianna é Doutor em Direito e Professor de Direito Penal da PUC-MG. Usando o mesmo raciocínio que ela, ele me parece muito mais abalizado do que o Gravataí para discutir a questão. No entanto, o que há de se perceber é que a questão central não é ordem jurídica, mas sim política. Quando um governador, que se diz democrata e que enche a boca ao falar de seu passado como líder estudantil, envia a polícia para reprimir uma manifestação estudantil e com predisposição - seja ou não com uma ordem de prisão - de prender as suas lideranças, a situação é extremamente preocupante e deve consternar a todos que defendem a democaracia e o estado de direito. Ou quem sabe, quarenta anos depois, Serra e seus defensores não estejam com saudades - já que agora ele está do lado oposto - dos instrumentos de exceção previstos no AI-5? Discordo de de muitas posturas e de várias das bandeiras levantadas pelo ME, principalmente por alguns dos seus setores mais a esquerda que chegaram, inclusive, a romper com a UNE. Mas, repito, usar a força contra uma manifestação estudantil é inadmissível!

Abobrinhas Psicodélicas em junho 12, 2009 6:17 PM


#12

Suzana, a Srta T. não postou opinião alguma de advogada.

Ela disse: "sou advogada, então tenho um conhecimento ligeiramente superior de como funcionam as instituições públicas do que os leigos. Estudei cinco... opa, quatro anos - graças a uma greve - para tanto".

Esperava talvez que eu a acusaria de interesse em defender Serra, o que é um caso específico do Gravataí, de quem ela copiou o argumento (ele é advogado?). Precisa estudar cinco anos para copiar e colar um comentário?

Estão falando aí em manifestação dos estudantes. O que tinha era uma greve dos funcionários. Os estudantes só protestaram contra a entrada da polícia no campus. Justíssimo.

Volto a lembrar que nem no Regime Militar a polícia bateu em niguém dentro da USP...

André Egg em junho 12, 2009 6:32 PM


#13

um dos maiores problemas com esse pessoal que defende a invasão e etc é confundir as razões da greve – não importa se é por um bom motivo ou não – e o resultado final.

Não importa se é coisa da LEE e do PSTU, se é ou não legítima, se você concorda ou não com ela.

Eu pessoalmente tenho algumas (muitas) discordâncias mas o que importa é: A greve era pacífica. E, segundo, o direito À greve está na constituição, é legal.

Uma coisa é fazer juízo de valor quanto às razões da greve, todos podem fazer mas é inegável que os piquetes foram pacíficos, não houve qualquer depredação, não houve qualquer violência por parte dos estudantes.

Dito isto é inadmissível qualquer tipo de apóio à violência da polícia, à qualquer tipo de invasão do campus universitário por uma tropa de choque violenta e pronta à matar.

Que discordem da greve em si, mas em momento algum está em discussão a legitimidade do uso da força, porque este não é nem nunca será legítimo dentro de uma universidade!

O protesto era absolutamente pacífico, a intervenção a P

Raphael Tsavkko Garcia em junho 12, 2009 6:38 PM


#14

Olha, eu acho muito curioso que, entre os três presos na terça, estivesse justamente o Brandão. Pô, não nasci ontem, né. Tá na cara que era carta marcada.

O aluno que foi preso sequer participava da manifestação. Se me permitem o pitaco, acho que os outros dois só foram presos para fazer parecer que a prisão do Brandão era por acaso e não uma tentativa de "cala a boca".

Tem uma matéria boa sobre isso no Terra Magazine, de uma colega nossa. Vou ver se acho o link aqui.

Marjorie em junho 12, 2009 6:38 PM


#15

um dos maiores problemas com esse pessoal que defende a invasão e etc é confundir as razões da greve – não importa se é por um bom motivo ou não – e o resultado final.

Não importa se é coisa da LEE e do PSTU, se é ou não legítima, se você concorda ou não com ela.

Eu pessoalmente tenho algumas (muitas) discordâncias mas o que importa é: A greve era pacífica. E, segundo, o direito À greve está na constituição, é legal.

Uma coisa é fazer juízo de valor quanto às razões da greve, todos podem fazer mas é inegável que os piquetes foram pacíficos, não houve qualquer depredação, não houve qualquer violência por parte dos estudantes.

Dito isto é inadmissível qualquer tipo de apóio à violência da polícia, à qualquer tipo de invasão do campus universitário por uma tropa de choque violenta e pronta à matar.

Que discordem da greve em si, mas em momento algum está em discussão a legitimidade do uso da força, porque este não é nem nunca será legítimo dentro de uma universidade!

O protesto era absolutamente pacífico, a intervenção a P

Raphael Tsavkko Garcia em junho 12, 2009 6:38 PM


#16

Opa, só uma correção, é LER e não LEE! Liga Estratégia Revolucionária!=)

Raphael Tsavkko Garcia em junho 12, 2009 6:39 PM


#17

André, quando ela cola um comentário de outro com que concorda é uma opinião. Incomodou-me apenas o "Que bom que a Srta T vem nos ensinar do alto de sua sabedoria." É uma ironia que não cabe aqui.

Cada um com sua opinião. Pra mim, o que aconteceu no campus da USP é indefensável e injustificável. Mas cada um com cada sua. Sem ofensas nem ironia.

Suzana em junho 12, 2009 6:43 PM


#18

Raphael, adorei TANTO o teu comentário. Eu também era contra a greve até então. Mas as pessoas fazem esse maniqueísmo: "todo mundo que é contra a ação policial e exige a renúncia da reitora é grevista". Ou: "a polícia estava ali para que as pessoas tivessem aulas", etc. É muita confusão.

Tb trata as pessoas como se elas fossem meio imebecis. Como se quem fosse a favor desta ou daquela greve fosse a favor de toda e qualquer greve na universidade. Eu já fui contra várias greve, fui a favor de outras. Por favor, não menosprezem a minha capacidade de discernimento.

O movimento estudantil tem mesmo muitas falhas e as frequentes greves provocam um rancor por parte de quem não concorda com o uso tão disseminado esse método. Eu entendo. Tem gente imbecil em tudo quanto é lugar, o movimento estudantil não poderia ser diferente. Mas o que as pessoas têm de ver é que a nossa desaprovação em relação à ação policial de terça não tem nada a ver com essa questão.

Eu não estou aqui defendendo greve ou não greve. Como parte da comunidade USP, eu estou é puta porque houve uma ação desastrada por parte da polícia. Fosse uma manifestação contra a greve, por exemplo, mas tivesse sido reprimida do jeito que foi, os não-grevistas teriam o meu apoio do mesmo jeito.

Não importa como tenha começado, o fato é que é injustificável terem seguido jogando bomba nos alunos até a História, mesmo depois que eles já estavam dispersos.

Marjorie em junho 12, 2009 6:48 PM


#19

"Existe uma ordem para prender..." - ora, ora!, qualquer repórter minimamente afeito ao próprio ofício perguntaria de bate-pronto: "Ordem de quem?". Lamentável e intrigante...

E, Ildeber, permita-me usar o espaço para divulgar esta iniciativa de suma importância para todos nós que vislumbramos na WEB, sobretudo nos blogs, um contraponto ao poderio 'dele$':

http://aviladebrito.blog.terra.com.br/2009/06/12/mega-nao-ao-ai-5-digital-divulgacao/

Marcello em junho 12, 2009 7:19 PM


#20

Aff, tah dificil hj terminar uma postagem, minha msg foi cortada no fim, copio o final:

"O protesto era absolutamente pacífico, a intervenção a PM foi apenas a demonstração do caráter autoritário de Serra e Suely."

Marjorie:

Valeu pelo elogio e acho bom separar essa coisa de "sou contra a greve em si, logo, defendo a PM". Não é o caso. Eu não defendo a greve em sua totalidade, tenho discordâncias que não cabem aqui mas ainda assim, não defendo e jamais defenderei - não darei uma de Dalmo Dallari, que decepção - a presença da PM baixando o sarrafo dentro de uma universidade.

Já acompanhei o traumático episódio da invasão da PM na PUC, onde estudo, quando invadiram a reitoria. Eu também tinha discordâncias do movimento e até mesmo da invasão - ainda que compreenda em parte o que levou à invasão, a Maura era uma verdadeira FDP,que me perdoem o palavreado mas nada abaixo disso poderia ser usado - mas jamais justificaria a invasão da PM, que de igual só vimos na ditadura, um episódio lamentável.

No caso da PUC inventaram depredação, roubo e etc, o que não aconteceu, uma porta foi quebrada e só e os seguranças que anunciaram terem sido espancados na verdade se feriram de propósito, rasgaram as próprias roupas à mando da reitoria, tanto que a maioria foi substituída logo depois, hoje os seguranças são outros.

Voltando à USP, eu concordo que o movimento exagerou, tanto nas reivindicações quanto em algumas atitudes MAS, o governo se recusa a negociar, a reitoria se recusa a negociar, existe intransigência de ambas as partes mas o governo, como sempre, parte para a porrada, o caminho mais fácil para ele, que ainda tem a mídia ao seu lado (ainda que caia no fogo amigo por vezes).

Convenhamos, falta um pouco de inteligência aos grevistas da USP. São por demais sectários às vezes, são alinhados demais à grupelhos de Esuqerda com presença irrisória fora daquele âmbito e tem pouco apóio aos olhos da sociedade. Ao invés de uma busca mais completa por apoio, por visibilidade, acabam isolados e apanhando da PM com a mídia toda contra.

Lembro - e já disse isso aqui antes - em Recife uns anos atrás quando militávamos pelo passe livre e a PM espancou de forma cruel milhares de estudantes no centro da cidade. Conseguimos, através da discussão, apoio da OAB, de vários vereadores e deputados locais e no fim até a mídia veio para o nosso lado, na época UNE e Conlutas colocaram diferenças de lado, conversaram e conseguimos uma semana depois mais de 6-8 mil nas ruas protestando e com amplo apóio de todo e a PM humilhada. Houve conversa, preparação,negociação e isso vem faltando no caso da USP.

Mas, enfim, apoiando ou não a greve e suas causas, a questão que fica é: Intervenção da PM dentro da universidade, agressão e violência contra estudantes é injustificável em QUALQUER situação.

Raphael Tsavkko Garcia em junho 12, 2009 7:21 PM


#21

Sta. T,

A declaração do comandante pode sim se referir à prisão por desobediência, mas, se for o caso, se expressou mal. Há espaço para enveredar a interpretação no mesmo sentido do Túlio, quando devemos nos questionar que, sendo a prisão cívil autorizada tão-somente em caso de dívida alimentícia, de quem pode ter saído a ordem??. A propósito, a prisão do depositário infiel foi revogada pelo STF em dezembro de 2008. Não sou advogada, mas acho que a informação é válida.

Christine Rondon em junho 12, 2009 7:31 PM


#22

Apesar das notícias serem conflitantes, mas em essência todas dão que o ato na frente da reitoria tinha sido negociado com a PM tanto que a tanto que a CET desviava o transito.
A polícia agora não pode dizer que o ato descumpria uma ordem judicial, por que quem induziu aquelas pessoas ao crime, isso é excludente. tipicidade, cabe ao governador condenar o ato, por que senão é segundo CRIME que ele apoia como foi a entrega da Nayara de triste desfecho por inabilidade e incompetência da PM serrista.

Marcelo L. em junho 12, 2009 7:36 PM


#23

Troféu "Cobertura Canalha" pra Globo!

Márcio Moneta em junho 12, 2009 7:38 PM


#24

Tudo que se pode concluir desse vídeo é que o juiz que deu a ordem de reintegração de posse não pode ter dado a ordem de prisão. Aliás, esta conclusão pode ser tirada mesmo sem o vídeo - decorre, pelo que diz o Túlio, da impossibilidade de um juiz de vara cível dar ordem de prisão nessa circunstância. O vídeo, portanto, não mostra nada, nem prova coisa nenhuma.

É preciso, agora, localizar essa ordem de prisão, e ver com base em que ela foi dada. Só aí poderemos começar a fazer uma avaliação do episódio.

João Vergílio em junho 12, 2009 7:55 PM


#25

Pelo visto há alguns comentaristas que são alunos da USP. O João Vergílio não comentou mais. Eu estou mais interessado é em saber os movimentos internos na USP, inclusive entre funcionários e alunos. A Reitora-avestruz tá firme? Tá caindo? O que se está discutindo sobre os rumos da instituição e da greve?
Há indícios fortes contra o Serra, mas o que me interessa mais agora é saber da política universitária. Sobre o governator (será?) a fotografia final deve demorar um tempo para ficar nítida.
A USP tem ainda um enorme peso e influência na vida universitária brasileira. Estranho que a ANDES não tenha se manifestado. Apesar de "representar" apenas nós, professores das IFES, ela dá pitaco em tanta coisa (assim como a UNE) que esperava demonstrações de solidariedade. Diacho de feriado! Espero que na segunda algo clareie neste horizonte.

João Paulo Rodrigues em junho 12, 2009 7:56 PM


#26

Ah, João, que bom lê-lo. Você tem algo sobre o que tá rolando na FFLCH que não saiu na imprensa?

João Paulo Rodrigues em junho 12, 2009 7:58 PM


#27

Mais uma vez fica evidente que a polícia militar do Estado de São Paulo cuspiu na constituição federal e voltou ao tempo da ditadura ou dita-branda como quer a Folha de São Paulo, que de branda não teve nada. Não há como não reposponsabilisar o executivo estadual por esses atos absurdos discricionários, que envergonham o Estado de São Paulo, o Brasil e a USP. Vergonah nacional !

Augusto em junho 12, 2009 7:58 PM


#28

Reprodução do Artigo do Safatle publicado hoje na Folha.


A universidade não é caso de polícia

VLADIMIR SAFATLE
Em vez de estigmatizar os alunos e tratá-los como delinquentes, talvez seja o caso de se perguntar contra o que eles se manifestam

AS CENAS de batalha campal que vimos nesta semana na USP ficarão na memória daqueles que dedicam sua vida a essa instituição. Vários professores, como eu, que nunca participaram de movimento sindical, que nem sequer foram alguma vez a uma assembleia, veem com estarrecimento a disseminação da crença de que conflitos trabalhistas devem ser resolvidos apelando sistematicamente à polícia.
Diz-se que a polícia era necessária para evitar piquetes e degradações. No entanto, tudo o que ela conseguiu foi acirrar os ânimos e aumentar exponencialmente os dois.
Vale a pena lembrar que, por mais que sejam práticas problemáticas que precisam certamente ser revistas, os piquetes estão longe de se configurarem como ações criminosas. A história das sociedades democráticas demonstra como eles foram, em muitos casos, peças necessárias de um processo de ampliação de direitos. Cabe a nós provar que esse tempo passou e que, devido à capacidade de diálogo, tais práticas não têm mais lugar.
No entanto, quando se tenta reduzir manifestantes que procuram melhorias em suas condições de trabalho a tresloucados patológicos que nada têm a dizer, que não têm nenhuma racionalidade em suas demandas, dificilmente alguma forma de diálogo conseguirá se impor.
Melhor seria começar explicando qual racionalidade justifica que a universidade mais importante do país, responsável por parte significativa da pesquisa nacional, tenha salários menores que os de uma universidade federal em qualquer Estado brasileiro.
Por outro lado, há algo incompreensível na crença de que a polícia possa ser chamada para mediar conflitos com alunos e funcionários públicos. Muitos acreditam que ligarão para o 190 e receberão uma espécie de “polícia inglesa” capaz de agir de maneira minimamente adequada diante de cidadãos que se manifestam.
Contudo, o que vimos até agora foi uma polícia que entrou pela primeira vez no campus armada com metralhadoras, quando a ação padrão deveria ser, nessas situações, agir desarmada. Quem tem uma metralhadora nas mãos imagina que porventura poderá usá-la. Mas contra quem? Contra nossos alunos? E quem decidirá o momento de usá-la?
Como se isso não bastasse, uma polícia bem preparada não responde a provocações de gritos e latas com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha usadas na frente da Escola de Aplicação e de uma faculdade em que, normalmente, há crianças e adolescentes. O que aconteceria se uma bala de borracha atingisse uma criança, ampliando um pouco mais o enorme contingente de balas perdidas disparadas pela polícia?
Antes de ligar para a Polícia Militar, valeria a pena levar em conta seu despreparo manifesto em intervenções em conflitos sociais, histórico catastrófico mundialmente criticado por órgãos internacionais.
Nenhum leitor terá dificuldade de se lembrar de situações de conflito social nas quais policiais que se sentiram acuados reagiram de maneira descontrolada, provocando tragédias.
Por fim, contrariamente a certa ideia que um anti-intelectualismo militante gosta de veicular nestes momentos, vários alunos alvos de balas de borracha são extremamente dedicados em seus cursos, participam sistematicamente de colóquios e programas de pesquisa, apresentam “papers” em congressos e podem ser constantemente encontrados em nossas bibliotecas.
Sendo certo que vêm de todas as faculdades de nossa universidade (e não apenas da área de humanas, como alguns querem fazer acreditar), é inaceitável tratá-los como delinquentes potenciais. Dentre os 2.000 estudantes que se manifestaram nesta semana estão alguns de nossos melhores alunos.
Em vez de estigmatizá-los, talvez seja o caso de se perguntar contra o que eles se manifestam, já que, é sempre bom lembrar, antes da entrada da polícia, nem professores nem alunos estavam em greve. A greve restringia-se a funcionários.
Há um mês, em uma pequena cidade francesa, a polícia recebeu um chamado de possível furto. Em uma atuação “exemplar”, ela estava em alguns minutos no local do crime. No entanto, o local era uma escola, o objeto furtado, uma bicicleta, e o possível ladrão, uma criança de dez anos. Sem pestanejar, a polícia retirou a criança da escola na frente de seus colegas, levou-a à delegacia, colheu seu depoimento e a fichou.
Possivelmente, foi contra esse modelo social baseado na incapacidade de resolver conflitos sem apelar à mais crassa brutalidade securitária que hoje nossos alunos se manifestam. Cabe a nós mostrar a eles que a história da USP é outra.
VLADIMIR SAFATLE, 36, é professor do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo. Tags: estudantes, funcionários, greve, José Serra, PM, PSDB, repressão, sindicatos, universidade, USP, VLADIMIR SAFATLE

Augusto em junho 12, 2009 8:01 PM


#29

Suzana #17, Srta T #5 é que está sendo irônica. Não pretende debater nada, aliás já sumiu daqui. Ela copiou o comentário do Gravataí e não acrescentou nenhuma avaliação pessoal ou argumentação, exceto a de que estudou 5 anos de direito - o que lhe confieriria superiodade moral sobre os demais comentadores. Minha ironia é, portanto, uma justa resposta.

Acredito que os comentários de Marjorie e Tsavkko chegam mais ao que é a verdadeira questão. Não se discute a justiça da greve, mas a forma como a polícia agiu. Que é indesculpável. Se não formos capazer de repudiar uma atitude dessas melhor fechar a universidade, o congresso e voltar ao tempo dos generais - acho que até eles eram mais hábeis para negociar do que o Serra.

André Egg em junho 12, 2009 8:05 PM


#30

Vergonha: ex-presidente da UNE manda PM invadir a USP

Quem conhece bem o governador de São Paulo, José Serra, diz que ele nada tem de impulsivo. Cerebral e determinado, Serra agiu de caso pensado e escolheu o seu lado quando mandou a Polícia Militar jogar bombas e atirar balas de borracha nos grevistas da Universidade de São Paulo (USP). O ex-presidente da UNE, nos idos de 1964, e provável presidenciável tucano em 2010, quer provar a seu eleitorado conservador que aquilo foram pecadilhos de juventude.

Por Bernardo Joffily


Serra visto por Luc Gilberstein
Algum dia algum sociólogo ou politicólogo se debruçará sobre essa curiosa e muito brasileira peculiaridade camaleônica de nossa direita conservadora: apresentar candidatos viracasacas, egressos do campo da esquerda.

Assim foi com o ex-presidente Fernando Henrique, que flertou com o marxismo, exilou-se durante a ditadura e colaborou com o semanário alternativo Opinião, antes de se tornar o presidente da privataria neoliberal. Assim é com o governador paulista, que presidiu a UNE como militante da AP (Ação Popular), discursou no célebre comício de 13 de março de 1964, pressionando pelas reformas de base de João Goulart, e também conheceu o exílio.

A lista incluiria o vice de Serra no Palácio dos Bandeirantes, Alberto Goldman, ex-PCB, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) e o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). E seria longa – numa mistura de mimetismo esperto e confissão de que a direita no Brasil oculta sua verdadeira cara.

Porém o hoje distante passado de Serra (como o de FHC e dos outros citados) não o impede de ''ter lado'', como diria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No caso, o lado da carcomida oligarquia que, no Brasil, sempre considerou a questão social como um caso de polícia.

Serra aparentemente nem se apercebe da aberração que foi o envio da tropa de choque da PM na terça-feira (9) para espancar funcionários, estudantes e professores em greve dentro do campus da USP, por ordem de um ex-presidente da UNE. Seu passado de líder estudantil em nada estorva seu presente de governador truculento e presidenciável do conservadorismo.

Balas de borracha, bombas de efeito moral e gás de pimenta são o seu discurso diante da greve. Até parece que se inspirou no presidente do Peru, Alan Garcia (outro viracasaca!...), que dias antes enviou sua polícia atirar de helicópteros contra uma manifestação de indígenas amazônicos, no massacre de Bagua.

Em contraste com Serra, o governo Lula inaugurou no Brasil uma atitude sem precedentes diante dos movimentos de massas, radicalizando um comportamento que apenas se esboçou nas gestões de Juscelino (1956-1960) e Jango (1960-1964). Sua marca, reconhecida até pelos movimentos sociais mais críticos, é a acessibilidade, o diálogo e a tolerância no tratamento dos inevitáveis conflitos de interesses.

Esta é uma das perguntas cruciais que o eleitor brasileiro provavelmente será chamado a responder na eleição presidencial de 3 de outubro de 2010. O Brasil vai prosseguir no caminho inaugurado por Lula? Ou retrocederá aos métodos que Serra exibiu?

Augusto em junho 12, 2009 8:09 PM


#31

Só será possível avaliar com precisão como estão as coisas a partir de segunda-feira. Por enquanto, cada grupo está fechado em copas, estudando a estratégia mais adequada.

A manifestação do professor Dalmo de Abreu Dallari, em todo caso, foi um marco. Nâo é mais possível pretender ganhar com "mate pastor". Os dois lados têm um jogo complicado pela frente. Nâo basta mais simplesmente vociferar em cima de carros de som. Será preciso, de agora em diante, argumentar.

Não é preciso dizer que apóio integralmente o que disse o professor Dallari. Em termos pessoais, ele certamente pagará um preço altíssimo. Inúmeras pessoas que o cumprimentavam com respeito não iráo sequer olhá-lo no rosto daqui por diante. Inúmeros ambientes tornaram-se simplesmente irrespiráveis para ele a partir desse artigo.

Que eu tenha forças para chegar aos oitenta anos com essa mesma integridade de caráter e essa mesma honestidade intelectual! O professor Dalmo de Abreu Dallari é um ser humano absolutamente notável.

João Vergílio em junho 12, 2009 8:12 PM


#32

Olha eu como aluno da USP era contra essa greve, depois da brutal repressão, sou a favor da manutenção da greve como forma de protesto, até que essa reitora caia fora, a PM seja responsabilisada e se saiba de onde surgiu a ordem de cair matando nas pessoas - odem de prender? O que é isso, voltamos ao tempo da ditadura? Essas pessoas perderam a noção do que é democracia?

Augusto em junho 12, 2009 8:18 PM


#33

Alguém apontou a interressante linha de raciocínio compartilhada por muitos blogosfera afora:

1) a ação policial foi correta ( e aí lista-se diversos argumentos, que inclusive podem estar corretos)

2) Mas o Serra não tem nada a ver com a ação policial

Ora, se a ação policial foi correta, por que a busca tão obsessiva em desvinculá-la do Serra?

abçs

rabbit em junho 12, 2009 8:19 PM


#34


A CUT-SP emitiu nota em questiona a falta de diálogo do governador José Serra com os servidores públicos. Mais uma vez, a atitude do governador se expressa de forma de viôlência policial contra estudantes e servidores na USP. Leia a nota:

Para José Serra, diálogo só com as balas de borracha

A Central Única dos Trabalhadores do Estado de São Paulo repudia a ação truculenta da Polícia Militar contra os trabalhadores e estudantes, na tarde dessa terça-feira, dia 09 de junho, diante da entrada principal da Universidade de São Paulo.

Lamentavelmente, o uso da força contra a proposta de diálogo é a marca registrada da gestão José Serra. O governador paulista jamais aceitou conversar com os servidores do Estado, mesmo após a aprovação na Assembléia Legislativa de uma data-base do funcionalismo, em 2006.

As audiências e reuniões públicas dos trabalhadores sempre são cercadas de forte aparato de segurança, meio que Serra utiliza para se manter isolado no Palácio dos Bandeirantes. Em outras ocasiões, o tucano prefere tentar manipular a mídia ao alegar caráter político a qualquer manifestação de insatisfação diante da intransigência de seu governo.

Há mais de um mês os funcionários da USP exercem o direito constitucional de greve para exigir que o Estado apresente condições dignas de trabalho. O confronto que ocorreu já estava previsto desde que a PM passou a ocupar o campus da universidade, na semana passada, da forma que só aconteceu no período da ditadura militar brasileira.

Até quando as respostas às reivindicações do funcionalismo paulista virão em forma de balas de borracha e bombas de efeito moral? Até quando o governador utilizará dinheiro público para publicidade - inclusive em outros Estados, de olho na próxima eleição - ao invés de aplicar nos trabalhadores e na melhoria dos serviços públicos?

Adi Lima, presidente da CUT/SP

Augusto em junho 12, 2009 8:24 PM


#35

USP: Reitora não tem mais condições de continuar, diz Olgária Matos


DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA SP

A filósofa Olgária Matos é professora titular daquela que é considerada a faculdade vermelha da USP, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Aposentou-se em 2003, mas acompanha atentamente a vida da instituição, na qual ingressou como estudante no ano anterior à promulgação do AI-5, em plena ditadura militar.
Considera que “a reitora não tem mais condições políticas de se manter no cargo”, mas teme que, de novo, “se derrube o tirano sem tocar nas razões da tirania”. Abaixo, trechos da entrevista concedida ontem. (LC)


FOLHA - O que deu errado na terça-feira?
OLGÁRIA MATOS - É inadmissível que uma manifestação pacífica de estudantes e funcionários tenha de se enfrentar com a polícia dentro do campus universitário. Os manifestantes podiam até ter objetivos criticáveis -ou não-, mas, desde a Academia de Platão até as universidades modernas, esse recinto é o único preservado da violência policial porque é definido como o local que luta contra a violência, contra a barbárie. É o local em que se produz conhecimento, especulações, ciência. O local que faz parte do repertório da humanidade para se humanizar. Então não é o lugar que comporte a ocupação policial contra uma manifestação de estudantes desarmados.

FOLHA - A reitoria alega que a PM foi usada para impedir a depredação do patrimônio público e o desrespeito ao direito de não grevistas…
MATOS - É preciso garantir o direito de ir e vir de todos os que participam da vida da universidade, é certo. Agora, como se chegou a esse ponto? Parece-me que os canais de contato entre os estudantes e a reitoria ou entre os funcionários e a reitoria estão muito precarizados.
Os funcionários apresentaram uma pauta de reivindicações, o que é algo obviamente legítimo.
Cabe à outra parte discuti-la.
Debatê-la. Agora, quando as instituições universitárias não debatem e, em vez disso, optam por enfrentar um protesto pacífico, de pessoas desarmadas, com o emprego de força militar, é porque têm uma sensação muito grande de perseguição. Alguma coisa muito séria está acontecendo com uma universidade que se torna incapaz de debater ideias diferentes.

FOLHA - Alunos, professores e funcionários exigem a saída da reitora…
MATOS - Do ponto de vista global da instituição, politicamente, aconteceu uma espécie de vazio de poder. Quando se usa a violência, é porque se perdeu a autoridade. A universidade não é o lugar da força ou da violência. É o lugar da autoridade…
Agora, o jogo de forças entre os vários setores da universidade é que vai definir os próximos passos. Tenho certeza de que a atitude da reitora derivou de algum aconselhamento, provavelmente de professores mais conservadores, que a pressionaram a agir dessa maneira.
Porque ela não agiria assim sem se sentir respaldada. O que tudo indica é que a reitora não tem mais condições políticas de se manter. Na medida em que ela usou a violência, pela simples recusa ao debate, ficou comprometida a sua função institucional como intelectual.
O intelectual está lá para impedir o uso das armas. Ainda assim, eu me pergunto se -de novo, e porque é mais fácil- não se estaria derrubando o tirano, em vez das causas da tirania. Você pode substituir o reitor. E depois? É por isso que existe a luta, que não é de hoje, pela democratização das instâncias que elegem o reitor.

FOLHA - A PM deve sair da USP?
MATOS - Imediatamente. A polícia estar lá é quase uma provocação… Uma sociedade é tanto mais feliz, tanto mais democrática, quanto mais ela conseguir conviver com seus contraditores. Uma sociedade que só é capaz de conversar com o mesmo não é uma sociedade.

Augusto em junho 12, 2009 8:29 PM


#36

PAINEL DO LEITOR - FOLHA SP

O “Painel do Leitor” recebe colaborações por e-mail (leitor@uol.com.br), fax (0/xx/11/3223-1644) e correio (al.Barão de Limeira, 425, 4º andar, São Paulo-SP, CEP 01202-900). As mensagens devem ser concisas e conter nome completo, endereço e telefone. A Folha se reserva o direito de publicar trechos.

Leia mais cartas na Folha Online
www.folha.com.br/paineldoleitor

USP
“As ideias da reitora Suely Vilela e do professor José Arthur Giannotti (”Tendências/Debates”, ontem) são quase convincentes e, por isso, extremamente perigosas.
É importante revelar que elas se autodesmerecem por dois pontos:
1) A reitora aponta a chamada da Polícia Militar ao campus como resultado do “desrespeito a uma ordem judicial”, sendo que ela própria, no atual momento, está desrespeitando duas sentenças transitadas em julgado, que condenam a Universidade de São Paulo a recompor os salários dos professores que não receberam gatilhos devidos e a pagar os respectivos atrasados. Na Unicamp, por exemplo, essa dívida já foi saldada.
2) O professor José Arthur Giannotti fala em “pautas fantasiosas”.
Eu gostaria que ele respondesse se é fantasioso solicitar que nossos salários, que hoje carregam uma perda de 42% em relação ao que eram em 1989, sejam corrigidos para patamares minimamente decentes. Os índices por ele apresentados, aliás, são falsos. Índices corretos poderiam ter sido fornecidos a ele pela Adusp e pela própria reitoria.
PS: Votei, livremente, contra a greve dos professores decidida no dia 4 passado pela maioria e não represento, portanto, a categoria tão ofendida pelas palavras do professor Giannotti.
MARLENE SUANO, professora-doutora do Departamento de História da FFLCH-USP (São Paulo, SP)

“Não se pode aceitar que a USP, a mais querida e respeitada universidade brasileira, seja palco da violência que na terça-feira vitimou a todos, estudantes, funcionários, docentes e os próprios policiais, enviados para restabelecer a “ordem”.
O objetivo maior dessa bela instituição é enaltecer a busca do conhecimento, com serenidade, transparência e respeito à diversidade de opiniões e, especialmente, à livre expressão. Nesta semana, assistimos ao oposto.
Que a paz volte imediatamente à nossa casa do saber e que as partes em conflito resolvam suas diferenças com responsabilidade, calma e bom senso, em defesa da liberdade, alma da democracia.”
BRUNO ROBERTO PADOVANO, professor associado da Faculdade de Arquitetura da USP, coordenador científico do Núcleo de Pesquisa em Tecnologia da Arquitetura e Urbanismo da USP (São Paulo, SP)

Augusto em junho 12, 2009 8:34 PM


#37

Augusto, vou mais além: não só é o caso de a USP toda fazer uma greve em protesto à palhaçada de mandar a polícia espancando. É caso de o Brasil todo fazer uma greve geral.

Se deixarmos barato um episódio como esse, onde a coisa vai parar?

André Egg em junho 12, 2009 8:47 PM


#38

André Egg, não sumi daqui. Melhor dizendo, sumi sim, mas por um motivo que nada tem a ver com a greve na USP: hoje é dia dos namorados e eu estava namorando um pouquinho. Nós, semi-analfabetos, também amamos.

Ah, quando disse que era advogada (aliás, o Gravataí também é advogado), não foi pra diminuir ninguém, e somente pra dizer que estudei o funcionamento das instituições e atuação da polícia um tanto a mais (e vejo que, como minha opinião é a mesma que a do Dallari, estudei direitinho). Se estivéssemos falando de construção civil, por exemplo, eu ficaria bem quietinha e deixaria o palco pros engenheiros, uai.

Mas voltando à greve: não consigo mesmo ligar o governo Serra com o acontecido na USP. E, novamente digo: pra mim, isso não passa de disputa de partidos, já que nada foi dito pelo Idelber sobre a atuação policial contra os estudantes baianos em 2007. Não acho que o Jacques Wagner foi culpado, pelo mesmo motivo que não acho o Serra culpado pelo que aconteceu na USP.

Sobre a fala do comandante: acho que, como colocou a Christine Rondon, foi uma fala infeliz, equivocada. Levar a "ordem", como o comandante disse, nesse sentido estrito como o Túlio Vianna colocou, é o mesmo que acreditar que somente pessoas loiras e de olhos azuis são culpadas pela crise econômica, por exemplo.

Aliás Christine, a prisão em caso de não-pagamento de pensão alimentícia é ordenada pelo juiz civil sim. A prisão do depositário infiel também era (aliás, fiquei bastante feliz com a revogação desse instituto, que só favorecia a bancos em financiamento de veículos).

Suzana, sobre a polícia civil e polícia militar, confesso, eu não lembrava muito bem a diferença (não atuo na área, não gosto de penal, cabulava as aulas quase toda sexta), então apelei pro Google:

http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/policias/policia-federal-civil-militar-unificacao-guarda-municipal.shtml

Bom, já aviso que vou sumir de novo, ok? Sem ofensas, por favor.

Srta.T em junho 12, 2009 9:47 PM


#39

Usar a Veja como referência, por si só, desautoriza qualquer argumento....

Raphael Tsavkko Garcia em junho 12, 2009 9:50 PM


#40

Aí concordamos. Não ter ordem de prisão expedido por juiz pra essa cambada foi o único erro da operação até agora...pq deixar esse povo livre pra tocar terror pra quem estuda e trabalha é um erro.

Rodrigo Leme em junho 12, 2009 10:02 PM


#41

Ai Raphael, por favor... pode clicar no link, seu dedo não vai cair, juro. É só uma explicação sucinta das esferas de atuação das polícias brasileiras, sem ideologias ou polêmica.

Se a Veja escrever que a água é molhada, você vai começar a achá-la seca?

Srta.T em junho 12, 2009 10:06 PM


#42

Temos uma boa polemista na Srta. T

rabbit em junho 12, 2009 11:02 PM


#43

Srta T. Bem-vinda ao mundo dos argumentos...

Não consegue ligar o Serra ao acontecido na USP? A USP é uma universidade estadual, o governador do estado é o Serra. Compreende a ligação?

É ele que se recusa a atender as reivindicações por melhores condições de trabalho.

É a ele que está subordinado o comando do policiamento.

Pode até ser que ele não seja o responsável pela ação da polícia. Não é o que acha o Túlio Viana, que também estudou direito como você - se teve o trabalho de copiar o comentário do Gravataí Merengue lá, por que não deixa comentário lá também? Certamente o autor do blog terá argumentos mais difíceis de rebater.

Digamos que Serra não tivesse responsabilidade sobre o que aconteceu. Tem responsabilidade em punir os responsáveis pela trapalhada. Tem responsabilidade em tomar medidas muito efetivas para repudiar o ato vil.

Uma coisa são leitores virem aqui dizer que polícia tem que bater mesmo em estudante. Se o governador achar isso, aí é outro problema.

André Egg em junho 12, 2009 11:06 PM


#44

Enfim um pensamento lúcido nessa obscuridade: o da prof. Olgária Mattos.

Vera em junho 12, 2009 11:07 PM


#45

Poxa...quer dizer q o Idelber achou - só agora ! - o fato (?) em q sustentar o seu juízo já previamente emitido.

É algo como:

> Idelber: "Ei, pessoal, a culpa é do Serra, um aloprado q não tem condições de ser presidente..."
> Ao q rapaziada responde: "É claro, professor...é coisa desse reaça autoritário...filhote da ditadura..."
> Idelber: "Agora vamos atrás de algo q corrobore esse juízo..."

Idelber, gosto do blog, estou sempre por aqui, mas a leitura dos últimos posts dá ensejo a essa caricatura q montei. Espero q vc não fique chateado.

O q penso do episódio já foi escrito aqui e acolá. Em suma, eu acho q é legítima (além de, evidentemente, LEGAL) a atitude da reitoria da USP – na hipótese de os grevistas terem realmente bloqueado acessos, depredado o patrimônio da USP, coagido colegas, alunos, professores a q não entrassem no campus, etc. Sobre o excesso de força policial, há q se investigar. Mas não dá tb p/ considerar os grevistas (ou melhor, os mentores) anjinhos. Os caras provocam, e sabe-se q a apoteose, para alguns envolvidos, é justamente colher os dividendos políticos q as imagem de quebra-quebra policial rendem. O Idelber não pode ser ingênuo a ponto de ignorar esse aspecto – o componente político.

Portanto, parece-me – cada vez mais – q o ótimo blog Biscoito Fino está-se tornando, gradualmente, em mais um blog de louvação de aliados e demonização de adversários políticos. E isso é uma pena.

Frank em junho 12, 2009 11:20 PM


#46

Por falar em universidade, trazendo pra cá:

Essa é para o Professor Idelber: consegui - e coloquei lá no meu blog - uma foto que indica que já há resultado em um concurso para professor de História da UFF.

O detalhe é que o concurso não aconteceu ainda...

Link no meu nome.

Pedro Migão em junho 12, 2009 11:22 PM


#47

No blog da Srta T. um vídeo muito interessante sobre a rivalidade boba entre o Sintusp e a Poli, que parece estar na raiz da confusão toda.

E um link para uma matéria da Folha onde se lê:

"Nesta terça, o governador José Serra (PSDB) afirmou que o governo cumpre uma ordem judicial e, por isso, mantém a PM na universidade."

Mas ela ainda não vê ligação entre Serra e o episódio.

A matéria da Folha também afirma que houve depredação do patrimônio em greves anteriores, por isso a necessidade de força policial.

Depredação de patrimônio é o que o governo estadual está fazendo com a USP...

André Egg em junho 12, 2009 11:37 PM


#48

Frank, onde assino? Parece que inverteram o ditado: "Contra argumento, não há fato". Isso me incomoda muito.

André, obrigada. Fico bastante confortável neste mundo. Seu silogismo corrompido lembrou uma piadinha que eu fazia nas aulas de Lógica (essas eu nunca cabulei): "Deus é amor. O amor é cego. Logo, Stevie Wonder é Deus". Mas engraçado que você mesmo se "desdiz" nos ditos posteriores, quando vislumbra a possibilidade do governador não ter sido o "mandante" da ação policial.

Por que não vou ao blog do Túlio Vianna? Poxa, acaba de me dar as boas-vindas e já me manda embora? Tsc. Mas falando sério: estou acompanhando o diálogo por lá, e a coisa está meio desvirtuada: passaram a fazer ataques pessoais ao Gravataí. Daí não gosto. Eu, como a Regina, tenho medo.

Ma olha que interessante: concordei com tuas observações sobre o que deve ser feito se comprovado que houve "trapalhada" e/ou "ato vil". Acho que quem se machucou lá tem que fazer B.O., exame de corpo delito, prestar queixa sobre lesão, tudo direitinho. Eu nunca defendi que a polícia poderia descer o sarrafo injustamente e ficar impune. Mas que sejam apurados os fatos corretamente, para que os responsáveis sejam punidos de acordo com a lei, e não se julgue previamente, como este blog infelizmente tem feito. É tão absurdo assim?

Mas vou bater na tecla: essa mesma lógica aplicada pra condenar o Serra serve pra condenar as falhas ocorridas sob governo petista?

Srta.T em junho 12, 2009 11:55 PM


#49

Frank, dúvido que tenha havido coação na greve, todos ex-alunos conhecem esse argumento, sempre se culpa infiltração da esquerda, quando existem fatores fortes, mesmo quando a Poli se revoltou contra o jubilamento (acho que foi 91).

A pauta parece grande, mas é pequena e restrita a blocos de fator higiênico (salários e melhoria das condições de trabalho e estudo), educacionais (não aceitação do selo USP para os tais cursos a distância), e político que é a não perseguição dos envolvidos na greve passada. Ou seja, nada de fora EUA, pela condenação do bloqueio de Cuba etc, como tinham no passado só pedir para certo blogueiro quais eram as reinvidicações da época dele que ele apoiava com tanta veemência, não me venha que era contra ditadura militar por que seria acreditar em saci-perere.

Todos ex-estudantes que até a polícia sempre preferiu deixar o portão 1 fechado por ser um local que é fácil controlar a movimentação e também é do interesse do sindicato por que é uma das passagens para Campus, talvez até hoje em dia a menos importante para quem vêm de onibus fretado. E lembrando a USP não faz parte do sistema de ruas da cidade de São Paulo, tanto que é proibido o tráfego de caminhões e fecha-se o portão da politecnica depois das 20:00.

Invadir a FFLCH, principalmente o prédio da História é grave, principalmente por que o anfiteatro já tinha sido cedido. Ou seja, quem estava impedindo algo é a polícia.

Não culpo o governador pela violência, mas por apoia-la sim, está na hora do Serra parar de brincar de quero ser presidente e ver que alguns locais da periferia de São Paulo foi abandonada ao crime organizado, sendo que é tácito que a polícia aceita.

Até o momento não foi punido ou repreendido o coronel que deixou uma menina ser devolvida a um cativeiro, esta sim teve proibido o direito de ir e vir, além do trágico desfecho.

Retornando o problema dos funcionários responsabilizados isso é pauta desde que as pessoas reivindicam algo.

Marcelo L. em junho 12, 2009 11:55 PM


#50

Raphael #20,

Não se esqueça que os estudantes também foram acusados de agredir os guardinhas da Graber, uma fraude como Arbex provou esse ano - o João Décio mandou os caras resgarem a camisa...

Sobre invasão da USP pela Tropa de Choque, espancamento de estudantes e eventuais procedimentos ilegais - Serra é um analfabeto jurídico, quem conhece as razões que levaram à crise da USP de dois anos atrás, sabe sobre o que eu me refiro -, não há como defender o poder público nisso daí, simplesmente não há.

Gente querendo carguinho, outros querendo bancar os spin doctors, e por aí em diante podem espernear, lançar cortinas de fumaça e o escambau, mas não há como negar que universidade sendo invadida por força policial é um belo indicativo de que as coisas não estão bem.

Enfim, qualquer um pode ser contrário aos motivos dessa greve ou eventuais táticas utilizadas, mas daí a defender essa barbaridade, é o fim da picada.

Hugo Albuquerque em junho 13, 2009 12:07 AM


#51

Eu fiquei pensando na história da praça da paz celestial

A maioria silenciosa chinesa queria trabalhar em paz, que as ruas estivessem desobstruidas, que os combatentes pela democracia enfiassem a viola no saco e fossem procurar o que fazer

Houve ordem da justiça chinesa para acabar com os piquetes

O pessoal não obedeceu

O exército, cumprindo tal determinação, mandou os tanques e deu no que deu

Ah, mas é diferente, dirão alguns...

Diferente uma pinóia!

O estado é uma aparato violento; é exceção absoluta aquele que o assume e resiste à tentação de utilizar, por menos que seja, essa violência

Autoritários quase todos, os governantes matam índios, massacram torcidas de futebol, assassinam centenas em vingança contra uma organização criminosa que age nos presídios, cercam favelas, criam guardas municipais...

Há governadores (as) que resistem em cumprir ordens judiciais de desocupação de terras, que até preferem renunciar a usar a violência, ainda que "legal"

Mas tem que ser muito especial para fazer isso

é muito difícil ser radicalmente democrata e ascender nas estruturas partidárias ou mesmo nas estruturas acadêmicas

e, não tenham dúvidas, a questão da ordem, acompanhando e se fazendo confundir com a da segurança, será um bordão da campanha conservadora no ano que vem

abçs

rabbit em junho 13, 2009 12:10 AM


#52

Uma provocação: alguém sabe da opinião da namorada budista do gente boa Serra sobre o ocorrido?

rabbit em junho 13, 2009 12:19 AM


#53

Pessoas que se escondem atrás de pseudônimos não merecem, via de regra, credibilidade.

Roberto Locatelli em junho 13, 2009 12:46 AM


#54

Hugo:

Sem dúvida, o Arbex denunciou muito bem e eu ouvi os seguranças comentando sobre isso, vai ver que por isso foram trocados...

No resto, assino embaixo, a questão não é defender ou não a greve e sim defender ou não a barbárie!

Rabitt (51) Impecável sua argumentação!

Da mesma forma que durante a ditadura no Brasil quem era contra deveria ser tachado de baderneiro e etc, quem protestava, lutava e etc... Aliás, deveria não, eram tachados de marginais! Lutavam pela democracia mas... era ilegal! No Uruguai os Tupamaros sentiram na pele, no Chile Victor Jara e outros também... A maioria sumiu, foi morta...

MAs estava só "atrapalhando"!

Raphael Tsavkko Garcia em junho 13, 2009 12:56 AM


#55

Prezado Idelber,

ordem de reintegração é só reintegração de posse mesmo, de fato.

Entretanto, "Os cassetetes, bombas de gás lacrimogêneo" são reações da polícia ao ataque dos funcionários. Fazer guerrinha de video não é do meu feitio (nem creio ser doseu feitio tb), mas há um vídeo no blog do Reinaldo Azevedo mostrando um grupo de 50-100 manifestantes avançando sobre 5 policiais. A discordância aí é mais válida, mas na minha opinião é motivo claro para a PM se defender.

De fato, "Essas coisas não são parte da ordem judicial", mas podem ser consequência disso. No caso do senhor Brandão. foi desacato a autoridade, depredação do bem público, motivos mais que suficientes para detenção. Aliás, para quem é até acusado de assédio sexual, isso não é nada para o senhor Brandão.

Quanto à suposta ordem dita no texto, não acho que há nada de errado não, dado o que o sujeito chamado Brandão incitou e intimidou pessoas no dia 10, tendo motivos em flagrante para ser preso, exatamente como os primeiros comentários desse texto disseram.

Ademais, há uma divergência forte de tempo na história. Supondo que a Teoria da Conspiração fosse verdadeira, a prisão do sr. Brandão ocorreu depois do confronto, então não teria contribuído para barbárie alguma. Só se a prisão do líder do Sintusp tivesse provocado o confronto que o seu argumento teria alguma validade.

Creio que há dois pontos em discussão.

O primeiro - se o confronto poderia ter sido evitado pela PM.
Acho que não, pois foram os manifestantes que incitaram, e embora a manifestação esteja nas regras do jogo, a depredação do bem público não está. Mas respeito quem acha o contrário, é questão de confiança. E prefiro confiar na polícia a um sindicalista com ficha corrida.

O segundo, sobre a participação do executivo no episódio, pelo governador José Serra, isto sem dúvida não ocorreu, para mim está claro. E desculpe a franqueza, achar o contrário é misturar alhos e bugalhos, sim.

Abs,

Lucas (TucanUSP) em junho 13, 2009 1:05 AM


#56

prefiro acreditar na polícia a um sindicalista com ficha corrida

Lucas

todos os torturadores em todos os tempos usam essa frase

rabbit em junho 13, 2009 1:39 AM


#57

Lucas

e eu sei que você não é um torturador

rabbit em junho 13, 2009 1:40 AM


#58

lucas:
1. não faz sentido seu argumento sobre os "PMs acuados". Gente brandindo flores e gritando simplesmente não tem condições de "ameaçar" alguns brucutus fortemente armados, mesmo que fossem apenas cinco. Aliás, a polícia só começou a descer porrada nos coitados dos floristas DEPOIS que o trancaço acabou! Aliás, eram livros contra espingardas. Ou intelectuais contra a barbárie, é disto que se tratava! (infeliz do povo - como o paulista - cujo governador manda a polícia bater em estudantes)

2. Não faz sentido também dizer que o governador não está envolvido. Serra está atacando a universidade pública desde 2007. Ele simplesmente não consegue respeitar a intelectualidade e o pensamento crítico (lembra das "pesquisas operacionais" e afins?)

3. Sua acusação de depredação do espaço público é difamação. Não participei do evento (cheguei à cidade universitária apenas às 19h00), mas de tudo que li e ouvi, o que ocorreu de fato foi uma manifestação em DEFESA do patrimônio público...

gaf em junho 13, 2009 1:45 AM


#59

O que o tucano Lucas (que está se borrando por ver que o projeto deles retomarem a presidência derrete diariamente como sorvete em Cuiabá) não diz é que a acusação de abuso sexual contra o Brandão não se provou. Ele foi inocentado disso. Mas como bom tucano que ele é fica repetindo mentiras pra ver se vira verdade.

E podia ter milhares de estudantes se manifestando próximos aos PMs. Não há nada no vídeo que mostra agressão por parte dos estudantes. Xingaram, gritaram e o escambau, mas quando quiseram os policiais saíram dali.


A polícia do seu governador, que assassinou, arrombou residências e ameaçou moradores de Paraisopólis foi chamada única e absolutamente para ameaçar e agredir estudantes, professores e trabalhadores em greve. Prender bandido essa raça não quer.

Thiago Candido em junho 13, 2009 3:17 AM


#60

Lucas: afinal de contas você quer argumentar que a ação da Polícia Militar foi justificada ou você quer argumentar que José Serra não tem nada a ver com ela? Seus comentários passam de um desses pólos ao outro, às vezes dentro do mesmo parágrafo, dando a impressão de que o importante para você é livrar o governador desse desgaste, seja justificando a barbárie, seja dizendo que ... a barbárie não é barbárie.

Catar um vídeo achado por Reinaldo Azevedo que mostra uma aglomeração de estudantes, no momento em que o campus já estava invadido, não me parece que prova nada. As imagens e testemunhos da intervenção brutal da polícia estão aí, são inegáveis. Dizer que o governador "não teve participação no episódio", como se a Polícia Militar de SP não fosse subordinada a ele, também me parece um argumento fraco.

Agora, oscilar entre os dois argumentos -- que são claramente contraditórios entre si -- torna a sua posição mais fraca ainda.

Abraços democráticos.

Idelber em junho 13, 2009 9:15 AM


#61

já começou!

(é óbvio que pode ter havido fraudes na eleição iraniana)

o "tirano" iraniano está reprimindo e prendendo os democratas que protestam contra o resultado das eleições
aí não pode!

mas a PM paulista, ah essa pode descer o sarrafo!

vai ser um fim-de-semana de contradições intermináveis

eu apoio todos os que protestam: na USP e em Teerã

Polícia, essa é igual em todo canto

rabbit em junho 13, 2009 9:51 AM


#62

Eu acho que, diante da pancadaria, esse papinho jurídico (com Dallari ou não) me soa totalmente filisteu. Não é preciso "conhecimento superior" das instituições para saber que dar pancada em professores idosos, estudantes e trabalhadores, por causa de uma greve por reajuste salarial e/ou em protesto contra a presença da pm no campus, é tremendamente antidemocrático, injusto, abuso de poder. E a culpa não é do capitão da pm, nem dos soldados. A culpa vem de cima, da orientação geral do governo Serra, porque não é a primeira vez que Serra brutaliza trabalhadores. Não importa o que o capitão falou, quem deu a ordem; quer dizer, até importa, mas não muito; o mais relevante, porém, é que o Serra, ou qualquer outra figura do alto escalão, NÃO CONDENOU o incidente e, portanto, O JUSTIFICOU-O E DEFENDEU. Não é?

Neste caso, a injustiça chegou a uma das vanguardas da sociedade paulista, à vetusta e prestigiada USP, conspurcada e violentada por uma violência desmedida. As tentativas de justificar isso soam estranhas e falsas. Até onde irá esse sabujismo? Teremos que esperar morrer um estudante, um professor?

Miguel do Rosário em junho 13, 2009 11:37 AM


#63

Alguém já participou de algum evento, greve etc que a tropa de choque estava perfilada, sinceramente encurralar algum policial dela só é possível se eles já partiram para cima batendo em todos e tudo, e esse na sua sanha por ter recordes de borrachadas perdeu-se no meio da multidão.

Nem precisa pensar na brasileira, vale a mesma coisa para coreana, americana, italiana, iraniana etc. Isso só ocorre quando eles já começaram a "ofensiva" e sairam de formação.

Marcelo L. em junho 13, 2009 11:40 AM


#64

Sra. T,

Não sou porta-voz do blog, mas posso dizer que neste espaço, a melhor carteirada é um argumento certeiro.

Não duvido de que conheça melhor o funcionamento das instituições do que os leigos. Mas não estamos discutindo meramente tecnicismos. Falamos de acontecimentos que tem consequências práticas na vida em sociedade. Você diz que se o assunto fosse construção civil, deixaria o palco para os engenheiros. Eu, não. Veja bem, engenheiros não edificam do nada e para o nada. Eu moro, transito, vivo cercado por suas obras. Por mais que cause espécie aos iniciados serem questionados por leigos, não me parece sensato aceitar o que quer que seja baseado no argumento de que foi ou será realizado por um especialista. Ademais, tem aquela coisa... Se formação fosse pré-condição para qualquer tipo de questionamento, estaríamos jogando no lixo qualquer noção de democracia.

Cajueiro em junho 13, 2009 12:16 PM


#65

Legal foi a justificativa da Globo para a violência policial: os policiais foram provocados e reagiram.

Que profissionalismo da polícia paulista!

Já que a reportagem de alto nível jornalístico da Globo não informou o motivo da greve, alguém poderia dar essa informação aos leitores do interior do País?

Ricardo Petrucci Souto em junho 13, 2009 12:22 PM


#66

Mas PM é treinado para ser agressivo se acuado. O problema foi ter usado o Choque da PM para isso.

Andre Kenji em junho 13, 2009 12:59 PM


#67

André, vc não consegue acuar membros do choque, por que eles ficam enfileirados como um batalhão. Eles tem que avançar em ordem. sem deixar espaços entre seus membros. Se eles foram acuados, é por que estavam atacando, saíram de formação, não estavam avançando para dispersar e sim batendo a torto e direita.

Marcelo L. em junho 13, 2009 1:19 PM


#68

Ricardo, um resumão bem corrido: havia uma greve de funcionários já há um mês por reajuste + um fixo de R$200, além de readmissão do Brandão.

Os alunos discutiam se deviam entrar em greve contra a Univesp (série de cursos à distância nas três universidades estaduais paulistas. Com o dinheiro para 1 vaga na Univesp, poderiam ser criadas 3 vagas presenciais. Nós tb discordamos do plano de usar a Univesp para formar professores da rede pública que não tenham diploma de ensino superior) e a favor do aumento do repasse do ICMS para as universidades. No entanto, a adesão era muito pequena.

Depois que a PM entrou no campus, alguns cursos entraram de fato em greve, mas a adesão contunuava pequena. Professores tb haviam optado por não parar. Até que veio o episódio de terça. Agora, funcionários, alunos e professores estão em greve para pedir a saída da PM e a saída da Suely Vilela do cargo.

Resumo da ópera: quem tem Suely não precisa de Brandão. A mulher conseguiu mobilizar todo mundo, hahaha

Marjorie em junho 13, 2009 2:11 PM


#69

Marcelo -- os caras acuados não são do choque, são da PM!

Marjorie em junho 13, 2009 2:12 PM


#70

Marjorie,

Só um reparo. Essa conta que fizeram sobre o custo de uma vaga na Univesp é malandra. É claro que a implementação do sistema é relativamente cara, pois envolve compra de equipamentos. A manutenção, porém, é baratíssima. De um ponto de vista econômico, vale a pena. Como projeto didático, tenho minhas dúvidas, mas a questão está longe de ser tranquila. Teríamos que conhecer melhor outras experiências já feitas no mundo, e discutir sem a questão sem preconceitos.

Fazer greve por conta disso é, digamos assim, completamente surreal.

João Vergílio em junho 13, 2009 2:56 PM


#71

A Carta Capital traz uma reportagem equilibrada. Vale a pena conferir:

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A velha tática do confronto

Menos de 24 horas após o confronto ocorrido entre a PM, estudantes e grevistas na USP, no fim da tarde da terça-feira 9, era possível encontrar no YouTube diversos vídeos, a registrar a praça de guerra na qual o campus Butantã, na zona oeste da capital paulista, se transformou. Gritos, ofensas aos policiais, bombas e correria para fugir dos gases lançados contra alunos e funcionários grevistas.

Um dos vídeos registra o episódio que, segundo alegaria o tenente-coronel da PM Cláudio Longo, motivou o envio de reforços para dentro da universidade: aos gritos de “Fora PM! Fora PM!”, dezenas de manifestantes cercam cinco soldados, que ficam inertes até decidirem deixar o local (perto da entrada do campus). Além de ofensas, pedras foram atiradas na direção dos soldados. “Começaram a agredir os policiais, a tropa teve de ir em socorro”, argumentou Longo. Neste e nos outros vídeos, à afronta segue-se o revide. Força pública versus multidão, numa sequência de imagens que faz lembrar outros tempos, quando estudantes enfrentavam a polícia para protestar contra a ditadura.

Desta vez, porém, o estopim foi uma greve na USP – mais uma. Tão mal gerenciada pela reitora Suely Vilela que resultou numa escalada da tensão, até o desfecho à base de gás lacrimogêneo e rasantes de helicóptero. Ainda que muitos abominem a ideia, funcionários públicos têm o direito de fazer greve e piquetes. À reitora caberia a difícil tarefa de dialogar. Até a quinta-feira 11, Vilela não se pronunciou. Coube ao governador José Serra defender a truculência que, num passado distante, combateu. “A polícia não cometeu nenhum exagero e obedeceu a uma ordem judicial”, disse.

No dia seguinte à confusão, uma assembleia com cerca de 400 professores (dentre mais de 5 mil) aprovou por unanimidade o pedido de renúncia da reitora e a retirada da Polícia Militar da USP. O repúdio à ação policial aumentou a adesão à greve, iniciada em 5 de maio. Desde 1º de junho, a PM está, excepcionalmente, graças a um pedido de reintegração de posse na Justiça, no campus para “garantir o livre ingresso e saída da universidade” a quem não aderir à paralisação.

Ficou marcada para a terça-feira 16 uma passeata de estudantes e grevistas, em direção à avenida Paulista. Fora do campus, a PM não precisa de liminar para agir.

***********************

João Vergílio em junho 13, 2009 3:13 PM


#72

Acho que não tem credibilidade quem se esconde com Sra. não seio que (T de Tranqueira?) ou qualquer nome fantasia...

Greve geral seria indicada na França ou na Argentina, mas aqui, simplemente não rola... a população não tem educação para isso, e alguns que têm estão ainda antes da queda da bastilha...

O governador ainda defende aquele horror! espero que não se esqueçam disso ano que vem. Se esse cara ganha o brasil volta a ser um ditadura ! Certamente vai ser uma dita-"branda" ao gosto PSDB, Folha de São Paulo !

Volto a repetir, não era a favor da greve - agora sou por mantê-la até a saída da reitora incopetente e da PM do Campus.

Augusto em junho 13, 2009 3:34 PM


#73

Marcelo L.: "A pauta parece grande, mas é pequena e restrita a blocos de fator higiênico (salários e melhoria das condições de trabalho e estudo), educacionais (não aceitação do selo USP para os tais cursos a distância), (...). Ou seja, nada de fora EUA, pela condenação do bloqueio de Cuba etc."

Marcelo, não me referi ao conteúdo da pauta, aludi ao aproveitamento político do incidente. E dos óbvios interesses anti-Serra q animam uma parcela dos envolvidos. E do óbvio (e irresponsável) desejo de confrontação para que se produzam imagens dramáticas.

Se as imagens não vierem a ser usadas na campanha de 2010 (salvo proibição do STE) para pintar a imagem de Serra-autoritário-repressor-de-estudantes-indefesos, mudo meu nome para Idelber Azevedo. Ou Reinaldo Avelar, o q vc preferir.

Frank em junho 13, 2009 3:50 PM


#74

Há material melhor para ser usado contra Serra que essas imagens. Na verdade, um estrategista esperto(Tipo Lee Arwater ou James Carville) faria a festa com Serra.

Andre Kenji em junho 13, 2009 4:15 PM


#75

Um governante pode ser conciliador ou autoritário. Mais uma vez, evidente que Serra nada tem de conciliador - remember o desastroso episódio da greve da polícia paulista. Enfim, esse o homem que almeja a presidência?

Se buscarmos as raízes da greve, encontraremos uma vez mais o profundo desprezo que os tucanos nutrem pelo funcionalismo, defensores que sao do "estado ausente" - um passo além do tal estado mínimo. Para conhecer um pouco da política de terra arrasada de Serra na educaçao, conversem com professores da rede de ensino básico; vocês verao que o que acontece na USP é fichinha.

Uma especulaçao final: nao seria a Sra. T mais uma das faces secretas de Fernando Gouveia, o blogueiro de mil faces?

Ricardo em junho 13, 2009 4:35 PM


#76

Frank, até existe interesses anti-serra como vc aludiu, mas uma greve não consegue nem "pegar" só com isso. Há problemas reais, uma pauta hoje em dia só consegue ir para frente minimamente se existe um "represamento" de questões.
A questão do vídeo posso afirmar é mais chocante saber que o coronel da PM que apoiou (e era de sua responsabilidade) a devolução da menina ao cativeiro não foi punido, ou que paraisopolis retornou a vida normal, ou seja, continua nas mãos do PCC.
Não dá para dizer que como quer o governador existe infiltração por que ocorreu a mesma radicalização da greve da polícia civil e eu nunca conheci um simpantizante do PT nesta corporação, pode ser até que 90% de trotkistas e eu dei sorte de conhecer só malufistas.
Apesar de agradecer a Marjorie que foram PMs, mas mesmo assim deve ser do batalhão ali do lado da Corifeu e eles já conhecem o sindicato da USP de outros tempos, já fizeram operações, ou o comando planejou mal ou se perdeu.
E gostaria de saber de alguém que ainda estuda lá, se a pauta do ano passado diminui algum item, por que parecem-me que os problemas vão se avolumando.

Marcelo L. em junho 13, 2009 5:05 PM


#77

Mandar a polícia de choque bater em estudantes é inadmissível. Não adianta virem essas pessoas com nicks auto-revelativos (basta ler pra sacar que a figura vai defender a truculência) trollar aqui, néé, Srta Troll?

Aliás, concordo integralmente com Roberto Locarelli: "Pessoas que se escondem atrás de pseudônimos não merecem, via de regra, credibilidade".

Idelber, postei um longo artigo sobre um assunto que sei que te interessa (embora você certamente saiba muito mais sobre ele): a questão peruana. Se você (ou alguém mais) quiser dar uma lida, clique no meu nome.

Mauricio Caleiro em junho 13, 2009 6:26 PM


#78

João Vergílio, #70
Apesar do potencial que a blogosfera tem revelado ultimamente em informar e, talvez em mobilizar, a prática da Política de verdade (aquela em se discutir a cidade e a sociedade) acontece no tete-a-tete. Com UNIVESP, por mais que a educação fosse incrivelmente eficiente, as pessoas seriam despolitizadas pois não haveria o contato real entre seres humanos que, naturalmente, são diferentes por mais que possuam origens semelhantes. É tudo o que o Serra (que inclusive perguntou em voz alta: "Funciona mesmo isso" quando da sua assinatura do projeto), aquele mesmo que não quer colocar as coisas em discussão e manda a polícia para calar a boca, quer: pessoas que não saibam como começar uma discussão sobre os rumos que são dados para a cidade. É reforçar a natimorta democracia representativa, que se resume a votos a cada 4 anos e ausencia de discussão e controle dos eleitos no restante do tempo. Presença ininterrupta é controle social. Do mesmo jeito na universidade: esta é patrimônio e só é possível cuidar dela presente, e não no sofá da sala.
Abraço
Natália

Natália em junho 13, 2009 7:17 PM


#79

Obrigado, Marjorie.

Ricardo Petrucci Souto em junho 13, 2009 7:33 PM


#80

De vez em quando me ocorrem umas ideias estranhas. Fico imaginando se já existissem blogs nos anos 1870. No Brasil. Seria curioso porque aí existiriam blogs abolicionistas e o debate travado nas caixas de comentários seria bem curioso; todo mundo consternado porque o Capitão do Mato matou uns doze escravos de uma vez só e aí apareceriam uma meia dúzia de trolls dizendo que a culpa, claro, era dos escravos safados que fugiram e que não adiantava "inventar" nenhum argumento. É engraçado, mas o Brasil, em vários momentos, parece andar em círculos.

Hugo Albuquerque em junho 13, 2009 7:33 PM


#81

João Vergílio,
Tinha passado batido ontem pela entrevista do Dallari na Folha (leio pela internet e passo os olhos pelos títulos para escolher o que ler).
Polícia entrando em ação é sempre uma temeridade. São raros os casos de dispersão técnica de aglomerados, mesmo que pequenos, bem executadas no nosso país. Eram estudantes, afinal. Lamentável.
A entrevista do Dallari, por outro lado, assim como suas intervenções (como sempre, você é o cara), me forneceram uma outra dimensão dessa questão. Como vc disse lá no Nassif, é preciso argumentar com o cerébro e não com o fígado (numa referência ao Túlio).

O mais louco disso tudo, saindo deste contexto, é saber, nos bastidores, que o Lula está articulando com o Serra (que é amigo da Dilma), ganhe quem ganhar, um pacto para que as conquistas de hoje não se percam no futuro governo.

E aí, olhando as claques, os apaixonados, os participantes de alto quilate e tudo o mais, fico pensando aonde está a verdadeira luta.

Tenho repensado muito, por causa do Idelber essencialmente, essa questão na neutralidade desgostosa (são todos iguais) versus a participação engajada (mesmo sabendo de todas as mazelas do sistema). É aquela coisa "não reeleja ninguém" x "Jô Moraes é a prova de que existem políticos que ainda valem a pena".

Enfim, ler seus posts é, para mim, um alívio. E aposto que vc vai chegar nos 80 exatamente como vc espera.

bjs fraternais da mari

Mari em junho 13, 2009 7:33 PM


#82

Obrigado, Marjorie

Ricardo Petrucci Souto em junho 13, 2009 7:33 PM


#83

Reprodução de artigo sobre o fato ! Ótima argumentação, quem puder e souber ler, leia até o final, ou será que tem gente aqui que só consegue ler o texto da Veja? :

O movimento estudantil na USP e a ofensiva conservadora

Escrito por Max Gimenes
www.correiocidadania.com.br
11-Jun-2009

A conjuntura atual, não somente nacional como internacional, é marcada centralmente pela crise econômica deflagrada nos EUA no segundo semestre de 2008. Um cenário como este proporciona grandes perspectivas de movimentação. Muitas pessoas, que perdem seus empregos ou pioram de vida, passam a ver que não têm mais muito a perder e tendem a descer de cima do muro em busca de saídas políticas para sua insegurança econômica. Mas nisso reside um perigo, pois pessoas podem fazê-lo para qualquer um dos lados, esquerda e direita.

Adotemos aqui critérios de "esquerda" e "direita" amplos, não apenas ligados a partidos políticos que são, ou dizem ser, de um lado ou de outro. E ignoremos a definição de "centro", que nada mais é do que uma posição tática oportunista e cômoda de quem está de um dos lados, mas prefere fingir-se neutro ou travestir-se de moderado. Para "esquerda", pensemos nas forças progressistas, estendendo o rótulo a todos aqueles que não aceitam como naturais as desigualdades existentes na sociedade e buscam transformá-la a fim de promover justiça social. Para "direita", admitamos a classificação de quem busca a manutenção da ordem estabelecida, por achá-la natural ou cômoda, com suas injustiças e desigualdades, estendendo a classificação até mesmo àqueles que aceitam fazer concessões, como praticar algum tipo de filantropia vazia de vez em quando.

A crise econômica por que passamos é considerada por estudiosos diversos como a mais grave desde a de 1929. Esta, há 80 anos, gestou um sentimento de revolta que em muitos países, como Alemanha e Itália, cresceu e acabou por se tornar o monstro mais tarde batizado de nazi-fascismo. Nada impede que isso volte a acontecer, e uma análise mais atenta pode indicar que uma movimentação conservadora é algo mais real do que eventualmente possa parecer.

Peguemos o caso da Universidade de São Paulo (USP). Existem três eixos que, aprovados em assembléia de estudantes, vêm sendo trabalhados ao longo deste ano: "nenhum centavo a menos para a educação", "abaixo a Univesp" e "abaixo a repressão". Todos eles podem ser pensados como reação a ataques perpetrados pelo movimento conservador em curso. Quem tiver dúvidas que siga adiante com a leitura.

Cortar verbas destinadas à universidade pública atende aos interesses dos setores dominantes por diversos motivos. Vejamos: a precarização dela abre espaço para a indústria do ensino superior privado superá-la (como já acontece nos níveis fundamental e médio). E promove o estrangulamento financeiro de cursos como os proporcionados pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), que, pelo caráter de reflexão crítica sobre a sociedade que eles têm, não interessam ao mercado, cujo interesse é o lucro e não a solução dos problemas das pessoas. Cursos que podem ser "lucrativos", no entanto, como os da Escola Politécnica, têm a oportunidade de fugir da asfixia pulando na canoa furada do financiamento privado. Retira-se a autonomia ou mina-se a qualidade, ou os dois, se pensarmos que qualidade implica autonomia. São enquadrados todos, de uma forma ou de outra, no que espera de nós o Deus Mercado.

Instituir a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) com o discurso de que ela expandirá as vagas da USP para alunos que antes ficavam de fora é uma estratégia enganadora, pois oculta que serão vagas sem qualidade. O ensino à distância pode até ter sua função como complemento à formação ou para casos específicos, mas o programa em questão é destinado à licenciatura em ciências. Como formar um professor que aprende a dar aulas sem as ter antes? É um contra-senso e empurra a educação brasileira para um círculo vicioso que pode levar à instituição dessa modalidade não-presencial em todos os níveis e cursos, com lições e leituras entrecortadas por bate-papos e visitas a sites de relacionamento. Sem falar que isso priva a formação docente da possibilidade de organização, discussão e construção coletiva do conhecimento. É a individualização imposta para conter a união que faz a força. Absurdo, mas útil ao governo do Estado, preocupado em melhorar estatísticas, aumentando o número de professores da rede estadual com diplomas pregados na parede como se isso por si só melhorasse o ensino precário oferecido por José Serra e sua turma.

A entrada da Polícia Militar no campus Butantã da USP encarrega-se de demonstrar a pertinência da luta contra a repressão. Há trinta anos, portanto desde a ditadura (dura, e não branda), isso não ocorria. Contudo, as elites, em especial por meio da chamada "grande mídia", ignoram a gravidade do fato. Defendem, contra os piquetes, o direito de ir e vir previsto na Constituição, como se as catracas que todos os dias condicionam esse direito dos cidadãos ao poder econômico de empresários do setor de transportes não existissem. É a velha história do "para os amigos tudo, para os inimigos a lei".

Quando se verificam as incansáveis tentativas de revisão da história do país, como a criação do neologismo "ditabranda" da Folha de S.Paulo, começa-se a entender melhor alguns porquês. Na ditadura, jornais do grupo Folha funcionavam como sustentáculo do regime. Agora, eles querem ao mesmo tempo limpar seu histórico e legitimar as forças de repressão à esquerda, forças estas que estão dispostos a usar, como têm demonstrado, para garantir uma saída à direita para a atual crise, com a manutenção da ordem e com a conta sendo paga por aqueles que trabalham, enquanto banqueiros e especuladores pegam o banquinho (gentilmente financiados pelo Estado) e saem de mansinho.

Mantém-se, assim, o país longe de experiências de esquerda como as da Venezuela, da Bolívia e do Equador. Durante o governo militar, guerrilheiro virava terrorista na versão da mídia. Hoje, favelado vira traficante, e militante de movimento social, baderneiro e vagabundo. É a imoralidade avançando para desmoralizar quem ainda preserva um pouco de integridade, mesmo que em meio à adversidade.

Outros exemplos poderiam ser citados para demonstrar a articulação das elites para impor o seu projeto de país, que transcende a universidade, como a perseguição ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a inversão de papéis no curso das investigações da Operação Satiagraha, a exposição dada pela mídia ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, espaço maior do que sua função permite e do que sua capacidade intelectual merece etc. etc. etc.

É por tudo isso que o movimento estudantil da USP não pode assistir passivamente a essa ofensiva. O momento exige um enfrentamento com todas as armas de que este dispõe, e ele não pode se dar ao luxo de desperdiçar nenhuma. A conjuntura mudou e uma greve agora não só é justa como também oportuna. Mais estudantes despertaram para a mobilização após a invasão do campus pela PM; o risco que uma greve precipitada representava, de alargar ainda mais o abismo que separa a massa de estudantes daqueles que participam do movimento estudantil, diminuiu. A necessidade, porém, de agir de modo conseqüente permanece. A falta de disputa ideológica nos cursos e o sectarismo podem jogar no colo do conservadorismo muitos estudantes menos envolvidos nos debates.

Para fazer o contraponto a esse movimento reacionário mais amplo, temos de aproximar estudantes diversos, acumular forças e construir a unidade da esquerda para uma greve na universidade que alcance o fim desejado, visto que ela é não um fim em si mesma, mas um meio para algo maior. A hegemonia da direita atrai para ela a mediocridade e força a esquerda a sofisticar sua atuação. Chegou a hora de unir todos aqueles que não desistiram de lutar por dias melhores, sem intrigas entre si. Nenhum centavo a menos para a educação. Abaixo a Univesp e a repressão. Paz entre nós e guerra aos senhores.

Max Gimenes é estudante de Ciências Sociais.


Augusto em junho 13, 2009 7:37 PM


#84

Idelber: Desculpe pelos dois comentários sobre o mesmo assunto, é que eu pensei que o primeiro não tinha passado.

Hugo Albuquerque em junho 13, 2009 7:52 PM


#85

Problema nenhum, caro Hugo. Apaguei o primeiro, que havia chegado incompleto.

Idelber em junho 13, 2009 7:57 PM


#86

Não sei se as opiniões aqui refletem as de uma parte significativa da USP. Imagino que possa refletir apenas uma minoria, pois não só uma imensa parte dela parece estar alheia à greve, à atitude da Suely, à presença da PM e tudo o mais, como um outra parte, pelo que li no Reinaldo Azevedo e até mesmo aquiu, está até dando vivas ao fato de que o pessoal da FFLCH apanhou.
Parece que o apelo do João Vergílio, sensato e politicamente agudo e certeiro, vai cair no vazio. A eleição presidencial, a luta contra o PSDB vai dar as cartas dos próximos passos e, mais uma vez, a universidade será rifada no altar de outros interesses que, se repercutem na universidade pública, não se reduzem à ela.
Em vez de rediscutir o que se quer e, sobretudo, como reinventar a proposição deste querer, quem não gostou da PM no Campus e/ou quem não gosta do Serra está sendo chamado a colocar a tática no lugar da estratégia. A preservação de uma forma de protesto e bandeiras secundárias (mas não desimportantes) como "fora PM" passam a ser o centro das demandas, misturadas sem nenhum rigor com aumento salarial, reintrodução de um líder grevista para lá de complicado, fim de um programa de ensino, inclusão de um abono, renúncia da reitora. O esquerdismo puro, no que ele tem de pior, ou seja, no que ele alimenta a própria direita.
Como um limite foi rompido, ninguém sequer pensa no que o Vergílio lembrou ao início: mas um limite tão inadmissível quanto a violência da PM JÁ HAVIA sido rompido há tempos, como membros de uma universidade impedindo aulas, ameaçando fisicamente (quando não agredindo) colegas, isso para não falar em uma mobilização vazia constante e surda ao silêncio da maioria.
Serra não deverá ser eleito em 2010. Eu aposto que não vai. Acho que Dilma será eleita; sinto isso como senti a eleição de Obama. E creio também no velho "É a economia, estúpido", para simplificar um pouco. Na USP o que ocorrerá, talvez, é o "pourrissement" do movimento e um maior distanciamento entre as ditas Humanas e outras áreas. Não é para se iludir: há setores que estão em júbilo pelo que ocorreu, setores fortes. Mas em vez de contorná-los, miná-los, tentar dividi-los, encontrar novos parceiros para o diálogo, um novo compromisso que derive também de uma auto-crítica, o que se pede é o "esqueçamos que também não apoiamos as greves" em prol de um caminho que passe por 2010, esquecendo 2009.

João Paulo Rodrigues em junho 13, 2009 8:24 PM


#87

João Vergílio,
Tinha passado batido ontem pela entrevista do Dallari na Folha (leio pela internet e passo os olhos pelos títulos para escolher o que ler).
Polícia entrando em ação é sempre uma temeridade. São raros os casos de dispersão técnica de aglomerados, mesmo que pequenos, bem executadas no nosso país. Eram estudantes, afinal. Lamentável.
A entrevista do Dallari, por outro lado, assim como suas intervenções (como sempre, você é o cara), me forneceram uma outra dimensão dessa questão. Como vc disse lá no Nassif, é preciso argumentar com o cerébro e não com o fígado (numa referência ao Túlio).

O mais louco disso tudo, saindo deste contexto, é saber, nos bastidores, que o Lula está articulando com o Serra (que é amigo da Dilma), ganhe quem ganhar, um pacto para que as conquistas de hoje não se percam no futuro governo.

E aí, olhando as claques, os apaixonados, os participantes de alto quilate e tudo o mais, fico pensando aonde está a verdadeira luta.

Tenho repensado muito, por causa do Idelber essencialmente, essa questão na neutralidade desgostosa (são todos iguais) versus a participação engajada (mesmo sabendo de todas as mazelas do sistema). É aquela coisa "não reeleja ninguém" x "Jô Moraes é a prova de que existem políticos que ainda valem a pena".

Enfim, ler seus posts é, para mim, um alívio. E aposto que vc vai chegar nos 80 exatamente como vc espera.

bjs fraternais da mari

Mari em junho 13, 2009 8:26 PM


#88

Boa noite a todos.

Estou desde quarta-feira, dia 10, quando ocorreu a investida truculenta da polícia contra estudantes, professores e funcionários da Usp, para escrever um comentário, mas ao mesmo tempo hesitava ..., não sei bem porque.
Hoje, voltei ao post e aos comentários e resolvi escrever para sublinhar três aspectos:

a) quando li o texto do prof. Dallari me deu uma tristeza..., mas uma tristeza... Que só ficou maior quando li o comentário do João Virgilio corroborando a posição do prof. Dallari. Justo o João Virgilio, cujos comentários aqui são, a meu ver, de extrema lucidez, ponderados e equilibrados e com eles sempre aprendo. Evidentemente, têm os dois, como qualquer pessoa, o direito de expressar seus pontos de vista e eles serem diametralmente opostos ao meu. Mas, no caso em tela, juro que me surpreendi, principalmente com a postura do Dallari cuja trajetória pública na luta pelos direitos, pela justiça social é do conhecimento de todos.(O João Virgílio só conheço através das idéias que aqui ele apresenta). Enfim, às vezes penso que estou fora de sintonia, que ser de esquerda hoje é algo diferente do que sempre foi... mas como sabemos “ o mundo gira e ....”.

Fui aluna na Usp, há séculos, cursei um crédito lá na São Francisco (mas não sou da área do Direito) com o prof. Dallari (Teoria Geral do Estado), já conhecia seu trabalho e seu engajamento. Fui aluna durante a ditadura militar e em um de seus piores momentos – se é que posso assim me expressar, porque todos os momentos de uma ditadura são “os piores momentos”. Alguém aí nos comentários postou que “nem nos tempos do regime militar algo assim como a invasão de um campus universitário teria ocorrido”. Eu ainda não era aluna (mas tinha amigos que lá já estudavam) quando houve a invasão de 1969 (?), quando, entre outras barbaridades, o Crusp foi invadido e os alunos de lá arrancados com a justificativa de que, além de “comunistas”, os alunos que habitavam o Crusp não se preocupavam com os estudos e viviam promovendo festinhas em que drogas ilícitas eram consumidas livremente e livremente o sexo também era praticado. O quero lembrar: na ditadura as repressões também eram justificavas pelos aspectos morais. Um moralismo hipócrita, mas moralismo. E aqui quero apontar para um aspecto das atitudes do governador Serra que também demonstram seu viés moralista / autoritário : essa preocupação com o “higienismo”, com a “assepsia”: não beba, não fume, não.... nada. Vejam, não estou dizendo que após beber litros de cerveja ou dezenas de doses de destilado devamos sair por aí dirigindo e colocando a vida dos outros em risco.... mas a preocupação é de fachada por que não existem maneiras de coibir essa prática, não há policiais suficientes para estar em todas as ruas, de todas as cidades, em todos os becos nas periferias da cidade, por exemplo, para fiscalizar se motoristas estão sóbrios, ou não. Na adiante proibir, tem que tornar a conduta um dado cultural. A mesma coisa com os fumantes: antigamente fumava-se em todos os lugares, efetivamente sem nenhum respeito às mínimas regras de bom senso: nas salas de aula (na própria USP, lembro de alguns professores que acendiam um cigarro no outro, e nós, alunos, também), nos transportes públicos, nos cinemas, bem em todo e qualquer lugar, ou seja, um absurdo, mas assim era naquele momento. Gradativamente, foi se impondo uma nova conduta cultural, muito mais adequada. Mas, aí, vem a lei que proíbe o fumo em todos os lugares públicos e mais do que isso a IDÉIA DE FORMAR COMITÊS DE VIGILÂNCIA. Sabem isso lembra a fascismo. Aliás, toda essa busca pelo corpo perfeito, pelos esportes como uma obsessão, tudo isso já estava lá, nas sementes de regimes fascistas. Não estou afirmando que o Serra seja fascista (quase) mas tem traços fascistas. Comitês de Vigilância? Ah, tenha dó, só falta filhos dedurarem pais, irmãos dedurarem irmãos, amigos a amigos.
Bem tudo isto para dizer que sem querer fazer psicanálise de boteco (embora aqui seja uma padaria que faz biscoitos finos), o Serra tem indubitavelmente uma personalidade autoritária, daquele que sabe quais são as práticas corretas e adequadas para todos. Ter uma polícia truculenta faz parte dessa forma de ver o mundo. Truculenta para enquadrar os que estão colocando a “ordem” em perigo. Que ordem, cara pálida? É essa minha visão sobre nosso nobre governador.

Agora, a responsabilidade maior pela presença da polícia no campus com todas as conseqüências é, a meu ver, da Sra. Reitora. É ela a autoridade máxima em um lugar de criação e transmissão do conhecimento. Portanto, um lugar em que predominam as idéias, os argumentos, bem não preciso me alongar, todos aqui sabem disso. Então, como dirigente máxima do campus tinha que dialogar, encontrar caminhos na argumentação para impedir a barbárie. Não poderia jamais se valer da força, em um local em que as idéias são a força. Além do mais, espera-se que as pessoas que são guindadas a um cargo como o de reitor tenham mais experiência exatamente para dirigir (indicar o caminho) e devem ter uma atitude exatamente inversa àquela que condena nos que estão do outro lado do embate.

(Ai, meu deus , isso está ficando longo demais, mas tendo começado vou seguir)

b) um outro aspecto, que quero sublinhar: greves e piquetes. Não vou entrar no mérito da greve lá na Usp, muitos já falaram aqui, com muito mais conhecimento de causa pois lá trabalham ou estudam. Só quero lembrar, genericamente, que , desde sempre, nas greves os piquetes sempre ocorreram. Aliás, quando as greves eram vistas como uma forma de pressionar o capital e conseguir estabelecer alguns direitos, os que furavam greves eram vistos com traidores. Os piquetes serviam para garantir a própria paralização do trabalho. Eu entendo que quando se trata de greve no funcionalismo público o problema toma um outro prisma, porque não se está impedindo a criação de valor para o capital, está se impedindo a realização de serviços para a população. Aí temos um bom tema para discussão. Mas, se ainda temos as greves como forma de mobilização e de reivindicação de direitos, os piquetes fazem parte. Não estou defendendo piquetes violentos, mas é uma forma de tentar convencer os “fura greve”, ah isto é;

c) os estudantes e professores manifestaram-se aqui sobre seus direitos de estudar e trabalhar, de ir e vir, que não estavam sendo respeitados pelos grevistas e por seus apoiadores. Este discurso de que estudante deve estudar, trabalhador, trabalhar era o discurso da ditadura e dos que apoiavam a ditadura (ouvia isso de meu próprio pai: “você vai pra universidade para estudar, não para se meter em encrenca”; “ se meter em encrenca” era participar dos movimentos contra a ditadura) Aliás isto é antigo: durante o feudalismo também a tarefa de alguns era orar (clero) , de outros fazer a guerra (nobres) e dos demais: trabalhar (servos). É uma fala exatamente para a manutenção da “ordem”. Se todos tivessem respeitado as regras ainda estaríamos na idade média. A “ordem” não teria sido transformada. Bem, o que quero frisar é que há uma desmobilização social, o individualismo como um valor quase que absoluto: quero saber de minha vida, de meus interesses, de meus desejos e um “esquecimento da política” (há um livro organizado pelo prof. Adauto Novaes, exatamente com esse título). Aspectos negativos do ME já foram apontados tanto pelo Idelber, quanto por inúmeros comentaristas, mas, entendo eu, quanto mais isolados, porque a maioria não está mobilizada e não quer se mobilizar para nada, mais radicalizam suas posturas. É uma característica de todo movimento social em que a maioria está mais preocupada com sua vida pessoal do que com as questão coletivas, aquelas que dizem respeito a todos. Ou seja, há uma relação entre a falta de mobilização da maioria e a radicalização estéril de uma minoria. É a isso que chegamos na contemporaneidade.
Idelber e demais companheiros aqui do boteco, desculpas pelo longuiiiissimo comentário.
Forte abraço.
Marilda


Marilda S. Costa em junho 13, 2009 9:17 PM


#89


beijo...

João Vergílio em junho 13, 2009 9:36 PM


#90

Marilda,

Eis o que diria quem realmente discorda de mim:

- Piquetes e invasões são atos violentos? Em alguma medida, são, sim. No entanto, uma batida policial no centro de São Paulo consegue ser mais violenta que todos os piquetes já feitos até hoje na Universidade de São Paulo. Mas o problema não está absolutamente aí. Escute, meu amigo, a política tornou-se um lugar vazio, uma cerimônia oca, cuja única finalidade é dar à ditadura dos mercados o aspecto mínimo de uma deliberação. Elegemos o quê, na democracia? Um ator, só isso. Sua missão é dar a todos nós a impressão de que há questões importantes postas sobre a mesa, e que nossa escolha terá um peso decisivo na determinação das respostas. Sobre a mesa, porém, todos os papéis estão em branco, como estão em branco também todos os códigos cuidadosamente dispostos na biblioteca atrás do Grande Eleito. Os eleitores, por sua vez, trancaram-se num cinismo medonho, assustador. Só há lugar em suas vidas para deliberações obedientes, e para planos que realizem unicamente os detalhes finais e menos importantes da grande trama em que estão presos, e fora da qual não enxergam nenhuma possibilidade real de existência. Piquetes e invasões, meu querido, são uma das únicas frestas pelas quais ainda passa um vestígio de diferença. São momentos em que todos têm que enfrentar (com nojo, que seja) a questão fundamental que nunca é feita no jornal das oito: "por que não?" À merda os seus pruridos secos, e as suas questiúnculas humanistas a respeito da violência de uns poucos jovens idealistas que ainda ousam, por um breve momento, construir frases grandiosas num idioma proibido. E você quer que eu apóie os cassetetes e as bombas? Seu porco imundo! Pare de se esconder assim atrás das peças desse tabuleiro imenso. É tudo fake, veja: as peças na verdade movem-se sozinhas. Do que é que você tem tanto orgulho? De saber franzir a testa, para que todos pensem que é você quem joga? Eles estão jogando, seu farsante. Eles, que você chama de "violentos". Fique tranquilo. Vão perder. Serão esmagados. Não pela polícia, mas pela pura e simples constatação de que é inútil tentar. Enquanto eu puder, porém, articularei aqui um discurso tão cínico quanto o seu para defender o direito que têm esses meninos e meninas de sonhar. Gritarei "Fora, PM" junto com eles, e tirarei fotos das marcas roxas deixadas em suas costas. Distrairei as redações e os blogs com vestígios de sentimentos cristãos, como se aquilo fosse o que realmente importa. Nâo é nada disso. Eu e você sabemos que não se trata disso. Eu quero apenas preservar sobre o mundo a sombra vacilante da liberdade com esta pequena chama, que de vez em quando se acende, e logo depois nos devolve ao breu imundo em que nosso nome finge a humanidade perdida.

Não é fácil responder a isso, Marilda. Amanhã, eu tento, está bem?

João Vergílio em junho 13, 2009 10:33 PM


#91

Errata:

A última sentença deve terminar assim: "...ao breu imundo em que nosso nome vai tateando em busca da humanidade perdida."

João Vergílio em junho 13, 2009 10:38 PM


Bruno Marcondes em junho 13, 2009 11:13 PM


#93

Olhe a caixa de comentários! Há uma ameaça da parte do advogado da Leticia contra o Milton!!

Bruno Marcondes em junho 13, 2009 11:20 PM


#94

Para adiantar (e para amanhã eu não me esquecer... rs...) Acho que a resposta à Marilda e a mim mesmo envolve o desenvolvimento do seguinte mote:

Será que esse ideal de liberdade não é, afinal de contas, a grande ilusão de que nós teríamos que nos livrar? Numa sociedade fragmentada, a fabricação de uma vontade coletiva não deve recorrer necessariamente à coerção física? Será que, do outro lado, existem pessoas simplesmente apáticas? Ou será que existem pessoas simplesmente menos comprometidas com ilusões passadas, e que não conseguem ver em piquetes e invasões mais do que um exercício de violência contra o modo como elas decidiram se inserir no mundo? Ainda que o piquete seja minúsculo demais para ser chamado de violência, o horizonte que ele abre não seria profundamente autoritário?

Obrigado pelo desafio. rs....

João Vergílio em junho 13, 2009 11:21 PM


#95

Serra é um péssimo governador mesmo!!

Dilma para presidente da República!!

Bruno Marcondes em junho 14, 2009 12:04 AM


#96

João Virgílio: primeiro, obrigada por dar atenção aos meus escritos. É uma honra. Segundo, não devia ter te provocado. Você é muito sofisticado intelectualmente para meus parcos conhecimentos. Em todo caso, li, vou reler e tentar responder, se não hoje, amanhã, sem falta. Sei que vou ficar aqui tentando uma resposta minimamente estruturada. Mas, como diria antigo orientador: é assim, no debate, que se refinam os argumentos. Quando debatemos com quem pensa exatamente como nós, não desenvolvemos o raciocínio, a lógica; só ficamos contentes .. e mais nada.
Abraço fraterno e boa noite.
Marilda

Marilda S. Costa em junho 14, 2009 12:28 AM


#97

Além de tudo, ainda escrevo errado seu nome, desculpas mil João VERGÍLIO. Acho que tenho um problema com nomes.
Bj
Marilda

Marilda S. Costa em junho 14, 2009 12:43 AM


#98

Acho que o Governador José Serra é uma versão tupiniquim de um "assassino econômico"...

Acabei de ler um livro sobre o tema, escrevi uma resenha. Link no nome, como sempre.

Pedro Migão em junho 14, 2009 2:04 AM


#99

João Vergílio, achei curiosa essa sua pergunta:

"Ou será que existem pessoas simplesmente menos comprometidas com ilusões passadas ?"

O que você quis dizer com ilusões passadas ??? Do modo como está me levou a crer que você entende os movimentos de greve e protestos dos passado como ilusões. É isso ???

Outra contexto que eu percebo em seu comentário é que você sobrepõe o "indivíduo" ao "coletivo". Se isso é verdade e representa seu pensamento, então eu te pergunto, por que vivemos em sociedade então ????

Andre em junho 14, 2009 2:17 AM


#100

João Vergílio, você, mesmo tratando de questões da “bruta vida”, escreve com um certo lirismo, do qual sou incapaz. Mas, de qualquer forma, vamos lá.

Efetivamente, se eu fosse mais sábia, se tivesse um pensamento mais elaborado teria te respondido da forma como você propôs. O que me resta é (tentar) fazer algumas considerações aos argumentos que você apresentou:

“Escute, meu amigo, a política tornou-se um lugar vazio, uma cerimônia oca, cuja única finalidade é dar à ditadura dos mercados o aspecto mínimo de uma deliberação”.

Pois é JV, é contra isto que temos que lutar, entendo eu. Mas esta luta está difícil. Por que Lula é chamado de “O cara”, exatamente por aquele que, de fato, tem poder no mundo? Porque o Lula, como todos os demais “líderes mundiais” correram todos para manter de pé o mundo capitalista. Não foi assim? Seria ele chamado de “O cara” se estivesse propondo políticas mais à esquerda? Não sejamos ingênuos. (e parece que a tradução da fala do Obama não seria exatamente “Você é O cara”, mas “você é meu chapa”, bem mas isso é um detalhe). Vamos continuar a aceitar paralisados à ditadura dos mercados? Continuar a aceitar que a política continue a ser uma “cerimônia oca”? Um lugar vazio? Porque é isso mesmo: a democracia representativa tornou-se isso mesmo: um ritual, que cumprimos fazendo de conta que estamos de fato participando dos “destinos nacionais”. Quando na história da teoria e da prática política foram criadas as instituições relativas à democracia representativa, ou seja, a liberal-democracia, teóricos e militantes, ou seja, aqueles que participavam das lutas sociais, acreditavam na possibilidade de uma atuação politicamente engajada dos cidadãos. Que as pessoas participariam dos partidos políticos (que fariam a mediação entre sociedade/estado), participação de fato politizada; entendiam que a igualdade seria conseguida com a educação pública e gratuita... e por aí vai. Mas, não foi assim que a história caminhou.
Trabalhadores incapazes de sair do “reino da necessidade”, portanto sem possibilidade de chegar ao “reino da liberdade”. Sociedade de massas, sociedade do espetáculo... e a política se tornou esse teatro.

“Seu porco imundo! Pare de se esconder assim atrás das peças desse tabuleiro imenso. É tudo fake, veja: as peças na verdade movem-se sozinhas. Do que é que você tem tanto orgulho? De saber franzir a testa, para que todos pensem que é você quem joga? Eles estão jogando, seu farsante. Eles, que você chama de "violentos.”

Pra início de conversa, jamais te chamaria de “porco imundo”, mas as peças movem-se sozinhas? Não, não se movem, há pessoas com interesses, com paixões. Parece que estamos emparedados: de um lado os que não querem mais pensar no coletivo, não preciso me estender sobre as razões; do outro lado, os “jacobinos”, ilusões de revolução, presos à uma concepção voluntarista, sem levar em conta as críticas que já foram realizadas aos ideais revolucionários sem que a “consciência” da maioria tivesse sido capturada para uma nova possibilidade histórica.

“ Fique tranquilo. Vão perder. Serão esmagados. Não pela polícia, mas pela pura e simples constatação de que é inútil tentar. Enquanto eu puder, porém, articularei aqui um discurso tão cínico quanto o seu para defender o direito que têm esses meninos e meninas de sonhar”.

Não vejo cinismo em seu discurso, é uma maneira de ver o mundo; não esqueçamos: o ponto de vista é sempre a vida de um ponto (da sociedade0, tampouco considero meu discurso cínico: alguém tem que sonhar. Podemos até sonhar sonhos impossíveis, mas sem sonhos a vida fica estéril.

Agora, é lógico que sonhar apenas não resolve. O quê resolve? Não sei. Aí não tenho ilusões: a história é que dirá como será a construção de um novo mundo, que um dia virá. E esse novo mundo pode ser a barbárie. Nada garante que vamos construir um mundo melhor. Eu, evidentemente, espero que possamos acumular forças para virar o jogo. Mas o caminho é longo... e eu prefiro, sim, apoiar os que se movimentam... os que se manifestam... das mais diferentes formar.

“Eu e você sabemos que não se trata disso. Eu quero apenas preservar sobre o mundo a sombra vacilante da liberdade com esta pequena chama, que de vez em quando se acende, e logo depois nos devolve ao breu imundo em que nosso nome finge a humanidade perdida.”

Pois é, eu quero mesmo preservar essa sombra vacilante da liberdade... quem sabe essa sombra não possa sair à luz do sol? E nos tirar do breu em que estamos confinados, enquanto humanidade?

A resposta que você deu a nós dois comento amanhã, ou melhor, logo mais.
Beijo
Marilda

Marilda S. Costa em junho 14, 2009 3:52 AM


#101

O movimento estudantil na USP e a ofensiva conservadora

www.correiocidadania.com.br
Escrito por Max Gimenes
11-Jun-2009

A conjuntura atual, não somente nacional como internacional, é marcada centralmente pela crise econômica deflagrada nos EUA no segundo semestre de 2008. Um cenário como este proporciona grandes perspectivas de movimentação. Muitas pessoas, que perdem seus empregos ou pioram de vida, passam a ver que não têm mais muito a perder e tendem a descer de cima do muro em busca de saídas políticas para sua insegurança econômica. Mas nisso reside um perigo, pois pessoas podem fazê-lo para qualquer um dos lados, esquerda e direita.

Adotemos aqui critérios de "esquerda" e "direita" amplos, não apenas ligados a partidos políticos que são, ou dizem ser, de um lado ou de outro. E ignoremos a definição de "centro", que nada mais é do que uma posição tática oportunista e cômoda de quem está de um dos lados, mas prefere fingir-se neutro ou travestir-se de moderado. Para "esquerda", pensemos nas forças progressistas, estendendo o rótulo a todos aqueles que não aceitam como naturais as desigualdades existentes na sociedade e buscam transformá-la a fim de promover justiça social. Para "direita", admitamos a classificação de quem busca a manutenção da ordem estabelecida, por achá-la natural ou cômoda, com suas injustiças e desigualdades, estendendo a classificação até mesmo àqueles que aceitam fazer concessões, como praticar algum tipo de filantropia vazia de vez em quando.

A crise econômica por que passamos é considerada por estudiosos diversos como a mais grave desde a de 1929. Esta, há 80 anos, gestou um sentimento de revolta que em muitos países, como Alemanha e Itália, cresceu e acabou por se tornar o monstro mais tarde batizado de nazi-fascismo. Nada impede que isso volte a acontecer, e uma análise mais atenta pode indicar que uma movimentação conservadora é algo mais real do que eventualmente possa parecer.

Peguemos o caso da Universidade de São Paulo (USP). Existem três eixos que, aprovados em assembléia de estudantes, vêm sendo trabalhados ao longo deste ano: "nenhum centavo a menos para a educação", "abaixo a Univesp" e "abaixo a repressão". Todos eles podem ser pensados como reação a ataques perpetrados pelo movimento conservador em curso. Quem tiver dúvidas que siga adiante com a leitura.

Cortar verbas destinadas à universidade pública atende aos interesses dos setores dominantes por diversos motivos. Vejamos: a precarização dela abre espaço para a indústria do ensino superior privado superá-la (como já acontece nos níveis fundamental e médio). E promove o estrangulamento financeiro de cursos como os proporcionados pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), que, pelo caráter de reflexão crítica sobre a sociedade que eles têm, não interessam ao mercado, cujo interesse é o lucro e não a solução dos problemas das pessoas. Cursos que podem ser "lucrativos", no entanto, como os da Escola Politécnica, têm a oportunidade de fugir da asfixia pulando na canoa furada do financiamento privado. Retira-se a autonomia ou mina-se a qualidade, ou os dois, se pensarmos que qualidade implica autonomia. São enquadrados todos, de uma forma ou de outra, no que espera de nós o Deus Mercado.

Instituir a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) com o discurso de que ela expandirá as vagas da USP para alunos que antes ficavam de fora é uma estratégia enganadora, pois oculta que serão vagas sem qualidade. O ensino à distância pode até ter sua função como complemento à formação ou para casos específicos, mas o programa em questão é destinado à licenciatura em ciências. Como formar um professor que aprende a dar aulas sem as ter antes? É um contra-senso e empurra a educação brasileira para um círculo vicioso que pode levar à instituição dessa modalidade não-presencial em todos os níveis e cursos, com lições e leituras entrecortadas por bate-papos e visitas a sites de relacionamento. Sem falar que isso priva a formação docente da possibilidade de organização, discussão e construção coletiva do conhecimento. É a individualização imposta para conter a união que faz a força. Absurdo, mas útil ao governo do Estado, preocupado em melhorar estatísticas, aumentando o número de professores da rede estadual com diplomas pregados na parede como se isso por si só melhorasse o ensino precário oferecido por José Serra e sua turma.

A entrada da Polícia Militar no campus Butantã da USP encarrega-se de demonstrar a pertinência da luta contra a repressão. Há trinta anos, portanto desde a ditadura (dura, e não branda), isso não ocorria. Contudo, as elites, em especial por meio da chamada "grande mídia", ignoram a gravidade do fato. Defendem, contra os piquetes, o direito de ir e vir previsto na Constituição, como se as catracas que todos os dias condicionam esse direito dos cidadãos ao poder econômico de empresários do setor de transportes não existissem. É a velha história do "para os amigos tudo, para os inimigos a lei".

Quando se verificam as incansáveis tentativas de revisão da história do país, como a criação do neologismo "ditabranda" da Folha de S.Paulo, começa-se a entender melhor alguns porquês. Na ditadura, jornais do grupo Folha funcionavam como sustentáculo do regime. Agora, eles querem ao mesmo tempo limpar seu histórico e legitimar as forças de repressão à esquerda, forças estas que estão dispostos a usar, como têm demonstrado, para garantir uma saída à direita para a atual crise, com a manutenção da ordem e com a conta sendo paga por aqueles que trabalham, enquanto banqueiros e especuladores pegam o banquinho (gentilmente financiados pelo Estado) e saem de mansinho.

Mantém-se, assim, o país longe de experiências de esquerda como as da Venezuela, da Bolívia e do Equador. Durante o governo militar, guerrilheiro virava terrorista na versão da mídia. Hoje, favelado vira traficante, e militante de movimento social, baderneiro e vagabundo. É a imoralidade avançando para desmoralizar quem ainda preserva um pouco de integridade, mesmo que em meio à adversidade.

Outros exemplos poderiam ser citados para demonstrar a articulação das elites para impor o seu projeto de país, que transcende a universidade, como a perseguição ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a inversão de papéis no curso das investigações da Operação Satiagraha, a exposição dada pela mídia ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, espaço maior do que sua função permite e do que sua capacidade intelectual merece etc. etc. etc.

É por tudo isso que o movimento estudantil da USP não pode assistir passivamente a essa ofensiva. O momento exige um enfrentamento com todas as armas de que este dispõe, e ele não pode se dar ao luxo de desperdiçar nenhuma. A conjuntura mudou e uma greve agora não só é justa como também oportuna. Mais estudantes despertaram para a mobilização após a invasão do campus pela PM; o risco que uma greve precipitada representava, de alargar ainda mais o abismo que separa a massa de estudantes daqueles que participam do movimento estudantil, diminuiu. A necessidade, porém, de agir de modo conseqüente permanece. A falta de disputa ideológica nos cursos e o sectarismo podem jogar no colo do conservadorismo muitos estudantes menos envolvidos nos debates.

Para fazer o contraponto a esse movimento reacionário mais amplo, temos de aproximar estudantes diversos, acumular forças e construir a unidade da esquerda para uma greve na universidade que alcance o fim desejado, visto que ela é não um fim em si mesma, mas um meio para algo maior. A hegemonia da direita atrai para ela a mediocridade e força a esquerda a sofisticar sua atuação. Chegou a hora de unir todos aqueles que não desistiram de lutar por dias melhores, sem intrigas entre si. Nenhum centavo a menos para a educação. Abaixo a Univesp e a repressão. Paz entre nós e guerra aos senhores.

Max Gimenes é estudante de Ciências Sociais.

Augusto em junho 14, 2009 3:11 PM


#102

Deputado convoca reitora da USP e secretário de Segurança Pública PDF Imprimir E-mail
11-Jun-2009

O deputado e professor Carlos Giannazi protocolou ontem, dia 09/06, três requerimentos nas Comissões de Educação, Segurança Pública e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa pedindo a convocação da reitora da USP, Suely Vilela, e do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, para explicarem a invasão da Tropa de Choque da PM ao campus da capital da Universidade de São Paulo.

O deputado do PSOL esteve na USP na tarde desta terça-feira onde foi recebido pelo vice-reitor, Franco Lajolo. Sua intenção foi convencer a reitoria a pedir a retirada das tropas policiais do campus e reabrir o diálogo com o movimento. Amplamente noticiada pela imprensa, a presença da polícia foi atendida a partir de uma solicitação da reitoria da USP.

Giannazi, que é membro titular da Comissão de Educação da ALESP e já participou de três reuniões com a reitoria para exigir a retirada das tropas e a abertura de negociação com os servidores e professores, disse que é inconcebível chamar a força policial para resolver questões trabalhistas. "As cenas  de violência de hoje (ontem, dia 09/06), promovidas pela Tropa de Choque, maculam a imagem da universidade", constata o parlamentar.

Augusto em junho 14, 2009 3:25 PM


#103

Marilda e André,

Em primeiro lugar, desculpem-me pelo tom de ontem à noite. Estava derramado demais. Quis apenas dizer que a argumentação da Marilda repercute, sim, dentro de mim. Usei aquela linguagem, digamos assim, um pouco livre, porque aqui dentro de mim o clima às vezes é meio pesado, mesmo. Depois, volta tudo à tranquilidade... rs...

Em segundo lugar, uma reflexão mais cuidadosa terá que ficar para outro dia. Escrevo isto entre uma reunião e outra (por conta dos incidentes na faculdade) e com a caixa de e-mails lotada de mensagens de colegas que estão debatendo, neste momento, o que fazer a partir de amanhã.

Se der um tempinho, volto mais tarde.

Inté.

João Vergílio em junho 14, 2009 4:07 PM


#104

de: www.cartamaior.com.br

USP: os degraus da tempestade

Volta e meia fica no ar essa história (de que muito professor também participa) de que o espaço das reivindicações é “inadequado”, porque envolve o “mundo do trabalho”, e nós, professores universitários, não somos “trabalhadores”. É hora de acabar com esse anacronismo

Flávio Aguiar

Sobre esse tema, ler também: Polícia: fora da USP!

A agressão da polícia à Faculdade de Filosofia, aos estudantes, aos funcionários, aos professores, à autonomia universitária, nesta última semana, foi algo inominável. Mas não foi algo que caiu do céu, como raio em céu de brigadeiro. Tem história.

Vamos examinar alguns papéis. E pela quase primeira vez, em muito tempo nesta coluna, vou citar nomes. Até imaginando que, se quiserem direito de resposta, a Carta Maior lhes dará. Afinal, a Carta Maior, ao invés da imprensa tradicio-convencional, é um órgão da e pela democratização da mídia no Brasil.

Vamos começar pela reitora, Suely Vilela. Ela é a primeira reitora da USP, ou seja, a primeira mulher que dirige a instituição. Comecei nessa crise a ouvir (ler, pela internete, o que lingüistas me explicaram que equivale a “ouvir”) expressões a respeito dela, do tipo do nosso detestável e brasileiríssimo, “essa mulher”. “Essa mulher” fez isso, fez aquilo, etc. Não é por aí. Imagino, mas nunca ouvi, a respeito de reitores do tempo da ditadura, como Alfredo Buzaid, ou Gama e Silva, do tipo “esse homem”...

Buenas, Suely enfrenta um preconceito. Chegou à reitoria num movimento de transformação da política interna da USP, em que a pós-graduação assumia o papel de ser o espaço principal de determinação das políticas universitárias. Não era a candidata dos setores mais conservadores da universidade. Agora está nessa encalacrada.

Tem um ponto de razão: num quadro extremamente conservador, que é o do governo (leia-se, José Serra, que de ex-líder estudantil hoje só tem o verniz do passado, se é que tem) e do sistema judiciário de São Paulo, um dos mais reacionários do país, se ela não fizesse algo diante do tipo “reintegração de posse” diante da situação na USP, ela cairia. Seria talvez indiciada pelo próprio setor jurídico da USP, que é muito conservador. Mas daí a chamar a PM, vai a distância de uma escolha equivocada.

Há quem peça que ela renuncie, como meu amigo Chico de Oliveira (alô Chico, peço permissão para descordar de você...). Nada disso. Meteu-se nesta, e nós com ela, vai ter que nos tirar desta, inclusive perdendo o sono, se for o caso. A reitora foi eleita para um mandato de quatro anos, e vai ter que cumpri-lo até o fim. Vai ter que sentar e negociar, com seu vice, Franco Lajolo (também meu amigo), a saída desse pantanal em que o sinal verde para a PM (qual o papel de Serra nisso?) foi o atoleiro.

Aí, seguindo a FSP, onde estava o Chico, vêm a professora Maria Hermínia e o professor Gianotti (meu amigo também, espero que continue; da Maria Hermínia não tive o privilégio da amizade) defendendo posições que são profundamente anacrônicas, Nossa Senhora do Bom Resguardo! A professora Maria Hermínia defende que a democracia se assenta, nesse caso, sobre o direito de administrar a USP, e que isso implica na reintegração de posse dos prédios da universidade, perturbada pela ação dos piquetes. O professor Gianotti diz que as pautas de reivindicação dos movimentos são “fantasias”, e que tudo, nos movimentos, é um “faz-de-conta”. Pela Virgem de Aparecida! Parecem viver num mundo anterior a 1930!

Quero dizer: existem milhares de funcionários (não só as direções que, sim, são complicadas), de estudantes, de professores reivindicando direitos trabalhistas (esse nome é um pecado para os saudosos do pré-30), mas isso fica “no reino do faz de conta” ou então no problema de “atrapalhar a administração”. Parece que o mundo real, a que nós devemos prestar atenção, é o das estrelas, das constelações das idéias que, como num relógio ideal, pré-Galileu, pré-Copérnico, pré-Newton, pré-tudo, deveria se ajustar como a música das esferas. Até o maravilhoso mundo de Bach era mais moderno do que isso.

Buenas, aí temos a complicação dos que querem, de fato, aproveitar a oportunidade para jogar pedras na polícia. Isso existe. É verdade. Não vamos fingir que não existe, e que esse tipo de atitude está presente no meio estudantil e também no dos funcionários. O que fazer? Trancá-los num campo de concentração, como o de Dachau, aqui perto de onde eu moro, ou no DOI-CODI, perto de onde eu morava?

Na verdade, é preciso reconhecer que isso é uma realidade, isso existe, e a única maneira de impedir que eles dominem o espaço político é se antecipar, através da negociação. Caramba! Esse é o único caminho.

Quando em 1991 assinamos o protocolo de negociação com o Fórum de Reitores das universidades estaduais paulistas, mais o Secretário de Ciência e Tecnologia, os representantes das entidades sindicais das universidades, esse era o caminho aberto. Mas desde então, volta e meia e meia volta, fica no ar essa história (de que muito professor também participa) de que esse é um “espaço inadequado”, porque envolve o “mundo do trabalho”, e nós, professores universitários, não somos “trabalhadores”. É hora de acabar com esse anacronismo, que anima as posições de Gianotti, de Maria Hermínia, e também as atitudes das reitorias, muitas vezes, das universidades. Uma pauta e um calendário positivo de negociações, marcado com antecedência, e previsto para ser permanente, teriam prevenido muito dessa confusão.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior.

Augusto em junho 14, 2009 5:05 PM


#105

Augusto, Maurício, especialmente pra vocês:

“Alguns cuidados na redação de críticas

A crítica deve ser objetiva. Isso significa que ela não deve ser feita à pessoa, mas a um fato, a algo que ela fez. Em uma crítica literária, deve-se discutir a obra, não o autor. Em uma crítica ao comportamento de alguém, deve-se criticar apenas a atitude desagradável.

As críticas subjetivas, em regra, são possíveis tão-somente quando atacam uma opinião e não uma pessoa.”

Pois é, levo isso bastante a sério (embora o próprio autor do texto pareça não fazê-lo, mas sobre isso, falo depois). Não parti para o ataque pessoal contra ninguém, vejam só. No entanto, vocês não me reservaram o mesmo respeito. Me diga, Maurício, em que momento eu fui "troll"?

Pra vocês é tão importante saber o por que do "T"? Pois não: Talita. O dono do blog pode confirmar; afinal, coloco meu e-mail nos comentários. Muda alguma coisa?

Um convite educado: vamos, a partir de agora, ater as críticas às idéias, e não direcioná-las às pessoas? Eu consigo. E vocês?

Ah, quase esqueço: o texto que copiei é do próprio Túlio Vianna. Entretanto, parece que ele usou de "licença poética" ao tratar com comentaristas em seu blog. Uma pena.

Srta.T em junho 15, 2009 1:45 AM


#106

O engraçado é que o Serra conseguiu tornar simples protestos em batalhas campais (ou apenas espancamento gratuito), vide a guerra das polícias perto do palácio do governo e a recente invasão da USP.... E ninguém acha que há conexão nisso tudo? Serra não negocia, não cede, manda a PM atacar, não importa se estudantes ou... a própria polícia!

Raphael Garcia em junho 15, 2009 3:24 PM


#107

Olá, João Vergílio, boa noite.

Voltaremos a conversar em outra oportunidade. Evidentemente, a situação na universidade deve estar complicada e exigindo a presença daqueles, como você, preocupados em desatar o nó criado.
Eu também fiquei fora o domingo e segunda (em um sítio no meio do mato, sem internet), voltei agora no início da noite, quando então li teu último recado.
Obrigada pela atenção e abraço fraterno. Até mais.
Marilda

Marilda S. Costa em junho 16, 2009 12:39 AM