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Um blog sobre política, literatura, música e futebol basquetebol. Na rede desde outubro de 2004.



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terça-feira, 09 de junho 2009

Urgente! Polícia de José Serra espancando e bombardeando estudantes na USP

USP.jpg
(Foto: Márcio Fernandes)

O Sr. José Serra, que quer governar o Brasil – embora ainda não tenha oferecido nenhum motivo que dê credibilidade à sua candidatura –, demonstra mais uma vez sua truculência, seu autoritarismo, sua vocação ditatorial, sua completa incapacidade para dialogar com os movimentos sociais. O governo pelo qual ele responde enviou o batalhão de choque para reprimir a greve na USP. Eles estão atirando bombas nos estudantes (e vejam a cretinice do Globo, ao falar de "confronto").

Os alunos, no momento em que escrevo, se reuniram no prédio da História. Mesmo assim, a polícia continua bombardeando. São cenas de invasão e massacre contra estudantes que, no interior de um campus universitário, foram raríssimas mesmo durante a ditadura militar.

Esse é o aprendiz de ditador que quer governar o Brasil. O Biscoito convoca todos os tuiteiros a que enviem mensagens no Twitter com o endereço @joseserra_ para que o ditador veja que estamos solidários com os estudantes. Por favor, usem a caixa de comentários para compartilhar informações e links sobre mais essa vergonha perpetrada pelo governo de São Paulo.


Atualização com depoimento do leitor Thiago
:

Professor, sou o Thiago, leitor do sr. e estudante da USP. Como o sr está vendo, a situação lá é caótica. Alunos e professores feridos, o HU está cheio de gente passando mal, e a FFLCH está cercada. Estou no trabalho e aqui metade da net (orkut, twitter, blogspot) é bloqueada. Mas consegui contato com amigos meus que estão na FFLCH.

Relato abaixo o que ouvi de um amigo:

"A manifestação estava pacifica (dentro do possivel) com todos se dirigindo para a reitoria onde ocorreria a assembléia geral. De repente a galera se encontrou com uma viatura policial e começou a gritar (ainda pacificamente) 'fora pm do campus'. De repente uma menina tentou se aproximar dos pms pra entregar flores pra eles e eles, os pms, se revoltaram e espancaram a garota. Daí todo mundo foi pra cima deles (claro) e eles chamaram reforço. Dai a confusão começou, porque o reforço chegou atirando balas de borracha e bomba de gás. Sem dó. O pessoal tentou se refugiar na FFLCH com barricadas. A PM sitiou a faculdade, ninguém entra ninguém sai.
Continuam a jogar bombas sem parar"

A rede de wifi da usp está falhando, há um boato de que a reitora mandou derrubar. O pessoal no CRUSP tenta chegar na FFLCH mas não consegue.

Desculpe o texto mal escrito, foi a pressa e o nervosismo. Agora os meus colegas estão tentando entrar em contato com a imprensa pra colocar no ar (eu duvido que coloquem) o que tá ocorrendo na FFLCH.

A situação é dramática. Nunca pensei que veria isso acontecer.

Thiago Candido.



  Escrito por Idelber às 19:28 | link para este post | Comentários (160)


Comentários

#1

Em Florianópolis, os estudantes só apanham fora da Universidade. Policiais têm livre entrada na USP? Como é isso?

Em tempo: "Confronto entre PM e manifestantes" nunca existe. O que existe são PMs jogando bomba e manifestantes correndo. Olha o uso da preposição, Daniel Haidar!

Victor da Rosa em junho 9, 2009 7:46 PM


#2

há um estudante ferido, levado pro HU. tiro de bala de borracha: http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid384940,0.htm

thiago em junho 9, 2009 7:47 PM


#3

Então Victor, há pouco menos de 10 anos a polícia não entrava na cidade universitária de jeito nenhum. Não podia e pronto. No governo de José Serra, esta já é a segunda vez. Um ataque direto assim, é a primeira. O último confrontro direto entre estudantes e a polícia, dentro da cidade universitária, data de 30 anos, que coincide com a nossa ditabranda.

aline em junho 9, 2009 7:49 PM


#4

Victor, a PM só entra nas universidades paulistas (e imagino, nas outras também) sob ordem judicial e pedido/permissão da reitoria.

thiago em junho 9, 2009 7:49 PM


#5

O problema é que no governo do Alkmin, foi garantido um pedido/permissão/ordem judicial permanente do reitor para permitir a entrada da PM na USP quando bem entender. Detalhe que o reitor é escolhido pelo governador... dããã

Abraços e solidariedade à legítima luta dos estudantes.

Gabriel

Gabriel Dread em junho 9, 2009 7:51 PM


#6

um senhor que se pretende presidente do país, responder a um protesto pacífico, DENTRO de um campus universitário, com batalhão de choque é o cúmulo.

mas não é o máximo aonde isso chega: há quem o apoie e considere correta a atitude da "magnífica" reitora de convidar os PMs pra um chá.

thiago em junho 9, 2009 7:54 PM


#7

Pessoal, estou saindo para cuidar dos filhos. Se alguém deixar um comentário e ele não entrar, provavelmente é porque havia mais de um link. Acontecendo isso, tente outra vez com um link só. Ou me escreva.

Por favor, paulistanos, deem notícias.

Idelber em junho 9, 2009 7:54 PM


#8

Victor, houve um pedido de reintegração de posse do prédio da reitoria (que, detalhe, não estava ocupado) por parte da reitora, e que foi acatado por uma juíza. Veja em http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=7065.

Glauco em junho 9, 2009 7:55 PM


#9

A gente pode ver isso pelo lado simplista, o governador repressor manda a PM para jogar bomba nos estudantes bonzinhos. Porem o buraco sempre eh mais embaixo. Quem manda no campus eh a reitora, desde a autonomia universitahria conquistada pelas Universidades estaduais paulistas o governador nao apita nada na USP, Unicamp ou Unesp. A reitora eh levada a tomar atitudes drasticas desse nivel porque o movimento sindical universitario paulsita estah tomando desde algum tempo atitudes radicais de cunho politico de invasao e depredacao dos predios da USP. O que se repetiu esse ano. Apohs ver a reitoria ser tomadae depredada pelos estudantes e funcionarios por mais de um mes em 2007 ,certametne a reitora virou gato escaldado e nao quer hesitar em proteger o patrimonio publuico. A funcao da PM nesse caso eh de proteger o patrimonio universitario de pasme, da propria comunidade universitaria! O que na minha opiniao eh muito deprimente pois a USP e UNICAMP e Unesp sao privelegiadas de poderem discutir com autonomia os rumos da Universidade e a aplicacao do dinheiro. POrem talvez querendo criar uma luta de classes que nao existe mais o sindicalismo universitario se vale de invasoes e palavras de ordem como se os reitores fossem capitalistas sanguinarios da revolucao industrial.
Sei que serei chamado de direitao o que for, o que nao sou, apenas tento ver as coisas sem o filtro da ideologia e como membro docente da USP apoio tal atitude independente da cor politica do reitor, que tem apenas o fim de evitar a depredacao do patrimonio, permitir o uso publico do campus, e conter os abusos que o movimento sindial tem tomado que tem extrapolado a luta justa salarial.

Ricardo Leao em junho 9, 2009 7:55 PM


#10

Na PUC/RJ, durante a ditadura, a PM não entrava de jeito nenhum - o reitor não deixava.

Agora, em plena democracia, nosso candidato a Czar chama a polícia ao invés de dialogar.

PQP!

Radical Livre em junho 9, 2009 7:55 PM


#11

A insanidade completa de Serra. Triste demais o que está acontecendo na USP nesse momento.

fserb em junho 9, 2009 7:55 PM


#12

Ricardo,

ok, então foi o Reitor quem chamou a polícia? e quem colocou o Reitor lá?

Você já tinha ouvido algo parecido na história da USP?

defender o Serra está cada vez mais difícil.

Radical Livre em junho 9, 2009 7:58 PM


#13

Pois é, Idelber. Ontem eu discordava de você quanto ao blog Petrobrás e hoje me irmano a você para reclamar do Serra.
Já perguntei no twitter dele qual a necessidade de uma atitide tão extremada. É assim que ele governará o País?

Charles em junho 9, 2009 8:01 PM


#14

Minha nossa, que absurdo!
Já tem alguns cretinos no twitter dizendo que a ordem judicial vem do judiciario, não do executivo, então tudo bem! Que merda é essa?? Se isso fosse numa instituição federal já tinha marmanjo aí pedindo o impeachment do Lula e reclamando do "estado policial", e o Gilmar Mendes certamente já estaria vomitando asneiras, provavelmente teria achado uma escuta num abajur da reitoria. Como é o proto-ditador Serra no comando, os macaquinhos da claque ficam passando a culpa pro juiz. E ainda acham que os estudantes têm mais é que apanhar mesmo! É o fim da picada! São Paulo, infelizmente, consegue ser um dos lugares mais retrógrados do Mundo, quando a classe média se manifesta.

Daniel em junho 9, 2009 8:02 PM


#15

Estudantes e funcionários programaram um trancaço no portão 1 da USP, entrada da rua Alvarenga, para às 14h. Às 13h30 passei pelo portão 1, antes que qualquer manifestante chegasse. Pude avistar a PM chegando com mais de 10 blazers e dezenas de soldados. Qual era a intenção da PM?

Fernando Cymbaluk em junho 9, 2009 8:03 PM


#16

Em tempo, nao sou a favor da violencia policial e me entristece saber que houve disparod e balas de borracha e uso gahs de pimenta. Como nao estou mais fisicametne na USP e longe dos acontecimentos recentes nao posso avaliar o que gerou tais manifestacoes violentas por parte da PM que estava no campus para proteger os predios dos invasores. O que quero salientar eh que QUALQUER um de vcs na mesma situacao da reitora, tendo que zelar pelo patrimonio universitario e peloa cesso publico am campus usaria das forcas de seguranca publicas para conter os atos de vandalismo e intimidacao dentro do campus. mesmo qeu infelizmetne isso parta da comunidade universitahria.
No caso de duvida proponho qeu todos invadam o predio do Dean da Tulane e reslvam ficar lah um mes impdeindo o acesso dos funcionarios e destruindo paredes e computadores para ver o que vai acontecer.

Ricardo Leao em junho 9, 2009 8:03 PM


#17

Aê Ricardo Leão

Desde quando jogar bomba de gás lacrimogênio é "proteger o patrimônio"? Se for a polícia depredendo os prédios tudo bem?

Daniel em junho 9, 2009 8:05 PM


#18

A reitora Suely Vilela foi eleita pelo conselho universitario nao pelo reitor.

Ricardo Leao em junho 9, 2009 8:05 PM


#19

Daneil, eu soh quero a policia no campus por motivos de seguranca nao apra depredear ou atacar. A policia tbm eh um orgao publico de seguranca, nao apenas um agente repressor do estado. Nesse caso como disse naos ei avaliar o ocorrido e a principio souo contra o uso do gas lacrimogenio e violencia. Mas como nao sei o que gerou o tumulto noa posso avaliar. Logico que a falta de preparo e truculencia da nossa forcam policial nao ajuda em nada. Mas a reitora soh pode recorrer a um orgao de seguranca publcia, o qeu seria errado seria contratar jaguncos.

Ricardo Leao em junho 9, 2009 8:09 PM


#20

Pelo reitor? Pelo governador, né?
Por quê ficar nessa de tentar tirar o do Serra da reta? Ele não tem NADA a ver com a USP? Não há NADA que ele possa fazer para zelar pela integridade física dos alunos e funcionários? Ou aluno e funcionário merece apanhar mesmo?

Daniel em junho 9, 2009 8:11 PM


#21

Pior é aguentar a TV com suas "notícias bombásticas" e desfile de senso comum e apóio à violência policial!

Na Band, doloroso, tinha que ser o semi-analfabeto do Datena: "O ensino brasileiro é uma droga mas deve-se reivindicar de forma democrática porque tem gente que quer estudar".

"Não pode fazer greve, bloqueio porque tem gente que precisa estudar"

"Universidade é pra estudar, não é pra ter essa zorra. O governador ano passado foi condescendente demais pra tomar uma atitude. Chega uma hora em que o Estado tem que tomar um atitude. Quer estudar vai pra uma mesa de negociação"

"O que eu tenho a ver com o que estudante fez na França em 68?"

"porque não vão negociar ao invés de partir pro confronto? Este não é o momento de protestar, estamos numa crise, tem que negociar."

"Isso é baderna, ficar brigando com polícia"

É realmente um escroque!

Protesto não é democracia?

E quem disse que não tentaram negociar? Quem disse que os estudantes/professores/funcionários são ouvidos? Quem disse que o Governador faz alguma coisa?

Só mesmo no Brasil que uma imprensa safada, conservadora e golpista pode existir!

http://tsavkko.blogspot.com/2009/06/usp-invadida-policia-marginal-invade.html

Raphael Tsavkko Garcia em junho 9, 2009 8:12 PM


#22

Que merda que eu não tenho twitter.

Até agora, as informações que eu recebi sao meio desencontradas. Nao entendi até agora o que despertou a porrada. Porque, quando eu saí do campus hoje, por volta das 16h, o bloqueio do P! estava pacífico (embora, quando eu cheguei, muito antes do bloqueio começar, já tivesse um monte de policiais ali).

Marjorie em junho 9, 2009 8:15 PM


#23

Pelo q dizem na Band News e no UOL, um estudante "pegou um cone de trânsito". Realmente, ato violentíssimo, merecedor de severa reprimenda dos órgãos públicos de segurança.

daniel em junho 9, 2009 8:18 PM


#24

Marjorie:

Pelo que eu li no Estado um estudante pegou um cone. Crime terrível à ordem!

E depois meia dúzia de estudantes revidaram com alguams pedras o ataque da polícia... Motivo para encurralar mais de mil na fflch e espancar quem tentou negociar!

Raphael Tsavkko Garcia em junho 9, 2009 8:21 PM


#25

Idelber,

Serra é autoritário e, mais do que isso, é dado a essas bizarrices: Gosta de ser visto como o cara durão que dá saco na mesa - Crise da USP, Guerra entre polícias e agora isso.

Quando eu fiquei sabendo sobre essa nova paralisação na USP, eu já desconfiava que isso iria acontecer. Para além da questão política-partidária, também há algo mais profundo aí: O modo como as Universidades paulistanas estão sendo adestradas.

Você pega a PUC de São Paulo, que tem todo aquele trauma de ter sido invadida nos tempos da ditadura e a ex-reitora bancou a invasão da tropa da choque - e, hoje, vive às voltas com um verdadeiro estado policialesco no seu campus, expresso pela presença de seguranças terceirizados; na USP dos reitores escolhidos em lista tríplice - e uma das reinvindicações do movimento é, justamente, diretas já para reitor (como tá lá no e-mail que eu acabei de te enviar).

Enfim, os caras tão depurando um fascismozinho de quinta que já é ensaiado com a perseguição ao movimento estudantil nas grandes universidades paulistanas que se destacam em humanidades; abram o olho pra isso.

Hugo Albuquerque em junho 9, 2009 8:24 PM


#26

INvadir a reitoria e impedir o trabalho e o acesso publico ao campus nao eh negociar. O que os estudanbtes querem afinal? O fim do programa de cursos virtuais da USP. para isso invadem o predio da reitoria? para lutar contra a democratizacao do ensino da USP?

Ricardo Leao em junho 9, 2009 8:25 PM


#27

É isso mesmo, Ricardo: Pau na molecada e viva Serra!

Hugo Albuquerque em junho 9, 2009 8:29 PM


#28

Ricardo:

A reivindicação vai além do que vocÊ disse. Também é por salário digno, condições de trabalho e saída da PM da USP, eleições diretas e mais algumas outras coisinhas.

Serra não negocia, a reitoria não negocia. O que se faz nessa situação? Olha o tempo passar? Finge que não aconteceu nada?

Ou se mobiliza?

Os estudantes, funcionários e professores resolveram lutar, fazer greve e dar visibilidade à ela, invadiu, protestou e nem assim Serra apareceu pra negociar, nem assim a reitoria aceitou falar.

Preferem mandar a PM baixar o sarrafo.

Típico de um Estado autoritário.

Raphael Tsavkko Garcia em junho 9, 2009 8:36 PM


#29

Eu ia pra USP hoje, teria aula na ECA, mas meu prédio original é a FEUSP. Várias colegas minhas estavam nesta manifestação, na nossa última assembléia na FEUSP tivemos um recorde de comparecimento de 350 alunos, antes mesmo da tropa de choque entrar no Campus, as mudanças que Serra IMPÕE são o mais forte motivo desta greve por parte dos Estudantes. Como pedagoga minha maior preocupação é a ausência de critérios no desenvolvimento do projeto de universidade virtual, diante deste quadro só posso dizer que este é mais do que um desrespeito à educação (e Serra tem sido ótimo nisso) é um atentado à liberdade de expressão.

Fernanda Ribeiro em junho 9, 2009 8:41 PM


#30

Atualizei o post com a reveladora foto de Márcio Fernandes. Parabéns ao fotógrafo. E a campanha no Twitter está bombando.

Idelber em junho 9, 2009 8:43 PM


thiago em junho 9, 2009 9:06 PM


#32

Absurdo o que está acontecendo na USP e absurdo que a reação seja tentarem "provar" que o Serra não tem nada a ver com isso.

daniel em junho 9, 2009 9:17 PM


#33

Prezado Idelber,

Sou professor aposentado da USP.

O Serra, no qual não votarei nem amarrado, não tem nada a ver com a repressão na USP. A entrada da policia no Campus foi pedida pela reitora. Falar em "policia do Serra" não acrescenta nada e utiliza as mesmas táticas que voce tem criticado em outras situações.

A radicalização dos funcionários em greves passadas era muito forte. Acredito que continua pelo que colegas tem me contado.

Um abraço

Gaspar em junho 9, 2009 9:22 PM


#34

Caríssimo Gaspar: uma polícia militar estadual é de responsabilidade do governador do estado. Ele responde por ela. Entendo que a reintegração de posse é pedida pela reitora, mas o uso da força é responsabilidade do governante. Ele poderia ter optado pela negociação.

Não é coincidência o fato de que os dois estados onde ocorreu mais violência policial nos últimos anos tenham sido o Rio Grande do Sul e São Paulo. Sugiro o acompanhamento no Twitter, que vem trazendo depoimentos quase minuto a minuto acerca das escolhas feitas pela Polícia Militar, escolhas pelas quais o governador tem, sim, que responder.

Forte abraço.

Idelber em junho 9, 2009 9:26 PM


#35

Post atualizado, com depoimento do Thiago.

Idelber em junho 9, 2009 9:36 PM


#36

Idelber,

Estou escrevendo agora meu testemunho sobre ato. Por sorte da minha integridade física, saí de lá do Portão 1 da USP meia hora antes do bombardeio, porque imaginei que o movimento estava se desagregando. Ao chegar em casa, dei de cara com esses horrores na TV. Vou editar o post e citá-lo lá também agora: http://folhademacondo.blogspot.com/2009/06/conflito-na-usp.html
Um abraço.

Beto em junho 9, 2009 9:39 PM


#37

Prezado Idelber,

A policia não é do Serra. A policia é do estado. Pode se criticar a violencia da mesma, pode se criticar a escolha dos dirigentes pelo govermador, ms creditar ao panaca do Serra as atitudes de policia cumprindo uma ordem judicial em parece propaganda.

Gaspar em junho 9, 2009 9:39 PM


#38

O governante de um estado responde pelas atitudes das forças repressivas daquele estado. Isso é o básico do básico, thank you very much.

E a "propaganda" vou fazer depois. Por enquanto estou preocupado com meus amigos sitiados na FFLCH.

Idelber em junho 9, 2009 9:44 PM


#39

A PM cumpre ordem judicial, mas seu comandante em chefe é o governador do estado. Não esqueçam.

Regina Ramão em junho 9, 2009 9:49 PM


#40

Idelber eu estava lá, foi um horror, nunca vi nada parecido, o que choca é a DESPROPORÇÃO:helicópteros, balas de borracha, cacetes, bombas de gás lacrimogênio, universidade sitiada sem poder entrar e sair.
Tentei fazer um breve relato pelo twitter.
abraços

Conceição Oliveira em junho 9, 2009 9:51 PM


#41

Eu estou chocado com o que está acontecendo na USP. A PM agindo em um campus universitário com bombas e balas de borracha? um centro de conhecimento que deveria ser um lugar extremente democrático e de diálogo. Se isso acontecesse em alguma das universidades públicas aqui de Pernambuco, o Palácio do Campo das Princesas a essa hora estava cercado por estudantes, professores e funcionários. Ou governador negociava ou fugia nadando pelo Capibaribe. Ainda bem que Eduardo Campos tem um perfil mais conciliador do que José Serra.

Brivaldo Rafael em junho 9, 2009 9:51 PM


#42

Curioso é que no assalto ao caixa eletrônico do Banco do Brasil, semana passada, a PM foi chamada 4 vezes. Apareceu depois que os ladrões já se tinham ido. Estranho, não?

Serra quer ser presidente? Vai ficar querendo. E vocês, estudantes, funcionários, professores e sindicalistas da USP, por favor, parem de apanhar dessa gente. Já encheu. Aprendam com a torcida do River Plate como humilhar a PM. No dia em que essa gente voltar aos pedaços para o quartel, muita coisa vai mudar. Já chega de ficar se fazendo de vítima.

Giovanni em junho 9, 2009 9:57 PM


#43

Precisamos esperar notícias mais precisas. As primeiras que nos chegam dão conta de que a polícia apenas reagiu à provocação dos estudantes, professores e funcionários da Universidade de São Paulo. Tentaram forçar a retirada da polícia, que estava no campus por ordem da Justiça, e foram rechaçados.

Há diversas versões a respeito de quem são os culpados dessas cenas lamentáveis que estamos vendo na televisão. Na minha opinião, na raiz de todos os males está um certo estilo de reivindicação adotado por alunos e funcionários que absolutamente não condiz com a democracia e com o estado de direito. Esse estilo está baseado no uso de dois instrumentos que deveriam ser banidos da vida universitária: os piquetes e a invasão de prédios públicos.

Nos piquetes, funcionários e alunos que não quiseram aderir à greve são constrangidos fisicamente a fazê-lo. Numa das vezes em que a polícia foi chamada, quem a chamou não foi a reitora, mas uma aluna que queria entrar, e foi impedida de fazê-lo. Nâo tenho nada contra piquetes de convencimento, realizados no saguão, no pátio e nos corredores. Mas empilhar carteiras, ocupar salas de aula e trancar portas é impedir as outras pessoas de exercer o seu direito de não reconhecer a legitimidade, oportunidade ou correção da greve. É uma atitude autoritária completamente incompatível com o estado democrático de direito.

Na invasão de prédios públicos, há uma quebra da ordem legal e uma ameaça ao patrimônio pelo qual a reitoria tem o dever de zelar. Não sei se a reitora estava correta de um ponto de vista pragmático. Talvez ao chamar a polícia, tenha acirrado inutilmente os ânimos. Se não levarmos em conta fatores desse tipo, a reitora fez aquilo que pode e deve ser feito nessas ocasiões: chamou a polícia.

Ou nós renunciamos a formas violentas de manifestação, ou nós assumimos de uma vez que a violência nesses confrontos é inevitável, e deixamos de nos comportar hipocritamente como se fôssemos vítimas. Aí, a única coisa que eu gostaria de saber é de onde virão as armas.

João Vergílio em junho 9, 2009 10:07 PM


#44

Na verdade, o problema é que em todo tipo de greve que o governo enfrentou Serra simplesmente se negou a negociar. Não é assim que as coisas funcionam, ainda mais numa presidência.

Andre Kenji em junho 9, 2009 10:10 PM


#45

João: você já analisou o porque do movimento ter chegado a este ponto? Você lembra que há pouco tempo atrás outra greve gigantesca não deu em nada porque Serra se recusou a negociar?

Agora se recusou de novo, o movimento se radicalizou ainda que, fato, não tenha relação alguma com o cacete da polícia hoje.

Foco, por favor, a questão hoje é a quebradeira que a PM arranjou sem ter sido provocada.

Raphael Tsavkko Garcia em junho 9, 2009 10:16 PM


#46

Ricardo Leao

Qualquer um de nós no lugar da reitora estaria conversando com os estudantes e funcionários. Foi a recusa dela em sentar para negociar que levou à ocupação da reitoria em 2007 (quando a única coisa "depredada" foi uma porta de vidro) bem como ao absurdo que se viu hoje.
Essa fraqueza de pulso demonstrada por ela anteriormente e reiterada agora leva realmente a pensar quem é afinal que manda, se ela ou o governador. O aparente temor que ela sente em estar diante de uma comissão de alunos ou funcionários leva a dois raciocínios, ou se trata da mais pura inaptidão ou de fato ela não tem qualquer autonomia para decidir e, sendo este o caso, poderia, em meio à pressão de uma reunião de negociação, vir a fazer algo que contrariasse instâncias mais altas, cedendo onde talvez não pudesse ceder. Qualquer que seja a resposta, no entanto, o fato é que Suely Vilela é uma das mais inexpressivas figuras que já ocupou a reitoria da universidade em toda sua história.

Cláudia em junho 9, 2009 10:19 PM


#47

Não sei se não foi provocada, Raphael. Isso, veremos. Por tudo que sei sobre a USP, acho que foi provocada, sim. Ontem, os ânimos já estavam exaltados.

Funcionários e alunos têm que abdicar de fazer piquetes violentos e de invadir prédios públicos. Enquanto persistir essa tática, incidentes como esse irão se repetir.

Universidade não é lugar de piqueteiros, nem de invasores. É lugar de diálogo, de argumento. Fazer uma greve é perfeitamente normal. Só que, na USP, quando não se consegue suficiente adesão da comunidade, lança-se mão de expedientes desse tipo para que a paralização saia "na marra".

É uma vergonha isso que está acontecendo. A sociedade está rindo da USP.

João Vergílio em junho 9, 2009 10:20 PM


#48

Fechar a Afrânio Peixoto é pacifismo???
O tal do Brandão instigar violência é pacifismo??
Pq não andaram pela Usp ao invés de atrapalhar TODOS os moradores do Butantã?????

A Polícia só estava reestabelecendo a Ordem, já que com esses professores, o Progresso foi para o saco mesmo.

Ricardo Cobra em junho 9, 2009 10:24 PM


#49

Cláudia #46,

MELHOR comentário. É bem isso mesmo.

Marjorie em junho 9, 2009 10:26 PM


#50

"É lugar de diálogo". Deveria ser, João Vergílio, só falta a reitora entender isso.

Valeu, Marjorie.

Cláudia em junho 9, 2009 10:32 PM


#51

João Vergílio, não se pode tratar com tamanho pragmatismo a relação entre as atitudes dos alunos, funcionários e professores vs. a reação da polícia. Quero dizer, você não acha que há outras respostas possíveis pra uma greve, um piquete, uma passeata? Será que o melhor que nós, de fora, podemos dizer é "vocês já sabiam?". Não é um dedo na tomada. É uma tropa de choque sitiando alunos na Faculdade de Ciencias Humanas. Eu acho tão, tão triste...

aline em junho 9, 2009 10:33 PM


#52

Qual a solução? O estado ser refém de gente que faz greve toda vez que seus partidos dão a ordem? Que o estado fique observando quieto toda vez q tem greve perto de elições estaduais ou federais? Que paus mandados de PT, PSTU e afins fiquem brincando de greve enquanto tem gente séria, honesta que quer estudar, lecionar?

Lamentável o uso da violência, mas esse discursinho do miolo mole de "não sabe dialogar com movimentos sociais" não engana ninguém. São movimentos POLÍTICOS, a mando de partidos de esquerda e massa de manobra para época de eleições.

De novo, não enganam ninguém. A intenção dessas pessoas é bem clara, e pasa muito longe do social.

Rodrigo Leme em junho 9, 2009 10:40 PM


#53

Nós temos que fazer essa autocrítica, Aline. Enquanto persistirem essas táticas violentas, essa situação vai se repetir, seja lá quem for o reitor, ou o governador do estado.

Alunos já chegaram quase a se pegar dentro da sala de aula por conta do uso dessas táticas. Um aluno quer assistir à aula, o outro quer impedi-lo a todo custo. Isso não tem cabimento. Greves são coisas absolutamente normais numa sociedade democrática, mas ninguém tem o direito de obrigar fisicamente seus colegas a aderirem ao movimento. Isso tem que acabar. É insuportável conviver com esse tipo de violência toda vez que se inicia um movimento grevista na USP.

João Vergílio em junho 9, 2009 10:40 PM


#54

Olha, eu até tenho minhas críticas ao movimento estudantil. Mas não se pode misturar coisas que são de ordens distintas: possíveis erros de um movimento, potencial corporativismo de um movimento, etc., por um lado, e uma ordem executiva para invasão de campus universitário com tropa de choque e bombas.

Convido a todos a que entendam que são coisas de dimensões distintas, moralmente diferentes. Palavras do grande jurista mineiro Túlio Vianna no Twitter: :

Judiciário não dá ordem para tropa de choque invadir campus. Este tipo de decisão cabe ao poder executivo a quem a polícia está vinculada.

Idelber em junho 9, 2009 10:43 PM


#55

O senhor Idalber poderia dizer quais são as opções do governo do estado:

1. Capitular e dar tudo que os "estudantes" querem.
2. Se recusar a capitular e ver a ocupação continuar ad infinitum.

O Sr, Idalber quer, de maneira bem cínica, fazer achar que se o Serra conversasse com esse povo, q eles iriam desistir da invasão. Sendo que o objetivo destas pessoas é fazer política visando 2010, não ter qualquer reinvidicação atendida.

O senhor Idalber, ao mesmo tempo que faz pose de indignado neste blog, deve comemorar no seu canto porque o objetivo desta "greve" (segunda greve na USP por nada) foi atingido.

Onde estava a indignação do Sr. idalber quando alunos e professores foram agredidos por canalhas que fingem estudar na USP por quererem estudar enquanto uma parte dos alunos queria fazer greve? A indignação do Sr. Idalber é seletiva, somente para as câmeras de seu blog...

E é duro ver gente que acha que só a direita possui paus mandados e ferramentas de manipulação...

Rodrigo Leme em junho 9, 2009 10:45 PM


#56

E pior: invadindo o campus, coisa que, salvo em 1969, nem ditadura ousou depois.

Armando do Prado em junho 9, 2009 10:45 PM


#57

Olá a todos,

A questão da "provocação", neste caso, me parece deslocada, mas vamos lá.

Há o relato de que quando a tropa de choque chegou ao prédio da História e Geografia, estava em andamento a assembleia da Adusp. Ou seja: estavam reunidos os professores debatendo a situação da greve. E foram atingidos, no hall do prédio, por bombas de gás.

Portanto este é pelo menos um exemplo de instância em que a tropa de choque atacou SEM ter havido provocação. A menos que se considere que fazer assembleia da Adusp é fazer provoação.

Esta situação toda é de uma excepcionalidade assustadora.

Maria Clara em junho 9, 2009 10:49 PM


#58

O Sr, Idalber quer, de maneira bem cínica, fazer achar que se o Serra conversasse com esse povo, q eles iriam desistir da invasão

1) Não discuto política com verbos no imperfeito do subjuntivo. O fato é que Serra nunca negociou, nunca se dispôs a negociar.

2) Só discuto política com quem sabe, no mínimo, escrever meu nome. Na minha casa, é o básico do básico.

Idelber em junho 9, 2009 10:50 PM


#59

Postei um comentário do Demétrio, doutorando da FFLCH, que também esteve lá na USP hoje. Vale a pena ler (http://guaciara.wordpress.com/2009/06/09/a-usp-e-a-pm/)

Lauro Mesquita em junho 9, 2009 10:51 PM


#60

Idelber,

Está se formando um clima de confronto oco entre bandos de estudantes enfurecidos. É urgente que estudantes e funcionários renunciem a métodos que só são menos eficientes e contundentes que os utilizados pela polícia, mas que estão baseados no fundo no uso da força. Quando você mete o pé no vidro da reitoria para forçar a entrada no prédio, você saiu dos marcos institucionais. Não tem mais como ficar chorando quando a polícia chegar. Pode, no máximo, dizer que a reitora não soube negociar, etc. Ela não soube negociar, mas os estudantes e funcionários também não souberam. Não estamos mais numa ditadura. Há canais institucionais abertos, e é preciso utilizá-los. A política de confronto dos estudantes e dos funcionários ainda vai acabar em tragédia. Isso não está certo, Idelber. Amanhã, vou para a universidade e vou, é claro, ficar ao lado de alunos, professores e funcionários. Mas precisamos repensar essas formas de luta rapidamente. Não dá mais para tapar o sol com a peneira.

João Vergílio em junho 9, 2009 10:54 PM


#61

Idelber,

Um amigo meu que fazia cooper no campus, sofreu com o gás lacrimogêneo, duas estudantes que moram na mesma pensão que eu, também. Meu orientador acaba de enviar-me e-mail dizendo que recebeu "recomendacao de cancelar as atividades que faria la amanha", pois "O ambiente esta muito dificil".

Beto em junho 9, 2009 10:54 PM


#62

Se faz bem ao Sr. IdElber, erre meu nome também. Usar isso como recurso para não debater é esquisito, pra se dizer pouco.

E para mim é claro porque o Serra não debate com esse povo: porque é de conhecimento até dos tijolos da USP a mando de quem eles estão. É aquele mato de onde não sai coelho.

Mas há uma razão nisso: o Serra tomou a pior decisão possível. Imagino que entre os pelegos da USP e os alunos profissionais (aqueles jubilados que só servem de agitadores políticos com carteira registrada) devem estar comemorando.

O plano foi bem sucedido. Azar do Serra.

Rodrigo Leme em junho 9, 2009 10:55 PM


#63

Beto: Tuitei seu testemunho. Deve chegar muita gente lá no Folha de Macondo. Obrigado por testemunhar. É fundamental nestas horas.

Idelber em junho 9, 2009 11:02 PM


#64

Professor Gaspar,

Pelo que eu saiba não houve ocupação (como ocorreu em 2007 e a meu ver por uma causa justa, contra o decreto de 04/01 que retirava a autonomia da universidade pública). Desse modo nem a justificativa de 'reitegração de posse' para sustentar a entrada da polícia no Campus havia.

Pelo que acompanhei durante 1:30 que tentava entrar no campus (um esquema com DSV no entorno da área que iniciava na Eliseu altura com o farol da Raposo Tavares)no qual os guardas se comunicavam por celulares, pareceu-me uma ação prévia e acredito que ela se deu pela inabilidade da atual reitora com a anuência do governador, temendo que houvesse ocupação como em 2007.

Hoje, além da assembléia da ADUSP (que foi literalmente bombardeada, professor Kabengele foi e sequer conseguiu entrar, fugindo das bombas) ocorreriam outras atividades de mobilização PACÍFICA é bom que se ressalte. Mas nada aconteceu com a ação desproporcional do Estado contra a comunidade universitária.

Conceição Oliveira em junho 9, 2009 11:03 PM


#65

Alguém aí sabe de algum blogue dos estudantes da USP?

henrique rodrigues em junho 9, 2009 11:05 PM


#66

Nada no mundo acontece por nada, por acaso. A crise que vemos hoje na maior universidade do país é consequência principalmente de vários fatos que foram se somando, desde a posse da atual reitora, como definiu bem a Cláudia, num comentário anterior, "uma das mais inexpressivas figuras que já ocupou a reitoria da universidade em toda sua história".

Na greve de 2007, Suely Vilela destacou-se pela omissão total, por não querer diálogo, pela falta de sensibilidade política e pela submissão total ao governo estadual. Ela que, na sua função, deveria estar defendendo os interesses da comunidade USP, não fez mais que agravar o estado de sucateamento físico e moral pelo qual passa a instituição que já foi um centro pioneiro de pesquisa, cultura e consciência política.

São muitos os motivos dos protestos: baixos salários, mudanças "na calada da noite" na carreira dos docentes, a implantação de cursos a distância completamente descaracterizados para justificar corte de verbas, esses são só os principais motivos da greve. Há os crônicos, aos quais até acabamos nos acostumando. Os prédios - com exceção de alguns, como o da FEA - estão caindo aos pedaços, o nível dos cursos baixando cada vez mais, a pesquisa a serviço das empresas. É preciso mudar quase tudo.

O que aconteceu hoje já era previsto, desde que a PM ocupou a USP, justificando "reintegração de posse". A violência já estava aí.

A USP nada mais é que reflexo da sociedade. E o mais triste é ler opiniões de pessoas mal informadas, ver que a maior parte da classe média paulistana, que se julga representativa da "sociedade" brasileira, só sabe olhar pro se próprio umbigo. Rir da USP, meu caro, é rir da propria desgraça.

Myriam Kazue em junho 9, 2009 11:06 PM


#67

Poxa, mas esse governo investe demais na educação! É dinheiro e mordomia demais!

ONDE JÁ SE VIU?! Aula de História, Democracia & Ditabranda com reencenações e RPG LIVE?!?!?!

Alberto em junho 9, 2009 11:07 PM


#68

Conceição, foi uma ação prévia.

Eu cheguei à USP bem antes de começar o bloqueio e já estava CHEIO de guardas diante da loja da Tocco, na frente do P1, e da Fuvest. Vários outros tbm chegavam de moto. O motorista do ônibus onde eu estava abriu a porta e perguntou para um policial: "está acontecendo algo aí dentro?". E o policial: "não sei de nada, só mandaram a gente vir aqui".

Eu acho que polícia trabalha desinformada e às vezes até enganada, viu. Eu lembro que, na manifestação de 2007, um policial disse para uma amiga minha: "é que falaram para a gente que vcs queriam invadir o palácio dos bandeirantes". Oi?

Marjorie em junho 9, 2009 11:10 PM


#69

João Vergilio se estivesse lá hoje e visse o campo de batalha armado talvez tivesse opinião diferente.

Nada justifica que se jogue bombas de gás em uma assembléia da ADUSP (nunca vi professores da USP 'agitarem' nada, 'provocarem policiais etc. acusações que sempre caem nos ombros dos funcionários e estudantes).

É inadimissível o que ocorreu, estamos em uma democracia e temos direito de nos reunir, nos manifestar e repudiar a destruição lenta da universidade.

Conceição Oliveira em junho 9, 2009 11:10 PM


#70

É impressão minha ou as mulheres estão dando um show de sensatez nesta caixa?

João Vergílio: eu entendo seu ponto de vista, meu cabra. Eu sou um velho crítico de alguns métodos do movimento estudantil. Acho, por exemplo, que estudante não tem nada que dar pitaco em política curricular, por exemplo. É uma contradição em termos: se está lá para aprender, como quer definir currículo? Também defendo a posição pouco popular de que estudante não tem nada que ter voto paritário em eleição para reitor. Ora, se o cabra vai ficar lá por 4 anos, por que teria que ter o mesmo peso?

Mas quando você diz Enquanto persistirem essas táticas violentas, essa situação vai se repetir, seja lá quem for o reitor, ou o governador do estado, você ignora que o movimento estudantil é o mesmo, mas esse tipo de coisa acontece sistematicamente nos governos de José Serra e de Yeda Crusius. Caramba, não é coincidência!

São duas discussões distintas, João. Não dá para usar uma para sufocar a que agora é urgente: a criminosa truculência do Executivo paulista.

Idelber em junho 9, 2009 11:13 PM


#71

Toda soliedariedade do mundo aos estudantes da USP, e tão ação não é motivo mais do que suficiente para abrir-se uma ação civil pública, ou coisa do tipo para derrubar o governador?

João Vicente em junho 9, 2009 11:13 PM


#72

Acho difícil opinar tendo como base tão parcas informações, mas pelo que conheço do movimento sindical universitário, não se quer negociar nada, ou quase nada. Não à toa, tais greves têm tão pouca adesão, sobretudo entre professores e alunos. E a tônica é sim a da intimidação e violência. Ao contrário do que faz crer o Idelber, com raras exceções (na minha universidade, ainda bem, isso é válido), a "ordem" da mobilização estudantil e sindical é sim a do confronto e da intimidação. Não é ingenuidade ou desvio - é intencional. É claro que, como em 2007, que boa parte dos estudantes adere de boa fé, mas, como ficou evidente então, fazem o jogo de gente que entre para outro jogo - o da política partidária. Assim, há efetivamente ordens distintas de violência, mas da seguinte forma: uma, ilegítima e ilegal (a coação de uma minoria sobre uma maioria), e outra, apesar dos pesares, ao menos legal. O que me leva à pergunta: ok, o Serra é o responsável pela invasão? Mas pode o chefe do executivo não mandar a polícia executar uma ação determinada por mandato judicial? Fico numa sinuca de bico, pois se eu fosse o Serra fazia tudo para evitar o aparato todo posto em ação hoje. Por outro, entendo que ele está coberto pelo flanco legal.

João Paulo Rodrigues em junho 9, 2009 11:14 PM


#73

obrigada, Marjorie, então isso comprova a minha hipótese inicial ao perceber a movimentação no entorno com o DSV e os celulares. Terrível isso, lembra mesmo os anos de chumbo.

Conceição Oliveira em junho 9, 2009 11:17 PM


#74

"ok, o Serra é o responsável pela invasão?"
Sem o "?", claro.

João Paulo Rodrigues em junho 9, 2009 11:21 PM


#75

A hora que SP e RS tiverem governos petistas, não oorre mais greve. Simples assim. Aí perde o sentido, o propósito.

Os jagunços jubilados e os pelegos voltariam às cavernas, esperando o momento do governo de direita voltar.

Rodrigo Leme em junho 9, 2009 11:21 PM


#76

Enfim, o comentário tem o sentido de expressar minha angústia com essa situação.

João Paulo Rodrigues em junho 9, 2009 11:22 PM


#77

E quem acha que os estudantes, funcionários e professores da USP são "massa de manobra" de partido x, y, z, não faz sequer idéia do que acontece ali dentro. Aliás, diria que manobrado é quem diz uma bobagem dessas. Lá há tanta pluralidade de idéias que, às vezes, isso até se torna um problema no momento de se estabelecer a pauta de negociação.

Cláudia em junho 9, 2009 11:25 PM


#78

Poxa, Idelber,

Fico imensamente lisonjeado pela sua consideração. Espero estar fazendo jus a ela.
Abraços.

Beto em junho 9, 2009 11:28 PM


#79

"É impressão minha ou as mulheres estão dando um show de sensatez nesta caixa?"

Nesta somente não, Idelber, em todas as caixas, faça o favor.

Cláudia em junho 9, 2009 11:28 PM


#80

O uso de tropa de choque contra estudantes desarmados é emprego desproporcional de força. É coisa de comando truculento, irracional, bruto. Atenta contra a noção de bom policiamento que deveria ser desenvolvida - não somente em São Paulo.

Eu fico perplexo de ver gente (jornalistas inclusive) relativizando o absurdo de usar esse grupamento policial, de choque, para lidar com universitários e professores. Desarmados!

Para quem não sabe, pelotão de choque é treinado para agir em situações onde existe violência em curso ou grave risco à vida ou à integridade de pessoas. Ponto. Um pelotão de choque pode até ser chamado para ficar de prontidão, pode até fazer isolamentos, mas só deve intervir quando existe violência ou risco à integridade das pessoas.

Violência (sem metáforas simbólicas) é homicídio, latrocínio, sequestro, lesão corporal, roubo (existe coação da vítima), estupro, atentado violento ao pudor. Ponto. Os "baderneiros" da USP não cometeram esses registros e não havia indícios de que cometeriam. Isso está claro. Ou seja, podem ser trogloditas ideológicos, seguidores da seita do PSTU, mas não são criminosos violentos.

Houve violência na USP? Sim, houve: lesão corporal sofrida pelos manifestantes, provocada pela PM. Isso torna a PM um demônio. É um erro crasso do comando da corporação (e o comandante-em-chefe é o governador José Serra, professor Gaspar).

Não se usa pelotão de choque contra manifestantes, que têm direito de organização e protesto pacífico garantidos pela Constituição Federal (cláusula pétrea). É muito mais lúcido colocar um policial habilidoso a negociar com os líderes da manifestção e estabelecer limites razoáveis ao protesto.

O uso da força contra pessoas desarmadas transforma a PM, que deve ter o respeito de todos, em uma corporação odiada. A Polícia não tem que ser adorada pela direita e detestada pela esquerda. A Polícia deve ter o respeito de todos. Como respeitar quem tenta calar um protesto com gás, bala de borracha e cassetete?

A PM pode ser inteligente. No RS, durante o governo de Geramno Rigotto, depois de uma pequena indisposição num protesto, possivelmente forçada por manifestantes "baderneiros", o que o governo fez? Colocou policiais mulheres na linha de frente para acompanhar uma manifestação de professores. Isso é ser inteligente. Nessas circunstâncias, alguns homens do choque ficavam atrás, protegendo a entrada do Palácio Piratini. Sabe o que aconteceu? Nada. Não houve mais registros de indisposição entre os policiais e os manifestantes.

Aí veio Yeda Crusius, o coronel Paulo Mendes e... bem, não preciso me alongar mais sobre o que aconteceu.

Fábio Carvalho em junho 9, 2009 11:28 PM


#81

E é fundamental lembrar que tb foi na gestão Serra que a greve da Polícia Civil se transformou em uma guerra campal entre eles e os militares em frente ao Palácio dos Bandeirantes.

Esse é essencialmente um governo que prima pela ignorância e pela absoluta falta de diálogo com a população.

Se beneficia da absoluta falta de pressão do noticiário.

Lauro Mesquita em junho 9, 2009 11:29 PM


#82

@joseserra_ Sua persona de médico tranquilo, sadio e sereno esconde sua real face: A não dialógica, inflexível e digna de Kim Jong-Il. about 4 hours ago from web

@joseserra_ Nem animais merecem tal tratamento. "Me trata com o teu trato que eu te devolvo o teu trato!" about 4 hours ago from web

Moura, Igor. em junho 9, 2009 11:30 PM


#83

Rodrigo Leme,

Eu trabalho com policiais, meu caro. O governo Rigotto era do PMDB - e não do PT.

Fábio Carvalho em junho 9, 2009 11:31 PM


#84

Eu fiz curso da PM (não cheguei a ser, pois optei pela PC) e seu chefe e sim o Governador do estado. Não podemos esquecer, a PM responde diretamente ao poder executivo. É tanto que as nomeações de coronéis e dos Comandantes-gerais são sempre feitos pelo governador.....

Edk em junho 9, 2009 11:35 PM


#85

As imprensa, e principalmente os neocons mais ferrenhos vivem reclamando que a Venezuela é uma ditadura, e coisa do tipo, mas uma coisa eu digo Chavez não suprimiu a oposição, ela simplesmente desistiu, Chavez não fechou nenhum jornal, e eles continuam a critica-lo, agora no Estado de São Paulo, a predominância de aliados do PSDB é tamanha, que nenhuma cpi foi instaurada na assembleia legislativa, e tudo que o governador faz a imprensa nem ousa criticar, coloca em um pedestal pois foi o farol da humanidade que vez. Resumindo, lugar com pouca chance de crítica construtiva, e com repreensão à manifestantes contrários o governo, não é na Venezuela, é no Brasil, dentro de uma reles província, a imprensa passa anos tachando Chavez de ditador, mas esqueceu que todo esse tempo o aprendiz de Pinochet estava no palácio dos bandeirantes.

João Vicente em junho 9, 2009 11:36 PM


#86

Jão Vergílio, eu tb acho que a greve, os piquetes, coações e ocupações, enquanto isntrumento de mobilização e reivindicação, estão desgastados e ocos. Aliás, eu tbm acho que são errados, quando colocamos na roda que aqueles que não aderem sofrem repúdio e enfrentamento de toda ordem. O movimento estudantil uspiano - que é o que conheço, costuma ser radical e pouco tolerante a críticas em momentos de crise. Mas. Mas. Uma situação dessas. Peloamor. Ainda que fossem em igual número (e absolutamente não são), não se pode comparar pedras com bombas. Nem objetivamente, nem simbolicamente. Sobretudo simbolicamente. A equação é completamente desequilibrada, ainda que os manifestantes estejam em maior número. Porque os policiais não estão lá para negociar, estão lá única e exclusivamente para exercer a força e fazer valer o poder estatal. Que a rigor, é uma instituição pública. Se é verdade que o movimento estudantil não sabe se reinventar, o poder público não sabe se construir enquanto tal. Então embora não vivamos numa ditadura, presenciamos atos cuja concepção de fazer político muito se aproxima das práticas ditatoriais...

aline em junho 9, 2009 11:39 PM


#87

desculpa, desculpa: João Vergílio. É a pressa em digitar.

aline em junho 9, 2009 11:41 PM


#88

Questão filosófica, qual indicativo é maior de falência da civilidade de um Estado, os estudantes e funcionários serem obrigados a recorrer a medidas extremas, para tentarem chamar atenção das autoridades para os problemas existentes dentro dessa repartição pública, ou o mesmo governador recorrer a um ato que nem mesmo um regime ditatorial recorreu???

João Vicente em junho 9, 2009 11:43 PM


#89

Chego agora em casa. Não vi TV mas aqui no blog e no twitter já tomei um (batalhão de) choque: voltou a ditadura? Bater em estudante é coisa que vi quando estava na ufmg, anos 70... o filme recomeçou? Absurdo!

Cláudio Costa em junho 9, 2009 11:47 PM


#90

Prezado Idelber,

Fiquei longe de meu computador até agora. Estava em uma reunião toamndo uns chopinhos com colegas ainda na USP. Acredito que voce não faz a menor ideia de como agem os funcionarios desta Universidade em suas greves. Eu mesmo tive que pular várias vezes muros para poder ir trabalhar. Os funcionários em greve fecham a Universidade e eu que não estou em greve não posso ir trabalhar.

É preciso viver uma greve de funcionários da USP para saber do que se trata. Eles não tem quase nenhum apoio entre os professores. Atualmente os funcionários não docentes, e somente eles, estão em greve a mais de 25 dias e a Universidade continua funcionando normalemente com exceções de alguns prédios onde eles não permitem a entrada de funcionários que queiram trabalhar.

Duvido que qualquer reitoria, mesmo uma fraca come esta, se rebaixe a falar com um governador para decidir que atitude tomar.

Para terminar gostaria de me expressar tão bem como fez o João Vergilio.

Volto a afirmar não voto no José Serra nem para síndico de prédio mas não acho que cabe a ele a culpa direta pelo que aconteceu hoje na USP.

Gaspar em junho 9, 2009 11:52 PM


#91


Amanhã, estarei lá bem de manhazinha com todo mundo, Aline. Enquanto estivermos enfrentando essa barra, aliás, nós a enfrentaremos juntos. Mas, depois que essa zorra passar, teremos que conversar direitinho. As coisas ultrapassaram qualquer limite aceitável.

João Vergílio em junho 9, 2009 11:53 PM


#92

Embora a culpa tenha que ser relativizada, a responsabilidade não.
Ou seja, responsabilidade direta do governador...

Edk em junho 9, 2009 11:55 PM


#93

Sou estudante da USP, acabei de chegar em casa, quase sem acreditar que consegui.

Nunca imaginei que veria acontecer as coisas que vi hoje, sempre achei que essas cenas pertenciam a um passado repudiado por todos... pelo visto não só é algo do presente, como há pessoas que acham normal e correto. Vide o Governador, a reitora..

Luisa em junho 9, 2009 11:56 PM


#94

Luisa, qual é o seu Twitter? O link que você deixou é só twitter.com. Quero te acompanhar lá.

Idelber em junho 10, 2009 12:00 AM


#95

Isso é uma vergonha e um abuso inaceitável, uma excrescência em plena era democrática. José Serra só age assim porque sabe que a muito mal chamada "grande mídia" vai distorcer tudo - como já vem fazendo, ao tratar do ocorrido como "confronto" -, fazendo a culpa cair sobre os estudantes. E, de qualquer modo, a elite paulista vai apludir a violência contra "esses vadios" da mesma forma como ofereceu seu "silêncio sorridente" quando 111 seres humanos indefesos e sob a guarda do estado foram mortos.

Mas temos a internet, e este é o momento de mostrar a força do meio como produtor de contrainformação; é o momento de nos unirmos ainda mais para enfrentar a grande mídia e as forças políticas que a apóiam e prepararmo-nos para as duríssimas batalhas que virão na votação da Lei Azeredo e na COnfecom.

Temos de postar vídeos, entrevistas, depoimentos, fotos, áudio de celular - o que tivermos em mãos para que não se apague essa mácula na carreira política desse ditador travestido de democrata que atende por José Serra.

Coloco à disposição para a difusão de qualquer material relativo a esse acontecimento inaceitável o meu blog (cinemaeoutrasartes.blogspot.com), que não tem grande audiência mas tem alguma, selecionada, e pode ajudar a aumentar a corrente. Podem postar por lá ou me mandar por email (mauricio_m_caleiro@yahoo.com.br), que, se for autêntico, publico.

Mas esse episódio grotesco, revoltante tem, por incrível que pareça, um lado bom, que é mostrar para o resto do Brasil quem é, na verdade, José Serra. Não tem nada a ver com o economista (?) almofadinha e polido que a mídia mostra; é um capitão-do-mato, um truculento, um representante do que de pior e mais retrógrado o grande estado de São Paulo tem a oferecer. Só a elite imbecil deste estado não vê isso. mas o Brasil vai ver, oxalá, se a internet revelar todo seu potencial para a contrainformação.

É uma coincidência macabra e uma piada de humor negro que essa excrescência ocorra no mesmo dia em que um sujeito de nome Igor Gielow e que se diz jornalista, escreva - na Folha de S. Paulo, onde mais? - uma coluna intitulada "A transparência dos brucutus". E, vejam bem, ele se refere à criação do blog da Petrobrás...

Minha solidariedade a todos os estudantes vitimados por essa truculência - sobretudo, acima de tudo, a essa garota que levou flores e foi surrada. Isso é o triste, o revoltante retrato daonde chegamos com essas administrações peesedebistas: uma moça leva flores e surrada por homens fardados. Chega!!!

Mauricio Caleiro em junho 10, 2009 12:07 AM


#96

O mais triste é ver que muitos alunos apóiam tudo isso, inclusive comemorando.

A despolitização reinante dentro da Universidade de São Paulo é vergonhosa. Não bastasse um indivíduo ter partido pra cima de um rapaz que defendia a greve numa assembléia da faculdade de Letras ter sido, por conta disso, aplaudido pela massa ignóbil que associa a greve unicamente ao caso Brandão, agora temos a mesma massa aplaudindo a invasão rasteira da PM dentro do campus.

Esses alunos são a prova de que o projeto Serra está dando certo. Esse cara que está vergonhosamente ocupando a cadeira de governador não pode ser nosso próximo presidente!

Ajudem a divulgar essa barbárie!

Anderson Lucarezi em junho 10, 2009 12:11 AM


#97

Nao entendi... Quer dizer que voces acham que funcionarios da USP devem ter direito de greve? Que piada. Imagina o Idelber organizando greve na Tulane.

John Bastos em junho 10, 2009 12:12 AM


#98

A violência é inadmissível. QUASE tanto quanto a canalhice. Seja por parte da reitoria, do governador, da PM ou dos estudantes.

O fato concreto é que o governador Serra sempre se mostrou truculento e anti-democrático diante de qualquer tentativa de greve, confronto ou que-tais. Lembram da greve da Polícia? Alguém esperava mais do Serra?

Outro fato consumado é a personalidade facistóide da reitora da USP, vide episódio da censura ao aluno no Stoa, entre outros. Alguém esperava mais da Profa. Suely Vilela?

Não quero discutir quem começou o que, se é certo ou não a PM entrar no campus (eu, particularmente, defenestro a idéia), ou se o movimento é realmente válido e legítimo (eu, empiricamente, defendo que não é: democracia não é a ditadura da maioria, é?!?!)

Mas... siceramente, eu esperava mais, muito mais dos estudantes. Esperava mais inteligência, mais senso crítico e muito mais inserção na realidade. O pseudo-movimento estudantil que encabeça a manifestação ainda segue preceitos ideológicos pré-históricos, completamente desligados da sociedade e pouquíssimo práticos. Até as "gírias" esquerdopatas são as mesmas de sempre (não é, "camarada Brandão"?). Os líderes do movimento não tem noção da força de outros meios de manifestação? Nunca ouviram falar de mídia social? Não conseguem conceber nenhuma campanhazinha de desmoralização do sistema? Não sabem mobilizar os próprios colegas? Não tem reivindicações que sejam caras à toda a comunidade universitária? Criatividade, senso comum, poder de liderança e capacidade gestora não passaram no vestibular!??!

Alô! Idéias boas e práticas são auto-convincentes. Ninguém precisa dar cadeirada em professor para convencê-lo a apoiar uma movimentação por aumento de salário. Ninguém precisa fazer barricada em prédio para conseguir apoio de funcionários e alunos quando há boas idéias que revertam em práticas benéficas para todo mundo.

Convencer pela força do berro, além de demodê, é QUASE tão estúpido quanto calar pela força da PM.

Ana Arantes em junho 10, 2009 12:13 AM


#99

sabe de quem lembrei? nosso nefando Coronel Mendes, que muito bateu em professores (inclusive) a mando de Yeda no ano passado.

também lembrei que Mendes e Yeda proibiram manifestações contrárias ao governo em frente ao Palácio.


e pra mim isso é TIRANIA. ESTADO MILITAR. nenhuma negociação; apenas truculência e covardia. nenhum respeito a manifestações populares. nenhum respeito A QUALQUER CIDADÃO, que por querer ter voz, é confrontado com bombas.

não há contemporização ou contextualização a ser feita sobre isso.

tiagón em junho 10, 2009 12:14 AM


#100

O mais incrível que esta mesma PM que hoje reprime um piquete, foi a mesma que pouco tempo entregou uma jovem para miliante e ficou esperando uma semana até que o distinto assassina-se a moça.

Serra é sim responsável pelas escolhas desastradas na PM de comando politizando a PM com fins eleitorais, uma PM que age rápido contra piquetes e se omite na defesa do cidadão (e até o entrega a bandido).

Cercar o prédio da História e Geografia é algo impensável mesmo no regime militar, como ex-aluno da USP só posso dizer que sinto-me enfurecido.

Desde o Rio Centro esse é o ato mais vil já relatado de uma autoridade pública contra o regime democrático e a Constituição Federal de 1988 que hoje foi enlameada.

Marcelo L. em junho 10, 2009 12:16 AM


#101

"Mas quando você diz Enquanto persistirem essas táticas violentas, essa situação vai se repetir, seja lá quem for o reitor, ou o governador do estado, você ignora que o movimento estudantil é o mesmo, mas esse tipo de coisa acontece sistematicamente nos governos de José Serra e de Yeda Crusius. Caramba, não é coincidência! "

Nao eh coincidencia mesmo. O movimento estudantil -- que alias nao tem representatividade nenhuma -- eh cooptado pelo Partido e pelo Movimento. Poxa vida, Idelber, voce nao estah a tanto tempo longe do Brasil para ter esquecido isso?

John Bastos em junho 10, 2009 12:16 AM


#102

adendo: o "inclusive" da primeira frase é relativo aos professores (já que bateu em bancários, sindicalistas, nos próprios deputados etc). evidente que sempre a mando de Yeda.

tiagón em junho 10, 2009 12:20 AM


#103

John, eu não estou longe do Brasil. Estou em Belo Horizonte, Minas Gerais. Até as 9 da matina. A partir daí, no Rio de Janeiro.

Passo mais de 1/3 do meu tempo no Brasil. E esse argumento de "movimento cooptado pelo partido" toda vez que a truculência da PM invade o campus é velho, é fraco.

Idelber em junho 10, 2009 12:20 AM


#104

Estou colocando os links que to achando no meu twitter:

www.twitter.com/leovbs

leovbs em junho 10, 2009 12:23 AM


#105

Parabens pela iniciativa. Esse debate precisa ser explicado, como ele de fato é.
Mesmo que se considere os Piquetes, um instrumento de violencia, nunca vai se comparar a Tropa de Choque, e seu uso Abusivo, se não ridiculo, Da força, contra estudantes DESARMADOS...
Atacaram bombas DENTRO da Faculdade, isso não pode ser aceito como normal...não pode.

Victor em junho 10, 2009 12:29 AM


#106

Zé continua a descer a serra...
Realmente, não vai ser eleito nem pra síndico.
A não ser em Higienópolis...

Jair Fonseca em junho 10, 2009 12:35 AM


#107

A questão (serei repetitiva - muitos já disseram o que direi melhor do que eu) é justamente o desnível entre ações. Como bem apontou alguém (acho que a Claudia), quem diz que estudante é massa de manobra está de fato alienado em relação à situação da universidade. Há ali uma absurda pluralidade de idéias e de manifestações. Existe sim hostilidade de ambos os lados, especialmente dos partidaristas, como não é novidade pra ninguém. Mas esta repressãozinha dos partidários (e eu por vezes os odeio) não é NADA, são minoria: Um aluno que queira exercer a sua liberdade (eu, por exemplo, aluna da Letras), como na hora de votar em assembléias, ele tem o seu direito, tudo certo.
O problema é quando a titia Su e o seu eterno silêncio não permitem esta mesma liberdade. Não há espaço para negociação, este é o problema. E aí? Conformar-se e ficar gritando "Titia Su, cadê você? etc." fora do prédio, esperando ela aparecer na janela rapidinho, à la Madonna? É bem complicada a questão. Os movimentos de docentes e alunos na universidade utilizam sim por vezes de métodos "violentos", mas desde quando quebrar uma vidraça é motivo para colocar PM no campus, causar aquela PUTA tensão e depois este absurdo, esta humilhação que foi a situação de hoje?
Isto não é justificável.
Eu manifesto aqui o meu REPÚDIO à ação violenta e inexplicável de hoje na USP.

Bruna C. em junho 10, 2009 12:36 AM


#108

Idelber,


Acompanho essa questão da USP de longe e com interesse, sempre evitei opinar por não me sentir suficientemente amparado em dados.

Hoje, lendo as várias manifestações do sempre lúcido João Vergílio, senti que minha pensamento inicial não está incorreto e que de fato há excesso na prática adotada pelos estudantes.

Se bem entendi o João, ele não não está defendendo a posição do governo, tanto no que diz respeito à aparente pouca disposição em negociar por parte da USP, quanto no que se refere à truculência da invasão.

Ele apenas está apontando a necessidade de que os estudantes tenham a maturidade de refletirem sobre suas próprias condutas e sobre as conseqüências que elas atraem. De fato não é legítimo, em nenhuma hipótese, usar de piquetes para impedir quem não queira aderir ao movimento de ter sua aula ou de ministrá-la. Isso é inaceitável, tão autoritário quanto a atitude da polícia, e tem de ser denunciado, discutido, problematizado. Adquiri na faculdade enorme preguiça do movimento estudantil, e embora não tenha a menor simpatia pelo Serra (até já tive, mas de uns anos para cá acabou toda), me parece muito provável que hajam lideranças estudantis que estejam radicalizando o movimento justamente para desafiar a autoridade estatal a tal ponto que se crie conflitos desse porte e se desgaste a imagem do governador.

Sei que é uma tese polêmica, mas já vi o suficiente nessa minha vida para não descartá-la desde logo.

E se isso ocorre, e apesar de minha posição política em relação ao governador, é absolutamente lamentável que os interesses da comunidade acadêmica da USP estejam sendo confundidos com a luta política, esse é um mal antigo da política estudantil.

Abraço a todos.

Paulo SPS em junho 10, 2009 12:37 AM


#109

Caro João Vergílio,
tenho dificuldade de concordar contigo quando você afirma: "na raiz de todos os males está um certo estilo de reivindicação adotado por alunos e funcionários que absolutamente não condiz com a democracia e com o estado de direito".
A questão é: atualmente é possível adotar outro estilo de reivindicação?
Você bem deve se lembrar da greve de 2000 quando a reitoria (Marcovitch) esperou mais de mês para, de fato, negociar. Ou então a greve de 2002, praticamente iniciada pelo diretor da FFLCH, pois alguns departamentos não possuíam o número mínimo de professores, como era o caso do de Antropologia. Até mesmo o de Filosofia, pois se todos os professores que tivessem tempo de contribuição se aposentassem, o departamento teria dificuldades de cumprir a grade de horários. Veja o caso desta greve agora. Maio é o mês database. O Sintusp estava fazendo campanha salarial desde fevereiro. Se a reitoria quisesse mesmo negociar, em abril ou até mesmo antes ela deveria ter aberto negociações. No entanto, a primeira reunião foi em 18 de maio - isso mesmo, 18 de maio. Considerando que a folha de pagamentos é rodada no dia 21 de cada mês, percebe-se claramente que não havia a menor disposição de negociar. Isso para mim é uma forma de violência, pois tal procedimento impede qualquer diálogo. E o importante a perceber é que este procedimento tornou-se uma forma deliberada de constranger qualquer reivindicação.
Mas num ponto concordo contigo: de fato, os meios utilizados estão sendo cada vez mais violentos. A questão é saber se essa violência não foi a única alternativa deixada ao alcance dos movimentos. É isso que me parece que você desconsidera. Lembro ainda que o diagnóstico da violência no movimento grevista na USP já havia sido percebido em 2000, nas aulas-greve que aconteciam onde hoje está sendo erguida a biblioteca para acolher os livros do Mindlin.
Um grande abraço.

Henrique A. Ré

Henrique A. Ré em junho 10, 2009 12:38 AM


#110

Rodrigo Leme, é óbvio que é um movimento político, helou, avisaram pra todo mundo menos pra você? A sua opinião também é política (#52). E "esse povo" é autônomo, eles, como você, escolhem; estão lá porque querem, não são bonecos. Ou então pode-se também começar a conjeturar a mando de quem você está falando (#62).
Só pra constar, sou funcionário da USP e estava lá participando desde o início.

Walber em junho 10, 2009 12:41 AM


#111

John Bastos,

O movimento estudantil pode aliar-se a quem bem entender e ser cooptado por quem bem entender. Estamos numa democracia, se você ainda não se deu conta disso. Grande parte das lideranças desse movimento estudam comigo. São meus alunos. Pessoas excelentes, que não correspondem em nada a qualquer uma dessas caricaturas que se pretende fazer deles.

Não podem mais usar determinados métodos. Isso é outra coisa, e séria. Mas, alto lá. Criminalizar opções políticas graças a Deus é uma coisa que ficou no passado.

João Vergílio em junho 10, 2009 12:41 AM


#112

Precisamos nos perguntar como a coisa chegou no ponto em que está.

É fato conhecido que boa parte da agenda política do movimento estudantil é entremeada pela pauta mais urgente dos partidos políticos de esquerda. Não vejo grande problema aí, embora, às vezes, o engajamento faça o estudante esquecer sua própria condição, como citou o Idelber, em favor da conveniência eleitoral. Não duvido que alguns estejam em regozijo silencioso. Eu não estou. Felizmente ninguém morreu.

Quando o Governo libera o cães de guarda ele sabe - repito SABE - das possíveis consequências. O que o Serra fez foi bancar o pior. Isso é de uma irresponsabilidade absurda. Além do mais ter poder significa, aqui como alhures, deter o uso legítimo da violência. Essa legitimidade, numa democracia, não é ad aeternum e precisa ser justificada. Quem tem o poder arca com a responsabilidade. Podem mandar a conta pro Serra sem medo nenhum.

Do mesmo modo quando se libera a matilha cria-se um estado de tensão altamente inflamável. Importa pouco se foi um aluno caótico quem começou. O que importa é que, uma vez tendo começado, cada um luta com o que tem. E a polícia tem balas de borracha, gás lacrimogênio e bombas de efeito moral. A moçada da USP tinha apenas uma arma: a não-violência, o diálogo, a civilidade. A violência, já dizia Ésquilo nos rochedos da Cítia, é muda. Estorou o pau?! O jeito é se defender. E foi o que os alunos, ao que tudo indica, fizeram. QUEM NUNCA VAI PARA UM NEGÓCIO DESTES CONVERSAR É A POLÍCIA.

O que os rinocerontes truculentos do movimento sindical universitário fazem ao impedir aulas com piquetes violentos é uma estupidez própria aos rinocerontes - eu os conheço! Alguns deles, se por acaso se esborracharem nos gramados da USP, almoçam por lá mesmo! Mas não são eles que estão sendo agredidos.

A perversidade de alguns aliou-se à estupidez prepotente de outros e os inocentes, como de costume, estão pagando o pato.

Daniel Christino em junho 10, 2009 12:42 AM


#113

Henrique,

Esses métodos não podem mais ter lugar ali dentro. Vai dar caca, e da grossa. A situação está a ponto de explodir, eu lhe garanto, e não vai ter nada a ver com PM, desta vez. Vai ser aluno contra aluno. Vamos parar de ficar brincando de equilibrista nos limites das instituições. Política tem regra.

João Vergílio em junho 10, 2009 12:46 AM


#114

João Vergílio, ninguém meteu o "pé no vidro da reitoria" (#60), e, se houve isso não significa justamente que a porta estava fechada, portanto impossibilitando o diálogo?

Walber em junho 10, 2009 12:48 AM


#115

A PM do estado de São Paulo foi truculenta, abusou de violência (ou usou de violência desproporcional como se diz hoje em dia) e barbarizou, provavelmente a mando do Governador, quando poderia negociar.

Agora convenhamos que o movimento estudantil anda cada vem mais desorientado. Quem quiser ver ao vivo, esse feriadão acá no Rio tem um encontro nacional de estudantes, é só seguir o link abaixo e dar uma olhadinha no que anda pensando o movimento estudantil.

http://www.congressodeestudantes.org.br/

Mas nada exime a culpa da PM e seus comandantes em todas as esferas.

Lucas em junho 10, 2009 12:48 AM


#116

Ricardo Leao,

como assim "ver as coisas sem o filtro da ideologia" você consegue esse feito? Quer dizer que as outras pessoas têm uma visão enviesada pela ideologia e você não? E a reitoria não foi invadida.

Walber em junho 10, 2009 12:55 AM


#117

Eu passei dez anos na USP - sim, eu era um péssimo aluno - e tenho a pior imagem possível do movimento estudantil. Havia o pessoal genuinamente preocupado e haviam os baderneiros profissionais. E sempre me ficava a impressao, em quaalquer tipo de manifestação, fosse greve, passeata, etc., que não havia transparencia, que a agenda real daquela manifestação não era a que divulgavam.

Me lembro de uma ocasião em que os baderneiros brilharam. Aproveitando a revolta dos moradores da favela vizinha à USP com a morte de um garotinho afogado na raia olímpica, uma parcela desses baderneiros profissionais promoveram um quebra-quebra estarrecedor no campus. Durante anos, uma carcaça de carro carbonizada na saída para a favela Sao Remo serviu de soubenir dessa tarde de pesadelo. Não havia reivindicação, assembleia nem nada: era pura selvageria. O governador era, se não me engano, Mario Covas, e a polícia não colocou os pés na USP.

Tenho certeza que nem a invasão da reitoria e muito menos a manifestação de hoje chegaram ao dedinho do pé da violência daquela tarde, há mais de 10 anos atrás. Se apanhar da PM nao era justificável naquela tarde, como alguém pode achar que qualquer coisa que algum studante tenha feito hoje pode justificar a truculência absurda da polícia????

O que a PM fez hoje deveria ser inaceitável pelos parâmetros de qualquer pessoa! É um absurdo que alguém acredite que essa violência possa ser justificada.

Por pior que seja o movimento estudantil, não há nada que justifique que os manifetantes apanhem assim.

Nada numa democracia, claro.

daniel em junho 10, 2009 12:58 AM


#118

Eu, sinceramente, me comovo com os garotos que apanharam e com a atitude aqui demonstrada pelo João Vergílio. Não queria vivenciar o que ele e tantos outros estão vivenciando, nem passar pelo que eles vão ainda enfrentar na USP. Espero que ele consiga levar sua serenidade e clareza aos colegas e alunos daquela universidade, já que à PM não dá mais. Desejo a ele sucesso.

João Paulo Rodrigues em junho 10, 2009 1:02 AM


#119

"Mas quando você diz Enquanto persistirem essas táticas violentas, essa situação vai se repetir, seja lá quem for o reitor, ou o governador do estado, você ignora que o movimento estudantil é o mesmo, mas esse tipo de coisa acontece sistematicamente nos governos de José Serra e de Yeda Crusius. Caramba, não é coincidência! "

Nao eh coincidencia mesmo. O movimento estudantil -- que alias nao tem representatividade nenhuma -- eh cooptado pelo Partido e pelo Movimento. Poxa vida, Idelber, voce nao estah a tanto tempo longe do Brasil para ter esquecido isso?

John Bastos em junho 10, 2009 1:07 AM


#120

Concordo com o João Vergílio, que daqui a pouco teremos alunos contra alunos, e que vai ser muito feio. Já houve, aliás, situações de violência e tensão muito fortes entre grevistas e não grevistas, e quando isso estourar, nesta ou na próxima greve, vai ser terrível.

aline em junho 10, 2009 1:08 AM


#121

a truculência do governador o torna comparável a Médici. Contra estudantes indefesos mobilizou-se a tropa de elite do Estado! Até helicóptero havia!

O pior de tudo é ver a reação de gente como Reinaldo Azevedo e toda a nossa direita medíocre e elitista.

É preciso levar a pauta da universidade pública para as ruas. É preciso promover uma aliança entre estudantes e os movimentos sociais. Do contrário, esta grande mídia nojenta continuará a nos chamar de "mafaldinhas e remelentos", "baderneiros", "vagabundos", etc.

gabriel em junho 10, 2009 1:13 AM


#122

A tropa de choque paulista é treinada para bater na própria mãe se for preciso, se providencias não forem tomadas é capaz das cenas de ontem a tarde tornarem-se corriqueiras, agora eu imagino se o choque teria ido contra os mauricinhos do largo São Francisco?

João Vicente em junho 10, 2009 1:16 AM


#123

Oi professor. Obrigado por este espaço. Ele é fundamental para rompermos o bloqueio da mídia gorda.

Acabo de chegar da assembléia discente. No auge, havia mais de 2000 estudantes lá. Em linhas gerais, decidimos que amanhã terá uma passeata saindo da cidade universitária indo até a Paulista (saída as 12.00). Há um grupo que está de vigília para que a polícia não cerque o prédio da FFLCH.


Precisei sair antes do fim (moro longe) então não sei se decidiram ou não ocupar algum prédio de aula (discutia-se a Poli (engenharia) e a FEA(economia e adm).

Pra concluir, dois relatos:

O primeiro da assembléia extraordinária dos professores. O rosto de alguns era de desolação total, de não imaginar (e muitos eram alunos quando da última invasão da Polícia) que este dia iria acontecer. A incapacidade desta reitora (escolhida por Serra e referendada pelo conselho universitários, os 800 'escolhidos' que decidem os rumos da maior universidade do país, que tem mais de 150 mil membros) é assombrosa.

Outro relato é da nossa assembléia. No meio dela, quando decidíamos os próximos passos a polícia - numa clara tentativa de intimidar - passava com viaturas polícias bem próximo de nós. Em um momento quase que a assembléia acaba por medo de novo confronto.

Uma comissão de professores se reuniu com o vice-reitor Franco M. Lajolo (já que a Suely Vilella é um cadáver político) e ele garantiu que o choque não entraria na Universidade pela madrugada. Mas o clima é de medo.

Por fim, pergunto aos que defendem que a polícia só cumpriu seu dever fica a pergunta: Se eles não queriam o confronto, porque não portavam a identificação funcional no peito, como manda a lei?

Abaixo alguns links de vídeos feitos pelos estudantes sobre a ação fascista da polícia do Serra (a reitora só mandou a polícia pra cima com o acordo do governador. é ingenuidade achar que não):

http://www.youtube.com/watch?v=deUf8An9Q1o


Thiago Candido em junho 10, 2009 1:46 AM


#124

O vídeo de cima é do ataque à FFLCH (faculdade de filosofia, Letras e ciências humanas), mais precisamente no prédio da história e geografia.

este é do ataque da polícia aos estudantes, perto do prédio da reitoria:

http://www.youtube.com/watch?v=YNAzxgGtGpA

Thiago Candido em junho 10, 2009 1:48 AM


Thiago Candido em junho 10, 2009 1:49 AM


#126

Aqui a PM atirando contra os estudantes:

http://www.youtube.com/watch?v=xwL-b6LUOb4

Thiago Candido em junho 10, 2009 1:50 AM


#127

Sempre achei Serra um ótimo sobrenome.

Daniel em junho 10, 2009 1:53 AM


#128

este último linque mostra o avanço da PM e o protesto da rapaz que ilustra este post:

http://www.youtube.com/watch?v=PC37Kv-Jfiw

Sabe, hoje me deu vontade não voltar mais pra USP. Entrar no campus e ver viaturas pra cima e pra baixo, policiais em cada esquina me deu um nojo extremo. Estou na USP desde 2006 e nunca imaginei algo assim.

Ao invés de esclarecer os milhares de crimes que ocorrerem em São Paulo, a PM vai pra cima de estudantes em defesa da educação. Uma tristeza sem fim.

Thiago Candido em junho 10, 2009 1:55 AM


#129

A Universidade como território livre, território que muitos lutaram e alguns - como Alexandre Vanucchi Leme, estudante assassinado pela ditadura e que hoje dá nome ao nosso (problemático, sim) - morreram pra conquistar deixou de existir hoje.

E não sei se quero continuar nela.

Thiago Candido em junho 10, 2009 2:03 AM


#130

E pensar que o Mr. Burns foi presidente da UNE... Truculência, teu nome é Serra!

Johnny em junho 10, 2009 2:11 AM


#131

Personas, a assembléia dos estudantes que ficaram na USP depois da porradaria toda deliberou que haverá uma manifestação

Amanhã, a partir do meio-dia. Sai da Reitoria e (pelo menos tenta) ir até a Avenida Paulista.

Sim, é um convite.

Marjorie em junho 10, 2009 2:24 AM


#132

"O movimento estudantil pode aliar-se a quem bem entender e ser cooptado por quem bem entender."

Primeiro, o movimento estudantil nao existe. Nao tem representatividade nenhuma. Eh uma gangue que vive de achaque (venda de carteirinha de estudante) e que nao foi eleita por ninguem.

" Estamos numa democracia, se você ainda não se deu conta disso."

Sim. E em uma democracia existem leis e a PM entrou na USP para fazer cumprir a lei. Quem disse que os grevistas tem direiro de bloquear uma via de acesso, de evitar que estudantes vao as aulas?


" Grande parte das lideranças desse movimento estudam comigo. São meus alunos. Pessoas excelentes, que não correspondem em nada a qualquer uma dessas caricaturas que se pretende fazer deles. "

Questao de gosto. E gosto nao se discute.

"Não podem mais usar determinados métodos. Isso é outra coisa, e séria. Mas, alto lá. Criminalizar opções políticas graças a Deus é uma coisa que ficou no passado."

Se eu estou indo para minha faculdade estudar ou trabalhar e algum vagabundo bloqueia a rua e nao me deixa passar, eu quero que a policia tire o vagabundo de minha frente.

Idelber, diz para mim, o que aconteceria se algum grupo de funcionarios da Tulane resolvessem bloquear alguma via de acesso ao campus? Ou evitar que os estudantes pudessem passar?

John Bastos em junho 10, 2009 2:25 AM


#133

Idelber,
toda a contundência do humor. Dá uma olhada.
"Debelado foco guerrilheiro na USP"
http://hariprado.wordpress.com

xand em junho 10, 2009 2:46 AM


#134

Entenda o que aconteceu na USP terça-feira.

No momento em que a PM começou a coibir os piquetes, muitos funcionários voltaram ao trabalho. Bandejão, Cepeusp, museus, etc, voltaram a funcionar, o que desmoralizou ainda mais a greve política, que já era ignorada em 95% da USP.

Vendo que era questão de tempo para a greve perder toda a força, o cumpanheiro Brandão decidiu dar a sua última cartada e, para isso, contou com todo o apoio da sua massa de manobra descerebrada (composta inacreditavelmente por estudantes da USP).

Os estudantes, sem nenhum motivo aparente a não ser atrair a tropa de choque, resolveram fechar as vias. O P1 ficou fechado por 1h30min, fodendo com as pessoas que estavam no rodízio de veículos e as que tentavam chegar na USP de ônibus.

Obviamente, a tropa de choque foi enviada. Os alunos e funcionários que interrompiam as vias foram acossados (e correram como mulherzinhas) até a reitoria, onde a situação foi dominada (e o Brandão preso, huahuahuau).

Os alunos então organizaram uma assembléia no meio da rua. Tipo... no meio da rua mesmo. Bom-senso não parece ser o forte destes caras.

Na assembléia, os alunos, escondendo o rosto dos jornalistas (eles parecem dar mais importância para suas idiotices do que eu pensava), começaram um teatrinho absurdo onde a razão deu lugar a uma louca jornada de estultices.

Na assembléia, ficou decidido que os estudantes deviam invadir a FEA e a Poli, que deviam dar porrada na Suely, que deviam fazer uma festa do outro lado da rua, que deviam derrubar o governo do estado (putz), que deviam instaurar a "democracia" na USP e que, principalmente, deviam lutar pela total retirada da polícia militar do Campus, além de não tolerar mais a entrada da PM de maneira nenhuma.

Obviamente, ninguém lembrou que a PM só veio até o campus pela ação dos próprios estudantes que agora reclamavam da presença da PM.

Após o desfile dos cérebros deficientes dos alunos da USP (infelizmente, a maioria da FFLCH), os alunos decidiram ficar no meio da rua até amanhã de manhã, em mais uma decisão de muito bom-senso.

NRA em junho 10, 2009 2:54 AM


#135

xand,

Sensacional, toda a força subversiva do humor, realmente. A melhor cobertura do caso até agora.

Conseguiu superar a comicidade do NRA descrevendo, com o poder de sua onipresença, o que teria acontecido hoje na USP (e como se, mesmo que tivesse sido como ele diz, se justificasse toda a violência empregada...)

Mauricio Caleiro em junho 10, 2009 3:11 AM


#136

"Na assembléia, ficou decidido que os estudantes deviam invadir a FEA e a Poli,"

Traduzindo... os alunos "engajados" que nao querem estudar vao invadir as escolas dos alunos que querem estudar, trabalhar e gerar riquezas... Eh o fim do mundo. Canalhas.

John Bastos em junho 10, 2009 3:12 AM


Lucas em junho 10, 2009 3:14 AM


#138

absolutamente nada do que este NRA aconteceu.

Thiago Candido em junho 10, 2009 3:19 AM


#139

absolutamente nada do que este NRA escreveu aconteceu.

Thiago Candido em junho 10, 2009 3:20 AM


#140

O comentário do NRA foi copiado de uma comunidade do Orkut. Copiado.

Idelber em junho 10, 2009 3:45 AM


#141

Toda solidariedade às vítimas da violência policial na USP.

Toda solidariedade aos que lutam - dentro e fora dela - por uma universidade pública, gratuita (financiada pelo Estado) e de qualidade.

Abominável o ocorrido.

Dito isto, tenho duas considerações, em alguma medida laterais, a partir do texto e dos comentários.

1) Corrijam-me se eu estiver errado, mas a polícia lançou mão do mesmo expediente que usa costumeiramente nas áreas pobres das grandes cidades. Para ficar com um exemplo recente de Sampa que alcançou alguma visibilidade midiática, ao contrário dos horrores que são silenciados no dia-a-dia: o caso Paraisópolis. O cotidiano é de violação sistemática de direitos, tapa na cara, achaque, ameaças, execuções, espancamentos, roubo de bens e mercadorias etc. Aqui no Rio, revistam mochilas de crianças de 3 anos de idade.

Ou seja, do ponto de vista do respeito diário e cotidiano a direitos básicos dos cidadãos por parte da polícia, a ditadura nunca acabou e nunca se entrou num Estado Democrático de Direito. A questão é que isso acontece de maneira rotineira e sistemática na periferia, atingindo preferencialmente os pobres. Neste sentido, o episódio da USP não tem nada de novo no que diz respeito ao comportamento da polícia (ou de boa parte dela). A "novidade" diz respeito ao local (universidade) e às vítimas (professores, estudantes e funcionários, ou seja, majoritariamente classe média). Se há alguma "volta aos tempos da ditadura", esta me parece ocorrer não apenas pela entrada da polícia para reprimir manifestantes dentro de um campus, mas sim pela aplicação dos mesmos métodos de sempre a uma parcela da sociedade que não está acostumada a sofrê-los na pele.

2) Idelber,

Seguindo o seu raciocínio no texto e nos comentários, me parece não só plausível como correto responsabilizar:

a) o presidente Lula pela Chacina do Alemão, ocorrida em 2007 no Rio. O presidente não só enviou a Força Nacional de Segurança Pública para a operação como deu declarações públicas de apoio àquela trágica matança promovida pelo poder público. (Aliás, o PT curiosamente - ou tragicamente, dependendo do ponto de vista - ocupa a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos de um governo que promove política sistemática de extermínio e combate da população pobre, com traços fascistas nítidos e explícitos.

E, talvez (embora eu tenha menos elementos para afirmar de maneira tão categórica como na letra "a"):

b) a governadora Ana Júlia Canepa pelo estado de exceção imposto aos moradores das áreas pobres vizinhas às universidades paraenses onde ocorreu o Fórum Social Mundial, agora em janeiro. A situação foi denunciada e criticada por um veículo insuspeito (progressista e simpático ao PT) como a Fórum.

c) o governador Jacques Wagner pela truculência da polícia baiana, a qual, segundo relatos de movimentos sociais (inclusive levados ao Tribunal Popular realizado recentemente em SP), anda mais braba do que nunca. Além da produção dos movimentos sociais, a Carta Capital já fez pelo menos uma boa matéria a respeito.

Rafael Fortes em junho 10, 2009 3:49 AM


#142

Só pra constar: faltou fechar parênteses no final do item "a".

Só para constar (2): E o governo do qual o PT faz parte, ao qual me refiro, é o do estado do RJ, que tem à frente Sérgio Cabral Filho (PMDB).

Rafael Fortes em junho 10, 2009 3:52 AM


#143

Idelber,

TRanscrevo abaixo o relato do Prof. Dr. Pablo Ortellado, sobre os momentos que viveu hoje na USP, postado no blogue "Letras-USP em greve":

Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Relato do Profº Pablo Ortellado (EACH-USP) sobre a barbárie ocorrida na Cidade Universitária da USP.
O seguinte relato nos foi enviado pelo professor Pablo Ortellado, da EACH-USP, em mensagem encaminhada pelo professor Marcelo Modesto (FFLCH), também presente na manifestação pacífica que resultou em confronto violento na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo - USP.

Abaixo, o texto na íntegra:

"Urgente e importante: tropa de choque na USP

Prezados colegas,


Eu nunca utilizei essa lista para outro propósito que não informes sobre o que acontece no Co (transmitindo as pautas antes da reunião e depois enviando relatos). Essa lista esteve desativada desde a última reunião do Co porque o servidor na qual ela estava instalada teve problemas e, com a greve, não podia ser reparado.

Dada a urgência dos atuais acontecimentos, consegui resgatar os emails e criar uma lista emergencial em outro servidor. O que os senhores lerão abaixo é um relato em primeira pessoa de um docente que vivenciou os atos de violência que aconteram poucas horas atrás na cidade universitária (e que seguem, no momento em que lhes escrevo – acabo de escutar a explosão de uma bomba). Peço perdão pelo uso desta lista para esse propósito, mas tenho certeza que os senhores perceberão a gravidade do caso.

Hoje, as associações de funcionários, estudantes e professores haviam deliberado por uma manifestação em frente à reitoria. A manifestação, que eu presenciei, foi completamente pacífica. Depois, as organizações de funcionários e estudantes saíram em passeata para o portão 1 para repudiar a presença da polícia do campus. Embora a Adusp não tivesse aderido a essa manifestação, eu, individualmente, a acompanhei para presenciar os fatos que, a essa altura, já se anunciavam. Os estudantes e funcionários chegaram ao portão 1 e ficaram cara a cara com os policiais militares, na altura da avenida Alvarenga. Houve as palavras de ordem usuais dos sindicatos contra a presença da polícia e xingamentos mais ou menos espontâneos por parte dos manifestantes. Estimo cerca de 1200 pessoas nesta manifestação.


Nesta altura, saí da manifestação, porque se iniciava assembléia dos docentes da USP que seria realizada no prédio da História/ Geografia. No decorrer da assembléia, chegaram relatos que a tropa de choque havia agredido os estudantes e funcionários e que se iniciava um tumulto de grandes proporções. A assembléia foi suspensa e saímos para o estacionamento e descemos as escadas que dão para a avenida Luciano Gualberto para ver o que estava acontecendo. Quando chegamos na altura do gramado, havia uma multidão de centenas de pessoas, a maioria estudantes correndo e a tropa de choque avançando e lançando bombas de concusão (falsamente chamadas de "efeito moral" porque soltam estilhaços e machucam bastante) e de gás lacrimogêneo. A multidão subiu correndo até o prédio da História/ Geografia, onde a assembléia havia sido interrompida e começou a chover bombas no estacionamento e entrada do prédio (mais ou menos em frente à lanchonete e entrada das rampas). Sentimos um cheiro forte de gás lacrimogêneo e dezenas de nossos colegas começaram a passar mal devido aos efeitos do gás – lembro da professora Graziela, do professor Thomás, do professor Alessandro Soares, do professor Cogiolla, do professor Jorge Machado e da professora Lizete todos com os olhos inchados e vermelhos e tontos pelo efeito do gás. A multidão de cerca de 400 ou 500 pessoas ficou acuada neste edifício cercada pela polícia e 4 helicópteros. O clima era de pânico. Durante cerca de uma hora, pelo menos, se ouviu a explosão de bombas e o cheiro de gás invadia o prédio. Depois de uma tensão que parecia infinita, recebemos notícia que um pequeno grupo havia conseguido conversar com o chefe da tropa e persuadido de recuar. Neste momento, também, os estudantes no meio de um grande tumulto haviam conseguido fazer uma pequena assembléia de umas 200 pessoas (todas as outras dispersas e em pânico) e deliberado descer até o gramado (para fazer uma assembléia mais organizada). Neste momento, recebi notícia que meu colega Thomás Haddad havia descido até a reitoria para pedir bom senso ao chefe da tropa e foi recebido com gás de pimenta e passava muito mal. Ele estava na sede da Adusp se recuperando.


Durante a espera infinita no pátio da História, os relatos de agressões se multiplicavam. Escutei que a diretoria do Sintusp foi presa de maneira completamente arbitrária e vi vários estudantes que haviam sido espancados ou se machucado com as bombas de concusão (inclusive meu colega, professor Jorge Machado).

Escutei relato de pelo menos três professores que tentaram mediar o conflito e foram agredidos. Na sede da Adusp, soube, por meio do relato de uma professora da TO que chegou cedo ao hospital que pelo menos dois estudantes e um funcionário haviam sido feridos. Dois colegas subiram lá agora há pouco (por volta das 7 e meia) e tiveram a entrada barrada – os seguranças não deixavam ninguém entrar e nenhum funcionário podia dar qualquer informação. Uma outra delegação de professores foi ao 93o DP para ver quantas pessoas haviam sido presas. A informação incompleta que recebo até agora é que dois funcionários do Sintusp foram presos – mas escutei relatos de primeira pessoa de que haveria mais presos.

A situação, agora, é de aparente tranquilidade. Há uma assembléia de professores que se reuniu novamente na História e estou indo para lá. A situação é gravíssima. Hoje me envergonho da nossa universidade ser dirigida por uma reitora que, alertada dos riscos (eu mesmo a alertei em reunião na última sexta-feira), autorizou que essa barbárie acontecesse num campus universitário.

Estou cercado de colegas que estão chocados com a omissão da reitora. Na minha opinião, se a comunidade acadêmica não se mobilizar diante desses fatos gravíssimos, que atentam contra o diálogo, o bom senso e a liberdade de pensamento e ação, não sei mais.

Por favor, se acharem necessário, reenviem esse relato a quem julgarem que é conveniente.


Cordialmente,

Prof. Dr. Pablo Ortellado
Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Universidade de São Paulo"

Myriam Kazue em junho 10, 2009 4:19 AM


#144

Rafael, seu comentário, como sempre brilhante, embora restrito a 3 ou 4 exemplos sugere a expansão, para além de fronteiras regionais e programas partidários, de uma situação de descontrole das forças repressoras do estado. Esse cenário corroboraria a impressão que o contato com vários movimentos sociais Brasil afora tem me dado. Embora precise, é claro, ser empiricamente comprovado, é um indício preocupante da expansão da violência oficial durante um longo (para os padrões brasileiros) período democrático.

Sem querer ser chato, eu só chamaria a atenção para uma coisa: quando você afirma que, nas áreas pobres, "do ponto de vista do respeito diário e cotidiano a direitos básicos dos cidadãos por parte da polícia, a ditadura nunca acabou e nunca se entrou num Estado Democrático de Direito", a situação de violação de direitos que você descreve é indubitavelmente correta, mas classificá-la como uma prorrogação da ditadura é questionável, pois a historiografia brasileira oferece farta documentação sugerindo que o desrespeito aos direitos básicos, os maus-tratos cotidianos e a tortura por forças do estado contra esses estratos da população vêm de muito antes - em metrópolis como o Rio de Janeiro, ao menos desde o início do século XX (ou do imediato pós-Abolição, dependendo da fonte consultada).

Abração.

Mauricio Caleiro em junho 10, 2009 4:20 AM


#145

As razões do quebra-pau na USP:
Inaptidão da reitora
Inaptidão da PM
Inaptidão do comandante da PM
Inaptidão do comandante do comandante da PM, Zé Chirico
Resposta: Nenhuma Das Anteriores.
A merda é esse bando de subversivos que não quer estudar, progredir e contribuir pro pogresso do país. Xiitas, bolcheviques, alienados!

xand em junho 10, 2009 4:22 AM


#146

"Na assembléia, ficou decidido que os estudantes deviam invadir a FEA e a Poli, que deviam dar porrada na Suely"

MENTIRA. Eu estava na assembleia, uma ocupação foi aventada. Mas sequer foi votada.

Fiz um texto longo em meu blog, quem é da USP nem precisa ler. Mas não deixo de afirmar que, até ontem, não era plenamente simpático à greve de estudantes. O ocorrido infame nesta terça-feira mudou minha postura.

Vinícius em junho 10, 2009 4:29 AM


#147

Chocante o relato do professor Pablo. Como ele diz, é realmente uma vergonha que a reitora tenha autorizada essa barbárie, assim como é inaceitável que o governador José Serra tenha permitido que as forças sob seu comando hierárquico tenham dela tomado parte ativa, e da forma que tomaram. Violência gratuita e desnecessária que poderia - obrigatoriamente deveria - ter sido evitada.

Mauricio Caleiro em junho 10, 2009 4:31 AM


#148

Ora, se estudantes respondem com TIJOLADAS, não é um confronto? E nem aquele argumento pré-adolescende de "mas tio, eles começaram primeiro" pode ser evocado, já que a PM só interviu porque os manifestantes FECHARAM a via pública, o que enterra aí toda e qualquer argumento de "manifestação pacífica".

95% da USP com mais de 2 neurônios sabe o quanto essa bagunça envergonhou o nome de toda a faculdade. Lamentável.

Vinicius K-Max em junho 10, 2009 5:27 AM


#149

É típico das tropas de choque chegar lançando bombas de gás contra pessoas desarmadas. Ano passado, participei de um protesto em prol do Hospital do Fundão, da UFRJ. Fechamos a Linha Vermelha para dar visibilidade à situação em que se encontra o HU: Completamente arruinado. E o que aconteceu? O governo Cabral mandou tropas de choque para o local.

Simone Arruda em junho 10, 2009 8:42 AM


#150

Então, como o texto do Demétrio Toledo explica, além disso, o Serra é muito incompetente. Transformou uma greve mirrada, com pouca adesão em motivo de revolta em toda a comunidade universitária.
http://www.youtube.com/watch?v=YNAzxgGtGpA

Tiago Mesquita em junho 10, 2009 1:49 PM


#151

Eu gostaria que estes que estão ai dizendo que a polícia tinha mais entrar mesmo, etc, que experimentassem uma borrifada de spray pimenta ou gás lacrimogênio, fora as pancadas, balas de borracha, bombas e tudo mais, para entenderem como a reação policial foi desproporcional.

E o Gilmar Mendes acha que algemar o Daniel Dantas foi um excesso da polícia...

Elton em junho 10, 2009 5:58 PM


#152

Olá!

Idelber Avelar iguala um cidadão, que tanto contribuiu para melhorar a cidadania e os direitos individuais das pessoas no Brasil, ao que de pior a humanidade já produziu. Comparar José Serra a figuras como Stalin, Mao, Fidel Castro, Che Guevara e Hugo Chávez é de uma sandice fenomenal.

Esse trecho é impagável (os negritos são meus):

Esse é o aprendiz de ditador que quer governar o Brasil. O Biscoito convoca todos os tuiteiros a que enviem mensagens no Twitter com o endereço @joseserra_ para que o ditador veja que estamos solidários com os estudantes. Por favor, usem a caixa de comentários para compartilhar informações e links sobre mais essa vergonha perpetrada pelo governo de São Paulo.

Ora, ora... Um trotskyísta chamando um outro indivíduo de (adivinhem?)... ditador!

Aqui, eu parafraseio o poeta: Fico surpreso ao perceber o quanto de descrença é necessária para tornar uma crença possível. Aquilo que é conhecida como fé cega é sustentada por diversas descrenças. Geralmente, os indivíduos frustrados, conscientes de suas falhas e limitações, possuem uma tendência considerável em detectar imperfeições e os piores qualificativos nas outras pessoas. O auto-desprezo, que os frustrados (frequentemente) têm, deixa os seus olhos ainda mais afiados para detectar as imperfeições alheias. Eles costumam enxergar nos outros as máculas e os defeitos que possuem em si mesmos.

Marcelo Augusto em junho 10, 2009 7:00 PM


#153

Rafael Fortes: "me parece não só plausível como correto responsabilizar (...) o presidente Lula pela Chacina do Alemão, ocorrida em 2007 no Rio."

Incorreo, Rafael. Aqui, no blog do Idelber, esse juízo severo só recai sobre alguém "de Direita", como o Serra.

Frank em junho 10, 2009 10:21 PM


#154

Sou estudante e professora. Moro em Canoas, RS. Estamos acompanhando aqui MAIS uma BARBÁRIE tucana. O governo do Estado daqui também virou bagunça com Yeda Cruzius(PSDB). Esse é o jeito cruel, sanguinário, corrupto e, por isso, atrasado, dessa gentalha governar. Apoiamos os(as) estudantes da USP.
Saudações solidárias,
Milene Machado

Milene em junho 11, 2009 10:56 AM


#155

O que o Serra está fazendo é igual aos governadores anteriores... o objetivo maior é livrar o estado da educação publica... basta ver o que eles fizeram e tem feito nas escolas publicas... cada vez fica pior... pois fazem com que o aluno seja aprovado a todo custo... logicamente o objetivo maior é a faculdade publica que tendera a decair o seu nivel de ensino a cada ano (já feito nas escolas publicas)... as partes que interessão serão tercerisadas ... esses falsos representantes do povo tem que sofrer algum tipo de represálias...pois não passão de criminosos legalizados...

antonio em junho 11, 2009 8:44 PM


#156

O complexo de inferioridade misturado com tentativa de resgatar um passado de luta gloriosa universitária dá nojo à sociedade.

PTista Burro em junho 12, 2009 1:11 AM


#157

http://www.adusp.org.br/noticias/Informativo/285/inf28501.html

Pedidos constantes na declaração:

“Os professores da Universidade de São Paulo, reunidos em Assembléia no dia 10 de junho de 2009, em face dos graves acontecimentos envolvendo a ação violenta da Polícia Militar no campus Butantã, vêm a público exigir:

a renúncia imediata da professora Suely Vilela como reitora da Universidade de São Paulo;
a retirada imediata da Polícia Militar do campus;
que a nova administração adote uma medida firme para impedir que as chefias e direções assediem moralmente os funcionários que exercem o direito de greve, de modo a criar condições objetivas para que os funcionários possam suspender os piquetes;
que se inicie também imediatamente um processo estatuinte democrático.
São Paulo, 10 de junho de 2.009.

Adusp-S.Sind.
Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo

luma em junho 13, 2009 6:56 PM


#158

É um tanto complicado ver que esses estudantes não são apoiados pela maioria, nem refletem um pensamento do corpo estudantil.

A maioria, na verdade, parece apoiar o outro lado da história:
http://greveuspresultado.dnsalias.com/

Rafael (Poli-USP) em junho 16, 2009 11:52 AM


#159

Tenho visitado este blog com alguma freqüência, tenho lido quase todas as matérias e seus respectivos comentários, faço isso porque aqui as pessoas parecem ser tão cultas, escrevem bem, e não é em todo lugar que se pode ter uma boa noção do que é e qual é o pensamento da “esquerda”. Como sou neutro nas minhas opiniões, tenho procurado ler de tudo, acho que aos 48 anos a pessoa passa a ter uma visão menos emocional e mais racional, menos idealista e mais realista, e desta forma acredito conseguir fundamentar melhor minhas opiniões políticas.
Faço isso hoje não porque não tenho outra coisa para fazer, faço isso por que o destino me fez uma pessoa com muitas responsabilidades, e minhas opiniões em geral influi na vida de muitas pessoas, isso aumenta meu sentimento de responsabilidade.
Antes de dar minha opinião sobre este blog e tudo e todos aqui, gostaria de dizer não tenho interesse político nenhum, esta é a opinião de quem é filho de operário de fabrica no ABC, foi operário de fabrica no ABC, o pouco que estudou foi com muito sacrifício, a empresa que fundou há 18 anos atua num segmento de alta tecnologia e emprega mais de uma centena de profissionais altamente qualificados, apenas com seu trabalho obteve uma condição financeira muito boa, que permite a ele escolher morar no “Morumbi ou no Leblon” ou nos dois, sem problemas. Portanto, de forma alguma é um burguês quatrocentão.
Para mim, aqui só tem gente sem noção, atrasada, equivocada, pretensiosa, inocente, lunática, cega, dogmáticas, xiita, sonhadora, no mínimo fadadas ao fracasso. Eu sinceramente fico abestalhado com tanta imbecilidade. Espero que minha opinião colabore para que pelo menos um aqui considere a possibilidade de sair da década de 60.
Douglas

Douglas em junho 19, 2009 9:27 PM


#160

Douglas, em primeiro lugar parabéns pela sua fábrica. Acredito mesmo que você deva ter dado um duro danado, apenas se esqueceu de ser mais educado e menos prepotente.

Por que você acredita que a sua opinião vá mudar a cabeça das pessoas ou seu comportamento? O que o perturbou tanto? Que as pessoas ainda se lembrem da ditadura?

Se você não gosta do papo, procure seus pares. Quem sabe Mainardi? A Internet é livre!

Pior que burguês quatrocentão é novo rico!

Ieda Raro em junho 24, 2009 7:02 PM


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