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quinta-feira, 02 de julho 2009

100 horas de golpe em Honduras

Na próxima vez que alguém o acusar de acreditar em teorias da conspiração, caro leitor – sem prejuízo ao fato inconteste de que há, sim, gente disposta a crer em conspirações inverossímeis --, experimente retrucar o seguinte: ante os fatos ocorridos em Honduras na última semana do mês de junho de 2009, pertence ao cético o ônus de provar que a política não sucumbe, frequentemente, à lógica da pura conspiração. Pois se o que acontece ante nossos olhos em Honduras não é uma conspiração, alguém me sugira por favor um melhor vocábulo.

Já são bem mais de 100 horas de golpe em Honduras. Nenhum país do planeta reconhece o governo golpista. Ele foi condenado por OEA, Alba, ONU, SICA, Grupo do Rio e até pela Associação dos Ombudsmen das Américas. O presidente deposto falou em Assembleia da ONU e recebeu apoio e reconhecimento unânimes. Cuba e EUA condenam juntos o golpe. O golpista, presidente de facto, Micheletti, chega ao cúmulo de arrolar em seu favor o “apoio de Israel e Taiwan”, e não há internauta no planeta que encontre confirmação disso em fontes independentes nos dois países.

No entanto, a conspiração golpista conta com bases em: 1) parlamento; golpistas argumentam que é ampla maioria, mas não há confirmação independente mais além do fato, sim, de que havia desgaste parlamentar de Zelaya -- como é, aliás, comum para qualquer presidente latino-americano em fim de mandato que não tenha aprovação lulística; 2) cúpula militar; 3) setores de um Poder Judiciário absolutamente oligárquico; 4) imprensa, que opera livremente para disseminar o golpe – TVs abertas de Honduras e jornais El Heraldo e La Prensa – e é brutalmente censurada, perseguida, sabotada e encarcerada quando se coloca com independência ou com simpatias à resistência.

Se a imprensa estivesse funcionando em estado de mínima igualdade de condições em Honduras, o contexto atual seria bem distinto, não há dúvidas.

No momento em que escrevo, há, sim, hondurenhos assistindo a conferência de imprensa de Manuel Zelaya, mas só os que têm acesso à CNN em espanhol. Todas as TVs abertas de Honduras insuflam o golpe abertamente e inflam o número de participantes das aglomerações golpistas. Os sinais da TeleSur foram bloqueados. Os sinais dos canais de TV que transmitiam a conferência de Zelaya também o foram, logo depois. Há um completo blecaute de mídia em Honduras.

Para acompanhar as atualizações mais frequentes, veja o Twitter. Por aqui, a caixa fica aberta para reflexão sobre este insólito e inaudito golpe que, se tem algum precedente comparável, realmente, eu o desconheço.

Atualização:O Secretário da OEA, o chileno Inzulza, chega amanhã a Honduras com o ultimato da organização.

Atualização II: Confirmei a notícia de que o dono dos jornais El Heraldo e La Prensa (a mesma pessoa!) perdeu a boquinha em 2007, no governo Zelaya. Ele vendia drogas e armas ao estado. Talvez a fúria contra Chávez tenha algo que ver com a indústria farmacêutica, já que agora muitos medicamentos entram gratuitamente a Honduras pela Alba. Além de dono dos dois jornais, o Sr. Canahuati é também um barão da indústria de drogas.



  Escrito por Idelber às 18:27 | link para este post | Comentários (77)


Comentários

#1

Idelber - Essa eu peguei diretamente dos links que você disponibilizou (@elboby). Lá tem um outro link que demonstra claramente as intenções de Zelaya e sua quarta urna.

http://nacerenhonduras.blogspot.com/2009/07/encuesta-convocaria-constituyente-segun.html

Ele, agora fala que não queria convocar uma constituinte, que não queria alterar nada, que era apenas uma pergunta não vinculante e etc...

P.S.: Infelizmente não posso aferir a veracidade desse decreto. Portanto não estou totalmente certo de que não tenha sido feito depois. Vou procurar mais informações.

Pablo Vilarnovo em julho 2, 2009 7:23 PM


#2

Aqui há uma imagem maior:

http://4.bp.blogspot.com/_e2VvUqxTJQE/SkzMvK_Jp7I/AAAAAAAABM0/prXMrxw9cqg/s1600-h/escanear0001.jpg

Ainda não consegui confirmar. Todos os blogs e lugares que falam sobre esse decreto dizem basicamente o mesmo.

Pablo Vilarnovo em julho 2, 2009 7:50 PM


#3

Peraí... quem estava tentando dar um golpe para se perpetuar no poder, insistindo em realizar na marra um plebiscito considerado ilegal pela Suprema Corte e proibido expressamente em lei pelo Congresso Nacional era o presidente deposto, em parceira conspiratória com forças externas (Hugo Chávez).

Dá uma olhada aqui, onde eu explico melhor: http://arthur.bio.br/2009/06/29/politica/nao-houve-golpe-em-honduras

Arthur Golgo Lucas em julho 2, 2009 11:14 PM


#4

"Você CONCORDA ou não com X?" não me parece vinculante. Além do que, o que diabos tem de errado em uma Assembléia Constituinte? Se uma Assembléia Constituinte é feia, má, boba e chavista, então nossa Constituição é feia, má, boba e chavista, bem como nossas leis regidas por ela, etc. O poder constituinte não se fossiliza - é um poder sempre vivo (e é melhor o exercício do poder constituinte originário, a convocação de uma Assembléia pra revisar ou fazer uma nova constituição, do que o poder constituinte derivado, a alteração constitucional por um Parlamento não eleito para tanto). Dito de outro modo: se Zelaya (esse ser com complexo de inferioridade teleguiado por Chavez) queria mudar algo da Constituição que não poderia ter sido modificado (limitação que, qualquer um sabe, não existe, pois o poder constituinte originário, que é o poder mesmo, aquilo que fundamenta as leis, a força de lei, pode mudar qualquer coisa), a sua destituição pelos militares foi uma emenda constitucional não escrita e outorgada pelo Parlamento: "em caso de desobediência, por parte do Presidente, do artigo X[245 de não me engano] da Constituição, ele será privado do devido processo legal, e levado de pijama ao exílio". É preciso destruir a lei para defendê-la. Isto é Carl Schmitt, que via em nada menos que Hitler o guardião da Constituição de Weimar. Menos né.

Alexandre Nodari em julho 2, 2009 11:15 PM


#5

Idelber, me desculpe a falta de moderação: Arthur, que diabos v. explica? No teu caso, pensar deve doer pra caralho pra v. não argumentar bulhufas e sair por aí dizendo que está explicando alguma coisa.

Alexandre Nodari em julho 2, 2009 11:18 PM


#6

O Arthur não entendeu nada, pois não se deu ao trabalho de buscar sequer uma fonte de verdade: o tal decreto, a cédula, a constituição de Honduras, qualquer coisa. Ele próprio confessa: "Todas as informações usadas para compor esta análise foram colhidas dos sites do G1, de O Globo, do Estadão, da Folha, do UOL, do Terra e de Último Segundo".

Já o Pablo parece estar só um pouco confuso: basta ler o texto do decreto, cujo link ele mesmo fez a gentileza de incluir no comentário, para ver que não faz sentido nenhum dizer que ele "demonstra claramente as intenções de Zelaya e sua quarta urna". Não há uma linha no decreto que permita a interpretação de que o Zelaya não ia fazer a "quarta urna" e iria convocar uma constituinte imediatamente. Vejam bem: eu não estou dizendo que ele não pretendesse fazer isso, o problema é querer provar que ele tinha essa intenção usando o texto do decreto, o que é impossível. É o mesmo que dizer, sei lá, que a "verdadeira" intenção do plebiscito do desarmamento (caso a proibição às armas passasse) era fazer um grande confisco, prender pessoas e instalar uma ditadura...

Daqui a pouco a direita acorda e vai começar a propagar uma nova teoria, de que foi um "movimento preventivo", pois havia "claros indícios" de que o Zelaya, ainda que não tivesse violado a constituição, estava "prestes a fazê-lo".

Tomás Santos em julho 2, 2009 11:36 PM


#7

demonstra claramente as intenções de Zelaya e sua quarta urna...

O golpismo sempre, em algum momento, recorre à leitura da mente alheia para justificar o golpe. Articulou essa cristalina verdade, brilhantemente, o Flávio Aguiar, na Carta Maior.

Idelber em julho 3, 2009 12:49 AM


#8

Alexandre,

Na prática é como se houvesse mesmo uma artigo 48 do Weimar não escrito em Honduras que outorgaria, na hipótese de ameaça à ordem posta e pressuposta, o poder para as Forças Armadas serem o meio possível para que a Oligarquia local possa decidir sobre a Exceção destruindo a ordem vigente para protegê-la em sua essência. É como se o Golpe de Estado fosse uma instituição juridisforme de natureza consuetudinária em Honduras, o que não nos é estranho enquanto brasileiros e não é absurdo para muitos contemporâneos nossos mesmo nos dias atuais.

A defesa disso, no entanto, é um reflexo extemporâneo da ideologia fascista em nosso meio - e como meio da manutenção da Ordem - na medida em que qualquer avaliação sob a perspectiva liberal levaria, no máximo, à defesa de que o STE local deveria vetar a realização do referido plebiscito ou, em caso extremado, à defesa do Impeachment de Zelaya seguindo os ritos do devido processo legal.

O anacronismo de Honduras revela de maneira dramática o nosso próprio anacronismo quotidiano; trata-se de um fato chocante, mas também não deixa de ser espetacular do ponto de vista científico, posto que nos ajuda a entender em muito a relação triádica entre o oligarquismo latino-americano, a atrofia crônica do Estado Liberal na nossa região e o perene e peculiar Estado de Exceção em que vivemos.

Hugo Albuquerque em julho 3, 2009 12:51 AM


#9

Traduzi no meu caderno uma entrevista com o jornalista Rubén Escobar, do Diario Tiempo, publicada originalmente no Escolar.net.

http://caderno.allanpatrick.net/2009/07/02/para-entender-o-golpe-em-honduras-3/

Patrick em julho 3, 2009 12:56 AM


#10

No comment #8, na verdade, é e não é absurdo para muitos compatriotas nossos mesmo nos dias atuais. Desculpem.

Hugo Albuquerque em julho 3, 2009 1:22 AM


#11

Puxa, excelente esse link, Patrick. Já recomendei no Twitter também. Obrigado.

Idelber em julho 3, 2009 1:54 AM


#12

O Tomás Santos disse que eu não entendi nada porque não me dei o trabalho de buscar uma "fonte de verdade". Mas será mesmo que as maiores agências noticiosas em língua portuguesa não são "fontes de verdade"? Acho difícil concordar com essa afirmação do Tomás.

Talvez eu devesse ter explicitado melhor é que fazer a análise a partir daquelas fontes era exatamente o meu objetivo, porque todas as descrições apresentadas naqueles sites contradizem as posturas por eles assumidas. O que me espanta é que tão pouca gente veja isso.

Um exemplo: ainda hoje as mesmas agências estão usando a expressão "golpe militar" para descrever o episódio e informando que o novo governo é civil e que foi empossado pelo Congresso Nacional com aval da Suprema Corte.

Outra coisa que ninguém comenta é que, para haver o retorno de Zelaya, terá que se fechar o Congresso Nacional e a Suprema Corte, pois estas instituições manterão a mesma posição já anunciada. Todos os poderes se concentrarão nas mãos de Zelaya, que será alçado a ditador pela interferência internacional.

Não consigo imaginar um cenário mais surreal.

Arthur Golgo Lucas em julho 3, 2009 4:34 AM


#13

Arthur,

as maiores agências noticiosas em língua portuguesa:

1) mentiram ao afirmar que a consulta de domingo era sobre segundo mandato; não era. Era sobre se a população queria ser consultada sobre a instalação de uma Assembleia Constituinte nas eleições de novembro.

2) mentiram ao afirmar que há uma "carta de renúncia". Ela não existe, a assinatura do presidente foi falsificada e até mesmo a data na carta está equivocada -- provavelmente porque os golpistas se esqueceram de atualizar a data de quinta-feira para domingo depois do adiamento do golpe.

3) mentiram ao afirmar que a Suprema Corte deu "ordem de captura" de Zelaya. Deu ordem de reinstalação do comando militar demitido por Zelaya. "Ordem de captura" a Zelaya é ficção.

Os links para essas barrigadas, tanto do UOL como do G1 como do blogueiro Noblat, do portal Globo, estão no meu Twitter.

O seu texto repete essas barrigadas.

Portanto, não, as maiores agências noticiosas em língua portuguesa não andam com essa bola toda no se refere à veracidade das informações sobre Honduras, não.

Idelber em julho 3, 2009 5:08 AM


#14

Confirmei a notícia de que o dono dos jornais El Heraldo e La Prensa (a mesma pessoa!) perdeu a boquinha em 2007, no governo Zelaya. Ele vendia drogas e armas ao estado.

Talvez a fúria contra Chávez tenha algo que ver com a indústria farmacêutica, já que agora muitos medicamentos entram gratuitamente a Honduras pela Alba. Além de dono dos dois jornais, o Sr. Canahuati é também um barão da indústria de drogas.

Idelber em julho 3, 2009 5:52 AM


#15

fiz uma busca nos arquivos mas não encontrei referencia ao documentário La revolución no será trasmitida (Chávez: Inside the Coup, titulo original)
-uma equipe da televisão irlandesa estava fazendo uma reportagem sobre o Chávez quando estourou o golpe de abril de 2002, que durou 48 horas
-Chávez tinha aberto todas as portas à equipe (há planos por cima do hombro do homem!), e o espectador participa em primeira pessoa de todo o processo (do pré ao pós-golpe)

atualmente, o golpista Pedro Carmona é referido na Venezuela como "El Efímero"

...
o momento pede essa trilha, então trago também à memória a música "The revolution will not be televised", do grande Gil Scott Heron

rudolf em julho 3, 2009 9:55 AM


#16

A Folha não usa a expressão "golpe de estado" para se referir ao lamentável episódio. Insiste em chamar de "deposição" e faz uma cobertura vergonhosamente parcial a favor dos golpistas. É impressionante que não há nem um pouquinho da indignação recente que esse mesmo jornal demonstrou com os eventos recentes no Irã, quando defendeu apaixonadamente a oposição, como se ela fosse a promessa de modernidade e democracia. A Carta Capital deu, esta semana, que no mandato de primeiro-ministro do candidato derrotado do Irã e orquestrador dos protestos, pelo menos 8.000 inimigos do regime foram executados. Isso a grande imprensa não diz. Até quando manipularão a opinião pública? Demonizam qualquer governo que se alinhe à esquerda e não faça cara feia ao Chavez.

Cecilia Santos em julho 3, 2009 11:01 AM


#17

Imagine se a impresa fizesse pressão pró-Zalaya com a mesma intensidade que faz pressão contra Ahminejad.

Guilherme Póvoas em julho 3, 2009 11:57 AM


#18

Por enquanto a Folha ainda está emprestando suas caminhonetes para os golpistas de Honduras. Se a população de Honduras começar a se manifestar fortemente contra o golpe e milhões forem às ruas, então a folha passará a xingar os golpistas e dirá que tem rabo preso como os hondurenhos.

André em julho 3, 2009 12:18 PM


#19

Gente, vamos com calma.
A Folha chamou o golpe de golpe em editorial.
Hoje, tem a seguinte notícia:
"Chávez influenciava Zelaya, diz ex-aliado
Para Moisés Starkman, assessor de presidente deposto até dia do golpe, aproximação com Venezuela era ruim para Honduras
Constituição que Zelaya tentava mudar trouxe estabilidade democrática ao país, diz político, que manteve cargo após golpe."
Ela noticiou o protesto anti-golpe ("País vê protestos mais intensos desde deposição de presidente "), frisando as dificuldades encontradas e o apoio da mídia na convocação das passeatas oficialistas.
E "deposição" não é um termo exatamente positivo, até porque um golpe leva, efetivamente, à deposição. Ou não?
Menos, gente, menos.

João Paulo Rodrigues em julho 3, 2009 12:36 PM


#20

Olá!

Idelber Avelar não tem moral nenhuma para escrever sobre golpes e coisas tais. Alguém que (cinicamente?) se omitiu diante do que aconteceu no Irã e, agora, quer bancar uma de democrático apenas age para reduzir sua credibilidade para analisar fatos como esses.

E, aí, Idelber? Quem Vais convidar para uma cachacinha dessa vez?

Até!

Marcelo Augusto em julho 3, 2009 1:12 PM


#21

Rapaz, deu no NY Times e o site do PC do B repercutiu(Nunca pensei que escreveria essa frase):
Golpistas de Honduras negociam anistia com a OEA para escaparem da prisão.
O sertão vai virar mar, e o mar virar sertão.

Roberto Locatelli em julho 3, 2009 1:50 PM


#22

Prezado Marcelo Augusto,

Não sabia que o Idelber tinha virado secretário-geral da ONU e que era obrigação dele manifestar-se sobre Irã. Aliás, o que houve no Irã? Onde estão as provas de fraude? Pequenas cidades com mais eleitores? É sinal de migração interna e gente vindo votar de fora, ou irregularidade mesmo, mas não prova fraude a favor de Ahmadinejad, que aliás, ganhou nas grandes cidades, onde se dizia que seu adversário teria mais força.

A República Morumbi-Leblon, que se disseminou por várias partes do globo, comprou a causa da indústria armamentista americana e israelense. As pesquisas de intenção de voto, inclusive feitas por institutos americanos conservadores, davam o atual presidente como favorito nas eleições, e ele ganhou. Aliás, segundo o Washington Post, as projeções indicavam uma vitória ainda maior dele.

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2009/06/14/AR2009061401757.html?hpid=opinionsbox1

Leiam este artigo do Post, por favor, até o final.

Eu não gosto do Irã, não gosto do Ahmadinejad, mas esses golpezinhos da direita americana, não colam mais.

De qualquer forma, bela argumentação a sua. Quer dizer que, para o Idelber se manifestar sobre qualquer coisa "com moral", terá que, previamente, assinar a cartilha anti-iraniana escrita por você? Muito democrata, héin? Quanta liberdade de opinião.

Judeu Errante em julho 3, 2009 1:54 PM


#23

JPR, meu problema com a Folha não é nem o nome que utilizou. É a franca disseminação de notícias falsas, como por exemplo a história (estória mesmo) de que a consulta de domingo era sobre "segundo mandato". Ou a insistente caracterização de Zelaya como "aliado de Chávez", como se ser aliado de Chávez fosse o primeiro atributo da identidade do cabra. E, convenhamos, "deposição" é um termo pretensamente neutro: uma deposição pode ser legal ou ilegal. Acho que a mídia brasileira foi outro grande fracasso neste episódio.

Idelber em julho 3, 2009 4:08 PM


#24

Por falar em teoria da conspiração, vou repetir aqui o que comentei lá no blog do Leandro Fortes.

Houve um golpe de estado em Honduras e a nossa mídia custou a admiti-lo. A sua facção mais afoita chegou a festejá-lo. Ou seja, o PIG não conseguiu disfarçar sua verdadeira índole. E certamente não está sozinho.

O presidente deposto não soube recuar. E o judiciário hondurenho foi ator decisivo no golpe, dando foros de legalidade à truculência.

Aqui o jogo continua. Tudo será motivo para tentativas de desestabilização institucional. Provocações, em suma. Tal qual D’Alessandro pra cima do zagueiro corintiano, que soube recuar, permaneceu em campo e ganhou o título.

Lula também sabe. E também está ganhando o jogo. Que somente terminará com as eleições de 2010.

Mas mesmo após, restará ainda o tapetão.

Lula cultiva a democracia como um valor inegociável. Somente com ela chegaria onde chegou. Mas não se ilude quanto aos valores cultivados por seus adversários. Inclusive aqueles que comandam o tapetão.

Abraço.

Navegador em julho 3, 2009 4:22 PM


#25

Idelber,

O Golpe de Honduras não deixa de ser uma barbaridade. Barbaridade maior é a imprensa brasileira cometer a mesma negligência com o que aconteceu naquele temível ano de 1964.

Está acontecendo uma ditadura, sim! Senão, o que justifica o 'estado de sítio' que Micheletti decretou anteontem?

Outra coisa: estão falando que não há manifestantes. Agora, queria explicar a esses caras pálidas o que justifica as imagens que vejo no jornal El País e no site da TeleSur.

Mas, Idelber, sinceramente o que me preocupa mais é a situação do povo. Não vejo nenhum, link, nenhum veículo que fale o que o povo de verdade, aquela dona de casa, aquele trabalhador, aquele que vive nas ruas, pensa sobre essa situação política.

Se tiver algum link, por favor me mande.

Também discorri sobre o assunto na minha página:
http://atemporalizando.blogspot.com/2009/07/governo-de-honduras-remonta-as.html

Tiago Ferreira da Silva em julho 3, 2009 4:42 PM


#26

Idelber:

1) Não era explicitamente sobre segundo mandato. Mas por que Zelaya fazia tanta questão de realizar o tal plebiscito mesmo após a Suprema Corte ter declarado ilegal a consulta e o Congresso Nacional ter aprovado nova lei proibindo explicitamente consultas deste tipo entre 180 dias antes e 180 dias depois das eleições? (Resposta: porque era sua única chance de conseguir um segundo mandato "legal", como fez Hugo Chávez.)

2) Sim, a suposta carta de renúncia eu já apontei como o primeiro fator que enfraquecia a versão do novo governo e que levantava suspeitas quanto a sua credibilidade.

3) Eu não recordo de ter lido sobre quem teria dado a ordem de captura, mas sim que as ações foram avalizadas pela Suprema Corte. Ora, se a Suprema Corte decidiu, sabe como é... "decisão judicial não se questiona, se cumpre". Mesmo que tenha sido uma aberração, se a Suprema Corte avalizou, então não há mais o que reclamar. Não é assim que funciona no nosso país?

Um exemplo no nosso ordenamento jurídico: a Lei Maria da Penha é flagrantemente inconstitucional, colidindo frontalmente contra o inciso primeiro do artigo quinto da Constituição Federal. O que disse o STF, entretanto?

"A leitura da Lei Federal 11.340/06, sem a discriminação criada, não apresenta qualquer mácula de inconstitucionalidade, bastando afastar as disposições qualificadoras de violência doméstica à mulher, para violência doméstica a qualquer indivíduo da relação familiar, para que sejam plenamente lícitas suas disposições.

Neste contexto, inexiste a condição de inconstitucionalidade decorrente da discriminação produzida, mas tão-somente uma imposição inconstitucional que deve ser suplantada pelo intérprete equiparando as condições de homem e mulher, de modo a permitir a análise da pretensão que é da competência do Juízo que afastou a incidência da norma."

Percebes o malabarismo? Ao invés de apontar de uma vez a flagrante inconstitucionalidade da lei, o tribunal diz que ela "é constitucional mas contém uma inconstitucionalidade", um abjeto exercício de duplipensamento.

E o que se faz? Cumpre-se o duplipensamento, oras. Pouco importa se é absurdo, se é contraditório, se vai causar confusão, injustiças e tratamento discriminatório contra os homens, dependendo caoticamente das posições ideológicas dos operadores do Direito em primeira instância.

Voltemos a Honduras. A Suprema Corte hondurenha avalizou todas as ações do Exército e do Congresso Nacional, certo? Então, não importa se vai causar confusão, injustiças e tratamento discriminatório: cumpra-se. É assim que esse tipo de questão é tratado em todos os países que estão se manifestando contra o governo provisório de Honduras. Por que no caso de Honduras a regra teria que ser outra?

Arthur Golgo Lucas em julho 3, 2009 4:54 PM


#27

Tiago, gostei muito do seu post. Obrigado pelo link e pelas palavras. Sobre o que o povão mesmo anda pensando: não, infelizmente, não tenho material. Como sempre nestas situações, acho que é uma mescla de coisas. É fato que Zelaya vinha perdendo apoio -- o que é, por outra parte, a regra, não a exceção em finais de mandato na América Latina. No Twitter, tenho acompanhado todos os hondurenhos residentes em Honduras cuja "autenticidade" pude comprovar, independente da posição política. O que posso especular é:

1) há muito, muito medo, é evidente.

2) se a aprovação de Zelaya era 30% ou 35%, a porcentagem dos que reprovam o golpe é bem maior que essa.

3)as manifestações ocorrem em absurda desigualdade de condições: as de um lado organizadas pelo governo, com ônibus grátis, anúncios nas televisões e participação ativa dos meios de comunicação no seu planejamento; de outro, aglomerações violentamente reprimidas, organizadas boca a boca. Mesmo assim, não tem sido possível esconder estas últimas.

4) é provável que muita gente esteja pensando, não sem razão, que seja como for que resolva a pendenga, os pobres sairão perdendo outra vez.

Abração.

Idelber em julho 3, 2009 4:57 PM


#28

hohoho, Arthur (#26), desculpe ser curto e grosso mas, sacumé, ando com coisa importante pra fazer:

1) Baseado na leitura da mente alheia, você divulgou falsa informação de que consulta era sobre segundo mandato.

2) Você está reconhecendo que a carta de renúncia foi uma fraude.

3) Você diz que "se recorda" de ter lido, mas é incapaz de me apontar uma fonte confiável que confirme que Suprema Corte avalizou sequestro de presidente.

Ora, fim de papo, não acha?

Idelber em julho 3, 2009 5:02 PM


#29

Repressão constante ao povo, isto é fato. Mas ao menos o "governo" começa a ceder e sentir o peso do isolamento (Chavez, aliás, suspendeu envio de petróleo).

O "Governo Provisório", como o PIG gosta de chamar o governo fake, golpista, começou a demonstrar ter sentido o peso do repúdio internacional e aventou a possibilidade de um referendo para saber se o povo quer que Zelaya volte ao poder. É um primeiro passo, e uma excelente demonstração de que a pressão internacional vem surtindo efeito.

Pressão, aliás, que a OEA vem fazendo de forma constante, renegando seu passado de apoio à regimes golpsitas e ditatoriais, inclusive impondo um prazo para que a normalidade democrática retorne e sanções sejam aplicadas à Honduras.

Trágico, e até cômico, são as tentativas do governo golpista e da "justiça" de Honduras de tentar dar alguma legitimidade ao golpe, forjando acusações e "provas" de supostos crimes cometidos por Zelaya.

Em um Estado de Direito, a justiça de qualquer país decente abriria processos contra um acusado - fosse quem fosse -, porém, em Honduras, a justiça apóia um golpe para DEPOIS fabricar as acusações e as provas. Tentativa torpe e burra de legitimar um golpe ilegal e ilegítimo.

http://tsavkko.blogspot.com

Raphael Garcia em julho 3, 2009 5:30 PM


Hudson Lacerda em julho 3, 2009 5:35 PM


#31

Excelente link, Hudson. Já recomendei no Twitter, com crédito ao Incrível Exército Blogoleone. Abraços.

Idelber em julho 3, 2009 5:43 PM


#32

Uma coisa que me surpreende, e que o Angry Arab já comentou, é como a mídia fui unânime para se opor ao Ahmadinejad, mas em Honduras resistem até o último minuto em repudiar o golpe, na verdade, defendem!

O que está por trás disso é outra coisa, mas é um fato facilmente verificável.

Raphael Garcia em julho 3, 2009 5:46 PM


#33

Nesse momento a Rádio Globo Honduras está dando notícias sobre a mobilização. Ouçam também a Rádio Es Lo De Menos (México). As transmissões estão instáveis por razões óbvias.

Hudson Lacerda em julho 3, 2009 5:54 PM


#34

A pergunta é a seguinte: o Presidente vai conseguir voltar ao país e reassumir ao cargo ?

Pedro Migão em julho 3, 2009 7:31 PM


#35

"O" cargo, perdão.

Pedro Migão em julho 3, 2009 7:32 PM


#36

Se admitirmos que o Presidente de Honduras estivesse insistindo em realizar um plebiscito declarado ilegal pelo Judiciário, caberia a esse mesmo Judiciário fazer cumprir sua decisão, convocando a força pública (polícia ou forças armadas)para tanto.

Não caberia ao Judiciário convocar as forças armadas para dar um golpe militar!

Será que alguém entrou com uma ação na Justiça hondurenha pedindo uma sentença que determinasse a deposição do Presidente e, observado o devido processo legal, obteve ganho de causa mais rapidamente do que o Daniel Dantas obteve seu habeas corpus no nosso STF?

Será que alguém tem facilidades nos tribunais superiores de Honduras? Não acredito!

Ricardo Petrucci Souto em julho 3, 2009 8:26 PM


#37

Caro Idelber:

Acho que os defensores do -- chamemo-lo pelo nome -- golpe deveriam mandar seus argumentos para o Advogado Geral das Forças Armadas de Honduras, o coronel Herberth Bayardo Inestroza, porque, segundo o próprio, a deposição de Zelaya foi feita de forma ilegal:

"We know there was a crime there. In the moment that we took him out of the country, in the way that he was taken out, there is a crime. Because of the circumstances of the moment this crime occurred, there is going to be a justification and cause for acquittal that will protect us."

Leia a entrevista completa com ele aqui: http://tinyurl.com/kl5gjd

Saladino em julho 3, 2009 8:37 PM


#38

Caro Saladino: Obrigado. Sim, vi essa entrevista do principal advogado das Forças Armadas. Tuitei-a esta tarde. Não há muito mais o que discutir quando o cabra dá uma declaração dessas.

Idelber em julho 3, 2009 8:39 PM


#39

Se a justiça tinha tanta certeza de ue era ilegal a convocação do Zelaya, poderia ter simplesmente tomado alguma medida LEGAL. A certeza de que o que Zelaya fazia era legal, mas apenas apavorava a elite local, fica demonstrado pelo golpe. Fosse ilegal, haviam meios de tirá-lo do poder seguindo trâmites específicos.

Precisa de golpe para fazer valer a lei e a justiça? Não, logo, não havia base para condenar, processar ou depor "democraticamente" o Zelaya.

Nada mais que jogo das elites, pegaram a bola de volta!

Raphael Tsavkko Garcia em julho 3, 2009 9:07 PM


#40

Idelber,
Veja essa notícia, do "publico.es"

"Micheletti flaquea y comienza a preparar su salida del país.
Fuentes presentes en la reunión que este viernes mantuvieron el presidente de la Organización de Estados Americanos (OEA), el chileno José Miguel Insulza, y el presidente golpista de Honduras, Roberto Micheletti, aseguraron que el mandatario de facto "solicitó inmunidad y un destino tranquilo fuera de Honduras" para abandonar el poder. (...)
Diversas fuentes volvieron a señalar que la inquietud comienza a asentarse en algunos mandos del Ejército."

http://www.publico.es/internacional/236547/micheletti/flaquea/comienza/preparar/salida/pais

Cláudio Ladeira em julho 3, 2009 10:15 PM


#41

Para apreciação e analise, do signatário do blog e leitores.

TESES AO XIV CONGRESSO DO PARTIDO COMUNISTA
BRASILEIRO (PCB).


TESE 1- O Capitalismo Hoje-AQUI

TESE 2- A Estratégia e a Tática da Revolução Socialista no Brasil-AQUI

TESE 3- Socialismo: Balanço e Perspectivas- AQUI

TESE 4- ORGANIZAR, ESTUDAR E LUTAR (Os desafios do PCB, no limiar do século XXI)- AQUI


Paulo Kautscher em julho 4, 2009 12:38 AM


#42

Idelber,

Has visto este artículo?

http://www.csmonitor.com/2009/0702/p09s03-coop.html

Mac Williams em julho 4, 2009 1:27 AM


#43

Hi, Mac, check out the best responses here, here , and here.

Idelber em julho 4, 2009 1:30 AM


#44

Obrigado pelos links...........lo de Counterpunch me gustó mucho.

Mac Williams em julho 4, 2009 1:41 AM


#45

Golpistas falam em antecipar eleições, mas Constituição não permite antecipar a posse:
Posiciones divididas sobre cambio de fecha de las elecciones

Em cadeia nacional, Micheletti anuncia pedido de saída de Honduras da OEA. É uma tentativa de fugir a sanções. Porém, o regulamento da OEA não dispensa o cumprimento de obrigações (por dois anos a partir do pedido de saída):
Golpistas anuncian retiro de Honduras de la OEA en Cadena Nacional

Hudson Lacerda em julho 4, 2009 10:53 AM


#46

A dificuldade que vocês tem de se livrar desses trolls de Extrema Direita vem, basicamente, de que a Esquerda atual fica aderida ao fetiche da Democracia Liberal-Birguesa e abre espaço para essa gente ficar fazendo sofismas sobre o que é ou não é golpe de estado. Tanto quanto posso perceber de longe, o que aconteceu em Honduras foi um conflito no interior da oligarquia governante onde o Presidente resolveu lançar mão da estratégia populista de apelar às massas para alavancar um projeto pessoal de poder - algo semelhante à campanha da Aliança Liberal brasileira de 1929 com 80 anos de atraso histórico. O fato de que em Honduras, pela primeira vez, o povo seja considerado como agente de uma estratégia de poder e não como um objeto passivo, que a política hondurenha não seja decidida por mero conchavo entre as vérias seções da oligarquia, os generais e a embaixada americana, por si mesmo, no meu entender, já é um avanço histórico e tanto, e se os trolls acham que isso é golpismo, sinceramente, no meu entender, que vão se roçar nas ostras, como dizia o Pasquim da década de 70...

Carlos em julho 4, 2009 3:15 PM


#47

Caro Idelber,

Estou a procura de informações sobre a escolha de Costa Rica para o exílio do Zelaya. Quem escolheu o destino e por quê?

Tiago Pavan em julho 4, 2009 5:39 PM


#48

"1) Baseado na leitura da mente alheia, você divulgou falsa informação de que consulta era sobre segundo mandato." (Idelber)

Baseado nos indícios que estão disponíveis para todo mundo e que eu listei no post que cito numa mensagem anterior.

"2) Você está reconhecendo que a carta de renúncia foi uma fraude."

Não, eu disse que a história da suposta carta de renúncia lança dúvidas sobre a credibilidade do governo provisório. É diferente.

"3) Você diz que "se recorda" de ter lido, mas é incapaz de me apontar uma fonte confiável que confirme que Suprema Corte avalizou sequestro de presidente."

Cito, sim: “Suprema Corte de Honduras diz que mandou Exército tirar presidente do poder” no link http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/06/28/suprema-corte-de-honduras-diz-que-mandou-exercito-tirar-presidente-do-poder-756557999.asp

Ora, se a Suprema Corte mesmo disse isso, e quem dirime questões de legaldade e legitimidade é a Suprema Corte, fica bem claro que não houve golpe de Estado em Honduras, como eu tenho dito.

Arthur Golgo Lucas em julho 4, 2009 7:03 PM


#49

Ao contrário do que se propaga, os Estados Unidos da América não reconhecem que houve golpe de Estado em Honduras.

Hudson Lacerda em julho 4, 2009 7:20 PM


#50

Caro Arthur:

Permita-me citar um comentário que já fiz, a propósito do item 3 do seu post #48. Sugiro que você leia o que tem a dizer o Advogado Geral das Forças Armadas de Honduras, o coronel Herberth Bayardo Inestroza. Um trecho, traduzido em inglês:

"We know there was a crime there. In the moment that we took him [Zayela] out of the country, in the way that he was taken out, there is a crime."

O resto, aqui: http://tinyurl.com/kl5gjd

Confira também neste link a íntegra da entrevista deste militar hondurenho, em espanhol.

Saladino em julho 4, 2009 9:36 PM


#51

Arthur, você me desculpe, mas a sua argumentação é fraca, de dar dó.

1) A pergunta feita na consulta de domingo era: ¿Está de acuerdo que en las elecciones generales de 2009 se instale una cuarta urna en la cual el pueblo decida la convocatoria a una asamblea nacional constituyente? Si / No".

Você, no seu post, errou dizendo que era sobre segundo mandato. Vou dizer "errou", para não dizer "mentiu". Agora, pego no erro, fala de "indícios" sem citar quais são. Seja honesto. Qual era a pergunta da consulta?

2) Me desculpe, mas se você não sabe que a carta de renúncia é falsificada até hoje, você está simplesmente mal informado. Carta de renúncia fruto de uma invasão a domícilio por força armada às 5 da manhã? Ainda por cima com a data errada?

3) Eu falei de fonte confiável, não falei do Globo. Você viu confirmação disso no site da Suprema Corte hondurenha? Se a Suprema Corte deu ordem de captura do presidente, seria razoável supor que essa ordem existisse no veículo de comunicação da Corte com a população, não é? Pois é, ela não existe. Recomendo-lhe esta compilação de incorreções publicadas pela mídia brasileira sobre o golpe em Honduras.

Idelber em julho 4, 2009 9:42 PM


#52

Recomendo também ao Arthur a leitura dos três textos de juristas citados no comentário #43. Para começar a conversa com um mínimo de base.

Idelber em julho 4, 2009 9:44 PM


#53

Engraçado. Chávez dá golpes diários/semanais/mensais nas instituições venezuelanas e ninguém fala nada. Alías, ele mesmo já deu golpe real na década de 90. Expliquem-me porque uns podem e outros não. Ou será que é uma especie de futebol geopolítico: eu quero que meu time ganhe e que se dane a razão, a honestidade do juiz. O que vale é a cor da camisa, né? Mundinho hipócrita, não? Vou já aderir à Alba (Alternativa Bundamoleana para a América Latina)

Martineli em julho 4, 2009 10:25 PM


#54

Ao Arthur sugiro ler o texto do André Borges Lopes no Portal Luis Nassif:
http://blogln.ning.com/forum/topics/as-clausulas-petreas-e-as

André em julho 4, 2009 10:28 PM


#55

Idelber:

O texto abaixo eu busquei no link do Poder Judiciário Nacional de Honduras, aquele me indicaste logo acima sob o texto "ela não existe".

******** Início ********

COMUNICADO OFICIAL DE LA CORTE SUPEREMA DE JUSTICIA

Que el Juzgado de Letras de lo contencioso administrativo, ante una solicitud del Ministerio Publico, el día viernes 2ó de junio del corriente año libró orden a las Fuerzas Armadas para que ante la Desobediencia del Poder Ejecutivo, de suspender toda actividad relacionada con una consulta ó encuesta que se llevaría a cabo el día de hoy; procediera al decomiso de todo el material de la encuesta que se utilizaría en esa actividad previamente declarada ilegal.

Esta determinación jurídica autorizo a las Fuerzas Armadas para que con la intervención de fiscales del Ministerio Publico se procediera a requisar el material en mención, lo cual se ha estado ejecutando desde las ocho de la mañana de este día, acudiéndose para tal fin a todos los centros destinados para efectuar la referida encuesta, Siendo el decomiso la ejecución de una actuación judicial firme ratificado por la Corte de lo Contencioso Administrativo en donde se declara ilegal la encuesta patrocinada por el Ejecutivo, quien en ningún momento atendió los mandatos emanados de la Constitución y la Ley, el Poder Judicial considera que tal actuación se realiza dentro del marco legal, en base a una disposición judicial emitida por el juez competente.

Por su parte el Poder Judicial también estima que en el caso que se conoce, las Fuerzas Armadas como defensores del imperio de la Constitución, ha actuado en defensa del Estado de Derecho obligando a cumplir las disposiciones legales, a quienes públicamente han manifestado y actuado en contra de las disposiciones de la Carta Magna.

Finalmente el Poder Judicial deja constancia que si el origen de las acciones del día de hoy esta basado en una orden judicial emitida por Juez competente, su ejecución esta enmarcada dentro de los preceptos legales, y debe desarrollarse contra todo lo que ilegalmente se anteponga a devolver al Estado de Honduras, el Imperio de la Ley.

Tegucigalpa M.D.C., Veintiocho de junio del ano dos mil nueve.

PODER JUDICIAL DE LA NACION

********* Fim *********

Se isso não é "avalizar as ações", como eu disse que havia acontecido, então não imagino o que seria "avalizar".

Respondendo novamente:

1) Que adianta insistir em "qual era a pergunta" se o que interessa é "o que estava por trás da pergunta"? Zelaya pretendia mudar as regras com o jogo em andamento para perpetuar-se no poder. Violou a lei, desobedeceu a decisões judiciais explícitas e sofreu as conseqüências. Tudo nos conformes, respaldado por decisões judiciais - como mostra o texto retirado do site que indicaste.

2) Sobre a carta, eu só estava esclarecendo o que eu havia escrito originalmente. Não emiti nova opinião a respeito.

3) A confirmação da legalidade dos atos do Exército está contida no texto acima. A compilação lá no Portal Luis Nassif eu analisarei depois, certo?

Arthur Golgo Lucas em julho 4, 2009 10:30 PM


#56

Uau. EUA e Cuba do mesmo lado? NYTimes e o vermelho do PC do B na mesma linha? Globo e Idelber chamando o governo provisório de golpista? Pqp, bastou passar uns dias no mato e... tudo se realinhou de modo imprevisível. Isso sim é conspiração.
Todo mundo se juntou contra... Honduras. Pq uns milicos derrubaram um chapeludo (reconheço de longe um panamá legítimo e não sei dizer pq, acho nojento) num paíseco bananeiro tão desimportante qto Sergipe.
Meu Deus!!! Isso é capaz de alterar a geopolítica planetária e influenciar na rotação da terra.

Andei lendo umas coisas sobre a eleição na UE. Uma tese dizia que a esquerda procura gerar mais esperança com a política, enquanto a direita simplesmente toca do jeito que o vento sopra. A esquerda ascende qdo a política vira tema central. A direita, qdo passa a secundário.

Aplicando a tese no mundo que reencontrei, acho que a direita está levando vantagem. De um lado, Michael Jackson. De outro, Honduras. Na prática, ou seja, nas mesas de bar, onde se dá o debate, quem fala de Honduras não come ninguém. Sinto muito, companheiros, mas é uma constatação.

Pode ser que mude. Enquanto isso, a vida segue em honduras, como o mar...

Golpe, hoje, só o das pernas da morena.

Desculpa aí se despolitizei o debate. Sacumé, não perco esse ranço direitista (rssss)

Bob em julho 4, 2009 11:03 PM


#57

"Avalizar" significa -- por exemplo -- apoiar censura à imprensa, toques de recolher, prisões arbitrárias, perseguição e desaparecimentos, lançamento de gás pimenta, tiros de borracha e de chumbo, substituição de um prefeito pelo sobrinho querido do gorila, supressão de direitos elementares, invasão de hospitais, espancamentos e assassinatos. Nada mais justo e democrático, não é mesmo? ...e ainda tem gente que achando que é golpe?

Hudson Lacerda em julho 4, 2009 11:03 PM


#58

Uau. EUA e Cuba do mesmo lado? NYTimes e o vermelho do PC do B na mesma linha? Globo e Idelber chamando o governo provisório de golpista? Pqp, bastou passar uns dias no mato e... tudo se realinhou de modo imprevisível. Isso sim é conspiração.
Todo mundo se juntou contra... Honduras. Pq uns milicos derrubaram um chapeludo (reconheço de longe um panamá legítimo e não sei dizer pq, acho nojento) num paíseco bananeiro tão desimportante qto Sergipe.
Meu Deus!!! Isso é capaz de alterar a geopolítica planetária e influenciar na rotação da terra.

Andei lendo umas coisas sobre a eleição na UE. Uma tese dizia que a esquerda procura gerar mais esperança com a política, enquanto a direita simplesmente toca do jeito que o vento sopra. A esquerda ascende qdo a política vira tema central. A direita, qdo passa a secundário.

Aplicando a tese no mundo que reencontrei, acho que a direita está levando vantagem. De um lado, Michael Jackson. De outro, Honduras. Na prática, ou seja, nas mesas de bar, onde se dá o debate, quem fala de Honduras não come ninguém. Sinto muito, companheiros, mas é uma constatação.

Pode ser que mude. Enquanto isso, a vida segue em honduras, como o mar...

Golpe, hoje, só o das pernas da morena.

Desculpa aí se despolitizei o debate. Sacumé, não perco esse ranço direitista (rssss)

Bob em julho 4, 2009 11:03 PM


#59

Li tudo lá no Portal Luis Nassif. Acontece que ele já parte de uma premissa errada no primeiro parágrafo:

"A deposição do presidente hondurenho Manoel Zelaia foi justificada pela oposição a partir do fato de que ele teria tentado alterar ilegalmente claúsulas constitucionais que não passíveis de reforma."

Não foi por isso. Isso é uma distorção grosseira. Manoel Zelaya desobedeceu abertamente as decisões da Suprema Corte Hondurenha, insistindo em realizar um ato considerado ilegal, com apoio de forças externas ao país.

O resto todo não se sustenta justamente porque está baseado numa premissa falsa. "Por que não tentar ganhar no voto?" Simples: porque a Suprema Corte declarou que a consulta era ilegal. Se a consulta tivesse tal vício de origem, nenhum resultado seria válido.

Arthur Golgo Lucas em julho 4, 2009 11:10 PM


#60

Putz. O coments foi em duplicidade. Sorry

Bob em julho 4, 2009 11:11 PM


#61

O biscoito fino e a massa: o maior blog de humor da internet brasileira!

ends em julho 4, 2009 11:15 PM


#62

EUA e Cuba do mesmo lado? NYTimes e o vermelho do PC do B na mesma linha? Globo e Idelber chamando o governo provisório de golpista?

É, meu chapa. Inacreditável, mas é isso.

Idelber em julho 5, 2009 3:02 AM


#63

Não, Idelber, não é isso!
Os EUA mentem, ao condenar em palavras o golpe, mas na prática manter financiamento, comércio e relações diplomáticas com o governo golpista. É uma farsa dos pseudo-democratas ianques.
Enquanto posam de bonzinhos por aqui, realizam seu maior ataque militar no Afeganistão.

Hudson Lacerda em julho 5, 2009 12:06 PM


#64

Idelber, tem alguma coisa errada nessa nova coalizão. Sei não, aqui na minha terra diz-se que pinto que acompanha pato se afoga. Não sei apontar quem é pinto e quem é pato.

De qq forma, a desproporcional coalizão faz Honduras parecer a terra do Asterix. Li que o chapeludo quer desembarcar hj na capital do país. Uma de duas: reassume ou vai pra cadeia.

Abaixo reproduzo artigo que defende o "golpe". Sds.

Golpe em Honduras? Que golpe?
Por Octavio Sánchez (*)

Às vezes, o mundo todo prefere uma mentira à verdade. A Casa Branca, a ONU, a Organização dos Estados Americanos (OEA), e grande parte da mídia condenaram a deposição do presidente hondurenho Manuel Zelaya, no domingo, como um golpe de Estado. Isso é um absurdo. Na realidade, o que aconteceu aqui é simplesmente o triunfo da lei.

Para compreender os acontecimentos recentes, é preciso conhecer um pouco a história constitucional de Honduras. Em 1982, meu país adotou uma nova Constituição que permitiu nosso retorno à democracia após anos de governo militar. Depois de mais de uma dezena de Constituições anteriores, a atual, em vigor há 27 anos, é a que mais está resistindo.

E resiste porque responde e se adapta à mudança das condições políticas. Dos seus 379 artigos originais, 7 foram completa ou parcialmente revogados, 18 foram interpretados e 121 modificados.

Ela inclui também sete artigos que não podem ser revogados ou emendados, pois tratam de questões cruciais para nós. Os artigos que não podem ser alterados incluem a forma de governo, a extensão de nossas fronteiras, a duração do mandato presidencial, duas proibições - uma com relação à reeleição dos presidentes, a outra referente à elegibilidade para a função presidencial -, e um artigo que pune a tentativa de alterar a Constituição.

Nestes 27 anos, Honduras resolveu seus problemas ao amparo da lei.

Todos os países democráticos bem-sucedidos viveram períodos semelhantes de tentativa e erro até elaborar arcabouços jurídicos que se adaptassem à sua realidade. A França redigiu mais de dez constituições entre 1789 e a adoção da atual, em 1958. A Constituição americana foi emendada 27 vezes, desde 1789.

Segundo nossa Constituição, o que aconteceu em Honduras no domingo? Os soldados prenderam e mandaram para fora do país um cidadão hondurenho que, no dia anterior, por seus próprios atos perdera a presidência.

Estes são os fatos: no dia 26, o presidente Zelaya emitiu um decreto ordenando que todos os funcionários públicos participassem da "pesquisa de opinião sobre a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte".

Ao fazer isto, Zelaya desencadeou um dispositivo constitucional que automaticamente o tirou do cargo.

As assembleias constitucionais são convocadas para a redação de novas constituições. Quando Zelaya publicou o decreto para dar início a uma pesquisa de opinião sobre a possibilidade de convocar uma assembleia nacional, infringiu os artigos da Constituição que não são passíveis de alteração, relativos à proibição da reeleição de um presidente e à prorrogação de seu mandato. Seus atos mostraram o seu intento.

Nossa Constituição leva a sério este intento. Segundo o Artigo 239: "Nenhum cidadão que já tenha ocupado o cargo de chefe do Executivo poderá ser presidente ou vice-presidente. Quem violar esta lei ou propuser sua reforma, bem como quem apoiar direta ou indiretamente tal violação, cessará imediatamente de desempenhar suas funções e estará impossibilitado de ocupar qualquer cargo público por um período de dez anos."

Observe-se que o artigo fala em intento e também diz "imediatamente" - ou "no mesmo instante", ou "sem necessidade de abertura de processo", ou de "impeachment".

Continuísmo - a tendência dos chefes de Estado de estenderem seu governo indefinidamente - tem sido a característica fundamental da tradição autoritária latino-americana. O dispositivo da Constituição que prevê uma sanção instantânea pode parecer draconiano, mas todo democrata latino-americano sabe a ameaça para nossas frágeis democracias que o continuísmo representa.

Na América Latina, os chefes de Estado mostraram-se frequentemente acima da lei. A sanção instantânea da lei suprema impediu com sucesso a possibilidade de um novo continuísmo hondurenho. A Suprema Corte e o ministro da Justiça ordenaram a prisão de Zelaya, pois ele desobedeceu a várias ordens do tribunal, obrigando-o a obedecer à Constituição. Foi preso e levado para a Costa Rica. Por quê? O Congresso precisava de tempo para reunir-se e tirá-lo da presidência.

Com ele no país, isto teria sido impossível. A decisão foi tomada por 123 (dos 128) membros do Congresso presentes naquele dia.

Não acreditem no mito do golpe. Os militares hondurenhos agiram inteiramente dentro da Constituição. Eles nada ganharam, senão o respeito da nação por seus atos.

Estou extremamente orgulhoso de meus compatriotas. Finalmente, decidimos nos levantar e nos tornar um país de leis, e não de homens. A partir deste momento, aqui em Honduras, ninguém estará acima da lei.

(*) Octavio Sánchez é advogado e ex-assessor do governo hondurenho

Bob em julho 5, 2009 4:33 PM


#65

O tal do octavio sánchez deve estar muito feliz a essa altura. Impediram o pouso do avião do zelaya e ainda mataram e feriram uns tantos cidadãos que o apoiavam.
eu estou triste, muito triste.

aiaiai em julho 5, 2009 11:01 PM


#66

Pois é, aiaiai. Esse negócio em Honduras é o fim da picada.

Hugo Albuquerque em julho 6, 2009 12:04 AM


#67

Idelber, olha esse link aqui... tem imagens da repressão dos militares golpistas contra o povo hondurenho:

http://www.hondurasgolpeada.net/

Ah, já estou no Twitter e sou um dos seus seguidores:

http://twitter.com/Mark_2010

Abraço

Marcos D. em julho 6, 2009 12:22 AM


#68

Arthur, o André Borges desmontou a argumentação inicial dos golpistas de que o Zelaya organizava uma mudança constitucional para assegurar a própria reeleição. Se ele gostaria, pretendia ou desejava tal coisa, fica por conta do que o Idelber chamou de leitura da mente alheia. Eu, pessoalmente, não tenho argumentos para convencer você de que o que está ocorrendo em Honduras (exílio na madrugada do presidente eleito, censura da imprensa, limitação das garantias individuais, etc) é um golpe.

André em julho 6, 2009 11:57 AM


#69

Obama e Chavez - aparentemente - do mesmo lado, é o começo do apocalipse!=)

Mas, falando sério, ninguém anda notando que o Lula e o Obama desapareceram? Condenaram duramente (ao menos o Eduardo Guimarães achou) e depois nem mais uma palavra. NAda de base dos States pra Zelaya pousar, nada de Lula exigir, apenas silêncio, estática...

Cadê a posição incontestável de liderança regional do Brasil?

Isso não cheira bem.

A direita fascista age em conjunto, é ligada. Uma consolidação do golpe em Honduras poria toda a AL em perigo!

Ah, Idelber, tens acompanhado a crise no Xinjiang?

http://tsavkko.blogspot.com/2009/07/urgente-massacre-de-uigures-na-china.html

Raphael Garcia em julho 6, 2009 12:15 PM


#70

André (#69): suponha por um instante que o governo provisório seja legítimo, para exercício de avaliação. Como deveria se portar um governo legítimo perante uma tentativa de volta ao poder de um golpista apoiado por alguns setores da população? Seria diferente a atitude de um governo legítimo ou de um governo golpista na presente situação? Não creio que pudessem agir de modo diferente em um caso e outro. A ordem teria que ser mantida com auxílio das forças armadas. O direito a reunião teria que ser restringido por um tempo até as coisas esfriarem. Acho difícil que estes fatores pudessem permitir diferenciar um governo legítimo de um ilegítimo, pois os instrumentos disponíveis para manutenção da ordem seriam os mesmos nos dois casos.

Raphael Garcia (#69): eu não estranhei o sumiço do Lula e do Obama. Tenho a nítida impressão que eles perceberam que se precipitaram em suas declarações iniciais. Engraçado que quem acha que aquilo foi um golpe parece não se importar com o fato de que um eventual retorno de Zelaya implicaria fechar o Congresso Nacional e a Suprema Corte, ou a substituição de seus membros por gente indicada pelo executivo, eliminando em qualquer caso a separação de fato entre os poderes. Agora, tenhamos senso de proporções: nem Micheletti, nem Zelaya, nem qualquer outra opção poriam toda a América Latina em perigo. Honduras não tem peso geopolítico para tanto.

Arthur Golgo Lucas em julho 6, 2009 8:09 PM


#71

Ih, errei, o André era o (#68). Desculpem o lapso.

Arthur Golgo Lucas em julho 6, 2009 8:10 PM


#72

Idelber,

Vc poderia por o link da resposta do Kabengele aqui no seu blog. Acho que tem gente, que não vai no Twitter. è uma resposta de uma serenidade e veemencia fortes.

Bruno em julho 6, 2009 9:53 PM


#73

Nao li isso okai seu coco
o texto é uma merda sabe pq é uma merda pq eu n
li é muito GRANDE

bruno em julho 7, 2009 11:37 AM


#74

Arthur, suponho que um governo legítimo não precise prender opositores, restringir as garantias individuais e censurar a imprensa, mesmo se estivesse ocorrendo uma guerra civil (que não é o caso). De qualquer forma, a primeira providência dos golpistas deveria ser comprovar de forma cabal o golpe praticado pelo Zelaya e a impossibilidade de tratar esse problema sem seu exílio na madrugada.

André em julho 7, 2009 12:03 PM


#75

Arthur (#70): O que virá depois não importa. Foi um golpe de Estado e dos mais mal planejados. Que Obama e Lula discutam uma solução mas fingir que nada aconteceu? É ridículo!

Raphael Garcia em julho 7, 2009 5:10 PM


#76

Hoje eu traduzi um post do blogue de um jornalista inglês que é correspondente do La Vanguardia (Barcelona) nos Estados Unidos. Ele reconhece que errou quando cobriu o golpe na Tailândia em 2006 e pensou que os militares cumpriam as legítimas aspirações do povo. Mas, informou, esse erro ele não repete.

Tradução: http://caderno.allanpatrick.net/2009/07/09/um-golpe-se-chama-pelo-nome-golpe/

Original: http://www.lavanguardia.es/lv24h/20090707/53739534673.html

Patrick em julho 9, 2009 11:33 PM


#77

Pra mim foi mais um contra-golpe que outra coisa qualquer, antes tivessem feito isso os macacos venezuelanos a muito tempo. Então não teríamos essas macacaquises amestradas surgidas, pelo dinheiro do petróleo venuezelano e malas para dona Kistner da Argentina e talz.

Lady Laura em julho 14, 2009 12:09 AM


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