Das equipes homenageadas até agora, esta talvez tenha sido a que durou mais tempo praticando futebol de altíssimo nível. De 1976 a 1985, o Galo venceu 10 dos 12 campeonatos mineiros que jogou. Foi campeão de todos os torneios de verão imagináveis na Europa, numa época em que o prestígio dessas competições estava em seu auge. Chegou às semifinais de metade dos campeonatos brasileiros de que participou. Sagrou-se o único vice-campeão invicto da história, numa disputa de pênaltis fatídica contra um adversário que acumulara 10 pontos a menos que ele em 21 jogos. Vingou-se contra a mesma equipe, no ano seguinte, na final do torneio dos Campeões do Brasil. Foi novamente vice-campeão brasileiro na mais sensacional final de todos tempos. Deixou de vencer uma Libertadores na pior vergonha da arbitragem brasileira. Estabeleceu recordes de público e de vitórias consecutivas sobre o maior rival. Foi uma das bases da última Seleção Brasileira a realmente encantar o mundo. É verdade que lhe faltaram dois ou três troféus nacionais e internacionais que coroassem seu reinado, mas ninguém menos que Paulo Roberto Falcão a considera a melhor equipe do futebol brasileiro pós-Pelé.
Obra das categorias de base do Atlético, a geração que surge por volta de 1976 (parte dela depois de um estágio no Nacional de Manaus) reconquista a hegemonia do futebol mineiro sobre o Campeão da Libertadores. O Cruzeiro tinha um equipaço, experiente. Mas Jairzinho, Palhinha, Nelinho, Raul e Zé Carlos levaram um baile homérico do Galo de Cerezo, Reinaldo, Marcelo e Paulo Isidoro na final de 1976, no jogo que marca a virada da hegemonia. De todas as encarnações da Máquina, esta era a mais leve, lépida, ágil. O 2 x 0 de 1976 ainda é tido como um dos placares mais injustos do retrospecto do clássico. Consulte os velhos cruzeirenses e eles reconhecerão: o jogo era para ter sido uns cinco ou seis. Nessa final, o goleiro ainda era o argentino Ortiz. A zaga era Getúlio, Modesto, Vantuir e Dionísio; no meio, Cerezo, Danival e Paulo Isidoro; na frente, Marinho, Reinaldo, Marcelo. Essa equipe viveu algo que seria inimaginável hoje em dia: um de seus reservas, Marcelo, chegou a ser titular da Seleção Brasileira de Osvaldo Brandão.
A alma da equipe era a dupla Cerezo-Reinaldo, que se entendiam de maneira impressionante a 30, 40 metros de distância. A marca registrada de Cerezo era o passe longo que mudava completamente o mapa do jogo. Característico de Reinaldo era o seco, rápido, imprevisto toque de gênio: em geral, um ou dois, no máximo, antes da finalização fulminante. Antes de 1976 já se iniciara, com a conivência criminosa dos árbitros, a caça aos joelhos e tornozelos de Reinaldo. A final de 1976 foi uma triste amostra do estrago que açougueiros como Morais e Darci Menezes eram capazes de fazer. Contra Reinaldo, figura particularmente odiada pela CBD do General Heleno Nunes, com frequência valia tudo.
Mesmo assim, marcou mais de 250 gols pelo Galo. Detém o absurdo recorde -- que dificilmente será batido -- de 1,55 gol por jogo no Campeonato Brasileiro de 1977. É o maior artilheiro da história do clássico de Minas Gerais. É o maior artilheiro da história do Mineirão. Fez apresentações memoráveis pela Seleção Brasileira, mas na hora H, em 1982, não pôde completar a equipe dos sonhos de Telê Santana. Entre os que o viram jogar ao vivo, poucos não o consideram o maior de todos.
Aqui, uma seleção de jogadas de Reinaldo. A 1:46s, você verá um dos gols mais incríveis que já presenciei no Mineirão, criado por um drible de corpo com o qual Reinaldo quebra a cintura de toda a defesa do América-RN sem tocar na bola, num 6 x 0 de 1977:
A equipe que termina o Campeonato Brasileiro de 1977 vice-campeã invicta, com 17 vitórias, 4 empates e nenhuma derrota, substituíra Ortiz por João Leite (que seria o goleiro em todo o hexacampeonato de 78-83), Getúlio por Alves (um talentosíssimo lateral que certamente teria tido chance na Seleção se tivesse jogado no eixo SP-RJ), Modesto por Márcio e coloca um ponta-esquerda legítimo, Ziza. Ângelo se firma no meio-campo e Marcelo e Paulo Isidoro se alternam ao lado de Reinaldo na frente. Cerezo passa por sua mais luminosa fase, ao mesmo tempo gênio e desengonçado.
Reinaldo, que havia sido expulso numa partida no início do campeonato, só é julgado e suspenso na véspera da final contra o São Paulo. O mesmo Arnaldo César Coelho que hoje pontifica que "a regra é clara" não expulsa Chicão, quanto este pisoteia um Ângelo que já se contorcia no chão depois de uma solada criminosa de Neca em seu abdômen. João Leite defende duas cobranças são-paulinas, mas Cerezo, Márcio e Joãozinho Paulista (que Barbatana inexplicavelmente escolhera como substituto de Reinaldo, deixando Marcelo no banco!) chutam seus pênaltis quase na arquibancada, afetados pela catimba de Waldir Perez. A cena dos meninos enlameados, deixando o campo abraçados sob os aplausos de 100.000 atleticanos e uns 5.000 são-paulinos, ainda é das imagens mais trágicas da história do futebol brasileiro. Na foto, falta Cerezo, mas esta era a equipe de 1977:
A encarnação de 1980 -- reforçada em 1981 por Nelinho -- ainda é a favorita de muitos atleticanos da velha guarda. Essa é a equipe que põe fim à maior dinastia do futebol brasileiro dos anos 70. Nas semifinais de 1980, o grande Internacional veio a Belo Horizonte e arrancou um 2 x 2. No jogo de volta, em que o Colorado, por sua história recente, era o favorito, o Galo aplicou contundentes 3 x 0 no Beira-Rio, numa das maiores apresentações da equipe. O 1 x 0 e o 2 x 3 que decidiram o Campeonato de 1980 para o Flamengo -- com arbitragens bem conturbadas e 3 expulsões atleticanas no segundo jogo -- ainda são, sem dúvida, a maior final de todos os tempos no Brasileirão. João Leite, Orlando, Osmar, Luisinho e Jorge Valença; Chicão, Cerezo e Palhinha; Pedrinho, Reinaldo, Éder eram os titulares de 1980.
Ao longo da primeira metade dos anos 80, o Galo foi o convidado de preferência dos torneios de verão europeus. Venceu praticamente todos: Paris, Amsterdã, Vigo, Bilbao e Ramón de Carranza viram apresentações históricas dessa equipe. O 4 x 1 sobre o Hamburgo em 1981 realmente deveria ser recuperado para as novas gerações. Aqui, deixo com vocês os gols do 3 x 0 sobre o Paris Saint-Germain. Depois do terceiro gol, de placa, de Reinaldo, o Galo passa a ser aplaudido de pé pelo público francês:
A equipe de 1985, com Nelinho em grande fase, ainda teve chances de voltar à final do Campeonato Brasileiro. Mas num daqueles cataclismos que só acontecem com o Galo, parou na retranca do Coritiba, num 0 x 0 em que um bigodudo chamado Rafael fechou o gol e classificou o time coxa-branca para a final mais melancólica da história do Brasileirão, contra o Bangu.
Durante esse período, o Galo teve, sim, três ou quatro derrotas traumáticas ou revoltantes em jogos decisivos, mas o normal, de todos os dias, era ir ao estádio para ver show de bola. Apesar da horrível década que tem tido desde 2000, o Galo ainda tem vantagem na história do confronto direto contra a maioria dos grandes clubes, fundamentalmente pelas vitórias acumuladas por Cerezo, Luizinho, Paulo Isidoro, Palhinha, Éder, Nelinho, João Leite. Se os Campeonatos Brasileiros tivessem sido disputados no sistema de pontos corridos, essa geração teria se sagrado pentacampeã nacional. A Libertadores e o bi brasileiro não pintaram, mas o Galo 1976-1983 é lembrado com orgulho pela Massa e com carinho por todos os amantes do futebol que o viram jogar.
Com sete para oito anos, entrei no gramado do Mineirão com esse time de 1980, de mãos dadas com Jorge Valença. Reinaldo e Eder levavam dezenas de crianças cada um. Foi uma das grandes alegrias da minha infãncia. O Galo era fantástico.
Reinaldo foi um dos três ou quatro melhores atacantes do nosso futebol que eu vi jogar.
É uma pena que entre os hábitos do nosso meio esportivo sejam lembradas passagens extra-jogo de Reinaldo e deixado de lado a excelência de seu futebol. Rapidamente atingiu a fama e passou a ser caçado em campo. Parece (nunca teremos a certeza) que ao lado dos beques, os médicos também se tornariam responsáveis pela curta carreira de Reinaldo.
Possivelmente se Reinaldo fizesse uma carreira do tipo que Ronaldo (fofucho) faz agora, joga só na boa, descansa quando necessário, pudesse ter jogado por mais tempo.
Sem prejuízo da citação aí encima de grandes jogadores Reinaldo é o maior de todos!
P.S. Heleno Nunes uma figura simpática para trivialidades era Almirante e Vascaíno. Era amigo (ou pelo menos tinha amizade) do João Saldanha, que nunca deixou de criticá-lo como dirigente quando julgava necessário (ou seja, quase sempre).
P.S.2 O Chicão morreu no ano passado. Na época os comentaristas paulistas ao lamentarem sua passagem falaram (naturalmente para a data) de um jogador "vigoroso". Para os mais jovens podemos agora usar o termo 'carniceiro'.
Campeonato mineiro...
Torneios de verão na Europa...
Muito bom.
Mas e o Brasileiro e a Libertadores?
Acredito ter sido um grande time, mas não um time vencedor.
Parabéns pelo post.
Segue o link de um gol do meu primeiro ídolo. http://www.youtube.com/watch?v=J9csxtVA--M
Que esta geração sem brilho nos dê o caneco que a geração de ouro não deu.
Idelber, o Paulo Fernando tem razão. O Galo do início dos anos 80 deu azar de enfrentar o maior Flamengo da história, que, Graças a Deus (só pra implicar... risos), eu vi jogar.
Quanto ao Serra Dourada, nós não temos culpa se o Galo era um grande time, mas um tanto quanto "esquentadinho", como a gente fala aqui no Rio. Os caras caíam na pilha rapidinho...
Mas, sem dúvida alguma, os duelos entre Flamengo e Atlético entre 1980/81 são históricos.
E, parece até coincidência, esta semana escrevi no meu blog sobre outro Fla e Atlético inesquecível, a semifinal de 1987.
Ficarei esperando o texto sobre o Mengão de 1978/83. Abraços.
Caro Idelber, saudações alvinegras, sou de uma geração em que torcedores pegava o ónibus na av paraná com a camisa de seu clube, não tinha esta violência que tem hoje, futebol era um programa de família, os jogos só as 4.0h da tarde,e o nosso GALO era só alegria, o mineirão era o templo, a charanga do Júlio era um show à parte.Como diz a música; "nossos ídolos ainda são os mesmos ..." Idelber, eu tive a felicidade de fazer parte desta historia, eu estava lá. Obrigado pela homenagem.
Roberto M Almeida.
Roberto, não sei aí em Minas, mas aqui no Rio este negócio de violência nos estádios já foi muito pior. Entre 1993/94 e depois 1999/2001 tava muito complicado ir ao Maracanã.
Ocorreram dois fenômenos que contribuíram para diminuir a violência: a primeira foi a criação de torcidas organizadas com perfil diferente - Urubuzada, FlaManguaça, Guerreiros do Almirante; segundo foi a criação do grupamento da PM específico para estádios, o GEPE.
Modestamente, tive o privilégio único de acompanhar o maior time de todos os tempos nos anos 60: Gilmar ou Cláudio ou Cejas, Carlos Alberto, Mauro ou Ramos Delgado, Lima ou Dalmo, Zito ou Currió; Dorval, Mengávio, Coutinho ou Toninho Guerreiro, ELE, Pepe, ou Abel, ou Edu. É brincadeira?
Ufa... Aos poucos as coisas começam a voltar ao normal. Depois da festa com o resultado da Libertadores, somado à liderança do Brasileiro, os atleticanos voltam a viver as glórias(?) de um passado distante.
(Foi mal Idelber, provocação barata, mas não resisti...)
Pedro, quem não fica "esquentadinho" quando está sendo descaradamente roubado? Reinaldo foi expulso no começo do jogo por uma falta comum. O juiz entrou para roubar. Aliás, na constelação de argumentos do Flamengo, nunca foi errado ganhar roubado. Pelo contrário, né? Ganhar do Vasco a final do campeonato, com um gol aos 48 do segundo tempo, roubado, sempre foi o maior prazer dos flamenguistas, confesse aí o meu! E quanto a apelar, não me esqueço de um jogo do Fla contra o Cobreloa, final da libertadores, em que Carpeggiani manda um reserva entrar só para acertar um soco na cara de Mario Soto que era uma delicadeza de jogador. Hehehe.
Aquele jogo em Goiânia foi vergonhoso. Todo mundo sabe. O Fla era um grande time, não precisava daquilo. Ou precisava? É a pergunta que não cala.
Idelber, por questões pessoais deixei de ir ao Mineirão depois de 75. Mas entre 70 e aquele ano fui muito com meu pai. Lembro-me bem de Ortiz com seu cabelão e a faixa na testa. Lembro vagamente de um jogo contra o Santos de Pelé. Bons tempos em que se ia ao campo sem estresse e a gente levava, para se sentar, aquelas almofadinhas com o escudo do time estampado.
Esse time do Galo que tá aí não é lá grande coisa mas os outros também não o são. Bem que podia ser desta vez hein? A massa mais do que merece.
Josaphat, você conhece a história do soco no Mário Soto ?
Na partida anterior, em Santiago, o zagueiro citado jogou com uma pedra na mão e abriu o supercílio do Adílio e do Lico. Na "negra", em Montevidéo, título garantido, revanche.
Não foi uma agressão gratuita.
Quanto ao Serra Dourada, os atleticanos são os únicos que têm esta opinião... risos
Uma coisa engraçada é que os atleticanos odeiam o Flamengo mais que o próprio Cruzeiro.
As injustiças magoam, mas aquelas pessoas sabem da verdade e nas manhãs, na hora de lavar o rosto e se olhar no espelho, elas sabem o que perderam. Pior para elas. Muito pior.
"O caráter de um homem é o seu destino" - Heráclito.
Queria ser atleticano, mas a responsabilidade assusta um pouco.
Abraços
Chico, os rubro-negros não consideramos o Galo cavalo paraguaio. Já vi muito rubro-negro histórico dizendo que o Galo é "o verdadeiro rival" do Mengão. Considerando que o Mengão é o time de futebol mais importante do mundo e que a Magnética é um país dentro de outro, a reputação do Galo não está tão mal das pernas assim como você está dizendo.
Idelber, porque será que o Atlético/MG não tem nenhum título de Libertadores ou Mundial? Será conspiração do satanizado eixo Rio-SP?
O título do São Paulo em 1977 foi grandioso porque foi sobre o Atlético, que era mesmo mais forte e melhor tecnicamente. Há méritos que vão além das botinadas.
você vive num país que sabe valorizar o jogo defensivo, que exibe os melhores "tocos" no basquete. Não custa nada admitir quando se é superado, mesmo que por um time ocasionalmente menos vistoso.
De outro lado, de fato, o Reinaldo foi um dos melhores jogadores que este país já viu, mas este estilo saudoso e "romântico" de ver o futebol é próprio de quem tem pouco a mostrar no presente.
Segundo seus critérios, sobrepõem-se as impressões subjetivas sobre a realidade.
Trata-se de um estilo digno de um professor de literatura, mas impróprio para um admirador do futebol.
Prefiro a realidade, que, no caso do meu time se traduz em 6 Brasileiros, 3 Libertadores e 3 Mundiais. Competição esportiva se mede em títulos.
Idelber, quero sugerir alguns times que você poderia homenagear:
1) O Corinthians da época da 'Democracia Corintiana', com Sócrates, Biro-Biro, Zenon, Vladimir, Casagrande... jogavam o 'fino da bola' e aplicavam sonoras goleadas contra os maiores rivais.
2) O São Paulo do Mestre Telê Santana.
3) O Flamengo daquele meio-de-campo mágico, com Andrade, Adílio e Zico, Leandro e Júnior como laterais, Raul no gol, que ganhou tudo (Brasileiro, Libertadores e Copa Intercontinental).
4) O Santos de Robinho, Diego, Renato, Elano e cia, que ganhou 2 Brasileiros e foi Vice-Campeão da Libertadores.
5) O Vasco de Romário, Juninho Paulista, Mauro Galvão, que foi Campeão Brasileiro e promoveu uma das maiores viradas da história do Futebol mundial, contra o Palmeiras, pela Copa Mercosul... perdiam de 3 X 0 ao final do 1o. tempo, tiveram um jogador expulso e viraram a decisão, em pleno Palestra Itália, ganhando por 4 X 3.
Que bom ler sobre futebol aqui novamente. Também quero fazer uma seugestão, assim como o Marcos D. ali em cima: o São Paulo de Telê Santana! Foi com este time, quando eu era um menino com 8/9 anos, que aprendi a gostar de futebol.
Eu morava próximo ao Mineirão e pude ver, por muitas vezes, este time jogar.
Sei que a maioria não vai concordar comigo, mas no futebol, eu quero mais é ter o prazer de ver grandes times, grandes jogos, verdadeiras batalhas - épicas, até.
Tenho muito orgulho do Galo ter sido um grande adversário do Flamengo e do Inter. Do Flamengo, tenho a dizer que nos venceu por méritos, em muitas vezes. E por outras, poderia ter vencido sem a "ajuda" de "outros". É fato. Era um time fabuloso. Zico, um gigante. Leandro foi um dos maiores laterais que eu já vi jogar. Junior, era o proprio flamengo.
Isso não tira o mérito do Galo. De forma alguma.
Fico imaginando se eu teria mais orgulho do meu time se ele tivesse sido campeão jogando um futebol medíocre, retranqueiro, violento. Acredito que não. Ver este Galo jogar foi uma das maiores experiências da minha vida.
Reconheço todos as vitórias, títulos e tudo mais que Flamengo, Cruzeiro, São Paulo, etc., tenham conquistado. Mereceram.
Se os torcedores destes times se sentem tão superiores, não há a mínima necessidade de tentar diminuir o Atlético.
Afinal, eu não ganhei libertadores, assim como nunca ganhei brasileiro e campeonato mineiro. A verdade é que nunca entrei em campo. Sempre fiquei, alí - nas arquibancadas e gerais fazendo o que me cabe fazer, independente do time ser campeão ou não. Vai entender, coisa de atleticano.
Idelber, você já expôs essa tese antes, mas nunca desenvolveu:a fatídica final do Brasileiro de 1977 serveria como prenúncio para a tragédia do Sarriá em 1982. Será que você poderia falar mais sobre essa hipótese?
Caro Idelber,
Há muito esperava por este "post",que muito me emocionou.Comecei a frequentar o Mineirão em 1973,aos 7 anos de idade,e minha epifania futebolística foi presenciar o surgimento do Rei e de sua geração. Assisti a todos os jogos do gênio no Mineirão,inclusive a melancólica despedida em jogo festivo(com a presença de Beth Carvalho,Nuno Leal Maia,Osmar Prado e outros). O céu verteu lágrimas sobre o gigante da Pampulha,fechando o último ato de uma carreira bela e trágica. Ali a divindade metamorfoseou-se em uma espécie de "deus da chuva e da morte",e a arena dos grandes espetáculos-tragédias encerrou seus iluminados dias.A partir do fim da década de 80,apenas dramas menores e comédias patéticas,que perderam este antes fiel espectador.
Há 10 anos não retorno ao "Templo",porque os deuses também lá não estão.
Estou no Rio de Janeiro por estes dias, e hoje é dia do grande clássico Atlético X Flamengo, o embate arquetípico que fechou a "idade de ouro" .Confesso que seu belo texto está me induzindo à heresia de voltar a outro templo(também profanado pelos fariseus da bola do séc.XXI).Hesitação.O dia está cinza e cai uma chuvinha estranha...
Bacana você ter voltado a escrever sobre futebol. Não sou da época, mas pelo que eu conheço, não resta dúvida que o Atlético-MG formou times maravilhosos - e concordo com a afirmação do final: Fossem disputados no sistema de pontos corridos os Brasileirões da época, o Galo certamente teria levado um monte deles.
Na minha época mesmo, o melhor Atlético que eu conheci foi aquele liderado por Guilherme e Marques, vice do Brasileirão de 99 contra o excelente Corinthians dos fins dos anos 90. O time atual é o melhor dos últimos dez anos e tem chances de levar o título - nesses estranhos nacionais de hoje, que mais parecem trecos assassinos como o Paris-Dacar, onde o campeão é, acima de tudo, um sobrevivente dos acidentes de percurso.
De vez em quando, o Ronaldo tem seus momentos de Reinaldo. E o grande adversário do Galo era mesmo o Flamengo, cuja fase de ouro acabou com as aposentadorias do Zico e do José Roberto Wright. Aliás, já repararam que árbitros decisivos para times do Rio e de São Paulo viram comentaristas na Globo? Agora, temos também esse Márcio "cara de pau" Resende. Coincidência pura, puríssima!!
Marcos D.: sugestões anotadas! 1,2,3,4 foram times que eu vi. Realmente sensacionais. O Vasco de 1997 eu não vi ao vivo. Eu já estava nos EUA, e sem muito acesso à TV brasileira.
Cesar: é uma tese que merece mesmo um post à parte. A ligação entre as duas equipes é a óbvia: duas máquinas de jogar futebol que ficaram sem o principal título que almejavam. Ambas receberam essa pecha, a de "jogar bonito" e "não vencer", embora tenham vencido enorme e consistentemente durante anos. A tese é que o ciclo desgraçado de elogio ao "futebol-força" se anuncia com a final de 77 e se estabelece com a tragédia do Sarriá. Mas há muito mais que se dizer.
A "final mais melancólica da história do Brasileirão" pra mim é a de 2001, entre São Caetano e o atlético genérico. Isso sem falar em São Paulo x Bragantino. A final de 85 levou 92 mil pessoas no Maracanã, ainda que a torcida do Bangu estivesse reforçada pela torcida dos 4 grandes cariocas.
O Bangu em 1985 tinha um timaço, montado com dinheiro do Castor de Andrade. Foi vice-campeão carioca daquele ano perdendo a final, onde era favorito, contra o Fluminense.
E o Coritiba, que amanhã completa 24 anos da histórica conquista, tinha um time muito aplicado ténicamente, com bons jogadores e dois craques: o já citado goleiro Rafael, e no banco o mestre Ênio Andrade.
Ricardo Antunes da Costa em julho 30, 2009 1:33 PM
algumas pílulas sobre o belo texto, com o qual estou uns 90% de acordo:
* Não entre nessa canoa furada (na qual torcedores gaúchos embarcam diariamente) de que Alves não foi para a seleção pq não jovaga em SP-RJ. Vc mesmo lembra, algumas linhas antes, o caso do Marcelo, que nem titular era, e foi chamado pelo Brandão. Brandão que, se não me falha a memória, era técnico da seleção em 77, quando perdeu o emprego para Coutinho. E Coutinho tinha critérios para convocar jogadores para lá de bizzaros (Chicão em lugar de Falcão, Edinho de lateral-esquerdo), mas não creio que bairrismo contra mineiros fosse um deles (Nelinho até de ponta jogou no time dele e Reinaldo e Cerezo eram titulares em sua seleção).
* Que o pessoal da CBD não morria de amores por Reinaldo, isso é bem sabido. Fazer ilação entre isso e as bordoadas que ele levava em campo, parece-me forçação. Os carniceiros, nos anos 70, tinham muito mais liberdade de ação que os de hoje em dia (hoje há faltas em maior número, mais em geral bem menos violentas). Todos os atacantes habilidosos foram vítimas do período. As explicações para o calvário de Reinaldo me parecem três. Era mais habilidoso que a média, portanto apanhava mais. Começou muito jovem, portanto começou a apanhar antes. Era frágil fisicamente, sofrendo mais, pois, com as pancadas.
* A final de 80, na qual torci muito para o Galo, foi realmente de arrebentar o coração. Mas acho que a de 86 foi talvez ainda melhor (ou ao menos mais emocionante).
* Vc falou pouco do infame jogo da Libertadores. Deveria ter falado mais. O Galo foi (talvez dolosamente) muito prejudicado. Daí a afirmar que "deixou de gahnar uma Libertadores", ou mesmo que venceria aquele jogo, vai um oceano de distância especulativa.
* Por fim, senti falta de algo no seu texto. Faltou tentar entender pq uma geração tão brilhante de jogadores tantas finais e jogos decisivos perdeu quando era claramente superior (e nessa conta dá até para botar a Copa de 82, já que o Galo era a verdadeira base daquele brilhante time). Será que só azar e arbitragem explicam?
Ah, sim.
Junto-me a outros comentaristas para acrescentar alguns times inesquecíveis àqueles que vc analisou (incluo apenas os que vi jogar, que deve ser uma lista mais ou menos igual à sua, pois que temos a mesma idade):
- Flamengo 79-87;
- São Paulo 85-86;
- São Paulo 91-93;
- Palmeiras 93-96;
- Vasco 97;
- Corinthians 98-00; e
- Cruzeiro 03.
Anos 70, interior de Minas, família toda cruzeirense. E eu, bem garoto ainda, dissidente: gostava do Galo (até hoje não sei bem os motivos).
Mas ficava alguma coisa no ar: "por que é que eu gosto do time 'errado'?", pensava minha cabecinha de moleque...
E naquela final de 80 - baita jogo de bola! -, emblemática para mim, eu descobriria que era atleticano, mesmo!, inelutavelmente... e contra todas as adversidades.
Lembro bem da final de 80. Depois do 1x0 em Minas, a decisão do título no Maracanã estava totalmente em aberto, afinal, eram mesmo dois timaços. Nunes fez o terceiro gol do Flamengo, mas o Reinaldo, mesmo machucado, ainda empatou. José de Assis Aragão marcou impedimento num lance que foi gol legítimo. Ou seja, o Galo foi garfado e devia ser o campeão brasileiro do ano. Simples assim.
Só lembrando que o tão criticado Coutinho foi quem montou o esquadrão rubro-negro de 1978-83.
Ele morreu em um acidente estúpido de pesca submarina, uma semana antes do título mundial de 1981.
P.S. - Eu acho engraçada esta história de que "o Flamengo só vence no apito". O Wright de que vocês falam tanto cansou de assaltar a gente por aqui.
Isso, sem contar no Renato Marsiglia, o pior de todos...
Um outro ponto que queria trazer ao debate é como o futebol piorou nos dias de hoje. Noves fora o êxodo, os esquemas defensivos estão acabando com o futebol.
Idelber, uma pergunta, um protesto e uma informação. A elas.
1- Foi apenas coincidência você voltar ao Ludopédio no dia em que o Galo enfrenta o Flamengo no Brasileirão?
2- Que zorra é esta? Você já falou de vários esquadrões e até agora nenhuma lágrima sobre o melhor time da história do pebolismo de Pindorama, o Brioso ESporte Clube Vitória de 1974. Para seu governo, aquela equipe colocou nada menos que três jogadores na seleção do campeonato daquele ano e só não ficou com o título por conta das traquinagens de um árbitro gaúcho ladrão( desculpe-me as redundâncias), que não citarei o nome aqui para não enlamear este ambiente.
3- Acaba de ser publicado no glorioso Impedimento um texto do cruzeirense Francisco Antero contando as maiores secadas em cima do Atlético.
Pedro Migão,
quem montou o esqudrão do Flamengo de 78-83 foram as divisões de base do clube, que revelaram Zico, Júnior, Tita, Andrade, Adílio, Leandro, Mozer, Júlio Cesar Uri Geller, Vitor...
Vi sim, Pedro. Aliás, no programa, ficou bem demonstrado que o gol do Reinaldo foi legítimo. O que não quer dizer que o Flamengo não era um grande time e poderia ser campeão - como acabou injustamente sendo. O empate daria o título ao Galo.
Ótimo texto - diferente de qdo vc faz campan...err... discussão política.
Do texto, a frase emblema me parece ser: “Se os Campeonatos Brasileiros tivessem sido disputados no sistema de pontos corridos, essa geração teria se sagrado pentacampeã nacional”. Isso dá bem a dimensão da força do Galo.
Dos grandes times, destaco o Vasco 87/88, com Romário, Giovani, Mazinho, Dunga (em 87), Mauricinho e Dinamite. No Nacional de 88, o Vasco somou mais pontos do q todos na 1ª fase (a distância p/ o 2º colocado foi obscena), e foi eliminado pelo (então) carrasco Fluminense, na fase mata-mata.
Sobre apito amigo, não dá pra negar q existe. Há erros pros 2 lados e tal, mas os clubes - digamos - de "massa" de RJ e SP costumam ser beneficiados em lances capitais de finais de campeonato. É só ver as finais FLA X BOTA dos últimos anos, por exemplo. Achar q ocorrem erros pros 2 lados, de modo aleatório, e q apenas 1 dos times é beneficiado, e esse time é sempre o mesmo, em 3 finais seguidas é, convenhamos, um pouco demais. O futebol, assim como outros negócios, não deixaria de ser permeável a interesses q caminha, grosso modo, na proporção da força “econômica” dos clubes.
futebol é apenas um grande simulacro de relações homossexuais de "machos"(que nao são gays, porsuposto) onde marmanjos peludos e suados podem se esfregar a vontade em publico sem ter sua honra maculada...
galera: não vamos cair nessa conversa maluca de que o Flamengo, que teve hegemonia nacional entre 79 e 92, construiu essa hegemonia em cima de juiz ladrão. os culpados não são wright e outros homens de preto. são raul, leandro, mozer, júnior, zico, nunes, renato gaúcho, leonardo, bebeto, andrade, jorginho, aldair, dajalminha, marcelinho, gaúcho, julio cesar uri geller, adílio, wilson gottardo, alcindo, rondinelli, marinho, geraldo assoviador, edinho, aílton, gilmar rinaldi, zinho e por aí vai.
É inacreditável, muito inacreditável, inacreditável mesmo que esse time não tenha ganho um brasileiro. Os Deuses do Futebol não são justos, simples. Eu, como atleticano dos mais fanáticos, devo admitir que, se esse time não ganhou pro Galo, acho difícil outro ganhar.
Mas nós somos campeão dos campeões, orgulho do esporte nacional. Seremos eternos, "eles" nunca serão.
Belo texto, parabéns...
Excelente texto como de hábito, Idelber. Mas agora me bateu um medo danado, já que seu silêncio sobre o Galo vinha dando sorte. Se perdermos o jogo hoje à noite, o culpado pelo pé frio estará desmascarado.
Falando sério agora, seu texto me fez pensar na Massa. Acusam-nos, principalmente os torcedores do inominável (que você nominou, creio que pela primeira vez; eu mudaria rápido para Yale ou Ipiranga ou coisa que o valha), enfim, acusam-nos de torcer pela torcida, não pelo time. Mentira deslavada. O atleticano não torce pela torcida nem pelo time. Muito menos, o atleticano torce por títulos - este sim, o fundamento da "torcida" dos ipiranguenses, quais mercenários sedentos atrás do soldo.
O time é apenas a corporificação temporal daquilo por que o atleticano torce. A torcida do atleticano é pelo Glorioso Clube Atlético Mineiro, esta entidade transcendental e catártica, que une na alegria e amalgama na tragédia. Que cria este sentimento de pertencença, tão forte que o maior grito de guerra da Massa é o próprio Hino do clube. Que tem como valor máximo o valor de cada um dos atleticanos: a raça em sua acepção futebolística, a superação ante a qualquer adversidade, a certeza de saber que, contra tudo e contra todos, "o nosso time é imortal". No domingo, invariavelmente, estaremos todos juntos fazendo tremer as estruturas do Mineirão.
É, Idelber, eu também sou ateu, mas ser atleticano não seria quase ter uma religião?
Ô Tiago, ninguém falou que o Mengo nunca teve um timão, apenas completamos sua lista com Wright, Aragão e cia. Ganhou cinco brasileiros com méritos, mas a Libertadores de 81 foi simplesmente vergonhosa. Simples assim. Veja um caso mais recente. O Corintians também era bom em 2005, talvez o melhor time, mas você vai me dizer que o Márcio Resende não definiu o campeonato para o timão? Aliás, para quem acha que não existe resultado manipulado no futebol, é bom recordar o escândalo de 2005. Aquele árbitro que agora esqueço o nome, réu confesso, não foi até hoje a julgamento. Cadê a espada moralizadora do jornalismo brasileiro? Os ratos comeram?
Que teoria da conspiração maluca. O Flamengo já foi garfado várias vezes em jogos decisivos também. Contra o Vasco, o Palmeiras, o São Paulo. Há casos e casos no foclore rubro-negro também. Temos nossos inimigos mortais vestidos de preto também.
Isso acontece com todo mundo.
Do jeito que o arco-íris é paranóico com essa história, já era pra ter aparecido alguma denúncia concreta em vez de ficar só na dor-de-corno futebolística.
E nos casos em que há suspeitas consistentes de falcatrua, costuma aparecer merda, vide Corinthians 2005, Argentina 78, Vasco 2001.
Companheirinho, veja o dia em que comecei a torcer, com tudo que a responsabilidade carrega, pelo Galo das Alterosas:
Em 19 de dezembro de 1968, o Atlético-MG vestiu a camisa do Brasil em amistoso contra a Iugoslávia no Mineirão, e venceu por 3 a 2.
Eu tava na Geral, atrás do gol da cidade, e sabe, o Atletico perdia o jogo por 2 x 0, e virou no segundo tempo, terceiro gol do Vaguinho. Veja que esse time do galo de 68 e o precursor do de 71 campeão brasileiro, com Vaguinho, Beto, Lola e Tião. Faz tempo....
Idelber, texto legal e supreendentemente equilibrado para um atleticano, rsrs. Eu nasci em 1977, mas alguns grandes amigos de arquibancada de outras gerações (rubro-negros, é claro) são enfáticos em afirmarem que Reinaldo foi um dos maiores (para alguns, o maior) centroavante que viram jogar. Não duvido.
Agora, nesta tua lista aí na chamada do post tá faltando um time óbvio, né? Uma galeria de grandes equipes que não contemple o Flamengo dos anos 1980 depõe contra a capacidade analítica do escriba.
Aliás, estou de partida para o jogo de logo mais no Maraca. Chove muito por aqui, não sei quem se beneficia com o lodaçal no campo.
Post bacana! Sou novo, nasci em 75, (além disso cruzeirense) para falar desse período (peguei só o final), mas reconheço: aquele time do galo era o melhor do Brasil e foi mesmo muito injustiçado. Coisa triste! É engraçado esse negócio de torcer: comecei a ser cruzeirense, quando o Cruzeiro levava um baile do Galo, e de outros times também. Acho que o Cruzeiro de 66, que ganhou do todo poderoso Santos, e o de 2003, campeão brasileiro com mais de cem pontos, também são inesquecíveis. Mas como disse antes: é raro ver um time jogar bonito por tanto tempo, como fez o Atlético daquela época!
O Aragão se obrigou a expulsar o Reinaldo na final de 80 senão ele iria empatar o jogo novamente, cabe lembrar que naquele jogo o Reinaldo estava lesionado e arrastando a perna, mesmo assim empatou duas vezes, uma o juiz anulou.
O flamengo era a base da seleção brasileira na sua era mais decadente, só isso já diz tudo sobre o imaginário que era aquele time de 12 do flamengo(11 + um que usava apito).
Uma das lembranças mais fortes que tenho da minha infância é a do Chicão pisando covardemente no Angelo engatinhando de tão cansado de apanhar.
Me desculpe, mas não vou comentar esse post sobre o Galo. Embora mineiro sou Flamenguista e o Galo foi nosso grande freguês na década de 1980.
Brincadeiras à parte venho aqui dar-lhe os parabéns pelo ótimo artigo na revista Fórum, "A esquerda e o unicameralismo". Concordo com sua análise e digo mais, caso venho a ocorrer esse debate dentro dos partidos, especialmente os de esquerda, é claro, poderá abrir caminho para outros sememlhantes como a necessidade ou não dos estados e municípios como Unidades Federativas e a perspectiva de se criar novas formas de divisão e subdivisão federativas. Além do debate sobre qual o sistema político mais adequado a um país com a dimensão territorial e populacional, e que traz consigo uma enorme discrepância econômica e social entre as diversas regiões, o presidencialismo ou o parlamentarismo?
Espero que os partidos brasileiros estejam prontos para debates dessa envergadura.
Um abraço...
Hudson Luiz
Cientista social, petista, existencialista-marxista e adepto do ócio criativo
www.dissolvendo-no-ar.blogspot.com
Sobre o Alves, teríamos que dizer o seguinte: o Brandão não era mais técnico da Seleção em meados de 77, que é quando realmente se firma o Alves no Galo. O lateral do Galo em 76 era o Getúlio. É verdade que Coutinho convoca Reinaldo e Cerezo, mas naquela temporada era simplesmente inimaginável não convocá-los. Não se trata de acusar ninguém de bairrismo, mas de notar a dinâmica natural das coisas no Brasil: uma visibilidade muito maior se você está no eixo RJ-SP. Ou você acha que Falcão teria ficado fora da Copa de 78 se jogasse no Flamengo ou Corinthians? O lateral da Seleção na Copa de 1978 foi Toninho. Desafio a qualquer um que tenha visto Toninho e Alves jogarem a argumentar comigo que o primeiro era superior.
Sobre Reinaldo: sim, você tem toda a razão em tudo o que diz. Acrescente-se, claro, as criminosas circunstâncias das duas primeiras operações no joelho, sobre as quais é até melhor eu não dizer nada aqui.
Ah, eu sou suspeito para falar, mas pra mim a final de 1986 não chega aos pés da de 1980.
É correto dizer que não saberíamos quem ganharia o jogo do Serra Dourada. A verdade é que as equipes se equivaliam: prova disso são os dois jogos da fase classificatória, 2 x 2 no Maracanã e 1 x 1 no Mineirão. Mas, enfim, concordamos no essencial: a arbitragem foi criminosa.
O seu último ponto é pano para muita manga. Será que só o azar e a arbitragem explicam as derrotas daquelas equipes nas finais? Não sei. Talvez algo da transição que já acontecia no futebol -- de um esporte mais tocado, com mais espaço, mais "artístico" para o que ele viraria depois -- ajude a explicar também.
Mas eu acho que há que se diferenciar o azar da fatalidade. As derrotas do Galo nas semifinais de 1983 e 1985, contra Santos e Coritiba, equipes muito inferiores, eu ponho na conta do azar (porra, se um 0 x 0 com cinco bolas na trave de uma equipe que praticamente não passou do meio-campo não configuram azar, eliminemos a categoria de azar da análise do futebol). Já a derrota da Seleção de Telê contra a Itália em 1982 eu coloco na conta da fatalidade. Em 10 jogos entre aqueles dois times, o Brasil teria conseguido a vitória (ou pelo menos o empate, resultado que lhe servia) em nove.
interessante como sempre alguma coisa acontece com o Atlético que o impede de conquistar alguma coisa, qualquer coisa. Será que a conspiração da CBF combinada com a ditadura militar, os juizes do rio e sp foram tão fortes assim para impedir o Atlético de ganhar um titulozinho que fosse? ou o problema é a síndrome de time pequeno que não sabe se impor, que treme, cuja torcida vive nesse transe coletivo de grandeza , quando,na verdade,eles só são grandes no perímetro urbano de Bh?
O Atlético ganhou um brasileiro. Outros times médios como Coritiba, Atlético_PR, Guarani e Bahia também ganharam. È com essa galera que os atleticanos tem que se entender. Cruzeiro, Gremio e Inter são os únicos clubes fora do eixo RJ-SP considerados grandes. O único fetiche do atleticano é a sua própria torcida, eles se auto-idolatram num ritual que se repete jogo a jogo de expiação coletiva, de exorcismo do próprio sofrimento. O Atlético pertence a um passado remoto, de um Brasil de derrotas, perdedor, de continúas frustrações massificadas. De um povo que rugia pelas diretas e tomava na cabeça no fim. Descanse em paz, Clube Atlético Mineiro. Seu féretro já passou faz tempo.
Caro Idelber, saudações alvinegras, veja como são as coisas, no seu perfíl vc riscou futebol, não adianta velho, somos torcedores, apaixonados. Eu estudava no GE Flávio dos Santos, lá na rua jacui, quando recebemos uma visita do Laci, e cia, ganhei régua, caderno e lápis, foi sortiada uma flámula com o síbulo do galo dourado, apaixonei,não fui o sorteado mas apaixonei. Flámula.....lembra disso?
Roberto M Almeida
opa, nem Jairzinho nem Palhinha, disputaram aquela final que foi 2x0 pro Atlético. Voces ganharam de um Cruzeiro já desfigurado e pior, perderam o mineiro de 77.
Resposta a seu comentário #58: acho que o Flamengo tinha a vantagem de dois resultados iguais nas finais do brasileiro de 80 por ter feito melhor campanha nas semifinais, não é isso?
A razão da vantagem do empate para o Flamengo foram os resultados dos jogos da semifinal. Enquanto o Flamengo pegou um time médio e obteve 2 vitórias, o Atlético pegou o Internacional, e obteve uma vitória e um empate.
Flamengo venceu as duas partidas contra o Coritiba (0x2 no Couto Pereira e 4x3 no Maracanã), enquanto o Galo empatou com o Inter no Mineirão (1x1) e ganhou no Beira Rio (0x3).
Um record que é do galo e que jamais será quebrado é este de 77. 10 pontos de vantagem entre a campanha do galo e a do segundo colocado. O detalhe é que ,naqueke tempo, a vitória só contabilizava dois pontos e não três como hoje em dia. Portanto, dez pontos a mais significam dez vitórias a mais.
E o Reinaldo é o maior mesmo. O Jimi Hendrix do futebol.
Ilde seu pé frio...tá bom a gente sabe que o time atual não é lá essas coisas...tenha um bom final de semana. O meu, com as gozações que receberei, já foi pro brejo...
"Enquanto o Flamengo pegou um time médio" que foi semifinalista em 79 e em 80. Claro que não se compara com o timaço do Internacional na época, mas também não era essa baba toda que parece hoje.
E, é claro, o regulamento era ridículo.
Ricardo Antunes da Costa em julho 31, 2009 9:56 AM
“Por que não, então, um gay para suceder Lula? Branco ou preto? Esperem! Vamos fazer logo um “combo” de minorias. A candidata poderia ser mulher, negra e lésbica. E acho que a gente deve acumular experiências, incorporando qualidades de minorias passadas. Poderia ser mulher, negra, lésbica, meio analfabeta e eventualmente sem dedo. O “eneadactalismo” passaria a ser uma exigência para chegar ao topo”.
Desculpe Idelber, foi ato falho, eu só me lembro do jogo de memória e de um segundo tempo espetacular, talvez não tenha assistido ao primeiro tempo, mas não esqueço nunca do Reinaldo se arrastando em campo e tentando empatar o jogo, a marcação do apitador foi dura, era escancarado que algo ia acontecer se ele não tomasse uma atitude anto-Atlético.
Estes dias em uma mesa de bar ouvi este mesmo papo de que o Atlético não é um time grande, é absurdo pq no meu tempo de guri e adolescente todos sabiam como era terrível enfrentar o galo mineiro, gostaria de saber considerados por quem? Quando foi o primeiro título brasileiro do Corinthians? isso o torna menor antes deste feito?
Se o Atlético vencer duas vezes o nacional em sequencia vira time grande da noite para o dia? Esqueçamos uma ou outra década dos grandes clubes brasileiros e veremos no que eles se transformam.
Pois é, Idelber, foi nessa época que comecei a frequentar o Mineirão, indo muitas vezes de ônibus e o prazer da torcida azul era carimbar eventualmente as faixas alvi-negras, embora tenham havido páginas heróicas como o campeonato de 77, que todos davam para o contrário, ser levado com os gols do inesquecível Re(i)vétria... The hotter the battle, the sweeter the victory...
Mas acho irônico que seja um time tão preocupado com supostos erros de arbitragem, logo ele que sempre foi beneficiado localmente pelos Cidinhos “Bola Nossa” e Joaquins “Cocó” da vida. O time azul acabou investindo muito mais nas competições nacionais e internacionais (chamando o campeonato mineiro de “rural”, algo que não concordo, pois rivalidades regionais são importantes) e ficou conhecido como copeiro porque cansou de ser roubado nos gramados e de ver os privilegiados alvi-negros registrando jogadores na calada da noite na federação mineira... É só ler qualquer livro sobre a história do futebol em Minas para entender.
Às vezes parece que a kartolagem alvi-negra parou no tempo e ainda vive na época do Joaquim Cocó...
Bom ver você escrever de novo sobre futebol. "Desrisca" o futebol do perfil do blog lá em cima, por favor. Pode falar de basquete à vontade, mas não deixe de nos brindar com postagens como esta. Abraço.
Será que um dia o coração Cocota do Idelber permitirá ele fazer um post sobre o Cruzeiro. Aliás essa semana mandei para um amigo um texto que falava do time mágico do Cruzeiro dos anos de 1962 a 1968 e depois o de 72 a 76. Afinal e, Você Idelber bem sabe antes desses times o Cruzeiro era rime pequeno de bairro. Por exemplo, buscava jogadores no Renascença (outro time de bairro- uma pena que esteja inativo).
Enfim era só para perguntar e o Cruzeiro? E concordo com alguns leitores valeria sobre o mengão dos anos 80, a Ponte Preta de meados dos 70, a Democracia Corintiana.
Saudações azul-celestes cinco estrelas.
Bom demais vê-lo escrever novamente sobre o esporte mais sensacional do mundo!
E saudações rubro-negras pós-tamancada de quinta à noite! Vocês galináceos não perdem a sina de tremerem diante do manto rubro-negro, he he.
Infelizmente, peguei apenas o finalzinho desse Galo de ouro. Mas ficou para sempre na minha memória de torcedor, especialmente por Reinaldo, um colosso. O próprio Romário diz que sua referência sempre foi o Rei, que ele foi o melhor atacante que viu jogar. E olha que o Romário é um gênio da bola.
Ter sido menino flamenguista na BH dos anos 80, época áurea do Galo, era como ser palestino na TelAviv de Sharon.
Mas como eram bons aqueles tempos! Cada jogo Mengo x Galo era uma epopéia, o maior espetáculo da Terra. Triste ver dois grandes times hoje tão decadentes, pálidas sombras de um passado glorioso.
E pena que tais confrontos dos anos 80 tenham sido maculados por arbitragens vexatosas. Olha, nada na minha vida de torcedor me envergonha tanto quanto o Serra Dourada 1981. Nem perder o título da Copa do Brasil para o Santo André, no Maracanã, em 2004. Nem o gol de barriga de Renato Gaúcho. Nada se compara àquele ultrage. O Mengão de Zico não merecia aquela mácula na sua história.
Espero ver um desses seus textos maravilhosos dedicados ao Mengo de Zico, Leandro, Júnior, Adílio... E ao time de 87, que combinava a experiência desses jogadores com uma brilhante nova geração que seria campeã do mundo em 1994: Bebeto, Jorginho, Leonardo.
Espero também ver outros times aqui: o São Paulo de Telê, o Palmeiras de 93-96 e, por que não, o Vasco de 97-98. Sim, por mais que doa meu coração flamenguista, há que se reconhecer que o Vasco tinha um timão, que deu uma senhora sapatada no Flamengo nas quartas de finais do Brasileirão de 97: foi o jogo em que Edmundo quebrou o recorde de Reinaldo de número de gols em uma edição do Brasileiro. Acho que foi 4 a 1 pro Vasco, com um gol antológico do Edmundo, em que deixou a zaga do Mengo no chão. Aquele Vasco ainda tinha o excepcional Juninho Pernambucano, um dos jogadores mais sérios, inteligentes e éticos que já vi jogar.
Abraço rubro-negro e obrigado por reviver uma época tão bonita do nosso futebol.
É sempre temerário entrar tão tarde numa caixa de comentários como essa.
Também saúdo a volta do futebol como tema deste blog. É principalmente por causa de futebol que eu leio o Idelber (os outros assuntos entram como brinde, como detalhe).
Estou aqui para acusar os hereges que estão mencionando o glorioso CORITIBA F. C. Idelber se atreve a chamá-lo de time inferior (referindo-se à semi-final de 1985), e no comentário #71 alguém afirmou que era um "time médio" que o Flamengo derrotou na semi-final em 1980.
Certamente o time que foi campeão brasileiro em 1985 era apenas uma sombra do glorioso que foi Hexa-campeão paranaense de 1971-76, ganhando 8 dos dez estaduais da década, e sempre com presença forte no campeonato nacional. Em 1980 o Flamengo ainda não era nada. O Coritiba sim era time grande em 1980.
Não resta dúvida que o ranking da CBF é uma maluquice. O ideal mesmo era ponderar o aproveitamente porcentual que os times tiveram em torneios estaduais, nacionais e internacionais, dando o devido peso para cada um - inclusive para as divisões inferiores do Brasileirão - além de dar uma pontuação por bônus para os títulos conquistados.
Seria uma tarefa árdua. Mas a CBF poderia fazer isso perfeitamente. No fim do ano passado, eu cheguei a fazer um ranking histórico atribuindo pontos apenas pelos títulos conquistados ao longo. Deu São Paulo na cabeça seguindo de Flamengo, Palmeiras, Santos e Corinthians. O Coritiba, aliás, é o time mais vitorioso do Paraná, ficou em 14º em nível nacional - longe de ser um pequeno, seria aquilo que eu chamo de clube médio.
o Coritiba é time médio hoje, depois de uma década de 1990 horrível, e outra de 2000 medíocre. Em 1980 era tão grande quanto o Flamengo, no mínimo - se for pelo critério de títulos.
A não ser que se parta da definição de que times são grande apenas por serem das duas maiores cidades do Brasil, com maiores torcidas (só por causa do tamanho das cidades) e com apoio ostensivo dos principais órgãos de imprensa do país.
O meu ranking vai devagarzinho. Fiquei curioso para ver o teu - dá o link aí...
Caro Idelber, apesar de ser gremista fanático (isso é pleonasmo?) e de ter várias equipes inesquecíveis no meu time, acho que uma equipe que valeria um post é aquela do São Paulo de Muller e Raí. Quando os caras faziam gol de barriga, de canela, de qualquer jeito.
Abraço,
De acordo, eu me referi ao Cortiiba de hoje. Até o primeiro título nacional do Flamengo, ele era menor, no máximo parelho ao Cortiba se o critério fosse títulos. Sobre o meu ranking, ele tá em fase de testes, ainda não coloquei no blog.
Eu não vi o Santos de Pelé,Coutinho,Mengálvio, Zito, Pepe e tantos outros craques jogar, mas, sem dúvida, é o melhor time brasileiro e, quiçá do mundo, de todos os tempos. Isso encerra a discussão, alguém duvida?
Geraldo, não duvido não e o Cruzeirão de 1966 foi o único que fez 6 x 2 nesse time. Isso foi no Mineirão e depois fez 3 x 2, de virada, no Pacaembu, levando a Taça Brasil. Este era o principal campeonato nacional da época, que dava direito à participação na Libertadores. Vá no You Tube e veja.
Idelber,
Desculpe-me o comentário com 4 anos de atraso mas, se eu comentar lá, no longínquo 2005, ninguém vai ler. Aquela foto da máquina tricolor tem 10 (e não 9) ex-seleção: o Miguel (zagueiro-central e último em pé à direita) jogou na selação sim, não sei se quando defendia o Fluminense ou antes, quando jogava no Vasco. Abraço
Caro Idelber, envio para vc um comentário que publiquei há alguns meses aqui em BH. Conta toda a história. Se vc precisar de algo mais do Galo, inclusive gravações, faça contato.
Um abraço.
"O Galo foi, é e espero que não continue sendo o time mais roubado do mundo! São títulos tirados do Galo no apito: dois mineiros de 1965 a 1969, quando iniciou a era do tendencioso árbitro “Juan de la Passion”, que marcava pênaltis para o Cruzeiro fora da área, época em que Buião, Vaguinho, Dario e Lola eram vítimas da violência dos zagueiros cruzeirenses, com a complacência dele e de outros árbitros; brasileiro de 1977, para o São Paulo, quando o árbitro Arnaldo César Coelho, hoje na Globo, deixou o SP bater a vontade, inclusive provocando grave contusão em Ângelo, do Galo, duramente castigado na frente do apitador; brasileiro de 1980, por obra de graça de dois artistas: Romualdo Arpi Filho, no Mineirão, e Zé Aragão, no Maracanã. Incrível!; libertadores e campeonato mundial de 1981, ocasião em que o “globeleza” Zé Roberto Wright deu de bandeja para o Flamengo os títulos que certamente seriam do Galo; brasileiro de 1983, tendo o árbitro Luiz Carlos Félix atuado destacadamente em favor do Santos/SP, que jogou a final contra o Flamengo; brasileiro de 1985, novamente com o apito do Luiz Carlos Félix, que, com toda a garra, segurou o time atleticano, talvez para beneficiar o jogo de bicho do Rio de Janeiro: Bangu e Coritiba na final; mineiro de 1994, quando o Galo montou a “selegalo”, sendo que o Márcio Resende, hoje na Globo, conseguiu a proeza de anular três gols em um dos clássicos, e, no outro, o mesmo Márcio anulou um gol do Paulo Roberto Costa, lateral atleticano, marcando impedimento em falta cobrada direto para o gol cruzeirense. Fantástico!; brasileiro de 1999, por obra e graça do mesmo Márcio Resende de Freitas, que presenteou o Coringão. Esperemos que, doravante, escolham outro Cristo no futebol brasileiro!
Geraldo Rogério de Souza"
Geraldo Rogério de Souza em agosto 7, 2009 11:49 AM
Olá Idelber. Estava procurando alguns livros sobre o Galo, encontrei esses a seguir e gostaria de lhe perguntar se você conhece mais algum. Obrigado. Saudações alvinegras.
- Galuppo, Ricardo. Raça e Amor - A Saga do Clube Atlético Mineiro Vista da Arquibancada. BDA, 2003. Coleção Camisa 13. 173 p. ISBN 8572342818
- Galuppo, Ricardo. Atlético Mineiro: Raça e Amor. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005. Coleção Camisa 13. 208 p. ISBN: 8500016078
- Murta, Eduardo. Galo: Uma Paixão Centenária. Gutenberg, 2008. 192 p. ISBN: 9788589239493
- Lisboa, Luis Carlos. Reinaldo: Do Atletico Mineiro. Editora Rio Estacio de Sa. ISBN 8575790285
- Ziller, Adelchi Leonello. Enciclopédia do Atlético: a vida, as lutas, as glórias do Clube Atlético Mineiro. 1974. 272 p.
- Ziller, Adelchi Leonello. Enciclopédia Atlético de Todos os Tempos: a vida, as lutas, as glórias do Clube Atlético Mineiro, o campeoníssimo das Gerais. Belo Horizonte. 2 ed. 1997.
- Mattos, Amir Borges. O time do meu coração: Clube Atlético Mineiro. Editora Leitura, 1999. 96 p. ISBN 8573588195, ISBN 9788573588194
- Ávila, Eduardo de. VENCER! VENCER! VENCER! A história do time do meu coração. Leitura: 20p. ISBN: 9788573588200
- Drummond, Roberto. Uma paixão em preto e branco. Leitura, 2008. 168p. ISBN: 9788573587968
- Paiva, Fred Melo. O dia em que me tornei atleticano. Panda Books. 104 p. ISBN: 9788588948679
- VIEIRA, Fernando Antônio Freire. Memórias em preto e branco: 1948-1954. Belo Horizonte: FUMARC, 1999. 161 p.
- FREIRE, Alexandre. Preto no branco: ensaios sobre o Clube Atlético Mineiro : o Galo entre a razão e a paixão. Belo Horizonte: Alexandre Freire, 2007. 203 p. ISBN 8590685608
Muito Legal essa idéia de lembrar grandes times! Talvez a final mais espetacular que eu vi foi Guarani x São Paulo, não desmerencendo a de 80.Vou aguardar vc falar do Palmeiras . Abraços
Há algumas imprecisões na lembrança do blogueiro e de alguns comentaristas. Por exemplo, o Marcelo - hoje técnico Marcelo Oliveira - foi convocado e mantido titular pelo Coutinho, assim como Paulo Isidoro, Cerezzo e REInaldo. No Atlético ele foi reserva ainda em 1976 por não se relacionar bem, naquele ano, com o técnico Barbatana - este, aliás, responsável pelo futebol vistoso e ágil praticado p elo Galo entre 1976 e 1977. No ano de 77, após reconciliar-se com o técnico, se não me engano por iniciativa do próprio Barbatana, na volta de um dos torneios na Europa, ele era titularíssimo. Não me recordo porque não jogou na final.Vale lembrar que em 1977 o Galo acumulou 10 pontos a mais que o campeão porque as vitórias contavam apenas 2 pontos. Objetivamente, após esse absurdo que ecoou internacionalmente, dentro em pouco o campeonato brasileiro passou a ser decidido em mais de um jogo, até chegar ao mais correto, o de pontos corridos. Mais dia, menos dia, o Galo volta a demonstrar porque, durante décadas, apesar de não ter conquistado mais que um título nacional, sustentou o primeiro lugar no ranking nacional de clubes.