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terça-feira, 07 de julho 2009

O Caso Ouro Preto: Radiografia de mais um crime da mídia brasileira

E agora, Folha? E agora, Estado de São Paulo? E agora, Globo? E agora, Estado de Minas? Quem vai cobrar de vocês a sua cota pela quase destruição das vidas e das famílias de Camila Dollabela, Edson Poloni Aguiar, Cassiano Inácio Garcia e Maicon Fernandes, inocentados por absoluta falta de provas do assassinato de Aline Silveira Soares, ocorrido em outubro de 2001 em Ouro Preto? Durante anos, a mídia brasileira tratou esse caso com absurda falta de responsabilidade, enfiando-nos goela abaixo sandices sobre “seitas satânicas” e “rituais macabros”, simplesmente porque um delegado resolveu associar a morte de Aline a um jogo de RPG, esquecendo-se, no processo, de qual era o seu papel, ou seja, o de coletar provas no local do crime. Agora, quem vai indenizar Camila, Edson, Cassino e Maicon pelos crimes de linchamento prévio e acusação sem provas?

O Biscoito não tem mais nada a dizer sobre este caso a não ser sugerir aos seus leitores que 1) procurem nos arquivos os rastros dos crimes cometidos por UOL, Estadão, Globo e Estado de Minas contra as pessoas citadas e suas famílias; 2) leiam esse sensacional post de Felipe de Amorim que, com ponderação que me falta neste momento, faz uma radiografia indispensável.

Atualização: Outra leitura indispensável sobre o caso é esse artigo de 2005, escrito por minha amiga Cynthia Semíramis.



  Escrito por Idelber às 19:13 | link para este post | Comentários (42)


Comentários

#1

E claro, todos jornalistas com diploma. E possivelmente o delegado tb.

MarcosVP em julho 7, 2009 7:27 PM


#2

Então é por isso que a manchete do G1 sobre a absolvição era não só vaga como mal escrita mesmo?

Cristiano Dias em julho 7, 2009 7:30 PM


#3

E tem gente que ainda diz que é implicância minha com a Folha de SP...

Fábio Buchecha em julho 7, 2009 7:33 PM


#4

O texto do Felipe de Amorim é indispensável para entender essa mixórdia toda! É revoltante. Como, num país que possui leis, um munistério público e um judiciário, pode-se sequer imaginar uma situação como a que passaram esses garotos?

Mariê em julho 7, 2009 7:34 PM


#5

Exato, Cris. Não foi só o linchamento prévio. As notícias sobre a absolvição foram uma vergonha também. Dá pra passar um dia compilando as atrocidades.

Idelber em julho 7, 2009 7:35 PM


#6

O texto do Felipe de Amorim é indispensável para entender essa mixórdia toda! É revoltante. Como, num país que possui leis, um munistério público e um judiciário, pode-se sequer imaginar uma situação como a que passaram esses garotos?

Mariê em julho 7, 2009 7:37 PM


#7

Desde quando é sandice fazer uma notinha citando os dois lados e o que estão dizendo. Jornalismo, na maior parte do tempo, se resume a informar as versões das fontes mais adequadas.

Prof. Pasquale em julho 7, 2009 7:46 PM


#8

Como alguém que acompanhou o caso muito de perto, posso dizer que o texto de Felipe de Amorim é perfeito. Cheguei a discutir com vários jornalistas e tive um conflito enorme com o delegado Adauto Correa por causa da história absurda "ritual satânico + RPG = bodes expiatórios". Só acho uma pena que a imprensa esteja retraída na hora de falar sobre a absolvição. Salvo a TV Alterosa, que fez algum trabalho decente após o veredito. De resto, ninguém ousa se retratar e a maioria prefere fingir que "nada aconteceu". Chega a ser vergonhoso, por isso não escondo uma ponta de orgulho por ter sido uma das poucas pessoas que cobriu o caso indo contra o inquérito oficial.
Abraços.

Fernanda Lizardo em julho 7, 2009 7:51 PM


#9

Jovenzinhos bestas e drogados !

Etrom em julho 7, 2009 7:52 PM


#10

Para quem tem alguma dúvida sobre o lamentável papel da mídia no caso, recomendo esse artigo de 2005, escrito por minha amiga Cynthia Semíramis.

Idelber em julho 7, 2009 8:10 PM


#11

Eu me lembro desse caso e a polemica que rolou no colégio.
Jogava RPG e virou quase uma caça as bruxas, lembro de ter sido advertido algumas vezes por estar com um livro de RPG, nem estava jogando nem nada...apenas por carregar um livro já estava errado.
Enfim é bem mais fácil encontrar um culpado, igual no caso de Columbine, que jogaram a culpa no Marilyn Manson.
Outro culpado disso tudo é a industria de notícias que vendem muito, um ritual satânico é um prato cheio pra quem quer vender jornal!

Henrique Pimentel em julho 7, 2009 8:22 PM


#12

Li hoje um comentário de Edson Lobo de Aguiar, o pai de um dos acusados, no blog de Douglas 3 (tradutor de RPGs).

Cristiano em julho 7, 2009 8:47 PM


#13

Eu entendo a raiva do pessoal em relação à imprensa, mas além disso nada vai ser feito contra esse tal de delegado Adauto. Esse sujeito é um perigo pra vida das pessoas.

Lauro Mesquita em julho 7, 2009 10:08 PM


#14

Acabei de ler o relato do pai de uma das vítimas da justiça e da imprensa e assusta que gente tão temerosa tenha controle sob a vida das pessoas. Sério, algo deve ser feito para se abrir uma investigação contra o delegado, promotora e o juiz. Esse caso é muito sério. Uma menina morreu, quatro pessoas sofreram violências inomináveis e ainda há a suspeita de que o verdadeiro acusado tenha sido acobertado por suas ligações com um deputado. O buraco é muito embaixo e o caso coloca o nosso sistema penal em sérios apuros.

Lauro Mesquita em julho 7, 2009 10:26 PM


#15

Recomendo com muita ênfase o link deixado acima pelo Cristiano. É comovente ler a mensagem do pai do Edson. Realmente, tudo o que apareceu até hoje sobre esse delegado é desabonador.

Idelber em julho 7, 2009 10:28 PM


#16

É a velha e estúpida mania de culpar:

- RPG
- Videogame e....
- Futebol

Pela violência que alguém comete.

Se estas atividades tivessem o potencial destruidor de lares que dizem que tem, eu seria um serial-killer de primeira, pois eram as minhas principais fontes de lazer na infância e adolescência.

Aliás, os garotos violentos que conheci não gostavam de videogame e nem de RPG!

Rato em julho 7, 2009 10:30 PM


#17

Meu professor de direito internacional público hoje me contou sobre um caso, ocorrido em Maringá onde um aluno do direito e outro de algum outro curso que ele não lembrava, matou uma aluna da psicologia também da UEM, durante seu horário de aula (noturno), e depois fugiu, indo no final pedir clêmencia para o professor, para ele relevar as faltas, e poder tentar utilizar o diário de classe como prova de alibi. Não precisa dizer que fiquei em um misto de estarrecido (quase nada tirando golpes de Estados em países latino americanos me deixam de fato chocados!), o que sempre deixa aquela dúvida, o que leva a pessoa a cometer um crime?

João Vicente em julho 7, 2009 11:03 PM


#18

Ah, meu caro professor Avelar, como nerd-convicto-e-juramentado e apaixonado-por-gibi-video-game-e-rpg faço minhas as suas palavras! É incrivel a facilidade que a nossa mídia tem para estabelecer relação entre crimes horrendos e histórias em quadrinhos, video-games e rpg. O pior de tudo é que esse tipo de coisa não acontece apenas no caso de crimes, vide o "escândalo" que foi a descoberta de que supostos "quadrinhos pornográficos" estavam sendo distribuidos como material educacional para crianças e adolescentes. Infelizmente a não-retratação da mídia demonstra claramente que fatos desse tipo continuarão a acontecer...

Claudio Roberto Basilio em julho 7, 2009 11:51 PM


#19

Ah, meu caro Claudio, sua presença no post anterior me lembrou da sua devoção aos gibis e pensei em você ao compor este post também! Aguardemos, mas acho que sua previsão pessimista tem tudo para se confimar...

Idelber em julho 8, 2009 12:05 AM


#20

Idelber, só para reforçar um comentário que está gravado na discussão indicada pelo Cristiano: ainda hoje, fica parecendo que eles "não foram pegos por falta de provas" (mas que seriam provavelmente os culpados) e não que foram vítimas inocentes de um processo cheio de falhas e intencionalmente deturpado. Eu mesma fiquei com essa impressão ao ver notícias do julgamento, que comecei a questionar quando, por um acaso, no sábado, ouvi na Itatiaia um relato sobre o julgamento e as negligências da investigação, e só se dissolveram com o artigo por ti indicado.

Sofia em julho 8, 2009 12:23 AM


#21

Fiquei com peso na consciência depois de ler este post e tive que comentar...

Semana passada fui jogar tênis com um amigo e comentei este caso com ele. Ele joga RPG quase a vida toda, junto com outros amigos meus. Vi eles jogarem algumas vezes e nunca gostei, acho muito "momento nostalgia de uma idade média que não foi vivida pelos jogadores"... mas minha retardada opinião não vem ao caso...

É que quando comentei este caso o fiz com o viés acusatório, chamando os acusados de "loucos" surtados, mesmo conhecendo uma galera que joga RPG e não tem nada de maluca. Como uma pessoa em processo - lento, doloroso e cheio de reviravoltas - de cura da "síndrome de grande mídia" que sofro, acreditei desde o princípio que estes acusados realmente tinham pirado o cabeção e feito um ritual com base em RPG para matar esta moça. E o pior que esse meu amigo é fissurado em RPG, mestra jogos e inventa mundos mirabolantes...Pode ser meio louco, mas de psicopata não tem nada (aliás, esta descrição pode se encaixar perfeitamente para mim hehe).

Estou vendo agora como devemos pensar um milhão de vezes antes de ler ou ver alguma coisa na imprensa e comentar com os amigos ou família ou a gostosa no elevador. Mas confesso meu vício...nao consigo deixar de entrar no UOL, G1, e todas estas joças todo o dia. Parece que eu vou ficar alienado para a vida se não ler as notícias dos jornalões e TVs malditas...

E não é a primeira vez. Lembro como se fosse hoje do caso da Escola Base, com seus donos taxados de pervertidos malucos, sem que nada fosse comprovado. Ou até uma coisa mais óbvia, como com o finado Michael Jackson, que poderia ser maluco, mas para muita gente é mais lembrado como um pedófilo - o que nunca foi provado - do que o excelente artista que foi.

Ja nem sei o que escrever porque fico puto comigo em ainda dar crédito a quase tudo que leio, em matéria de fatos. Opiniões, com certeza, posso avaliar e discernir minhas concordâncias e discordâncias, mas fico refém da grande mídia quando quero saber o que está acontecendo no mundo, no país ou mesmo em minha cidade. E eu adoro informação, desde pequeno leio jornais e revistas vorazmente, é uma coisa que me dá muito prazer. Mas já não sei mais em quem acreditar, pois cada vez mais notícia se vende, não se pensa.

A internet vem para democratizar a informação, sem dúvida, e é através dela que consigo me livrar desse vício midiático maldito. Mas ela também ajuda a perpetuação deste jornalismo marrom, de acusações fáceis, onde todo mundo fala o que quer sobre qualquer um, muitas vezes sem qualquer tipo de base ou argumento sobre o que está falando.

E é isso que me dá um nó na cabeça! Eu sei que a liberdade de expressão é um valor único da democracia, e que muita gente morreu para que hoje nós possamos falar o que pensamos e sentimos. Mas acho que muitas vezes as empresas de mídia têm um poder absurdo, pois podem construir e destruir reputações sem qualquer tipo de reparação, tudo em nome da liberdade de expressão, do espetáculo e da venda de notícias. E ninguém pode falar nada, pois pode ser taxado de "censor" ou "totalitarista". Somos reféns. Eu sou refém! Quero ser libertado!

Foi um desabafo desordenado, mas é o horário que me confunde...E deste caso só quero falar do papel da imprensa agora...Deixo a polícia e o MP para outra hora, se não me alongo demais. Abraço!

Raphael em julho 8, 2009 1:24 AM


#22

Os inocentes acusados devem pedir indenização ao Estado e colocar esse delega em litisconsórcio, para ele sentir no bolso, uma vez que não acredito em corregedoria de polícia. Quanto à promotora, seria conveniente fazer uma representação no CNMP, não daria em nada, mas pelo menos não passaria em branco.

Aproveito outro fato da nossa mermídia, ninguém noticiou o prêmio que o Lula recebeu da Unesco...mas tá lá o prêmio que efeagacê, o homi das doações, digo, privatizações, recebeu do nosso senatus romanus eticus est..

Wagner em julho 8, 2009 1:25 AM


#23

Que belo comentário, Raphael. Esses depoimentos, genuinamente honestos na busca de onde nós mesmos erramos, são os que mais me comovem no blog.

Idelber em julho 8, 2009 2:03 AM


#24

E não importa o que diga a justiça, pro globo, os quatro sempre serão culpados. Atenção pros comentários na página, não deixando dúvidas que os leitores entenderam o que leram: http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/07/05/juri-absolve-acusados-de-matar-jovem-em-jogo-de-rpg-em-ouro-preto-756666949.asp

André Costa em julho 8, 2009 6:18 AM


#25

Inacreditáveis os comentários desse post que você linkou, André. No momento em que li, eram 91. A imensa maioria de indignação vazia e sem fundamento. Dá medo.

Idelber em julho 8, 2009 6:33 AM


#26

Juro que ha alguns dias li uma noticia sobre esse caso, que eu desconhecia, e pelo texto entendi que eles ja estavam condenados, so faltava efetivar a pena, foi a impressao que me passou. surpresa!!E pelo que se entendia na noticia afirmavam com certeza que havia ocorrido um ritual satanico de RPG!!! Que coisa, essas barbeiragens bem coisa de terceiro mundo. Deus ajude o Brasil, que um dia seja civilizado de verdade.

Julio em julho 8, 2009 8:10 AM


#27

Xará e Idelber, quantos desses comentaristas indignados são pessoas boas e cansadas da violência nacional, mas que se informam apenas pela mídia gorda? Como não classificar a mídia gorda de organização criminosa?

André em julho 8, 2009 9:59 AM


#28

Idelber,
vergonha na cara não é uma qualidade que a mídia tradicional possui (acho que esta concordância está errada). Segunda-feira, escutando o jornal da Itatiaia (café da manhã do meu pai é com radinho ligado) ouvi no quadro final, chamado de conversa de butiquim, ops, redação, os comentários dos jornalistas presentes. Fiquei rubro de ouvir o que diziam. Eles questionavam a juíza pelo veredicto dado. Eu não acreditei. O tal Carlos Viana ainda acredita que RPG e os jovens são culpados. Afirmou de pronto que a juiza deveria solicitar um novo julgamento, pois o advogado de defesa apenas apontou as inconsistências da peça acusatória e não uma defesa consistente dos jovens. Pô, eu mereço?

Rodrigo Gomes Freitas em julho 8, 2009 12:38 PM


#29

Os comentários dos leitores do "The Globe" são, como usual, na maioria repulsivos. Mas vocês querem o que? Mais uma vez: "as idéias dominantes são as idéias da classe dominante" e a pequeno-burguesia semi-analfabeta, para quem pensar é um esforço físico, apavorada com a decomposição social do país engole facilmente a explicação que esta classe dominante lhe dá das coisas: que a culpa de tudo é do novo,dos insubmissos, dos revoltados... dos meramente diferentes. É isso o que explica a existência e o papel de criaturas como esse delegado e essa promotora, do "filósofo" da internet, do parajornalista...e vou parar de enumerar que está me dando vontade de vomitar...

Carlos em julho 8, 2009 1:26 PM


#30

Esse caso me chamou atenção na época. É por isso que existem as garantias -- às vezes acusadas de abusivas -- no processo penal, entre as quais o extremo formalismo da prisão provisória.

No mais, quanto aos comentários, tremam amigos: é no sistema penal que o fascismo está mais vivo hoje em dia. Quem acompanha o fenômeno vê que infelizmente as coisas são sempre assim: indignação vazia, sede de sangue e medo transformado em ódio.

Moysés Neto em julho 8, 2009 1:26 PM


#31


Como jogador de RPG eu sofri e ainda sofro muito por causa dessas reportagens que despertaram o preconceito e o sentimento de caça as bruxas de muitas pessoas.

O pior é saber que depois de todo esse tempo, quem foi beneficiado foi o(s)verdadeiros criminosos que ja devem estar certo da impunidade.

Anderson em julho 8, 2009 1:30 PM


#32

Pois é, quem matou mesmo ninguém nem cogita em achar é?

pedro em julho 8, 2009 3:35 PM


#33

É o Caso Escola Base nosso de cada dia. Nas faculdades de comunicação, muitos professores dizem aos alunos tratar-se de episódios infelizes e raros. Mentira. Eles acontecem a cada raiar do sol, por duas razões: nenhuma medida é tomada para evitá-los (processar individualmente os veículos de comunicação é necessário, correto e desejável, mas não mudará o quadro sistêmico); e porque raramente eles vêm à tona. Uma lástima.

Rafael Fortes em julho 8, 2009 4:59 PM


#34

Não me lembro do caso (creio que não estava no Brasil, à época), mas tenho me escandalizado com a frequência com que a imprensa brasileira - tv, jornais, rádio, etc - usar partes de inquéritos policiais em suas matérias, apresentando-os como fatos. Conhecendo-se os diversos problemas de grande parte da polícia no Brasil - corrupção, luta de facções, formação inadequada, etc - não se pode concordar com isso. É um absurdo! Esse caso agora só parece reafirmar esta péssima prática. E as pessoas injustamente acusadas, como ficam?

Janaina Amado em julho 8, 2009 5:45 PM


#35

O MP mineiro meteu os pés pelas mãos. Como levar adiante um caso tão inconsistente?
Excelentes os artigos indicados. uma ressalva, porém: o Felipe de Amorim deu uma escorregada grave em seu artigo, ao nomear de um suspeito ("supostamente" ligado ao tráfico na cidade) e também ao levantar uma hipótese para a morte de Aline, em que esta se prostituía em troca da droga. Como ninguém sabe o que aconteceu e como não existem provas contra ninguém, teria sido melhor citar o suspeito sem nomeá-lo e também poupar os leitores de uma história que, ao que parece, está no campo do boato e que lamentavelmente macula o nome da infeliz vítima.

Ricardo Montero em julho 8, 2009 6:31 PM


#36

Se essa midia faz isso com um presidente, imagina com pessoas comuns...

roni em julho 8, 2009 10:04 PM


#37

Não acompanhei esse caso e não tenho uma opinião formada sobre ele, sei que o RPG não é isso que a imprensa criou, só gostaria de saber uma coisa: algumas das testemunhas de acusação declarou ter presenciado sequer uma dessas "rituais satânicos" citadas nas reportagens? Ainda mais realizados em lugares públicos como os cemitérios de Ouro Preto?

Leo Vidigal em julho 9, 2009 10:47 AM


#38

Com o fim da exigência de diploma para jornalistas, tenho certeza que absurdos como esse não acontecerão mais.

PAM em julho 9, 2009 11:18 PM


#39

Deixa eu entender qual foi o crime da mídia. Se os garotos tivessem, de fato, sido culpados pela Justiça, a mídia teria acertado, cumprido o seu papel. Mas como foram inocentados pela Justiça... a mídia é que é culpada. Não entendo! Pelos comentários aqui deste blog, suponho que a Justiça é boa quando suas decisões estão de acordo com certas crenças; e é uma merda, "capacho das oligarquias", quando não agradam os crentes de determinada vertente ideológica. Não faz sentido.
Quando a bola da vez era o safado do Collor, ninguém relamou da mídia. Quando é o Lula... jornalista é mentiroso e a mídia é golpista. Estranho. Ou será que eu bebi demais...

Martinelli em julho 9, 2009 11:34 PM


#40

Se os garotos tivessem, de fato, sido culpados pela Justiça, a mídia teria acertado, cumprido o seu papel.

Não. Se eles tivessem sido condenados pela Justiça, seria esta que teria errado, pois não há um fiapo de prova que os ligue ao crime.

Mas como foram inocentados pela Justiça... a mídia é que é culpada.

Não. A mídia é culpada de ter armado um circo em torno do "crime do RPG" que não tinha nada a ver com RPG. É culpada de ter linchado os garotos previamente, a partir de suspeitas estapafúrdias e pouco fundamentadas. É culpada de ter martelado durante anos uma baboseira sobre "seitas satânicas" e "rituais macabros" que nada tinham a ver com o crime. Você leu realmente os artigos de mídia sobre o assunto, Martinelli?

Pelos comentários aqui deste blog, suponho que a Justiça é boa quando suas decisões estão de acordo com certas crenças; e é uma merda, "capacho das oligarquias", quando não agradam os crentes de determinada vertente ideológica.

Claramente, você não entendeu nada, Martinelli. O caso de Ouro Preto tem muito pouco a ver com ideologia. Não tem a ver com direita / esquerda. Tem a ver com espetacularização, linchamento prévio, atribuição de culpas sem provas -- esse tipo de coisa.

Quando a bola da vez era o safado do Collor, ninguém relamou da mídia.

Não diga "ninguém" quando não tiver certeza do que fala. As críticas à mídia são bem anteriores a Collor. As minhas, por exemplo, tem mais de 20 anos de idade.

Estranho. Ou será que eu bebi demais....

A hipótese de que você bebeu demais é um pouco melhor para você. Porque a outra hipótese, francamente, não deixa sua inteligência e capacidade de interpretação muito bem na fita.

Idelber em julho 10, 2009 12:10 AM


#41


Sempre que se ouvir falar em RPG, videogames ou Satanismo numa notícia policial, melhor color seu Firewall Mental em Alerta Máximo. Nunca vi se seguir qualquer coisa minimamente razoável.


O que eu queria saber é se em algum momento, alguém definiu o que é RPG ou Satanismo no inquérito e no processo. Que definição seria, e quais as fontes de pesquisa em que se baseou.

Marcus Valerio XR em julho 10, 2009 12:12 AM


#42

Idelber, parabéns, também, pela paciência e inteligência com que esmaga a falta de argumentos desses malas que, volta e meia, aparecem para esgrimir bobagens neste aprazível e combativo botecafé de idéias.

Jair Fonseca em julho 10, 2009 1:02 AM