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terça-feira, 07 de julho 2009

Resposta de Kabenguele Munanga a Demétrio Magnoli

Como já é de costume na mídia brasileira, achicalha-se primeiro, nega-se direito de resposta depois. Com muito orgulho, o Biscoito publica a réplica de Kabengule Munanga, Professor Titular de Antropologia da USP, ao ataque de Demétrio Magnoli n' O Estado de São Paulo. O artigo também está disponível no AfroPress.


kabenguele.jpgEm matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 14 maio de 2009, intitulada “Monstros tristonhos”, o geógrafo Demétrio Magnoli critica e acusa agressivamente as Universidades Federais de Santa Maria (UFSM) e de São Carlos (UFSCAR) e também a mim, Kabengele Munanga, Professor do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

As duas universidades são criticadas e acusadas por terem, segundo o geógrafo, criado ”tribunais raciais” que rejeitam as matrículas de jovens mestiços que optam pelas cotas raciais. No caso da Universidade Federal de Santa Maria, trata-se apenas de Tatiana de Oliveira, cuja matrícula foi cancelada menos de um mês após o início do curso de Pedagogia.. No caso da Universidade Federal de São Carlos, trata-se do estudante Juan Felipe Gomes. O acusador acrescenta que um quarto dos candidatos aprovados na UFSCAR pelo sistema de cotas raciais neste ano de 2009 teve sua matrícula cancelada pelo “tribunal racial” dessa universidade.

A questão que se põe é saber se além desses estudantes, cujas matrículas foram canceladas, outros alunos mestiços ingressaram em cerca de 70 universidades públicas que aderiram à política de cotas. Se a resposta for afirmativa, os que tiveram sua matrícula cancelada constituem casos raros ou excepcionais que mereceriam a atenção não apenas de Demétrio Magnoli, mas também de todas as pessoas que defendem a justiça e a igualdade de tratamento.

Mas por que esses casos raros, que constituem uma exceção e não a regra, foram “injustiçados” pelas comissões de controle formadas nessas universidades para evitar fraudes, comissões que o sociólogo Demétrio rotula de “tribunais raciais”? Por que só eles? Por que não ocorreu o mesmo com os outros mestiços aprovados? Houve realmente injustiça racial ou erro humano na avaliação da identidade física dessas pessoas que foram simplesmente consideradas brancas e não mestiças apesar de sua autodeclaração? Os erros humanos, quando são detectados, devem ser corrigidos pelos próprios humanos, como o foi no caso dos estudantes gêmeos da UnB. As injustiças, flagrantes ou não, devem ser apuradas e julgadas pela própria justiça que, num estado democrático de direito como o Brasil, deverá prevalecer. Acho que os estudantes Tatiana de Oliveira e Juan Felipe Gomes, e tantos outros que o sociólogo menciona sem entretanto nomeá-los, devem procurar um advogado para defender seus direitos se estes tiverem sido efetivamente violados pelos chamados “tribunais raciais”. Entendo que o geógrafo Demétrio tenha pena deles, considerando a sua sensibilidade humana.

Se realmente houve erro humano na verificação da identidade desses estudantes, a explicação não está na citação intencionalmente deturpada de algumas linhas extraídas de um texto introdutório de três páginas ao livro de Eneida de Almeida dos Reis, intitulado MULATO: negro-não-negro e/ou branco-não-branco, publicado pela Editora Altara, na Coleção Identidades, São Paulo, em 2002.

Veja como é interessante a estratégia de ataque do geógrafo Demétrio Magnoli. Ele escondeu de seus leitores o título do livro de Eneida de Almeida dos Reis, assim como a casa editora e a data de sua publicação para evitar que possíveis interessados pudessem ter acesso à obra para averiguar direta e pessoalmente o fundamento das acusações. De fato, ele não disse absolutamente nada sobre o conteúdo desse livro, e passa a impressão de ter lido apenas vinte linhas do total de três páginas da introdução, a partir das quais constrói seu ensaio e sua acusação. Com sua inteligência genuína, acho que ele poderia ter feito uma pequena síntese desse livro para seus leitores; se ele o tivesse mesmo lido, entenderia que nada inventei sobre a ambivalência genética do mestiço que não estivesse presente no próprio título da obra “Mulato: negro-não-negro e/ou branco-não-branco”. Desde quando a palavra ambivalência é sinônimo de “monstro tristonho”? Estamos assistindo à invenção, pelo geógrafo, de novos verbetes dos dicionários da língua portuguesa?

O livro de Eneida de Almeida dos Reis resultou de uma pesquisa para dissertação de mestrado defendida na PUC de São Paulo sob a orientação de Antonio da Costa Ciampa, Professor do Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia da PUC São Paulo. Ele foi convidado a fazer a apresentação do livro, na qualidade de professor orientador, e eu para escrever a introdução, na qualidade de ex-professor na disciplina “Teorias sobre o racismo e discursos antirracistas”, ministrada no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP. O livro se debruça sobre as peripécias e dificuldades vividas pelos indivíduos mestiços de brancos e negros, pejorativamente chamados mulatos, no processo de construção de sua identidade coletiva e individual, a partir de um estudo de caso clínico. É uma pena que nosso crítico acusador não tenha tido a coragem de apresentar a seus leitores o verdadeiro conteúdo desse livro, resultado de uma meticulosa pesquisa acadêmica, e não da minha fabulação.

Para entender porque essas pessoas mestiças foram consideradas brancas, apesar de terem declarado sua afrodescendência, é preciso voltar ao clássico “Tanto preto quanto branco: estudos de relações raciais”, de Oracy Nogueira (São Paulo: T.A. Queiroz, 1985). Se o geógrafo Demétrio tivesse lido esse livro, acredito que teria entendido porque as pessoas brancas que possuem algumas gotas de sangue africano são consideradas pura e simplesmente negras nos Estados Unidos – apesar de exibirem uma fenotipia branca – e brancas no Brasil. Ensina Nogueira que a classificação racial brasileira é de marca ou de aparência, contrariamente à classificação anglo-saxônica que é de origem e se baseia na “pureza” do sangue. Do ponto de vista norteamericano, todos os brasileiros seriam, de acordo com as pesquisas do geneticista Sergio Danilo Pena, considerados negros ou ameríndios, pois todos possuem, em porcentagens variadas, marcadores genéticos africanos e ameríndios, além de europeus, sem dúvida. Quando essas pessoas fenotipicamente brancas e geneticamente mestiças se consideram ou são consideradas brancas no decorrer de suas vidas e assumem, repentinamente, a identidade afrodescendente para se beneficiar da política das cotas raciais, as suspeitas de fraude podem surgir. Creio que foi o que aconteceu com os alunos cujas matrículas foram canceladas na UFSM e na UFSCAR. Se não houver essa vigilância mínima, seria melhor não implementar a política de cotas raciais, porque qualquer brasileiro pode se declarar afrodescendente, partindo do pressuposto de que a África é o berço da humanidade..

Lembremo-nos de que no início dos debates sobre as cotas colocava-se a dificuldade de definir quem é negro no Brasil por causa da mestiçagem. Falsa dificuldade, porque a própria existência da discriminação racial antinegro é prova de que não é impossível identificá-lo. Senão, o policial de Guarulhos não teria assassinado o jovem dentista identificado como negro pelo cidadão branco assaltado, e os zeladores de todos os prédios do Brasil não teriam facilidade para orientar os visitantes negros a usar os elevadores de serviço. Por sua vez, as raras mulheres negras moradoras dos bairros de classe média não seriam constantemente convidadas pelas mulheres brancas, quando se encontram nos elevadores, para trabalhar como domésticas em suas casas. Existem casos duvidosos, como o dos alunos em questão, que mereceriam uma atenção desdobrada para não se cometer erros humanos, mas não houve dúvidas sobre a identidade da maioria dos estudantes negros e mestiços que ingressaram na universidade através das cotas.

Bem, o geógrafo Demétrio Magnoli leva ao extremo a acusação a mim dirigida quando me considera um dos “ícones do projeto da racialização oficial do Brasil”. Grave acusação! Infelizmente, ele não deu nomes a outros ícones. Nomeou apenas um deles, cuja obra não leu, ou melhor, demonstra não ter lido. Mas por que só o meu nome mencionado? Porque sou o mais fraco, pelo fato de ser brasileiro naturalizado, ou o mais importante, por ter chegado ao ponto mais alto da carreira acadêmica? Isso parece incomodá-lo bastante! Um negro que chegou lá, ao topo da carreira acadêmica, numa das melhores universidades do país, mas nem por isso esse negro deixou de ser solidário, pois milita intelectualmente para que outros negros, índios e brancos pobres tenham as mesmas oportunidades.

De acordo com as conclusões assinaladas no livro de Eneida de Almeida dos Reis, muitos mestiços têm dificuldades para construir sua identidade por causa da ambivalência (Mulato: negro-não-negro e/ou branco-não-branco) , dificuldades que eles teriam superado se tivessem política e ideologicamente assumido uma de suas heranças, ou seja, a sua negritude, que é o ponto nevrálgico de seu sofrimento psicológico. Se o sociólogo acusador tivesse lido este livro e refletido serenamente sobre suas conclusões, ele teria percebido que não alimento nenhum projeto ou plano de ação para suprimir a mestiçagem no Brasil. Isto só pode ser chamado de masturbação ideológica, e não de análise sociológica, nem geográfica! Como seria possível suprimir a mestiçagem, que é um fato fundamental da história da humanidade, desafiando as leis da genética e a vontade dos homens e das mulheres que sempre terão intercursos interraciais? Nem o autor do ensaio sobre as desigualdades das raças humanas, Arthur de Gobineau, chegou a acreditar nessa possibilidade. Se as leis segregacionistas do Sistema Jim Crow no Sul dos Estados Unidos e do Apartheid na África do Sul não conseguiram fazê-lo, os ícones da racialização oficial do Brasil, entre os quais nosso colega me situa, terão esse poder mágico e milagroso que ele lhes atribui?

Entrando na vida privada, gostaria que o sociólogo soubesse que tenho um filho e uma neta mestiços que não são monstros tristonhos como ele pensa, pois são educados para assumir sua negritude e evitar assim os graves problemas psicológicos apontados na obra de Eneida de Almeida Dos Reis, através da indefinida personagem Maria, (ver p.39-100). Como se pode dizer que os mestiços são geneticamente ambivalentes e que política e ideologicamente não podem permanecer nessa ambivalência e ser por isso taxado de charlatão acadêmico? Creio que se trata apenas de uma reflexão que decorre das conclusões do próprio livro e que de per si não constituiria nenhum charlatanismo. Não seria um contra-senso e um grave insulto à USP que esse “charlatão acadêmico” tenha chegado ao topo da carreira acadêmica? E que tenha orientado dezenas de doutores hoje professores nas grandes universidades brasileiras, como a USP, UNICAMP, UNESP, UFMG, UFF, UFRJ, Universidade Federal de Goiás, Universidade Federal de São Luiz do Maranhão, Universidade Estadual de Londrina, Universidade Candido Mendes, PUC de Campinas, etc. Creio que, salvo o geógrafo Demétrio, os que me conhecem através de textos que escrevi, de minhas aulas e de minhas participações nos debates sociais e intelectuais no país e no exterior, não me atribuiriam esse triste retrato.

Disse ainda o geógrafo Demétrio que “do ponto mais alto da carreira universitária, o antropólogo professa a crença do racismo científico, velha de mais de um século, na existência biológica de raças humanas, vestindo-a curiosamente numa linguagem decalcada da ciência genética”. Sinceramente, não entendo como Demétrio conseguiu tirar tanta água das pedras. Das 20 linhas extraídas, de maneira deturpada, de um texto de três páginas de introdução, ele conseguiu dizer coisas horríveis, como se tivesse lido tudo que escrevi durante minha trajetória intelectual sobre o racismo antinegro. A colonização da África, contrariamente às demais colonizações conhecidas na história da humanidade, foi justificada e legitimada por um corpus teórico-cientí fico baseado nas idéias evolucionistas e racialistas produzidas na modernidade ocidental. Teria algum sentido para mim, que milito contra o racismo, professar o racismo científico para lutar contra o racismo à brasileira? Acho que nosso geógrafo quer me transformar num demente que não sou. As pessoas que leram seu texto no jornal O Estado de S. Paulo podem pensar que eu sou esse negro ex-colonizado que professa as mesmas idéias do racismo científico que postulou a inferioridade e a desumanidade dos africanos, incluída a dele mesmo. Como entender que meus alunos de Pós-graduação, a quem ensino há vinte anos “As teorias sobre o racismo e discursos antirracistas”, uma disciplina freqüentada por alunos da USP, de outras universidades e outros estados, têm a coragem de ocupar um semestre inteiro para escutar profissões de fé em favor do racismo científico?

Se o geógrafo Demétrio quer saber mais sobre mim, ingressei na Faculdade em 1964, aos vinte e dois anos de idade. Tive aulas de Antropologia Física com um dos melhores biólogos e geneticistas franceses, Jean Hiernaux. Uma das primeiras coisas que ele me ensinou era que a raça não existe biologicamente. Através de suas aulas, li François Jacob, Nobel de Fisiologia (1965) e um dos primeiros franceses a decretar que a raça pura não existe biologicamente; e J.Ruffie, Albert Jacquard e tantos outros geneticistas antirracistas dessa época. Portanto, sei muito bem, e bem antes de Demétrio que o racismo não pode ter mais sustentação científica com base na noção das raças superiores e inferiores, que não existem biologicamente. Sei muito bem que o conteúdo da raça enquanto construção é social e político. Ou seja, a realidade da raça é social e política porque tivemos na história da humanidade povos e milhões de seres humanos que foram mortos e dominados com justificativa nas pretensas diferenças biológicas. Temos em nosso cotidiano, pessoas discriminadas em diversos setores da vida nacional porque apresentam cor da pele diferente. Nosso sistema educativo é eurocêntrico e nossos livros didáticos são repletos de preconceitos por causa das diferenças. Não sou um novato que ingressou ontem na universidade brasileira. No Brasil, fui introduzido ao pensamento racial nacional por grandes mestres, como João Baptista Borges Pereira, que foi meu orientador no doutoramento, Florestan Fernandes, Octavio Ianni, Oracy Nogueira, entre outros. Não sei onde estava Demétrio nessa época e em que ano ele descobriu que a raça não existe. Acho um exagero querer me dar lição de moral sobre coisas que eu conheço muito antes dele. Isto não quer dizer que ele não possa me ensinar temas pertinentes à geografia, como por exemplo, o que se pode ler em seu livro sobre a África do Sul – “Capitalismo e Apartheid”, publicado pela Editora Contexto, São Paulo, 1998, que oferece algumas informações interessantes sobre a história do sistema do apartheid. Esse livro faz parte da bibliografia recomendada na disciplina ministrada na Graduação, não obstante algumas incorreções históricas nele contidas.

Um dos maiores problemas da nossa sociedade é o racismo, que, desde o fim do século passado, é construído com base em essencializações sócio-culturais e históricas, e não mais necessariamente com base na variante biológica ou na raça. Não se luta contra o racismo apenas com retórica e leis repressivas, não somente com políticas macrossociais ou universalistas, mas também, e, sobretudo, com políticas focadas ou específicas em benefício das vítimas do racismo numa sociedade onde este é ainda vivo. É neste sentido que faço parte do bloco dos intelectuais brancos e negros que defendem as políticas de ação afirmativa e de cotas para o acesso ao ensino superior e universitário. Na cabeça e no pensamento de Demétrio Magnoli, todos os que fazem parte desse bloco querem racializar o Brasil, e isso faz parte de um projeto e de um plano de ação. Que loucura!

Defendemos as cotas em busca da igualdade entre todos os brasileiros, brancos, índios e negros, como medidas corretivas às perdas acumuladas durante gerações e como políticas de inclusão numa sociedade onde as práticas racistas cotidianas presentes no sistema educativo e nas instituições aprofundam cada vez mais a fratura social. Cerca de 70 universidades públicas estaduais e federais que aderiram à política de cotas sem esperar a Lei ainda em tramitação no Senado entenderam a importância e a urgência dessa política. Acontece que essas universidades não são dirigidas por negros, mas por compatriotas brancos que entendem que não se trata do problema do negro, mas sim do problema da sociedade, do seu problema como cidadão brasileiro. Podemos dizer que todos esses brancos no comando das universidades querem também racializar o Brasil, suprimir os mestiços e incentivar os conflitos raciais? Afinal, podemos localizar os linchamentos e massacres raciais nos Estados onde se encontram as sedes das universidades que aderiram às cotas? Tudo não passa de fabulações dos que gostariam de manter o status quo e que inventam argumentos que horrorizam a sociedade. Quem está ganhando com as cotas? Apenas os alunos negros ou a sociedade como um todo? Quem ingressou através das cotas? Apenas os alunos negros e indígenas ou entraram também estudantes brancos da escola pública?

Concluindo, penso que existe um debate na sociedade que envolve pensamentos, filosofias e representações do mundo, ideologias e formações diferentes. Esse pluralismo é socialmente saudável, na medida em que pode contribuir para a conscientização de seus membros sobre seus problemas e auxiliar a quem de direito, o legislador e o executivo, na tomada de decisões esclarecidas. Este debate se resume a duas abordagens dualistas. A primeira compreende todos aqueles que se inscrevem na ótica essencialista, segundo a qual a humanidade é uma natureza ou uma essência e como tal possui uma identidade genérica que faz de todo ser humano um animal racional diferente dos demais animais. Eles afirmam que existe uma natureza comum a todos os seres humanos em virtude da qual todos têm os mesmos direitos, independentemente de suas diferenças de idade, sexo, raça, etnias, cultura, religião, etc. Trata-se de uma defesa clara do universalismo ou do humanismo abstrato, concebido como democrático. Considerando a categoria raça como uma ficção, eles advogam o abandono deste conceito e sua substituição pelos conceitos mais cômodos, como o de etnia. De fato, eles se opõem ao reconhecimento público das diferenças entre brancos e não brancos. Aqui temos um antirracismo de igualdade que defende os argumentos opostos ao antirracismo de diferença. As melhores políticas públicas, capazes de resolver as mazelas e as desigualdades da sociedade, deveriam ser somente macro-sociais ou universalistas. Qualquer proposta de ação afirmativa vinda do Estado que introduza as diferenças para lutar contra as desigualdades, é considerada, nessa abordagem, como um reconhecimento oficial das raças e, conseqüentemente, como uma racialização do Brasil, cuja característica dominante é a mestiçagem. Ou, em outras palavras, as políticas de reconhecimento das diferenças poderão incentivar os conflitos raciais que, segundo dizem, nunca existiram. Assim sendo, a política de cotas é uma ameaça à mistura racial, ao ideal da paz consolidada pelo mito de democracia racial, etc. Eu pergunto se alguém pode se tornar racista pelo simples fato de assumir sua branquitude, amarelitude ou negritude? Como se identifica então o geógrafo Demétrio: branco, negro, mestiço ou Demétrio indefinido? Pelo que me consta, ele se identifica como branco, mas não aceita que os negros e seus descendentes mestiços se identifiquem como tais e lutem por seus direitos num país onde são as grandes vítimas do racismo. A menos que ele negue a existência das práticas racistas no cotidiano brasileiro, e as diferenças de cor, sexo, classe e religiões que exigiriam políticas diferenciadas.

A segunda abordagem reúne todos aqueles que se inscrevem na postura nominalista ou construcionista, ou seja, os que se contrapõem ao humanismo abstrato e ao universalismo, rejeitando uma única visão do mundo em que não se integram as diferenças. Eles entendem o racismo como produção do imaginário destinado a funcionar como uma realidade a partir de uma dupla visão do outro diferente, isto é, do seu corpo mistificado e de sua cultura também mistificada. O outro existe primeiramente por seu corpo antes de se tornar uma realidade social. Neste sentido, se a raça não existe biologicamente, histórica e socialmente ela é dada, pois no passado e no presente ela produz e produziu vítimas. Apesar do racismo não ter mais fundamento científico, tal como no século XIX, e não se amparar hoje em nenhuma legitimidade racional, essa realidade social da raça que continua a passar pelos corpos das pessoas não pode ser ignorada.

Grosso modo, eis as duas abordagens essenciais que dividem intelectuais, estudiosos, midiáticos, ativistas e políticos, não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Ambas produzem lógicas e argumentos inteligíveis e coerentes, numa visão que eu considero maniqueísta. Poderão as duas abordagens se cruzar em algum ponto em vez de se manter indefinidamente paralelas? Essa posição maniqueísta reflete a própria estrutura opressora do racismo, na medida em que os cidadãos se sentem forçados a escolher a todo momento entre a negação e a afirmação da diferença. A melhor abordagem seria aquela que combina a aceitação da identidade humana genérica com a aceitação da identidade da diferença. Para ser um cidadão do mundo, é preciso ser, antes de mais nada, um cidadão de algum lugar, observou Milton Santos num de seus textos. A cegueira para com a cor é uma estratégia falha para se lidar com a luta antirracista, pois não permite a autodefinição dos oprimidos e institui os valores do grupo dominante e, conseqüentemente, ignora a realidade da discriminação cotidiana. A estratégia que obriga a tornar as diferenças salientes em todas as circunstâncias obriga a negar as semelhanças e impõe expectativas restringentes.

Se a questão fundamental é como combinar a semelhança com a diferença para podermos viver harmoniosamente, sendo iguais e diferentes, por que não podemos também combinar as políticas universalistas com as políticas diferencialistas? Diante do abismo em matéria de educação superior, entre brancos e negros, brancos e índios, e levando-se em conta outros indicadores socioeconômicos provenientes dos estudos estatísticos do IBGE e do IPEA, os demais índices do Desenvolvimento Humano provenientes dos estudos do PNUD, as políticas de ação afirmativa se impõem com urgência, sem que se abra mão das políticas macrossociais.

Não conheço nenhum defensor das cotas que se oponha à melhoria do ensino público. Pelo contrário, os que criticam as cotas e as políticas diferencialistas se opõem categoricamente a qualquer política de diferença por considerá-las a favor da racialização do Brasil. As leis para a regularização dos territórios e das terras das comunidades quilombolas, de acordo com o artigo 68 da Constituição, as leis 10639/03 e 11645/08 que tornam obrigatório o ensino da história da África, do negro no Brasil e dos povos indígenas; as políticas de saúde para doenças específicas da população negra como a anemia falciforme, etc., tudo isso é considerado como racialização do Brasil, e virou motivo de piada.

Convido o geógrafo Demétrio Magnoli a ler o que escrevi sobre o negro no Brasil antes de se lançar desesperadamente em críticas insensatas e graves acusações. Se porventura ele identificar algum traço de defesa do racismo científico em meus textos, se encontrar algum projeto ou plano de ação para suprimir os mestiços e racializar o Brasil, já que ele me acusa de ícone desse projeto, ele poderia me processar na justiça brasileira, em vez de inventar fábulas que não condizem com minha tradicionalmente pública e costumeira postura.



  Escrito por Idelber às 04:04 | link para este post | Comentários (157)


Comentários

#1

Sem querer entrar no mérito da resposta, que no âmbito pessoal (ou seja, a resposta direta de Kabenguele às acusações contra ele) considerei cabal, ainda acho que o debate sobre as cotas está mal colocado. Em sua resposta, Kabenguele traça bem as duas linhas (que ele chama universalista e diferencialista), exceto em um particular: sugere que os "universalistas" - entre os quais posso ser incluído, pois sou contra as ações afirmativas que envolvam qualquer tipo de favorecimento a pessoas por sua "raça" - sempre neguem a existência do racismo. Isso é uma generalização infeliz; creio que negar o racismo que infelizmente existe em nossa sociedade não se trate de uma posição respeitável dentro do debate. Argumentos a favor ou contra cotas devem ser sempre desenvolvidos a partir desse pressuposto - bem como do pressuposto de sempre considerar os riscos e as dificuldades da implementação da política de cotas, o que me parece ser esquecido em muitas das manifestações a favor desta.

De todo modo, o ponto de convergência entre "universalismo" e "diferencialismo" que Kabenguele aponta não me parece ser exatamente uma "terceira via": constitui-se apenas da aceitação completa deste por aquele.

Vinicius em julho 7, 2009 4:56 AM


#2

Demétrio não deveria sequer ser levado a sério. É compreensível que um acadêmico atacado covardemente num "grande jornal" - e sem que lhe tenha sido concedido direito de resposta - sinta-se compelido a responder as agressões de forma enfática. Mas Munanga está gastando muita mais tinta do que seu agressor merece.

O fato é que Demétrio e Munanga são de estirpes totalmente diversas. O último é não apenas um acadêmico respeitado por seus pares - inclusive internacionalmente -, mas um batalhador de décadas pela nobre causa da igualdade (que, ao lado da igualdade e da fraternidade, forma o lema que por séculos alimenta os sonhos dos justos).

Já o primeiro não passa de uma pena de aluguel, valorizada por seus títulos acadêmicos. É mero papagaio de pirata de Kamel, assim como Marco Antonio Villa é o historiador disponível para as teses neocons da Folha de S. Paulo. Só os ingênuos ou os bajuladores levam essas figuras a sério na academia. Resta-lhes o publico desses jornaizinhos de quinto nível que são publicados no Brasil e lidos por cada vez menos gente.

Munanga está muito acima disso.

Mauricio Caleiro em julho 7, 2009 6:42 AM


#3

Excelente post e excelente resposta. Já agora e lembrando Levi Strauss, a raça não existe, ou resumindo, existe uma única raça, a humana. Deixo este link http://www.livres-online.com/Race-et-Histoire.html
Um abraço Idel, é sempre um prazer vir até aqui (todos os dias via feeds)

popelina em julho 7, 2009 7:56 AM


#4

"Cerca de 70 universidades públicas estaduais e federais que aderiram à política de cotas sem esperar a Lei ainda em tramitação no Senado entenderam a importância e a urgência dessa política. Acontece que essas universidades não são dirigidas por negros, mas por compatriotas brancos que entendem que não se trata do problema do negro, mas sim do problema da sociedade, do seu problema como cidadão brasileiro."

Na Universidade de Brasília, o projeto do sistema de cotas não foi uma iniciativa da reitoria, mas de dois professores do Departamento de Antropologia, José Jorge de Carvalho e Rita Laura Segato. Não sei como o professor José Jorge se define identitariamente, se como branco ou como mestiço, mas a professora Rita é indubitavelmente branca e... argentina.

Fabiano Camilo em julho 7, 2009 8:21 AM


#5

Idelber,

Gostaria de saber sua opinião sobre o regime de cotas.

Minha opinião é que cotas para negros são impossíveis de serem aplicadas na prática sem cair em injustiças, pois não há nenhum método científico que possa distinguir quem é negro de quem é branco.

Parece-me muito mais sensato instituir cotas por critérios sociais, como renda. Reforça essa idéia o fato que me parece bem mais justo que um branco pobre tenha acesso facilitado à universidade no lugar de um negro rico.

Naturalmente, as cotas por critérios de renda viabilizariam a entrada de várias pessoas negras na universidade, tendo em vista que os negros infelizmente estão mais presentes em classes sociais mais baixas.

Não ignoro em absouluto o racismo e a opressão sobre o povo negro, mas se o objetivo é (1) corrigir distorções históricas através de (2) um método legítimo e com pouca margem para questionamentos, então sobram poucas dúvidas de que as cotas para negros são um erro.

Qual sua opinião sobre o tema?

Abraços,

Luis

Luis em julho 7, 2009 9:29 AM


#6

Grande resposta. Sou favorável às cotas, com igual esforço pela melhoria das escolas públicas. A sociedade brasileira precisa assumir plenamente o objetivo de garantir o acesso a educação de qualidade, em todos os níveis, para toda a população.

Leo Vidigal em julho 7, 2009 9:43 AM


#7

Se eu fosse o Demétrio, depois dessa me aposentava, sério, escrever esse artigo foi um verdadeiro tiro no pé, se havia algum intelectual que o respeitava, depois de ele brincar de veja e querer destruir a reputação de alguém que merece a alcunha de intelectual, ele perdeu todo e qualquer prestígio!

João Vicente em julho 7, 2009 10:03 AM


#8

salve, idelber,

mais uma vez se demonstra o jornalismo de esgoto e de prateleira do estadão e congêneres.
um ataque torpe e desonesto ao professor Munanga de um típico representante das famílias proprietárias da grande imprensa brasileira.
infelizmente, não surpreende ninguém.

abçs

carlos anselmo-engº-fort-ce em julho 7, 2009 10:07 AM


#9

O desrespeito desse Magnoli ao professor Kabengele é inversamente proporcional ao respeito que o Kabengele tem na universidade. Antropólogo muito produtivo, há anos toca o centro de estudos africanos da USP, leciona, pesquisa e traz um intercâmbio internacional de idéias de importância incomensurável para a produção de conhecimento no Brasil.

Estuda a relação entre populações do continente africano e os seus descendentes brasileiros e formou dezenas dos profissionais mais sérios da universidade. Através dele, o Brasil conheceu diversos autores africanos do continente africano e da diáspora. Além disso, ele ainda leciona na graduação e na pós-graduação.Em cursos básicos e matérias optativas.

E o Magnolli? O que ele já produziu para a universidade?O que ele escreveu que não fosse ideologia? Nunca vi um artigo com algo de cientificidade sair da pena do sujeito

Tiago Mesquita em julho 7, 2009 10:09 AM


#10

Acho as cotas um mal necessário, mas o mais incrível nisso é a boa vontade da imprensa em abrir espaço para colocações como as do Professor Magnoli.

Pedro Migão em julho 7, 2009 10:13 AM


Tiago Mesquita em julho 7, 2009 10:15 AM


#12

Alguém aí em cima propôs cota de renda e não de raça. Acho que perde o foco da política. Revertendo seu argumento, como a maior parte dos pobres são negros a cota racial beneficia primordialmente pessoas mais pobres do que as que entrariam na universidade sem cotas.

De qualquer forma acho que uma experiência interessante de ação afirmativa é a da UFMG que dá bônus na pontuação do vestibular a negros e a estudantes que tenham cursado todo o ensino médio em escola pública (os bônus são cumulativos). É uma maneira de dar um incetivo sem comprometer qualidade. Em termos estatísticos a diferença de desempenho acadêmico entre um estudante que passa de raspão e um estudante que fica um pouco abaixo não é significativa.

Abs

Arthur em julho 7, 2009 10:18 AM


#13

Eu também sou mais do tipo universalista, vejo as cotas e tudo o mais de ações afirmativas como um remédio, que temos que tomar porque somos doentes (nós a sociedade, sendo a doença a desigualdade por motivos de raça, etnia, cor da pele ou origem), mas que assim que sararmos, quer dizer, vivermos numa sociedade de iguais oportunidades, podemos parar de tomar, devemos parar.

pedro em julho 7, 2009 11:00 AM


#14

Obrigado por me permitir conhecer esse texto, Idelber.

Embora a pergunta do Luis (#5) tenha sido dirigida ao Idelber, tenho uns pitacos a dar.

Em boa parte das universidades brasileiras onde há cotas estas se baseiam (há algum tempo, aliás) não apenas na cor da pele, mas no cruzamento de uma série de fatores, entre eles renda e ter cursado X anos em escola pública - e, em certos casos, ter estudado X anos em escola pública estadual ou municipal da própria unidade da federação onde se situa a universidade (para evitar que alunos que estudaram em uma das muitas e boas escolas federais de ensino médio do Rio, por exemplo, saiam ocupando vagas nos cursos mais concorridos Brasil afora). Isso é feito justamente para evitar que todas as vagas de cotas sejam preenchidas por pessoas de classe média e alta.

Ocorre que todas essas informações são omitidas pela mídia gorda quando esta fala de cotas (melhor seria dizer quando esta ataca as cotas). Afinal, a esta mídia não interessa o debate democrático, legítimo, inteiro, completo sobre este assunto - ou sobre qualquer outro, aliás. A Caros Amigos, por exemplo, há anos volta e meia publica algo dando um panorama da implantação das cotas no Brasil. Como eu não me informo através da mídia gorda, mas leio publicações sobre a Caros Amigos, em janeiro de 2007 tive a oportunidade de tomar conhecimento dessas questões e escrevi sobre isso:

http://rafaelfortes.wordpress.com/2007/01/16/a-quantas-andam-as-cotas/

A mídia gorda até hoje segue ignorando (ou finge ignorar) uma série de pesquisas sérias de acompanhamento das cotas, realizadas por diversas universidades do Brasil. Esta atitude também faz parte da deslegitimação, mistificação e do "debate" de uma nota só feitos pela mídia gorda: fingir que as universidades adotaram as cotas e pronto, como se todos os problemas estivessem resolvidos (uma coisa meio Organizações Tabajara, eu diria). Na verdade, ao permitirem a entrada de contingentes maiores de certos públicos, as cotas forçam a revisão (eu adoraria poder trocar esse "revisão" por "melhoria") de pontos cruciais na estrutura da universidade, como bandejão, alojamento, bibliotecas, bolsas de monitoria etc. A estrutura privatizada e sucateada de boa parte das universidades públicas é hostil à permanência de alunos pobres.

Por fim, aproveito o assunto para registrar meu lamento pela vitória obtida recentemente pelo Bolsonarinho deputado estadual (um dos filhos do deputado federal Bolsonaro pai), que conseguiu extinguir o regime de cotas na UERJ - o qual, aliás, cruza cor da pele com fatores como renda.

Rafael Fortes em julho 7, 2009 11:01 AM


#15

Obrigado por me permitir conhecer esse texto, Idelber.

Embora a pergunta do Luis (#5) tenha sido dirigida ao Idelber, tenho uns pitacos a dar.

Em boa parte das universidades brasileiras onde há cotas estas se baseiam (há algum tempo, aliás) não apenas na cor da pele, mas no cruzamento de uma série de fatores, entre eles renda e ter cursado X anos em escola pública - e, em certos casos, ter estudado X anos em escola pública estadual ou municipal da própria unidade da federação onde se situa a universidade (para evitar que alunos que estudaram em uma das muitas e boas escolas federais de ensino médio do Rio, por exemplo, saiam ocupando vagas nos cursos mais concorridos Brasil afora). Isso é feito justamente para evitar que todas as vagas de cotas sejam preenchidas por pessoas de classe média e alta.

Ocorre que todas essas informações são omitidas pela mídia gorda quando esta fala de cotas (melhor seria dizer quando esta ataca as cotas). Afinal, a esta mídia não interessa o debate democrático, legítimo, inteiro, completo sobre este assunto - ou sobre qualquer outro, aliás. A Caros Amigos, por exemplo, há anos volta e meia publica algo dando um panorama da implantação das cotas no Brasil. Como eu não me informo através da mídia gorda, mas leio publicações sobre a Caros Amigos, em janeiro de 2007 tive a oportunidade de tomar conhecimento dessas questões e escrevi sobre isso:

http://rafaelfortes.wordpress.com/2007/01/16/a-quantas-andam-as-cotas/

A mídia gorda até hoje segue ignorando (ou finge ignorar) uma série de pesquisas sérias de acompanhamento das cotas, realizadas por diversas universidades do Brasil. Esta atitude também faz parte da deslegitimação, mistificação e do "debate" de uma nota só feitos pela mídia gorda: fingir que as universidades adotaram as cotas e pronto, como se todos os problemas estivessem resolvidos (uma coisa meio Organizações Tabajara, eu diria). Na verdade, ao permitirem a entrada de contingentes maiores de certos públicos, as cotas forçam a revisão (eu adoraria poder trocar esse "revisão" por "melhoria") de pontos cruciais na estrutura da universidade, como bandejão, alojamento, bibliotecas, bolsas de monitoria etc. A estrutura privatizada e sucateada de boa parte das universidades públicas é hostil à permanência de alunos pobres.

Por fim, aproveito o assunto para registrar meu lamento pela vitória obtida recentemente pelo Bolsonarinho deputado estadual (um dos filhos do deputado federal Bolsonaro pai), que conseguiu extinguir o regime de cotas na UERJ - o qual, aliás, cruza cor da pele com fatores como renda.

Rafael Fortes em julho 7, 2009 11:01 AM


#16

Claro que não há direito de resposta!!! O teto de Demétrio era um texto dissertativo, um artigo de opinião.

Só uma reportagem teria uma certa obrigação em ouir os dois lados.

Por fim, o texto desse senhor é composto de mais de 50% de argumentos ad hominem. Sou profesor de não sei aonde, formei não sei quantos professores, blablabla...

Não significa que concordo com Demétrio.

Por fim, se o debate for conduzido por essas pessoas coisa boa não vai dar.

Tiago em julho 7, 2009 11:06 AM


#17

"Um dos maiores problemas da nossa sociedade é o racismo, que, desde o fim do século passado (leia-se retrasado), é construído com base em essencializações sócio-culturais e históricas, e não mais necessariamente com base na variante biológica ou na raça."

Parece me, então, que, ou se acredita no que o professor diz e se tenta fazer algo a respeito, ou se nega, como Demétrio Magnoli e Ali Kamel, e passa-se a atacar as cotas, estas sim, responsáveis por racializar o Brasil. De minha parte, não tenho qualquer dúvida sobre a existência de racismo no Brasil. A questão é que nossa excessiva preocupação em não ferir o sentimento alheio, fruto de nossa formação católica, acabou por se degenerar em cinismo. Assim nosso racismo, paradoxalmente, vêm acompanhado de um maciço processo de negação, que nos impede de ver o que está bem diante dos nossos olhos - ou talvez fosse melhor dizer, que nos impede de ver a ausência que está bem diante de nossos olhos. Afinal, se não vejo negros na TV, nas universidades, ocupando postos especializados em empresas, não é porque existe racismo mas, incrivelmente, porque ele não existe. Por consequência a questão 'racismo' não existe. Ponto. Disso tudo é que vêm a enorme dificuldade de implementação de qualquer ação afirmativa que fere mais pelo fato de desmascarar o que se quer ocultar a todo o custo, do que pela proposta de igualdade em si.

"Defendemos as cotas em busca da igualdade entre todos os brasileiros, brancos, índios e negros, como medidas corretivas às perdas acumuladas durante gerações e como políticas de inclusão numa sociedade onde as práticas racistas cotidianas presentes no sistema educativo e nas instituições aprofundam cada vez mais a fratura social."

E entre as medidas corretivas deveria estar também a formação das crianças, algo que aparentemente não recebe tanto enfoque. Mas creio que a discussão em torno do acesso aos cursos de graduação acabará chegando a esse ponto. Os próprios brancos que se incomodam com a perda do privilégio do estudo superior farão isso sem perceber.

Àqueles que não acreditam que exista racismo no Brasil deixo uma historinha bastante elucidativa.

"Comecemos por uma famosa passagem de um relato, o do inglês Henry Koster, que, na capitania de Pernambuco de inícios do século XIX, inquiriu a um empregado se um capitão-mor seria mulato. O empregado respondeu: “Era, porém já não é”. Surpreso, Koster indagou como seria possível e recebeu a resposta: “Pois, senhor, capitão-mor pode lá ser mulato?” (KOSTER2002, p. 598)."

Cláudia em julho 7, 2009 11:09 AM


#18

Acho incrível que, apesar de toda sua qualificação e anos de dedicação à pesquisa, o professor Munanga ainda apresente como justificativas de suas posições argumentos tão primários. Não li o texto do Demétrio, que provavelmente tinha muita besteira mesmo, mas isso não torna aceitável a argumentação do professor.

"...não é impossível identificá-lo. Senão, o policial de Guarulhos não teria assassinado o jovem dentista identificado como negro pelo cidadão branco assaltado..."

Seguindo esse raciocínio seria melhor criarmos cotas para "otários". Qualquer bandido sabe reconhecer quem é otário e quem não é. Poderíamos supor também que, já que muitos agressores de mulheres identificam suas vítimas como "vadias", deveríamos criar cotas para vadias. Sinceramente, não vejo como alguém pode levar a sério a classificação que um criminoso faz de uma vítima como indício de qualquer realidade subjacente.


"A questão que se põe é saber se além desses estudantes, cujas matrículas foram canceladas, outros alunos mestiços ingressaram em cerca de 70 universidades públicas que aderiram à política de cotas."

A questão que realmente interessa é saber por que rejeitar uma pessoa por suas características físicas em algumas situações é considerado racismo - crime - e em outros "apenas um erro humano". Gostaria de saber se o professsor acharia razoável se alguém, questionando sobre o resultado de uma entrevista de emprego, recebesse a resposta "me desculpe, pensamos que você não fosse branco, foi apenas um erro humano, foi mal". Munanga consegue instaurar o racismo dentro do racismo, e ainda arranja desculpa.

"Isso parece incomodá-lo bastante! Um negro que chegou lá, ao topo da carreira acadêmica, numa das melhores universidades do país, mas nem por isso esse negro deixou de ser solidário, pois milita intelectualmente para que outros negros, índios e brancos pobres tenham as mesmas oportunidades."

Uma tolice completa. Como se a única razão para que alguém pudesse criticar alguém que, incidentalmente, é negro, fosse o próprio fato de esse alguém ser negro. Ladainha repetida mil vezes e que no fundo só traz à tona uma outra verdade - o racismo disfarçado contra "brancos" - a idéia de que todo branco é necessariamente anti-negro, algo como um sinhozinho mimado que fica revoltado por ver escravos andando de cabeça erguida.


"A primeira compreende todos aqueles que se inscrevem na ótica essencialista, segundo a qual a humanidade é uma natureza ou uma essência e como tal possui uma identidade genérica que faz de todo ser humano um animal racional diferente dos demais animais... Trata-se de uma defesa clara do universalismo ou do humanismo abstrato, concebido como democrático."

Acho que o professor não entendeu ou finge não entender o humanismo abstrato. A "natureza" humana universal não é algo positivo (um conjunto de propriedades) e sim uma natureza negativa - por isso o termo "abstrato". Ao contrário do que ele propõe, existe alternativa a enquadrar pessoas em categorias sociais (ou raciais) pré-definidas, essencializando preconceitos sofridos (o que o professor chama de "respeito e valorização das diferenças"), e essa alternativa não é enquadrar todos em uma única categoria, mas não enquadrar ninguem em categoria nenhuma. Isso é o humanismo abstrato, colocar cada ser humano em uma categoria generica negativa - sem qualquer qualidade definida - para que o próprio indivíduo possa se definir como bem entender.

Para mim e outros defensores do humanismo abstrato, os candidatos a alunos tem todo o direito se identificarem como negros, brancos, mestiços, cristãos, mulçumanos ou marcianos. O que bem entenderem. E ninguém tem nada a ver com isso.
Mas para Munanga a opinião de um policial corrupto, torturador ou homicida deve ser levada mais em conta que a minha, quando queremos saber a identidade de alguém, do que a própria declaração da pessoa.

"Portanto, sei muito bem, e bem antes de Demétrio que o racismo não pode ter mais sustentação científica com base na noção das raças superiores e inferiores, que não existem biologicamente.... Teria algum sentido para mim, que milito contra o racismo, professar o racismo científico para lutar contra o racismo à brasileira?"

Outra tolice auto evidente. Se eu me disser contra o assassinato, isso me torna automaticamente inocente desse crime, mesmo que todas as provas apontem ao contrário? A história está repleta de pacifistas que fazem guerras... Mas precisamos dar algum crédito ao professor. Realmente ele não professa o racismo científico, mas sim que todas as consequencias logicas de um racismo científico podem ser tomadas como válidas mesmo admitindo que suas premissas são falsas, pois a raça é uma "realidade social".

"Não sou um novato que ingressou ontem na universidade brasileira"

É extenso o trecho em que o professor enumera seus anos de estudo e suas qualificações. A esse tipo de argumento só há uma resposta: existem pessoas que chegam a crenças através de anos de pensamento, enquanto outras se limitam a sustentar suas crenças apesar de tudo o que já possam ter pensado. O professor Munanga infelizmente faz parte do segundo grupo.

lucas em julho 7, 2009 11:10 AM


#19

Faltou o endereço. A historinha do Koster foi retirada de:
http://www.periodicos.ufgd.edu.br/index.php/FRONTEIRAS/article/view/138/131

Cláudia em julho 7, 2009 11:15 AM


#20

correção:

Mas para Munanga a opinião de um policial corrupto, torturador ou homicida deve ser levada mais em conta que a minha, quando queremos se quer saber a minha identidade.

lucas em julho 7, 2009 11:17 AM


#21

Sabe vergonha alheia? Foi o que senti depois de ler esse texto. Por que deve ser muito embaroçoso pro Magnoli ler essa resposta. Se eu fosse ele saía de fininho com o rabinho entre as pernas rsrsrs.
Mas falando sério, podem parecer presunçosos e desnecessários os argumentos do Munanga a respeito de sua formação e militância. Mas quando se é atacado como ele foi, acho que vale a pena sim mostrar o quanto ele é um professor respeitado numa das principais instituições de ensino do país. Pra mim isso pesa na argumentação, e muito.

Talita em julho 7, 2009 11:20 AM


#22

Deixei escapar esse:

"É neste sentido que faço parte do bloco dos intelectuais brancos e negros que defendem as políticas de ação afirmativa e de cotas para o acesso ao ensino superior e universitário. Na cabeça e no pensamento de Demétrio Magnoli, todos os que fazem parte desse bloco querem racializar o Brasil, e isso faz parte de um projeto e de um plano de ação. Que loucura!"

Loucura por que? Se uma pessoa defende a criação de leis de classificam pessoas segundo "raça" é loucura dizer que essa pessoa defende a racialização? Então me internem...

Para Munanga, parece que racismo é só o dos outros...

lucas em julho 7, 2009 11:36 AM


#23

O que esperar do PIG e suas moscas? Ainda bem que o tempo em que essa gente podia enganar sem contestação acabou.

tonico em julho 7, 2009 11:47 AM


#24

Lucas disse: “Loucura por que? Se uma pessoa defende a criação de leis de classificam pessoas segundo 'raça' é loucura dizer que essa pessoa defende a racialização? Então me internem...” Considere-se internado, Lucas. Seus argumentos são medonhos. Ao falar do policial que atirou em um negro, o prof. Munanga apenas dá um exemplo (como o ótimo exemplo da mulher negra de classe média no elevador) de como as pessoas conseguem, sim, distinguir raças. E aí vc dá um pulo e chega a essa colocação: “Poderíamos supor também que, já que muitos agressores de mulheres identificam suas vítimas como 'vadias', deveríamos criar cotas para vadias”. Oi? Não sei se vc entendeu que o sistema de cotas não foi implantado por causa do policial que atirou no negro.

Lola em julho 7, 2009 12:05 PM


#25

Fico feliz por não assinar mais Folha e Estadão. Assim, não tenho mais que ler colunas como a do Magnoli. O pensamento único da grande imprensa a gente já conhece. Tá em todos os editoriais de todos os jornais e revistas. Só que, pra reforçar, a mídia contrata colunistas que vão martelar exatamente essa mesma linha editorial. Portanto, quem lê apenas esses jornais vai ter a impressão que só existe opinião unânime no mundo. No caso das cotas, a opinião unânime da grande imprensa é que TODO mundo é contra as cotas, não existe racismo, as cotas é que são racistas. Incrível como, apesar dessa unanimidade toda, 70 universidades federais já terem implantado o sistema.
Minha opinião sobre as cotas tá aqui, se alguém quiser ler.

Lola em julho 7, 2009 12:06 PM


#26

Acho que (para minha surpresa) minha objeção ao argumento do policial assassino não ficou completamente clara.

Munanga tenta demonstrar que é possível determinar quem "é negro", já que diversas pessoas fazem essa classificação todos os dias, quando praticam atos discriminatórios.

Eu mostrei o fato de que criminosos classificam suas vítimas de diversas formas, e que isso não justifica supor que essas pessoas façam parte de qualquer categoria. Poderia ter sido mais extenso e explícito, dizendo que é igualmente fácil, com alguma análise, determinar quem seria considerada "vadia" por um agressor de mulheres. Ou seja, se quiséssemos poderiamos criar um conjunto de peritos capazes de determinar se uma determinada mulher estaria sujeita a se enquadrar naquilo que os agressores chamam de "vadia", uma vez que existe bastante recorrência na classificação por diversos criminosos. Obviamente haveriam também "erros humanos".

Assim, seguindo o raciocínio do professor, teríamos que reconhecer a existência social da divisão entre "vadias" e "não vadias". E isso poderia permitir a criação de cotas especiais para "vadias" que são tão sistematicamente oprimidas pelos homens.

Teriamos então tribunais que institucionalizariam as noções tidas pelos criminosos do que caracteriza a uma "vadia". Inspecionariamos a vida da mulher, o modo de andar. Perguntariamos: Alguém já te chamou de vadia? Você já sofreu preconceito pela sua "vadiagem"?

Obviamente isso é um absurdo.

A falácia está em acreditar que, por que muitas pessoas são capazes de classificar sem piscar alguém como X, isso significa que essa pessoa "é" X. O fato de que a pessoa é classificada dessa maneira nem mesmo demonstra que "ser X" é um atributo possível.

Ninguém "é negro". Pessoas tem diferentes tonalidades da cor da pele, diferentes formatos de nariz, olhos etc. O que o professor propõe é que é fácil classificar quem é ou deixa de ser. Isso é mentira.

Se ele tivesse dito que é fácil saber, por exemplo, quem tem mais que 90% de probabilidade de sofrer preconceito devido ao seu fenótipo, seria uma afirmação razoável. Ainda assim, isso seria uma afirmação com base no comportamento observado em criminosos (os racistas) e não na "identidade" da pessoa.

O conceito inteiro da raça como "realidade social" é uma essencialização de estatísticas de comportamento criminoso. Obviamente isso não pode ser base para concessão de qualquer direito.


lucas em julho 7, 2009 12:55 PM


#27

Antigamente o registro civil trazia quesito de cor ou cútis, cabelo. No caso de negros, no quesito cor havia pardo, pardo claro, pardo escuro, preto, negro. No quesito cabelo, identificações como carapinha, crespo, liso. Não sei se prevaleceu, mas no projeto inicial do Estatuto da Igualdade Racial, em discussão no Legislativo, o quesito cor em registros e fichas estaria preceituado. Acompanhado de identificação racial em fichas médicas, preceituado para identificar "doenças específicas de negros" com vistas a direcionar tratamentos, reservas de vagas no serviço público para negros etc. Não tiro o interesse genuíno em procurar dirimir os problemas que acometem a população negra brasileira. Contudo, independentemente da discussão entre os professores, há precedentes desabonadores. Em Ruanda, por exemplo, é sabido que a classificação racial da população do país em "hutus" e "tutsis", causou violências e genocídio. Para a classificação racial, mediam o nariz, a altura além da cor da pele. Os de nariz mais afilado, mais altos e de pele mais clara, eram registrados como "tutsi". Os de nariz mais largo, mais baixos e de pele mais escura,"hutu". Não há necessidade de dizer da impossibilidade de tal classificação ser minimamente possível. Causou divisão até entre famílias, descambando para uma violência descabida e desmedida. Massacre de mais de milhares de pessoas em pouquíssimo tempo. Também, parece desnecessário dizer da impossibilidade de tal identificação no Brasil. Exceto por características físicas e/ou comportamentais atribuídas de forma preconceituosa a negros ou não brancos, independentemente da classe social a que pertençam.

Dawran Numida em julho 7, 2009 12:58 PM


#28

"O conceito inteiro da raça como "realidade social" é uma essencialização de estatísticas de comportamento criminoso."

E o comportamento criminoso não pode ser fruto de uma determinada configuração social que o incentiva, ainda que tacitamente, Lucas?

Cláudia em julho 7, 2009 1:24 PM


#29

Cláudia,

Claro. Você está certa. Só que dizer que existe uma configuração social que incentiva o racismo não é a mesma coisa que dizer que "raça" é uma realidade.

Não sou dos que dizem que não existe racismo a ser combatido. Só acho que crime se combate através da punição dos criminosos, e ensinando medidas preventivas para a população, e não da criação de benefícios para uma pequena parcela dos que supostamente tem mais chance de ser vítima.

Na minha cabeça estranha, completamente louca, eu acho que repetir mil vezes que as pessoas são "brancas" e "negras" antes de serem cidadãs só reforça a configuração social que incentiva o racismo.

abs,
lucas

lucas em julho 7, 2009 1:46 PM


#30

Não tenho como concordar com o Munanga; se ele mesmo afirma que a definição de quem é negro no Brasil se faz pelo fenótipo, como esquecer da questão da subjetividade? Como esquecer das nuances, da mestiçagem, analisadas por diferentes olhares? Ou é incabível que um cidadão possa aos olhos de uns ser branco, e aos de outros ser negro? Por isso, o exemplo do dentista negro por ele citado é impertinente: não se trata de mestiço, este sim – seguindo os critérios fenotípicos citados por Munanga – muitas vezes inclassificável.

Mais: o conceito de negro é o mesmo na Serra Gaúcha, de predominante ascendência européia, e em Salvador, onde afrodescendentes são maioria? Não parece óbvio que existam mestiços que são considerados brancos na Bahia e negros no Rio Grande do Sul?

Em suma, a questão das cotas é, talvez, a única que quando aqui abordada pelo Idelber, me coloca em um campo oposto. Considero cotas baseadas em condição racial uma péssima solução para o Brasil. O preconceito que aqui existe é diverso do existente nos EUA. Alguém me aponte um gueto negro aqui. Nunca tivemos um Harlem – ou, em medida oposta, um bairro de negros ricos como Baldwin Hills, em Los Angeles (apelidado de ”Beverly Hills negra”). O apartheid aqui é econômico. Dinheiro. Quem tem grana, independentemente da cor, mora nos Jardins ou no Leblon. Quem não tem, mora na favela, na periferia violenta. Ricos andam com ricos; pobres, com pobres. É assim que a coisa funciona no Brasil.

Se for mesmo o caso de se estabelecer cotas, que sejam sócio-econômicas. Que se admita (eu não admito) a possibilidade de classificar racialmente a população; evidente observar que não é exclusividade de negros ou mestiços a falta de acesso a ensino de qualidade. Milhões de brancos estão na mesma situação. Alguém olha por eles?

Como bem observou o Munanga, todos os defensores das cotas raciais também defendem a melhoria do ensino básico público. Fato. Sem acusar ninguém – trata-se de observação a nível macro - é pena que não se gaste a mesma energia dispensada em favor dessas cotas em prol do ensino básico público. Desculpem minha possível ignorância, mas jamais vi algum movimento de vulto cujo objetivo seja a melhoria da qualidade do ensino de base, fator este que tornaria desnecessária essa odiosa e racista política de cotas. Ademais, essas cotas beneficiam uma porção ínfima da população – pessoas que, com ou sem recursos, conseguiram atingir a porta da universidade, ao passo que a enorme maioria dos alunos da rede pública acaba o ensino médio (i.e., se não ficou no meio do caminho) sem a menor condição de redigir uma carta – que dirá cursar uma universidade?

Muito barulho para uns poucos milhares ingressarem na universidade, enquanto nosso ensino público gera anualmente milhões de analfabetos funcionais. Que contrasenso!

Ricardo Montero em julho 7, 2009 2:26 PM


#31

Para esse povo de direita não existe raça, quando eles querem claro. A Epoca não tem vergonha nenhuma de entrevistar um cara que diz que os negros são mais burros que os brancos e os orientais, que diz que os negros americanos são mais inteligentes que os negros da Africa, porque os primeiros têm sangue branco. Eu li essa reportagem na epoca no ano passado, sem qualquer contestação da revista.

Bruno em julho 7, 2009 2:37 PM


#32

Bem, o que eu posso falar? Lá vai...

01) Por mais que alguns neguem "raça" existe com fator social, tanto que não é mera coincidência a ausência de modelos de pele mais escura nas Fashion Week's da vida. E justamente quando a ausência de pessoas de pele escura é questionada nesse tipo de evento rapidamente surgem "colunistas" afirmando que justamente aqueles que combatem tal ausência são racistas... Vai entender...

02) A "pequena parcela dos que supostamente tem mais chance de ser vítima" está bem longe de ser pequena. E tal parcela não é "supostamente" vitima... Ela é vitima de fato e há dezenas de estudos que provam isso. Alegar que eles são "supostamente" vítimas me soa no minimo como falta de visão da realidade brasileira.

03) Reforçar identidades está bem longe de ser um incentivo ao racismo. Primeiro, porque o Movimento Negro brasileiro nunca se alinhou com nenhum tipo de supremacismo negro a lá Malcom X, apesar de alguns detratores espertinhos tentarem fazê-lo; segundo, porque quando individuos em nossa sociedade realçam suas origens portuguesas, espanholas, italianas, alemãs ou nipônicas nenhum constrangimento se nota, ao contrário do que ocorre quando algum cidadão se vangloria de suas origens africanas. Afinal de contas, "orgulho negro" é racismo as avessas, não é mesmo? Por outro lado, o orgulho europeu que se encontra nas fachadas de diversos clubes sociais fundados por colônias de imigrantes e nas belas modelos loiras que estampam as capas de nossas revistas é algo mais do que aceitável. É até desejável, eu diria...

Claudio Roberto Basilio em julho 7, 2009 2:38 PM


#33

Outro aspecto que apresenta-se como problemático, diz respeito à tipificação de crime de racismo no Brasil. A cada manifestação de quem se considere vítima de racismo, surge a discussão, não raro jocosa, de que não tratou-se de racismo, mas sim de "simples" injúria. Até onde constata-se, há poucas punições. Ou indenizações motivadas ações cíveis ou criminais por crimes de racismo. Com dificuldades na tipificação, como ter punição criminal ou cível para coibir de forma eficaz a prática odiosa de racismo? Não faz muito tempo, notícias davam que, em uma cidade no interior de São Paulo, um garoto negro foi colocado nu num saco e solto no meio da arena. Assustado, o garoto ficou correndo no meio da arena, sob risos e gozações da platéia. A despeito da ressonância na imprensa na época, nada mais falou-se do assunto ou de punições. Ou pode ser que até tenha havido. Fatos recentes também no futebol. Ofensas como chamar jogadores negros de macacos são consideradas, invariavelmente, de "coisa normal do futebol". Quando denunciadas, há uma pequena grita e depois tudo volta ao normal. Sem antes os debates sobre se foi racismo ou "injúria pessoal", "no calor do jogo", sem conotação racista. Manifestações de torcidas, idem. Recentemente, em um jogo da semifinal da Libertadores, quando um jogador negro do Cruzeiro pegava na bola, a torcida adversária imitava macaco. Isto porque ele, em jogo anterior, havia acusado um adversário de tê-lo chamado de macaco.

Dawran Numida em julho 7, 2009 2:38 PM


#34

Alguém ainda leva esse Demetrio Magnoli a sério? Ele escreve tanta besteira e é tão grosso que só por isso não merece crédito algum. (Uma vez ele estava no Roda Viva entrevistando o ministro Celso Amorim e, além de só cuspir um monte de ataques e não deixar o ministro responder, falou palavrão!)

Ligia em julho 7, 2009 2:47 PM


#35

Se ter a pele mais escura (que um determinado patamar qualquer) é suficiente para provar que determinada pessoa é, foi ou será vítima de um crime, em breve ter a pele mais clara (que o mesmo ou outro patamar qualquer) será suficiente para provar que uma pessoa cometeu, comete ou cometerá esse crime. De fato, parece que muita gente já pensa dessa forma.

lucas em julho 7, 2009 2:50 PM


#36

Mui respeitosamente quero discordar do Ricardo Montero. Vamos lá:


01) "O preconceito que aqui existe é diverso do existente nos EUA".

O preconceito pode se manifestar de forma diferente, mas o resultado final é o mesmo: a marginalização dos descendentes de escravos, com um pequeno detalhe: em um determinado momento a sociedade americana se reconheceu racista e lutou para dirimir esse racismo, e o resultado dessa luta é a eleição do Barack Obama. Enquanto isso, no Brasil "não somos racistas" (como diria um certo editor-chefe da Globo) e evitamos ao máximo tomar alguma providência efetiva em relação a esse problema.


02) "Alguém me aponte um gueto negro aqui. Nunca tivemos um Harlem – ou, em medida oposta, um bairro de negros ricos como Baldwin Hills, em Los Angeles (apelidado de ”Beverly Hills negra”)."

Serve Rocinha ou Cidade de Deus(Rio de Janeiro)? Ou você prefere Jardim Angela (São Paulo)? Ou Morro do São Bento (em Santos, minha cidade)? Não é preciso andar mais do que dois minutos por qualquer um desses lugares para perceber que a maioria esmagadora da população local traz a marca da descendência negra na pele. Por outro lado, seria ótimo que tivessemos uma Baldwin Hills no Brasil, porém a quantidade de negros em boa situação financeira no Brasil é tão ridicula que não dá para criar um bairro de afro-descendentes montados na grana.


03) "O apartheid aqui é econômico. Dinheiro. Quem tem grana, independentemente da cor, mora nos Jardins ou no Leblon. Quem não tem, mora na favela, na periferia violenta. Ricos andam com ricos; pobres, com pobres. É assim que a coisa funciona no Brasil."

Poxa vida, quantos milionários negros você conhece no Brasil? Quantos politicos negros estão em nosso Congresso? E quantas histórias eu ouvi de negros e mulatos que alcançaram uma boa situação financeira e sentiram na carne o racismo brasileiro, como o dentista Flavio Santanna?

Claudio Roberto Basilio em julho 7, 2009 2:54 PM


#37

Lucas (comentário #18), vc foi absolutamente perfeito. Não conseguiria adicionar uma idéia a mais no seu texto, extremamente esclarecedor.

Rodrigo Leme em julho 7, 2009 3:06 PM


#38

"...acho que repetir mil vezes que as pessoas são "brancas" e "negras" antes de serem cidadãs só reforça a configuração social que incentiva o racismo."

Diferente de você, Lucas, penso que o que incentiva o racismo é ouvir mil vezes a mesma piada grotesca sobre negros ou ver mil vezes um negro interpretando um papel subalterno na tv, situações que aos poucos vêm se modificando em função do papel fundamental dos movimentos de auto-afirmação dos negros. O que está acontecendo é que o questionamento de uma ordem tida por muito tempo como natural vêm gerando um enorme desconforto entre aqueles que eram beneficiados por ela. A "invasão" a um campo de privilégios consagrado dos brancos provocou de imediato a reação dos que possuiam esses privilégios no sentido de protegê-los. Quem, então, construiu de fato essa dicotomia negros versus brancos? Foram realmente os propositores das ações afirmativas ou aqueles que se sentiram lesados em seus direitos que julgavam inalienáveis? De qualquer forma creio que este recrudescimento do racismo não se sustentará a longo prazo. Como disse já se vê mudanças que, no meu entender, constituem uma tendência irreversível.

Cláudia em julho 7, 2009 3:18 PM


#39

"Se ter a pele mais escura (que um determinado patamar qualquer) é suficiente para provar que determinada pessoa é, foi ou será vítima de um crime, em breve ter a pele mais clara (que o mesmo ou outro patamar qualquer) será suficiente para provar que uma pessoa cometeu, comete ou cometerá esse crime. De fato, parece que muita gente já pensa dessa forma."

Um tanto quanto torta essa lógica... Ora, leis que protegem determinados grupos não impingem nenhuma punição automática a outros grupos. Vamos transportar tal lógica para outras situações: leis que protegem mulheres dão a entender que todos os indivíduos do sexo masculino são criminosos? Proteção legal para deficientes físicos é um atestado que todos aqueles plenamente capazes do ponto de vista físico odeiam os menos capazes? A passagem de ônibus gratuita para aqueles que tem mais de sessenta e cinco anos de idade é uma punição para os cidadãos que estão na flor da idade? Será que o Estatuto da Criança e do Adolescente é algum tipo de excrecência que visa prejudicar os adultos? Ou será que apenas as leis que protegem quilombolas, indigenas e afro-descendentes causam constragimento no Brasil? Pelo visto...

Claudio Roberto Basilio em julho 7, 2009 3:25 PM


#40

O Sr.Demétrio Magnoli é o "geógrafo oficial" para assuntos variados da Globo News, volta-e-meia está lá sentado na bancada; dez da manhã, três da tarde ou onze da noite, com seu tom de "neutralidade científica" que tanto agrada certa mídia. Confesso que fiquei de alma lavada com a resposta do Prof. Kabenguele. Até que em fim começou o desvelamento do viés ideológico inconfessável deste Sr. Demétrio.

Maurício Santos em julho 7, 2009 3:27 PM


#41

"Por fim, o texto desse senhor é composto de mais de 50% de argumentos ad hominem. Sou profesor de não sei aonde, formei não sei quantos professores, blablabla..."
Então, mas outro Tiago, não sei se você leu o texto do Magnoli, mas ele começava o saudável debate imputando a pecha de charlatão ao Kabengele Munanga. Você pode discordar m tudo na linha de defesa dele, mas isso ele não é. Seu estudo, inclusive, sobre a religiosidade na cultura negra na áfrica e aqui, são referência internacional na discussão. O estudo que ele fez sobre a contribuição africana na cultura brasileira também continua a ser um dos mais citados. Caso você não conheça, confira a bibliografia do autor: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4721570H5
Além disso, ele criou e dirige um centro pioneiro de estudos da África na Universidade de São Paulo. O olhar para um continente tão importante tardou, mas chegou à maior universidade do país pelas mãos, entre outros, desse intelectual. Portanto, charlatão ele não é.

Duvido que o tal do Magnolli tenha preocupação semelhante com o ensino e a pesquisa no país.

Tiago Mesquita em julho 7, 2009 3:52 PM


#42

Cláudia,

Acho que uma coisa não se opõe à outra. Os "negros", como já disse, tem todo o direito de afirmarem ser o que quiserem, de se orgulharem do que quiserem, de tentarem ocupar mais espaços etc.
Quem não tem direito de decretar quem pode ou não se assumir como "negro" é o professor Munanga.

Quem criou a idéia de uma dicotomia entre "negros" e "brancos" foram pessoas que já morreram há alguns séculos. Quem tenta perpetuá-la são muitas pessoas, algumas das quais pertencentes ao movimento negro.

abs,
lucas

lucas em julho 7, 2009 4:01 PM


#43

Leis que protegem idosos, crianças e deficientes são completamente diferentes de leis que visam beneficiar "vítimas de racismo".

Não sei de que crime idosos, crianças e deficientes seriam pretensamente vítimas. Se eu estiver enganado me corrijam, mas sempre achei que essas leis existem por que essas pessoas necessitam realmente de algum tipo de cuidado especial, não necessário quando se trata de adultos jovens e plenamente saudáveis, idependentemente de serem ou não discriminados. Nunca me passou pela cabeça que as crianças devem ter um estatuto legal diferente dos adultos apenas para compensá-las pelo preconceito que sofrem por serem pequenas.
O mesmo acontece para os deficientes, que exigem muitas vezes condições de trabalho especificamente adaptadas a cada individuo.
Idem para idosos, que, em geral não podem ser submetidos a filas longas e outras situações estressantes.

Que eu saiba, ter a pele escura não torna ninguém menos apto a, por exemplo, prestar concursos, ou a compreender aulas. Ou será que há questões maliciosamente preparadas de forma que um "cérebro negro" não as possa responder? Já fazem algumas décadas que todos reconhecem isso como impossível.

Por isso as argumentações do movimento pelas cotas raciais são completamente diferentas das utilizadas para aprovação de leis como o estatudo da criança e do adolescente. E por terem justificativas diferentes, são tratados de forma diferente.

O único caso que guarda alguma semelhança é o das leis de proteção às mulheres. E, efetivamente nesse caso, algumas das leis instituidas tem o caráter compensatório, embora outras estejam na verdade relacionadas às diferenças biológicas entre mulheres e homens (doenças específicas e proteção à gestante), ou para proteger mulheres que foram efetivamente vítimas de algum crime.

No caso de leis que busquem "compensar" as mulheres pelos preconceitos supostamente sofridos, em vez de punir os preconceituosos, sou totalmente contrário.

Eu seria tão contrário a uma cota de gênero na universidade quanto sou a uma cota racial.

Acontece sim, muitas vezes, no combate ao machismo, o mesmo erro que vejo no combate ao racismo. Parte-se do pre-suposto de que todo homem é irremediavelmente machista, o que é não só um preconceito quanto aos homens, mas também uma total falta de respeito às lutas das mulheres. É como mandar a mulher parar de lutar pelo fim do machismo - que não teria jeito mesmo - e se contentar com uma "compensação" qualquer.

Não conheço nenhuma iniciativa para, por exemplo, criar grupos de apoio a vítimas de racismo ou campanhas publicitárias públicas contra o racismo, orientações ao cidadão sobre que atitudes tomar quando se sentir discriminado, campanhas contra o racismo nas polícias, investigações para punir grupos de extermínio racial etc.
Não sei se existem, mas essas receberiam meu total apoio.

Agora, o Estado "compensar" pessoas baseado em sua cor de pele, gênero ou religião, isso não dá.

lucas em julho 7, 2009 4:41 PM


#44

O Luís disse no comentário #5:

"Reforça essa idéia o fato que me parece bem mais justo que um branco pobre tenha acesso facilitado à universidade no lugar de um negro rico."

Sou branco, tenho 42 anos, moro em Curitiba e já morei em Porto Alegre, e, sinceramente, nunca conheci, pessoalmente, um negro rico. Estudei em colégio particular e não tive um colega negro. Fiz faculdade particular e não tive nenhum colega negro. Fiz mestrado em universidade pública, onde faço agora doutorado, e nemhum colega negro ou negra ao meu lado. Meus filhos, sim, estudam em escolas públicas e tiveram e têm colegas negros. Já dei aulas em escolas particulares e não tive um aluno negro. Já dei aula numa ONG (para adolescentes pobres) e tive, aí sim, alunos negros e mestiços. Esses dias fui almoçar num restaurante em Curitiba, no bairro da Santa Felicidade. Não era uma restaurante caro, chique, mas um estabelecimenro típico para a classe médica. Centenas e centenas de pessoas. Nenhum negro. Nem entre os garçons. O único negro era o guardador de carros. Há ou não há racismos em nosso pais? Sou totalmente a favor das políticas afirmativas!

Otto em julho 7, 2009 4:43 PM


#45

lucas,
siga o ótimo conselho da Lola: interne-se!

aiaiai em julho 7, 2009 4:46 PM


#46

Idelber, mais uma vez um assunto espinhoso. Que maravilha! Não concordo pessoalmente com algumas colocações do professor Mungana (refiro-me, especigicamente, a aceitação da diferença, porque acredito que é discurso de muitos e prática de poucos). Entretanto, defendo-o até o último segundo. Explico-me: poucas pessoas pensam as cotas no Brasil, apesar de muito se falar sobre elas o que mais se dissemina é o senso comum desvairado sobre sua aplicabilidade. É uma aula este texto, o professor Mungana faz uma radiografia do Brasil apresentando, mais do que alternativas, os problemas que tem que ser colocados em discussão. É uma vergonha que ainda se discuta cotas no Brasil, por isso não sou a favor de quem faz reparos a este tipo de texto. Acho que para podermos discutir temos que partir dele, se todos entendemos o que ele coloca, ok, podemos prosseguir na discussão, caso contrário, só se reproduz o que Demétrio fez (de maneira grosseira), no texto do Estadão. Quero dizer, não adianta ficar dizendo que Mungana faz uma diferenciação entre brancos e negros, blablabla. Na universidade que faço minha pós-graduação (UFSC) são pouquíssimos os alunos negros. Em uma discussão com um amigo, que é negro, e que quando entrou na faculdade de Direito foi perguntado se era o novo faxineiro, ele me explicou, e concordo plenamente, que as pessoas não estão acostumadas com a circulação de negros em determinados espaços, por exemplo, a universidade. Então, a politica de cotas no Brasil, que se aplica muitas vezes pelo fenotipo, é absurdamente(nos dois sentidos) necessária para que esse reconhecimento (esse racismo), que o professor Mungana aponta no texto, seja abolido. Pelo menos isso. Abraços.

Flávia Cera em julho 7, 2009 4:47 PM


#47

aiaiai,

tentei me internar, mas no manicômico só havia vagas disponíveis pelo sistema de cotas ;)

lucas em julho 7, 2009 4:50 PM


#48

Existe uma confusão conceitual muito comum quando se fala em racismo. Para muitos, trata-se apenas de uma forma de discriminação privada. Uma opinião preconceituosa e um prejulgamento. No entanto, não é só isso. O racismo contra os povos colonizados, correlato do eurocentrismo, não é um etnocentrismo qualquer.
Segundo o historiador Muryatan Barbosa, o eurocentrismo é "ideologia e paradigma, cujo cerne é uma estrutura mental de caráter provinciano, fundada na crença da superioridade do modo de vida e do desenvolvimento europeu-ocidental." é a mesma que nega existência de relações de poder, exploração e diminuição da maior parte da população brasileira baseado sim na pigmentação da pele.
( http://revistasankofa.googlepages.com/Eurocentrismo.pdf)
Outro intelectual negro, o professor Wilson do Nascimento Barbosa, afirma com base em dados de emprego e renda do Dieese que : "a sociedade brasileira é montada, foi e existe por causa da superexploração do negro. O negro é sempre a mão-de-obra primeira a ser alijada no mercado de trabalho, a última a ser procurada e a pior remunerada. Consequentemente, nós podemos dizer que a estrutura do capitalismo no Brasil está
montada em cima da exploração do negro. Portanto, ela não é uma estrutura social. Ela é uma estrutura social de base étnica. Por causa de ela ser
assim é que o negro tem a posição social que tem. A Igreja Católica já assumiu a falsidade dessa posição, nos anos (19)80. Lembro-me que houve um seminário no Rio de Janeiro,em 1988, durou uma semana inteira num convento. Estavam presentes representantes de comunidades indígenas da América Central, do Caribe e da América do Sul. Toda sessão que os padres ali começavam, eles pediam desculpas àquelas comunidades indígenas, por elas terem sido tratadas pela Igreja como camponeses e não como um povo determinado.
Isso há vinte anos. Porque se nós olharmos para o camponês peruano, ele é camponês porque é indígena. O camponês boliviano é camponês porque é indígena. Não é camponês e por acaso indígena. Se você for branco na Bolívia você não é camponês; é fazendeiro, funcionário público, ministro, outra coisa. Então, esses lugares não são lugares gerados por uma relação de competição num mercado em formação. São lugares institucionalmente designados por quem detém o poder. Quem detém o poder diz o que o outro pode ser ou vai fazer no Brasil. Por que no Brasil os negros são os trabalhadores? Porque eles foram
trazidos da África para serem trabalhadores. Os indígenas foram apanhados nas aldeias para serem trabalhadores. Aquele que não queria ser trabalhador era eliminado fisicamente.Na verdade, não faria muito sentido tratar da mesma forma fenômenos que mal acontecem e fenômenos persistentes, que se alteram muito pouco ao longo do tempo. Fenômenos cujos efeitos se desdobram, acarretando similaridades, certamente expressam uma longa duração no tempo, ou seja, caracterizam uma estrutura. Nesse caso, tanto a prática do
racismo quanto a inoperância, a antecedência e até a organização do racismo por parte do Estado indicam uma situação mais profunda, que não deve ser compreendida ou tratada de modo superficial. As estruturas são capazes de se expressar como forças persistentes também no quadro da mentalidade, particularmente como uma forma ativa de ideologia social.
É claro que tinha o escravo a oportunidade de fugir. Mas, todos nós já vimos uma gravura de um capitão-do-mato. Quando se olha para aquela gravura, se tiver uma dúvida,coloca uma lente em cima, você o verá se aproximando, verá que não é brincadeira. Um indivíduo armado com um pedaço de pau, com um facão, perseguido por um homem a
cavalo e doze cães. Cães que comiam carne humana, que é um pequeno detalhe que não ensinam no ginásio, nem no colégio, às vezes, nem na universidade. É preciso trocar o professor para poder ouvir essa frase. Cães se alimentavam de carne humana,costumeiramente no Brasil, carne de negros. E pela América Latina toda, carne de
indígenas. O colonizador tinha o direito de fatiar e distribuir as pessoas para os cães. Então,era um problema sério. Você já passou na porta de uma casa e viu a “rapaziada” lá nervosa.
Pense que depois, à medida que foi se tornando um Estado mais complexo, a “rapaziada”
foi crescendo, botando uniforme, um crachá de identificação, recebendo dozes do Canadá.
Foi se aperfeiçoando e chegou-se ao Estado que temos hoje, que é um Estado de
genocídio. Trata-se de eliminação física dos que se opõem ao sistema. Caso se opuser ao
sistema, corre-se o risco de ser eliminado fisicamente. Se não, há um lugar para você, é-se
encaixado que nem um dominó. Então, a estrutura do Estado brasileiro, como toda
estrutura é dialética. Ela tem uma dupla face. É democrática para o não-negro e não é
democrática para o negro. Aquilo que o Estado alemão era acusado de ser para o
trabalhador alemão – o Estado de dupla-face – no Brasil funciona não para o trabalhador,
mas para o negro, primeiro para o negro, depois para o trabalhador. Talvez seja um dos
componentes do porque de o trabalhador ter uma consciência de classe tão ruim. Se for
trabalhar em uma empresa e não for negro, o salário não vai ser igual ao dos negros. Está
dito aqui pelo DIEESE.

O RESTO AQUI:
http://revistasankofa.googlepages.com/ADiscriminaodoNegrocomoFatoEstrutura.pdf

Tiago Mesquita em julho 7, 2009 4:57 PM


#49

"Quem não tem direito de decretar quem pode ou não se assumir como "negro" é o professor Munanga."
Não sei se o professor Munanga se dá esse direito, Lucas, mas suponho que o direito dele, se porventura existe, nada mais é do que uma resposta ao direito que se deram e continuam se dando o policial assassino, o contador de piadas, o escritor de novelas, enfim, todos os atores de uma configuração social que, como você mesmo admite, incentiva o racismo. Por que ele não?

Cláudia em julho 7, 2009 4:57 PM


#50

Sobre o que foi dito acima, que o Prof. Kabenguele Munanga usa argumentos ad hominem, eu gostaria de registrar o seguinte ponto de vista: se alguém critica minhas opiniões sobre, sei lá, o Campeonato Brasileiro de futebol, e eu respondo dizendo que tenho doutorado nisso e naquilo, trata-se, claramente, de um argumento ad hominem.

Mas se alguém me chama de charlatão porque discorda de uma opinião minha, acho que é pertinente eu responder dizendo quem sou, de onde venho e o que tenho no currículo. É uma simples questão de responder o que foi colocado. Abraços.

Idelber em julho 7, 2009 5:01 PM


#51

Oi, Cláudio! Por partes:

1-A Continuo afirmando que Brasil e EUA são muito diversos no que tange ao preconceito. No Brasil a discriminação sempre ter sido mais sutil e, sob alguns aspectos, muito menos violenta. Nem é preciso voltar muito no tempo: ainda nos anos 60, havia lugares reservados para brancos nos ônibus estadunidenses. Mais: hoje, a Ku Klux Klan ainda é ativa. Hoje, lá no norte, um novo grupo é alvo de preconceito: os latinos, em grande proporção ilegais e úteis como mão-de-obra barata para trabalhos braçais.
1-B Um presidente negro no país mais poderoso do mundo não deixa de ser um marco notável, uma mostra de que oportunidades existem. Convém observar, porém, que Obama não era um ativista pela igualdade de direitos, mas sim um político democrata, concorrendo em um sistema bipartidarista, onde os republicanos vinham de um péssimo e desgastado governo. Gosto muito do Barack, mas ele não é Luther King.
2) Olha, não posso falar pela Cidade de Deus. Pela Rocinha, passei mui rapidamente. Mas como conterrâneo seu, posso falar do São Bento, do Bufo, do Fontana, dos conjuntos habitacionais da Zona Noroeste, dos cortiços da Vila Nova e do Paquetá ou mesmo das palafitas do Rádio Clube. Do começo: “esmagadora maioria da população local traz a marca da descendência negra na pele.” Acha mesmo? Eu diria o seguinte: nesses lugares, a proporção de negros e mestiços é muito mais alta que na orla – Ponta da Praia ou Embaré, por exemplo. Porém, a quantidade de brancos nesses bairros pobres é significativa (mesmo sem estatísticas, me arrisco a dizer que fica pau a pau – isso se não houver mais brancos que negros). Isto não está em desacordo com o que eu disse: quando eu falo que não existem guetos, digo que nossos bairros são bairros pobres, e não bairros étnicos. Diferente do Harlem, onde um branco causava espanto; ou de Baldwinn Hills, onde em minhas andanças não encontrei branco nenhum (era eu quem era objeto de olhares curiosos dos negros que passavam de carro). Observe: a elite econômica negra do Brasil, ainda que ínfima, mora nos mesmos lugares que os brancos; os pobres moram em bairros em que todos se misturam, independentemente da cor da pele. Repito a pergunta: qual o bairro étnico brasileiro?
3) Não que eu queira no Brasil uma Baldwinn Hills (bairros étnicos de ricos ou de pobres me causam arrepios), mas existe uma elite econômica negra, por certo suficiente para bairros do gênero – ao menos aqui na capital de São Paulo. Trata-se de elite muito menor que a norte-americana, mas existe. Profissionais liberais, esportistas, artistas.
Para mim, as questões que ficam disso tudo: em que medida cotas raciais são justas e desejáveis, em especial se comparadas a cotas sócio-econômicas? No que esse tipo de cota vai ajudar a combater o racismo? Poderão essas cotas raciais motivar atitudes racistas, ou mesmo desvalorizar os diplomas dos negros universitários? Em que medida essas cotas mascaram o problema do ensino de base, que despeja milhões de semi-alfabetizados ano após ano?

Ricardo Montero em julho 7, 2009 5:06 PM


#52

Cláudia,

Que eu saiba o policial assassino não tem o direito de agir daquela forma.

Quanto ao escritor de novela, ele tem o direito de retratar o negro como quiser. Ficção não tem que espelhar a realidade, e muito menos aquilo que a realidade deveria ser.

Não que não seja de mal gosto. Aliás, tem coisa bem pior que simplesmente retratar o "negro" como subalterno. Tenho o pudor de não usar a expressão adequada sobre como alguns autores representam "negros", mulheres, idosos, homossexuais etc. Mas é um direito deles - a velha e boa liberdade de expressão. Se achamos um absurdo, deveríamos reestruturar as concessões de TV para permitir uma maior diversidade de escolhas de programação - e com isso não estou querendo dizer cotas nem censura.

Com relação ao Munanga, não vejo como uma coisa possa ser resposta à outra. A velha história de que dois erros não fazem um acerto.

Enfim, acho que o movimento negro aponta muitos problemas reais. Mas a partir do momento em que se aceita "raça" como uma "realidade social" deixa-se de lutar pela mudança direta da situação e passa-se buscar uma "compensação", que num futuro imaginário trará alguma igualdade, enquanto insere novas divisões.

abs,
lucas

lucas em julho 7, 2009 5:13 PM


#53

Caro Luis (#5), já expressei minha opinião sobre as cotas em várias oportunidades. O Biscoito tem uma longa história de defesa delas. Veja aqui e aqui.

Acho que é, inclusive, em larga medida, um debate superado. As cotas estão aí e todos os argumentos usados para atacá-las se provaram falsos. Disseram que os alunos cotistas iriam rebaixar o nível do ensino. O que se vê é eles têm notas maiores. Disseram que eles não iriam ter base para aguentar o ensino superior. O que se vê é que a evasão entre cotistas é menor. Disseram que ia acirrar a tensão racial. O que se vê é o testemunho de incontáveis brancos e brancomestiços (como no excelente comentário #44, do Otto) que as cotas abriram -- inclusive para os brancos -- possibilidades que eles antes não tinham.

Sugiro o artigo de Elio Gaspari, insuspeito de ser "esquerdista" ou qualquer coisa do tipo: As cotas desmentiram as urucubacas.

Idelber em julho 7, 2009 5:16 PM


#54

@41 Tiago Mesquita

Não conheço nem o texto do Magnoli nem a trajetória do Munanga e nem acho que deveria necessariamente conhecer para opinar sobre o texto.

Atrelar a trajetória pessoal à uma opinião equivaleria a estabelecer uma pré-condição (preconceito?) de validade dos argumentos. Tipo: "olha, eu desenvolvo trabalho contra o racismo, logo, tudo que eu disser é necessariamente bom".

E deixo minha soidariedade aos ataques que o Lucas vem sofrendo.

Tiago em julho 7, 2009 5:21 PM


#55

Para encerrar, Lucas, que essa discussão já está se tornando ociosa. É óbvio que o policial não tem o direito e é exatamente no rastro dessa ilegalidade que surge o direito de Munanga. Mas eu achava que esse ponto já estava suficientemente claro e o fato de não estar prova que estamos virando em círculos.
De qualquer forma valeu pelo seu interessante conceito sobre liberdade de expressão que espero não se restrinja somente a autores de novela e piadistas. Como humanista que é tenho certeza de que admitará ao professor Munanga igual direito à liberdade de expressão.
Abs.

Cláudia em julho 7, 2009 5:47 PM


#56

Claramente, o argumento (#16) de que o direito de resposta não se aplica porque não se trata de reportagem revela desconhecimento da Constituição Federal. Esta afirma, no artigo 5º, inc. V: “é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além de indenização por dano material, moral ou à imagem”.

Se chamar alguém com a trajetória do Prof. Munanga de charlatão não é um agravo, bem, eu não sei o que seria. Para piorar a coisa, o autor do comentário confessa nem ter lido o ataque de Magnoli nem conhecer o Prof. Munanga. QED.

Idelber em julho 7, 2009 5:48 PM


#57

Não leio jornais impressos há muitos anos. Com isso, não conhecia este Demétrio Magnoli. O ideário (ou bestiário) deste indivíduo é chocante. O link abaixo explica o porquê de este sujeito ser um dos gurus da direita brasileira:

http://veja.abril.com.br/051108/entrevista.shtml

Johnny em julho 7, 2009 5:48 PM


#58

lucas (47),
O que aconteceu? acabou a cota para loucos idiotas? Tenta como louco burro!
Tiago (54),
junte-se ao lucas.

Agora, sem brincadeira,

ataquei o lucas e agora ataco o tiago porque ambos atacam o texto sem argumentos lógicos.
Vejo esse artigo como um excelente ponto de partida para o debate de como fazer as cotas funcionarem, de forma cada vez mais efetiva, contra o racismo e a desigualdade de oportunidades.
E mais, de como identificar no meio do debate aqueles que querem apenas manter o status quo. Não estão de forma alguma identificados com igualdade, liberdade e fraternidade. Nasceram e viveram como privilegiados e querem manter esse privilégio. Não querem debater. Daí atacam agressivamente uma pessoa como o professor Munanga, sem argumentos válidos, e ficam com raivinha quando percebem que foram desnudados.
Lucas e Tiago, já que vcs não vão se internar mesmo (kkkkk), tentem ler a matéria publicada no estadão e o artigo com olhos de quem quer achar uma boa solução para todos. tenho certeza que vcs conseguem!
Principalmente você, Tiago, que acaba de confessar que não leu a matéria. É nojenta, mas tente ler.

aiaiai em julho 7, 2009 5:48 PM


#59

Por favor, no meu comentário #44 leia-se "garçons" no lugar de "garções".
Escrevi o comentário com raiva, porque me cansa esta conversa para tentar amenizar ou relativizar a existência de racismo no Brasil.
Imaginemos a seguinte situação: um empregador (geralmente branco) procurando uma secretária, uma recepcionista ou um vendedor, diante de um candidato negro e um branco. Quem ele vai escolher? Ele pode até pensar: olha, eu não sou racista, mas o que é que os meus clientes vão pensar quando entrarem aqui e virem essa "negrona"? O mesmo cliente, aliás, não estranharia de ver que a moça do café ou a faxineira é negra -- mas a secretária da diretoria? Assim, os negros, têm menos chances de bons empregos, ganham menos, vão consequentemente morar em lugares mais perigosos e distantes, seus filhos vão estudar em escolas piores, e assim com menos chances de ascensão social...
Há cerca de 150 anos meus ancestrais chegavam da Europa. Sofreram como o diabo pra progredirem nesta nova terra. Mas nunca foram amarrados a um tronco ou caçados por cães. Ao contário deles, os ancestrais dos negros de hoje, arrancados a força de sua terra, eram flagelados, proibidos de adquirirem terras etc. Sabem de uma coisa? O sistema atual de cotas é muito, muito pouco ainda para compensar essas injustiças...

otto em julho 7, 2009 5:50 PM


#60

Idelber,

Já tinha lido o texto do Professor Munanga e, como eu te adiantei via twitter, creio que o Demétrio Magnoli perdeu uma ótima oportunidade para ficar calado. É muito complicado comentar algo em cima dessa resposta e, venhamos e convenhamos, intelectualmente falando, Magnoli não bate nem na cintura de Munanga - é como imaginar Fabinho Capixaba tentando marcar Canhoteiro.

A única coisa que Magnoli leva vantagem em relação a Munanga é espaço na mídia corporativa, o que é bastante revelador - e isso se deve, certamente, aos ex-LIBELU assim como Magnoli (a LIBELU chic), hoje devidamente cooptados, que sobrevivem na Folha e gozam de influência ali dentro.

Sobre a questão das cotas étnicas, eu tenho uma posição formada e favorável a elas há muito tempo. Há, no entanto, quem pense o contrário e tenha motivos mais nobres para tanto do que Ali "não somos racistas" Kamel ou seu papagaio Magnoli, ainda assim, nunca conseguiram me convencer do contrário.

É uma questão de equidade e de proporcionalidade, ser igual para os iguais e desigual para os desiguais como forma de corrigir uma assimetria de origem. É uma ideia iniciada por Aristóteles e, curiosamente, ignorada pelo pensamento liberal clássico e seu igualitarismo gerador de falsas simetrias. A própria sobrevivência do Capitalismo dependeu da superação dessa concepção e se deu com o desenvolvimento do Direito Público já no século 19º - a ideia da norma de Direito Público como forma de equiparar relações jurídicas irremediavelmente viciadas por assimetria de origem entre seus sujeitos. Esse é o princípio fundante tanto da política de cotas quanto do próprio Direito do Trabalho, por exemplo.

Transpor um debate político e social como esse para a esfera da racialidade como Demétrio - e não Munanga - faz é um sofisma cruel. É jogar para cima de quem é vítima do racismo e busca enfrenta-lo a pecha de ser o racista da história quando, na verdade, o está denunciando. Não é política de cotas que vai gerar mais ou menos racismo no Brasil, ele já existe de forma velada e, portanto, tremendamente cômoda; as cotas, ao meu pensar, são um remédio doloroso que serve como parte necessária de um tratamento muito maior de feridas ainda bem abertas - e infeccionadas - que não queremos enxergar.

Hugo Albuquerque em julho 7, 2009 5:50 PM


#61

Ótimo. Já tinha acessado essa resposta no AfroPress, seguindo link numa caixa de comentários aqui do Biscoito. Na veia! Vou tuitar.

Daniel em julho 7, 2009 5:54 PM


#62

Otto, corrigi o "garçons", não se preocupe.

Hugo, você desta vez se superou: Fabinho Capixaba tentando marcar Canhoteiro é das melhores analogias futebolísticas que já li...

Idelber em julho 7, 2009 5:57 PM


#63

@ #58 aiaiaiaiaiai

Atenção, bem simples agora hein:

Magnoli tá certo? Provavelmente não. Digo provavelmente porque não li o artigo. Mas acho mais fácil ele estar errado do que certo. Depois leio e opino.

Munanga está certo? Até pode estar, mas não porque formou 1230789345 professores que dão aulas em 5873813 faculdades.

ok?

Tiago em julho 7, 2009 6:02 PM


#64

Tiago não entendeu nada hein????
.
O Idelber acaba de explicar de forma sintética que apenas ele(o Prof. Kabengele) mencionou isso em face de uma declaração que constava naquele panfleto publicado n'Estadão onde era mencionado que Kabengele era charlatão.
.
Mas como vc não leu o texto né?

Chico Mendes em julho 7, 2009 6:09 PM


#65

"Não conheço nem o texto do Magnoli nem a trajetória do Munanga e nem acho que deveria necessariamente conhecer para opinar sobre o texto."

O conhecimento do texto do Magnolli é necessário, afinal o ataque que ele faz ao Kabengele Munanga é pessoal, portanto, não parece existir resposta possível que não a sua defesa como cidadão.

Tiago Mesquita em julho 7, 2009 6:10 PM


#66

@ #60 Hugo

Bacana a questão das falsas simetrias. Contudo, será que não seria melhor buscar a igualdade nos pontos de partida ao invés de instituir políticas compensatórias.

A meu ver, tais políticas somente seriam válidas como parte de um procedimento mais amplo. Daí a preocupação com a melhoria do ensino público.

Tiago em julho 7, 2009 6:10 PM


#67

Bedelhando sem ler os comentários:desculpem.
Só lembrar o tipo de consciencia que se cria no trabalho intelectual sério. O professor Kabengele escreve de forma clara, lúcida, com poucas ironias, sem se expor muito, sem querer brigar, mas firme nas idéias que defende. Eu não estou discutindo o conteúdo do discurso. Quero lembrar a consciência que se formou no exercício do discurso. É DIFERENTE DE NÓS QUE LEMOS POST DE 20 LINHAS E O REESCREVEMOS EM 10. Entendem? QUE TIPO DE CONSCIENCIA OS BLOGUEIROS ESTÃO CRIANDO? Para escrever como o professor, mesmo depois de uma vida inteira na Universidade, vale a pena entrar na academia: não para ser rancoroso com o salário baixo, mas para ter uma visão de mundo clara e sólida.

velho em julho 7, 2009 6:18 PM


#68

@ #64 e 65

Defesa de ataque pessoal se faz na justiça, pleiteando reparação por danos morais e publicação de desagravo em página de jornal.

Argumentar por associação (defendendo cotas reputação profissional) é estratagema.

Tiago em julho 7, 2009 6:19 PM


#69

Eu sou a favor das cotas raciais e as sociais por que acho impossível esquecer os 388 anos de escravidão contra os negros no país. Trazer tantos negros, em uma condição degradante e inferiorizada, quando aqui era controlado por uma elite sem terras portuguesa, que veio para cá em busca de riqueza fácil e não conseguiu, permanecendo aqui sempre em condição de inferiorizada em relação à da metrópole, fez com que a elite daqui apesar de ser "inferior" a de além mar, firma-se na posição de serem "superiores" aos escravos, fazendo com que até após a abolição, tratássemos os negros como escravos, coisa que ainda fazemos até hoje, somos racistas sim, a classe média é tão patética que só pq possui um carro comprado a prestação, e quando muito consegue contratar uma emprega (com baixa escolariedade e negra), fica pisando em cima dessa empregada, e também da classe baixa, só pq acha que possui um status maior.
Se alguém acha essa discrepancia, que herdamos da nossa colonização algo menor e que não existe nos nosso dias, por favor vá ao oculista que você está precisando utilizar um óculos, ou volta para a escola, por que faltou escolariedade para você.
Racismo existe no Brasil, o ser humano tende a ser racista por natureza, e aproveitar-se de toda e qualquer oportunidade de se mostrar superior a outro. Ojeriza a pobre também existe nesse país, e se não utilizarmos dessas cotas em um primeiro momento, nunca nossa discrepancia social será curada, até pq a elite está tão desesperada para retomar o poder, e evitar que os pobres e negros, dos quais ela não suporta, frequentem os mesmos espaços que eles, que cada vez mais fecham-se em seus condomínios fechados voltando a um feudalismo rídiculo.
O Doutor Kabengule Munanga foi exemplar em sua defesa, quem sempre esteve errado, e pelo andar da carruagem sempre estará é o Doutor Magnoli (que na sincera opinião, depois de tudo que eles escreve nesses pseudo jornais deveria perder o título de doutor isso sim).

João Vicente em julho 7, 2009 6:19 PM


#70

Cláudia,

Para encerrar de vez. Concordo com você, a discussão não está andando.

Sobre a liberdade de expressão do professor Munanga, é claro que ele pode dizer o que quiser, contra ou a favor de qualquer coisa. Ou melhor, no caso dele, como integrante da academia, eu acho que ele tem até obrigação de dizer o que pensa, pouco importa se algum colunista gosta ou não.

abs,
Lucas

lucas em julho 7, 2009 6:21 PM


#71

Leitura básica. São 2 livros pequenos.
.
1º O de Eneida de Almeida dos Reis(Mulato, Negro Não Negro, Branco Não Branco)em que o prof. Kabengele prefacia. São 103 folhas. Como está esgostado, pode ser encontrado com preços variando de R$ 10,00 a R$ 30,00 na estante virtual:
http://www.estantevirtual.com.br/mod_perl/busca.cgi?pchave=Eneida+de+Almeida+&tipo=simples&estante=%28todas+estantes%29&alvo=autor&vendedor=0

.
2º Do professor mesmo, sua tese de livre docência:
(Rediscutindo A Mestiçagem No Brasil
Identidade Nacional Versus Identidade Negra) 152 páginas.
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=775106&sid=0148129501158552661584511&k5=2EDAF75&uid=

Chico Mendes em julho 7, 2009 6:29 PM


#72

Bem Tiago, você não leu o texto e já tem uma opinião formada, então o papo acabou né. boa sorte

Tiago Mesquita em julho 7, 2009 6:37 PM


#73

“Quando essas pessoas fenotipicamente brancas e geneticamente mestiças se consideram ou são consideradas brancas no decorrer de suas vidas e assumem, repentinamente, a identidade afrodescendente para se beneficiar da política das cotas raciais, as suspeitas de fraude podem surgir. Creio que foi o que aconteceu com os alunos cujas matrículas foram canceladas na UFSM e na UFSCAR”

Penso que esta afirmação traz o cerne do debate. Quem, diabos, vai “definir” se uma pessoa assumiu “repentinamente, a identidade afrodescendente para se beneficiar da política das cotas raciais”? Qual será o tribunal responsável por esta decisão? Um mestiço fenotipicamente negro tem que ser classificado como negro? E se ele quiser se definir como branco? E se quiser o contrário?

Trata-se de um debate sem fim, sem vencedores. Portanto, sou contra qualquer tipo de favorecimento racial baseado em “acertos com o passado”. De fato, eles abrem precedentes. Que tal se os obesos (uma fatia da população discriminada e ridicularizada desde a infância em nossa sociedade das formas perfeitas) requeressem cotas nas universidades? Ou os homossexuais? Não serão eles – os homossexuais – tão ou mais discriminados que os negros?

Ocorre que, ao separar as pessoas por raças, opção sexual ou religião, apostamos na diferença, no que ela tem de daninho. A inserção social se dá a partir da afirmação da igualdade. Somos seres humanos antes de sermos negros, brancos ou amarelos. Somos seres humanos antes de sermos hetero, homo ou pansexuais. Somos seers humanos antes de sermos ateus, católicos ou muçulmanos. Somos apenas seres humanos.

Victor Barone em julho 7, 2009 6:44 PM


#74

Victor Barone,
.
E quem disse que o problema ficou no passado?
.
O problema é tão presente.
O problema apenas nasceu no passado.
E se nada for feito agora, transbordará no futuro de forma mais intensa.
.
É preciso deixar claro que a política universalista deu partida um dia depois de 13 de maio de 1888, o problema é que, nas palavras do professor Hélio Santos, o dia 14 de maio de 1888 tornou-se o mais longo da história.
.
O que queremos hoje é a junção das duas políticas: Universalista e focalizada. Universalista porque abarca a todos e focalizada porque inclui uma parcela que nunca teve oportunidades num país racista como o nosso.

Chico Mendes em julho 7, 2009 7:03 PM


#75

As cotas raciais representam uma das grandes pilantragens da esquerda. Solapam a meritocracia com o discurso fajuto de estarem democratizando o acesso ao ensino superior dos negros, pardos, indígenas e afins -- até filhos de policiais militares e bombeiros estão nessa também. Isso apenas cria um grupo de pessoas que têm tratamento especial perante a lei e isso é algo extremamente errado, pois abala uma das estruturas mais básicas da democracia: A isonomia perante a lei.

Sem dizer que, com as cotas, a esquerda e os políticos mais oportunistas da oposição dão várias cartadas ao mesmo tempo: Escondem um seríssimo problema brasileiro, o péssimo ensino das escolas públicas, e o convertem em uma política democraticamente mascarada, mas que, no final, serve apenas para angariar mais votos, além de atacar, com uma tacada apenas, as "elites", tirando delas, em tese, algo que sempre pertenceu ao povo sofrido e explorado. Ah, claro, e ainda estigmatizam aqueles que são contra as cotas, rotulando-os de "filhinho de papai", "playboy/playba", "patricinha", "mauricinho", "burro" (já vi cotistas chamarem de "burros" os não-cotistas que não obtiveram pontuação mínima para passar no vestibular sem cotas, ainda que esses não-cotistas reprovados tenham tirado uma nota maior do que as notas de boa parte dos cotistas aprovados) e etc.

Uma pessoa que pôde estudar em boas escolas particulares nada tem a ver com a pessoa que, por uma fatalidade do destino e da vida, não teve acesso ao mesmo ensino. Isto não pode servir de motivo para avacalhar com a Constituição e a meritocracia.

Um excerto desse discurso fajuto dos pró-cotas (cortesia do reitor da UERJ):

"— Os cursos de medicina, direito, odontologia e jornalismo, por exemplo, ficaram mais negros. Sem as cotas, a maioria dos alunos era branca e de alto poder aquisitivo[...]".

Percebo um tanto de ódio nessas palavras. Parece que, de acordo com o que vai acima, o importante não é o vestibulando ter um bom desempenho no vestibular, mas, bem mais importante do que isso, poder tornar mais negro cursos onde a concorrência é elevada. A cor da pele vale mais do que o mérito.

Muitos esquerdistas possuem um ódio, uma fúria mortal contra pessoas brancas, de classe média e que podem preparar bem os filhos para encarar os vestibulares das federais. As cotas raciais representam apenas um fiapo infinitesimal desse ódio.

No fundo, no fundo esses celerados dessa ideologia possuem uma vontade adormecida de submeter as pessoas brancas à opressão e à escravidão, pois, agindo assim, finalmente estariam recebendo a tão sonhada e anacrônica "compensação histórica".

Nenhuma pessoa deve pedir desculpas e/ou dar concessões aos demais por ter qualidades que os outros não têm.

Mérito é mérito.

Marcelo Augusto em julho 7, 2009 7:05 PM


#76

Meu Deus, ainda tem gente que acha que a cura para o racismo é mais racismo. O professor escreveu a seguinte frase: "Se realmente houve erro humano na verificação da identidade desses estudantes ...". Idelber, vc não acha estranho uma política que verifique, visualmente, a identidade de estudantes?? Não há aí uma decisão tomada em função da raça?? Hitler, em sua loucura doentia, também achava que estava fazendo o bem... tão bem intencionadas estão hoje as pessoas que propõem a divisão do país em raças.

Pedro em julho 7, 2009 7:18 PM


#77

Idelber, antes de tudo, obrigado por me proporcionar a leitura desse texto que reputo um dos mais esclarecdores e abalizados que já li sobre o tema. Vou imprimi-lo e guardá-lo como referência.

Caro Professor Kabenguele Munanga,
o conheço de textos lidos na internet e gostaria de me solidarizar com o senhor e parabenizá-lo pela resposta ao articulista do Estadão. Sou um dos defensores da política de cotas raciais por reconhecer nelas um instrumento político capaz de - se não acabar - ao menos reduzir as enormes desigualdades sociais no Brasil. Não li a matéria do articulista do Estadão, mas conheço o jornal e o compromisso da grande imprensa em geral com a desinformação e a manutenção do status quo que vem garantindo ao longo do tempo as benesses e os privilégios da nossa elite econômica. Mas, digam o que disserem, as cotas raciais são hoje talvez o mais eficaz (vejam as estatísticas) instrumento de redução das desigualdades sociais e de correção da injustiça histórica com os negros no Brasil. E isso não é racismo! É seu oposto. É promoção social, é igualdade, é justiça. Afirmar o contrário é desconhecer a História e ignorar a realidade. Ou apenas má-fé.

Nivaldo Lemos em julho 7, 2009 7:30 PM


#78

Ainda me impressiona a insistência no uso de argumentos insustentáveis por parte destas pessoas que são contra as cotas. O argumento de que só se justifica a "cota social" ; o argumento de que se tem que melhorar o ensino básico (como isso não fosse óbvio!); o argumento de que no Brasil não há racismo(cuma?!?!); o argumento de que em nosso país todos são mestiços (mas há os "mais" mestiços, e todos sabemos quem são no elevador ou depois das 22 hs na esquina...); o argumento tosquíssimo de que as cotas não se justificam porque biologicamente não há raças (e o que raça, na acepção sociológica e histórica, tem a ver com biologia??). Enfim, como pessoas como o geógrafo oficial da Globo News e os Lucas da vida conseguem repetir estes argumentos furados??? Como conseguem dizer que as cotas vão criar racismo neste país?? A criação das cotas foi o que de melhor aconteceu neste país em termos de justiça histórica social e educacional desde que os jesuítas aportaram por aqui para enfiar seu deus goela abaixo das populações indígenas. Não consigo deixar de pensar que o pior racismo é o inconsciente, travestido de argumentos rocambólicos e teimosamente surdos.

Maurício Santos em julho 7, 2009 8:08 PM


#79

1. Lucas não teve nenhum argumento rebatido. Palmas para ele.
2. É um tremendo exagero afirmar que a posição anti-cotas levantou o argumento de que as cotas piorariam o nível dos alunos e por aí vai. Alguém pode ter dito isso aqui ou ali. Mas entre os principais debatedores (Peter Fry, Yvonne Maggie, Ali Kamel, Demétrio Magnoli, João Roberto Pinto de Góes, Manolo Florentino), assim como nos manifestos contra as cotas, este argumento estava ausente. Gaspari usa de um espantalho para afirmar um vitória ausente. A única coisa que alguns levantaram (notadamente a Yvonne Maggie) é que as cotas estimulariam a violência racial (um exagero), entre outros. Nisso sim se pode criticá-la.
3. As cotas solapam a ideia de mérito na universidade. Já tem agora cota para bolsa de iniciação científica no CNPq, algumas universidades criaram cotas para concurso público de professores. Logo teremos cotas no mestrado e no doutorado. Se instituirem isso farei desobediência civil.
4. O debate não está superado. Esta frase cheira a um autoritarismo. O simples fato de que a lei que parece que passará no Congresso não fala mais em critérios raciais, mas apenas relativos à escola pública, desmente isso.

João Paulo Rodrigues em julho 7, 2009 8:19 PM


#80

5. Magnoli tem um livro referência sobre a questão da formação do estado-nacional no Brasil e sobre o imaginário nacional a respeito do território brasileiro. E um livro básico sobre século XIX, com aplicações ainda na questão das relações internacionais, por assim dizer, justamente no momento de criação das nações no Cone Sul. Além dele, possui alguns livros sobre guerra e diplomacia que, parece, não são tão indispensáveis.

João Paulo Rodrigues em julho 7, 2009 8:25 PM


#81

Assunto espinhoso mesmo, isso não me surpreende mais ha tempos. Mas o que me surpreende é mesmo a forma como muitos brasileiros lidam com as cotas categorizando-a dentro da grande lata "estimulo ao racismo". Como isso é presente, e como é facil dizer que "o racismo vem dos negros, pobres negros oprimidos". Ler mais sobre o assunto, percorrer a trajetoria historica dos negros, da forma como foram categorizados pela sociedade (e no Brasil sobretudo com a politica de branqueamento do começo do séc. XX), e a propria historia do racismo não apenas no Brasil, mas em todo o mundo é extremamente importante para debater o assunto com um pouquinho mais de propriedade. As cotas são paliativas, mas são muito validas, sim.
Gostei muito do texto de Kabenguele, Idelber, obrigada pela oportunidade.
Mas não sei mesmo o que me assunta mais: as pessoas que ainda criticam sem argumentos muito solidos as cotas - e outras coisas mais - a ferro e a fogo, ou se colunistas dos nossos "grandes jornais" publicando coisas insanas, pessoas lendo, informações loucas se repercutindo na cabeça das pessoas. Na moral, espero sinceramente que um dia um verdadeiro espirito consciente tenha mais voz entre a maioria da população do nosso pais, mas lendo esse tipo de coisa da um verdadeiro desânimo.

Ananda em julho 7, 2009 8:34 PM


#82

Essa questão das cotas é realmente muito complexa. Sempre fui intuitivamente favorável a sua implantação mas a argumentação de ALGUNS de seus opositores tocava em pontos que me deixavam dúvidas. Dúvidas que, agora percebo, eram originárias desse conceito de ‘humanismo abstrato’ a que se refere o professor. A própria definição foi a luz que faltava.

Ficou claro pra mim a necessidade de enfatizar e dar concretude ás ‘diferenças’ para que possamos eliminá-las.

Obrigado, professor Munanga!

helio jesuino em julho 7, 2009 8:42 PM


#83

Um dos argumentos mais utilizados e gastos pelos críticos à adoção do sistema de cotas para afrodescendentes em instituições de ensino superior consiste na afirmação de que esse mecanismo de seleção seria inconstitucional por ofensa ao princípio da igualdade. Não sei se utilizam essa argumentação por desconhecimento do significado, da finalidade e do modo de aplicação do princípio da igualdade ou por absoluta má-fé. Uma breve leitura de textos de direito constitucional acerca do assunto permite esclarecer que a forma como interpretam o referido princípio é divergente da maneira como o interpretam a doutrina constitucionalista e a jurisprudência dos tribunais superiores e do Supremo Tribunal Federal. Não vou aprofundar a discussão, quem tiver interesse no tema, que o pesquise.

Não tinha lido o texto do Elio Gaspari indicado pelo Idelber, mas lera outro texto sobre o assunto publicado catorze dias depois, no qual Gaspari recorda que o PFL – recuso-me e recusar-me-ei terminantemente a me referir ao partido pelo nome de Democratas – e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino impetraram uma ação direta de inconstitucionalidade contra o ProUni. Confesso que me sinto consternado com a preocupação dos pefelistas e dos proprietários de instituições de ensino superior privadas em relação à ofensa ao princípio da igualdade perpetrada pelo ProUni.

O legislador constituinte originário inscreveu na Constituição Federal a seguinte determinação: "a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão" (art. 37, VIII). Duas perguntas restam: (1) como esse dispositivo é de autoria do constituinte originário e é absolutamente descabido afirmar que seja inconstitucional por ofensa ao princípio da igualdade – posto que nenhum artigo, parágrafo, inciso ou alínea da Constituição originária pode ser inconstitucional –, então, por que é constitucional um sistema de cotas para portadores de deficiência e inconstitucional um sistema de cotas para afrodescendentes? (2) por que o sistema de cotas para portadores de deficiência não provoca, nem de muito longe, o mesmo interesse, a mesma indignação, o mesmo sentimento de necessidade urgente de se defender o princípio da igualdade gravemente ameaçada? por que nenhum congressista movido por um legítimo ardor em defesa do princípio da igualdade não propõe uma emenda constitucional para se revogar o art. 34, inciso VIII?

De resto, o que também está em questão no artigo do professor Magnoli e na resposta do professor Munanga, como observou o Idelber no texto de abertura do post, é uma forma de procedimento, a qual, lamentavelmente, se disseminou como uma praga pela mídia e pela rede brasileiras. Há quem a aprecie, claro. Eu, ao contrário, sou adepto da polidez, não da estupidez, em qualquer dos seus significados.

Fabiano em julho 7, 2009 9:10 PM


#84

O texto do Elio Gaspari ao qual me referia pode ser lido nesta página do Vi o Mundo:

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/elio-gaspari-a-cota-de-sucesso-da-turma-do-prouni/

Fabiano em julho 7, 2009 9:14 PM


#85

Marcelo, se não solucionarmos utilizando de cotas agora, nunca vamos solucionar o problema, qualquer mudança em políticas de educação só passam a ter efeito daqui a 10 anos, ou seja, os negros só poderiam se inserir mais nas universidades em 2020, não sabe como é horrivél entrar numa sala de direito em universidade estadual e não ver nenhum! nenhum negro dentro dela. Mesmo no meu curso (ciências sociais), só três alunos são negros, e existem alguns outros mulatos, mas só, eu imagino então medicina e outros cursos mais de elites aos quais eu não possuo acesso à realidade. O fato é que universidades públicas são locais elitistas, e no que depender dessa elite deve continuar assim para todo o sempre "para não emporcalhar o visual" (sim já ouvi membros da elite defenderem isso na minha frente). E mais, sou contra essa cultura meritocrática, se a pessoa é comunista, e defende portanto a liberdade plena e igualdade plena do indíviduo deve passar longe de toda e qualquer defesa de meritocracia, defender a meritocracia, ou mesmo qualquer forma de premiação individual é o primeiro passo para surgir desigualdade, pois o ser humano, que ama ter seu ego inflado, sempre vai se pautar por uma busca de ser o melhor em relação aos outros para poder tacar isso na cara de quem não (não que algumas pessoas não mereçam isso por tamanha preguiça, mas isso é caso isolado).
A esquerda global (não só a comunista), defende uma busca da liberdade total do indíviduo partindo de uma igualdade total de condições de reprodução de sua vida (sub-existir e poder fazer história através da transformação de seu meio).
O Brasil é racista, e vai continuar a se-lo quase em sua totalidade se os elementos marginalizados não puderem receber condições especiais para superar esse racismo. O Brasil é antes de tudo, pela nossa colonização e pela escravidão, um país que prima pelos preconceitos contra etnia, antes do social.
A universidade pública, o emprego público, o emprego em empresas só vai superar a barreira primeiro étnica, e depois a sócio economica, quando se acostumar com essas diferentes etnias e culturas, assim como pessoas com condições sócio economicas, após aprender a conviver com essas outras realidades!

João Vicente em julho 7, 2009 10:42 PM


#86

Primeiro queria deixar bem explicito, que quando o professor Kabengele apresenta (enfáticamente) suas referências acadêmicas, ele não quer com isso dar um "carteiraço" no seu Demétrio, e sim de que não está por "acaso" no debate, é um estudioso do tema, é intelectualmente comprometido, é um educador (não se esconde sob falsas neutralidades, e colunas de jornais), e como um professor de uma instituição de ensino PÚBLICO, ele não só pode como, DEVE apresentar suas referências.
Segundo quero responder ao LUCAS que tem o argumento mais sofisticado CONTRA as ações afirmativas.
Bom, o argumento da existência da raça no Brasil não é um argumento lógico-abstrato (como o do humanismo universalista) - que "vem à ser", ou seja, é "a posteriori" - e sim é um argumento "ANTROPOLÓGICO". O que eu quero dizer com isso? São as pessoas, no seu cotidiano, que criam classificações para as coisas, lugares, seres e também para pessoas. Ou seja, raça aqui é um a classificação simbólico-social no qual uma pessoa é identificada e se auto-identifica, a partir da tonalidade de sua pele (no caso do Brasil), e apartir dessa classificação são agregados outros valores, que pressupõe a origem, e a condição social da pessoal como bem observou o Kabengele: Negro no Brasil é "associado" a "empregado doméstico", "potencial criminoso", "sujo", "burro"; à essa pessoal com a cor da pele negra, é quase impossivél, "associar" a imagem de um "dentista", "advogado", "empresário", "parlamentar". Essa estrutura não é invenção do professor Kabengele, e muito menos que ele está querendo dizer quem é ou não negro no Brasil, e sim uma constução social histórica da sociedade brasileira desde a escravatura. Já o pensamento do "universalimo-humanista abstrato" altamente é baseado no "INDIVIDUALISMO" (do qual LUCAS é um bom representante), onde "qualquer um se declara como quer", e toma isso como realidade social e jurídica,e como um "a priori", ou seja, como parte da "natureza humana" (em qualquer lugar, em qualquer tempo). Receio, que isso tipo de pensamento leva a um posicionamento político perverso. Não leva em conta as estruturas e classificações sociais que as pessoas praticam em seu cotidiano, ou seja, quando você tem um sistema simbólico altamente enraízado que todos nós dominamos (precisamos no "policiar" para não reproduzir), vemos que é muito dificil dizer "que qualquer se classifica como quer"; quero dizer com isso que raça no Brasil, não é um problema de individuo, é um problema de SOCIEDADE. Neste país ninguém se "classifica como quer", pois há todo um sistema de classificação que já diz muito bem que é e quem não negro ou branco. Raça não é produto de "individuos" e sim de uma "coletividade", não problema, e sim um problema público.

Alexandre em julho 7, 2009 10:50 PM


#87

Idelber,
agora fiquei na dúvida. O livro do Risério(aliás, excepcional livro) não tinha feito sua posição ter sido revista, conforme esse post?
http://www.idelberavelar.com/archives/2008/01/antonio_riserio_a_utopia_brasileira_e_os_movimentos_negros_1.php

Abraços!


Umberto em julho 8, 2009 12:18 AM


#88

Umberto, você nem imagina o quanto eu me arrependi de não ter explicitado melhor a minha posição acerca do que mudou -- e do que não mudou -- na minha percepção do problema com o livro do Risério. Muita gente interpretou (e eu não as culpo, porque a minha frase realmente era muito ambígua) que eu havia deixado de defender as cotas. Não era isso. Eu passei a achar que o movimento negro havia despejado excessiva energia na defesa da cotas, e havia se descuidado de outras questões. Havia, por assim dizer, colocado todos os ovos numa única cesta. Mas eu jamais deixei de ser um apoiador das cotas.

Reitero, no entanto, que a culpa pela confusão é minha: a frase está muito ambígua.

Idelber em julho 8, 2009 12:25 AM


#89

MAPA DAS INSTITUIÇÕES ESTADUAIS E MUNICIPAIS DE ENSINO
SUPERIOR COM AÇÕES AFIRMATIVAS
INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR COM AÇÃO AFIRMATIVA:
COTAS/NÚMERO DE VAGAS PARA INDÍGENAS
.
Universidade Federal do Pará/PA (50% para candidatos de escolas públicas, destes 40%
para pretos e pardos)
.
Universidade Federal de Roraima/RR (60 vagas em licenciatura indígena para indígenas)
.
Universidade Federal de Tocantins/TO (5% para indígenas)
.
Universidade de Brasília/DF (20% para negros e 10 vagas para indígenas)
.
Universidade Federal da Grande Dourados/MS (60 vagas em licenciatura indígena para
indígenas)
.
Universidade Federal do Maranhão/MA (25% para candidatos de escolas públicas, 25%
para negros, 1 vaga para indígena e 1 vaga para deficiente físico em cada curso)
.
Universidade Federal de Alagoas/AL (20% para negros de escolas públicas, e destes
60% para mulheres)
.
Universidade Federal da Bahia/BA (45% para candidatos de ensino médio público,
sendo 2% p/ indígenas, 37,5% para negros e 5,5% para outros candidatos de ensino médio
público)
.
Universidade Federal do Recôncavo Baiano/BA (45% para candidatos de ensino médio
público, sendo 2% p/ indígenas, 37,5% para negros e 5,5% para outros candidatos de ensino
médio público)
.
Universidade Federal de Juiz de Fora/MG (50% para candidatos de escolas públicas, e
destes 25% para negros)
.
Universidade Federal de São Paulo/SP (10% prioritariamente para negros de ensino
médio público, se não houver preenchimento, completar com outros candidatos de escolas
públicas)
.
Universidade Federal de São Carlos/SP (50% para candidatos do ensino médio público,
sendo 35 % destes para negros e 01 vaga não cumulativa por curso p/ indígenas,
progressivamente)
.
Universidade Federal do ABC/SP (50% para candidatos de escolas públicas, destas
27% para negros e 0,4% p/ indígenas)
.
Universidade Federal do Paraná/PR (20% para negros, 20% para candidatos de
educação básica pública, 10 vagas para indígenas)
.
Universidade Federal de Santa Catarina/SC (20% para candidatos de educação básica
pública, 10% para negros, prioritariamente de educação básica pública, e 6 vagas para
indígenas)
.
Universidade Federal do Rio Grande do Sul/RS (30% para candidatos de escolas
públicas, sendo metade para negros)
.
Universidade Federal de Santa Maria/RS (em 2008, 20% para candidatos de escolas
públicas, 10% para negros, 5% para deficientes físicos e 5 vagas para indígenas)
.
Universidade Federal do Pampa/RS (em 2008, 20% para candidatos de escolas
públicas, 10% para negros, 5% para deficientes físicos e 5 vagas para indígenas)
.
Universidade Estadual do Mato Grosso/MT (25% para negros de escolas públicas ou
privadas com bolsa)
.
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul/MS (20% para negros, 10% para
indígenas)
.
Universidade Estadual de Goiás/GO (20% para negros, 20% para candidatos de escolas
públicas, 5% para deficientes ou indígenas)
.
Fundação de Ensino Superior de Goiatuba/GO (10% para candidatos de escolas
públicas, 10% para negros e 2% para indígenas e portadores de deficiência)
.
Universidade Estadual da Bahia/BA (40% para afrodescendentes do ensino médio
público)
.
Universidade Estadual de Feira de Santana/BA (50% para candidatos com ensino
médio e pelo menos dois anos do ensino fundamental (5ª a 8ª série) em escolas públicas e, dessas, 80% serão ocupadas por negros)
.
Universidade Estadual de Santa Cruz/BA (50% para candidatos de ensino médio
público, dessas 75% para negros, 02 vagas para índios ou quilombolas em cada curso)
.
Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia/BA (50% para candidatos de escolas públicas, destes, 60% para negros e 5% para índios e seus descendentes)
.
Universidade Estadual de Minas Gerais/MG (20% para afrodescendentes, 20% para
candidatos de escolas públicas, 5% deficientes físicos e indígenas, todos com baixa renda)
.
Universidade Estadual de Montes Claros/MG (20% para afrodescendentes, 20% para
candidatos de escolas públicas, 5% deficientes físicos e indígenas, todos com baixa renda)
.
Universidade Estadual do Rio de Janeiro/RJ (20% para escola pública, 20% para negros
e 5% deficientes físicos ou indígenas ou filhos de policiais mortos em serviço – até R$ 630 per capita)
.
Universidade Estadual do Norte Fluminense/RJ (20% para escola pública, 20% para
negros e 5% deficientes físicos ou indígenas ou filhos de policiais mortos em serviço – até R$ 630 per capita)
.
Centro Universitário Estadual da Zona Oeste/RJ (20% para escola pública, 20% para
negros e 5% deficientes físicos ou indígenas ou filhos de policiais mortos em serviço – até R$ 630 per capita)
.
Fundação de Apoio à Escola Técnica do Rio de Janeiro/RJ (20% para escola pública,
20% para negros e 5% deficientes físicos ou indígenas ou filhos de policiais mortos em
serviço – até R$ 630 per capita)
.
Centro Universitário de Franca/SP (20% para negros, 5% para candidatos de escolas
públicas e 5% para deficientes)
.
Universidade Estadual de Londrina/PR (até 40% para candidatos de escolas públicas,
destas até metade para negros, dependendo da demanda, 6 vagas para indígenas)
.
Universidade Estadual de Ponta Grossa/PR (10% para candidatos oriundos de escolas
públicas e 5% para candidatos negros de escolas públicas e 6 vagas para indígenas
integrantes das tribos paranaenses)
.
Universidade Estadual de Maringá/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Universidade Estadual do Paraná/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Universidade Estadual do Norte do Paraná/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Universidade Estadual do Centro-Oeste/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Escola de Música e Belas Artes do Paraná/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Faculdade de Artes do Paraná/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Fundação Faculdade Luiz Meneghel/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Cornélio Procópio/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Faculdade Estadual de Educação Física de Jacarezinho/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro de Jacarezinho/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Faculdade Estadual de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória/PR (seis vagas para indígenas integrantes das tribos paranaenses)
.
Universidade Estadual de Campinas/SP (de uma média padronizada de 500 pontos,
adiciona 30 pontos para candidatos de escolas públicas e 40 pontos se for também
preto/pardo/indígena)
.
Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto/SP (de uma média padronizada de 500
pontos, adiciona 30 pontos para candidatos de escolas públicas e 40 pontos se for também preto/pardo/indígena)
.
Faculdade de Tecnologia de São Paulo/SP (3% a mais na nota para negros, 10% a mais
para candidatos do ensino médio público e 13% a mais para negros do ensino médio

Chico Mendes em julho 8, 2009 12:26 AM


#90

Idelber e os demais,
.
O movimento negro bate muito na tecla das cotas raciais porque é nesta tecla que o movimento anti-cotas mais despeja suas inconsistências.
.
O movimento negro pressiona por muito mais e não abre mão de muito mais além das cotas raciais. Vou dar uma pista no próximo post.

Chico Mendes em julho 8, 2009 12:41 AM


#91

#75: "Mérito é mérito."

#79: "As cotas solapam a ideia de mérito na universidade."

Meu Deus, que mérito tem o cara que estudou a vida inteira nas melhores escolas, com direito a aulas de reforço escolar, de inglês, italiano e às vezes até psicólogo nos momentos de "crise" após o fora de uma namorada, e nunca trabalhou nem precisou trabalhar na vida até se formar?
Mérito por mérito, tem mais mérito aquele que trabalha desde os doze anos, às vezes não tem uma cõdea de pão pra comer à noite, a luz está cortada, o pai desempregado há três anos, o irmão mais velho trabalha pro tráfico, o do meio morreu com uma bala perdida, e ele estuda numa escola onde falta professor, as janelas não tem vidro e o colega tá queimando uma pedra no banheiro...
Este discurso da meritocracia é hipócrita, cínico e de má-fé. Só acredito em mérito quando todos gozarem das mesmas condições de vida e ensino. Até lá, sou favoraável a cotas inclusive no mestrado, doutorado e nas empresas privadas.

Otto em julho 8, 2009 12:43 AM


#92

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos


DECRETO Nº 6.872, DE 4 DE JUNHO DE 2009.
.
Aprova o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial - PLANAPIR, e institui o seu Comitê de Articulação e Monitoramento.
.
.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea “a”, da Constituição,
.
DECRETA:
.
Art. 1o Fica aprovado o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial - PLANAPIR, em consonância com os objetivos indicados no Anexo deste Decreto.
.
Art. 2o A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República aprovará e publicará a programação das ações, metas e prioridades do PLANAPIR propostas pelo Comitê de Articulação e Monitoramento de que trata o art. 3o, observados os objetivos contidos no Anexo.
.
Parágrafo único. Os prazos para execução das ações, metas e prioridades do PLANAPIR poderão ser revisados pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, mediante proposta do Comitê de Articulação.
.
Art. 3o Fica instituído o Comitê de Articulação e Monitoramento do PLANAPIR, no âmbito da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, integrado por:
.
I - um representante de cada órgão a seguir indicado:
.
a) Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que o coordenará;
.
b) Secretaria-Geral da Presidência da República;
.
c) Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República;
.
d) Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República;
.
e) Ministério da Educação;
.
f) Ministério da Justiça;
.
g) Ministério da Saúde;
.
h) Ministério das Cidades;
.
i) Ministério do Desenvolvimento Agrário;
.
j) Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome;
.
k) Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão;
.
l) Ministério do Trabalho e Emprego;
.
m) Ministério das Relações Exteriores;
.
n) Ministério da Cultura; e
.
o) Ministério de Minas e Energia; e
.
Mais detalhes no seguintes link
http://leliagonzalez-informa.blogspot.com/2009/06/plano-nacional-de-promocao-da-igualdade.html

Chico Mendes em julho 8, 2009 12:45 AM


#93

As políticas afirmativas foram implantadas primeiramente nos EUA. Hj o que se discute lá é uma forma de corrigir a injustiça cometida contra homens brancos pobres, que não têm as mesmas oportunidades dadas aos negros pobres.
Não li o artigo do Magnoli, mas achei enfadonho o texto do professor. Óbvio que discordo do seu ponto de vista. Não acredito que o editor do estadão tenha lhe negado direito de resposta. O usual é conceder o mesmo espaço dado ao anterior. E ponto. O texto acima ia consumir página e meia no formato standart pra lhe garantir o direito de resposta. Um exagero. Pelo jeito, é mais fácil reclamar de discriminação que ser objetivo na exposição de ideias.

Bob em julho 8, 2009 1:24 AM


#94

Cara, desculpa, o sistema informou erro no primeiro envio e mandei de novo. Só depois vi que já estava publicado o anterior.

PS: Bom de internet é que não tem limite de espaço, hehe.

Bob em julho 8, 2009 1:30 AM


#95

Tranquilo, Bob, já apaguei a duplicação.

Idelber em julho 8, 2009 3:34 AM


#96

Uma discussão imbecil

Enquanto o (des)governo Lula e cia ltda entrega a amazônia à degradação e com ela nossa vida orgânica; enquanto os gorilas adestrados pelos bárbaros americanos, mais conhecidos como "democratas" usam irmãos contra irmãos, assassinando inocentes; enquanto a mentira do 11 de setembro continua encoberta, mantendo impunes os componentes das máfias dos judiciários americanos e internacionais, os descendentes de Lucy, a mãe africana continuam usando seus reles conhecimentos escolásticos para manter essa discussão medíocre que é o racismo e o preconceito entre os povos. Ora, e não venham afirmar que raças não existem. A rosa é uma flor, a margarida também e os raios do sol atuam conforme o meio ambiente para produzir suas tonalidades. Afirmar que não existem raças dentre as espécies humanas será o mesmo que afirmar que os bárbaros não pertencem à raça branca, sendo os negritos seus eternos lacaios, por medo ou por vergonha. Finalmente, afirmar que os humanos são todos sapiens é risível e tolo. Acreditar na racionalidade humana é confirmar o embotamento dos órgãos dos sentidos, quem sabe, devido ao cloro, aos fluoretos, aos açúcares, às mídias e, mais especificamente, às escolas e universidades que formam macaquitos reprodutores de ciências estéreis. Que tal um "ensaio sobre a lucidez"? Saramago já disse: "se as pessoas soubessem o prazer que nos envolve ao usarmos o cérebro, o planeta retornaria à civilização.

vera vassouras em julho 8, 2009 11:03 AM


#97

Lucas #18, acho que a discussão já se encerrou, mas vai assim mesmo:

"Poderíamos supor também que, já que muitos agressores de mulheres identificam suas vítimas como "vadias", deveríamos criar cotas para vadias. Sinceramente, não vejo como alguém pode levar a sério a classificação que um criminoso faz de uma vítima como indício de qualquer realidade subjacente."

Um policial não é um criminoso, ele é o estado impondo a lei. E esse caso não foi uma fatalidade raríssima, é recorrente.

"Munanga consegue instaurar o racismo dentro do racismo, e ainda arranja desculpa."

Os brancos podem continuar prestando o vestibular normalmente, só não podem usufruir do benefício das cotas. É mais ou menos como as faixas exclusivas para ônibus, que não afetam o direito de ir e vir dos donos de carro.

"Uma tolice completa. Como se a única razão para que alguém pudesse criticar alguém que, incidentalmente, é negro, fosse o próprio fato de esse alguém ser negro."

Você omitiu parte do raciocínio do professor e conclui que a frase dele é tolice.

"Para mim e outros defensores do humanismo abstrato, os candidatos a alunos tem todo o direito se identificarem como negros, brancos, mestiços, cristãos, mulçumanos ou marcianos. O que bem entenderem. E ninguém tem nada a ver com isso.
Mas para Munanga a opinião de um policial corrupto, torturador ou homicida deve ser levada mais em conta que a minha, quando queremos saber a identidade de alguém, do que a própria declaração da pessoa."

Algum homem abstrato já sofreu uma batida policial? Os negros não-abstratos já. O IRPF é uma auto-declaração, se não houvesse cruzamento de dados e pente-fino sabe quanto seria arrecadado?

"Outra tolice auto evidente. Se eu me disser contra o assassinato, isso me torna automaticamente inocente desse crime, mesmo que todas as provas apontem ao contrário? A história está repleta de pacifistas que fazem guerras... Mas precisamos dar algum crédito ao professor. Realmente ele não professa o racismo científico, mas sim que todas as consequencias logicas de um racismo científico podem ser tomadas como válidas mesmo admitindo que suas premissas são falsas, pois a raça é uma "realidade social"."

Faltou demonstrar que o professor admite que todas as consequencias logicas de um racismo científico podem ser tomadas como válidas.

"É extenso o trecho em que o professor enumera seus anos de estudo e suas qualificações. A esse tipo de argumento só há uma resposta: existem pessoas que chegam a crenças através de anos de pensamento, enquanto outras se limitam a sustentar suas crenças apesar de tudo o que já possam ter pensado. O professor Munanga infelizmente faz parte do segundo grupo."

Desqualificação clássica, apenas um pouco pomposa.

Além disso, autores de ficção são livres para criarem suas obras da forma que bem entederem. Mas somos livres para identificar racismo em suas obras. Que esse racismo não seja identificado como racismo pela sociedade é indício de que ele é aceito e que o Ali Kamel está errado.

Outra coisa, eu entendo que as políticas compensatórias não visam acabar com o racismo e sim com o apartheid vigente. Se o convívio com os negros vai melindrar algumas pessoas e fazer aflorar seu racismo latente é outro problema, que deverá ser tratado posteriormente.

André em julho 8, 2009 11:21 AM


#98

O debate é instigante. Ao menos é bom que, no plano legislativo, há iniciativas para destinar mais recursos para a Educação:

http://www.andifes.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1112&Itemid=104

De todo modo, a meu ver não serão as cotas nas Universidades que, por si só, lograrão exterminar o racismo. Mesmo se provisórias, as cotas acabarão por permanentes, com a base representada pelo ensino fundamental e médio à mingua. Sem melhorias nestes campos, recuperação da escola pública, do ensino técnico, os efeitos das cotas podem não refletir-se favoravelmente em termos de competição por empregos. São milhões de pessoas jovens que adentram no mercado demandando trabalho a cada ano. Tais empregos, não necessariamente, são para pretendentes com nível superior de escolaridade. E mesmo assim, ocorrem dificuldades para negros, não brancos e brancos pobres. As taxas de abandono no ensino fundamental e médio ainda são elevadas. Dos que concluem o fundamental, porcentual significativo consegue escrever mal e muitos não entendem o que leem ou mesmo o que escrevem. Infelizmente o quadro não é favorável. Parece que a energia maior deva ser em prol da melhoria do ensino fundamental e médio, incluindo aqui o ensino técnico, a educação tecnológica. Além do que, o crescimento econômico está aquém do necessário, diminuindo a geração de empregos e a demanda por mão-de-obra semi ou não qualificada. Com certeza, isto acarretará mais atritos, dado a competição, com potencial de acirrar ainda mais os obstáculos colocados pelos preconceitos e o racismo.

Dawran Numida em julho 8, 2009 12:07 PM


#99

Não acredito que o debate sobre as cotas esteja encerrado. Os argumentos principais contra elas atacam o princípio da coisa, e não suas conseqüências. Os "argumentos contra as cotas" apresentados, e que já estariam devidamente contestado, são apenas aqueles poucos que os apoiadores das cotas sabem rebater. Os outros muitos, que ninguém nunca se deu ao trabalho de responder, a não ser com evasivas, continuam válidos.

Se a aceitação de fato pelas instituições fosse sinônimo de justiça, a escravidão nunca teria sido abolida.

Coloco por ora apenas algumas das perguntas:

Que diabos vestibular tem a ver com policiais espancando pessoas? Por que não tentamos resolver o problema do racismo policial resolvendo o problema do racismo policial? Será que basta dar um diploma na mão de um "negro" e ele nunca mais será agredido?

Por que o vestibular? Que propriedade mágica é essa que tem um diploma de reparar todos os males sofridos? E as vítimas de racismo que não desejam obter um diploma superior? Por que eu não vejo nem um porcento da energia gasta defendendo cotas com a busca por punir agentes de estado racistas? Ou contra a violência policial em geral?

Por que selecionar as pessoas por critérios raciais é crime, quando desfavorece certas pessoas, mas "reparação", quando desfavorece outras?

A única resposta que ouvi até hoje à acusação de que cotas são racistas é a boa e velha evasiva "mas eu sempre lutei contra o racismo, você não pode me acusar de racismo!" que obviamente não responde nada.

Nem se todos os defensores das cotas tivessem ganho prêmios Nobel da Paz, isso não tira a responsabilidade deles de responderem a essa pergunta.

Essa evasiva é algo como se um cruzado falasse "mas eu prego uma religião de amor, como você pode me acusar de assassino?".

Uma tolice repetida por muita gente se torna uma tolice grande, e não uma verdade.

lucas em julho 8, 2009 1:02 PM


#100

Também tinha ficado com dúvida sobre a tua posição, Idelber, depois daquele post do Risério.

Interessante que todas as posições "meritocráticas", "universalistas" e "igualitárias" ignoram a temporalidade, ou seja, baseiam-se em um plano metafísico igualitário em que todos seríamos sujeitos abstratos em idênticas condições. O truque é apagar a história e seus restos sobre o quais estamos apoiados. O resto pede redenção.

Moysés Neto em julho 8, 2009 1:03 PM


#101

Todo o raciocínio liberal, desde o século XVIII, se apoia numa premissa de pé quebrado: de que existe uma coisa chamada o "Homem" em geral, sem classe social, etnia, religião ou não religião, ideologia: resumindo, sem História, e que este "Homem" que ninguém nunca viu em lugar algum, é sujeito de uma Igualdade abstrata. Não é à toa que um reacionário feudal inteligente, Joseph de Maistre, já no próprio século XVIII dava gargalhadas em cima dessa falácia. Das duas uma, então: ou acabamos com essa história de igualdade e meritocracia, nos assumimos de uma vez como reacionários e mandamos os "outros" entrarem pelo elevador de serviço, ou então tratemos de criar uma igualdade real no lugar de uma igualdade formal e fictícia.

Carlos em julho 8, 2009 1:36 PM


#102

Lucas, as cotas não vão acabar com o racismo, não é essa a intenção. O objetivo é diminuir a segregação racial. O racismo deve ser combatido com leis que punam manifestações racistas.

André em julho 8, 2009 3:13 PM


#103

Racismo não se acaba com leis.

Moysés Neto em julho 8, 2009 3:48 PM


#104

Existe racismo no Brasil, não há dúvida quanto a isso. Acredito que a origem da idéia de inferioridade do negro surgiu da necessidade dos senhores de escravos em justificar moralmente a existência da escravidão. Talvez tranquilizasse suas consciências a idéia de que os negros eram escravos porque faziam parte de uma raça inferior.
Hoje se sabe que não existem distinções raciais entre seres humanos. Mas o preconceito, infelizmente, persiste e cabe a todos nós, cidadãos e cidadãs brasileiras encontrar as melhores alternativas para banir essa ideologia de nossa sociedade.
E é sobre esse ponto de vista que acho que o sistema de cotas deve ser avaliado. Até que ponto ele contribui para combater o racismo? Estabelecer um sistema de cotas e destinar percentual de vagas em universidades apenas para afro-descendentes diminuirá o preconceito? Na minha opinião NÃO! Explico: não há qualquer vedação legal à presença de negros, mestiços ou seja lá a forma como sejam denominados, na universidade. Eles estão em minoria lá por simples questão de natureza socio-econômica. O problema, pois, é anterior. Também não existe qualquer universidade que se negue a receber negros. Se a o motivo é apenas a inserção, acho que o mais justo seria sortear as vagas destinadas às cotas, criando cotas não só em universidades, mas também para preenchimento de qualquer cargo público. Além disso, acho que seria importante estabelecer cotas para todas as empresas privadas, principalmente para o preenchimento dos cargos mais elevados. Mais importante do que a inserção pura e simples do negro na universidade ou no mercado do trabalho é a qualificação educacional e profissional, que é tanto mais alta quanto maior for o poder aquisitivo do estudante, seja ele negro ou branco. Eu sempre estudei em colégios públicos e sou funcionário público. Confesso que tive poucos colegas negros. Confesso que já presenciei diversas e lamentáveis cenas de racismo. Reconheço que todos os meus colegas negros eram muito pobres. E quase todos eles, os pobres, brancos ou negros, tiveram que abandonar os estudos para trabalhar precocemente, sem poder se qualificar para empregos melhores.
E a qualificação não é apenas em cursos superiores. Aqui em Brasília, onde moro atualmente, eu ouvi uma reportagem recentemente informando que havia grande carência de padeiros com formação profissional (deve ser por isso que o pão daqui é de uma qualidade lamentável). Quantos pobres tem condição de parar suas vidas para investir num curso que só trará emprego daqui a alguns anos? Acho que muito poucos. (ricos e classe média não querem ser padeiros) Esse é o grande dilema. As pessoas precisam de tempo para se qualificar. Mas têm que usar esse tempo para fazer qualquer coisa que lhes garanta a subsistência. Cria-se um círculo vicioso.
Conheço bem o caso da UFSM, pois sou de lá. O que aconteceu é que a UFSM exige apenas a auto-declaração para que a pessoa concorra à vaga pela cota. Depois do início do curso, uma comissão entrevista os aprovados. No caso da menina, ela declarou à comissão que nunca antes da inscrição para o vestibular tinha se declarado parda, e que o fez apenas para concorrer à vaga. Disse, também, que jamais se considerou vítima de proconceito. De qualquer forma, ela é filha de pai negro e mãe branca. Com base na entrevista, ela foi desligada. Mas e se ela já foi vítima de preconceito racial e não identificou a situação? Isso não é provável, mas é perfeitamente possível. Acho extremamente complexo julgar quem é destinatário do benefício.
Outra questão é confundir preconceito racial e mérito educacional. As coisas são diferentes. É extremamente injusto aprovar alguém com nota inferior num vestibular e reprovar outro que investiu horas e horas de estudo e foi barrado só porque não é negro.
Sonho com um mundo sem preconceitos de qualquer espécie. Sonho, como OBAMA e Martin Luther King, com um país em que a cor da pele não sirva para distinguir as pessoas sob qualquer argumento. Sonho, também, com um país em que o vestibular não seja o local do exaltação das melhores memórias e da erudição desnecessária.

PS: Idelber, explica por favor como surgiu historicamente o sistema de cotas raciais nas universidades americanas. Os afro-descendentes passaram a ser aceitos mesmo com aproveitamento inferior aos brancos ou foi imposta a sua presença a universidades que não os aceitavam?

Eduardo em julho 8, 2009 3:52 PM


#105

O que implicaria na tipificação de racismo ou de manifestações racistas. Ou seja, regulamentar os preceitos constitucionais sobre tal aspecto. E resstruturar e equipar as Defensorias Públicas, para que a população tenha acesso à Justiça de forma menos onerosa.

Dawran Numida em julho 8, 2009 3:53 PM


#106

O Eduardo aí acima no post 104 diz:
.
"Estabelecer um sistema de cotas e destinar percentual de vagas em universidades apenas para afro-descendentes diminuirá o preconceito?"
.
Como nossa imprensa racista e seus intelectuais, igualmente, conseguiram disseminar com eficácia este pensamento de que cotas são apenas para negros hein? pelamordedeus!!

Chico Mendes em julho 8, 2009 4:23 PM


#107

Mérito das notas:
.
Um negro pobre ou um branco pobre que passa horas em conduções(metro, trem e ônibus), trabalha e a noite estuda um pouquinho e no vestibular tira uma nota 7,0 tem muito mais mérito do que um estudante branco que estuda nos melhores colégios e não trabalha e acaba por tirar um 8,5 no vestibular. O mérito é daquele que tirou uma nota 7,0

Chico Mendes em julho 8, 2009 4:30 PM


#108

Chico Mendes,

Vc é daqueles que acha que todos que discordam da sua opinião são analfabetos funcionais e acreditam em tudo em que a mídia malvada fala.

Pois bem, eu falei apenas em cota racial, pois me dispus a falar apenas disso. Não estou entrando no mérito da existência de qualquer outra espécie de cota.

E vc comete o equívoco de não entender o que eu escrevi. Eu disse: "destinar percentual de vagas em universidades apenas para afro-descendentes". Isso é cota racial. Eu não falei que existe apenas cota racial. Eu defini o que é, na minha opinião, a cota racial.

Eu compareço neste espaço para debater idéias e combater preconceitos. Façamos isso! Agora não me venha com preconceitos do tipo: esses que contrariam a minha opinião são vítima do poderio da mídia malvada, ainda não foram esclarecidos pela luz da verdade!

Temos opiniões divergentes. Mas devemos nos respeitar.

Quanto ao mérito, posso até concordar com vc. O duro vai ser criar um critério objetivo para avaliar quem ralou mais para ir bem no vestibular.

Eduardo em julho 8, 2009 4:55 PM


#109

Eduardo,

Pois o que você definiu não é o que ocorre em nossa realidade.
.
O que você definiu é o que a midia propala.

Chico Mendes em julho 8, 2009 5:06 PM


#110

Eduardo, a diferença entre o sistema de cotas e o sorteio puro e simples é a meritocracia. Além disso, não podemos descartar o sistema inteiro por conta de dois supostos erros. O sistema de cotas pode não ser o ideal para a inclusão, mas é uma das ferramentas disponíveis na realidade atual. Prefiro uma solução parcial aplicada já, que uma ideal que talvez nunca apareça.

André em julho 8, 2009 5:08 PM


#111

Eduardo, respondo sua pergunta (#104): nos EUA, não existe -- nunca existiu -- um sistema de cotas propriamente dito. A tal affirmative action é um sistema de bonificação diferenciado, que dá a negros (e, em alguns lugares, latinos), alguns pontos extra no interior de um sistema onde essa pontuação é só um elemento entre outros no processo de admissão.

Como nos EUA não existe vestibular -- aliás, temos que acabar urgente com esse monstro --, o exame que os alunos fazem antes de entrar na graduação (os SATs) é só um elemento do processo. Acompanham-no as cartas de recomendação, o histórico escolar, o formulário em que o aluno solicita ajuda financeira etc. Dentro desse sistema, os alunos negros recebem alguns pontos extra. Não é uma reserva percentual de vagas, mas faz uma diferença enorme. No sistema da Universidade da Califórnia, por exemplo, em 1996, foi eliminada a affirmative action. O número de negros admitidos em Berkeley -- o mais prestigioso entre os nove campi do sistema UCal -- caiu de 562 para 191 em um ano. O número de asiático-americanos subiu enormemente. Dos quatro maiores estados americanos, três (Flórida, Texas e Califórnia) já não possuem affirmative action nos seus sistemas universitários públicos.

Mas isso, lembremos, acontece num país onde já existe uma classe média negra consolidada. Não sei se deu para entender. Qualquer dúvida, é só perguntar. Acompanho esse processo bem de perto, há 20 anos. Abração a todos, de todas as opiniões.

Idelber em julho 8, 2009 5:19 PM


#112

Idelber,

Aplaudo com entusiasmo a sua cruzada contra o vestibular. Trata-se de um sistema injusto e que acaba balizando todo o nosso sistema de ensino, privilegiando a memória e a erudição sem conseqüência. Dias desses fiquei apavorado ao estudar ciências com meu filho de 13 anos. Ele precisava saber sobre pteridófitas, briófitas, angiospermas e sobre o sistema reprodutivo de algumas plantas. Tudo de forma detalhada e complexa. Acho absurdo, desnecessário e anti-cidadão. Seria muito melhor aprender sobre ecologia, meio-ambiente, cidadania, leitura de textos. Enfim, sobre instrumentos necessários ao desenvolvimento da cidadania do que aprender coisas que só são úteis a um biólogo.
A escola justifica que esse conteúdo exigido é o conteúdo do vestibular. E assim segue a nossa educação.

Abração,

Eduardo

Eduardo em julho 8, 2009 5:56 PM


#113

Eduardo, o que acontece em língua portuguesa e literatura brasileira é um escândalo. É sádico o que fazem com os garotos. Meninos de 13 anos têm que decorar o que é uma oração coordenada assindética. Ora, pra que isso? Eles têm, evidentemente, é que aprender a escrever, a interpretar um texto, a expressar o que pensam. Os nomes das geringonças gramaticais eles podem aprender depois, ou consultar um manual quando precisem. Nem vou falar dos assassinatos que cometem com a literatura. Hoje, eu amo Machado de Assis e tiro algum prazer da leitura de José de Alencar. Mas isso acontece apesar do que fizeram com esses autores na escola que frequentei.

Esse modelo, claro, se mantém porque assim fica fácil corrigir uma prova de múltipla escolha. Favorece os cursinhos pré-vestibular, que são, verdadeiramente, uma coisa mafiosa. Eu sei de histórias dos cursinhos que eu teria até medo de escrever aqui. Coisa pesada, de bandido mesmo.

Idelber em julho 8, 2009 6:09 PM


#114

Se é que posso me aventurar a falar de algo que certamente o Idelber é mais conhecedor do que eu, Eduardo, lembro alguns fatos que ajudam a entender o confuso e pouco meritocrático sistema americano, que embora digam que não, foi o exemplo tomado pelos defensores das cotas, já que tal sistema só foi conhecido aqui no Brasil nem pela metade, mas por um terço (se tanto).
Nenhum sistema de acesso à universidade é pensado fora de um sistema maior de ensino. As cotas quebram também isso, como já foi apontado. Pois bem, as universidades americanas nascem como instituições privadas e confessionais. Com o tempo passam a se dedicar à ciência e perdem o caráter eminentemente confessional, embora até acho 1940 houvesse ainda uma tendência aos filhos de famílias de tal religião mandar seus filhos apenas para esta ou aquela universidade.
As primeiras universidades e faculdades públicas nascem, creio, ao finalzinho do XIX. Por um lado, elas não têm estrutura para receber um número massivo de estudantes; por outro, não têm como competir com o nível das privadas, mais antigas, reconhecidas e que pagam melhor os professores. Assim, num momento em que já há uma classe média de negros e de filhos de imigrantes italianos e judeus que procuram as universidades em número considerável, isto é, lá por 1900-1910, ocorre uma tomada de consciência por parte das direções das grandes universidades privadas, neste momento restritas à Costa Leste. Não só de própria lavra, mas também por pressão das famílias dos alunos de elite que a elas afluíam, os diretores reclamam , assutados, contra a entrada de "maus elementos" em ambiente tão seleto.
Até então o sistema de acesso era, pasmem, uma espécie de vestibular. Como somente famílias de elite afluíam a elas e havia uma divisão religiosa, comerciantes puritanos de Boston mandavam seus filhos a Harvard; episcopalianos de Nova York enviavam os seus para Columbia. And so on. Ainda assim, eram mais candidatos que vagas. Portanto, fazia-se uma prova e os donos de melhores notas entravam.
Quando começou-se a dar conta que aumentou muito rapidamente a presença de negros, católicos e judeus nestas instituições, pois os filhos daquela classe média afluente e urbana de imigrantes e ex-escravos passava nos exames de entrada, pois o sistema público também aumentara de qualidade, criou-se o atual sistema. A documentação nos arquivos das grandes universidades é farta e clara: era preciso criar uma "cota" para limitar os indesejáveis, pois eles não só poluiam o ambiente, como tomavam o lugar dos filhinhos de papai. Assim, discutiu-se abertamente uma nova noção de mérito. Quem é que merecia ficar ali? Os melhores alunos do ensino médio? Aqueles mais inteligentes, estudiosos, com melhores notas? Aqueles que sabiam mais grego e latim do que os filhos das famílias que veneravam a ancestralidade política dos Founding Fathers puritanos?
Não. Isso era muito limitado. Essa noção de mérito acadêmico, que valoriza os cdfs, não abarcava noções importantes como ser um gentleman, saber liderar, carregar a tradição e honrar a hombridade - qualidade pinçadas a dedo para valorizar quem devia ser valorizado. Desta forma, cada instituição chegou a uma conclusão similar e cada uma passou a examinar as tentativas uma da outra para adotar a mesma saída: estabeleceu-se um limite de indesejáveis (que variou de 5 a 15% do número de ingressantes) e para que esse número fosse sempre mantido elaborou-se um complexo sistema de ingresso que, pela sua complexidade, passou a ser visto como o supra sumo do mérito, quando na realidade era uma reengenharia social da pior espécie que limitava o mérito acadêmico.
Como era exatamante esse sistema, que permanece em boa medida vigente?
Bom, como boa parte dos filhos dos wasps ricos da Costa Leste tinha a vida ganha, sendo medíocres estudantes de secundário, acabou-se com a prova de latim e grego, ou se diminuiu consideravelmente seu peso. Também a prova sobre outras disciplinas perdeu importância. Passou-se a exigir cartas de recomendação. Elas não visavam estes riquinhos, pois todos sabiam de onde vinham. Mas elas serviam para aquele judeu do Brooklin que enviava uma carta do diretor da escola pública do bairro receber uma pontuação extra menor. Afinal, havia um ranking de escolas que colocava no alto os internatos pagos do interior que recebiam a prole wasp. A seguir, havia um formulário que perguntava sobre atividades extra-acadêmicas, como atividades esportivas e participação no jornal da escola. Como na época atividade deste tipo era coisa de rico (football, canoagem, atletismo, sendo o beisebol mal visto e o basquete inexistente; jornal era caro, mesmo o estudantil), bingo! ganhavam mais pontos os escolhidos de antemão. Também a participação em clubes era valorizada, pois isso indicava aptidão para liderar, e as universidades em questão não pretendiam apenas produzir schollars, mas também os futuros líderes do comércio, finanças, indústria e do próprio país. E isso não era coisa para qualquer um, mas para gente de estirpe e valor - gentlemans, enfim. Surge aí o crescimento enorme das fraternidades, pois os poucos indesejáveis que entravam deveriam no máximo se tornar bons advogados, físicos, historiadores, professores, químicos, mas jamais políticos ou empreendedores.
Pois bem, isso continua ainda. Não à toa o sistema americano tem ainda universidades para ricos (as de elite e privadas, caríssimas), para a classe média (as boas estaduais), e para os pobres (as faculdades meia boca, geralmente urbanas e limitadas aos cursos semi-técnicos, mais ou menos como nossas privadas aleitadas pelo Pro-uni). Um negro pobre americano, que já tem uma escola pública ruim, jamais, a nao ser exceções em número mínimo (e boa parte por causa do esporte), chega a uma Harvard. Em Harvard entram negros, hispanos e similares cuja família pode pagar, à exceção de alguns que recebem bolsas.
É dessa estrovenga que nasceu a brilhante idéia de "preservar" vagas a despeito do mérito, a despeito de um bom ensino universal público, a despeito de que pobre mesmo não tem chance lá no início, a despeito de que os beneficiados pela seleção que não segue uma aferição universal e impessoal são um grupo pequeno e já "privilegiado" de antemão.
As ações afirmativas nascem, então, em boa medida contra essas "cotas", preservando, contudo, seus mecanismos e seguindo uma lógica de não confrontação de certos interesses.
Como as universidades privadas são autônomas, nada as impede de selecionar como queiram seus alunos. É o mesmo princípio que rege o fato de que os EUA não possuem leis que punam diretamente o racismo, como as nossas ou mesmo as européias. O governo não pode nos EUA intervir nas instituições privadas. Daí programas de incentivo do governo (já que após 1940 a ciência ganha um novo impulso por lá com programas federais de bolsas e financiamento de pesquisa e, de novo nos 60 com o boom universitário), que são valorizados mesmo pelas universidades de elite, pois a grana é considerável (comparem n número de nóbeis americanos pré e pós II Guerra Mundial). Estes programas recompensam instituições que apresentam variedade étnica e/ou racial em seu corpo docente e discente. Como a universidade não tem obrigação legal de contratar sequer o melhor professor na área (eu falei que lá em 1910-1920 também houve um limite de professores não-wasps, e somente para cursos científicos, e não para administração ou direito?), o que inflava os professores wasps, a saída, em vez de obrigar ou incentivar coisas como concurso público, foi utilizar o mesmo método para contratar professores que seriam discriminados pelos critérios internos da instituição. É meio louco, mas é perfeitamente compreensível dentro dos limites da mentalidade anti-estado (simplifico, obviamente) norte-americana. Enfim, o mesmo raciocínio vale para a aceitação de alunos antes taxados de indesejáveis. As universidades aceitam-nos, de início meio a contra-gosto, pois não só vem din-din, mas porque há uma maré anti-racista, a que vem com os direitos civis nos anos 60. Pega mal para venerandas instituições que carregam a falsa mítica do mérito barrar gente pela cor da pele ou pela religião.
Como as universidades públicas, mais pobres e mais novas, seguem estas venerandas universidades, importa-se o mesmo sistema de incentivo e pontuação, seja porque as do sul vetavam estudantes negros, seja porque as demais também sofriam com o racismo institucional.
Enfim, as "cotas" americanas existiram sim. As ações afirmativas são, de certa forma, cotas ao revés. E elas só podem ser entendidas, a meu ver, com este pano de fundo de um acesso pago e desigual (e não necessariamente desigual porque pago), no meio de um sistema de ensino primário e secundário extremamente desigual e cada vez pior, o que é facilmente exemplificado pelo país estar atras até mesmo de Cuba em alguns indicadores de letramento e compreensão matemática nos testes (hmmm, esse negócio de prova para aferir mérito, sei não...) internacionais de proficiência escolar.
Desculpem pelo texto longo, mas espero que isso sirva para o debate.

João Paulo Rodrigues em julho 8, 2009 7:13 PM


#115

JPR, só um minúsculo reparo à sua magnífica explicação. Nos EUA, as primeiras universidades públicas surgem no fim do século XVIII, não XIX. Não muda nada no que você diz, mas coloco o adendo só pra fique exata a informação: quatro universidades disputam o título de instituição pública mais antiga dos EUA. A Universidade da Carolina do Norte, fundada em 1789 (casa dos meus gloriosos Tar Heels, instituição que merece o título de verdade), a Universidade da Geórgia, fundada em 1785 (mas que só recebe seus primeiros alunos em 1801, daí a briga), o College of William and Mary (que hoje é público, mas foi fundado por "royal charter" em 1683, rompeu os laços com a Inglaterra na época da independência e reabriu como instituição pública em 1888) e o College of Charleston (que foi fundado como college municipal em 1770, foi "chartered" em 1785 e continuou privado até 1836). Aí depois vêm outras: A Universidade de Michigan é de 1817. Indiana University de 1820.

Reitero: isso não muda nada no que você diz. É só para termos a informação exatinha.

Idelber em julho 8, 2009 7:42 PM


#116

E adentrando também no tema vestibular, tenho que discordar daqueles que buscam denegr... oooops, desaboná-lo.
Como qualquer sistema de aferimento de conhecimentos e raciocínio, há más e há boas provas. Nada indica que um sistema de provas universais seja, em si, tendente à decoreba e coisas assim. O novo sistema do MEC, aliás, não é mais que um amplo vestibular nacional. A ideia, de início, me apraz, embora ela tenha problemas relativos à autonomia universitária, mas isso não vem ao caso.
Boas universidades fazem bons vestibulares, como USP, UFRJ e Unicamp, os que conheço. Eles não exigem decoreba nem massacram pelo lado negativo os alunos do secundá... ensino médio (ah, esses novos tempos). Estudei em boas escolas particulares do Rio e elas dirigiam seus alunos para estas instituiões. Seu ensino passava longe do decoreba e era absolutamente tradicional: gargalo, quadro, giz e conhecimento bruto.
O problema está em dois lugares e eles se articulam. Devido à ampliação do ensino pago e falência do público, junto com a não ampliação das boas universidades, aumentou muito a correlação candidato-vaga nas IFES e inflou sobremaneira a demanda por um ensino que levasse os alunos para estas IFES (inclua-se aí as estaduais paulistas, que, na realidade, não somam, já que quase não há federais em SP). A pressão para que o sistema se tornasse esta máquina mecânica (desculpem a redundância) ficou imenso (sem contar que é caro fazer uma prova de qualidade, o que poucas universidades podem bancar). De um lado há um mercado imenso a exigir isto; de outro um avolumar de alunos semi-letrados que precisam ser recebidos, com o perigo de que se assim não for, boa parte das IFES ficará às moscas (exagero, é claro, mas quem dá aulas numa universidade sabe do que falo). Conto apenas um caso ilustrativo referente à pressão de cursinhos, editoras etc. No Ceará os professores de história, que possuem um núcleo de estudo sobre o ensino de história, conseguiram fazer passar no Conselho Universitário novas diretrizes para o vestibular, com a indicação de material didático para as escolas se adequarem ao novo vestibular. O que ocorreu? Algumas delas entraram na Justiça contra a universidade, com argumentos como o de perda de dinheiro com mudanças curriculares e compra de novo material. Ganharam. Não precisa dizer que um dos desembargadores era de tradicional família cearense, a mesma que era dona de uma das escolas peticionárias.
A universidade voltou atrás, é claro.

PS: tive bons professores de literatura, que, aliás, me fizeram gostar de Machado.

João Paulo Rodrigues em julho 8, 2009 7:44 PM


#117

Obrigado Idelber. O CWM, aliás, foi uma das melhores e mais prestigiadas por um bom tempo. Não sei hoje qual seu "ranking" (não falo daquilo de 12o, 26o ou 58o lugar e tal) hoje.
Abraço.

João Paulo Rodrigues em julho 8, 2009 7:47 PM


#118

Idelber,

essa é uma das postagens que nos instigam a pensar uma ferida aberta – e não me refiro à possibilidade de bloqueios ao gozo de “direito adquirido” por alunos não cotistas, senão ao convívio mesmo com uma diferença irredutível. As postagens que faz sobre esses assuntos apontam não só para uma sensibilidade rara – não esquecendo também as postagens que fez recentemente sobre a frente parlamentar contra a homofobia e o "confronto" entre a religiosidade de Marina Silva e sua posição pública diante do programa do partido ao qual pertence – como também para um pensamento, sempre político, sobre a vida (uma vida...) que está em jogo. Gostaria agora de retomar a argumentação de Flávia Cera (#46) sobre a convivência com a diferença. As cotas já fazem parte dos programas de acesso de cerca de 70 universidades públicas brasileiras.Diante disso, reduzir a discussão aos termos de justiça ou não do programa de cotas, no Brasil, como se elas ainda não existissem, é permanecer na circularidade daquela formulação que Anatole France bem apresentou sobre a “igualdade” dos cidadãos, quando dizia que a mesma lei que pune aquele que dorme debaixo das pontes servia tanto para o burguês quanto para o mendigo. Fazendo isso, desdobramos aquilo que seria pensamento jurídico de Estado democrático em juridiquês que teme a ameaça a um status quo constituído e que faz de tudo para conservar essa situação. Além disso, também se expõe ao extremo a capacidade de o discurso inclusivo (já fetichizado) se apresentar em discurso de captura. Depois que os primeiros africanos escravizados chegaram ao Brasil, algo como UMA sociedade brasileira confortou-se em conviver o negro no máximo como um elemento a mais para um certo exotismo de nossa condição. Nesse aspecto, a “visibilidade” do negro se restringe à música, à alimentação, a alguns comportamentos que, com uma dose de ufanismo ingênuo e não menos macabro, nos definiriam a nós brasileiros como seres alegres, dispostos a uma vida risonha mesmo diante da catástrofe. Ou seja, o contato com o negro vai bem para os dias de festa, mas não para todos os dias, vai bem para o exótico, mas não para o ótico. Aí a exposição do negro só pode funcionar como exposição já previamente mediada. Na rotina dos dias, é preciso que ele se mantenha discreto – ou, seja mantido – na condição de engrenagem, sem alardes. Existe e não ex-iste. O que as cotas possibilitam é a ex-istência dos negros nas universidades, possibilitam a sua circulação, possibilitam a exposição da nossa ferida, a exposição do convívio com a nossa ferida – que é o pânico diante da diferença em uma terra onde tudo é, desde que o primeiro europeu chegou aqui, diferente.

Diego Cervelin em julho 8, 2009 9:03 PM


#119

Professor, boa noite.

Discussão da maior importância a que está acontecendo, mas estou aqui para agradecer a excelente explicação postada pelo João Paulo Rodrigues.
Sempre tive dificuldades para entender minimamente o funcionamento das instituições universitárias norte-americanas. Seu esclarecimento foi exemplar.

Pelo que entendi as “cotas” nos EUA foram estabelecidas para impedir (ou pelo menos para limitar) o ingresso de determinados segmentos sociais. Ou seja, o exato oposto das razões pelas quais as cotas foram aqui implementadas. Tanto lá, como cá, ou em qualquer sociedade fundada na divisa de classes. o sistema educacional reproduz a divisão de classes. Evidentemente, com os ajustes necessários para acompanhar as mudanças sociais que vão ocorrendo ao longo da história.

A adoção das cotas, no meu entendimento, encobre o problema macro: o sistema educacional. Migalhas são concedidas, o ingresso no ensino superior, no final das contas para uma minoria da minoria, ou seja, para quem consegue disputar uma vaga no ensino superior. Dessa forma, ficamos a discutir se as cotas são válidas, ou não. Discussão superada, à medida que as cotas estão sendo adotadas em grande número de universidades. Mas, insisto, a questão de fundo que é o descalabro do sistema educacional – do jardim de infância ao pós-doutorado – fica obscurecida. Sim, o Ministério da Educação tem apresentado projetos e programas que, de acordo com o ministro, procuram encaminhar os agudos problemas da área, mas, a meu ver, sempre dentro dos marcos estruturais de nossa sociedade, pois com cotas, ou sem cotas, o sistema educacional reproduz a perversa divisão de classes da nossa sociedade. Não há matriz curricular ou conteúdo programático neutro. A escola, como todos sabemos, porque livros e livros já foram escrito sobre o tema, pesquisas e pesquisas já demonstram, a escola, repito, “constrói” os adultos

Tenho a impressão (puro achismo), que a maioria dos que aqui comentam cursaram universidades públicas e/ou nelas trabalham.

Por razões que não vêm ao caso, escolhi há muitos anos trabalhar em uma (hoje) universidade comunitária no interior de SP. Quem nunca teve essa experiência, não sabe da missa a metade.

Por que 70% dos estudantes estão nas universidades, centros universitários ou faculdades isoladas?


Por que à medida que um maior percentual dos estudantes oriundos das camadas populares começaram a chegar ao ensino superior este foi perdendo qualidade (não estou me referindo às públicas)?

Por que hoje temos cursos de “tecnologia social” (como sou retardada custei a entender que quando se falava em “tecnológicos” estávamos falando em tecnologia social, e eu nem sei a origem deste bendito tipo de curso)? Cursos de dois anos.

Por que os cursos de licenciatura tiveram a carga reduzida de quatro para três anos? Nas comunitárias e particulares não tivemos muita escolha.

Por que as aulas da área de humanidades têm tido sua carga constantemente reduzida para a inclusão de disciplinas (componentes curriculares) mais práticas, técnicas?

Por que, de repente, os cursos à distância? Embora cursos à distância existam há muito tempo, subitamente eles passaram a ser a solução. Solução para o quê?

Por que o mestrado hoje deve ter a dissertação defendida em dois anos? Dois anos?Ah, dá licença.

Muitas outras perguntas são possíveis, mas assim já está bom demais.

Parece que fugi do tema em pauta, mas não fugi não. Todas estas questões estão vinculadas à questão das cotas raciais, sociais e quetais.

Forte abraço.
Marilda

Marilda S. Costa em julho 8, 2009 9:39 PM


#120

Marilda, no trecho que vc escreveu:

"Por que à medida que um maior percentual dos estudantes oriundos das camadas populares começaram a chegar ao ensino superior este foi perdendo qualidade (não estou me referindo às públicas)?"
.
Está incorreta esta afirmação, pois há poucos meses foi divulgado que os estudantes que entram pelo PROUNI tem notas iguais ou superiores aos que entram pelo sistema universal. Se bem que muito antes de sair esta estatistica o meu orientador já me confirmara estes dados no Mckenzie.

Chico Mendes em julho 8, 2009 10:11 PM


#121

Só em complemento,http:
Fonte do post anterior:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u581064.shtml
.
E aqui um artigo do Elio Gaspari sobre os prounista:
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/as-cotas-e-a-urucubaca/
.
Ou seja, qualidade diminuir? Nunquinha!

Chico Mendes em julho 8, 2009 10:22 PM


#122

Faço mais um registro aqui somente pra agradecer a Vera Vassouras do #96. Fazia uns dias que eu não gargalhava tão gostoso. Me fez lembrar a estória dos "posadistas", um grupelho trotskista da minha época de movimento estudantil. Diz a lenda que eles acreditavam que numa sociedade socialista até as flores seriam mais felizes, pois serviriam para um proletário fazer um agrado a uma proletária. Amei seu texto. Fosse naquela época eu iria pedir um pouco do produto que vc usou pra acompanhar o deleite.

Idelber, falando nisso (mov. est.), li dia desses que foi criada a Une do B, pelo PSTU e outros grupos trotskistas. Agora tem a Une do PC do B (stalinistas) e a Une do B (trotskistas). Depois o pessoal reclama quando dizem que a esquerda só se une na cadeia...

Bob em julho 9, 2009 3:17 AM


#123

Pensei em entrar nessa discussão, de novo... fiquei surpresa ao ver que o Idelber, apesar do texto extremamente elogioso que escreveu sobre o livro do Risério, de fato não mudou de opinião com relação às cotas raciais. Como é que se pode justificar isso, sobretudo depois de ter lido aquele livro, não entendo. Como é que alguém pode julgar a cor de outro? Filhos do mesmo pai e da mesma mãe têm cores diferentes no nosso misturado país. A pobreza e a exclusão no Brasil tem várias cores. As cotas para escolas públicas cumprem a função fundamental de começar a incluir excluídos. Sem discriminar. E, em vez de avançarmos para construir uma política inclusiva e própria a partir das especificidades da nossa realidade, retrocedemos incorporando conceitos de uma sociedade cuja história e a construção social é em tudo diferente da nossa.

Renata L em julho 9, 2009 6:53 PM


#124

Reanta: "A pobreza e a exclusão no Brasil tem várias cores. As cotas para escolas públicas cumprem a função fundamental de começar a incluir excluídos. Sem discriminar. E, em vez de avançarmos para construir uma política inclusiva e própria a partir das especificidades da nossa realidade, retrocedemos incorporando conceitos de uma sociedade cuja história e a construção social é em tudo diferente da nossa. "

Renata, essas questões (a q vc dá essa redação elegante e sintética) não foram rebatidas aqui em 123 comentários. Duvido q venham a ser.

Frank em julho 9, 2009 10:24 PM


#125

boas risadas agora e daqui 15 anos quando for tudo definitivamente desmascarado ( como nos EEUU ) sobre posiçoes que não se sustentam nem dentro do proprio texto.
O diagnostico esta correto mas a medicaçao completamente errada serve para resolver o problema politico dessa amaurose que governa a mente dos gestores brasileiros e alimentado por maniqueistas que nunca se preocuparam em sair 10 metros alem de suas fontes de alienação.

Parreira em julho 9, 2009 10:41 PM


#126

Frank, Renata e demais interessados(as),
.
Façam o teste do pescoço: Estiquem o pescoço para dentro de uma sala de aula de medicina, jornalismo, direito numa universidade pública que não tem cotas raciais e não verão dificuldades em saber quem é branco e quem é negro. Afinal, só verão branquinhos. Por certo encontrarão um negro que será o exemplo para derrubar o sistema de cotas.
.
Parreira,
A suprema corte no EUA declarou a desnecessidade passados 40 anos de aplicação do sistema. Aqui, apenas pedimos que começem imediatamente e que durem pelo menos o que durou lá: 40 anos.
.
Só para lembrar o discurso de que Cotas sociais resolvem o problema é sinônimo de Democracia Racial. Ou seja, neste ultima vê-se e defende-se uma suposta HARMONIA entre as cores. Já as cotas sociais o que querem nos convencer é que existe uma suposta HARMONIA na tragédia, em síntese, todos os pobres são HARMONICAMENTE iguais no sofrimento.
.
Olha aí o discurso da Democracia Racial com roupagem nova.

Chico Mendes em julho 9, 2009 11:56 PM


#127

Pesquisa do PNAD de 1996(só para lembrar, não houve nenhuma revolução neste país que nos faça crer que este ano de 1996 está muito distante da atualidade OK? - até mesmo o Estatuto que está no Congresso para ser votado tem mais de 13 anos, este projeto nasceu em 1995).

Pois bem, O PNAD dividiu em seis os extratos ocupacionais contendo em cada, trabalhadores de todas as matizes, RESSALTE-SE que em cada grupo ocupacional, seus integrantes tem a mesma formação, o mesmo número de anos de estudos, as mesmas deficiências e etc. Apenas o que diferencia dentro de cada grupo é a cor e o salário.

[b]Grupo ocupacional nº 01[/b]

Estrato denominado baixo inferior composto por trabalhadores rurais não-qualificados com as seguintes ocupações: Produtores agropecuários autônomos, trabalhadores da agropecuária e pescadores.

[b]Grupo ocupacional nº 02[/b]

Estrato denominado baixo superior composto por trabalhadores urbanos não qualificados com as seguintes ocupações: Comerciantes por conta própria; vigia; serventes; trabalhadores braçais sem especificação; vendedores ambulantes; empregadas domésticas.

[b]Grupo ocupacional nº 03[/b]

Estrato denominado médio inferior composto por trabalhadores qualificados e semi-qualificados com as seguintes ocupações: motoristas, pedreiros, mecânicos de veículos; marceneiros; carpinteiros; pintores e caiadores; soldadores; eletricistas de instalações.

[b]Grupo ocupacional nº 04[/b]

Estrato denominado médio médio composto por trabalhadores não manuais, profissionais de nível baixo e pequenos proprietários com as seguintes ocupações: pequenos proprietários na agricultura; administradores e gerentes na agropecuária; auxiliares administrativos e de escritório; reparadores de equipamentos pracistas e viajantes comerciais; praças das forças armadas.

[b]Grupo ocupacional nº 05[/b]

Estrato denominado médio superior composto por trabalhadores de níveo médio e médio proprietários com as seguintes ocupações: criadores de gado bovino; diretores, assessores e chefes no serviço público; administradores e gerentes na indústria e no comércio; chefes e encarregados de seção; representantes comerciais.

[b]Grupo ocupacional nº 06[/b]

Estrato denominado alto composto por profissionais de nível superior e grandes proprietários com as seguintes ocupações: Empresários na indústria; administradores e gerentes de empresas financeiras, imobiliárias e securitárias; engenheiros; médicos; contadores; professores de ensino superior; advogados; oficiais da Forças Armadas.

[b]MÉDIA DE RENDIMENTOS PELO ESTRATO OCUPACIONAL(Aqui é um tapa na cara para quem diz que nosso problema é de classe. E quem diz isso? Ecos do passado, ecos do século XIX e seus cooptados)[/b]

Vamos aos rendimentos? Vamos:


Grupo ocupacional nº 01(média de rendimentos)
Branco: 315,96
Preto: 158,12
Pardo: 182,06

Grupo ocupacional nº 02(média de rendimentos)
Branco: 577,88
Preto: 311,75
Pardo: 350,09

Grupo ocupacional nº 03(média de rendimentos)
Branco: 644,88
Preto: 464,99
Pardo: 458,49

Grupo ocupacional nº 04(média de rendimentos)
Branco: 1.246,94
Preto: 717,05
Pardo: 775,80

Grupo ocupacional nº 05(média de rendimentos)
Branco: 1.877,23
Preto: 987,32
Pardo: 1.039,20

Grupo ocupacional nº 06(média de rendimentos)
Branco: 2.919,93
Preto: 1.805,16
Pardo: 1.940,11

Chico Mendes em julho 10, 2009 12:01 AM


#128

“Glass Ceiling” é a expressão utilizada pelos norte-americanos para designar as barreiras artificiais e invisíveis que obstaculizam o acesso de negros e mulheres qualificados a posições de poder e prestígio, limitando-lhes o crescimento e o progresso individual.
O reconhecimento oficial da existência desses obstáculos artificiais se deu por ocasião da promulgação pelo Congresso do Civil Rights Act
de 1991, que criou a “Glass Ceiling Commission”, um órgão consultivo de natureza colegiada, composto por 21 membros nomeados pelo Presidente da República e por líderes do Congresso, com a incumbência de identificar as barreiras invisíveis e propor medidas hábeis a criar oportunidades de acesso de minorias a posições de mando e prestígio na órbita econômica privada. A referida Comissão
constatou que, apesar dos avanços obtidos graças ao movimento dos direitos civis, no ano de 1995, 97% dos cargos executivos superiores das 1000 maiores empresas relacionadas pela revista Fortune eram ocupados por pessoas brancas e do sexo masculino. Vale dizer, um índice injustificável sob qualquer critério, haja vista que 57% da força de trabalho americana compõe-se de representantes do sexo feminino ou de minorias, ou de ambos. V. Rosana Heringer, op. cit. 14

Chico Mendes em julho 10, 2009 12:02 AM


#129

A chocante declaração de um eminente professor da Faculdade de Direito da USP: “A Constituição dispõe que o ensino será ministrado com base no princípio da “igualdade de condições” para acesso e permanência na escola; no entanto, dando aulas há 28 anos na Faculdade de Direito da USP, para, em média, 250 alunos por ano, e tendo tido aproximadamente 7.000 alunos, dou meu testemunho de que nem cinco eram negros!”(Professor Antonio Junqueira de Azevedo.
Folha de São Paulo de 15 nov. 1996, sp. 2-3).

Chico Mendes em julho 10, 2009 12:03 AM


#130

Percebo que na ânsia de defender suas bandeiras,
muitos colunistas não se envergonham de enxovalhar a biografia das pessoas.
Talvez porque confiem que quem vai ler não irá checar a informação.

Ana Gouvea em julho 10, 2009 1:30 AM


#131

Discriminar = distinguir; discernir; separar; diferenciar.

1º - Quando se prega a implantação de cotas raciais busca-se separar pessoas por raças, ou seja, racismo.

2º - Porque não implementar cotas afirmativas para pobres, estudantes de escolas públicas ao invés de implementar cotas para negros? Cota para negro é dizer que o negro é incapaz de competir com as demais raça em pé de igualdade.

3º - Sabemos que existe racismo no Brasil, mas devemos separar algumas coisas. Há pessoas preconceituosas em relação a cor das outras e associam a cor da pele a condição financeira, a status social, como foi colocado no texto do Munanga quando ele fala como a segregação ocorre no Brasil. Mas cada indivíduo racista tem lá seus critérios de definição de raça, mas o Estado não tem. Aliás, ainda bem que não tem! Inclusive a constituição não permite esse tipo de diferenciação e mesmo se permitisse, seriam necessários critérios universais de base cientifica para separar raças. Sem critério definido, qual tribunal teria moral para dizer quem é ou deixa de ser negro? Neste caso Demétrio Magnoli tem absoluta razão!

4º - O movimento negro é interessante em vários aspectos. Fazendo uma analogia com os cursinhos populares pré-vestibulares que lutam contra o vestibular, o que é uma tremenda contradição, isso é válido, pois usam o vestibular como arma de instrução do povo sobre os problemas das universidades do Brasil, o movimento negro faz algo parecido. O grande problema é que para combater o racismo dos brancos, a conscientização racial dos negros pode atingir o racismo. Isso ocorre quando essas acusam outras de não assumirem a raça negra, quando defendem cotas raciais, enfim quando isso ultrapassa os ideais de resistência a discriminação aos negros, isso passa a ser racismo.

5º - Reparem a afirmação do prof. Munanga em relação ao Demétrio Magnoli: "Bem, o geógrafo Demétrio Magnoli leva ao extremo a acusação a mim dirigida quando me considera um dos “ícones do projeto da racialização oficial do Brasil”. Grave acusação! Infelizmente, ele não deu nomes a outros ícones. Nomeou apenas um deles, cuja obra não leu, ou melhor, demonstra não ter lido. Mas por que só o meu nome mencionado? Porque sou o mais fraco, pelo fato de ser brasileiro naturalizado, ou o mais importante, por ter chegado ao ponto mais alto da carreira acadêmica? Isso parece incomodá-lo bastante!" A acusação agora se inverte. É só uma observação: Pessoas como eu não são contrárias as cotas porque são racistas, justamente pelo contrário, defendem que a palavra raça seja abolida do nosso vocabulário, o que infelizmente está longe de acontecer. Muitas pessoas que se julgam negras vêem essa questão como dogma, um direito, e que todos aqueles contrários a isso são racistas, perseguidores. É bom ter cuidado com isso!

Guilherme em julho 14, 2009 10:08 PM


#132

Guilherme,
Não aceitamos cotas sociais pelo fato de que cotas sociais serem sinônimo de Democracia Racial.
.
E uma outra intenção nossa é mandar o pensamento da Democracia Racial de Gilberto Freyre para o quinto dos infernos.
.
Sempre lembro que Freyre confundia Estupro com amor físico e ainda teve brasileiro que até hoje acredita que houve foi amor físico. Que bobinhos estes racistas que acreditam até hoje em Gilberto Freyre.

Chico Mendes em julho 14, 2009 11:07 PM


#133

O texto do Professor Munanga é lindíssimo, perfeito, uma resposta serena a um ataque desastrado, triste ver pessoas lerem e ainda assim deturparem o que ele diz. Esse texto é simplesmente fundamental para entender vários aspectos da política de cotas...
Um abraço!

Thiago em julho 15, 2009 6:14 PM


#134

Aos que pensam que o assunto terminou aí, lamento e informo que uma ONG do Rio de Janeiro está organizando um DEBATE entre Demétrio e Kabenguele, para que resolvam esse assunto CARA A CARA. Detalhe: DEMÉTRIO JÁ TOPOU. Agora o pessoal está atrás do Kabenguele. Vamos ver se ele vai topar também. E se topar, vamos ver quem "acaba" com quem.

Sem Raça Definida em julho 19, 2009 1:52 PM


#135

Não tem necessidade. Demétrio quer se promover. Apenas isso.

Chico Mendes em julho 20, 2009 2:30 PM


#136

...cotas sociais não são sinônimo de democracia racial: cotas sociais representam o interesse das pessoas, livres de TODO E QUALQUER PRECONCEITO OU RESSENTIMENTO, em corrigir males centenários através de uma política de cotas - livres dos aspectos genéticos ou biológicos ou mesmo de conceitos pseudocientíficos ( raça )e focado nos aspectos que realmente definem o ser humano, a saber, os sociais.
Querem fazer uma justa reparação aos afrodescendentes? Cotas aos mais pobres, aos oriundos do ensino público e se por acaso entrarem uma minoria de eurodescendentas qual o problema?? POREM, O Q É MAIS IMPORTANTE: MELHOREM O ENSINO MÉDIO URGENTEMENTE...

HEITOR em julho 20, 2009 3:51 PM


#137

Olhe, Demétrio é um sujeito problemático. Tinha uma ideologia quando estudante (até 15 dias atrás, porque ficou na USP uns 15 anos como estudante profissional), era trotkista galopante. Correu tanto para a esquerda, sem freio, que acabou direitista brecado. O "galopante" não é metáfora, apenas... Prestem atenção na figura. Que tipo!

Eduardo Viveiros em julho 21, 2009 4:29 AM


#138

"cotas sociais não são sinônimo de democracia racial"
.
HEITOR, se são sinônimos não são eficazes, pois a Democracia Racial foi o que gerou a nossa maior desgraça.

Chico Mendes em julho 21, 2009 12:02 PM


#139

Caro Chico,
vc disse "...se são sinônimos não são eficazes, pois a Democracia Racial foi o que gerou a nossa maior desgraça." Eu digo justamente o contrário: o objetivo das cotas sociais não é o estabelecimento de uma democracia racial, esta como sabemeos uma mentira.
Cotas sociais usa como critério a posição sócio-econômica: lhe incomoda q alguns brancos pobres se beneficiem disso?

HEITOR em julho 21, 2009 2:59 PM


#140

Eu já disse acima que a imprensa racista e a sociedade racista que ela representa foram eficazes em convencer parcela da população de que os brancos pobres não são beneficiados pelo sistema. Ainda tem gente que acredita que somente negro é beneficiado que coisa hein? Mas vamos repetir os dados do PNAD para tentar provar que até entre os pobres os o negro pobre é mais excluído do que que o branco pobre:

Pois bem, O PNAD dividiu em seis os extratos ocupacionais contendo em cada, trabalhadores de todas as matizes, RESSALTE-SE que em cada grupo ocupacional, seus integrantes tem a mesma formação, o mesmo número de anos de estudos, as mesmas deficiências e etc. Apenas o que diferencia dentro de cada grupo é a cor e o salário.

[b]Grupo ocupacional nº 01[/b]

Estrato denominado baixo inferior composto por trabalhadores rurais não-qualificados com as seguintes ocupações: Produtores agropecuários autônomos, trabalhadores da agropecuária e pescadores.

[b]Grupo ocupacional nº 02[/b]

Estrato denominado baixo superior composto por trabalhadores urbanos não qualificados com as seguintes ocupações: Comerciantes por conta própria; vigia; serventes; trabalhadores braçais sem especificação; vendedores ambulantes; empregadas domésticas.

[b]Grupo ocupacional nº 03[/b]

Estrato denominado médio inferior composto por trabalhadores qualificados e semi-qualificados com as seguintes ocupações: motoristas, pedreiros, mecânicos de veículos; marceneiros; carpinteiros; pintores e caiadores; soldadores; eletricistas de instalações.

[b]Grupo ocupacional nº 04[/b]

Estrato denominado médio médio composto por trabalhadores não manuais, profissionais de nível baixo e pequenos proprietários com as seguintes ocupações: pequenos proprietários na agricultura; administradores e gerentes na agropecuária; auxiliares administrativos e de escritório; reparadores de equipamentos pracistas e viajantes comerciais; praças das forças armadas.

[b]Grupo ocupacional nº 05[/b]

Estrato denominado médio superior composto por trabalhadores de níveo médio e médio proprietários com as seguintes ocupações: criadores de gado bovino; diretores, assessores e chefes no serviço público; administradores e gerentes na indústria e no comércio; chefes e encarregados de seção; representantes comerciais.

[b]Grupo ocupacional nº 06[/b]

Estrato denominado alto composto por profissionais de nível superior e grandes proprietários com as seguintes ocupações: Empresários na indústria; administradores e gerentes de empresas financeiras, imobiliárias e securitárias; engenheiros; médicos; contadores; professores de ensino superior; advogados; oficiais da Forças Armadas.

[b]MÉDIA DE RENDIMENTOS PELO ESTRATO OCUPACIONAL(Aqui é um tapa na cara para quem diz que nosso problema é de classe. E quem diz isso? Ecos do passado, ecos do século XIX e seus cooptados)[/b]

Vamos aos rendimentos? Vamos:


Grupo ocupacional nº 01(média de rendimentos)
Branco: 315,96
Preto: 158,12
Pardo: 182,06

Grupo ocupacional nº 02(média de rendimentos)
Branco: 577,88
Preto: 311,75
Pardo: 350,09

Grupo ocupacional nº 03(média de rendimentos)
Branco: 644,88
Preto: 464,99
Pardo: 458,49

Grupo ocupacional nº 04(média de rendimentos)
Branco: 1.246,94
Preto: 717,05
Pardo: 775,80

Grupo ocupacional nº 05(média de rendimentos)
Branco: 1.877,23
Preto: 987,32
Pardo: 1.039,20

Grupo ocupacional nº 06(média de rendimentos)
Branco: 2.919,93
Preto: 1.805,16
Pardo: 1.940,11

Chico Mendes em julho 21, 2009 4:19 PM


#141

Vou te confessar uma coisa HEITOR:
.
Branco pobre também é beneficiado viu? Isso mesmo: Branco pobre também é beneficiado viu? Isso mesmo:
Branco pobre também é beneficiado viu? Isso mesmo: Branco pobre também é beneficiado viu? Isso mesmo:
Branco pobre também é beneficiado viu? Isso mesmo: Branco pobre também é beneficiado viu? Isso mesmo.

Chico Mendes em julho 21, 2009 4:21 PM


#142

Sr Chico,
...vc não precisa me confessar nada...o seu tom emocional já diz tudo...
Estou discutindo da forma mais educada. Reflita: SE O BRANCO POBRE É PRIVILEGIADO - e isto lhe incomoda a ponto de confessaqr-me -pra q chamar isso de cota racial. Veja não se trata só de um conceito, mas de uma visão de mundo embasada num erro e de uma prática errada. Não fique agastado em ter q explicar as coisas, nem faça pre-conceitos acerca de quem vc não conhece.
Obrigado.

HEITOR em julho 22, 2009 4:36 PM


#143

...a única explicação para o racismo - e negar a cientificidade ao conceito de raça não é negar o racismo - não pode ser outra q não a História. A única superação verdadeira deve ter por base uma abordagem econômica e social.
O nível de rendimento reforça essa idéia: o patrão se aproveita sistematicamente de qualquer oportunidade para deprimir salários: negros, mulheres, imigrantes ilegais etc. Uma frente de luta muito interessante seria exigir o fim dessas diferenças salarias em virtude do sexo, cor ou situação legal.

HEITOR em julho 23, 2009 2:11 PM


#144

...uma pergunta, até certo ponto provocativa (no bom sentido , é claro), se coloca para demonstrar o conteúdo classista que se encontra imbricado ao racismo e as vezes o supera: um patrão afrodescendente não se aproveita das mesmas oportunidades que o patrão branco para deprimir salários? Caberia um estudo,se é q já não existe...

HEITOR em julho 23, 2009 2:19 PM


#145

Vc fala da experiência do comportamento de 0,00000001% de patrôes negros que deve ser do total geral é?
.
Queres fazer um estudo com uma desprorpoção assim?
.
Isso me lembra os que lembram de casos assim isolados tais como o Ministro Joaquim Barbosa para dizer que nosso problema não é racial.
.
Ou daqueles que sempre trazem o Celso Pitta para tentar provar que tanto negro quanto branco tem a mesma tendência à corrupção. E aqui nem lembram da proporcionalidade.

Chico Mendes em julho 23, 2009 3:57 PM


#146

Sugiro ao REACIONÁRIO do Geógrafo ler O POVO BRASILEIRO,do grande e ETERNO Darcy Ribeiro.Sou filho de Branco com Indio.De Belo Horizonte/MG

David rodrigues da silva em julho 23, 2009 9:56 PM


#147

...caro Chico
apenas ressalto q não percas de vista, nunca, a perspectiva de classe...
no mais as aspirações do povo afrobrasileiro são mais do que justas: são necessárias!

HEITOR em julho 24, 2009 2:13 PM


#148

Apenas para informar :
Li hoje que um vestibulando de medicina conseguiu liminar na justica para ser matriculado no curso. Ele havia perdido a vaga para um vestibulando que fez menos pontos do que ele nas provas, mas no total teve maior pontuação devido á cota.

Black Josie em julho 28, 2009 8:58 AM


#149

Ótimo texto. Bela construção de argumentos, nos mostrando o panorama das discussões acerca das cotas no Brasil.

Ulisses em outubro 26, 2009 9:11 PM


#150

Estive ontem na palestra do Demétrio, na Feira do Livro de Porto Alegre.
Bem fizeram o prof. Kabenguele Munanga e o Sen. Paim 9(este propôs enviar um assessor ao debate, recusado categoricamente pelo alto padrão do palestrante)de não comparecerem a mesma, pois com o referido autor não há possibilidade de debate.Aparece muito nitidamente o quanto a resposta de Munanga o incomodou a ponto de disparar contra "certos antropólogos" a "monstruosa acusação" de multiculturalistas e de quererem usar como critério de avaliação de raça a polícia...
Pior, ele carregou junto para o debate um certo antropólogo da UFRGS que é contra as cotas e que obviamente rasgou elogios ao livro do sociólogo Magnoli e ao iluminismo do autor, obviamente com o tom da neutralidade científica.
Quando citei o questionamento que se faz ao iluminismo por seu evidente eurocentrismo o dito autor abriu sua metralhadora giratória, inclusive contra o Panafricanismo e seus ditadores,dizendo que "ele" (no caso eu) disse que o existem professores negros da África que tem matriz própria e questionam o fortemente o eurocentrismo porque são multiculturalistas e logo raciais.Será que o "ele" a mim referido é mais um tentativa de negar a alteridade (eles) e a realidade de movimentos sociais,entre os quais, o movimento indígena boliviano, que apóia Evo, e que o sociólogo achincalhou dizendo que na Bolívia os constituintes indígenas estavam fantasiados de índios?
Sinceramente, não comprei o tal livro, pois me pareceu tendencioso e pseudocientífico na sua tese sem direito a antítese, que dirá, síntese.

Eduardo Sejanes Cezimbra em novembro 4, 2009 10:20 AM


#151

Sinceramente, não existe explicação racional para o que acontece no Brasil.

Vejo que desde quando a mão de obra escrava negra foi substituida pela mão de obra branca européia, além de ter sido negado terra aos descendentes de escravos e negros libertos que, ficou evidente que existe uma animosidade racial no BRasil.

O brsileiro negro é ostensivamnete mal tratado, mesmo nos meios acadêmicos.

Pessoas inteligentes e bem formada como o Senhor Demétrio não esconde sua indiferença ao sofrimento dos negros, ele acha tudo muito natural.

Ainda não dá pra entender o que acontece com a cabeça do brasileiro burguês em relação a esse tema.

Até os sul-africanos superaram essa questão com mais facilidade. Aqui insistem em considerar o negro um sujeito menor e não merecedor de qualquer reparação.

Alguns chegam a dizer que seria uma mágoa devido a postura religiosa dos negros brasileiros, cultuadores de espíritos e adepto a feitiçarias.

É verdade que um negro que gosta de feitiçaria é uma ameaça ao ambiente social.

Mas como reconciliar essa gente ?

Paulo em março 28, 2010 12:03 PM


#152

Sinceramente, não existe explicação racional para o que acontece no Brasil.

Vejo que desde quando a mão de obra escrava negra foi substituida pela mão de obra branca européia, além de ter sido negado terra aos descendentes de escravos e negros libertos que, ficou evidente que existe uma animosidade racial no BRasil.

O brsileiro negro é ostensivamnete mal tratado, mesmo nos meios acadêmicos.

Pessoas inteligentes e bem formada como o Senhor Demétrio não esconde sua indiferença ao sofrimento dos negros, ele acha tudo muito natural.

Ainda não dá pra entender o que acontece com a cabeça do brasileiro burguês em relação a esse tema.

Até os sul-africanos superaram essa questão com mais facilidade. Aqui insistem em considerar o negro um sujeito menor e não merecedor de qualquer reparação.

Alguns chegam a dizer que seria uma mágoa devido a postura religiosa dos negros brasileiros, cultuadores de espíritos e adepto a feitiçarias.

É verdade que um negro que gosta de feitiçaria é uma ameaça ao ambiente social.

Mas como reconciliar essa gente ?

Paulo em março 28, 2010 12:04 PM


#153

Prezado Dr. Munanga,

Minha humilde sugestão para o Sr. Magnoli é convidá-lo a visitar pessoalmente favelas e periferias repletas de indivíduos vitimizados pela exclusão socioeconomica e racial. Será que ele botaria os pés lá? Conseguiria ele encarar esta realidade excludente, onde o afrodescendente pobre tem tratamento "diferenciado" em relação aos eurodescendentes pobres? A realidade social deste Demetrio Magnoli não o permite entender sequer um milésimo do que é a realidade social das periferias brasileiras. A compensação racial nas políticas de cotas não é meramente racial. É social e histórica, diz respeito a séculos de repressão e escravatura, são povos e etnias (da costa Oeste à contracosta africana) que foram retirados à força de suas terras para serem escravizados e reprimidos.

Siffert em maio 24, 2010 9:14 PM


#154

Uma reposta ridícula essa do sr. Munanga, repleta de complexos de inferioridade.

Fugiu totalmente ao debate lógico e caiu no campo pessoal, defendendo suas teorias através da sua história de vida.

Seu texto mais parece a explanação de um jogador de futebol que, acuado pelas críticas do momento por, por exemplo, ter perdido um penalty numa final de campeonato, justifica-se exigindo respeito porque ganhou muitos campeonatos anteriormente.

Realmente lamentável. Digno de um tratamento psicoterápico para tratar tantas enfermidades psicológicas em nível profundo.

Mesmo assim, vale ler, conhecer, respeitar.

Um abraço Grande-Mestre-Professor Munanga!

Mel Celta em maio 30, 2010 1:24 AM


#155

Com relação às cotas gostaria de parafrasear C. S. Lewis "o problema de muitas pessoas é correr para o extintor de incêndio quando ouve um alera de inundação". Ninguém nega o racismo. O problema é crer que cotas, ações afirmativas ou compensações etc. sejam o remédio para corrigir as consequências do racismo.

Cotas são convenientes. E continuamos fingindo que o problema do racismo não é, fundamentalmente, um defeito na educação.

Crianças precisam ser educadas pela escola e no contexto das famílias para se compreenderem como iguais. As aparentes diferenças devem ser apresentadas fundamentamentalmente como aspectos que se complementam mutuamente.

Cotas contribuem para estimular o conceito de que certas pessoas não seriam capazes de desempenhar certos papéis na sociedade, exceto com ajuda alheia.

Daniel em setembro 7, 2010 3:47 AM


#156

É verdade que Kabenguele Munanga é casado com uma mulher branca?

Como alguém tão hipócrita pode querer cobrar moral e atitude dos outros?

César Ricardo de Andrade em novembro 21, 2010 5:11 PM


#157

D. MAGNOLI idiota racista ou apenas desinformado ?
Antes de mais nada uma perguntinha deveras prozaica ! Sera que ele sabe que e mestiço ? sera que ele tem noção que apesar de seu sobrenome europeu ele deveria se reconhecer como mestiço ? se sim otimo ! se nao aconselho ele a viajar , ir a europa em Paises como ALEMANHA , SUECIA, DINAMARCA , FINLANDIA ou mesmo aos Eua em locais como UTAH, KANSAS, DAKOTA DO NORTE pra ver quem sao Brancos e quem sao mestiços ! Quanto as suas ideias distorcidas acerca da escravidao no Brasil a ponto de torna-lo O CARA que fala e representa as vozes mais reacionarias no que tange a RACISMO e mesmo a historia dos negros no Brasil para a isso tambem o conselho e simples bem como o remedio : APRENDER INGLES para poder ler livros da historia da escravidao no Brasil e no mundo escrito pelos grandes historiadores estrangeiros , depois de aprender ingles uma boa ideia seria ele tentar fazer um mestrado no exterior de preferencia nos Eua , certamente com o que ele aprenderia por la nunca mais teriamos que ver este nescio falando tanta bobagem na tv e na radio

adilsonpereira em março 21, 2011 2:52 PM