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sábado, 11 de julho 2009

Um blog aos sábados: Rafael Galvão

Rafael Galvão é, antes de tudo, um preguiçoso. Ele é a prova definitiva de que a natureza faz as coisas direitinho. Com a erudição e o talento absurdos que possui, já teria dominado o mundo, caso se empenhasse. Tal como está, ele é só o autor de um dos melhores blogs já escritos em qualquer língua. Sem o menor respeito pelas mais elementares etiquetas do politicamente correto, implicando com cidades, com o orgulho local, com o que ele chama de pseudo-feministas, sem mover uma palha para responder aos seus comentaristas e sem comentar em lugar nenhum, ele é uma lenda viva entre os que presenciamos a pré-história dos blogs brasileiros.

Se você nunca ouviu a expressão As alegrias que o Google me dá (atenção: no fim da página há um link para a continuação da festa), você está perdendo o que de mais divertido – e ao mesmo tempo revelador – já foi feito nos blogs. As respostas do Rafael às expressões que lhe trazem leitores pelo motor de busca são um achado sensacional, não só pelas pérolas de humor que ele extrai da coisa, mas porque o “Alegrias que o Google me dá” é um verdadeiro retrato da miséria humana, inconcebível antes da internet. O Google ocupa hoje, claro, a posição que Jacques Lacan chamava de sujeito suposto saber. Ele é o Grande Outro ante o qual não só projetamos o não-saber, mas vivemos a ilusão de fazê-lo privadamente. Eu daria tudo para ver a cara de um sujeito que reencontrasse um dos seus termos de busca (penes piqueno) no interior de uma sátira do Paraíba.

Eu não teria nenhum motivo para gostar do Rafael Galvão: o cabra é stalinista, flamenguista, fã de Paul McCartney e redige melhor que eu. O texto é sempre escrito naquele português escorreito, límpido. Não há nem sombra das estrovengas barrocas que eu enfio no meio das frases. Sobre os Beatles, eu, lennonmaníaco, não seria louco de polemizar com o Paraíba. Eu sairia machucado. Ele é, provavelmente, a pessoa que mais conhece Beatles no Brasil.

Para aqueles leitores que às vezes se deixam influenciar pela paupérrima retórica indignada da República Morumbi-Leblon, eu recomendo fortemente o blog do Paraíba. Ali você aprende um pouco sobre o que é a política na realidade, vista sem hipocrisia, longe da vociferação que sobre ela nos oferecem aqueles que a odeiam. Leia Meu presidente, Sobre o Bolsa Família, A UDN vestida de azul e amarelo, Orgulho de ser brasileiro, Petrobras e política, Neo-nazistas, agora do outro lado e Os que defendem o genocídio palestino. Para começar. Quando se cansar da política, leia o Manual do Bem Foder e a Pequena eulogia a um gênio da raça que desgraçou a si e ao seu mister. Rafael também é mestre na arte de fazer previsões, entrar em polêmicas e transformar comentários de leitores imbecis em posts geniais.

Eu tenho a honra de ser co-autor de um post no blog do Paraíba. Ainda acho que é o melhor post que já escrevi, e é quase tão bom como os posts dele. Antes de oferecer o link, faz-se necessária uma explicação. Lá nos primórdios, quando ainda blogávamos com a inocência de quem faz uma traquinagem de moleque, eu cometi a irresponsabilidade de fazer uma brincadeira. No meio de um chat organizado pelo Alex, onde se reuniram vários blogueiros, apareceu uma figura de codinome Solitária 4.2, que ninguém conhecia. Depois de trocar com ela uns flertes virtuais – eu era solteiro --, inventei a história de que alguém havia sequestrado meu perfil para dar as cantadas. Depois, fui ao blog e inventei a história de que o blog também havia sido sequestrado. Exagerei tudo deliberadamente, para que os leitores percebessem a brincadeira. Ali eu aprendi que, na internet, não se brinca com a credulidade humana.

Foi um fuzuê. Alguns leitores entenderam e se divertiram. Outros, não. Comecei a receber telefonemas de amigos e familiares em pânico. Era a véspera de uma palestra minha em Northwestern University, em Chicago, e um professor de lá, leitor do blog, resolveu entrar na brincadeira. Deu-me a ideia de anunciar que um impostor havia aparecido, passando-se por mim, e que ele havia sido recebido com a seguinte pergunta: se você é mesmo o Idelber, diga lá: quem foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1977, em que ano se publicou o primeiro poema gauchesco argentino e onde nasceu Raul Seixas? A história que se seguiu foi narrada por Rafael numa inesquecível entrevista.

Homenagear o Paraíba é uma forma de me lembrar do porquê de eu escrever aqui: porque, sim, cumpre algum papel político, constrói redes sociais, compartilha conhecimento, et cetera e tal. Mas, acima de tudo, porque é divertido. Quando deixar de ser, a gente fecha a bodega.

Obrigado, Paraíba.



  Escrito por Idelber às 08:09 | link para este post | Comentários (36)


Comentários

#1

Idelber,

"...e sem comentar em lugar nenhum, ...".

Epa. Então sou um felizardo. Apesar de ele oficialmente negar, tem um comentário do Rafael lá no De Olho. Na hora eu fiquei desconfiado, perguntei pra ele e veio uma negativa bem sem-vergonha...

Quanto a ele ser preguiçoso, bem, quantos blogueiros nascidos acolá você conhece (não vale o Ricardo Cabral...)??? Brincadeira...

No mais, subscrevo tudo que você disse do cabra. O cara é dos bons.

Até já morou em Fortaleza...

Luiz em julho 11, 2009 9:15 AM


#2

Belo post, Idelber! Disse tudo e um mucadinho mais sobre o Rafa. Assino por todos os lados.
O cabra escreve bem demais, e é baiano! Vc não sabe do meu orgulho em ter um texto publicado no blog dele...

Beijão procês!

Cipy em julho 11, 2009 9:23 AM


#3

Idelber,

na mosca denovo. Rafael é o cara.

fserb em julho 11, 2009 10:04 AM


#4

Bem, o Rafael Galvão deve ser ótimo mesmo, mas o post sobre o Bolsa Família está cheio de erros primários

F. Arranhaponte em julho 11, 2009 10:49 AM


#5

O cara é irritante de tão bom! Também adoro ele, até quando não concordo.

aiaiai em julho 11, 2009 1:04 PM


#6

Idelber, a lista de blogs que leio cresce a cada sábado. Curiosamente, suas três indicações são blogs bem humorados. Um abraço, V.

PS. Ah, faz uns meses fiz um post com a mesma idéia da série "As alegrias que o Google me dá" - na verdade, já encontrei alguns posts seguindo esta idéia, que é mesmo muito divertida e muito flagrante do funcionamento do Google - mas meu post era só a lista com os verbetes das procuras, no seco, e um breve comentário depois. Lembrei porque o título brinca com Lacan: é "Real, simbólico, imaginário"

Victor da Rosa em julho 11, 2009 1:09 PM


#7

Valeu, Idelber, por me fazer disopilar o fígado de tanto rir nesse sábado em que uma CHUVA PRA LÁ DE IRRITANTE cai incessantemente em SP, tamborilando nos meus nervos!

O lance do Google é pra lá de hilário: "quantas falta pode ter no curso tecnico na materia de etica na escola frei galvao"...(não consigo escrever de tanto rir...) Como pode uma coisa dessas???

Mauricio Caleiro em julho 11, 2009 2:59 PM


#8

Essa história do Google, se você começar a ler, não pára mais. É um treco hilariante.

Idelber em julho 11, 2009 3:12 PM


#9

Diálogo fictício (mas bastante plausível) entre Maiara Tavares e sua avó. Para quem não sabe, Maiara é a menina que o PIG reduziu a uma bunda (com a surpreendente ajuda de alguns blogueiros que se dizem indpendentes)...

― Vó? Tô arrasada. A senhora viu? Botaram foto da minha bunda na capa de tudo que foi jornal, com o Obama e o Sarkozy olhando...

― Ora, minha neta. Você já devia imaginar que eles iam te armar uma trairagem dessas. A imprensa brasileira detesta o Lula. Tá de má vontade com o Obama também, porque ele disse que o Lula " é o cara"... Se alguém chega perto do Lula, a imprensa faz tudo para desmoralizar. Sobrou pra você...
E parece que a foto foi meio uma armação... pegaram um ângulo sacana... fizeram de maldade mesmo...

― Mas, vó, eu não fiz nada de errado! Botei um vestido sério... o mais bacana que eu pude arrumar... a senhora sabe, dinheiro não está sobrando lá em casa...Mas aquela foto acabou comigo. A senhora não imagina como eu estou me sentindo mal... Cheguei na escola e ficaram me zoando: "Aê, galera! Chegou a Tarnajura!" Já ligou um cara lá pra casa perguntando se eu queria posar nua na revista... Ligou outro perguntando quanto era o programa!

― Que absurdo! Aproveite as férias e venha passar uns dias aqui na minha casa... até eles esquecerem dessa história...

― Ah, vó, é muita maldade desse povo. Faz a gente ficar com raiva de ter nascido mulher. Agora eu já não existo como pessoa. Eu, Mayara, não existo. Minhas idéias não existem. Minha militância pela cidadania não existe. Fui reduzida a uma Bunda. Não passo de uma bunda... " exposta na janela pra passar a mão nela", feito naquela música do Gonzaguinha!

― Pior que é... é isso que o machismo faz com a gente. E teve até blog de esquerda embarcando na sacanagem. Da grande imprensa a gente até já espera essas coisas... mas dum blog como o do Nassif... é de fazer a gente perder a esperança na humanidade...

― Ligaram lá pra casa me chamando pra aparecer na televisão, num programa de auditório. Não vou! Porque eles são capazes de me fazer perguntas sobre meu trabalho social e interromper minha fala no meio pra pedir, "aí, gostosinha, dá uma voltinha aqui pra câmara... dá uma empinadinha aí..."

― Chora não, minha neta. O machismo no meu tempo ainda era bem pior. Quando eu tinha sua idade, se uma mulher andasse sozinha na rua de noite ela ficava falada. Mulher tinha que aguentar tudo do marido porque se separasse ficava falada também...

― Por que que eu não nasci homem! Ser mulher é um inferno! Ninguém tem respeito pela gente! Olha como estão me tratando! Mas qual foi o crime que eu cometi? Vai ver é por isso que as mulheres árabes dizem gostar de andar com aquelas burcas... Assim os homens deixam elas em paz!

― Não fica falando isso não, minha neta. Daqui a pouco vão te taxar de sapatão, de frígida e outras besteiras do tipo.

― Mentira! Eu gosto que me achem bonita, gostosa. Mas tudo tem sua hora e seu lugar. Eu não gosto é de ser reduzida a uma bunda feito eles fizeram. Foi uma espécie de assassinato. Desmoralizaram meu trabalho, minha história, minha trajetória. Agora sou apenas a Garota da Bunda. Dá vontade de morrer.

― Chora não, minha neta. O mundo é injusto assim mesmo. Quem sabe melhora um dia.

Para quem não sabe quem é Maiara Tavares para além da bunda: href="http://playervideo.globo.com/webmedia/player/embed/GMCPlayMidia?midiaId=1074023&autoStart=true&idEmbed=1&banda=N&telaCheia=true&ntr=true&nocache=1247255008553
">(CLIQUE AQUI...)

Amiga da Maiara Tavares em julho 11, 2009 3:27 PM


#10

me assumo fã de, no máximo, umas três ou quatro pessoas que leio na internet. o Galvão é uma delas. homenagem justíssima, professor. o/

tiagón em julho 11, 2009 3:52 PM


#11

Assino embaixo do comentário da Amiga da Maiara Tavares. Perfeito.

Cláudia em julho 11, 2009 5:00 PM


#12

Sabe, Idelber, você vive nos EUA uma boa parte do tempo, e talvez isso explique o seu entusiasmo pela luta contra o politicamente correto. Nos EUA o politicamente correto foi uma praga, e a reação mais do que bem-vinda. Aqui o fenômeno nunca pegou realmente, mas a reação foi um sucesso. Apenas a idéia de que poderia haver algum limite para o sagrado direito de ser politicamente incorreto foi um ultraje para muita gente. //

Só que alguém politicamente correto é no máximo um chato, nao faz realmente mal a ninguém. Já os politicamente incorretos... Nao acha que este país já os tem por demais em alta conta? //

Você, que fica indignado, com razao, com comentários homofóbicos, acha mesmo tao engraçado os comentários machistas e desrespeitosos com as mulheres (nao estou falando do post sobre o estupro, mas do sobre a bunda do Lennon e sua mulher)? E os comentários elitistas sobre pessoas menos cultas que fazem erros ortográficos, sao realmente engraçados? //

Realmente, nao é esta a minha concepção sobre o que é humor. Debochar do outro, pôr o outro na condição de merda, tem sempre um grau de fascismo. Humor é quando você, ao rir do outro, está se identificando e rindo de si mesmo. Humor nao só de Machado, para nao exagerar, mas de Luís Fernando Veríssimo, de Henfil. O resto é humor de Chico Anísio e Jô Soares. Escracho. //

Pode me chamar de politicamente correta, se acha mesmo que nao há nada para se pensar nisso que estou dizendo. Nao me importo. Nao me julgo muito politicamente correta, mas, de qualquer modo, aqui no Brasil isso é elogio. //

Abs
AnaLú, a Anarquista Lúcida

Anarquista Lúcida em julho 11, 2009 6:58 PM


#13

AnaLú, por partes:

1) se você perceber bem, o post sobre a bunda da Yoko está linkado numa frase que diz "sem o menor respeito pelas mais elementares etiquetas do politicamente correto". Eu não vi a parte em que eu disse que acho graça. O objetivo aqui é apresentar o blogueiro homenageado em todas suas facetas.

2) E os comentários elitistas sobre pessoas menos cultas que fazem erros ortográficos, sao realmente engraçados? Aqui, você me desculpe, eu concordo com o Rafael. São engraçadíssimos. E aqui não há bem jurídico. Ele não está revelando o IP do infeliz, ele não sabe nem tem como saber o nome da pessoa que fez aquela busca e, portanto, não há nenhum sujeito real sendo objeto de escárnio ali. Simplesmente não sabemos quem é. É um anônimo. Não há ofensa a ninguém.

Se não pudermos fazer uma piada com a pilha de asneiras anônimas que nos chegam via Google, pelamor né?

É o que eu acho :-)

Idelber em julho 11, 2009 7:06 PM


#14

Interessante o blog do Rafael Galvão. Escreve muito bem, de fato, além de possuir uma crítica refinada.

Pena que nesse último post de seu blog, a respeito do Michael Jackson, ele tenha feito afirmações impertinentes (em minha opinião, logicamente) sobre o artista. Creio até ter sido um espasmo de alguma raiva.

No mais, excelente blog.

Kiko em julho 11, 2009 7:07 PM


#15

O cara ser fâ de Stalin deve ter muito caráter!
Que país é este?

Pedro Costa em julho 11, 2009 8:10 PM


#16

Seria amigo da amiga da Maiara Tavares.
Reduziram tudo à sacanagem, naquelas fotos e seus comentários maliciosos. Sacanagem no mau sentido do termo, claro.
Afinal, há (ou deveria haver) uma moral das imagens.
Mesmo pelo seu (delas) contrário.

Jair Fonseca em julho 11, 2009 10:46 PM


#17

Uma porcaria...

Mais um chavista. Mais uma viúva de Marx.

Luis Fernando Gigena em julho 12, 2009 2:24 PM


#18

Ana Lu,
Concordo com seu comentário, não gosto desse tipo de humor, e além do mais o texto sobre o Michael Jackson é daqueles textos típicos do insignificante tentando projeção ao achincalhar pessoas públicas.
Indústria cultural e seus espetáculos mórbidos são mesmo um horror, mas ficar tirando casquinha em George Harrison é oportunismo barato. É o mesmo que outros ressentidos no Brasil adoram fazer com o Caetano Veloso. Estultície e covardia puras.

Mariano em julho 12, 2009 3:00 PM


#19

Pedro, permita-me que explique uma coisinha: tanto o termo "stalinista", aplicado ao Paraíba, quanto o termo "trotskista", aplicado a mim, são ironias, brincadeiras, inside jokes, por assim dizer. É claro que ele não é stalinista. Como é claro, suponho, que eu não sou do PSTU.

Eu já devia ter aprendido a não usar ironia na internet mas, em todo caso, continuo apostando que a porcentagem dos que entendem é maior. Talvez seja panglossianismo meu, mas ainda é minha aposta.

Idelber em julho 12, 2009 5:06 PM


#20

Concordo com tudo isso sobre o Rafael Galvão, e ainda tenho um adendo particular: foi através do blog dele que eu cheguei no Biscoito e em mais uma dúzia de blogs muito bacanas.
Abs

Lucas em julho 12, 2009 5:51 PM


#21

Idelber, tá muito cômico. Como não poderia deixar de ser, o Rafael Galvão tá sempre metido em polêmicas, mesmo quando ele é homenageado.
Agora, uma coisa é preciso reconhecer , ele ñao fez piada com bunda da Yoko, ele disse que a visão daquele traseiro não é animadora, é traumática , e mesmo sendo politicamente correto, como sou, devo concordar, a coisa é feia.
Só falta quererem forçar-nos a engolir o traseiro da japa em nome do correto.
Eu não gosto da bunda da Yoko, e desafio aqui quem o ache bonito, e não me esqueço, jamais, que MJ 'andava' com criancinhas. Mas acima de tudo eu não considero os posts que tratam dos dois temas como posts de humor, mas reconheço, assim com nos outros posts, que eles tem humor. É inerente aos temas que ele aborda.
Mas se eu for obrigado a ver a bunda da Japa e do sr. Lennon e for impedido de concordar com o Rafael Galvão naquele post em nome do politicamente correto, eu tô fora.
E veja só como ele foi generoso, deu muitas opções;
'...Um homem tem o direito de casar com seios grandes ou pequenos, rijos ou flácidos; mas nunca, mas jamais poderá casar com uma mulher cuja bunda é mais feia que a sua. Esse não é um homem, não merece o direito de coçar o saco. Esse não é um homem."

E ele ainda faz a resalva;

'Em verdade, não importa quão feia ou bela seja a bunda dela. Não. Este não é um conceito absoluto, porque toda bunda — quase toda — tem seus atrativos, suas graças. O que importa é apenas que ela seja mais bonita que a dele. ...'
Para mim o post não trata da bunda do Yoko, trata na verdade sobre os livros de auto-ajuda, ou a uma crítica severa a um determinado livro.
O mais engraçado é que neste post ele pergunta;
'Afinal, o que se pode aprender com a vida de Lennon? A se viciar em heroína? A ser um pai abominável, tragédia agravada pelo fato de ter feito um bom trabalho com o segundo filho, só porque este teve uma mãe mais exigente? A ser uma pessoa insegura, agressiva e assustada, alguém que compensava sua personalidade detestável com um carisma impressionante?'

Mas só se importaram com a tal bunda, o que me leva a crer que ele tem razão. Bunda é importante. É fundamental.

No caso do MJ, o curioso é que ele , depois de admitir que o cara teve dois discos que foram importantes, faz uma crítica muito pertinente sobre a carreira, sua influência, mas fundamentalmente fala sobre ofuneral, ou à espetaculizacão do mesmo. Muito bom o post.
Nos dois casos, e nisso eu discordo de seu post, ele não ultrapassa a linha do politicamente correto, ele apenas estava fazendo uma crítica, com contornos estéticos, muito coerente, diga-se de passagem (me desculpe, mas como leitor diário do Rafael Galvão, eu não me dei ao 'trabalho' de clicar nos links, portanto posso estar, e muito provavelmente estou, falando de posts que somente os comentaristas citaram, o que não me tira a impressão geral).
É claro que , no caso do MJ, já que era um post sobre o funeral, além de criticar muito seriamente a obra, ele critica o 'formato' do funeral. E quem, mesmo fâ como eu, em sã consciência, não concorda com o post, que jogue no lixo o politicamente correto juntamente com o senso crítico. O post é correto e tem humor.
Igual à igreja , MJ gastou fortunas em processos de pedofilia.
Vejo muito paralelismo entre o Almirante e o Rafael Galvão, mas o blog do RG não teve a mesma unanimidade. Curioso.
Muito justa sua menagem, parabens.

fm em julho 12, 2009 8:41 PM


#22

Um blog altamente superestimado. Fruto de um pensamento chauvinista que os pseudo-feministas gostam de aplaudir apesar de tudo.

Alguns blogueiros que se dizem a favor das igualdades todas e defensores das idéias mais progressistas não são nada mais do que muito bons em propaganda, marketing pessoal e só.

Nem tudo que reluz é ouro.

Laura em julho 12, 2009 8:45 PM


#23

As alegrias que o ggogle dá ao Galvão só são comparáveis à repulsa que me provocava as respostas às cartas dos leitores perpetradas pelo famigerado Edélsio Tavares no finado Pasquim.
É a mesma escrotidão medular, que tudo emborca e faz em caco.
É lamentável ver-se um texto, por vezes brilhante como o dele, enodoado por tanta sujeira, fel e amargura.
E não me venham com esses eufemismos do "políticamente incorreto" : o que essa criatura expõe ultrapassa todos os limites da dec~encia.
'FAtos" como esse é que justificam as medidas moralizantes do Senador Azeredo que os pares deste celerado alcunharam de AI 5 digital.

Jaziel W. da Fonseca em julho 12, 2009 11:50 PM


#24

a ironia na internet ou no jornal nunca funciona. soh pessoalmente. e olhe la. alias, soh alguem muito panglossiano pra achar que ainda sabem quem é pangloss. :)

Alex Castro em julho 13, 2009 1:21 AM


#25

Os blogs foram o último recurso da internet a que eu tive acesso. Eu comecei a frequentá-los seduzido pel"As alegrias que o Google me dá".

E hoje, muitos anos depois, ainda acho que o blog do Rafael é o melhor de todos os que eu leio. Inteligência e humor são armas poderosas. Assino embaixo tudo que cê disse, Idelber.

Leonardo Bernardes em julho 13, 2009 1:48 AM


#26

Joaquín Daneri Menard? Maneiro mesmo foi o Ted!!

Bruno em julho 13, 2009 3:57 AM


#27

hoho, Alex, meu panglossianismo é tão irremediável que ainda acho que entendem quando faço referência a Pangloss :-)

Idelber em julho 13, 2009 5:19 AM


#28

Achei curiosa a surpresa em relação ao evento sobre o astro norte-americano.

Paulo Z em julho 13, 2009 10:16 AM


#29

Gostei do blog; muito interessante.

Pedro em julho 13, 2009 11:08 AM


#30

Simply the best.

Madame Mim em julho 13, 2009 4:22 PM


#31

É... o cara é um craque.

Victor Barone em julho 13, 2009 5:15 PM


#32

não a toa, é o herói de BUCETA, minha NOVELA COR-DE-ROSA.
:>)

Biajoni em julho 14, 2009 10:16 PM


#33

Idelber, não subestime os seus leitores (Pangloss ou Hipoglós, tanto faz). O Alex, que comentou sobre isso pouco antes, deve ter leitores burros e os merece. Mas não você, não é mesmo?

Cândido em julho 15, 2009 3:07 AM


#34

Quanta gente raivosa, né Idelber?
Relaxa gente, o Rafael é inonfesivo a quem pensa!
Ele merecia estar lá apreciando o panorama da moça também.
"As alegrias que o google me dá", que fez alguém aí - até pertinetemente - do Tavares do finado e saudoso O Pasquim, é o que há de bom!
Valeu, o Paraíba merece essa homenagem, com todas as honras. Que se mordam os politicamente corretos e os esquerdóides.

Cláudio Menezes em julho 17, 2009 4:44 PM


#35

Idelber,
A propósito do post do Rafael Galvão intitulado UDN VESTIDA DE AZUL E AMARELOO, tomo a liberdade de comentar sobre CRIME DA RUA TONELEIROS.
Pistoleiro de tocaia para assassinar Carlos Lacerda: aponta, atira e acerta o Major Vaz no peito e o Carlos Lacerda no pé.
Você já viu história mais fantasiosa do que esta?
O mais esquisito em toda essa fantasia é que até hoje ninguém explicou como um tiro de revólver calibre 45 não deixou sequelas no pé do tal Carlos Lacerda.
Outra pergunta que não quer calar: por que o pistoleiro não assassinou o Carlo Lacerda? Será que sua arma só possuia dois projéteis?
Até hoje, não engulo essa tentativa contra a vida de Lacerda. Para mim, tudo não passou de uma armação do próprio Lacerda para derrubar Getúlio.
UDENISTAS, TUCANOS e DEMOS se equivalem. Estes últimos são capazes das maiores atrocidades para derrubar Lula ou qualquer outro detentor de cargo que se puser no seu caminho.

Gilson Raslan em julho 18, 2009 3:23 AM


#36

Olá Idelber,

parabéns pelo blog. Realmente da pesada! Conheci-o pelo Azenha, mas comecei a acompanhá-lo após um elogio do Leandro Fortes, do Brasília Eu Vi. Dei boas gargalhadas com o Rafael Galvao, e o blog dele me lembrou dos textos antigos do Leandro Fortes. Nao sei se você já fez isso (deve ter feito), mas ler os textos antigos do blog do Leandro Fortes me valeram várias e boas gargalhadas. Li-os um a um. Acho que vou fazer o mesmo com o Rafael, por agora; o seu, só quando eu terminar o doutorado, já que a preguica é um dos meus pecados preferidos. Valeu, professor!

Mozart em julho 21, 2009 7:44 PM