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quarta-feira, 11 de agosto 2010

José Serra e seu descompasso com o mundo

As declarações feitas por José Serra sobre política externa ao longo da campanha impressionam por sua irresponsabilidade, truculência, ignorância, xenofobia, belicismo, leviandade, provincianismo, estreiteza de visão e isolacionismo. Postas em prática como política de Estado, seriam receita certa para que o Brasil jogasse no lixo boa parte do prestígio internacional que acumulou durante os últimos anos. Com levianas referências ao Irã, aos vizinhos-irmãos do Mercosul e à vizinha-irmã Bolívia, o Sr. José Serra demonstrou seu total despreparo para suceder o Presidente Lula como porta-voz do Brasil no mundo. As recentes acusações ao PT, de manter “relações” com as Farc, mostram que o candidato do PSDB optou por tentar mobilizar o ódio como cabo eleitoral. Não costuma dar certo.

Na RBS, no dia 06 de maio, em meio a uma das vitórias mais expressivas da história da diplomacia brasileira, José Serra saiu-se com a pérola de que “Eu não receberia nem visitaria o presidente Ahmadinejad. Mas manteria com o Irã relações normais, comerciais”. O gênio José Serra quer inventar jabuticaba jamais vista na história da diplomacia: relações “normais” nas quais um dos lados se permite estabelecer de antemão que não recebe nem visita o outro. Com que autoridade ele vem dizer que não recebe nem visita um chefe de nação importante, reconhecido como legítimo por toda a comunidade internacional? Será pura tentativa de mobilizar o ódio e a xenofobia para dividendos eleitorais, esse alinhamento com uma posição que só o estado de Israel e as piores forças políticas dos EUA continuam mantendo? Se ainda restasse a Serra um mínimo de humildade e disposição de ouvir e aprender--coisa que não tem faltado a Lula--, ele teria se lembrado de que há mais história em um milímetro cúbico de cultura persa que em toda a pobre coalizão que o sustenta, formada pelo rancor de uma pequena parcela da classe média brasileira, algumas oligarquias anacrônicas e o intelectualmente indigente e eticamente enlameado pseudo-jornalismo das Globos, Vejas e Folhas.

O Brasil é um país jovem, de importância crescente, e os melhores momentos de sua excepcional diplomacia se deveram sempre à opção por paz, autodeterminação dos povos e disposição ao diálogo. E vem esse Sr. dizer que não conversa com o chefe político da milenar civilização persa? Com que direito? O presidente brasileiro recebe e visita até mesmo o chefe do estado israelense, que mantém há 43 anos a mais longa e brutal ocupação militar estrangeira da era moderna, marcada por violações a dezenas de resoluções da ONU. E José Serra quer ganhar votinhos às custas da demonização do presidente do Irã, país que nunca invadiu ninguém e onde o Brasil é visto como nação amiga?

Os insultos aos países vizinhos são, a curto prazo, de consequências ainda mais graves. Em declaração à FIEMG, José Serra qualificou o Mercosul como uma “farsa”, para depois tentar consertar o desastre dizendo que era necessário “flexibilizá-lo”. O candidato ainda não explicou como se procede para flexibilizar uma farsa, mas é nítida sua hostilidade aos pilares da integração política pacífica da América do Sul. Exímia desmontagem dessa verdadeira farsa que é a sequência de declarações de Serra sobre o Mercosul já foi feita por Martín Granovsky, analista internacional argentino, com fatos, números e argumentos (em texto disponível em português, na tradução de Katarina Peixoto para a Agência Carta Maior). Com elegância, Granovsky lembra a José Serra o óbvio: “a chave da estabilidade sul-americana é a sólida relação entre a Argentina e o Brasil”; com as políticas de integração do Mercosul, ambos cresceram e diminuíram a pobreza, sendo pouco afetados pela crise que vem devastando países como a Grécia, a quem se impõe agora o mesmo “remédio” do FMI, de tão nítida lembrança para brasileiros e argentinos que viveram sob FHC e Menem. Na América Latina, quem mais sofreu a crise recente foi o México, justamente o país que optou por não diversificar seu comércio exterior e atrelar-se aos EUA.

A acusação de José Serra ao governo boliviano, de cumplicidade com o tráfico de cocaína, é episódio gravíssimo, sobre o qual o governador deve desculpas e/ou explicações. É de uma cegueira sem fim. A declaração é desprovida de qualquer tipo de provas, aposta na confusão ignorante entre folha de coca e cocaína, e estimula a xenofobia e o racismo. Seja qual for a política que você defenda para as drogas ou seu grau de apoio à integração e à colaboração sul-americanas, a acusação feita por José Serra é um desastre de relações internacionais. Se olhasse um pouquinho para a história da Bolívia, o Sr. Serra teria uma dimensão do ineditismo que é a existência de um governo democrático estável, que combina crescimento e redução da desigualdade no país.

O mais recente episódio foi a desastrada acusação de seu vice, Indio da Costa (DEM), ao PT, segundo a qual o partido estaria “ligado” às Farc e ao narcotráfico. Tentando depois corrigir o desastre, José Serra limitou a acusação à suposta relação do PT com as Farc, salientando que estas, sim, traficam drogas. O fato mais óbvio sobre o conflito colombiano o Sr. Serra não tem coragem de mencionar, claro: o dinheiro da droga financia todos os atores políticos armados, incluídos os paramilitares e setores do próprio aparato estatal. Até mesmo a direita hispano-americana reconhece que não há solução possível para o conflito colombiano sem que todos os atores políticos se sentem à mesa de negociações. Com José Serra no comando do país, poderíamos renunciar a qualquer protagonismo brasileiro na resolução do problema. Podemos, inclusive, esperar que a posição brasileira seja a de piorar ainda mais a situação de conflito. Seria uma ruptura com as melhores tradições da nossa diplomacia. As recentes conversas entre Hugo Chávez e o recém eleito Juan Manuel Santos Calderón mostram o acerto da escolha do Itamaraty e do governo Lula nessa área.

José Serra tem todo o direito de defender a política externa que seu partido executou nos anos 90, de alinhamento automático e subordinado com os Estados Unidos. Que ele tenha a coragem de colocá-la ao veredito do eleitorado brasileiro. Mas que tenha um mínimo de responsabilidade. Nossa condição de país pacificamente integrado com seus vizinhos, solidário com seu crescimento e bem quisto nos quatro cantos do mundo é um tesouro por demais precioso para que se brinque com ele em nome de um mero, e passageiro, desespero eleitoral.



  Escrito por Idelber às 18:43 | link para este post | Comentários (45)


Comentários

#1

a blogsfera agradece o retorno de sua reserva moral.
só falta o hermenauta.
saravá!

boto - ssa em agosto 11, 2010 7:14 PM


#2

Dois textos logo na reestreia... nada mau!

Uma coisa que pouco tem se levado em consideração também é o fato de que esta política externa fez com que o Brasil tivesse novos mercados, o que segurou a nossa onda durante a crise. Se estivéssemos tão dependentes dos EUA, a situação talvez fosse outra.

Gabriel Mendes em agosto 11, 2010 7:16 PM


#3

Bravo chará!!!

Elias Avelar em agosto 11, 2010 7:18 PM


#4

Nossa, sou a última a saber da melhor novidade da semana? Que boa notícia para a internet brasileira essa sua volta, meu amigo!

Ju Sampaio em agosto 11, 2010 7:21 PM


#5

Caro Ideber, saudações Atleticanas, amigão,vc não tem ideia da falta que fez, a coisa tá pegando fogo, dias deste vi um artigo seu no Nassif,confesso, emocionei-me, não pelo texto em si, mas pela assinatura. Idelber,é claro que vc está sabendo,gostaria de ve-lo no encontro dos blogueiros progressistas, não poderei participar, mas confesso com sua presença estarei representado.
PS. Bem vindo na volta, conto com sua lucidez para me ajudar ser um homem melhor. obrigado.

Roberto M Almeida em agosto 11, 2010 7:25 PM


#6

UAUUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!!!!

Bom retorno!

Toda vez que eu acessava o blog me perguntava até quando iria a hibernação...

Vamos então engrossar a MASSA!

Go Oliveria em agosto 11, 2010 7:27 PM


#7

No começo do ano dizia que não votaria no Serra por causa do Paulo Renato e tudo o que ele representou [de ruim] para a universidade brasileira. Desde então Serra parece que faz uma campanha sistemática contra o meu voto. Levantar a lebre golpista da "república sindicalista" já foi assustador. Agora todas essas bravatas ridículas de PSDBista batendo papo na mesa do bar, essa peculiar falta de diplomacia para falar justamente de diplomacia...

Paulo Moreira em agosto 11, 2010 7:30 PM


#8

Catarse, meu caro. Bom tê-lo de volta na blogosfera.

Matheus em agosto 11, 2010 7:49 PM


#9

A estratégia de Serra, além de anti-civilizatória, é de uma covardia inominável, apostando na ignorância e no preconceito contra os latino-americanos (que, em São Paulo, conra os miseráveis bolivianos explorados pelas tecelagens clandestinas, é palpável).

Muito contente de vc ter voltado, Idelber!

Maurício Caleiro em agosto 11, 2010 7:52 PM


#10

Engraçado, polemizava com o Matamoros exatamente a esse respeito há alguns minutos. Também escrevi, humildemente, algo sobre o assunto no meu blog. O ponto é que o Serra faz não tem nada a ver com FHC, ao contrário, é pior: Se antes o Brasil viu-se preso num alinhamento meio mambembe, hoje, Serra propõe uma caricatura de bushismo na campanha eleitoral.

abraço

Hugo Albuquerque em agosto 11, 2010 7:57 PM


#11

Concordo especialmente com o "passageiro" desespero eleitoral. Vai durar apenas mais 52 dias.

aiaiai em agosto 11, 2010 8:02 PM


#12

Voltei a poder clicar no primeiro dos meus favoritos. Obrigada.
Abraços.

Maria Andréia em agosto 11, 2010 9:19 PM


#13

Eu ignorantemente nunca consegui distinguir muito folha de coca de cocaína. Quais os outros usos da planta, além de ser mascada para compensar os efeitos da altitude pelos bolivianos, e de ser aspirada por metade do Leblon?

Nilo Jóia em agosto 11, 2010 9:22 PM


#14

Idelber,

eu dei as boas-vindas pelo twitter, mas deixarei registrado aqui que senti muita falta do Biscoito (como todo mundo aqui, né?). É muito muito bom tê-lo de volta. Beijos.

Flávia Cera em agosto 11, 2010 9:29 PM


#15

Nesse momento acabou a entrevista de Serra no Jornal Nacional
É incrível como a Fatima e o Bonner estão "calminhos" comparado ao jeito que eles estavam com a Dilma.

O cara di pau ainda teve coragem de dizer que era professor universitario para chamar a atenção do publico, mas não disse o que ele fez contra a Educação.

Alem de aumentar o caos em São Paulo, agora que acabar com O Brasil. CUIDADO BRASIL.

h.Perpétuo em agosto 11, 2010 9:46 PM


#16

Fala Idelber! Tô muito feliz de você ter voltado!

Rodrigo em agosto 11, 2010 10:30 PM


#17

Benvindo a bordo, Biscoito. Numa hora como esta, sua contribuição para o debate e o combate é fundamental.
Pau na máquina, e segue o baile.

Plinio J. V. Lins em agosto 11, 2010 11:18 PM


#18

Idelber,
Que bom tê-lo de volta à trincheira.
Talvez possamos mostrar ao mundo que a nossa "lantinoamerica" seja mais do que um espaço geográfico injusto e desigual,mas um laboratório para uma nova integração civilizatória e solidária. Quem sabe??
Alvíssaras

ruy garcia em agosto 11, 2010 11:35 PM


#19

Certo, certo, o Serra é um imbecil. Ponto pacífico.
Mas não vejo a política externa do Lula com toda essa benevolência, ainda mais na América do Sul, na qual o Brasil não consegue apitar nem mesmo no bloco no qual seria a principal figura.
Não acho, portanto, que a política externa brasileira seja esse sucesso pintado por muitos, ainda que não seja o desastre pintado por outros, e uma parte considerável da entrada que o Brasil tem mundo afora deve-se mais ä figura de Lula -até aí, o FHC tambem era bem recebido muito afora, ainda que com tipo diverso de carisma- e não a uma evolução do estado brasileiro no panorama internacional.

fk em agosto 12, 2010 12:04 AM


#20

O Brasil acumulou prestígio internacional nos últimos anos e jogou tudo no lixo ao apoiar o regime assassino e covarde do Irã. Tínhamos prestígio, meu caro. O verbo tem de estar no passado. Seu texto tem muito adjetivo, mas se espremer sobra muito pouco.

Cri cri em agosto 12, 2010 12:35 AM


#21

Mais afiado do que nunca, Idelber. Parabéns pela volta.

Fico curioso de saber se o cretino do Serra teria algum escrúpulo em receber o carniceiro Ehud Barak que jogou bombas de fósforo branco e assassinou 1300 civis inocentes na invasão de Gaza pela IDF. Os double-standards dessa turma da oposição (atitude seguida por boa parte do colunismo "moderado" brasileiro) me dá asco. Cobrar respeito aos direitos humanos no Irã quando no Brasil motoboy morre literalmente à porradas por obra da PM paulista e o fato é quase que imediatamente esquecido me soa hipócrita também.

Marola em agosto 12, 2010 12:47 AM


#22

o pé do Serra virou uma peneira. A última foi a declarada incapacidade de entender o português pronunciado em outros sotaques que não o do rio e de são paulo. Será que ele quer ser eleito mesmo?

Tiago Mesquita em agosto 12, 2010 12:58 AM


#23

Olá, Cri cri, em vez de fazer jus ao seu nome (?), você deveria fazer justiça ao texto substantivo do Idelber.
Prestígio internacional não é acumulado, mas se cria, se forma e não acaba de repente, na base do "dá cá aquela palha".

Jair Fonseca em agosto 12, 2010 1:06 AM


#24

E o foro de São Paulo? Isso não é relação entre PT e as Farc?
Se vc cria um grupo e permite que entre sequestradores narcotraficantes ,isso diz muito da sua visão de mundo. Pq o PT não consegue ser de esquerda e ser crítico da extrema esquerda?

kleber em agosto 12, 2010 2:01 AM


#25

Vou espalhar a novidade. Como lembrou o boto - ssa, só falta o Hermenauta.

P Pereira em agosto 12, 2010 2:49 AM


#26

Legal ver o seu blog de volta, Idelber. Estava fazendo falta.
Quanto às declarações de Serra sobre a política externa, é interessante notar que elas ficam à direita da política externa de FHC. O que ele está prometendo, afinal de contas, é alinhamento automático de um tipo que até a Colômbia está sentindo necessidade de abandonar. Por trás disso, tem ideologia, é claro, mas também deve ter interesse. A campanha não está conseguindo se financiar junto à iniciativa privada, e eu duvido que os EUA não mantenham abertos canais indiretos de financiamento. Tomada em si mesma, me parece uma total maluquice. Cria uma tensão completamente desnecessária com um vizinho consumidor de nossos produtos, com quem temos contratos de fornecimento de energia cujo descumprimento levaria a uma crise gigantesca, e ainda por cima veste a perigosa persona do "vizinho hegemônico" da qual deveríamos fugir como o capeta da água benta.

Jotavê em agosto 12, 2010 4:42 AM


#27

É interessante se perguntar sobre os motivos do Serra para essa guinada maluca nas propostas de política externa, é verdade. A preocupação com arrecadação com certeza é uma delas, embora eu duvide um pouco de que aqui nos EUA, na crise braba em que andam, haja muita gente com energia pra financiar um candidato de oposição meio desesperado, num embate de campanha com o governo mais popular e bem avaliado da história brasileira. Pode até ser que exista, sei lá, mas acho pouco provável.

Abração a todo mundo.

Idelber em agosto 12, 2010 9:33 AM


#28

em relação a bolívia, 90% da cocaína consumida no país vem da bolívia. há de se ter algum grau de parceria com o governo boliviano para combater a entrada da droga no país. pode ser cultural lá, aqui a droga derivada da folha plantada lá destroi milhares de famílias... basta lembrar q o crack é feito da cocaína... mas o companheiro lula não pode fazer isso pois não casa com o discurso do Evo... sincramente, não vejo nenhuma xenofobia aí...

Pedro Daltro em agosto 12, 2010 9:52 AM


#29

Idelder,
Como conciliar esses posicionamentos pró-Irã com o apedrejamento das mulheres e a negação da Shoah? Sem belicismo, só curiosidade.

Ulisses em agosto 12, 2010 10:59 AM


#30

Mas eu não vejo um "posicionamento pró-Irã" na política externa brasileira de hoje, Ulisses, não vejo mesmo. Vejo:

1) posicionamento pró-diálogo;
2) posicionamento pró-soberania e autodeterminação dos povos, o que é lugar clássico da diplomacia do Itamaraty;

O Lula cometeu lá uma metáfora infeliz comparando os protestos pós-eleitorais no Irã com torcida de futebol? Foi. Mas política externa brasileira jamais compactuou com negação do Shoah nem com apedrejamento de mulheres, da mesma forma como jamais compactuou com Guantánamo, apesar de ter excelentes relações com os EUA. Uma coisa é uma coisa, outra coisa ...

Se o que você está pensando é no fato do Lula não sair por aí fazendo campanha para libertar tudo quanto é preso político em tudo quanto é canto, o Lula "omitir-se", neste sentido, que tal fazer uma lista de todos os presidentes que se omitiram? Vamos combinar, né, é uma lista bem longa....

Idelber em agosto 12, 2010 11:17 AM


#31

Existe uma confusão imensa sobre a questão. Desde a simples noção do que é terrorismo, passando pela concepção ideológica das FARC, até o tipo de ligação que o PT teria com o grupo.

A própria ligação das FARC com o narcotráfico é um assunto nebuloso. as acusações de Índio da Costa são o perfeito termômetro das eleições, marcam o nível do desespero DemoTucano frente à eleição perdida.

Os ataques feitos por um destemperado absurdamente infantil e inconsequente como Índio da Costa, no fim, acabam apenas por prejudicar a própria candidatura DemoTucana e ajudar a afundar um barco já furado.

O ponto principal que escapa de muitas análises - propositadamente - é a da legitimidade. De quem e para quem.

Acredito que ainda exista, no Brasil e no mundo, aqueles que acreditam na legitimidade da luta das FARC, assim como outros - onde me incluo - tem uma visão negativa, hoje, do grupo, ainda que compreendendo sua importância histórica e origem.

O PT não é diferente. Não é de hoje que fala-se de uma ligação entre o PT e as FARC. Pessoalmente acredito que, no passado, ela possa ter efetivamente existido, mas hoje, apenas alguns elementos do partido podem ter mantido algum contato. Isto, de forma alguma, é um problema.

http://tsavkko.blogspot.com/2010/07/o-conceito-de-terrorismo-indio-da-costa.html

Raphael Tsavkko em agosto 12, 2010 11:18 AM


#32

o Ahmadinejad é o vilão do filme de caubói; cai na imaginação direitopata de maneira equivalente à "terrorista" Dilma. Em tudo que fala em termos de política externa (para que eu não sei, porque desconheço um eleitor que vote em determinado candidato amparado em suas opiniões sobre este tema) Serra acalenta seu eleitor mais troglodita (como se precisasse disso - talvez precise, ele pensa, pois, se eles desconfiarem que minha formação é de esquerda, talvez optem pelo voto nulo), mas não é só isso, e sim o alinhamento automático à política e economia estadunidense. Assim, em mais este ponto, Serra quer nos fazer andar para trás, fungindo do "terceiro-mundismo" propalado pela direitopatia com relação à atual política externa, como se o "americanismo do norte" fosse política e economicamente melhor para o Brasil.

marcos nunes em agosto 12, 2010 11:37 AM


#33

Raphael Tsavkko, o relacionamento entre FARC e narcotráfico é nebuloso?? Que nebulosidade é essa? Vc realmente acredita que a FARC não está envolvida com o narcotráfico??? Há também nebulosidade no que se refere a sequestros e mortes?

Pedro Daltro em agosto 12, 2010 11:43 AM


#34

Ao Idelber e também aos comentaristas deste blog.
Gostaria de propor duas profundas questões metafísicas associadas às mudanças fundamentais que acontecerão no Brasil, em Outubro.

Cadê o Indio do Serra? Por qual tipo de disco voador ele foi abduzido?

Estou a pensar, seriamente, em encontrar-me com o digníssimo, prezadíssimo, filhadaputadíssimo, santo, Augusto Nunes e sugerir a ele uma campanha nacional, liderada pela Veja e seus leitores seletos, com o objetivo de resgatar o renomado douto para os holofotes da mídia brasileira.

Um político-filósofo de tal calibre, um Jock coceira do saco de Cesar Maia, sem sombra de dúvida, não pode se ausentar da cena política tupinambá porque, como se sabe, futuramente sua criativa metafísica revolucionária deverá fazer parte do conteúdo a ser ministrado na pré-infância dos protozoários brasileiros.

Quero deixar claro que estou repleto de boas intenções, pois o meu ingênuo coração poético crê que, com mais uma manifestação pública do mencionado estadista ilustrado, uma colossal pá de cal cobriria o raro matagal da careca do tucano da serra, já no primeiro turno da eleição.

Tomei a iniciativa de confeccionar 1000 camisetas com a seguinte mensagem educativa “Cadê o Indio”. Deixei-as em consignação com o bazareiro

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/

Ramiro Conceição em agosto 12, 2010 11:43 AM


#35

Que grata surpresa!
Bom retorno!
Sentimos sua falta.

Abraços

Mariana Andrade em agosto 12, 2010 12:51 PM


#36

Por falar na tentativa de se manter a paz a partir do diálogo olhem isso. Tudo indica que o melhor caminho não eram as sanções e o gesto do Brasil e da Turquia vão ser vistos sob outra ótica em um futuro próximo (infelizmente).
Só pra constar, a mulher do celso amorim é Ba'hai
http://www.theatlantic.com/magazine/archive/1969/12/the-point-of-no-return/8186/

Tiago Mesquita em agosto 12, 2010 1:31 PM


#37

José Serra quer manter uma posição fiel à sua ideologia no embate eleitoral mas acaba escorregando em suas idiossincrasias retrógradas.

Sem falar que ele teve uma péssima gestão como governador. Graças a ele, minha irmã de 15 anos e meu primo de 16 anos perderam praticamente dois meses de aula este ano pela falta de diálogo com os magistrados do ensino público.

Pode ter certeza. Se Serra for presidente, além do desmoronamento da política externa, haverá uma péssima gestão na educação. E o caminho do desenvolvimento se distancia.

Parabéns pelo retorno.
Abs,
Tiago

Tiago Ferreira em agosto 12, 2010 2:55 PM


#38

#37

Já tem uma resposta do casal Leverett na medida:

http://tinyurl.com/2dcwcf4

Marola em agosto 12, 2010 3:40 PM


#39

Meu caro Pedro Daltro: Tens algum documento que não venha nem dos EUA ou da colômbia ou de alguma organização ligada a estes dois países, enfim, independente, que comprove?

Mas, de qualquer maneira, isto não muda o fato de que, para muitos as FARC ainda tem alguma legitimidade. Eu estou longe de defender o grupo ou de ter qualquer simpatia, mas este ainda tem forte presença em setores de esquerda.

Raphael Tsavkko em agosto 12, 2010 5:37 PM


#40

Meu caro, quem mata e sequestra não tem legitimidade.

Pedro Daltro em agosto 12, 2010 6:52 PM


#41

Jotavê #26,

Penso o mesmo. Quando você pega as declarações de Serra sobre a Colômbia, temos uma clara diferença com o período de FHC, quando o Brasil, mesmo mantendo sua posição historicamente omissiva em relação ao continente, não entrou na de Clinton que tentou nos mobilizar para "estabilizarmos" aquele país - como também não apoiou o golpe de Estado contra Chávez. Serra propõe uma posição regularmente belicosa, o que seria algo inédito - e terrível. Ainda que existam interesses que se casem nisso tudo, trata-se de uma loucura total e completa - fiar-se em certos interesses dos EUA, hoje, até por uma perspectiva cínica é um erro por conta da própria situação daquele país.

abraços

Hugo Albuquerque em agosto 12, 2010 7:34 PM


#42

Alô Idelber. Serra é mesmo um completo despreparado.

Bruno Marcondes em agosto 12, 2010 8:33 PM


#43

Caríssimo Idelber.

Creio que o texto a seguir, com a participação fundamental de nosso queridíssimo amigo comum, Milton Ribeiro, complementa seu post e, sem qualquer sombra dúvida, desmistifica todo o discurso ideológico dessa direita autista que, num último surto de onipotência, tenta desesperadamente chegar ao poder no Brasil.

Caros leitores degustem, lucidamente, esta especiaria histórica…

http://www.sul21.com.br/index.php/permalink/destaque/69

Ramiro Conceição em agosto 12, 2010 10:34 PM


#44

Meu caro Pedro, a realidade é algo bem distante desta sua crença simplista, sinto lhe informar.

Raphael Tsavkko em agosto 14, 2010 6:28 AM


#45

Idelber,

antes de mais nada, alvíssaras! Que alegria e fonte de prazer e aprendizado constante a sua volta. Fonte de atraso nas minhas obrigações também, porque eu quero ler tudo, e todos os comentários, e depois me pergunto por que não consegui terminar de preparar minhas aulas antes da meia-noite. :-)

De maneira geral, gosto de todos os seus posts, mesmo daqueles com os quais não concordo inteiramente, mas este em especial eu tive vontade de aplaudir de pé. Peço licença para assinar embaixo e passar adiante.

Uma pequena observação quanto ao comentário #40, do Pedro. Se assim fosse, o governo da ditadura militar brasileira, do Chile, da Argentina, os governos do Stálin, do Mao Tsé-Tung, e um bando de outros, de todas as colorações e matizes ideológicos, igualmente não teriam legitimidade. Ou governos institucionalmente constituídos têm autorização para sequestrar e matar, e outras associações não?

Também não defendo as FARC, mas acho inegável que qualquer possibilidade de melhoria dos graves conflitos internos na Colômbia passam necessariamente por considerar as FARC como interlocutor a ser respeitado, como ator político a ser considerado e ouvido. Não sei se estou falando bobagem, não é assunto que eu domine, mas minha percepção é de que em grande parte, foi só quando o IRA, na Irlanda do Norte, passou a ser considerado assim e não mais apenas como "grupo terrorista", é que se pôde interromper a longa escalada de violência e começar a chegar a alguma possibilidade de acordo e convivência por lá. O que eu tenho visto o Lula e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil defenderem é isso: que se chame para a mesa de debate. Que se ouça, que se converse.

Grande abraço!

Ana Paula Medeiros em agosto 14, 2010 5:54 PM