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terça-feira, 24 de agosto 2010
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Aí vão algumas notícias e links que podem ser de interesse:
1. Se você apóia Dilma Rousseff para presidente, saiu um pdf que você não pode deixar de ter à mão. São 40 páginas com aquelas coisas detestadas ou desdenhadas pelos que só reclamam do “Fla x Flu entre petistas e tucanos”: números e gráficos. Nesse pdf você encontrará o número de empregos criados nos últimos 16 anos; o número de universidades criadas nos últimos 16 anos; a evolução da dívida brasileira em relação ao PIB; o valor do salário mínimo. Está tudim, tudim, neste pdf.
2. Você se lembra do comentário grosseiro e classista de Boris Casoy sobre os garis? Pois é, Celso Lungaretti, veterano de muitas batalhas, escreveu na época um texto de repúdio. Agora, chega a notícia de que Casoy o está processando. Lungaretti ofereceu a Casoy o direito de resposta mas, como costuma ser o caso com os funcionários dos nossos conglomerados máfio-midiáticos, não é o direito de resposta que buscam. O Biscoito Fino e a Massa está à disposição de Lungaretti para o que eu puder fazer. Já há mobilização por aí.
3. Depois da bela declaração de voto do Celso de Barros, foi a vez de Carlos Hotta escrever outro excelente Por que votarei em Dilma Rousseff.
4. Na Argentina, o governo de Cristina Kirchner entrega à sociedade ampla pesquisa, de 400 páginas, que mostra a cumplicidade dos donos dos jornais Clarín, La Nación e La Razón com a ditadura militar instalada em 1976. É claro que eles chiaram. Em particular, o documento investiga como as ações da empresa Papel Prensa, da qual Clarín e La Nación hoje são acionistas, passaram das mãos da família Papaleo-Graiver aos donos dos três jornais citados. Quando aconteceu a transferência? Acertou, bidu, em 1976. Papel Prensa surgiu em 1972 das mãos do … Grupo Abril, sim, ele mesmo, o conglomerado máfio-midiático dos Civita. Como já é de tradição nas últimas décadas, a Argentina investiga seu passado em níveis impensáveis no Brasil. Mas para os porcalistas da Família Marinho, trata-se de “investida contra a imprensa”. Como já afirmou este blog em outras ocasiões, um dos maiores mistérios da última ditadura militar brasileira é o montante exato de dinheiro público apropriado pelas Organizações Globo. Quantos milhões de dólares passaram dos cofres públicos para a Globo sob a forma de subsídios, subvenções, isenções fiscais, propagandas do Exército ou métodos menos ortodoxos? Ninguém sabe. Precisamos urgente de uma campanha: ajude um porcalista da Globo a descobrir qual porcentagem do seu salário é paga com dinheiro público roubado pela ditadura.
5. Depois de desistir do seu candidato, a Folha de São Paulo passa a fabricar mentiras sobre a favorita. A manchete de ontem, em letras garrafais, anunciava que “Dilma estuda aperto econômico”. A manchete era falsa. Não há nenhum “arrocho” em discussão na campanha de Dilma.
6. Voltou à Internet um mito, um ídolo. Está de blog novo o Almirante Nelson.
7. Muitos devem saber que a Abert e a ANJ, que adoram capital estrangeiro exceto quando esse capital compete com eles, moveram uma ação contra o portal Terra. A ação recorre ao artigo 222 da Constituição, que limita a participação do capital estrangeiro em empresas de comunicação. A Abert e a ANJ querem, portanto, em seu próprio interesse, fazer a ginástica mental de aplicar à Internet a legislação das TVs e rádios. Parece que a ação não vai prosperar. O procurador da República Márcio Schustershitz deu parecer contrário e sugeriu o arquivamento da ação (via Coleguinhas, Uni-Vos!).
8. Momento histórico para o Brasil: está inaugurada a TV dos Trabalhadores, à qual você pode assistir online.
9. O blog convida as leitoras gaúchas ao evento desta tarde, às 18:30, com o Deputado Raul Pont (PT, 13400), no Prefácio Bar, que fica na Sarmento Leite, 1024, ali na Cidade Baixa:

10. A cada dia impressiona mais a ignorância do candidato a vice escolhido por José Serra. Salvo erro do G1, o que é sempre possível, o Sr. Indio descobriu uma invasão americana à Colômbia em 1984 para sanar o sistema de saúde dos próprios EUA. Pior, disse que devemos fazer a mesma coisa. O que quer sugerir essa besta quadrada? Que o Brasil deve invadir a Colômbia?
11. Por falar em Serra, já são 96 horas desde que ele afirmou que o governo financia “blogs sujos”. O Cloaca News está interpelando José Serra judicialmente para que ele declare quais são esses blogs. O Biscoito se junta ao desafio: Seja homem, José Serra, e explique-nos a quais blogs você se referia.
PS: Crédito da foto: Ricardo Stuckert, no Blog do Planalto.
Escrito por Idelber às 08:45 | link para este post
| Comentários (47)
#1
Oi, Idelber.
Fiquei pensando: o governo financia blog sujo? Não, não acredito que eles estejam financiando o Reinaldo Azevedo...
Luiz Franz em agosto 24, 2010 9:56 AM
#2
Nada a comentar sobre os vários tópicos, apenas sobre dois deles:
1) Ao se referir aos blogs sujos, Serra lança mão da velha estratégia diversionista, focando o lado contrário quando todos os blogs sujos estão, de fato, do lado dele;
2) Não sei o que o Lungaretti respondeu ao Casoy, mas devia ter dito apenas que, entre o gari e o jornalista, quem está no topo da pirâmide social é o gari, que limpa, enquanto o jornalista integra a base de má extração, porque suja, e pior, suja tudo de bosta.
marcos nunes em agosto 24, 2010 10:06 AM
#3
Gostei dessa coisa de perguntar a um porcalista o quanto ele tira por mês do dinheiro roubado pela ditadura. O pessoal do humorístico Casseta e Planeta, que no último fim de semana criou o movimento Cansei 2, e foi às ruas (só agora) protestar contra uma lei do tempo do governo queridinho deles, poderia contar pra gente quantos plimplin$ eles levam por fora?
ari alves em agosto 24, 2010 10:39 AM
#4
Acabei de ouvir no Bom Dia Brasil que o governo Argentino está atacando a livre imprensa por lá. Logo depois de falar da Colômbia não deixando os numeros da violencia aparecerem para o povo, o ancora fez a ligacao de que a censura também esta ocorrendo na Argentina, citando a intenção de privatizar a empresa de papel
Pac em agosto 24, 2010 10:51 AM
#5
A Globo está doidinha com essa história. O editorial d'O Globo hoje também foi sobre isso.
Imaginem o que aconteceria no Brasil se o governo abrisse um grupo de estudos para pesquisar as relações da mídia com a ditadura? Os caras suspenderiam a programação 24 horas para falar só disso e se dizerem perseguidos e amordaçados.
Idelber em agosto 24, 2010 10:55 AM
#6
Idelber, creio que a bronca do Cloaca é mais quanto ao adjetivo "sujos", porque financiamento eles querem, como se vê do item 4 da Carta dos Blogueiros Progressistas (http://www.baraodeitarare.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=48:leia-a-proposta-de-carta-dos-blogueiros-progressistas&catid=8:noticias):
4 – Reivindicamos a elaboração de políticas públicas que incentivem a veiculação de publicidade privada e oficial remuneradas nos blogs, bem como outras formas de financiamento que efetivamente viabilizem essa forma de comunicação representada pela blogosfera progressista, de maneira que possa ser produzida por qualquer cidadão que disponha de competência para explorar seu potencial econômico e comercial, exatamente como fazem os meios de comunicação de massas tradicionais com amplo apoio do Estado por meio de fartas verbas públicas que, com freqüência, são repassadas sob critérios meramente políticos e que ignoram a orientação constitucional que determina pluralidade na comunicação do país.
Carla em agosto 24, 2010 11:05 AM
#7
Ah, the continuing adventures of the amazing Mr. Saw and his faithful companion Indian of the Coast.
Apesar de eu não me lembrar muito bem desta guerra da Colombia em 1984 (mas não importa, o vereador carioca me parece bastante apto a agir baseado em suposições ilusórias de sua própria imaginação), eu realmente fiquei matutando sobre a frase final dele. "...uma coisa que faremos também". Juntando isto às declarações do Serra, de que 90% da cocaína vendida no Brasil vem da Bolívia, me pareceu que dupla dinâmica planeja a invasão da Bolívia no universo paralelo em que eles ganham as eleições.
Sobre isto de blogs sujos, o governo realmente precisa parar de anunciar nas revistas da Abril - é este dinheiro (nosso dinheiro!!) que financia gene como o RA, o Mainardi et caterva.
PauloC em agosto 24, 2010 11:05 AM
#8
Caro Idelber,
Só para completar o que o nosso amigo Pac relatou sobre o Bom Dia Brasil.
A Míriam Leitão primeiro apresentou números da violência em Caracas, Bogotá e São Paulo, na práttica para mostrar que tudo na Venezuela piora e em São Paulo melhora. Depois puxou esse assunto da "tentativa" do governo argentino de controlar a mídia estatizando a maior fornecedora de papel sobre a "desculpa" de que esta havia contribuído com a ditadura.
Realmente, com este tipo de cobertura jornalística, o povo que não lê blogs e não busca outras fontes de informação nunca vai atentar para a necessidade de se discutir a democratização da mídia. E o pior é que eles continuarão a ameaçar governos impondo que estes nem sequer coloquem a questão. É censura pura.
Abs
Pedro Rangel em agosto 24, 2010 11:43 AM
#9
Idelber, não gosto do grupo Clarin. Segundo se diz, eles tinham um acordo (que obviamente não funcionou) com Kirchner até 2015. Certo dia o Clarin dormiu oficialista e acordou oposicionista.
Agora, tem uma coisa: a perseguição dos Kirchner ao Clarin É uma clara e evidente violação a liberdade de imprensa. Felizmente Lula é bem diferente dessa turma. No caso da Papel Prensa e no caso da Fibertel, não existe qualquer imitação de devido processo legal ou direito de defesa. Nadinha de nada. Não vejo como alguém possa defender os direitos humanos desse jeito. Além do mais, a pressão da ditadura para a família Gravier vender a Papel Prensa, parece ser uma mentira da grossa.
gabs em agosto 24, 2010 12:26 PM
#10
Idelber,
Acabo de saber que saiu uma nova CNT/Sensus: Dilma 46% x Serra 28%.
Cláudio Freire em agosto 24, 2010 12:29 PM
Idelber em agosto 24, 2010 12:36 PM
#12
gabs, sei não. Eu acompanho a Argentina bem de perto, e não vejo atentado à liberdade de imprensa, não. Em primeiro lugar, porque eles continuam publicando o que querem. Em segundo, como não existe direito de defesa? O exército de advogados do Clarín que eu vi na Argentina eram miragem? Terceiro, como dizer que as relações com a ditadura eram "mentira da grossa" sem ler o documento? Eu não li as 400 páginas ainda, mas de tudo o que vi até agora o documento me parece sério. Sem querer te policiar: você leu o documento?
Eu concordo com você: a estratégia do governo Lula, de diálogo, é mais hábil. Mas a política argentina tem outras características. Ela sempre foi muito mais de confronto que a nossa. Sim, os Kirchner estão indo pra cima do Clarín. Mas "mentira da grossa" e "ausência de direito de defesa" não chegam nem perto de descrever a realidade que eu observo na Argentina cada vez que vou lá.
Idelber em agosto 24, 2010 12:46 PM
#13
Ei, muito feliz com seu retorno à blogosfera, com posts bacanérrimos, como sempre. A minha novidade é que defendi minha dissertação na semana passada. O retorno da banca foi muito bom. Quando vc voltar às Minas Gerais te conto sobre a pesquisa.
Um beijo,
Fefê
Fefê em agosto 24, 2010 1:13 PM
#14
Idelber:
1. Quanto ao Clarin: a iniciativa dos K. é louvável. Pelo que eu saiba, o assunto veio à tona faz algum tempo, e está na cena do debate argentino faz um tempo. Do jeito que a Vênus Platinada trata, parece que os K. tiraram um coelho da cartola, do nada. Isso não quer dizer que não haja interesses políticos envolvidos: também ao que me conste, enquanto o Clarín apoiava o Nestor, as relações eram ótimas. Houve algum imbróglio e as coisas azedaram. Mas isso pouco importa: o que importa é elucidar a participação dos meios de comunicação nos golpes e ditaduras militares. Aliás, a própria denominação de golpe ou ditadura militar serve para escamotear que raramente um regime militar se instaura e sustenta sem ao menos apoio de parcelas da sociedade civil. O escritor Salim Miguel, preso em 64, até hoje se nega a referir-se ao golpe como meramente militar: para ele, o golpe foi "civil-militar".
2. Quanto ao Terra: além da disputa comercial, que existe, há o componente político óbvio: o portal abriga não só o Terra Magazine, capitaneado pelo Bob Fernandes, bem mais à esquerda do que a gente costuma ver nos grandes portais, como também o site da ESPN Brasil, o reduto do jornalismo esportivo de verdade (não chapa branca).
Abraço
Alexandre Nodari em agosto 24, 2010 1:23 PM
#15
Bem lembrado. Aliás, o Terra teve um papel chave na divulgação da Satiagraha, quando os grandes grupos de mídia do Brasil ficaram de calças nas mãos, não somente "furados" pelo Bob Fernandes como, pior, com suas relações "dantescas" expostas à luz do dia.
Idelber em agosto 24, 2010 1:27 PM
#16
Pois é, e falando em Dantas, não dá de esquecer o episódio da expulsão sumária do PHA do IG, promovido pelo dito cujo - no duplo sentido, afinal trata-se de um Banqueiro Satanás.
Alexandre Nodari em agosto 24, 2010 1:32 PM
#17
Idelber,
Eu moro na Argentina, cara. A gente tem que parar com essa mania de pensar os Kirchner como um governo de esquerda. Como diz o Lanata: "se os Kirchner são de esquerda eu sou Shirley Temple". Eles têm o projeto pessoal deles de poder, típica coisa de político argentino. Aliás, a imprensa, aqui, também é diferente da do Brasil: é bem melhor (apesar de haver cometido os mesmos pecados no passado).
Sobre a atuação recente do governo Kirchner:
- Caso Fibertel: O Clarin compra uma empresa que tem concessão de Internet. Ao final ele entra com um pedido para prorrogar a concessão. O governo não responde (isso é comum, na Argentina, e se costuma a continuar operando enquanto o governo não diz nada). Dois anos depois, o governo nega a prorrogação da concessão com o fundamento de que a empresa operou dois anos ilegalmente... E que a Fibetel tem 3 meses para encerrar suas atividades.
- Caso Papel Prensa: O governo tentou assumir o controle da empresa alegando ilegalidades na gestão da empresa. Não conseguiu. Agora, Guillermo Moreno (auxiliar brucutú dos Kirchner) preparou um relatório que envolve a compra da empresa com a ditadura militar. Isso NUNCA havia sido alegado antes pelas vítimas. E mais: essa versão já foi contestada por um auxiliar do Perón, que ficou preso junto como eles e que afirma que a empresa foi vendida antes, por causa de dívidas. Aqui: http://www.lanacion.com.ar/nota.asp?nota_id=1297295
A imprensa continua publicando o que quer e é isso que o governo quer evitar (e sancionar). Não precisa ter censura e um militar na redação para atacar a liberdade de imprensa, basta usar o Estado para isso. Eu acho reprovável utilizar abertamente o poder executivo para atingir quem faz oposição e os Kirchner fazem isso de maneira grosseira, sem qualquer respeito às leis da argentina, sem dar a oportunidade para aquele que vai ser atingido, sequer, apresentar uma justificação. Isso é violar o devido processo e não dar oportunidade para defesa, não importa quantos advogados o Clarin possa pagar.
Outra coisa que deve ser ponderada: aqui, todo mundo, todo empresário, tem medo do poder executivo, de ficar “marcado” pela fiscalização, essas coisas. Então, os advogados somente são acionados contra o governo em último caso (que vai ser o caso da Fibertel). Talvez alguns anos depois a coisa se resolva, mas, aí, o prejuízo já é grande.
Esse pessoal é gente da pior qualidade, não dá pra ficar citando como exemplo positivo.
Abraços.
gabs em agosto 24, 2010 1:47 PM
#18
ah! me esqueci de responder: não li o documento de 400 páginas. Se tivesse que fazer isso toda vez que dou minha opinião, eu teria pouca coisa pra dizer.
gabs em agosto 24, 2010 1:59 PM
#19
Ok, gabs, vamos lá:
A imprensa continua publicando o que quer e é isso que o governo quer evitar (e sancionar).
não li o documento de 400 páginas. Se tivesse que fazer isso toda vez que dou minha opinião, eu teria pouca coisa pra dizer.
Pois é, talvez fosse interessante ler a documentação antes de fazer a leitura da mente alheia. Esse método de observar o governo fazendo X e dizer, tirado do nada, que o que o governo realmente quer é Y é o método favoritos das Vejas e Institutos Millenium que ouvem os movimentos sociais falarem de democratização do acesso à produção e consumo de mídias e dizem que o que eles realmente querem é censurar a imprensa. Sem provas, sem fatos, sem nada: simplesmente baseados no exercício de leitura da mente alheia.
Vamos ao caso: o governo produz documento que detalha a imposição da venda de uma fábrica de papel durante uma ditadura militar. Aí você, sem ler a documentação, nos diz que é porque ela estava "em dificuldades financeiras". Prova apresentada? Declaração publicada pelo próprio investigado, o La Nación! Que tal ouvir o testemunho de quem vendeu? Em definitivo, espero que você não seja advogado, porque as planilhas de 1975 que vejo aqui sobre a minha mesa não indicam uma empresa em dificuldades financeiras, não.
Valeria a pena ler a documentação pelo menos para saber que, por exemplo, é bastante raro que uma companhia que valha milhões e milhões de dólares seja vendida com uma entrada de 7 mil. Seria como comprar um Cadillac dando 50 reais de entrada. De cara, e por definição, nenhuma compra de empresa pode ser legítima se a dona da empresa está sofrendo torturas e uma das partes no negócio é o estado responsável pelas torturas. Isso me parece o bóbvio do bóbvio.
Mas o que querem mesmo é censurar o Clarín, né?
Idelber em agosto 24, 2010 5:16 PM
#20
Idelber,
Ok. Atendendo a sua recomendação vou parar o que estiver fazendo para ouvir o discurso da Cristina, hoje, sobre o tema. Ler documentação preparada por Guillermo Moreno não dá (É como se eu te pedisse para ler a defesa do Maluf antes de sair por aí condenando o pobre). Aliás, eu não entendo como você, que é tão zeloso na análise das 400 páginas do Moreno, acha que a carta do Caraballo não vale porque foi publicada no La Nacion (aliás, o La Nacion também publica uma coluna da Beatriz Sarlo).
Só esclarecendo: o Caraballo diz que o Gravier, DONO do papel prensa, vendeu a empresa por dificuldades financeiras dele, não da empresa. O sujeito ficou atolado em dívidas (talvez por que os militares usassem os mesmos meios Kirchneristas para combater os empresários não alinhados com o regime) e, como a papel prensa era a empresa mais lucrativa que ele tinha, foi a primeira a ser vendida. Não entro no mérito dos valores pagos como entrada, a forma das prestações ou o prazo, porque não dá pra saber como isso tudo foi negociado (a empresa poderia ter sido dada em quitação de dívida, por exemplo).
Agora, o que, mesmo sem ler as 400 páginas do Moreno eu não entendo é: Por que a Papel Prensa não foi incluída na indenização paga pelo governo Alfonsin aos Gravier? Por que eles nunca demandaram o estado argentino por isso? Por que nunca houve sequer uma entrevista ou depoimento sobre o tema?
A diferença entre as ilações da Veja e do Millenium e o que está acontecendo na Argentina é que aqui não é só fumaça. Está tudo muito claro, Idelber. Mesmo admitindo que seja tudo verdade, o fato é que o Clarin era um jornal governista, recebia benesses dos Kirchner. Em algum momento entre 2007 e 2008 a relação azedou, o Clarin virou oposição e o governo passou atacar o grupo por ser oposicionista. Lei de medios, Fibertel, atuação do governo na questão dos filhos adotivos da Dona Ernestina, Papel Prensa, tudo isso vem desse período pra cá. Sempre utilizando o belíssimo discurso de defesa dos direitos humanos. Eu acho isso lamentável.
A esquerda não deveria cair nesse conto do vigário.
gabs em agosto 24, 2010 6:25 PM
#21
Idelber, isso posto, as aternativas políticas no Brasil são muito melhores ue as da Argentina e o governo dos Kirchner, definitivamente, não é um governo de esquerda.
Tiago Mesquita em agosto 24, 2010 6:35 PM
#22
Ok, gabs, só pra temperar o que eu disse, e aproveitando a deixa do Tiago, eu vou, como dizem os gringos, meet you halfway, e enfatizar que não estamos discordando em tudo. Em nenhum momento eu disse que o governo de Cristina é de esquerda. Conheço a truculência do aparato peronista. Continuo achando a construção de um partido como o PT uma alternativa infinitamente mais interessante que esse regime de capangas dos quais ainda depende o peronismo.
(Aliás, como ilustração: eu sempre me lembro da Argentina quando eu vejo esses garotos de classe média do Psol dizendo que é um absurdo o PT ser tão conciliador, que temos é que radicalizar, fazer revolução etc. Eu fico imaginando esses garotos no meio de um sindicato argentino. Afinariam em meia hora).
Claro que a investida pra cima do Clarín é questão política e de conveniência. Mas eu li a lei de medios e mantenho a minha opinião: quem me dera que tivéssemos uma lei daquela no Brasil.
Abraços.
Idelber em agosto 24, 2010 7:09 PM
#23
Coloque neste balaio a criminosa campanha de desmoralização da petrobras levada a cabo pelo jornal O Globo.
Pedro Migão em agosto 24, 2010 8:15 PM
#24
Idelber,
1. Pois é, meu velho. O Lungaretti, inclusive, esteve no Encontro de Blogueiros Progressistas. O Boris Casoy, pelo jeito, está exigindo retratação do blogueiro. É uma maneira de se pôr como vítima depois do que aprontou. Creio que seria um belo momento para o pessoal pôr em prática o discurso lá do encontro e se articular para defendê-lo.
2. Não sou especialista em Argentina, mas sei muito bem das diferenças entre peronismo e petismo - o que ajuda, por exemplo, a desmistificar essa história de que o petismo atual é uma versão moderna do getulismo -, agora, para além desse episódio em específico temos: (I) A classificação de forças políticas em direita e esquerda é sempre muito complicada, principalmente nos dias de hoje, estamos pisando numa linha tênue - isso se deve, em parte, ao fato das pessoas acharem equivocadamente que a divisão funda o debate político e não sua decorrência -, mas o Kirchner, mesmo assim, estão à esquerda do que é o Peronismo clássico e, diria, até à esquerda do centro - a política econômica deles está, p.ex., à esquerda de boa parte dos partidos socialistas da Europa; (II) Não entendi o ponto de gabs sobre a Lei de Mídia argentina e como isso entra na esfera de perseguição política. Aquilo me pareceu - e ainda parece - apenas uma norma para de regulamentação de comunicações moderna, algo como a desejada - e reinvidicada numa ADIn por omissão redigida pelo Professor Comparato - regulamentação dos artigos da nossa Constituição (220, 221 e 223) no que tocam à mesma matéria - que nunca aconteceu, por lobby das famílias. Se não me engano, ela aboliu até a possibilidade legal das forças armadas argentinas interferirem em um programa de TV que ameaçasse a "segurança nacional", um resquício da ditadura. Isso, claro, sem falar do proibição de propriedade cruzada. Acho que é mais oomplexo do que isso.
abraços
Hugo Albuquerque em agosto 24, 2010 10:43 PM
#25
Concordamos em quase tudo, então. Eu ainda acho que os melhores meios de regular a imprensa seria direito de resposta e responsabilidade civil (sem essa história de jogar a culpa na fonte sigilosa). Eu sei: até isso, que é trivial, os jornais dizem que é censura. Mas, fazer o quê?
Aliás, no pronunciamento de hoje, a Cristina foi bem menos enfática do que se supunha. Falou que a aquisição foi suspeita, que os vendedores pressionados pelo regime (apesar de não estarem presos) e que ia entrar com uma ação na justiça para investigar o processo. No mais, ela disse que ia enviar um projeto de lei pra regular o setor porque ele está monopolizado.
Concordo com você sobre o papel essencial do PT na política brasileira, mas não vejo isso acontecendo na Argentina, onde os sindicatos mais fortes estão ligados ao governo.
abraços
gabs em agosto 24, 2010 11:22 PM
#26
gabs, eu concordo com o Hugo: tudo depende de onde está a linha de corte, de fissura, e dado o caso argentino, pra mim, o governo dos K. é um governo de esquerda (esquerda não é necessariamente sinônimo de democrático, pode haver esquerda truculenta; por dois séculos, desde 1789 até 1989, a esquerda - tirando a social-democracia, que é o centrão - quase inteira era truculenta: o PT é a grande novidade mundial nesse sentido, é um fenômeno que ainda não foi estudado em toda sua magnitude e alcance; é a vanguarda de uma esquerda democrática, como Guattari já sacara). E, em alguns pontos, o governo K. é (bem) mais à esquerda que o governo Lula: a coragem de peitar o problema da mídia na questão material, que é o que importa (convenhamos que direito de resposta e responsabilidade civil é perfumaria: o que adianta ter direito de resposta, por exemplo, aqui em Santa Catarina, onde a RBS comprou todos os grandes jornais?). Como disse o Idelber "quem me dera que tivéssemos uma lei daquela no Brasil".
Abraços
Alexandre Nodari em agosto 24, 2010 11:35 PM
#27
A Abril argentina do Civita, irmão do que desembarcou no Brasil, também esteve envolvida com a ditadura argentina, para participar como sócia da empresa Prensa Argentina conforme o site:
http://www.taringa.net/comunidades/elclubdelapolitica/68351/Papel-Prensa:-La-Dictadura-y-Clar%C3%ADn.html
Papel Prensa S.A. es una empresa argentina dedicada a la producción de papel de diario. Fue fundada el 27 de septiembre de 1978, con la inauguración de su única planta, ubicada en la localidad bonaerense de San Pedro con la presencia del presidente de facto de la Republica Argentina Jorge Rafael Videla y la directora del Grupo Clarín, Ernestina Herrera de Noble. Actualmente, es operada por el Grupo Clarín, el diario La Nación y el Estado argentino
En el año 1969, el gobierno del dictador Juan Carlos Onganía creó el Fondo para el Desarrollo de la Producción de Papel y Celulosa, por medio del decreto ley 18.312, para crear la primera empresa nacional de papel de diario. Con esto, las importaciones de papel de diarios aumentaron un 10% para la construcción de la primera fábrica de papel. Este impuesto duró 10 años.2 En 1972, el presidente de facto Alejandro Agustín Lanusse acordó con César Augusto Civita, César Doretti, Luis Alberto Rey y Editorial Abril S.A el control del 51% de la compañía, a pesar de hubo una llamada a licitación que quedó desierta.
Henrique em agosto 25, 2010 1:05 AM
#28
Hugo e Alexandre,
Os Kirchner eram menemistas, quando o Menen era presidente, Duhaldistas, quando o Duhalde era presidente. Agora, são Kirchneristas. Bom, eu não acho que isso é ser de esquerda politicamente.
Além do mais, pelo que vejo, essa esquerda a La kirchner, em economia, significa expansão monetária e fiscal enlouquecida. Bom, eu discordo disso. Penso a partir de dois supostos básicos: não acho que o Estado seja capaz de dizer “abracadabras” , criando riqueza do nada, e que os recursos são escassos (e devem ser administrados cuidadosamente, observando-se os empregos alternativos).
Se ficar mais à esquerda é acreditar no maná do céu ou no passe de mágica (eu não acho que seja assim), eu sou de direita. Mas, ainda assim, voto no PT.
Abraços.
gabs em agosto 25, 2010 2:02 AM
#29
gabs: sim, economicamente a coisa tá feia aí. Mas que opção à esquerda tem? Pino Solanas? É bom cineasta, mas é meio inconsequente politicamente.
Abraço
Alexandre Nodari em agosto 25, 2010 2:08 AM
#30
Gabs, em 1995 Kirchner já não era menemista.
O que não invalida nenhuma das concordâncias nossas, mas ele rompeu bem cedo com o menemismo.
Idelber em agosto 25, 2010 2:28 AM
#31
Idelber, não sei se está acontecendo apenas comigo, mas já tentei baixar três vezes o PDF comparativo dos últimos 16 anos e sempre dá erro ali por volta dos 11 MB...
Marcelo Idiarte em agosto 25, 2010 8:16 AM
Ricardo Queiroz Pinheiro em agosto 25, 2010 8:32 AM
#33
Acho que a Argentina não tem alternativas políticas. Têm um debate intelectual sofisticadíssimo, mas isso não se transforma em políticas públicas. Se não fosse o Brasil, a crise os deixaria nas cordas. Aliás, me disseram que o BNDES e os empresários brasileiros são os maiores investidores no país vizinho. Alguém confirma ou contesta isso?
Tiago Mesquita em agosto 25, 2010 8:58 AM
#34
Marcelo, eu baixei faz uns dois dias. Tive problema, não. Eu te mando o pdf por email.
Tiago, não tenho números à mão para confirmar, mas sei que é enorme a dependência deles da economia brasileira. Os jornais argentinos noticiam a economia brasileira mais ou menos como os jornais brasileiros costumavam noticiar fatos da economia americana, ou seja, com aquele tom tipo pqp, qual será o impacto disso aqui?
Idelber em agosto 25, 2010 10:01 AM
Henrique em agosto 25, 2010 10:06 AM
#36
Alexandre, eu tendo a concordar com o Tiago, não vejo muita alternativa política no horizonte. O Pino Solanas tem um discurso parecido com o do PSOL: nacionalismo, estatização de empresas, auditoria na dívida. No poder, ele poderia atenuar o discurso e adotar uma posição mais pragmática, como o Lula fez. Mas, ante a situação argentina, isso me parece difícil. O governo Kirchner adotou uma política econômica expansionista, com um câmbio desvalorizado (que eles chamam de câmbio competitivo) e saldos na conta corrente. Isso gerou crescimento econômico, mas, também, uma inflação inercial de mais de 20%, que comeu a valorização do câmbio e a competitividade do país. Acho que, agora, estão evitando desvalorizar o peso de novo (o que geraria mais inflação) e tentando segurar a competitividade da economia com medidas protecionistas. Mas isso é tudo muito provisório. Acho que alguém, em algum momento, vai ter que adotar uma política mais restritiva para derrubar a inflação, mas é praticamente impossível para um socialista (e, também, para um radical)fazer essas coisas e conseguir terminar o mandato, enfrentando uma oposição peronista.
Idelber, você tem razão, eles romperam nessa época aí. A Kircher o que é de Kirchner.
gabs em agosto 25, 2010 12:02 PM
#37
gabs, bem que você poderia fazer uma postagem de blogueiro(a?) convidado(a?) sobre a situação política argentina aqui no Biscoito, hein? Seria muito mais informativo e interessante que 99% do que sai na mídia brasileira sobre o país.
Está feito o convite! Manda o texto que a gente publica.
Idelber em agosto 25, 2010 12:19 PM
#38
Gostei da idéia do Idelber de um post da gabs sobre a situação política argentina.
Alexandre Nodari em agosto 25, 2010 12:53 PM
#39
Idelber, já viu esse "manual de golpe militar" da revista Superinteressante? Bem sabia que o tal "golpe preventivo" em Honduras iria fazer certas pessoas colocarem as manguinhas de fora (pelo menos admitiram o documento forjado da renúncia do Zelaya). Agora a Abril está tentando naturalizar a coisa toda, como se fosse uma espécie de jogo, colocando um pós-adolescente diante de um tabuleiro, onde ele "convence" alguns generais de um "plano genial", sitia uma capital etc. Parece a coisa mais normal do mundo. Está em http://super.abril.com.br/historia/como-dar-golpe-estado-502822.shtml. Muito estranho e preocupante.
Leo Vidigal em agosto 25, 2010 1:04 PM
Marcelo P. em agosto 25, 2010 1:28 PM
#41
Poxa, valeu o convite, Idelber. O problema é que no momento estou tentando equilibrar minha compulsão por blogs de política e por eleições, com um momento meio decisivo nos estudos. Meu receio é que a balança se desequilibre, seriamente, a favor da compulsão.
Ano que vem, tem eleições na Argentina e eu vou estar mais tranqüilo (eu acho). Aí, dá pra fazer uma ou outra coisa sobre o processo eleitoral aqui. Que tal?
Abraços.
gabs em agosto 25, 2010 3:53 PM
alex em agosto 25, 2010 7:12 PM
#43
Combinado, gabs, casa aberta para quando você quiser. Tranquilo, sem pressa, sempre.
Idelber em agosto 25, 2010 10:05 PM
#44
Pô, Idelber, se conseguir mandar o PDF pra mim eu agradeceria muito. Meu PC também não está querendo abrir o treco!
Gabbardo em agosto 25, 2010 11:21 PM
#45
Gabbardo, tentei, mas não rolou. Parece que o arquivo é pesado demais para viajar por email. Foi o que entendi da mensagem de erro.
Idelber em agosto 25, 2010 11:27 PM
#46
Alexandre e gabs
Discordo apenas de um ponto do teu argumento, aquele de que antes de 1989, toda esquerda era truculenta; mas sim, esquerda não é sinônimo de crença na democracia - acho que a social-democracia (ou socialismo ocidental) de uns anos pra cá seja mesmo centrão, o que nem sempre foi, afinal, ela já esteve bem à esquerda e não era necessariamente truculenta, pelo contrário.Isso vale para a direita também: Nem toda direita é truculenta, basta lembrarmos de uma inteligência conservadora como Giscard d'Estaing, por exemplo. Sobre os Kirchner, não vejo sua política desenvolvimentista, sua Lei de Mídia, sua política de direitos humanos - e civis - como artifícios de direita nem de centro. Pode até ser uma espécie anômica de esquerda, mas deixam de sê-lo.
abraços
Hugo Albuquerque em agosto 25, 2010 11:34 PM
#47
Hugo: eu não disse que a esquerda toda era truculenta. Disse que "quase inteira" era. Mas você tem razão quanto à social-democracia, que vira mais centrão mesmo a partir do fim da segunda guerra. Em todo caso, a atuação da social-democracia antes disso, no entre-guerras, em geral foi contra-produtiva: no caso alemão, por exemplo, a decretação incessante do estado de sítio foi promovida por ela, e justamente pra enquadrar os comunistas. O PT é uma experiência nova e única porque não vem de uma tradição (social-democrata) nem de outra (comunista), ainda que incorpore aspectos positivos e problemas de ambas.
Abraço
Alexandre Nodari em agosto 26, 2010 12:02 AM