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sábado, 11 de setembro 2010
11 de setembro, 37 anos: Allende vive
São 8:54 h em Brasília. A esta hora, há exatos 37 anos, a aviação chilena começava seu bombardeio ao palácio presidencial La Moneda. Depois de derrotada nas eleições parlamentares de 1972, a direita chilena decide abandonar a via eleitoral e o caminho da mera agitação e da sabotagem. Passa a preparar o golpe militar que interromperia uma das interessantes experiências de um povo na reconquista de sua autoestima.
Apesar da intensa sabotagem, dos assassinatos cometidos por grupos de extrema-direita como o Patria y Libertad, dos blecautes patronais e do clima de desestabilização promovido pelo golpismo chileno e pela CIA, a Unidade Popular (coalizão que dava sustentação ao Presidente Salvador Allende, formada pelos Partidos Socialista e Comunista, além de importantes grupos de esquerda como o MIR e o MAPU) havia conseguido ainda mais votos em 1972 que nas eleições presidenciais que levaram Allende ao poder, em 1970.
Acossado em seu palácio sob intenso bombardeio, o Doutor Allende se comporta de maneira impecável: libera os seus funcionários para que salvem suas vidas (oferta que a esmagadora maioria deles recusa, optando por resistir junto a seu amado presidente), realiza gestões para que vários chilenos se protejam em embaixadas (notadamente a cubana) e faz um inesquecível discurso pelo rádio, em que insiste que sua vida não pertence a ele próprio, mas ao povo. Esse discurso imortaliza uma frase que até hoje emociona milhões de chilenos: Pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Allende resiste por algum tempo, com uma mera pistola e sua guarda presidencial.
Na saída do palácio que fica na Rua Morandé, 80, chilenos desarmados se rendiam e mesmo assim eram espancados pelas forças policiais. Já nos primeiros dias, um imenso campo de concentração se formava no Estádio Nacional. A casa do poeta maior, Pablo Neruda, foi pilhada e saqueada. Obrigaram a viúva de Allende a enterrar seu amado em segredo, tal era o terror que tinham os militares da força simbólica do legado daquele que os chilenos chamavam de Compañero Presidente.
A experiência vivida pelo povo chileno entre o ano de 1970 e o 11 de setembro de 1973 é das histórias mais instrutivas e emocionantes da era moderna. Mesmo que você não entenda espanhol muito bem, reserve 90 minutos para assistir ao documentário de Patricio Guzmán, La Batalla de Chile. Trata-se de um filme que já trabalhei algumas vezes em sala de aula, mas hoje devo crédito ao Cristóvão Feil, por me lembrar que a obra está disponível no Google Videos:
37 anos depois, o general que traiu seu presidente e comandou o golpe é quase universalmente desprezado como um fascínora torturador que, além de tudo, revelou-se depois, roubou dinheiro do seu povo em ato de enriquecimento ilícito. A memória do médico que entregou, com dignidade, sua vida num combate desigual é cada vez mais cultuada. Especialmente nos bairros mais pobres de Santiago e de outras cidades chilenas, não é raro ver uma foto do Compañero Presidente já logo na sala de estar. É uma experiência inesquecível visitar essas áreas mais humildes, conhecidas no Chile como poblaciones, e ouvir os relatos que ilustram a admiração e o amor que a memória de Allende evoca.
A luta dos chilenos entre 1970 e o 11 de setembro de 1973 para defender seu presidente se cristaliza na trajetória dessa simples palavra, compañero, que não deixaria de impactar outras línguas e passaria, sozinha, a significar o nome de toda uma experiência histórica. Parafraseando uma consigna muito usada nas assembleias populares chilenas a partir de 1970, e num gesto de carinho pelo país que me recebeu tantas vezes e onde tenho tantos amigos, deixo aqui minha homenagem à memória desse homem e dessa experiência: Compañero Biscoito, presente.
Não deixem de assistir ao documentário de Guzmán. Trata-se não só de uma aula de história e de política. É uma aula sobre o que é a dignidade.
Allende vive.
Escrito por Idelber às 09:54 | link para este post
| Comentários (81)
#1
Caro Blogueiro,
Por alguns anos estudei o 11 de setembro americano. E entre teorias das mais diversas, inclusive do ataque ter sido montado por americanos, descobrir este belíssimo vídeo produzido pela BBC de Londres sobre o 11 de setembro chileno. Uma peça de amor à democracia e de repúdio ao golpe, a violência e à ditadura.
Sgeue link abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=7vrSq4cievs
Brotas em setembro 11, 2010 10:55 AM
#2
Seu post me fez lembrar de quando visitei a casa do poeta Neruda em Valparaíso: um jovem, de uns 35 anos, sentou-se no quintal e começou a falar mal do poeta, acusando-o de "comunista". logo juntaram-se várias pessoas, inclusive minha amiga, chilena, indignadas, falando sobre a ditadura, sobre a importância da liberdade, lembrando allende e pedindo que fosse respeitada a casa de neruda. eu fiquei impressionada com as manifestações contrariando o homem pela postura firme, porque era possivel sentir nas pessoas a memória viva e a importância de sua história. lembro-me de ter ficado feliz por minha amiga, pelo povo chileno, e lembro de desejar que o brasil também pudesse um dia criar suas narrativas próprias sobre sua história e sua condição. legal ler o seu post.
p.s. e mudando de assunto, mas nem tanto: tê-lo cobrindo as eleições é um alento. muito obrigada :)
kellen em setembro 11, 2010 11:04 AM
#3
E tê-la como leitora alenta :-)
Não suma da caixa de comentários, você some demais!
Idelber em setembro 11, 2010 11:05 AM
Blue_Star em setembro 11, 2010 11:12 AM
#5
você tem razão, eu andei muito sumida mesmo. mas a boa notícia é que estou voltando à carreira acadêmica, o que, paradoxalmente ou não, me mantém mais ligada à internet. estou e estarei sempre por aqui :)
kellen em setembro 11, 2010 11:13 AM
#6
Idelber, caso você ache que estes links ferem direitos autorais, não se furte da liberdade de apagar este comentário.
Rapá, a gente aqui é copyleft sempre! Quem quiser processar, que processe. Eu conheço Guzmán: ele seria o primeiro a se alegrar com a notícia de que o documentário é baixável pela net.
Se alguém achar por aí o outro documentário de Guzmán, feito décadas depois deste, intitulado La memoria obstinada, por favor, pode deixar o link também.
Idelber em setembro 11, 2010 11:23 AM
#7
"Trata-se não só de uma aula de história e política. É um aula sobre o que é a dignidade."
Idelber, "La Batalla de Chile" é também uma aula sobre o que é um documentário.
Vide seus planos-sequências extraordinários, feitos pelo fotógrafo e câmera Jorge Müller, um dos muitos assassinados pelos golpistas: "desaparecido".
Escrevi um texto sobre o filme, publicado em livro, quando dos 30 anos do golpe, em que falo que Müller filma o processo de seu desaparecimento.
Como um cinegrafista argentino filma seu assassinato, deixando cair a câmera, que apontava para os oficiais golpistas que apontam suas armas para ele, num momento importante do filme e da preparação para o golpe final.
Abismo é pouco!
Quanto à estrutura do filme, em sua montagem geral, é notável que seja dividido em três partes: 1. "A insurreição da burguesia"; 2. "O golpe de Estado"; 3. "O poder popular".
Está claro que a ordem é anticronológica, por motivos políticos.
Imaginem se o documentário tentasse ser "equidistante"!
OBS: O filme tem três horas, não 90 minutos!
Jair Fonseca em setembro 11, 2010 11:59 AM
#8
Idelber, recomendas algum livro sobre golpismo na América Latina no século XX? Li Hobsbawn, mas o Era dos Extremos dele não se aprofunda muito nessa parte.
Gustavo em setembro 11, 2010 12:07 PM
#9
Grande Jair, faltava a palavra do especialista em cinema para confirmar que também se trata de obra-prima de cinematografia. Que bacana saber que você escreveu sobre o filme. Vou procurar o livro com o seu texto.
A cena em que Muller filma seu desaparecimento é antológica.
Sim, me lembro, são três partes, três horas! Coloquei o vídeo do Google sem revê-lo, claro, e só olhei a informação abaixo dele, com a duração do vídeo. O arquivo do Google que coloquei traz só a primeira parte, então? Alguém confirme, eu procuro o resto e tasco lá em cima.
Idelber em setembro 11, 2010 12:07 PM
#10
Gustavo, sobre golpismo na América Latina, em geral, não me ocorre nada de bate-pronto. Mas sugiro, sobre a Argentina (país que teve uma boa coleção de golpes ao longo do século XX), a fundamental coleção coordenada por Tulio Halperín Donghi, Biblioteca del pensamiento argentino. A partir do volume V, intitulado La república imposible (1930-1945), você tem golpes até não mais poder--e excelentes análises deles.
Idelber em setembro 11, 2010 12:13 PM
#11
Caro professor, apesar de já ter agradecido o belo texto pelo twitter gostaria de registrar mais uma vez meus cumprimentos.
PS: estou ansioso por assistir o filme ... valeu a dica!
Luciano em setembro 11, 2010 12:22 PM
#12
Esse 11 de setembro chileno, de tão pouca visibilidade se comparado ao outro, é infinitamente mais importante para nós, brasileiros, mesmo que muitos não saibam disso.
Ressalto uma curiosidade, que por ser pública é muito conhecida, mas que é muito pouco lembrada. Esse Chile de Allende também foi fundamental na história de muitas figuras públicas do nosso país, só que algumas delas hoje não fazem mais jus ao valor desse momento tão importante da nossa história. Destaco 3, dos tantos que foram muito bem recebidos no Chile e que estiveram lá durante o período de Allende, exilados por conta do golpe aqui no Brasil: José Serra, Fernando Gabeira e Cesar Maia.
Nada tenho a dizer sobre as pessoas deles, nunca tive proximidade com nenhum e sua vida privada não vem ao caso. Refiro-me apenas àquilo que andam fazendo em suas trajetórias como homens públicos, como figuras políticas contemporâneas, e penso que hoje em dia elas pouco combinam com a memória do compañero Allende. Uma pena.
Ricardo Cabral em setembro 11, 2010 12:26 PM
#13
Sem dúvida, o compañero Allende não reconheceria nenhum dos três, Ricardo. Esqueçamos as opções políticas que fizeram. A conduta deles, em si, seria irreconhecível para Allende.
Idelber em setembro 11, 2010 12:35 PM
Radical Livre em setembro 11, 2010 1:06 PM
#15
Não tem nada que eu peça neste blog que a galera não consiga, puta que pariu!
Valeu, Radical, vou jogar no Twitter e já já retoco o post.
Idelber em setembro 11, 2010 1:09 PM
#16
Olá Idelber,
É a primeira vez que comento aqui, após a retomada do Biscoito. Tenho-o lido com assiduidade e com enorme prazer. Obrigado por voltar, obrigado por fazer reexistir o Biscoito, sobretudo nesse momento.
Parabéns pelo seu texto sobre Allende, sobre o Chile e sobre esse grande povo hermano. Tenho um querido amigo chileno, exímio violonista. Logo que o conheci, pedi-lhe que tocasse uma música chilena no violão. Ele então entou "El Aparecido", em uma interpretação emocionante. Contou-me a história dessa música, feita em homenagem a Victor Jara, escritor, músico e compositor chileno. Jara foi morto pela ditadura de Pinochet nos dias que se seguiram ao golpe. Antes de ser morto, foi torturado: os soldados quebraram suas mãos e debochavam: "toque violão agora, seu crápula!". E gargalhavam.
O estádio em Santiago no qual ele foi morto tem hoje o seu nome.
Eis um vídeo da linda canção, um libelo contra a tirania assassina. Sempre me emociono com ela:
http://www.youtube.com/watch?v=2eo9coAursQ
Grande abraço e força sempre.
Viva Allende, viva Victor Jara, viva el pueblo chileno!
Lelec em setembro 11, 2010 1:35 PM
#17
Professor Idelber,
Há pouco tempo saiu um livro muito bom aqui no Brasil contando não somente os detalhes do golpe chileno como a história do país a partir daí, centrada na figura do carniceiro assassino.
Escrito pelo ex-embaixador no Brasil Heraldo Muñoz, ele é indispensável para se entender o período, a meu ver, bem como o processo de redemocratização do país.
Uma das revelações do livro é de que o avião oferecido a Allende para o exílio cairia por falta de combustível.
E, se me permite um "jabázinho", a resenha dele pode ser lida, caso interesse, em http://pedromigao.blogspot.com/2010/08/resenha-literaria-sombra-do-ditador.html
Forte abraço e Allende vive !
Pedro Migão em setembro 11, 2010 1:39 PM
#18
Lelec, eu também contei a história do Victor Jara e me emociono a cada vez que me lembro dos detalhes de sua tortura e morte.
Recentemente ele teve o seu merecido funeral, com 10 mil pessoas nas ruas de Santiago.
Pedro Migão em setembro 11, 2010 1:41 PM
#19
Caro Idelber,
pela primeira vez, vou discordar de você.
Seu post, para mim, foi apenas PROVOCATIVO. OK, chamar a atenção pelo fato histórico ocorrido no Chile tem haver… E, como não sou besta, ENTENDI A MENSAGEM…
Contudo, você cometeu um equívoco; pois falou, sem falar, como aprovando aquele outro 11 americano, como se este último tivesse - à Democracia - um valor histórico menor em relação àquele outro.
Ora, diante de injustiças históricas os pronomes demonstrativos “este” ou “esse” se confundem no tempo, isto é, não vale a gramática em tais casos; bem como não vale a equação matemática: (11, chileno) + (-11, americano) = 0. Em sociologia, tal soma histórica é igual a 2 (terríveis acontecimentos…).
Não é verdade, Idelber?
Ramiro Conceição em setembro 11, 2010 1:43 PM
#20
Jisuis, Ramiro, o que você fumou hoje, meu querido? Qual palavra no meu post sugere que eu aprove o crime contra a humanidade que foi o 11/09/2001?
Não, de jeito nenhum. Aquilo foi crime de lesa-humanidade, covardia, terrorismo, o nome que você queira dar...
Afe, eu acho que você viajou um pouquinho na maionese. Eu já escrevi sobre o 11/09/2001. O post hoje é sobre Allende e o Chile.
Idelber em setembro 11, 2010 1:48 PM
Pedro Migão em setembro 11, 2010 1:51 PM
Izabella em setembro 11, 2010 2:04 PM
#23
Caro Ramiro, permita-me discordar da sua discordância. Não sei o que o Idelber pensa ou se dirá alguma coisa sobre o seu comentário antes mesmo deste que estou escrevendo, mas o que garanto é que a data de hoje será lembrada quase exclusivamente pela queda das torres gêmeas, e não faltarão homenagens legítimas aos que perderam suas vidas e a esse fato que teve tanta importância na história recente. A questão é que é também uma data cara para a história da América Latina, só que esse fato é pouco mencionado por estas bandas, e aposto que terá mínimo espaço na mídia, se comparado ao outro. Sendo assim, um post como este se faz necessário e em nada diminui o que representa o 11/9/2001.
Ricardo Cabral em setembro 11, 2010 2:08 PM
#24
Enquanto você escrevia eu respondi, Ricardo. Mil gracias :-)
Idelber em setembro 11, 2010 2:10 PM
#25
Idelber, não fumei nada além de cigarros convencionais e, por enquanto, duas cervejas. Porém, Idelber, escrever sobre o 11 chileno sem mencionar o outro americano, é como se fosse um jornalista italiano a escrever sobre a conquista de 1982 e não mencionar a Seleção de Telê (que se jogasse 100 jogos ganharia, sem qualquer sombra de dúvida, 99; mas perdeu justamente aquele que não poderia ter perdido!!!!). Ou em outras palavras, o povo italiano tem de agradecer aos deuses do futebol tamanha façanha. A conquista da Itália, em 1982, está dialeticamente associada à derrota do Brasil, não da Alemanha!!!!!!!!!!! Ih, carajo, parece que estou a falar abobrinhas… Mas não estou!!!
Sei, claramente, que você não aprova o 11 americano. Mas meu questionamento é outro: O QUÊ, em 2010, o levou a escrever este post? Não é estranho, Idelber, NÃO EXISTIR UMA ÚNICA PALAVRA sobre o 11 americano, no texto? Para mim é estranhíssimo… Só isso, e nada mais.
Ramiro Conceição em setembro 11, 2010 2:26 PM
#26
Altamente recomendável também é esse curta, de apenas 16 minutos, feito imediatamente após o golpe no Chile, pelo maior documentarista do mundo: Santiago Álvarez, que quase ninguém conhece porque é cubano.
"El tigre saltó y mató... Pero... Morirá... Morirá!", de 1973, é outra aula de cinema, sobre três canções de Victor Jara e uma de Violeta Parra.
http://www.youtube.com/watch?v=BhUTNRJzgKA&feature=player_embedded
Jair Fonseca em setembro 11, 2010 2:28 PM
#27
Professor Idelber,
apesar de acompanhar seus posts há um tempão, é a primeira vez que apareço aqui nos comentários.
Basicamente eu quero te agradecer. Minha mãe é professora de história e eu me lembro de ter visto o documentário "la batalla" pequenininha junto com ela no sofá e mais alguns alunos. Nunca me esqueci. E agora, estou tendo a oportunidade de rever essa obra-prima. Muito emocionante! Obrigada, professor!
Maria Alice em setembro 11, 2010 2:30 PM
#28
Eu encaixo o link aqui num minuto, Jair, sem problemas.
Idelber em setembro 11, 2010 2:30 PM
#29
Obrigado a você pela leitura, Maria Alice :-)
Idelber em setembro 11, 2010 2:31 PM
#30
Idelber, sem concordar com o espírito do comentário do Ramiro, tb me preocupou a leitura metafórica da seleção deste tópico. Você nao está pensando que há clima para golpe militar, está? Agora, para golpe jurídico...
Anarquista Lúcida em setembro 11, 2010 2:43 PM
#31
Jair, consultei a assessoria técnica, o pessoal acha melhor não habilitar o "embed" para vídeos, porque permite a entrada de phishing e outros babados daninhos.
Então, coloquei o link para o YouTube e apaguei o seu comentário que dizia que o link não tinha entrado, beleza? Forte abraço, gracias.
Idelber em setembro 11, 2010 2:48 PM
#32
WTF! Ramiro... Qual a marca destas duas cervejas que você tomou?
Cajueiro em setembro 11, 2010 2:52 PM
#33
Sobre o assunto: alguém leu o livro do Moniz Bandeira, "Fórmula para o Caos"? Vale a pena?
gabs em setembro 11, 2010 2:58 PM
#34
gabs, eu tenho o livro, mas confesso que está na longa lista de mais 200 livros que tenho para ler...
Idelber, se possível coloque também o vídeo do Victor Jara, com imagens do golpe, que postei aqui.
eu também queria lembrar-me da cantora norte-americana Joan Baez, que se dedicou a defender os exilados chilenos da ditadura do carniceiro do Pinochet.
E, fazendo uma pequena provocação, nestas horas é bom se ter uma Fé estabelecida: me deixa reconfortado imaginar que, a esta hora, Pinochet esteja no fundo do inferno.
abraço forte
Pedro Migão em setembro 11, 2010 3:03 PM
#35
Caro Ricardo Cabral, você tem razão. Foi por isso que escrevi “ENTENDI A MENSAGEM”. Porém, o Idelber, é um FORMADOR de opinião DA ESQUERDA (entre muitos jovens) da qual, com extremo orgulho, faço parte (embora seja um macaco velho poeta).
Ramiro Conceição em setembro 11, 2010 3:19 PM
#36
Cajueiro,
a marca é “CONSCIÊNCIA POLÍTICA”
Depois de 5, vem a consciência… A política, só depois de 10!
Ramiro Conceição em setembro 11, 2010 3:28 PM
#37
Valeu, Pedro. Estou justamente querendo saber se incluo o Moniz Bandeira nos meus 200.
gabs em setembro 11, 2010 3:41 PM
#38
gabs, pode incluir, apesar de ser um "tijolo" é bem interessante, ao que parece
Pedro Migão em setembro 11, 2010 3:44 PM
Marcelo P. em setembro 11, 2010 4:34 PM
#40
Biscoito,vc conhece um livro que se chama "A melhor democracia que o dinheiro pode comprar",de um jornalista chamado Greg Palast?
Ele detona com o farol de alexandria e explica como o plano real "deu certo".
Seria uma fonte confiável???
Marci em setembro 11, 2010 5:08 PM
#41
muito obrigado pela indicação, professor. Já baixei o tomo V e vou começar a leitura, apesar do meu quase inexistente espanhol. Aliás, segue o link para quem quiser baixar: www.ultimorecurso.org.ar/drupi/node/608
Gustavo em setembro 11, 2010 5:13 PM
#42
Não conhecia esse documentário. Obrigado Idelber!
Gerd Baggenstoss em setembro 11, 2010 5:56 PM
#43
Eu muito recomendo o blog Documentários de Verdade! Além das três partes da Batalha do Chile, inclusive com legendas (http://docverdade.blogspot.com/2010/02/batalha-do-chile.html), tem o link pra vários outros documentários interessantíssimos.
Liz em setembro 11, 2010 6:02 PM
#44
Idelber, depois de 20 anos de uma coligação socialista o povo pendular se volta para Piñera. Antes dele ser eleito perguntei para Ocator, um chileno que estava na manifestação da Ditabranda organizada pelo MSM, curioso quis saber se a mídia de lá dava cobertura a Piñera, respondeu que sim mas distante do que se via no Brasil. Todas sabemos que os Chicago boys, os ideólogos de Mont Pellerin usaram o Chile para impor suas teorias. Dizem que Pinochet amarrou princípios difíceis de serem modificados. Afinal como o povo pode se voltar para a direita. Cansaço, a tal da alternância. Pq Bachelet não se envolveu? Agora irracionalidade!! mas parece sincronismo que o terremoto e esses mineiros presos devesse ser tratado pela direita, contendo-a. Li que Piñera ate criou impostos sobre fortunas e outros para financiar a recuperação do país
Luiz Monteiro de Barros em setembro 11, 2010 6:21 PM
Raphael Tsavkko em setembro 11, 2010 6:50 PM
#46
Uma das passagens mais belas da literatura portuguesa dos últimos anos é quando Antônio Lobo Antunes, no magnífico "Os Cus de Judas", faz uma longa digressão da nostalgia que faz à espécie humana a perda de grandes nomes dos ensaios libertários, Allende, Guevara. Pena não estra com o livro aqui para reproduzir tal trecho.
charlles campos em setembro 11, 2010 7:09 PM
#47
Ramiro... Nome interessante. Mas o que conta é o modo de fazer e os ingredientes, a qualidade do malte, etc. Tem uma cerveja de nome lindo, chamado DEMOCRATAS. Não aconselho a ninguém provar.
Cajueiro em setembro 11, 2010 7:12 PM
#48
oi, olha, sou novo no Tuiter e estou propondo o seguinte. fazer uma lista com os anunciantes da semana, em Veja. e boicotá-los, brazil afora!!! afinal, quem anuncia em Veja financia o golpe!!! #BoicoteQuemAnunciaEmVeja
Renato em setembro 11, 2010 7:49 PM
#49
Escrevo para agradecer o seu post. Sou um chileno que mora no Brasil desde 1982 e fui testemunha de todo o período da Unidad Popular. Mesmo depois de tantos anos, ainda me emociona lembrar aquela época.
Tenho 55 anos e nunca vivi uma experiência tão marcante quanto essa de 3 anos de Governo Popular. A efervescência cultural, política e social eram de uma riqueza indescritível e, talvez incompreensível para aqueles que não a vivenciaram.
Lógico que havia problemas, mas a sensação de estar escrevendo História a cada dia era tangível.
Sobre a figura de Allende, me ocorre dizer que é um daqueles raros líderes que cumprem a palavra empenhada: disse que morreria antes de trair seu povo. Ele o fez.
Carlos Morales em setembro 11, 2010 9:04 PM
Blue_Star em setembro 11, 2010 10:49 PM
#51
Idelber, com o histórico de agressões e suporte a criminosos que os EUA tem, não seria de se esperar um troco, como o 11/09/2001? Não estou dizendo que as pessoas que morreram merecessem aquilo. Até que ponto os EUA tem o direito de posar de vítima?
André em setembro 11, 2010 11:35 PM
#52
Compañero Carlos Morales,!presente!
Que seas siempre muy bienvenido por acá, compañero. He estado por lo menos 10 veces en tu país. Las memorias son muchas, y muy especiales para mí. Jamás me voy a olvidar de la primera vez que vi el retrato del Doctor Allende enmarcado en el living de una casita humilde de una población en las afueras de Santiago. Uds. me recibieron siempre como hermano, y como hermano serás tratado acá. Espero volver a verte en este espacio virtual. Un abrazo grande.
Idelber em setembro 11, 2010 11:42 PM
#53
Seguramente, foi o seu melhor post desde a sua volta, Idelber, só senti falta de alguma menção a Victor Jara um dos maiores expoentes do ativismo cultural chileno dos anos 60/70, barbaramente assassinado logo após o Golpe - fuzilado, no Estádio Nacional. Sim, Allende vive.
Hugo Albuquerque em setembro 11, 2010 11:45 PM
#54
Ramiro Conceição: Estranho é exigir que um post sobre o golpe chileno de 73 deva obrigatoriamente trazer informações sobre o 11/09 americano - sim, porque usando sua (i)lógica, eu poderia perguntar se você gostaria que o autor omitisse o que houve no Chile.
Hugo Albuquerque em setembro 11, 2010 11:54 PM
#55
Quanto ao Chile de 1973 e ao que o Morales falou sobre a sensação de se estar vivendo um momento especial naquele chile do governo Allende:
eu tenho uma impressão que estamos vivendo um momento histórico de transformação aqui no Brasil. Mas a maioria das pessoas só vai se dar conta daqui a uns quinze anos...
Radical Livre em setembro 12, 2010 1:16 AM
#56
Hugo Albuquerque:
Permita-me uma pequena correção na sua menção a Victor Jara. Ele não morreu no Estádio Nacional de Chile (inaugurado em 1938), mas no Estádio Chile (inaugurado em 1949 e que, desde 2004, se chama Estádio Victor Jara). O Estádio Víctor Jara é bem pequeno (5000 espectadores), enquanto o Nacional de Chile é muito maior (66.000 espectadores).
Abraço
Lelec em setembro 12, 2010 6:12 AM
#57
Luiz Américo:
Presente.
Vivas Allende!
Luiz Américo em setembro 12, 2010 8:12 AM
#58
Obrigado, Lelec, jurava que era no Nacional - talvez por tudo que aconteceu lá -, mas valeu pela informação.
Hugo Albuquerque em setembro 12, 2010 11:31 AM
Rick Monteiro em setembro 12, 2010 11:31 AM
Marconi em setembro 12, 2010 11:49 AM
#61
HUGO ALBUQUERQUE,
assista ao vídeo do primeiro comentário - do Brotas - e, principalmente, preste atenção ao início do vídeo.
Assim, talvez, você compreenda a minha (i)lógica…
CAJUEIRO,
Deixo as “DEMOCRATAS” para os tucanos (devido ao massacre que acontecerá em 3 de outubro…). Vou continuar com a minha “CONSCIÊNCIA POLÍTICA” é muito mais saudável…
Ramiro Conceição em setembro 12, 2010 2:35 PM
#62
Ramiro: Tenha dó, o que tem a ver o comentário do Brotas com o que você escreveu até agora? Desculpe, mas não faz o menor sentido isso que você escreveu.
Hugo Albuquerque em setembro 12, 2010 4:01 PM
Liz em setembro 12, 2010 6:18 PM
Murilo em setembro 12, 2010 8:18 PM
Murilo em setembro 12, 2010 8:33 PM
#66
Gostaria de deixar registrado que neste 11 de setembro também foram lembrados os 23 anos do assassinato de outro guerreiro, não tão importante quanto Allende no cenário político, mas uma inspiração para milhões de pessoas: Winston Hubert McIntosh, mais conhecido como Peter Tosh. Em canções como Equal Rights, Downpressor Man, 400 Years, Mark of the Beast e Get Up Stand Up (que escreveu com Bob Marley, embora muitos não se lembrem desse fato), Tosh criou uma obra sempre comprometida com a luta contra a opressão, o racismo e a "slavish mentality". Os assassinos que balearam Peter Tosh em sua residência estavam lá claramente para calar uma voz incômoda para o governo conservador que dominava a Jamaica em 1987, os mesmos mandantes do atentado contra a vida de Bob Marley em 1976. Somente hoje vi o post e é sempre importante relembrar a figura de um gigante latino-americano como o presidente Salvador Allende. Mas gostaria também de homenagear o trovador da liberdade, o Bush Doctor, aquele que pregava contra o "shitstem", o campeão da luta contra a hipocrisia, o venerável Peter Tosh.
Leo Vidigal em setembro 12, 2010 9:19 PM
#67
E gostaria também de parebenizar o Idelber por disponibilizar esse documentário tão importante para história política de nosso continente e para a história do cinema. Para fazer a ponte com Tosh, lembro que existe um documentário sobre ele chamado "Red X - Stepping Razor", de grande interesse para quem acompanhou sua trajetória (foram usados como narração depoimentos gravados pelo próprio Tosh, que na época elaborava sua autobiografia), além de ser igualmente relevante como documentário. Ele pode ser visto na íntegra no You Tube, infelizmente sem legendas, bastando procurar por "Stepping Razor_RedX - Peter Tosh Documentary (pt1 of 10)".
Leo Vidigal em setembro 12, 2010 9:28 PM
#68
Hugo,
então leia de novo o que escrevi e assista de novo ao vídeo. Porque é óbvio demais…
O que escrevi, no segundo comentário, foi literalmente:
"Sei, claramente, que você não aprova o 11 americano. Mas meu questionamento é outro: O QUÊ, em 2010, o levou a escrever este post? Não é estranho, Idelber, NÃO EXISTIR UMA ÚNICA PALAVRA sobre o 11 americano, no texto? Para mim é estranhíssimo… Só isso, e nada mais."
E o vídeo faz uma "ponte" entre os dois acontecimentos trágicos. Os dois fatos históricos são exemplos da violência política.
E, Hugo, faz poucos dias que, neste mesmo blog, discutimos em profundidade o tema da violência, lembra? Só isso, e nada mais...
Essa foi a essência da minha crítica ao post do Idelber. Nem mais, nem menos.
Ramiro Conceição em setembro 12, 2010 9:31 PM
#69
Ramiro, raramente eu tolho a liberdade das pessoas escreverem o que querem aqui mas, sinceramente, já deu. Chega. Já te escutamos o suficiente. Quem não entendeu o seu delírio até agora não vai entender mais.
Idelber em setembro 12, 2010 10:08 PM
#70
Leo, muito obrigado por essa lembrança. Eu não tinha a menor ideia de que era uma data importante para o reggae também.
Viva Peter Tosh :-)
Idelber em setembro 12, 2010 11:42 PM
#71
Eu assisti a Batalha do Chile logo no início do governo Lula, quando eu estava bem puto por terem dado o ministério da Fazenda pro Palocci, e o BC pro Meirelles, e por o governo petista estar optando claramente por não fazer nenhum tipo de ruptura e abandonar completamente qualquer intenção de socialismo.
Este filme fez eu me dar conta do tipo de risco que se corre na tentativa de rupturas político-institucionais sem uma base muito forte de apoio. As realidades são bem diferentes, tanto dos países quanto das épocas, mas passei a perceber a prudência e a paciência reformistas como virtudes.
Mudar mais devagarzinho, para não correr o risco de um retrocesso violento...
André Egg em setembro 13, 2010 2:05 AM
#72
onze de setembro para mim sempre foi o golpe militar chileno. Lembro-me de no dia do 9-11 fake, dava aulas de espenhol e falei que essa data era sinistra pelo que ocorrera, à época, 18 anos antes. Passo isso para meus alunos hoje tb! Sempre lembrar!
Thiago Quintella de Mattos em setembro 13, 2010 7:51 AM
#73
Realmente o momento é outro. Realinhamento de forças políticas, enfraquecimento da mídia, paticipação direta do povo na política via rede, a crescente importância da China no cenário econômico mundial (relativizando as convicções "ideológicas" dos empresários e mudando a cara da economia brasileira - situação brilhantemente analisada por Maria da Conceição Tavares em recente palestra na UFMG) e, reconhecendo os méritos do Lula, uma esquerda mais hábil e experiente. Tudo isso está desarmando o golpismo atávico na história latino-americana. Se antes o golpismo se transmitia por atavismo, agora tentam espalhá-lo por "otavismo". É vergonhoso ver como a imprensa ainda aposta nesse anacrônico, sangrento e criminoso meio de se resolver crises políticas. É estarrecedor constatar que ainda existem pessoas que se dizem democratas apoiando golpes como o de Honduras. Estão realmente fora da realidade.
Leo Vidigal em setembro 13, 2010 7:53 AM
#74
11 de setembro sempre será uma data essencial para todos os latino-americanos. A experiência de mudança, criminosamente abortada em 73 pelo gorilas chilenos (e seus aliados civis) liderados por aquele que não se deve nominar, é e sempre será uma referência.
Esse é o NOSSO 11 de setembro.
Sem que isso dimunua ou desmereça o significado dos outros 11 de setembro citados nessa caixa de comentários.
Luiz em setembro 13, 2010 10:06 AM
#75
Idelber, achei que ia encontrar algum comentário seu sobre Palin, Glenn Beck e cia. mostrando força...
Os US & A têm a ultra-direita mais numerosa e estridente do mundo, hoje.
Danilo A. em setembro 13, 2010 4:43 PM
#76
Idelber,
Como o Jair notou lá em cima, o Batalla del Chile tem mais de 3 horas, não 90 minutos! É uma trilogia. Acho que você assistiu só a primeira parte. A Videofilmes lançou um box com a trilogia completa e um monte de extras no Brasil. Coisa mais linda.
É um filme sensacional mesmo, aula de história e de cinema documental.
É muito importante ver esse filme junto com "The Revolution will not be Televised", filme irlandês sobre o golpe contra o Chavez em 2002, para ver como os scripts de golpe se repetem. É assustador ver esses dois filmes e se lembrar da sequencia de eventos na época do mensalão. Acho que ali a gente chegou muito, mas muito perto mesmo de um golpe. Ainda bem que passou raspando.
O Jair também falou do Santiago Alvarez. Esse era um GÊNIO! Tenho um DVD em casa com um monte de filmes dele, acho que é da Videofilmes também.
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Brinde: link para o box da Videofilmes :¬]
http://www.videolar.com/ProdutoDVD.asp?ProductID=107896&pub_int=3115
Daniel em setembro 13, 2010 7:31 PM
#77
Outra coisa!
Tem um filme, acho que chama 9/11, sobre o 11 de Setembro de 2001. É um filme em episódios, todos com 11min09seg de duração, cada episódio dirigido por um diretor diferente (Ken Loach, Sean Penn, Iñarritu...). O episódio do Ken Loach é sensacional, de longe o melhor do filme. E é sobre o 11 de Setembro chileno! Quase no fim ele fez um arrepiante paralelo com o 11 de setembro americano.
O Ramiro, que achou o texto do Idelber "provocador", devia assistir esse curta do Ken Loach. Ia ter um ataque.
Daniel em setembro 13, 2010 7:42 PM
#78
Q pecado, Idelber. Eu não conhecia o documentário. Adorei. Vou me organizar para fazer com que meus alunos assistam tb.
Ulisses Adirt em setembro 14, 2010 3:05 AM
#79
Oi, Daniel, obrigado. Só para constar: eu assisti, sim, às três partes do documentário. Já trabalhei bastante esse filme em sala de aula. Por distração, na hora de postar, só olhei a duração da vídeo do Google, daí o lapso. Um abração.
Idelber em setembro 14, 2010 6:47 AM
#80
Ah bom. Achei estranho o Idelber não ter visto o filme inteiro. :¬]
Daniel em setembro 14, 2010 1:14 PM
Gustavo Pereira em setembro 17, 2010 12:59 PM