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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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quinta-feira, 09 de setembro 2010

Aos leitores que querem mais Derrida e Jackson do Pandeiro, e menos Dilma

Era óbvio que a segunda encarnação do blog não agradaria a todos. Eu sabia disso. Aqui vai uma satisfação aos decepcionados.

Como incontáveis outros, este blog tem suas próprias características, particulares, que o diferenciam da rede com a qual ele se relaciona. Desde o primeiro dia identificado como um blog de esquerda, ele não é produzido por um político de carreira nem por um jornalista, perfis majoritários entre os blogs de esquerda de algum impacto. Escrito por um professor de literatura cuja abordagem ao texto literário sempre se pautou por uma forte relação com a filosofia, este blog faz dessas duas disciplinas, acompanhadas do futebol e da música, o cardápio principal quando o tema não é política. Convenhamos, isso gera um leitorado bem heterogêneo. Em épocas não-eleitorais, já é difícil equilibrar a coisa.

A inacreditável história de desgraças do Atlético Mineiro faz com que as pautas esportivas terminem, ocasionalmente, resvalando para o basquete universitário e o futebol americano, dois esportes que acompanho aqui nos EUA. Mas isso é outra história. Tergiverso.

Quando voltei, avisei que o grosso da brincadeira, até o dia 03 de outubro, seria a política. Prometi um post por semana sobre outros assuntos e tenho cumprido a promessa. Entendo que as críticas não são ao predomínio da política em si, mas ao fato de que os antigos posts de análise mais reflexiva deram lugar a textos mais militantes, escritos na trincheira da campanha de Dilma e dedicados, em grande parte, a combater a assombrosa coleção de mentiradas da mídia brasileira. A própria presença desse tipo de vocabulário ('mentirada', 'safadeza', 'conglomerados máfio-midiáticos') provoca um certo rechaço em alguns leitores. Esses são, em geral, os leitores que querem posts sobre outros assuntos ou discussões políticas mais reflexivas.

Eu aceito as críticas e acredito que elas procedem. A reclamação alude a um fato real. Mas não vou mudar. O caso, até 03 de outubro, não tem solução. Este post explica por quê.

A propósito da reclamação mais comum e tradicional, acerca da 'parcialidade' do blog, eu já não tenho muito mais o que dizer. Faça uma busca nos arquivos com os substantivos (im)parcialidade, isenção, neutralidade e com seus respectivos adjetivos, e você encontrará incontáveis versões da minha resposta a essa objeção. Há material até para fazer um artigo acadêmico sobre o tema.

Sempre dou boas risadas com os jornalistas que repetem a cantilena de que a militância faz as coisas se tornarem “simplistas” e aí tascam a mais simplória análise do suposto simplismo alheio. Manter-se equidistante de duas forças políticas em combate não implica isenção. Às vezes é falseamento da realidade, mesmo. Dizer, por exemplo, que petistas e tucanos podem discutir quem contribuiu mais à mudança no perfil de renda do brasileiro não é fazer análise “isenta”. É pura e simplesmente falsear a realidade. É só consultar os números do IBGE.

Sobre a outra objeção, de que a intensidade militante do blog obnubila (esta palavra vai para os que reclamam do termo “mentirada”) certas sutilezas da política, eu só posso dizer que ela procede--não sempre, acredito eu. O post sobre o PSDB, por exemplo, não me parece um ataque militante. Gerou comentários muito ricos. Mas procede, é verdade, na maioria dos casos recentes.

A razão é muito simples. Se eu escrevesse só para o João Villaverde, a Lola, o Alexandre Nodari e o Celso de Barros, todos os posts sobre política seriam reflexivos, analíticos e atentos às ambiguidades da própria esquerda. Mas, feliz ou infelizmente, não é esse o caso. Nos últimos dias, recebi dois comentários que, justapostos, explicam a situação. Um leitor, na caixa, muito educadamente e com fina argumentação, dizia que a transmissão dos comícios de Dilma demonstrava que o blog havia se transformado em “mera legenda”. Outro leitor, por email, e escrevendo dos cafundós do Brasil, me agradecia pela transmissão do comício de Betim, pois Lula ali explicou que este ano são necessários dois documentos para votar (título e mais um documento com foto). Ele não sabia disso.

Como dizemos por aqui, I rest my case.

Os posts sobre política no Biscoito continuarão a tradição de análise crítica da própria esquerda. Mas não agora. Neste momento, a minha prioridade número zero é fazer tudo o que esteja a meu alcance para ajudar Dilma Rousseff a ter a vitória mais acachapante possível no dia 03 de outubro. Todo o demais é secundário. Como eu acabei estabelecendo vínculos um pouco mais orgânicos com a campanha do que eu imaginava ao princípio, essa tendência se exacerba. Se, a qualquer momento, você achar que essa prioridade distorceu alguma percepção minha da realidade, você sabe que o contraditório aqui é bem-vindo. Mas mate a cobra e mostre a cobra morta, ou seja, argumente caso a caso, demonstrando por quê. Não prometo resposta, já que o cotidiano de uma campanha é coisa de cuja intensidade pouquíssima gente tem noção. Perguntem ao Paraíba. O seu direito de dizer ah, você só fez esse post porque é petista não será tolhido, mas não espere que eu sequer leia esse tipo de comentário.

Desculpe a franqueza, mas é melhor que a gente se entenda desde já.



PS: Um segurança pessoal contratado por Yeda Crusius, de dentro do Palácio Piratini, espionava meus amigos Marco Aurélio Weissheimer e Katarina Peixoto (incluindo-se aí seus telefones), além de bisbilhotar Tarso Genro e várias outras personalidades políticas e jornalísticas do Rio Grande do Sul. Atenção: não se trata de que “um filiado” do PSDB ou alguém que foi vizinho (hahahah, vizinho!) de um tucano possa ter cometido ato de espionagem. É um fato comprovado, de autoria de um assessor direto da governadora, locado no interior do Palácio de Governo. Até mesmo as crianças que são filhas da deputada petista Stela Farias foram espionadas. Alguém imagina o que estaria acontecendo na mídia se um governo petista tivesse feito isso?

PS 2: Andrea Neves visitou o jornal Hoje em Dia, que estava começando a fazer matérias políticas de conteúdo um pouco mais investigativo. Logo depois, foi decepada a cabeça de Orion Teixeira, editor de política, que coincidentemente acabara de reproduzir este texto em seu blog. A prática é antiga no aecismo e está documentada neste vídeo (dois links). De novo: alguém meça por favor o inferno que estaríamos vivendo se tivesse sido o PT?



  Escrito por Idelber às 11:43 | link para este post | Comentários (158)


Comentários

#1

Sempre vi o Biscoito bem grudado à realidade e mão me surpreendo com a profusão de textos políticos. É época de eleição.

Sobre a parcialidade... Há a verdade, esta deve ser preservada; já a interpretação é livre. O Biscoito não dá notícias em primeira mão, certo? Ele cita fontes e opina. É parcial, não é indiferente. Ponto.

Abraço.

Milton Ribeiro em setembro 9, 2010 12:06 PM


#2

bem, eu passei a frequentar este blog justamente em razão de seu posicionamento contra a "mentirada". Gosto e apoio.

Vitor em setembro 9, 2010 12:17 PM


#3

Acho meio triste você ter que se justificar por pautar o SEU blog, conforme suas convicções políticas. Sei lá, fico indignada com as pessoas que querem controlar até o que o blogueiro resolve escrever.

Fabiana em setembro 9, 2010 12:17 PM


#4

Por mim, o formato do Blog agora corresponde ao momento que vivemos. Ficar falando de Derrida agora seria um pouco de alienação... (pelo menos, mais do que um post por semana).

Mas Idelber, nao entrei aqui para deixar esse comentário, e sim para pedir que você verifique o que está ocorrendo com o site do Nassif, que nao abre de modo nenhum. Só para saber se é apenas problema técnico, ou se ele está invadido.
Grata se você puder verificar.

Anarquista Lúcida em setembro 9, 2010 12:19 PM


#5

Eu diria que não é fácil ter um contendor como o amigo. Mas é, antes de tudo, estimulante. Voltarei para o contraditório (desde que eu seja capaz). Feliz regresso! Abraço,

jayme serva em setembro 9, 2010 12:20 PM


#6

No nosso Brasil de pessoas cordatas e que nunca se indispõem, acho mesmo ESSENCIAL gente que toma posição. Que se mostra, se expõe, abre o debate e se mantém nele. Adoro, de verdade!
de maneira que só posso dizer obrigada por dar um exemplo que poderei lembrar nos momentos de medo e covardia nos meus posicionamentos.

Isabela Silveira em setembro 9, 2010 12:21 PM


#7

Jackson do Pandeiro, entende-se! Mas Derrida? Eu senti vontade de me persignar -- e chego quase a desejar o segundo turno pra nos ver livre desse mal :)

Lanço uma contracampanha: MAIS Dilma e MENOS Derrida (Já tá na hora de alguém escrever um 'Oublier Derrida')

Leonardo Bernardes em setembro 9, 2010 12:21 PM


#8

Parabéns pelo post

Esgotecnica em setembro 9, 2010 12:21 PM


#9

De minha parte não tenho nenhuma objeção. Há tempo para falar de tudo. Agora é tempo de guerra e a vitória é a prioridade. A vida não pode esperar e a necessidade se impõe. Continuemos o combate.

hernan em setembro 9, 2010 12:22 PM


#10

Ainda bem que o Biscoito não listou o Blog do Alon entre os indispensáveis. Nunca vi cara (o Alon) tão confuso. Seu estilo "morde e sopra" é chato.

ari alves em setembro 9, 2010 12:22 PM


#11

O Blog é seu Biscoito, portanto você dizer o que você pensa, afinal como dizia Brizola: uso as palavras para expressar meu pensamento.
Continue do seu jeito, pra mim está ótimo.
Uma pergunta: por que é que a maioria das pessoas usa a palavra 'petista' com sentido perjorativo? Não entendo isso.

Emíl em setembro 9, 2010 12:23 PM


#12

Tranquila, Fabiana. É parte da história do blog encarar o debate de peito aberto e dar atenção às críticas que são minimamente legítimas. Algumas das que motivaram este post são de trolls. A imensa maioria vem de leitores que eu quero cultivar, daí a autojustificativa. Não tem problema, a metalinguagem sempre foi parte da história do blog (há até uma tag chamada "metablogagem", veja lá em cima).

Idelber em setembro 9, 2010 12:24 PM


#13

Como dizemos por aqui, receipt passed, herr professor. ;-)))))

Nelson Moraes em setembro 9, 2010 12:24 PM


#14

Emíl: é porque, no Brasil, quando um bandido espiona crianças no Palácio Piratini, ele é um "militar do Rio Grande do Sul". Quando um sujeito que algum dia pediu filiação ao PT e talvez tenha feito algo, ele é "um petista".

Sacou? Funciona assim.

Idelber em setembro 9, 2010 12:26 PM


#15

Como sabe, Jayme, seu contráditório é sempre bem-vindo.

AnaLu, nesses casos, em 99% das vezes a teoria da conspiração se mostra equivocada. Aguardemos.

Ari: a lista dos indispensáveis é flutuante. A primeira versão foi escrita baseada em leituras de um ano atrás, já durante a hibernação eu li pouquíssimos blogs.

Leonardo: criticar Derrida aqui é mais heresia que criticar Dilma, embora eu mesmo já o tenha feito :-)

Idelber em setembro 9, 2010 12:30 PM


#16

Idelber, não sei se vc está querendo comparar os casos de quebra de sigilo, mas o fato é de que até a Yeda teve seu sigilo quebrado, ou seja, certamente o larápio gaúcho não estava quebrando sigilos por ordem dela... http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4662431-EI15311,00-Tarso+Genro+e+Yeda+Crusius+foram+espionados+no+RS+diz+promotor.html


PS: Um segurança pessoal contratado por Yeda Crusius, de dentro do Palácio Piratini, espionava meus amigos Marco Aurélio Weissheimer e Katarina Peixoto (incluindo-se aí seus telefones), além de bisbilhotar Tarso Genro e várias outras personalidades políticas e jornalísticas do Rio Grande do Sul. Atenção: não se trata de que “um filiado” do PSDB ou alguém que foi vizinho (hahahah, vizinho!) de um tucano possa ter cometido ato de espionagem. É um fato comprovado, de autoria de um assessor direto da governadora, locado no interior do Palácio de Governo. Até mesmo as crianças que são filhas da deputada petista Stela Farias foram espionadas. Alguém imagina o que estaria acontecendo na mídia se um governo petista tivesse feito isso?

C. Paredes em setembro 9, 2010 12:32 PM


#17

Salve Idelber, para mim, dentro do contexto de eleições e considerando a cobertura partidária e de baixo nível da grande mídia (escancarada sempre que possível por outros como você), é totalmente justificável a 'subida de tom' do Biscoito.

E, para mim, o tom mais alto torna os posts mais afiados, mas não menos verdadeiros. Vejo isso mais ou menos como em jogo de futebol mais renhido: você não deixa de jogar limpo, mas 'chegando mais forte'. Digamos que o Biscoito está dando uns trancos no time adversário...hehe.

PS. faltou o link pro vídeo 'Liberdade, essa palavra', no final.

PS2. poxa, já tô filizdimais do Biscoito ter voltado! Pessoal exigente, sô.

Douglas em setembro 9, 2010 12:34 PM


#18

Beleza, já está lá o link. Obrigado, Douglas.

Idelber em setembro 9, 2010 12:39 PM


#19

eu vejo como fundamental essa tua postura em época de eleição. tens todo meu apoio.

tiagón em setembro 9, 2010 12:40 PM


#20

Eu cheguei tarde na primeira encarnação, mas como fiquei por aqui fuçando os arquivos pude chegar logo na segunda. Se a hora é essa, e é, é muito bom que você tenha vindo assim, vamos dizer, pro pau.
E, nessa luta, toda graça do #DilmaFactsbyFolha, com toda força corrisiva que o humor tem, não tem como ser dispensada, e, depois, o seu leitor que agradeceu a informação sobre a documentação necessária para votar justifica tudo e demonstra, um pouco mais, como a media não informa.

claudio melo em setembro 9, 2010 12:41 PM


#21

Idelber, lendo o texto, no link que remete ao Claudio Humberto ele acha estranho um coronel da reserva que recebe 0,32 reais de salário família e a empregada 177,00 reais de Bolsa Família. Isso é bem simples de resolver, tenho certeza que a empregada trocaria alegremente o que recebe de Bolsa Família + o salário dela, pelo soldo desse militar da reserva e nem faria questão dos 0,32 do salário família. :))

Zeza Estrela em setembro 9, 2010 12:41 PM


#22

Issaí, Idelber.
Vamos pra cima!
Ainda bem que ainda há intelectuais que tomam posição,enquanto tantos disfarçam, para enganar os outros ou se autoenganarem.
Numa época de tanta frouxidão, de todo tipo, principalmente em nossas classes médias, é bom que nessa geleia geral alguém seja a medula e o osso, como diriam os velhos e bons poetas concretos.

Jair Fonseca em setembro 9, 2010 12:42 PM


#23

Por exemplo, na outra caixa de comentários, eu acabo de ser informado que eu "não respeito a divergência".

O que um cara desses quer que eu faça para "respeitar a divergência" dele?

Idelber em setembro 9, 2010 12:46 PM


#24

Paredes, espiões sabem disfarçar, meu caro!

Jair Fonseca em setembro 9, 2010 12:46 PM


#25

Olá, Idelber. Talvez o que seja o pano de fundo desta crítica que se faz ao blog esteja ligado a um modo de conceber a política. Como é possível fazer política hoje? Também voto na Dilma, fui filiado ao PT quando era mais jovem, participava da juventude petista em Florianópolis e até apertei a mão de Lula quando ele ainda não era presidente. Isso pra deixar claro que estou de acordo com tudo acho que você diz neste período de campanha. O que eu me pergunto é se sua energia pra campanha eleitoral é equivalente a sua crença de que as eleições são a melhor maneira de fazer política, resistência. De minha parte, não acho que devemos desprezar as eleições - eu vou votar em gente que acompanho minimamente - mas desconfio que o passo aí, pra usar um eufemismo invertido, é menor do que as pernas. Abraço em você

Victor da Rosa em setembro 9, 2010 12:59 PM


#26

Olá Idelber.

Quero te parabenizar, pois está tendo uma volta triunfal. Entro aqui todos os dias e não tenho a menor dúvida de que a coisa mais importante que está acontecendo hoje no Brasil é a eleição para presidente e, na devida hierarquia e proporção, as demais eleições para o Senado, Deputados e Governadores.

Você cumpre o teu papel político como quiser. Creio que continua esta ladainha de imparcialidade na midia e na blogosfera da parte daqueles que não podem mais apresentar argumentos porque - com o perdão da soberba - se encontram desmoralizados politicamente. Eles defenderam FHC quando ele quase destruiu todo o patrimônio público de monta deste país, defendem Serra quando ele consegue se consagrar como um representante da pior tradição política brasileira - o UDENISMO - e defendem qualquer coisa, aliás, só para não dar o braço a torcer, por uma birra ideológica absurda.

Vão assitir a saída honrosa e produtiva do maior presidente que este pais já teve resmungando pelos cantos e vão escrever a história colocando Lula em pé de igualdade com outros por mera covardia intelectual.

Não falo isso porque sou do PT - e sou do PT do tempo em que o PT cabia numa Kombi em muitos lugares. Falo isto porque de fato creio que é importante dar a Cesar o que é de Cesar e dar a Lula o que é de Lula. Os méritos da engenharia política de Lula transcendem em qualidade e grandeza tudo que foi feito antes. Não digo que o que foi feito antes é dispensável ou deva ser desconsiderado, mas o resultado é muito superior.

Se você tem coragem de tomar posição só posso elogiá-lo porque estamos encerrando este tempo de patrulhamento ideológico e de promoção do preconceito. Que só se sustentava pelo monopólio dos meios de comunicação. Este tempo acabou. E nós que temos o nosso contra-cheque independente deste ou daquele patrão ideológico no Brasil temos obrigação de fazer avançar a democracia aqui.

Dilma, a grande aliança, o PT e seiláeumaisoquê pode ajudar em muito neste processo. Não porque não vão haver problemas, mas porque mesmo os problemas que vierem daí serão melhores do que a submissão ao PCC, a submissão a este ou aquele Soberano Externo, a esta ou aquela programação externa. E, com certeza, não veremos mais professores apanhando da polícia e - se for possível - os aparelhos de estado não serão mais postos a serviço de um estado policialesco e de exceção ou espionagem como aqui no RS pelo PSDB, PMDB et caterva.

É muito grave o que se desenvolvia nos bastidores do Governo Yeda. Eles gostariam muito mesmo de ter instrumentos para aterrorizar seus adversários. Não existe nenhuma outra explicação para a perseguição e espuionagem de filhos de uma deputada estadual do PT e de filhos de um deputado estadual do PTB. É muito grave e pesada a sombra que páira sobre os corações e mentes desta tucanagem.

Lembro muito bem o quanto custou para construir um estado de direito e uma democracia no Brasil e o respeito à institucionalidade é fundamental para preservá-la.

Quanto ao debate sobre sigilo a posição deve ser condenar, averiguar, apurar e punir, mas não é papel nosso ficar CACAREJANDO SEM OVOS como alguns andam por aí.

Parabéns pela tua coragem e o teu exemplo: O sonho acabou, mas a realidade começa a ser melhor.

Por fim, gostaria de propor um DEBATE PÓS-ELEITORAL:

COMO FAZER FILOSOFIA EM TEMPOS MELHORES?

Sobre o quê escreverei em meu BLOG.

Um grande abraço amigo.

Daniel Boeira em setembro 9, 2010 12:59 PM


#27

Beleza, Daniel, acabei de assinar o feed do blog. Ótima pauta, sobre filosofia em tempos melhores. Anotada!

Idelber em setembro 9, 2010 1:03 PM


#28

C. Paredes #16

É, eu vi na semana passada a lista de espionados e, lá no fim da ordem alfabética, dona Yeda. Primeiro pensamento que me veio à cabeça: "Pelo menos eles arrumaram um álibi".

Radical Livre em setembro 9, 2010 1:08 PM


#29

Eu gostaria que Dilma, presidente do partido e mesmo o próprio Lula viessem apúblico para dizer que a campanha à presidência do PT não pode e não será pautada pela imprensa e pelo PSDB, e que, sim, a imprensa, justamente por ser livre, e assim continuará, [age com extrema parcialidade e apoio incontestável à candidatura de Serra e, como tal, poderá ser criticada pelo governo que, sim, deveria vir a público (no horário eleitoral), para informar à população da campanha orquestrada por seus opositores com toda participação midiática, e alertar-lhes que tais manifestações não devem ser levadas em consideração, pois são apenas atos de campanha antigovernista, antipovo, antiLula e a favor do retorno de tudo o quanto queremos sepultado no passado. Da maneira que for, deixar de lado essa questão do apoio escancarado e sistemático da mídia à Serra só para não ter o retorno da pecha do governo que quer censurar e dirigir opiniões, etc., parece, às pessoas, atitude covarde diante das denúncias que, é claro, não devem mesmo ser respondidas por Dilma, desde que fique clara a posição do partido, que é a da não vinculação da candidatura a qualquer ato ilícito de funcionários da Receita Federal. Que se deixe também claro no programa partidário que a ação do PSDB contra a candidatura Dilma foi arquivado por completa inconsist~encia de provas e nexo, caso contrário, a populaçãao pode fazer a ligação que o PSDB quer que ela faça, por ignorar as tecnicalidades jurídicas.

No mais, durante o período eleitoral, é normal que se trata dos assuntos do dia, só não se pode (ou não se deveria) intentar vender versões favoráveis ao partido de fatos que, mesmo independentes a priori da candidatura, possuem realmente ligações com instâncias partidárias outras.

Ou se tem um contraditório amplo e bem fundamentado, ou se pula para outro assunto.

Por fim, Jackson do Pandeiro, sim, Derrida, não.

marcos nunes em setembro 9, 2010 1:12 PM


#30

#28

O que o PT não fez?

C. Paredes em setembro 9, 2010 1:24 PM


#31

Parabéns Idelber. Firme e coerente. A época é de eleições e temos de ficar atentos para desmascarar a mentirada(que boa recuperada deste termo você fez!)que corre solta pela mídia. Por mais ligados que sejamos à literatura ou a outras áreas importantes do conhecimento não é momento de falar de flores e pássaros, mas sim de desmascarar a manipulação abjeta que a fina flor do jornalismo brasileiro está fazendo na mídia e de limpar a porcaria que os fantasiados de tucano estão espalhando por todo lado. O que está em jogo neste momento é o destino do país e da imensa maioria do povo brasileiro. Quem não entende isso está sonolento. É bom acordar para depois não chorar!

Branca em setembro 9, 2010 1:24 PM


#32

C. Paredes, Radical Livre:

Vamos ao que o promotor Amílcar Macedo já revelou: segundo o próprio promotor, não segundo o PT, havia dois tipos de investigação na arapongagem do sargento: uma para levantar dados sobre a vida do investigado (no caso dos adversários), e outra para saber se a pessoa estava sendo investigada por agentes da lei (para manter os amigos avisados). Fazendo isso, ele antecipava ações policiais e investigatórias que estavam em curso, alertando os alvos antes. É o que diz o Promotor Amílcar Macedo. Vocês podem acompanhá-lo no Twitter: @amilcarmacedo.

Idelber em setembro 9, 2010 1:33 PM


#33

Nem precisava explicar, Idelber, obrigada por voltar e por tratar só disso! Deus é pai, não é padrasto, diz a ateia aqui. Sua gramática e sua ortografia são colírio para meus olhos. Com essa afirmação, então, de que sua prioridade é ajudar Dilma Rousseff a ter a vitória mais acachapante possível -- é a minha também, e nem precisa ser acachapante :-))) --, o que mais posso desejar? Mando a você um beijo e um abraço e desejo a todos nós muita disposição para a luta.

marinildac em setembro 9, 2010 1:39 PM


#34

Jackson Derrida e Jacques do Pandeiro não excluem Dilma, uai!
Saudações lulistas.

Jair Fonseca em setembro 9, 2010 1:48 PM


#35

Confirmado lá no Twitter: sargento espião diz que recebia ordens de Ricardo Lied, ex-chefe de gabinete de Yeda.

De novo: Imaginem se fosse o chefe de gabinete de um governo petista mandando um sargento espionar crianças? Os jornais e as TVs já teriam abolido as matérias de esportes e política internacional. Até a previsão do tempo já teria dado lugar à gritaria.

Idelber em setembro 9, 2010 1:55 PM


#36

É, seu Idelber, claro que o araponga trabalhava pros tucanos. Eles passarão, que nem passarinho!

Aí, pessoal do RS, é hora de ir pra cima! Demorou.

Jair Fonseca em setembro 9, 2010 2:04 PM


#37

Idelber, quais seriam essas tais "relações orgânicas" que vc desenvolveu com a campanha da Dilma? e também, se vc porventura achar que deve criticar a Dilma, vc vai aliviar pq afinal sua prioridade é eleger a Dilma? pergunto em nome da transparência apenas. abracos

jbdasilva em setembro 9, 2010 2:09 PM


#38

Caro Idelber,
É ótimo ver o Biscoito de volta! Obrigado pela volta. Não sou Dilma nem Serra, como não-cidadão tenho a vantagem de isenção nesse aspecto, mas aprecio muito o nível do discurso e do debate aqui, como você sabe. A arapongagem é um vírus antigo na política brasileira (lembre do duelo de arapongagem entre Carlos Lacerda e Benjamin Vargas em 1954....), nenhum partido escapa, mas com certeza está especialmente contagiosa agora. Mas falando em música popular, assunto muito mais querido, "Araponga" é um belíssimo choro-baião por Luiz Gonzaga, gravado em versão majestoso por Jacob do Bandolim....quem não ouviu deve procurar para equilibrar a cabeça....É uma pena que ao ouvir "Araponga" temos que lembrar do César Rodrigues, mas um alivio lembrar que a saber do César Rodrigues podemos fugir para Luiz Gonzaga.
abraços,
B

Bryan em setembro 9, 2010 2:15 PM


#39

Jb: relações orgânicas quer dizer que eu estou em contato com gente da campanha. Só isso. Não tenho absolutamente nenhum cargo, mas sou voluntário da campanha e estou em contato com ela.

Sobre a outra pergunta, o dia em que você achar que alguma crítica a ela cabe, você me cobre e eu me posiciono. Sobre hipótese não vou especular.

Idelber em setembro 9, 2010 2:16 PM


#40

jbdasilva, você que era candidato à Presidência pela Boca do Lixo e megaempresário do império dos pentes plásticos, no clássico do cinema moderno "O Bandido da Luz Vermelha" (Rogério Sganzerla, 1968), agora virou investigador, informante e agente provocador?

Jair Fonseca em setembro 9, 2010 2:19 PM


#41

Grande Bryan, seu bom humor sempre bem-vindo!

Idelber em setembro 9, 2010 2:25 PM


#42

Tá brincando!? O Biscoito é a melhor coisa que há em época de eleição (e política é o meu topic favorito aqui). A cobertura da vitória de Obama foi da mais alta qualidade e me emocionou.

Luciana de Alencar em setembro 9, 2010 2:41 PM


#43

Pois é, Luciana, e não vi ninguém reclamar da cobertura e da CAMPANHA que o Biscoito fez quando das eleições nos Estados Unidos...

Jair Fonseca em setembro 9, 2010 3:02 PM


#44

Finalmente alguém que eu respeito tem coragem de criticar o Alon...há pelo menos um ano o cara tá mais perdido que cachorro em dia de mudança. Quando eles começam a fazer isso acho sempre que estão dando um jeito de fazer como o Pedro Doria e afundar de vez na lama dos jornalões. Oxalá não seja o caso do Alon...ainda dá tempo para ele se recuperar do susto.

Quanto ao post, adorei. Você não tem mesmo que se explicar, mas quando se explica com um texto tão verdadeiro contribui para o fortalecimento da blogosfera. Mostra que, aqui, ao contrário da grande mídia, há espaço para o posicionamento claro e honesto.

No mais, por favor, continue a postar os comícios. To adorando assistir tudo ao vivo! Hoje vai ter um em Ribeirão Preto, né?

aiaiai em setembro 9, 2010 3:04 PM


#45

Não entendi muito bem o motivo das críticas posto que desde seu reinício a posição do Biscoito foi colocada de forma clara e honesta. Tampouco senti que tenha havido exageros dentro da posição assumida. Enfim...se quem criticou é de confiança, ok, mas que é estranho, é.

Cláudia em setembro 9, 2010 3:09 PM


#46

Pois é, na eleição do Obama não havia ninguém torcendo pro McCain no Brasil. Aí, claro, as informações do Biscoito eram "isentas".

aiaiai, a transmissão depende da equipe de internet da Dilma. Tem dia que funciona, tem dia que não funciona. O dia em que eu não postar o comício aqui, é só visitar o Dilma na Rede (http://dilmanarede.com.br/).

Idelber em setembro 9, 2010 3:11 PM


#47

Caro Idelber
Pela elegância do seu texto e pela honestidade na apresentação de suas ideias e pontos de vista, tornei-me fã do seu blog. Faço minha visita todos os dias, sem falta.
Acho inacreditável que alguém possa reclamar justamente daquelas que são as suas maiores virtudes!
Um grande abraço.

VaniaCury em setembro 9, 2010 3:12 PM


#48

É verdade, Luciana. A noite da eleição de Obama foi um dos grandes momentos do Biscoito.

Espero que no dia 3 estejamos aqui, também comemorando.

Radical Livre em setembro 9, 2010 3:18 PM


#49

Concordo plenamente com seu posicionamento, Idelber. De 4 de outubro em diante voltamos nossas baterias para outros campos da realidade. Agora, todos aqueles que se preocupam de fato com o Brasil, que conhecem e vivem a realidade
brasileira e que sabem um pouco da perversidade histórica das elites brasileiras, têm mesmo é que fazer a sua parte para garantir que o pouco que conquistamos seja preservado e, se possível, ampliado até o momento em que o processo democrático tradicional permita.

Portanto, caro, seguirei seus posts até dia 3 de outubro e o farei, também, após isso.

Mario Jaime em setembro 9, 2010 3:26 PM


#50

Você escreve justamente o que eu quero ler. Hum, espero que tome isto como um elogio. :)
Bom retorno.

maira parula em setembro 9, 2010 3:27 PM


#51

Prezado Professor:
continue assim, pois, foi assim que peguei uma grande afeição por este Blog. Só Deus sabe o quanto sofri quando nos foi imposto o jejum de um ano sem o Biscoito.

alex em setembro 9, 2010 3:28 PM


#52

Estaremos aqui no dia 03 de outubro. E prometo, Radical, que desta vez a banda não vai estourar.

Ainda não sei de onde vou blogar, pois estou sem internet no meu AP em BH. Estou averiguando se tem wi-fi na sede do PCdoB, onde pretendo estar com minha candidata, Jô Moraes, comemorando a votação consagradora que ela deve ter.

Não sei onde está a turma que reclamava. Os leitores que comentaram são testemunhas de que a caixa está aberta.

Idelber em setembro 9, 2010 3:38 PM


#53

Idelber,
Acho que a prioridade do blog tem que ser essa: ajudar a desmascarar a hipocrisia da grande mídia. O caso do "militar do Rio Grande do Sul" é emblemático de como se portam os grandes veículos de comunicação - até agora o silêncio é sepulcral e parece que vai continuar assim.
Me perdoe se eu estiver errado - é a percepção de alguém que acompanha de longe a política mineira, mas acho que as críticas que estão sendo feitas ao Fernando Pimentel (que reputo um ótimo quadro do PT) são injustas.
Alguns dizem que ele "entregou" a prefeitura, o senado e, possivelmente, o governo de Minas a Aécio. Tenho cá minhas dúvidas. Cada dia mais me convenço que o não lançamento de candidatura própria do PT ao governo de Minas foi mais um golaço de placa (desculpe o pleonasmo) do Presidente Lula, do mesmo modo que foi a sua briga pela candidatura única no campo popular. Explico:
Quando o PSB podou a candidatura do Ciro e viu-se ali, claramente, as impressões digitais do Presidente Lula, muita gente achou um erro grave - eu inclusive.
Mas o que Lula queria era, justamente, a polarização e não a fragmentação. Embora Serra estivesse bem à frente nas pesquisas (e com dois candidatos, provavelmente, seria mais fácil a esquerda chegar ao segundo turno) Lula compreendeu que a candidatura dúplice poderia: a) rachar a base aliada; b) inflamar egos desnecessariamente; c) provocar crises de ciúme que comprometeriam o engajamento de todos na campanha.
Ele estava certíssimo e os percentuais atingidos por Dilma agora mostram isso!
Bom, aí vem o caso de Minas. Se não estou errado, o Aécio e o Fernando Pimentel tinham um acordo: apoiariam o Márcio Lacerda, com o compromisso do primeiro apoiar o segundo na sucessão ao governo estadual.
Pimentel não saiu candidato - e até onde eu sei, porque o próprio Lula vetou a candidatura própria - e o PT apoiou o Hélio Costa (sobre quem tenho algumas boas restrições, sobretudo por sua vinculação estreita a parcelas da grande mídia conservadora). Bom, se o candidato era o Helio Costa, o Aécio estava livre para apoiar quem bem quisesse, não é mesmo?
Por outro lado, sem a candidatura própria, Lula evita um confronto direto em Minas com o Aécio (ao que se sabe, as relações entre os dois sempre foram muito amistosas e, verdade seja dita, Aécio jamais embarcou na onda golpista da grande imprensa ou formulou críticas levianas ao governo federal) e preserva a futura presidente de uma oposição hidrofóbica como fizeram, por exemplo, Agripino Maia, Tasso Jereissati ou Arthur Virgílio (como está a campanha no Amazonas?).
Acho que é importante o diálogo com a oposição, sobretudo se se der de forma construtiva e responsável. Aécio, que me parece ter sacado a jogada do Lula, dá um apoio prá lá de formal a Serra (diria até constrangido) e, ao que tudo indica, se prepara para arregimentar em torno de si os cacos do PSDB, mas dando uma orientação radicalmente oposta à vertente paulista que tem prevalecido até hoje.
De qualquer forma, acho que o PSDB aecista é bem menos daninho ao país que a sua versão paulista e é bem possível que, na eventual oposição ao futuro governo Dilma ele tenha um papel de destaque, mas não pela política feita com a bílis e sim com a proverbial esperteza mineira.
Claro que há o problema do vazamento dos dados da Receita - muita gente tem apontado como um "serviço" da turma de Aécio, para neutralizar as ações do grupo serrista. É possível que, após as eleições, Serra "libere" a história completa para a imprensa e o Aécio acabe queimado.
Mas depois desses escarcéu midiático, acho difícil que uma acusação, partindo de Serra ou de seus pit-bulls à Rainaldo Azedo, venha a merecer qualquer credibilidade e, dificilmente, isso respingaria no prestígio do Aécio.
Ah, sim, por favor - não sou aecista e nem engulo essa história de "governo modelo", "choque de gestão", etc., na forma que vem embalada pela mídia. Mas acho que ele é, na atual conjuntura, um quadro bem melhor que o combalido Serra (cuja biografia ele próprio está fazendo questão de atirar no esgoto) ou o carola Alkmin (Opus Dei é brincadeira!).
Abração (e desculpa o post muito longo).

érico cordeiro em setembro 9, 2010 3:51 PM


#54

Off-topic

Idelber, há alguns dias um comentarista disse que quase todo o "clube da esquina" tinha tucanado. Você respondeu: "Só tá faltando saber do Milton". Bem, não falta mais.

É uma reedição da "tancredização" do "clube da esquina" sobre a qual, se não estou enganado, você escreveu.

Bruno Pinheiro em setembro 9, 2010 4:14 PM


#55

Escrevi. Neste livro. Há uma versão em português disponível para leitura. Infelizmente e, tenho que dizer, não por culpa minha, ela saiu com vários erros, inclusive um grosseiro logo no primeiro parágrafo, aqui neste pdf.

Idelber em setembro 9, 2010 4:24 PM


#56


CONCORDO PLENAMENTE: Neste momento, a prioridade número zero DOS CIDADÃOS QUE QUEREM A CONTINUAÇÃO DE UM GOVERNO RESPONSÁVEL, DECENTE E COMPETENTE NO BRASIL DEVE SER fazer tudo o que esteja a NOSSO alcance para ajudar Dilma Rousseff a ter a vitória mais acachapante possível [ACACHAPANTE AO CUBO] no dia 03 de outubro. Todo o demais é secundário. --- NO FRAGOR DA BATALHA NÃO DÁ PRA PEDIR UMA PAUSA PRA TER UM REFRESCO...

João Vieira em setembro 9, 2010 5:08 PM


#57

Não conhecia este blog antes das eleições.
Só vim aqui por causa do texto " As aventuras do Careca: fábula de um país imaginário"
Gostei tanto que agora sempre dou uma passadinha para ler algo interessante e divertido.
Mas meu assunto preferido é política; agora por causa das eleições e depois delas também.
Gosto de acompanhar meus representates no congresso e em meu estado.

Pérola em setembro 9, 2010 5:19 PM


#58

Também acho que, num época como essa (período eleitoral), em que somos obrigados a encarar dioturnamente todo o poder (ainda) da velha mídia e o uso demente que faz dele para atacar a nossa frágil democracia, é prioridade erguer e fortalecer nossas trincheiras.

Como está escrito lá no topo da página "verás que um filho teu não foge à luta". E são tantas as batalhas a serem travadas...

Seriam eternas?

frank em setembro 9, 2010 5:20 PM


#59

Concordo com o Milton. Em genero, numero, grau, tempo e modo!

Edk em setembro 9, 2010 5:21 PM


#60

Eu fui citada pelo Idelber, eu fui citada pelo Idelber! (Tenho que me comportar e agir como uma pessoa pra quem vc escreveria textos analíticos e reflexivos). Bom, eu certamente não reclamo do conteúdo do seu blog. Estou adorando, e muito feliz que vc voltou. Em época eleitoral, é muito difícil falar ou pensar em outra coisa. Consome a gente - tanto quem é de esquerda como a gente, que tem paixão política, como quem é de direita e só tem ódio político, que não deixa de ser um tipo de paixão. No meu blog o pessoal não anda reclamando muito, se bem que aparecem alguns leitores dizendo "Volto aqui depois das eleições!". Tenho notado tb, não sei se é verdade, que boa parte dos meus posts que não é sobre política partidária recebe menos comentários. A impressão que tenho é que nossos leitores, sem dúvida pessoas especiais e iluminadas, estão tão empolgados com essas eleições quanto a gente. E como não poderiam estar? Além de darmos uma surra na direita, elegeremos a primeira mulher presidente!

Lola em setembro 9, 2010 5:24 PM


#61

Vai ser inesquecível, Lola!

Érico, maravilhoso comentário, lido com atenção. Concordamos em quase tudo, mas há uma coisinha em BH que eu preciso detalhar com calma. Volto mais tarde. Estou na correria da campanha.

Para quem não tem Twitter: saiu tracking interno do PT mostrando Merca com 29% e Alckmin com 41%.

Quem está acompanhando a coisa em Sumpaulo sabe o que isso significa. Eu volto para bater bola, Érico.

Idelber em setembro 9, 2010 5:53 PM


#62

Idelber, nem se tem muito o que acrescentar. O Biscoito é indispensável e sua pauta é somente sua. Lê quem quer e diverge quem puder. O problema é que, pra divergir, precisa argumentar um tiquinho... aí o pessoal limpinho fica cuma preguiça danada... dá trabalho, leva tempo, e corre o risco de passar vergonha...

Cajueiro em setembro 9, 2010 6:04 PM


#63

"(...)acho que o PSDB aecista é bem menos daninho ao país que a sua versão paulista."

Érico, desculpe catar um pedaço do seu texto, não é nada pessoal, na verdade boa parte das pessoas com quem eu converso pensa assim. Mas... Sei lá, viu?! Quem acompanha as coisas in loco por aqui sabe que, por mais que seja menos daninho em alguns pontos, o governo Aécio é um rolo compressor.

Essa história do mineiro que governa conciliando não cola. Basta vocie conversar com alguém que já trabalhou em qualquer veículo de imprensa daqui.

(Esse apoio dos artistas, que alguém citou ali em cima, por exemplo: tenho certeza que muita gente assinou com medo de entrar na listinha negra da Andréa...)

Já disse aqui em outros posts e repito: o PT tem negligenciado MG no jogo nacional e pode pagar caro lá na frente, quando descobrir que o Aécio não é exatamente esse que o resto do Brasil acha que é. Estão deixando - e às vezes até ajudando - o moço crescer, tomar conta do estado, do segundo maior colégio eleitoral do país.

Marcelo P. em setembro 9, 2010 6:21 PM


#64

Idelber,
Quanta impaciência! Se você demorou mais ou menos 48 horas para dar resposta às vozes dissidentes, espere aí uma meia dúzia por uma réplica.
Bom, vou responder ao seu post em lugar da troca que se deu na caixa de comentários cujo link você já deu. Mesmo porque entre lá e aqui há mudança de posicionamento clara sua. Lá você insistia, “o comício não está lá ‘no lugar’ da análise política. Ele coexiste com a análise política.” Aqui você parece admitir que o comício é prioridade e que a coexitência entre análise e comício pode mesmo não acontecer.
Mantenho a minha posição de antes. Acho mesmo que um e outro não coexistem. Do palanque, as mãos entrelaçadas, erguidas como signo da vitória antecipada não pode ser a mesma mão que aponta o dedo para si. Mas isso penso que você também admite. Como aqui, “Os posts sobre política no Biscoito continuarão a tradição de análise crítica da própria esquerda. Mas não agora.”
Minha crítica a que você alude no seu texto teve duas frentes. A primeira dizia respeito ao meagering das suas análises políticas. Você tem um forte álibi para se desculpar ante à primeira. Diafanamente, através do blog, adivinha-se o seu comprometimento com a campanha da Dilma. A segunda parte da crítica, que em outro contexto poderia ser colocada independentemente da primeira, mas que aqui tem relação circular com ela, se constrói como critique do intelectual quando no palanque. Mas até nesse ponto você parece também agora concordar parcialmente com o que eu disse, “sobre a outra objeção, de que a intensidade militante do blog obnubila (esta palavra vai para os que reclamam do termo ‘mentirada’) certas sutilezas da política, eu só posso dizer que ela procede--não sempre, acredito eu. (...) Mas procede, é verdade, na maioria dos casos recentes.” (Aliás, é importante salientar aqui, não porque se concluiu qualquer síntese entre as nossas opiniões, mas porque a sua vontade de diálogo é inapelável, que toda objeção que vindica falta de liberdade de expressão nesse espaço é ou tola ou desonesta)
Permanece um ponto sem desatar do gordian knot. Minha crítica ao intelectual no palanque se sustentou num apelo ao sistema. Eu duvidei, e ainda duvido, que as suas escolhas teóricas tivessem atualmente relação com a sua presente prática política. Não que eu esteja reivindicando qualquer mimesis daquele paradigma do qual a Sorbonne nos 60 representou e do qual o Estruturalismo, em alguns casos, foi objeto de crítica – “as estruturas não descem às ruas”, escreveu-se na França de 68 – a imagem do intelectual preso à imobilidade, e então escrevente do reacionário. Mas eu acho mesmo que, só dando nó em pingo d´água, você resolve a aporia da união da mais simplista crítica à indústria cultural – atual cenário do Biscoito - com a iconoclastia do dicotômico de um L’écriture et la différence, ou The Location of Culture. Posso estar aqui argumentando demasiado em cima do não-dito (ou do half-said). Talvez o seu estreitamento teórico com esses caras nem seja assim tão próximo como eu quero. E se tiver aí fácil, no seu arquivo, qualquer passagem que me contradiga ou corriga, é bem-vindo. Do contrário procederia a minha provocação de que para você coisas como o conceito de hybridity (uso hybridity como exemplo) só serviriam como chave de leitura do colonial novel, e não do jogo político na Índia sob o Império Britânico, como quer Bhabha.
É claro também que o direito de despirocar é inalienável. São muitos os exemplos de feras que contradisseram engajamento teórico com prática política. Michel Foucault e a Revolução Iraniana é o exemplo clássico. E no fim de tudo você pode simplesmente retrucar “who made you my brother’s keeper?”, o que seria direito todo seu.
Mas parece que o problema do sistema não se encontra só na ordem da atual aporia teoria/prática política. Você não enxerga problema em manter o Biscoito e seu atual evil twin. É como se um illud tempus, que vai do agora até o dia 3 de outubro, servisse de líquido aminiótico ao Biscoito a serviço do PT, e que o mesmo pudesse ser abortado logo após às aleições sem que o seu irmão (presos os dois agora por todos os tecidos e carnes que vão se formando) também não tenha a sua integridade ameaçada quando chegar a hora do infanticídio.
Por fim deixa só eu repetir de novo que leio o Biscoito porque gosto (e não por qualquer tendência SM) e que já aprendi muito com você.

Luiz em setembro 9, 2010 7:26 PM


#65

Se o Mercadante estiver realmente a 12 pontos do Xuxu (tracking é sempre um tracking), e não nos são oferecidas pesquisas estaduais faz tempo, vai ser uma festa aquí em Sampa. Mesmo sendo o Mercadante um candidato que não empolga nem a militância, não merecemos mais tucanos incapazes e preguiçosos (note bem, não estou dizendo que todos os tucanos são assim) como é o Geraaaaldo.

frank em setembro 9, 2010 7:29 PM


#66

Texto monumental do Sergio Leo sobre a privatização das teles:

http://verbeat.org/blogs/sergioleo/2010/09/a-ideologia-e-a-privatizacao-das-teles.html

Marcos em setembro 9, 2010 7:32 PM


#67

Oi, Érico vamos lá. Excelente comentário e concordamos em muita coisa. Mas eu me vejo forçado a matizá-lo, na linha do que o Marcelo disse. A coisa em Minas é braba. No se que refere ao jornalismo, eu diria que é até pior que em São Paulo. Decepam-se cabeças e impõe-se um silêncio sepulcral.

Sobre a situação eleitoral em Minas, a coisa é complicada, Érico, pelo seguinte: o Pimentel--você tem toda a razão--é um excelente quadro e fez uma prefeitura muito boa, continuando o trabalho Patrus e do Dr. Célio. Quando Pimentel terminou seu mandato, a prefeitura de BH tinha aprovação popular de 82%. Ao contrário de cidades como São Paulo e Porto Alegre, em Belo Horizonte o antipetismo é um fenômeno praticamente inexistente. Ao contrário do PSB do Nordeste, forjado na tradição de Arraes, do PSB de Erundina em São Paulo e mesmo do PSB de Beto no Rio Grande do Sul, seções que têm uma história de compromisso com lutas populares, o PSB de Minas é uma legenda de aluguel do Aécio. E, ao contrário do interior de Minas, em BH o Aécio, sozinho, não elege ninguém.

Neste contexto, a movida do Pimentel não foi muito inteligente. Mesmo de um ponto de vista egoísta, ele ficou sem o que queria (o governo do Estado) e corre sério risco de ficar até mesmo sem a vaga no Senado. Não é nenhuma desgraça para ele, porque dada a sua proximidade com Dilma, ele certamente terá um ministério. Mas mostra que nesse acordo, ele trouxe a cerveja, a casa, a churrasqueira e o churrasco. O Aécio trouxe o estômago.

Não sou contra a conversa por definição. Mas nessa aí não havia nada a ganhar. A situação da disputa para o governo estadual é uma consequência do xadrez que se montou a partir da cessão da prefeitura ao aecismo.

O PT elegeria até um argentino em BH, e Márcio Lacerda é um sujeito bastante truculento. Abraços.

Idelber em setembro 9, 2010 7:40 PM


#68

Porra, que dizer? matou a pau.

Vão se fuder os indies alambicados que fazem do topo do muro a sua poética insípida.

Política sem amor e ódio não passa de ramerrão miúra contra a corrupção da matéria.

Pelo triunfo da justiça, e da beleza!

Um abração.

Bruno Cava em setembro 9, 2010 8:23 PM


#69

Idelber,

Parabéns pelo post. Eu gosto muito quando você fala de filosofia, literatura, música e futebol. E gosto muito quando você fala de política. A transmissão ao vivo dos comícios é ótima, continua por favor. Suas análises estão realmente mais militantes e por vezes mais rasas, então parabéns pela análise profunda e honesta dos motivos de seu discurso ter se alterado um pouco nesse momento. Pra mim, está mais que justificado!
Ah, podia escrever sobre minha experiência pessoal de ter sido "responsável" pela demissão de uma jornalista do Estado de Minas na campanha passada, só porque ela publicou em página inteira a verdade sobre adolescentes nos presídios mineiros (com base em dados do próprio governo do Aécio). Divulgamos a pesquisa nacional, minas ficou mal na foto e baixou o comitê de campanha do Aécio na redação do jornal pedindo a cabeça da moça. Sem entrar em detalhes, essa fica de recado para quem ainda alimenta ingenuidades a respeito de como se dão as relações entre mídia e política.

Um abraço.

PS: Ah, talvez dava pra desativar o "play" automático dos comícios. É meio xarope ouvir um barulho vindo do nada quando se abre uma aba no navegador.

Marco Natalino em setembro 9, 2010 8:42 PM


#70

Marco, tentei e tentei desativar o "play" automático. Parece que é próprio da rede que o pessoal de internet da Dilma montou mesmo. Toca automaticamente. Eu sei, é um pé no saco. A primeira coisa que eu digo a blogueiro iniciante é: jamais coloque musiquinha para tocar de forma automática em seu blog. No caso dos comícios, pelo menos você tem a opção de dar o "pause".

Hoje tem comício em Ribeirão Preto, sem a Dilma. Eu não vou transmitir, mas o Dilma na Rede sempre transmite.

Idelber em setembro 9, 2010 8:48 PM


#71

Imprensa imparcial só existe (se existe) na Universidade. Foi o que ouvi falar de estudantes de comunicação.

Bruno Marcondes em setembro 9, 2010 9:53 PM


#72

Idelber, vou chover no molhado, mas faço questão de deixar registrado.
Ter lado, assumir de peito aberto esse lado, e ir à luta sabendo entender a importância da conjuntura que se apresenta, são qualidades admiráveis. Postura firme e decidida. Meus parabéns.
Depois da disputa mais importante que o país está vivendo nos últimos anos, sei que voltará às postagens reflexivas e densas. Nada agora é mais importante que eleger a Dilma, e a melhor bancada possível de senadores e deputados para dar base a seu governo. O resto pode esperar mais um mês.

Cláudio Freire em setembro 9, 2010 10:46 PM


#73

O Ministério Público Eleitoral está fazendo uma campanha que considerom inteligente. O mote é: seu voto tem consequências. Portanto,com todo respeito aos que esperam do Idelber uma retorno ao "normal", não dá para neste momento ficar parado no meio da guerra que é uma eleição. São 4 anos que podem mudar um país inteiro. É só observar o que foi a eleição do Bush para os EUA. É na trincheira das idéias que estamos e qq auxílio é valioso!

Marcia Costa em setembro 9, 2010 11:41 PM


#74

Olá,
bem,venho aqui justamente por causa da política,o que vier de diferente é lucro,do
futebol ao cinema/livros.

No mais,dia 3 ,espero vir aqui para comemorar.

Moniquinha em setembro 9, 2010 11:41 PM


#75

A vitória de Dilma são favas contadas. A questão é saber se ganha com mais de 60% dos votos úteis ou um pouco menos.
A questão principal é virarmos o quadro aqui em SP, pois os tucanos perdem nacionalmente, mas cantarão vantagem se ganharem aqui. Portanto, continuaremos o trabalho para impedir + 4 anos de (des)governo dessa ave perversa.

armando do prado em setembro 10, 2010 12:32 AM


#76

Quero Derrida não. Quero Dilma eleita. Quero prosa política, isto é, textos políticos objetivamente claros, ainda que sangrentos, com elegância literária. Até três de outubro, é o que quero. E ainda serei mesário. Voluntário. Quero ler, ver e fazer acontecer a maior vitória do povo brasileiro sobre a decrepitude da direita.

F. A. Barros em setembro 10, 2010 12:33 AM


#77

Eta!! :)

Ananda em setembro 10, 2010 2:04 AM


#78

Ano de eleições é atípico. Quem não gosta de política não deve nem ler jornais, porque é evidente que este assunto será a principal pauta do dia.

Eu, por exemplo, via de regra nem gosto de política, só que está cada vez mais claro que quem não gosta acaba governado por quem gosta, sendo que de tal modo é quase impreterível se posicionar de alguma forma.

No meu caso, que embora não seja jornalista tenho profundo interesse por jornalismo, é absolutamente gritante que a velha mídia tem uma posição quase homogênea em torno da Direita. As explicações para isso não passam em nenhum momento por "defesa da Democracia", como falsamente aludem os grupos de comunicação. Na verdade é sabido que parte da imprensa soube conviver muito bem com a Ditadura: uns ganharam concessões, outros ganharam empréstimos...

Esta mídia que está aí só tem medo de uma coisa: perder as regalias conquistadas justamente na Ditadura. O PIG conseguiu transformar concessões públicas em "direito inalienável", porque a cada vez que se tenta regulamentar o setor - seguindo o que já está previsto na Constituição Federal - eles fazem uma choradeira dizendo que é um "atentado à Democracia". Basta ver a celeuma do PNDH-3...

Deste modo, o que me motiva a entrar no embate político nem é uma ideologia política em si (que eu nem tenho, para falar a verdade), mas sim este disparate midiático acintoso que prega um pensamento único no Brasil: o pensamento da classe média - preconceituoso e cheio de soberba.

A imprensa, formadora de opinião por natureza, viveu durante décadas um monólogo de interação ínfima, expresso nas poucas cartas que chegavam às Redações - das quais ainda se davam ao luxo de publicar, de forma reduzida, apenas uma meia-dúzia. Com o advento da internet, a imprensa descobriu que do outro lado não existem apenas seres estéreis, que só absorvem a informação e a reproduzem bionicamente. Não: também há questionamento, crítica e, para azar da imprensa, infinitas discordâncias.

Especialmente nos últimos 15 anos, quando a internet ganhou impulso no Brasil, a mídia passou de porta-voz incontestável dos fatos para somente 1 dos meios de conhecimento da notícia. A imprensa já não é impreterível, embora ainda seja importante porque teoricamente expressa as técnicas necessárias ao exercício do jornalismo. Teoricamente.

O fato é que de monolito inatacável, a mídia passou a instituição criticável. Hoje já se pode dizer que a imprensa é observada 24 horas por dia. E neste sentido sempre é bom lembrar o Observatório da Imprensa [http://www.observatoriodaimprensa.com.br], projeto que nasceu em 1996 e que eu acompanho desde 1998 - quando foi ao ar a versão televisiva. O slogan do OI, repetido sistematicamente ao final de cada edição pelo jornalista Alberto Dines, é "você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito".

Embora a minha primeira percepção com o fato de que havia alguma coisa de errado com a nossa imprensa advenha de meados da década de 80 (a explicação para isso: tenho apenas 38 anos), quando li o livro "A História Secreta da Rede Globo", do falecido professor Daniel Herz, eu só fui compreender a magnitude e a complexidade do nível deplorável da mídia brasileira com o Observatório da Imprensa. Do feudo midiático ao coronelismo eletrônico, da propriedade cruzada aos péssimos cursos jornalismo no Brasil: se alguém tentar englobar tudo, vai render uma obra com vários tomos.

Esta imprensa que está aí não é isenta, é parcial e é partidária - sim. Sem falar que infelizmente há várias "penas de aluguel" servindo aos interesses dos patrões, fingindo expressar opiniões pessoais para livrar as empresas de processos por danos morais. Por exemplo: o sujeitinho aquele que recentemente fugiu para Veneza... quem é que não sabe que ele é patrocinado (interna e externamente) para escrever as ignomínias que publica em sua coluna semanal? Quem é que não sabe que isso é um recurso das empresas editoriais para expressar coisas que elas - instituições - não poderiam expressar por conta do risco de serem condenadas?

Uma indenização por dano moral costuma levar em conta a capacidade patrimonial do réu, ou seja, se uma empresa restasse condenada, muito provavelmente iria à falência em dois tempos. Por isso existem estes "marionetes", estes "fantoches" travestidos de jornalistas, da mesma estirpe do articulista fujão - que, depois de destruir a reputação de meio mundo, resolveu dar no pinote assim que o caldo engrossou para o lado dele nos tribunais. De condenação em condenação, você acaba perdendo a condição de réu primário.

Então o negócio é esse: impossível não combater a imprensa brasileira. E, sabendo das relações promíscuas desta para com a velha Direita que durante anos comandou um país esculachado no mundo inteiro, impossível não se interessar e não se envolver de uma forma ou de outra com a política. Pelo menos em ano de eleições. Depois voltaremos a falar de literatura, filosofia, ciência, tecnologia, arte, música, cinema, aviação, futebol e coisas mais amenas.

Agora infelizmente, ou felizmente, não dá para se omitir. Embora alguns consigam.

Marcelo Idiarte em setembro 10, 2010 8:11 AM


#79

Jornal Zero Hora, dia 10 de setembro, primeira página:

Manchete: Pastor recua mas não afasta a tensão do 11 de setembro.

Chamadas:
- No programa de TV, Serra rebate Lula
- PF desmonta rota de droga nas Missões
- Mãe e bebê cruzam o Estado em luta pela vida

Outros destaques:
- Dilma apresenta primeiro neto (foto)
- Os candidatos e o ponto dos grevistas ("Disputa pelo Piratini")
- É hoje o Diretoria Especial das Eleições (Kzuka, carderno para jovens)
- Receitas com chocolate (Gastronomia)
- A façanha de judoca gaúcha (Esportes).

Nas internas, NENHUMA matéria sobre a acusação de fraude no Detran, tampouco repercussão sobre o sargento da Brigada Militar que tinha uma senha superpoderosa e que acessou informações até de filhos (crianças) de adversários políticos. Nenhuma mesmo. Nem nota em coluna de opinião. Nem carta dos leitores. Nada.

Fica como argumento de "baixo nível" para o blogueiro fazer seu proselitismo selvagem.

Fábio Carvalho em setembro 10, 2010 9:39 AM


#80

Fábio, seu comentário é tão bom que eu quase o transformei em post. Me contive, porque não gosto de fazer isso. Já juntei materiais para escrever algo sobre o Rio Grande. Sai hoje ainda.

Idelber em setembro 10, 2010 10:48 AM


#81

Imagino que o trecho a que você se refere seja este:

"Qualquer estatística comprovará que a mudança no perfil de renda do brasileiro e da brasileira foi radical nas últimas duas décadas. Tudo bem que tucanos e petistas debatam interminavelmente sobre quem contribuiu mais, talvez na casa do zero vírgula qualquer coisa. Mas um detalhe é consensual: independentemente da paternidade, o Brasil é hoje um país com ampla classe média."

Todos os estudos e estatísticas mostram evolução da renda e da distribuição de renda nas últimas duas décadas. Você tem dados que comprovem o contrário, que a melhora só começou a partir de 2003? Tenho curiosidade de conhecer.

Alon Feuerwerker em setembro 10, 2010 11:45 AM


#82

Ops,

Tem matéria, sim (quase não vi). Na página 18, há dois textos. O primeiro é sobre o depoimento prestado pelo sargento ontem. O segundo é esquisito. O sargento, segundo ZH, usava o Sistema de Consultas Integradas para embasar matérias jornalísticas.

"As informações se referiam a passagens por presídios, situação de criminosos foragidos e o tipo de crime em que estavam envolvidos, incluindo, em alguns casos, fotos. O nome do sargento até agora não havia sido mencionado nas reportagens dos veículos do Grupo RBS em respeito ao princípio constitucional do sigilo da fonte", diz a matéria.

Sério, não entendo mais nada. Você tem uma fonte. O Ministério Público acusa sua fonte de acessar dados de Deus e das criancinhas, além de, supostamente, extorquir contraventores no carro da segurança da governadora. Mas você decide não publicar o nome do sujeito... em respeito ao sigilo da fonte.

Fábio Carvalho em setembro 10, 2010 11:48 AM


#83

É demais. "Sigilo da fonte"!!!

Idelber em setembro 10, 2010 11:52 AM


#84

Idelber, tudo bem?

Olha só, vamos parar com eufemismos. Por tudo o que fez, o Pimentel é mesmo uma anta. É como já foi dito, entregou a PBH aos tucanos, ficou sem a candidatura ao governo e corre o risco de perder a vaga ao senado, embora ache pouco provável que isso aconteça.

O pior de tudo é ver, agora, essa campanha morna entre Anestesia e Hélio Costa, dos quais a militância petista morre de preguiça. Não é à toa que os blogs de esquerda mineiros, inclusive esse, praticamente ignoram a sucessão do governo de MG para não ter que fazer campanha para o Hélio Costa.

Hélio é ligado à grande mídia, fez uma gestão totalmente conservadora no Min. das Comunicações, mandando fechar rádios comunitárias Brasil afora e jogando contra a Conferência Nacional de Comunicação.

O Aécio, em compensação, tem a terrível relação ditatorial com a imprensa, mandando cortar cabeças a torto e a direito. É pra essa turma que Pimentel entregou a PBH. Não fosse pelo apoio incondicional da imprensa, a piada do choque de gestão já estaria sendo desmascarada.

Abraços.

Paulo Morais em setembro 10, 2010 12:30 PM


#85

Caro Alon, vamos aos números, todos eles oficiais:

Empregos gerados:
Governo FHC: 5.016.672
Governo Lula: 13.996.953


Salário mínimo real IPCA (reais constantes de maio de 1995)

FHC: R$ 100,00 em 1995, R$123,61 no começo de 2003
Lula: R$ 123,61 no começo de 2003, R$188,49 no começo de 2010

Evolução do poder de compra do salário mínimo em cestas básicas:

Do começo ao fim da era FHC: 1,02 para 1,38
Do começo da era Lula até hoje: 1,38 para 2,17

Coeficiente GINI (medidor da desigualdade):

Do começo ao fim da era FHC: 0,601 a 0,589
Do começo da era Lula até hoje: 0,589 a 0,544

Evolução da renda dos mais pobres (média da renda domiciliar per capita dos indivíduos pertencentes aos 40% mais pobres, em reais por pessoa):

Do começo ao fim da era FHC: R$ 182, 39 a R$ 181,05
Do começo da era Lula até hoje: R$ 181,05 a R$ 264,41


Miséria (percentual de pessoas com renda domiciliar inferior à metade da linha da pobreza):

Do começo ao fim da era FHC: de 20,9% a 21,3% (veja que a miséria aumentou no governo FHC, não em números absolutos mas em percentual da população).
Do começo da era Lula até hoje: de 21,3% a 10,5% (que tal essa diferença?)

PIB per capita, em US$ mil:
Do começo ao fim da era FHC: de 4,85 a 3,48
Do começo da era Lula até hoje: de 3,48 a 10,00

Volume de crédito concedido como porcentagem do PIB:

FHC: De 34% em 1995 a 26% em 2002
Era Lula: De 25% em 2003 a 45% em 2009

Média da inflação:

Governo FHC: 9,1%
Governo Lula: 5,7%

Juros, média:
Governo FHC: 26, 59%
Governo Lula: 14, 77%

No governo Lula, 31 milhões de pessoas entraram à classe média. Quantas foram no governo FHC? Com esses números dá pra começar?

Idelber em setembro 10, 2010 12:41 PM


#86

Alon, se a miséria aumentou no governo FHC e caiu pela metade no governo Lula, como é que petistas e tucanos podem discutir quem contribuiu mais à distribuição de renda?

Gostaria que você explicasse essa.

Marcelo em setembro 10, 2010 12:55 PM


#87

Mata a cobra e mostra o pau

antonio aguiar em setembro 10, 2010 12:55 PM


#88

Sensacionais os números da #85

Quanto à "parcialidade", o que pensar quando um candidato repete motes como "república sindicalista"?

Não acho que é questão de parcialidade, pois quando se vê tucanos vomitarem grunhidos de corvos, homenageiam a UDN, deve-se sentir nojo.

Parcialidade é sofismo. Acho que mostrar o real posicionamento além de ser honesto, é antes de tudo ser justo com quem pensa diferente.

Saudações

Tiago Aguiar em setembro 10, 2010 1:05 PM


#89

/thread

Christiano em setembro 10, 2010 1:07 PM


#90

Alon, não entendi esse seu comentário... "Todos os estudos e estatísticas mostram evolução da renda e da distribuição de renda nas últimas duas décadas."

Minha versão: "Todos os estudos e estatísticas mostram evolução na qualidade de vida dos seres humanos nos últimos 3000 anos". A informação é completamente correta, mas e daí? Você acha que dá pra comparar a melhora na qualidade de vida da humanidade entre 2000 e 3000 anos atrás e a melhora nos últimos 1000 anos?

Davi Sensu em setembro 10, 2010 1:18 PM


#91

E tem gente que acha que o povo aprova Lula pq não liga para a corrupção! Pode isso? Os piores cegos são os que não querem ver!

O único argumento que usam é o mensalão e a tal da "ética"!

Eu acho que perdemos um momento histórico excelente com o mensalão. Debater nosso anacrônico sistema político seria muito mais interessante do que o denuncismo que se seguiu ao escândalo. Mas nossa mídia, infelizmente, foi incapaz (?) de perceber o que estava acontecendo.

Abs

Edk em setembro 10, 2010 1:23 PM


#92

Acho que será muito difícil tirar os méritos do governo Lula (é um exagero esse negócio de "Era FHC" e "Era Lula", que deveria ser revervado para mudanças de calibre um pouco mais grosso e períodos um pouco ou mais dilatados) quanto à melhoria de muitos indicadores sociais. Somente ignorando muitos fatores daria para fazer isso. Mas acho realmente simplista a forma como se aborda a questão aqui, Idelber. Isso não quer dizer que ao final não possamos chegar à mesma conclusão sua de que afinal Lula foi o único ou o maior responsável pelas mudanças (aliás, en não tenho clareza qual das duas opções você marcaria). O ponto é que a insistência (que repete o discurso de 2006, com a imensa planilha que acho que foi o Wanderley Guilherme dos Santos espalhou) nos "dados" não prova nada. Do contrário não precisávamos dos cientistas, era só o IBGE publicar levantamentos. Números brutos são apenas números brutos, não estabelecem relações causa-efeito, nem mesmo as causas políticas de mudanças econômicas e sociais. São apenas os pontos de partidas, que levantam as perguntas: o que fez com que o avanço entre 2004-2008 (ou variações, como 2003-2010) seja mais acelerado do que entre 1994-2002 (ou 2004)? Quais políticas de FHC e de Lula tiveram qual efeito? Essas políticas agiram sozinhas? Qual o papel da inércia da estabilidade econômica? Qual o papel do passado imediatamente anterior nos processos que lhe seguem?
E ainda que se responda a tudo isso, e a outras perguntas mais específicas, com alto grau de acurácia, há ainda a questão histórica de fundo: como comparar períodos com contextos políticos e econômicos distintos, isto é, no qual os agentes sociais e políticos tinham diferentes desafios e respostas disponíveis à sua frente?
Ainda assim, só argumentando dá para sustentar um lado ou outro do debate - que, tenho certeza, não está fechado por já ter sido comprovado. E eu até diria que não o é por um elemento também muitas vezes esquecido: ainda precisaremos de alguns anos para saber se as mudanças são sólidas e indicam uma tendência e um rumo.

João Paulo Rodrigues em setembro 10, 2010 1:24 PM


#93

Concordo em gênero, número e grau, JPR. Mas eu estou respondendo a um pedido de números. Deixei a argumentação de lado, por um minuto, justamente porque já antevia que ela seria desqualificada com o único chavão que restou à grande imprensa: 'isso aí são os militantes'.

Podemos discutir, por exemplo, a contribuição do governo FHC para a estabilização da economia. Eu não sou dos petistas que negam isso. Mas o que o Alon me pedia, com um vago "todos os estudos mostram que", era números. E aí, se formos comparar números, vira baile.

Isso não sugere, evidentemente, que a discussão que você propõe não seja fundamental. Mas o que me pediram foram números.

Idelber em setembro 10, 2010 1:35 PM


#94

Estamos em época de eleição, não tem como ser diferente. O blog tem de manter esta linha mesmo.

Willian Rosa em setembro 10, 2010 2:03 PM


#95

Justificar um crime com outro cometido pelo adversário não é justificativa. TODOS os criminosos deveriam ir para a cadeia. Nosso sistema judicial feito por criminosos é que não permite. E é nossa (má) índole que faz assim.

O problema é que estamos sendo cúmplices de criminosos ao votar na Dilma ou no Serra. Só que reduziram a briga a uma batalha anacrônica entre "esquerda" e "direita". Detalhe, a "direita" está representada pelo PT. Afinal, não é o PT que quer manter tudo como está? Com corrupção e tudo mais? E o PSDB, DEM e afins só querem poder mamar nas tetas do governo. E a Marina? Saiu do governo, mas é incapaz de criticá-lo diretamente. Covarde!

Ao não enxergar o problema, estamos nos tornando cúmplices de criminosos. Você é cúmplice do governo mais corrupto da história do Brasil. "Nunca antes neste país" houve tanta corrupção e tão pouco feito para debelá-la.

espiritoqanda em setembro 10, 2010 2:10 PM


#96

Concordo que falar em "Era FHC" é um exagero pois o que ficou daquilo foi somente a estabilização da moeda - sem querer diminuir o feito mas, convenhamos, isso é trabalho para um bom ministro da Fazenda e não mote para um, quero dizer, dois! governos inteiros. Já falar em "Era Lula" não é exagero nenhum e não precisaríamos ter em nosso passado um modelo chamado Getúlio Vargas para saber disso. A mudança cultural - que, de fato, os números nem sempre conseguem apreender - é nítida. Talvez pela primeira vez depois de Getúlio, ele novamente, o povo volte a se sentir à vontade e fazendo parte de seu próprio país.

Cláudia em setembro 10, 2010 2:13 PM


#97

querer diminuir as conquistas do governo Lula em relação ao seu (péssimo) antecessor FHC é sofisma.

Se é para brincar de ilação, imaginem o Brasil sob as patas de um governo demotucano durante a maior Crise Econômica Mundial de 2008-> .

Nem estariamos aqui digitando estas palavras. Simplesmente, para variar nos governos demotucanos estaríamos QUEBRADOS. Até hoje...

(sem falar no descalabro social e violência incontrolável que daí adviriam.

(Toc Toc Toc - bato na madeira, pq o povo não merece mais isso)

Werner Piana em setembro 10, 2010 2:15 PM


#98

Olá, caro Idelber
É a primeira vez que comento em seu blog, mesmo lendo-o na mesma velocidade com que ele é atualizado e colocado-o até no blogroll do meu. A esquerda tem um ranço ainda de se envergonhar de ser esquerda e minimizar os ataques que ela mesma sofre, isto pra mim, é culpa, em parte do caráter reflexivo de ser esquerda. Enquanto a direita joga suas "sutilezas" sem nenhuma marca de vergonha na cara de forma muito mais simplista do que algum jornalista dos jornalões possa imaginar. Desculpe meu comentário desconexo, mas é que tudo tem a ver com o fato de eu não entender porque as pessoas que mais foram beneficiadas com o governo PT na minha cidade são as que mais o atacam e evocam a meritocracia. Tá certo que eu moro numa cidade totalmente industrial que tem criado uma massa operária sem identificação ideológica, por mais controverso que isto possa aparecer. Desculpe mais uma vez o comentário desconexo com seu post. Abraços!
Eduardo

**** em setembro 10, 2010 2:16 PM


#99

Werner: é só comparar. No fim dos anos 90, a Coreia espirrou e nós desabamos com pneumonia.

Em 2008/09, a maior economia do mundo teve sua pior crise desde o caos de 1929. E no Brasil foi marolinha--apesar de toda a torcida contra da mídia, e todas as previsões dos urubólogas e urubólogos.

Idelber em setembro 10, 2010 2:31 PM


#100

Faça análises e pedirão números, dê números e pedirão análise. Dê os dois te chamarão de tendencioso não dê nada te acusarão proselitismo.

fm em setembro 10, 2010 2:40 PM


#101

Caros,

Ia postar um comentário aqui, mas conversando com o Idelber preferi jogar lá no meu blog por uma questão técnica: gráficos que não poderiam ser reproduzidos aqui.

Quem tiver interesse em ampliar, por favor:
http://www.braziu.org/2010/09/10/briga-cruzada/

Leandro Demori em setembro 10, 2010 2:54 PM


#102

Cheguei até esse blog por recomendação da blogosfera progressitas brasileira. Daqui não saio, daqui ninguém me tira, mas Jackson do Pandeiro pode esperar. Para mim a prioridade é manter o Brasil nos trilhos do desenvolvimento com distribuição de renda, ainda há muito a se fazer, portanto é importante que Dilma vença essa eleição. Abraço! seu blog já está no meu "feedreader".

Erica em setembro 10, 2010 3:08 PM


#103

Serra disse agora mesmo que um eventual governo da Dilma seria tão desastroso quanto o governo do Lula. Agora vai

Tiago Mesquita em setembro 10, 2010 3:18 PM


#104

Caramba,

que desmoralização para o Alon!

aiaiai em setembro 10, 2010 3:21 PM


#105

Nunca se é imparcial em política. De um jeito ou de outro sempre se está a escolher alguma alternativa, um novo caminho possível. Todavia, há diferentes maneiras de se expor uma posição política:

1) Em geral, as reais intenções por detrás de uma dada opção política são omitidas; tal atitude é reacionária e faz parte da construção da ideologia dominante, que visa manter sempre o statu quo associado a um dado momento histórico.

2) Por outro lado, existe uma maneira democrática de exposição de uma posição política. Tal maneira é a mais difícil e, efetivamente, é a que acarreta maiores riscos, porque traz em si sempre a face da incerteza que, no fundo, é intrínseca à condição humana - quando diante do novo. Quando de tal maneira, é fundamental a difícil análise crítica de uma dada condição histórica. E aí que mora o perigo, pois sempre revelar-se-ão os traços da condição que, realmente, se quer superar, mas que continuam ainda a contaminar a nova argumentação. Porém se deve saber que é assim mesmo que se dá - qualquer verdadeiro processo democrático à evolução política; se deve saber também que é justamente aí que a reação apontará todas as suas armas, visando nublar, e destruir, a construção da nossa estrada complexa à liberdade humana. Mas… e daí? Não foi assim que aprendemos a andar, a falar e a nomear aquilo que amamos sadiamente? Não é assim que se deu, se dá e se dará com nossos filhos? Não é assim que se fez, se faz e se fará um poema? Não será assim quando, finalmente, diante da morte se perguntar: “fui digno de estar aqui?”. Não é assim, fundamentalmente, o processo de existir?

Querido Idelber, seu blog é um baluarte à maneira democrática de se fazer política. Portanto, manda brasa na fogueira pra aquecer e iluminar essa sublime noite brasileira...

Ramiro Conceição em setembro 10, 2010 3:23 PM


#106

Aqui está o gráfico da redução da miséria (hat tip: @cadulessa, no Twitter)

Idelber em setembro 10, 2010 3:30 PM


#107

Sem qualquer discussão, Idelber...

Ramiro Conceição em setembro 10, 2010 3:58 PM


#108

ERRATA:
no meu comenário, onde se lê “a nomear aquilo que amamos”
é muito melhor que se leia: “a nomear aquilo que amávamos”.

Ramiro Conceição em setembro 10, 2010 5:12 PM


#109

Pessoal,

Pra contribuir ainda mais com os belos comentários deixados aqui, deixo alguns dos números mais importantes, na minha opinião, a serem levados em conta quando o Alon pediu isso:

"Você tem dados que comprovem o contrário, que a melhora só começou a partir de 2003?"

Esses dados podem ser vistos aqui:

http://www.fgv.br/cps/Pesquisas/miseria_queda_grafico_clicavel/FLASH/

Se trata de um gráfico produzido pela FGV sobre a evolução da mísera no Brasil de 1992 pra cá. É bastante enriquecedor pro debate.

Abraços a todos.

Carlos Lessa em setembro 10, 2010 5:15 PM


#110

Idelber, o curioso é que essa sua ’tomada de posição' nunca foi um fato que pudesse ser relevante a este blog somente em determinados tempos. Para mim seu posicionamento sempre foi claro.
Considero plenamente justo que você bata o pé em vez de fazer biquinho.
Seu posicionamento atual se assemelha, por exemplo, à veemente denuncia/defesa que você fez em posts sobre o caso palestina/israel.
A questão é que, mesmo engajado, em campanha, você não é um inconsequente defensor do vale tudo. Sua campanha não é molecagem.
Molecagem quem faz, são os 'conglomerados máfio-midiáticos".
Se alguém se sente no direito de também fazer 'molecagem', que seja por imitação a quem realmente o faz.
Maluco você não é!

fm em setembro 10, 2010 6:34 PM


#111

professor,
tambem gosto do jackson do pandeiro.......
se possivel gostaria ver o sr. ajudando tambem o mercadante.
é porque eu não gosto de picolé de chuchu...
abraço.

emerson57 em setembro 10, 2010 6:36 PM


#112

Estou ligadíssimo na campanha do Merca, em contato permanente com ela e vai ter post!

Idelber em setembro 10, 2010 6:54 PM


#113

Sempre tenho a impressão de que o velho Heráclito deixou um ponto memorável para calibrarmos a questão da história ou das histórias, se quiserem. Tanto o Alon como o Demori, por caminhos diferentes, desconhecem as mudanças cruciais entre os governos do FHC e do Lula, que os indicadores macros andam revelando. O governo do FHC desenvolveu abertamente e dominantemente políticas econômicas voltadas para a sustentação da oferta agregada. Buscou sustentar a oferta ao preço de queimar tanto os móveis da casa, como a própria casa. O comportamento dos juros, do câmbio, privatizações, ajuste fiscal, emprego, e o cacete tem ai sua lógica de justificativas e escolhas. Os resultados são conhecidos. No governo Lula vemos um esforço, com êxitos, para fazer valer todas as políticas configuradas para demanda agregada. E isso está por detrás dos nºs., que a economia brasileira hoje apresenta. Uma correlação importante pode ser vista, para sustentar essa minha hipótese, em torno do comportamento dos juros básicos e a taxa de lucros de alguns setores estimulados. Aliás esse é a grande questão política da continuidade do desenvolvimento: quem recua o BC ou as demais políticas de estimullo à demanda? Seja qual for a resposta histórica para essa questão, é insustentável a tese da continuidade. Os indicadores macros e sociais, como o Idelber postou, dão uma surra de melhor desempenho sobre o governo do FHC e isso é irrefutável. Abçs;

Albério em setembro 10, 2010 7:48 PM


#114

Caro Idelber, só agora cheguei na frente de um computador.

Obrigado por providenciar os números. Eles comprovam o que venho escrevendo há anos. Que em ambos os governos houve redução da desigualdade (Gini) e elevação do poder de compra do salário-mínimo. FHC foi melhor que Lula no enfrentamento dos nós estruturais da economia (Plano Real, responsabilidade fiscal) e Lula foi melhor que FHC no combate à miséria e na expansão dos programas sociais. Certos dados ancorados em dólar, como o PIB per cápita, não devem ser levados em conta, por mascararem a realidade, com a supervalorização da moeda brasileira.

Claro que os números de Lula são melhores que os de FHC. As taxas de aprovação de Lula não são por acaso. O porquê desses resultados, como digo também desde sempre, é o mote do tal debate interminável.

Os tucanos dizem que Lula colheu os frutos porque teve sorte e porque a casa já estava arrumada. Um erro, que subestima a prioridade dada aos mais pobres pelo governo do PT. E o PT diz que FHC governou para os ricos, concentrou renda, deixou o salário mínimo murchar. O que os números desmentem.

É só blá-blá-blá.

Em resumo, caro Idelber, os petistas têm legitimidade para reivindicar terem governado, como nunca antes neste país, para melhorar a vida dos mais pobres.

Já os tucanos também têm legitimidade para reivindicar suas conquistas e contribuições.

Uma delas é serem os arquitetos e engenheiros do arcabouço institucional que permitiu a Lula conduzir a economia como conduziu. Outra é terem enfrentado definitivamente, com a responsabilidade fiscal, as raízes da inflação crônica, a principal responsável pela grave concentração da renda nacional.

Essa é a História, caro Idelber. E quer um palpite? No dia em que um eventual superfortalecimento do PMDB impelir o PT a uma aproximação com o PSDB, a narrativa oficial do petismo incorporará essas minhas observações. Como sou precavido, vou fazer agora mesmo um copy/paste/save as.

Para talvez cobrar direitos autorais, ainda que isso esteja cada vez mais fora de moda :-))

Grande abraço, é sempre um prazer dialogar com você.

Alon Feuerwerker em setembro 10, 2010 8:37 PM


#115

Idelber, eu confesso que às vezes evito comentar aqui pra não ficar parecendo arroz de festa e puxa-saco de mestre. Mas eu me politizei imensamente depois de começar a ler o biscoito e te conhecer. Passei a ter mais coragem de me posicionar, a estudar mais para encarar a argumentação contrária, a gostar que haja argumentação contrária. Anda sou uma neófita, mas tenho aprendido o que posso, e tenho conseguido descobrir melhor, com isso, quem sou, o que penso, o que posso e quero fazer pelo meu país, da humilde posição em que estou, e da qual não ambiciono mudar muito. Adoro quando vc discute com a Mary W, por exemplo (outra com quem estou sempre aprendendo coisas).
Tudo isso para dizer que quer você fale de Dilma ou de Derrida, eu estarei aqui para lê-lo, com gosto. Mas estou AMANDO essa fase militante do blog. É quase sempre aqui que venho buscar minha munição, porque estou na mesma trincheira que você.
Ah, só para dar um exemplo. Essa semana, pela programação de uma das minhas disciplinas, eu estava dando aula sobre história do urbanismo na Grécia Antiga, aquele papo de falar sobre morfologia urbana, acrópole, astu, ágora, ruas sinuosas, elementos arquitetônicos importantes, legislações urbanísticas da época. Alunos de 2o. período. Foi inevitável, ao falar de PÓLIS, falar de política, e ao falar de DEMOCRACIA, lembrar das suas palavras numa daquelas perguntas/respostas do formspring, sobre o conceito de democracia na grécia antiga e nos dias de hoje. Foi inevitável falar de espaço público, e de como o surgimento deste espaço na cidade como lugar da manifestação política é talvez uma das maiores contribuições urbanas que a Grécia nos legou, e de como esse debate é urgente, contemporâneo e fundamental.
Por tudo isso, eu só posso te agradecer por estar aqui dividindo suas reflexões, sua torcida, suas opiniões e toda a sua paixão política conosco.
Abração.

Ana Paula Medeiros em setembro 10, 2010 9:13 PM


#116

A supervalorização do real não foi produto de fenômeno espontâneo.

fm em setembro 10, 2010 9:37 PM


#117

Meu blogue favorito voltou. Salve!

Angelo Girotto em setembro 10, 2010 9:53 PM


#118

Talvez um pouco mais de Deleuze depois de 03 de Outubro - e escreva sobre o futebol, blogar é um ótimo meio para fazer catarse, pelo menos comigo e o Palmeiras, o time que mais empata no Brasil, funciona :-(

Hugo Albuquerque em setembro 10, 2010 10:51 PM


#119

Diz Alon (baixou um Montenegro nele, porque arrogante ele sempre foi): "No dia em que um eventual superfortalecimento do PMDB impelir o PT a uma aproximação com o PSDB, a narrativa oficial do petismo incorporará essas minhas observações".

Digo eu: os melhores quadros do PSDB já abandonaram o partido, hoje composto por udenistas e fanáticos do Opus Dei. Já faz tempo que suas mobilizações consistem em jantares no Máximo. Concordo com alguns analistas que dizem que o PSDB, como grande partido - 8 anos numa presidência que caiu do céu (ou você acha que o FHC saberia explicar como iria funcionar o Plano Real?) - foi uma miragem, nuvem passageira que quase aderiu ao Collor e nunca se esforçou para construir estofo ideológico. O Neo-liberalismo foi executado para parecerem modernosos. Nunca foi pensado, discutido. Surgiram como anti-quercistas (briguinha de comadres por espaços) e terminam abraçados com o prefeito de Pedregulho.

frank em setembro 10, 2010 11:06 PM


#120

Que alegria ver que seu blog voltou!!! Disse uma vez e digo de novo: Teu blog é dessas coisas que nos faz ainda acreditar que o Brasxil tem jeito!!! Obrigado Idelber!!!

Fernando Gilliatt em setembro 11, 2010 12:00 AM


#121

Eu sinceramente confesso que em um post no blog do Alon, sobre oriente médio, ele discordou de mim.

Ele como blogueiro, em vez de discutir e debater (como FINGE que faz aqui - em meu modesto sentir), deletou meus comentários e nem deu satisfação, mostrando o seu apreço pela democracia.

Nunca mais visitei o blog dele. Não perdi nada, desculpe a sinceridade. Acompanho o seu trabalho publicado nos diários associados, e é esta linha mesmo.

É a reta de quem não aceita que o PSDB teve mais erros do que acertos. Sério mesmo, quem passou a vista no "Brasil privatizado", do Aloysio Biondi, pode concordar com este discurso dele postado? Aonde estão os gráficos da redução da miséria?

Se é um termo bastante controverso, posto que é parte do imaginário do "seja realista, deseje o impossível". SE eles não tivessem feito a maxi devalorização brusca (e com algumas informações privilegiadas), comprado e feito a reeleição no modus operandi praticado, tido uma política ridícula de valoração do salário mínimo, da massa salarial, do consumo, talvez teria sido um bom governo.

A questão central é a tese defendida na academia que se mostra um fracasso. A teoria da dependência hoje é ridícula ao ser aplicada na França e na Grécia, como o foi na Argentina, no Brasil; quem fez? FHC com participação pontual de Serra.

Deixo dois links interessantes, de doutorandos:
(1) http://www.pucsp.br/neils/downloads/v7_martins_sotelo.pdf
(2)
http://www.scribd.com/doc/397701/A-Outra-Face-da-Teoria-da-Dependencia

Não é uma questão numérica, mas em verdade uma questão de como é possível fazer ser viável um estado de bem estar social num país como o Brasil.

Para pessoas tão distantes do povo como Serra, FHC, e o Feuerwerker (que se dizem de esquerda, desculpe a ironia), a social democracia só começou a partir do neoliberalismo.

Em minha convicção, esta gente manda o welfare state se render à imposições do FMI.

Em planície florida, o federalismo e Keynes dançam o rebolation em seus túmulos, ao ouvir certas pessoas...

Tiago Aguiar em setembro 11, 2010 1:07 AM


#122

quando disse "frança", quis dizer "espanha"

Tiago Aguiar em setembro 11, 2010 1:21 AM


#123

Do jeito que o Alon coloca as coisas parece que o FHC recebeu um país em frangalhos, não foi assim. O governo Itamar deixou uma situação financeira bastante razoável (poderia estar melhor se não fosse o então tucano Ciro Gomes). Grande parte das correções que o FHC-II teve que fazer foram decorrentes das cagadas do FHC-I. Todo mundo concorda que a LRF foi uma coisa boa. Porém, mais importante que o quanto se corta de "gastos" para atingir os porcentuais da LRF, é como se corta esses gastos.

André em setembro 11, 2010 1:42 AM


#124

Caro Idelber, só agora cheguei na frente de um computador.

Obrigado por providenciar os números. Eles comprovam o que venho escrevendo há anos.

Caro Alon:

É aquela história. Você pode dizer o que quiser. O que os números dizem não bate com o que você diz. Você havia me pedido números. Os números são claros:

1. A miséria aumentou no governo FHC e caiu pela metade no governo Lula.

2. O GINI praticamente não caiu no governo FHC. Ou seja, quase não houve redução da desigualdade: 0,60 a 0,59 chega a ser estatisticamente insignificante. Sob Lula, a queda foi de 0,59 a 0,44. Um belo salto.

3. Repito: 31 milhões de pessoas subiram à classe média sob Lula. Reitero a pergunta: quantas foram sob FHC? Deixo que você busque esse número.

FHC foi melhor que Lula no enfrentamento dos nós estruturais da economia

4. Como? Se a inflação e os juros sob FHC foram o dobro do que foram sob Lula?

Isso para não falar das farmácias populares, das Unidades de Pronto Atendimento, dos 124 campi universitários criados, das centenas de escolas técnicas, dos 700 mil jovens pobres que acederam à universidade com o ProUni, do plano de carreira para o magistério das universidades federais e uma longa lista de etecéteras.

O resto é blablablá de quem se equilibra numa retórica que não bate com a realidade. Você havia me pedido números. Até que sustente o que diz com números, com todo o meu respeito, é só papo furado. A equidistância também pode ser uma mentira.

Forte abraço.

Idelber em setembro 11, 2010 2:19 AM


#125

Eu levava comigo uma frase : 'Não reagir é agir contra a reação'.
De agora em diante adicionarei;
'A equidistância também pode ser uma mentira.'

fm em setembro 11, 2010 3:26 AM


#126

Grande Idelber, show de bola o post e essa caixa de comentários. Graças a Deus você reativou o blog a tempo de participar dessa eleição, que é de importância capital para o futuro do Brasil. Tomei a liberdade de reproduzir seu comentário sobre Minas Gerais (aqui) e o debate travado entre você e o Alon  (aqui) lá no blog. O que é bom merece visibilidade.

Abraços!

Miguel do Rosário em setembro 11, 2010 3:44 AM


Tiago Aguiar em setembro 11, 2010 3:53 AM


#128

Idelber, triste vê-lo reduzido ao antigo sofisma brasileiro de arremessar números de maneira totalmente desvinculada do contexto - sim, os números do governo Lula foram muito superiores ao do governo FHC, mas você convenientemente esquece de mencionar fatores "externos" - como de que o Brasil, em 1995, estava numa condição muito pior do que o Brasil em 2003 - daí a taxa de juros mais elevada e a inflação maior (aliás, o que é mais relevante, reduzir uma inflação de 4 dígitos a 9% ou reduzir uma de 9 a 5%?) - sem falar que, no geral, o desenvolvimento econômico mundial foi muito superior nos anos 2000 à "década perdida" dos anos 90 - nenhum país é uma ilha, e, nesse mundo globalizado, é impossível separar o crescimento de determinado país com o crescimento econômico mundial.

Mas, enfim, o governo Lula não cometeu nenhuma cagada tão assombrosa quanto as privatizações - ao mesmo passo que desperdiçou todo o carisma e poder político colossal de seu presidente, ao deixar de realizar reformas importantes e necessárias para o país. Aí a comparação com Getúlio Vargas se mostra absurda - por mais importante que o Bolsa Família seja, não é NADA comparado à CLT de Getúlio em importância histórica. Aliás, mesmo o PSDB aprovou legislações de suma importância para o país, como a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Só para bater nessa tecla mais uma vez: diminuir a importância de FHC na reestruturação da economia brasileira chega a ser ridícula quando o governo Lula teve que cooptar um antigo tucano para comandar o Banco Central...

Igor em setembro 11, 2010 5:32 AM


#129

Grande, Idelber. Achei bacana a sua declaração.

Vou me permitir deixar-lhe uma ponderação curta. O tipo de público que você atinge é insensível à sua estratégia. Quer apostar que eu, com a minha "direitice" toda, já conquistei mais votos prá esquerda do que você?

Abraço.

Jotavê em setembro 11, 2010 7:41 AM


#130

Caro Idelber,
Para além dos números, creio que uma das principais diferenças entre petistas e tucanos seja quanto à importância maior ou menor que atribuem ao papel do Estado na economia e na sociedade. Enquanto o PSDB aprofundou o desmonte da máquina pública através do arrocho salarial do funcionalismo, da não realização de concursos nem para repor os funcionários que se aposentavam, da terceirização de vários serviços, da privatização (ou privataria) de vários setores e empresas estratégicas, do pêso quase nulo do setor estatal no investimento, o governo Lula fez exatamente o contrário.
Isso tornou possível recuperar a importância estratégica do Estado como indutor do crescimento econômico, na distribuição de renda e na diminuição da desigualdade, como também no enfrentamento de crises.
Em suma, embora apenas os números possam dar a impressão de que os argumentos do Alon são até razoáveis, o que está por trás deles, as decisões de política econômica e social que os tornaram possíveis, é o que realmente importa.
Você já pensou o quanto já poderíamos ter avançado se ainda estivesse nas mãos do Estado tudo o que dado a preço de banana para a iniciativa privada?
Um abraço

ruy garcia em setembro 11, 2010 9:18 AM


#131

Caro Idelber, não preciso mostrar números, os seus mesmo são suficientes.

Penso que você confunde um ponto de observação externo com equidistância.

E você sabe bem que a mentira pode esconder-se em qualquer lugar, não precisa estar necessariamente a uma distância supostamente igual dos lados em debate.

Não concordo com você que o Real tenha sido irrelevante, nem que se deva desprezar a contribuição do PSDB à moldura que permitiu a Lula comandar a economia do país como comandou.

Tanto é verdade que o PT não revisou nenhum pilar institucional criado pelos governo anteriores. Nenhum.

Nossas diferenças, neste e outros assuntos, são políticas, apenas isso.

Um abraço.

Alon Feuerwerker em setembro 11, 2010 10:01 AM


#132

Caro Idelber, acabo de descobrir o seu blog através do Miguel do Rosário e o achei excelente, mais um pra minha lista de favoritos. Também concordo com o Miguel com o fato de que não apenas seus posts são maravilhosos como também sua caixa de comentários é interessantíssima. Parabéns.

Rubens Machado em setembro 11, 2010 11:22 AM


#133

Oh Alon, não força a barra não. Todas as divergências aqui são de natureza política, pois quando não é política é pessoal. Ai sabemos do que estamos falando. Não vejo aqui nada no sentido suposto pelo seu argumento.

Vamos lá, a LRF não ancorou o Real. Foi feita para assegurar dinheiro para se pagar a dívida, lembra? A ancora era mesmo o câmbio e quando abalado, tudo ruiu.

O dinheiro das privatizações vinha também no sentido de desafogar o Estado: leia-se reformar tudo e abrir espaços para novos investimentos públicos. Veja a relação da dívida em torno do PIB naquele período e depois examine para onde foi a tal reforma.

Note os casos das universidades federais, p.ex. Feito isso, acompanhe o tal nível dos investimentos. Não adianta dizer que o fator externo travou tudo isso ai. Uma boa política é construida também para assegurar todas essas barras.

Mas o dantesco foi que a política da hora aprofundou a crise. Hj perguntamos: Adiantou?

Ai vc diz assim: "Tanto é verdade que o PT não revisou nenhum pilar institucional criado pelos governo anteriores. Nenhum."

Interessante isso aqui: quase supõe que a infraestrutura determina a superestrutura. Ora meu caro, manda pra frente os negócios jurídicos (para usar um trabalho bem legal de um já futuro ex-ministro do STF), fazendo valer o peso da demanda, de um lado, e de outro lado, estimulando-se os pré-requisitos para a abertura da luta política cravar-se de maneira robusta no interior da sociedade civil.

Cria-se uma nova forma de se operar as práticas jurídicas ai subjacente e remonta-se o arcabouço institucional. Aliás, até onde vejo, não é isso que está sendo realizado, com todas as contradições e conflitos que estamos vendo?

Lá no limite, supor que a LRF, as conversas relacionadas como a tal segurança jurídica, acertaram o caminho para a emergência do plano real é irreal.

O cálculo primeiro foi jurídico: dado que a correção monetária se faz em todos os contratos, logo é apenas necessário oficializá-la como moeda de conta e, a seguir, assegurar via juros-câmbio sua expressão, como referência, para todos os preços.

Ai temos a estabilidade dos preços. Grande projeto. Abçs.

Albério em setembro 11, 2010 11:52 AM


#134

Caríssimo Igor, parece ter passado batido ao seu comentário o fato de que a mesmíssima crítica que você me faz pode ser feita a você: me criticar por lançar números fora de seu contexto ignorando o contexto de uma discussão na qual o que se exigia de mim era números me parece, creio, um pouco injusto. Lembre-se, por favor, do contexto da discussão: ela se inicia com uma crítica minha ao texto do Alon onde ele afirma que petistas e tucanos poderiam discutir quem contribuiu mais à renda dos brasileiros e à redução da desigualdade.

Alon responde dizendo que “todos os estudos confirmam que...” sem citar estudo nenhum. Eu lanço uma tijolada de números oficiais que dão sustentação ao que digo. E aí você me diz que estou lançando números fora de contexto? Sacanagem, né?

Para deixar dito de uma vez por todas: não sou dos petistas que negam o papel de FHC na estabilização da economia. Não sou dos petistas que procuram pelo em ovo com a tese de doutorado do Serra (que, aliás, já anunciei no Twitter mil vezes, tenho aqui na minha mesa). Não sou dos petistas que usam o termo “fujão” para falar de Serra durante a ditadura.

Mas se alguém quer me dizer que petistas e tucanos podem discutir quem contribuiu mais à redução da desigualdade ou ao aumento da renda dos brasileiros, vai ter que mostrar números, sim. Além dos que eu apresentei, o Arnobio Rocha tem outros. O pdf do governo, feito com números oficiais, é um banho de estatísticas. Forte abraço.

Idelber em setembro 11, 2010 12:00 PM


#135

atrasadíssimo, sei, sobre o comentário 67: o PSB de Pernambuco, forjado na tradição de Arraes, é mesmo uma beleza! venha ver como tratam do conselho de cultura do estado... acho que precisamos desmontar alguns mitos da velha esquerda... ps.: ainda assim, meu voto p/ governador é de eduardo campos!

dokstra em setembro 11, 2010 12:49 PM


#136

Idelber, vc leu o post do Leandro Demori, do comentário 101?? Rebater os gráficos que ele colocou lá é uma tarefa complicada...

Pedro Daltro em setembro 11, 2010 1:17 PM


#137

Idelber
Seus comentários no blog são clarividentes. Firme, seguro, determinado não se utiliza de sofismas para prender seus leitores. Eles conhecem bem suas posições. Portanto, só tenho a louvar por seus comentários no campo da política. Se todas as pessoas tivessem a lucidez de assim fazer, creio que teríamos uma sociedade melhor. Sua contribuição é positiva na formação de um pensamento equilibrado e justo, diante de tanta falta de lucidez que acomete as pessoas, no cenário de pensamentos mesquinhos, interesseiros em que vivem as pessoas.

Fernando Siqueira em setembro 11, 2010 3:55 PM


#138

Pedro Daltro,

Coloquei um comentário lá no Braziu. A questão é o gráfico de perfil de renda, que ensejou a crítica do Idelber ao Alon. Os dados não sustentam a afirmação de que a diferença é na casa de "zero vírgula qualquer coisa".

Fábio Carvalho em setembro 11, 2010 4:15 PM


#139

Gracias, Fernando, volte sempre.

Idelber em setembro 11, 2010 4:25 PM


#140

Fábio Carvalho,

O ponto do Leandro é sobre o trato que se dá aos números, não um número específico. Dependendo do ângulo, chega-se a pontos de vista diferentes. E é miopia analisar apenas os números brasileiros, é preciso comparar com o número de outros paíse. Esse é outro ponto do leandro.

Como ele bem fala, é ingenuidade achar que se trata de um governo de ruptura, o governo do lula está mais para continuidade do que ruptura. Imagine que a então oposição petista conseguisse vetar no senado e na câmara leis e projetos como o real, a LRF e outros arcabouços de nossa economia. Vc realmente acha que o Lula presidente conseguiria deitar e rolar como ele está fazendo hoje? Não. Então não podemos ver medidas econômicas e sociais como coisas separadas como o Idelber quer fazer parecer, elas tão umbilicalmente ligadas.

Pedro Daltro em setembro 11, 2010 4:34 PM


#141

Idelber, percebi que vc trata o Mercadante com certa intimidade. Por isso lhe pergunto: não te incomoda aquela história do assessor pego com uma bolsa com mais de um milhão de reais?? Será que isso não é embaraçõso o suficiente?? Pergunto sem nenhuma provocação, queria ouvir apenas a opinião de alguém que torce pela eleição do cara.
Abs

Pedro Daltro em setembro 11, 2010 4:37 PM


#142

Pedro, vou responder (de novo) só a primeira, que é sobre o assunto do post. Terei prazer de responder a segunda, no FormSpring. Tem umas 180 perguntas lá na fila, mas meu plano é responder todas.

O ponto do Leandro é sobre o trato que se dá aos números, não um número específico. Dependendo do ângulo, chega-se a pontos de vista diferente.

O próprio Leandro diz no post dele que são dois dedos de conversa dele, a partir do mote da minha discussão com o Alon, mas que não estão atrelados à discussão de cá.

Esta discussão, repito pela terceira ou quarta vez, é sobre o seguinte: ela se inicia com uma crítica minha ao texto do Alon onde ele afirma que petistas e tucanos poderiam discutir quem contribuiu mais à renda dos brasileiros e à redução da desigualdade.

Alon responde dizendo que “todos os estudos confirmam que...” sem citar estudo nenhum. Eu lanço uma tijolada de números oficiais que dão sustentação ao que digo, que não há comparação entre os dois governos nestas áreas.

E até agora ninguém refutou com números. Pra repetir pela sexta vez, então: esta discussão é sobre redução da desigualdade e aumento da renda do brasileiro.

Podemos, em outra hora, discutir outra coisa. Mas por favor não diga que esta demonstração feita aqui não valeu porque em outros aspectos, que não desigualdade/renda, o que eu digo sobre a diferença entre Lula e FHC não se aplica.

É óbvio que o Leandro tem o direito de tomar o mote do post para dizer o que quiser. Mas não vejo nada ali que refute o demonstrado aqui, como afirmou o Fábio.

Não vou discutir lá com o Leandro, depois de 142 comentários aqui não tem cabimento. Inclusive porque eu e Leandro brigamos de um jeito muito mais divertido por DM no Twitter.

Espero ter sido claro o suficiente. Mais que isso, não consigo.

Idelber em setembro 11, 2010 4:58 PM


#143

As curvas do Leandro Demori mostram que o Brasil, no período FHC, ao contrário do "restante" do mundo, piorou. No período Lula, algumas curvas que estavam em queda inverteram a tendência e passaram a subir, acompanhando os BRICS. Evidentemente, existem excessões e curvas que precisam ser melhor contextualizadas, mas no geral elas não corroboram a opinião do Leandro.

André em setembro 11, 2010 11:19 PM


#144

Eu espero que você não leve a mal o meu comentário. Admiro a sua inteligência e o que você escreve, e gostaria que você não interpretasse o que eu vou dizer como uma crítica destrutiva ou uma "queimação".

Eu acho que você está superestimando o seu papel como blogueiro. Você é, evidentemente, um formador de opinião, e sei que seu blogue tem muita audiência e é citado em um monte de lugares, mas, como disse alguém (acho que o Alex Castro), ser um bam-bam-bam da blogosfera é quase a mesma coisa que ser miss simpatia de uma cidadezinha do interior. Pessoas que lêem blogues não ligados a grandes portais são uma parcela muito pequena dos usuários de internet no Brasil.

São, é claro, uma audiência qualificada, mas acho que todo mundo que o lê já decidiu o seu voto. E acho que a sua militância não tem muita influência nisso.

O que você poderia influenciar (e influencia) seria no debate político em si, através de posts mais objetivos. Não falo em isenção ou imparcialidade, mas em objetividade. Discurso militante é algo pelo qual a maioria das pessoas pega ojeriza ainda nos bancos de escola. Talvez você ache a referência injusta, mas eu sempre confio mais nos substantivos e desconfio dos adjetivos.

Acho normal tentar ganhar votos para um candidato, mas está havendo realmente um exagero, ainda mais que a vitória de Dilma já está praticamente definida. A sua luta por uma vitória mais ampla possível aliena parte de seus leitores e não gera o efeito desejado.

Na eleição de 2006 eu fiz um post pedindo voto para o Lula. Na verdade dois, mas o primeiro foi só uma declaração de voto. No segundo, após um primeiro turno onde se desenhavam chances reais de vitória de Alckmin, eu fiz um apelo aos leitores que tencionavam votar em nulo ou em branco para que mudassem o seu voto para Lula. Eu sabia que era mais fácil convencer esse tipo de leitor do que os que já pensavam em votar em Alckmin.

Fiz todas as críticas necessárias ao PT e a Lula, e sim, fiz por "imparcialidade", porque era preciso mostrar que eu não deixava de enxergar os problemas do primeiro governo, afinal eu estava me dirigindo àqueles que votariam normalmente em Lula mas se decepcionaram com o mensalão. O texto foi passado adiante por vários blogueiros, e em outros fóruns online, e algumas (poucas) pessoas me retornaram dizendo que eu as tinha convencido a votar (de nariz tapado) no Lula.

Sei que isso não teve influência nenhuma no resultado final, mas naquela hora eu achava que se eu ganhasse um votinho só para o Lula, já teria valido a pena -- e valeu.

Só que foram apenas dois posts, de vários que eu escrevi durante a campanha. Os demais se destinavam mesmo a fazer aquele debate político, aquela conversa multilateral tão bacana que é o que me fez ter vontade de ter blogue.

A relevância está na qualidade do que você escreve, e não na quantidade de votos que você talvez consiga. Serão sempre uma pequena gota no oceano.

E com esse clichê mais do que batido eu encerro esse "jornal", com a confiança de que você perceba que é uma crítica de alguém que o admira.

Marcus Pessoa em setembro 12, 2010 5:53 AM


#145

A discussão sobre a questão da renda no embate FHC vs. Lula sofre de dois problemas – para além da simples exposição dos “fatos”, aqueles que são brutos e espelhariam por si só a “realidade”. O primeiro, e mais óbvio, é, afinal, a validade dos próprios números. O segundo é a própria métrica: num certo sentido, a batalha FHC vs. Lula é apenas um dos recortes possíveis da realidade. Dependendo de como a decompomos, outros quadros aparecem.

No meu entender, é falho opormos Lula e FHC. Falho no sentido de incompleto. Incompleto, em primeiro lugar, porque parece que não existem estudos que digam, tais e tais medidas de FHC levaram a tais e tais efeitos sobre a mudança no perfil de renda (que houve) do brasileiro, enquanto que tais e tais medidas do Lula deram em tais e tais mudanças na renda (que houve, ôô se houve). Incompleto, em segundo lugar, porque o governo tucano, sobretudo o primeiro, encontrou outra realidade e outras necessidades das que Lula viria a enfrentar a partir de 2003.

FHC operou uma grande mudança estrutural no Estado brasileiro (o que Lula não fez, não na mesma medida) e iniciou ou continuou (como a abertura comercial) movimentos que também transformaram a economia (o que Lula também aprofundou, como na mobilidade do capital especulativo). Ora, se durante os governos tucanos Estado e economia mudaram bastante de rumo em relação ao que havia antes, é justo que se coloque os índices relativos a eles em comparação aos de governos anteriores. Acho que ninguém vai negar que mudanças na economia (a quase totalidade das quais permanece) influem, e muito, sobre a renda.
A questão é que os índices para antes dos anos 80 são frágeis ou inexistentes e mesmo os de lá para cá não são brutos, isto é, cada metodologia revela números diferentes. O desvio não é grande no geral (há uma tendência similar), mas em itens e momentos específicos isso ocorre.

Assim, o índice Gini, por exemplo. Ele é produzido a partir de dados dos censos, e IPEA, IBGE, FGV e pesquisadores isolados, têm apresentado pequenas variações. Segundo o IBGE, em 1977 ele estava em 0,625 (partindo de 0,565 em 70 segundo o IPEA) e em 1993 ele estava em 0,604, sendo que ele oscilou entre 1981 e 1986 por volta de 0,6. De 87 a 89 subiu fortemente, ultrapassando o índice de 77, para daí ficar oscilando entre 90 e 93. Segundo o IBGE o índice ficou estacionado em torno de 0,6 entre 95 e 99. Não há índices posteriores. Se pegarmos os dados da FGV, que se iniciam em 92 e para 92 e 93 divergem muito pouco dos do IBGE, temos que o Gini fica em torno de 0,6 até 1998. Em 1999 ele abaixo deste índice pela primeira vez desde 95 e, daí em diante ele começa a descer (chegando a 0,5886 em 2002). Segundo outros dados do IPEA, temos que, de 0,584 em 1981 chega-se a 0,636 em 1989, num crescimento paulatino. Em 1993 ele está em 0,604. Fica estável um pouco abaixo disso entre 95 e 98. Em 1999 ele desce para abaixo de 0,6 pela primeira vez desde 1992, decrescendo continuamente até atingir 0,589 em 2002.
Decompondo parte disso, temos que o índice Gini recuou 6,08% entre 77 e 81, para aumentar 8,52% entre 81 e 89, depois diminuir 5,02% entre 89 e 93 (pelo IBGE); e continuar a diminuir 2,16% entre 1996 e 2002 (pelo IPEA). No governo Lula recuou 6%, de 2003 a 2008. Se colocarmos em termos de ano de governo, FHC entregou um decréscimo anual (partindo de 0,601 em 1995) de 0,25 pontos percentuais; já Lula entregou 1 ponto percentual. No entanto, se restringirmos os números à queda apenas, FHC entregou uma taxa de queda média (1997-2002) de 0,36 pontos percentuais, sendo que se fizermos a conta da queda anualmente, teremos que a taxa percentual de queda entre 1997 e 2008 é: 0,33% (97-98), 1% (98-99), um aumento de 0,33% (99-2001), 1,17% (01-02). E Lula: 1,02% (02-03), 1,89% (03-04), 0,52% (04-05), 1,05% (05-06), 1,24% (06-07) e 1,44% (07-08).

Com relação ao nível de pobreza (cuja variação e limites superiores varia bastante) literatura especializada converge para identificar como a criação da Belíndia (apud Edmar Bacha) a partir dos anos 60, quando houve um grande aumento da desigualdade, aumento em ritmo menor nos anos 70 e 80 (ver ). Um cálculo do Ipea colocava impressionantes 67,9% da população nesta faixa em 1970, 39,47% em 1980, 45,46% em 1990 e 32,75% em 2000. A série mais completa, entretanto, é a do IBGE, que segue mais ou menos assim: vai de 39,63% em 1977 e aumenta até um pico de 51,06% em 83, para daí cair em 1986 a um excepcional (em todos os sentidos) 28,24%, e voltar a subir a 43,82% em 1990, quando oscila até 1994 na faixa dos 41%.
Durante os governos FHC, segundo o IBGE, a pobreza cai para a faixa de 34%, entre 95 e 99. A série acaba aí. A FGV deve trabalhar com definição distinta de pobreza, já que seus números, que vão desde 92, estão sempre uns cinco pontos abaixo dos do Instituto oficial. De qualquer forma, a curva é condizente com as demais e, assim, em 92 a pobreza representava 35,16% da população. Em 95 era 28,79% caindo a 26,72% em 2002.
Com Lula a pobreza veio de 28,17% em 2003, caiu para 25,38% em 2004, continuou caindo até 18,26% em 2007.
A queda no nível da pobreza durante o governo FHC foi brusca, quase que de uma vez só, e se manteve quase igual durante seu governo. Mas se pegarmos os extremos - 1993 (pré-Plano Real) e 2002 - temos uma queda de 24,33%. Com Lula a queda foi, entre 2002 e 2007 (ela deve ter sido maior até 2009) ela foi de 31,66%.
Tomando este quadro geral, acho que fica claro que FHC quebrou um ciclo e iniciou outro, enquanto Lula acelerou ou estabilizou a nova tendência de melhoria dos indicadores sociais.

Resta a questão das causas, que não é abordado, pelo menos nos textos que eu achei. Ainda assim, o Néri, da FGV, destaca que foi o aumento da renda do trabalho (66% da queda) e não o bolsa família (17% da queda) o principal motor da queda de desigualdade desde 2003. Ele só não indica o que levou ao aumento da renda do trabalho.

João Paulo Rodrigues em setembro 12, 2010 11:17 AM


João Paulo Rodrigues em setembro 12, 2010 11:22 AM


#147

Excelente compilação, JPR.

Não sei vai fazer muito sucesso por aqui - acho q não -, mas é sempre bom ver / ler alguém q se dispõe a aclarar um pouco mais esse tema, q é mesmo complexo.

Frank em setembro 13, 2010 12:00 AM


#148

Pessoal,

Sobre o comentário (#114) do Alon, concordo com ele no aspecto de que foi no governo FHC que se criaram, como ele disse, um "arcabouço institucional" que ajudou a formar as bases do círculo virtuoso que temos hoje.

Porém Alon, a pergutna que faço é: a que preço?

Seria idiotice negar que tivemos algum tipo de avanço na era FHC, mas que preço pagamos por isso? Podemos resumir essa pergunta em alguns pontos que me vêem a cabeça agora (devem ter outros):

1) juros: níveis exorbitantes de juros, chegando a um nível de 40%(!!!), abortando toda e qualquer tipo de ensaio de crescimento econômico. O fiscalismo que prevaleceu nessa época (lembram do embate mercadistas vs. desenvolvimentistas?) sufocou nossa economia.

2) aumento da dívida pública: a dívida deu um salto expressivo, atingindo quase 60% do PIB neste período (hoje estamos em algo como 40%)

3) aumento significativo da carga tributária: para gerar receita, aumentou-se e CRIOU-SE impostos. Lembram que a tabela de dedução do IR ficou congelada por 8 anos?

4) privatização: não preciso dizer muito sobre esse assunto. Venderam muitas empresas a preços módicos (Vale é o exemplo clássico). Usaram o dinheiro pra "abater" a dívida pública que NUNCA chegou a cair. Poderiam ter usando em programas de infraestrutura, combate a miséria, etc...

Esses são apenas alguns pontos que levantei pro debate. Com certeza, existem outros.

A impressão que ficou pra mim é que, para cada acerto do governo FHC, cometeram-se 10 erros. O preço que pagamos pela estabilização foi alto demais. Como concluo isso? Basta ler o que o Idelber falou aí em cima: números sobre a miséria, índice GINI, inflação, crescimento do PIB...

Abraços a todos,

Carlos Lessa em setembro 14, 2010 1:59 PM


#149

"É parte da história do blog encarar o debate de peito aberto e dar atenção às críticas que são minimamente legítimas."

Sempre chegando atrasado aos debates, de minha parte, como discordante bem recebido na casa do Idelber, atesto completamente o acima dito e folgo em saber que o Biscoito está de volta, até porque grande parte de seu valor reside nas fervilhentes e sempre ricas caixas de comentários. Por falar nisso, o debate com o Alon e os comentários do JPR são realmente engrandecedores. Quanto ao tom militante imposto pos-ressureição, nada a reclamar, pois torna a rinha mais franca e sem subterfúgios, apesar da inevitável saturação resultante da onipresente refrega entre tucanos e petistas, como se o universo político tupiniquim pudesse ser resumido a essas duas "torcidas organizadas", se é que vocês me entendem...

Abraço


P.s: E o Galo, hein? O que vc está chando do trabalho do Luxa?

Kbção em setembro 20, 2010 10:48 AM


#150

Kbção, acho que a grande contribuição do Galo ao futebol este ano foi provar em definitivo que Luxa é um embuste. Pode ter sido um grande técnico. Não é mais. Para os padrões do futebol brasileiro, analisando objetivamente, o plantel do Galo não é ruim. O sujeito teve tempo, carta branca e total infraestrutura. E o Galo patina no G-4 do mal. Impressionante.

Idelber em setembro 20, 2010 12:36 PM


#151

Pena que para revelar tal embuste o Galo tenha que sofrer um bocado, né? Também sempre achei o Luxa uma espécie de Lair Ribeiro do futebol. Um charlatão. Pena, pois me parece que o elenco do Atlético é muito bom. De fora, apostaria em Libertadores. Torço para que, ao meno, escape de um novo rebaixamento. Enquanto isso, meu Leão continua em passo firme de volta à 1ª.

Abraço

Kbção em setembro 20, 2010 1:27 PM


#152

Pena que para revelar tal embuste o Galo tenha que sofrer um bocado, né? Também sempre achei o Luxa uma espécie de Lair Ribeiro do futebol. Um charlatão. Pena, pois me parece que o elenco do Atlético é muito bom. De fora, apostaria em Libertadores. Torço para que, ao menos, escape de um novo rebaixamento. Enquanto isso, meu Leão continua em passo firme de volta à 1ª.

Abraço

Kbção em setembro 20, 2010 1:28 PM


#153

Demorei pra fazer o comentário, mas vai mesmo assim.
Sua postura é exemplar e admirável... tem um bando de intelectual por aqui morrendo de medo (?) de dar a cara a tapa..
Abs
Camila

Camila em setembro 21, 2010 6:16 PM


#154

Camila, sempre digo a meus colegas acadêmicos do Brasil que abrir um blog, especialmente com caixa de comentários aberta, como este, seria um ótimo exercício para eles. Areja. A gente leva uns tapas, mas é bom, circula o ar. Não há o que temer.

Obrigado :-)

Idelber em setembro 21, 2010 6:20 PM


#155

Ou é medo, ou é falta de noção da intensidade que é o cotidiano de uma campanha...

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,a-democracia-em-quarentena,598342,0.htm

Ab!

Camila em setembro 21, 2010 6:52 PM


#156

Peço que dê uma olhada nos ultimos posts no blog do Paulo Nogueira, Diario do Centro do Mundo. Veja o absurdo de http://www.diariodocentrodomundo.com.br/?p=2500 , http://www.diariodocentrodomundo.com.br/?p=2486 e otras cositas mas... grata.

Marcia em outubro 6, 2010 2:14 PM


#157

Peço que dê uma olhada nos ultimos posts no blog do Paulo Nogueira, Diario do Centro do Mundo. Veja o absurdo de http://www.diariodocentrodomundo.com.br/?p=2500 , http://www.diariodocentrodomundo.com.br/?p=2486 e otras cositas mas... grata.

Marcia em outubro 6, 2010 2:15 PM


#158

Peço que deem uma olhada nos ultimos posts no blog do Paulo Nogueira, Diario do Centro do Mundo. Veja o absurdo de http://www.diariodocentrodomundo.com.br/?p=2500 , http://www.diariodocentrodomundo.com.br/?p=2486 e otras cositas mas... grata.

Marcia em outubro 6, 2010 3:03 PM