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sábado, 25 de setembro 2010
Em Miami, olhei nos olhos do Brasil que perdeu (parte 2)
Em primeiro lugar, impõe-se um comentário antes de continuar a história (se você caiu aqui do nada, leia isto primeiro). Eu não esperava todo esse surto de interesse que se gerou na caixa de comentários. Honestamente falando, o post só ficou incompleto porque já era bem tarde e eu não tinha condições físicas de escrever mais, o que eu espero que não aconteça hoje. A história, na verdade, não é tão interessante assim, portanto rebaixem as expectativas.
Em segundo lugar, à guisa de explicação aos leitores mais novos que chegam do Twitter e não conhecem a trajetória do blog, recorro ao testemunho dos leitores históricos para que fique claro que não sou do tipo de pessoa que sai dando carteiradas. Há 1.200 posts e mais de 38.000 comentários aqui, e em nenhum deles você encontrará o anfitrião dizendo tenho tal e qual título ou ganhei tal e qual prêmio. Já entrei de sola em muitas discussões, mas não com esse tipo de argumento.
Faço a ressalva porque dar uma carteirada foi exatamente o que fiz na noite do dia 22 de setembro em Miami, com a família racista típica do Brasil dos 4%. Digo isso sem orgulho nem vergonha, foi simplesmente o que aconteceu. Foi só a forma que encontrei para revidar aquela agressão que a família negromestiça vinha sofrendo ali. Tratou-se, no entanto, de uma carteirada de um tipo muito particular. Continuemos a história, pois.
Havíamos parado no momento em que eu e L.T. nos sentamos no chão, de frente para as duas famílias que ocupavam, cada uma, uns seis assentos daquelas insuportáveis salas de embarque do Aeroporto de Miami. Como dito, havíamos chegado conversando em espanhol mas, exagerando um pouco no tom de voz, eu disse a ele:
Now we're gonna have some fun. When I switch languages, you do the same, right away. [tradução livre: vamos brincar de Neymar e Ganso com esses bacacas. Mude de língua na hora em que eu mudar]
Meu amigo belga, cujo Q.I. está bem mais próximo de Goethe que de Eliane Cantanhêde, sacou imediatamente que alguma gozação viria. Pela altura da minha voz naquela frase, ele deve ter percebido que a gozação jogaria com a minha completa certeza de que eles não entenderiam, ou entenderiam precariamente, o que nós disséssemos em inglês. Foi dito e feito.
Cabe aqui uma explicação para quem não tem tantas horas de aeroporto como eu. Nada faz os racistas da República Morumbi-Leblon se transformarem de carrascos sádicos em cordeirinhos dóceis e obedientes como a chegada de um estadunidense. Qualquer um. Eles tiram a pele de lobo e adotam aquela constrangedora subserviência colonizada, estilo Celso Lafer. Como L.T. fala com perfeito sotaque do meio-oeste e o inglês é praticamente uma língua de infância para mim, o sucesso da impostura estava garantido. A ignorância da República Morumbi-Leblon é algo com o qual você sempre pode contar.
O leitor Ticão, num comentário ao post anterior, adivinhou exatamente a indumentária do chefe da família racista: jeans Yves Saint Laurent e um par de mocassins cheios de penduricalhos dourados. A senhora fazia o gênero perua, com um collant de oncinha e uma quantidade enorme de quinquilharias nos braços. O filho, de uns 20 e poucos anos, trazia seu iPod e vestia uma camisa de mangas compridas—no calor de Miami em setembro!--do São Paulo Futebol Clube. Essa camisa do Tricolor do Morumbi será importante para a continuação da história. Nos outros três assentos ocupados pela família paulistana, uma quantidade imensa de badulaques eletrônicos se amontoava, desde telas planas de computador até, incrivelmente, uma tostadeira.
A primeira frase havia chamado a atenção da família racista, mas não o suficiente. Ainda não prestavam atenção em nós. Era o que eu queria – só lançar uma primeira isca-- para ter alguns segundos e dirigir, sem que eles me vissem, olhares de cumplicidade, sorrisos e sinais de positivo com o polegar para a outra família, que a estas alturas tampouco sabia que eu era brasileiro. Depois de estabelecido esse primeiro contato de cumplicidade, fiz a eles o tradicional gesto com a palma da mão direita estendida na vertical, como quem diz deixa com a gente.
Nesse momento, no entanto, L.T. quase estragou meu plano. Ao bater os olhos na gigantesca tostadeira, ele não se conteve e começou a rir. L.T. tem uma gargalhada bem parecida com a de Sílvio Santos, então vocês imaginem. Já havíamos chamado a atenção de todo mundo. Era necessário agir rápido. Apontando para a camisa do rapaz, perguntei:
Is that a soccer jersey?
Enquanto o rapaz, em inglês balbuceante, tentava me responder, eu ia arquitetando em minha cabeça a vingança, que será narrada em detalhes na terceira e última parte desta saga.
Escrito por Idelber às 06:06 | link para este post
| Comentários (90)
#1
Caramba, acordei cedo para terminar de ler seu post e voce dá o cano de novo!Más tá bom, eu espero até amanhã.Essa história tá ficando cada vez melhor, valu!
Chico doido em setembro 25, 2010 7:15 AM
#2
Hahaha, que anticlímax! Buuhh!
André em setembro 25, 2010 7:33 AM
#3
Ah, não!!!! AAAAAAAAHHHHHH NÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!!!!
Sério, Idelber, ler a parte 1 ontem produziu algo intenso em mim. Depois de dias de angústia com toda essa sacanagem das eleições, as denúncias, gente falando na possibilidade de um golpe das direitas, de repente senti que é uma besteira deixar os 4% tirarem o nosso ânimo ou mesmo temê-los. Acho (e espero) que estamos num caminho sem volta rumo a uma sociedade civilizada de verdade, e essa época em que empregada come na cozinha está com os dias contados.
Ceci em setembro 25, 2010 7:40 AM
#4
"A brincadeirinha com a qual L.T. e eu nos unimos à família da Nova Classe C (...) será o tema do próximo post". Aí vem a parte 2, que eu jurava ser a última, porque, em matéria de folhetim, eu sempre recorro aos clássicos.
A brincadeirinha é combinar uma mudança de línguas. Ressalta-se será preciso estar atento a uma camisa do São Paulo Futebol Clube. Aqui, suspeito que Mary W não vai gostar. Se fosse do Galo, o blogueiro perdoaria a vingança contra racistas da república Mangabeira-Pampulha? Se fosse do Flamengo, tenho certeza de que rolaria genocídio como vingança, porque o blogueiro destesta urubu. De qualquer classe.
Há trecho inverossímil. Jeans "ivessâlorrã" e mocassins, de fato, definem um padrão típico, que quase sempre se completa com uma polo da Lacoste. Também "compõe" bem com camisa básica da Ralph Lauren ou Tommy Hilfiger. Mas um sujeito maurício--de-meia-idade anda com uma dona de collant de oncinha? Isso é tendência na Daslu? Eu que achava que era padrão clássico da Daspu. Tô precisando ler mais Cláudia e Nova. Ou assistir GNT Fashion.
Por fim, minha formação clássica. Eu sempre confiei na programação da Globo: o último capítulo era na sexta, com reprise no sábado. Já até aconteceu de ser no sábado, em capítulo único, sem reprise. Nunca rolou último capítulo no domingo. A Globo NUNCA me enganou.
Mas folhetim com último capítulo no domingo? Isso não existe. É de que classe Z. O Montenegro me disse que o ibope do blogueiro vai despencar em audiência - e ele, como se sabe, sempre faz previsões que sempre se confirmam.
Fábio Carvalho em setembro 25, 2010 8:05 AM
#5
Aí, Idelber, se demorar muito, a gente até esquece. Vamos perder o fio da meada da história.
Abração!
Bruno Marcondes em setembro 25, 2010 8:47 AM
Renato em setembro 25, 2010 8:50 AM
#7
AHHHHH!!!! Mais suspense?!?!? Acordei às 7h da manhã, num sábado, e terei que esperar pela terceira parte!!!!! Meu Deus!!!
Bruno Ribeiro em setembro 25, 2010 9:05 AM
#8
Como assim? Como assim? Começa o post dizendo que a intenção não era fazer suspense e termina justamente fazendo suspense? Que incoerência é essa?
No mais, não podia perder a piada futebolística: porque não me espanta nada o rapaz ser torcedor do São Paulo, hein?
Iara em setembro 25, 2010 9:11 AM
#9
Acho q o Marcondes matou a pau - o problema é que a gente acaba perdendo o fio da meada, mas vá lá. Esperemos que o fecho seja mortífero.
Mas pelo mns essa novela teve uma coisa boa - lembrei de minha própria historinha. Qualquer hora dessas, conto...
bitt em setembro 25, 2010 9:38 AM
#10
Se o moleque cambaleia pra responder "is that a soccer jersey?" é sintoma de que há algo de errado com a inteligência dessa elite paulistana. (oh, jura, Gustavo?) Não que ser bilíngue tenha relação direta com isso, mas peraí, família riquinha viajando pros EUA, com um rapaz de 20 e poucos anos estudando provavelmente em boas escolas, é obrigação canônica esse puto falar inglês direito. Mas aguardemos.
Gustavo em setembro 25, 2010 9:53 AM
#11
HEHEHEHE. leio o teu blog há pouco tempo, não conhecia o idelber folhetinesco ainda. E, devo dizer, é muito bom.
Aguardando ansiosamente pela terceira e última parte dessa história.
Ah, by the way, parabéns pelo blog. Sem dúvida, um dos mais interessantes da blogosfera brasileira.
Rodrigo em setembro 25, 2010 9:57 AM
#12
Pô Idelber, até quando vai este suspense?
Entre as quinquilharias, não teria um aspirador de pó? Afinal, o Brasil Pó Demais perdedor vai precisar.
Gelso Job em setembro 25, 2010 10:07 AM
#13
Idelber, te acompanho faz tempo, embora não costume comentar. Mas dessa vez não resisti. O mote é excelente: crítica política, social, suspense... Estou quase apostando que essa novela terá mais de um post.
Abraço!
Josias de Paula Jr. em setembro 25, 2010 10:15 AM
#14
Idelber velho de guerra, o qual leio sempre e raramente comento: desmontar esse cenário (pitoresco)conjugado de soberba e petulância de nossa elite (em relação aos demais brasileiros), de um lado, e subserviência e humilhante deferência aos estrangeiros (notadamente os norte-americanos), de outro, é simplesmente brilhante. É, mesmo, um "lavar a alma" de milhares de brasileiros atingidos pelas conquistas importantes desses últimos anos. Não sei o que vem por aí, mas algo me diz que me divertirei muito. :)
Um abraço.
Juliano em setembro 25, 2010 10:44 AM
#15
Esses personagens patéticas não merecem a mínima consideração. Só que, por paradoxal que pareça,ao vislumbrar o desfecho da história comecei a ter uma dó (imerecida, sei)desses coitados. Desculpe por ser este sentimentalão incorrigível q sou. Abraços.
Sérgio Arce Gomez em setembro 25, 2010 10:51 AM
#16
Pois eu gostei da coisa em "capítulos" :)
Uma pitadinha a cada dia, tá bom.
Vitor (Floripa) em setembro 25, 2010 11:15 AM
#17
Essa história é ótima. Dá um tratado antropológico de como se comportam parte da nossa elite. É gente que nunca teve solidariedade. Os mesmo que agora ficam horrorizados por não encontrarem empregadas domésticas por salários ridículos.Mas claro que será culpa do bolsa família, dizem eles. Imagina se morassem nos EUA ou na Europa tendo que pagar salários decentes, ou eles mesmos tendo que limpar sua latrinas? E o Idelbert mais uma vez retrata super bem o preconceito dessa gente. Além do que, além de conservadores, como são bregas e caretas, né...
Adriana Franciosi em setembro 25, 2010 11:19 AM
#18
Espero sobreviver até chegar a terceira parte. Porque, ô suspense, viu! :-D
Samuel em setembro 25, 2010 11:34 AM
#19
Tá bom, tá bom, a primeira parada pode não ter sido planejada, mas essa foi MAQUIAVÉLICA, Idelber.
Quer matar a gente de curiosidade?
Leonardo Bernardes em setembro 25, 2010 11:34 AM
#20
Fàbio
marido elegante e mulher perua de oncinha é clássico das classes altas. Eu mesmo já tive sogros assim (e ela faalaavaa com uumaa vooz aarraaastaaada típica).
Radical Livre em setembro 25, 2010 11:39 AM
#21
Seu Biscoito, fico aguardando impaciente o desfecho. Mas desde já vou cobrar o teu relato, e se possível outra pegadinha, com duas famílias desse mesmo perfil – só que na VIAGEM DE IDA São Paulo-Miami!
As circunstâncias serão outras, e o estudo antropológico muito mais rico, nem se compara.
Essa viagem de volta que você está contando já pega os personagens "acostumados" ao deslumbre. Na de ida, o olhar rancoroso da classe B para a Nova C vai ser aterrador.
Plinio J. V. Lins em setembro 25, 2010 11:43 AM
#22
Opa...pera aí: pq a família do morumbi é racista? o que eles fizeram com a outra?
abraços
João em setembro 25, 2010 11:58 AM
#23
Está uma delicia imaginar como será o próximo capitulo. Agora vejam outro aspecto paradoxal no cotidiano de uma criança.
Hoje no blog do Nassif em “As eleições pelos olhos de uma quase mocinha”(ta difícil entender direito o que a filha dele diz no áudio).
“Segundo seu relato, na escola todos os pais votarão no Serra. Mas nada é dito de positivo em relação a ele: apenas de negativo em relação a Dilma. Falam mal de todo mundo, diz ela. Ou seja, a campanha de Serra-velha mídia conseguiu criar, em alguns ambientes classe média, o negativismo absoluto em relação à política. Não há bandeiras, estímulo ao idealismo, mas apenas ódio.
Padecemos, eu pelo menos convivo com minha psicopatologia, tentando ser feliz na “saúde e na doença, na alegria e na tristeza” (ontem fui a um casamento). Intuo que deve ser terrível “falar mal de tudo”. O Tijolaço do Brizola abordou essa sua cena aeroportuária em seu “O povão vai apertar o cinto. No avião é claro”, de 21/09. A elite branca de olhos azuis, conforme Claudio Lembo teme a concorrência.
Aguardo com ansiedade deliciosa o próximo capitulo.
Luiz Monteiro de Barros em setembro 25, 2010 12:09 PM
#24
Idelber,
Quando penso nos 4% que acham o governo ruim ou péssimo tento me controlar com o pensamento "pô, o que é que eu gostaria, unanimidade?". O que revolta, no entanto, é que esses 4% são formados exclusivamente por esse pessoal preconceituoso, nostálgico do apartheid social e da escravidão e que está, também, bem melhor de vida na era Lula. Se esses 4% fossem compostos de radicais de esquerda que acham que o Lula não fez mudanças mais profundas, que é também um governo de direita e etc..., tudo bem, acho que todo mundo acharia normal, mas essa galera do contra porque se acha melhor que os outros é realmente intragável. Um abraço e vê se cancela uma palestra pra terminar logo essa história!
André Bezerra em setembro 25, 2010 12:12 PM
#25
Tô achando legal esse suspense. Aguardarei ansiosamente para ler o último (?) capítulo.
Aproveito para perguntar se alguém da família elitista disse o inevitável "essa gente não tem nivel".
Cláudio Freire em setembro 25, 2010 12:25 PM
#26
To adorando essa historinha, mal posso esperar o desfecho.(Ah e o jovem com a xamisa do São Paulo era meio óbvio acho que a elite nao ia torcer pro coríntia né.)Já até imaginei as caracteristicas físicas da madame kkk.
Angela em setembro 25, 2010 12:32 PM
#27
Radical,
Eu tô querendo é esculhambar com o Idelber.
No mais, homem tem menos chance de errar, eu sei, no quesito "elegância". Polo e jeans não têm erro. Nem se for Lacoste com "invessâlorrã", nem se for calça das Lojas Colombo com polo das Lojas Renner, risos. Mocassins nos pés, bem, aí começa a complicar na minha opinião. MAIOR preconceito. Mas acho que muita gente nem vê nada grave nisso.
Cinto, por exemplo, eu (quase) nunca uso com jeans. Meu visual é bem Heloísa Helena, risos. Tá, vario mais cores nas camisetas, mas a maioria é branca mesmo. Acho meio estranho tudo certinho, camisa para dentro da calça, cabelo penteado e aquela cara de quem acabou de sair do banho barbeado.
Tenho umas fotos de criança exatamente assim (minha mãe me arrumava, é claro): short azul marinho NA ALTURA DO UMBIGO, camisa branca listrada de azul e branco para DENTRO do short. Cabelo lambido. É ridículo. Mas as mães fazem (ou costumam fazer) isso com os filhos. E acham lindo.
Fábio Carvalho em setembro 25, 2010 12:48 PM
#28
Idelber, você é um sacana! Tá parecendo novela... Conta logo o resto do causo!
Ninguém em setembro 25, 2010 1:13 PM
#29
Pelamordedeus!!! [2]
Como muita gente ai de cima, eu acordei cedo pra vir aqui no blog!! hahahahah!
E, como se não bastasse, sonhei com isso durante a noite!
Acho que a minha vontade de lavar a alma nessa reta final de eleição é tamanha que essa sua novela tá me gerando muita expectativa!!
Sensacional!
Maria Alice em setembro 25, 2010 1:16 PM
#30
Mesmo que vc. diz que o final não é tão emocionante assim, não importa, já está valendo por tudo que foi escrito até agora....
Júnia em setembro 25, 2010 1:33 PM
#31
Não acreditoooo!!! Idelber, eu tomo ansiolítico, sabia? rsrs
E a propósito, tenho participado de fóruns de discussão eleitoral onde, protegida pelo anonimato, esse pessoal revela todo seu ódio, ignorância e insensibilidade através de comentários tão absurdos e virulentos q chegam a revolver o estômago - recomendo para quem quer ver o pensamento da elite brasileira em toda a sua crueza, desprovida do habitual verniz social q pode iludir os menos atentos.
Acho q vc tem mais sangue frio q eu para lidar com esse tipo de situação - infelizmente, desço do salto em 2 min -, por isso não seguirei sua recomendação qto ao nível de expectativa: aguardo ansiosamente por um final catártico!!!
Leticia em setembro 25, 2010 1:36 PM
#32
Oi, Idelber, vc tá falando tantas línguas que tropeçou no 'balbuciante' :), mas estou esperando também o fim desse périplo, e eu sei que você não está enrolando pra criar esse imenso interesse e, seu público, até porque eles te conhecem e te amam. Enfim, não sei ainda o que pensar disso tudo, vou aguardar o fim da história.
um abraço,
clara
clara lopez em setembro 25, 2010 1:37 PM
clara lopez em setembro 25, 2010 1:39 PM
#34
De novo! Isso não é uma série de narrativas, é uma apologia do coitus interruptus!
Lelec em setembro 25, 2010 2:11 PM
#35
Pô, Idelber, sacanagem! Eu acho que você anda lendo muito o blog do M.A.Mello para contar as estórias em pilulinhas.
Lufeba em setembro 25, 2010 2:44 PM
#36
Idelber, meu caro, a sacanagem é com a família racista paulistana ou com seus pobres leitores?
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
aiaiai em setembro 25, 2010 2:48 PM
#37
Pô, sacanagem. Tô até roendo as unhas.
Rubens Machado em setembro 25, 2010 2:58 PM
#38
A classe alta brasileira não sabe nem ler inglês(E falo de um texto simples, tipo uma notinha da Associated Press) quiçar ouvir em inglês.
André Kenji em setembro 25, 2010 3:30 PM
#39
PQP!!!! Hahahahahaha, você é realmente muito esperto!!!!!!!!!!!!!!!!! Tem problema não, amanhã to aqui de volta, ok??
Nany em setembro 25, 2010 3:36 PM
#40
Juro que este post me fez pensar. Mas quem é de verdade essa tal de parcela 4% de ressentidos? Com o que ela trabalha? De onde ela tira seus recursos? Onde ela estudou? O que ela fazia em Miami? De onde ela arrumou seu racismo?
Porque eu imagino que não se tratava de uma família de barões de café, nem de sociólogos da Sorbonne, nem de latifundiários (meu raciocínio é que não imagino estes com uma torradeira comprada nos EUA, nem fora da sala VIP do aeroporto).
E aí Idelber, alguma sugestão de leitura para eu entender de onde vem essa parcela dos 4% dos ressentidos?
Rafael M em setembro 25, 2010 3:44 PM
#41
Hahaaaa, Idelber! Assim, de conta-gotas, você atiçou meu "mais gozar" lacaniano!!! Já 'tou pagando o preço do sintoma!
Cláudio Costa em setembro 25, 2010 3:49 PM
#42
Mas que marmota é essa Idelber?
Uma "cenas do próximo capítulo" já é ruim de aguentar, aí vc vem com outra?
Assim não pode! Assim não dá!
Lana em setembro 25, 2010 3:52 PM
#43
Só digo o seguinte: tá cada vez mais difícil ser são paulino de esquerda nesse mundo.
milton em setembro 25, 2010 3:58 PM
#44
André Kenji:
A classe média alta não sabe ler em português.
milton em setembro 25, 2010 4:06 PM
#45
Suspense tem prazo de validade, seu moço. Passando, desanda #tomejuízo
#algomediz Que se trata de um experimento lítero-sádico-político #somoscobaias
O título do conto é Crônica da Humilhação Anunciada. Para o outro lado, porém, é A Insuportável Opressão dos 96% #tudotemdoislados
Se fosse um western: Teu Ódio Será a Minha Vingança #queremossangue
Se fosse (é?) um folhetim virtual: A Peleja do Professores Engajados com O Casal Decadente – em martelo agalopado #duplamentesimbólico
Vem aí a tese "Azevedo's Children and Their Classist Behaviour in Airports" #voucomprar
Participação extra da Musa da Febre Amarela e dos Caças? Que isso, seu moço? Como tu sabes, o Jobim é grosso #tecuida
"família racista". De novo! Demétrio, ensina pra ele. #genteteimosa Saudades da época em que se acreditava na mídia #tristestempos
"vamos brincar de Neymar e Ganso". Tradução: Eu faço cara de emburradinho e você faz não com o indicador #piadapronta
Resposta: "Não, minha camisa não é de jérsei" #chutei
Tuiteiro sem Twitter em setembro 25, 2010 4:32 PM
#46
Até agora, o único esnobe que vi nesta história é o autor do blog. Tem tanto chavão nesta história que só falta dizer que a família mineira mestiça tinha sangue um quarto judeu e um filho homossexual, para completar a vitimização em potencial. A se julgar pelas aparências ou por puro preconceito _ e pela tostadeira _, talvez a família classe A 4% fosse a dos mineiros, e a paulista a inversa. Essas condições maniqueístas só existem num Brasil fantasioso, que não coincide com a verdade. Mesmo um monoglota como eu, com um Q.I. não autorizado pela condescendência das faculdades americanas aos sulamericanos em se aproximar do Q.I. de Goethe, pode saber, somente pela experiência, que aos mais ricos interessa que surja uma nova classe de consumidores, pouco existindo o tal rancor por se verem misturados. E esse papo falho de negritude sempre esculhambada não cola; eu sou negro e bem sucedido (apesar de monoglota e incapar de fazer piadinhas em seis idiomas, que nem os 4% compreenderam nem os mineiros coitadinhos _ ou eles entenderam, só pela força inexorável do brilho de seu humor), e conheço uma série de outros negros com excelentes postos na sociedade. O preconceituoso e arrogante foi outro.
nèlio em setembro 25, 2010 4:33 PM
#47
Fábio. to só esperando onde vai parar essa historia com camisa do sao paulo e tudo. nao descarto tacar a torradeira no blogueiro.
mary w em setembro 25, 2010 4:33 PM
#48
Poooooorraaaa! Interrompeu de novo, Idelber??? Que sacanagem...
Filipe em setembro 25, 2010 4:40 PM
#49
Pô, Idelber...
Tu tá brincando!
Go Oliveria em setembro 25, 2010 5:06 PM
#50
O mais engraçado é que a família que vc chama dos 4% provavelmente vota no Lula.
Luis em setembro 25, 2010 5:15 PM
#51
Nélio: é óbvio que eu estou sendo esnobe. Toda a história é baseada no meu esnobismo pra cima deles.
Você é negro e conhece uma série de outros negros com excelentes postos na sociedade? Por que será que estou tendo dificuldades em acreditar nisso?
Idelber em setembro 25, 2010 5:26 PM
#52
Na cidade onde moro, Idelber, o tenente é negro , o promotor é um negão de quase dois metros (foi tenente da polícia militar de MG antes de vir para cá), um dos mais prestigiados advogados da cidade, Dr. Gari Èlder, é negro, que por sinal é filho de um major aposentado. Há um ministro do Supremo negro, empresários negros, e etc, todo mundo vê. Discriminação forçada para firmar uma retórica convincente é perverter o discurso.
nèlio em setembro 25, 2010 5:35 PM
#53
olhe aí algo que explica aquele meu sonho com o roubo e a recuperação do meu carro! hahaha
agora volte aqui e conte logo o final dessa história!
Mônia Daniella em setembro 25, 2010 6:33 PM
#54
Idelber, você está sendo sádico com seus leitores. Mas, mesmo assim, estou adorando sua novela. kakakakaka.
Emília em setembro 25, 2010 6:54 PM
#55
Como um legítimo friorento, devo defender o sujeito com a camisa de manga comprida - era, provavelmente uma prevenção contra o ar condicionado do avião, que vez ou outra traz um ventinho bem filha da puta. Eu prefiro passar calor antes e/ou depois do vôo do que sofrer com o frio no avião.
Ivan em setembro 25, 2010 7:11 PM
#56
É verdade, Ivan. Em Nova Orleans, a única época do ano em que uso blusa de frio é no verão, quando vou à biblioteca. Os caras colocam o ar condicionado para congelar, mesmo. Imagine o desperdício de energia.
Idelber em setembro 25, 2010 7:32 PM
#57
Mary W,
Isso mesmo. Taca a torradeira e queima ele. Apoio vingança.
Fábio Carvalho em setembro 25, 2010 7:55 PM
#58
Nélio,
Conselho: melhor não brigar com o IBGE.
Fábio Carvalho em setembro 25, 2010 8:05 PM
#59
Meus Deus!!!!!
Mais um capitulo?
Será que último capítulo vai repetir, igual na Globo?
Quem matou Odete "Roitman"?
Geraldo Chaves em setembro 25, 2010 8:18 PM
#60
Idelber, pó pará! (e sem trocadilhos aecistas qu'eu sei que vc não é dessa tribo…)
Se no próximo capítulo vc não contar toda a novela dos 4%, vou reclamar no Procon da blogosfera. kkkkkkkkkkkk
Wilson em setembro 25, 2010 8:18 PM
#61
Não desconheço as cifras do preconceito, Fabio. Só não acho que cabe essa interpretação na história do idelber.
nélio em setembro 25, 2010 8:28 PM
#62
Não liga pro Nélio. Ele não te conhece direito, eu acho. Nós, leitores fiéis sabemos que a situação impôs.
Agora: Putz! Sacanagem! Conta logo, pô!
Edk em setembro 25, 2010 8:41 PM
#63
Nélio,
IBGE não mede preconceito. Afirma que negros têm menor expectativa de vida, renda média mais baixa, menos escolaridade etc e tal.
Fábio Carvalho em setembro 25, 2010 8:44 PM
#64
a-do-ro histórias reais da luta de classes, que tantos dizem que acabou junto com a história. em capítulos então...! hoje ao telefone meu filho e eu falamos demais deste post, que corrobora conversas que temos há anos. pareciam até língua do pê particular de mãe e filho, porque nem todos têm essa percepção das mudanças (sim, porque na família e no círculo de amizades temos gente como o Idelber descreve, "o Brasil dos 4%, da ressentida fração da classe média que lê a Veja, do Instituto Millenium, dos três jornalões, de Ivete Sangalo, Hebe Camargo, Ali Kamel e Regina Duarte" (até lembramos da história da dona de sítio furiosa porque o caseiro conseguiu emprego melhor e... "não quer mais ser caseiro, absurdo"! Chorei ao reconhecer tudo isso aqui. Obrigada!
marinildac em setembro 25, 2010 8:50 PM
#65
Caro Idelber,
É a primeira vez que escrevo em teu blog apesar de ser frequente nele e lamentar profundamente a "hibernação" do mesmo. Vibrei com teu retorno.
Peço-te por favor!!!termine esta história! Está parecendo roteiro de filme do Brian de Palma!
Fernando em setembro 25, 2010 8:57 PM
#66
Essa Marinilda C, eu acho que conheço, porque já peguei no pé dela. Denuncio: é Fluminense. Tem grito de guerra: "a bênção, João de Deus, nosso povo te abraça (...)".
Ela detesta qualquer classe de flamenguista também.
Fábio Carvalho em setembro 25, 2010 9:20 PM
#67
Por que tenho a nítida impressão que o tal de Nélio, além de não se chamar Nélio, não é negro coisíssima nenhuma?
Gelso Job em setembro 25, 2010 9:21 PM
#68
Ô, Nélio, se vc quer continuar vivendo no seu mundinho de faz-de-conta, o problema é seu! Você está parecendo os primeiros negros afluentes que surgiram nos EUA no período entre as guerras, que assumiam valores da burguesia branca. Viviam num mundo fictício, formando-se em colleges para negros, ouvindo música erudita, odiando o jazz e desprezando seus irmãos pobres e sem instrução. Mas eram, se muito, 1% dos afro-americanos. Já visitaste Washington ou Atlanta? Vá e verás a grande maioria negra (70% em ATL) vivendo em bairros segregados, sem infra-estrutura, segurança e péssimo ensino. Com Obama, quase nada mudou...
Moco em setembro 25, 2010 10:08 PM
#69
Idelber, você é do mal! E eu hoje finalmente achando que leria o Grand Finale... Deste jeito nãoo há como te chamar para comer um pequi com arroz, quando vier a Goiás. =]
Leider Lincoln em setembro 25, 2010 10:15 PM
#70
Pô, me negar um pequi com arroz é sacanagem.
Idelber em setembro 25, 2010 10:19 PM
#71
Nossos pequeno-burgueses (mais pequenos que burgueses) não precisam de nenhuma punição..além de ter que suportar uns ao outros... Não posso pensar em coisa pior. (adaptando Bernard Shaw sobre a aristocracia britanica)
Genital Lacerda em setembro 25, 2010 10:28 PM
#72
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, os comentários estão melhores do que a cronica kkkkkkkkkkkk
se amanhã não tiver um final feliz o blogueiro ficará sem arroz de pequi e sem moqueca capixaba!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
aiaiai em setembro 25, 2010 10:36 PM
#73
Pois bem Idelber, aqui em São Paulo, onde cheguei em 1999, tenho o hábito de ir ao Centro Cultural São Paulo estudar na Biblioteca. Nos últimos 4 anos é praticamente impossível chegar e encontrar uma mesa vazia para estudar. Milhares de jovens com laptops, mini-laptops. Noutro momento de nossa democracia era diferente. Agora tem fila para entrar na biblioteca. Como eu acompanhei os dois momentos do interior do CCSP, pude comprovar uma verdadeira inclusão digital jamais vista neste país.
Chico Mendes em setembro 25, 2010 10:58 PM
#74
Contam-se nos dedos, nominando-os, os negros, nos extratos superiores. Contam-se nos dedos.
.
Depois de 120 anos pós-mentira 1888 ainda temos que contar usando os dedos?
.
Nossa!!!
Chico Mendes em setembro 25, 2010 11:05 PM
#75
A ultima vez que fui ao Brasil eu estava debrucado na caixa do correio da mamae quando decidi entrar e ouvi vozes atraz de mim. Ao olhar me deparei com dois caras me dizendo "Mas voce se considera tao bom e superior assim que nao vai conversar com a gente?" Eu disse "Nao" e entrei pra dentro de casa, eu nao sabia quem eles eram. Isso era uns meio dia, uma hora da tarde. Lembrei me de ter visto os dois umas 3 horas antes mas nao me lembrava do resto. Eu tinha tido o que voce chamaria de surto psicotico. Os caras ficaram la fora ofendidissimos, e eu entrei pra ver minha mae, mas continuei sem entender aquela cena.
Sem relacao: ha uns 4 ou 5 anos atraz eu fui no consulado brasileiro pegar um documento pra minha filha viajar, e como nao tinha babysitter eu a levei. Era dia do meu aniversario. Na saida eu comecei a conversar com minha filha em portugues, o que eh rarissimo, mas era dia de brincar. E eu tou assim: "nois vai saí di aqui e cumê uma cumidinha beeeeeem mió que a de onti". A gente tava indo pra um restaurante qualquer.
A paulista que estava do meu lado no elevador comecou a chacoalhar os ombros fingindo que estava rindo pra causar uma reacao no resto da brasileirada no elevador, ela estava de costas pra mim e perto da porta. Sua amiga a acompanhou na "reacao". O que ela queria que o elevador inteiro notasse eh que eu era o pobre ignorante com sotaque --quando qualquer idiota sabe que ninguem fala assim. Agora eu falo portugues sofrivel, sai de la ha 30 anos, mas evidentemente qualquer pessoa com meio neuronio sabia aa primeira palavra que eu estava brincando com uma menina de 5 anos --que por sinal mal fala portugues ate hoje e a cada dia deixa de aprender mais ainda.
Sabe de uma coisa? Eu estou ofendido ate hoje. Sabe quando voce se arrepende de nao ter reagido?
Eh eu desde entao.
Da proxima vez que encontrei um paulista, ele roubou a minha casa em Newark.
Depois disso, de novo agora na ultima vez que eu fui ao Brasil, apareceu uns paulistas pregando religiao na porta da minha casa em BH, isso sendo alguns anos mais tarde. Eu com mamae morrendo de cancer no quarto, esperando visita de parentes do interior que eu nao conhecia nem mesmo de nome, apertei a mao deles preparado pra convidar los a entrar e aas primeiras palavras eu me vi aas voltas com pregacao religiosa e respondi em ingles. Eles fizeram o erro de me dizer que eu nao precisava falar ingles porque ele eram de Sao Paulo. E eu tive o surto psicotico. Nao houve palavras, eu nao sei descrever o que aconteceu exatamente porque eu nao sei
Ivan Moraes em setembro 25, 2010 11:59 PM
#76
Continuando:
porque eu nao sei
Ivan Moraes em setembro 26, 2010 12:00 AM
#77
(sinto, o limite do seu blog me cortou. Vou postar no Nassif)
Ivan Moraes em setembro 26, 2010 12:04 AM
#78
hehehe
FHC que se cuide.
Vânia em setembro 26, 2010 1:02 AM
#79
Prezado Avelar,
Estou acompanhando com a minha mulher, a Malu, e com desmedido interesse, essa sua "novela" sobre a convivência "forçada" da classe A com a classe C.
Mas, por favor, não dê uma de rede Globo e vá espichando, espichando os capítulos só para "faturar" na audiência. rs
Um abraço
Lula Miranda
Lula Miranda em setembro 26, 2010 1:15 AM
#80
Idelber, você está me lembrando uma piada antiga, infame, que contava como os portugueses inventaram a máquina de fazer blu. A piada era contada fazendo suspense, bem lentamente, com muita repetição, a máquina ia sendo construída "pecinha por pecinha, pecinha por pecinha", e isso se repetia, e acrescentava-se algo novo e voltava "pecinha por pecinha, pecinha por pecinha", finalmente chegava o grande dia da inauguração da máquina, a máquina era ligada e fazia: blu! Se o final da sua história for desse tipo, a gente estrangula você, está bem assim?
Anarquista Lúcida em setembro 26, 2010 1:42 AM
P Pereira em setembro 26, 2010 1:57 AM
#82
Também estou curioso pelo desfecho.
Agora, não posso deixar de unir os meus two cents aos do Nélio (pobre Nélio, que de acordo com o #64 nem negro deve ser)
O êxito da estorinha depende da urdição de um mito. Mito esse que já se estabilizou por aqui. Primeiro, como nos lembra o infalível Barthes, o mythos aí esconde uma boa dose de ideologia.
Segundo, ele naturaliza e reifica certas premissas:
A) Negros só votam na situação
B) Como consequência de 1), então é também certo que negros não votam no Serra (daí o comment #64)
Mas essas são reificações acessórias. Urdidas em mutirão na caixa de comentários. O mythos mesmo naturaliza outro ponto:
C) A classe C é moralmente superiora às classes A e B.
Deve ser esse o último ponto que incomodou o Nélio, viu Fábio Carvalho (#58)? (Esse dado eu também encontro no IBGE?)
Luiz em setembro 26, 2010 8:54 AM
#83
"Antes que apareça algum outro lembrete do tipo, note-se que o texto não faz absolutamente nenhuma generalização sobre São Paulo. O texto relata de onde era a família, só isso.
Acho que os leitores brancos paulistanos tão ansiosos por diferenciar-se da família descrita no post deveriam refletir um pouco sobre a origem dessa ansiedade, antes de passar lição anti-generalizadora a um post que não os incluiu em generalização nenhuma."
Idelber, meu querido. Tem que assumir a paternidade da criança.
Tá muito cedo para se fazer exegese.
Mas desconfio que os leitores do blog acostumados a ler, sei lá, Plotino, não teriam muita dificuldade em apontá-las.
O seu texto funciona justamente porque generaliza.
Luiz em setembro 26, 2010 9:17 AM
#84
Luiz, não me dei ao trabalho de responder se sou negro ou não, porque me pareceu que o verdadeiro preconceito, enrustido e subliminar, estava aí. Se sou negro, eu deveria ser rancoroso e em eterna vigília, algo assim como um pantera negra em potencial, e sempre conhecedor dos limites que a sociedade me impõe. Essa "estória", como bem foi dito num outro comentário, se presta a uma propaganda política muito mau disfarçada de um certo redencionismo predigalizado pela ascenção do governo petista, algo digno à mentalidade ainda em desenvolvimento de nossa latinoamericanidade. Tem sempre alguém com credenciais maiores do que a nossa. Aqui na minha cidade, um delegado estrelinha caçou confusão com um carinha numa boate e deu sua carteirada. Mas o carinha, insuspeitamente, arrancou a sua carteira: era juíz federal.
nélio em setembro 26, 2010 11:46 AM
#85
Seu Fábio Carvalho, nem vem, sou tricolor porém ateia!!! Um abraço, saudadeª
marinildac em setembro 26, 2010 1:05 PM
#86
"Se sou negro, eu deveria ser rancoroso e em eterna vigília, algo assim como um pantera negra em potencial, e sempre conhecedor dos limites que a sociedade me impõe":
Essa sentenca o prova: voce NUNCA foi preto, meu caro. Voce eh paulista, como poderia ser preto?
Ivan Moraes em setembro 26, 2010 1:16 PM
#87
"O mythos mesmo naturaliza outro ponto:
C) A classe C é moralmente superiora às classes A e B.
Deve ser esse o último ponto que incomodou o Nélio, viu Fábio Carvalho (#58)?":
Uma tolice a prova de canhao, Luiz. Entao se nao um autor nao tiver explicitamente escrito que nao esta dizendo que a classe c eh melhor nem pior que a classe a entao esta provado que ele esta dizendo que eh?
Ivan Moraes em setembro 26, 2010 1:22 PM
#88
Não precisa nem ligar os pontos, Ivan.
O texto explicitamente alfere valores ao signo.
Os babacas do aeroporto são os 4% do Brasil que perdeu.
Na verdade o texto faz bem mais do que isso. Num procedimento mágico faz generalizações classistas, raciais, políticas, etc, etc.
Faz um esforcinho aí, Ivan. Não precisa nem fazer um counter-reading para ver isso.
Luiz em setembro 26, 2010 1:38 PM
#89
Pô, o que vocês queriam? Que o Idelber e seu amigo dessem uma surra na família? O ponto central é que nossa elite esnoba nossa "ralé" mas aceita qualquer tipo de insulto dos gringos de olhos azuis, mesmo quando esse gringo tem a aparência do Idelber (mal aí).
André em setembro 30, 2010 11:43 AM
#90
Seu amigo fala diversas línguas e vc fala inglês fluentemente... e viaja para o exterior. A imensa maioria da classe C não viaja para o exterior, e os poucos que realizam isso não deveriam ser tratados como coitadinhos. Você deve ser de uma família burguesa para "falar inglês desde criancinha", pois a nova-classe C não anda nadando em dinheiro para pagar boas escolas particulares e cursos de inglês. A família paulista dos 4% não deve ser tão 4% assim, pois não estaria trazendo tantas compras, como uma tostadeira por exemplo. Se eu pudesse ir a Miami, e olha, quem dera eu fosse da classe "C que viaja pros EUA", eu gostaria de trazer um "George Foreman Toast" por menos da metade do preço da mesma aqui na Taxalândia brasileira. A família dos "coitadinhos" pra quem você e seu amigo pagaram uma cerveja e refrigerante (eles estavam passando fome?), deveria LUTAR, pois se estivessem incomodados com o "olhar preconceituoso" da família branca que fossem lá tirar as devidas satisfações. Mas não... um Zorro e seu companheiro de aventuras apareceram para tirar sarro dos brancos abastados abestados... Mas a zombaria deve ser uma arma e tanto hoje em dia, vide Tiririca e outras aberrações da política atual.
Mas se você se realizou com sua Vingança... saiba que preconceito no Brasil não é praticado só pelos 4% mais rico, preconceito tem em toda classe, em todo lugar.
Boa sorte no seu próximo causo... e evite tratar os outros como coitadinhos, pois isso tira a força de lutar por si mesmos.
Nelson G. Manoel em outubro 2, 2010 3:09 PM