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domingo, 26 de setembro 2010

Em Miami, olhei nos olhos do Brasil que perdeu (parte 3, final)

(se você caiu aqui do nada, leia primeiro isto, depois isto e aí volte).


--Is that a soccer jersey? era uma pergunta simples de se responder, mas o garoto não resistiu: começou a tentar recitar as glórias do Tricolor do Morumbi que, sabemos, são muitas. Ele não havia chegado à terceira palavra quando o pai e a mãe interromperam o que faziam para acompanhar a conversa do filho com o “americano”, com aquela cara radiante e subserviente só encontrada na República Morumbi-Leblon e nos ladinos da América Central. Ele não havia chegado à quinta palavra quando eu subitamente lhe dei as costas, como se ele não existisse, e passei a conversar de novo com L.T., que a estas alturas já havia sacado qual era a brincadeira. Enquanto o garoto ainda balbuciava e os pais nos olhavam, à espera de atenção, eu disse a L.T.:

-- Die Schuhe. Sag etwas über die Schuhe.

Meu alemão falado é horroroso, péssimo, capenga mesmo. Mas L.T. é generoso comigo sempre que—em geral animado por umas biritas—resolvo praticar um pouco com ele, que tem proficiência nativa. A mudança de língua ali tinha a função de garantir que os membros do Brasil dos 4% não entendessem que a senha agora era uma gozação aos mocassins. Emendando de bate-pronto, com os burgueses paulistanos ainda sem entender por que eu havia feito uma pergunta e lhes dado as costas, L.T. dirige um olhar ostensivo aos mocassins do sujeito, escandalosamente aponta com o dedo, vira em minha direção e diz bem alto:

-- Who wears mocassins with golden chains around them? For God's sake, where did those come from?

Eu nem precisei fazer força. O entusiasmo de L.T. era tal, sua gargalhada-Sílvio Santos tão contagiante, que eu também terminei rindo com vontade. De vez em quando, dirigíamos o olhar a eles, para que ficasse bem claro que era deles que estávamos rindo. Agora sim. Não sei se compreenderam a frase, mas com certeza começaram a entender que estávamos tirando um sarro.

Nessas horas você vê a natureza essencialmente colonizada da República Morumbi-Leblon. Se estivéssemos fazendo a mesma coisa na condição de brasileiros, a pancadaria já teria comido solta no Aeroporto de Miami. Se estivesse acontecendo em português essa brincadeira idiota (sim, sim, reconheço, era uma brincadeira babaca, grosseira e esnobe a que fazíamos, mas lembrem-se, aqueles sujeitos passaram um bom tempo ali humilhando uma família negra), a reação com certeza teria sido outra. Como éramos “gringos”, o olhar deles era simplesmente aquele sorriso meio sem graça, impotente.

A brincadeira ia encaminhando-se ao seu final, mas ainda faltava o golpe de misericórdia. Dirigindo-me ao pai da família, soltei a pergunta:

-- Where are you all from?

Essa ele me respondeu de bate-pronto:

-- Brazil.

Era a senha de que eu precisava:

-- Oh, Brazil! Do you know Sancho Santos, by any chance?

Aqui cabe uma explicação. “Sancho Santos” é uma criação da banda de rock da Carolina do Norte, Southern Culture on the Skids. A canção, se não me falha a memória, intitula-se “Viva de los Santos”. A gozação feita pela banda em seus shows alude à total ignorância do estadunidense médio acerca de tudo o que está ao sul do Rio Bravo. Sempre que se encontra com alguém da América Latina, o personagem pergunta: como vai o Sancho Santos? Em outras palavras, a banda sugere que para o gringo médio, México ou Uruguai, Honduras ou Brasil, é tudo Sancho Santos.

Evidentemente, não há nenhum Sancho Santos para se conhecer no Brasil, mas o sensacional é que sempre que você encontra a burguesia colonizada brasileira e pergunta, em inglês, pelo Sancho Santos, eles dizem que ele vai muito bem. Não falha nunca.

-- How's Sancho Santos doing?

-- He is fine, he is fine.

L.T. já estava tendo convulsões de gargalhadas. Enquanto ele ria e preparava a facada final, eu dava as costas à família racista e me dirigia agora aos meus conterrâneos, falando com eles em tom de voz bem baixo, inaudível para a turma que estava do outro lado:

-- Boa noite, pessoal, vocês são de Minas, não são?

-- Somos, como você sabe?

-- Eu reconheci o sotaque. É parecido com o meu, sacumé. São de Belo Horizonte?

-- Sim, de BH.

-- Eu sou da Cidade Nova, e vocês?

--- Pertinho! Do Caetano Furquim.

Sim, leitores, no Brasil de Lula existem famílias do Caetano Furquim viajando ao exterior.

-- A gente viu o que estava acontecendo aqui. Queria ser solidário. Ainda faltam duas horas e meia para o voo. Eu conheço um bar/restaurante cubano aqui ao lado, muito bom. Eu e meu amigo queríamos convidá-los para tomar uma cerveja, dar um refrigerante aos meninos. Vamos?

-- A gente tem medo de perder o voo, somos novatos.

-- Deixem com a gente, não tem perigo. Tem muito tempo. É bobagem ficar em pé naquela fila que fazem, não faz diferença.

Do lado de lá, eu ouvia um L.T. ainda gargalhante dizer:

-- That's funny. I always thought that Sancho Santos didn't exist. But maybe he does.
[engraçado, sempre pensei que o Sancho Santos não existisse. Mas talvez ele exista].

Falando agora bem alto, em português, para que a família de racistas me ouvisse, eu disse:

-- L.T., vamos ali no La Carreta tomar uma cerveja com meus conterrâneos.

L.T., cujo português, eu já disse aqui, é impecável, respondeu:

-- Vamos sim. Isso aqui já deu.

Os racistas nos olharam estupefatos. O intercâmbio em português tinha, evidentemente, o propósito de transmitir aos racistas a única mensagem que importava transmitir ali: vocês se comportam como verdugos ante seus compatriotas negros e como cachorrinhos amestrados com qualquer gringo que apareça tirando sarro de vocês. Se havia melhor maneira de transmitir essa mensagem, ela não estava disponível pra mim naquele momento. Fiz o que deu, com os recursos que tinha.

Na saída, dirigi um olhar cheio de hostilidade e desprezo aos racistas, virei as costas, peguei na mão do garoto de 12 ou 13 anos da família belo-horizontina negromestiça e nos dirigimos todos ao La Carreta, que fica a menos de 50 metros do saguão onde estávamos. Passamos uma hora agradabilíssima, em que conversamos, inclusive, sobre as semelhanças entre as culinárias mineira e cubana.

Aos racistas mais eu não disse e mais não me foi perguntado.

Não, eu não os vi dentro do voo.



  Escrito por Idelber às 08:08 | link para este post | Comentários (209)


Comentários

#1

Essas coisas a gente não pode deixar passar mesmo. Tem que ridicularizar, sem dó nem piedade.
Tenho um "conhecido" que viaja muito. De São Paulo para o exterior ou para o Sul. Não conhece e nem quer conhecer o "resto" do Brasil. Já está pensando em mudar-se para a Escócia (ele tem pedigree). Vou fazer o que estiver a meu alcance para incentivá-lo.
E os mineirim você não viu mais na viagem?
Um abraço e até dia 3, quando vamos dar o golpe de misericórdia nessa caterva.

ruy garcia em setembro 26, 2010 8:29 AM


#2

uou, mto bem feito! (que fofo : dar uns refrigerantes pros meninos, rs) (ps, olhaaaa, eu conheci um laDino certa vez)

Renato em setembro 26, 2010 8:32 AM


#3

Não acredito que você perdeu seu tempo fazendo essa brincadeirinha idiota porque suspentou que uma família mais rica estava irritada com outra. Desculpe-me, mas o mais preconceituoso dessa história é você. Se você só de olhares e de "tem gente que não se enxerga" consegue saber que há uma hostilidade classista, você já tinha a resposta do que estava procurando. A situação não está explicada direito. Por acaso a família mineira fazia algo incômodo? E por acaso a própria família mineira percebeu algum tipo de hostilidade?

Esnobe em setembro 26, 2010 8:47 AM


#4

E os mineiros votam na Dilma?

Reinaldo em setembro 26, 2010 8:48 AM


#5

Essa foi a melhor trilogia de posts de todos tempos!
Bem que esses 4% podia ficar lá por Miami...
Valeu Idelber!

Brivaldo Rafael em setembro 26, 2010 8:52 AM


#6

Demais da conta sô, faz a gente rí assim, cabra. Mermão, tô rachando os bico aqui, meu. Barbaridade, tchê, tá ligado?!
PS: em escala menor fiz algo semelhante.

Thiago Quintella de Mattos em setembro 26, 2010 9:16 AM


#7

Com esse comentário bobo, só pode se apresentar como E s n o b e. Mostre a sua cara! Não tem coragem de se identificar,esnoberasista?

Idelber, muito bom para relaxar à sete dias da eleição de Dilma.

Sonia MZ Roque em setembro 26, 2010 9:18 AM


#8

Hank ( Charles Bukowsky), o velho canalha e beberrão, certamente resolveria está história na porrada,caceteando os coitados por serem tão coitados e os malditos esnobes por serem tão pretensiosos ! Por isso ele odiava os jornalsitas e os malditos intelectuais, querem dar lição de moral em tudo...
Encerre aqui sua carreira como escritor de folhetins, ou a Globo te chama pra levantar a audiência da novela das oito !
Forte abraço !
Dilma presidente !

Marcos- RS em setembro 26, 2010 9:20 AM


#9

Fico pensando no que teria acontecido se em vez de uma família branca paulistana a família negromestiça belo-horizontina estivesse sentada próxima a uma família negronegra caeteense. Às vezes para virar carrasco basta uma vítima por perto.

Lucas Murtinho em setembro 26, 2010 9:21 AM


#10

Porra, Idelber, seu ódio de classe é maior que o da família "racista". E é claro que, ao defender a família negra sem ter sido solicitado, você deve ter considerado que ela não conseguiria fazê-lo com suas próprias forças. Way to go, justiceiro.

Rafael em setembro 26, 2010 9:30 AM


#11

Na verdade se você e seu amigo belga tivessem apenas conversado com a família que estava sendo humilhada, ignorando a outra, já teria sido bom.

Aproveitando o assunto aeroporto, alguém ai poderia me dizer por que é que as pessoas fazem fila para entrar no avião?

E, depois, fazem fila para sair do avião?

Pra mim, isso é um mistério.

aiaiai em setembro 26, 2010 9:35 AM


#12


Se você quer entender a onda de ódio que caracteriza a campanha da oposição e da mídia nas últimas semanas, basta mapear a frequência com que esses encontrões têm acontecido no Brasil contemporâneo. Afinal, a Nova Classe C começou ocupar estacionamentos e saguões de aeroportos, lugares que os 4% acreditavam ser cativos seus, propriedade sua exclusiva.


-----------------------------------

isso ressoa com os usuarios de redes sociais e forums (mais especificamente do orkut) que reclamam da 'inclusao digital' (alias, o fenomeno ate desacelerou um pouco, ja q muitos deles migraram pro facebook). nao obstante, provavelmente todo mundo aqui ja viu isso: alguem fala uma besteira em algum topico e aparecem, logo abaixo, usuarios (geralmente BRANCOS) dizendo 'maldita inclusao digital'. obviamente, quem diz esse tipo de coisa nem SABE se a 'vítima' é realmente da classe C ou D, mas ASSUME QUE O SEJA. oq importa, nesse caso, é o desgosto com que a classe media branca protesta ao ter seu santuário invadido por um recorte (social e economico) que supostamente NAO DEVERIA ESTAR ALI...

marinista em setembro 26, 2010 9:39 AM


#13

Valeu. Tudo o que posso dizer, em nome de todas as famílias brasileiras historicamente injustiçadas é: MUITO OBRIGADO!
A propósito, o jornal da Band ontem noticiou que em uma feira em são paulo estão a vender imóveis em miami. Quem sabe a população brasileira não encolhe assim uns 4% e o Brasil melhora uns 96%. Não custa manter o otimismo.
Grande abraço. Agora é Dilma!

J. Messias em setembro 26, 2010 10:22 AM


#14

Eu nunca testemunhei um lance desses em aeroporto. Possivelmente, eu teria me aproximado da família mineira e testado a possibilidade de fazer algum barraco. Porque sou relativamente hábil em fomentar mobilizações em defesa dos frascos e comprimidos.

Antes de contar minha historinha pessoal, sinto dizer que percebo uma outra coisa horrível. Trabalho com uma "classe subalterna". E eles detestam, corporativamente, os "chefes". Alguns dos subalternos estudam e fazem concurso para a mesma instituição. Quando ascendem na hierarquia, em média, tornam-se mais autoritários e arrogantes do que aqueles que sempre foram chefes. Parece que passam a descontar todas as arbitrariedades sofridas na vida. Isso é muito comum mesmo na minha experiência profissional.

Bem...

Eu tenho muitos causos de ônibus. Eu até tenho carro, mas os causos de ônibus me perseguem. E é ÓTIMO ver aquela diversidade toda. Porque tem de tudo. É um mundo: o baile to-do. Sim, já percebi esse lance esnobe de gente que não costuma andar de ônibus e um dia, por alguma razão, precisa "enfrentar" um coletivo lotado, com frenagens, bolsas, crianças chorando, gente falando aos berros no celular etc e tal. Fazem umas caras e bocas...

O causo mais legal aconteceu há cerca de um ano, em Porto Alegre, onde resido. Eu estava no ponto e a porta se abriu bem diante de mim. Sorte. Fui o primeiro a entrar. Passei na roleta e consegui me sentar. E foi enchendo. E foi enchendo. E foi enchendo. O ponto é defronte ao Pronto Socorro, então, né? Nem precisa explicar muito. Um dos últimos a subir foi um oficial da PM. Fardado. Armado.

Pelo que depreendi, ele havia pedido para que o motorista abrisse a porta no semáforo que antecede o ponto. Não teve o pleito acolhido. Logo, teve que correr um pouco e pegar o ônibus já completamente lotado. E foi para cima do motorista com toda aquela autoridade que lhe é peculiar.

- Por que não parou? Não me viu?
- Ali não é o ponto, não posso abrir a porta
- Mas eu fiz o sinal, tu me viu. Tá te fazendo...

O ônibus arrancou e a discussão entre os dois não parava. O oficial da PM dando uma de gostoso, de poderoso. Ele devia medir uns 2 metros de altura, era um armário o fulano. Aí eu comecei a bolar o meu plano (eu tenho 1,73 m e 65 quilos, risos). No ponto seguinte, a briga do oficial com o motorista continuava. E ao arrancar, já bastante nervoso, o condutor deu um tranco na embreagem. Todos os passageiros balançaram. Aí eu não me contive. Falei BEM ALTO.

- "Senhor militar. Fixado à frente do senhor existe um cartaz com um 0800 da empresa para reclamações. Abaixo dele, há uma aviso onde se lê "não converse com o motorista", lei número tal. Neste momento, além de não observar os dispositivos legais de conduta, o senhor está a perturbar a tranquilidade de todo mundo. E colocando em risco a vida dos demais passageiros, inclusive a minha. Por favor, respeite a lei".

Nossa. Silêncio sepulcral dentro do ônibus. Mas muitos me olhavam com um olhar de cumplicidade e sorrisos.

Daí, eu passei a temer que o tal oficial de 2 metros de altura descesse no mesmo ponto que eu. Era morte na certa. O cara bufava de ódio. E eu com Jesus no coração. "Pô, me ajuda aí, não deixa esse cara descer no mesmo ponto que eu. Fiz em defesa do mais fraco. Protege eu, Jesus", pensava.

O mala desceu uns dois quilômetros depois. Não sem antes anotar o nome do motorista, o número do veículo etc e tal, insinuando que faria a reclamação. Foi um alívio para mim, confesso. Imediatamente depois, o cobrador vira e pergunta.

- Se houver reclamação, tu testemunha a nosso favor?
- Claro

Daí, várias pessoas deram, voluntariamente, o número do celular. Porque também queriam testemunhar contra o oficial da PM. Viram a injustiça. E eu tenho quase certeza de que aquele oficial, um dia, foi praça.

Fábio Carvalho em setembro 26, 2010 10:24 AM


#15

A pergunta que não quer calar:
Já vi todo tipo de analise do voto nestas eleições: a questão de classe social; a questão regional (são Paulo x nordeste), até a questão racial freqüenta os debates. Mas ninguém disse nada da curiosíssima questão do gênero; sendo nosso país reconhecidamente machista porque o voto na futura presidente é, estatisticamente, matematicamente um voto masculino???? Na proporção de 53% a 48%. Ou não se pode falar do machismo como dado essencial da cultura..feminina? Ou não se pode falar do gritante reacionarismo e direitismo da mulher brasileira??? Isso ainda é tabu? Alguém pode me dizer?

A mosca da sopa em setembro 26, 2010 10:25 AM


#16

Ganhei o dia, Idelber, a semana, o mês. Esse é o tipo de "carteirada" que vale a pena ser dada. O problema é que essa gente nunca aprende. Depois da humilhação sofrida, devem ter comentado entre si: "Só podia ser brasileiro mesmo".

Bruno Ribeiro em setembro 26, 2010 10:27 AM


#17

Soninha Roque,

As identificações de internet não identificam nada, melhor é o sarcasmo.

Mostra a sua cara! Ih, senti firmeza. Será que quer me bater? Realmente deve estar muito revoltada com esses 4% que fazem pose no aeroporto e soltam frases que inegavelmente são um ataque de classe contra os indefesos integrantes da nova classe média.

Ah, então relaxa! Aliás, o post serve para relaxar? Que raios de gente medíocre relaxa com pegadinhas sem graça em gente esnobe? Tem que ser muito terceiro mundista mesmo. Depois reclamam dos playboys que se divertem tirando sarro de mendigos e prostitutas.

Ah, que isso. Nesse caso é bem diferente. Um "gente que não se enxerga" é claramente uma ameaça e claramente por questões classistas, não poderia ser outra questão de barulho, ou outra coisa que seja, ou direcionada a outrem).

Idelber, nos poupe dessas historinhas pra boi dormir. Tá tão cliché, que só faltou o "você sabe com quem está falando?" Aliás, o título poderia ser de novela mesmo! É uma saga, um épico, é a malvada casa grande sendo extirpada deste país para deixá-lo fértil para os progressistas iluminados defensores dos cidadãos de bem.

Aliás, acho que a historinha foi só pra falar que o Idelber tem um amigo belga e que fala quatro línguas. Isso já não seria um esnobismo tremendo? A zelite intelectual está tentando contar vantagem da zelite morumbi-leblon por ser mais sensível aos ranços de classe! Oh, realmente muito superior! Não seria melhor deixarmos as pessoas em paz idependentemente de suas aparências?

Concordo plenamente com o Rafael e com aiaiai. Você é preconceituoso e, se achou que a situação era chata, conversava com a família mineira. Não venha pra cima de moi com essa conversa fiada de que "Zanzando pelos aeroportos do mundo e, em especial, do Brasil nos últimos anos, aprendi a reconhecer um novo fenômeno: o olhar de ódio, desprezo e ressentimento que os membros dos 4% dirigem ao Brasil da Nova Classe C". Especialista em olhar, haha, ora veja. Vai zanzar pelo mundo e pelo Brasil então e não me amole! (A verdade é que você não me amola, óbvio que leio porque quero, é interessante ver seu ponto de vista, por mais que pareça às vezes tosco demais, seu blog é legal)

PS: "à sete" não tem crase, assim como suspeitou é com i mesmo e não com n.

Agora sim, é o fim da picada dar uma de monitor de Português. O que com certeza é um ataque à sua classe e à minha ao mesmo tempo.

Gente esnobe é outra coisa.

Esnobe em setembro 26, 2010 10:31 AM


#18

Esnobe,

Vc é aquele oficial da PM? Medo.

Fábio Carvalho em setembro 26, 2010 10:35 AM


#19

Sobre este tema, vou contar dois causos passados na Itália.
Um foi na Estação Central de Milão em 1988. No setor de informações, um garoto bem agasalhado, protegido do inverno rigoroso. Eu, atrás, com meu uniforme do restaurante onde trabalhava. O italiano dele, nenhum. E o funcionário sem entender nada, afinal o viajante falava uma mistura de portuliano e portinglês. Então, ofereci ajuda e em troca recebi um olhar de desprezo porque eu tivera a ousadia de falar em português, a língua que é um insulto para os "que viajam". O resultado? Ele saiu sem a informação, mas orgulhoso de ter me colocado no meu devido lugar.
A segunda foi em Veneza. Também no inverno, exatamente no carnaval de 2006. Falando em português na Praça São Marcos, sou interrompida por uma carioca em viagem com a filha, presente de formatura. Abraços e beijos, porque eu afogo em cada brasileiro que passa por aqui a saudade imensa que sinto daì. Pois bem, conversa vai e vem e a carioca começa a elogiar o maravilhoso carnaval veneziano, "muiiiiiiito" superior ao do Rio. Agora descrevo o cenário. Música nenhuma, um frio de rachar, um povo circulando sem a menor felicidade. E apenas para socorrer do desespero, os cliques das máquinas fotográficas em "venezianos" fantasiados exalando um penetrante cheiro de naftalina. Ah! Todos com fome e sede, afinal os poucos bares abertos cobram um preço extorsivo. Eu não me contive e soltei que ela, carioca, dizer que aquilo era bom sò poderia ser uma piada. Fui alertada por um amigo, que falando em "dialeto veneziano", me disse assim. - "Se ela admitir que aqui não é bom, como ela vai contar vantagem no Rio?" Foi então que aprendi que não importa viajar para "entender" o outro lado, importa sim ter o "poder" de estar do outro lado.

Anna K. em setembro 26, 2010 10:36 AM


#20

Por sinal, coloquei no blog uma parte da ótima série de reportagens que a TV Record, com Ana Paula Padrão, fez sobre a "nova classe média brasileira". Baseado no seu relato, coloquei justamente o vídeo que mostra uma família negra brasileira, recém-alçada à classe média, que viaja para o Exterior pela primeira vez. É muito bacana a reportagem, tem tudo a ver com o que você escreveu aqui: http://botequimdobruno.blogspot.com/2010/09/nova-classe-media-brasileira.html

Bruno Ribeiro em setembro 26, 2010 10:37 AM


#21

Trilogia completamente impagavel! Meu avo, que era mineiro de Itapecerica, dizia uma frase lapidar sobre esse pessoal dos 4%: Complexo de bate-pau!

Jose Donizete Fraga em setembro 26, 2010 10:37 AM


#22

Não, Fábio. Não sei nem do que você está falando. Você fica aí postando comentários imensos em blog dos outros. Isso é coisa de troll, né? Nem li.hehe

Esnobe em setembro 26, 2010 10:41 AM


#23

Acho que os sentimentos de igualdade e fraternidade que animam as esquerdas é que nos motivam nesses atos. Será que um dia teremos uma outra elite, expressão síntese de uma civilização brasileira?

Josaphat em setembro 26, 2010 10:41 AM


#24

Idelber, essa sua história me fez lembrar da Itália. Lá, a turma do Norte tem um baita preconceito em relação à turma do Sul; presencie tal fato enquanto fui casado com uma brasileira cuja família era oriunda do Vêneto.
Conheci também alguns colegas brasileiros que foram fazer pós-graduação na Alemanha e, lá, eram confundidos com turcos (ou portugueses); de acordo com eles, quando entravam num supermercado sempre um segurança, com dissimulação, os acompanhava.
Parece também que há um baita preconceito dos japoneses em relação aos chineses e coreanos. Li no “Psicologia de Massas do Fascismo” de Reich que, antes da segunda grande guerra, a militarista elite intelectual do Japão forjou trabalhos pseudocientíficos com o objetivo de demonstrar que os japoneses ensinaram a escrita aos chineses e coreanos. Porém, historicamente, não há dúvidas que o sucedido foi justamente o contrário.
É, parece que o preconceito é um ideológico tumor maligno na espécie humana.

Ramiro Conceição em setembro 26, 2010 10:42 AM


#25

Acho que seu conto explicitou a subserviência frente ao que alguns consideram como "modelo" e, portanto, incontroverso, bem como uma tendência a menosprezar tudo o que é nativo do Brasil, e, portanto, inferior por natureza. Este parece ser o comportamento padrão de uma certa classe média do Brasil e de um certo tipo "paulistano", em particular. Contudo, o comentário nº 09 me fez pensar: acho que é só uma questão de oportunidade e as diferenças e a necessidade de explicitá-las destacando nossa superioridade na equação, aparecem. Estas são atitudes persistentes em todas os grupos sociais ( que estamos ensinando para as crianças, infelizmente).Precisamos aprender a viver a diferença como aquilo que pode nos tornar mais completos e ricos. Moro no ABC paulista e muitas vezes fico perplexa diante de situações desta natureza: claro que a maioria só faz os comentários entre os seus iguais ( até porquê cada vez mais se escondem em suas tocas, digo, torres de marfim).Falo tudo isto, mas acho que ficaria tentada a fazer o mesmo que vc, se tivesse alguma oportunidade...

Tereh em setembro 26, 2010 10:43 AM


#26

BRAVO, BRAVÍSSIMO!!!
Não sei é o momento político, esses embates todos, mas eu lí as três partes sem esconder uma lágrima no canto dos olhos. Verdade.
Muito bom!

fm em setembro 26, 2010 10:59 AM


#27

Eu 3153 toques
Esnobe 2577 toques

Troll é 647 toques a mais (copyright Esnobe) ehehe

Fábio Carvalho em setembro 26, 2010 11:00 AM


#28

Achei ok a lição aplicada, mas também não entendi o que lhe deu objeto. Foi apenas um "olhar", supostamente de ódio?

Renato

Renato em setembro 26, 2010 11:00 AM


#29

Uma coisa que me deixou curioso foi o seguinte: como seria essa história contada pelos "racistas"? Eles diriam "vieram dois caras, começaram a falar em outras línguas, um falou com meu filho, riram da gente, e depois a gente viu que eram brasileiros. Nunca vi esses caras mais gordos. O que eles eram para rirem assim da gente? Será que acham que fizeram a gente passar vergonha?"

Sei não. Não há simplismo sociológico nessa história não?

Como já dissera meu orientador: no Brasil, não houve maturação da ficção ligada às questões sociais. E aí, esse discurso se repete como um cacoete.

Mas valeu. Eu humilho as famílias do Leblon aqui, de vez em quando.

Bruno Marcondes em setembro 26, 2010 11:03 AM


#30

Estou rindo até agora. Só podia ser sãopaulino! Torcedores desse time são acometidos de um complexo de vira-lata impressionante, tem verdadeira obsessão em reafirmar o tempo inteiro o quanto o clube é "internacionalizado". Viva o Coringão do Presidente Lula! (E meu também). Brasileiro rico é o povo mais jeca e preconceituoso do planeta, não há dúvida nenhuma. Há mais de vinte anos, quando fui aos EUA pela primeira vez, adolescente ainda, peguei um vôo de conexão em Miami para chegar em Orlando, que dura cerca de 50 minutos. Uma família americana negra entrou no avião, sentou em seus lugares e abriu um pacote desses de supermercado. Lá de dentro, tiraram uma marmitinha, uns pedaços de frango frito com cheiro forte de tempero e começaram a mandar ver. Um brasileiro sentado à minha frente, nesse estilo da família sãopaulina (devia ter o mesmo mocassim, inclusive), soltou a seguinte pérola para todo mundo no avião ouvir: "Aqui nos EUA, avião é transporte de massa, carrega qualquer um. Pelo menos no Brasil temos o privilégio de não dividir avião com pretos e pobres."
Eu tinha uns 14 anos, tímido, adolescente, ouvi aquilo quieto, enojado. Mas até hoje me arrependo de pelo menos não ter xingado o cara. Tive vergonha de ser brasileiro e falar a mesma língua daquele sujeito.

Fernando Souza Jr. em setembro 26, 2010 11:04 AM


#31

Esnobe, quem pensa no Brasil de hoje tem que assinar com psedônimo mesmo. Ler seus comentários, de longe os mais inteligentes, foi um refresco. Ganhei o dia.

nélio em setembro 26, 2010 11:15 AM


#32

Bruno, realmente a história , do outro lado contada como vc descreveu.
Mas não faltou uma informação?
Leia como tudo começou, no primeiro post';
'Decidimos nos sentar no chão, de frente para as duas famílias, e foi quando eu percebi que a hostilidade dirigida pela família branca à negromestiça não se limitava ao olhar. Acompanhavam-no com comentários do tipo tem gente que não se enxerga, feitos na cara da outra família,...'

Então faltou vc descrever o relato dos racistas assim:

-Nós estavamos aqui, nos divertindo, tirando sarro daqueles mestiços alí, e apareceram dois caras, 'começaram a falar em outras línguas, um falou com meu filho, riram da gente, e depois a gente viu que eram brasileiros. Nunca vi esses caras mais gordos. O que eles eram para rirem assim da gente? Será que acham que fizeram a gente passar vergonha?'

fm em setembro 26, 2010 11:21 AM


#33

Valeu!
Muito bom.
Estava ansioso pelo último capítulo e foi sensacional.

Geraldo Chaves em setembro 26, 2010 11:22 AM


#34

Chegou o Franklin para fazer a ronda da caixa de comentários.

;)

Luiz em setembro 26, 2010 11:24 AM


#35

E vc luiz, estea fazendo o que?

fm em setembro 26, 2010 11:25 AM


#36

Idelber, ia tentar fazer uma análise imparcial do teu infinito preconceito, mas não vou perder meu tempo.


Que estória babaca !


Esse blog já se ocupou de coisas mais importantes.

Denis em setembro 26, 2010 11:26 AM


#37

Acabei de ler, Fábio. Gostei mais da sua história. Esse pessoal que vive criando problema em ônibus é uma droga. Já não basta ir lotado, no trânsito, ainda tem gente que fica reclamando com o motorista, irritando os demais. Quando o motorista finge que não me vê, eu o ignoro igualmente. É pequeno demais para estragar minha calma. Melhor esperar.

Nunca entendi muito bem qual a posição dos ônibus em relações a policiais, bombeiros, lixeiros... Já vi mais de uma vez eles (os policias, bombeiros, ...) pegando carona fora do ponto. Não sei se é mera cortesia ou obrigação. Se for obrigação, talvez o PM até estivesse certo, mas dicutir pra quê?

Aliás, também tenho minha historinha que é bem curta (sempre que alguém diz isso é porque vai demorar). Outro dia, voltando do trabalho, estava eu no ônibus, que parou num daqueles pontos lotados de gente. Às vezes, os mendigos ou os meninos de rua tentam se aproveitar para subir pela porta de trás. Sempre que isso acontece, o motorista, em geral, explica que não vai adiante sem que a pessoa desça, demora um pouco e acaba que o mendigo ou menino de rua acaba descendo.

Mas nesse dia foi diferente. Talvez o motorista não estivesse com paciência e seguiu adiante, mesmo com o mendigo meio bêbado lá atrás no ônibus. Ah, um detalhe imprescindível estava chovendo. Tudo corria normalmente, até que o mendigo aperta a campainha. Simplesmente, o motorista ignora e segue até o próximo ponto, que era uns 500m mais longe.

Nesse espaço de tempo e de asfalto, o mendigo bêbado, começou a puxar a corda incessantemente fazendo o barulho do pi-pi-pi do sinal várias vezes e uivando (como se fosse de dor) "eu quero descer, eu quero descer, nãããaaaoo, nããããaooo" e começou a choramingar como se fosse o Chaves.

Ao chegar o próximo ponto, o motorista abre a porta para que o mendigo saísse e aquele tormento auditivo acabasse. O clima já estava pesado, com todos os presentes incomodados. O motorista resmungava que ele tinha que dar uma lição no mendigo, que o mendigo sempre fazia a mesma coisa...

E embora não tenha tido tanta dó do mendigo, pois pensei talvez ele tenha choramingado e berrado tanto de desespero apenas porque estivesse bêbado. Não tinha como achar aquilo a mais completa humilhação do ser humano que já presenciei. O que custaria abrir a porta? Por que fazer isso? Que mesquinho poder um motorista de ônibus se arroga para fazer isso com um mendigo? E justamente ele exerceu essa injustiça apenas porque o outro era mendigo? Que pena da situação humana.

Apesar da minha consciência já estar atravessada, como não sou de lutar por causas nobres, mas perdidas, acabei não falando nada (sim, sim, os esnobes são preguiçosos, também somos humanos). A resposta ao motorista, entretanto, foi imedita. Uma mulher inconformada começou a reclamar que se não quisesse levar o mendigo não tivesse saído do ponto onde ele entrou. Que fazer aquilo era uma falta de caráter. Ou seja, tudo que deveria ser dito e isso foi um alívio. Enfim, a história acabou. Reflitam sobre ela ou não, mas foi muito ruim presenciar isso.

Sim, gente esnobe também anda de busão, por que não? Não é como esse picaretas que ficam relatando suas viagens à Itália, à França, à Alemanha, a Miami, disfarçados em contos sobre preconceito.

Esnobe em setembro 26, 2010 11:41 AM


#38

Ri demais do causo! :^D

Vejo que o que incomodou alguns comentaristas foi o troco ter sido "na mesma moeda".

A inversão de papéis é muito sensibilizadora, então pode ter esse efeito colateral de repulsa à lição.

Mas, ainda que aquela família paulistana tenha pensado "Só podia ser brasileiro...", pelo menos vai hesitar em expressar discriminação em locais públicos por algum tempo.

Hudson

Hudson Lacerda em setembro 26, 2010 11:47 AM


#39

Caro Idelber,

primeiro, parabéns pelo post. É gratificante perceber que ainda há intelectuais como você, que têm o cuidado de não se afastar de questões concretas e, ainda mais, tornam essas mesmas questões públicas, às vezes é o caso sim de se desvelar o que está aí, "implícito", mas que não é ainda objeto para nós.

Mas o que eu gostaria de comentar mesmo é que esse post culmina em uma série de desdobramentos que, não sei, talvez mereçam ser trabalhados futuramente para que as pessoas sejam capazes de entender que respeitar o outro não significa apenas ser conivente com determinadas ações, que alteridade só se forma quando os sujeitos são sujeitos no sentido forte do termo - e não apenas passivos.

Às vezes tento trazer o pensamento filosófico para a minha vida - aqui entenda-se trazer para a vida como aproveitá-lo não apenas do ponto de vista da simples transmissão - e percebo que alguns autores acrescentam e muito em determinadas situações. Esse teu post me remeteu a Gadamer e a sua idéia de jogo e, na medida em que fui lendo os comentários, me lembrei de sua teoria, principalmente na parte que ele fala que jogar o jogo é também se submeter às suas regras, é também ser punido quando se comete uma falta. Bem, acontece que esse ser punido não ocorre apenas do ponto de vista legal, não é mesmo? Em alguns casos, a mudança ocorre de maneira mais eficaz quando se trata de uma "experiência de vida" ou, como se diz popularmente, de um "conhecimento de causa".

Enfim, para mim é muito mais que uma questão de ridicularizar.

Desculpe pelo grande off-topic.

Ademonista em setembro 26, 2010 11:57 AM


#40

Difícil acreditar que alguma família na fila do aeroporto de Miami e ainda com compras tipo uma torradeira,façam parte dos 4% de nossa elite odiosa.
Muito provavelmente,o que é pior,fazem parte dos empregados desta elite,são leitores da suas revistas e jornais e,ao aceitarem passivamente o que chamam de sucesso,acabam por imitá-los.
Não devem ser zoados.Eles são os verdadeiros esquecidos,sem sonhos ou personalidades próprios.

Vladimir em setembro 26, 2010 11:57 AM


#41

MANDOU MAL, IDELBER!

Se tivesse só zoado com os caras, seria maneiro, seria muito bom. Mas, ao levar os meninos para tomar refrigerante, ao "proteger" aquela família negra, você e seu amigo belga foram de um paternalismo que não ajuda ninguém a nada. Colocar a família do eixo Morumbi-Leblon no seu devido lugar dando carteirada é manieríssimo. Mostrar como eles são profundamente colonizados - coisa que o pobre costuma ser bem menos - era o grande lance. De resto, essa família tem mesmo que sair desse tipo de situação pelos seus próprios meios - e não com a ajuda de homens brancos benevolentes. Isso que você fez, do alto do seu ateísmo, foi profundamente CRISTÃO, não sei se percebeu, e só amarra mais essa família.

O problema é que a mensagem continua sendo: vocês são pequenos e fracos e precisam que alguém os guie à luz, os proteja. Isso, Idelber, é a própria mensagem do COLONIZADOR.

Cuidado! Você fez um grande mal, pode estar certo disso, camarada. Digo isso como homem negro que já passou por situações semelhantes a essa mais de uma vez. É o tipo de coisa que não permito mais (e perdoe a minha carteirada ao fim).

Rafael em setembro 26, 2010 12:00 PM


#42

Rafael, não vi nada de CRISTÃO nisso. Só um puta de um filistinismo hipócrita. Se fizessem isso comigo, numa situação destas, eu me mostraria muito menos educado.

nélio em setembro 26, 2010 12:03 PM


#43

A todos que não entenderam essa trilogia, procurem se colocar no lugar dos debochados, apartados, segregados pelos "lindos, europeus, perfeitos e belos" do Brasil. Vale a pena gastar o tempo com isso, caso queiram discutir.

Thiago Quintella de Mattos em setembro 26, 2010 12:07 PM


#44

Idelber, vc tbem aproveitou pra se vingar do Brasileirão 77, né? poxa, nosso crime já prescreveu!!! hehehehehehe

Serbão em setembro 26, 2010 12:13 PM


#45

Thiago, todos estamos nos colocando no lugar dessa família. Não se trata disso. Trata-se de como se interpreta a situação dela. Você é lindo europeu e belo, pelo que vi na foto (o que quero dizer é que você não sofre racismo). Eu, embora tenha grana, não sou desse perfil, e já passei por situações do tipo em shoppings, lojas caras, essas coisas. Enfim, o caso é que os debochados, apartados, segregados, só deixarão de sê-los impondo-se, e não sendo protegidos pela benevolência de um outro europeu, lindo e belo (que se valeu, por sinal, do mesmo valor escroto para se impor, embora eu concorde com o autor do blog que era justificável para sacanear a família do morumbi).

Nélio, é uma postura perniciosa típica do cristianismo, sim. Aquela de se doar para ajudar ao próximo - até aí, tudo bem... -, mas colocando esse próximo abaixo numa linha de poder. Por mais que a intenção seja boa, o problema é a mensagem que fica. Foi com o discurso CRISTÃO de levar a verdade e a civilização às colônias e aos indivíduos não-brancos que, hoje, os brancos têm seus privilégios sobre os não-brancos bastante assegurados (sim, está mudando, mas falta muito). Isso é cristão, é um discurso construído com base nisso. E foi isso que o Idelber fez.

Rafael em setembro 26, 2010 12:31 PM


#46

Muito boa essa história.
Agora, o que me deixa mais puto da vida é ver brasileiro, aqui no Brasil, pagando pau para gringo e começando a falar mal das coisas do Brasil. Cara, eu fico possesso... Bando de colonizados! Todo lugar tem coisas boas e ruins, só que esses colonizados só veem as coisas ruins do Brasil. E o pior é que, quando essa gente vai para os exterior, geralmente é tratada como macaco e, mesmo assim, tem essa postura servil e baba-ovo.

Certa vez, no aeroporto de Florianópolis, eu presenciei um brasileiro falando horrores do Brasil e os gringos - alemães falando inglês - defendendo. Até os gringos estavam achando que ele estava pegando pesado! Eu nem precisei falar nada porque os alemães tinham argumentos muito fortes a favor do Brasil.

Marcos Caetano em setembro 26, 2010 12:34 PM


#47

Rafael, nesse pequeno ponto discordo: se Cristo mesmo disse para oferecer a outra face, dizer que Idelber foi cristão é dose.

Esnobe em setembro 26, 2010 12:46 PM


#48

Por causa dessa "elite" que paga pau pra qq um que fala com a língua enrolada é que o brucutu do Stallone disse o que disse. Pra um artista norte-americano com baixa auto-estima se recuperar, basta vir ao Brasil, que os babões do eixo Leblon-Jardim-Mangabeiras o encherão de mimos e honrarias. O complexo de vira-latas continua firme e forte nessa gente. Vão espernear por mais quatro anos com a Dilma!

Moco em setembro 26, 2010 12:47 PM


#49

Em minha cidade não são todos dos que eu conheço, mas alguns reclamam, pois tem dividir estacionamento, corredores e praça de alimentação em shops, temos três aqui, reclamam que encontram com estas "pestes" até em aeropoto.
A alguns anos atrás eu e muitas pessoas do meu bairro, contribuíamos para compra de cestas básicas que eram distribuidas pelos vicentinos (pessoas ligadas a igraja catolica) às familias carentes.
Já fazem quase quatro anos que os vicentinos não fazem mais este tipo de caridade, não porque o governo passou a fazer este papel, mas porque as pessoas estão trabalhando, subiram na escala social. Só não percebe que não quer ou aceita.

#Dino em setembro 26, 2010 12:48 PM


#50

Entendo sua atitude, Idelber, mas acho que eu não faria a mesmo coisa, sou muito tímida pra isso. Gostei do cena final que vocês vão tomar café. Você é ótimo escritor de novela, deves continuar.

Emília em setembro 26, 2010 12:52 PM


#51

Um adendo: ontem no programa do Serra, colocaram ele finalizando um discurso na ONU, pasmem, em inglês! E inglês claudicante, com pronúncia indigente. Tal qual FHC fazia quando discursava na ONU. Mais uma demonstração do vira-latismo da nossa "elite", que passa até por cima do protocolo diplomático pra ser bem submissa...

Moco em setembro 26, 2010 12:53 PM


#52

Aliás, aí vai mais uma provocação...
Já repararam no título desse blog? O que significa biscoito fino e a massa. Será que Idelber se considera daqueles tipinhos intelectuais comunistas (o biscoito fino) liderando a massa (nem precisa explicar).

Tá, foi só para não perder a viagem...

Esnobe em setembro 26, 2010 12:54 PM


#53

impagável , excelente Idelber! adorei que foi em três partes,mesmo endossando o coro de que foi tremenda falta de sacanagem sua.

as experiências do comentário de Anna K. ilustram ainda mais o contexto, pra quem precisa de outros exemplos para entender sobre o que você está falando.

e essa compreensão de alguns comentaristas com os patetas racistas desprezíveis, insinuando que você não tem coração? hahaha, só rindo. é ruim hein?

esnobe e nélio defendendo o indefensável com os seus "veja bem" de meia pataca. Denis, você não parece ser leitor deste blog ao fazer esse comentário, i'm afraid. humm

Bartira G. em setembro 26, 2010 12:54 PM


#54

É muito desprestígio dizer que meu comentário de não sei quantos toques seja apenas um veja bem. (Contabiliza aí Fábio!)

Ver bem é o esporte do Idelber, ver bem os olhares de ódio da nossa zelite para não ver o próprio umbigo.

Esnobe em setembro 26, 2010 1:00 PM


#55

Será que essa gente não se enxerga?

Na verdade, eles é que tem ódio das indefesas classes abastadas.

Esnobe em setembro 26, 2010 1:04 PM


#56

Tanta gente tira sua importância da desimportância comparativa do outro #coisa triste Ainda bem que eu sou diferente deles todos #escapou

Há uma Estátua da Liberdade na Barra da Tijuca e outra na Vila Kennedy (região do "além-túnel", jargão dos esnobes) #issoépogréssio

Demonstrada cabalmente a vantagem da didática do exemplo vivido sobre a didática do blablablá moralizante #sentindonapele

#voufilosofar Certos problemas têm origem social, mas quando chegam no nível individual, é cada um que tem de mudar, e não o todo #gostei

Um belga gargalhando rárrái eu pago para ver. Um 4% destratando um 96% eu pago para não ver. Vice-versa, aceito lances #quemdámais

Quem levanta o espelho merece a pedrada de quem não gostou de ser ver? #perguntaretórica

Atenuar um problema social importante focando a crítica no modo como alguém tratou dele é um artifício lógico safadinho, Esnobe #prontofalei

#fechouotempo Não pode é fechar a discussão. Brasileiro dá tudo para não "discutir a relação". Minha torradeira pelo seu silêncio #nãodámais

Mexe num sistema pra ver: aflora tudo. Lula mexeu. Interesses frustrados, espaços invadidos, juízos liberados, emoções loucas #amudançadói

Vem aí uma grande dinâmica de grupo social. E não vai ter autor de autoajuda que conserte. #vireividente

Tuiteiro sem Twitter em setembro 26, 2010 1:04 PM


#57

Idelber,

Na minha opinião, puramente literário, você deveria ter falado mais mal da família que você achou que era do Morumbi. Dados uns exemplos mais concretos de má atitude deles, pintado o diabo deles.

O que você escreveu não provocou suficiente raiva da família do são paulino. E assim, sua atitude não ficou como "vingadora da classe oprimida". Sua atitude ficou como algo babaca.

Rafael M em setembro 26, 2010 1:10 PM


#58

Muito obrigado!

MUITO OBRIGADO!

MUITO MUITO OBRIGADO, IDELBER!

Valeu a espera.

Ivan Moraes em setembro 26, 2010 1:15 PM


#59

Maldita Desinclusão Digital!

Até Tuiteiro sem Twitter aparece por aqui.

Frases soltas não fazem muito sentido. Minha lógica está corretíssima. Momento algum tentei dar uma de sabe-tudo para discursar sobre o problema social importante. Meus comentários são exclusavimente sobre o caso.


Esnobe em setembro 26, 2010 1:15 PM


#60

Ops! Falha minha(crase)

Pois é,Esnobinho, identificação,na verdade,é pra quem pode(Idelber Avelar,Sonia Roque e tantos mais).Quem sabe pra você,melhor seria Playboy e não Esnobe?

Agradeço os elogios,"medíocres"e "terceiro mundismo"

Sonia MZ Roque em setembro 26, 2010 1:20 PM


#61

Tchau, Roque Santeiro até o próximo Vale a Pena Ver de Novo!

Esnobe em setembro 26, 2010 1:23 PM


#62

Caro Idelber, tudo muito bom tudo muito bem escrito, resolvido e vivienciado. Bela a trilogia ora escrita e que merece elogios de todos os brasileiros, que de fato, batalham prá que tenhamos um país de todos prá todos.

Você juntamente com seu amigo Belga, foram extremamente felizes no mesmo ato de apoio prá com a família antes excluida e efetivamente zooooarrr e zooooar para com esses eternos neo-colonizados babacões.


Um abraço.


FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO.
OAB/RN. 7318.

FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO em setembro 26, 2010 1:23 PM


#63

"você deveria ter falado mais mal da família que você achou que era do Morumbi":

Falar mal de "elite" mijada de Sao Paulo eh redundante.

Ivan Moraes em setembro 26, 2010 1:26 PM


#64

Idelber, também não curti muito o seu relato. Gostei mais da história do busão no #14. Ao ver algo errado, gosto mais de quem vai direto ao ponto, sem meias palavras.
A vingança nos dá pequenos momentos de satisfação e grandes momentos de arrependimento.

Fernando em setembro 26, 2010 1:27 PM


#65

Eu achava q a família negromestiça entraria - ou seria convidada a entrar - na farra da zuação, e ñ q sairia da história assim, tão passiva e coitada. Isso me decepcionou um pouco.

Mas de qualquer forma o saldo da trilogia foi positivo, pois tem como mote o posicionamento ativo e a não-aceitação da injustiça, onde quer q ela se manifeste. É o q vem ocorrendo, por ex, com as novas campanhas pelo fim da violência contra a mulher. Elas instam as pessoas a denunciarem os casos próximos ao invés de ignorar a situação com a desculpa de q "em briga de marido e mulher"...

E pra finalizar, adorei o comentário 14, do Fábio Carvalho! Gostei da atitude e aquela parte do "Protege eu, Jesus" foi impagável: hilária!

@fiz_mesmo

Leticia em setembro 26, 2010 1:30 PM


#66

A elite de São Paulo pode até mesmo ser mijada, mas um fato é de dar pena: é mais fácil falar mal do que ser.

Assim como, meus nobres companheiros, é mais fácil falar mal dos EUA e simpatizar com o Irã e a Venezuela do que ser realmente digno.

Esnobe em setembro 26, 2010 1:34 PM


#67

adorei. também adorei as histórias de Milão e Veneza, do PM e do mendigo (senti raiva do esnobe até ler o caso do mendigo). vivo me desgastando na defesa de humilhados e ofendidos. aí juro que nunca mais, que vou cuidar da minha vida. até o caso seguinte. o que dá raiva é que os 96% curtem ivete "cansadinha" sangalo, o luciano "roubaram meu rolex" huck e essa ralé toda da globo. eca!

marinildac em setembro 26, 2010 1:43 PM


#68

Idelber, com diferentes pontos de vista, há um consenso por aqui;
Discriminação não bom.
Mas é curioso como há um ponto de vista que só é sencível quando a água lhes bate à bunda.

fm em setembro 26, 2010 1:46 PM


#69

Esse ponto de vista sai do cú do fm.
Sencível com c é dose!!!

Esnobe em setembro 26, 2010 1:51 PM


#70

"Sim, leitores, no Brasil de Lula existem famílias do Caetano Furquim viajando ao exterior."

Engraçado, o PT de Lula votou contra TODAS as medidas que garantiram a estabilidade econômica. E só por causa dessa estabilidade a família de Caetano Furquim pôde conhecer os EUA. Mas o mérito é do Lula, né? Tudo de bom que aocntece com o Brasil e os Brasileiros é obra do Homem, tudo de ruim veio antes dele.

Pedro Daltro em setembro 26, 2010 1:51 PM


#71

AO ESNOBE…

“Sim, gente esnobe também anda de busão, por que não? Não é como esses picaretas que ficam relatando suas viagens à Itália, à França, à Alemanha, a Miami”

Puxa, Esnobe, vejo que você sabe utilizar muito bem a crase! Neste sentido, parabéns.

Por outro lado, percebo claramente que há, em você, uma enorme deficiência em sua alfabetização sociológica. Você não sabe ler quando alguém corretamente põe o “pingo no i”.

Sim, senhor Esnobe, a atitude do Idelber foi colocar um simples pingo no “i”. Sabe por quê? Porque o “i” sem pingo não tem sentido! O “i” tem pingo, como você bem sabe superficialmente, mas não profundamente feito um ser humano.

Sabe o que fez o Idelber, Esnobe? Colocou os pingos nos “is”. Porém não em quaisquer (“como” você, Esnobe, sabe “qualquer” tem um plural complexo) “is” mas, sim, naqueles que habitam o Brasil há mais de 500 anos, numa palavra:

I N J U S T I Ç A

Ramiro Conceição em setembro 26, 2010 1:54 PM


#72

Ô, Franklin (#35)
Tamo aqui trazendo à visibilidade a diversidade do gauchiste.

Luiz em setembro 26, 2010 1:55 PM


#73

Esnobe, cu não tem acento!!!

fm em setembro 26, 2010 1:55 PM


#74

Ai, Idelber, fico até receosa em escrever esse comentário pq não quero que vc fique bravo comigo, mas sei que vc lida bem com críticas. Seguinte: gostei muito da primeira parte da sua saga. Até anotei o link pra colocar num post que estou pra escrever faz séculos, sobre o preconceito de classe de comentaristas do Estadão, que são bem esses 4% que a gente conhece tão bem. Era uma matéria do próprio jornal mostrando como, no governo Lula, os cruzeiros marítimos aumentaram muito. E quem anda em vários desses cruzeiros agora é a classe C. Vc pode imaginar o nojo que os tradicionais turistas desses cruzeiros (classes A/B) têm por esses novos turistas. É exatamente isso que vc narrou no primeiro post: “será que essa gente não se enxerga?”.
Mas aí, nos dois posts seguintes, vc adotou uma atitude bastante parternalista. Talvez qualquer interferência que nós fizéssemos (pq eu também iria querer fazer alguma coisa) fosse paternalista.
Uma das melhores disciplinas que cursei no meu doutorado era justamente sobre testemunho. A gente leu I, Rigoberta Menchu: An Indian Woman in Guatemala, e muitas discussões sobre de quem era a obra, da Rigoberta, que narra sua história de vida, ou da Elizabeth Burgos-Debray, a mulher branca que escreveu e publicou essa história. A gente leu “Can the Subaltern Speak?”, da Spivak, e “The Problem of Speaking for Others”, da Linda Alcoff. Foi um curso excelente, porque a gente teve que analisar nossos privilégios e problematizar as nossas boas intenções de querer falar pelos demais. Tudo isso veio a minha mente ao ler o seu relato. Concordo com o que seu leitor Rafael disse: sua ajuda não foi solicitada. A gente nem sabe se a família negra-mestiça percebeu que estava sendo hostilizada pela família preconceituosa típica. E, se percebeu, obviamente o ideal seria que a família negra-mestiça se manifestasse, sem a nossa ajuda. Entendo a lição que vc quis passar. Concordo totalmente que esse mesmo pessoal que gosta de humilhar seus conterrâneos mais pobres aceita ser humilhada numa boa pelos colonizadores, mas será que eles aprenderam a lição? Foi meio paternalista demais vc oferecer um refrigerante pro menino, e ainda pegar na sua mão (levar pela mão um menino de 12 ou 13 anos?! Eles gostam disso?). E também o “deixa conosco”. Vamos deixar com ELES! É complicado. Sinceramente, eu não saberia o que fazer, e sei que gostaria de fazer alguma coisa. Mas não creio que a sua brincadeirinha tenha ajudado.

Lola em setembro 26, 2010 1:57 PM


#75

Então como você usa a privada, fm? Hehe

Esnobe em setembro 26, 2010 1:57 PM


#76

E tem mais uma coisinha que é um erro recorrente nosso (digo “nosso” porque sem dúvida é meu tb): o de idealizar a classe C. O PHA já apontou que essa nova classe C não tem muita consciência política. Num futuro próximo, pode muito bem votar na direita, defender os interesses da direita, identificar-se com ela. Nada impede que essa mesma família negra-mestiça, ao chegar à classe B, se comporte igualzinho à família racista. Claro que não queremos que isso aconteça. Talvez por isso, se essa classe C agora sentir-se discriminada pela elite de sempre, e se puder se defender por conta própria, aprenda a não repetir os mesmos erros.

Lola em setembro 26, 2010 2:02 PM


#77

Está mal escrito.

Bruno Cava em setembro 26, 2010 2:07 PM


#78

Ramiro, entendo a intenção. Mas depende do caso, né? Do jeito que foi explicado não estava acontecendo nada e Idelber se meteu, achando que estava abafando. Se bobiar, a família mineira não tava nem aí e a família paulista estava falando era de outra coisa.

Tem um certo tipinho intelectualóide que tem forte preconceito contra qualquer pessoa rica. Certas pessoas jogam toda a culpa da história brasileira sobre o bode expiatório: a elite. É hora de acordar para a vida e ver que a questão não é simples assim. E pra mim fazem o tipo de coisa que Idelber fez por puro prazer de vingança contra o rancor acumulado.

Além disso, aposto que a família paulista não entendeu nada e não aprendeu nada. Tudo em vão para saciar os deboches infantis de Sr. Idelber. Mas enfim, chega de perder tempo.

Esnobe em setembro 26, 2010 2:14 PM


#79

Pois é... Ninguém sabe quais foram os assuntos conversados durante o tempo em que o Idelber e amigo confraternizavam com a família mineira. Talvez eles não fossem tão "coitadinhos" assim. Acho, que o papo deve ter sido ótimo, de iguais, com direito a culinária, inclusive. Sou e já fui muito discriminada, acreditem, por ser gorda, não me vestir muito bem e não ter uma aparência, digamos... digna da revista Nova.Pode ser muito desagradável, mas não me faz ser uma "pobre coitada". Se o Idelber fosse tão esnobe assim, não demonstraria sua reação, muito humana e comum, de mostrar como é que o * dos outros é refresco.

Flavia em setembro 26, 2010 2:17 PM


#80

Parodiando a Spivak,

"White men saving brown people from white men"?

Acho que esse nem é o maior problema do fabliau não, Lola.

Luiz em setembro 26, 2010 2:22 PM


#81

Uma das melhores coisas neste e em alguns outros blogs é o papo que rola entre os que comentam. As diferentes posições acerca de um assunto enriquecem o tema colocado, e ainda aparecem pessoas que conseguem botar a maior lenha das formas mais criativas.
Nisto o Tuiteiro-sem-twiter é impagável. Esta de dar os recados em 140 toques e tags certeiras é o máximo!
Mas acho que a novela em si rolou para um anticlímax. Foi muita espera para um final fraquinho. Concordo com as ponderações do Esnobe e também gostei mais da estória do ônibus contada pelo Fábio. E o Rafael está certíssimo.
Quanto a mim, acho que numa situação dessas eu chegaria para o meu-amigo-belga-que-fala-quatro-línguas e diria bem alto, em português: "Porra, além de estar com a bunda no chão nesta merda de aeroporto, ainda temos de ficar vendo essas babaquices? Vamos tomar uma cerveja no La Carreta que é melhor!". E deixaria o constrangimento para eles resolverem.

Lufeba em setembro 26, 2010 2:22 PM


#82

Rafael e Lola, vcs foram na mosca. O ódeio cega. Cega a família paulista, cega o Idelber.

Pedro Daltro em setembro 26, 2010 2:24 PM


#83

Correção (no) dos outros!

Flavia em setembro 26, 2010 2:27 PM


#84

Nossa, uma das piores histórias "de solidariedade' que já li, tudo maniqueísta demais, vocês posando de heróis salvadores e bonzinhos e os outros de bandidos, desprezíveis et caterva. Idelber, que decepção, você tem inteligência, cultura e muito mais jogo de cintura para fazer muito melhor do que isso. Lamento, mas achei profundamente tola sua intervenção, e há muito de pretensiosa nessa sua exibição de falante de várias línguas.
Enfim, a cada um seu gosto.
abraço,
clara

clara lopez em setembro 26, 2010 2:41 PM


#85

O problema, ao meu ver, é justamente trabalhar com idealidades (se a família sabia que estava sendo hostilizada e, se sabia, se ela saberia como se sair da situação da melhor forma, etc). A ajuda do Idelber não foi solicitada, mas alguma coisa me diz que se não intervirmos nesse mundo real - seja como terceiros ou não - o problema continua lá: "velado".

Lembrei agora do último debate dos presidenciáveis, em que Plínio afirmou estar ali representando a "denúncia". É isso.

Não há realmente garantia alguma de que a família "Morumbi-Leblon" aprendeu a lição. Mas o que garantiria? Como eu afirmei no comentário anterior, em alguns casos nem a legalidade é suficiente para promover esse mundo melhor.

Então, o que resta? Se não é a educação, se não é a lei... A denúncia me parece válida - ainda que não suficiente -, seja ela executada de que forma for, até como uma "brincadeira. ;-)

Ademonista em setembro 26, 2010 2:45 PM


#86


PS. Só agora li o comentário da Lola e concordo com todas as suas observações.
abraço,
clara

clara lopez em setembro 26, 2010 2:48 PM


#87

Classe média de Max Gonzaga


Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal

Sou classe média,
compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos” e
vou de carro que comprei a prestação

Só pago impostos,
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um
Pacote CVC tri-anual

Mas eu “tô nem aí”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “tô nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda

Mas fico indignado com o Estado
Quando sou incomodado


Pelo pedinte esfomeado
Que me estende a mão

O pára-brisa ensaboado
É camelô, biju com bala
E as peripécias do artista
Malabarista do farol

Mas se o assalto é em “Moema”
O assassinato é no “Jardins”
E a filha do executivo
É estuprada até o fim

Aí a mídia manifesta
A sua opinião regressa
De implantar pena de morte
Ou reduzir a idade penal

E eu que sou bem informado
Concordo e faço passeata
Enquanto aumento a audiência
E a tiragem do jornal

Porque eu não “tô nem aí”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “tô nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda

Toda tragédia só me importa
Quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar
Quem já cumpre pena de vida

dino em setembro 26, 2010 2:49 PM


#88

nao acham que o desconfortavel e chato desse tema é justamente ser pertinente e atual? não é uma coisa pré-revolução francesa? pré-republicana?
o que quero dizer é que: toda essa alegria pela suposta vitoria de um projeto nacional popular contido na vitoria iminente da futura presidente
nao tem um travo amargo de uma atraso de 50, 60 anos??
não sei não...acho que ainda nao veremos em nosso tempo de vida um país minimamente moderno.

Strupicio em setembro 26, 2010 2:51 PM


#89

e tem um paternalismo e condescendencia com os "pobres" que é doer né não??? tipico de outra classe moral e éticamente superior..

Tião Medonho em setembro 26, 2010 2:54 PM


#90

Caro Idelber,
Tenho um amigo que morou um ano no interior da Flórida, estudando. Pois bem, quando retornou, toda vez que o grupo de amigos se reunia, ele narrava como foi discriminado por uma atendente negra no McDonald's. Lá pela 15ª vez que ele repetiu essa história, eu perguntei a ele: "João, você foi discriminado uma vez na vida por um negro e se sentiu mal, muito mal. Tanto é assim que toda vez que a gente se encontra você repete essa história. Perfeito, mas como é que você iria agir se fosse negro e discriminado todo santo dia? Como seria multiplicar essa raiva por 365? Iria sair por aí plantando carros bomba?" Fiz ainda um breve relato sobre o documentário Olhos Azuis. Nunca mais esse meu amigo repetiu o relato. E acho que a pergunta que dirigi a meu amigo se aplica muito bem aos esnobes que acham normal discriminar os 96%, mas não se emputecem com uma brincadeira que revela sua máscara.

Patrick em setembro 26, 2010 3:02 PM


#91

Pô, Esnobe.
Lobo você foi bobiar (sic)...rs

Vânia em setembro 26, 2010 3:04 PM


#92

Digo, logo vc...

Vânia em setembro 26, 2010 3:04 PM


#93

Eu tinha que fazer a piadinha da ironia entre o assento e o acento. Foi mais forte que eu!

Esnobe em setembro 26, 2010 3:08 PM


#94

Olha, intelectualmente eu gostaria de me juntar aos que estão criticando o messianismo do Idelber, mas...

Meus sogros e genros fazem parte destes 4% e, apesar de nunca ter visto eles humilhando alguém do jeito descrito, a maneira como eles se referem entre si às pessoas das classes C e D é bem desse jeito, e, infelizmente, por causa da patroa, tenho que escutar calado.

Então, como alguém que já teve que aturar muito isso, e mandando às favas o politicamente correto, tenho admitir que você mandou muito bem, Idelber!

Igor em setembro 26, 2010 3:11 PM


#95

A Lola falou uma coisa preciosa: esse lance de pegar na mão do moleque não foi legal. Simboliza com MUITA força o gesto paternal. Pagar refrigerante pros meninos, também não. Uma família negromestiça que viaja de avião tem dinheiro de sobra para pagar seu próprio refrigerante. Ora, claro que podemos pagar refrigerante para quem quisermos, isso é bom - mas não nesse contexto.

Por exemplo, acho que ninguém gostaria de estar em um aeroporto de Miami e de repente chegasse um francês querendo pagar um refrigerante. Eu, pelo menos, me sentiria visto como um coitado e detestaria isso.

Outra coisa perigosa: nesse texto, a família negromestiça só tem direito a UMA fala, e justamente em que se mostra algo menor ("somos novatos" e tal). Ou seja, é também uma forma de silenciamento, por mais que obviamente o Idelber não tenha tido essa intenção negativa. Mas o que importa é o texto em si(tanto o ficcional, do blog, quando o real, que ficou lá naquela situação), e não a intenção por trás do mesmo, certo?

Bom, é claro que intervir quando se vê uma coisa dessas é algo positivo, sim. O problema é até onde vai a intervenção. Como eu disse, sacanear a família do Morumbi e mostra a pequenez do pensamento deles é a parada. Independentemente se a família negromestiça percebeu ou não o ato de repúdio que sofreu da família rica, se pediu ajuda ou não, colocar a família rica seu devido lugar de colonizados é o grande lance. Mais que isso, não creio.

Quando se faz mais que isso, "White men saving brown people from white men", como o leitor Luiz parodiou a Spivak, é manter o valor colonial, da superioridade do indivíduo branco, com grana, que fala várias línguas EUROPEIAS etc. A episteme está mantida. É como o sinhô que, por ser muito bom, nunca bateu nos seus escravos. Ele é bom? Nem acho que seja o caso de discutir; o caso mesmo é que continua escravizando, continua sendo racista e tudo o mais.

Uma vez vi um angolano dizendo o seguinte sobre seus colonizadores portugueses: "Aqui na terra sempre se diz que os portugueses são legais, uns kambas maneiros, que gostam de nós, e que nós gostamos deles. Olha, vou te dizer que isso tudo é verdade. Mas, no fim, é a relação do caveleiro com seu cavalo. O cavaleiro ama o cavalo, dá banho, comida, remédio e beijo; alisa a crina, faz carinho... mas é o cavaleiro em cima e o cavalo embaixo!"

É claro que Idelber e o amigo belga não pretendem nada disso, não querem escravizar ninguém nem se manter por cima, não é isso que estou falando. Mas a questão é que o racismo, nessa cena do aeroporto, só tomou outra configuração, se adaptou a uma realidade em que pretos circulam em aeroportos de Miami.

E o perigo disso, é claro, é que continua impedindo a família negromestiça de construir a sua própria cadeia de valores, que parta de si, de seus parâmetros éticos, estéticos etc (e que muitas vezes não são os parâmetros que os não-negromestiços gostariam que fossem; mas a verdade é que não têm que querer nada) para então dialogar/confrontar com os outros valores que lhes oprimem e, assim, garantir verdadeiramente, autonomamente o seu espaço de poder, discurso etc.

Rafael em setembro 26, 2010 3:14 PM


#96

Mas quem falou em pagar refrigerante? O texto não diz nada sobre "pagar refrigerante". A quem interessar possa: nós dividimos a conta.

Idelber em setembro 26, 2010 3:16 PM


#97

E realmente eu gostaria que o Rafael e a Lola tivessem tido acesso à conversa no La Carreta. Essa eu não revelo por nada, porque foi particular e isso seria trair a confiança deles. Mas acreditem: eles não eram nem um pouco coitadinhos, sabiam exatamente o que estava rolando e fizeram uma análise muito sofisticada do episódio.

Idelber em setembro 26, 2010 3:19 PM


#98

Lola #74,#76, Sim, é possível que a família mestiça não tenha tido ciência dos fatos- mas a questão fundamental é que houve discriminação. Ponto.
O fato relatado pelo Idelber, tem a ver com o que acontece entre Israel e a Palestina. Os palestinos mandam um torpedo feito no fundo de um quintal de um casebre e o exercito Israelense bombardeia os bairros com o que se tem de mais moderno em armamentos. Eles, e o mundo, chamam isso de guerra, mas se trata na verdade de agressão, desproporcionalidade.
Bem, vc pede que não nos envolvamos, ou não tem certeza se devemos ou não nos envolver nesse caso do aeroporto.
Embora sejam 4% ( creio que essa porcentagem seja apenas um símbolo, não é um dado matemático), eles sempre tiveram com eles as melhores armas. Novamente a tal da desproporcionalidade.
Vc acha mesmo justo que não tomemos qualquer atitude? Vamos deixar que eles decidam, com sempre foi?
Note o fuzue, que estão fazendo porque este governo promoveu melhorias para aquela classe.
Para mim o que o Idelber fez foi um ato simbólico; Ou votamos num proposta política que dê, e mantenha, igualdade de direitos, ou deixamos tudo como está, os personagem sociais que se virem, mesmo que históricamente os burgueses sempre tiveram as melhores 'armas'. Governo bom é aquele que não mete a mão neste balaio.

É bom lembrar, que essa história de paternalismo só é lembrada quando se trata das classes C,D,E, F etc.
As classes A e B sempre foram benefiadas pelos paternalismo dos governos.
O Idelber pode até ter errado a mão, ou a pena, no final, mas foi simbólico, lutar por direitos não é a tarefa individual de quem se sente prejudicado.

fm em setembro 26, 2010 3:21 PM


#99

Corrigindo:

"se adaptou a uma realidade em que pretos BRASILEIROS circulam em aeroportos de Miami".

Pretos americanos, creio, já os havia circulando pelos aeroportos de lá.

Rafael em setembro 26, 2010 3:30 PM


#100

Rafael (#95),

Deixa eu só deixar bem claro que eu não parodiei a Spivak concordando com a Lola. (O ponto de interrogação não foi retórico)
Acho até que a Spivak não tem nada a ver com essa estória. Respondam-me os universitários, mas o "White men saving brown women from brown men" se aplica muito forçosamente ao contexto. A Spivak não está criticando os white critics do Postcolonial theory que enxergam barbárie em coisas como o Sati Hindu?
A aplicação é incomensurada. Além do mais, querer adivinhar os gestos secretos da estória é besides the point.
Muito mais interessante é a análise do discurso urdido pelo Idelber e do mito que o sustenta.

Luiz em setembro 26, 2010 3:36 PM


#101

Idelber,

A conversa que vocês tiveram no restaurante não interessa. Isso, realmente, é particular. O que interessa é o texto. Você diz que não falou em pagar refrigerante, e sim que dividiram a conta. Mas no texto está escrito o seguinte: "Eu e meu amigo queríamos convidá-los para tomar uma cerveja, dar um refrigerante aos meninos."

Isso não é o mesmo que pagar um refrigerante aos meninos? Se vocês dividiram a conta, isso aí já é um epílogo que você só disponibilizou agora e que, novamente: não importa. O texto que ficou, tanto no blog como lá no aeroporto, foi o da manutenção de certas relações que são complicadas.

Se eles não eram coitadinhos, se eles sabiam o que estava acontecendo ou não - claro que sabiam; quem achou que não está tirando a família negromestiça por baixo; como homem negro, garanto que a gente sempre percebe, faz parte da nossa vida - novamente, não importa. Importa, por exemplo, que no texto eles só têm uma fala (ok, ok, é o ponto de vista do narrador-personagem, mas ele diz alguma coisa sobre o texto, não?)

Luiz, desculpe se entendi errado a sua paródia, mas, de todo modo, acho que ela vale para a minha leitura do texto. White men saving brown people from white man não é uma coisa legal, do mesmo jeito. SALVANDO, não é legal. Estando junto, dialogando, colaborando etc, sim, me parece legal. Claro que, a partir daí, é difícil estabelecer o parâmetro de até onde é ajudando e a patir de onde é salvando. Mas esse é um problema que não pode esgotar o assunto.

Rafael em setembro 26, 2010 3:42 PM


#102

"Eu e meu amigo queríamos convidá-los para tomar uma cerveja, dar um refrigerante aos meninos."

Isso não é o mesmo que pagar um refrigerante aos meninos?.

É óbvio que não. Se fosse, haveria que se flexionar o infinitivo: "darmos".

Idelber em setembro 26, 2010 3:47 PM


#103

Oi Idelber!!
Estou gostando da caixa de comentários, está me fazendo pensar tanto...
Parece que a linha entre "paternalismo" e "solidariedade" é difícil de definir, qual seria? Fiquei pensando sobre...
Por um lado, achar que "os brancos salvadores e bonzinhos irão salvar estes seres que não conseguem pensar com autonomia" é perigoso e tá mais p novela de época da Globo sobre escravatura e abolição do que qq sentimento de justiça ..
Não senti isso em seu post não,,,

Por outro lado, lembrei de um cartoon que vi no blog da Lola http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2009/10/algumas-contradicoes-dos-nao-racistas.html

onde aparece ("Uma história concisa das relações entre negros e brancos nos EUA", um menino branco usa um escravo, negro, pra subir numa plataforma, enquanto afirma "Isso é pro seu próprio bem". Ao chegar lá em cima, diz pro negro: "Sinto muito por ter sido racista antes. Agora não sou mais". O negro responde: "Ótimo. Você pode me dar uma mão pra eu subir?". E o branco: "Claro que não! Isso seria racismo inverso". E emenda: "Veja bem, se eu consegui subir aqui sozinho, por que você não conseguiria")

Talvez nenhum dos dois seja este caso q vc narrou, mas vejo uma diferença bem grande nestas duas situações..

Agora o que sinto, é que mesmo que a família "classe C" não solicite sua ajuda, mesmo que a fam´lia "classe C" seja constituída de pessoas arrogantes ou ruins e até mesmo preconceituosa que fosse..
Isso não tem nada a ver com o seu (e nosso) sentimento de querer fazer alguma coisa diante da situação.
O problema não é a família classe C, mas a "vingança" com a família Morumbi-Leblon.
Não é "esta" família classe C que está em jogo, é todo uma história de privilégios por detrás que merece ser denunciada. ...e como não somos perfeitos nem santos, temos que reagir nem que for na base do contra-ataque...da ridicularização...sei la´...vejo assim,,
(ex: não é porque a mulher de seu vizinho seja sua inimiga, ruim e racista que vc não vai denunciar o marido dela que cometeu violência doméstica né...)
Qualquer um, mesmo que não seja branco e poliglota poderia reagir a esta situação...este foi a "sua" maneira de lidar...percebi assim..


Sei lá, tô com a cebeça cheia pensando sobre cada situação e sem muitas respostas com os comentários da caixa...talvez cada caso seja diferente..

....maaas, dei boas risadas com o post.
( e já que ficou longo, só mais uma coisa, conheço bastante gente que não são destes 4% e são desse jeitinho q vc citou, q é uma classe média antiga, mas não chega a ser Morumbi-Leblon....:)

Abraço e desculpe ficar longo...

Má em setembro 26, 2010 3:56 PM


#104

É isso, Mari, eu também acho. A minha parada ali era com a família paulistana. Nada a ver com "salvar" ninguém. Tentar "envolver" a outra família numa briga que era só minha é que teria sido, isso sim, paternalista.

Idelber em setembro 26, 2010 4:01 PM


#105

Acho que não, Idelber. Você e e o belga estão incluídos no discurso pelo verbo querer, conjugado na primeira pessoa do plural. O verbo "dar" está na forma nominal e é auxiliar a "querer", se não me engano, formando uma oração substantiva objetiva direta. Nem é possível, nesse caso, flexionar no infinitivo: "queríamos darmos". Para isso, a frase teria que ser outra, e não é, é essa que está aí.

Ou você vai me dizer que queria convidar os pais para que eles dessem um refrigerante aos meninos? À sintaxe, faria sentido; à semântica, jamais.

Mas, sinceramente, não acho que esse seja o ponto da discussão, né?

Um abraço.

Rafael em setembro 26, 2010 4:05 PM


#106

Como alguns fizeram comentários discordando de algumas conclusões sua, poderia simplesmente ter dito que fez isso para vingar numa família o que ela teria aprontado para outra (por causa dos pais, sempre). Mas, acredito que só vencemos um adversário quando o fazemos nosso aliado. Você poderia ter montado uma estratégia onde vcs e as duas famílias fossem até o bar/restaurante cubano todos juntos. As pessoas rompem barreiras culturais quando se conhessem. Foi isso que fez do mundo uma aldeia. Lógico que o início foi com transações comerciais, mas foi um método. Você foi muito "guerrilheiro" neste momento, onde quem você não gosta deveria ser "destruído". Perdeu uma oportunidade de fazer os outros também amigos entre si e, com isso, melhorado o mundo. Você deixou uma família ignorante mal e a outra continua sem conhece-la. Quem sabe que eles, apesar de parecerem "diferentes" tinham algo em comum. Como dizem, boas intenções, às vezes, não basta. Mas é útil para se conhecer, também.

Luiz em setembro 26, 2010 4:09 PM


#107

Muito bom Idelber....Como eu gostaria de estar ali perto vendo tudo isso, ia amar...obrigada...

Júnia em setembro 26, 2010 4:13 PM


#108

Nem é possível, nesse caso, flexionar no infinitivo: "queríamos darmos".

Óbvio que não é possível, posto que você pulou, omitiu a locução verbal que é o objeto de "queríamos", ou seja, "convidá-los para tomar". "Dar" está em relação de paralelismo com "tomar".

Ou você vai me dizer que queria convidar os pais para que eles dessem um refrigerante aos meninos?

Era exatamente isso que eu queria dizer e foi exatamente isso que eles entenderam. Semântica estranha, essa sua, na qual isso não faz sentido.

Mas chega. Vou tomar minha cervejinha aqui agora, com um amigo, você pense e escreva o que quiser. Não vou continuar com essa discussão bizantina.

Idelber em setembro 26, 2010 4:15 PM


#109

#106,

Se vai assinar com o mesmo nome, pelo menos coloca mais esforço na resposta.

Luiz em setembro 26, 2010 4:16 PM


#110

Pô, Esnobe, quem é você? Tem blog, twitter? Quero te seguir.

Pô, Idelber, quanto ódio no coração de uns pobres sãopaulinos comedores de torrada!

Paulistano de Mocassim em setembro 26, 2010 4:30 PM


#111

Idelber, gosto da sua visão de mundo mas nessa atitude há uma situação maravilhosa e uma nojenta: é realmente impressionante ver como o brasileiro de classe média "B", herdeiro das famílias de migrantes que trabalharam para que os filhos estudassem, baixa a cabeça diante do estrangeiro, numa atitude de colonizado bem típica do "classe média way of life" que tem sido ensinado geração após geração a esse pessoal de cabeça pequena.

Contudo, ao qualificá-los como racistas, xenófobos e escória, você (e qualquer um que aqui está) incorre no erro oposto, o de achar que toda e qualquer situação se explica pela luta de classes, e de que essas pessoas deveriam ser defendidas de alguma coisa. Ora, a classe C que você defende está em Miami porque ela aspira justamente a ser a classe B que discrimina porque acha que seu conhecimento vale alguma coisa; eu sei, pode ser que essa postura do "socialismo classe-média" tenha até valido a pena, mas tenho muitas controvérsias se alcançou algum objetivo a não ser fazer com que você se sentisse vingado pela eterna briga da luta de classes no Brasil.

Afinal, a atual classe B (justamente a que mais dá nojo) é filha dos imigrantes que aspiravam chegar a ser uma elite; e foi justamente por entender que a classe C queria chegar a ser B que Lula venceu duas eleições e que Dilma será a primeira mulher presidente do nosso país.

Fábio Peres em setembro 26, 2010 4:33 PM


#112

O meu comentário não acrescenta muito, já que o meu ponto de vista já foi formulado pela Clara (#95). Só queria acrescentar que, como negra (tb. tô dando carteirada), me senti muito mal. O que fica do texto é esta impressão de "o sinhôzinho intervindo numa discussão entre os riquinhos branquelos antipáticos, para ajudar os pretinhos, esses coitadinhos"; que não tem capacidade de resolver seus problemas sozinhos e precisam da intervenção de outros branquelos -pero simpáticos- gringos e plurilíngues.

Felicia em setembro 26, 2010 4:37 PM


#113

À VITORIA EM 3 DE OUTUBRO...


SETEMBRAR
by Ramiro Conceição


Setembro os sonhos de Agosto
em livres Outubros - da gente!
Setembro sem data póstuma,
sem qualquer parada pública.

Setembro finados tomando um porre:
não há data oficial para quem morre!
E estou farto desses nosso natais
e dos nossos chacais de Dezembro.

Setembro no presente indicativo,
não no melancólico vocativo,
Ah Setembro!

Sim,
eu setembro, pois celebro as flores
do Sul
em vindouros Janeiros florescentes.


O SUBLIME DO SER
by Ramiro Conceição

Quero aquele que sei ser;
não o quê me fizeram crer.
Nascer, madurar e morrer
- eis o sublime do ser:
cada qual com a sua altura
digna da sua envergadura!

Não são assim os montes
e também os horizontes?!


ASA
(Associação dos Sonhadores Anônimos)
by Ramiro Conceição


Só por hoje
eu acredito
no acalanto
das mães...

Só por hoje
eu acredito que
não há racismo
e a nossa justiça
não é constituída
por canalhas...

Só por hoje
eu acredito
que a Terra é indivisível
pois não somos donos
Dela; mas ao contrário
pertencermos ― à Ela
(como sabe à cores e de cor
cada aborígine da Tasmânia)!

Só por hoje
eu acredito
que a teologia, a filosofia,
a ciência, a tecnologia,
a arte e a alegria são partes
da política à sabedoria,
à liberdade humana...

Só por hoje
penso-sinto que o amor venceu;
e que, realmente, não estamos sós
pois o seu inverso não tem sentido
nem aqui, nem ali - pra além do Sol.

Só por hoje
eu acredito que o sagrado seja essas mulheres
a ensinar, umas às outras, a arte de amamentar.

Ramiro Conceição em setembro 26, 2010 4:37 PM


#114

Sim, Idelber, eu entendi, mas esse paralelismo não faz nenhum sentido, e por isso acho que a semântica, no texto, se sobrepõe à sintaxe e me faz ler que a tua ideia era pagar um refrigerante aos meninos. Qual o sentido de você convidar um pai a dar um refrigerante ao próprio filho, sem sequer conhecê-los?

De toda forma, concordo contigo, é uma discussão bizantina. Eu, no caso, já estava tomando minha cervejinha.

Mas o que eu e outros falamos se mantém, para nós, independentemente da questão do refrigerante. Continua existindo, em nossa leitura, o paternalismo, a mão dada etc.

Rafael em setembro 26, 2010 4:45 PM


#115

Finíssimo, Idelber! Você orgulha a raça dos brasileiros sem-mar!

Leider Lincoln em setembro 26, 2010 4:49 PM


#116

Meus pitacos nada elogiosos.

1 - como narrativa, é fraca. melodramazinho de 5a. tem dois justiceiros do bem, a família preta e pobre que faz o papel de vítima(aqui tratada como negromestiça e classe C, o primeiro para ser politicamente correto, e o segundo pra exaltar o governo Lula), e os vilões. cheio de clichê. só faltou dizer que o garoto são paulino usava nike e tinha sardas ruivas. tanto clichê que soa até inventado, ou fantasiado em excesso;
2 - os to be continue não servia pra nada. o único suspense é como os esperto no aeroporto vão ferrar os babacas. a história não tem surpresa nem virada que justifique o gancho. se os pobres negros (ops, negromestiços classe C) tirassem umas garruchas e saíssem atirando como num filme de tarantino, aí os ganhchos tinham alguma razão de ser;
3 - o autor paga pau umas dez vezes pra genialidade e simpatia de seu amigo belga e ainda critica a subserviência dos brasileiros ao estrangeiro. mas na própria história ele faz isso!
4 - paternalista até o fio da medula. O herói pega a criança preta e pobre (ops, negromestiça e classe C) pela mão depois se vencer os vilões. Pô, Idelber, que força pra passar imagem de bonzinho, hein? Cara, como você é bacana! Ficar lendo isso na caixa de comentário realmente é importante pra você?
5 - no fim, mesmo com toda a lição de moral, você e um gringo humilharam um garoto só porque ele é da elite, porque é paulistano, porque torce por São Paulo ou seja lá o que for. Talvez o "crime" do menino seja ter pais idiotas, mas até aí todos os filhos admiram e copiam os pais. O garoto precisa de orientação - o bullyng seu e do seu amigo belga gênio só vai recrudescer sua raiva. parabéns por estimular os conflitos. é isso que fazem os sábios que falam 4 línguas, inglês impecável e arranham no alemão (oh, como ele é humilde). na história toda, amigo, sinto lhe dizer mas o mais elitista foi você e o belga.

Carlos Bicalho em setembro 26, 2010 4:52 PM


#117

Idelber, os argumento contra são tão finamente convincentes, que começo a pensar que vc realmente é um canalha elitista. #decepção!

fm em setembro 26, 2010 5:02 PM


#118

Franklin,

Volta daqui a uma horinha para patrulhar o perímetro.

Luiz em setembro 26, 2010 5:09 PM


#119

Idelber, uma coisa há de convir: esse texto serviu para arejar um pouco essa caixa de comentários. A turma da pagação de pau constante já estava tornando ela intragável. Essa sensação de unanimidade já estava ficando monótona, pra não dizer ridícula

Denis em setembro 26, 2010 5:12 PM


#120

caramba, é muita "cabeçudice" e pouco senso de humor nessa caixa de comentários, hein? mas já que a geral transforma tudo em colóquio acadêmico, uma pergunta: é impressão minha ou esse clichê-curinga da spivak se tornou um recurso pra neutralizar qualquer forma possível de empatia entre sujeitos que, em determinadas circunstâncias, ocupam posições sociais distintas? será que não é possível perguntar pelo que aproxima os professores e a família mineira, para além de suas diferenças? não seria uma perspectiva excessivamente economicista assumir uma necessária equivalência entre os intelectuais e os grã-finos? e se admitirmos que sim, que é unicamente a questão econômica que deve guiar o nosso modo de perceber a situação, por que então tanto pudor em admitir que há sim, no brasil e no mundo todo, ódio de classe?

talvez exista algum tipo de moralismo no relato do idelber, mas acho mais moralista ainda essa aversão a qualquer manifestação explícita de hostilidade que seja dirigida aos esnobes.

pronto, a essa altura eu também já perdi meu senso de humor...

fabio em setembro 26, 2010 5:12 PM


#121

Ok, e continue atento Luiz, e ñao se esqueça de conferir se eu estive aqui.

fm em setembro 26, 2010 5:13 PM


#122

Realmente, Franklin! Vai estudar um pouco...

Paulistano de Mocassim, autógrafos e comissões só depois do show. Aliás, tenho que arranjar uma socialite pra você. Andar com uma tigreza (oncinha) ao lado tira toda a pose. Com uma socialite, seria só você respirar o mesmo ar da família classe média que você receberia um shot do nosso herói chapolin vermelho: Idelber!

Sim, os argumentos são tão finamente elaborados que o autor fez simplesmente um en passant e pulou de assunto! Tudo resolvido.

Esnobe em setembro 26, 2010 5:16 PM


#123

Denis, aqui a gente não censura comentário não, bicho. A não ser coisas absolutamente impublicáveis por motivos legais. Ao contrário do blog do Alon, que "seleciona" os comentários que vai publicar, ou do Reinaldo Azevedo, que só publica elogio, aqui a gente publica tudo.

Se havia sensação de unanimidade, ora bolas, é porque havia certa unanimidade entre quem lia o blog. O que não é "ridículo": é só uma consequência da campanha eleitoral. Estamos em campanha, e este é um blog lulista.

No momento em que o tema do post saiu um pouco da campanha, manifestou-se de novo a pluralidade que sempre foi parte da caixa de comentários. É só consultar os arquivos para ver. Abraços.

Idelber em setembro 26, 2010 5:16 PM


#124

Esnobe, tigresa é com 's'

fm em setembro 26, 2010 5:28 PM


#125

Aê, anda estudando fm.

Esnobe em setembro 26, 2010 5:31 PM


#126

Agora só falta sequestrar alguém para ser Ministro.

Fabio, não reclame de falta de humor.

Aliás, vangloriar-se por ser o herói do non sense é super hilário. Acho que o Idelber é um daqueles que se alguém virasse para a Solange (esnobes também vêem BBB) e dissesse "sua pobre, você não sabe cantar em inglês, poupe meus ouvidos do seu iarnuou!" isso seria um crime.

Esnobe em setembro 26, 2010 5:33 PM


#127

Idelber, muitas das minhas opiniões já foram contempladas em outros posts, então vou resumir o meu a uma indicação de livro que brilhantemente versa sobre relações de raça e classe nos primórdios do Brasil, sem falar no primor literário que é esta obra: Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves.

eu sou neguinha em setembro 26, 2010 5:34 PM


#128

O Sr. Idelber só deve falar mesmo a seu grupo de 300 leitores aficcionados, elogiosos e ufanistas. Para quem não o segue, mas vem aqui uma hora ou outra, sobra a capacidade de ver com abrangencia suas estoriazinhas de farwestern moralista. Num post manda os evangelicos para a pqp, afirmando que não se deve ter paciencia com cristãos não senhor; em outro post, já que as convenções lulistas apontam para a tolerãncia dos asseclas do Edir Macedo, faz uma apologia da liberdade de credo. Assim fica facil e sintomatico: basta ao dono do blog sua satisfação masturbatória de ser o apregoador da verdade para uma turma miúda de seguidores.

nelio em setembro 26, 2010 5:37 PM


#129

caramba, felicia, essa me doeu. devemos enterrar a solidariedade num buraco porque é salvacionista? e viva a indiferença diante do racismo, é isso?

que cansaço disso tudo...

marinildac em setembro 26, 2010 5:46 PM


#130

Depois do post, depois dessa longa caixa de comentários reflexivos, leio o comentario do nelio então, sinceramente, desisto!

EFETIVAMENTE, O IMPORTANTE É VENCER A ELEIÇÃO DE 3 DE OUTUBRO. Depois a gente conversa...

Ramiro Conceição em setembro 26, 2010 5:54 PM


#131

"A elite de São Paulo pode até mesmo ser mijada, mas um fato é de dar pena: é mais fácil falar mal do que ser":

Os "que eram" estavam carregando seu trumfo planetario, uma torradeira de 40 dolares, como bagagem de mao em um aeroporto internacional.

Ivan Moraes em setembro 26, 2010 6:09 PM


#132

Hahahahahaah! Carlos Bicalho, só agora li seu comentário, meu irmão. Matou a pau. Nem a policia do blog (fm franklin) pode acusar de falata de humor. Tõ morrendo de rir!

nelio em setembro 26, 2010 6:11 PM


#133

"no fim, mesmo com toda a lição de moral, você e um gringo humilharam um garoto só porque ele é da elite, porque é paulistano, porque torce por São Paulo ou seja lá o que for":

Qual parte da discriminacao contra uma familia de nao-brancos voce nao entendeu, Bicalho?

Ivan Moraes em setembro 26, 2010 6:12 PM


#134

Espetacular! Uma lição de moral e tanto, Idelber.

Luiz Alberto Pandini em setembro 26, 2010 6:22 PM


#135

Só uma coisa me intriga:
Como é que você sabia que eram paulistanos?
Já sei!
Deduziu pela camisa do São Paulo.
Mas... há outros brasileiros que torcem para o time do São Paulo... e agora?
A unica coisa que vi nos seus textos, é o mesmo preconceito dos racistas , em relação aos mestiços, destilado por você em relação aos paulistas.
Fiquei frustrado agora, pois sempre achei você um progressista e vejo que me enganei.
Foi um post infeliz este.

TAPADO em setembro 26, 2010 6:31 PM


#136

Nelio, sem acento, é o seguinte, eu ainda não lí o comentário do Bicalho, mas segundo seu depoimento o acuso por suposta deficiência de humor. Tentativas de gracinhas por aqui não compay. E vâmo circulano!!!

fm em setembro 26, 2010 6:33 PM


#137

Acho que vocês estao fazendo um cavalo de batalha de um mero "BLU" (o da máquina da piada... rs, rs). Nem vejo essa historinha como um ato de intervenção diante de uma injustiça nem como um ato indigno de paternalismo. Apenas como aquilo que Monteiro Lobato chamava de suas "vingancinhas", os pequenos prazeres de se vingar de coisas que na maior parte do tempo nos irritam. Ele fazia isso na obra infantil, ridicularizando certas coisas por meio da fantasia.

Um pequeno exemplo, o besourinho orador de Reinações de Narizinho, super chato, que a Emília chamava de Fazedor de Discursos. Se a gente lê o livro como adultos vamos rir ao ver que está dito que o besourinho era do Instituto Histórico Geográfico.

Anarquista Lúcida em setembro 26, 2010 6:37 PM


#138

Não tenho como discordar das críticas em relação ao paternalismo explícito no caso, e se um barbudo e um belga aparecem no aeroporto convidando pra tomar um refrigerante com o meu filho (e pegando em sua mão!) eu ia achar até mais incômodo que a hostilidade de uns manés.

Pepino, o Breve em setembro 26, 2010 6:37 PM


#139

fm, tu tens uma fixação calipigeana por acentos. Sem sorrisos, então!

nélio em setembro 26, 2010 6:40 PM


#140

Anarquista, então tudo se resume a ler essas tres histórias como algo de uma infantil simplicidade. Concordo.

nélio em setembro 26, 2010 6:43 PM


#141

Tapado, foram os ferormônios, aqueles do Diego Escosteguy na matéria da VEJA. O Idelber se especializou nessa técnica, porque ele não queria deixar o inimigo em vantagem tecnológica.

fm em setembro 26, 2010 6:47 PM


#142

Idelber,

Você deu uma de Sinhozinho Paternalista de Esquerda. Vai me desculpar...
Só faltou a coleira pra levar os coitadinhos pra tomar refrigerante, no final Idelber lhes acenou com uma carta de alforria.

"Ai, Nonô"
"Cala a boca, besta"

Impressionante como você estampa com orgulho a foto de Dilma em seu blog, na época em que a moça queria transformar o Brasil numa imensa Cuba, cuja culinária você adora. Coelhos, talvez.
Pena que não adora o povo. São negromestiços que não podem viajar pro exterior, não é mesmo?

Que empresário brasileiro, entre os odiados 4%, lamenta que uma nova classe ascendente compre seus produtos? São burros os donos de companhia aérea que lucram com as viagens dos negromestiços? Ou as passagens vieram no pacote de milhas do Bolsa Família? Os empresários querem que seu negócio diminua? Seu domínio da economia parece ser inferior ao da língua alemã: ignorância especializada no assunto.

Pra não falar no seu brutal preconceito de classe, DEMENCIAL, que julga as pessoas pelas roupas (muito mais nobre do que julgar pela raça, não?)

A propósito, seu amigo belga, que se comunica com você em 4 línguas (inglês, espanhol, português...a quarta deve ser um assobio dele, "levanta Idelber", "finja-se de morto", "rola no chão", "pega um biscoito" dado seu nível de bajulação próprio de socialites deslumbradas) topou entrar nessa brincadeira idiota por não ter o que fazer. Idelber dá a deixa em alemão pro amigo belga, de fraque e cartola, tirar sarro do mocassim...Um jogral dos irmãos Marx...

O faro do cachorrinho do belga para identificar injustiças parece ser infalível. Fareja a raça, a roupa, o time, o monoglotismo, a renda e pronto. Está estampado o mau-caratismo alheio! Prova inconteste. É um escoteiro, um campeão das causas progressistas. Um herói.

Nunca vi tanta imbecilidade na minha vida.

Pierre em setembro 26, 2010 6:47 PM


#143

Não, Pierre, não vou rir. Vou segurar mas não vou acender agora, na boa paráfrase daquele outro negro conterrãneo meu (que deve se submeter também a proteção de catedrádicos super-heróis nos aeroportos). Mas...não tá dando para aguentar. Vou desligar o micro e dar aqueeeeeela gargalhada prazerosa, sem as vistas do franklin.

nélio em setembro 26, 2010 6:56 PM


#144

Ok, nélio, sem sorrisos, mas com os devidos acentos, por favor

fm em setembro 26, 2010 6:58 PM


#145

"A propósito, seu amigo belga, que se comunica com você em 4 línguas (inglês, espanhol, português...a quarta deve ser um assobio dele, "levanta Idelber", "finja-se de morto", "rola no chão", "pega um biscoito" dado seu nível de bajulação próprio de socialites deslumbradas) topou entrar nessa brincadeira idiota por não ter o que fazer." HAHAHAHAHAHAHAHAH
Desculpe, fm.

nélio em setembro 26, 2010 6:59 PM


#146

Parabéns ao Carlos Bicalho comentário 116

Tex em setembro 26, 2010 7:01 PM


#147

Tá perdoado, não ví a menor graça

fm em setembro 26, 2010 7:03 PM


#148

Eu entendo o questionamento de alguns sobre a certeza de que a familia paulista estava sendo hostil com a outra, porque é uma situação que PARECE sutil e difícil de provar. Mas quem já viu isso ao vivo, como eu no shopping higienópolis, sabe que esse tipo de coisa é bem menos sutil do que parece num texto, até porque a perua QUER que você perceba, talvez pra que "intruso" se toque e se coloque no seu devido lugar. Sem exagero, a perua do caso olhou pra minha amiga, de cima pra baixo e de baixo pra cima, pelo menos umas 7 vezes! (estávamos na fila do estacionamento do shopping)

TAPADO, se eu entendi bem o texto, o Idelber não chegou a associar os torcedores do São Paulo com racismo. Quem fez isso foram alguns leitores babacas, que provavelmente: nunca foram num jogo do São Paulo no Morumbi; nunca passaram por uma favela paulistana e devem achar que a maioria dos moradores é corintiano ou palmeirense; não devem visitar muito o nordeste, ou também já teria visto gente bem simples usando o manto sagrado(depois do Flamengo, o São Paulo é o time do sudeste com mais torcida por lá); ainda não compararam os preços de um jogo do São Paulo e do Corinthians(esse grande time popular que já fez parceria com banco, com americanos milionários e até com a máfia russa, e ainda por cima é amigão do Ricardo Teixeira).

Ivan em setembro 26, 2010 7:39 PM


#149

Nélio, se você soubesse do respeito que eu tenho por Monteiro Lobato, você nao teria feito a interpretação que fez do meu comentário. OK, eu reduzi a importância da história, que a meu ver nao tem tanta mesmo. Mas como entendo o sentimento por trás do desejo de fazer vingancinhas... Pode nao ser o máximo do politicamente correto, mas é tao humano e compreensível!

Anarquista Lúcida em setembro 26, 2010 7:58 PM


#150

"Of mice and men": who's who? The answer, my friend, is blowin' in the wind....
Fiz gordas risadas! Sou "do norte", mas na verdade, considero-me um comum cosmopolita, transplantado no interior mineiro por amor à esta terra, já "aprontei" várias deste tipo nos aeroportos e quase sempre em favor de "latinos", mormente brasileiros. Infelizmente não é só a "zélite" paulista/na; invariavelmente toda "zélite" é podre, seja ela europeia, norte-americana, asiatica ou latina (a mineira tb, até um tiquinho mais preconceituosa que a paulistana, Idelber....). Esta postura é típica de todos os "wannabees", e sendo que no Brasil existe a maior concentração do mundo em termos de frustrados "econômicos" .....(só eles mesmo para usar peças de vestuário tão barangas!)

Daniel27 em setembro 26, 2010 8:03 PM


#151

Só quem conhece Caetano Furquim, como eu, sabe o simbolismo dessa história.

Parabéns Idelber !

Eu estou "no estrangeiro" também e sempre que posso, coloco esses "eternos brasileiros colonizados" no seu devido lugar.

Eu morei 8 anos em SP e conheço bem esse tipinho paulista...

Aqui tem vários...que em Sampa pagam de playboys e patricinha...mas aqui trabalham de pedreiro e lavam banheiro.

Sem desmerecer estas profissões, mas a pergunta que fica é: Pq em SP ele arrotam arrogância e aqui curvam-se aos gringos?

Agora sei que não sou só eu que dá uns "chega-prá-lá" nesses idiotas...rs

Saudações Alvi-negras !!!

givanildo em setembro 26, 2010 8:50 PM


#152

Ivan, o preconceito do Idelber, destilado nestes textos, não me parecem ser contra os torcedores do São Paulo F.C. e sim contra qualquer paulista/paulistano que possa viajar e tenha algum dinheiro.
Quem me garante que os tais a que se referia Idelber, eram na verdade paulistas?
Ele checou a identidade e a biografia de todos eles?
Não se combate um preconceito com outro e neste caso, vejo que Idelber pisou feio na bola, jogando em vala comum os canalhas racistas e os paulista/paulistanos em geral.
Como disse, eu sempre achei Idelber um progressista, pois a muito tempo leio o seu blog e acompanhei sempre suas defesas das causas palestinas e a condenação veemente da política sionista no Oriente Médio, mas, o que vejo é um ser humano com rancores e preconceitos iguais aos que ele tanto combate.
Infelizmente, para mim, Idelber acaba de se jogar na vala comum dos preconceituosos.

TAPADO em setembro 26, 2010 9:02 PM


#153

Tapado, você leu a primeira parte da história? Está tudo lá.

Idelber em setembro 26, 2010 9:28 PM


#154

Tapado, desculpe-me, mas não vá fazer jus ao seu apelido!
Aponte onde está o preconceito "contra qualquer paulista/paulistano que possa viajar e tenha algum dinheiro", por favor.
A gente pode até questionar a fábula do Idelber, por diversos motivos, como foi feito aqui, mas não dá pra fazer esse tipo de generalização.

Jair Fonseca em setembro 26, 2010 9:28 PM


#155

Deve ser muuuuito difícil identificar um paulistano conversando e tirando sarro, né? Claro, esses cosmopolistas nem têm sotaque!

Flavia em setembro 26, 2010 9:29 PM


#156

pois é flávia, e ninguém duvidou da palavra do Idelber sobre o sotaque mineiro da familia mestiça!

fm em setembro 26, 2010 9:33 PM


#157

Idelber, pq nao Republica Morumbi-Leblon-Lourdes? em Bh presenciei uma conversa interessante entre um belo horizontino da zona sul que nao vota 13 de jeito nenhum e um paulista de Jaboticabal com ascendencia italiana que sempre votou no Lula... putz, com uma unica frase: "o Serra? recomendo nao, viu..." o paulista italianado de Jaboca fez o mineiro preconceituoso rever os seus conceitos, hehehe... ;) Gostei!
To aqui em Palmas torcendo pro Siqueira Campos cair fora, e dia 2 volto pra Bh so para votar na Dilma, Jo, Arquimedes e cia! ;)
gostamos do causo, obrigada por publicar.
abracao.

Luciana e Carlos em setembro 26, 2010 10:56 PM


#158

Jairo Fonseca,

Aqui:

""O Brasil dos 4%, da ressentida fração da classe média que lê a Veja, do Instituto Millenium, dos três jornalões, de Ivete Sangalo, Hebe Camargo, Ali Kamel e Regina Duarte, o Brasil, enfim, da rancorosa ignorância monoglota dos bairros chiques de São Paulo encontrou-se, pessoalmente, numa sensacional disputa de bola ombro-a-ombro, com o Brasil da nova classe C do Lula, o Brasil de pele negromestiça com algum dinheirinho sobrando no bolso, o Brasil dos nordestinos que se reúnem com parentes há muito não vistos no Sul Maravilha, alguns deles já com um carrinho, outros com a casa própria, outros fazendo sua primeira viagem ao exterior, todos eles, no entanto, com sua marca registrada, que é a nova dignidade estampada no rosto.""

Aqui:

Não demoro muito para identificar sotaques, e depois de 2 ou 3 minutos eu já havia detectado que a família branca era paulistana e a negromestiça, mineira.""

E Aqui:

""Nada faz os racistas da República Morumbi-Leblon se transformarem de carrascos sádicos em cordeirinhos dóceis e obedientes como a chegada de um estadunidense.
Emendando de bate-pronto, com os burgueses paulistanos ainda sem entender por que eu havia feito uma pergunta e lhes dado as costas, L.T. dirige um olhar ostensivo aos mocassins do sujeito, escandalosamente aponta com o dedo, vira em minha direção e diz bem alto:

-- Who wears mocassins with golden chains around them? For God's sake, where did those come from""

Pouco importa se eram paulistas, paulistanos ou Incas Venusianos (essa saquei do fundo do baú...)o que importa é que IDELBER deixou patente e bem apontado que PAULISTAS/PAULISTANOS brancos são do MAL e MINEIROS e NORDESTINOS mestiços são os pobres coitados do BEM.
A coisa não é por aí não, pois, se quer criticar a burguesia preconceituosa, vá em frente.
O que não se pode e nem se deve é rotular pessoas pela origem ou pela etnia como Idelber fez, infelizmente.
Mas, não se preocupem por que a minha admiração por IDELBER AVELAR foi por água abaixo, pois me senti ofendido e discriminado sendo paulista e paulistano e portanto, seguirei meu caminho deixando de frequentar este blog cujo conteúdo sempre julguei progressista, mas, parece que me enganei e fui TAPADO esse tempo todo.
Desta forma, fica aqui os meu protestos e que IDELBER reveja os seus preconceitos quanto à origem e região de nascimento.

TAPADO em setembro 26, 2010 11:04 PM


#159

Luciana e Carlos, uma das variações dessa brincadeirinha é "República Morumbi-Leblon-Mangabeiras". Acho que o Mangabeiras representa esse setor em BH, melhor que Lourdes. Obrigado pelo comentário :-)

Idelber em setembro 26, 2010 11:07 PM


#160

Idelber
Se entendi bem, você se passou por um estadunidense e deu "carteirada" para defender uma família de "negros-mestiços" contra paulistanos supostamente racistas?
Bem... é um pouco constrangedor admitir mas... me causa um pouco de "vergonha alheia".

Cara... adoro este blog, mas não se pode acertar sempre! Acho que dessa vez você "escorregou"! Só escrevo isso pois sei que você recebe bem as críticas construtivas.

Bom.... vamos ao que importa: força total nessa semana tão importante!

Dr Freud em setembro 26, 2010 11:11 PM


#161

As pessoas supõe fazer julgamentos morais entre, intelectual e não intectual, bom ou mal,sei lá.....Ri pra caramba, as vezes agente só precisa curtir a história e ponto....
Ótimo blog!

Ma em setembro 26, 2010 11:26 PM


#162

Tapado, os exemplos a que você recorre não se referem a "qualquer paulista/paulistano", né?

Jair Fonseca em setembro 26, 2010 11:57 PM


#163

zzzzzzzzzz acabou?

p em setembro 27, 2010 3:22 AM


#164

Li e gostei, principalmente dessa tua ótima verve de cronista. Não ando muito em aeroportos, devo confessar. Andei há uns 10 anos atrás quando fui lavar pratos na Suíça. E também há dois anos quando tive a chance de ir a Buenos Aires. Mas entendo perfeitamente o que você escreveu na trilogia.
Agora, minha pergunta é: essa família morumbi-leblon, na verdade é família muambeira!

Flávio em setembro 27, 2010 3:31 AM


#165

"jogando em vala comum os canalhas racistas e os paulista/paulistanos em geral":

Os "paulistanos em geral" SAO "canalhas racistas". Desde a mais tenra idade eu sei disso, mas se nao soubesse ainda teria 31 anos de experiencia com paulistas em Nova York.

SAO SIM.

Ivan Moraes em setembro 27, 2010 3:39 AM


#166

"Tapado, os exemplos a que você recorre não se referem a "qualquer paulista/paulistano", né?":

Eu me refiro. Alguem quer ver o preconceito paulista em acao de novo? Descubra os por conteudo nos (ate agora) 609 comentarios aqui:

http://www.independent.co.uk/news/world/americas/the-former-guerrilla-set-to-be-the-worlds-most-powerful-woman-2089916.html

Eh facilimo descobrir los. Inconfundiveis. Eh so contar os comentarios cheios de odio e veneno.

Pros que sao incapazes de entender o ponto mesmo que entendam ingles, o nome da reportagem eh A EX GUERRILHEIRA FADADA A SE TORNAR A MULHER MAIS PODEROSA DO MUNDO.

Ivan Moraes em setembro 27, 2010 3:45 AM


#167

Sou leitor assíduo do blog há bastante tempo e devo dizer que esse foi, de longe, o pior texto que li por aqui. Concordo com a maior parte das críticas.

Entendo que o blog está em campanha, mas é um desânimo ver como o nível de refinamento e qualidade caiu. Tanto aqui, quanto no Twitter, a impressão é de que de repente o meu blog de leitura diária incorporou o estilo horrendo dos PHAs e Nassifs da vida.

Torço pra que Dilma se eleja no 1 turno e pra que as coisas voltem ao normal por aqui. E ainda não entendo a necessidade de uma mudança tão drástica de tom, uma vez que as analises refinadas e inteligentes que costumavam aparecer por aqui seriam arma muito mais poderosa em defesa da candidatura Dilma.

Abraço.

Gustavo em setembro 27, 2010 4:02 AM


#168

Sou a esposa do Maurício, que usava um mocassim elegantíssimo, que eu mesma escolhi para ele. Sim, eu usava malha de padrão de oncinha no aeroporto de Miami. Não é qualquer uma que pode fazer isso. Eu posso porque tenho estilo. Moda é conceito e identificação com a tua personalidade. Posso ser ousada ao me vestir, sem medo de parecer uma perua.

Fomos grosseiramente tratados, desde o início, por esse senhor que se diz blogueiro. Acho importante que, na democracia, as pessoas ouçam o outro lado. Ele distorceu tudo.

Estávamos, eu e minha família, já a suportar coisas que descrevo do lugar de onde eu olho o mundo. Os tais mestiços não comimam cookies coisa nenhuma. Mastigavam Oreo. Nem sabem, coitados, com eu estou loura de saber, que Negresco é a mesma coisa. Daí, a beiçola negra com dente branco, que são os mesmos tons do biscoito, davam a sensação de quem mastiga de boca aberta. Por isso, comentamos. "Tem gente que não se enxerga".

De fato, achamos que esse senhor fosse americano. "Finalmente alguém decente para conversar", pensamos. Ledo engano. Miami não é mais a mesma coisa, posso assegurar, xric, xric, xric [onomatopeia para o barulho das pulseiras].

Eu entendo quando minha irmã, que mora no Leblon, reclama que o mangue vai à praia no domingo. Se vocês vissem o que é o Méier baixar ali, invadindo o teu espaço, entenderiam o que estou falando. Ela paga imposto, sabiam? Um IPTU altíssimo, aliás. Mas, no Brasil, hoje, quem paga imposto precisa passar por isso. É assim que somos tratados.

Não, não era torradeira o que compramos. Era um grill que não existe no Brasil (até rimou, risos; para quem não sabe, também escrevo poesia). Já procurei e não encontro nas melhores lojas do ramo. Simplesmente não tem. Chama-se "George Foreman Grill-Broil Salton". Se vocês sabem do que estou falando, vão entender.

Eu quero dizer que achei ridícula essa história. Ele se acha. Depois que saíram, tudo ficou melhor. Já desembarcamos em São Paulo.

E, não, não moramos no Morumbi. Moramos em Higienópolis, cujo nome, aliás, é muito mais higiênico, limpinho e se identifica com nossas práticas e ideiais políticos. Democracia é assim, queira o blogueiro ou não.

Logo, já que ele diz não haver censura na caixa de comentários, aproveito para convidar todos os inteligentes (e cansados disso tudo que está aí) para um movimento de resgate de nossas melhores tradições. Eu e minha família já assinamos. Participem.

http://tudoporsaopaulo2010.blogspot.com/

(Fábio Carvalho)

Collant de Oncinha em setembro 27, 2010 5:33 AM


#169

Cliquei no link acima e dei boas risadas. Foi melhor que o texto do Idelber. Uma das pérolas:

35. Grande parte dos políticos na Região Metropolitana são nordestinos. (...) Curiosamente, não é encarado como preconceito anti-paulista. (...) Reivindicamos que (...) seja promovida a Campanha "Paulista vota em Paulista" (...) Para conscientização da população. (...)

Rodrigo em setembro 27, 2010 7:24 AM


#170

Sua atitude apenas o equiparou à família paulista. Não vejo aonde vc foi diferente. Uma pena e uma triste constatação.

Nicholas em setembro 27, 2010 9:13 AM


#171

testando a democracia.

Vânia em setembro 27, 2010 10:01 AM


#172

Gostei da "saga"! Achei muito parecido com algumas coisas do finado Wunderblogs, de uma ironia e uma verve absolutamente AlexandreSoaresSilviana !

Grandioso !

Carlos em setembro 27, 2010 11:13 AM


#173

Idelber,

você poderia dizer claramente o que a família paulista fez que vc entendeu como racismo? Algum comentário, piadinha, etc?

Patty em setembro 27, 2010 11:15 AM


#174

Idelber,quem viaja pelo exterior sabe exatamente do que você tá falando. Esse tipo que voce descreveu lotado de penduricalhos, colonizado é o que mais se vê em salas de embarque por ai afora. Não enxerguei paternalismo nenhum na sua atitude. Belorizontino quando reconhece o sotaque engata um papo mesmo e vai tomar cerveja. Quantas vezes já ouvi e perguntei "voces sao de BH?". Esse tipo de preconceito e desrespeito a gente ve no Brasil o tempo todo e nesse caso a solidariedade que se cria é instintiva e natural. Voce fez o que achou certo fazer e isto é bem melhor do que ver e não fazer nada. As vezes o humor é muito mais letal do que qualquer agressão. E voce vingou todo mundo que passa um tempão esperando essa galera enfiar a mala de bugiganga no compartimento de bagagem.

Rodrigo em setembro 27, 2010 11:30 AM


#175

Lamentavel o texto. Havia prometido para mim mesmo não comentar neste blog até as eleições, infelizmente não será possível.

Convenhamos que a elite higienólis-leblon-morumbi, que o Ilustre Porfessor da Tulane University tentou agredir não viaja com camisa de time de futebol há muito tempo, o tal mocassim, também saiu de moda. Para comprovar tal premissa fiquei 30 minutos sentado na entrada do Shopping Higienopolis em São Paulo e não vi absolutamente ninguém utilizando o tal sapato.

(aparte: Não obstante a elite higienólis-leblon-morumbi não viajar com camisa de time de futebol há muitos anos, parece falaciosa o fato de alguém estaria utilizando uma camisa do tricolor no morumbi neste período, quem acompanha o futebol paulista, sabe que são paulino que é são paulino só torce e veste a camisa quando o seu time está ganhando, o que não é o caso deste ano de 2010. O tricolor perdeu todas, até a copa do mundo foi para itaquera.)

Inegável a melhora de renda observada no Brasil nos últimos anos, dos mais pobres aos mais ricos, todos estão ganhando mais. Agora falar que a nova classe C consegue levar a familia toda para Miami é um total exagero, sem falar das exigências para tirar visto. O Brasil melhorou mais ainda é muito pobre.

Provavelmente ambos os grupos tratavam-se de pessoas de classe social e nivel de renda semelhantes, a diferença entre eles é de região e cor, com base em tais critérios, preconceito da pior espécie, foi tomada a decisão de agredir a familia paulista.

Há que ponto chegamos, o I. Professor manifesta e assumidamente comete um ato de racismo, coloca no seu blog. Sinto vergonha disto existir. E só. O que está acontecendo?

Heitor em setembro 27, 2010 12:14 PM


#176

Achei que todo esse relato demonstra apenas o quão pedante foi o autor.

Afinal, a maioria dos brasileiros que já foi aos EUA, principalmente os brasileiros mestiços que acabaram indo para o interior dos EUA (TUDO QUE FICA ENTRE IDAHO E ALABAMA), sabe o que se sentir indesejado por alguém que parece ter mais poder.

E eu duvido, que o autor do texto nunca tenha presenciado uma situação na qual os americanos caipirões estavam esnobando brasileiros (essa situação é muito comum também na Europa, italianos, franceses, austriacos e inclusive belgas, fazem questão de mostrar para o mestiço que aquele não é o lugar dele).

Então, por que o autor nunca postou um relato sequer de revolta e afronta aos caipirões e aos europeus?

Na história contada, o autor tenta mostrar a família rica como opressora da pobre, embasado no "olhar" da família rica. Então ele demonstra que, na realidade, ele não se importa muito com a família pobre, ele quer mesmo é mostrar para a família rica que, naquele lugar, quem tem o poder é ele, afinal de contas, é ele quem está em casa.

Resumindo, vendo-se numa posição de maior nível de autoridade, o autor foi tão ou mais covarde do que a família rica. Se a família rica fosse do Texas ou se o gurizão com a camisa do São Paulo fosse o Victor Belfort, o valente autor se intimidaria...

Tudo isso não passa de pessoas querendo mostrar quem tem mais autoridade sobre outro. Ficou bem claro: A "família pobre" tem menos poder que a "família rica" que tem menos poder que o "justiceiro supremo"

cornetem a vontade

abraço

BRuno em setembro 27, 2010 1:29 PM


#177

Sensacional! Grato, professor Idelber, por nos transmitir esse acontecimento. Lavei a alma!

Roberto Locatelli em setembro 27, 2010 2:51 PM


#178

BRuno!! Espantoso! Você não entendeu nada!

Roberto Locatelli em setembro 27, 2010 2:53 PM


#179

Aguardei o fim da história pra comentar. Bacana demais. Triste pro país que sejamos vistos de uma maneira tão subserviente que foi o você fez. O que mais me deixa perplexa é que essa classe média é a que mais desqualifica o Governo Lula e eu não vejo lógica no discurso deles. Nunca na história deste país eles trouxeram tanta buginganga do exterior. Nem sabem se realmente precisam de tanta tecnologia. Apenas compram para se diferenciar deles mesmos, num vazio de existência que só cabe nas novelas de Rede Bobo. Moro em Brasília e aqui este modo de viver é endêmico.Os mais descolados são estrangeiros que vem trabalhar nas embaixadas: vivem com seus chinelinhos de couro, calças xadrez e camisetas brancas enquanto o povo tupiniquim, no maior calor do cerrado, sobe no salto e coloca aquela blusinha de seda com uma saia de xantunque. Sair à noite aqui é pra se morrer de rir... meu marido então,que é mais perspicaz que eu, não deixa as peruas passarem barato... O pior são bolsinhas da Hermes, VH,Dior, todas falsificadas... Gente isso é demais, vcs precisam ver. Enquanto isso, eu gosto memso é das bolsas de capim dourado que são vendidas na feirinha da torre. São lindas, parecem feitas de ouro! Mas é capim, tão bonito, tão brasileiro, tão da nossa gente bonita que vive em Tocantins de fazer esses trabalhinhos que acabam sendo exportados para a Europa e fazem o maior sucesso.Quando acordarão de suas fantasias?

Marcia Costa em setembro 27, 2010 3:16 PM


#180

Bruno e Heitor, logo logo vcs terão o IP bloqueado pelo dono do blog, assim como aconteceu comigo _e, presumo, com os outros contrários à bajulação do ilustre. Tive que vir à lan-haouse da esquina de casa p escrever isso aqui, e usar um outro e-mail.

Ass: Nélio.

victor em setembro 27, 2010 3:17 PM


#181

Sinceramente, tem que ser maluco para imaginar, depois de ler uma caixa de comentários desta, que eu bloqueio IP de quem critica. Afe, é cada uma!

Idelber em setembro 27, 2010 3:20 PM


#182

Muito ruim esta história. A família negra precisava ser tutelada pelos brancos intelectuais de esquerda?
Precisava ser socorrida pelos heróis caucasianos?
Sinto, mandou mals dessa vez.

Tereza em setembro 27, 2010 3:21 PM


#183

Olha, eu queria escrever muuuuuito aqui, mas desde minha decisão de extinguir meu blog, escrever muito é algo que não me permito mais. Mas ler esses comments é muito elucidativo. É tão fácil ver quem se identifica com a humilhação sofrida pela pobre família branca e racista. Tão fácil... gente que aprendeu o que é a vida e a moral nas novelas da Globo é realmente muito ingênua, muito infantil. Afinal, o preconceito é mesmo o mais infantil dos sentimentos, o medo do escuro, do desconhecido e que depois vira medo do negro, do pobre, do homossexual, do esquerdista. Triste gente escrava de seus medos, que projeta nos outros seus próprios e inconfessáveis medos (coisa de 1º período de faculdade de psicologia, ingênuos) e que estão se borrando de medo porque em aeroportos, shoppings e universidades - antigos redutos onde conviviam só entre os seus - não dá para haver uma promoter sorridente contratada para não deixar entrar os feios e pobres. Antes, a falta de recursos impedia isso. Agora não mais.

Entonces, que la sigam chupando, como diria Dieguito.

Parabéns, Idelber, por ter feito o que minha índole excessivamente polida - sim, também tenho meus defeitos - não me permitiria. Lavou-me a alma.

Abs.
Marcos

MarcosVP em setembro 27, 2010 3:23 PM


#184

Idelber Azevedo.

Ass: Nélio.

victor em setembro 27, 2010 3:25 PM


#185

Um pequeno comentário sobre o texto:
- Uma família paulistana (não sei se o raciocínio que se segue se aplica a famílias de outros rincões, falo da praia que conheço) que, em 2010, vai passar férias em Miami na baixa temporada, compra tostadeira e tela de computador, se veste com padronagem de oncinha (e mocassim de corrente dourada), fala inglês mal e porcamente e viaja de classe econômica em voo com escala em Santiago (possivelmente por ser mais barato que um voo direto), não me parece exatemente um bom exemplo de membro classe A. Talvez sejam recém-chegados à classe B, possivelmente, até, ainda habitem a classe C.

Esteban em setembro 27, 2010 3:28 PM


#186

Pois a minha está. Tentei umas dez vezes de manhã lá de casa. Há uns três posts você mesmo admitiu a uma tal de Graciele que o IP dela estaria BLOQUEADO. Deve ter sido coincidência, né!

Ass: Nélio

victor em setembro 27, 2010 3:28 PM


#187

Estive em Angola. Lá, para os brancos, os negros são incapazes. Para os negros, os brancos são FDPs.

Os ódios dos Reinaldos Azevedos da vida contribuem para esse terrível modelo angolano. Me espantou o Idelber entrar nessa.

A não ser que tudo isso faça parte da campanha eleitoral, veremos isso a partir da semana que vem após a vitória da Dilma.

bacana em setembro 27, 2010 3:59 PM


#188

Roberto, eu não entendi nada, mesmo.

Já participei do mesmo tipo de situação, afinal a cor da minha pele é classificada como "parda", não falava inglês bem, não tenho dinheiro pra ficar comprando muitas coisas, sou apenas um minhoca lá do interior do interior...

Então, quando morei em Denver, fui testemunha de dezenas de situações exatamente iguais a essas. Meus amigos brasileiros que moravam comigo me contavam mais centenas de histórias de brasileiros que foram esnobados, desprezados, vitimas de racismo e etc...

Então deduzo que isso seja corriqueiro pelas bandas de lá. Se posso julgar tal fato como corriqueiro, posso assumir que o autor já tenha presenciado outros fatos semelhantes, porém envolvendo brasileiros e americans/estunidenses.

Se o autor já presenciou fato semelhante envolvendo brasileiros e amercianos, pq o mesmo não se envolveu?

Alternativas:
a) Pq o autor se sente mais poderoso frente a brasileiros que estão longe de casa e têm medo de cometerem infrações fora de seu país e acabarem por serem deportados.
b) Pq o autor se sente mais poderoso frente ao que ele identifica como "pessoas morumbi/leblon" pois dificilmente uma familia inteira desse tipo de gente iria iniciar um episódio de violência dentro de um aerporto em outro país.
c) Pq o autor se sente intimidado pelos caipirões americanos que estão mais "em casa" do que ele.
d) Pq é muito mais grave a família morumbi/leblon esnobando um brasileiro do que um caipirão americano humiliando um brasileiro.
e) Pq o conflito entre um estrangeiro e um brasileiro não é tão importante quanto a grande luta de classes representada em um aeroporto em miami por um bando de imbecis.

Então me pergunto: O que entendeu o sr.Roberto Locatelli?

Bruno em setembro 27, 2010 4:06 PM


#189

Mas talvez isso tudo seja devido a grande epidemia de transtorno bipolar que acontece na "esquerda" desse país.

Hoje vi, estupefato (inocencia minha, ter algo que ainda me estupefacie na política nacional), no horário político, a Dilma defendendo arduamente que seu eleitorado vote no candidato Vanderlan para o governo de Goiás. Minutos depois, o Lula aparece, com a cara mais boa do mundo, instilando seus eleitores a votarem em outro candidato ao governo de Goiás, Íris Rezende.

E tem blogs _essa forma de mídia que quer ser coerente e substituta em seriedade à chamada "imprensa golpista" das revistas e jornais_ como esse e o NPTO que assume um ar idôneo de lucidez humanitária quando dedicam 100% de seus textos à defesa desarroada à essa "esquerda".

A falta de lógica assumiu um grau tão gritante de alienação que a única atitude saudável que se pode ter diante à net é de histrionismo vale-tudo e sempre mal intencionado. Onde, aliás, tudo é possível. Para um professor de literatura, que para corresponder às horas de aeroporto que uma faculdade estrangeira gasta com ele, deveria saber o mínimo sequer de técnicas de enredo narrativo, vir com essa estorieta inventada cheia de clichês para marcar uma suposta realidade de discriminação, visando a superioridade de sua candidata, não é suspeito pensar que esse blog esteja recebendo dinheiro público para embarcar em algo tão descarado e fantasioso.

Ass: Nélio.

victor em setembro 27, 2010 4:20 PM


#190

Eu acho que o Idelber cometeu um erro, talvez grave, em publicar esse texto. A atitude dele frente aos colonizados do Leblon poderia ser considerada correta - SE, E SOMENTE SE, eles realmente dessem provas indubitáveis de racismo. Mas o máximo de comprovação que temos é o do olhar aguçado do Idelber, que conseguiu chegar a conclusões definitivas acerca de não apenas um, mas dois bandos de desconhecidos, sem sequer falar com eles. A única comprovação da justeza da ação do Idelber parte do próprio Idelber; é uma história viciada, e pode muito bem ser possível que o Idelber, ao invés de ter se tornado o paladino das classes oprimidas frente aos malvados 4% (uma atitude extremamente paternalista, para não dizer algo ridícula), simplesmente tenha sido inconveniente. Ou não - como disse, não há maneira de confirmar.

Gabbardo em setembro 27, 2010 5:20 PM


#191

Por coincidência, enquanto acompanhava estes posts aqui, uma conhecida postou a seguinte declaração em seu perfil do Facebook (voltando dos EUA pro Brasil, em conexão no aeroporto de Miami):

"chegar em Miami é brega, a gente se sente uma latina que atravessou a fronteira. Um monte de brasileiro sentado no chão, uma bagunça. Afee hahaha"

Precisa dizer mais?! Não, né...

Helô Vianna em setembro 27, 2010 6:54 PM


#192

Incrível, mexeu com as "zelites", a classe média se revolta, pra defender os seus.

Idelber, entendo exatamente a situação e já muitas vezes quis fazer o mesmo. De alguém que já morou no São Geraldo, valeu.

maria utt em setembro 27, 2010 7:30 PM


#193

Gostei do "causo", Idelber e entendi sua intenção. O final parece mesmo um tanto paternalista, mas depois de usas colocações aqui nos comentários ficou mais claro o desfecho. Agora, uma nota pessoal: eu sou paulista e paulistana, caucasiana, descendentes de europeus e digo com todas as letras o paulistano é SIM muito preconceituoso (claro que há bastante exceções e me considero uma delas). Eu não me sinto ofendida de maneira alguma quando vejo críticas à República Morumbi-Leblon, porque retrata perfeitamente esse perfil classe média. Minha família é toda assim, racista, preconceituosa, esnobe. A vida toda eu me senti uma ET. Certa vez, meu pai (já separado) apareceu num Natal com sua namorada negra. Eles sequer disfarçavam o preconceito, as risadinhas... No final da ceia deixaram ela lavando a louça sozinha e minhas tias ainda comentaram que "ela deveria estar acostumada". E não pensem que meu pai a defendia, já que tenho certeza que, para ele, aquela moça fazia apenas o papel de sua mucama. Eu e minha irmã fomos as únicas que nos solidarizamos a ela, fomos até ela e a alertamos que era para ela parar com aquilo. Minha vontade era ter um chilique e me arrependo de não ter tido. Meu único consolo é que sou rompida com praticamente toda família (eles não entendem como uma moça que estudou nos melhores colégios possa ter se transformado numa "comunista").
Enfim, a grande maioria dos paulistas classe média com que me relacionei minha vida toda cabem perfeitamente na descrição Morumbi-Leblon.

Debora Regina em setembro 27, 2010 7:36 PM


#194

Desde que li os posts do Idelber, me deu vontade de contar a história a seguir (por sem graça que seja). Reproduzo-a fidedignamente, em todos pormenores (ou, ao menos, o quão me permitem os vários anos transcorridos desde então). Nunca pensei que ela encerrasse qualquer lição moral. Agora, após ler os posts d´O Biscoito, imagino que possa dela extrair a lição que preconceito não tem cor, denominação geográfica ou classe social.

Uns 20 anos atrás, nos meu tempos de faculdade, voltava com um amigo de infância de um giro de mochila pelas Europas. Ele, loiro, alto de olhos azuis. Eu, brancão e corpulento, com cara de eslavo. Em uma banca do Schiphol, onde fazíamos conexão vindos de Londres (já naquela época os bilhetes da KLM eram dos mais em conta) compramos eu um jornal de esportes italiano, ele, um diário inglês.

Sentamo-nos numa fileira de três lugares. Ao nosso lado, uma mocinha brasileira de tipo caboclo, sotaque que meus ouvidos à época não muito afinados não conseguiram localizar precisamente (mas que, seguramente, não era paulista, sulista ou carioca).

Pouco depois da decolagem, ela virou-se para trás e passou a papear com os ocupantes da fileira posterior. Até aquela então, eu e meu amigo pouco faláramos, mortos de cansado que estávamos. Apenas respondêramos, em inglês, a uma pergunta do comissário de bordo sobre o almoço e trocáramos umas poucas palavras em alemão, língua que falávamos os dois desde a infância (e passáramos a viagem inteira usando com amigos germânicos que encontráramos pelo caminho). Líamos calmamente nossos jornais enquanto esperávamos pelo almoço e o sono.

Nossa vizinha de assento, após explicar que viajava pela primeira vez ao exterior (ficara baseada na casa de uma parenta imigrada para a Europa), que antes mal e mal havia saído de sua cidade, começou a desfilar suas impressões sobre o velho continente. Tudo muito lindo, coisa e tal, mas que povinho bunda, né não? Uma gente fechada, mal-educada, sem a bonomia a joie de vivre brazuca, sem aquela nossa malemolência mestiça. "Veja estes dois aqui do lado. Não abriram o bico para falar com ninguém. Não são como a gente, que vai logo fazendo amizade, sendo agradável..."

A coisa foi nessa linha por alguns minutos mais. Logo chegou o almoço e a moçoila voltou suas atenções para a comida. Foi quando retiraram as bandejas que virei para ele e, no meu melhor sotaque paulistanês, perguntei: "Você poderia me dar licença que preciso ir ao banheiro?"

A moça não mais falou durante as 10 horas seguites de voo.


Esteban em setembro 27, 2010 8:30 PM


#195

"Mas que povinho bunda, né não? Uma gente fechada, mal-educada, sem a bonomia a joie de vivre brazuca, sem aquela nossa malemolência mestiça."

Na minha experiência, não existe grupo mais sectário e encerrado em si mesmo do que o brasileiro no exterior, que tem problemas sérios em tentar aprender ou se relacionar com o estrangeiro.

Vi exemplos desse defeito em todas as classes sociais: desde doutorandos até vendedoras de roupa. Não há nenhuma lição de classe nessa minha opinião. Apenas a impressão de que o inconsciente coletivo brasileiro é achar o Brasil o único país alegre do mundo, e a forma de se relacionar brasileira a única correta.

Mas talvez eu pense assim por ser um lambe botas de estrangeiros, que quando viaja para fora gosta de aprender algo do país que visito. Ou por ser paulistano, sei lá. Devo fazer cara de bobo quando representantes do império falam comigo.

Rafael M em setembro 27, 2010 10:33 PM


#196

Este post é, de fato, para ser esquecido.
Vou tentar.

Burgão em setembro 27, 2010 11:54 PM


#197

Ah, Idelber, quem dera estar na cena!

Seu alemão, juro que não entenderia, mas seu olhar de esguela, este sim, até imagino...

Go Oliveria em setembro 28, 2010 12:20 AM


#198

Muito boa a história.

Nem tudo que a gente faz na vida é motivo de júbilo, às vezes simplesmente temos uma ideia e a levamos adiante. E a narramos depois.

Não entendi qual o grande problema... Vem cá, quem nunca foi pedante na vida? Sobretudo a turma com acesso a boa escolas, estudo de idiomas desde cedo, viagens pro exterior etc., entre os quais me incluo.

A história revela pedantismo de quem a protagonizou e a conta, mas isso já tá explicado pelo próprio, no início!

Ora, uma de minhas razões para visitar o Biscoito é justamente não ser um espaço exclusivo de auto-hagiografias [com ou sem hífen?], de relatos autobiográficos edificantes.

Rafael Fortes em setembro 28, 2010 4:00 AM


#199

Idelber,

Prof, mandaste mal pra caramba. Esse foi o maior ato de reinaldoazevedismo que vi fora do blog do execrável sujeito. Basta ver como tua caixa de comentário ficou parecida com a dele. Escárnio.

O riso e o gozo de muitos têm mais a ver com recalque e revanchismo toscos, a la Charles Bronson, que com a percepção de novas forças políticas a surgirem no Brasil. A polarização que provocaste não é boa para ninguém.

Isto é o anti-diálogo. O anti-tudo o que se poderia esperar para unir essa porra de país. Não me consta que Mandela, Gandhi, ou mesmo Lula agissem dessa maneira. Moral escrava.

Eu cancelei minha assinatura da folha pela força de seus argumentos, amarguei a sabática do biscoito como uma criança que espera pelo natal, aguardei suas análises agudas das pesquisas e periferias como quem consulta um GPS e estou agora, aqui, olhando isso sem saber o que dizer.

Desculpe e obrigado, pretendo não incomodar mais.

Karl em setembro 28, 2010 8:27 PM


#200

Concordo em GNGs, Karl!! Gostei da tua sacada.. estilo Charles Bronson..ou Chuck Norris (tá mais na moda pelos STATES..!!

om em setembro 28, 2010 11:20 PM


#201

Caríssimo Idelber, após a leitura dessa longuíssima caixa de comentários, percebo claramente que muita gente, aí, vai pro céu do “politicamente correto”.
Prefiro o seu politicamente incorreto relato cru do inferno que vivemos. Só assim o transformaremos… Só assim genuínos pensadores deixarão de ser denominados de apedeutas por essa ignorante ideologia classista que contamina o Brasil - há mais de 500 anos.
Parabéns, caro amigo, pois o mais-que-perfeito é apenas um modo e tempo verbal destinado a esses monopoliglotas de apostilas do existir. O importante, efetivamente, é a nova biblioteca que está a surgir.

Ramiro Conceição em setembro 28, 2010 11:54 PM


#202

Em tempo ainda:
sou um monoglota de novíssimas línguas...

Ramiro Conceição em setembro 29, 2010 12:56 AM


#203

Idelber,

Acho que a eleição está fazendo você perder a linha. (Eu era fã do seu blog)
Sua descrição dos 4% é muito preconceituosa e o conjunto da obra é de um maniqueísmo esquemático.
Só faltou criar uma imagem idílica/inocente da família mineira.

Rubens J. Gama Jr em setembro 29, 2010 7:39 PM


#204

Li toda a estória e grande parte das postagens. Eu provavelmente teria apoiado a outra família, conversando com ela, mas não critico a solução adotada pelo colunista.
Existem diferenças entre as pessoas: cultural, de poder aquisitivo, de inteligência, de agilidade. Grande parte do que temos se deve ao que recebemos de graça (da nossa família) e uma parcela não desprezível ao que fizemos com o que recebemos.
Temos a responsabilidade de usar esses benefícios com responsabilidade. Podemos curti-los, mas não devemos nos prevalecer deles para maltratar ninguém.
Existem pessoas que abusam dessas vantagens relativas em relação aos mais fracos - mais pobres, menos cultos, menos inteligentes - mas isso sempre será uma covardia.
Temos de ficar sempre atentos para nós mesmos não entrarmos numa dessas. Aliás, uma pessoa realmente "elegante", com "finesse", jamais faria uma grosseria a quem quer que fosse.

Paulo Werneck em setembro 30, 2010 1:14 AM


#205

Cara, não acredito, hahahhaa, lavou não só a alma da ascendente classe D e C brasileira e a minha tb.
Mann, du bist lustig!!!! Adorei, amei! Eu vejo esse desprezo no Aeroporto internacional de Guarulhos, por outro lado, acho lindo ver o nosso povo assim, melhorando de vida, crescendo, fazendo férias, acho o máximo!!!! Lembra antes, qdo, era 96% de insatisfeitos? Hoje são apenas 4% de instisfeito... melhorou bagaraí, hehehe! Ê Brasil, que belo futuro nos aguarda. Vc. nem acredita como estou feliz por isso, finalmente!!!!! esperei 35 anos pra ver isso... valeu a pena. Bussi und viele Gruesse =) hehehehe (só pra atazanar os 4%) Ah, e tem mais, vou divulgar teu blog.

Erica em outubro 1, 2010 12:58 AM


#206

O povo brasileiro das classes D e C só falam alemão quando dizem Volkswagen... e "causos de aeroporto" só podem ser lidos e descritos na internet para os intelectualizados/desocupados que não são como a MAIORIA do povo brasileiro. Que tal "causos da Supervia". Com certeza a maioria aqui que lê e quem posta deve ter seu carrinho do ano e não sabe como é viver na pele do povo de verdade, que não tem educação de qualidade pra ler e entender o que está escrito aqui, e muito menos condições de ter banda larga para acessá-lo

Nelson G. Manoel em outubro 3, 2010 12:02 PM


#207

é o que sempre digo: deve ser muito bom viver nesse mundo de faz-de-conta... alguém lá no torre de marfim matou a charada: parece aquelas cartas do fórum da ele & ela

[]'s

nelson em outubro 5, 2010 1:52 PM


#208

Adorei ler os três posts, mas não gostei da forma paternalista de enfrentar a situação.

Entendo a sua boa intenção e acredito que poderia ter feito algo mais digno. Essa família precisa aprender a se defender, e você não ensinou NADA para eles. E, na verdade, não ensinou nada aos racistas também. A parte ignorante das classes B, A e A+ não entende piada intelectualizada. Mal sabem falar inglês! Foi uma vingança, não foi uma defesa. A experiência vingativa só existiu na sua cabeça e na do seu amigo inteligentíssimo.

Acredito em você quando diz sobre os malditos olhares. Só uma pessoa extremamente idiota para não perceber que quem veste roupa emplacada é um perseguidor dos que não tem ou não querem tais vestes.

E sobre a torradeira, hahaha, isso é muito mais comum do que aparenta. Com esse dólar desvalorizado, compensa pagar excesso de bagagem para trazer até morango entre os vidros de perfume.

Luana M. em outubro 17, 2010 6:17 AM


#209

Eu teria feito o mesmo! hahahahhaha Aliás já passei por isso em 2008 só por morar em uma periferia de Brasília e ter contado isto a burgueses de minha cidade que estavam também hospedados comigo em um hotel 5 estrelas em Maceió.

Dandi Marques em outubro 29, 2010 5:05 PM