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segunda-feira, 20 de setembro 2010

Na Fórum: Religião e política no Brasil atual

O assunto que me ocupa hoje é complexo, multifacetado, cheio de nuances. O papel que a religião tem cumprido nesta campanha eleitoral ainda não foi bem analisado, provavelmente não o será por um bom tempo e o máximo que este post pretende é levantar algumas indagações iniciais. Como sabe quem lê o Biscoito, sou ateu convicto e participante de movimentos em defesa do estado laico. Não acredito que religiões devam ser “respeitadas”, se por “respeito” entende-se o comum neste caso, ou seja, a blindagem delas a questionamento, crítica, paródia ou ridicularização. Entendo-as como ideias sujeitas à apropriação, como quaisquer outras. Isso é diferente de não respeitar as pessoas religiosas como interlocutores adultos e maduros ou mesmo como eventuais parceiros de alianças políticas. Afinal de contas, o maior presidente da história do Brasil é um firme crente em Deus, e isso não o impediu de ir muito mais longe que o sociólogo ateu no reconhecimento dos direitos dos casais homossexuais.

Discordo frontalmente dos amigos ateus que repetem uma rasa cantilena sobre a suposta equivalência entre Record e Globo como dois males idênticos e intercambiáveis. Essa cantilena é fruto da confusão mais característica das análises de uma certa classe média (e rara, diga-se, entre o povo pobre): a confusão entre moral e política. Se querem me dizer que Record e Globo se equivalem moralmente, eu posso considerar a propositiva como digna de elucubração. Se o que estamos discutindo é política, como suponho ser o caso aqui, eu digo a esses amigos ateus: no em dia em que a TV Record ajudar a patrocinar um golpe de estado contra um governo legítimo, ocultar e beneficiar-se do assassinato de centenas e da tortura de milhares de brasileiros, editar criminosamente um debate presidencial para influir na eleição e esconder o maior acidente aéreo da história brasileira para exibir fotos ilegalmente obtidas das mãos de um delegado, de novo com puros objetivos eleitorais, aí eu discuto essa suposta equivalência no terreno da política. Se alguém vir o jornalismo da Record tratar o MST como um bando de criminosos, que é como ele é retratado na Globo, por favor me avise. O próprio MST já percebeu que ele é tratado de outra forma por lá.

Não há como se tratar do papel da religião na campanha eleitoral de 2010 sem falar da figura de Marina Silva.

Continue lendo Religião e política no Brasil atual no site da Fórum, e volte se quiser papear.



  Escrito por Idelber às 18:43 | link para este post | Comentários (63)


Comentários

#1

Sobre Record e Globo, podem não ser, na prática, iguais, mas é tão moralmente inaceitável a Globo e seu império, baseado em farsas e em acordos duvidosos, quanto a Record, comprada e financiada pelo dinheiro de tolos, enganados por pastores corruptos e criminosos que usam a religião para enganar, roubar e enriquecer - além de financiar gente como Crivella e outros que constantemente atentam contra os direitos dos homossexuais e das mulheres.

A Record talvez nunca tenha patrocinado golpes e crimes tão hediondos quanto a Globo, mas tem sua cota. Tem sob suas costas a canalha evangélica fanática, que atenta contra os direitos dos brasileiros todos os dias, seja direta ou indiretamente.

Equivalentes? Não sei. Mas ambos moralmente desprezíveis.

Antigo, mas um debate ainda válido - http://tsavkko.blogspot.com/search/label/Globo%20versus%20Record

Raphael Tsavkko em setembro 20, 2010 7:10 PM


#2

Excelente, Idelber. Uma das mistificações mais comuns, entre aquelas que a gente vê nos contatos cotidianos (família, amigos, trabalho, etc), é justamente essa de massacrar os evangélicos sem ao menos dar uma arranhadinha no obscurantismo católico. O leitor aqui, também ateu convicto, assina embaixo.

Gustavo Rabello em setembro 20, 2010 7:10 PM


#3

Sobre o assunto, o Viomundo já publicou algo. Aqui:

http://www.viomundo.com.br/politica/folha-assenta-as-bases-para-novo-ataque-a-dilma.html

Não é exatamente sobre o que diz o seu texto, mas tem a ver com o papel da religiosidade na campanha e na anticampanha petista.

Antonio Barros em setembro 20, 2010 7:12 PM


#4

Excelente post como sempre professor. Também sou ateu convicto e militante muitas das vezes. Parte da esquerda as vezes cai em um materialismo de cunho pré-marxista onde as idéias religiosas não são vistas como epifenômenos de relações sociais mas como causa mesma de certos processos, é o tipo de erro de gente como Dawkins que chega a afirmar a origem religiosa do conflito territorial na palestina, ou do Onfray (sujeito que quase sempre gosto de ler) que fez um livro bastante reacionário com criticas à psicanálise dignas do materialismo do século XVIII. Por outro lado parte da esquerda desiste de peitar certas brigas com o populismo religioso como no caso do aborto. A Jandira Feghalli perdeu uma vaga certa ao Senado por uma campanha digna da TFP (e boa parte da esquerda do PT ficou caladinha) por ter a coragem de defender a legalização do aborto publicamente. Também é díficil de perceber algo diferente de preconceito de classe de gente que demonstra repugnancia pelo neopentecostalismo mas mostra simpatias por misticismo new age ou karcismo. Sugiro uma visita a página do alucinado do Carlos Vereza para provar que fanatismo obscurantista não é privilégio dos evangélicos.

Alexandre V. Gil em setembro 20, 2010 7:12 PM


#5

Idelber, não sou atéia, mas não sigo nenhuma religião mesmo sendo batizada na católica. Sou uma pessoa que busca resposta e religião nenhuma conseguiu responder minhas perguntas satisfatoriamente. As dúvidas persiste, mas a forma de buscar mudou, por isso não critico crença ou não crença de ninguém. E concordo com você há um certo preconceito contra os evangélicos, principalmente, com a igreja do dono da Record. Respeito a crença das pessoas e o ateísmo também, mas gosto de discutir o assunto, assim como gosto de discutir política e futebol. É uma das forma de busca para minhas indagações, a discussão com pessoas diferentes. E não a Globo equivalente a Record, esta é muito melhor.

Emília em setembro 20, 2010 7:20 PM


#6

Também é díficil de perceber algo diferente de preconceito de classe de gente que demonstra repugnância pelo neopentecostalismo mas mostra simpatias por misticismo new age ou karcismo.

Alexandre V. foi na mosca com esse comentário, achei. O espírito do post é esse mesmo.

Idelber em setembro 20, 2010 7:22 PM


#7

Já ouvi muita gente dizendo que não vota em Marina Silva porque ela é evangélica, ou que não vota na Dilma porque ela seria a favor da descriminalização do aborto. Como se percebe, crentes e não-crentes colocam a religião no centro do debate político, o que não deveria acontecer, para o bem e para o mal.

Você, Idelber, que mora nos EE. UU., sabe mais do que ninguém como a religião pode minar a discussão política, com tudo sendo reduzido a "crentes ignorantes" versus "não-crentes demoníacos".

Uma pessoa pode se apresentar como temente a deus, alá, sarah sheeva, jah, o que for, e seguir seus preceitos. Ou também pode se apresentar como um ateu ou um agnóstico, e seguir o que isso representa. Mas daí a desmerecer qualquer um politicamente porque tal pessoa é isso ou aquilo é de uma miopia bizarra, já que o mundo em que vivemos não se reduz a isso.

É claro que a nossa política personalista faz com que as pessoas se esqueçam de debater os partidos, e o que eles representam. Marina é evangélica, mas é do PV, que não é um partido conservador no que diz respeito aos costumes sociais. Dilma é apoiada por enormes setores conservadores, mas o PT também é caracterizado pelos costumes sociais progressistas. Temos que analisar todo o contexto, e não só frases soltas ao vento.

Vir ao debate político como um católico, evangélico, animista, não é problema nenhum, desde que sua intenção não seja trazer esta sua condição para o centro do debate. Temos tantas questões importantes para discutir e não podemos ficar perdendo tempo com "fulana vai a igreja tal". Eu, por exemplo, voto em Marina e sou agnóstico.

Claro que tudo tem dois pesos e duas medidas nesta campanha. Para alguns, são ótimos os "católicos opus dei" e evangélicos que apóiam Serra. Já a Assembléia de Deus de Marina e os evangélicos de Dilma são os "ignorantes". Seletividade pura!

Raphael em setembro 20, 2010 7:23 PM


#8

Idelber, uma pergunta a vc, que conhece mais e está mais perto da informação do que eu: tenho percebido que as publicações recentes do Terry Eagleton têm dado uma guinada para uma moral cristã como alternativa para o capitalismo tardio e sua falta de ética. No Trouble with strangers (Problema dos desconhecidos, na tradução da editora Civilização Brasileira) isso fica mais claro, embora isso se note em outros lugares, como a resenha-crítica ao livro do Dawkins (trechos aqui: http://www.orthodoxytoday.org/articles-2009/Eagleton-The-God-Delusion.php) e o lançamento do livro comentando os Evangelhos.

Pergunto: essa minha percepção está correta? De onde vem essa inclinação? E o que vc pensa a respeito?

Um abraço!

Antonio Barros em setembro 20, 2010 7:24 PM


#9

Antonio, rapaz, esse negócio do Eagleton é uma lou-cu-ra. Sim, a sua percepção está correta. A resposta dele ao livro do Dawkins (ao qual tenho minhas críticas) é coisa digna de Bento XVI. Sim, Eagleton foi criado católico, escreveu durante muito tempo como marxista que mais ou menos "reprimia" ou "escondia" esse lado, e agora despirocou de um jeito que pareceria fundamentalista ao Padre Marcelo. Olha mais uma aqui. Sei lá qual é a explicação. Mas agora ele se apresenta como "marxista católico".

Idelber em setembro 20, 2010 7:29 PM


#10

Tai, gostei. Porém não pude deixar de ler deu artigo e não se lembrar do candidato do meu estado ao senado apoiado pelo governo: Magno Malta. Minhas críticas a ele não são relativas a sua opção religiosa e sim ao seu discurso que meio "udenista" em que usa termos como "bandido" e suas propostas que apelam muitas vezes pro sentimento "linha-dura" da classe media capixaba. É triste o cenário da disputa ao senado do Espírito Santo.

Gabriel Caio em setembro 20, 2010 7:33 PM


#11

Gabriel, Senado-ES está punk mesmo. Parece que está consolidada a coisa, com Malta e Ferraço, e a Camata de fora. É o que sugerem os números e as minhas fontes também.

Idelber em setembro 20, 2010 7:42 PM


#12

Tai gostei. Porém não pude deixar de ler seu artigo e não me lembrar do candidato do meu estado ao senado apoiado pelo governo: Magno Malta. Minhas críticas a ele não são relativas a sua opção religiosa e sim ao seu discurso que meio "udenista" em que usa termos como "bandido" e suas propostas apelam muitas vezes pro sentimento "linha-dura" da classe media capixaba. É triste o cenário da disputa ao senado do Espírito Santo. (comentário anterior revisado).

Gabriel Caio em setembro 20, 2010 7:43 PM


#13

Idelber,
concordo com o tom geral sobre o fenômeno evangélico, embora não seja grande fã da Record. Morando no Rio, impossível não perceber que o neoevangelismo foi uma grandes forças organizadoras/desestruturadoras do mundo popular, ao produzir uma ética fundada no trabalho e permitir novas formas de reajuste social. "Desestruturadoras" pelo estigma que lançaram sobre o mundo afro-brasileiro, de presença central na cultura popular carioca. Esse é um lado bem ruim.
Uma fonte boa para suas futuras reflexões é o Folha Universal, jornal da IURD. Muito interessante a agenda. No último número que parou nas minhas mãos, havia reportagens sobre aborto (do ponto de vista de saúde pública, com entrevistas com especialistas e médicos), questão habitacional, racismo, abismo social nos EUA etc.
Gosto do conceito de interpelação do Laclau. A política não é a tradução direta de identidades já dadas de forma estável no mundo social, mas a atividade produtiva de reunir demandas em significantes novos e potentes. Nesse sentido, acredito na possibilidade do neoevangelismo ser interpelado "à esquerda", embora ache que ainda estamos um pouquinho distante disso. Esse campo ainda é muito complexo e com forte presença conservadora...

João Marcelo em setembro 20, 2010 7:46 PM


#14

Você foi muito bom, Idelber, mas o time de comentaristas está dando show de bola, hein!? Por exemplo, eu não sabia dessa do Eagleton! Vou correndo ler.
Em tempo: suas respostas no formspring mostram que sua verve continua afiada. Só não concordo muito com o Cortázar. Admita, Rayuela é muito bom e alguns contos também, como "a auto-estrada do sul"!

Maria Andréia em setembro 20, 2010 8:13 PM


#15

idelber eu comecei a escrever aqui, ficou grande e eu botei lá no blog. eu sou católica mas a favor do estado laico, sem mistura de religião com política.nem na escola.nem batizei meus filhos pq acredito em escolha.mas também acho que não há comparação entre globo e record. eu ainda não tomei partido quanto à postura Lula ou Kirchner e acho que a sociedade tem que se articular contra interferência religiosa na vida civil e acho que o problema é que os religiosos se juntam mais facilmente em torno dos seus pastores e os ateus ficam rindo e fazendo piadinha e não levam a sério até que vira lei e não tem mais o que fazer a não ser jurar por Deus com a mão na Bíblia...

mani em setembro 20, 2010 8:29 PM


#16

mani: você poderia passar o link pro teu blog. Ah, sendo um pouco chato, v. cometeu um ato falho: "acho que o problema é que os religiosos se juntam mais facilmente em torno dos seus pastores e os ateus ficam rindo e fazendo piadinha". Dos seus pastores E padres E rabinos, etc.

Alexandre Nodari em setembro 20, 2010 8:33 PM


#17

Ops, era pra ser uma pergunta: mani: você poderia passar o link pro teu blog?

Alexandre Nodari em setembro 20, 2010 8:34 PM


#18

"Não há como se tratar do papel da religião na campanha eleitoral de 2010 sem falar da figura de Marina Silva. [...] Nesta campanha eleitoral, no entanto, com a exceção de uma menção a 'mostrar os dois lados' na escola (entendendo-se “dois lados” como criacionismo e evolucionismo), eu não tenho qualquer crítica a declarações ou posições de Marina advindas de seu evangelismo".

E você acha isso irrelevante, Idelber?

Anarquista Lúcida em setembro 20, 2010 8:54 PM


#19

Caro Idelber,

Efusivos parabéns pelo post.
Digo eu, depois da eleição de Lula a coisa mais importante que ocorreu neste País foi o crescimento da Record, claramente para enfrentar a Globo. Uma alternativa de canal de TV diretamente vinculado à ascensão da classe C, classe na qual os envangélicos e dentre esses os neopetencostais têm importante expressão ´(os neopetencostais também na classe D).
E a propósito recomendo aos interessados na discussão sobre os evangélicos que dêem uma olhada no belo (a um só tempo comovente e combativo) ensaio de Mike Davis (da universidade da California "Planet of slums" publicado originalmente na New Left Review 26, março/abril de 2004, no Brasil 'Planeta Favela', Boitempo editorial, 2006. Diz o substract do texto na NLR: "Future history of the Third World’s post-industrial megacities. A billion-strong global proletariat ejected from the formal economy, with Islam and Pentecostalism as songs of the dispossessed".
Vejo agora que a própria NLR disponibiliza a versão em português da qual retirei a seguinte passagem, a título de aperitivo:
"Sintomaticamente, a primeira congregação brasileira, num bairro operário
anarquista de São Paulo, foi fundada por um artesão imigrante italiano que trocara
Malatesta pelo Espírito Santo em Chicago. Na África do Sul e na Rodésia, o
pentecostalismo criou suas primeiras cabeças-de-ponte nos complexos mineiros
e nos bairros pobres, onde, segundo Jean Comaroff, “parecia harmonizar-se com
as noções autóctones de forças espirituais pragmáticas e compensar a despersonalização
e a impotência da vivência da mão-de-obra urbana” . Concedendo um
papel maior às mulheres do que as outras Igrejas cristãs e dando imenso apoio
à abstinência e à frugalidade, o pentecostalismo – como descobriu R. Andrew
Chesnut nas baixadas de Belém do Pará – sempre exerceu atração especial sobre
“o estrato mais empobrecido das classes empobrecidas”: as esposas abandonadas,
as viúvas e as mães solteiras". E por aí vai...

Fernando Trindade em setembro 20, 2010 9:31 PM


#20

Idelber

sua análise é equivocada a respeito da Record... tivessem eles 50% da audiência como a Globo, agiriam tal e qual... vc sabe muito bem que a Record é financiada por dinheiro suspeito, advindo não somente de dízimos, mas de lavagem do narcotráfico...é inaceitável moralmente apoiar isso somente porque trata melhor fulano ou sicrano nas suas abordagens... os fins não justificam os meio...tenho receio de gente que pensa assim...

Natan Pardinho em setembro 20, 2010 9:39 PM


#21

Idelber,
a tendência à dicotomização costuma se originar na ignorância. Essa divisão entre evangélicos obscurantistas e ateus brilhantes é uma tentativa atroz de fazer tábula rasa da religião. E, a meu ver, o alvo predileto dessa seleção pouco natural é o cristianismo. Apesar das tantas variantes dentro do protestantismo, por exemplo, alguns passam a régua e nivelam todos os cristãos por algum pastor, padre ou bispo reacionário, obtuso e preconceituoso às voltas com o código penal.
Repetindo Adorno, "a pior forma de ignorância é a indiferenciação".

Nos anos 70, como se lê no livro "Canções de fé" (Laan Mendes de Barros), muitos membros de igrejas protestantes alinharam-se contra a repressão da ditadura. Outra parte da igreja, claro, parece ter se posicionado a favor do autoritarismo. O que precisa ser mais bem estudado (teria sido um simples alinhamento, ou falta de acesso às discussões livres - já que pela tv era impossível ter conhecer a realidade -, altas taxas de analfabetismo, o falso milagre econômico,...?).

Muitos cristãos também estão querendo dar continuidade ao bem-sucedido programa do governo Lula. Uma parte desses cristãos pertence àquelas camadas sociais mais marginalizadas que saíram da pobreza nos últimos 8 anos. Há evangélicos que votarão em Dilma porque estão com a saúde financeira melhor, outros porque compartilham de algumas ideias progressistas, ou por ambas e outras coisas.
A esquerda precisa abandonar o discurso da superioridade mental em relação a religiosos, inclusive por humildade intelectual e pelo reconhecimento da multidiferenciação do outro.

joêzer em setembro 20, 2010 10:11 PM


#22

Sobre o #18, Marina falou no Roda Viva. Ela deu essa declaração quando questionada por um aluno de escola onde já se ensinava o criacionismo. Portanto, considerei sua resposta coerente e não vi motivos para maiores preocupações nesse campo.

Fernando em setembro 20, 2010 10:21 PM


#23

Gosto do conceito de interpelação do Laclau. A política não é a tradução direta de identidades já dadas de forma estável no mundo social, mas a atividade produtiva de reunir demandas em significantes novos e potentes. Nesse sentido, acredito na possibilidade do neoevangelismo ser interpelado "à esquerda", embora ache que ainda estamos um pouquinho distante disso. Esse campo ainda é muito complexo e com forte presença conservadora...

Aqui eu acho que você foi na mosca, João Marcelo, e eu diria mais. Veja a diferença no nível da argumentação, e não só aqui na caixa, entre, por um lado, os que estão dispostos (mesmo sendo ateus como eu ou talvez justamente por serem ateus) a encarar a difícil tarefa de análise política que o post propõe (que é basicamente o que o joêzer coloca com as palavras dele) e, por outro, aqueles que repetem os slogans conhecidos ("se a Record estivesse no lugar da Globo era faria a mesma coisa", "ë tudo feito com dinheiro roubado" etc.). Depois desse cotejo, é impossível não concluir que é justamente dentro da suposta razão ilustrada da esquerda, não entre o evangelismo, que encontraremos os maiores obstáculos para fazer a interpelação à esquerda que você coloca.

Uma das consignas do blog sempre foi a de ouvir os interessados: quer entender a violência doméstica? Converse com e escute as mulheres. Quer entender o racismo? Converse com e escute os negros. Sempre conversei com, e tentei escutar, as pessoas mais pobres em todas as minhas viagens ao Brasil. Mas confesso que só recentemente comecei a escutar aqueles pobres que estão no interior do evangelismo. Aí, evidentemente, desabam os pré-conceitos, e o Folha Universal, que você cita (e que está disponível online), é um ótimo exemplo. Sem dúvida, o trabalho com os "do lado de cá" será muito mais duro e árduo que com os "do lado de lá". Em outras palavras: no geral, os evangélicos pobres me parecem entender a natureza dinâmica do conceito de interpelação que você cita de forma muito melhor que a razão de esquerda sempre tão segura de si e pronta a descartar o outro como alguém meramente alienado.

Idelber em setembro 20, 2010 10:32 PM


#24

Idelber

Minha relação com o PT se fez através da Igreja. Estudei em colégio franciscano e militei em CEBs. Dali para a militância política foi um pulinho. Afastei-me da Igreja mas não da militância política. Hoje, depois de mais de 20 anos de luta, tenho a satisfação de fazer parte de um governo petista em uma cidade conservadora e com uma forte penetração dos evangélicos neopentecostais. Anápolis-Goiás.

Equanto várias denominações neopentecostais deram uma guinada à esquerda, um bom naco do catolicismo pendeu à direita, notadamente com o crescimento da Renovação Carismática. É curioso esse movimento pendular.

Acredito e reconheço a importância de Crivella e Alencar na "crise" de transição de mandatos do presidente Lula. Mas, me parece, o grande mérito dessas correntes evangélicas foi perceber a repercussão das medidas implantadas pelo governo Lula na vida dos seus fiéis, e a separação entre doutrina religiosa e políticas de governo (ou doutrina de governo). Coisa que parte da inteligentsia - de esquerda e de direita - não consegue entender. E ainda poderíamos analisar a sacada de mestre do neopopulismo lulista (ou lulismo, como queiram) em se apropriar (no bom sentido) desse universo até então deixado meio de lado. O cara é um gênio político.

Roberson em setembro 20, 2010 11:05 PM


#25

Creio que o principal problema da religião continua sendo o de tentar justificar as contradições sociais com alguma forma de transcendentalismo. Não acho que se deva menosprezar o valor do materialismo como indispensável enquanto visão de mundo. Foi impressionante como a teologia da libertação deixou-se destruir quando a cúpula do Vaticano mudou de opção política (o que teve um grande papel no crescimento do pentecostalismo). Gosto muito do Frei Betto enquanto pessoa e militante, mas é vísivel o caráter precário de análises políticas alicersadas em ética cristã. Corremos um perigo real de retrocesso em várias áreas comportamentais como aborto e direitos GLBT se não houver algum tipo de militância laica mais organizada. Daí que não vejo como puro preconceito um certo pé atrás com políticos progressistas que fazem parte de denominações religiosas que não tenham na laicidade um valor a ser combatido. E a "Assembléia de Deus" da Marina é uma delas.
De resto acho que o velho Gramsci ainda é atual, a ideologia não teria a capacidade "interpelatória" se não tivesse algum fundamento na realidade concreta dos sujeitos sociais ao qual seu discurso é endereçado. Ficaria díficil para a IURD defender algo como neoliberalismo puro e simples (para o elitismo da OPUS DEI já seria diferente...). Evidente que o próprio marxismo não está isento disso... e a recusa a entender o fenômeno da religiosidade popular com chaves analíticas menos preconceituosas é um claro sintoma de contaminação de classe no interior da própria esquerda.
Em suma, devemos evitar tanto a condescendência intelectual quanto o preconceito aprioristico com possiveis aliados conjunturais. É curioso que a Heloisa Helena oriunda da TL tenha uma visão bem mais reacionária sobre o aborto que os bispos da Universal. Ainda não li uma análise decente do kardecismo enquanto sintoma de certos setores da classe média brasileira, já que é uma teoria de fragâncias "racionalizantes" que esconde uma brutal justificação das desigualdades sociais (não e a toa que só fez sucesso por aqui) e provoca bem menos repulsa nos meios de esquerda.

Alexandre V. Gil em setembro 20, 2010 11:30 PM


#26

Endurecer o discurso de um lado faz o outro lado também endurecer. Até alguém pouco moderado como Robespierre achava que o radicalismo ateu podia ter como efeito bumerangue a radicalização religiosa (daí ele advogar como compromisso a - enfadonha, é verdade - religião cívica). Certa esquerda tem que aprender a mitigar o dito marxiano - a religião é o ópio do povo - e aprender com a experiência do comunismo "real". Todos sabem como a Igreja católica trabalhou contra o mundo vermelho ao se ver proscrita de quase metade do mundo (não foi só por isso, é claro).

Alexandre Nodari em setembro 20, 2010 11:37 PM


#27

Pô Idelber,
Que raio de água é essa que você, o Celso (NPTO) e o Samurai estão tomando? É uma postagem brilhante atrás da outra... Dá até pena ler os argumentos rasteiros de um Bolívar Lamounier ("Oh! Até entendo que quem ganha um salário mínimo ou recebe bolsa família vote no PT! Mas a classe média "esclarecida"?!?!") ou de um Demérito Magnólico (um Ubaldo, o Paranóico da direita, só que um pouquinho mais feio e muuuuuuuuuito menos engraçado).
Ainda é cedo para analisar o impacto dessas religiões neopentecostais na vida brasileira como um todo - econômica, política, social, científica - mas o certo é que eles vieram para ficar.
São atores que a esquerda e a direita não podem subestimar ou tratar como simples massa de manobra - e muito menos tratar como invisíveis.
Seu post toca num ponto bastante interessante: porque apenas as religiões "evangélicas" são objeto de ataques das parcelas "esclarecidas", quando a Igreja Católica (aquela que inventou as indulgências, a inquisição e os padres pedófilos) ainda comete "preconceito, homofobia, misoginia e obscurantismo"?
É

Falando no Samurai, o cara voltou em grande estilo. Saca só:

"Derrotar o presidente Lula dependeria deste desejar ser derrotado. Tanto Juscelino quanto FhC desejavam ser derrotados para retornarem triunfantes, seja como presidente em 65, seja numa reedição em bases permanentes da solução parlamentarista de crise institucional de 1961 quatro décadas depois. Lula não. Lula, na sua simplicidade de quem sabe o seu papel simbólico, de quem vem de um mundo de reais pares – o chão de fábrica-, e não de um mundo de pares hierárquicos do reino – a torre de marfim, a oligarquia -, não tem dependência orgânica da bajulação. A lenda diz que ele gosta de coisas simples: mulheres, álcool, futebol. Por vezes até demais, diz-se. So what? Fato é: Lula decidiu que não ia perder. Ao fim e ao cabo, Lula é o PT, um partido com o grave defeito de insistir em agir como partido no sentido estrito num país em que a forma partido tem uma fluidez, uma malemolência típica destes trópicos. Como bom Mick Jagger ele sabe muito bem que fora da banda ele não dura seis meses, e que se a banda sofrerá sem ele, sem a banda que lhe dá suporte ele acaba. E ele nem precisou nos submeter às crueldades como She’s the boss para perceber isso."

O link pro post é: http://samurainoutono.wordpress.com/2010/09/10/o-enterro-da-republica-de-46/

Grande abraço!

érico cordeiro em setembro 20, 2010 11:38 PM


#28

Idelber

Este post veio a calhar.O padre Orivaldo Casini daqui de Piracicaba,em missa transmitida pelo rádio,sabado às 18horas, pediu aos fíeis em longo sermão que não votassem em Dilma, que ela fazia parte de uma facção, de uma quadrilha etc, etc. Eu fiquei horrorizada com a atitude desse padre.

Nana em setembro 21, 2010 12:21 AM


#29

Gostei muito do seu enfoque. Excelente mesmo.

O único reparo que faço é em relação à afirmação de que o catolicismo "não fica atrás de igreja evangélica nenhuma em termos de preconceito, homofobia, misoginia e obscurantismo". Aí, desculpa, você "cuspiu pra cima".

Não só as posições oficiais da Igreja Católica são um pouco mais avançadas -- há muito tempo eles pararam com essa pataquada de defender criacionismo -- como o discurso preconceituoso é menos disseminado entre os padres, e ainda bem menos introjetado entre os fiéis. Escrevi sobre isso nesse texto do ano passado no meu blog.

Sobre a aceitação cultural dos evangélicos, achei interessante que a TV Globo, sempre ligada aos interesses e à visão ideológica da Igreja Católica, percebeu que estava dando um tiro no pé ao estereotipar todo um segmento social, e passou a mostrar positivamente ações dos evangélicos em seus telejornais.

Marcus Pessoa em setembro 21, 2010 12:45 AM


#30

A IURD trabalha, em seus fiéis, um aspecto fundamental: auto-estima. E com eficácia, daí a multidão de seguidores. Não estaria aí uma grande afinidade com o lulismo?

adroaldo em setembro 21, 2010 1:49 AM


#31

Essa é uma das grandes afinidades com o lulismo, sem dúvida.

Idelber em setembro 21, 2010 2:11 AM


#32

Auto-estime? Ser roubado e achar que isto é bom é auto-estima? Ser vítima de lavagem cerebral, de roubo descarado é ser ajudado?

Raphael Tsavkko em setembro 21, 2010 2:43 AM


#33

Idelber,

Também sou ateu convicto e vejo obscurantismo em todas as religiões. No entanto, eu percebo uma coisa nesse neoevangelismo neopentecostal que me incomoda bastante. A idéia da teologia da prosperidade abraça o individualismo capitalista e o absorve totalmente em sua liturgia. Como socialista convicto, sempre percebi no catolicismo uma certa incompatibilidade com a ética do capital. Penso que é justamente essa incompatibilidade que possibilitou o surgimento de um catolicismo abertamente de esquerda, disposto a combater o capitalismo. Esse aspecto do catolicismo, que certamente não aparece nas correntes conservadoras, mas está presente em toda a sua história, me agrada bastante. A teologia da prosperidade eu acho perversa. Não passa de uma mistura de palestra motivacional com cristianismo, em que o capitalismo não só é bem-vindo, mas chega a ser louvado.
Preocupa-me muito essa ascenção, pois acho que ela vai na contra-mão de tudo aquilo que queremos. A mistura de religião e política pode até ajudar no combate à desigualdade, mas certamente não ajudará em bandeiras nossas como a descriminalização das drogas, a legalização do aborto, o casamento homossexual e, principalmente, do estado laico.
Abraços

Pedro Rangel em setembro 21, 2010 2:52 AM


#34

Roberson: grande prazer tê-lo aqui. O movimento pendular que você nota é bem curioso, porque ao longo dos anos, o núcleo da militância católica do PT acabou perdendo, eu acho, importância dentro do partido. Claro que ainda há dezenas ou centenas de milhares de católicos no PT, mas a minha sensação é que perderam, como movimento, capilaridade e influência no PT. Quanto ao seu comentário:

Mas, me parece, o grande mérito dessas correntes evangélicas foi perceber a repercussão das medidas implantadas pelo governo Lula na vida dos seus fiéis, e a separação entre doutrina religiosa e políticas de governo (ou doutrina de governo). Coisa que parte da inteligentsia - de esquerda e de direita - não consegue entender. E ainda poderíamos analisar a sacada de mestre do neopopulismo lulista (ou lulismo, como queiram) em se apropriar (no bom sentido) desse universo até então deixado meio de lado. O cara é um gênio político.

Eu acho que você vai na mosca. A percepção do alcance dessas medidas aconteceu bem cedo entre eles. Fiquei mesmo surpreso ao estudar a postura que tomaram em 2005. Já sacavam muita coisa ali. Realmente acho que todo mundo deveria buscar informação sobre 2005. É bem instrutivo.

PS: Confirmo o que lhe disse outro dia sobre a corrida ao Senado em Goiás. Dá pra virar, sim.

Idelber em setembro 21, 2010 5:33 AM


#35

"Coisa que parte da inteligentsia - de esquerda e de direita - não consegue entender. E ainda poderíamos analisar..." o que só faz confirmar o Grande Millor Fernandes: a nossa "inteligentsia" está mais pra "burritsia", é ou não é?

Tião Medonho em setembro 21, 2010 6:43 AM


#36

Agora, cá pra nós, discutir religião a sério, como coisa que faz sentido, é um pouco meio muito né não???

A Lesma Lerda em setembro 21, 2010 6:49 AM


#37

Sou eleitora de Marina Silva e, como a maior parte de seus eleitores que conheço, sempre votei no PT, em Lula, etc. Tenho críticas à candidatura de Marina, mas ainda acho que seria importante (por diversas razões que não caberiam aqui) que ela obtivesse nas urnas a maior aprovação possível (posto que a eleição presidencial a essa altura já está praticamente decidida). Além disso sou atéia convicta. Mas, desde o início da atual campanha eleitoral sempre me incomodou ouvir certos comentários de amigos, eleitores de Dilma, dizendo que não votariam em Marina por ela ser evangélica, o que normalmente até hoje me pareceu ser fruto de um tipo de preconceito de classe um tanto quanto nefasto (até porque todas as declarações que já ouvi Marina dar sobre a relação entre religião e política e o seu próprio papel nisso sempre me pareceram muito corretas). Na minha experiência, esses comentários soaram muitas vezes como aquele feito por Rita Lee, segundo o qual não votaria em Marina porque ela tinha "cara de fome". Ou como aqueles que todos nós escutamos há tempos atrás sobre não votar em Lula porque ele "seria um ignorante". Por um instante, confesso, achei que a posição deste blog talvez se aproximasse desse tipo de coisa e fico feliz ao perceber que não.

Luciana França em setembro 21, 2010 9:31 AM


#38

Idelber,
sua análise é muito interessante sobre a escolha de lado dos neopentecostais e sobre a questão de preconceito em relação aos religiosos.

Mas eu não consigo ver com bons olhos a formação de um império midiático financiado pela transferência de recurosos das classes mais baixas. E ao ver a grade de programação da Record e sua semelhança com a da Globo me parece que o objetivo não é ser diferente. É substituir no poder de influência.

Bruno Stern em setembro 21, 2010 9:42 AM


#39

Não há nada de excepcional no fato de que a crítica à religião e sua nefasta influência na sociedade hoje esteja mais forte contra os evangélicos. É muito simples: eles (evangélicos) são uma força em crescimento, ao contrário dos católicos (apesar de ainda poderosos, são muito menos do que já foram). Além da ascensão,são muito mais agressivos, radicais e militantes que os católicos, portanto incomodam muito mais. O dia em que os militantes do candomblé, new age, budistas e de outras religiões, que não incomodam ninguém, tiverem poder suficiente e quiserem incomodar, virarão a bola da vez. Simples assim.

Quanto à comparação Globo x Record, concordo com o que disseram antes: O dia que a Record tiver poder similar ao da Globo será muito pior do que esta, não tenho a menor dúvida. Eu já a considero pior em tudo, hoje em dia, do ponto de vista moral, da programação, da origem do dinheiro, da ética, etc. Isolar esses pontos da política não faz sentido, isso também é política.

wagner em setembro 21, 2010 9:46 AM


#40

"Uma das consignas do blog sempre foi a de ouvir os interessados: quer entender a violência doméstica? Converse com e escute as mulheres. Quer entender o racismo? Converse com e escute os negros."

Perfeito. Eu, como ex-evangélico, sei bem o que é ser uma ovelha do rebanho. Conheço o modus operandi, as análises sociais, as construções mentais.

E é exatamente por isso que não voto em Marina: é evangélica. E esse é um dos motivos principais de votar em Dilma: ela é perseguida pelos evangélicos.

Claro que isso pode parecer maniqueísmo, mas quero relembrar que eu fui um deles. Eu sei como a coisa funciona. E afirmo, sem medo de errar: Dilma que se cuide com esses caras.

Marcelo em setembro 21, 2010 9:51 AM


#41

Idelber, para mim a religiosidade demonstrada pela Marina é um problema. Eu ainda não vi, talvez por falha minha, ela dizer claramente se defenderia, por meio de sua bancada, casamento gay ou descriminalização do aborto ou aceitaria sancionar leis que fossem claramente contra os princípio religiosos dela. Evangélicos, católicos, macumbeiros (desculpe pelo termo, a intenção não é ser pejorativo), todos são bem vindos na política. Mas devem ser combatidos (de novo no bom sentido) a partir do momento que os dogmas da religião de qualquer um deles passar a guiar suas reinvindicações para a vida alheia.

PS: meu maior problema com a Marina é a incongruência, que o Plínio de Arruda Sampaio já apontou, entre defesa do meio ambiente e crescimento econômico.

André em setembro 21, 2010 9:55 AM


#42

Idelber,


É certo que de 2002 pra cá, o contexto político do Brasil mudou exponencialmente. Mas será que Marina não perdeu votos dentre os evangélicos justamente porque não vestiu a camisa da religião que professa?

Garotinho conseguiu 18% em 2002, por exemplo. Talvez Marina saísse desse limbo em que se encontra atualmente e quem sabe até tirasse votos de Serra e lutasse por um segundo turno com Dilma. Isso é possível porque, como você mesmo afirmou, ainda falta analisar o impacto do neoevangelismo lulista nestas eleições, e talvez um lobby pró-marina dentro das igrejas pudesse mudar esse cenário atual.

Outro coisa: os grandes cabos eleitorais entre evangélicos são os pastores. Muitos deles, candidatos a deputado ou já vereadores. E aí o que vai determinar em quem os fiéis votarão será a coligação a que pertence esse pastor. Em Recife - não sei em outras cidades, mas imagino que seja igual - a influência dos pastores era tanta que os fiéis faziam campanha nas ruas de graça. Por isso não consigo ter idéia do alcance do lulismo dentro das igrejas, e concordo contigo que um estudo sobre isso precisa ser feito.

Gustavo S. em setembro 21, 2010 10:23 AM


#43

Só para dar um pitaquinho: estranho um pouco quando colocam no mesmo saco várias denominações religiosas e dizem, "os evangélicos". Com tanta variedade e heterogeinedade de grupos,não pode haver generalização.
Abraços

Flavia Tunes em setembro 21, 2010 11:36 AM


#44

Impressionante vc falar isso da record estando nos EUA. Por acaso vc consegue ver o jornal da Record? O Jornal tá com várias séries de reportagens favoraveis ao governo Lula: uma semana falando da Nova Classe Média, depois outra seman falando dos Desafios do Brasil. Falar da melhora da qualidade de vida da populacao acaba beneficiando a candidata do governo. Mas, nao é legitimo falar o que está acontecendo no Brasil na época eleitoral?

Bruno em setembro 21, 2010 12:42 PM


#45

E fora que com a record ser demitido da Globo nao significa mais ficar para sempre desempregado como jornalista. Isso é de uma enorme importancia para a democracia. Mesmo que se considere a Record governista. Todas as outras redes (Band, Rede TV, CNT e Globo, SBT) sao muito anti-governo

Bruno em setembro 21, 2010 12:45 PM


#46

Caramba, quantos (ótimos)comentários, quase desisti.
Parabéns, falou tudo o que penso.
abração
Ricardo Grillo

ricardo grillo em setembro 21, 2010 7:14 PM


#47

Pois é, Ricardo, a galera que lança gritaria e chavão por aqui deve passar vergonha a posteriori, porque a turma, quando resolve argumentar, argumenta bem.

Eu tenho muito orgulho dos meus leitores. Dos que concordam e dos que discordam argumentando.

Idelber em setembro 21, 2010 7:19 PM


#48

Olá Idelber, mais uma vez seu texto me surpreende pela quantidade de indagações e pelo cuidado em responder muitas delas sem eclipsar o espaço de vozes dissonantes. Se me permite uma participação...
Acredito que afirmar que a religião não polarizou votos na eleição é mais complexo que parece. Tendo a concordar em um primeiro momento pois o debate sobre o tema foi muito escasso; eu sinceramente acreditava que a candidata Marina poderia mostrar-se como uma opção verdadeiramente evangélica, mas derrapou em alguns temas, virou as costas para outros e, por muito tempo, tocou só a corda que a cada dia ficava mais aguda, a do meio ambiente. Mas, por outro lado, tendo a discordar pq o crescimento ( multiplicação dos crentes) dos neopentecostais é quase concomitante com os sucessos do governo Lula. A ideia da "teologia da prosperidade" que é muito latente nas igrejas neopentecostais pode ser uma chave de leitura que mostre como o projeto lulista, digamos, os colocou nas costas e disse: Vãobora! Neste sentido tendo a concluir que há confluência entre projeto político e religioso. Mas não saberia dizer em que medida isso se converteria em votos, acho que terá importância nas urnas.

Vitor Gomes em setembro 21, 2010 8:35 PM


#49

Olha, A Lesma Lerda, eu acho que a religião deve ser discutida como matéria de extrema importância, de maneira séria. Goste-se disso ou não, a grande narrativa da civilização ocidental é o cristianismo.

Gabbardo em setembro 21, 2010 9:11 PM


#50

Caro Idelber
Muito bom o post. Ja fui mais catolico, quando existia esquerda catolica, hoje me declaro teilhardeano (é mole?), e concordo que o preconceito contra os evangelicos é muito mais um preconceito social que religioso. A igreja catolica virou as costas (o papa woitila) para o povo, e eles foram pra onde as portas estavam abertas. Ué.

Flavio Lima em setembro 21, 2010 9:54 PM


#51

Caro Idelber
Muito bom o post. Ja fui mais catolico, quando existia esquerda catolica, hoje me declaro teilhardeano (é mole?), e concordo que o preconceito contra os evangelicos é muito mais um preconceito social que religioso. A igreja catolica virou as costas (o papa woitila) para o povo, e eles foram pra onde as portas estavam abertas. Ué.

Flavio Lima em setembro 21, 2010 9:55 PM


#52

"Olha, A Lesma Lerda, eu acho que a religião deve ser discutida como matéria de extrema importância, de maneira séria. Goste-se disso ou não, a grande narrativa da civilização ocidental é o cristianismo." ah é? então me conta como levar a sério as igrejas catolicas (o predio, a edificação) se na torre principal sempre tem um para raio????

A Lesma Lerda em setembro 21, 2010 10:28 PM


#53

uma perguntinha para o pessoal ja entrado em anos, com duplo sentido, por favor: toda essa euforia com a vitoria de um suposto projeto nacional popular meia boca, nao tem um travo de coisa atrasada de pelo menos 50 anos???

Genital Lacerda em setembro 21, 2010 10:32 PM


#54

Caríssimo Idelber, você tocou num tema complexo. Desde já quero deixar bem claro que tal assunto, para mim, está em aberto. Vou literalmente, a seguir, tentar alinhavar um texto.

Qual é a grande dificuldade inicial, ao menos para mim? Encontrar, dentro do possível, palavras precisas que abordem tal campo nebuloso do existir humano. Em tal temática sempre se está a caminhar sobre o fio duma navalha: i) ou se escreve para eruditos, isto é, um texto hermético e inútil; ou ii) se cai numa banalidade inconseqüente, muito próxima de coisas deploráveis de auto-ajuda. Assim começo pelo início…

Primeiro, para escrever sobre tais coisas é necessário sobre tudo ter coragem. Mas que tipo de coragem? De se expor!

Pois bem… Minha formação de infância se deu na Igreja Católica. Contudo, por influência de minha família, nunca fui um católico de carteirinha, porém, por outro lado, fui encharcado por tal ideologia que pode ser resumida nos seguintes pontos principais:

i) sem dúvida, é uma ideologia que cultua a MORTE E A DOR; ii) fomenta o sadomasoquismo; e iii) a autoritária família patriarcal; iv) distorce a sexualidade sadia; v) favorece o casamento compulsivo; vi) distorce, idealizando, a figura da mulher; vii) favorece o machismo; viii) não consegue lidar com o homossexualismo (talvez a melhor palavra seja homo-erotismo); ix) fomenta a terrível ideologia do “livre arbítrio”, que nunca existiu!!; x) por ser em essência sadomasoquista, distorce a natural autoridade sadia em autoritarismo; xi) fomenta o misticismo e, consequentemente, é um substrato à nucleação e crescimento do fascismo (em todos os seus matizes históricos); em fim, perpetua a sociedade de classes e, portanto, é uma ideologia reacionária que favorece o racismo, a exclusão social pela formação acadêmica, um tipo de beleza classista, enfim, uma moda que é sempre uma bosta dominante.

Portanto, do dito acima, eu deveria concluir que a religião deveria ser negada em uma futura sociedade progressista; pois, de um jeito ou de outro, todos os conhecidos matizes religiosos são manifestações ideológicas duma classe que, a qualquer custo, quer se manter hegemônica num dado momento histórico. Porém para mim não é só assim…

Bem, como disse antes, é necessário ter coragem… Portanto, continuo me expondo… Aproximadamente, entre os 21 e 40 anos, fui um materialista histórico convicto. Tudo poderia ser explicado e resolvido pela “práxis”, resumidamente: um científico processo contínuo, e dialético, entre a teoria e a prática (sobre qualquer fenômeno da existência humana) que se auto-alimentavam num processo educativo-evolutivo e que conduziriam, necessariamente, à lucidez individual e/ou coletiva.

Pois é. Embarquei nessa caravela da onipotência: i) mandei as favas, um dito casamento reacionário; ii) ajudei a fundar um núcleo do PT na EPUSP; iii) experimentei quase todas as drogas (que, ainda bem, depois abandonei) para alcançar um horizonte maior à percepção, ou seja, tornei-me um despirocado; iv) casei de novo e durante 5 anos trepei, em média, 4 vezes ao dia; cheguei à proeza de trepar 12 vezes ao dia (a revolução sexual - e Reich deveriam estar certos!); v) separei; casei; casei de novo; vi) todos os meus amigos e amigas eram ligadas ao PT e à CUT (e que muito mais tarde, alguns fizeram parte, por serem os MAIORES CANALHAS QUE CONHECI!!!, do famigerado mensalão do PT; vii) tentei vivenciar diretórios do PT - não deu, não aguentei!; viii) vivencie, fazendo boca de urna, todas as eleições em que Lula fora derrotado; ix) resultado: por pouco não enlouqueci; e foram necessários 20 anos de psicanálise freudiana; x) tornei-me, apesar de tudo, mestre, doutor e pós-doutor em Metalurgia pela EPUSP; xi) publiquei um livro de poemas; ganhei dois prêmios nacionais em metalurgia; xii) estou prestes a publicar um novo livro de poesia; xiii) estou a orientar 6 mestrados numa instituição federal de ensino; xiv) e, por mentira que pareça, continuo petista, mais que vermelho - roxo!

Mas… Por que de tudo isso? Porque busco o ENCANTAMENTO!

Mas qual encantamento? Aquele que vi em alguns companheiros e companheiras - sinceros; aquele que vi em alguns companheiros da Teologia da Libertação; aquele de muitíssimos mártires – padres e freiras – ASSASSINADOS por estarem envolvidos até a alma em libertadores movimentos populares da América latina; ou seja, aquele encantamento do Voyager 1 que, dos anéis de Saturno, mostrou a nós, humanos seres conscientes da Vida, a humildade cósmica da Terra - na estrada do SEM NOME.

Ramiro Conceição em setembro 22, 2010 2:18 AM


#55

Eu não penso nisso com pruridos éticos (ou fricotes estéticos). E tampouco creio que a imprensa (necessária, por pior que seja - pelo menos até o momento) tenha sido motivada, em qualquer tempo ou lugar, por sentimentos nobres (peço desculpas por estar exclamando o óbvio). A propósito, só interessados na permanência, direta ou indiretamente, e cretinos, podem confundir "abuso de poder da imprensa" com "liberdade de imprensa". Até parece que a imprensa, especialmente a que ainda temos no Brasil, é a fiel depositária da ética, da moralidade, situada acima de onde os demais não conseguem domar seus instintos malévolos e cedem às mais vis tentações. Globo? Record? Vícios privados, benefícios públicos! Por mais sórdidos que ambos sejam, o ódio mutuamente devotado (ou mesmo a competição predatória) pode resultar em algo positivo aos circunstantes. Portanto, a Record (e outras emissoras que surjam), por mais deplorável que me pareça, pode ser benéfica.

JH em setembro 22, 2010 6:48 AM


#56

Idelber,
Você diz: "Tenho várias críticas à Marina, mas elas não passam por aí [religião]". Chegou a dedicar um post inteiramente a esse assunto? Gostaria de ouvi-lo a esse respeito, já que votarei nela. Os argumentos estão em meu blog. Convido você a passar lá. Um abraço.

Luis G. Fragoso em setembro 22, 2010 10:09 AM


#57

Excelente análise, Idelber!

Sou cristão protestante de longa data, de igreja histórica reformada (batista), o que hoje não quer dizer muita coisa, já que o meio evangélico virou uma salada total das mais diferentes tendências. Sempre me alinhei ao pensamento político de esquerda, desde a época em que evangélico não podia fazer greve, por exemplo. Lembro-me da dificuldade que tive, diante da igreja, em fazer a greve bancária em 1984. Fazer greve, na época, era coisa do demo... rs. Até o início da década de 80, os evangélicos eram poucos e discriminados, éramos os famosos "carregadores de rapadura" todo domingo. Éramos tão insignificantes que fiquei surpreso quando Carlos Eduardo Lins da Silva, então articulista da Falha de S. Paulo, escreveu às vésperas da eleição de 89 que Collor tinha a retórica de um pregador batista do interior. Ainda não havia emails, e por isso lhe enviei uma carta que, para minha surpresa, foi respondida pelo próprio e pelo mesmo meio, pedindo descupas e dizendo que tinha se expressado mal.

Com o advento da teologia da prosperidade e o avanço da igreja universal (assim com minúsculas mesmo, porque não a considero "igreja" nem "universal"), a coisa tomou outros rumos. Os evangélicos tradicionais não perceberam o perigo e foram engolidos pelo neopentecostalismo, restando hoje poucas igrejas fiéis aos princípios da Reforma Protestante. A ideologia consumista e utilitária venceu a teologia na maioria delas. Obviamente, trata-se de um fenômeno multifacetado e pouco estudado, mas os alinhamentos políticos hoje são justificados muito mais por questões utilitárias (apadrinhamento, facilidades, contatos, etc.) do que doutrinárias. Questões como aborto e casamento gay, por exemplo, são apenas desculpas para se justificar o alinhamento do pastor (líder da igreja) com essas ou aquelas benesses que recebe do seu candidato, não necessariamente da mesma confissão. Há outras questões que me intrigam, porque fogem a qualquer tentativa de ver lógica nesses alinhamentos políticos. Ives Gandra Martins, por exemplo, católico tradicionalista de direita ligado à Opus Dei, tem imensa influência na Universidade Mackenzie, que é presbiteriana (calvinista). Claro que o Mackenzie tem seu passado direitista espelhado no conflito da R. Maria Antônia em plena ditadura, mas é uma associação no mínimo esquisita. Aliás, parece que hoje vivemos uma espécie de "calvinismo de resultados" mesmo nas igrejas pentecostais e neopentecostais que - curiosa e paradoxalmente - sustentam, pelo menos no discurso, uma teologia arminiana (oposta ao calvinismo). Este é outro tema que ainda deve e merece ser melhor explorado, mas este "calvinismo de resultados" seria muito semelhante ao discurso da teologia da prosperidade, ou seja, "você foi predestinado a ser rico e os outros predestinados a serem pobres". A "confissão positiva" (uma espécie de pensamento positivo de fundo religioso) vigente nessas igrejas representa, na verdade, um alinhamento automático com o discurso do liberalismo e da concentração da riqueza que defende a direita. Por isso, a preocupação com a pobreza foi abandonada, porque ela, na visão ideológica evangélica atual, é um sinal do demo (o "devorador") na vida dos crentes. Nesta visão, ser pobre é ser desgraçado e ser rico e evangélico é fashion. "Evangélico" é hoje, portanto, um termo muito mais ideológico do que teológico.

Como você vê, são muitas vertentes que podem ser aprofundadas, e há muito ainda o que falar, mas são algumas pistas que deixo aqui para que sejam melhor discutidas e analisadas por mais cabeças pensantes, religiosas ou não.

Abraço!

Hélio em setembro 22, 2010 12:16 PM


#58

- Mesmo na Idade Média, e o terror estabelecido pela Igreja, apareceu figuras como Francisco de Assis e Antônio de Pádua, ardorosos defensores dos pobres;

- Mesmo sob Pio XII já havia a Ação Católica e os padres Operários

- Apesar da "marcha da família com Deus", D. Hélder Câmara, Bispo, e figuras como Frei Beto atuavam em outra esfera...

- As denominações evangélicas seguem, pelo menos, algumas linhas distintas: as históricas, evangélicas, neo evangélicas, pentecostais e neo pentecostais... fora as históricas (que são apenas três) há uma pulverização de denominações quase incalculável

- Não dá pra generalizar a atuação religiosa, como odiosa ou "santa", senão por seus indivíduos.

- As instituições (sejam quais forem) têm o direito de defender, e disputar, seu ponto de vista numa sociedade democrática, o que não podem é querer seus valores como absolutos e inquestionáveis, pois aí não é mais debate, é imposição.


Dica de Leitura Sobre a laicicidade do Estado: "Tio" Marx, em "A questão judaica" http://www.marxists.org/portugues/marx/1843/questaojudaica.htm

Só pra registrar, milito na esquerda principalmente porque, aos 10 anos, fui estudar num colégio de padres, voltado pra burguesia (era bolsista), TODOS bem próximos a D. Hélder, e que me catequizaram pra ser cristão fora dos templos mais do que nas missas.

Giovanni Gouveia em setembro 22, 2010 12:41 PM


#59

"então me conta como levar a sério as igrejas catolicas (o predio, a edificação) se na torre principal sempre tem um para raio????"

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Religião católica e prédio, edificação católico, por mais que queiram os papas, não se confundem. E por trás das edificações católicas, goste-se disso ou não, há a figura de Agostinho.

Gabbardo em setembro 22, 2010 2:38 PM


#60

Eu havia pensado em fazer um comentário, mas depois de ler tantos comentários bem argumentados, depoimentos ricos, etc., não tenho mais o que dizer, a não ser que, para mim, se confirmou que a questão é bem mais complexa do que parece àqueles que acham que tudo de resolve no grito.

Aliás, é por isso também que o candidato presidencial do grito, das frases fáceis e feitas vai fazer menos de 5%. E a "culpa" será do povo que é alienado, ou da mídia que aliena, etc., mas não de seu próprio modo de encarar e modificar o mundo.

Abraço

Alexandre Nodari em setembro 22, 2010 5:35 PM


#61

desculpe senho Gabardo, se nao me fiz entender: a questão do para-raio tem a ver com a fé dos sacerdotes, com a convicção dos que supostamente creem e tentam convencer os outros a crer...ao que parece ele tambem acreditam que o chefe deles pode mandar um raio em cima de sua casa a qualquer momento né não???

Genital Lacerda em setembro 22, 2010 7:35 PM


#62

Curioso, pra mim, é que no debate da Rede Vida perguntaram aos candidatos se era necessário ser cristão para ser presidente. Marina e Plínio, cristãos, disseram que não. Serra, que até onde eu soubesse era agnóstico, disse que sim.

Thuin em setembro 22, 2010 9:39 PM


#63

Ufa!… Dois dias… A construir
a CORAGEM de voltar aqui.
Percebo que os comentários, após o meu,
foram sadios… Ainda bem! Então a todos
um…


PERFUME
by Ramiro Conceição

Dentre os passos meus, naquela manhã, vi deus
dentro do olhar de um cachorrinho que passeava…
Aquele deus não era tribal, nem um assassino de gays;
não tinha escravos, terras ou altares justificados por leis;
abominava políticos, padres, freiras, pastores e dízimos;
não era uma lua mística, mas um sublime sol – objetivo!;
era um olhar enamorado que, agora, tento dar um nome,
mas aquele deus não tinha nome; era qualquer homem
ou mulher; era a luz de estrelas num vagar de um vaga-lume;
era um perfume a dizer…“NEM OURO QUE RELUZ É TUDO”

Ramiro Conceição em setembro 24, 2010 6:55 PM