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segunda-feira, 13 de setembro 2010
Revista Fórum: O Ad Hominem da Militância
Aí vai minha contribuição desta semana para a Revista Fórum. Como de costume, deixo um trecho aqui e coloco o link para para que você termine de ler lá na Fórum. Querendo debatê-lo, é só voltar aqui.
Já é um clichê repetido à exaustão que a grande mídia tem sofrido um tranco duro durante esta década de disseminação do acesso à internet. Não quero aqui martelar outra vez este ponto, mas analisar, de forma breve, uma variação recente da resposta de alguns jornalistas ao processo que poderíamos chamar de “choque de transparência”. Trata-se do termo “militância”, sistematicamente usado por jornalistas para desqualificar as críticas recebidas pela grande mídia na internet.
Em primeiro lugar, vale lembrar uma diferença entre os blogs, principais instrumentos de crítica da mídia na primeira metade da década, e o Twitter, plataforma de micro-publicações que adquire cada vez mais importância na internet brasileira. Muito pode ser dito aqui e existe gente mais qualificada que eu para falar dos aspectos técnicos da coisa. Limito-me a apontar o óbvio: por mais barulho que os blogs fizessem, era relativamente simples ignorá-los. Um blog opera em seu espaço próprio, que o jornalista da grande mídia, mesmo visitando, pode ignorar ou fingir ignorar. No Twitter, não. Cada jornalista e veículo de mídia possui seu próprio perfil, mas opera no mesmo ambiente que todos os outros tuiteiros. Uma avalanche de menções a alguém dificilmente poderá ser ignorada sem que se caia no ridículo. Por isso a ombudsman da Folha foi obrigada a dedicar a coluna inteira deste domingo ao #DilmafactsbyFolha. Teria ficado feio demais fingir desconhecimento de uma experiência tão impactante como aquela.
Continue lendo O Ad Hominem da Militância no site da Revista Fórum e depois volte para dar seu pitaco.
Escrito por Idelber às 15:48 | link para este post
| Comentários (24)
#1
existe um descompasso entre teoria e prática.
na prática, e eu sei pq estudei em federal em época de privatizações, militante petista é um bicho chato pra caralho - no mesmo nível de outros chatos míticos como o evangélico, o anti-tabagista, o vegano, o apocalíptico, o ateu proselitista.
por outro lado, vamos combinar, militante é o cara que é um ator político lutando pelo que acredita. é uma coisa linda. é o ideal republicano. o fato de eu me encher qd fazem piquete na porta da minha universidade não quer dizer q não seja menos lindo.
e, por isso, é sempre engraçado quando o pessoal que acha que é apolítico, q só pensa em si mesmo, que é privilegiado mas só sabe reclamar, que acha que só o outro tem ideologia, que escreve a soldo pra jornais absurdamente políticos e, pq não?, militantes da direita sim, é risível ver esse povo usando militante... ao invés de elogio da participação política do outro... como um xingamento pra desqualificar.
ê mundo.
PS: mas ó, falando de dentro, critica construtiva e talz, ateus e petistas militantes bem q podiam ser menos chatos, sim, viu? afe.
alex castro em setembro 13, 2010 4:13 PM
#2
unindo essa análise com a do NPTO (de ontem), dá para concluir que é duro aturar o cara que além de petista (é ruim porque é petista) ainda por cima é militante (que também é ruim porque é militante) kkkkkkkkkkkkkkkkkk
aiaiai em setembro 13, 2010 4:44 PM
#3
Se o cara for ateu, ai f....! kkkkkkkkkkkkk
aiaiai em setembro 13, 2010 4:45 PM
#4
Sou ateu, mas não sou petista "de carteirinha" (apenas um simpatizante). Gosto muito de carne de porco (e de carneiro, de galinha). Fumo moderadamente. Cof, cof.
De um a dez, em qual nível de chatice estaria eu Alex?
frank em setembro 13, 2010 4:53 PM
#5
O problema do militante é o dito recuperiano "o que é bom a gente fatura mas o que é ruim a gente esconde". O texto NPTO é bom porque não foge às responsabilidades e erros do PT nesse processo todo. Militante partidário pode ser partidário, mas não cego. E, se é verdade que os mais pobres hoje melhoraram, os mais ricos ficaram... mais ricos. O governo não tem em mira o socialismo, mas uma administração menos ruim (não boa, menos ruim) do Estado em um universo capitalista, sem alterar paradigmas essenciais. Isto tem bastado para melhorar as condições gerais, mas o salto para o desenvolvimento será dado?
marcos nunes em setembro 13, 2010 4:56 PM
#6
Ter e explicitar posicionamento político não é mácula. É honestidade.
A Veja, por exemplo, cada vez mais abriga matérias com pouco conteúdo jornalístico e com muito, mas muito posicionamento político. E o problema maior é que, no podre periódico, defende-se a bandeira da imparcialidade e ataca-se a postura dos militantes de esquerda que emitem suas opiniões.
Para mim, há duas diferenças essenciais entre os blogueiros de esquerda e a revista veja:
1) Não sei por que cargas d'água, os militantes da esquerda são infinitamente mais inteligentes do que o pessoal da veja;
2) Os esquerdistas donos de blogs avisam qual é seu posicionamento político.
Em minha opinião, a Veja atualmente é pouco mais do que um panfleto mal-redigido por jornlistas comprados.
Pedro Marques em setembro 13, 2010 5:00 PM
#7
É, em parte o Alex tem razão: prosélitos, de qualquer natureza são muito chatos.
Discordo num ponto que me afeta diretamente, aos 63 anos de idade me convenci que é menos pernicioso eu me confessar desonesto do que ateu.
As pessoas (principalmente as que creem em alguma divindade) tendem a querer me "salvar" desta ignomínia que é se confessar descrente.
Segundo, ser militante de um partido ou de uma ideologia (ainda que desvinculada de qqr partido) é quase tão ruim quanto ser ateu. Os que não pensam como você querem, à força e a fórceps, convencê-lo de que você está errado.
Isso sim é que é um saco!
JA-BH em setembro 13, 2010 8:10 PM
#8
O tal Escosteguy, da Veja, usou desse mesmo artifício no Twitter. Ao ver sua matéria desconstruída, bradou: "Sou jornalista e fazer jornalismo exige responsabilidade. Não é coisa de militante". Belo jornalismo que veja faz!
Ivan Trindade em setembro 13, 2010 9:14 PM
#9
Pedro Marques,
Não faz muito tempo que comecei a frequentar os blogs de esquerda, mas realmente é uma surra no quesito inteligência. O pessoal de direita só sabe desqualificar e falar palavrão; muito pouca coisa inteligente se vê nestes blogs. Agora, descobri este blog aqui, que tem uma qualidade, pode-se dizer espetacular.
Pedro Gomes em setembro 13, 2010 9:49 PM
#10
Comentando certo dia com o meu pai, um velho comunista do Partidão, sobre a aporrinhação que são as greves, passeatas, piquetes no dia a dia da cidade, ele me disse do alto de sua experiência: "meu filho, saiba que é por causa desses chatos que hoje vc tem descanso semanal, férias remuneradas, carga horária de 8 horas, licença paternidade e maternidade, vale transporte, tiquete alimentação, décimo terceiro salário, etc, etc, etc..."
Nada mais foi dito nem tampouco perguntado.
Fernando em setembro 13, 2010 10:36 PM
#11
Ab hominem! O pessoal não gosta nada desse negócio de militância. O tempora, o mores! Sei que nós mesmos percebíamos que não dava mais pra ser nos velhos moldes. Isso cabe nos novos corpinhos, formatos, suportes, mentalidades e ambientes.
Já não cabia direito há vinte e tantos anos...
Pois é, Idelber, ainda bem que podemos reinventar a militância!
Jair Fonseca em setembro 13, 2010 11:32 PM
#12
ia levantar o mesmo ponto que o alex: desqualificar o interlocutor como "militante" é desconsiderar a importância da participação política.
vontade de dizer pra esse povo: assumam-se como militantes de direita, ou de centro, que seja. ao invés de pregar essa mentira de imparcialidade. quem sabe o debate fica mais interessante, e a gente possa parar de se esquivar de tanta manipulação para efetivamente debater.
mas tem outro ponto, o principal do teu artigo a meu ver, que é a descontrução das manipulações várias armadas pelos "jornalistas". a incrivel disseminação pelo twitter ajuda nisso.
kellen em setembro 14, 2010 1:35 AM
#13
Cosquinha
O máximo que a mídia oposicionista consegue fazer para prejudicar Dilma Rousseff a semanas do pleito são essas acusações vazias e insignificantes contra sua assessora? Convenhamos, o governo Lula (e a própria Dilma) já foi vítima de baboseiras pseudo-investigativas muito piores nos últimos oito anos.
A crise de credibilidade da imprensa corporativa é tamanha que chegamos a tolerar e até ridicularizar certas ilicitudes “menores” – sejam as calúnias do noticiário, sejam os eventuais desvios que ele aponta. Aceitamos a falta de escrúpulos generalizada como contingência do processo eleitoral. Ninguém realmente acredita que a Veja ou a Globo receberão punições equivalentes aos malefícios que provocaram, ou tentaram provocar.
O grande ataque midiático, anunciado e temido pela militância petista, não está descartado, pelo contrário. Mas, observando o ritmo da desmoralização dos veículos a serviço de José Serra, a tendência é eles apenas alimentem o já caudaloso anedotário jornalístico nacional. A não ser que a iniciativa extrapole o âmbito puramente noticioso.
http://www.guilherme.scalzilli.nom.br/
Guilherme Scalzilli em setembro 14, 2010 2:38 AM
#14
Mas o Alex coloca uma questão interessante, que é diferente do ad hominem dos jornalistas: como inventar uma militância sem proselitismo, uma militância que não seja chata? Essa aí é uma questão sobre a qual vale a pena se debruçar.
Idelber em setembro 14, 2010 6:53 AM
#15
Olá Idelber e demais,
Todos aqui somos militantes, se não de um partido, de uma ideologia, uma forma de pensar. Pelo simples fato de nos darmos o trabalho de entrar aqui para deixar um comentário, significa que temos posicionamento e queremos convencer outras pessoas a pensarem como nós.
Toda pessoa é sujeito de sua ação, mesmo os que não estão discutindo política. Tem ideias, defendem alguma forma de pensamento mesmo que seja no comportamento, no cotidiano e não no discurso político.
Negar isso é querer sustentar o mito da imparcialidade, que jornalistas tanto defendem. Tem também o mito da independência, que agora a mídia também adotou. Se consideram independentes, mas tem rabo preso com a ideologia dominante do capitalismo, da indústria cultural.
Felizmente os blogs vem para nos dar mais visões sobre o processo eleitoral e nos fazer pensar sobre a relação entre mídia e público. Que venha o plano nacional de banda larga e traga a verdadeira democratização do acesso à informatização, para que mais gente se politize e os imparciais deem lugar, de vez, aos militantes assumidos.
Paulo Morais em setembro 14, 2010 7:25 AM
#16
(Quase) todo ser humano tem lado, tem opinião e, portanto, não é imparcial. O militante também.
Costumo comentar, teimosamente, nos mini-blogs da CBN que acompanham o link dos áudios. É impressionante como sou acusado ali de ser "militante pago" para escrever a favor do Governo. Acho que a direita não consegue conceber que alguém tenha opinião mesmo que não seja remunerado para isso. Eles julgam os outros com os parâmetros que adotam para si mesmos.
Roberto Locatelli em setembro 14, 2010 7:39 AM
#17
Algumas coisas que os jornalistas ainda não aprenderam sobre os tempos da internet:
1) A caixa de comentários insere a possibilidade de um contraponto imediato, muitas vezes de leitores mais preparados que o jornalista. Quem não quer passar vergonha precisa trabalhar muito mais do que antes.
2) Os leitores podem não gostar da matéria, não por estar incorreta na essência, mas pelo estilo, pelo uso excessivo de adjetivos, pelo uso de ilações sutís. É preciso aprender a conviver com a crítica.
3) Não existe mais a carteirada e a limitação de espaço. Matou a cobra? Então tem que mostrar a cobra morta ou dar o link para a cobra morta, seja em vídeo, pdf, etc.
André em setembro 14, 2010 11:31 AM
#18
O texto é excelente, nada tenho a objetar. Agora, de fato, acho que o meu xará Alex coloca uma questão interessante. Mas eu acho que talvez a solução só apareça a médio prazo, com a incorporação discursiva das transformações promovidas pela internet (que não é apenas uma plataforma para discursos já prontos, mas que modifica também os discursos "reais"). Mais chato do que os discursos de alguns militantes é o discurso meia-boca de (bons) filósofos setentões criticando a virtualização do mundo, como se fosse apenas mais um instrumento de alienação, de perda da experiência, essas baboseiras heideggerianas. Abraço
Alexandre Nodari em setembro 14, 2010 2:11 PM
#19
Tá.. sou militante do PCdoB, quase ateu, abstêmio e não fumante. devo estar perto do limite máximo de chatice.
Estou para escrever há um bom tempo um artigo sobre o ataque ad homini. Porque tenho visto ele ser usado há muito tempo tanto pela direita quanto pela esquerda. Afinal, nós desqualificamos a grande mídia e o DEMo por serem quem são, não?
O que falta é a coragem de entrar nesse espinhoso assunto.
cochise em setembro 14, 2010 6:14 PM
#20
"Mas o Alex coloca uma questão interessante, que é diferente do ad hominem dos jornalistas: como inventar uma militância sem proselitismo, uma militância que não seja chata? Essa aí é uma questão sobre a qual vale a pena se debruçar."
Simples. Faça uma militância que não tente convencer o outro, mudar o mundo, defender seu ponto de vista.
Uma não militância.
Isso aqui é uma guerra de posições. É impossível fazer uma militância que não seja considerada chata. Até porque muitos dos que consideram chatos os militantes são os que estão em posição hegemônica e consideram chateação a simples existência de pessoas em outras posições.
cochise em setembro 14, 2010 6:20 PM
#21
Eu tendo a concordar com o cochise. A militância, principalmente a de esquerda, tem que ser "chata". Isso porque seu discurso só pode aparecer através de "chatices", ou seja: não tem um espaço plenamente vísivel em que possa deixar claras suas posições. Já os conservadores têm.
Mudando um pouco o assunto, eu gostaria de propor a seguinte pergunta: será que essa cara-de-pau da grande mídia não tem uma parcela de culpa na incrível ascenção de Dilma? Será que as pessoas não perceberam todas as descaradas campanhas da mídia contra o PT e contra o Lula, ligaram-nas ao Serra e transferiram seu voto?
Pergunto isso porque vi tal fenômeno em minha casa, com meus pais. Ao contrário de mim, eles estavam um pouco desconfiados de Dilma Rousseff; mas quando veio aquela entrevista dela no Jornal Nacional, eles perceberam que, talvez, suas opiniões estivessem um pouco deturpadas e manipuladas pelas oligarquias da informação brasileira.
(CLaro que eu ajudei no processo, com a minha mui chinfrim militância pró-Dilma)
Pedro Marques em setembro 14, 2010 8:19 PM
#22
Militância que não é chata não é militância.
André Kenji em setembro 15, 2010 1:02 AM
#23
Concordo com o Cochise
Entre os extremos da "Militância proselitista", que é chata pois ignora a opinião do interlocutor (certa de que este, está mal informado, ou que precisa "ser salvo"), pode haver sim, discussão saudável e até produtiva, especialmente quando estamos dispostos mais a ouvir, especialmente opiniões opostas às nossas.
É a discussão plural, que só aparece após os exageros dos partidarizados e agremiados. Haja fígado para tolerar as fases mais polarizadas, mas existe vida além dos extremos.
Livio em setembro 15, 2010 2:04 PM
#24
Para ser bem tucano nessa questão: concordo com os dois lados. Explico por quê.
Quando eu hibernei o blog, o Celso de Barros, do NPTO, escreveu uma coisa muito bacana e elegante sobre mim, dizendo que blogs mais à esquerda e incendiários (a palavra não era essa, mas enfim) como o meu, tinham o papel de levantar questões que depois blogs mais ponderados, como o dele, tratariam de outra forma. Ele colocava que a presença dessa voz mais à esquerda era importante inclusive para pautar as vozes mais de, digamos, centro-esquerda.
Eu acredito nisso e retribuo a gentileza: blogs mais ponderados como o dele cumprem o papel de fazer com que os mais militantes, como eu, matizem pontos de vista que podem, inclusive, fortalecer a militância.
Em outras palavras, eu não vejo oposição entre as duas coisas. O militante às vezes pode parecer mais chato. O ponderado às vezes pode parecer que está fugindo do pau. Eles se retroalimentam. É bom que existam os dois.
Idelber em setembro 15, 2010 2:29 PM