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terça-feira, 26 de outubro 2010

O maiô de Dona Marisa, ou: quem são os verdadeiros jecas do Brasil? por Rodrigo Nunes

Tendo recebido uma bolsa de estudos no exterior, passei quase todo o governo Lula distante do Brasil. Antes de meu retorno, no ano passado, minha única vinda ao Brasil desde 2003 fora por um mês, em janeiro de 2005. Num dos poucos momentos que tive na frente da televisão, acabei assistindo um programa (bastante conhecido) onde se discutiam os destaques do ano anterior. Muita coisa aconteceu em 2004, no Brasil e no exterior, mas uma das apresentadoras do programa optou por destacar “o maiôzinho da Dona Marisa”. Com tantos estilistas brasileiros de renome internacional, se perguntava, como pode a esposa do presidente usar uma coisinha tão jeca? Não foi nem a irrelevância da escolha, nem o comentário, mas o tom que mais me chamou a atenção: o desdém que não fazia o menor esforço em disfarçar-se, a condescendência de quem se sabe tão mais e melhor que o outro, que o afirma abertamente.

Veio-me imediatamente uma piada corrente durante as eleições de 1989, quando pela primeira vez Lula ameaçara chegar ao poder. Ele e Dona Marisa passam pela frente do Palácio Alvorada, e Lula diz a ela, “É aqui que vamos morar”; ao que Dona Marisa responde, “Ai, Lula, não! Essas janelas vão dar muito trabalho para limpar”. A piada explica tudo: no Brasil, uma camada da população tem sua superioridade sobre a outra tão garantida, que não vê necessidade de dissimular essa distância, mesmo em público. Ser ou não primeira-dama, aqui, é secundário; pode-se rir na TV da “jequice” de Dona Marisa do mesmo modo em que se faz troça do perfume que põe a empregada quando termina o trabalho, e pelo mesmo motivo – porque a patroa pode, e a subalterna, não.

Um mau momento de má televisão teve, para mim, a força de várias revelações. Em primeiro lugar, sobre o país em que eu então vivia, a Inglaterra. Um comentário desses, lá, receberia condenação pública. Alguém certamente acionaria o Ofcom, órgão que fiscaliza a imprensa, para exigir providências. Se fosse na BBC, rede pública de TV e rádio, talvez o autor fosse demitido. Não por atentar contra a esposa de uma autoridade, ou por essa bizarra “liturgia do cargo” que a cada tanto se invoca no Brasil, mas por ser uma manifestação pública de preconceito. O quê tem a ensinar o livre exercício desse preconceito sobre o Brasil? O que tem a ver com a grita (“Estalinismo! Chavismo! Retrocesso!”) cada vez que se fala em fiscalização da mídia, coisa corriqueira naqueles países (Reino Unido, Suécia, Portugal, EUA...) em que nossa elite não cansa de querer espelhar-se; e com que, até hoje, pouquíssimas sejam as instituições brasileiras públicas que se comparem, em qualidade de serviço, a uma BBC?

Nos anos 70, Edmar Bacha popularizou o termo “Belíndia” como descrição do país: um pouco de Bélgica e muito de Índia, o Brasil era muito rico para poucos e muito pobre para muitos. A auto-imagem que mantém os habitantes de nossa “Bélgica” consiste em ver os dois lados da moeda sem sua conexão necessária. Para esses, o verdadeiro Brasil é o deles – branco, remediado, educado. A “Índia” sem lei do lado de fora dos muros não somente existe por si só, sem nenhuma relação causal com a riqueza do lado de dentro, como é aquilo que atrasa o país; não fosse a plebe, já seríamos Bélgica, ou seja, já não seríamos principalmente Índia. A pobreza dos pobres não resulta da má distribuição da riqueza que se gera, pelo contrário: os pobres são culpados de sua própria pobreza. Mais do que isso, o potencial sub-aproveitado do país nada tem a ver com o a maioria da população ser sistematicamente excluída na educação, nos direitos, na renda; pelo contrário, “é por conta desse povinho que o país não vai para a frente”.

Essa é a cara de uma elite pós-colonial: crê-se um ser estranho na geléia geral da colônia, padecendo num purgatório de nativos indolentes e enfermidades tropicais. Comporta-se todo o tempo como se ainda tivesse a caravela estacionada ali na costa, pronta para zarpar de volta à metrópole. Mas sofre mais ainda porque, não muito no fundo, sabe que não pode voltar, e que chegando lá será apenas mais um subdesenvolvido, um imigrante, um “moreninho”, um jeca. Parte de sua truculência vem de saber que jamais será aquilo que quer ver no espelho, e que aquilo que menos quer ser é o que realmente é; de precisar provar para si que é diferente de quem exclui e discrimina, já que nunca será igual a quem gostaria de ser.

No fim das contas, ela sabe que sua verdadeira cara não é nem a das socialites da Zona Sul, nem dos intelectuais de Higienópolis, mas a do grileiro da fronteira agrícola, do “coroné” do agreste. E que, no fim das contas, o que a mantém no topo não são os rapapés de seus salões, mas o bangue-bangue de seus jagunços. Da modernidade do primeiro mundo a que gostariam de aceder, só o que lhes interessa são os sinais externos de consumo e distinção social, não o histórico de direitos sociais, democratização das instituições, criação de equipamentos públicos e reconhecimento de minorias e setores desfavorecidos. Seu modelo sempre foi menos a Bélgica, a Escandinávia, a Alemanha ou o Reino Unido, e mais o excesso kitsch de uma Miami, a opulência caipira de uma Dallas.

A falta de uma instituição como a BBC (ou boas escolas públicas) tem tudo a ver com essa maneira de desejar o desenvolvimento apenas o suficiente para manter as bases dos privilégios existentes. É a mesma dinâmica que vê crescerem, paralelamente, o crime organizado e a indústria dos condomínios fechados e da segurança privada: as camadas superiores da sociedade brasileira trocam direitos – inclusive o direito de desfrutar da cidade e de seus bens sem medo – por consumo. Da porta para dentro, luxo; da porta para fora, faroeste. Cada vez que um debate sobre democratização ou fiscalização da mídia é silenciado por acusações de autoritarismo, o que temos é a jagunçada defendendo os latifúndios comunicativos que algumas poucas famílias grilaram há um bom tempo. É de fazer rir a fingida consternação de alguns grupos e interesses com os riscos que hoje sofreriam as “instituições republicanas”, quando a história das instituições brasileiras no geral demonstra que elas sempre interessaram tão-somente na medida em que permitiam liberdade de ação para uns e limites para outros. Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei. A fragilidade institucional sempre foi não apenas instrumento de reprodução da desigualdade, como ainda é o que permite a manifestação explícita do preconceito. Modernidade à Daslu: o luxo “de primeiro mundo” sustentado pela sonegação de impostos; a finesse que se assenta na barbárie de um estado de natureza.

Haverá sido a distância, e a experiência de conhecer o quê foi a modernidade pela via da criação de direitos, que fez nosso preconceito social saltar-me aos olhos; mas também tenho a impressão que as coisas tenham, nestes anos, se tornado ainda mais escancaradas. A polarização seria, sem dúvida, uma consequência do governo Lula. Nem tanto do próprio presidente, de tendência (talvez demasiado) conciliadora, mas da dificuldade de aceitação, por parte de quem faz e consome a grande mídia de massa brasileira, do que aconteceu no país nos últimos anos. O crescimento econômico experimentado nos últimos anos foi a perfeita demonstração da falácia que culpava os pobres por sua própria pobreza, e a do país: ele não teria sido possível se a pobreza não tivesse caído 43% (20 milhões de pessoas), se 31,9 milhões (mais de meia França) não tivessem ascendido às classes ABC, ativando um mercado interno potentíssimo que permaneceria em potencial enquanto essas pessoas estivessem excluídas do consumo mais básico. Graças ao ciclo virtuoso que se formou foi possível, por exemplo, aumentar o orçamento da educação em 125%, expandir 42 universidades federais, criar 15 novas, construir mais escolas técnicas (240) que em todo o século anterior (140).

Mais importante que qualquer número: políticas como o Bolsa Família e o ProUni abrem a perspectiva de um ciclo virtuoso de criação de direitos. Tais ciclos, como demonstra o retrocesso brutal que a Europa atravessa, não apenas não são irreversíveis, como não se mantém sem a mobilização social que garanta sua expansão. Mas o fato de que hoje milhões de pessoas se percebam como detentoras de direitos a exigir do Estado, ao invés de clientes a trocar seus votos por favores de um “painho” na época da eleição, não apenas é um salto qualitativo para a democracia brasileira, como cria justamente as condições para novos saltos da organização popular. Construir direitos e instituições, no lugar do clientelismo e do casuísmo da república dos bacharéis: se essa tendência se consolida, terá sido a maior herança desses últimos oito anos. É pouco ainda, mas já é muito.

O que para alguns é difícil de engolir é que, quando o Brasil finalmente deu um passo para deixar de ser Belíndia, não foi por obra da “Bélgica”, mas da “Índia”. Para quem se projetava no sangue azul de Odete Roitman, custa aceitar que a cara do Brasil hoje é de Raquel Acioli, a ex-marmiteira que batalhou para subir na vida da novela Vale Tudo. Os episódios mais lamentáveis dessa eleição – os emails e mensagens apócrifos, o uso do telemarketing na propagação de boatos (criação de Karl Rove nos EUA, depois seguida por John Howard na Austrália), a mobilização de um discurso conservador e obscurantista que culminou com fazer do aborto uma questão eleitoral pela primeira vez na história do país – são, mais uma vez, os punhos de renda rasgando a fantasia e abraçando o mais desbragado faroeste. Partido e candidato que um dia representaram uma vertente modernizante das classes média e alta de São Paulo, de quadros intelectuais e tecnocratas bem-formados, dissolveram-se na geléia geral em que quatrocentão e “painho”, uspiano e grileiro, socialite e “coroné” existem, desde sempre, em continuidade e solidariedade uns com os outros. As promessas desesperadas de ampliação do Bolsa Família vindas de quem até pouco tempo o desdenhava como “Bolsa Vagabundo”, ou a cortina de fumaça que se constrói ao redor do debate do pré-sal, indicam que, atualmente, é impossível eleger-se no Brasil negando certos direitos recém-descobertos por vastas parcelas da população. A elite, mais do que nunca, precisa esconder seu verdadeiro programa.

Resta-lhe, então, partir para um jogo que começou nos EUA nos anos 80, e cuja eficiência na Europa cresceu muito na última década: tirar a política do debate político e substituí-la pelos cochichos igrejeiros, pelo apelo a um passado mistificado e a um moralismo espetacular – que instrumentaliza os medos causados por um tecido social cada vez mais esgarçado e propõe falsas soluções simples e regressivas, ao invés de confrontar-se verdadeiramente com a complexidade crescente dos problemas. É um “fim da política” que cobre a política que realmente lhe está por trás. Assim, por exemplo, o governo inglês anuncia, na mesma semana, o perdão de uma dívida de 6 bilhões de libras da empresa Vodafone e um programa de cortes de serviços sociais maior que qualquer coisa jamais proposta por Margaret Thatcher. Ou, depois do mercado financeiro ter usado a crise grega para dobrar a União Européia com a ameaça de um ataque ao euro, volta-se a culpar os imigrantes pela sobrecarga de serviços sociais de orçamentos cada vez mais reduzidos – culminando com o recente apelo de Angela Merkel por “uma Europa de valores cristãos”.

Talvez seja apenas no momento em que a Europa regride que a elite brasileira poderá, enfim, realizar seu sonho: juntar-se a seus “iguais” de ultramar na vanguarda de um retrocesso que mobiliza o medo e o reacionarismo mais rasteiro contra direitos e instituições historicamente conquistados. Afinal, a “lavagem” dos votos da extrema-direita, pela qual o centro dá uma cara “respeitável” ao conservadorismo “selvagem”, tornou-se o maior negócio político de nossos tempos. (Quem sabe, mesmo, agora a extrema-direita comece a prescindir de intermediários: ver o PVV de Geert Wilders na Holanda.)

Rasgada a fantasia, fica tudo claro. Quem quer Estado apenas na medida em que este garante privilégios; quem tira os sapatos no aeroporto de Miami e entra na justiça para que o porteiro o chame de “doutor”; quem troca direitos por capacidade de consumo; quem sonega impostos e abomina as gambiarras e “gatos” das favelas; quem diz o que quer, denuncia todo questionamento como ameaça à liberdade de expressão, e então demite o funcionário que o faz ouvir o que não quer (como fez o Estadão com Maria Rita Kehl); quem se queixa da falta de autoridade e do “jeitinho”, mas suborna o policial e espera que as legislações ambientais ou trabalhistas não se apliquem aos seus negócios; quem ainda se comporta como se estivesse com a caravela ancorada, sem nenhum interesse no país a não ser o lucro rápido para partir de novo, e então se queixa que “esse país não vai para a frente” – esses são os verdadeiros jecas do Brasil. A boa noticia é que, pelo menos por hora, eles estão perdendo.

Rodrigo Nunes é doutor em filosofia pelo Goldsmiths College, Universidade de Londres, pesquisador associado do PPG em Filosofia da PUCRS (com bolsa PNPD – CAPES), e editor da revista Turbulence

PS de Idelber: Antonio Luiz Costa e La Pasionaria avisam, no Twitter, que a piada sobre as janelas e o maiô aconteceu quando Lula era candidato ao governo do estado em 1982. Continua valendo, claro, a argumentação do Rodrigo na sua essência, mas está corrigido o dado factual.



  Escrito por Idelber às 15:35 | link para este post | Comentários (77)


Comentários

#1

Idelber, tentei mandar o vídeo do Eryk Rocha, noutro dia, e não cosegui.
Agora, tento enviar o clip do rearranjo de Wagner Tiso, pra Dilma, praquele inesquecível jingle do Lula lá.

Jair Fonseca em outubro 26, 2010 3:57 PM


#2

Não foi. Mas acho que no youtube está com o título "Dilma lá", se não me engano.

Jair Fonseca em outubro 26, 2010 4:00 PM


#3

Que horror saber que no Reino Unido existe um órgão que fiscaliza a imprensa. Essas ditaduras monarquistas absolutistas são realmente repugnantes.

Dimitri Brandi de Abreu em outubro 26, 2010 4:06 PM


#4

Até em mim doeu. Parabéns!

Guara Borges em outubro 26, 2010 4:07 PM


#5

bem claro para mim pena que não seja melhor disseminado mas vou tentar transmitir a outras pessoas.

antonio aguiar em outubro 26, 2010 4:09 PM


#6

Pra mim toda simplicidade e carisma de Marisa so me dao orgulho de ser brasileiro e ter um cidadao como Lula na presidencia da republica. Otimo texto parabens.

Joao Kleber em outubro 26, 2010 4:12 PM


#7

Simplesmente sensacional! Do melhores textos que li na internet ever! Vou repassar.

Daniel Nascimento em outubro 26, 2010 4:14 PM


#8

Agora li o texto. Assino embaixo.

Jair Fonseca em outubro 26, 2010 4:15 PM


#9

A melhor reflexão sobre o Brasil que li nos últimos anos. Primoroso, certeiro, absolutamente espetacular. Vou distribuir imediatamente.

Cláudia M. em outubro 26, 2010 4:19 PM


#10

muito bom, teu texto, rodrigo. muito perspicaz a comparação, evidente que nossa 'burguesia' esta anos luz de distancia de republicas onde o "vc sabe com esta falando" é uma ofensa, não um passaporte. saudações, grande idelber, pela divulgação.vou espalhar. (desculpe, sem acentos, ok?)

larissa em outubro 26, 2010 4:23 PM


#11

Figuras desagradáveis entre a classe dominante não são exatamente um monopólio brasileiro...

Thuin em outubro 26, 2010 4:34 PM


#12

Parabens, Idelber. Belo texto, resumiu muito bem. O que esta me assustando mais nesse segundo turno nao eh o fato de a elite brasileira ser assim, mas o da classe media almejar isso. Socorro!

Adriana Barreto em outubro 26, 2010 4:41 PM


#13

A última “bala de prata”?

A Folha de São Paulo tem tentado, nos últimos meses, acesso ao Inquérito Policial Militar decorrente da ação de Dilma Rousseff quando atuante em uma organização de esquerda devotada à luta armada.

Pela onda de boatos que corre na Internet, o objetivo é conseguir provas de que Dilma é autora, coautora ou partícipe do planejamento de uma ação de justiçamento contra um agente militar. Ou isso ou qualquer ligação dela com crime de morte de sua organização que tenha qualquer ligação, por mais indireta que seja, com ela.

É claro que um IPM contém não apenas informações verídicas e relevantes, mais invencionices, malversações e mentiras descaradas, prática comum da “inteligência militar” para ação contra os “perigosos subversivos comunistas”. Além do que, muitas de suas “informações” foram obtidas através de tortura, quando as vítimas reconheciam qualquer prática criminosa para escapar dos indescritíveis suplícios.

A pretensão da Folha é publicar uma manchete terminal da candidatura governista, algo nos termos “Dilma matou”; a notícia, “descoberta” pela Folha, se alastraria por todas as mídias comprometidas com a candidatura Serra, visando sepultar as pretensões da “terrorista”.

Como sabemos, a Lei de Anistia tornou inimputáveis os crimes cometidos pelo governo e pelos seus adversários mais diretos, como as organizações de esquerda como o Var-Palmares, onde militou Rousseff. O objetivo principal foi obter, porém, o perdão irrefutável para os agentes de repressão. Quanto aos esquerdistas, seus “crimes” seriam e serão para sempre lembrados, de forma a varrê-los, tanto quanto for possível, do quadro político brasileiro.

As pessoas não tem conta que a Anistia reconheceu um estado de beligerância limítrofe à Guerra Civil; soldados em guerra, quando abatem o inimigo, não são civilmente responsabilizados por assassinato; se assim fosse, não haveriam guerras.

Existem, no entanto, regras na guerra, e uma delas é que prisioneiros não podem ser fuzilados, e outra é que também não podem ser torturados, ou passar fome e sede.

As ações de esquerda contra o governo pautaram-se pelo respeito a essas regras. Quando eliminou-se o chamado “Cidadão Boilesen”, a perseguição a ele não levou á sua prisão e tortura: foi morto em plena rua, enquanto tentava escapar aos tiros.

As ações da ditadura eram completamente diversas. Preferencialmente, antes de matar os adversários, eles eram capturados, torturados, obrigados a entregar companheiros, reconhecer crimes que tenham cometido ou não. Eventualmente sobreviviam, como Fernando Gabeira, Dilma Rousseff e o senador eleito por São Paulo, Aloysio Nunes.

Este último, apesar de sua condição de anterior guerrilheiro contra a Ditadura Militar do Golpe de Estado de 1964, nada diz sobre as táticas de boataria, baseadas em calúnia e difamação contra Dilma Rousseff. Instado a dar depoimentos pessoais, diz que não é de sua índole tais práticas.

Mas parece não se opor que seu partido e sua coligação partidária ataque Dilma por atos idênticos aos praticados por ele durante a ditadura, constando-se, inclusive, que Aloysio Nunes era muito mais afeito às armas do que à manutenção dos contatos e planejamento financeiro e de ações de expropriação.

Para a Folha e mídia em geral, resta esta bala de prata, para levar á condenação moral de Dilma.

Por isso a insistência nada “jornalística” de acesso aos autos dos documentos militares, cujas inverdades ou distorções podem ser utilizadas pela empresa da mesma forma que fez quando entrevistou um dos agentes da repressão, dando-lhe crédito para fazer uma análise psicológica da candidata, que seria dura e indigna de confiança – para os militares, é claro, e para a Folha, também, logo para seus leitores.

A Justiça tem negado à Folha acesso aos documentos. Nada garante que eles não sejam obtidos por vias escusas, como desesperada tentativa de malograr a “segunda reeleição de Lula”. Cogita-se que, mesmo na ausência de revelações de porte nesses documentos, culpas podem ser atribuídas por ilações generalizantes. O importante é imputar à inimputável Dilma os crimes que foram cometidos, e em larga medidas, por seus perseguidores, torturadores, aprisionadores.

Apagar a Lei de Anistia que favoreceria a “ação terrorista” contra um Estado ilegítimo, mantendo-a intacta para aqueles que receberam condecorações e créditos outros por ações de tortura e assassinato de dissidentes políticos.

Com manchetes “chocantes” para o grande público de ações de guerrilha que levaram a assassinatos de “inocentes”, procurará a mídia, em esforço coletivo, eleger Serra. E ele mesmo, diante das acusações oriundas de um passado de luta contra um regime despótico, colocará como mais importante a questão do respeito à vida, compatibilizando as ações guerrilheiras a prática de abortos, que Dilma supostamente defenderia.

Este é o maior temor e o maior risco para a democracia brasileira: a indução da população ao erro por manipulação de notícias de um passado que está a ser reescrito em benefício dos verdadeiros criminosos.

marcos nunes em outubro 26, 2010 4:42 PM


#14

Sobre a pesquisa Vox Populi, o Estado de Minas (on line) divulgou ontem:

"Pesquisa Vox Populi divulgada nesta segunda-feira mostra a candidata do PT à sucessão presidencial, Dilma Rousseff, com 57% dos votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos), enquanto Serra tem 43% - uma diferença de 14 pontos percentuais. De acordo com a mostra, 88% dos entrevistados disseram que não vão mais alterar o voto. "

Adrianaa em outubro 26, 2010 4:53 PM


#15

A Idelber, obrigada por divulgar este excelente texto. A Ricardo, meu agradecimento pela capacidade de colocar as ideias de forma tao clara e desenvolver tao bem seu argumento. Moro nos EUA ha 12 anos e entendo perfeitamente essa historia de se desejar dos States apenas aquilo que convem a certos grupos.Os jecas sao eles, sim.Bravo!

Selma em outubro 26, 2010 4:53 PM


#16

Puta texto do krai! prontofalei!

aiaiai em outubro 26, 2010 4:55 PM


#17

Lendo esse post fiquei lembrando do video do CHico, em que ele fala que no Brasil não tem branco, e o provavel desconforto de muita gente ao ouvir coisas do genero.

E tem uma galera que nem desconfia do proprio preconceito. É impressionante!

Renata Macera em outubro 26, 2010 5:10 PM


#18

Primorosa a análise do professor Rodrigo Nones. A questão é que nossa elite herdou a visão colonialista dos senhores de engenho, cuja ideologia contaminou a construção da democracia, inspirada no lema positivista de liberdade, igualdade e fraternidade, mas que na prática sempre foi um regime altamente excludente, elitista e conservador. Pelo menos até Lula, único presidente nascido no povo e que, talvez por isso, teve a sensibilidade de lutar contra esse quadro de iniquidades, mostrando que é possível construir um país mais justo e solidário. Portanto, eleger Dilma no segundo turno significa continuar este projeto de mudança. Daí o desespero de Serra, legítimo representante dessa elite decadente.

Nivaldo Lemos em outubro 26, 2010 5:19 PM


#19

#15 oops, perdoe, Rodrigo, pela troca de nomes...Assim, obrigada, Rodrigo pelo texto bem escrito e interessante.

Selma em outubro 26, 2010 6:04 PM


#20

Puta merda, que texto duca...! Vou repassar para muito gente que deveria lê-lo, mas não vai. Sacomé, texto longo dá uma preguiça...

Cajueiro em outubro 26, 2010 6:32 PM


#21

O rearranjo do Wagner Tiso está no nosso blog... Foi enviado pelo pessoal da Vila Vudu

Castor em outubro 26, 2010 7:11 PM


#22

Prezado, não tenho twitter, mas tenho acompanhado o seu e os de outros brilhantes intelectuais como você.

Em 60 ano de vida, eu nunca havia lido um texto que refletisse tão bem uma "verdade nacional".

Contudo, já tinha ouvido esse preconceito expresso através das palavras "gentinha", "gentalha", "paraíba"...

Deixo aqui registrada a minha satisfação por ter lido esse texto maravilhoso.

E vou divulgá-lo.

13 é o número.

Abraço,

Maria Alice

Maria Alice Pereira em outubro 26, 2010 7:17 PM


#23

Olá,
a piada sobre as vidraças do palácio do planalto, realmente, existe. Não há nenhum equívoco nisso.
Mas partiu de um comentário de Dona Silvia Maluf a uma revista (não me lembro qual):
"O que iria fazer no Palácio do Planalto a esposa do Lula? Limpar as vidraças.
De qualquer maneira, reforça o que coloca o brilhante texto.
Precisamos desmistificar a teoria da democracia racial brasileira e de que não há preconceito, pois somos um povo acolhedor e tolerante. A campanha eleitoral tem mostrado a tolerância da população brasileira.

Avelina Martinez (La Pasionaria) em outubro 26, 2010 7:38 PM


#24

Obrigada por divulgar, Idelber. Das coisas mais lindas e elucidativas que já li na internet (2 membros).

Camila em outubro 26, 2010 8:31 PM


#25

Ideslber,

Um pouco mais dos verdadeiros jecas do Brasil:

FEBEAPÁ DO UOL
Patacoadas na terra dos faraós

Está aqui:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=613FDS001

Por Aristides Dutra em 26/10/2010

Na terça-feira (19/10), na seção de fotos do site UOL, encontrei uma matéria que me deixou estarrecido. Não por seu conteúdo, mas pela quantidade de erros cometidos em tão pouco espaço. A matéria narra a recente descoberta da tumba de um sacerdote da 5ª dinastia egípcia, próximo às pirâmides de Gizé. Ela está organizada em uma sequência de fotos com legendas explicativas. Simples assim, sem muito espaço para erros ou trapalhadas. Será?

A legenda da primeira foto já é um festival de esquisitices. Os itálicos a seguir são meus para melhor destacá-las. O texto diz:

"Suprema Corte de Antiguidades do Egito mostrou uma pintura de mural dentro de uma tumba recém descoberta de um padre que conduzia rituais de reza pela morte do faraó há mais de 4.000 anos, perto das pirâmides de Giza, no sul do Cairo."

Vamos às considerações:

** Suprema Corte de Antiguidades é como o redator traduziu a expressão Supreme Council of Antiquities, que certamente ficaria melhor como Conselho Supremo de Antiguidades (ou algo assim). Esse erro se repete em mais duas fotos.

** Havia padres no Egito antigo, há 4.000 anos? Certamente que não. O dono da tumba era, isto sim, um sacerdote. Esse erro se repete mais uma vez, mas em outras cinco fotos ele é corretamente chamado de sacerdote.

** Pirâmides de Giza? Em que língua ele está escrevendo? Em bom português, elas se chamam Pirâmides de Gizé. Esse erro se repete em mais cinco fotos.

** E para completar, recém-descoberta se escreve com hífen. A grafia sem hífen também se repete em outras três fotos.

Erros são imperdoáveis

A partir da quinta foto, um novo desrespeito ao nosso idioma. Segue o texto:

"Fresco mostra um barco no rio Nilo no interior da tumba de mais de 4.000 anos"

** Quem é esse fresco que mostra um barco? Em alguns países (inclusive em Portugal) a expressão estaria correta, mas em português do Brasil a técnica se chama afresco. Esse erro se repete em mais uma imagem.

Na última foto, mais uma incongruência:

"Entrada do templo recém descoberto que data da Quinta Dinastia de 2.514 a 2.374 a.C"

** Templo? Mas o que foi encontrado não é uma tumba? Ela virou templo?

Não é nenhuma novidade a gente encontrar um jornalista que não tenha o mínimo indispensável de base cultural para o exercício da profissão. Eles estão por aí desde sempre, mas isso não se justifica. Ainda mais hoje em dia, quando é facílimo se checar uma informação na internet. Isso mostra que o redator dessas legendas simplesmente não fez o seu dever de casa. Juntando-se a isso erros ortográficos e incongruências de terminologia, só nos resta lamentar a maneira como está sendo exercida a profissão de jornalista em um grande site como o UOL. Pois, que um redator escreva aqui e ali algumas besteiras, a gente até entende, mas que um editor deixe passar e as publique, isso é imperdoável.

Go Oliveria em outubro 26, 2010 8:55 PM


#26

A imprensa tupiniquim caía de pau nos tailleurs da Rosane Collor e nas suas bolsas que combinavam com a estampa do sapato. Era preconceito também? "Passível de demissão, caso fosse na BBC", diz ele, ao revelar que nunca assistiu a um Monty Python na vida.

O artigo parte de uma premissa incorreta e só piora dali em diante.

Bernardo em outubro 26, 2010 9:00 PM


#27

Excelente! Outro texto que merece ser lido por todas as pessoas de bem (e não do DEM), é o do Miguel Nicolelis lá no blog do Azenha.

Moco em outubro 26, 2010 9:02 PM


#28

Maravilha de texto, Rodrigo (Obrigado Idelber pelo post).

Pra continuar nos exemplos de "Brasilização" da Europa (em tempos de uma pretensa "Venezuelização" do Brasil, como querem fazer crer os arautos do ódio), na França vem rolando um processo semelhante ao da Inglaterra: ao mesmo tempo em que se aumenta o tempo de contribuição e a idade mínima para a aposentadoria (proposta saudada, brandida e comemorada por uma certa imprensa brasileira), o governo Sarkozy quer acabar com o Imposto sobre a Fortuna. Ainda que economicamente os valores a perceber pela reforma tributária sejam muito mais vultosos que os que se percebe anualmente pelo ISF, não deixa de ser irônica - para dizer o mínimo - a concomitância das medidas.

No mais, já estou espalhando este texto fundamental.

Sidney Mirandão em outubro 26, 2010 9:34 PM


#29

Não tenho palavras para expressar a admiração que tenho por Dona Marisa e pela dignidade com que suportou todas as grosserias desta suposta elite brasileira, elite que é, sim, sem dúvida, extremamente jeca. Ouso pensar que ela é o ponto onde o Lula encontrou seu apoio e equilíbrio para ser um grande presidente.

Marcelo Rodrigues em outubro 26, 2010 9:45 PM


#30

Parabéns!!! Você colocou meus sentimentos em palavras!! Sua visão do que acontece neste país é perfeita. Exatamente o que vejo e sinto.

tania em outubro 26, 2010 9:51 PM


#31

Depois de ler tanta bobagem enviada pela midia,até que enfim um refrigério, um pouco de juizo, é o que está faltando nessa "elite" brasileira.
É o desespero de quem não quer perder os privilégios de coisa nenhuma, em favor da maioria.
Por outro lado é bom pra gente saber por onde pisa de agora em diante,sem acreditar nas baboseiras dos "privilegiados".
O que não entendo é o papel triste de alguns intelectuais que recentemente se bandearam pro lado errado, acho que estão mal informados....
De qualquer modo, vai ser bom pra separar o joio do trigo....
T.Marta

Teresa Marta Robottom em outubro 26, 2010 9:59 PM


#32

Sensacional o texto, mas confesso que senti falta dos habituais links

Henrique em outubro 26, 2010 10:12 PM


#33

Jeca é até elogio para esta "elite" preconceituosa... lumpesinato ético e intelectual do Brasil, internacionalmente famosa pela ignorância e péssimo caráter.

Lula é nosso Nelson Mandela!

E Dilma Rousseff nossa doce guerreira... pondo prá correr os afrikaaners piegas da quadrilha veja e a escumalha golpista da rede globo.

Poder para o Povo Pobre!

Fabio Passos em outubro 26, 2010 10:23 PM


#34

Este texto do Rodrigo Nunes é um absurdo de perfeição! De deixar calado, boquiaberta refletindo. É tudo que eu queria falar sobre esses últimos anos e a resposta nessas eleições, mas ainda não tinha feito. Sensacional!

Dandi Marques em outubro 26, 2010 11:01 PM


#35

Miguel Nicolelis - neurocientista brasileiro indicado ao Nobel em 2008 - descasca o farsante obscurantista jose "bush" serra... e seu curral.

Confiram:

"
Nada, nem a realidade, é capaz de impressionar os fariseus e arautos que estão sempre prontos a denegrir o sucesso desse país de mulatos, imigrantes e gente que trabalha e batalha incansavelmente para sobreviver ao preconceito, ao racismo, à indiferença e à arrogância daqueles que foram rejeitados pelas urnas e vencidos por um mero torneiro mecânico que virou pop star da política internacional. Nada vai conseguir remover o gosto amargo desse agora já fato histórico, que atormenta, como a dor de um membro fantasma, o ego daqueles que nunca acreditaram ser o povo brasileiro capaz de construir uma nação digna, justa e democrática com o seu próprio esforço. Como George Bush ao Norte, o seu clone do hemisfério sul não governa para o povo, nem dele busca a sua inspiração.
"

Aqui na íntegra:

"Miguel Nicolelis: Uma coisa estranha aconteceu em Natal"
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/miguel-nicolelis-uma-coisa-estranha-aconteceu-em-natal.html

A superioridade ética e intelectual da candidatura Dilma Roussef é avassaladora.

Dá-lhe Dilma! Nossa doce guerreira.

Fabio Passos em outubro 26, 2010 11:03 PM


#36

Maravilhoso texto!
O desespero dessa elite jeca, principalmente em período eleitoral, é escancarado. A tentativa de dar uma cara boa aos seus preconceitos se torna cada vez mais ridícula.

Glauber em outubro 26, 2010 11:12 PM


#37

Olha que legal!

Wagner Tiso regravou o sucesso de 89 para Dilma:
http://www.youtube.com/watch?v=aBmcMyX5Noo

DILMA-LÁ
BRILHA UMA ESTRELA.
DILMA-LÁ
CRESCE A ESPERANÇA

SEM MEDO DE SER FELIZ.

OLE OLE OLE OLÁ
DILMA
DILMA-LÁ

Encontrei lá no Nassif:
"Wagner Tiso e a volta do Lula-lá"

Tamo junto, pô!

Fabio Passos em outubro 26, 2010 11:14 PM


#38

Recentemente eu acabei lembrando de outra piadinha das primeiras eleições que o Lula participou.

Não lembro do texto dela, mas era algo como:

-Candidato Lula, quantas faculdades o senhor fez?

-Mais de 10.

-Mesmo, quais?

-Ajudei a fazer essa, aquela ali, aquela outra ali. Levantei muita parede, virei muito cimento...

Algo assim. E a piada foi profética. Lula ainda não tem diploma, mas ajudou a construir muita faculdade pública, ajudou a subir muito prédio.

E os prédios dessas instituições são apenas alguns dos muitos legados desse governo !

Ismael em outubro 27, 2010 1:19 AM


#39

Agora achei pessoas que concordam com as opiniões do NRA:
http://www.youtube.com/watch?v=obuafIUdG30&feature=related

Roberto S. em outubro 27, 2010 2:42 AM


#40

Só uma ressalva: a piada sobre Dona Marisa e as janelas referia-se ao Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi ( http://jc3.uol.com.br/blogs/repositorio/palacio_dos_bandeirantes.jpg ). É da eleição de 1982, quando Lula foi candidato a governador de São Paulo.

Antonio Luiz em outubro 27, 2010 8:48 AM


#41

Pois é... eu assinaria embaixo do seu texto com muito orgulho! Contudo, hoje o que mais me entristece, é ver que o meu Presidente, por quem muitas e muitas vezes levantei a bandeira e comprei a briga em meio a essa sociedade capitalista, hoje é o grão-mór desta! Hoje, pergunte a ele se ele mesmo preferiria, se fosse obrigado a escolher uma das faces da "Belíndia", pertencem ao lado Bélgica ou ao lado Índia! Isso que me dói... saber (porque nesse caso, não OUVI dizer), que ele se corrompeu! Quanto a piada do maiô, ninguém teria o direito de fazê-la... isso é no mínimo, questão de educação!

Ana Cláudia em outubro 27, 2010 10:28 AM


#42

um pequeno paradoxo: o projeto Petista sendo bem sucedido e incluindo vastos contingentes de ex-pobres na classe media não os aproximará da mentalidade e escrotidão ideologica das elites trazendo mais retrocesso em vez de menos?
é so uma pergunta...ja que tudo em nosso estranho país comporta um viés escroto e surrealista.

A Lesma Lerda em outubro 27, 2010 11:07 AM


#43

Que texto! De maneira simples coloca o panorama atual e sua origem imediata sem rodeios, e ainda dá uma cutucada no complexo da elite.

A cada conversa com pessoas de "Classe Mérdia" que tenho no trabalho, cada leitura de manchetes no jornaleiro, fico mais assustado. Esse movimento reacionário-religioso que começou tímido com os bordões "agora vai chamar os direitos humanos?" ou "o politicamente correto é um saco" culminou nessa esquizofrenia separatista.

Realmente, Lula tem que ser conciliador, tem que agir "pelas costas" dessa elite para que eles não percebam a mudança que está propondo.

Agora com o governo Dilma, espero ver uma revolução de educação, pois ´é o grande antídoto para essa doença mental da classe média, e forma mais eficiente de enfrentas o poder das elites.

Luan Crespo em outubro 27, 2010 11:12 AM


#44

Convido a todos para conhecer os “13 motivos para nunca votar em José Serra”, lá no blog: http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com/ .
Abraços do
Guilherme Scalzilli

Guilherme Scalzilli em outubro 27, 2010 11:34 AM


#45

Bernardo, do comentário 26: pode-se ver a questão de outro ponto de vista. O tratamento dado a Rosane Collor se baseava na postura "ela NÃO é uma das nossas, embora tente, ela não aprendeu nossas regras". O tratamento dado à Marisa se baseia na postura "ela é um deles, não está nem aí para nossas regras". É bem diferente. Portanto, haveria sim preconceito. E um preconceito grande, da seguinte ordem: "Não aceitamos a tua diferença, temos regras universais e vamos aplicá-las para te classificar como jeca". No caso da Rosane, pela postura subalterna dela, seria algo assim: "Não te aceitamos como igual, temos regras universais e vamos te classificar como nova rica".

Valdir em outubro 27, 2010 11:55 AM


#46

Olá

Idelber, estou sem tempo de ler o texto todo. Parei no 4o. paragrafo, por isso desculpe se estiver falando besteira. Discordo desse ponto inicial que em outros países uma atitude semelhante à piada feita com D. Marisa gera ação de órgãos fiscalizadores. Tiro essa conclusão baseado nos meus programas americanos favoritos (Jon Stewart e Colbert, baixo todos) onde esse tipo de escárnio é corriqueiro e felizmente nada acontece.


Eu admiro muito a maneira que a imprensa americana opera. De um lado temos pessoas como Colbert e Stewart e de outro temos coisas como a Fox News. Tenho certeza que ambos os lados poderiam advogar uma "regulamentação" do outro lado mas o jogo permite que os dois pontos de vista sejam representados e cabe a população escolher com quem concordar. É uma pena que parcela considerável escolha concordar com o lado da Fox News, mas aí é do jogo. Afinal, até a KKK tem o direito de existir nos EUA - o que considero correto, errado é alguém concordar com eles.

Um abraço
Igor

Igor Oliveira em outubro 27, 2010 12:15 PM


#47

"Um comentário desses, lá, receberia condenação pública. Alguém certamente acionaria o (...) órgão que fiscaliza a imprensa, para exigir providências (...) por ser uma manifestação pública de preconceito. (...) cada vez que se fala em fiscalização da mídia, coisa corriqueira naqueles países (Reino Unido, Suécia, Portugal, EUA...)"

Caramba, tb parei por aqui.

Nesses países (com toda a certeza nos EUA e UK, mas suponho q nos outros em alguma medida), autoridades públicas, esposas de ministros, amantes de presidentes, sobrinhas de dirigentes partidários são freqüentemente esculachadas em reportagens em revistas, na TV, em jornais, na Internet.

Não sei se eles têm ou não conselhos de regulação de mídia. Mas o esculacho corre solto.

Frank em outubro 27, 2010 12:23 PM


#48

Enquanto isso, na corte do Leblon-Morumbi (por Dácio Malta, do blog "Alguém me disse"):

O filme do cineasta Arnaldo Jabor teve sua pré-estréia agora à noite na Mostra de Cinema de São Paulo.
Na platéia do Cine Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, o ex-presidente Fernando Henrique que foi prestigiar o amigo.
Jabor anunciou, para os cerca de 300 espectadores, que promoveria um debate após a exibição.
Duas horas depois, os 300 assistentes foram embora.
Restaram pouco mais de 20 fanáticos.
Jabor, consciente do seu fracasso, jogou a toalha:
- Não farei debate algum. Não acho a menor graça vocês criticarem o filme na minha cara.
* * *
Antes da exibição, Jabor explicou o significado do título da obra ‘Suprema Felicidade’:
- É a felicidade impossível. Você almeja, almeja, mas nunca alcança.
Um gaiato no cinema gozou:
- É como o Serra Presidente.

Moco em outubro 27, 2010 12:48 PM


#49

Juro que não assisti nem ouvi falar. A pergunta vai ser um chute calculado:

O programa foi o Saia Justa e a fala foi da Maitê Proença?

É que esse jeito "sou perua reaça mesmo", me lembra muito as falas da Maitê.

JG_ em outubro 27, 2010 12:52 PM


#50

“O maiôzinho da Dona Marisa é Jeca.”

HUMMM... Creio que tal comentário só poderia ser elaborado pela renomada cientista política brasileira - Luana Piovani!

Ramiro Conceição em outubro 27, 2010 2:32 PM


#51

Maravilhossssssssssssssssooooooooooooooo!
Isso tem que colocar num quadro e colocar na parede, para reler constantemente
Parabéns
Ricardo Grillo

ricardo grillo em outubro 27, 2010 2:36 PM


#52

Ah, tá, reparei agora no PS. Então a "piada" do maiô é de 1982, antes do Saia Justa e da Maitê com programa de TV pra vomitar peruíces.

Errei a copa, mas quase faço o gol. Rivaldo ou Junior, dá na mesma.

JG_ em outubro 27, 2010 2:44 PM


#53

Excelente! Arrasou!

Maria Andréia em outubro 27, 2010 2:56 PM


JG_ em outubro 27, 2010 3:19 PM


#55

É triste ver um Blog que sempre lutou pela liberdade e pelos direitos civis passar a defender a censura que sempre repudiou; passar a ser contra denúncias que sejam feitas a uma candidata pelo simples fato de que isso seria "apoiar o PIG". Lamento pela morte lenta da democracia que começa agora, e, penso eu, vai piorar a cada dia, onde veremos Blogs saindo do ar, jornais na TV que só noticiam o que o governo quer e a esquerda se perpetuando no poder, pregando mentiras e se valendo de assistencialismo e populismo. A esquerda assusta muito por achar que uma ditadura encabeçada por ela é benéfica, que censura é bonita quando é o governo de esquerda quem faz.

Estevão "BraMax" Cavacanti em outubro 27, 2010 3:22 PM


#56

Mobilizacao já.
Há um grande numero de indecisos e pessoas que pretendem anular. E mais, 85% dos indecisos consideram o governo lULA Otimo ou bom.

Conclusao: há um potencial enorme de votos para que a mobilizacao da militancia da Dilma. Quem está indeciso super-aprova o governo Lula. É só lembra-los que o Brasil melhorou e isso se deve em grande parte a Dilma. Essa é a pauta.

Segundo o Datafolha, dia 24/10/2006,havia 3% de indecisos e 2% de pessoas que pretendiam votar branco ou nulo.
http://datafolha.folha.uol.com.br/po/ver_po.php?session=319
Atualmente, segundo o datafolha, o numero de indecisos é de 8%, segundo a Vox, 7% e a Sensus 6,8%. E mais as pessoas que pretendem votar em branco ou nulo somam 5% a 6%. No total teríamos hoje, 13% dispostos a votar em branco ou nulo ou estao indecisos, enquanto em 2006, esse numero era de apenas 5%.
Além disso, segundo o datafolha 85% dos indecisos acham o governo bom ou otimo, enquanto apenas 1% acham ruim ou péssimo. Nao é normal que isso ocorra, pois sempre os indecisos tendem a se concentrar entre aqueles que consideram o governo regular. Nunca tiunha visto, uma pesquisa em que os que gostam do governo estao mais indecisos do que entre aqueles que o governo nao fede nem cheira. Isso é rersultado da eficiencia da campanha anti-Dilma, que conseguiu difama-la a ponto de que as pessoas desconsiderassem o fato que ela é das principais responsaveis pelo que de bom está ocorrendo no Brasil. http://datafolha.folha.uol.com.br/folha/datafolha/tabs/intvoto_pres_22102010.pdf
Por outro lado, os anti-Lula estao marchando com o Serra em peso muito maior do que marcharam com o Alckmin.

Bruno em outubro 27, 2010 3:39 PM


#57

por isso não curto o pessoal que quer "embora desse pais. porque aqui nada vai pra frente. esse povo não tem jeito".

que vá! porque uma vez "la fora" você vai ser tratado como os negros e nordestinos são tratados por vc aqui. quem sabe isso não te transforma num filho prodigo, não é mesmo???

como uspiana eu super iria dar uma de histérica porque me ousou me colocar do lado das socialites e coroneis.mas você está certo. infelizmente voce esta certo. :(

rayssa gon em outubro 27, 2010 4:21 PM


#58

Sério, acho essas jeremíadas, essa coisa de "pior elite do mundo," uma versão certamente mais simpática (porque o alvo dela não é vítima de preconceito real que o afete) do que o preconceito contra "brasileiros" em geral, com sua conotação de "pretos e pobres." Mas também não deixa de padecer da doença de Nabuco.

Nossas dazelite são assim tão piores do que as outras? Índio da Costa e Bush se assemelham, assim como Sarkozy e Serra. Sinceramente, só vejo essas elites "melhores" quando leio o Elio Gaspari (que também tem outra peça de ficção, o virtuoso capitalismo americano, que ao contrário do ignóbil capitalismo brasileiro, principalmente em seus tempos áureos, nunca se valeu da bolsa da Viúva).

Aliás, é uma idéia até meio assustadora. Podemos ser governados pelo Sarkozy com o Bush de vice. E sem a Carla Bruni. (A Soninha é gatinha mas não é a Carla Bruni.)

Thuin em outubro 27, 2010 4:49 PM


#59

Prezado Conterrâneo, também estou feliz com a vitória de nosso time essa semana. como diz meu avô, "esse Galo só me traz alegria".

Seu blog é uma das maiores referências da campanha da Dilma, gostaria muito de divulgar este texto publicado também no blog de um grande amigo no seu blog. é para acordar os belorizontinos cuja metade ainda está votando no Serra, apesar de Dilma ser de BH:
http://www.desenvolvimentistas.com.br/minhacircunstancia/2010/10/flor-das-gerais-2/

Gustavo em outubro 27, 2010 5:01 PM


Blog da Coroa em outubro 27, 2010 6:24 PM


#61

diretor do Estado de Minas será chamado para depor pela PF?
se alguém puder confirmar esta notícia, por favor...

http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4759071-EI15315,00-PF+vai+convocar+diretor+do+iEstado+de+Minasi+para+depor.html

Luciana de Alencar em outubro 27, 2010 7:35 PM


#62

Meu namorado acaba de me falar que as clientes dele (ele trabalha como free-lance), falaram que deixariam de fazer a campanha com ele caso ele dissesse que ia votar na Dilma. Com medoele disse que votava no Serra (arrumou uma desculpa qualquer). Elas estavam raivosas.

Bruno em outubro 27, 2010 8:36 PM


#63

O texto situa bem o pensamento da maior parte de nossa elite, e boa parte da classe média remediada, que se "acha" participante do progresso consumista "apesar" dos brasileiros que lhe "atrapalham", enquanto não percebe que abre mão de seus direitos aos verdadeiros "predadores" da economia e da sua liberdade.
Mas a parte em que o autor afirma, que o autor do texto preconceituoso sofreria admoestação, ou até demissão, é um evidente exagero. Menos colega!
Um abraço.

Sérgio Troncoso em outubro 27, 2010 8:50 PM


#64

A campanha derrotista de José Serra está disparando e-mails falsos a partir do endereço marina@pv.gov.br.

argh! >:-/

http://www.minhamarina.org.br/blog/2010/10/nao-usem-meu-nome-para-o-vale-tudo-eleitoral-repreende-marina/

Luciana de Alencar em outubro 27, 2010 9:42 PM


#65

CORRUPÇÃO PSDB: Para os jovens não vivenciaram e os mais velhos que se esqueceram como as coisas eram antigamente, no governo do PSDB. Essa apresentação mostra de forma didática como a corrupção vem sendo tratada de forma hipócrita pela campanha do PSDB por tudo que aconteceu quando estavam na presidência. Vale a pena ver, é quase um dever cívico antes das eleições: http://migre.me/1KzJw

Fernando em outubro 27, 2010 10:29 PM


#66

Vou postar em meu blog. Caso não queiras por favor avise que retiro a referência. De qualquer forma foi ótimo terlido. Morei a década de 80 e inicio 90 na Eurpra e senti isso ( e até hoje) , a diferença de postura.

mosi em outubro 27, 2010 11:42 PM


#67

Não parem de repassar o video do Zé de Abreu q. disseca José Serra VAMOS FAZER CHEGAR NOS 500 MIL VIEWS! http://bit.ly/cQHk3Z #LulaDay #BrasilVota13

Ernesto de la Serna em outubro 27, 2010 11:55 PM


#68

A prova cabal da verdade nua e crua contida no texto do Rodrigo Nunes é a pseudocultura vomitada pelos predadores latifúndios mediáticos desse país e consumida, com avidez, por uma parcela substancial dessa classe média que acredita ser o umbigo do mundo.

Ah, essa a jequisse na moda, na música, na literatura, no teatro, na política. Ah, essa breguisse na arquitetura, nas festas de crianças, nos casamentos, nos funerais, nos chás de cozinhas, nos rodeios de Barretos, nos brinquedos da Xuxa, nas perguntas fundamentais à existência propostas por um ser do calibre intelectual duma Angélica ou nos comentários filosóficos duma Ana Maria Bra(e)ga. Ah, essa eufemística violência enraizada, por exemplo, num dito vencedor do naipe de um Roberto Justus, nos BBBs da vida, nos comentários políticos de Boris Casoy, no rancor despirocado dos textos do Jabor, nos sorrisos patológicos de “Caras”, nos carros importados dos potenciais 250km/h trafegando em ruas esburacadas - ao lado das favelas - num trânsito caótico de São Paulo, na opulência da estupidez, na demonstração medíocre de que sabe inglês - como se tal fato fosse um passaporte à sabedoria (esquecendo-se de que as penitenciárias americanas e/ou inglesas estão repletas de patifes bem-falantes). Ah, essa pseudoprodutividade científica que fomenta a picaretagem científica: essa mais-valia do conhecimento em que universitários-senhores-feudais se apossam – sempre, e exclusivamente, em proveito próprio - do trabalho e do conhecimento de seus bolsistas-pesquisadores. Ah, essas licitações e/ou concursos públicos (sempre de cartas marcadas)… Ah, em pouquíssimas palavras, esse culto mórbido da morte!


REINO DAS FALCATRUAS
by Ramiro Conceição


“Falcatrua (Falcatrua-Brasiliensis): ave de rapina, abundante no Brasil. De acordo com o IBAMA, as falcatruas vivem atualmente um processo de explosão populacional, pois não possuem um predador natural. Em bando, as falcatruas são hábeis na arte de matar. Por outro lado, quando sozinhas, parecem inocentes passarinhos.”


No reino das falcatruas,
se confundem
homenagem com subserviência
e mediocridade com ciência.

No reino das falcatruas,
a literatura foi baleada pelo bando da auto-ajuda, e
a música foi sequestrada pela quadrilha dos grunhidos,
o público se tornou privado

e o privado - uma privada pública!
Mataram - sem piedade - a lucidez, e
criaram o cosmopolitismo dos javalis.

No reino das falcatruas,
impera o inglês; mas…
é de bom tom xingar em português!

Ramiro Conceição em outubro 28, 2010 12:29 AM


#69

proponho um Conselho Federal da Piada para coibir esses abusos.

Carlos Bicalho em outubro 28, 2010 12:48 AM


#70

Bolinha de papel. Um pouco de música para animar...

http://www.youtube.com/watch?v=sF39pz56-Sk&feature=player_embedded#!

frank em outubro 28, 2010 9:19 AM


#71

Um artigo para ser guardado:

Janio de Freitas

Quem morreu

Kirchner é outro governante a passar à memória dúplice pelos mesmos motivos latino-americanos


A HISTÓRIA recebeu dois Néstor Kirchner. Mais um governante a passar à memória dúplice pelos mesmos motivos latino-americanos. Destino de que não escaparia ainda que não tivesse morte tão prematura.
Kirchner teve a coragem do desafio. Com frequência, praticado à maneira de quem quisesse mostrar bem a audácia até afrontosa. Foi assim logo em sua primeira investida de presidente de um país em crise econômica, muito grave e já com consequências da desordem social. Enquanto se difundia a ideia do seu despreparo e aturdimento diante da enormidade do problema, Kirchner foi até ao sacrilégio: insurgiu-se contra o FMI e recolheu aos armários a papelada da dívida externa e das cobranças ameaçadoras dos bancos. A prioridade era a Argentina.
Sua ação recebeu todos os qualificativos de condenação dos "mercados" e seus economistas, mundo afora. Começou a desenhar-se nos meios de comunicação argentinos o segundo Kirchner, o populista, o demagogo, o apropriador de partes dos outros Poderes, o ambicioso de assumir no país a posição de um novo Perón. Um Perón civil dotado, inclusive, da sua Evita, a então senadora e hoje presidente Cristina.
Kirchner venceu a crise. A Argentina começou a tornar-se Argentina outra vez. Mas estava aplicada a velha regra latino-americana. A imagem pejorativa prevaleceu, sem nuances, sem sutileza. Para uso interno e difusão externa. As elites socioeconômicas latino-americanas são uniformes, na conduta diante do que não se adapte às suas convenções. E na Argentina essa regra é engrandecida pela fantasia da classe dominante de que é uma extensão de sua congênere europeia.
Com o reerguimento da Argentina, os Kirchner estenderam a outros objetivos a sua determinação desafiadora. A reação aumentou, em muitos casos o confronto radicalizou-se de uma parte e de outra.
O enfrentamento de imprensa e governo, cada vez mais intenso, era inevitável em razão das identificações econômicas e políticas dos meios de comunicação com os interesses dos poderes financeiro, industrial e, muito forte lá, rural. É, no entanto, um conflito que requer muitas ressalvas à maneira como está retratado para o exterior pelos próprios meios de comunicação.
Um feito a ressaltar: o Judiciário foi fortalecido a ponto de fazer da Argentina o único país do Ocidente onde, de fato, é buscada e feita justiça aos crimes contra a humanidade. Só a efetivação dessa possibilidade já faria de Néstor Kirchner um governante merecedor de muito mais reconhecimento ao que foi seu papel como reformista, sem falar-se na superação da crise econômica e social e, a partir daí, na retomado de um processo de recuperação geral do país, ainda em curso.
Mas essa figura tem que dividir o espaço, em desvantagem nas respectivas proporções, com o Kirchner rebaixado a mero populista e inimigo das liberdades.


Reiter em outubro 28, 2010 9:20 AM


#72

"O que para alguns é difícil de engolir é que, quando o Brasil finalmente deu um passo para deixar de ser Belíndia, não foi por obra da “Bélgica”, mas da “Índia”".
Considero que este trecho é a síntese do texto do Rodrigo. Muito bom.

Cláudio Freire em outubro 28, 2010 10:27 AM


#73

inteligente, esclarecedor e didático. lamentável que muitos tenham preguiça de ler.
muito bom!

Leila Woiski em outubro 28, 2010 4:09 PM


#74

Bela reflexão. A forma como a "grande mídia" brasileira dissemina o medo e o preconceito é algo que precisa ser enfrentado de forma correta. Conferências de Comunicação em curso, melhoria da educação em todos os níveis, e, quem sabe em breve, mais gente com capacidade de analisar e se posicionar criticamente (e com elegância) contra tão execrável papel a que a grande imprensa se dispõe a representar. Minhas felicitações!

Fernando em outubro 28, 2010 8:27 PM


#75

Prezado Rodrigo !

Parabéns !!
Com muita satisfação e alívio li o seu artigo.
Eu que vivo somente há 6 anos neste país.
Nasci e cresci na Alemanha e vim com meu marido brasileiro e duas filhas para viver uma vida nova,
digna, pois lá, sem diplomas, meu marido durante 8 anos não conseguia emprego fixo.
Aqui venho lendo, o que eu apenas sentia aqui no Brasil (claro que a realidade é muito mais complexa), principalmente no meu emprego como tec. de enfermagem e instrumentadora, escutando as conversas do médicos...
Fico muito feliz que há pessoas como você e creio que o país ganha com cada um(a) que vai por um tempo e volta, para ver as coisas de um ângulo novo !

Concordo plenamente com que você escreveu sobre a Europa, o retrocesso.

Não posso votar, mas estou torcendo DILMAIS para
está "mulher do Lula" !!!!!!!!

Cordialmente,
Ursula Barros Penharvel (Cascavel, Paraná)

Ursula em outubro 29, 2010 10:15 PM


#76

Incrível texto e reflexão: muito obrigada!
O link para a revista, entretanto, não funciona... mas o amigo google me explicou que é só tirar o www que vai... ou seja: http://turbulence.org.uk/

eliza em outubro 30, 2010 12:10 PM


#77

Este texto deveria ser lido por todos. É admirável como ele escancara a mediocridade da nossa elite. Genial!

Benedito da Silva em novembro 3, 2010 12:10 PM