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terça-feira, 09 de novembro 2010

Sobre a privataria na educação e a mídia brasileira (com um convite à Twitcam)

19:38: Já está rolando a Twitcam ao vivo

Seria bastante tedioso seguir o auê que se armou na mídia brasileira acerca do erro detectado em 2.000 provas do Enem este fim de semana, especialmente tendo só as informações de que dispomos: um erro técnico, assumido pela gráfica, e que atinge 0,06% dos envolvidos no exame nacional. De uma discussão que teria sentido e que valeria a pena ter-- qual a falha que o Inep poderia ter sanado e como evitá-la da próxima vez – passa-se logo a julgamentos peremptórios sobre a ideia em si (que é excelente) ou, pior, o ministério como um todo. “Acéfalo” foi o mínimo que ouvi de gente que deveria ter visão mais matizada das coisas.

Isso ocorreu, lembremos, por falha de impressão em provas que afetaram zero vírgula zero seis por cento dos três milhões e meio de estudantes envolvidos num processo nacional, que cria condições para que o país se livre de uma de suas piores máfias, aquela que se encastelou durante décadas ao redor desta nefasta instituição chamada vestibular. Não é à toa que a gritaria é braba. Grana, baby, grana.

É tedioso o debate sobre a significação desse erro em particular quando se perde o quadro geral do ENEM também porque, como educador, seria, para mim, motivo de júbilo ter algum dia uma taxa de 99,04 99,94% de acerto. Aliás, eu a entenderia como um sucesso absoluto. Se, ao final da carreira, eu descobrisse que somente em 0,06% dos casos euj fui, por exemplo, injusto na nota (por desatenção, cansaço, erro de memória ou matemática, interferência involuntária de outra emoção etc.), eu certamente me daria por satisfeito e realizado. Caramba, nem em doutas decisões (pdf) de magistrados encontra-se uma taxa de acerto de 99%, sequer em questões como ortografia ou aplicação das regras de pontuação. Mas, para o Estadão, o erro que atingiu 0,06% dos alunos do ENEM (que podem repetir o processo fazendo exames análogos, óbvio, especialmente sendo, como são, um grupo estatisticamente minúsculo) prova que há uma hecatombe no Ministério da Educação brasileiro. Seria só mais uma grita, se não fosse bem mai$ que i$$o.

Como sempre, claro, há que se precaver contra conclusões apressadas, mas dadas algumas coisas que sabemos, não custa perguntar: estão claramente declarados todos os interesses que incidem sobre os interlocutores acerca desse negócio? Este blog entende que ainda não estão suficientemente explícitos, por exemplo, os laços que ligam certos setores da educação privada do Brasil com certos grupos de mídia e suas respectivas famiglias. Quando digo que não estão “explícitos”, me refiro, claro, a laços encontráveis no Diário Oficial. Nos próprios canais de TV, jornais e revistas desses grupos, evidentemente, não há sequer menção desses laços.

Sabemos que a Editora Abril entrou no negócio (digamos na galinha dos ovos de ouro) do livro didático, tendo ela já acedido—cortesia do tucanato paulista—ao ganso dos ovos de ouro das assinaturas sem licitação, bagatelas de oitenta milhões de reais. Sabe-se também do amplo trânsito que tem no Grupo Folha o conselheiro do oligopólio editorial Santillana, Paulo Renato Costa Souza, ex-ministro da Educação do tucanato e atual secretário de Educação de São Paulo. Sabemos, por exemplo, que em meia dúzia (entre dezenas e dezenas) de canetadas da Fundação para o Desenvolvimento da Educação de SP—cujas funcionárias às vezes aparecem em programa eleitoral--, a bagatela de nove milhões de reais irrigou os cofres de Globos e Folhas por assinaturas, claro, de licitação inexigível, mais ou menos tão inexigível como a autenticidade da ficha policial falsa de Dilma recebida pela Folha como spam, se é que me faço entender. Também é sabido que a Veja com frequência atua como o “braço armado” do Grupo Abril para aniquilar concorrentes no negócio, em operações já mais que observadas nas matérias da revista sobre o ensino. Para quem quiser se aprofundar nessa documentação, referência ineludível é o livro de Geraldo Sabino Ricardo Filho, A boa escola no discurso da mídia – Um exame das representações sobre educação na revista ‘Veja’ (1995-2001) (Editora Unesp).

Menos documentadas estão outras histórias, como por exemplo o bizarro episódio em que o estado de São Paulo dispensa a famosa inexibilidade (o princípio que rege todas as compras de assinaturas dos grandes grupos de mídia por lá) e realiza uma licitação para a aquisição de DVDs “Novo Telecurso”, tanto para o ensino fundamental como para o médio. Êba! Capitalismo e livre concorrência! Seria para se celebrar mesmo. Especialmente, como veremos, no Jardim Botânico.


Com fulminante rapidez, o edital é publicado em 25/07/99 e o resultado do certame sai em em 11/08/99, com vitória do Grupo Globo-- o que não chega a surpreender, dado o fato de que a Fundação Roberto Marinho, salvo engano deste atleticano blog, é a única entidade que produz qualquer porra chamada “Novo Telecurso”. Evidentemente, os pagamentos com dinheiro público paulista não falharam. R$ 4 milhões depositados em 26 de agosto e mais R$ 9 milhões no dia 29 de agosto.

Mas as diversões proporcionadas por esse curioso caso não param por aí. A Fundação Roberto Marinho licita com exclusividade três editoras, e somente três, para distribuir os materiais do telecurso: duas delas são conhecidas, a Posigraf (da Positivo) e a IBEP Gráfica LTDA (manjadas de quem acompanha as compras da Secretaria da Educação de SP). A terceira é de estatuto deveras nebuloso: Editora Gol LTDA. Será que a existência de tão insólita e desconhecida editora, licitada como uma das três exclusivas distribuidoras do “Novo Telecurso” que faz negócios de dezenas de milhões de dinheiro público não seria de interesse de algum jornalista da mídia brasileira?

Pode ser, mas esperemos sentados. Enquanto isso, continuamos aprendendo com o NaMaria News, de onde saíram os dados para os dois parágrafos anteriores.

Como algumas dessas questões voltaram a me interessar, decidi marcar uma sessão da Twitcam para esta terça-feira, às 19:30, horário de Brasília. Para quem quiser compilar coisinhas sobre esse bilionário negócio, o blog recomenda, além do NaMaria News, os arquivos do Cloacão sobre Paulo Renato e um texto da revista Veja, de 20/11/91 (encontrável lá nos arquivos), intitulado “A Máquina que Cospe Crianças”-- e mais o que a diligência de vocês desenterrar, é claro. Há verdadeiras pérolas sobre este assunto escondidas por aí.

Entrando a Twitcam, eu aviso aqui no blog. De qualquer forma, o link estará no meu Twitter às 19:30.


PS: Antes disso, e bem a propósito, começa, com transmissão ao vivo pela net, o Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, promovido pelo governo federal e dedicado, entre outras coisas, a examinar experiências de regulação no setor de comunicações eletrônicas em países como Argentina, Espanha, Estados Unidos, França, Portugal e Reino Unido. Acontece ao longo do dia de hoje, terça-feira, e amanhã.



  Escrito por Idelber às 04:46 | link para este post | Comentários (82)


Comentários

#1

Infelizmente, não poderei participar da twitcam de hoje. No twitter, apresento-me como nimouran, por ter sido excluído. Trocamos algumas idéias ontem sobre capital estrangeiro na educação.
Sugiro que vc atualize suas informações. Hà dois anos, VEJA enunciou em uma matéria de capa o que seria a educação a seus olhos: função estritamente instrumental, preparação do indivíduo para o mercado de trabalho. Investiu contra o conjunto das idéias iluministas e da paideia, além de ter desancado Paulo Freire, por suas idéias de formação da consciência crítica.
Como somente no plano federal existe controle por parte do Estado na edição de livros didáticos, o capital estrangeiro tem contornado o problema de seu acesso ao mercado de MATERIAL didático subornando governos estaduais e municipais. O problema não é meramente comercial e sim ideológico. Os autores das tais apostilas (material didático) têm de se adequar às exigências referentes a conteúdo feitas por essas empresas. Veja-se o caso Wisentini, evocado ontem por alguém, em nossa conversa. Que a ideologia destilada nessas apostilas é contrária ao interesse nacional, não há dúvida. Recentemente, VEJA publicou uma matéria contrária à autonomia dos territórios indígenas, porque essa autonomia levanta obstáculo à exploração de minérios pelo capital estrangeiro nessas terras. À investida ideológica dessas empresas, deve juntar-se o avanço da Opus Dei (Universidade de Navarra)na "capacitação" em massa de jornalistas brasileiros.
Não existe um marco regulatório para o material didático no Brasil. Na França, é assunto de soberania nacional, e a sua produção está ao encargo estrito das instituições públicas de ensino e pesquisa.
Lembre-se que o Brasil é o maior mercado de livros didáticos do mundo, a meca das multinacionais do setor.
Sob o comando da ideologia neoliberal e da Opus Dei, nosso ideário de Anísio Teixeira, Fernando Azevedo, Paulo Freire e Darcy Ribeiro vai para o brejo.

Nivaldo Manzano em novembro 9, 2010 6:41 AM


#2

É impressionante ver gente que eu respeito e muito achando que por causa desse erro o Enem tem que acabar!!!

O argumento, em geral é absurdo como: "é que é muito difícil fazer uma prova assim no Brasil todo", "o Brasil é muito grande", "a gente não tem competência para isso".

To revoltada com a quantidade de pessoas inoculadas pelo vírus do pânico espalhado pelo PIG (desculpa, mas não tem outro nome melhor para denominar essa imprensa, realmente).

O bom é que o Fernando Haddad é incrivelmente competente e sabe lidar com o pig como ninguém. A entrevista dele hoje ao bom dia brasil (argh!) foi exemplar. Deveria servir de lição de casa para todo mundo que faz parte do governo federal ou dos muitos governos estaduais aos quais o PIG vai fazer oposição ferrenha daqui pra frente.

O cara descascou a batata com tranquilidade e honestidade incríveis.

Ainda não tem link no youtube, mas assim que eu achar posto aqui.

aiaiai em novembro 9, 2010 6:55 AM


#3

Acrescento o seguinte a meu comentário anterior:
A Editora Abril coloca nas escolas do ensino fundamental uma publicação intitulada "VEJA na sala de aula". Consiste de material didático a ser explorado pelo professor referente a temas da atualidade. A Editora seleciona semanalmente temas considerados relevantes - e o critério é o modo como são abordados pela revista VEJA - e um grupo de "especialistas" elabora questões a serem debatidas em classe. À frente de tais especialistas, está um punhado de gente da entourage de Paulo Renato de Souza - como Cláudio Correia de Castro & esposa, ex-secretária de Educação tucana de S. Paulo - todos eles negocistas da Educação, função social que confundem com adestramento do aluno para a sujeição ao trabalho assalariado e desprovido de inteligência.

Nivaldo Manzano em novembro 9, 2010 6:56 AM


#4

Belo post, Idelber.
só um detalhe: creio que é 99.94% ao invés de 99.04%.

[]s
F.

Fernando Serboncini em novembro 9, 2010 7:28 AM


#5

To achando que o velho Biscoito, aquele crítico, não volta mais.......

bacana em novembro 9, 2010 7:34 AM


#6

Fernando, 1% de 3 milhões e meio seria 35.000.

2.000 alunos foram afetados.

Acho que é 0,06% mesmo =). 0,057%, pra ser mais exato.

Idelber em novembro 9, 2010 7:35 AM


#7

Aquele velho, bacana, no qual o seu comentário de estréia foi em 08/09/2010, para dizer que o blog não era o mesmo de antigamente? Quando será que esse antigamente existiu na sua cabeça?

Idelber em novembro 9, 2010 7:39 AM


#8

Só para sua informação, fundações de direito privado (como a Fundação Roberto Marinho) são proibidas de distribuir lucros, porque legalmente não têm donos.

Uma fundação é um "fundo (de recursos) em ação", com um patrimônio destinado na origem a um objetivo definido em estatuto. Quem vela pelo cumprimento desse objetivo é o Ministério Público, normalmente através de uma curadoria de fundações (apesar que depende por estado).

Dentre os objetivos possíveis da fundação pode estar um monte de coisas, menos o lucro.

É o que se chama de organização sem fins lucrativos.

E sendo assim, a Fundação Roberto Marinho por mais que ganhe licitações ou qualquer coisa assim sobre algo para o qual não sei se há alternativas no Brasil, dificilmente será em benefício da Rede Globo, dos acionistas da Rede Globo ou de qualquer coisa do gênero. O que meio que torna sua insinuação contra ela meio boba.

E quanto às distribuidoras, problema de origem: Quantas distribuidoras você acharia razoável que distribuíssem um material como o Telecurso?

Por que em qualquer setor, o número de distribuidoras depende de uma quantidade de coisas imensa e dificilmente analisável para quem está de fora. Quatro para você está bom? Ou uma? Ou dez? Dificilmente o número de distribuidoras diz qualquer coisa sobre qualquer coisa para você insinuar contra.

Rafael M em novembro 9, 2010 7:39 AM


#9

Muito obrigado por me informar que uma fundação é uma entidade sem fins lucrativos, Rafael! Onde você terá conseguido informação tão secreta?

Sobre as distribuidoras, Rafael, talvez valha a pena reler o texto. Não há nenhum comentário acerca do seu número. Há uma certa, digamos, curiosidade acerca do estatuto de um treco chamado Editora Gol. Vá lá, dê uma relida, você é capaz =)

Idelber em novembro 9, 2010 7:43 AM


#10

Se o histórico não estivesse aí à disposição poderia parecer papo de louco. Tá bom, o Biscoito crítico nunca existiu.........

bacana em novembro 9, 2010 7:48 AM


#11

Assim é melhor =)

Idelber em novembro 9, 2010 7:48 AM


#12

Minha filha de 18 anos passou o final de semana fazendo a prova do Enem e agora chora com medo da anulação, só mesmo esse seu post cirúrgico para alimentar minha manhã, como uma golfada de ar, confesso que eu estava me afogando nessa mídia nojenta.

Izabella em novembro 9, 2010 7:49 AM


#13

Já tem o link para a entrevista, mas no site da globo...no youtube não achei. Como estou de saida deixo esse mesmo:

http://migre.me/25KJ0

Idelber,

O Fernando quis ressaltar que a taxa de acerto é que foi 99,94 e não 99,04 como está no post.

aiaiai em novembro 9, 2010 7:52 AM


#14

Ah, sim, agora entendi! Valeu, aiaiai, valeu, Fernando.

Idelber em novembro 9, 2010 7:53 AM


#15

Bom dia!

Essa é só mais uma chuva de contêineres pela qual o governo passa, mais uma tentativa de causar uma chaga no "Nunca antes neste país". Costumo afirmar que o trunfo da esquerda (ou centro-esquerda, como definem alguns) é que nossos intelectuais são melhores que os da direita e conseguem se esgueirar. O Fernando Haddad e sua equipe superarão mais esta adversidade com a competência que lhe é comum.

A questão das apostilas e do material didático viciado é algo que me preocupa desde quando li as primeiras denúncias no NaMaria. O raciocínio crítico e toda a aquisição de conhecimento está em farrapos no estado de SP, mesmo após a inclusão das disciplinas sociologia e filosofia, devidamente contestadas pelos especialistas sempre a postos. O Idelber, à época, elaborou um post sobre a importância do desenvolvimento desta consciência e, como exemplo, citou a experiência que sua filha estava tendo. Voltando a SP, lamento dizer que a implantação destas disciplinas só foi motivo para ganharem mais dinheiro, pois as apostilas do ensino médio são cômicas, se não fossem medonha.

Escuso acrescentar algo sobre o jornalismo chapa-branca, podre e parcial. Sonho com o dia em que as pessoas deixarão de repetir as asneiras que eles transmitem e, assim como nós, procurem outras fontes para confirmação. Pra minha tristeza, isso está longe de acontecer, a se basear pelos resultados da educação pública em SP.

Tiago Gregório em novembro 9, 2010 9:15 AM


#16

Incrível o seu maniqueísmo ao posicionar-se, sem qualquer análise um pouquinho mais crítica, sempre ao lado do governo. Acho que é por aí a reclamação de nosso amigo a respeito do Biscoito crítico (pelo menos um pouquinho...).

A trapalhada do Enem esse ano se soma ao vexame do ano anterior e as tentativas de acobertamento e minimização do problema, ou, como fez o banana Haddad hoje, colocar a culpa nos governos passados. Não foram "apenas 20000" provas, foram também uma série enorme de erros de impressão e digitação, questões sem resposta possível, questões com mais de uma resposta possível, questões repetidas, além do mais absurdo erro, e que atingiu um número enorme de alunos, que foi a falha incrível na impressão dos cartões de resposta.

É isso, eum pouco mais. E não basta, como sempre faz o pt, e atualmente o Idelber, levantar outros casos e insinuações para encobrir uma incompetência sem fim, e sem nenhuma punição aos responsáveis.

Pynkoo em novembro 9, 2010 9:20 AM


#17

Idelber,

A gente sabe que a mídia vai bater no governo quando puder. A gente também sabe que a classe média do sul/sudeste que nao quer o ENEM. A padronizacao que essa prova promove é ruim para o filho de classe média que estuda nos tradicionais colégios das grandes cidades do sul e do sudeste. De um lado, a padronizacao torna mais fácil para o aluno do nordeste "tomar" a vaga dos filhos da classe média nas universidades públicas. De outro lado, o estilo da prova do ENEM (menos decoreba e muita interpretacao) permite ao aluno brilhante das nossas quase sempre péssimas escolas públicas "tomar" vagas dos mesmos filhos da classe média que somente passavam no vestibular graças ao ensino quase integral e a imensa qualidade dos professores dos famigerados "terceiro anos integrados" que a maioria das boas escolas particulares brasileiras possui.

O que coloquei acima sao fatos. Mas também é um fato que ocorreu um erro no ENEM que somado ao erro do ano passado desgasta o exame. Eu nao conheco nenhuma história de erros desse tipo no SAT americano, no A-Level ingles, no Bac frances etc.

Nao creio ser a melhor estrategia utilizar a oposicao e a capacidade de pressao de alguns setores da sociedade a uma ótima iniciativa para sermos lenientes com erros administrativos que, pequenos que sejam, de fato ocorreram.

Arthur em novembro 9, 2010 9:24 AM


#18

Na verdade, creio que esse leve agravamento da filiação partidária acrítica d'O Biscoito não deveria surpreender a ninguém.

Mas o formador de opinião falha quando se rebatem as falhas do governo-partido (e falhas existem, pequenas ou não, não é?) com teorias da conspiração capitalista e com um terno olhar - e sempre unidirecional - sobre a falibilidade humana.

Além disso, todo mundo parece ter esquecido que a semente (para ser modesto) do Enem é do Paulo Renato, não é?

Corretor Orthographyco em novembro 9, 2010 9:40 AM


#19

Pynkoo, então vamos lá. Mas para discutir com dados, não basta dizer que "foram também uma série enorme de erros de impressão e digitação, questões sem resposta possível, questões com mais de uma resposta possível, questões repetidas, além do mais absurdo erro, e que atingiu um número enorme de alunos, que foi a falha incrível na impressão dos cartões de resposta". Afirmar isso desta forma não dá nenhuma noção do que ocorreu.
Para começarmos a discutir com consistênca, diga quantas foram as questões em que esses êrros aconteceram. Dados e números, ok.

Cláudio Freire em novembro 9, 2010 9:49 AM


#20

"Incrível", Pynkoo, é uma pessoa assistir a este vídeo e insistir na tese de "acobertamento". Qual acobertamento? Ano passado um exame foi roubado, isso foi admitido, outra prova foi ministrada 60 dias depois. Este ano 2.000 provas foram mal impressas, uma juíza do Ceará mandou suspender o exame, e o governo diz que vai recorrer, a meu modo de ver com toda a razão, com base na TRI, conhecida dos profissionais do magistério. Onde está o "acobertamento" exatamente? Onde está faltando senso crítico?

Idelber em novembro 9, 2010 9:50 AM


#21

Desculpe, Idelber. Devo ter lido com atenção demais o trecho:

"Com fulminante rapidez, o edital é publicado em 25/07/99 e o resultado do certame sai em em 11/08/99, com vitória do *Grupo Globo*-- o que não chega a surpreender, dado o fato de que a Fundação Roberto Marinho, salvo engano deste atleticano blog, é a única entidade que produz qualquer porra chamada “Novo Telecurso”. Evidentemente, os pagamentos com dinheiro público paulista não falharam. R$ 4 milhões depositados em 26 de agosto e mais R$ 9 milhões no dia 29 de agosto."

No qual a Fundação Roberto Marinho, na minha leitura pedestre e analfabeta, parecia parte do Grupo Globo.

É claro que o que você diz é exatamente o correto, tal como eu disse antes: que a Fundação Roberto Marinho não é do grupo Globo porra nenhuma, porque afinal de contas *não há propriedade de uma fundação sem fins lucrativos*, não há *sócios* e aqueles milhões todos? Só podem ser aplicados no objetivo fundacional.

Editora Gol? Não conheço, não sei quem é dono. Você sabe?

Rafael M em novembro 9, 2010 10:53 AM


#22

Editora Gol? Não conheço, não sei quem é dono. Você sabe?

Ninguém na área editorial parece conhecer uma "Editora Gol". E a editora só parece publicar isso aí. Não se sabe onde fica, por exemplo, seu parque gráfico. Um mistério danado.

Idelber em novembro 9, 2010 10:58 AM


#23

É impressionante como se discute o "erro" de 0,06 do ENEM atual como falha grave sem perceber que o fulcro da questão é o processo de redemocratização do ensino - por mínimo que seja! Lembremo-nos que no ano passado a gráfica da Folha de São Paulo foi a grande responsável pelo quase desastre do processo; neste ano, a próprio gráfica assumiu o erro.
gostaria de saber porque esta mesma mídia - e as pessoas que aqui se manifestam contra o ENEM, não se manifestaram com tanta veemência no episódio dos livros com pornografia enviados às crianças das escolas de São Paulo...

Paulo de Tarso em novembro 9, 2010 11:08 AM


#24

Idelber,

Você mora nos EUA, cara.
Vai me dizer que a gritaria não seria a mesma se falha semelhante tivesse acontecido com o SAT? (tirante as óbvias diferenças entre os dois sistemas, o fato do SAT score ser somado ao GPA do aluno no colégio, coisa aliás que podia bem ser agregada ao sistema do ENEM)
É claro que a conversa de que o ENEM tem que acabar é estapafúrdia.
Mas um sistema que se arroga de Scholastic Aptitude Test, que mais ainda que o SAT é porta de acesso garantida às universidades públicas, não pode errar não. Não cabe nem 0,06% de erro.
Assim como não caberia (e a gritaria correria solta) se o mesmo ocorresse aqui na América do Norte.

Luiz em novembro 9, 2010 11:09 AM


#25

Claro que cabe, meu caro Luiz. Não é se "falha semelhante tivesse ocorrido". Falhas muito piores acontecem com os SATs o tempo todo. Até em Harvard.

Não só houve erros no SAT, como eles foram de gravidade muito maior que os do ENEM, como você pode ver lendo as matérias lincadas no parágrafo anterior. Claro que houve gritaria. Mas anular os SATs na totalidade ou eliminá-los? Não passaria pela cabeça de ninguém. Certamente não passaria pela cabeça de nenhum jornalista que nunca ouviu falar de TRI dizer que a replicação da prova no universo afetado não pode ser feita. E dificilmente apareceria um juiz para anular 3,5 milhões de provas porque 2.000 foram mal impressas.

Não que os EUA tenham que ser modelo necessariamente, claro.

Idelber em novembro 9, 2010 11:17 AM


#26

Olha, o texto traz questionamentos importantes. Não obstante - e é preciso que se diga - o nível de segurança no ENEM é risível. Eu sei por que fiscalizei as provas do ano passado. Quem quisesse fraudar iria encontrar uma rede de segurança extremamente frágil (quando havia) e propícia para tal. O resultado disso esse ano foi a revelação, pelo twitter, de partes do conteúdo da prova.

Arrisco dizer que ano passado houve maior desorganização que esse ano. A diferença é o alinhamento da mídia com qualquer assunto que degringole em crítica ao atual governo.

Mas, como disse o amigo acima, dois errados não fazem um certo. Eu, particularmente, não aprovo essa uniformização com base no ENEM. Mas talvez isso seja assunto para outra discussão.

Arthur Santos em novembro 9, 2010 11:17 AM


#27

Concordo que existe uma tempestado em copo d'água, e que isso é causado por interesses econômicos (talvez mais político mesmo).

Porém, não vejo onde o ENEM é melhor que os vestibulares espalhados por aí. Se o MEC está disposto a assumir uma responsabilidade tal a ponto de criar um ENEM como esse, num país gigante como esse, tem que se entender as críticas.

Pra mim, esta supervalorização do ENEM, e esta idéia de extinguir os vestibulares é um ataque à autonomia das universidades federais, e um erro de estratégia que está manchando a espetacular administração Fernando Haddad.

tecnocaos em novembro 9, 2010 11:20 AM


#28

Idelber, mudando de assunto. Ontem a Argentina e o mundo ficaram um pouco menos ruim. Morreu Massera, dirigente da ditadura de 76 e comandante da ESMA, talvez o pior centro de detenção e tortura. Sem dúvida, um dos responsáveis dos "vuelos de la muerte". Abramos uma champanhe e celebremos um mundo (um pouco) menos desgraçado.

Marcelo Barbão em novembro 9, 2010 11:25 AM


#29

Um carniceiro inominável, esse aí.

Idelber em novembro 9, 2010 11:31 AM


#30

Idelber, veja só, a teoria da resposta ao item é tão consolidada que ela foi adaptada para a ciência política para estimar ideologia de deputados em votações nominais. Ao invés de estimar habilidades com base em itens (questões), estima-se a ideologia com base em votações.
Quem não entende do assunto devia fazer uma pesquisa primeiro antes de falar abobrinha (se tiver boa fé, é claro).

Manoel Galdino em novembro 9, 2010 11:33 AM


#31

gostaria de saber porque esta mesma mídia - e as pessoas que aqui se manifestam contra o ENEM, não se manifestaram com tanta veemência no episódio dos livros com pornografia enviados às crianças das escolas de São Paulo...

Ou de um certo exame da OAB com duas letras A nas respostas... Ninguém quis anular aquele?

Idelber em novembro 9, 2010 11:35 AM


#32

Pois é, Manoel, e você vê jornalista (e advogado) trombando com uma sigla existente há décadas, da qual o sujeito nunca ouviu falar, e opinando sobre "impossibilidade" de réplica de exame em universo de 0,06%. É de lascar.

Idelber em novembro 9, 2010 11:39 AM


#33

Discordo que o,o6% seja uma margem pequena de erro, pois quem está nessa faixa foi prejudicado. Não é um erro de questão, como aquela sobre a abertura dor portos -e que são normais e não prejudicam ninguém-, mas sim um que prejudicou diretamente uma parcela, ainda que baixa, daqueles que prestam.
A questão é saber o que é mais correto, e vejo algumas opções:
- refazer o exame todo, o que deixaria todo mundo em condição de igualdade;
- refazer o exame apenas para os prejudicados, o que significaria que eles teria mais tempo para estudar, e afetaria a igualdade que todos deveriam ter;
- refazer o exame para todos aqueles que o quiserem, o que, me parece, é a solução que mais garante a igualdade.
De qualquer forma, concordo que a desqualificação do ENEM não é a solução, mas não acho que se possa dizer que não é um problema, ou um problema menor. Essas são duas posições que eu repudio.
Por fim, bote na conta da privataria educacional a "mãozinha" do governo federal que, anualmente, derrama rios de dinheiro e coloca estudantes em faculdades privadas mediocres. Mas aí é outra discussão.

fred.k em novembro 9, 2010 11:43 AM


#34

Sabe, o interessante é que eu ouvi na CBN (que é da Globo) muita patifaria contra o Enem. A Lúcia Hippólito disse que é "impossível fazer um provão unificado porque o país é grande e diferente demais, é megalomania (palavras dela) querer fazer um ENEM". Mas foi na própria CBN que ouvi uma voz muito parecida com o que eu penso e o que eu tenho lido aqui.

A Viviane Mosé, que apresenta junto com o Carlos Heitor Cony e o Artur Xexéo o quadro "Liberdade de Imprensa", no Jornal da CBN 1a edição (de segunda a sexta, de 6h30 até 9h30 da manhã), disse umas coisas muito interessantes ontem (08/11/10) e hoje (09/11/10). Ela mencionou o TRI = Teoria da Resposta ao Item, e também falou sobre essa questão de "enterrar o antigo vestibular", inclusive levantando as indagações sobre quem seria a favor e contra se acabar com o vestibular, quem estaria ganhando com o novo ENEM e quem estaria perdendo.

Gostei da coletiva do Haddad ontem à tarde (passou um pedaço na CBN). Ele se saiu bem nas perguntas "difíceis" e explicou porque o argumento da juíza do Ceará estaria errada - e inclusive apresentou uma contra-prova (uma prova que teria sido aplicada um mês depois da prova oficial do ENEM em uma cidade atingida por enchente).

Quanto aos problemas - foram realmente pequenos e devem ser corrigidos. Acho que deveriam instruir melhor os aplicadores de prova - meu irmão prestou o ENEM esse fim de semana e errou na marcação do gabarito porque os ficais (des)informaram aos candidatos sobre a maneira de proceder com os gabaritos invertidos.

Bárbara em novembro 9, 2010 11:51 AM


#35

Entrevista do ministro da Educação Fernando Haddad no Bom Dia Brasil de hoje, como citado por um comentário lá em cima: http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2010/11/nao-ha-razao-para-cancelar-prova-do-sabado-afirma-fernando-haddad.html

Georgia em novembro 9, 2010 11:52 AM


#36

o ridículo é o tanto que o haddad fala de TRI. como se ele tivesse descoberto a sigla ontem. ele parece realmente acreditar que o principio da igualdade é garantido por isso. e nao é. nao nesse caso. porque o aluno entra numa maratona nessa epoca do ano. repetir um enem nao é uma questao só do nivel da prova. tem todo um desgaste envolvido. e o haddad responde a TODAS as questoes sobre isso com TRI.

eu vou estar pentelhando a sua twitcam, obviamente. mas eu gostaria MESMO que rolasse um debate à esquerda. entao, to pedindo. ja q vc q vai fazer. vamos supor que todos estao de acordo a respeito da importancia do enem e do interesse economico q existe para que ele nao funcione.

enfim. nada demais eu tenho pra comentar. só resmungar sobre o haddad e sobre isso das pessoas q eu mais gosto de ler na internet nao descerem da porra do palanque.

mary w em novembro 9, 2010 12:21 PM


#37

Há questoes demais misturadas neste tópico. Independentemente da questao do erro, seria bom questionar um pouco o próprio ENEM, nao com a mentalidade da mídia.

Por um lado, pelo que vi das questoes do exame, nao vi tanta diferença assim em relação ao vestibular. E nas condições de prestação da prova tb. Sao favorecidos os alunos treinados em responder esse tipo de prova sob pressao de tempo, e nao os com melhor conteúdo. Continuarao a ser necessários os cursinhos.

Mas o principal problema, me parece, é o risco dos alunos das regioes com melhor ensino e das capitais virem a ocupar vagas de outras regioes, formando-se nelas mas voltando depois às regioes de origem, e deixando as regioes onde estudaram sem os profissionais necessários. Isso me parece uma contradição com a tentativa do governo de abrir extensoes universitárias fora das capitais.

Além disso, me parece que nao seriam os pobres os beneficiados nao, uma vez que nao sao eles os que têm boas chances de estudar longe de casa.

Anarquista Lúcida em novembro 9, 2010 12:28 PM


#38

vamos supor que todos estao de acordo a respeito da importancia do enem e do interesse economico q existe para que ele nao funcione.

Mary, uma hipótese, só uma hipótese: será que a percepção de que as pessoas que você mais gosta de ler "não desceram do palanque" tem algo a ver com o fato de que não é possível supor que estão todos de acordo a respeito da importância do ENEM? De que esse acordo, na realidade, hoje, é exatamente o que temos que construir?

Idelber em novembro 9, 2010 12:31 PM


#39

Agora quanto aos interesses econômicos na Educação, vale ler uma reportagem do Nassif, chamada O Caso COC, que mostra como a Veja, que numa reportagem anterior tinha elogiado muito as apostilas do grupo COC, centrou ataque nas mesmas quando uma empresa do grupo passou a fabricar apostilas tb. Há tb uma outra, que conta como a VEja atacou um colégio tradicional de Sao Paulo por ter usado o material concorrente da Carta Capital.

Anarquista Lúcida em novembro 9, 2010 12:32 PM


#40

É verdade. Depois da falsa proibição ao Monteiro Lobato, está mais do que claro que a onda de ataque ao Haddad é movido por interesses comerciais. Minha curiosidade é sobre qual interesse específico está envolvido na questão. Sobre o assunto, já enchi o saco de todo mundo que conheço para ler este artigo do Coase:
http://www.jstor.org/pss/1816070
Tem versão gratuita, em espanhol, na internet, intitulada "EL MERCADO DE LOS BIENES Y. EL MERCADO DE LAS IDEAS"
Para não perder o hábito, insisto que vale a pena.

o gabs em novembro 9, 2010 12:44 PM


#41

Deu em http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2010/08/justica-concede-liminar-grafica-que-venceu-pregao-para-imprimir-enem.html, em 19.08.2010:

A Justiça Federal concedeu nesta quinta-feira (19) liminar que permite à gráfica Plural, vencedora do pregão para imprimir provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010, a continuar na licitação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Segundo a decisão, a juíza substituta da 2ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, Candice Lavocat Galvão Jobim declara ilegal a decisão do Inep de desclassificar a gráfica com base na suposta não comprovação por atestados técnicos de execução de atividade pertinente e compatível com o objeto da licitação.

A juíza determinou o prosseguimento do processo de habilitação da gráfica nos termos do edital do pregão e revogou a decisão dada por ela de suspensão da licitação.

Em nota publicada no site, o Inep afirmou que, com a decisão da Justiça a favor do recurso da Plural, "o processo de licitação deve seguir o seu curso, com a avaliação in loco do quesito segurança, a ser elaborado pela ABTG – Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica – nas gráficas concorrentes, o que deve ocorrer nos próximos dias".

Na nota, o Inep disse ainda que o cronograma de execução da prova está sendo cumprido. A realização do Enem está marcada para 6 e 7 de novembro. Cerca de 4,6 milhões de estudantes de todo o país se inscreveram para o exame, que substitui os vestibulares em muitas universidades, principalmente nas federais.
Procurada pelo G1, a gráfica Plural ainda não informou seu posicionamento sobre a decisão.

Regina Machado em novembro 9, 2010 12:56 PM


#42

Idelber,
Entendo os interesses comerciais em jogo, muito bem elaborados aqui, e concordo que são relevantes ao alarde feito em cima do erro. O que eu não entendo é como o Enem cria condições para que o país se livre de uma das suas piores máfias, a do vestibular--não entendo mesmo, não é posição retórica. Como sabemos, aqui nos EUA, quanto mais importante fica o SAT, quanto mais cresce uma indústria de preparação feito ao redor dele, movido por editoras não mais isentas do que essas mencionadas aqui. Os efeitos negativos dessa indústria agora se sentem em todos os níveis da educação americana.

O Enem substitui o vestibular "tradicional," mas cria em seu lugar um mega-vestibular nacional, mais parecido com o SAT. Isso muda o jogo, mas não elimina oportunidades para enriquecer editoras e empresários da educação terceirizada em cima das ansiedades e aspirações de alunos secundários. Se o Enem dá mais um passo em direção ao modelo americano, não entendo como isso vai minar uma indústria do vestibular, do cursinho, do livro escolar vendido sem licitação, etc.

Também não acho a cobertura feito pelos jornais principais tão desmesurada, não. O artigo do Hélio Schwartsman na Folha de ontem (http://www1.folha.uol.com.br/saber/827418-helio-schwartsman-justica-ainda-nao-entendeu-o-que-e-o-enem.shtml) me parece bastante perspicaz, e se tiver defeito, é talvez somente no exagero das virtudes do SAT (uma prova bem elaborada estatísticamente, mas com uma história notória de defeitos, erros, e viés profundo).

Bryan em novembro 9, 2010 1:13 PM


#43

Olá Idelber,

Hoje tive a oportunidade de ter um embate com o procurador do MP Federal que entrou com o recurso, acatado pela juiza, de cancelar o as provas do ENEM. Isto ocorreu na mesa da cantina onde eu e outros professores da UFC estavamos almoçando. O procurador nos abordou com questões a respeito de lógica matemática para fundamentar sua argumentação junto à juiza. Fez isso pois na mesa havia matemáticos e físicos. Engajamo-nos todos em um debate que começou morno e terminou acalorado sobre as questões relativas ao ENEM e à entrevista que o ministro Haddad deu hoje pela manhã (linkada pela aiaiai). Passearmos por vários aspectos do mesmo assunto sempre nos surpreendendo com a pobreza da argumentação do procurador. No final a conclusão que eu tirei é que o cidadão sabe quase que absolutamente nada sobre como funciona o ENEM e a TRI e tenho a opinião que ele entrou com o recurso baseado principalmente em fofocas. Terminei minha participação dizendo a ele que é uma irresponsabilidade uma pessoa na sua (dele) posição entrar com um recurso na justiça que pode afetar a vida de 4 milhões de pessoas com quase nenhum conhecimento sobre o assunto e embasado somente por achismos e "isso é um absurdo"ismos. Espero que eu não tenha dito besteira quanto a isso! No final, a verdade é que vivemos para esses momentos. Saí de alma lavada :-)

Grande abraço,

Igor

Igor em novembro 9, 2010 1:40 PM


#44

Boa Bryan, falou tudo que eu tentei falar antes, só que com mais conteúdo. O problema todo é ficar nessas discussões bobas: está se criticando o ENEM por si só (por motivos econômicos ou políticos), mas não se debate o essencial: o que o Brasil ganha com o ENEM, que não tinha antes com os vestibulares? A única coisa que justifica o ENEM é o PROUNI, fora isso, qual a razão do MEC propor que o ENEM substitua o ingresso nas federais?

tecnocaos em novembro 9, 2010 1:44 PM


#45

fred.k #33 disse:

Por fim, bote na conta da privataria educacional a "mãozinha" do governo federal que, anualmente, derrama rios de dinheiro e coloca estudantes em faculdades privadas mediocres. Mas aí é outra discussão.


É outra discussão mesmo, e boa. Passa pelo fato de que o número de vagas oferecidas nas universidades públicas federais é muito menor do que a demanda, mesmo com toda a expansão universitária dos últimos anos.

Igor em novembro 9, 2010 1:48 PM


#46

idelber,

tenho a mesma pergunta q o bryan. como o ENEM vai acabar com a máfia do pré-vestibular e democratizar o acesso às universidades públicas, que ainda sao as melhores e mais disputadas?

as escolas mais bem classificadas no ENEM sao sempre as particulares e penso q serao esses alunos q continuarao sendo aprovados nas universidades de elite.

é uma ilusao pensar q a prova do ENEM, por nao exigir decoreba, favorece alunos de escola publica porque eles teriam capacidade de raciocinio q prescinde de decoreba. capacidade de raciocinio tb precisa ser desenvolvida na escola, e a escola publica nao faz isso. aliás, o simples fato de haver redaçao já é suficiente para eliminar grande parte dos alunos de escola publica da concorrencia por uma vaga. eu trabalho numa indústria pré-vestibular (o q me causa profunda vergonha, como profissional da educaçao, se é q posso me considerar assim) na área de portugues e literatura, e vejo o desnível absurdo entre alunos que chegam de escolas publicas e os q vêm de escolas particulares ou estao há mais tempo no cursinho.

(nao estou dizendo q nao deveria haver redaçao, é claro q deve haver, e as propostas de redaçao do enem podem ser inclusive mais sofisticadas)

c. em novembro 9, 2010 1:55 PM


#47

Estou com o estômago virado com essa discussão toda, desde ontem.

O que está acontecendo é, simplesmente, o linchamento público do Haddad.

Só isso explica que um erro de impressão que afetou 0,06 das provas num exame com 3 milhões de alunos num país do tamanho de um continente seja tomado como "prova cabal de incompetência do ministro" (CBN, ontem).

Nojo.

E esse linchamento da mídia está repercutindo na fala de alguns cidadãos pensantes sem a menor barreira crítica.

Espanto.

MC em novembro 9, 2010 2:41 PM


#48

O número de urnas eletrônicas com defeito nas últimas eleções foi de 0,36%, seis vezes mais do que as falhas no ENEM.

Alguém posta aí os links dos jornais e revistas revoltados e urgindo a anulação das eleições?

ultranol em novembro 9, 2010 2:41 PM


#49

Puxa, Idelber, hoje à noite estarei em sala de aula. Adoraria participar de uma conversa na Twitcam com você sobre o assunto.

Concordo plenamente que o problema é “bem mai$ que i$$o” e que a mídia brasileira está a jogar pedras por mais motivo$ do que pelos simples erros q aconteceram. Entretanto, tenho de dizer que os erros que aconteceram não são tão aceitáveis assim. O número de alunos atingidos pelos erros, na verdade, foi de 100%. Não esqueça que as poucas provas com questões faltando não foram o único caso, os gabaritos de todas as provas foram impressos com erros. Alguns fiscais acabaram por dar instruções errôneas de como os estudantes deveriam proceder, alguns estudantes ficaram sem saber direito o que fazer até o final da segunda hora de prova (ouvi inclusive alunos meus reclamando). Em uma prova importante para o ingresso universitário de muitos estudantes, uma prova que só acontece (também por incompetência do MEC) uma vez por ano, esse fator é por demais problemático.

Qto à sua bela frase “Se, ao final da carreira, eu descobrisse que somente em 0,06% dos casos eu fui, por exemplo, injusto na nota (por desatenção, cansaço, erro de memória ou matemática, interferência involuntária de outra emoção etc.), eu certamente me daria por satisfeito e realizado.”, tenho de admitir que eu também ficaria feliz com um resultado assim. Entretanto, os alunos costumam ter muito mais contato com os professores e nossos erros podem ser resolvidos com muito mais facilidade. Em um exame como o ENEM, exame que muitas vezes é a única possibilidade anual de ingresso em algumas instituições universitárias, o caso é bem mais complicado.

Não sei se anular a prova seria uma solução, mas marcá-la como “um completo sucesso”, como o MEC já alardeou, é quase que desrespeitoso.

Abraços.
Ulisses.

Ulisses Adirt em novembro 9, 2010 3:04 PM


#50

Em sao paulo o Saresp 2009 teve muito mais problemas, e não foi alvo de críticas.

http://namarianews.blogspot.com/2009/11/saresp-2009-o-rescaldo.html

fm em novembro 9, 2010 3:07 PM


#51

Pela imprensa, fm, pode não ter sido, mas entre os professores e estudantes, é criticado o tempo todo (http://jornalete-etesp.blogspot.com/2010/10/saresp.html).

Ulisses Adirt em novembro 9, 2010 3:28 PM


#52

Idelber;
Primeiro eu agradeço (novamente) o tanto de referências e as defesas de pontos de vistas diversos que grande parte das pessoas não acompanham normalmente.
Agora, talvez fosse interessante pesquisar os primórdios do ENEM e ver porque antes ele era uma maravilha da natureza e "de repente" passou a ser a desgraça. Questões de aprimoramento e, sobretudo, abrangência passam pela transformação em "desgraça". Em termos rasos, aqueles que o idealizaram não apreciam as massas, o povão que finalmente não apenas sonha em ir ao paraíso, mas vai de fato e muda vidas, daí a meteção de pau tão constante. Sem contar que Di Gênios e companhia rezam ajoelhados diariamente para que o ENEM seja verdadeiramente o lixo que a imprensa retrógrada diz ser. Quando a pessoa sabe que vai morrer ou se danar de vez é capaz de atos muito estúpidos.
Outra coisa para comparar, é ver o que o dito "pai do ENEM", Sr. Paulo Renato fez com o equivalente-mirim SARESP, recentemente em SP. Imagina: a equipe dele na Secretaria de Educação é todinha daquela época ministerial, sabe tudo, portanto. Ele gastou uma fortuna mirabolante no último SARESP e deu tanta, mas tanta conturbação que deveria ter sido tudo anulado mesmo, se a coisa fosse tão séria quanto dizem ser. O que ele(s) alegaram à época? "Não foi nada de mais, tá tudo normal". E a imprensa engoliu na boa. Até hoje tem pessoal que não recebeu pagamento etc.. Alguém fez a pergunta mágica "por que teria sido tudo considerado normal?" É só uma questão de números, de proporção? É incomparável ao ENEM? O que disse o Paulo Renato quando as provas do ENEM foram roubadas da gráfica Plural com quem faz negócios? Quem roubou tá onde? O que disseram sobre a empresa Cetro (http://www.cetroconcursos.com.br/Cetro/cetro_nossosclientes.asp), que faz tudo que é concurso público de SP e que estava até o talo no enrosco?
Entre outras respostas temos que enquanto o ENEM muda vidas de pessoas e famílias inteiras, o SARESP tortura os números para colocar a educação paulista em um patamar um tantinho melhor - e ainda conta para a manobra da "meritocracia salarial" dos professores. Alguns desses momentos caóticos do Paulo Renato podem ser vistos aqui http://namarianews.blogspot.com/search/label/SARESP%202009 - e também no Cloaca News.
(Será que ele sabe da justa movimentação dos alunos das ETEC's contra o Saresp? Pensa o quê?)

O fato é que além do fim do ENEM, querem cavar a sepultura do Haddad. Então a gente deve perguntar de novo: qual o motivo? A quem interessa tanto o massacre geral?

NaMariaNews em novembro 9, 2010 3:32 PM


#53

Ulisses,
quando se coloca o http entre parêntese, ou qualquer outra coisa, ele não é mais um link. Aconselho que coloque o http sem qualquer outra sinalização, de modo que facilite a vida dos leitores :).
Meu comentário foi feito quando o seu ainda não estava publicado. Portanto não foi uma resposta direta a vc.
Não duvido que tenha havido criticas dos professores. mas não estamos falando disso.
Também não é o caso dessa crítica ser irelevante, muito pelo contrário, pois pretendi enfatizar a afirmação do Idelber;
'De uma discussão que teria sentido e que valeria a pena ter-- qual a falha que o Inep poderia ter sanado e como evitá-la da próxima vez – passa-se logo a julgamentos peremptórios sobre a ideia em si (que é excelente) ou, pior, o ministério como um todo."
Portanto, e agora sim, não concordo com seu comentário.
E não o faço por discordar que tenha existido erros, mas pela insistência, quase automática, em declamar, a partir de experiências muito pouco ciêntificas, que foram 100% os alunos atingidos.
Como assim cara pálida? Se vc mesmo afirma que concorda 'plenamente que o problema é “bem mai$ que i$$o” e que a mídia brasileira está a jogar pedras por mais motivo$ do que pelos simples erros q aconteceram".
Abrs

fm em novembro 9, 2010 5:04 PM


#54

Problema, Idelber. Tu fala que " há que se precaver contra conclusões apressadas". Mas os teus parágrafos anteriores estão repletos de conclusões apressadas.

Primeiramente, tu parte de uma premissa espúria - isto é, que o ENEM é igual à tua carreira de professor, logo a taxa de erro deste ENEM deve ser julgada conforme os critérios pelos quais julgaríamos os teus erros humanos durante a sua carreira. Isso é um disparate. Seria como dizer que eu deveria ser premiado por acertar 50% das questões de uma prova porque 50% de acerto nos arremessos de três pontos seria algo genial no basquete. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Há também a hipótese de que o ENEM derrubaria a máfia dos vestibulares. Primeiro, não define o que seria esta máfia - presumo que seja a "máfia" dos cursinhos. Ora, o ENEM nada mais é do que um vestibular, só que unificado. Os cursinhos continuarão a existir com o ENEM, precisando apenas fazer uma pequena adaptação de seus conteúdos.

E o pior: na sanha de expor os interesses escusos das "famiglias" da mídia brasileira (por que não abandona logo este termo e adota PIG de uma vez?), sequer menciona os interesses dos estudantes prejudicados por esse engano. Ora, caso o ENEM não seja anulado, é preciso dizer que estes estudantes - estudantes nordestinos - estão FUDIDOS. Tiveram um ano de estudo jogado na lata do lixo. O resto do post parte para a máfia dos livros didáticos, esquecendo, bem, esquecendo destes excluídos.

Gabbardo em novembro 9, 2010 5:41 PM


#55

Problema, Idelber. Tu fala que " há que se precaver contra conclusões apressadas". Mas os teus parágrafos anteriores estão repletos de conclusões apressadas.

Primeiramente, tu parte de uma premissa espúria - isto é, que o ENEM é igual à tua carreira de professor, logo a taxa de erro deste ENEM deve ser julgada conforme os critérios pelos quais julgaríamos os teus erros humanos durante a sua carreira. Isso é um disparate. Seria como dizer que eu deveria ser premiado por acertar 50% das questões de uma prova porque 50% de acerto nos arremessos de três pontos seria algo genial no basquete. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Há também a hipótese de que o ENEM derrubaria a máfia dos vestibulares. Primeiro, não define o que seria esta máfia - presumo que seja a "máfia" dos cursinhos. Ora, o ENEM nada mais é do que um vestibular, só que unificado. Os cursinhos continuarão a existir com o ENEM, precisando apenas fazer uma pequena adaptação de seus conteúdos.

E o pior: na sanha de expor os interesses escusos das "famiglias" da mídia brasileira (por que não abandona logo este termo e adota PIG de uma vez?), sequer menciona os interesses dos estudantes prejudicados por esse engano. Ora, caso o ENEM não seja anulado, é preciso dizer que estes estudantes - estudantes nordestinos - estão FUDIDOS. Tiveram um ano de estudo jogado na lata do lixo. O resto do post parte para a máfia dos livros didáticos, esquecendo, bem, esquecendo destes excluídos.

Gabbardo em novembro 9, 2010 5:41 PM


#56

:-) Obrigado pela dica do link, fm. E eu não tinha atacado o seu comentário e, sim, complementado. Achei q valia a pena citar os estudantes das ETECs criticando o Saresp (e foi bom, pq logo em seguida o NaMariaNews citou o fato tb).

Agora, qto ao meu “100% de alunos atingidos”, eu lamento dizer, mas é correto. O dado é simples: provas faltando questões foram de 0,06%, mas todos os gabaritos distribuídos – todos mesmo – tinham erro de impressão (100% dos gabaritos com erros e, portanto, 100% dos alunos prejudicados pela falta de cuidado). No cabeçalho do gabarito, onde deveria estar grafado como “Ciências Humanas” foi grafado como “Ciências da Natureza” e vice-versa – o que deu confusão na hora de responder. Nisso, não há nem discussão, o próprio Fernando Haddad pediu desculpas – “É evidente [que devemos pedir desculpas aos alunos]. Todo desconforto merece por parte do poder público uma retratação.” –, link do vídeo aqui: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1371518-7823-FERNANDO+HADDAD+FALA+SOBRE+OS+PROBLEMAS+NO+ENEM,00.html

É importante não esquecer que os alunos, em um momento de nervosismo, em um exame importante, acabaram encontrando mais um desconforto. Todos tiveram de passar por isso (portanto 100%) e alguns em grau pior, já q alguns fiscais contornaram logo o problema e outros tiveram dificuldade e até deram informações erradas.

Agora, as críticas desproporcionais, a vontade de enterrar o ENEM e o Haddad, isso sim entra no caso do “problema é ‘bem mai$ que i$$o’ e que a mídia brasileira está a jogar pedras por mais motivo$ do que pelos simples erros q aconteceram”.

Ulisses Adirt em novembro 9, 2010 5:46 PM


#57

Ok, Ulisses,
sobre o ETECs e o Saresp tenho ciência das críticas, e concordamos, mas principalmente porque sou leitor atento do http://migre.me/26x3P.
Mas vc está desconsiderando que o gabarito é publicado depois das provas, portanto, no momento da prova, a publicação posterior de um gabarito com erros não pode ser um motivo de + nervosismo, muito menos criar confusão na 'hora de responder', certo?
Bem, pelo menos foi isso que deduzi de seu raciocínio!
Seu link tem muito mais informações que a saia justa pela qual o ministro pediu desculpas.
Mas eu acho que este caso se trata apenas ( ou infelizmente) da defesa do 'Grana, baby, grana.'

fm em novembro 9, 2010 6:23 PM


#58

Idelber, há uma outra questão que ainda não vi colocada. Vê se é pertinente: em toda prova de concurso, incluindo vestibular, o candidato é orientado, nas instruções, a checar se o caderno de provas possui n questões, isso, aquilo e aquilo outro e, em caso de problema, solicitar a troca ao fiscal. Caso não o faça, a responsabilidade é exclusivamente do candidato.

No mais, erros de impressão são realidade estatística, ainda mais num universo de quase 4 milhões de exemplares. É CONSTRANGEDOR ver gente se apegando a essa mesquinharia.

Cajueiro em novembro 9, 2010 6:52 PM


#59

Ah... fm, desculpe-me, não sei a sua idade, não sei se vc chegou a fazer algum dos atuais vestibulares que usam cartões-gabarito. Se não, explico para vc: os estudantes recebem a prova e uma folha separada (o gabarito), na qual eles irão marcar as respostas dos testes que eles assinalarem durante a prova. Veja um exemplo nessa imagem: http://www.fsa.br/santoandre/editor/userfiles/File/gabaritoVestibular2010.jpg

Foi essa folha, esse cartão no qual os alunos deveriam marcar as respostas durante a prova, que veio com erros de impressão. Imagine, usando o exemplo da imagem q eu mandei no link acima, que as questões “1 a 25” na prova correspondiam às perguntas de História, mas, na folha-gabarito que os alunos t/ de assinar, estivesse escrito “1 a 25 – Biologia”; nas “26 a 50”, que na prova eram questões de Biologia, na folha em q os alunos teriam de dar a resposta estivesse escrito, “26 a 50 – História” e assim por diante. Entendeu? Isso deu uma confusão absurda na hora e mtos fiscais não souberam como resolver. E, claro, isso deixou os alunos mais nervosos. Fez sentido?

Ah, Cajueiro, um dos problemas desse erro q eu relatei é q TODOS os cartões-gabaritos distribuídos para os candidatos colocarem suas respostas estavam com erros e, portanto, não adiantava pedir para trocar. Só resultaria em perda de tempo e mais nervosismo aos pobres dos alunos.

Ulisses Adirt em novembro 9, 2010 11:05 PM


#60

Boa noite Idelber,
Esse artigo de Fernando Veloso sobre escola pública com gestão privada, foi publicado na Folha em 16/10/10:
http://www.nace.com.br/clipping.asp?id_pub=5431&sec=14
Acha que os tucanos querem lancar um piloto em SP? Posso estar enganada, mas é o que me pareceu. Mesmo entre os interessados, há muitas críticas.
http://www.lideresemgestaoescolar.org.br/ideiasemeducacao/index.php/category/blog
Se puder comentar, gostaria de saber o que pensa a respeito.
Obrigada

Ananda em novembro 9, 2010 11:44 PM


#61

Idelber (#25),

Você disse: “Claro que cabe, meu caro Luiz. Não é se "falha semelhante tivesse ocorrido". Falhas muito piores acontecem com os SATs o tempo todo. Até em Harvard.
Não só houve erros no SAT, como eles foram de gravidade muito maior que os do ENEM, como você pode ver lendo as matérias lincadas no parágrafo anterior. Claro que houve gritaria. Mas anular os SATs na totalidade ou eliminá-los? Não passaria pela cabeça de ninguém. Certamente não passaria pela cabeça de nenhum jornalista que nunca ouviu falar de TRI dizer que a replicação da prova no universo afetado não pode ser feita. E dificilmente apareceria um juiz para anular 3,5 milhões de provas porque 2.000 foram mal impressas.
Não que os EUA tenham que ser modelo necessariamente, claro.”

Agradeço pelas referências ao problema de 2006 com o scoring assessment dos SATs. De fato naquele caso, deflacionar cerca de 4,000 scores num universo de 495,000 (“Student Sues Over SAT Scoring Gaffe”, Chronicle of Higher Education, April 2006) está numa ordem superior a do equívoco do ENEM, sem contar que computar para menos e para mais os scores dos alunos nos headquarters do Pearson Educational Measurement é coisa mais grave do que inverter a ordem das questões no cartão de respostas.
Confesso que não sou lá um leitor assíduo do Chronicle of Higher Education ou do Journal of College Admission. Mas acompanhei a controvérsia toda em torno do movimento SAT-optional (“Behind the SAT-Optional Movement: Context and Controversy”, Journal of College Admission, 2009), a saída da Sarah Lawrence do SAT, o flerte das tradicionais research universities com o SAT-optional movement, e principalmente segui a controvérsia em torno das implicações de que o SAT tenha bias étnico e de gênero (“SATs Greatest Test, Chronicle of Higher Education, 2001”)- o que é bull pra mim.
Mas as minhas omissões acabaram levando a conversa para outro lado, oh teach. O meu ponto não era argumentar a infalibidade do SAT. Mas o de afirmar que a gritaria é justificada. É justificada a despeito dos interesses políticos (SAT-optional movement), e que a conversa sobre os erros do Ministério da Educação não podem se tornar presa desse círculo-vicioso-discursivo que vai da querela PSDB-PT até a malvada mídia e de volta. O cidadão que se sentiu lesado com o teste não tem direito a sua voz, sem que suas palavras sejam confundidas com as da máfia dos cursinhos pré-vestibulares?
Desculpa a falta de hyperlinks para os textos do Chronicle. O meu acesso é pelo JSTOR

Luiz em novembro 10, 2010 4:21 AM


#62

"Ninguém na área editorial parece conhecer uma "Editora Gol". E a editora só parece publicar isso aí. Não se sabe onde fica, por exemplo, seu parque gráfico. Um mistério danado."

Bom... Os produtos da empresa estão aqui: http://www.golgrupo.com.br/gol_editora_produtos.asp?cod_idioma=0

Eles fazem outras coisas além do Telecurso, coisas com e sem parceria com a Fundação Roberto Marinho. Aparentam ser uma editora pequena, cujo dono, provavelmente, conseguiu algum contrato de licenciamento há muitos anos para vender produtos em alguns canais de distribuição. Por exemplo, olhando o site rápido, um dos canais nos quais eles operam são bancas de jornal -- que é um pé-no-saco de canal para alguns produtos.

Eles dizem que trabalham com esses produtos há uns 10 anos. Sei lá. Não sei o quê vocês viram aí...

Quanto ao parque gráfico, claro que eles não precisam de nenhum. Poucas editoras têm parque gráfico, porque o custo fixo é muito alto e só faz sentido adquirir as máquinas se: seu volume for imenso (telecurso não é), se você for atuar com várias editoras, agregando volume (o normal no Brasil). Dica: Pegue qualquer livro impresso no Brasil e olhe as últimas páginas. Ele vai ter uma mensagem no estilo "impresso para a editora x pela gráfica y, em papel z e em fonte w".

De novo... qual a desconfiança?

Rafael M em novembro 10, 2010 7:09 AM


#63

"vender produtos em alguns canais de distribuição"

Só para completar, lógico que outro canal de distribuição que eles atuam, pelas suas informações, é governo.

Rafael M em novembro 10, 2010 7:11 AM


Pynkoo em novembro 10, 2010 9:59 AM


#65

Desabafo: se a nossa oposição é como bacana & Pynkoo, então é melhor ficar sem oposição mesmo.
No mais faço minhas as palavras de MC (#47).
O que estão querendo fazer não é apenas acabar com todo um processo de democratização da educação como queimar o Haddad(o melhor ministro da pasta em muitas décadas)como eventual candidato do governo à prefeitura ou estado de SP ou mesmo à sucessão da Dilma.

Otto em novembro 10, 2010 12:37 PM


#66

Pynikoo, a resposta está no texto do seu link:


"O FGC é uma entidade privada constituída por todos os bancos que operam no Brasil e que garante depósitos de clientes nas instituições financeiras em caso de problema nos bancos"

Rodrigo Tavares em novembro 10, 2010 1:27 PM


#67

Rafael M (#62);
A Editora Gol tem mesmo esse site e tals, isso não é novidade e já o mostramos. Os problemas começam com buscas mais refinadas e até conversas com editores, digamos, mais sérios: ninguém sabe nada. Essa Gol ou seu grupo pra fizeram CD's, DVD's, é certo. Mais dados estranhos aparecem no RegistroBr. Isso sem contar as normas da Fundação Roberto Marinho para "aprovar" suas gráficas. Outra coisa é que a Gol diz ter parque gráfico, só não se sabe onde. Então como ela imprime os livros da Fundação Roberto Marinho (e outros)? terceiriza os serviços onde? Talvez na Posigraf, na Ibep? Onde? Essas são as perguntas de bastidores e não de superfície. Pode confiar, há estranhezas aí.

Outra coisa a se considerar e que o Prof. Idelber levantou ontem em sua twittcam, é o fato de os materiais da FRM serem produzidos somente por ela, daí não haver necessidade de licitá-los. Então por que o fazem e sempre com as 3 gráficas? Às vezes entram outros concorrentes nos certames, mas jamais ganham, jamais. E para piorar, há muitas compras semelhantes da mesma FRM sem nenhuma licitação, por Estados e Municípios, com quantidades elevadas ou pequenas. Então quando devem ser feitas e quando não? O que explica isso?
Onde estão as justificativas oficiais e necessárias para este tipo de compra?
As perguntas seguem por aí e mais além.

NaMariaNews em novembro 10, 2010 1:27 PM


#68

Otto, acalme-se. Fiz apenas uma pequena brincanagem com o Idelber e os comentários acima a respeito da pouca criticidade do pensamento dele, quando se trata de defender atos, mesmo os mais toscos, protagonizados por quem está no governo.

Quanto ao banana, creio que nem é preciso queima-lo, pois o mesmo se auto-flambou. Até o atual presidente está defendendo a possibilidade de novas provas.

Sei que existem outros e grandes interesses envolvidos, mas creio que isso não esconde, nem justifica, uma série de pequenas incompetências que, somadas, se transformam em uma verdadeira catástrofe. Como poderia alguém, dotado de toda essa competência que vcs enxergam e depois do que aconteceu no exame do ano passado, colocar apenas um fiscal para acompanhar e revisar todos os trabalhos de impressão e montagem de quatro milhões de provas?

Pynkoo em novembro 10, 2010 1:28 PM


#69

Só mais uma coisa, Idelber (#25 e #61)
(Provavelmente daqui em diante vou estar falando para o pano de fundo do blog já que você já marcou o seu golaço ontem no Twitcam).
O meu argumento também ía na direção de que me causa estranheza que você, acostumado com um sistema de teste e assessment muito mais severo que o brasileiro (mesmo quando no erro, vide o único screw-up de 2005-2006 que você apontou ontem e o processo milionário que seguiu o equívoco na leitura dos cartões - "Parties Reach $2.85-Million Settlement Over SAT Scanning Errors", Chronicle of Higher Education Sep 7, 2007. Vol. 54, Iss. 2; pg. A.45) encontre tanta leniência e bondade no coração para o screw-up do ENEM.
O seu texto tem dificuldade em até admitir que houve lambança.

Luiz em novembro 10, 2010 1:34 PM


#70

Idelber

Manchete no Nassif:

Prejudicados do ENEM não chegam a mil, segundo Haddad

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/prejudicados-do-enem-nao-chegam-a-mil-segundo-haddad

Jose Donizetti em novembro 10, 2010 1:52 PM


#71

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/11/10/os-edutecas-do-enem-levaram-bomba-339569.asp


Mais uma pequena contribuição ao debate. Creio que este, pelo menos, o pessoal por aqui escuta um pouco.

Pynkoo em novembro 10, 2010 1:58 PM


#72

Acompanhante dos fatos pela midia brasileira afirmo:
Cada dia mais podemos concluir que não existe imprensa no Brasil.
Temos, apenas, "empresas de comunicação".
"Empresas de comunicação" são como qualquer empresa... Vendem espaço físico ou virtual para obter LUCRO.
Por isso, chamo jornalista de jornaleiro.
São mercadores da notícia. Simples assim!
Quem faz anúncio tem a verdade alugada.
Anunciou, levou!
Exceções (como este e outros sítios) apenas confirmam a regra.


Rogério Bezerra
Da Bela e Feudal Floripa

Rogério Neibert Bezerra em novembro 10, 2010 2:42 PM


#73

Acompanhante dos fatos pela midia brasileira afirmo:
Cada dia mais podemos concluir que não existe imprensa no Brasil.
Temos, apenas, "empresas de comunicação".
"Empresas de comunicação" são como qualquer empresa... Vendem espaço físico ou virtual para obter LUCRO.
Por isso, chamo jornalista de jornaleiro.
São mercadores da notícia. Simples assim!
Quem faz anúncio tem a verdade alugada.
Anunciou, levou!
Exceções (como este e outros sítios) apenas confirmam a regra.


Rogério Bezerra
Da Bela e Feudal Floripa

Rogério Neibert Bezerra em novembro 10, 2010 2:43 PM


Bruno em novembro 10, 2010 3:31 PM


#75

Ô Pynkoo (#71)! O Elio Gaspari, ainda por cima replicado, pelo Noblat, ninguém merece!
Creio que este "escândalo" só existe porque foi criado pela mídia. Em qualquer concurso reba acontecem problemas bem maiores. O caso do Saresp, muito mais grave, está aí pra não me deixar mentir. Por que a mídia não o escandalizou? Porque não tem interesse.
Apanas 1000 provas foram prejudicadas neste Enem, como está no Nassif. É outra tapioca.

Otto em novembro 10, 2010 4:24 PM


#76

"Creio que este, pelo menos, o pessoal por aqui escuta um pouco".

Melhor você dar uma olhadinha no histórico do blog, Pynkoo.

Juliano em novembro 10, 2010 4:31 PM


#77

É que percebi uma inspiração "gasparística" no "privataria" do título do artigo. Minha intenção não é provocar ninguém, apenas fazer um contraponto a esta quase homogeneidade, que acho tão surpreendente...

Afora isso, apenas tentar estimular o Idelber a usar o seu pensamento tão profundo e poderoso em análises sem um viés tão claramente partidário...

Pynkoo em novembro 10, 2010 5:28 PM


#78

caramba..ainda tem gente que acha mesmo que existe politica "apolitica"??? ideologia "adeologica"???..sem viés partidario????
quiuspa!!!! cáspite!!!! vade retro....

A Lesma Lerda em novembro 10, 2010 6:41 PM


#79

Sinceramente, Pynkoo, se você leu estes 78 comentários e viu "homogeneidade", suspeito que a minha oferta de heterogeneidades não esteja variada o suficiente para as suas preferências.

Em todo caso, se está interessado (a?) em discutir ENEM a sério, com argumentos, conhecimento de causa, e sem ad hominems, é só visitar o post que acaba de ser publicado.

Idelber em novembro 10, 2010 7:31 PM


#80

#67 NaMariaNews

"A Editora Gol tem mesmo esse site e tals, isso não é novidade e já o mostramos. Os problemas começam com buscas mais refinadas e até conversas com editores, digamos, mais sérios: ninguém sabe nada. Essa Gol ou seu grupo pra fizeram CD's, DVD's, é certo. Mais dados estranhos aparecem no RegistroBr."

Ninguém sabe nada? De uma empresa que faz esses encartes que a gente vê em banca? Vou te contar uma coisa sobre qualquer empresa séria de qualquer setor econômico: Se outra empresa qualquer entra no terreno delas, reclama-se montes, do tipo: "esse cara é um desconhecido, não sei como faz, deve ter mutreta aí".

A empresa comentada, se perguntada, vai dizer o contrário: "a gente veio e tirou esses gatos gordos da posição deles e agora eles lançam futrica"

Quem tem razão? Normalmente ninguém.

"Isso sem contar as normas da Fundação Roberto Marinho para "aprovar" suas gráficas."

Eu te conto como costuma funcionar: Apresenta-se um plano de negócios, como se irá trabalhar no setor para a empresa com o conteúdo. Negocia-se um contrato. Em nenhum negócio desses a empresa que quer licenciar marca é perfeita (nenhuma empresa é) -- ela pode ser pequena, ter pouca experiência, ser grande demais, ter pouco histórico de atuação, não saber negociar bem, tem parque próprio, não tem... As vezes mais de uma coisa dessas junto. Mas a licenciada toma um risco, maior ou menor. Se for dando certo, continua-se. Se não, rompe-se o contrato.

Meio simples, na verdade.

"é o fato de os materiais da FRM serem produzidos somente por ela, daí não haver necessidade de licitá-los. Então por que o fazem e sempre com as 3 gráficas? Às vezes entram outros concorrentes nos certames, mas jamais ganham, jamais."

Trata-se de quem tem o contrato de licitação. As vezes, para a FRM não é interessante se envolver demais na distribuição. É outro negócio, com outras características. Se ela produz conteúdo e faz ações beneficientes, o mais que ela conseguir sair disso, melhor.

Aliás, excelente ter 3 gráficas: elas podem competir por preço na produção e logística. Mais concorrência, menores preços. Se há outras que não ganham, melhor ainda: mais concorrência. Uma hora elas se acertam e ganham.

"E para piorar, há muitas compras semelhantes da mesma FRM sem nenhuma licitação, por Estados e Municípios, com quantidades elevadas ou pequenas. Então quando devem ser feitas e quando não? O que explica isso?"

Tipicamente, isso aconteceria para áreas para as quais a FRM não tem distribuidor, seja porque não achou um parceiro decente, seja porque os volumes globais não valem a pena. Aí, para a FRM, melhor se meter nisso (seria uma parcela menor do todo) do que não ter a receita.

"Onde estão as justificativas oficiais e necessárias para este tipo de compra?"

Se vários Estados e Municípios compram, suponho que o material tem algum valor educacional. Como vi telecurso na TV desde que me conheço por gente, acho que esse valor está aí faz tempo. Se não me engano, esses materiais são criados em parceria com SESC, SENAI, etc. Suponho que seja bom para ensinar certo grupo de pessoas.


Mais uma vez, não me convence muito a suspeita. Tudo o que você colocou tem cara de decisões legítimas de uma empresa racional.


Rafael M em novembro 10, 2010 7:38 PM


#81

Estão esquecendo um detalhe importante nisso tudo: O problema maior não é a falha em 0,0 alguma coisa na impressão das provas, mas sim o PÉSSIMO nível em 100 % das provas.

Fernando em novembro 15, 2010 5:58 PM


#82

Prezado Idelber, acabo de publicar um artigo sobre "O caso Jabuti", citando (criticamente) seu ensaio “Cânone literário e valor estético: notas sobre um debate de nosso tempo”. Como é longo demais para este espaço, convido-o e a todos os leitores para conhecê-lo na página do Amálgama ( http://www.amalgama.blog.br/ ) ou em meu blog ( http://guilhermescalzilli.blogspot.com/ ).
Nossas visões são um pouco diferentes, mas seria muito bom conhecer mais suas opiniões sobre os desdobramentos que proponho e continuar aprendendo com elas.
Receba um abraço do admirador.
Guilherme Scalzilli

Guilherme Scalzilli em novembro 23, 2010 1:26 PM