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quarta-feira, 17 de novembro 2010

Aviso (2)

Por incrível que pareça, terei que me desculpar de novo: imprevistos por aqui, e o raio do fuso horário desta época do ano (4 horas entre Nova Orleans e Brasília), me impediram de produzir o texto para o Clube de Leituras a tempo. Se for para começar à tarde, melhor começar no dia seguinte. Continue, pois, navegando pela maravilha. Lá está "As Academias de Sião". Você já pode consultar o texto do Milton Ribeiro e, se quiser se aprofundar mesmo, o segundo capítulo da tese da Marta Cavalcanti de Barros, que é sobre "Academias" (sugestão do leitor Frank).

Amanhã eu volto de verdade.



  Escrito por Idelber às 04:58 | link para este post | Comentários (6)


Comentários

#1

Saudações Prof. Idelber!!

quem diria, você na Al Jazeera !! Parabéns !!

seus comentários a partir dos 20:15 do vídeo abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=ow1WvtvbhhI&feature=player_embedded#!

abraços !!

Marcus Vinicius em novembro 17, 2010 6:17 PM


#2

Idelber

desculpe o fora de pauta, mas acho que vale a pena repercutir o que segue:

http://www.imil.org.br/category/divulgacao/eventos/

trata-se de um encontro em Minas, dia 22, em BH, promovido pelo Instituto Millenium, sobre liberdade de expressão!!!

com palestras de Aécio Neves, o grande censor de Minas!!!

FHC, Kátia Abreu!!!

Nós, do Contorno com Dilma, estamos tentando organizar uma manifestação bem humorada em frente ao local do evento

Estamos também tentando ver se alguns de nós participam do seminário, para questionar essa liberdade conservadora frente a frente, através do diálogo

não vale a pena falar disso?

(já li o texto do Machado, aguardo o início das conversas)

abçs

rabbit em novembro 17, 2010 8:12 PM


#3

Salve, Marcus, muito obrigado pelo link. Sim, a Al Jazeera tinha pedido uma prosinha sobre as eleições, me alegro de ver o produto final. A íntegra do que eu mandei a eles está aqui.

Rabbit, Ô, se vale! Anotadíssimo. Valeu.

Idelber em novembro 17, 2010 11:29 PM


#4

Idelber, eis a minha contribuição...


SOBRE AS ALMAS
by Ramiro Conceição

Sou poeta, mas sou cientista. Sou cientista, mas sou poeta. Então o quê essencialmente sou? Não sei! Mas… se não sei - é porque, de alguma maneira, já sei o quê é o saber… Mas o quê, ou quem, sabe em mim antes de eu saber?
Poderia responder que é a cultura que se misturou em mim, que aprendei desde os meus primórdios, com os meus pais… Porém eles não me ensinaram, essencialmente, a respirar, a chorar, a rir, a olhar, a cheirar, a tocar…
De alguma maneira, que desconheço, cheguei ao mundo, feito um passageiro, que já trazia consigo uma bagagem…Contudo, que mala foi essa? Quando - e onde - a preparei? Como ela não se perdeu durante tão complexa viagem?
Ah, sei, diz a religião que é a ALMA… Ah, sei, diz a ciência que é o processo de evolução da VIDA… Mas então: a ALMA é a VIDA, e essa - é aquela? Não importando a ordem dos fatores ao produto? Isso é muito interessante! Pois um mosquito tem uma alma tal qual qualquer ser humano!
Talvez, por séculos, construímos uma escala de valores insensatos; talvez, por séculos, fomos loucos, ao nos consideramos o umbigo sublime do UNIVERSO; talvez, por séculos, sublimamos, numa pseudograndeza civilizatória, a nossa insignificante estupidez.
Talvez fosse preciso escrever, efemeramente, sobre alguma areia de um mar longínquo: SER-HUMANO! Sim, é isso, com hífen! Uma ponte lúcida, e democrática, entre o ser e o mosquito vivo, que realmente somos…

NASCIMENTO
by Ramiro Conceição

Na paridela do Ser-Humano,
o computador indicou imediatamente “verbete inexistente”.
Mas a parturiente em dilatações gritava,
Pois o renovo mudara para uma difícil posição de nascimento.

Nesta indefinição, o chefe da junta médica da gramática
decidiu pela metrotomia: ser……………………...humano.
Mas a mãe se opôs: - Não, quero o meu Ser-Humano!
(Ela compreendera, durante a gestação,
o brilho da grama d’Ática ao amanhecer).

Por fim, decidiram:
parto natural induzido.

Nasceu robusto rebento,
composto substantivo complexo:
o Ser-Humano!

A Poesia passa bem.


Mas lendo o conto de Machado, me vem a questão: o quê vem a ser a ALMA? Uma excelente explanação complexa sobre tal tema foi essa /1/:

“As conotações que o termo "alma" geralmente transmite à mente da maioria das pessoas provêm primariamente, do uso dos escritos bíblicos (diferentemente interpretados), e da antiga filosofia grega. Os antigos escritores gregos aplicavam psy.khé de vários modos, e não eram coerentes, suas filosofias pessoais e religiosas influenciando seu uso do termo. Segundo os léxicos grego-inglês, fornecem definições tais como "o Eu consciente" ou "ser vivente (humano ou animal)". Até mesmo em obras gregas não-bíblicas, o termo era usado para animais. O termo hebraico para alma é né.fesh. Num sentido literal, exprime a idéia de um "ser que respira" e cuja vida é sustentada pelo sangue.”
“Os termos das línguas originais (hebraico: né•fesh; grego: psy•khé), segundo usados nas Escrituras, mostram que a “alma” é a pessoa, o animal ou a vida que a pessoa ou o animal usufrui.”
“‘Nefesh’ é a própria pessoa, sua necessidade de alimento, o próprio sangue nas suas veias, seu ser.”
“A dificuldade reside em que os significados popularmente atribuídos à palavra portuguesa “alma” provêm primariamente, não das Escrituras Hebraicas ou das Gregas Cristãs, mas da antiga filosofia grega, na realidade, do pensamento religioso pagão. Platão, o filósofo grego, por exemplo, cita Sócrates como dizendo: “A alma . . . se ela partir pura, não arrastando consigo nada do corpo, . . . parte para o que é como ela mesma, para o invisível, divino, imortal e sábio, e quando chega ali, ela é feliz, liberta do erro, e da tolice, e do medo . . . e de todos os outros males humanos, e . . . vive em verdade por todo o porvir com os deuses.” — Phaedo (Fédon), 80, D, E; 81, A.”
“Em contraste direto com o ensino grego sobre a psy•khé (alma) como imaterial, intangível, invisível e imortal, as Escrituras mostram que tanto psy•khé como né•fesh, conforme usadas com referência a criaturas terrestres, referem-se àquilo que é material, tangível, visível e mortal.”
“A New Catholic Encyclopedia (Nova Enciclopédia Católica) diz: “Nepes [né•fesh] é um termo de muito maior extensão do que nossa ‘alma’, significando vida (Êx 21.23; Dt 19.21) e suas várias manifestações vitais: respiração (Gn 35.18; Jó 41.13[21] ), sangue [Gn 9.4; Dt 12.23; Sl 140(141).8 ], desejo (2 Sm 3.21; Pr 23.2). A alma no A[ntigo] T[estamento] significa, não uma parte do homem, mas o homem inteiro — o homem como ser vivente. Similarmente, no N[ovo] T[estamento] significa vida humana: a vida duma entidade individual, consciente, além do invólucro material, que é o corpo carnal. (Mt 2.20; 6.25; Lu 12.22-23; 14.26; Jo 10.11, 15, 17; 13.37).” — 1967, Vol. XIII, p. 467.”
“A tradução católica romana, The New American Bible (A Nova Bíblia Americana), em seu “Glossário de Termos de Teologia Bíblica” (pp. 27, 28), diz: “No Novo Testamento, ‘salvar a alma’ (Mr 8:35) não significa salvar alguma parte ‘espiritual’ do homem, em contraste com o seu ‘corpo’ (no sentido platônico), mas a inteira pessoa, com ênfase no fato de que a pessoa está viva, desejando, amando e querendo, etc., em adição a ser concreta e física.” — Edição publicada por P. J. Kenedy & Sons, Nova Iorque, 1970.”
“Né•fesh evidentemente provém duma raiz que significa “respirar”, e, num sentido literal, né•fesh poderia ser traduzido como “alguém que respira”. O Lexicon in Veteris Testamenti Libros (Léxico dos Livros do Velho Testamento; Leiden, 1958, p. 627), de Koehler e Baumgartner, a define como segue: “a substância respiradora, que torna o homem e o animal seres viventes Gn 1,20 , a alma (estritamente distinta da noção grega da alma), cuja sede é o sangue Gn 9,4ss Lv 17,11 Dt 12,23 : (249 X) . . . alma = ser vivente, indivíduo, pessoa, que dá vida ao corpo carnal, individualidade, personalidade imortal.”
“Quanto à palavra grega psy•khé, os léxicos grego-inglês fornecem definições tais como ‘vida’ e “o eu consciente ou personalidade como centro de emoções, desejos e ‘afeições’, ‘um ser vivente’, e mostram que até mesmo em obras gregas não-bíblicas o termo era usado “para animais”. Naturalmente, essas fontes, que lidam primariamente com os escritos gregos clássicos, incluem todos os significados que os filósofos gregos, pagãos, davam à palavra, inclusive o de ‘espírito que partiu’, ‘a alma imaterial e imortal’, ‘o espírito do universo’ e ‘o princípio imaterial do movimento e da vida’.”

Mas lendo o conto de Machado, me vem a questão: o quê vem a ser a VIDA?
Aí, o Google não me respondeu… Só encontrei coisas sobre o sentido da vida. Mas nada sobre o que é a vida…

Então fico com a minha pueril essência poetica:
EXISTIR É… DECIFRAR… A VIDA.

Para o meu poeta, a ponte que une o SER ao HUMANO e a ALMA à VIDA tem um nome, que vem através dos séculos - apesar da nossa mediocridade: AMOR…


EROS E PSIQUÊ
by Ramiro Conceição

Entrega-se com luxuria
a Cidade ao obscuro infantil.

Como vai ser, quando, porventura,
o rosto do Inocente se mostrar?

Pois o Universo em expansão é gestação
do Extraordinário revelando-se…

Amar a estrela próxima - mas duvidar!

Para o meu poeta, o maravilhoso do conto de Machado foi que foi necessário as trocas das almas, num mundo injusto: PARA PROCRIAR!

TROQUEMOS DE ALMAS!

/1/ http://pt.wikipedia.org/wiki/Alma

Ramiro Conceição em novembro 18, 2010 1:07 AM


#5

errata: onde se lê "foi que foi". leia-se: "foi que".

Ramiro Conceição em novembro 18, 2010 1:14 AM


#6

Errei na errata! Sou um errante...
Então é melhor deixar estar...

Ramiro Conceição em novembro 18, 2010 1:53 AM